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Inclui os tumores de esôfago, estômago, intestino, ânus, fígado, pâncreas e vias biliares. Tumores do trato gastrointestinal LAYANE SILVA Adenocarcinoma: relação negros/brancos 1:3 e homem/mulher 4:7 CCE: relação negros/brancos 5:1 e homem/mulher 4:3 Portanto, o adenocarcinoma é mais comum em brancos e mulheres, já o CEC é mais comum negros e homens. CÂNCER DE ESÔFAGO Terço médio e superior: similar à boca; Terço inferior: similar ao estômago. O esôfago é o ducto que leva o bolo alimentar da boca até o estômago, que é dividido em 3 partes: terço superior, médio e inferior. Os terços médio e superior tem o mesmo epitélio da cavidade oral que é um epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado. Já o terço inferior é composto por um epitélio do tipo cilíndrico que é o mesmo epitélio do estômago. Representa 1% de todos os cânceres e 6% dos cânceres gastrointestinais, com incidência máxima de 50 a 60 anos. EPIDEMIOLOGIA 20%: 1/3 superior (CEC) 30%: 1/3 médio (CEC) 50%: 1/3 inferior (adenocarcinoma) A histologia mais comum dos tumores de cabeça e pescoço é o CEC (carcinoma de células escamosas) que vai ocorrer com maior frequência nos terços superior e médio. Para os tumores do tipo CEC, serão os mesmos fatores de risco do câncer de cavidade oral (tabagismo e etilismo). Já no terço inferior, por ser mais semelhante ao estômago, o tipo histológico mais comum é o adenocarcinoma. Localização Enquanto o principal fator de risco do CEC é o tabagismo e o etilismo, o do adenocarcinoma é a DRGE. Em 15% são multicêntricos, ou seja, podem acontecer vários tumores primários em uma mesma víscera ao mesmo tempo, isto porque há um campo de cancerização naquela região - por exemplo, todo o esôfago está exposto ao cigarro, portanto podem haver várias doenças simultaneamente. Antigamente a etiologia mais frequente era o CEC porque as pessoas fumavam mais, no entanto, a partir da década de 1990 houve uma redução importante do tabagismo em função de políticas públicas, principalmente com o aumento do preço do cigarro. No gráfico é possível observar que o CEC era mais comum (69,1%) e o adenocarcinoma era apenas 30,9% dos casos, com o tempo, a redução do tabagismo causou uma mudança e, atualmente, o tipo mais comum é o adenocarcinoma (52,2%). Principais características Tabagismo Etilismo Alimentos quentes Má higiene oral Nitrosaminas Desnutrição Radiação Em função disso, esses tumores são um pouco mais frequentes no sul do Brasil pelo consumo de chimarrão. Trata-se de um substância presente em alimentos processados (embutidos, enlatados, conservas) e também presente nos alimentos que são defumados. Trata-se de um fator de risco para todos os cânceres, pois normalmente ela causa imunossupressão no paciente que “abre portas” para diversas patologias. Comumente pacientes que tiveram, por exemplo, linfoma na infância e fez radioterapia local, este tratamento pode predispor a um outro câncer posteriormente. FATORES DE RISCO DISSEMINAÇÃO O câncer de esôfago pode se espalhar por contiguidade e, como está localizado na região próxima ao mediastino, ele pode crescer e atingir as estruturas mediastinais (traqueia, brônquio principal, aorta). Contiguidade Esse câncer pode se disseminar para os linfonodos cervicais, mediastinais e do tronco celíaco, sendo que há envolvimento nodal em 80% dos casos ao diagnóstico. Linfática Além disso, pode se disseminar por via hematogênica, nesse caso ele atinge pulmão, ossos, fígado e supra-renais. Normalmente os tumores de terço superior e médio irão para o pulmão e os tumores de terço inferior irão para o fígado - assim como os cânceres de estômago. Hematogênica Desconforto retroesternal Disfagia progressiva (87 – 95%) Perda ponderal (42 – 71%) Há um início insidioso, no qual o paciente pode ter: Isto é uma disfagia que inicia com alimentos sólidos e progride até chegar nos líquidos. Tumor de terço superior: o paciente vai referir engasgo (o paciente come e logo passa a tossir) pois à frente do esôfago está a traqueia e laringe, causando microaspirações. Esta pode causar pneumonias de repetição que acometem a base do pulmão direito, o que sugere aspiração. Tumor de terço inferior: o paciente pode referir entalo (globus faringeos) ou sensação de obstrução, ou pode referir que após comer, tem a necessidade de regurgitar. QUADRO CLÍNICO Importante! Em alguns tumores muito iniciais é possível ressecar a mucosa do esôfago pela endoscopia, que será diagnóstica e terapêutica. LAYANE SILVA Vômitos/regurgitação (29 – 41%) Dor (20 – 46%) Tosse/disfonia (7 – 26%) Dispneia (5%) Pela lógica, como o paciente consegue comer pouca quantidade, ele vai emagrecer com o tempo - por isso, está entre as doenças que mais causam emagrecimento. Ocorre quando há acometimento pulmonar. Nesse esofagograma observa-se o bário em uma região mais larga que de repente sofre um afunilamento que seria na região do câncer que impede que o contraste passe. Endoscopia digestiva alta Após o advento da endoscopia, o esofagograma deixou de ser utilizado, visto que é mais fácil entrar com a câmera, visualizar a lesão e realizar a biópsia (95%). órgão que está acometida e realizar um USG de dentro para fora, que é a ecoendoscopia. Então dentro do TNM, a ecoendoscopia é um bom exame para avaliar o T (tumor) - padrão-ouro - pois avalia invasão, tamanho, forma, linfonodos e PAAF. Na endoscopia acima ao entrar com a câmera já é possível visualizar a lesão que será biopsiada, no caso dessa lesão se ela estiver na altura do terço médio e superior (epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado) suspeita de CEC, já no terço inferior (epitélio simples colunar) suspeita de adenocarcinoma. DIAGNÓSTICO Com relação a propedêutica, o primeiro exame é o esofagograma que é um raio-X do esôfago com contraste de bário, assim, o paciente ingere o bário líquido e faz raio-X para visualizar estreitamento com dilatação proximal. Esofagograma Ecoendoscopia Sabe-se que o tumor começa a crescer da mucosa para dentro e uma forma de ver qual espessura da parede do Na ecoendoscopia é possível visualizar a luz do órgão e a parede e cada camada do órgão e em um dos lados há uma dificuldade de visualização pela invasão tumoral. A broncoscopia será feita sempre que tiver invasão da árvore respiratória. Broncoscopia Utilizada para avaliar metástases linfáticas, hepáticas e pulmonares. Tomografias e PET-CT No PET-CT há uma lesão de esôfago distal e uma lesão em um linfonodo no pescoço e uma lesão no pulmão esquerdo. Esse estadiamento pode ser aplicado em todas as vísceras do trato digestivo que são ocas, visto que todas terão uma camada mais interna que é mucosa, abaixo dela está a submucosa, seguido da muscular e por fim a serosa. MUCOSA - SUBMUCOSA - MUSCULAR - SEROSA EPIDEMIOLOGIA Importante! Lembrar que o esôfago não tem serosa, ou seja, está ligado diretamente com o tecido adiposo da região do mediastino. Questão de prova! Se o tumor alcançar mucosa e submucosa será T1; muscular é T2; serosa ou, no caso do esôfago, tecido adjacente é T3; se invadir estruturas adjacentes como aorta é T4 - isso se aplica para estômago e intestino. Quanto aos linfonodos é a metástase, podem estar ausentes (M0 e N0) ou presentes (M1 ou N1). LAYANE SILVA Caso contrário, se o biópsia tiver doença residual maligna, subentende-se que é uma doença muito resistente e será necessário realizar tratamento adicional com Nivolumabe, que é uma imunoterapia. Ao juntar T, N e M é possível inferir o estágio final, habitualmente o estágio 3 é caracterizado por acometimento linfonodal e o 4 tem metástase à distância. TRATAMENTO Abaixo observa-se um paciente com corte na barriga, no pescoço e, por vezes, pode ter um corte no tórax para acessar as 3 partes do órgão. Desse modo, pode ser retirado todo o esôfago e reconstruir através de alguma das técnicas: (1) como o estômago é um órgão elástico então o cirurgião pega o estômago e sobe para realizar a anastomose, (2) pode-se retirar um pedaço do intestino grosso, fazuma anastomose, e usa esse pedaço para reconstruir o esôfago. Cirurgia: único tratamento de intenção curativa Cerca de 80% dos pacientes já apresentam linfonodo comprometido, por isso, o tratamento padrão-ouro deve sempre oferecer neoadjuvância com a combinação de radioterapia (5 semanas de tratamento) e quimioterapia (1 vez por semana). Após esse tratamento, o paciente é encaminhado para a cirurgia na qual é operada a doença residual, ou seja, na cirurgia é retirado uma peça cirúrgica que será analisada pelo patologista. Nesse caso, se não houver células malignas, isto significa que o tratamento funcionou e o paciente não precisa mais tratar. Neoadjuvância: Radioterapia + quimioterapia com Taxol e Carboplatina (CROS trial) se doença residual: Nivolumabe adjuvante Revisão! O tratamento curativo é aquele que sozinho é capaz de curar o paciente (cirurgia), o neoadjuvante é um tratamento feito antes da cirurgia, o adjuvante é feito após a cirurgia se doença residual na peça cirúrgica para prevenir recaída da doença, por fim, se o paciente abriu com metástase e não há chance de cura é oferecido o tratamento para prolongar a vida dele (paliativo). Radioterapia com ou sem QT Cirurgia paliativa Derivação gástrica ou colônica Gastrostomia/jejunostomia Stent Tunelização (laser) Se o paciente tem um tumor irressecável, por exemplo um tumor invadindo a aorta que pode causar hemorragia, nesse caso o tratamento é paliativo, ou seja, sem intenção curativa, apenas para prolongar a vida com qualidade. Com relação aos tumores de esôfago, a principal questão relacionada à qualidade de vida é a alimentação, visto que comer é prazeroso, então é necessário ajudar o paciente a se alimentar. Isto pode ser feito por sonda nasoentérica que pode ser colocada por endoscopia ou gastrostomia, e a dieta oral para manter o prazer deve ser pastosa ou líquida. Atualmente existem 2 formas de fazer uma gastrostomia: (1) cirurgia tradicional ou com (2) uso da endoscopia para criar uma via alimentar definitiva. Uma outra forma é a utilização do stent, o mesmo que é usado para abrir a coronária, mas para abrir o esôfago, a longo prazo o paciente pode ter dor, desconforto ou refluxo mas dá algum prazer durante um tempo. Similar a uma escavação do tumor, assim, é possível retirar uma parte do tumor com o laser. Todos esses tratamentos são feitos de forma paliativa, pois em algum momento o tumor vai crescer e fechar o esôfago, mas pelo tempo que o paciente tiver vida, ele terá alguma qualidade na alimentação. Lesões irressecáveis Curiosidade! Existem casos extremos em que os pacientes não conseguem se alimentar e ficam em uso de parenteral até a morte - nesses casos, os pacientes podem obter o prazer de se alimentar, mastigando para sentir o sabor dos alimentos e cuspir. No entanto, há risco de aspiração que pode ser fatal se o paciente engolir. Na doença metastática é usado o Nivolumabe que é uma imunoterapia e 2 tipos de quimioterapia (Platina e 5- Fluorouracil), isto porque o sistema imunológico, principalmente o linfócito TCD8, será estimulado pela imunoterapia. Assim, a quimioterapia mata a célula (lise celular) e libera antígenos que serão apresentados com maior facilidade ao linfócito TCD8 - desse modo, uma melhora o efeito da outra. Doença metastática: QT paliativa (Nivolumabe + Platina e 5-Fluorouracil) PROGNÓSTICO Importante! O prognóstico do CCE é melhor que do adenocarcinoma, pois ele tende a ser mais agressivo! Revisão! O CA de esôfago é tratado com neoadjuvância (quimioterapia + radioterapia), seguido da cirurgia e, se doença residual, realizar adjuvância com quimioterapia + imunoterapia. LAYANE SILVA Cárdia: 25% Linite plástica: 5% A linite ocorre quando há 2 segmentos acometidos, como por exemplo fundo e corpo, antro e corpo, cárdia e corpo - assim quando há 2 ou mais segmentos acometidos é chamado de linite plástica. 70% sobrevivem 1 ano 30% sobrevivem 2 anos 20% sobrevivem 5 anos Se o paciente opera, a ressecção é potencialmente curativa e a sobrevida é um pouco melhor. A cirurgia é superior à radioterapia na melhora da disfagia. CÂNCER DE ESTÔMAGO Os cânceres de estômago representam 10% dos cânceres no mundo, e, curiosamente, é endêmico no Japão (70 casos/100.000), China, Chile, Costa Rica e Leste Europeu. Em função disso, os grandes estudos acerca dessa patologia são feitos por cirurgiões oncológicos ou do aparelho digestivo no Japão, pois eles apresentam uma predisposição genética ou alimentar associada à cultura. EPIDEMIOLOGIA Atualmente tem incidência de 15 casos/100.000 habitantes, mas houve uma queda crescente da incidência nos últimos 30 anos com uma mudança de padrão histológico e de localização - atualmente, causa 10.000 óbitos/ano (queda de 25% na mortalidade nas últimas décadas). Brasil Em geral, acomete pessoas entre 63 a 70 anos (raro antes dos 40 anos), é 2 vezes mais comum em homens, brancos e orientais, com baixo nível socioeconômico. Esse câncer é silencioso, por isso o diagnóstico costuma ser tardio (75% com metástases ao diagnóstico). Pico de incidência Quanto à anatomia, o estômago é dividido em uma região próxima ao esôfago que é a cárdia, em cima há o fundo, a maior parte é o corpo e, depois o antro que desemboca no piloro e embaixo se conecta ao duodeno. Topografia das lesões Antro: 40% Corpo e fundo: 30% Com relação à localização dos cânceres, tem-se: ETIOLOGIA Trata-se de um fator de risco importante pois se houver caso de câncer gástrico em familiar de 1º grau, o risco é 2 vezes maior de ter a doença, principalmente em pacientes jovens (< 40 anos). Predisposição genética Essa infecção aumenta o risco de câncer de corpo e antro em 3,6 a 18 vezes - lembrando que o H. pylori é adquirido através de água e alimentos contaminados, por isso a incidência é maior em pessoas de classes econômicas menos favorecidas com pouco acesso à saneamento básico. Quanto à erradicação do H. pylori, há uma discussão pois os gastroenterologistas não priorizam a erradicação, mas os oncologistas preferem erradicar porque o H. pylori causa câncer tanto de estômago ácido (adenocarcinoma), quanto o câncer linfático do estômago que é o MALT (linfoma de mucosa). Assim, os oncologistas erradicam sempre que possível o H. pylori. Infecção pelo Helicobacter pylori Pacientes que fizeram redução de estômago tem maior risco de câncer. Gastrite atrófica Gastroplastia O cigarro provoca displasia, gerando risco 1,5-3 vezes maior. Tabaco Principalmente o uso crônico de bloqueadores H2 e IBP, pois o estômago naturalmente é um ambiente ácido no qual as células estão adaptadas a um meio ácido. Assim, quando é retirada a acidez do estômago, essas células vão sofrer um processo chamado de metaplasia (um tecido se transforma em outro) - portanto, alcalinizar o pH do estômago predispõe a câncer de estômago. Álcool Droga Sabe-se que o refluxo gastroesofágico está associado a câncer de esôfago porque no final do esôfago o relaxamento do esfíncter esofagiano inferior faz com que a acidez suba e irrite a mucosa. Estas células que não estão adaptadas à acidez, se transformam, causando o esôfago de Barret - e qualquer área do corpo que sofre metaplasia, é uma área predisposta a neoplasia. Esôfago de Barret: associado a 0,8% dos casos (extensão para o estômago) O consumo de conservas, defumados, enlatados, assados (ação irritante e gastrite atrófica), nitritos, nitratos e nitrosos. Hábitos dietéticos Cerca de 10 a 20% dos pacientes com câncer de estômago são do grupo A - mas o grupo sanguíneo isoladamente não aumenta o risco, apenas em associação com outros fatores. Grupo sanguíneo A Pólipos adenomatosos Importante! A anemia não é um diagnóstico, mas sim uma manifestação, então se houver anemia ferropriva, é importante solicitar EDA e colonoscopia - se for mulher, solicitar USG transvaginal para avaliar perda sanguínea. Importante! É essencial fazer o toque retal pois, por vezes, a tomografia não vai identificar esse foco de metástase. Importante! São todos considerados metástasesà distância, ou seja o paciente é classificado como estágio 4 (incurável), independente dos exames! Questão de prova! Os achados clínicos que denunciam metástase no câncer de estômago são: linfonodo de Virchow, linfonodo de Irish, prateleira de Blumer, tumor de Krukenberg e nódulo da Irmã Maria José. Importante! Não é necessário pedir pesquisa de sangue oculto nas fezes se o paciente manifestar melena pois há um sangramento visível - na dúvida se é sangue, pode-se jogar água oxigenada nas fezes e, se borbulhar é sangue. Importante! Toda ferida de estômago tem que ser biopsiada mesmo que seja uma suspeita de úlcera péptica - qualquer úlcera de estômago tem que ser biopsiada. Revisão! O Her-2 também está presente no CA de mama, e é tratado com Trastuzumabe - assim se tiver Her-2 no estômago é usado o mesmo tratamento. LAYANE SILVA peritônio na região abaixo do umbigo que começa a crescer formando um nódulo no umbigo do paciente por metástase peritoneal. QUADRO CLÍNICO Sintomas dispépticos Plenitude pós-prandial (precoce) O paciente refere que come pouco e tem a sensação de que comeu muito (empachamento). Anorexia, principalmente para carnes (precoce) Perda de peso ≥ 10% Como o paciente não come adequadamente, haverá uma perda de peso importante, ou seja, > 10% do seu peso corporal em 6 meses. Dor pós-prandial Vômitos (obstrução ou sangramento) Se o tumor estiver na região do antro, ele irá causar uma obstrução, provocando vômitos. O tumor pode sangrar no estômago e o paciente manifesta melena porque o sangue irá passar por todo o trato digestivo, ser digerido e sairão fezes pretas e fétidas, similar à graxa. Se o tumor tiver um sangramento de grande monta, o sangue também pode subir como hematêmese. Melena Sangue oculto nas fezes positivo (50% dos casos) Massa epigástrica (25% dos casos) Hepatomegalia (10% dos casos) Gânglio supraclavicular esquerdo (de Virchow) Gânglio axilar esquerdo (de Irish) Prateleira de Blumer (toque retal) Para fazer o estadiamento é necessário fazer tomografia de tórax e abdome, cintilografia óssea e RNM de crânio, mas existem sinais clínicos do câncer de estômago que denunciam metástase à distância, são eles: Trata-se de um linfonodo localizado na fossa supraclavicular esquerda - assim, mesmo que o paciente não tenha alterações nos exames, a presença do nódulo de Virchow já qualifica como estágio 4 (incurável). O câncer de estômago pode ir para a fossa axilar esquerda formando o nódulo de Irish. A metástase pode ocorrer na região à frente do reto, como se o tumor de estômago “gotejasse” para a região do reto, bexiga (homens) e útero (mulheres). Ao fazer o toque retal, é possível sentir uma área endurecida denominada prateleira de Blumer. Tumor de Krukenberg (ovários) Nódulo da Irmã Maria José (umbilical) Pode haver metástase no ovário, nesse caso, observam-se pacientes com dor pélvica sem manifestação gástrica, que pode ser confundido com tumor de ovário, mas na biópsia é classificado como adenocarcinoma. O peritônio recobre toda a cavidade abdominal e, consequentemente, a parede anterior do abdome, então, por vezes, o tumor pode enviar uma metástase para o DIAGNÓSTICO: EXAMES COMPLEMENTARES CEA elevado: 65% (disseminação) Quanto aos exames laboratoriais, deve-se solicitar hemograma, que apresentam anemia em 40% dos casos, e são usados 2 marcadores que são o CEA e o CA 72.4 - ambos são proteínas que podem ser dosadas no sangue do paciente, sendo que o segundo é mais específico para câncer de estômago. Além disso, também pode-se solicitar: pesquisa de sangue oculto nas fezes Laboratório É o exame padrão-ouro pois permite visualização e biópsia da lesão, em geral devem ser feitas 6 a 12 amostras de todas as lesões gástricas e pesquisar hiperexpressão do Her-2. EDA Observa-se uma lesão de mucosa, bem vascularizada, com chance alta de sangramento, podendo manifestar melena, hematêmese e anemia. Importante! 95% dos tumores gástricos são adenocarcinomas, como os carcinomas do terço distal do esôfago! Importante! Em todos os tumores, as lesões ulceradas são piores que as exofíticas (polipóides). Questão de prova! O tipo difuso tem o pior prognóstico em relação ao tipo intestinal. LAYANE SILVA SUBDIVISÃO MORFOLÓGICA Trata-se de um fator de risco importante pois se houver caso de câncer gástrico em familiar de 1º grau, o risco é 2 vezes maior de ter a doença, principalmente em pacientes jovens (< 40 anos). Classificação de Borrmann Carcinoma polipóide (25%): metástases tardias Carcinoma ulcerante (25%): bordas rasas, muito invasivo Sempre que houver uma lesão polipóide, trata-se de uma lesão exofítica (cresce para fora, como uma verruga). Lesões ulceradas crescem para o interior da parede, por isso tem um prognóstico pior em relação à lesão polipóide. Carcinoma disseminante superficial (15%) Linite plástica (10%) Carcinoma inicial (restrito à mucosa e submucosa), com metástases em 30% dos casos, tem prognóstico muito melhor (sobrevida de 90% em 5 anos) Comprometimento de toda a parede, em grande extensão (cura rara). Existem uma classificação para o câncer de estômago que é histológica, ou seja, vem descrita no resultado da biópsia, por exemplo: “adenocarcinoma gástrico do tipo intestinal de Lauren”. Assim, é possível classificar 3 tipos: (1) intestinal, (2) difuso) e (3) misto. Classificação de Lauren Intestinal O tipo intestinal é o mais frequente na população idosa do sexo masculino, não tem relação com o grupo sanguíneo A, é comum no paciente com gastrite atrófica do antro, normalmente são tumores bem diferenciados, e tem prognóstico melhor. Difuso O tipo difuso é mais comum em jovens, homens, do grupo sanguíneo A, normalmente é indiferenciado, tem o prognóstico pior e é pouco frequente. Observa-se que o tipo intestinal se assemelha ao estômago histologicamente, já o tipo difuso apresenta células em anel de sinete e é mais agressivo. LAYANE SILVA EXAMES PARA ESTADIAMENTO Avaliação dos nódulos, toque vaginal e toque retal. Exame físico Utilizado para esclarecimento de metástases à distância em caso de dúvida. PET-scan Nessa ecoendoscopia é possível avaliar a profundidade da lesão na parede. USG endoscópica Na tomografia observa-se uma área mais escura que consiste em uma metástase hepática. TC de tórax, abdome e pelve A doença pode se disseminar para o peritônio, por isso, pode-se colher o líquido peritoneal e pesquisar para avaliar presença de células neoplásicas. Citologia do líquido ascítico ESTADIAMENTO Agrupamento TNM Importante! É possível viver sem o estômago, mas o principal cuidado que o médico deve ter com um paciente que perdeu o estômago é a reposição de B12 de forma intramuscular. Isto porque, apesar de ser absorvida no final do íleo, para ser absorvida ela necessita do fator intrínseco que é produzido no estômago, assim a reposição oral não tem absorção pois não há produção de fator intrínseco. Assim, a reposição tem que ser injetável 5000 UI a cada 3 meses, caso contrário o paciente desenvolve anemia macrocítica. Além disso, a vitamina B12 é importante para a parte nervosa, por isso, o paciente manifesta paresia e fraqueza muscular. LAYANE SILVA TRATAMENTO Ressecção da lesão com margens de 5 cm (retirar grande omento sempre e órgãos adjacentes, se necessário) Linfadenectomia regional Reconstrução do trânsito digestivo O tratamento de intenção curativa é a cirurgia, e 85% dos casos são operáveis (50% de cura), sendo que deve ser feita: Assim, é necessário retirar o estômago doente, seus respectivos linfonodos e reconstruir o trânsito do paciente, no entanto, nem sempre é necessário retirar todo o estômago, por isso existem zonas de ressecção conforme localização do tumor. Ressecção cirúrgica Assim, se o tumor for de localização mais baixa pode-se fazer uma gastrectomia parcial, mas se o tumor estiver mais no início deve-se retirar tudo. Ademais, se for um tumor do tipo difuso (prognóstico ruim) e linite plástica (acometimento total da parede) é essencial realizar a gastrectomiatotal. É importante retirar o órgão e seus linfonodos através da linfadenectomia que pode ser classificada como: Linfadenectomia D1: linfonodos perigástricos’; D2: D1 + linfonodos esplênicos e ao longo das artérias hepática, gástrica esquerda, tronco celíaco e esplênica; D3: D2 + linfonodos do ligamento hepatoduodenal, cabeça do pâncreas, raiz do mesentério e região peri- aórtica. No Brasil, é obrigatório realizar a linfadenectomia D2 que retira em média 35 linfonodos, ou seja, “limpando” a região em volta do câncer, sendo que o mínimo para considerar cirurgia bem feita são 16 linfonodos. Questão de prova! O tratamento curativo do câncer de estômago é gastrectomia parcial ou total + linfadenectomia D2. Curiosidade! No Japão, ainda é feita a linfadenectomia estendida. Quimioterapia perioperatória (FLOT ou ECF) Quimioterapia exclusiva Platinas, fluoropirimidinas, irinotecano, taxanes, ramucirumabe (2ª linha) Trastuzumabe (1ª linha, se Her-2 hiperexpresso) Uma vez que o paciente foi operado é oferecida a quimioterapia adjuvante que virá depois da cirurgia, que pode ser feita com 5-FU ou Capecitabina, associada ou não à radioterapia. Atualmente, FOLFOX ou XELOX são os regimes escolhidos e há melhora significativa na sobrevida. O padrão de tratamento atual é a quimioterapia perioperatória, isto é há um protocolo de 8 ciclos feitos a cada 14 dias, no tratamento perioperatório são feitos 4 ciclos antes da cirurgia e mais 4 ciclos após a cirurgia. Esse tratamento aumenta a taxa de ressecabilidade, reduz a taxa de recorrência local e metástases e melhora a sobrevida. Em caso de lesões irressecáveis e metastáticas, será feito um tratamento paliativo para aumento da SG (sobrevida global) e SLP (sobrevida livre de progressão). Quimioterapia adjuvante Revisão! O tumor de estômago também pode ter o Her-2, bem como o câncer de mama, e será tratado com Trastuzumabe. Pembrolizumabe Nivolumabe + FOLFOX em 1ª linha Ressecções paliativas Atualmente o padrão-ouro é a combinação da imunoterapia com a quimioterapia - no caso de pacientes do SUS deve-se fazer apenas a quimioterapia. Tumor carcinóide ileal LAYANE SILVA Pode ser feita em caso de obstrução, hemorragia ou dor intratável, assim, se o paciente chega na emergência com hematêmese (vomitando sangue), a forma de tratar esse sangramento gástrico, ou uma obstrução ou uma perfuração gástrica é através da endoscopia para visualizar o vaso que está sangrando e cauterizar, posteriormente o paciente deve ser encaminhado diretamente para cirurgia. Além disso, um tratamento bom para parar o sangramento é a radioterapia - assim pode-se operar, realizar hemostasia com endoscopia ou radioterapia, a depender do que está factível no serviço. A segunda porção é aquela que recebe o ducto pancreático e o ducto colédoco, que se juntam formando a ampola de Vater que desemboca na segunda porção - a endoscopia só vai chegar até essa porção. Sobrevida em 5 anos Estágio Ia: 80 – 95% Estágio Ib: 60 – 85% Estágio II: 35 – 55% Estágio IIIa: 20 – 35% Estágio IIIb: 8 – 10% Estádio IV: 7% O tempo médio de vida em um câncer gástrico metastático é de 18 meses com acesso ao tratamento, caso contrário a sobrevida é < 1 ano. PROGNÓSTICO CÂNCER DE INTESTINO DELGADO O intestino delgado tem 3 porções: (1) duodeno, que é dividido em 4 partes: inicia após o piloro no final do estômago, onde há uma primeira curva denominada primeira porção, depois segue-se a segunda porção, a terceira porção e a quarta porção, e deixa de ser duodeno no ângulo de Treitz; (2) jejuno e (3) íleo. Europa - 1 : 100.000 EUA - 3,9 : 1.000.000 O câncer de intestino delgado representa 1 a 5% das malignidades do TGI, sendo mais frequente nos homens (1,5 homens: 1 mulher) entre a 6a e 7a décadas de vida, podem ser esporádicos ou associados a doenças genéticas ou desordens inflamatórias. EPIDEMIOLOGIA PATOLOGIA Adenocarcinomas (duodeno): 30 a 50% Tumores carcinóides (íleo e jejuno): 25 a 30% O tipo histológico mais comum é o adenocarcinoma que aparece principalmente no duodeno, mas também existem os tumores carcinóides que vão aparecer no jejuno e íleo. Tipos histológicos Linfomas (íleo e jejuno): 15 a 20% Metastáticos Invasão direta ou disseminação peritoneal: cólon, ovário, útero, estômago Hematogênica: pulmão, mama, melanoma Os tumores metastáticos do intestino delgado são mais frequentes que os tumores primários, e podem ser disseminados por: 1. 2. Entre eles, destaca-se o melanoma, que é uma mancha de pele, que tende a mandar metástase para o jejuno (intestino delgado) - abaixo é possível ver um melanoma (lesão preta) que é foco de metástase do intestino delgado. Melanoma em jejuno FATORES DE RISCO Alimentos: carne vermelha, conservas em excesso; Importante! Etilismo e tabagismo não estão envolvidos nesse câncer. Vitamina B12 e ácido fólico são protetores! LAYANE SILVA Peutz-Jeghers: pólipos hamartomatosos jejuno-ileais; Síndrome de Gardner e polipose adenomatosa familiar: adenocarcinoma e adenoma; Neurofibromatose: adenocarcinoma; Doença de Crohn: adenocarcinoma; Doença celíaca: linfoma e adenocarcinoma; Existem algumas síndromes que podem predispor ao câncer de intestino delgado, entre elas: As duas últimas são desordens inflamatórias, sabe-se que qualquer inflamação crônica não controlada pode predispor a câncer. Como a inflamação aumenta o risco, pela lógica o uso de anti-inflamatórios reduziria o risco, existem estudos que o uso de AAS para patologias cardiopatias é fator protetor para CA de intestino. Síndromes associadas Há um difícil diagnóstico (média de 7 meses para diagnóstico), visto que os sintomas/sinais são inespecíficos: dor abdominal insidiosa, perda de peso, anemia ferropriva, icterícia, alteração do hábito intestinal, enterorragia, perfuração e obstrução. O diagnóstico é lento pois as fezes dentro do intestino delgado tem consistência líquida e conseguem passar mesmo com o crescimento tumoral até que haja a obstrução completa. Assim, quando ocorrem as manifestações o paciente já está com a doença há muito tempo, e geralmente são “achados” durante cirurgia por obstrução intestinal. Os tumores duodenais tem sintomas mais precoces porque esses tumores vão impactar tudo o que está vindo do estômago e essa obstrução irá manifestar vômitos e empachamento (sintomas gástricos). QUADRO CLÍNICO EXAMES COMPLEMENTARES A endoscopia alcança apenas até a segunda porção do duodeno e a colonoscopia alcança apenas até o final do íleo na válvula ileocecal - assim, a EDA avalia apenas o início e a colonoscopia apenas o final. EDA/Colonoscopia TC de abdome: pouco sensível (útil na avaliação de metástases) RNM de abdome: limitada O restante do intestino delgado pode ser observado pela TC que é pouco sensível ou pela RNM que é limitada. Seriografia intestinal USG endoscópica: invasão mural e vascular Cápsula endoscópica A cápsula endoscópica trata-se de uma câmera fotográfica dentro de uma cápsula que vai ver internamente após o paciente engolir e ao sair, ela será recolhida e levada ao laboratório, onde será vista lesão e pelo tempo em qual porção ela está localizada. ESTADIAMENTO TNM Importante! Se tiver linfonodo comprometido, já será classificado como estágio 3, e, se tiver metástase a distância, já é considerado estágio 4. Quimioterapia adjuvante: capecitabina ou 5- fluorouracil como agente único ou em associação com oxaliplatina (FOLFOX, XELOX) dependendo do estágio (II ou III, respectivamente); Quimioterapia paliativa com anticorpos monoclonais (bevacizumabe ou cetuximabe ou panitumumabe): usada em pacientes com estágio 4. A cirurgia é a base do tratamento e tem intenção curativa, mas também pode ser oferecido: TRATAMENTO DO ADENOCARCINOMA Importante! A quimioterapia paliativa é usada em associação com anticorpos monoclonais, principalmente o Bevacizumabe ou Avastin, que age como antiangiogênico, visto que o câncer para crescer necessita de sangue e promove a neoangiogênese, esse anticorpo atua no bloqueio da neoangiogênese. Mortalidade em 1a 2 anos: 30 – 60% Média de sobrevida Localizada: 50,1 meses Disseminação local: 22,2 meses Metástase: 8,6 meses (atualmente 24 meses). PROGNÓSTICO CÂNCER COLORRETAL O colorretal inclui o intestino grosso e o reto, e os cânceres em sua maioria ocorrem em homens, e 90% ocorrem após 50 anos de idade. EPIDEMIOLOGIA ETIOLOGIA CCR hereditário não relacionado à polipose (5-15%) Síndrome de Lynch (5% dos casos) Polipose adenomatosa familiar (1% dos casos) A maioria dos pacientes são casos esporádicos (75% dos casos), mas também pode haver associação de: Há uma via de instabilidade de microssatélites, essa síndrome causa câncer de intestino e de útero, sendo muito comum em mulheres e homens jovens. Alterações genéticas Curiosidade! Antigamente era feita uma cirurgia chamada de ureterossigmoidostomia, na qual o paciente com CA de bexiga fazia retirada da bexiga completa, e o cirurgião colocava ambos ureteres no cólon sigmóide. Assim, o paciente urinava e defecava pelo ânus, mas, o intestino não é preparado para receber a urina, portanto a chance de CA era muito alta, por isso o procedimento foi abortado. Importante! O uso de aspirina, AINEs e reposição hormonal parecem diminuir o risco. LAYANE SILVA Na imagem é possível visualizar inúmeros pólipos no intestino, o conceito de polipose é quando o paciente tem > 100 pólipos ao exame - em geral, quando há um pólipo, ele precisa ser retirado pelo risco de se tornar um câncer, mas nesse caso não é possível retirar todos esses pólipos. inflamação, que predispõe ao câncer, por isso ele é mais comum do lado esquerdo na região do reto e sigmóide. Parente de 1º grau: risco até 4 vezes maior. Portanto, uma das formas de prevenir câncer em pacientes com polipose é realizar colectomia radical profilática ou colectomia total (retirada de todo o intestino grosso) de forma preventiva e faz-se uma anastomose do íleo com o ânus. Após a cirurgia há redução significativa da qualidade de vida do paciente que passa a ter diarréia com frequência, desnutrição, desidratação e urgência para evacuar. Estas como a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn podem predispor a formação de neoplasias do intestino. Doenças inflamatórias intestinais Idade Alimentação rica em gorduras Alimentação pobre em fibras, cálcio e ácido fólico Sedentarismo Tabagismo e etilismo O intestino constipado predispõe a câncer. Fatores pessoais O tipo histológico mais comum é o adenocarcinoma, que responde por 95% dos casos, os tumores são, em geral, exofíticos, por vezes ulcerados - sendo que as formas polipóide e infiltrativa são menos frequentes. PATOLOGIA A anatomia do intestino é formada pelo apêndice, seguido do cólon ascendente, cólon transverso, cólon descendente, cólon sigmóide, que desce e se dirige para o reto, que é dividido em alto, médio e baixo - este fica próximo ao esfíncter anal. No intestino grosso, as fezes ficam mais sólidas no lado esquerdo após a absorção do líquido, portanto, é a região onde há maior atrito que gera Localização da lesão 50% dos casos: reto e sigmóide 25 a 30% dos casos: cólon direito 20 a 25% dos casos: cólon esquerdo Principais manifestações: dor abdominal, alteração do hábito intestinal e hematoquezia (sangramento baixo, vivo nas fezes). QUADRO CLÍNICO Importante! Caso o paciente se queixe de sangue vermelho nas fezes, o principal exame a ser solicitado é a colonoscopia. Existem 2 situações na qual pode haver sangramento alto que exterioriza como vermelho-vivo, são elas: (1) sangramento muito volumoso ou (2) trânsito intestinal acelerado - mas na maioria das vezes “o sangue de cima sai preto e o sangue de baixo sai vermelho". Tumor em cólon direito: massa palpável, alteração do hábito intestinal, sangue nas fezes (escuro), anemia Tumor no cólon esquerdo: alteração do hábito intestinal, coágulos nas fezes, suboclusão ou oclusão colônica. Tumor em reto: tenesmo (desconforto para evacuar sem conseguir eliminar as fezes), sangramento vivo, eliminação de muco nas fezes, fezes em fita ou cíbalos (bolinhas), tumor palpável ao toque. A obstrução irá acontecer mais precocemente do lado esquerdo, pois do lado direito as fezes ainda estão mais moles e demoram para obstruir - por isso cânceres do lado direito tem diagnóstico mais tardio e prognóstico pior. Além disso, o câncer pode perfurar o intestino, causar sangramento, dor abdominal e obstrução - esta se manifesta com constipação, distensão abdominal, parada de eliminação de gases e fezes e peristaltismo de luta (som do intestino tentando vencer a obstrução). EXAMES COMPLEMENTARES Hemograma EAS, ureia e creatinina Marcadores de lesão e função hepática No hemograma será identificada anemia microcítica e hipocrômica com RDW alto pela perda de sangue que elimina também o ferro, causando anemia ferropriva. Assim, sempre que um paciente tiver esse padrão de anemia é importante solicitar colonoscopia e endoscopia. Laboratório Questão de prova! O CEA é o principal marcador tumoral nesse paciente. LAYANE SILVA Sangue oculto nas fezes (anticorpo anti-Hb humana) Antígeno carcinoembrionário (CEA) O principal sítio de metástase é o fígado, pois tudo que está no intestino passa pelo sistema porta e vai para o fígado, por isso deve-se avaliar os marcadores de função hepática. Não é necessário pedir pesquisa de sangue oculto para pacientes que tem sangramento evidente nas fezes. O CEA pode ser usado para seguimento, e 70% dos pacientes tem CEA alto ao diagnóstico. Na tomografia abaixo, há um paciente do sexo masculino, observa-se a próstata, o reto e o tumor na luz do reto, que pode causar sintomas como tenesmo, hematoquezia (sangramento vivo nas fezes), cíbalos ou fezes em fita. O principal exame de imagem é a colonoscopia, na qual é possível entrar com câmera pelo ânus do paciente, buscar a lesão e biopsiar. Além de dar o diagnóstico, ela pode prevenir o câncer, pois se no momento da colonoscopia for encontrado um pólipo (lesão pré-maligna) pode-se retirá-lo, prevenindo o câncer de certa forma, visto que demora cerca de 10 anos entre o surgimento do pólipo e a malignização. Retossigmoidoscopia/colonoscopia com biópsia A colonoscopia permite a visualização direta da lesão ulcerada, que pode ser biopsiada. No raio-X abaixo é possível identificar um foco de metástase para o pulmão direito. TC de tórax (estadiamento) Raio-X de tórax TC abdome (estadiamento) Nesta tomografia é possível identificar manchas no fígado que representam focos de metástase. Na RNM é possível visualizar o tumor na região do reto. RNM de pelve (reto) PET-CT (doença metastática) USG endorretal (invasão mural e metástase linfática) Na USG endorretal abaixo pode-se visualizar a lesão na parede do intestino. ESTADIAMENTO TNM LAYANE SILVA TRATAMENTO Tratamento cirúrgico dos tumores de cólon A base do tratamento é a cirurgia, sendo que 90% dos tumores são ressecáveis. É necessário retirar o tumor do intestino com uma margem de segurança (margem proximal de 5 cm e distal de 2 cm) e realizar linfadenectomia regional de pelo menos 12 linfonodos. Além disso, deve-se realizar a retirada de órgãos adjacentes, se necessário, e a reconstrução do trânsito digestivo ou colostomia/ileostomia. Cirurgia Assim, é retirada a lesão e realiza a anastomose, quando não for possível a anastomose, o paciente terá que usar uma bolsa, se do lado direito uma ileostomia, se do lado esquerdo uma colostomia. Importante! Portanto, se há uma doença com metástase localizada ou poucos focos de metástase e o cirurgião consegue operar o paciente e deixá-lo sem a doença e sem a metástase há uma chance de cura - isso é válido para tumores de intestino delgado e grosso. LAYANE SILVA Sangue oculto nas fezes (anticorpo anti-Hb humana) Antígeno carcinoembrionário (CEA) O principal sítio de metástase é o fígado, pois tudo que está no intestino passa pelo sistema porta e vai para o fígado, por isso deve-se avaliar os marcadores de função hepática. Não é necessário pedir pesquisa de sangue oculto para pacientes que tem sangramentoevidente nas fezes. O CEA pode ser usado para seguimento, e 70% dos pacientes tem CEA alto ao diagnóstico. A segunda porção é aquela que recebe o ducto pancreático e o ducto colédoco, que se juntam formando a ampola de Vater que desemboca na segunda porção - a endoscopia só vai chegar até essa porção. Metastasectomia (ressecção da metástase) Se o paciente tem um tumor no intestino e apenas um foco de metástase no pulmão, ele será classificado como estágio IV, e é considerado incurável. No entanto, há uma exceção à regra, pois se o paciente possui um tumor de intestino com pouca metástase ou apenas um foco de metástase (fígado, pulmão, etc.), se operar o tumor do intestino e retirar a metástase (retirar todos os focos de doença) existe uma chance de 10% de curar o paciente. Cirurgia nas complicações Tratamento cirúrgico dos tumores de reto Quando o paciente apresenta obstrução, perfuração ou hemorragia pode ser necessário uma cirurgia de urgência. No tumor de reto baixo, há necessidade também de garantir uma margem de segurança e, por vezes, é necessária uma amputação abdominoperineal, ou seja, há retirada do reto e o ânus do paciente, que deve utilizar a bolsa de colostomia definitiva. O paciente pode necessitar de quimioterapia e radioterapia a depender do tipo de tumor e do estágio, assim, se for um paciente do estágio II a quimioterapia adjuvante será oferecida se alguma das condições abaixo, se for estágio 3 sempre será oferecida a quimioterapia, e no estágio 4 será um tratamento paliativo. Quimioterapia e radioterapia Cólon Reto Adjuvante: estádios II (selecionados) e III QT paliativa ou de conversão (alguns casos) no estádio IV Não se emprega radioterapia, mas deve-se oferecer: quimioterapia adjuvante nos estádios II (selecionados) e III; e QT paliativa ou de conversão no estádio IV. Será realizado tratamento neoadjuvante em tumores do reto médio e baixo para conseguir fazer uma cirurgia adequada sem necessidade de amputação. QT: 5-Fluorouracil, Irinotecano, Oxaliplatina, TAS 101 Anti-angiogênicos: Bevacizumabe, Ramucirumabe, Aflibercept, Regorafenibe Anti-EGFR: Cetuximabe e Panitumumabe (RAS selvagem) Imunoterapia: Pembrolizumabe Inibidores de BRAF: Vemurafenibe Tratamento sistêmico PAF (polipose adenomatosa familiar): colonoscopia anual a partir dos 12 anos de idade HNPCC: colonoscopia bienal a partir de 20 – 25 anos de idade Retocolite ulcerativa: colonoscopia anual após 8 anos do diagnóstico Ureterossigmoidostomia: colonoscopia bienal após 7 anos do diagnóstico O rastreamento para os cânceres de intestino deve ser através da colonoscopia (melhor exame) que tem como objetivo encontrar e remover pólipos - todo pólipo deve ser retirado. Por ser um exame mais difícil de realizar no sistema público de saúde, em alguns lugares o rastreio é feito através da pesquisa de sangue oculto nas fezes, e se positiva, solicitar colonoscopia. Indivíduo com risco habitual: sangue oculto nas fezes anual + colonoscopia a cada 10 anos, a partir dos 45 anos de idade. História familiar positiva: colonoscopia anual, iniciando 10 anos antes da idade de surgimento do câncer no familiar. Existem outras condições especiais na qual a idade de rastreamento irá variar como: RASTREAMENTO Linfomas OUTROS TUMORES Importante! Câncer anal tem melhor prognóstico. Importante! Todo o trato genital (pênis, escroto, ânus e vulva) são estruturas centrais na linha média, e sempre que há tumores da região central, a metástase ocorre em linfonodos bilaterais - por esse padrão de disseminação, é necessário esvaziar linfonodos de ambos os lados da virilha. LAYANE SILVA Neuroendócrinos Sarcomas Endometriomas São mais comuns depois do adenocarcinoma. Em mulheres que possuem endometriose, um dos locais para onde o endométrio pode se espalhar é para o intestino grosso, podendo causar sangramento. Câncer prévio de colo uterino, vagina e vulva Coito anal Massa, sangramento, dor, secreção como por exemplo o uso de imunossupressor após transplante renal, predispõe a doenças infecciosas - no entanto, o sistema imune também é ativo contra o câncer. Portanto, da mesma forma que o paciente imunossuprimido pode ter infecção oportunista, ele também pode desenvolver cânceres oportunistas, entre eles: sarcoma de Kaposi, linfomas, câncer de canal anal e câncer de colo uterino. Pacientes com história de câncer prévio de colo uterino, vagina e vulva também podem desenvolver câncer de canal anal porque subentende-se que toda a região está contaminada pelo HPV. O coito anal gera trauma frequente que leva à inflamação, seguido de metaplasia, desenvolvendo um câncer. Normalmente o paciente apresenta uma massa na região ou queixa-se de dor ou pode ter alguma secreção que não melhora - sabe-se que qualquer ferida que não melhora em 2 semanas, necessita de biópsia porque pode ter alguma patologia subjacente. CANCÊR DE ÂNUS E CANAL ANAL O reto termina próximo à linha pectínea que é um “divisor de águas”, ou seja, acima dela está o epitélio simples colunar como o epitélio de todo o trato digestivo até o terço terminal do esôfago, pois a partir dele para cima há o epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado. Portanto, até essa região (intestino e estômago) os principais tumores formados são adenocarcinomas. Assim, acima da linha pectínea está o epitélio simples colunar, já no canal anal e ânus (abaixo da linha) está o epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado, portanto, o tipo histológico mais comum do câncer de ânus e é o CEC (carcinoma de células escamosas). O câncer de ânus e canal anal representa 1,5% dos tumores gastrintestinais, sendo mais comum em homens com aumento da incidência após 30 anos. GENERALIDADES Infecção por HPV, HIV e DSTs Imunossupressão O câncer de ânus e canal anal tem muita relação com as DSTs, principalmente HPV, que contamina qualquer ponto de contato sexual, causando também câncer de colo uterino, vagina, vulva, pênis e orofaringe. Junto ao HPV está o HIV, assim, quando um paciente com HIV positivo desenvolve câncer de ânus, isso indica um quadro de SIDA, ou seja, a doença de imunodeficiência humana - da mesma forma, o HIV pode estar associado a sarcoma de Kaposi ou linfoma que serão considerados sinais de imunossupressão. Qualquer condição que deixe o paciente imunossuprimido, Fatores de risco Ectoscopia Anuscopia Toque retal Exame inguinal e biópsia linfonodal O exame físico é muito simples em geral pode ser feita: Apesar de todos tumores gastrointestinais passarem pelo fígado através da veia mesentérica e veia porta, na anatomia, o reto médio e inferior e ânus não passam pelo sistema porta, mas sim pela veia pudenda/ilíaca interna, veia cava comum, coração e pulmão. Consequentemente, os sítios de metástase dos tumores de reto médio e inferior são no pulmão e linfonodos inguinais, já os tumores de reto alto vão para o linfonodos mesentéricos. Portanto, é necessário palpar a região inguinal e realizar a biópsia de linfonodos na região inguinal. DIAGNÓSTICO Normalmente, os pacientes chegam com uma ferida na região anal que sangra e não melhora (quadro arrastado) e deve ser feita a biópsia - nesse caso, o subtipo histológico mais comum será CEC. LAYANE SILVA USG endorretal TC/RNM de pelve TC de abdome e tórax (estadiamento) Além disso, como exames complementares podem ser usado: O melhor exame para avaliar pelve é a ressonância, então normalmente é solicitado (1) tomografia de tórax porque a metástase ocorre no pulmão, (2) tomografia de abdome superior e (3) ressonância de pelve. ESTADIAMENTO Quimioterapia + Radioterapia (Mitomicina ou Cisplatina + 5-Fluorouracil) O tratamento dessa patologia mudou a história da oncologia, trata-se de um tratamento relativamente simples que segue a seguinte lógica: como o tumor é no ânus do paciente, não é possível apenas retirar o ânus porque para operar câncer é necessário uma margem de segurança, que nesse caso incluiria a ressecção do ânus e esficter anal e o paciente perderia a capacidade de evacuar/controle da evacuação.Então para o câncer de ânus, bem como para os cânceres de garganta existe um protocolo de preservação do órgão, portanto é feita: Este tratamento definitivo tem objetivo de tratar o câncer e poupar o ânus do paciente, para que ele consiga manter o controle da evacuação. TRATAMENTO Importante! Esse tratamento é definitivo e não neoadjuvante, pois a neoadjuvância pressupõe a cirurgia posteriormente - este tratamento busca evitar a cirurgia, e é um tratamento curativo. Curiosidade! Com esse protocolo chamado de Protocolo de De Nigro, a probabilidade de recidiva é em torno de 20% (baixa). Ele foi criado com objetivo de atender de forma paliativa a esses pacientes portadores de DSTs que em geral são mais jovens e desenvolviam tumores grandes e sangrantes no ânus, mas os pacientes passaram a responder bem, muitas vezes, ficavam curados. Cirurgia A cirurgia será feita apenas nos casos em que a quimioterapia e radioterapia não funcionaram - visto que muitos pacientes ficam curados apenas com quimioterapia e radioterapia, mas há a possibilidade do paciente não responder ao tratamento e precisar de amputação anal. Quanto ao prognóstico, observa que em tumores pequenos (T1) a sobrevida em 10 anos é de 100%, mas logicamente quanto maior o tumor, menor a taxa de sobrevida, mas ainda sim há possibilidade de cura. PROGNÓSTICO Questão de prova! A metástase vai para o pulmão, e, diferente dos tumores de intestino grosso e reto alto que vão do sistema porta para a cava, os linfonodos são bilaterais e na região inguinal. Importante! Qualquer substância que é tóxica para o fígado, cronicamente pode predispor ao câncer (Exemplo: uso de chás, anti-inflamatórios). Curiosidade! Outra causa de colangiocarcinoma é uma doença chamada de cirrose biliar primária, que possui um componente autoimune na via biliar. Revisão! As duas principais causas de CHC são cirrose alcoólica e hepatite B e C crônica. LAYANE SILVA T1: 100% de sobrevida em 5 e 10 anos; T2: 60% de sobrevida em 5 anos e 40% em 10 anos. África: alta ingestão de aflatoxinas Entre os alimentos comuns, o que possui muita aflatoxina é o amendoim, que quando consumido em excesso pode predispor ao câncer.TUMORES HEPÁTICOS PRIMÁRIOS O fígado é dividido em 2 lobos: direito (maior) e esquerdo, e ele é dividido em segmentos, por isso, nos tumores de fígado não é necessário retirá-lo por completo, apenas um segmento ou lobo. Isto porque o fígado também tem capacidade regenerativa, ou seja, é possível retirar apenas um dos lobos, e o outro irá hipertrofiar e cumprir a função. SEGMENTAÇÃO HEPÁTICA Existem 2 tipos de tumores do fígado, eles podem ser primários ou secundários, e, considerando que os cânceres de mama, pulmão, cabeça e pescoço e TGI tendem a metastizar no fígado, os tumores mais frequentes do fígado são secundários (metástases). Eles podem ser diferenciados através de exame de imagem, normalmente os tumores secundários se apresentam com > 1 lesão do mesmo tamanho, já o primário forma 1 grande lesão que pode estar associada a lesões menores (lesões-satélites). Alta prevalência de hepatite crônica B e C Alta prevalência de cirrose hepática Ásia: vermes hepáticos É um tumor raro nos EUA (9.000 casos/ano, sem predileção por sexo), mas com alta incidência na Ásia e África, associada a fatores ambientais e culturais de risco como: A hepatite B e C crônica predispõe ao hepatocarcinoma, assim como o álcool, assim é essencial perguntar ao paciente sobre (1) etilismo, descrever o consumo de álcool, (2) infecção por hepatite B, que ocorre por via sexual, e (3) infecção por hepatite C, que ocorre por via sexual e compartilhamento de sangue contaminado, seja por transfusões ou por uso de drogas injetáveis. Existem alguns vermes hepáticos que podem predispor ao câncer, mas normalmente estão associados ao colangiocarcinoma. GENERALIDADES Anatomicamente, o fígado tem células dispostas de forma que é possível visualizar as células coesas (hepatócitos) e entre elas um espaço chamado de canalículo biliar (canal biliar primário). Isto porque o hepatócito produzirá os líquidos (bilirrubina, etc.) que cairão no canal para serem drenados até as vias biliares. PATOLOGIA Na anatomia, observa-se o fígado, ducto hepático direito e esquerdo, que se juntam para formar o ducto hepático comum, depois o ducto cístico, que sai da vesícula biliar - quando o ducto hepático comum se junta com o ducto cístico, formam o colédoco. No pâncreas, o ducto colédoco se junta com o ducto pancreático principal formando a ampola de Vater que joga a bile e o suco pancreático na segunda porção do duodeno. No entanto, o tumor ocorre a nível microscópico no fígado e os canais biliares se juntam para formar o ducto hepático esquerdo. Revisão! Os tumores de fígado podem ser primários ou secundários, sendo que o mais comum são os secundários, porque a maioria dos cânceres mandam metástase para o fígado. Importante! Todos os tumores que nascerem não só microscopicamente nos canais biliares como em toda a região das vias biliares será chamado colangiocarcinoma, assim ele pode nascer em qualquer ponto da árvore biliar desde o início no fígado até nas vias biliares. Revisão! O fígado pode ser sítio de doença primária ou secundária, se for primário os mais comuns são carcinoma hepatocelular (tumor localizado nos hepatócitos, produtor de alfa fetoproteína) e colangiocarcinoma (tipo de adenocarcinoma das vias biliares intra ou extrahepáticas, produtor de CA 19.9). Curiosidade! A esquistossomose também é causa de hepatocarcinoma, mas normalmente não causa cirrose, apenas uma fibrose periportal, pois o parênquima é preservado - já, a esquistossomose africana pode causar colangiocarcinoma, pois acomete as vias biliares. LAYANE SILVA Hepatocelulares (80%) Colangiocarcinomas (15%) Os tumores hepático primários mais comuns são: Os tumores podem surgir do hepatócito, sendo chamados de carcinoma hepatocelular - CHC, que produzem um marcador chamado de alfa-fetoproteína. O tumor no fígado também pode nascer do canalículo biliar, sendo denominado de colangiocarcinoma, que é um tipo de adenocarcinoma que surge da via biliar, cujo marcador tumoral é o CA 19.9. Piora súbita em cirrótico O paciente cirrótico pode ter uma piora súbita das provas hepáticas (insuficiência hepática) o que indica doença, e manifestações como ascite e varizes hemorrágicas por ser uma região altamente vascularizada. Mistos (5%) Angiossarcoma: raro (ocupacional – polimerização) Os tumores de fígado, em geral, 50% são ressecáveis (capsulados) e altamente vascularizados (alto risco de hemorragia), visto que o fígado recebe muito sangue, por isso, tumores grandes podem romper a cápsula de Glisson e provocar morte por hemorragia fatal. Dos tumores do fígado, 70% tem disseminação extra- hepática ao diagnóstico, e é comum o acometimento de linfonodos hilares e celíacos, invasão da veia porta e hepática e metástases pulmonares e peritoneais DISSEMINAÇÃO Dor (QSD) com ou sem hepatomegalia Massa palpável em hipocôndrio direito O diagnóstico desse tipo de tumor é bem difícil, entre os sinais e sintomas estão: ASPECTOS CLÍNICOS Mesmo sem a palpação, observa-se uma massa em hipocôndrio direito, se este paciente refere ser alcoólatra ou que recebeu transfusão sanguínea na década de 1960, a principal etiologia será CHC. No quadro é possível observar emagrecimento acentuado e presença do sinal de cabeça de medusa (circulação colateral), que pressupõe que esse paciente tem hipertensão portal, além de icterícia e ascite. Hemorragia intraperitoneal maciça e choque Doença aguda com febre e dor abdominal Metástase à distância EXAMES COMPLEMENTARES 1/3 tem bilirrubina direta elevada 25% tem fosfatase alcalina elevada 75% tem sorologia positiva para hepatite B ou C Alfafetoproteína (AFP) acima 400 mg/dl (VR: até 20) Quanto às alterações laboratoriais associadas aos tumores hepáticos estão: Além disso, é essencial pesquisar hepatite B, C e alfafetoproteína, visto que: Laboratório Cerca de 80% dos tumores são visualizados,podem ser utilizadas a USG, TC e RNM, além dos exames de estadiamento. Imagem Na primeira tomografia observa-se apenas uma lesão isolada (mancha escura) que representa um tumor primário, já a segunda apresenta diversas lesões que são metástases, cujo sítio primário deve ser investigado. Importante! Esse é um caso típico de câncer que não precisa de biópsia, isto é, se há um paciente com cirrose + imagem no fígado sugestiva + alfafetoproteína no sangue > 400 não é necessária biópsia. Em alguns casos para estudos genéticos, pode ser feita a biópsia mas não com objetivo de diagnosticar, apenas pesquisar alvos terapêuticos. Portanto, não é necessária biópsia para dar o diagnóstico de carcinoma hepatocelular. Curiosidade! Existem outros tumores na oncologia que são tratados sem biópsia, além do hepatocarcinoma, como: (1) tumores de tronco cerebral, no qual o diagnóstico é feito pela RNM de crânio, pois é onde está localizado o núcleo da respiração no bulbo. Assim, se a RNM de crânio tiver alguma alteração suspeita, será tratada com quimioterapia com dose controlada. (2) melanoma de coróide, que é a camada interna do olho, está associado a queixa de visão turva + mancha preta no exame de fundo de olho (diagnóstico). (3) doença trofoblástica gestacional, que tem um espectro grande desde a mola hidatiforme até o coriocarcinoma e mola invasiva, e seu diagnóstico é feito através de uma história de aborto + ausência de queda no hCG, visto que um hCG alto pós-aborto indica que ficou placenta ou é uma doença trofoblástica. LAYANE SILVA Há um outro critério de estadiamento, chamado de Critério de Barcelona, que leva em consideração não só o tumor propriamente dito, mas também a condição clínica do paciente, segundo os critérios de Child-Pugh. Triagem: USG seriadas em hepatopatas a cada 6 meses para rastrear essa doença. Pode ser percutânea (não é necessário abrir o paciente), guiada ou não por USG ou TC, 0,4% tem hemorragia fatal, visto que é uma região altamente vascularizada. Biópsia hepática ESTADIAMENTO Child-Pugh Esse critério avalia bilirrubina, encefalopatia, albumina, tempo de protrombina (coagulograma) e ascite, classificando o paciente em A, B e C (pior prognóstico). Importante! Pacientes com metástase NÃO irão fazer o transplante! LAYANE SILVA Memorize! Os tumores hepáticos primários tem péssima resposta à quimioterapia isolada. Portanto, a ressecção cirúrgica com margens adequadas constitui a principal intervenção terapêutica! Lembrando que o fígado tem potencial regenerativo então é possível operá-lo. TRATAMENTO Observam-se os tumores bem delimitados e altamente vascularizados. Até 3 lesões com no máximo 5 cm; Incapacidade do fígado cirrótico de tolerar a ressecção. O transplante pode ser uma opção de tratamento, principalmente se o paciente tem cirrose e câncer, sendo que o câncer não pode ter se espalhado, tem que estar restrito ao fígado. As indicações para transplante hepático incluem: A ressecção de um fígado sadio é diferente de um fígado cirrótico pois ele perde a capacidade de regenerar, portanto torna-se mais difícil de ressecar o fígado de um paciente com cirrose, pois ela pode descompensar a doença. Nesse caso, o transplante trataria tanto o câncer quanto a cirrose. Transplante hepático Carcinoma fibrolaminar e hemangioblastoma: 50% de sobrevida em 5 anos Hepatocarcinoma + cirrose: 35% de sobrevida em 5 anos. Injeção de etanol Ablação por radiofrequência ou crioablação Quando o paciente não consegue operar ou não tem um doador de fígado, é possível controlar a doença de outras formas, entre elas: Crioablação: o médico entra no tumor com agulha e com um gel com nitrogênio líquido na região que está o tumor + margem de segurança para congelar - procedimento pouco disponível, no Brasil só é feito em São Paulo. Tratamentos locais Quimioembolização arterial Ablação por radiofrequência: é feito um procedimento similar mas não é feito o congelamento, mas sim a cauterização do tumor, assim, através do USG, é colocada uma agulha dentro do tumor e é aquecida em altas temperaturas, queimando de dentro para fora. Sabe-se que o tumor é nutrido por uma artéria, assim é feito uma cateterização seletiva da artéria hepática e infusão de Doxorrubicina (quimioterapia) dentro da artéria. Assim essa infusão através de “bolinhas de quimioterapia” vai tampar a circulação arterial, o tumor não vai ter suprimento sanguíneo, e também vai infundir quimioterapia diretamente no tumor. Esse procedimento é feito para diminuir o tamanho do tumor e prolongar a vida do paciente, em 25% dos casos há redução tumoral de até 50%, e a sobrevida em 3 anos é de 50% Revisão! Todas essas são técnicas para controlar o tamanho do tumor, assim, é possível operar ou transplantar, quando ambos não forem possíveis, pode-se fazer radioablação, crioablação ou quimioembolização com intenção paliativa. Importante! Se o paciente tem metástase pode ser que os tratamentos locais ajudem a pelo menos reduzir o tamanho do tumor para evitar a distensão da cápsula de Glisson que é dolorosa, melhorando os sintomas e evitando hemorragia por ruptura de cápsula. A maioria desses medicamentos (Lenvatinibe, Sorafenibe, Regorafenibe e Ramucirumabe) são inibidores de angiogênese, visto que são tumores altamente Tratamento sistêmico Importante! A calcificação de um órgão que naturalmente não é calcificado pode predizer câncer - nesse caso a impressão diagnóstica é de um adenocarcinoma de vesícula biliar. Importante! Se, por exemplo, um paciente tem câncer de pulmão com metástase no fígado, fez quimioterapia, sumiu o tumor no pulmão e restaram apenas os nódulos no fígado NÃO é possível fazer transplante hepático. Isto porque os critérios de transplante são exclusivos para tumores primários de fígado sem metástase. Importante! Os sítios de metástase do câncer de fígado são pulmão e peritônio. Importante! Toda peça que é retirada do corpo de um paciente deve ser enviada para anatomia patológica. LAYANE SILVA Na USG é possível observar uma parte “normal” anecóica preenchida por líquido e uma lesão esbranquiçada - é muito comum a presença de pólipos, mas todo pólipo na vesícula > 1 cm necessita de intervenção com retirada de toda a vesícula. Atezolizumabe + Bevacizumabe Lenvatinibe Sorafenibe Regorafenibe Gencitabina + Oxaliplatina Doxorrubicina Ramucirumabe vascularizados e a inibição da formação de novos vasos sanguíneos permite o melhor controle do tumor. Atualmente o melhor protocolo (padrão-ouro) combina um inibidor de angiogênese + imunoterapia. TUMORES DE VESÍCULA BILIAR Pólipos: achados ultrassonográficos (suspeitos se > 1 cm). Tumor raro, que ocorre principalmente em pacientes idosos, sendo 2 vezes mais frequente em mulheres. Além disso, 75% estão relacionados à cálculos (sobretudo os > 3 cm), pois a presença da pedra na vesícula (colelitíase) gera inflamação, que quando crônica predispõe a câncer. O tipo mais comum é o adenocarcinoma, e deve-se suspeitar da doença sempre que houverem pólipos > 1 cm na USG. DIAGNÓSTICO Esse tumor pode ser um achado incidental na colecistectomia, ou seja, um paciente com cálculos na vesícula, retira a vesícula e no anatomopatológico vem o achado de câncer. Achados clínicos Dor persistente no QSD Obstrução do ducto cístico (colecistite) Icterícia obstrutiva (colangite) Massa em topografia de vesícula Os sintomas ocorrem apenas nos tumores disseminados, pode haver: Radiografia simples de abdome: vesícula em porcelana. Na imagem é possível observar o intestino e à direita na topografia da vesícula há uma imagem branca, que, no raio-X, representa calcificação, ou seja, a vesícula está calcificada (vesícula em porcelana). Imagem USG e TC: diagnóstico e estadiamento. Colecistectomia + ressecção hepática em cunha (3 a 5 cm) Achado pós-colecistectomia: ressecção do leito QT adjuvante ou paliativa Anatomicamente, a vesícula fica aderida ao fígado, então para o tratamento do câncer é necessária não só a retirada da vesícula mas também a ressecção dofígado que está em contato com margem de 3-5 cm. Assim, se o paciente fez uma colecistectomia e teve como achado incidental um câncer, é necessário abrir novamente a barriga do paciente e ressecar o local onde a vesícula estava para garantir a margem de segurança. TRATAMENTO O prognóstico é muito ruim, pois 85% dos pacientes morrem no 1º ano e há 10% de sobrevida em 5 anos, se o tumor for um achado incidental. PROGNÓSTICO Discute-se muito a respeito da colecistectomia feita de forma preventiva, mas a retirada da vesícula apenas teria 1 caso evitado/100 colecistectomias. PREVENÇÃO TUMORES DE VIAS BILIARES Tumores que não tem predileção por sexo, acomete a faixa etária de 20 a 80 anos (média 60 anos) - bem como os tumores de vesícula ocorrem em pacientes mais velhos - não tem relação com litíase, e tem associação com colite ulcerativa, parasitose de vias biliares e colangite esclerosante. O tipo histológico mais comum é o adenocarcinoma pouco diferenciado (90%), cujo marcador tumoral é o CA 19.9 - bem como no tumor de vesícula e no colangiocarcinoma. Tipos histológicos Considerando a anatomia em um paciente com um tumor na região do colédoco - cujo tipo histológico mais comum ACHADOS CLÍNICOS Importante! Se a icterícia for progressiva, deve-se suspeitar de causa maligna, já se for flutuante (períodos de melhora e piora oscilando), a suspeita é que sejam cálculos. LAYANE SILVA será o adenocarcinoma e o marcador tumoral CA 19.9 - deve-se considerar o seguinte quadro: pelo intestino, está voltando para o sangue e sendo eliminada pelo rins, mas os rins não estão preparados para esse processo, o que pode causar síndrome hepatorrenal (falência hepática e renal). EXAMES COMPLEMENTARES Icterícia e/ou prurido progressivos Sabe-se que a bile é formada no fígado e desce pelas vias biliares, então se o tumor impede o fluxo da bile, ela irá ficar estagnada, provocando icterícia (bilirrubina direta > 2). Colúria Como a bilirrubina não consegue descer para o intestino, ela precisa sair do corpo através do sangue que a direciona para o rim, por isso a urina fica escura (colúria - urina cor de “coca-cola”). Assim, a bilirrubina que deveria ser eliminado Nesse caso, o paciente também tem uma tendência a ter diarréia porque a bile digere gordura, portanto a ausência da bile leva a esteatorreia (gordura nas fezes). Acolia fecal Além disso, um dos fatores que dá a pigmentação das fezes é o urobilinogênio que sai pelo intestino, mas como as vias biliares estão obliteradas, essa substância não chega até o intestino e o paciente manifesta acolia fecal (fezes brancas). Importante! Quando o paciente tem icterícia + colúria + acolia fecal, esse quadro é denominado icterícia obstrutiva, pois existe algo obstruindo o canal que não necessariamente é um câncer, pode ser também um cálculo - e se a icterícia não for controlada, ela irá causar insuficiência renal. Dor ou desconforto no QSD Anorexia e perda de peso insidiosos Hepatoesplenomegalia (tardia) Como há uma obstrução, a bile pode refluir para a vesícula, causando um fenômeno chamado de vesícula de Courvoisier-Terrier, no qual é possível palpar ou até mesmo visualizar a vesícula no quadrante superior do abdome por causa do refluxo e acúmulo da bile na vesícula biliar. Hiperbilirrubinemia às custas de direta Fosfatase alcalina elevada Além do aumento da bilirrubina direta, espera-se alteração de fosfatase alcalina e Gama GT, que são marcadores canaliculares. Laboratório Importante! Lembrando que TGO e TGP só alteram quando há lesão hepática, e o coagulograma e albumina alteram quando há perda na função hepática. Importante! O coagulograma desse paciente estará alterado porque ele não está coagulando, isto porque a vitamina K é crucial para a coagulação do sangue, sendo consumida a partir dos vegetais verde-escuros, e ela é lipofílica (vitaminas gordurosas: A, D, E e K). Assim, se a vitamina K é lipossolúvel e adquirida através da alimentação, como o paciente está obstruído não haverá absorção dessa vitamina, portanto, o paciente com tumor de via biliar tem uma deficiência de vitamina K, e o sangue tende a não coagular, o que pode gerar manifestações hemorrágicas. Nesses casos, pode ser necessária a suplementação de vitamina K que deve ser obrigatoriamente injetável, caso contrário não há absorção. USG e TC: dilatação das vias biliares e metástases CPRE (tumores proximais) Colangiorressonância (padrão-ouro) Entre os exames de imagem, o padrão-ouro é a Imagem Revisão! Se o paciente for mais velho, estiver emagrecendo, com piora da icterícia, e obstrução na imagem, a principal suspeita é câncer de vias biliares. As principais manifestações serão acolia fecal, colúria e icterícia progressiva - se piora da função renal, atentar para síndrome hepatorrenal. Importante! A CPRE só irá ajudar os tumores mais baixos (no colédoco) pelo seu alcance limitado, se tiver mais alto pode ser necessário a drenagem externa para o lado externo do corpo após a colocação do dreno guiada por USG. LAYANE SILVA colangioressonância porque usa um contraste especial que sai na bile. Na imagem é possível observar os ductos hepáticos direito e esquerdo, ducto hepático comum e o colédoco, além de uma obstrução no fluxo da bile no ducto hepático comum. Também chamado de CPRE (colangiopancreatografia endoscópica retrógrada), no qual é feita uma endoscopia e ao chegar na região do duodeno, é jogado um contraste branco e é possível observar a interrupção do fluxo por obstrução que pode ser um tumor ou um cálculo. Colangiografia endoscópica Colangiografia transparieto-hepática Para tratar o paciente com câncer de vias biliares, inicialmente deve-se tratar a icterícia. TRATAMENTO Prótese de via biliar (paliação): endoscópica ou transparietal - no pré-operatório, reduz as complicações. Uma das opções para melhorar a icterícia é a colocação de stent para abrir o ducto - após essa abertura, a bile irá escorrer e melhorar os sintomas - ou o uso de dreno no ducto hepático para a pele através do qual a bile pode sair. Ausência de sinais de doença avançada Invasão portal: irressecabilidade (paliação com colecistojejunostomia). Se o paciente tiver a lesão no ducto distal (dentro do pâncreas), o tratamento será igual ao tumor de pâncreas através da cirurgia de Whipple Lesões no ducto distal: duodenopancreatectomia Invasão hepática: lobectomia; Invasão da artéria hepática comum e veia porta: irressecabilidade. Se o paciente tiver lesão no ducto médio e proximal pode ser necessária ressecção e algum tipo de anastomose. Lesões no ducto médio e proximal: hepatojejunostomia Existem algumas quimioterapias que podem ser usadas no tratamento adjuvante ou paliativo, com medicamentos como: Gencitabina, Fluoropirimidinas e Platinas. TRATAMENTO SISTÊMICO A sobrevida média é de 1 ano (15% de sobrevida em 5 anos). PROGNÓSTICO TUMORES DE PÂNCREAS O pâncreas é uma glândula mista, que tem um componente exócrino produtor de suco pancreático que atua na digestão, e os tumores provenientes desse componente são os adenocarcinomas. Já o componente endócrino, produz insulina, glucagon, somatostatina, gastrina e outros hormônios, e os tumores que nascem nesse componente são produtores de hormônio - como por exemplo os tumores de células beta são insulinomas. Fatores de risco: tabagismo, consumo de carne vermelha, gastrectomia prévia e negros. Pico de incidência: 5ª e 6ª décadas de vida Os tumores de pâncreas são a 3ª causa de morte por câncer entre homens. Quanto à anatomia, o pâncreas é formado por corpo, cabeça e cauda, sendo que a relação da cabeça é com o duodeno e por dentro dela passa o ducto colédoco. Além disso, na frente do pâncreas está o estômago e na cauda está o baço, e atrás do pâncreas passa a veia cava, artéria e veia mesentérica superior e o plexo celíaco. Este é um plexo nervoso sensitivo muito importante que abrange a região superior do abdome. GENERALIDADES Revisão! Nesse tipo de tumor a metástase irá para fígado (visto que o pâncreas vai parao sistema porta), peritônio e pulmão. LAYANE SILVA 2/3 ocorrem na cabeça 80% são adenocarcinomas Portanto, o tumor pode invadir qualquer uma dessas estruturas adjacentes e, quando atinge o plexo celíaco, em especial, o paciente tem um quadro de dor intenso, similar a dor da pancreatite que é em faixa - sendo um dos tumores mais dolorosos. O câncer de cabeça de pâncreas terá o diagnóstico mais precoce, pois o tumor vai obstruir o colédoco e o paciente vai evoluir com icterícia, colúria e acolia fecal, portanto o prognóstico é melhor em relação aos outros. Na cauda, como não terá essa obstrução, o paciente demora a ter o diagnóstico, geralmente há um quadro de dor e emagrecimento, que quando diagnosticado já está metastático. RNM de abdome CPRE Laparoscopia: biópsia e estadiamento peritoneal Na tomografia, o pâncreas fica localizado na metade entre os dois rins, e observa-se na imagem uma mancha preta que indica um tumor de cabeça de pâncreas, visto que a cauda fica próxima ao baço. A CPRE será mais útil nos tumores de cabeça de pâncreas pelo acesso limitado do exame, no qual é possível fazer a biópsia através do CPRE guiada por USG. A disseminação pode ser por extensão local, linfonodos e fígado precocemente - além de pulmões e peritônio tardiamente. DISSEMINAÇÃO ACHADOS CLÍNICOS 75% dos casos: icterícia (+ prurido), perda de peso, dor; 25% dos casos: dor lombar (mau prognóstico); 50% dos casos: vesícula palpável e indolor (Courvoisier); 20% dos casos: massa palpável (indica irressecabilidade); 10% dos casos: colangite e icterícia. A dor lombar indica mau prognóstico, pois é um sinal de que está invadindo o plexo celíaco. Câncer de cabeça de pâncreas Pode manifestar perda de peso e dor em paroxismos - 10% dos casos podem cursar com icterícia (doença avançada) - e é um diagnóstico difícil. Câncer de corpo e cauda EXAMES COMPLEMENTARES Quanto às alterações laboratoriais pode haver: (1) elevação de bilirrubinas diretas e fosfatase alcalina, (2) CA 19-9 elevado, e alguns casos com CEA elevado. Laboratório TC de tórax e abdome Imagem ESTADIAMENTO Questão de prova! O nome da cirurgia utilizada no tratamento de câncer de pâncreas é a cirurgia de Whipple (duodenopancreatectomia), e nessa técnica será retirado o duodeno pois ele está colado no pâncreas, o pâncreas e a vesícula biliar, e posteriormente serão necessários fazer os desvios do estômago e intestino. Importante! A cirurgia de Whipple só será utilizada em tumores de cabeça. Importante! Nos tumores de corpo e cauda é possível retirar apenas o corpo e a cauda, por vezes pode ser necessário retirar o baço, mas mantém a cabeça do pâncreas do paciente (corpo caudectomia). LAYANE SILVA Prótese biliar endoscópica Dilatação biliar endoscópica Através da CPRE, é possível colocar uma prótese de via biliar para desobstruir, pois a bile irá escorrer através da prótese, melhorando a icterícia, a digestão de gordura e o coagulograma - sendo um forma interessante de paliar a icterícia do paciente. Cerca de 20% dos tumores de cabeça são ressecáveis, e raramente os tumores de corpo e cauda são ressecáveis pelo diagnóstico tardio. TRATAMENTO Duodenopancreatectomia (Whipple) Tumores grandes, invadindo estruturas vizinhas Metástases à distância ou ascite Invasão de veia porta ou vasos mesentéricos superiores Coledocojejunostomia/colecistojejunostomia: icterícia e prurido Gastrojejunostomia Não são ressecáveis: Pacientes que tem ascite pressupõem-se que já metástase no peritônio. Tratamento: se o paciente é inoperável, é necessário resolver a icterícia no mínimo através de uma das técnicas abaixo: Lesões irressecáveis Uma outra forma de paliação seria pegar um pedaço do intestino acima da obstrução e abrir um buraco para drenar a bile direto para o intestino sem passar pelo pâncreas (anastomose biliodigestiva). Importante! Na paliação, é necessário garantir um bom controle de dor para os pacientes através de morfina ou até mesmo analgésicos múltiplos pelo acometimento do plexo celíaco. No entanto, o uso crônico de morfina causa constipação intestinal, sonolência, enjoo e emagrecimento. Em função disso, uma outra opção é a neurólise do plexo celíaco, na qual o radiologista ou médico intervencionista joga álcool absoluto com uma agulha no plexo celíaco, causando a morte do nervo que perde a condução nervosa. QT adjuvante FOLFIRINOX (Fluorouracil, Ácido folínico, Irinotecano, Oxaliplatina) Gencitabina com ou sem Capecitabina QT paliativa FOLFIRINOX FOLFIRI Todos os pacientes receberão quimioterapia adjuvante, sendo mais usado o protocolo FOLFIRINOX. A quimioterapia também pode ser utilizada de forma paliativa. Outras terapias LAYANE SILVA Gencitabina Nab-paclitaxel Olaparibe RT paliativa A radioterapia pode ser usada para paliar, a fim de reduzir a dor, principalmente em serviços que não tem o procedimento de neurólise disponível, assim pode-se encaminhar o paciente para radioterapia para queimar o nervo do plexo celíaco. Tumores de células de ilhotas Os tumores pancreáticos também podem surgir na parte endócrina. Podem ser funcionais (> 50%) ou não, e malignos (< 50%) ou não. Insulinoma (mais comum): são tumores de células beta, marcados pela tríade de Whipple (sintomas hipoglicemia + glicose < 50 mg/dl + melhora com glicose venosa) - nessa tríade de Whipple, apesar da melhora com glicose, se a causa não for solucionada, a glicose cai novamente, então o paciente tem hipoglicemias muito profundas e pode ser necessário o uso de glicose hipertônica em bomba de infusão contínua para evitar complicações da hipoglicemia como crise convulsiva; Gastrinoma: tumores de células gama e alfa 1, podem manifestar múltiplas úlceras pépticas porque a gastrina hiperestimula a produção de suco gástrico, causando gastrite muito intensa, causando a síndrome de Zollinger- Ellison - esta será controlada apenas com Omeprazol em doses altíssimas. Glucagonoma: tumores de células alfa 2, produtores de glucagon, manifestam hiperglicemia - quadro contrário do insulinoma - por isso, em pacientes jovens faz parte do diagnóstico de diabetes solicitar uma USG para afastar tumor. Tumor neuroendócrino: são tumores produtores de serotonina, que manifestam 4 sintomas que fazem parte da síndrome carcinóide: (1) vermelhidão no rosto do paciente que depois some, chamado de flush facial, (2) diarréia muito frequente, cerca de 30 evacuações/dia, a ponto de desidratar o paciente, (3) sibilância, e (4) lesão de válvula cardíaca. Esse quadro pode ser tratado com uso de Octreotide, que é um medicamento usado na HDA, cuja substância é muito similar e faz um bloqueio por competição. OUTROS TUMORES PANCREÁTICOS Importante! Por ser um tumor de baixo grau, raramente causa síndrome colinérgica, pois a serotonina é liberada em pequenas doses.