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Resumo-Enterobíase 1 ⁉ Resumo-Enterobíase O que é a Enterobíase e quais as principais características da doença? A enterobíase – também conhecida como oxiuríase – é uma enfermidade parasitária causada pelo nematoide Enterobius vermicularis e tem ocorrência comum em crianças na faixa etária de 5 a 10 anos, mas raramente acomete infantes antes do segundo ano de vida. O ser humano é o único hospedeiro natural e a infecção pelo patógeno ocorre em todas as classes socioeconômicas. Essa parasitose apresenta alta incidência em países de clima temperado, inclusive naqueles com ampla cobertura de saneamento básico. O agente etiológico, um parasito monóxeno, costuma habitar o lúmen intestinal humano, e a infecção, quando sintomática, é responsável por causar prurido anal de caráter intenso e produzir complicações locais e/ou em sítios ectópicos. Quais as principais características morfológicas do parasito? Os parasitos adultos são encontrados aderidos à mucosa ou livre e comumente na região cecal, no íleo e no cólon. Alimentam-se de microrganismos e materiais existentes nestes locais. A fêmea do nematoide migra para o ânus do hospedeiro, geralmente no período noturno, para depositar seus ovos. Em geral, os parasitos são meromiários, de coloração branca, filiformes e pequenos, porém com diferenças de tamanho entre macho e fêmea. Os machos adultos medem de 3 mm a 5 mm e têm forte enrolamento ventral no extremo posterior, o que auxilia no momento da cópula. As fêmeas têm tamanho superior ao do macho; medem cerca de 1 cm de comprimento, são fusiformes, e apresentam expansões vesiculares em sua cutícula, localizadas lateralmente à boca na extremidade anterior, denominadas “asas cefálicas”. As fêmeas, quando são fecundadas, reúnem cerca 11.000 ovos em seus úteros. Estes se tornam distendidos por toda a massa ovular. Quando estão grávidas, elas se deslocam para o reto do hospedeiro, principalmente no período noturno – devido à temperatura mais baixa, nesse local, durante a noite – lançando seus ovos na região perianal. Sua longevidade está relacionada com sua oviposição, com duração de 35 a 50 dias, quando o ciclo de vida do nematoide se completa. Resumo-Enterobíase 2 Em algumas situações, as fêmeas morrem ao chegarem ao períneo, porém liberam seus ovos da mesma maneira, e estes dão continuidade a seu desenvolvimento. No interior do ovo, há uma larva formada, embrionária, que se desenvolve até o segundo estágio em anaerobiose. Entretanto, necessita de oxigênio para dar continuidade a seu desenvolvimento ao terceiro, ao quarto e ao quinto estádios. Este último é a forma infectante ao ser humano. Como é o ciclo biológico do E. vermicularis? O metazoário E. vermicularis apresenta ciclo biológico monoxênico, e seu único hospedeiro é o Homo sapiens. Quando grávidas, as fêmeas liberam seus ovos na região perianal do hospedeiro. Estes são maturados em 4 a 6 horas, na temperatura da superfície do corpo (cerca de 30°C). O intenso prurido perianal causado faz com que o paciente coce a região, facilitando a transferência dos ovos infectantes para a boca, através das mãos contaminadas (autoinfecção). Um indivíduo suscetível que tenha as mãos contaminadas por ovos de um indivíduo infectado – por exemplo, por ocasião de um cumprimento – e que as leve a boca, poderá adquirir o patógeno e desenvolver a enterobíase. Ao serem ingeridos, os ovos eclodem no intestino delgado, liberando larvas que irão se desenvolver até a forma adulta, enquanto se movem para o ceco. Por fim, os vermes copulam e dão início a um novo ciclo. É importante ressaltar que os ovos podem ficam aderidos no ambiente, como nas roupas de cama da pessoa infectada. Tal fato promove uma intensa disseminação do helminto e a possibilidade de novas infecções. Resumo-Enterobíase 3 Como o sistema imune responde à entrada do verme? Os parasitos aderem à mucosa intestinal, causando um leve processo inflamatório, do tipo catarral, com possíveis pontos hemorrágicos. Geralmente, não há lesão anatômica, uma vez que não há penetração do verme na mucosa. A infecção pelos enteroparasitos, normalmente, gera uma resposta imunológica complexa e múltipla, apesar de a maioria dos humanos ter um sistema imunológico capaz de combater a infecção. Quando essa ocorre, pode provocar eosinofilia. Tal condição deve-se à resposta imunológica Th2 provocada, na qual a interleucina-4 (IL-4) e a interleucina-5 (IL-5) são produzidas, estimulando também a produção de imunoglobulina E (IgE) pelos linfócitos B. Quais os principais sintomas da Enterobíase (Oxiuríase)? A infecção por E. vermicularis costuma ser assintomática, tendo como sintoma mais comum o prurido na região perianal com periodicidade regular, que pode se tornar muito intenso, principalmente durante a noite – o que pode originar significativa dificuldade para dormir –, devido à migração dos parasitos fêmeas. Tal situação pode levar a uma irritação na região anal com proctite e vulvovaginite, pelo deslocamento das larvas para a região genital feminina, o que ocasiona prurido vulvar, desconforto vaginal e granulomas no útero, nos Resumo-Enterobíase 4 ovários e nas tubas uterinas. Pode ocorrer corrimento vaginal com características semelhantes a nata, além de os lábios se apresentarem eritematosos e edemaciados. A região anal pode tornar-se recoberta de muco, pelo processo inflamatório provocado, às vezes sanguinolento, causando pontos hemorrágicos também no reto. Em consequência, principalmente, do prurido anal, poderá haver perturbações no sono e irritabilidade. Além disso, em caso de higienização perineal inadequada, o parasito pode ser responsável pela ocorrência de infecção do sistema urinário, pela condução do E. vermicularis para a região genital. Pode ocorrer colite crônica, a qual causa fezes amolecidas ou diarreicas, emagrecimento e alterações do apetite. A participação do helminto em distúrbios do apêndice – apendicite e cólicas apendiculares – tem sido descrita mais recentemente. Infecções extraintestinais, como no sistema reprodutor feminino, nos pulmões, no fígado, no baço, no apêndice e na próstata, já foram identificadas em alguns estudos, apesar de serem incomuns. A reinfecção pode ser a explicação para a ocorrência do parasitismo crônico e a alta frequência da doença em muitos locais, uma vez que o metazoário adulto apresenta uma longevidade curta. Como é feito o diagnóstico da Enterobíase? O exame de rotina de fezes não se mostra eficaz, em muitas situações, para a investigação da enterobíase. O diagnóstico é clínico, para a maioria dos casos, considerando o prurido anal como principal manifestação da enfermidade (quando esta é sintomática). Entretanto, o diagnóstico laboratorial pode ser realizado pelo método da fita transparente, ou celofane, conhecido também como método de Graham, sendo este o mais recomendado. O método de Graham deve ser realizado durante a manhã, antes da higiene na região anal. Quando presentes, os ovos irão aderir-se à fita gomada. Depois de descolada da pele, a fita será preparada em uma lâmina para análise microscópica. Além da abordagem laboratorial, pode-se também realizar: a inspeção (1) do introito anal, a fim de identificar os vermes móveis – as fêmeas são finas e brancas, semelhantes a pedaços de fios de algodão –, ou ainda (2) das roupas íntimas e de cama, nas quais os helmintos móveis às vezes são visíveis. Qual o tratamento para essa parasitose? VO- Via oral. Resumo-Enterobíase 5 Recomenda-se o tratamento daqueles que cohabitam a residência, quando houver algum indivíduo doente, dada a possibilidade de que outros moradores estejam infectados. Em instituições, lares e orfanatos, é recomendado tratar todos os indivíduos quando ocorrerem repetidas infecções. Vale ressaltar que os fármacos utilizados para a terapêutica da moléstia são contraindicados para gestantes. Qual a região mais frequente em que ocorre essa parasitose? A doença é mais frequente em climastemperados e frios, em comparação com os climas quentes. Tal fator pode estar relacionado com fatores culturais, como banhos e trocas de roupas íntimas menos frequentes. Quais as medidas de profilaxia e controle da Enterobíase? As principais medidas de controle de higiene pessoal e ambiental devem acompanhar o tratamento recomendado para interromper a transmissão e a autoinfecção do E. vermicularis. Tais medidas de prevenção são as seguintes: Adotar a prática de banhar-se, diariamente, no período da manhã Mudar e lavar, frequentemente, as roupas de cama e as roupas de uso pessoal (mormente as roupas íntimas) Promover o arejamento dos locais Higienizar as mãos, pelo menos, antes e após as refeições ou após utilizar o banheiro Manter as unhas curtas e limpas Evitar coçar a região perianal (em crianças, colocar roupas que dificultem a ação) Promover tratamento das pessoas que convivem em mesmo domicílio ou instituição Resumo-Enterobíase 6 Promover a educação em saúde Limpar o ambiente sem varrer, se possível utilizando aspiradores de pó. Tais condutas podem colaborar, decisivamente, para a redução do impacto da enterobíase nas regiões onde a enfermidade ocorre.