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Amanda Monteiro 2024.2
Vias de administração e absorção
1. ADMINISTRAÇÃO
● Enterais
Oral
Sublingual
Retal
● Parenterais
Intravenosa
Intramuscular
Subcutânea
Intra-articular
Intraperitoneal
Peridual/Epidural
Intratecal/Subaracnóide
● Outras vias
Tópica
Inalatória
Intranasal
Intravaginal
Oftálmica
Mecanismos utilizados pelos fármacos para atravessas as barreiras celulares
1. Transporte passivo
- Paracelular
- Difusão
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2. Transporte ativo
- Difusão facilitada
- Transportadores
Moléculas lipossolúveis atravessam com grande facilidade a membrana. Moléculas hidrossolúveis
apresentam maior dificuldade, porém esta dificuldade é menor se as moléculas forem pequenas e
maior se as moléculas forem grandes. Já os íons são praticamente incapacitados de atravessar a
membrana devido à sua natureza iônica (cargas dificilmente interagem com os componentes de
membrana para conseguir atravessar). Além disso, as drogas que estão ligadas a proteínas
plasmáticas apresentam também grande dificuldade de atravessar a membrana.
Grau de ionização dos fármacos
- Em pH ácido, os ácidos fracos predominam em sua forma não ionizada
Assim, esses fármacos seriam mais facilmente transportados através da membrana do estômago,
logo, mais absorvidos.
- Em pH ácido, as bases fracas predominam em sua forma ionizada
Assim, esses fármacos seriam menos transportados através da membrana do estomago, logo,
menos absorvidos.
Então, os ácidos são mais absorvidos no estomago do que no intestino? Não, quando analisamos
tal caso, pensa-se em ácidos e bases fracas e além disso é necessário avaliar a área absortiva e
muco gástrico.
Amanda Monteiro 2024.2
Amanda Monteiro 2024.2
Se um indivíduo estiver com uma dosagem maior que a adequada da petidina (base fraca), seria
interessante acidificar a urina para eliminá-la mais rapidamente. Já no caso da aspirina (ácido
fraco), para aumentar sua eliminação, pode-se alcalinizar a urina. Assim, existem medidas
terapêuticas usadas para aumentar a eliminação ou para aumentar a reabsorção
OBS: Formas farmacêuticas que liberam o fármaco de forma gradual e continua tem as
seguintes vantagens:
- Absorção lenta e uniforme
- Redução da frequência de administração
- Manutenção do efeito durante a noite
- Eliminação de picos de concentração do fármaco
Se um indivíduo estiver com uma dosagem maior
que a adequada da petidina (base fraca), seria
interessante acidificar a urina para eliminá-la mais
rapidamente. Já no caso da aspirina (ácido fraco),
para aumentar sua eliminação, pode-se alcalinizar
a urina. Assim, existem medidas terapêuticas
usadas para aumentar a eliminação ou para
aumentar a reabsorção.
Formulação farmacêutica: comprimidos precisam
se desintegrar para serem absorvidos; fármacos
na forma líquida não se desintegram, então são
prontamente liberados. Assim, o fármaco passa
pelo processo de absorção para chegar à circulação. Porém uma cápsula, por exemplo, não
precisa ser fragmentada como os comprimidos. O pH do suco gástrico já dissolve a cápsula. Por
isso, quando se administra uma cápsula, o início da absorção é mais rápido que o do comprimido
(não precisa ser fragmentada). Outra absorção rápida é pelos líquidos (diretamente dissolvidos no
suco gástrico). Porém, existem drogas que, ao entrarem em contato com o suco gástrico, são
inativadas/degradadas. Para evitar que isso aconteça, o princípio ativo do medicamento é
protegido por um revestimento entérico, que protege o fármaco do ataque do suco gástrico, e
somente é dissolvido ao chegar ao intestino (não é fragmentado como intestino comum). O gráfico
ao lado é uma comparação entre a cápsula e o comprimido, mostrando que o início de ação da
cápsula é mais rápido devido a sua mais rápida absorção.
❖ VIA ORAL
Fatores que influenciam a absorção oral
1. Propriedades químicas do fármaco
- Natureza química
- Lipossolubilidade
- Grau de ionização
- Formulação farmacêutica
2. Variáveis fisiológicas
- pH e fluxo sanguíneo no local de absorção
- Área disponível para absorção
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- Tempo de esvaziamento gástrico
- Interação com os constituintes do TGI
- Metabolismo de primeira passagem
❖ VIA SUBLINGUAL
- Pequena superfície para absorção
- Rápida absorção
- Não sofre metabolismo de primeira passagem
❖ VIA RETAL
- Praticavel em camatosos, pacientes com vômitos e incapacidade de deglutir
- Menor efeito de primeira passagem
- Absorção irregular e incompleta
- Irritação na mucosa reta
- Efeito local ou sistêmico
❖ VIA INTRAVENOSA
- Administração rápida ou lenta
- Medicação de urgência
Vantagens:
- Efeito imediato
- 100% de biodisponilidade
- Possibilita a administração de grandes volumes
- Possibilita a administração de substancias irritantes por outras vias
Desvantagens:
- Requer material estéril e pessoa capacitada
- Incômodo para o paciente
- Menor seguraça
- Improprio para substancias insolúveis ou oleosas
- Riscos de flebite, infecção e trombose
❖ VIA INTRAMUSCULAR
Vantagens:
- Início mais rápido que a via oral
- Possibilita a administração em pacientes incapacitados de deglutir, com vômitos e diarreia
- Mais segura que a intravenosa
- Não sofre efeito de primeira passagem
Desvantagens:
- Efeitos adversos locais: dor, desconforto, hematoma e lesão muscular
- Impossibilita a administração de substancias irritantes, com pH fora da neutralidade ou na
osmolaridade
A absorção depende de:
- Fluxo sanguíneo local
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Deltoide > Gluteo
- Efeito dependente do sexo
Homem > Mulher
- Tipo de preparação
Solução x Suspensão
❖ VIA SUBCUTÂNEA
- Substâncias não irritantes – pequeno volume
- Efeitos adversos locais: dor, abcesso, fibrose e infecção
- Absorção é lenta, mas constante provocando efeito duradouro
❖ VIAS PARENTERAIS ESPECIAIS
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❖ VIA INALATÓRIA
Gases e pequenas partículas em suspensão (aerossois);
Absorção rápida;
Não sofre metabolismo de 1ª passagem;
Efeito sistêmico (anestésicos locais) ou local (medicamentos para asma – broncodilatadores e
glicocorticoides).
❖ VIA CUTÂNEA
Absorção pela pele ou mucosas;
Fatores que influenciam a absorção
 Tamanho da superfície
 Lipossolubilidade
 Integridade da derme;
Pomadas, cremes, loções, pastas;
EFEITO TERAPÊUTICO LOCAL.
❖ VIA TRANSDÉRMICA
Exemplos: Nicotina Escopolamina Nitroglicerina Testosterona Estrogênio;
Absorção depende da lipossolubilidade e integridade da derme.
Fatores que interferem na escolha da via de administração
⇨ Efeito local ou sistêmico;
⇨ Propriedades físico-químicas do fármaco ou da forma farmacêutica administrada;
⇨ Tempo necessário para o início do efeito;
⇨ Duração do tratamento;
⇨ Conveniência;
⇨ Obediência do paciente ao regime terapêutico;
⇨ Estado patológico que impossibilita a via.
2. ABSORÇÃO
Transferência do fármaco do seu local de administração para o compartimento central e amplitude
com que isso ocorre
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Teoria dos dois compartimentos
O nosso corpo possui dois compartimentos que merecem atenção:
1. Central – circulação em si e órgãos altamente perfundidos.
2. Periférico
Essa teoria indica que após a absorção, existe a distribuição preferencial do fármaco para a
circulação e órgãos hiperperfundidos: pulmões, coração, fígado, rins. Em um segundo momento,
há a distribuição como um todo.
OBS: Biodisponibilidade
Se refere a quantidade de droga disponível para ação naquele local específico, que
é o objetivo terapêutico.
Ela é influenciada por: absorção, distribuição, metabolização, excreção, se há
ligação com proteínas e o armazenamento.
DISTRIBUIÇÃO, METABOLISMO E ELIMINAÇÃO
Introdução
Os medicamentos são ingeridos, o fármaco é liberado, absorvido, entrando na
corrente sanguínea, distribuído, metabolizado e eliminado. Esse conjunto de
ações consiste a farmacocinética.
O fármaco pode se encontrar na forma livre ou ligado a uma proteína
plasmática, quando livre está na sua forma ativa e quando ligado está inativo.
● Distribuição
Consiste na transferência do medicamento da circulação sistêmica para
diversos tecidos. Após ser absorvidoo fármaco é distribuído para os nossos
tecidos, primeiro ele chega nos órgãos que são altamente vascularizados e são
absorvidos mais rapidamente, como rins, fígado, coração, pulmão e cérebro e
posteriormente ele vai para músculos, vísceras e pele.
FATORES QUE INTERFEREM NA DISTRIBUIÇÃO:
-Lipossolubilidade: fármacos lipofílicos são absorvidos mais facilmente do que
os fármacos hidrofílicos.
-Grau de ionização: fármacos não ionizados são facilmente absorvidos e os
ionizados não são absorvidos, esse fato depende do pH do meio
-Fluxo sanguíneo: divisão dos compartimentos centrais e periféricos.
-Ligação a proteínas plasmáticas: quando o fármaco está ligado a proteína se
encontra na forma inativo.
-Permeabilidade do endotélio capilar: presença de barreiras como a barreira
hematoencefalica
**O fármaco se distribui pelos tecidos nos líquidos intracelular e extracelular,
passando de um meio para o outro para que haja o equilíbrio.
O padrão de equilíbrio depende da:
-Permeabilidade das barreiras
-Ligação dentro dos compartimentos
-Participação do pH e da agua
Quando o fármaco se encontra distribuído por todo o corpo temos o volume
aparente de distribuição.
● Volume Aparente de Distribuição
É o volume hipotético de liquido corporal que necessita para que o fármaco se
encontre totalmente distribuído. Esse volume dos líquidos corporais é
Aula 3
necessário para dissolver a quantidade total de fármaco na mesma
concentração do que aquela se encontra no sangue, para manter o equilíbrio.
No sangue, os fármacos ácidos apresentam afinidade com a albumina
(proteína plasmática básica) e os fármacos básicos apresentam afinidade com
a glicoproteína alfa1.
A ligação do fármaco com a proteína depende de 3 fatores:
-Afinidade entre o fármaco e a proteína.
-Concentração sanguínea do fármaco
-Concentração de proteínas plasmáticas no sangue.
É necessário que haja um equilíbrio entre a quantidade de fármacos ligados e
fármacos não ligados. Os fármacos ligados estão na sua forma inativa e os não
ligados encontra-se na forma ativa. EX: Varfarina possui 99% de ligação, ou
seja, 99% da Varfarina está ligada e apenas 1% esta na forma livre, esse 1%
que está livre vai desencadear o efeito farmacológico.
O efeito farmacológico so ocorre com o fármaco livre.
Interação Medicamentosa
Os fármacos básicos além de apresentarem afinidade com a glicoproteína alfa1
apresentam uma baixa afinidade a albumia. Assim quando administramos
algum medicamento acido e básico juntos, a albumina como tem mais
afinidade ao acido se liga a ele, ocasionando uma porcentagem maior de
fármaco acido ligado e um desligamento do ácido básico da albumina, assim
aumenta a porcentagem de fármaco básico livre e consequentemente
potencializa seu efeito farmacológico.
EX: Associação de Varfarina (fármaco básico) com anti-inflamatório (fármaco
acido). A varfarina é um anticoagulante o qual 99% do fármaco se encontra na
forma ligada a albumina. Dessa forma, quando administramos anti-inflamatório
a albumina perde sua afinidade com a varfarina e se liga ao anti-inflamatório,
por ser um fármaco acido, assim a porcentagem de varfarina livre aumenta,
aumenta sua concentração plasmática e consequentemente seu efeito
farmacológico é potencializado e o paciente começa a ter hemorragia.
**Doenças hepáticas e síndrome nefrótica resultam na redução da albumina e
consequentemente mais fármacos livres, aumentando a toxicidade.
Barreiras
Os fármacos lipossolúveis conseguem atravessar a célula, via transcelular.
Os fármacos hidrossolúveis passam pelas células através de poros, via
intercelular.
Os fármacos grandes se deslocam através dos capilares linfáticos.
● Barreira Hematoencefalica
Aula 3
Essa barreira não possui poros, assim os fármacos hidrossolúveis não
conseguem passar por elas (vao precisar de transporte ativo). Por essa
barreiras passam os fármacos lipossolúveis.
A barreira hematoencefalica possui processos pedunculares dos astrócitos.
Fatores que aumentam a permeabilidade da barreiras:
-Bradicinina
-Encefalinas
-Estresse extremo
-Meningite
● Barreira Placentária
Fármacos que conseguem atravessar essa barreira são os lipossolúveis, não
ionizados, de baixo peso molecular e fármacos básicos (Devido a diferença de
pH da mãe e do feto).
Os fármacos básicos tendem a passar da mãe para o feto, efeito conhecido
com sequestro iônico básico, além do fármaco ocorre a passagem de álcool,
antibióticos, morfina e heroína.
Os fármacos lipossolúveis, os não ionizados e cm baixo peso molecular
passam por difusão simples, glicose através de difusão facilitada, aminoácidos
por transporte ativo, anticorpos por pinocitose e eritrócitos por fissuras.
A gestante pode beber um pouco de álcool durante a gravidez? NÃO,
estudos mostram que se a mae consumir pouca quantidade de álcool a criança
não apresentara má formação mas terá deficiência intelectual.
Reservatórios de Drogas
O fármaco é distribuído pelos tecidos do nosso corpo ate atingir um equilíbrio,
quando esse equilíbrio é atingido o fámaco se direciona para os reservatórios,
sendo eles:
-Musculos
-Gorduras
-Ossos
A redistribuição ocorre quando a concentração plasmática do fármaco diminui e
os reservatórios de droga redistribuem para aumentar a concentração
novamente.
Biotransformação e Excreção dos fármacos
● BIOTRANSFORMAÇÃO
É a capacidade dos seres humanos de metabolizar e eliminar os fármacos, é
um processo natural que envolve vias enzimáticas.
Aula 3
O metabolismo se refere a conversão de uma entidade química em outra. Onde
ocorre?
-Fígado
-TGI
-Pulmão
-Rim
-Cérebro
Administração de medicamentos via oral, chega no estomago, vai para o
intestino para ser reabsorvido, chega no fígado para sofrer o metabolismo de
primeira ppassagem e depois disso pode ser eliminado.
Para o fármaco ser absorvido ele precisa ser lipossolúvel. Assim, as dorgas
que passam pelo fígado são metabolizadas e transformam-se em substancias
apolares para serem eliminadas.
**Alguns fármacos passam pelo fígado e se tornam mais ativos, é o caso de
medicamentos para hipertensão pois ele são ingeridos na forma de pro-
fármaco.
● Etapas para a eliminação do fármaco
Fase 1 :
O metabolito do medicamento fica com a atividade alterada e outros
metabólicos ficam inativos. Essa fase é feita por enzimas importantes que
permitem adesão de grupos, como OH-, COOH, SH, O, NH2. A introdução
desses grupos funcionais aumenta pouco a solubilidade mas altera as
propriedades fisiológicas.
Nessa fase ocorre oxidação, hidroxilação, desaquilação, Desaminação e
hidrolise.
Essa fase é chamada de oxigenasse e ocorre no reticulo endoplasmático liso.
A principal enzima dessa ase é a citocromo P450 que realiza oxidação e
desaquilação.
O sistema do citocromo P450 é uma super família de proteínas heme-tilato,
tem 100 enzimas conhecdias. As enzimas mais importantes são as CYP3A4 e
CYP3A5, essas são responsáveis pela metabolização de 50 a 60% dos
fármacos prescritos.
Em resumo, essa fase atua convertendo moléculas lipofílicas em moléculas
mais polares pela introdução ou desimpedimento de grupos funcionais,
catalisadas pelo sistema P450. Devido a essa fase pode ocorrer aumento,
redução ou inalteração da atividade farmacológica do medicamento.
Aula 3
Fase 2
O fármaco nessa fase se encontra conjugado com uma molécula grande e
assim encontram-se inativos.
Essa fase ocorre no citosol.
EX: Aspirina chega no fígado e vai conjugar com a hidroxila. Ao chegar na fase
2 conjugasse com essa molécula e se torna hidrossolúvel.
Nessa fase ocorrem reações de glicuronidação, acetilação, conjugação, com
glutationa, conjugação com a glicina, sulfato e metilação. Essas reações
produzem metabolitos mais hidrossolúveis com pesos moleculares maiores, o
que facilita sua eliminação dos tecidos.
Indução e Inibição enzimática
● Indução Enzimática
Consiste na aceleração do metabolismo do fármaco, pode ser por interação
medicamentosa.
Aumenta citocromo P450, aumenta o metabolismo da dorga e reduz a
concentração plasmática dessa e o seu efeito.EX: Anticoncepcional e rifampicina. A rifampicina induz o aumento do citocromo
P450 e ocorre a metabolização mais rápida do anticoncepcional, perdendo seu
efeito farmacológico.
A indução enzimática aumenta a velocidade de Biotransformação hepática da
droga, aumenta a velocidade de produção de metabolitos, aumenta a
depuração plasmática da droga, diminui a meia-vida sérica da droga livre e
total, diminui os efeitos farmacológicos.
Outro indutor é a erva-de-são João que é responsável pela ineficácia de alguns
anticoncepcionais.
● Inibição Enzimática
Há fármacos que inibem competitivamente e não competitivamente o
metabolismo do outro, e consequentemente gerando a não metabolização do
fármaco podendo causar toxicidade.
O inibidor atua rapidamente sobre o CYP450 reduz o metabolismo da droga,
aumenta a concentração plasmática e o efeito de toxicidade.
Aula 3
Ocorre diminuição na velocidade de produção de metabolitos, diminui a
depuração total, aumenta a meia vida da droga, amenta a concentração sérica
da droga livre e total e aumenta os efeitos farmacológicos.
EX: Uso de varfarina junto com ciprofloxacina. A ciprofloxacina inibe a
metabolização da varfarina e assim potencializa o seu efeito, o paciente
começa a apresenta sangramentos, somando-se a isso o tempo de
protrombina encontra-se aumentando, prejudicando a coagulação e
favorecendo a hemorragia.
Biotransformação
Fatores que influenciam no metabolismo dos fármacos:
-Diferenças individuais
-Fatores genéticos
-Fatores ambientais
-Idade
-Sexo
-Fatores mórbidos
-Interações medicamentosas
É possível perceber que há um polimorfismo genético que leva a variações
enzimáticas, podendo causar perda completa da atividade de CYP.
A dieta também interfere no metabolismo dos fármacos, uma dieta rica em
proteínas aumenta o numero de CYP450, ou seja, estimula o metabolismo. Já
uma dieta rica em carboidratos, reduz o numero de CYP450 e
consequentemente reduz o metabolismo.
O uso crônico de álcool pode induzir a oxidação de outros fármacos, enquanto
altas concentrações circulantes de álcool inibem o metabolismo farmacológico.
Isso ocorre devido a metabolização do álcool, ele é metabolizado primeiro e os
outros fármacos param de metabolizar.
Pessoa que faz uso de anticoncepcional e bebe Não ocorre a metabolização
do fármaco, o efeito acaba sendo maior pois o fármaco demora para ser
inativado. Esse caso também ocorre com antibióticos porém, se ele demora
para ser metabolizado aumenta o risco de toxicidade.
O metabolismo da criança e do idoso se diferem. Os recém nascidos não
apresentam uma capacidade alta de metabolização pois suas enzimas e fígado
não estão amadurecidos. Já os idosos não metabolizam direto pois seu fígado
encontra-se em estado ruim. Além disso, em idosos a função renal encontra-se
reduzida e o funcionamento hepático também, assim ocorre uma redução das
enzimas P450.
Aula 3
A eliminação dos fármacos está diretamente relacionada com o funcionamento
do rim. A taxa de filtração glomerular em idosos e crianças se encontram
abaixo do valor normal, assim o fármaco não consegue ser eliminado podendo
se aproximar da toxicidade.
Para que ocorra filtração glomerular do fármaco é necessário:
-Fármaco esteja livre
-Pequeno
-Carga positiva (os de carga negativa demoram para ser filtrados).
Para eliminar o fármaco é necessário:
-Drogas lipossolúveis se transformem em hidrossolúveis para serem eliminadas
na urina
-Drogas ionizadas
-Outro fator importante para a eliminação é o pH:
Fármacos ácidos são eliminados mais facilmente se o pH da urina estiver
alcalino, básico, pois essas vão sofrer ionização e não vão conseguir ser
absorvidas.
Fármacos básicos são eliminados se o pH da urina estiver ácido.
EX: Paciente se intoxicou com 35 compridos de aspirina (acido), para que
ocorra a excreção é necessário alterar o pH da urina, deixando mais alcalino,
administrando bicarbonato. (Se o paciente tomar suco de laranja, a urina ficara
acida e o fármaco será absorvido, aumentando a toxicidade).
**Existem fármacos que são eliminados pela urina, saliva, suco gástrico, bile e
colón.
Os anticoncepcionais s eliminam pelo fígado e a sua forma de eliminação é o
estrógeno ligados a bile. Para ocorrer a reabsorção desse fármaco é
necessário que as bactérias intestinais façam a separação da bile com o
estrógeno. Pessoas que tomam antibióticos por mas de uma semana tendem a
ter um desequilíbrios nas bactérias intestinas, elas morrem e não tem como
separar a bile do estrógeno, assim o anticoncepcional não é reabsorvido e a
mulher pode acabar engravidando.
Aula 3
Amanda Monteiro 2024.2
Interação Fármaco-Receptor
● Farmacodinâmica
É o estudo da interação do fármaco
com alvos celulares (receptores).
Só o fármaco livre possui
efeito farmacológico pois somente
nessa configuração é possível a
ligação com o receptor.
Fármaco
Uma substância química que altera
a intensidade ou extensão de um
processo biológico
Receptor
Qualquer macromolécula celular que se liga aos fármacos e medeia suas ações farmacológicas.
● Fármacos específicos x inespecíficos
Estruturalmente inespecíficos
Os efeitos dos fármacos dependem de suas propriedades físico-químicas
- Diuréticos osmóticos
- Anti-ácidos
- Ligantes do colesterol dietético
Estruturalmente específicos
Os efeitos dependem da interação com um receptor específico
● Coeficiente de Ionização e Lipofilicidade
Coeficiente de Ionização (pKa)
Dependendo do pKa, o fármaco pode estar ionizado ou não ionizado visto que a maioria dos
fármacos são bases ou ácidos fracos.
- Ionizado – mais hidrossolúvel
- Não ionizado – lipossolúvel
De acordo com a ionização ou não do fármaco, pode-se manipular a eliminação de acordo com
as mudanças do pH compartimental.
Lipofilicidade (log P)
É definida pelo coeficiente de participação de uma substância entre a fase orgânica e a fase
aquosa.
Assim, o fármaco precisa apresentar um grau no qual se possa ter parte dele solúvel na fase
orgânica e parte solúvel na fase aquosa
Amanda Monteiro 2024.2
● Agonismo x Antagonismo
→ Agonista
Fármaco que ativa um receptor específico (tem atividade intrínseca)
Agonista total ou parcial
Se no efeito máximo do agonismo total,
coloca-se um agonista parcial:
Gerará queda pois começara a
competição.
Ex: Há 50 receptores com efeito máximo, o
parcial começará a competir para ocupar o
local do total.
Um agonista parcial na presença de um
agonista total funcionará como agonista
ou antagonista?
Antagonista pois haverá queda do efeito
máximo
Agonismo inverso
Se trata de uma droga com afinidade para com o receptor inativado.
Ex: Ansiolíticos – eles diminuem a ansiedade e oferecem leve sonolência.
Ansiogênicos – oferece ansiedade.
Agonista – redução da ansiedade
Agonista inverso – gerar ansiedade.
→ Antagonista
Uma substância química que se liga a um receptor, não tem atividade intrínseca e impede a
ligação do NT ou hormônio.
Amanda Monteiro 2024.2
Ligação ao sítio ativo: o antagonista se liga ao mesmo receptor que o agonista é capaz de se
ligar. Ligação alostérica: ocorre quando há uma ligação em um sítio diferente do sítio do ligante
endógeno.
O agonista se liga no sítio do biorreceptor. O inibidor competitivo compete pelo sítio do agonista.
Na ligação alostérica, que é independente do sítio no qual o agonista se liga, ocorre uma
mudança na conformação do receptor e impede que o agonista se ligue no sítio, porque quando a
conformação é alterada, todas as posições dos aminoácidos são mudadas e, então, não há mais
exposição do sítio do biorreceptor. A associação do agonista com o ativador alostérico amplifica a
resposta em determinado sistema. O agonista isolado tem efeito menor, quando comparado com
a sua associação com o ativador alostérico. Quando o agonista se associa ao inibidor
competitivo, o desvio da curva é para a direita (é preciso aumentar a dose do agonista para que o
mesmo efeito máximo seja alcançado; altera os parâmetros de eficácia em comparação aos
outros, uma vez que será necessária uma dose maior para manter a mesma eficácia).Quando o
agonista é associado ao inibidor alostérico, a eficácia do sistema diminui.
Químico
Quelantes
Funcional
Fisiologicamente antagônicos
Competitivo
Amanda Monteiro 2024.2
Antagonista e agonista ligam-se ao mesmo sítio
Não competitivo
Antagonista e agonista ligam-se em locais diferentes.
Tudo que chegar, chega pela metade, o agonista não consegue o efeito máximo.
A afinidade do agonista ao receptor permanece a mesma – o agonista é verde, inverte-se DE50 e
se obtem Ka. 50% do antagonista não competitivo está no mesmo local de DE50.
● Curva dose-resposta
É a aplicação básica da farmacologia dos receptores
Descreve o efeito dos fármacos em termos quantitativos
Existem as respostas em termos graduais
e em termos quantais. Na dose-resposta
gradual há a relação do log da
concentração do agonista com a sua
resposta fisiológica/farmacológica.
Graficamente, quando testamos um
fármaco em doses aumentadas e
observamos o que ocorre com o aumento
dessa dose, há uma relação
dose-resposta, e dois conceitos
fundamentais são gerados: potência e
eficácia.
Potência é a concentração na qual é
possível gerar uma resposta. A eficácia é
o quanto que aquela resposta é gerada após aquela concentração específica.
A concentração na qual é possível gerar 50% da resposta máxima, é menor para o fármaco A
comparada com os fármacos B e C. Então, para que seja gerada 50% dessa resposta, é
necessário aumentar a dose de C e de B, enquanto com uma dose menor de A, 50% da resposta
já é atingida. Assim, o fármaco A é mais potente que os fármacos B e C. O fármaco B tem a
mesma eficácia de A porque aumentando a dose, ambos atingem o efeito máximo, o que não
ocorre com C. B é eficaz? Sim, mas para ter a mesma eficácia, é necessário que a dose seja
Amanda Monteiro 2024.2
aumentada (clinicamente isso pode ser prejudicial. Assim, A se mostra mais vantajoso. C é mais
potente do que B porque com uma dose menor é possível alcançar
25% da resposta, mas sua eficácia é menor, porque o máximo que ele alcança é 50%, enquanto
B é capaz de chegarde aos 100%.
● Curvas dose-resposta do agonista na presença do antagonista competitivo
reversível
A curva é deslocada para a direita pois para haver o deslocamento será necessário de mais
agonistas para atingir o efeito máximo. Como o antagonista é competitivo a afinidade diminui e
para calcular a afinidade (inverso de Kd). O Kd aumenta então a afinidade diminui. Logo, a
afinidade diminui na presença de um antagonista.
● Curvas dose-resposta do agonista na presença do antagonista competitivo
irreversível
O receptor está ocupado e não
sai mais. Então não adianta
aumentar a dose do
antagonista pois o efeito
máximo não será alcançado.
● Curvas dose-resposta
do agonista na presença do
antagonista não competitivo
● Teorias de
quantificação da
interação
fármaco-receptor
Amanda Monteiro 2024.2
JOHN LANGLEY:
Observou a ação da Ach na junção neuromuscular e percebeu que a substância precisava de um
receptor específico para que ela pudesse gerar um efeito fisiológico – termo substância
receptora.
PAUL EHRLICH:
Surgiu com o termo receptor específico – delimitou a presença de receptores de acordo com
cada substância, ou uma mesma substância atuando em receptores diferentes.
FISHER
Criou o modelo chave-fechadura – há um ligante e um biorreceptor na molécula gerando uma
resposta biológico. Dentro disso, há o conceito de complementariedade molecular – a molécula
do biorreceptor e a molécula do fármaco tem uma particularidade complementar, sendo que cada
parte da estrutura da molécula será reconhecida por sítios específico.
CLARK:
Estipulou a “Teoria da Ocupação dos Receptores” – a magnitude do efeito é proporcional a
quantidade de receptores ocupados.
O efeito máximo só será alcançado quando todos os receptores foram ocupados. 50% do
efeito máximo resulta da ocupação de 50% dos receptores em determinado sistema biológico.
A teoria de Clark não explica porque alguns fármacos nunca produzem efeitos máximos ou nunca
produzem nenhum efeito, mesmo quando todos os receptores estão ocupados. O que explica
isso é a teoria de Ariens.
ARIENS:
Estipulou a Teoria da Atividade Intrínseca
Ele modificou o modelo para descrever a variedade de efeitos terapêuticos existentes entre o
agonismo e antagonismo pleno.
Alguns fármacos não produzem efeito máximo ou não produzem efeito mesmo quando todos os
receptores estão ocupados porque há a atividade intrínseca do fármaco. Para que se tenha um
efeito, primeiramente é necessário que se tenha uma fração de receptores ocupados, formando o
complexo FR e, em segundo lugar, necessidade da atividade intrínseca do fármaco para que o
efeito farmacológico seja gerado.
Assim, o efeito farmacológico é proporcional:
Afinidade: ligação do FR para formação do complexo - Clark
Amanda Monteiro 2024.2
Atividade Intrínseca: capacidade de ativar o receptor
A atividade intrínseca pode variar de 0 a 1.
Agonista Total: α = 1
Agonista Parcial: 0 < α < 1 → nesse sistema, o agonista não gera o mesmo efeito máximo gerado
pelo agonista total, porque possui afinidade, mas sua capacidade de disparar os mecanismos
intracelulares não é tão eficaz quanto o agonista total.
Antagonistas: α = 0 → Possui afinidade, mas sua atividade intrínseca é nula, não disparando
eventos intracelulares (cascatas de sinalização); então, ele simplesmente se liga no receptor,
bloqueando-o. Dessa forma, impede que uma substância endógena ou um fármaco agonista ative
o sistema, uma vez que o agonista (tanto o total quanto o parcial) ativa o sistema porque possui
atividade intrínseca.
STEPHENSON
Eficácia – se relaciona com a atividade intrínseca
Potência – se relaciona com a afinidade
Kd (constante de dissociação): mede a facilidade da substância de dissociar do receptor
Ka: Inverso de Kd (1/Kd)
● Tipos de alvos para a ação de fármacos
● Classificação dos receptores
Amanda Monteiro 2024.2
- Receptores intracelulares:
O fármaco atravessa a membrana celular e pode ser encontrada no citoplasma ou núcleo.
Demoram para atingir o receptor e é dependente da velocidade de transcrição do RNAm para
sintetizar determinada substância.
Ex: Injeção de glicocorticoide
● Interação do fármaco com o receptor
Atividade intrínseca – alfa
Alfa = 0 – Antagonista
Alfa = 1 – Agonista total
Alfa entre 0 e 1 – Agonista parcial
● Forças de ligação entre fármaco e receptores
Ligações Covalentes
Não é muito utilizada devido sua alta estabilidade e força, isso impossibilita a recorrente troca de
energia das demais substâncias.
Ligações Iônicas
Força responsável por atrair a substância e o receptor
Pontes de hidrogênio
Forças de Van der Waals
Amanda Monteiro 2024.2
● Interação da droga com o receptor
● Curvas dose-resposta
● Parâmetros dose-efeito
Eficácia
É o efeito máximo, ou a habilidade de um fármaco, uma vez ligado ao receptor, modificar sua
função.
Potência
Sensibilidade de um órgão ou tecido ao fármaco ou a habilidade de determinada dose provocar
uma resposta biológica.
Expressa como a quantidade de fármaco que desencadeia 50% da resposta máxima (CE50)
Dissociação
Capacidade do fármaco de se dissociar – Kd.
Afinidade
Amanda Monteiro 2024.2
Mede a força da ligação e é determinada pelos tipos e número de ligações. Inversamente
proporcional ao Kd
● Interações medicamentosas
Amanda Monteiro 2024.2
 
 
REVISÃO FISIOLOGIA DO SNA 
O sistema nervoso autônomo (SNA), também denominado sistema nervoso visceral, 
vegetativo ou involuntário, distribui-se amplamente por todo o organismo e regula as 
funções autônomas que ocorrem sem controle consciente. Na periferia, ele consiste em 
nervos, gânglios e plexos que inervam o coração, vasos sanguíneos, glândulas e outras 
vísceras, e ainda os músculos lisos em vários tecidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No sistema parassimpático a fibra pré ganglionar é longa e a fibra pós ganglionar é curta, 
diferente do sistema simpático, onde a fibra pré ganglionar é curta e a pós ganglionar é 
longa. 
Os principais neurotransmissores são a acetilcolina e norepinefrina.E esses possuem 
receptores colinérgicos nicotínico e muscarínico. Ambos os sistemas, simpático e 
parassimpático, têm gânglios onde o neurotransmissor é a Ach da fibra pré-ganglionar, 
que interage com receptores nicotínicos; Além disso, é o neurotransmissor 
predominante nos nervos parassimpáticos pós-ganglionares, onde atua em receptores 
muscarínicos e nicotínicos musculares. A NE é o principal neurotransmissor dos nervos 
simpáticos pós-ganglionares, atuando em receptores α e β adrenérgicos. 
• Receptores muscarínicos: São receptores metabotrópicos, ou seja, acoplados a 
ptn G, são eles: M1, M2, M3, M4 e M5. Sendo os ímpares (M1, M3 e M5) 
excitatórios acoplados a ptn Gq, e atuam abrindo os canais de Na+ e Ca2+ e 
fechando os canais de K+; e os pares (M2 e M4) inibitórios associados a ptn Gi, 
atuam abrindo os canais de K+. 
• Receptores nicotínicos: São receptores ionotrópicos, sendo eles o Nn (neuronal) 
e Nm (muscular). 
COLINÉRGICOS E ANTICOLINESTERÁSICOS 
FARMACOLOGIA I - AULA DANIEL 
Maria Eduarda Marchi - 2025.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÍNTESE E ARMAZENAMENTO DA ACETILCOLINA 
A síntese da acetilcolina ocorre em uma única etapa catalisada pela enzima colina 
acetiltransferase que se encontra na porção terminal do neurônio. E essa síntese inicia-
se na captação da colina no espaço extracelular, que é transportada para dentro do 
neurônio pré-sináptico por um sistema de cotransporte, entrando também uma 
molécula de sódio. Já no neurônio, mais precisamente, na mitocôndria, essa molécula 
de colina será sintetizada em acetilcolina, a partir da acetil coA, por ação da enzima 
colina acetiltransferase. A acetilcolina, posteriormente, é bombeada para dentro da 
vesícula, onde será armazenada. Sendo liberada quando passa um potencial de ação, 
despolarizando a membrana, que irá promover a abertura dos canais de Ca2+ voltagem 
dependente, e consequentemente, o influxo de cálcio. Dessa forma, ocorrerá a fusão da 
vesícula de ach com a fenda do terminal pré sináptico, promovendo a liberação da ach 
na fenda sináptica, onde irá se ligar aos seus receptores na membrana pós sináptica. A 
ach promove uma rápida ação sobre os receptores, bem como, uma rápida degradação 
pela enzima acetilcolinesterase, em colina + acetato. A colina proveniente da 
degradação da ach poderá ser recaptada pelo simporte sódio/ colina. 
A ach quando liberada na fenda sináptica, interage com os receptores presentes na 
membrana pós ganglionar, sejam eles nicotínicos ou muscarínicos. Para ser ligar ao 
receptor nicotínico faz-se necessário duas moléculas de ach para abrir o canal de Na+/ 
K+, promovendo o influxo e, consequentemente, a despolarização da célula. 
No pré sináptico há a presença de receptores nicotínicos, que realizam um feedback 
positivo a fim de reforçar a ação da acetilcolina. Desse modo, atuam despolarizando a 
célula em virtude do influxo de carga positiva, de modo que tenha mais ach. Quando 
nota-se a presença de muita ach, ela inicia a sua interação com receptores muscarínicos, 
M2 e M4, inibitórios. Que atuam, diminuindo a liberação de ach pelo neurônio pré 
sináptico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os colinérgicos consistem em drogas que mimetizam os efeitos da acetilcolina e podem 
ser diretos (muscarínicos e nicotínicos) ou indiretos (anticolinesterásicos). E assim, pode 
atuar: 
1. Na síntese de acetilcolina; 
2. Na captação da ACh para dentro das vesículas; 
3. Na liberação de ACh na fenda sináptica; 
4. Na ligação da ACh com seu receptor biológico; 
5. Na recaptação de ACh, seja em sua degradação de volta em colina ou mesmo na 
internalização da colina. 
 
INIBIDORES DA SÍNTESE, ARMAZENAMENTO OU LIBERAÇÃO DO 
NEUTROTRANSMISSOR 
• Hemicolínio: Bloqueia o simporte sódio/ colina, e consequentemente, limitando 
assim a síntese das reservas de ACh disponíveis para liberação. Inibe a síntese de 
acetilcolina 
• Toxina botulínica e α/β-bungarotoxina: Degrada as ptns de ancoramento, 
impedindo a liberação da ach presente na fenda sináptica e, consequentemente, a 
fusão das vesículas com a membrana pré sináptica. 
• Vesamicol: Bloqueia o canal que permite a entrada de acetilcolina nas vesículas 
sinápticas por cotransporte com H+. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FARMACOLOGIA COLINÉRGICA 
INIBIDORES DA COLINESTERASE 
Esses fármacos possui como princípio o bloqueio da enzima acetilcolinesterase e desse 
modo, diminui a degradação da acetilcolina e aumenta a biodisponibilidade. Os locais 
de ação dos Anti-AChe de importância terapêutica incluem o SNC, o olho, o intestino e 
a junção neuromuscular da musculatura esquelética. 
• Edrofônio: É um fármaco com um tempo curto de duração, atuando na JNM. 
Sendo utilizado principalmente no diagnóstico de miastenia grave. 
• Neostigmina: Possui um tempo médio de duração da ação, atuando na JNM. 
Sendo utilizado por via IV a fim de reverter o bloqueio neuromuscular 
competitivo, aumentando a quantidade de acetilcolina que irá competir pelo 
sítio de ligação do receptor nicotínico muscular. Como também por via oral no 
tratamento de miastenia gravis, para bloquear a acetilcolinesterase e assim, 
aumentar a biodisponibilidade da acetilcolina, mantendo a estimulação dos 
poucos receptores presentes na placa motora. 
• Fisostigmina: Possui uma duração de ação média. Sendo utilizada como colírio 
no tratamento de glaucoma, facilitando o fluxo de líquido e diminuindo a pressão 
ocular. 
• Piridostigmina: Possui um tempo curto de duração da ação, atuando na JNM. 
Sendo utilizado por via oral no tratamento de miastenia gravis, tendo uma 
melhor absorção e tempo de duração de ação mais prolongado do que a 
neostigmina. 
• Diflos: Organofosforado, altamente tóxico. 
Tem sido utilizado em forma de colírio em 
casos de glaucoma. 
• Ecotiofato: Utilizado em forma de colírio no 
tratamento de glaucoma. Pode causar 
efeitos sistêmicos. 
• Paration: Causa envenenamento em seres 
humanos. É convertido em metabólito ativo 
pela substituição do enxofre por oxigênio. 
 
O mecanismo de ação de Anti-AChe consiste, portanto, na inibição da hidrólise da 
acetilcolina por bloquear a ação da enzima acetilcolinesterase, prolongando a ação da 
acetilcolina após a sua liberação na fenda. 
✓ Intoxicação: Bradicardia intensa, hipotensão e dificuldade respiratória. 
✓ Efeitos sobre o SNC: Aminas terciárias (carbamatos) e organofosforado 
atravessam a BHE, causando: 
- Excitação do SNC, levando a convulsões; 
- Depressão do SNC, levando a perda de consciência; 
- Insuficiência respiratória; 
- Efeitos decorrem de estimulação muscarínica, que para ser bloqueado, ou seja, 
reverter essa intoxicação, usa-se um antagonista não preferencial muscarínico, 
a atropina; 
- Uso potencial no tratamento da demência senil. 
Todas as três substâncias possuem uma 
ação longa e intensificam os efeitos 
colinérgicos, uma vez que inibem a 
acetilcolinesterase de forma irreversível, 
fazendo uma ligação covalente. Além 
disso, são altamente lipossolúveis. 
Efeitos adversos: Fasciculação muscular 
pelo excesso de acetilcolina; excesso de 
secreção salivar, gástrica; bradicardia e 
hipotensão; pele seca; miose. 
 
 
✓ Efeitos sobre as junções neuromusculares: Potencializa as ações na placa 
motora 
- Descargas repetidas na fibra muscular; 
- Prolonga o potencial da placa motora; 
- Aumenta a tensão de contração espasmódica de um músculo em resposta ao 
nervo motor 
- Em doses elevadas: Contração espasmódicas e bloqueio por despolarização. 
Sendo esse bloqueio em virtude da ligação da acetilcolina, aumentando cada vez 
mais e tornando também a célula cada vez mais positiva. Desse modo, a célula 
não consegue repolarizar, mantendo-se despolarizada. 
- Neostigmina e Piridostigmina afetam mais a transmissão neuromuscular do que 
o SNA. 
 
Os anticolinesterásicos podeser classificados: 
✓ Quanto a reversibilidade: 
• Reversíveis: Edrofônio, Neostigmina, Fisostigmina e Piridostigmina 
• Irreversíveis: Ecotiopato, Paration e Diflos 
 
✓ Quanto a estrutura química: 
• Aminas: Edrofônio, Ambenônio, Demecário Ligação não covalente no sítio 
ativo aniônico 
• Carbamatos: Neostigmina, Piridostigmina e Fisostigmina (Eserina) 
• Organofosforado: Paration, Malation, Isofuorato, Sarin e Soman 
 
Os organofosforados e as aminas terciarias são extremamente lipossolúveis, causando 
intoxicação do SNC, como exemplo, a Fisostigmina. Já as aminas quaternárias são 
hidrossolúveis e possui uma baixa absorção, como exemplo, o Edrofônio. 
 
Indicações clínicas dos anticolinesterásicos: 
• Glaucoma de ângulo fechado: Fisostigmina ou Ecotiopato 
• Íleo paralítico 
• Atonia vesical 
• Intoxicação atropínica 
• Miastenia gravis: Prostigmine ou Mestinon 
• Demência, disfunção cognitivas e doença de Alzheimer: 
- Tacrina (Tacrinal): Hepatotóxico 
- Donepezil (Eranz): Não hepatotóxico 
- Rivastigmina (Exelon, Prometax): Produz menos efeitos adversos periféricos 
- Galantamina (Reminyl): Anti-AChe e ativador alostérico de receptores 
nicotínicos 
 
 
Interagem com sítio 
esterásico 
Fisostigmina (Enterotonus) 
Neostigmina (Prostigmine) 
Piridostigmina (Mestinon) 
A toxicidade dos Anti-AChe pode levar a desmielinização grave dos nervos periféricos, 
acarretando o desenvolvimento lento de fraqueza e perda sensitiva, interação com 
esterase específica da mielina. Essa toxicidade é causada por anticolinesterásicos 
irreversíveis que fazem ligação covalente, o Tabun, Sarin e Soman. 
 
AGONISTAS COLINÉRGICOS 
Atuam diretamente nos receptores, sejam eles muscarínicos ou nicotínicos 
Na clínica, os colinomiméticos são usados apenas: 
• Glaucoma de ângulo fechado: Pilocarpina, 
Betanecol, Fisostigmina e Ecotiofato. Sendo 
todos usados na forma de colírio. 
• Constipação intestinal e retenção urinária: 
Betanecol, Neostigmina ou Piridostigmina. 
• Miastenia grave: Diagnóstico (Edrofônio); Tratamento: Neostigmina e 
Piridostigmina. 
• Intoxicação com atropínico: Fisostigmina, que atravessa a BHE e reverte as ações 
do atropínico no SNC. 
• Alzheimer: Rivastigmina 
 
 
 
✓ Ésteres de Coline 
• Metacolina: Possui seletividade relativa para os receptores 
muscarínicos cardiovasculares; bem como, uma seletividade 
reduzida para receptores nicotínicos. Sendo utilizado para 
fim diagnóstico para asma, pelo fato de uma resposta 
bronconstritora intensa e redução da capacidade vital. 
• Carbacol: Não pode ser utilizado sistemicamente, pois ele 
bloqueia a ação ganglionar, simpática e parassimpática. No 
entanto, é um importante agente miótico tópico. 
• Betanecol: Apresenta alta seletividade para receptores 
muscarínicos. Atua primariamente nos tratos urinários e 
gastrointestinal, aumentando a motilidade. 
 
✓ Alcaloides 
• Pilocarpina: É uma amina terciária, sendo facilmente 
absorvida e ultrapassa facilmente a BHE. Atua como um 
agonista muscarínico parcial, sendo mais utilizado na 
clínica. Sendo um agente miótico e sialogogo, usado no 
tratamento de xerostomia e glaucoma. 
• Cevimelina: É um agonista seletivo M1 e M3 e possui menos 
efeitos adversos que a pilocarpina. Usado no tratamento de 
xerostomia e síndrome de Sjögren. 
 
A acetilcolina não possui efeito 
terapêutico, uma vez que sofre 
hidrolise rapidamente por 
ação da acetilcolinesterase. 
AGONISTA MUSCARÍNICO 
 
 
 
 
 
 
 
 
Efeitos adversos dos agonistas muscarínicos: 
1. Contrações e desconforto abdominal, cólicas dolorosas; 
2. Náuseas, êmese; 
3. Aerofagia, borborismo, diarreia, sialorreia, urgência urinaria; 
4. Hipotensão, resposta vasomotora, rubor; 
5. Cefaleia, sensação de calor na face, sudorese, lacrimação, miose; 
6. Ataque asmático 
 
Contra indicações dos agonistas muscarínicos 
1. Úlcera péptica latente ou ativa, uma vez que o agonista muscarínico estimula a 
contração gástrica; 
2. Asma brônquica; 
3. Bradicardia pronunciada, hipotensão e coronariopatia; 
4. Instabilidade vasomotora, epilepsia e Parkinson; 
5. Obstrução ou ausência de integridade do TGI ou TGU 
 
 
• Succinilcolina/Suxametônio: Atua estimulando a abertura dos canais 
nicotínicos, promovendo o influxo de sódio e potássio, causando uma resposta 
excitatória neuronal; bem como a despolarização da membrana celular, que 
persiste na junção neuroefetora e ativa continuamente os canais dependentes 
de ligante, gera também a inativação dos canais de Na+ regulados por voltagem 
e assim, não sustentam potenciais de ação adicionais, tendo o bloqueio 
despolarizante. 
Esse fármaco é utilizado para induzir o bloqueio neuromuscular durante a cirurgia e 
intubação. No entanto, possui efeitos adversos como: Bradiarritmia, parada cardíaca, 
arritmia cardíaca, hipertermia maligna, rabdomiólise, depressão respiratória, rigidez 
muscular, mialgia, elevação da pressão intraocular. 
Contra indicações da succinilcolina: 
1. Histórico pessoal ou familiar de hipertermia maligna; 
2. Miopatias do músculo esquelético; 
3. Lesão do neurônio motor superior; 
4. Desnervação extensa do músculo esquelético 
 
AGONISTA NICOTÍNICO 
Lorrana Pecine – 2023.2
Bloquead�es colinérgicos- Profa. Marta
Os pesquisadores Henry Dale e Otto Loewi começaram a refletir sobre o papel das substâncias
que circulam no corpo que até o momento não sabiam o que era, não se conhecia o
neurotransmissor. Mas esses pesquisadores estudaram os
animais experimentais e viram que havia uma transmissão
química, alguma substância química era responsável por
transmitir o impulso nervoso. Com isso, se observava a
transferência de algo (não sabia exatamente o que era) que
influenciava em um coração que estava separado, porém
líquidos se comunicavam. Dessa forma se teve a ideia de
que estava sendo liberado uma substância que estava
fazendo o efeito no segundo coração, sendo que esse
coração não tinha o nervo vago e havia observado
resposta. No coração 1 era feito um estímulo elétrico e se
observava que a frequência cardíaca diminuía, logo após a redução dessa frequência, via-se que o
coração 2 apresentava a mesma redução da frequência. Isso foi a primeira noção de que havia
liberação de uma substância química nesse fluido que comunicavam os dois e que no início foi
chamado de Vagustoff que tinha a ver com o nervo vago, hoje sabemos que se trata da acetilcolina
(fundamental no sistema nervoso autônomo).
O experimento de Dale, usava-se gatos em seus estudos, em que ia monitorando a pressão
arterial deles. Então, o pesquisador injetou a
acetilcolina, em que observava a queda da
pressão, quando aumentava a dose de
acetilcolina, constatava-se que essa queda era
ainda mais acentuada. Porém, quando ele
injetava a atropina e posteriormente injetava a
acetilcolina em uma dose alta, ele já não via
efeito nenhum. Isso ocorria porque a atropina é
um antagonista da ach, de alguma forma, a
injeção da atropina fazia com que a acetilcolina
perdesse o seu efeito, não havendo alteração da pressão arterial. Nesse sentido, vê-se que a
atropina funciona como um bloqueador ou antagonista colinérgico.
Esses bloqueadores, também chamados de drogas parassimpaticolíticas, visam contrapor os
efeitos do sistema nervoso parassimpático. Logo, todas as ações associadas ao SNP vão ser
inibidas. Por exemplo, o SNP está relacionado com a contração da pupila (miose), quando
bloquearmos o SNP, iremos observar a midríase. Nos pulmões o SNP é responsável por fazer
Lorrana Pecine – 2023.2
broncoconstrição e aumentar a produção de secreções, com o uso dos bloqueadores, vê-se
broncodilatação e redução das secreções. No coração, se o SNP faz reduzir a frequência cardíaca,
com o uso dessas drogas vai ter o aumento dessa frequência, dentre outros mecanismos.
Para fazermos uma comparação entre os sistemas motor somático e autônomo, vemos que no
sistema motor temos um corpo celular de neurônio no SNC e que estende o seu axônio até uma
célula muscularesquelética, o
neurotransmissor liberado na junção
neuromuscular é a acetilcolina. Portanto,
ao usarmos um bloqueador colinérgico
nessas sinapses, inibe-se a contração.
Hoje falaremos mais do SN autônomo, na
sua estrutura, temos a participação de um
neurônio que em o seu corpo celular no
SNC e estende o seu axônio até um
gânglio e lá existe uma sinapse com um
outro neurônio chamado de pós-ganglionar,
esse neurônio, irá se comunicar com os tecidos
alvos. Na sinapse entre o neurônio pré e
pós-ganglionar o neurotransmissor envolvido é a
acetilcolina, assim, essa região tem um uso
importante para os bloqueadores, inibindo tudo o
que vem após isso. Quando chega nos órgãos
alvos, eles também vão ter receptores para
neurotransmissores nos neurônios
pós-ganglionares, no qual, encontra-se
noradrenalina ou acetilcolina. Na aula de hoje
falaremos da acetilcolina.
Quando o SN simpático é ativado esse primeiro neurônio pré-ganglionar libera ach que vai atuar
nos receptores nicotínicos, e isso influencia em que esses neurônios pós-ganglionares libere a
noradrenalina no tecido alvo, nesse caso, estamos falando dos receptores adrenérgicos (próxima
aula). No SN simpático também vamos ter exceções, alguns tecidos não vão funcionar por meio da
estimulação adrenérgicas e sim colinérgicas, como as glândulas sudoríparas, músculos
piloeretores, alguns vasos sanguíneos que vão ter a liberação de ach tanto do neurônio pré quanto
do pós-ganglionar. Os receptores envolvidos são nicotínicos no pré ganglionar e muscarínico no
pós.
Já na divisão parassimpática, teremos receptores nicotínicos no gânglio e muscarínico no órgão
alvo.
Lorrana Pecine – 2023.2
A síntese de ach começa com a união
de acetil coa e colina, mediada pela
enzima colina-acetiltransferase
forma-se a acetilcolina que vai ser
armazenada nas vesículas até ser
liberada. A partir do momento em que
os neurotransmissores são liberados,
ele pode atuar nos receptores
colinérgicos, sendo nicotínicos ou
muscarínicos. A enzima que vai fazer
degradação desse neurotransmissor é
a acetilcolinesterase (existe fármacos
que vão atuar nessa enzima, diminuindo a degradação do neurotransmissor).
Nos receptores colinérgicos, vem a ach que consegue se ligar em 2 tipos de receptores diferentes,
muscarínicos e nicotínicos. O receptor
nicotínico recebe esse nome porque tem a
nicotina como agonista, enquanto o
agonista do muscarínico é a muscarina.
Ambos possuem afinidade com a ach, só
que somente nicotina se liga no nicotínico
e muscarina no muscarínico. O receptor
nicotínico possui canais iônicos ou
ionotrópico, a partir do momento em que o
ligante a ach ou um agonista colinérgico se
liga ela permite um influxo de íons.
Já os muscarínico, possui os subtipos de M1 à M5. M1, M3 e M5 são receptores do tipo acoplados
a proteína G ou metabotrópico. Essa proteína G é do tipo Gq, ou seja, ativa-se fosfolipase C que
pode aumentar a concentração de cálcio intracelular e disparar todos os processos que estão
associados. M2 e M4 são receptores do tipo acoplado a proteína Gi (inibitória), por isso ela diminui
a atividade da adenilatociclase e
AMPc, levando a abertura de canais
de k+ e o efluxo desses íons.
Nos receptores excitatórios (M1, M3
e M5) se ativam a fosfolipase C,
formação de IP3 e faz com que o
reticulo endoplasmático libere os
íons Ca2+, com isso poderemos ter a
contração do músculo liso, e no final
Lorrana Pecine – 2023.2
podemos ter também a secreção glandular.
M2 e M4 estão relacionados com o miocárdio, efeito inotrópico (força de contração) e cronotrópico
(frequência) negativos, reduzindo esses efeitos. Se usamos um bloqueador, estamos aumentando
a frequência e a força de contração.
Nos receptores muscarínicos, o SNC se apresenta em
todos, levando a efeitos adversos nesse local.
Em termos de bloqueadores colinérgicos, separa-se
em nicotínicos e muscarínicos. Os receptores
nicotínicos vão ser ainda classificados como
ganglionares e neuromusculares enquanto os
muscarínicos são subdivididos em naturais, semissintéticos e sintéticos. Nessa aula, estudaremos os
nicotínicos ganglionares e os muscarínicos.
Os bloqueadores nicotínicos ganglionares, foram os primeiros fármacos, como um tratamento da
hipertensão arterial. Porém, por bloquear diretamente a transmissão no gânglio, apresenta muitos efeitos
adversos. Então de maneira geral, eles bloqueavam qualquer um dos gânglios, associados ao SN
simpático quanto o SN parassimpático. Quando ele bloqueava um gânglio, inclusive os do SN simpático,
isso gerava vasodilatação, porque perdia a irrigação
simpática nas arteríolas, então ocorria diminuição
da resistência vascular periférica, resultando na
redução da pressão arterial- principal efeito
benéfico desse fármaco. Por outro lado, devido a
atuação no coração, que tem efeito parassimpático,
provocou a taquicardia e outros efeitos adversos.
Na farmacocinética, sua absorção é parcial e
imprevisível, essa droga tem caráter ionizado em
pH fisiológico, então elas têm dificuldade em atravessar a membrana e serem absorvidas. Além disso, a
própria droga reduz a motilidade gastrointestinal, o que dificultava a sua absorção no intestino. Na sua
excreção, são excretadas na sua forma inalteradas, então não são metabolizadas de forma significativas e
são liberadas pelos rins. Alguns efeitos adversos são: distúrbios visuais, boca seca, tenesmo urinário (dor
associado com a sensação que não esvaziou totalmente a bexiga), hipotensão profunda, constipação,
síncope dentre outros.
Os bloqueadores muscarínicos, vão ser antagonistas dos receptores muscarínicos e vão ter um caráter
de antagonista competitivo reversíveis. De forma geral, os fármacos vão competir com ach pelo sitio de
ligação e essa ligação pode ser revertida com o aumento de ach, ach compete com o fármaco pelo
receptor, conseguindo desloca-lo e revertendo o seu efeito.
Esses bloqueadores vão se ligar aos receptores
colinérgicos muscarínicos, não vão ativar e vão impedir a
ligação da ach e vão ter efeitos opostos ao agonista, ou
Lorrana Pecine – 2023.2
seja, vão diminuir a atividade da ach. Quais são os efeitos clínicos disso? São efeitos que são apostos a
ativação parassimpática.
Então os primeiros antagonistas muscarínicos eram os naturais, como a atropina e escopolamina. O uso
inicial desses fármacos: atropina inicialmente usada com efeitos midriástico usava para dilatar a pupila e
parecerem mais belas, escopolamina era usada para tratar crise asmática com a inalação da sua fumaça,
também é constituída de pó para crimes ilícitos (como o ao noite cinderela).
A partir do estudo das estruturas desses dois fármacos naturais,
foram empregadas pequenas modificações para gerar novos
fármacos, como a homatropina (semissintéticos). Depois com um
maior conhecimento dessas estruturas, formaram os sintéticos,
que já não se assemelham com as estruturais iniciais, mas seus
efeitos são muito semelhantes- bloquear receptores muscarínicos,
sem seletividade. Alguns exemplos é o uso da atropina na
bradicardia aguda, o seu uso na intoxicação pelos inibidores da
colinesterase, na profilaxia da expiração – em alguns
procedimentos cirúrgicos o tônus das vias aéreas fica tão
comprometido que a pessoa pode aspirar o suco gástrico, a
anestesia interrompe esses refluxos apurados, funcionando
como um pré-anestésicos. A escopolamina, possui um efeito no
relaxamento da musculatura lisa, comercializada como
buscopan. O ipratrópio e o tiotrópio, vão uma reação mais
seletiva em relação a sua via de administração, são
bloqueadores muscarínicos que podem ser usados pela via
inalatória, por isso seu efeito se concentra nas vias aéreas,
tendo efeito nas doenças pulmonares obstrutiva crônica e da
asma. Hiperatividade da bexiga e enurese, usando fármaco para
diminuir essa frequência de micção como o tróspio.
Glicopirrolato usado para DPOC (doença pulmonar obstrutiva
crônica) além de deter a atividade na úlcera duodenal.
Diciclomida, usado nasíndrome do tecido evitável, diminuindo a
atividade gastrointestinal. Triexifenidil usado para doença de
Parkinson.
A atropina é seletiva para os receptores muscarínicos, porém
ela não distingue os subtipos, por isso ela pode ser usada em
diferentes efeitos terapêuticos, ela também possui pouca ou
quase nenhuma atuação nos nicotínicos. Assim como os
outros bloqueadores, ela é um antagonista competitivo, altos
níveis de ach podem reverter os seus efeitos, possui alto
Lorrana Pecine – 2023.2
lipossolubilidade (absorção alta para ter atuação nos receptores centrais). Os efeitos da atropina são dose
dependentes, então em uma dose reduzida se observa redução da secreção salivar, brônquica e
sudorese, porque essas regiões estão mais sujeitas ao controle parassimpático. A medida que vamos
aumentando a dose vai observando efeitos adicionais. Isso é importante porque para termos um fármaco,
na maior parte não seletivo, para inibir a motilidade gástrica, temos que saber os efeitos adversos com o
aumento da dose.
O principal objetivo de se usar um bloqueador muscarínico no sistema cardiovascular é promover uma
alteração da frequência, para gerar o seu aumento. O SN parassimpático vai liberar através do vago, ach
que atua em receptores M2 no nodo sinoatrial, com isso ocorre inibição dessas células, diminuindo a
frequência e a força de contração (efeitos cronotrópico
e inotrópico negativos). A medida que usamos a
atropina, antagoniza o efeito da ach, aumentando a
frequência cardíaca e a força de contração (efeitos
cronotrópico e inotrópico positivos). Então, pode-se
observar taquicardia, efeito paradoxal (no início do
tratamento pode se observar uma bradicardia), porque
pode ter um efeito no SNC ou eles inibem a inibição da
liberação e com isso, aumenta ach. A atropina pode
ser utilizada para tratar bradicardia sinusal, se observa
normalmente após o infarto do miocárdio.
No olho, esse bloqueador pode induzir a midríase, também relaxam os musculo ciliar, gerando cicloplegia
(dificuldade de observar objetos de perto), isso é perigoso porque pode alterar a drenagem do humor
aquoso, em pacientes que tem glaucoma (já possui hipertensão ocular),os bloqueadores muscarínicos em
geral são contra indicados, devido a sua atuação na diminuição na drenagem do humor aquoso, pode
ocorrer um aumento na pressão intraocular e ser ainda mais prejudicial em pacientes que tem glaucoma.
Em geral, se observa que a ach se liga a receptores M3, no musculo ciliar e na íris e isso faz a miose, a
medida que temos a atropina para antagonizar esse efeito, temos o relaxamento muscular e a midríase.
Isso é útil para o exame de fundo de olho junto com a tropicamida. Além disso, tem-se estudos mais
recentes que baixas doses de atropina, leva a um atraso na progressão da miopia.
No trato gastrointestinal, o efeito geral desse bloqueador é a inibição parcial da motilidade gastrointestinal,
é parcial porque há participação de vários outros neurotransmissores, como a serotonina e alguns
moduladores, com isso, o papel do parassimpático não é completo. A atropina vai ser utilizada na
síndrome do intestino irritável, e também a escopolamina (buscopan), vai ter a ação antiespasmódica, por
meio do relaxamento da musculatura lisa, podendo aliviar os sintomas de algumas cólicas e também pode
ser útil nas endoscopias.
Na bexiga, possui inervação parassimpática e
simpática, mas o que interessa nessa aula é o
parassimpático, que vai inervar duas regiões
Lorrana Pecine – 2023.2
diferentes da bexiga, uma é o músculo detrusor e a região do esfíncter interno (controle involuntário),
liberando ach nessas duas regiões. Para liberar a urina da bexiga, deve-se contrair o músculo detrusor
(receptor muscarínico M3 excitatório) e relaxar o esfíncter e trígono (receptor muscarínico M2 inibitório),
então quando tem a ach chegando nessas duas regiões, temos a contração do musculo detrusor e
relaxamento do esfíncter. Quando temos um bloqueador muscarínico que não é seletivo, ele vai atuar tanto
no M3 quanto no M2, a bexiga limita a sua contração e o esfíncter permanece contraído, aumentando a
capacidade da bexiga. Levando a inibição do tônus parassimpático, reduz a frequência de contração da
bexiga, isso é útil porque alguns pacientes tem hiperatividade vesical (como se esse sistema de contração
e relaxamento funcionasse de maneira excessiva) e alguns pacientes possuem enurese (sem controle da
bexiga), podendo ser usado os bloqueadores muscarínicos para aumentar a capacidade de
armazenamento de urina.
Nos brônquios, falamos de dois bloqueadores,
ipratrópio (vai antagonizar todos os receptores
muscarínicos) e tiotrópio é uma exceção, porque
tem seletividade por M1 e M3, seletividade pelos
receptores que são excitatórios. O efeito disso no
brônquio: no nervo vago (SNP) vai ser responsável
por liberar acetilcolina que atua em receptores M3
na musculatura lisa do brônquio, levando a uma
broncoconstrição, quando usamos um bloqueador
muscarínico, temos uma broncodilatação. Além
disso, temos uma redução nas secreções nasofaríngeas, com isso há um alivio de sintomas, como doença
pulmonar obstrutiva crônica, asma. Esses fármacos também podem ser utilizados em conjunto com os
agonistas beta adrenérgicos, nos pulmões temos receptores beta 2, quando ativados, leva a
broncodilatação. Fármacos quando utilizados para a asma, tendem a ser agonistas beta 2 (ajudam na
broncodilatação), junto com esses bloqueadores muscarínicos, reduzindo as secreções, consegue ter um
tratamento mais completo para o tratamento dessas doenças pulmonares. Esses bloqueadores vão ser
utilizados por inalação, logo, como a via de administração é específica para as via aéreas, os efeitos
adversos são reduzidos, porque a absorção a nível pulmonar é muito baixa, eles vão ter atuação local, o
pouco que tem de reação adversa é limitada a boca que é a xerostomia ( boca seca).
Os efeitos sobre o SNC: dada a sua lipossolubilidade, esses fármacos vão atravessar com facilidade a
barreira hematoencefálica, em doses baixas, a atropina, pode causar uma inquietude moderada, em doses
alta ela pode causar, agitação e desorientação, já a escopolamina, devido a esse efeito da
lipossolubilidade, não vai gerar um efeito adverso e sim terapêutico, uso como antiemético (profilaxia da
cinetose-enjoo), promove sedação, o que pode auxiliar para reduzir a sedação é a utilização da via
transdérmica, que vão liberando aos pouco a escopolamina, ajudando a diminuir o efeito adverso. A
professora falou que ainda não se sabe porque um leva a efeitos adversos e outro não. Além disso,
pessoas que tem esquizofrenia ou transtornos psicóticos fazem o uso de antipsicóticos que vão gerar
sintomas parecidos com o Parkinson, mas as vias que são afetadas, acabam gerando tremores e rigidez,
Lorrana Pecine – 2023.2
do Parkinson, para tratar esse quadro, podem ser usados como bloqueador muscarínico como o
benztropina, triexifenidila e o biperideno. Isso acontece, porque existe uma regulação dos níveis de
dopamina, ocorre uma regulação dos níveis de dopamina por meio dos neurônios colinérgicos (no
Parkinson, o neurotransmissor envolvido é a dopamina).
Também existe o uso da pré-medicação
anestésica, alguns fármacos como a atropina e
escopolamina, vão limitar as secreções produzidas
pelo indivíduo ao longo dessas vias, mas
atualmente já se caiu em desuso, então os
anestésicos hoje não são mais tão irritantes para
as vias aéreas, com isso essa produção reflexa
das secreções, não está alterada, perdendo um
pouco do seu fim terapêutico. As intoxicações
com pilocarpina, muscarina e cogumelos são
agonistas muscarínicos, uma serie de sintomas vão aparecer, inclusive os neurológicos que podem levar a
sedação intensa e pode levar ao choque, por isso são situações de emergência, que devem ser
identificadas e tratadas. Identifica-se esse quadro, principalmente por causa dos sintomas (salivação,
lacrimejamento, náuseas, vômitos, cefaleia, dentre outros), a ideiaé fazer a reversão da intoxicação.
Inicialmente, o procedimento é baseado em diminuir a absorção intestinal, lavagem gástrica juntamente
com o uso do carvão ativado, de forma a diminuir a absorção adicional e a atropina, pode ser usada pela
via intravenosa para trazer uma biodisponibilidade maior e de forma rápida, com isso, esse antagonista vai
competir pela muscarina e os outros agonistas, revertendo os efeitos. Como tratamento de suporte para os
efeitos cardiovasculares e pulmonares, pode-se ser empregado a adrenalina, mais uma forma de interação
entre o SNS e SNP, pela via intravenosa ela vai restabelecer a frequência cardíaca e aumentar a
broncodilatação, facilitando a reversão da intoxicação.
Os efeitos adversos com os bloqueadores muscarínicos são os que já vimos ao longo da aula,
xerostomia, constipação, visão turva (derivada do relaxamento da musculatura), dispepsia e alguns
prejuízos cognitivos, já que eles têm ação no SNC. Em relação ao uso tópico e inalação, os
efeitos adversos serão reduzidos, são contraindicados em pacientes que já tenha obstrução do trato
urinário ou gastrointestinal que vai acabar por sofrer uma obstrução ainda mais significativa. No glaucoma
de ângulo fechado descontrolado, ocorre aumento da pressão intraocular, devido a atuação na
musculatura ocular e a hiperplasia prostática benigna, esses indivíduos têm dificuldade no controle da
micção, podendo levar uma retenção urinaria em conjunto com os tratamentos com os bloqueadores.
Na intoxicação atropínica, vai da discreta redução
da frequência cardíaca, até o coma em níveis mais
elevados de intoxicação. A conduta é regular a
redução da absorção intestinal (lavagem gástrica e
carvão ativado), assistência respiratória, controle
Lorrana Pecine – 2023.2
da hipertermia, o tratamento deve ser feito por meio de injeção intravenosa lenta de fisostigmina
(anticolinesterásico) se o paciente está com intoxicação por um bloqueador muscarínico ou colinérgico,
quando usa um anticolinesterásico, inibe-se a degradação da acetilcolina e com isso tem mais ach para
competir com o bloqueador, esses fármacos são antagonistas reversíveis, a medida que aumenta a
disponibilidade de ach, ela compete com o fármaco pelo receptor, revertendo o seu efeito. Também pode
ser feito o tratamento com o benzodiazepínico para promover a sedação e controlar possíveis convulsões.
Na farmacocinética desses bloqueadores, no geral eles são bem
absorvidos no trato gastrointestinal, seu uso pode ser sistêmico ou
tópico (inalatório ou adesivo). O ipratrópio e tiotrópio são derivados
quaternários amônicos), além de ser utilizados em via inalatória, em
doses baixas não vão ter efeitos centrais (sedação ou agitação). Os
fármacos em geral, vão sofrer metabolização hepática, mas apenas
50% como fármaco ingerido, outros 50% vai ser eliminado na sua
forma inalterada.
Contraindicações dos tratamentos dos bloqueadores muscarínicos vão incluir o glaucoma, devido a essa
questão da drenagem do humor aquoso, esses tratamentos podem levar ao aumento da pressão
intraocular, indivíduos normais não chega a ser perigoso. Na hiperplasia prostática benigna pode haver um
agravamento da retenção urinária, e também, indivíduos com constipação não é interessante usar esses
bloqueadores, já que eles vão reduzir a motilidade gastrointestinal.
Amanda Monteiro 2024.2
Adrenérgicos e aminas simpaticomiméticas
● Conceitos
1. Simpaticomiméticos: Fármacos que mimetizam a ação das catecolaminas
2. Agonistas adrenérgicos: Atuam diretamente sobre os receptores
● Catecolaminas
Composto que possui um núcleo catecol (anel benzênico com dois grupos hidroxil adjacente)
e uma cadeia lateral de amina
Norepinefrina (noradrenalina)
NT liberado pelas terminações nervosas simpáticas
Epinefrina (adrenalina)
Hormônio secretado pela glândula adrenal
Dopamina
Percursor metabólico da nora e epi
Neurotransmissor/neuromodulador do SNC
Isoprenalina (Isoproterenol)
Derivado sintético da noradrenalina
α: NOR>EPI>ISO
β: ISO>EPI>NOR
Síntese das catecolaminas
1. Tirosina (não é catecolamina) sofre ação da tirosina
hidroxilase com a adição de uma hidroxila e forma-se DOPA.
2. DOPA sofre ação da DOPA descarboxilase e é convertida
em dopamina
3. Dopamina sofre ação da Dopamina B-Hidroxilase e gera a
noraepinefrina
4. Noraepinefrina é convertida na glândula adrenal que
secreta 80% de adrenalina e 20% de norepinefrina na corrente
sanguínea
Amanda Monteiro 2024.2
Etapas para a ação farmacológica
1. Tirosina entra no neurônio acompanhada por uma molécula de sódio pelo transportador
L-aminoácidos
2. A tirosina é convertida em L DOPA pela tirosina hidroxilase.
3. L DOPA é convertida em dopamina pela descarboxilase.
4. A dopamina entra para a vesícula pelos transportadores e trocadores VMAT que joga um
H+ para fora.
5. Dentro da vesícula, pela ação da B-hidroxilase, forma-se a noraepinefrina.
6. Se houver um PA, abri-se canais de cálcio voltagem dependentes.
7. O cálcio entra e interage com as proteínas anquilinas (de ancoramento) e faz com que a
membrana da vesícula de funda com a membrana pré sinpática, liberando os NT na fenda.
Na fenda, existem as seguintes possibilidades>
1. Ser captado pela membrana pós sináptica pelos
receptores alfa1, beta1, beta2, beta3.
2. Feedback negativo pelo contato com o receptor
alfa2 na membrana pré sinpática que funcionará
como um auto-receptor.
Depois de liberada, a noradrenalina pode:
1. Ser degrada pela MAO ou COMT
2. Ser recaptada pelos transportadores NET. Ela
voltará para o neurônio usando uma molécula de
sódio, e lá pode ser degradada por uma MAO
presente na crista da mitocôndria ou entrar numa
vesícula.
OBS: Temos também DAT (transporta dopamina) E
SERT (transporta serotonina). Mas o NET também
transporta dopamina.
Tudo isso vai ser usado como alvo farmacológico!
Exemplos:
Síntese de DOPAMINA pela Alfa-metildopa;
Processo de vesiculação – uso de Reserpina;
Sistema de captação – Cocaína, Anfetamina, Tiramina;
Síndrome de queijos e vinhos
Alimentos ricos em tiramina, aumenta a biodisponibilidade de substrato para a síntese de NOR,
podendo levar a um quadro de hipertensão.
Importante em pacientes que fazem uso de antidepressivo. Se o indivíduo toma um
medicamento que bloqueia MAO, por exemplo, já tem uma maior quantidade de substrato
disponível, então o ideal é orientar a diminuir o consumo desses alimentos ricos em tiramina.
Sendo que não é todo queijo que é rico em tiramina, são aqueles mais escuros, amarelos.
Amanda Monteiro 2024.2
Metabolização
Duas enzimas farão a metabolização da epi/nora:
1. Monoamino-oxidase (MAO)
Localiza-se na superfície das mitocôndrias do terminal nervoso
Sua inibição aumenta a NOR na fenda – efeito antidepressivo
MAO A (Ser>Nor>Dop) e MAO B (Dop>Ser>Nor)
2. Catecol-O-aminotransferase (COMT)
Localizada no citosol do terminal pós sináptico
Grande concentração no fígado
Receptores adrenérgicos
Metabotrópicos acoplados a proteína G
● Propriedades farmacológicas
TGI (Alfa 2)
Hiperpolarização: relaxamento muscular, diminuição da motilidade e secreção gástrica
Aparelho Respiratório (Beta2)
Broncodilatação
Relaxamento muscular
Amanda Monteiro 2024.2
Músculo esquelético e fígado (Beta2)
Glicogenólise
Aumento da glicemia
Tecido adiposo (Beta3)
Aumento da lipólise
Aumento de ácidos graxos e glicerol
Pâncreas (Beta2)
Diminui a produção de insulina (para ter mais glicose)
Mastócitos (Beta2)
Diminui a liberação de histamina
Olho (Alfa1 e Beta 1)
Beta1- contração da musculatura e aumento da produção de humor aquoso
Alfa 1-midriase
Trato Urinário (Beta e Alfa)
Beta – Relaxamento do musculo detrusor da bexiga
Alfa – contração do esfíncter
Diminuição da função urinária
Circulação
Alfa1- vasoconstrição (ação da epi e depois nora)
Beta 2- vasodilatação (ação da epi)
Obs1.: Em caso de estimulação simultânea, há predomínio de Alfa1.
Obs2.: Vasos da MUCOSA E PELE tem domínio de Alfa1.
Por isso numa ativação simpática, a pessoa fica pálida. -> Desvio de sangue pra os músculos, pra
onde precisamais; e para diminuir o sangramento em caso de lesão.
Coração (Beta1)
Crono,ino,dromotrópico positivo
● Fármacos Simpaticomiméticos
1. AÇÃO DIRETA
Atuam diretamente no receptor podendo ter alvos seletivos α1, α2, β1, β2, ou alvos não seletivos.
1.1 Seletivos
Fenilefrina
Agonista α1
É um vasoconstritor. Está presente no Neosoro (medicamento utilizado no nariz afim de
desobstruir as vias aéreas superiores).
Amanda Monteiro 2024.2
Clonidina
Agonista α2
Tipo de fármaco utilizado para reduzir a liberação de noradrenalina pelo neurônio pré-sináptico
por ser um auto receptor inibitório, fazendo feedback negativo. A redução da noradrenalina
diminui a pressão arterial, sendo esse fármaco utilizado como uma das estratégias para o
tratamento hipertensivo.
Dobutamina
Agonista β1
É utilizado durante parada cardíaca por possuir efeito cronotrópico, dromotrópico e inotrópico
positivo.
Salbutamol
Agonista β2
Utilizado em indivíduos asmáticos por causar broncodilatação.
Caso clínico: Paciente idoso, diabético e asmático crônico. Nesse caso não é possível utilizar
um agonista β2 através de qualquer via de administração pelo fato deste aumentar a secreção de
glicose (aumento da glicemia). Utiliza-se a via inalatória/aspirativa, onde 10% do fármaco é
inalado e o resto vai para o trato gastrointestinal, onde não é absorvido por ser eliminado em pH
ácido (no estômago). Dos 10% que passa para o trato respiratório, uma parte fica retida na
traqueia e uma pequena quantidade chega aos brônquios, não tendo efeito prejudicial na glicemia
do paciente e causando a broncodilatação necessária.
1.2. Não seletivos
Podem se ligar a mais de um receptor
Oximetazolina
Agonista α1 e α2: Utilizado em individuo que tem crise hipertensiva.
Isoproterenol
Agonista β1 e β2
Usado para o tratamento da asma, relaxando as vias aéreas e permitindo um fluxo maior de ar.
Adrenalina
Agonista α1, α2, β1 e β2: Utilizado em individuo que está fazendo choque séptico ou
hipovolêmico.
Noradrenalina
Agonista α1, α2 e β1: Utilizado em individuo que está fazendo choque séptico ou hipovolêmico.
Amanda Monteiro 2024.2
2. AÇÃO INDIRETA
3. AÇÃO MISTA
Os fármacos que possuem ação mista tem agonistas 1, 2, 1 e 2 e também estimulam a
liberação de noradrenalina.
Amanda Monteiro 2024.2
e
Amanda Monteiro 2024.2
AGONISTAS β (Agentes inotrópicos positivos)
Dopamina
Ação: coração (beta1)
Aumento do débito cardíaco e força de contração
Em grandes doses, ativa receptores beta1 e aumenta a contração
Também pode ativar alfa1 e aumentar RVP e perfusão dos órgãos
Uso clínico:
Choque séptico ou cardiogênico
Tratamento agudo da ICC
Efeitos adversos:
Náusea
Vômito
Taquicardia
Angina
Arritmia
Cefaleia
Hipertensão
Vasoconstrição periférica
Farmacocinética:
Intravenosa com monitoração da PA e ECG
Interromper medicação quando: volume urinário reduzido, frequência cardíaca aumentada
Isoproterenol
Ação: Coração (beta1) e pulmão (beta2)
Aumenta a frequência cardíaca e taquicardia
Broncodilatação
Aumento do DC
Diminuição da RVP
Relaxamento da musculatura lisa
Uso clínico:
Bradicardia ou bloqueio cardíaco
Asma
Efeitos colaterais:
Taquicardia
Isquemia Cardíaca
Cefaléia
Arritmia cardíaca
Amanda Monteiro 2024.2
Dobutamina
Possui uma mistura chamada mistura racêmica (essa mistura possui um isômero positivo e outro
negativo).
O isômero negativo é um agonista potente de α1 e fraco de β, promovendo uma intensa
vasoconstrição.
O isômero positivo é agonista fraco α1 e potente β. A mistura das duas aumenta a resistência
vascular periférica e ino, cromo e dromotropismo.
Ação
Seus efeitos farmacológicos são: ação maior em β do que α, tendo ação seletiva em 1
Inotropismo e cronotropismo positivo
Manutenção da resistência vascular periférica
Aumento de pressão arterial.
Uso Clínico
Comprometimento cardiovascular
Choque hipovolêmico (redução do volume de sangue)
Choque cardiogênico.
Farmacocinética
Administração é exclusivamente intravenosa, possui metabolismo de conjugação com grupo metil
e uma curta meia vida, sendo assim feita com bomba de infusão.
Efeitos Colaterais:
Aumento do consumo de oxigênio do miocárdio
Desenvolve tolerância
Aumenta a resposta da condução atrioventricular
Aumenta a taxa de resposta ventricular em paciente com fibrilação atrial
Atividade ventricular ectópica.
Esse gráfico demonstra duas
variáveis, pressão arterial na parte
superior e frequência cardíaca na parte
inferior na linha temporal. A imagem
expõe três momentos, no primeiro
momento estão sendo monitoradas a
pressão arterial e a frequência cardíaca
de um cachorro. O primeiro cachorro
que esta com a pressão arterial de 145
sistólica por 100 diastólica e uma
frequência de 170 batimentos por
minuto é administrado com felinefrina e
foi observado o aumento da pressão
arterial e uma redução de frequência
cardíaca. Tal fato demonstra que o
fármaco é seletivo pra a.
Amanda Monteiro 2024.2
No segundo momento o cachorro possui pressão arterial de 135/90 e frequência cardíaca
de 180. É administrado epinefrina ou adrenalina e foi observado o aumento da pressão arterial e
também da frequência, sendo deduzido que o fármaco não é seletivo (tanto em a quanto em b).
No terceiro cachorro, a pressão arterial é de 145/95 e a frequência é de 150. O fármaco
administrado foi o isoproterenol que aumentou a frequência e reduziu a pressão, sendo dessa
forma b- seletivo. Nesse gráfico a queda da pressão foi grande devido a vasodilatação feita pelo
b2 e também pela ação parassimpática reflexa que tenta reduzir a alta frequência.
Nesse outro gráfico são
analisados também a
frequência cardíaca e a
pressão arterial. A inserção de
70μg de felinefrina aumenta a
pressão arterial do cachorro e
a frequência é reduzida
(devido aos barorreceptores
parassimpáticos).
No segundo momento foi
administrado uma dose menor
de felinefrina (7,5 μg). A
pressão arterial foi alterada,
mas a frequência cardíaca foi
mantida. Esse fármaco é chamado de trimetafano, promovendo um bloqueio ganglionar. O
barorreceptor disparou, mas o bloqueio ganglionar não permitiu com que o potencial de ação
desse continuidade e houvesse deflagração de eferência.
Agonitas Beta2
Efeitos
Broncodilatação
Redução da liberação de leucotrienos e histamina pelos mastócitos
Redução da depuração mucociliar
Redução da permeabilidade microvascular
Uso clínico
Doenças obstrutivas das vias aéreas
Tratamento do broncoespasmo agudo
Asma
Relaxante uterino
Efeitos Colaterais
B2: Tremor da musculatura esquelética, cansaço, ansiedade
B1: Taquicardia, tolerância, aumento da mortalidade com asma e aumento da hiper-reatividade
brônquica, hiperglicemia.
Amanda Monteiro 2024.2
AGONISTAS α1
Fenilefrina
- Agonista α1 de ação direta, vasoconstrictor
- t1/2= 3 horas (curto)
- Usos clínicos: Descongestionante nasal , midriático
- Efeitos adversos: hipertensão, bradicardia reflexa
Efedrina
- Ação mista, ativa α1 e aumenta liberação de NOR (pode ativar diretamente o receptor ou
estimular a liberação de mais nora)
- Usos terapêuticos: Descongestionante nasal
- Efeitos colaterais: Taquicardia, palidez, hipertensão, insônia
Metoxamina
- Vasoconstrição: ↑ RVP (dose-dependente) e ↑ PA, podendo causar bradicardia sinusal
- t1/2 = 1 h
- Uso clínico: Hipotensão (IV)
AGONISTAS α2
No sistema nervoso central (tronco cerebral) ocorre a ativação do receptor 2 que reduz a
atividade simpática eferente, consequentemente reduzindo a pressão sanguínea arterial.
CLONIDINA
- Utilizada para tratamento de pressão arterial, reduzindo a resistência vascular e débito cardiaco
(redução da frequência cardiada do volume ejetado. É necessário que se tome cuidado com
indivíduos com insuficiência cardíaca), Não modifica o fluxo sanguíneo renal.
- Os efeitos adversos são sedação, secura da boca e mucosa nasal, disfunção erétil, depressão
mental (redução da atividade das catecolaminas e consequentemente da atividade cerebral)
- Pode ser utilizado para diagnóstico do Feocromocitoma (redução do nível plasmático de
noradrenalina).
- Interrupção após uso prolongado pode resultar emhipertensão de rebote então o paciente
precisa realizar exame e troca de medicação para evitar a crise hipertensiva.
- Se o paciente esquece de administrar uma ou duas doses terá como consequência taquicardia,
cefaleia e sudorese.
α-METILDOPA
- A -metildopa é convertida em -metildopamina que vira -metilnorepinefrina.
- É um antihipertensivo efetivo, principalmente em pacientes com insuficiência renal.
- É um fármaco de escolha no tratamento da hipertensão durante a gravidez, baseado na eficácia
e segurança para a mãe e o feto (não ultrapassa a barreia placentária)
Amanda Monteiro 2024.2
- Seus efeitos adversos são depressão, redução da libido, hiperprolactinemia (ginecomastia,
crescimento da mama no homem, e galactorréia, produção de leite pelo homem), hipotensão
ortostática, disfunção erétil e anemia hemolítica com o uso de mais de um ano.
ANFETAMINA
Possui ação fraca sobre os receptores adrenérgicos, inibe a captação do tipo 1
Inibe a MAO (de forma não muito importante mas gera um tipo de inibição da MAO). A inibição da
MAO aumenta a concentração de tiramina que produz noradrenalina.
O esquema ao lado demonstra a confusão que a anfetamina
faz no neurônio adrenérgico. Ela é recrutada pelo NET, muda
a direção do transportador de recaptação (ao invés de entrar
NE para dentro do neurônio, a NE que está dentro sai).
O fármaco reduz o apetite, promove autoconfiança, euforismo
e pode provocar alucinação e dependência psicológica e
física. No sistema nervoso autônomo provoca taquicardia,
midríase e boca seca.
Possui alto potencial aditivo, isto é, alto potencial de abuso
onde o indivíduo fica em estado de alerta, reduz cansaço, elevação do humor, aumento da
iniciativa, auto-confiança, habilidade de concentração e melhora da performance física (doping).
Os efeitos podem ser revertidos por superdosagem ou uso repetido. O uso clínico desse
medicamento é em tratamento de obesidade e déficit de atenção com hiperatividade.
A toxicidade e efeitos indesejados são tremor, insônia, anorexia, alucinação paranoica,
convulsão, coma, efeitos cardiovasculares, dependência e tolerância.
O tratamento do individuo que sofre de intoxicação por anfetamina é feito através da
acidificação da urina, uso de sedativo ou antagonista alfa-adrenérgico.
Interações farmacodinâmicas da anfetamina
- Reserpina - ↓ dos efeitos pela depleção de NA das terminações
- IMAO - ↑ dos efeitos por impedimento da inativação de NA deslocado da vesícula no interior das
terminações.
- Imipramina - ↓ dos efeitos por impedimento da captação pelas terminações nervosas
Seu uso clínico é em parada cardíaca (adrenalina intravenosa), choque cardiogênico
(dobutamina e dopamina intravenosa), reações anafiláticas (adrenalina intramuscular ou
intravenosa aumentando a pressão arterial média, fazendo vasoconstrição, broncodilatação e
inibição dos mastócitos), asma (salbutamol), descongestionante nasal (oximetazolina, fenilefrina e
metoxamina), associação à anestésicos locais (adrenalina com fenilefrina, sangramento e taxa de
remoção do fármaco), midríase e anorexígeno.
Os efeitos adversos são Taquicardia, Hipertensão, Hiperglicemia, Agitação psicomotora e
tremor muscular, Retenção urinária, Constipação. As contra indicações são para pacientes que
possuem arritmia, hipertensão, infarto agudo do miocárdio (não usar agonistas β2 ), glaucoma,
retenção urinária, constipação.
Amanda Monteiro 2024.2
Caso clínico
- Síndrome de Horner : Condição unilateral,
relacionada com a interrupção dos nervos
simpáticos faciais. O paciente apresenta ptose,
vasodilatação, miose e ausência de sudorese do
lado afetado. Pode ser causada por um tumor
que afeta neurônios pré ou pós-ganglionares
(importante para determinar a conduta
terapêutica).
- Qual estratégia podemos utilizar para identificar
a lesão?
Utilizar um colírio agonista a no olho. Como o paciente está fazendo miose, ao pingar o
colírio o olho irá fazer midríase (dilatação). Se a pupila dilatar esse individuo estará com lesão
pós-ganglionar. Isso porque o neurônio está presente, mas sem secretar noradrenalina, se
colocar adrenalina haverá resposta. Se a lesão for pré-ganglionar os neurônios pós-ganglionares
não estão sendo estimulados e por isso sofrem atrofia, então não adianta jogar neurotransmissor
que não haverá resposta.
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
AULA 10 – ANTAGONISTAS ADRENÉRGICOS: 
Quando se fala em antagonistas adrenérgicos estamos falando de medicamentos que irão bloquear a 
ação α e ação β. Os mais importantes e os mais comentados nessa aula, serão os bloqueadores β ou 
β bloqueadores, comumente chamados. Os bloqueadores α serão comentados, dando ênfase aos 
medicamentos usados a nível ambulatorial, chamados de Prazosina. 
 
BLOQUEADORES ΑLFA-ADRENÉRGICOS: 
Quando pensamos em usar um medicamento alfa-bloqueador, logo pensamos na Hipertensão Arterial. 
 
CLASSIFICAÇÃO E MECANISMOS DE AÇÃO: 
1. Antagonistas não-seletivos: aqueles que atuam em mais de um tipo de receptor alfa, como 
por exemplo: 
1.1. Fenoxibenzamina (α1= α2)  Por não ser seletiva, atua igualmente em α1 e α2. Esse 
medicamente por atuar também em α1, tem finalidade de diminuir a PA do paciente pois 
atua diminuindo a RVP e a RV (retorno venoso). Por outro lado, também bloqueia o 
receptor α2, que tem função de modular as ações simpatomiméticas. Com isso, ao 
bloquear o α2 vai elevar a FC, eleva-se o DC e pode gerar arritmias. 
 
Poderia ser uma boa escolha para tratamento da hipertensão se só atuasse em 
receptores α1 e se não fosse um bloqueador irreversível (ligação covalente), que faz com 
que esse fármaco tenha um efeito mais prolongado, levando a uma queda intensa da 
PA, o que não seria benéfico. 
 
É utilizada principalmente para o tratamento de feocromocitoma, principalmente em 
situações de cirurgia, para a preservação do paciente, visto que a estimulação do próprio 
procedimento à glândula, libera ainda mais catecolaminas. 
 
1.2. Fentolamina (α1= α1): Esse fármaco realiza bloqueio competitivo, atuando em 
receptores α1, α2 e atua inclusive em receptores serotonérgicos. Em α1 realiza os 
mesmos efeitos citados acima (↓RVP, ↓RV e ↓PA), em α2 realiza também o ↑da liberação 
de NE. Como esse fármaco atua com bloqueio competitivo, as ações realizadas por eles 
têm efeitos menos evidentes, porém não é o medicamento de uso para tratamento da 
hipertensão, pois existem medicamentos hoje em dia melhores. 
 
A absorção desse medicamento por VO é limitada, por isso que quando esse fármaco é 
utilizado deve ser feito pela via IV. 
 
Atualmente é utilizado para o tratamento do feocromocitoma e da disfunção erétil 
masculina, porém para esse último também há medicamentos melhores. 
 
1.3. Talazolina (α2 > α1) 
 
2. Antagonistas seletivos α1: 
2.1. Prazosin  é um bloqueador seletivo, e dessa forma realiza um bloqueio α1 altamente 
seletivo. Tem como efeito a vasodilatação, favorecendo a diminuição da PA. Por ter um 
tempo de meia-vida curto é a melhor opção para tratamento imediato e ambulatorial de 
HA. É utilizado pela VO e é extensamente metabolizado pelo fígado, tendo uma 
biodisponibilidade de 50%. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
 Mecanismo do efeito anti-hipertensivo da Prazosina: 
A prazosina irá minimizar os efeitos dos receptores α1, e por isso 
é utilizado como medicamento anti-hipertensivo. Esse 
medicamento promove uma vasodilatação arteriolar, diminui a 
RVP, provoca uma diminuição do RV, e consequentemente 
também diminui a PA. 
 
Como não atua em α2 esse medicamento não tem tanto impacto 
sobre a FC e DC, levando a uma ausência relativa de 
taquicardia. Por outro lado, como o bloqueio de α1 promove 
queda da PA os barorreceptores deveriam tentar aumentar a 
PA, porém isso não acontece pois diferentes dos antagonistas 
não-seletivos, a Prazosina não diminui drasticamente a PA e 
também atua diminuindo a sensibilidade dos barorreceptores. 
 
A Prazosina não altera o fluxo renal, pois a queda da PA não é suficiente para afetar a função renal. 
Melhora o perfil lipídicopois altera o catabolismo das glicoproteínas, elevando o HDL. Podem 
apresentar tolerância quando ocorre ativação do Sistema-Renina-Angiotensina-Aldosterona, isso só 
ocorre quando há ativação do sistema pelos mecanismos patológicos da própria hipertensão arterial, 
pois a angiotensina atua em receptores AT que também favorecem para o aumento da PA e com isso 
o paciente pode gerar uma resistência e por isso em alguns casos a Prazosina deve ser utilizada por 
associada a alguns diuréticos ou a inibidores da ECA. 
 
Obs.: o melhor medicamento para a HAS e de certa forma, também pode atuar no tratamento da 
hiperplasia prostática benigna, porém para esse segundo, há medicamentos melhores. 
 
Os efeitos adversos da prazosina - hipotensão postural: A hipotensão postural é mais comum na 
primeira dose, onde há redução da PA do paciente e gerando hipotensão postural. Esse efeito ocorre 
aproximadamente de 30 a 90min depois da ingestão do medicamento. Por isso recomenda-se iniciar 
o tratamento à noite e aumentar progressivamente a posologia (dose). 
 
2.2. Indoramina 
 
Apresentam efeitos similares ao efeito da prazosina: 
2.3. Doxazosin  possui biodisponibilidade de 90% tendo uma meia-vida de 20 horas. 
Também é altamente eficaz no tratamento da hipertensão e HPB. Possui uma meia-vida 
de cerca de 22 horas e é utilizada com uma dose única ao se deitar. 
 
2.4. Terazosin  possui biodisponibilidade de 90% tendo uma meia-vida de 12 horas. 
Possui uma biodisponibilidade maior que a da prazosina e menos efeitos colaterais e é 
mais usada no tratamento da HPB sintomática e pode ser utilizada em dose única diária. 
 
2.5. Tansulosina (α1A > α1B)  possui biodisponibilidade de 60% tendo uma meia-vida de 9 
a 15 horas. É o bloqueador alfa mais recente, possuindo uma meia-vida prolongada e 
possuindo maior seletividade para os receptores alfa 1a (maior ação na próstata e menor 
ação nos vasos). Também apresenta maior potência na inibição da contração da 
musculatura lisa da próstata com menor efeito na musculatura lisa vascular. 
 
Obs.: Assim como esses 3 medicamentos acima, outros 2 medicamentos utilizados para o tratamento 
de HPB são: 
 Alfuzosina: é um bloqueador alfa-adrenérgico usado para tratar a hiperplasia prostática 
benigna. Relaxa os músculos lisos da próstata e da bexiga, facilitando o ato de urinar. 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
 Urapidil: antagonista alfa 1, ação bem fraca agonista de alfa 2, agonista serotonérgico do 
receptor 5-HT1A e antagonista fraco de beta-1. Usado como anti-hipertensivo e para o 
tratamento de HPB. 
 
3. Antagonistas seletivos α2: 
3.1. Ioimbina: é um antagonista alfa-2 seletivo, não é muito utilizado na medicina, porém 
quando é utilizado, serva para reverter os efeitos dos agonistas alfa-2 como a Clonidina. 
Também faz parte de tratamentos experimentais para impotência sexual masculina e 
facilita a recordação de memórias traumáticas, no tratamento do transtorno de estresse 
pós-traumático. 
 
USO TERAPÊUTICO DOS ANTAGONISTAS ALFA: 
De forma geral esses fármacos atuam na: 
1. Hipertensão arterial sistêmica 
2. Hipertensão secundária – feocromocitoma 
3. Disfunção sexual  porém há medicamentos melhores. 
4. Hiperplasia prostática benigna 
 
EFEITOS ADVERSOS DOS BLOQUEADORES ALFA: 
1. Tontura – hipotensão postural  4 a 12% 
2. Fraqueza, sonolência e cefaleia  6% 
3. Palpitação  3 a 10% 
4. Congestão nasal  5% 
5. Ejaculação retrógrada  5% 
6. Síncope  <0,5% 
 
BLOQUEADORES BETA-ADRENÉRGICOS: 
HISTÓRICO: 
O propranolol, um medicamento dessa classe, foi descoberto pelo pesquisador Sir James Black em 
1969, o que lhe rendeu o prêmio Nobel da fisiologia em 1988. Percebe-se a importância dos beta-
bloqueadores no tratamento da hipertensão arterial, pois é um medicamento usado até hoje. 
 
 
 
DIFERENÇAS QUE AFETAM O USO CLÍNICO DOS BETA-BLOQUEADORES: 
1. Cardiosseletivos  atuando preferencialmente em receptores presentes no coração. 
2. Atividade simpaticomimética intrínseca 
3. Lipossolubilidade  bastante lipossolúvel, conseguindo inclusive atravessar a barreira hemato-
encefálica. 
4. Farmacocinética 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
MECANISMO DE AÇÃO 
Os fármacos intitulados como Beta-bloqueadores vão: 
1. Diminuir o gasto cardíaco 
2. Diminuir a secreção de renina  principalmente 
3. Diminuir a liberação de noradrenalina 
Ou seja, eles vão através da melhora do sistema cardiovascular e da PA dos pacientes, fazer com 
que os rins recebam mais sangue e dessa forma o SRAA é menos exacerbado, durante o uso do 
medicamento beta-bloqueador. 
 
Obs.: beta-bloqueadores são muito usados em pacientes pós-infarto, pois ao reduzirem os gastos 
cardíacos, como a FC, tenta minimizar os efeitos cardíacos da hipóxia, pois a demanda de oxigênio 
do músculo cardíaco será menor com o uso do medicamento. 
 
O gráfico de antagonistas competitivos é 
muito autoexplicativo, pois mostra que os 
beta-bloqueadores ficam muito na “briga” 
competitiva com os agonistas (noradrenalina) 
pelos receptores beta, como o beta1 por 
exemplo. Por isso ao prescrever 
medicamentos beta-bloqueadores, os 
médicos recomendam que os pacientes 
evitem brigas, estresse e outras situações que 
podem elevar as concentrações de 
noradrenalina, pois caso haja aumento das catecolaminas, as doses de beta-bloqueador não será 
suficiente, por ser um antagonismo competitivo. Nesse caso teórico, para o medicamento fazer efeito 
novamente, o médico deveria aumentar a dose, porém não deve ser feito pois os efeitos colaterais e 
adversos irão aparecer. 
 
Na contração do músculo estriado cardíaco, o receptor beta 1, através da ativação e produção do 
AMPc, alterava a condutância de cálcio dentro da célula, facilitando que o músculo ao receber estímulo 
no receptor beta 1, sofra contração e antecipa e facilita o relaxamento, dessa forma aumenta a 
frequência cardíaca, e é exatamente esse aumento de frequência que o beta bloqueador vai evitar. 
Portanto, o medicamento quando for feito vai bloquear o receptor beta 1, alterando a condutância de 
cálcio no interior da célula muscular cardíaca, diminuindo a FC, porém mantendo uma frequência 
fisiológica e minimiza um pouco o DC, tendo um impacto na PA e por isso chamado de medicamento 
anti-hipertensivo. 
 
CLASSIFICAÇÃO DE SELETIVIDADE DOS BETA-BLOQUEADORES: 
1. Antagonistas beta-1 e beta-2: o antagonismo de beta-1 leva a uma diminuição da frequência, 
impactando na diminuição da pressão arterial (efeito anti-hipertensivo). Já o antagonismo de 
beta-2 terá efeitos periféricos nos vasos e nos pulmões e dentre eles, o que mais deve ser 
levado em consideração é saber se o paciente que é hipertenso se ele também tem qualquer 
acometimento pulmonar, inclusive a asma, pois no pulmão o beta-2 tem efeito de 
Broncodilatação (relaxamento) e quando esse receptor sofre uma antagonização, há piora no 
caso da asma. 
1.1. Propanolol  fácil acesso e com custo relativamente baixo. 
1.2. Nadolol 
1.3. Timolol  usado em colírios 
1.4. Pindolol  agonista parcial e apresenta uma atividade simpatomimética intrínseca, ou 
seja, ele faz com que a região que tenha efeito farmacológico, mantenha efeito 
farmacológico sem evidência desse efeito, mesmo se a noradrenalina chegar ao receptor 
para tentar ativá-lo. 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
2. Antagonistas beta-1: cardiosseletivos 
2.1. Metoprolol  Bastante usado, cardiosseletivo, melhorando o impacto no pulmão. É 
interessante falar que se aumentar muito a dose desse fármaco, pode haver uma ação 
beta-2. Se o paciente tiver algum problema pulmonar, deve-se dar a menor dose 
possível. 
2.2. Atenolol 
2.3. Acebutolol  agonista parcial e apresenta uma atividade simpatomimética intrínseca 
(ASI). 
2.4. Esmolol  opção injetável. 
2.5. Bisoprolol 
2.6. Nebivolol (+NO)  tem ação beta bloqueadora e também de potencializar a ação do 
óxido nítrico, ou seja, vasodilatadora. 
 
3. Antagonista beta-1 e beta-2 + antagonista alfa-1: 
3.1. Labetalol 
3.2.Carvedilol  quando surgiu, deu um bum na medicina, pois potencializa muito os efeitos 
anti-hipertensivos, pois você vai ter uma atuação na PA, não só por atuar em beta-1 
(FC), mas por antagonizar também alfa-1 e não pode gerar taquicardia reflexa, pois beta-
1 também estará bloqueado. 
3.3. Medroxalol 
3.4. Bucindolol 
 
4. Antagonista beta-1 + antagonista alfa-1: 
4.1. Bevantolol  precisa de um efeito maior anti-hipertensivo mas o cara é asmático e 
dessa forma é a melhor opção para quem tem asma. 
 
5. Antagonista beta-1 + agonista beta-2: 
5.1. Celiprolol 
5.2. Dilevalol 
 
Obs.: NÃO PODE dar antagonista de beta-2 para asmáticos. 
 
CLASSIFICAÇÃO QUANTO A LIPOSSOLUBILIDADE DOS BETA-BLOQUEADORES: 
1. Alta lipossolubilidade  Atravessam facilmente a barreira hemato-encefálica 
1.1. Propanolol  usado para tratar alguns casos de enxaqueca. 
1.2. Metoprolol 
1.3. Acebutolol 
 
2. Baixa lipossolubilidade  não atravessam a barreira hemato-encefálica 
2.1. Atenolol 
2.2. Nadolol 
2.3. Carvedilol 
 
EFEITOS FARMACOLÓGICOS DOS ANTAGONISTAS: 
1. Beta-1: 
 Efeito cronotrópico (-) 
 Efeito inotrópico (-) 
 Diminuição da condução do nó atrioventricular 
2. Beta-2: 
 Vasoconstrição periférica – aumento da RVP (músculo esquelético) 
 Uso crônico – RVP volta ao normal 
3. Alfa-1: 
 Diminuição da RVP 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
EFEITOS ANTI-HIPERTENSIVOS: 
 
 
EFEITOS ANTI-ISQUÊMICOS: 
Os beta-bloqueadores tem efeitos anti-isquêmicos melhorar a lei de oferta e demanda, onde o coração 
precisa de oxigênio e deve haver uma oferta. Como o beta-bloqueador diminui a FC, a demanda de 
oxigênio também diminui e a oferta continua, equilibrando os pontos. 
 
 
 
BETA-BLOQUEADORES - INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: 
Os beta-bloqueadores no infarto agudo do miocárdio reduzem a mortalidade por alterar o consumo de 
oxigênio no músculo estriado cardíaco. 
 
EFEITOS METABÓLICOS: 
1. Altera o catabolismo de glicoproteínas 
 
2. Altera a glicogenólise, onde reduz a glicogenólise, reduz a secreção de glucagon e reduz a 
mobilização de glicose em resposta a hipoglicemia. 
 
3. Diminui o HDL, não altera tanto o LDL e pode aumentar os triglicerídeos. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
PROPRIEDADES FARMACOCINÉTICAS: 
 
 
ANTAGONISTAS BETA-ADRENÉRGICOS NÃO SELETIVOS (1ª GERAÇÃO): 
Principais efeitos: 
 Efeitos inotrópico, cronotrópico e dromotrópico negativos. 
 Diminuição da liberação de renina (células justaglomerulares) 
 Efeito central que leva a diminuição do tônus simpático por ação em receptores beta pré-
sinápticos cuja ativação promove a liberação de noradrenalina. 
 
1. Timolol: 
 
2. Propanolol: 
 Efeito inotrópico, cronotrópico e dromotrópico negativos. 
 Reduz a secreção de renina. 
 Não tem efeitos redutores da PA em indivíduos normais 
 Diminui a ansiedade em baixas doses (ação central – diminuindo o tônus simpático) 
 Aumenta a resistências das vias aéreas em pacientes asmáticos e em pacientes com 
DPOC. 
 Reduz a glicemia em resposta ao exercício 
 Mascara efeitos da hipoglicemia (taquicardia, sudorese e tremor) e pode dificultar a 
recuperação da glicemia em pacientes com diabetes tipo 1. 
 
ANTAGONISTAS ADRENÉRGICOS BETA-1 SELETIVOS (2ª GERAÇÃO): 
1. Metoprolol 
2. Atenolol 
3. Bisoprolol 
4. Esmolol (ação curta) 
 
Principais efeitos: 
 Inotróprico, cronotrópico e dromotrópico negativos 
 
Aplicação terapêutica: 
 As mesmas dos antagonistas beta não seletivos. 
 
Vantagens sobre os de 1ª geração: 
 O uso de antagonistas beta não seletivos podem levar a aumento da RVP por bloqueio de 
receptores beta-2 nos vasos sanguíneos dos músculos esqueléticos. Com a evolução do 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
tratamento a RVP volta ao normal provavelmente devido à diminuição da liberação de renina e 
ou redução ao nível central da atividade simpática por ação em receptores beta. 
 Uso mais seguro em pacientes asmáticos, com DPOC (sobretudo), diabetes e doenças 
periféricas. 
 
ANTAGONISTAS ADRENÉRGICOS NÃO SELETIVOS OU BETA-1 SELETIVOS COM 
OUTRAS AÇÕES CARDIOVASCULARES (3ª GERAÇÃO): 
 Pindolol, penbutolol – antagonistas beta não seletivos com atividade intrínseca em receptores 
beta (agonistas parciais em receptores beta). 
 
 Acebutolol – agonista beta-1 seletivo com atividade intrínseca em beta-1 (agonistas parciais 
em beta-1) 
 
 Aplicações terapêuticas – as mesmas dos antagonistas beta não seletivos, entretanto ainda 
sem estudos clínicos claros. 
Preferência para pacientes propensos a bradicardia ou queda na reserva cardíaca. 
Reduz frequência cardíaca induzida pelo exercício. 
 
 Celiprolol – antagonista beta-1 seletivo com efeitos agonistas parciais em receptores beta-2. 
Além disso, bloqueia alfa-2 periférico e aumenta a liberação de NO. 
 
 Labetalol – antagonista beta não seletivos, tem efeitos agonistas parciais em receptores beta 
2. Além disso bloqueia alfa-1. Uso pode estar associado a hepatotoxidade 
 
 Carvedilol – antagonista beta não seletivo. Além disso, bloqueia alfa-1. Tem também efeitos 
antioxidantes e antiproliferativos. 
 
VIAS DE ELIMINAÇÃO PELO FÍGADO: 
Desde do que é mais metabolizado no fígado, até os que são mais eliminados pelos rins: 
 
 
 
USO DOS BETA-BLOQUEADORES: 
1. Pacientes com menos de 40 anos (< eficácia) 
2. Pacientes do sexo masculino 
3. Pacientes de raça branca (afrodescendente são + resistentes) 
4. Hipertensão arterial com renina elevada 
 
Pacientes com HAS associada com: 
 Débito cardíaco elevado 
 Taquicardias 
 Cardiopatia isquêmica 
 Insuficiência cardíaca leve 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
 
Obs.: na gravidez, o uso deve ser cauteloso, visto que aumenta a contratilidade uterina e promove 
hipoglicemia e bradicardia fetal. 
 
INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS: 
1. Angina estável 
2. Angina instável 
3. Infarto agudo do miocárdio 
4. Hipertensão arterial sistêmica 
5. Arritmias cardíacas 
6. Insuficiência cardíaca 
7. Prolapso de valva mitral 
8. Aneurisma da aorta 
9. Glaucoma 
10. Hipertireoidismo 
11. Ansiedade 
12. Tremor essencial 
13. Profilaxia da enxaqueca – propranolol 
 
EFEITOS ADVERSOS: 
1. Broncoespasmo 
2. Bradicardia 
3. Hipotensão 
4. Fadiga 
5. Vasoconstrição periférica 
6. Retarda a recuperação da hipoglicemia – em pacientes diabéticos 
7. SNC: distúrbios do sono e depressão – surgimento de pesadelos (lipossolúveis) 
8. Disfunção erétil – o corpo cavernoso se adapta ao aumento da PA e com o uso do beta-
bloqueador o paciente pode adquirir impotência sexual. 
 
CONTRA-INDICAÇÕES: 
1. Bradicardia grave 
2. Bloqueio atrioventricular 
3. Asma grave – foco principal de contraindicação 
4. DPOC grave 
5. Depressão 
6. Vasculopatias periféricas 
7. Fenômeno de Raynaud 
 
INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA: 
 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
AULA 12 – ANESTÉSICOS LOCAIS: 
DEFINIÇÃO: 
Os anestésicos locais são substâncias que bloqueiam temporariamente a condução nervosa de 
maneira localizada. Esse bloqueio pode gerar perda da sensibilidade e da motricidade, dependendo 
da dose e do local de sua administração. 
 
HISTÓRICO: 
A história dos anestésicos locais começa por volta de 1800, quando os nativos do Peru mascavam 
folhas da Erytroxylon coca, para minimizar os efeitos da altitude. 
 1860 – Albert Niemann  observando o que os peruanos faziam com a folha de coca, Albert 
conseguiu isolar a substância ativa existente nessas folhas: a cocaína. 
 1870-1880 Sigmund Freud  Além de seus efeitos como anestésico local, a cocaína também 
possuía efeitos psicotrópicos (SNC) e pode isso Freud a utilizava para descrever os seus 
efeitos, porém ficou dependente de tal substância. 
 1884 – Carl Koller  De fato, este foi o primeiro emprego médico, propriamente dita, da 
cocaína. Quando Koller utilizou essa substância pela primeira vez, como anestesia oftálmica. 
 1905 – Einhorn – Síntese da Procaína 
 1943 – Lofgren – Síntese da Lidocaína 
 
 
Obs.:A procaína (lovocaína) e a lidocaína (xilocaína), além de apresentarem uma atividade 
simpaticomimética, pela capacidade de bloquear a captação neuronal de noradrenalina e de 
dopamina, desenvolvendo seus efeitos euforizantes (psicotrópicos), culminava em levar os seus 
usários a uma intensa dependência física e psíquica. Por isso, na medicina moderna a cocaína não 
possui nenhuma indicação clínica. 
 
 
 
QUÍMICA E CLASSIFICAÇÃO: 
Sabemos que os anestésicos locais são classificados em anestésicos do tipo éster e do tipo amida. 
Mas uma semelhança entre esses dois grupos é que ambos são bases fracas, ou seja, todos os 
anestésicos locais são bases fracas. 
 
Todos os dois grupos de anestésicos apresentam uma região lipofílica, que compreende um anel 
aromático que é importante para que os anestésicos 
locais consigam traspor as membranas celulares 
dos axônios. 
 
As aminas e os éster possuem uma cadeia 
hidrofílica aminada, que no caso dos ésteres pode 
ser: procaína e tetracaína, e no caso das amidas 
pode ser: lidocaína, bupivacaína, ropivacaína e 
prilocaína. 
Devido ao sucesso de Koller, Einhorn e Lofgren 
tentaram isolar e produzir novos anestésicos locais 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS: 
Como os anestésicos locais possuem uma propriedade físico-químico de reagirem como bases fracas, 
podemos notar diferenças no pH em que o anestésico se encontra que podem ou não dificultar sua 
entrada pela membrana neural (só exerce o efeito farmacológico quando ele transpõe a membrana 
celular). 
 
Então se temos um anestésico local que apresenta propriedades 
de ser uma base fraca, em uma região com o pH favorável, ou 
seja, alcalino, predomina portando a forma não ionizada 
(lipossolúvel) que vai tornar o anestésico, uma substância muito 
fácil de atravessar a membrana neuronal. No entanto, se eu 
colocar esse anestésico local em uma região com um pH não 
favorável, ou seja, um meio ácido, com excesso de H+ (Cátion) 
(como em infecções), o anestésico local permanece em uma 
configuração mais ionizada ou hidrossolúvel, que impede que o 
anestésico atravesse a membrana neuronal. 
 
Obs.: pode-se observar que anestésico com um pka de 7,9 em um pH levemente básico: 7,9  
encontramos 50% dos anestésicos locais na configuração não ionizada (lipossolúvel) e 50% na 
configuração ionizada (hidrossolúvel). Porém se reduz o pH para 7,4  notamos que 24% dos 
anestésicos locais se encontram na forma não ionizada (lipossolúvel) e 76% na forma ionizada 
(hidrossolúvel). 
 
DIFUSÃO DOS ANESTÉSICOS LOCAIS – PENETRAÇÃO E LATÊNCIA: 
Os anestésicos locais são substâncias que possuem um pka que varia de 7,9 até 9, são substâncias 
que sofrem uma grande influência do pH do meio quando este está comparado ao percentual da base 
no meio em questão capaz de transpor a membrana neuronal. 
 
Exemplo: a lidocaína no pH de 7, possui mais ou 
menos 11% da sua configuração de base fraca na 
forma de não ionizada (lipossolúvel) e a partir do 
momento que aumenta-se o pH, percebemos que 
aumenta-se também o percentual de lidocaína na 
forma não ionizada (lipossolúvel). Essa regra vale 
para todos os anestésicos locais, menos a 
Benzocaína, que é uma exceção, pois por 
apresentar um pka de 3,5 que garante a ela que em 
qualquer série de pH ela tenha 100% da sua 
configuração na forma não ionizada (lipossolúvel), 
porém a benzocaína só serve para anestesia de mucosas na forma de cremes, pomadas e pastilhas. 
 
Portanto, o grau de ionização do anestésico depende do pH do meio  quanto menos o pH 
do meio, maior será a ionização, menor será a penetração na membrana neuronal e portanto 
exercerá um menor efeito anestésico. 
 
Obs.: É importante o anestésico está na forma não ionizada (B) para atravessar a membrana neuronal 
e no momento que o anestésico local entra no axoplasma, ele encontra um pH ácido (lisossomas com 
enzimas ácidas), fazendo com que esse anestésico local se ionize no interior do axoplasma e NÃO 
vai interferir no mecanismo de ação. 
 
Os anestésicos locais, para exercer seus efeitos farmacológicos de bloquear a formação e condução 
do estímulo nervoso, atuam em uma porção do axônio que é capaz de gerar e conduzir esse estímulo, 
exatamente nos canais de Sódio. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
POTÊNCIA E DURAÇÃO DE AÇÃO: 
Os anestésicos locais possuem uma latência muito 
pequena, pois após a injeção, eles rapidamente 
exercem seus efeitos. Na tabela ao lado, notamos 
alguns anestésicos locais que possuem curta 
duração, durando menos de 1 hora depois da sua 
infiltração. 
 
O primeiro padrão a ser estudo foi o da procaína, que 
possui uma duração de tempo de anestesia menor do 
que 1 hora. Com uma potência relativa de 1, esse 
fármaco assume uma potência padrão quando comparado com os outros anestésicos. 
 
A prilocaína e a lidocaína são anestésicos de duração intermediária, e apresentam uma duração de 
mais de 1 hora, com uma potência 4 vezes maior do que a da procaína. 
 
Depois vieram outros anestésicos, a tetracaína, bupivacaína e ropivacaína (anestesias espinhais), que 
possuem duração maior que 3 horas e potência até 16 vezes maior do que a da procaína. 
 
MECANISMO DE AÇÃO: 
Sabemos que o canal de sódio dependente de 
voltagem possui 4 unidades e 1 subunidade 
chamada de alfa, com um orifício central, onde o sítio 
de ligação do anestésico local só pode ser acessado 
quando o anestésico local “enxerga” esse canal de 
dentro para fora, não importando se o anestésico 
está ou não ionizado, somente importando se o 
anestésico consegue ou não “enxergar” esse sítio de 
ligação na porção interna do canal de sódio voltagem 
dependente. 
 
Esse mecanismo de ação acontece porque o 
anestésico local precisa ultrapassar a membrana 
em sua conformação não ionizada e precisa se 
ligar ao sítio de ligação do anestésico dentro do 
canal de sódio, onde existe a estrutura da 
subunidade alfa, bloqueando este canal. É 
importante falar, que para expor essa região onde 
o anestésico vai se ligar, o canal de sódio deve 
estar aberto e não fechado ou inativado, e por isso os anestésicos são conhecidos como bloqueadores 
de canais abertos. 
 
O mecanismo de ação precisa que o anestésico penetre 
através da membrana neuronal. Isto foi facilmente 
comprovado em 1971 a partir de uma substância conhecida 
como: QX314, que apresenta um hidrogênio quaternário. 
Narahashi colocou o anestésico local do lado de fora de um 
axônio e mediu a capacidade que esse axônio tinha de 
transmitir potenciais de ação, quando o QX314 (lidocaína 
ionizada) não obteve resposta anestésica. Porém quando 
ele injetou por iontoforese o QX314 dentro do axoplasma, ele 
observou efeito anestésico local, uma vez que mesmo ionizada ela conseguia bloquear o canal de 
sódio no seu orifício interno. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
Se fizermos a infiltração em uma região inflamada, dominada pela presença de citocinas, antracóides, 
eicosanoides, que reduzem o pH da região inflamada. E com isso sabemos que a anestesia não irá 
funcionar, pois como o pH externo estará baixo, o anestésico irá ionizar antes de ultrapassar a 
membrana neuronal e não terá o efeito anestésico esperado. 
 
Quando o anestésico realiza sua ação, ele precisa bloquear 4 nódulos de Ranvier, para que o potencial 
de ação não progrida e impedindo a propagação. E como o canal de sódio também foi inativado, a 
fase ascendente do potencial de ação, desaparece, não havendo mais, condução nervosa. 
 
BLOQUEIO DOS CANAIS DE NA+ DEPENDE DO ESTADO DO CANAL (EFEITO VOLTAGEM-
DEPENDENTE): 
O bloqueio uso dependente do canal de sódio: o canal de sódio 
possui 3 conformações  repouso, aberto e inativado, e o 
anestésico precisa se ligar ao canal na subunidade alfa, que se 
localiza em seu interior, só alcançando tal subunidade quando 
o mesmo estiver na sua conformação aberta. Então quanto 
maior for a frequência de abertura desses canais, mais 
rapidamente se dará o bloqueio, pois maior será a exposição 
dos sítiosde ligação dos anestésicos locais. 
 
 
FATORES QUE INFLUENCIAM A AÇÃO DOS ANESTÉSICOS LOCAIS: 
 Lipossolubilidade do anestésico local 
 Concentração do anestésico local no sítio de ação 
 pH do meio 
 Frequência de ativação dos canais de Na+ 
 Associação dos anestésicos locais com vasoconstrictor  os anestésicos locais são 
substâncias que apresentam ação vasodilatadora e por essa razão eles são rapidamente 
absorvidos no local da infiltração. Dessa maneira uso-se adrenalina associada ao anestésico 
afim de manter o anestésico local na estrutura nervosa por um tempo maior. Porém essa 
associação em paciente cardiopatas não é recomendada, devido os efeitos adversos, como: 
arritmia, alteração de frequência cardíaca, alteração de condutibilidade, entre outros que 
poderiam colocar em risco a vida desse paciente. Por isso alguns laboratórios resolveram 
desenvolver derivados do ADH ou vasopressina, que não tem ação no aparelho cardíaco e 
somente no aparelho vascular, aí mudou-se a associação com a adrenalina, pela associação 
com a Octapressina ou fenilpressina. 
 
BLOQUEIO DIFERENCIAL DOS NERVOS SENSITIVOS VS MOTORES: 
Algumas fibras, como as que produzem tato e dor e as fibras do sistema nervoso autônomo simpático 
são bloqueadas mais rapidamente, do que as fibras mais grossas como as fibras alfa. Isso se prende 
ao fato de que há um bloqueio da condução nervosa que depende do bloqueio de 4 nódulos de 
Ranvier, ou seja, a partir do 4º nódulo, a condução nervosa no axônio desse nervo, está bloqueada. 
 
As fibras A alfa por apresentarem um diâmetro maior e 
um maior grau de ionização, por isso, pode-se bloquear 
a fibra A delta e não bloquear uma fibra A alfa. Esse fato 
curioso não tem uma explicação plausível, porém tudo 
indica que a profundidade a qual as fibras se encontram 
tem relação com isso. 
 
Os canais de sódio das fibras mielinizadas e das fibras amielinizadas possuem diferenças embora 
todos sejam voltagem dependente, há uma diferença na afinidade entre eles, além é claro, da 
Phatryck Pinheiro 
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presença da mielina. Isso faz com que ocorra um bloqueio denominado de bloqueio diferencial entre 
nervos sensitivos e motores. No quadro abaixo podemos ver que as fibras simpáticas pós-
ganglionares apresentam um bloqueio muito mais intenso do que as fibras A delta e dessa forma a 
fibra A alfa, seria a última fibra a sofrer o bloqueio pelo anestésico local. 
 
 
 
EFEITO DA LIDOCAÍNA – POSIÇÃO DAS FIBRAS NO FEIXE NERVOSO: 
Podemos observar que em grandes troncos nervosos, 
o nervo sensitivo é central e o nervo motor é mais 
periférico. Já nas extremidades. A fibra sensorial é 
periférica e motora interna na porção proximal e a fibra 
sensitiva é central e a motora é periférica na porção 
distal da fibra nervosa. Por isso, ao fazer a anestesia 
de um dedo ou qualquer região que precise de 
anestesia na porção distal, precisa fazer a anestesia na 
porção mais proximal dessa extremidade. 
 
ASSOCIAÇÃO DOS ANESTÉSICOS LOCAIS COM AGENTES VASOCONSTRICTORES: 
Essa associação dos anestésicos locais com os vasoconstritores apresenta 3 vantagens: 
1. Prolonga a duração anestésica 
2. Diminui os riscos de toxicidade  pois impede a absorção sistêmica. Pois quando o anestésico 
local é injetado erroneamente na corrente sanguínea, percebemos efeitos colaterais que 
começam com: dormência da língua, dormência dos lábios (perioral) e que vai se estender até 
alterações de linfa circulação, perda de consciência, podendo chegar até um colapso 
cardiocirculatório e por fim: convulsão tônico-clônica (risco de vida). 
3. Sangramentos locais  vasoconstrição localizada 
 
Além disso, também apresentam 2 desvantagens: 
1. Inapropriada para regiões de baixo fluxo sanguíneo  por exemplo, as extremidades (dedos), 
pois quando aplica-se anestésicos com vasoconstritores, atinge-se o botão vasculonervoso e 
com isso pode ter isquemia, necrose, gangrena e morte desse segmento. 
2. Risco de efeitos colaterais em pacientes cardiopatas 
 
Segundo o gráfico, o efeito de duração em minutos quando usamos a lidocaína com vasoconstrictor 
é maior quando comparada a lidocaína sem associação com vasoconstrictores. Da mesma forma, 
quando utilizamos a etidocaína associada a vasoconstrictores tem um efeito mais durável do que sem. 
 
 
Phatryck Pinheiro 
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FARMACOCINÉTICA: 
Os anestésicos locais apresentam metabolização 
hepática bastante ampla. Sabemos que o fígado é o 
principal órgão de metabolização dos anestésicos 
locais, a hidrólise da prilocaína por exemplo da origem 
à o-toluidina que é extremamente tóxica, pois leva a um 
quadro de metamoglobinemia, ou seja, o paciente ainda 
carreia oxigênio, porém em menores quantidades. 
Essas substâncias anestésicas, em especial a 
bupivacaína, em excesso se acumulam no coração, 
onde é extremamente tóxica. Com isso a principal 
enzima que metaboliza a bupivacaína é a éster-
butirilcolinesterase plasmática com liberação de PABA (ácido paraminobenzóico), que é uma 
substância extremamente alergênica e por isso deve-se tomar cuidado na aplicação de anestésicos 
do tipo éster, pois o PABA pode gerar desde uma simples urticária, até choque anafilático. 
 
EFEITOS ADVERSOS – INTOXICAÇÃO: 
A intoxicação acontece quando você injeta o anestésico 
local em um vaso sanguíneo ou em um local que não 
deveria ser injetado. Isso acontece por um simples fator: 
o excesso de DOSE. 
 
Se utilizarmos um anestésico local em um comprimento 
do nervo que você pode bloquear mais do que 5 nódulos 
de Ranvier, você pode induzir a uma paralisia muscular 
daquela região. 
 
Efeitos adversos: apresentam-se em uma ordem: 
1. Anestesia perioral e dormência da língua 
2. Alterações de fala 
3. Zumbidos 
4. Sonolência 
5. Agitação / ansiedade / tremor de extremidades / ataxia (SNC) 
6. Convulsão tônico-clônica com insuficiência respiratória aguda 
7. Choque e colapso cardiovascular  a RVP desse indivíduo intoxicado diminui  hipotensão, 
gerando um colapso circulatório. 
8. Arritmias cardíacas e até falência cardíaca. 
 
A intoxicação pela intoxicação à anestesia local pode ser tratada com benzodiazepínicos, mas antes 
disso, usa-se cateter e oxigenação, retirada da infiltração, garantindo permeabilidade das vias aéreas 
superiores e avaliar quais eventos esse paciente está apresentando para coordenar em qual etapa o 
paciente se encontra. 
 
Em doses muito baixas, os anestésicos locais, 
principalmente a lidocaína, apresenta efeitos 
antiarritmicos, com doses de 5ug/ml vem a parestesia da 
boca e da língua, seguida em segundo lugar pela presença 
de zumbidos, dislalia (alteração de fala), confusão, 
ansieddade, sedação e tremor. Depois com sedações 
ainda mais elevadas, o paciente pode apresentar abalos 
musculares e incosnciência, ainda mais doses, ocorre mais 
agitação, convulsão, insuficiência respiratória aguda, 
coma, choque e hipóxia e por fim: parada cardíaca. 
Phatryck Pinheiro 
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TIPOS DE ANESTESIAS: 
INFILTRATIVA: 
Bloqueio de pequenas terminações nervosas, empregados na área do tratamento odontológico são 
infiltradas com a solução do anestésico local, apenas na região do nervo que inerva o local onde será 
realizado o tratamento. 
 
 
BLOQUEIO DE CAMPO 
A solução do anestésico local é infiltrada próxima dos ramos terminais maiores, de forma que a área 
anestesiada será circunscrita, para evitar a passagem de impulsos do dente para o SNC. 
 
 
 
BLOQUEIO DE NERVO 
O anestésico local é depositado próximo a um tronco nervoso principal, usualmente distante do local 
da intervenção operatória. É uma anestesia total dos componentes musculares inervados por aquele 
tronco. 
 
 
PERIDURAL: 
É a anestesia feita no espaço peridural. Como a anestesia está separada do nervo pela dura-máter, a 
potencia dessa anestesia é bem menor, do que a anestesia raquidiana. Possui efeitos colaterais muito 
menores dos encontrados na anestesia raquidiana. 
 
RAQUIDIANA: 
Se difere daanestesia peridural exatamente pela maior potencia. Dependendo da altura que for 
aplicada a raquidiana, ela pode bloquear diversos nervos importantes para manutenção da atividade 
de alguns órgãos. Em outras situações ela pode circular pelo liquor e atingir estruturas 
suprasegmentares do SNC: cefaléia, naúseas e por isso deve-se deixar a cabeça mais elevada. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
 
 
TRATAMENTO DAS INTOXICAÇÕES: 
PREVENTIVO: 
1. Respeitar as doses máximas recomendadas 
2. Aspiração antes e durante a injeção para evitar injeção intravascular 
3. Acesso venoso, equipamento para assistência respiratória e circulatória. 
 
IMEDIATO: 
1. Oxigenação e assistência ventilatória 
2. Convulsão tônica-clônica  Diazepam 
3. Colapso circulatório  Efedrina, dopamina 
4. Parada cardíaca  Massagem - desfibrilação 
 
Obs.: A bupivacaína leva a depressão cardíaca grave de difícil reversão. 
 
USO TERAPÊUTICO: 
 Antiarrítmico (lidocaína) 
 Para induzir ANESTESIA LOCAL 
 
PRINCIPAIS TÉCNICAS ANESTÉSICAS: 
 Anestesia tópica 
 Anestesia por infiltração 
 Anestesia por bloqueio do nervo 
 Anestesia Epidural ou peridural 
 Anestesia Espinhal ou raquidiana 
 
Os anestésicos associados a adrenalina ou fenilefrina (efeitos cardiovasculares): procaína e lidocaína. 
Phatryck Pinheiro 
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AULA 11 – BLOQUEADORES NEUROMUSCULARES: 
Os bloqueadores neuromusculares são fármacos de ação periférica amplamente empregados no que 
chamamos de anestesia balanceada, que é uma anestesia induzida por múltiplas drogas para produzir 
inconsciência e relaxamento muscular completo da musculatura esquelética. Além disso, são 
desprovidos de ação anestésica, analgésica, hipnótica e contém muitos efeitos colaterais. 
 
HISTÓRICO: 
 1850 - Claude Bernard – Ação relaxante muscular do curare que os índios brasileiros 
empregavam em suas caças, onde a presa tinha paralisia da musculatura respiratória e morria. 
O que causou curiosidade ao cientista foi o fato dos índios se alimentarem da carne do animal 
e não apresentarem nenhum sintoma ou efeito adverso. 
 1932 - West – Tétano e outras doenças espasmódicas 
 1942 - Griffith e Johnson - coadjuvante da anestesia geral  esse cientista teve a ideia de usar 
substancias como o curare na anestesia geral, para gerar relaxamento muscular e imolização 
do paciente. 
 
QUAIS SÃO AS FINALIDADES DOS BNM? 
1. Facilitar a intubação oro-traqueal  paciente de CTI ou pré cirúrgico 
2. Diminuir a tensão muscular  permitindo a ventilação mecânica 
3. Permitir toracotomias  evitar a mobilidade do paciente em cirurgias minuciosas 
4. Permitir a ventilação mecânica 
5. Permitir cirurgias oftálmicas  evitar a mobilidade do paciente em cirurgias minuciosas 
6. Reduzir a CAM 9concentração alveolar mínima) dos anestésicos gerais: halogenados 
 
QUAIS SÃO AS DIFICULDADES? 
 Dificuldade de avaliação do plano anestésico  quando o paciente é curarizado, pode haver 
dificuldade de avaliar em qual plano anestésico o paciente se encontra. 
 Efeitos adversos indesejáveis 
 Difícil reversão em certos casos  curarização residual, onde o paciente ao invés de sair do 
bloqueio neuromuscular minutos após a interrupção, pode permanecer nele por horas. 
 
FISIOLOGIA DA PLACA MOTORA: 
A junção neuromuscular depende da liberação de acetilcolina, 
que irá se ligar aos receptores colinérgicos existentes na placa 
motora, desenvolvendo o potencial de placa motora. Esse por 
sua vez, se propaga com decrescimento, ou seja, perdendo 
amplitude quando se aproxima da membrana eletroexcitável 
do sarcolema (membrana plasmática do músculo esquelético), 
que depende diretamente do potencial da placa motora. 
 
 
 
RECEPTOR NICOTÍNICO – ISOFORMAS: 
Os receptores nicotínicos, aqueles que estão presentes na placa motora, são diferentes daqueles que 
estão no neurônio (sinapse neuronal - muscarínicos) e nos gânglios do SNA simpático e 
parassimpático. Tanto que existem os receptores nicotínicos neuronais e musculares. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
Os receptores musculares são o objetivo da aula de hoje, e 
assim como o neuronal, se apresenta na forma de flor de Liz 
com um orifício central, um heterodímio com 4 em cada tipo 
de subtipos, onde no nicotínico musuclar há 2 unidades alfa-
1, 1 unidade beta-1, uma unidade gama e uma unidade delta. 
Diferentemente, o receptor neural possui 3 unidades beta-2 e 
2 unidades alfa-4. 
 
Sabemos que o receptor nicotínico muscular apresenta 2 
unidades as quais se ligam as moléculas de acetilcolina, e com 
isso criou-se um questionamento: porque os bloquadores 
neuromusculares se ligam de forma preferencial aos receptores 
nicotínicos na placa motora? A resposta é simples, essa 
preferencia ocorre exatamente pela diferença nas subunidades 
existentes no receptor nicotínico de placa e no receptor 
muscarínico neural, ou seja, os bloqueadores neuromusculares 
tem afinidade pelos receptores nicotínicos de placa e não pelos 
receptores muscarinicos neurais ou nicotínicos ganglionares. 
 
Sabe-se que na fisiologia da placa motor há sintese e migração de 
acetilcolina das cisternas para vesículas que são preenchidas pela 
própria acetilcolina e dessa forma serão exteriorizadas do terminal 
nervoso para a fenda sináptica, em direção a placa motora, onde 
efetuará sua ação, sendo metabolizada depois pela enzima 
acetilcolinesterase. 
 
A colina é recuperada para que uma enzima 
chamada de colina acetiltransferase, ligue-a a 
acetilCoA e reestabeleça a acetilcona que será 
armazenada no interior da vesícula novamente. 
Várias substâncias servem para interferir nessa 
terminação colinérgica de placa motora, sendo 
portanto, alvo de vários fármacos, como por 
exemplo: anestésicos locais (susbtâncias que 
bloqueiam os canais de sódio, que são importantes 
para a despolarização desse terminal e 
subsequente influxo de cálcio que é importante para 
aproximação e ligação da vesícula contendo acetilcolina na membrana pré-sináptica e por exocitose, 
ocorre a liberação de acetilcolina na fenda da placa motora). 
 
Bom, o que vem a ser agonista e antagonista dos receptores colinérgicos? Os bloqueadores 
neuromusculares são substâncias que se ligam ao receptor da acetilcolina na placa motora e impedem 
a geração do potencial de placa motora. Na imagem preta podemos observar que há a presença de 
agonista como indicativo de relaxamento muscular, como isso pode acontecer? Será respondido 
durante o mecanismo de ação. 
 
Na figura em azul podemos ver que a ligação da acetilcolina 
com os receptores da placa motora, abrem o orifício central 
do receptor nicotínico, mantendo o influxo de sódio e efluxo 
de potássio, via receptor nicotínico, causando 
despolarização da placa motora e posterior geração de 
potencial de ação da fibra muscular. 
 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
CLASSIFICAÇÃO DOS BLOQUEADORES NEUROMUSCULARES: 
Os bloqueadores neuromusculares são substâncias de mecanismo de ação bastante simples. São 
divididos em 2 tipos de bloqueadores: 
1. Os bloqueadores despolarizantes  só há 1 representante hoje em dia: SUCCINILCOLINA 
2. Os bloqueadores competitivos  que é subdividido em: 
2.1. Estrutura química derivada da isoquinolina 
2.2. Estrutura química derivada de esteroide 
 
 Estrutura Química 
 Mecanismo de Ação 
 Duração de Ação 
 
Estrutura química Mecanismo de ação Fármacos 
D. da colina Despolarizante Succinilcolina 
D. Isoquinolina Competitivo 
d-Tubocurarina, Galamina, 
Atracúrio, Doxacúrio, 
Mivacúrio 
D. esteróide Competitivo 
Pancurônio, Piperocurônio, 
Rapacurônio, Rocurônio e 
Vecurônio 
 
Obs.: A d-tubocurarina que era utilizada pelos índios, e hoje em dia não tem mais emprego terapêutico 
e por ser uma substância natural, há liberação maciça de histamina e promove queda de pressão 
arterial. 
 Os outros fármacos por serem mais recentes, estão mais isentos de efeitos adversos. 
 
 ESTRUTURA QUÍMICA DOS BNMS: 
A succinilcolina, diferentemente daacetilcolina (molécula linear), é a representação de 2 moléculas de 
acetilcolina unidas. Dessa forma conseguimos dizer que os esteroides são substâncias mais 
complexas que a isoquinolina. 
 
 
CLASSIFICAÇÃO: 
 Competitivos: aqueles cujos efeitos advêm da inibição competitiva da ligação da acetilcolina ao 
receptor nicotínico da junção neuromuscular, impedindo a despolarização da placa motora, 
tendo portando, relaxamento muscular. 
Esse tipo de bloqueador irá se ligar no receptor nicotínico da placa motora e dessa forma irá 
bloquear os canais de sódio e potássio, não gerando o potencial de placa motora. 
 
 Despolarizantes: aqueles que produzem seus efeitos a partir da despolarização sustentada da 
placa motora. 
Esses bloqueadores tem a capacidade de se receptor despolarizado. Com isso a célula 
despolarizada se torna uma célula quiescente, ou seja, uma célula insensível a qualquer 
estímulo, seja ele elétrico ou químico, pois o potencial linear de estabilidade tende ao infinito. 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
Os bloqueadores despolarizantes possuem duas fases. 
Fase 1: A membrana é despolarizada, causando uma 
descarga inicial que produz miofasciculações transitórias 
(podendo gerar dor muscular no pós-cirúrgico) seguidas por 
paralisia flácida. 
 
 Fase 2: O músculo não é mais sensível à acetilcolina 
liberada pelos motoneurônios, devido ao longo tempo de 
permanência ligado a succinilcolina. O receptor encontra-se 
dessensibilizado ao efeito da acetilcolina. 
 
Obs.: essa modificação do receptor não é permanente, conforme a molécula de acetilcolina vai 
colidindo com os seus receptores na placa motora, esse receptor é reconfigurado e no final de alguns 
minutos a placa motora novamente recupera a sua função fisiológica. 
 
SEQUENCIA E CARACTERÍSTICA DA PARALISIA INDUZIDA PELOS BNMS: 
O bloqueio produzido pelo competitivo e pelo despolarizante possui uma sequência. 
 
 Bloqueador competitivo: Normalmente quando se usa esse bloqueador, do relaxamento 
muscular até a paralisia flácida, possui uma sequência que começa: 
1. Músculos dos olhos, maxilar e laringe  facilita a intubação oro-traqueal 
2. Músculos dos membros e tronco 
3. Diafragma  daí a necessidade de ventilação mecânica 
 
A recuperação segue o caminho exatamente inverso da ação bloqueadora: primeiro retornando 
as atividades do diafragma, depois dos músculos dos membros e tronco e por fim, músculos 
dos olhos, maxilar e laringe. 
 
Obs.: o início e a duração do bloqueio neuromuscular nesse caso, irá depender do tipo e da 
característica do bloqueador que está sendo utilizado. 
 
Obs.: Quando se usa anestésicos gerais associado ao bloqueador neuromuscular competitivo 
(anestesia balanceada), pode-se usar apenas 1/5 da dose do bloqueador 
 
 Bloqueador despolarizante: quando usamos esse tipo de bloqueador a fasciculação acontece 
até 1 minuto após a aplicação do bloqueador despolarizante, seguida de uma paralisia flácida. 
Quando o paciente tem uma acetilcolinesterase plasmática normal, de 5 a 8 minutos após a 
aplicação e retirada do bloqueador despolarizante, tem-se a reversão (recuperação completa). 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS BNMS – QUANTO A DURAÇÃO DA AÇÃO: 
Podemos observar que para procedimentos 
rápidos e intubação de pacientes, colocação do 
paciente em respiração mecânica, a 
succinilcolina é o fármaco que apresenta 
indicação bastante interessante, embora durante 
as cirurgias a succinilcolina não seja a substância 
de primeira escolha hoje pelos anestesistas, que 
irão escolher dependendo da duração do 
procedimento, o bloqueador neuromuscular mais 
conveniente. 
 
 
Obs.: IMPORTANTE SABER QUAL FÁRMACO É DE LONGA E QUAL É DE CURTA DURAÇÃO. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
PARÂMETROS FARMACOCINÉTICOS: 
O atracúrio segue o domínio de Hofmann, que é um tipo de metabolização de alteração estrutural da 
molécula, onde não há envolvimento do rim ou do fígado para ocorrer, ou envolve parcialmente o rim 
(este é o caso no atracúrio), em 80% da metabolização do atracúrio. Os outros 20% tem eliminação 
renal e metabolização hepática. 
 
Quando temos pacientes hepatopatas ou nefropatas, podemos escolher qual fármaco utilizar se 
baseando em qual tecido ele será metabolizado. Por exemplo, se houver um paciente com alterações 
hepáticas importantes, podemos optar pelo atracúrio, que apresenta a metabolização pelo domínio de 
Hofmann e dessa maneira não utilizará o aparato hepático. 
 
 
 
MONITORIZAÇÃO DO EFEITO RELAXANTE MUSCULAR: 
O método conhecido como “Trem de 4 pontos” 
consiste em colocar eletrodos no trajeto do nervo 
ulnar, onde haverá 4 estimulações ao neurônio 
motor com 2Hz. Na ausência de qualquer 
medicação, observa-se que as 4 amplitudes de 
contração dos dedos inervados pelo nervo ulnar 
desse paciente, se mantem normais. 
 
Pelo bloqueador competitivo, quando há 
aplicação do teste do trem de 4 pontos, tem-se um 
primeiro estímulo com a amplitude quase que total, que vai decaindo até desaparecer. Se aplicar 
neostigmina nesse paciente, não haverá a enulação da primeira aplicação do teste, e durante a 
estimulação nervosa, o indivíduo recupera a amplitude semelhante àquela do controle. 
 
No entanto, se utilizarmos um antagonista despolarizante, iremos observar que durante a fase 1 o 
paciente irá apresentar contrações de amplitudes menores das observadas no controle, porém 
mantidas. Na fase 2 observa-se contrações de amplitude iguais a do controle, que vão decaindo com 
o tempo. Nesse caso, se tiver aplicação de neostigmina, não haverá nenhuma resposta desse 
paciente, já que os receptores estão dessensibilizados. 
 
A análise desse gráfico é importante para determinar uma 
razão conhecida como TOF que é uma razão entre a amplitude 
do 4 estímulo em relação a amplitude do primeiro estímulo. Se 
essa relação for em torno de 0,15 – 0,25, isso indica que há 
relaxamento muscular. Quando o TOF estiver > 0,9 indica que 
o paciente recuperou o bloqueio, indicando que a amplitude 
desse 4º estímulo, está muito próxima, da amplitude do 
primeiro. 
 
Phatryck Pinheiro 
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BLOQUEADORES COMPETITIVOS: 
Mecanismos de ação: 
1. Capacidade de se ligar exatamente no mesmo local do receptor que a acetilcolina se ligaria. 
2. Bloqueio de receptor pré-sináptico nicotínico (que é importante para aumentar a liberação de 
acetilcolina na fenda sináptica) e dessa forma diminui-se a liberação de acetilcolina na fenda 
sináptica, em direção a placa motora. 
3. Em doses mais elevados do bloqueador, pode haver um bloqueio do orifício central do receptor, 
onde há a permeabilidade do sódio e do potássio, sendo, portanto, incapaz de gerar o potencial 
de placa motora. 
 
 
BLOQUEADORES COMPETITIVOS - COMPOSTOS ISOQUINOLÍNICOS: 
São os preferidos dos anestesistas atualmente. 
1. Atracúrio 
2. Cisatracúrio 
3. Mivacúrio 
 
Obs.: são mais susceptíveis ou sensíveis à hidrólise no plasma e causam liberação de histamina 
(infelizmente), não de forma maciça como o fármaco natural (d-tubocurarina). 
 
DIBESILATO DE ATRACÚRIO: 
 Menor período de latência (30 segundos 0,5 mg.kg-1) 
 Desprovido de efeito cumulativo  se aplicar doses suficientes não aumentam o bloqueio 
 Substância amplamente utilizada na cirurgia 
 Metabolismo: eliminação de Hofmann e esterases independente de funções hepática e renal 
 Efeitos sistêmicos: 
 Broncoconstricção  pela pequena liberação de histamina 
 
 FC (praticamente não se altera), pode haver queda da PA, que rapidamente será 
ajustada pelo reflexo barorreceptor, decorrente também da liberação de histamina. 
 
CISATRACÚRIO: 
 Trata-se do isômero R-cis R’-cis do atracúrio  sendo mais recente que o atracúrio. 
 Quatro vezes mais potente, com maior duração de ação. (60 min.) 
 Causa menor liberação de histamina  por isso é priorizado em relação ao atracúrio 
 Metabolismo similar ao atracúrio pela eliminação de Hofmann e esterases plasmáticas. 
 Não se acumula na insuficiência renal  20% 
 
PhatryckPinheiro 
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MIVACÚRIO: 
 Curta duração de ação (aproximadamente 15 minutos), o que o torna potencialmente útil para 
procedimentos rápidos. 
 É uma mistura racêmica de três isômeros que é hidrolisada pela colinesterase plasmática. 
 Associado com liberação histaminérgica causando hipotensão 
 Sua duração de ação é aumentada em pacientes com colinesterase plasmática atípica  pela 
ausência de hidrólise plasmática constante. 
 
INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: 
 Atracúrio: Inativado pelo pH alcalino do tiopental sódico. 
 Cisatracúrio: Inativado em contato com cefalosporinas injetadas na mesma via de 
administração. 
 Mivacúrio: Interação com bambuterol, broncodilatador oral. Resulta em prolongamento do 
bloqueio neuromuscular. 
 
BLOQUEADORES COMPETITIVOS - COMPOSTOS AMINOESTERÓIDES: 
Possuem aceitação no mercado médico, porém os isoquinolínicos são os preferidos dos anestesistas. 
1. Pancurônio 
2. Rocurônio 
3. Vecurônio 
 
Obs.: não causam liberação de histamina e a sua maioria é metabolizada em um órgão-alvo antes da 
excreção. 
 
BROMETO DE PANCURÔNIO (PAVULON ®): 
 Início de ação lento, longa duração de ação 
 Metabolismo: hepático (30%)  na forma de: 
 3-hidróxipancurônio 
 3,17-hidróxipancurônio 
 Excreção: bile (10%) e renal 
 Efeitos sistêmicos: 
Aumento da FC e aumento da PA (bloqueio muscarínicos e liberação de noraepinefrina) 
 Cuidados: cardiopatas, evitar em nefropatas. 
 
BROMETO DE ROCURÔNIO (ESMERON ®): 
 Apresenta o início de ação mais rápido entre os bloqueadores neuromusculares competitivos 
disponíveis clinicamente. 
 Condições para intubação traqueal em sequência rápida que pode ser atingida em 60-90 
segundos, para que possam utilizá-lo 
 Exerce efeitos cardiovasculares mínimos e não libera histamina. 
 Sofre intensa recaptação hepática e excreção biliar. 
 Maior incidência de reações anafiláticas  hipersensibilidade do tipo 1, onde as reações 
acontecem em até 1 hora depois da aplicação. Então tomar cuidado com os pacientes com 
históricos de alergias. 
 
BROMETO DE VECURÔNIO (NORCURON ®): 
 Estruturalmente semelhante ao Pancurônio. 
 Início de ação discretamente mais rápido que o Pancurônio e duração de ação mais curta 
(intermediária). 
 É desprovido de efeitos cardiovasculares. 
 O metabolismo hepático o converte em metabólitos ativos que são excretados na urina e na 
bile  substâncias que apresentam utilização no meio clínico. 
Phatryck Pinheiro 
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BLOQUEADORES DESPOLARIZANTES: 
Apresentam um mecanismo de ação bastante interessante pela forma que exercem seus efeitos. 
Na figura da direita mostra que toda vez que aplicarmos um bloqueador despolarizante (succinilcolina) 
gera-se um potencial de ação que se inicia e logo depois da despolarização, ela não mais irá 
apresentar uma repolarização completa, sendo, portanto, uma célula quiescente, ou seja, refratária ao 
segundo estímulo. Então há uma contração rápida seguida de um relaxamento flácido. 
 
 
 
SUCCINILCOLINA OU SUXAMETÔNIO (QUELICIN ®): 
Características farmacodinâmicas 
 Curto período de latência (1 minuto) 
 Curto período de bloqueio (3 a 5 minutos) 
 Metabolismo: colinesterases plasmáticas 
 Paralisia flácida de curta duração e mais intensa – Fasciculações musculares 3 a 5 minutos. 
 Apneia transitória  pela ação curta 
 Portadores de colinesterase atípica: de 30 minutos a 6 horas de bloqueio. 
 
Efeitos Colaterais 
 Bradicardia: Ocorre devido à estimulação de receptores muscarínicos no nó sinoatrial. É mais 
comum em crianças e após doses repetidas. 
 Reversão com atropina  doses maciças  pode produzir outros efeitos como: taquicardia. 
 Taquicardia: Por efeito nicotínico nos gânglios simpáticos. 
 Aumento da pressão intra-ocular (glaucoma): Devido às contrações da musculatura extrínseca 
do globo ocular que antecedem a paralisia 
 Mialgia pós-operatória: Como consequência das fasciculações desordenadas, distensão com 
microlesões das fibras e tendões musculares. 
 Hipercalemia: Em consequência à despolarização da massa muscular, a succinilcolina 
provoca grande mobilização de K+ do intra para o extracelular. Cuidado com arritmias 
cardíacas (morte súbita). 
 Bloqueio de fase 2 prolongado: Pode ocorrer após grandes ou repetidas doses de 
succinilcolina. Pacientes portadores de colinesterase atípica: Origem genética, metabolizam 
lentamente a droga. Manter na ventilação. 
 Hipertermia maligna: Doença muscular de caráter genético e hereditário, devida a anormalidade 
no receptor de rianodina, caracterizando-se por dificuldade de o retículo sarcoplasmático reter 
o cálcio em seu interior 
 Anafilaxia: A succinilcolina é responsável por 50% das reações anafiláticas aos BNMs. 
 
Reversão do bloqueio 
 O bloqueio da fase I se reverte espontaneamente com a metabolização da succinilcolina e a 
desocupação dos receptores em geral em menos de 4 minutos. 
 Durante a fase II, o bloqueio assume características semelhantes às do bloqueio não-
despolarizante, responde aos anticolinesterásicos, mas não é recomendado. 
Phatryck Pinheiro 
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BLOQUEIO DESPOLARIZANTE: 
 Pseudocolinesterase  enzima que metaboliza os despolarizantes 
 
BLOQUEIO COMPETITIVO: 
 Neostigmina: 0,02 a 0,04 mg/kg/iv 
 Cloreto de Edrofônio: 0,1 a 0,2 mg/kg/iv 
 Sulfato de Atropina: 0,02 a 0,04 mg/kg/iv 
 Glicopirrolato: 0,01 a 0,02 mg/kg/iv 
 
NEOSTIGMINA: 
 Antagonismo competitivo, por inibição da AChE. 
 Efeitos muscarínicos e nicotínicos, acetilcolina acumulada. 
 Bradicardia e Hipotensão Reversão desses efeitos com atropina. 
 Glicopirrolato: menor incidência de taquiarritmias. 
 
PIRIDOSTIGMINA: 
 Maior tempo de latência, maior duração de efeito. 
 Propriedades terapêuticas 
 Tratamento da Miastenia Gravis 
 Dose: 60 mg de 3 a 4 vezes ao dia. 
 
SUGAMMADEX: 
É uma substância nova que mostra um novo horizonte para reverter o bloqueio, por meio do 
antidotismo, encapsulando o bloqueador neuromuscular, impedindo que ele se ligue ao receptor da 
acetilcolina. 
Bloqueio maior com Rocurônio > Vecurônio > Pancurônio 
Efeitos em pacientes especiais 
 Não é recomendado para pacientes com dano renal grave. 
 Uso com cautela em hepatopatas. 
 Não recomendado para crianças abaixo de 2 anos. 
 Não há dados ainda para pacientes gestantes. Não usar 
 
QUAL A NECESSIDADE DE UM NOVO ANTAGONISTA? 
1. O aumento de Ach não ocorre de forma seletiva nos receptores nicotínicos da JNM. 
2. Geração de efeitos colinérgicos indesejáveis: bradicardia, hipotensão, aumento de secreções 
brônquicas, etc. 
Isso tudo demonstra que os bloqueadores neuro musculares que temos hoje no mercado, não são 
isentos de efeitos adversos e por meio do Sugammadex, pode-se evitar todos esses efeitos colaterais. 
 
CUIDADOS E COMPLICAÇÕES: 
 ORGANOFOSFORADOS: aumento do período do bloqueio 
 ANESTÉSICOS LOCAIS: aumento do período do bloqueio 
 GESTAÇÃO: atravessa lentamente barreiras biológicas 
 AMINOGLICOSÍDEOS: aumento do período do bloqueio 
 TETRACICLINAS: aumento do período do bloqueio 
 AGENTES INALATÓRIOS: aumento do período do bloqueio 
 AGENTES INJETÁVEIS: Ciclo-hexaminas:  Barbitúricos:  Propofol:  
 
 
 
 
Phatryck Pinheiro 
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RESUMO – DOSE, INÍCIO DE AÇÃO E DURAÇÃO: 
 
 
Phatryck Pinheiro 
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AULA 13 – HISTAMINA E ANTI-HISTAMÍNICO: 
CASO CLÍNICO: 
Um estudante de medicina de 21 anos, em boa saúde, que estava de férias no Arquipélago de 
Fernando de Noronha, começou a apresentar tontura, vermelhidão da pele na face e no tórax e 
taquicardia durante a refeição. Pouco tempo depois, sua namorada também apresentou sinais e 
sintomas semelhantes, com acentuada hipotensão ortostática. Ambos haviam pedido uma moqueca 
de peixe com camarão, arroz branco, pirão e farofa. 
1. Qual o provável diagnóstico? INTOXICAÇÃO ALIMENTAR DIRETA COM HISTAMINA, ATRAVÉS DE PEIXES 
MAL CONSERVADOS, ONDE BACTÉRIAS CONVERTEM HISTIDINAEM HISTAMINA. NO CASO VOCE SE 
INTOXICA COM A HISTAMINA DO PEIXE. 
2. Como você trataria esses dois pacientes? ANTI-H1 POIS O MESMO VAI COMPETIR COM A HISTAMINA 
PELOS RECEPTORES. 
 
HISTAMINA: 
A histamina possui uma relação muito forte com a reação alérgica (hipersensibilidade), desenvolvendo 
os sintomas dessa reação. Também está relacionada com o processo de regulação da secreção 
gástrica. E além disso, a histamina no SNC se liga a receptores histaminérgicos e com isso pode 
desenvolver manifestações centrais (controle neuroendócrino, regulação cardiovascular, 
termoregulação, regulação do sono e vigília, e outros). 
 
SÍNTESE E METABOLISMO: 
Para se originar, acontece uma reação de conversão a partir da 
histidina (aminoácido) que é convertida à histamina. Então nas células 
que possuam a enzima L-histidina-descarboxilase, ocorre essa 
reação de descarboxilação e gera-se a histamina. 
 
Os basófilos e mastócitos conseguem produzir a histamina por 
possuírem a enzima L-histidina-descarboxilase, e além de produzi-la, 
consegue armazená-la (grânulos), formando reservatórios de 
histaminas, esperando haver demanda, para poderem libera-la. 
 
Os mastócitos são abundantes no nariz, na boca, na mucosa brônquica, 
mucosa intestina e na pele de maneira geral, sendo essas regiões, 
muito relacionadas com as manifestações de hipersensibilidade. 
 
Outras células também produzem histamina, como: células da 
epiderme, células da mucosa gástrica, neurônios e tecidos em 
crescimento rápido ou em processo de regeneração. O que difere esses 
tecidos dos mastócitos e basófilos é que essas células não armazenam a histamina, tendo apenas a 
função de sintetizar e liberar a mesma. 
 
Uma vez que a histamina seja liberada, independente da origem do tecido que a produziu, ela é 
rapidamente metabolizada, podendo direcioná-la em 2 vias: 
1. Enzima N-metiltransferase  que gera um intermediário: N-Metil-Histamina  que sofre a ação 
da enzima MAO-B (monoaminooxidase) e se transforma em Ácido acético N-metilimidazol 
2. Enzima Diaminooxidase  gerando um intermediário: ácido imidazolacético  que sofre a ação 
da enzima fosforribosil-transferase e se transforma em Ribosídeo do ácido imidazolacético. 
 
Phatryck Pinheiro 
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Uma vez que esses produtos finais sejam produzidos, eles conseguem ser eliminados 
adequadamente do corpo, principalmente através da urina. 
 
LIBERAÇÃO: 
A reação de hipersensibilidade do tipo I (alergia): pode ser gerada por diferentes patógenos (poeira, 
fumaça, vírus, entre outros), onde de maneira geral são agentes potencialmente danosos que leva a 
ativação dos mastócitos. 
 
A ativação e liberação dos mastócitos seguem alguns passos: 
1. Mastócito em repouso 
2. Mastócito sensibilizado por anticorpos IgE (produzido a partir da apresentação do alérgeno pela 
célula T auxiliar a célula B primitiva que se diferencia em plasmócitos) que se ligam a membrana 
do mastócito ou basófilo e assim, consegue sensibilizar essa célula, para que ela possa 
responder ao alérgeno. 
3. Mastócito sofre degranulação, ou seja, liberando o conteúdo dos grânulos, que é a histamina, 
juntamente com outras substâncias: serotonina, leucotrienos, prostaglandinas, bradicinina, 
proteases e fatores quimiotáticos de eosinófilos e neutrófilos. 
4. A histamina então reage ao alérgeno e com isso, desenvolve alguns efeitos típicos dessa 
reação de hipersensibilidade: 
4.1. Contração da musculatura lisa 
4.2. Vasodilatação 
4.3. Aumento da permeabilidade vascular 
4.4. Agregação plaquetária 
4.5. Ativação do sistema complemento 
4.6. Secreção de muco 
 
 
MECANISMOS DE AÇÃO: 
As alterações que vão ser produzidas pela histamina, 
uma vez que ela é liberada, vai atuar em diferentes 
órgãos e obviamente, em diferentes sistemas. Então 
podemos ter atuação da histamina: 
1. No estômago  regulando a secreção de ácido 
2. No vaso sanguíneo  dilatando-o 
3. Vias respiratórias  contraindo 
4. Na pele  processo de prurido (coceira) 
 
A histamina possui ações variadas em diversas regiões além dessas, como é o caso do SNC, através 
de diferentes subtipos do receptore de histamina que no geral são 4 tipos, mas que apresentam uma 
caracteristica em comum: todos são receptores acoplados a proteína G, diferenciando apenas a 
proteína G que está acoplada ao receptor. 
Além disso, a localização dos receptores também se difere: 
Gera os sintomas clínicos das doenças que 
estão envolvidas com a hipersensibilidade. 
Exemplo: asma (broncoconstrição e aumento 
da secreção de muco); rinite, exantemas 
cutâneos, anafilaxia local e sistêmica. 
Phatryck Pinheiro 
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1. H1  músculo liso, endotélio e cérebro  receptor acoplado a proteína Gq, onde a partir da 
sua ativação, gera um aumento dos níveis de IP3 e de DAG (diacilglicerol) 
2. H2  mucosa gástrica, músculo cardíaco, mastócitos e cérebro  receptor acoplado a proteína 
Gs, que quando ativado aumenta os níveis de AMPc. 
3. H3  possui uma característica de ser autorreceptor (feedback – da liberação de histamina 
pelo neurônio histaminérgico) pré-sináptico e pode ser um heterorreceptor (pode ser um 
receptor inibitório de um neurônio que secreta outro tipo de neurotransmissor) pré-sináptico 
presente no cérebro, plexo mioentérico e nos demais neurônios  receptor acoplado a proteína 
Gi, que quando ativada, diminui os npiveis de AMPc. 
4. H4  eosinófilos, neutrófilos e células TCD4  receptor acoplado a proteína Gi, que quando 
ativada, diminui os níveis de AMPc. 
 
Obs.: como no cérebro existe o H1, H2 e H3 os efeitos nesse sistema, são mais variados. 
 
 
Pra prática clínica, devemos nos importar muito mais com os antagonistas dos receptores de 
histamina, para assim, minimizar os efeitos da histamina, sobre os órgãos alvos. 
 
Falando de antagonista, devemos mencionar que tradicionalmente esses medicamentos foram 
chamados de antagonistas de receptores de histamina, porém, em algum momento se descobriu que 
muitos desses receptores tem a chamada atividade constitutiva, ou seja, o receptor se encontra ativo, 
mesmo que não haja um ligante (agonista), e a partir do momento que uma droga se liga a esse 
receptor com atividade constitutiva e essa droga se opõe a essa atividade, denominamos ela de 
agonista inverso. 
 
EFEITOS: 
 Receptores H1: quando a histamina liberada encontra esse receptor tem ações como: 
1. Endotélio vascular: vasodilatação, produção de óxido nítrico, contribuindo para a 
vasodilatação e também, o aumento da permeabilidade vascular (edema). 
2. SNC: ações que podem contribuir para a regulação do controle de fome e saciedade, 
controle dos padrões de ventilação e pode afetar a percepção da dor. 
3. Músculo liso: há efeitos a níveis dos pulmões e outras regiões. Pode ocorrer 
broncoconstrição (dificuldade de ventilação), contração uterina (cuidado com as gestantes 
que sofram uma reação anafilática) e contração intestinal. 
 
A vasodilatação e o aumento da permeabilidade vascular pode gerar a resposta tripla  onde em 
um primeiro momento uma região da pele foi arranhada, tendo uma reação e ficando um pouco 
vermelha incialmente no local do arranhão, em um segundo momento esse padrão tende a se 
modificar um pouco, onde a vermelhidão pode tomar conta do contorno do arranhão inicial, e agora 
em um terceiro momento, a longo prazo, pode-se observar que aquela região que continua um pouco 
avermelhada, também apresenta um inchaço (pápula) que é o edema propriamente dito. 
 
Essa evolução pode ser explica baseada sobre os efeitos da histamina, onde no primeiro momento, a 
vermelhidão inicial ou eritema local é atribuído a vasodilatação, já no segundo momento há a presença 
Phatryck Pinheiro 
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de um eritema periférico a partir de um reflexo axônico, quando esses axônios próximos a lesão 
percebem a alteração química local e através das fibras do tipo C consegue aumentar a liberação de 
histamina para essa localidade, e com isso há aumento do eritema.Já, no terceiro momento a 
histamina provoca o aumento da permeabilidade vascular, gerando assim o edema (pápula). 
 
Obs.: pode ter participação do receptor H2 nesse processo, que vão ajudar a promover a 
vasodilatação. 
 
 
 
Esse teste da resposta tripla tem uma aplicação no diagnóstico através dos testes de alergias: onde 
há provocação na pele com uma bateria de suspostos alérgenos, onde temos o controle positivo de 
histamina com edema central e eritema periférico, o que caracteriza uma reação de hipersensibilidade. 
 
Os efeitos cardiovasculares do receptor H1 em resposta a histamina a nível sistêmico devido a 
vasodilatação, incluem: 
 Diminuição da pressão arterial  pela diminuição da RVP devido a vasodilatação 
 Aumento da frequência cardíaca  taquicardia reflexa = resposta compensatória a redução da 
pressão arterial e também pode ser sobre uma estimulação direta da histamina sobre o coração. 
 Em alguns casos de liberação maciça de histamina pode ocorrer choque histamínico = 
hipotensão grave em decorrência de uma hiperssensibilidade. Nesses casos, só a histamina 
não seria suficiente, tendo que associa-la a adrenalina, que vai auxiliar na elevação da pressão 
arterial. 
 
 Receptores H2: quando a histamina liberada encontra esse receptor, ela tem ações como: 
1. Mucosa gástrica: estimulação da secreção gástrica 
2. Endotélio: vasodilatação 
3. Músculo cardíaco: estimulação cardíaca 
4. Mastócitos: 
5. Cérebro: ação sobre o ritmo circadiano (sono e vigília) 
 
A célula parietal possui a bomba de prótons que expulsa H+ da célula em contratransporte com o K+, 
e essa bomba pode ser ainda mais estimulada a partir da ligação da histamina, que é produzida nas 
células enterocromafins, ao receptor H2, produzindo mais ácido clorídrico. 
 
A origem a partir da histidina que sofre descarboxilase e se transforma em histamina que é liiberada 
pelo mastócito por degranulação ou por outros tecidos, indo atuar nos receptores H1, H2, H3 e H4, 
sendo os mais conhecidos H1 (bronconstrição, aumento do peristaltismo, vasodilatação, aumento da 
permeabilidade vascular e prurido e no SNC – estado de alerta) e H2 (aumentando secreção gástrica). 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
 
 
Antes de falar dos anti-histamínicos, podemos falar que a histamina como fármaco não tem uma 
grande ação terapêutica, mas sim uma ação diagnóstica, como no caso do teste de provocação. 
 
Também vale citar que além dos anti-histamínicos, outros medicamentos também vão diminuir a ação 
da histamina por outras formas, como é o caso do Cromoglicato que age inibindo a degranulação do 
mastócitos, inibindo o excesso de histamina e suas consequências locais e sistêmicas. 
 
ANTI-HISTAMÍNICOS: 
ANTI-H1: 
Quando se fala de anti-histamínico contra o receptor H1 entramos em uma discussão acerca dos seus 
efeitos de sedação, que levam o indivíduo a sentir sono. Por isso foi desenvolvido uma segunda 
geração desses medicamentos: 
1. Primeira geração  Polaramine: esses medicamentos possuem nos seus efeitos adversos a 
sedação. O polaramine em pH fisiológico apresenta uma alta lipossolubilidade, permitindo que 
esse composto penetre através da barreira hemato-encefálica e atuar nos receptores H1 do 
encéfalo, bloqueando-os e inibindo o estado de alerta que eles produzem e gera o efeito 
sedativo. 
2. Segunda geração  por outro lado, sabendo do efeito sedativo dos fármacos de primeira 
geração, viu-se a necessidade de criar um anti-histamínico anti-H1 de segunda geração, que 
não apresentasse tal efeito adverso, como o caso da Loratadina, que é tão eficaz quanto o de 
primeira geração e em pH fisiológico (baixa lipossolubilidade), não consegue atravessar a 
barreira hemato-encefálica, outro motivo é que esse medicamento é substrato da glicoproteína 
P, que faz um transporte de refluxo quando essas substâncias tentam atravessar a barreira, 
restringindo suas ações ao periférico. 
 
 
Farmacocinética: 
De maneira geral os padrões de farmacocinética são bem parecidos e pode-se falar englobando as 
duas gerações: 
 Tem boa absorção pela via oral 
 Concentrações máximas são atingidas de maneira rápida, de 1 a 3 horas 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
 A distribuição é ampla  encontrados em diferentes tecidos, onde somente os de primeira 
geração vão atravessar a barreira hemato-encefálica. 
 Ambas as gerações serão metabolizadas no fígado  muitos ainda possuem metabólitos 
ativos, prolongando a situação. 
 Os medicamentos de 2ª geração acabam tendo efeitos mais prolongados quando comparados 
com os de 1ª geração. 
 
Farmacodinâmica: 
 Podem ser antagonistas ou agonistas inversos 
 O anti-histamínico é um antagonista competitivo reversível, pois compete com a histamina pelo 
receptor 
 Essas drogas antagonistas de H1 tem uma alta seletividade por esse receptor e possuem uma 
baixa atuação nos demais receptores de histaminas. 
 
 
 
Alguns exemplos de anti-histamínicos de primeira e segunda geração: percebemos que existem mais 
fármacos de primeira geração e consequentemente maior número de classificações. Nessa tabela 
também é importante a atividade a nível de efeitos adversos, onde os de primeira geração apresentam 
a sedação como efeito adverso, enquanto os de segunda geração não possui esse efeito adverso. Os 
fármacos de primeira geração podem ter efeitos adversos que podem ser associados a receptores 
diferentes do alvos deles, tendo a atividade chamada de anticolinérgica, pois podem atuar nos 
receptores colinérgicos de forma intesa ou leve e apresentarem efeitos. Enquanto nas drogas de 2ª 
geração não tem esse efeito de forma significativa sobre o SNA. 
 
 
 
Levando em consideração que a histamina atua no receptor H1, levando a contração do músculo liso 
das vias aéreas, aumento da permeabilidade vascular (edema), prurido e vasodilatação, quando 
utilizarmos um medicamento que é um anti-H1, ele se opõe a esses efeitos e apresentam como 
resultado: relaxamento do músculo liso das vias aéreas, redução da permeabilidade vascular e do 
edema, redução do prurido e da vasoconstrição. Além disso tudo, os fármacos de segunda geração 
apresentam um efeito anti-inflamatório (estabilizando mastócitos e basófilos). 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
Efeitos adversos: 
São os efeitos direceionados somentes pelos receptores H1: 
1. No encéfalo: redução do estado de alerta, redução da cognição e atividade psicomotora e o 
aumento da sedação. Algumas crianças podem ter esse efeito paradoxal, manifestando euforia, 
além disso, para crianças recomenda-se o uso dos de segunda geração, visto que os de 
primeira geração podem afetar o aprendizado e o cognitivo. Em casos de intoxicação (altas 
doses) leva a situações de convulsões e até morte. 
2. Receptores muscarínicos: boca seca, aumento da retenção urinária, aumento da taquicardia 
sinusal. 
3. Receptores serotominérgicos: aumento do apetite, aumento do ganho de peso. 
4. Receptores adrenérgicos: aumento da tontura e da hipotensão ortostática 
5. Canais de sódio: aumento do intervalo QT e aumento de arritmias ventriculares (pois um era 
usado como anestésico local, mas foi retirado do mercado. 
 
 
 
Uso clínico: 
Os anti-histamínicos de primeira e segunda geração tem uma importância na rinite alérgica 
(glicocorticoides), na conjuntivite alérgica, na urticária, na cinetose (tratado com difenidramina – 
Dramin) e na êmese gravídica (de primeira geração, mas há controvérsias). 
 
 
 
Interações medicamentosas: 
Interações clinicamente significativas são mais prováveis com os fármacos de primeira geração que 
com os de segunda geração. 
1. Álcool  se o anti-histamínico já tem um efeito depressor do SNC e você usa em conjunto um 
outro depressor do SNC, pode intensificar essa depressão e pode levar a diminuição da 
atividade do centro respiratório. 
2. Benzodiazepínicos  também são depressores do SNC, mas além disso, são indutores das 
enzimas hepáticas que metabolizam o anti-H1, levando a uma maior metabolização,contribuindo para a diminuição dos efeitos. 
3. Eritromicina, cetoconazol, antidepressivos  inibem as enzimas e acumula na circulação. 
 
ANTI-H2: 
Receptor H2: GPCR (tipo Gs)  A ativação do receptor ativa a adenilato ciclase, que aumenta os 
níveis de AMPc, que estimula a bomba de prótons. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
1. Os fármacos competem com a histamina de forma reversível 
2. Cimetidina, ranitidina, famotidina e nizatidina 
3. Menos potentes do que os inibidores da bomba de prótons, porém ainda suprimem a secreção 
de ácido gástrico em 70% durante 24h 
 
Indicações: 
1. Cicatrização de úlceras gástricas e duodenais 
2. Tratamento da doença do refluxo gastroesofágico não complicada 
3. Evitar a ocorrência de úlceras de estresse 
 
Farmacocinética: 
 Bem absorvido pela via oral 
 Quando as vias oral ou nasogástrica não constituem uma opção, podem ser administradas em 
injeções intravenosas. 
 Os níveis terapêuticos são alcançados rapidamente após uma dose intravenosa e se mantém 
por: 
 4 a 5h (cimetidina) 
 6 a 8h (ranitidina) 
 10 a 12h (famotidina) 
 
Reações adversas: 
1. Baixa incidência de efeitos adversos (< 3%) 
2. Diarreia, cefaleia, sonolência, fadiga, dor muscular e constipação 
3. Confusão, delírio, alucinações, fala arrastada (iv ou idosos) - SNC 
4. Galactorreia, ginecomastia, redução da contagem de espermatozoides, impotência 
5. Trombocitopenia 
 
Tolerância e resistência: 
 Redução do efeito terapêutico observado com a administração contínua do fármaco 
 Resistência ao aumento da dose da medicação 
 Pode ocorrer 3 dias após o início do tratamento 
 Gera aumentos de rebote na acidez gástrica 
 Solução: redução gradual do fármaco ou a sua substituição por agentes alternativos (p. ex., 
antiácidos) 
 
Interações medicamentosas: 
 Cimetidina inibe o metabolismo: 
1. Benzodiazepínicos  aumento do efeito sedativo 
2. Propranolol, labetolol e feniltoína  hipotensão e bradicardia 
3. Lidocaína, quinidina, procainamida, antagonistas do cálcio  nistagmo, sedação e letargia, 
sedação, bradicardia, hipotensão e arritmias 
 
 Cimetidina aumenta os efeitos: 
1. Varfarina  sangramentos indesejados. 
 
ANTI-H3 E ANTI-H4: 
Não tem muito o que falar, pois dentro da farmacologia, alguns estudos ainda estão sendo feitos para 
poder assim, fechar de fato um medicamento que possa ser válido, seguro e eficaz. 
 Anti-H3  estudos falam sobre tratamento das condições neurológicas (distúrbios do sono, 
TDAH, epilepsia, esquizofrenia, disfunções cognitivas, obesidade, dor neuropática, tratamento 
de Alzheimer) 
 Anti-H4  estudos falam sobre tratamento dos distúrbios inflamatórios, prurido e dor 
neuropática, asma persistente dermatite e artrite reumatoide. 
Phatryck Pinheiro 
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AULA 15 – FARMACOLOGIA DOS GLICOCORTICOIDES: 
INTRODUÇÃO: 
A glândula adrenal é dividida histologicamente em córtex (corticoides, 
que são essenciais à vida) e medula (catecolaminas, produzidas em 
situações de emergência) da adrenal, ainda falando de divisão 
histológica, o córtex da adrenal será dividido em 3 camadas: zona 
glomerulosa (mineralocorticoides – aldosterona), zona fasciculada 
(glicocorticoides / cortisol) e zona reticular (androgênios). 
 
Dentre todas as camadas citadas acima, a mais importante para essa 
aula é a camada fasciculada, pois nela há produção de cortisol / 
hidrocortisona. 
 
CARACTERÍSTICAS CITOLÓGICAS DAS CÉLULAS SECRETORAS DE ESTERÓIDES: 
Em um aspecto geral, são células que apresentam lisossomos, aparelho de Golgi, vários lipídios 
distribuídos no citoplasma, retículo endoplasmático liso e rugoso. Dessa forma, essa célula tem um 
aparato perfeito para a produção de hormônios. 
 
Além dessas características citológicas, há também a distribução de enzimas em cada região da 
adrenal, tanto no córtex, quanto na medula, permitindo assim a síntese hormonal, baseada em uma 
estrutura fundamental, tendo o colesterol como precursor. 
 
Estruturas reguladoras: 
Na zona fasciculada temos como estrutura reguladora o 
hormônio ACTH, produzido pela hipófise anterior, que cai na 
corrente sanguínea e se comunicando endocrinamente com 
essa região, sendo então responsável direto pela produção 
dos nossos glicocorticoides. Os glicorticoides por sua vez, 
serão lançados na corrente sanguínea e atuaram em locais 
distantes do seu local de produção. 
 
Na imagem da esquerda, há um corte histológico normal de 
uma adrenal, mostrando uma extensa zona fasciculada. 
Enquanto que, após a hipofisectomia, cessa a produção de 
ACTH e dessa forma, em um corte histológico 6 semanas 
depois encontramos uma zona fasciculada draticamente 
diminuída, comprovando sua depência química em relação 
aos estímulos transmitidos pelo hormônio ACTH. 
 
EIXO-HIPOTALÂMICO-HIPOFISÁRIO-SUPRARRENAL: 
O hipotálamo libera o hormônio liberador de corticotropina (CRH), que vai atuar na hipófise anterior, 
estimulando-a a produzir o hormônio ACTH. Este por sua vez, será lançado na corrente sanguínea, 
indo até o córtex da adrenal, onde na zona fasciculada, levará a liberação do cortisol / hidrocortisona, 
possui ação sistêmica. 
 
Por outro lado, há mecanismos de retroalimentação negativa, ou feedback negativo, quando há altas 
quantidades de cortisol no sangue, levando a um bloqueio na produção de ACTH pelas células da 
hipófise anterior e bloqueio de CRH pelo hipotálamo. 
Phatryck Pinheiro 
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1. Cada hormônio da hipófise anterior é regulado por um fator específico do hipotálamo 
2. O controle de liberação desses fatores é regulado por fatores neurais e mecanismos de 
retroalimentação. 
3. ACTH  secretado pela hipófise anterior regula a liberação de glicocorticoides pelo córtex da 
suprarrenal. 
 
COMPONENTES DO CÓRTEX DA SUPRARRENAL E ENZIMAS ESTEROIDOGÊNICAS: 
Na zona fasciculada e reticular, ou seja, a zona responsiva ao ACTH e 
a zona logo abaixo, teremos enzimas como: CYP11B1 e CYP17, que 
permitem a produção do cortisol. 
 
Nas outras áreas, como a zona glomerulosa, a enzima CYP11B2 será 
responsável pela produção de aldosterona, assim como na medula da 
adrenal, a enzima CYP17 de maneira isolada, será responsável pela 
produção das catecolaminas. 
 
 
O ritmo de esteroidogênese basal, segue um ciclo ao longo do dia 
(circadiano) e pode ser demonstrado através de um grafico. Neste 
gráfico, pode-se notar que por volta das 8 horas da manhã há picos 
de produção do ACTH. Após esse momento, um pouco depois das 
8 horas da manhã há um pico no gráfico, mas dessa vez de cortisol, 
que tende a decair no decorrer do dia, juntamente com os níveis de 
ACTH. Percebe-se também, que durante a noite, durante o sono, há 
a menor concentração de cortisol e ACTH no organismo. 
 
FATORES QUE INFLUENCIAM A BIOSSÍNTESE DE CORTICOESTERÓIDES: 
Alguns fatores do nosso dia-a-dia podem influenciar na concentração de cortisol dentro do ciclo 
circadiano. Dentre esses fatores, o mais importante é o estresse, ou seja, fatores que causam um 
desequilíbrio emocional e podem gerar uma resposta de estimulo dessa produção elevada, que será 
principalmente prejudicial ao sistema cardiovascular, pois este, pode responder de forma bem intensa 
ao cortisol durante o ciclo circadiano. 
 
GLICOCORTICÓIDES: 
1. Estudos desde da década de 30 e 40 possibilitaram o entendimento do papel dos 
glicocorticoides sobre o metabolismo humano  efeitos sistêmicos 
2. Hench et al. (1949): primeiro glicocorticoide isolado e comercializado: a cortisona. 
3. Década de 50: modificações estruturais do cortisol e formação de novos compostos: 
prednisona e Prednisolona. 
4. Década de 60: transplante de órgãos  pois possuem ação imunossupressora 
 
Obs.: O alto metabolismo de primeira passagem ajuda a evitar efeitos adversos. 
 
AÇÕES DOS GLICOCORTICOIDES: 
Ações metabólicas: 
 Sobre carboidratos 
 Sobre as proteínas 
 Sobre os lipídeos 
 
 
Ações reguladoras: 
 Sobre o hipotálamo e a hipófise anterior 
 Sobre os eventos vasculares Sobre os eventos celulares 
 Sobre os mediadores inflamatórios e 
imunes 
 
 
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Sobre o hipotálamo e a hipófise anterior: 
 Retroalimentação negativa, resultando 
em diminuição dos glicocorticoides 
endógenos 
 A administração exógena também faz 
um bloqueio no eixo-hipotálamo-
hipofisário anterior. 
 
Sobre os eventos vasculares: 
 Vasodilatação reduzida 
 Diminuição da exsudação líquidos 
Ou seja, há redução de efeitos inflamatórios 
que aumentam a permeabilidade vascular. 
 
Ação anti-inflamatória e imunossupressora: 
 ↓ na produção de citocinas 
 ↓ na produção de eicosanoides 
 ↓ na produção de IgE 
 ↓ na produção dos componentes do 
complemento 
 
Ação sobre os eventos celulares: 
 Nas áreas de inflamação aguda: ↓ no 
influxo e atividade de leucócitos 
 Nas áreas de inflamação crônica: ↓ da 
atividade das células mononucleares, ↓ 
na proliferação de vasos sanguíneos, ↓ 
da fibrose. 
 Nas áreas linfóides: ↓ na expansão das 
células T e B e ação ↓ das células T 
secretoras de citocinas. 
 
Tecido epitelial: 
 Pele fina ocasionado pela inibição da 
proliferação de fibroblastos levando à 
perda de colágeno e tecidos conectivos 
 
Cardiovascular: 
 Hipertensão intensificando a resposta a 
substância vasoativas. 
 
Crescimento: 
 Redução do crescimento por reduzir a 
secreção de GH (hormônio do 
crescimento) e também por inibir o 
crescimento ósseo e reabsorção de Ca+2 
 
SNC: 
 Efeitos sobre o humor, comportamento e 
excitabilidade cerebral 
 
EXEMPLO DE DESBALANÇO NA SÍNTESE DE CORTICÓIDES: 
Na síndrome de Cushing é observado uma produção 
exagerada de ACTH e cortisol, tendo uma alta 
concentração deste no plasma sanguíneo. Ao longo do 
tempo, essa exposição se reflete em alterações 
drásticas nesse paciente, como observado na imagem: 
1. Face de lua cheia 
2. Bochechas avermelhadas 
3. Acúmulo de gordura no pescoço e região dorsal 
4. Contusões com equimoses 
5. Pele fina 
6. Desenvolvimento muscular precário 
7. Abdome pendular com estrias 
8. Cicatrização precária de feridas 
 
A partir da administração de um glicocorticoide exógeno (Dexametasona), pode-se avaliar a função 
do eixo-hipotálamo-hipofisário-anterior. Toma-se a noite esse medicamento, afim de observar uma 
redução de ACTH e cortisol no plasma como reflexo de um feedback negativo no hipotálamo. Se isso 
não ocorrer, o paciente possui uma hipersecreção de ACTH e cortisol, caracterizando Cushing. 
 
FARMACOCINÉTICA E CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS: 
FARMACOCINÉTICA DOS GLICOCORTICÓIDES: 
1. Administração por: oral, parenteral (IV, IM) ou tópica. 
2. Transporte no sangue: 
2.1. Globulina de ligação dos corticosteroides (CBG) – Transcortina (transporte no plasma). 
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2.2. Albumina  substância carreadora 
Obs.: carreada no plasma pelas substâncias acima, mas ao chegar na célula alvo, penetra-as por 
difusão passiva, pelo maior grau de lipossolubidade. 
 
3. Metabolização: Hepatócitos: redução da dupla ligação C4-C5 na estrutura fundamental do 
glicocorticoide. 
4. Excreção: 
4.1. Ésteres de sulfatos e glicuronídeos 
4.2. Excreção predominantemente renal 
 
ESTRUTURA MOLECULAR DOS GLICOCORTICOIDES: 
 
GC = Glicocorticoide e MC = Mineralocorticoide. 
 
 
Metilpredsinolona, betametasona, dexametasona, prednisolona, prednisona, triancinolona, 
fludrocortisona, beclometasona, budesonida, fluticasona e flunisolida são substâncias exógenas. 
 
A prednisona é metabolizada a prednisolona, ou seja, a prednisona é um pró-fármaco, se 
diferenciando pela presença de uma hidroxila na prednisolona, deixando-a mais hidrossolúvel, e já 
está na sua forma ativa, sem necessitar de metabolização. 
 
A triancinolona é muito observada na forma tópica (pomada). 
 
Já a fludrocortisona possui uma grande atividade de mineralocorticoide. 
 
A beclometasona, budesonina e fluticasona são indicados para problemas respiratórios, como asma 
na forma tópica. 
Phatryck Pinheiro 
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MODIFICAÇÕES NA ESTRUTURA MOLECULAR DOS GLICOCORTICOIDES: 
1. Potência = está relacionada com a afinidade e atividade intrínseca, que pode ser aumentada 
com a modificação estrutura da molécula. 
2. Atividade dos glicocorticoides e/ou mineralocorticoide, dependente das ligações na estrutura 
fundamental. 
3. Duração de ação podem ser alterados pela modificação na estrutura química. 
 
 
 
FARMACODINÂMICA: 
Primeiramente temos a CBG ou Transcortina (proteína que faz o carreamento 
dos glicocorticoides no sangue), que ao chegar na célula, atravessa a membrana 
por difusão passiva. Dentro do citoplasma da célula em questão existe um 
complexo proteico conhecido como proteínas de choque térmico, que se ligam a 
proteína de ligação ao glicocorticoide (GR). Ao se ligar ao GR, o glicocorticoide 
induz a separação de todos os constituintes desse complexo, ocorrendo uma 
dimerização, fazendo-os serem 2, e dessa forma conseguem permear a 
membrana nuclear. Dentro do núcleo, os 2 GR ligados aos glicocorticoides tem 
como alvo os genes responsivos ao glicocorticoide, ativando genes, fazendo com 
que o RNAm, levando a síntese de proteínas no citoplasma, que irão alterar a 
função normal da célula. 
 
 Os glicocorticoides possuem receptores 
intracelulares específicos pertencentes a 
superfamília dos receptores nucleares 
1. Alterações na síntese proteica 
(Indução ou Supressão de 
genes) 
 
 Ações anti-inflamatórias e 
imunossupressoras: 
1. Inibição na transcrição de 
genes da COX, citocinas, 
moléculas de adesão e NOS. 
 
Obs.: Os esteroides inibem a ação da fosfolipase sobre os fosfolipídios de membrana afim de não 
formar o ácido aracdônico e dessa forma desfaz toda a cascata inflamatória, reduzindo os eventos 
inflamatórios. 
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INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS DOS GLICOCORTICÓIDES: 
 Terapia de reposição  frente a insuficiência adrenal 
1. Aguda 
2. Crônica 
 
INSUFICIÊNCIA ADRENOCORTICAL PRIMÁRIA - DOENÇA DE ADDISON: 
Grande déficit na produção de glicocorticoides e mineralocorticoides. 
Tratamento: 
1. Dexametasona 
2. Prednisona 
3. Prednisolona 
4. Hidrocortisona 
5. Fludrocortisona  precisa ser feito pelo seus aspecto de mineralocorticoide 
 
INDICAÇÕES TERAPÊUTICA EM DOENÇAS NÃO-ENDÓCRINAS: 
 Doença reumática inflamatória 
1. Lúpus eritematoso sistêmico 
2. Artrite reumatóide (dose inicial de 0,5 mg ao dia) 
3. Poliarterite nodosa (vasculite de artérias) 
 
O paciente inicia o tratamento dessas doenças reumáticas inflamatórias com: 
 1 mg/Kg/dia em doses fracionadas: suficiente para suprimir rapidamente a doença 
 Dose única diária 
 Redução gradual, até dose mínima (GCs) 
 
Obs.: Glicocorticoides + imunossupressores (ciclofosfamida e metrotexatro)  para tentar controlar a 
doença, e se evitar doses elevadas que vão trazer efeitos adversos 
 
O metotrexado pode ser utilizado em concomitância com o 
glicocorticoide para doenças reumáticas, pois esta imunossupressor 
atua frente a células do sistema imunitário, enquanto o glicocorticoide 
atua diminuindo a ativação dos macrófagos e com isso não há 
formação de citocinas pró-inflamatórias (IL-1 e TNF-ALFA. 
 
 Síndrome nefrótica secundária (LES, hepatite B, câncer) 
 Tratamento de 1º linha 
 1 a 2 mg/Kg em doses diárias iniciais por 6 semanas 
 Redução gradual, durante 6 a 8 semanas 
 
Obs.: Pacientes resistentes ao glicocorticoides: imunossupressores 
(ciclofosfamida ou azatioprina) 
 
TERAPIA DE DOENÇAS NEOPLÁSICAS: 
 Em combinação com agentes citotóxicos. 
 Redução de edema cerebral (tumores cerebrais primários e metastáticos). 
 Leucemia linfocítica aguda e linfomas 
 
TERAPIA ANTI-INFLAMATÓRIA OU IMUNOSSUPRESSORA: 
 Na asma (por inalação, ou em casos graves, por via sistêmica) 
 Tópico (condições inflamatórias da pele, ouvidos, nariz e olhos)  mesmo sendo uma via 
segura de efeitos adversos, estes podem aparecer em tratamentos crônicos e longo. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 Nos estados de hipersensibilidade (reações alérgicas graves a fármacos ou venenos de 
insetos) 
 Doenças autoimunes (Lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, anemia hemolítica e 
púrpura trombocitopênica) 
 Transplante de órgãos  para evitar a rejeição do órgão. 
 
EFEITOS ADVERSOS: 
1. Uso prolongado (doses suprafisiológicas) 
2. Interrupção da terapia com esteroides 
 
Sinais clínicos a serem avaliados quanto ao excesso de glicocorticoides: 
 Fragilidade capilar 
 Presença de giba  concentração de gordura na região dorsal do pescoço 
 Estrias 
 Fácies de lua cheia 
 Fraqueza muscular 
 Hipertensão 
 
Pode evoluir para: 
 Anormalidades hidroeletrolíticas 
 Ações metabólicas: hiperglicemia pode evoluir para diabetes 
 Miopatia  devido a alteração do metabolismo proteico e constituição do músculo. 
 Dislipidemia 
 Osteoporose (prevenção – aporte (suplementação) de Ca++: 1.500 mg/dia, vitamina D, 
bifosfonatos) 
 Catarata 
 Alteração comportamental 
 Hipertensão arterial 
 Hipertensão craniana 
 Supressão da resposta à infecção  paciente pode apresentar Candida na região oral, se fizer 
uso de glicocorticoides por via inalatória em caso de asma. 
 Crianças: prejuízo do crescimento 
 
Interrupção súbita do tratamento: 
 Insuficiência suprarrenal aguda: supressão da capacidade de síntese de corticosteroides, pois 
a mesma está suprimida e precisaria de uns dias para voltar a produção normal. 
 Recuperação da supressão do eixo HHSR: variação individual (semana a meses e ainda pode 
estender-se por 1 ano ou mais). 
 
 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
AULA 14 – FARMACOLOGIA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO: 
ASMA – EPIDEMIOLOGIA: 
PREVALÊNCIA DA ASMA NA INFÂNCIA 
 350.000 internações/ano por asma no Brasil 
 Prevalência de 20% em adolescentes no Brasil 
 Asma ativa – Brasil é o 8º país com mais casos 
 5-10% das mortes por causa respiratória 
 Apenas 12,3% dos pacientes c/ diagnóstico são controlados 
 
ASMA BRÔNQUICA: 
Asma é uma doença inflamatória crônica 
 O indivíduo apresenta um quadro de hiperresponsividade (HR) das vias aéreas e também por 
limitação variável ao fluxo aéreo. 
 Geralmente esse quadro é reversível espontaneamente ou com tratamento. 
 Episódios recorrentes de sibilância, dispnéia, aperto no peito e tosse, particularmente à noite e 
pela manhã ao despertar. 
 
FISIOPATOLOGIA DA ASMA: 
Várias células inflamatórias interagem de uma 
maneira complexa e liberam mediadores 
resultando em lesão epitelial, edema da mucosa, 
hipersecreção de muco e hiperresponsividade 
brônquica. Onde alguns antígenos interagem com 
os receptores de mastócitos, que sofre 
degranulação, liberando grande quantidade de 
histamina, prostaglandina, leucotrienos, que 
ativam linfócitos, macrófagos, eosinófilos e 
neutrófilos, produzindo radicais livres, 
interleucinas inflamatórias, que leva a um aumento 
da produção de muco espesso, escamação do 
epitélio, lesão do epitélio muco-ciliar e aumento da contratilidade da musculatura lisa brônquica. 
 
Com essa hipersecreção de muco e broncoconstrição, há diminuição da área de troca gasosa, 
dificultando a troca gasosa entre o epitélio pulmonar e os capilares brônquicos. 
 
INFLAMAÇÃO DAS VIAS AÉREAS: 
O fator alergênico vai ativar toda a cascata inflamatória (IgE, 
mastócitos, macrófagos) liberando uma grande quantidade 
de citocinas, formando uma cascata de citocinas, que leva a 
lesão epitelial, ativando os receptores de sensibilidade, 
promovendo vasodilatação (por um curto período de tempo), 
angiogênese e uma atividade reflexa parassimpática desses 
nervos, que leva a um quadro de broncoconstrição 
importante, que leva ao quadro de hiper-reatividade 
brônquica péssimo e também ao quadro de hipersecreção 
de muco, fazendo hiperplasia das glândulas, principalmente 
das produtoras de muco. 
Phatryck Pinheiro 
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MECANISMOS DA RESPOSTA AO ALÉRGENO INALADO: 
Broncoconstricção: 
1. A substância inalada pode induzir a liberação/produção de 
mediadores pelos mastócitos. 
2. Estimulação dos receptores sensoriais que inicia a broncoconstrição 
reflexa e a liberação de substância P que estimula a contração 
muscular lisa. 
3. O alérgeno inalado pode ativar os receptores (quimiorreceptores e 
mecanorreceptores) das vias aéreas superiores e estimular o reflexo 
da tosse. 
 
 
DIAGNÓSTICO DA ASMA: 
Diagnóstico clinico: 
 Um ou mais dos seguintes sintomas: dispneia, tosse crônica, sibilância, aperto no peito ou 
desconforto torácico 
 Sintomas episódicos que melhoram com broncodilatadores  que conseguem minimizar esse 
quadro dispneico, tosse crônica e sibilância do paciente. 
 
Diagnóstico funcional: 
 Espirometria  observa alguns fatores que vão medir obstrução de vias aéreas 
 Obstrução das vias aéreas caracterizadas pela redução do VEF1 (Volume expiratório 
forçado em 1 segundo) 
 Obstrução ao fluxo que melhora com o uso de broncodilatadores 
 Testes adicionais: 
 Teste do broncoespasmo por exercícios demonstrando queda da VEF1 acima 10 a 15%. 
 
 
 
TERAPIA FARMACOLÓGICA DA ASMA: 
Existem basicamente 2 classes de medicamentos que são utilizados: 
1. Agentes broncodilatadores: pensamos em substâncias que 
favorecem a broncodilatação, através dos receptores adrenérgicos 
Beta-2, com o uso de agonistas (salmeterol e formoterol). Com a 
ativação do receptor Beta-2, há ativação da adenilase ciclase, que 
vai realizar toda a cascata de ativação de ativação e aumento de 
AMPc. Dessa forma pensamos em substâncias que diminuam a 
degradação (fosfodiesterase) do AMPc, como por exemplo: a 
teofilina, que aumenta a biodisponibilidade do AMPc, favorecendo 
de forma indireta a broncodilatação. 
Há também os fatores que são broncoconstritores, como por 
exemplo: acetilcolina e adenosina, dessa forma, pensamos em 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
antagonistas muscarínicos (M3) para inibir a acetilcolina e a própria teofilina para inibir a 
adenosina. 
 
2. Agentes anti-inflamatórios: podemos pensar em utilizar 
substâncias que possam produzir toda a cascata de ativação 
anti-inflamatória, onde o fosfolipídeo por meio da enzima 
fosfolipase A2 se transforma em ácido aracdônico e este pode 
seguir por 2 vias: 
2.1. Via da COX  prostaglandina 
2.2. Via da 5-lipoxigenase  leucotrienos  que vão reagir 
com receptores de leucotrienos  levando a uma 
broncoconstrição importante. 
Por isso é utilizado glicocorticoides, que alteram a expressão 
gênica da fosfolipase A2, reduzindo toda a cascata produtora 
de fatores inflamatórios ou utilizar a Zileutina que bloqueia a 
5-lipoxigena, bloqueando a produção de leucotrienos a partir de ácido aracdônico. Ou podemos 
utilizar substâncias que são bloqueadoras de leucotrienos, como: Zafirlukast e Montelukast. 
 
VIA INALATÓRIA: 
Na asma, se queremos evitar uma exacerbação de efeitos adversos, temos que utilizar substâncias 
que vão atuar diretamente no sistema respiratório, por via inalatória: 
 Agonista beta-adrenérgicos 
 Glicocorticoides  inalatórios 
Obs.: as partículas desses fármacos, quando utilizados por via inalatória 90% não vai para o trato 
respiratório e sim deglutidas, e dessa forma, podem ser absorvidas e dependendo da frequência de 
uso, gerar efeitos adversos. 
 
Dispositivos inalatórios: 
1. Aerossol dosimetrado: fácil portabilidade e precisa 
conter propelentes (clorofluorocarbono), que 
propulsiona o ar particulado do fármaco. 
 
2. Com espaçador: tem a finalidade de reduzir a 
quantidade substâncias que são deglutidas. Além 
disso, esse espaçador tem a finalidade de aumentar o 
espaço entre a bombinha e a via aérea. 
 
3. Nebulização: coloca-se o fármaco na forma líquida dentro do recipiente do equipamento 
juntamente com soro fisiológico, adequa a máscara ao rosto e respira a nébula. Existe 2 tipos 
de nebulizadores: 
3.1. Ultrassónico: cria gotículas de água muito pequenas e consequentemente uma inalação 
e absorção muito mais eficaz. 
3.2. Eos que não são ultrassónico  formam gotículas de água muito rápido. 
 
Obs.: não requer coordenação na respiração. 
 
AGONISTAS BETA-2-ADRENÉRGICOS: 
1. Isoproterenol  não é seletivo 
2. Terbutalina 
3. Isoetarina 
4. Albuterol (salbutamol) 
5. Metaproterenol 
6. Salmeterol 
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FMC – 2024.2 
FARMACOCINÉTICA: 
Na tabela podemos encontrar alguns tipos de agonistas Beta-2 
adrenérgicos. Mas, substâncias como adrenalina (SC) e 
isoprenalina (inalatória) podem ser utilizados no tratamento da 
asma, mas como não são seletivos, podem gerar efeitos em 
Beta-1 (taquicardia) e Beta-2, mas tem início rápido. Os 
agonistas Beta-2 adrenérgicos são divididos em 2 grupos: 
1. Curta duração: seletivos Beta-2  início de ação rápido 
 crise asmática (usa SABA). 
2. Longa duração: seletivos Beta-2  início de ação lento 
 tratamento para evitar recidiva dos casos (usa LABA) 
 
MECANISMO DE AÇÃO: 
Esses agonistas Beta-2 adrenérgicos, irão ativar os receptores 
Beta-2, que consequentemente ativa uma cascata de proteína 
Gs, aumentando os níveis de AMPc, abrindo canais de potássio 
(hiperpolarização), diminuindo a concentração intracelular de 
cálcio e promovendo o relaxamento do músculo liso brônquico 
(broncodilatação). 
 
 
 
 
INDICAÇÃO CLÍNICA DOS AGONISTAS BETA-2 ADRENÉRGICOS: 
1. Curta duração: Albuterol, levalbuterol, metaproterenol, terbutalina e pirbuterol, fenoterol 
(Berotec) e salbutamol (aerolin). 
1.1. Usado para o alívio sintomático da asma 
 
2. Longa duração: salmeterol, formoterol e bambuterol 
2.1. Usados profilaticamente + anti-inflamatórios 
 
EFEITOS ADVERSOS: 
Depende do fármaco (não-seletivo ou seletivo), da dose e da via de administração. 
 Taquicardia seguido de arritmias 
 Hipertensão 
 Tremores 
 Efeitos SNC – agitação, ansiedade e insônia 
 Efeitos metabólicos – hiperglicemia, elevação dos níveis sanguíneos de ácidos graxos 
 Uso contínuo: dessensibilização dos receptores  requer ajuste de dose 
 
TERAPIA ORAL COM AGONISTAS BETA-2: 
Pouco usado devido aos riscos de efeitos adversos (tremores, dores musculares, taquiarritmias e 
distúrbios metabólicos) 
 
Situações de uso: 
1. Terapia breve em crianças (<5 anos) que não manipula o inalador. 
(albuterenol – metoproterenol xarope) 
 
2. Pacientes com asma severa, onde o agente propulsor do inalador pode piorar a tosse e o 
broncoespasmo. Usa-se por via oral então. 
(albuterenol, metoproterenol, terbutalina compe). 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
ANTAGONISTAS MUSCARÍNICOS: 
São as substâncias que vão bloquear os receptores muscarínicos que, quando ativados, promovem 
broncoconstrição e aumento da secreção de muco. Esses antagonistas, tem exatamente, a função de 
fazer com que essas ações não se realizem. 
1. Atropina  não pode ser feita por via inalatória 
2. Ipratrópio (Atrovent)  Alívio sintomatológico 
da asma 
3. Tiotrópio (Spiriva)  tratmento a longo prazo 
 
O ar frio e alguns mediadores inflamatórios estimulam os receptores do epitélio que liberam substância 
P que seguem pela fibra C e ativam o SNC (centro de tosse e centro parassimpático, via nervo vago...). 
Via nervo vago, o SNA parassimpático libera acetilcolina que atua no receptor M3 que aumenta a 
secreção de muco e no músculo liso, promovendo broncocosntrição  gerando o quadro asmático. 
 
 
EFEITOS ADVERSOS: 
Os agentes terciários (atropina) promovem mais efeitos adversos do que os agentes quaternários, 
pois os agentes terciários conseguem atravessar a barreira hemato-encefálica. 
 
 
 
INDICAÇÕES CLÍNICAS: 
1. Como adjuvante (LAMA) dos agonistas 2-adrenérgicos (LABA) e dos esteroides (CEI) quando 
estes agentes não conseguem controlar a asma. 
2. DPOC – importante broncodilatador 
 
Efeito sinérgico: 
Ipratróprio (Atrovent)+ agonistas β2 
Tiotrópio (Spiriva) + agonistas β2 
 
Obs.: A associação é mais efetiva que cada agente isoladamente na reversão da broncoconstricção. 
 
METILXANTINAS: 
1. Xantina 
2. Cafeína 
3. Teofilina  mais utilizada, na forma de xarope. Mas pode ser 
administrada além da via oral, por via parenteral (que 
apresentavam muitos efeitos adversos) e desenvolveram o 
retal, com menos efeitos adversos, mas com grande irritação 
retal. 
4. Teobromina 
Diminui secreção e promove broncodilatação 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
MECANISMO DE AÇÃO: 
As metilxantinas vão bloquear a fosfodiesterase, aumentando os níveis 
de AMPc e antagoniza os receptores P2 (adenosina), que tem uma 
ação broncoconstritora, favorecendo então a broncodilatação. 
 
Além disso, quando aumenta o AMPc também diminui a síntese e 
liberação de mediadores inflamatórios pelos mastócitos e basófilos. 
 
DIFERENÇAS NA INTESIDADE DOS EFEITOS DA CAFEÍNA E TEOFILINA: 
 
 
 
METILXANTINAS – FARMACODINÂMICA: 
 SNC: alerta, nervosismo, ansiedade, insônia, tremores, convulsão. 
 Sistema cardiovascular: 
1. Efeito inotrópico e cronotrópico (+) - Arritmias 
2. Vasodilatação na maioria dos leitos vasculares 
3. Vasoconstricção vasos sanguíneos cerebral 
 TGI: náuseas, vômitos, anorexia, dor abdominal, diarreia 
 Renal: efeito diurético (filtração glomerular) 
 Músculo esquelético: melhora a contratilidade e o estado de fadiga do diafragma em pacientes 
com DPOC. 
 
USO CLÍNICO DAS METILXANTINAS: 
Como fármaco de segunda linha, pode ser associado aos glicocorticoides, em pacientes cuja asma 
não responde adequadamente aos agonistas 2-adrenérgicos. 
 
Alguns pediatras preferem a teofilina aos glicocorticoides inalatórios, devido ao potencial no retardo 
do crescimento. 
 
EFEITOS ADVERSOS – TOXICIDADE: 
É dose dependente: 
 10 a 20mg/L  ansiedade, tremores, diurese, náuseas, 
vômitos e anorexia. 
 > 15mg/L  palpitação e dor precordial 
 > 40mg/L  arritmias, convulsão e morte 
 
FATORES QUE INFLUENCIAM A CP DE TEOFILINA: 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
GLICOCORTICÓIDES: 
São utilizados para reduz a hiper-reatividade brônquica. Pode ser feito por via: 
1. Inalatório  Sempre preferir essa via, por reduzir os efeitos adversos. 
2. Oral 
3. IV 
 
PRODUÇÃO ENDÓGENA DE CORTISOL: 
No eixo hipotálamo-hipofisário há liberação de CRF (fator de liberação 
de corticotrofina - CRH), que estimula a adenohipófise a liberar o ACTH 
 e assim a liberação do cortisol (que diminui as respostas 
inflamatórias). 
 
 
 
 
MECANISMO DE AÇÃO: 
Efeito anti-inflamatório: 
1. Inibe a PLA2 E COX-2 (anexina-1) 
2.  Atividade de leucócitos, linfócitos, monócitos, eosinófilos, basófilos 
3.  Migração das células para o sítio da inflamação 
4.  Atividade dos macrófagos – (TNFa; IL-1) 
 
Efeito imunossupressor: 
1. Hiper-reatividade brônquica 
2. Potencializa o efeito dos agonistas 2- adrenérgicos  aumenta a afinidade dos receptores 
Beta-2 aos agonistas. 
 
EFEITOS METABÓLICOS: 
 
 
SÍNDROME DE CUSHING: 
1. Hiperglicemia 
2. Distúrbios eletrolíticos: retenção de sódio/água, (Edema – Hipertensão); hipocalemia 
3. Aumento do peso - Obesidade centrípeta 
4. Cataratas – Glaucoma 
5. Desgastes musculares – Miopatias 
6. Úlceras pépticas 
7. Cicatrização precária e susceptibilidade p/ infecções 
8. Hematomas e fragilidade capilar 
9. Osteoporose (idoso) 
10. Atraso no crescimento (utilização > 6 meses) 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
AÇÕES DOS GLICOCORTICÓIDES NA ASMA: 
Na asma brônquica, os efeitos dos glicocorticóides são: 
1. Diminuir a inflamação das vias aéreas 
2. Diminuir a hiper-reatividade brônquica 
 
 
GLICOCORTICÓIDES: 
Sistêmicos: 
1. Usado no tratamento da asma crônica severa 
2. Exacerbações agudas severas 
Maior incidência de efeitos adversos 
 
Inalatórios: 
1. Tratamento profilático da asma moderada 
2. Asmáticos que necessitam de >4 inalações de agonistas β2 por semana. 
Menor incidência de efeitos adversos 
 
 
Para diminuir os efeitos adversos: doses elevadas em um curto período 
 
CORTICOSTERÓIDES: 
 
 
EFEITOS ADVERSOS: 
 
Reduzindo a broncoconstrição de forma agudae 
também diminuindo a secreção excessiva de muco. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
INIBIDORES DA VIA DOS LEUCOTRIENOS: 
1. Zafirlukast 
2. Montelukast 
3. Pranlukast 
4. Zileutina  bloqueia a 5-lipooxigenase  diminuindo a formação de leucotrienos 
 
 
MECANISMO DE AÇÃO: 
 
 
FARMACOCINÉTICA: 
 
 
ANTILEUCOTRIENOS: 
Indicações clínicas: 
 Tratamento profilático da asma leve a moderada 
1. Melhora da função pulmonar 
2. Reduz os sintomas das exacerbações 
(Não é indicado como broncodilatador durante as exacerbações) 
 
 Fármacos alternativos aos corticosteroides inalatórios no controle da asma crônica leve a 
moderada. 
 
Bloqueia os receptores de leucotrienos e diminui a broncoconstrição, diminui a produção de muco, 
diminui eosinofilia e basofilia, além de diminuir o edema da mucosa 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
EFEITOS ADVERSOS: 
Efeitos Adversos raros, similar ao placebo (Goodman, 2019) 
 Casos raros de disfunção hepática (Zileutona, Zafirlucaste e Montelucaste) 
 Sindrome de Churg-Strauss – vasculite (afeta nervos, coração e rim, além de aumentar 
eosinófilos circulantes) (Zafirlucaste) + incidente quando associado ao tratamento com 
glicocorticoide inalatório (Nathani et al, 2008) 
 Zafirlucaste pode interferir com Warfarin e aumentar o tempo de protrombina. 
 Zileutina: 
1. Elevação das enzimas hepática (4-5%) n0s primeiros dois meses. 
2. Reduz os níveis a eliminação renal de teofilina e Warfarin 
 
CROMOGLICATO DE SÓDIO E NEDOCROMIL: 
Usados na profilaxia da asma leve e moderada. 
 
 
EFEITOS BENÉFICOS DO CROMOGLICATO E NEDOCROMIL NA PROFILAXIA DA ASMA 
LEVE A MODERADA: 
 “Estabilização” dos mastócitos da mucosa brônquica, impedindo a liberação de mediadores. 
 Inibição da função dos leucócitos, neutrófilos e eosinófilos 
 Inibição da infiltração das células inflam. na árvore brônquica 
 Inibe o tônus parassimpático → Supressão da tosse 
 
 Hiper-reatividade Brônquica (< eficácia que glicocorticoide) 
Não tem efeito broncodilatador 
 
USOS CLÍNICOS: 
 Tratamento profilático da asma leve a moderada. 
1. Profilaxia da asma induzida por exercícios, antígenos, aspirina, etc 
2. Eficazes 60-70% das crianças e adolescentes com asma. 
3. São menos eficazes em pacientes idosos e com asma grave 
4. Não tem efeito broncodilatador 
 
 Outras indicações do Cromoglicato: 
1. Spray nasal 
2. Rinite alérgica Oral 
3. Tratamento da Mastocitose 
 
EFEITOS ADVERSOS: 
1. Sabor desagradável (13 %) 
2. Ressecamento da garganta 
3. Tosse ou sibilos 
4. Broncoespasmo transitório 
5. Edema da laringe 
6. Cefaléia, dores articulares 
7. Náuseas – Vômitos 
8. Congestão nasal 
9. Erupção cutânea e urticária 
 
Obs.: Incidência 1:10.000 pacientes 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
ANTICORPOS MONOCLONAIS ANTI-IGE – OMALIZUMAB (ANTI-IGE MAB; XOLAIR): 
Liga-se à IgE circulante e impede a ligação da IgE nos mastócitos e basófilos, inibindo a liberação de 
mediadores inflamatórios. 
 
 
OMALIZUMAB – FARMACOCINÉTICA: 
 Injeção SC – cada 2-4 semana 
 Posologia: 150-375 mg (SC) a cada 2-4 semanas 
 Biodisponibilidade de 60% 
 Pico de concentração plasmática – 7-8 dias 
 Meia-vida de eliminação 26 dias 
 
INDICAÇÕES CLÍNICAS: 
 Asma alérgica moderada-severa em adultos e adolescentes (>12 anos). 
1. Reduz a necessidade de GC inalatório ou oral 
2. Reduz a frequências das exacerbações asmáticas 
3. Não é um broncodilatador agudo – Não utilizado com broncodilatador SOS ou no tratamento 
do estado asmático. 
 Outras doenças alérgicas: alergia nasal, alergia a alimentos 
 
TOXICIDADE: 
Doses terapêuticas – bem tolerados 
1. Reação no sítio da injeção (dor, eritema, edema, prurido) 
2. Reação alérgica: anafilaxia (0,1%) 
3. 
RECOMENDAÇÕES PARA O TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA ASMA DE ACORDO COM 
A GRAVIDADE: 
 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
FÁRMACOS MUCOATIVOS (EXPECTORANTES, MUCOLÍTICOS, LUBRIFICANTES E 
SECRETAGOGOS E ANTITUSSÍGENOS): 
SISTEMA MUCOCILIAR: 
O epitélio ciliado pseudoestratificado, ou apenas epitélio mucocilar é 
importante para o processo de eliminação como forma de defesa de todo 
o sistema respiratório, mantendo o ar dentro do pulmão. 
 
O fumante por exemplo: perde os cílios dessas células, mantendo o muco 
parado, propiciando a proliferação de bactérias. 
 
 
 
COMPONENTES E INERVAÇÃO DO SISTEMA MUCOCILIAR: 
Efeito parassimpático eferente que estimula a produção do muco. 
 
 
FATORES QUE ALTERAM O TRANSPORTE MUCOCILIAR: 
1. Idade avançada > 56 anos 
2. DPOC / Fumaça do cigarro 
3. Fármacos: Atropina / anestésicos gerais 
4. Asma brônquica 
5. Fibrose cística 
6. Hipersecreção brônquica induzida por doenças bacterianas e virais. 
 
EXPECTORANTES E MUCOLÍTICOS: 
O melhor expectorante é a nebulização com soro fisiológico, pois aumenta a fluidez da secreção. 
 
 
TOSSI: 
 A tosse é um reflexo protetor que permite a expulsão de corpos estranhos da árvore 
traqueobrônquica. 
 A tosse produtiva não deve ser inibida. 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
PRINCIPAIS CAUSAS DE TOSSE CRÔNICA: 
 Asma (hiper-reatividade brônquica) 
 Gotejamento nasal (rinite, sinusite) 
 Refluxo gastroesofágico 
 Uso de IECA (captopril)  aumenta bradicinina 
 
ANTITUSSÍGENOS: 
Fármacos utilizados no controle da TOSSE NÃO-PRODUTIVA (TOSSE IRRITATIVA E SECA) 
 
 Antitussígeno Narcótico  Deprimem o “centro da tosse” 
 
Codeína 
 
 
Obs.: foi retirado do mercado por ter um potencial de dependência, visto que é derivado da morfina. 
 
 Antitussígeno não-narcótico: 
1. Dextrometorfano (Xarope Vick®) - embora seja um opiáceo, não tem efeito sedativo e 
nem promove dependência – não atravessa a barreira hemato-encefálica) 
2. Levodropropizina (Notuss ®, Gotas Binelli®) atua modulando a atividade da fibra C nos 
brônquios. 
3. Cloperamida (Seki®) – atua inibindo a excitabilidade da via aferente do reflexo da tosse. 
 
 
Secreção brônquica → espessamento do escarro 
 Inibe a atividade ciliar →  depuração do escarro 
 
Amanda Monteiro 2024.2 Professor: Daniel
Farmacologia do Trato Gastrointestinal
● Úlcera péptica
O que é
Lesões na parede do estômago
Causas
→ Infecção por H.pylori
H.pylori reside mais na região da cárdia.
1. Se adere a parede da cárdia (principalmente)
2. Ativa receptores que estimulam a liberação de EROs pelos eosinófilos e macrófagos
3. Há dano na membrana celular por estresse oxidativo
4. Ativação de linfócito B e T que aumentam as citocinas (IFN-alfa e IL-2) que também lesam a célula
5. Perda da camada de muco
6. A forma protetiva do do organismo será hipersecretar HCl para que haja um ambiente de eliminação da bactéria
5. Aparecimento de lesões
6. Úlcera
→ Uso prolongado de AINES (Anti-inflamatórios não esteroides)
1. Inibição da produção de COX e PG
2. Por outra via: aumento da produção do suco gástrico
3. Por outra via: inibição da produção de muco
A PGs: diminuem a secreção de HCl, aumentam a secreção de bicarbonato, muco e vascularização da mucosa
→ Secreção excessiva de HCl
→ Tumor secretor de gastrina (Síndrome de Zollinger-Ellison): hipersecreção de gastrina
Essa hipergastrinemia secretará uma grande quantidade de gastrina – aumento da secreção de HCl
→ Alcoolismo crônico
Fármacos na úlcera
Alivio da dor
Cicatrização da úlcera
Prevenção de complicações
Prevenção das recindivas
Tratamento
Antibiótico (bismuto – bacteriostático, metronidazol, tetraciclina), anti-histamínico H2, bloqueador de bomba H+
(omeprazol), antiácido, antagonista muscarínico, fármacos análagos as PGs (misoprostol).
● Refluxo gastro-esofágico (RGE)
Alivio dos sintomas
Promover cicatrização da esofagite
Prevenir a recorrência e a incidência de lesões ulcerativas no esófago
Tratamento:
1. MUDANÇA NO ESTILO DE VIDA
Perda de peso (acumulo de gordura na região abdominal empurra o estomago para cima, comprime a cavidade
abdominal em relação ao diafragma e favorece refluxo), interromper tabagismo, refeições menores,evitar álcool, evitar
alimentos e bebidas ácidas
Amanda Monteiro 2024.2 Professor: Daniel
Para aliviar o os sintomas desse paciente quando ele vai deitar, é indicado que ele deite na posição de decúbito lateral
esquerdo, pois o conteúdo gástrico vai ficar no fundo enquanto o esfíncter esofágico inferior vai ficar mais para cima.
2. TERAPEUTICA MEDICAMENTOSA
RGE
na
gravidez
Prevalência da sensação de queimação em
torno de 30-50% grávidas e acaba
contribuindo para a sensação nauseante.
RGE leve na gestante: pôde-se pensar em
Antiácido ou Sulcrafato
Se o paciente apresenta sintomas
persistentes: Antagonist H2 (ranitidina)
Sintomas Severos: IBP (Lansoprazol)
● Tratamento da infecção por H.pylori
Esquema tríplice: paciente faz uso d e I B P + c l a r i t o m i c i n a + (amoxilina ou metronidazol) 2x por dia.
A tetraciclina pode substituir a amoxilina ou metronidazol. Utilização desses medicamentos de 10 a 14 dias.
Dentro da clinica diz-se que o sistema tríplice é mais aderido e mais eficaz que o quadrúplice. Mas cada caso é um
caso, isso vai variar de acordo com o paciente. Se o paciente tiver varias ulceras, talvez o sistema quadruplice que t e
m I B P e b i s m u t o ( d u a s substâncias que estimulam a cicatrização da úlcera) seja mais interessante que o
sistema tríplice que tem apenas IBP.
Prevenção de úlceras induzidas pelos AINEs
• Misoprostol – 200g 3 vezes ao dia (esta no livro mas não se usa mais no brasil )
• Inibidor bomba de próton (é sempre a primeira escolha)
Síndrome de Zollinger-Ellison → ulcerações GI causadas por tumores hipersecretivos
• Inibidor bomba de próton ex omeprazol 40 mg
● Fatores protetores da mucosa gástrica
Muco
Bicarbonato
PGs
NO
INIBIDORES DA SECREÇÃO ÁCIDA
Inibidor da bomba de prótons
Amanda Monteiro 2024.2 Professor: Daniel
✔ Mecanismo
Inibem de forma irreversível a bomba de H+/K* ATPase (bomba de prótons)
Inibe a secreção de HCl basal, gerando elevação do pH intragástrico para haver cicatrização da úlcera
Maior eficácia do que antagonista H2
✔ Representantes
Lansoprazol
Omeprazol
Esomeprazol
Dexlansoprazol
Rebeprazol
Pantoprazol
✔ Formulação farmacêutica
Para prevenir a degradação dos IBPs no lúmen gástrico, as formulações orais são revestidas para dissolver somente
no pH alcalino do duodeno.
- Cápsula gelatinosa (Omeprazol, Esomeprazol, lansoprazol)
- Grânulos com revestimento em forma de suspensão (Lansoprazol)
- Comprimidos com revestimento entérico (Pantoprazol, rabeprazol, omeprazol)
✔ Cuidado
Pacientes com insuficiência hepática pois reduz metabolização
✔ Administração
30 min antes de refeição
Adm com alimentos pode reduzir a taxa de absorção
Uso concomitante com outros antiácidos reduz a eficácia
✔ Indicação clínica
Úlcera gástrica e duodenal
Refluxo gastro-esofágico
Síndrome de Zollinger-Ellison
Prevenção de úlcera em pacientes com uso de AINES
Reduzir risco de úlceras duodenais
✔ Efeitos adversos
Náusea, dores abdominais, diarreia, constipação, flatulência, enjoo, vômitos, cefaleia (comum)
Inchaço, choque anafilático, depressão (raro)
Seu uso prolongado:
- Hipocloridria: risco de infecções
- Reduz absorção de B12,Mg, Ca
✔ Gravidez
Somente Lansoprazol é seguro
Uso também de Sucralfato e antagonista H2 (ranitinda)
✔ Criança
Omeprazol seguro e efetivo
Amanda Monteiro 2024.2 Professor: Daniel
✔ Interações medicamentosas
Redução da acidez: redução da biodisponibilidade de ampicilina, cetoconazol e digoxina
Pantoprazol e Rabeprazol – sem interações importantes – melhor para grupos de risco
Omeprazol
- Inibe CYP2C19: reduz metabolismo e eliminação da disulfiram, fenitoína, diazepam varfarina e o antiagregante
plaquetário Clopidrogel
- Induz CYP1A2: aumenta metabolismo e eliminação de imipramina, teofilina e antipsicótico
Anti-histamino H2
✔ Mecanismo
Inibição de todas as fases da secreção ácida
Inibe a secreção gástrica induzida pela histamina e parcialmente a induzida pela gastrina e estimulo vagal.
Redução do volume de suco gástrico
Menos eficaz que IBPs
✔ Indicações clínicas
- Tratamento das úlceras duodenais (cimetidina – cicatrização)
- Tratamento das úlceras gástricas (cimetidina – cicatrização)
- Gastrite por estresse
- Doença do refluxo gastro-esofágico
✔ Efeitos adversos
Desconforto abdominal, tontura, cefaleia, sonolência, fadiga, dor muscular, xreostomia, exantema.
- Não pode realizar adm venosa rapidamente e em grande quantidade (bolus) pois pode liberar histamina por efeito
compensatório e gerar bradicardia, arritmia e parada cardíaca
Rebote ácido pela descontinuidade do tratamento
✔ Gravidez
Não é teratogênico, primeira linha em grávidas
Atravessa a placenta e é eliminado pelo leite
✔ Representantes:
- Cimetidina:
Ultrapassa BHE
Doses altas: se liga a H1 central e gera sedação
Usocrônico: pouco utilizado pois possui ação antiandrogênica: aumenta níveis de prolactina, inibe degradação do
estradiol. Gera: ginecomastia, perda da libido, redução do número de sptz e impotência
- Ranitidina: mais usada
- Famotidina: maior duração
✔ Interação medicamentosa
A tolerância de anti-h2 pode ocorrer em 3 dias
de inicio de tratamento e pode ser resiste ao
aumento da dose.
Amanda Monteiro 2024.2 Professor: Daniel
Isso se dá pela hipergastrinemia, que estimula a secreção de histamina e ativação da bomba de prótons.
PROTETOR DA MUCOSA GÁSTRICA
Bismuto Coloidal (Subsalicilato de bismuto/Subcitrato de bismuto de potássio)
✔ Mecanismo
Hidrossolúvel
Precipita em pH menor que 5, formando gel que recobre a úlcera
Estimula a produção de PGs que aumenta a secreção de muco e bicarbonato
Bacteriostático/Bactericida
Auxilia no desprendimento da bactéria H.pylori na parede do estômago
✔ Indicações
Diarreia do viajante: diarreia devido irritação no TGI devido tempero, tipo de água diferentes
Úlceras,gastrite e dispepsia induzidas por H. pylori
✔ Efeitos adversos
Diarreia, cefaleia, ontura
Toxicidade: osteodistrofia, encefalopatia
Escurecimento da língua e dentatura
✔ Esquema Tetra (10-14dias)
IPB 2x por dia
Subsalicilato - 2 comprimidos (262mg cada)
Tetraciclina (250-500 mg) 4x dia,
Metronidazol – 500 mg 4x dia.
Análogo da PGs
❖ Misoprostol
✔ Mecanismo
Se liga aos receptores da PGs e estimula a
produção de muco e bicarbonato e reduz a
produção de HCl
✔ Gravidez
Contra-indicado em gestantes: no útero, atua
gerando contração vigorosa e pode levar
aborto
✔ Efeitos adversos
Diarreia, cólica, dor abdominal, contração uterina
Sucralfato
Amanda Monteiro 2024.2 Professor: Daniel
✔ Mecanismo
Forma uma barreira física impedindo a ação erosiva do HCl
Sal que interage com ácido e forma uma pasta viscosa que recobre a mucosa gástrica e estimula a produção local de
PGs e fatores de crescimento
✔ Indicações clínicas
Ulceras duodenais
Prevenção de gastrites relacionadas a estresse
Dispepsia induzida por AINES
✔ Efeitos adversos
Constipação
Acúmulo de Al em pacientes com insuficiência renal
OUTROS
Antiácidos neutralizadores
✔ Mecanismo
Atuam diretamente inibindo a ação ácida
✔ Representantes
Hidróxido de Alumínio (lento)
Hidróxido de Magnésio (lento)
Carbonato de cálcio (rápido)
Carbonato de sódio (rápido)
✔ Efeitos adversos
Amanda Monteiro 2024.2 Professor: Daniel
✔ Indicações clínicas
Dispepsia
Dispepsia correlacionada com RGE
Azia
✔ Interações medicamentosas
Os antiácidos alteram o pH gástrico e da urina, podendo interagir com diversos fármacos (hormônios tireoidianos,
alopurinol, antifúngicos, imidazolidínicos).
Antiácidos contendo Al e Mg são quelantes (diminuem absorção de vit e minerais e interferem na ação de outros
medicamentos)
Devem ser adm 2h antes ou após a adm de outros fármacos
Antagonista muscarinico
✔ Mecanismo
Antagonista M1 – inibe a produção ácida basal
Baixa eficácia
Efeitos adversos anticolinérgicos
✔ Representantes
Pirenzepina
Telenzepina
CONCLUSÕES FINAIS
• Os IBPs são considerados superiores na inibição da secreção ácida e clinicamente mais eficazes no tratamento das
úlceras, RGE e gastrites induzidaspelos AINES.
• Os IBPs também são associados aos antibióticos no combate das doenças ulcerativas induzidas pela H. pylori.
• Os antagonistas H2 são de baixo custo e também eficazes no tratamento das gastrites e dispepsia.
● Êmese (Vômitos)
Causas
→ Efeitos adversos de fármacos.
→ Desordens sistêmicas e infecções, por ingestão de alimentos estragados por exemplo.
→ Gravidez (Prometazina)
→ Disfunção vestibular
→ Peritonite
→ Desordens Hepato-biliar
→ Radiação ou quimioterapia
→ Náuseas e êmese no pós-operatório
→ Náuseas e vômitos de viagem (cinetose - enjoo gerado pelo movimento)
→ Obstrução gastrointestinal, dismotilidade e infecções.
Mecanismo da êmese
Foco na área postrema, zona quimioreceptora, pois alguns
dos fármacos antieméticos vão atuar em receptores
presentes nessa área.
Amanda Monteiro 2024.2 Professor: Daniel
Basicamente o que ocorre é a ativação dos receptores que levam a um quadro emético. Os fármacos antiemeticos
bloqueiam esses receptores, 5HT3 (serotoninergicos) , D2 (dopaminergicos), M1 e µ (mu - receptor de opioides).
Agentes antieméticos
→ Antagonistas H1
De ação central – sonolência
Difenidramina
Meclizina
Ciclizin
Prometazina
→ Antagonistas muscarínicos
Escopolamina
→ Antagonistas 5-HT3
✔ Representantes
“TroPaGranDOna”
Tropisetrona
Palonosetrona
Granisetrona
Dolasetrona
Ondansetrona
✔ Indicações clínicas
Êmese por ativação vagal (pós operatório) e quimioterapia (agentes de primeira linha)
✔ Efeitos adversos
Comum: cefaleia, tontura e constipação
Raro: arritmias por prolongamento do QT
→ Antagonistas D2 (Fenotiazidas e butirofenonas)
✔ Indicações clínicas
Náuseas e vômitos associados a vertigem, cinetose e enxaqueca
Vômitos causados por uremia, radiação e gastroenterite
Gastroparesteria
✔ Efeitos adversos
Bromoprida: sonolência, cefaleia, calafrios
Metoclopramida: sintomas extrapiramidais (inquietude, distonia, discinesia tadia)
✔ Representantes
Bromoprida, metoclopramida e domperidona
→ Canabinóides
Nabilona: prevenção da êmese na quimioterapia
Usos clínicos dos Antieméticos
Amanda Monteiro 2024.2 Professor: Daniel
Caso de CINETOSE ( causada por mareio, doença do mar ou enjôo de viagem)
- Escopolamina (existe em forma de adesivo cutâneo, muito eficaz, o paciente pode usar antes de viajar)
- Anti-histamínico (ex. difenidramina) – 4 a 6h
ÊMESE GESTACIONAL
-Os antihistamínicos (prometazina), só devem ser usado na presença de distúrbios eletrolíticos e hídrico que prejudique
o embrião. Se a mãe tem quadro emético mais de 3 vezes ao dia, pôde-se pensar em usar, pois quadros assim podem
gerar distúrbio eletrolítico e hídrico prejudicando assim o desenvolvimento do feto. Vitamina b12 e ácido fólico são
importantes no fechamento do tubo neural e maturação. Mas se ela tem quadros de enjoos mais raros, não precisa
usar.
ÊMESE INDUZIDA POR ANTINEOPLÁSICOS. P
acientes em quimioterapia.
-Antagonistas 5-HT3 (ex. Ondansetron); canabiloide (nabilona)
ÊMESE PÓS-OPERATÓRIO, POR IRRADIAÇÃO, POR UREMIA
-Ondansetron; Metoclopramida; Bromoprida
ÊMESE ASSOCIADA À CINETOSE, CEFALEIA, GASTROENTERITE
- Metoclopramida, Bromoprida, Metopimazina
● Fármacos que estimulam a motilidade do TGI (Agentes prócinéticos)
Para pacientes constipados (mulheres que usam anticoncepcional podem ter esse quadro)
-Agentes que aumentam a pressão no EEI podem ser úteis no RGE (como aumenta a pressão no esfíncter, nao deixa ter refluxo).
-Agentes que melhoram o esvaziamento gástrico podem ser úteis na gastroparestesia e no retardo do esvaziamento gástrico
pós-cirúrgico.
-Os agentes que intensificam o trânsito intestinal podem ser úteis no tratamento da constipação.
→ Agonistas colinérgicos e inibidores da enzima acetilcolinesterase
Betanecol – Neostigmina
→ Antagonista dos receptores de dopamina
Metoclopramida, dompreridona
Receptores D2 ativados inibem a liberação de Ach dos neurônios mioentéricos. Bloqueando esses receptores há maior
liberação de Ach, estimulando o peristaltismo
A dopamina ativa receptores D2 e inibe a liberação de acetilcolina. A dopamina tem ação inibitória da acetilcolina então ela inibe a
ação parassimpática, principalmente de neurônios mioentericos, então inibe a motilidade do TGI e reduz a pressão do esfíncter
esofágico inferior. Por isso se usa um bloqueador dopaminergico. Então o efeito procinético é um efeito antiemético,
principalmente na zona quimioreceptora, zona postrema.
→ Moduladores dos receptores de 5-HT
Cisaprida, alosetron, prucaloprida
Aumenta a motilidade
Aumento do reflexo peristáltico (conforme a distensão do TGI, estimula a peristalse, os neurônios ficam mais sensíveis) por
estimulação dos neurônios sensoriais intrínsecos (receptores 5-HT4). Aumento do peristaltismo por ativação vagal e neurônios
sensoriais
Efeitos adversos:
- Cólicas abdominais e diarréia (15%)
Amanda Monteiro 2024.2 Professor: Daniel
- Riscos de arritmias cardíacas, incluindo taquicardia ventricular e torsades de pointes (tipo de arritmia extremamente grave pois
atua em receptores 5HT4, a serotonina pode interferir na neurotransmissão adrenergica)
→ Laxantes
Formadores de massa (fibras insolúveis – aumenta bolo fecal) – produtos de plantas: psyllium
Surfactantes (amolecedor do bolo fecal) - docusato
Osmóticos (evita absorção de água – fluídica as fezes) – leite de magnésia, sorbitol
Estimulantes/Catárticos (irritam a mucosa intestinal) – aloe, sene, óleo de rícino
Amanda Monteiro 2024.2 Professor: Daniel
● Fármacos antidiarreicos
Usado no tratamento das diarréias aguda e crônica grave de origem não bacteriana ou induzida por toxinas; induzida por
quimioterapia, tumores neuroendócrinos GI ou vagotomia.
Tratamento não farmacológico: Manutenção do equilíbrio eletrolítico (hidratação com solução isotônica de NaCl e glicose). Agua
de côco natural tem tudo isso, é ótima para tratar diarreia.
→ Agentes que reduzem a motilidade
Loperamida e difenoxilato
→ Sequestradores de ácidos biliares
Colestiramina e colestipol
Evita a ação dos ácidos biliares, com isso as fezes ficam ricas em lipídeos, amolecendo as fezes.
Sequestram o excesso de ácidos biliares que são secretados. Os ácidos biliares são ricos em gordura, o excesso de gordura nas
fezes causa diarreia. Diarréia induzida por sais biliares resultante da ressecção cirúrgica do íleo distal, ou pacientes com doença
de Crohn
→ Adsorventes
Pectina e caulim
Adsorventes de bactérias e toxinas, reduzindo a liquefação das fezes
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
AULA 17 – TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA DIABETES: 
CLASSIFICAÇÃO DA DIABETES: 
1. Diabetes Mellitus tipo 1: incapaz de produzir insulina, ou seja, é insulinodependente. Ocorre 
mais cedo, em crianças e adolescentes com quadro de doença autoimune. 
1.1. Tipo 1A: deficiência de insulina por destruição autoimune das células beta, comprovada 
por exames laboratoriais. 
1.2. Tipo 1B: deficiência de insulina por natureza idiopática. 
2. Diabetes Mellitus tipo 2: perda progressiva de secreção de insulina, combinada com 
resistência à insulina. Tende a ocorrer em fases mais tardias, a partir dos 20 ou 30 anos. O 
paciente produz insulina normalmente, mas os órgãos insulinodependentes não respondem a 
insulina. Como resposta, as células betas aumentam a produção e cronicamente isso leva a 
uma falência, podendo tornar este paciente, insulinodependente. 
3. Diabetes Mellitus gestacional: hiperglicemia de graus variados diagnosticada durante a 
gestação, na ausência de critérios de Diabetes Mellitus prévio. 
4. Outros tipos de Diabetes Mellitus: 
4.1. Monogênicos 
4.2. Diabetes neonatal 
4.3. Secundário a endocrinopatias 
4.4. Secundário a doenças do pâncreas exócrino 
4.5. Secundário a infecções 
4.6. Secundário a medicamentos 
 
DIABETES NO BRASIL E NO MUNDO: 
Sabe-se que a diabetes é uma das doenças mais incidentes no mundo. O Brasil, infelizmente é o 4º 
país com mais casos de diabetes mellitus no mundo. 
 
 
RASTREAMENTO DA DIABETES MELLITUS TIPO II: 
Menores de 45 anos com sobrepesoe obesidade com mais 1 fator associado: 
1. Pré-diabético 
2. História familiar de diabetes (1º grau) 
3. Raça/etnia de alto risco (negros, 
hispânicos e índios Pima) 
4. Mulheres com diagnóstico de diabetes 
mellitus gestacional 
5. História de doença cardiovascular 
6. Hipertensão arterial 
7. HDL < 35mg/dL e/ou triglicerídeos > 
250mg/dL 
8. Síndrome de ovários policísticos 
9. Sedentarismo 
10. Acantose nigricans
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA O DIABETES MELLITUS: 
 
 
TRATAMENTO DO DIABETES: 
Controle glicêmico: 
1. Dieta e estilo de vida 
2. Exercício 
3. Medicamentos  hipoglicemiantes ou 
euglicemiantes, até mesmo a 
insulinoterapia. 
 
Tratamento das condições associadas: 
1. Dislipidemia 
2. Hipertensão 
3. Obesidade 
Rastreamento e tratamento das 
complicações do diabetes: 
1. Retinopatia 
2. Neuropatia 
3. Nefropatia 
4. Doença cardiovascular 
5. Outras complicações 
 
 
 
 
 
INSULINOTERAPIA: 
É o tratamento primordial para o tratamento do diabetes mellitus tipo 1, já que estes pacientes são 
insulinodependentes. Já no diabetes mellitus tipo 2, dependerá do estágio da diabetes que este 
indivíduo se encontra. 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
Duração da ação: 
 
As insulinas de ação rápida, servem como uma 
reposição mais fisiológica, desta que está em deficiência, 
pois tem um início rápido que simula a ação fisiológica 
rápida da insulina, sendo administrada imediatamente 
antes das refeições, tendo um tempo de ação de mais ou 
menos 4 horas. Reduz bastante o quadro de 
hipoglicemia, pois tem um início de ação entre 5 e 15 min. 
 
As insulinas de ação curta, diferentemente das de ação rápida, são as que mais se parecem com a 
insulina humana, tendo o início de ação por volta de 30 min, atingindo o pico em 2 ou 3 horas, tendo 
um tempo de ação curto, por volta de 5 a 8 horas. Esta tem que ser administrada de 30 a 40 min antes 
das principais refeições (maior carga de carboidrato). 
 
As insulinas de ação intermediária e longa, como a NPH tem um início de ação que varia de 2 a 5 
horas e tem uma duração de 4 a 12 horas, e geralmente está associada a outras preparações de 
insulina de ação rápida (lispro, asparte e glulisina). Precisa ser administrada de 2 a 4 vezes por dia, 
para reposição. O problema é que possui uma ação imprevisível e uma variabilidade na absorção que 
ultrapassa 50%. 
 
A glargina é um tipo de insulina de ação longa que é um análogo da insulina humana, com 
modificações estruturais que prolongam sua ação, sem criar nenhum tipo de pico. Possui início de 
ação entre 1 hora e 1 hora e meia, alcançando o efeito máximo entre 4 e 6 horas, tendo atividade 
entre 11 e 24 horas, sendo necessário a administração desta apenas 1 vez ao dia. 
 
A detemir, uma outra insulina de ação longa, é também um análogo da insulina humana, e de todas é 
que possui maior capacidade de reprodutividade dos seus efeitos, e o menor grau para gerar 
hipoglicemia. Tem início de ação que varia de 1 a 2 horas, período de ação é superior a 2 horas e 
deve ser administrada 2 vezes ao dia para manutenção dos níveis basais de insulina. 
 
Quando escolher qual insulina? 
Nesse gráfico podemos notar os efeitos da insulina em diferentes preparações em 3 situações. O 
primeiro gráfico, mostra a administração da insulina de ação longa (glargina, detemir) antes do lanche 
da noite, sendo representado pela linha verde, mantendo um nível basal de insulina. E pela linha 
vermelha, há administração de um análogo de insulina de ação curta antes das refeições (dejejum, 
almoço e jantar), com um pico maior e menor duração dos efeitos. 
 
No gráfico B observamos, onde o indivíduo faz 2 aplicações, uma no dejejum e outra no jantar. A linha 
azul representa a insulina NPH, a linha vermelha o análogo de insulina de curta ação que pode ser 
substituído por uma insulina regular (linha pontilhada). A insulina regular vai proporcionar uma 
cobertura da insulina em todas as refeições. 
 
No gráfico C, observamos um indivíduo que tem uma bomba de infusão de insulina, que mantém os 
níveis de insulina mais próximos dos níveis basais e fisiológicos. Essa bombinha é programada para 
fazer bolus de insulina durante as principais refeições 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
ADMINISTRAÇÃO DA INSULINA: 
Via subcutânea: pois não são estáveis por via oral. 
1. Seringa 
2. Caneta injetora 
3. Bomba de infusão  antiga, porém hoje em dia há dispositivos mais discretos. 
 
Fatores que afetam a absorção: 
1. Local de injeção 
2. Volume 
3. Concentração de insulina 
4. Fluxo sanguíneo – regiões que tem fluxo 
sanguíneo mais estável e com isso uma 
absorção mais lenta. 
 
Via inalatória: 
1. Contraindicado para fumantes ou ex fumantes, e está tendo bons resultados, porém está saindo 
do mercado. 
 
REAÇÕES ADVERSAS DA INSULINA: 
 Hipoglicemia, quando o paciente erra na dose  Sintomas: taquicardia, sudorese, fome, 
parestesias, tremor 
 Reações cutâneas 
 Resistência à insulina: produção de anticorpos IgG 
 Lipoatrofia no local de administração (variante da resposta imune) 
 Lipo-hipertrofia (altas concentrações de insulina)  pois a insulina é o hormônio anabólico mais 
potente do organismo humano. 
 Edema  retenção hídrica 
 
OUTRAS CLASSES DE MEDICAMENTOS UTILIZADOS: 
Hipoglicemiantes (aumento da secreção de insulina) 
1. Sulfoniluréias 
2. Metiglinidas 
 
Anti-hiperglicemiantes ou Euglicemiantes 
1. Metformina 
2. Tiazolidinedionas 
3. Inibidores da alfa-glicosidase 
4. Incretinomiméticos (aumento da secreção de insulina de forma glicose-dependente) 
5. Inibidores da SLGT-2 
 
SULFONILURÉIAS: 
São divididos basicamente em 2 gerações: 
Primeira geração: 
1. Tolbutamida: tempo de ação de 6 a 12 horas 
2. Tolazamida: tempo de ação de 10 a 14 horas 
3. Clorpropamida: tempo de ação de até 60 horas 
 
Segunda geração: causa menos efeitos colaterais do que os de 1ª geração. 
1. Glibenclamida (gliburida): tempo de ação de 10 a 24 horas 
2. Glipizida (glidiazinamida): tempo de ação de 10 a 24 horas 
3. Glimepirida: tempo de ação de 12 a 24 horas 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
MECANISMO DE AÇÃO DAS SULFONILURÉIAS: 
1. Bloqueio dos canais de potássio sensíveis a ATP 
2. Aumento da liberação de insulina pelas células beta 
 
A célula beta pancreática, quando percebe o aumento dos níveis de 
glicose circulante, e através do receptor GLUT-2, há entrada de 
glicose na célula, que servirá de substrato para a ativação desta. 
Com isso, vai haver a glicólise, afim de produzir ATP. Com grande 
aumento dos níveis de ATP, este irá bloquear os canais de potássio, 
levando esta célula a despolarização, abrindo canais de cálcio 
voltagem dependente, promovendo um influxo de cálcio. Este cálcio 
no meio intracelular, vai estimular as vesículas a se fundirem a 
membrana plasmáticas e secretar insulina no meio extracelular, na 
microcirculação sanguínea. 
 
FARMACOCINÉTICA DAS SULFONILURÉIAS: 
 Boa absorção oral 
 Alta ligação a albumina 
 Metabolização hepática 
 Excreção renal 
 
 
REAÇÕES ADVERSAS DAS SULFONILURÉIAS: 
 Ganho de peso  relacionado ao aumento da secreção de insulina (hormônio anabólico). 
 Hipoglicemia (fármacos com maiores meia-vida)  clorpropamida causa mais hipoglicemia. 
 Náuseas 
 Vômitos 
 Gosto metálico  em uso crônico destes fármacos. 
 
CONTRAINDICAÇÃO DAS SULFONILURÉIAS: 
 Insuficiência renal e hepática, pois são metabolizados no fígado e excretados pelos rins. 
 Gravidez  pelo risco de hipoglicemia, comprometendo o desenvolvimento fetal. 
 Idosos  pelo aumento do risco de hipoglicemia  síncope  TCE. 
 Diabetes Mellitus tipo 1  pois as sulfoniluréias estimulam a produção de insulina, e não faz 
sentido usar em diabetes mellitus tipo 1, já que estes são insulinodependentes por não possuir 
células beta produtoras de insulina. 
 
PRINCIPAIS VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS SULFONILURÉIAS: 
Vantagens Desvantagens 
Experiênciaextensa com o medicamento – 
muito tempo que existe. 
Hipoglicemia 
Redução relativamente maior de HbA1c Ganho ponderal 
Redução do risco de complicações 
microvasculares 
Clorpropamida  favorece o ganho ponderal e 
não reduz a retinopatia. 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
METIGLINIDAS: 
Há 2 fármacos que são usados aqui no Brasil: 
1. Repaglinida: 
1.1. Fármaco de ação rápida 
1.2. Chega em sua concentração plasmática máxima e efeito máximo em mais ou menos 1 
hora 
1.3. Duração da ação varia de 4 a 7 horas 
1.4. Tem uma meia-vida curta de 1 hora 
1.5. São metabolizados pela CYP3A4 
 
2. Nateglinida: 
2.1. Fármaco de ação rápida, sendo absorvido em 20 min. 
2.2. Chega em sua concentração plasmática máxima em menos de 1 hora. 
2.3. Tem uma meia-vida de mais ou menos 1 hora 
2.4. Duração da ação é de mais ou menos 4 horas 
2.5. Metabolizado pela CYP2C9 e CYP3A4. 
 
O mecanismos de ação é igual ao das Sulfoniluréias  bloqueando os canais de potássio ATP 
dependente. 
 
OUTRAS CARACTERÍSTICAS DAS METIGLINIDAS: 
 São secretagogos de ação rápida  estimulando a secreção de insulina de forma muito rápida. 
 São indicados para o uso pós-pradial, mas o uso ideal deve ser feito antes das refeições. 
 Tem um menor risco de causar hipoglicemia entre as refeições, quando comparados com as 
sulfoniluréias. 
 Podem ser usados por pacientes com alergia à sulfoniluréias (pacientes com problemas renais 
e pacientes idosos). 
 
PRINCIPAIS VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS METIGLINIDAS: 
Vantagens Desvantagens 
Redução da camada íntima carotídea (Repa) Hipoglicemia 
Menor variabilidade da glicose pós-prandial Ganho ponderal discreto 
Doses flexíveis - 
 
BIGUANIDAS: 
O único fármaco desta classe que é comercializado até hoje é a metformina e é o mais usado no Brasil 
1. Metformina: 
1.1. Meia-vida de 1 hora e meia até 3 horas 
1.2. Não se liga as proteínas plasmáticas 
1.3. Não é metabolizada no pelo fígado 
1.4. É excretado pelos rins 
 
OUTRAS CARACTERÍSTICAS DA METFORMINA: 
 É eficaz na prevenção de início de diabetes mellitus tipo 2 em obesos 
 Uso em pacientes obesos para perda de peso, mesmo que não tenha resistência insulínica. 
 Melhora o perfil lipídico 
 
MECANISMO DE AÇÃO DA METFORMINA: 
 É euglicêmica e não hipoglicêmica (não bem compreendido) 
 Diminui a produção hepática de glicose: ativando AMPk 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
 Aumenta a ação da insulina no músculo e no tecido adiposo  captando mais glicose de forma 
eficaz 
 Diminui a absorção intestinal de glicose 
 Diminui glucagon plasmático 
 Aumenta a captação e utilização da glicose 
 Diminui LDL e VLDL  reduz doenças cardiovasculares 
 
REAÇÕES ADVERSAS DA METFORMINA: 
1. Náuseas 
2. Vômitos 
3. Diarreia 
4. Gosto metálico 
5. Acidose lática 
6. Diminui a absorção de vitamina B12  em uso crônico. Dessa forma, a vitamina B12 deficiente, 
pode ser uma contraindicação, pois interfere na absorção dependente de cálcio do complexo 
associado ao fator intrínseco no íleo terminal. Com isso, deve-se fazer triagem dos pacientes 
com deficiência em vitamina B12 que possuam: neuropatia periférica e anemia macrocítica. A 
alternativa para esses casos é a suplementação de cálcio e vitamina B12. 
 
CONTRAINDICAÇÕES DA METFORMINA: 
 Doença renal ou hepática (TGF < 30ml/min) 
 Alcoolismo (aumenta lactato) 
 Pacientes magros 
 Insuficiência hepática, pulmonar e cardíaca 
 Gravidez  contraindicação relativa, pois no DM gestacional, usa-se insulina. Porém, antes de 
usar a insulina, a gestante tem que fazer um controle nutricional (principalmente na redução de 
ingestão de carboidratos de alto índice glicêmico) 
 Acidose grave  pois a metformina bloqueia a gliconeogênese, e com isso compromete o 
metabolismo hepático do ácido láctico e em paciente que tem insuficiência renal, há um 
aumento do risco de acidose láctica. 
 Não é indicado para pacientes que tenham contagem sérica de creatina maior que 1,4mg/dL. 
 
PRINCIPAIS VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS BIGUANIDAS (METFORMINA): 
Vantagens Desvantagens 
Experiência extensa com o medicamento – 
vários estudos. 
Desconforto abdominal 
Redução relativamente maior da HbA1c Diarreia e náusea 
Redução de eventos cardiovasculares 
A preparação XR (de liberação longa) causa 
menos efeitos gastrointestinais 
Prevenção de diabetes mellitus tipo 2 Deficiência de B12 
Melhora o perfil lipídico Risco de acidose lática (raro) 
Redução de peso - 
 
TIAZOLIDINEDIONAS: 
São conhecidos como fármacos ativadores de PPAR-Gama e são conhecidos por melhorarem o perfil 
lipídico e reduzirem a gordura hepática. 
1. Pioglitazona: 
1.1. Possui uma absorção por volta de 2 horas após a administração 
1.2. É metabolizada por CYP2C8 e CYP3A4 
1.3. Possui um tempo de meia-vida de 7 horas 
1.4. Sofre metabolização hepática  possuindo metabólitos ativos. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
1.5. É excretado pela bile nas fezes. 
1.6. Altera a biodisponibilidade de anticoncepcionais oral com estrogênio  por isso deve 
ser recomendado o uso de anticoncepcionais de barreira, como o DIU. 
 
2. Rosiglitazona: saiu do mercado por aumentar o risco para doenças cardiovasculares. 
 
 MECANISMO DE AÇÃO DOS TIAZOLIDINEDIONAS: 
 São agonistas seletivos do receptor gama ativado por proliferador do peroxissomo nuclear 
(PPAR-gama). 
 Ativa genes responsivos à insulina 
 Diminui a resistência de insulina no tecido periférico, e aumenta o transporte de glicose. 
 
Basicamente, vai aumentar a resposta dos receptores de insulina nos tecidos e também aumenta a 
expressão dos GLUT (principalmente 1 e 4) nos tecidos dependente de insulina ou não. 
 
 REAÇÕES ADVERSAS DOS TIAZOLIDINEDIONAS: 
 Ganho de peso ponderal 
 Retenção hídrica 
 Edema 
 Anemia 
 Efeitos cardiovasculares  aumento do risco de insuficiência cardíaca. 
 
CONTRAINDICAÇÃO DOS TIAZOLIDINEDIONAS: 
 Doenças hepáticas 
 Aumenta os níveis séricos de transaminases hepáticas 
 Mulher grávida e amamentando  pois passa pelo leite 
 Insuficiência cardíaca III e IV 
 
PRINCIPAIS VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS TIAZOLIDINEDIONAS: 
Vantagens Desvantagens 
Prevenção de DM2 Retenção hídrica 
Redução da íntima carotídea Anemia 
Melhora do perfil lipídico Ganho ponderal 
Redução da gordura hepática IC e fraturas 
Rara hipoglicemia - 
Redução relativamente maior de HbA1c - 
 
INIBIDORES DA ALFA-GLICOSIDASE: 
São conhecidos por melhorar o perfil lipídico, diminuir eventos cardiovasculares e prevenir o DM2. 
1. Acarbose  atua na velocidade de absorção intestinal dos carboidratos  tendo maior efeito 
na glicemia pós-prandial. 
2. Miglitol 
 
MECANISMO DE AÇÃO DOS INIBIDORES DE ALFA-GLICOSIDASE: 
 Bloqueia a absorção do amido, sacarose e maltose, ou seja, carboidratos (glicose). 
 Retarda a absorção de carboidratos 
 Reduz a glicemia pós-prandial 
 Não provoca hipoglicemia 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
REAÇÕE ADVERSAS DOS INIBIDORES DE ALFA-GLICOSIDASE: 
 Flatulência 
 Diarreia 
 Distensão abdominal 
Obs.: ocorre pelo aumento da concentração de carboidratos no TGI. 
 
CONTRAINDICAÇÕES DOS INIBIDORES DE ALFA-GLICOSIDASE: 
 Pacientes com distúrbios intestinais  doença inflamatória intestinal e Crohn. 
 Gravidez 
 
PRINCIPAIS VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS INIBIDORES DE ALFA-
GLICOSIDASE: 
Vantagens Desvantagens 
Prevenção de DM2 Meteorismo 
Redução da íntima carotídea Flatulência 
Melhora do perfil lipídico Diarreia 
Redução da variação da glicose pós-prandial Discreta redução da HbA1c (0,5% - 1%) 
Rara hipoglicemia - 
Redução de eventos cardiovasculares - 
 
INCRETINOMIMÉTICOS: 
1. Análogos de GLP-1 
2. Inibidores da DPP-IV 
 
Pequeno resumo: 
 GIP: polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose 
 GLP-1: peptídeo análogo ao glucagon 
Obs.: ambos são hormônios secretados pelo TGI em resposta a glicose 
ingerida por via oral.Quando o indivíduo faz uso de glicose por via oral, a concentração 
plasmática de insulina aumenta de forma bruta e cai rapidamente, enquanto 
a insulina por via intravenosa tem pouca ação sobre a concentração 
plasmática de insulina. 
 
As incretinas potencializam a liberação de insulina, induzida pela glicose oral, já que estas incretinas 
(GIP e GLP-1) são hormônios intestinais. 
 
AÇÃO DAS INCRETINAS: 
Quando tem ingesta de alimentos e liberação de incretinas: 
1. GIP: 
1.1. Aumenta a liberação de insulina 
1.2. Aumenta a biossíntese de insulina 
1.3. Aumenta a sobrevivencia das células beta pancreáticas 
1.4. Aumento de glicose no tecido muscular e no tecido adiposo 
1.5. Diminuição de lipólise e aumento da lipogênese 
1.6. Há diminuição da liberação de glicose hepática com redução de glicose plasmática 
2. GLP-1: 
2.1. Reduz a secreção de glucagon 
2.2. Reduz o apetite, reduz a ingesta de alimentos e aumenta a neuroproteção (redução do 
peso) 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
2.3. Aumenta a função cardíaca e tem papel cardioprotetor 
2.4. Reduz a disfunção endotelial  aumentando a resposta a síntese de NO. 
2.5. Reduz o esvaziamento gástrico e consequentemente reduz a hiperglicemia pós-prandial. 
 
MECANISMO DE AÇÃO DO GLP-1: 
O GLP-1 atua no receptor para GLP-1 acoplado a proteína 
G, na célula beta pancreática, ativando uma cascata a 
partir da adenilase cilcase, que leva a um aumento do 
AMPc. Com isso, há uma diminuição do efluxo de potássio, 
aumento do influxo de sódio, com consequente abertura de 
canais de cálcio voltagem dependente, que vão estimular 
a produção (pelo aumento da PKA, que faz a CREB 
estimular a síntese de insulina) e secreção de insulina na 
microcirculação sanguínea. E dessa forma, há 
potencialização da secreção de insulina a partir do GLP-1. 
 
 
ANÁLOGOS DO GLP-1: 
Exenatida: 
1. Versão sintética da exendina-4 
2. Peptídeo descoberto na saliva do lagarto Heloderma suspectrum – monstro de Gila (53% 
homologia)  tendo pouca rejeição 
3. Resistente à ação da DPP-IV 
4. Administração: injeção subcutânea 2 vezes ao dia (antes doo desjejum e jantar), alcançando 
sua concentração plasmática máxima em mais ou menos 2 horas e tendo uma duração de 
efeito por volta de 10 horas. 
5. A exanatida LAR é uma formulação de liberação prolongada que é administrada 1 vez por 
semana. 
6. Efeitos adversos: náuseas (em 44% dos pacientes) 
7. Reduz 0,2% a 1,2% a HbA1c 
8. Reduz a massa corporal em 2 a 3kg 
9. É contraindicado para pacientes com TGF (taxa de filtração glomerular) < 30ml/min 
 
Liraglutida: 
1. Análogo do GLP-1, produzido por DNA recombinante em uma bactéria Saccharomyces 
cerevisiae 
2. Tempo de meia-vida de mais ou menos 12 horas 
3. Administrado em dose única diária. 
4. 97% de homologia com o GLP-1 
5. Reduz a HbA1c de 0,8% a 1,5% 
6. Reduz a massa corporal entre 2 e 3kg 
7. Efeitos adversos  náuseas (32%) e vômitos (10%) 
8. Preparações comerciais: victoza e saxenda  são soluções injetáveis em uma caneta pré-
cheia. 
 
Dulaglutida: 
1. Duas moléculas de análogos do GLP-1 ligadas de modo covalente  são ainda mais 
resistentes a degradação da DDP-4 
2. Tempo de meia-vida de mais ou menos 5 dias 
3. Administrada em dose única semanal 
4. Reduz a HbA1c de 0,8% a 1,5% 
5. Reduz a massa corporal entre 2 e 3kg 
6. Efeitos adversos: náuseas, vômito e diarreia 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
EM RELAÇÃO AOS INIBIDORES DA DPP-4, OS ANÁLOGOS DA GLP-1: 
 Possuem menos efeitos colaterais por mimetizarem um peptídeo endógeno 
 Administração subcutânea 
 Normalmente usados em associação 
 Exenatida  alerta de risco de pancreatite 
 Efeitos adversos  náuseas, vômitos e diarreia. 
 
PRINCIPAIS VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS ANÁLOGOS DE GLP-1: 
Vantagens Desvantagens 
Aumento da massa de células beta em modelo 
animal 
Hipoglicemia quando associado a agentes 
secretagogos 
Redução do peso Náuseas, vômitos e diarreia 
Redução da PA Aumento da FC 
Rara hipoglicemia Risco de pancreatite aguda 
Redução de eventos cardiovasculares e 
mortalidade por DCV 
- 
LIRA – LEADER; DULA –REWIND; SEMA-
SUSTAIN-6 
- 
 
INIBIDORES DA DPP-IV: 
1. Sitagliptina 
2. Vildagliptina 
3. Saxagliptina 
4. Linagliptina 
5. Alogliptina 
 
Características: 
 Ativos e administrados por via oral 
 Possuem mais ou menos 85% de biodisponibilidade, alcançando a concentração plasmática 
máxima entre 1 e 4 horas depois da administração. Possui meia-vida de mais ou menos 12 
horas e são excretados pelos rins, através da urina. 
 Tem que pensar em redução de dose, apenas em pacientes que fazem uso da Sitagliptina e 
possuem TFG < 50ml/min. 
 Reduz a HbA1c entre 0,5% a 1% (sita), 0,4% a 0,9% (saxa), 0,4% a 0,6% (lina) e 0,5% a 1% 
(vilda) 
 Efeitos adversos: faringite, infecção urinária, cefaleia e náuseas 
 
MECANISMO DE AÇÃO DOS INIBIDORES DA DPP-IV: 
Quando o indivíduo ingere o alimento, no TGI há aumentp da 
secreção de GLP-1 e GIP e com isso, há aumento da ação 
das incretinas e secreção das mesmas, que não deve ser 
mantido por muito tempo. 
 
Por isso temos a DPP-IV, que transforma o GLP-1 ativo (7-
36) e GIP ativo (1-42) em GLP-1 inativo (9-36) e GIP inativo 
(3-42). 
 
Com isso, se utilizarmos uma substância que seja inibidora 
de DPP-IV, aumenta-se a ação das incretinas, aumentando a 
secreção de GLP-1, que leva a um aumento da secreção de 
insulina e diminuição de glicose no sangue. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
PRINCIPAIS VANTAGENS E DESVANTAGENS DA DPP-IV: 
Vantagens Desvantagens 
Aumento da massa de células beta em modelo 
animal 
Angioedema e urticária 
Segurança e tolerabilidade Possibilidade de pancreatite aguda 
Efeito neutro na massa corporal 
Aumento de internação por insuficiência 
cardíaca (SAX e ALO) 
Rara hipoglicemia - 
 
INIBIDORES DO COTRANSPORTE DE SÓDIO-GLICOSE 2 (SGLT-2): 
1. Dapagliflozina  reduz a HbA1c entre 0,5% a 0,8% e reduz a massa corporal entre 2 e 4kg 
2. Ampagliflozina  reduz a HbA1c entre 0,5% a 0,7% e reduz a massa corporal entre 2 e 4kg 
3. Canagliflozina  reduz a HbA1c entre 0,6% a 1% e reduz a massa corporal entre 2 e 5 kg 
 
Obs.: são fármacos anti-diabetes e anti-obesidade. 
 
MECANISMO DE AÇÃO DOS INIBIDORES DA SLGT-2: 
A glicose será filtrada pelos glomérulos renais de forma livre, sofrendo reabsorção (90%) pelos túbulos 
contorcidos proximais, pela ação do SLGT-2. 
 
Com o bloqueio desse receptor, provoca-se glicosúria, ou seja, eliminação de glicose pela urina e 
reduz os níveis de glicose nos pacientes diabéticos mellitus tipo 2 que fazem uso desse medicamento. 
 
VANTAGENS DOS INIBIDORES DE SLGT-2: 
1. Rara hipoglicemia 
2. Redução de peso 
3. Redução da PA 
4. Redução dos eventos cardiovasculares 
5. Redução da mortalidade por doença cardiovascular já estabelecida 
6. Diminui internação por insuficiência cardíaca 
 
DESVANTAGENS E EFEITOS ADVEROSOS DOS INIBIDORES DE SLGT-2: 
1. Aumenta o risco de infecção genital e infecção urinária 
2. Pode gerar quadros de poliúria 
3. Diminuição da volemia 
4. Confusão mental  pela hipotensão 
5. Hipotensão 
6. Aumento do LDLc 
7. Transitório aumento de creatina 
8. Pode levar a cetoacidose diabética 
 
CONTRAINDICAÇÕES DOS INIBIDORES DE SLGT-2: 
1. Paciente com disfunção renal moderada a grave (TGF < 45ml/min). 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
AULA 25 – ANTIPARASITÁRIOS – ANTI-HELMÍNTICOS E ANTIPROTOZOÁRIOS: 
PRINCIPAIS AGENTES QUIMIOTERÁPICOS: 
BENZIMIDAZÓIS: 
Dentre os principais agentes quimioterápicos, temos a classe dos Benzimidazóis, que é representado 
pelo: Tiabendazol, Mebendazol e Albendazol, sendo este último o mais prescrito pelos médicos. 
 
Os Benzimidazóis têm como mecanismo de ação, a ligação que fazem com à beta-tubulina livre, 
inibindo a sua polimerização dos microtúbulos que são importantes para a captação de glicose, dessa 
forma, há menor captação de glicose dependente de microtúbulos, e para de fornecerenergia para o 
metabolismo do parasita. 
 
Albendazol: 
Um Albendazol de por exemplo 400mg deve ser prescrito por via oral, e assim como o Mebendazol, 
possui uma característica peculiar, que é a baixa absorção pela via oral, sendo necessário a interação 
com alimentos gordurosos, afim de beneficiar o usuário com uma melhor absorção. Esses 
medicamentos são importantes para o tratamento de parasitoses teciduais, visto que a concentração 
plasmática da substância interfere diretamente na concentração que estará sendo disponível para os 
tecidos. 
 
O Albendazol é intensamente metabolizado no fígado, gerando um metabólito ativo, que é o Sulfóxido 
de Albendazol e dessa forma irá conseguir: 
1. Se ligar a proteínas plasmáticas 
2. Se distribui por diversos tecidos, bile, líquido cerebroespinhal e nos cistos hidáticos. 
3. Quando o objetivo é trata parasitas intraluminais, a administração deve ser feita em jejum. 
 
O Albendazol ainda tem a característica de ser: ovocida, larvicida e vermicida, ampliando sua ação 
principalmente para o A. lumbricoides. 
 
Em relação a risco na gestação o Mebendazol não está indicado, assim como os outros 
Benzimidazóis. Em particular, o Mebendazol apresenta embriotoxicidade e teratogenicidade em ratas 
gestantes, o que pode ser um risco em humanos. 
 
O Tiabendazol possui uma particularidade  pois é mais indicado em casos de Larva migrans, dessa 
forma haverá uma associação de formas farmacêuticas com o uso de Tiabendazol tópico (para 
penetração local desse Benzimidazol) + Albendazol de 400mg por via oral. 
 
OUTROS AGENTES ANTI-HELMÍNTICOS: 
IVERMECTINA: 
Apresenta ampla distribuição tecidual, atuando em receptores de canais de cloro, abrindo-os e 
consequentemente levando a uma hiperpolarização e paralisia do helminto. 
 
A Ivermectina tem uma peculiaridade pois não será emprega apenas no tratamento de infecções por 
helmintos, mas também em caso de infecções por ectoparasitas, como por exemplo, utilizam esse 
fármaco no tratamento do piolho. 
 
A Ivermectina possui uma contraindicação durante a gestação e na meningite, também é 
contraindicado para pacientes que apresentam epilepsia, já que esse medicamento pode alterar 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
canais de cloreto a nível de sistema nervoso central, sendo prejudicial para os pacientes em 
tratamento. 
 
PAMOATO DE PIRANTEL: 
Apresenta uma reduzida taxa de absorção e por causa dessa característica farmacocinética, há maior 
utilização desse fármaco contra parasitas luminais, pois será no lúmen do TGI que haverá 
concentração desse fármaco, favorecendo a morte dos parasitas luminais. 
 
O mecanismo de ação desse fármaco se deve ao bloqueio neuromuscular, que leva a paralisia do 
verme e posteriormente, facilita a expulsão destes pelas fezes. 
 
Não é recomendado o uso na gestação devido a existência de poucos estudos para poder avaliar o 
risco/benefício do uso desse fármaco na gestação. 
 
PIPERAZINA: 
É utilizada como tratamento alternativo em infecções por Ascaris lumbricoides, pois a principal escolha 
são os Benzimidazóis, principalmente o Albendazol. Então, como tratamento alternativo, a Piperazina 
vai ser utilizada nos caso de obstrução intestinal pelo helminto citado acima, e dessa forma precisa 
ser administrada de forma associada  Piperazina 100mg/kg/dia + Óleo mineral 40 a 60ml/dia + 
Antiespasmódicos (afim de reduzir as contrações abdominais que vão ocorrer em resposta a estes 
vermes) + Hidratação (para facilitar a evacuação). 
 
A Piperazina atua criando um bloqueio na junção mioneural e o paciente irá eliminar os vermes ainda 
vivos, nas fezes. 
 
Não é recomendada para gestantes ou lactantes, em pacientes que apresentam insuficiência hepática 
e renal, nos quadros de epilepsia ou histórico de epilepsia e pacientes com doenças neurológicas, 
pois pode prejudicar os pacientes que se encontram nesses casos. 
 
PRAZIQUANTEL: 
Uso clínico em infecções por Schistosoma e Tênias. 
 
Se encontra na relação de medicamentos essenciais do SUS. Este medicamente atua principalmente 
em canais de cálcio voltagem dependentes, aumentando a permeabilidade destes ao cálcio e com 
isso leva a contratura e paralisação do parasita. Além disso, esse fármaco também altera o tegumento 
do verme, e dessa forma favorece respostas imunológicas do hospedeiro, pela maior exposição do 
antígeno. 
 
Só deve ser prescrito para gestantes e lactantes em casos de extrema necessidade, visto que essa 
substância consegue ser expelida juntamente com o leite materno e por isso, no dia que for 
administrado o medicamento, fique suspenso o aleitamento materno e por 72 horas depois da 
ingestão. 
 
NITROIMIDAZÓLICOS: 
O principal representante dessa classe é o Metronidazol, que também está presente na relação 
nacional de medicamentos essenciais do SUS. O Metronidazol é um agente antibacteriano que 
também tem ação nos vermes e protozoários. 
 
O mecanismo de ação desse fármaco tem a ver com a criação de intermediários tóxicos que lesam o 
DNA. 
 
Está disponível na forma oral (totalmente absorvido no tubo digestivo), tópica e intravenosa (uso 
hospitalar). 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
Uma característica interessante é que apenas 10% do Metronidazol se liga a proteínas plasmáticas e 
com isso, há uma ampla distribuição desse fármaco, atingindo níveis terapêuticos em diversos fluidos 
orgânicos (secreção vaginal, líquido seminal, saliva, líquor, bile...) 
 
O Metronidazol atravessa a placenta e dessa forma consegue atingir o feto com as mesmas 
concentrações que atinge a mãe e por isso, deve ser evitado na gravidez e durante o aleitamento 
materno. 
 
Esse fármaco também tem característica de penetrar e agir no conteúdo de coleções como: empiema, 
abcesso hepático e no ouvido médio. 
 
Tem característica de ser metabolizado pelo fígado e a maior parte excretado pelos rins (60 a 80%), 
enquanto o restante é excretado nas fezes. 
 
O ajuste de dose na insuficiência renal só é feito se houver insuficiência hepática concomitante, pois 
os metabólitos têm baixa toxicidade. 
 
Relembrando: Substâncias disponíveis na relação nacional de medicamentos essenciais do SUS  
Metronidazol, Praziquantel, Ivermectina, Mebendazol e o Albendazol. 
 
PRINCIPAIS ESQUEMAS PARA INDICAÇÃO CLÍNICA DOS AGENTES 
QUIMIOTERÁPICOS NAS PARASITOSES INTESTINAIS: 
AMEBÍASE - TRATADO COM OS NITROIMIDAZÓIS: 
1. Metronidazol: 500 mg, 3 vezes ao dia, durante 5 dias ou 35 mg/Kg/dia, durante 5 dias. 
2. Secnidazol: 2g, VO em dose única ou 30 mg/Kg/dia, VO (para crianças). 
3. Tinidazol: 2g, VO, durante 2 dias ou 50 mg/kg/dia (para crianças) 
 
Obs.: O Secnidazol tem uma indicação não só para amebíase, mas também para: 
 
 
ANCILOSTOMÍASE: 
1. Mebendazol: 100 mg, 2 vezes ao dia, durante 3 dias 
2. Albendazol: 2 comprimidos, VO, em dose única (1 comprimido = 200 mg) ou 10 ml de 
suspensão (5 ml = 200 mg) 
3. Pamoato de pirantel: 20-30 mg/Kg/dia, durante 3 dias 
 
ASCARIDÍASE: 
1. Albendazol: 400 mg/dia ou 10 mg/Kg (para crianças) 
2. Mebendazol: 100 mg, 2 vezes ao dia, durante 3 dias 
3. Levamizol: 150 mg em dose única; 40 mg (crianças abaixo de 8 anos); 80 mg (crianças acima 
de 8 anos) 
4. Obstrução intestinal: Piperazina 100 mg/Kg/dia + óleo mineral + antiespasmódicos + 
hidratação. 
 
ENTEROBIOSE: 
1. Pamoato de pirvínio: 10 mg/Kg – dose única, VO 
2. Pamoato de pirantel: 10 mg/Kg – dose única, VO 
3. Mebendazol: 100 mg – 2 x ao dia, VO, durante 3 dias 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
4. Albendazol: 10 mg/Kg – dose única, VO; até o máximo de 400 mg 
 
ESTRONGILODÍASE: 
1. Tiabendazol: tem boa absorção por via oral e não precisa ser associado à alimentação rica em 
gordura. 
1.1. 25mg/kg/dia, durante 5 a 7 dias, esquema muito utilizado 
1.2. 50mg/kg/dia, em dose única, à noite. A dose máxima recomendada é de 0,3g 
1.3. 10mg/dia, durante 30 dias. Esse esquema é recomendado para situações de auto endo-
infecção o e deficiência da imunidade celular 
2. Cambendazol: 5mg/kg, emdose única, via oral (uso em pacientes que não respondem a 
terapia com tiabendazol) 
3. Albendazol: 40mg/dia, durante 3 dias. 
4. Ivermectina: Dose única, VO, obedecendo a escala de peso corporal (15 a 24kg: 1/2 
comprimido; 25 a 35kg: 1 comprimido; 36 a 50kg: 1 comprimidos; 51 a 65kg: 2 comprimidos; 65 
a 79kg: 21/2 comprimidos; 80kg: 3 comprimidos ou 200mg/kg). 
 
Hiperinfecção: 
1. Tiabendazol: 25 mg/Kg, 2 vezes ao dia por 7 dias, ou 500 mg/dia por 30 dias. 
2. Cambendazol: 5 mg/Kg, diariamente, por período cuja duração dependerá da evolução clínica 
do paciente. 
3. Ivermectina: alternativa nos casos graves de hiperinfecção por S. stercoralis que não 
respondem ao tratamento com tiabendazol ou cambendazol. 
3.1. 200 μg/Kg/dia, durante 2 dias, ou por período cuja duração dependerá da evolução 
clínica do paciente. 
 
GIARDÍASE: 
1. Metronidazol 
2. Secnidazol 
3. Tinidazol 
 
 
 
Obs.: Alteração do paladar (gosto metálico). Não usar bebidas alcoólicas durante 4 dias após o 
tratamento (efeito antabuse – quadro exagerado dos efeitos do álcool). Medicamentos contraindicados 
em gestantes (avaliar risco/benefício se houver necessidade real). 
 
TENÍASE: 
1. Praziquantel: 5 a 10mg/kg de peso corporal, VO, dose única 
2. Niclosamida: adulto e criança com 8 anos ou mais, 2g, e criancas de 2 a 8 anos, 1g, VO, 
dividida em 2 tomadas 
3. Albendazol: 400mg/dia, durante 3 dias 
4. Mebendazol: 200mg, 2 vezes ao dia, por 3 dias, VO. 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
PRINCIPAIS ESQUEMAS PARA INDICAÇÕES CLÍNICAS DOS AGENTES 
QUIMIOTERÁPICOS NAS PARASITOSES TECIDUAIS: 
CISTICERCOSE / NEUROCISTICERCOSE: 
1. Praziquantel: na dose de 50mg/kg/dia, durante 21 dias, no caso da neurocisticercose o 
Praziquantel está associado a Dexametasona, para reduzir a resposta inflamatória, 
consequente a morte dos cisticercos. 
2. Albendazol: 15mg/dia, durante 30 dias, dividida em 3 tomadas diárias, associado a 100mg de 
Metilprednisolona (corticoide), no primeiro dia de tratamento, a partir do qual se mantem 
20mg/dia, durante 30 dias. 
3. Anticonvulsivantes: as vezes, se impõe, pois cerca de 62% dos pacientes desenvolvem 
epilepsia secundária ao parasitismo do SNC. 
 
ESQUISTOSSOMOSE: 
1. Praziquantel: na apresentação de comprimidos de 600 mg e administrado por via oral, em 
dose única de 50 mg/kg de peso para adultos e 60 mg/kg de peso para crianças. 
2. Oxamniquina: apresentada em cápsulas com 250 mg e solução de 50 mg/ml, para uso 
pediátrico. Para adultos, recomenda-se 15mg/kg e crianças, 20mg/kg, via oral, em dose única, 
uma hora após uma refeição. 
 
FILARÍASE: 
1. Dietilcarbamazina (DEC), com vários esquemas preconizados: 6mg/kg/dia, VO, com 
periodicidade semestral ou anual; 6mg/kg/dia, VO, por 12 dias; 6mg/kg/dia, VO, por 2 a 4 
semanas. 
2. Ivermectina (IVM), na dose de 200μg /kg, 1 vez por ano, VO. 
3. IVM + DEC nas doses: IVM, 200μg /kg + DEC, 6mg/kg, VO, 1 vez por ano, ou IVM, 200μg/kg + 
DEC 6mg/kg. 
 
LARVA MIGRANS VISCERAL: 
1. Albendazol: 400mg/dia, VO, 2x ao dia durante 5 dias 
2. Ivermectina: 200 mg/Kg/dia, VO, durante 3 dias 
3. Mebendazol: 200mg, VO, 2 vezes ao dia, durante 5 dias. 
 
Adjuvantes: 
 Anti-histamínicos  para reduzir quadros de reação intensa a larva 
 Prednisolona: 20 a 40 mg, 1x ao dia, VO  reduzir respostas imune exageradas. 
 
LEISHMANIOSE VISCERAL: 
1. Antimoniais pentavalentes (antimoniato de N-metil-glucamina/meglumina e estibogluconato 
de sódio). 
1.1. 20mg/Kg/dia de Sb+5, durante 20 dias, podendo chegar a 30 dias e, no máximo, 40 dias, 
utilizando o limite máximo de 3 ampolas/dia. 
1.2. Exames complementares para a detecção de possíveis manifestações de intoxicação 
(hemograma, U/C, TGO/TGP e ECG). 
 
Obs.: Não deve ser administrado em portadores de cardiopatias, nefropatias. Hepatopatias e doença 
de Chagas. 
 
2. Desoxicolato de Anfotericina B está indicado para gestantes, quando houver falha do 
antimonial e/ou para os pacientes que apresentarem qualquer um dos fatores associados ao 
maior risco de óbito. 
2.1. Dose teste inicial 1 mg, por infusão intravenosa em 20 a 30 minutos, seguida por 5 a 10 
mg, aumentada gradualmente em 5 a 10 mg, a cada 24 horas, até 0,5 a 1 mg/kg/dia, 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
passando a ser administrada em dias alternados, até uma dose acumulada total de 1 a 
3 g. 
3. Anfotericina B Lipossomal está indicada em indivíduos com história de transplante renal, 
insuficiência renal estabelecida, toxicidade incontrolável ao Desoxicolato de Anfotericina B, rim 
único, sepse, diabetes mellitus, uso concomitante com outras substâncias nefrotóxicas, 
cardiopatias em classe funcional III ou IV e refratariedade ao uso do Desoxicolato de 
Anfotericina B. 
 
Obs.: A anfotericina B é um agente antifúngico que apresenta ação contra a Leishmaniose por ser um 
macrolídeo poliênico. 
 
Mecanismo de ação da Anfotericina B: 
Cria poros na membrana ao se ligar à mesma, causando um desbalanço no equilíbrio hidroeletrolítico 
e dessa forma ter um aumento da permeabilidade da membrana, devido a formação de poros. 
 
TOXOPLASMOSE: 
 
 
Na gestante: 
1. Espiramicina, 750 a 1.000mg, VO, a cada 8 horas, ou 
2. Clindamicina, VO, na dose de 600mg a cada 6 horas. 
3. Na forma ocular, para reduzir a necrose e a inflamação e minimizar a cicatriz, utiliza-se 
40mg/dia de Prednisona, por uma semana, e 20mg/dia, por outras 7 semanas. 
 
Está contraindicado o uso de Pirimetamina no 1º trimestre de gravidez, pois é teratogênica, e de 
Sulfadiazina, no 3º trimestre, pelo risco de desenvolver kernicterus (no feto – doença neurológica). 
 
FARMACOLOGIA DAS DERMATOPATIAS PARASITÁRIAS: 
LEISHMANIOSE CUTÂNEA: 
1. Pentamidina: Utilizada no caso de insucesso com antimônio pentavalente nas formas visceral, 
mucocutânea e cutânea difusa e para tratamento da leishmaníase cutânea causada por 
Leishmania guyanensis. Embora a resposta inicial seja boa, o índice de recidiva é muito alto. 
 
LARVA MIGRANS CUTÂNEA: 
1. Tiabendazol: Tópico por 10 a 15 dias 
2. Albendazol: 400mg/dia, VO, 2x ao dia durante 5 dias 
3. Ivermectina: 200 mg/Kg/dia, VO, durante 3 dias 
 
MALÁRIA: 
É um problema de saúde pública mundial. 
Os casos de malária diagnosticados hoje no Brasil são preponderantes por: 
 Plasmodium vivax 
 Plasmodium falciparum 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
OBJETIVO DO TRATAMENTO: 
1. Interromper a multiplicação dos parasitos no sangue, que são os responsáveis pela 
enfermidade e pelos sintomas da infecção (febre e anemia) 
2. Destruir as formas parasitas que ficam latentes no fígado, para evitar recaídas pelo gênero 
plasmódio. 
 
AGENTES ANTIMALÁRICOS: 
Devem seguir um quadro que mostra 
os estágios hepáticos e os estágios 
sanguíneos. Temos também no 
quadro as formas: esporozoíta, no 
estágio hepático há 2 formas 
(primária e hipnozoíta) e sanguíneo 
mais 2 formas (assexual e 
gametócito). 
 
Do lado esquerdo do quadro 
encontramos as substâncias que são 
antimaláricas, e percebemos pelo 
sinal de (-) que nenhum deles tem 
ação contra a forma esporozoíta. E 
dessa forma, podemos notar que essas substâncias vão atuar no estágio hepático e sanguíneo, 
quando necessário. 
 
No estágio sanguíneo temos a forma assexual e gametócitos, onde a grande maioria dos agentes 
antimaláricos estarão atuando intensamente contra a forma assexual. 
 
Quanto aos estágios hepáticos, os principais agentes antimaláricos que atuarão são a Atovaquona e 
a Primaquina (infecções latentes), sendo este último responsável por atuar nas 2 fases hepáticas, 
além de também atuar na fase de gametócito no estágio sanguíneo. 
 
ARTEMISINA E DERIVADOS: 
1. Artemeter: derivado da artemisinina, tem absorção errática, quando administrado por via oral, 
que pode ser parcial. E usado também por via intramuscular e avaliado para tratamento de 
malária grave por P. falciparum. 
1.1. Apresentação: Solução injetável 80 mg/ml. 
1.2. Indicações: Malária grave por Plasmodium falciparum, incluindo forma cerebral, em 
árearesistente a sulfato de quinina. 
1.3. Associações: Lumefantrina e clindamicina 
1.4. Contraindicações: primeiro trimestre da gravidez 
 
2. Artesunato de sódio: Na malária por P. falciparum complicada ou grave, o esquema preferente 
de tratamento e artesunato de sódio (também derivado da artemisinina) por via parenteral, 
combinada a clindamicina. Revisões demonstraram redução da mortalidade com uso de 
artesunato comparado com quinina intravenosa na malária grave por P. falciparum. A 
combinação de artesunato a outros antimaláricos, em especial mefloquina, reduziu de modo 
marcante a falência de tratamento, a recrudescência e a carga de gametócitos 
2.1. Apresentação: Solução injetável 80 mg/ml 
 
2.2. Indicações: Malária grave por Plasmodium falciparum, incluindo forma cerebral, em 
área resistente a sulfato de quinina. 
 
2.3. Contraindicações: 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
2.3.1. Primeiro trimestre de gravidez 
2.3.2. Hipersensibilidade a composto derivado de artemisinina. 
 
Obs.: Os derivados da artemisinina podem ser usados no primeiro trimestre de gestação em casos de 
malária grave, caso seja iminente o risco de vida da mãe. 
 
2.4. Efeitos adversos: 
2.4.1. Dor no lugar da injeção intramuscular 
2.4.2. Reações alérgicas 
2.4.3. Cefaleia, vertigens, zumbidos. 
2.4.4. Vomito, náusea, dor abdominal, diarreia. 
2.4.5. Aumento transitório da temperatura corporal após redução da parasitemia. 
2.4.6. Cardiotoxicidade com uso de altas doses, com bradicardia ou taquicardia 
supraventricular. 
2.4.7. Redução da contagem de reticulócitos e neutrófilos 
2.4.8. Aumento de níveis de enzimas hepáticas 
 
2.5. Interações medicamentosas: 
2.5.1. Lumefantrina (em doses fixas): a associação é sinérgica e útil em áreas de grande 
resistência do plasmódio. 
2.5.2. Mefloquina: a associação aumenta a eficácia e reduz a resistência potencial, evitando 
a recidiva. 
 
QUINOLEÍNAS E COMPOSTOS RELACIONADOS: 
1. Cloroquina: Hipótese da base fraca  Quinolinas - bases fracas se acumulam nos lisossomas 
do parasita (pH 4,8- 5,2), provocando reações ácido-base que aumentam o pH no lisossoma, 
diminuindo sua capacidade de digestão de hemoglobina. 
 
Obs.: também tem a possibilidade da cloroquina está realizando inibição na formação de uma 
substância chamada de Hemozoína. 
Há um plasmódio dentro da hemácia, onde a cloroquina pode penetrar no plasmódio. O plasmódio 
dentro do eritrócito vai realizar o metabolismo da hemoglobina para obter aminoácidos, sendo que 
durante esse metabolismo, ele libera o grupo Heme e dessa forma, o grupamento Heme é tóxico para 
o parasita. Porém o parasita ganhou a capacidade de polimerizar o grupo Heme, formando a 
hemozoína, se tornando uma molécula estabilizada e com nenhum grau de toxicidade para o parasita. 
Mas uma das ações da cloroquina é exatamente inibir a formação da Hemozoína, permitindo um 
acúmulo do grupo heme dentro da hemácia, resultando na lise do parasita. 
 
 A cloroquina é usada no tratamento de malária por P. vivax em associação com primaquina. 
 A cloroquina e considerada segura para crianças de todas as idades e para grávidas. 
 
1.1. Apresentações: Difosfato de cloroquina: Comprimido 250 mg (equivalente a 150 mg 
cloroquina) e Comprimido 83,2 mg (equivalente a 50 mg cloroquina). 
 Dicloridrato de cloroquina: Solução injetável 50 mg/mL. 
1.2. Indicação: Malária por Plasmodium vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale. 
Também pode ser utilizado no Lúpus eritematoso sistêmico, tendo uma ação paralela. 
1.3. Contraindicação: 
1.3.1. Alterações na retina em utilização previa do medicamento  pois a cloroquina pode 
se depositar na retina e causar alterações visuais. 
1.3.2. Malária por Plasmodium falciparum em zonas onde haja resistência a cloroquina. 
1.3.3. Pode causar problemas rítmicos no coração, e por isso deve ser feita uma avaliação 
do ECG antes da administração do mesmo. 
 
Phatryck Pinheiro 
FMC – 2024.2 
MEFLOQUINA: 
 A associação artesunato-mefloquina foi comparada a mefloquina isolada, mostrando-se mais 
eficaz do que a monoterapia em áreas de baixa transmissão de malária. 
 Artesunato + mefloquina parece superar artemeter + lumefantrina na cura de malária não-
complicada. 
 
Obs.: Os efeitos adversos provocados por artesunato-mefloquina foram leves, incluindo cefaleia, 
náuseas, vômitos e tontura. 
 
QUININA E QUINIDINA: 
Sulfato de quinina e recomendado como tratamento de segunda linha para malária não complicada 
por Plasmodium falciparum, em combinação com doxiciclina e primaquina. 
 
É tratamento de escolha para grávidas e crianças com menos de 6 meses na malária não complicada 
ou grave por P. falciparum em associação com clindamicina. 
 
PRIMAQUINA: 
Primaquina combate os gametócitos de todas as espécies de malária humana e as formas hepáticas 
(hipnozoitas) de P. vivax, causando cura radical. 
 
Na prevenção de recidivas de malária por Plasmodium vivax, primaquina + cloroquina foi mais eficaz 
que cloroquina isolada. 
 
Contraindicações: 
1. Na gravidez 
2. E em menores de seis meses de idade 
 
OUTROS PROTOZOÁRIOS: 
ENTAMOEBA HISTOLYTICA: 
Tratamento fundamental: Colite amebiana e abcesso hepático amebiano 
1. Metronidazol 
2. Tinidazol 
 
Agente luminal: Paromomicina (aminoglicosídeo não-absorvível)  efeitiva pois não tem absorção 
da substância. 
 
GIARDIA LAMBLIA: 
Tratamento: 
1. Metronidazol 
2. Tinidazol 
3. Nitazoxanida  muito agressiva no TGI 
 
Nas Gestantes: Paromomicina 
 
TRICHOMONAS VAGINALIS: 
Tratamento: 
1. Metronidazol / Secnidazol 
2. Tinidazol 
3. Nitazoxanida (mostrou atividade, mas não está aprovada para a finalidade) 
 
Na Gravidez: 
1. Metronidazol (óvulos ou gel para aplicação local) 
Transcrição Farmacologia 
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FARMACOLOGIA DOS AGENTES ANTIFÚNGICOS 
• Naturais: 
 
- Poliênicos: anfotericina B, nistatina (muito comum para tratar infecções de pele, mucosas), 
griseofulvina 
- Caspofungina (tem algumas informações importantes quanto a redução dos efeitos adversos, 
se torna mais especifica para a parede celular do fungo. Como os mamíferos não tem células 
com parede celular, as suas células não serão prejudicadas pelo fármaco )
• Sintéticos:
- Azóis (muito utilizados clinicamente)
 
- Pirimidinas fluoradas: flucitosina
ANFOTERICINA B
Molécula extremamente grande, é um macrolídeo polienico. Esse anti-fúngico atua formando 
grandes poros na membrana do fungo e obviamente vai desestabilizar a homeostase intracelular. 
Ele altera a permeabilidade da membrana e vai se ligar especificamente ao ergosterol que é uma 
molécula especifica dos fungos. 
Ocorre a formação de um 
poro na membrana após a 
ligação desse macrolideo à 
molécula de ergosterol. Após 
a formação desse poro vai ter 
um transito de moléculas do 
meio intra para o meio extra 
celular e vice-versa, e isso vai 
acabar levando a morte do 
fungo. 
Indicações clinicas:
A anfotericina B tem um amplo espectro.
Usada clinicamente contra: Candida spp., Cryptococcus neoformans, Blastomyces 
dermatitidis, Histoplasma capsulatum, Sporothrix schenckii, Coccidioides spp., 
Paracoccidioides braziliensis, Aspergillus spp., Penicillium marneffei, e na murcomicose.
Obs: principalmente para os que estão em negrito, deve-se ter em mente a possibilidade de 
prescrever a anfotericina B como tratamento. São fungos fáceis de estarem desenvolvendo 
infecções oportunistas em pacientes imunossuprimidos. Em um paciente com uma infecção 
grave causada por outro fungo, ja pode pensar em anfotericina B. 
Transcrição Farmacologia 
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Atividade limitada contra protozoários Leishmania spp. and Naegleria fowleri. Mas pode ser uma 
alternativa ao tratamento desses protozoários. 
Não possui atividade antibacteriana. 
Ação sinérgica com a flucitosina, que é outro agente anti-fungico que também atua alterando a 
membrana do fungo.
A anfotericina B fica comouma alternativa para tratar casos mais graves de infecção por 
Candida, por exemplo. Não se prescreve anfotericina B para uma candidíase vaginal “normal” de 
cara, se prescreve primeiramente uma nistatina, para tentar tratar esse paciente. Em um quadro 
de candidíase bucal que não está tão intensa, dependendo do que se está vendo e analisando, 
não se prescreve logo a anfotericina B, primeiro tenta tratar o paciente com uma suspensão de 
nistatina, depois disso se analisa a resposta que o paciente teve, analisando a questão do 
sistema imunológico do paciente. Em um caso de um paciente com HIV com candidíase, a 
prescrição ja muda, ja entra a possibilidade de iniciar o tratamento com anfotericina B. 
Radiografia com um acometimento extensivo do 
pulmão de um paciente que acabou se infectando 
por histoplasma. É possível observar uma 
diferença entre os pulmões.
Infecção crônica por histoplasma em um paciente 
imunossuprimido. 
 
Cryptococcus neoformans em um paciente 
com HIV. 
P a c i e n t e s c o m s i s t e m a i m u n e 
comprometido devem ser internados para 
receber a medicação, pois a anfotericina B 
é uma medicação hospitalar, não é 
encontrada na farmácia, é administrada 
pela via intravenosa. 
A anfotericina B tem pouca absorção pela via oral por isso a via de escolha é a via intravenosa. 
Essa pouca absorção oral tem uma vantagem pois ela pode ser usada pela via oral em casos de 
infecção do trato gastrointestinal superior, para obter uma ação local. Se ela é pouco absorvida 
pela via oral não pode ser administrada por essa via para tratar uma infecção sistêmica, pois não 
vai alcançar a corrente sanguínea em concentração eficaz, mas se precisar de uma ação local ela 
vai estar agindo e matando os fungos que vão estar na mucosa do TGI. 
Transcrição Farmacologia 
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Para tratar as infecções sistêmicas, a anfotericina é administrada pela via intravenosa. 
Existem duas formulações da anfotericina: a solução normal da anfotericina e a formulação 
lipossomal. Ambas são administradas pela via intravenosa. 
As formulações lipossomais são mais caras, reduzem os efeitos adversos, mas tem que ser 
administradas lentamente. Esse fármaco vai estar como se estivesse dividido em pequenas 
partículas, o que facilita o processo de distribuição entre os tecidos. Essas formulações 
geralmente apresentam o fármaco em nanopartículas, e isso facilita a permeabilidade entre as 
membranas. 
Formulações lipídicas (complexo lipídico de Anfotericina B ou dispersão coloidal, anfotericina B 
lipossomal).
Anfotericina + Flucitosina: usada para tratar meningite criptocócica e candidíase (em um paciente 
extremamente grave).
Associação de dois anti-fungicos, usada para tratar infecções graves. A flucitosina esta 
disponível na forma de comprimidos, tem absorção normal pela via oral. 
A anfotericina possui uma boa penetração em exsudatos inflamatórios. Atravessa prontamente as 
meninges inflamadas, sendo assim uma ótima alternativa para tratar meningite causada por uma 
infecção fúngica, no caso a criptococose. 
A anfotericina B tem uma forte ligação às proteínas, geralmente quando o fármaco tem uma 
afinidade grande por proteína, também é uma substância química que pode acabar atrapalhando 
a distribuição de outros fármacos. 
Se dois fármacos tem afinidade por proteínas plasmáticas, eles vão estar competindo pelo 
mesmo sitio de ligação. 
• Pode desenvolver toxicidade renal nos pacientes que utilizam a anfotericina B. Algum grau de 
redução da função renal ocorre em mais de 80% dos pacientes que utilizam.
Efeitos adversos: calafrio, febre, zumbido, cefaleia e vômitos. 
Tromboflebite local, o fármaco irrita o endotélio, pode se observar alterações no momento da 
administração, o que vai causar dor e incomodo para o paciente. 
• Anfotericina tópica: ação local em um quadro de candidíase cutânea grave. 
NISTATINA 
Macrolídeo poliênico com estrutura similar à da anfotericina.
Apresenta o mesmo mecanismo de ação da anfotericina, então vai criar um poro na membrana 
do fungo. 
Uso limitado para infecções por Candida, da pele, mucosas e TGI.
 
Não é absorvido pelo TGI, pele e vagina. Isso reduz a possibilidade de efeitos adversos. 
A administração da suspensão oral é para uma ação local.
Suspensão de nistatina: o paciente deve bochechar o fármaco na boca para em seguida degluti-
lo – candidíase oral. 
A candidíase oral pode se desenvolver em pacientes imunossuprimidos, em pacientes recebendo 
imunossupressores após transplantes de órgãos, bebês que ainda tem um sistema imune que 
nao é tão eficiente, pacientes fazendo quimioterapia para tratar câncer (em que o sistema imune 
dele pode ficar comprometido), em pacientes que fazem uso de corticoides inalados, 
principalmente se esse paciente não faz o bochecho para tirar da boca os depósitos que podem 
ocorrer de corticoide que é um imunossupressor e pode desestabilizar a proteção natural que 
tem na boca. 
Transcrição Farmacologia 
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Efeitos adversos que podem ser observados em alguns casos após a deglutição: náuseas, 
vômitos e diarreia.
GRISEOFULVINA 
Tem uma indicação mais limitada. Não tem amplo espectro de ação. Usada clinicamente contra 
espécies de dermatófitos: Microsporum, Epidermophyton, and Trichophyton.
Efeitos adversos infrequentes: perturbações gastrointestinais, cefaleia e fotossensibilidade. 
Reações alérgicas: erupções cutâneas e febre.
Mecanismo de ação: bloqueio da formação do fuso mitótico. Dessa forma, atrapalha a divisão. 
Não deve ser administrada em mulheres grávidas.
Equinocandinas: CASPOFUNGINA
Lipopeptideo semi-sintético.
Atua bloqueando carboidratos específicos da parede celular de fungo. Vai ser uma opção em 
casos graves de infecção fúngica 
Atua inibindo a síntese de 1,3-beta-glicano na parede do fungo, que é uma molécula conservada 
no microorganismo. Essa molécula é reconhecida pelos receptores Toll-like das células da 
imunidade inata. Em uma infecção fúngica os neutrófilos são as principais células da imunidade 
inata, e eles tem receptores de reconhecimento exatamente da substância que terá a síntese 
alterada pela caspofungina. 
Indicação da caspofungina: Tratamento da candidíase e aspergilose invasiva refratárias à 
anfotericina.
A escolha dela vai ser para casos extremamente resistentes, graves, para pacientes que não 
responderam a anfotericina B e não tiveram a resolução do quadro. 
Administração IV, uma vez ao dia; t1/2 de 9-10 h.
Na aspergilose, após a colonização por esporos de aspergillus, em um hospedeiro normal 
(saudável), não ocorre o desenvolvimento de um quadro infeccioso pois o sistema imune esta 
apto para combater a infecção. 
No caso de um paciente neutropenico, o sistema imune antifúngico dele esta completamente 
alterado, então é um paciente risco para o desenvolvimento da aspergilose. 
Transcrição Farmacologia 
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Pode acometer o pulmão, desenvolvendo o aspergiloma. Em pacientes imunocomprometidos, 
em casos mais específicos como HIV onde as infecções oportunistas são clássicas, vai ter um 
quadro muito mais intenso de infecção pulmonar. 
Na asma pode acabar desenvolvendo uma alergia por conta dos esporos do fungo. O paciente 
que tem asma ja tem o sistema imune mais ativo para responder à micro-organismos estranhos 
com pólen, poeira. 
Obstrução por Aspergillus
U l c e r a s p o r A s p e rg i l l u s n o t r a t o 
respiratório. 
Paciente imunossuprimida, apresenta 
infecção na pele com pontos necróticos 
causa por Aspergillus. 
Imagens de casos de infecções causadas por Candida. 
A caspofungina pode ser usada tanto na aspergilose quanto na candidíase refrataria a 
anfotericina B. Quando o paciente já é grave, ja utilizou anfotericina B e não resolveu, com isso 
inicia o tratamento com caspofungina. 
Nas imagens candidíase na região bucal e no esôfago do paciente. Nesse caso ofármaco deve 
ser aplicado pela via intravenosa, pode ser usada também pela via oral, tenta fazer um 
sinergismo. Mas a escolha inicial é de um antifúngico administrado pela via intravenosa para ter 
uma distribuição maior nos tecidos, pois esses quadros já estão mais avançados internamente. 
Transcrição Farmacologia 
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Candidíase mucocutânea, acometimento dos dedos 
e das unhas. Quadro que ja esta intenso. 
Tratamento com antifúngico intravenoso. 
Infecção fúngica normal da unha (nao é o quadro acima): primeiramente tenta fazer um 
tratamento com iodo. Se houver necessidade de usar uma pomada, o paciente precisa usar a lixa 
para desgastar a queratina da unha (e a lixa deve ser descartada), por cima mesmo e na unha 
toda, para assim facilitar a penetração do antifúngico. 
Quadro de candidíase congênita. 
Cordão umbilical com pontos de 
Candida. Rachaduras na pele por 
candidiase. 
Quadro muito grave. 
Uti l ização de anfoter icina ou 
caspofungina para tratar. 
 Antifúngicos sintéticos:
• Imidazol: clotrimazol, econazol, fenticonazol, cetoconazol, miconazol, tioconazol e 
sulconazol.
• Triazol: itraconazol, voriconazol e fluconazol.
Utilizados para tratar infecção fúngicas da pele. 
Associação de antifúngico, anti-inflamatório e antibacteriano ocorre muito, pois em uma infecção 
de pele pode ter bactéria e fungo, aquele local ja ficou desestabilizado em questão de proteção, 
e as infecções juntas vão levar a um processo inflamatório. Ou se um processo inflamatório ja 
esta ocorrendo ali, tem uma porta de entrada pra bactéria e pra fungo, a associação desses três 
tipos de fármacos é fundamental. 
Por isso é comum observar a associação de fármacos dessas classes, e geralmente trata muito 
bem a lesão. 
Os azóis atuam impedindo a síntese do ergosterol que é extremamente importante para a 
constituição da membrana do fungo.
Transcrição Farmacologia 
Maria Teresa Petrucci - Turma 53
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Resposta para a duvida de alguém: A diferença do imidazol para o triazol esta na estrutura 
química e na capacidade de ter um amplo espectro. Os triazóis apresentam um maior espectro, 
então são utilizados para quadros mais graves. 
Fluconazol:
•Atinge concentrações nos líquidos cefalorraquidianos e nos líquidos oculares, pode torna-se o 
fármaco de primeira opção para a maioria dos tipos de meningites fúngicas.
•Atinge concentrações no tecido vaginal, na saliva, pele e nas unhas.
Fluconazol oral + nistatina tópica: utilizados em conjunto para acabar rapidamente com a 
candidíase, pois o fluconazol pela via oral vai chegar rapidamente na mucosa vaginal para iniciar 
o bloqueio, ele para a síntese do ergosterol. A nistatina local tem função de desestabilizar a 
membrana do fungo.

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