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G RU PO SER ED U CACIO N AL gente criando o futuro ORGANIZAÇÃO E LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO O RG AN IZAÇÃO E LEG ISLAÇÃO D A ED U CAÇÃO Maria Paula Almeida Maria Paula Almeida ORGANIZAÇÃO E LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO Organização e Legislação da Educação © by Editora Telesapiens Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora Telesapiens. A447o Almeida, Maria Paula. Organização e legislação da educação [recurso eletrônico]/ Maria Paula Almeida. – Recife: Telesapiens, 2020. 184 p.: pdf ISBN: 978-65-86073-06-5 1. Educação I. Título. CDU 37.046 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Bibliotecário responsável: Nelson Oliveira da Silva – CRB 10/854) Fundador e Presidente do Conselho de Administração: Janguê Diniz Diretor-Presidente: Jânyo Diniz Diretor de Inovação e Serviços: Joaldo Diniz Diretoria Executiva de Ensino: Adriano Azevedo Diretoria de Ensino a Distância: Enzo Moreira Créditos Institucionais Todos os direitos reservados ©2022 by Telesapiens Organização e Legislação da Educação A AUTORA MARIA PAULA ALMEIDA Olá, aluno(a). Meu nome é Maria Paula Almeida, sou formada em Administração de Empresas e em Pedagogia. Possuo mestrado em Gestão da Educação, com experiência técnico-profissional na área de gestão de mais de 10 anos. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Esses ícones que irão aparecer em sua trilha de aprendizagem significam: OBJETIVO Breve descrição do objetivo de aprendizagem; OBSERVAÇÃO Uma nota explicativa sobre o que acaba de ser dito; CITAÇÃO Parte retirada de um texto; RESUMINDO Uma síntese das últimas abordagens; TESTANDO Sugestão de práticas ou exercícios para fixação do conteúdo; DEFINIÇÃO Definição de um conceito; IMPORTANTE O conteúdo em destaque precisa ser priorizado; ACESSE Links úteis para fixação do conteúdo; DICA Um atalho para resolver algo que foi introduzido no conteúdo; SAIBA MAIS Informações adicionais sobre o conteúdo e temas afins; EXPLICANDO DIFERENTE Um jeito diferente e mais simples de explicar o que acaba de ser explicado; SOLUÇÃO Resolução passo a passo de um problema ou exercício; EXEMPLO Explicação do conteúdo ou conceito partindo de um caso prático; CURIOSIDADE Indicação de curiosidades e fatos para reflexão sobre o tema em estudo; PALAVRA DO AUTOR Uma opinião pessoal e particular do autor da obra; REFLITA O texto destacado deve ser alvo de reflexão. SUMÁRIO UNIDADE 01 Compreendendo os significados dos termos lei, diretrizes, bases e a estrutura de ensino................................................12 A educação e a Constituição Federal Brasileira........................12 Analisando os princípios e fins da educação nacional – artigos 2º e 3º da Lei 9.394/1996...........................................19 Princípios e fins da educação brasileira....................................19 Identificando os aspectos do sistema escolar brasileiro e a administração do sistema nacional de ensino.......................26 Sistema escolar brasileiro.........................................................26 Estrutura do sistema escolar brasileiro.....................................28 Conselhos de Educação no Brasil.....................................30 Diretrizes Curriculares Nacionais.....................................31 Referenciais Curriculares Nacionais para Educação Infantil..............................................................................33 Parâmetros Curriculares Nacionais...................................35 Plano Nacional de Educação: objetivos e metas.......................36 O Plano Nacional......................................................................36 Metas................................................................................39 UNIDADE 02 Apresentando os objetivos, duração e organização da Educação Infantil....................................................................48 A Lei de Diretrizes e Bases e a Educação Infantil....................48 Objetivos da Educação Infantil.................................................52 Duração da Educação Infantil...................................................56 Organização da Educação Infantil............................................56 Analisando o Ensino Fundamental de 9 anos e seus objetivos, duração, organização e obrigatoriedade...............................64 Objetivos, Duração, Organização e Obrigatoriedade do Ensino Fundamental.............................................................................64 Ensino Médio: Finalidade, Duração, Modalidades e Organização..........................................................................79 Área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias....................84 Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas ......................85 Educação de Jovens e Adultos..................................................88 Educação Especial...................................................................90 UNIDADE 03 Compreendendo os conceitos, histórico e evolução do currículo e a verificação do rendimento escolar...................98 Conceito do currículo................................................................98 Currículo: Histórico, Evolução e a Verificação da Aprendizagem........................................................................105 Os PCNS – Parâmetros Curriculares Nacionais................116 Definição e Objetivos dos Parâmetros Curriculares Nacionais..117 A Formação dos Profissionais de Educação: Agências Formadoras e Tipos de Profissionais..................................126 Formação de Profissionais de Educação e a qualidade da educação.................................................................................127 Agências Formadoras e a Educação Continuada....................134 Os Recursos Financeiros para a Escola: As responsabilidades do Estado, União e Municípios..............................................137 Recursos financeiros e a Educação.........................................137 UNIDADE 04 Compreendendo a educação em direitos humanos - Resolução 001/2012.................................................................................148 Educação em Direitos Humanos – Resolução 001/2012........148 Identificando o que é e o que não é educação em direitos humanos................................................................................154 O que é e o que não é educação em direitos humanos............154 Observando porque educar para os direitos humanos e a cidadania..............................................................................160 Por que educar para os direitos humanos e a cidadania?........160 Analisando o novo marco para a relação étnico-racial no Brasil: uma responsabilidade coletiva.................................166 A relação étnico-racial no Brasil.............................................166 UNIDADE 01 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Organização e Legislação da Educação10 INTRODUÇÃO A área de organização e legislação da educação norteia o sistema educacional brasileiro por meio de leis, diretrizes e estatutos. É por meio de tais instrumentos que visamos garantir o direito de educação para todos. Nessa disciplina, aprenderemos que a história da educação é também uma luta contra a desigualdade social e econômica. O Brasil deve desenvolver práticas pedagógicas por meio de políticas públicas que reconheçam asdiferenças geográficas e econômicas de cada região, que visem garantir uma educação de qualidade, capaz de promover a autonomia do educando. Enquanto educadores, temos um papel crucial na formação e implementação de políticas públicas, pois, reconhecendo nossa estrutura educacional e onde pretendemos chegar, podemos efetivar na prática o que já está garantido na Constituição Federal de 1988 — e reafirmado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1995 – LDB): a educação como um direito de todos. Ao longo desta unidade letiva você mergulhará neste universo! Organização e Legislação da Educação 11 OBJETIVOS Olá, estudante. Seja muito bem-vindo(a) a nossa Unidade 1 – Fundamentação legal da educação brasileira. Nesta unidade, o nosso objetivo é auxiliá-lo no desenvolvimento de algumas competências profissionais. Compreender a legislação, diretrizes, bases e a estrutura de ensino disposta na Lei 9.394/1996 (LDB). Analisar os princípios e fins da educação nacional — artigos 2º e 3º da LDB. Identificar os aspectos do sistema escolar brasileiro e a administração do sistema nacional de ensino. Entender o Plano Nacional de Educação: objetivos e metas. 1 2 3 4 Então? Está preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Organização e Legislação da Educação12 Compreendendo os significados dos termos lei, diretrizes, bases e a estrutura de ensino A Constituição Federal de 1988 assegura, a todos os cidadãos, enquanto garantia fundamental, a educação como um direito social. Ao longo desta aula, discorreremos sobre os aspectos desse direito e a sua importância, apresentando as estruturas e competências relativas à organização da educação em nosso país. Dúvidas? Não se preocupe. Recorra ao fórum de dúvidas e discussões para socializar o seu conhecimento e esclarecer todas as suas inquietações quanto ao conteúdo aqui disposto. Nós estaremos a sua disposição em caso de dificuldades! A educação e a Constituição Federal Brasileira A Constituição Federal de 1988 foi elaborada com intensa participação democrática e popular. É resultado da interlocução entre políticos, sociedade civil e movimentos sociais. Essa ampla participação promoveu a garantia de diversos direitos socias, entre eles a educação. No artigo 205 da Constituição Federal de 1988 encontramos: art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988). A Constituição Federal de 1988, norma máxima do nosso Organização e Legislação da Educação 13 país, aborda a educação como um direito de todos, que deve ser suprido pelo Estado e pela família, sendo que a sociedade também tem o papel de incentivar o cumprimento desse dever, colaborando para que os jovens estejam nas escolas, tenham acesso à cultura etc. SAIBA MAIS Art. 6º: são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (BRASIL, 1988). Figura 1 — Constituição Federal. Fonte: Wikipedia Organização e Legislação da Educação14 Atualmente, a educação realizada em casa, sob a supervisão dos pais e/ou responsáveis — atitude a que assistimos em outros países —, é pauta de alguns debates no espaço público. Dê uma olhada no texto da LDB, disponível no site do Planalto: https:// bit.ly/1d40CY4 e reflita sobre a necessidade — ou não — de regulamentação desse formato. REFLITA No início do seu texto, a Constituição apresenta a educação como um direito social (art. 6º) e aborda outros aspectos, como a gratuidade do ensino e a qualidade da educação. Ademais, a palavra “educação” aparece 59 vezes no texto constitucional, em diversos artigos. De acordo com a Constituição Federal de 1988, não adianta apenas oferecer vaga nas escolas, esse serviço deve(ria) ser garantido como um ensino gratuito e de qualidade. A Constituição Federal de 1988 também determina que o aluno deve ter condições de acesso e de permanência na escola. Ou seja: deve-se levar em consideração o meio em que o educando está inserido, promovendo práticas pedagógicas que estimulem esse aluno a permanecer na escola. Neste momento, alunos(as), cabe refletirmos: será que nossas escolas estão preparadas para se tornarem um ambiente no qual o aluno se sinta parte e tenha prazer em frequentar? Que mudanças/ações seriam necessárias para que a aluno se sinta pertencente ao ambiente escolar? “Abrir” a escola para que a comunidade escolar possa fazer parte da proposta pedagógica e das decisões pode auxiliar a contornar essa situação? Organização e Legislação da Educação 15 Quanto ao Estado, ele precisa desenhar e implementar políticas públicas para contribuir com a retenção desse aluno no ambiente escolar, considerando, entre outros, a oferta de transporte público, de ensino em turnos contrários e no regime integral, além de material e organização curricular adequados às condições do estudante. Em busca de enfrentar esses desafios, e visando diminuir a evasão escolar, as escolas controlam a permanência dos alunos. Quando o aluno começa a ter faltas excessivas, a escola comunica aos pais e, caso o problema persista, o Conselho Tutelar é acionado para tomar as medidas cabíveis por lei. SAIBA MAIS Artigo “Das Políticas de Acesso e Permanência na Escola ao Direito à Educação Básica de Qualidade Social: Avanço Possível”. Disponível em: https://bit.ly/2FiHuOX. Acesso em: 29 abr. 2019 No Brasil, a garantia constitucional de acesso universal à escola é uma grande conquista, visto que na nossa história o acesso ao ensino era privilégio de uma pequena parcela da população. Entretanto, tal garantia não é sinônimo de matrículas e frequência. Temos observado que não é 100% das crianças que frequentam a escola, e que a conclusão da Educação Básica e o acesso ao Ensino Superior ainda representam grandes desafios. A oferta do ensino é realizada em instituições públicas e privadas que, independentemente das suas estruturas, devem obedecer aos princípios previstos na lei (a serem analisados mais à frente, no ponto 2). Dessa forma, compreendemos que as Organização e Legislação da Educação16 instituições privadas devem seguir os mesmos preceitos da lei que as instituições públicas. A Constituição Federal de 1988 determina que criança, jovem e adolescente têm direito, entre outros, à vida, à alimentação, à educação e ao lazer, conforme observamos no artigo 227: art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.(BRASIL, 1988). O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no seu artigo 53, reforça as determinações constitucionais ao ratificar que a educação é um direito da criança e do adolescente. art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento da sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-lhes: I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II – direito de ser respeitado por seus educadores; III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores; IV – direito de organização e participação em entidades estudantis; V – acesso à escola pública e gratuita próxima a sua residência, garantindo-se vagas no mesmo estabelecimento a Organização e Legislação da Educação17 irmãos que frequentem a mesma etapa ou ciclo de ensino da educação básica. (BRASIL, 1990). Figura 2 — Crianças na escola. Fonte: Pixabay. O ECA é importante pois assegura os direitos das crianças e dos adolescentes presentes na Constituição, dessa forma, busca-se garantir que os direitos sejam respeitados. SAIBA MAIS O Estatuto pode ser lido na íntegra em: https://bit.ly/IUTp5S. É importante que o educador o conheça minimamente. O ECA classifica um sujeito com até 12 anos incompletos como criança, e um entre 12 e 18 anos incompletos como adolescentes. Essa classificação permite que se apliquem medidas cabíveis em caso de descumprimento da lei pela criança ou adolescente, conforme demonstramos abaixo: Organização e Legislação da Educação18 ■ Advertência (art. 115 do ECA): é uma repreensão judicial, que visa sensibilizar e esclarecer ao adolescente as consequências de uma reincidência infracional. ■ Obrigação de reparar o dano (art. 116 do ECA): o ressarcimento, por parte do jovem, do dano ou prejuízo econômico causado à vítima. ■ Prestação de serviços à comunidade (art. 117 do ECA): realização de tarefas gratuitas à comunidade no período de seis meses, durante oito horas semanais. ■ Liberdade assistida (art. 118 do ECA): acompanhamento, auxílio e orientação do jovem em conflito com a lei por equipes multidisciplinares no período mínimo de seis meses. ■ Semiliberdade (art. 120 do ECA): restrição de liberdade do jovem, que poderá permanecer com a família aos finais de semana. ■ Internação (arts. 121 e 125 do ECA): a internação pode ser em caráter provisório ou definitivo. SAIBA MAIS Revista Eca. Disponível em: https://bit.ly/2L7fl0W. Acesso em: 29 abr. 2019. Analisando os artigos 60 e 227 da Constituição Federal de 1988, fica clara a inexistência — no texto constitucional — de uma fórmula para que os direitos ali postos sejam efetivados. Faz-se, assim, necessária a criação de estatutos, diretrizes e bases para o desenvolvimento de um plano nacional com a união de diversos setores da sociedade civil, a fim de promover um diagnóstico da realidade educacional e estratégias que amplie o Organização e Legislação da Educação 19 acesso, a permanência e a construção de um processo de ensino- aprendizado significativo ao educando. E é desse contexto que emerge a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996. Analisando os princípios e fins da educação nacional – artigos 2º e 3º da Lei 9.394/1996 Nesta aula analisaremos e refletiremos sobre os artigos 2º e 3º da LDB (Lei 9.394/1996), identificado quem são os responsáveis pela educação e quais os princípios que norteiam a educação brasileira. Vamos juntos promover essa reflexão? Princípios e fins da educação brasileira A LDB foi promulgada em 20 de dezembro de 1996, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995- 2002). Esta é uma lei que regulamenta o sistema educacional público e privado no Brasil, da Educação Básica ao Ensino Superior. A LDB estabelece: deveres dos Estados, do DF e dos municípios para a efetivação do direito à educação; os princípios da educação; e as responsabilidades entre os municípios, Estados e o Distrito Federal, reafirmando o direito à educação garantido pela Constituição Federal e abordado no ECA. ACESSE “20 anos da LDB: como a lei mudou a Educação”. Disponível em: https://bit.ly/2iaUKqI. Acesso em: 29 abr. 2019. Organização e Legislação da Educação20 A partir da LDB, a escolarização passou a ter um espaço importante no debate sobre a educação brasileira, tornando o Ensino Básico pauta da política nacional e desencadeando algumas políticas públicas, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), Referênciais Curriculares Nacionais (RCN), Política de Financiamento da Educação Básica (Fundeb), Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), políticas essas que estudaremos no decorrer do curso. ACESSE LDB atualizada. Disponível em: https://bit.ly/1rTiGTn. Acesso em: 29 abr. 2019. A LDB estrutura a Educação Básica por etapas e modalidades de ensino: Tabela 1 — Etapas de ensino da Educação Básica. Educação Infantil ■Crianças de 0 (zero) a 5 (cinco) anos. ■Frequência não obrigatória até os 3 (três) anos. ■Dividida em: Creches – 0 (zero) a 3 (três) anos. ■Pré-Escola – 4 (quatro) a 5 (cinco) anos. ■Principal função: formação integral do aluno. Organização e Legislação da Educação 21 Ensino Fundamental Ensino Fundamental ■Crianças a partir dos 6 (seis) anos (completos) até Março do ano vigente. ■Duração: 9 (Nove) anos. ■Principal função: oferecer conteúdo mínimo para a criança se desenvolver. ■Duração mínima: 3 (três) anos, podendo chegar a 5 (cinco) anos no caso da modalidade Educação Profissional de Nível Médio. ■Principal função: oferecer qualificação para ensinos posteriores. Fonte: Elaborado pela autora, 2019. Modalidades de Ensino da Educação Básica: ■ Educação Regular; ■ Educação de Pessoas com Necessidades Especiais; ■ Educação de Jovens e Adultos; ■ Educação Escolar Indígena; ■ Educação Profissional e Tecnológica; ■ Educação a Distância; ■ Educação do Campo. Organização e Legislação da Educação22 Figura 3 — Estudante indígena. Fonte: Pixabay. A Lei 9.394/1994 representou uma evolução pelo fato de incluir as crianças de zero a cinco anos no processo educativo, algo que antes não acontecia, uma vez que se acreditava que essas crianças deveriam ser assistidas pela área de assistência social. A LDB reforça determinações da Constituição Federal de 1988 e do art. 2º do ECA: art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1996). O artigo ressalta o dever da família e do Estado em relação à educação. Devemos compreender que a família em conjunto com o Estado são os principais responsáveis pelo processo educacional, sendo o papel da escola e dos professores complementar a ação da família, não o contrário. Organização e Legislação da Educação 23 REFLITA Percebemos, em nossas escolas, que muitos pais e responsáveis transferem para os educadores toda a responsabilidade em relação à educação das crianças. No entanto, conforme estudamos, a lei é clara ao determinar que essa responsabilidade deve ser compartilhada. De que forma podemos modificar esse cenário? Observamos também que a educação deve favorecer a liberdade do educando, desenvolvendo seu lado crítico, proporcionando uma formação adequada, para que, além do aluno se inserir no mercado de trabalho, ele possa ser agente de transformação dentro da sua sociedade. Dessa forma, entendemos que uma educação de qualidade não deve ser focada apenas em conteúdo, mas em práticas que promovam o senso crítico e a reflexão desse aluno frente aos seus problemas sociais, para que ele possa contribuir e realizar mudanças visando à melhoria da sociedade. Nos incisos do artigo 3º da LDB, estão dispostos os princípios que devem ser garantidos na educação: art. 3º. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância; Organização e Legislação da Educação24 V – coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII – valorização do profissional da educação escolar; VIII – gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX – garantia de padrão de qualidade; X – valorização da experiência extraescolar; XII – vinculação entre a educaçãoescolar, o trabalho e as práticas sociais. (BRASIL, 1996). De acordo com o inciso 1º do art. 3 da LDB, todos devem ter condições de acesso e permanência na escola, ou seja, independentemente da classe social, todas as pessoas têm direito a uma educação de qualidade. Importante ressaltar que a lei trata de condições de acesso, e não de igualdade de direito de acesso. Desse modo, compreendemos que a escola deve oferecer equidade de condições de acesso, levando em consideração as particularidades e necessidades do educando. A escola só terá condições de garantir ensino de qualidade para todos, se levar em consideração as condições iniciais desses educandos, contribuindo para que as diferenças sejam supridas e todos alcancem os mesmos objetivos SAIBA MAIS “Direito à educação: direito à igualdade, direito à diferença”. Disponível em: https://bit.ly/2OK9xJ4. Acesso em: 15 maio 2019. Organização e Legislação da Educação 25 Figura 4 — Direito à Educação. Fonte: Editorial Telesapiens. A educação tem o dever de desenvolver cidadãos críticos, livres e tolerantes, capazes de compreender a realidade que os cerca e contribuir com a sociedade na qual está inserida. A escola deve promover práticas pedagógicas que valorizem as experiências extraescolares, promovendo o interesse e despertando um aprendizado significativo nos alunos. Paulo Freire dizia que não podemos considerar o aluno uma tábua rasa, vazia e sem conteúdo. Nós, enquanto educadores, precisamos criar práticas pedagógicas que levem em consideração as experiências trazidas pelos alunos para o contexto escolar, tornando a educação mais significativa e prazerosa ao educando, enquanto a gestão da escola deve ser realizada de forma democrática, com a participação de toda a comunidade escolar. A Lei 9.394/1996 ressalta a importância da valorização dos profissionais que atuam na educação, para que isso possa refletir em uma educação de qualidade. Nos nossos estudos, pudemos observar a importância da LDB para a educação brasileira, pois as práticas pedagógicas passaram a ser estruturadas buscando promover uma educação de qualidade. Organização e Legislação da Educação26 A igualdade de acesso à educação é importante e foi uma grande conquista, pois, tempos atrás, o ensino era apenas para uma pequena parcela da população, a classe minoritária não tinha acesso à escola. Atualmente, todos passaram a ter o direito ao acesso à escola, e a LDB veio para assegurar as condições de ensino promovendo, assim, um ensino de qualidade, buscando a formação integral do aluno. ACESSE Entrevista Gestão Democrática na Escola. Disponível em: https://bit.ly/31MB7Ng. Identificando os aspectos do sistema escolar brasileiro e a administração do sistema nacional de ensino Nesta aula estudaremos o sistema escolar brasileiro, sua composição e seu funcionamento, conhecendo o debate que existe sobre o assunto no âmbito acadêmico. Convido você, aluno(a), a realizar esse estudo e refletir sobre os caminhos que a educação brasileira ainda necessita trilhar, na busca de oferecer um serviço de qualidade e significativo para o educando. Bons estudos! Sistema escolar brasileiro A história do sistema educacional brasileiro foi marcada por seu caráter excludente, que favorecia a minoria, permitindo o acesso à educação apenas para a elite. Organização e Legislação da Educação 27 A implantação da LDB garantiu mudanças e reorientação do sistema educativo, possibilitando o acesso de todos a uma educação de qualidade; assim, foi necessário reestruturar o sistema escolar para que este permitisse que a escola fosse de fato acessível a todos. O Brasil é constituído por desigualdades econômicas e sociais, e quando se pretende reestruturar a educação deve-se levar em consideração essa complexidade, para que se possa atingir uma educação universal e democrática. Conforme corrobora: “A compreensão do sistema educacional brasileiro exige que não se perca de vista a totalidade social da qual o sistema educativo faz parte.” (Saviani, 1987, p. 48). De acordo com Saviani, a educação deve estar voltada para além dos livros, tendo como foco a sociedade em que esse educando está inserido. O sistema educacional brasileiro apresenta falhas na qualidade do que está sendo ministrado, percebemos que muitas das propostas para a educação não ocorrem no interior da escola. Assim, as propostas para a educação devem ser planejadas para atender o interesse da sociedade, de forma que seja possível o seu cumprimento para que realmente atinja seus objetivos. Percebemos que o nosso sistema educacional apresentou mudanças, mas este ainda precisa evoluir, proporcionando o desenvolvimento de estudantes críticos e que possam contribuir para a sociedade de que fazem parte, provendo o desenvolvimento emocional, cultural e social. SAIBA MAIS “Desafios da Construção de um Sistema Nacional Articulado de Educação”. Disponível em: https://bit.ly/2x4RiHQ. Organização e Legislação da Educação28 Estrutura do sistema escolar brasileiro O sistema brasileiro de ensino é dividido de acordo com dois níveis, conforme o art. 21 da LDB: ■ Educação Básica: composta pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio; ■ Ensino Superior: composto pelos cursos de graduação, programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização e pós-graduação. Segundo a Constituição de 1988 e a LDB, a educação brasileira é composta por sistemas de ensino que serão organizados de modo colaborativo entre a União, os Estados e o Distrito Federal, ademais, no Brasil encontramos problemas na articulação entre esses órgãos em relação à organização do sistema, refletindo em problemas na educação. Sabemos que cada órgão é responsável por uma área do ensino, no entanto, a responsabilidade deve ser pensada levando em conta o bem-estar do educando, e não apenas no que tange à responsabilidade do órgão, dessa forma, esses órgãos devem estabelecer parcerias para que de fato esse aluno tenha suas necessidades atendidas. O sistema federal é composto pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), algumas de suas atribuições são: 1. organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal; 2. elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os Estados e municípios; 3. assegurar o processo nacional de avaliação do rendimento escolar no Ensino Fundamental, Médio e Superior, em colaboração com os sistemas de ensino, definindo prioridades e a melhoria da qualidade; Organização e Legislação da Educação 29 4. autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de educação superior. O sistema estadual é constituído pela Secretaria de Educação (SEE), Conselho Estadual de Educação (CEE), Delegacia Regional de Educação (DRE) ou Subsecretaria de Educação; algumas de suas responsabilidades são: 1. organizar, manter e desenvolver os órgãos do seu sistema de ensino; 2. assegurar o Ensino Fundamental e oferecer o Ensino Médio com prioridade; 3. assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. O sistema municipal é formado pela Secretaria Municipal de Educação (SME) e o Conselho Municipal de Educação (CME), algumas de suas atribuições são: 1. oferecer a Educação Infantil em creches e pré-escolas e, com prioridade, o Ensino Fundamental, atuar atendendo a outras áreas apenas quando tiver sanado suas necessidades na totalidade; 2. assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. Segundo Saviani (2010), o Brasil não tem um sistema de educação, e sim uma estrutura educacional, pois, para ter um sistema, teria que desenvolver um profundo conhecimento da realidade e das dificuldades de cada região do país, porém, devido às diferenças de cada região brasileira em termos econômicos e culturais, isso se torna difícil. Além disso, deve ter conhecimento da realidade das estruturas e dos recursos disponíveis,bem como do capital humano acessível para implementar políticas públicas que visem equalizar as diversas regiões diante das suas diferenças. Organização e Legislação da Educação30 A educação brasileira deve compartilhar todo o conhecimento teórico sobre a educação, não apenas diretrizes ou currículos, mas conhecimentos que possam ser compartilhados com diferentes regiões independentemente das distâncias física ou econômica. Saviani (2010) acredita que até hoje o Brasil construiu uma estrutura educacional marcada por leis e programas, como a Constituição Federal e a LDB, mas ainda não foi desenvolvida uma unidade educacional que buscasse a garantia de direito de oportunidades, e não apenas de igualdade. O direito de oportunidade será efetivado quando se desenvolver um sistema educacional que busque reconhecer as diferenças de cada educando e que, diante dessas diferenças, promova uma educação de qualidade para todos. Conselhos de Educação no Brasil Os Conselhos de Educação no Brasil exercem a função de organização e planejamento, e são divididos de acordo com a dependência político-administrativa. Conselho Nacional de Educação (CNE) Foi criado em 24 de dezembro de 1995 por meio da Lei 9.131, e é constituído pela Câmara de Educação Básica e a Câmara de Educação Superior; é composto por 24 membros, sendo 12 indicados por associações científicas e profissionais, e os outros nomeados pelo presidente da República. O CNE atua auxiliando o Ministério da Educação, sendo uma forma de participação da sociedade nos processos decisórios da educação brasileira. Conselho Estadual de Educação O Conselho Estadual de Educação atua no sistema de ensino estadual. Dentre as suas atribuições está manter o intercâmbio com Organização e Legislação da Educação 31 o CNE e com os demais Conselhos Estaduais e Municipais de educação, tendo como objetivo atingir os resultados planejados. Conselho Municipal de Educação O Conselho Municipal de Educação é composto por representantes das instituições educacionais, sociedade e da Câmara de Vereadores dos municípios. Essa composição visa à participação de diversos segmentos da sociedade nos processos de políticas públicas relacionadas à educação. A principal finalidade do Conselho Municipal é a criação dos planos municipais de educação bem como a fiscalização, avaliação e o acompanhamento da execução desses planos. Diretrizes Curriculares Nacionais As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) são normas discutidas e fixadas pelo CNE que orientam o planejamento curricular das escolas e dos sistemas de ensino da Educação Básica. Segundo a definição do CNE: Diretrizes Curriculares Nacionais são o conjunto de definições doutrinárias sobre princípios, fundamentos e procedimentos na Educação Básica, expressas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, que orientarão as escolas brasileiras dos sistemas de ensino, na organização, na articulação, no desenvolvimento e na avaliação de suas propostas pedagógicas. (BRASIL, 1998) ACESSE “A era das diretrizes: a disputa pelo projeto de educação dos mais pobres”. Disponível em: https://bit.ly/2Ux9cgH. Organização e Legislação da Educação32 A origem das DCNs está na Lei 9.384/1996, quando trata ser a finalidade da União estabelecer diretrizes que nortearão os currículos da Educação Básica. art. 8º. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino. IV – estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum. (BRASIL, 1996). A criação dessas diretrizes é importante por conta da necessidade de criação de políticas educacionais, que garantam o direito de todo brasileiro ter acesso a uma formação humana e cidadã dentro do ambiente escolar, conforme a Lei 9.394/1996. Observemos os objetivos das Diretrizes: I – sistematizar os princípios e diretrizes gerais da Educação Básica contidos na Constituição, na LDB e demais dispositivos legais, traduzindo-os em orientações que contribuam para assegurar a formação básica comum nacional, tendo como foco os sujeitos que dão vida ao currículo e à escola; II – estimular a reflexão crítica e propositiva que deve subsidiar a formulação, execução e avaliação do projeto político- pedagógico da escola de Educação Básica; III – orientar os cursos de formação inicial e continuada de profissionais – docentes, técnicos, funcionários – da Educação Básica, os sistemas educativos dos diferentes entes federados e as escolas que os integram, indistintamente da rede a que pertençam. (BRASIL, 2013). Com isso compreendemos que as DCNs são leis que regulamentam a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996). Nessas constam os objetivos e as metas para Organização e Legislação da Educação 33 a educação, permitindo que cada instituição de ensino tenha sua autonomia incentivando a criação de currículos de acordo com as competências elencadas nas diretrizes. As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para Educação Básica estabelecem bases para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, pelas quais os sistemas federais, estaduais e municipais se orientarão para promover um currículo integralizado. 1. princípios éticos: autonomia, responsabilidade e respeito; 2. princípios políticos: direito e cidadania; 3. estético: criatividade, sensibilidade e variadas formas artísticas. A educação brasileira é composta por modalidades e cada uma tem sua diretriz estabelecida. Após as DCNs, foram elaborados os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e os Referenciais Curriculares Nacionais (RCN); esses documentos abordam o currículo indicado pelas DCNs. As Diretrizes Curriculares para Educação Infantil constam da Resolução n. 5, de 17 de dezembro de 2009, que apresenta a orientação pedagógica para a educação infantil. A organização curricular brasileira visa garantir a Constituição Federal, promovendo educação de qualidade para todos. Referenciais Curriculares Nacionais para Educação Infantil Em 1998, visando atender as questões da Lei 9.394/1996, foram criados os Referenciais Curriculares Nacionais (RCNEI), com o objetivo de apontar metas de qualidade e ressaltar o desenvolvimento integral da criança, reconhecendo os direitos e deveres dos alunos dessa faixa etária. Organização e Legislação da Educação34 O RCNEI foi desenvolvido por meio da mobilização social num amplo debate nacional, e visou sedimentar os direitos da Constituição Federal de 1988, superando o caráter assistencialista para as crianças. O RCNEI tem o objetivo de ser um guia de orientações pedagógicas aos profissionais de Educação Infantil. Esse documento é constituído por três volumes. O volume 1, Introdução, apresenta uma reflexão sobre creches e pré-escolas, trazendo uma concepção sobre criança, educação, instituição e educador. ACESSE ACESSE Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil Vol. 1. Disponível em: https://bit.ly/1BJo4N5. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil Vol. 2. Disponível em: https://bit.ly/3EJPx4N. O volume 2, Formação Pessoal e Social, trabalha-se a autonomia e a construção de identidade da criança. Organização e Legislação da Educação 35 ACESSE Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil Vol. 3. Disponível em: https://bit.ly/3MvJymU. O volume 3, Conhecimento do Mundo, aborda a importância das experiências e o conhecimento que a criança tem do mundo, a construção de linguagens e suas relações. Parâmetros Curriculares Nacionais Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) referem- se às séries iniciais do Ensino Fundamental e visam auxiliar o trabalho pedagógico de modo que as crianças desenvolvam os conhecimentos formais deque necessitam para se tornarem cidadãos plenos. ACESSE Parâmetros Curriculares Nacionais. Disponível em: https://bit.ly/1WzpeV0. A aprovação dos PCN foi realizada pelo MEC com o objetivo de desenvolver metas de qualidade e objetivos que visavam à formação de cidadãos participativos na sociedade, que reconhecem seus direitos e deveres. Em 2017 surge a Base Nacional Comum Curriculares (BNCC), que visa, de modo geral, definir o que deve ser ensinado para cada estudante em cada ano de estudo da Educação Infantil até o Ensino Médio. Organização e Legislação da Educação36 A partir da implementação da BNCC, o Brasil passa a ter uma referência curricular nacional obrigatória, na qual as escolas deverão se apoiar para desenvolver seus currículos. Segundo o documento, os currículos devem ser elaborados, respeitando a diversidade, particularidades e o contexto em que a escola está inserida. A criação da BNCC visa contribuir para diminuir a desigualdade de oportunidades entre os estudantes brasileiros, devendo cada instituição seguir uma base comum de ensino e incluir uma base diversificada de acordo com as especificidades de cada localidade onde a escola está inserida. Plano Nacional de Educação: objetivos e metas Como já pudemos estudar nos capítulos anteriores da nossa disciplina, o Brasil definiu leis e estatutos que garantem o direito das crianças em relação à educação. Porém, ainda se observa que na prática não conseguiu estabelecer o que diz a lei. Dessa forma, foram desenvolvidas 20 metas para a educação que visam uma educação de qualidade para todos. Convido vocês a estudarem essas metas e seus objetivos para que, como educadores, possamos contribuir para a efetivação do direito à educação. O Plano Nacional Em 25 de junho de 2014, a então presidenta, Dilma Rousseff sancionou a Lei 13.005/2014, que aprovou o novo Plano Nacional de Educação (PNE), com vigência até 25 de junho de 2024, visando cumprir o disposto no artigo 214 da Constituição Federal de 1988: Organização e Legislação da Educação 37 art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que conduzam a: I – erradicação do analfabetismo; II – universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; III – formação para o trabalho; IV – promoção humanística, científica e tecnológica do País; V – estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto. (BRASIL, 1988). O PNE surge respaldado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional como um instrumento para a evolução da educação brasileira. Ele apresenta, no seu artigo 2º, dez diretrizes que devem pautar a educação no Brasil: I – erradicação do analfabetismo; II – universalização do atendimento escolar; III – superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação; IV – melhoria da qualidade da educação; V – formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade; Organização e Legislação da Educação38 VI – promoção do princípio da gestão democrática da educação pública; VII – promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do País; VIII – estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do Produto Interno Bruto – PIB, que assegure atendimento às necessidades de expansão, com padrão de qualidade e equidade; IX – valorização dos(as) profissionais da educação; X – promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental. (BRASIL, 2014). Notem que cinco desses objetivos já estavam sendo contemplados na Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), no art. 214. “erradicação do analfabetismo; universalização do atendimento educacional; melhoria da qualidade da educação; promoção humanística e tecnológica do País, e estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto.” Metas PNE possui 20 metas, cada uma delas seguida de estratégias, que abrangem todos os níveis de formação — desde a Educação Infantil até o Ensino Superior —, cuja fiscalização quanto ao cumprimento ficou a cargo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), juntamente com o Congresso Nacional e o Fórum Nacional de Educação. Organização e Legislação da Educação 39 SAIBA MAIS A situação das metas dos planos de educação pode ser conhecida aqui: https://bit.ly/2Lf8Mtt. ■ Meta 1 Universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as crianças de quatro a cinco anos de idade e ampliar a oferta de educação infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças de até três anos até o final da vigência deste PNE. ■ Meta 2 Universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda a população de seis a 14 anos e garantir que pelo menos 95% dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o último ano de vigência deste PNE. ■ Meta 3 Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até o final do período de vigência deste PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%. ■ Meta 4 Universalizar, para a população de quatro a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino. ■ Meta 5 Alfabetizar todas as crianças, no máximo, até os oito anos de idade, durante os primeiros cinco anos de vigência do plano; no máximo, até os sete anos de idade, do sexto ao nono ano de Organização e Legislação da Educação40 vigência do plano; e até o final dos seis anos de idade, a partir do décimo ano de vigência do plano. ■ Meta 6 Oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos alunos da educação básica. ■ Meta 7 Fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o Ideb: IDEB Anos iniciais do Ensino Fundamental Anos finais do Ensino Fundamental Ensino Médio 2015 5,2 4,7 4,3 2017 5,5 5,0 4,7 2019 5,7 5,2 5,0 2021 6,0 5,5 5,2 ■ Meta 8 Elevar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, de modo a alcançar no mínimo 12 anos de estudo no último ano de vigência deste Plano, para as populações do campo, da região de menor escolaridade no País e dos 25% mais pobres, e igualar a escolaridade média entre negros e não negros declarados à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE.) ■ Meta 9 Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional. Organização e Legislação da Educação 41 ■ Meta 10 Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos, na forma integrada à educação profissional, nos ensinos fundamental e médio. ■ Meta 11 Triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% de gratuidade na expansão de vagas. ■ Meta 12 Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta. ■ Meta 13 Elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporçãode mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto do sistema de educação superior para 75%, sendo, do total, no mínimo, 35% de doutores. ■ Meta 14 Elevar gradualmente o número de matrículas na pós- graduação stricto sensu, de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores. ■ Meta 15 Garantir, em regime de colaboração entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, no prazo de um ano de vigência deste PNE, política nacional de formação dos profissionais da educação de que tratam os incisos I, II e III do art. 61 da Lei nº 9.394/1996, assegurando-lhes a devida formação inicial, nos termos da legislação, e formação continuada em nível superior de graduação e pós-graduação, gratuita e na respectiva área de atuação. Organização e Legislação da Educação42 ■ Meta 16 Formar, até o último ano de vigência deste PNE, 50% dos professores que atuam na educação básica em curso de pós-graduação stricto ou lato sensu em sua área de atuação, e garantir que os profissionais da educação básica tenham acesso à formação continuada, considerando as necessidades e contextos dos vários sistemas de ensino. ■ Meta 17 Valorizar os profissionais do magistério das redes públicas de educação básica de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência deste PNE. ■ Meta 18 Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de carreira para os profissionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de carreira dos profissionais da educação básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição Federal. ■ Meta 19 Garantir, em leis específicas aprovadas no âmbito da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, a efetivação da gestão democrática na educação básica e superior pública, informada pela prevalência de decisões colegiadas nos órgãos dos sistemas de ensino e nas instituições de educação, e forma de acesso às funções de direção que conjuguem mérito e desempenho à participação das comunidades escolar e acadêmica, observada a autonomia federativa e das universidades. ■ Meta 20 Ampliar o investimento público em educação de forma a atingir, no mínimo, o patamar de 7% do Produto Interno Bruto Organização e Legislação da Educação 43 ACESSE Observatório das Metas do Plano Nacional de Educação. Disponível em: https://bit.ly/28Wrx3y. Após análise das metas e objetivos, percebemos que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer em relação à educação. As metas são audaciosas, mas imprescindíveis para que a educação, no Brasil, seja capaz de promover as mudanças sociais, individuais e econômicas que a nossa sociedade necessita. (PIB) do País no quinto ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equivalente a 10% do PIB no final do decênio. Organização e Legislação da Educação44 UNIDADE 02 ORGANIZAÇÃO E LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Organização e Legislação da Educação46 INTRODUÇÃO A educação brasileira apresenta um conjunto de leis, diretrizes e planos de base para se organizar. A lei de diretrizes e bases (LDB) 9394/96 trata da divisão da educação básica brasileira em três etapas: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Nesta unidade iremos aprender sobre cada etapa da educação básica, suas características, objetivos e particularidades, além de entender como está organizada a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e a Educação Especial. O Brasil desenvolve práticas pedagógicas por meio de políticas públicas democráticas que reconhecem as diferenças geográficas e econômicas de cada região, e que visem garantir uma educação significativa e de qualidade ao educando. Enquanto educadores temos um papel crucial, pois reconhecendo nossa estrutura educacional e onde se pretende chegar, podemos efetivar na prática o que já está garantido na Constituição de 1988 e reafirmado na LDB 9394/96, a educação como um direito de todos. Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Organização e Legislação da Educação 47 OBJETIVOS Olá, estudante, seja muito bem-vindo(a) a nossa unidade 2, nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento de determinadas competências profissionais até o término desta etapa de estudos. Apresentar os objetivos, a duração e a organização da Educação Infantil. Analisar o Ensino Fundamental de 9 anos e seus objetivos, duração, organização e obrigatoriedade. Observar a finalidade, duração, modalidade e organização do Ensino Médio. Compreender a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e a Educação Especial. 1 2 3 4 Então? Está preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Organização e Legislação da Educação48 Apresentando os objetivos, duração e organização da Educação Infantil A Lei de diretrizes e bases 9394/96 favoreceu para que a escolarização ocupasse um espaço importante nos debates da sociedade, repensando os objetivos, estrutura e a organização do ensino. Assim, ao longo desta aula iremos discorrer sobre a educação infantil, seus objetivos, duração e organização. A Lei de Diretrizes e Bases e a Educação Infantil Figura 1 — Educação Infantil. Fonte: Pixabay. Na época da colonização as crianças eram vistas como “mini adultos”, não era considerado os pensamentos, desejos ou necessidades particulares da infância. Após a revolução industrial, com a necessidade crescente de urbanização e mão de obra, as mulheres foram inseridas no mercado de trabalho. De forma que passou a existir a necessidade de um lugar para se deixar os filhos, então surgiram as creches. Organização e Legislação da Educação 49 Kishimoto (2001) relata que com a urbanização e a industrialização, a criança foi esquecida, tornando-se um precoce aprendiz. Diante dessa crença, as instituições foram criadas com um caráter assistencialista, tendo como objetivo apenas o cuidar, enquanto pais e responsáveis estavam no trabalho. Assim, a Constituição Federal de 1988 foi importante por tornar as creches um lugar de direito das famílias e de dever do estado. Ademais, a educação como um direito para as crianças de 0 a 6 anos já estava assegurado pela Constituição Federal de 1988 e pelo Estatuto da Criança e Adolescente de 1990. Contudo, a transformação desse direito em diretrizes e bases promoveu um movimento de transformação para a educação brasileira. A educação infantil passou a integrar a primeira etapa da educação básica, finalizando, dessa forma, a visão retórica do assistencialismo. A partir desse momento a criança começa a ser vista como um “ser de direito”, que precisa de uma educação de qualidade desde seus primeiros anos de vida, para que se desenvolva em um ser humano capaz de exercer a sua cidadania. Reconhecer a criança como um “ser de direito” significa considerá-la como um ser humano que faz parte do processo educativo e que deve ser respeitado o seu falar, brincar, construir, aprender, observar, questionar e experimentar. Conforme visto no artigo 22 da LDB 9394/96. Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. (BRASIL, 1996) Com a Lei de Diretrizes e bases, a criança passou a ser vista como um ser humano com cultura própria, capaz de criar e se desenvolver, necessitando de muito mais do que apenas o cuidado. Organização e Legislação da Educação50 Em 1998 o ministério da Educação publicou o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil como parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Em 1999 o Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNs). Esses documentos orientam os trabalhosna educação infantil e ressaltam que o educar e o brincar devem ser simultâneos, favorecendo o desenvolvimento infantil. Figura 2 — Estudar e brincar. Fonte: Pixabay. Ao considerar a criança como um ser cultural não podemos desconsiderar o ato de brincar, pois, por meio da brincadeira a criança aprende, se desenvolve e se relaciona. Segundo Kishimoto (2001), a escola deve se preocupar com ambientes que valorizem o brincar já que a sociedade: busca ascensão social e diminuição da desigualdade por meio da educação; busca introduzir a criança em um ambiente que acelere o aprendizado e desconsidere o desenvolvimento e interesses próprios de uma determinada faixa etária, o brincar é um desses interesses que acabam sendo desprezados. Organização e Legislação da Educação 51 ACESSE Para saber mais sobre a importância do brincar na educação infantil. Leia A LDB e as Instituições de Educação Infantil: Desafios e Perspectivas. Disponível em: https://bit.ly/30fcHdF. Quando a criança brinca ela desenvolve a imaginação, Vygotsky afirma que a imaginação contribui para o desenvolvimento do pensamento lógico da criança. Os primeiros anos de vida da criança contribuem para o desenvolvimento do seu pensamento lógico e também de sua imaginação, os quais caminham juntos: a imaginação é um momento totalmente necessário, inseparável do pensamento realista, na imaginação a direção da consciência tende a se afastar da realidade. (VYGOTSKY, 1989, p. 75) Percebemos que o entendimento sobre as crianças tem se modificado com o passar dos anos. Até o século XVII não havia essa preocupação com as crianças como atualmente. Um fator a ser analisado são os números de mortalidade infantil na época, que eram visto com naturalidade, pois não havia saúde pública preocupada em reduzir esses números. Atualmente existe o conceito de que as crianças são símbolos do futuro e investir nelas é, consequentemente, investir no futuro. Essa visão é nova e ainda hoje temos que desenvolver pensamentos sobre isso. Assim, a preocupação com as crianças e a ideia de que elas são o futuro da nossa sociedade são conceitos novos que foram progredindo conforme o desenvolvimento da sociedade. A criança passa a ser vista como um sujeito de direitos e deveres Organização e Legislação da Educação52 a serem preservados, detentores de culturas próprias que devem ser consideradas. Com essa nova concepção, a escola e o trabalho do docente precisaram ser repensados. Os Referenciais Curriculares Nacionais visam a organização de instituições educacionais e da prática docente, para que se promova um desenvolvimento efetivo das crianças. ACESSE Para conhecer os Referenciais Curriculares Nacionais. Leia o RCN disponível em https://bit.ly/1viAzMv. Objetivos da Educação Infantil A Lei de Diretrizes e Bases 9394/96, ao determinar que a educação infantil é a primeira etapa da educação básica, por meio do documento de Referencial Curriculares Nacional da Educação Básica, visa auxiliar o trabalho para a educação das crianças. O Referencial Curricular busca determinar metas de qualidade que contribuam para o desenvolvimento integral da criança. O referencial pretende apontar metas de qualidade que contribuam para que as crianças tenham um desenvolvimento integral de suas identidades, capazes de crescerem como cidadãos cujos direitos das crianças à infância são reconhecidos (BRASIL, 1996). A prática da educação Infantil deve ser organizada de modo que promova o desenvolvimento das crianças através de alguns aspectos. Organização e Legislação da Educação 53 ■ Desenvolver uma imagem positiva de si; atuar de forma independente, com confiança; e perceber suas limitações. ■ Descobrir e conhecer seu próprio corpo, suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bem-estar. ■ Estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social. ■ Observar e explorar o ambiente com atitudes de curiosidade, percebendo-se cada vez mais como integrante dependente e agente transformador do meio ambiente, valorizando atitudes que contribuam para sua conservação. ■ Brincar e expressar emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades. ■ Utilizar diferentes linguagens — corporal, musical, plástica, oral e escrita —, ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação. De forma a compreender e ser compreendido, expressar suas ideias, sentimentos, necessidades, desejos e avançar em seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva. ■ Conhecer algumas manifestações culturais, demonstrando atitudes de interesse, respeito e participação frente a elas, valorizando a diversidade. O professor deve desenvolver atividades que promovam a independência do aluno, estimulem a confiança e promovam a percepção de suas limitações, visando que o educando supere seus limites. O trabalho na educação infantil deve ter atividades voltadas para que a criança conheça seu próprio corpo, bem como hábitos saudáveis que contribuam com cuidados para a própria saúde. Organização e Legislação da Educação54 Figura 3 — Conhecendo o próprio corpo. Fonte: Pixabay. Além disso, são necessárias atividades que valorizem a interação entre crianças e adultos, pois por meio da interação social as crianças aprendem e se desenvolvem. A criança, por meio da exploração e observação, deve ser estimulada a descobrir: o novo e atitudes de conservação do meio ambiente. Figura 4 — A escola estimulando a descoberta do novo. Fonte: Pixabay. Organização e Legislação da Educação 55 O brincar é a forma que a criança tem para se comunicar, interagir com os outros e com o meio onde está inserida, portanto, o educador deve promover momentos de brincadeiras e faz de conta, para que a criança desenvolva emoções, sentimentos e pensamentos. Também é fundamental apresentar aos alunos as diferentes formas de se comunicar e as diferentes formas de arte, estimulando situações para que eles possam expressar suas ideias, sentimentos e desejos, para que enriqueçam suas capacidades de se expressarem. Figura 5 — Comunicação pela arte. Fonte: Pixabay. Conhecendo esses objetivos, concluímos a importância que a educação infantil tem frente ao desenvolvimento do aluno. Por meio da educação infantil, a criança tem acesso ao desenvolvimento da sua autonomia e independência, pode conhecer o próprio corpo, desenvolver vínculos afetivos, relações sociais, explorar ambientes, diferentes linguagens, manifestações culturais e o brincar. O educador deve conhecer o mundo da criança, utilizando o lúdico e a brincadeira para desenvolver as habilidades típicas Organização e Legislação da Educação56 dessa faixa etária, não acelerando o processo de aprendizado, mas sim respeitando o desenvolvimento de cada fase infantil. Duração da Educação Infantil A Lei de diretrizes e bases determina que a educação infantil é a primeira etapa da educação básica e contempla as crianças de 0 anos até 5 anos de idade. A educação infantil, segundo a LDB, tem a finalidade do desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social dos alunos, suas ações devem complementar as ações da família e da comunidade. Esse assunto é muito questionado dentro das instituições de ensino, pois, alguns pais transferem para a escola a responsabilidade pela formação, educação e cuidado com as crianças. No entanto, ao analisar as diretrizes, verificamos que a família continua com a sua responsabilidade em relação aos seus filhos e que a função da escola é apenas completar o trabalho iniciado pelos pais. ACESSE Para saber mais sobre a Lei de diretrizes e Bases da Educação Infantil. Leia a LDB. Disponível em: https://bit.ly/2JgDD4H. Organização da Educação Infantil A educação infantil deverá ser oferecida de uma determinadaforma. ■ Creches: o atendimento será para crianças de até 3 anos de idade; Organização e Legislação da Educação 57 ■ Pré-Escola: o atendimento será para crianças de 4 a 5 anos de idade. A matrícula na Educação Infantil é obrigatória a partir dos 4 anos de idade, dessa forma, o estado deve oferecer vaga de acesso à todas as crianças a partir dessa idade, caso o responsável não efetue a matrícula da criança, poderá ser enquadrado pelo código penal por abandono intelectual. Conforme o artigo 246 do código penal, o responsável que deixar sem justa causa de prover o acesso da criança a escola poderá ser multado ou sofrer detenção de 15 (quinze) dias a 1 mês. ACESSE Para saber mais sobre o artigo 246 do código penal. Leia o código penal disponível em: https://bit.ly/2LCTEWO. Em alguns sistemas jurídicos, como o norte americano por exemplo, permite-se o ensino em casa. O direito brasileiro não permite, ainda, essa modalidade de ensino. Segundo a LDB 9394/96, a educação infantil será organizada seguindo as seguintes regras: ■ a avaliação deve ser realizada mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, essa avaliação não tem caráter classificatório para acesso ao ensino fundamental; ■ a carga horária mínima anual deve ser de 800 horas, distribuídas por um mínimo de 200 dias de trabalho educacional; ■ atendimento às crianças de, no mínimo, 4 horas diárias para o turno parcial e 7 horas para a jornada integral; Organização e Legislação da Educação58 ■ frequência mínima de 60% do total de horas, sendo controlada pela instituição de ensino; ■ expedir documentação que comprove os processos de desenvolvimento das crianças. Uma avaliação é um fator importante para se ressaltar na educação infantil, deve ser um instrumento norteador da aprendizagem, além de promover ação reflexiva do educador sobre sua prática. Ao avaliar, o professor deve considerar as mudanças e transformações do educando frente ao processo educativo. Contudo, a avaliação na educação infantil não pode ter o caráter classificatório, nem de promoção para continuação dos estudos, assim, ela deve ser um instrumento de identificação de conhecimentos para nortear o trabalho do professor. ACESSE Para saber mais sobre a avaliação na educação infantil. Leia Avaliação da Aprendizagem na Educação Infantil: Recurso para prática pedagógica. Disponível em: https://bit.ly/2Ph7NLE. A fim de garantir a qualidade na educação infantil foram instituídos documentos, entre eles o Referencial Curricular Nacional Educação Infantil (RCNEI) que é um guia que auxilia a compreensão e a qualidade da educação infantil, oferecendo objetivos e orientações para o trabalho com as crianças. O RCNEI está organizado por volumes. ■ Volume 1 Introdução: apresenta uma reflexão sobre as creches e pré-escolas, apresentando concepções sobre criança, educação, trabalho docente. Organização e Legislação da Educação 59 ■ Volume 2 Formação Pessoal e Social: aborda a importância do trabalho de construção da identidade e autonomia das crianças. ■ Volume 3 Conhecimento do Mundo: trata da importância da experiência e do conhecimento de mundo por meio da música, artes visuais, linguagem oral e escrita, natureza e sociedade e matemática. Outro documento importante são as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEI), o qual visa garantir o proposto na LDB 9394/96 que prioriza a criança como o centro do processo de aprendizado. 1.1 Esta norma tem por objetivo estabelecer Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil a serem observadas na organização de propostas pedagógicas na educação infantil (BRASIL, 2010, p. 13). A Base Nacional Comum Curricular na Educação Infantil (BNCC) apresenta um conjunto de orientações sobre a elaboração do currículo pela escola, reforçando que a criança seja a protagonista do processo ensino aprendizado. A BNCC é composta por 5 campos de experiências e 6 direitos de aprendizagem. Os direitos de aprendizagem na Educação Infantil visam assegurar que as crianças aprendam em situações diversas, sendo agente ativo no processo de aprendizagem em ambientes que as estimulem a vivenciar e superar desafios. Tendo em vista os eixos estruturantes das práticas pedagógicas e as competências gerais da Educação Básica propostas pelo BNCC, seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento asseguram, na Educação Infantil, as condições para que as crianças aprendam em situações nas quais possam Organização e Legislação da Educação60 desempenhar um papel ativo em ambientes que as convidem a vivenciar desafios e a sentirem-se provocadas a resolvê-los, nas quais possam construir significados sobre si, os outros e o mundo social e natural (BRASIL, 1996). ACESSE Para conhecer a Base Nacional de Educação. Leia BNCC. Disponível em: https://bit.ly/2HH3dhC. Segundo a BNCC, na Educação Infantil são direitos de aprendizagem: ■ CONVIVER: convívio com outras crianças e adultos utilizando diferentes linguagens, ampliando conhecimentos sobre si e do outro, em relação a cultura e a diferença entre as pessoas. ■ BRINCAR: promoção do brincar diariamente em diversas formas e espaços, entre crianças e adultos, ampliando o acesso às produções culturais, imaginação, criatividade e experiências emocionais, corporais, sensoriais e cognitivas. ■ PARTICIPAR: a participação ativa de adultos e crianças no planejamento da gestão da escola em atividades propostas, na escolha das brincadeiras, materiais, ambientes e elaboração de conhecimentos. ■ EXPLORAR: a exploração de movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções e transformações, bem como de relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza na escola ou fora dela. Assim, ampliando saberes sobre a cultura. Organização e Legislação da Educação 61 ■ EXPRESSAR: como sujeito criativo, dialógico e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses e descobertas por meio de diferentes linguagens. ■ CONHECER-SE: construir sua identidade pessoal, social e cultural sobre si e seus grupos de pertencimentos, nas diversas experiências de cuidado, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário. O documento aborda que as atividades na Educação Infantil devem ser planejadas de acordo com a intencionalidade educativa, para que desenvolva na criança a observação, o questionamento, o levantamento de hipóteses, o julgamento e a construção dos conhecimentos. A educação infantil, segundo a BNCC, deve ter como eixo a brincadeira e a interação, assim, os campos de experiências são estruturas curriculares que interligam as experiências concretas da vida da criança com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural. Os campos de experiência baseiam-se nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil. São organizados da seguinte forma: ■ O eu, o outro e o nós: é na interação com adultos e crianças que estas vão construindo seu modo de agir, sentir e pensar. Nessas experiências elas podem ampliar o modo de perceber a si mesmas e ao outro, valorizando sua identidade, respeitando os outros e reconhecendo as diferenças. ■ Corpos, gestos e movimentos: na educação infantil o corpo ganha o centro do processo, dessa forma, devem ser estimuladas experiências que as crianças possam, por meio da ludicidade e interação com o outro, explorar e vivenciar um amplo repertório de movimentos, gestos, olhares e sons. Organização e Legislação da Educação62 ■ Traços, sons, cores e formas: a educação infantil deve promover a participação da criança em tempo de espaço para produção, manifestação e apreciação artística, favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade e expressão pessoal da criança. Figura 6 — Desenvolvimento da criatividade. Fonte: Pixabay. ■ Escuta, fala, pensamento e imaginação: a escola deve promover experiênciasque possibilitem a criança a falar e a ouvir, pois, por meio da comunicação, a criança se desenvolve como sujeito ativo e pertencente a um grupo social. Figura 7 — Escuta, fala, pensamento e imaginação. Fonte: Pixabay. Organização e Legislação da Educação 63 ■ Espaço, tempos, quantidades, relações e transformações: a educação infantil deve promover experiências que possibilitem que as crianças observem, manipulem, investiguem e explorem o meio que estão inseridas, levantando hipóteses e resolvendo problemas, ampliando seus conhecimentos do mundo físico e sociocultural. Figura 8 — Conhecendo espaços. Fonte: Pixabay. A Base Nacional Comum Curricular orienta que a escola deve estar atenta para a transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, para que haja continuidade do processo educativo que respeite as mediações e conhecimentos de cada fase. Organização e Legislação da Educação64 Analisando o Ensino Fundamental de 9 anos e seus objetivos, duração, organização e obrigatoriedade Nessa aula iremos analisar e refletir sobre o Ensino Fundamental de 9 anos e seus objetivos, duração, obrigatoriedade e como deve ser a sua organização. A LDB 9394/96 considera o ensino fundamental um nível da educação básica que atende as crianças a partir dos 6 anos de idade, um dos principais objetivos do ensino fundamental é a formação básica do cidadão. Além da LDB, existem documentos como Diretrizes Curriculares Nacionais, Plano Nacional de Educação e Base Nacional Comum Curricular que norteiam o trabalho desse nível da educação básica. Ao longo deste capítulo, vamos conhecer esses documentos e suas relações com o ensino fundamental. Objetivos, Duração, Organização e Obrigatoriedade do Ensino Fundamental A Lei de Diretrizes e Bases da Educação divide a educação brasileira em níveis: educação básica e ensino superior. A educação básica é subdividida em: ■ Educação Infantil: creches e pré-escolas; ■ Ensino Fundamental: anos iniciais (do 1º ao 5º ano) e anos finais (do 6º ao 9º ano); ■ Ensino médio: do 1º ao 3º ano. Como podemos observar, o Ensino fundamental é a continuação da Educação infantil, para essa transição é Organização e Legislação da Educação 65 importante, além do equilíbrio entre as mudanças, o acolhimento afetivo do aluno ao ser introduzido nesse novo nível. Assim, evitando a fragmentação do processo de ensino e aprendizagem e favorecendo a continuidade da aprendizagem. Visando minimizar esses problemas, a Base Nacional Comum Curricular orienta que o Ensino Fundamental – Anos Iniciais valorize as situações lúdicas de aprendizagem e a articulação com as experiências vividas na Educação Infantil. O trabalho da escola deve prever uma progressiva sistematização dessa experiência e o desenvolvimento de novas formas de relação com o mundo dos educandos. Os primeiros anos do Ensino Fundamental devem estar focados na alfabetização, garantido oportunidade de conhecimento da escrita e práticas de letramento. Figura 9 — Alfabetização Infantil. Fonte: Pixabay. A BNCC apresenta competências e habilidades envolvidas no processo de alfabetização que a criança necessita desenvolver, são elas: ■ compreender diferenças entre escrita e outras formas gráficas (outros sistemas de representação); Organização e Legislação da Educação66 ■ dominar as convenções gráficas (letras maiúsculas e minúsculas, cursiva e script); ■ conhecer o alfabeto; ■ compreender a natureza alfabética do nosso sistema de escrita; ■ dominar as relações entre grafemas e fonemas; ■ saber decodificar palavras e textos escritos; ■ saber ler, reconhecendo globalmente as palavras; ■ ampliar a sacada do olhar para porções maiores de texto que meras palavras, desenvolvendo fluência e rapidez de leitura (fatiamento). ACESSE Para aprimorar seus conhecimento sobre a Base Nacional Comum Curricular, leia a BNCC. Disponível em: https://bit. ly/2skbCls. Segundo orientação da Base Nacional Comum Curricular (2017), os anos finais do ensino fundamental devem propor atividades que promovam a progressão do conhecimento por meio da consolidação das aprendizagens anteriores e a ampliação das práticas de linguagens e experiências, com desafios mais complexos que permitem ressignificar o conteúdo aprendido. O conteúdo que será desenvolvido no ensino fundamental será dividido em 5 áreas do conhecimento com componentes curriculares próprios a serem trabalhados, são eles: ÁREA DE LINGUAGENS Componentes curriculares: Língua Portuguesa, Arte, Educação Física, Língua Inglesa (ensino fundamental anos finais). Organização e Legislação da Educação 67 Competências: 1. Compreender as linguagens como construção humana, histórica, social e cultural, de natureza dinâmica, reconhecendo- as e valorizando-as como formas de significação da realidade e expressão de subjetividades e identidades sociais e culturais. 2. Conhecer e explorar diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e linguísticas) em diferentes campos da atividade humana para continuar aprendendo, ampliar suas possibilidades de participação na vida social e colaborar para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva. 3. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual- motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital —, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao diálogo, à resolução de conflitos e à cooperação. 4. Utilizar diferentes linguagens para defender pontos de vista que respeitem o outro e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, atuando criticamente frente a questões do mundo contemporâneo. 5. Desenvolver o senso estético para reconhecer, fruir e respeitar as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, inclusive aquelas pertencentes ao patrimônio cultural da humanidade, bem como participar de práticas diversificadas, individuais e coletivas, da produção artístico- cultural, com respeito à diversidade de saberes, identidades e culturas. 6. Compreender e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares), para se comunicar por meio das diferentes linguagens e mídias, produzir conhecimentos, resolver problemas e desenvolver projetos autorais e coletivos. (BRASIL, 2017). Organização e Legislação da Educação68 ÁREA DE MATEMÁTICA Componente curricular: Matemática. Competências: 1. Reconhecer que a Matemática é uma ciência humana, fruto das necessidades e preocupações de diferentes culturas, em diferentes momentos históricos, e é uma ciência viva, que contribui para solucionar problemas científicos e tecnológicos e para alicerçar descobertas e construções, inclusive com impactos no mundo do trabalho. 2. Desenvolver o raciocínio lógico, o espírito de investigação e a capacidade de produzir argumentos convincentes, recorrendo aos conhecimentos matemáticos para compreender e atuar no mundo. 3. Compreender as relações entre conceitos e procedimentos dos diferentes campos da Matemática (Aritmética, Álgebra, Geometria, Estatística e Probabilidade) e de outras áreas do conhecimento, sentindo segurança quanto à própria capacidade de construir e aplicar conhecimentos matemáticos, desenvolvendo a autoestima e a perseverança na busca de soluções. 4. Fazer observações sistemáticas de aspectos quantitativos e qualitativos presentes nas práticas sociais e culturais, de modo a investigar, organizar, representar e comunicar informações relevantes, para interpretá-las e avaliá-las crítica e eticamente, produzindo argumentos convincentes. 5. Utilizar processos e ferramentas matemáticas, inclusive tecnologias digitais disponíveis, para modelar e resolver problemas cotidianos, sociais e de outras áreasde conhecimento, validando estratégias e resultados. 6. Enfrentar situações-problema em múltiplos contextos, incluindo-se situações imaginadas, não diretamente relacionadas com o aspecto prático-utilitário, expressar suas respostas e sintetizar conclusões, utilizando diferentes registros e linguagens Organização e Legislação da Educação 69 (gráficos, tabelas, esquemas, além de texto escrito na língua materna e outras linguagens para descrever algoritmos, como fluxogramas, e dados). 7. Desenvolver e/ou discutir projetos que abordem, sobretudo, questões de urgência social, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários, valorizando a diversidade de opiniões de indivíduos e de grupos sociais, sem preconceitos de qualquer natureza. 8. Interagir com seus pares de forma cooperativa, trabalhando coletivamente no planejamento e desenvolvimento de pesquisas para responder a questionamentos e na busca de soluções para problemas, de modo a identificar aspectos consensuais ou não na discussão de uma determinada questão, respeitando o modo de pensar dos colegas e aprendendo com eles. (BRASIL, 2017). ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA Componente curricular: Ciências. Competências: 1. Compreender as Ciências da Natureza como empreendimento humano, e o conhecimento científico como provisório, cultural e histórico. 2. Compreender conceitos fundamentais e estruturas explicativas das Ciências da Natureza, bem como dominar processos, práticas e procedimentos da investigação científica, de modo a sentir segurança no debate de questões científicas, tecnológicas, socioambientais e do mundo do trabalho, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 3. Analisar, compreender e explicar características, fenômenos e processos relativos ao mundo natural, social e tecnológico (incluindo o digital), como também as relações Organização e Legislação da Educação70 que se estabelecem entre eles, exercitando a curiosidade para fazer perguntas, buscar respostas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das Ciências da Natureza. 4. Avaliar aplicações e implicações políticas, socioambientais e culturais da ciência e de suas tecnologias para propor alternativas aos desafios do mundo contemporâneo, incluindo aqueles relativos ao mundo do trabalho. 5. Construir argumentos com base em dados, evidências e informações confiáveis e negociar e defender ideias e pontos de vista que promovam a consciência socioambiental e o respeito a si próprio e ao outro, acolhendo e valorizando a diversidade de indivíduos e de grupos sociais, sem preconceitos de qualquer natureza. 6. Utilizar diferentes linguagens e tecnologias digitais de informação e comunicação para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resolver problemas das Ciências da Natureza de forma crítica, significativa, reflexiva e ética. 7. Conhecer, apreciar e cuidar de si, do seu corpo e bem- estar, compreendendo-se na diversidade humana, fazendo- se respeitar e respeitando o outro, recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza e às suas tecnologias. 8. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza para tomar decisões frente a questões científico- tecnológicas e socioambientais e a respeito da saúde individual e coletiva, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários. (BRASIL, 2017). Organização e Legislação da Educação 71 ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS Componente curricular: Geografia e História. Competências: 1. Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos. 2. Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico-informacional com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo. 3. Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e propondo ideias e ações que contribuam para a transformação espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das dinâmicas da vida social. 4. Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhimento e a valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 5. Comparar eventos ocorridos simultaneamente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados. 6. Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Organização e Legislação da Educação72 7. Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço- temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão. (BRASIL, 2017). ÁREA DO ENSINO RELIGIOSO Componente curricular: Ensino Religioso. Competências: 1. Conhecer os aspectos estruturantes das diferentes tradições/movimentos religiosos e filosofias de vida, a partir de pressupostos científicos, filosóficos, estéticos e éticos. 2. Compreender, valorizar e respeitar as manifestações religiosas e filosofias de vida, suas experiências e saberes, em diferentes tempos, espaços e territórios. 3. Reconhecer e cuidar de si, do outro, da coletividade e da natureza, enquanto expressão de valor da vida. 4. Conviver com a diversidade de crenças, pensamentos, convicções, modos de ser e viver. 5. Analisar as relações entre as tradições religiosas e os campos da cultura, da política, da economia, da saúde, da ciência, da tecnologia e do meio ambiente. 6. Debater, problematizar e posicionar-se frente aos discursos e práticas de intolerância, discriminação e violência de cunho religioso, de modo a assegurar os direitos humanos no constante exercício da cidadania e da cultura de paz. (BRASIL, 2017). Organização e Legislação da Educação 73 De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (9394/96), em seu artigo 32º, o objetivo do Ensino Fundamental é a formação básica do cidadão. Segundo a LDB, a formação básica se dará através dos seguintes meios: I – o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; II – a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; III – o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; IV – o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. (BRASIL, 1996). Buscando reafirmar e promover os objetivos propostos na LDB em relação ao ensino fundamental, o conselho nacional de educação estabeleceu as Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental (DCN). ACESSE Para saber mais sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, leia as DCNs. Disponível em: https://bit. ly/2skbCls. Organização e Legislação da Educação74 Segundo as DCNs, para o ensino fundamental,as escolas deverão estabelecer princípios para nortear seus trabalhos. a. Princípios Éticos da autonomia, responsabilidade, solidariedade e do respeito ao bem comum. b. Princípios Políticos dos direitos e deveres de cidadania, do exercício à criticidade e do respeito à ordem democrática. c. Princípios Estéticos da sustentabilidade, criatividade, diversidade de manifestações artísticas e culturais. ■ As escolas devem promover o reconhecimento pessoal de alunos, professores e a identidade da unidade escolar. ■ As escolas devem reconhecer que o processo de aprendizagem é constituído pela interação com o conhecimento, linguagem e interação afetiva. O diálogo deve favorecer o protagonismo do aluno na educação e também a construção de valores indispensáveis à vida cidadã. ■ Todas as escolas devem garantir a igualdade de acesso aos alunos à uma Base Nacional Comum, de forma que seja legitimada uma educação de qualidade. ■ As escolas deverão desenvolver propostas curriculares que tenham relação com a comunidade local, de modo que desenvolvam cidadãos capazes de serem protagonistas e responsáveis por si, família e comunidade. (BRASIL, 2013) Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) foram desenvolvidos para que as instituições de ensino tivessem parâmetros para desenvolver uma educação de qualidade. Segundo o documento, o objetivo do ensino fundamental é que os alunos sejam capazes de: ■ compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito; Organização e Legislação da Educação 75 ■ posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas; ■ conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao País; ■ conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais; ■ perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente; ■ desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania; ■ conhecer e cuidar do próprio corpo, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva; ■ utilizar as diferentes linguagens — verbal, matemática, gráfica, plástica e corporal — como meio para produzir, expressar e comunicar suas idéias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação; ■ saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos; Organização e Legislação da Educação76 ■ questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação (BRASIL, 1997). Ao analisar os objetivos do ensino fundamental, observamos que os diversos documentos sobre o assunto visam garantir a formação de indivíduos críticos e aptos a conviver em sociedade. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9394/96 estabelece, em seu artigo 32, que o ensino fundamental deveria ter a duração de 08 anos. Esse artigo teve alteração por meio da Lei 11.274 de 2006, onde o ensino fundamental obrigatório passou a ter a duração de 9 anos. O objetivo do governo com essa proposta é oportunizar um maior tempo do educando no convívio escolar, oferecendo maior oportunidade de aprender e de ter uma educação de maior qualidade. Nesse sentido, podemos ver o ensino fundamental de nove anos como mais uma estratégia de democratização e acesso à escola. A Lei nº. 11.274, de 6 de fevereiro de 2006, assegura o direito das crianças de seis anos à educação formal, obrigando as famílias a matriculá-las e o Estado a oferecer o atendimento (BRASIL, 2007, p. 27). Ao analisarmos a citação acima verificamos que o discurso do governo na defesa do ensino fundamental de 9 anos busca reafirmar um direito garantido desde a constituição, o acesso à uma educação de qualidade para todos e a garantia de vaga e estrutura adequada. Por lei o ensino fundamental tem como característica ser obrigatório e gratuito e com duração de 9 anos, devendo ser Organização e Legislação da Educação 77 iniciado com 6 anos de idade completos até 31 de março do ano da matrícula. A Resolução nº 7 de 14 de Dezembro de 2010 do Conselho Nacional de Educação (CNE) aborda as regras do corte etário para as matrículas. Art. 8º O Ensino Fundamental, com duração de 9 anos, abrange a população na faixa etária dos 6 aos 14 (quatorze) anos de idade e se estende, também, a todos os que na idade própria, não tiveram condições de frequentá-lo. § 1º É obrigatória a matrícula no Ensino Fundamental de crianças com 6 anos completos ou a completar até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a matrícula, nos termos da Lei e das normas nacionais vigentes. § 2º As crianças que completarem 6 anos após essa data deverão ser matriculadas na Educação Infantil (Pré-Escola) (BRASIL, 2010). Como vimos, desde 2010 a regra está prevista, no entanto, diversos estabelecimentos de ensino pelo Brasil, principalmente os particulares, não consideravam esse corte para efetuar a matrícula dos alunos nas escolas. Devido esse cenário, o MEC (Ministério da Educação e Cultura) por meio da Portaria nº 1.035/2018, publicou o Parecer CNE/CEB nº 2/2018, reafirmando as regras do corte etário já citados pelo CNE em 2010. ACESSE Para saber mais sobre o Conselho Nacional de Educação, leia o arquivo sugerido. Disponivel em: https://bit.ly/2FSWJOF. Organização e Legislação da Educação78 Conforme aborda o Conselho Nacional de Educação em 2018: 3. O Ensino Fundamental, com duração de 9 anos, abrange a população na faixa etária dos 6 aos 14 (quatorze) anos de idade e se estende, também, a todos os que, na idade própria, não tiveram condições de frequentá-lo, nos termos da Resolução CNE/CEB nº 7/2010. a) É obrigatória a matrícula no Ensino Fundamental de crianças com 6 anos completos ou a completar até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a matrícula, nos termos da Lei e das normas nacionais vigentes. b) As crianças que completarem 6 anos após essa data deverão ser matriculadas na Educação Infantil, na etapa da pré-escola. 4. Excepcionalmente, as crianças que, até a data da publicação desta Resolução, já se encontram matriculadas e frequentando instituições educacionais de Educação Infantil (creche ou pré-escola) devem ter a sua progressão assegurada, sem interrupção, mesmo que sua data de nascimento seja posterior ao dia 31 de março, considerando seus direitos de continuidade e prosseguimento sem retenção (BRASIL, 2018). O Conselho Nacional de Educação, além da idade de corte para a matrícula no ensino fundamental, também determina que o Ensino fundamental deverá ter a carga horária mínima de 800 horas de aula e pelo menos 200 dias letivos de atividade escolar. Conforme o artigo 3º. § 3º A carga horária mínimaanual do Ensino Fundamental regular será de 800 (oitocentas) horas relógio, distribuídas em, pelo menos, 200 (duzentos) dias de efetivo trabalho escolar (BRASIL, 2018). Organização e Legislação da Educação 79 Com a análise desse capítulo podemos verificar que o Ensino Fundamental é uma etapa importante no desenvolvimento infantil, dessa forma, há a necessidade de ter uma proposta pedagógica que atenda a necessidade do educando e promova cidadãos aptos a contribuir com a sociedade. Ensino Médio: Finalidade, Duração, Modalidades e Organização O ensino médio, segundo a LDB 9394/96, é compreendido como a etapa final da Educação Básica, com duração de 3 anos tendo como finalidade: I – a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; II – a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; III – o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; IV – a compreensão dos fundamentos científico- tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina (BRASIL, 1996). Analisando as finalidades do Ensino Médio, podemos perceber a preocupação em consolidar os conhecimentos e a preparação para o trabalho e para cidadania. No entanto, esses objetivos não foram atingidos, sendo necessárias novas reflexões sobre o tema. A Resolução do CNE/CEB nº 4/2010 define as Organização e Legislação da Educação80 Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio, essas diretrizes visavam melhorar a educação por meio de uma formação mais humana que não se limite ao vestibular e prepare futuros cidadãos. Com o objetivo de preparar os alunos para se tornarem cidadãos plenos, preparados para os desafios do século XXI, foi desenvolvida a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) para o ensino médio, contendo aprendizagens essenciais para todos os alunos. ACESSE Para entender mais sobre a Base Nacional do Ensino Médio. Disponível em: https://bit.ly/2RTh4s2. ÁREA DE LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS Figura 10 — Artes. Fonte: Unsplash. Componentes curriculares: Arte, Educação Física, Língua Inglesa e Língua Portuguesa. Organização e Legislação da Educação 81 Competências: 1. Compreender o funcionamento das diferentes linguagens e práticas (artísticas, corporais e verbais) e mobilizar esses conhecimentos na recepção e produção de discursos nos diferentes campos de atuação social e nas diversas mídias, para ampliar as formas de participação social, o entendimento e as possibilidades de explicação e interpretação crítica da realidade e para continuar aprendendo. 2. Compreender os processos identitários, conflitos e relações de poder que permeiam as práticas sociais de linguagem, respeitar as diversidades, a pluralidade de ideias e posições e atuar socialmente com base em princípios e valores assentados na democracia, na igualdade e nos Direitos Humanos, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, e combatendo preconceitos de qualquer natureza. 3. Utilizar diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais) para exercer, com autonomia e colaboração, protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva, de forma crítica, criativa, ética e solidária, defendendo pontos de vista que respeitem o outro e promovam os Direitos Humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável, em âmbito local, regional e global. 4. Compreender as línguas como fenômeno (geo)político, histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso, reconhecendo-as e vivenciando-as como formas de expressões identitárias, pessoais e coletivas, bem como respeitando as variedades linguísticas e agindo no enfrentamento de preconceitos de qualquer natureza. Compreender os múltiplos aspectos que envolvem a produção de sentidos nas práticas sociais da cultura corporal de movimento, reconhecendo- as e vivenciando-as como formas de expressão de valores e identidades, em uma perspectiva democrática e de respeito à diversidade. Organização e Legislação da Educação82 5. Apreciar esteticamente as mais diversas produções artísticas e culturais, considerando suas características locais, regionais e globais, e mobilizar seus conhecimentos sobre as linguagens artísticas para dar significado e (re)construir produções autorais individuais e coletivas, de maneira crítica e criativa, com respeito à diversidade de saberes, identidades e culturas. 6. Mobilizar práticas de linguagem no universo digital, considerando as dimensões técnicas, críticas, criativas, éticas e estéticas, para expandir as formas de produzir sentidos, de engajar-se em práticas autorais e coletivas, e de aprender a aprender nos campos da ciência, cultura, trabalho, informação e vida pessoal e coletiva. (BRASIL, 2018). ÁREA DE MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS Figura 11 — Números. Fonte: Pixabay. Componente curricular: Matemática. Competências: 1. Utilizar estratégias, conceitos e procedimentos matemáticos para interpretar situações em diversos contextos, sejam atividades cotidianas, sejam fatos das Ciências da Natureza Organização e Legislação da Educação 83 e Humanas, ou ainda questões econômicas ou tecnológicas, divulgados por diferentes meios, de modo a consolidar uma formação científica geral. 2. Articular conhecimentos matemáticos ao propor e/ ou participar de ações para investigar desafios do mundo contemporâneo e tomar decisões éticas e socialmente responsáveis, com base na análise de problemas de urgência social, como os voltados a situações de saúde, sustentabilidade, das implicações da tecnologia no mundo do trabalho, entre outros, recorrendo a conceitos, procedimentos e linguagens próprios da Matemática. 3. Utilizar estratégias, conceitos e procedimentos matemáticos, em seus campos — Aritmética, Álgebra, Grandezas e Medidas, Geometria, Probabilidade e Estatística —, para interpretar, construir modelos e resolver problemas em diversos contextos, analisando a plausibilidade dos resultados e adequação das soluções propostas, de modo a construir argumentação consistente. 4. Compreender e utilizar, com flexibilidade e fluidez, diferentes registros de representação matemáticos (algébrico, geométrico, estatístico, computacional etc.), na busca de solução e comunicação de resultados de problemas, de modo a favorecer a construção e o desenvolvimento do raciocínio matemático. 5. Investigar e estabelecer conjecturas a respeito de diferentes conceitos e propriedades matemáticas, empregando recursos e estratégias como observação de padrões, experimentações e tecnologias digitais, identificando a necessidade, ou não, de uma demonstração cada vez mais formal na validação das competências conjecturas. (BRASIL, 2018). Organização e Legislação da Educação84 Área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias Figura 12 — Ciências da Natureza. Fonte: Pixabay. Componente curricular: Ciências. Competências: 1. Analisar fenômenos naturais e processos tecnológicos, com base nas relações entre matéria e energia, para propor ações individuais e coletivas que aperfeiçoem processos produtivos, minimizem impactos socioambientais e melhorem as condições de vida em âmbito local, regional e/ou global. 2. Construir e utilizar interpretações sobre a dinâmica da Vida, da Terra e do Cosmos para elaborar argumentos, realizar previsões sobre o funcionamento e a evolução dos seres vivos e do Universo, e fundamentar decisões éticas e responsáveis. 3. Analisar situações-problema e avaliar aplicações do conhecimento científico e tecnológico e suas implicações no mundo, utilizando procedimentos e linguagens próprios das Ciências da Natureza, para propor soluções que considerem demandaslocais, regionais e/ou globais, e comunicar suas Organização e Legislação da Educação 85 descobertas e conclusões a públicos variados, em diversos contextos e por meio de diferentes mídias e tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC). (BRASIL, 2018). Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas Figura 13 — Ciências Sociais. Fonte: Pixabay. Componente curricular: Política e Trabalho, Tempo e Espaço, Território e Fronteira, Indivíduo, Natureza, Sociedade, Cultura e Ética, Política e Trabalho. Competências: 1. Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em diferentes tempos, a partir de procedimentos epistemológicos e científicos, de modo a compreender e posicionar-se criticamente com relação a esses processos e às possíveis relações entre eles. 2. Analisar a formação de territórios e fronteiras em diferentes tempos e espaços, mediante a compreensão dos processos Organização e Legislação da Educação86 sociais, políticos, econômicos e culturais geradores de conflito e negociação, desigualdade e igualdade, exclusão e inclusão e de situações que envolvam o exercício arbitrário do poder. 3. Contextualizar, analisar e avaliar criticamente as relações das sociedades com a natureza e seus impactos econômicos e socioambientais, com vistas à proposição de soluções que respeitem e promovam a consciência e a ética socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional, nacional e global. 4. Analisar as relações de produção, capital e trabalho em diferentes territórios, contextos e culturas, discutindo o papel dessas relações na construção, consolidação e transformação das sociedades. 5. Reconhecer e combater as diversas formas de desigualdade e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos e solidários, e respeitando os Direitos Humanos. 6. Participar, pessoal e coletivamente, do debate público de forma consciente e qualificada, respeitando diferentes posições, com vistas a possibilitar escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. (BRASIL, 2018). As áreas do conhecimento descritas na Base Nacional da Educação Ensino Médio contêm Competências Gerais e Específicas, com o objetivo de desenvolver competências que possibilitem o aluno não apenas a adquirir conhecimento para a conclusão do ensino médio e o acesso ao ensino superior, mas que possam interpretar o mundo ao seu redor e contribuir por meio de ações e reflexões com a sociedade da qual fazem parte. O Ensino Médio passou por uma reforma, por meio da Medida Provisória nº 748/2016, com objetivo de melhorar a qualidade da educação, diminuir a evasão escolar e elevar o atendimento de adolescentes entre 15 e 17 anos. Organização e Legislação da Educação 87 ACESSE Para entender mais o debate sobre a reforma do ensino médio. Acesse a matéria sugerida. Disponível em: https://bit.ly/2ffbqA2. Na reforma, o ensino médio profissionalizante passou por novas regras, sendo elas: ■ cursar 1.800 horas-aula dedicadas à área do conhecimento; ■ cursar 1.200 horas para itinerários formativo de livre escolha dos alunos, compostos por 5 áreas de conhecimentos (Linguagens suas tecnologias, Matemática, Ciência da Natureza, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e Formação Técnica e Profissional). Durante o estudo sobre a etapa da educação básica, é possível analisar que o assunto sobre a qualidade da educação está em constante debate. Alguns resultados apresentados por avaliações externas demonstram a fragilidade da educação através dos altos índices de evasão escolar entre os jovens de 15 a 17 anos. Sendo assim, evidencia-se iniciativas educacionais importantes e significativas, objetivando o aluno como protagonista do seu conhecimento, buscando uma educação de qualidade para todos de acordo com a Constituição Federal de 1988. Organização e Legislação da Educação88 Figura 14 — Jovens e adultos na escola. Fonte: Pixabay. Educação de Jovens e Adultos A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é o ensino para aqueles que não tiveram a oportunidade de cursar os estudos na idade apropriada. Conforme prevê a Lei de Diretrizes e Bases 9394/96: “A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou oportunidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria” (BRASIL, 1996). Configura-se como uma política social, uma vez que por meio da construção do conhecimento cria condições para melhorar a oportunidade de vida, trabalho e inserção na sociedade, pois muitas vezes essas pessoas, pela interrupção dos seus estudos, se sentem excluídas de uma vida social. Para que o ensino seja significativo segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos (2010), devem ser considerados interesses, perfis e faixas etárias, onde a escola deve proporcionar princípios de equidade e um projeto pedagógico próprio para atender essas especificidades. Organização e Legislação da Educação 89 Para entender um pouco mais sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o EJA, leia as DCNs. Disponível em https://bit. ly/3LkZGXZ. ACESSE A escola deve, ao conhecer quem é o aluno do EJA, promover atividades que estimulem a troca de experiência entre os alunos, considerando suas vivências e a partir desses relatos promover exercícios que busquem a reflexão e construção de novos conhecimentos. Figura 15 — Interação de adultos em sala de aula. Fonte: Pixabay. A carga horária para os cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) é: ■ duração mínima de 1.600 horas para séries finais do Ensino Fundamental; ■ duração mínima de 1.200 horas para o Ensino Médio. Organização e Legislação da Educação90 O EJA é um importante instrumento para atender uma das metas do Plano Nacional de Educação, que visa até 2024 erradicar o analfabetismo. Para alcançar esse objetivo os Estados e os Municípios devem dividir a responsabilidade e possibilitar a oferta de acesso e oportunidade assegurado pela Constituição Federal para todos. ACESSE Para conhecer as metas do Plano Nacional de Educação. Leia Planejando a Próxima Década, disponível em: https://bit.ly/1tdckZX. Educação Especial A Educação Especial é uma modalidade que se refere às pessoas com necessidades especiais, o atendimento educacional deve ser realizado prioritariamente em escolas regulares. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de Educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais (BRASIL, 1996). A Educação Especial tem os mesmos objetivos de uma educação regular, o que se diferencia é que o atendimento deve ser considerado a partir das diferenças do educando. As diferenças dos educandos na educação especial são divididas em categorias, são elas: ■ Treináveis: necessitam de ajuda e supervisão; ■ Educáveis: frequentam escolas regulares e, no contra turno, classes especiais. Organização e Legislação da Educação 91 A Declaração Mundial de Educação para todos, aprovada em 1990, trata da universalização de acesso e o princípio de equidade em relação aos alunos com deficiência que possuem necessidades especiais. O termo equidade significa dar as mesmas condições e oportunidades para que todos atinjam os mesmos resultados, garantindo a igualdade de direitos para todos. A Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 determina que a educação de pessoas com necessidades especiais deve ocorrer preferencialmente em estabelecimentos de ensino regular, sendo o seu acesso dever do Estado e da Família. O artigo 59 da LDB orienta que as escolas devem garantir aos estudantes: I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nívelexigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que Organização e Legislação da Educação92 apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; V – acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular (BRASIL, 1996). ACESSE Para saber mais sobre o artigo 59 da LDB. Disponível em: https://bit.ly/2USezqp. O Brasil, nos últimos anos, tem se destacado por possibilitar o acesso à escola comum aos alunos com deficiência. No entanto, deve ser observado que o fato de permitir o acesso não torna a inclusão efetiva, pois a inclusão vai além do acesso, abrange a transformação da escola em um lugar significativo. Transformar a escola significa, portanto, criar as condições para que todos os alunos possam atuar efetivamente nesse espaço educativo, focando as dificuldades do processo de construção para o ambiente escolar e não para as características particulares dos alunos (IBGE/MEC, 2010, p. 34). A inclusão leva em consideração a preparação da escola, professores e profissionais da educação, para estarem aptos a receberem esses alunos independentes das suas especificidades. Muitas vezes encontramos professores que possuem resistência em aceitar alunos com necessidades especiais em sua sala de aula, por falta de conhecimento e preparo ou por receio de ter que preparar uma proposta pedagógica que se adeque as necessidades desses educandos. Organização e Legislação da Educação 93 Sabemos da dificuldade de estrutura e número de alunos por sala, no entanto, o papel do educador é ser agente de transformação. A escola só conseguirá promover a transformação da educação se criar oportunidade para todos aprenderem e terem seus direitos e especificidades respeitados. Conforme aborda Mantoan (1998): [...] uma verdadeira transformação da escola, de tal modo que o aluno tenha a oportunidade de aprender, mas na condição de que sejam respeitados as suas peculiaridades, necessidades e interesses, a sua autonomia intelectual, o ritmo e suas condições de assimilação dos conteúdos curriculares (MANTOAN, 1998, p. 3). A escola deve propiciar momentos de reflexões e respeito às diferenças, criar oportunidades para que todos se desenvolvam independente das suas dificuldades, propiciando um ambiente que favoreça a construção de futuros cidadãos aptos a lidar com as diferenças e exercer sua cidadania. Organização e Legislação da Educação94 UNIDADE 03 CURRÍCULO, AVALIAÇÃO, FORMAÇÃO DOCENTE E RECURSOS PARA A EDUCAÇÃO. Organização e Legislação da Educação96 INTRODUÇÃO Durante a evolução da nossa sociedade, encontramos significativos progressos nos assuntos que tangem a educação seja no currículo, na formação docente, na avaliação ou nos recursos para a educação. Nessa unidade iremos conhecer sobre a evolução e o entendimento sobre currículos e a forma com que eles refletem na formação do educando, iremos compreender sobre o processo avaliativo e sua função no processo ensino aprendizado. Outro assunto que impacta a qualidade da educação é a formação dos professores, iremos discutir sobre como se estrutura essa formação e como o plano nacional de educação visa utilizar essa formação como mecanismo de melhora da educação. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Organização e Legislação da Educação 97 OBJETIVOS Olá, querido(a) aluno(a). Seja muito bem-vindo a nossa Unidade 3 — Currículo, Avaliação, Formação docente e recursos para a educação. Nesta unidade, o nosso objetivo é auxiliá-lo no desenvolvimento das competências profissionais. Compreender os conceitos, histórico e evolução do currículo e a verificação do rendimento escolar. Analisar os PCNS – Parâmetros Curriculares Nacionais. Observar a formação dos profissionais da educação: agências formadoras e tipos de profissionais. Identificar os recursos financeiros para a educação, as responsabilidades da união, estados e munícipios. 1 2 3 4 Então? Está preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Organização e Legislação da Educação98 Compreendendo os conceitos, histórico e evolução do currículo e a verificação do rendimento escolar Vivemos em uma sociedade repleta de desigualdades, sejam elas econômicas ou sociais, a escola tem como objetivo oferecer condições de acesso e aquisição de conhecimento a todos, assim, para que esse objetivo seja atingido pela escola é fundamental analisar a concepção e a estrutura do seu currículo. Ao longo desta aula iremos estudar sobre os conceitos e a história do currículo e o debate em torno da verificação da aprendizagem. Dúvidas? Não se preocupe, recorra ao fórum de dúvidas e discussões para socializar o seu conhecimento e esclarecer todas as suas dúvidas. Nós estaremos a sua disposição em caso de dificuldades! Conceito do currículo Durante a evolução do homem, percebemos que ele sempre produziu conhecimento por meio da interação com o outro, e transmitia esse aprendizado aos outros integrantes da sociedade, seja pela comunicação ou pela arte, registrando suas histórias e conhecimentos. Figura 1 — Homens das cavernas. Fonte:Freepik. Organização e Legislação da Educação 99 O aprendizado informal, adquirido pelo contato com o outro, foi dando lugar para o aprendizado formal, que é o acesso ao conhecimento estruturado dentro de uma instituição de ensino. A estruturação do conhecimento se dá pelo significado que este passa a receber da escola, elaborado pelo próprio homem durante a evolução da sua história. A partir desse entendimento de aprendizado formal, surgiu a necessidade de um currículo que estabelecesse como e para que os currículos deveriam ser desenvolvidos. Segundo o dicionário Aurélio (2002), currículo significa o ato de correr, desvio para encurtar o caminho, e descrição do conjunto de conteúdos ou matérias de um curso. O conceito presente no dicionário Aurélio é o que comumente encontramos para descrever o que seria um currículo, mas este se define como algo muito mais amplo do que simplesmente um conjunto de conteúdos. Conforme Salviani (1996): Entretanto, no âmbito dos especialistas nessa matéria tem prevalecido a tendência a se considerar o currículo como sendo o conjunto das atividades (incluído o material físico e humano a elas destinado) que se cumprem com vistas a determinado fim. SAIBA MAIS O currículo deve estar voltado para elucidar o que deve ser feito, para que se atinja o objetivo proposto para aquele conteúdo. Dessa forma, a ideia de currículo se torna mais complexa, pois não é simplesmente o conjunto de um determinado conteúdo, mas sim ideias econômicas, políticas, culturais e até mesmo históricas, que estão em torno da aquisição desses conteúdos. Organização e Legislação da Educação100 O modo como esse currículo estará organizado será determinado pelo objetivo que se pretende atingir, seja para a aquisição de um conhecimento a fim de exercer apenas uma função no mercado de trabalho ou com o objetivo de transformar o aluno em um cidadão crítico e questionador, para as questões que estão em torno do seu dia a dia. Sendo assim, compreender as questões econômicas, políticas e culturais se fazem necessárias, uma vez que por meio dessa análise pode se organizar um currículo de acordo com os objetivos que sepretende atingir. A escola, ao refletir sobre os objetivos que a escolarização visa naquele grupo, deve buscar analisar o meio em que esses alunos, que são os protagonistas do processo de aprendizado, estão inseridos, uma vez que a elaboração do currículo não é algo fixo, mas algo flexível que deve ser composto pelos participantes da vida escolar, para que esse aprendizado possa ter sentido. O currículo deve buscar propor conhecimento sobre algo vivenciado pelo estudante ou fazê-lo pensar ou agir de modo diferente pela reflexão de seus atos e atitudes. A Lei de diretrizes e bases 9394/96 determina que seja desenvolvida uma base nacional comum curricular e uma base diversificada, e que a escola deve elaborar sua própria proposta pedagógica; com isso nota-se a importância de analisar as especificidades da onde está inserida a escola, para tornar a elaboração da proposta pedagógica algo coerente com o seu meio. Organização e Legislação da Educação 101 Figura 2 — Sala de aula. Fonte: Pixabay. O currículo escolar é um documento que ganhará vida na vivência pedagógica, por isso deve estar relacionado com o projeto político pedagógico da escola e ser desenvolvido com toda comunidade escolar, buscando atender, além do conteúdo comum, as particularidades de cada instituição. Segundo Veiga (2002): Currículo é uma construção social do conhecimento, pressupondo a sistematização dos meios para que esta construção se efetive; a transmissão dos conhecimentos historicamente produzidos e as formas de assimilá- los, portanto, produção, transmissão e assimilação são processos que compõem uma metodologia de construção coletiva do conhecimento escolar, ou seja, o currículo propriamente dito. (VEIGA, 2002, p.7) O referido autor ressalta que o currículo é composto de uma metodologia de construção coletiva, ou seja, não pode deixar de Organização e Legislação da Educação102 considerar todos os envolvidos no processo de aprendizagem, sejam eles professores ou alunos, para que o ensino alcance os resultados esperados. Segundo Salviani (2016), currículo é o conjunto de atividades desenvolvidas na escola, incluindo as atividades extracurriculares. A escola deve promover atividades que busquem refletir sobre a realidade do educando, dessa forma esse aluno terá condições de compreender o conteúdo historicamente elaborado, desenvolvendo sua criticidade frente ao seu meio e não apenas a repetição de aprendizados. Figura 3 — Estudante. Fonte: Freepik. A escola, quando não promove a reflexão do educando e busca apenas a repetição de conteúdos historicamente elaborados, tem como objetivo formar cidadãos aptos a apenas reproduzir, perpetuando a ideia de que existe somente uma sociedade ideal, e que todos devem fazer parte dessa sem promover questionamentos e aceitando sua condição frente a essa sociedade. Organização e Legislação da Educação 103 O currículo passou por inúmeras concepções de acordo com o momento social que a sociedade estava enfrentando. Segundo Soares (1986): As causas do sucesso ou do fracasso devem ser buscadas nas características dos indivíduos: a escola oferece igualdade de oportunidades; o bom aproveitamento dessas oportunidades dependerá do dom — aptidão, inteligência, talento — de cada um. (SOARES, 1986, p. 10). Esse autor reflete um momento da história no qual a escola tinha o objetivo de formar apenas mão de obra, pois se acreditava que a sociedade já estava demarcada pelo “dom”, e cabia ao aluno apenas reproduzir o conhecimento adquirido e ser a mão de obra ideal para o mercado de trabalho que a sociedade necessitava. Figura 4 — Precisa-se de mão de obra. Fonte: a autora. Em contraponto existem concepções que acreditam que a escola deve ser um espaço de reflexão, para que se formem cidadãos críticos que utilizem das suas experiências para aprimorar seus conhecimentos. Conforme Soares (1986): A escola ao negar as classes populares o uso de sua própria linguagem (que censura e rejeita), ao mesmo tempo que fracassa em levá-las ao domínio da linguagem de prestígio, está cumprindo seu papel de manter as discriminações e a marginalização e, portanto, de reproduzir as desigualdades. (SOARES, 1986, p. 72). PRECISA-SE DE MÃO DE OBRA Organização e Legislação da Educação104 Essa citação vem reforçar a importância de se considerar o meio social e os alunos que compõem o processo educativo, não para desconsiderar o conteúdo historicamente construído pela sociedade, mas para dar significado ao conhecimento informal disseminado no meio em que ele está envolvido, para que não se propague uma sociedade injusta e desigual. Ao desenvolver um currículo, a escola deve refletir o tipo de indivíduo que pretende formar, por meio do professor como um mediador do conhecimento, que deve buscar recursos para atingir esse objetivo proposto. Figura 5 — Objetivos. Fonte: Freepik. Organização e Legislação da Educação 105 ACESSE Para saber mais sobre as contribuições do currículo para o contexto escolar em: https://bit.ly/33nuVLQ. Currículo: Histórico, Evolução e a Verificação da Aprendizagem O Brasil sofreu influência, na sua concepção de currículo, de vários países, entre eles os Estados Unidos, fazendo com que pesquisadores fossem nessas literaturas buscar base para o modelo brasileiro. Conforme cita Pedra (1997): A inteligência nacional não conseguiu criar pensamentos autonômicos sobre o currículo, mesmo porque a tradição brasileira fora a de programas (mais o feitio francês) e não a de currículo (ideia possível aos norte-americanos em virtude da grande descentralização do seu sistema escolar). Assim não restaram muitas alternativas senão a de buscar nos textos norte-americanos o conteúdo e a forma de pensar e fazer currículo. (PEDRA, 1997, p. 33). Organização e Legislação da Educação106 IMPORTANTE Importante ressaltar que os educadores brasileiros buscavam a base do currículo e o adaptavam para o contexto de ensino brasileiro. Em 1549 os jesuítas chegam ao Brasil e com isso se inicia o processo educacional, eles desenvolveram ensinamentos e a maneira de aprendizado, para os grupos que eram considerados mais importantes e influentes socialmente e economicamente ou com foco na evangelização. Os jesuítas implantaram o Ratio Studiorum focado na seleção, sistematização e memorização de conteúdos para catequisar os índios, sendo marcado pela pedagogia tradicional que via o homem como um ser imutável. Conforme Saviani (2007): Essa concepção pedagógica caracteriza-se por uma visão essencialista de homem, isto é, o homem é concebido como constituído por uma essencial universal e imutável. (SALVIANI, 2007, p. 58) Figura 6 — Catequização dos indígenas. Fonte: Wikimedia Commons. Organização e Legislação da Educação 107 A avaliação no modelo Ratio Studiorum tinha como objetivo verificar o que o aluno memorizou, avaliando a concentração, silêncio e a ordem. Nas orientações da Ratio, os exercícios e as avaliações de aprendizagem devem ser adotadas pelos docentes, sugerindo-se, ainda, a realização de torneios ou disputas na sala de aula, onde os alunos sejam desafiados a resolver exercícios diante de autoridades e convidados. No terceiro momento, denominado “emulação”, os alunos são estimulados a competir com os próprios colegas de classe e com os de outras salas. Para essa premiação, os jesuítas preparavam solenidades pomposas, convocando autoridades eclesiásticas e civis, e as famílias dos alunos. A emulação constitui uma das forças psicológicas mais ativas e eficientes e sempre foi incentivada pelos jesuítas, mediante o ingresso dos alunos mais talentosos e esforçados na academia. (ARANHA, 1989). A tendência tradicional de ensino foi utilizada no Brasil até a Proclamação da República, sendo marcada por um ensino baseado na verdade absoluta, com foco na memorização e na verificação de resultados. No decorrer da história outros métodos com influências estrangeiras formaimplantados, como o ensino mútuo, no qual os alunos que se destacavam eram convidados a auxiliar os outros alunos na aquisição do conhecimento. No Brasil, na segunda metade do século XIX, observam-se sinais de mudança na educação, com a preocupação da ineficiência do ensino, dando início ao método intuitivo que busca a utilização de materiais de apoio como lousa, globo, mapas para melhorar a qualidade da educação. Organização e Legislação da Educação108 Figura 7 — O globo. Fonte:Wikimedia Commons. Jonh Dewey foi o primeiro autor que encontramos a discorrer sobre o currículo, mas o assunto que ele aborda não tem como foco o que compreendemos como currículo atualmente, mas sim a prática do professor dando autonomia para ele escolher seu meio e ambiente necessário para o aluno adquirir conhecimentos. Franklin Jonh Bobbitt, um teórico americano, afirmava que o currículo é um conjunto de habilidades que a criança deve desenvolver, para quando for adulto estar preparada para outras coisas. Organização e Legislação da Educação 109 Figura 8 — Criança estudando. Fonte: Pixabay. Diante da industrialização no país, os Estados Unidos começou a observar a escola como uma empresa, analisando, assim, onde se pretendia chegar e os métodos que utilizaria para atingir esse objetivo. ACESSE Para saber mais leia o artigo sobre Currículo no Contexto Escolar. Disponível em: https://bit.ly/2McROfc. Organização e Legislação da Educação110 A Revolução Francesa, oriunda na Europa, trouxe para o Brasil uma nova concepção de sociedade e educação, dando origem a um importante movimento denominado escola nova, que defendia o desenvolvimento da individualidade e da autonomia, o professor passa a ser o facilitador da aprendizagem, esse é o início da preocupação e do debate sobre o currículo. A escola nova era um movimento que defendia a educação ativista, o desenvolvimento da individualidade e da autonomia. A ênfase se dava na capacidade do aluno em aplicar os conhecimentos em situações vividas e não apenas na acumulação de conhecimento. (ARANHA, 2006, p. 263). A Escola Nova propõe um modelo no qual o aluno tenha liberdade de se expressar, fazendo a avaliação ser uma etapa desse processo e não um momento de valorização do acumulo de informações. A avaliação é compreendida nesta abordagem como um processo válido para o aluno e não para o professor e entende-se que ela constitui apenas uma das etapas da aprendizagem. Nela não se pode visar só aos aspectos intelectuais, mas sim às atitudes e à aquisição de habilidades. (LUSTOSA JÚNIOR, 2013, p. 4). Influenciados pelas ideias de John Dewey e Durkeim, os intelectuais da escola nova acreditavam ser a educação o único meio capaz de construir uma sociedade democrática, com os mesmos direitos de oportunidades para todos. O movimento da escola nova fazia críticas ao modelo tradicional pedagógico implantado pelos jesuítas, e defendia que a educação é composta por experiências que têm como objetivo melhorar o ser humano. Organização e Legislação da Educação 111 Anísio Teixeira, influenciado pelos pensamentos de Dewey, iniciou o processo de preocupação na organização do currículo escolar. Conforme observamos em Moreira (2001). Teixeira chamou assim, a atenção para a importância de se organizar o currículo escolar em harmonia com os interesses e estágios de desenvolvimento das crianças baianas. O currículo no entanto, foi ainda centrado nas disciplinas, mas de acordo com a realidade e as possibilidades do estado, carente de professores bem preparados capazes de implementar um currículo centrado nas atividades. (MOREIRA, 2001, p. 88). Os ideais defendidos pela escola nova sobre a concepção do currículo são visualizados até os dias atuais, assim, o currículo é tido como um importante instrumento para democratizar a educação. SAIBA MAIS Em 1938 foi criado o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), após a sua criação os estudos sobre currículo passaram a ter mais força; buscou-se discutir os problemas educacionais e propagar os novos ideais pedagógicos em relação a análise do interesse sociais das crianças e sobre as avaliações escolares serem um instrumento, e não o final do processo educacional. Em 1960 foi introduzido no Brasil o ensino tecnicista com ênfase na produção, este tinha como objetivo a exatidão, os currículos eram baseados nos princípios científicos e manuais que buscavam na exatidão a excelência da técnica. Organização e Legislação da Educação112 Figura 9 — Industria. Fonte: Pixabay. Insatisfeitos com a metodologia tecnicista, autores como Michel Apple e Henry Giroux, influenciados por Paulo Freire, implantaram a teoria crítica que questiona o currículo como um instrumento de dominação ideológica, que cria condições para a seleção e transmissão de conteúdos, de acordo com o interesse da burguesia. A partir da década de 1980, as ideais da teoria crítica desenvolveram uma nova forma de compreender o currículo, e em 1988, com a implantação da constituição brasileira e mais tarde com a LDB em 1996, estabeleceu-se a implantação de um currículo mínimo de modo a assegurar uma formação básica comum a todos os estudantes. A partir da introdução do currículo na lei, muitos debates sobre o assunto surgiram para buscar compreender: a complexidade do processo educativo e os desafios encontrados para que o currículo supere as influências econômicas e sociais, passando a ser um instrumento de oportunidades para todos. Organização e Legislação da Educação 113 Contudo, a educação sempre esteve relacionada ao interesse social da classe dominante, e após a introdução da ditadura militar pelo presidente Getúlio Vargas, surgiu uma nova era na educação, denominada “pós crítica”. A educação brasileira, ao longo da história, é marcada por teorias baseadas em: Teorias Não Críticas — composta pelas tendências tradicionais, escola nova e escola tecnicista, que tinham como característica sua neutralidade diante das questões sociais e políticas. Nesse cenário a função da escola é preparar o educando para desempenhar papeis sociais. a. Escola tradicional: composta por disciplinas específicas e conteúdos isolados, tem como objetivo prepara o aluno para atuar na sociedade, não promove debates ou reflexões. b. Escola Nova: propõe o desenvolvimento de projetos com base no interesse dos alunos, ênfase no processo de aprendizagem, o professor é visto como um facilitador do conhecimento, não promove a ênfase na criticidade do educando. c. Escola Tecnicista: da importância ao desenvolvimento de competências e habilidades específicas, molda o comportamento de acordo com a técnica, o educando é visto como alguém que irá receber a transmissão do conhecimento, desconsidera o seu pensar, criar e refletir. Teorias Críticas: critica a perpetuação da desigualdade social pelas práticas escolares, é composta pela pedagogia crítico- reprodutiva, defende a criação de um currículo emancipador que faz críticas a disseminação da cultura e da língua da classe dominante. Teorias Pós Críticas: ressalta que o currículo deve ser elaborado a partir dos interesses dos educandos e de acordo com os significados da realidade expressa pelos diálogos, a importância de se ouvir o aluno; é composta pela pedagogia histórico-crítica, Organização e Legislação da Educação114 que propõem que os conteúdos sejam interligados de modo a favorecer uma análise crítica dos alunos, o professor passa a ser o mediador do processo ensino aprendizagem EXPLICANDO DIFERENTE+++ A pedagogia histórico-crítica busca superar o modelo reprodutivista do currículo, se adequando dessa forma aos reais interesses da sociedade. Assim, a escola deve criar condições para que se desenvolva o aprendizado por meio de diferentes interações, conhecendo as especificidades de cada integrante da comunidade escolar e promovendo a mediação das diferentes disciplinas com o conteúdo básico pré-estabelecido.Deve ser analisado, além de quem são os personagens que compõem a comunidade escolar, o papel da escola naquela comunidade, e qual o cidadão que gostaria de formar para poder estar atuando na sociedade. Com base nesses questionamentos, serão constituídos currículos que irão desenvolver cidadãos críticos e reflexivos, por meio de aprendizados significativos que promovam transformação no educando. Conforme analisamos, a sociedade evoluiu, o entendimento sobre currículo e o papel dos alunos e professores foram sendo repensados, e as avaliações do rendimento escolar também foram sendo revistos. Sousa (2014) afirma que a avaliação deve ser compreendida por meio de uma análise geral do ambiente escolar, além de ser englobado os aspectos gerais e particulares de cada ambiente escolar. Organização e Legislação da Educação 115 Ao passo que o aluno se tornou o centro do processo de ensino aprendizado, o ato de avaliar deve ser utilizado para reavaliar e tomar decisões sobre a forma de trabalho do professor, para que este consiga atingir os resultados esperados pelos educandos. A concepção de avaliação como um processo amplo de subsídio para tomada de decisão no âmbito dos sistemas de ensino é algo recente no Brasil, e deve ser entendido como um processo que vise contemplar competências e habilidades, o próprio currículo, os hábitos de estudo dos alunos, as estratégicas de ensino dos professores, o tipo de gestão dos diretores e os recursos a eles oferecidos para melhor realizar o seu trabalho. (MACHADO; ALAVARSE, 2014, p. 429). A avaliação deve ser considerada para uma análise que contemple as competências, currículos, didática de ensino, gestão e recursos com objetivo de desenvolvimento pleno do educando. Dessa forma, a verificação do rendimento escolar deve ser apenas um instrumento para que se promova uma análise do trabalho desempenhado pela escola, promovendo a reflexão das práticas desenvolvidas pelos docentes para que desenvolvam alunos aptos a exercer a cidadania. [...] as avaliações são postas como subsídios para se repensar as políticas pedagógicas como foco nas funções diagnósticas e formativa da avaliação educacional. Tais funções destacam o fato de que testes e provas não se configuram como avaliação, mas, sim, são instrumentos e procedimentos que favorecem a avaliação. (MACHADO; ALAVARSE, 2014, p. 429). Organização e Legislação da Educação116 O ato de avaliar implica no ato de acolher o aluno, com base no conhecimento que ele já possui do assunto, e no de promover uma reflexão da pratica pedagógica, que deverá ser desenvolvida pela escola e pelos professores para desenvolver objetivos e modos para fazer o educando atingir os objetivos propostos. Dessa forma, a avaliação não deve ser vista como algo tirano, mas sim como um importante instrumento a ser utilizado em prol da melhora da qualidade da educação. ACESSE Indagações sobre o currículo — Currículo e Avaliação em: https://bit.ly/1VBWkTd. Os PCNS — Parâmetros Curriculares Nacionais Nesta aula iremos refletir sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais, analisando seus objetivos, estrutura e como eles são importantes para garantir o direito de que todas as crianças, jovens e adolescentes do Brasil, possam usufruir de um conjunto de conhecimentos necessários para o exercício da cidadania. Vamos juntos promover esse conhecimento? Organização e Legislação da Educação 117 Definição e Objetivos dos Parâmetros Curriculares Nacionais A Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 reafirma a necessidade de oferecer uma formação básica a todos, para isso determina um conjunto de diretrizes que irão nortear a educação do Brasil, para a etapa da educação denominada ensino fundamental e médio, foi elaborado os Parâmetros Curriculares Nacionais. Os Parâmetros Curriculares Nacionais, conhecidos como PCNs, são um conjunto de documentos sobre cada uma das áreas de ensino, que visam orientar a elaboração dos currículos em todo o Brasil. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional, socializando discussões, pesquisas e recomendações, subsidiando a participação de técnicos e professores brasileiros, principalmente daqueles que se encontram mais isolados, com menor contato com a produção pedagógica atual. (BRASIL, 1997, p. 10). Figura 10 — Livros. Fonte: Freepik. Organização e Legislação da Educação118 Como podemos observar, o PCN não se trata de um documento impositivo, mas sim uma orientação flexível de acordo com a realidade educacional em que a escola está inserida, assim, caberá à escola e aos professores utilizarem essas orientações, respeitando as diversidades culturais, sociais e econômicas, para garantir uma educação de qualidade a todos. Por sua natureza aberta, configuram uma proposta flexível, a ser concretizada nas decisões regionais e locais sobre currículos e sobre programas de transformação da realidade educacional empreendidos pelas autoridades governamentais, pelas escolas e pelos professores. Não configuram, portanto, um modelo curricular homogêneo e impositivo, que se sobreporia à competência político- executiva dos Estados e Municípios, à diversidade sociocultural das diferentes regiões do País ou à autonomia de professores e equipes pedagógicas. (BRASIL, 1997, p. 10). Alguns dos objetivos dos PCNs são proporcionar aos educadores: ■ reflexão sobre as expectativas de aprendizagem e métodos de avaliação; ■ analisar os objetivos propostos e as práticas pedagógicas; ■ preparar planejamento que orientem o trabalho na sala de aula; ■ discutir o que leva o aluno a participar ou não das atividades propostas em sala de aula; ■ produzir materiais que promovam uma aprendizagem significativa; ■ promover a discussão de temas relacionados a educação com pais e responsáveis. Organização e Legislação da Educação 119 ACESSE Para saber mais acesse Parâmetro Curriculares Nacionais e a Autonomia da Escola: https://bit.ly/1VBWkTd. Os PCNs proporcionam uma reflexão e discussão do cotidiano da prática pedagógica, revendo conteúdo e objetivos a serem transformados pelos educadores. Os Parâmetros Curriculares Nacionais defendem que o aluno deve participar do processo ensino aprendizagem de modo ativo, o professor deve realizar intervenções visando a promoção do aprendizado, que favoreça o desenvolvimento da formação humana do educando. O aluno deve ser considerado como sujeito do seu próprio desenvolvimento, interagindo com o professor, este deve se reconhecer o estudante como sujeito que participa da construção do conhecimento. Figura 11 — Construindo conhecimento. Fonte: Freepik. Organização e Legislação da Educação120 SAIBA MAIS O protagonismo do aluno é um processo de ensino aprendizado que visa oferecer uma educação de qualidade, formando cidadãos aptos a interferirem criticamente na sua realidade com o intuito de transformá-la, aptos a atuarem no ambiente de trabalho e que saibam se adaptar as constantes mudanças de informações que encontramos hoje na sociedade. Os PCNs orientam que o trabalho pedagógico pode ser realizado em ciclo ou série, e ressalta a importância do ciclo ser continuação do outro, dessa forma torna o ensino significativo e sequencial. A avaliação da aprendizagem abordada pelos PCNs é considerada como um instrumento que visa melhorar a qualidade da educação e que por meio da avaliação pode analisar o processo ensino aprendizagem, rever condutas e repensar proposta para que obtenha um aprendizado eficiente. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, os professores podem realizar as avaliações utilizando diversos recursos: ■ observação sistemática: acompanhamento do processo de aprendizagem dos alunos, utilizando alguns instrumentos, como registro em tabelas, listas de controle, diário de classe e outros; ■ análise das produções dos alunos: considerar a variedade de produções realizadas pelos alunos, para que se possa ter um quadroreal das aprendizagens conquistadas. Por exemplo: se a avaliação se dá sobre a competência dos alunos na produção de textos, deve-se considerar a totalidade dessa produção, Organização e Legislação da Educação 121 que envolve desde os primeiros registros escritos, no caderno de lição, até os registros das atividades de outras áreas e das atividades realizadas especificamente para esse aprendizado, além do texto produzido pelo aluno para os fins específicos desta avaliação; ■ atividades específicas para a avaliação: nestas, os alunos devem ter objetividade ao expor sobre um tema, ao responder um questionário. Para isso é importante, em primeiro lugar, garantir que sejam semelhantes às situações de aprendizagem comumente estruturadas em sala de aula, isto é, que não se diferenciem, em sua estrutura, das atividades que já foram realizadas; em segundo lugar, deixar claro para os alunos o que se pretende avaliar, pois, inevitavelmente, os alunos estarão mais atentos a esses aspectos. (BRASIL, 1997, p. 57) Como observamos na orientação acima, o documento aborda vários aspectos da avaliação, sendo o teste apenas um desses aspectos, dessa forma, a avaliação não visa punir o aluno, mas sim fornecer ao professor informações de como se processou o aprendizado para aquele grupo. Por meio dessas informações, o professor poderá repensar estratégias e condutas pedagógicas que visam o aprendizado efetivo. Organização e Legislação da Educação122 Figura 12 — Professor reflexivo. Fonte:Freepik. Os Parâmetros curriculares abordam tópicos sobre a didática que devem ser estimulados na sala de aula, são eles: Autonomia O aluno deve ser considerado construtor do seu próprio conhecimento; valorização das suas experiências, seus conhecimentos e interações entre os pares, sejam alunos ou professores. Diversidade O professor deve considerar a narrativa de vida e vivência de cada aluno bem como suas especificidades intelectuais ou Organização e Legislação da Educação 123 motoras, de modo a proporcionar o aprendizado e a socialização de todos. Interação e Cooperação O professor deve promover e estimular práticas que incentivem o trabalho em grupo de maneira produtiva e cooperativa, para que os estudantes possam aprender a ouvir e a dialogar. Disponibilidade para a aprendizagem O educador deve proporcionar ambientes que gerem o interesse do aprendizado nos alunos, colocando problemas, estimulando soluções, despertando no aluno a vontade de buscar conhecimento. Organização do Tempo As atividades na sala de aula devem ser previamente preparadas analisando estrutura, materiais necessários e tempo estimado para que o controle e a organização favoreça a educação. Organização do Espaço O espaço deve ser planejado de modo que seja possíver abrir espaços entre as carteiras, expor trabalhos nas paredes e criar condições para que os alunos assumam a decoração, ordem e limpeza do ambiente. Seleção de Materiais Os PCNs tratam a importância do livro didático, no entanto, ressaltam que esse não deve ser o único material de acesso do aluno, o professor deve considerar outras fontes de informações que contribuam com o aprendizado do estudante. Os Parâmetros Curriculares Nacionais do ensino fundamental são organizados em ciclos que englobam do 1º ao 9º ano e possuem como objetivos: compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercício de direitos e deveres políticos civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes Organização e Legislação da Educação124 de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito; ■ posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas; ■ conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao País; ■ conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais; ■ perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente; ■ desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania; ■ conhecer e cuidar do próprio corpo, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva; ■ utilizar as diferentes linguagens — verbal, matemática, gráfica, plástica e corporal — como meio para produzir, expressar e comunicar suas ideias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação; Organização e Legislação da Educação 125 ■ saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos ■ tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos; ■ questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade. (Brasil, 1997, p. 69). Os PCNS são constituídos por 10 volumes para cada nível do fundamental, os níveis são divididos da seguinte forma: Fundamental 1 a. Compreende do 1º ao 5º ano. b. Disciplinas: Língua Portuguesa, Matemática, Ciências da Natureza, Geografia, História, Arte, Educação Física, Temas Transversais, Ética, Meio ambiente, Saúde, Pluralismo Cultural e Orientação Sexual. Fundamental 2 a. Compreende do 6º ao 9º ano. b. Disciplinas: Língua Portuguesa, Matemática, Ciências da Natureza, Geografia, História, Arte, Educação Física, Língua Estrangeira, Pluralidade Cultural, Meio ambiente, Saúde e Orientação Sexual. Os Parâmetros Curriculares Nacionais também abordam o ensino médio, tendo como objetivo auxiliar os educadores na pratica da sala de aula e possibilitar a reflexão sobre o desenvolvimento de um currículo que permita promover a continuidade de aprendizado do ensino fundamental. As disciplinas que englobam o Ensino Médio, segundo os PCNs são: ■ Linguagens; ■ Códigos e suas Tecnologias (Biologia, Física, Química e Matemática); Organização e Legislação da Educação126 ■ Ciências Humanas e suas Tecnologias (História, Geografia, Sociologia, Antropologia, Filosofia e Política). Os PCNs não são regras que devem ser seguidas pelos profissionais da educação, mas são referências que visam transformar objetivos, didáticas e conteúdos, promovendo um aprendizado efetivo a todos, independentes das suas condições sociais, culturais e econômicas. Dessa forma, os parâmetros curriculares são documentos que visam orientar o trabalho do professor, para que se garantam o que está determinado na constituição federal, o acesso de todos a uma educação de qualidade. ACESSE Leia os Parametros Curriculares Nacionais. Disponível no link: https://bit. ly/1WzpeV0. A Formação dos Profissionais de Educação: Agências Formadoras e Tipos de Profissionais O grande desafio da educação brasileira é a melhoria da qualidade da educação, durante nossos estudos pudemos observar o importante papel que a escola exerce para que o aluno seja um ser reflexivo, questionador e crítico, para atuar na sociedade em que está inserido. Mas uma pergunta nos vem à mente, será que os professores estão preparados para serem esses agentes de mudanças em seus alunos? Organizaçãoe Legislação da Educação 127 Neste capítulo iremos estudar sobre a formação dos professores, a importância e a função das agências formadoras e os tipos de profissionais existentes. Preparados? Vamos começar! Formação de Profissionais de Educação e a qualidade da educação Atualmente encontramos debates em torno de políticas públicas que buscam a melhoria na qualidade da educação, ao analisar as práticas pedagógicas que viabilizam a melhora da educação, o trabalho do professor passa a ser crucial, uma vez que o desempenho do professor se coloca como um dos fatores principais que influenciam a qualidade da educação. Figura 13 — Professor e alunos em sala. Fonte: Freepik. Muitos estudos foram desenvolvidos sobre a necessidade de mudanças significativas no processo ensino aprendizagem, mas pouco ainda se fala sobre a formação profissional do Organização e Legislação da Educação128 professor, para desenvolver essa nova proposta de ensino. Conforme Noronha (2001): As atuais reformas são ousadas textualmente e com certeza, são bastante fundamentadas, no que diz respeito à organização do conhecimento nas escolas, entretanto, em nenhum momento elas apontam para a instituição de uma política séria e efetiva de formação de professores (NORONHA, 2001, p. 44). A formação do professor é discutida desde a lei de diretrizes e bases 9394/96, que no seu artigo 6º já considera a importância da educação continuada, para atender as especificidades do exercício do trabalho docente. Com isso observamos que a formação dos professores está relacionada com a qualidade da educação, uma vez que o docente define os rumos do processo ensino aprendizagem, o qual será utilizado em sala de aula e impactará o aluno no seu desenvolvimento. O trabalho do docente está relacionado com um conjunto de ideias e concepções que os orientam, a formação inicial é uma delas, dessa forma, discutir a formação universitária dos professores é importante. Organização e Legislação da Educação 129 Figura 14 — Formação universitária dos professores. Fonte: Freepik. A formação inicial do professor deve buscar estimular a busca pelo conhecimento, por meio da pesquisa e da autorreflexão em relação ao seu trabalho, pois, o trabalho docente não se trata de seguir uma cartilha, mas de refletir a melhor didática para aquele grupo. Conforme Nóvoa (1992): A formação pode estimular o desenvolvimento profissional dos professores no quadro de uma autonomia contextualizada da profissão docente. Importa valorizar paradigmas de formação que promovam a preparação de professores reflexivos, que assumam a responsabilidade do seu próprio desenvolvimento profissional e que participem como protagonistas na implantação das políticas educativas (NÓVOA, 1992, p. 27). Organização e Legislação da Educação130 EXPLICANDO DIFERENTE+++ Com o intuito de melhorar a capacitação da formação inicial dos professores, o Ministério da Educação, por meio do Conselho Nacional da Educação CNE/CP9/2001, institui diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores da educação básica. No artigo 2º do CNE encontramos orientações importantes, sobre aspectos que o professor deve estar preparado para o futuro: I. o ensino visando à aprendizagem do aluno; II. o acolhimento e o trato da diversidade; III. o exercício de atividades de enriquecimento cultural; IV. o aprimoramento em práticas investigativas; V. a elaboração e a execução de projetos de desenvolvimento dos conteúdos curriculares; VI. o uso de tecnologias da informação e da comunicação e de metodologias, estratégias e materiais de apoio inovadores; VII. o desenvolvimento de hábitos de colaboração e de trabalho em equipe. (BRASIL, 2001). O artigo 6º do documento aborda que a aprendizagem do professor deve ser voltada para o exercício da reflexão e resolução de situações problemas, para que, dessa forma, o docente consiga, durante a sua prática, desenvolver reflexões sobre o trabalho pedagógica. Parágrafo único - A aprendizagem deverá ser orientada pelo princípio metodológico geral, que pode ser traduzido Organização e Legislação da Educação 131 pela ação- reflexão-ação e que aponta a resolução de situações problema como uma das estratégias didáticas privilegiadas. (BRASIL, 2001). Em 2015, o CNE desenvolveu um novo documento, e no artigo 8º trata sobre as aptidões dos professores: CITAÇÃO I. Atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedad e justa, equânime, igualitária; II. Compreender o seu papel na formação dos estudantes da educação básica a partir de concepção ampla e contextualizada de ensino e processos de aprendizagem e desenvolvimento destes, incluindo aqueles que não tiveram oportunidade de escolarização na idade própria; III. Trabalhar na promoção da aprendizagem e do desenvolvimento de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano nas etapas e modalidades de educação básica; IV. Dominar os conteúdos específicos e pedagógicos e as abordagens teórico-metodológicas do seu ensino, de forma interdisciplinar e adequada às diferentes fases do desenvolvimento humano; V. Relacionar a linguagem dos meios de comunicação à educação, nos processos didático-pedagógicos, demonstrando domínio das tecnologias de informação e comunicação para o desenvolvimento da aprendizagem; VI. Promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa, a família e a comunidade; Organização e Legislação da Educação132 VII. Identificar questões e problemas socioculturais e educacionais, com postura investigativa, integrativa e propositiva em face de realidades complexas, a fim de contribuir para a superação de exclusões sociais, étnico-raciais, econômicas, culturais, religiosas, políticas, de gênero, sexuais e outras; VIII. demonstrar consciência da diversidade, respeitando as diferenças de natureza ambiental-ecológica, étnico-racial, de gêneros, de faixas geracionais, de classes sociais, religiosas, de necessidades especiais, de diversidade sexual, entre outras; IX. Atuar na gestão e organização das instituições de educação básica, planejando, executando, acompanhando e avaliando políticas, projetos e programas educacionais; X. Participar da gestão das instituições de educação básica, contribuindo para a elaboração, implementação, coordenação, acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico; XI. Realizar pesquisas que proporcionem conhecimento sobre os estudantes e sua realidade sociocultural, sobre processos de ensinar e de aprender, em diferentes meios ambiental- ecológicos, sobre propostas curriculares e sobre organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas, entre outros; XII. Utilizar instrumentos de pesquisa adequados para a construção de conhecimentos pedagógicos e científicos, objetivando a reflexão sobre a própria prática e a discussão e disseminação desses conhecimentos; XIII. estudar e compreender criticamente as Diretrizes Curriculares Nacionais, além de outras determinações legais, como componentes de formação fundamentais para o exercício do magistério. (BRASIL, 2015) Organização e Legislação da Educação 133 ACESSE Leia o Conselho Nacional de Educação em: https://bit. ly/2HHTkR7. SAIBA MAIS A profissão do docente por muito tempo foi conhecida como uma profissão guiada pela noção de “dons”, o famoso “dom de ensinar”, como se o ato de ensinar fosse apenas uma habilidade nata do ser humano, não necessitando aprimoramentos e estudos. Por meio da análise dos documentos fornecidos pelo Ministério da Educação, podemos comprovar que o ser docente se trata de uma profissão que necessita de aprimoramentos, estudos e reflexões, dessa forma, se passa a desmistificar o pensamento de que a profissão se tratar apenas de um “dom”. ACESSE Leia o artigo Vocação ou Profissão: Representações do Ser ou fazer docente: https://bit.ly/1WzpeV0. A profissão docente necessita de conhecimento, pesquisa, reflexão e aprimoramentos, pois oprofessor é o mediador do conhecimento e por meio dele será possível transformar a educação e oferecer um serviço de qualidade e com significado para o aluno. Organização e Legislação da Educação134 Agências Formadoras e a Educação Continuada O Plano Nacional de Educação (PNE) apresenta algumas metas e estratégias para promoção de uma educação de qualidade, dentre essas metas, algumas abordam sobre a qualificação e a valorização profissional do docente, por entenderem que é de suma importância esses assuntos e que refletem em uma educação de qualidade. ACESSE Leia Educação de Qualidade demanda bons professores e gestores. Disponível no link: https://bit.ly/2CsPBYr. Segue abaixo essas metas e as estratégias para atingir os objetivos: 1. Meta 15 — garantia que todos os professores possuam formação específica de nível superior, possuindo curso de licenciatura na área que atuam. A exigência da formação básica dos professores proporcionará uma melhor qualidade da sua formação e consequentemente do seu trabalho. 2. Meta 16 — formar 50% dos profissionais em cursos de pós-graduação e garantir a todos formação continuada. Com essa meta os profissionais da educação deverão se aperfeiçoar por meio de cursos, dessa forma será estimulada a reflexão de suas práticas. 3. Meta 17 — valorizar os profissionais de magistério das redes públicas de educação básica de forma a equiparar seu Organização e Legislação da Educação 135 rendimento médio ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência. A valorização profissional por meio de uma remuneração justa e atraente, dessa forma os profissionais da educação terão mais tempo para se dedicar ao seu trabalho. 4. Meta 18 — assegurar a existência de planos de Carreiras para os profissionais da educação básica e superior pública. O plano de carreira irá estimular o professor a buscar a especialização executando sua prática com maior excelência. O Ministério da Educação, em parceria com estados e municípios, fundou as agências formadoras, que promovem cursos de educação continuada, com o objetivo de aprimorar a qualificação dos professores e promover uma educação de qualidade. São algumas das formações continuadas para professores: a. Formação no Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: o curso promove um debate sobre os direitos de aprendizagens, planejamento e avaliação. b. ProInfantil: destinado para educadores da educação Infantil. ACESSE Leia ProInfantil em: https://bit.ly/2oy0jIS. Organização e Legislação da Educação136 c. Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica – Parfor: oferta a educação superior para que os profissionais possam obter a formação mínima para exercício da função. d. Proinfo integrado: curso voltado para o uso da Tecnologia para exercício do trabalho docente. e. Pró-Letramento: destinado aos professores para melhorar a qualidade da leitura/escrita e matemática para os anos iniciais. f. Gestar II: formação continuada em Língua Portuguesa e Matemática aos professores dos anos finais do ensino fundamental g. Rede Nacional de Formação Continuada: tem como objetivo melhorar a formação dos professores e alunos. A LDB 9394/96 sofreu alteração por meio da lei 13.415 de 2017, essa lei trata a formação mínima exigida para ser profissional da educação. Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura plena, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nos cinco primeiros anos do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal. (BRASIL, 2017) Segundo o artigo 62, para atuar na educação infantil e nos primeiros anos do ensino fundamental, o professor deverá ter uma formação superior. Dessa forma, muitos profissionais, que antes atuavam na área apenas com o diploma do magistério, terão que se aperfeiçoar para continuar exercendo a profissão. Esse capítulo permitiu refletir que a educação brasileira deve preparar os professores, para que estes consigam atingir Organização e Legislação da Educação 137 melhores resultados e proporcionem uma educação de qualidade para todos os alunos. ACESSE Leia trabalho docente e o novo plano nacional de educação: valorização, formação e condições de trabalho. Disponível em: https://bit. ly/2Mhrcti. Os Recursos Financeiros para a Escola: As Responsabilidades do Estado, União e Municípios Olá, neste capítulo iremos conhecer sobre as responsabilidades que a União, Estado e Município possuem sobre a educação. Preparados! Vamos iniciar nossos estudos! Recursos Financeiros e a Educação A constituição federal de 1988 declara ser a educação um direito social de todos, visto a extensão geográfica do Brasil nos questionamos, mas de quem e a responsabilidade por ofertar esse tipo de serviço? Organização e Legislação da Educação138 Figura 15 — Mapa do Brasil. Fonte: Freepik. Segundo o documento as responsabilidades seriam divididas em: 1. Município: responsável pela educação infantil e os primeiros anos do ensino fundamental; 2. Estado e Distrito Federal: responsável pelo ensino fundamental anos finais e ensino médio. Embora cada ente federado seja responsável por uma etapa da educação, o artigo 211º da constituição federal trata que os estados, municípios e Distrito Federal devem trabalhar em regime de colaboração para a oferta da educação. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais Organização e Legislação da Educação 139 e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de forma a assegurar a universalização, a qualidade e a equidade do ensino obrigatório. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020). § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) (BRASIL, 1988). ACESSE Leia o artigo 211º da constituição em: https://bit.ly/2MK3NzO. O Plano Nacional de Educação também aborda que o alcance das metas será realizado por meio de colaboração entre os entes da federação. Organização e Legislação da Educação140 Art. 7º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios atuarão em regime de colaboração, visando ao alcance das metas e à implementação das estratégias objeto deste Plano. § 1º Caberá aos gestores federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal a adoção das medidas governamentais necessárias ao alcance das metas previstas neste PNE. § 2º As estratégias definidas no Anexo desta Lei não elidem a adoção de medidas adicionais em âmbito local ou de instrumentos jurídicos que formalizem a cooperação entre os entes federados, podendo ser complementadas por mecanismos nacionais e locais de coordenação e colaboração recíproca. § 3º Os sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios criarão mecanismos para o acompanhamento local da consecução das metas deste PNE e dos planos previstos no art. 8o. § 4º Haverá regime de colaboração específico para aimplementação de modalidades de educação escolar que necessitem considerar territórios étnico-educacionais e a utilização de estratégias que levem em conta as identidades e especificidades socioculturais e linguísticas de cada comunidade envolvida, assegurada a consulta prévia e informada a essa comunidade. § 5º Será criada uma instância permanente de negociação e cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. § 6º O fortalecimento do regime de colaboração entre os Estados e respectivos Municípios incluirá a instituição de instâncias permanentes de negociação, cooperação e pactuação em cada Estado. Organização e Legislação da Educação 141 § 7° O fortalecimento do regime de colaboração entre os Municípios dar-se-á, inclusive, mediante a adoção de arranjos de desenvolvimento da educação. (BRASIL, 2014). ACESSE Leia sobre plano nacional de educação cooperação federativa. Disponível em: https://bit.ly/2BdVU08. A Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 trata no seu texto a origem dos recursos públicos para a educação. Segundo o artigo 68º. Art. 68. Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: I. receita de impostos próprios da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II. receita de transferências constitucionais e outras transferências; III. receita do salário-educação e de outras contribuições sociais; IV. receita de incentivos fiscais; V. outros recursos previstos em lei. (BRASIL, 1996). A lei aborda também que uma porcentagem referente aos recolhimentos dos impostos deverão ser investidos na educação. Conforme o artigo 69º: Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, ou o que consta Organização e Legislação da Educação142 nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, da receita resultante de impostos, compreendidas as transferências constitucionais, na manutenção e desenvolvimento do ensino público. (BRASIL, 1996). O Brasil possui o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e da Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb), esse fundo foi instituído em 2007, no qual cada estado tem o seu fundo, todo mês ele é abastecido e o valor é dividido entre a rede municipal e estadual dependendo do número de matrículas, etapa ou modalidade de ensino. Figura 16 — Administração. Fonte: Freepik Organização e Legislação da Educação 143 Conforme estudamos, pudemos verificar que, para o alcance das metas do plano nacional de educação e para garantir o que trata a constituição, os Estados, Municipios e Estados devem trabalhar de modo cooperativo para que as diferenças econômicas não venham a segregar o ensino e seja possível dar oportunidade de acessos a uma educação de qualidade para todos. ACESSE Leia Gestão Financeira da Educação em: https://bit.ly/35EhhGf. Organização e Legislação da Educação144 UNIDADE 04 EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA Organização e Legislação da Educação146 INTRODUÇÃO Os direitos humanos são um conjunto de direitos civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais garantidos para todos os seres humanos, esses direitos visam garantir e defender a dignidade humana para todos. A educação em direitos humanos visa formar cidadãos críticos que saibam desenvolver atitudes de cidadania, que respeitem ao próximo e que contribuam positivamente para a sociedade. O reconhecimento e valorização das diferentes grupos que compõem nossa sociedade se faz importante para que possamos compreender e desenvolver um país mais tolerante e que promova a cidadania e garanta direito a todos. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Organização e Legislação da Educação 147 OBJETIVOS Olá, querido(a) aluno(a). Seja muito bem-vindo(a) a nossa Unidade 4 — Educação em direitos humanos e cidadania. Nesta unidade, o nosso objetivo é auxiliá-lo(a) no desenvolvimento de algumas competências profissionais. Compreender a Educação em direitos humanos — Resolução 001/2012. Identificar o que é e o que não é educação em direitos humanos. Observar porque educar para direitos humanos e cidadania. Analisar novos marcos para a relação étnico racial no Brasil: uma responsabilidade coletiva. 1 2 3 4 Então? Está preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Organização e Legislação da Educação148 Compreendendo a educação em direitos humanos — Resolução 001/2012 A educação em direitos humanos visa garantir, por meio de princípios como a dignidade e a igualdade, o acesso a uma educação de qualidade para todos conforme garantido na Constituição de 1988. Dúvidas? Não se preocupe. Recorra ao fórum de dúvidas e discussões para socializar o seu conhecimento e esclarecer todas as suas dúvidas. Nós estaremos a sua disposição em caso de dificuldades! Educação em Direitos Humanos – Resolução 001/2012 Em 30 de Maio de 2012 foi promulgada a resolução nº 1, que trata de diretrizes nacionais para a Educação em Direitos Humanos, essas diretrizes se fazem importante por ressaltar o que a Constituição Federal de 1988 e a LDB 9394/96 abordam sobre uma educação igualitária, na qual todos devem ter acessos as mesmas condições respeitando as diferenças do indivíduo. Figura 1 — Respeitando as diferenças. Fonte: Freepik. Organização e Legislação da Educação 149 A educação em direitos humanos surge em um contexto de muitas lutas, composta por movimentos sociais de resistência que visam garantir os direitos humanos. A Declaração dos Direitos Humanos de 1948 é um conjunto de direitos civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais que tratam sobre a igualdade e a defesa da humanidade. Assim, os direitos humanos surgiram em um contexto de muitas lutas como um movimento social de resistência. A Educação em Direitos Humanos (EDH) remete a Declaração de Direitos Humanos em relação a educação, considerando processos de proteção, promoção e defesa da vida cotidiana, assim como, cidadãos de direitos que atuam na sociedade. Dessa forma, promove uma formação integral do indivíduo, na qual este adquire conhecimentos históricos sobre direitos humanos, adoção de práticas que promovam a defesa e a manutenção de direitos, e a formação de uma consciência cidadã apta a contribuir com a sociedade em que faz parte. A EDH visa não apenas a transmissão de conhecimentos, mas uma educação permanente, continua, global e voltada para a mudança cultural. A Educação em Direitos Humanos parte de três pontos: primeiro, é uma educação permanente, continuada e global. Segundo, está voltada para a mudança cultural. Terceiro, é educação em valores, para atingir corações e mentes e não apenas instrução, ou seja, não se trata de mera transmissão de conhecimentos. (BENEVIDES, 2007, p. 1). A mudança cultural visa diminuir os traços deixados pela nossa herança de escravidão, por sistemas autoritários de ensino, por privilégios para classe dominante e políticas que visam aceitar a corrupção. Organização e Legislação da Educação150 ACESSE Leia a Educação em direitos humanos: de que se trata? Acesse: http://bit.ly/34qxQ6q. Por muitos anos a cor da pele e a etnia eram, e continuam sendo, fatores relevantes para diferenciar quem teria valor e oportunidades e quem não, essa diferenciação se deu devido ao processo de escravização, que permaneceu em nossa sociedade por muitos anos, esse sistema articulava a predominância eurocêntrica e a ideia de superioridade desta. Figura 2 — Igualdade de oportunidade. Fonte: Freepik. Diante disso, a escola tem o papel fundamental na sociedade de promover a reflexão dos educandos de modo que se devolvam cidadãos aptos a exercer a cidadania promovendo uma sociedade mais justa. Aceitar as diferenças sejam elas físicas, intelectuais, sociais ou geográficas também deve ser um exercício realizado na escola. Organização eLegislação da Educação 151 Os alunos devem entender por meio de atividades que o fato de sermos diferentes não significa que somos superiores uns aos outros, mas sim que nossas diferenças nos fazem formarmos uma sociedade. Figura 3 — Educação para a igualdade. Fonte: Freepik. As sociedades evoluem e necessitam de outro tipo de escola, sendo assim, a escola autoritária, que preza por formar receptores de conhecimento, deu lugar a uma escola que é mais reflexiva e está aberta para formar alunos protagonistas do seu próprio conhecimento. A Resolução 001/2012 no artigo 3º trata como princípios da educação em direitos humanos: I. dignidade humana; II. igualdade de direitos; III. reconhecimento e valorização das diferenças e das diversidades; IV. laicidade do Estado; V. democracia na educação; Organização e Legislação da Educação152 VI. transversalidade, vivência e globalidade; e VII. sustentabilidade socioambiental. (BRASIL, 2012, p. 1). A escola deve planejar práticas pedagógicas que tenham como pilares os princípios de educação em direitos humanos, dessa forma, ela estará contribuindo com a formação para a vida do educando, seja para seu relacionamento na vida social ou para o conhecimento de direitos. Para inserir a Educação em Direitos Humanos nas práticas pedagógicas, a escola deve considerar seus princípios na elaboração de Projeto Político Pedagógico (PPP), Organização de Currículos, Regimentos Escolares, Programas pedagógicos de cursos, construção de materiais didáticos e nos processos de avaliações. Ao organizar o currículo, a escola poderá criar uma disciplina específica para a Educação em Direitos Humanos ou trabalhar esse conteúdo por meio das transversalidades, conforme consta no artigo 7º da resolução 001/2012. Art. 7º A inserção dos conhecimentos concernentes à Educação em Direitos Humanos na organização dos currículos da Educação Básica e da Educação Superior poderá ocorrer das seguintes formas: I. pela transversalidade, por meio de temas relacionados aos Direitos Humanos e tratados interdisciplinarmente; II. como um conteúdo específico de uma das disciplinas já existentes no currículo escolar; III. de maneira mista, ou seja, combinando transversalidade e disciplinaridade. (BRASIL, 2012, p. 2). Organização e Legislação da Educação 153 A formação profissional dos docentes está relacionada diretamente a qualidade da educação, dessa forma, desde a formação inicial quanto a continuada, que é realizada durante a prática profissional do professor, devem abordar conteúdos relacionados aos direitos humanos. Sendo assim, o professor estará mais preparado para compartilhar, com os educandos, informações e práticas que promovam a reflexão e o conhecimento sobre os direitos humanos. Figura 4 — Professor na sala de aula. Fonte: Freepik. A escola deve proporcionar debates sobre os assuntos relacionados a violação dos direitos humanos no país e no mundo, para que o aluno compreenda a importância dos direitos humanos. Proporcionando, para o cidadão, entendimento sobre a função e a contribuição que a Educação em Direitos Humanos possui na sociedade da qual ele faz parte, para que não seja apenas uma teoria que consta no interior da escola, mas sim que tenha significado fora dos muros escolares e proporcione mudança de vida na sociedade. Organização e Legislação da Educação154 ACESSE Leia a Resolução Nº 1 de Maio 2012 para que possa compreender todo seu conteúdo. http://bit.ly/2RTLcWh. Identificando o que é e o que não é educação em direitos humanos Neste capítulo iremos compreender o que se trata educar em direitos humanos, que, por ser uma discussão nova, é muito questionado se realmente no ambiente escolar há o desenvolvimento de práticas que promovam uma educação em direitos humanos ou se há apenas o implemento de uma exigência. Dúvidas ? Não se preocupe. Recorra ao fórum de dúvidas e discussões para socializar o seu conhecimento e esclarecer todas as suas dúvidas. Nós estaremos a sua disposição em caso de dificuldades! Vamos lá! O que é e o que não é Educação em Direitos Humanos Direitos humanos são aqueles considerados fundamentais a todos, independente da classe social, sexo, etnia, profissão, condições físicas, opiniões ou ideologias sociais e políticas. Todos os seres humanos são detentores de direito, muito se fala do direito à vida, esse sem dúvidas é um dos mais importantes, mas devemos abranger esse conceito, pois, quando falamos de direitos humanos nos referimos também ao direito à vida com dignidade. Organização e Legislação da Educação 155 De acordo com o dicionário Aurélio (2002), dignidade significa: 1. Modo de proceder que transmite respeito; autoridade, honra, nobreza. 2. Qualidade do que é nobre; elevação ou grandeza moral. 3. Autoridade moral; honestidade, honra, autoridade, gravidade. 4. ECLES, DESUS Série de benefícios vinculados a cargo importante no clero. 5. Título ou cargo de graduação elevada; honraria. 6. Respeito a seus valores ou sentimentos; amor- próprio (AURÉLIO, 2002). Dessa forma, o comportamento indigno remete ao fato de não se ter respeito e honestidade para com valores sociais, com isso, atos que presenciamos no nosso dia a dia como: não criar condições para que as crianças saiam das ruas; abandono de socorro nos hospitais; menosprezar os direitos daqueles em situação de ruas; moradias em situação irregular e de risco são exemplos de ações que não possuem dignidade. Portanto, uma vida em sociedade deve ter ações voltadas para atender o direito que todo ser humano tem a uma vida digna. Nesse contexto, a educação tem um papel fundamental para despertar essa consciência e promover a luta por esse direito. A Constituição Federal de 1988 já declara que a educação é um direito de todos, ademais, por meio dos Parâmetros Curriculares Nacionais é ressaltado que a educação deve estar voltada para a cidadania, ou seja, a educação deve promover atitudes que contribuam com a vida social. Organização e Legislação da Educação156 Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais: O conjunto das proposições aqui expressas responde à necessidade de referenciais a partir dos quais o sistema educacional do País se organize, a fim de garantir que, respeitadas as diversidades culturais, regionais, étnicas, religiosas e políticas que atravessam uma sociedade múltipla, estratificada e complexa, a educação possa atuar, decisivamente, no processo de construção da cidadania, tendo como meta o ideal de uma crescente igualdade de direitos entre os cidadãos, baseado nos princípios democráticos. Essa igualdade implica necessariamente o acesso à totalidade dos bens públicos, entre os quais o conjunto dos conhecimentos socialmente relevantes. (BRASIL, 1997, p. 10). A educação para a cidadania tem como um dos objetivos a formação de pessoas responsáveis, autónomas e solidárias que saibam exercer seus direitos e deveres com respeito para com os outros. A fim de contribuir para uma educação voltada à cidadania, surge a Educação em Direitos Humanos, que deve estar inserida no ambiente escolar por meio de atividades, sendo estas ligadas as vivencias dos professores, diretores e educandos, os permitindo refletir sobre a dignidade e os direitos para todos, proporcionando atitudes de empatia e sentimentos de cooperação e solidariedade. [...] a educação em direitos humanos trabalha permanentemente o ver, a sensibilização e a conscientização da realidade. Procura ir progressivamente ampliando o olhar sobre a vida cotidiana e ir ajudando a descobrir os determinantes estruturais da realidade. (CANDAU et al., 2003, p. 115). Organização e Legislação da Educação 157 Empatia significa a capacidade que um indivíduo tem de se colocar no lugar do outro Figura 5 — Empatia. Fonte: Freepik. A educação em direitos humanos, conforme Sime (1991), deve estar pautada em três pedagogias, a pedagogia da indignação, a pedagogia da admiração e a pedagogia das convicções:PEDAGOGIA DA INDIGNAÇÃO: se mostra escandalizada com toda forma de violência contra os direitos. PEDAGOGIA DA ADMIRAÇÃO: compartilha a alegria de verificar mudanças individuas e coletivas PEDAGOGIA DAS CONVICÇÕES: estimula a crença na vida, na justiça e na liberdade. Dessa forma, podemos entender que a Educação em Direitos Humanos deve estar focada na formação de um indivíduo de direito que possa exercer a cidadania de modo ativo e participante, promovendo: indignação para com as atitudes de violação dos direitos das pessoas; admiração para com atos de valorização e de cooperação com o outro; convicções que estimulem a crença na Justiça; entre outros. Organização e Legislação da Educação158 A escola é um dos principais cenários responsável por promover atitudes que contribuam com a promoção dos direitos humanos, pois, além de ser um espaço de construção de conhecimento, é um local para o desenvolvimento de relacionamentos. Figura 6 — Escola. Fonte: Pixabay. Conforme os estudos de Gadotti: “[...] a escola não é só um lugar para estudar, mas para se encontrar, conversar, confrontar- se com o outro, discutir, fazer política. ” (GADOTTI, 2007, p. 12). A escola não deve estar preocupada apenas em transmitir conhecimentos a respeito dos direitos humanos, mas sim em promover, dentro do seu ambiente, discussões e reflexões de atitudes que ocorrem no seu interior. A Educação em Direitos Humanos deve estar pautada na democracia, sendo assim, a escola deve favorecer a participação de todos que compõem a comunidade escolar, dessa forma, os educandos já estarão praticando atitudes de direitos humanos. Organização e Legislação da Educação 159 Segundo Paulo Freire (2000 , p. 119): “um ser da intervenção no mundo [...] e por isso mesmo deve deixar suas marcas de sujeito e não pegadas de puro objeto”. Assim, o educando, ao praticar atitudes que exercem e consideram os direitos humanos no ambiente escolar, terá a possibilidade de refletir e não apenas reproduzir algo já construindo, se desenvolvendo como um agente de mudanças sociais. O professor deve desenvolver propostas pedagógicas que criem articulações da prática com a educação em direitos humanos, não devendo realizar apenas campanhas esporádicas sobre o tema, mas sim promover uma reflexão continua inserida no dia a dia da escola. A escola não deve buscar formar valores nos alunos, mas sim realizar a sua construção considerando a participação do educando, por meio dos relacionamentos e de reflexões sobre atitudes dentro do ambiente escolar ou de acontecimentos na sociedade. Ela deve promover a construção de uma cultura em direitos humanos, utilizando a metodologia de construção coletiva, não apenas uma transmissão de valores culturais. Diante do exposto, a formação dos professores se torna crucial para que se promovam propostas pedagógicas que visem relacionar teoria com a prática em direitos humanos, respeitar e considerar as diferenças e selecionar conteúdos. Sendo assim, preparar os profissionais da educação para atuar com a educação em direitos humanos fará com que a escola atinja seu principal objetivo em relação a formação humana, ademais, isso fará com que o aluno possa atuar e contribuir positivamente com a sociedade de que faz parte. Organização e Legislação da Educação160 Observando porque educar para os direitos humanos e a cidadania Neste capítulo iremos estudar a importância de se educar para os direitos humanos e a sua contribuição para a promoção da cidadania. Vamos juntos desbravar esse conhecimento? Dúvidas? Não se preocupe. Recorra ao fórum de dúvidas e discussões para socializar o seu conhecimento e esclarecer todas as suas dúvidas. Nós estaremos a sua disposição em caso de dificuldades! Por que educar para os direitos humanos e a cidadania? Após a Revolução Francesa, ocorreram mudanças sociais significativas no mundo, com elas o homem passou a questionar a sua liberdade individual, surgindo, assim, a ideia de liberdade de pensamentos, de expressão e igualdade. Figura 7 — Quebrando as correntes. Fonte: Pixabay. Organização e Legislação da Educação 161 Em 1948, a ONU (Organização das Nações Unidas) proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é composta por vários direitos que deverão ser seguidos por todas as nações do mundo. Um dos principais objetivos da ONU é ser um órgão que visa controlar as guerras, instaurar a paz no mundo, fortalecer os direitos humanos, para isso foi criado um documento denominado “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, composto por vários artigos. Figura 8 — Bandeira da ONU. Fonte: Pixabay. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, no seu Artigo 1º, menciona que todo ser humano nasce livre e em iguais condições de direitos: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”(ONU, 1948) No seu artigo 2º, aborda que independente de cor, raça, religião e condições sociais, todos devem ter seus direitos respeitados. Organização e Legislação da Educação162 Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania. (ONU, 1948) A tomada de consciência de direitos e deveres é chamada de cidadania, que tem o objetivo de garantir o direito determinado na constituição de cada país, no caso do Brasil, na Constituição Federal de 1988, no artigo 5º trata. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I. homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; II. ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; III. ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; IV. é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; V. é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; Organização e Legislação da Educação 163 VI. é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VII. é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; VIII. ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; IX. é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; (BRASIL, 1988). A constituição é clara em relação aos direitos de respeito, liberdade e tolerância, mas colocar esses direitos em prática na vida em sociedade não é tão simples, pois, muitas vezes, devido aos traços históricos da colonização, os cidadãos não reconhecem seus direitos e também não sabem praticar os seus deveres. Diante do exposto, torna-se indispensável uma educação para os direitos humanos, que promova a cidadania e que torne o homem conhecedor e crítico dos seus direitos e deveres. A Educação em Direitos Humanos deve priorizar as atividadesque promovam, dentro do ambiente escolar, a reflexão sobre atitudes do dia a dia e, por meio das materias interdisciplinares, que desenvolvam ações de reconhecimento sobre os direitos e deveres de se conviver em uma sociedade. O homem deve ser um sujeito ativo no processo de construção do conhecimento sobre a cidadania, proporcionando a consciência dos direitos e deveres e não apenas reprodução Organização e Legislação da Educação164 de algo determinado, superando, dessa forma, a educação tradicional, na qual o professor é o detentor do conhecimento e o aluno um mero expectador. A escola deve considerar esse aluno protagonista das atitudes e das reflexões de promoção a cidadania, também deve ser considerada como um ensaio da vida em sociedade. Figura 9 — Reflexão. Fonte: Pixabay. Dessa forma, o educador deve promover ações que contribuam para o desenvolvimento de futuros cidadãos, que irão reproduzir, na vida social, as reflexões realizadas sobre diversas atitude com seus pares no dia a dia escolar. A educação para os direitos humanos deve ser comprometida com a mudança de comportamentos, promovendo a superação de intolerância, falta de respeito, desigualdades e injustiça. Salviani (1989) considera que uma função importante da educação em direito humano é humanizar o humano. Essa humanização só será desenvolvida caso o professor, dentro do ambiente escolar, esteja atento para os relacionamentos nos contextos escolar e extraescolares, e desenvolva propostas Organização e Legislação da Educação 165 que condizem com aquele grupo de estudantes, tornando, dessa forma, o processo de ensino aprendizagem em um com significado. A formação do professor também deve ser estruturada de forma humanizada, para que o docente consiga associar as aprendizagens das disciplinas com o currículo escolar proposto. Caso o docente não desenvolva atividades que estimulem a participação dos alunos na educação para os direitos humanos, as atividades escolares serão centradas em transmitir conteúdo, algo contestado por Freitas (1997), denominado “educação bancaria”, que não possibilita o educando a sua emancipação. A Educação em Direitos Humanos torna-se indispensável para que haja uma mudança social no mundo, cada indivíduo deve reconhecer seus direitos e deveres para que se possa viver em um mundo mais justo, com menos desigualdades. A educação é o caminho para qualquer mudança social, ela permite conscientizar e sensibilizar as pessoas em relação ao respeito ao próximo e aos seus direitos, o direito existe para todas as pessoas, mas a sociedade só o conquistará se souber reivindicá-lo e lutar por ele. Organização e Legislação da Educação166 Analisando o novo marco para a relação étnico-racial no Brasil: uma responsabilidade coletiva Nesta aula iremos analisar os novos marcos para as relações étnico-raciais no Brasil, procurando entender suas origens e seu progresso na história social. O preconceito é uma marca na nossa história, assim, entender a responsabilidade que todos possuem dentro de uma sociedade se torna fundamental para se obter mudanças. O ambiente escolar torna-se um lugar indispensável para promover o debate e a transformação da postura dos educandos frente a mudança de comportamento social. Com a introdução da Lei 10.639/2003, a escola passou a introduzir a história da África e dos africanos no Brasil, para que se reconheça a importância desse grupo para a história do país e para desmistificar o olhar eurocêntrico de superioridade de raças. Vamos juntos promover esse conhecimento? A relação étnico-racial no Brasil A história do Brasil é marcada por exploração e escravização e para entender as relações e a cultura deste país, se faz necessário entender a história dos povos que contribuíram para o desenvolvimento da nação que encontramos atualmente. Os africanos foram trazidos para o Brasil como força de trabalho escravizada, retirados de suas nações, de suas famílias, assim, eles trouxeram também suas culturas, danças e comidas, que foram acomodados a sociedade brasileira como parte da sua própria cultura, visto a importância e o alto números de negros trazidos para o país. Organização e Legislação da Educação 167 Figura 10 — Negros no fundo do porão – Rugendas 1835. Fonte: Wikimedia Commons. Dessa forma, para estudar a sociedade brasileira, deve-se procurar entender a história da cultura africana, visto a influência que esta possui na constituição da nossa sociedade. Apesar dessa importante contribuição para a cultura da sociedade brasileira, ao longo da história, discriminação, racismo e preconceitos se fizeram presentes na sociedade. Observamos, no percurso da história, que o negro foi ter acesso a escola depois de muita luta, mesmo assim, isso se deu com decretos de leis como a nº 7.031 de 1878, de acordo com esta o negro só poderia estudar a noite, e ainda havia vários empecilhos para dificultar a permanência dele no ambiente escolar. Em 1988, a Constituição Federal, por meio do seu artigo 5º, abordou a igualdade de todos os homens, independente de raça, cor, sexo ou religião, tornando esse decreto um marco contra o racismo. Organização e Legislação da Educação168 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. (BRASIL, 1988) Embora a igualdade entre todas as pessoas esteja prevista na lei, esta vivência, na prática, não se efetivou. Isso, visto que há uma predominância da ideia de superioridade da cor branca em detrimento da cor negra, assim, o termo negro é tido como pejorativo e remete também à escravização, decorrida no período colonial da história do Brasil. Conforme os estudos de Skidmore. [...] baseava -se na presunção da superioridade branca, às vezes, pelo uso dos eufemismos raças “mais adiantadas” e “menos adiantadas” e pelo fato de ficar em aberto a questão de ser a inferioridade inata. À suposição inicial, juntavam-se mais duas. Primeiro – a população negra diminuía progressivamente em relação à branca por motivos que incluíam a suposta taxa de natalidade mais baixa, a maior incidência de doenças e a desorganização social. Segundo – a miscigenação produzia “naturalmente” uma população mais clara, em parte porque o gene branco era mais forte e em parte porque as pessoas procuravam parceiros mais claros do que elas (a imigração branca reforçaria a resultante predominância branca). (SKIDMORE, 1989, p. 81). Em 1966, a ONU (Organização Mundial das Nações Unidas) elaborou a convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial, como uma tentativa de conscientizar os países que compõem a organização a adotarem uma política de eliminação da discriminação racial a fim das raças se entenderem e se respeitarem. Organização e Legislação da Educação 169 Para esse fim, cada Estado Parte compromete-se a não efetuar ato ou prática de discriminação racial praticada por uma pessoa ou organização qualquer, a tomar as medidas eficazes, a fim de rever as políticas governamentais nacionais e locais e para modificar, ab-rogar ou anular qualquer disposição regulamentar que tenha como objetivo criar a discriminação ou perpetrá-la onde já existir; a adotar as medidas legislativas, proibir e pôr fim à discriminação racial praticada por pessoas, por grupos ou organizações; favorecer, quando for o caso, as organizações e movimentos multirraciais e outros meios próprios e eliminar as barreiras entre as raças e desencorajar o que tende a fortalecer a divisão racial. (UNESCO, 1966, p. 2). Baseado na convenção da ONU, o governo brasileiro instituiu a lei nº 7.716 em 05 de janeiro de 1989, que sofreu alteração de redação em 13 de maio de 1997 por meio da lei 9.459, a partit da qual passou a ser caracterizado crime a descriminação ou o preconceito racial. Art.1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (BRASIL, 1997). O Estatuto da Criança e do Adolescente é um documento que consta os direitos das crianças e dos adolescentes, por meio da lei 8.096 de 13 de Julho de 1990, assim, o Artigo 3º trata que esses direitos são para todas as crianças independente da raça, cor ou sexo. Parágrafo único. Os direitos enunciados nesta Lei aplicam-se a todas as crianças e adolescentes, sem discriminação de nascimento, situação familiar, idade, sexo, raça, etnia ou cor, religião ou crença, Organização e Legislação da Educação170 deficiência, condição pessoal de desenvolvimento e aprendizagem, condição econômica, ambiente social, região e local de moradia ou outra condição que diferencie as pessoas, as famílias ou a comunidade em que vivem. (BRASIL, 1990) Na tentativa de reafirmar: a inclusão do negro na sociedade e o fim da discriminação racial; em 20 de Julho 2010 foi aprovada a lei 12.288, a partir da qual foi instituído o estatuto da Igualdade Racial, que visa efetivar a igualdade de oportunidades e o combate a discriminação. Art. 1º Esta Lei institui o Estatuto da Igualdade Racial, destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica. Parágrafo único. Para efeito deste Estatuto, considera-se: I. discriminação racial ou étnico-racial: toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada; II. desigualdade racial: toda situação injustificada de diferenciação de acesso e fruição de bens, serviços e oportunidades, nas esferas pública e privada, em virtude de raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica; III. desigualdade de gênero e raça: assimetria existente no âmbito da sociedade que acentua a Organização e Legislação da Educação 171 distância social entre mulheres negras e os demais segmentos sociais; IV. população negra: o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga; V. políticas públicas: as ações, iniciativas e programas adotados pelo Estado no cumprimento de suas atribuições institucionais; VI. ações afirmativas: os programas e medidas especiais adotados pelo Estado e pela iniciativa privada para a correção das desigualdades raciais e para a promoção da igualdade de oportunidades. (BRASIL, 2010) Por essa análise pudemos entender que o Estado tem buscado, por meio da lei, combater o ato discriminatório e a desigualdade racial, no entanto, esse movimento contra o racismo deve ser assumido por todos os membros da sociedade. A escola, segundo garantida pela Lei de Diretrizes e Bases 9394/96, um lugar que todos devem ter condições de acesso, passa a ter um papel fundamental para a promoção dessa conscientização, por ser um ambiente propicio para o debate, diálogo e reflexão. Por muitos anos, a cultura africana foi desmerecida, sendo reconhecida apenas a função da mão de obra escravizada no país, assim, a imagem do negro como um ser sem valor e de cultura desprezível foi instalada na sociedade, pouco se sabia da sua história e importância. Dessa forma, a escola passou a reconhecer a importância de se estudar sobre a história e a cultura Afro-Brasileira para que se efetivasse o entendimento e o respeito a essa cultura. Organização e Legislação da Educação172 Em 09 de Janeiro de 2003, por meio da lei 10.639, foi incluso na rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, na qual, no artigo 1º, trata da inclusão desse tema. Art. 1º A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B: “Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna- se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. § 1º O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil. § 2º Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras. (BRASIL, 2003) A Lei 10.639/03 é considerada um marco do movimento negro pela igualdade racial e social, até então essa pauta era tratada de forma genérica nas escola, de acordo com as diretrizes dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), sem garantir compromisso para a efetivação do estudo sobre a cultura negra. Em 2004, foi intitulado as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, o documento se faz importante pois muitas pessoas da sociedade desconhecem a história da cultura afro e sua importância para a formação social do Brasil. Organização e Legislação da Educação 173 Assim, esse documento aborda aspectos sobre o reconhecimento de estratégias pedagógicas que valorizem a diversidade para superar as desigualdades étnico-raciais presente na sociedade. Reconhecimento requer a adoção de políticas educacionais e de estratégias pedagógicas de valorização da diversidade, a fim de superar a desigualdade étnico-racial, presente na educação escolar brasileira, nos diferentes níveis de ensino. (BRASIL, 2004, p. 12). Conforme Silva (2001) afirma, o reconhecimento da importância de uma educação pluricultural, pluriracial e não- eurocênctrica se constitui como um dos pilares de uma sociedade brasileira verdadeiramente democrática. A escola tem o dever de estimular: o reconhecimento de diferentes culturas, debates sobre as diferenças; ademais, a obrigatoriedade de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nos currículos visa contribuir para essas reflexões. A obrigatoriedade de inclusão de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nos currículos da Educação Básica trata-se de decisão política, com fortes repercussões pedagógicas, inclusive na formação de professores. (BRASIL, 2004, p. 17). Visando diminuir o problema da desigualdade de acesso a educação, decorrente da história brasileira, o governo instituiu políticas compensatórias, como a lei 12990/14 promulgada em 09 de Junho de 2014, na qual se reservar vagas aos negros em concursos públicos. Art . 1º Ficam reservadas aos negros 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública Organização e Legislação da Educação174 federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União, na forma desta Lei. (BRASIL, 2014a). Em 29 de Agosto de 2012, foi promulgada a Lei 12.711, que garante cota de vagas para pessoas de origem pardas, pretos e indígenas. Art . 3º Em cada instituição federal de ensino superior, as vagas de que trata o art. 1º desta Lei serão preenchidas, por curso e turno, por autodeclarados pretos, pardos e indígenas e por pessoas com deficiência, nos termos da legislação, em proporção ao total de vagas no mínimo igual à proporção respectiva de pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência napopulação da unidade da Federação onde está instalada a instituição, segundo o último censo da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. (BRASIL, 2012). O Plano Nacional de Educação, lei 13.005/2014, propõe a promoção da cidadania e a erradicação da discriminação aumentando a escolarização de negros. Elevar a escolaridade média da população de 18 (dezoito) a 29 (vinte e nove) anos, de modo a alcançar, no mínimo, 12 (doze) anos de estudo no último ano de vigência deste plano, para as populações do campo, da região de menor escolaridade no País e dos 25% (vinte e cinco por cento) mais pobres, e igualar a escolaridade média entre negros e não negros declarados à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. (BRASIL, 2014b). No entanto, é importante analisar que: reafirmar a cultura afro não significa apenas oportunizar vagas de acesso, mas sim reconhecer a sua importância cultural para a sociedade brasileira. Organização e Legislação da Educação 175 Conforme as diretrizes curriculares citam. Com esta medida, reconhece-se que, além de garantir vagas para negros nos bancos escolares, é preciso valorizar devidamente a história e cultura de seu povo, buscando reparar danos, que se repetem há cinco séculos, à sua identidade e a seus direitos. A relevância do estudo de temas decorrentes da história e cultura afro-brasileira e africana não se restringe à população negra, ao contrário, diz respeito a todos os brasileiros, uma vez que devem educar-se enquanto cidadãos atuantes no seio de uma sociedade multicultural e pluriétnica, capazes de construir uma nação democrática. (BRASIL, 2004, p. 17) O efetivo reconhecimento da importância étnico-racial na sociedade se dará por meio de trabalhos desenvolvidos no ambiente escolar, segundo a orientação das diretrizes curriculares nacionais da educação étnicos-raciais, esse ensino deverá conduzir princípios que visem a consciência política e histórica da diversidade. São eles: ■ à igualdade básica de pessoa humana como sujeito de direitos; ■ à compreensão de que a sociedade é formada por pessoas que pertencem a grupos étnico-raciais distintos, que possuem cultura e história próprias, igualmente valiosas e que em conjunto constroem, na nação brasileira, sua história; ■ ao conhecimento e à valorização da história dos povos africanos e da cultura afro-brasileira na construção histórica e cultural brasileira; ■ à superação da indiferença, injustiça e desqualificação com que os negros, os povos indígenas e também as classes populares às quais Organização e Legislação da Educação176 os negros, no geral, pertencem, são comumente tratados; ■ à desconstrução, por meio de questionamentos e análises críticas, objetivando eliminar conceitos, ideias, comportamentos veiculados pela ideologia do branqueamento, pelo mito da democracia racial, que tanto mal fazem a negros e brancos; ■ à busca, da parte de pessoas, em particular de professores não familiarizados com a análise das relações étnico-raciais e sociais com o estudo de história e cultura afro-brasileira e africana, de informações e subsídios que lhes permitam formular concepções não baseadas em preconceitos e construir ações respeitosas; ■ ao diálogo, via fundamental para entendimento entre diferentes, com a finalidade de negociações, tendo em vista objetivos comuns, visando a uma sociedade justa. (BRASIL, 2004, p. 19) Assim, para esses princípios, deverão ser elaborados trabalhos pedagógicos que criem conexões entre estratégias e atividades que vinculem as experiências vividas pelos alunos e professores, apresentando a importância das relações dos negros, indígenas, brancos na sociedade. ■ a conexão dos objetivos, estratégias de ensino e atividades com a experiência de vida dos alunos e professores, valorizando aprendizagens vinculadas às suas relações com pessoas negras, brancas, mestiças, assim como as vinculadas às relações entre negros, indígenas e brancos no conjunto da sociedade (BRASIL, 2004, p.19) Assim, para esses princípios, deverão ser elaborados trabalhos pedagógicos que criem conexões entre estratégias e atividades que vinculem as experiências vividas pelos alunos e Organização e Legislação da Educação 177 professores, apresentando a importância das relações dos negros, indígenas, brancos na sociedade. ■ a conexão dos objetivos, estratégias de ensino e atividades com a experiência de vida dos alunos e professores, valorizando aprendizagens vinculadas às suas relações com pessoas negras, brancas, mestiças, assim como as vinculadas às relações entre negros, indígenas e brancos no conjunto da sociedade (BRASIL, 2004, p.19) Dessa forma, o aluno deve ter a possibilidade de pensar, agir e refletir sobre as diferenças e os contrastes encontrados nas relações no interior da escola. ■ condições para professores e alunos pensarem, decidirem, agirem, assumindo responsabilidade por relações étnico-raciais positivas, enfrentando e superando discordâncias, conflitos, contestações, valorizando os contrastes das diferenças (BRASIL, 2004, p. 20). Os projetos pedagógicos devem valorizar a dança, a culinária e a história da cultura afro, aprendendo a preservá-la e a difundi-la para toda a sociedade. ■ valorização da oralidade, da corporeidade e da arte, por exemplo, como a dança, marcas da cultura de raiz africana, ao lado da escrita e da leitura (BRASIL, 2004, p. 20). Organização e Legislação da Educação178 Figura 11 — Capoeira. Fonte: Wikimedia Commons. O professor deve apresentar, assim, a importância dos negros na constituição do Brasil, suas histórias e relatos, oferecendo outro olhar frente aos acontecimentos históricos do Brasil. Como pudemos observar, existem políticas públicas, na constituição, que garantem a erradicação da discriminação, a valorização e o reconhecimento da cultura afro na sociedade; é também papel da escola promover estratégias pedagógicas para possibilitar esse debate e reflexão no ambiente escolar. No entanto, nos questionamos “Será que os professores estão aptos para desenvolver práticas pedagógicas voltadas para a valorização da cultura afro?” A formação inicial do professor deve ser constituída de conhecimentos necessários para atuação e reflexão dessas diversidades culturais, por isso a importância da preparação dos professores, para que ele esteja apto a desenvolver futuros cidadãos que irão contribuir e mudar a sociedade, promovendo reconhecimento, respeito e valorização das diferenças culturais. Organização e Legislação da Educação 179 O Brasil é um país multicultural, constituído de diferentes culturas, e cabem a todas as instituições que compõem o país — sejam cidadãos, políticos, educadores e gestores — se comprometerem, por meio do conhecimento, reconhecer a importância cultural dos diferentes povos e garantir o respeito assegurado na constituição brasileira, afinal, trata-se de uma responsabilidade de todos a promoção da igualdade. Organização e Legislação da Educação180 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: Presidência da República, [2009]. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 3 abr. 2022. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 7 abr. 2022. BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências – ECA. Brasília, DF: Presidência da República. [2021]. Diponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 8 abr. 2022. BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República. 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