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Enfermagem e Ciência

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Indaial – 2022
CiênCia
Profª. Miriam Quadros de Oliveira
Profª. Talita Cristiane Sutter
1a Edição
EnfErmagEm E
Copyright © UNIASSELVI 2022
Elaboração:
Profª. Miriam Quadros de Oliveira
Profª. Talita Cristiane Sutter
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Impresso por:
O48e
Oliveira, Miriam Quadros de
Enfermagem e ciência. / Miriam Quadros de Oliveira; Talita 
Cristiane Sutter – Indaial: UNIASSELVI, 2022.
185 p.; il.
ISBN 978-65-5663-817-1
ISBN Digital 978-65-5663-818-8
1. Teorias da Enfermagem. - Brasil. I. Sutter, Talita Cristiane II. 
Centro Universitário Leonardo da Vinci.
CDD 610
Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao Livro Didático Enfermagem e Ciência, que 
trata de assuntos voltados às teorias da Enfermagem e ao mercado de trabalho de seus 
profissionais.
Na Unidade 1, elucidaremos a história da Enfermagem, com a perspectiva de 
analisar os acontecimentos que levaram ao seu surgimento, refletindo sobre os contextos 
vinculados à história da profissão, pois é importante pensarmos na Enfermagem como 
parte de um processo histórico, social, de educação, político e de gênero. Veremos a 
importância do exercício profissional e do Código de Ética de Enfermagem, buscando 
orientar sobre as atribuições de cada membro de uma equipe de Enfermagem, visando 
aos princípios, aos direitos, aos deveres, às proibições, às infrações e às penalidades 
relacionados ao trabalho de Enfermagem. Também apresentaremos as principais 
entidades de classe, que têm finalidade de nos representar legalmente. Por fim, faremos 
uma introdução sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), visando 
às fases que devem ser abordadas para a sua construção de forma sistematizada, 
privando a segurança e a qualidade no atendimento ao paciente que busca o serviço de 
saúde para sua recuperação e seu tratamento. 
Na Unidade 2, estudaremos as teorias da Enfermagem de Hoy, Handerson e 
Peplau. A teoria de Hoy Roy coloca a Enfermagem como uma profissão cujo foco são os 
cuidados de saúde centrados em processos de vida humana, visando à promoção da 
saúde da sociedade. Henderson defendia que uma ocupação que afeta a vida humana – 
nesse sentido, a profissão da Enfermagem deve ter suas funções esquematizadas, com 
base no ensino e na qualificação profissional. Por fim, a teoria de Peplau foca a profissão 
da Enfermagem como um processo de relação interpessoal, dividida fases: orientação, 
identificação, exploração e resolução.
E, por último, porém não menos importante, na unidade 3, estudaremos os 
pontos gerais do profissional de Enfermagem no mercado de trabalho, refletindo sobre 
os vínculos, a jornada de trabalho e o piso salarial, bem como sobre as dificuldades 
enfrentadas no dia a dia e na busca pela colocação nesse mercado.
Bons estudos!
Profª. Talita Cristiane Sutter
Profª. Miriam Quadros de Oliveira
APRESENTAÇÃO
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a 
você – e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, a UNIASSELVI disponibiliza materiais 
que possuem o código QR Code, um código que permite que você acesse um conteúdo 
interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, 
acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar essa 
facilidade para aprimorar os seus estudos.
GIO
QR CODE
Você lembra dos UNIs?
Os UNIs eram blocos com informações adicionais – muitas 
vezes essenciais para o seu entendimento acadêmico como 
um todo. Agora, você conhecerá a GIO, que ajudará você 
a entender melhor o que são essas informações adicionais 
e o porquê você poderá se beneficiar ao fazer a leitura 
dessas informações durante o estudo do livro. Ela trará 
informações adicionais e outras fontes de conhecimento que 
complementam o assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os 
acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. A partir 
de 2021, além de nossos livros estarem com um novo visual 
– com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a 
leitura –, prepare-se para uma jornada também digital, em que 
você pode acompanhar os recursos adicionais disponibilizados 
através dos QR Codes ao longo deste livro. O conteúdo 
continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada 
com uma nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo 
o espaço da página – o que também contribui para diminuir 
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por 
exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto 
de ações sobre o meio ambiente, apresenta também este 
livro no formato digital. Portanto, acadêmico, agora você tem a 
possibilidade de estudar com versatilidade nas telas do celular, 
tablet ou computador. 
Junto à chegada da GIO, preparamos também um novo 
layout. Diante disso, você verá frequentemente o novo visual 
adquirido. Todos esses ajustes foram pensados a partir de 
relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os 
materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, 
possa continuar os seus estudos com um material atualizado 
e de qualidade.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é uma 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
SUMÁRIO
UNIDADE 1 - CONTEXTUALIZAÇÃO, LEI DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL 
 E ETAPAS DO CUIDADO DO PROCESSO EM ENFERMAGEM .......................... 1
TÓPICO 1 - A CONSOLIDAÇÃO DA ENFERMAGEM COMO CIÊNCIA .....................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3
2 HISTÓRIA DA ENFERMAGEM ..............................................................................................3
3 A ENFERMAGEM NO BRASIL ..............................................................................................8
RESUMO DO TÓPICO 1 ......................................................................................................... 13
AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................14
TÓPICO 2 - EXERCÍCIO PROFISSIONAL E CÓDIGO DE ÉTICA DE ENFERMAGEM ............ 17
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 17
2 LEI DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL E CÓDIGO DE ÉTICA DE ENFERMAGEM ................ 17
2.1 CÓDIGO DE ÉTICA DE ENFERMAGEM .............................................................................................22
2.1.1 Princípios fundamentais ...........................................................................................................22
2.1.2 Os direitos ....................................................................................................................................23
2.1.3 Os deveres ...................................................................................................................................24
2.1.4 Proibições ....................................................................................................................................262.1.5 Infrações e penalidades ........................................................................................................... 27
3 O PAPEL DAS ENTIDADES DE CLASSE .......................................................................... 29
3.1 CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN) .....................................................................30
3.2 CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM (COREN) ..................................................................30
3.3 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM (ABEN) .............................................................30
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................ 32
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 33
TÓPICO 3 - INTRODUÇÃO À SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE 
 ENFERMAGEM (SAE) ....................................................................................... 35
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 35
2 A CIÊNCIA DO CUIDADO .................................................................................................. 35
3 METODOLOGIA SAE ......................................................................................................... 45
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................ 49
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 53
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 54
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 56
UNIDADE 2 — TEORIAS DE ENFERMAGEM ........................................................................ 63
TÓPICO 1 — TEORIAS DA ENFERMAGEM DE FLORENCE, HORTA E OREM ....................... 65
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 65
2 TEORIAS DE FLORENCE NIGHTINGALE E WANDA HORTA ............................................ 66
2.1 TEORIA DE FLORENCE NIGHTINGALE ............................................................................................66
2.2 TEORIA DE WANDA HORTA ...............................................................................................................70
3 TEORIA DE DOROTHEA OREM ......................................................................................... 80
RESUMO DO TÓPICO 1 .........................................................................................................87
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 88
TÓPICO 2 - TEORIAS DE ENFERMAGEM DE ROY, HENDERSON E PEPLAU ...................... 91
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 91
2 TEORIAS DE CALLISTA ROY E VIRGÍNIA HENDERSON ................................................... 91
2.1 TEORIA DA CALLISTA ROY ................................................................................................................ 91
2.2 TEORIA DE VIRGÍNA HENDERSON ..................................................................................................93
3 TEORIA DE HILDEGARD PEPLAU .................................................................................... 94
RESUMO DO TÓPICO 2 .........................................................................................................96
AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................97
TÓPICO 3 - TEORIAS DE ENFERMAGEM DE ABDELLAH, ROGERS, WATSON 
 E LEININGER .....................................................................................................99
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................99
2 TEORIAS DE FAYE E ROGERS ...........................................................................................99
2.1 TEORIA DE FAYE ABDELLAH ...........................................................................................................99
2.2 TEORIA DE MARTHA ROGERS.........................................................................................................101
3 TEORIAS DE JEAN WATSON E MADELEINE LEININGER ...............................................102
3.1 TEORIA DE JEAN WATSON ..............................................................................................................102
3.2 TEORIA DE MADELEINE LEININGER .............................................................................................104
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................107
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................... 110
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................111
REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 113
UNIDADE 3 — PERSPECTIVAS PROFISSIONAIS .............................................................. 119
TÓPICO 1 — O PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM NO MERCADO DE TRABALHO ........... 121
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 121
2 HABILIDADES E COMPETÊNCIAS DO ENFERMEIRO ....................................................124
3 ENFERMEIRO COMO GESTOR DOS SERVIÇOS DE SAÚDE ...........................................128
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................... 137
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................138
TÓPICO 2 - ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL NA PESQUISA E NA EDUCAÇÃO .................. 141
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 141
2 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA ÁREA DA PESQUISA ..................................................142
3 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA ÁREA EDUCATIVA ......................................................145
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................152
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................153
TÓPICO 3 - INDICADORES DA EDUCAÇÃO CONTINUADA EM ENFERMAGEM ...............155
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................155
2 INDICADORES COMO FERRAMENTA PARA CAPACITAÇÃO E TREINAMENTO ............156
3 ROTINAS E FLUXOS DA EDUCAÇÃO CONTINUADA EM ENFERMAGEM ....................... 161
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................169
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................... 174
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 175
REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 177
1
UNIDADE 1 - 
CONTEXTUALIZAÇÃO, 
LEI DO EXERCÍCIO 
PROFISSIONAL E 
ETAPAS DO CUIDADO 
DO PROCESSO EM 
ENFERMAGEMOBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer sobre a história da enfermagem;
• conhecer sobre a história da enfermagem no Brasil;
• conhecer a lei do exercício profissional com base no código de ética brasileiro;
• conhecer a ciência do cuidado;
• conhecer a contextualização sobre SAE;
• conhecer os processos para implantação da SAE.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com 
o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – A CONSOLIDAÇÃO DA ENFERMAGEM COMO CIÊNCIA
TÓPICO 2 – EXERCÍCIO PROFISSIONAL E CÓDIGO DE ÉTICA DE ENFERMAGEM
TÓPICO 3 – INTRODUÇÃO À SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
A CONSOLIDAÇÃO DA ENFERMAGEM 
COMO CIÊNCIA
1 INTRODUÇÃO
Antes de haver ciência, o ideal da Enfermagem já fazia parte da sociedade, pela 
possibilidade de confortar o outro, afastá-lo da dor e ajudá-lo a se curar por intermédio 
de cuidados. As habilidades para alcançar tal ideal surgiram a partir do conhecimento 
empírico e das superstições, a ciência veio mais tarde (PAIXÃO, 1979).
Neste tópico, elucidaremos a história da Enfermagem, na perspectiva de 
analisar os acontecimentos que levaram a seu surgimento. A partir dessas colocações, 
podemos refletir sobre os contextos vinculados à história da profissão, pois, além da 
cronologia dos acontecimentos, é importante pensarmos na Enfermagem como parte 
de um processo histórico, social, de educação, político e de gênero.
TÓPICO 1 - UNIDADE 1
2 HISTÓRIA DA ENFERMAGEM
O livro História da Enfermagem, de Waleska Paixão, cuja primeira edição foi 
publicada em 1951, é o mais reconhecido no Brasil sobre o assunto. Nele, constam os 
fatos relativos à evolução da Enfermagem no mundo desde antes de Cristo, finalizando 
com a história da Enfermagem no Brasil. A autora afirma que a religião teve forte 
influência na profissão:
O tratamento do enfermo depende estreitamente do conceito de 
saúde e de doença. Depende, porém, ainda mais, dos sentimentos 
de humanidade que nos levam a servir a nosso semelhante, 
principalmente quando o vemos sofredor e incapaz de prover as 
próprias necessidades.
Eis porque, nas mais remotas eras, podemos imaginar a mãe como 
primeira enfermeira da família. 
Entretanto, a convicção de que as doenças eram um castigo de 
Deus, ou efeitos do poder diabólico exercido sobre os homens, le-
vou os povos primitivos a recorrer a seus sacerdotes ou feiticeiros, 
acumulando estes as funções de médico, farmacêutico e enfermeiro 
(PAIXÃO, 1979, p. 19).
A enfermagem teve sua origem antes de ser institucionalizada na Inglaterra, 
pois estava presente já na comunidade tribal primitiva, pelo instinto que o ser humano 
possui de cuidar, sendo uma garantia de conservação da própria espécie. “Só a partir 
da institucionalização, seu saber foi organizado e sistematizado, dando origem à 
enfermagem moderna” (GEOVANINI, 2019, p. 26).
4
Florence Nightingale (1820-1910) foi uma destacada enfermeira 
inglesa, que criou a primeira Escola de Enfermagem da Inglaterra 
no Hospital Saint Thomas, em Londres. Recebeu a Ordem do Mérito, em 
1901, durante a Era Vitoriana.
Para esclarecer a opinião pública e mobilizá-la a seu favor, em 1858, Flo-
rence escreveu dois livros: Administração Hospitalar do Exército e Comentá-
rios sobre Questões Relativas à Saúde. Com as contribuições necessárias, as 
reformas foram realizadas e um hospital foi construído.
Em 1860, surgiu a Escola de Enfermagem do Hospital Saint Thomas, em 
Londres. Com o trabalho reconhecido, em 1883, Florence recebeu da 
rainha Vitória, a Cruz Vermelha Real e, em 1901, se tornou a primeira 
mulher a receber a Ordem do Mérito. O Dia Internacional da Enfermagem 
é celebrado no seu aniversário – 12 de maio.
FONTE: <https://bit.ly/34gqVSX>. Acesso em: 20 set. 2021.
NOTA
A própria Florence Nightingale, que proporcionou as bases científicas para a 
Enfermagem profissional, foi influenciada por espaços de cuidado de Enfermagem 
leigos, sendo, segundo Padilha e Mancia (2005, p. 723):
Fundamentado nos conceitos religiosos de caridade, amor ao pró-
ximo, doação, humildade, e também pelos preceitos de valorização 
do ambiente adequado para o cuidado, divisão social do trabalho em 
enfermagem e autoridade sobre o cuidado a ser prestado. O cuida-
do dos enfermos foi uma das muitas formas de caridade adotadas 
pela igreja e que se conjuga à história da enfermagem, principal-
mente após o advento do cristianismo. Os ensinamentos de amor e 
fraternidade transformaram não somente a sociedade, mas também 
o desenvolvimento da enfermagem, marcando, ideologicamente, a 
prática de cuidar do outro e modelando comportamentos que aten-
dessem a esses ensinamentos.
O ato de cuidar era predominantemente feminino, e teve início com a difusão do 
cristianismo em Roma, quando as mulheres se dedicaram a cuidar de pobres e enfermos 
(PAIXÃO, 1979).
Para um melhor entendimento da evolução histórica da Enfermagem, Rodrigues 
(2001) afirma que podemos situá-la em antes, durante e depois da Idade Média, pois 
isso possibilita acompanhar, de forma cronológica, a sua evolução (Quadro 1).
5
QUADRO 1 – EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM
Período Descrição da história
Antes da Idade 
Média
Antes desse período, a prática era desenvolvida pelas mulheres na 
Sociedade Primitiva e por escravos, sacerdotes e também mulheres 
na Sociedade Grega. Nos primitivos, a concepção de saúde/doença 
estava muito mais ligada ao sobrenatural, entendida como uma ação 
de espíritos; com os gregos, estava ligada a alterações nos humores, 
relacionando-se a causas objetivas, e não apenas sobrenaturais.
Durante a Idade 
Média
Com o advento do cristianismo e o poderio da igreja, a prática 
da enfermagem sofreu profundas transformações. A concepção 
de saúde/doença era relacionada ao aspecto religioso, em que a 
subalternidade do ser humano era total a um Deus misericordioso, 
mas que também se manifesta como castigador. Assim, à saúde, 
atribuiu-se um sentido de agrado a Deus, passando a doença a ser 
tomada como um castigo.
Nesse cenário, os executores do que poderia estar relacionado com 
um trabalho de Enfermagem eram pessoas ligadas à Igreja ou leigas 
que tinham um desenvolvido espírito de caridade. Afinal, nesse 
novo enfoque, aquele que cuidava dos doentes tinham maiores 
chances de se aproximar de Deus através da caridade.
Após a Idade 
Média
O modelo religioso sofreu algumas alterações na transição do feu-
dalismo para o capitalismo, uma vez que o primeiro já não era capaz 
de propiciar a organização do espaço hospitalar, modificado com 
esse novo modo de produção. O hospital, que era um lugar em que 
as pessoas iam apenas para esperar pela sua morte, transformou-
-se em um espaço de cura. O modelo religioso de Enfermagem 
emergiu no mundo cristão, atravessou a Idade Média e se defron-
tou com o capitalismo na Inglaterra, no final do século XVIII, e, com 
a ascensão da burguesia e sua instalação como classe social domi-
nante, deu o significado de arte ou vocação à prática de Enferma-
gem, tornando possível o treinamento de alguns agentes. Portanto, 
no capitalismo, o modelo religioso foi substituído pelo vocacional.
FONTE: Adaptado de Silva (1989 apud RODRIGUES, 2001, p. 77-78); Almeida (1989 apud RODRIGUES, 2001, p. 78)
Como podemos observar no Quadro 1, a concepção de saúde e doença em cada 
época influenciou o modo como o cuidado era visto. Na sociedade primitiva, essa con-
cepção esteve ligada ao sobrenatural. Durante a Idade Média, teve forte influência da 
igreja pelo Cristianismo, sendo a saúde considerada um agrado de Deus; já com o ca-
pitalismo, esse modelo religioso se modificou, pois o modo de produção afetou a orga-
nização do ambiente hospitalar,possibilitando significar a Enfermagem como vocação.
6
Aos poucos, o tipo de cuidado centrado na caridade e na religião evoluiu para a 
profissionalização, quando os enfermeiros foram capacitados cientificamente para apli-
car cuidados de Enfermagem. Na segunda metade do século XIX, Florence Nightingale 
contribuiu para essa transformação (BELLATO; PASTI; TAKEDA, 1997).
Filha de pais ingleses, ricos, nasceu em Florença – donde seu nome 
(1820). Sua cultura estava muito acima do comum entre as moças do 
seu tempo. Conhecia grego e latim, falava diversas línguas e estudou 
bem matemática. Isso lhe foi de grande utilidade na imensa reforma 
que devia realizar em seu próprio país e se estenderia rapidamente 
a outras nações. Sua tendência para tratar enfermos manifestou-se 
desde a infância: crianças e animais doentes recebiam seus solícitos 
e habilidosos cuidados (PAIXÃO, 1979, p. 66).
Desde os 24 anos de idade, Florence decidiu trabalhar em hospitais, sendo 
impedida por sua mãe. Entretanto, não desistiu de sua vocação e, aos 31 anos, conseguiu 
entrar em estágios na Instituição do Kaiserswerth, que contava com um hospital de 100 
leitos, e também realizava outras práticas de assistência (PAIXÃO, 1979). 
Fazendo parte da elite econômica e social e amparada pelo poder 
político, Florence – que já possuía algum conhecimento de Enferma-
gem, adquirido com as diaconistas de Kaiserwerth e que, segundo a 
historiografia, era portadora de grande aptidão vocacional, para tratar 
doentes – foi a percursora dessa nova Enfermagem que, como a Me-
dicina, encontrava-se vinculada à política e à ideologia da sociedade 
capitalista (GEOVANINI, 2019, p. 48).
Florence ficou conhecida principalmente após se voluntariar na Guerra da 
Crimeia, que aconteceu durante a Revolução Industrial, enquanto a Inglaterra capitalista 
do século XVIII tentou conter as investidas expansionistas da Rússia, que, por sua vez, 
ameaçava o imperialismo britânico (GEOVANINI, 2019). Em 1854, com auxílio de irmãs 
anglicanas e católicas, “organizou um hospital de 4.000 soldados internos, baixando a 
mortalidade local de 40% para 2%” (PADILHA; MANCIA, 2005, p. 725). 
FIGURA 1 – FLORENCE NIGHTINGALE
FONTE: <https://bit.ly/3t9fdUR>. Acesso em: 19 set. 2021.
7
FIGURA 2 – O HOSPITAL MAIS ANTIGO DO MUNDO EM FLORENÇA, NA ITÁLIA
FONTE: <https://bit.ly/3eZufnz>. Acesso em: 19 set. 2021.
Em Florença, na Itália, desde 1288, está localizado o hospital mais antigo do 
mundo em atividade até hoje: o hospital de Santa Maria Nuova, que fica na Piazza Di 
Santa Maria Nuova, em pleno centro histórico de Florença.
Segundo Paixão (1979), Florence previa deficiências de coisas necessárias, 
como roupas, remédios, entre outros.
Apesar do excessivo trabalho das enfermeiras, não descuidou nada 
do que reputava indispensável a uma boa enfermagem. Organizou a 
lavanderia e a cozinha, proporcionou livros e distrações aos conva-
lescentes, e teve a satisfação de ver a mortalidade baixar a 2%. E esse 
o mais eloquente comentário de seu trabalho. Para vermos quanto 
havia a realizar, basta dizer que antes de sua chegada lavavam-se 
somente seis camisas, em um mês! (PAIXÃO, 1979, p. 60).
Além dos hábitos de higiene pessoal e do ambiente, ela organizou todo o hospital, 
os materiais e os métodos de trabalho, reivindicando uma alimentação adequada para 
os feridos, proporcionando bem-estar para a recuperação dos que estavam sob seus 
cuidados (PADILHA; MANCIA, 2005).
 “Com o prêmio recebido do governo inglês por este trabalho, fundou a primeira 
escola de enfermagem no Hospital St. Thomas, Londres, em 24/06/1860” (PADILHA; 
MANCIA, 2005, p. 725). 
Florence racionalizou a prática da enfermagem e preocupou-se com bases 
científicas. As condições dos hospitais naquela época eram extremamente precárias, 
praticamente sem preocupação com higiene ou organização de trabalho (BELLATO; 
PASTI; TAKEDA, 1997).
Nightingale encontrou o hospital com condições precárias para a 
promoção da cura devido a pouca higiene e grande promiscuidade aí 
presentes, o que favoreceu a entrada da enfermagem em cena, numa 
8
forma de buscar a normalização e a regulamentação, bem como a 
organização do espaço terapêutico do doente. Para tanto, Florence 
legitima uma hierarquia institucional, preparando enfermeiras para 
ocuparem posições de chefia em enfermarias e superintendência, 
bem como treinando aprendizes para o cuidado propriamente dito, 
as primeiras sendo denominadas  lady-nurses  por possuírem alta 
posição social, e as que prestavam o cuidado direto as nurses,  de 
nível social inferior (BELLATO; PASTI; TAKEDA, 1997, p. 77).
Nesse sentido, ela legitimou e organizou a hierarquia e a disciplina no trabalho 
de Enfermagem, “trazidas da sua alta classe social, da organização religiosa e militar, 
materializando as relações de dominação-subordinação, reproduzindo na enfermagem 
as relações de classe social. Introduziu o modelo vocacional ou a arte da enfermagem” 
(ALMEIDA, 1979 apud RODRIGUES, 2001, p. 78).
Saiba mais sobre a história de Florence Nightingale, pioneira da Enfermagem 
moderna, no seguinte vídeo: https://bit.ly/3qXwpK0.
NOTA
Desde Florence Nightingale, a Enfermagem progrediu como profissão e se 
capacitou para desenvolver o conhecimento científico, sem se esquecer do seu lado 
humanitário de cuidado com o próximo, visando ao bem-estar familiar como parte do 
processo de recuperação da saúde.
3 A ENFERMAGEM NO BRASIL
Os nativos brasileiros, encontrados pelos portugueses na época da colonização, 
tinham sua própria cultura de cuidados. Durante os anos de Brasil Colônia, Portugal 
trouxe seus hábitos, estilos de vida e cuidados aos enfermos (PORTO, 2009).
Casas de caridades eram comuns em Portugal, assim como em outros países, 
sendo conhecidas por Santas Casas, as quais, durante a colonização, também foram 
abertas no Brasil. Como, na época, havia pouca divulgação dos conhecimentos 
científicos e pela própria noção que se tinha da Enfermagem, as exigências para as 
funções dos enfermeiros eram extremamente simplificadas (PAIXÃO, 1979). 
Entre 1864 e 1870, a enfermeira Ana Néri partiu para a guerra do Paraguai e retornou 
do conflito sendo homenageada no Brasil, reconhecida em 1919 pela “Liga das Sociedades 
da Cruz Vermelha nas Américas como a Pioneira da Enfermagem no Brasil e Precursora da 
Cruz Vermelha nas Américas” (PORTO, 2009, p. 7). Para entendermos melhor, Ana Néri:
9
Nasceu Ana Justina Ferreira na cidade de Cachoeira, na Província 
da Bahia, aos 13 de dezembro de 1814. Casou-se com o oficial da 
armada Isidoro Antônio Neri, tendo enviuvado aos 30 anos. Teve três 
filhos, dos quais dois médicos militares e um oficial do exército. Em 
1865, entrou o Brasil em guerra com o Paraguai. Sem hesitar, Ana 
Neri escreveu ao Presidente da Província oferecendo seus serviços 
ao exército, [...] veneranda senhora, na idade de 51 anos, se apresenta 
generosamente para servir os feridos (PAIXÃO, 1979, p. 108).
A Escola Anna Nery foi fundada em 1923 e é considerada a primeira Escola de 
Enfermagem do Brasil, sendo pioneira por funcionar sob orientação e organização de 
enfermeiras (KLETEMBERG; SIQUEIRA, 2003).
FIGURA 3 – ANA NERY, A PRIMEIRA ENFERMEIRA DO BRASIL
FONTE: <https://bit.ly/337Rj11>. Acesso em: 19 set. 2021.
No Brasil, as raízes da implantação da Enfermagem, que chamamos de moderna, 
são norte-americanas, por mais que os contextos político e de saúde brasileiros fossem 
distintos dos norte-americanos. Segundo Angerami e Steagall-Gomes (1996, p. 8):
A enfermagem moderna se desenvolveu num amplo movimento de 
saúde pública, principalmente voltado para a questão do saneamento 
dos portos e núcleos urbanos, que mereceram atenção especial e ime-
diata por parte do governo brasileiro, porquanto eram constantes as 
advertências dos países que comercializavam com o Brasil, de parar as 
negociações, caso persistissem as constantes epidemias e endemias. 
Nesse contexto, criou-se o Departamento Nacional de Saúde Pública. 
Carlos Chagas, conhecendoo trabalho sanitário que era desenvolvido 
por enfermeiras nos Estados Unidos, convenceu o governo brasileiro a 
criar a Escola de Enfermagem Anna Nery no Rio de Janeiro, em 1923.
Os programas de combate às endemias foram iniciados, sendo esses cuidados 
voltados ao isolamento de pacientes e ao acompanhamento deles. O Quadro 2 demonstra 
a evolução histórica da Enfermagem no Brasil ao longo das décadas.
10
QUADRO 2 – EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM NO BRASIL – DÉCADAS DE 1930 A 1990
Final da 
década de 
1930
O mercado de trabalho de Enfermagem estava exclusivamente 
direcionado para a Saúde Pública, tendo sido ampliados diversos
serviços nacionais ligados às grandes endemias, especialmente as 
que atingiam a população rural.
Décadas de 
1940 e 1950
Caracterizavam-se por um processo acelerado da industrialização e 
urbanização, exigindo expansão do atendimento à Saúde, mecanis-
mos de inovação dos hospitais e expansão da rede previdenciária. 
Nesse período, também foram criados os hospitais universitários. 
Essas transformações na sociedade provocaram mudanças no tra-
balho de Enfermagem, que se direcionava para administração dos 
serviços hospitalares, criando um impacto nos serviços de saúde 
pública, relegados agora a segundo plano.
O ensino de Enfermagem teve, nas décadas de 1940 e 1950, uma 
expansão, atendendo ao aumento da demanda desses profissionais 
que ocorreu principalmente pelo ritmo da urbanização existente e 
pelo processo de modernização dos hospitais. No final da década de 
1950, havia em todo país 39 escolas de Enfermagem e 67 cursos de 
auxiliares de Enfermagem. Esse crescimento gerou a necessidade 
de disciplinamento do exercício profissional, o que ocorreu com a 
promulgação da Lei nº 2.604, de 17 de setembro de 1955.
Década de 
1960
Observa-se, ao lado do declínio relativo do subsetor da saúde pública, 
o crescimento do subsetor da medicina previdenciária, que já se 
ampliava desde o final dos anos 1950. Em agosto de 1962, ocorreram 
mudanças fundamentais no curso de formação de Enfermagem.
Década de 
1970 e 1980
Nas décadas de 1970 e 1980, é possível identificar alguns fatos que 
firmaram a profissão no cenário nacional. Destacam-se os seguintes 
aspectos: a aprovação da Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, que 
regulamentou o exercício da Enfermagem; o crescimento do número 
de Escolas de Enfermagem e de cursos para formação de profissional 
técnico e auxiliar; o aumento da demanda de candidatos do sexo 
masculino para os cursos de Enfermagem; a entrada formal dos 
enfermeiros na carreira universitária; a criação dos cursos de pós-
graduação senso strictu (mestrado e doutorado), que aceleraram a 
produção do conhecimento na área da Enfermagem.
Década de 
1990
O Brasil chega à década de 1990 num quadro de saúde, cuja transição 
epidemiológica e demográfica foi caracterizada por um aumento de 
casos de algumas doenças transmissíveis, ressurgimento de outras 
(dengue, febre amarela e cólera), altas taxas de doenças crônico-de-
generativas e manutenção das carências nutricionais infantis e de 
adultos. Apresentou, ainda, altos índices de mortalidade e morbidade 
por causas externas, como acidentes de trânsito, do trabalho e ho-
micídios, e outras causas decorrentes da violência urbana. A prática
11
FONTE: Adaptado de Angerami; Steagall-Gomes (1996, p. 9-13)
FIGURA 4 – MUSEU NACIONAL DA ENFERMAGEM ANA NÉRI, EM SALVADOR, BAHIA
FONTE: <https://bit.ly/34meh4V>. Acesso em: 19 set. 2021.
sanitária do país passa por uma redefinição, considerando que o mo-
delo existente já não respondia à demanda da população. Esse mo-
vimento tem seu ponto culminante com a implantação do Sistema 
Único de Saúde (SUS) e a municipalização dos serviços de saúde.
Outro avanço para a história da Enfermagem brasileira foi “a inauguração, 
em maio de 2010, do Museu Nacional da Enfermagem Ana Néri, em Salvador, Bahia, 
provavelmente com base em três eixos: História da Enfermagem Internacional e 
Nacional, e a trajetória de vida de Anna Justina Ferreira Nery” (PORTO, 2009, p. 8).
Saiba mais sobre a história de Ana Néri no filme Brava gente – A história de 
Ana Nery no vídeo a seguir: https://bit.ly/3HK2E66.
DICA
Embora, nesse momento, não possamos abranger toda a história da Enferma-
gem no Brasil, por apresentar diversas conjunturas, consideramos importante escla-
recer o contexto da época. Desse modo, foi possível evidenciar que, durante as crises 
epidêmicas no país, a mediação do Estado foi primordial, com novos modos de pensar 
12
e mecanismos de controle postos em prática. A institucionalização do ensino de Enfer-
magem foi primordial para esse campo de atuação, assim como para o reconhecimento 
da profissão pelo Estado em nível formal (KLETEMBERG; SIQUEIRA, 2003).
Atualmente, pela recente crise pandêmica, decorrente da Covid-19 no Brasil e 
no mundo, a profissão de Enfermagem voltou a ser compreendida como eixo central de 
cuidados nesse contexto, sendo evidenciado por todos a necessidade da sua valorização, 
tanto no caráter humanitário pelas condições de trabalho, psicológicas e emocionais 
envolvidas quanto pelo reconhecimento profissional e por uma remuneração adequada 
a essa classe voltada ao cuidado humano.
13
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Desde a comunidade tribal primitiva, havia o instinto do ser humano em cuidar do 
próximo.
• O ato de cuidar, durante a Idade Média, era predominantemente feminino, voltado 
para os pobres e enfermos, tendo seu início com a difusão do cristianismo em Roma 
e sendo extremamente ligado à religião.
• Após a Idade Média, com o advento do capitalismo, o modelo religioso foi substituído 
pelo vocacional.
• Florence Nightingale foi quem proporcionou as bases científicas para a Enfermagem 
profissional na Inglaterra do século XIX.
• No Brasil, a enfermeira Ana Néri foi reconhecida pelo seu trabalho na guerra do 
Paraguai e, em 1923, a primeira Escola de Enfermagem do país foi inaugurada com 
o seu nome.
• As epidemias, no Brasil, tiveram forte influência para o desenvolvimento da 
Enfermagem na área de Saúde Pública.
• Com a industrialização e a urbanização do Brasil, houve a expansão do atendimento 
à saúde, com a inovação dos hospitais e a expansão da rede previdenciária; assim, o 
trabalho de Enfermagem passou a englobar a administração dos serviços hospitalares.
RESUMO DO TÓPICO 1
14
1 Florence Nightingale ficou conhecida por atuar na Guerra da Crimeia, conquistando 
a redução da taxa de mortalidade de 40% a 2% em um hospital com 4 mil soldados. 
Disserte sobre as providências que ela, em conjunto com outras mulheres, tomou 
para que isso fosse possível.
2 Durante a Idade Média, com o advento do cristianismo e o poderio da igreja, a prática 
da Enfermagem sofreu profundas transformações. A concepção de saúde e doença 
da época foi influenciada diretamente nesse contexto. Disserte sobre essa concepção 
e como a Enfermagem era vista nesse período.
3 A Escola Anna Nery é considerada, por muitos na literatura, a primeira escola de 
Enfermagem do Brasil. Sobre Ana Néri e sua escola, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Ana Néri ficou conhecida por atuar na Guerra da Crimeia, aos seus 51 anos, e 
voltar do conflito para o país.
b) ( ) A escola foi fundada em 1923, mesmo ano em que ela foi homenageada, sendo 
reconhecida, pela Liga das Sociedades da Cruz Vermelha nas Américas, como a 
Pioneira da Enfermagem no Brasil.
c) ( ) A criação da escola teve influência de Carlos Chagas, que convenceu o governo 
brasileiro, por estar preocupado com as epidemias que ocorriam no Brasil.
d) ( ) A escola Anna Nery funcionava sob orientação e organização de médicos.
4 As casas de caridade, também conhecidas por Santas Casas, foram instituídas no 
Brasil Colônia, sendo muito populares com o passar dos anos. Considerando o exer-
cício profissional da Enfermagem nessas instituições, classifique V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas:
( ) De forma simplificada, pois havia poucadivulgação dos conhecimentos científicos.
( ) Com excelência técnico-científica, pois as enfermeiras já tinham formação 
acadêmica.
( ) Somente era realizado por religiosas sem conhecimento de Enfermagem.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) V – V – F.
d) ( ) F – F – V.
AUTOATIVIDADE
15
5 Os programas de combate às endemias foram iniciados com cuidados voltados ao 
isolamento e ao acompanhamento dos pacientes. De acordo com a evolução histórica 
da Enfermagem no Brasil relativa à saúde pública, analise as sentenças a seguir:
( ) No final dos anos 1930, o mercado de trabalho de Enfermagem estava exclusivamente 
direcionado para a saúde pública, tendo sido ampliados diversos serviços nacionais 
ligados às grandes endemias, especialmente aquelas que atingiam a população rural.
( ) Entre as décadas de 1940 a 1950, houve mudanças no trabalho de Enfermagem, 
que se direcionava para administração dos serviços públicos, promovendo ênfase 
nos serviços de saúde pública.
( ) A partir década de 1970, observa-se, ao lado do declínio relativo do subsetor da 
saúde privada, o crescimento do subsetor da medicina previdenciária.
( ) O Brasil chegou à década de 1990 num quadro de saúde cuja transição epidemio-
lógica e demográfica foi caracterizada por uma diminuição de casos de doenças 
transmissíveis.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença I está correta.
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
16
17
EXERCÍCIO PROFISSIONAL E CÓDIGO DE 
ÉTICA DE ENFERMAGEM
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, refletiremos acerca do respaldo legal do exercício profissional da 
Enfermagem, no que abrange a habilitação das categorias na prática do serviço em 
saúde, assim como os fundamentos e os princípios da Enfermagem instituídos no 
Código de Ética, com o objetivo conhecer e explorar a lei do exercício profissional, que, 
hoje, regulamenta o exercício profissional de Enfermagem no Brasil.
Além disso, buscaremos orientar sobre as atribuições de cada membro que 
compõe a equipe de enfermagem, visando a apresentar os princípios, os direitos, os 
deveres, as proibições, as infrações e as penalidades, para atuação integral no cuidado 
ao paciente, desde a prevenção até a sua reabilitação. Também apresentaremos as 
principais entidades de classe, cuja finalidade é nos representar legalmente. 
UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 
2 LEI DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL E CÓDIGO DE ÉTICA 
DE ENFERMAGEM
O exercício profissional da Enfermagem foi regulamentado por meio da Lei nº 
7.498/1986 (COFEN, 1986), em todo o território nacional. A lei respalda o profissional 
enfermeiro em sua prática, seguindo os seguintes as seguintes disposições:
• A Enfermagem e suas atividades auxiliares somente podem 
ser exercidas por pessoas legalmente habilitadas e inscritas no 
Conselho Regional de Enfermagem com jurisdição na área onde 
ocorre o exercício.
• A Enfermagem é exercida privativamente pelo Enfermeiro, pelo 
Técnico de Enfermagem, pelo Auxiliar de Enfermagem e pela 
Parteira, respeitados os respectivos graus de habilitação.
• O planejamento e a programação das instituições e serviços de 
saúde incluem planejamento e programação de Enfermagem.
• A programação de Enfermagem inclui a prescrição da assistência 
de Enfermagem (COFEN, 1986, s. p.).
No Brasil, a Enfermagem é exercida por diferentes categorias profissionais, e 
cada uma possui complexidades diferentes em sua prática, assim como a concessão da 
habilitação para o exercício profissional de forma específica em cada caso.
A lei do exercício profissional também inclui, em suas normativas, a descrição 
das categorias de Enfermagem, conforme as especificações descritas a seguir.
18
Art. 6º São enfermeiros:
I- O titular do diploma de enfermeiro conferido por instituição de ensino, nos termos da lei;
II- O titular do diploma ou certificado de obstetriz ou de enfermeira obstétrica, 
conferidos nos termos da lei;
III- O titular do diploma ou certificado de Enfermeira e a titular do diploma ou 
certificado de Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz, ou equivalente, conferido 
por escola estrangeira segundo as leis do país, registrado em virtude de acordo 
de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como diploma de Enfermeiro, de 
Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz;
IV- Aqueles que, não abrangidos pelos incisos anteriores, obtiverem título de 
Enfermeiro conforme o disposto na alínea “d” do Art. 3º do Decreto nº 50.387, de 
28 de março de 1961.
Art. 7º São Técnicos de Enfermagem:
I- O titular do diploma ou do certificado de Técnico de Enfermagem, expedido de 
acordo com a legislação e registrado pelo órgão competente;
II- O titular do diploma ou do certificado legalmente conferido por escola ou curso 
estrangeiro, registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado 
no Brasil como diploma de Técnico de Enfermagem.
Art. 8º São Auxiliares de Enfermagem:
I- O titular do certificado de Auxiliar de Enfermagem conferido por instituição de 
ensino, nos termos da Lei e registrado no órgão competente;
II- O titular do diploma a que se refere a Lei nº 2.822, de 14 de junho de 1956;
III- O titular do diploma ou certificado a que se refere o inciso III do Art. 2º da Lei nº 
2.604, de 17 de setembro de 1955, expedido até a publicação da Lei nº 4.024, de 
20 de dezembro de 1961;
IV- O titular de certificado de Enfermeiro Prático ou Prático de Enfermagem, expedido 
até 1964 pelo Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina e Farmácia, do Ministério 
da Saúde, ou por órgão congênere da Secretaria de Saúde nas Unidades da Federa-
ção, nos termos do Decreto-lei nº 23.774, de 22 de janeiro de 1934, do Decreto-lei nº 
8.778, de 22 de janeiro de 1946, e da Lei nº 3.640, de 10 de outubro de 1959;
V- O pessoal enquadrado como Auxiliar de Enfermagem, nos termos do Decreto-lei 
nº 299, de 28 de fevereiro de 1967;
VI- O titular do diploma ou certificado conferido por escola ou curso estrangeiro, 
segundo as leis do país, registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural 
ou revalidado no Brasil como certificado de Auxiliar de Enfermagem.
Art. 9º São Parteiras:
I- A titular de certificado previsto no Art. 1º do Decreto-lei nº 8.778, de 22 de janeiro 
de 1946, observado o disposto na Lei nº 3.640, de 10 de outubro de 1959;
19
II- A titular do diploma ou certificado de Parteira, ou equivalente, conferido por 
escola ou curso estrangeiro, segundo as leis do país, registrado em virtude de 
intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil, até 2 (dois) anos após a publicação 
desta Lei, como certificado de Parteira. 
FONTE: COFEN – CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe 
sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem e dá outras providências. Disponível em: https://bit.
ly/3qTzRpd. Acesso em: 19 jun. 2021.
A Lei nº 3.640, de 10 de outubro de 1959 (BRASIL, 1959), sancionou em 
normativa o prazo de cinco anos para os profissionais, que estejam em atividades 
nos hospitais exercendo serviços de Enfermagem e parteiras, realizarem o 
exame de habilitação. Nesse caso, a partir de 1964, não era possível exercer a 
prática da Enfermagem sem ter o diploma ou certificado de enfermeiro. Assim, 
nesse momento, a Enfermagem começou a explorar cientificamente mais 
especialidades, possibilitando um aumento de mercado de trabalho.
Em 2019, Projeto de Lei nº 912 foi apresentado no Congresso Nacional para 
a regulamentação da atividade de parteira tradicional no Brasil. Tal iniciativa se 
propõe a habilitar para as atividades de assistência à gestante durante o pré-na-
tal, o parto natural e prestar cuidados à parturiente, à puérpera e ao recém-nasci-
do nos domicílios, Casas de Parto e maternidades públicas. As parteiras são mu-
lheres que aprenderam essa atividade na prática e, geralmente, com as parteiras 
mais velhas, sendo esse trabalho muito importanteem comunidades distantes 
dos hospitais, ribeirinhos, zonas rurais e povos mais isolados (BRASIL, 2019). 
Art. 11. O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:
I- privativamente:
a) direção do órgão de enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de 
saúde, pública e privada, e chefia de serviço e de unidade de enfermagem;
b) organização e direção dos serviços de enfermagem e de suas atividades técnicas 
e auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços;
c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da 
assistência de enfermagem;
d) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de enfermagem;
e) consulta de enfermagem;
f) prescrição da assistência de enfermagem;
g) cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida;
h) cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam 
conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas;
20
II- como integrante da equipe de saúde:
a) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde;
b) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de 
saúde;
c) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação;
d) prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar e de doenças transmis-
síveis em geral;
e) prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados à clientela 
durante a assistência de enfermagem;
f) assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera;
g) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto;
h) execução do parto sem distocia;
I) educação visando à melhoria de saúde da população.
Parágrafo único. As profissionais referidas no inciso II do art. 6º desta lei incumbe, ainda:
a) assistência à parturiente e ao parto normal;
b) identificação das distocias obstétricas e tomada de providências até a chegada 
do médico;
c) realização de episiotomia e episiorrafia e aplicação de anestesia local, quando 
necessária.
Art. 12. O Técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orien-
tação e acompanhamento do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar, e participa-
ção no planejamento da assistência de Enfermagem, cabendo-lhe especialmente:
a) Participar da programação da assistência de Enfermagem;
b) Executar ações assistenciais de Enfermagem, exceto as privativas do a) 
Enfermeiro, observado o disposto no Parágrafo único do Art. 11 desta Lei;
c) Participar da orientação e supervisão do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar;
d) Participar da equipe de saúde.
Art. 13. O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades de nível médio, de natureza 
repetitiva, envolvendo serviços auxiliares de Enfermagem sob supervisão, bem 
como a participação em nível de execução simples, em processos de tratamento, 
cabendo-lhe especialmente:
a) Observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas;
b) Executar ações de tratamento simples;
c) Prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente;
d) Participar da equipe de saúde. 
FONTE: COFEN – CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe 
sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem e dá outras providências. Disponível em: https://bit.
ly/3qTzRpd. Acesso em: 19 jun. 2021.
21
As atividades referidas nos Arts. 12 e 13 desta lei, quando exercidas em 
instituições de saúde, públicas e privadas, e em programas de saúde, somente podem 
ser desempenhadas sob orientação e supervisão de Enfermeiro (COFEN, 1986).
Kletemberg et al. (2010, p. 32) referem que a aprovação da Lei nº 7.498/1986 
“representou um grande avanço em termos de autonomia profissional, de maior 
clareza na definição de papéis, e uma aceitação da sistematização da assistência de 
enfermagem como parte das atividades privativas da enfermeira” (COFEN, 1986, s. p.). 
Atualmente, a sistematização da assistência de Enfermagem está inserida na rotina de 
trabalho desses profissionais, seja para sua implantação, implementação ou realização. 
Dessa forma, “a lei do exercício profissional e a prática têm relação de reciprocidade” 
(KLETEMBERG et al., 2010, p. 32).
Contudo, a população não está totalmente integrada desse processo, já que 
as leis foram promulgadas para atender a uma exigência política de mercado. Assim, 
mesmo passados muitos anos, todos na equipe de Enfermagem são reconhecidos como 
enfermeiros pela população, independentemente de sua categoria. No senso comum, “a 
enfermeira é aquela que presta o cuidado, independente da forma como esse cuidado 
é concebido e executado” (KLETEMBERG et al., 2010, p. 32). 
No entanto, as instituições de ensino habilitavam o acadêmico de Enfermagem 
para ações de assistência, ensino e gerência, quando o mercado de trabalho procurava 
um profissional para gerenciar o serviço, afastando-o do contato direto com a população. 
Assim, continuava a divisão entre implantação e realização do trabalho em Enfermagem. 
“A população não tem como reconhecer o diferencial da assistência de enfermagem siste-
matizada porque desconhece o papel desta profissional” (KLETEMBERG et al., 2010, p. 32).
A seguir, conheceremos alguns aspectos relevantes do Código de Ética de 
Enfermagem, seus princípios fundamentais, assim como a referência dos direitos, dos 
deveres, das infrações e das penalidades dos profissionais de Enfermagem. 
No site do Cofen, é possível se atualizar sobre a legislação aplicada a 
profissão: http://www.cofen.gov.br/.
DICA
22
2.1 CÓDIGO DE ÉTICA DE ENFERMAGEM
O Código de Ética de Enfermagem é um documento que expõe os princípios 
da profissão, sendo destinado a todas as categorias profissionais da Enfermagem, 
tendo sido revisado e divulgado na nova perspectiva em 2017. Para a sua elaboração, o 
Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) considerou vários fundamentos norteadores 
da profissão, sendo que um desses pilares é o reconhecimento da Enfermagem como 
“ciência, arte e uma prática social, indispensável à organização e ao funcionamento dos 
serviços de saúde” (COFEN, 2017, p. 60).
FONTE: <https://bit.ly/3mZfZj1>. Acesso em: 19 set. 2021.
FIGURA 5 – ÉTICA NA ENFERMAGEM
O Código de Ética atualizado traz um conteúdo mais claro e objetivo, e 
organizado em capítulos. Foram apontadas mudanças significativas na sua elaboração, 
como a relevância da Lei Maria da Penha, do Estatuto da Criança e do Adolescente, do 
Estatuto do Idoso e dos direitos da pessoa portadora de transtornos mentais. Também 
aborda a saúde do trabalhador e o direito do profissional da Enfermagem em divulgar 
seus serviços prestados, desde que esteja habilitado para isso (COREN-BA, 2018).
2.1.1 Princípios fundamentais
A Enfermagem atua na gestão e na assistência do cuidado voltado aos diferentes 
“contextos socioambientais e culturais em resposta às necessidades da pessoa, família 
e coletividade” (COFEN, 2017, p. 62). O enfermeiro realiza suas ações com “autonomia e 
em consonância com os preceitos éticos e legais, técnico-científico e teórico-filosófico; 
exerce suas atividades com competência para promoção do ser humano na sua 
integralidade” (COFEN, 2017, p. 62). 
23
Os princípios da Ética e da Bioética estão presentes no direcionamento da sua 
prática e se inserem nas Políticas Públicas, principalmente quando voltada à saúde. “O 
cuidado da Enfermagem se fundamenta no conhecimento próprio da profissão e nas 
ciências humanas, sociais e aplicadas e é executado pelos profissionais na prática social 
e cotidiana de assistir, gerenciar, ensinar, educar e pesquisar” (COFEN, 2017, p. 62).
Acadêmico, o Código de Ética de Enfermagem, devido a sua extensão, não 
será abordado neste livro didático na sua forma original, mas é possível 
ler a publicação na íntegra na internet, a fim de se familiarizar com o seu 
conteúdo e orientar a sua prática profissional.
DICA
2.1.2 Os direitos
Os direitos dos profissionais de Enfermagem estão descritos no primeiro capítulo 
do Código de Ética, destacando-se os seguintes apontamentos:
Art. 1º Exercer a Enfermagem comliberdade, segurança técnica, científica e ambiental, 
autonomia, e ser tratado sem discriminação de qualquer natureza, segundo os 
princípios e pressupostos legais, éticos e dos direitos humanos. 
Art. 2º Exercer atividades em locais de trabalho livre de riscos e danos e violências 
física e psicológica à saúde do trabalhador, em respeito à dignidade humana e à 
proteção dos direitos dos profissionais de enfermagem. 
Art. 3º Apoiar e/ou participar de movimentos de defesa da dignidade profissional, do 
exercício da cidadania e das reivindicações por melhores condições de assistência, 
trabalho e remuneração, observados os parâmetros e limites da legislação vigente.
[...]
Art. 6º Aprimorar seus conhecimentos técnico-científicos, ético-políticos, 
socioeducativos, históricos e culturais que dão sustentação à prática profissional. 
[...]
Art. 13. Suspender as atividades, individuais ou coletivas, quando o local de trabalho 
não oferecer condições seguras para o exercício profissional e/ou desrespeitar a 
legislação vigente, ressalvadas as situações de urgência e emergência, devendo 
formalizar imediatamente sua decisão por escrito e/ou por meio de correio eletrônico 
à instituição e ao Conselho Regional de Enfermagem.
[...]
24
Art. 19. Utilizar-se de veículos de comunicação, mídias sociais e meios eletrônicos para 
conceder entrevistas, ministrar cursos, palestras, conferências, sobre assuntos de sua 
competência e/ou divulgar eventos com finalidade educativa e de interesse social.
Art. 20. Anunciar a prestação de serviços para os quais detenha habilidades e 
competências técnico-científicas e legais. 
Art. 21. Negar-se a ser filmado, fotografado e exposto em mídias sociais durante o 
desempenho de suas atividades profissionais. 
Art. 22. Recusar-se a executar atividades que não sejam de sua competência técnica, 
científica, ética e legal ou que não ofereçam segurança ao profissional, à pessoa, à 
família e à coletividade. 
Art. 23. Requerer junto ao gestor a quebra de vínculo da relação profissional/usuários 
quando houver risco à sua integridade física e moral, comunicando ao Coren e 
assegurando a continuidade da assistência de Enfermagem.
FONTE: COFEN. Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Resolução COFEN nº 564/2017. p. 
62-66. Disponível em: https://bit.ly/3F1HQ8F. Acesso em 19 jun. 2021. 
Essa publicação atualizada do Código de Ética refere a permissão do profissional 
enfermeiro na divulgação do seu trabalho. Podemos analisar essa questão de forma 
favorável para os profissionais autônomos que atuam nos consultórios de Enfermagem, 
exercendo serviços de assistência e saúde, bem como de práticas terapêuticas (práticas 
integrativas de saúde). Atualmente, muitos enfermeiros estão se especializando em 
áreas que possibilitam o exercício profissional de forma autônoma e a divulgação do 
serviço, estando respaldada na legislação, auxilia na captação dos clientes, assim como 
na disseminação da informação à população. 
2.1.3 Os deveres
Os deveres atribuídos aos profissionais de Enfermagem estão inclusos no 
segundo capítulo do Código de Ética, sendo importante refletirmos sobre alguns pontos, 
conforme descrito a seguir.
Art. 24. Exercer a profissão com justiça, compromisso, equidade, resolutividade, 
dignidade, competência, responsabilidade, honestidade e lealdade. 
[...]
Art. 28. Comunicar formalmente ao Conselho Regional de Enfermagem e aos órgãos 
competentes fatos que infrinjam dispositivos éticos-legais e que possam prejudicar 
o exercício profissional e a segurança à saúde da pessoa, da família e da coletividade. 
[...]
Art. 31. Colaborar com o processo de fiscalização do exercício profissional e prestar in-
formações fidedignas, permitindo o acesso a documentos e a área física institucional.
25
Art. 32. Manter inscrição no Conselho Regional de Enfermagem, com jurisdição na 
área onde ocorrer o exercício profissional.
[...]
Art. 36. Registrar no prontuário e em outros documentos as informações inerentes 
e indispensáveis ao processo de cuidar, de forma clara, objetiva, cronológica, legível, 
completa e sem rasuras. 
Art. 37. Documentar formalmente as etapas do processo de Enfermagem, em 
consonância com sua competência legal. 
[...]
Art. 39. Esclarecer à pessoa, família e coletividade a respeito de direitos, riscos, 
benefícios e intercorrências acerca da assistência de Enfermagem.
Art. 40. Orientar à pessoa e família sobre preparo, benefícios, riscos e consequências 
decorrentes de exames e de outros procedimentos, respeitando o direito de recusa 
da pessoa ou de seu representante legal. 
[...]
Art. 42. Respeitar o direito do exercício da autonomia da pessoa ou de seu represen-
tante legal na tomada de decisão, livre e esclarecida, sobre sua saúde, segurança, 
tratamento, conforto, bem-estar, realizando ações necessárias, de acordo com os 
princípios éticos e legais. 
Parágrafo único. Respeitar as diretivas antecipadas da pessoa, no que concerne às 
decisões sobre cuidados e tratamentos que deseja ou não receber no momento em 
que estiver incapacitado de expressar, livre e autonomamente, suas vontades. 
[...]
Art. 45. Prestar assistência de Enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, 
negligência ou imprudência. 
[...]
Art. 52. Manter sigilo sobre fato de que tenha conhecimento em razão da atividade pro-
fissional, exceto nos casos previstos na legislação ou por determinação judicial, ou com o 
consentimento escrito da pessoa envolvida ou de seu representante ou responsável legal. 
[...]
Art. 53. Resguardar os preceitos éticos e legais da profissão quanto ao conteúdo e à 
imagem veiculados nos diferentes meios de comunicação e publicidade.
FONTE: COFEN. Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Resolução COFEN nº 564/2017. p. 
66-70. Disponível em: https://bit.ly/3F1HQ8F. Acesso em: 19 jun. 2021. 
No que concerne aos deveres, a prática de Enfermagem, enquanto direcionada 
à assistência ao paciente, permanece resguardada. Imagens do paciente, assim como 
da sua condição clínica, não podem ser divulgadas. Essa é uma reflexão importante 
em meio à tecnologia móvel, como o celular, usada, inclusive, no ambiente de traba-
lho. O enfermeiro pode sofrer processo ético pela divulgação nas redes sociais ou pelo 
compartilhamento das imagens sem a devida autorização do paciente, nos casos de 
fotografias e filmagens no ambiente de trabalho, como clínicas e hospitais, expondo 
indevidamente todos os envolvidos.
26
2.1.4 Proibições
As proibições voltadas aos profissionais de Enfermagem estão elencadas no terceiro 
capítulo do Código de Ética, com destaque para algumas diretrizes relacionadas a seguir. 
Art. 62. Executar atividades que não sejam de sua competência técnica, científica, ética e 
legal ou que não ofereçam segurança ao profissional, à pessoa, à família e à coletividade.
[...]
Art. 69. Utilizar o poder que lhe confere a posição ou cargo, para impor ou induzir ordens, 
opiniões, ideologias políticas ou qualquer tipo de conceito ou preconceito que atentem 
contra a dignidade da pessoa humana, bem como dificultar o exercício profissional. 
Art. 71. Promover ou ser conivente com injúria, calúnia e difamação de pessoa e família, 
membros das equipes de Enfermagem e de saúde, organizações da Enfermagem, 
trabalhadores de outras áreas e instituições em que exerce sua atividade profissional. 
[...]
Art. 73. Provocar aborto, ou cooperar em prática destinada a interromper a gestação, 
exceto nos casos permitidos pela legislação vigente. 
Parágrafo único. Nos casos permitidos pela legislação, o profissional deverá decidir 
de acordo com a sua consciência sobre sua participação, desde que seja garantida 
a continuidade da assistência.
Art. 74. Promover ou participar de prática destinada a antecipar a morte da pessoa.
Art. 75. Praticar ato cirúrgico, exceto nas situações de emergência ou naquelas 
expressamente autorizadas na legislação, desde que possua competência técnica-
científica necessária. 
Art. 76. Negar assistência de enfermagem em situações deurgência, emergência, epide-
mia, desastre e catástrofe, desde que não ofereça risco a integridade física do profissional.
Art. 77. Executar procedimentos ou participar da assistência à saúde sem o 
consentimento formal da pessoa ou de seu representante ou responsável legal, 
exceto em iminente risco de morte. 
Art. 78. Administrar medicamentos sem conhecer indicação, ação da droga, via de 
administração e potenciais riscos, respeitados os graus de formação do profissional. 
Art. 79. Prescrever medicamentos que não estejam estabelecidos em programas de 
saúde pública e/ou em rotina aprovada em instituição de saúde, exceto em emergências. 
[...]
Art. 81. Prestar serviços que, por sua natureza, competem a outro profissional, exceto em 
caso de emergência, ou que estiverem expressamente autorizados na legislação vigente. 
Art. 84. Anunciar formação profissional, qualificação e título que não possa comprovar.
[...]
Art. 86. [...]
Parágrafo único. Fazer referência a casos, situações ou fatos, e inserir imagens que 
possam identificar pessoas ou instituições sem prévia autorização, em qualquer 
meio de comunicação. 
[...]
27
Art. 88. Registrar e assinar as ações de Enfermagem que não executou, bem como 
permitir que suas ações sejam assinadas por outro profissional. 
[...]
Art. 91. Delegar atividades privativas do(a) Enfermeiro(a) a outro membro da equipe 
de Enfermagem, exceto nos casos de emergência. 
Parágrafo único. Fica proibido delegar atividades privativas a outros membros da 
equipe de saúde.
FONTE: COFEN. Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Resolução COFEN nº 564/2017. p. 
71-76. Disponível em: https://bit.ly/3F1HQ8F. Acesso em: 19 jun. 2021. 
A rotina do serviço de Enfermagem, principalmente em hospitais, requer um 
dimensionamento de recursos humanos eficaz para a assistência ao paciente. Ações que 
são privativas do enfermeiro não podem ser delegadas a outras categorias de Enfermagem. 
2.1.5 Infrações e penalidades
A infração ética e disciplinar é denominada como a “ação, omissão ou conivência 
que implique em desobediência e/ou inobservância às disposições do Código de Ética 
dos Profissionais de Enfermagem, bem como a inobservância das normas do Sistema 
Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem” (COFEN, 2017, p. 85). 
A infração é investigada e acompanhada em processo pelo Cofen. A gravidade 
do caso é analisada conforme o fato ocorrido, praticado, omissos e os resultados 
decorrentes da situação (COFEN, 2017).
As penalidades a serem impostas pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais de 
Enfermagem são:
I- Advertência verbal; 
II- Multa; 
III- Censura; 
IV- Suspensão do Exercício Profissional; 
V- Cassação do direito ao Exercício Profissional.
§ 1º A advertência verbal consiste na admoestação ao infrator, de 
forma reservada, que será registrada no prontuário do mesmo, na 
presença de duas testemunhas. 
§ 2º A multa consiste na obrigatoriedade de pagamento de 01 (um) 
a 10 (dez) vezes o valor da anuidade da categoria profissional à qual 
pertence o infrator, em vigor no ato do pagamento. 
§ 3º A censura consiste em repreensão que será divulgada nas publi-
cações oficiais do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enferma-
gem e em jornais de grande circulação. 
§ 4º A suspensão consiste na proibição do exercício profissional da 
Enfermagem por um período de até 90 (noventa) dias e será divulgada 
nas publicações oficiais do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de 
28
Enfermagem, jornais de grande circulação e comunicada aos órgãos 
empregadores. 
§ 5º A cassação consiste na perda do direito ao exercício da Enferma-
gem por um período de até 30 anos e será divulgada nas publicações 
do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem e em jornais 
de grande circulação. 
§ 6º As penalidades aplicadas deverão ser registradas no prontuário 
do infrator. 
§ 7º Nas penalidades de suspensão e cassação, o profissional terá sua 
carteira retida no ato da notificação, em todas as categorias em que for 
inscrito, sendo devolvida após o cumprimento da pena e, no caso da 
cassação, após o processo de reabilitação (COFEN, 2017, p. 87).
Art. 111. As infrações serão consideradas leves, moderadas, graves ou gravíssimas, 
segundo a natureza do ato e a circunstância de cada caso. 
§ 1º São consideradas infrações leves as que ofendam a integridade física, mental ou 
moral de qualquer pessoa, sem causar debilidade ou aquelas que venham a difamar 
organizações da categoria ou instituições ou ainda que causem danos patrimoniais 
ou financeiros. 
§ 2º São consideradas infrações moderadas as que provoquem debilidade temporária 
de membro, sentido ou função na pessoa ou ainda as que causem danos mentais, 
morais, patrimoniais ou financeiros. 
§ 3º São consideradas infrações graves as que provoquem perigo de morte, debilidade 
permanente de membro, sentido ou função, dano moral irremediável na pessoa ou 
ainda as que causem danos mentais, morais, patrimoniais ou financeiros. 
§ 4º São consideradas infrações gravíssimas as que provoquem a morte, debilidade 
permanente de membro, sentido ou função, dano moral irremediável na pessoa.
Art. 112. São consideradas circunstâncias atenuantes: 
I- ter o infrator procurado, logo após a infração, por sua espontânea vontade e 
com eficiência, evitar ou minorar as consequências do seu ato;
II- ter bons antecedentes profissionais;
III- realizar atos sob coação e/ou intimidação ou grave ameaça; 
IV- realizar atos sob emprego real de força física;
V- ter confessado espontaneamente a autoria da infração; 
VI- ter colaborado espontaneamente com a elucidação dos fatos. 
Art. 113. São consideradas circunstâncias agravantes: 
I- ser reincidente; 
II- causar danos irreparáveis; 
III- cometer infração dolosamente; 
IV- cometer a infração por motivo fútil ou torpe; 
V- facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou a vantagem de 
outra infração; 
29
VI- aproveitar-se da fragilidade da vítima; 
VII- cometer a infração com abuso de autoridade ou violação do dever inerente ao 
cargo ou função ou exercício profissional; 
VIII- ter maus antecedentes profissionais; 
IX- alterar ou falsificar prova, ou concorrer para a desconstrução de fato que se 
relacione com o apurado na denúncia durante a condução do processo ético.
FONTE: COFEN. Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Resolução COFEN nº 564/2017. p. 
89-92. Disponível em: https://bit.ly/3F1HQ8F. Acesso em: 19 jun. 2021. 
As infrações mais cometidas pelos profissionais de Enfermagem foram “erros 
no preparo e administração de medicamentos, associados a imprudência, imperícia e 
negligência” (MARTINEZ; BONIFÁCIO; MICHELIN, 2018, p. 43), assim como as relações 
interpessoais de equipe. As denúncias dirigidas ao Conselho Regional de Enfermagem 
foram realizadas pelos enfermeiros e familiares dos pacientes.
Para conhecer a versão completa do Código de Ética de Enfermagem, 
acesse: http://www.coren-es.org.br/codigo-de-etica.
DICA
3 O PAPEL DAS ENTIDADES DE CLASSE 
Na Enfermagem, existem muitas entidades de classe que representam os 
profissionais na sua profissão e em suas especialidades. Os Conselhos são voltados para 
todas as categorias profissionais, atuando principalmente nos registros e fiscalizações. 
Os sindicatos representam o direito do trabalhador, sua contribuição é descontada 
em folha de pagamento dos profissionais com vínculo empregatício. O sindicato dispõe 
de serviço de orientação jurídica, auxiliando nas dúvidas sobre ocorrências de direitos 
infringidos no trabalho. Um profissional enfermeiro pode se associar ao sindicato mesmo 
sem vínculo empregatício (COREN-SP, [2012?]).
A seguir, conheceremos os principais aspectos que constituem os Conselhos e 
as Associações de Enfermagem.
30
3.1 CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN)
Filiado ao Conselho Internacional de Enfermeiros em Genebra, o Cofen “é 
responsável por normatizar e fiscalizar o exercício da profissão de enfermeiros, técnicos 
e auxiliares de Enfermagem, zelando pela qualidade dos serviços prestados epelo 
cumprimento da Lei do Exercício Profissional da Enfermagem” (COFEN, 2021, s. p.). 
Possui como funções: 
• normatizar e expedir instruções para uniformidade de 
procedimentos e bom funcionamento dos Conselhos Regionais;
• apreciar em grau de recurso as decisões dos CORENs;
• aprovar anualmente as contas e a proposta orçamentária da 
autarquia, remetendo-as aos órgãos competentes;
• promover estudos e campanhas para aperfeiçoamento profis-
sional, entre outros (COFEN, 2021, s. p.). 
3.2 CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM (COREN)
Divide-se em área disciplinar normativa, corretiva e fiscalizatória. Possui como obje-
tivo a orientação e aconselhamento, para o exercício de enfermagem, implantando normas 
visando ao exercício da profissão, análise e acompanhamento de processos de infrações 
contra o Código de Ética da Enfermagem acometida pelos profissionais, receber denúncias 
contra exercício indevido da profissão, fiscalizar o exercício profissional e decidir os assuntos 
referentes ao comportamento ético-profissional, entre outros (COREN-SP, [2012?]).
3.3 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM (ABEN) 
Foi a primeira entidade voltada para Enfermagem. Fundada em 1926, era conhe-
cida, na época, como Associação Nacional de Enfermeiras Diplomadas Brasileiras, 
esta instituição deu início ao surgimento dos Sindicatos de Enfermagem e Conselhos Re-
gionais. Em 1964, foi renomeada com a titulação atual com sede em Brasília. Possui como 
principal objetivo promover o desenvolvimento técnico científico, cultural e político dos 
profissionais de enfermagem no país, pautado em princípios éticos (COREN-SP, [2012?]).
No Quadro 5, há uma relação das principais associações e sociedades de 
Enfermagem do país. 
QUADRO 5 – ASSOCIAÇÕES E SOCIEDADES DE ENFERMAGEM
ABENAH
Associação Brasileira dos Enfermeiros Acupunturistas e de Práticas 
Integrativas
ABENFO Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras
ABENTO Associação de Enfermeiros Especialistas em Trauma Ortopedia
31
FONTE: Coren-SP ([2012?], p. 39)
ANATEN Associação Nacional de Auxiliares e Técnicos de Enfermagem
ANENT Associação Nacional de Enfermagem do Trabalho
ANIC Associação Nacional de Instrumentadores Cirúrgicos
COBEEM Colégio Brasileiro de Enfermagem em Emergências
OBEUNE Organização Brasileira de Enfermeiros em Unidades de Esterilização
SBEAAER Sociedade Brasileira de Enfermagem Aeroespacial e Aeromédica
SBEO Sociedade Brasileira de Enfermagem Oncológica
SBEPSAM Sociedade Brasileira de Enfermagem Psiquiátrica e Saúde Mental
SBNPE Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral
SOBEAS Sociedade Brasileira de Enfermeiros Auditores em Saúde
SOBECC
Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação 
Anestésica e Centro de Material e Esterilização
SOBEE Sociedade Brasileira de Educação em Enfermagem
SOBEEG Sociedade Brasileira de Enfermagem em Endoscopia Gastrointestinal
SOBEEN Sociedade Brasileira de Enfermagem em Endocrinologia
SOBEHC Sociedade Brasileira de Enfermagem em Home Care
SOBEINF Sociedade Brasileira de Enfermeiros em Infectologia
SOBEN Sociedade Brasileira de Enfermagem em Nefrologia
SOBENC Sociedade Brasileira de Enfermagem Cardiovascular
SOBENDE Sociedade Brasileira de Enfermagem em Dermatologia
SOBENTO Sociedade Brasileira de Enfermeiros Especialistas em Traumato-ortopedia
SOBEP Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediatras
SOBESCOF Sociedade Brasileira de Enfermagem em Saúde Coletiva e Família
SOBET Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Trauma
SOBETI Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Terapia Intensiva
SOBEU Sociedade Brasileira de Enfermeiros em Urologia
SOBRAGEN Sociedade Brasileira de Gerenciamento em Enfermagem
SOBRATEN Sociedade Brasileira de Terapias Naturais na Enfermagem
SOBRECEN Sociedade Brasileira de Educação Continuada em Enfermagem
SOBRENO Sociedade Brasileira de Enfermagem em Oftalmologia
As entidades de classe têm como funções a representação profissional, a 
articulação de ações em defesa da profissão, a promoção de debates de questões 
relevantes para a Enfermagem e a organização de cursos e eventos para a atualização 
profissional. Essas organizações também contribuem para que os enfermeiros no mesmo 
campo de atuação possam trocar experiências para o desenvolvimento profissional, 
assim como se unir para o fortalecimento da Enfermagem.
32
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• O exercício profissional da Enfermagem foi regulamentado através da Lei nº 
7.498/1986, em todo o território nacional.
• A Lei do Exercício Profissional também inclui, em suas normativas, a descrição das 
categorias de Enfermagem.
• Em 2019, Projeto de Lei nº 912 foi apresentado no Congresso Nacional para a 
regulamentação da atividade de parteira tradicional no Brasil.
• O Código de Ética de Enfermagem é um documento que expõe os princípios da 
profissão, sendo destinado a todas as categorias profissionais da Enfermagem.
• O enfermeiro realiza suas ações com “autonomia e em consonância com os preceitos 
éticos e legais, técnico-científico e teórico-filosófico; exerce suas atividades com 
competência para promoção do ser humano na sua integralidade”.
• O Cofen é responsável por normatizar e fiscalizar o exercício da profissão de enfer-
meiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, zelando pela qualidade dos serviços 
prestados e pelo cumprimento da Lei do Exercício Profissional da Enfermagem.
• O Coren divide-se em área disciplinar normativa, corretiva e fiscalizatória. Possui 
como objetivo a orientação e o aconselhamento para o exercício de Enfermagem, 
entre outras atribuições.
33
1 O exercício profissional de Enfermagem foi regulamentado, por meio da Lei nº 
7.498/1986, em todo o território nacional. Essa lei respalda o profissional enfermeiro 
em sua prática. De acordo com a legislação vigente, classifique V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas:
( ) A Enfermagem é exercida privativamente pelo enfermeiro, pelo técnico de Enfer-
magem, pelo auxiliar de Enfermagem e pela parteira, respeitados os respectivos 
graus de habilitação.
( ) A Enfermagem e suas atividades auxiliares podem ser exercidas por pessoas 
legalmente habilitadas e facultativamente inscritas no Coren.
( ) O planejamento e a programação das instituições e dos serviços de saúde incluem 
planejamento e programação de Enfermagem.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – V – V.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – V.
d) ( ) V – F – F.
2 O enfermeiro exerce todas as atividades de Enfermagem, cabendo-lhe privativamente 
algumas funções. Cite três ações de saúde que são privativas do enfermeiro e que 
não podem ser delegadas a outra categoria de Enfermagem.
3 O Código de Ética de Enfermagem é um documento que expõe os princípios da 
profissão, sendo destinado a todas as categorias profissionais da Enfermagem. 
Analise as sentenças a seguir:
I- Exercer atividades em locais de trabalho livre de riscos e danos e violências física e 
psicológica à saúde do trabalhador, em respeito à dignidade humana e à proteção 
dos direitos dos profissionais de Enfermagem. 
II- Suspender as atividades, individuais ou coletivas, quando o local de trabalho não 
oferecer condições seguras para o exercício profissional.
III- Executar atividades que não sejam de sua competência técnica, científica, ética e 
legal.
AUTOATIVIDADE
34
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) Todas as sentenças estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
4 As proibições voltadas aos profissionais de Enfermagem estão descritas no Código de 
Ética, assim como suas penalidades. Em conformidade com essa normativa, cite três 
ações que são proibidas na prática profissional do enfermeiro.
5 Na Enfermagem, existem muitas entidades de classe que representam os profissionais 
na sua profissão e em suas especialidades. De acordo com

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