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CASO CLÍNICO
M.J.A. é um paciente masculino, de 48 anos, casado, com ensino fundamental completo, e trabalha como vendedor. Ele é natural de Pedro II e foi atendido em um consultório nutricional. Sua renda familiar é de 2 salários mínimos, morando com a esposa e um filho. O diagnóstico clínico de M.J.A. é Esteatose Hepática Grau II, uma condição que ele possui há mais de um ano. Sua queixa principal é mal-estar e tontura, sintomas que apresenta há duas semanas. Em seu histórico familiar, o pai possui dislipidemia. O paciente apresenta estado de saúde geral sem comprometimento, sem febre, náuseas ou vômitos, porém com forte dor de cabeça. Ele faz uso contínuo de sinvastatina.Os exames laboratoriais de M.J.A. revelam um perfil lipídico alterado: colesterol total de 300 mg/dl (referência: 40 mg/dl) e LDL de 190 mg/dl (referência: 100 mg/dl). Sua glicemia está em 100 mg/L (referência: 60 a 99 mg/L). As enzimas hepáticas também estão elevadas, com TGO de 65 U/L (referência: 5 a 40 U/L) e TGP de 85 U/L (referência: 7 a 56 U/L). A albumina (4 g/dl) e pré-albumina (22 mg/dl) estão dentro dos valores de referência (3,5-4,7 g/dL e >20 mg/dl, respectivamente). Linfócitos totais estão baixos, em 2000 µL (referência: 4000 a 11000/µL). A creatinina urinária está em 1200 mg/dia (referência: 899 mg/dia) e a transferrina em 580 mg/dl (referência: 250 - 380 mg/dL), ambas elevadas. A prescrição dietoterápica atual é "dieta livre".A anamnese alimentar do paciente indica um desjejum composto por 1 beiju pequeno e 150ml de leite integral. No lanche da manhã, consome 150ml de suco de fruta. O almoço inclui 10 colheres de sopa de arroz, 8 colheres de sopa de feijão e 1 bife médio de carne bovina. O lanche da tarde consiste em 1 maçã. No jantar, M.J.A. come 10 colheres de sopa de arroz, 3 colheres de sopa de feijão e 1 coxa de frango ao molho. Na ceia, ele ingere 2 unidades de salgado (bomba). O consumo diário de sal é de 35g. Na avaliação do estado nutricional, seu peso é de 86 kg e altura de 170 cm, com circunferência da cintura de 105 cm.
3.Com base nos exames laboratoriais do paciente M.J.A., qual das seguintes alterações é a mais relevante para o diagnóstico de Esteatose Hepática Grau II, além da presença da doença?
A) Glicemia de 100 mg/L, indicando pré-diabetes.
B) Albumina de 4 g/dl, que está dentro da faixa de referência.
C) Colesterol Total de 300 mg/dl, Triacilglicerol de 250 mg/dl, HDL de 30 mg/dl e LDL de 190 mg/dl, indicando um perfil lipídico alterado (dislipidemia).
D) Linfócitos totais de 2000 µL, que está abaixo da referência.
E) Creatinina urinária elevada, sugerindo comprometimento renal.
4.A Esteatose Hepática Grau II diagnosticada em M.J.A. está frequentemente associada a qual das seguintes condições metabólicas que pode ser inferida pelos exames laboratoriais apresentados?
A) Hipotireoidismo.
B) Anemia ferropriva.
C) Dislipidemia e possivelmente resistência à insulina/pré-diabetes.
D) Doença renal crônica em estágio avançado.
E) Deficiência de vitamina B12.
5.Considerando a anamnese alimentar de M.J.A. e o diagnóstico de Esteatose Hepática Grau II, qual é a principal inadequação dietética que contribui para o seu quadro clínico?
A) Baixo consumo de proteínas, essencial para a regeneração hepática.
B) Consumo excessivo de frutas no lanche da tarde.
C) Alta ingestão de sal (35g/dia) e consumo de alimentos ricos em carboidratos refinados e gorduras (beiju, leite integral, grande quantidade de arroz e feijão, frango ao molho, salgado bomba).
D) Ausência de consumo de carne vermelha no almoço.
E) Ingestão inadequada de líquidos ao longo do dia.
6.A sinvastatina é um medicamento de uso contínuo para M.J.A. Qual é a principal classe de medicamentos a que a sinvastatina pertence e qual seu objetivo terapêutico, considerando os exames do paciente?
A) É um anti-hipertensivo, usado para controlar a pressão arterial.
B) É um hipoglicemiante oral, utilizado para reduzir os níveis de glicose.
C) É uma estatina, utilizada para reduzir os níveis de colesterol (LDL e colesterol total) e triglicerídeos no sangue, tratando a dislipidemia presente no paciente.
D) É um diurético, para auxiliar na excreção de líquidos.
E) É um antibiótico, para combater infecções bacterianas.
7.O pai de M.J.A. possui histórico de dislipidemia. Qual a importância dessa informação na avaliação do paciente com Esteatose Hepática?
A) É irrelevante, pois a esteatose hepática não possui componente genético. B) Sugere que a dislipidemia de M.J.A. pode ter um componente genético, aumentando seu risco para doenças cardiovasculares e agravando a esteatose.
B) Sugere que a dislipidemia de M.J.A. pode ter um componente genético, aumentando seu risco para doenças cardiovasculares e agravando a esteatose.
C) Indica que o paciente deve evitar alimentos ricos em fibras.
D) Significa que o paciente é imune a doenças hepáticas.
E) Demonstra que o paciente tem uma dieta saudável desde a infância.
8.Para o tratamento dietoterápico da Esteatose Hepática Não Alcoólica (DHGNA), como a do paciente M.J.A., qual das seguintes estratégias nutricionais é a mais recomendada?
A) Aumento do consumo de gorduras saturadas para facilitar a digestão.
B) Restrição calórica para promover perda de peso, redução do consumo de açúcares adicionados e carboidratos refinados, aumento da ingestão de fibras e gorduras insaturadas.
C) Ingestão ilimitada de alimentos com alto teor de colesterol para normalizar os níveis séricos.
D) Priorização de dietas ricas em proteínas de origem animal, com restrição severa de vegetais.
E) Foco apenas na restrição de sal, sem alterações nos macronutrientes.
9.M.J.A. apresenta um Índice de Massa Corporal (IMC) que necessita ser calculado com base nos dados de Peso (86 kg) e Altura (170 cm). Considerando o diagnóstico de Esteatose Hepática Grau II, qual a relevância do controle de peso para este paciente?
A) O controle de peso não é relevante, pois a esteatose é apenas uma condição hepática e não metabólica.
B) A perda de peso, mesmo que moderada, é uma das principais estratégias para reverter ou melhorar a esteatose hepática e o perfil lipídico.
C) O ganho de peso é desejável para proteger o fígado.
D) O peso não tem relação com a formação de cálculos biliares, que são os únicos fatores de risco para pancreatite.
E) O controle de peso é apenas uma questão estética e não influencia na saúde do fígado.
10.O paciente M.J.A. apresenta queixa principal de mal-estar e tontura, além de ter sido diagnosticado com Esteatose Hepática Grau II. Qual macronutriente deve ter sua qualidade e quantidade cuidadosamente avaliadas na dieta, dado o diagnóstico hepático e os exames laboratoriais (especialmente triglicerídeos e TGO/TGP elevados)?
A) Proteínas, devendo ser aumentadas drasticamente.
B) Vitaminas hidrossolúveis, pois são a causa primária da esteatose.
C) Carboidratos (especialmente os refinados e açúcares simples) e lipídeos (gorduras saturadas e trans), pois o excesso pode agravar o acúmulo de gordura no fígado e a dislipidemia.
D) Fibras, que devem ser eliminadas da dieta.
E) Sais minerais, que não influenciam no metabolismo hepático.
11.A "dieta livre" prescrita atualmente para o paciente (conforme o documento) é compatível com o tratamento da Esteatose Hepática Grau II?
A) Sim, pois a "dieta livre" permite que o paciente coma o que quiser, o que é o mais importante para o bem-estar.
B) Sim, desde que o paciente siga as orientações médicas sobre a sinvastatina.
C) Não, pois a Esteatose Hepática Grau II exige uma intervenção dietoterápica específica com restrição calórica, controle de carboidratos e gorduras, e aumento de fibras para reverter o quadro.
D) Não, a "dieta livre" é recomendada apenas para pacientes com esteatose hepática grau I.
E) Sim, desde que o paciente pratique exercícios físicos intensos diariamente.
12.Considerando a história familiar de dislipidemia do paciente M.J.A. e seus própriosexames laboratoriais alterados (Colesterol Total, Triacilglicerol, HDL, LDL), qual a principal recomendação dietética para o manejo da dislipidemia e, consequentemente, da esteatose hepática?
A) Aumentar o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas e colesterol.
B) Reduzir o consumo de fibras alimentares e aumentar a ingestão de açúcares simples.
C) Priorizar o consumo de gorduras insaturadas (mono e poli-insaturadas), reduzir a ingestão de gorduras saturadas, trans e colesterol, aumentar o consumo de fibras solúveis e controlar a ingestão de carboidratos refinados.
D) Excluir completamente todas as fontes de gordura da dieta.
E) Ignorar a qualidade das gorduras e focar apenas na quantidade de calorias.

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