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Christiane Novais- 7ºsemestre medicina ARTRITE IDIOPÁTICA JUVENIL Forma mais comum de artrite crônica na infância; Uma das doenças inflamatórias mais frequentes dessa fase, com causa desconhecida; Incidência: 14: 100.000 crianças/ano; Prevalência: 90: 100.000 crianças; VIAS INFLAMATÓRIAS -> DIAGNÓSTICO DE EXCLUSÃO Artrite persistente na mesma articulação por >6 semanas, início <16 anos que não tenha outra etiologia! Com necessidade de derrame articular ou 2 dos seguintes: limitação articular/ dor articular/ dor à movimentação; Th1 e Th17- superativados, causando fagocitose! Sinovite (sinóvia sendo destruída)+ erosão. Disfunção da imunidade inata e adaptativa! CLASSIFICAÇÃO 1. Sistêmica; 2. Oligoartrite- persistente ou estendida; 3. Poliartrite- com FR + ou -; 4. Artrite relacionada à entesite; 5. Artrite psoriásica juvenil; 6. Artrite indiferenciada: não podem ser identificadas em um subgrupo; FORMA SISTÊMICA/ DOENÇA DE STILL 10% das crianças, mais comum entre 1 e 6 anos (pré- escolares); Maior morbimortalidade; Caracteriza-se por febre diária por mais de duas semanas(febre crônica), com episódios de picos febris elevados e temperaturas normais no restante do dia mesmo que não se faça nenhuma medida, com melhora significativa, e pelo menos um dos achados (extra- articulares): 1. Rash maculopapular eritematoso evanescente (rash entremeado por pele sã), rosa- salmão frequentemente, de caráter não fixo e não pruriginoso, que se manifesta no tronco superior e na região proximal dos membros, que aparece ou piora quando a febre está presente (cutânea); 2. Articulares (não é necessário estar presente); 3. Hepatomegalia; 4. Esplenomegalia- hepatomegalia; 5. Linfadenopatia; 6. Serosite (serosas)- pleurite/ pericardite; Leucocitose/ plaquetose/ Hb pode ser normal ou alto, mas o mais comum é baixo com ferritina alta (anemia por doença crônica)(hematopoético); Ferritina muito alto (>1.000) As articulações mais acometidas são punhos, joelhos e tornozelos, mas coluna cervical, quadris, articulações temporomandibulares e mãos também são envolvidos. Como o quadro é sistêmico, frequentemente há atraso de crescimento, osteopenia, anemia, leucocitose, trombocitose e elevação dos reagentes de fase aguda e da ferritina. FR ou FAN + e uveíte são muito ratos e, quando presentes, sugerem outro diagnóstico! FORMA OLIGOARTICULAR 50-80%, mais comum em menores de 5 anos, com pico de 1 a 3 anos (pequenas), preferencialmente meninas (3-4: 1H). Não é comum muita dor, mas diferença na marcha e cair se torna mais comum. As articulações mais envolvidas são joelhos, tornozelos, punhos e cotovelos, com acometimento de 4 ou menos articulações, durante os primeiros 6 meses de apresentação da doença. Depois disso, os pacientes são subdivididos em 2 grupos distintos: FORMA OLIGOARTICULAR PERSISTENTE (permanece oligoarticular ao longo da evolução da doença- melhor prognóstico, com 70% alcançando a remissão em alguns anos)/ OLIGOARTICULAR ESTENDIDA (passa a acometer mais de 4 articulações depois dos 6 meses de evolução), após alguns anos de doença, 65% das crianças mantém persistente, mas 35% evolui para estendida. Vale lembrar que a forma oligoarticular frequentemente cursa com FAN + (80%), sendo a estendida com maior risco de +, como a + do FAN confere maior risco de uveíte, as crianças tem então uma maior chance dessa complicação (cerca de 30% terá essa complicação, fazer busca ativa); A forma estendida tem maior risco de cronificar-se, tornando erosivas em 60% dos casos, sendo a chance de remissão em 8 anos em cerca de 37%. POLIARTICULAR (FATOR REUMATÓIDE + OU -) Proporção: 40% (10% fator reumatoide +/ 20% fator reumatoide -); Meninas (6:1H); Dois picos de idade (3– 10 anos de idade); Artrite reumatoide: quanto mais tarde inicia, mais parece! Quanto mais cedo, mais parece uma espondiloartrite periférica. Tem que haver 5 ou + articulações nos primeiros 6 meses da doença! Em geral afetando membros superiores e inferiores ao mesmo tempo. FR +: Meninas 6:1, idade mais elevada (8-16 anos), HLA-DR4 +, artrite simétrica de pequenas articulações das mãos e pés. O acometimento das temporomandibulares e coxofemorais não é incomum, gerando micrognatia e dor no quadril, respectivamente. Também pode haver artrite na coluna cervical, com risco de subluxação atlantoaxial e todas as suas consequências (ex.: tetraplegia). Esses pacientes podem apresentar fator reumatoide positivo, o que se associa a um quadro clínico muito semelhante ao da artrite reumatoide do adulto (isto é, poliartrite simétrica de grandes e pequenas articulações dos membros, envolvendo mãos e punhos). Assim como na AR, podem aparecer nódulos reumatoides no subcutâneo de regiões extensoras (ex.: cotovelos). Tal achado, vale dizer, se associa à presença de altos títulos de FR e pior prognóstico (maior probabilidade de artrite erosiva incapacitante). ARTRITE RELACIONADA À ENTESITE Menos comum; 12 anos; Meninos; Entesite-80% -abre o quadro (principalmente calcanhar) Espondilite anquilosante da criança. -Esqueleto axial (coluna/ sacroilíaco) -Esqueleto periférico (quadril/ ombros); Artrite + entesite ou Artrite +2: 1. Dor nas sacroilíacas e/ou dor lombossacral inflamatória; 2. HLA-B27 positivo; 3. Acometimento em meninos >6 anos; 4. Uveíte anterior aguda sintomática; 5. Presença de parente de 1º grau com espondilite anquilosante, artrite relacionada à entesite, doença inflamatória intestinal com sacroileite, artrite reativa ou uveíte anterior aguda. ARTRITE PSORIÁSICA JUVENIL 2-7%- apenas 10% terá a artrite manifestando junto com a psoríase! M:F- incerto; Maioria possui artrite e só depois acometimento na pele- mas as crianças tem muito tenosinovite (parece um pãozinho vermelho)/ dactilite; Artrite + psoríase ou artrite +: Dactilite (dedos de salsicha)/ Pitting nail ou unha em dedal- unhas parecem que estão furadas/ onicólise/ parente de primeiro grau com psoríase; Na maioria dos casos, a artrite é periférica, poliarticular (se for precoce costuma ser oligoarticular), assimétrica, com envolvimento de pequenas articulações. Até 20% podem ter uveíte ocular e por isso consultas com oftalmologista deve ser regular! SÍNDROME DO HOMEM VERMELHO Injetar vancomicina rapidamente (<30 minutos); Tem que fazer em mais de 1 hora! LABORATORIAL REUMATO Hemograma PCR VHS FR FAN INFECTO HIV HVB HVC STILL Ferritina Triglicerídeos Coagulograma Fibrinogênio NEFRO/ HEPATO (PRÉ- MEDICAÇÃO) Ureia Creatinina TGO TGP IMAGEM Radiografia simples de todas as articulações acometidas; Lâmpada de fenda: COMPLICAÇÕES Uveíte anterior crônica não granulomatosa; SÍNDROME DE ATIVAÇÃO MACROFÁGICA Sistêmica! Disfunção das células citotóxicas; Hiperativação macrofágica; Hiperferritinemia; Diminuição dos fatores de coagulação; Leucopenia/ plaquetopenia/ anemia profunda (CITOPENIA)- Hemofagocitose; TRATAMENTO 1ª linha: NAPROXENO 10-20 mg/dia 2-3x/dia (poliarticular FR+ pode não responder- 3 semanas) 2ª linha/ AIJ localizado: IMUNOSSUPRESSORES: SULFALASSALAZINA/ METOTREXATO 0,4 mg/kg/semana (artrite relacionada a entesite não responde/ axial) ou Corticoide sistêmico em dose baixa 0,25 mg/kg / intra-articular; AIJ sistêmica (febre/ visceromegalia): CICLOSPORINA; Terapia biológica: anti- TNF/ anti- IL-1 / anti- IL-6(sistêmico); SÍNDROME DE ATIVAÇÃO MACROFÁGICA: Pulsoterpaia de corticoide: metilprednisolona 1 g/dia >40 kg ou 30 mg/kg/dia <40 kg por 3dias, após corticoide 1mg/kg + imunossupressão biológica(anti-IL-1).