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Fitoterapia e interações com nutrientes
Desafio
Sr. Horácio, aposentado de 65 anos de idade, com histórico de doença arterial coronariana, colesterol elevado, diabetes tipo 2 e hipertensão arterial, procura orientação de um profissional nutricionista para a implementação de uma reeducação alimentar visando baixar o colesterol e melhorar qualidade de vida. A pressão arterial está controlada e o paciente informa que faz uso contínuo de sinvastatina, metformina, benazepril e ácido acetilsalicílico. O paciente relata ainda que exercita-se regularmente e alimenta-se com dieta com baixo índice de gordura e sal. Porém, exames laboratoriais mais recentes demonstram que o LDL-colesterol ainda se encontra um pouco acima do valor ideal, com 120 mg/dL (meta < 100 mg/dL).
Durante a consulta, o Sr. Horácio pergunta se o uso de suplemento de alho, sugerido por uma vizinha, o ajudaria a reduzir o LDL-colesterol. Quais informações e orientações você passaria ao Sr. Horácio? O alho ajuda a reduzir o LDL-colesterol?
Padrão de resposta esperado
Não há comprovação de que o alho seja capaz de reduzir de forma significativa o LDL-colesterol. Demonstrou-se que produz um pequeno, mas significativo, efeito redutor do colesterol total, mas apenas quando não há controle dietético estabelecido. Há poucas evidências de que o alho reduz a carga de placas ateromatosas em pacientes com doença arterial coronariana (DAC). Aconselha-se o monitoramento da pressão arterial durante duas semanas depois de se iniciar a suplementação com alho, já que o paciente está em uso de medicamentos para hipertensão. Além disso, o paciente deve ser orientado de que alguns fitoterápicos ou suplementos dietéticos podem aumentar o risco de sangramento quando tomados junto com ácido acetilsalicílico, e que está descrito na literatura que o alho, assim como ginkgo biloba e ginseng, têm efeito antiplaquetário que pode ser aditivo ao do ácido acetilsalicílico e causar riscos de sangramento e hemorragias.
Portanto, o nutricionista deve aconselhar o paciente a não fazer uso de fitoterápicos ou suplementos dietéticos sem uma orientação profissional (médico ou nutricionista), pois pode haver riscos de interações e causar efeitos colaterais ou ineficácia terapêutica. Também é importante orientar para que o paciente mude os hábitos de vida, através da prática de exercícios físicos, pare de fumar e beber, e altere hábitos alimentares, incluindo a redução de ingestão de sódio e aumento de alimentos ricos em potássio.
As recomendações dietéticas para a prevenção de doenças cardíacas coronarianas objetivam adequação de padrões alimentares, recomendando a ingestão de alimentos ricos em carboidratos complexos (ex. aveia, cevadas, frutas), alimentos ricos em antioxidantes e vitaminas do complexo B. Limitar a ingestão de ácidos graxos saturados e ácidos graxos trans, e preferir óleos de peixes ricos em ácidos graxos poli-insaturados ômega 3 ou de fontes vegetais (óleo de canola, óleo de soja, óleo de linhaça e nozes).

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