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Gestão da Produção Administração da Produção e Operações Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Vilson Vieira. 1ª Edição Copyright © 2021, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Sumário Administração da Produção e Operações Para Início de Conversa... ............................................................................... 4 Objetivo ......................................................................................................... 4 1. Evolução Histórica da Administração da Produção: Objetivos da Administração da Produção/Operações ............................................... 5 2. Sistemas de Produção ................................................................................. 10 3. Produtividade – Administração e Avaliação da Produtividade ..... 13 Referências ......................................................................................................... 15 Gestão da Produção 3 Para Início de Conversa... A gestão da produção representa o elemento mais determinante das estratégias organizacionais no atual contexto empresarial e torna-se de grande valia a abordagem de seus aspectos históricos, pois permitirá o entendimento amplo dos recursos disponíveis na Gestão da Produção. Os sistemas de produção por meio da identificação de entradas de recursos, processamento e resultados trazem contribuições excelentes à descoberta de quais os resultados são esperados de diversos sistemas produtivos para, assim, obter melhorias consistentes. Ao final, você conhecerá mecanismos de avaliação de produtividade que trarão a percepção dos resultados apresentados e de quais estratégias podem ser aplicadas para melhorar ainda mais seus resultados. Objetivo Compreender os conceitos fundamentais da administração da produção e suas bases históricas. Gestão da Produção 4 1. Evolução Histórica da Administração da Produção: Objetivos da Administração da Produção/Operações A Gestão da Produção representa a área de trabalho onde pessoas aplicam sua força produtiva e inteligência na transformação de recursos em bens ou serviços prestados com o propósito de atender a uma demanda. O conjunto de tarefas executadas na obtenção de bens e serviços é representado pela Gestão da Produção. De forma geral, tais atividades nos permitem ter acesso à roupa que vestimos, à programação de TV de nossa preferência, à aquisição de móveis, a compras no supermercado – pois lá encontramos todos os itens necessários para suprir nossas carências nutritivas –, além da internet, que é disponibilizada por uma operadora de serviços de transmissão de dados. Esses são exemplos dos diversos setores em que se observam as atividades voltadas à Gestão da Produção e Operações. A Gestão da Produção e Operações é direcionada à aplicação do gerenciamento de recursos da organização na transformação de bens e serviços, com o intuito de atender aos objetivos definidos na estratégia da empresa. Como recursos, podemos observar: recursos humanos, recursos tecnológicos, equipamentos, recursos financeiros, instalações físicas da empresa, entre outros. A boa gestão desses recursos informados anteriormente) representa o valor agregado ao produto\serviço, o qual é percebido na visão do consumidor, conforme a eficácia na gestão dos recursos. A história da Gestão da Produção se confunde com os fundamentos da Administração e Engenharia de Produção, pois os conceitos iniciais foram empregados na transformação de valor por meio de produtos e serviços. Assim, é possível observar a importância da Gestão da Produção em grandes empreendimentos humanos do passado histórico, como a construção de pirâmides no Egito, a muralha da China, a Revolução Industrial, as fábricas que fizeram os primeiros carros, a indústria que forneceu material bélico aos países envolvidos na Segunda Guerra Mundial, os trabalhos da administração científica e clássica, destacando, nesse caso, as produções de Taylor, Fayol e Henry Ford. Foi com Frederick Taylor que a indústria do aço ganhou expressão ao desenvolver suas pesquisas de tempos e movimentos e o estudo racional do trabalho, o que trouxe ganhos de produtividade a trabalhadores de fábricas e promoveu a riqueza do mercado americano. Gestão da Produção 5 A Gestão da Produção teve suas primeiras páginas escritas por experiências, como pesquisa de tempo e movimento, especialização do trabalho, estudos da fadiga, procedimentos de trabalhos, processos de trabalho, supervisão, controles de processos, divisão do trabalho, posicionamento e escala de trabalho, treinamento, linha de montagem móvel, novos layouts de trabalho, arranjos produtivos diferenciados, linhas de produção e outros inventos da administração científica. Figura 1: Frederick Winslow Taylor. Fonte: QAD (2018). A Gestão da Produção recebeu grande contribuição de Fayol em seu trabalho que originou a administração clássica ao organizar o trabalho inserindo a linha de comando. A hierarquia, portanto, era o elemento que faltava ao desenvolvimento fabril no século XX, pois passou a estruturar níveis diferenciados de comando que hoje conhecemos por: operacional, tático e estratégico. Essa segmentação contribuiu, juntamente com a administração científica, para acelerar o processo de mudança social proposta pelo capitalismo, apresentando um novo contexto econômico: a sociedade do consumo com a produção de bens em larga escala. Os primeiros sistemas de manufatura, primeiramente vistos nos Estados Unidos, logo trouxeram um novo paradigma para a promissora organização do trabalho chamada de fábrica. Inseriram em seus espaços equipamentos que aumentavam a capacidade produtiva, os quais passaram a representar a força da manufatura. Esses espaços também contavam com números expressivos de trabalhadores, sempre com um alto índice de aglomeração. Ford também foi uma figura marcante para a Gestão da Produção, pois inseriu na fábrica da Ford a linha de montagem e todos os experimentos de Fayol, fazendo do Ford T o carro mais popular de sua época. O sonho Figura 2: Henri Fayol. Fonte: Maestro Virtuale (2019). Gestão da Produção 6 de Henry Ford era a construção de um carro para a grande massa, o qual integrasse o que havia de melhor em sua época na produção do Modelo T. Figura 3: Ford Modelo T, o primeiro carro popular da história. Fonte: Revista Carro (2019). A Gestão da Produção assume posição fundamental nesse projeto durante as duas décadas de vida deste produto da Ford. Foram produzidos mais de 15.000.000 de unidades do Ford T. O advento do motor a vapor, sem dúvida alguma, foi a força propulsora para a indústria na Inglaterra, contribuindo para o fenômeno econômico e social denominado Revolução Industrial. A Revolução Industrial, por sua vez, dá bases ao capitalismo e pressiona o fim da sociedade escravocrata, e um novo paradigma social passa a ser parte da humanidade: a economia em escala. Equipamentos passam a simbolizar a força da manufatura, como a máquina a vapor, já citada, a máquina de beneficiar o algodão, o tear mecânico, os semeadores mecânicos e as locomotivas. Essas ferramentas exemplificam o desenvolvimento observado na época. Figura 4: Equipamentos utilizados na revolução industrial. Fonte: Dreamstime. Gestão da Produção 7 O desenvolvimento da Gestão da Produção, em seu momento histórico, traz asestradas de ferro como elementos propulsores da manufatura, as quais, até hoje, representam a solução para o transporte de massa, gerando custos de operação e manutenção menores que os de sistemas de transporte rodoviário e aéreo. O aço ganha papel fundamental diante da pungente indústria, e as estradas de ferro começam a transportar commodities e matéria-prima para outras indústrias. Figura 5: A baronesa, primeiro trem de ferro do Brasil. Fonte: Amantes da Ferrovia. A indústria automotiva trouxe o desenvolvimento da gestão que ainda é impulsionadora de inovação em gestão, processos de trabalho, tecnologias digitais de troca de informações e processamento de dados e processos mais produtivos, bem como a produção enxuta. Na indústria, surgiu também a qualidade nos processos por causa da necessidade de produtos produzidos com as mesmas características em sua forma final, sem apresentar variações. Diante disso, qualidade, para a indústria, passou a significar produtos iguais, sem alterações, fabricados em grandes quantidades. A indústria automotiva trouxe o desenvolvimento para outras indústrias, como as voltadas à produção de: alimentos, óleos, tecidos, aço, armamentos, produção de equipamentos, cadeia produtiva do varejo, indústria naval e construção. A Gestão da Produção é beneficiada com a sofisticação de sua operação a partir do advento de áreas como Planejamento e Controle da Produção, mais conhecida como PCP, Logística Empresarial e, mais adiante, a Gestão da Qualidade e seus desdobramentos, sempre com foco no desenvolvimento das operações e viabilizando ganhos de produção, redução de investimentos e maiores margens de resultados. O Planejamento e Controle da Produção traz a junção de iniciativas e técnicas de planejamento, aquisição de matéria-prima, gestão de estoques com programação da produção, previsão de consumo e controles. Isso faz da Gestão da Produção um elemento indispensável Gestão da Produção 8 à gestão de recursos nas organizações de forma inteligente e técnica, não sendo mais domínio de uma organização, mas sim um conjunto de técnicas que pode ser replicado em qualquer segmento produtivo de negócio. A logística, por sua vez, ganha destaque na Gestão da Produção ao trazer contribuições por meio de técnicas de aquisição de matéria-prima em um momento oportuno, isto é, que viabilize a produção, armazenagem, entrega e distribuição com o lema: produto certo, no lugar correto e na hora certa a um menor custo possível disponível. A movimentação física de produtos e técnicas de armazenagem, o conceito de ponto de pedido e o uso adequado de modais de transporte por meio do multimodal coroam a Logística como área fundamental na Gestão da Produção e Operações, de modo que, sem esse domínio, não seria possível ter uma cadeia de produção e consumo nos dias atuais. A indústria automotiva novamente mostra o seu valor quando surge, na fábrica da Toyota, o JIT, também chamado de just-in-time, quando a matéria-prima ou os subcomponentes são abastecidos no momento de início da produção, estabelecendo, assim, o sincronismo de produção e gestão de estoques conforme a venda. Essa economia em ativos faz com que a Gestão da Produção ganhe em eficiência. Na Toyota, o gerente de produção Taiichi Ohno foi quem desenvolveu o conceito de abastecimento próximo da produção e revolucionou o mundo dos negócios, sendo a redução de desperdícios outra importante contribuição desse importante gerente. Figura 6: Taiichi Ohno. Fonte: QAD (2018). Outra conquista relevante para a Gestão da Produção foi a implantação da área de Qualidade nos processos produtivos, com destaque para os trabalhos de Deming, que articulou o controle estatístico de processo e toda a revolução provocada pela indústria japonesa. Gestão da Produção 9 Outros nomes importantes ganharam destaque na história da Produção ao criar sistemas de apoio à Gestão da Produção, os quais são observados nas contribuições dos Gurus da Qualidade, que, além de Deming, são Joseph Juran e sua trilogia, e Armand Feigenbaum, com o TQC (Total Quality Control, ou Custos da Qualidade, em português) e os conceitos de MRP (Planejamento dos Recursos de Produção). Na linha do tempo, além das contribuições anteriores, fica notória a colaboração dos Sistemas Integrados. O sistema ERP (sistemas voltados à integração dos processos de trabalho), por exemplo, nos leva ao momento em que, além de ser aplicada em produtos, a Gestão da Produção passa a fazer parte da prestação de serviços. A Qualidade Total somada às certificações da família ISO 9000 coroa a afirmação da qualidade e seus processos como parte integrante da Gestão de Operações. E segue em franca expansão para as redes de operações, englobando toda a cadeia de suprimentos. O processo histórico da Gestão de Suprimentos recebeu incrementos ao longo de sua existência, absorvendo seis grandes aspectos. Vejamos: a. De atuação limitada aos processos, evolui também até o domínio dos processos de trabalho. b. Da operação limitada à sua atuação, a Gestão da Produção passou a ocupar a dimensão total da empresa. c. De controle a uma unidade da empresa, com a evolução histórica, passa a ocupar toda a operação. d. De ações isoladas ao controle estratégico de curto a longo prazo. e. A importância de gerar valor para os clientes por meio da entrega de produtos e serviços. f. A satisfação do consumidor por meio da Gestão de Operações e seus desdobramentos operacionais para garantir a percepção de valor ao cliente. 2. Sistemas de Produção A Gestão da Produção, como já vimos, trata da forma como a gestão organiza recursos e transforma produtos e serviços. Aqueles que gerenciam ou acompanham os processos produtivos são nomeados Gerentes de Produção, ou em alguns casos, simplesmente Gerentes. Para que a entrega de produtos e serviços possa ser materializada, podemos entender que há o modelo de transformação que representa o conjunto de ações necessárias à transformação de matéria-prima em produto final. O modelo de transformação é influenciado pelos inputs (entrada), posteriormente ocorrem as transformações do processo e, por fim, a entrega é representada pelos outputs (saída ou simplesmente resultados). Gestão da Produção 10 O processo de produção recebe diversas entradas de recursos (inputs) por meio dos processos de transformações. Os resultados são, então, as saídas ou outputs, que representam o bem ou serviço prestado pela empresa ao seu consumidor. Figura 7: Processos de input-transformação-output. Fonte: Slack et al. (2006). As atividades produtivas voltadas à produção de bens e à prestação de serviços, seguem o modelo apresentado anteriormente (Figura 8), pois os diversos inputs e processos de transformação são entregues à sociedade em forma de bens e serviços. Recursos transformados - Inputs Ambiente Ambiente Processo de Transformação Bens e Serviços Recursos de transformação Input Materiais Informações Consumidores Instalações Pessoais INPUT OUTPUT Se quiser entender o modelo de transformação, imagine, neste momento, uma padaria. Dentro dela há diversos ingredientes disponíveis. Então padeiros e confeiteiros empregam esforços e conhecimentos para que esses materiais sejam processados em fornos, batedeiras ou alocados em geladeiras, com o objetivo de que, ao finalizar a produção, os produtos finais abasteçam as diversas prateleiras e vitrines da padaria e sejam oferecidos pelos atendentes junto a um café quentinho e a outros produtos saborosos que uma padaria pode entregar. Somados a isso, o som ambiente, a simpatia dos funcionários e a facilidade no pagamento são exemplos de um modelo em transformação. Veja no Quadro 1, a seguir, alguns exemplos de processos de transformação em diversos segmentos: Operação Inputs Transformação Outputs Dentista Cirurgiões, equipamentos, pacientes Exames, tratamento, cirurgia O paciente com dentes saudáveis. Oficina mecânica Ferramentas,oficina, mecânico Troca da embreagem Reparo feito e já é possível trocar marchas sem problemas. Gestão da Produção 11 Linha aérea Aeronave, equipe de bordo, equipe de terra, passageiros. Traslado, movimentação de cargas Passageiros e cargas transportados. Quadro 1: Processos de input-transformação-output. Fonte: Adaptado de Slack et al. (2006). Os inputs são, portanto, recursos que podem ser transformados ou podem ser de transformação. São transformados quando compõem insumos, informações para processamento e clientes que irão consumir. E os recursos são, então, transformados em instalações, equipamentos. No caso da padaria, seriam transformados em fornos, geladeiras, estufas. As entregas ou outputs, como chamamos tecnicamente, são classificadas de diversas formas, como mostra o Quadro 2, a seguir: TANGIBILIDADE Podemos tocar no produto. ESTOCABILIDADE Pode ser estocado, mas na prestação de serviços pode ser mais difícil. TRANSPORTABILIDADE Podemos levar de um lugar ao outro. Ex.: celular, carro. E uma sessão de cinema, como pode ser transportada? Não é transportada. SIMULTANEIDADE Os bens são construídos antecipadamente, já a prestação de serviços permite a simultaneidade. Veja o exemplo do pintor contratado para pintar sua casa. Ele pode trabalhar por etapas e também pode receber à medida que o serviço é desenvolvido. CONTATO COM O CONSUMIDOR Na maior parte das vezes, não vemos a preparação dos produtos enquanto eles são fabricados; já na prestação de serviços, sim. Se você comprar ingressos para um show, o espetáculo é ofertado durante o consumo do show. QUALIDADE Este é o momento do teste do consumidor, mas primeiramente é importante definir “o que é” e “o que o consumidor final entende por qualidade”, pois do contrário a definição se torna difícil. Quadro 2: Modelo de transformação por meio dos outputs. Fonte: Adaptado de Slack et al. (2006). Gestão da Produção 12 Os sistemas de produção têm por objetivo a fabricação de bens e a prestação de serviços e informações ao consumidor. O Quadro 3, a seguir, apresenta elementos importantes para a formação do sistema de produção: Fator: Significa: Eficácia Representa o resultado da aferição o mais próximo do esperado em termos de resultados. Eficiência Representa a relação entre insumos (entradas) e resultados (outputs). Desempenho É como podemos observar se os resultados esperados foram atingidos por meio da performance. Insumos São representados por matéria-prima, profissionais e recursos utilizados no processo de obtenção dos resultados. Quadro 3: Sistemas de produção. Fonte: Adaptado de Martins e Laugeni (2015). 3. Produtividade – Administração e Avaliação da Produtividade A administração da Produção, como pôde ser compreendido até aqui, representa a habilidade que o Gerente de Produção tem de fazer uso dos recursos de produção na obtenção de resultados, que são observados na entrega de bens ou serviços. O fluxo de mercadorias, prestação de serviços e circulação econômica em um país ilustra como está sua atividade produtiva. Diversos mecanismos são postos a serviço do consumo para estimular a indústria e o comércio, a fim de que mais pessoas consumam e, assim, os bens e serviços em uma sociedade de consumo passem a circular. O livre mercado, a renda disponível, os juros controlados e o acesso a crédito compõem o cenário ideal para a Gestão da Produção, pois há um mercado faminto por consumo. As operações e a organização da produção fazem uso de diversas ferramentas de Gestão da Qualidade no aprimoramento de procedimentos (operações) e execução de processos, como: 5S, PDCA, Ishikawa, Checklist, Diagrama de GUT e outras que sejam capazes de garantir resultados positivos. Gestão da Produção 13 Para o aprimoramento das operações produtivas, a Gestão da Produção revisa constantemente o projeto de produto e processos. O projeto de produto é constituído por reformulações no produto que visam aumentar a atratividade do bem pelo consumidor. Já os processos fluem em consequência desse objetivo de melhoria. A melhoria, portanto, faz uso de recursos que podem facilitar o processo de aquisição do bem ou serviço pelo consumidor, como: layout, ponto de venda, local de trabalho, colaboradores, meio ambiente, legislação, mídias sociais, responsabilidade social. A avaliação da produtividade considera insumos, recursos, resultados. A melhor relação entre tais elementos pode representar alta ou baixa produtividade. Claro que o maior retorno em relação ao que foi investido é o objetivo de qualquer sistema produtivo. A Avaliação da Produtividade pode ser descrita da seguinte forma: O P diz respeito à Produtividade, e a divisão representa a relação entre output e input do processo. = output P input A seguir, veremos alguns exemplos que permitirão uma melhor compreensão sobre esse sistema de verificação da produtividade: a. Produtividade de funcionários na empresa Cedar, que atendeu, em um dia, a 3240 clientes, com uma força de trabalho de 135 funcionários. P = 3.240/135 P = 24 Nesse exemplo, a produtividade é de 24 atendimentos por funcionário. b. A empresa Telesim produziu 1280 unidades de subcomponentes em um dia para uma empresa-cliente que fabrica antenas celulares, com um total de 700 hh (relação de homem/hora, métrica muito utilizado na indústria). P= 1.280/700 P = 1,82 Nesse exemplo, a produtividade da mão de obra foi de 1,82 unidades/hh. Ou seja, a produtividade foi de quase de duas unidades produzidas por cada funcionário por hora. Nesse capítulo, foi possível chegar à compreensão dos fatores históricos e evolutivos que fazem parte da Gestão da Produção. Com isso, foi possível obter uma melhor percepção dos desafios e soluções envolvidos Gestão da Produção 14 no desdobramento da Gestão da Produção presente na sociedade ao longo de sua existência. A Gestão da Produção apresenta aos gerentes diversos recursos por meio dos quais esses profissionais são desafiados a gerar ganhos produtivos, com excelentes performances de resultados. E o importante, nesse contexto, é a aferição de resultados, medida que permitirá a análise comparativa entre o antes e o depois da intervenção no processo de trabalho. Para que seja possível medir e, a partir disso, avaliar se há melhoria percebida no processo de trabalho, os cálculos de produtividade são ferramentas adequadas para verificar se os resultados estão refletindo a estratégia de operações empregada. Nesse contexto, os cálculos de produtividade representam mais um recurso disponível à Gerência de Operações. Agradeço pela sua atenção! Sempre revise os conteúdos a fim de facilitar sua compreensão, aprendizagem e evolução nessa disciplina. Referências CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. A. Administração de produção e de operações. São Paulo: Atlas, 2009. MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração da produção. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2015. RITZMAN, L. P.; KRAJEWSKI, L. J. Administração da produção e operações. São Paulo: Pearson, 2004. SLACK, N. et al. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 2006. Gestão da Produção 15 Gestão da Produção Papel Estratégico e Objetivos da Produção Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Vilson Vieira. 1ª Edição Copyright © 2021, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Sumário Papel Estratégico e Objetivos da Produção Para Iníciode Conversa... ............................................................................... 4 Objetivo ......................................................................................................... 4 1. Papel da função produção ....................................................................... 5 2. Objetivos de desempenho ......................................................................... 6 3. Estratégia de produção .............................................................................. 9 Referências ......................................................................................................... 13 Gestão da Produção 3 Para Início de Conversa... A Estratégia de Produção é elaborada a partir do Planejamento Estratégico da Organização, o que trará influências diretas no Planejamento Operacional da Organização. O Planejamento Operacional é composto em seu conteúdo por decisões, políticas e atividades que irão sustentar as atividades em uma empresa voltada à produção de itens ou, então, à prestação de serviços para os clientes de uma empresa. Para atingir resultados e atender a demandas, as organizações desempenham esforços em suas operações que são de vital importância para a saúde das operações da empresa, todos voltados à estratégia da organização. A gestão da produção sempre estará atuando em potencializar ao máximo o uso de recursos e, para isso, existem os objetivos de desempenho na produção, sendo eles relacionados a qualidade, rapidez, confiança, flexibilidade e, por fim, a ações e à elaboração de diversos controles operacionais que contribuam para a redução de custos. Objetivo Identificar a importância da atividade produtiva na geração de diferenciais competitivos para as organizações. Gestão da Produção 4 1. Papel da função produção Ao longo da unidade anterior, foi possível compreender o aspecto histórico da gestão da produção e as bases para o funcionamento dos sistemas de produção que sustentarão toda a produção, a fim de que as atividades produtivas da organização possam funcionar. Tendo essa compreensão, agora poderemos entender o papel estratégico e os objetivos de produção. Figura 1: Sistemas de produção Fonte: Martins; Laugeni, 2015. As empresas contêm áreas diversas, cada uma com um papel a ser desenvolvido. Um exemplo é o fato de que a área comercial deve, por natureza: Mão de Obra Empresa Capital Energia Produtos Serviços Outros Insumos Fronteira do Sistema Funções de Transformação ▪ cuidar da captação de clientes, da divulgação de produtos e serviços; ▪ facilitar a aquisição de itens que a empresa vende em seus canais de distribuição. Já a área de recursos humanos cuidará da definição de cargos e salários, seleção de candidatos, exames periódicos, pagamentos de salários e outros papéis relacionados aos empregados. O papel da produção, portanto, está relacionado a todas as atividades necessárias ao funcionamento de suas áreas, para que, dessa forma, sendo bem gerida, possa entregar produtos e serviços dentro de padrões de qualidade definidos e que operem a custos razoáveis que garantam bons resultados no fluxo de caixa da empresa. Ao desempenho de todas as tarefas para atender o papel da função produção chamamos de operações ou atividades organizacionais. Para atingir bons resultados no cumprimento de suas atividades, as empresas empenham esforços em suas operações, sendo três aspectos de vital importância para a saúde das operações da empresa: a. Esforços para atender às estratégias da organização. b. Esforços na implementação da estratégia de negócio. c. Esforços em impactar o desdobramento das estratégias de negócio. Gestão da Produção 5 Figura 2: Os três papéis da função produção Fonte: Slack, 2006. A Figura 2 ilustra os três esforços que a organização, por meio das suas operações, deve direcionar no uso de todos os recursos e meios de produção disponíveis ao proporcionar, em suas atividades, as estratégias definidas de forma institucional. Nisso, a área de operações conta com o esforço de funcionários, gerentes, consultores em trazer a realidade à estratégia da organização. O papel da produção e operações está em executar, em suas atividades, a estratégia do negócio, que pode ser visto em: processos de trabalho; desempenho dos funcionários; instalações; manuseio de equipamentos; e, por último, gerar diferencial, ruptura de processos, inovação e demais Produção como seguidora “Apropriada” para a estratégia A produção deve apoiar a estratégia desenvolvendo objetivos e políticas apropriadas aos recursos que administra Produção Estratégia Produção como líder “Impulsionadora” da estratégia A produção deve fornecer os meios para obtenção de vantagem competitiva ProduçãoEstratégia Produção como executora “Implementadora” da estratégia A produção deve “fazer a estratégia acontecer”, transformando decisões estratégicas em realidade operacional Produção Produção Produção Estratégia elementos que, para o cliente, sejam percebidos como grande de valor, sem, necessariamente, encarecer seus produtos em relação ao mercado. 2. Objetivos de desempenho Durante o desenvolvimento das operações, um bom gestor deverá conhecer quais são os objetivos de desempenho esperados no desenvolvimento das atividades e tarefas nas diversas áreas ou setores da organização. Os objetivos de desempenho são, então, voltados ao desenvolvimento de tarefas de forma correta, com considerável agilidade nos processos. Além disso, deve atender a prazos e metas com disponibilidade e reserva técnica para a inovação, toda vez que necessário. Essas são atividades que prezam pelo menor custo operacional e maiores margens de lucro. A seguir, no Quadro 1, serão descritos os objetivos de produção. QUALIDADE RAPIDEZ CONFIABILIDADE FLEXIBILIDADE CUSTO Quadro 1: Objetivos de desempenho na produção Fonte: Adaptado de Slack, 2006. Gestão da Produção 6 O Quadro 1 descreve os cinco objetivos básicos no desempenho da produção e operações, estando o aspecto qualidade voltado ao desenvolvimento de forma correta das atividades necessárias ao desenvolvimento das tarefas. A qualidade nas tarefas traz um sentido subjetivo, que pode ser melhor descrito quando entendemos que fazer o certo nos leva à qualidade do que desenvolvemos. Isso pode ser percebido internamente na empresa e também por parte dos clientes, que demandam por produtos e serviços da organização. A qualidade nas operações também reduz desperdícios, custos operacionais e o retrabalho que, em muitas vezes, traz o sentimento de frustração em ter de refazer uma atividade, pois houve defeito em alguma das etapas. E nós sabemos o quanto é desanimador refazer uma tarefa. Manter constância no processo de produzir com qualidade nos remete a outro aspecto: a confiança. Créditos são atrelados a processos que operam de forma constante, com qualidade e custos reduzidos. A rapidez também é apresentada no Quadro 1 como sendo um objetivo de desempenho na produção, compreendido no tempo necessário para o cliente ser atendido (SLACK, 2006). A rapidez traz diversas vantagens para as operações, sendo a redução de ativos uma grande possibilidade. O volume em estoque pode receber maior rotatividade e operar em volumes menores, ao fazer com que sempre tenhamos mercadoria com prazo de vencimento maiores, por ficar pouco tempo em estoque. A agilidade nas operações cria uma reserva técnica para as possíveis contingências de mercado, o que traz para a gestão de operações mais oxigênio para pensar em ações e estratégias diante de imprevisibilidades. O terceiro objetivo no desempenho na produção está relacionado à confiabilidade, observada toda vez que o cliente é atendido no tempo combinado. Então, é desdobrada a confiabilidade em diversos aspectos, como nos processos internos de trabalho, o que traz confiança para a equipe e respeito entre os demais colaboradores daempresa. Atribui-se a confiabilidade nas operações aos aspectos relacionados à redução do tempo para atingir o cumprimento de tarefas, à redução de Gestão da Produção 7 desperdícios, ao maior valor das operações internas e ao reflexo de todos os elementos somados à estabilização e à consolidação de atividades, garantindo processos mais ágeis. A flexibilidade representa o penúltimo objetivo atrelado à produção, que objetiva a facilidade em trazer inovação em processos toda vez que for necessário. Essa ousadia operacional destaca o domínio do processo de trabalho por parte de colaboradores, gestores e equipamentos inseridos nos processos produtivos. A flexibilidade pode ser observada na organização ao garantir: produtos e serviços diversos; possibilidades de combinações de produtos, de serviços e de diversificadas, quantidades; disponibilidade de entrega ao consumidor variadas. Esses são, então, desdobramentos da função flexibilidade em operações. E o último objetivo de produção chama-se custos, principalmente em mercados em que a disputa entre os concorrentes está no preço cobrado pelo seu produto. Assim, qualquer redução, de forma responsável, representa a possibilidade de oferta ao consumidor de preços menores, sem abrir mão da lucratividade. Esse representa o grande foco da gerência de operações e, assim, a boa gestão de processos internos pode “dar conta” dessa missão. Em que local se verifica, na prática de mercado, a possibilidade de redução de custos? Onde o mercado tem operado reduções de custos: investimento em folha de pagamento, investimentos em tecnologia e automação de processos, investimentos em ativos, como matéria-prima parada em estoque. Mudança nos processos de operação da empresa por modelos mais ágeis em que o próprio cliente faça parte do processo. Como exemplo, tecnologias bancárias, em que o consumidor paga suas contas ao fazer uso do seu computador, celular e internet, efetuando o pagamento da conta não fazendo uso das instalações do banco. Observe a Figura 3. Rapidez Tempo de entrega reduzido Preço baixo, margem alta ou ambos Entrega confiável Frequencia de lançamento de novos produtos/ serviços Ampla variedade de produtos / serviços Ajustes de volume e entrega Produtos/ serviços sob especificação Produção rápida Alta produtividade total Processos isentos de erro Habilidade para mudar Operação confiável Confiabilidade Efeitos internos dos cinco objetivos de desempenho Qualidade Flexibilidade Custo Efeitos externos dos cinco objetivos de desempenho Objetivos de desempenho Figura 3: Objetivos de desempenho Fonte: Slack, 2006. Gestão da Produção 8 De forma geral, a combinação de todos os objetivos de produção contribui para a redução dos custos de produção, em que se espera da gestão maturidade e iniciativa para agir e obter domínio de todos os processos produtivos que tornam concretos a entrega do produto e a realização do serviço para o público-alvo da empresa. 3. Estratégia de produção Uma vez definido o caminho e os objetivos para chegar ao resultado esperado, a estratégia de produção direciona os objetivos de produção para atender aos objetivos estratégicos definidos pelo planejamento estratégico da empresa. A área que mais é exigida por apresentar fidelidade às estratégias da organização é, sem sombra de dúvidas, a gestão da produção, pois seus resultados dão sentido à estratégia. As organizações são carentes de profissionais com atuação estratégica que sejam capazes de entender o mercado e saber direcionar os recursos da organização para metas que levem ao atendimento ao planejamento estratégico voltado à gestão da produção. Um bom executivo é aquele que consegue fazer a leitura correta de mercado e adaptar a organização ao atendimento de metas que sustentam seu planejamento. A seguir, a Figura 4 apresenta a responsabilidade da gestão da produção no processo de cumprir metas e objetivos organizacionais. Figura 4: Estratégia de produção Fonte: Slack, 2006. A estratégia de produção é desdobrada em áreas ou setores da empresa e, por sua vez, é aplicada aos processos de trabalho que objetivam atender aos objetivos da estratégia organizacional nos procedimentos de trabalho, recebendo o nome de estratégia operacional. A estratégia operacional define como os processos da organização serão conduzidos com o objetivo maior de atender aos objetivos da organização. É, então, na prática a execução das decisões para Recursos de entrada a serem transformados Materiais Informação Consumidores Instalações Pessoal Recursos de entrada (input) Saídas: produtos e serviços (output) Recursos de entrada de transformação Administração da produção Projeto Melhoria Estratégia de produção Planejamento e controle Estratégia de produção Papel e posição competitiva da produção Consumidores Objetivos estratégicos da produção Ambiente Ambiente Gestão da Produção 9 atender a resultados definidos no planejamento estratégico. Veja a responsabilidade da gestão de operações e sua importância para a saúde financeira da empresa. A composição da estratégia de produção representa o mix de decisões, planejamento, atitudes e ações voltadas ao desdobramento de suas atividades produtivas na elaboração do produto e na prestação do serviço ao consumidor. Os objetivos de produção descritos na seção anterior são também direcionados sob influência de fatores voltados a demandas dos clientes da organização, muito em resposta aos concorrentes da organização e, também, ao grau de maturidade do ciclo de vida de produtos que a organização ofereça a seu público. Constantemente, a avaliação e a análise de seus pontos fortes e pontos fracos relacionados com a organização são atitudes benéficas por parte do executivo de uma empresa. Assim, a renovação e a inserção de elementos novos no processo de produção representam atitude saudável e favorável à reinvenção e à modernização da empresa na disputa de fatia de mercado diante da concorrência, em que diversas influências delineiam os objetivos estratégicos. Um dos fatores que exercem influência nos objetivos estratégicos da empresa são os seus consumidores, pois, para eles, a estratégia de produção deve existir. Desse modo, a percepção dos clientes que estão sendo atendidos gera percepção de valor e qualidade em relação à marca do produto que comercializa, culminando em fidelização e boa propaganda. Assim, saber fazer a leitura exata dos desejos dos consumidores e traduzir em produtos e serviços faz parte das atividades desenvolvidas pelos executivos da organização. Existe, para tal, critérios prioritários na formulação de estratégias competitivas, como: percepção do consumidor como motivo maior em adquirir o produto; fatores que classificam o produto de uma empresa como o melhor a ser adquirido; influências que afetam a decisão do consumidor em investir seu recurso na aquisição do produto de uma empresa e, não, de outra. Mais um fator não pode deixar de ser informado como importante na formulação de estratégias de produção: o desempenho dos concorrentes. E uma atenção especial deve ser direcionada à organização que demonstra ações concretas em entregar a seu público o que os clientes demandam. Nesse sentido, a concorrência cumpre um papel de separação. Ganha destaque, então, a estratégia de produção mais fiel a Gestão da Produção 10 seu público. A concorrência deixa de ser ameaça para representar efeito positivo, ao evidenciar o bom trabalho de quem traduz melhor o desejo do consumidor. O resultado disso está no aumento de vendas. O ciclo de vida dos produtos traz grande influência na formulação de estratégias de produção, pois nada é eterno e novos produtos devem ser inseridos no portfólio da empresa ou, ainda que mantidos, devem receber “incrementos” e serem modernizados, principalmente, na época presente, em que a internet acelera os processos de comunicação e disseminação da informação entreos usuários, sendo um desafio e tanto para a área comercial. Gráfico 1: Ciclo de vida do produto Fonte: Martins; Laugeni, 2015. Introdução Crescimento Maturidade Declínio TEMPO A figura acima traz o ciclo de vida do produto e demonstra a necessidade de avaliação constante, ou seja, se o produto ou o serviço disponível atualmente na organização está em alinhamento com o mercado e em consonância com o consumidor. O mercado ainda aponta mais estratégias operacionais em uso, como estratégias estruturais que recriam ambientes de negócios, modificando sua estrutura organizacional. Isso pode acarretar redução de custos, mas é vital atentar ao fato de que tais reduções não devem baixar o nível de serviço prestado, culminando em insatisfação. A estratégia voltada à estrutura da organização também pode afetar a sua infraestrutura. Investimentos tecnológicos e por meio de automação podem tornar desnecessários grandes espaços e instalações. Outra estratégia inovativa é relacionada ao desenvolvimento do produto, tendo destaque a inovação disruptiva, ao apresentar produtos que modificam toda a cadeia produtiva de consumo e apresentando novos mercados. Um exemplo dos nossos tempos são os aplicativos de transporte, fretamentos de transportes, bancos digitais, fintechs, economia circular e demais inovações recentes. A seguir, será apresentado o Quadro 2, que resume os elementos influenciadores da formulação da estratégia de produção. Gestão da Produção 11 Estratégia de produção Desdobramento das áreas ou setores da empresa, em que, por sua vez, são aplicadas decisões aos processos de trabalho Estratégia operacional Define como os processos da organização serão conduzidos Demandas dos clientes Aceitação de mercado Concorrentes Ganha o que traduz melhor os desejos do consumidor Percepção dos clientes Como o cliente vê a empresa O ciclo de vida Tempo de vida de cada produto Estrutura Inovação na estrutura e processos organizacionais Infraestrutura Mudanças no layout Inovação Inovação disruptiva Quadro 2: Elementos influenciadores da formulação estratégica Fonte: Elaborado pelo autor, 2020. Neste capítulo, foi possível compreender o papel da função produção e seus desdobramentos inseridos nos sistemas de produção, que abrange todas as operações desenvolvidas nos processos produtivos para atender o cliente. Desse modo, foi possível perceber que são diversos os esforços para atender às estratégias voltadas ao desenvolvimento da gestão direcionada a entregar produtos e serviços dentro de padrões de qualidade definidos que operem a custos razoáveis, representando lucratividade para a organização. A gestão da produção estará sempre relacionada a: execução de tarefas, operacionalização de políticas, decisões quanto ao desenvolvimento das atividades, manuseio e uso de recursos operacionais da empresa. Compreendemos que os objetivos de desempenho são relacionados a aspectos como qualidade, rapidez, confiabilidade, flexibilidade e custos. Vimos, assim, que gestão da produção traz grande responsabilidade no desdobramento de suas operações, pois está diretamente voltada à sobrevivência da organização. Gestão da Produção 12 Referências CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. A. Administração de produção e de operações. 1. ed. São Paulo, Atlas: 2009 MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração da produção. 3. ed. São Paulo, Saraiva: 2015. RITZMAN, L. P.; KRAJEWSKI, L. J. Administração da produção e operações. São Paulo, Pearson: 2004. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; HARLAND, C, HARRISON, A.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. 1. ed. São Paulo, Atlas: 2006. Gestão da Produção 13 Gestão da Produção Arranjo Físico Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Vilson Vieira. 1ª Edição Copyright © 2021, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Sumário Arranjo Físico Para Início de Conversa... ............................................................................... 4 Objetivo ......................................................................................................... 4 1. Introdução ao conceito de arranjo físico .............................................. 5 1.1 A seleção pelo tipo de processo ....................................................... 6 2. Tipos básicos de arranjo físico ................................................................. 8 2.1 Projeto detalhado de arranjo físico ............................................... 9 Referências ........................................................................................................12 Gestão da Produção 3 Para Início de Conversa... As atividades de trabalho nas empresas são realizadas por meio dos processos produtivos que, por sua vez, são desenvolvidos por meio da aplicação dos recursos organizacionais. Conhecer os tipos de arranjos físicos é o que iremos aprender ao longo deste capítulo. Para seu conhecimento, o arranjo físico representa um recurso organizacional no qual funcionários trabalham, produtos são montados e o serviço é prestado ao consumidor final da empresa. Saiba que os arranjos físicos são aplicados conforme as características da organização, recebendo influência do processo produtivo. Assim, a escolha do arranjo físico ideal é feita pelos gestores que gerenciam as operacionais adotadas nas atividades produtivas da instituição. Ao final deste capítulo, será apresentado o projeto detalhado do arranjo organizacional, com os diversos tipos de arranjo físico, o que contribuirá para escolhas mais acertadas por parte dos gerentes de produção diante de decisões relacionadas ao desenho organizacional, a fim de atender com maior precisão metas e desafios da organização. Objetivo Conhecer os tipos de arranjos físico e sua influência sobre o processo produtivo. Gestão da Produção 4 1. Introdução ao conceito de arranjo físico O arranjo físico traz em sua composição a preocupação com o posicionamento ou a localização física dos recursos empregados no processo de trabalho ou de produção. Em uma linguagem mais precisa, trata-se da posição na qual serão postos equipamentos, produtos, estantes, esteiras, mobiliários necessários ao desenvolvimento de tarefas e de atividades. O arranjo físico deve existir para atender às necessidades da operação (processos de trabalho) e, não, o contrário, ou seja, a operação atender ao arranjo físico, pois esta última ordem denota uma interpretação errada da natureza das atividades e, com certeza, o pouco uso produtivo dos recursos. De forma geral, a mudança de posicionamento de gôndolas em um mercado ou em uma farmácia, das salas e mesas em um escritório ou salas de atendimento médico em um consultório afeta o funcionamento das operações e o fluxo de processos de trabalho, além de interferir de forma direta no resultado e na entrega dos resultados. Por esses e outros tantos motivos, a importância do estudo sobre arranjo físico. A estratégia de operações escolhida pela organização no desdobramento de sua escolha pelo arranjo físico ideal apresenta intenções claras, que são expressas em: inovação, custos, otimização e confiança. Observe o quadro a seguir. Objetivos Incremento ao processo Inovação Fluidez nos processos do início ao fim Criatividade e inovação em processos mais ágeis Custos Redução de custos com deslocamento de matéria-prima Uso mais inteligente dasinstalações da empresa Otimização Adequação da utilização de investimentos em recursos humanos ao longo das atividades Interatividade e processos comunicacionais entre os integrantes da atividade de trabalho Confiança Formas diferenciadas de trabalho com tempos menores e menos recursos ao longo das atividades Garantia de insumos no processo produtivo e redução da incerteza Clareza das atividades, permitindo adaptações sem perder a qualidade no processo Quadro 1: Objetivo das atividades Fonte: Elaborado pelo autor, 2020. Gestão da Produção 5 Há razões técnicas que levam gestores a pensar a importância do arranjo físico no desenvolvimento das atividades de trabalho, sendo merecedoras de destaque as apresentadas a seguir: a. Tempo investido ao longo do processo, custos e resultados observados. b. Mudanças no intuito de alcançar um novo arranjo físico podem trazer paralisações no processo e insatisfações, uma vez que a escolha do dia e da hora para alterar o arranjo físico são dilemas a serem discutidos. c. A necessidade de simular a operação antes da mudança, seja por meio de ferramentas de análise quantitativa, análise de caso, observações que incluam benchmark, são movimentos prévios que podem evitar resultados inferiores à operação atual. 1.1 A seleção pelo tipo de processo Antes da escolha pelo tipo de arranjo físico a ser adotado nas operações que a empresa deseja fazer uso, é necessária a escolha do tipo de processo ideal para a sua operação. Assim, são considerados os aspectos de volume e variedade. O entendimento de volume-variedade faz a interação com as operações adotadas pela organização, pois, atender a volumes relativamente pequenos exige investimentos menores e operações com baixa complexidade, e o contrário faz com que o investimento em recursos seja voltado à maior produtividade dos atores envolvidos. Já as operações que lidam com pouca variedade têm adaptabilidade pequena; contrária a essa forma de operação estão as empresas que atuam com grande variedade. Nesse contexto, a interação com os recursos e o tipo de processo de trabalho irão determinar a lucratividade da organização. Nos processos de transformação de recursos, nos quais o objetivo é a produção do produto, a indústria é desafiada com processos produtivos que são destacados a seguir: Processos Características Projeto Tipo de processo que produz itens customizados e leva um tempo considerável para a sua execução. Exemplo: móveis sob medida Jobbing Grande variedade, volumes consideravelmente baixos e compartilha recursos, diferentemente da estrutura de projeto. Exemplos: costureira, sapateiro, ourives Lote ou Batelada Com variedade muito reduzida, produz por períodos grandes quantidades de um produto. Exemplos: produção de iogurte, pão, cerâmica Gestão da Produção 6 Produção em Massa Volumes altíssimos e variedade muitíssimo reduzida. Exemplos: produção de geladeira, TV, veículo Contínuos Aplicações produtivas em que o volume é ainda maior que a produção em massa, tendo a variedade mais reduzida ainda. Operam em algumas indústrias em regimes sem interrupção. Exemplos: petrolíferas, setores de siderurgia Quadro 2: Processos de produção Fonte: Adaptado de Slack, 2006. Agora, observe os processos de transformação de recursos, em que as atividades são de prestação de serviços: Processos Características Serviços profissionais Voltado para a prestação de serviço com grande interação com o consumidor. Sua produtividade se dá pelo número de atendimentos por funcionário. Exemplos: serviços profissionais como dentista, contador, cirurgião Lojas de serviço Representados pela prestação de serviços com grande interação com o público, alto poder de decisão por quem está na linha de atendimento. Conta com processos de retaguarda, escritórios centrais em apoio à atividade principal. Exemplos: serviços bancários, lojas de departamento, universidades Serviço de massa Envolve pouca adaptação ao cliente e, por ser serviço de massa, conta com grandes volumes de clientes. Exemplos: serviços de energia elétrica, televisão, telefonia, metrô Quadro 3: Processos de prestação de serviço Fonte: Adaptado de Slack, 2006. Os processos que envolvem serviços são classificados pelo volume e pela variedade, em que os serviços de caráter profissional apresentam maior adaptação pelo público ao qual atendem. Contudo, não contam com grandes volumes. Já a prestação de serviços com o viés em lojas de serviço é impelida a apresentar maior grau de adaptabilidade em um volume maior, porém, não se compara a grandes quantidades. Há, portanto, uma proporcionalidade entre variedade e volume. As operações em massa não apresentam flexibilidade para decisões customizadas, em função do grande volume que opera. Assim, qualquer mudança implica impossibilidade da operação e da prestação de serviço ao grande público envolvido diariamente em suas operações. O grande volume justifica a falta de customização do processo. Observe a seguir, a Figura 1. Gestão da Produção 7 Figura 1: Tipos de processos em serviços Fonte: Slack, 2006. 2. Tipos básicos de arranjo físico Após definido o processo de trabalho em que a organização desenvolverá as suas operações, o próximo passo é definir qual o tipo de arranjo físico que será adotado para atender às estratégias da organização. Arranjo físico básico é defido como os recursos que serão distribuídos para atender aos objetivos de produção/atendimento ao público da organização. Para atender às necessidades das operações, são Serviços Profissionais Baixo Baixo Alto Ve lo ci da de Volume Alto Lojas de Serviços Serviços de Massa distribuídos por quatro formas de arranjos produtivos, conforme o quadro a seguir: Arranjo Físico Características Posicional Neste tipo de layout, os recursos transformadores movimentam-se em função do objeto em transformação e diversos são os motivos para esta ordem, que pode ser em função de tamanho, peso, complexidade, periculosidade. Exemplos: paciente sendo operado, estaleiro, construção de uma ponte Processos Em razão da natureza da atividade, este tipo de layout requer importância específica ao longo das atividades em um processo produtivo. Exemplo: supermercado separado por setores e áreas como padaria, açougue, peixaria; em um hospital, a sala para exames de tomografia, raios X Celular Atende a uma parte específica do processo que não interage diretamente com todas as outras etapas do processo. Exemplos: pequena lanchonete dentro de um supermercado, área neonatal em um grande hospital Produto Neste tipo de layout, a sequência de atividades é comum a qualquer produto em processamento em que todas as etapas são cumpridas. Exemplos: montadora de veículos, restaurante self-service, produção de papel Quadro 4: Tipos básicos de layout Fonte: Adaptado de Slack, 2006. Gestão da Produção 8 Ao analisar os tipos de layouts e suas aplicações conforme a variedade e o volume, os quatro tipos básicos assumem comportamentos diferentes, conforme a natureza de sua operação. O arranjo físico posicional traz grande variabilidade, porém, atende a volumes menores em razão de sua especificidade, como no exemplo de uma cirurgia do coração. Médicos, enfermeiros, equipamentos ficam em volta do paciente a ser operado, na torcida para que seja sempre um sucesso a operação. O modelo por processo tem por objetivo eleger áreas de excelência para melhor atender a seu público. O exemplo do mercado foi bem interessante, por lidar com variedade específica e volume de igual característica quando separados em um supermercado em setores. No modelo celular, a variedade diminui, mas o processo é fiel à proposta de atender a volumes maiores. Observe que não teria sentido saborear aquela coxinha com refrigerante e ter de ir até o caixa do mercado para pagar. Faz sentido ter uma lanchonete dentro do supermercado, ali mesmo fazer a pequena refeição e pagar, configurando um arranjo físicopequeno. E o arranjo por produto tem variabilidade menor, porém, com grandes volumes de atendimento como no caso de processos de produção industrial. Apresenta os processos definidos, assim como equipamentos e linha de montagem, dispostos a atender grandes volumes. Figura 2: Variedade e volume no tipo de layout Fonte: Slack, 2006. 2.1 Projeto detalhado de arranjo físico Os arranjos físicos podem combinar mais de uma arrumação, recebendo o nome de arranjos mistos. Esta combinação ocorre para enriquecer a qualidade dos serviços disponíveis. Arranjo físico posicional Arranjo físico por processo Arranjo físico celular Arranjo físico por produto Baixo Baixo Fluxo regular mais importante Alto Fluxo é intermitente Fluxo torna-se continuo Alto Volume Ve lo ci da de Fl ux o re gu la r m ai s fa ct ív el Gestão da Produção 9 O caso exemplar de um grande hospital pode combinar o layout por processo, que são as diversas especialidades distribuídas ao longo de suas instalações e, dentro de cada departamento, ter outra combinação no seu arranjo físico. Como exemplo, a combinação de arranjos: por processo: radiologia, posicional; centro cirúrgico; e por produto: hemocentro, (SLACK, 2006). O volume e variedade são quesitos essenciais na escolha do arranjo físico ideal para a atividade produtiva. Quando há grande variabilidade e volume baixo, a escolha do layout não deve considerar fluidez e, sim, a especificidade do processo. Já quando o volume é demasiadamente alto e a variabilidade é baixa, o fluxo do processo torna-se o foco das operações e a escolha do layout. A relação volume e variedade nos leva à reflexão: uma vez que, em processos produtivos, há um movimento crescente no volume, isso representa o momento ideal para decidir sobre a escolha do layout predominante e quando a variabilidade diminui, além de também ser o momento de rever o layout adotado em face da saúde financeira e da produtividade do processo. No quadro a seguir, serão descritos os aspectos positivos e negativos de cada tipo de layout. O layout certo é aquele que traz equilíbrio entre investimento, produtividade e satisfação do consumidor. Tal tripé representa a sustentabilidade dos processos produtivos. Layout Vantagem Desvantagem Posicional Flexibilidade no mix de produto Custo unitário alto Alta variedade de tarefas Pode trazer muita movimentação Mobilidade impossível Programação de espaço Processo Alta flexibilidade de mix de produto Baixo uso de recursos Supervisão de equipamentos fácil Fluxo pode ser de difícil controle Robusto no caso de interromper etapas Pode ter alto estoque em processo ou filas de espera Gestão da Produção 10 Celular Trabalho em grupo pode trazer vantagens motivacionais Pode reduzir níveis de uso de recursos Pode ser positiva a relação custo x flexibilidade Pode ser caro configurar o espaço físico Produto Baixo custo unitário para altos volumes Pode ter baixa flexibilidade de mix Movimentação de clientes e materiais convenientes Trabalho pode ser repetitivo Quadro 5: Vantagens e desvantagens dos tipos básicos de layout Fonte: Adaptado de Slack, 2006. O estratégico da organização deve ter a ideia dos aspectos vantajosos e não vantajosos em cada tipo de layout, pois a escolha do tipo ideal acarretará operações mais fidedignas à natureza da operação em processo. Em toda atividade de negócio, é preciso investir para a obtenção de receitas e não há negócio em que não exista algum tipo de perda. Assim, sempre teremos de pensar que, para gerar resultados, investimentos são necessários, e qualquer negócio contém também algum tipo de perda. Ao longo deste capítulo, foi possível compreender a importância do arranjo físico no projeto de investimentos relacionados aos recursos materiais da organização e que a escolha certa do tipo de arranjo físico contribui para a obtenção de melhores resultados operacionais. Também foi possível conhecer os diversos tipos de processos de transformação, além de entedermos que o tipo de atividade empresarial aponta o tipo de processo a ser adotado pela organização. De forma complementar aos processos de produção, aprendemos que também existem os processos de atendimento a serviços, representados por serviços profissionais, de loja e de massa. Ao final de nosso estudo, fomos apresentados ao projeto detalhado dos tipos de arranjo físico, que entendemos exercer influência direta nas escolhas do desenho organizacional, a fim de atender às metas e aos desafios da organização. Sempre que precisar, volte e releia as partes importantes deste conteúdo, pois ele traz explicações muito importantes para o entendimento dos processos de operações nas empresas. Gestão da Produção 11 Referências CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. A. Administração de produção e de operações. 1. ed. São Paulo: Atlas: 2009. MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração da produção. 3. ed. São Paulo: Saraiva: 2015. RITZMAN, L. P.; KRAJEWSKI, L. J. Administração da produção e operações. São Paulo: Pearson: 2004. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; HARLAND, C, HARRISON, A.; JOHNSTON, R. Administração da produção. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2006. Gestão da Produção 12 Gestão da Produção Planejamento e Controle da Produção Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Vilson Vieira 1ª Edição Copyright © 2021, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Sumário Planejamento e Controle da Produção Para Início de Conversa... ............................................................................... 4 Objetivo ......................................................................................................... 4 1. A Natureza do Planejamento e Controle .............................................. 5 2. A Natureza do Suprimento e da Demanda .......................................... 9 2.1 Incerteza para Estabelecer o Fornecimento ................................ 9 2.2 Fatores que Geram Incerteza na Formação de Demanda ....... 10 2.3 A Demanda pode Apresentar-se de Forma Dependente ou Independente .......................................................................................... 11 3. Atividades de Planejamento e Controle ............................................... 12 Referências ........................................................................................................ 16 Gestão da Produção 3 Para Início de Conversa... Neste capítulo, iremos estudar o Planejamento e Controle para melhor atender aos níveis de demanda de uma organização. E para que isso seja possível, procedimentos de trabalho, treinamento, uso de equipamentos, somados ao trabalho dos colaboradores, dão vida ao Planejamento de Operações e o melhor resultado dessa interação, representa clientes satisfeitos e felizes com a experiência de consumo realizada. As atividades de Controle exercem influência direta na observância de procedimentos e tarefas que respondam de forma clara à proposta contida no planejamento de operações e não há como garantir o planejamento sem a intervenção do controle. Então, prepare-se para estudar e compreender o universo do Planejamento e Controle, suas características, importância e aplicação no ambiente das organizações. Objetivo Conhecer a aplicabilidade das principais técnicas e ferramentas para o Planejamento e Controle da ProduçãoPCP, compreendendo sua importância no contexto organizacional. Gestão da Produção 4 1. A Natureza do Planejamento e Controle As iniciativas empresariais direcionadas ao alcance da satisfação do consumidor, traduzem o empenho de gestores em busca da operação ideal para atender aos objetivos da organização e ser lembrada no imaginário de seu cliente consumidor. As atividades produtivas passam pelo planejamento de suas operações a fim de atingir o seu público-alvo por meio de treinamentos, processos de trabalho, layouts, metas, desafios de produção e controles que sejam parâmetros para a tomada de decisão. Podemos partir da seguinte pergunta: o que é Planejamento e Controle? Essa pergunta faz parte de nosso imaginário no início deste capítulo. Tenho a certeza de que você deve ter imaginado. Primeiro, vamos relembrar que, no capítulo 1, estudamos os processos de transformação de recursos: entrada + transformação = saída (produto ou serviço). Com isso, conhecemos os processos de produção. No capítulo 3, conhecemos os tipos de processos produtivos e layouts que compõem o sistema de produção da empresa (por meio do desenvolvimento de suas operações). Então, o Planejamento se faz ao projetar cenários, definir resultados e na construção de objetivos, associados a treinamentos, estrutura organizacional e investimentos em equipamentos e processos. A manutenção das operações produtivas da organização, exige que a gerência faça a aplicação de Controles nos processos de trabalho para que, com isso, consigam garantir o funcionamento das operações de forma eficaz com custos aceitáveis e níveis de produtividade relativamente altos. Para poder atender aos desafios de produção, se faz necessário que as tarefas desenvolvidas por meio do desdobramento das atividades e processos produtivos, tenham entregas suficientes para atender à demanda. E que esse atendimento ocorra no tempo certo, sempre com vistas a manter a qualidade desejada. Este, portanto, é o grande desafio das ações de Planejamento e Controle ao monitorar atividades produtivas (processos de trabalho). O uso dos recursos organizacionais empregados nos processos de trabalho adotados pela organização, somados ao layout utilizado. São, então, aplicados pela gerência de operações com o desejo voltado a atingir objetivos estratégicos com foco em qualidade nos processos, agilidade, confiança, adaptabilidade e custos reduzidos. Sobre gerência de operações, entende-se o trabalho desenvolvido por profissionais (chamamos de gerentes) que empregam seu tempo, esforços e inteligência em fazer acontecer o Planejamento Estratégico de Operações por meio da gestão dos recursos disponíveis. Tais recursos incluem: mão de obra, equipamentos e processos de trabalho. Gestão da Produção 5 A capacidade produtiva possível tendo como meio os recursos disponíveis da organização e a necessidade primária de atendimento à demanda são as duas grandes forças motrizes controladas pela gerência de operações que são atendidas pelas atividades voltadas ao Planejamento e Controle de Operações, que também pode ser chamada de Planejamento e Controle de Produção. A leitura por meio de relatórios, indicadores e controles de atividades exige dos gerentes de Produção, energia, ideias e comunicação para direcionar a equipe de trabalhadores a ações que possam ajustar a capacidade de atendimento de produção para satisfazer ao apetite da demanda de mercado (ao atender o volume de vendas). Para a conciliação do conjunto de forças entre capacidade de produzir e demanda dos clientes, as atividades de Planejamento e Controle da Produção, lança mão de tecnologias, processos de trabalho, ferramentas de gestão, softwares, expertises para gerenciar a produção, insights, benchmark e vantagem competitiva da organização. As atividades de Planejamento e Controle, em seu desdobramento, sofrem influências de fatores presentes nas atividades de qualquer negócio e devem sempre ser consideradas em nome da saúde financeira da empresa, sendo informado a seguir os fundamentos das atividades de Planejamento e Controle: Quem desenvolve as atividades de Planejamento de Operações deve ter a sensibilidade e consciência quanto aos recursos que gerencia e fazer contas em relação a todo o investimento empregado nas atividades da empresa. Ter o olhar responsável sobre o desafio em manter a lucratividade nas operações desenvolvidas deve ser ato consciente e marcado por atitudes gerenciais, pois tal postura demonstra ser honesta por parte de gestores diante do seu empregador e clientes. A consideração sobre a capacidade produtiva é outro fator crucial na tomada de decisão. Assumir compromissos com o cliente e não poder atender em razão da falta de funcionários ou, ainda, porque não é possível atender a um aumento de demanda de mercado são aspectos a Consideração aos custos envolvidos Realidade da Capacidade Instalada Percepção temporal Adequação à qualidade b c d Gestão da Produção 6 que as ações e iniciativas, relacionadas ao Planejamento e Controle devem se antecipar. Justamente para garantir que seja possível atingir os objetivos contratados (definidos) e a garantia da manutenção das atividades da organização com visão clara por meio de seus gestores dos limites de produção da empresa. O domínio do ciclo produtivo e também das etapas necessárias à produção ou prestação do serviço são elementos que se somam às atividades de Planejamento e Controle de Operações, sendo prevista a entrega em tempo aceitável do pedido do cliente. O olhar para a qualidade completa os fundamentos do Planejamento e Controle, pois os diversos produtos resultantes das atividades de produção da organização, juntamente com os serviços ofertados, devem estar dentro de uma faixa adequada de aceitação do seu público-alvo. A relação entre o Planejamento e o Controle são complementares, pois um traz a possibilidade de materialização de resultados (Planejamento) se atuar conjuntamente com o outro (Controles). Sobre Planejamento, podemos pensar que é a tradução das expectativas e intenções em promover um resultado por parte do desejo de pessoas (gerentes) que constroem as metas e objetivos de uma empresa, podendo transformar em realidade ou não, pois são diversas as variáveis que atuam em circunstâncias diversas que podem vir a frustrar o plano. Por exemplo, um equipamento que quebra, ausência de funcionários, fornecedores que não cumprem acordos, são diversas as possibilidades de impedir a efetivação de um planejamento. Para evitar a possibilidade de insucesso na execução do Planejamento, existe o Controle. O Controle (de forma prática) é o mecanismo técnico que sinaliza a necessidade, por exemplo, de deslocar funcionários de uma etapa do processo que esteja com sobra de pessoal (ociosidade) para uma outra parte do processo carente de pessoal. É este mesmo controle que acende a luz vermelha para fornecedores que não atendem a indicadores de qualidade em uma relação entre empresas para ser fornecedor. Em uma linguagem poética para melhor entendermos a relação estabelecida entre Planejamento e Controle, se estivéssemos em Minas Gerais, o Planejamento e Controle seriam a combinação: queijo e goiabada ou no Rio de Janeiro: o Sol e a Praia em um dia de sábado ou ainda de Gestão da Produção 7 domingo. Portanto, planejamento e controle representam o casamento perfeito para a construção de processos produtivos mais confiáveis. São três os tipos de Planejamento e Controle que atendem a períodos de longo, médio e curto prazo. O Planejamento de longo prazo elabora as estimativas futuras de crescimento e necessidade para atendimento por aumento de demanda, ampliação de instalações e investimentos. Nessa fase, o Controle recebe pouco destaque pois o foco maior é o do planejamento. No médio prazo, o Planejamento e o Controle obedecem ao curso de atender a aspectos mais imediatos como a demanda, instalações e recursos.Nesse momento, o ciclo de planejamento é revisto, e o inesperado (contingência) pode vir a acontecer, em que se faz importante existir a reserva técnica (criatividade) para atender atemporalidades. Já no desenvolvimento do curto prazo, o Planejamento e o Controle atuam na gestão dos recursos para a obtenção de resultados que são fruto do planejamento. O horizonte de mudança já é mais reduzido, e as variáveis precisam ser controladas a fim de gerar o resultado esperado por meio da atuação dos processos e produção de operações em direção a atingir metas definidas. A imagem a seguir permite visualizar melhor o horizonte temporal do Planejamento e Controle ao longo do tempo. Ganha destaque a atuação do Planejamento no longo e médio prazos, e o Controle possui destaque inverso ao ter maior ação no curto e médio prazo. Figura 1: Importância do planejamento ou controle. Fonte: Adaptada de Slack (2006). Planejamento Controle Gestão da Produção 8 2. A Natureza do Suprimento e da Demanda Os processos relacionados ao Planejamento e Controle, como estudamos até o momento, são esforços direcionados a equacionar demanda e possibilidade de entrega (suprimento). No entanto, decisões relacionadas ao Planejamento são respostas à demanda. Como será informado a seguir. A tomada de decisão por parte dos gestores em relação ao Planejamento e Controle nas atividades de Produção recebe influência direta dos fatores que interferem na formação da demanda e também dos fatores que afetam o fornecimento. Fatores que afetam o suprimento da demanda: a. Incerteza para estabelecer o fornecimento. b. Fatores que geram incerteza na formação de demanda. 2.1 Incerteza para Estabelecer o Fornecimento Algumas atividades relacionadas à produção ou à prestação de serviços podem sofrer com a incerteza de fornecimento e, para tal, o controle deve acompanhar de perto. A seguir, será descrita uma situação de prestação de serviço que demonstra ações para garantir o fornecimento. Um exemplo de uma operação na qual o controle funciona em todo o tempo pode ser apresentado quando você contrata ou compra uma viagem rodoviária partindo do Rio de Janeiro (Rodoviária Novo Rio) com destino a São Paulo (Rodoviária Tietê). Em tempo médio de viagem de sete horas, você saiu da Rodoviária (no Rio) e chegou no tempo programado à Rodoviária Tietê, na capital paulista. Sem que você saiba, vários controles, atividades e processos ocorreram neste ínterim, leia nas próximas linhas, algumas das atividades envolvidas na prestação de serviço. Para que não percebesse alguma interrupção do fornecimento do serviço de viagem. Diversas foram as operações para a garantia e efetividade do fornecimento da viagem, como: o funcionamento do serviço de bilheteria para compra de passagens no caixa, pela internet ou nos diversos canais de vendas. A escala e a presença do motorista para o dia da viagem, serviços de higiene e limpeza do ônibus, abastecimento com combustível, manutenção preventiva do veículo, contratação de seguros para o sossego da viagem, pagamento de pedágios, funcionários trabalhando em atividades de apoio nas áreas de Recursos Humanos, Gestão da Produção 9 e escala para trabalho em um dia comum, próximo ao horário do almoço (hora de maior demanda), o gerente que estava fazendo a contabilidade de três caixas na gerência, recebeu uma ligação que dois ônibus escolares com crianças vindas de uma excursão, chegariam em 30 minutos e iriam comer hambúrgueres, cheeseburgers, batatas fritas e refrigerantes para aproximadamente 70 crianças famintas e sem paciência nenhuma para esperar. Aquele dia foi hilário, toda a cozinha iniciou a produção em nível máximo (produção ativada) das quantidades de lanches para as crianças. E já pensando em deixar tudo pronto para a chegada dos pequenos, os funcionários que atendem a serviço reservaram parte do salão, outros foram posicionados para estarem à disposição das crianças. Após embalar o último sanduíche, entram pela porta correndo, crianças famintas e cheias de energia, sentaram e logo saborearam o lanche mais feliz de suas vidas. Naquele dia, nunca vi tanta correria na área da qualidade (cozinha) em um tempo tão curto, eram os meus primeiros dias na gestão de operações de um restaurante de uma multinacional americana que é conhecida por ter alta qualidade em seus produtos, como aprendi gestão naquela empresa. Já a operação em restaurantes de Shopping, a demanda é diretamente afetada pelo tempo, ou seja, se chove, tenha a certeza que a demanda Financeiro, Logística, Manutenção, Planejamento e diversas outras áreas necessárias à garantia do fornecimento do serviço com o deslocamento do ponto A ao ponto B. Dessa forma, foram apresentados os fatores que podem afetar o fornecimento; para a formação da demanda, existem também fatores relacionados que podem afetar a sua existência, veremos cada um a seguir. 2.2 Fatores que Geram Incerteza na Formação de Demanda Para cada negócio, existem fatores que geram incertezas na formação da demanda e que podem afetar as atividades de Planejamento e o desdobramento das operações. Para melhor explicar, irei expor como exemplo, o que vivenciei quando trabalhei em um restaurante fast-food. Em restaurantes fast-foods, há uma diferença nas operações quando atua em restaurante de shopping e em restaurante de rua. E em um dos plantões em restaurante de rua, uma certa vez com toda a programação Gestão da Produção 10 aumenta grandemente e já em restaurantes de rua, quando chove a demanda cai. No caso de restaurante de shopping, se for no final de semana, a demanda é grande; já nos restaurantes de rua em cidades localizadas no centro, o período de maior demanda é durante a semana. Para a manutenção das atividades em atender ao cliente em operações fast-food de shopping ou em rua, há solicitação de pedidos a fornecedores dos insumos para a produção e funcionamento das operações como pedidos de fornecimento de: carnes, pães, queijos, condimentos. Existe a montagem da escala de funcionários elaborada com antecedência mínima de duas semanas, escala de manutenção de equipamentos (preventivas e preditivas), equipe gerencial posicionada, treinamento e demais ações para manter o atendimento a demanda de forma constante. Vejam que para o ramo de atividade apresentado no exemplo informado, existem fatores inerentes ao negócio que afetam a demanda. Há diferenças nas operações de restaurantes situados em rua e aqueles que estão dentro de um shopping, agora imagine outros setores produtivos como: jornais impressos, hotéis, estádios de futebol, clubes de futebol, empresas aéreas, fábricas de medicamentos etc. Cada negócio possui características que podem interagir com a formação da demanda. 2.3 A Demanda pode Apresentar-se de Forma Dependente ou Independente A demanda pode trazer características de forma dependente quando há plena certeza de que o consumo ocorrerá e, para isso, todo o fornecimento deve ser garantido por processos voltados à produção das quantidades que serão absorvidas pelo mercado consumidor. A confiança de que haverá consumo faz com que fábricas de geladeiras, ar condicionados venham em épocas de frio, manter seus níveis de produção para atender a contratos já firmados com redes varejistas para exporem tais produtos em suas lojas no próximo verão. E para garantir essa entrega, fazem estoques, este é um tipo de demanda dependente. Outro exemplo pode ser observado em fábricas produtoras de pneus, nas quais uma vez informados do volume de produção diário das montadoras, os clientes podem desenvolver sua produção em função dessa informação. A fábrica de pneus “Mirelli” ao saber que a montadora em que possui contrato de fornecimento em Minas Gerais irá passar a produzir no próximo ano 250 carros por dia e que em cada carro serão equipados com 5 unidades de pneus, conclui-se que, diariamente, serão demandados para esta montadora 1.250 unidades de pneus etoda a produção da fábrica de pneus é preparada para atender a esse desafio. Gestão da Produção 11 Já a demanda possui aspecto independente, estabelece o seu planejamento com base em relatórios de vendas do período anterior, de informações em relação aos concorrentes, dados de pesquisa de mercado e também define seus volumes de produção muito em função da sensibilidade de seus gestores, resultado de experiência e feeling. Mediante a esse “Mix” de informações que os gerentes de Planejamento e Controle da Produção, elaboram suas metas de produção. 3. Atividades de Planejamento e Controle As ações relacionadas a Planejamento e Controle são estabelecidas em três parâmetros importantes, como: volumes a serem considerados, tempo para a execução e fatores de qualidade relacionados aos processos. Ou seja, não é produzir por produzir, há condicionantes para estabelecer o Planejamento e Controle. Fatores condicionantes: a. Volume b. Tempo c. Qualidade Para atender aos aspectos relacionados ao volume (intensidade) e o tempo necessário para cumprir os desafios de produção (quantidades), são desenvolvidas atividades necessárias para o atendimento das operações. I. Atividades de carregamento II. Atividades de Sequenciamento III. Atividades programadas As atividades voltadas a Carregamento As atividades voltadas a Carregamento são as relacionadas a dispor recursos para a produção e, no caso, vamos trazer o exemplo de um equipamento necessário a atividades de terraplanagem para a construção civil. Vamos usar o exemplo de um trator para terraplenagem em uma obra. O trator estará disponível 7 dias por semana, 24 horas por dia em uma disponibilidade de 168 horas por semana e se considerarmos um mês de 30 dias, ficará à disposição dos trabalhadores 5.040 horas em um mês. E mesmo assim é muito provável que não seja operado em todas as 5.040 horas, pois isso está sujeito a fatores, como carga horária dos trabalhadores, intervalo de almoço, folgas de finais de semana e feriados. O tempo de carregamento das atividades contempla o tempo disponível, a quantidade normal de uso do recurso, disponibilidade encontrada ao efetuar o planejamento de uso, tempo relacionado ao uso de fato Gestão da Produção 12 (operação) e demais fatores, como o tempo em que foi planejado para ser utilizado e tempo ocioso. Em tais operações, são considerados ainda o carregamento de perfil finito e de perfil infinito. Para o primeiro, são atividades onde o recurso (trator) é explorado em função do número de trabalhadores e a produtividade alçada (perfil finito) e no segundo, as métricas informadas não são utilizadas, mas é considerado que o trator deva ser utilizado além das atividades de terraplanagem e deve ser mantido durante toda a construção, pois terá sempre a necessidade desse equipamento (perfil infinito). Atividades voltadas ao sequenciamento Seja a operação de sequenciamento de natureza finita ou infinita, a sequência das atividades deve ser elaborada para que os processos organizacionais possam ser elaborados, em função do planejamento das atividades operacionais. Ou, então, o sequenciamento pode ser estabelecido a partir das etapas que compõem a organização do trabalho que será executado. Há um padrão de trabalho para dar início às atividades que será apresentado no quadro a seguir: Método: Funcionalidade: Primeiro O cliente Neste, a prioridade está em atender ao pedido de um cliente especial ou a alguma etapa que deva ser prioridade e também em situações em que o objetivo seja o de resgatar algum cliente aborrecido e conseguir reverter a situação. Data do Cronograma Representa a sequência de tarefas que devem ser respeitadas, trata-se de uma ordem que estabelece coerência nas atividades e o cumprimento dos prazos de entrega combinados com o cliente, representando um norte orientador e ato de priorização durante o desenrolar das atividades de produção. UEPS Dependendo do tipo de atividade, a escolha em priorizar atividades em que a ordem de que o último a entrar seja o primeiro a sair pode funcionar bem, mas isso não é uma unanimidade. Para o descarregamento de cargas na hora de fazer as entregas, conforme a roteirização, representa o modelo ideal, mas para pacientes que aguardam por sua vez na fila de um sistema de informações para serem operados, tal método não é nada aceitável. PEPS Neste método de prioridades de tarefas, privilegia-se que o primeiro a entrar seja também o primeiro a sair. Esse modelo é o mais democrático para a espera em uma fila de pagamento de um caixa, ordem de vistoria no DETRAN. Conforme a natureza da atividade, esse método pode funcionar bem. Quadro 1: Os métodos e funcionalidades de sequenciamento. Fonte: Elaborado pelo autor. Gestão da Produção 13 Atividades programadas Uma vez tendo sido definidas as etapas ou a sequência de tarefas, uma ferramenta eficaz na Gestão da Produção é a definição da Programação, também chamada de Cronograma de Tarefas. Para a efetivação das atividades constantes no Cronograma, alguns itens são importantes para o sucesso da execução do Cronograma, veja a seguir. a. Gantt (gráfico de controle). b. Complexidade. c. Programação. O gráfico de Gantt representa um importante método que auxilia no acompanhamento e desdobramento das atividades que compõem um projeto ou programação de atividades relacionadas ao tempo programado e a sua real execução. Como se fosse um painel, o gráfico de Gantt possibilita visualizar se as tarefas estão dentro do prazo estipulado ou se é necessária a alocação de mais recursos para a execução das mesmas. A complexidade da programação de procedimentos e tarefas exige que os gerentes conheçam todas as atividades, o tempo necessário à execução de cada tarefa e os insumos necessários. Assim, os detentores dessas informações podem estabelecer a ordem das atividades e aquelas que também podem ser executadas ao mesmo tempo com outras. A Programação de tarefas pode ser orientada a dois conceitos diferentes, veja: a. Frente x Trás b. Empurrada x Puxada A programação que estabelece funcionamento Frente e Trás pode ser melhor compreendida pelo exemplo de procedimentos necessários para assentamento de piso em uma casa de 50 metros². Para as atividades de preparo do piso (nivelamento), assentamento do porcelanato, recortes de acabamento, rejuntes e limpeza geral, são necessários 7 dias para a equipe Alfa concluir a tarefa, mas, no cronograma, há 10 dias para que a mesma possa ser concluída. Se a equipe Alfa seguir a programação para frente, executa logo a atividade e lá pelo 8º dia pode ser direcionada para outra atividade em outra obra, este é o modelo de programação para a frente. Uma outra possibilidade é que o gerente da obra pode escalar a equipe Alfa em alguma atividade que considere, no máximo, três dias de execução; e nesse terceiro dia, faça a transferência da equipe para a execução do assentamento de piso, considerando que no dia limite da tarefa, tenham concluído mais esta atividade. Este é o modelo de Gestão da Produção 14 validade, fazem promoções, reduzem a margem de lucro para “empurrar para o cliente” o produto, mas o interessante é ter a posse do item e passar para o mercado este bem. A produção empurrada ocorre com vistas a ser distribuída para o consumo sem que inicialmente a produção já tenha cliente certo. Fatores que podem incidir nessa linha interpretativa são justificados com o tempo de pedido, a garantia de estoque de segurança e demandas oscilantes. Ao longo deste capítulo, foi possível compreender a importância do Planejamento e Controle das operações, a sua aplicação e diversas realidades que acompanham a atividade de estabelecer um plano de trabalho. Conhecemos, também, os fatores que interagem com a formação da demanda, onde não somente o concorrente representa um ator nesse processo, existem outros e até mesmo o efeito da contingência. Assim como a demanda pode ser incerta, o tipo de produçãoatua conforme o nível de flutuação da demanda. Neste capítulo, desenvolvemosa compreensão de que a atividade de Produção não representa produzir por produzir, mas sim produzir com inteligência e atento aos fatores que podem afetar a qualidade, produtividade e constância no fornecimento. programação tipo para trás, ou seja, inicia a atividade em seu limite máximo de tempo, mas que consiga atender ao cronograma proposto pelo gerente da obra. A produção chamada de puxada leva em consideração a venda real e, com isso, serão produzidos itens que já possuem endereço certo de entrega e com venda garantida e o valor da venda já depositado no caixa. A produção de carros, por exemplo, é feita para atender à compra das agências concessionárias, empresas que vendem serviços de aluguel de carros, empresas que compram carros para alugar frota de veículos para prefeituras, governos estaduais ou até o federal. A fabricação será efetuada para atender à demanda, ou seja, a demanda puxa o nível de produção nas fábricas. Já no modelo de produção do tipo empurrado, a preocupação está em ter o produto e, com isso, varejistas compram produtos de seus fornecedores, abastecem seus estoques e o preço de venda acaba por exercer fator interagente com a demanda. E, se por acaso, estiver próximo de vencer a Gestão da Produção 15 Referências CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. A. Administração de Produção e de Operações. 1 Compacta. São Paulo: Atlas, 2009 MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração da Produção. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2015. RITZMAN, L. P.; KRAJEWSKI, L. J. Administração da produção e operações. São Paulo: Pearson, 2004. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; HARLAND, C, HARRISON, A.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. 1 ed. São Paulo: Atlas, 2006. Gestão da Produção 16 Gestão da Produção Planejamento e Controle da Capacidade Produtiva Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Vilson Vieira 1ª Edição Copyright © 2021, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Sumário Planejamento e Controle da Capacidade Produtiva Para Início de Conversa... ............................................................................... 4 Objetivo ......................................................................................................... 4 1. Conceitos de Capacidade. Restrições de Capacidade ....................... 5 2. Planejamento e Controle de Médio e Curto Prazo. Políticas Alternativas de Capacidade ...................................................................... 6 3. Introdução à Teoria de Filas ..................................................................... 15 Referências ........................................................................................................ 18 Gestão da Produção 3 Para Início de Conversa... Chegamos à fase de nossos estudos em que iremos trabalhar com questões quantitativas nos processos de Gestão da Produção. Os conceitos de capacidade permitem conhecer todos os recursos disponíveis ao Gerente de Produção e seus desafios ao lidar com as restrições de capacidade. O planejamento em todas as suas esferas de curto, médio e longo prazo introduzem a visão técnica quanto às atividades inerentes aos processos de trabalho em uma organização e, para tal, iremos também conhecer as políticas alternativas de Capacidade. Como consequência das políticas de capacidade, a gestão de filas torna- se um aspecto a ser gerenciado e solucionado por Gerentes de Produção onde iremos estudar a Teoria das Filas. Objetivo Dimensionar, planejar e controlar a capacidade produtiva de uma organização, considerando suas restrições. Gestão da Produção 4 1. Conceitos de Capacidade. Restrições de Capacidade A capacidade e restrições de capacidade são fundamentos importantes para que o gestor possa entender os limites de produção dos recursos aos quais administra. O entendimento desses dois conceitos, ajudam a extrair melhores resultados do processo produtivo e será o que iremos aprender adiante. Conceitos de Capacidade Atender aos níveis de demanda constitui-se em uma atividade fundamental da Gestão da Produção, sendo o grande desafio da equipe gerencial, encontrar o equilíbrio ideal entre investimento em recursos e satisfação do consumidor. As decisões que acompanham a tarefa de atender à demanda passam por conceitos de grande importância, como: capacidade produtiva da organização, processos de trabalho, e a última está atrelada à responsabilidade de planejamento e controle da capacidade produtiva. A capacidade representa o máximo que um sistema produtivo pode comportar em um período observado. Vejamos alguns exemplos, pois sempre torna mais fácil a observação, entendimento e aprendizagem. Observe alguns casos: ▪ A capacidade do estacionamento do Shopping Estrela é de 750 carros. ▪ O hotel Nova Riviera possui a capacidade de 42 quartos. ▪ Um Hospital com capacidade para 30 leitos de enfermaria, 10 de CTI. Os casos citados anteriormente não apresentam a operação em seu nível máximo em todos os momentos, mas uma vez respeitado o tempo e o uso de recursos, podem atingir momentos com o número máximo informado sendo, então, a sua capacidade. Restrições de capacidade Grande parte das empresas trabalha abaixo de sua capacidade produtiva (máxima) e são diversas as respostas para possíveis perguntas que exijam explicações em não operar em nível máximo. São possíveis respostas: baixa demanda, decisões em operar abaixo da capacidade para obter maior velocidade de resposta a novas demandas e sazonalidade. Outra possibilidade para uma operação que não explora a sua capacidade máxima produtiva, pode estar relacionada a uma estratégia organizacional em ter mais de uma unidade produtiva e, a partir de então, distribuir a demanda com o “olhar de qualidade” para as suas unidades e operar de forma cuidadosa com erros mínimos ou até “zero defeito”. Em mais uma possibilidade, uma empresa em seu segmento de atuação opta por investimentos em inovação e pesquisa de novos produtos e Gestão da Produção 5 para este posicionamento, vir a operar em capacidade máxima não terá espaço para inovação. As organizações, em grande parte, apresentam áreas ou setores que operam no seu nível máximo de produção e outros setores que trabalham com níveis abaixo de sua capacidade produtiva e até com momentos de ociosidade. Esse aspecto nos apresenta as restrições da capacidade produtiva de uma organização que serão descritos mais adiante. 2. Planejamento e Controle de Médio e Curto Prazo. Políticas Alternativas de Capacidade As ações de Planejamento e Controle da Capacidade são responsáveis por atender à demanda por meio das operações e processos necessários ao atendimento do cliente. As ações de planejamento e controle vão incidir em três aspectos: Curto Prazo, Médio Prazo e Longo Prazo. Sendo o Curto Prazo, contemplado pelo momento presente e inclui as tarefas, procedimentos e operações desenvolvidas para atender a demanda atual. Por Operações e Planejamento que operam no Médio Prazo são as operações que acompanham o desenvolvimento da demanda, sua constância e a necessidade em adequar recursos para o seu atendimento em períodos de até dois anos. As operações de Longo Prazo, são aquelas que irão exigir investimentos futuros e demandam aumento de capacidade e ampliação de instalações.Neste livro, iremos estudar as abordagens de Médio e Curto Prazo. Planejamento e controle de médio e curto prazo A definição dos limites de produção e atendimento são denominadas capacidade produtiva. Uma vez essa definição estabelecida, a capacidade de produção de longo prazo pode ser projetada, então, é conhecido o poder de resposta de todo o sistema produtivo em relação à demanda. Os gerentes de produção, ao terem clareza da capacidade produtiva de longo prazo, podem gerenciar a produção de médio prazo. O corte temporal para o período de médio prazo pode ser considerado com a devida margem de segurança de períodos entre 3 a 24 meses; o longo prazo começa a considerar prazos começando de 2 anos em diante. O curto prazo, que é o nosso dia a dia, também recebe influência da demanda e que são percebidas nas variações de volume, vendas, necessidade de funcionários em operação para atendimento ou no caso Gestão da Produção 6 de fábrica, a necessidade funcionários para atuar na produção de mais itens. Na prática, as variações na demanda ocorrem em todo o tempo e, em muitos casos, fazer previsões exatas não são possíveis e para a gestão, responder à flutuação da demanda exige habilidade em mobilizar e desmobilizar estruturas que possam suportar a demanda. Exemplos dessa aplicação podem ser observados em hotéis, restaurantes e bancos. O Planejamento e Controle exercem influência importante nos processos de produção, pois irão ditar os parâmetros essenciais das operações desenvolvidas por meio das atividades nos setores e métricas relacionadas ao desempenho dos funcionários. No Quadro 1, a seguir, veremos alguns tipos de decisões estabelecidas nas atividades de Planejamento e Controle de Capacidade: Decisões Aspectos relacionados Os Custos de Operação O grande desafio é encontrar equilíbrio entre capacidade e demanda, pois uma capacidade muito superior à demanda representa utilização inferior dos recursos, o que acarreta em um elevado custo operacional, e o custo por unidade também fica alto. Obtenção de Receitas O equilíbrio entre capacidade e demanda traz a garantia de receita e sempre que a capacidade de produção for superior (a demanda), decisões quanto à venda e entrega podem ser tomadas sem que exista incerteza na entrega. Veja que a relação entre capacidade e demanda são antagônicas, ou seja, se há capacidade em atender a demanda, a venda ocorre. E se não existir capacidade de atender à demanda, a venda não poderá ocorrer, veja quanto que estamos tratando de um aspecto importante e extremamente profissional. O Capital de Giro Em alguns casos, a organização terá que “bancar” a produção e vir a fazer estocagem de produtos de forma antecipada à venda. Essa iniciativa permitirá atender à demanda do cliente prontamente e a organização financia este investimento. Sendo que o prejuízo só extingue quando ocorre a venda do produto em estoque e, para tal, é preciso ter capital de giro para suportar essa vacância. A Qualidade No caso de grandes flutuações de demanda, a gerência de operações precisa fazer a contratação de funcionários temporários, interromper e retomar processos de trabalho e isso pode afetar a qualidade dos produtos e serviços produzidos pela grande possibilidade de ocorrer erros de procedimento. A velocidade O investimento em estoque pode permitir maior velocidade de atendimento e evitar filas de espera. Gestão da Produção 7 A Confiança Estabelecida Na situação em que a capacidade esteja em níveis próximos da demanda, qualquer interrupção ou problema de fornecimento, pode ser percebido no atendimento à demanda. A Flexibilidade Se capacidade e demanda estiverem em níveis próximos, sempre que houver um aumento inesperado de volume na demanda, a operação não terá capacidade de absorção de forma imediata. Quadro 1: Decisões x Planejamento e Controle da Capacidade. Fonte: Adaptado de Slack (2006). Os estágios (etapas) relacionados ao Planejamento e Controle voltados a decisões de capacidade produtiva apresentam três etapas importantes que devem ser consideradas pelo gerente de produção, a saber: a. Medição b. Políticas c. Escolha A medição de capacidade e demanda são aspectos básicos que devem estar claramente definidos no plano de operações, e a área comercial possui expertise em fazer projeções de vendas, no entanto, é fundamental que a gerência de operações tenha essa previsão para projetar a operação necessária diante da demanda existente. Informações objetivas quanto à demanda são fundamentais para o planejamento de operações, pois poderão incidir na contratação de mão de obra, aquisição de equipamentos, ampliação ou descredenciamento de fornecedores e mais aspectos relacionados à atividade de produção. Cada negócio possui épocas de maior demanda e também períodos de demanda menor, isto é, chama-se de sazonalidade. Conhecer quais os períodos de sazonalidade, permite melhor preparo frente a variações inerentes ao comportamento da demanda conforme o segmento de negócio. Observe: Figura 1: A Sazonalidade. Fonte: Adaptada de Slack (2006). Causas da sazonalidade Climáticas Festivas Comportamentais Políticas Financeiras Sociais Alguns produtos e serviços sazonais Materiais de construção Serviços de viagem Bebidas (cerveja e refrigerantes) Férias Alimentos (sorvetes e bolos de natal) Processamento de imposto Vestuário (maiôs, sapatos) Médico (gripe endêmica) Itens de jardinagem (sementes, fertilizantes) Serviços de esporte Serviços de educação Fogos de artifício Gestão da Produção 8 Medida de capacidade produtiva A informação do volume da demanda, como já falado anteriormente, possibilita o planejamento da capacidade produtiva. Existem ramos de atividades em que a medição da demanda e capacidade não representa uma tarefa das mais simples, pois a complexidade da operação pode depender de variáveis diversas não sendo possível ignorar essa realidade. Os segmentos nos quais há alto grau de padronização, processos definidos e uso de técnicas, como pesquisa operacional, há maior grau de assertividade quanto ao dimensionamento da capacidade em razão da previsibilidade das operações. Para melhor entendimento de medida de capacidade produtiva, o Quadro 2, a seguir, trará alguns exemplos: Operação: Parâmetro de insumos: Aferição: Fabricação de geladeiras Tempo disponível para uso de máquinas Quantidades produzidas Atendimento em um hospital Leitos disponíveis Pacientes recuperados Escola Alunos matriculados Alunos aprovados Cinema Quantidade de acentos Clientes atendidos Transporte coletivo (ônibus) Viagens programadas Passageiros transportados Caixas de um mercado Registro de produtos vendidos Quantidade de produtos registrados Vendedores de uma região Visita a clientes Pedidos registrados Padaria Fornos para assar Pães produzidos Estudante Matérias do curso Coeficiente de Rendimento Pintor de parede Materiais de pintura Metros quadrados pintados Área com plantio de hortaliças Sementes Quantidade de hortaliças colhidas Parque de diversão Brinquedos Clientes atendidos Quadro 02: Operações x Insumos x Produtos. Fonte: Adaptado de Slack (2006). Gestão da Produção 9 Figura 2: Utilização e eficiência. Fonte: Adaptada de Slack (2006). Cálculos de utilização e eficiência Em um processo de produção, são projetados todos os ambientes necessários ao atendimento da proposta do Planejamento Estratégico da organização, seja o caso de uma indústria ou uma organização em que atue na prestação de serviços que recebe o nome de Planejamento de Capacidade. Uma vez instalados, todos os recursos do Planejamento de Capacidade, neste momento, não são considerados perdas. É como se fosse Em uma empresa, cada área que a compõe, possui características que podem contribuir na elaboração do melhor critério para ser estabelecido métricas e aferições, relacionadas ao estudo de capacidade, uso de insumos e cálculos de produtividade. É preciso conhecer bem a área e suasetapas e processos elaborados pelos funcionários. A definição clara da métrica adotada sendo esta explicada de forma a ser compreendida pelos funcionários, contribui positivamente para o direcionamento da equipe e maior empenho do grupo no desenvolvimento de suas tarefas. Para termos uma análise quantitativa da produção, alguns cálculos são estabelecidos como: a. Utilização b. Eficiência Observe a Figura 2, a seguir: Capacidade de projeto 168 horas/ semana Produção real 51 h Perdas que podem ser evitadas 58 hCapacidade efetiva 109 h Perdas Planejadas 59 h Eficiência = Volume de produção real / capacidade efetiva = 51/109 = 0,468 Utilização = Volume de produção real / capacidade de projeto = 51 / 168 = 0,304 Gestão da Produção 10 possível imaginar as condições ideais operacionais sem interagentes comprometedores da produção, temos o que em Gestão da Produção é chamado de Capacidade de Projeto ou Capacidade Total. Para atender aos processos de trabalho, na operação diária, existirão perdas de produtividade em manutenções, set-ups e intervalos também irão comprometer a Capacidade de Projeto pois no desenvolvimento da operação, existem perdas que são previstas ou até já consideradas que em Gestão da Produção é chamado de Perdas Planejadas. A capacidade efetiva representa a capacidade de produção disponível de forma efetiva, pois desconta-se da Capacidade de Projeto as Perdas Planejadas sendo neste ambiente que os gerentes de produção por meio do gerenciamento e com a administração de ferramentas da qualidade podem conter as perdas possíveis de serem evitadas. As perdas possíveis de evitar ou perdas não planejadas são aquelas que demonstram oportunidade de atuação para que sejam evitadas com ações direcionadas ao treinamento, uso de ferramentas para a predição, atenção com equipamentos, escala de manutenção, aperfeiçoamento de procedimentos, ou seja, evitar o erro que acaba por afetar a produção. A produção alcançada ao final dos trabalhos também pode ser chamada de Volume Produzido ou Produção Real e, ainda, de Produção Disponível é o resultado da Capacidade Efetiva subtraída das Perdas Evitáveis. A produção real considera horas em que a produção realmente pode ser aproveitada. E esta representa a diferença das horas fornecidas na capacidade de projeto por horas gastas em perdas planejadas e pelas horas gastas em perdas não planejadas. O índice de utilização considera a utilização de todo o projeto em relação à capacidade efetiva. A seguir, serão demonstrados os cálculos de produção, observe: CÁLCULO: FINALIDADE: Utilização Dimensionar o uso de recursos Eficiência Dimensionar a eficiência Produção Real Dimensionar horas produtivas Índice de Utilização Dimensionar índice de aproveitamento Quadro 3: Cálculos e finalidades. Fonte: Elaborado pelo autor. Façamos o seguinte estudo de caso: Uma indústria de tecidos possui uma linha de produção cuja capacidade é de 202 m², que opera 24 h/dia e opera 7/semana. A capacidade de projeto é apresentada a seguir: Gestão da Produção 11 202 m² x 60 (minutos) x 24 (horas) x 7 (dias da semana) = 2.036,160 m² No entanto, algo a ser investigado ocorreu na semana anterior em que os resultados de produção foram de 582.000 m². A fábrica faz uso dos métodos de classificação com perdas planejadas e não planejadas, sendo apresentadas a seguir: Parada Planejada Parada não Planejada Set-up 20 h Parada para manutenção 18 h Manutenção preventiva 16 h Investigação de falhas 20 h Sem programação 8 h Falta de estoque 8 h Amostragem de qualidade 8 h Falta de pessoal 6 h Troca de turno 7 h Espera por insumos 6 h Total 59 h Total 58 h Quadro 4: Paradas na produção. Fonte: Adaptado de Slack (2006). Quais os desempenhos de podem ser aferidos para: CÁLCULO: UTILIZAÇÃO EFICIÊNCIA PRODUÇÃO REAL ÍNDICE DE UTILIZAÇÃO No exemplo da imagem anterior, foi possível observar os resultados: Isto é, a utilização do Projeto é de 30 % (0,304 x 100). Gestão da Produção 12 No exemplo da imagem, foi possível observar os resultados: Ou seja, a Eficiência do Projeto é de 47 % (0,47 x 100). PRODUÇÃO REAL (PR) No exemplo da imagem, foi possível observar os resultados: PRODUÇÃO REAL = 168 h – 59 h – 58 h = 51 h ÍNDICE DE UTILIZAÇÃO (IU) No exemplo da imagem, foi possível observar os resultados: IU = 0,648 X 100 = 64,8 ou 65 % Políticas alternativas de capacidade: Uma vez definidos em nossa mente os estudos de demanda e os estudos de capacidade, podemos então nos ater a políticas relacionadas a flutuação da demanda e como administrá-la em relação à capacidade. Há três possibilidades, veja: a. Políticas constantes. b. Políticas de acompanhamento. c. Políticas de gestão. Gestão da Produção 13 Figura 3: Demanda e capacidade. Fonte: Adaptada de Slack (2006). Conforme as Políticas alternativas de capacidade, podemos ver o desafio que a gestão estratégica da empresa possui para responder às flutuações de demanda e conseguir responder ao grande desafio de adequar a capacidade de produção a níveis flutuantes de demanda. Políticas constantes Nesta decisão, é considerada a manutenção da capacidade de produção em cenários nos quais a demanda seja menor, é possível fazer com que os investimentos em capacidade produtiva sejam altos. A escolha por manter funcionários, equipamentos, processos de trabalho em níveis altos poderá vir a formar estoques. Já em cenários onde a demanda seja alta, há a necessidade de operar a capacidade de produção em níveis altos e, necessariamente, operar com estoques como efeito direto. Estar com o nível operacional próximo dos níveis máximos de produção é algo vantajoso do ponto de vista da produtividade, porém, pode trazer problemas junto aos clientes. Sempre que houver a necessidade de customização ou, ainda, algum problema de processamento na operação, isso pode ser de difícil administração operando em níveis máximos, pois faltará tempo para se dedicar a situações específicas. Políticas de acompanhamento Nessa política, diferentemente da anterior, existe maior dificuldade operacional, pois a capacidade de produção deverá ser ajustada ao nível de demanda e, com isso, contratação e dispensa de funcionários tornam-se rotineiros. O turnover (contratação e dispensa de funcionários) elevado afeta a qualidade de produtos, processos de trabalho e níveis de controle de qualidade, pois há custos envolvidos nessa decisão. Para alguns segmentos, esse modelo pode funcionar (turnover alto), principalmente, quando não é exigido nível de especialização dos trabalhadores, mas em outros segmentos tal performance pode não ser a melhor. E isso exige planejamento e habilidade gerencial para tomar decisões na hora certa, como por funcionários em épocas de menor DemandaA capacidade antecipa-se à demanda A capacidade acompanha à demanda Tempo Gestão da Produção 14 demanda de férias ou em treinamento e antes dos períodos de maior demanda, trabalhar a formação de estoques em quantidade ideal e sempre atento à flutuação de demanda para tomar decisões. Algumas outras ações são empregadas em políticas de acompanhamento de demanda, como as por funcionários para trabalhar a formação de banco de horas, trabalhar horas extras e administrar o tempo ocioso descontando o banco de horas. Atualmente, a legislação autoriza o trabalho intermitente em que permite a alternância em alguns períodos e, até mesmo, a não prestação de serviços em outros períodos, além da suspensão de contrato de trabalho, que também é uma ação para períodos de queda de demanda nas políticas de acompanhamento. A contratação em tempo parcial é uma alternativa nas políticas de acompanhamento da demanda, estas são muito utilizadas em segmentos de prestação de serviços. Políticas de gestão Administrar demandas constantes transferindo momentos de grande demanda para períodos de menor procura, o que pode representar uma estratégia interessante ao manter lucros, operar na redução de custose aprimorar as operações. Para isso, alguns mecanismos são administrados: d. Políticas de preço e. Propaganda promocional f. Produtos substitutos g. Políticas combinadas Cada uma das ações adotadas anteriormente devem considerar a existência do lucro e da redução de custos. As políticas de preço administram descontos e promoções agradam ao consumidor. As políticas de promoção, assim como as de preço, também agitam a área comercial e atraem clientes, afinal, todos gostam de uma promoção? Já as políticas de produtos substitutos representam estratégias em ofertar ao público novos produtos que tenham aceitação em períodos de baixa de consumo. As políticas combinadas fazem uso de todas as ações informadas anteriormente, pois, para alguns negócios, uma única ação pode não funcionar tão bem como a combinação de várias ao mesmo tempo. 3. Introdução à Teoria de Filas Uma vez definidas as políticas de atuação em relação à capacidade e demanda, um outro fenômeno acompanha o cotidiano de decisões na Gestão de Operações: a gestão de filas e fluxo de processos. Gestão da Produção 15 O dever inicial ao tomar decisões quanto à formação de filas está em entender o processo de formação das mesmas, os gargalos no processo e qual o investimento direcionado ao processo. Na situação de capacidade de recursos restritos, a fila de espera relacionada ao produto recebe o nome de estoque em processamento e, no caso de clientes, recebe o nome de fila. Nos dois casos apresentados, a ação que deve seguir curso possui dois aspectos: o voltado à organização – que se preocupa com o retorno de seus investimentos e deve direcionar esforços em atendimento e no uso dos recursos disponíveis – E o do ponto de vista do consumidor, o aspecto observado é a métrica do tempo de atendimento. Observe a Figura 4, a seguir: Figura 4: Sistemas de filas de estágios: único ou múltiplo. Fonte: Adaptado de Corrêa (2009). Na apresentação da Figura 4, a formação das filas pode ocorrer respeitando dois tipos de sistemas de formação, o primeiro: sistema de único estágio, que segue um único fluxo; o segundo: sistema de estágio múltiplo, em que várias etapas ocorrem uma após a outra. Sendo constituída por uma sequência de filas para atender a estágios diferenciados (CORRÊA, 2009). Em um exemplo com uma operadora de hotéis onde estudos estão sendo elaborados para melhor compreensão e tratamento das filas em seu atendimento de reservas no horário da madrugada pelo call center, serão elaborados cálculos de formação de filas com o uso, neste momento inicial, da análise do modelo básico para cálculos de filas. Símbolo: Significado: Valores: λ Média de clientes por hora 21/h μ Média de atendimentos por hora 20/h TMS Tempo em Média no Sistema 0,4/h ou 24 min. Estágio Estágio Estágio Estágio Sistema de estágio único Sistema de estágios múltiplos Gestão da Produção 16 Aplicação do modelo básico: Tempo de Atendimento Médio (TAM) Tempo Médio em Fila (TMF) TMF = TMS – TAM TMF = 0.4 – 0.05 = 0.35 Média de Clientes na Fila (MCF) MCF = λ x TMF MCF = 21 x 0.35 = 7.35 Média de Clientes no Sistema (MCS) MCS = λ x TMS MCS = 21 x 0.4 = 8.4 Média de Clientes em Atendimento (MCA) MCA = MCS – MCF MCA = 8.4 – 7.35 = 1.05 Quadro 5: Modelo básico. Fonte: Elaborado pelo autor. Neste capítulo, conhecemos os métodos quantitativos de gestão da Capacidade com os estudos de Eficiência e Utilização. Ao saber utilizar essas ferramentas, o gerente de produção possui melhor capacidade de análise na tomada de decisões em sua empresa. Gestão da Produção 17 A definição das políticas de acompanhamento de demanda nos ajudaram a entender algumas decisões que fazem parte da dinâmica organizacional, como: flutuação de estoque em relação à oscilação da demanda, disponibilidade de recursos e a gestão da capacidade produtiva. Entendemos o Planejamento de Produção em todas as suas esferas de curto, médio e longo prazo, bem como a sua relação com a gestão de operações. Assim, percebemos as implicações relacionadas a decisões em trabalhar no nível máximo ou ter reserva técnica para eventualidades e customizações. Por fim, também foi possível conhecer as técnicas relacionadas à gestão de filas com os estudos da Teoria das Filas, o que nos permitiu entender como elas podem ser formadas e as métricas para melhor análise e soluções. Referências CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. A. Administração de Produção e de Operações. 1 ed. São Paulo, Atlas: 2009 MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração da Produção. 3 ed. São Paulo, Saraiva: 2015. RITZMAN, L. P.; KRAJEWSKI, L. J. Administração da Produção e Operações. São Paulo, Pearson: 2004. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; HARLAND, C, HARRISON, A.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. 1ª ed. Compacta, 10ª reimpressão, São Paulo, Atlas: 2006. Gestão da Produção 18 Gestão da Produção Modelos de Gestão da Manufatura: ERP, MRP e MRP II Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Vilson Vieira 1ª Edição Copyright © 2021, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Sumário Modelos de Gestão da Manufatura: ERP, MRP e MRP II Para Início de Conversa... ............................................................................... 4 Objetivo ......................................................................................................... 5 1. ERP – Conceitos e Requisitos Operacionais ........................................ 5 2. MRP – Conceitos de MRP – Requisitos Operacionais – Programa Mestre de Produção. O cálculo do MRP. ........................... 8 3. MRP II – Conceitos de MRP II – Requisitos Operacionais – O cálculo MRP II ............................................................................................ 23 Referências ........................................................................................................ 28 Gestão da Produção 3 Para Início de Conversa... Caro aluno, neste capítulo, estudaremos os modelos de gestão da manufatura, com destaque para as ferramentas ERP, MRP e MRP II. A gestão eficiente faz uso de Sistemas Integrados de Gestão, com aplicação das soluções ERP, o que possibilita a extração de relatórios diretamente das áreas principais da organização, permitindo análises precisas por parte do tomador de decisão. Os sistemas de produção MRP são apresentados como mecanismo de gestão da produção, voltados para atender a demanda de mercado. Para tal, faz uso da estrutura de produtos – ou árvore de produto –, do Lead Time e do cronograma de produção, a fim de elaborar o plano de operações. O MPS, que é o modelo de produção aplicado às demandas previsíveis, representa uma solução ótima para cenários de produção puxada. As soluções de MRP II contribuíram na complementação das aplicações de MRP, ao permitir uma análise dos investimentos em Recursos Humanos, do custo de produto, do lucro das operações e das métricas que informam o rumo escolhido pelo plano operacional. As ferramentas de ERP, ao integrarem o MRP e o MRP II, completam a análise de inteligência na tomada de decisão, abrindo caminho à mineração de dados e à inteligência de negócios. Este capítulo trará grandes desafios de aprendizagem, leia com atenção e refaça os exemplos apresentados. Bons estudos! Gestão da Produção 4 Objetivo Compreender a aplicabilidade dos modelos e programasde gestão da produção, considerando suas abrangências e potencialidades. 1. ERP – Conceitos e Requisitos Operacionais Os sistemas de informação estão para as organizações da mesma forma que os fornecimentos de água e energia elétrica estão para as empresas: uma relação de dependência essencial para o negócio. Os sistemas de informação são vitais para o desenvolvimento das atividades da organização. Os sistemas ERP (Enterprise Resource Planning), cuja tradução significa: Sistemas Integrados de Gestão, representam o conjunto de repositórios ou banco de dados em que se pode extrair dados, correlacioná-los e apresentá-los, de forma sintética, ao tomador de decisão. No ERP, os diversos bancos de dados são oriundos de setores vitais da organização, como, por exemplo: financeiro, vendas, estoque, recursos humanos, logística e gestão de suprimentos. A partir deste banco, os dados são cruzados e apresentados em um relatório gerencial. A imagem a seguir ilustra a aplicação e a evolução dos Sistemas ERP, o que contribuiu para uma boa aceitação no mercado, ao sintetizar informações de diversas áreas da empresa, agregando fundamental importância na Gestão da Produção e Operações. Observe: 5Gestão da Produção Figura 01: Evolução do ERP. Fonte: COLANGELO FILHO, 2009. Dessa forma, os Sistemas ERP “pinçam” os dados, contidos nos relatórios gerenciais, que são obtidos diretamente da operação e processos de trabalho da empresa. MRP MRP II ERP Os Sistemas ERP mais famosos são: SAP, TOTVS, Linx, Nasajon e Oracle. Cada um desses sistemas possui aplicações e indicações mais direcionadas a realidades específicas de negócio e, claro, há uma variação de preços que exige uma análise técnica para a escolha do melhor sistema para a sua empresa. Os Sistemas ERP ganharam grande destaque devido a suas aplicações ao MRP, sobretudo após o desenvolvimento e a modernização para aplicações de MRP II. Grandes vantagens foram introduzidas aos sistemas ERP com o seu uso no MPS e na árvore de produtos, o que ficou conhecido como “aplicações para a aquisição da lista de materiais” – BOM (Bill Of Material) – ou Lista de Materiais de Produto. Observe a imagem a seguir: Gestão da Produção 6 Figura 02: Evolução do MRP ao ERP. Fonte: MARTINS, 2015. Os Sistemas ERP conseguem integrar diversas áreas da organização em diversas funções. Tendo como grande vantagem a operação toda ser sustentada por uma única plataforma, sem necessitar de plataformas auxiliares, o que torna a ferramenta ERP uma escolha bem interessante para a gestão de operações. Roteiros e centros de trabalho Listas de materiais Planejamento de materiais Plano mestre de produção Gestão de estoques Roteiros e centros de trabalho Listas de materiais Planejamento de materiais Plano mestre de produção Gestão de estoques Controle de lotes Gestão de vendas Controle de fabricação Controle de ordens Gestão financeira Controle de lotes Gestão de vendas Controle de fabricação Controle de ordens Gestão financeira Logística Qualidade Gestão de operações Gestão de receitas Manutenção Gestão de engenharia Roteiros e centros de trabalho Listas de materiais Planejamento de materiais Plano mestre de produção Gestão de estoques MRP - 1970s MRP II - 1980s ERP - 1990s Outra grande vantagem dos Sistemas Integrados é a possibilidade de acesso por parte de toda a organização, nos mais variados setores, áreas e atividades. Veja a imagem a seguir: Figura 03: Visão geral do ERP. Fonte: MARTINS, 2015. Diretoria e Acionistas Funcionários Pessoal Administrativo Pessoal de Chão de Fábrica Relatórios Finanças e ControladoriaVendas e Distribuição Apoio à Serviços Gerenciamento de Recursos Humanos Gerenciamento de Materiais Base de Dados Central Representantes de Vendas e Serviços Manufatura Gestão da Produção 7 O fator de sucesso do ERP é ter aplicações de EDI (Eletronic Data Interchange), que significa Intercâmbio Eletrônico de Dados. Esta facilidade permite a integração de dados em tempo real, ou seja, a venda de uma unidade que passou na leitura óptica do caixa é descontada automaticamente do estoque, o que facilita decisões de aquisição de matéria-prima, comando de produção, análises financeiras e de produtividade. A automação então ganha destaque nas aplicações ERP, e, mais ainda, o sistema apresenta-se disponível a todos os usuários ou colaboradores da organização. A introdução de Sistemas ERP exige que a empresa remodele suas atividades para a gestão por processos e a integração de todas as áreas da organização para este grande sistema. Tal aplicação permite que os relatórios gerenciais sejam utilizados para a melhoria de indicadores de desempenho das áreas funcionais da organização. As soluções em Sistemas Integrados, hoje, permitem o surgimento de áreas como: inteligência de negócios, inteligência competitiva, BI (Business Intelligence) e Mineração de Dados. Tais aplicações muito se assemelham a sistemas executivos de tomada de decisão. 2. MRP – Conceitos de MRP – Requisitos Operacionais – Programa Mestre de Produção. O cálculo do MRP. Para garantir a produção de itens é necessário saber as quantidades necessárias à demanda e à manutenção dos níveis de estoque. Para tal, existe o conceito de árvore de produto ou estrutura de produto. A árvore de produto possui diversos itens relacionados à estrutura pai e filho. Os componentes diretos recebem o nome de item pai e os componentes acoplados são chamados de item filho. As etapas de trabalho são divididas em processos operacionais que são desdobrados ao longo do tempo. O tempo para a execução das atividades é chamado de Lead Time. Veja o exemplo na figura a seguir: Gestão da Produção 8 Figura 4: Etapas do processo. Fonte: Adaptado de CORRÊA, 2009. O próximo passo para a aplicação do MRP é o conhecimento da estrutura do produto sendo dividido nas partes que o compõem, assim como nas operações relacionadas a esta etapa. Veja a figura da árvore de produto: Figura 5: Árvore do produto. Fonte: Adaptado de CORRÊA, 2009. A B Lead Time A:1 B:2 C:1 D: 1 E: 2 C 2x D E De forma organizada, o conhecimento da árvore do produto e o Lead Time de todos os seus processos permitem elaborar o cronograma de atividades. Veja o cronograma na imagem a seguir: Figura 6: Cronograma. Fonte: Adaptado de CORRÊA, 2009. A árvore de produto é distribuída em níveis e cada nível traz a sua responsabilidade em relação ao seu respectivo processo produtivo. Veja a seguir: E LT: 2 D LT: 1 C LT: 1 A LT: 1 B LT: 1 X- 4X- 5 X- 3 X- 2 X- 1 Xo Lead Time total de 5 dias Compra de Materiais Lead Time de 2 dias X- 5 X- 3 X- 1 Xo Lead Time de 2 dias Lead Time de 1 dia Fabricação do Componente Montagem do Produto Gestão da Produção 9 Figura 7: Níveis de atividade. Fonte: Adaptado de CORRÊA, 2009. A Descrição das Atividades e Componentes da Árvore de Produto: Serão fabricadas 100 unidades do produto A. Na composição deste produto A é necessário o componente B, que possui os subcomponentes I e M. Neste último subcomponente deve-se considerar o dobro de componentes para cada unidade de B. O produto A também é composto pela parte D, com dois subcomponentes para cada unidade de A, e, para finalizar, a parte E, que é formada por 4 subcomponentes para cada unidade de D. Vamos ver isso na prática? A = 100 B = 1 x 100 = 100 A Nível 0 Nível 1 Nível 2 B I M (2) E (4) D (2) I = 1 x 100 = 100 M = 2 x 100 = 200 D = 2 x 100 = 200 E = 4 x 200 = 800 As 100 unidades do produto A possuem 100 componentes de B, 100 subcomponentes de I mais 200 subcomponentes de M. Completam a composição do produto, os 200 subcomponentes de D, com a montagem final de mais 800 subcomponentes de E. Observe que na linguagem do Método Árvore de Produto, os componentes B e D são chamados de item Pai e os subcomponentes I, M e o componente E são chamados de itens Filho. Vamos a mais um exemplo: O produto “Z” é montado com 2 componentes de D;mais 3 de C e 4 de M. O componente D é montado com 3 de Y mais 2 de E. Agora, crie a árvore de produto “Z” com a necessidade de atender a 200 exemplares. Veja a figura a seguir: Gestão da Produção 10 Figura 8: Árvore do produto Z. Fonte: Elaborado pelo autor, 2020. Z = 200 D = 2 x 200 = 400 Y = 3 x 400 = 1.200 E = 2 x 400 = 800 C = 3 x 200 = 600 M = 4 x 200 = 800 D (2) Y (3) E (2) C (3) Z M (4) Em outro exemplo, P é montado com dois componentes de O, uma parte de Z, duas do componente E, uma de F e mais 4 de D, no nível 1. A parte E é acoplada a 4 subcomponentes de X e uma parte de K. Já K é montado com mais 4 subcomponentes de M, que, por sua vez, é montado com 2 de N e mais 3 de L. Esta montagem atenderá ao pedido de 150 unidades de P. Observe a figura a seguir: Figura 9: Árvore do produto P. Fonte: Elaborado pelo autor, 2020. P E (2) X (4) K M (4) N (2) L (3) O (2) Z F D (4) Gestão da Produção 11 P = 150 E = 2 x 150 = 300 X = 4 x 300 = 1.200 K = 1 x 300 = 300 M = 4 x 300 = 1.200 N = 2 x 1.200 = 2.400 L = 3 x 1.200 = 3.600 O = 2 x 150 = 300 Z = 1 x 150 = 150 F = 1 x 150 = 150 D = 4 x 150 = 600 A seguir, vamos elaborar os cálculos MRP por meio da aplicação de tabelas, tendo como referência o modelo básico apresentado por Corrêa (2009). ▪ Necessidade Bruta é a quantidade necessária do produto. ▪ Estoque Projetado é a quantidade que precisa estar disponível. ▪ Recebimentos de Ordens Planejadas é o recebimento das aquisições ▪ Liberação de Ordens Planejadas é o pedido de aquisições. Veja a tabela a seguir neste exemplo: Registro Básico: 1 2 3 4 5 Necessidade Bruta 80 20 250 300 800 Estoque Projetado 200 Recebimentos de Ordens Planejadas Liberação de Ordens Planejadas Para este exemplo, vamos considerar: Estoque de Segurança: 100 Lead Time: 2 semanas Tamanho do Lote: 300 ou múltiplos O tamanho do lote nos leva a entender que qualquer solicitação de abastecimento (pedido) só pode ser feita a partir de quantidades de 300 em cada lote ou múltiplos deste, de forma que você não precise de toda a quantidade do lote. Gestão da Produção 12 Passo 1: O estoque projetado é de 200 e há uma Necessidade Bruta de 80. O valor atende ao pedido das 80 unidades e sobram 120 para a próxima rodada de atendimento. Veja a seguir: Registro Básico: 1 2 3 4 5 Necessidade Bruta 80 20 250 300 800 Estoque Projetado 200 120 Recebimentos de Ordens Planejadas Liberação de Ordens Planejadas Passo 2: O estoque projetado é de 120 e há uma Necessidade Bruta de 20. O valor atende ao pedido das 20 unidades e sobram 100 para a próxima rodada de atendimento. Veja a seguir: Registro Básico: 1 2 3 4 5 Necessidade Bruta 80 20 250 300 800 Estoque Projetado 200 120 100 Recebimentos de Ordens Planejadas Liberação de Ordens Planejadas Passo 3: O estoque projetado é de 100 e há uma Necessidade Bruta de 250. Então, na semana 1 deve ser feita uma solicitação de um lote ou 300 unidades, por meio de uma Liberação de Ordem Planejada. Duas semanas após, será feita a entrega e o recebimento. O lote solicitado deve ser recebido na semana 3. Agora, vamos somar o estoque anterior mais as mercadorias que foram recebidas no Recebimento de Ordens Planejadas e, com isto, atender à demanda. Da seguinte forma (100 + 300) – 250 = 150. Sobra 150 para a próxima rodada de atendimento. Veja a seguir: Registro Básico: 1 2 3 4 5 Necessidade Bruta 80 20 250 300 800 Estoque Projetado 200 120 100 150 Recebimentos de Ordens Planejadas 300 Liberação de Ordens Planejadas 300 + Gestão da Produção 13 Passo 4: O estoque projetado é de 150 e há uma Necessidade Bruta de 300. Então, na semana 2 deve ser feita uma solicitação de um lote ou 300 unidades, por meio de uma Liberação de Ordem Planejada. Após duas semanas, será feita a entrega e o recebimento. O lote solicitado será recebido na semana 4. Agora, vamos somar o estoque anterior mais as mercadorias que foram recebidas no Recebimento de Ordens Planejadas e, com isto, atender à demanda. Da seguinte forma (150 + 300) – 300 = 150. Sobram 150 unidades para a próxima rodada de atendimento. Veja a seguir: Registro Básico: 1 2 3 4 5 Necessidade Bruta 80 20 250 300 800 Estoque Projetado 200 120 100 150 150 Recebimentos de Ordens Planejadas 300 300 Liberação de Ordens Planejadas 300 300 Passo 5: O estoque projetado é de 150 e há uma Necessidade Bruta de 800. Então, na semana 3 deve ser feita uma solicitação de três lotes ou 900 unidades, por meio de uma Liberação de Ordem Planejada. Após duas semanas, será feita a entrega e o recebimento. O lote será recebido na semana 5. Agora, vamos somar o estoque anterior mais as mercadorias que foram recebidas no Recebimento de Ordens Planejadas e, com isto, atender à demanda. Da seguinte forma (150 + 900) – 800 = 250. Sobram 250 unidades para a próxima rodada de atendimento. Observe que, neste caso, nunca ficou menos de 100 unidades disponíveis para a entrega, devido à observância de manter um estoque mínimo. Veja a seguir: Registro Básico: 1 2 3 4 5 Necessidade Bruta 80 20 250 300 800 Estoque Projetado 200 120 100 150 150 250 Recebimentos de Ordens Planejadas 300 300 900 Liberação de Ordens Planejadas 300 300 900 Vamos agora para um outro caso com as características a seguir: Vamos trabalhar o MRP neste novo caso. Veja: Estoque de Segurança: 0 Lead Time: 1 semana Tamanho do Lote: mínimo Gestão da Produção 14 Registro Básico: 1 2 3 4 5 Necessidade Bruta 200 250 40 120 Estoque Projetado 360 Recebimentos de Ordens Planejadas Liberação de Ordens Planejadas Passo 1: O estoque projetado é de 360 e há uma Necessidade Bruta de 200. Então, o valor atende ao pedido das 200 unidades e sobram 160 para a próxima rodada de atendimento. Veja a seguir: Registro Básico: 1 2 3 4 5 Necessidade Bruta 200 250 40 120 Estoque Projetado 360 160 Recebimentos de Ordens Planejadas Liberação de Ordens Planejadas Passo 2: O estoque projetado é de 160 e não há vendas na segunda semana, ou seja, a Necessidade Bruta está zerada. Veja a seguir: Registro Básico: 1 2 3 4 5 Necessidade Bruta 200 250 40 120 Estoque Projetado 360 160 160 Recebimentos de Ordens Planejadas Liberação de Ordens Planejadas Passo 3: O estoque projetado é de 160 e há uma Necessidade Bruta de 250. Então, é feito um pedido, por meio da Liberação de Ordens Planejadas, de 90 unidades na semana 2 e um recebimento, por meio de Ordens Planejadas, na semana seguinte. Ao receber o pedido, somamos as 160 unidades às 90, temos então 250 unidades, o que atende ao pedido das 250. Como o estoque pode ficar zerado, a semana 3 foi atendida. Vamos para a próxima rodada de atendimento. Veja a seguir: Registro Básico: 1 2 3 4 5 Necessidade Bruta 200 250 40 120 Estoque Projetado 360 160 160 0 Recebimentos de Ordens Planejadas 90 Liberação de Ordens Planejadas 90 Gestão da Produção 15 Passo 4: O estoque projetado está zerado e há uma Necessidade Bruta de 40 unidades na semana 4. Então, é feito um pedido, por meio da Liberação de Ordens Planejadas, de 40 unidades, na semana 3, e um recebimento, por meio de Ordens Planejadas, na semana seguinte, a fim de atender à demanda. Veja: Registro Básico: 1 2 3 4 5 Necessidade Bruta 200 250 40 120 Estoque Projetado 360 160 160 0 0 Recebimentos de Ordens Planejadas 90 40 Liberação de Ordens Planejadas 90 40 Passo 5: O estoque projetado está zerado e há uma Necessidade Bruta de 120 unidades, na semana 5. Então, é feito um pedido, por meio da Liberação de Ordens Planejadas, de 120 unidades, na semana 4, e o recebimento, por meio de Ordens Planejadas, na semana seguinte, a fim de atender à demanda. Observe: Registro Básico: 1 2 3 4 5 Necessidade Bruta 200 250 40 120 Estoque Projetado 360 160 160 0 0 0 Recebimentos de Ordens Planejadas 90 40 120 Liberação de Ordens Planejadas90 40 120 Programa Mestre de Produção O planejamento das operações produtivas considera os horizontes de curto, médio e longo prazos e os níveis de produção ajustam-se a esta informação e passam a determinar os níveis de produção para atender à demanda que possua pouca oscilação. Figura 10: Hierarquia de decisões de Planejamento. Fonte: Adaptado de CORRÊA, 2009. Longo prazo Mês 1 Sem 1 Sem 2 Sem 3 Sem 4 Semana 12 Semana 1 Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Semana 2 Semana 3 Semana 4 Mês 2 Mês 3 Mês 18 Grupos e famílias de produtos e recursos Produtos e recursos de inércia média Componentes e recursos de inércia pequena Operações e alocação detalhada de recursos Médio prazo Curto prazo Curtíssimo prazo Gestão da Produção 16 O Plano Mestre de Produção recebe nomes como MPS (Master Production Schedule) que se aplica às demandas previsíveis que ajustam a produção a volumes conhecidos. Este modelo atende às estratégias de qualidade e aperfeiçoamento de processos, como será demonstrado no exemplo a seguir, com as seguintes características: Lote:100 Não podemos ter o estoque zerado. Passo 1: Em estoque há disponível mercadorias para atender à demanda, em mãos, há 80 unidades, e a demanda é de 60. Então, o valor atende à demanda e sobram 20 unidades para a segunda semana. Registro Básico: Agosto Setembro 1 2 3 4 1 2 3 4 Demanda 60 60 60 60 70 70 70 70 Disponível MPS Em mãos 80 Veja como ficou: Registro Básico: Agosto Setembro 1 2 3 4 1 2 3 4 Demanda 60 60 60 60 70 70 70 70 Disponível 20 MPS Em mãos 80 Passo 2: Em estoque disponível há 20 unidades de mercadorias para atender à demanda de 60 unidades, na segunda semana. Para atender à demanda, inicia-se a produção pelo MPS de um lote (100 unidades) que, somado ao estoque disponível, passa a ter 120 unidades, sendo a demanda de apenas 60 unidades. Então, a demanda é atendida e sobram 60 unidades para a terceira semana. Registro Básico: Agosto Setembro 1 2 3 4 1 2 3 4 Demanda 60 60 60 60 70 70 70 70 Disponível 20 60 MPS 100 Em mãos 80 Gestão da Produção 17 Passo 3: Em estoque, há disponível mercadorias para atender à demanda de 60 unidades, mas é necessária a produção de mais um lote para que o estoque não fique zerado de mercadorias. Logo, a demanda é atendida e sobram 100 unidades para a quarta semana. Registro Básico: Agosto Setembro 1 2 3 4 1 2 3 4 Demanda 60 60 60 60 70 70 70 70 Disponível 20 60 100 MPS 100 100 Em mãos 80 Passo 4: No estoque de agosto, na semana 4, há disponível 100 unidades de mercadorias, a fim de atender à demanda de 60 unidades. O valor atende à demanda e sobram 40 unidades para a segunda semana. Registro Básico: Agosto Setembro 1 2 3 4 1 2 3 4 Demanda 60 60 60 60 70 70 70 70 Disponível 20 60 100 40 MPS 100 100 Em mãos 80 Passo 5: Em estoque, na primeira semana de setembro, há disponível 40 unidades de mercadorias, a fim de atender à demanda 70 unidades. Será necessário acionar a produção de mais um lote para que o estoque não fique zerado de mercadorias. Então, sobe a produção de um lote que, somado ao estoque disponível, atende à demanda, sobrando 70 unidades para a segunda semana. Registro Básico: Agosto Setembro 1 2 3 4 1 2 3 4 Demanda 60 60 60 60 70 70 70 70 Disponível 20 60 100 40 70 MPS 100 100 100 Em mãos 80 Passo 6: Em estoque, na segunda semana de setembro, há disponível 70 unidades de mercadorias para atender à demanda de 70 unidades, mas é necessário acionar a produção de mais um lote para que o estoque não fique zerado de mercadorias. Logo, é necessária a produção de um lote que, somado ao estoque disponível, atenderá à demanda e ainda deixará uma sobra de 70 unidades para a segunda semana. Gestão da Produção 18 Registro Básico: Agosto Setembro 1 2 3 4 1 2 3 4 Demanda 60 60 60 60 70 70 70 70 Disponível 20 60 100 40 70 100 MPS 100 100 100 100 Em mãos 80 Passo 7: Em estoque na terceira semana de setembro há disponível 100 unidades de mercadorias para atender à demanda de 70 unidades. Não é necessário, portanto, acionar o MPS para esta semana. Registro Básico: Agosto Setembro 2 3 4 1 2 3 4 Demanda 60 60 60 60 70 70 70 70 Disponível 20 60 100 40 70 100 30 MPS 100 100 100 100 Em mãos 80 Passo 8: Em estoque, na última semana de setembro, há disponível 30 unidades de mercadorias, a fim de atender à demanda, que é de 70. Será necessário, portanto, acionar a produção de mais um lote para que o estoque não fique zerado de mercadorias. Logo, devemos subir a produção de um lote que, somado ao estoque disponível, atenderá à demanda, deixando uma sobra de 60 unidades para a segunda semana. Veja este atendimento: Registro Básico: Agosto Setembro 1 2 3 4 1 2 3 4 Demanda 60 60 60 60 70 70 70 70 Disponível 20 60 100 40 70 100 30 60 MPS 100 100 100 100 100 Em mãos 80 Agora, vamos trabalhar em um outro caso com as seguintes características: Produção livre, ou seja, sem lotes definidos Produção Puxada, pode haver momentos de estoque zerado. Gestão da Produção 19 Observe a régua de produção a seguir: Registro Básico: Semanas 1 2 3 4 5 6 7 8 Demanda 10 30 35 35 35 40 40 40 Disponível MPS Em mãos 20 Passo 1: Em mãos, há disponível 20 unidades de mercadorias, para atender à demanda de 10 unidades. Logo, a quantidade atende à demanda, restando 10 unidades para a segunda semana. Veja: Registro Básico: Semanas 1 2 3 4 5 6 7 8 Demanda 10 30 35 35 35 40 40 40 Disponível 10 MPS Em mãos 20 Passo 2: Em estoque, na semana 2, há disponível 10 unidades de mercadorias para atender à demanda de 30 unidades. Para tal, inicia-se a produção, pelo MPS, de 20 unidades. Nesta modalidade de produção puxada, não há problema em trabalhar com o estoque zerado. Logo, a demanda será atendida e o estoque ficará zerado. Registro Básico: Semanas 1 2 3 4 5 6 7 8 Demanda 10 30 35 35 35 40 40 40 Disponível 10 0 MPS 20 Em mãos 20 Passo 3: Em estoque, na terceira semana, o estoque está zerado e há uma demanda de 35 unidades. Logo, é necessário subir a produção MPS de 35 unidades. Desta forma, a demanda será atendida e o estoque ficará zerado para a próxima semana. Veja: Registro Básico: Semanas 1 2 3 4 5 6 7 8 Demanda 10 30 35 35 35 40 40 40 Disponível 10 0 0 Gestão da Produção 20 MPS 20 35 Em mãos 20 Os passos 4, 5, 6, 7 e 8 atuam com a mesma operação, produzindo para atender ao que está vendido. É uma autêntica produção puxada. Veja: Registro Básico: Semanas 1 2 3 4 5 6 7 8 Demanda 10 30 35 35 35 40 40 40 Disponível 10 0 0 0 0 0 0 0 MPS 20 35 35 35 40 40 40 Em mãos 20 Produção Nivelada: Vamos conhecer outra modalidade de aplicação do Plano Mestre de Produção, popularmente chamado de MPS, em uma aplicação da Produção Nivelada. Nesta aplicação, devido à baixa oscilação da demanda, é possível continuar trabalhando com o conceito de pouca produção, porém constante. Tal forma de aplicação reduz estresse, ganha em qualidade no produto final, abre espaço para a customização do produto e ainda dispõe de tempo para o desenvolvimento de pesquisa e inovação em processos. A característica marcante deste modelo de produção é a continuidade da produção em ritmos baixos, o que permite mais atenção e cuidados na produção. No caso apresentado, a demanda está distribuída em 8 semanas e possui os quantitativos 15, 22 e 30, que são repetidos em alguns dias e alterados em outros. O MPS ficará constante com a produção de 18 unidades. O estoque inicial é o disponível em mãos de semanas anteriores, observe: Registro Básico: Semanas 1 2 3 4 5 6 7 8 Demanda 15 15 15 22 22 22 30 30 Disponível MPS Em mãos 66 A partir do estoque em mãos, somada à unidade produzidapelo MPS, vamos atender à demanda e, o que sobrar, passa a ser o disponível da próxima semana, (66 + 18) – 15 = 69). Observe: Gestão da Produção 21 Registro Básico: Semanas 1 2 3 4 5 6 7 8 Demanda 15 15 15 22 22 22 30 30 Disponível 69 MPS 18 Em mãos 66 Para a segunda semana, a partir da soma do estoque em mãos (69) com a unidade produzida pelo MPS (18), será possível atender à demanda, restando para a próxima semana (69 + 18) – 15 = 72 unidades). Veja: Registro Básico: Semanas 1 2 3 4 5 6 7 8 Demanda 15 15 15 22 22 22 30 30 Disponível 69 72 MPS 18 18 Em mãos 66 Para a terceira semana, com o estoque em mãos (72) somado à unidade produzida pelo MPS (18), vamos atender à demanda, o que sobrar passa + + a ser o disponível para a próxima semana. Observe: Registro Básico: Semanas 1 2 3 4 5 6 7 8 Demanda 15 15 15 22 22 22 30 30 Disponível 69 72 75 MPS 18 18 18 Em mãos 66 E o mesmo processo valerá para as semanas seguintes. Veja: Registro Básico: Semanas 1 2 3 4 5 6 7 8 Demanda 15 15 15 22 22 22 30 30 Disponível 69 72 75 71 67 63 51 39 MPS 18 18 18 18 18 18 18 18 Em mãos 66 + + Gestão da Produção 22 3. MRP II – Conceitos de MRP II – Requisitos Operacionais – O cálculo MRP II Os cálculos de MRP II agregam informações como: investimento em mão de obra, participação do comercial nos processos de produção e vendas, informações relacionadas ao custo e ao lucro dos produtos produzidos ou vendidos pela organização. De forma geral, o MRP II traz informações para a tomada de decisão em relação ao retorno do investimento e o MRP cuida da gestão de recursos internos para atender aos desafios e metas de produção. Então, podemos pensar que um completa o outro. A seguir, será descrito o MRP II por meio de um exemplo prático aplicado a uma análise básica do MRP II, com metodologia desenvolvida pelo Grupo FOCEL empresa especializada em soluções de Consultoria e Treinamento Gerencial, com os trabalhos e pesquisas elaborados por Oliveira (2020). Vamos abordar os seguintes aspectos na análise básica do MRP II: a. Necessidades líquidas e prazo para entregar o produto b. Descobrir os custos: ▪ mão de obra empregada diretamente à atividade. ▪ unitários do produto produzido. c. Preço mínimo para a comercialização do produto. Vamos a um exemplo prático do MRP II aplicado ao produto K. O primeiro passo requer a descrição da árvore de produto aplicada ao item K. Veja: Figura 11: Árvore de Produto 01: Produto K. Fonte: Adaptado de OLIVEIRA, 2020. Na apresentação da árvore do produto K, observa-se que o subcomponente L, necessita de 2 partes na montagem de K. O mesmo ocorre com o subcomponente M e N com necessidades de acoplamento de 2 e 4 partes para atender a uma unidade de k. K L (2) M (2) N (4) Gestão da Produção 23 A capacidade de construção e montagem para produzir K é de 60 unidades diárias, considerando uma jornada de trabalho de 8h/d. O tempo necessário, também chamado de Lead Time, para a aquisição dos componentes L e M é de 2 dias. Já a aquisição do componente N, só poderá ocorrer em lotes mínimos de 310 unidades, conforme a disponibilidade das empresas fornecedoras. E, para esta necessidade, o Lead Time é de 2 dias, com lotes de 310 unidades. Mas é válido informar que qualquer aquisição superior, o fornecedor mais próximo pode atender em 3 dias. O produto fabricado K recebe incrementos de customização. Para este trabalho, se faz necessário 1 dia de trabalho de pessoal especializado em Design de Produto. Sendo muito importante destacar que este trabalho só pode ser executado preliminarmente aos procedimentos operacionais de montagem do produto. Então, vamos aos quesitos operacionais do MRP II: Fase - A I – A demanda a ser atendida é de 240 unidades e o desafio do gerente de Planejamento Produção e Controle é calcular a necessidade líquida do produto, assim como o tempo de entrega. Sobre Necessidade Líquida (NL), considera-se a necessidade de produção e aquisição, descontados do que estiver em estoque. Ou seja, se a Necessidade Bruta (NB) ou demanda fosse de 50 unidades, existindo em estoque 15 unidades, a necessidade líquida para este cenário é de 35 unidades. Vamos considerar a realidade apresentada na tabela a seguir, que apresenta a Necessidade Bruta e a Necessidade Líquida dos componentes do produto K em atender requisitos de Montagem (M) e de Compra (C) de componentes, conforme a Tabela 1. Item Estoque NB NL M ou C K 60 240 180 M L 80 320 240 C M 100 320 220 C N 130 620 490 C Tabela 01: Necessidades para K. Fonte: Adaptado de OLIVEIRA, 2020. Tendo as informações da tabela anterior, o próximo passo é gerar a inteligência com os dados apresentados até o momento. Vamos lá. ▪ Calcular a necessidade líquida do produto K, que será obtida com dados da tabela: ▪ Gestão da Produção 24 NL= NB - Estoque 240- 60= 180 unidades de k ▪ Calcular o Lead Time (LT) de construção do produto K. LT = NL/ Capacidade de Produção 180 / 60 = 3 dias A próxima fase inclui detalhar mais dados a respeito do Lead Time em relação às etapas que constituem o produto K. Então, o cronograma geral para atender à demanda do produto poderá ser informado. Observe os próximos passos. ▪ Calcular o LT de aquisições para a etapa D. Além da descrição do LT informado no caso relacionado ao produto D, podemos também elaborar nossas deduções para encontrar o seu LT. Lote mínimo para aquisição: 310, que leva 2 dias para a entrega. Então, os 490 componentes irão necessitar de mais um dia para a sua entrega, por ser uma quantidade superior ao lote mínimo. 490 > 310 (lote até 2 dias) = 3 dias serão necessários. O LT das etapas L e M são informados anteriormente e representam 2 dias. Com isto, vamos montar o cronograma de LT. Observe o cronograma a seguir: Atividade: Dia: 1º 2º 3º 4º 5º 6º K X X X L X X M X X N X X X Customização X Tabela 02: Cronograma de LT. Fonte: Adaptado de OLIVEIRA, 2020. Observe, na tabela anterior, que o LT de K é de 3 dias e não pode congregar outras tarefas, pois seu estágio é de montagem final. E as etapas de aquisição / compra dos subcomponentes L e M, precisam de 2 dias, e a etapa N precisa de 3 dias. Não podemos esquecer que também há uma customização aplicada ao item, que deve ser feita antes da montagem final. K = precisa de 3 dias separadamente, L e M = 2 dias, N precisa de 3 dias, mas com exceção de K, podem ocorrer junto com L e M, assim a Gestão da Produção 25 customização precisa de 1 dia. O total, portanto, é o LT de 6 dias como sendo o tempo necessário para entregar o produto K. Mais dados serão necessários para a construção dos cálculos de MRP II, como a mão de obra necessária para atender ao cronograma de atividades para a entrega do item K. Mão de obra para atender a demanda de K: Atividade : Colaborador: Operacional Colaborador: Design de Inovação K 3 - L 1 - M 1 - N 2 - Customização: - 1 Tabela 03: Mão de obra K. Fonte: Adaptado de OLIVEIRA, 2020. A tabela anterior informa a quantidade de trabalhadores e chama a atenção para a necessidade do trabalho de um profissional para elaborar a customização do produto K. A função é de Design. Para cada profissional empenhado neste projeto, haverá a seguinte remuneração: ▪ A remuneração ou custo de cada colaborador será de R$12,00/h. ▪ A remuneração ou custo do profissional de Design de Inovação será de R$32,00/h. Em continuação aos quesitos operacionais do MRP II: Fase - B II – A área de finanças da empresa, solicita ao Gerente de Planejamento e Controle da Produção, as informações relacionadas aos custos de: ▪ Custos gerais de Mão de Obra Direta (MOD). ▪ Os custos unitários relacionados à MOD do item K. Para atender à solicitação do departamento financeiro, será apresentada a tabela Custos de MOD, que nos informará o investimento ou custo da mão de obra e também os custosunitários da mão de obra direta. Veja: Atividade Colaboradores Custo / hora Lead Time (dias) Horas de Trabalho Custo / Operação K 3 12,00 3 72 864,00 Gestão da Produção 26 L 1 12,00 2 16 192,00 M 1 12,00 2 16 192,00 N 2 12,00 3 48 576,00 Customização 1 32,00 1 8 256,00 Custo Total (R$) 2.080,00 NL K Unidades Montadas 180 CT / CU Custo Unitário de MOD (R$/Un.) 11,55 Tabela 04: Custos de MOD. Fonte: Adaptado de OLIVEIRA, 2020. Obs. ¹: O caso nos apresenta no início que a carga horária de trabalho é de 8h/dia. Obs. ²: NL K (necessidade líquida de K). O Custo Unitário de MOD é fornecido na divisão entre Custo Total / Custo Unitário ou CT / CU. Obs. ³: O cálculo das horas de trabalho para K é explicada da seguinte forma: 3 (colaboradores) x 3 (LT) x 8h (carga horária) x R$ 12,00 (custo/h) = R$ 864,00. E finalizando os quesitos operacionais do MRP II: Fase - C III – A área comercial solicita o cálculo do menor preço possível de comercialização do produto. Veja que essa informação é importante para elaborar o planejamento financeiro e as receitas de vendas da empresa. ▪ Calcular o menor valor de venda possível para o item K (mínimo). São considerados os seguintes dados da empresa em relação ao custo unitário de insumos e impostos. Esses dados foram obtidos da realidade operacional da empresa que produz o item K, ou seja, tais valores são informados. Veja a seguir: ▪ Custo unitário de matéria prima = R$ 42,00 ▪ Custos de impostos (% impostos + margem de contribuição) = 40 % Considerando as informações anteriores, vamos calcular o Preço Mínimo (PM) para comercializar o produto K na fórmula: Gestão da Produção 27 PM= (Custo Unitário MOD + custo unitário MP) /1- (% impostos + MC Mínima) Na aplicação da fórmula, o Custo Unitário (preço mínimo) é desenvolvido a seguir: PM = 42 + 11,55 / (1 – 0.4) = 53.55 / 0.60 = R$ 32.13 PM = R$ 32.13 Os Sistemas de Gestão Integrada ERP representaram um salto de qualidade na gestão eficiente das operações, pois permitem a extração de dados de operação em tempo real. As soluções de MRP e suas aplicações permitem a análise dos diversos processos necessários à produção e representam uma ferramenta eficiente ao apresentar a régua de produção para acompanhamento e atendimento da demanda sendo complementado pelos estudos de Lead Time, árvore do produto e MPS. Já o MRP II traz como contribuição ótima a complementação da ferramenta MRP ao permitir analisar os investimentos em Mão de Obra Direta, os custos das atividades e as mensurações para o Comercial e Gestão de Suprimentos. Concluindo o estudo deste capítulo, as ferramentas de EDI preenchem uma lacuna importante na gestão de negócios ao apresentar soluções de mineração de dados e inteligência empresarial. Referências COLANGELO FILHO, L. Implantação de Sistemas ERP: um enfoque de longo prazo. São Paulo: Atlas, 2009. CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. A. Administração de Produção e de Operações: manufatura e serviços – uma abordagem estratégica. São Paulo: Atlas, 2009. MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração da Produção. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2015. OLIVEIRA, M. A. F. Treinamento Grupo FOCEL – Gestão de Valor e Sustentabilidade. 2020. RITZMAN, L. P.; KRAJEWSKI, L. J. Administração da Produção e Operações. São Paulo: Pearson, 2004. SLACK, N. et al. Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 2006. Gestão da Produção 28 Gestão da Produção Modelos de Gestão da Manufatura – OPT e JIT Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Vilson Vieira 1ª Edição Copyright © 2021, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Sumário Modelos de Gestão da Manufatura – OPT e JIT Para Início de Conversa... ............................................................................... 4 Objetivo ......................................................................................................... 4 1. Princípios do OPT ......................................................................................... 5 2. JIT (Just-in-Time): conceitos, filosofia e técnicas .............................. 9 3. Sistema Kanban ............................................................................................ 12 Referências ......................................................................................................... 16 Gestão da Produção 3 Para Início de Conversa... A Gestão da Produção faz uso das ferramentas de OPT, JIT e Kanban para melhor operar os sistemas produtivos. Associadas/combinadas a ferramentas MRP, podem trazer resultados ótimos. A solução OPT tem por premissa a identificação de recursos gargalos e de recursos não gargalos, que podem ser melhor balanceados e, se combinados a ferramentas de melhoria contínua, podem trazer ganhos em qualidade nos produtos fabricados. As soluções de JIT buscam tornar operações enxutas e com o uso inteligente de recursos, entendendo que se deve produzir sempre de forma constante com baixos volumes. Isso permitirá ganhos em qualidade e inovação no processo produtivo. As soluções utilizadas no Kanban, apesar de serem integrantes de um método muito simples em sua implementação, podem interagir com todos os trabalhadores da linha de produção, permitindo com esse acompanhamento de perto a redução de desperdício e o controle dos processos, o que, para a área de Planejamento e Controle da Produção, é muito positivo. Objetivo Conhecer os modelos avançados da gestão da manufatura e os princípios da filosofia Just in Time. Gestão da Produção 4 1. Princípios do OPT Existem mais conceitos ou formas de se pensar o Planejamento de Capacidade, levando em observação as restrições da capacidade produtiva com a intenção de evitar a sobrecarga do sistema produtivo. Este estudo nos leva à Teoria das restrições, cujo foco está em identificar nas operações os pontos de restrição de capacidade e se há gargalos na produção, que é a máxima deste conceito. A forma de trabalho focada em identificar nas operações produtivas fatores de restrição e de gargalo é conhecida como OPT (Optimized Production Technology), tendo como seu idealizador Eliyahu Masher Goldratt, físico de Israel que atuou como consultor em empresas, um dos grandes nomes da Teoria das Restrições, e que escreveu o livro “A meta”, que trata de forma romanceada os esforços de um consultor para levantar uma fábrica que iria à falência e fez uso da teoria das restrições para mudar essa realidade. A técnica OPT é um sistema que apoia operações no planejamento das atividades, identificando pontos de restrições e gargalos no processo, a fim de melhor balancear o uso dos recursos disponíveis. Os aspectos básicos da técnica OPT. Aspectos: Características: Tempo Uma hora perdida em um recurso gargalo é uma hora perdida para sempre em todo o sistema Uma hora poupada em um recurso não gargalo é uma miragem Os Lead Times são resultados da programação e não podem ser determinados a priori Lote O lote de transferência pode não ser, e muitas vezes não deveria ser, igual ao lote de processamento O lote de processamento deveria ser variável, e não fixo Fundamentos Balanceie o fluxo, e não a capacidade O nível de utilização de um não gargalo é determinado por alguma outra restrição do sistema, não por sua capacidade Utilização e ativação de um recurso não são sinônimos Os gargalos governamtanto a produção como os estoques do sistema Os programas devem ser estabelecidos, olhando-se todas as restrições simultaneamente Quadro 1: Princípios OPT. Fonte: Slack, 2006. Gestão da Produção 5 As técnicas OPT, se bem assimiladas, podem ser somadas ao uso das técnicas de MRP ao identificar restrições e gargalos na produção, tendo cuidado quanto ao fato de que o Lead Time e a demanda são dinâmicos. Assim, conforme as flutuações de mercado, as restrições e os gargalos de processo também acompanham essa lógica. Semelhantemente, os mecanismos, como tamanho do lote, também passam por oscilações em seus níveis. O OPT faz uso dos elementos: tambor, pulmão e corda nas operações produtivas. Da seguinte forma: a operação gargalo ecoa o ritmo, como um “tambor”, das atividades na fábrica e puxa, como uma “corda”, o trabalho dos setores, conforme a capacidade da operação gargalo e, não, da unidade fabril; o estoque é o pulmão, que absorve as demandas de forma a não permitir paralisações. Os recursos: A técnica OPT busca entender o relacionamento entre os recursos, que podem ser: recursos gargalo (restringe a capacidade) e não gargalo (não restringe a capacidade). Os recursos são: equipamentos, setores, pessoas e processos. Veja, a seguir, um exemplo de recurso restritivo: Recurso gargalo Recurso não gargalo Recurso X Recurso Y Disponibilidade = 200 h/m Demanda = 200 h/m Disponibilidade = 200 h/m Demanda = 150 h/m Quadro 2: Recursos gargalo e não gargalo Fonte: Corrêa, 2009. O recurso X está no máximo de sua capacidade e qualquer demanda a mais entrará em um gargalo restritivo; já em Y, veja que ainda pode absorver mais 50 unidades e ainda estará dentro de sua capacidade de atendimento. Vejamos outra possibilidade: a seguir, o Caso 1, o recurso X, não consegue transferir de forma satisfatória trabalho para Y, pois está no limite de sua capacidade e, com isso, em 25% do tempo, Y está ocioso. Figura 1: Relacionamento entre recursos gargalo e não gargalo Fonte: Corrêa, 2009. Já no caso 2, do Quadro 2, o recurso Y consegue transferir trabalho para o recurso X, porém, está impedido, por causa do gargalo restritivo em X. Caso 1 X XY Y Caso 2 100% 100%75% 75% Gestão da Produção 6 Quando utilizamos o recurso Y acima de 75%, podemos fazer estoque em transformação e o objetivo de produção não será atingido com a ativação dos 25% da força produtiva restante de Y. O conceito de Ativação refere-se ao uso da capacidade acima do quanto o recurso gargalo pode suportar. Já o conceito de utilização está relacionado ao uso da capacidade suficiente para manter o recurso gargalo em funcionamento. Os recursos X e Y atuam conjuntamente em parte do processo, pois X representa um recurso gargalo e Y só deverá atuar em até 75% de sua capacidade, para que não opere na formação de estoque, pois o princípio do OPT visa a evitar a formação de estoque e trabalhar o balanceamento de atividades. Veja o caso 3. Os recursos X e Y apresentam demanda independente, pois não há relação de dependência entre eles, uma vez que a demanda representa um limitador das atividades do recurso Y. Observe o caso 4. Figura 2: Relacionamento entre recursos gargalo e não gargalo Fonte: Corrêa, 2009. Caso 3 X XY Y Montagem Caso 4 Demandas independentes 100% 75% 100% 75% Em relação ao aproveitamento do tempo disponível para o recurso gargalo e o recurso não gargalo, o primeiro faz uso do seu tempo de preparação, para efetivamente trabalhar a sua preparação em processar fluxos internos, preparar set-ups, alinhar informações com seu pessoal. Já o recurso não gargalo pode realmente fazer aproveitamento das três possibilidades: preparação, processamento ou em ociosidade. No caso do recurso gargalo, qualquer tempo economizado é direcionado para processamento de atividades, pois é um recurso gargalo. Figura 3: Componentes do tempo disponível dos dois tipos de recursos Fonte: Corrêa, 2009. Na operação OPT, que tem como premissa o balanceamento de recursos, os lotes de transferência podem ser formados por uma fração do lote de processamento, pois o lote de processamento é o que realmente será processado nas etapas posteriores e o lote de transferência é o X Y Recurso gargalo Recurso não- gargalo preparação preparação processamento ociosidade 100% do tempo disponível processamento Gestão da Produção 7 que realmente será transferido para os setores subsequentes. No OPT, a formação e o tamanho do lote irão refletir a realidade da unidade fabril. Figura 4: Lotes de Transferência e Lotes de Processamento. Fonte: Corrêa, 2009. As incertezas no processo de trabalho afetam a programação das atividades e toda estatística e mecanismos de controle estabelecidos. Operação 1 Operação 2 Operação 3 Tempo Operação 1 Operação 2 Operação 3 Tempo Diferença No caso do exemplo a seguir, os trabalhadores A e B desempenham suas funções, e um histórico foi observado em uma fábrica de usinagem. O trabalho nos 4 itens com a programação descrita na coluna: A (programa) e o tempo real do início de suas atividades na coluna A (real) mostra que houve desvio e variância no desempenho das funções com tempos de 8 a 12 horas para usinar cada peça. Na peça 01, o trabalhador A levou 12 horas para, então, o trabalhador B dar sequência a seu trabalho no tempo 12 (a programação era para receber no momento 10), o que faz com que o trabalhador B entregue a conclusão de sua parte no momento 22 (duas horas após). O trabalhador B mantém sua performance de 10 horas em cada peça, mas o atraso na passagem de etapas pelo trabalhador A faz com que B atue fora do tempo programado. Veja: Gestão da Produção 8 Figura 5: Programação do efeito de “flutuações probabilísticas” em eventos dependentes Fonte: Corrêa, 2009. O trabalhador A só consegue entregar sua atividade sem atraso na peça 4, mas o trabalhador B acaba sendo afetado pelos atrasos, ainda que trabalhe com regularidade de 10 horas por peças. 2. JIT (Just-in-Time): conceitos, filosofia e técnicas O JIT (Just-in-Time) representa uma técnica de gestão e planejamento de operações que teve seu surgimento no Japão dos anos 1940, na fábrica da Toyota Motor Company. O significado prático dessa filosofia de trabalho está em produzir no momento da necessidade do cliente e disponibilizar no exato momento de sua necessidade, sem que seja formado estoque ou que o cliente tenha de esperar. O JIT combate estoques e, ao mesmo tempo, não permite que o cliente tenha de esperar, a fim de não perder venda. Segundo Slack (2006) e Corrêa (2009), alguns conceitos podem ser atribuídos à filosofia JIT: a. Produção sem formação de estoque. b. Produção enxuta (Lean Production). c. Eliminação de desperdícios. d. Produção de fluxo continuado. e. Melhoria contínua nos processos. f. Produção de alto valor agregado. A BFluxo de produção Distribuição de tempos 8 10 1012 Itens A programa A real A desvio B programa B real B desvio 1 2 3 4 0 - 10 10 - 20 20 - 30 30 - 40 0 - 12 12 - 24 24 - 32 32 - 40 2 4 2 0 10 - 20 20 - 30 30 - 40 40 - 50 12 - 22 24 - 34 34 - 44 44 - 54 2 4 4 4 Gestão da Produção 9 A forma de trabalho dos processos produtivos envoltos na filosofia JIT procura eliminar estoques, desperdícios, produzir continuamente e abertura para inovações que resultem no melhor uso de recursos. A abordagem tradicional faz uso da formação de estoques, a fim de evitar falhas ou falta de abastecimento, mas encobrem erros como: instabilidade na qualidade dos processos e produtos, equipamentos que falham durante o uso, exigindo manutenção corretiva e demais processos de falta de sincronismo no processo produtivo. Na filosofia JIT, a manutenção ocorre de forma preventiva e preditiva. O sincronismo é a base da gestão de processos e o treinamento e a inovação são práticas rotineiras. Observe na figura a seguir a fluidez nos processos e nas etapas de trabalho da técnica operações produtivas JITem relação à abordagem tradicional. O estoque não cumpre função de amortecimento de incertezas; pelo contrário, ele é transferido para as etapas subsequentes, conforme a demanda do mercado. Figura 6: Fluxo tradicional e JIT entre estágios Fonte: Slack, 2006. A implantação da abordagem de trabalho do JIT irá expor as ineficiências das técnicas da organização, representando o momento ideal para trabalhar melhorias no processo, treinamento, sincronismo e investir no estoque de inovação para fomentar a criação de processos mais ágeis, econômicos e com uso menor de recursos. Reflexos de sua implantação: a. Na qualidade, com o fluxo contínuo de materiais sendo produzidos em pouca quantidade, mas de forma contínua. FLUXO TRADICIONAL Estágio A Estágio A Estágio B Estágio C Estágio B FLUXO JIT PEDIDOS PEDIDOS ENTREGAS ENTREGAS Estágio C Estoque amortecedor Estoque amortecedor Gestão da Produção 10 b. Redução de desperdícios, pois os processos são melhor calibrados e conferidos. c. Maior agilidade nos processos, pois não pode haver estoque nem falta de produtos. d. Fortalecimento da confiabilidade nos processos. e. A produção contínua em baixos volumes permite flexibilidade toda vez que houver necessidade de alteração nos níveis de produção e de atendimento. Observe os reflexos da implantação do JIT no uso do sistema puxado na figura a seguir: Figura 7: Diferença entre sistemas puxados e empurrados Fonte: Corrêa, 2009. Puxado Demanda Empurrado Demanda A filosofia JIT inspira gestores a introduzirem em suas organizações: redução de estoques, melhoria dos processos de trabalho com o uso inteligente de recursos, eliminação de barreiras de trabalho e aprimoramento de processo por meio da gestão participativa, em que todos contribuem. Os básicos operacionais são constantemente revisados pelos trabalhadores. O foco no processo e na melhoria contínua são parte integrante da filosofia JIT. Então, treinamento é investimento e, não, custo. O conceito de produzir sempre, mas em pequenas quantidades, sem que falte para o abastecimento, representa um dos fundamentos do JIT, assim como programa de manutenção, projeto de layout, limpeza e conservação são práticas marcantes nesse modelo. Observe o quadro a seguir: Desperdícios Eliminar, a partir do conhecimento da causa, cortando, na fonte, o que ocasiona Superprodução Produzir pouco, porém, de forma contínua. O estoque esconde ineficiências no processo de trabalho e devem ser corrigidas, sem fazer estoque Gestão da Produção 11 Esperas O sincronismo de atividades é desenvolvido para evitar falhas e esperas Transporte Revisão do layout e aprimoramento nos métodos empregados podem resolver problemas de movimentação interna de produtos Processos Foco em eliminar desperdícios nos processos de trabalho Estoque Foco na eliminação de estoques a partir de sua causa Movimentação Simplificação dos processos, tendo tudo à mão do colaborador Produtos defeituosos Trabalho voltado a eliminar os fatores que levam a defeitos na fabricação Envolvimento Todos participam Quadro 3: Compromissos JIT Fonte: Slack, 2006 (Adaptado). 3. Sistema Kanban O Kanban surgiu no Japão, nas instalações da fábrica da Toyota, como forma de promover a produção puxada e elaborar o sincronismo nos processos relacionados à produção. Basicamente, o termo significa cartão e, nas versões mais utilizadas, faz- se uso de dois cartões, um de produção e outro de transporte. Figura 8: Kanban de Produção. Fonte: Corrêa, 2009 (Adaptada). Processo Cod. do item Nome do item Tamanho do lote N. de emissão Tipo de contenedor N. prateleira estocagem Materiais necessários código locação Centro de trabalho Gestão da Produção 12 O cartão kanban de produção inicia a produção de um lote em uma célula de produção na fábrica e o cartão kanban de transporte aciona o deslocamento de componentes para a célula de produção que iniciará o lote autorizado pelo primeiro cartão. Figura 9: Kanban de Transporte Fonte: Corrêa, 2009 (Adaptado). Para melhor ilustrar nossos estudos sobre Kanban, será demonstrada uma operação industrial nos processos de produção de rotores de uma linha de montagem de bombas hidráulicas (Corrêa, 2009). Veja, a seguir, a demonstração da produção em 3 blocos: Bloco I Nessas etapas, ocorrerão o alinhamento da produção, movimentação de materiais e o acompanhamento de todos os processos de produção e movimentação de materiais. Cod. do item Nome do item Tamanho do lote N. de emissão Tipo de contenedor Localização no estoque Centro de trabalho fornecedor Localização no estoque Centro de trabalho cliente Passo 1 O Operador retira o último rotor de uma caixa padronizada. Passo 2 No passo 1, há um cartão Kanban de transporte preso na caixa padronizada, para levar o rotor à próxima etapa a ser finalizada a sua fabricação. A caixa vazia é levada para o Kanban marcado no cartão. Passo 3 Funcionários que transportaram a caixa vazia até a célula de finalização de rotores deixam no setor a vazia e levam outra cheia de rotores para a linha de montagem. O cartão que estava na caixa vazia é transferido para a cheia de rotores. Passo 4 O cartão de produção que estava preso na caixa cheia de rotores é transferido para o quadro de produção da célula A – 32, para que um novo lote seja finalizado. Quadro 4: Kanban na linha de montagem Fonte: Corrêa, 2009 (Adaptado). Gestão da Produção 13 Bloco II De forma sincronizada, o processo continua com transferência de peças e de componentes em todo o tempo, sendo acompanhado por funcionários de movimentação de estoques e por operadores de área. Passo 5 Para a produção de rotores, que irá repor o consumido, o operador da célula A-32 faz uso de uma caixa com rotores semiacabados. Passo 6 O operador libera o cartão de transporte que estava preso à caixa de rotores semiacabados para que funcionários possam transferir mais um lote de rotores semiacabados da célula P-12 para a célula A-32. Passo 7 Funcionários que atuam na movimentação de materiais vão para a célula P-12, deixam uma caixa vazia e levam outra cheia de rotores para a A-32. O cartão de transporte está em toda a movimentação. Passo 8 O kanban de produção preso à caixa de rotores semiacabados é transferido ao painel de produção P-12 para a produção de novo lote de rotores. Quadro 5: Kanban na linha de montagem Fonte: Corrêa, 2009 (Adaptado). Bloco III O processo segue a produção puxada e o controle de peças pelo almoxarifado acontece em todo o tempo e os controles de Planejamento e Controle da Produção são atualizados. O processo funciona de forma síncrona. Passo 9 Para a produção de um lote de rotores para a reposição de rotores consumidos, o operador da célula P-12 faz uso de rotores fundidos. Passo 10 O operador libera o kanban de transporte preso na caixa de rotores fundidos, para que os funcionários de movimentação de materiais possam transferir mais um lote de rotores fundidos para a célula P-12. Gestão da Produção 14 Passo 11 O operador da célula A-32 conclui o processamento do lote de rotores e prende o cartão kanban de produção e deposita no local de armazenagem. Quadro 06: Kanban na linha de montagem Fonte: Corrêa, 2009 (Adaptado). Ao longo deste capítulo, foi possível entender que, quando Eliyahu Masher Goldratt pensou nos recursos gargalos e não gargalo, seu método OPT foi uma resposta aos problemas de restrição de capacidade e otimização de recursos, pois a ferramenta permite visão ampliada dos problemas relacionados ao balanceamento de recursos. As inovações promovidas na Toyota dos anos 1940 contribuíram para que hoje o JIT represente uma ótima solução para processos de melhoria da qualidade. A filosofia JIT abandona a ideia de trabalhar com estoques abarrotados e procura direcionar a produção de modo a atender a demanda no momento de sua existência, sem que isso venha representar espera para o cliente. A ferramenta Kanbancoroa o conjunto de ferramentas voltadas à redução de desperdícios ao apresentar um método de trabalho simples e que pode ser acompanhado de perto por todos os trabalhadores por meio do uso de cartões. Após o estudo desta unidade, foi possível conhecer as principais ferramentas utilizadas no Planejamento e Controle da Produção para obter processos produtivos mais econômicos e que entregam produtos de melhor qualidade ao público. Gestão da Produção 15 Referências CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. A. Administração de produção e de operações. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2009. MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração da produção. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. RITZMAN, L. P.; KRAJEWSKI, L. J. Administração da produção e operações. São Paulo: Pearson, 2004. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; HARLAND, C, HARRISON, A.; JOHNSTON, R. Administração da produção. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2006. Gestão da Produção 16 Gestão da Produção Novas Tendências em Gestão de Manufatura Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Vilson Vieira 1ª Edição Copyright © 2021, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Sumário Novas Tendências em Gestão de Manufatura Para Início de Conversa... ............................................................................... 4 Objetivo ......................................................................................................... 4 1. Modelos mesclados de gestão de manufatura: integração MRP e JIT ........................................................................................................5 2. Manufatura de resposta rápida (QRM – Quick Response Manufacturing) .............................................................................................. 9 3. Manufatura Verde (Green Manufacturing) ........................................... 10 Referências ........................................................................................................ 14 Gestão da Produção 3 Para Início de Conversa... Neste capítulo, seremos apresentados a temas voltados à gestão da sustentabilidade na indústria, como a combinação dos modelos de produção MRP e JIT, QRM e Manufatura Verde. Todos são temas emergentes na gestão industrial, sendo um desafio para todos produzir de forma inovadora. Perceberemos que a mesclagem dos modelos MRP e JIT são propostas para a produção inteligente e com custos controlados. Esse é o conceito de produção enxuta, em que todo o processo produtivo é desenvolvido para economizar recursos, ganhar em produtividade e melhor adequação do processo de produção aos desafios da demanda. A Manufatura de Resposta Rápida ou QRM reforça os esforços do MRP e JIT ao desafiar a indústria a produzir de maneira rápida e com modelos mais econômicos em sua produção. A Manufatura Verde representa esforços para uma nova manufatura, com a Ecoeficiência, que representa a tônica do modelo com ações claras voltadas ao uso de recursos renováveis. Os assuntos abordados neste capítulo irão contribuir na formação de gerentes com consciência para o desenvolvimento de uma Gestão da Produção Sustentável. Objetivo Vislumbrar as novas tendências e possíveis caminhos para a manufatura nas organizações. Gestão da Produção 4 1. Modelos mesclados de gestão de manufatura: integração MRP e JIT Os modelos mesclados de produção combinam modelos de produção diversos. Uma forma exemplar pode ser observada na combinação de modelos de produção nivelada com o JIT. Observe a produção dos itens A, B e C em uma linha de produção na figura a seguir: Figura 1: Sequência de produtos com programação nivelada Fonte: Slack, 2006 [Adaptada]. Inspirados na sequência de produção apresentada na Figura 1, veja a distribuição das quantidades de produtos produzidos em 27 dias com a carga horária de 8h/dia. Observe: A B A A C A B A A C A B A A C A B A A C A B A A C Produtos: Quantidades: A 2.688 B 1.640 C 1.344 Tabela 1: Produtos produzidos Fonte: Elaborada pelo autor. Conforme os dados apresentados, vamos entender o tempo de ciclo produtivo para cada produto de acordo com a produção total da Tabela 1, para a hora informada será multiplicada por 60 minutos. Veja: Ciclo de A: Ciclo de B: = = (27 x 8 x 60)A 5min. 2.688 = = (27 x 8 x 60)B 8min. 1.640 Gestão da Produção 5 Ciclo de C: Assim, podemos concluir que: ▪ Cada unidade de A, para ser produzida, necessita de 5 min. ▪ Cada unidade de B, para ser produzida, necessita de 8 min. ▪ Cada unidade de C, para ser produzida, necessita de 10 min. Se fizermos o MMC para os tempos informados, obteremos a seguinte escala de produção: MMC = 5, 8 e 10 O resultado do MMC nos informa que em 40 min é possível processar um lote de peças A, B e C, respeitando o tempo de produção de cada peça. Vamos concluir então que: Cada unidade de A, para ser produzida, necessita de 5 min; logo, no intervalo de 40 min. Assim, teremos: = = (27 x 8 x 60)C 10min. 1.344 Cada unidade de B, para ser produzida, necessita de 8 min; logo, no intervalo de 40 min. Teremos: Cada unidade de C, para ser produzida, necessita de 10 min; logo, no intervalo de 40 min teremos: A seguir, a nova régua de produção com a nova programação com lotes a cada 40 min. Confira a figura a seguir: Figura 2: Régua de produção Fonte: Slack, 2009 [Adaptada]. = = (40)A 8peças. 5 = = (40)B 5peças. 8 = = (40)C 4 peças. 10 B A C A B A C A B A C A B A C A B ... MMC 5 - 8 - 10 2 2 2 5 40 5 - 4 - 5 5 - 2 - 5 5 - 1 - 5 1 - 1 - 1 Gestão da Produção 6 Até que seja atingida a capacidade de horas disponíveis: 27 X 8 X 60 = 12.960 / 40 = 324 lotes com a programação informada na Figura 2, serão produzidos, mesclando MRP e JIT no exemplo apresentado. A Integração MRP e JIT Apesar de serem filosofias de produção diferentes, MRP e JIT podem ser combinadas, contudo, é necessário ter maturidade por parte dos gerentes de produção para entenderem a necessidade de alterar na hora certa o planejamento da produção. O sistema de produção escolhido puxa toda a sequência de abastecimento; então, seja MPS, produção nivelada ou desnivelada, a atenção deve existir quando é mesclada a filosofia JIT para que não ocorra a falta de itens no abastecimento ou no suprimento de matéria prima. Então, o sincronismo tem importância basilar nesse processo de gestão de modelos mesclados. = = = = (27 x 8 x 60)Lotes 40 (12.960)Lotes 324 40 Aspectos marcantes do MRP: ▪ Puxa toda a cadeia de produção. ▪ Precisa de monitoramento. ▪ Necessita de atenção quanto a sistemas de informações. ▪ Atenção aos níveis de estocagem. ▪ Alterações no Lead Time. ▪ Precisa de tempo para ser atualizado. Aspectos marcantes do JIT: ▪ Puxado pela demanda. ▪ Uso de cartões no controle da produção. ▪ Decisões descentralizadas. ▪ Programação baseada em taxas de produção. ▪ Incentiva a flexibilização de recursos. ▪ Planejamento e controle são fiéis a sua filosofia. Quadro 1: Características MRP e JIT Fonte: Slack, 2009 [Adaptado]. Os aspectos convergentes e diferentes nas filosofias JIT e MRP podem ser apresentados como aspectos que exigem habilidade gerencial para operar com filosofias diferentes e como combiná-las. Gestão da Produção 7 O JIT procura produzir produtos para abastecer a demanda do mercado e evitar a formação de estoque e o MRPfaz a programação de produção e entrega na definição de quando a entrega de produtos deve ocorrer. O JIT não apresenta boa aplicação para cenários complexos e dinâmicos e já o MRP, suporta ambientes complexos. O que demonstra ser necessário que os gerentes de produção, tenham a expertise em saber a hora certa para trabalhar na filosofia MRP e perceber quando for o melhor momento para orientar a programação de produção para a filosofia JIT. Tal prática demonstra um perfeito sincronismo, de forma a utilizar com maestria os recursos disponíveis para a produção. Uma solução interessante para as fábricas que trabalham a montagem de produtos diferentes é pensar que produtos com alto nível de produção podem operar no MRP, já os de baixo fluxo no Kanban, controlar os níveis de produção e de demanda para obter o melhor uso dos recursos de produção. Os sistemas adquiridos no mercado com soluções MRP, acionados pela filosofia de gestão JIT, representam solução com boa aceitação se direcionados à aquisição de materiais para a produção conforme a demanda. Com isso, puxa toda a produção se operados pelo sistema Kanban nas instalações da indústria. São apresentados, a seguir, aspectos positivos associados à combinação dos sistemas MRP e JIT e Kanban. Observe: Dispensa ordem de serviço entre as áreas. Monitoramento do estoque em processamento pelas células de trabalho. Lista de materiais simplificada. Informações das etapas de trabalho apresentadas de forma otimizada. Simplificação do planejamento e controle. Redução do Lead Time. Quadro 2: Vantagens em combinar JIT X MRP X Kanban Fonte: Slack, 2006 [Adaptado]. Então, como informado anteriormente, é exigida do gerente de produção a expertise necessária para saber a hora certa de mudar de um sistema de produção para outro. Podemos pensar que tais decisões irão ser demandadas por volume e também por variações na frequência da Gestão da Produção 8 demanda. Para o resultado de todo esse processo, é exigida atenção na tomada de decisão. 2. Manufatura de resposta rápida (QRM – Quick Response Manufacturing) Algumas novas vertentes ganham espaço no campo da Gestão Industrial, dentre elas a Manufatura de Resposta Rápida (QRM), na qual a ferramenta de aplicação principal está na redução do Lead Time nos processos produtivos e entregar em menor tempo a demanda de seus clientes. As entregas mais rápidas geram destaque no mercado e credibilidade às empresas que possuem o QRM em seu DNA. Para a execução do QRM, é preciso descrever todos os processos de trabalho de cada operação ao mapear os processos e redesenhá-los com vistas à redução no tempo e também em etapas de trabalho, de forma que sejam cada vez mais simplificada as tarefas e com menos etapas de elaboração para construção do produto. A metodologia QRM inclui as seguintes etapas (LIMA et al., 2013): a. Definição do problema. b. Coletar e analisar dados. c. Proposta de melhoria. d. Análise de resultados. Na etapa de definição de problemas, são utilizadas diversas ferramentas de diagnóstico empregadas na gestão da qualidade, a fim de facilitar a compreensão dos problemas envolvidos no processo pesquisado. Na etapa de coleta e análise de dados, são então analisadas as causas que levam aos efeitos do problema identificados na primeira fase do método e, para tal, outras ferramentas da qualidade aplicadas à decisão são então empregadas. A terceira etapa dos processos é justamente onde ocorre a rodada de propostas de soluções e também diversas ferramentas aplicadas à qualidade podem ser testadas, mas o objetivo nessa fase é escolher soluções que reduzam o ciclo de atividades, tornem os processos mais ágeis e que façam uso de menos recursos da organização. Nessa etapa, ainda, processos de trabalho tradicionais serão abandonados para que processos mais ágeis sejam implantados com a redução no Lead Time de processos (PEDROSO et al., 2016). Gestão da Produção 9 O novo processo é submetido a novos testes, sendo o objetivo testar novas ferramentas, com vistas a reduzir ainda mais o Lead Time do novo desenho de processo até chegar ao refinamento final, em que não seja mais possível, pelo menos para o momento, encontrar mais reduções de Lead Time e uso de recursos. A última etapa do processo QRM consiste na análise de resultados. É quando observa-se, na operação, constância em relação às mudanças implementadas e verifica-se, no novo processo, se há necessidade de ajustes. De tempos em tempos, o método é novamente aplicado, para identificar oportunidades de novas reduções no Lead Time e em investimentos operacionais. Como pode ser observado, a aplicação da metodologia QRM traz modificações na empresa como um todo, e esse processo, para que tenha bons resultados, exige a adaptação da organização para esse momento. A começar pelo seu sistema de informações com o uso de Sistemas Integrados do tipo ERP (OLIVEIRA et al., 2018). Outra exigência para a implantação do método QRM está em adaptar a cultura da organização para um novo momento, no qual a eficiência e a produtividade sejam a marca da organização agora em transformação. Os processos de comunicação interna direcionados aos colaboradores precisam operar de forma transparente, valorizando a participação democrática para que resistências possam ser trabalhadas de forma gerenciada em busca da mudança organizacional. As lideranças presentes na organização devem entender a responsabilidade de suas funções nesse processo de transformação e atuar, tratando os colaboradores com respeito e não adotar práticas criminosas de comunicação agressiva com colaboradores. A mudança precisa ser assimilada por todos e, depois, ser executada; isso se o objetivo das ações implementadas for atribuído a soluções duradouras. Essas ações dererão ser eitas por várias mãos, pois já entendemos que, no século XXI, as pessoas merecem respeito, ainda mais quando trabalham horas a fio em uma organização, com a proposta de garantir o seu sustento. 3. Manufatura Verde (Green Manufacturing) As questões que envolvem meio ambiente, sustentabilidade, uso inteligentes de recursos, produtividade, lucratividade, recursos renováveis são expressões presentes na atual manufatura, tendo atenção voltada a práticas relacionadas a preocupações ambientais. As preocupações ambientais sustentam a ideia da manutenção de recursos e insumos para gerações futuras, com o desenvolvimento Gestão da Produção 10 de tecnologias que utilizem menos recursos da natureza ou, ainda, que façam o teste com novos materiais, a fim de que aplicações industriais experimentem novas matrizes energéticas. Como exemplo, podemos citar a transição do carro alimentado por combustíveis fósseis para alimentação elétrica. Nas empresas, podemos citar: equipamentos de ar-condicionado central que funcionam com o reaproveitamento de água, teto verde, materiais na construção civil que absorvem o calor e congregam isolamento térmico, a fim de poupar consumo de ar- condicionado e demais aplicações direcionadas à redução de consumo. A indústria passa por transformações radicais para a melhor adequação a processos de gestão que repensem temas como uso de água, consumo elétrico, combustíveis, produtividade e reaproveitamento de materiais como matéria-prima. Pesquisas são desenvolvidas, conceitos e abordagens voltados ao meio ambiente e à gestão de processos são incorporados aos processos, leis são criadas, marketing direcionados a práticas sustentáveis são introduzidos como os diversos selos e as certificações. Para Leão et al. (2012), a aliança formada com políticas ambientais e a gestão estratégica empresarial resultam em práticas que delineiam as estratégias operacionais da indústria, sendo apresentadas sob os pilares a seguir: a. Procedimentos na operação; b. Procedimentos organizacionais; c. Procedimentos voltados à comunicação. Dentre as diversas práticas informadas anteriormente, vamos explorar com mais detalhesos procedimentos organizacionais que são apresentados como design de produto e design de processo, que, somados, nos levam ao conceito de Ecoeficiência. Ele ocorre com o repensar em preços, fabricação do produto, insumos do processo, ciclo de vida de produtos, redução de impactos ambientais na elaboração do produto (LEÃO et al., 2012): a. Redução de insumos na fabricação; b. Menor consumo elétrico; c. Menor emissão de poluentes e de resíduos; d. Reciclagem de materiais e embalagens; Gestão da Produção 11 e. Maior uso de recursos renováveis na produção; f. Vida útil dos produtos; g. Ganhos em serviços e bens. A seguir, são apresentados alguns dos novos conceitos e abordagens que ocupam cada vez mais espaços na indústria, com o propósito de influenciar a tomada de decisão e as práticas de mercado, rumo à produção sustentável. Alguns dos termos apresentados são realmente novos, outros estão há algum tempo sendo defendidos pela mídia por pesquisadores e consultorias espalhadas pelo mundo. a. Economia circular; b. Marketing verde; c. Manufatura verde; d. Produção enxuta; e. Green manufacturing; f. Environmente Management System; g. Cadeia de suprimentos verde; h. Produção limpa. A abordagem Green Manufacturing ou Manufatura Verde representa estratégias operacionais aplicadas na indústria que, em sua aplicação, propicia resultados nos seguintes aspectos: maiores lucros, ganhos em produção, políticas de gerenciamento do meio ambiente e maior consciência do consumidor. De forma, a antecipar as exigências legais, o conceito de Green Manufacturing direciona as estratégias de produção para a prática da sustentabilidade nos processos produtivos de uma fábrica, o que também influencia toda a sua cadeia de suprimentos, inaugurando o conceito de cadeia de suprimentos sustentáveis ou também chamada de cadeia de suprimentos verde (MARTINS; SCHREIBER, 2019). As soluções de Green Manufacturing ou Produção Verde podem ser compreendidas com o conceito de “soluções de fim de tubo”, como se os processos de inovação fossem seguir a ideia de um tubo, em que todo o processo passa por uma sequência (SILVA et al., 2019). Gestão da Produção 12 Figura 1: Visão prática do Green Manufacturing Fonte: Sustainable Manufacturing Initiative, 2011 [Adaptada]. Implantação de soluções de fim de tubo: Alternativas tecnológicas para a mitigação, diluição e controle da poluição. Reestruturação do sistema de produção: Recuperação de recursos, sem a disposição de resíduos ao meio ambiente. Modificação de produtos e processos produtivos: Otimização de processos, aumento na eficiência energética e no consumo de materiais. Sistema de gestão ambiental: Monitoramento ambiental e uso de indicadores para a gestão de produtos ambientalmente adequados e economicamente competitivos Extensão da responsabilidade ambiental: Avaliação do ciclo de vida e gestão verde da cadeia de suprimentos Green manufacturing Controle ambiental Produção em ciclo fechado Produção mais limpa Ecoeficiência Visão de ciclo de vida A inovação é influenciada por demandas ambientais que, por sua vez, são motivadoras de reestruturações internas no ciclo de produção, com novos processos que atendam aos ideais de ecoeficiência. Uma vez consolidadas as iniciativas anteriores, o tubo recebe, então, a experiência da produção mais limpa, em que a reutilização e os modelos de produção em que a preservação de recursos naturais são a essência do processo. Na penúltima etapa, os sistemas de gestão ambiental são os catalisadores da produção com eficiência. Por fim, um novo ciclo de vida e de produção de produtos são implantados. A Gestão da Produção apresenta, neste último capítulo, temas importantes na formação do Gerente de Produção com os temas relacionados a MRP e JIT, QRM e Manufatura Verde. Todos representam temas emergentes na gestão industrial, sendo um desafio para todos produzir de forma inovadora. A mesclagem dos modelos MRP e JIT são propostas desafiadoras para produzir, de forma inteligente e com custos controlados, o conceito de produção enxuta, em que todo o processo produtivo visa a economizar recursos, ganhar em produtividade e melhor adequação do processo de produção aos desafios da demanda. Gestão da Produção 13 De forma evolutiva, a Manufatura de Resposta Rápida ou QRM reforça os esforços do MRP e JIT ao congregar estímulos para reestruturar a produção com base na remodelagem do processo de produção. Ela oferece respostas ao modelo de produção ao reduzir o tempo de ciclo produtivo com tecnologias mais eficientes, reduzindo o ciclo para que, com isso, apresente uma resposta mais rápida a seus clientes, desequilibrando os concorrentes. Este capítulo é concluído com os conceitos de Manufatura Verde, que representam esforços para uma nova manufatura com a ecoeficiência. Ela representa a tônica do modelo, com ações claras, voltadas ao uso de recursos renováveis, ganhos de produtividade, níveis ótimos na redução de desperdícios e tratamento de resíduos. Os assuntos abordados traduzem o desafio da indústria em apresentar operações produtivas mais eficientes, com o uso sustentável de recursos, sem que o atendimento à demanda seja prejudicado. Todo o estudo apresentado neste capítulo tem o objetivo de preencher uma lacuna importante na formação de profissionais com consciência para o desenvolvimento de uma Gestão da Produção sustentável. Referências CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. A. Administração de produção e de operações. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2009. LEÃO, M. T.; SOUBIHIA, D. F.; IZAR, A. L. T.; JABBOUR, C. J. C. Desenvolvimento de produtos com menores impactos ambientais: identificação, classificação e análise da produção científica. XV SEMEAD, 2012. LIMA, A. D.; BACHEGA, S. J.; FILHO, M. G.; CRUZ, V. J. S.; ROSSI, J. M. Proposta de aplicação da abordagem Quick Response Manufacturing (QRM) para a redução do Lead Time em operações de escritório. Revista Produção OnLine, n. 1, v. 23, São Paulo, 2013. MARTINS, M. A. M.; SCHREIBER, D. Manufatura Verde e suas variáveis: em busca de um modelo conceitual. XXXIX Encontro Nacional de Engenharia de Produção. São Paulo, 2019. MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração da produção. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. OLIVEIRA, L. G.; FREITAS, D. C.; FILHO, M. G. Aplicação da abordagem Quick Response Manufacturing (QRM) no processo de desenvolvimento de novos lápis de olhos. Revista Produção OnLine, n. 2, v. 18, Santa Catarina, 2018. Gestão da Produção 14 PEDROSO, C. B.; FILHO, M. G.; HAYASHI, A. P. Aplicação da abordagem QRM em uma empresa do setor químico. GEPROS – Gestão da Produção, Operações e Sistemas, n. 2, v. 12, São Paulo, 2017. RITZMAN, L. P.; KRAJEWSKI, L. J. Administração da Produção e Operações. São Paulo: Pearson, 2004. SILVA, D. A. L.; SILVA. E. J.; OMETTO, A. R. Green Maufacturing: uma análise da produção científica e de tendências para o futuro. 26. ed. São Paulo: Production, 2016. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; HARLAND, C, HARRISON, A.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2006. Gestão da Produção 15