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Apostila Administracao de Producao I

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7
1ºAula
Aspectos fundamentais da 
administração da produção
Vamos recordar alguns conceitos e fundamentos 
da Administração, os quais determinam a 
sobrevivência das empresas e norteiam os processos 
de produção de produtos e serviços. 
Iniciemos pelos conceitos e cenários que 
compõem os mais diversos sistemas de produção.
Bons estudos!
Administração da Produção I 
8
Objetivos de aprendizagem
1 - Conceito de administração da produção e os 
novos cenários da competitividade
2 - As empresas: seus fatores de produção e 
seus recursos
3 - Estrutura da organização da administração 
da produção
Ao término desta aula, vocês serão capazes de:
• entender os conceitos da Administração 
da Produção;
• conseguir perceber os novos cenários da 
competitividade e seus impactos na Administração 
da produção;
• identificar e perceber as mais diversas 
categorias de empresas de produção em atividade 
na produção de bens e serviços;
• perceber a importância e a compreensão da 
correta combinação dos fatores de produção.
Seções de estudo
 1 – Conceito de administração da 
produção e os novos cenários da 
competitividade
Conceito
A administração da produção é a área da administração 
que cuida dos recursos físicos e materiais da empresa, que 
executa o processo produtivo. É através dela que as empresas 
extraem a matéria-prima, transformando-a para produzir o 
produto acabado, segundo o processo selecionado.
Os dois grandes objetivos da Administração 
da Produção são, alcançar a eficiência e a 
eficácia na administração da combinação dos 
recursos de produção. 
A eficiência significa a utilização adequada 
dos recursos empresariais; reside basicamente em 
fazer as coisas corretamente, e da melhor maneira 
possível. Produzir com eficiência significa adotar 
métodos e procedimentos adequados, executando 
corretamente as tarefas através da racionalização 
dos processos de trabalho. Por isso, a produtividade 
é uma decorrência da eficiência, uma vez que 
representa o melhor resultado obtido dada a 
utilização de determinado volume de recursos 
empresariais. Por outro lado, a produtividade da 
empresa permite avaliar a sua competitividade 
frente a concorrência, uma vez que permite produzir 
produtos de melhor qualidade com menores custos.
A eficácia significa o alcance dos objetivos da 
empresa. Está ligada aos fins e consiste basicamente 
em realizar as atividades que são importantes para 
os resultados finais.
Saber Mais
Você saberia estabelecer a diferença entre eficiência 
e eficácia?
Existe alguma correlação entre esses dois princípios?
Se vocês acessarem a Internet ou pesquisar em 
algum livro que fale de estratégias, produção, etc., 
verão muitas informações sobre Eficiência e Eficácia. 
Mesmo assim, ainda é muito grande o número de 
pessoas que não sabem a diferença ou que não 
têm segurança para explicá-las adequadamente. Se 
perguntarmos agora para alunos de Administração 
numa sala de aula, temos certeza de que muitos 
ficarão em silêncio.
Tais conceitos estão intimamente ligados ao 
Planejamento Estratégico, que se divide em três 
níveis: estratégico, tático e operacional. No nível 
estratégico traçamos os objetivos, no tático as metas, 
e no operacional as ações a serem realizadas. Nessa 
ordem hierárquica, refletem como o processo de 
tomada de decisão ocorre.
Quando falamos de eficácia, estaremos falando 
do nível tático, ou seja, é o nível que define as 
estratégias e as regras do jogo, sempre. No nível 
estratégico o planejamento ainda não ocorreu, e 
eficácia tem a ver com um planejamento prévio.
Uma pessoa eficaz é aquela que faz aquilo que 
deve ser feito, que cumpre com suas metas, que 
realiza o que foi proposto. O vendedor A vendeu 
sua quota de produtos. O vendedor B também, 
mas gastou 30% de tempo a menos. Nesse caso, se 
a meta era vender a quota, ambos foram eficazes, 
mas o vendedor B foi mais eficiente. A eficiência 
diz respeito a como fazer e está relacionada às ações 
a serem realizadas, definidas no nível operacional.
Eficiência é uma questão de custo-benefício, 
onde buscamos ter o mínimo de perdas e/ou 
9
O que seria uma empresa com vantagem competitiva? 
Vejam o que diz o conteúdo deste site: 
<ht tp : / /www.knoow.net /c ienceconempr/gestao/
vantagemcompetitiva.htm>
Saber mais
Vejam esse outro texto disponível em:
<ht tp : / /p t . shvoong .com/bus iness -management/
entrepreneurship>
Ficou melhor assim?
Se ainda permanecerem dúvidas estamos à disposição nas 
ferramentas da Plataforma, Fórum ou Quadro de Avisos.
desperdício; uma relação entre os resultados obtidos 
e os recursos empregados. Por exemplo, se toda a 
sua equipe entregou o relatório na data prevista, 
foram eficazes. Mas se você conseguiu fazê-lo e 
ainda sobrou tempo para realizar a próxima tarefa, 
ou mesmo para aproveitar o resto do dia com outra 
atividade, então você foi eficiente.
1.1 – Os Novos Cenários da 
Competitividade e os Impactos na 
Administração da Produção
Atualmente as empresas devem buscar a 
obtenção de vantagens competitivas em todos os 
seus processos de produção. No entanto, existe 
um grau de dificuldade muito grande devido à 
grande concorrência que a globalização impôs às 
organizações, que forçou e continuará forçando a 
redução do grau de protecionismo empregado por 
muitos países como barreiras aos produtos externos, 
tornando necessária a manutenção de preços e 
padrões de qualidade em nível internacional.
Conceito de Vantagem Competitiva - 
Vantagem Competitiva é um conceito desenvolvido 
por Michael E. Porter, em seu best-seller Competitive 
Advantage (Vantagem Competitiva), onde mostra a 
forma como a estratégia escolhida e seguida pela 
organização pode determinar e sustentar o seu 
sucesso competitivo.
A vantagem competitiva surge 
fundamentalmente do valor que uma determinada 
empresa consegue criar para os seus clientes e 
que ultrapassa os custos de produção. O termo 
valor aqui aplicado representa aquilo que os 
clientes estão dispostos a pagar pelo produto ou 
serviço. Um valor superior resulta da oferta de um 
produto ou serviço com características percebidas 
idênticas aos da concorrência, mas por um preço 
mais baixo ou, alternativamente, da oferta de um 
produto ou serviço com benefícios superiores aos 
da concorrência, que mais do que compensam um 
preço mais elevado.
Segundo Porter (1989), existem dois tipos 
básicos de vantagem competitiva: a liderança no 
custo e a diferenciação, as quais, juntamente com o 
âmbito competitivo, definem os diferentes tipos de 
estratégias genéricas.
Porter (1989) descreve ainda o instrumento 
básico para diagnosticar a vantagem competitiva e 
para encontrar formas de intensificá-la: a cadeia de 
valores. Através da cadeia de valores, a organização 
é dividida nas suas atividades básicas (investigação 
e desenvolvimento, produção, comercialização e 
serviço) o que facilita a identificação das fontes de 
vantagem competitiva.
Ao se tratar de possível aplicação e futura 
(ou desejada) sustentabilidade de uma vantagem 
competitiva, faz-se necessária a explicação de 
exatamente o que é uma vantagem competitiva. 
Onde e a partir de que momento ela é formada. A 
vantagem competitiva pode derivar tanto de recursos 
e competências únicas da empresa específica como 
da exploração de uma posição específica e protegida 
da estrutura de mercado. 
Vantagem competitiva é uma ou um conjunto 
de características que permite a uma empresa 
ser diferente por entregar mais valor, sob o 
ponto de vista dos clientes, diferenciando-se da 
concorrência e, por isso, obtendo vantagem no 
mercado. Refere-se à produção de produtos ou 
serviços com características que levem os clientes 
a comprar dessa empresa em detrimento dos 
concorrentes. É um diferencial competitivo que 
não pode ser facilmente copiado pela concorrência. 
A Vantagem Competitiva geralmente se origina de 
uma competência central de negócio e que para ser 
realmente efetiva, a vantagem precisa ser difícil de 
imitar, única, sustentável, superior àcompetição e 
aplicável a múltiplas situações.
A partir da segunda metade do século XX, 
com as rápidas mudanças tecnológicas e políticas 
Administração da Produção I 
10
ocorridas no mundo, exigiu-se que as organizações 
passassem a conduzir seus negócios de formas 
diferentes. Essas mudanças inclusive transferiram 
paulatinamente para os clientes premissas que até 
então eram conduzidas pelo relacionamento entre 
fornecedores e fabricantes.
Competir nessa nova realidade exige o 
estabelecimento de uma nova arquitetura 
organizacional que proporcione um completo 
alinhamento de todos os esforços com o objetivo 
da empresa, de vez que a excelência operacional 
não é mais, por si só, condição bastante para a 
competitividade sustentável. 
Ao se tratar de reordenação organizacional a 
função é alinhar os esforços em prol de um mesmo 
objetivo. Para isso, a confiança na organização tem 
que ser estabelecida, ou reestabelecida. Existem 
empresas que gastam fortunas para estabelecer 
missão, visão e valores, mas não conseguem 
estabelecer comprometimento com o resultado, 
por falta de divulgação do conhecimento 
adequado, imprescindível ao estabelecimento de 
uma nova cultura. 
Manobrar o negócio e com isso gerar valor 
não é uma tarefa fácil. Em resumo, aumentar preço, 
reduzir preços de aquisição de insumos, diferenciar-
se ou tornar-se mais eficiente operacionalmente é 
fruto de um trabalho que envolve conhecimento 
e atuação em diversas dimensões. A capacidade de 
desenvolver as diversas dimensões do negócio é 
o que confere a vantagem competitiva. Ou seja, o 
estudo de modelo de negócios aponta direcionadores 
de comportamento do negócio para gerar valor à 
empresa, mas é no aprofundamento do modelo de 
gestão é que visualizamos a capacidade de gerar a 
vantagem, o que de forma mais ampla é chamado 
de vantagem competitiva sustentável. Em um 
mundo competitivo, com mudanças rápidas e bruscas, 
nenhuma vantagem pode ser mantida em longo prazo. 
A vantagem competitiva sustentável é constituir a 
organização de tal forma que ela esteja atenta e ágil 
a fim de que se sobressaia e crie sua vantagem, não 
importando que mudanças ocorram externamente.
Nessa corrida para conquistar a competitividade, 
a empresa precisa desenvolver alguma vantagem 
competitiva, não é mesmo?
Nessa corrida para conquistar a competitividade, a empresa 
precisa desenvolver alguma vantagem competitiva, não é mesmo?
As novas técnicas de produção, bem como 
os novos processos devem ser constantemente 
readequados, cabendo à engenharia da produção 
um papel fundamental no atendimento desses 
novos desafios e para a administração da produção 
um papel ainda mais importante, que é o de atender 
às novas demandas e proporcionar um feed back, 
que proporcione melhorias contínuas e acertadas. 
Exemplo dessas transformações evidencia-
se quando recordamos a clássica expressão de 
composição de preço final:
Custo + margem de lucro = preço fi nal
Atualmente é recomendado analisar a expressão 
por outro prisma:
Preço de venda – custo = margem de lucro
Fonte: Extraído de Gestão Agroindustrial (BATALHA, 1997 apud COURTOIS, 
A.; PILLET, M.; MARTIN, C., Vol. 1, p. 265). 
Observando-se as duas expressões sob o 
ponto de vista do sistema de produção, na primeira 
o elemento preço de venda é uma variável a ser 
dimensionada pelo produtor, já na segunda, é 
evidente que o mesmo elemento é condicionado 
pela internacionalização dos mercados, e a margem 
de lucro está condicionada à capacidade das 
empresas em reduzir seus custos de produção e 
não impor ao consumidor final os custos extras da 
ineficácia administrativa.
Para melhor caracterizar essas mudanças, 
podem ser identificadas três diferentes fases no 
ambiente industrial:
 1ª fase: Oferta inferior à procura – Período de 
intenso crescimento devido à carência do mercado 
existente. As funções essenciais da empresa são 
técnicas e industriais - o lema é produzir e depois 
vender - e as características principais são: altos 
inventários em processo, fabricação em série, 
prazos estipulados pelo próprio ciclo de 
produção e gestão manual.
2ª fase: Oferta em equilíbrio com a procura – 
O consumidor pode escolher o fornecedor – o lema 
é produzir o que será vendido – e as características 
principais são: necessidade de se realizar 
previsões de vendas, controlar as atividades de 
produção, equacionar os estoques e fixar datas 
de entrega.
3ª fase: Oferta excedente à procura: a severa 
concorrência entre as empresas torna o consumidor 
mais exigente - O lema é produzir o que já está 
11
vendido – e as características principais são: controle 
de custos, qualidade irrepreensível, prazos de 
entrega curtos e pontuais, alguns produtos 
personalizados e melhoria das técnicas de 
fabricação e controle. 
Sendo assim, os principais objetivos da 
administração da produção nesse novo contexto 
pode ser representado conforme figura abaixo:
Fig. 1 - Objetivos dos sistemas de administração 
da produção
qualidade confi abilidade fl exibilidade mix de produtos
custos prazos
Fonte: Gestão Agroindustrial (BATALHA, 2008, p. 266).
Veja bem que nesta visão tanto a seta indicando 
custos de produção e prazos na entrega, estão no 
sentido inverso das demais, ou seja, as empresas 
devem, sem dúvida nenhuma, buscar a redução dos 
custos de produção e reduzir também os prazos de 
entrega, proporcionando dessa forma uma vantagem 
que será percebida pelo consumidor, que prefere 
comprar bons produtos, com preços acessíveis e 
com prazos de entrega cada vez mais curtos.
Por outro lado, os demais atributos de um 
produto, como a qualidade, a confiabilidade, a 
flexibilidade e o mix de produtos, deve sempre seguir 
o sentido da seta, ou seja, cada vez melhorando 
e aumentando o valor destes atributos que são 
facilmente percebidos pelo consumidor.
2 – As empresas: seus fatores de 
produção e seus recursos
As empresas são organizações sociais porque 
são constituídas de pessoas que trabalham em 
conjunto e utilizam determinados recursos para 
atingir determinados objetivos, podendo crescer 
atingindo seus objetivos ou declinar se estes não 
forem atingidos.
2.1 – Classificação das Empresas
As empresas classificam-se de acordo com 
alguns atributos, a saber:
a) Quanto à propriedade: É a forma de 
classificar as empresas quanto a quem detém o 
poder de comando e decisão. Classificam-se em:
Empresas Públicas – São aquelas de 
propriedade do Estado, constituindo o setor público 
e o seu principal objetivo é a prestação de serviços 
e o bem-estar social.
Empresas Privadas – são as empresas de 
propriedade privada, constituindo o chamado setor 
privado da economia do país; sua lógica é o lucro, 
ou seja, o retorno do capital investido.
Empresas Mistas – São as empresas 
constituídas por sociedades de participação 
pública e privada simultaneamente; normalmente 
são aquelas prestadoras de serviços de utilidade 
pública e segurança nacional, sendo o setor público 
normalmente o acionista majoritário.
Administração da Produção I 
12
b) Classificação quanto ao tamanho: O 
tamanho da empresa representa o porte e o volume 
de recursos de que ela dispõe para suas atividades e 
podem se classificar em:
 Empresas de grande porte – São aquelas 
que utilizam grande volume de recursos, 
apresentam ampla estrutura, empregam muita 
mão-de-obra e também são responsáveis por 
índices elevados de produção.
Curiosidade
Vamos ver algumas características das empresas de 
grande porte.
Empresa de grande porte ou Grande 
empresa é uma empresa que recebe tratamento 
diferenciado na legislação por possuir uma estrutura 
de maior capacidade de produção. Geralmente a 
diferença é baseada na quantidade de empregados 
ou faturamento da empresa. O tratamento 
diferenciado pode ser caracterizado por cobrança 
de mais impostos ou incentivos fiscais específicos.
No Brasil, existem várias leis que buscam 
especificar o que é uma empresa de grande porte. 
A Lei N° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, noartigo 17-D, estabelece que:
“III – empresa de grande porte, a pessoa 
jurídica que tiver receita bruta anual superior a 
R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais). Lei N° 
10.165, de 27 de dezembro de 2000”. 
Já a Lei Nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, 
no artigo 3° estabelece que:
Considera-se de grande porte, para os 
fi ns exclusivos desta Lei, a sociedade 
ou conjunto de sociedades sob controle 
comum que tiver, no exercício social 
anterior, ativo total superior a R$ 
240.000.000,00 (duzentos e quarenta 
milhões de reais) ou receita bruta anual 
superior a R$ 300.000.000,00 (trezentos 
milhões de reais). lei nº 11.638, de 28 de 
dezembro de 2007.
Segundo o IBGE, a Indústria ou a empresa é 
considerada de grande porte se tiver mais de 500 
empregados. Se for Comércio ou Serviços, precisa 
ter mais do que 100 empregados. Mas não existe 
fundamentação legal sobre a classificação por 
quantidade de empregados.
Empresas de médio porte – São aquelas 
cujo volume de recursos utilizado é razoável, sendo 
empresas muito bem conhecidas regionalmente, 
porém, desconhecidas e com pouca penetração na 
esfera nacional.
Empresas de pequeno porte – São aquelas 
que utilizam poucas quantidades de recursos, 
com estrutura pequena e pequeno número 
de funcionários; existe um grande número de 
pequenas empresas atuando na economia, sendo 
sempre empresas com importância localizada. 
Também estão incluídas aqui as empresas familiares, 
individuais e as microempresas.
c) Classificação quanto ao tipo de 
produção: Essa classificação agrupa as empresas 
quanto ao que produzem, e podem ser: 
Primárias ou extrativas; secundárias ou 
de transformação; e terciárias ou prestadoras 
de serviço.
Você Sabia?
A economia de um país pode ser dividida em setores 
(primário, secundário e terciário) de acordo com os 
produtos produzidos, modos de produção e recursos 
utilizados. Esses setores econômicos podem mostrar o grau 
de desenvolvimento econômico de um país ou região.
Cada grupo dessas empresas tem suas 
características bem específicas e juntas formam 
toda a atividade econômica do País.
Setor primário Setor secundário Setor terciário
13
Empresas primárias ou extrativas – O setor 
primário está relacionado à produção através da 
exploração de recursos da natureza. São aquelas que 
desenvolvem atividades extrativas e de produção no 
setor primário da economia, sendo em sua maioria 
produtoras de matérias-primas.
Nesse grupo encontram-se as empresas de 
extração mineral e vegetal, empresas agrícolas de 
produção de matérias-primas como soja, cana, milho 
ou trigo, entre outras tantas, e setor de pesca. Essas 
empresas normalmente não agregam valor nenhum 
aos seus produtos e apenas fornecem as matérias-
primas ao setor da indústria de transformação. 
Empresas de mineração que executam apenas a 
lavra dos minerais também se encaixam nesse grupo 
de empresas. 
A grande maioria das empresas de produção 
primária passa por grandes oscilações em suas 
receitas, uma vez que normalmente produz 
produtos com pouco ou quase nenhum valor 
agregado e fica refém do sobe e desce dos produtos 
industrializados. Esse setor da economia é muito 
vulnerável, pois depende muito dos fenômenos da 
natureza como, por exemplo, o clima.
A produção e exportação de matérias-primas não 
geram muita riqueza para os países com economias 
baseadas nesse setor econômico, pois tais produtos 
não possuem valor agregado, como ocorre, por 
exemplo, com os produtos industrializados. 
Empresas secundárias ou de transformação 
– São aquelas que processam as matérias-primas, 
transformando-as em produtos acabados com valor 
agregado, isto é, produtos tangíveis e manufaturados. 
É o setor da economia que transforma as matérias-
primas (produzidas pelo setor primário) em produtos 
industrializados (roupas, máquinas, automóveis, 
alimentos industrializados, eletrônicos, casas, etc.). 
Como há conhecimentos tecnológicos agregados 
aos produtos do setor secundário, o lucro obtido 
na comercialização é significativo. Países com bom 
grau de desenvolvimento possuem uma significativa 
base econômica concentrada no setor secundário. A 
exportação desses produtos também gera riquezas 
para as indústrias dos respectivos países. 
 Empresas terciárias ou prestadoras de 
serviços – São as empresas prestadoras de serviços, 
podendo ser públicas ou privadas; o denominado 
terceiro setor da economia, e quanto melhor for a 
saúde econômica dessas empresas, melhor será o 
resultado econômico e social do País.
É o setor econômico relacionado aos serviços. 
Os serviços são produtos não meterias que pessoas 
ou empresas prestam a terceiros para satisfazer 
determinadas necessidades. Como atividades 
econômicas desse setor, podemos citar: comércio, 
educação, saúde, telecomunicações, serviços de 
informática, seguros, transporte, serviços de 
limpeza, serviços de alimentação, turismo, serviços 
bancários e administrativos.
Esse setor é marcante nos países de alto grau 
de desenvolvimento econômico. Quanto mais rica 
é uma região, maior é a presença de atividades do 
setor terciário. Com o processo de globalização, 
iniciado no século XX, foi o setor da economia que 
mais se desenvolveu no mundo.
2.2 – Os Fatores de Produção
Os fatores de produção num processo 
produtivo estão baseados num triângulo onde num 
dos vértices temos o capital, no outro temos o 
trabalho e no último temos a natureza; no entanto, 
esses três fatores, isoladamente, nada ou quase nada 
representam, sendo as empresas as responsáveis 
pela sua correta utilização e melhor combinação 
entre eles, considerada, então, como o quarto fator. 
A natureza fornece os insumos necessários, as 
matérias-primas, o solo, a água, a energia, etc. O 
capital fornece o dinheiro necessário para comprar 
os insumos, as matérias-primas e a construção da 
estrutura necessária, e o trabalho, por sua vez, oferece 
a mão de obra, sem a qual não haveria produção.
As empresas interagem com os fatores, 
buscando o equilíbrio entre as quantidades utilizadas 
de cada um e, principalmente, administrando o fluxo 
necessário para atender suas demandas. Sabe-se, no 
entanto, que esses recursos são versáteis, finitos e 
combináveis, e dependem da correta estratégia de 
cada empresa sobre a sua utilização.
 
Fig. 2 - Os quatro fatores de produção
Natureza
Empresas
TrabalhoCapital
Empresas
Empresas
Fonte: Gestão Agroindustrial (BATALHA, 2008).
Administração da Produção I 
14
3 - A estrutura da organização da 
administração da produção
2.3 – Os Recursos de Produção
Para atender à produção, as empresas 
necessitam de recursos que na verdade são obtidos 
no banco de oferta dos fatores de produção. Esses 
recursos uma vez definidas as suas necessidades são 
também chamados de recursos empresariais. Um 
recurso ou a combinação de recursos é um meio 
através do qual a empresa produz algo. Os recursos 
empresariais são os seguintes:
 a) Recursos Materiais ou Físicos – São 
todos os recursos de origem da natureza e que 
ingressam no processo produtivo. Incluem-se 
também as fábricas, as instalações, as máquinas e 
equipamentos, matérias-primas, etc.. Os recursos 
ou materiais físicos compreendem o espaço físico, 
os prédios e terrenos, o processo produtivo, a 
tecnologia utilizada no processo de produção. 
Orienta e controla as atividades de materiais da 
organização, conforme os planos estabelecidos e a 
política adotada. Elabora rotinas de trabalho, tendo 
em vista a implantação de sistemas que devem 
conduzir a melhores resultados com menores 
custos, o que demanda a utilização de organogramas, 
fluxogramas e outros instrumentos de trabalho. 
b) Recursos Financeiros – Correspondem ao 
capital e abrangem as receitas, as contas a receber, 
e enfim, qualquer crédito que a empresa possua; 
nós sabemos que qualquer empresa em fase de 
crescimento necessita de recursos para financiar as 
suas operações no sentido de aumentar a produção, 
melhorar o faturamento, reduzir custos marginais, 
melhorar margem líquida, atendera novos mercados, 
enfim, melhorar a sua lucratividade, disponibilidade 
de caixa e sua rentabilidade e, com isso, melhorar o 
retorno sobre o capital investido.
c) Recursos Humanos – Corresponde a todas 
as pessoas que trabalham na empresa, em todos os 
níveis hierárquicos. Numa empresa existem muitos 
cargos e cada qual tem as suas atribuições e funções 
bem definidas. A correta atuação de cada pessoa é 
que vai proporcionar a harmonia da empresa.
d) Recursos Mercadológicos – Esses recursos 
normalmente estão fora da empresa e se constituem 
em todo o potencial que a ela dispõe para atender 
às necessidades e anseios de seus clientes, que são 
os demandadores de seus produtos; compreendem 
todos os métodos utilizados pelas organizações para 
análise de mercado (de consumidor e concorrente), 
planejamento de venda, execução e controle de 
qualidade, promoções, propagandas pelos meios de 
comunicação, lançamento de novos produtos no 
mercado com novas tecnologias necessárias para a 
demanda do mercado de acordo com as exigências 
dos consumidores e assistência técnica.
e) Recursos Administrativos – São os 
recursos que a empresa possui para atuar como 
integrador e sincronizador de todos os demais 
recursos empresariais. Aqui estão todas as pessoas 
que trabalham na direção, controle e avaliação da 
empresa. A avaliação dos processos de produção, 
financeiros, mercadológicos entre outros, devem 
ser corretamente implantados e controlados na 
empresa. A percepção de treinamentos, análise 
das decisões para novos investimentos e outros 
procedimentos necessários para o funcionamento 
harmônico da empresa.
f) Recursos Tecnológicos – São todos os 
recursos tecnológicos que a empresa possui para 
utilizar nos processos de produção; é o know 
how que a empresa emprega. Deve-se considerar 
também aqui, a capacidade que a empresa tem em 
buscar constantemente novas tecnologias à medida 
que vão aparecendo no mercado.
Tudo tranquilo até aqui?
Não esqueçam de fazer as atividades e encaminhar pelo 
Portfólio, afi nal, vale um terço da nota. 
A administração da produção geralmente busca 
uma estrutura que permita à empresa maximizar os 
seus resultados através da otimização, na utilização 
de seus recursos empresariais, conforme abaixo: 
a) Desenvolvimento do produto – É a área 
que cuida do planejamento e desenvolvimento 
do produto, de suas especificações técnicas, das 
características da embalagem e que pode também 
ser chamada de engenharia do produto; a principal 
preocupação deve ser com a busca de uma visão 
total da atividade de projeto, ou seja, que supere as 
visões parciais presentes em cada setor tecnológico 
específico. Para tanto, é importante dividir cada 
projeto em seções que, quando agrupados os seus 
trabalhos individuais, configuram e compõem o 
15
Retomando aula
Chegamos ao fi nal desta aula, esperamos 
que tenha sido bem compreendida. Vamos 
relembrar alguns tópicos:
projeto de um novo produto na sua totalidade.
Vejam o que dizem os professores Henrique 
Rozenfeld e Daniel Capaldo Amaral. Disponível 
em: <http://www.numa.org.br/conhecimentos/
c o n h e c i m e n t o s _ p o r t / p a g _ c o n h e c /
Desenvolvimento_de_Produto.html>:
Uma grande difi culdade atual para o gerenciamento do 
processo de desenvolvimento de produto é a existência de 
diversas visões parciais. No campo de ensino e pesquisa, 
desenvolver produtos vinha sendo tratado de maneira isolada 
pelas diferentes áreas de conhecimento especializado. 
Portanto, ainda hoje profi ssionais de engenharia tendem 
a pensar o desenvolvimento de produto como atividades 
específi cas de cálculos e testes (engenheiros químicos 
em termos de balanços de energia e dimensionamento 
de equipamentos, engenheiros mecânicos em termos 
de cálculos e desenhos necessários para processos 
mecânicos, etc...); “designers” ou programadores visuais 
como o resultado de estudos de conceito; administradores 
como algo mais abstrato, independente do conteúdo 
tecnológico e voltado para os problemas organizacionais e 
estratégicos; especialistas em qualidade como a aplicação 
de ferramentas específi cas; e muitos outros que poderiam 
ser aqui listados. Quando transportadas para a prática estas 
visões podem levar a muitos problemas e inefi ciências. Isto 
porque qualquer desenvolvimento, por maior a hegemonia 
de um determinado conteúdo tecnológico, implica em 
conhecimentos de várias destas visões. Este processo é um 
todo integrado que depende, para um adequado resultado 
fi nal, a consideração de diversos fatores ligados às mais 
diversas áreas do conhecimento. Cada visão parcial carrega 
consigo também uma linguagem e determinados valores 
próprios, que difi culta a integração entre os profi ssionais 
pertencentes a cada uma dessas escolas. Enfrentar esta 
situação depende do desenvolvimento de uma visão 
holística, ou seja, da construção de uma imagem única e 
integrada do processo de desenvolvimento de produto. 
A forma de representá-la empregada pelo Grupo de 
Engenharia Integrada é por meio do modelo de referência 
para o processo de desenvolvimento de produto. 
b) Engenharia Industrial – É a área que 
cuida do arranjo físico, do layout e dos tempos e 
movimentos no processo produtivo; Compete à 
Engenharia industrial o projeto, a implantação, a 
operação, a melhoria e a manutenção de sistemas 
produtivos integrados de bens e serviços, 
envolvendo homens, materiais, tecnologias, 
informação e energia. Compete ainda especificar, 
prever e avaliar resultados obtidos desses sistemas 
para a sociedade e o meio ambiente, conjuntamente 
com os princípios e métodos de análise e projeto 
de engenharia; Mais recentemente, a engenharia 
industrial foi definida como o planejamento, 
projeto, implementação e melhoria de sistemas, 
consistindo numa rede de processos através dos 
quais fluem objetos que sofrem transformações. 
Essas atividades são levadas a cabo para o benefício 
a longo prazo da empresa ou organização.
c) Planejamento e controle da produção e 
produção propriamente dita – É a área que cuida 
de planejar e controlar a produção de acordo com 
a capacidade instalada, coordena as operações e os 
fluxos de produção, controla o volume produzido 
de acordo com a demanda prevista;
d) Administração de materiais – É a área que 
cuida da busca, aprovisionamento e abastecimento 
dos recursos necessários para atender à produção 
dos bens e serviços da empresa;
e) Controle de qualidade – É a área que 
cuida da inspeção dos produtos finais, verificando 
se eles atendem às especificações da engenharia 
do produto;
f) Manutenção – É a área que cuida da 
preservação e da manutenção de toda a máquina 
produtiva da empresa, cabendo a ela a indicação de 
possíveis substituições.
É importante frisar que para se obter os 
melhores resultados e, portanto, atingir seus 
objetivos com eficiência e eficácia, é necessário 
manter um dinâmico inter-relacionamento entre 
todos os setores, uma vez que todos devem 
contribuir em igual teor de importância visando ao 
sucesso da empresa. 
1 - Conceito de administração da produção 
e os novos cenários da competitividade
O conhecimento e a implantação da eficiência 
e da eficácia nos mais diversos setores da empresa é 
uma necessidade e deve ser uma busca constante do 
gestor da produção.
Administração da Produção I 
16
A competitividade dos produtos da empresa 
deve levar em consideração todos os processos, mas 
a obtenção de produtos ou serviços com custos 
cada vez menores e prazos de entrega no menor 
tempo possível são determinantes.
2 - As empresas: seus fatores de produção 
e seus recursos
O aumento da receita da empresa não deve vir 
unicamente do aumento de preços, mas, sim, da 
melhoria de todos os processos de produção.
Os recursos de produção devem ser muito bem 
administrados em todos os seus aspectos como 
preços de aquisição, qualidade, estoques, entre 
outros atributos.
3 - Estrutura da organização da 
administração da produçãoO tamanho da empresa não significa 
ser mais ou menos eficiente tecnológica e 
economicamente, todavia, mesmo uma empresa 
pequena é importante para a atividade econômica 
e para o desenvolvimento.
Obs.: Se tiverem dúvidas, vocês 
poderão saná-las através das 
ferramentas “fórum” ou “quadro de 
avisos” e “chat”. Ou ainda poderão 
enviar para o e-mail: euclides@unigran.
br e josimar.crespan@unigran.br
CHIAVENATO, I. Iniciação à Administração de 
Produção. São Paulo: Makron Books, 1991. 
CORRÊA, H.L.; GIANESI, I.G.N. Planejamento, 
programação e controle da produção. São Paulo: Atlas, 1999.
MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração 
da Produção. São Paulo: Saraiva, 2005.
SLACK, N.; et al. Administração da Produção. São 
Paulo: Atlas, 2002.
< h t t p : / / w w w. a d m i n i s t r a d o r e s . c o m .
b r / i n f o r m e - s e / a r t i g o s / o s - r e c u r s o s -
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17
2ºAula
Tecnologias, produtos e serviços 
de uma empresa (TPS) 
Nesta aula, vamos abordar e conhecer alguns 
aspectos sobre os produtos, as tecnologias e os 
serviços que são ofertados pela produção ao setor 
de consumo da sociedade. Muitos fatores interferem 
na maior ou menor aceitação, o que gera uma forte 
concorrência entre as empresas e uma acirrada 
corrida na busca por produtos com inovações mais 
adequados aos consumidores. 
Boa aula!
Administração da Produção I 
18
Objetivos de aprendizagem
1 - A classificação e os componentes dos 
produtos e serviços
2 - As inovações tecnológicas como fator de 
competitividade
3 - O ciclo de vida dos produtos
Ao término desta aula, vocês serão capazes de:
• perceber e entender a importância das 
inovações tecnológicas nos produtos da empresa;
• identificar e compreender os fluxos de 
produção de cada produto produzido na empresa;
• conhecer o ciclo dos produtos e interferir no 
momento certo para sua substituição ou reengenharia;
• identificar e conhecer os componentes do produto 
como forma de diferenciação e competitividade. 
Seções de estudo
Para os gestores da produção, grandes desafi os são 
estabelecidos. As exigências do consumidor, a evolução 
tecnológica e a interação com os consumidores são 
fatores que devem promover as mudanças e adequações 
necessárias dos produtos e/ou serviços ofertados.
1 – A classifi cação e os componentes 
dos produtos e serviços: os 
produtos e serviços
Saber Mais
Queremos sugerir que ao longo de seus estudos utilizem 
as informações disponíveis neste guia de estudos, mas 
principalmente que busquem mais informações na 
bibliografi a indicada. E mesmo na Internet podem ser 
obtidas informações complementares muito importantes. 
Bons estudos!
Até o final da década de 1970, a gestão industrial 
da maior parte das empresas no Brasil baseava-se 
no sistema de produção em massa. A produção 
enxuta teve grande divulgação a partir da década de 
1980. Muitos livros sobre o assunto foram lançados, 
muitos técnicos estrangeiros vieram ao país e muitas 
missões foram ao Japão para aprender o máximo 
possível sobre aquela nova filosofia de produção, 
que trazia ganhos tão elevados na eficiência da 
gestão industrial e na qualidade dos produtos. 
Boa parte das empresas, porém, procedeu a uma 
implantação parcial do sistema de produção enxuta, 
uma vez que esta se mostrou bem mais complexa 
do que parecia a priori. 
Outro movimento de mudança importante 
iniciado na década de 1980 foi a externalização 
ou terceirização de grande parte das atividades 
realizadas pelas empresas, fossem industriais ou de 
serviços, para outras organizações especializadas 
na produção de peças, subconjuntos, conjuntos, 
módulos ou prestadores de serviços de segurança, 
alimentação, transporte, etc. Tal mudança buscava 
inicialmente uma redução de custos para as médias 
e grandes empresas. 
Porém, neste novo século, o mundo experimenta 
uma produção desenfreada de produtos que 
invadem os mercados de forma estupenda, com 
muita agilidade, muita gestão na redução de custos, 
produtos com vida útil muito curta, dada a rápida 
substituição e, sobretudo, com a geração de muitas 
inovações. O exemplo mais visível é o dos países 
asiáticos, que liderados pela China, produzem 
praticamente todas as categorias de produtos com 
uma vantagem comparativa impressionante. Não 
nos cabe aqui discutir aspectos como os sociais, 
ambientais e outros que ocorrem naqueles países, 
mas sim, entender que a gestão da produção precisa 
se adequar a este novo cenário, sem, entretanto, 
promover os prejuízos sociais e ambientais.
As empresas têm como meta final produzir um 
determinado produto ou prestar um determinado 
serviço. Para que isso seja possível, existe a 
entrada de recursos produtivos (input) que uma vez 
submetidos às técnicas de produção, vão dar origem 
aos produtos e ou serviços planejados (output).
Atenção
Para os gestores da produção, grandes desafi os são 
estabelecidos. As exigências do consumidor, a evolução 
tecnológica e a interação com os consumidores são 
fatores que devem promover as mudanças e adequações 
necessárias dos produtos e ou serviços ofertados.
Os produtos e serviços representam aquilo 
que a empresa sabe fazer e produzir, que é a 
própria vocação da empresa. Ocorre que a grande 
maioria das empresas não produz apenas um tipo 
19
de produto ou serviço. Suas linhas de produção são 
montadas visando a atender às especificações de 
uma determinada linha de produtos, e na realidade, 
cada produto ou cada serviço apresenta suas 
características próprias, como marca, embalagem, 
tamanho, custo, qualidade, preço, etc.
Fig. 3 – Representação esquemática do sistema 
de produção
Input output 
Feedback
SISTEMA DE PRODUÇÃO
Fonte: Adaptado de Gestão Agroindustrial, 1ª ed., Vol. 1 (BATALHA, 1997, p. 267).
1.1 - Classificação dos Produtos 
e Serviços
Primeiramente vamos entender a diferença 
entre produtos e serviços. Os produtos são também 
conhecidos como bens ou mercadorias que são 
destinados para uso das pessoas. São produtos 
físicos, tangíveis e visíveis, podendo ser tocados, 
vistos, ouvidos ou degustados, por serem compostos 
de matérias físicas. Esses bens são classificados 
ainda segundo a destinação, podendo ser:
a) PRODUTOS (mercadorias)
Bens de consumo, quando os bens são 
destinados direta ou indiretamente ao consumidor 
ou ao usuário final.
Bens de consumo duráveis, são aqueles 
cujo consumo pode ser feito ao longo do tempo e 
por um período relativamente longo, é o caso dos 
eletrodomésticos.
Bens de consumo perecíveis, que são os 
bens não duráveis e devem ser consumidos num 
período curto de tempo porque são passíveis de 
deterioração rápida, é o caso dos alimentos in natura 
como frutas e carnes.
Bens semiduráveis, são aqueles 
considerados intermediários quanto a sua 
durabilidade, podendo ser consumidos por um 
período de tempo maior, observando-se suas 
características, é o caso dos vestuários.
Bens de produção ou bens de capital, são os 
bens destinados à produção de outros bens, que é o 
caso das máquinas, matérias-primas, etc.
b) SERVIÇOS
Os serviços são atividades especializadas que as 
empresas oferecem ao mercado, sendo demandados 
pela sociedade e nem sempre são palpáveis, tendo 
sua importância dada à necessidade momentânea 
de cada consumidor. São os serviços de transporte, 
saúde, etc.
Então, os produtos e serviços são os resultados 
das empresas, constituindo-se na consequência de 
suas atividades, sendo que produção é a atividade 
de produzir.
1.2 - Componentes dos 
Produtos e Serviços
São os diversos aspectos que proporcionam 
as características dos produtos e serviços. Toda 
unidade produzida, com exceção dos produtos 
abstratos, apresenta dois tipos de dimensões: as 
tangíveis e as intangíveis.
As tangíveis são aquelas facilmente verificadas, 
como volume, cor, textura, etc.; por sua vez,as intangíveis são características que podem 
variar de consumidor para consumidor, uma vez 
que a utilização de bens e serviços provocam 
efeitos diferenciados nos usuários, tornando-
se difícil prever os verdadeiros efeitos em cada 
pessoa. Para a administração da produção, os 
componentes representam apenas as dimensões 
tangíveis dos produtos e serviços que devem ser 
a eles incorporadas no decorrer de seu processo 
produtivo, e não a reação que os produtos causam 
ao serem utilizados, pois estamos tratando do 
estudo da produção, cabendo a outras disciplinas o 
estudo da reação durante a sua utilização. 
Sendo assim, os componentes dos produtos e 
serviços podem ser:
a) As partes ou subpartes que compõem 
os produtos e serviços – São as matérias-primas 
que foram utilizadas na fabricação ou composição 
de cada unidade de produto, ou seja, todo o material 
que é parte integrante. O pão, por exemplo, tem 
como matéria básica o trigo, no entanto, apenas 
trigo não é pão e, sim, toda a quantidade de outras 
matérias-primas utilizadas.
b) Embalagem – constitui-se nos 
componentes que envolvem o produto, cuja 
função é guardá-lo e protegê-lo, mantendo suas 
características originais. As embalagens possuem 
várias funções e dentre elas podemos destacar as 
funções técnicas, que são responsáveis pela guarda e 
proteção dos produtos contra umidade, possíveis 
Administração da Produção I 
20
quedas, etc.; as funções logísticas, que têm a finalidade de 
facilitar o manuseio, o transporte e a armazenagem 
dos produtos e, finalmente, as funções de comunicação, 
que tem a finalidade de procurar melhorar o visual 
do produto, fornecer informações importantes 
ao consumidor, identificando o produto, a forma 
correta de utilização, bem como suas consequências.
c) Qualidade – A qualidade significa a 
adequação a determinadas especificações ou 
padrões tomados como referência. É o componente 
mais difícil de definir ou comprovar, uma vez que o 
conceito de qualidade é muito subjetivo, variando 
de usuário para usuário. No entanto, as empresas 
devem ter uma política de qualidade bem definida 
e de fácil observação dos consumidores em relação 
aos seus produtos, sejam elas intrínsecas, que são 
as qualidades inerentes ao produto ou serviço, ou 
extrínsecas, aquelas que subjetivamente as pessoas 
percebem ou imaginam.
d) Custo – Custo do produto é a soma do total 
de encargos assumidos pela empresa para obter 
todos os recursos de produção, desde a concepção, 
fabricação e distribuição para o consumo final. Os 
custos podem ainda ser diretos que são aqueles que 
devem ser totalmente recuperados num ciclo do 
produto ou serviço, pois os fatores de produção que 
geram os custos diretos são totalmente absorvidos 
pelo produto ou serviço que está sendo produzido; 
e os custos indiretos, que são aqueles que devem ser 
recuperados ao longo do tempo, uma vez que os 
fatores de produção que geram esses custos não 
são totalmente absorvidos num único ciclo do 
produto ou serviço, tendo sua vida útil no processo 
produtivo por um longo tempo.
Assim, os componentes dos produtos e 
serviços constituem os principais aspectos que 
formam o composto a ser considerado pela 
Administração da Produção.
2 - As inovações tecnológicas como 
fator de competitividade
2.1 - As Inovações Tecnológicas
Para produzir os seus produtos ou prestar 
serviços, as empresas utilizam várias tecnologias. 
A tecnologia é o conjunto de conhecimentos 
ordenados, empíricos ou científicos, que a empresa 
utiliza em seus processos de produção. Pode-se 
perceber a tecnologia empregada sob dois aspectos:
O primeiro são os aspectos abstratos, que 
é o conhecimento disponível para possível 
aplicação prática; e o segundo, são os aspectos 
físicos, que constituem o resultado prático desses 
conhecimentos, ou seja, são os próprios produtos 
e serviços.
Portanto, a tecnologia utilizada pela empresa é 
quem define o processo de produção, os métodos 
de trabalho, as máquinas e os equipamentos. 
Quanto à sua versatilidade, a tecnologia pode ser 
classificada em dois tipos: a tecnologia fixa e a 
tecnologia flexível. 
A tecnologia fixa foi desenvolvida apenas para 
uma atividade específica e não pode ser utilizada em 
outros produtos e serviços diferentes. A empresa 
que utiliza tecnologia fixa é obrigada a adaptar seus 
produtos e serviços à tecnologia;
Por outro lado, a tecnologia flexível pode 
ser utilizada em várias e diferentes finalidades. 
Nesse caso, a tecnologia pode adaptar-se 
às diferentes características dos produtos e 
serviços a serem produzidos. 
Para Refl etir
Você percebeu a diferença quanto ao uso de “tecnologia 
fi xa” e “tecnologia fl exível”?
Quais produtos podem ser produzidos na utilização das 
tecnologias?
Pense um pouco e tente refl etir sobre isso. 
Qualquer dúvida, estamos a sua disposição no quadro de 
avisos da plataforma.
As inovações tecnológicas são desafios 
constantes para o gestor da administração da 
produção, sobretudo porque os novos produtos 
devem ser os resultados de novas formulações e ou de 
novas embalagens. A grande maioria das inovações 
é no campo predominantemente tecnológico e no 
campo mercadológico. Deixaremos de lado aqui as 
inovações mercadológicas, que serão estudadas em 
outro momento e apresentam alguns aspectos com 
relação às inovações tecnológicas. 
Do ponto de vista tecnológico, um produto 
novo é aquele cujas características fundamentais 
relacionadas às suas especificações técnicas e 
destinação no mercado de consumo, visando 
a atender às necessidades dos consumidores 
21
e torná-los permanentemente satisfeitos, as 
empresas não devem somente vender produtos, 
mas criar utilidades para eles, o que impacta 
na utilização de inovações tecnológicas para a 
engenharia e fabricação.
Mais cedo ou mais tarde, qualquer empresa que 
queira crescer terá que enfrentar um dos grandes 
desafios do mundo empresarial, principalmente 
quando já existem concorrentes estabelecidos no 
mercado: lançar um novo produto ou serviço.
Poucas empresas sabem exatamente como 
calcular a probabilidade de sucesso de um novo 
lançamento. Ninguém tem a mínima ideia de quanto 
exatamente vai vender o novo produto ou serviço, 
aliás, raramente se sabe se ele sobreviverá, se terá 
sucesso e dará lucro. O grande desafio, então, é 
evitar que ocorra o fracasso, pois poucas empresas 
hoje têm os recursos, o tempo e a energia necessários 
para desperdiçar em lançamentos mal-sucedidos.
É importante frisar que para transformar 
produtos em utilidades, as empresas devem 
utilizar em seus processos de produção, o maior 
número possível de ideias que normalmente 
são geradas de muitas fontes, que pode ser tanto 
dentro da empresa quanto fora dela. Opiniões de 
funcionários, resultados de pesquisas de mercado, 
sugestões dos clientes e o próprio comportamento 
da concorrência são possíveis fontes de ideias 
inovadoras e que devem sempre ser consideradas 
pelos gestores da produção.
É fato que um novo produto sempre vem 
acompanhado de aumento de competitividade, 
e praticamente em todos os mercados atuais, é 
possível observar a presença de novos produtos.
Curiosidade
Vejam o que o texto a seguir nos apresenta:
Disponível em: <http://pt.oboulo.com/lancamentos-de-
novos-produtos-49454.html>
Hoje em dia vemos um mundo cada vez mais 
competitivo, onde quem vence é aquelas empresas 
que buscam a inovação e outros fatores como 
aliadas para conseguirem alcançar as exigências 
do consumidor-alvo. Será que todas as empresas 
estarão preparadas para todas as exigências?
O consumidor pede cada dia mais produtos 
diversificados que atinjam suas expectativas de 
consumo. Cada empresa deve ter em mente que os 
consumidores estão aí e que os concorrentes farão 
o possível para fornecê-los. O trabalho trata sobre 
o “Lançamento de novos produtos”, o que cada 
empresa deve fazer para atingir os seus objetivos.
Todas as empresas tomam decisões para fazer 
uma grande renovação, lutar por novas formas 
de se obter lucro.Renascer ou morrer, renascer 
com produtos novos, sempre procurando alcançar as 
necessidades de seu público- alvo.
A própria empresa pode comprar ou 
desenvolver produtos em laboratórios, podemos 
contratar pesquisadores independentes ou empresas 
especializadas em desenvolvimento de novos produtos.
Empresas que têm medo do fracasso, de 
correr riscos, não buscam novas formas de alcançar 
objetivos. Investir em novos produtos ou aperfeiçoar 
produtos já existentes, sugere riscos que todos tem 
que correr. Os consumidores de hoje já não são 
mais leais às marcas, e a concorrência investe cada 
vez mais, por isso há necessidade de modificações e 
de novos investimentos.
Uma inovação tecnológica pode ser 
classificada segundo a natureza intrínseca da ideia 
inovadora, devendo os profissionais da produção 
desenvolver novos processos, de novas matérias-
primas, produtos de concepção inovadora, etc. As 
operações técnicas na cadeia de produção podem 
ser classificadas segundo seu conteúdo tecnológico 
em três classes distintas:
Tecnologias de base – São as operações 
necessárias à atividade principal, porém facilmente 
disponíveis e, portanto, sem impacto competitivo 
importante. Destacam-se nessa classe as tecnologias 
que podem ser comuns a várias empresas e que por 
serem muito parecidas efetivamente não promovem 
diferenciação nos produtos. Veja o exemplo de uma 
fábrica de ração, onde os principais componentes 
são a base de todas as fórmulas, como é o caso do 
farelo de soja e os derivados de milho, ou outros 
amidos que vão compor o produto final. O que vai 
diferenciar uma fórmula não são o farelo de soja 
e o amido, mas sim os demais componentes que, 
dependendo da combinação da fórmula, podem ser 
adaptados para determinadas classes de animais.
Normalmente as inovações não ocorrem nessa 
classe de tecnologias, pois os insumos básicos não 
se alteram com tanta frequência, o que pode mudar 
é a combinação que será dada entre os componentes 
que serão utilizados. 
Tecnologias-chave – Operações determinantes 
do ponto de vista do impacto concorrencial. Essas 
tecnologias estão associadas às operações-chave 
da cadeia de produção. Destacam-se aqui aquelas 
tecnologias que são indispensáveis para a caracterização 
do produto. Voltemos ao caso da indústria de ração. 
Dependendo da classe de animais a que se destina o 
produto, devem-se adicionar mais ou menos proteínas e 
fibras devido às exigências do organismo de cada classe 
Administração da Produção I 
22
de animal. É necessário, portanto, que no produto 
específico seja utilizada uma tecnologia que nada mais 
é que um insumo componente da fórmula considerada 
de “tecnologia-chave”.
Tecnologias emergentes – São as operações 
ligadas a tecnologias importantes do ponto de vista 
da evolução futura do sistema de produção. Nessa 
categoria encontram-se as possibilidades de todas as 
inovações que irão surgindo. A incorporação de uma 
tecnologia emergente a qualquer produto é um fator 
concorrencial importante, principalmente se a empresa 
conseguir exclusividade sobre ele. Os produtos dessa 
empresa serão muito mais competitivos no mercado, 
auferindo aos usuários destes um conceito de produto 
diferenciado e evoluído.
As Tecnologias Emergentes - trazem 
frequentemente novas oportunidades especiais de 
criação de conhecimento, crescimento econômico 
e melhoria de qualidade de vida. Para tirar o maior 
partido das oportunidades abertas por tecnologias 
emergentes de base científica e alcance global 
é essencial participar dos momentos decisivos 
em que há rápido aumento de conhecimento e 
desenvolvimento de aplicações nessas áreas, o 
que em geral tem de ser feito com uma elevada 
internacionalização.
Nano Tecnologia: Provavelmente o mais 
interessante e assustador das tecnologias emergentes 
é a tecnologia nano. Nano tecnologia é um campo 
transdisciplinar que lida com a construção e síntese 
de materiais em escalas de 100 mm ou menos. A 
tecnologia Nano funciona normalmente em uma 
das duas maneiras: Tanto puxa partes menores 
juntas para construir, ou quebra partes maiores. As 
peças são então utilizadas para formar pequenos, 
novos materiais.
Nas tecnologias emergentes surge uma nova linha de 
pesquisa e criação de produtos que é a BIOTECNOLOGIA.
Vamos ver o que é biotecnologia?
Biotecnologia é a tecnologia baseada na biologia, 
especialmente quando usada na agricultura, ciência 
dos alimentos e medicina. Segundo a Convenção sobre 
Diversidade Biológica, da ONU:
Biotecnologia defi ne-se pelo uso de 
conhecimentos sobre os processos 
biológicos e sobre as propriedades 
dos seres vivos, com o fi m de resolver 
problemas e criar produtos de utilidade.
A definição ampla de biotecnologia é o 
uso de organismos vivos ou parte deles para a 
produção de bens e serviços. Nessa definição 
se enquadram um conjunto de atividades que o 
homem vem desenvolvendo há milhares de anos, 
como a produção de alimentos fermentados (pão, 
vinho, iogurte, cerveja, e outros). Por outro lado, a 
biotecnologia moderna se considera aquela que faz 
uso da informação genética, incorporando técnicas 
de DNA recombinante.
Assim, é Biotecnologia o conjunto de 
técnicas que permite à Indústria Farmacêutica, por 
exemplo, cultivar microrganismos para produzir os 
antibióticos que serão comprados na farmácia.
Cabe ressaltar que as inovações tecnológicas 
são cada vez menos específicas a um único produto, 
e sendo assim, a importância da tecnologia e das 
inovações tecnológicas devem ser ponderadas 
segundo a sua presença nos processos de produção 
atuais e nos futuros. Assim, um produto que é 
concebido por um sistema técnico composto 
de tecnologias de base, e onde a presença, atual 
ou futura, de tecnologias-chave ou emergentes é 
negligenciável, terá poucas restrições tecnológicas 
que possam influenciar a concorrência.
Uma inovação tecnológica pode ser classificada 
segundo o grau de perturbação que ela ocasiona 
na cadeia produtiva, sendo possível distinguir dois 
tipos principais de inovação tecnológica:
a) Inovação tecnológica com tecnologia 
específica e efeitos locais: são inovações que têm 
efeito quase que exclusivamente sobre um produto 
ou no máximo sobre uma cadeia de produção;
b) Inovação com tecnologia de efeito difuso 
– são inovações que têm capacidade de alterar a 
dinâmica concorrencial de vários produtos entre si 
e ao mesmo tempo.
Portanto, cabe à administração da produção 
definir qual a inovação tecnológica que deve 
ser adotada, lembrando que, por exemplo, uma 
empresa que adotar e desenvolver produtos a partir 
de tecnologias de efeito difuso, garantiria um maior 
número de usuários para seus produtos.
1 - As inovações tecnológicas surgem no 
mercado todos os dias, sendo decisivas para 
a concepção de novos produtos.
2 - As tecnologias se classifi cam em tecnologias 
de base, chave e emergentes.
3 - A biotecnologia é uma inovação emergente e, portanto, 
pode ser interessante na concepção de novos produtos.
23
Espero que vocês estejam 
entendendo bem as nossas aulas. Se 
tiverem dúvidas, por favor, não deixem 
de acionar a plataforma através do 
fórum ou quadro de avisos.
Não esqueçam de resolver os 
exercícios das atividades avaliativas.
3 – O ciclo de vida dos produtos
3.1 - O Ciclo de Vida dos 
Produtos e Serviços
Todo produto ou serviço tem uma vida: nasce, 
cresce, amadurece, envelhece e morre. O tempo 
de vida de cada um deles depende de uma série de 
Você Sabia?
O ciclo de vida do produto não pode ser confundido com 
o ciclo de vida de uma planta ou de um animal. Estamos 
nos referindo ao tempo de vida que um produto permanece 
no mercado sendo demandado pelas pessoas. Vamos ver 
então quais são as fases do ciclo de vida dos produtos.
A curva do ciclo de vida dos produtos e serviços 
pode ser representada conforme fig. 4:
Fig. 4 - A curva do ciclo de vida de um 
produto/serviço
Vendas
Introdução
Crescimento
Maturidade
Declínio
Tempo
Fonte: Adaptado de Chiavenato (2005, p. 39).
aspectos e está relacionadoao tempo que cada um 
permanece no mercado com índices de aceitação 
e utilização que permita a continuidade de sua 
produção. Podem-se destacar quatro fases bem 
distintas, a saber:
Fase da Introdução – É a fase do nascimento 
do produto, quando ele é produzido pela primeira 
vez, segundo as características desenvolvidas pela 
engenharia do produto. Nessa fase, a produção e 
as vendas são pequenas, uma vez que o produto 
é desconhecido do consumidor e a empresa 
produtora ainda tem dúvidas quanto a sua aceitação 
no mercado consumidor. É também a fase de 
ajustes, pois muitos produtos, nessa fase, podem 
apresentar falhas devendo voltar à engenharia para 
os devidos ajustes e redirecionamento na linha 
de produção. Normalmente o produto não traz 
retornos econômicos e por isso é considerada uma 
fase de investimento.
O sucesso na introdução de novos produtos 
pode ser crítico para a organização manter 
sua posição competitiva. No entanto, muitas 
dificuldade e incertezas estão associadas ao 
processo de desenvolvimento de novos produtos. 
As organizações investem em P&D sabendo 
que apenas uma pequena percentagem de ideias 
de novos produtos irá atingir a comercialização. 
Mudanças rápidas na tecnologia e nas demandas 
de mercado estão entre os fatores que aumentam 
a pressão sobre as empresas para que elas reduzam 
seus ciclos de desenvolvimento de produtos.
O Desenvolvimento de Novos Produtos 
se tornou um dos cernes para a competitividade 
Administração da Produção I 
24
das empresas. Para muitas delas, desenvolver 
novos produtos, com maior rapidez, mais 
eficientemente, e mais efetivamente é a grande 
meta competitiva. Evidências provam que o 
design e o desenvolvimento efetivo de novos 
produtos têm um impacto significativo em custo, 
qualidade, satisfação do consumidor, e vantagem 
competitiva. Através desse processo a empresa 
irá atingir novos mercados, introduzir inovações 
e aumentar seu potencial competitivo com o 
lançamento de novos produtos.
Fase do Crescimento – Nessa fase o mercado 
se familiariza com o produto ou serviço e a empresa, 
através da Administração da Produção, aprende 
como produzi-lo corretamente. Ocorre uma 
aceleração positiva nas vendas e por consequência 
na produção. O produto é aceito pelo mercado 
e os investimentos começam a ser recuperados. 
Nesse estágio há uma rápida aceitação de mercado 
e melhoria significativa no lucro. O mercado 
apresenta uma abertura à expansão que deve ser 
explorada. Caracterizado por vendas crescentes, 
esse estágio também traz concorrentes. As ações 
de marketing buscam sustentação e as repetições de 
compra do consumidor.
→ Estratégias para a fase de crescimento:
 
• melhoria da qualidade e adição de novas 
características –é a melhoria contínua do produto, 
quando deve ser levado em conta o feed back 
fornecido pelo cliente. Essa fase é decisiva para 
que haja uma boa aceitação do produto e, por 
conseguinte, a sua afirmação no mercado; Deve-
se ficar atento a qualquer observação feita pelos 
usuários, seja positiva e ou negativa.
• acrescentar novos modelos e produtos 
de flanco – se o objetivo é firmar o novo produto 
e também a marca, é importante lançar novos 
produtos que são chamados de flanco, que podem 
ser complementares ou semelhantes. Assim o 
consumidor começa a comparar produtos da mesma 
marca, fortalecendo com isso todo o complexo de 
produtos da empresa. Nesse caso é preciso se atentar 
para o fato de que todos os produtos devem ter uma 
estratégia de lançamento muito bem estudada, uma 
vez que, defeitos ou rejeições de algum produto 
da empresa com a mesma marca pode também 
significar prejuízos em todos os outros produtos, 
inclusive no principal e, por conseguinte, na marca.
• entrar em novos segmentos de mercado 
– a empresa que só produz uma linha de produtos, 
com certeza tem vida curta, pois como já dissemos, 
as inovações tecnológicas são constantes e o 
desenvolvimento de novos produtos em outros 
segmentos do mercado é uma boa estratégia de 
crescimento e de sobrevivência das empresas.
• aumentar a cobertura de mercado e entrar 
em novos canais de distribuição – tão importante 
quanto lançar novos produtos são as estratégias de 
marketing e a logística utilizada para a distribuição. 
Produtos encalhados, estoques velhos, embalagens 
com design ultrapassado dão ao consumidor uma 
impressão de produto velho e desatualizado.
• mudar o apelo de propaganda – a criatividade 
do setor de marketing deve ser muito grande, uma 
vez que não adianta termos um excelente produto e 
não conseguir passar ao consumidor o que de fato 
ele representa.
• reduzir preços para atrair novos 
consumidores – às vezes essa estratégia é 
necessária, principalmente quando a concorrência 
for muito acirrada, mas deve-se ter o cuidado de não 
passar ao consumidor a decisão de compra apenas 
pelo menor preço, pois as demais características 
como qualidade, durabilidade e outros aspectos que 
já foram apresentados devem estar bem evidentes.
• segmentação demográfica – a pergunta 
sobre qual é o público-alvo para determinado 
produto é muito importante e deve ser feita 
antes mesmo da sua introdução, pois dependendo 
da resposta é que vamos realmente produzi-lo, 
respeitando os costumes e tradições do segmento 
definido. Isso interfere em preço, vendas a prazo ou 
vendas à vista, retorno do consumidor ao mercado 
para a recompra, entre outros tantos aspectos 
que são vitais para a sobrevivência do produto ou 
serviço no mercado.
Fase de Maturidade – Ocorre quando o produto 
ou serviço já penetrou suficientemente no mercado e 
atinge um patamar elevado de vendas, chegando ao seu 
nível mais alto. Por consequência, a produção cresce 
até um ponto de equilíbrio e, a partir daí, mantém-
se inalterada. Quando o produto atinge essa fase, o 
mercado começa a ficar saturado. Percebendo isso, os 
concorrentes lançam no mercado produtos similares, 
sendo necessário, por parte da empresa, desenvolver 
ações estratégicas em cima de custos e redução de 
preços, a fim de se manter no mercado.
25
Os produtos que sobrevivem nos primeiros 
estágios tendem a gastar mais tempo nessa fase. 
As vendas alcançam uma taxa de crescimento e 
se estabilizam. A tentativa dos produtores para 
diferenciar seus produtos e marcas é um ponto-
chave nessa fase. A guerra de preços é intensa e a 
competição ocorre. Nesse ponto o mercado alcança 
saturação. Produtores começam a deixar o mercado 
por causa das baixas margens de venda. A promoção 
se torna mais difundida e é nessa fase que a mídia 
pode desempenhar um papel importante.
Em regra geral, enquanto a quantidade 
disponível não satisfaz a procura, podem praticar-se 
preços mais elevados. Mas também pode suceder 
que, havendo a expectativa de uma etapa de 
crescimento e maturidade longa, a introdução no 
mercado se baseie numa estratégia de lançamento 
com promoção. Quando o produto se torna 
conhecido, maduro, e quando o mercado passa 
a ser servido por vários concorrentes, é natural 
que os preços sejam pressionados no sentido da 
baixa, contribuindo assim para a redução dos 
lucros. Quando o mercado passa a ser servido por 
produtos inovadores, a procura do produto anterior 
baixa, pressionando os preços e lucros para baixo 
e empurrando o produto anterior para o declínio. 
Cada produto ou categoria de produtos tem o seu 
próprio ciclo, com maior ou menor velocidade. 
Os produtos de “moda”, por exemplo, têm ciclos 
mais curtos. Por outro lado, existem produtos com 
ciclos extremamente longos. A Coca-Cola é um 
exemplo, parece ter ficado para sempre numa etapa 
de maturidade. 
Na verdade, todas as grandes indústrias já 
passaram pela fase de crescimento. Em todos os 
casos, o motivo pelo qual o crescimento é ameaçado 
não é pela saturação do mercado, mas sim pela 
ocorrência de uma falha na gestão. 
Fase de Declínio – É a fase em que as vendas 
e a produção começam a decair sensivelmente 
e progressivamente. À medida que as inovações 
vão sendo lançadas os consumidores começam 
asubstituir o produto ou serviço. Nessa fase, se 
a empresa não adotar estratégias de reengenharia 
que visem a adequá-lo às inovações, o produto 
e, por consequência, a empresa, podem morrer. 
É o ponto em que ocorre uma diminuição no 
mercado. Por exemplo: produtos mais inovadores 
são introduzidos ou o gosto de consumidores está 
mudado. Há intenso corte de preços e muito mais 
produtos são retirados do mercado. O lucro pode 
ser aumentado com a redução do investimento em 
marketing e cortando custos.
Para Refl etir
O ciclo de vida de alguns produtos e serviços pode ser 
alongado no tempo através de algumas providências ou 
modifi cações, que venham ajustar as características do 
produto, adequando-o às novas exigências do mercado. 
Esta fase é chamada de desenvolvimento de produtos e 
serviços, podendo impedir o declínio do produto alongando 
assim o seu ciclo de vida.
O setor de desenvolvimento do produto cuida 
de todos os estudos e pesquisas sobre a criação, 
adaptação, melhorias e aprimoramentos de toda a 
produção da empresa, sendo na verdade responsável 
pela inovação na empresa. É o desenvolvimento que 
promove a renovação de estilos, modelos, formas 
e designer dos produtos e serviços, apesar de eles 
serem sempre parecidos em suas individualidades.
Nas empresas de produção primária, o 
desenvolvimento costuma receber o nome de 
pesquisa e desenvolvimento (P&D); já nas empresas do 
ramo secundário, recebe o nome de engenharia de 
produtos e nas empresas do ramo terciário, varia muito 
sendo, porém, muito empregado o desenvolvimento, 
organização e métodos.
O lançamento de um novo produto, ou a 
melhoria de um produto já existente, requer um 
longo trabalho de estudos que envolvem várias fases:
a) Novas ideias – É quando surgem novas 
ideias e conceitos sobre a utilidade e uso do 
produto e/ou serviço, podendo vir tanto do 
usuário como da empresa;
b) Estudo da viabilidade – Nessa fase é verificada 
a viabilidade e a aceitação das novas ideias e conceitos;
c) Projeto do novo produto – É a elaboração 
das características que deverão ter o novo produto;
d) Protótipo – É a montagem de um protótipo 
que servirá como teste inicial de suas características;
e) Lote piloto – Produção de um lote inicial 
que servirá como teste do produto e da linha ou 
processo de produção;
f) Modificações no projeto – São as 
modificações necessárias que deverão ser realizadas 
após um teste no protótipo;
g) Produção de lançamento – É o início da 
produção para o lançamento do produto ou serviço 
no mercado.
Administração da Produção I 
26
Retomando a aula
Tudo bem até aqui não é mesmo?
Para encerrar esta aula vamos recordar alguns 
pontos importantes:
É importante dizer que a melhoria nos 
processos, produtos e serviços é uma necessidade 
constante e as empresas devem estar sempre alertas 
e buscar o aperfeiçoamento para melhorar sua 
eficiência e eficácia.
1 – A classificação e os componentes dos 
produtos e serviços
• Na atividade produtiva as empresas produzem 
produtos e/ou serviços.
• Os produtos diferenciam-se dos serviços por 
algumas características.
• Os componentes dos produtos e serviços.
2 – As inovações tecnológicas como fator 
de competitividade 
• As inovações tecnológicas são muito 
importantes na concepção de novos produtos.
• A classificação das tecnologias utilizadas.
• Os cuidados ao utilizar inovações ainda 
pouco conhecidas.
3 – O ciclo de vida dos produtos
Finalmente, na seção 3 vimos que os produtos têm 
seu ciclo de vida que pode ser classificado em fases.
• a fase da introdução;
• a fase do crescimento;
• a fase da maturidade; e
• a fase do declínio.
Obs.: Se tiverem dúvidas, vocês 
poderão saná-las através das 
ferramentas “fórum” ou “quadro de 
avisos” e “chat”. Ou ainda poderão 
enviar para o e-mail: euclides@
unigran.br e josimar.crespan@
unigran.br
CHIAVENATO, I. Iniciação à Administração de 
Produção. São Paulo: Makron Books, 1991. 
______. Administração de Produção. São Paulo: 
Campus/Elsevier, 2005. 
MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração 
da Produção. São Paulo: Saraiva, 2005.
CHEHEBE, José Ribamar B. Análise do ciclo de 
vida dos produtos: ferramenta gerencial da ISO 14000. 
Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. 104 p.
SLACK, N.; et al. Administração da Produção. São 
Paulo: Atlas, 2002.
<http://www.unimep.br/phpg/editora/
revistaspdf/rct13art02.pdf>
<http://www.gestiopolis.com/Canales4/fin/
gerencustos.htm>
<http://www.ufjf.br/ep/files/2009/06/tcc_
junho2007_fernandareis.pdf>
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27
3ºAula
Sistemas de 
produção
Os sistemas de produção seguem literalmente 
o conceito de sistema, onde temos a entrada de 
insumos ou fatores de produção, um processo de 
transformação e, finalmente, a saída dos produtos 
já acabados. 
Boa aula!
Administração da Produção I 
28
Objetivos de aprendizagem
1 - A quantidade manufaturada e sua repetitividade
2 - Organização do fluxo de produção
3 - Os principais sistemas produtivos quanto a 
organização do fluxo de produção
Ao término desta aula, vocês serão capazes de:
• identificar qual o tamanho do processo de 
manufatura e as suas implicações de acordo com o 
modelo a ser adotado;
• compreender e identificar a organização dos 
fluxos de produção;
• desenvolver alguns conhecimentos e aptidões 
sobre o funcionamento e a adoção dos principais sistemas 
de produção utilizados nos processos de manufatura;
• compreender que em qualquer sistema de 
produção adotado é sempre possível obter melhorias 
visando à produção eficiente e eficaz da empresa.
Seções de estudo
Vamos ver quais são os objetivos e as seções de estudo que 
serão desenvolvidos nesta aula.
Saber Mais
Queremos sugerir que ao longo de seus estudos utilizem 
as informações disponíveis neste guia de estudos, mas 
principalmente que busquem mais informações na 
bibliografi a indicada. E mesmo na Internet podem ser 
obtidas informações complementares muito importantes. 
Bons estudos!
1 - A quantidade manufaturada e 
sua repetitividade
Para produzir de forma eficaz com o máximo 
de eficiência, é necessário que para cada produto 
ou serviço seja escolhido o sistema de produção 
mais adequado e se utilize os insumos e os meios 
de produção mais adequados. Em cada empresa 
existem características específicas de estrutura 
organizacional e dos produtos que fabrica. 
No entanto, a característica de cada processo 
produtivo é fundamental para a definição 
estratégica de qual sistema de administração da 
produção deve ser implementado. 
É normal ficarmos fascinados com os produtos 
ofertados, seja um simples utensílio doméstico 
quanto um sofisticado aparelho eletrônico, qualquer 
que seja o produto ele é o resultado do trabalho 
organizacional que é produzido pelas organizações. 
Segundo (CHIAVENATO, 2005), cada organização 
tem características próprias, sua individualidade, 
seus recursos, suas pessoas, seus produtos ou 
serviços, enfim, sua marca.
1.1 – Classificação dos Sistemas 
de Produção 
Uma das utilidades da classificação dos sistemas 
de produção é permitir discriminar grupos de técnicas 
de planejamento e a gestão da produção apropriada 
a cada tipo particular de sistema. Isso racionaliza a 
escolha e a tomada de decisão sobre qual técnica adotar 
em determinada circunstância e facilita sobremaneira 
a apresentação didática do assunto. 
Existem diversas maneiras de apresentar 
a classificação dos sistemas de produção, que 
leva em consideração o volume de produção e a 
repetitividade com que os produtos são fabricados. 
A produção repetitiva é a produção em grandes 
quantidades de uma pequena gama de produtos, 
enquanto que a produção em lotes é a produção 
de médias/pequenas quantidades de uma enorme 
variedade de produtos;
Segundo Slack (1997, p.135), a classificação de 
indústrias estabelece duas grandes classes, cada uma 
com subclasses: 
- Indústrias do tipo contínuo: onde os 
equipamentos executam as mesmas operações 
de maneira contínua e o materialse move com 
pequenas interrupções entre eles até chegar ao 
produto acabado. 
Pode se subdividir em: 
- Contínuo puro: uma só linha de produção, 
os produtos finais são exatamente iguais e toda a 
matéria-prima é processada da mesma forma e na 
mesma sequência; 
- Contínuo com montagem ou desmontagem: 
várias linhas de produção contínua que convergem 
nos locais de montagem ou desmontagem;
- Contínuo com diferenciação final: 
características de fluxo igual a um ou outro dos 
29
subtipos anteriores, mas o produto final pode 
apresentar variações.
 - Indústrias do tipo intermitente: diversidade 
de produtos fabricados e tamanho reduzido do lote 
de fabricação determinam que os equipamentos 
apresentem variações frequentes no trabalho. 
Subdividem-se em: 
- Fabricação por encomenda de 
produtos diferentes: produto de acordo com as 
especificações do cliente e a fabricação se inicia 
após a venda do produto; 
- Fabricação repetitiva dos mesmos lotes de 
produtos: produtos padronizados pelo fabricante, 
repetitividade dos lotes de fabricação, pode-se ter 
as mesmas características de fluxo existente na 
fabricação sob encomenda.
Podemos dividir a classificação em três 
grandes grupos:
a) Produção unitária – São sistemas de 
produção cujo produto final é geralmente produzido 
sob encomenda e requer longos tempos para a sua 
produção, temos como exemplo, hidroelétricas, 
ferrovias, navios, etc.; sistemas de produção de 
grandes projetos sem repetição: produto único, não 
há rigorosamente um fluxo do produto, existe uma 
sequência predeterminada de atividades que devem 
ser seguidas, com pouca ou nenhuma repetitividade.
b) Produção em pequena ou média 
série – Os produtos são fabricados em lotes, 
cujos tamanhos variam de produto para produto, 
sendo difícil estimar valores genéricos. Como 
2 - Organização do fl uxo de 
produção
Sabendo-se que o sistema de produção é a 
maneira pela qual a empresa organiza seus órgãos e 
realiza suas operações de produção, adotando uma 
interdependência lógica entre todas as etapas do 
processo produtivo, desde o momento em que as 
matérias-primas ou insumos saem do almoxarifado até 
chegar ao depósito como produto acabado. Percebe-se 
agora que a produção como um todo envolve outros 
aspectos conforme é observado na Fig. 5:
Fig. 5 – Aspectos da produção 
Empresas
Entradas
Ambiente
Saídas
Ambiente
Almoxarifado de 
matérias- primas Produção
Depósito de 
produtos 
acabados
 Fonte: Chiavenato (2005, p. 52). 
exemplo, temos máquinas, ferramentas, motores, 
equipamentos agrícolas e etc.;
c) Produção em grande série – Nesse 
sistema os volumes de produção são bastante 
elevados, apresentando baixa diversificação e 
alta repetitividade de produção. Podemos citar as 
indústrias de alimentos, vestuários, química, etc.
Analisando-se a classificação acima, pode-se 
observar uma relação entre os três grupos de sistemas 
produtivos e seus objetivos mercadológicos: o sistema 
de produção unitária identifica-se com infraestrutura, 
o sistema de produção em pequenas ou médias séries, 
com os bens de capital e o sistema em grandes séries, 
com os bens de consumo em massa.
Como vimos, de forma muito simplificada, o 
fluxo normal de um sistema de produção, seja de 
algum produto mais simples ou até de produtos 
ou processos mais complexos, deve ser muito bem 
planejado. No entanto, existem muitos aspectos que 
devem ser considerados quando vamos organizar 
um fluxo de produção. As questões relacionadas à 
reciclagem dos produtos ou insumos que apresentam 
falhas e são descartados ou reaproveitados, o destino 
dos resíduos industriais ou dos efluentes gerados 
pelo processo, devem merecer uma atenção muito 
especial. Alguns estudos já demonstram que em 
alguns projetos, cerca de 40% de seu custo total de 
instalação, são destinados para plantas ambientais 
que visam a minimizar ou reduzir quase a zero os 
impactos ambientais que possam advir do processo. 
Administração da Produção I 
30
O descarte do lixo originado de algum processo 
de produção pode gerar grandes passivos ambientais. 
Mesmo os aterros sanitários e ou vulgos “lixões”, 
devem ter o seu fluxo de reciclagem definido, uma 
População Produção de 
Lixo 
Coleta Triagem Destinação
vez que tudo o que for reciclável deve ser reciclado 
e tudo o que for tóxico deve ter seu destino correto, 
conforme sugestão de fluxo abaixo:
Fluxo de produção de uma recicladora de lixo:
Atenção
A quantidade de lixo domiciliar produzida no Brasil 
atualmente é de 115 mil toneladas por dia. Se esse lixo fosse 
colocado de uma só vez em caminhões, haveria uma fi la de 
16.400 deles ocupando 150 quilômetros de estrada. 
Em apenas três dias, essa fi la ultrapassaria a distância 
entre São Paulo e Rio de Janeiro. Cerca de 30% de todo o 
lixo é composto de materiais recicláveis como papel, vidro, 
plástico e latas. 
Tirar esses materiais do lixo traz uma série de vantagens 
como, por exemplo, os recursos naturais e de energia que 
se obtêm com a reciclagem.
O fluxo de produção pode ser construído 
baseado num sistema de decisão centralizado. A 
centralização pode ser descrita mais especificamente 
como o grau com que a autoridade formal, para 
tomar decisões discricionárias, está concentrada 
num indivíduo, não permitindo assim aos demais 
Fig. 6 – Produção com decisão centralizada
Sistema de Decisão Centralizada
Material Material Material
pedidos pedidos pedidos
Fornecedor Fábrica Distribuidor Verejista Consumidor
Fonte: Gestão Agroindustrial (BATALHA, 2008)
empregados, qualquer decisão por mínimo insumo 
dentro de seu trabalho. 
Por outro lado, a descentralização na tomada de 
decisão torna-se importante, na medida em que for 
essencial a rapidez de resposta diante de condições 
de mudança. Um dos fatores críticos determinantes 
para a delegação de autoridade é a profissionalização 
e o conhecimento dos empregados. 
É importante observar que a centralização 
ou descentralização não devem ser tratadas como 
absolutas, mas preferivelmente como os terminais 
de um sistema contínuo e que dependendo da 
situação ou do processo que vamos implantar, é 
possível que tenhamos o melhor modelo de acordo 
com as características do processo. Assim, o que 
existe é uma organização mais centralizada ou 
menos centralizada que outra. 
Apresenta-se abaixo, na figura 6, um esquema 
de produção baseado em decisão centralizada:
Manufatura Celular - A manufatura celular 
(MC) é caracterizada pelo grupamento de uma 
ou mais máquinas ligadas pela movimentação 
conjunta de materiais, sob o controle de uma célula 
centralizadora. O problema de formação de células 
tem sido objeto de inúmeras pesquisas devido a sua 
relevância no desenho dos sistemas de manufatura 
capazes de conferir maior flexibilidade de resposta às 
exigências dos clientes. A formação de células é uma 
das principais etapas no desenho e implementação 
de um sistema de manufatura celular, no qual a 
arquitetura dos sistemas de produção direciona 
31
3.1 - Os Sistemas de Produção
Cada empresa adota um sistema de produção 
para realizar as suas operações e produzir os 
produtos ou serviços da melhor maneira possível.
os indicadores de desempenho dos sistemas 
produtivos, em termos de qualidade, flexibilidade, 
volume, custos de produção, confiabilidade e 
velocidade de entrega. O problema de formação 
de células envolve o agrupamento de peças em 
famílias de peças e o agrupamento de máquinas em 
células de manufatura, de modo que as peças com 
necessidades de processamento similares possam 
ser completamente manufaturadas na mesma célula. 
Dois sistemas básicos podem ser utilizados para 
organizar a produção: o sistema de produção por 
produto e o sistema de produção por processo. Nos 
sistemas de produção cuja arquitetura privilegia a 
organização por produto, as máquinas são dispostas 
em linhas de produção dedicadas à fabricação de 
produtos específicos.