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APG 12 – CEFALEIAS OBJETIVOS: 1) Definir a cefaleia 2) Diferenciar os tipos de cefaleia (etiologia, fisiopatologia) 3) Listar os sinais e sintomas dos tipos de cefaleias 4) Descrever o processo investigativo e terapêutico da cefaleia definição de cefaleia A cefaleia, um sintoma muito comum, pode ser secundária a um problema subjacente, mas se trata, mais comumente, de uma causa primária, como enxaqueca, cefaleia tipo tensional, cefaleia em salvas e hemicrania paroxística. CLASSIFICAÇÃO DAS CEFALEIAS As cefaleias podem ser classificadas em primárias e secundárias. O diagnóstico diferencial entre cefaleia primária ou secundária é essencial. A causa da cefaleia secundária habitualmente deve ser investigada por meio de exames subsidiários. · CEFALEIAS PRIMÁRIAS: Cefaleias primárias são as cefaleias que têm o sintoma da dor de cabeça sendo seu principal, sem demais sinais ou sintomas sistêmicos. Não causa lesão estrutural, tende a não ser progressiva ou originar sequelas. 1. ENXAQUECA (OU MIGRÂNEA) Caracteriza-se por crises recorrentes constituídas por até cinco fases (nem sempre estão presentes todas elas). · FISIOPATOLOGIA: Considera-se a enxaqueca uma síndrome dolorosa neurovascular, com alteração do processamento neuronal central (ativação dos núcleos do tronco encefálico, hiperexcitabilidade cortical e depressão cortical disseminada) e comprometimento do sistema trigeminovascular (deflagrando a liberação de neuropeptídeos que produzem inflamação dolorosa nos vasos cranianos e na dura-máter). · MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: A enxaqueca tem dois subtipos principais. A aura é o complexo de sintomas neurológicos que ocorre habitualmente antes da cefaleia. · ENXAQUECA SEM AURA: é uma síndrome clínica caracterizada por cefaleia com características específicas e sintomas associados. · ENXAQUECA COM AURA: é caracterizada, principalmente, pelos sintomas neurológicos focais transitórios que geralmente precedem ou frequentemente acompanham a cefaleia. Alguns doentes experimentam também uma fase premonitória, ocorrendo horas ou dias antes da cefaleia e uma fase de resolução de cefaleia. Os sintomas premonitórios e de resolução incluem hiperatividade, hipoatividade, depressão, desejos por certos alimentos, bocejos repetitivos, fadiga e rigidez e/ou dor da nuca. · Sintomas premonitórios: precedem a cefaleia por horas ou até dias. Nesta fase o paciente pode apresentar irritabilidade, com raciocínio e memorização mais lentos, desânimo e avidez por alguns tipos de alimentos. · Aura: complexo de sintomas neurológicos que se desenvolve gradualmente (ao longo de no mínimo 5 minutos) e dura até 60 minutos. A aura típica é um distúrbio visual constituído por pontos fosfenos, perda ou distorção de um dos hemicampos visuais ou parte deles. Às vezes associam-se parestesia unilateral e/ou disfasia. · Cefaleia: é de forte intensidade, latejante/pulsátil, piorando com as atividades do dia a dia. A duração da fase de dor é de 4 a 72 horas. A dor é unilateral em dois terços das crises, geralmente mudando de lado de uma crise para outra. · Sintomas associados: náuseas e/ou vômitos, foto e fonofobia. · Fase de recuperação: fase de exaustão em que alguns pacientes necessitam de um período de repouso para seu completo restabelecimento Complicações da enxaqueca: · estado migranoso: cefaleia intensa que dura mais que 72 horas, com intervalos livres inferiores a 12 horas, à qual associam-se náuseas e vômitos por horas seguidas, levando a desidratação e as suas consequências, como a necessidade de internação. · infarto migranoso: é um ataque idêntico aos outros episódios, mas os sintomas da aura persistem por mais de 60 minutos e são associados a um infarto demonstrado no exame de neuroimagem. · migrânea crônica: é o aumento da frequência das crises até tornarem-se diárias ou quase diárias (>15 dias por mês com dor por mais de 3 meses). · São fatores de risco para cronificação: fatores emocionais, estresse, doenças psiquiátricas e abuso de analgésicos. Muitos fatores desencadeantes potenciais da enxaqueca foram identificados; incluem os seguintes: · Ingestão de vinho tinto · Omissão de refeições · Estímulos aferentes em excesso (p. ex., luzes brilhantes, odores fortes) · Alterações climáticas · Privação de sono · Estresse · Fatores hormonais, especialmente menstruação · Certos alimentos (os gatilhos alimentares variam de uma pessoa para outra) Traumatismo craniano, dor no pescoço ou disfunção da articulação temporomandibular, algumas vezes, deflagram ou exacerbam a enxaqueca. A flutuação dos níveis de estrógenos constitui um potente fator deflagrador de enxaqueca. Em muitas mulheres, a enxaqueca surge na menarca, ataca gravemente durante a menstruação (enxaqueca menstrual) e piora durante a menopausa. Na maioria das mulheres, ocorre remissão das enxaquecas durante a gestação (mas, às vezes, há exacerbação durante o 1º ou 2º trimestre); elas pioram após o parto, quando os níveis de estrógenos diminuem rapidamente. Contraceptivos orais e outras terapias hormonais ocasionalmente deflagram ou agravam a enxaqueca e têm sido associados ao acidente vascular encefálico em mulheres que apresentam enxaqueca com aura. · DIAGNÓSTICO: É uma cefaleia de forte intensidade, associada a náuseas e/ou vômitos, podendo haver foto e/ou fonofobia, exacerbada por atividades físicas. Caráter latejante/ pulsátil, localização unilateral em dois terços dos casos, mudando de lado de uma crise para outra. Se a duração da crise é maior que 72 horas, estamos diante de: estado migranoso. · TRATAMENTO: Em todos os casos tentar manter o paciente em repouso sob penumbra em ambiente tranquilo e silencioso (leitos de observação). Nos casos em que a dor tem duração inferior a 72 horas: I - administrar antiemético parenteral se vômitos ou uso prévio de medicações: dimenidrato 30mg por via intravenosa (IV) diluído em 100ml de soro fisiológico a 0,9% ou dimenidrato 50 mg por via intramuscular (IM); II - recomenda-se jejum, com reposição de fluidos (soro fisiológico 0,9%) por via intravenosa (IV) se houver indícios de desidratação; III. dipirona 1 grama (2 ml) IV diluído em água destilada (8ml); III - Cetoprofeno 100mg IV diluído em soro fisiológico 0,9% (100ml) ou 100mg IM. IV - reavaliar paciente em 1 hora; se não houver melhora, prescrever sumatriptano 6mg subcutâneo (1 seringa com 0,5ml), repetindo a dose, se necessário, em 2 horas. Se houver melhora da dor, liberar o paciente e encaminhar para acompanhamento ambulatorial na UBS. • Se houver piora ou não melhora da dor após 2 horas de observação, encaminhar paciente para hospital terciário por meio da Central de Regulação para avaliação de neurologista. • Nos casos em que paciente chega à urgência com dor há mais de 72 horas (estado migranoso): I. Jejum e acesso venoso para reposição de fluidos se necessário. Infundir soro fisiológico a 0,9% 500 ml em pinça aberta; II. Tratamento da crise como citado anteriormente associado a dexametasona 10 mg (ampola 10 mg/2,5 ml) IV lento. III. Se não melhorar com dexametasona e estiver na urgência da UBS encaminhar o paciente para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde deverá ser prescrito: clorpromazina 0,1-0,25 mg/kg IM (ampola 25 mg/5 ml); manter infusão de soro fisiológico a 0,9%; III. Se em 1 hora o paciente mantiver a dor, repetir clorpromazina por até três vezes, no máximo. • Atentar para hipotensão arterial e sinais / sintomas extrapiramidais (como rigidez muscular e inquietude) causados pela medicação, orientar o paciente a não se levantar bruscamente. Não repetir a dose se ocorrer hipotensão ou sinal/ sintoma extrapiramidal. • Se houver melhora clínica, o paciente recebe alta da UPA com encaminhamento para acompanhamento ambulatorial na UBS para que seja encaminhado a um ambulatório não hospitalar de neurologia. • Se não houver melhora da dor após as três doses de clorpromazina, acionar CR e encaminhar paciente para hospital terciário, onde será realizada avaliação por neurologista e tomada conduta específica.Dentro dessas recomendações, cabe ainda comentar que em casos de uso de analgésicos simples e AINES (acima de 15 dias) e triptanos e ergotamínicos (acima de 10 dias) há risco de cronificar a dor do paciente, aumentar a frequência das crises e tornando a enxaqueca em cefaleia por uso excessivo de medicamentos. Já no tratamento profilático, 5 tratamentos podem ser usados nos pacientes com migrânea. Esses são os betabloqueadores (Propranolol 80-240 mg/dia ou Atenolol 25-150 mg/dia), bloqueadores de canal de cálcio (Flunarizina 5-10mg/dia), antidepressivos tricíclicos (Amitriptilina 25-150 mg ou Nortriptilina 10-75 mg), anticonvulsivantes (Ácido Valproico 500-1500 mg ou Topiramato 25-200 mg) e, também, a toxina botulínica com aplicações na cabeça e nos ombros para pacientes refratários a outras terapias. Obs.1: Não prescrever opioide para o tratamento da crise de enxaqueca, existem medicações mais eficazes que não têm o risco de abuso e dependência. Então o uso de opioides no tratamento da crise de enxaqueca deve ser desencorajado. 2. CEFALEIA TIPO TENSÃO A cefaleia do tipo tensional (CTT) episódica é a mais frequente das cefaleias primárias, com pico de prevalência na 4º década. Sua crise é de fraca ou moderada intensidade, com sensação de aperto ou pressão e, na maioria das vezes, é bilateral. Pode ser frontal, occipital ou holocraniana. A dor pode melhorar com atividades físicas. Surge, em geral, no final da tarde, relaciona-se com estresse físico (cansaço, exagero de atividade física, especialmente no calor e sob o sol), muscular (posicionamento do pescoço no sono ou no trabalho) ou emocional. Por vezes, há hiperestesia e hipertonia da musculatura pericraniana que pode ser percebida com a palpação cuidadosa. As cefaleias do tipo tensional podem ser episódicas ou crônicas: · As cefaleias tensionais episódicas ocorrem < 15 dias/mês. A cefaleia tensional episódica é comum; a maioria dos pacientes obtém alívio com analgésicos comuns e não procura cuidados médicos. · As cefaleias tensionais crônicas ocorrem ≥ 15 dias/mês. · SINAIS E SINTOMAS: A dor da cefaleia do tipo tensional geralmente é leve a moderada e costuma ser descrita como compressiva. Essas cefaleias originam-se na região occipital ou frontal bilateral e difundem-se por toda a cabeça. Diferentemente das enxaquecas, as cefaleias tensionais não são acompanhadas de náuseas e vômito e não são agravadas por atividade física, luz, sons e cheiros. Potenciais gatilhos para a cefaleia tensional crônica incluem: · Distúrbios do sono · Estresse · Disfunção da articulação temporomandibular · Dor cervical · Esforço ocular Cefaleias episódicas podem durar 30 minutos a vários dias. Tipicamente iniciam-se várias horas após o despertar e pioram no decorrer do dia. Raramente acordam o paciente que estava dormindo. Cefaleias crônicas podem ter intensidade variável durante o dia, mas quase sempre estão presentes. · DIAGNÓSTICO: Cefaleia em pressão, holocraniana, de leve a moderada intensidade, podendo beneficiar-se com atividade física, aparece geralmente no fim do dia, durando de 30 minutos a sete dias. Pode haver foto e/ou fonofobia, mas náuseas e vômitos estão ausentes. O exame neurológico é normal, hipertonia e hiperestesia da musculatura pericraniana podem estar presentes. · TRATAMENTO: Dores de cabeça tensional em sua fase aguda ou episódica geralmente são tratadas com analgésicos simples, como: paracetamol 750-1.000 mg até 6/6 h; dipirona 500 1.000 mg até 6/6 h e/ou anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como: ibuprofeno 400-800 mg até 6/6 h, diclofenaco 50 mg até 8/8 h, cetoprofeno 50 mg até 6/6 h naproxeno sódico 500 mg dose inicial e 250 mg até 6/6h. Deve-se ter o mesmo cuidado com essas medicações de não se utilizar medicamentos de forma excessiva. Essa cefaleia também pode se beneficiar com o tratamento profilático com: amitriptilina (começando com 10 mg na hora de dormir e aumentada lentamente – 10 a 12,5 mg a cada 2-3 semanas - até 100 mg, até que o paciente melhore ou se desenvolvam sintomas colaterais intoleráveis), nortriptilina (25 a 100 mg à noite), doxepina (25 a 75 mg/dia), maprotilina (10 a 25/mg/dia), ou a fluoxetina (10 a 20 mg/dia). Relaxantes musculares, fisioterapia e a acupuntura também são úteis. 3. CEFALEIAS EM SALVAS (OU TRIGÊMINO-AUTONÔMICAS) É a cefaleia trigêmino-autonômica mais frequente, acometendo 1 em cada 1.000 indivíduos (85% das pessoas afetadas são do sexo masculino). Geralmente se inicia após os 20 anos, mas é mais frequente entre as 3ª e 5ª décadas. A doença evolui em surtos de um a três meses de duração (salvas), quando o paciente experimenta de uma a oito crises por dia e frequentemente é despertado à noite pela crise. Em geral, as crises têm duração limitada, de 15 a 180 minutos, quadro clínico típico com dor excruciante, unilateral e alterações autonômicas (hiperemia conjuntival e/ou lacrimejamento, congestão ocular e nasal, rinorreia, edema palpebral, rubor facial, miose e/ou ptose ipsilaterais) associados a sensação de inquietude e agitação. Após episódio de salvas pode haver período de meses ou anos sem crises. A fisiopatologia é desconhecida, mas a periodicidade sugere disfunção hipotalâmica. A ingestão de álcool deflagra a cefaleia em salvas durante o período de crises, mas não durante a remissão. · MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: Os sintomas da cefaleia em salvas são característicos. As crises, com frequência múltiplas, costumam ocorrer na mesma hora do dia, muitas vezes despertando os pacientes no meio da noite. Quando as crises ocorrem, a dor é sempre unilateral e ocorre no mesmo lado da cabeça em uma distribuição orbitotemporal. É excruciante, atingindo o pico em minutos; costuma cessar de modo espontâneo em 30 minutos a 1 h. Os pacientes com cefaleias em salvas são agitados e andam impacientemente, ao contrário dos pacientes com enxaqueca, que preferem ficar deitados em silêncio em um quarto escuro. A agitação pode ser tão grave que leva a um comportamento bizarro (p. ex., bater a cabeça contra parede). Os sinais autonômicos, incluindo congestão nasal, rinorreia, lacrimejamento, rubor facial e síndrome de Horner, são notórios e ocorrem do mesmo lado da cefaleia. · DIAGNÓSTICO: Os critérios diagnósticos para cefaleia em salvas incluem dor forte unilateral orbitária, supraorbitária ou temporal, que persiste por 15 a 180 minutos com pelo menos um dos seguintes: hiperemia conjuntiva ipsilateral ou lacrimejamento, congestão nasal ou rinorreia, edema palpebral, transpiração facial e na testa, miose com ou sem semiptose, inquietação ou agitação. Não existe outra causa do distúrbio. A hemicrania paroxística é definida por dor unilateral persistente por dois a 30 minutos, cerca de cinco vezes por dia, com uma ou mais características autonômicas, como hiperemia conjuntiva, congestão nasal, edema palpebral, sudorese facial e na testa, e ptose ou miose (ou ambos). A prevenção completa pode ser conseguida com indometacina. Procedimentos de imagem como ressonância magnética são indicados para todos os pacientes com cefaleias em salvas ou outras cefalalgias trigêmino-autonômicas, pois essas formas de cefaleia podem ser secundárias a outras lesões, como uma infecção, malformação vascular ou neoplasia, especialmente tumor pituitário. · TRATAMENTO: - Administrar oxigênio a 100%, em máscara sem recirculação, com fluxo de 10- 12 l/min durante 20 minutos, ou sumatriptano 6mg por via subcutânea se disponível. Caso o paciente tenha utilizado algum medicamento vasoconstrictor, o sumatriptano deve ser evitado. Analgésicos comuns e opioides são ineficazes e não devem ser utilizados. - Após melhora do quadro álgico, o paciente deve ser orientado a evitar fatores desencadeantes (bebidas alcoólicas e substâncias voláteis), até o final do período de crises. O médico da urgência deve encaminhar o paciente para avaliação pelo neurologista em nível secundário, dentro do sistema de referência e contrarreferência. CEFALEIA PRIMÁRIA DA TOSSE: Cefaleia desencadeada pela tosse ou outras manobras de Valsalva,mas não pelo exercício físico prolongado, na ausência de qualquer lesão intracraniana. Inicia-se momentos após a tosse, atinge o máximo da intensidade quase imediatamente e mantém-se depois, durante alguns segundos a minutos, (embora alguns doentes refiram uma cefaleia ligeira a moderada durante duas horas). É, geralmente, bilateral e de localização posterior e afeta predominantemente doentes com idade superior a 40 anos. Embora a indometacina (50-200mg/dia) seja habitualmente eficaz no tratamento da cefaleia primária da tosse, alguns casos sintomáticos podem também responder a esta medicação. CEFALEIA PRIMÁRIA DO EXERCÍCIO: Cefaleia primária do exercício ocorre predominantemente em climas quentes ou em grandes altitudes. Reconhecem-se alguns subtipos desta cefaleia, tal como a “cefaleia dos halterofilistas”, mas não são classificadas individualmente. É, em regra, desencadeada pelo exercício físico mantido e intenso. · CEFALEIA SECUNDÁRIA: Alguns critérios são necessários para que uma cefaleia possa ser considerada secundária: 1) que a condição em questão sabidamente seja capaz de causar cefaleia; 2) que a cefaleia desenvolveu-se em relação temporal com a condição subjacente. As cefaleias secundárias são doenças em que a dor é um sintoma da etiologia, essas incluem doenças neurológicas, sistêmicas e cranianas. Desse modo, essas doenças podem ser mais perigosas para a vida do paciente e, por isso, em um paciente com cefaleia o primeiro passo da anamnese e do exame físico é excluir essas causas. Uma cefaleia secundária é considerada, principalmente, quando há RED FLAGS. A pior dor da vida, mudança no padrão, piora com exercício ou postura, exame neurológico alterado, sinais ou sintomas sistêmicos e início das crises após 50 anos são alguns exemplos de sinais de alerta. CEFALEIA DE INICIO RECENTE - quanto mais recente o início da cefaleia, maior a probabilidade de estar relacionada a uma causa secundária grave. O primeiro episódio de uma dor de cabeça é sempre motivo de alerta. Vale também para quando o paciente já com história prévia de cefaleia sente um novo tipo de cefaleia, diferente das anteriores. A PIOR CEFALEIA JÁ SENTIDA - uma cefaleia recorrente, mas com um episódio de intensidade bem mais forte pode estar diante de uma cefaleia secundária. SINTOMAS FOCAIS QUE NÃO AURA TÍPICA DE ENXAQUECA - fenômenos visuais monoculares, sintomas que durem mais de uma hora, ou menos de 5 minutos, paresia ou qualquer queixa motora. CEFALEIA DESENCADEADA POR TOSSE, EXERCÍCIO OU ATIVIDADE SEXUAL - pode ser manifestação pela má formação de Chiari. CEFALEIA DE FORTE INTENSIDADE E INÍCIO RECENTE DURANTE A GRAVIDEZ OU O PUERPÉRIO - essas pacientes são grupo de risco para doenças vasculares que se relacionam com a dor de cabeça. CEFALEIA DE INSTALAÇÃO RÁPIDA DURANTE EXERCÍCIOS INTENSOS - sendo o primeiro episódio, pode indicar hemorragia intracraniana ou dissecção carotídea. CEFALEIA QUE SE INICIA APÓS OS 50 ANOS DE IDADE - prevalência das cefaleias primárias diminui com o envelhecimento, já o risco para o desenvolvimento de cefaleias secundárias é aumentado. CEFALEIA EM TROVOADA - termo usado para cefaleias de forte intensidade e de início abrupto, atingindo a intensidade máxima em até um minuto. Costuma estar associada a etiologias graves - hemorragia subaracnoidea por ruptura de aneurisma e hemorragias intraparenquimatosas. MANIFESTAÇÕES SISTÊMICAS OU NEUROLÓGICAS ACOMPANHADAS DE CEFALEIA - principalmente febre, rash cutâneo, vómitos, alterações de personalidade ou do nível de consciência e crises epiléticas. CEFALEIA PROGRESSIVA - cefaleia aguda ou subaguda com aumento gradativo de frequência e intensidade podem indicar, neoplasia, arterite de células gigantes, hematoma subdural ou uso excessivo de analgésicos. HISTÓRIA DE USO DE SUBSTÀNCIES LÍCITAS, ANTICOAGULANTES, ANTIAGREGANTES PLAQUETÁRIOS - drogas como a cocaína e a metanfetamina aumentam o risco de sangramentos intracranianos. CEFALEIA NOVA EM PACIENTES COM IMUNODEFICIÊNCIA OU CÂNCER - pode indicar novas neoplasias ou infecções oportunistas. TUMOR CEREBRAL - Cerca de 30% dos pacientes com tumores cerebrais consideram a cefaleia como sua queixa principal. A dor de cabeça costuma ser indescritível – uma dor maçante, profunda, intermitente, de intensidade moderada, que pode piorar aos esforços ou por mudança de posição e pode ser acompanhada de náuseas e vômitos. Esse padrão de sintomas resulta de enxaqueca com frequência muito maior do que a de tumor cerebral. A cefaleia de um tumor cerebral perturba o sono em cerca de 10% dos pacientes. Os vômitos que precedem o início da cefaleia em semanas são altamente típicos de tumores cerebrais da fossa posterior. Uma história de amenorreia ou galactorreia deve levar à suspeita de adenoma hipofisário secretor de prolactina (ou de síndrome dos ovários policísticos) como a origem da cefaleia. A cefaleia que surge originalmente em paciente com câncer conhecido sugere metástase cerebral ou meningite carcinomatosa, ou ambas. A dor de cabeça que surge abruptamente após a inclinação ou elevação do corpo ou tosse pode ser causada por uma massa na fossa posterior, malformação de Chiari ou baixo volume de líquido cerebrospinal (LCS). · DIAGNÓSTICO: ACHADOS NO EXAME FÍSICO QUE INDICAM CEFALEIA SECUNDÁRIA: Grave: rigidez de nuca, meningismo (rigidez nucal, fotofobia e cefaleia), papiledema, hemorragia sub-hialoidea (fundoscopia), sinais neurológicos focais, alteração da consciência, delirium, PA sistólica > 180 ou diastólica > 120, sinais de trauma craniano ou facial, dor à palpação da artéria temporal superficial, doença dos seios paranasais ou dos pulmões. · PRINCIPAIS CAUSAS DE CEFALEIA SECUNDÁRIA: Meningite - a cefaleia aguda e intensa com rigidez de nuca e febre sugere meningite. a punção lombar é obrigatória. frequentemente há acentuação marcante da dor com os movimentos dos olhos. é fácil confundir a meningite com a enxaqueca, pois os sintomas cardinais de cefaleia latejante, fotofobia, náuseas e vômitos frequentemente estão presentes. Dissecção arterial - dissecção em geral se apresenta com dor hemicraniana ipsilateral à dissecção. são caracteristicamente intensas, persistentes com duração em média, por pelo menos quatro dias, melhorando gradualmente em até 30 dias. Acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) - cefaleia tem início agudo e associado a sinais neurológicos focais. tem curso autolimitado e muito raramente é o sintoma mais proeminente do avci. Hemorragia subaracnóidea espontânea (HSA) - é a causa mais frequente de cefaleia intensa, persistente e incapacitante de início súbito geralmente descrita como “a pior dor da vida”. Acidente vascular cerebral hemorrágico intraparenquimatoso (AVCH) - cefaleia de início agudo associada a sinais neurológicos focais, sendo muito comum náuseas e vômitos. raramente é o sintoma mais proeminente do quadro. Trombose Venosa Cerebral (TVC) - dor sem características especificas, devendo-se pensar em qualquer cefaleia nova difusa, persistente, de caráter progressivo, de grande intensidade. muitas vezes se associa a outros sinais de hipertensão intracraniana. pode ser unilateral e súbita. atentar para história de trombofilia e estados pró-trombóticos como neoplasias, associados ou não ao uso de anticoncepcionais. NEOPLASIAS INTRACRANIANAS - a cefaleia ocorre em relação temporal com a neoplasia intracraniana ou leva ao seu diagnóstico. a cefaleia agrava-se em estreita relação temporal com o crescimento tumoral. progressiva, mais intensa pela manhã e agrava-se com as manobras de valsalva. Hipertensão Intracraniana Idiopática (HHI ou pseudotumor cerebral) -a cefaleia tem relação temporal com o diagnóstico da hipertensão intracraniana idiopática (hhi) ou levou ao seu diagnóstico. a dor pode ser aliviada pela redução da hipertensão intracraniana, assim como pode ser agravada pelo seu aumento. frequentemente descrita com cefaleia frontal, retro-orbitária, “tipo pressão”. pode ser acompanhada por alterações visuais e papiledema. a dor diminui ou desaparece depois da normalizaçãoda pressão intracraniana. Infecções sistêmicas com repercussões neurológicas - a cefaleia é um sintoma comum que acompanha infecções sistêmicas (virais, bacterianas e fúngicas), sendo uma das principais causas de cefaleias secundárias. nas infecções intracranianas, a cefaleia geralmente é o primeiro sintoma e desproporcional aos outros, enquanto nas sistêmicas, a cefaleia é um dos sintomas. Afecções do ouvido - a cefaleia é causada por afecção inflamatória, neoplásica ou de outra natureza de um ou ambos ouvidos. a cefaleia agrava-se com a lesão do ouvido e melhora com o tratamento específico. Rinosinusites agudas - a cefaleia atribuída à rinosinusite aguda, dada a semelhante localização da dor, pode ser confundida com enxaqueca e cefaleia tensional. Transtornos dos dentes - a cefaleia pode ser devido à alteração envolvendo dentes, atm e/ou mandíbula. Lesão ou TCE e/ou cervical - a cefaleia ocorre em estreita relação temporal com um traumatismo ou lesão da cabeça ou pescoço, deve-se classificá-la como cefaleia secundaria atribuída ao traumatismo ou à lesão. Glaucoma agudo - a cefaleia é habitualmente unilateral, associada a outros sinais e sintomas do glaucoma, como dor ocular e/ou periorbitária, olho vermelho, perda da acuidade visual (visão turva), náuseas e vômitos. Hipotensão liquórica pós punção - cefaleia que ocorre até 5 dias após punção lombar ou raquianestesia. a dor possui caráter postural, diminui ou desaparece ao se deitar e piora significativamente ao sentar-se ou permanecer em posição ortostática.