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PO
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gente criando o futuro
ORGANIZAÇÃO E 
LEGISLAÇÃO DA 
EDUCAÇÃO
O
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IZAÇÃO
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CAÇÃO
Maria Paula Almeida Maria Paula Almeida
ORGANIZAÇÃO E 
LEGISLAÇÃO DA 
EDUCAÇÃO
Organização e Legislação da
Educação
© by Editora Telesapiens
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá 
ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer 
outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação 
ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão 
de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora 
Telesapiens.
A447o Almeida, Maria Paula.
Organização e legislação da educação [recurso eletrônico]/ 
Maria Paula Almeida. – Recife: Telesapiens, 2020.
184 p.: pdf
ISBN: 978-65-86073-06-5
1. Educação I. Título.
CDU 37.046
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Bibliotecário responsável: Nelson Oliveira da Silva – CRB 10/854)
Fundador e Presidente do Conselho de Administração: 
Janguê Diniz 
Diretor-Presidente: 
Jânyo Diniz 
Diretor de Inovação e Serviços:
Joaldo Diniz 
Diretoria Executiva de Ensino:
Adriano Azevedo
Diretoria de Ensino a Distância:
Enzo Moreira
Créditos Institucionais
Todos os direitos reservados
©2022 by Telesapiens
Organização e Legislação da
Educação
A AUTORA
MARIA PAULA ALMEIDA
Olá, aluno(a). Meu nome é Maria Paula Almeida, sou 
formada em Administração de Empresas e em Pedagogia. 
Possuo mestrado em Gestão da Educação, com experiência 
técnico-profissional na área de gestão de mais de 10 anos. Sou 
apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência 
de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, 
fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de 
autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você 
nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Esses ícones que irão aparecer em sua trilha de aprendizagem 
significam:
OBJETIVO
Breve descrição do objetivo 
de aprendizagem;
OBSERVAÇÃO
Uma nota explicativa 
sobre o que acaba de 
ser dito;
CITAÇÃO
Parte retirada de um texto;
RESUMINDO
Uma síntese das 
últimas abordagens;
TESTANDO
Sugestão de práticas ou 
exercícios para fixação do 
conteúdo;
DEFINIÇÃO
Definição de um 
conceito;
IMPORTANTE
O conteúdo em destaque 
precisa ser priorizado;
ACESSE
Links úteis para 
fixação do conteúdo;
DICA
Um atalho para resolver 
algo que foi introduzido no 
conteúdo;
SAIBA MAIS
Informações adicionais 
sobre o conteúdo e 
temas afins;
EXPLICANDO 
DIFERENTE
Um jeito diferente e mais 
simples de explicar o que 
acaba de ser explicado;
SOLUÇÃO
Resolução passo a 
passo de um problema 
ou exercício;
EXEMPLO
Explicação do conteúdo ou 
conceito partindo de um 
caso prático;
CURIOSIDADE
Indicação de curiosidades 
e fatos para reflexão sobre 
o tema em estudo;
PALAVRA DO AUTOR
Uma opinião pessoal e 
particular do autor da obra;
REFLITA
O texto destacado deve 
ser alvo de reflexão.
SUMÁRIO
UNIDADE 01
Compreendendo os significados dos termos lei, diretrizes, 
bases e a estrutura de ensino................................................12
A educação e a Constituição Federal Brasileira........................12
Analisando os princípios e fins da educação nacional – 
artigos 2º e 3º da Lei 9.394/1996...........................................19
Princípios e fins da educação brasileira....................................19
Identificando os aspectos do sistema escolar brasileiro e a 
administração do sistema nacional de ensino.......................26
Sistema escolar brasileiro.........................................................26
Estrutura do sistema escolar brasileiro.....................................28
Conselhos de Educação no Brasil.....................................30
Diretrizes Curriculares Nacionais.....................................31
Referenciais Curriculares Nacionais para Educação 
Infantil..............................................................................33
Parâmetros Curriculares Nacionais...................................35
Plano Nacional de Educação: objetivos e metas.......................36
O Plano Nacional......................................................................36
Metas................................................................................39
UNIDADE 02
Apresentando os objetivos, duração e organização da 
Educação Infantil....................................................................48
A Lei de Diretrizes e Bases e a Educação Infantil....................48
Objetivos da Educação Infantil.................................................52
Duração da Educação Infantil...................................................56
Organização da Educação Infantil............................................56
Analisando o Ensino Fundamental de 9 anos e seus objetivos, 
duração, organização e obrigatoriedade...............................64
Objetivos, Duração, Organização e Obrigatoriedade do Ensino 
Fundamental.............................................................................64
Ensino Médio: Finalidade, Duração, Modalidades e 
Organização..........................................................................79
Área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias....................84
Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas ......................85
Educação de Jovens e Adultos..................................................88
Educação Especial...................................................................90
UNIDADE 03
Compreendendo os conceitos, histórico e evolução do 
currículo e a verificação do rendimento escolar...................98
Conceito do currículo................................................................98
Currículo: Histórico, Evolução e a Verificação da 
Aprendizagem........................................................................105
Os PCNS – Parâmetros Curriculares Nacionais................116
Definição e Objetivos dos Parâmetros Curriculares Nacionais..117
A Formação dos Profissionais de Educação: Agências 
Formadoras e Tipos de Profissionais..................................126
Formação de Profissionais de Educação e a qualidade da 
educação.................................................................................127
Agências Formadoras e a Educação Continuada....................134
Os Recursos Financeiros para a Escola: As responsabilidades 
do Estado, União e Municípios..............................................137
Recursos financeiros e a Educação.........................................137
UNIDADE 04
Compreendendo a educação em direitos humanos - Resolução 
001/2012.................................................................................148
Educação em Direitos Humanos – Resolução 001/2012........148
Identificando o que é e o que não é educação em direitos 
humanos................................................................................154
O que é e o que não é educação em direitos humanos............154
Observando porque educar para os direitos humanos e a 
cidadania..............................................................................160
Por que educar para os direitos humanos e a cidadania?........160
Analisando o novo marco para a relação étnico-racial no 
Brasil: uma responsabilidade coletiva.................................166
A relação étnico-racial no Brasil.............................................166
UNIDADE
01
FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Organização e Legislação da Educação10
INTRODUÇÃO
A área de organização e legislação da educação norteia 
o sistema educacional brasileiro por meio de leis, diretrizes e 
estatutos. É por meio de tais instrumentos que visamos garantir 
o direito de educação para todos.
Nessa disciplina, aprenderemos que a história da educação 
é também uma luta contra a desigualdade social e econômica.
O Brasil deve desenvolver práticas pedagógicas por meio 
de políticas públicas que reconheçam asdiferenças geográficas e 
econômicas de cada região, que visem garantir uma educação de 
qualidade, capaz de promover a autonomia do educando.
Enquanto educadores, temos um papel crucial na formação 
e implementação de políticas públicas, pois, reconhecendo nossa 
estrutura educacional e onde pretendemos chegar, podemos 
efetivar na prática o que já está garantido na Constituição 
Federal de 1988 — e reafirmado pela Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional (Lei 9.394/1995 – LDB): a educação 
como um direito de todos.
Ao longo desta unidade letiva você mergulhará neste 
universo!
Organização e Legislação da Educação 11
OBJETIVOS
Olá, estudante. Seja muito bem-vindo(a) a nossa Unidade 
1 – Fundamentação legal da educação brasileira. Nesta unidade, 
o nosso objetivo é auxiliá-lo no desenvolvimento de algumas 
competências profissionais.
Compreender a legislação, diretrizes, bases e a 
estrutura de ensino disposta na Lei 9.394/1996 (LDB).
Analisar os princípios e fins da educação nacional — 
artigos 2º e 3º da LDB.
Identificar os aspectos do sistema escolar brasileiro e 
a administração do sistema nacional de ensino.
Entender o Plano Nacional de Educação: objetivos e 
metas.
1
2
3
4
Então? Está preparado para uma viagem sem volta rumo 
ao conhecimento? Ao trabalho!
Organização e Legislação da Educação12
Compreendendo os significados dos termos 
lei, diretrizes, bases e a estrutura de ensino
A Constituição Federal de 1988 assegura, a todos os 
cidadãos, enquanto garantia fundamental, a educação como um 
direito social.
Ao longo desta aula, discorreremos sobre os aspectos 
desse direito e a sua importância, apresentando as estruturas 
e competências relativas à organização da educação em nosso 
país.
Dúvidas? Não se preocupe. Recorra ao fórum de dúvidas e 
discussões para socializar o seu conhecimento e esclarecer todas 
as suas inquietações quanto ao conteúdo aqui disposto.
Nós estaremos a sua disposição em caso de dificuldades!
A educação e a Constituição Federal 
Brasileira
A Constituição Federal de 1988 foi elaborada com intensa 
participação democrática e popular. É resultado da interlocução 
entre políticos, sociedade civil e movimentos sociais. Essa ampla 
participação promoveu a garantia de diversos direitos socias, 
entre eles a educação. No artigo 205 da Constituição Federal de 
1988 encontramos:
art. 205. A educação, direito de todos e dever do 
Estado e da família, será promovida e incentivada 
com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o 
exercício da cidadania e sua qualificação para o 
trabalho. (BRASIL, 1988).
A Constituição Federal de 1988, norma máxima do nosso 
Organização e Legislação da Educação 13
país, aborda a educação como um direito de todos, que deve 
ser suprido pelo Estado e pela família, sendo que a sociedade 
também tem o papel de incentivar o cumprimento desse dever, 
colaborando para que os jovens estejam nas escolas, tenham 
acesso à cultura etc.
SAIBA MAIS
Art. 6º: são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, 
o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a 
previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a 
assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. 
(BRASIL, 1988).
Figura 1 — Constituição Federal.
Fonte: Wikipedia
Organização e Legislação da Educação14
Atualmente, a educação realizada em casa, sob a supervisão dos 
pais e/ou responsáveis — atitude a que assistimos em outros 
países —, é pauta de alguns debates no espaço público. Dê uma 
olhada no texto da LDB, disponível no site do Planalto: https://
bit.ly/1d40CY4 e reflita sobre a necessidade — ou não — de 
regulamentação desse formato.
REFLITA
No início do seu texto, a Constituição apresenta a educação 
como um direito social (art. 6º) e aborda outros aspectos, como 
a gratuidade do ensino e a qualidade da educação. Ademais, a 
palavra “educação” aparece 59 vezes no texto constitucional, em 
diversos artigos.
De acordo com a Constituição Federal de 1988, não 
adianta apenas oferecer vaga nas escolas, esse serviço deve(ria) 
ser garantido como um ensino gratuito e de qualidade.
A Constituição Federal de 1988 também determina que 
o aluno deve ter condições de acesso e de permanência na 
escola. Ou seja: deve-se levar em consideração o meio em que 
o educando está inserido, promovendo práticas pedagógicas que 
estimulem esse aluno a permanecer na escola.
Neste momento, alunos(as), cabe refletirmos: será que 
nossas escolas estão preparadas para se tornarem um ambiente 
no qual o aluno se sinta parte e tenha prazer em frequentar? Que 
mudanças/ações seriam necessárias para que a aluno se sinta 
pertencente ao ambiente escolar? “Abrir” a escola para que a 
comunidade escolar possa fazer parte da proposta pedagógica e 
das decisões pode auxiliar a contornar essa situação?
Organização e Legislação da Educação 15
Quanto ao Estado, ele precisa desenhar e implementar 
políticas públicas para contribuir com a retenção desse aluno 
no ambiente escolar, considerando, entre outros, a oferta de 
transporte público, de ensino em turnos contrários e no regime 
integral, além de material e organização curricular adequados às 
condições do estudante.
Em busca de enfrentar esses desafios, e visando diminuir 
a evasão escolar, as escolas controlam a permanência dos 
alunos. Quando o aluno começa a ter faltas excessivas, a escola 
comunica aos pais e, caso o problema persista, o Conselho 
Tutelar é acionado para tomar as medidas cabíveis por lei.
SAIBA MAIS
Artigo “Das Políticas de Acesso e Permanência na Escola 
ao Direito à Educação Básica de Qualidade Social: Avanço 
Possível”. Disponível em: https://bit.ly/2FiHuOX. Acesso em: 
29 abr. 2019
No Brasil, a garantia constitucional de acesso universal 
à escola é uma grande conquista, visto que na nossa história 
o acesso ao ensino era privilégio de uma pequena parcela da 
população. Entretanto, tal garantia não é sinônimo de matrículas 
e frequência. Temos observado que não é 100% das crianças que 
frequentam a escola, e que a conclusão da Educação Básica e o 
acesso ao Ensino Superior ainda representam grandes desafios.
A oferta do ensino é realizada em instituições públicas e 
privadas que, independentemente das suas estruturas, devem 
obedecer aos princípios previstos na lei (a serem analisados 
mais à frente, no ponto 2). Dessa forma, compreendemos que as 
Organização e Legislação da Educação16
instituições privadas devem seguir os mesmos preceitos da lei 
que as instituições públicas.
A Constituição Federal de 1988 determina que criança, 
jovem e adolescente têm direito, entre outros, à vida, à 
alimentação, à educação e ao lazer, conforme observamos no 
artigo 227:
art. 227. É dever da família, da sociedade e do 
Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao 
jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, 
à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à 
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao 
respeito, à liberdade e à convivência familiar e 
comunitária, além de colocá-los a salvo de toda 
forma de negligência, discriminação, exploração, 
violência, crueldade e opressão.(BRASIL, 1988).
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no seu 
artigo 53, reforça as determinações constitucionais ao ratificar 
que a educação é um direito da criança e do adolescente.
art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, 
visando ao pleno desenvolvimento da sua pessoa, preparo 
para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, 
assegurando-lhes:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência 
na escola;
II – direito de ser respeitado por seus educadores;
III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo 
recorrer às instâncias escolares superiores;
IV – direito de organização e participação em entidades 
estudantis;
V – acesso à escola pública e gratuita próxima a sua 
residência, garantindo-se vagas no mesmo estabelecimento a 
Organização e Legislação da Educação17
irmãos que frequentem a mesma etapa ou ciclo de ensino da 
educação básica. (BRASIL, 1990).
Figura 2 — Crianças na escola.
Fonte: Pixabay.
O ECA é importante pois assegura os direitos das crianças 
e dos adolescentes presentes na Constituição, dessa forma, 
busca-se garantir que os direitos sejam respeitados.
SAIBA MAIS
O Estatuto pode ser lido na íntegra em: https://bit.ly/IUTp5S. 
É importante que o educador o conheça minimamente.
O ECA classifica um sujeito com até 12 anos incompletos 
como criança, e um entre 12 e 18 anos incompletos como 
adolescentes. Essa classificação permite que se apliquem 
medidas cabíveis em caso de descumprimento da lei pela criança 
ou adolescente, conforme demonstramos abaixo:
Organização e Legislação da Educação18
 ■ Advertência (art. 115 do ECA): é uma repreensão 
judicial, que visa sensibilizar e esclarecer ao adolescente as 
consequências de uma reincidência infracional.
 ■ Obrigação de reparar o dano (art. 116 do ECA): 
o ressarcimento, por parte do jovem, do dano ou prejuízo 
econômico causado à vítima.
 ■ Prestação de serviços à comunidade (art. 117 do 
ECA): realização de tarefas gratuitas à comunidade no período 
de seis meses, durante oito horas semanais.
 ■ Liberdade assistida (art. 118 do ECA): 
acompanhamento, auxílio e orientação do jovem em conflito 
com a lei por equipes multidisciplinares no período mínimo de 
seis meses.
 ■ Semiliberdade (art. 120 do ECA): restrição de 
liberdade do jovem, que poderá permanecer com a família aos 
finais de semana.
 ■ Internação (arts. 121 e 125 do ECA): a internação 
pode ser em caráter provisório ou definitivo.
SAIBA MAIS
Revista Eca. Disponível em: https://bit.ly/2L7fl0W. Acesso em: 
29 abr. 2019.
Analisando os artigos 60 e 227 da Constituição Federal de 
1988, fica clara a inexistência — no texto constitucional — de 
uma fórmula para que os direitos ali postos sejam efetivados. 
Faz-se, assim, necessária a criação de estatutos, diretrizes e 
bases para o desenvolvimento de um plano nacional com a união 
de diversos setores da sociedade civil, a fim de promover um 
diagnóstico da realidade educacional e estratégias que amplie o 
Organização e Legislação da Educação 19
acesso, a permanência e a construção de um processo de ensino-
aprendizado significativo ao educando. E é desse contexto que 
emerge a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 
1996.
Analisando os princípios e fins da educação 
nacional – artigos 2º e 3º da Lei 9.394/1996
Nesta aula analisaremos e refletiremos sobre os artigos 
2º e 3º da LDB (Lei 9.394/1996), identificado quem são os 
responsáveis pela educação e quais os princípios que norteiam a 
educação brasileira.
Vamos juntos promover essa reflexão?
Princípios e fins da educação brasileira
A LDB foi promulgada em 20 de dezembro de 1996, no 
governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995- 2002). 
Esta é uma lei que regulamenta o sistema educacional público e 
privado no Brasil, da Educação Básica ao Ensino Superior.
A LDB estabelece: deveres dos Estados, do DF e dos 
municípios para a efetivação do direito à educação; os princípios 
da educação; e as responsabilidades entre os municípios, Estados 
e o Distrito Federal, reafirmando o direito à educação garantido 
pela Constituição Federal e abordado no ECA.
ACESSE
“20 anos da LDB: como a lei mudou a Educação”. Disponível 
em: https://bit.ly/2iaUKqI. Acesso em: 29 abr. 2019.
Organização e Legislação da Educação20
A partir da LDB, a escolarização passou a ter um espaço 
importante no debate sobre a educação brasileira, tornando 
o Ensino Básico pauta da política nacional e desencadeando 
algumas políticas públicas, como os Parâmetros Curriculares 
Nacionais (PCN), Referênciais Curriculares Nacionais (RCN), 
Política de Financiamento da Educação Básica (Fundeb), Sistema 
de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e Exame Nacional 
do Ensino Médio (Enem), políticas essas que estudaremos no 
decorrer do curso.
ACESSE
LDB atualizada. Disponível em: https://bit.ly/1rTiGTn. Acesso 
em: 29 abr. 2019.
A LDB estrutura a Educação Básica por etapas e 
modalidades de ensino:
Tabela 1 — Etapas de ensino da Educação Básica.
Educação Infantil
 ■Crianças de 0 (zero) a 5 (cinco) 
anos.
 ■Frequência não obrigatória até os 3 
(três) anos.
 ■Dividida em: Creches – 0 (zero) a 
3 (três) anos.
 ■Pré-Escola – 4 (quatro) a 5 (cinco) 
anos.
 ■Principal função: formação integral 
do aluno.
Organização e Legislação da Educação 21
Ensino Fundamental
Ensino Fundamental
 ■Crianças a partir dos 6 (seis) anos 
(completos) até Março do ano 
vigente.
 ■Duração: 9 (Nove) anos.
 ■Principal função: oferecer 
conteúdo mínimo para a criança se 
desenvolver.
 ■Duração mínima: 3 (três) anos, 
podendo chegar a 5 (cinco) anos 
no caso da modalidade Educação 
Profissional de Nível Médio.
 ■Principal função: oferecer 
qualificação para ensinos posteriores.
Fonte: Elaborado pela autora, 2019.
Modalidades de Ensino da Educação Básica:
 ■ Educação Regular;
 ■ Educação de Pessoas com Necessidades Especiais;
 ■ Educação de Jovens e Adultos;
 ■ Educação Escolar Indígena;
 ■ Educação Profissional e Tecnológica;
 ■ Educação a Distância;
 ■ Educação do Campo.
Organização e Legislação da Educação22
Figura 3 — Estudante indígena.
Fonte: Pixabay.
A Lei 9.394/1994 representou uma evolução pelo fato de 
incluir as crianças de zero a cinco anos no processo educativo, 
algo que antes não acontecia, uma vez que se acreditava que 
essas crianças deveriam ser assistidas pela área de assistência 
social.
A LDB reforça determinações da Constituição Federal de 
1988 e do art. 2º do ECA:
art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, 
inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais 
de solidariedade humana, tem por finalidade o 
pleno desenvolvimento do educando, seu preparo 
para o exercício da cidadania e sua qualificação 
para o trabalho. (BRASIL, 1996).
O artigo ressalta o dever da família e do Estado em 
relação à educação. Devemos compreender que a família em 
conjunto com o Estado são os principais responsáveis pelo 
processo educacional, sendo o papel da escola e dos professores 
complementar a ação da família, não o contrário.
Organização e Legislação da Educação 23
REFLITA
Percebemos, em nossas escolas, que muitos pais e responsáveis 
transferem para os educadores toda a responsabilidade em relação 
à educação das crianças. No entanto, conforme estudamos, 
a lei é clara ao determinar que essa responsabilidade deve ser 
compartilhada. De que forma podemos modificar esse cenário?
Observamos também que a educação deve favorecer 
a liberdade do educando, desenvolvendo seu lado crítico, 
proporcionando uma formação adequada, para que, além do 
aluno se inserir no mercado de trabalho, ele possa ser agente de 
transformação dentro da sua sociedade. Dessa forma, entendemos 
que uma educação de qualidade não deve ser focada apenas em 
conteúdo, mas em práticas que promovam o senso crítico e a 
reflexão desse aluno frente aos seus problemas sociais, para que 
ele possa contribuir e realizar mudanças visando à melhoria da 
sociedade.
Nos incisos do artigo 3º da LDB, estão dispostos os 
princípios que devem ser garantidos na educação:
art. 3º. O ensino será ministrado com base nos seguintes 
princípios:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência 
na escola;
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a 
cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância;
Organização e Legislação da Educação24
V – coexistência de instituições públicas e privadas de 
ensino;
VI – gratuidade do ensino público em estabelecimentos 
oficiais;
VII – valorização do profissional da educação escolar;
VIII – gestão democrática do ensino público, na forma 
desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino;
IX – garantia de padrão de qualidade;
X – valorização da experiência extraescolar;
XII – vinculação entre a educaçãoescolar, o trabalho e as 
práticas sociais. (BRASIL, 1996).
De acordo com o inciso 1º do art. 3 da LDB, todos devem 
ter condições de acesso e permanência na escola, ou seja, 
independentemente da classe social, todas as pessoas têm direito 
a uma educação de qualidade.
Importante ressaltar que a lei trata de condições de 
acesso, e não de igualdade de direito de acesso. Desse modo, 
compreendemos que a escola deve oferecer equidade de condições 
de acesso, levando em consideração as particularidades e 
necessidades do educando. A escola só terá condições de garantir 
ensino de qualidade para todos, se levar em consideração as 
condições iniciais desses educandos, contribuindo para que as 
diferenças sejam supridas e todos alcancem os mesmos objetivos
SAIBA MAIS
“Direito à educação: direito à igualdade, direito à diferença”. 
Disponível em: https://bit.ly/2OK9xJ4. Acesso em: 15 maio 
2019.
Organização e Legislação da Educação 25
Figura 4 — Direito à Educação.
Fonte: Editorial Telesapiens.
A educação tem o dever de desenvolver cidadãos críticos, 
livres e tolerantes, capazes de compreender a realidade que os 
cerca e contribuir com a sociedade na qual está inserida.
A escola deve promover práticas pedagógicas que 
valorizem as experiências extraescolares, promovendo o interesse 
e despertando um aprendizado significativo nos alunos. Paulo 
Freire dizia que não podemos considerar o aluno uma tábua rasa, 
vazia e sem conteúdo. Nós, enquanto educadores, precisamos 
criar práticas pedagógicas que levem em consideração as 
experiências trazidas pelos alunos para o contexto escolar, 
tornando a educação mais significativa e prazerosa ao educando, 
enquanto a gestão da escola deve ser realizada de forma 
democrática, com a participação de toda a comunidade escolar.
A Lei 9.394/1996 ressalta a importância da valorização 
dos profissionais que atuam na educação, para que isso possa 
refletir em uma educação de qualidade.
Nos nossos estudos, pudemos observar a importância da 
LDB para a educação brasileira, pois as práticas pedagógicas 
passaram a ser estruturadas buscando promover uma educação 
de qualidade.
Organização e Legislação da Educação26
A igualdade de acesso à educação é importante e foi uma 
grande conquista, pois, tempos atrás, o ensino era apenas para 
uma pequena parcela da população, a classe minoritária não 
tinha acesso à escola.
Atualmente, todos passaram a ter o direito ao acesso 
à escola, e a LDB veio para assegurar as condições de ensino 
promovendo, assim, um ensino de qualidade, buscando a 
formação integral do aluno.
ACESSE
Entrevista Gestão Democrática na Escola. Disponível em: 
https://bit.ly/31MB7Ng.
Identificando os aspectos do sistema escolar 
brasileiro e a administração do sistema 
nacional de ensino
Nesta aula estudaremos o sistema escolar brasileiro, sua 
composição e seu funcionamento, conhecendo o debate que 
existe sobre o assunto no âmbito acadêmico.
Convido você, aluno(a), a realizar esse estudo e refletir 
sobre os caminhos que a educação brasileira ainda necessita 
trilhar, na busca de oferecer um serviço de qualidade e 
significativo para o educando.
Bons estudos!
Sistema escolar brasileiro
A história do sistema educacional brasileiro foi marcada 
por seu caráter excludente, que favorecia a minoria, permitindo 
o acesso à educação apenas para a elite.
Organização e Legislação da Educação 27
A implantação da LDB garantiu mudanças e reorientação do 
sistema educativo, possibilitando o acesso de todos a uma educação 
de qualidade; assim, foi necessário reestruturar o sistema escolar 
para que este permitisse que a escola fosse de fato acessível a todos.
O Brasil é constituído por desigualdades econômicas e 
sociais, e quando se pretende reestruturar a educação deve-se levar 
em consideração essa complexidade, para que se possa atingir 
uma educação universal e democrática. Conforme corrobora: “A 
compreensão do sistema educacional brasileiro exige que não se 
perca de vista a totalidade social da qual o sistema educativo faz 
parte.” (Saviani, 1987, p. 48).
De acordo com Saviani, a educação deve estar voltada 
para além dos livros, tendo como foco a sociedade em que esse 
educando está inserido.
O sistema educacional brasileiro apresenta falhas na 
qualidade do que está sendo ministrado, percebemos que muitas 
das propostas para a educação não ocorrem no interior da escola.
Assim, as propostas para a educação devem ser planejadas 
para atender o interesse da sociedade, de forma que seja possível 
o seu cumprimento para que realmente atinja seus objetivos.
Percebemos que o nosso sistema educacional apresentou 
mudanças, mas este ainda precisa evoluir, proporcionando o 
desenvolvimento de estudantes críticos e que possam contribuir 
para a sociedade de que fazem parte, provendo o desenvolvimento 
emocional, cultural e social.
SAIBA MAIS
“Desafios da Construção de um Sistema Nacional Articulado de 
Educação”. Disponível em: https://bit.ly/2x4RiHQ.
Organização e Legislação da Educação28
Estrutura do sistema escolar brasileiro
O sistema brasileiro de ensino é dividido de acordo com 
dois níveis, conforme o art. 21 da LDB:
 ■ Educação Básica: composta pela Educação Infantil, 
Ensino Fundamental e Médio;
 ■ Ensino Superior: composto pelos cursos de graduação, 
programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização e 
pós-graduação.
Segundo a Constituição de 1988 e a LDB, a educação 
brasileira é composta por sistemas de ensino que serão 
organizados de modo colaborativo entre a União, os Estados e 
o Distrito Federal, ademais, no Brasil encontramos problemas 
na articulação entre esses órgãos em relação à organização do 
sistema, refletindo em problemas na educação.
Sabemos que cada órgão é responsável por uma área do 
ensino, no entanto, a responsabilidade deve ser pensada levando 
em conta o bem-estar do educando, e não apenas no que tange 
à responsabilidade do órgão, dessa forma, esses órgãos devem 
estabelecer parcerias para que de fato esse aluno tenha suas 
necessidades atendidas.
O sistema federal é composto pelo Ministério da Educação 
(MEC) e pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), algumas 
de suas atribuições são:
1. organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições 
oficiais do sistema federal;
2. elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração 
com os Estados e municípios;
3. assegurar o processo nacional de avaliação do 
rendimento escolar no Ensino Fundamental, Médio e Superior, 
em colaboração com os sistemas de ensino, definindo prioridades 
e a melhoria da qualidade;
Organização e Legislação da Educação 29
4. autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e 
avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de educação 
superior.
O sistema estadual é constituído pela Secretaria de 
Educação (SEE), Conselho Estadual de Educação (CEE), 
Delegacia Regional de Educação (DRE) ou Subsecretaria de 
Educação; algumas de suas responsabilidades são:
1. organizar, manter e desenvolver os órgãos do seu sistema 
de ensino;
2. assegurar o Ensino Fundamental e oferecer o Ensino 
Médio com prioridade;
3. assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual.
O sistema municipal é formado pela Secretaria Municipal 
de Educação (SME) e o Conselho Municipal de Educação 
(CME), algumas de suas atribuições são:
1. oferecer a Educação Infantil em creches e pré-escolas 
e, com prioridade, o Ensino Fundamental, atuar atendendo a 
outras áreas apenas quando tiver sanado suas necessidades na 
totalidade;
2. assumir o transporte escolar dos alunos da rede 
municipal.
Segundo Saviani (2010), o Brasil não tem um sistema de 
educação, e sim uma estrutura educacional, pois, para ter um 
sistema, teria que desenvolver um profundo conhecimento da 
realidade e das dificuldades de cada região do país, porém, devido 
às diferenças de cada região brasileira em termos econômicos e 
culturais, isso se torna difícil.
Além disso, deve ter conhecimento da realidade das 
estruturas e dos recursos disponíveis,bem como do capital 
humano acessível para implementar políticas públicas que visem 
equalizar as diversas regiões diante das suas diferenças.
Organização e Legislação da Educação30
A educação brasileira deve compartilhar todo o 
conhecimento teórico sobre a educação, não apenas diretrizes ou 
currículos, mas conhecimentos que possam ser compartilhados 
com diferentes regiões independentemente das distâncias física 
ou econômica.
Saviani (2010) acredita que até hoje o Brasil construiu 
uma estrutura educacional marcada por leis e programas, como 
a Constituição Federal e a LDB, mas ainda não foi desenvolvida 
uma unidade educacional que buscasse a garantia de direito de 
oportunidades, e não apenas de igualdade.
O direito de oportunidade será efetivado quando se 
desenvolver um sistema educacional que busque reconhecer as 
diferenças de cada educando e que, diante dessas diferenças, 
promova uma educação de qualidade para todos.
Conselhos de Educação no Brasil
Os Conselhos de Educação no Brasil exercem a função de 
organização e planejamento, e são divididos de acordo com a 
dependência político-administrativa.
Conselho Nacional de Educação (CNE)
Foi criado em 24 de dezembro de 1995 por meio da Lei 
9.131, e é constituído pela Câmara de Educação Básica e a 
Câmara de Educação Superior; é composto por 24 membros, 
sendo 12 indicados por associações científicas e profissionais, e 
os outros nomeados pelo presidente da República.
O CNE atua auxiliando o Ministério da Educação, sendo 
uma forma de participação da sociedade nos processos decisórios 
da educação brasileira.
Conselho Estadual de Educação
O Conselho Estadual de Educação atua no sistema de ensino 
estadual. Dentre as suas atribuições está manter o intercâmbio com 
Organização e Legislação da Educação 31
o CNE e com os demais Conselhos Estaduais e Municipais de 
educação, tendo como objetivo atingir os resultados planejados.
Conselho Municipal de Educação
O Conselho Municipal de Educação é composto por 
representantes das instituições educacionais, sociedade e da 
Câmara de Vereadores dos municípios. Essa composição visa à 
participação de diversos segmentos da sociedade nos processos 
de políticas públicas relacionadas à educação.
A principal finalidade do Conselho Municipal é a criação 
dos planos municipais de educação bem como a fiscalização, 
avaliação e o acompanhamento da execução desses planos.
Diretrizes Curriculares Nacionais
As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) são normas 
discutidas e fixadas pelo CNE que orientam o planejamento 
curricular das escolas e dos sistemas de ensino da Educação 
Básica. Segundo a definição do CNE: Diretrizes Curriculares 
Nacionais são o conjunto de definições doutrinárias sobre 
princípios, fundamentos e procedimentos na Educação Básica, 
expressas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional 
de Educação, que orientarão as escolas brasileiras dos sistemas 
de ensino, na organização, na articulação, no desenvolvimento 
e na avaliação de suas propostas pedagógicas. (BRASIL, 1998)
ACESSE
“A era das diretrizes: a disputa pelo projeto de educação dos 
mais pobres”. Disponível em: https://bit.ly/2Ux9cgH.
Organização e Legislação da Educação32
A origem das DCNs está na Lei 9.384/1996, quando trata 
ser a finalidade da União estabelecer diretrizes que nortearão os 
currículos da Educação Básica.
art. 8º. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas 
de ensino.
IV – estabelecer, em colaboração com os Estados, o 
Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para 
a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que 
nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a 
assegurar formação básica comum. (BRASIL, 1996).
A criação dessas diretrizes é importante por conta da 
necessidade de criação de políticas educacionais, que garantam 
o direito de todo brasileiro ter acesso a uma formação humana e 
cidadã dentro do ambiente escolar, conforme a Lei 9.394/1996. 
Observemos os objetivos das Diretrizes:
I – sistematizar os princípios e diretrizes gerais da Educação 
Básica contidos na Constituição, na LDB e demais dispositivos 
legais, traduzindo-os em orientações que contribuam para 
assegurar a formação básica comum nacional, tendo como foco 
os sujeitos que dão vida ao currículo e à escola;
II – estimular a reflexão crítica e propositiva que deve 
subsidiar a formulação, execução e avaliação do projeto político-
pedagógico da escola de Educação Básica;
III – orientar os cursos de formação inicial e continuada de 
profissionais – docentes, técnicos, funcionários – da Educação 
Básica, os sistemas educativos dos diferentes entes federados 
e as escolas que os integram, indistintamente da rede a que 
pertençam. (BRASIL, 2013).
Com isso compreendemos que as DCNs são leis que 
regulamentam a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
(Lei 9.394/1996). Nessas constam os objetivos e as metas para 
Organização e Legislação da Educação 33
a educação, permitindo que cada instituição de ensino tenha sua 
autonomia incentivando a criação de currículos de acordo com 
as competências elencadas nas diretrizes.
As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para Educação 
Básica estabelecem bases para a Educação Infantil, o Ensino 
Fundamental e o Ensino Médio, pelas quais os sistemas federais, 
estaduais e municipais se orientarão para promover um currículo 
integralizado.
1. princípios éticos: autonomia, responsabilidade e respeito;
2. princípios políticos: direito e cidadania;
3. estético: criatividade, sensibilidade e variadas formas 
artísticas.
A educação brasileira é composta por modalidades e 
cada uma tem sua diretriz estabelecida. Após as DCNs, foram 
elaborados os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e os 
Referenciais Curriculares Nacionais (RCN); esses documentos 
abordam o currículo indicado pelas DCNs.
As Diretrizes Curriculares para Educação Infantil constam 
da Resolução n. 5, de 17 de dezembro de 2009, que apresenta a 
orientação pedagógica para a educação infantil.
A organização curricular brasileira visa garantir a 
Constituição Federal, promovendo educação de qualidade para 
todos.
Referenciais Curriculares Nacionais para Educação 
Infantil
Em 1998, visando atender as questões da Lei 9.394/1996, 
foram criados os Referenciais Curriculares Nacionais (RCNEI), 
com o objetivo de apontar metas de qualidade e ressaltar o 
desenvolvimento integral da criança, reconhecendo os direitos e 
deveres dos alunos dessa faixa etária.
Organização e Legislação da Educação34
O RCNEI foi desenvolvido por meio da mobilização 
social num amplo debate nacional, e visou sedimentar os 
direitos da Constituição Federal de 1988, superando o caráter 
assistencialista para as crianças.
O RCNEI tem o objetivo de ser um guia de orientações 
pedagógicas aos profissionais de Educação Infantil. Esse 
documento é constituído por três volumes.
O volume 1, Introdução, apresenta uma reflexão sobre 
creches e pré-escolas, trazendo uma concepção sobre criança, 
educação, instituição e educador.
ACESSE
ACESSE
Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil Vol. 1. 
Disponível em: https://bit.ly/1BJo4N5.
Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil Vol. 2. 
Disponível em: https://bit.ly/3EJPx4N.
O volume 2, Formação Pessoal e Social, trabalha-se a 
autonomia e a construção de identidade da criança.
Organização e Legislação da Educação 35
ACESSE
Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil Vol. 3. 
Disponível em: https://bit.ly/3MvJymU.
O volume 3, Conhecimento do Mundo, aborda a 
importância das experiências e o conhecimento que a criança 
tem do mundo, a construção de linguagens e suas relações.
Parâmetros Curriculares Nacionais
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) referem-
se às séries iniciais do Ensino Fundamental e visam auxiliar 
o trabalho pedagógico de modo que as crianças desenvolvam 
os conhecimentos formais deque necessitam para se tornarem 
cidadãos plenos.
ACESSE
Parâmetros Curriculares Nacionais. Disponível em: 
https://bit.ly/1WzpeV0.
A aprovação dos PCN foi realizada pelo MEC com o 
objetivo de desenvolver metas de qualidade e objetivos que 
visavam à formação de cidadãos participativos na sociedade, 
que reconhecem seus direitos e deveres.
Em 2017 surge a Base Nacional Comum Curriculares 
(BNCC), que visa, de modo geral, definir o que deve ser ensinado 
para cada estudante em cada ano de estudo da Educação Infantil 
até o Ensino Médio.
Organização e Legislação da Educação36
A partir da implementação da BNCC, o Brasil passa a ter 
uma referência curricular nacional obrigatória, na qual as escolas 
deverão se apoiar para desenvolver seus currículos.
Segundo o documento, os currículos devem ser elaborados, 
respeitando a diversidade, particularidades e o contexto em que 
a escola está inserida.
A criação da BNCC visa contribuir para diminuir a 
desigualdade de oportunidades entre os estudantes brasileiros, 
devendo cada instituição seguir uma base comum de ensino e 
incluir uma base diversificada de acordo com as especificidades 
de cada localidade onde a escola está inserida.
Plano Nacional de Educação: objetivos e 
metas
Como já pudemos estudar nos capítulos anteriores da 
nossa disciplina, o Brasil definiu leis e estatutos que garantem o 
direito das crianças em relação à educação.
Porém, ainda se observa que na prática não conseguiu 
estabelecer o que diz a lei. Dessa forma, foram desenvolvidas
20 metas para a educação que visam uma educação de 
qualidade para todos.
Convido vocês a estudarem essas metas e seus objetivos 
para que, como educadores, possamos contribuir para a 
efetivação do direito à educação.
O Plano Nacional
Em 25 de junho de 2014, a então presidenta, Dilma 
Rousseff sancionou a Lei 13.005/2014, que aprovou o novo Plano 
Nacional de Educação (PNE), com vigência até 25 de junho de 
2024, visando cumprir o disposto no artigo 214 da Constituição 
Federal de 1988:
Organização e Legislação da Educação 37
art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de 
duração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional 
de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, 
objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar 
a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos 
níveis, etapas e modalidades por meio de ações integradas 
dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que 
conduzam a:
I – erradicação do analfabetismo;
II – universalização do atendimento escolar; III - melhoria 
da qualidade do ensino;
III – formação para o trabalho;
IV – promoção humanística, científica e tecnológica do 
País;
V – estabelecimento de meta de aplicação de recursos 
públicos em educação como proporção do produto interno bruto. 
(BRASIL, 1988).
O PNE surge respaldado pela Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional como um instrumento para a evolução 
da educação brasileira. Ele apresenta, no seu artigo 2º, dez 
diretrizes que devem pautar a educação no Brasil:
I – erradicação do analfabetismo;
II – universalização do atendimento escolar;
III – superação das desigualdades educacionais, com 
ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as 
formas de discriminação;
IV – melhoria da qualidade da educação;
V – formação para o trabalho e para a cidadania, com 
ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a 
sociedade;
Organização e Legislação da Educação38
VI – promoção do princípio da gestão democrática da 
educação pública;
VII – promoção humanística, científica, cultural e 
tecnológica do País;
VIII – estabelecimento de meta de aplicação de recursos 
públicos em educação como proporção do Produto Interno Bruto 
– PIB, que assegure atendimento às necessidades de expansão, 
com padrão de qualidade e equidade;
IX – valorização dos(as) profissionais da educação;
X – promoção dos princípios do respeito aos direitos 
humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental. 
(BRASIL, 2014).
Notem que cinco desses objetivos já estavam sendo 
contemplados na Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), 
no art. 214.
“erradicação do analfabetismo; universalização do 
atendimento educacional; melhoria da qualidade 
da educação; promoção humanística e tecnológica 
do País, e estabelecimento de meta de aplicação de 
recursos públicos em educação como proporção 
do produto interno bruto.”
Metas
PNE possui 20 metas, cada uma delas seguida de estratégias, 
que abrangem todos os níveis de formação — desde a Educação 
Infantil até o Ensino Superior —, cuja fiscalização quanto ao 
cumprimento ficou a cargo do Instituto Nacional de Estudos e 
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), juntamente com 
o Congresso Nacional e o Fórum Nacional de Educação.
Organização e Legislação da Educação 39
SAIBA MAIS
A situação das metas dos planos de educação pode ser conhecida 
aqui: https://bit.ly/2Lf8Mtt.
 ■ Meta 1
Universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola 
para as crianças de quatro a cinco anos de idade e ampliar a 
oferta de educação infantil em creches de forma a atender, no 
mínimo, 50% das crianças de até três anos até o final da vigência 
deste PNE.
 ■ Meta 2
Universalizar o ensino fundamental de nove anos para 
toda a população de seis a 14 anos e garantir que pelo menos 
95% dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até 
o último ano de vigência deste PNE.
 ■ Meta 3
Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda 
a população de 15 a 17 anos e elevar, até o final do período 
de vigência deste PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino 
médio para 85%.
 ■ Meta 4
Universalizar, para a população de quatro a 17 anos, o 
atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos 
globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação 
na rede regular de ensino.
 ■ Meta 5
Alfabetizar todas as crianças, no máximo, até os oito anos 
de idade, durante os primeiros cinco anos de vigência do plano; 
no máximo, até os sete anos de idade, do sexto ao nono ano de 
Organização e Legislação da Educação40
vigência do plano; e até o final dos seis anos de idade, a partir do 
décimo ano de vigência do plano.
 ■ Meta 6
Oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 
50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% 
dos alunos da educação básica.
 ■ Meta 7
Fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas 
e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem 
de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o Ideb:
IDEB
Anos iniciais do Ensino 
Fundamental
Anos finais do Ensino 
Fundamental
Ensino Médio
2015
5,2
4,7
4,3
2017
5,5
5,0
4,7
2019
5,7
5,2
5,0
2021
6,0
5,5
5,2
 ■ Meta 8
Elevar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, 
de modo a alcançar no mínimo 12 anos de estudo no último ano 
de vigência deste Plano, para as populações do campo, da região 
de menor escolaridade no País e dos 25% mais pobres, e igualar 
a escolaridade média entre negros e não negros declarados à 
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE.)
 ■ Meta 9
Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos 
ou mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência deste 
PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a 
taxa de analfabetismo funcional.
Organização e Legislação da Educação 41
 ■ Meta 10
Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de 
jovens e adultos, na forma integrada à educação profissional, 
nos ensinos fundamental e médio.
 ■ Meta 11
Triplicar as matrículas da educação profissional técnica de 
nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 
50% de gratuidade na expansão de vagas.
 ■ Meta 12
Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 
50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, 
assegurando a qualidade da oferta.
 ■ Meta 13
Elevar a qualidade da educação superior e ampliar a 
proporçãode mestres e doutores do corpo docente em efetivo 
exercício no conjunto do sistema de educação superior para 
75%, sendo, do total, no mínimo, 35% de doutores.
 ■ Meta 14
Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-
graduação stricto sensu, de modo a atingir a titulação anual de 
60 mil mestres e 25 mil doutores.
 ■ Meta 15
Garantir, em regime de colaboração entre a União, os estados, 
o Distrito Federal e os municípios, no prazo de um ano de vigência 
deste PNE, política nacional de formação dos profissionais da 
educação de que tratam os incisos I, II e III do art. 61 da Lei 
nº 9.394/1996, assegurando-lhes a devida formação inicial, nos 
termos da legislação, e formação continuada em nível superior 
de graduação e pós-graduação, gratuita e na respectiva área de 
atuação.
Organização e Legislação da Educação42
 ■ Meta 16
Formar, até o último ano de vigência deste PNE, 50% 
dos professores que atuam na educação básica em curso de 
pós-graduação stricto ou lato sensu em sua área de atuação, e 
garantir que os profissionais da educação básica tenham acesso à 
formação continuada, considerando as necessidades e contextos 
dos vários sistemas de ensino.
 ■ Meta 17
Valorizar os profissionais do magistério das redes públicas 
de educação básica de forma a equiparar seu rendimento médio 
ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente, até o 
final do sexto ano de vigência deste PNE.
 ■ Meta 18
Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos 
de carreira para os profissionais da educação básica e superior 
pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de carreira 
dos profissionais da educação básica pública, tomar como 
referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei 
federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição 
Federal.
 ■ Meta 19
Garantir, em leis específicas aprovadas no âmbito da União, 
dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, a efetivação 
da gestão democrática na educação básica e superior pública, 
informada pela prevalência de decisões colegiadas nos órgãos 
dos sistemas de ensino e nas instituições de educação, e forma de 
acesso às funções de direção que conjuguem mérito e desempenho 
à participação das comunidades escolar e acadêmica, observada 
a autonomia federativa e das universidades.
 ■ Meta 20
Ampliar o investimento público em educação de forma a 
atingir, no mínimo, o patamar de 7% do Produto Interno Bruto 
Organização e Legislação da Educação 43
ACESSE
Observatório das Metas do Plano Nacional de Educação.
Disponível em: https://bit.ly/28Wrx3y.
Após análise das metas e objetivos, percebemos que o 
Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer em relação à 
educação. As metas são audaciosas, mas imprescindíveis para 
que a educação, no Brasil, seja capaz de promover as mudanças 
sociais, individuais e econômicas que a nossa sociedade 
necessita.
(PIB) do País no quinto ano de vigência desta Lei e, no mínimo, 
o equivalente a 10% do PIB no final do decênio.
Organização e Legislação da Educação44
UNIDADE
02
ORGANIZAÇÃO E LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Organização e Legislação da Educação46
INTRODUÇÃO
A educação brasileira apresenta um conjunto de leis, 
diretrizes e planos de base para se organizar. A lei de diretrizes 
e bases (LDB) 9394/96 trata da divisão da educação básica 
brasileira em três etapas: Educação Infantil, Ensino Fundamental 
e Ensino Médio.
Nesta unidade iremos aprender sobre cada etapa da educação 
básica, suas características, objetivos e particularidades, além de 
entender como está organizada a Educação de Jovens e Adultos 
(EJA) e a Educação Especial.
O Brasil desenvolve práticas pedagógicas por meio de 
políticas públicas democráticas que reconhecem as diferenças 
geográficas e econômicas de cada região, e que visem garantir 
uma educação significativa e de qualidade ao educando.
Enquanto educadores temos um papel crucial, pois 
reconhecendo nossa estrutura educacional e onde se pretende 
chegar, podemos efetivar na prática o que já está garantido na 
Constituição de 1988 e reafirmado na LDB 9394/96, a educação 
como um direito de todos.
Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste 
universo!
Organização e Legislação da Educação 47
OBJETIVOS
Olá, estudante, seja muito bem-vindo(a) a nossa unidade 
2, nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento de 
determinadas competências profissionais até o término desta 
etapa de estudos.
Apresentar os objetivos, a duração e a organização da 
Educação Infantil.
Analisar o Ensino Fundamental de 9 anos e seus 
objetivos, duração, organização e obrigatoriedade.
Observar a finalidade, duração, modalidade e 
organização do Ensino Médio.
Compreender a Educação de Jovens e Adultos (EJA) 
e a Educação Especial.
1
2
3
4
Então? Está preparado para uma viagem sem volta rumo 
ao conhecimento? Ao trabalho!
Organização e Legislação da Educação48
Apresentando os objetivos, duração e 
organização da Educação Infantil
A Lei de diretrizes e bases 9394/96 favoreceu para que 
a escolarização ocupasse um espaço importante nos debates da 
sociedade, repensando os objetivos, estrutura e a organização 
do ensino. Assim, ao longo desta aula iremos discorrer sobre a 
educação infantil, seus objetivos, duração e organização.
A Lei de Diretrizes e Bases e a Educação 
Infantil
Figura 1 — Educação Infantil.
Fonte: Pixabay.
Na época da colonização as crianças eram vistas como 
“mini adultos”, não era considerado os pensamentos, desejos ou 
necessidades particulares da infância.
Após a revolução industrial, com a necessidade crescente 
de urbanização e mão de obra, as mulheres foram inseridas no 
mercado de trabalho. De forma que passou a existir a necessidade 
de um lugar para se deixar os filhos, então surgiram as creches.
Organização e Legislação da Educação 49
Kishimoto (2001) relata que com a urbanização e a 
industrialização, a criança foi esquecida, tornando-se um precoce 
aprendiz.
Diante dessa crença, as instituições foram criadas com um 
caráter assistencialista, tendo como objetivo apenas o cuidar, 
enquanto pais e responsáveis estavam no trabalho.
Assim, a Constituição Federal de 1988 foi importante por 
tornar as creches um lugar de direito das famílias e de dever do 
estado. Ademais, a educação como um direito para as crianças 
de 0 a 6 anos já estava assegurado pela Constituição Federal de 
1988 e pelo Estatuto da Criança e Adolescente de 1990. Contudo, 
a transformação desse direito em diretrizes e bases promoveu 
um movimento de transformação para a educação brasileira.
A educação infantil passou a integrar a primeira etapa da 
educação básica, finalizando, dessa forma, a visão retórica do 
assistencialismo. A partir desse momento a criança começa a ser 
vista como um “ser de direito”, que precisa de uma educação 
de qualidade desde seus primeiros anos de vida, para que se 
desenvolva em um ser humano capaz de exercer a sua cidadania.
Reconhecer a criança como um “ser de direito” significa 
considerá-la como um ser humano que faz parte do processo 
educativo e que deve ser respeitado o seu falar, brincar, construir, 
aprender, observar, questionar e experimentar.
Conforme visto no artigo 22 da LDB 9394/96.
Art. 22. A educação básica tem por finalidades 
desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação 
comum indispensável para o exercício da cidadania 
e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em 
estudos posteriores. (BRASIL, 1996)
Com a Lei de Diretrizes e bases, a criança passou a ser vista 
como um ser humano com cultura própria, capaz de criar e se 
desenvolver, necessitando de muito mais do que apenas o cuidado.
Organização e Legislação da Educação50
Em 1998 o ministério da Educação publicou o Referencial 
Curricular Nacional da Educação Infantil como parte dos 
Parâmetros Curriculares Nacionais. Em 1999 o Conselho 
Nacional de Educação (CNE) publicou as Diretrizes Curriculares 
Nacionais para a Educação Infantil (DCNs).
Esses documentos orientam os trabalhosna educação 
infantil e ressaltam que o educar e o brincar devem ser 
simultâneos, favorecendo o desenvolvimento infantil.
Figura 2 — Estudar e brincar.
Fonte: Pixabay.
Ao considerar a criança como um ser cultural não podemos 
desconsiderar o ato de brincar, pois, por meio da brincadeira 
a criança aprende, se desenvolve e se relaciona. Segundo 
Kishimoto (2001), a escola deve se preocupar com ambientes 
que valorizem o brincar já que a sociedade: busca ascensão 
social e diminuição da desigualdade por meio da educação; busca 
introduzir a criança em um ambiente que acelere o aprendizado 
e desconsidere o desenvolvimento e interesses próprios de uma 
determinada faixa etária, o brincar é um desses interesses que 
acabam sendo desprezados.
Organização e Legislação da Educação 51
ACESSE
Para saber mais sobre a importância do brincar na educação 
infantil. Leia A LDB e as Instituições de Educação Infantil: 
Desafios e Perspectivas. Disponível em: https://bit.ly/30fcHdF.
Quando a criança brinca ela desenvolve a imaginação, 
Vygotsky afirma que a imaginação contribui para o 
desenvolvimento do pensamento lógico da criança.
Os primeiros anos de vida da criança contribuem 
para o desenvolvimento do seu pensamento lógico 
e também de sua imaginação, os quais caminham 
juntos: a imaginação é um momento totalmente 
necessário, inseparável do pensamento realista, 
na imaginação a direção da consciência tende a se 
afastar da realidade. (VYGOTSKY, 1989, p. 75)
Percebemos que o entendimento sobre as crianças tem se 
modificado com o passar dos anos. Até o século XVII não havia 
essa preocupação com as crianças como atualmente. Um fator a 
ser analisado são os números de mortalidade infantil na época, 
que eram visto com naturalidade, pois não havia saúde pública 
preocupada em reduzir esses números.
Atualmente existe o conceito de que as crianças são 
símbolos do futuro e investir nelas é, consequentemente, investir 
no futuro. Essa visão é nova e ainda hoje temos que desenvolver 
pensamentos sobre isso.
Assim, a preocupação com as crianças e a ideia de que 
elas são o futuro da nossa sociedade são conceitos novos que 
foram progredindo conforme o desenvolvimento da sociedade. 
A criança passa a ser vista como um sujeito de direitos e deveres 
Organização e Legislação da Educação52
a serem preservados, detentores de culturas próprias que devem 
ser consideradas.
Com essa nova concepção, a escola e o trabalho do 
docente precisaram ser repensados. Os Referenciais Curriculares 
Nacionais visam a organização de instituições educacionais e 
da prática docente, para que se promova um desenvolvimento 
efetivo das crianças.
ACESSE
Para conhecer os Referenciais Curriculares Nacionais. Leia o 
RCN disponível em https://bit.ly/1viAzMv.
Objetivos da Educação Infantil
A Lei de Diretrizes e Bases 9394/96, ao determinar que a 
educação infantil é a primeira etapa da educação básica, por meio 
do documento de Referencial Curriculares Nacional da Educação 
Básica, visa auxiliar o trabalho para a educação das crianças.
O Referencial Curricular busca determinar metas de 
qualidade que contribuam para o desenvolvimento integral da 
criança.
O referencial pretende apontar metas de qualidade 
que contribuam para que as crianças tenham um 
desenvolvimento integral de suas identidades, 
capazes de crescerem como cidadãos cujos direitos 
das crianças à infância são reconhecidos (BRASIL, 
1996).
A prática da educação Infantil deve ser organizada de 
modo que promova o desenvolvimento das crianças através de 
alguns aspectos.
Organização e Legislação da Educação 53
 ■ Desenvolver uma imagem positiva de si; atuar de forma 
independente, com confiança; e perceber suas limitações.
 ■ Descobrir e conhecer seu próprio corpo, suas 
potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando 
hábitos de cuidado com a própria saúde e bem-estar.
 ■ Estabelecer vínculos afetivos e de troca com 
adultos e crianças, fortalecendo sua autoestima e ampliando 
gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação 
social.
 ■ Observar e explorar o ambiente com atitudes de 
curiosidade, percebendo-se cada vez mais como integrante 
dependente e agente transformador do meio ambiente, 
valorizando atitudes que contribuam para sua conservação.
 ■ Brincar e expressar emoções, sentimentos, pensamentos, 
desejos e necessidades.
 ■ Utilizar diferentes linguagens — corporal, musical, 
plástica, oral e escrita —, ajustadas às diferentes intenções 
e situações de comunicação. De forma a compreender e ser 
compreendido, expressar suas ideias, sentimentos, necessidades, 
desejos e avançar em seu processo de construção de significados, 
enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva.
 ■ Conhecer algumas manifestações culturais, 
demonstrando atitudes de interesse, respeito e participação 
frente a elas, valorizando a diversidade.
O professor deve desenvolver atividades que promovam 
a independência do aluno, estimulem a confiança e promovam 
a percepção de suas limitações, visando que o educando supere 
seus limites.
O trabalho na educação infantil deve ter atividades voltadas 
para que a criança conheça seu próprio corpo, bem como hábitos 
saudáveis que contribuam com cuidados para a própria saúde.
Organização e Legislação da Educação54
Figura 3 — Conhecendo o próprio corpo.
Fonte: Pixabay.
Além disso, são necessárias atividades que valorizem a 
interação entre crianças e adultos, pois por meio da interação 
social as crianças aprendem e se desenvolvem. A criança, 
por meio da exploração e observação, deve ser estimulada a 
descobrir: o novo e atitudes de conservação do meio ambiente.
Figura 4 — A escola estimulando a descoberta do novo.
Fonte: Pixabay.
Organização e Legislação da Educação 55
O brincar é a forma que a criança tem para se comunicar, 
interagir com os outros e com o meio onde está inserida, portanto, 
o educador deve promover momentos de brincadeiras e faz de 
conta, para que a criança desenvolva emoções, sentimentos e 
pensamentos.
Também é fundamental apresentar aos alunos as 
diferentes formas de se comunicar e as diferentes formas de 
arte, estimulando situações para que eles possam expressar 
suas ideias, sentimentos e desejos, para que enriqueçam suas 
capacidades de se expressarem.
Figura 5 — Comunicação pela arte.
Fonte: Pixabay.
Conhecendo esses objetivos, concluímos a importância 
que a educação infantil tem frente ao desenvolvimento do 
aluno. Por meio da educação infantil, a criança tem acesso ao 
desenvolvimento da sua autonomia e independência, pode 
conhecer o próprio corpo, desenvolver vínculos afetivos, 
relações sociais, explorar ambientes, diferentes linguagens, 
manifestações culturais e o brincar.
O educador deve conhecer o mundo da criança, utilizando 
o lúdico e a brincadeira para desenvolver as habilidades típicas 
Organização e Legislação da Educação56
dessa faixa etária, não acelerando o processo de aprendizado, 
mas sim respeitando o desenvolvimento de cada fase infantil.
Duração da Educação Infantil
A Lei de diretrizes e bases determina que a educação 
infantil é a primeira etapa da educação básica e contempla as 
crianças de 0 anos até 5 anos de idade.
A educação infantil, segundo a LDB, tem a finalidade do 
desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social dos 
alunos, suas ações devem complementar as ações da família e 
da comunidade.
Esse assunto é muito questionado dentro das instituições 
de ensino, pois, alguns pais transferem para a escola a 
responsabilidade pela formação, educação e cuidado com as 
crianças.
No entanto, ao analisar as diretrizes, verificamos que a 
família continua com a sua responsabilidade em relação aos seus 
filhos e que a função da escola é apenas completar o trabalho 
iniciado pelos pais.
ACESSE
Para saber mais sobre a Lei de diretrizes e Bases da Educação 
Infantil. Leia a LDB. Disponível em: https://bit.ly/2JgDD4H.
Organização da Educação Infantil
A educação infantil deverá ser oferecida de uma 
determinadaforma.
 ■ Creches: o atendimento será para crianças de até 3 anos 
de idade;
Organização e Legislação da Educação 57
 ■ Pré-Escola: o atendimento será para crianças de 4 a 5 
anos de idade.
A matrícula na Educação Infantil é obrigatória a partir dos 
4 anos de idade, dessa forma, o estado deve oferecer vaga de 
acesso à todas as crianças a partir dessa idade, caso o responsável 
não efetue a matrícula da criança, poderá ser enquadrado pelo 
código penal por abandono intelectual.
Conforme o artigo 246 do código penal, o responsável que 
deixar sem justa causa de prover o acesso da criança a escola 
poderá ser multado ou sofrer detenção de 15 (quinze) dias a 1 
mês.
ACESSE
Para saber mais sobre o artigo 246 do código penal. Leia o 
código penal disponível em: https://bit.ly/2LCTEWO.
Em alguns sistemas jurídicos, como o norte americano por 
exemplo, permite-se o ensino em casa. O direito brasileiro não 
permite, ainda, essa modalidade de ensino.
Segundo a LDB 9394/96, a educação infantil será 
organizada seguindo as seguintes regras:
 ■ a avaliação deve ser realizada mediante acompanhamento 
e registro do desenvolvimento das crianças, essa avaliação não 
tem caráter classificatório para acesso ao ensino fundamental;
 ■ a carga horária mínima anual deve ser de 800 horas, 
distribuídas por um mínimo de 200 dias de trabalho educacional;
 ■ atendimento às crianças de, no mínimo, 4 horas diárias 
para o turno parcial e 7 horas para a jornada integral;
Organização e Legislação da Educação58
 ■ frequência mínima de 60% do total de horas, sendo 
controlada pela instituição de ensino;
 ■ expedir documentação que comprove os processos de 
desenvolvimento das crianças.
Uma avaliação é um fator importante para se ressaltar 
na educação infantil, deve ser um instrumento norteador da 
aprendizagem, além de promover ação reflexiva do educador 
sobre sua prática. Ao avaliar, o professor deve considerar as 
mudanças e transformações do educando frente ao processo 
educativo.
Contudo, a avaliação na educação infantil não pode ter o 
caráter classificatório, nem de promoção para continuação dos 
estudos, assim, ela deve ser um instrumento de identificação de 
conhecimentos para nortear o trabalho do professor.
ACESSE
Para saber mais sobre a avaliação na educação infantil. Leia 
Avaliação da Aprendizagem na Educação Infantil: Recurso para 
prática pedagógica. Disponível em: https://bit.ly/2Ph7NLE.
A fim de garantir a qualidade na educação infantil foram 
instituídos documentos, entre eles o Referencial Curricular 
Nacional Educação Infantil (RCNEI) que é um guia que auxilia 
a compreensão e a qualidade da educação infantil, oferecendo 
objetivos e orientações para o trabalho com as crianças.
O RCNEI está organizado por volumes.
 ■ Volume 1 Introdução: apresenta uma reflexão sobre as 
creches e pré-escolas, apresentando concepções sobre criança, 
educação, trabalho docente. 
Organização e Legislação da Educação 59
 ■ Volume 2 Formação Pessoal e Social: aborda a 
importância do trabalho de construção da identidade e autonomia 
das crianças.
 ■ Volume 3 Conhecimento do Mundo: trata da 
importância da experiência e do conhecimento de mundo por 
meio da música, artes visuais, linguagem oral e escrita, natureza 
e sociedade e matemática.
Outro documento importante são as Diretrizes Curriculares 
Nacionais da Educação Infantil (DCNEI), o qual visa garantir o 
proposto na LDB 9394/96 que prioriza a criança como o centro 
do processo de aprendizado.
1.1 Esta norma tem por objetivo estabelecer 
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação 
Infantil a serem observadas na organização de 
propostas pedagógicas na educação infantil 
(BRASIL, 2010, p. 13).
A Base Nacional Comum Curricular na Educação 
Infantil (BNCC) apresenta um conjunto de orientações sobre a 
elaboração do currículo pela escola, reforçando que a criança 
seja a protagonista do processo ensino aprendizado.
A BNCC é composta por 5 campos de experiências e
6 direitos de aprendizagem. Os direitos de aprendizagem 
na Educação Infantil visam assegurar que as crianças aprendam 
em situações diversas, sendo agente ativo no processo de 
aprendizagem em ambientes que as estimulem a vivenciar e 
superar desafios.
Tendo em vista os eixos estruturantes das práticas 
pedagógicas e as competências gerais da Educação 
Básica propostas pelo BNCC, seis direitos de 
aprendizagem e desenvolvimento asseguram, 
na Educação Infantil, as condições para que as 
crianças aprendam em situações nas quais possam 
Organização e Legislação da Educação60
desempenhar um papel ativo em ambientes que 
as convidem a vivenciar desafios e a sentirem-se 
provocadas a resolvê-los, nas quais possam construir 
significados sobre si, os outros e o mundo social e 
natural (BRASIL, 1996).
ACESSE
Para conhecer a Base Nacional de Educação. Leia BNCC. 
Disponível em: https://bit.ly/2HH3dhC.
Segundo a BNCC, na Educação Infantil são direitos de 
aprendizagem:
 ■ CONVIVER: convívio com outras crianças e adultos 
utilizando diferentes linguagens, ampliando conhecimentos 
sobre si e do outro, em relação a cultura e a diferença entre as 
pessoas.
 ■ BRINCAR: promoção do brincar diariamente em 
diversas formas e espaços, entre crianças e adultos, ampliando 
o acesso às produções culturais, imaginação, criatividade e 
experiências emocionais, corporais, sensoriais e cognitivas.
 ■ PARTICIPAR: a participação ativa de adultos e crianças 
no planejamento da gestão da escola em atividades propostas, na 
escolha das brincadeiras, materiais, ambientes e elaboração de 
conhecimentos.
 ■ EXPLORAR: a exploração de movimentos, gestos, 
sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções e transformações, 
bem como de relacionamentos, histórias, objetos, elementos da 
natureza na escola ou fora dela. Assim, ampliando saberes sobre 
a cultura.
Organização e Legislação da Educação 61
 ■ EXPRESSAR: como sujeito criativo, dialógico e sensível, 
suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses e 
descobertas por meio de diferentes linguagens.
 ■ CONHECER-SE: construir sua identidade pessoal, 
social e cultural sobre si e seus grupos de pertencimentos, nas 
diversas experiências de cuidado, interações, brincadeiras e 
linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto 
familiar e comunitário.
O documento aborda que as atividades na Educação Infantil 
devem ser planejadas de acordo com a intencionalidade educativa, 
para que desenvolva na criança a observação, o questionamento, 
o levantamento de hipóteses, o julgamento e a construção dos 
conhecimentos.
A educação infantil, segundo a BNCC, deve ter como eixo 
a brincadeira e a interação, assim, os campos de experiências são 
estruturas curriculares que interligam as experiências concretas 
da vida da criança com os conhecimentos que fazem parte do 
patrimônio cultural.
Os campos de experiência baseiam-se nas Diretrizes 
Curriculares Nacionais da Educação Infantil. São organizados 
da seguinte forma:
 ■ O eu, o outro e o nós: é na interação com adultos e 
crianças que estas vão construindo seu modo de agir, sentir e 
pensar. Nessas experiências elas podem ampliar o modo de 
perceber a si mesmas e ao outro, valorizando sua identidade, 
respeitando os outros e reconhecendo as diferenças.
 ■ Corpos, gestos e movimentos: na educação infantil 
o corpo ganha o centro do processo, dessa forma, devem ser 
estimuladas experiências que as crianças possam, por meio da 
ludicidade e interação com o outro, explorar e vivenciar um 
amplo repertório de movimentos, gestos, olhares e sons.
Organização e Legislação da Educação62
 ■ Traços, sons, cores e formas: a educação infantil deve 
promover a participação da criança em tempo de espaço para 
produção, manifestação e apreciação artística, favorecendo o 
desenvolvimento da sensibilidade, criatividade e expressão 
pessoal da criança.
Figura 6 — Desenvolvimento da criatividade.
Fonte: Pixabay.
 ■ Escuta, fala, pensamento e imaginação: a escola deve 
promover experiênciasque possibilitem a criança a falar e a 
ouvir, pois, por meio da comunicação, a criança se desenvolve 
como sujeito ativo e pertencente a um grupo social.
Figura 7 — Escuta, fala, pensamento e imaginação.
Fonte: Pixabay.
Organização e Legislação da Educação 63
 ■ Espaço, tempos, quantidades, relações e 
transformações: a educação infantil deve promover 
experiências que possibilitem que as crianças observem, 
manipulem, investiguem e explorem o meio que estão inseridas, 
levantando hipóteses e resolvendo problemas, ampliando seus 
conhecimentos do mundo físico e sociocultural.
Figura 8 — Conhecendo espaços.
Fonte: Pixabay.
A Base Nacional Comum Curricular orienta que a escola 
deve estar atenta para a transição da Educação Infantil para o 
Ensino Fundamental, para que haja continuidade do processo 
educativo que respeite as mediações e conhecimentos de cada 
fase.
Organização e Legislação da Educação64
Analisando o Ensino Fundamental de 9 
anos e seus objetivos, duração, organização 
e obrigatoriedade
Nessa aula iremos analisar e refletir sobre o Ensino 
Fundamental de 9 anos e seus objetivos, duração, obrigatoriedade 
e como deve ser a sua organização.
A LDB 9394/96 considera o ensino fundamental um nível 
da educação básica que atende as crianças a partir dos 6 anos de 
idade, um dos principais objetivos do ensino fundamental é a 
formação básica do cidadão.
Além da LDB, existem documentos como Diretrizes 
Curriculares Nacionais, Plano Nacional de Educação e Base 
Nacional Comum Curricular que norteiam o trabalho desse nível 
da educação básica.
Ao longo deste capítulo, vamos conhecer esses documentos 
e suas relações com o ensino fundamental.
Objetivos, Duração, Organização e 
Obrigatoriedade do Ensino Fundamental
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação divide a educação 
brasileira em níveis: educação básica e ensino superior.
A educação básica é subdividida em:
 ■ Educação Infantil: creches e pré-escolas;
 ■ Ensino Fundamental: anos iniciais (do 1º ao 5º ano) e 
anos finais (do 6º ao 9º ano);
 ■ Ensino médio: do 1º ao 3º ano.
Como podemos observar, o Ensino fundamental é 
a continuação da Educação infantil, para essa transição é 
Organização e Legislação da Educação 65
importante, além do equilíbrio entre as mudanças, o acolhimento 
afetivo do aluno ao ser introduzido nesse novo nível. Assim, 
evitando a fragmentação do processo de ensino e aprendizagem 
e favorecendo a continuidade da aprendizagem.
Visando minimizar esses problemas, a Base Nacional 
Comum Curricular orienta que o Ensino Fundamental – Anos 
Iniciais valorize as situações lúdicas de aprendizagem e a 
articulação com as experiências vividas na Educação Infantil.
O trabalho da escola deve prever uma progressiva 
sistematização dessa experiência e o desenvolvimento de novas 
formas de relação com o mundo dos educandos.
Os primeiros anos do Ensino Fundamental devem 
estar focados na alfabetização, garantido oportunidade de 
conhecimento da escrita e práticas de letramento.
Figura 9 — Alfabetização Infantil.
Fonte: Pixabay.
A BNCC apresenta competências e habilidades envolvidas 
no processo de alfabetização que a criança necessita desenvolver, 
são elas:
 ■ compreender diferenças entre escrita e outras formas 
gráficas (outros sistemas de representação);
Organização e Legislação da Educação66
 ■ dominar as convenções gráficas (letras maiúsculas e 
minúsculas, cursiva e script);
 ■ conhecer o alfabeto;
 ■ compreender a natureza alfabética do nosso sistema de 
escrita;
 ■ dominar as relações entre grafemas e fonemas;
 ■ saber decodificar palavras e textos escritos;
 ■ saber ler, reconhecendo globalmente as palavras;
 ■ ampliar a sacada do olhar para porções maiores de texto 
que meras palavras, desenvolvendo fluência e rapidez de leitura 
(fatiamento).
ACESSE
Para aprimorar seus conhecimento sobre a Base Nacional Comum 
Curricular, leia a BNCC. Disponível em: https://bit. ly/2skbCls.
Segundo orientação da Base Nacional Comum Curricular 
(2017), os anos finais do ensino fundamental devem propor 
atividades que promovam a progressão do conhecimento por 
meio da consolidação das aprendizagens anteriores e a ampliação 
das práticas de linguagens e experiências, com desafios mais 
complexos que permitem ressignificar o conteúdo aprendido.
O conteúdo que será desenvolvido no ensino fundamental 
será dividido em 5 áreas do conhecimento com componentes 
curriculares próprios a serem trabalhados, são eles:
ÁREA DE LINGUAGENS
Componentes curriculares: Língua Portuguesa, Arte, 
Educação Física, Língua Inglesa (ensino fundamental anos finais).
Organização e Legislação da Educação 67
Competências:
1. Compreender as linguagens como construção humana, 
histórica, social e cultural, de natureza dinâmica, reconhecendo- 
as e valorizando-as como formas de significação da realidade e 
expressão de subjetividades e identidades sociais e culturais.
2. Conhecer e explorar diversas práticas de linguagem 
(artísticas, corporais e linguísticas) em diferentes campos da 
atividade humana para continuar aprendendo, ampliar suas 
possibilidades de participação na vida social e colaborar para a 
construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva.
3. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual- 
motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital 
—, para se expressar e partilhar informações, experiências, 
ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos 
que levem ao diálogo, à resolução de conflitos e à cooperação.
4. Utilizar diferentes linguagens para defender pontos de 
vista que respeitem o outro e promovam os direitos humanos, a 
consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito 
local, regional e global, atuando criticamente frente a questões 
do mundo contemporâneo.
5. Desenvolver o senso estético para reconhecer, fruir e 
respeitar as diversas manifestações artísticas e culturais, das 
locais às mundiais, inclusive aquelas pertencentes ao patrimônio 
cultural da humanidade, bem como participar de práticas 
diversificadas, individuais e coletivas, da produção artístico- 
cultural, com respeito à diversidade de saberes, identidades e 
culturas.
6. Compreender e utilizar tecnologias digitais de informação 
e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética 
nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares), para se 
comunicar por meio das diferentes linguagens e mídias, produzir 
conhecimentos, resolver problemas e desenvolver projetos 
autorais e coletivos. (BRASIL, 2017).
Organização e Legislação da Educação68
ÁREA DE MATEMÁTICA
Componente curricular: Matemática.
Competências:
1. Reconhecer que a Matemática é uma ciência humana, 
fruto das necessidades e preocupações de diferentes culturas, 
em diferentes momentos históricos, e é uma ciência viva, que 
contribui para solucionar problemas científicos e tecnológicos e 
para alicerçar descobertas e construções, inclusive com impactos 
no mundo do trabalho.
2. Desenvolver o raciocínio lógico, o espírito de investigação 
e a capacidade de produzir argumentos convincentes, recorrendo 
aos conhecimentos matemáticos para compreender e atuar no 
mundo.
3. Compreender as relações entre conceitos e procedimentos 
dos diferentes campos da Matemática (Aritmética, Álgebra, 
Geometria, Estatística e Probabilidade) e de outras áreas do 
conhecimento, sentindo segurança quanto à própria capacidade de 
construir e aplicar conhecimentos matemáticos, desenvolvendo 
a autoestima e a perseverança na busca de soluções.
4. Fazer observações sistemáticas de aspectos quantitativos 
e qualitativos presentes nas práticas sociais e culturais, de modo 
a investigar, organizar, representar e comunicar informações 
relevantes, para interpretá-las e avaliá-las crítica e eticamente, 
produzindo argumentos convincentes.
5. Utilizar processos e ferramentas matemáticas, inclusive 
tecnologias digitais disponíveis, para modelar e resolver 
problemas cotidianos, sociais e de outras áreasde conhecimento, 
validando estratégias e resultados.
6. Enfrentar situações-problema em múltiplos contextos, 
incluindo-se situações imaginadas, não diretamente relacionadas 
com o aspecto prático-utilitário, expressar suas respostas e 
sintetizar conclusões, utilizando diferentes registros e linguagens 
Organização e Legislação da Educação 69
(gráficos, tabelas, esquemas, além de texto escrito na língua 
materna e outras linguagens para descrever algoritmos, como 
fluxogramas, e dados).
7. Desenvolver e/ou discutir projetos que abordem, 
sobretudo, questões de urgência social, com base em princípios 
éticos, democráticos, sustentáveis e solidários, valorizando a 
diversidade de opiniões de indivíduos e de grupos sociais, sem 
preconceitos de qualquer natureza.
8. Interagir com seus pares de forma cooperativa, 
trabalhando coletivamente no planejamento e desenvolvimento 
de pesquisas para responder a questionamentos e na busca 
de soluções para problemas, de modo a identificar aspectos 
consensuais ou não na discussão de uma determinada questão, 
respeitando o modo de pensar dos colegas e aprendendo com 
eles. (BRASIL, 2017).
ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA
Componente curricular: Ciências.
Competências:
1. Compreender as Ciências da Natureza como 
empreendimento humano, e o conhecimento científico como 
provisório, cultural e histórico.
2. Compreender conceitos fundamentais e estruturas 
explicativas das Ciências da Natureza, bem como dominar 
processos, práticas e procedimentos da investigação científica, 
de modo a sentir segurança no debate de questões científicas, 
tecnológicas, socioambientais e do mundo do trabalho, continuar 
aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade 
justa, democrática e inclusiva.
3. Analisar, compreender e explicar características, 
fenômenos e processos relativos ao mundo natural, social e 
tecnológico (incluindo o digital), como também as relações 
Organização e Legislação da Educação70
que se estabelecem entre eles, exercitando a curiosidade para 
fazer perguntas, buscar respostas e criar soluções (inclusive 
tecnológicas) com base nos conhecimentos das Ciências da 
Natureza.
4. Avaliar aplicações e implicações políticas, 
socioambientais e culturais da ciência e de suas tecnologias 
para propor alternativas aos desafios do mundo contemporâneo, 
incluindo aqueles relativos ao mundo do trabalho.
5. Construir argumentos com base em dados, evidências e 
informações confiáveis e negociar e defender ideias e pontos de 
vista que promovam a consciência socioambiental e o respeito 
a si próprio e ao outro, acolhendo e valorizando a diversidade 
de indivíduos e de grupos sociais, sem preconceitos de qualquer 
natureza.
6. Utilizar diferentes linguagens e tecnologias digitais de 
informação e comunicação para se comunicar, acessar e disseminar 
informações, produzir conhecimentos e resolver problemas das 
Ciências da Natureza de forma crítica, significativa, reflexiva e 
ética.
7. Conhecer, apreciar e cuidar de si, do seu corpo e bem-
estar, compreendendo-se na diversidade humana, fazendo- se 
respeitar e respeitando o outro, recorrendo aos conhecimentos 
das Ciências da Natureza e às suas tecnologias.
8. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, 
responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, 
recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza para 
tomar decisões frente a questões científico- tecnológicas 
e socioambientais e a respeito da saúde individual e coletiva, 
com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e 
solidários. (BRASIL, 2017).
Organização e Legislação da Educação 71
ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS
Componente curricular: Geografia e História.
Competências:
1. Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, 
de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade 
plural e promover os direitos humanos.
2. Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio 
técnico-científico-informacional com base nos conhecimentos 
das Ciências Humanas, considerando suas variações de 
significado no tempo e no espaço, para intervir em situações 
do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo 
contemporâneo.
3. Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser 
humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade 
e propondo ideias e ações que contribuam para a transformação 
espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das 
dinâmicas da vida social.
4. Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas 
com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com 
base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, 
promovendo o acolhimento e a valorização da diversidade de 
indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas 
e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
5. Comparar eventos ocorridos simultaneamente no 
mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em 
tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados.
6. Construir argumentos, com base nos conhecimentos das 
Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões 
que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência 
socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo 
voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade 
justa, democrática e inclusiva.
Organização e Legislação da Educação72
7. Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica 
e diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação 
e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-
temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, 
simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão. (BRASIL, 2017).
ÁREA DO ENSINO RELIGIOSO
Componente curricular: Ensino Religioso.
Competências:
1. Conhecer os aspectos estruturantes das diferentes 
tradições/movimentos religiosos e filosofias de vida, a partir de 
pressupostos científicos, filosóficos, estéticos e éticos.
2. Compreender, valorizar e respeitar as manifestações 
religiosas e filosofias de vida, suas experiências e saberes, em 
diferentes tempos, espaços e territórios.
3. Reconhecer e cuidar de si, do outro, da coletividade e da 
natureza, enquanto expressão de valor da vida.
4. Conviver com a diversidade de crenças, pensamentos, 
convicções, modos de ser e viver.
5. Analisar as relações entre as tradições religiosas e 
os campos da cultura, da política, da economia, da saúde, da 
ciência, da tecnologia e do meio ambiente.
6. Debater, problematizar e posicionar-se frente aos 
discursos e práticas de intolerância, discriminação e violência 
de cunho religioso, de modo a assegurar os direitos humanos no 
constante exercício da cidadania e da cultura de paz. (BRASIL, 
2017).
Organização e Legislação da Educação 73
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (9394/96), em 
seu artigo 32º, o objetivo do Ensino Fundamental é a formação 
básica do cidadão. Segundo a LDB, a formação básica se dará 
através dos seguintes meios:
I – o desenvolvimento da capacidade de aprender, 
tendo como meios básicos o pleno domínio da 
leitura, da escrita e do cálculo;
II – a compreensão do ambiente natural e social, 
do sistema político, da tecnologia, das artes e dos 
valores em que se fundamenta a sociedade;
III – o desenvolvimento da capacidade de 
aprendizagem, tendo em vista a aquisição de 
conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes 
e valores;
IV – o fortalecimento dos vínculos de família, dos 
laços de solidariedade humana e de tolerância 
recíproca em que se assenta a vida social. (BRASIL, 
1996).
Buscando reafirmar e promover os objetivos propostos na 
LDB em relação ao ensino fundamental, o conselho nacional de 
educação estabeleceu as Diretrizes Curriculares para o Ensino 
Fundamental (DCN).
ACESSE
Para saber mais sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para 
o Ensino Fundamental, leia as DCNs. Disponível em: https://bit. 
ly/2skbCls.
Organização e Legislação da Educação74
Segundo as DCNs, para o ensino fundamental,as escolas 
deverão estabelecer princípios para nortear seus trabalhos.
a. Princípios Éticos da autonomia, responsabilidade, 
solidariedade e do respeito ao bem comum.
b. Princípios Políticos dos direitos e deveres de cidadania, 
do exercício à criticidade e do respeito à ordem democrática.
c. Princípios Estéticos da sustentabilidade, criatividade, 
diversidade de manifestações artísticas e culturais.
 ■ As escolas devem promover o reconhecimento pessoal 
de alunos, professores e a identidade da unidade escolar.
 ■ As escolas devem reconhecer que o processo de 
aprendizagem é constituído pela interação com o conhecimento, 
linguagem e interação afetiva. O diálogo deve favorecer o 
protagonismo do aluno na educação e também a construção de 
valores indispensáveis à vida cidadã.
 ■ Todas as escolas devem garantir a igualdade de acesso 
aos alunos à uma Base Nacional Comum, de forma que seja 
legitimada uma educação de qualidade.
 ■ As escolas deverão desenvolver propostas curriculares 
que tenham relação com a comunidade local, de modo que 
desenvolvam cidadãos capazes de serem protagonistas e 
responsáveis por si, família e comunidade. (BRASIL, 2013)
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) foram 
desenvolvidos para que as instituições de ensino tivessem 
parâmetros para desenvolver uma educação de qualidade. 
Segundo o documento, o objetivo do ensino fundamental é que 
os alunos sejam capazes de:
 ■ compreender a cidadania como participação social e 
política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, 
civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, 
cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo 
para si o mesmo respeito;
Organização e Legislação da Educação 75
 ■ posicionar-se de maneira crítica, responsável e 
construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo 
como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas;
 ■ conhecer características fundamentais do Brasil nas 
dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir 
progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o 
sentimento de pertinência ao País;
 ■ conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio 
sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais 
de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer 
discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, 
de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais 
e sociais;
 ■ perceber-se integrante, dependente e agente 
transformador do ambiente, identificando seus elementos e as 
interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria 
do meio ambiente;
 ■ desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e 
o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física, 
cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção 
social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e 
no exercício da cidadania;
 ■ conhecer e cuidar do próprio corpo, valorizando e 
adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da 
qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à 
sua saúde e à saúde coletiva;
 ■ utilizar as diferentes linguagens — verbal, matemática, 
gráfica, plástica e corporal — como meio para produzir, expressar 
e comunicar suas idéias, interpretar e usufruir das produções 
culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a 
diferentes intenções e situações de comunicação;
 ■ saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos 
tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos;
Organização e Legislação da Educação76
 ■ questionar a realidade formulando-se problemas e 
tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento 
lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica, 
selecionando procedimentos e verificando sua adequação 
(BRASIL, 1997).
Ao analisar os objetivos do ensino fundamental, 
observamos que os diversos documentos sobre o assunto visam 
garantir a formação de indivíduos críticos e aptos a conviver em 
sociedade.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9394/96 
estabelece, em seu artigo 32, que o ensino fundamental deveria 
ter a duração de 08 anos. Esse artigo teve alteração por meio 
da Lei 11.274 de 2006, onde o ensino fundamental obrigatório 
passou a ter a duração de 9 anos.
O objetivo do governo com essa proposta é oportunizar 
um maior tempo do educando no convívio escolar, oferecendo 
maior oportunidade de aprender e de ter uma educação de maior 
qualidade.
Nesse sentido, podemos ver o ensino fundamental 
de nove anos como mais uma estratégia de 
democratização e acesso à escola. A Lei nº. 11.274, 
de 6 de fevereiro de 2006, assegura o direito das 
crianças de seis anos à educação formal, obrigando 
as famílias a matriculá-las e o Estado a oferecer o 
atendimento (BRASIL, 2007, p. 27).
Ao analisarmos a citação acima verificamos que o discurso 
do governo na defesa do ensino fundamental de 9 anos busca 
reafirmar um direito garantido desde a constituição, o acesso à 
uma educação de qualidade para todos e a garantia de vaga e 
estrutura adequada.
Por lei o ensino fundamental tem como característica ser 
obrigatório e gratuito e com duração de 9 anos, devendo ser 
Organização e Legislação da Educação 77
iniciado com 6 anos de idade completos até 31 de março do ano 
da matrícula.
A Resolução nº 7 de 14 de Dezembro de 2010 do Conselho 
Nacional de Educação (CNE) aborda as regras do corte etário 
para as matrículas.
Art. 8º O Ensino Fundamental, com duração de 9 
anos, abrange a população na faixa etária dos 6 aos 
14 (quatorze) anos de idade e se estende, também, a 
todos os que na idade própria, não tiveram condições 
de frequentá-lo.
§ 1º É obrigatória a matrícula no Ensino Fundamental 
de crianças com 6 anos completos ou a completar até 
o dia 31 de março do ano em que ocorrer a matrícula, 
nos termos da Lei e das normas nacionais vigentes. 
§ 2º As crianças que completarem 6 anos após essa 
data deverão ser matriculadas na Educação Infantil 
(Pré-Escola) (BRASIL, 2010).
Como vimos, desde 2010 a regra está prevista, no entanto, 
diversos estabelecimentos de ensino pelo Brasil, principalmente 
os particulares, não consideravam esse corte para efetuar a 
matrícula dos alunos nas escolas.
Devido esse cenário, o MEC (Ministério da Educação e 
Cultura) por meio da Portaria nº 1.035/2018, publicou o Parecer 
CNE/CEB nº 2/2018, reafirmando as regras do corte etário já 
citados pelo CNE em 2010.
ACESSE
Para saber mais sobre o Conselho Nacional de Educação, leia o 
arquivo sugerido. Disponivel em: https://bit.ly/2FSWJOF.
Organização e Legislação da Educação78
Conforme aborda o Conselho Nacional de Educação em 2018:
3. O Ensino Fundamental, com duração de 9 anos, 
abrange a população na faixa etária dos 6 aos 14 
(quatorze) anos de idade e se estende, também, a 
todos os que, na idade própria, não tiveram condições 
de frequentá-lo, nos termos da Resolução CNE/CEB 
nº 7/2010.
a) É obrigatória a matrícula no Ensino Fundamental 
de crianças com 6 anos completos ou a completar até 
o dia 31 de março do ano em que ocorrer a matrícula, 
nos termos da Lei e das normas nacionais vigentes.
b) As crianças que completarem 6 anos após essa 
data deverão ser matriculadas na Educação Infantil, 
na etapa da pré-escola.
4. Excepcionalmente, as crianças que, até a data 
da publicação desta Resolução, já se encontram 
matriculadas e frequentando instituições educacionais 
de Educação Infantil (creche ou pré-escola) devem 
ter a sua progressão assegurada, sem interrupção, 
mesmo que sua data de nascimento seja posterior 
ao dia 31 de março, considerando seus direitos 
de continuidade e prosseguimento sem retenção 
(BRASIL, 2018).
O Conselho Nacional de Educação, além da idade de corte 
para a matrícula no ensino fundamental, também determina que 
o Ensino fundamental deverá ter a carga horária mínima de 800 
horas de aula e pelo menos 200 dias letivos de atividade escolar. 
Conforme o artigo 3º.
§ 3º A carga horária mínimaanual do Ensino 
Fundamental regular será de 800 (oitocentas) horas 
relógio, distribuídas em, pelo menos, 200 (duzentos) 
dias de efetivo trabalho escolar (BRASIL, 2018).
Organização e Legislação da Educação 79
Com a análise desse capítulo podemos verificar que o 
Ensino Fundamental é uma etapa importante no desenvolvimento 
infantil, dessa forma, há a necessidade de ter uma proposta 
pedagógica que atenda a necessidade do educando e promova 
cidadãos aptos a contribuir com a sociedade.
Ensino Médio: Finalidade, Duração, 
Modalidades e Organização
O ensino médio, segundo a LDB 9394/96, é compreendido 
como a etapa final da Educação Básica, com duração de 3 anos 
tendo como finalidade:
I – a consolidação e o aprofundamento dos 
conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, 
possibilitando o prosseguimento de estudos;
II – a preparação básica para o trabalho e a cidadania 
do educando, para continuar aprendendo, de modo 
a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a 
novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento 
posteriores;
III – o aprimoramento do educando como 
pessoa humana, incluindo a formação ética e o 
desenvolvimento da autonomia intelectual e do 
pensamento crítico; 
IV – a compreensão dos fundamentos científico- 
tecnológicos dos processos produtivos, relacionando 
a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina 
(BRASIL, 1996).
Analisando as finalidades do Ensino Médio, podemos 
perceber a preocupação em consolidar os conhecimentos e a 
preparação para o trabalho e para cidadania. No entanto, esses 
objetivos não foram atingidos, sendo necessárias novas reflexões 
sobre o tema. A Resolução do CNE/CEB nº 4/2010 define as 
Organização e Legislação da Educação80
Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio, essas diretrizes 
visavam melhorar a educação por meio de uma formação 
mais humana que não se limite ao vestibular e prepare futuros 
cidadãos.
Com o objetivo de preparar os alunos para se tornarem 
cidadãos plenos, preparados para os desafios do século XXI, foi 
desenvolvida a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) para 
o ensino médio, contendo aprendizagens essenciais para todos 
os alunos.
ACESSE
Para entender mais sobre a Base Nacional do Ensino Médio. 
Disponível em: https://bit.ly/2RTh4s2.
ÁREA DE LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS
Figura 10 — Artes.
Fonte: Unsplash.
Componentes curriculares: Arte, Educação Física, Língua 
Inglesa e Língua Portuguesa.
Organização e Legislação da Educação 81
Competências:
1. Compreender o funcionamento das diferentes linguagens 
e práticas (artísticas, corporais e verbais) e mobilizar esses 
conhecimentos na recepção e produção de discursos nos 
diferentes campos de atuação social e nas diversas mídias, para 
ampliar as formas de participação social, o entendimento e as 
possibilidades de explicação e interpretação crítica da realidade 
e para continuar aprendendo.
2. Compreender os processos identitários, conflitos e 
relações de poder que permeiam as práticas sociais de linguagem, 
respeitar as diversidades, a pluralidade de ideias e posições e 
atuar socialmente com base em princípios e valores assentados na 
democracia, na igualdade e nos Direitos Humanos, exercitando 
a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, e 
combatendo preconceitos de qualquer natureza.
3. Utilizar diferentes linguagens (artísticas, corporais 
e verbais) para exercer, com autonomia e colaboração, 
protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva, de forma 
crítica, criativa, ética e solidária, defendendo pontos de vista 
que respeitem o outro e promovam os Direitos Humanos, a 
consciência socioambiental e o consumo responsável, em âmbito 
local, regional e global.
4. Compreender as línguas como fenômeno (geo)político, 
histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos 
de uso, reconhecendo-as e vivenciando-as como formas 
de expressões identitárias, pessoais e coletivas, bem como 
respeitando as variedades linguísticas e agindo no enfrentamento 
de preconceitos de qualquer natureza. Compreender os múltiplos 
aspectos que envolvem a produção de sentidos nas práticas 
sociais da cultura corporal de movimento, reconhecendo- as 
e vivenciando-as como formas de expressão de valores e 
identidades, em uma perspectiva democrática e de respeito à 
diversidade.
Organização e Legislação da Educação82
5. Apreciar esteticamente as mais diversas produções 
artísticas e culturais, considerando suas características locais, 
regionais e globais, e mobilizar seus conhecimentos sobre 
as linguagens artísticas para dar significado e (re)construir 
produções autorais individuais e coletivas, de maneira crítica e 
criativa, com respeito à diversidade de saberes, identidades e 
culturas.
6. Mobilizar práticas de linguagem no universo digital, 
considerando as dimensões técnicas, críticas, criativas, éticas 
e estéticas, para expandir as formas de produzir sentidos, de 
engajar-se em práticas autorais e coletivas, e de aprender a 
aprender nos campos da ciência, cultura, trabalho, informação e 
vida pessoal e coletiva. (BRASIL, 2018).
ÁREA DE MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS
Figura 11 — Números.
Fonte: Pixabay.
Componente curricular: Matemática.
Competências:
1. Utilizar estratégias, conceitos e procedimentos 
matemáticos para interpretar situações em diversos contextos, 
sejam atividades cotidianas, sejam fatos das Ciências da Natureza 
Organização e Legislação da Educação 83
e Humanas, ou ainda questões econômicas ou tecnológicas, 
divulgados por diferentes meios, de modo a consolidar uma 
formação científica geral.
2. Articular conhecimentos matemáticos ao propor e/
ou participar de ações para investigar desafios do mundo 
contemporâneo e tomar decisões éticas e socialmente 
responsáveis, com base na análise de problemas de urgência 
social, como os voltados a situações de saúde, sustentabilidade, 
das implicações da tecnologia no mundo do trabalho, entre 
outros, recorrendo a conceitos, procedimentos e linguagens 
próprios da Matemática.
3. Utilizar estratégias, conceitos e procedimentos 
matemáticos, em seus campos — Aritmética, Álgebra, 
Grandezas e Medidas, Geometria, Probabilidade e Estatística 
—, para interpretar, construir modelos e resolver problemas em 
diversos contextos, analisando a plausibilidade dos resultados 
e adequação das soluções propostas, de modo a construir 
argumentação consistente.
4. Compreender e utilizar, com flexibilidade e fluidez, 
diferentes registros de representação matemáticos (algébrico, 
geométrico, estatístico, computacional etc.), na busca de solução 
e comunicação de resultados de problemas, de modo a favorecer 
a construção e o desenvolvimento do raciocínio matemático.
5. Investigar e estabelecer conjecturas a respeito de 
diferentes conceitos e propriedades matemáticas, empregando 
recursos e estratégias como observação de padrões, 
experimentações e tecnologias digitais, identificando a 
necessidade, ou não, de uma demonstração cada vez mais formal 
na validação das competências conjecturas. (BRASIL, 2018).
Organização e Legislação da Educação84
Área de Ciências da Natureza e suas 
Tecnologias
Figura 12 — Ciências da Natureza.
Fonte: Pixabay.
Componente curricular: Ciências.
Competências:
1. Analisar fenômenos naturais e processos tecnológicos, 
com base nas relações entre matéria e energia, para propor ações 
individuais e coletivas que aperfeiçoem processos produtivos, 
minimizem impactos socioambientais e melhorem as condições 
de vida em âmbito local, regional e/ou global.
2. Construir e utilizar interpretações sobre a dinâmica da 
Vida, da Terra e do Cosmos para elaborar argumentos, realizar 
previsões sobre o funcionamento e a evolução dos seres vivos e 
do Universo, e fundamentar decisões éticas e responsáveis.
3. Analisar situações-problema e avaliar aplicações do 
conhecimento científico e tecnológico e suas implicações no 
mundo, utilizando procedimentos e linguagens próprios das 
Ciências da Natureza, para propor soluções que considerem 
demandaslocais, regionais e/ou globais, e comunicar suas 
Organização e Legislação da Educação 85
descobertas e conclusões a públicos variados, em diversos 
contextos e por meio de diferentes mídias e tecnologias digitais 
de informação e comunicação (TDIC). (BRASIL, 2018).
Área de Ciências Humanas e Sociais 
Aplicadas
Figura 13 — Ciências Sociais.
Fonte: Pixabay.
Componente curricular: Política e Trabalho, Tempo e 
Espaço, Território e Fronteira, Indivíduo, Natureza, Sociedade, 
Cultura e Ética, Política e Trabalho.
Competências:
1. Analisar processos políticos, econômicos, sociais, 
ambientais e culturais nos âmbitos local, regional, nacional 
e mundial em diferentes tempos, a partir de procedimentos 
epistemológicos e científicos, de modo a compreender e 
posicionar-se criticamente com relação a esses processos e às 
possíveis relações entre eles.
2. Analisar a formação de territórios e fronteiras em diferentes 
tempos e espaços, mediante a compreensão dos processos 
Organização e Legislação da Educação86
sociais, políticos, econômicos e culturais geradores de conflito e 
negociação, desigualdade e igualdade, exclusão e inclusão e de 
situações que envolvam o exercício arbitrário do poder.
3. Contextualizar, analisar e avaliar criticamente as relações 
das sociedades com a natureza e seus impactos econômicos 
e socioambientais, com vistas à proposição de soluções que 
respeitem e promovam a consciência e a ética socioambiental 
e o consumo responsável em âmbito local, regional, nacional e 
global.
4. Analisar as relações de produção, capital e trabalho em 
diferentes territórios, contextos e culturas, discutindo o papel 
dessas relações na construção, consolidação e transformação das 
sociedades.
5. Reconhecer e combater as diversas formas de 
desigualdade e violência, adotando princípios éticos, 
democráticos, inclusivos e solidários, e respeitando os Direitos 
Humanos.
6. Participar, pessoal e coletivamente, do debate público de 
forma consciente e qualificada, respeitando diferentes posições, 
com vistas a possibilitar escolhas alinhadas ao exercício da 
cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, 
consciência crítica e responsabilidade. (BRASIL, 2018).
As áreas do conhecimento descritas na Base Nacional 
da Educação Ensino Médio contêm Competências Gerais e 
Específicas, com o objetivo de desenvolver competências que 
possibilitem o aluno não apenas a adquirir conhecimento para a 
conclusão do ensino médio e o acesso ao ensino superior, mas 
que possam interpretar o mundo ao seu redor e contribuir por 
meio de ações e reflexões com a sociedade da qual fazem parte.
O Ensino Médio passou por uma reforma, por meio da 
Medida Provisória nº 748/2016, com objetivo de melhorar a 
qualidade da educação, diminuir a evasão escolar e elevar o 
atendimento de adolescentes entre 15 e 17 anos.
Organização e Legislação da Educação 87
ACESSE
Para entender mais o debate sobre a reforma do ensino médio. 
Acesse a matéria sugerida. Disponível em: https://bit.ly/2ffbqA2.
Na reforma, o ensino médio profissionalizante passou por 
novas regras, sendo elas:
 ■ cursar 1.800 horas-aula dedicadas à área do 
conhecimento;
 ■ cursar 1.200 horas para itinerários formativo de livre 
escolha dos alunos, compostos por 5 áreas de conhecimentos 
(Linguagens suas tecnologias, Matemática, Ciência da Natureza, 
Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e Formação Técnica e 
Profissional).
Durante o estudo sobre a etapa da educação básica, é 
possível analisar que o assunto sobre a qualidade da educação 
está em constante debate. Alguns resultados apresentados por 
avaliações externas demonstram a fragilidade da educação 
através dos altos índices de evasão escolar entre os jovens de 15 
a 17 anos.
Sendo assim, evidencia-se iniciativas educacionais 
importantes e significativas, objetivando o aluno como 
protagonista do seu conhecimento, buscando uma educação de 
qualidade para todos de acordo com a Constituição Federal de 
1988.
Organização e Legislação da Educação88
Figura 14 — Jovens e adultos na escola.
Fonte: Pixabay.
Educação de Jovens e Adultos
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é o ensino para 
aqueles que não tiveram a oportunidade de cursar os estudos na 
idade apropriada. Conforme prevê a Lei de Diretrizes e Bases 
9394/96: “A educação de jovens e adultos será destinada àqueles 
que não tiveram acesso ou oportunidade de estudos no ensino 
fundamental e médio na idade própria” (BRASIL, 1996).
Configura-se como uma política social, uma vez que 
por meio da construção do conhecimento cria condições 
para melhorar a oportunidade de vida, trabalho e inserção na 
sociedade, pois muitas vezes essas pessoas, pela interrupção dos 
seus estudos, se sentem excluídas de uma vida social.
Para que o ensino seja significativo segundo as Diretrizes 
Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos 
(2010), devem ser considerados interesses, perfis e faixas etárias, 
onde a escola deve proporcionar princípios de equidade e um 
projeto pedagógico próprio para atender essas especificidades.
Organização e Legislação da Educação 89
Para entender um pouco mais sobre as Diretrizes Curriculares 
Nacionais para o EJA, leia as DCNs. Disponível em https://bit.
ly/3LkZGXZ.
ACESSE
A escola deve, ao conhecer quem é o aluno do EJA, 
promover atividades que estimulem a troca de experiência entre 
os alunos, considerando suas vivências e a partir desses relatos 
promover exercícios que busquem a reflexão e construção de 
novos conhecimentos.
Figura 15 — Interação de adultos em sala de aula.
Fonte: Pixabay.
A carga horária para os cursos de Educação de Jovens e 
Adultos (EJA) é:
 ■ duração mínima de 1.600 horas para séries finais do 
Ensino Fundamental;
 ■ duração mínima de 1.200 horas para o Ensino Médio.
Organização e Legislação da Educação90
O EJA é um importante instrumento para atender uma 
das metas do Plano Nacional de Educação, que visa até 2024 
erradicar o analfabetismo. Para alcançar esse objetivo os Estados 
e os Municípios devem dividir a responsabilidade e possibilitar 
a oferta de acesso e oportunidade assegurado pela Constituição 
Federal para todos.
ACESSE
Para conhecer as metas do Plano Nacional de Educação. 
Leia Planejando a Próxima Década, disponível em: 
https://bit.ly/1tdckZX.
Educação Especial
A Educação Especial é uma modalidade que se refere às 
pessoas com necessidades especiais, o atendimento educacional 
deve ser realizado prioritariamente em escolas regulares.
Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, 
a modalidade de Educação escolar, oferecida preferencialmente 
na rede regular de ensino, para educandos portadores de 
necessidades especiais (BRASIL, 1996).
A Educação Especial tem os mesmos objetivos de uma 
educação regular, o que se diferencia é que o atendimento 
deve ser considerado a partir das diferenças do educando. As 
diferenças dos educandos na educação especial são divididas em 
categorias, são elas:
 ■ Treináveis: necessitam de ajuda e supervisão;
 ■ Educáveis: frequentam escolas regulares e, no contra 
turno, classes especiais.
Organização e Legislação da Educação 91
A Declaração Mundial de Educação para todos, aprovada 
em 1990, trata da universalização de acesso e o princípio de 
equidade em relação aos alunos com deficiência que possuem 
necessidades especiais.
O termo equidade significa dar as mesmas condições e 
oportunidades para que todos atinjam os mesmos resultados, 
garantindo a igualdade de direitos para todos.
A Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 determina que a 
educação de pessoas com necessidades especiais deve ocorrer 
preferencialmente em estabelecimentos de ensino regular, sendo 
o seu acesso dever do Estado e da Família.
O artigo 59 da LDB orienta que as escolas devem garantir 
aos estudantes:
I – currículos, métodos, técnicas, recursos 
educativos e organização específicos, para atender 
às suas necessidades;
II – terminalidade específica para aqueles que não 
puderem atingir o nívelexigido para a conclusão 
do ensino fundamental, em virtude de suas 
deficiências, e aceleração para concluir em menor 
tempo o programa escolar para os superdotados;
III – professores com especialização adequada 
em nível médio ou superior, para atendimento 
especializado, bem como professores do ensino 
regular capacitados para a integração desses 
educandos nas classes comuns;
IV – educação especial para o trabalho, visando 
a sua efetiva integração na vida em sociedade, 
inclusive condições adequadas para os que não 
revelarem capacidade de inserção no trabalho 
competitivo, mediante articulação com os 
órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que 
Organização e Legislação da Educação92
apresentam uma habilidade superior nas áreas 
artística, intelectual ou psicomotora;
V – acesso igualitário aos benefícios dos 
programas sociais suplementares disponíveis para 
o respectivo nível do ensino regular (BRASIL, 
1996).
ACESSE
Para saber mais sobre o artigo 59 da LDB. Disponível em: 
https://bit.ly/2USezqp.
O Brasil, nos últimos anos, tem se destacado por possibilitar 
o acesso à escola comum aos alunos com deficiência. No entanto, 
deve ser observado que o fato de permitir o acesso não torna a 
inclusão efetiva, pois a inclusão vai além do acesso, abrange a 
transformação da escola em um lugar significativo.
Transformar a escola significa, portanto, criar as condições 
para que todos os alunos possam atuar efetivamente nesse espaço 
educativo, focando as dificuldades do processo de construção 
para o ambiente escolar e não para as características particulares 
dos alunos (IBGE/MEC, 2010, p. 34).
A inclusão leva em consideração a preparação da escola, 
professores e profissionais da educação, para estarem aptos a 
receberem esses alunos independentes das suas especificidades.
Muitas vezes encontramos professores que possuem 
resistência em aceitar alunos com necessidades especiais em sua 
sala de aula, por falta de conhecimento e preparo ou por receio 
de ter que preparar uma proposta pedagógica que se adeque as 
necessidades desses educandos.
Organização e Legislação da Educação 93
Sabemos da dificuldade de estrutura e número de alunos 
por sala, no entanto, o papel do educador é ser agente de 
transformação. A escola só conseguirá promover a transformação 
da educação se criar oportunidade para todos aprenderem e 
terem seus direitos e especificidades respeitados.
Conforme aborda Mantoan (1998):
[...] uma verdadeira transformação da escola, de tal 
modo que o aluno tenha a oportunidade de aprender, 
mas na condição de que sejam respeitados as suas 
peculiaridades, necessidades e interesses, a sua 
autonomia intelectual, o ritmo e suas condições de 
assimilação dos conteúdos curriculares (MANTOAN, 
1998, p. 3).
A escola deve propiciar momentos de reflexões e respeito 
às diferenças, criar oportunidades para que todos se desenvolvam 
independente das suas dificuldades, propiciando um ambiente 
que favoreça a construção de futuros cidadãos aptos a lidar com 
as diferenças e exercer sua cidadania.
Organização e Legislação da Educação94
UNIDADE
03
CURRÍCULO, AVALIAÇÃO, FORMAÇÃO DOCENTE E RECURSOS PARA A EDUCAÇÃO.
Organização e Legislação da Educação96
INTRODUÇÃO
Durante a evolução da nossa sociedade, encontramos 
significativos progressos nos assuntos que tangem a educação 
seja no currículo, na formação docente, na avaliação ou nos 
recursos para a educação.
Nessa unidade iremos conhecer sobre a evolução e o 
entendimento sobre currículos e a forma com que eles refletem 
na formação do educando, iremos compreender sobre o processo 
avaliativo e sua função no processo ensino aprendizado.
Outro assunto que impacta a qualidade da educação é 
a formação dos professores, iremos discutir sobre como se 
estrutura essa formação e como o plano nacional de educação 
visa utilizar essa formação como mecanismo de melhora da 
educação.
Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai 
mergulhar neste universo!
Organização e Legislação da Educação 97
OBJETIVOS
Olá, querido(a) aluno(a). Seja muito bem-vindo a nossa 
Unidade 3 — Currículo, Avaliação, Formação docente e recursos 
para a educação. Nesta unidade, o nosso objetivo é auxiliá-lo no 
desenvolvimento das competências profissionais.
Compreender os conceitos, histórico e evolução do 
currículo e a verificação do rendimento escolar.
Analisar os PCNS – Parâmetros Curriculares 
Nacionais.
Observar a formação dos profissionais da educação: 
agências formadoras e tipos de profissionais.
Identificar os recursos financeiros para a educação, 
as responsabilidades da união, estados e munícipios.
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Então? Está preparado para uma viagem sem volta rumo 
ao conhecimento? Ao trabalho!
Organização e Legislação da Educação98
Compreendendo os conceitos, histórico e 
evolução do currículo e a verificação do 
rendimento escolar
Vivemos em uma sociedade repleta de desigualdades, 
sejam elas econômicas ou sociais, a escola tem como objetivo 
oferecer condições de acesso e aquisição de conhecimento a 
todos, assim, para que esse objetivo seja atingido pela escola é 
fundamental analisar a concepção e a estrutura do seu currículo. 
Ao longo desta aula iremos estudar sobre os conceitos e 
a história do currículo e o debate em torno da verificação da 
aprendizagem. Dúvidas? Não se preocupe, recorra ao fórum 
de dúvidas e discussões para socializar o seu conhecimento e 
esclarecer todas as suas dúvidas. Nós estaremos a sua disposição 
em caso de dificuldades!
Conceito do currículo
Durante a evolução do homem, percebemos que ele sempre 
produziu conhecimento por meio da interação com o outro, e 
transmitia esse aprendizado aos outros integrantes da sociedade, 
seja pela comunicação ou pela arte, registrando suas histórias e 
conhecimentos.
Figura 1 — Homens das cavernas.
Fonte:Freepik.
Organização e Legislação da Educação 99
O aprendizado informal, adquirido pelo contato com o 
outro, foi dando lugar para o aprendizado formal, que é o acesso ao 
conhecimento estruturado dentro de uma instituição de ensino.
A estruturação do conhecimento se dá pelo significado que 
este passa a receber da escola, elaborado pelo próprio homem 
durante a evolução da sua história.
A partir desse entendimento de aprendizado formal, surgiu 
a necessidade de um currículo que estabelecesse como e para 
que os currículos deveriam ser desenvolvidos.
Segundo o dicionário Aurélio (2002), currículo significa 
o ato de correr, desvio para encurtar o caminho, e descrição do 
conjunto de conteúdos ou matérias de um curso.
O conceito presente no dicionário Aurélio é o que 
comumente encontramos para descrever o que seria um 
currículo, mas este se define como algo muito mais amplo do 
que simplesmente um conjunto de conteúdos.
Conforme Salviani (1996):
Entretanto, no âmbito dos especialistas nessa matéria tem 
prevalecido a tendência a se considerar o currículo como sendo 
o conjunto das atividades (incluído o material físico e humano a 
elas destinado) que se cumprem com vistas a determinado fim.
SAIBA MAIS
O currículo deve estar voltado para elucidar o que deve ser feito, 
para que se atinja o objetivo proposto para aquele conteúdo. 
Dessa forma, a ideia de currículo se torna mais complexa, pois 
não é simplesmente o conjunto de um determinado conteúdo, 
mas sim ideias econômicas, políticas, culturais e até mesmo 
históricas, que estão em torno da aquisição desses conteúdos.
Organização e Legislação da Educação100
O modo como esse currículo estará organizado será 
determinado pelo objetivo que se pretende atingir, seja para a 
aquisição de um conhecimento a fim de exercer apenas uma 
função no mercado de trabalho ou com o objetivo de transformar 
o aluno em um cidadão crítico e questionador, para as questões 
que estão em torno do seu dia a dia.
Sendo assim, compreender as questões econômicas, 
políticas e culturais se fazem necessárias, uma vez que por meio 
dessa análise pode se organizar um currículo de acordo com os 
objetivos que sepretende atingir.
A escola, ao refletir sobre os objetivos que a escolarização 
visa naquele grupo, deve buscar analisar o meio em que esses 
alunos, que são os protagonistas do processo de aprendizado, 
estão inseridos, uma vez que a elaboração do currículo não é algo 
fixo, mas algo flexível que deve ser composto pelos participantes 
da vida escolar, para que esse aprendizado possa ter sentido.
O currículo deve buscar propor conhecimento sobre algo 
vivenciado pelo estudante ou fazê-lo pensar ou agir de modo 
diferente pela reflexão de seus atos e atitudes.
A Lei de diretrizes e bases 9394/96 determina que seja 
desenvolvida uma base nacional comum curricular e uma base 
diversificada, e que a escola deve elaborar sua própria proposta 
pedagógica; com isso nota-se a importância de analisar as 
especificidades da onde está inserida a escola, para tornar a 
elaboração da proposta pedagógica algo coerente com o seu 
meio.
Organização e Legislação da Educação 101
Figura 2 — Sala de aula.
Fonte: Pixabay.
O currículo escolar é um documento que ganhará vida 
na vivência pedagógica, por isso deve estar relacionado com o 
projeto político pedagógico da escola e ser desenvolvido com 
toda comunidade escolar, buscando atender, além do conteúdo 
comum, as particularidades de cada instituição. Segundo Veiga 
(2002):
Currículo é uma construção social do conhecimento, 
pressupondo a sistematização dos meios para que esta 
construção se efetive; a transmissão dos conhecimentos 
historicamente produzidos e as formas de assimilá-
los, portanto, produção, transmissão e assimilação 
são processos que compõem uma metodologia de 
construção coletiva do conhecimento escolar, ou seja, 
o currículo propriamente dito. (VEIGA, 2002, p.7)
O referido autor ressalta que o currículo é composto de uma 
metodologia de construção coletiva, ou seja, não pode deixar de 
Organização e Legislação da Educação102
considerar todos os envolvidos no processo de aprendizagem, 
sejam eles professores ou alunos, para que o ensino alcance os 
resultados esperados.
Segundo Salviani (2016), currículo é o conjunto de 
atividades desenvolvidas na escola, incluindo as atividades 
extracurriculares. A escola deve promover atividades que 
busquem refletir sobre a realidade do educando, dessa forma esse 
aluno terá condições de compreender o conteúdo historicamente 
elaborado, desenvolvendo sua criticidade frente ao seu meio e 
não apenas a repetição de aprendizados.
Figura 3 — Estudante.
Fonte: Freepik.
A escola, quando não promove a reflexão do educando 
e busca apenas a repetição de conteúdos historicamente 
elaborados, tem como objetivo formar cidadãos aptos a apenas 
reproduzir, perpetuando a ideia de que existe somente uma 
sociedade ideal, e que todos devem fazer parte dessa sem 
promover questionamentos e aceitando sua condição frente a 
essa sociedade.
Organização e Legislação da Educação 103
O currículo passou por inúmeras concepções de acordo 
com o momento social que a sociedade estava enfrentando.
Segundo Soares (1986):
As causas do sucesso ou do fracasso devem ser 
buscadas nas características dos indivíduos: a 
escola oferece igualdade de oportunidades; o bom 
aproveitamento dessas oportunidades dependerá do 
dom — aptidão, inteligência, talento — de cada um. 
(SOARES, 1986, p. 10).
Esse autor reflete um momento da história no qual a 
escola tinha o objetivo de formar apenas mão de obra, pois se 
acreditava que a sociedade já estava demarcada pelo “dom”, e 
cabia ao aluno apenas reproduzir o conhecimento adquirido e ser 
a mão de obra ideal para o mercado de trabalho que a sociedade 
necessitava.
Figura 4 — Precisa-se de mão de obra.
Fonte: a autora.
Em contraponto existem concepções que acreditam que 
a escola deve ser um espaço de reflexão, para que se formem 
cidadãos críticos que utilizem das suas experiências para 
aprimorar seus conhecimentos.
Conforme Soares (1986):
A escola ao negar as classes populares o uso de 
sua própria linguagem (que censura e rejeita), ao 
mesmo tempo que fracassa em levá-las ao domínio 
da linguagem de prestígio, está cumprindo seu papel 
de manter as discriminações e a marginalização e, 
portanto, de reproduzir as desigualdades. (SOARES, 
1986, p. 72).
PRECISA-SE DE MÃO DE OBRA
Organização e Legislação da Educação104
Essa citação vem reforçar a importância de se considerar o 
meio social e os alunos que compõem o processo educativo, não 
para desconsiderar o conteúdo historicamente construído pela 
sociedade, mas para dar significado ao conhecimento informal 
disseminado no meio em que ele está envolvido, para que não se 
propague uma sociedade injusta e desigual.
Ao desenvolver um currículo, a escola deve refletir o tipo 
de indivíduo que pretende formar, por meio do professor como 
um mediador do conhecimento, que deve buscar recursos para 
atingir esse objetivo proposto.
Figura 5 — Objetivos.
Fonte: Freepik.
Organização e Legislação da Educação 105
ACESSE
Para saber mais sobre as contribuições do currículo para o 
contexto escolar em: https://bit.ly/33nuVLQ.
Currículo: Histórico, Evolução e a Verificação 
da Aprendizagem 
O Brasil sofreu influência, na sua concepção de currículo, 
de vários países, entre eles os Estados Unidos, fazendo com 
que pesquisadores fossem nessas literaturas buscar base para o 
modelo brasileiro.
Conforme cita Pedra (1997):
A inteligência nacional não conseguiu criar 
pensamentos autonômicos sobre o currículo, 
mesmo porque a tradição brasileira fora a de 
programas (mais o feitio francês) e não a de 
currículo (ideia possível aos norte-americanos em 
virtude da grande descentralização do seu sistema 
escolar). Assim não restaram muitas alternativas 
senão a de buscar nos textos norte-americanos o 
conteúdo e a forma de pensar e fazer currículo. 
(PEDRA, 1997, p. 33).
Organização e Legislação da Educação106
IMPORTANTE
Importante ressaltar que os educadores brasileiros buscavam 
a base do currículo e o adaptavam para o contexto de ensino 
brasileiro.
Em 1549 os jesuítas chegam ao Brasil e com isso se inicia 
o processo educacional, eles desenvolveram ensinamentos e a 
maneira de aprendizado, para os grupos que eram considerados 
mais importantes e influentes socialmente e economicamente 
ou com foco na evangelização. Os jesuítas implantaram o Ratio 
Studiorum focado na seleção, sistematização e memorização 
de conteúdos para catequisar os índios, sendo marcado pela 
pedagogia tradicional que via o homem como um ser imutável.
Conforme Saviani (2007):
Essa concepção pedagógica caracteriza-se por uma 
visão essencialista de homem, isto é, o homem é 
concebido como constituído por uma essencial 
universal e imutável. (SALVIANI, 2007, p. 58)
Figura 6 — Catequização dos indígenas.
Fonte: Wikimedia Commons.
Organização e Legislação da Educação 107
A avaliação no modelo Ratio Studiorum tinha como 
objetivo verificar o que o aluno memorizou, avaliando a 
concentração, silêncio e a ordem.
Nas orientações da Ratio, os exercícios e as avaliações 
de aprendizagem devem ser adotadas pelos docentes, 
sugerindo-se, ainda, a realização de torneios ou 
disputas na sala de aula, onde os alunos sejam 
desafiados a resolver exercícios diante de autoridades 
e convidados. No terceiro momento, denominado 
“emulação”, os alunos são estimulados a competir 
com os próprios colegas de classe e com os de outras 
salas. Para essa premiação, os jesuítas preparavam 
solenidades pomposas, convocando autoridades 
eclesiásticas e civis, e as famílias dos alunos. 
A emulação constitui uma das forças psicológicas 
mais ativas e eficientes e sempre foi incentivada 
pelos jesuítas, mediante o ingresso dos alunos mais 
talentosos e esforçados na academia. (ARANHA, 
1989).
A tendência tradicional de ensino foi utilizada no Brasil 
até a Proclamação da República, sendo marcada por um ensino 
baseado na verdade absoluta, com foco na memorização e na 
verificação de resultados.
No decorrer da história outros métodos com influências 
estrangeiras formaimplantados, como o ensino mútuo, no 
qual os alunos que se destacavam eram convidados a auxiliar 
os outros alunos na aquisição do conhecimento. No Brasil, na 
segunda metade do século XIX, observam-se sinais de mudança 
na educação, com a preocupação da ineficiência do ensino, dando 
início ao método intuitivo que busca a utilização de materiais de 
apoio como lousa, globo, mapas para melhorar a qualidade da 
educação.
Organização e Legislação da Educação108
Figura 7 — O globo.
Fonte:Wikimedia Commons.
Jonh Dewey foi o primeiro autor que encontramos a 
discorrer sobre o currículo, mas o assunto que ele aborda não tem 
como foco o que compreendemos como currículo atualmente, 
mas sim a prática do professor dando autonomia para ele 
escolher seu meio e ambiente necessário para o aluno adquirir 
conhecimentos.
Franklin Jonh Bobbitt, um teórico americano, afirmava 
que o currículo é um conjunto de habilidades que a criança deve 
desenvolver, para quando for adulto estar preparada para outras 
coisas.
Organização e Legislação da Educação 109
Figura 8 — Criança estudando.
Fonte: Pixabay.
Diante da industrialização no país, os Estados Unidos 
começou a observar a escola como uma empresa, analisando, 
assim, onde se pretendia chegar e os métodos que utilizaria para 
atingir esse objetivo.
ACESSE
Para saber mais leia o artigo sobre Currículo no Contexto 
Escolar. Disponível em: https://bit.ly/2McROfc.
Organização e Legislação da Educação110
A Revolução Francesa, oriunda na Europa, trouxe para 
o Brasil uma nova concepção de sociedade e educação, dando 
origem a um importante movimento denominado escola nova, 
que defendia o desenvolvimento da individualidade e da 
autonomia, o professor passa a ser o facilitador da aprendizagem, 
esse é o início da preocupação e do debate sobre o currículo.
A escola nova era um movimento que defendia 
a educação ativista, o desenvolvimento da 
individualidade e da autonomia. A ênfase se dava 
na capacidade do aluno em aplicar os conhecimentos 
em situações vividas e não apenas na acumulação de 
conhecimento. (ARANHA, 2006, p. 263).
A Escola Nova propõe um modelo no qual o aluno tenha 
liberdade de se expressar, fazendo a avaliação ser uma etapa 
desse processo e não um momento de valorização do acumulo 
de informações.
A avaliação é compreendida nesta abordagem 
como um processo válido para o aluno e não para 
o professor e entende-se que ela constitui apenas 
uma das etapas da aprendizagem. Nela não se pode 
visar só aos aspectos intelectuais, mas sim às atitudes 
e à aquisição de habilidades. (LUSTOSA JÚNIOR, 
2013, p. 4).
Influenciados pelas ideias de John Dewey e Durkeim, os 
intelectuais da escola nova acreditavam ser a educação o único 
meio capaz de construir uma sociedade democrática, com os 
mesmos direitos de oportunidades para todos.
O movimento da escola nova fazia críticas ao modelo 
tradicional pedagógico implantado pelos jesuítas, e defendia que 
a educação é composta por experiências que têm como objetivo 
melhorar o ser humano.
Organização e Legislação da Educação 111
Anísio Teixeira, influenciado pelos pensamentos de Dewey, 
iniciou o processo de preocupação na organização do currículo 
escolar. Conforme observamos em Moreira (2001).
Teixeira chamou assim, a atenção para a importância 
de se organizar o currículo escolar em harmonia 
com os interesses e estágios de desenvolvimento 
das crianças baianas. O currículo no entanto, foi 
ainda centrado nas disciplinas, mas de acordo com 
a realidade e as possibilidades do estado, carente de 
professores bem preparados capazes de implementar 
um currículo centrado nas atividades. (MOREIRA, 
2001, p. 88).
Os ideais defendidos pela escola nova sobre a concepção 
do currículo são visualizados até os dias atuais, assim, o currículo 
é tido como um importante instrumento para democratizar a 
educação.
SAIBA MAIS
Em 1938 foi criado o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas 
(Inep), após a sua criação os estudos sobre currículo passaram 
a ter mais força; buscou-se discutir os problemas educacionais 
e propagar os novos ideais pedagógicos em relação a análise 
do interesse sociais das crianças e sobre as avaliações escolares 
serem um instrumento, e não o final do processo educacional.
Em 1960 foi introduzido no Brasil o ensino tecnicista 
com ênfase na produção, este tinha como objetivo a exatidão, 
os currículos eram baseados nos princípios científicos e manuais 
que buscavam na exatidão a excelência da técnica.
Organização e Legislação da Educação112
Figura 9 — Industria.
Fonte: Pixabay.
Insatisfeitos com a metodologia tecnicista, autores como 
Michel Apple e Henry Giroux, influenciados por Paulo Freire, 
implantaram a teoria crítica que questiona o currículo como um 
instrumento de dominação ideológica, que cria condições para a 
seleção e transmissão de conteúdos, de acordo com o interesse 
da burguesia.
A partir da década de 1980, as ideais da teoria crítica 
desenvolveram uma nova forma de compreender o currículo, e 
em 1988, com a implantação da constituição brasileira e mais 
tarde com a LDB em 1996, estabeleceu-se a implantação de um 
currículo mínimo de modo a assegurar uma formação básica 
comum a todos os estudantes.
A partir da introdução do currículo na lei, muitos 
debates sobre o assunto surgiram para buscar compreender: a 
complexidade do processo educativo e os desafios encontrados 
para que o currículo supere as influências econômicas e sociais, 
passando a ser um instrumento de oportunidades para todos.
Organização e Legislação da Educação 113
Contudo, a educação sempre esteve relacionada ao 
interesse social da classe dominante, e após a introdução da 
ditadura militar pelo presidente Getúlio Vargas, surgiu uma nova 
era na educação, denominada “pós crítica”.
A educação brasileira, ao longo da história, é marcada por 
teorias baseadas em:
Teorias Não Críticas — composta pelas tendências 
tradicionais, escola nova e escola tecnicista, que tinham como 
característica sua neutralidade diante das questões sociais e 
políticas. Nesse cenário a função da escola é preparar o educando 
para desempenhar papeis sociais.
a. Escola tradicional: composta por disciplinas específicas 
e conteúdos isolados, tem como objetivo prepara o aluno para 
atuar na sociedade, não promove debates ou reflexões.
b. Escola Nova: propõe o desenvolvimento de projetos 
com base no interesse dos alunos, ênfase no processo de 
aprendizagem, o professor é visto como um facilitador do 
conhecimento, não promove a ênfase na criticidade do educando.
c. Escola Tecnicista: da importância ao desenvolvimento de 
competências e habilidades específicas, molda o comportamento 
de acordo com a técnica, o educando é visto como alguém que 
irá receber a transmissão do conhecimento, desconsidera o seu 
pensar, criar e refletir.
Teorias Críticas: critica a perpetuação da desigualdade 
social pelas práticas escolares, é composta pela pedagogia crítico- 
reprodutiva, defende a criação de um currículo emancipador 
que faz críticas a disseminação da cultura e da língua da classe 
dominante.
Teorias Pós Críticas: ressalta que o currículo deve ser 
elaborado a partir dos interesses dos educandos e de acordo com os 
significados da realidade expressa pelos diálogos, a importância 
de se ouvir o aluno; é composta pela pedagogia histórico-crítica, 
Organização e Legislação da Educação114
que propõem que os conteúdos sejam interligados de modo a 
favorecer uma análise crítica dos alunos, o professor passa a ser 
o mediador do processo ensino aprendizagem
EXPLICANDO DIFERENTE+++
A pedagogia histórico-crítica busca superar o modelo 
reprodutivista do currículo, se adequando dessa forma aos reais 
interesses da sociedade.
Assim, a escola deve criar condições para que se desenvolva 
o aprendizado por meio de diferentes interações, conhecendo 
as especificidades de cada integrante da comunidade escolar 
e promovendo a mediação das diferentes disciplinas com o 
conteúdo básico pré-estabelecido.Deve ser analisado, além de quem são os personagens 
que compõem a comunidade escolar, o papel da escola naquela 
comunidade, e qual o cidadão que gostaria de formar para poder 
estar atuando na sociedade.
Com base nesses questionamentos, serão constituídos 
currículos que irão desenvolver cidadãos críticos e reflexivos, 
por meio de aprendizados significativos que promovam 
transformação no educando.
Conforme analisamos, a sociedade evoluiu, o entendimento 
sobre currículo e o papel dos alunos e professores foram sendo 
repensados, e as avaliações do rendimento escolar também 
foram sendo revistos.
Sousa (2014) afirma que a avaliação deve ser compreendida 
por meio de uma análise geral do ambiente escolar, além de ser 
englobado os aspectos gerais e particulares de cada ambiente 
escolar.
Organização e Legislação da Educação 115
Ao passo que o aluno se tornou o centro do processo 
de ensino aprendizado, o ato de avaliar deve ser utilizado 
para reavaliar e tomar decisões sobre a forma de trabalho do 
professor, para que este consiga atingir os resultados esperados 
pelos educandos.
A concepção de avaliação como um processo 
amplo de subsídio para tomada de decisão no 
âmbito dos sistemas de ensino é algo recente no 
Brasil, e deve ser entendido como um processo 
que vise contemplar competências e habilidades, o 
próprio currículo, os hábitos de estudo dos alunos, 
as estratégicas de ensino dos professores, o tipo de 
gestão dos diretores e os recursos a eles oferecidos 
para melhor realizar o seu trabalho. (MACHADO; 
ALAVARSE, 2014, p. 429).
A avaliação deve ser considerada para uma análise que 
contemple as competências, currículos, didática de ensino, 
gestão e recursos com objetivo de desenvolvimento pleno do 
educando.
Dessa forma, a verificação do rendimento escolar deve 
ser apenas um instrumento para que se promova uma análise do 
trabalho desempenhado pela escola, promovendo a reflexão das 
práticas desenvolvidas pelos docentes para que desenvolvam 
alunos aptos a exercer a cidadania.
[...] as avaliações são postas como subsídios para 
se repensar as políticas pedagógicas como foco 
nas funções diagnósticas e formativa da avaliação 
educacional. Tais funções destacam o fato de que 
testes e provas não se configuram como avaliação, 
mas, sim, são instrumentos e procedimentos que 
favorecem a avaliação. (MACHADO; ALAVARSE, 
2014, p. 429).
Organização e Legislação da Educação116
O ato de avaliar implica no ato de acolher o aluno, com 
base no conhecimento que ele já possui do assunto, e no de 
promover uma reflexão da pratica pedagógica, que deverá ser 
desenvolvida pela escola e pelos professores para desenvolver 
objetivos e modos para fazer o educando atingir os objetivos 
propostos.
Dessa forma, a avaliação não deve ser vista como algo 
tirano, mas sim como um importante instrumento a ser utilizado 
em prol da melhora da qualidade da educação.
ACESSE
Indagações sobre o currículo — Currículo e Avaliação em: 
https://bit.ly/1VBWkTd.
Os PCNS — Parâmetros Curriculares 
Nacionais
Nesta aula iremos refletir sobre os Parâmetros Curriculares 
Nacionais, analisando seus objetivos, estrutura e como eles são 
importantes para garantir o direito de que todas as crianças, 
jovens e adolescentes do Brasil, possam usufruir de um conjunto 
de conhecimentos necessários para o exercício da cidadania.
Vamos juntos promover esse conhecimento?
Organização e Legislação da Educação 117
Definição e Objetivos dos Parâmetros 
Curriculares Nacionais
A Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 reafirma a necessidade 
de oferecer uma formação básica a todos, para isso determina 
um conjunto de diretrizes que irão nortear a educação do Brasil, 
para a etapa da educação denominada ensino fundamental e 
médio, foi elaborado os Parâmetros Curriculares Nacionais.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais, conhecidos como 
PCNs, são um conjunto de documentos sobre cada uma das 
áreas de ensino, que visam orientar a elaboração dos currículos 
em todo o Brasil.
Sua função é orientar e garantir a coerência dos 
investimentos no sistema educacional, socializando 
discussões, pesquisas e recomendações, subsidiando 
a participação de técnicos e professores brasileiros, 
principalmente daqueles que se encontram mais 
isolados, com menor contato com a produção 
pedagógica atual. (BRASIL, 1997, p. 10).
Figura 10 — Livros.
Fonte: Freepik.
Organização e Legislação da Educação118
Como podemos observar, o PCN não se trata de um 
documento impositivo, mas sim uma orientação flexível de acordo 
com a realidade educacional em que a escola está inserida, assim, 
caberá à escola e aos professores utilizarem essas orientações, 
respeitando as diversidades culturais, sociais e econômicas, para 
garantir uma educação de qualidade a todos.
Por sua natureza aberta, configuram uma proposta 
flexível, a ser concretizada nas decisões regionais 
e locais sobre currículos e sobre programas 
de transformação da realidade educacional 
empreendidos pelas autoridades governamentais, 
pelas escolas e pelos professores. Não configuram, 
portanto, um modelo curricular homogêneo e 
impositivo, que se sobreporia à competência político-
executiva dos Estados e Municípios, à diversidade 
sociocultural das diferentes regiões do País ou à 
autonomia de professores e equipes pedagógicas. 
(BRASIL, 1997, p. 10).
Alguns dos objetivos dos PCNs são proporcionar aos 
educadores:
 ■ reflexão sobre as expectativas de aprendizagem e 
métodos de avaliação;
 ■ analisar os objetivos propostos e as práticas pedagógicas;
 ■ preparar planejamento que orientem o trabalho na sala 
de aula;
 ■ discutir o que leva o aluno a participar ou não das 
atividades propostas em sala de aula;
 ■ produzir materiais que promovam uma aprendizagem 
significativa;
 ■ promover a discussão de temas relacionados a educação 
com pais e responsáveis.
Organização e Legislação da Educação 119
ACESSE
Para saber mais acesse Parâmetro Curriculares Nacionais e a 
Autonomia da Escola: https://bit.ly/1VBWkTd.
Os PCNs proporcionam uma reflexão e discussão do 
cotidiano da prática pedagógica, revendo conteúdo e objetivos a 
serem transformados pelos educadores.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais defendem que o 
aluno deve participar do processo ensino aprendizagem de modo 
ativo, o professor deve realizar intervenções visando a promoção 
do aprendizado, que favoreça o desenvolvimento da formação 
humana do educando.
O aluno deve ser considerado como sujeito do seu próprio 
desenvolvimento, interagindo com o professor, este deve se 
reconhecer o estudante como sujeito que participa da construção 
do conhecimento.
Figura 11 — Construindo conhecimento.
Fonte: Freepik.
Organização e Legislação da Educação120
SAIBA MAIS
O protagonismo do aluno é um processo de ensino aprendizado 
que visa oferecer uma educação de qualidade, formando cidadãos 
aptos a interferirem criticamente na sua realidade com o intuito 
de transformá-la, aptos a atuarem no ambiente de trabalho e que 
saibam se adaptar as constantes mudanças de informações que 
encontramos hoje na sociedade.
Os PCNs orientam que o trabalho pedagógico pode ser 
realizado em ciclo ou série, e ressalta a importância do ciclo ser 
continuação do outro, dessa forma torna o ensino significativo e 
sequencial.
A avaliação da aprendizagem abordada pelos PCNs é 
considerada como um instrumento que visa melhorar a qualidade 
da educação e que por meio da avaliação pode analisar o processo 
ensino aprendizagem, rever condutas e repensar proposta para 
que obtenha um aprendizado eficiente.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, os 
professores podem realizar as avaliações utilizando diversos 
recursos:
 ■ observação sistemática: acompanhamento do processo 
de aprendizagem dos alunos, utilizando alguns instrumentos, 
como registro em tabelas, listas de controle, diário de classe e 
outros;
 ■ análise das produções dos alunos: considerar a variedade 
de produções realizadas pelos alunos, para que se possa ter um 
quadroreal das aprendizagens conquistadas. Por exemplo: se 
a avaliação se dá sobre a competência dos alunos na produção 
de textos, deve-se considerar a totalidade dessa produção, 
Organização e Legislação da Educação 121
que envolve desde os primeiros registros escritos, no caderno 
de lição, até os registros das atividades de outras áreas e das 
atividades realizadas especificamente para esse aprendizado, 
além do texto produzido pelo aluno para os fins específicos desta 
avaliação;
 ■ atividades específicas para a avaliação: nestas, os alunos 
devem ter objetividade ao expor sobre um tema, ao responder um 
questionário. Para isso é importante, em primeiro lugar, garantir 
que sejam semelhantes às situações de aprendizagem comumente 
estruturadas em sala de aula, isto é, que não se diferenciem, em 
sua estrutura, das atividades que já foram realizadas; em segundo 
lugar, deixar claro para os alunos o que se pretende avaliar, pois, 
inevitavelmente, os alunos estarão mais atentos a esses aspectos. 
(BRASIL, 1997, p. 57)
Como observamos na orientação acima, o documento 
aborda vários aspectos da avaliação, sendo o teste apenas um 
desses aspectos, dessa forma, a avaliação não visa punir o 
aluno, mas sim fornecer ao professor informações de como se 
processou o aprendizado para aquele grupo.
Por meio dessas informações, o professor poderá repensar 
estratégias e condutas pedagógicas que visam o aprendizado 
efetivo.
Organização e Legislação da Educação122
Figura 12 — Professor reflexivo.
Fonte:Freepik.
Os Parâmetros curriculares abordam tópicos sobre a 
didática que devem ser estimulados na sala de aula, são eles:
Autonomia
O aluno deve ser considerado construtor do seu próprio 
conhecimento; valorização das suas experiências, seus 
conhecimentos e interações entre os pares, sejam alunos ou 
professores.
Diversidade
O professor deve considerar a narrativa de vida e vivência 
de cada aluno bem como suas especificidades intelectuais ou 
Organização e Legislação da Educação 123
motoras, de modo a proporcionar o aprendizado e a socialização 
de todos.
Interação e Cooperação
O professor deve promover e estimular práticas que 
incentivem o trabalho em grupo de maneira produtiva e cooperativa, 
para que os estudantes possam aprender a ouvir e a dialogar.
Disponibilidade para a aprendizagem
O educador deve proporcionar ambientes que gerem o 
interesse do aprendizado nos alunos, colocando problemas, 
estimulando soluções, despertando no aluno a vontade de buscar 
conhecimento.
Organização do Tempo
As atividades na sala de aula devem ser previamente 
preparadas analisando estrutura, materiais necessários e tempo 
estimado para que o controle e a organização favoreça a educação.
Organização do Espaço
O espaço deve ser planejado de modo que seja possíver 
abrir espaços entre as carteiras, expor trabalhos nas paredes e 
criar condições para que os alunos assumam a decoração, ordem 
e limpeza do ambiente.
Seleção de Materiais
Os PCNs tratam a importância do livro didático, no 
entanto, ressaltam que esse não deve ser o único material de 
acesso do aluno, o professor deve considerar outras fontes de 
informações que contribuam com o aprendizado do estudante.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais do ensino 
fundamental são organizados em ciclos que englobam do 1º ao 9º 
ano e possuem como objetivos: compreender a cidadania como 
participação social e política, assim como exercício de direitos e 
deveres políticos civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes 
Organização e Legislação da Educação124
de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando 
o outro e exigindo para si o mesmo respeito;
 ■ posicionar-se de maneira crítica, responsável e 
construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo 
como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas;
 ■ conhecer características fundamentais do Brasil nas 
dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir 
progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o 
sentimento de pertinência ao País;
 ■ conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio 
sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais 
de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer 
discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, 
de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais 
e sociais;
 ■ perceber-se integrante, dependente e agente transformador 
do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre 
eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente;
 ■ desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e 
o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física, 
cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção 
social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e 
no exercício da cidadania;
 ■ conhecer e cuidar do próprio corpo, valorizando e 
adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da 
qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à 
sua saúde e à saúde coletiva;
 ■ utilizar as diferentes linguagens — verbal, matemática, 
gráfica, plástica e corporal — como meio para produzir, 
expressar e comunicar suas ideias, interpretar e usufruir das 
produções culturais, em contextos públicos e privados, atendendo 
a diferentes intenções e situações de comunicação;
Organização e Legislação da Educação 125
 ■ saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos
 ■ tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos;
 ■ questionar a realidade formulando-se problemas e 
tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, 
a criatividade, a intuição, a capacidade. (Brasil, 1997, p. 69).
Os PCNS são constituídos por 10 volumes para cada nível 
do fundamental, os níveis são divididos da seguinte forma:
Fundamental 1
a. Compreende do 1º ao 5º ano.
b. Disciplinas: Língua Portuguesa, Matemática, Ciências 
da Natureza, Geografia, História, Arte, Educação Física, Temas 
Transversais, Ética, Meio ambiente, Saúde, Pluralismo Cultural 
e Orientação Sexual.
Fundamental 2
a. Compreende do 6º ao 9º ano.
b. Disciplinas: Língua Portuguesa, Matemática, Ciências 
da Natureza, Geografia, História, Arte, Educação Física, Língua 
Estrangeira, Pluralidade Cultural, Meio ambiente, Saúde e 
Orientação Sexual.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais também abordam 
o ensino médio, tendo como objetivo auxiliar os educadores 
na pratica da sala de aula e possibilitar a reflexão sobre o 
desenvolvimento de um currículo que permita promover a 
continuidade de aprendizado do ensino fundamental.
As disciplinas que englobam o Ensino Médio, segundo os 
PCNs são:
 ■ Linguagens;
 ■ Códigos e suas Tecnologias (Biologia, Física, Química 
e Matemática);
Organização e Legislação da Educação126
 ■ Ciências Humanas e suas Tecnologias (História, 
Geografia, Sociologia, Antropologia, Filosofia e Política).
Os PCNs não são regras que devem ser seguidas pelos 
profissionais da educação, mas são referências que visam 
transformar objetivos, didáticas e conteúdos, promovendo um 
aprendizado efetivo a todos, independentes das suas condições 
sociais, culturais e econômicas.
Dessa forma, os parâmetros curriculares são documentos 
que visam orientar o trabalho do professor, para que se garantam 
o que está determinado na constituição federal, o acesso de todos 
a uma educação de qualidade.
ACESSE
Leia os Parametros Curriculares Nacionais. Disponível no link: 
https://bit. ly/1WzpeV0.
A Formação dos Profissionais de 
Educação: Agências Formadoras e Tipos 
de Profissionais
O grande desafio da educação brasileira é a melhoria 
da qualidade da educação, durante nossos estudos pudemos 
observar o importante papel que a escola exerce para que o 
aluno seja um ser reflexivo, questionador e crítico, para atuar na 
sociedade em que está inserido.
Mas uma pergunta nos vem à mente, será que os professores 
estão preparados para serem esses agentes de mudanças em seus 
alunos?
Organizaçãoe Legislação da Educação 127
Neste capítulo iremos estudar sobre a formação dos 
professores, a importância e a função das agências formadoras e 
os tipos de profissionais existentes.
Preparados? Vamos começar!
Formação de Profissionais de Educação e a 
qualidade da educação
Atualmente encontramos debates em torno de políticas 
públicas que buscam a melhoria na qualidade da educação, ao 
analisar as práticas pedagógicas que viabilizam a melhora da 
educação, o trabalho do professor passa a ser crucial, uma vez 
que o desempenho do professor se coloca como um dos fatores 
principais que influenciam a qualidade da educação.
Figura 13 — Professor e alunos em sala.
Fonte: Freepik.
Muitos estudos foram desenvolvidos sobre a necessidade 
de mudanças significativas no processo ensino aprendizagem, 
mas pouco ainda se fala sobre a formação profissional do 
Organização e Legislação da Educação128
professor, para desenvolver essa nova proposta de ensino. 
Conforme Noronha (2001):
As atuais reformas são ousadas textualmente e com 
certeza, são bastante fundamentadas, no que diz 
respeito à organização do conhecimento nas escolas, 
entretanto, em nenhum momento elas apontam 
para a instituição de uma política séria e efetiva de 
formação de professores (NORONHA, 2001, p. 44).
A formação do professor é discutida desde a lei de diretrizes 
e bases 9394/96, que no seu artigo 6º já considera a importância 
da educação continuada, para atender as especificidades do 
exercício do trabalho docente.
Com isso observamos que a formação dos professores 
está relacionada com a qualidade da educação, uma vez que o 
docente define os rumos do processo ensino aprendizagem, o 
qual será utilizado em sala de aula e impactará o aluno no seu 
desenvolvimento.
O trabalho do docente está relacionado com um conjunto 
de ideias e concepções que os orientam, a formação inicial é 
uma delas, dessa forma, discutir a formação universitária dos 
professores é importante.
Organização e Legislação da Educação 129
Figura 14 — Formação universitária dos professores.
Fonte: Freepik.
A formação inicial do professor deve buscar estimular a 
busca pelo conhecimento, por meio da pesquisa e da autorreflexão 
em relação ao seu trabalho, pois, o trabalho docente não se trata 
de seguir uma cartilha, mas de refletir a melhor didática para 
aquele grupo. Conforme Nóvoa (1992):
A formação pode estimular o desenvolvimento 
profissional dos professores no quadro de uma 
autonomia contextualizada da profissão docente. 
Importa valorizar paradigmas de formação que 
promovam a preparação de professores reflexivos, 
que assumam a responsabilidade do seu próprio 
desenvolvimento profissional e que participem 
como protagonistas na implantação das políticas 
educativas (NÓVOA, 1992, p. 27).
Organização e Legislação da Educação130
EXPLICANDO DIFERENTE+++
Com o intuito de melhorar a capacitação da formação inicial dos 
professores, o Ministério da Educação, por meio do Conselho 
Nacional da Educação CNE/CP9/2001, institui diretrizes 
curriculares nacionais para a formação de professores da 
educação básica.
No artigo 2º do CNE encontramos orientações importantes, 
sobre aspectos que o professor deve estar preparado para o 
futuro:
I. o ensino visando à aprendizagem do aluno;
II. o acolhimento e o trato da diversidade;
III. o exercício de atividades de enriquecimento cultural;
IV. o aprimoramento em práticas investigativas;
V. a elaboração e a execução de projetos de desenvolvimento 
dos conteúdos curriculares;
VI. o uso de tecnologias da informação e da comunicação 
e de metodologias, estratégias e materiais de apoio inovadores;
VII. o desenvolvimento de hábitos de colaboração e de 
trabalho em equipe. (BRASIL, 2001).
O artigo 6º do documento aborda que a aprendizagem 
do professor deve ser voltada para o exercício da reflexão 
e resolução de situações problemas, para que, dessa forma, o 
docente consiga, durante a sua prática, desenvolver reflexões 
sobre o trabalho pedagógica.
Parágrafo único - A aprendizagem deverá ser orientada 
pelo princípio metodológico geral, que pode ser traduzido 
Organização e Legislação da Educação 131
pela ação- reflexão-ação e que aponta a resolução de situações 
problema como uma das estratégias didáticas privilegiadas. 
(BRASIL, 2001).
Em 2015, o CNE desenvolveu um novo documento, e no 
artigo 8º trata sobre as aptidões dos professores:
CITAÇÃO
I. Atuar com ética e compromisso com vistas à construção 
de uma sociedad e justa, equânime, igualitária;
II. Compreender o seu papel na formação dos estudantes da 
educação básica a partir de concepção ampla e contextualizada 
de ensino e processos de aprendizagem e desenvolvimento 
destes, incluindo aqueles que não tiveram oportunidade de 
escolarização na idade própria;
III. Trabalhar na promoção da aprendizagem e 
do desenvolvimento de sujeitos em diferentes fases do 
desenvolvimento humano nas etapas e modalidades de educação 
básica;
IV. Dominar os conteúdos específicos e pedagógicos 
e as abordagens teórico-metodológicas do seu ensino, de 
forma interdisciplinar e adequada às diferentes fases do 
desenvolvimento humano;
V. Relacionar a linguagem dos meios de comunicação à 
educação, nos processos didático-pedagógicos, demonstrando 
domínio das tecnologias de informação e comunicação para o 
desenvolvimento da aprendizagem;
VI. Promover e facilitar relações de cooperação entre a 
instituição educativa, a família e a comunidade;
Organização e Legislação da Educação132
VII. Identificar questões e problemas socioculturais e 
educacionais, com postura investigativa, integrativa e propositiva 
em face de realidades complexas, a fim de contribuir para a 
superação de exclusões sociais, étnico-raciais, econômicas, 
culturais, religiosas, políticas, de gênero, sexuais e outras;
VIII. demonstrar consciência da diversidade, respeitando 
as diferenças de natureza ambiental-ecológica, étnico-racial, de 
gêneros, de faixas geracionais, de classes sociais, religiosas, de 
necessidades especiais, de diversidade sexual, entre outras;
IX. Atuar na gestão e organização das instituições de 
educação básica, planejando, executando, acompanhando e 
avaliando políticas, projetos e programas educacionais;
X. Participar da gestão das instituições de educação básica, 
contribuindo para a elaboração, implementação, coordenação, 
acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico;
XI. Realizar pesquisas que proporcionem conhecimento 
sobre os estudantes e sua realidade sociocultural, sobre processos 
de ensinar e de aprender, em diferentes meios ambiental-
ecológicos, sobre propostas curriculares e sobre organização do 
trabalho educativo e práticas pedagógicas, entre outros;
XII. Utilizar instrumentos de pesquisa adequados para 
a construção de conhecimentos pedagógicos e científicos, 
objetivando a reflexão sobre a própria prática e a discussão e 
disseminação desses conhecimentos;
XIII. estudar e compreender criticamente as Diretrizes 
Curriculares Nacionais, além de outras determinações legais, 
como componentes de formação fundamentais para o exercício 
do magistério. (BRASIL, 2015)
Organização e Legislação da Educação 133
ACESSE
Leia o Conselho Nacional de Educação em: https://bit. 
ly/2HHTkR7.
SAIBA MAIS
A profissão do docente por muito tempo foi conhecida como 
uma profissão guiada pela noção de “dons”, o famoso “dom de 
ensinar”, como se o ato de ensinar fosse apenas uma habilidade 
nata do ser humano, não necessitando aprimoramentos e estudos.
Por meio da análise dos documentos fornecidos pelo 
Ministério da Educação, podemos comprovar que o ser docente 
se trata de uma profissão que necessita de aprimoramentos, 
estudos e reflexões, dessa forma, se passa a desmistificar o 
pensamento de que a profissão se tratar apenas de um “dom”.
ACESSE
Leia o artigo Vocação ou Profissão: Representações do Ser ou 
fazer docente: https://bit.ly/1WzpeV0.
A profissão docente necessita de conhecimento, pesquisa, 
reflexão e aprimoramentos, pois oprofessor é o mediador do 
conhecimento e por meio dele será possível transformar a educação 
e oferecer um serviço de qualidade e com significado para o aluno.
Organização e Legislação da Educação134
Agências Formadoras e a Educação 
Continuada
O Plano Nacional de Educação (PNE) apresenta algumas 
metas e estratégias para promoção de uma educação de qualidade, 
dentre essas metas, algumas abordam sobre a qualificação e 
a valorização profissional do docente, por entenderem que 
é de suma importância esses assuntos e que refletem em uma 
educação de qualidade.
ACESSE
Leia Educação de Qualidade demanda bons professores e 
gestores. Disponível no link: https://bit.ly/2CsPBYr.
Segue abaixo essas metas e as estratégias para atingir os 
objetivos:
1. Meta 15 — garantia que todos os professores possuam 
formação específica de nível superior, possuindo curso de 
licenciatura na área que atuam.
A exigência da formação básica dos professores 
proporcionará uma melhor qualidade da sua formação e 
consequentemente do seu trabalho.
2. Meta 16 — formar 50% dos profissionais em cursos de 
pós-graduação e garantir a todos formação continuada.
Com essa meta os profissionais da educação deverão se 
aperfeiçoar por meio de cursos, dessa forma será estimulada a 
reflexão de suas práticas.
3. Meta 17 — valorizar os profissionais de magistério 
das redes públicas de educação básica de forma a equiparar seu 
Organização e Legislação da Educação 135
rendimento médio ao dos demais profissionais com escolaridade 
equivalente, até o final do sexto ano de vigência.
A valorização profissional por meio de uma remuneração 
justa e atraente, dessa forma os profissionais da educação terão 
mais tempo para se dedicar ao seu trabalho.
4. Meta 18 — assegurar a existência de planos de Carreiras 
para os profissionais da educação básica e superior pública.
O plano de carreira irá estimular o professor a buscar a 
especialização executando sua prática com maior excelência.
O Ministério da Educação, em parceria com estados e 
municípios, fundou as agências formadoras, que promovem 
cursos de educação continuada, com o objetivo de aprimorar 
a qualificação dos professores e promover uma educação de 
qualidade.
São algumas das formações continuadas para professores:
a. Formação no Pacto Nacional pela Alfabetização na 
Idade Certa: o curso promove um debate sobre os direitos de 
aprendizagens, planejamento e avaliação.
b. ProInfantil: destinado para educadores da educação 
Infantil.
ACESSE
Leia ProInfantil em: https://bit.ly/2oy0jIS.
Organização e Legislação da Educação136
c. Plano Nacional de Formação de Professores da 
Educação Básica – Parfor: oferta a educação superior para que 
os profissionais possam obter a formação mínima para exercício 
da função.
d. Proinfo integrado: curso voltado para o uso da 
Tecnologia para exercício do trabalho docente.
e. Pró-Letramento: destinado aos professores para 
melhorar a qualidade da leitura/escrita e matemática para os 
anos iniciais.
f. Gestar II: formação continuada em Língua Portuguesa 
e Matemática aos professores dos anos finais do ensino 
fundamental
g. Rede Nacional de Formação Continuada: tem como 
objetivo melhorar a formação dos professores e alunos.
A LDB 9394/96 sofreu alteração por meio da lei 13.415 
de 2017, essa lei trata a formação mínima exigida para ser 
profissional da educação.
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação 
básica far-se-á em nível superior, em curso de 
licenciatura plena, admitida, como formação mínima 
para o exercício do magistério na educação infantil 
e nos cinco primeiros anos do ensino fundamental, 
a oferecida em nível médio, na modalidade normal. 
(BRASIL, 2017)
Segundo o artigo 62, para atuar na educação infantil e 
nos primeiros anos do ensino fundamental, o professor deverá 
ter uma formação superior. Dessa forma, muitos profissionais, 
que antes atuavam na área apenas com o diploma do magistério, 
terão que se aperfeiçoar para continuar exercendo a profissão.
Esse capítulo permitiu refletir que a educação brasileira 
deve preparar os professores, para que estes consigam atingir 
Organização e Legislação da Educação 137
melhores resultados e proporcionem uma educação de qualidade 
para todos os alunos.
ACESSE
Leia trabalho docente e o novo plano nacional de educação: 
valorização, formação e condições de trabalho. Disponível em: 
https://bit. ly/2Mhrcti.
Os Recursos Financeiros para a Escola: 
As Responsabilidades do Estado, União e 
Municípios
Olá, neste capítulo iremos conhecer sobre as 
responsabilidades que a União, Estado e Município possuem 
sobre a educação.
Preparados! Vamos iniciar nossos estudos!
Recursos Financeiros e a Educação
A constituição federal de 1988 declara ser a educação um 
direito social de todos, visto a extensão geográfica do Brasil nos 
questionamos, mas de quem e a responsabilidade por ofertar 
esse tipo de serviço?
Organização e Legislação da Educação138
Figura 15 — Mapa do Brasil.
Fonte: Freepik.
Segundo o documento as responsabilidades seriam 
divididas em:
1. Município: responsável pela educação infantil e os 
primeiros anos do ensino fundamental;
2. Estado e Distrito Federal: responsável pelo ensino 
fundamental anos finais e ensino médio.
Embora cada ente federado seja responsável por uma 
etapa da educação, o artigo 211º da constituição federal trata 
que os estados, municípios e Distrito Federal devem trabalhar 
em regime de colaboração para a oferta da educação.
Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas 
de ensino.
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos 
Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais 
Organização e Legislação da Educação 139
e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e 
supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades 
educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante 
assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal 
e aos Municípios; (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 14, de 1996)
§ 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino 
fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 14, de 1996)
§ 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente 
no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 14, de 1996)
§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de 
colaboração, de forma a assegurar a universalização, a qualidade 
e a equidade do ensino obrigatório. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 108, de 2020). 
§ 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente 
ao ensino regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, 
de 2006) (BRASIL, 1988).
ACESSE
Leia o artigo 211º da constituição em: https://bit.ly/2MK3NzO.
O Plano Nacional de Educação também aborda que o 
alcance das metas será realizado por meio de colaboração entre 
os entes da federação.
Organização e Legislação da Educação140
Art. 7º A União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios atuarão em regime de colaboração, visando ao 
alcance das metas e à implementação das estratégias objeto 
deste Plano.
§ 1º Caberá aos gestores federais, estaduais, municipais 
e do Distrito Federal a adoção das medidas governamentais 
necessárias ao alcance das metas previstas neste PNE.
§ 2º As estratégias definidas no Anexo desta Lei não 
elidem a adoção de medidas adicionais em âmbito local ou de 
instrumentos jurídicos que formalizem a cooperação entre os 
entes federados, podendo ser complementadas por mecanismos 
nacionais e locais de coordenação e colaboração recíproca.
§ 3º Os sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal 
e dos Municípios criarão mecanismos para o acompanhamento 
local da consecução das metas deste PNE e dos planos previstos 
no art. 8o.
§ 4º Haverá regime de colaboração específico para 
aimplementação de modalidades de educação escolar que 
necessitem considerar territórios étnico-educacionais e a 
utilização de estratégias que levem em conta as identidades e 
especificidades socioculturais e linguísticas de cada comunidade 
envolvida, assegurada a consulta prévia e informada a essa 
comunidade.
§ 5º Será criada uma instância permanente de negociação 
e cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios.
§ 6º O fortalecimento do regime de colaboração entre 
os Estados e respectivos Municípios incluirá a instituição de 
instâncias permanentes de negociação, cooperação e pactuação 
em cada Estado.
Organização e Legislação da Educação 141
§ 7° O fortalecimento do regime de colaboração entre os 
Municípios dar-se-á, inclusive, mediante a adoção de arranjos 
de desenvolvimento da educação. (BRASIL, 2014).
ACESSE
Leia sobre plano nacional de educação cooperação federativa. 
Disponível em: https://bit.ly/2BdVU08.
A Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 trata no seu texto a 
origem dos recursos públicos para a educação. Segundo o artigo 
68º.
Art. 68. Serão recursos públicos destinados à educação os 
originários de:
I. receita de impostos próprios da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios;
II. receita de transferências constitucionais e outras 
transferências;
III. receita do salário-educação e de outras contribuições 
sociais;
IV. receita de incentivos fiscais;
V. outros recursos previstos em lei. (BRASIL, 1996).
A lei aborda também que uma porcentagem referente aos 
recolhimentos dos impostos deverão ser investidos na educação. 
Conforme o artigo 69º:
Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos 
de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios, vinte e cinco por cento, ou o que consta 
Organização e Legislação da Educação142
nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, 
da receita resultante de impostos, compreendidas 
as transferências constitucionais, na manutenção 
e desenvolvimento do ensino público. (BRASIL, 
1996).
O Brasil possui o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento 
da Educação Básica e da Valorização dos Profissionais de 
Educação (Fundeb), esse fundo foi instituído em 2007, no qual 
cada estado tem o seu fundo, todo mês ele é abastecido e o valor 
é dividido entre a rede municipal e estadual dependendo do 
número de matrículas, etapa ou modalidade de ensino.
Figura 16 — Administração.
Fonte: Freepik
Organização e Legislação da Educação 143
Conforme estudamos, pudemos verificar que, para o 
alcance das metas do plano nacional de educação e para garantir 
o que trata a constituição, os Estados, Municipios e Estados 
devem trabalhar de modo cooperativo para que as diferenças 
econômicas não venham a segregar o ensino e seja possível 
dar oportunidade de acessos a uma educação de qualidade para 
todos.
ACESSE
Leia Gestão Financeira da Educação em: https://bit.ly/35EhhGf.
Organização e Legislação da Educação144
UNIDADE
04
EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA
Organização e Legislação da Educação146
INTRODUÇÃO
Os direitos humanos são um conjunto de direitos civis, 
políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais garantidos 
para todos os seres humanos, esses direitos visam garantir e 
defender a dignidade humana para todos.
A educação em direitos humanos visa formar cidadãos 
críticos que saibam desenvolver atitudes de cidadania, que 
respeitem ao próximo e que contribuam positivamente para a 
sociedade.
O reconhecimento e valorização das diferentes grupos 
que compõem nossa sociedade se faz importante para que 
possamos compreender e desenvolver um país mais tolerante e 
que promova a cidadania e garanta direito a todos.
Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai 
mergulhar neste universo!
Organização e Legislação da Educação 147
OBJETIVOS
Olá, querido(a) aluno(a). Seja muito bem-vindo(a) a nossa 
Unidade 4 — Educação em direitos humanos e cidadania. Nesta 
unidade, o nosso objetivo é auxiliá-lo(a) no desenvolvimento de 
algumas competências profissionais.
Compreender a Educação em direitos humanos — 
Resolução 001/2012.
Identificar o que é e o que não é educação em direitos 
humanos.
Observar porque educar para direitos humanos e 
cidadania.
Analisar novos marcos para a relação étnico racial no 
Brasil: uma responsabilidade coletiva.
1
2
3
4
Então? Está preparado para uma viagem sem volta rumo 
ao conhecimento? Ao trabalho!
Organização e Legislação da Educação148
Compreendendo a educação em direitos 
humanos — Resolução 001/2012
A educação em direitos humanos visa garantir, por meio 
de princípios como a dignidade e a igualdade, o acesso a uma 
educação de qualidade para todos conforme garantido na 
Constituição de 1988. 
Dúvidas? Não se preocupe. Recorra ao fórum de dúvidas 
e discussões para socializar o seu conhecimento e esclarecer 
todas as suas dúvidas. Nós estaremos a sua disposição em caso 
de dificuldades!
Educação em Direitos Humanos – Resolução 
001/2012
Em 30 de Maio de 2012 foi promulgada a resolução nº 1, 
que trata de diretrizes nacionais para a Educação em Direitos 
Humanos, essas diretrizes se fazem importante por ressaltar o 
que a Constituição Federal de 1988 e a LDB 9394/96 abordam 
sobre uma educação igualitária, na qual todos devem ter acessos 
as mesmas condições respeitando as diferenças do indivíduo.
Figura 1 — Respeitando as diferenças.
Fonte: Freepik.
Organização e Legislação da Educação 149
A educação em direitos humanos surge em um contexto 
de muitas lutas, composta por movimentos sociais de resistência 
que visam garantir os direitos humanos.
A Declaração dos Direitos Humanos de 1948 é um conjunto 
de direitos civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e 
ambientais que tratam sobre a igualdade e a defesa da humanidade. 
Assim, os direitos humanos surgiram em um contexto de muitas 
lutas como um movimento social de resistência.
A Educação em Direitos Humanos (EDH) remete a 
Declaração de Direitos Humanos em relação a educação, 
considerando processos de proteção, promoção e defesa da 
vida cotidiana, assim como, cidadãos de direitos que atuam na 
sociedade.
Dessa forma, promove uma formação integral do indivíduo, 
na qual este adquire conhecimentos históricos sobre direitos 
humanos, adoção de práticas que promovam a defesa e a 
manutenção de direitos, e a formação de uma consciência cidadã 
apta a contribuir com a sociedade em que faz parte.
A EDH visa não apenas a transmissão de conhecimentos, 
mas uma educação permanente, continua, global e voltada para 
a mudança cultural.
A Educação em Direitos Humanos parte de três pontos: 
primeiro, é uma educação permanente, continuada 
e global. Segundo, está voltada para a mudança 
cultural. Terceiro, é educação em valores, para atingir 
corações e mentes e não apenas instrução, ou seja, 
não se trata de mera transmissão de conhecimentos. 
(BENEVIDES, 2007, p. 1).
A mudança cultural visa diminuir os traços deixados pela 
nossa herança de escravidão, por sistemas autoritários de ensino, 
por privilégios para classe dominante e políticas que visam 
aceitar a corrupção.
Organização e Legislação da Educação150
ACESSE
Leia a Educação em direitos humanos: de que se trata? Acesse: 
http://bit.ly/34qxQ6q.
Por muitos anos a cor da pele e a etnia eram, e continuam 
sendo, fatores relevantes para diferenciar quem teria valor e 
oportunidades e quem não, essa diferenciação se deu devido ao 
processo de escravização, que permaneceu em nossa sociedade 
por muitos anos, esse sistema articulava a predominância 
eurocêntrica e a ideia de superioridade desta.
Figura 2 — Igualdade de oportunidade.
Fonte: Freepik.
Diante disso, a escola tem o papel fundamental na 
sociedade de promover a reflexão dos educandos de modo que 
se devolvam cidadãos aptos a exercer a cidadania promovendo 
uma sociedade mais justa.
Aceitar as diferenças sejam elas físicas, intelectuais, 
sociais ou geográficas também deve ser um exercício realizado 
na escola.
Organização eLegislação da Educação 151
Os alunos devem entender por meio de atividades que o 
fato de sermos diferentes não significa que somos superiores uns 
aos outros, mas sim que nossas diferenças nos fazem formarmos 
uma sociedade.
Figura 3 — Educação para a igualdade.
Fonte: Freepik.
As sociedades evoluem e necessitam de outro tipo de 
escola, sendo assim, a escola autoritária, que preza por formar 
receptores de conhecimento, deu lugar a uma escola que é mais 
reflexiva e está aberta para formar alunos protagonistas do seu 
próprio conhecimento.
A Resolução 001/2012 no artigo 3º trata como princípios 
da educação em direitos humanos:
I. dignidade humana;
II. igualdade de direitos;
III. reconhecimento e valorização das diferenças e 
das diversidades;
IV. laicidade do Estado;
V. democracia na educação;
Organização e Legislação da Educação152
VI. transversalidade, vivência e globalidade; e
VII. sustentabilidade socioambiental. (BRASIL, 
2012, p. 1).
A escola deve planejar práticas pedagógicas que tenham 
como pilares os princípios de educação em direitos humanos, 
dessa forma, ela estará contribuindo com a formação para a vida 
do educando, seja para seu relacionamento na vida social ou 
para o conhecimento de direitos.
Para inserir a Educação em Direitos Humanos nas práticas 
pedagógicas, a escola deve considerar seus princípios na 
elaboração de Projeto Político Pedagógico (PPP), Organização 
de Currículos, Regimentos Escolares, Programas pedagógicos 
de cursos, construção de materiais didáticos e nos processos de 
avaliações.
Ao organizar o currículo, a escola poderá criar uma 
disciplina específica para a Educação em Direitos Humanos 
ou trabalhar esse conteúdo por meio das transversalidades, 
conforme consta no artigo 7º da resolução 001/2012.
Art. 7º A inserção dos conhecimentos concernentes à 
Educação em Direitos Humanos na organização dos currículos 
da Educação Básica e da Educação Superior poderá ocorrer das 
seguintes formas:
I. pela transversalidade, por meio de temas 
relacionados aos Direitos Humanos e tratados 
interdisciplinarmente;
II. como um conteúdo específico de uma das 
disciplinas já existentes no currículo escolar;
III. de maneira mista, ou seja, combinando 
transversalidade e disciplinaridade. (BRASIL, 
2012, p. 2).
Organização e Legislação da Educação 153
A formação profissional dos docentes está relacionada 
diretamente a qualidade da educação, dessa forma, desde a 
formação inicial quanto a continuada, que é realizada durante 
a prática profissional do professor, devem abordar conteúdos 
relacionados aos direitos humanos. Sendo assim, o professor 
estará mais preparado para compartilhar, com os educandos, 
informações e práticas que promovam a reflexão e o conhecimento 
sobre os direitos humanos.
Figura 4 — Professor na sala de aula.
Fonte: Freepik.
A escola deve proporcionar debates sobre os assuntos 
relacionados a violação dos direitos humanos no país e no 
mundo, para que o aluno compreenda a importância dos direitos 
humanos. Proporcionando, para o cidadão, entendimento sobre 
a função e a contribuição que a Educação em Direitos Humanos 
possui na sociedade da qual ele faz parte, para que não seja 
apenas uma teoria que consta no interior da escola, mas sim 
que tenha significado fora dos muros escolares e proporcione 
mudança de vida na sociedade.
Organização e Legislação da Educação154
ACESSE
Leia a Resolução Nº 1 de Maio 2012 para que possa compreender 
todo seu conteúdo. http://bit.ly/2RTLcWh.
Identificando o que é e o que não é educação 
em direitos humanos
Neste capítulo iremos compreender o que se trata educar 
em direitos humanos, que, por ser uma discussão nova, é 
muito questionado se realmente no ambiente escolar há o 
desenvolvimento de práticas que promovam uma educação 
em direitos humanos ou se há apenas o implemento de uma 
exigência. 
Dúvidas ? Não se preocupe. Recorra ao fórum de dúvidas 
e discussões para socializar o seu conhecimento e esclarecer 
todas as suas dúvidas. Nós estaremos a sua disposição em caso 
de dificuldades! Vamos lá!
O que é e o que não é Educação em Direitos 
Humanos
Direitos humanos são aqueles considerados fundamentais 
a todos, independente da classe social, sexo, etnia, profissão, 
condições físicas, opiniões ou ideologias sociais e políticas.
Todos os seres humanos são detentores de direito, muito 
se fala do direito à vida, esse sem dúvidas é um dos mais 
importantes, mas devemos abranger esse conceito, pois, quando 
falamos de direitos humanos nos referimos também ao direito à 
vida com dignidade.
Organização e Legislação da Educação 155
De acordo com o dicionário Aurélio (2002), dignidade 
significa:
1. Modo de proceder que transmite respeito; 
autoridade, honra, nobreza.
2. Qualidade do que é nobre; elevação ou grandeza 
moral.
3. Autoridade moral; honestidade, honra, autoridade, 
gravidade.
4. ECLES, DESUS Série de benefícios vinculados a 
cargo importante no clero.
5. Título ou cargo de graduação elevada; honraria.
6. Respeito a seus valores ou sentimentos; amor-
próprio (AURÉLIO, 2002).
Dessa forma, o comportamento indigno remete ao fato 
de não se ter respeito e honestidade para com valores sociais, 
com isso, atos que presenciamos no nosso dia a dia como: não 
criar condições para que as crianças saiam das ruas; abandono 
de socorro nos hospitais; menosprezar os direitos daqueles em 
situação de ruas; moradias em situação irregular e de risco são 
exemplos de ações que não possuem dignidade.
Portanto, uma vida em sociedade deve ter ações voltadas 
para atender o direito que todo ser humano tem a uma vida digna.
Nesse contexto, a educação tem um papel fundamental 
para despertar essa consciência e promover a luta por esse direito.
A Constituição Federal de 1988 já declara que a educação 
é um direito de todos, ademais, por meio dos Parâmetros 
Curriculares Nacionais é ressaltado que a educação deve estar 
voltada para a cidadania, ou seja, a educação deve promover 
atitudes que contribuam com a vida social.
Organização e Legislação da Educação156
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais:
O conjunto das proposições aqui expressas responde 
à necessidade de referenciais a partir dos quais o 
sistema educacional do País se organize, a fim de 
garantir que, respeitadas as diversidades culturais, 
regionais, étnicas, religiosas e políticas que 
atravessam uma sociedade múltipla, estratificada e 
complexa, a educação possa atuar, decisivamente, no 
processo de construção da cidadania, tendo como meta 
o ideal de uma crescente igualdade de direitos entre 
os cidadãos, baseado nos princípios democráticos. 
Essa igualdade implica necessariamente o acesso 
à totalidade dos bens públicos, entre os quais o 
conjunto dos conhecimentos socialmente relevantes. 
(BRASIL, 1997, p. 10).
A educação para a cidadania tem como um dos objetivos 
a formação de pessoas responsáveis, autónomas e solidárias que 
saibam exercer seus direitos e deveres com respeito para com os 
outros.
A fim de contribuir para uma educação voltada à cidadania, 
surge a Educação em Direitos Humanos, que deve estar inserida 
no ambiente escolar por meio de atividades, sendo estas 
ligadas as vivencias dos professores, diretores e educandos, os 
permitindo refletir sobre a dignidade e os direitos para todos, 
proporcionando atitudes de empatia e sentimentos de cooperação 
e solidariedade.
[...] a educação em direitos humanos trabalha 
permanentemente o ver, a sensibilização e 
a conscientização da realidade. Procura ir 
progressivamente ampliando o olhar sobre a vida 
cotidiana e ir ajudando a descobrir os determinantes 
estruturais da realidade. (CANDAU et al., 2003, 
p. 115).
Organização e Legislação da Educação 157
Empatia significa a capacidade que um indivíduo tem de 
se colocar no lugar do outro
Figura 5 — Empatia.
Fonte: Freepik.
A educação em direitos humanos, conforme Sime (1991), 
deve estar pautada em três pedagogias, a pedagogia da indignação, 
a pedagogia da admiração e a pedagogia das convicções:PEDAGOGIA DA INDIGNAÇÃO: se mostra 
escandalizada com toda forma de violência contra os direitos.
PEDAGOGIA DA ADMIRAÇÃO: compartilha a alegria 
de verificar mudanças individuas e coletivas
PEDAGOGIA DAS CONVICÇÕES: estimula a crença 
na vida, na justiça e na liberdade.
Dessa forma, podemos entender que a Educação em 
Direitos Humanos deve estar focada na formação de um 
indivíduo de direito que possa exercer a cidadania de modo ativo 
e participante, promovendo: indignação para com as atitudes 
de violação dos direitos das pessoas; admiração para com atos 
de valorização e de cooperação com o outro; convicções que 
estimulem a crença na Justiça; entre outros.
Organização e Legislação da Educação158
A escola é um dos principais cenários responsável 
por promover atitudes que contribuam com a promoção dos 
direitos humanos, pois, além de ser um espaço de construção 
de conhecimento, é um local para o desenvolvimento de 
relacionamentos.
Figura 6 — Escola.
Fonte: Pixabay.
Conforme os estudos de Gadotti: “[...] a escola não é só um 
lugar para estudar, mas para se encontrar, conversar, confrontar-
se com o outro, discutir, fazer política. ” (GADOTTI, 2007, p. 
12).
A escola não deve estar preocupada apenas em transmitir 
conhecimentos a respeito dos direitos humanos, mas sim em 
promover, dentro do seu ambiente, discussões e reflexões de 
atitudes que ocorrem no seu interior.
A Educação em Direitos Humanos deve estar pautada na 
democracia, sendo assim, a escola deve favorecer a participação 
de todos que compõem a comunidade escolar, dessa forma, os 
educandos já estarão praticando atitudes de direitos humanos.
Organização e Legislação da Educação 159
Segundo Paulo Freire (2000 , p. 119): “um ser da intervenção 
no mundo [...] e por isso mesmo deve deixar suas marcas de 
sujeito e não pegadas de puro objeto”. Assim, o educando, ao 
praticar atitudes que exercem e consideram os direitos humanos 
no ambiente escolar, terá a possibilidade de refletir e não apenas 
reproduzir algo já construindo, se desenvolvendo como um 
agente de mudanças sociais.
O professor deve desenvolver propostas pedagógicas 
que criem articulações da prática com a educação em direitos 
humanos, não devendo realizar apenas campanhas esporádicas 
sobre o tema, mas sim promover uma reflexão continua inserida 
no dia a dia da escola.
A escola não deve buscar formar valores nos alunos, mas 
sim realizar a sua construção considerando a participação do 
educando, por meio dos relacionamentos e de reflexões sobre 
atitudes dentro do ambiente escolar ou de acontecimentos na 
sociedade.
Ela deve promover a construção de uma cultura em direitos 
humanos, utilizando a metodologia de construção coletiva, não 
apenas uma transmissão de valores culturais.
Diante do exposto, a formação dos professores se torna 
crucial para que se promovam propostas pedagógicas que visem 
relacionar teoria com a prática em direitos humanos, respeitar e 
considerar as diferenças e selecionar conteúdos.
Sendo assim, preparar os profissionais da educação para 
atuar com a educação em direitos humanos fará com que a escola 
atinja seu principal objetivo em relação a formação humana, 
ademais, isso fará com que o aluno possa atuar e contribuir 
positivamente com a sociedade de que faz parte.
Organização e Legislação da Educação160
Observando porque educar para os direitos 
humanos e a cidadania
Neste capítulo iremos estudar a importância de se educar 
para os direitos humanos e a sua contribuição para a promoção 
da cidadania. Vamos juntos desbravar esse conhecimento?
Dúvidas? Não se preocupe. Recorra ao fórum de dúvidas 
e discussões para socializar o seu conhecimento e esclarecer 
todas as suas dúvidas. Nós estaremos a sua disposição em caso 
de dificuldades!
Por que educar para os direitos humanos e a 
cidadania?
Após a Revolução Francesa, ocorreram mudanças sociais 
significativas no mundo, com elas o homem passou a questionar 
a sua liberdade individual, surgindo, assim, a ideia de liberdade 
de pensamentos, de expressão e igualdade.
Figura 7 — Quebrando as correntes.
Fonte: Pixabay.
Organização e Legislação da Educação 161
Em 1948, a ONU (Organização das Nações Unidas) 
proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é 
composta por vários direitos que deverão ser seguidos por todas 
as nações do mundo.
Um dos principais objetivos da ONU é ser um órgão que 
visa controlar as guerras, instaurar a paz no mundo, fortalecer 
os direitos humanos, para isso foi criado um documento 
denominado “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, 
composto por vários artigos.
Figura 8 — Bandeira da ONU.
Fonte: Pixabay.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, no seu 
Artigo 1º, menciona que todo ser humano nasce livre e em iguais 
condições de direitos:
“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em 
dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem 
agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”(ONU, 
1948)
No seu artigo 2º, aborda que independente de cor, raça, 
religião e condições sociais, todos devem ter seus direitos 
respeitados.
Organização e Legislação da Educação162
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e 
as liberdades proclamados na presente Declaração, 
sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de 
cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política 
ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, 
de nascimento ou de qualquer outra situação. Além 
disso, não será feita nenhuma distinção fundada no 
estatuto político, jurídico ou internacional do país ou 
do território da naturalidade da pessoa, seja esse país 
ou território independente, sob tutela, autônomo ou 
sujeito a alguma limitação de soberania. (ONU, 
1948)
A tomada de consciência de direitos e deveres é chamada 
de cidadania, que tem o objetivo de garantir o direito determinado 
na constituição de cada país, no caso do Brasil, na Constituição 
Federal de 1988, no artigo 5º trata.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção 
de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e 
aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança 
e à propriedade, nos termos seguintes:
I. homens e mulheres são iguais em direitos e 
obrigações, nos termos desta Constituição;
II. ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer 
alguma coisa senão em virtude de lei;
III. ninguém será submetido a tortura nem a 
tratamento desumano ou degradante;
IV. é livre a manifestação do pensamento, sendo 
vedado o anonimato;
V. é assegurado o direito de resposta, proporcional 
ao agravo, além da indenização por dano material, 
moral ou à imagem;
Organização e Legislação da Educação 163
VI. é inviolável a liberdade de consciência e de 
crença, sendo assegurado o livre exercício dos 
cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a 
proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII. é assegurada, nos termos da lei, a prestação de 
assistência religiosa nas entidades civis e militares 
de internação coletiva;
VIII. ninguém será privado de direitos por motivo 
de crença religiosa ou de convicção filosófica 
ou política, salvo se as invocar para eximir-se de 
obrigação legal a todos imposta e recusar-se a 
cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
IX. é livre a expressão da atividade intelectual, 
artística, científica e de comunicação, 
independentemente de censura ou licença; (BRASIL, 
1988).
A constituição é clara em relação aos direitos de respeito, 
liberdade e tolerância, mas colocar esses direitos em prática na 
vida em sociedade não é tão simples, pois, muitas vezes, devido 
aos traços históricos da colonização, os cidadãos não reconhecem 
seus direitos e também não sabem praticar os seus deveres.
Diante do exposto, torna-se indispensável uma educação 
para os direitos humanos, que promova a cidadania e que torne 
o homem conhecedor e crítico dos seus direitos e deveres.
A Educação em Direitos Humanos deve priorizar as 
atividadesque promovam, dentro do ambiente escolar, a 
reflexão sobre atitudes do dia a dia e, por meio das materias 
interdisciplinares, que desenvolvam ações de reconhecimento 
sobre os direitos e deveres de se conviver em uma sociedade.
O homem deve ser um sujeito ativo no processo de 
construção do conhecimento sobre a cidadania, proporcionando 
a consciência dos direitos e deveres e não apenas reprodução 
Organização e Legislação da Educação164
de algo determinado, superando, dessa forma, a educação 
tradicional, na qual o professor é o detentor do conhecimento e 
o aluno um mero expectador.
A escola deve considerar esse aluno protagonista das 
atitudes e das reflexões de promoção a cidadania, também deve 
ser considerada como um ensaio da vida em sociedade.
Figura 9 — Reflexão.
Fonte: Pixabay.
Dessa forma, o educador deve promover ações que 
contribuam para o desenvolvimento de futuros cidadãos, que 
irão reproduzir, na vida social, as reflexões realizadas sobre 
diversas atitude com seus pares no dia a dia escolar.
A educação para os direitos humanos deve ser comprometida 
com a mudança de comportamentos, promovendo a superação 
de intolerância, falta de respeito, desigualdades e injustiça.
Salviani (1989) considera que uma função importante da 
educação em direito humano é humanizar o humano.
Essa humanização só será desenvolvida caso o professor, 
dentro do ambiente escolar, esteja atento para os relacionamentos 
nos contextos escolar e extraescolares, e desenvolva propostas 
Organização e Legislação da Educação 165
que condizem com aquele grupo de estudantes, tornando, 
dessa forma, o processo de ensino aprendizagem em um com 
significado.
A formação do professor também deve ser estruturada 
de forma humanizada, para que o docente consiga associar as 
aprendizagens das disciplinas com o currículo escolar proposto.
Caso o docente não desenvolva atividades que estimulem 
a participação dos alunos na educação para os direitos humanos, 
as atividades escolares serão centradas em transmitir conteúdo, 
algo contestado por Freitas (1997), denominado “educação 
bancaria”, que não possibilita o educando a sua emancipação.
A Educação em Direitos Humanos torna-se indispensável 
para que haja uma mudança social no mundo, cada indivíduo 
deve reconhecer seus direitos e deveres para que se possa viver 
em um mundo mais justo, com menos desigualdades.
A educação é o caminho para qualquer mudança social, 
ela permite conscientizar e sensibilizar as pessoas em relação 
ao respeito ao próximo e aos seus direitos, o direito existe para 
todas as pessoas, mas a sociedade só o conquistará se souber 
reivindicá-lo e lutar por ele.
Organização e Legislação da Educação166
Analisando o novo marco para a 
relação étnico-racial no Brasil: uma 
responsabilidade coletiva
Nesta aula iremos analisar os novos marcos para as 
relações étnico-raciais no Brasil, procurando entender suas 
origens e seu progresso na história social. O preconceito é uma 
marca na nossa história, assim, entender a responsabilidade que 
todos possuem dentro de uma sociedade se torna fundamental 
para se obter mudanças.
O ambiente escolar torna-se um lugar indispensável para 
promover o debate e a transformação da postura dos educandos 
frente a mudança de comportamento social. Com a introdução da 
Lei 10.639/2003, a escola passou a introduzir a história da África 
e dos africanos no Brasil, para que se reconheça a importância 
desse grupo para a história do país e para desmistificar o olhar 
eurocêntrico de superioridade de raças.
Vamos juntos promover esse conhecimento?
A relação étnico-racial no Brasil
A história do Brasil é marcada por exploração e 
escravização e para entender as relações e a cultura deste país, 
se faz necessário entender a história dos povos que contribuíram 
para o desenvolvimento da nação que encontramos atualmente.
Os africanos foram trazidos para o Brasil como força de 
trabalho escravizada, retirados de suas nações, de suas famílias, 
assim, eles trouxeram também suas culturas, danças e comidas, 
que foram acomodados a sociedade brasileira como parte da sua 
própria cultura, visto a importância e o alto números de negros 
trazidos para o país.
Organização e Legislação da Educação 167
Figura 10 — Negros no fundo do porão – Rugendas 1835.
Fonte: Wikimedia Commons.
Dessa forma, para estudar a sociedade brasileira, deve-se 
procurar entender a história da cultura africana, visto a influência 
que esta possui na constituição da nossa sociedade.
Apesar dessa importante contribuição para a cultura 
da sociedade brasileira, ao longo da história, discriminação, 
racismo e preconceitos se fizeram presentes na sociedade.
Observamos, no percurso da história, que o negro foi ter 
acesso a escola depois de muita luta, mesmo assim, isso se deu 
com decretos de leis como a nº 7.031 de 1878, de acordo com 
esta o negro só poderia estudar a noite, e ainda havia vários 
empecilhos para dificultar a permanência dele no ambiente 
escolar.
Em 1988, a Constituição Federal, por meio do seu artigo 
5º, abordou a igualdade de todos os homens, independente de 
raça, cor, sexo ou religião, tornando esse decreto um marco 
contra o racismo.
Organização e Legislação da Educação168
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção 
de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e 
aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança 
e à propriedade. (BRASIL, 1988)
Embora a igualdade entre todas as pessoas esteja prevista 
na lei, esta vivência, na prática, não se efetivou. Isso, visto que 
há uma predominância da ideia de superioridade da cor branca 
em detrimento da cor negra, assim, o termo negro é tido como 
pejorativo e remete também à escravização, decorrida no período 
colonial da história do Brasil. Conforme os estudos de Skidmore.
[...] baseava -se na presunção da superioridade 
branca, às vezes, pelo uso dos eufemismos raças 
“mais adiantadas” e “menos adiantadas” e pelo fato 
de ficar em aberto a questão de ser a inferioridade 
inata. À suposição inicial, juntavam-se mais 
duas. Primeiro – a população negra diminuía 
progressivamente em relação à branca por 
motivos que incluíam a suposta taxa de natalidade 
mais baixa, a maior incidência de doenças e a 
desorganização social. Segundo – a miscigenação 
produzia “naturalmente” uma população mais clara, 
em parte porque o gene branco era mais forte e em 
parte porque as pessoas procuravam parceiros mais 
claros do que elas (a imigração branca reforçaria 
a resultante predominância branca). (SKIDMORE, 
1989, p. 81).
Em 1966, a ONU (Organização Mundial das Nações 
Unidas) elaborou a convenção sobre a eliminação de todas 
as formas de discriminação racial, como uma tentativa de 
conscientizar os países que compõem a organização a adotarem 
uma política de eliminação da discriminação racial a fim das 
raças se entenderem e se respeitarem.
Organização e Legislação da Educação 169
Para esse fim, cada Estado Parte compromete-se a 
não efetuar ato ou prática de discriminação racial 
praticada por uma pessoa ou organização qualquer, a 
tomar as medidas eficazes, a fim de rever as políticas 
governamentais nacionais e locais e para modificar, 
ab-rogar ou anular qualquer disposição regulamentar 
que tenha como objetivo criar a discriminação ou 
perpetrá-la onde já existir; a adotar as medidas 
legislativas, proibir e pôr fim à discriminação racial 
praticada por pessoas, por grupos ou organizações; 
favorecer, quando for o caso, as organizações e 
movimentos multirraciais e outros meios próprios e 
eliminar as barreiras entre as raças e desencorajar o 
que tende a fortalecer a divisão racial. (UNESCO, 
1966, p. 2).
Baseado na convenção da ONU, o governo brasileiro 
instituiu a lei nº 7.716 em 05 de janeiro de 1989, que sofreu 
alteração de redação em 13 de maio de 1997 por meio da lei 
9.459, a partit da qual passou a ser caracterizado crime a 
descriminação ou o preconceito racial.
Art.1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes 
resultantes de discriminação ou preconceito de 
raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. 
(BRASIL, 1997).
O Estatuto da Criança e do Adolescente é um documento 
que consta os direitos das crianças e dos adolescentes, por meio 
da lei 8.096 de 13 de Julho de 1990, assim, o Artigo 3º trata que 
esses direitos são para todas as crianças independente da raça, 
cor ou sexo.
Parágrafo único. Os direitos enunciados nesta Lei 
aplicam-se a todas as crianças e adolescentes, sem 
discriminação de nascimento, situação familiar, 
idade, sexo, raça, etnia ou cor, religião ou crença, 
Organização e Legislação da Educação170
deficiência, condição pessoal de desenvolvimento e 
aprendizagem, condição econômica, ambiente social, 
região e local de moradia ou outra condição que 
diferencie as pessoas, as famílias ou a comunidade 
em que vivem. (BRASIL, 1990)
Na tentativa de reafirmar: a inclusão do negro na sociedade 
e o fim da discriminação racial; em 20 de Julho 2010 foi 
aprovada a lei 12.288, a partir da qual foi instituído o estatuto da 
Igualdade Racial, que visa efetivar a igualdade de oportunidades 
e o combate a discriminação.
Art. 1º Esta Lei institui o Estatuto da Igualdade Racial, 
destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade 
de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, 
coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais 
formas de intolerância étnica.
Parágrafo único. Para efeito deste Estatuto, considera-se:
I. discriminação racial ou étnico-racial: toda 
distinção, exclusão, restrição ou preferência 
baseada em raça, cor, descendência ou origem 
nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou 
restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, 
em igualdade de condições, de direitos humanos 
e liberdades fundamentais nos campos político, 
econômico, social, cultural ou em qualquer outro 
campo da vida pública ou privada;
II. desigualdade racial: toda situação injustificada 
de diferenciação de acesso e fruição de bens, 
serviços e oportunidades, nas esferas pública e 
privada, em virtude de raça, cor, descendência ou 
origem nacional ou étnica;
III. desigualdade de gênero e raça: assimetria 
existente no âmbito da sociedade que acentua a 
Organização e Legislação da Educação 171
distância social entre mulheres negras e os demais 
segmentos sociais;
IV. população negra: o conjunto de pessoas que 
se autodeclaram pretas e pardas, conforme o 
quesito cor ou raça usado pela Fundação Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou 
que adotam autodefinição análoga;
V. políticas públicas: as ações, iniciativas e 
programas adotados pelo Estado no cumprimento 
de suas atribuições institucionais;
VI. ações afirmativas: os programas e medidas 
especiais adotados pelo Estado e pela iniciativa 
privada para a correção das desigualdades raciais 
e para a promoção da igualdade de oportunidades. 
(BRASIL, 2010)
Por essa análise pudemos entender que o Estado tem 
buscado, por meio da lei, combater o ato discriminatório e 
a desigualdade racial, no entanto, esse movimento contra o 
racismo deve ser assumido por todos os membros da sociedade.
A escola, segundo garantida pela Lei de Diretrizes e Bases 
9394/96, um lugar que todos devem ter condições de acesso, 
passa a ter um papel fundamental para a promoção dessa 
conscientização, por ser um ambiente propicio para o debate, 
diálogo e reflexão.
Por muitos anos, a cultura africana foi desmerecida, sendo 
reconhecida apenas a função da mão de obra escravizada no 
país, assim, a imagem do negro como um ser sem valor e de 
cultura desprezível foi instalada na sociedade, pouco se sabia da 
sua história e importância.
Dessa forma, a escola passou a reconhecer a importância 
de se estudar sobre a história e a cultura Afro-Brasileira para que 
se efetivasse o entendimento e o respeito a essa cultura.
Organização e Legislação da Educação172
Em 09 de Janeiro de 2003, por meio da lei 10.639, foi 
incluso na rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História 
e Cultura Afro-Brasileira”, na qual, no artigo 1º, trata da inclusão 
desse tema.
Art. 1º A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, 
passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 
79-A e 79-B:
“Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino 
fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-
se obrigatório o ensino sobre História e Cultura 
Afro-Brasileira.
§ 1º O conteúdo programático a que se refere o caput 
deste artigo incluirá o estudo da História da África e 
dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura 
negra brasileira e o negro na formação da sociedade 
nacional, resgatando a contribuição do povo negro 
nas áreas social, econômica e política pertinentes à 
História do Brasil.
§ 2º Os conteúdos referentes à História e Cultura 
Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de 
todo o currículo escolar, em especial nas áreas 
de Educação Artística e de Literatura e História 
Brasileiras. (BRASIL, 2003)
A Lei 10.639/03 é considerada um marco do movimento 
negro pela igualdade racial e social, até então essa pauta era 
tratada de forma genérica nas escola, de acordo com as diretrizes 
dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), sem garantir 
compromisso para a efetivação do estudo sobre a cultura negra.
Em 2004, foi intitulado as Diretrizes Curriculares Nacionais 
para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de 
História e Cultura Afro-Brasileira, o documento se faz importante 
pois muitas pessoas da sociedade desconhecem a história da 
cultura afro e sua importância para a formação social do Brasil.
Organização e Legislação da Educação 173
Assim, esse documento aborda aspectos sobre o 
reconhecimento de estratégias pedagógicas que valorizem a 
diversidade para superar as desigualdades étnico-raciais presente 
na sociedade.
Reconhecimento requer a adoção de políticas 
educacionais e de estratégias pedagógicas de 
valorização da diversidade, a fim de superar a 
desigualdade étnico-racial, presente na educação 
escolar brasileira, nos diferentes níveis de ensino. 
(BRASIL, 2004, p. 12).
Conforme Silva (2001) afirma, o reconhecimento da 
importância de uma educação pluricultural, pluriracial e não-
eurocênctrica se constitui como um dos pilares de uma sociedade 
brasileira verdadeiramente democrática.
A escola tem o dever de estimular: o reconhecimento 
de diferentes culturas, debates sobre as diferenças; ademais, a 
obrigatoriedade de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana 
nos currículos visa contribuir para essas reflexões.
A obrigatoriedade de inclusão de História e 
Cultura Afro-Brasileira e Africana nos currículos 
da Educação Básica trata-se de decisão política, 
com fortes repercussões pedagógicas, inclusive na 
formação de professores. (BRASIL, 2004, p. 17).
Visando diminuir o problema da desigualdade de acesso a 
educação, decorrente da história brasileira, o governo instituiu 
políticas compensatórias, como a lei 12990/14 promulgada em 
09 de Junho de 2014, na qual se reservar vagas aos negros em 
concursos públicos.
Art . 1º Ficam reservadas aos negros 20% (vinte por 
cento) das vagas oferecidas nos concursos públicos 
para provimento de cargos efetivos e empregos 
públicos no âmbito da administração pública 
Organização e Legislação da Educação174
federal, das autarquias, das fundações públicas, das 
empresas públicas e das sociedades de economia 
mista controladas pela União, na forma desta Lei. 
(BRASIL, 2014a).
Em 29 de Agosto de 2012, foi promulgada a Lei 12.711, 
que garante cota de vagas para pessoas de origem pardas, pretos 
e indígenas.
Art . 3º Em cada instituição federal de ensino 
superior, as vagas de que trata o art. 1º desta 
Lei serão preenchidas, por curso e turno, por 
autodeclarados pretos, pardos e indígenas e por 
pessoas com deficiência, nos termos da legislação, 
em proporção ao total de vagas no mínimo igual à 
proporção respectiva de pretos, pardos, indígenas e 
pessoas com deficiência napopulação da unidade da 
Federação onde está instalada a instituição, segundo 
o último censo da Fundação Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística - IBGE. (BRASIL, 2012).
O Plano Nacional de Educação, lei 13.005/2014, propõe 
a promoção da cidadania e a erradicação da discriminação 
aumentando a escolarização de negros.
Elevar a escolaridade média da população de 18 
(dezoito) a 29 (vinte e nove) anos, de modo a alcançar, 
no mínimo, 12 (doze) anos de estudo no último 
ano de vigência deste plano, para as populações do 
campo, da região de menor escolaridade no País 
e dos 25% (vinte e cinco por cento) mais pobres, 
e igualar a escolaridade média entre negros e não 
negros declarados à Fundação Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística – IBGE. (BRASIL, 2014b).
No entanto, é importante analisar que: reafirmar a cultura 
afro não significa apenas oportunizar vagas de acesso, mas sim 
reconhecer a sua importância cultural para a sociedade brasileira. 
Organização e Legislação da Educação 175
Conforme as diretrizes curriculares citam.
Com esta medida, reconhece-se que, além de 
garantir vagas para negros nos bancos escolares, é 
preciso valorizar devidamente a história e cultura de 
seu povo, buscando reparar danos, que se repetem 
há cinco séculos, à sua identidade e a seus direitos. 
A relevância do estudo de temas decorrentes da 
história e cultura afro-brasileira e africana não 
se restringe à população negra, ao contrário, diz 
respeito a todos os brasileiros, uma vez que devem 
educar-se enquanto cidadãos atuantes no seio de 
uma sociedade multicultural e pluriétnica, capazes 
de construir uma nação democrática. (BRASIL, 
2004, p. 17)
O efetivo reconhecimento da importância étnico-racial 
na sociedade se dará por meio de trabalhos desenvolvidos 
no ambiente escolar, segundo a orientação das diretrizes 
curriculares nacionais da educação étnicos-raciais, esse ensino 
deverá conduzir princípios que visem a consciência política e 
histórica da diversidade. São eles:
■ à igualdade básica de pessoa humana como 
sujeito de direitos;
■ à compreensão de que a sociedade é formada 
por pessoas que pertencem a grupos étnico-raciais 
distintos, que possuem cultura e história próprias, 
igualmente valiosas e que em conjunto constroem, 
na nação brasileira, sua história;
■ ao conhecimento e à valorização da história 
dos povos africanos e da cultura afro-brasileira na 
construção histórica e cultural brasileira;
■ à superação da indiferença, injustiça e 
desqualificação com que os negros, os povos 
indígenas e também as classes populares às quais 
Organização e Legislação da Educação176
os negros, no geral, pertencem, são comumente 
tratados;
■ à desconstrução, por meio de questionamentos 
e análises críticas, objetivando eliminar conceitos, 
ideias, comportamentos veiculados pela ideologia 
do branqueamento, pelo mito da democracia racial, 
que tanto mal fazem a negros e brancos;
■ à busca, da parte de pessoas, em particular 
de professores não familiarizados com a análise 
das relações étnico-raciais e sociais com o estudo 
de história e cultura afro-brasileira e africana, de 
informações e subsídios que lhes permitam formular 
concepções não baseadas em preconceitos e construir 
ações respeitosas;
■ ao diálogo, via fundamental para entendimento 
entre diferentes, com a finalidade de negociações, 
tendo em vista objetivos comuns, visando a uma 
sociedade justa. (BRASIL, 2004, p. 19) 
Assim, para esses princípios, deverão ser elaborados 
trabalhos pedagógicos que criem conexões entre estratégias e 
atividades que vinculem as experiências vividas pelos alunos e 
professores, apresentando a importância das relações dos negros, 
indígenas, brancos na sociedade.
■ a conexão dos objetivos, estratégias de ensino 
e atividades com a experiência de vida dos 
alunos e professores, valorizando aprendizagens 
vinculadas às suas relações com pessoas negras, 
brancas, mestiças, assim como as vinculadas às 
relações entre negros, indígenas e brancos no 
conjunto da sociedade (BRASIL, 2004, p.19)
Assim, para esses princípios, deverão ser elaborados 
trabalhos pedagógicos que criem conexões entre estratégias e 
atividades que vinculem as experiências vividas pelos alunos e 
Organização e Legislação da Educação 177
professores, apresentando a importância das relações dos negros, 
indígenas, brancos na sociedade.
■ a conexão dos objetivos, estratégias de ensino e 
atividades com a experiência de vida dos alunos e 
professores, valorizando aprendizagens vinculadas 
às suas relações com pessoas negras, brancas, 
mestiças, assim como as vinculadas às relações 
entre negros, indígenas e brancos no conjunto da 
sociedade (BRASIL, 2004, p.19)
Dessa forma, o aluno deve ter a possibilidade de pensar, 
agir e refletir sobre as diferenças e os contrastes encontrados nas 
relações no interior da escola.
■ condições para professores e alunos pensarem, 
decidirem, agirem, assumindo responsabilidade 
por relações étnico-raciais positivas, enfrentando 
e superando discordâncias, conflitos, contestações, 
valorizando os contrastes das diferenças (BRASIL, 
2004, p. 20).
Os projetos pedagógicos devem valorizar a dança, a 
culinária e a história da cultura afro, aprendendo a preservá-la e 
a difundi-la para toda a sociedade.
■ valorização da oralidade, da corporeidade e da 
arte, por exemplo, como a dança, marcas da cultura 
de raiz africana, ao lado da escrita e da leitura 
(BRASIL, 2004, p. 20).
Organização e Legislação da Educação178
Figura 11 — Capoeira.
Fonte: Wikimedia Commons.
O professor deve apresentar, assim, a importância dos 
negros na constituição do Brasil, suas histórias e relatos, 
oferecendo outro olhar frente aos acontecimentos históricos do 
Brasil.
Como pudemos observar, existem políticas públicas, na 
constituição, que garantem a erradicação da discriminação, a 
valorização e o reconhecimento da cultura afro na sociedade; é 
também papel da escola promover estratégias pedagógicas para 
possibilitar esse debate e reflexão no ambiente escolar.
No entanto, nos questionamos “Será que os professores 
estão aptos para desenvolver práticas pedagógicas voltadas para 
a valorização da cultura afro?”
A formação inicial do professor deve ser constituída de 
conhecimentos necessários para atuação e reflexão dessas 
diversidades culturais, por isso a importância da preparação 
dos professores, para que ele esteja apto a desenvolver futuros 
cidadãos que irão contribuir e mudar a sociedade, promovendo 
reconhecimento, respeito e valorização das diferenças culturais.
Organização e Legislação da Educação 179
O Brasil é um país multicultural, constituído de diferentes 
culturas, e cabem a todas as instituições que compõem o país 
— sejam cidadãos, políticos, educadores e gestores — se 
comprometerem, por meio do conhecimento, reconhecer a 
importância cultural dos diferentes povos e garantir o respeito 
assegurado na constituição brasileira, afinal, trata-se de uma 
responsabilidade de todos a promoção da igualdade.
Organização e Legislação da Educação180
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