Prévia do material em texto
INDÍCE 1. OBJETIVOS .......................................................................................................................... 1 2. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 2 3. CONCEITOS BÁSICOS .......................................................................................................... 4 4. CONSIDERAÇÕES DA NBR 14.653 ..................................................................................... 12 5. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO ................................................................................................ 26 5.1 MÉTODO COMPARATIVO DIRETO DE DADOS DE MERCADO ........................................... 27 5.2 MÉTODO DA RENDA ......................................................................................................... 28 5.3 MÉTODO EVOLUTIVO ....................................................................................................... 30 6. AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS ...................................................................................... 31 7. AVALIAÇÃO DE TERRA NUA .............................................................................................. 33 7.1 CLASSE DE CAPACIDADE DE USO DOS SOLOS .................................................................. 34 7.2 SITUAÇÃO ......................................................................................................................... 46 7.3 FATORES DE HOMOGENEIZAÇÃO ..................................................................................... 47 7.3.1 FATORES DE CLASSE DE CAPACIDADE DE USO ............................................................... 47 7.3.2 FATORES DE SITUAÇÃO ................................................................................................... 53 7.3.3 FATORES DE HOMOGENEIZAÇÃO CONJUGADOS PARA CLASSE DE CAPACIDADE DE USO E SITUAÇÃO ............................................................................................................. 54 7.4 PLANEJAMENTO E LEVANTAMENTO AMOSTRAL ............................................................. 58 7.5 VISTORIA IMÓVEL AVALIANDO E AMOSTRAS .................................................................. 59 7.6 HOMOGENEIZAÇÃO .......................................................................................................... 60 7.6.1 NOTA AGRONÔMICA (NA) .............................................................................................. 62 7.6.2 DETERMINAÇÃO DAS AMOSTRAS SEMELHANTES .......................................................... 63 7.6.3 FATOR DE ELASTICIDADE (OU OFERTA) .......................................................................... 64 7.6.4 VALOR DA TERRA NUA (VTN) .......................................................................................... 65 7.6.5 VALOR DA TERRA NUA INDEXADO (VTNINDEXADO) ...................................................... 66 7.7 SANEAMENTO AMOSTRAL ............................................................................................... 68 7.7.1 CRITÉRIO DA MÉDIA ARITMÉTICA ................................................................................... 69 7.7.2 CRITÉRIO DO DESVIO PADRÃO ........................................................................................ 70 7.7.3 CRITÉRIO DE CHAUVENET ............................................................................................... 71 7.7.4 CRITÉRIO DE ARLEY ......................................................................................................... 72 7.8 VALOR DA TERRA NUA DO IMÓVEL AVALIANDO ............................................................. 74 7.9 INTERVALO DE CONFIANÇA E CAMPO DE ARBÍTRIO ........................................................ 75 8. AVALIAÇÃO DE BENFEITORIAS.......................................................................................... 78 9. AVALIAÇÃO DE CULTURAS ................................................................................................ 79 9.1 AVALIAÇÃO DE CULTURAS DOMÉSTICAS ......................................................................... 80 9.2 AVALIAÇÃO CULTURAS COMERCIAIS................................................................................ 80 9.3 AVALIAÇÃO DE PASTAGENS .............................................................................................. 84 10. AVALIAÇÃO CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES RURAIS ........................................................ 87 11. AVALIAÇÃO DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS .................................................................. 93 12. AVALIAÇÃO DE SEMOVENTES ........................................................................................... 95 13. AVALIAÇÃO DE MATAS NATURAIS ................................................................................... 96 14. VALOR TOTAL DO IMÓVEL RURAL .................................................................................... 98 15. BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 100 INDÍCE DE EQUAÇÕES EQUAÇÃO 1: MÉTODO DA RENDA ..................................................................................................... 29 EQUAÇÃO 2: RENDA LÍQUIDA ........................................................................................................... 29 EQUAÇÃO 3: ORDEM DE IMPORTÂNCIA DOS FATORES DE SUBCLASSE ........................................................ 50 EQUAÇÃO 4: NOTA AGRONÔMICA (NA) ............................................................................................ 63 EQUAÇÃO 5: LIMITES DOS DADOS SEMELHANTES GRAU DE FUNDAMENTAÇÃO I .......................................... 64 EQUAÇÃO 6: LIMITES DOS DADOS SEMELHANTES GRAU DE FUNDAMENTAÇÃO II OU III................................. 64 EQUAÇÃO 7: VALOR DA TERRA NUA (VTN) ......................................................................................... 66 EQUAÇÃO 8: VALOR DA TERRA NUA INDEXADO (VTNINDEXADO) ................................................................. 67 EQUAÇÃO 9: MÉDIA ARITMÉTICA ...................................................................................................... 69 EQUAÇÃO 10: DESVIO-PADRÃO ........................................................................................................ 69 EQUAÇÃO 11: LIMITES NO CRITÉRIO DA MÉDIA .................................................................................... 69 EQUAÇÃO 12: LIMITES NO CRITÉRIO DO DESVIO-PADRÃO ....................................................................... 70 EQUAÇÃO 13: D/S CRITÉRIO DE CHAUVENET ....................................................................................... 71 EQUAÇÃO 14: R DO CRITÉRIO DE ARLEY .............................................................................................. 72 EQUAÇÃO 15: VALOR DA TERRA NUA DA PROPRIEDADE AVALIANDA ......................................................... 75 EQUAÇÃO 16: INTERVALO DE CONFIANÇA (IC) .................................................................................... 75 EQUAÇÃO 17: CAMPO DE ARBÍTRIO (CA) ........................................................................................... 77 EQUAÇÃO 18: CULTURAS DOMÉSTICAS .............................................................................................. 80 EQUAÇÃO 19: VALOR ECONÔMICO (VE) ............................................................................................ 81 EQUAÇÃO 20: RECEITA LÍQUIDA (RL) ................................................................................................. 82 EQUAÇÃO 21: FATOR DE ATUALIZAÇÃO (FA), PARA SÉRIE DE PAGAMENTOS CONSTANTES (OU UNIFORMES) ..... 82 EQUAÇÃO 22: FATOR DE ATUALIZAÇÃO (FA),PARA SÉRIE DE PAGAMENTOS ÚNICOS .................................... 82 EQUAÇÃO 23: VALOR ECONÔMICO (VE), COM FATOR DE ATUALIZAÇÃO PARA SÉRIE DE PAGAMENTOS CONSTANTES (OU UNIFORMES) ...................................................................................... 83 EQUAÇÃO 24: VALOR ECONÔMICO (VE), COM FATOR DE ATUALIZAÇÃO PARA SÉRIE DE PAGAMENTOS ÚNICOS ..................................................................................................................... 83 EQUAÇÃO 25: VALOR CULTURA, NORMA NBR 8.799 .......................................................................... 83 EQUAÇÃO 26: VALOR DAS PASTAGENS ............................................................................................... 85 EQUAÇÃO 27: VALOR DAS BENFEITORIAS NÃO REPRODUTIVAS ................................................................ 88 EQUAÇÃO 28: FATOR DE DEPRECIAÇÃO .............................................................................................. 89 EQUAÇÃO 29: DEPRECIAÇÃO MÁQUINAS E IMPLEMENTOS ..................................................................... 94 EQUAÇÃO 30: VOLUME DE MADEIRA ................................................................................................. 96 EQUAÇÃO 31: VALOR FINAL DA PROPRIEDADE AVALIANDA ..................................................................... 98 EQUAÇÃO 32: VALOR FINAL DA PROPRIEDADE AVALIANDA, DESCONTADO O PASSIVO ................................... 99 INDÍCE FIGURAS FIGURA 1 - COMPOSIÇÃO DE UM IMÓVEL RURAL .................................................................................. 32 FIGURA 2 - CRITÉRIOS EMPREGADOS PARA AVALIAÇÃO DE IMÓVEL RURAL.................................................. 33 FIGURA 3: SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO EM CLASSES DE CAPACIDADE DE USO .............................................. 34 FIGURA 4 - RESUMO DA VARIAÇÃO DO TIPO E DA INTENSIDADE MÁXIMA DE UTILIZAÇÃO DA TERRA SEM RISCO DE EROSÃO ACELERADA EM FUNÇÃO DAS CLASSES DE CAPACIDADE DE USO, RETIRADO DE KOZMA (1984) ......................................................................................................................... 45 FIGURA 5: EXEMPLO DE CLASSIFICAÇÃO EM CLASSES DE CAPACIDADE DE USO ............................................. 46 FIGURA 6: ESTRUTURA DE RELAÇÃO ENTRE IMÓVEL PARADIGMA E ELEMENTOS AMOSTRAIS........................... 67 INDÍCE DE TABELAS TABELA 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS LAUDOS DE AVALIAÇÃO QUANTO À FUNDAMENTAÇÃO................................ 19 TABELA 2 – PONTUAÇÃO PARA FINS DE CLASSIFICAÇÃO DAS AVALIAÇÕES QUANTO AO GRAU DE FUNDAMENTAÇÃO ......................................................................................................... 20 TABELA 3 – GRAU DE PRECISÃO DA ESTIMATIVA DE VALOR NO CAOS DE UTILIZAÇÃO DO MÉTODO COMPARATIVO DIRETO DE DADOS DE MERCADO ................................................................... 22 TABELA 4 – FATORES PARA CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS .......................................................................... 44 TABELA 5 - CAPACIDADE DE USO DO SOLO E VALOR RELATIVO DE CADA CLASSE DE CAPACIDADE DE USO DO SOLO ........................................................................................................................... 48 TABELA 6 - CAPACIDADE DE USO DO SOLO E VALOR RELATIVO DE CADA CLASSE DE CAPACIDADE DE USO DO SOLO ........................................................................................................................... 49 TABELA 7 - VALORES MÉDIOS PERCENTUAIS EM FUNÇÃO DAS CLASSES DE CAPACIDADE SEGUNDO VÁRIOS AUTORES. .................................................................................................................... 49 TABELA 8 - FATORES LIMITANTES CLASSE DE CAPACIDADE DE USO E SUAS SUBDIVISÕES. ............................... 51 TABELA 9 - VALORES MÉDIOS PERCENTUAIS EM FUNÇÃO DAS CLASSES DE CAPACIDADE DE USO E LIMITAÇÕES DO SOLO. .................................................................................................... 52 TABELA 10 - ESCALA DE VALORES DE TERRAS SEGUNDO A SITUAÇÃO E VIABILIDADE DE CIRCULAÇÃO. ............... 53 TABELA 11 – SITUAÇÃO DO IMÓVEL EM RELAÇÃO À LOCALIZAÇÃO E ACESSO .............................................. 54 TABELA 12 - FATORES DE PONDERAÇÃO NA OBTENÇÃO DO VALOR DAS TERRAS RÚSTICAS SEGUNDO A CLASSE DE CAPACIDADE DE USO E SITUAÇÃO SEGUNDO KOZMA ....................................................... 55 TABELA 13 - FATORES DE PONDERAÇÃO NA OBTENÇÃO DO VALOR DAS TERRAS RÚSTICAS SEGUNDO A CLASSE DE CAPACIDADE DE USO E SITUAÇÃO SEGUNDO FRANÇA ...................................................... 56 TABELA 14 - FATORES DE PONDERAÇÃO NA OBTENÇÃO DO VALOR DAS TERRAS RÚSTICAS SEGUNDO A CLASSE DE CAPACIDADE DE USO E SITUAÇÃO SEGUNDO O INCRA ...................................................... 56 TABELA 15 – FATORES DE PONDERAÇÃO NA OBTENÇÃO DO VALOR DAS TERRAS CONSIDERANDO A CLASSE DE CAPACIDADE DE USO E SITUAÇÃO ...................................................................................... 57 TABELA 16 - FATORES DE PONDERAÇÃO NA OBTENÇÃO DO VALOR DAS TERRAS RÚSTICAS CONSIDERANDO A CLASSE E SUBCLASSE DE CAPACIDADE DE USO E SITUAÇÃO, SEGUNDO FRANÇA (1983). ............. 57 TABELA 17: MODELO DE UM QUADRO RESUMO PARA O SANEAMENTO ..................................................... 68 TABELA 18 – D/S CRÍTICO DO CRITÉRIO DE CHAUVENET ......................................................................... 71 TABELA 19 – NÍVEL DE Α ................................................................................................................. 73 TABELA 20 - CRITÉRIO DE ARLEY - “R” CRÍTICO .................................................................................... 73 TABELA 21 – VALORES DO PERCENTIL DA DISTRIBUIÇÃO DE STUDENT ....................................................... 76 TABELA 22 – COEFICIENTES DE DEPRECIAÇÃO PARA PASTAGENS .............................................................. 86 TABELA 23 – COEFICIENTES DE DEPRECIAÇÃO PARA CONSTRUÇÕES RURAIS ................................................ 89 TABELA 24 – RAZÃO DE DEPRECIAÇÃO EM FUNÇÃO DO TIPO DE CONSTRUÇÃO ............................................ 89 TABELA 25 - - FATORES DE DEPRECIAÇÃO EM FUNÇÃO DO TIPO DE CONSTRUÇÃO E DA IDADE ........................ 90 TABELA 26 – COEFICIENTES DE DEPRECIAÇÃO FÍSICA E FUNCIONAL ........................................................... 92 TABELA 27 – COEFICIENTES DE DEPRECIAÇÃO FÍSICA E FUNCIONAL ........................................................... 93 ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS OBJETIVOS 1 1. OBJETIVOS A avaliação de propriedades rurais é matéria altamente especializada, que exige conhecimentos pormenorizados, quer no campo das atividades agropecuárias, quer no campo da engenharia de avaliações. Desta forma se faz necessário, que o avaliador tenha conhecimento das técnicas das ciências agrárias (Agronomia, Florestal, Zootecnia e outras) e da matemática, além dos conhecimentos gerais do mercado imobiliário rural, para a execução da avaliação de um imóvel rural. Este texto tem como objetivo primordial, apresentar aos profissionais de engenharia agronômica, agrônomos e florestais, os conceitos teóricos básicos, utilizados na execução da Engenharia de Avaliações aplicada a Imóveis Rurais. Também tem o intuito de facilitar e difundir os conhecimentos já publicados por diversos profissionais, trabalhos estes que se encontram avulsos por todo o país, a fim de que os avaliadores tenham cada vez mais segurança na determinação de justos valores, os mais próximos da perfeição. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS INTRODUÇÃO 2 2. INTRODUÇÃO O campo de avaliações de imóveis rurais é vasto e necessita de profissionais habilitados e dispostos a trabalhar. Normalmente os mais habilitados são os Engenheiros Agrônomos, Agrônomos e Florestais, mas vemos também muitos EngenheirosCivis, Agrimensores e Corretores trabalhando na área, mesmo que sem a devida habilitação. A avaliação de imóveis consiste na determinação técnica do valor de um bem ou de seus rendimentos, gravames, frutos, direitos, seguros, ou de um empreendimento, para uma data e um lugar determinado. (Glossário de Terminologia do IBAPE-SP). No entanto, é importante entender que o valor ou o resultado final de uma avaliação, que na maioria das vezes envolve pesquisas vindas das mais simples as mais complexas, sobre diversos temas distintos, depende de um mercado livre, onde a oferta e a procura são os fatores principais e que justificam os resultados. “Leis econômicas são relativas, diferente das matemáticas, que são absolutas. Para que se verifiquem, é necessário, antes de qualquer coisa, um mercado livre, isto é, sem constrangimentos de qualquer espécie e aberto a todos.” (FIKER) Para uma melhor compreensão dos efeitos do mercado, normalmente observa-se que quanto menor for à oferta de um imóvel, ou quanto maior for sua procura, maior será seu valor de mercado, pois esse será um imóvel raro. Em contrapartida, para que o valor de mercado do imóvel esteja abaixo de um suposto valor real, menor do que o bem realmente vale, implica que a oferta está em alta ou a procura é pequena. Para que um imóvel seja considerado como rural, não basta que se situe em área rural ou não urbana, inclusive ele pode estar localizado em área urbana, mas sim que seja explorado com finalidades rurais, como: produção de grãos e frutos, criação de animais, produção de madeira, etc., ou seja, são áreas onde a melhor alternativa de exploração econômica é qualquer uma das atividades agropecuárias existentes. No âmbito da avaliação de bens imóveis, faz-se necessário entender também, que além do terreno (ou terra nua), existem as benfeitorias, que consistem em qualquer melhoramento concedido pelo homem, que não pode ser retirado ou removido, sem sofrer algum tipo de dano ou fratura. Além disto, também podem ser objeto de avaliação num imóvel rural: as máquinas e equipamentos, os veículos, os semoventes, as florestas nativas e os produtos diversos. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS INTRODUÇÃO 3 Assim sendo, a avaliação de um imóvel rural envolve muito componentes de uma propriedade, onde cada um pode demandar conhecimentos específicos e procedimentos matemáticos distintos, gerando uma grande complexidade ao trabalho de avaliação. LIMA (2002) descreve muito bem a complexidade destes atributos, citando um exemplo, em que um elemento de pesquisa chega a ter seu valor final formado por até oito atributos, como: área; localização; culturas; recursos naturais; construções; terras; rebanhos e oferta. A metodologia indicada para a avaliação de imóveis rurais recomenda decompor a avaliação das propriedades rurais em pelo menos dois elementos distintos: benfeitorias e terra nua. Na avaliação das benfeitorias, é comum separar os componentes reprodutivos (culturas comerciais ou domésticas) e não reprodutivos (edificações, obras e melhorias da terra, entre outros). Também não deve ser esquecido de computar a utilidade e obsolescência do item avaliado no momento da valoração deste bem, que será representado na equação matemática pelo coeficiente de depreciação, no caso das edificações depreciação física e funcional. Entretanto, além destas características intrínsecas das propriedades rurais citadas, o valor das mesmas é também influenciado por fatores externos, principalmente relacionados aos acontecimentos do mercado agropecuário em que está inserida a unidade de produção avaliada. LIMA (2002) relata que para entender o significado destas influências externas é essencial que o avaliador rural compreenda a dependência do valor das terras rurais na economia agrícola. Trata-se de uma verdade de mercado que o valor das terras tende a incrementar em tempos de preços de commodites elevados e decrescer quando estas commodites baixam de preço, assunto comprovado inclusive em diversos estudos. Nos últimos 50 anos surgiram às primeiras normas de avaliações de imóveis, sempre organizadas por entidades públicas e/ou institutos voltados para a engenharia de avaliações. Todos foram trabalhos de grande importância, que ganharam relevância a partir da década de 60, época do grande surto de desapropriações, que se estendeu até a década de 70. Atualmente a norma brasileira de avaliações de imóveis vigente é a NBR 14.653, que visa consolidar os conceitos, métodos e procedimentos gerais para os serviços técnicos de avaliações de bens. Esta norma é dividida em diversas partes, Parte 1 – Procedimentos Gerais e Parte 3 – Imóveis Rurais consideradas como básicas para o trabalho na área. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONCEITOS BBÁÁSSIICCOOSS 4 3. CONCEITOS BÁSICOS Entende-se por avaliação o conjunto de operações com as quais se podem somar juízo sobre o valor de um bem, e, no caso específico de bens imóveis, sobre o justo valor de uma propriedade ou de um direito a ela relativo. Para muitos autores o processo avaliatório tem por objetivo fixar o valor de troca das coisas vendáveis ou o que se mede pela quantidade de outros bens que, numa economia de trocas, poderia ser obtido por um bem da propriedade avalianda. É o poder de aquisição que pode ser comparado com qualquer mercadoria, porém é mais cômodo medi-lo em termos monetários. Neste caso obtendo o preço do produto, isto é, o valor da troca, expresso em somas monetárias. A ideia de valor está intimamente ligada à ideia de utilidade, ou seja, só tem valor aquilo que é útil. Na teoria econômica, conceitua-se utilidade como a capacidade que possuem certos bens de satisfazer uma necessidade, e, mais, para que uma coisa seja considerada útil, é necessária a ocorrência de três condições: • existência de alguma relação entre as qualidades dessa coisa e a necessidade ou desejo; • conhecimento desta relação; • possibilidade dela (relação) ser utilizada. A ideia de valor remonta aos mais velhos costumes de troca, desde o escambo de bens entre os primeiros homens. E ainda hoje, estes parâmetros vetustos são determinantes para estabelecer o valor das coisas. O valor dos objetos no mecanismo de trocas sempre foi regulado por três conceitos: • utilidade; • raridade; • trabalho em consegui-lo. CAIRES (1978), citado por PELLEGRINO (1983), resume o processo avaliatório nos seguintes termos: “De modo muito simples, mesmo pecando quanto ao rigor, pode-se dizer que: Avaliar é medir o valor. O valor é uma grandeza e, como tal, suscetível de ser medida. Por sua vez, Medir é comparar. Daí infere-se que avaliação é a determinação do valor de uma coisa obtida por comparação com outras semelhantes”. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONCEITOS BBÁÁSSIICCOOSS 5 A NBR 14.653-1:2001 estabelece no item 3, que para os efeitos desta norma, aplicam- se as seguintes definições, dentre elas a definição de avaliação de bens, que é: “3.5 - Avaliação de bens: Análise técnica, realizada por engenheiro de avaliações, para identificar o valor de um bem, de seus custos, frutos e direitos, assim como determinar indicadores da viabilidade de sua utilização econômica, para uma determinada finalidade, situação e data.” A dificuldade de se obter uma definição única e precisa para o que venha a ser valor, foi responsável pelo surgimento de duas escolas ou correntes universais sobre o que se entende por valor: • Escola Univalente: defende que o valor de um determinado bem é único, num dado momento, qualquer que seja a finalidade da avaliação; • Escola Pluralista: defende o princípio de que conceituação de valor pode mudar, de acordo com a finalidade de sua determinação. Segundo PELLEGRINO (1983), os adeptos da escola ou corrente pluralista conferem ao valor um caráter extremamente subjetivo, sujeito as mais diversas variações, em função dos mais insignificantesdetalhes. Assim é que surge o valor de mercado: venal; contábil; intrínseco, artístico; estimativo etc. Dado a inexistência de consenso filosófico entre valor e preço, dado que o objetivo final do processo avaliatório é a obtenção de uma soma capaz de traduzir, em termos monetários, todos os quesitos objetivos e subjetivos deste processo. Distingue-se, portanto, três conceitos igualmente importantes: Preço de Mercado; Valor de Mercado e Valor Potencial. • Preço de Mercado: o montante de dinheiro que deve ser entregue ou pode ser obtido no mercado ativo, sob as condições imediatas e existentes numa determinada data. O preço pago pela propriedade desconsidera os motivos, pressões e o conhecimento. • Valor de Mercado: o preço mais alto, em termos de dinheiro, que uma propriedade alcançaria num mercado aberto e competitivo, sob todas as condições necessárias a uma venda justa, na qual o comprador e o vendedor procederiam de forma prudente, com todos os conhecimentos indispensáveis, assumindo que o preço não seria afetado por estímulos indevidos. • Valor Potencial: representado pela capacidade que o imóvel possui de produzir renda máxima. Segundo PELLEGRINO (1983), a diferença entre preço e valor de mercado, é que, num dado momento o valor significa o que a propriedade vale, enquanto o preço expressa a quantia pela qual ele pode ser vendido. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONCEITOS BBÁÁSSIICCOOSS 6 O valor potencial é utilizado em avaliação, para mostrar se, em face do valor potencial, um negócio imobiliário oferece atrativos para a aplicação do capital. Embora a lei refira-se a preço de mercado, o termo técnico mais adequado é valor de mercado, conforme definido pelo item 3.44 da NBR 14.653-1:2001: “3.44 Valor de mercado: quantia mais provável pela qual se negociaria voluntariamente e conscientemente um bem, numa data referência, dentro das condições de mercado vigentes”. Esse valor não é necessariamente o preço pelo qual este bem será transacionado ou ofertado, pois o valor de mercado é um processo matemático e/ou estatístico de modelagem de dados, que são obtidos através de coleta de informações sobre os preços pelos quais imóveis com características semelhantes foram negociados ou estão sendo ofertados. Portanto, preço e valor são conceitos distintos. Enquanto o valor de mercado se refere ao valor mais provável de um bem, o preço reflete a quantia monetária pela qual o bem está sendo transacionado. (PELLI NETO, 2005). Seguindo o disposto na legislação, considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis observadas os seguintes aspectos: Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. I - localização do imóvel; II - aptidão agrícola; III - dimensão do imóvel; IV - área ocupada e ancianidade das posses; V - funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. Segundo Demétrio (1991) do ponto de vista jurídico, terra (ou "bem-de-raiz") pode ser conceituada como qualquer porção da superfície terrestre sobre o qual podem ser exercidos os direitos de propriedade que dizem respeito não somente à área da superfície, mas também a coisas tais como a cobertura vegetal natural, as construções e outras benfeitorias feitas pelo homem e aqueles objetos que jazem acima ou abaixo da superfície, tais como plantações e pedreiras, por exemplo. O conceito econômico de terra, segundo BARLOWE (1972) é muito amplo abrangendo o somatório dos recursos naturais e daqueles criados pelo homem, sobre os quais a possessão de qualquer porção da superfície terrestre permite controle. Subdivide-se a terra como: espaço, natureza, fator de produção, bem de consumo, situação, propriedade e capital, cujas definições são: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONCEITOS BBÁÁSSIICCOOSS 7 • Terra como espaço: espaço cúbico (jazidas minerais) e espaço acima da superfície (construções e explorações agrícolas); • Terra como natureza: ambiente natural determinado pelas condições climáticas, topográficas e edáficas; • Terra como fator de produção: fonte natural de alimentos, fibras, materiais de construção, minerais e outras matérias primas utilizadas na sociedade moderna. Está estreitamente ligado ao conceito de terra como "bem-de- consumo"; • Terra como situação: modernamente, grande importância é atribuída ao conceito de terra como situação, isto é, sua localização em relação: ao mercado consumidor, vias de acesso e outros aspectos socioeconômicos. Em Perícia e Avaliação de Engenharia aplicada a Imóvel Rural a situação do imóvel aparece, em escala de grandeza, logo após a capacidade de uso, na estimativa do valor das terras; • Terra como propriedade: tem conotação com os direitos e responsabilidades que indivíduos ou grupos exercem sobre a posse e uso da terra. Os imóveis de destinação rural são aqueles cuja melhor alternativa econômica de exploração é realizada pela atividade agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agro industrial, mas não significa que obrigatoriamente estão situados na zona rural. O Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 30 / 11 / 1964), define em seu artigo 4º o seguinte: Artigo 4 - Para os efeitos desta Lei, definem-se: I - Imóvel Rural, o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, ou quer seja, pela iniciativa privada; II - "Propriedade Familiar", o imóvel rural que, direta e pessoalmente explorado pelo agricultor e sua família, lhes absorva toda a força de trabalho, garantindo-lhes a subsistência e o progresso social e econômico, com área máxima fixada para cada região e tipo de exploração, e eventualmente trabalho com a ajuda de terceiros; III - "Módulo Rural", a área fixada nos termos do inciso anterior; IV - "Minifúndio", o imóvel rural de área e possibilidades inferiores às da propriedade familiar; V - "Latifúndio", o imóvel rural que: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONCEITOS BBÁÁSSIICCOOSS 8 a) exceda à dimensão máxima fixada na forma do artigo 46, § 1°, alínea "b", desta Lei, tendo-se em vista as condições ecológicas, sistemas agrícolas regionais e o fim a que se destine; b) não excedendo o limite referido na alínea anterior, e tendo área igual ou superior à dimensão do módulo de propriedade rural, seja mantido inexplorado em relação às possibilidades físicas, econômicas e sociais do meio, com fins especulativos, ou seja, deficiente ou inadequadamente explorado, de modo a vedar-lhe a inclusão no conceito de empresa rural. Obedecendo ao disposto na fundamentação legal, a avaliação de imóveis rurais consiste na determinação técnica do preço de mercado do imóvel como um todo, estando aí incluídas as terras, seus recursos naturais e benfeitorias. Tendo em vista este procedimento, separação do valor da terra nua das benfeitorias, quando da avaliação, normalmente, os seguintes componentes são separados: • TERRAS - são avaliadas em função de sua capacidade de uso, localização e outros fatores, porém sem vegetação e sem benfeitorias, dentro do conceito de terra nua; • RECURSOS NATURAIS (desde que não tenham sido considerados junto com a terra nua) - tudo aquilo que pode ser considerado como dádiva da natureza que se encontra sobre o solo, fixado ou não a ele, ou mesmo logo abaixo da superfície e que possa ser extraído para vender ou ser usado na propriedade tais como: matas e capoeiras (madeira e lenha), pedreiras e cascalheiras, jazidas diversas, nascentes e quedas d'água; • BENFEITORIAS PRODUTIVAS(capital fundiário produtivo) - abrangem todas as inovações introduzidas no imóvel rural capazes de proporcionar rendimentos, oriundos da venda de seus produtos: reflorestamentos, pastos cultivados ou melhorados, culturas permanentes (cafezais, pomares etc.); • BENFEITORIAS NÃO PRODUTIVAS (capital fundiário auxiliar) - abrangem todas as inovações introduzidas no imóvel rural que não proporcionam rendimentos próprios, embora contribuam para o êxito das explorações. É o caso das edificações em geral (casas, galpões, estábulos, pocilgas, currais e outras) e dos chamados melhoramentos fundiários (trabalhos de conservação do solo, sistemas de irrigação e drenagem, açudes e outros trabalhos de efeito permanente ou prolongado, efetuados no próprio solo); • SEMOVENTES (capital de exploração fixo, vivo) - animais de lide e auxiliares e os produtores (ou de rendimento); • MOTORES, MÁQUINAS E IMPLEMENTOS - abrangem veículos, tratores, máquinas de benefício, conjunto moto-bomba, arados, grades, ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONCEITOS BBÁÁSSIICCOOSS 9 ferramentas e utensílios, arreios, mobiliário e outros (capital de exploração fixo, inanimado); • PRODUTOS E MATERIAIS DIVERSOS - incluem os produtos adquiridos no comércio (sementes, mudas, fertilizantes, corretivos, rações, produtos fitossanitários, combustíveis e lubrificantes) ou os produzidos na propriedade e ainda não vendidos como colheitas pendentes ou armazenadas, sementes, estrume e outros (capital de exploração circulante). A determinação do valor da riqueza mineral não será incluída no valor de propriedade rural neste trabalho, por ser matéria estranha aos profissionais das ciências agrárias, e sim específica do Engenheiro de Minas, Geólogo entre outros. No entanto, o valor destas jazidas deve ou não ser incluído no valor das propriedades dependendo dentre outros fatores, da existência de alvará de exploração, quer seja de pesquisa ou lavra. Conforme dito acima, deve-se separar a terra nua das outras benfeitorias existentes na propriedade para fazer a avaliação deste imóvel rural, assim é importante definir o que é terra nua, mas o que vemos é não há consenso sobre a definição de terra nua, como se pode ver a seguir. O INCRA, na sua antiga Instrução Normativa 08/93, em seu Anexo II, item 4.1, apresentava o seguinte conceito de terra nua: "Considera-se terra nua a terra com suas acessões naturais, nos termos dos artigos 43, inciso I, e 64 do Código Civil.” Entende-se, portanto por acessões naturais tudo o que se encontrar incorporado a terra sem a intervenção do proprietário, ou seja, são os elementos naturais existentes na terra, como as áreas de vegetação nativa, rios, etc. O antigo Código Civil apresentava a seguinte definição: Artigo 43 - São bens imóveis; Inciso I: "O solo com a sua superfície, os seus acessórios e adjacências naturais, compreendendo as árvores e frutos pendentes, o espaço aéreo e o subsolo”. Artigo 64 - Não se consideram benfeitorias os melhoramentos sobrevindos à coisa sem a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor. Analisando os citados artigos, veremos que primeiro define bem imóvel e o segundo, de forma não muito clara, define benfeitoria. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONCEITOS BBÁÁSSIICCOOSS 10 Com a entrada em vigor do novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002) houve mudanças nos artigos e definições sobre o que são bens imóveis e benfeitorias, que se encontram transcritos abaixo: Artigo 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. Artigo 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias. § 1o São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável, ou sejam, de elevado valor. § 2o São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem. § 3o São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. Artigo 97. Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor. Notem que os conceitos se alteraram um pouco, mas que ainda possuem o mesmo significado, principalmente se nos ativer aos artigos 79 e 97 para definir o conceito de terra nua. A Constituição Federal, no seu artigo 184 diz que os imóveis desapropriados serão indenizados em títulos da dívida agrária e as benfeitorias úteis e necessárias em dinheiro, mas em nenhum momento se refere à definição de terra nua. Pode-se deduzir que excluindo as benfeitorias úteis necessárias todo o restante é terra nua. O Estatuto da Terra (Lei 4.504/64) e a Lei 8.629/93 em nenhum momento deixam claro o conceito de terra nua, mas a medida provisória 1997-34, de 13 de janeiro de 2000, que alterou alguns artigos destas leis, diz o seguinte: Art. 3 - Os artigos 2º, 6º, 7º, 11º, 12º, 17º e 18º da Lei n.º 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, passam a vigorar com as seguintes alterações: Art. 12 - Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis observadas os seguintes aspectos: I - localização do imóvel; II - aptidão agrícola; III - dimensão do imóvel; IV - área ocupada e ancianidade das posses; V - funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONCEITOS BBÁÁSSIICCOOSS 11 § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, proceder-se-á à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendo-se o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. A norma ABNT NBR 14.653-3 / 2004, admite para fins de cálculo de valor da terra nua a seguinte condição, estabelecida pelo artigo 10.1.2: “Artigo 10.1.2 - É admissível na avaliação a determinação do valor da terra nua a partir de dados de mercado de imóveis com benfeitorias, deduzindo- se o valor destas.” Concluindo, recomenda-se que conste no laudo e/ou parecer técnico a definição de terra nua, para dirimir quaisquer dúvidas. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 12 4. CONSIDERAÇÕES DA NBR 14.653 Para a determinação do valor de um imóvel rural, deve ser definido um procedimento, onde são seguidos regras e fatores. Atualmente os trabalhos de Perícias e Avaliações de Engenharia para Imóveis Rurais são normatizados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e estão especificados na NBR 14.653, Parte 1 – Procedimentos Gerais (2001) e Parte 3 - Avaliação de Bens: Imóveis Rurais (2004). A seguir destacar-se-ão os principais aspectos da norma vigente, assim como tecer alguns comentários sobre a sua aplicação prática. 1. Objetivo 1.1. Esta parte da ABNT NBR 14.653-3/2004 detalha as diretrizes e padrões específicos de procedimentos para a avaliação de imóveis rurais, especialmente quanto a: - instituição de terminologia, definições, símbolos e abreviaturas; - classificação de sua natureza; - descrição das atividades básicas; - definição da metodologia básica; - identificação do valor de mercado ou outra referência de valor; - especificação das avaliações; - requisitos básicos de laudos e pareceres técnicos de avaliação. 1.2. Esta parte da ABNT NBR 14.653-3/2004 é exigível em todas as manifestações técnicas escritas, vinculadas às atividades de Engenharia de Avaliações de Imóveis Rurais. 1.3. Esta parte da ABNT NBR 14.635-3/2004 não tem a intenção de esgotar a matéria e, sempre que for julgado conveniente, deverá ser complementada ou atualizada para atender aos seus objetivos.Atentem para o fato de que a norma é uma unanimidade, sendo inclusive muito aceita nos tribunais, mas não é imutável, conforme especificado no item 1.3, ou seja, pode e deve ser atualizada com o passar dos anos. Relacionado ao capítulo anterior à norma apresenta no item 3.12 o conceito para terra nua: “3.12 Terra nua: terra sem produção vegetal ou vegetação natural.” ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 13 Segundo especifica a norma, a terra nua deve ser classificada segundo o Manual Brasileiro para Levantamento da Capacidade de Uso da Terra – III aproximação ou o que vir a substituí-lo para fins de avaliação de imóveis rurais, conforme apresentado a seguir: 5.2 Classificação dos componentes dos imóveis rurais 5.2.1 Terras 5.2.1.1 As terras são enquadradas segundo o Sistema de Classificação da Capacidade de Uso das Terras, conforme o Manual Brasileiro para Levantamento da Capacidade de Uso da Terra – III aproximação, ou o que vier a substituí-lo para fins de avaliação de imóveis rurais. A seguir, alguns conceitos básicos e fundamentais para o sucesso do trabalho, que se enquadram nas atividades básicas de avaliação de imóveis rurais. 7. Atividades Básicas 7.1. Generalidades: É recomendável que o Engenheiro de Avaliações esclareça, por ocasião da contratação, aspectos essenciais para definir o método avaliatório e eventuais níveis de fundamentação e precisão que pretende atingir, entre outros: # finalidade: desapropriação, aquisição, arrendamento, alienação, dação em pagamento, permuta, garantia, fins contábeis, seguro, arrematação, adjudicação1 e outros; # objetivo: valor de mercado, de compra e venda ou de arrendamento; outros valores, tais como: valor em risco, valor patrimonial, custo de reedição, preço de liquidação forçada; indicadores de viabilidade e outros; # prazo limite previsto para a apresentação do laudo; # condições a serem utilizadas, no caso de laudos de uso restrito. As atividades básicas correspondem às seguintes etapas: # conhecimento e requisição de documentação; # vistoria; # coleta de dados; # diagnóstico do mercado; # escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; # tratamento dos dados de mercado; # cálculo do valor do imóvel. 1 Adjudicação: Ato pelo qual os bens penhorados ao devedor, e levados à praça, ou leilão, são transmitidos ao credor exeqüente, ou outro devidamente habilitado, a seu requerente e para pagamento do seu crédito, por preço igual ao da avaliação, quando não houve licitantes, ou pelo valor do maior lanço, quando arrematado por terceiros. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 14 É de fundamental importância a atenção a todas as etapas citadas para que o trabalho seja feito de maneira criteriosa e correta, possibilitando obter o justo valor do imóvel avaliando, assim como garantido o cumprimento da imparcialidade do Engenheiro de Avaliações contratado para o serviço. De acordo com a norma ABNT NBR 14.653-3/2004, no item 7.3, define-se vistoria como: “A vistoria visa permitir ao Engenheiro de Avaliação conhecer, da melhor maneira possível, o imóvel avaliando e o contexto imobiliário a que pertence, de forma a orientar a coleta de dados. Além do previsto na ABNT NBR 14.653-1/2004, devem ser observados os aspectos relevantes na formação do valor, de acordo com o objeto, o objetivo e a finalidade da avaliação, constantes em 7.3.1 e 7.3.2”. No mesmo momento da vistoria, o avaliador tem a oportunidade de levantar outras informações vitais para a caracterização do imóvel e da sua região de influência, fatores estes que podem ser relevantes para a apuração do valor da propriedade avalianda. É durante a vistoria que o avaliador deve fazer uma minuciosa caracterização da região e do próprio imóvel avaliando, que vai embasar a análise do mercado agropecuário da região e qual a sua influência sobre o preço das terras. Outra utilidade destas informações destina- se ao planejamento da pesquisa de elementos amostrais. Para todos os trabalhos deve-se fazer antecipadamente um planejamento da pesquisa, que permita um adequado levantamento de dados de campo, conforme as orientações dos seguintes itens da norma vigente: 7.4 Pesquisa para estimativa do valor de mercado 7.4.1 Planejamento da pesquisa – na pesquisa, o que se pretende é a composição de uma amostra representativa de dados de mercado de imóveis com características, tanto quanto possível, semelhantes às do avaliando, usando-se toda a evidência disponível. Esta etapa deve iniciar-se pela caracterização e delimitação do mercado em análise, com o auxílio de teorias e conceitos existentes advindas de experiências adquiridas pelo avaliador sobre a formação do valor. Na estrutura da pesquisa são eleitas as variáveis que, em princípio, são relevantes para explicar a formação de valor e estabelecidas às supostas relações entre si e com a variável dependente. A estratégia de pesquisa refere-se à abrangência da amostragem e às técnicas a serem utilizadas na coleta e análise dos dados, como a seleção e abordagem de fontes de informação, bem como a escolha do tipo de análise (quantitativa ou qualitativa) e a elaboração dos respectivos instrumentos para a coleta de dados (fichas, planilhas, roteiros de entrevista, entre outros). ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 15 7.4.2 Identificação das variáveis do modelo – As variáveis do modelo são identificadas como: # variável dependente: para a especificação correta da variável dependente, é necessária uma investigação no mercado em relação à sua conduta e ás formas de expressão dos preços (por exemplo, preço total ou unitário, moeda de referência, formas de pagamento). É também necessário observar a homogeneidade nas unidades de medida; # variável independente: as variáveis independentes referem-se às características físicas (área, classes de capacidade de uso das terras, entre outros), de situação (acesso, localização, distância a centro de referência, entre outros) e econômicas (ofertas ou transações, época, condição do negócio – à vista ou a prazo). As variáveis devem ser escolhidas com base em teorias existentes, conhecimentos adquiridos, senso comum e outros atributos que se revelem importantes no decorrer dos trabalhos, pois algumas variáveis consideradas importantes no planejamento da pesquisa podem se mostrar pouco relevantes posteriormente e vice-versa. 7.4.3 Levantamento de dados 7.4.3.1 Tem como objetivo a obtenção de uma amostra representativa para explicar o comportamento do mercado, no qual o imóvel avaliando está inserido. 7.4.3.3 O levantamento de dados constitui a base do processo avaliatório. Nesta etapa, o Engenheiro de Avaliações investiga o mercado, coleta dados e informações confiáveis preferencialmente a respeito de negociações realizadas e ofertas, contemporâneas à data de referência da avaliação, com suas principais características econômicas, físicas e de localização. As fontes devem ser diversificadas tanto quanto possível. A necessidade de identificação das fontes deve ser objeto de acordo entre os interessados. No caso de avaliações judiciais é obrigatória a identificação das fontes. 7.4.3.4 Os dados de oferta são indicações importantes do valor de mercado. Entretanto, deve-se considerar superestimativas que em geral acompanham esses preços e, sempre que possível, quantificá-las pelo confronto com dados de transações. 7.4.3.6 Os dados de mercado devem ter suas características descritas pelo Engenheiro de Avaliações até o grau de detalhamento que permita compará- los com o bem avaliando, de acordo com as exigências dos graus de precisão e de fundamentação. 7.4.3.7 Especial atenção deve ser dada à classificação de terras dos dados de mercado. 7.4.3.8 Somente serãoaceitos os seguintes dados de mercado: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 16 # transações; # ofertas; # opiniões de Engenheiros de Avaliações ligados ao setor imobiliário rural; # opiniões de profissionais ligados ao setor imobiliário rural; # informações de órgãos oficiais. Agora é possível compreender melhor a importância da vistoria da propriedade avalianda e do planejamento de pesquisa, pois são eles que vão estabelecer as diretrizes para um adequado e eficiente trabalho de levantamento de dados, conforme exposto nas orientações da norma. Todas as propriedades que compõem a amostragem devem, preferencialmente, ser vistoriadas pelo Engenheiro de Avaliações, para que o mesmo possa checar as informações coletadas, possibilitando a correta caracterização das mesmas. Deve-se dar preferência por trabalhar com transações (ou negócios realizados) e ofertas, evitando-se ao máximo a utilização de opiniões ou informações de órgãos oficiais. Depois de coletados os dados os mesmos devem sofrer um tratamento com o intuito de checar sua viabilidade de utilização na determinação de valor da propriedade avalianda, conforme descrito a seguir: 7.7 Tratamento dos dados 7.7.1 Preliminares 7.7.1.1 É recomendável, preliminarmente, a sumarização das informações obtidas sob a forma de gráficos que mostrem as distribuições de frequência para cada uma das variáveis, bem como as relações entre elas. Nesta etapa, verificam-se o equilíbrio da amostra, a influência das possíveis variáveis-chave sobre os preços e a forma de variação, possíveis dependências entre elas, identificação de pontos atípicos, entre outros. Assim, podem-se confrontar as respostas obtidas no mercado com as crenças a priori do Engenheiro de Avaliações, bem como permitir a formulação de novas hipóteses. 7.7.1.2 Nos casos de transformação de pagamento parcelado ou a prazo de um dado de mercado para preço à vista, esta deve ser realizada com a adoção de uma taxa de desconto, efetiva, líquida e representativa da média praticada pelo mercado, à data correspondente a esse dado, discriminando-se a fonte. 7.7.1.3 No tratamento dos dados podem ser utilizados, alternativamente e em função da qualidade e da quantidade de dados e informações disponíveis: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 17 # tratamento por fatores – homogeneização por fatores e critérios, fundamentados por estudos conforme 7.7.2.1, e posterior análise estatística dos resultados homogeneizados; # tratamento científico – tratamento de evidências empíricas pelo uso de metodologia científica que leve à indução de modelo validado para o comportamento do mercado 7.7.1.4 Deve-se levar em conta que qualquer modelo é uma representação simplificada do mercado, uma vez que não considera todas as suas informações. Por isso, precisam ser tomados cuidados científicos na sua elaboração, desde a preparação da pesquisa e o trabalho de campo, até o exame final dos resultados. 7.7.2 Tratamento por fatores 7.7.2.1 Os fatores a serem utilizados neste tratamento devem ser indicados periodicamente pelas entidades técnicas regionais reconhecidas, revisados periodicamente e devem especificar claramente a região para a qual são aplicáveis. Alternativamente, podem ser adotados fatores de homogeneização medidos no mercado, desde que o estudo de mercado específico que lhes deu origem seja anexado ao laudo. 7.7.2.3 No caso de utilização de tratamento por fatores, deve ser observado o anexo B. 7.8.2 O valor de mercado deve considerar o aproveitamento eficiente do imóvel. Complementando o tratamento por fatores, existem alguns pontos importantes que estão relatados no Anexo B, transcritos na sequência. B.1 Generalidades B.1.1 Neste tratamento de dados, aplicável ao método comparativo direto de dados de mercado, é admitida a priori a validade da existência de relações fixas entre os atributos específicos e os respectivos preços. Para isso, são utilizados fatores de homogeneização calculados conforme 7.7.2.1, que reflitam, em termos relativos, o comportamento do mercado com determinada abrangência espacial e temporal. B.1.2 É recomendável que sejam utilizados dados de mercado: a) com atributos mais semelhantes possíveis aos do imóvel avaliando; b) que sejam contemporâneos. Nos casos de exame de dados não contemporâneos, é desaconselhável a atualização do mercado imobiliário através de índices econômicos, quando não houver paridade entre eles, ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 18 devendo, neste caso, o preço ser atualizado mediante consulta direta à fonte. Quando a atualização na forma mencionada for impraticável, só será admitida a correção dos dados por índices resultantes de pesquisa no mercado. Esta nova norma, NBR 14.653 – Parte 3, instituiu o conceito de trabalhar apenas com dados semelhantes ao avaliando, segundo critério estabelecido pela própria norma, mas variando segundo o grau de fundamentação do trabalho. Abaixo uma das referências da norma quanto aos dados semelhantes: B.1.2.1 Para a utilização deste tratamento, considera-se como dado de mercado com atributos semelhantes aqueles em que cada um dos fatores de homogeneização, calculados em relação ao avaliando, estejam contidos entre 0,50 e 1,50. Voltando a análise da norma, agora discutindo conceitos relacionados com a metodologia de avaliação. 8 Metodologia aplicável 8.1 Método comparativo direto de dados de mercado – Ao utilizar a inferência estatística com modelos de regressão linear, consultar os requisitos mínimos estabelecidos no anexo A. No caso de utilização de tratamento por fatores, consultar o anexo B. 8.2 Método da capitalização da renda 8.2.2 No caso de avaliações de produções vegetais, devem ser observados os procedimentos de 8.2.2.1 a 8.2.2.3. 8.2.2.1 Os rendimentos líquidos esperados devem ser considerados a partir da data de referência da avaliação até o final da vida útil da produção vegetal. 8.2.2.2 Na determinação da renda líquida, deve-se considerar a receita bruta, deduzido os custos diretos e indiretos, inclusive o custo da terra nua, os impostos e o custo de erradicação, se houver. 8.2.2.2.1 No cálculo do custo da terra nua, pode-se utilizar o custo de oportunidade sobre o capital que ela representa ou o valor do seu arrendamento. Atualmente, a norma vigente da ABNT instituiu os conceitos de grau de precisão e de fundamentação, em substituição aos tipos de laudos: expedito, norma e rigoroso da norma antiga. Agora é feita uma classificação do trabalho do avaliador, segundo o nível de precisão do trabalho apresentado, conforme resumo a seguir: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 19 9 Especificações das avaliações 9.1 Generalidades 9.1.1 A especificação de uma avaliação está relacionada tanto com o empenho do Engenheiro de Avaliações, como com o mercado e as informações que possam ser dele extraídas. O estabelecimento inicial pelo contratante do grau de fundamentação desejado tem por objetivo a determinação do empenho no trabalho avaliatório, mas não representa garantia de alcance de graus elevados de precisão. Quanto ao grau de precisão, este depende exclusivamente das características do mercado e da amostra coletada e, por isso, não é passível de fixação a priori. 9.2 Quanto à fundamentação 9.2.1 Os laudos de avaliação são classificados quanto à fundamentação nos graus indicados na tabela 1, de acordo com a soma dos pontos em função das informações apresentadas. Tabela 1 – Classificação dos laudos de avaliação quanto à fundamentação Grau I II III Limite mínimo 12 36 71 Limite máximo 35 70 100 Fonte: ABNT NBR 14.653 – Parte 3 Notem que a classificação dos trabalhos nos respectivos graus de fundamentação fica cada vez maisrigorosa, que seja pela pontuação que tem que ser alcançada ou pelas restrições impostas além da pontuação. 9.2.2 Esta pontuação é obtida segundo os critérios especificados na norma. Quando a finalidade for a avaliação do imóvel rural como um todo, utilizando-se o método comparativo direto de dados de mercado, conjugado ou não com os métodos de custo e da capitalização da renda. 9.2.2.2 O Engenheiro de Avaliações deve enquadrar seu trabalho em cada item da tabela 2 da norma (Pontuação para fins de classificação das avaliações quanto ao grau de fundamentação). A soma dos pontos obtidos nos dez itens deve ser utilizada para conferir o grau de fundamentação conforme a tabela 1, observadas as restrições de 9.2.3. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 20 Tabela 2 – Pontuação para fins de classificação das avaliações quanto ao grau de fundamentação Item Especificações das avaliações de imóveis rurais Para determinação da pontuação, os valores na horizontal não são cumulativos Condição Pts. Condição Pts. Condição Pts. 1 Número de dados de mercado efetivamente utilizados ≥ 3×(𝑘𝑘 + 1) e no mínimo 5 18 > 5 9 - 0 2 Qualidade dos dados colhidos no mercado de mesma exploração, conforme 5.1.2 Todos 15 Maioria 7 Minoria ou ausência 0 3 Visita dos dados de mercado por Engenheiro de Avaliações Todos 10 Maioria 6 Minoria ou ausência 0 4 Critérios adotados para avaliar construções e instalações Custo de reedição por planilha específica 5 Custo de reedição por caderno de preços 3 Como variável, conforme anexo A 3 5 Critério adotado para avaliar produções vegetais Conforme 10.3 5 Por caderno de preços 3 Como variável, conforme anexo A 3 6 Apresentação do Laudo, conforme seção 11 Completo 16 Simplificado 1 - 0 7 Utilização do método comparativo direto de dados de mercado Tratamento científico, conforme 7.7.3 e anexo A 15 Tratamento por fatores, conforme em 7.7.2 e anexo B 12 Outros tratamentos 2 8 Identificação dos dados amostrais Fotográfica 2 - 0 - 0 Coordenadas geodésicas ou geográficas 2 Roteiro de acesso ou croqui de localização 1 - 0 9 Documentação do avaliando que permita sua identificação e localização Fotográfica 4 Coordenadas geodésicas ou geográficas 4 - 0 - 0 10 Documentação do imóvel avaliando apresentada pelo contratante refere-se a Certidão dominial atualizada 2 - 0 - 0 Levantamento topográfico planimétrico de acordo com normas 2 Levantamento topográfico planimétrico 2 - 0 SOMATÓRIO PONTUAÇÃO Fonte: ABNT NBR 14.653 – Parte 3 9.2.3 Observações referentes à tabela 2 estão descritas de 9.2.3.1 a 9.2.3.10. 9.2.3.1 No item 1, se houver maioria de opiniões, fica caracterizado o grau I. 9.2.3.2 k = número de variáveis independentes: # variável dependente: preço ou preço unitário; # variáveis independentes (exemplos): área, classe de solo, situação etc. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 21 9.2.3.3 São obrigatórios em qualquer grau: # explicitação do critério adotado e dos dados colhidos no mercado; # vistoria do imóvel avaliando; # identificação das fontes; # no mínimo três dados de mercado, efetivamente utilizados. 9.2.3.4 No caso da impossibilidade de vistoria do imóvel avaliando, o profissional pode admitir uma situação paradigma, conforme em 7.3.2 da ABNT NBR 14.653-1:2001. 9.2.3.5 É obrigatório nos graus II e III o seguinte: # a apresentação de fórmulas e parâmetros utilizados; # no mínimo cinco dados de mercado efetivamente utilizados; # a apresentação de informações relativas a todos os dados amostrais e variáveis utilizados na modelagem; # que, no caso da utilização de fatores de homogeneização, o intervalo admissível de ajuste para cada fator e para o conjunto de fatores esteja compreendido entre 0,80 e 1,20. 9.2.3.6 É condição para o enquadramento no grau III: # a vistoria do imóvel e dos dados de mercado por engenheiro de avaliações; # a apresentação do laudo completo; # a utilização efetiva de no mínimo 3x(k+1) dados de mercado; # que o nível de significância α (somatório do valor das duas caudas) máximo para a rejeição da hipótese nula de cada regressor (teste bicaudal) seja de 10%; # que o nível de significância máximo admitido nos demais testes estatísticos realizados seja de 1%. 9.2.3.7 No caso de utilização de variáveis qualitativas que podem assumir n situações bem definidas (códigos alocados), como, por exemplo, a situação (boa, regular e ruim), recomenda-se considerar (n- 1) variáveis dicotômicas para descrever as diferenças qualitativas. Quando isto não for possível, a avaliação terá grau de fundamentação máximo II. 9.2.3.8 Se os dados não forem de mesma exploração (conforme em 5.12), o modelo adotado pode incluir variáveis dicotômicas que evidenciem as diferenças dos respectivos mercados. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 22 9.2.3.9 Na inexistência de produções vegetais, construções ou instalações ou quando estas não forem objeto da avaliação, deve ser atribuído o valor máximo nos itens 4 e 5 da tabela 2 para não penalizar o enquadramento na tabela 1. 9.2.3.10 Para a determinação da pontuação, os valores na horizontal não são cumulativos e a soma é realizada apenas na vertical. 9.3 Quanto à precisão – As avaliações de imóveis rurais serão especificadas quanto à precisão no caso em que for utilizado exclusivamente o método comparativo direto de dados de mercado, conforme a tabela a seguir: Tabela 3 – Grau de precisão da estimativa de valor no caos de utilização do método comparativo direto de dados de mercado Descrição Grau III II I Amplitude do intervalo de confiança de 80% em torno do valor central da estimativa <=30% 30% - 50% > 50% Nota: Observar subseção 9.1 Fonte: ABNT NBR 14.653 – Parte 3 A seguir destacaremos os procedimentos específicos para a avaliação dos diversos componentes existentes nas propriedades rurais. 10 Procedimentos específicos 10.1 Terras Nuas 10.1.1 Na avaliação das terras nuas, deve ser empregado, preferencialmente, o método comparativo direto de dados de mercado. 10.1.3 Fatores de homogeneização – No caso de utilização de fatores de homogeneização, recomenda-se que a determinação destes tenha origem nos estudos fundamentados estatisticamente e envolva variáveis como, por exemplo, escalas de fatores de classes de capacidade de uso, fatores de situação e recursos hídricos. Os dados básicos devem ser obtidos na mesma região geoeconômica onde está localizado o imóvel avaliando e tratados conforme anexo B. Importante destacar um ponto do Anexo B, referente ao saneamento amostral: B.1.3 Após a homogeneização, devem ser utilizados critérios estatísticos consagrados de eliminação de dados discrepantes, para o saneamento da amostra. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 23 Importante ressaltar que os procedimentos apresentados são fundamentais à avaliação do bem, mas sua correta aplicação não é garantia de sucesso, pois não existe tratamento matemático capaz de corrigir as distorções derivadas de uma vistoria mal feita ou deficiente, ou seja, o trabalho de campo bem feito é certeza de sucesso. Voltando aos procedimentos específicos para a avaliação dos diversos componentes existentes nas propriedades rurais, tem-se o seguinte: 10.2 Construções e instalações 10.2.1 As avaliações, quando não usado o método comparativo direto de dados de mercado, devem ser feitas por orçamentos qualitativos e quantitativos, compatíveis com o grau de fundamentação. 10.2.3 A depreciação deve levar em conta: # aspectos físicos em função da idadeaparente, da vida útil e do estado de conservação; # aspectos funcionais, considerando o aproveitamento da benfeitoria no contexto socioeconômico do imóvel e da região em conjunto, a obsolescência e a funcionalidade do item. 10.3 Produções vegetais – Na avaliação em separado das produções vegetais deve-se observar o descrito em 10.3.1 a 10.3.3. 10.3.1 Deve ser empregado o método da capitalização da renda para a identificação do valor econômico. 10.3.2 No caso de culturas de ciclo longo no primeiro ano de implantação, recomendam-se utilizar, alternativamente ao método da capitalização da renda, o custo de implantação, incluídos os custos diretos e indiretos. 10.3.3 Nas pastagens, emprega-se o custo de formação, com a aplicação de um fator de depreciação decorrente da diminuição da capacidade de suporte da pastagem. 10.3.3.1 Também pode ser utilizado o valor presente líquido dos valores médios regionais de arrendamento de pastagens nas mesmas condições, pelo período restante de sua vida útil, deduzidos os custos diretos e indiretos, inclusive o custo da terra. Um dos pontos criticados na nova norma refere-se a exclusão da avaliação de culturas domésticas, atualmente a ênfase é dada apenas as culturas comerciais, portanto neste material reiteramos a necessidade de se avaliar as culturas domésticas, conforme metodologia da NBR 8.799 / 1985. Voltando aos procedimentos específicos para a avaliação dos diversos componentes existentes nas propriedades rurais, tem-se o seguinte: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 24 10.4 Florestas Nativas – Para a identificação do valor da terra em conjunto com a sua floresta nativa, deve-se seguir o descrito em 10.4.1 e 10.4.2. 10.4.1 Deve ser utilizado, sempre que possível, o método comparativo direto de dados de mercado. 10.4.2 Quando existir exploração econômica autorizada pelo órgão competente pode ser utilizado o método da capitalização da renda, onde devem ser considerados os custos diretos e indiretos. Neste caso, se for necessário o inventário florestal, este deve ser executado para a área avalianda. 10.6 Equipamentos e máquinas agrícolas – A avaliação pode ser feita pelo método comparativo direto de dados de mercado ou pela apuração do custo de reedição, quando não existir mercado para o bem. Recomenda-se a citação das fontes de consulta e apresentação dos cálculos efetuados. 10.7 Obras e trabalhos de melhorias das terras – Quando estas obras e trabalhos de melhoria das terras não tiverem sido contemplados em outros itens da avaliação, a identificação do valor deve ser feita pelo custo de reedição. É recomendada a citação das fontes consultadas e apresentação dos cálculos efetuados. De acordo com a norma da ABNT NBR 14.653-3/2004, na apresentação dos laudos de avaliação devem constar obrigatoriamente o seguinte: 11 Apresentação de Laudos de Avaliação – Os laudos de avaliação devem ser apresentados no modelo completo ou simplificado, conforme 11.1 e 11.2. 11.1 – O laudo completo deve incluir: # identificação da pessoa física ou jurídica ou seu representante legal que tenha solicitado o trabalho; # objetivo (exemplo: valor de mercado ou outro valor) e finalidade (exemplo: garantia, dação em pagamento, venda e compra) da avaliação; # pressupostos conforme, 7.2.2 ABNT NBR 14.653-1/2001, ressalvas e fatores limitantes; # roteiro do acesso ao imóvel; # planta esquemática de localização; # descrição da região, conforme 7.3.1; # identificação e caracterização do bem avaliado, conforme 7.3.2; # data da vistoria; # descrição detalhada das terras (7.3.2.2), construções, instalações (7.3.2.3) e produções vegetais (7.3.2.4); ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS CONSIDERAÇÕES DDAA NNBBRR 1144..665533 25 # descrição detalhada das máquinas e equipamentos (7.3.2.6); # obras e trabalhos de melhorias das terras (7.3.2.5); # classificação conforme seção 5; # indicação do(s) método(s) utilizado(s), com justificativa da escolha; # pesquisa de valores, atendidas as disposições de 7.4; # descrição detalhada das terras, do imóvel da amostra conforme 5.2.1; # memória de cálculo do trabalho utilizado; # diagnóstico de mercado; # data da vistoria, conclusão, resultado da avaliação e sua data de referência; # especificação da avaliação, com grau de fundamentação e precisão; # local e data do laudo; # qualificação legal completa e assinatura do(s) profissional(ais) responsável(ais) pela avaliação. 11.2 – O laudo simplificado deve incluir: # identificação da pessoa física ou jurídica e / ou seu representante legal que tenha solicitado o trabalho; # objetivo da avaliação; # roteiro de acesso ao imóvel avaliando; # identificação e caracterização do bem avaliando (terras, produções vegetais, etc.); # indicação do(s) método(s) utilizado(s), com justificativa da escolha; # especificação da avaliação; # data da vistoria, conclusão, resultado da avaliação e sua data de referência; # qualificação legal completa e assinatura do(s) profissional(ais) responsável(eis) pela avaliação; # local e data do laudo. Outras considerações sobre a norma serão apresentadas no decorrer do trabalho, quando necessário para esclarecer os procedimentos recomendados para a avaliação de um determinado item. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS MÉTODOS DDEE AAVVAALLIIAAÇÇÃÃOO 26 5. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO Uma constante preocupação da Engenharia de Avaliações é que a determinação do valor de mercado de um bem seja feita de forma técnica e seguindo uma determinada metodologia, apresentando um resultado de qualidade e bem fundamentado, com o menor grau possível interferência da subjetividade do avaliador no resultado final. O objetivo principal é a valoração de bens, que se faz através de balizamento pelo valor de mercado que se estima, normalmente, através de observações dos preços praticados no referido mercado. A escolha da metodologia de avaliação a ser empregada pode ser baseada no atendimento das seguintes condições: • natureza do bem a avaliar; • finalidade da avaliação; • disponibilidade, quantidade e qualidade de informações; • deve ser justificada; • suportar o convencimento do valor. Partindo-se do pressuposto de que o objetivo deste trabalho é a determinação do valor de mercado de um imóvel, quais são as metodologias disponíveis para esta identificação? O Método Comparativo (ou The Sales Comparison Approach), que como o próprio nome diz, visa determinar o valor baseando-se na comparação direta com outros imóveis ofertados ou transacionados no mercado, efetuando é claro, as correções devidas às diferenças entre eles. Pode ser utilizado por meio do tratamento por fatores ou o tratamento científico. O Método da Renda (ou The Income Capitalization Approach) se baseia na capitalização de um rendimento obtido na exploração do imóvel rural, a uma taxa de mercado, para determinar o valor total da propriedade. O Método Involutivo é aquele que identifica o valor do bem avaliando por meio de um “projeto hipotético”, ou seja, o avaliador tem que elaborar um projeto de exploração da propriedade, buscando o aproveitamento eficiente de todos os recursos disponíveis no imóvel, mas dentro da realidade de mercado local. Utilizado para imóveis atípicos ou quando não há elementos semelhantes para comparação. O Método Evolutivo identifica o valor do bem pelo somatório dos valores de seus componentes, ou seja, da terra nua mais as benfeitorias, para a identificação do valor de ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS MÉTODOS DDEE AAVVAALLIIAAÇÇÃÃOO 27 mercado, deve ser considerado o fator de comercialização, que serve para adequar o valor encontrado ao valor de mercado. Todos os métodos são eficientes desde que aplicados adequadamente. Independente do método escolhido haverá sempre a necessidade do conhecimento do mercado, o que só pode ser obtido a partirde uma boa base de informações. Além destes, existem os seguintes métodos para identificar o custo de um bem: • Método Comparativo Direto de Custo: identifica o custo do bem por meio de tratamento técnico dos atributos dos elementos comparáveis, constituintes da amostra; • Método da Quantificação de Custo: identifica o custo do bem ou de suas partes por meio de orçamentos sintéticos ou analíticos a partir das quantidades de serviços e respectivos custos diretos e indiretos. 5.1 MÉTODO COMPARATIVO DIRETO DE DADOS DE MERCADO O método comparativo é também conhecido como método direto ou sintético, pois se baseia na comparação direta do imóvel avaliando com outros imóveis ofertados ou negociados no mercado, procedendo às correções das diferenças entre eles, visto que não existem imóveis iguais. Essas correções buscam transpor as condições encontradas nos imóveis pesquisados para as do imóvel avaliando, utilizando-se, para isso, da homogeneização dos elementos que exercem influência no valor das terras, quais sejam: • características físicas; • localização e acesso; • benfeitorias; • culturas; • entre outros, específicos para cada propriedade ou região. Esta metodologia é dependente da coleta de elementos no mercado imobiliário da região, imóveis ofertados ou negociados, os quais devem ser verificados e analisados, por meio de uma vistoria criteriosa, tal como a executada na propriedade avalianda. Quanto mais precisas às descrições dos elementos a serem utilizados, menor a margem de erro na transposição dos mesmos (homogeneização). Uma consideração relevante que deve ser feita, é a dificuldade de se conseguir elementos amostrais no meio rural, as amostras são muito mais escassas do que na zona urbana, dada as características das propriedades rurais e do mercado de imóveis rurais de uma região. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS MÉTODOS DDEE AAVVAALLIIAAÇÇÃÃOO 28 Deve-se lembrar de que este método é considerado eficiente, apenas onde houver abundância de informações, tanto do próprio imóvel avaliando como do mercado, imóveis comparativos. Caso contrário, o método é falho, e isso é possível de se acontecer em determinadas regiões do país, ou em certas épocas, quando os dados não estejam atualizados e a movimentação do mercado de compra e venda de imóveis esteja estagnada. A dificuldade deste método consiste exatamente na comparação, pois é conhecido que as fazendas têm características distintas, como: áreas cultivadas; quantidade e tamanho de benfeitorias não reprodutivas; produções diferentes; tipos de solos; disponibilidade de água; cobertura vegetal natural (matas) etc. Além disso, deve estar claro que sua aplicação para a avaliação de imóveis rurais é muito trabalhosa, pois o mais comum neste método, para a avaliação de imóveis rurais, é a sua utilização via tratamento por fatores, que são os responsáveis pela transposição das informações do mercado para a propriedade avalianda. Na opção de tratamento por fatores, recomenda-se que deve existir um fator para cada variável independente, e que, preferencialmente, este fator deve evitar o uso de notas, dado a subjetividade dos mesmos, assim facilmente existiria mais de 05 fatores para um trabalho considerado simples, podendo chegar a mais de 10 em trabalhos mais complexos ou elaborados. Assim, imaginem a quantidade de elementos amostrais que deveria ser empregada para tornar a amostra significativa, principalmente no caso de uma avaliação de grau de fundamentação III, o que torna a aplicação do método extremamente oneroso e difícil. Na prática ocorre que o método comparativo de dados de mercado será o método mais utilizado para a avaliação de terra nua, como veremos a seguir. 5.2 MÉTODO DA RENDA Também denominado de indireto, o método da renda consiste em determinar o valor da propriedade avalianda por meio da capitalização da renda líquida na sua exploração. Em matemática financeira, sempre que se conhece a renda proveniente de um capital, pode-se determiná-lo quando submetido a uma determinada taxa de juros. Por analogia, o mesmo princípio se aplica aos imóveis rurais em geral, ou seja, conhecendo a sua renda líquida, efetiva ou potencial, pode-se determinar o seu valor. Esse método só tem condições de ser aplicado com segurança nas propriedades rurais bem organizadas e com contabilidade em ordem. Mesmo assim, deve-se ter muita cautela na escolha da taxa de capitalização da renda líquida a ser aplicada. Para seu sucesso o método depende da análise dos balanços dos últimos anos (03 a 05) da propriedade e da criteriosa escolha da taxa de juros, pois ambas as variáveis serão utilizadas para auferir o valor da propriedade. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS MÉTODOS DDEE AAVVAALLIIAAÇÇÃÃOO 29 Os problemas do método são: • reduzido número de imóveis rurais com balanços confiáveis e bem estruturados; • dúvidas quanto a taxa de juros que será aplicada. Este método parte do pressuposto que o preço de uma propriedade rural está relacionado com a renda que ela é capaz de produzir, capitalizada a uma determinada taxa de juros, cuja equação matemática pode ser representada da seguinte forma: 𝑉𝑉𝑉𝑉 = � 𝑅𝑅𝑅𝑅 𝑖𝑖 �×100 Equação 1: Método da Renda onde; Vp = valor da propriedade; Rl = renda líquida/ha; i = taxa de juros. Importante frisar que no cálculo da renda líquida (Rl) devem-se considerar as receitas totais e os custos totais da propriedade, enfatizando que os custos totais devem incluir os custos diretos (custeio) e indiretos, como: depreciação, juros e amortizações. 𝑅𝑅𝑅𝑅 = (𝑅𝑅𝑅𝑅 − 𝐶𝐶𝐶𝐶) Equação 2: Renda líquida onde; Rl = renda líquida;2 Rb = renda bruta; Ct = custos totais. A grande dificuldade do método consiste na determinação da taxa de capitalização que será utilizada no trabalho, já que não existem estudos técnicos, embasados estatisticamente, que informe qual é a taxa de renda para imóveis rurais. Assim, devido à falta de trabalhos publicados relacionados com este tema, sugere-se o seguinte: sempre que o profissional elaborar um laudo com o método comparativo direto de dados de mercado, ele pode determinar a renda líquida possível da referida propriedade. Com estes dois valores pode-se calcular a taxa de renda atual daquele imóvel com suas características espelhadas na avaliação. Uma taxa média, resultado de diversas verificações na mesma região, pode então ser utilizada e justificada em outros laudos onde a avaliação será feita utilizando-se também do método da renda. 2 O valor da renda líquida deve ser preferencialmente calculado na unidade R$/ha, medida padrão em Engenharia de Avaliações para o valor da terra de imóveis rurais. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS MÉTODOS DDEE AAVVAALLIIAAÇÇÃÃOO 30 5.3 MÉTODO EVOLUTIVO Como acima exposto, o método EVOLUTIVO se fundamenta na avaliação de um bem pela soma de custos de suas parcelas componentes, como por exemplo: o valor da propriedade avalianda é o resultado da soma da avaliação do terreno e da benfeitoria, cada qual avaliado segundo uma metodologia distinta, consistindo assim, numa conjugação de métodos. Seguindo o exposto, para cada informação do conjunto amostral deve-se fazer a decomposição do seu valor total do imóvel (VTI) em valor em terra nua e em benfeitorias, após a decomposição do valor nos diversos elementos, cada um deve ser avaliado segundo a metodologia recomendada ou mais viável para apurar o valor do componente. Ao término deste procedimento é que se encontra o valor da terra nua de cada elemento amostral, que será utilizado na avaliação da terra nua da propriedade avalianda. O valor total (ou final) da propriedade avalianda é o resultado do somatório do resultado da avaliação de cada um dos seus componentes, apurado cada um segundo diferente metodologias, característica chave do métodoevolutivo. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE IIMMÓÓVVEEIISS RRUURRAAIISS 31 6. AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS Conforme exposto, o método comparativo direto de dados de mercado seria inviável, pois o elevado número de variáveis independentes exigiria um elevado número de amostras para sua análise, sendo este elevado número de amostras o fator limitante, conhecidas as limitações do mercado de terras em cada região. O inconveniente do método da renda recai sobre a ausência de balanços confiáveis, dada à baixa ou mesmo ausência de escrituração nas propriedades rurais, somado a incerteza quanto à taxa de juros a ser empregada. Desta forma, analisando as metodologias de avaliação de bens disponíveis, é possível afirmar que a avaliação de um imóvel rural deverá ser feita pelo método evolutivo. O método evolutivo determina o valor de um bem, por meio do somatório do valor individual de cada parcela da propriedade, determinado segundo sua própria metodologia de avaliação. O desmembramento destes elementos gera uma sensível redução dos fatores de homogeneização utilizados para a terra nua, facilitando e viabilizando os trabalhos do avaliador de imóveis rurais. Corriqueiramente ouvimos dizer que não existem imóveis iguais, cada um tem suas próprias características, para imóveis rurais isto é ainda mais verdadeiro, dado o grande número de variáveis independentes que podem ser atribuídas a ele. Os imóveis rurais, diferentemente de outros imóveis, possuem muitas vezes uma complexa estrutura produtiva, que engloba diversos elementos diferentes interagindo para a expressão máxima de sua capacidade produtiva. Estes elementos podem ser naturais, como: terra; recursos hídricos; recursos florestais; etc., ou não, como: culturas; construções e edificações, obras e melhorias do terreno, etc. Por isso é importante fazer a separação destes elementos em grupos, como pode ser facilmente visualizado na figura 1. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE IIMMÓÓVVEEIISS RRUURRAAIISS 32 Figura 1 - Composição de um imóvel rural Dada à complexidade dos imóveis rurais, além de visto alguns conceitos e legislações sobre a avaliação de imóveis rurais, o avaliador deve proceder, no mínimo, a separação do mesmo em terra nua e benfeitorias. Segundo recomendações da norma, a terra nua deve ser avaliada pelo método comparativo direto de dados de mercado, enquanto as benfeitorias pelo método recomendado em virtude de suas características, mas que variam entre o método da renda e de custos. Ao término da avaliação de cada um dos elementos existentes na propriedade, deve ser feito o somatório destas parcelas para a apuração do valor total do imóvel rural. IMÓVE RURAL Terra Nua Culturas Construções Máquinas e Implementos Semoventes Produtos diversos Recursos Naturais Outros ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 33 7. AVALIAÇÃO DE TERRA NUA O método comparativo direto de dados de mercado é a metodologia recomendada pela ABNT, na norma brasileira NBR 14.653-3:2004 (Avaliação de Bens – Parte 3: Imóveis Rurais) para a avaliação da terra nua. Normalmente o valor da terra nua (que é a variável dependente) flutua em função de alguns fatores (denominados variáveis independentes), como por exemplo: Figura 2 - Critérios empregados para avaliação de imóvel rural Dentre os fatores que influenciam o valor da terra nua, maior ênfase será dada a classe de capacidade de uso e a situação, pois são os fatores mais usuais e utilizados pelos diversos avaliadores de imóveis rurais. Isto não significa que os outros fatores não são importantes, são apenas pouco usuais, mas não menos importantes dadas às condições e características do trabalho a ser executado. Para acompanhar o estudo de cálculo do valor da terra nua (VTN) é apresentado na sequência, com as informações pertinentes, os dados para a apuração do valor da terra nua, distribuído nos exercícios 2 a , apresentados oportunamente conforme são apresentados os tópicos do assunto. Imóvel Rural TERRA NUA Classe de Capacidade de Uso Situação Recursos Naturais Dimensão Outros Benfeitorias Outros ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 34 7.1 CLASSE DE CAPACIDADE DE USO DOS SOLOS Segundo BERTOLINI (1994), no âmbito da ciência do solo, as inúmeras classificações existentes podem ser reunidas em duas categorias distintas: classificação pedológica (ou taxonômica) e classificação técnica. A classificação técnica é aquela executada em favor de uma determinada característica específica de interesse do pesquisador (ou avaliador), com algum caráter específico ou prático, como por exemplo, em classes de capacidade de uso. No exame das propriedades rurais o avaliador terá que observar certas características físicas que são importantes para a fixação do valor, dentre eles estão os solos das propriedades. As diferentes denominações regionais dos solos, não permitem a qualquer profissional determinar com precisão sobre qual tipo de solo está-se referindo. Visando evitar que tais denominações resultem em dúvidas e procurando trabalhar com informações técnicas, se faz necessário utilizar um critério capaz de caracterizar os diversos tipos de solos num mesmo parâmetro, possibilitando comparação entre diferentes propriedades, inclusive de diferentes regiões. Para tanto foi escolhido o sistema de classificação em classes de capacidade de uso, que foi desenvolvido para a conservação do solo, pelo Serviço de Conservação de Solo dos Estados Unidos, representando um grupamento qualitativo de tipos de solos sem considerar a localização ou as características econômicas da terra, visando obter classes homogêneas de terras, com máxima capacidade de uso sem risco de degradação do solo. Nos trabalhos de avaliação de imóveis rurais, o critério está baseado no Manual para Levantamento Utilitário do Meio Físico e Classificação de Terras no Sistema de Capacidade de Uso, III Aproximação. Neste critério, as terras estão divididas em três grupos principais e, estes grupos divididos em oito classes de capacidade de uso e, estas em até quatro subclasses cada (exceção à classe I). Figura 3: Sistema de classificação em classes de capacidade de uso Grupo A Classe I Classe II Classe III Classe IV Grupo B Classe V Classe VI Classe VII Grupo C Classe VIII ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 35 Os grupos foram estabelecidos com base nos tipos de intensidade de uso das terras. As classes baseadas no grau de limitação de uso e as subclasses na natureza da limitação de uso. Existem ainda as unidades de capacidade de uso que não fazem parte deste estudo. Para possibilitar o enquadramento das terras nesta classificação seria recomendável que o profissional tenha em mãos a análise dos solos do imóvel avaliando ou então que tenha conhecimentos de pedologia para que, no momento da vistoria, detalhar os principais solos. Segundo LEPSCH (1983) toda classificação técnica deve ser apoiada em determinado número de pressuposições, estabelecidas em função dos objetivos que se tem em vista e das condições socioeconômicas da área de trabalho. A seguir transcrevemos estas pressuposições: A classificação de capacidade de uso das terras, desenvolvida para auxiliar o planejamento de práticas de conservação do solo, deve ser feita pela interpretação do levantamento do meio físico, efetuado com o uso de métodos computacionais e/ou fotogrametria, para as interpretações prévias e trabalhos de campo. Ela é baseada em combinações de efeito do clima, características e propriedades da terra relacionadas com os riscos de erosão, limitações de uso, capacidade produtiva e manejo do solo. São consideradas como restrições permanentes, dentre outras: o declive, a textura, a profundidadeefetiva do solo, os efeitos anteriores da erosão, a permeabilidade, a capacidade de retenção de água, o tipo de argilo-minerais. Já os arbustos, árvores ou tocos possíveis de serem removidos ou deficiências de fertilidade do solo que podem ser normalmente corrigidas com corretivos do solo (calcário ou gesso) e adubos, não são consideradas como características permanentes. Em resumo, as condições temporárias, ainda que possam ser importantes para o planejamento, não servem de base à classificação. Ao se proceder a classificação, tem-se que levar em conta o nível de manejo referente ao grau de utilização das técnicas agrícolas comprovadas pela experimentação e pesquisa agronômica, e que refletem determinado grau de aplicação de capital e de tecnologia. Terras enquadradas em uma mesma classe de capacidade de uso podem ser similares apenas no que diz respeito ao grau de limitação de uso para fins agrícolas e/ou risco de depauperamento do solo, quando cultivadas. Uma classe pode estar presente em diferentes tipos de solos, e muitos destes podem requerer uso e manejo diferentes. Por essa razão, generalizações seguras sobre tipos mais apropriados de cultivos e necessidades de manejo não podem ser feitas ao nível de classe, sem levar em conta todas as características e propriedades dos solos (para isso, geralmente é necessário determinar a unidade de capacidade de uso). A classificação da capacidade de uso não é um grupamento de acordo com o uso econômico da terra ou obrigatoriamente com seu valor de aquisição, mas sim um sistema destinado a promover a conservação dos solos. Contudo, as classes apresentam um ordenamento decrescente das possibilidades de aproveitamento mais intensivo do solo, sem o risco de depauperamento intensivo, e por isso, em uma mesma região em idênticas condições de localização, a terra cuja capacidade ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 36 de uso do solo permite possibilidade de aproveitamento mais intensivo e que propicia ao proprietário maior liberdade de escolha de uso, tem, geralmente, um maior valor. Distâncias de mercados, tipos de estradas, tamanho de glebas, localização em função das demais áreas, recursos e habilidade de indivíduos que operam na lavoura e características de direito de propriedade não são critérios para a classificação da capacidade de uso. Segundo LEPSCH (1983), para caracterização das classes e subclasses de capacidade de uso deve-se conhecer: • as possíveis utilizações que se podem aplicar ao solo (grupos); • as práticas de controle de erosão e as práticas complementares de melhoramentos (classes); • as limitações do solo (subclasses). Os grupos, do sistema de classificação em classes de capacidade de uso, se referem às possíveis utilizações que se podem aplicadas aos solos de cada grupo, e, foram divididas em: • GRUPO A: Terras passíveis de serem utilizadas com culturas anuais, perenes, pastagens e / ou reflorestamento e vida silvestre, comporta as classes I, II, III e IV. • GRUPO B: Terras impróprias para cultivos intensivos, mas ainda adaptadas para pastagens e / ou reflorestamento e / ou vida silvestre, porém cultiváveis em casos de algumas culturas especiais protetoras do solo, comporta as classes V, VI e VII. • GRUPO C: Terras não adequadas para cultivos anuais, perenes, pastagens ou reflorestamento, porém apropriadas para proteção da flora e fauna silvestre, recreação ou armazenamento de água, comporta apenas a classe VIII. As classes de capacidade de uso relacionam a aptidão dos grupos com as respectivas práticas de controle à erosão, necessárias para a preservação do solo. As classes foram divididas em oito, designadas por numeral romano, podendo ser assim resumidas: • CLASSE I: terras cultiváveis, aparentemente sem problemas especiais de conservação. • CLASSE II: terras cultiváveis com problemas simples de conservação. • CLASSE III: terras cultiváveis com problemas complexos de conservação. • CLASSE IV: terras cultiváveis apenas ocasionalmente ou em extensão limitada, com sérios problemas de conservação. • CLASSE V: terras adaptadas em geral para pastagens e/ou reflorestamento, sem necessidade de práticas especiais de conservação, cultiváveis apenas em casos muito especiais. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 37 • CLASSE VI: terras adaptadas em geral para pastagens e / ou reflorestamento, com problemas simples de conservação, cultiváveis apenas em casos especiais de algumas culturas permanentes protetoras do solo. • CLASSE VII: terras adaptadas em geral somente para pastagens ou reflorestamento, com problemas complexos de conservação. • CLASSE VIII: terras impróprias para cultura, pastagem ou reflorestamento, podendo servir apenas como abrigo e proteção de fauna e flora silvestre, como ambiente para recreação, ou para fins de armazenamento de água. E, as limitações do solo, por sua vez, foram divididas em quatro subclasses, designadas pelas seguintes letras: • e = pela erosão presente e / ou risco de erosão; • s = relativas ao solo; • a (ou w) = por excesso de água; • c = climáticas. A natureza da limitação é representada por letras minúsculas, de modo que a subclasse é representada pelo numeral romano da classe seguido da letra que designa a limitação (exemplo: IIIe que significa pertencer a classe III e subclasse e, devido a problema de erosão). O enquadramento das classes pode ser feito por dois processos: o paramétrico e o sintético. Basicamente, pode-se dizer que o primeiro, paramétrico, classifica as terras com base única na limitação mais severa que possui e o segundo, sintético, de acordo com o somatório dos graus de limitações e aptidões do solo. Com base no critério paramétrico, MENDES SOBRINHO & YAMANAKA (1966) sugeriram uma régua para classificação de terras. A principal vantagem deste critério é que, uma vez estabelecida à tabela, ou chave (o que requer do profissional um processo subjetivo, mas habilidoso) ela pode ser aplicada de tal forma que diferentes operadores possam obter resultados consistentes em um mesmo trato de terra. A seguir apresentação conforme a Classificação do Manual para Levantamento Utilitário do Meio Físico e Classificação de Terras no Sistema de Capacidade de Uso (1983), um resumo das caracterizações das diferentes classes e subclasses de capacidade de uso: CLASSE I - são solos que tem poucas restrições quanto à sua utilização, podem ser cultivados com intensidade, utilizados para pastagens, vegetação campestre, florestas ou mesmo como reserva para animais silvestres, com mínimos riscos de depauperamento, sem exigir práticas ou medidas especiais de conservação do solo. Normalmente, são solos profundos, de fácil mecanização, com boa retenção de umidade no perfil e fertilidade de média a alta. São áreas planas ou com declividades muito suaves (< 2%), sem riscos de inundação e sem grandes ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 38 restrições climáticas. Não há afloramentos de rocha, nem o lençol de água é permanentemente elevado ou qualquer outra condição que possa prejudicar o uso de máquinas agrícolas. Dependendo de bons sistemas de manejo, podem mesmo ser cultivadas com plantas que facilitem a erosão, como o algodão, milho ou mandioca, plantado em linhas retas, sem perigo apreciável de erosão acelerada. As práticas comuns de melhoria e manutenção da fertilidade do solo, inclusive a rotação de culturas e aplicação de corretivos e fertilizantes, devem ser usadas mesmo nas terras da classe I. Esta classe não admite subclasses. CLASSE II – os solos desta classe possuem algumas limitações que reduzem a escolha das culturas ou exigem práticas moderadas de conservação, ou seja, apresentam limitações moderadas para o seu uso. Estão sujeitas a riscos moderados de depauperamento, mas são terras boas, que podemser cultivadas desde que lhes sejam aplicadas práticas simples de conservação do solo, de fácil execução, para produção segura e permanente de colheitas entre médias e elevadas, de culturas anuais adaptadas à região. A declividade já pode ser suficiente para provocar enxurradas e erosão. Em terras planas, podem requerer drenagem, porém sem necessidade de práticas complexas de manutenção dos drenos. Podem enquadrar-se nessa classe também terras que não tenham excelente capacidade de retenção de água. Cada uma dessas limitações requer cuidados especiais, como aração e plantio em contorno, plantas de cobertura, cultura em faixas, controle de água, proteção contra enxurradas advindas de glebas vizinhas, além das práticas comuns referidas para a classe I, como rotações de cultura e aplicações de corretivos e fertilizantes. A classe II admite as seguintes subclasses: Subclasse IIe: terras produtivas, com relevo suavemente ondulado, oferecendo ligeiro a moderado risco de erosão (classe de declive entre 2% e 6%); Subclasse IIs: terras produtivas, com relevo plano ou suavemente ondulado, com ligeira limitação pela capacidade de retenção de água, ou baixa saturação de bases (caráter distrófico), ou pouca capacidade de retenção de adubos (baixa capacidade de troca catiônica - CTC); Subclasse IIa: terras produtivas, praticamente planas, com ligeiras restrições de drenagem ou excesso de água, sem riscos de inundação, mas, uma vez instalado o sistema de drenos, é de fácil manutenção e, a probabilidade da salinização, pequena; Subclasse IIc: terras produtivas, praticamente planas ou suavemente onduladas, com ligeiras limitações climáticas (seca prolongada até três meses). ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 39 CLASSE III – os solos desta classe possuem severas limitações que reduzem a escolha dos vegetais ou exigem práticas especiais de conservação, ou ambas, com severos riscos de depauperamento, principalmente no caso de culturas anuais. Requerem medidas intensas e complexas de conservação do solo, a fim de poderem ser cultivadas segura e permanentemente, com produção média a elevada, de culturas anuais adaptadas. Esta classe pode apresentar variações (subclasses), de acordo com a natureza do fator restritivo de uso. Os principais fatores limitantes são: a declividade (moderado), drenagem deficiente, escassez de água no solo (regiões semi-áridas não irrigadas) e pedregosidade. Frequentemente, essas limitações restringem muito a escolha das espécies a serem cultivadas, ou a época do plantio ou operações de preparo e cultivo do solo. A classe III admite as seguintes subclasses: Subclasse IIIe: terras com declividades moderadas (classe de declive entre 6% e 12%), relevo suavemente ondulado a ondulado, com deflúvio rápido, com riscos severos à erosão sob cultivos intensivos, podendo apresentar erosão laminar moderada e / ou sulcos superficiais e rasos frequentes, também em terrenos com declives da classe entre 2% e 6% e solos muito erodíveis, como aqueles com mudança textural abrupta; Subclasse IIIs: terras praticamente planas ou suavemente onduladas com fertilidade muito baixa (caráter álico) ou limitadas ainda por: profundidade efetiva média, ou drenagem interna moderada a pobre; ou risco acentuado de salinização, ou dificuldades de preparo do solo devido à presença de pedras ou argilas expansivas (caráter vértico); Subclasse IIIa: terras praticamente planas com limitações moderadas por excesso de água, mas sem riscos frequentes de inundações: a drenagem é possível, mas, sua manutenção complexa; Subclasse IIIc: terras praticamente planas a suavemente onduladas, com moderadas limitações climáticas, como a escassez de água em regiões semiáridas. CLASSE IV – os solos desta somente são utilizados para lavouras com limitações muito severas quanto a escolha das culturas, pois os solos necessitam de manuseio muito cuidadoso. Estes solos têm riscos ou limitações permanentes muito severas quando usadas para culturas anuais, apresentam declividade de 12% a 20 %. Os solos podem ter fertilidade natural boa ou razoável, mas não são adequados, para cultivos intensivos e contínuos. Usualmente, devem ser mantidas com pastagens, mas podem ser suficientemente boas para certos cultivos ocasionais (na proporção de um ano de cultivo para cada quatro a seis anos de pastagem) ou para algumas culturas anuais, porém com cuidados muito especiais. Tais terras podem ser caracterizadas pelos seguintes aspectos: declive íngreme, erosão severa, obstáculos físicos, como pedregosidade ou drenagem ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 40 muito deficiente, baixa produtividade, ou outras condições que as tornem impróprias para o cultivo moto mecanizado regular. Em algumas regiões, onde a escassez de chuvas seja muito sentida, de tal maneira a não serem seguras as culturas sem irrigação, as terras deverão ser classificadas na classe IV, são previstas as seguintes subclasses: Subclasse IVe: terras severamente limitadas por risco de erosão para cultivos intensivos, geralmente com declividades acentuadas (classe de declive entre 10 e 15%), com deflúvio muito rápido, podendo apresentar erosão em sulcos superficiais muito frequentes, em sulcos rasos frequentes ou em sulcos profundos ocasionais; também é o caso de terrenos com declives da classe entre 5% e 10%, mas com solos muito suscetíveis à erosão, tais como os Podzólicos com mudança textural abrupta; Subclasse IVs: solos limitados pela profundidade efetiva rasa, ou apresentando pedregosidade (30% - 50%), com problemas de moto mecanização, ou ainda com pequena capacidade de retenção de água aliada a problemas de fertilidade (como no caso das Areias Quartzosas); Subclasse IVa: solos úmidos, de difícil drenagem, dificultando trabalhos de moto mecanização e ainda com outra limitação adicional, tal como risco de inundação ocasional, que impede cultivo contínuo; Subclasse IVc: terras com limitações climáticas moderadas a severas, ocasionando períodos prolongados de seca, não sendo possíveis colheitas em anos muito secos, ou então com risco ocasional de geada. CLASSE V – em geral os solos das classes V a VIII não se prestam a agricultura. Em face de outros fatores, além dos riscos de erosão, os solos desta classe estão sujeitos a limitações que comprometem sua utilização. São solos planas, ou com declives muito suaves, praticamente livres de erosão, mas impróprias para serem exploradas com culturas anuais, e que podem, com segurança, serem apropriadas para pastagens, florestas ou mesmo para algumas culturas permanentes, sem a aplicação de técnicas especiais. Embora se apresentando praticamente planas e não sujeitas à erosão, não são adaptadas para exploração com culturas anuais comuns, em razão de impedimentos permanentes, tais como muito baixa capacidade de armazenamento de água, encharcamento (sem possibilidade de ser corrigido), adversidade climática, frequente risco de inundação, pedregosidade ou afloramento de rochas. Em alguns casos, é possível o cultivo exclusivo de arroz; mesmo assim, risco de insucesso pelas limitações advindas principalmente do risco de inundação. O solo, entretanto, tem poucas limitações de qualquer espécie, para uso em pastagens ou silvicultura. Podem necessitar de alguns tratos para produções satisfatórias tanto de forragens como de arbustos e árvores. Entretanto, se tais tratos forem dispensados, não serão ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 41 sujeitas à erosão acelerada. Por isso, podem ser usadas permanentemente sem práticas especiais de controle de erosão ou de proteção do solo, são previstas para a classe V as seguintes subclasses: Subclasse Vs: terras planas não sujeitas à erosão, com deflúvio praticamente nulo, podendo apresentar como limitaçõesos seguintes fatores: muito baixa capacidade de armazenamento de água, drenagem interna muito rápida ou muito lenta, pedregosidade ou rochosidade intensa e problemas advindos de pequena profundidade efetiva; Subclasse Va: terras planas não sujeitas à erosão, com deflúvio praticamente nulo, severamente limitado por excesso de água, sem possibilidade de drenagem artificial e / ou risco de inundação frequente, mas que podem ser usadas para pastoreio, pelo menos em algumas épocas do ano; Subclasse Vc: terras planas com limitações climáticas severas, com longos períodos de seca e / ou risco frequente de geada, neve ou ventos frios. CLASSE VI – solos dessa classe possuem limitações severas que restringem seu emprego, são terras impróprias para culturas anuais, mas que podem ser usadas para produção de certos cultivos permanentes úteis, como pastagens, florestas e algumas permanentes protetoras do solo, como seringueira e cacau, desde que adequadamente manejadas. O uso com pastagens ou culturas permanentes protetoras deve ser feito com restrições moderadas, com práticas especiais de conservação do solo, uma vez que, mesmo sob esse tipo de vegetação, são medianamente suscetíveis de danificação pelos fatores de depauperamento do solo. Normalmente as limitações que apresentam, são em razão da declividade excessiva (20% a 40%) ou pequena profundidade do solo, ou presença de pedras impedindo emprego de máquinas agrícolas. Quando a pluviosidade da região é adequada para culturas, as limitações da classe VI residem, em geral, na declividade excessiva, na pequena profundidade do solo ou na pedregosidade. Nas regiões semiáridas, a escassez de umidade, muitas vezes, é a principal razão para o enquadramento da terra na classe VI, que apresenta as seguintes subclasses: Subclasse VIe: terras que, sob pastagem (ou, eventualmente, com culturas permanentes protetoras do solo, como por exemplo: seringueira, cacau ou banana), são medianamente suscetíveis à erosão, com relevo ondulado e declividades acentuadas (classe de declive entre 10% e 15%, ou entre 5% e 10% para solos muito erodíveis), propiciando deflúvio moderado a severo; dificuldades severas de moto mecanização, pelas condições topográficas, com risco de erosão que pode chegar a ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 42 muito severo; presença de erosão em sulcos rasos muito frequentes ou sulcos profundos frequentes; Subclasse VIs: terras constituídas por solos rasos ou, ainda, com pedregosidade (30% - 50%) e/ou rochas expostas na superfície. Outra condição que pode caracterizá-las é a pequena produtividade dos solos, como no caso das Areias Quartzosas em terrenos não planos; Subclasse VIa: solos muito úmidos, com pequenas ou nulas possibilidades de drenagem artificial, acarretando problemas à moto mecanização, agravados por certa suscetibilidade à erosão ou recebimento de depósitos erosivos oriundos de áreas vizinhas; Subclasse VIc: terras com limitações climáticas muito severas, a ocasionar seca edafológica muito prolongada que impeça o cultivo mesmo das plantas perenes mais adaptadas. CLASSE VII – os solos dessa classe possuem severas limitações que restringem seu uso, além de serem impróprias para culturas anuais, apresentam severas limitações, mesmo para certas culturas permanentes protetoras do solo, pastagens e florestas. Sendo altamente suscetíveis de danificação, exigem severas restrições de uso, com práticas especiais. Normalmente, são muito íngremes, erodidas, pedregosas ou com solos muito rasos, ou ainda com deficiência de água muito grande. Os cuidados necessários a elas são semelhantes aos aplicáveis à classe VI, com as diferença de poder ser necessário maior número de práticas conservacionistas, ou que estas tenham que ser mais intensivas, a fim de prevenir ou diminuir os danos por erosão. Requerem cuidados extremos para controle da erosão. Seu uso, tanto para pastoreio como para produção de madeira, requer sempre cuidados especiais. Suas subclasses são as seguintes: Subclasse VIIe: terras com limitações severas para outras atividades que não florestas, com risco de erosão muito severo, apresentando declividades muito acentuadas (mais de 40% de declividade) propiciando deflúvios muito rápidos ou impedindo a moto mecanização; presença de erosão em sulcos muito profundos, muito frequentes; Subclasse VIIs: terras pedregosas (mais de 50% de pedregosidade), com associações rochosas, solos rasos a muito rasos ou, ainda, com agravante de serem constituídas por solos de baixa capacidade de retenção de água; Subclasse VIIc: terras com limitações climáticas muito severas, a exemplo das terras situadas em regiões semi-áridas, em locais onde a irrigação seria imprescindível, mas é impraticável. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 43 CLASSE VIII – nessa classe estão incluídos todos os solos que não pode ser utilizados para qualquer tipo de produção vegetal de valor comercial. Prestam-se apenas para proteção e abrigo da fauna e flora silvestre, para fins de recreação e turismo ou armazenamento de água em açudes. Consistem, em geral, em áreas extremamente áridas, ou acidentadas, ou pedregosas, ou encharcadas (sem possibilidade de pastoreio ou drenagem artificial), ou severamente erodidas ou encostas rochosas, ou, ainda dunas arenosas. Inclui-se aí a maior parte dos terrenos de mangues e de pântanos e terras muito áridas, que não se prestam para pastoreio. São possíveis as seguintes subclasses: Subclasse VIIIe: terras de relevo excessivo, com declives extremamente acentuados e deflúvios muito rápidos, a expor os solos a alto risco de erosão inclusive a eólica, como é o caso das dunas costeiras; presença de processos erosivos muito severos, inclusive voçorocas; Subclasse VIIIs: terras constituídas por solos muito rasos e / ou com tantas pedras a afloramentos de rocha, que impossibilitem plantio e colheita de essências florestais; Subclasse VIIIa: terras planas permanentemente encharcadas, como banhados ou pântanos, sem possibilidade de drenagem ou apresentando problemas sérios de fertilidade, se drenados, como no caso dos solos Tiomórficos; Subclasse VIIIc: terras com limitações climáticas muito severas, como as das áreas áridas, que não se prestam mesmo ao pastoreio ocasional. Além das oito classes de capacidade de uso, existem as terras que não possibilitam o desenvolvimento de vegetação: são áreas denominadas como tipos de terreno. Entre elas, enquadram-se os afloramentos contínuos de rochas, areias de praias, áreas escavadas pelo homem etc. Na tabela a seguir, encontra-se uma planilha com características dos solos que limitam a sua exploração, a análise desta planilha no levantamento de campo, serve como ferramenta, facilitadora, à classificação da classe da capacidade de uso dos solos da propriedade avalianda. Seu uso é extremamente simples, e, a determinação da referida classe ocorre quando se encontra para a área avaliada o fator mais restritivo. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 44 Tabela 4 – Fatores para classificação dos solos I II III IV V VI VII VIII a. Muito alta >70 % X b. Alta - 50 % a 70 % X c. Média - 30 % a 50 % X c. Baixa - 10 % a 30 % X d. Muito baixa < 10 % X a. Muito profundo > 200 cm X b. Profundo - 100cm a 200 cm X c. Moderadamente profundo - 50 cm a 100cm X e. Raso - 25 cm 50 cm X d. Muito raso < 25 cm X a. Excessiva X b. Forte X c. Acentuada X d. Bem drenado X e. Moderada X f. Imperfeita X g. Mal drenado X h. Muito mal drenado X a. Muito rápido X b. Rápido X c. Moderado X d. Lento X e. Muito lento X a. Sem pedras X b. Ligeiramente pedregoso < 1% X c. Moderadamente pedregoso 1% a 10% X d. Pedregoso 10% a 30% X e. Muito pedregoso 30% a 50% X f. Extremamente pedregoso > 50% X a. Ausente X b. Ocasional X c. FreqüenteX d. Muito freqüente X a. < 2% X b. 2% a 6% X c. 6% a 12% X d. 12% a 20% X e. 20% a 40% X f. > 40% X a. Não aparente X b. Ligeira X c. Moderada X d. Severa X e. Muito severa X a. Ocasionais X b. Freqüentes X c. Muito freqüentes X a. Ocasionais X b. Freqüentes X c. Muito freqüentes X a. Ocasionais X b. Freqüentes X c. Muito freqüentes X 12. Voçorocas X a. Muito longa X b. Longa X c. Média X d. Curta X e. Muito curta X 11. Sulcos profundos 13. Seca edafológica 1. Fertilidade natural ou produtividade aparente (V%) 2. Profundidade efetiva 3. Drenagem interna 4. Deflúvio superficial 5. Pedregosidade 6. Riscos de Inundação 7. Classe de declividade 8. Grau de erosão laminar 9. Sulcos rasos 10. Sulcos médios Fator limitante Característica Classe de Capacidade de Uso ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 45 Importante ressaltar que neste trabalho vamos nos concentrar apenas em classificar as terras em classes de capacidade de uso, não detalhando ao nível de subclasse, pois este é um procedimento ainda pouco usual em avaliações de imóveis rurais. Agora é fácil perceber que o valor da terra nua deve estar diretamente relacionado com o aproveitamento permitido e a liberdade de uso que ela propicia ao proprietário. Isto significa que, quanto maior o grau de aproveitamento, quanto mais intensivo e quanto maior a gama de uso que o solo permite, maior deve ser o valor deste, em contrapartida, quanto menor a liberdade, provavelmente, menor o seu valor. Isto pode ser muito bem visualizado na figura 4, onde esta claro que a classe de capacidade de uso I permite qualquer tipo de uso sem limitações, enquanto que a classe de capacidade de uso VIII não permite nenhum uso comercial e ainda possui severas limitações ao uso do solo. Sentido das aptidões e das limitações Cl as se C ap . U so Vi da si lv es tr e e re cr ea çã o Silvicultura Pastoreio Cu lti vo oc as io na l o u lim ita do Cultivo Intensivo Li m ita do M od er ad o In te ns iv o Co m pl ex o Si m pl es N ão ap ar en te I II III IV V VI VII VIII Figura 4 - Resumo da variação do tipo e da intensidade máxima de utilização da terra sem risco de erosão acelerada em função das classes de capacidade de uso, retirado de KOZMA (1984) Deve-se dispensar uma atenção especial com relação às propriedades com infraestrutura adequada e acima da média, pois os melhoramentos aplicados aos solos podem eliminar alguns fatores restritivos como: erosão; fertilidade; e etc., permitindo classificá-lo em uma classe menos restritiva e possivelmente de maior valor comercial. Este é o único meio de incluir a aplicação de tecnologia no valor da terra, pois os demais melhoramentos advindos desta infraestrutura como ótimas pastagens, culturas de Au m en to d as li m ita çõ es e d os ris co s d e us o Au m en to d a ad ap ta bi lid ad e e da li be rd ad e de e sc ol ha d e us o SUB-UTILIZAÇÃO DA SOBRE-UTILIZAÇÃO DA Aumento da intensidade de uso do solo ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 46 alta produtividade serão avaliadas especificamente quando da determinação do valor daquelas, onde deverão ser considerados aqueles itens que significam a "plus valia" por hectare deste imóvel com relação a outras propriedades. Existem atualmente diversas ferramentas tecnológicas, de produtos digitais ou hardwares e softwares, que auxiliam o avaliador nos trabalhos de classificação dos solos em classes de capacidade de uso, principalmente devido aos avanços do geoprocessamento e dos sistemas de informações geográficas (SIG’s). Figura 5: Exemplo de classificação em classes de capacidade de uso 7.2 SITUAÇÃO Situação, ou localização é o próximo item analisado que exerce influência significativa no valor da terra nua, sendo sua avaliação discutida a seguir. LIMA (2005) ensina que o critério de julgamento da localização de um imóvel rural refere-se, principalmente, à qualidade dos acessos e à proximidade dos mercados consumidores dos produtos explorados. Considere-se, por exemplo, uma propriedade que se dedique à exploração pecuária de grande porte, localizada no limite urbano de uma cidade bastante populosa, que não possua, entretanto, um frigorífico, em cotejo com outra propriedade submetida à mesma exploração e possuindo as mesmas características, porém afastada vários quilômetros do perímetro urbano, contando com a proximidade de um frigorífico capaz de absorver a sua produção. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 47 Certamente a segunda propriedade terá um valor superior à primeira, para aquele tipo de exploração. KOZMA (1985) referindo-se ao trabalho do Engenheiro Agrônomo Octávio Teixeira Mendes Sobrinho, que quantificou estas diferenças, assim se manifesta sobre o problema: “... A longa vivência de mais de 30 anos no mister de perito avaliador nos habilitou, durante o contínuo exercício, aquilatar as implicações econômicas entre a situação do imóvel e o valor da propriedade. Sucessivos levantamentos de vários milhares de laudos avaliativos e o seu cotejo, elaborados ao longo do tempo mencionado, quer para financiamento agropecuário, com garantia hipotecária da propriedade (Banco do Brasil) quer para desapropriações por utilidade pública (aproveitamento hidrelétricos), nos forneceram vasto cabedal de elementos, permitindo: ordenação de seis categorias de situações da propriedade rústica, com base, sobretudo, nas classes de estradas; e o estabelecimento de uma escala refletindo a relação existente entre a situação do prédio rústico e seu valor”. 7.3 FATORES DE HOMOGENEIZAÇÃO Segundo a norma da ABNT NBR 14.653-3:2004, a metodologia recomendada para a avaliação de terra nua é o método comparativo direto de dados de mercado, e, como visto anteriormente este critério baseia-se na utilização de fatores de homogeneização para a apuração do valor da terra nua (VTN) da propriedade avalianda. Os fatores de homogeneização servem para transformar a propriedade amostral ou avalianda em um elemento comparável, principalmente com outros elementos da mesma região geoeconômica. Neste trabalho vamos discutir somente os fatores de homogeneização para as classes de capacidade de uso e para a situação dos imóveis rurais, avaliados ou amostrais. 7.3.1 FATORES DE CLASSE DE CAPACIDADE DE USO Diversos profissionais atuantes na área de conservação dos solos realizaram trabalhos procurando estabelecer um valor relativo a cada classe de capacidade de uso, em ordem decrescente às limitações de explorações rurais, capazes de refletir, com apreciável margem de segurança a renda possível (ou máxima) da terra em cada uma das classes de capacidade de uso dos solos. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 48 A ideia destes trabalhos era de demonstrar que a exploração comercial de uma determinada cultura nas diferentes classes de capacidade era afetada pelas restrições ou limitações inerente a própria classe, que contribuiriam por reduzir o valor líquido das colheitas conforme as condições do trabalho. Esta ideia foi proposta primeiramente pelo Engenheiro Agrônomo MENDES SOBRINHO (1966), que então confeccionou a tabela a seguir. Nesta pode-se notar que o valor relativo à produção de arroz foi expresso em porcentagem. Tabela 5 - Capacidade de uso do solo e valor relativo de cada classe de capacidade de uso do solo Classe de Cap. de Uso Critério Escala de Valores (%) I terras para culturas, sem problemas de conservação e fertilidade, exige adubação de manutenção. 100 II terras de culturas, com pequenos problemas de conservação e fertilidade exigem práticas simples (nivelamento).95 III terras de culturas, com sérios problemas de conservação e fertilidade exigem práticas complexas (terraceamento). 75 IV terras de culturas ocasionais (2 anos) e pastagens (3 anos), sem problemas de conservação. 55 V terras só de pastagens, sem problemas de conservação, renda líquida de pecuária leiteira. 50 VI terras só de pastagens, pequenos problemas de conservação, fertilidade exige práticas simples, renda líquida de pecuária leiteira. 40 VII terras de florestas, sérios problemas de conservação, fertilidade exige práticas complexas (estradas de acesso), renda líquida de exploração silvícola. 30 VIII terras de abrigo de vida silvestre, sem problemas de conservação, renda líquida de eventual exploração piscícola. 20 Fonte: Mendes Sobrinho As explorações rurais que refletem a renda líquida de maior rentabilidade para cada classe foram definidas para uma época e região pré-fixadas e não devem ser seguidas como únicas. Para cada região podem-se adaptar estas rendas, seguindo os padrões locais próprios. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 49 Tabela 6 - Capacidade de uso do solo e valor relativo de cada classe de capacidade de uso do solo Classe de Cap. de Uso Critério Escala de Valores (%) I Renda líquida da agricultura sem despesas de práticas especiais de melhoramento e / ou proteção do solo 100 II Renda líquida da agricultura sujeita a despesas com práticas conservacionistas simples. 95 III Renda líquida da agricultura sujeita a despesas com práticas conservacionistas intensivas. 75 IV Renda líquida de culturas em um ano, associadas com pastagens em quatro anos (pecuária leiteira do tipo médio). 55 V Renda líquida de pastagens (pecuária leiteira do tipo médio), sem despesas com práticas especiais. 50 VI Renda líquida de pastagens (pecuária leiteira do tipo médio) sujeita a despesas com práticas conservacionistas em pastagens. 40 VII Renda líquida de exploração florestal (eucalipto para lenha) 30 VIII Renda líquida de uma eventual exploração piscícola 20 Fonte: Vegni Neri (1976) Do mesmo modo, os valores relativos desta tabela foram elaborados com base em extensa pesquisa de propriedades vendidas ou à venda para uma região. Outros autores também procederam aos mesmos cálculos, em outras regiões, chegando a valores diversos, reunidos pelo Engenheiro Agrônomo, professor da Escola Superior de Agricultura 'Luís de Queiroz', USP, Geraldo Vitorino FRANÇA (1983), a seguir apresentados: Tabela 7 - Valores Médios Percentuais em função das Classes de Capacidade segundo vários autores. Classe de Capacidade de Uso dos Solos Valores relativos em porcentagem Borgonovi Marques Vegni-Neri Souza Médias I 100 100 100 100 100 II 80 67 95 80 80 III 64 44 75 60 61 IV 51 30 55 52 47 V 41 20 50 44 39 VI 33 13 40 28 29 VII 26 9 30 14 20 VIII 21 6 20 7 13 Fonte: França ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 50 Uma das razões para as diferenças entre os diversos autores, segundo o professor FRANÇA (1983), é a não consideração, por nenhum destes, das naturezas das limitações, ou seja, das Subclasses de Capacidade de Uso. Outra razão seriam as condições regionais próprias de cada estudo. Segundo FRANÇA (1983), quando numa mesma classe de capacidade de uso ocorrem duas ou mais limitações de mesmo grau (ou seja, subclasses de capacidade de uso), a dificuldade de corrigi-las ou mantê-las sob controle diminui na seguinte ordem: 𝑒𝑒 > 𝑤𝑤(𝑎𝑎) > 𝑠𝑠 > 𝑐𝑐 Equação 3: Ordem de importância dos fatores de subclasse onde: e = erosão ou risco de erosão; w (a) = excesso de água (ou deficiência de oxigênio); s = limitações inerentes ao solo e; c = limitações devidas ao clima. Ou seja, erosão apresenta o maior grau de limitação, enquanto que o clima o menor. O esquema a seguir proposto por LEPSCH et alii (1983) resume as principais características a serem observadas nas classes, subclasses e unidades: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 51 Tabela 8 - Fatores limitantes classe de capacidade de uso e suas subdivisões. Classe de Capacidade de Uso das Terras Classes Subclasses Unidades I II III IV V VI VII VIII Com este refinamento, a definição da natureza das limitações, é lícito admitir-se uma variação entre os valores relativos de cada classe de capacidade de uso, de acordo com as subclasses, variação essa que é da ordem de 10% a 15%. Com base nestes argumentos, FRANÇA (1983) organizou a tabela apresentada a seguir, na qual são propostos os valores relativos das classes e subclasses de capacidade de uso, utilizados na região de Piracicaba. Para outras regiões deve-se verificar se os valores relativos correspondem à realidade, caso contrário, faz-se necessário a adoção justificada de novos valores relativos. 1) declive acentuado 2) declive longo 3) mudança textural abrupta 4) erosão laminar 5) erosão em sulcos 6) erosão em voçorocas 7) erosão eólica 8) depósitos de erosão 9) permeabilidade baixa 10) horizonte A arenoso e 1) pouca profundidade efetiva 2) textura arenosa em todo perfil 3) pedregosidade 4) argilas expansivas 5) baixa saturação em bases 6) toxicidade de alumínio 7) baixa capacidade de troca 8) ácidos sulfatos / sulfetos 9) alta saturação com sódio 10) excesso de sais solúveis 11 excesso de carbonatos s 1) lençol freático elevado 2) risco de inundação 3) subsidência em solos orgânicos 4) deficiência de oxigênio no solo a 1) seca prolongada 2) geada 3) ventos frios 4) granizo 5) neve c ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 52 Tabela 9 - Valores Médios Percentuais em função das Classes de Capacidade de Uso e Limitações do Solo. Classe de Capacidade de Uso Valores Relativos a Classe Cap. de Uso Subclasse de Cap. de Uso Valores Relativos a Subclasse Cap. Uso I 100 100 II 80 IIs 88 IIe 80 IIe,s 74 III 61 IIIs 68 IIIw 64 IIIe 60 IIIe,s 56 IV 47 Ivs 50 Ive 47 Ive,s 44 V 39 Vw 39 VI 29 VIe 32 VIe,s 26 VII 20 VIIe 23 VIIe,s 17 VIII 13 VIII 13 Fonte: França Para a Classe I não são admitidas subclasses e, para a Classe VIII não foi detectada nenhuma variação no valor em função das severas limitações de uso já impostas a classe. Desta forma têm-se definido valores relativos para as classes e subclasses de capacidade de uso de solo segundo diversos autores. Conforme exposto por LIMA (2005), qual será a curva de solos adequada para o trabalho que você, leitor, está fazendo? É preciso esclarecer que todas estas curvas já apresentadas estão corretas para as regiões e épocas onde foram elaboradas, mas o problema é com a adoção de qualquer uma destas sem os cuidados necessários. Ainda segundo LIMA (2005) talvez esteja aqui à razão das críticas à utilização do critério “classes de capacidade de uso”: em vez de se testar qual a curva de valores que representa a região em estudo, diversos profissionais aplicam uma mesma “curva” para diferentes localidades, gerando distorções. O correto é a verificação da representatividade daquela curva frente ao mercado em análise, com as necessárias precauções. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 53 7.3.2 FATORES DE SITUAÇÃO Da mesma forma que foi feita para a classe de capacidade de uso, diversos autores estudaram o efeito da situação no rendimento líquido das culturas, este estudo forma a base atualmente para determinação dos fatores de situação. A tabela a seguir, organizada pelo Engenheiro Hélio de Caires, sintetiza a solução proposta pelo Engenheiro Octávio T. Mendes Sobrinho. Tabela 10 - Escala de valores de terras segundo a situação e viabilidade de circulação. Situação Circulação Escala devalor (%) Tipo de Acesso Importância das distâncias Praticabilidade durante o ano Ótima Asfaltada Limitada Permanente 100 Muito boa Primeira classe não pavimentada Relativa Permanente 95 Boa Não pavimentada Significativa Permanente 90 Desfavorável Estradas e servidões de passagem Vias e distâncias se equivalendo Sem condições satisfatórias 80 Má Fecho nas servidões Distâncias e classes se equivalendo Problemas sérios na estação chuvosa 75 Péssima Fechos e interceptadas por córregos sem ponte Problemas sérios mesmo nas secas 70 Fonte: Caires LIMA (2005) explica que se deve lembrar que está tabela também foi elaborada, a exemplo daquelas de classes de capacidade de uso, a partir de dados de mercado para uma determinada região e época. Ela pode continuar adaptada para os dias atuais e algumas regiões, mas não significa que representa o Brasil rural. Como exemplo, podemos citar trabalho realizado recentemente onde não foram detectadas em nível de mercado imobiliário, diferenças de valores por hectare para terras, com frente para asfalto ou com frente para estradas de terra de boa qualidade. Atualmente existe uma nova tabela de caracterização da situação do imóvel rural, desenvolvida pelos técnicos do INCRA e, em vigência desde 2007. Nesta tabela os técnicos do INCRA incorporaram ao elemento tipo de acesso, a questão do acesso fluvial, muito importante em regiões mais remotas do país, locais estes muitas vezes sem nenhum tipo de estrada. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 54 Tabela 11 – Situação do imóvel em relação à localização e acesso Situação Características Valor Relativo (%) Tipo de acesso Importância das distâncias Praticabilidade durante o ano Terrestre Fluvial (navegabilidade) Ótima Asfaltada 0 – 1 h Não significativa Permanente 100 Muito boa 1ª classe não asfaltada 1 – 3 h Relativa Permanente 95 Boa Não pavimentada 3 – 6 h Significativa Permanente 90 Regular Estradas e servidões de passagem 6 – 12 h Significativa Sem condições satisfatórias 80 Desfavorável Fecho nas servidões Parte do ano Significativa Problemas sérios na estação chuvosa 75 Má Fechos e interceptada por córrego sem ponte Restrita Significativa Problemas sérios mesmo na seca 70 Fonte: INCRA (2007), Módulo III – Avaliação de Imóveis Rurais, adaptado de KOSMA (1986) Assim analisando-se as tabelas pode-se concluir que, o item a ser observado com maior cuidado é o tipo de acesso, vindo num segundo plano a distância e a praticabilidade destes acessos. 7.3.3 FATORES DE HOMOGENEIZAÇÃO CONJUGADOS PARA CLASSE DE CAPACIDADE DE USO E SITUAÇÃO Concentrando-se no método comparativo direto de dados de mercado, proposto pelo Engenheiro Mendes Sobrinho, o qual parte do pressuposto de que os principais fatores determinantes do valor da terra em uma propriedade rural são: • capacidade de uso dos diversos solos; • situação do imóvel em relação às zonas de influência da região. Notam-se neste trabalho que foram elaboradas tabelas onde, os diferentes tipos de solos (Classes de Capacidade de Uso) foram relacionados com valores relativos expressos em porcentagem. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 55 Do mesmo modo foi feita uma tabela relacionando a localização do imóvel com valores relativos também expressos em porcentagem. O Engenheiro Agrônomo KOZMA (1984), baseando-se nos estudos de MENDES SOBRINHO (1966), montou uma nova tabela, relacionado às Classes de Capacidade de Uso com a situação da propriedade, resultando disto, coeficientes para cada tipo de solo e situação. Com isto, depois de determinado o valor da relação de uma CLASSE versus determinada SITUAÇÃO de solo, por uma simples multiplicação, pode-se determinar os índice agronômico (IA), que expressam o valor de uma determinada combinação de classe da capacidade de uso e situação. Tabela 12 - Fatores de ponderação na obtenção do valor das terras rústicas segundo a classe de capacidade de uso e situação segundo KOZMA Situação Classe I II III IV V VI VII VIII 100% 95% 75% 55% 50% 40% 30% 20% ótima - 100% 1,000 0,950 0,750 0,550 0,500 0,400 0,300 0,200 muito boa 95% 0,950 0,903 0,713 0,523 0,475 0,380 0,285 0,190 boa - 90% 0,900 0,855 0,675 0,495 0,450 0,360 0,270 0,180 desfavorável - 80% 0,800 0,760 0,600 0,440 0,400 0,320 0,240 0,160 má - 75% 0,750 0,713 0,563 0,413 0,375 0,300 0,225 0,150 péssima - 70% 0,700 0,665 0,525 0,385 0,350 0,280 0,210 0,140 Fonte: Kozma Do mesmo modo procedeu FRANÇA (1983), quando relacionou as diferentes classes de solo com as diversas situações possíveis. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 56 Tabela 13 - Fatores de ponderação na obtenção do valor das terras rústicas segundo a classe de capacidade de uso e situação segundo FRANÇA Situação Classe I II III IV V VI VII VIII 100% 80% 61% 47% 39% 29% 20% 13% ótima - 100% 1,000 0,800 0,610 0,470 0,390 0,290 0,200 0,130 muito boa 95% 0,950 0,760 0,576 0,447 0,370 0,276 0,190 0,123 boa - 90% 0,900 0,720 0,549 0,423 0,351 0,261 0,180 0,117 desfavorável - 80% 0,800 0,640 0,488 0,376 0,312 0,232 0,160 0,104 má - 75% 0,750 0,600 0,458 0,352 0,292 0,218 0,150 0,098 péssima - 70% 0,700 0,560 0,427 0,329 0,273 0,203 0,140 0,091 Fonte: França Também se pode acrescentar a tabela utilizada pelo INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, na instrução normativa n.º 08 / 93 (Sistemática de Desapropriação por Interesse Social), cujos valores são: Tabela 14 - Fatores de ponderação na obtenção do valor das terras rústicas segundo a classe de capacidade de uso e situação segundo o INCRA Situação Classe I II III IV V VI VII VIII 100% 90% 75% 65% 55% 45% 35% 30% ótima - 100% 1,000 0,900 0,750 0,650 0,550 0,450 0,350 0,300 muito boa 95% 0,950 0,855 0,710 0,617 0,522 0,427 0,332 0,285 boa - 85% 0,850 0,765 0,637 0,552 0,467 0,385 0,297 0,255 regular - 70% 0,700 0,630 0,525 0,455 0,385 0,315 0,245 0,210 desfavorável - 60% 0,600 0,540 0,450 0,390 0,305 0,270 0,210 0,180 má - 50% 0,500 0,450 0,375 0,325 0,275 0,225 0,175 0,150 Fonte: INCRA IN nº 8 de 1993 Atualmente o INCRA utiliza em seus trabalhos de Avaliação de Imóveis Rurais uma nova tabela com fatores de ponderação, conforme tabela a seguir. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 57 Tabela 15 – Fatores de ponderação na obtenção do valor das terras considerando a classe de capacidade de uso e situação SITUAÇÃO CLASSE DE CAPACIDADE DE USO I II III IV V VI VII VIII 100% 80% 61% 47% 39% 29% 20% 13% Ótima 100% 1,000 0,800 0,610 0,470 0,390 0,290 0,200 0,130 Muito Boa 95% 0,950 0,760 0,580 0,447 0,371 0,276 0,190 0,124 Boa 90% 0,900 0,720 0,549 0,423 0,351 0,261 0,180 0,117 Regular 80% 0,800 0,640 0,488 0,376 0,312 0,232 0,160 0,104 Desfavorável 75% 0,750 0,600 0,458 0,353 0,293 0,218 0,150 0,098 Má 70% 0,700 0,560 0,427 0,329 0,273 0,203 0,140 0,091 Fonte: INCRA (2006) – Módulo III – Avaliação de Imóveis Rurais, adaptado de FRANÇA (1983) e citado por LIMA (2005). Como se notam, as tabelas utilizaram apenas as Classes de Capacidade de Uso, enquanto FRANÇA (1983) sugeriu que as diferenças entre as diversas tabelas podem ser resultantes, em parte, da não utilização das subclasses. Assim, ele sugeriu a inclusão, na tabela anterior, das subclasses de capacidade de uso, resultando então a tabela a seguir. Tabela 16 - Fatores de ponderação na obtenção do valor das terras rústicas considerando a classe e subclasse de capacidade de uso e situação, segundo FRANÇA (1983). SITUAÇÃO CLASSE E SUBCLASSE DE CAPACIDADE DE USO I IIs IIe IIe,s IIIs IIIw IIIe IIIe,s IVs IVe IVe,s Vw VIe VIe,s VIIe VIIe,s VIII 100% 88% 80% 74% 68% 64% 60% 56% 50% 47%44% 39% 32% 26% 23% 17% 13% Ótima 100% 1,00 0,88 0,8 0,74 0,68 0,64 0,6 0,56 0,5 0,47 0,44 0,39 0,32 0,26 0,23 0,17 0,13 Muito boa 95% 0,95 0,836 0,76 0,703 0,646 0,608 0,57 0,532 0,475 0,447 0,418 0,37 0,304 0,247 0,219 0,162 0,123 Boa 90% 0,90 0,792 0,72 0,666 0,612 0,576 0,54 0,504 0,45 0,423 0,396 0,351 0,288 0,234 0,207 0,153 0,117 Desfavorável 80% 0,80 0,704 0,64 0,592 0,544 0,512 0,48 0,448 0,4 0,376 0,352 0,312 0,256 0,208 0,184 0,136 0,104 Má 75% 0,75 0,66 0,6 0,555 0,51 0,48 0,45 0,42 0,375 0,353 0,33 0,293 0,24 0,195 0,173 0,128 0,097 Péssima 70% 0,70 0,616 0,56 0,518 0,476 0,448 0,42 0,392 0,35 0,329 0,308 0,273 0,224 0,182 0,161 0,119 0,091 Fonte: França Com base nestes quadros, o trabalho do Engenheiro de Avaliações torna-se mais rápido e fácil, uma vez que determinada ou conhecida a classe de capacidade de uso dos solos e a sua situação, quanto ao tipo de acesso, determina-se o coeficiente ou o valor ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 58 unitário básico para uma determinada condição, este valor denominamos a partir de agora como índice agronômico (IA). Deve-se lembrar sempre que estas tabelas, como já demonstrado, têm valores diferentes, dependendo da região e da época em que foram realizadas, ou seja, não se recomenda a adoção de nenhuma das tabelas listadas neste trabalho sem que antes seja feita uma verificação prévia com dados de mercado, plenamente justificada, de que a mesma retrata o funcionamento do mercado de terras agrícolas da região. Da mesma forma, esta classificação de solos por capacidade de uso não implica necessariamente a ocorrência de todas as classes em todas as regiões deste País, sendo perfeitamente possível criar-se uma equação das classes apenas com aquelas mapeadas no local analisado. Aos dois fatores já citados, capacidade de uso das terras e situação, pode-se juntar um terceiro, que seria a dimensão das propriedades, pois se sabe que imóveis rurais têm variações significativas no valor, devido ao tamanho. Dependendo da região existirão outros fatores, como potencial de irrigação, pluviosidade, porcentagem de área com cobertura florística natural (mata nativa) etc., cuja homogeneização poderá ser feita utilizando-se da mesma sequencia sugerida a seguir. 7.4 PLANEJAMENTO E LEVANTAMENTO AMOSTRAL A avaliação consiste, simplificadamente, na transposição de uma série de ofertas e/ou transações de imóveis para o local do imóvel avaliando, utilizando-se para isto da homogeneização dos elementos pelos fatores que exercem influência no valor das terras. Para a realização de um trabalho de avaliação de imóvel rural é necessário que sejam cumpridas as seguintes etapas: • 1ª etapa - Organização e sistematização das informações gerais da região de influência sobre o imóvel; • 2ª etapa - Vistoria do imóvel, com descrição, dimensionamento e qualificação das benfeitorias úteis, necessárias e voluptuárias3; • 3ª etapa - Coleta de dados e diagnósticos do mercado; • 4ª etapa - Escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; • 5ª etapa - Tratamento estatístico dos dados de mercado; • 6ª etapa - Cálculo do valor do imóvel; • 7ª etapa - Conclusão do trabalho e apresentação dos resultados em laudo circunstanciado. 3 Benfeitoria voluptuária é aquela que visa simples deleite ou recreio, sem aumentar o uso normal do bem. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 59 Para formar a amostra recomenda-se a busca de transações (negócios realizados) e imóveis ofertados na região, ou quando for o caso, número de amostras insuficientes, buscam-se as opiniões de fontes idôneas e ligadas ao setor imobiliário rural regional, para compor um conjunto de elementos de qualidade e número suficiente para obtenção de um resultado confiável, que mais se aproxime do valor provável de mercado, para o imóvel rural objeto da avaliação. Quando necessária à utilização de opiniões no conjunto amostral deve-se limitar o número de amostras ao máximo de 50% do total de elementos válidos, segundo o Manual de Levantamento Fundiário do INCRA (2007) – Módulo III. As opiniões deverão ser coletadas com base na descrição de um imóvel paradigma ou padrão da região, utilizando-se da linguagem regional, para que os emitentes dessas opiniões refiram-se a um imóvel cujo valor possa servir como base para a avaliação. Todos os elementos pesquisados deverão ser consignados em Fichas de Pesquisa, que contemplem o máximo possível de atributos. O técnico responsável poderá acrescentar outras informações que considerar relevantes. Os dados básicos devem ser obtidos na mesma região de influência do imóvel avaliando. Não havendo na região número de elementos suficientes para compor a amostra, pode ser ampliada a área de pesquisa, com justificativa plausível. LIMA (2005) define como região de características geoeconômicas semelhantes aquela de mesma atividade econômica, mesma malha viária, sob influência do mesmo centro consumidor. 7.5 VISTORIA IMÓVEL AVALIANDO E AMOSTRAS O interesse do Engenheiro de Avaliações é buscar encontrar o verdadeiro valor de um bem, neste caso, uma propriedade rural. Isto não pode ser feito sem o conhecimento detalhado deste bem e do contexto onde ele está inserido. Cabe ao avaliador solicitar ao interessado, toda a documentação sobre a propriedade em estudo, que entender necessária para o bom desenvolvimento de seu trabalho, como: título de domínio, plantas, históricos de produção etc. Além destas, o profissional podem utilizar-se também de cartas de solos, levantamentos aerofotogramétricos, imagens de satélite, cartas planialtimétricas, etc. De posse deste material, o trabalho de campo pode começar com a vistoria ao imóvel analisado, onde deve ser identificados, independente do método a ser adotado ou da combinação de métodos, os seguintes dados básicos da propriedade, durante os trabalhos de vistoria: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 60 • dados cadastrais da propriedade e proprietário; • características físicas, como: vegetação; relevo; tipos de solos; classes de capacidade de uso dos solos; recursos hídricos; recursos naturais; • situação (características da vizinhança); • benfeitorias; • tipo e volume da produção (receita e despesa). Para facilitar seu trabalho, o profissional pode se valer de algumas fichas de pesquisa e coleta de dados. LIMA (2005) ressalta um velho ditado: “Uma fotografia vale mais que mil palavras”. Ou seja, o laudo deve vir sempre acompanhado de documentação fotográfica. O levantamento de dados, tanto do imóvel avaliando como das amostras, imóveis ofertados ou negociados, deve obedecer ao mesmo critério, pois nada adiantaria ao avaliador procederem a uma minuciosa vistoria no imóvel avaliando se não proceder da mesma maneira na sua amostragem de dados. 7.6 HOMOGENEIZAÇÃO Esta etapa consiste na preparação dos dados coletados do imóvel paradigma, ou avaliando, e das amostras levantadas na mesma região geoeconômica para a realização da homogeneização dos dados. Em um processo avaliatório, na maioria das vezes, acaba-se comparando objetos com características desiguais. Ou seja, todo o imóvel, quer seja urbano ou rural, é, por natureza, único, sendo que a única relação possível entre eles refere-se à capacidade de gerar bem- estar ou bens e serviços úteis a seu proprietário. No caso específico de propriedades rurais e, conforme MOREIRA (1984), a homogeneização de dados amostrais se obtém aplicando coeficientes corretivos para determinadas características (ou atributos) dos imóveis rurais. Estes coeficientes, cuja determinação ou escolha, advém da prática do avaliador, formam a base de toda a boa avaliação. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEETTEERRRRAA NNUUAA 61 Embora na definição destes coeficientes haja algo de subjetivo, muitos deles encontram-se tabelados e tem sido amplamente utilizados, sem muita contestação, por avaliadores de reconhecida habilidade. Estes coeficientes são: • coeficientes de características físicas (capacidade e uso do solo); • coeficientes do tipo e volume de produção (capacidade de gerar renda líquida); • coeficientes de localização e/ou situação (proximidade com centros fornecedores de insumos e consumidores da produção); • coeficientes de forma de pagamento (redução do preço à vista etc.). O método comparativo tem como fonte de dados os imóveis que foram negociados ou estão em oferta no mercado imobiliário. Ao mesmo tempo, este método trabalha com valores de terra nua (VTN), que não estão disponíveis, uma vez que as propriedades são negociadas com as respectivas benfeitorias. Somente para reafirmar o já exposto, a principal diferença entre as diversas propriedades rurais são as culturas (ou benfeitorias reprodutivas) e as construções e instalações (ou benfeitorias não reprodutivas), além de rebanhos, máquinas e equipamentos. Para viabilizar este trabalho de avaliação, a recomendação é a separação do valor das culturas (ou benfeitorias reprodutivas) das construções e instalações (ou benfeitorias não reprodutivas), dos rebanhos, das máquinas e equipamentos em cada uma das amostras. Como resultado desta separação, valor do imóvel – valor das culturas – valor das construções – valor dos rebanhos – valor das máquinas, determinamos o valor de TERRA agora dita NUA, isto é, sem qualquer benfeitoria realizada pelo proprietário, ocupante ou explorador. E no que isto ajuda? Esta “separação” nos permite trabalhar com as propriedades como se todas estivessem sem benfeitorias, possibilitando compará-las utilizando-se de suas características mais significativas tanto do ponto de vista agronômico, quanto do produtor rural: fertilidade natural, topografia, profundidade, drenagem etc. associado ao tipo de acesso, parâmetros para os quais existem sistemas de classificação que nos permitem compará-los. A homogeneização é a etapa onde o valor da terra nua de cada amostra gera um valor para a propriedade avalianda, pela correlação entre suas notas agronômicas, para tanto é necessário os seguintes procedimentos: • caracterização detalhada da propriedade avalianda, conforme as Fig. 1 e 2 desta monografia; • escolha da tabela com o fator de homogeneização a ser utilizado adequado à região; • cálculo da nota agronômica do imóvel avaliando e das amostras; • determinação das amostras semelhantes, seus limites de variação; ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 62 • determinação do fator de oferta ou elasticidade; • cálculo do valor da terra nua (VTN) de cada amostra; • homogeneização dos elementos amostrados, cada elemento amostrado conferirá ao imóvel avaliando um VTN; • elaboração do conjunto, definido, como amostra homogeneizada, que deverá ser saneada. Definidos estes critérios, digamos básicos, iremos agora analisar as informações que nos são fornecidas pelos profissionais que trabalham ou encontram-se envolvidos na comercialização de imóveis, como Corretores de Imóveis, Cartorários e etc. Assim na sequencia da apostila iremos expor a metodologia de cálculo da nota agronômica (NA), a determinação do Fator de Elasticidade (fe), a equação do valor de terra nua (VTN), possibilitando assim o estabelecimento do conjunto amostral semelhante para a posterior homogeneização dos dados amostrais. 7.6.1 NOTA AGRONÔMICA (NA) A nota agronômica (NA) é um indicador do potencial de uso da propriedade, seja ela a avalianda ou uma amostra, pois relaciona as áreas de cada classe de capacidade de uso dos solos da propriedade com um determinado índice agronômico (IA). O índice agronômico (IA) é o fator resultante da combinação da classe de capacidade de uso e da situação, podendo ser encontrado em qualquer uma das diversas tabelas de homogeneização existentes. É de fundamental importância executar uma criteriosa escolha da tabela de fator de ponderação a ser utilizada, pois o resultado final, valor da terra nua (VTN), é diretamente afetado por esta decisão. Antes de calcular a nota agronômica (NA) de qualquer propriedade deve-se primeiramente efetuar uma visita ao imóvel para estabelecer quais são as classes de capacidade de uso da propriedade, além de determinar qual a área de cada uma destas classes. Cabe ressaltar que segundo a metodologia citada na norma, deve-se trabalhar com o sistema de classificação das terras pela metodologia de classes de capacidade de uso, ou seja, não se deve trabalhar com a classificação regional dos solos, como: solos de cultura, solos de primeira, solos de cerrado, solos mecanizáveis, solos de pastagens etc., conforme já explicado em capítulos anteriores. Assim, cada uma das glebas de terra do imóvel rural vai ter uma determinada classe de capacidade de uso e área, portanto valendo-se da fórmula da média ponderada pode-se determinar qual a nota agronômica (NA) da propriedade. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 63 De posse destas informações, procede-se então o cálculo da nota agronômica da propriedade, por meio da seguinte equação: NA = � [(𝐴𝐴1×𝐼𝐼𝐴𝐴1) + (𝐴𝐴2×𝐼𝐼𝐴𝐴2) + (𝐴𝐴𝑛𝑛−1×𝐼𝐼𝐴𝐴𝑛𝑛−1) + (𝐴𝐴𝑛𝑛×𝐼𝐼𝐴𝐴𝑛𝑛)] 𝐴𝐴𝑡𝑡 � Equação 4: Nota Agronômica (NA) onde; NA = nota agronômica do imóvel; A1 = área da gleba 1; IA1 = índice agronômico da gleba 1; A2 = área da gleba 2; IA 2 = índice agronômico da gleba 2; An-1 = área da gleba n-1; IA n-1 = índice agronômico da gleba n-1; An = área da gleba n; IA n = índice agronômico da gleba n; At = área total do imóvel analisado. Este cálculo deve ser repetido para a propriedade avalianda e para todas as propriedades amostradas, conforme exemplo a seguir. 7.6.2 DETERMINAÇÃO DAS AMOSTRAS SEMELHANTES Segundo LIMA (2005), as normas de avaliação recomendam a utilização de amostras de mercado semelhantes ao avaliando. Mas, afinal, como definir fazendas semelhantes? A princípio, seriam propriedades com as mesmas atividades econômicas, exemplificando: na avaliação de um imóvel com cultivo de cana, laranja e pastagens, devem- se procurar amostras com as mesmas atividades. Outra referência seria comparar as notas agronômicas (NA) do imóvel avaliando com a das amostras. Conforme previsto na norma ABNT NBR 14.653-3 / 2004, no artigo B.1.2.1 deve-se trabalhar na fase da homogeneização somente com os dados compreendidos no seguinte intervalo: “B.1.2.1 – Para a utilização deste tratamento, consideram-se como dado de mercado com atributos semelhantes aqueles em que cada um dos fatores de homogeneização, calculados em relação ao avaliando, esteja contido entre 0,50 e 1,50.” 𝐿𝐿𝑖𝑖𝐿𝐿𝑖𝑖𝑛𝑛𝑖𝑖. = 𝑁𝑁𝐴𝐴𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑖𝑖𝑎𝑎𝑛𝑛𝑎𝑎𝑎𝑎×0,50 𝐿𝐿𝑖𝑖𝐿𝐿𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠. = 𝑁𝑁𝐴𝐴𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑖𝑖𝑎𝑎𝑛𝑛𝑎𝑎𝑎𝑎×1,50 ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 64 Equação 5: Limites dos dados semelhantes grau de fundamentação I Caso o presente laudo esteja enquadrado nos graus II ou III de fundamentação a norma vigente preconiza o seguinte: 9.2.3.5 – É obrigatório nos graus II e III o seguinte: d) que, no caso da utilização de fatores de homogeneização, o intervalo admissível de ajuste para cada fator e para o conjunto de fatores esteja compreendido entre 0,80 e 1,20. 𝐿𝐿𝑖𝑖𝐿𝐿𝑖𝑖𝑛𝑛𝑖𝑖. = 𝑁𝑁𝐴𝐴𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑖𝑖𝑎𝑎𝑛𝑛𝑎𝑎𝑎𝑎×0,80 𝐿𝐿𝑖𝑖𝐿𝐿𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠. = 𝑁𝑁𝐴𝐴𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑖𝑖𝑎𝑎𝑛𝑛𝑎𝑎𝑎𝑎×1,20 Equação 6: Limites dos dados semelhantes grau de fundamentação II ou III onde; Liminf. = limite inferior do conjunto amostral semelhante; Limsup. = limite superior do conjunto amostral semelhante; NAavalianda = notaagronômica da propriedade avalianda. Assim, procede-se o cálculo do limite inferior (Liminf.) e do superior (Limsup.) de variação dos dados amostrais em torno da nota agronômica (NA). Após a determinação dos limites do conjunto amostral semelhante, devem-se excluir os elementos que não se encontram dentro do intervalo, restando um novo conjunto amostral semelhante para trabalhar na fase de homogeneização. 7.6.3 FATOR DE ELASTICIDADE (OU OFERTA) Além da dedução do valor das benfeitorias (incluem-se todas aquelas que têm valor numa comercialização normal) devemos atentar para o fato de que, para aqueles dados que estão à venda (ofertas) existe o que se convencionou denominar FATOR ELASTICIDADE (fe), isto é, aquela margem de negociação entre o preço pedido e o efetivamente transacionado. Segundo LIMA (2005), na área de avaliação de imóveis urbanos, onde dispomos de uma base de dados maior, em períodos normais, entendam-se períodos em que a oferta e a procura são equivalentes, esta margem é de 10% sobre o valor total do imóvel, já na área rural, frequentemente nos deparamos com margens diferentes, mas como a sua apuração é demorada, e tempo não é uma coisa que se tem em trabalhos de avaliação, o usual é utilizar o fe = 0,10. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 65 A verificação desta margem deve ser feita, pela comparação de diversas ofertas com negociações efetivamente realizadas na região em estudo, para que se possa adotar o coeficiente correto para a região, no momento da avaliação. Além disto, como se trata de um fator de homogeneização, também esta sujeito às mesmas regras dos dados semelhantes, portanto devendo se enquadrar nos respectivos limites, dentro do grau de fundamentação adotado para o trabalho. 7.6.4 VALOR DA TERRA NUA (VTN) As informações coletadas no mercado imobiliário regional definem as propriedades de forma geral: com área total, áreas plantadas, culturas existentes, benfeitorias não reprodutivas, área impróprias para agricultura, áreas de reserva legal etc. Isto significa dizer que, é imprescindível uma pesquisa a mais completa e detalhada possível, inclusive com a vistoria da propriedade, com a descrição das produções de culturas, taxas de lotação de pastagens, estado de conservação de construções etc. Como a fonte de pesquisa não nos fornece diretamente o valor da terra nua, principalmente, porque este item não é comercializado isoladamente, o avaliador é quem deve definir este valor. Além da dedução do valor das benfeitorias (incluem-se todas aquelas que têm valor numa comercialização normal) devemos atentar para o fato de que, para aquelas amostras que estão à venda (são ofertas) existe o que se convencionou denominar FATOR ELASTICIDADE (fe). Deve-se lembrar de que o valor do imóvel ofertado consiste na composição de terra nua e benfeitorias. Uma observação pertinente neste ponto é que o fator de elasticidade (fe) deve ser aplicado como um fator de desconto no valor do imóvel ofertado, assim sendo ele incide sobre qual valor? O valor total do imóvel ofertado ou sobre o valor do imóvel ofertado menos as suas benfeitorias? Levando-se em conta que ao ofertar uma propriedade no mercado, o proprietário estabelece um preço para todo o imóvel, conhecidamente no meio rural como “porteira fechada”, ou seja, composto de terra nua e de benfeitorias. Sabendo que o preço ofertado engloba uma margem de negociação pré-estabelecida pelo comerciante, aqui denominada como fator de elasticidade (fe), fica claro que esta margem incide sobre o todo, ou seja, terra nua e benfeitorias, pois como foi dito que o proprietário de uma terra não tem conhecimento, ou não o aplica, o conceito de terra nua quando oferta um imóvel no mercado. Assim, o fator de elasticidade deve ser aplicado exclusivamente sobre o valor total do imóvel (VTI), pois no caso de ser aplicado sobre o valor total do imóvel menos suas benfeitorias, geraria um incremento incorreto no valor da terra nua da propriedade, pois se deixaria de descontar a margem de negociação imposta pelo proprietário sobre o valor das ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 66 benfeitorias, o que é incorreto, visto que, na negociação do tipo “porteira fechada”, a terra nua e as benfeitorias perfazem um valor único. Desta forma chegamos neste momento na definição do valor da terra nua (VTN) da propriedade, quer seja ela uma oferta ou negócio realizado, conforme visto na seguinte equação: VTN = � [𝑉𝑉𝑉𝑉𝐼𝐼×(1 − 𝑓𝑓𝑒𝑒)] − 𝑉𝑉𝑅𝑅 𝐴𝐴𝐶𝐶 � Equação 7: Valor da terra nua (VTN) onde; VTN = valor da terra nua por unidade de área; VTI = valor total do imóvel (ofertado ou transacionado); fe = fator de elasticidade; Vb = valor das benfeitorias; At = área do imóvel. O valor da terra nua (VTN) deve ser expresso em reais por hectare (R$/ha). Importante salientar que o fator de elasticidade (fe), parte da equação acima, só existe quando o imóvel for oferta, nos casos de negócio realizado este não existe, ou podemos considerar que assume o valor de 1. Este procedimento deve ser realizado para todos os elementos que compõe o conjunto amostral semelhante. 7.6.5 VALOR DA TERRA NUA INDEXADO (VTNINDEXADO) Após a realização destas etapas, cálculo da nota agronômica, verificação dos dados semelhantes e cálculo do valor da terra nua, todas as etapas de preparação dos dados, o avaliador encontra-se apto a proceder à homogeneização do conjunto amostral. O resultado final destas etapas deve ser uma tabela ou figura contendo no mínimo as seguintes informações: identificação do elemento, nota agronômica e valor da terra nua, também pode incluir a nota agronômica da propriedade avalianda, conforme ilustra a figura 6. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 67 Figura 6: Estrutura de relação entre imóvel paradigma e elementos amostrais Estas informações são as necessárias para proceder à homogeneização do conjunto amostral, que consiste na transposição de um provável valor determinado pela amostra n ao imóvel paradigma ou avaliando, resultando numa nova informação, denominada valor da terra nua indexado (VTNindexado). Como fazer esta transposição de valores? É simples, porque temos a disposição às seguintes informações: a NA e o VTN da amostra, assim como, a NA da propriedade paradigma, então podemos estabelecer uma relação entre estas NA’s e assim inferir um possível valor para a propriedade avalianda. Adota-se um procedimento simples, para relacionar o valor da terra nua da propriedade amostral com a determinação do valor da terra nua da propriedade avalianda, onde a nota agronômica dos elementos é que possibilita a comparação. Assim, cria-se para a propriedade avalianda um conjunto de valores denominados de valor de terra nua indexado (VTNindexado), que será a base para o saneamento, ou tratamento estatístico do conjunto amostral. A equação que se utiliza para isto está descrita a seguir: 𝑉𝑉𝑉𝑉𝑁𝑁𝑖𝑖𝑛𝑛𝑎𝑎𝑒𝑒𝑖𝑖𝑎𝑎𝑎𝑎𝑖𝑖 = � �𝑉𝑉𝑉𝑉𝑁𝑁𝑠𝑠𝑒𝑒𝑠𝑠𝑝𝑝𝑠𝑠𝑖𝑖𝑠𝑠𝑎𝑎×𝑁𝑁𝐴𝐴𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑖𝑖𝑎𝑎𝑛𝑛𝑎𝑎𝑖𝑖� 𝑁𝑁𝐴𝐴𝑠𝑠𝑒𝑒𝑠𝑠𝑝𝑝𝑠𝑠𝑖𝑖𝑠𝑠𝑎𝑎 � Equação 8: Valor da terra nua indexado (VTNindexado) PARADIGMA NA VTN=? Amostra 02 NA e VTN Amostra 01 NA e VTN Amostra 05 NA e VTN Amostra 04 NA e VTN Amostra 03 NA e VTN ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 68 onde; VTNindexado = valor da terra nua indexado para a propriedade avalianda; VTNpesquisa = valor da terra nua do imóvel pesquisado; NAavalianda = nota agronômica da propriedade avalianda; NApesquisa = nota agronômica do imóvel pesquisado. 7.7 SANEAMENTO AMOSTRAL O saneamento amostral, etapa também designada como eliminação de dados suspeitos, representa a operação, dentro dos cálculos estatísticos, onde se procuramelementos integrantes da amostragem que possuam desvios acentuados em relação à média, procedimento através do qual se torna mais homogêneo e confiável os dados saneados. Os dados homogeneizados, pelo critério da nota agronômica (NA) é que serão saneados pelos diferentes critérios disponíveis, para tanto temos que considerar fundamentais os seguintes dados: identificação do elemento e o seu VTNindexado, organizados como na seguinte tabela: Tabela 17: Modelo de um quadro resumo para o saneamento Elemento VTNindexado Amostra 01 1.257,00 Amostra 02 1.165,00 Amostra n 1.031,00 Média 1.151,00 Desvio-padrão 113,65 O saneamento destes dados poderá ser feito segundo quatro critérios, sendo que a adoção de um ou outro critério dependerá dos objetivos e da metodologia utilizada na coleta de dados. São critérios utilizados e aceitos para o saneamento amostral: • critério da Média aritmética; • critério do Desvio-padrão; • critério de Chauvenet; • critério de Arley. Importante enfatizar que os critérios de saneamento sempre devem ser aplicados sobre os dados homogeneizados, nunca se deve aplicar um método de saneamento sobre um conjunto de dados já saneado por qualquer outro critério. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 69 7.7.1 CRITÉRIO DA MÉDIA ARITMÉTICA Este critério consiste na definição de um limite inferior e outro superior para a variação dos dados amostrais, devendo-se desconsiderar os valores que não se encontram contidos neste intervalo estabelecido, que são dados considerados discrepantes. Descrição das etapas de cálculo: • cálculo da média aritmética do conjunto amostral; �̅�𝑥 = ∑ 𝑥𝑥𝑖𝑖𝑛𝑛𝑖𝑖=1 𝑛𝑛 Equação 9: Média aritmética • cálculo do desvio padrão do conjunto amostral; S = � ∑ (𝑥𝑥𝑖𝑖 − �̅�𝑥)2𝑛𝑛𝑖𝑖=1 𝑛𝑛 − 1 Equação 10: Desvio-padrão onde: xi = valor de um dado amostral; n = número de elementos do conjunto amostral; x� = média aritmética simples; s = desvio-padrão. • cálculo dos limites inferior e superior; A definição dos limites leva em conta a média aritmética da amostra multiplicada por um coeficiente de variação de 30% (trinta por cento) para menos e para mais. 𝐿𝐿𝑖𝑖𝐿𝐿.𝑖𝑖𝑛𝑛𝑖𝑖. = 0,70×�̅�𝑥 𝐿𝐿𝑖𝑖𝐿𝐿.𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠. = 1,30×�̅�𝑥 Equação 11: Limites no critério da média onde: Liminf. = limite inferior do intervalo; Limsup. = limite superior do intervalo; x� = média aritmética simples; ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 70 • saneamento dos dados amostrais; Após a determinação dos limites, utiliza-se como critério de saneamento a eliminação de todos os elementos que se encontrarem fora deste intervalo, ou seja, trinta por cento acima ou abaixo da média são excluídos durante o processo de saneamento. • cálculo da nova média aritmética e do novo desvio padrão. Quando existir elementos amostrais eliminados, deve-se proceder ao cálculo da nova média aritmética e do novo desvio-padrão. Ao final do procedimento, obtêm-se um novo conjunto amostral, denominado de saneado, com uma média aritmética, denominada média saneada (x�s) e um desvio-padrão, também denominado de desvio-padrão saneado (ss). Este procedimento é aplicado uma única vez, ou seja, possui somente uma operação de saneamento, não podendo ser repetido. 7.7.2 CRITÉRIO DO DESVIO PADRÃO Este critério diferencia-se do anterior no seguinte aspecto, para a determinação dos limites, inferior e superior, calculam-se os mesmos pela subtração ou adição do desvio- padrão do valor da média aritmética do conjunto amostral, conforme as equações a seguir: 𝐿𝐿𝑖𝑖𝐿𝐿𝑖𝑖𝑛𝑛𝑖𝑖. = �̅�𝑥 − 𝑠𝑠 𝐿𝐿𝑖𝑖𝐿𝐿.𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠 = �̅�𝑥 + 𝑠𝑠 Equação 12: Limites no critério do desvio-padrão onde; Liminf. = limite inferior do intervalo; Limsup. = limite superior do intervalo; x� = média aritmética simples; s = desvio-padrão. Toda a memória de cálculo restante do critério é igual ao do critério da média, ou seja, após verificação dos elementos que estão abaixo e/ou acima dos limites, obtém-se um novo conjunto amostral saneado, onde se calcula a média aritmética saneada (x�s) e o desvio- padrão saneado (ss), caso existir dados eliminados. Assim como para o critério da média, este critério também é aplicado uma única vez, sempre sobre os dados homogeneizados. Nunca se aplica qualquer critério de saneamento sobre dados já saneados, sempre sobre os dados homogeneizados. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 71 7.7.3 CRITÉRIO DE CHAUVENET Neste critério, os limites são substituídos pelo cálculo do valor do d/s amostragem, onde d representa a diferença entre o valor do VTNindexado de um elemento da amostra (xi) e a média (x�), expresso em valores absolutos (módulo), divididos pelo desvio-padrão (s), para em seguida compará-lo com um “d/scrítico” tabelado. D/𝑠𝑠 = |𝑥𝑥𝑖𝑖 − �̅�𝑥| 𝑠𝑠 Equação 13: d/s critério de Chauvenet onde; d/s = d/s; xi = valor do elemento analisado; x� = média aritmética do conjunto amostral; s = desvio-padrão do conjunto amostral. Neste método existe um pequeno macete que pode ser aplicado, trata-se do cálculo de apenas o d/sinferior e o d/ssuperior. Neste caso o valor do elemento utilizado para calcular o d/sinferior corresponde ao elemento que apresenta o menor valor do VTNindexado, enquanto para o d/ssuperior utilizamos o elemento de maior valor do conjunto amostral. Após a determinação dos limites inferior e superior, deve-se encontrar o valor do d/scrítico, que é tabelado e varia em função do número de elementos do conjunto amostral (n), conforme tabela a seguir. Tabela 18 – d/s crítico do critério de Chauvenet n (número de elementos) d/s (valor crítico) n (número de elementos) d/s (valor crítico) 5 1,65 18 2,20 6 1,73 20 2,24 7 1,80 22 2,28 8 1,86 24 2,31 9 1,92 26 2,35 10 1,96 30 2,39 12 2,03 40 2,50 14 2,10 50 2,58 16 2,16 O saneamento neste método ocorre através da comparação com os valores calculados de d/s, quer sejam apenas inferior e superior ou todos, com o valor do d/scrítico, serão ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 72 eliminados todos os dados cujo resultado seja superior ao valor tabelado, se for menor ou igual ao valor tabelado não há necessidade de expurgar nenhum elemento do conjunto amostral. Nesta metodologia deve-se fazer um novo procedimento de saneamento caso tenha ocorrido à eliminação de qualquer dado do conjunto amostral, pois o critério estabelece que sejam feitos tantos procedimentos de saneamento quantos forem necessários até não houver mais dados eliminados. Ao término de cada etapa do processo de saneamento deve-se calcular a nova média aritmética (x�s) e o novo desvio-padrão (ss) do conjunto amostral restante. Na etapa final, ou última verificação, estes dados passam a ser denominados de saneados. Este método apresenta algumas diferenças em relação os outros dois métodos apresentados, primeiramente quanto à forma de determinação dos seus valores limites, inferior e superior, que não formam um intervalo, depois quanto à forma de determinação dos dados expurgados, agora feito por meio da comparação dos valores calculados com um valor tabelado, e finalmente, que este método deve ser reaplicado sempre que houver dados eliminados, até que estes cessem e não seja mais necessária a operação de saneamento. 7.7.4 CRITÉRIO DE ARLEY O critério de Arley possui a mesma metodologia do critério de Chauvenet, sendo o termo d/s substituído por r. Assim como no critério anterior o valor de comparação “rcrítico” é tabelado, e para se encontrá-lo deve-se proceder ao exame em uma tabela de dupla entrada, em função de V (grau de liberdade) e α (nível). O cálculo do r é idêntico ao cálculo do d/s, inclusive quanto à validade da dica fornecida para ocritério de Chauvenet. R = |𝑥𝑥𝑖𝑖 − �̅�𝑥| 𝑠𝑠 Equação 14: r do critério de Arley onde; rinf. = limite inferior; rsup. = limite superior; xi = valor do elemento analisado; x� = média aritmética do conjunto amostral; s = desvio padrão do conjunto amostral. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 73 Para encontrar o rcrítico na tabela, deve ser determinado o V e o α do conjunto amostral, sendo o V = graus de liberdade. Especificamente para o critério de Arley o grau de liberdade (V) é calculado da seguinte forma: V=n-2. Com o dado número de elementos (n) encontramos na tabela 19 o valor de α, depois na tabela seguinte, 20, com o α e o V é só localizar o valor do rcrítico. Tabela 19 – Nível de α Nível n Até 5 De 6 a 10 De 11 a 50 Mais de 50 α 10% 5% 1% 0,1% Tabela 20 - Critério de Arley - “r” crítico V α 10% 5% 1% 0,1% 1 1,397 1,409 1,414 1,414 2 1,559 1,645 1,715 1,730 3 1,611 1,757 1,918 1,982 4 1,631 1,814 2,051 2,178 5 1,640 1,848 2,142 2,329 6 1,644 1,870 2,208 2,447 7 1,647 1,885 2,256 2,540 8 1,648 1,895 2,294 2,616 9 1,649 1,903 2,324 2,678 10 1,649 1,910 2,348 2,730 11 1,649 1,916 2,368 2,774 12 1,649 1,920 2,385 2,812 13 1,649 1,923 2,399 2,845 14 1,649 1,926 2,412 2,874 15 1,649 1,928 2,423 2,899 16 1,649 1,931 2,432 2,921 17 1,649 1,933 2,440 2,941 18 1,649 1,935 2,447 2,959 19 1,649 1,936 2,454 2,975 20 1,649 1,937 2,460 2,990 21 1,649 1,938 2,465 3,003 22 1,648 1,940 2,470 3,015 23 1,648 1,941 2,475 3,026 24 1,648 1,941 2,479 3,037 25 1,648 1,942 2,483 3,047 26 1,648 1,943 2,487 3,056 27 1,648 1,943 2,490 3,064 28 1,648 1,944 2,492 3,071 29 1,648 1,945 2,495 3,078 30 1,648 1,945 2,498 3,085 35 1,648 1,948 2,509 3,113 40 1,648 1,949 2,518 3,134 45 1,647 1,950 2,524 3,152 50 1,647 1,951 2,529 3,166 ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 74 Assim como para o critério de Chauvenet, o teste é específico para cada elemento, sendo usual testar as extremidades, ou seja, o maior e o menor elemento, caso estes sejam inferiores ao rcrítico tabelado, não há necessidade de eliminar nenhum elemento da amostragem, entretanto caso sejam maiores, deve-se eliminar ambos os elementos, ou apenas o que for maior, preservando o de valor inferior. Caso ocorra a eliminação de algum elemento, deve-se proceder a um novo saneamento do conjunto amostral restante, pois este critério estabelece que sejam feitos tantos procedimentos de saneamento até que não seja eliminada mais nenhuma amostra após o procedimento de saneamento. Igualmente ao critério anterior, no término do processo de saneamento deve-se calcular a nova média saneada (x�s) e o novo desvio-padrão saneado (ss) do conjunto amostral final. 7.8 VALOR DA TERRA NUA DO IMÓVEL AVALIANDO Após a conclusão do saneamento dos dados amostrais, por qualquer um dos critérios apresentados, parte-se para definir o valor da propriedade avalianda. O avaliador tem que definir qual será o valor da terra nua da propriedade avaliando com base nos dados do conjunto amostral saneado, dentre estes dados qual será o VTN/ha da propriedade avalianda? Após o saneamento dos dados amostrais, tem-se um conjunto de dados que representam valores que cada amostra contribuiu para a determinação do valor da propriedade avalianda, assim deve-se calcular uma nova média e desvio padrão do conjunto amostral restante. Esta novo valor da média (x�s) e do desvio-padrão (ss) denominamos de saneados. Importante ressaltar que foram apresentados no tópico anterior 04 (quatro) critérios possíveis de saneamento para o conjunto de dados homogeneizados, mas destes critérios qual adotar na execução dos trabalhos de avaliação, ou então qual o melhor critério de saneamento? Quando terminar de aplicar qualquer um dos critérios de saneamento, o avaliador tem que calcular o valor da nova média saneada e do novo desvio-padrão saneado, resultado obtido somente com os dados resultantes do saneamento amostral. Para que serve esta média e desvio-padrão saneado? O valor da média saneada (x�s) será considerado como o valor da terra nua por hectare (VTN/ha) da propriedade avalianda, pois ela é o valor que pode substituir todos os valores da variável, isto é, é o valor que a variável teria se em vez de variável ela fosse constante. O desvio-padrão é uma medida de variabilidade do conjunto amostral, portanto demonstra como está a variação dos dados em torno da média, o que significa que quanto maior o desvio-padrão, maior a heterogeneidade do conjunto amostral. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 75 Em avaliações de bens, pelo método comparativo de dados de mercado, o avaliador sempre busca elementos para o conjunto amostral o mais semelhantes possível ao paradigma, desta forma quer se buscar o conjunto amostral mais homogêneo, que é justamente aquele conjunto resultante do critério que apresentar o menor valor de desvio- padrão saneado. Para avaliar o valor da terra nua da propriedade paradigma, deve-se multiplicar a sua área (ha) pelo valor da média saneada (x�s), conforme equação a seguir: 𝑉𝑉𝑉𝑉𝑁𝑁𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑖𝑖𝑎𝑎𝑛𝑛𝑎𝑎𝑎𝑎 = (�̅�𝑥×𝐴𝐴𝐶𝐶) Equação 15: Valor da terra nua da propriedade avalianda onde: VTNavalianda = valor da terra nua da propriedade avalianda; x� = média aritmética do conjunto amostral; At = área total da propriedade avalianda. 7.9 INTERVALO DE CONFIANÇA E CAMPO DE ARBÍTRIO O alicerce do trabalho de avaliação é a pesquisa consistente, que permita um tratamento estatístico do conjunto amostral que ofereça aos avaliadores a segurança de que o valor por ele adotado esteja dentro do intervalo de confiança, ou do campo de arbítrio. O intervalo de confiança (IC) representa o intervalo de variação dos dados amostrais em torno da média, obtido por meio da subtração ou adição do erro padrão da média, multiplicado por um coeficiente de probabilidade, que pode ser resumido na seguinte equação: I.𝐶𝐶. [𝜇𝜇]: ��̅�𝑥𝑠𝑠 ∓ �𝐶𝐶×� 𝑠𝑠𝑠𝑠 �𝑛𝑛𝑠𝑠 ��� Equação 16: Intervalo de confiança (IC) onde; I. C. [µ] = intervalo de confiança para a média populacional ou verdadeira; x�s = média saneada; t = percentil da distribuição de Student, com grau de liberdade (V = n-1) e 80% de confiança; ss = desvio padrão saneado; ns = número de elementos do conjunto saneado Isto significa que com um coeficiente de confiança de 80% de certeza esse intervalo calculado contém a média populacional ou verdadeira. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 76 O valor de t, ou percentil da distribuição de Student, pode ser encontrada na tabela a seguir, sendo estabelecido pela norma que devemos trabalho com o nível de confiança de 80%. Tabela 21 – Valores do percentil da Distribuição de Student Nível de confiança 80% Grau de liberdade Percentis t0,90 1 3,080 2 1,890 3 1,640 4 1,530 5 1,480 6 1,440 7 1,420 8 1,400 9 1,380 10 1,370 11 1,360 12 1,360 13 1,350 14 1,340 15 1,340 16 1,340 17 1,333 18 1,330 19 1,328 20 1,325 ∞ 1,282 A nova norma, ABNT NBR 14.653-3:2004, introduziu uma alteração no conceito de intervalo de confiança e de campo de arbítrio, pois nos trabalhos baseados na antiga norma, ABNT NBR 8.799:1985, o avaliador considerava o intervalo de confiança como o campo de arbítrio. Atualmente existe uma diferenciação para os dois conceitos como pode ser visto a seguir na definição do campo de arbítrio: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE TTEERRRRAA NNUUAA 77 “B.4 – o campo de arbítrio corresponde ao intervalo compreendido entre o valor máximo e mínimo dos preços homogeneizados efetivamente utilizados no tratamento, limitado a 10% em torno do valor calculado. Caso não seja adotado o valor calculado, o Engenheiro de Avaliações devejustificar sua escolha.” 𝐶𝐶𝐴𝐴 = (�̅�𝑥𝑠𝑠𝑎𝑎𝑛𝑛. ∓ 10%) Equação 17: Campo de arbítrio (CA) onde; CA = campo de arbítrio; x�s = média saneada; Desta forma, o intervalo de confiança passa a ser utilizado para estabelecer o grau de precisão do trabalho e o campo de arbítrio para inferir um provável valor da propriedade avalianda, que pode variar dentro de certas condições, na faixa calculada para o campo de arbítrio, mas na realidade, essa decisão do avaliador não deve ser aleatória, e sim fundamentada nos elementos de que ele dispõe ao realizar o trabalho da avaliação. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE BBEENNFFEEIITTOORRIIAASS 78 8. AVALIAÇÃO DE BENFEITORIAS As benfeitorias podem ser divididas em: • BENFEITORIAS REPRODUTIVAS (capital fundiário produtivo): abrangem todas as inovações introduzidas no imóvel rural capazes de proporcionar rendimentos advindos da venda de seus produtos, como: reflorestamentos; pastos cultivados ou melhorados; culturas anuais; culturas perenes e semiperenes; canaviais; cafezais; pomares e etc. • BENFEITORIAS NÃO REPRODUTIVAS (capital fundiário auxiliar): abrangem todas as inovações introduzidas no imóvel rural que não proporcionam rendimentos próprios, embora contribuam para o êxito das explorações. É o caso das: edificações em geral; casas; galpões; estábulos; pocilgas; currais e outras instalações; assim como os chamados melhoramentos fundiários, como: trabalhos de conservação do solo; sistemas de irrigação e drenagem; açudes e outros trabalhos de efeito permanente ou prolongado, efetuados no próprio solo. Todas as benfeitorias existentes na propriedade avalianda devem ser citadas e dimensionadas no momento da vistoria do imóvel rural, sendo aquelas localizadas em áreas de preservação permanente e/ou de reserva legal identificadas em separado. A seguir, iremos detalhar a metodologia para determinação do valor de mercado de cada um destes tipos de benfeitorias. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE CCUULLTTUURRAASS 79 9. AVALIAÇÃO DE CULTURAS As culturas, permanentes ou não, existentes em uma propriedade rural, podem ter finalidade comercial ou não, constituindo-se simplesmente em plantações domésticas, que não integram a exploração econômica do imóvel, em função desta finalidade, será feita a escolha dos critérios de avaliação. Assim, verifica-se a existência de duas frentes de trabalho, uma primeira e, mais importante, voltada para a determinação do valor econômico das culturas comerciais, e outra estudando a determinação dos valores de indenizações para as culturas domésticas. A norma brasileira para avaliação de imóveis rurais, NBR 14.653-3:2004, no que se refere à avaliação de culturas estabelece o seguinte: 10.3 – Produções Vegetais – na avaliação em separado das produções vegetais deve-se observar o descrito em 10.3.1 a 10.3.3. 10.3.1 – Deve ser empregado o método da capitalização da renda para a identificação do valor econômico. Quanto a definição do método de avaliação, na mesma NBR, consta o seguinte: 8.2.2 No caso de avaliação de produções vegetais devem ser observados os seguintes procedimentos: 8.2.2.1 Os rendimentos líquidos esperados devem ser considerados a partir da data de referência da avaliação até o final da vida útil da produção vegetal. 8.2.2.2 Na determinação da renda líquida deve-se considerar a receita bruta, deduzidos os custos diretos e indiretos, inclusive o custo da terra nua, os impostos e o custo de erradicação, se houver. 8.2.2.2.1 No cálculo do custo da terra nua pode-se utilizar o custo de oportunidade sobre o capital que ela representa ou o valor de seu arrendamento. Voltando as produções vegetais: 10.3.2 – No caso de culturas de ciclo longo no primeiro ano de implantação, recomendam-se utilizar, alternativamente ao método da capitalização da renda, o custo de formação, incluídos os custos diretos e indiretos. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE CCUULLTTUURRAASS 80 As benfeitorias reprodutivas localizadas em áreas de preservação permanente e/ou área de reserva legal serão identificadas, descritas no laudo, porém não avaliadas. As benfeitorias não reprodutivas localizadas em áreas de preservação permanente e reserva legal que se encontre em desconformidade com a legislação ambiental não serão avaliadas. Já as que atendam os requisitos legais serão avaliadas e computadas no valor da indenização. 9.1 AVALIAÇÃO DE CULTURAS DOMÉSTICAS Para avaliação de CULTURAS DOMÉSTICAS (ou não comerciais) deve-se utilizar o critério do custo de reposição, isto é, avaliação da cultura pelo custo de formação da mesma. O custo de formação compreende todos os custos necessários para a implantação da cultura, como: custo da muda e as despesas necessárias ao plantio e à manutenção, até a idade em que se inicia nova produção, caso o pomar ou a árvore já estivesse em produção, caso contrário, até a idade em que a avaliação esta sendo feita. A equação que demonstra isto é a seguinte: VB = 𝐶𝐶𝑓𝑓 Equação 18: Culturas domésticas onde: Vb = valor da benfeitoria; Cf = custo de formação. Atualmente é dada uma importância secundária a avaliação das culturas domésticas, mas em determinadas situações, como as avaliações de pequenas propriedades rurais, elas se constituem num importante item, pois se não geram renda diretamente, pelo menos, elas são responsáveis por uma boa parcela da economia de subsistência da família que explora o referido imóvel, portanto este item, mesmo que não constando da nova norma, tem que ser avaliado e indenizado ao pequeno produtor. 9.2 AVALIAÇÃO CULTURAS COMERCIAIS As produções vegetais, assim entendidas, são todas as culturas, inclusive as pastagens e florestas plantadas, existentes em uma propriedade rural que têm finalidade comercial, será em função desta finalidade que será feita a escolha dos seus critérios de avaliação. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE CCUULLTTUURRAASS 81 Para fins de avaliação das culturas comerciais devem-se conhecer os seguintes aspectos da cultura e das suas práticas agrícolas: • espécie botânica; • área de plantio em ha. e/ou covas; • estágio presente e desenvolvimento do ciclo vegetativo; • estado fitossanitário e tratos culturais; • espaçamento entre plantas; • culturas intercaladas; • plantio em terraços, contornos, cordões, banquetas individuais e outros. O critério para avaliação de CULTURAS COMERCIAIS é o valor econômico (VE) da cultura. Todos os dados necessários para o cálculo do valor econômico (VE), que deve ser obtido segundo a produtividade da própria propriedade, ou adequado de estudos publicados por Institutos de Pesquisa, como o Instituo de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria de Agricultura de São Paulo (fonte de exemplo), ou equivalente em outros Estados. Importante salientar, que estes estudos baseiam-se numa produtividade pré- determinada, que deve e tem que ser equipara à produção do imóvel em estudo. Em outras palavras, sugere-se cuidado quando da adoção de tabelas com valores médios de produção, uma vez que cada imóvel tem uma produtividade única, que está diretamente relacionada ao nível tecnológico empregado em seu sistema de produção. Uma análise mais aprofundada do assunto e, considerando o princípio básico estabelecida na norma, que visa determinar o valor otimizado do bem avaliado, pode-se determinar uma metodologia básica para a avaliação de culturas comerciais. Admitindo-se como princípio básico, calcular o valor econômico do bem, resta uma única fórmula de cálculo, que considera o valor integral da produção futura da cultura, ou seja, baseia-se a metodologia no conceito de LUCRO CESSANTE, onde se devem restituir ao seu proprietário todos os rendimentos líquidos futuros que o mesmo deixar de auferir com a perda dobem. Na avaliação de culturas comerciais, adotam-se o método do valor econômico (VE), que calcula o valor presente dos rendimentos líquidos esperados, deduzido todas as despesas vincendas e, submetido a um coeficiente de risco, inerente a atividade agropecuária. A expressão algébrica que melhor traduz o determinado na norma é: VE = 𝑅𝑅𝑅𝑅×𝐹𝐹𝑎𝑎×𝑟𝑟 Equação 19: Valor econômico (VE) ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE CCUULLTTUURRAASS 82 onde; VE = valor econômico da cultura; Rl = receita líquida; Fa = fator de valor presente; r = taxa de risco, inerente a cultura. Na determinação da renda líquida deve-se considerar a receita bruta, deduzidos todos os custos diretos e indiretos, inclusive o custo da terra nua, os impostos e o custo de erradicação, se houver. RL = 𝑅𝑅𝑒𝑒𝑐𝑐𝑒𝑒𝑖𝑖𝐶𝐶𝑎𝑎𝑠𝑠 − 𝐷𝐷𝑒𝑒𝑠𝑠𝑉𝑉𝑒𝑒𝑠𝑠𝑎𝑎𝑠𝑠 Equação 20: Receita líquida (Rl) onde; Rl = renda líquida; Receitas = receitas totais da cultura; Despesas = despesas totais da cultura. Normalmente adota-se a variável taxa de risco o valor de 10% (dez por cento), entretanto muitos trabalhos sugerem que esta taxa deve ser compatível com a cultura e os seus riscos de produção, de acordo com a região em análise. Uma fonte alternativa para determinação da taxa de risco seria o Seguro Agrícola, o grande inconveniente desta opção é que no Brasil o seguro agrícola ainda é uma coisa incipiente. Detalhando a expressão anterior, quanto ao cálculo do fator de valor presente obtém- se a seguinte equação: FA = � [(1 + 𝑖𝑖)𝑛𝑛 − 1] [𝑖𝑖×(1 + 𝑖𝑖)𝑛𝑛] � Equação 21: Fator de atualização (Fa), para série de pagamentos constantes (ou uniformes) FA = � 1 (1 + 𝑖𝑖)𝑛𝑛 � Equação 22: Fator de atualização (Fa), para série de pagamentos únicos onde; Fa = fator de atualização (para valor presente); i = taxa de juros; n = número de períodos. Outra grande dificuldade de deste método, consiste, na determinação do valor da taxa de juros, empregada no cálculo do fator de valor presente. Embora a constituição federal estabeleça um teto de 12% a.a. para a taxa de juros bancários é entendimento que sua adoção (mesmo que justificada) seja motivo de controvérsias, pois, a única alternativa de ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE CCUULLTTUURRAASS 83 rendimento garantida pelo governo federal é a Caderneta de Poupança, com rendimento anual de 6% a.a. Desta maneira, conforme a norma especifica, deve-se justificar a escolha da taxa de juros que será adotada nos cálculos executados no laudo de avaliação. Reorganizando a equação do valor econômico (VE), surgem estas 02 (duas) equações para a determinação do valor de uma determinada cultura comercial: VE = �(𝑅𝑅𝑒𝑒𝑐𝑐𝑒𝑒𝑖𝑖𝐶𝐶𝑎𝑎 − 𝐷𝐷𝑒𝑒𝑠𝑠𝑉𝑉𝑒𝑒𝑠𝑠𝑎𝑎)× � ((1 + 𝑖𝑖)𝑛𝑛 − 1) (𝑖𝑖×(1 + 𝑖𝑖)𝑛𝑛) �×𝑟𝑟� Equação 23: Valor econômico (VE), com fator de atualização para série de pagamentos constantes (ou uniformes) VE = �(𝑅𝑅𝑒𝑒𝑐𝑐𝑒𝑒𝑖𝑖𝐶𝐶𝑎𝑎 − 𝐷𝐷𝑒𝑒𝑠𝑠𝑉𝑉𝑒𝑒𝑠𝑠𝑎𝑎)× � 1 (1 + 𝑖𝑖)𝑛𝑛 �×𝑟𝑟� Equação 24: Valor econômico (VE), com fator de atualização para série de pagamentos únicos Assim, verifica-se a existência de um método básico para avaliação de culturas comerciais, que prevê o cálculo do valor econômico do bem, com base no rendimento líquido integral da cultura, uma vez que se procura o valor de um bem produtivo, que esta gerando renda para a propriedade avalianda. Existem momentos, em que não se conhece o estágio de desenvolvimento da plantação no ciclo de desenvolvimento da cultura, e, estando à mesma em produção, o valor da benfeitoria devem ser calculado pelo custo de formação de uma cultura semelhante mais os rendimento líquidos presentes, que o possuidor daquela cultura deixar de auferir enquanto espera a sua nova plantação entrar em fase produtiva. Este conceito era o adotado na norma antiga, ABNT NBR 8.799:1985, que determinava que o valor de uma cultura comercial fosse o resultado do somatório do valor atual do seu custo de formação, acrescido do valor presente das expectativas de receitas líquidas deixadas de auferir, durante o período de formação da cultura, correspondentes ao número de anos menos um necessário para que a planta atinja a idade produtiva, multiplicado por um coeficiente de risco. A expressão algébrica que melhor expressa este conceito é a seguinte: VC = [𝐶𝐶𝑓𝑓 + (𝑅𝑅𝑅𝑅×𝐹𝐹𝑎𝑎×𝑟𝑟)] Equação 25: Valor cultura, norma NBR 8.799 onde: VC = valor da cultura; Cf = custo de formação; Rl = receita líquida; Fa = fator de valor presente; r = taxa de risco, inerente a cultura. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE CCUULLTTUURRAASS 84 Em se tratando de culturas não recomendadas para o local (ou região), deve-se considerar apenas e tão somente, o valor atual do custo de formação desta cultura. Em resumo, a avaliação de culturas deverá ser feita, sempre que possível, pelo método do valor econômico, quando não houver condições de se aplicar esta metodologia, deve-se justificar a escolha de metodologia alternativa, desde que esta seja perfeitamente adequada. Deve-se atentar especial cuidado, para que os custos utilizados estejam equiparados à produtividade da propriedade. Exemplo: um determinado estudo apresenta um custo de formação de R$1.000,00/ha considerando uma expectativa de produção de 100 toneladas/ha, a utilização deste custo em uma propriedade com produção de 50 toneladas/ha a estaria supervalorizando, enquanto que outra com produção de 150 toneladas/ha a subvalorizaria. 9.3 AVALIAÇÃO DE PASTAGENS Pastagem cultivada, para fins de avaliação, nada mais é do que um tipo de “cultura perene”, onde temos a fase de plantio, o período de formação e o ciclo de utilização, entretanto devido a questões culturais a avaliação de pastagens segue uma metodologia diferente da avaliação das culturas comerciais. Segundo a norma brasileira para avaliação de imóveis rurais, NBR 14.653-3:2004, no que se refere à avaliação de pastagens estabelece o seguinte: 10.3.3 – Nas pastagens, emprega-se o custo de formação, com a aplicação de um fator de depreciação decorrente da diminuição da capacidade de suporte da pastagem. 10.3.3.1 – Também pode ser utilizado o valor presente líquido dos valores médios regionais de arrendamento de pastagens nas mesmas condições, pelo período restante da vida útil, deduzidos os custos diretos e indiretos, inclusive o custo da terra. A diferença está no produto final: carne, leite, animais para cria, animais melhorados (reprodutores), matéria seca, silagem, feno, etc. Se a pastagem cultivada pode ser enquadrada como uma cultura, a recomendação para a avaliação é a seguinte, deve-se determinar qual o custo para formação de uma pastagem semelhante e depreciá-la conforme seu estado vegetativo, a expressão que demonstra isto é fornecida abaixo: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE CCUULLTTUURRAASS 85 VP = 𝐶𝐶𝑓𝑓×𝑑𝑑 Equação 26: Valor das pastagens onde: VP = valor da pastagem; Cf = custo de formação, que se resume neste caso ao custo de plantio, retirado de uma planilha adaptada à tecnologia utilizada no imóvel em estudo; d = depreciação. Podem ser previstas, por exemplo, as operações de preparo do solo, plantio, insumos e tratos culturais, já os custos relativos ao desbravamento (derrubada, destoca, encoivaramento, catação, etc.) somente serão admitidos em regiões de fronteira agrícola, onde tais operações foram recentemente realizadas e ainda não ocorreu à amortização desse capital investido. Essa condição é confirmada quando não se verifica mais no mercado a ocorrência de negócios com valoração de terras brutas (cobertura vegetal primária). O técnico deve prestar atenção para as planilhas de custos, que devem representar a realidade da região avalianda e as condições encontradas na propriedade avalianda.Há uma grande dificuldade, no caso das pastagens, em utilizar-se o método da determinação do valor econômico (VE), pela simples falta de informações detalhadas e precisas sobre a exploração de animais a pasto. Assim vários autores, depois de estudos diversos, concluíram que este pode ser equiparado ao valor do arrendamento da pastagem, durante um tempo correspondente ao período entre o plantio e a liberação para o pastoreio. O valor calculado corresponde a uma pastagem NOVA, recém-implantada. E para aquelas já com alguns períodos de utilização? A nossa recomendação acompanha o trabalho de SAVIETTO (1997) e LIMA (2005): a esse valor será aplicado um coeficiente de depreciação em função do estado vegetativo e fitossanitário. Os itens a serem considerados na depreciação de pastagens são: • incidência de ervas daninhas invasoras; • falhas na formação ou claros na pastagem; • processos erosivos; • presença de cupinzeiros ou sauveiros; • baixo nível de manejo, como excesso de pastoreio; • ausência de divisão de pastagem, o que implica baixo nível de manejo; • aspecto vegetativo ruim, com as plantas não atingindo a altura média da espécie. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE CCUULLTTUURRAASS 86 A depreciação será realizada considerando: • ÓTIMO - não ocorrência dos itens acima • BOM – ocorrência de um dos itens acima; • REGULAR – ocorrência de dois dos itens acima; • PRECÁRIO - ocorrência de três dos itens acima • MAU – ocorrência de quatro dos itens acima; • PÉSSIMO – ocorrência de cinco ou mais dos itens acima. Ou seja, temos o seguinte quadro demonstrativo dos coeficientes de depreciação: Tabela 22 – Coeficientes de depreciação para pastagens Classificação Ótimo Bom Regular Precário Mau Péssimo Depreciação 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 0,00 Fonte: LIMA (2005) ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO CCOONNSSTTRRUUÇÇÕÕEESS EE EEDDIIFFIICCAAÇÇÕÕEESS RRUURRAAIISS 87 10. AVALIAÇÃO CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES RURAIS Sob essa designação genérica incluem-se aquelas benfeitorias que estão vinculadas ao solo e não podem ser negociadas separadamente da terra, compreendendo as construções e instalações como: • casas; • galpões para máquinas e veículos; • depósitos; • secadores; • pocilgas; • aviários; • armazéns; • estábulos; • silos; • abrigos; • cercas; • estradas internas; • represas; • barragens; • poços; • sistemas de irrigação e drenagem; • trabalhos de conservação dos solos; • etc. Recomenda-se utilizar o Método da Quantificação de Custo que consiste na identificação do custo de reedição de um bem semelhante ao avaliado, ou seja, o custo necessário para a reprodução de um bem semelhante, descontado a depreciação, tendo em vista o estado de conservação e funcionalidade do bem avaliado. Poderá ser utilizado, alternativamente, o Critério Residual que consiste na comparação de valores de imóveis com determinadas benfeitorias (reprodutivas ou não) com outros sem essas benfeitorias, determinando-se assim, o valor de mercado daquelas. Esse critério deve ser utilizado quando houver elementos suficientes para ampla pesquisa e convicção do avaliador. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO CCOONNSSTTRRUUÇÇÕÕEESS EE EEDDIIFFIICCAAÇÇÕÕEESS RRUURRAAIISS 88 A norma da ABNT NBR 14.653-3 / 2004, preconiza que as instalações rurais devem ser avaliadas da seguinte forma: 10.2 – Construções e instalações 10.2.1 – As avaliações, quando não usado o método comparativo direto de dados de mercado, devem ser feitos por orçamentos qualitativos e quantitativos, compatíveis com o grau de fundamentação. 10.2.2 – Quando empregado o método da quantificação de custo, podem ser utilizados orçamentos analíticos, cadernos de preços ou planilhas de custos, específicos para mercados rurais. É recomendável que esses materiais sejam anexados ao trabalho, de acordo com o grau de fundamentação. 10.2.3 – A depreciação deve levar em conta: # aspectos físicos: determinados em função da idade aparente, da vida útil e do estado de conservação; # aspectos funcionais: considerando o aproveitamento da benfeitoria no contexto socioeconômico do imóvel e da região em conjunto, a obsolescência e a funcionalidade do imóvel. Do texto da Norma pode-se concluir que, a fórmula básica para determinação do valor das benfeitorias não reprodutivas pode ser expressa como: VC = �𝐶𝐶𝐶𝐶𝑠𝑠𝐶𝐶𝐶𝐶𝑠𝑠𝑛𝑛𝑖𝑖𝑡𝑡Á𝑟𝑟𝑖𝑖𝑖𝑖×𝐴𝐴×𝑑𝑑𝑖𝑖𝑖𝑖� Equação 27: Valor das benfeitorias não reprodutivas onde, VC = valor da benfeitoria não reprodutiva; Custounitário = custo unitário de reposição (R$/m2); A = área total da construção (m2); dff = coeficiente de depreciação física e funcional. O custo unitário deve ser determinado, preferencialmente, por orçamentos, ou então por tabelas previamente testadas e aprovadas para a região analisada. O coeficiente de depreciação deve considerar o estado físico e funcional do item analisado. O ilustre Engenheiro MAGOSSI (1983) sugere que, para instalações rústicas, o coeficiente de depreciação física não deve seguir o critério linear, em função da idade aparente e da vida útil presumível do bem, e sim, recomenda, unicamente o emprego do critério baseado no estado de conservação do bem avaliando. Os fatores por ele recomendados estão expressos na tabela a seguir: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO CCOONNSSTTRRUUÇÇÕÕEESS EE EEDDIIFFIICCAAÇÇÕÕEESS RRUURRAAIISS 89 Tabela 23 – Coeficientes de depreciação para construções rurais Estado de conservação Exemplos de características Fator de depreciação (%) Ótimo Nova 1,00 Bom Necessita de pintura 0,80 Regular Anterior + troca de telhas 0,60 Precário Anterior + trincas 0,40 Mau Anterior + problemas estruturais 0,20 Péssima Sem condições de reforma 0,00 Fonte: Magossi (1983) Outra metodologia de determinação do coeficiente de depreciação física é a tabela linear, elaborada pelos peritos judiciais para a capital de São Paulo, que considera a vida útil provável e aparente do imóvel, portanto, não seria a mais recomendada para a zona rural, abaixo demonstraremos sua forma de cálculo: KD = (1 − 𝑅𝑅)𝑛𝑛 Equação 28: Fator de depreciação onde, Kd = coeficiente de depreciação; R = razão de depreciação; n = idade. Na tabela seguinte, podem-se encontrar alguns valores pré-determinados da razão de depreciação física em função do tipo da construção. Tabela 24 – Razão de depreciação em função do tipo de construção Tipo de construção Razão de depreciação Barracos 4,00% Residências proletária, rústica/médio comercial 1,50% Residência médio superior / luxo 2,00% Apartamentos e escritórios 2,50% Armazéns e indústrias 1,50% Construções de madeira 4,00% ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO CCOONNSSTTRRUUÇÇÕÕEESS EE EEDDIIFFIICCAAÇÇÕÕEESS RRUURRAAIISS 90 Tabela 25 - - Fatores de depreciação em função do tipo de construção e da idade n R 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 1 0,990 0,985 0,980 0,975 0,970 0,965 0,960 2 0,980 0,970 0,961 0,951 0,941 0,931 0,922 3 0,970 0,955 0,942 0,927 0,913 0,898 0,884 4 0,960 0,941 0,923 0,903 0,885 0,867 0,849 5 0,951 0,927 0,904 0,881 0,858 0,837 0,815 6 0,942 0,913 0,886 0,858 0,832 0,807 0,782 7 0,932 0,900 0,868 0,834 0,807 0,789 0,751 8 0,923 0,886 0,851 0,816 0,783 0,757 0,721 9 0,914 0,873 0,834 0,796 0,760 0,726 0,692 10 0,904 0,860 0,818 0,776 0,758 0,700 0,664 15 0,860 0,798 0,738 0,683 0,633 0,586 0,542 20 0,818 0,739 0,667 0,602 0,543 0,490 0,442 25 0,778 0,686 0,604 0,530 0,466 0,410 0,360 30 0,740 0,636 0,546 0,467 0,400 0,342 0,294 35 0,703 0,589 0,493 0,389 0,343 0,287 0,240 40 0,669 0,546 0,446 0,362 0,294 0,240 0,195 45 0,636 0,507 0,402 0,319 0,254 0,201 0,159 50 0,605 0,470 0,364 0,280 0,217 0,168 0,130 55 0,575 0,436 0,333 0,240 0,190 0,141 0,106 60 0,548 0,405 0,2980,218 0,160 0,117 0,086 Fonte: Estudo de Edificações – Valores de venda (1987) A depreciação funcional é aquela derivada da “inadequação, superação e/ou anulação” da edificação dentro do contexto da atividade econômica do imóvel e da região, ou devida ao seu sub-aproveitamento. É muito importante destacar isto: a análise da funcionalidade deve ser feita dentro do contexto do imóvel avaliando e, também, dentro do contexto da região, adotando-se sempre o BOM SENSO, nunca o avaliador deve utilizar-se do seu contexto particular/pessoal, por meio de suas crenças e convicções. Como exemplo pode-se citar uma propriedade com uma quantidade de construções destinadas à produção de café, só que a atividade hoje se resume à exploração de cana de açúcar, tanto no imóvel em estudo como em toda a região, sendo o plantio de café inviável devido a problemas de mão de obra e condições de clima, neste caso as benfeitorias citadas não apresentam mais nenhuma funcionalidade. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO CCOONNSSTTRRUUÇÇÕÕEESS EE EEDDIIFFIICCAAÇÇÕÕEESS RRUURRAAIISS 91 A análise da funcionalidade das construções deve abranger alguns itens, como: podem ser utilizadas para outra atividade dentro do imóvel? Em caso positivo, quanto em termos de capacidade operacional? Em caso negativo, tem valor como material usado para aproveitamento em outras benfeitorias? A resposta a estas perguntas e é lógico, a outras que forem condizentes com o problema, é que determinará a “funcionalidade” da construção. Outra questão seria também o dimensionamento e capacidade operacional com relação ao tamanho do imóvel e respectiva produção. Por exemplo, silos com capacidade muito superior a capacidade de produção no imóvel, e sem condições de armazenar produções de terceiros. Neste caso, a depreciação funcional seria em função da porcentagem utilizada atualmente. Segundo LIMA (2005) pode-se classificar a funcionalidade de um bem nos seguintes critérios: • Adequada: edificação está perfeitamente adequada à sua utilização; encontra-se 100% aproveitada e/ou funcional e/ou utilizada, considerando o imóvel e a região num período de um ano agrícola; • Inadequada: edificação está parcialmente adequada à sua utilização; aproximadamente 75% de sua capacidade é aproveitada e/ou funcional e/ou utilizada, considerando o imóvel e a região num período de um ano agrícola; • Superada: edificação está superada, considerando as recomendações técnicas atuais, mas aproximadamente 50% de sua capacidade ainda é aproveitada e/ou funcional e/ou utilizada, considerando o imóvel e a região num período de um ano agrícola; • Residual: edificação não tem utilidade nenhuma, servindo apenas como fonte de material usado; 20% aproveitada e/ou funcional e/ou utilizada, considerando o imóvel e a região num período de um ano agrícola. Juntando a depreciação física proposta por MAGOSSI (1983) com a depreciação por funcionalidade proposta por LIMA (2005), surgem os seguintes coeficientes de depreciação física e funcional, conforme apresentado na tabela abaixo: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO CCOONNSSTTRRUUÇÇÕÕEESS EE EEDDIIFFIICCAAÇÇÕÕEESS RRUURRAAIISS 92 Tabela 26 – Coeficientes de depreciação física e funcional Depreciação física Depreciação Funcional 100% utilizada ou ótima 75% utilizada ou média 50% utilizada ou regular 20% utilizada ou valor residual Ótimo – 100% 1,00 0,75 0,50 0,20 Bom – 80% 0,80 0,60 0,40 0,16 Regular – 60% 0,60 0,45 0,30 0,12 Precário – 40% 0,40 0,30 0,20 0,08 Mau – 20% 0,20 0,15 0,10 0,04 ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE MMÁÁQQUUIINNAASS EE IIMMPPLLEEMMEENNTTOOSS 93 11. AVALIAÇÃO DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS A avaliação de máquinas e implementos agrícolas deve ser feita pelo método comparativo direto, com a citação das fontes, conforme a norma vigente da ABNT NBR 14.653-3:2004, que especifica o seguinte: 10.6 – Equipamentos e máquinas agrícolas – a avaliação pode ser feita pelo comparativo direto de dados de mercado ou pela apuração do custo de reedição, quando não existir mercado para o bem. Recomenda-se a citação das fontes de consulta e apresentação dos cálculos efetuados. No caso de não ser possível a aplicação deste método por falta de elementos comparativos no mesmo estado do bem avaliando, pode-se utilizar entre outros o critério sugerido por FILLINGER (1985) que consiste, resumidamente em: • fixar o preço do equipamento novo, segundo pesquisa de mercado; • determinar a vida útil provável do bem, com base em tabelas publicadas (vide livro Engenharia de Avaliações, páginas 130 / 132); • calcular a razão de depreciação anual • por último, calcular a taxa de depreciação pela idade do equipamento. Tabela 27 – Coeficientes de depreciação física e funcional Bem Período de depreciação (anos) Limite inferior Média Limite Superior Veículos utilitários 3 4 5 Maquinário e equipamentos agrícolas em geral, incluindo silos para grãos, cercas e obras 8 10 12 Edificações rurais 20 25 30 Fonte: PINI Ou seja, máquinas e equipamentos deste tipo, têm suas vidas úteis, estimadas em no máximo igual ao limite superior, o que corresponde a uma depreciação anual de: ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE MMÁÁQQUUIINNAASS EE IIMMPPLLEEMMEENNTTOOSS 94 D = 100 𝐴𝐴 Equação 29: Depreciação máquinas e implementos onde: D = percentual anual de depreciação; A = número de anos previsíveis de vida útil. A idade limite superior não significa que o equipamento com idade maior que este não tenha valor de mercado. Este limite serve para determinar a depreciação anual do equipamento. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE SSEEMMOOVVEENNTTEESS 95 12. AVALIAÇÃO DE SEMOVENTES A avaliação de animais de lide ou de criações (gado, cavalos, suínos, aves, etc.) também deve ser feita pelo método comparativo direto, com a citação das fontes consultadas. Por exemplo, um rebanho de gado de corte: animais destinados à engorda serão avaliados pelo peso (valor da arroba); animais destinados à reprodução e bezerros pelo valor unitário, e assim por diante. Para animais de elite ou de raça a avaliação também deve ser feita por comparação, tomando-se os cuidados necessários se forem utilizados dados de leilões (forma de pagamento, genealogia etc.). ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE MMAATTAASS NNAATTUURRAAIISS 96 13. AVALIAÇÃO DE MATAS NATURAIS A aplicação das recomendações a seguir deve ser utilizada apenas quando o valor das matas naturais já não tiver sido incluído no valor da terra nua, pois naturalmente é considerada como acessão natural da terra. A avaliação de matas naturais ou nativas deve, em primeiro lugar, atender ao pré- requisito de ser passível de exploração exibindo-se de autorização do órgão fiscalizador, com a apresentação do alvará. Uma vez atendido este preceito, a avaliação é feita segundo o inventário florestal da área para determinação do volume e tipo de madeira existente, conforme recomendação da norma da ABNT NBR 14.653-3:2004: 10.4 – Florestas nativas – para a identificação do valor da terra em conjunto com a sua floresta nativa, deve-se seguir o descrito em 10.4.1 e 10.4.2. 10.4.1 – Deve ser utilizado, sempre que possível, o método comparativo direto de dados de mercado. 10.4.2 – Quando existir exploração econômica autorizada pelo órgão competente pode ser utilizado o método da capitalização da renda, onde devem ser considerados os custos diretos e indiretos. Neste caso, se for necessário o inventário florestal, este deve ser executado para a área avalianda. O método residual aqui indicado consistiria em determinado o volume de madeira explorável, quantificar o tempo e o custo necessário para a retirada desta, em um único corte. Lembrar o custo relativoreferente ao mercado consumidor e especial atenção ao tempo, uma vez que o próprio mercado consumidor tem uma capacidade de absorção da matéria prima segundo a lei de oferta e procura. A determinação do volume de madeira existente na propriedade pode ser feita pela seguinte equação: 𝑉𝑉𝑚𝑚𝑎𝑎𝑎𝑎𝑒𝑒𝑖𝑖𝑟𝑟𝑎𝑎 = � 𝜋𝜋 4 ×𝐷𝐷𝐴𝐴𝑃𝑃2×𝐻𝐻×𝐹𝐹𝑓𝑓×𝐹𝐹𝑒𝑒� Equação 30: Volume de madeira onde: Vmadeira = volume de madeira em st/árvore; DAP = diâmetro à altura do peito médio; ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS AVALIAÇÃO DDEE MMAATTAASS NNAATTUURRAAIISS 97 H = altura comercial média do povoamento; Ff = fator de forma do tronco, devido ao espaçamento e a espécie cultivada; Fe = fator de empilhamento para a espécie em estudo. Todos estes cálculos e explicações somente têm validade caso exista alvará de exploração da madeira, entretanto se não houver alvará, a mesma deixa, é lógico, de ter valor comercial em uma transação de compra e venda de propriedades rurais, como volume de madeira. Nestes casos, a análise deve envolver diversas variáveis, como: • valorização real que a mata exerce no entorno devido à preservação de nascentes e diminuição dos riscos de depauperação do solo entre outros; • se a propriedade atende aos requisitos previstos na Lei Federal nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 com a nova redação dada pela Lei Federal nº 7.803 de 18 de julho de 1989 que impõe a Reserva Florestal Legal (RFL), caso contrário, se está atendendo à Lei Federal nº 8.171 de 17 de janeiro de 1991, art. 99, que obriga ao proprietário rural, quando for o caso, a recompor, mediante o plantio, em cada ano, de pelo menos um trinta avos da área total para complementar a referida RFL; • gastos para manutenção da área ocupada pela mata natural; • seqüestro de carbono Lembrar de que as recomendações acima não esgotam o assunto, extremamente complexo, e que merece uma, análise individual e criteriosa de especialista no assunto. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS VALOR TTOOTTAALL DDOO IIMMÓÓVVEELL RRUURRAALL 98 14. VALOR TOTAL DO IMÓVEL RURAL Finalmente chegamos ao término do trabalho de avaliação de um imóvel, mas para chegar até aqui tivemos que cumprir diversos procedimentos, como decompor o valor dos imóveis em terra nua e benfeitorias, e apurar qual o valor isolado de cada um destes elementos. Como já foi dito, estamos trabalhando com o método evolutivo, que determina que o valor de um bem corresponda ao somatório de todos os seus elementos. Assim, depois de apurar o valor em separado de cada elemento, deve-se, simplesmente, somar o valor apurado para cada elemento para estabelecer o valor total da propriedade avalianda. 𝑉𝑉𝑓𝑓𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑖𝑖𝑎𝑎𝑛𝑛𝑎𝑎𝑎𝑎 = 𝑉𝑉𝑉𝑉𝑁𝑁 + �𝑉𝑉𝑅𝑅 Equação 31: Valor final da propriedade avalianda onde; Vfavalianda = valor final da propriedade avalianda; VTN = valor da terra nua; ∑Vb = somatório do valor das diversas benfeitorias existentes na propriedade avalianda. Uma ressalva importante que deve ser feita, mesmo que no final do trabalho, é sobre o valor do passivo da propriedade. Mas o que é o passivo de uma propriedade? Assim como na contabilidade, o passivo é uma conta de resultado negativo, pois nela estão às pendências que incidem sobre a propriedade, quer sejam de cunho: legal, fiscal, tributário, ambiental, etc., mas que não estão sendo atendidas. Recentemente, passamos a nos preocuparmos mais com o passivo ambiental do imóvel rural, verificando quais pontos da legislação ambiental que não estão sendo cumpridos na propriedade. Este descumprimento gera uma obrigação de fazer para solucioná-lo, onde é necessário dispor de recursos financeiros, materiais e temporais para sua realização. Quando nos deparamos com um imóvel que possui estas pendências, deve-se apurar qual o valor necessário para arcar com os custos de regularização desta propriedade, este valor corresponde ao passivo, no caso citado de cunho ambiental. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS VALOR TTOOTTAALL DDOO IIMMÓÓVVEELL RRUURRAALL 99 Além desta conta com o meio ambiente, também podem existir outros passivos que devem ser considerados, como: a obrigatoriedade do georreferenciamento, a regularização de títulos e documentos, entre outros. Estes passivos não podem ser apuradas e simplesmente desconsideradas, portanto eles devem fazer parte da equação de cálculo do valor final da propriedade avalianda, que reorganizada pode ser expressa da seguinte forma: 𝑉𝑉𝑓𝑓𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑖𝑖𝑎𝑎𝑛𝑛𝑎𝑎𝑎𝑎 = ��𝑉𝑉𝑉𝑉𝑁𝑁 + �𝑉𝑉𝑅𝑅� − 𝑉𝑉𝐶𝐶𝑠𝑠𝑎𝑎𝑠𝑠𝑠𝑠𝑖𝑖𝑎𝑎𝑖𝑖� Equação 32: Valor final da propriedade avalianda, descontado o passivo onde: Vfavalianda = valor final da propriedade avalianda; VTN = valor da terra nua; ∑Vb = valor das benfeitorias; Vtpassivo = valor total dos passivos existentes para a propriedade avalianda. Desta forma, fica concluído o trabalho de avaliação de um imóvel rural, com a completa apuração do seu valor. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS BIBLIOGRAFIA 100 15. BIBLIOGRAFIA ABNT, AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS, SÃO PAULO, NORMA BRASILEIRA REGISTRADA N.º 8.799, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1985. ABNT, AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS, SÃO PAULO, NORMA BRASILEIRA REGISTRADA N.º 14.653-3 – AVALIAÇÃO DE BENS – PARTE 3 – IMÓVEIS RURAIS, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004. AEASP, CURSO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES - AVALIAÇÃO DE PROPRIEDADES RURAIS, ASSOCIAÇÃO DE ENGENHEIROS AGRÔNOMOS DO ESTADO DE SÃO PAULO, 1980. AEASP E IBAPE, I CURSO DE AVALIAÇÕES E PERITAGENS, ASSOCIAÇÃO DE ENGENHEIROS AGRÔNOMOS DO ESTADO DE SÃO PAULO COM A COLABORAÇÃO DO INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS DE ENGENHARIA, 1977. AMERICAN INSTITUTE OF REAL ESTATE APPRAISERS, THE APPRAISAL OF RURAL PROPERTY, CHICAGO, ILLINOIS, 1983. BARLOWE, R. LAND RESOURCES ECONOMICS. NEW JERSEY, 2ª ED., PRENTICE HALL, 1972. BOLFARINE, H & BUSSAB, W. O. ELEMENTOS DE AMOSTRAGEM. BELO HORIZONTE, 11º SINAP / USP, 1994. CAIRES, H. R. R. DE NOVOS TRATAMENTOS MATEMÁTICOS EM TEMAS DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES, SÃO PAULO, PINI, 1978, 2ª ED. CANTEIRO, J. R., CONSTRUÇÕES, SEUS CUSTOS DE REPRODUÇÃO NA CAPITAL DE SÃO PAULO DE 1939 A 1979, TERRENOS, SUBSÍDIOS À TÉCNICA DA AVALIAÇÃO, ED. PINI, SÃO PAULO, 3ª ED. 1980. CUNHA, S. B DA E GUERRA, A. J. T. (ORGANIZADORES), AVALIAÇÃO E PERÍCIA AMBIENTAL, ED. BERTRAND BRASIL, RIO DE JANEIRO, 1999 DAUDT, C. D. L., CURSO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS JUDICIAIS (VISTORIA E AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS), PORTO ALEGRE. DAUDT, C. D. L., METODOLOGIA DOS DIFERENCIAIS AGRONÔMICOS NA VISTORIA E AVALIAÇÃO DO IMÓVEL RURAL, PORTO ALEGRE, CREA/RS, 1996. DEMÉTRIO, V. A., NOVAS DIRETRIZES PARA AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS, CONGRESSO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS - IBAPE, ÁGUAS DE SÃO PEDRO, 1991. DEMÉTRIO, V. A. (COORDENADOR), ANAIS DO SIMPÓSIO SOBRE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS, PIRACICABA, FEALQ, 1995. DINIZ, J. N. N., CADERNO DE PREÇOS DE BENFEITORIAS RURAIS NÃO REPRODUTIVAS, CESP / SP, 1997. DINIZ, J. N. N., MANUAL PARA CLASSIFICAÇÃO DA CAPACIDADE DE USO DAS TERRAS PARA FINS DE AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS - 1ª APROXIMAÇÃO, CESP / SP, 1997 FERNANDES, J. F., AVALIAÇÕES PARA GARANTIAS (AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS), SÃO PAULO, INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS DE ENGENHARIA, ED. PINI, 1983. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS BIBLIOGRAFIA 101 FEALQ / CEPEA E USP / ESALQ / DESR, PREÇOS AGRÍCOLAS, DEPTO. DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL DA ESALQ DA USP, E CENTRO DE PESQUISA EM ECONOMIA AGRÍCOLA DA FEALQ, VÁRIOS VOLUMES. FIKER, J., MANUAL DE REDAÇÃO DE LAUDOS, SÃO PAULO, ED. PINI, 1989. FILLINGER, V. C., ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES (AVALIAÇÃO DE MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS, INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS E INDÚSTRIAS), SÃO PAULO, INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS DE ENGENHARIA, ED. PINI, 1985. FRANÇA, G. V., ESTUDO AGROTÉCNICO E AVALIAÇÃO DAS TERRAS DA FAZENDA SÃO SEBASTIÃO MUNICÍPIO DE SANTA CRUZ DAS PALMEIRAS ESTADO DE SÃO PAULO - LEVANTAMENTO DE SOLOS, CAPACIDADE DE USO E VALOR RELATIVO DAS TERRAS, PIRACICABA, ESALQ, 1983. HIRSCHFELD, H., ENGENHARIA ECONÔMICA, SÃO PAULO, ATLAS, 1982, 2ª EDIÇÃO. IBAPE, ANAIS DO X CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS, PORTO ALEGRE, INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS DE ENGENHARIA DO RIO GRANDE DO SUL, VÁRIOS TRABALHOS, 1999. IBAPE / SP, ANAIS DO IX CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS, SÃO PAULO, INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS DE ENGENHARIA DE SÃO PAULO, VÁRIOS TRABALHOS, 1997. ICAPE, ANAIS DO VIII CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS, FLORIANÓPOLIS, INSTITUTO CATARINENSE DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS, VÁRIOS TRABALHOS, 1995. IEA, INFORMAÇÕES ECONÔMICAS, GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, SECRETARIA DE AGRICULTURA E ABASTECIMENTO, COORDENADORIA SÓCIO-ECONÔMICA, INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA, VÁRIOS VOLUMES. KOZMA, M. C. F. DA S., ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES (AVALIAÇÃO DE PROPRIEDADES RURAIS), SÃO PAULO, INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS DE ENGENHARIA, ED. PINI, 1984. LEPSCH, I. F., (COORD.) MANUAL PARA LEVANTAMENTO UTILITÁRIO DO MEIO FÍSICO E CLASSIFICAÇÃO DE TERRAS NO SISTEMA DE CAPACIDADE DE USO, CAMPINAS, SOCIEDADE BRASILEIRA DA CIÊNCIA DO SOLO, 1983. LEPSCH, I. F., SOLOS - FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO, 4ª EDIÇÃO, SÃO PAULO, COLEÇÃO PRISMA - BRASIL, ED. MELHORAMENTOS, 1982. MAGOSSI, A. J., AVALIAÇÕES PARA GARANTIAS (AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS), SÃO PAULO, INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS DE ENGENHARIA, ED. PINI, 1983. MAGOSSI, A. J., MÉTODO PARA AVALIAÇÃO DE FLORESTAS ARTIFICIAIS, CADERNO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS, 1991. MARTINS, F. G. E MARTINS, F. G. N., AVALIAÇÃO DE PROPRIEDADES RURAIS, INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS DE ENGENHARIA, SEPARATA. MEDEIROS JÚNIOR, J. DA R. E FIKER, J., A PERÍCIA JUDICIAL: COMO REDIGIR LAUDOS E ARGUMENTAR DIALETICAMENTE, SÃO PAULO, ED. PINI, 1996. MENDES SOBRINHO , O T. & YAMANAKA, I. CONTRIBUIÇÃO AO USO DE APARELHO DE BOLSO PARA CLASSIFICAÇÃO DO SOLO SEGUINDO A CAPACIDADE DE USO. IN: CONGRESSO PAN-AMERICANO DE CONSERVAÇÃO DO SOLO, 1, SÃO PAULO, 1966. ANAIS ... SÃO PAULO, SECRETARIA DA AGRICULTURA, MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, P. 345-350. MOREIRA, A. L., PRINCÍPIOS DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES, SÃO PAULO, PINI - ESCOLA NACIONAL DE HABITAÇÃO E POUPANÇA, 1984. ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES APLICADAS A IMÓVEIS RURAIS BIBLIOGRAFIA 102 NEVES, L. C. DAS E DEMÉTRIO, V. A., ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E MATEMÁTICA FINANCEIRA, SÃO PAULO, CURSO REALIZADO NA AEASP, 1992. NUNES, PEDRO DOS REIS, DICIONÁRIO DE TECNOLOGIA JURÍDICA. 9ª ED. RIO DE JANEIRO: FREITAS BASTOS, 1976.2 V. OHNO, M., AVALIAÇÃO DE BENFEITORIAS NÃO REPRODUTIVAS, SÃO PAULO, 2ª ED. CESP, 1971. PELEGRINO, J. C., AVALIAÇÕES PARA GARANTIAS (AVALIAÇÃO DE PROPRIEDADES RURAIS), SÃO PAULO, INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS DE ENGENHARIA, ED. PINI, 1983. PERALTA, P. M. GUÍA PARA LOS RECONOCIMIENTOS DE CONSERVACIÓN Y CLASIFICACIÓN DE LA CAPACIDAD DE LA TIERRA. SANTIAGO, MIN. AGRICULTURA Y PESCA. DIRECCIÓN DE AGRICULTURA Y PESCA. DEP. CONSERVACIÓN Y ASSISTENCIA TÉCNICA, 1963. 63P. RIBAS, L. C. PROPOSTA METODOLÓGICA PARA AVALIAÇÃO DE DANOS AMBIENTAIS - O CASO FLORESTAL. 1996, 242 PÁGS. TESE (DOUTORADO). ESCOLA POLITÉCNICA. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. SAVIETTO, C., CADERNO DE PREÇOS PARA AVALIAÇÃO DE CULTURAS PERENES, CESP / SP, 1997. TRIOLA, M. F., INTRODUÇÃO À ESTATÍSTICA, 7ª EDIÇÃO, RIO DE JANEIRO, LTC - LIVROS TÉCNICOS E CIENTÍFICOS EDITORA S.A., 1999. VEGNI-NERI, G. B. DEI, AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS URBANOS E RURAIS, 4ª EDIÇÃO, SÃO PAULO, ED. NACIONAL, 1979. DESLANDES, CRISTIANO AUGUSTO, “AVALIACAO DE IMOVEIS RURAIS” – EDITORA APRENDA FACIL - VICOSA- MG, 2.002. 1. OBJETIVOS 2. INTRODUÇÃO 3. CONCEITOS BÁSICOS 4. CONSIDERAÇÕES DA NBR 14.653 5. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO 5.1 MÉTODO COMPARATIVO DIRETO DE DADOS DE MERCADO 5.2 MÉTODO DA RENDA 5.3 MÉTODO EVOLUTIVO 6. AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS 7. AVALIAÇÃO DE TERRA NUA 7.1 CLASSE DE CAPACIDADE DE USO DOS SOLOS 7.2 SITUAÇÃO 7.3 FATORES DE HOMOGENEIZAÇÃO 7.3.1 FATORES DE CLASSE DE CAPACIDADE DE USO 7.3.2 FATORES DE SITUAÇÃO 7.3.3 FATORES DE HOMOGENEIZAÇÃO CONJUGADOS PARA CLASSE DE CAPACIDADE DE USO E SITUAÇÃO 7.4 PLANEJAMENTO E LEVANTAMENTO AMOSTRAL 7.5 VISTORIA IMÓVEL AVALIANDO E AMOSTRAS 7.6 HOMOGENEIZAÇÃO 7.6.1 NOTA AGRONÔMICA (NA) 7.6.2 DETERMINAÇÃO DAS AMOSTRAS SEMELHANTES 7.6.3 FATOR DE ELASTICIDADE (OU OFERTA) 7.6.4 VALOR DA TERRA NUA (VTN) 7.6.5 VALOR DA TERRA NUA INDEXADO (VTNindexado) 7.7 SANEAMENTO AMOSTRAL 7.7.1 CRITÉRIO DA MÉDIA ARITMÉTICA 7.7.2 CRITÉRIO DO DESVIO PADRÃO 7.7.3 CRITÉRIO DE CHAUVENET 7.7.4 CRITÉRIO DE ARLEY 7.8 VALOR DA TERRA NUA DO IMÓVEL AVALIANDO 7.9 INTERVALO DE CONFIANÇA E CAMPO DE ARBÍTRIO 8. AVALIAÇÃO DE BENFEITORIAS 9. AVALIAÇÃO DE CULTURAS 9.1 AVALIAÇÃO DE CULTURAS DOMÉSTICAS 9.2 AVALIAÇÃO CULTURAS COMERCIAIS 9.3 AVALIAÇÃO DE PASTAGENS 10. AVALIAÇÃO CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES RURAIS 11. AVALIAÇÃO DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS 12. AVALIAÇÃO DE SEMOVENTES 13. AVALIAÇÃO DE MATAS NATURAIS 14. VALOR TOTAL DO IMÓVEL RURAL 15. BIBLIOGRAFIA