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CHEQUE
Tem a mesma origem da letra de câmbio, dela diferenciando-se a partir de 1848, já no período alemão, passando a não mais se exigir para a letra a provisão de fundos em poder do sacado, o que, contudo, subsistiu no cheque, de modo que a letra torna­se instrumento de crédito a serviço de todos, enquanto o cheque se mantém como meio de pagamento, dependente de provisão em dinheiro/fundos que o emitente tenha perante o sacado.
Regulado pela lei 7.357/85. Ordem de pagamento a vista [vencendo no momento de sua apresentação ao sacado/banco] emitida contra banco ou instituição financeira a que se equipara. É de modelo vinculado, seguindo padronização determinada pelo Bacen e pelo Conselho Monetário Nacional, devendo usar papel especifico, numerado de forma especifica, e outros.
Natureza jurídica
Alguns, como Pontes de Miranda o entendem como título impróprio, sendo meio de pagamento, e não instrumento credictício (de crédito), título de exação e não de dilação, assim se tornando apenas com a prática do cheque pós-datado, que não consta da lei. De outro lado, Carlos Fulgêncio da Cunha Peixoto reconhece no cheque dupla natureza de título de exação e de crédito, em razão da amplitude de seu uso. Para Fran Martins e Rubens Requião seria título impróprio na medida em que não envolveria uma típica operação de crédito, por ser à vista, apenas quando circular por endosso, haveria a operação de crédito. Carlos Gilberto Villegas reconhece nele duas relações jurídicas: a primeira envolvendo o direito interno do cheque, a relação entre o emitente e o banco, de natureza contratual; e a segunda envolvendo o direito externo do cheque, a relação entre emitente e beneficiário, de natureza cambial. Por fim alguns nele reconhecem um título de crédito puro e simples pois embora seja à vista, há necessariamente um tempo entre seu recebimento e sua conversão em dinheiro, estando presentes a confiança e o tempo (elementos do crédito). Outrossim, o cheque não substitui o papel­moeda, de modo que não seja instrumento de pagamento, representando um direito a receber determinada quantia, mas não a própria quantia. 
Classificação
Quanto à circulação, pode ser ao portador quando for de até R$ 100,00, tendo de ser nominal quando acima disto (art. 69 - de modo que a indicação do beneficiário seja um de seus requisitos nestes casos, caso contrário não poderá ser pago, nem produzirá efeitos como título de crédito), circulando pelo endosso somado à tradição. É abstrato, não causal, podendo ser utilizado em qualquer negócio. 
Pressupostos
O diferem da letra de cambio que pode ser emitida livremente enquanto o cheque só poderá ser emitido:
· Sendo o sacado instituição financeira (art. 3º). Tal imposição deve­se ao papel atribuído aos bancos, como agente pagador e responsável pela guarda de valores de terceiros. Sua ausência desnatura a natureza do título como cheque;
· Havendo contrato de conta corrente entre emitente e sacado, autorizado a emitir cheque (art. 4º);
· Existência de fundos do emitente em poder do sacado (art. 4º), que podem advir do saldo de conta corrente bancária, do saldo exigível de conta corrente contratual, da soma proveniente de abertura de crédito, ou de qualquer outra origem.
A ausência destes dois últimos requisitos não desnatura a natureza do título como cheque, apenas sua finalidade, sendo cheque irregular pelo qual o banco não se responsabiliza, apesar de válido e eficaz, devendo apenas devolvê-lo se não houverem quaisquer fundos ou fundos insuficientes para pagar o cheque.
Requisitos 
Essenciais – art. 1º
Sem os quais o documento não valerá como cheque.
· Denominação “cheque”: clausula cambiária
· Ordem incondicional de pagar determinada quantia: não há possibilidade de inserção de clausula de juros entre a emissão e apresentação. Havendo divergência entre a quantia em algarismo e por extenso, esta prevalece. Havendo indigação da quantia mais de uma vez prevalece a menor, conforme art. 12.
· Nome do sacado (banco);
· Data do saque/emissão;
· Assinatura do emitente: identificação do nome e CPF (art. 14). Pode ser impressa por chancela mecânica, que deverá consistir na reprodução exata da assinatura, obedecidos os parâmetros das normas regulamentares (MNI 06­14­00). Analfabeto deve constituir procurador com poderes especiais por instrumento público. Pode haver o abono da assinatura, ou seja, a verificação de sua entidade. 
Observa-se que a única assinatura exigida é a do emitente, visto que não há a figura do aceite, mas o contrato de conta com o banco, em razão da qual ele é obrigado a pagar, não havendo sua responsabilização, como já mencionado, visto que ele não a assume. Quando houver uma identidade entre sacado e emitente, o banco poderá ser executado como emitente, mas nunca como sacado.
Facultativos/supríveis	
Que se faltarem não desnaturam o cheque, sendo supríveis por outras indicações da legislação.
· Lugar da emissão: se omisso é o lugar indicado junto ao nome do emitente, presunção absoluta de que o lugar da emissão corresponde ao local onde o emitente estiver no momento do saque, sequer havendo no título espaço para indicar o lugar da emissão;
· Lugar de pagamento: se omisso é o lugar designado junto ao nome do sacado (art. 2 – inclusive sequer havendo local no cheque para indicar o primeiro, mas havendo para indicar o segundo, que é o endereço da agência pagadora). 
Tais indicações são fundamentais para saber qual será o prazo de apresentação (art. 33): 
· 30 dias: se o local de emissão for o mesmo do pagamento, onde o cheque deve ser apresentado, tratando-se de cheque de mesma praça;
· 60 dias: se forem locais distintos, tratando-se de cheque de praça diferente.
Por praça deve-se entender município, podendo alcançar a ideia de distritos, quando forem distantes da sede municipal. Tal regulamentação é própria do Brasil, diante da reserva realizada ao texto da LUG. 
Principio da autônoma – aplicação
Está expresso nas seguintes disposições:
Art. 17 – “O cheque pagável a pessoa nomeada, com ou sem cláusula expressa ‘à ordem’, é transmissível por via de endosso”, e tradição quando ao portador. § 1º -“O cheque pagável a pessoa nomeada, com a cláusula ‘não à ordem’, ou outra equivalente, só é transmissível pela forma e com os efeitos de cessão”.
Art. 25 – “Quem for demandado por obrigação resultante de cheque não pode opor ao portador exceções fundadas em relações pessoais com o emitente, ou com os portadores anteriores, salvo se o portador o adquiriu conscientemente em detrimento do devedor”.
Art. 16 - “Se o cheque, incompleto no ato da emissão, for completado com inobservância do convencionado com a emitente, tal fato não pode ser oposto ao portador, a não ser que este tenha adquirido a cheque de má-fé”.
Art. 13, único – “A assinatura de pessoa capaz cria obrigações para o signatário, mesmo que o cheque contenha assinatura de pessoas incapazes de se obrigar por cheque, ou assinaturas falsas, ou assinaturas de pessoas fictícias, ou assinaturas que, por qualquer outra razão, não poderiam obrigar as pessoas que assinaram o cheque, ou em nome das quais ele foi assinado”.
Transmissão - arts. 17 a 28
O cheque possui implícita a cláusula à ordem, podendo circular por endosso (art. 17). Para alguns caso seja apenas riscada a cláusula a ordem expressa no formulário do cheque, este ainda poderá ser endossado, pois a cláusula está implícita, devendo constar expressamente dele a cláusula não a cláusula não a ordem para impedir o endosso. Outros entendem ser exigido apenas o primeiro ato.
Como já mencionado, sendo de valor inferior a R$ 100,00 o cheque pode ser ao portador, transmitindo-se por simples tradição, precisando ser nominal quando dele constarem valores superiores.
Geralmente lançado no verso do titulo, devendo-se inserir a expressão “pague-se” quando lançado no anverso. O endosso parcial é nulo.
No período de vigência da CPMF (Contribuição Provisória Sobre Movimentações Financeiras), o cheque tinha a peculiaridade de só admitir um endosso. Ocorre que tal norma não mais vige, desde 31 de dezembrode 2007 (art. 90 ADCT).
Endosso-quitação/endosso-recolhimento
Peculiaridade do cheque, por meio dele o endosso feito ao sacado vale como quitação do cheque (art. 18, § 2º), salvo se for feito a estabelecimento diverso. É o que ocorre quando se faz um saque de um cheque na boca do caixa. Nesses casos, o beneficiário deverá assinar o título no verso, endossando­o ao banco. Tal endosso, contudo, não visa a transferir o crédito, mas essencialmente a provar que o cheque foi pago.
Endosso-caução
Para Fran Martins inexiste pela falta de previsão na lei, que prevê apenas o endosso mandato. Pontes de Miranda, por sua vez, discorda de tal conclusão, entendo-o aplicável apesar do silêncio da lei. Tal conclusão é corroborada pela previsão do art. 918 CC, que tem aplicação no silêncio das legislações especiais dos títulos de crédito. Além disso, vale a pena ressaltar que o endosso póstumo no cheque é aquele feito após o protesto, ou declaração equivalente, ou à expiração do prazo de apresentação (30 ou 60 dias da emissão). A figura é a mesma (forma de endosso e efeitos de cessão de crédito), o momento é o mesmo (depois do protesto ou do prazo do protesto), o que muda apenas é o elemento temporal.
No mais, aplica­se integralmente a disciplina da letra de câmbio.
Endosso póstumo/ tardio
Após o protesto ou prazo de apresentação Art. 27 – “produz apenas os efeitos de cessão civil. Salvo prova em contrário, o endosso sem data presume-se anterior ao protesto, ou declaração equivalente, ou à expiração do prazo de apresentação”.
Endosso com clausula “pague sem garantia” 
Por meio dele a pessoa transmite o titulo sem se comprometer em pagar.
Aval - arts. 29 a 31
O aval no cheque possui uma disciplina praticamente idêntica àquela das letras de câmbio. A única peculiaridade é a impossibilidade de o sacado/banco ser avalista (art. 29), visto que assim ele se tornaria devedor do cheque, o que se quer evitar em tal título. Pode ser total ou parcial. 
Art. 15 – “O emitente garante o pagamento, considerando-se não escrita a declaração pela qual se exima dessa garantia”.
Apresentação
A obrigação só pode ser exigida, o título só é pagável no dia da apresentação (que varia entre 30 e 60 dias da data da emissão, como já visto), no momento da apresentação e não posteriormente pois, legalmente, o cheque é ordem de pagamento à vista, considerando-se não escrita qualquer menção em contrário (art. 32). Isto ocorre mesmo que a apresentação ocorra em data anterior à emissão (no caso de colocar-se no cheque data posterior à real, sendo cheque pré/pós-datado), começando o prazo prescricional a correr a partir da apresentação efetiva, e não da data de emissão indicada (enunciado 40 da I Jornada de Direito Comercial do CJF). Equivale à apresentação ao sacado, a feita a uma câmara de compensação.
Cheque pré/pós datado é aquele preenchido como se tivesse sido emitido em prazo futuro. Tomazete entende por sua legalidade visto que, nos termos da lei o cheque é sempre à vista, com relação ao banco que deve pagar o cheque que possua fundos quando ele lhe for apresentado, ignorando eventual pós-datação (art. 32, único). Esta regra, porém, não se dirige à relação entre o emitente e o beneficiário, que podem determinar que o cheque só seja apresentado futuramente, postergando também o início da contagem do prazo prescricional. 
Já quando se coloca a emissão verdadeira e a expressão “bom para data futura”, entende o STJ que deve-se considerar a data da emissão para a contagem da prescrição. 
Deste modo a apresentação antecipada, antes da data consignada, configuraria quebra da convenção por esta data, ensejando responsabilização civil por danos morais por quem a efetuou (que devem ser efetivamente comprovados, não se resumindo a partir da apresentação antecipada do cheque) conforme sum. 370 STJ. Ressalta-se que esta obrigação é do beneficiário e não do banco para o qual, como visto, o cheque é pagável a vista. Entende o STJ que esta obrigação também não se estende ao endossatário que não fez parte do pacto pela data futura, de natureza contratual. Só gera responsabilidade por dano moral do banco sua devolução indevida, independentemente de dano (sum. 388 STJ).
A princípio, exige­se apenas uma apresentação, porém, nem sempre, nessa primeira apresentação o sacado efetuará o pagamento, como no caso de ausência de fundos disponíveis. Em razão disso, faculta­se uma segunda apresentação do cheque não pago por insuficiência de fundos, que pode ser feita após 2 dias úteis da primeira apresentação. Caso perdure a insuficiência de fundos na segunda apresentação, o banco deverá inscrever o seu nome no Cadastro de Emitentes de Cheques Sem Fundo (CCF), sendo­lhe vedado fornecer ao cliente talonários enquanto seu nome estiver inscrito nesse cadastro. Quando o cheque se referir a uma conta conjunta, apenas o nome do emitente do cheque será incluído no referido cadastro (Circular nº 3.334/2006 do Bacen). Em todo caso, é facultada (art. 10, Resolução 2.025/93, CMN) à instituição financeira a abertura, manutenção ou encerramento de conta de depósitos à vista, cujo titular figure ou tenha figurado no CCF.
São as consequências da perda do prazo:
- Perante ao sacado
Caso o cheque seja apresentado ao pagamento depois de transcorrido o prazo o sacado ainda terá a obrigação de pagar o cheque, caso haja fundos, desde que a ação cambial ainda não esteja prescrita (art. 35, único), ou seja, dentro dos 6 meses posteriores ao término do prazo para apresentação.
- Perante emitente e demais devedores
Art. 47 - Pode o portador promover a execução do cheque:
I. Contra o emitente e seu avalista;
II. Contra os endossantes e seus avalistas, se o cheque apresentado em tempo hábil e a recusa de pagamento é comprovada pelo protesto ou por declaração do sacado, escrita e datada sobre o cheque, com indicação do dia de apresentação, ou, ainda, por declaração escrita e datada por câmara de compensação [que equivalem ao protesto].
§ 3º - “O portador que não apresentar o cheque em tempo hábil, ou não comprovar a recusa de pagamento pela forma indicada neste artigo, perde o direito de execução contra o emitente, se este tinha fundos disponíveis durante o prazo de apresentação e os deixou de ter, em razão de fato que não lhe seja imputável”, ou seja, que o impeça de sacar tal valor ou usá-lo de alguma forma, como liquidação extrajudicial ou falência do banco. Trata-se de exceção, a única forma prevista de desoneração do devedor, o ônus da prova da existência destes fundos cabendo a ele. Caso contrário, conforme sum. 600 STF, cabe ação executiva contra o emitente e seus avalistas, ainda que não apresentado o cheque ao sacado no prazo legal, desde que não prescrita a ação cambiária. Já quanto aos co-devedores (endossantes e seus avalistas) esta apresentação precisa ser tempestiva.
Art. 37 – “A morte do emitente ou sua incapacidade superveniente à emissão não invalidam os efeitos do cheque”.
Pagamento
Para efetuá-lo compete ao banco analisar a regularidade do título, a provisão de fundos, a ausência de impedimento ao pagamento e a legitimidade de quem o apresenta. Neste último aspecto, deve, nos cheques ao portador (de até R$ 100,00), apenas verificar a legitimação real do detentor, isto é, a apresentação do cheque original. Nos nominais que não circularam, basta verificar a identidade do portador com o nome do beneficiário ali consignado. Já nos cheques endossados, deve analisar apenas a regularidade da cadeia de endossos, não sendo necessária a análise da autenticidade de cada assinatura, tendo o STJ reconhecido a responsabilidade do Banco por não verificar a cadeia de endossos.
Ao pagar o cheque, o sacado deve exigir a entrega do título pelo portador (art. 38), acompanhado do endosso-quitação se o pagamento se der em espécie, evitando que o título volte a circular chegando às mãos de terceiro de boa­fé, tendo que ser pago novamente. Esse recolhimento também é prova de que o banco cumpriu a ordem.
No caso em que for admitida a emissão de cheques em moeda estrangeira, o cheque deverá ser pago, noprazo de apresentação, em moeda nacional à luz do câmbio do dia do pagamento. Caso o título não seja pago no ato da apresentação, pode o portador optar entre o câmbio do dia da apresentação e o câmbio do dia do pagamento para efeito de conversão em moeda nacional.
Pagamento parcial
Caso o emitente possua fundos junto ao sacado, mas esses fundos não sejam suficientes para atender ao valor do cheque, o sacado pode (e não deve, não sendo obrigado a) efetuar o pagamento parcial do cheque. O banco devolverá o título ao beneficiário, com a menção expressa no documento de um pagamento parcial. O beneficiário não pode recusar o pagamento parcial (art. 38, único), sendo exceção à regra de que o credor não é obrigado a aceitar pagamento parcial, visando proteger os devedores indiretos, que só devem responder pela falta de pagamento do devedor principal ou do sacado, sendo que se a falta de pagamento é parcial, sua responsabilidade também será ser parcial. 
Apresentação simultânea de vários cheques
Havendo mais de um cheque seja exigível ao mesmo tempo e apresentado ao sacado, somando mais que os fundos do emitente, deve ser pago o mais antigo. Caso a data de emissão também seja a mesma, deve­se pagar preferencialmente o cheque com numeração inferior (art. 40).
Pagamento de cheque falso ou falsificado
Cheque falso é aquele com assinatura de pessoa diversa do efetivo emitente. Falsificado é o cheque adulterado em algum de seus elementos essenciais. No caso de sua apresentação entende-se que a responsabilidade pelo cheque falso, falsificado ou objeto de alterações é do banco/sacado, por se tratar de risco inerente à sua atividade, conforme sum. 28 STF, devendo responder ao correntista por isto. Resguarda-se, contudo, ao sacado o direito de reaver o que pagou nos casos de dolo ou culpa do correntista, do endossante ou do beneficiário.
Não sendo possível o pagamento o banco irá devolver o cheque ao apresentante e consignará o motivo da devolução, utilizando números designados pelo Bacen para indica-lo.
Sustação – art. 35
Contra-ordem do emitente para que o sacado não pague o cheque. Pode ser:
· Revogação/rescisão: contra-ordem do emitente, dada por aviso epistolar, ou por via judicial ou extrajudicial, com as razões motivadoras. Pode ser feita a qualquer momento mas produz efeitos após expirado o prazo de apresentação;
· Oposição/sustação propriamente dita: pode ser feita pelo emitente ou pelo portador legitimado, comunicado por escrito ao sacado, admitida a oposição por meio eletrônico desde que confirmada nos 2 dias uteis seguintes. Deve ser fundada em relevante razão de direito (art. 36), como o B.O em caso de furto, roubo ou extravio, não cabendo ao banco discutir a veracidade do motivo. Gera efeitos imediatamente, mesmo durante o prazo de apresentação. É possível a sustação provisória para impedir imediatamente o pagamento do cheque, mas que deve ser confirmada pela pessoa que a efetuou. Ela não poderá ser renovada ou repetida em relação a um mesmo cheque. 
Sustação e revogação se excluem reciprocamente.
Ambas não retiram a executividade do titulo de crédito.
Protesto
Em todos os casos de devolução do cheque, o banco deve atestar o não pagamento por um carimbo, com indicação do motivo da devolução. Embora ele já demonstre a ausência de pagamento do título para efeitos como a interrupção da prescrição, determinação da impontualidade injustificada do devedor e inscrição de seu nome no SPC e SERASA, exige-se o protesto para provar o não pagamento. Por sua vez, a cobrança dos devedores indiretos é possível apenas com o carimbo de devolução do cheque apresentado tempestivamente, não sendo necessário o protesto.
Porém, entende parte da doutrina e jurisprudência que o protesto de cheque devolvido por roubo ou semelhantes não deve produzir os mesmos efeitos, ou mesmo não deve ser registrado, visto que os direitos do credor contra devedores indiretos já são resguardados com o carimbo de devolução.
O provimento 30/2013 do CNJ afirma que o protesto do cheque devolvido por tais motivos é proibido, salvo quando houver endosso ou aval, caso em que será feito o protesto, mas o emitente não sofrerá quaisquer efeitos, pois será colocado na certidão do protesto um emitente desconhecido, elaborando-se um índice pelo apresentante. Caso o protesto seja realizado mesmo assim, o próprio emitente pode cancelá­lo provando ao cartório o motivo da devolução do cheque.
O protesto deve ser realizado no prazo de apresentação (30 ou 60 dias). Para alguns, não produzirá qualquer efeito se realizado depois disso, para outros, só não produzirá efeitos quando aos devedores indiretos. No que tange à interrupção da prescrição ou à configuração da impontualidade injustificada, tal prazo não tem a menor relevância. Conforme o entendimento do STJ o tabelião pode, porém, não registrar o cheque caso prescrita a execução, visto que se trata de matéria de ordem pública.
Ações
Ação de execução/ação cambial
Ajuizada contra o emitente, endossantes e avalistas. 
Por representar simples atualização do valor do cheque, a jurisprudência vem entendendo que o termo inicial da correção monetária é a data da emissão do cheque. Em casos excepcionais, quando o credor nem apresenta o cheque ao banco dentro do prazo prescricional, o STJ reconheceu a incidência da correção a partir do ajuizamento da ação. De outro lado, Luiz Emygdio da Rosa Júnior afirma que o termo inicial deveria ser a data da apresentação do cheque e recusa do pagamento, porquanto nessa data se consumaria o prejuízo do credor, bem como o entendem Paulo Restiffe Neto e Paulo Sérgio Restiffe, que a correção deveria incidir a partir da emissão do cheque, obrigaria o próprio banco a pagar a correção do valor quando o título lhe fosse apresentado. 
Para Tomazete o termo inicial deve ser a data da apresentação, uma vez que até aquele dia o portador receberia apenas o valor nominal do cheque. A partir dali, há o direito à recomposição do efetivo valor da moeda. Assim sendo, o valor deverá ser atualizado desde a data da apresentação até a data do efetivo pagamento. Além do principal devidamente corrigido, podem ser cobrados juros moratórios, independentemente de previsão expressa no título, uma vez que sua incidência decorre de lei. Nesse caso, o termo inicial é o vencimento do título (data da apresentação do cheque ao sacado), uma vez que se trata de dívida líquida e certa (art. 52, II). Por fim, podem ser exigidas do devedor as despesas efetuadas pelo credor, especialmente do eventual protesto e dos avisos realizados. Tais despesas, porém, não poderão ser exigidas se for pactuada no cheque a cláusula sem protesto ou sem despesas (art. 50).
Seu prazo de prescrição é de 6 meses a contar da expiração do prazo para apresentação (art. 59), alguns entendendo que, caso ele seja apresentado, o prazo prescricional deve ser contado do dia em que isto ocorreu, outros entendendo que deve ser o ultimo dia do prazo para tal. Se já prescrito pode usar ação monitoria (cheque que prescreveu é prova escrita da divida, não precisa por a causa debendi como fundamento da inicial).
Ação de enriquecimento/locupletamento ilícito – art. 61
Ação cambial subsidiária, prescreve em 2 anos a contar do término do prazo prescricional da ação de execução.
Ação de cobrança – art. 62
Ação causal, na qual caberá ao portador comprovar a relação causal que originou o título, visto que a emissão do cheque, em regra pro solvendo, não tem o condão de extinguir o negócio que lhe deu origem. Caso contrário é do cheque emitido pro soluto, o que não se presume, porquanto o negócio que lhe deu origem já está extinto. O prazo prescricional irá depender do tipo de negócio que deu origem ao título.
Ação monitória
Usada quando prescrita a ação cambial, não precisando o credor demonstrar a causa do titulo (sum. 299 STJ). Prescreve em 5 anos da emissão (sum. 503 STJ).
Espécies de cheque
1. Cruzado (art. 44): com 2 traços transversais e paralelos no verso/face do título. Não pode ser pago no caixa, apenas por depósito em conta. Caso seja depositado emum banco diverso do sacado, o banco depositário irá receber o cheque e creditará os valores ao seu cliente. Caso seja depositado no mesmo banco sacado, este efetuará o pagamento ao seu cliente, mediante crédito em conta, mas nunca em dinheiro. Protege o credor por ser possível identificar quem o receber em caso de furto. É irretratável. Pode ser por (§ 1º e art. 45):
1.1 Cruzamento em branco/geral: pode ser depositado em qualquer banco; 
1.2 Em preto/especial: deverá ser depositado no banco indicado entre os traços pelo nome ou numero do Bacen ou para cliente. Se existirem vários cruzamentos o cheque só pode ser pago pelo sacado quando um dos cruzamentos for para a câmara de compensação, não se admitindo a pluralidade de cruzamentos especiais para bancos distintos.
2. Para ser creditado em conta (art. 46): com cláusula inserida pelo emitente sem qualquer formalidade específica, proibindo o sacado pagar em dinheiro, podendo pagar apenas mediante lançamento contábil com crédito em conta, transferência e compensação. Também é irretratável.
3. Visado (art. 7): o banco confirma, mediante assinatura no verso do título, a existência de fundos no valor do título, os quais ficarão reservados para a liquidação do cheque, pelo prazo para apresentação do título. Para isto é preciso que seja apresentado ao banco antes da apresentação para pagamento ao sacado, bem como deve ser cheque nominal e sem endosso. Se o banco falhar no bloqueio da quantia poderá ser demandado por perdas e danos, mas nunca executado com base no cheque, pois a assinatura é apenas um serviço, não assunção de obrigação, que gera responsabilidade civil e funcional mas não cartular;
4. Administrativo (art. 9, III): emitido pelo banco contra ele mesmo, devendo ser nominal. É usada pelo correntista, que compra o cheque administrativo, dando mais segurança a suas negociações, visto que é difícil imaginar que o banco não tenha fundos para efetuar o pagamento;
5. Especial: pagável com valor extra posto à disposição do correntista, sendo então linha de crédito;
6. De viagem: instrumento de troca de moeda, podendo ser sacados em estabelecimentos no exterior após o depósito, em moeda nacional, de valores equivalentes aos pretendidos em moeda estrangeira. Deve haver duas assinaturas no corpo do cheque, uma quando o recebe no banco, outra para o desconto no exterior, garantindo a autenticidade para quem vai pagar o cheque, uma vez que será possível verificar a identidade do beneficiário.

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