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Estruturas de Madeira Responsável pelo Conteúdo: Prof. Dr. Antonio Carlos da Fonseca Bragança Pinheiro Revisão Textual: Prof.ª M.ª Sandra Regina Fonseca Moreira Estruturas de Madeira na Construção Civil Estruturas de Madeira na Construção Civil • Apresentar tecnologicamente o que são as estruturas de madeira e seu papel dentro da cons- trução civil; • Expor as vantagens e desvantagens das estruturas de madeira; • Evidenciar os sistemas estruturais possíveis em madeira; • Conceituar as propriedades físicas e mecânicas dos materiais, bem como as normas técnicas vigentes para dimensionamento de estruturas de madeira; • Mostrar e conceitur os estados limites utilizados no cálculo de estruturas de madeira. OBJETIVO DE APRENDIZADO • Introdução; • Vantagens e Desvantagens das Estruturas de Madeira; • Sistemas Estruturais Possíveis em Madeira; • Propriedades Físicas e Mecânicas dos Materiais; • Normas Vigentes para Dimensionamento; • Estados Limites. UNIDADE Estruturas de Madeira na Construção Civil Introdução A madeira estrutural é um importante elemento construtivo e excelente material alter nativo para construções em geral. A madeira é um material utilizado desde a antiguidade, quer seja como madeira estru tural (estruturas de cobertura, mezaninos etc.) ou como madeira decorativa (assentos, quadros etc.) (Figura 1). Figura 1 – Exemplo de Madeira Estrutural Fonte: Getty Images Com o passar do tempo, foram sendo aprimoradas as técnicas construtivas, melho rando sua resistência estrutural aos ataques orgânicos e às ações atmosféricas, como calor, frio e umidade. A madeira é um material heterogêneo, constituído basicamente de fibras. Existem diversas espécies de madeiras com diferentes propriedades. Por isso é necessário o conhe cimento de suas características para seu melhor aproveitamento. As madeiras com maiores resistências mecânicas são utilizadas na execução das estru turas de madeira, enquanto as demais são usadas como madeiras decorativas. O processo de obtenção da madeira para peças estruturais tem início com a entrega da matéria prima, em estado bruto, em serrarias na zona de recolha e armazenamento da serração. Os troncos são então transportados para uma área de análise e seleção automática das espécies de árvore e de corte inicial. Em função da classificação inicial, os troncos são então separados e empilhados para uso posterior (Figura 2). 8 9 Figura 2 – Troncos separados e empilhados Fonte: Getty Images Da zona de separação, os troncos são conduzidos para as instalações de serração, onde são retiradas as cascas e as possíveis inserções de galhos (Figura 3). Em seguida, os troncos são introduzidos numa primeira máquina de corte longitudinal que dá origem aos elementos de madeira, que são mais uma vez separados e ordenados para opera ções posteriores. Tanto nesta como nas fases restantes, todos os subprodutos, como aparas de madeira e cascas são conduzidos para outros setores de fabricação, onde são sujeitos à reciclagem. Figura 3 – Transporte de Troncos Fonte: Getty Images Depois do corte, os elementos de madeira são transportados para os fornos de seca gem, que permitem acelerar a estabilização das condições de umidade da madeira. Após a secagem, as peças de madeira são conduzidas para uma zona de aplainamento , onde é aplicado um acabamento superficial final. Depois da realização do corte transversal, feito de acordo com as especificações dos clientes, os elementos de madeira finalizados são embalados e levados para a zona de arma zenagem e distribuição, de onde partem para os locais de revenda. Essas opera ções são chamadas de desdobro da madeira. 9 UNIDADE Estruturas de Madeira na Construção Civil A produção da madeira e a fabricação de estruturas de madeira estão representadas na Figura 4. Insumos (Madeira Bruta) Indústria Madeireira Madeira Estrutural (Per�s, chapas, etc.) Indústria Serraria Estrutura de Madeira (Barras, Placas, etc.) Figura 4 – Fluxo da Produção e Fabricação de Estruturas de Madeira Vantagens e Desvantagens das Estruturas de Madeira As estruturas de madeira são constituídas por elementos de madeira existentes no mercado. Esses elementos de madeira são usinados conforme as necessidades estrutu rais e de arquitetura. Esta solução tecnológica apresenta vantagens, bem como desvan tagens, que são importantes de serem adequadamente estudadas. Vantagens das Estruturas de Madeira A utilização de estruturas de madeira pode trazer várias vantagens em determinadas condições da construção civil, principalmente em construções mais simples. Como vantagens desse sistema de construção é possível citar (Figura 5): • Redução do Tempo de Execução da Estrutura: a utilização de estruturas de madeira também pode significar a redução no tempo de execução de obra que seria necessário se fossem utilizados processos convencionais. Essa redução ocorre devido a fatores intervenientes como: a) as peças estruturais em madeira podem ser préfabricadas previamente em locais denominados serrarias; b) a fabricação das peças estruturais pode ser feita em série nas serrarias, possibilitando a redução do tempo de montagem da estrutura; c) a utilização de peças préfabricadas nas obras permite que sejam feitas diversas frentes de serviço simultaneamente; d) montagem de menor quantidade de escoramentos provisórios que nas estruturas convencio nais; e) tem maior independência em relação aos fatores climáticos do que as estru turas convencionais em concreto armado; • Simplicidade de Execução: as estruturas de madeira necessitam apenas de alguns tipos de profissionais especializados e de algumas ferramentas e equipamentos adequados, se comparadas aos necessários nas construções convencionais de con creto armado; • Baixo Consumo de Energia: os elementos constituintes das estruturas de madeira têm um baixo consumo de energia no processo de produção e usinagem, se com parados com outros processos construtivos; 10 11 • Baixo Custo Global: dependendo do tipo e do planejamento de uma obra, a estru tura de madeira pode ser mais barata do que uma estrutura convencional em con creto armado. Esse custo engloba a proteção dos elementos de madeira estrutural contra agentes químicos e orgânicos; • Redução das Dimensões do Canteiro de Obras: as estruturas de madeira pro porcionam melhores facilidades no canteiro de obras em relação às construções convencionais; • Canteiros de Obras mais Organizados e Limpos: a utilização de estruturas de madeira proporciona melhor condição de organização e limpeza do canteiro de obras em relação às estruturas convencionais, possibilitando: a) redução da geração de entulhos; b) canteiros de obras mais organizados e limpos proporcionam a redu ção de acidentes do trabalho; • Redução de Desperdício de Materiais: a utilização de estruturas de madeira, principalmente aquelas préfabricadas, possibilita a racionalização dos materiais e da mão de obra empregada na construção, devido à possibilidade da utilização de sistemas industriais nas obras; • Aumento da Qualidade no Processo e nos Produtos: a estrutura de madeira, quando préfabricada industrialmente, apresenta um grande controle em sua pro dução, com maior precisão alcançada através da utilização de mão de obra qualifi cada, materiais de qualidade, ferramentas e equipamentos adequados; • Maior Trabalhabilidade: devido a sua constituição orgânica, a madeira tem maior trabalhabilidade que outras soluções estruturais; • Maior Facilidade de Transporte e de Manuseio: a madeira estrutural tem boa resis tência mecânica e, em geral, os elementos estruturais possuem menor peso relativo às estruturas convencionais, facilitando assim o seu transporte e manuseio na fábrica e na obra; • Facilidade para Futuras Ampliações: por ser um material fabricado e montado com boa precisão, possibilita futuras ampliações estruturais sem interferir nas ativi dades de rotinas dos ambientes já ocupados; • Maior Facilidadede Montagem Estrutural: como a estrutura de madeira pode ser produzida de maneira industrial, sua montagem é prédefinida em projeto, o que possibilita aos montadores na obra um desempenho rápido e eficiente, com a utilização de equipamentos leves; • Possibilidade de Desmontagem e Reaproveitamento da Estrutura: a estrutura de madeira, quando necessário, pode ser desmontada e transferida para outro local; • Facilidade de Reforço Estrutural: em caso de haver aumento de cargas atuando na estrutura de madeira, ela permite ser reforçada com certa facilidade, para supor tar as novas cargas; • Bom Comportamento Mecânico: os elementos constituintes das estruturas de madeira têm bom comportamento mecânico, permitindo estruturas adequadas às solicitações estruturais. Possui alta resistência a cargas de impacto e pouca variação nas dimensões devido à variação da temperatura; • Boa Inércia Química: os elementos constituintes das estruturas de madeira não reagem facilmente a agentes oxidantes ou redutores, mantendo suas caracterís ticas mecânicas; 11 UNIDADE Estruturas de Madeira na Construção Civil • Bom Isolamento Térmico: as estruturas de madeira apresentam bom potencial de isolamento térmico, se comparado a construções convencionais; • Sustentabilidade Ambiental: os elementos constituintes das estruturas de madeira, por serem compostos principalmente de carbono, são uma forma durável de fixação de carbono; • Boa Resistência ao Fogo: apesar de ser um material inflamável, as estruturas de madeira apresentam boa resistência às altas temperaturas do fogo se forem comparadas às estruturas de aço, que não são inflamáveis, mas que não resistem a altas temperaturas; • Menor Densidade dos Elementos Estruturais: os elementos estruturais de madeira têm menor relação resistênciadensidade do que os outros materiais, como, por exem plo, o concreto armado. Essa característica permite a execução de estruturas mais leves que as convencionais em concreto armado, gerando, por exemplo, elementos de fundações mais simples. Vantagens das Estruturas de Madeira Redução do Tempo de Execução da Estrutura Simplicidade de Execução Aumento da Qualidade no Processo e nos Produtos Sustentabilidade Ambiental Maior Facilidade de Montagem Estrutural Baixo Consumo de Energia Baixo Custo Global Redução das Dimensões dos Canteiros de Obras Bom Comportamento Mecânico Canteiros de Obras mais Organizados e Limpos Redução de Desperdício de Materiais Boa Resistência ao Fogo Facilidade de Reforço Estrutural Maior Facilidade de Transporte e de Manuseio Facilidade para Futuras Ampliações Menor Densidade dos Elementos Estruturais Boa Inércia Química Bom Isolamento Térmico Maior Trabalhabilidade Possibilidade de Desmontagem e Reaproveitamento da Estrutura Figura 5 – Vantagens das Estruturas de Madeira Desvantagens das Estruturas de Madeira Assim como as demais soluções tecnológicas, as estruturas de madeira apresentam algumas desvantagens em suas aplicações. Nesse caso, também deve ser feita análise das condições técnicas de cada tecnologia e da relação custobenefício de sua utilização. Como desvantagens desse sistema de construção é possível citar (Figura 6): • Necessidade de Certificação de Origem da Madeira: os elementos constituintes das estruturas de madeira, por questões legais de sustentabilidade ambiental, devem ser certificados como sendo originários de madeiras de reflorestamento, porque sua extração é controlada e não agride o meio ambiente; 12 13 • Limitação das Espécies de Madeira Disponíveis com Boa Durabilidade Natural: para a utilização de estruturas de madeira é importante haver a disponibilidade de espé cies de madeira que sejam adequadas à utilização estrutural e resistentes a ata ques orgânicos, por exemplo, de fungos e cupins; • Suscetibilidade a Agentes Externos: a madeira pode ser atacada por ações do clima, fungos apodrecedores e insetos xilófagos; • Necessidade de Tratamento da Madeira: as madeiras, em geral, por serem mate riais orgânicos, devem ser tratadas para resistir às ações do clima, fungos e insetos; • Material Anisotrópico: as madeiras possuem resistências diferentes em relação à disposição de suas fibras, o que gera cuidados no cálculo, fabricação e montagem das estruturas de madeira; • Baixa Confiabilidade Estrutural: a estrutura em madeira, por ser constituída de mate rial orgânico natural, pode ter baixa confiabilidade de suas características mecânicas; • Necessidade de Mão de Obra Qualificada: as estruturas de madeira necessitam, em sua fabricação e execução, de mão de obra mais especializada que as necessárias para as estruturas convencionais; • Facilidade de Execução Restrita a Elementos Estruturais Lineares: o uso da madeira em estruturas, geralmente é economicamente viável apenas em peças estru turais lineares como, por exemplo, vigas, colunas e treliças. Para a construção de lajes, geralmente é mais adequada a utilização de estruturas mistas de madeira e placas de concreto ou de painéis compostos do que a utilização única de tábuas de madeira; • Limitação de Existência dos Elementos Estruturais no Mercado: a utilização das estruturas de madeira é limitada à oferta dos elementos estruturais no mercado; • Cultura Construtiva: em algumas regiões, é possível não haver tradição na utiliza ção de estruturas em madeira em alguns tipos de construções. Desvantagens das Estruturas de Madeira Suscetibilidade à Agentes Externos Facilidade de Execução Restrita a Elementos Estruturais Lineares Necessidade de Mão de Obra Quali�cada Baixa Con�abilidade Estrutural Necessidade de Certi�cação da Origem da Madeira Limitação das Espécies de Madeiras Disponíveis com Boa Durabilidade Natural Cultura Construtiva Necessidade de Tratamento da Madeira Limitação da Existência dos Elementos Estruturais no Mercado Material Anisotrópico Figura 6 – Desvantagens das Estruturas de Madeira 13 UNIDADE Estruturas de Madeira na Construção Civil Sistemas Estruturais Possíveis em Madeira A madeira estrutural tem grande capacidade de realização de projetos estruturais. Dentre as aplicações da madeira estrutural temse (Figura 7): • Estruturas de telhados; • Estruturas de edifícios industriais e comerciais; • Estruturas de residências (wood frame) (Figura 8); • Pontes, viadutos e passarelas (Figura 9); • Postes; • Escadas (Figura 10); • Mezaninos (Figura 11). Aplicações da Madeira EsruturalEstruturas de Edifícios Industriais e Comerciais Estruturas de Residências (Wood Frame) Pontes, Viadutos e Passarelas Postes Estruturas de Telhado Mezaninos Escadas Figura 7 – Algumas Aplicações da Madeira Estrutural Figura 8 – Estruturas de Madeira em Residências Fonte: Getty Images 14 15 Figura 9 – Passarela em Madeira Fonte: Getty Images Figura 10 – Escada em Madeira Fonte: Getty Images Figura 11 – Mezanino em Madeira Fonte: Getty Images 15 UNIDADE Estruturas de Madeira na Construção Civil Propriedades Físicas e Mecânicas dos Materiais A Propriedade de um material representa a intensidade de uma resposta a um estí mulo específico imposto a ele. Os materiais apresentam diferentes propriedades, dentre as quais estão as proprieda des elétricas, físicas, magnéticas, mecânicas, ópticas, térmicas, entre outras, em função do tipo de estímulo que é capaz de provocar as diferentes respostas. Para a realização do cálculo e dimensionamento estrutural, devese conhecer as pro priedades físicas e mecânica dos materiais (Figura 12). Propriedades Físicas Cálculo e Dimensionamento Estrutural Propriedades Mecânicas Figura 12 – Propriedades Importantes dos Materiais para Elementos Estruturais Propriedades Físicas dos Materiais As propriedades físicas dos materiais são propriedades específicas de determinada matéria. São aquelas que podem ser observadas quando há ação mecânica ou do calor (energia térmica). É importante conhecer as propriedades físicas dos materiais com o objetivo de co nhecer a sua adequada utilizaçãode acordo com as exigências de uma dada construção. Por exemplo, para manter a temperatura de um determinado ambiente, a exigência de desempenho básico de um material é que ele tenha boas características de isolamento térmico. As propriedades físicas dos materiais dependem de suas homogeneidades e das suas características isotrópicas (Figura 13): • Materiais Isotrópicos: para uma dada propriedade, apresentam igualdade nas três direções (x, y, z) ortogonais; • Materiais Anisotrópicos: para uma dada propriedade, há uma variação em pelo menos uma das três direções (x, y, z) ortogonais. A maioria dos materiais é anisotrópico. Essa condição está associada à simetria da estrutura cristalina, em que o grau de anisotropia aumenta em função da diminuição da simetria estrutural. A madeira, por exemplo, tem a resistência mecânica dependente do sentido de orientação das fibras. Na direção paralela às fibras, a resistência tende a ser maior do que na direção transversal ao sentido das fibras. Materiais Isotrópicos Características Isotrópicas dos Materiais Materiais Anisotrópicos Figura 13 – Características Isotrópicas dos Materiais 16 17 Propriedades Mecânicas dos Materiais As propriedades mecânicas dos materiais definem o comportamento do material (res posta) quando sujeito a cargas externas, ou seja, sua capacidade de resistir ou transmitir esses esforços sem se fraturar ou deformar de forma descontrolada (Figura 14). De fin em Capacidade de Resistir ou de Transmitir Esforços Comportamento do Material Sem Fraturar de Forma Incontrolada Sem Deformar de Forma Incontrolada Cargas Externas Comportamento do Material Figura 14 – Propriedades Mecânicas dos Materiais A resistência dos materiais é uma medida das forças externas que são aplicadas aos materiais, as quais são necessárias para vencer as forças internas de atração entre suas partículas elementares. Existem diversos tipos de ligações interatômicas, cada qual com uma determinada intensidade, que são específicas para cada tipo de material. Uma propriedade mecânica importante nos materiais é denominada Tensão Normal (f), sendo definida pela expressão (Eq. 1). [ ]Nf Pa A = (Eq. 1) Onde: • N – força normal atuante na barra; • A – área da seção transversal da barra. Outra propriedade mecânica é a Elasticidade. Observase que para pequenos níveis de carregamento há um comportamento aproximadamente linear entre a tensão aplica da em um corpo e sua deformação. Com a retirada da tensão, a deformação cessa. Esse fenômeno é denominado de comportamento elástico do material. Normas Vigentes para Dimensionamento As normas técnicas vigentes para o cálculo, dimensionamento e execução de estrutu ras são relacionadas pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. A ABNT é uma organização privada e sem fins lucrativos que é responsável pela normatização de técnicas documentais e tecnológicas, facilitando, assim, a execução de projetos no Brasil. Ela é o foro nacional de normalização e certificadora de produtos e sistemas. A função das normas técnicas é orientar aos profissionais da área, servir de 17 UNIDADE Estruturas de Madeira na Construção Civil referência para a elaboração de contratos e de esclarecimento técnico para a sociedade civil e os consumidores em geral. Para estruturas de madeira, a norma técnica é a ABNT NBR 7190:1997 – Projeto de estruturas de madeira. O cálculo e dimensionamento estrutural deve seguir as normas vigentes em cada país, por exemplo: Estados Unidos Nos Estados Unidos, existem várias associações de normalização, dentre elas temse: • ASTM – American Society for Testing and Materials (Sociedade Americana para Testes e Materiais); • DNS – National Design Specification for Wood Construction (Especificações Na cionais em Desenho para Construções em Madeira). França • AFNOR – Association Française de Normalisation (Associação Francesa de Nor malização). Alemanha • DIN – Deutsch Industrie Normen (Norma da Indústria Alemã). As principais entidades normativas estão apresentadas na Figura 15. França AFNOR Estados Unidos ASTM Brasil ABNT Alemanha DIN Principais Entidades Normativas Figura 15 – Principais Entidades Normativas Estados Limites Nas obras de engenharia, a principal preocupação é a manutenção da integridade estrutural das construções. Para que a segurança (suportar as ações que irão ocorrer durante a vida útil da estrutura), funcionalidade (condições para as quais será construí da) e a economia (relação custobenefício) possam ocorrer nas estruturas, foram cons tituídos vários métodos de cálculo e dimensionamento estrutural. 18 19 Dentre os métodos de cálculo estrutural, é possível citar três tipos: Método Intuitivo; Método das Tensões Admissíveis; Método dos Estados Limites (Figura 16). 3 – Método dos Estados Limites1 – Método Intuitivo 2 – Métodos das Tensões Admissíveis Métodos de Cálculo Estrutural Figura 16 – Métodos de Cálculo Estrutural Método Intuitivo Foi o primeiro método a ser utilizado para a realização de estruturas, no qual a segu rança das estruturas dependia das concepções intuitivas dos projetistas estruturais e dos construtores. Esse método era condicionado pelos sucessos e insucessos de construções anterior mente realizadas. Método das Tensões Admissíveis Esse é um método de cálculo estrutural considerado tradicional, sendo utilizado durante praticamente todo o século XX. Esse método de cálculo estrutural surgiu quando os princípios de análise linear elás tica foram formulados, e foi possível calcular as tensões internas nos elementos estrutu rais, a partir da metade do século XIX. Esse é um método determinístico, onde, para um mesmo corpo, com os mesmos vínculos, a aplicação de uma solicitação externa, de acordo com a lei de variação ao longo do tempo, se repetida várias vezes, produziria em todas elas os mesmos esforços internos, as mesmas deformações e os mesmos deslocamentos. Neste método de cálculo e dimensionamento estrutural, a estrutura é observada sob ações de trabalho, impondose que não possa ser excedida uma tensão admissível. As ações de trabalho (ações nominais) são as máximas ações esperadas durante a vida útil da estrutura. As tensões resultantes são calculadas admitindose um comporta mento elásticolinear. Nesse método, a tensão admissível é uma fração de uma tensão limite, como, por exemplo, a tensão de escoamento ou a tensão de flambagem. O fator de segurança é a relação entre a tensão limitante e a tensão admissível. Os va lores dos fatores de segurança representam a experiência coletiva do cálculo estrutural. 19 UNIDADE Estruturas de Madeira na Construção Civil Esse método é fácil de ser utilizado, sendo também de fácil compreensão. Contudo, ele apresenta poucas informações sobre a capacidade real das estruturas, pois para alguns tipos de estruturas, a hipótese de linearidade entre tensões e deformações, esfor ços e ações não é muito realista. Esse método não avalia as condições de serviço que poderiam inviabilizar a estrutura como, por exemplo, uma deformação excessiva. Entre os anos de 1940 e 1950, com a realização de métodos de cálculo plástico, foi verificado que esse método também não produz estruturas econômicas. Método dos Estados Limites O método dos estados limites é um método de cálculo semiprobabilístico, que foi desenvolvido na Rússia durante o período da Segunda Guerra Mundial. A partir da década de 1970, o projeto estrutural começou a evoluir com a utilização de processos mais racionais, baseados em probabilidade, conhecidos como estados limi tes. Durante a década de 1980, a ideia dos estados limites ganhou aceitação geral. Ele é fundamentado em análises estatísticas com coeficientes de ponderação aplica dos nas ações e nas resistências dos materiais, admitindo o comportamento estrutural como determinístico. Ele é baseado na capacidade última dos elementos estruturais. O estado limite ocorre sempre que a estrutura deixa desatisfazer a um de seus obje tivos, que podem ser divididos em estados limites últimos e estados limites de utilização. Os estados limites últimos estão associados à ocorrência de cargas excessivas e con sequente colapso estrutural devido, por exemplo, a sua perda de equilíbrio como corpo rígido, ruptura de uma ligação ou seção. Os estados limites de utilização incluem a verificação das deformações e vibrações excessivas. Os deslocamentos ou vibrações excessivas podem conduzir, por exemplo, a sensações de insegurança aos usuários das estruturas, danificar equipamentos, abrir fissuras nas alvenarias. Assim, os estados limites de uma estrutura são as condições a partir das quais a estru tura apresenta desempenhos inadequados às finalidades da construção. A sua ocorrência determina a paralização total ou parcial da construção. Os estados limites podem ser classificados em dois tipos (Figura 17): • Estados limites últimos (de ruína) – ELU; • Estados limites de utilização (de serviço) – ELS. Estados Limites Últimos – ELU Estados Limites Estados Limites de Utilização – ELS Figura 17 – Estados Limites Estados Limites Últimos – ELU 20 21 Estados que por sua simples ocorrência determinam a paralisação, no todo ou em parte, do uso da construção. No projeto, usualmente devem ser considerados os estados limites últimos caracteri zados por (Figura 18): • Perda de equilíbrio, global ou parcial, admitida à estrutura como corpo rígido; • Ruptura ou deformação plástica excessiva dos materiais; • Transformação da estrutura, no todo ou em parte, em sistema hipostático; • Instabilidade por deformação; • Instabilidade dinâmica (ressonância). Ruptura ou Deformação Plástica Excessiva Transformação da Estrutura em Sistema Hipostático Instabilidade Dinâmica (Ressonância) Instabilidade Pós Deformação Perda de Equilíbrio Caracterização dos Estados Limites Últimos Figura 18 – Caracterização dos Estados Limites Últimos Estados Limites de Utilização (Serviço) – ELS Estados que por sua ocorrência, repetição ou duração causam efeitos estruturais que não respeitam às condições especificadas para o uso normal da construção, ou que são indícios de comprometimento da durabilidade da construção. No projeto, usualmente devem ser considerados os estados limites de utilização caracte rizados por (Figura 19): • Deformações excessivas que afetem a utilização normal da construção, comprome tam seu aspecto estético, prejudiquem o funcionamento de equipamentos ou insta lações ou causem danos aos materiais de acabamento ou às partes não estruturais da construção; • Vibrações de amplitude excessiva que causem desconforto aos usuários ou causem danos à construção ou ao seu conteúdo. Deformações Excessivas Caracterização dos Estados Limites de Utilização Vibrações de Amplitude Excessiva Figura 19 – Caracterização dos Estados Limites de Utilização (Serviço) 21 UNIDADE Estruturas de Madeira na Construção Civil Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Estática e Mecânica dos Materiais BEER, F. P. et al. Estática e Mecânica dos Materiais. Porto Alegre: AMGH, 2013. (e-book) Resistência dos Materiais HIBBELER, R. C. Resistência dos Materiais. 10. ed. São Paulo: Pearson do Brasil, 2018. (e-book) Dimensionamento de Elementos Estruturais de Madeira JUNIOR CALIL, C.; LAHR, F. R.; DIAS, A. A. Dimensionamento de Elementos Estrutu- rais de Madeira. São Paulo: Manole, 01/2003. (e-book) Mecânica para Engenharia: Estática MERIAM, J. L.; KRAIGE, L. G. Mecânica para engenharia: estática. v.1. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. (e-book) Estruturas de Madeira PFEIL, W.; PFEIL, M. Estruturas de Madeira. 6. ed. São Paulo: LTC, 2003. (e-book) 22 23 Referências MOLITERNO, A. Caderno de Projetos de Telhados em Estruturas de Madeira. 4. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2012. NEGRÃO, J.; FARIA, A. Projecto de Estruturas de Madeira. 1 ed. Porto: Ed. Publin dústria, 2009. PFEIL, W. Estruturas de Madeira: Dimensionamento Segundo a Norma Brasileira NBR 7190/97 e. 6. ed. Rio de Janeiro: LTCLivros Técnicos e Científicos, 2007. 23