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Conteudista: Prof. Me. Gabriel Baião Revisão Textual: Vinicius Oliveira Objetivos Gerais: Compreender as principais características dos usuários e veículos; Conhecer as principais ferramentas de análise da capacidade de transporte. Material Teórico Material Complementar Referências Características dos Usuários, dos Veículos e Análise da Capacidade de Transporte Características dos Usuários, dos Veículos e da Via Nessa unidade, vamos aprofundar a discussão em torno de algumas características essenciais que devem ser conhecidas pelos engenheiros de transporte. Vamos começar comentando as principais características encontradas nos transportes: usuários, veículos e via. O engenheiro de transporte precisa conhecer também as diferenças entre os usuários, veículos e vias em uma mesma característica de transporte. Existe um conhecimento intermodal, ou seja, da diferença das características conforme o modal abordado. Um mesmo modal pode ter características diferentes. Vejamos um exemplo do modal rodoviário. 1 / 3 Material Teórico Usuários: podem ser os operadores (motoristas, pilotos, tripulação etc.) e os não operadores (pedestres, passageiros etc.); todos dependem exclusivamente do modal de referência; Veículos: assim como os usuários, os veículos variam conforme o modal, mas podem ser: barcos, carros, caminhões, aviões; Via: aqui temos o equipamento no qual os veículos trafegam, variando conforme o modal em questão; podem ser: aerovias, hidrovias, rodovias, ferrovias etc. Podemos estar trabalhando com caminhões, carros, motos e ônibus. Existem parâmetros diferentes para: visibilidade, distância de frenagem, distância de conversão, aceleração etc; Clique no botão para conferir o conteúdo ACESSE Hoel, Garber e Sadek (2011) enfatizam a grande diferença das aeronaves que podem ser operadas em um aeródromo. Há desde monomotores até grandes jatos, como o Airbus 380. Há diferenças nas características do usuário, como a idade dos motoristas, podem existir pedestres em determinada via etc; As vias podem ter características diferentes conforme pavimentação, qualidade, tempo de operação, condições climáticas etc. Saiba Mais Os equipamentos de segurança dos veículos também mudam as características da via. Veja a reportagem no link a seguir: https://www.uol.com.br/carros/noticias/redacao/2014/05/28/uol-carros-mostra-a-diferenca-entre-freios-comuns-e-freios-com-abs-assista.htm Figura 1 – Diferentes tipos de aviões utilizados na aviação civil Fonte: Adaptada de OEL; GARBER; SADEK, 2011 A operação de aeronaves maiores requer equipamentos que possam dar todo o suporte e segurança necessários. Isso interfere diretamente no comprimento da pista de pouso e decolagem dos aeródromos. Características dos Usuários Os usuários do sistema de transporte têm importantes características que ditam como ele deve ser pensado e dimensionado. É preciso metrificar, tabelar e trabalhar com diversos valores e características para dimensionar os equipamentos de maneira que sejam confortáveis para todos aqueles que os utilizam diariamente ou esporadicamente. O Processo de Resposta Humana Os usuários do sistema de transporte são guiados, na maior parte do tempo, pela sua capacidade visual e auditiva. Os estímulos que recebemos o tempo inteiro nos ajudam a compreender o mundo ao nosso redor. As capacidades visual e auditiva tendem a se deteriorar com o avanço da idade da pessoa. Por isso, é necessário prever cuidados especiais aos usuários idosos ou com mobilidade reduzida. A mobilidade tem certa correlação com a idade, mas existem outros fatores que podem fazer usuários mais novos terem mobilidade reduzida, daí que seja preciso pensar em passeios sem obstáculos que poderiam causar acidentes ou atrapalhar a movimentação. Aliás, conforme Hoel, Garber e Sadek (2011), os principais estudos demonstram que as capacidades motoras e cognitivas podem sofrer variações conforme a fadiga, o estresse ou o período do dia. Nos Estados Unidos diversos parâmetros sobre “resposta humana” estão definidos em manuais como o Manual on Uniform Tra�c Devices, publicado pela Federal Highway Administration. Essas informações auxiliam os projetistas a calcularem e projetarem os equipamentos e as vias que serão utilizados pelos usuários. As informações dos manuais podem ajudar os operadores de transporte a regularem: Clique no botão para conferir o conteúdo ACESSE A matéria cita o artigo de Duim, Lebrão e Antunes (2017), cujo estudo demonstra que as pessoas acima de 60 anos têm severas dificuldades em alcançar uma velocidade de marcha igual ou acima de 1,2 m/s. Para efeito de comparação dos dados, o Manual on Uniform Tra�c Control Inclinação de rampas; Sinalização; Temporizador de semáforos; Velocidade máxima dos veículos dentro dos equipamentos; Posicionamento de escadas rolantes; Etc. Saiba Mais Leia a seguinte notícia sobre a mobilidade das pessoas idosas. https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/98-dos-idosos-nao-conseguem-atravessar-a-rua-no-tempo-dos-semaforos/ Device sugere o uso de 1,2 m/s para o dimensionamento, mesmo valor de velocidade utilizado por Duim, Lebrão e Antunes (2017), o qual quase 98% dos idosos não conseguiram alcançar. Hoel, Garber e Sadek (2011) citam que a variação aceita na velocidade de marcha está entre 0,9 e 1,8 m/s. Esse valor também é diferente se a pessoa é homem ou mulher: 1,5 e 1,4 m/s respectivamente. Por tudo isso, os dados padronizados de dimensionamento também precisam ser revisados de tempos em tempos. Outro equipamento dimensionado com base nas capacidades humanas são as placas de sinalização dos diferentes modais. Consideram-se fatores como: brilho, luz, ofuscamento, tamanho e separação das letras e a tipologia. As placas são dimensionadas de modo que seja possível sua visualização, identificação e interpretação mesmo a distâncias médias e em diferentes condições climáticas e meteorológicas. Figura 2 – Sinalização de trânsito Fonte: Adaptada de HOEL; GARBER; SADEK, 2011 Características do Comportamento do Passageiro nos Terminais de Transporte A compreensão das características comportamentais dos passageiros dentro dos terminais de transporte é importante para garantir um bom nível de serviço. Vinculam-se o nível de serviço, ou as necessidades de serviço, e as características dos passageiros. Podemos destacar: Os terminais de transporte podem ter características e necessidades diferentes por causa dos modais que ali operam. Os equipamentos e as necessidades precisam ser previstos e considerados em projeto, assim como futuras ampliações e manutenções. Quanto mais informações são coletadas previamente e quanto mais detalhado é o planejamento, menores serão os custos durante as operações. Região de carga e descarga para idosos; Regiões livres de obstáculos para pessoas com baixa visão; Regiões seguras para idosos e crianças; Rampas e escadas rolantes em pontos estratégicos; Sinalizações corretas; Nível de ruído entre 60 e 65 dBA; Variação de temperatura dentro do terminal (entre 21 °C e 24 °C); Presença de força de segurança pública ou privada em pontos-chave, facilitando os atendimentos de emergência; Etc. Características dos Veículos Neste tópico, precisamos conhecer algumas normas que norteiam os diferentes tipos de veículos. Por isso, o tema será divido por modal, facilitando assim a compreensão. Apesar de os veículos serem normatizados por diferentes órgãos reguladores, um conceito é válido independentemente do modal. Vamos começar por ele. Apesar das particularidades de cada modal, fatores geométricos e físicos determinam diretamente a capacidade da via, ou seja, deve-se dimensionar a via considerando o veículo mais pesado e de maior tamanho que irá trafegar por ela. Em um aeroporto dimensionado para receber um avião similar ao Boeing 747, qualquer aeronave com medidas menores que a desse modelo poderão pousar e decolar dele, produzindo um impacto mínimo na pavimentação. Aeronaves maiores que o 747, por outro lado, não conseguiriam operar nesse aeroporto, por precisarem de uma distância de frenagem maior que a disponível na pista e provocarem impactos muito grandes no pavimento estrutural. - HOEL; GARBER; SADEK, 2011, p.81 “Um componente importante de qualquer sistema de transporte é o veículo. O engenheiro de transporte, portanto, deve estar familiarizado com as características do veículo que utilizará o sistema, que, por sua vez, influenciará o projeto da via. As características do veículo de projeto influenciam o alinhamento geométrico e a estrutura do pavimento da via. As características da aeronave de projeto influenciam as configurações das pistas de taxiamento e das pistas de pouso e decolagem de um aeroporto. Analisaremos a seguir as características estáticas e dinâmicas dos veículos.” Vejamos as características dos veículos automotores. As medidas físicas dos veículos automotores que podem trafegar nas rodovias federais e estaduais brasileiras (exceto São Paulo) são determinadas conforme o artigo 8º da Resolução 11/04. Observe a tabela: Tabela 1 – Valores máximos de peso por eixo conforme a Resolução 11/04: pesos máximos permitidos para cargas especiais O maior veículo que irá trafegar na via define informações como: Raio de giro de curva; Largura das faixas de rolamento; Largura do acostamento; Velocidade da via; Comprimento das faixas laterais de aceleração. Passemos para o modal aéreo. As aeronaves têm características estáticas que variam de maneira considerável; por exemplo, a aeronave Cessna-150 tem peso máximo de decolagem de 7 kN, enquanto um Boeing 747-400 pode chegar a 3.800 kN, e ambas as aeronaves estão enquadradas em duas categorias de transporte da aviação em geral. No caso dos veículos de transporte aéreo, a normatização é fornecida pela ICAO (Organização de Aviação Civil Internacional), no Anexo 14 de 2006, e pelo Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC) 154, produzido pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) em 2012. Ambos os órgãos regulam a aviação civil: a ICAO em nível internacional e a ANAC em nível nacional. Segundo o RBAC 154, as medidas máximas da aeronave que será operada no aeródromo definem outras medidas, entre elas: Para facilitar a compreensão dos elementos acima, passemos brevemente pelas partes que compõem uma pista de operação de pousos e decolagens. Comprimento de pista; Espessura do pavimento estrutural; Distância entre pistas que serão operadas simultaneamente, se o aeródromo realizar esse tipo de operação; Largura da faixa de pista; Largura da pista; Veículos de operação. Faixa de pista: essa região geralmente tem a forração em grama e é dimensionada como área de escape, garantindo maior segurança na operação das aeronaves; Acostamento: nessa região ficam os veículos que irão prestar auxílios às aeronaves; o dimensionamento precisa ser realizado levando-se em conta que as turbinas irão descarregar parte da carga nessa região do sistema; Figura 3 – As partes de uma pista de pouso de decolagem Fonte: Adaptada de SÓRIA, 1983 Clique no botão para conferir o conteúdo. Pavimento estrutural: essa é a região em que as aeronaves realizam suas operações de pouso e decolagem, e a qualidade e a espessura da pavimentação devem ser dimensionadas conforme as aeronaves que irão operar no aeródromo; também é preciso projetar um ótimo sistema de drenagem para garantir a segurança dos veículos e passageiros; Área de segurança de final de pista: essa região se estende além da cabeceira da pista e não deve ter obstáculos que possam impedir ou atrapalhar a operação das aeronaves. Saiba Mais Caso queira verificar as tabelas que norteiam os projetos de aeródromos, com base no maior avião de operação, verifique o seguinte link com o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil. ACESSE O terceiro modal é o ferroviário, cujos veículos se dividem em cinco categorias, conforme a propulsão: Atualmente as locomotivas mais importantes são as de propulsão diesel-elétrica e por levitação magnética. Oferecem segurança e autonomia superiores em relação às outras opções. As Livro Para conhecer a padronização americana, consulte o livro Engenharia de infraestrutura de transportes: uma integração multimodal, do autor Lester A. Hoel (em especial, as páginas 82 a 88). Elétrica; Diesel-elétrica; Vapor; Levitação magnética (maglev); Outros tipos (gás, turbino-elétrica). https://www.gov.br/anac/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/consultas-publicas/consultas/2020/26/cp-26-2020-emenda-ao-rbac-154.pdf/view locomotivas elétricas correm por fora, pois são ideais para ambientes urbanos e percursos curto. O abastecimento do motor elétrico é feito através de um terceiro trilho ou por linhas aéreas. As locomotivas diesel-elétricas são baseadas em um motor à combustão que alimenta um motor elétrico, garantindo assim grande autonomia sem a necessidade de execução do terceiro trilho ou do sistema de alimentação suspenso. Clique no botão para conferir o conteúdo ACESSE Clique no botão para conferir o conteúdo ACESSE Saiba Mais Empresa desenvolve câmera em trem para detectar falhas no terceiro trilho. Leia mais no site abaixo. Saiba Mais Leia o texto a seguir e conheça mais sobre os trens urbanos paulistas. https://viatrolebus.com.br/2021/04/empresa-desenvolve-camera-em-trem-para-detectar-falhas-no-terceiro-trilho/ http://www.housepress.com.br/siteprysmian/pagina.asp?id=&ordem=5&edicao=50&pasta=ed50&data=50&data2= Os veículos com levitação magnética não entram em contato com a estrutura da via. A potência para se movimentar (propulsão) e para se elevar (levitação) advém de bobinas e magnetos (conforme a Figura 4). Figura 4 – Princípios básicos da levitação magnética Fonte: Adaptada de HOEL; GARBER; SADEK, 2011 Hoel, Garber e Sadek (2011, p. 90) destacam a segurança e sofisticação dos veículos tracionados por levitação magnética: “Testes demonstraram que esses trens são capazes de viajar a velocidades muito Passemos, agora, para o modal marítimo, cujos veículos são conhecidos como embarcações marítimas. Estas são divididas em duas categorias: navios de passageiros e navios de carga. Os navios de passageiros incluem desde balsas até grandes embarcações de cruzeiro. Os navios de cargas vão desde navios cargueiros para contêineres, embarcações para cargas secas e grandes tanques para transporte de líquidos e outros materiais. Na unidade anterior, vimos que, antes da criação dos aviões e do modal aéreo, o transporte de passageiros entre os continentes era realizado por grandes embarcações. Podemos destacar aqui os irmãos gêmeos RMS Titanic e RMS Olympic. O avanço da tecnologia de transporte fez com que o transporte de passageiros por grandes distâncias via modal marítimo se tornasse obsoleto: viajar de avião é muito mais rápido e barato. Hoje o transporte marítimo se resume a cruzeiros e transporte de carga. As regras internacionais de transporte marítimo definem que a diferença entre um navio cargueiro e um de passageiros está na quantidade de passageiros que eles carregam. Os navios cargueiros têm alojamentos para no máximo 12 pessoas, enquanto os navios de passageiros transportam mais de 12 pessoas. Caso um navio cargueiro seja enquadrado com um número superior ao estabelecido, automaticamente muda de categoria e fica sujeito a regulamentos mais rigorosos. Tabela 2 – Características estáticas de alguns navios de cruzeiro altas e podem passar por trechos com declividades longitudinais relativamente mais elevadas. Por exemplo, uma via de teste de levitação magnética foi construída como uma seção superelevada de 5 m de altura e uma velocidade de projeto de cerca de 400 km/h. Os carros tinham 54 m de comprimento, pesavam 108 toneladas e eram capazes de transportar 200 passageiros. A via tinha raio mínimo de curvatura de mais de 4.000 m e declividade longitudinal máxima de 10%.” Fonte: Adaptada de HOEL; GARBER; SADEK, 2011 Os veículos também se diferenciam por suas características dinâmicas. Os projetistas precisam testar de maneira exaustiva os materiais e buscar compreender o comportamento do veículo em diferentes cenários e situações e quando submetido à sua carga de trabalho. Nome Comprimento (pés) Boca (pés) Tonelagem bruta (toneladas) Capacidade de Passageiros Grandeur of the Seas 916 106 74.000 1.950 Rhapsody of the Seas 915 105,6 75.000 2.000 Splendour of the Seas 867 105 70.000 1.804 Majesty of the Seas 880 106 73.941 2.354 Nordic Express 692 100 45.563 1.600 Observação: 1 pé – 0,3m; 1 tonelada – 0,91 toneladas métricas; 1 nó – 1, Conceito de Capacidade Anteriormente, descrevemos algumas características dos usuários e dos veículos. Agora, vamos conhecer os conceitos de transporte que auxiliam os engenheiros no momento de tomar decisões sobre projetos novos ou futuras ampliações de terminais de carga, no entorno de um aeroporto etc. Vamos começar pelo que se entende por capacidade. Hoel, Garber e Sadek (2011) lançam luz sobre esse conceito no seguinte trecho: Livro No livro Engenharia de infraestrutura de transportes: uma integração multimodal, o autor Lester Hoel apresenta exemplos com equações de como se definem os padrões e se analisam os comportamentos dos veículos. Confira as páginas 90 a 104. “A análise da capacidade busca responder às várias questões importantes da quantidade de tráfego (por exemplo, veículos, pedestres, aeronaves etc.) que uma determinada infraestrutura pode acomodar em uma condição operacional específica. Por um lado, a ideia básica por trás da análise da capacidade é desenvolver um conjunto de modelos ou equações analíticas que relacionem os níveis de fluxo, a geometria, as condições ambientais e as estratégias de controle, e, por outro, as medidas que descrevem a operação resultante ou a qualidade do serviço. Esses modelos ou equações permitem determinar a capacidade máxima de tráfego- O conceito de capacidade que vamos empregar foi estabelecido no Highway capacity manual (HCM), que define a capacidade de uma infraestrutura como: Referindo-se a essa definição, Hoel, Garber e Sadek (2011) fazem algumas observações pertinentes, que previnem contra distorções ou interpretações errôneas de dados: - HOEL, GARBER, SADEK, 2011, p. 125 A máxima taxa horária esperada, de forma razoável, em que pessoas ou veículos cruzam um ponto ou uma seção uniforme de uma faixa ou pista durante determinado período em uma condição de pista, tráfego e operação. transporte de uma infraestrutura e a qualidade esperada ou nível de serviço em graus diferentes de fluxo.” “Três importantes observações devem ser feitas quanto à definição do HCM de capacidade. Primeiro, deve-se observar que o manual define capacidade em termos de veículos ou pessoas. A capacidade das rodovias, por exemplo, é geralmente definida em termos de veículos. Para a infraestrutura do transporte de massa ou de pedestres, ela deverá ser expressa em termos de pessoas. Segundo a definição específica que a capacidade é estabelecida para um ponto ou para uma seção uniforme de uma instalação. A capacidade de uma instalação varia de acordo com suas características geométricas, a variedade de veículos que a utilizam e todas as ações de controle aplicadas a ela (por exemplo, semáforos). Diante disso, a capacidade só pode ser definida para trechos uniformes ou homogêneos onde os Conceito de Nível de Serviço O conceito de capacidade se refere à quantidade de veículos ou pedestres que podem/devem passar por uma via. O conceito de nível de serviço se refere à qualidade da operação: se há atrasos, conveniências ou outros fatores que impactam diretamente a capacidade de fornecer um bom serviço ao usuário. O nível de serviço, portanto, é a métrica do nível de qualidade. Em uma rodovia, dependendo da quantidade de veículos, pode haver diferentes níveis de serviço. - HOEL, GARBER, SADEK, 2011, p. 126 Com poucos veículos trafegando, a velocidade pode ser igual à que se espera na operação. Nesse caso, o nível de serviço está no máximo; À medida que a quantidade de veículos sobe, espera-se que a capacidade de fluxo diminua por causa de lentidões localizadas. O nível de serviço, então, tende a diminuir conforme a via vai se aproximando do fluxo máximo; Caso o fluxo continue subindo, pode haver trechos onde a velocidade dos veículos se aproxime de zero. Nesse caso, o nível de serviço está no mínimo. diversos fatores que a afetam permaneçam inalterados. Finalmente, o HCM define capacidade como o número máximo de veículos ou pessoas que uma instalação pode razoavelmente acomodar. O uso da palavra razoavelmente implica que se deve esperar que o valor da capacidade de uma determinada instalação varie ligeiramente de um local para outro ou de um dia para outro. Isto significa que os valores da capacidade que normalmente utilizamos em nossa análise não são os mais altos já registrados ou esperados para ocorrer em uma instalação, mas sim um nível de fluxo que pode ser razoavelmente atingido repetidamente em uma determinada instalação.” Podemos pensar da seguinte maneira: caso os cálculos apontem necessidade de quatro faixas de rolamento em uma rodovia, ao construirmos sete faixas, nunca chegaremos ao nível de serviço mínimo e sempre teremos um nível de serviço/qualidade máximo. A criação de mais faixas que o necessário mantém, de fato, o nível de serviço alto por mais tempo, mas há um problema: o custo, para as empresas ou o governo, de manter o sistema operando. Mais faixas significam mais custos. Quadro 1 – Medidas de desempenho que definem o nível de serviço Modalidade de transporte Infraestrutura de transporte Medidas de desempenho Rodovia Vias expressas Rodovias de pistas duplas Rodovias de pista simples Densidade de tráfego (veículo/km/faixa) Velocidade média de viagem (km/h) Porcentagem de tempo em pelotão (%) Transporte de massa Interseções semaforizadas Ruas Urbanas Transporte público Atraso no semáforo (s/veículo) Velocidade média de viagem (km/h) Bicicletas Ciclovias Frequência de eventos conflitantes (eventos/h) Modalidade de transporte Infraestrutura de transporte Medidas de desempenho Pedestres Infraestruturas para pedestres Espaço (m2/pedestre) Aéreo Pista de pouso/decolagem Atraso ou tempo de espera da aeronave Fonte: Adaptado de HOEL; GARNER; SADEK, 2011 O nível de serviço das infraestruturas de transporte pode ser representado por um gráfico de degraus variando entre A e F. Sendo o nível A para o melhor nível de serviço e F para a pior qualidade de serviço. Figura 5 – O gráfico estilo degrau demonstra como é feito a medição dos níveis de serviço em relação ao desempenho Fonte: Adaptada de HOEL; GARNER; SADEK, 2011 O nível de serviço é definido e medido com um gráfico que se assemelha a uma escada, onde temos os espelhos (medida vertical) que mostram a mudança do nível de serviço e as pisadas (medida horizontal) as diferentes medidas de desempenho. Então, qualquer nível de serviço possui diferentes medidas, Vejamos: Um serviço considerado nível C, pode possuir dentro do mesmo nível diferentes medidas de desempenho, ou seja, podemos ter desempenhos diferentes dentro do mesmo nível. A definição poderia ser simplificada adicionando novas siglas que definiriam as transições; A mudança de nível se dá apenas quando o serviço passa a atingir todos os serviços pré-estabelecidos dentro do custo esperado. Ao alcançar esse novo nível, o serviço passará a ocupar o final da linha horizontal, que seria desempenho mais baixo em relação ao novo nível de serviço alcançado. Livro Veja mais sobre esse assunto nas páginas 127 a 149 do livro Infraestrutura de transportes: uma integração multimodal. Capacidade do Transporte Público O último tópico desta unidade aborda o conceito de capacidade do transporte público. O transporte público se difere do transporte particular na disponibilidade, na capacidade, no funcionamento e na operação. Hoel, Garber e Sadek (2011) destacam a necessidade de analisar a capacidade veicular para um melhor entendimento do funcionamento dos transportes públicos: Transporte particular: é o transporte que carrega uma quantidade menor de pessoas por veículo e geralmente tem destinos e rotas definidos, ou seja, a pessoa sai de um local e vai para outro, e não há necessidade de paradas para embarque e desembarque de passageiros. Nessa modalidade não existe a necessidade de se preocupar com o destino, os pontos de parada, o tempo entre as paradas etc. Transporte público: o transporte público, ao contrário do transporte particular, não funciona de maneira ininterrupta. Você pode pegar seu carro às 2 horas da manhã e ir para outra cidade ou bairro, enquanto no transporte público é preciso analisar as possibilidades e a necessidade de funcionamento. O transporte público também tem como característica o cálculo e o dimensionamento dos intervalos. “A capacidade veicular refere-se ao número de unidades de transporte público (ônibus ou trens) que pode ser atendido por uma determinada infraestrutura de transporte público. Normalmente, ela é definida para três locais: (1) áreas de embarque ou plataformas; (2) pontos de parada e estações; e (3) faixas de ônibus e linhas de transporte público. Como será discutido mais adiante, começando com as áreas de embarque, cada um desses locais afeta diretamente o próximo local. A capacidade veicular de uma estação de transporte público, por exemplo, é uma função direta das capacidades veiculares das áreas de embarque dessa estação. Além disso, a capacidade de uma linha de transporte público é controlada pela Os fatores básicos que controlam a capacidade de pessoas são: - HOEL, GARBER, SADEK, 2011, p. 149 Política do operador: esse fator exerce um grande impacto dentro do sistema de transporte; nesse quesito está, por exemplo, a permissão ou não de que passageiros possam viajar em pé. Características da demanda de passageiros: a distribuição espacial e temporal da demanda de passageiros impacta diretamente o número de passageiros que podem ser transportados; como o conhecimento espacial é importante para saber os pontos onde há aumento ou diminuição de fluxo, algumas companhias de transporte fazem, de tempos em tempos, pesquisas para compreender a atual e a futura demanda por ampliações. Capacidade veicular: exerce forte influência sobre a capacidade de passageiros, uma vez que estabelece um limite para o número de passageiros que podem utilizar um ponto de parada do transporte público ou que farão a mudança de veículo em diferentes pontos. capacidade dos pontos de parada críticos ao longo dessa linha. Um dos fatores mais importantes que afetam a capacidade veicular é o tempo de parada do veículo, que é o período necessário para atender aos passageiros mais o necessário para abrir e fechar as portas. A capacidade em termos de pessoas refere-se ao número de pessoas que podem ser transportadas após um local específico durante um dado período sob condições operacionais especificadas e sem atrasos excessivos, perigo ou restrição. Essa capacidade é normalmente definida para os pontos de parada e estações de transporte público, bem como para o ponto de embarque mais carregado ao longo de uma linha de transporte público ou faixa de ônibus” Clique no botão para conferir o conteúdo ACESSE Conceitos de Capacidade do Transporte Público A capacidade veicular do transporte público é normalmente definida para três tipos de locais: Diversos fatores podem interferir na capacidade e operacionalidade dos locais acima. Hoel, Garber e Sadek (2011) os descrevem de maneira resumida. Quanto às áreas de embarque/desembarque, os autores dizem o seguinte: Saiba Mais Veja um modelo de pesquisa para o dimensionamento do sistema de transporte. Áreas de embarque/desembarque ou plataformas; Pontos de parada e terminais de transporte público; Faixas de ônibus ou trechos sobre trilhos. http://www.metro.sp.gov.br/pesquisa-od/resultado-das-pesquisas.aspx “Para o ônibus a área de embarque/desembarque (por vezes chamada de plataforma) refere-se ao espaço destinado para o ônibus parar para embarque e desembarque de passageiros. A parada de ônibus, como será abordado mais adiante, consiste em uma ou mais áreas de embarque/desembarque. As paradas de ônibus ao longo das guias das calçadas são o tipo mais comum de áreas de embarque/desembarque, que podem ser tanto na própria faixa de tráfego (isto é, na própria via) ou na forma de uma baia lateral fora da faixa de tráfego. Três fatores primordiais determinam a capacidade das áreas de embarque/desembarque: (1) tempo de parada; (2) variabilidade do tempo de parada; e (3) tempo de liberação. tempo de parada é o período necessário para atender aos passageiros mais o necessário para abrir e fechar as portas do veículo. Tempo de parada é uma função de uma série de fatores, incluindo (1) o número de passageiros que embarcam e desembarcam de um veículo; (2) a distância entre as paradas (distâncias mais longas resultariam em um grande número de passageiros em cada parada, o que, por sua vez, aumentaria o tempo de parada); (3) os procedimentos de pagamento de tarifa (ou seja, se o pagamento é feito em dinheiro, fichas, passes ou cartões inteligentes); (4) o tipo de veículo (para ônibus de piso baixo, por exemplo, o tempo necessário para embarque e desembarque de passageiros é reduzido, principalmente para os idosos e pessoas com deficiências); (5) circulação de passageiros a bordo; e (6) embarque de cadeiras de rodas e bicicletas. A variabilidade do tempo de parada considera o fato de que o tempo de parada em um determinado ponto provavelmente pode variar dependendo da demanda real de passageiros existente. Na análise, essa variabilidade é levada em consideração pela utilização de um coeficiente de variação do tempo de parada, calculado dividindo o desvio padrão dos tempos de parada observados no ponto pelo valor médio do tempo de parada. Quanto às estações e terminais, eles dizem o seguinte: - HOEL, GARBER, SADEK, 2011, p. 150-151 Tempo de liberação é o período que decorre após o momento em que o veículo fecha suas portas até sair do ponto de parada. Durante esse tempo, a área de embarque/desembarque não está disponível para utilização por outro veículo. Para pontos de ônibus na via e estações de trens metropolitanos, o tempo de liberação é igual ao necessário para o veículo iniciar o movimento e percorrer um trecho igual ao seu comprimento, liberando assim o ponto de parada. Para os pontos de parada de ônibus em baias, é necessário um tempo adicional igual ao necessário para que o ônibus parado encontre uma oportunidade adequada na corrente de tráfego da faixa adjacente que lhe permita voltar novamente ao tráfego.” “Estes são o segundo local onde a capacidade veicular é determinada e, para os ônibus, geralmente consistem em uma ou mais áreas de embarque/desembarque. Assim, a capacidade de um ponto de ônibus está diretamente relacionada às capacidades das áreas de embarque/desembarque individuais que o compõem. Os pontos de ônibus geralmente podem ser divididos em dois grupos: (1) terminais de ônibus e (2) paradas de ônibus na via. Os terminais de ônibus estão geralmente localizados fora da via, enquanto os pontos de ônibus na via localizam-se nas calçadas de um de três locais: (a) no final da quadra (ou seja, os ônibus param imediatamente antes do cruzamento); (b) no início da quadra (os ônibus param após o cruzamento); e (3) no meio da quadra. Do ponto de vista da capacidade, os pontos no final da quadra têm impacto negativo menor sobre a capacidade, seguido pelos pontos no meio da quadra e os no início da quadra.” E a respeito das faixas de ônibus e de trechos sobre trilhos eles dizem o seguinte: - HOEL, GARBER, SADEK, 2011, p. 150-151 “Faixas de ônibus referem-se a quaisquer faixas em uma via em que eles circulam. Essas faixas podem ser de uso exclusivo dos ônibus ou estes podem ter de compartilhá-las com os outros veículos. Os trechos sobre trilhos são dedicados ao uso exclusivo de um veículo de transporte público. Normalmente, a capacidade veicular de uma faixa de ônibus ou trecho sobre trilhos é determinada pela capacidade do ponto de ônibus ou estação críticos localizados ao longo da faixa ou do trecho sobre trilhos. As faixas de ônibus são divididas em três tipos (1, 2 e 3). Para o tipo 1, os ônibus não fazem uso da faixa adjacente, enquanto os do tipo 2 fazem uso parcial da faixa adjacente que normalmente poderiam compartilhar com o restante do tráfego. Para o tipo 3, duas faixas são destinadas ao uso exclusivo de ônibus. Para os tipos 1 e 2, os ônibus podem ou não compartilhar a faixa junto a calçada com o restante de tráfego. Além do tipo, existem outros fatores que afetam a capacidade das faixas de ônibus. Por exemplo, a capacidade pode ser aumentada por meio da dispersão dos pontos de parada, de modo que apenas um subconjunto de ônibus na faixa utiliza um determinado conjunto de paradas. Isto é frequentemente denominado operação de paradas alternadas e pode ajudar a aumentar a capacidade, bem como permitir viagens mais rápidas. A eficácia do padrão da operação de paradas alternadas é maximizada quando os ônibus são organizados em pelotões, e a cada pelotão é atribuído um grupo de pontos. Além disso, a localização do ponto pode impactar a capacidade da faixa de ônibus, pois os pontos no final da quadra podem oferecer a maior capacidade da faixa de ônibus, seguidos pelos do meio da quadra e, Em Síntese Como pudemos ver, na área de transporte se trabalha com diversos fatores e incógnitas para garantir o bom funcionamento do sistema. Para que facilitar a operação, é preciso analisar e dimensionar todas as variáveis: da escolha dos veículos às instalações e aos funcionários alocados para garantir a saúde do sistema. A criação de uma simples linha de ônibus que atenda do ponto B ao ponto C, passando pelo ponto A, precisa ser muito bem planejada, projetada e construída; do contrário, serão alocados recursos financeiros e humanos para uma coisa que não dará lucros ou não atenderá às necessidades de parte da população. Não se esqueça: sempre estamos trabalhando para resolver os problemas de alguém, buscando garantir qualidade e satisfação, de modo a facilitar a vida da população que faz ou fará uso do nosso projeto. Na próxima unidade desbravaremos mais ainda a intrigante área da engenharia de transportes. Bons estudos! - HOEL, GARBER, SADEK, 2011, p. 150-151 finalmente, os do início da quadra. Essas duas questões (isto é, operação de paradas alternadas e localização dos pontos de ônibus) não são aplicáveis às vias sobre trilhos em níveis separados.” Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Geografia do Brasil – Sistemas de Transporte Brasileiro Explicação sobre os Sistemas de Transportes Brasileiros, como foram organizados ao longo dos tempos o sistema ferroviário, Sistema Hidroviário, Sistema Aeroviário e o Sistema Rodoviário. Suas implicações com a Indústria, Agropecuária e comércio internacional. 2 / 3 Material Complementar Geogra�a do Brasil - Sistemas de Transporte Brasileiro https://www.youtube.com/watch?v=4ti3b4-CRyQ Transporte no Brasil Abordagem temática sobre o transporte no Brasil e suas relações econômicas com os demais setores da economia. Matriz de Transportes do Brasil Aula completa sobre a matriz de transportes nacional, analisando o histórico e as principais características dos transportes no Brasil. TRANSPORTE NO BRASIL | AULA COMPLETA | GEOGRAFIA | Matriz de transportes do Brasil (Aula completa) | Ricardo Marcílio https://www.youtube.com/watch?v=NnPcIn4k8Lc https://www.youtube.com/watch?v=Ec63U16mPsM Leitura Sistemas de Transporte: Introdução, Conceitos e Panorama Clique no botão para acessar o conteúdo. ACESSE Highway Capacity Manual Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Sistemas de Transportes: Notas de Aulas Prof. Amir Mattar Valente – UFSC Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/266/2020/09/Sistemas-de-Transporte.-Introducao-conceitos-e-panorama.pdf https://sjnavarro.files.wordpress.com/2008/08/highway_capacital_manual.pdf https://ppgtg.ufsc.br/files/2014/10/Sistemas-de-Transportes-2018.1.pdf Engenharia de Infraestrutura de Transportes Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE https://1drv.ms/u/s!AmTk_WuYahaAhMhtZejkS_7jgcwv3g?e=QHY5rK AMERICAN ASSOCIATION OF STATE HIGHWAY AND TRANSPORTATION OFFICIALS. Guide for development of bicycle facilities. Washington, D.C., 1999. BLUMSTEIN, A. The landing capacity of a runway. Operations Research, v. 7, p. 752-763, 1959. BOTMA, H. Method to determine levels of service for bicycle paths and pedestrian-bicycle paths. Transportation Research Record, n. 1502, p. 38-44, 1995. DE NEUFVILLE, R.; ODONI, A. R. 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