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LÚPUS Introdução É uma doença autoimune inflamatória crônica de etiologia multifatorial com fatores hormonais, ambientais, predisposição genética. Tem como característica mais marcante o desenvolvimento de focos inflamatórios em vários tecidos e órgãos; Resposta imune ao antígeno ou constituinte próprio com manifestações pleomórficas (mancha que piora no sol, cabelo caindo em tufos, olho lacrimejando). É cararacterizada pela produção de autoanticorpos, formação e deposição de imunocomplexos, inflamação em diversos órgãos e dano tecidual. A doença é marcada por períodos de exacerbação e remissão (paciente sem sintomas com uso de apenas um medicamento imunomodulador), um dos períodos de exacerbação pode ser a gravidez; A doença compromete principalmente a pele (dermatites), articulações (artrites), serosas (serosite), glomérulos (glomerulite) e SNC. O FAN deu positivo? Pesquisar a clínica do paciente, pois não é um exame sensível somente para o lúpus. Epidemiologia - mulheres jovens em idade fértil (15 a 45 anos); - Pode acometer homens, e eles tem pior prognóstico; - predomínio na raça negra; Patogênese Aumento da apoptose Essa doença é resultado da ação de diversos autoanticorpos que geram um desequilíbrio do sistema imunológico, formando imunocomplexos. As células T não vão ter boa funcionalidade, maior formação e deposição de imunocomplexos com ativação do sistema complemento + anticorpos = antígenos de superfícies celulares que se depositam nos tecidos, órgãos ou sistemas. Embora diversos autoanticorpos possam ser produzidos no LES, os principais e mais característicos são os anticorpos antinucleares. - Fatores ambientais: A luz UV é contra indicada para pacientes lúpicas, podem exacerbar a doença; O estrogênios são imunoestimulantes; O tabagismo; Classificação - Lúpus eritematoso sistêmico (LES); - Lúpus eritematoso cutâneo Crônico Lúpus eritematoso discoide, Lúpus eritematoso melanócito, LEC túmido, LEC hipertrófico e Paniculite lúpica; - Lúpus cutâneo subagudo - Lúpus induzido por drogas - Lúpus neonatal Pedir o que para o paciente? Hemograma, sumário de urina, creatinina. Manifestações clínicas Sintomas constitucionais 60 – 70%, fadiga, febre, mal estar, queda do estado geral; Pele e mucosas Primeira manifestação e é a maior parte das manifestações; - Lúpus cutâneo agudo (hipersensibilidade a luz, bolhas “asas de borboleta”); - subagudo (placas psoriasiformes, hipopigmentação e telangiectasias no centro); - crônico (discoide); Fase aguda - Rash malar ou eritema em asa se borboleta - Presença de dor, eritema e ardência - Precipitada pela exposição solar, persistindo por horas a dias; - Máculas ou pápulas em áreas expostas ao sol como face, tórax, ombros. Fase subaguda Lesões cutâneas eritematosas e descamativas não ulcerativas predominantemente em MMSS e parte superior do tronco, a face geralmente é poupada. Podem simular a psoríase com uma erupção papuloescamosa ou lesões eritematoanulares que simulam eritema anular centrífugo Qual o autoanticorpo associado ao lúpus subagudo e à fotossensibilidade? anti – Ro. Fase crônica Lúpus eritematoso discoide – lesões maculosos ou papulosas eritematocas com escamas firmes, é a forma mais comum Lupus eritematoso melanocítico (manifestações dérmicas, maioria > 50 anos de idade pela grande exposição ao sol) Lúpus eritematosos crônico túmido – parece com uma micose Lúpus eritematoso cutâneo crônico – paniculite lúpica Não específica de LES - Alopecia não discoide: comum no LES reversível com o controle da doença. - Vasculite cutânea: lesões purpúricas/ petequiais ou lesões urticariformes. Em casos mais graves podem surgir úlceras cutâneas. Manifestações hematológicas Pode haver anemia, não somente pela doença crônica mas pode ser pelas medicações, alimentação ou por hemólise Manifestações articulares - Altragia e artrite em 60 – 80 % que costuma ser simétrico, o diferencial da artrite reumatoide é que é reversível; Pedindo radiografia, não é encontrado erosão diferentemente da artrite reumatoide. - Deformidade de jaccoud: é um acometimento muito frequente em LES de longa data com FAN +, antiSSA + e anti CCP negativo . Retorna ao normal transitoriamente se manipulado. Manifestações pulmonares Causam muito derrame pleural, importante diferenciar do lúpus em atividade de um quadro infeccioso; A dor pleurítica é frequente, quase em 50% dos casos, sendo mais comum do que o derrame pleural. Manifestações cardiovasculares Dor pericárdica de pericardite é mais frequente. Derrame pericárdico também e comum. Porque pacientes com lúpus tem 50% de risco cardiovascular? Pelo processo inflamatório e Pelo uso de altas doses de glicorticoide, que contribui para o aumento do colesterol. Manifestação neurológica e psiquiátrica Disfunção cognitiva leve (50-80%) Convulsão (10 – 20%) Manifestações renais Lesão renal Tem prevalência em 50 – 70 % Pedir sempre sumário de urina (hematúria, cilindros celulares, proteinúria), proteinúria em 24h horas, spot urinário (proteína/ creatinina) Solicitar anti DNA em pacientes com lesão renal . Lúpus induzido por drogas Muito alto risco – procainamida e hidralazina; Moderado risco – isoniazida Muito baixo risco – minociclina e anti TNF´s Manifestações vasculares Fenômeno de raynaud ou vasculites Critérios para classificação dos LES Critério de entrada obrigatório: Fator antinuclear (FAN) com título > ou = 1;80 nas células HEp-2 ou teste equivalente positivo OBS: Tricitopenia PODEMOS pensar em causas – infecciosa, autoimune e neoplásica Ver pontuações para lúpus eritematoso sistêmico j É necessário uma soma de 10 pontos para o diagnóstico; Controle da doença O controle é feito a partir do acompanhamento do paciente através de : Hemograma, VHS, PCR, sistema complemento (C3, C4, CH50), Anti DNA, Sumário de urina, spot urinário O FAN não é um exame específico para LES, mas é sensível; O autoanticorpo mais característico e mais relacionao à lesão renal é o Anti – DNA nativo. Tratamento Orientações gerais (SOL/FPS >30), Educação do paciente, apoio psicológico, riscos cardiovascular, atividade física, dieta, evitar tabagismo. Tratamento LES – cutâneo A medicação vai dependendo da localidade, pela delicadeza da pele: - Se for em uma pele mais fina (rosto): usar um corticoide de baixa potência como hidrocortisona - Pele grossa (tronco e MMII, MMSS): corticoide tópico de potência intermediária betametasona - Lesões hipertróficas: corticoide de alta potencia como o clobetasol Finalidade do imunomodulador – substituir corticoide pelo risco cardiovascular Tratamento LES – articular AINES, prednisona 5 – 15mg/dia, hidroxicloroquina (em artrites com evolução crônica), metotrexato (se não responder a hidroxicloroquina) Tratamento LES – Cardiovascular e pulmonar É necessário doses muito elevadas, em pulsoterapia (1mg/kg/dia) endovenosas.