Prévia do material em texto
Sistem� digestóri� 2° semestre Lívia B. Cerreti Cavidad� ora� � faring� Cavidad� ora� – A cavidade oral ou boca é dividida em duas partes: vestíbulo da boca e cavidade própria da boca – Vestíbulo da boca: espaço entre os dentes e gengiva e os lábios e bochechas; comunica-se com o exterior pela rima da boca – Cavidade própria da boca: espaço entre os arcos dentais da maxila e da mandíbula; limitada lateral e anteriormente pelos arcos dentais, teto formado pelo palato e se comunica com a orofaringe Lábi��, bochecha� � gengiva� – Lábios: pregas musculofibrosas móveis que circundam a boca – Contém músculos orbicular da boca, vasos e nervos dos lábios superiores e inferiores – Atuam como as válvulas da rima da boca, contendo o esfíncter (músculo orbicular da boca) que controla entrada e saída da boca – A zona de transição do lábio continua até a cavidade oral – Frênulos dos lábios: pregas da margem livre da túnica mucosa na linha mediana – Irrigados pelas artérias labiais superior e inferior, formando um anel arterial – Lábio superior é irrigado por ramos labiais superiores das artérias facial e infraorbital, enquanto o inferior é irrigado por ramos labiais inferiores das artérias facial e mentual – Inervação: lábio superior pelos nervos infraorbitais e inferior pelos nervos mentuais – Linfonodos submandibulares no lábio superior e submentuais no inferior – As bochechas são contínuas com os lábios e tem estrutura similar – A parte externa constitui a região bucal – A proeminência da bochecha está entre as regiões bucal e zigomática – Seus principais músculos são os bucinadores, que superficialmente apresentam corpos adiposos – A irrigação das bochechas se dá por ramos bucais da artéria maxilar e a inervação é por ramos bucais do nervo mandibular – Gengivas: constituídas de tecido fibroso coberto por túnica mucosa – A gengiva propriamente dita está presa aos processos alveolares da mandíbula e da maxila e aos dentes – As gengivas labial e mandibular são adjacentes aos lábios e às bochechas, respectivamente Lívia B. Cerreti Palat� dur� � palat� mol� – O palato constitui o teto da cavidade oral, separando-a da cavidade nasal – A parte anterior é o palato duro, que é formado pelos processos palatinos da maxila e as lâminas horizontais do osso palatino – A parte posterior é o palato mole, o qual é móvel e não possui esqueleto ósseo; de sua margem livre se origina a úvula – Durante a deglutição, o palato mole é tensionado para permitir que a língua seja pressionada e leve o bolo alimentar para a parte posterior da boca e então ele é elevado, impedindo que o alimento vá para a cavidade nasal – A cavidade oral é delimitada posteriormente pelo istmo das fauces – O palato possui uma linha mediana, que possui uma crista a partir da papila incisiva, a rafe do palato – Os cinco músculos do palato mole são: tensor do véu palatino (nervo pterigóideo medial), levantador do véu palatino, palatoglosso, palatofaríngeo e músculo da úvula (inervados pelo ramo faríngeo do nervo vago) – Irrigação: artérias palatinas maior e menor – Drenagem através das veias do palato, que são tributárias do plexo venoso pterigóideo – Inervação: nervos sensitivos são ramos do nervo maxilar; nervos palatino maior supre a gengiva, nervo nasopalatino supre a túnica mucosa do palato duro, nervos palatinos menores suprem o palato mole Língu� – Órgão móvel recoberto por túnica mucosa – Função: articulação e compressão do alimento – Dividida em raiz (parte posterior), corpo e ápice – Possui duas faces, que são separadas por uma margem – O dorso da língua possui o sulco terminal da língua – O sulco mediano divide a parte anterior em metades direita e esquerda – As papilas linguais podem ser circunvaladas (circundadas por uma depressão onde se abrem ductos de glândulas serosas), folhadas (pouco desenvolvidas em humanos), filiformes Lívia B. Cerreti (contém terminações nervosas) e fungiformes (em formato de cogumelo) – A parte posterior da língua não apresenta papilas, mas contém nódulos linfoides, que formam a tonsila lingual – Músculos extrínsecos da língua: genioglosso, hioglosso, estiloglosso (todos inervados pelo nervo hipoglosso) e palatoglosso (inervado pelo plexo faríngeo) – Músculos intrínsecos da língua: longitudinais superior e inferior, transverso e vertical – Irrigação: artérias dorsais da língua e artérias profundas da língua – Drenagem venosa: veias dorsais da língua, veias profundas da língua e veia sublingual Faring� – Estende-se da base do crânio até a margem inferior da cartilagem cricóidea – É contínua com o esôfago – Seu interior é dividido em três partes – Parte nasal (nasofaringe): tem função respiratória e se abre na cavidade nasal a partir dos cóanos – Possui tecido linfoide abundante que forma um anel tonsilar – Tonsila faríngea: chamada de adenoide quando aumentada, situada na parte posterior da nasofaringe – Existe uma prega de mucosa chamada prega salpingofaríngea, que se estende a partir da extremidade medial da tuba auditiva – A tonsila tubária se situa perto da tuba auditiva – Posterior ao toro tubário e à prega salpingofaríngea, fica o recesso faríngeo, uma projeção lateral da faringe em formato de fenda – Parte oral da faringe (orofaringe): tem função digestória; seus limites são o palato mole e a base da língua – As tonsilas palatinas ficam de cada lado da faringe entre os arcos palatinos – A fossa tonsilar é formada pelo músculo constritor superior da faringe e pela lâmina da fáscia faringobasilar – Parte laríngea: posterior à laringe; estende-se da parte superior da epiglote até a margem inferior da cartilagem cricóidea; comunica-se com a laringe pelo ádito da laringe – O recesso piriforme é uma depressão de cada lado do ádito e separado dele pela prega ariepiglótica – A faringe apresenta uma lâmina muscular formada por uma camada interna de músculo longitudinal e uma camada circular externa – A camada circular externa é composta pelos músculos constritores da faringe (superior, médio e inferior) Lívia B. Cerreti – Os músculos longitudinais internos são: palatofaríngeo, estilofaríngeo e salpingofaríngeo; são responsáveis por elevar a laringe e encurtar a faringe durante a deglutição – A irrigação é feita pela artéria tonsilar, um ramo da artéria fascial – A drenagem venosa é feita pela veia palatina externa (paratonsilar) e drena para o plexo venoso faríngeo – O anel linfático é formado pelas tonsilas palatinas, linguais e faríngeas – A inervação motora e sensitiva deriva do plexo nervoso faríngeo – As fibras motoras do plexo derivam do nervo vago e suprem todos os músculos da faringe e palato mole, exceto o estilofaríngeo e o tensor do véu palatino – As fibras sensitivas derivam do nervo glossofaríngeo Lívia B. Cerreti Esôfag� � estômag� Esôfag� – Tubo que conecta a faringe ao estômago – É contínuo no começo com a parte laríngea da faringe na junção faringoesofágica – A parte superior é composta de músculo estriado esquelético e a parte inferior é composta de músculo liso, que se misturam na região intermediária – A parte cervical é a primeira porção, a qual pertence o esfíncter esofágico superior; é um pouco inclinada para a esquerda – O lúmen do esôfago se expande quando o bolo alimentar desce por ele, produzindo movimentos peristálticos – A irrigação da parte cervical é feita por ramos das artérias tireóideas inferiores e a drenagem é feita por tributárias das veias tireóideas inferiores, linfonodos paratraqueais e linfonodos cervicais profundos inferiores – A inervação da parte cervical é feita por fibras somáticas através dos nervos laríngeos recorrentes e por fibras vasomotoras dos troncos simpáticos – O esôfago apresenta três constrições – Constrição cervical (esfíncter esofágico superior): causada pela parte cricofaríngea do músculo constritor inferior da faringe; tem início na junção faringoesofágica – Constrição: broncoaórtica (torácica): cruzamento com a aorta e com o brônquio principal esquerdo – Constrição diafragmática: no local em que atravessa o hiato esofágico do diafragma– O esôfago possui uma lâmina muscular circular interna e uma longitudinal externa – É fixado às margens do hiato esofágico pelo ligamento frenicoesofágico, o qual permite o movimento do diafragma na respiração – A parte abdominal vai do hiato esofágico até o óstio cárdio do estômago Lívia B. Cerreti – A junção esofagogástrica apresenta uma linha irregular que divide os dois órgãos, chamada de linha Z, a qual é imediatamente inferior ao esfíncter esofágico inferior – A irrigação da parte abdominal é feita pela artéria gástrica esquerda, um ramo do tronco celíaco, pela artéria frênica inferior esquerda – A drenagem venosa se dá para sistema porta pela veia gástrica esquerda e para o sistema venoso sistêmico pelas veias esofágicas – A inervação se dá pelo plexo esofágico, formado pelos troncos vagais e pelos troncos simpáticos torácicos por meio de nervos esplâncnicos maiores e plexos periarteriais Estômag� – Tem função de armazenar o alimento ingerido e prepará-lo para a digestão no duodeno – Realiza a digestão enzimática; o suco gástrico converte o alimento em uma mistura semilíquida chamada quimo – Sua anatomia de superfície é dividida em quatro partes – Cárdia: circunda a abertura do estômago (óstio cárdio) – Fundo gástrico: parte superior relacionada com a cúpula do diafragma – A incisura cárdica está entre a parte cárdia e o fundo gástrico – Corpo gástrico: parte principal; entre o fundo e o antro pilórico – Parte pilórica: região da saída do estômago; o antro pilórico leva ao canal pilórico; o piloro é um esfíncter presente nessa parte que controla a saída do conteúdo gástrico pelo óstio pilórico para o duodeno – O estômago apresenta duas curvaturas – Curvatura menor: forma a margem direita do estômago; a incisura angular indica a junção do corpo gástrico com a parte pilórica – Curvatura maior: forma a margem esquerda do estômago – Em seu interior, o estômago é coberto por uma camada contínua de muco que protege a superfície do ácido gástrico Lívia B. Cerreti – A mucosa forma pregas gástricas quando contraídas – É coberto de peritônio, exceto onde há vasos sanguíneos – A irrigação é feita por anastomoses nas curvaturas – Na curvatura menor, as artérias gástricas esquerda e direita se anastomosam, enquanto na maior, ela se dá pelas artérias gastromentais direita e esquerda – As veias gástricas acompanham as artérias; as veias gástricas direita e esquerda drenam para a veia porta, enquanto as veias gastromentais esquerdas drenam para a veia esplênica e a direita drena para a veia mesentérica superior – As veias mesentérica superior e gastromental direita se unem para formar a veia porta – A inervação parassimpática se dá pelos troncos vagais anterior e posterior – O tronco vagal anterior deriva do nervo vago esquerdo e segue a curvatura menor do estômago – O tronco vagal posterior deriva do nervo vago direito e segue pela curvatura maior do estômago; emite um ramo para o plexo celíaco – A inervação simpática segue para o plexo celíaco pelo nervo esplâncnico maior Lívia B. Cerreti Intestin� delgad�, gr�ss�, cana� ana� � ânu� Vascularizaçã� d�� intestin�� primitiv�� � seu� derivad�� – Intestino primitivo é dividido em anterior (proximal), médio e posterior (distal) – Intestino anterior: tronco celíaco (até parte descendente do duodeno) – Intestino médio: artéria mesentérica superior (até a flexura cólica esquerda) – Intestino posterior: artéria mesentérica inferior (até a parte superior do reto) Intestin� delgad� – Ocupa todos os quadrantes do abdome – Dividido em duodeno, jejuno e íleo – Duodeno: parte inicial; recebe o conteúdo digerido no estômago e termina a digestão – A maior parte do duodeno é retroperitoneal – Ele envolve a cabeça do pâncreas – É dividido em partes superior, descendente, horizontal e ascendente – Na parte descendente se abrem dois ductos pancreáticos – Flexuras do intestino: superior, inferior e duodenojejunal – As papilas duodenais (ou ampolas) maior e menor ficam na parte descendente – Ampola hepatopancreática: formada pelos ductos colédoco e pancreático principal; é uma estrutura dilatada; forma o esfíncter de Oddi – A papila menor é formada pelo ducto pancreático acessório – Irrigação: artéria pancreático-duodenal inferior, (um ramo da artéria mesentérica superior) que se divide em ramos anterior e posterior e artéria pancreático-duodenal inferior, que também se divide em ramos anterior e posterior; os ramos anteriores e posteriores se anastomosam – Drenagem: veia mesentérica superior e veia esplênica, que formam a veia porta, fazendo drenagem para o sistema porta hepático – Inervação simpático pelos nervos esplâncnicos e parassimpática pelo tronco vagal – Jejuno: tem função de absorver nutrientes, portanto apresenta mais pregas para aumentar a superfície de contato – Vasa recta mais longa – Mesentério mais grosso e opaco, pois possui mais lipídeos, uma vez que sofreram absorção – Irrigado pelas artérias jejunais, ramos da artéria mesentérica superior – Íleo: parte final do intestino delgado – Alça com menor diâmetro Lívia B. Cerreti – Mesentério mais fino (pois a gordura já foi eliminada para os vasos linfáticos) e translúcido – Presença de GALT, que aumenta após o intestino grosso, formando placas de Peyer – Papila ileal: fica na transição com o intestino grosso; está entre o ceco e o colo ascendente; apresenta lábio ileocólico (superior) e ileocecal (inferior) – É irrigado pelas artérias ileais, ramos da artéria mesentérica superior – As veias jejunais e ileais drenam para veia mesentérica superior, que se junta com a veia esplênica e forma a veia porta Intestin� gr�ss� – Apresenta saculações/haustros com apêndices omentais associados – Três faixas de músculo liso conhecidas como tênias – Tênia mesocólica associada ao mesocolo; tênia omental associada ao omento e tênia livre sem nenhuma associação – As tênias convergem para o apêndice vermiforme – Ceco: primeira parte; termina na papila ileal; ceco e apêndice possuem peritônio – Colo ascendente: apresenta a tênia do colo; está junto à parede posterior do abdome, então só a parte da frente possui peritônio – Flexura cólica direita: entre colo ascendente e colo transverso – Colo transverso: peritonizado; mesocolo transverso – Flexura cólica esquerda: esplênica; entre colo transverso e descendente – Colo descendente: retroperitoneal – Colo sigmoide: é peritonizado; móvel – Reto: possui peritônio na parte superior, é retroperitoneal no meio e extraperitoneal na parte inferior; apresenta quatro pregas (junção reto-sigmoide, superior, média e inferior) que se abrem e fecham Cana� ana� – Possui um esfíncter externo de músculo esquelético e um interno de músculo liso – Começa após a prega inferior na junção anorretal – Emite projeções que formam uma coluna anal e entre elas há um espaço, os seios anais – Abaixo das colunas, existe mucosa que se transforma em pele – A transição da mucosa para pele se dá na linha pécten (ou pectínea) Lívia B. Cerreti Fígad�, vesícul� bilia� � pâncrea� Pâncrea� – Glândula mista acessória da digestão, alongada e retroperitoneal – Situa-se atrás do estômago, entre o duodeno e o baço – Produz suco pancreático (secreção exócrina; liberado no duodeno), glucagon e insulina (secreções endócrinas; liberados no sangue) – É dividido em cabeça, colo, corpo e cauda – A cabeça do pâncreas é a parte expandida da glândula e possui uma projeção inferior chamada processo uncinado – O ducto colédoco se situa em sulco na face posterossuperior da cabeça – O colo do pâncreas é curto e está situado entre os vasos mesentéricos superiores – O corpo do pâncreas possui peritônio na face anterior mas não na posterior – A cauda do pâncreas se situa anterior ao rim esquerdo e é relativamente móvel – O ducto pancreático principal surge na cauda do pâncreas e se relaciona com o ducto colédoco, formando a ampola hepatopancreática, a qual se abre na papila maior do duodeno – O ducto pancreático acessório abre-se na papila menor do duodeno – Irrigação: ramos pancreáticos das artérias gastroduodenale mesentérica superior; artérias pancreaticoduodenais superiores anterior e posterior (ramos da artéria gastroduodenal) e artérias pancreaticoduodenais inferiores anterior e posterior (ramos da artéria mesentérica superior) – Drenagem venosa: veias pancreáticas, tributárias da veia porta hepática, que drenam para veia esplênica – Nervos derivados dos nervos vago e esplâncnico Lívia B. Cerreti Fígad� – Maior glândula do corpo – Armazena glicogênio e secreta bile, que sai pelos ductos biliares (ductos hepáticos direito e esquerdo) e formam o ducto hepático comum, que se une aos ductos cístico e colédoco – A produção de bile é contínua, exceto no momento da refeição, quando é liberada pela vesícula biliar – Ocupa o hipocôndrio direito, a região epigástrica e normalmente, vai até o hipocôndrio esquerdo, podendo variar de pessoa para pessoa – Possui uma face diafragmática anterior e uma face visceral posteroinferior – A face diafragmática é lisa e se relaciona com o diafragma e é recoberta por peritônio – O ligamento falciforme se estende entre o fígado e a parede anterior do abdome – A área nua do fígado está em contato direto com o diafragma e é demarcada pelos ligamentos coronários, que se unem para formar os ligamentos triangulares direito e esquerdo – A VCI atravessa o sulco da veia cava na área nua – A face visceral é cheia de fissuras e impressões e também é recoberta por peritônio – O ligamento redondo do fígado é um remanescente da veia umbilical do feto e segue na margem livre do ligamento falciforme – O omento menor ou ligamento hepatogástrico encerra a tríade portal (ducto colédoco, veia porta e artéria hepática) – O fígado é dividido em quatro lobos, dois anatômicos (lobo hepático direito e lobo hepático esquerdo) e dois acessórios (lobo quadrado e lobo caudado) – Ele é ainda subdividido em oito segmentos que recebem um ramo secundário ou terciário da tríade portal, fazendo com que sejam independentes – Possui irrigação dupla, uma venosa dominante e uma arterial menor – A veia porta hepática (formada pelas veias mesentérica superior e esplênica) traz 80% do sangue para o fígado com oxigênio e nutrientes absorvidos pelo sistema digestório – A artéria hepática própria traz 20% do sangue; é um ramo da artéria hepática comum que se origina no tronco celíaco Lívia B. Cerreti Lívia B. Cerreti Duct�� biliare� – Conduzem a bile do fígado para o duodeno – Ductos hepáticos direito e esquerdo drenam as partes direita e esquerda do fígado, respectivamente – Ducto hepático comum recebe o ducto cístico para formar o ducto colédoco, que conduz a bile para o duodeno Vesícul� bilia� – Situa-se na fossa da vesícula biliar do fígado – Armazena e libera bile no momento da alimentação – Dividida em fundo, corpo e colo – Fundo: extremidade larga e arredondada – Corpo: parte principal – Colo: extremidade estreita e afilada oposta ao fundo e se une ao ducto cístico – O ducto cístico une o colo da vesícula ao ducto hepático comum para que a bile seja desviada para a vesícula quando o ducto colédoco se fecha – Irrigação: artéria cística que se origina da artéria hepática direita – Drenagem: veias císticas, que drenam para veia porta hepática – Inervação: plexo nervoso celíaco, nervo vago e nervo frênico direito Lívia B. Cerreti Peritôni� – Estrutura de difícil definição – A maior camada serosa do corpo humano – É dividido em lâmina parietal (em contato com a cavidade abdominal e aos músculos do abdome) e visceral (envolve os órgãos da cavidade abdominal e pélvica) e líquido intraperitoneal – Constituição do peritônio: células mesoteliais achatadas fixadas sobre tecido conjuntivo frouxo – Constituição do líquido peritoneal: pequena quantidade de líquido transparente, o qual apresenta remanescentes mesoteliais e células do sistema imune, principalmente linfócitos – O peritônio em homens é um saco completamente fechado, contudo, em mulheres, ele apresenta duas aberturas inferiores por onde se projetam as tubas uterinas – O peritônio, na maior parte de sua extensão, é contínuo, pode apresentar fenestras em algumas porções – Tem importante função de sustentação e fixação de órgãos da cavidade abdominopélvica, além de ser importante barreira imunológica – Omento menor e omento maior são duas dobras do peritônio com tecido adiposo e tecido conjuntivo frouxo Divisõe� intraperitoneai� � extraperitoneai� – Fígado: intraperitoneal, com exceção da área nua – Estômago: intraperitoneal – Intestino delgado: parte descendente do duodeno, jejuno e íleo são intraperitoneais; demais partes são extraperitoneais – Intestino grosso: colo transverso, sigmoide e, geralmente, ceco, um terço inferior do colo descendente são intraperitoneais; de maneira geral, o colo ascendente, descendente, reto e ânus são estraperitoneais – Pâncreas: anteriormente recoberto por peritônio, outras partes são extraperitoneais – Baço: intraperitoneal – Aorta e veia cava inferior: extraperitoneais – Rim e glândula suprarrenal: extrapeitoneais – Bexiga urinária: porção superior revestida por peritônio; demais partes extraperitoneais Lívia B. Cerreti – Útero: intraperitoneal – Tubas uterinas: projetam-se do peritônio para fora em direção aos ovários – Ovários: extraperitoneais Lívia B. Cerreti Histologi� d� cavidad� ora� Cavidad� d� boc� – Revestida de epitélio estratificado pavimentoso – O lábio apresenta a transição para o epitélio queratinizado da pele – A lâmina própria é contínua com a submucosa, onde se encontram glândulas salivares – O teto da boca é formado pelos palatos duro e mole, que são revestidos por epitélio estratificado pavimentoso – No palato duro, a mucosa repousa sobre o tecido ósseo – O palato mole é constituído por músculo estriado esquelético e apresenta glândulas salivares na submucosa Língu� – Formada por músculo estriado esquelético recoberto por mucosa – Na superfície inferior da língua a mucosa é lisa – Na superfície superior, ela é irregular devido à presença de papilas – Há uma separação entre as partes anterior e posterior da superfície superior por uma linha em forma de V – Após a linha, a língua apresenta saliências formadas por nódulos linfáticos – As tonsilas linguais se apresentam como saliências na mucosa – As papilas podem ser: ● Papilas filiformes: são cônicas e alongadas; mais frequentes e recobrem toda a superfície superior da língua ● Papilas fungiformes: base estreita a parte apical dilatada (parece um fungo); são pouco frequentes e estão entre as filiformes; apresentam corpúsculos gustativos Lívia B. Cerreti ● Papilas circunvaladas: forma achatada; são circundadas por um sulco, onde desembocam as glândulas salivares linguais serosas; formam o V lingual ● Papilas foliáceas: pouco desenvolvidas em humanos Gengiv� – Mucosa constituída por lâmina própria de tecido conjuntivo denso e epitélio estratificado plano – Divide-se em: – Gengiva inserida: lâmina própria é firmemente inserida no periósteo e o epitélio queratinizado – Gengiva marginal: junto à coroa dentária – O epitélio gengival aderido ao dente é denominado epitélio juncional Glândula� salivare� – Possuem porção secretora e ductos excretores – Função: lubrificar e umedecer alimentos; início da digestão de carboidratos e lipídeos – Glândula parótida: glândula serosa (possui células serosas); exócrina acinosa composta e produz 25% da saliva – Glândula submandibular: glândula mista, ou seja, possui ácinos mucosos (contém muco) e serosos (contém proteína); exócrina tubuloacinosa composta – Glândula sublingual: glândula mista; exócrina tubuloacinosa composta Lívia B. Cerreti Histologi� d� esôfag� � estômag� Estrutur� gera� d� trat� digestóri� – É formado por quatro camadas principais, que são: mucosa, submucosa, camada muscular e camada serosa – Camada mucosa é constituída por: camada epitelial de revestimento, lâmina própria de tecido frouxo contendo vasos, fibras musculares lisas e tecido linfoide e muscular da mucosa (camada delgada de músculo liso) – A submucosa é formada de tecido conjuntivo denso rico em vasos sanguíneose linfáticos e contém o plexo nervoso submucoso (de Meissner) e glândulas – A camada muscular é constituída por fibras musculares lisas (camada circular interna e camada longitudinal externa) e plexo nervoso mioentérico – A camada serosa é formada por tecido conjuntivo frouxo e mesotélio Esôfag� – É revestido por epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado – Possui todas as camadas mencionadas anteriormente – A submucosa apresenta glândulas esofágicas – A camada muscular é constituída por músculo estriado esquelético na porção superior, músculo liso no terço inferior e uma transição entre os dois na porção média – Sua parte abdominal é revestida por uma camada serosa – A parte torácica é revestida somente pela adventícia, constituída de tecido frouxo Estômag� – Histologicamente, é dividido em três regiões: região cárdia, corpo e fundo com a mesma estrutura e piloro – Sua superfície interna apresenta invaginações do epitélio de revestimento para dentro da lâmina própria, formando as fossetas gástricas – A membrana mucosa possui pequenas glândulas que se abrem no fundo das fossetas – As glândulas se localizam na lâmina própria e não na submucosa Lívia B. Cerreti – A região cárdia apresenta fossetas desenvolvidas, glândulas curtas, células colunares mucosas produtoras de muco e isoenzimas e células parietais (oxínticas) produtoras de H+ e Cl – O fundo e o corpo possuem fossetas curtas glândulas desenvolvidas – Essas glândulas são formadas por istmo (células mucosas, células tronco e parietais), colo (células mucosas, células tronco, parietais e enteroendócrinas) e base (células parietais, principais ou zimogênicas e enteroendócrinas – A região pilórica tem fossetas desenvolvidas e glândulas curtas formadas por células mucosas e células G (secretam gastrina) Lívia B. Cerreti Histologi� d�� intestin�� Intestin� delgad� – Sua mucosa tem função de: digestão, absorção, secreção, motilidade e defesa – Mesmo padrão do esôfago e estômago (camadas mucosa, submucosa, muscular própria e serosa) – Duodeno: tecido epitelial simples colunar – Apresenta vilosidades que formam invaginações (criptas) no sentido da lâmina própria – Os vilos possuem enterócitos (células absortivas) com microvilosidades para aumentar a superfície de absorção – Nas criptas há células tronco, células enteroendócrinas e células de defesa (células M) – O duodeno também apresenta muitas glândulas mucosas, onde se situam as células de Paneth, as quais contém lizoenzimas – Jejuno: região de maior absorção; apresenta pregas intestinais com vilos (enterócitos e células caliciformes) – Ocorre um tracionamento da submucosa – A absorção acontece pelos capilares venosos, que vem da veia mesentérica e vão para o fígado – Íleo: via final; apresenta inúmeras células caliciformes e menos células absortivas Intestin� gr�ss� – Cólon: epitélio que se projeta para baixo (existem apenas criptas); muitas células caliciformes – Apêndice vermiforme: nódulos linfáticos; criptas menos desenvolvidas – Canal anal: criptas com muitas células caliciformes; zona colorretal com glândulas; zona de transição com epitélio que se estratifica com células cúbicas e sem células caliciformes; zona pavimentosa tem as mesmas características da pele – Ânus: pele, glândulas sebáceas e folículos pilosos Lívia B. Cerreti Histologi� d� fígad�, via� biliare� � pâncrea� Pâncrea� – Glândula mista – Parte endócrina formada pelas ilhotas de Langerhans – A parte exócrina é composta de ductos intercalares que penetram na luz dos ácinos, onde se apresenta como células centroacinosas – Os ductos confluem para ductos intralobulares e interlobulares – Apresenta uma cápsula de tecido conjuntivo que envia septos que dividem a glândula em lóbulos – Células dos ácinos repousam sobre a lâmina basal envolta por fibras reticulares e capilares sanguíneos – O controle da secreção é feito pelos hormônios secretina e CCK – Secretina promove secreção de um líquido alcalino que neutraliza a acidez dos alimentos no duodeno – A secreção estimulada pelo CCK é rica em enzimas Fígad� – Constituído de hepatócitos, que formam os lóbulos hepáticos – Nos lóbulos, os hepatócitos se organizam em uma placa – Cada espaço porta apresenta uma vênula, uma arteríola e um ducto biliar, que formam a tríade portal – As placas celulares são perfuradas por capilares sinusóides – Os sinusóides tem paredes revestidas por células endoteliais e células de Kupffer (macrófagos com ação de fazer fagocitose) – O espaço que separa o hepatócito do sinusoide é o espaço de Disse, que contém células armazenadoras de lipídeos – No centro do lóbulo existe uma veia centrolobular, onde desembocam os sinusóides Lívia B. Cerreti Vesícul� bilia� – Órgão oco com um ducto que desemboca no ducto hepático comum, formando o ducto colédoco – Parede constituída de várias camadas – Mucosa constituída de epitélio prismático simples e lâmina própria – Uma camada de músculo liso – Uma camada de tecido conjuntivo perimuscular – Camada adventícia – É coberta por peritônio Lívia B. Cerreti Mastigaçã�, salivaçã� � deglutiçã� – O sistema digestório tem função de levar nutrientes, água e eletrólitos do ambiente externo para o ambiente interno – Para isso, realiza digestão (degradação química e mecânica dos alimentos), absorção (movimento de substâncias do lúmen para o líquido extracelular), secreção (água vai do LEC para o lúmen do trato digestório) e motilidade (movimento de material devido à contração muscular) – Muco: composto de glicoproteínas chamadas mucinas e protege a mucosa do trato gastrointestinal; feito em células mucosas do estômago – O sistema digestório digere macromoléculas em moléculas absorvíveis através de degradação mecânica e enzimática – A mastigação e agitação gástrica produzem pedaços menores que aumentam a superfície exposta às enzimas digestivas – Absorção ocorre principalmente no intestino delgado – A motilidade transporta o alimento e o mistura mecanicamente para quebrá-lo em pequenas partículas, aumentando a superfície de contato com enzimas – O trato gastrointestinal é constituído praticamente de músculo liso – Entre as refeições, as contrações seguem um modelo de complexo motor migratório, que realiza a limpeza, varrendo sobras do bolo alimentar – Durante e após as refeições, podem ter outros dois padrões de contração – Peristaltismo: ondas progressivas que se movem de uma seção do trato para a próxima; realizado por músculos circulares, empurrando o alimento – Contrações segmentares: segmentos curtos de intestino contraem e relaxam alternadamente; quando o músculo circular contrai, o músculo longitudinal relaxa; agitam o conteúdo intestinal Regulaçã� d� funçã� gastrointestina� – A motilidade e a secreção são as principais funções reguladas – O sistema nervoso entérico (SNE) é constituído de seções isoladas do intestino que criam uma onda de contrações peristálticas; é independente do controle exercido pelo SNC – O SNE possui neurônios intrínsecos, neurotransmissores, neuromoduladores, células da glia, barreira de difusão e centros integradores – Plexos nervosos entéricos permitem que os reflexos locais sejam iniciados, integrados e finalizados (reflexos curtos) Lívia B. Cerreti – Um reflexo originado no SNC é chamado de reflexo longo, incluindo reflexos antecipatórios e emocionais – Assim, os reflexos longos são chamados de reflexos cefálicos, pois se originam no encéfalo e se iniciam com estímulos que preparam o sistema digestório para a refeição; como visão, cheiro e som Fas� cefálic� – Processo que se inicia antes de a comida entrar na boca – São reflexos longos estimulados por pensamento, cheiro, imagem, etc que criam uma resposta antecipatória – O estímulo antecipatório e o estímulo do alimento na boca ativam o bulbo – O bulbo manda sinais para as glândulas salivares e para o SNE via nervo vago – Em resposta, estômago, intestino e órgãos glandulares iniciam a secreção e aumentam a motilidade em antecipação ao alimento que virá – O alimento, ao entrar na boca, fica em contato com a saliva– A saliva tem função de: amolecer e lubrificar o alimento, fazer a digestão do amido (amilase salivar), gustação (dissolve o alimento para sentir o sabor) e defesa, pois tem enzimas antibacterianas – A digestão mecânica começa com a mastigação – As glândulas salivares são exócrinas – Glândulas parótidas: solução aquosa de enzimas – Glândulas sublinguais: solução mucosa – Glândulas submandibulares: solução mista – A deglutição (engolir) empurra o alimento para o esôfago através da pressão da língua – No início, o palato mole se eleva, fechando a nasofaringe para impedir que o alimento vá para a cavidade nasal – A contração muscular move a faringe para cima, o que fecha a traquéia e abre o esfíncter esofágico superior – Quando o bolo se move no esôfago, a epiglote se abaixa, fechando as vias aéreas superiores, impedindo a entrada de alimento ou líquido e a respiração é brevemente inibida Lívia B. Cerreti – Ao se aproximar do esôfago, o esfíncter esofágico superior relaxa e os movimento peristálticos empurram o bolo alimentar em direção ao estômago Fas� gástric� – O estômago tem função de: armazenamento, digestão e defesa – Sua atividade se inicia com um reflexo vagal antes da chegada do alimento – A fase gástrica se inicia com a chegada do alimento no estômago, o qual é distendido – Com o alimento ainda no esôfago, o estômago relaxa e expande, o que é chamado de relaxamento receptivo – Enquanto a parte superior do estômago retém o bolo alimentar, a parte inferior realiza a digestão – Ondas peristálticas empurram o alimento para o piloro, misturando-o com ácidos e enzimas digestivas – O aumento da motilidade gástrica está sob controle neural e é estimulada pela distensão do estômago Fas� intestina� – Começa quando o quimo passa ao intestino delgado – Até então, o quimo sofreu pouca digestão química – Contrações segmentares e peristálticas misturam o quimo com enzimas para ocorrer a absorção – Fígado, pâncreas e intestino produzem secreção – Quando o quimo entra no intestino delgado, a digestão de proteínas, pois a pepsina é inativada no pH alto – Enzimas pancreáticas e da borda em escova finalizam a digestão de peptídeos, carboidratos e gorduras em moléculas menores para serem absorvidas Lívia B. Cerreti Aspect�� morfofuncionai� d� funçã� gástric� Secreçã� gástric� – A mucosa gástrica apresenta glândulas oxínticas (gástricas) e glândulas pilóricas – As glândulas oxínticas são compostas por células mucosas do cólon (secretam muco), células principais (secretam pepsinogênio) e células parietais ou oxínticas (secretam ácido clorídrico e fator intrínseco) – A célula parietal possui canalículos intracelulares onde o ácido clorídrico é formado e então é conduzido até a extremidade secretora da célula – A formação do ácido clorídrico se dá por um mecanismo complexo – A água dentro da célula se dissocia em H+ e OH- – O H+ é catalisado pela bomba Na/K ATPase (que se transforma em uma bomba H/K ATPase) e é bombeado para fora da célula – OH- se acumula e forma HCO3- (bicarbonato) com o CO2 (que pode vir do sangue ou ser formado pelo metabolismo da célula); essa reação é catalisada pela anidrase carbônica – HCO3- é transportado para o líquido extracelular e então íons cloreto entram na célula e são secretados para os canalículos, resultando numa solução de ácido clorídrico – A acetilcolina estimula a secreção de pepsinogênio e de ácido clorídrico – Gastrina e histamina estimulam apenas as células parietais – Assim que secretado, o pepsinogênio não tem função digestiva, porém, ao entrar em contato com HCl, ele é convertido em pepsina ativa, que atua como enzima proteolítica – A estimulação da secreção de pepsinogênio se dá por acetilcolina e ácido no estômago – O fator intrínseco é essencial para a absorção da vitamina B12 no íleo – As glândulas pilóricas possuem muitas células mucosas e poucas parietais e principais; liberam gastrina – As células mucosas secretam muco que lubrifica e protege a parede gástrica das enzimas gástricas – Entre as glândulas existem células mucosas de superfície, as quais secretam muco visco que protege a parede gástrica e lubrifica o alimento – A gastrina é secretada pelas células G, que ficam nas glândulas pilóricas Lívia B. Cerreti Peristaltism� – Movimento propulsivo básico do trato gastrointestinal – Estimulado pela distensão do trato, ou seja, quando há passagem de alimento, a distensão estimula o sistema nervoso entérico a contrair a parede um pouco atrás desse ponto, fazendo surgir um anel contrátil que inicia o movimento peristáltico – Para ocorrer, é necessária a presença do plexo mioentérico Esvaziament� gástric� – Promovido por contrações no antro gástrico – Essas contrações são intensas e começam próximo do corpo do estômago, levando o alimento e misturando-o com o quimo no antro – As ondas pilóricas forçam o quimo para o duodeno Lívia B. Cerreti Fisiologi� intestina� Digestã� � a�sorçã� – As secreções facilitam a digestão – Por degradação mecânica e enzimática, macromoléculas são digeridas em unidades menores absorvíveis – As enzimas podem ser localizadas conforme seu melhor funcionamento em determinado pH – A absorção acontece no intestino delgado e utiliza muitas das mesmas proteínas de transporte do túbulo renal – Após serem absorvidos, os nutrientes entram no sangue ou na circulação linfática Motilidad� – Tem função de transportar o alimento e misturá-lo para quebrar em partículas menores – A mistura aumenta a superfície de contato com enzimas – O trato gastrointestinal é composto de músculo liso unitário com células eletricamente conectadas entre si que criam segmentos contráteis – Contrações tônicas: duram minutos ou horas – Contrações fásicas: ciclos de contração e relaxamento que duram segundos – Contração e relaxamento estão associados a despolarização e repolarização, os potenciais de ondas lentas – As ondas lentas são controladas pelas células intersticiais de Cajal (ICCs), que são intermediárias entre neurônios e músculo liso – ICCs são as células marca-passo do trato gastrointestinal e suas ondas ocorrem a uma frequência muito baixa – Essas ondas se espalham para as camadas musculares lisas adjacentes – As ondas lentas não alcançam o limiar em todo ciclo e assim, não causam contrações – Quando uma onda alcança o limiar, canais de Ca+2 se abrem, o cálcio entra na célula e dispara o potencial de ação, iniciando a contração muscular – Quanto maior a duração das ondas lentas, mais potenciais de ação disparados e maior a força da contração muscular Lívia B. Cerreti Padrõe� d� contraçã� – Existem três padrões diferentes de contração – Complexo motor migratório: entre as refeições, contrações limpam o tubo digestório, varrendo sobras do bolo alimentar que podem ter ficado – Peristaltismo: ondas progressivas de contração que se movem de uma seção para outra, empurrando o bolo alimentar para frente – Os músculos circulares contraem o segmento apical a um bolo alimentar, que empurra o bolo para o segmento receptor – Contrações segmentares: segmentos curtos intestinais contraem e relaxam alternadamente (músculo circular contrai e longitudinal relaxa e vice-versa) – Agitam o conteúdo intestinal, misturando-o e mantendo-o em contato com o epitélio absortivo Peptíde�� gastrointestinai� – Atuam como hormônios ou sinais parácrinos – Excitam ou inibem motilidade e secreção – CCK: melhora a saciedade e atua como neurotransmissor no cérebro – Grelina: age no cérebro para aumentar a ingestão de alimentos – Secretina: estimula a secreção pancreática – Gastrina: estimula a secreção gástrica ácida – Motilina: aumenta a secreção de motilina não associados ao complexo motor migratório – A fase intestinal é estimulada por gastrina e CCK e inervação parassimpática Secreçã� d� enzima� – Enzimas pancreáticas são secretadas como zimogênio, que é ativado quando chega no intestino – A enteropeptidase da borda em escova converte o tripsinogênio inativo em tripsina, que converte outros zimogênios em suas formas ativas – Os sinais para liberação de enzimas pancreáticassão distensão do intestino delgado, presença de alimento no intestino, sinais neurais e CCK Lívia B. Cerreti Secreçã� d� bicarbonat� – Neutraliza o ácido proveniente do estômago – Requer altos níveis de anidrase carbônica – Bicarbonato produzido a partir de CO2 e água é secretado por um trocador apical Cl- HCO3- – Íons hidrogênio produzidos com o bicarbonato deixam a célula por um trocador Na+ H+ na membrana basolateral e é reabsorvido na circulação intestinal, equilibrando o HCO3- – Cl entra na célula pelo cotransportador NKCC na membrana basolateral sai pelo CFTR apical – Cl então reentra na célula em troca de HCO3-, entrando no lúmen – Defeitos no canal CFTR causam fibrose cística, caracterizada pela perturbação pancreática – É causada por uma mutação, o que faz com que a secreção de Cl pare – Porém, as células caliciformes continuam secretando muco, o que resulta em um espessamento do muco A�sorçã� d� gordura� – Absorvidas por difusão simples – Saem de suas micelas e se difundem pela membrana do enterócito – Os monoacilgliceróis e ácidos graxos movem-se para o REL, onde se recombinam, formando triacilgliceróis – Os triacilgliceróis se combinam com colesterol e proteínas e formam quilomícrons, que deixam a célula por exocitose e são absorvidos pelos capilares linfáticos, passam pelo sistema linfático e entram no sistema venoso A�sorçã� d� carboidrat�� – A absorção intestinal usa o simporte apical Na+ glicose SGLT e o transportador basolateral, que movem glicose e galactose – A absorção da frutose não é dependente de Na+, ela move-se pela membrana apical por difusão facilitada através de GLUT5 e na membrana basolateral através do GLUT2 Lívia B. Cerreti A�sorçã� d� proteína� – Os produtos de sua digestão são aminoácidos livres, dipeptídeos e tripeptídeos, os quais podem ser absorvidos – Os aminoácidos livres são carregados por proteínas transportadoras dependentes de Na+ – Dipeptídeos e tripeptídeos são carregados para os enterócitos por transportadores de oligopeptídeos que usa o cotransportador dependente de H+ – Os oligopeptídeos tem então dois destinos possíveis – A maioria é digerida por peptidases em aminoácidos, que são transportados através da membrana basolateral e para a circulação – Os que não são digeridos, são transportados intactos pela membrana basolateral através de um trocador dependente de H+ A�sorçã� d� ferr� � cálci� – Absorção regulada – Uma diminuição na sua concentração aumenta sua captação pelo intestino – O ferro é ingerido como ferro heme, que é absorvido pelo cotransporte com H+ por uma proteína, a DMT1 – Na célula, enzimas convertem o ferro heme em Fe2+ – A absorção de ferro é regulada pelo hormônio hepcidina – Quando o estoque de ferro está alto, o fígado secreta hepcidina, que se liga à ferroportina, o que destrói o transportador ferroportina, o que reduz a captação de ferro pelo intestino – A absorção de Ca2+ ocorre no duodeno e é hormonalmente regulado – Ele entra no enterócito pelos canais apicais de Ca2+ e é transportado através da membrana basolateral por Ca2+ ATPase e por um antiporte Na+ Ca2+ – A absorção de Ca2+ é regulada pela vitamina D Lívia B. Cerreti Fisiologi� d� fígad� � vesícul� bilia� – O lóbulo hepático é construído em torno de uma veia central – É composto de placas celulares – Entre as células, situam-se canalículos biliares, que drenam para os ductos biliares – Nos septos interlobulares existem vênulas que recebem sangue da veia porta e seguem para os capilares sinusoides – Também existem arteríolas no septo Secreçã� d� bil� pel� fígad� – A bile é importante na digestão e absorção de gorduras – Isso porque os ácidos biliares ajudam na emulsificação das gorduras e na absorção dos produtos finais da digestão de gorduras – A bile também excreta produtos do sangue, incluindo a bilirrubina – A solução inicial é secretada pelos hepatócitos para os canalículos biliares, que se originam entre as células – Essa secreção é rica em ácidos biliares, colesterol e outros componentes orgânicos – A bile segue aos septos interlobulares e desemboca nos ductos biliares terminais, que fluem para ductos cada vez maiores até chegar no ducto hepático e no duto biliar comum e então e bile flui para o duodeno – Essa segunda secreção é estimulada pela secretina – A bile é secretada continuamente pelos hepatócitos e é armazenada na vesícula biliar – Quando o alimento começa a ser digerido, a vesícula biliar começa a se esvaziar através de contrações da parede e com o relaxamento do esfíncter de Oddi – As contrações são estimuladas pelo hormônio CCK, cuja liberação é estimulada pela presença de alimentos gordurosos no duodeno – Quando o alimento não é gorduroso, a vesícula se esvazia lentamente Lívia B. Cerreti Regeneraçã� – Capacidade do fígado de se restaurar após perda do tecido hepático – Em caso de hepatectomia parcial, a regeneração é rápida, pois nesse momento os hepatócitos se dividem duas vezes mais – Esse processo é controlado pelo fator de crescimento de hepatócitos (HGF), que aumenta seus níveis após a hepatectomia – O fator de crescimento transformante é um inibidor da proliferação das célulasβ hepáticas – Quando o fígado volta ao seu tamanho original, o processo de divisão celular é terminado Bilirrubin� bilia� – Muitas substâncias são excretadas na bile e eliminadas nas fezes, como a bilirrubina – Quando a hemácia atinge seu tempo de vida máximo, sua membrana se rompe e a hemoglobina é liberada e fagociatada pelos macrófagos teciduais – A hemoglobina se separa em globina e grupo heme – O grupo heme forma a biliverdina, que é rapidamente reduzida em bilirrubina não conjugada, que é liberada para o plasma – A bilirrubina não conjugada se liga fortemente à albumina e essa combinação é transportada por todo o sangue e líquido intersticial – A bilirrubina não conjugada é então absorvida pelos hepatócitos e se desprende da albumina – Ela é então excretada e chega ao intestino, onde a bilirrubina conjugada é convertida por ação bacteriana em urobilinogênio – Parte do urobilinogênio é reabsorvida de volta para o sangue, mas a maior parte é reexcretada pelo fígado para o intestino e é excretado na urina – Na urina, ao entrar em contato com o ar, o urobilinogênio é oxidado em urobilina (nas fezes, ele é oxidado em estercobilina) Icteríci� � bilirrubin� – A icterícia é resultante do excesso de bilirrubina, tanto não conjugada quanto conjugada nos líquidos extracelulares – Pode ser causada por: destruição aumentada de hemácias (icterícia hemolítica) ou obstrução de ductos biliares (icterícia obstrutiva) Lívia B. Cerreti – Na hemolítica, as hemácias são lisadas muito rapidamente, o que aumenta a produção de bilirrubina não conjugada, porém as células hepáticas não conseguem excretá-la tão rapidamente, assim, os níveis de bilirrubina aumentam muito – Na obstrutiva, os ductos podem estar obstruídos com cálculos biliares ou câncer, ou ainda os hepatócitos podem estar danificados (como na hepatite) – Nesse caso, a bilirrubina é formada normalmente, porém não consegue chegar no intestino; o nível de bilirrubina conjugada no sangue sobe Lívia B. Cerreti Secreçã� pancreátic� – Pâncreas é uma glândula mista – Enzimas digestivas pancreáticas são secretadas pelos ácinos pancreáticos e bicarbonato é secretado pelos ductos que começam nos ácinos – O produto de enzimas mais bicarbonato flui pelo ducto pancreático, que se abre na ampola de Vater (ampola maior), envolta pelo esfíncter de Oddi – O suco pancreático é secretado em resposta à presença de quimo no duodeno Enzima� digestiva� pancreática� – As enzimas na secreção pancreática digerem proteínas, carboidratos e gorduras – As mais importantes na digestão de proteínas são: tripsina (mais abundante), quimotripsina e carboxipolipeptidase – Tripsina e quimotripsina hidrolisam proteínas em peptídeos – Carboxipolipeptidase cliva os peptídeos até aminoácidos individuais – Quando sintetizadas, essas enzimas estão na forma inativa de tripsinogênio, quimotripsinogênio e procarboxipolipeptidase e sãoativadas apenas quando são secretadas no trato intestinal – O tripsinogênio é ativado pela enzima enterocinase – O quimotripsinogênio é ativado pela tripsina – A digestão de carboidratos é feita pela amilase pancreática, que hidrolisa os carboidratos (exceto celulose) para formar dissacarídeos e trissacarídeos – A digestão de gorduras é feita por: lipase pancreática (hidrolisa gorduras neutras a ácidos graxos), colesterol esterase (hidrolisa ésteres de colesterol) e fosfolipase (cliva os ácidos graxos dos fosfolipídios) – As enzimas proteolíticas não podem ficar ativas após chegarem no intestino, pois podem digerir o próprio pâncreas – As células que secretam essas enzimas também secretam um inibidor de tripsina – Esse inibidor inativa a tripsina e, consequentemente, as outras enzimas também, já que é ela que as ativa – Quando há uma lesão no pâncreas ou o ducto é obstruído, a secreção pancreática se acumula nas áreas comprometidas – Nesse caso, o inibidor de tripsina não tem efeito e as enzimas continuam ativas e podem digerir todo o pâncreas – Esse quadro caracteriza a pancreatite aguda, que pode ser fatal Lívia B. Cerreti Secreçã� d� íon� bicarbonat� – Bicarbonato e água são secretados pelas células epiteliais dos ductos acinosos – Íons bicarbonato neutralizam a acidez do quimo que chega do estômago – A secreção se dá da seguinte forma: – CO2 se difunde para as células a partir do sangue e se combina com água por influência de anidrase carbônica para formar ácido carbônico (H2CO3) – O ácido carbônico se dissocia e os íons hidrogênio formados são trocados por íons sódio na membrana basolateral da célula – O movimento de sódio e bicarbonato do sangue para o lúmen do ducto cria gradiente de pressão osmótica, o que provoca um fluxo de água para o ducto pancreático, formando a solução de bicarbonato Regulaçã� d� secreçã� pancreátic� – Acetilcolina: liberada por terminações do nervo vago para o sistema nervoso entérico – Colecistocinina (CCK): secretada pela mucosa do duodeno e do jejuno quando o alimento chega ao intestino delgado – Secretina: também secretada por duodeno e jejuno quando chegam alimentos ácidos – Acetilcolina e CCK estimulam células acinares, estimulando a produção de enzimas digestivas pancreáticas,porém com pouca água e eletrólitos – A secretina estimula a secreção de solução aquosa de bicarbonato, assim a secreção pancreática consegue fluir pelo ducto pancreático – Quando todos os estímulos agem ao mesmo tempo, a secreção é maior do que a secreção promovida por eles individualmente, ou seja, os estímulos tem ação de potencializar uns aos outros Fase� d� secreçã� pancreátic� – Fase cefálica: os mesmos sinais nervosos que causam a secreção do estômago provocam a liberação de acetilcolina e a secreção corresponde a 20% do total – Fase gástrica: a estimulação nervosa continua; corresponde de 5 a 10% do total e pouco chega no duodeno – Fase intestinal: depois que o quimo deixa o estômago e então a secreção é abundante em resposta à secretina Lívia B. Cerreti Secretin� � íon� bicarbonat� – Secretina está presente de forma inativa de pró-secretina nas células S na mucosa do duodeno e jejuno – Quando o quimo ácido chega no duodeno, provoca ativação e liberação de secretina para o sangue através do HCl presente no quimo – A secretina faz com que o pâncreas secrete líquido com elevadas concentrações de bicarbonato, mas baixas concentrações de cloreto – Bicarbonato e HCl formam cloreto de sódio e ácido carbônico – O ácido carbônico se dissocia em CO2 e água – O dióxido de carbono é transferido para o sangue e expirado pelos pulmões – Assim, apenas a solução neutra de cloreto de sódio permanece no duodeno Lívia B. Cerreti