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FUNDAMENTOS TEÓRICOS 
E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 
Irene Carmem Picone Prestes
FUNDAMENTOS TEÓRICOS 
E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO
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Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-4834-2
9 7 8 8 5 3 8 7 4 8 3 4 2
40
93
4
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E 
METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO
Irene Carmen Picone Prestes
IESDE BRASIL S/A
Curitiba
2015
© 2015 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização 
por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais.
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A.
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
Produção
Capa: IESDE BRASIL S/A.
Imagem da capa: Shutterstock
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
________________________________________________________________________
P939f
Prestes, Irene Carmen Picone 
Fundamentos teóricos e metodológicos da inclusão / Irene Carmen Picone Prestes. - 1. 
ed. - Curitiba, PR : IESDE Brasil, 2015.
130 p. : il. ; 21 cm.
ISBN 978-85-387-4834-2
1. Educação especial. 2. Educação inclusiva. 3. Inclusão escolar. I. Título.
15-22540 CDD: 371.94
CDU: 376.43
_______________________________________________________________________
07/05/2015 5/05/2015
Apresentação
Articular de maneira criativa a prática e a teoria é um dos grandes desa-
fios que a inclusão apresenta aos educadores. O Guia de Estudos da disciplina 
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Inclusão tem como objetivo disponibi-
lizar recursos ao educador, que o auxiliem na operacionalização da práxis edu-
cativa inclusiva.
Este Guia discorre sobre temas voltados ao trabalho do educador com alunos 
com necessidades educativas especiais, ou ainda, alunos com estilos cognitivos 
e de aprendizagem singulares. Alguns dos temas abordados são: compreender 
a educação e suas perspectivas no contexto cultural e histórico; conhecer as 
orientações das políticas educacionais inclusivas; discorrer sobre a percepção 
que se tem do lugar e da função do educador e do aluno com deficiência; ainda, 
esses saberes sustentam as propostas curriculares implantadas nas instituições 
escolares. 
Esperamos que os temas descritos atendam às necessidades educativas, às 
diferenças individuais e ao estilo do educador para reflexão, planejamento e or-
ganização de ações educativas na sala de aula. A singularidade de cada aprendiz 
deve suscitar ações específicas que respeitem a diversidade e que favoreçam a 
vida independente e o desenvolvimento das potencialidades de todos os alunos.
Bons estudos! 
Sobre a autora 
Irene Carmen Picone Prestes
Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Especialista 
em Antropologia Cultural pela UFPR e em Psicopedagogia pela Universidade 
Tuiuti do Paraná (UTP). Psicanalista. Psicóloga. Docente na UTP. Presidente da 
Comissão de Educação Inclusiva da UTP. 
Sumário
Aula 01 EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL 9
PARTE 01 | CONTEXTUALIZANDO O ESPAÇO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL 11
PARTE 02 | ABORDAGENS DO PROCESSO DE ENSINO 15
PARTE 03 | A INSTITUIÇÃO ESCOLAR INCLUSIVA 20
Aula 02 NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS E FORMAÇÃO DOCENTE 25
PARTE 01 | NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 27
PARTE 02 | PROCESSO DO APRENDER 30
PARTE 03 | FORMAÇÃO DOCENTE 33
Aula 03 INCLUSÃO ESCOLAR: LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA 37
PARTE 01 | EDUCAÇÃO PARA TODOS 39
PARTE 02 | POLÍTICAS EDUCACIONAIS 42
PARTE 03 | INCLUSÃO EDUCACIONAL 46
Aula 04 ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO 51
PARTE 01 | CONCEPÇÕES TEÓRICAS 53
PARTE 02 | RECONHECENDO A CRIANÇA COM AH/SD 59
PARTE 03 | QUESTÕES ÉTICAS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA 65
Aula 05 COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL E A INCLUSÃO EDUCACIONAL 69
PARTE 01 | FATORES ASSOCIADOS AO COMPORTAMENTO SOCIAL INADEQUADO 71
PARTE 02 | DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM 75
PARTE 03 | SOBRE O COMPORTAMENTO E A EDUCAÇÃO INCLUSIVA 78
Sumário
Aula 06 APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS COM HIPERATIVIDADE 81
PARTE 01 | CARACTERÍSTICAS E MANIFESTAÇÕES DO TRANSTORNO TDAH 83
PARTE 02 | CONTEXTO E PERCEPÇÃO SOCIAL 87
PARTE 03 | O PROFESSOR E O ALUNO COM TDAH 91
Aula 07 TRANSTORNOS DO NEURODESENVOLVIMENTO 95
PARTE 01 | CONHECENDO A ETIOLOGIA 97
PARTE 02 | PODE-SE APRENDER? 101
PARTE 03 | RELAÇÃO ESCOLA-FAMÍLIA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA 104
Aula 08 HABILIDADES COGNITIVAS 107
PARTE 01 | O QUE SÃO HABILIDADES COGNITIVAS? 109
PARTE 02 | ESTILO COGNITIVO 112
PARTE 03 | PROCESSO CRIATIVO NA ESCOLARIZAÇÃO E EDUCAÇÃO INCLUSIVA 115
Aula 09 ADAPTAÇÕES CURRICULARES PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA 119
PARTE 01 | OPERACIONALIZANDO AS ADAPTAÇÕES CURRICULARES 121
PARTE 02 | RECURSOS NECESSÁRIOS 124
PARTE 03 | AVALIAÇÃO NO CURRÍCULO ADAPTADO 127
Conhecer a história da educação no Brasil 
e entender as influências educacionais no 
processo ensino-aprendizagem.
EDUCAÇÃO ESPECIAL 
E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL 
Aula 01
Objetivos:
IE
SD
E 
BR
AS
IL
 S
/A
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 11
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
01
CONTEXTUALIZANDO O ESPAÇO DA 
EDUCAÇÃO NO BRASIL
A atenção das investigações atuais acerca da História da 
Educação no Brasil está centrada na análise do que ocorre na 
interatividade do cotidiano da instituição escolar. Dessa manei-
ra, as pesquisas históricas contribuem para a compreensão das 
mudanças filosóficas, ideológicas e culturais da prática educa-
tiva, ocorridas ao longo do tempo e, consequentemente, de-
senham e revelam a função do professor na sala de aula e os 
efeitos no aprendizado do aluno.
Historicamente, identifica-se que o comportamento con-
servador e tradicional da sociedade brasileira manteve-se até 
o período entre 1960 e 1970, quando superou a atitude social 
individualista que deu lugar a convivência social voltada à cole-
tividade, à solidariedade e, ao bem viver em comunidade. Isso 
se verificou nos efeitos produzidos na Constituição Federal do 
Brasil1, em 1988, que trouxe em seu bojo a ação e participa-
ção política apoiada nos Direitos Humanos Universais2 (1948) e 
que vem sendo consolidada no século XXI. Esse movimento di-
rige-se na construção de valores éticos socialmente desejáveis 
e incrementa a influência do cidadão nas decisões políticas, 
promovendo melhores condições de vida para todos, indiscrimi-
nadamente, e igualdade de oportunidades educativas e sociais.
1 Constituição Brasileira, no seu Preâmbulo, institui o Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos 
sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos 
de uma sociedade fraterna pluralista e sem preconceitos, fundada na ordem interna e internacional.
2 Declaração Universal dos Direitos Humanos proclama como o ideal a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com 
o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente essa Declaração, se esforce, por meio de 
ensino e educação por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e pela adoção de medidas progressivas de caráter 
nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos 
próprios Estados-membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO12
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
01
Outro documento que fortalece o significado atual da edu-
cação no Brasil refere-se à Declaração de Jomtien, Tailândia, 
1990, que determina o fim de preconceitos e estereótipos de 
qualquer natureza na educação. Nessa declaração, os países 
relembram que a educação é um direito fundamental de todos, 
mulheres e homens de todas as idades, no mundo todo.
A Declaração de Salamanca, Espanha 1994, corrobora com 
essas recomendações e destacaprincípios, políticas e práticas 
voltadas às Necessidades Educativas Especiais. A escola deve 
adaptar-se às especificidades dos alunos e, não o contrário, 
independente das diferenças individuais, a educação é direito 
universal.
O educador e pesquisador Jamil Cury (2006) quando discu-
te a concepção de Educação atual focada no desenvolvimento 
das habilidades e competências do aluno, entende que se trata 
da aquisição e da socialização em relação à ética e à moral para 
a convivência em sociedade articulada à produtividade e ao 
pleno exercício da cidadania.
Isso ocorre na escolarização do aluno nas experiências sig-
nificativas do dia a dia da escola. O lugar do aluno no espaço 
coletivo educativo indica o grau de sua participação que é jus-
tamente um dos valores que se deseja ensinar aos alunos, além 
disso, assinala-se que levar em conta diferentes pontos de vista, 
aprender a respeitar as opiniões dos demais e exercitar-se na 
busca de autênticos consensos são potencialidades essenciais 
na constituição da personalidade do aluno e do cidadão pleno. 
Esses aspectos são coerentes aos pressupostos do paradigma 
inclusivo social e educacional.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 13
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
01
A pesquisadora da educação Isabel Alarcão (2001) apresen-
ta a Educação atual voltada à nova racionalidade do século XXI, 
preocupada com espaços de vida saudável e articulada às tec-
nologias de informação e de comunicação.
Neste contexto de profunda mudança ideológica, 
cultural, social e profissional, aponta-se a edu-
cação como cerne do desenvolvimento da pessoa 
humana e da sua vivência na sociedade, socieda-
de da qual se espera um desenvolvimento econô-
mico acrescido e uma melhor qualidade de vida. 
(ALARCÃO, 2001, p. 10)
Assim, a educação é a essência do processo de humanização 
na sociedade. Ciente disso, a escola deve utilizar, de maneira mais 
adequada possível, seu espaço e tempo para facilitar e favorecer 
o aprendizado do aluno. A riqueza e a variedade da oferta de ativi-
dades educacionais é fator de desenvolvimento de aprendizagem 
e de condutas pró-sociais, associada a uma prática de educadores 
preparados e envolvidos com as atividades escolares.
Extras 
Sugestão de leitura do livro de Isabel Alarcão (Org): Escola 
reflexiva e nova racionalidade. Da editora Artmed, Porto 
Alegre, 2001.
Outra sugestão é o material Educação Inclusiva: A 
Fundamentação Filosófica, do Ministério da Educação e 
Secretaria de Educação Especial, organizado por Maria Salete 
Fábio Aranha, 2004. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/
seesp/arquivos/pdf/fundamentacaofilosofica.pdf>. Acesso em: 
1 fev. 2015.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO14
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
01
Atividade
Como Isabel Alarcão descreve a nova racionalidade na 
educação?
Referências 
ALARCÃO, Isabel. (Org.) Escola reflexiva e nova racionalidade. Porto Alegre: 
Artmed, 2001.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Publicado no 
Diário Oficial da União, de 5 out.1988. Disponível em: <www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 20 fev. 2015.
CONFERÊNCIA MUNDIAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. Declaração de Salamanca. 
Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas 
Especiais. Espanha, 1994. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/
arquivos/pdf/salamanca.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2015.
CURY, Jamil C. Educação escolar e educação no lar: espaços de uma polêmica. 
In: Revista Educação e Sociedade. v. 27. n. 96. Especial, p. 667-688, 
out. 2006. Campinas: CEDES – UNICAMP, 2006. Disponível em: <www.scielo.br/
pdf/es/v27n96/a03v2796.pdf>. Acesso em: 20 fev 2015.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU. Declaração Universal dos Direitos 
Humanos. De 10 de agosto de 1948. Disponível em <www.dudh.org.br/wp-
content/uploads/2014/12/dudh.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2015.
UNESCO. Declaração Mundial sobre Educação para Todos: satisfação 
das necessidades básicas de aprendizagem. Jomtien, 1990. Declaração 
de Jomtien. UNESCO, 1998. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/
images/0008/000862/086291por.pdf>. Acesso em: 20 fev 2015.
Resolução da atividade
A pesquisadora da educação Isabel Alarcão (2001) apresen-
ta a educação atual voltada à nova racionalidade do século XXI, 
preocupada com espaços de vida saudável e articulada às tec-
nologias de informação e comunicação.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 15
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
02
ABORDAGENS DO PROCESSO DE ENSINO
São inúmeras as tendências pedagógicas que, historica-
mente, influenciam os processos de ensino e aprendizagem e 
interferem nas práticas educacionais escolares, na formação 
docente e na sala de aula. Resgatar e refletir essas tendências 
contribui para a identificação de suas manifestações nas prá-
ticas diárias dos professores a fim de melhorar a qualidade no 
aprendizado dos alunos. Compreender a inter-relação com os 
processos de ensino que explicam a aprendizagem são essen-
ciais para uma prática educacional atualizada e eficaz.
Há várias formas de se conceber o fenômeno edu-
cativo. [...] É um fenômeno humano, histórico 
e multidimensional. Nele estão presentes tanto 
a dimensão humana quanto a técnica, a cogniti-
va, a emocional, a sociopolítica e cultural [...] 
Diferentes formas de aproximação do fenômeno 
educativo podem ser consideradas como media-
ções historicamente possíveis, que permitem 
explicá-lo [...] por isso, devem ser elas analisa-
das, contextualizadas e discutidas criticamente. 
(MIZUKAMI, 1986, p. 7)
Em acordo ao proposto por Mizukami e demais pensadores 
da educação, abordamos algumas tendências da educação para 
uma reflexão crítica:
1. Teoria da educação de enfoque progressista − 
Representantes de destaque: Dewey, Montessori e 
Piaget. A função da escola visa o ajustamento social 
em que, por meio de experiências, a escola deve 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO16
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
02
retratar a vida. O papel do professor é auxiliar o de-
senvolvimento livre e, a vivência do aluno, por meio 
de conteúdos selecionados a partir dos interesses do 
aluno. O ambiente é um meio estimulador à atividade 
do aprendiz. Valorização dos aspectos afetivos e atitu-
dinais para o desenvolvimento do aluno.
2. Teoria da educação de enfoque não diretivo de Carl 
Rogers − Função da escola: voltada à formação de ati-
tudes individuais e coletivas no espaço da instituição 
escolar. O professor é um especialista em relações hu-
manas e visa um relacionamento autêntico e pessoal 
com o aluno. Aprender é refletir sobre a percepção de 
si mesmo no espaço social da escola, a autorrealiza-
ção. Privilegia a autoavaliação.
3. Teoria da educação de enfoque diretivo tecnicista − 
Representantes: Skinner e Gagné. Atrelada às Leis 
5.540/681 e 5.692/712,revogadas pela Lei 9.394/96 
que trouxe outro direcionamento. É função da escola 
produzir mão de obra capacitada para o mercado de 
trabalho. A escola utiliza de técnicas de modelagem 
de comportamento para uma aprendizagem que visa o 
desempenho do aluno. O papel do professor é de téc-
nico, que aplica instrumentos que garantem a eficiên-
cia e a eficácia de ensino. Ênfase na produtividade do 
alunado.
1 Lei 5.540/68 – Fixa normas de organização de ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá outras 
providências. 
2 Lei 5 692/71 – Lei de diretrizes e base da educação nacional. Fixa diretrizes e base para o ensino de 1.º e 2.º graus e dá 
outras providências
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 17
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
02
4. Teoria da educação de enfoque progressista liberta-
dor − Representantes: Celestin Freneit, Paulo Freire 
e Rubem Alves. É função da escola desenvolver me-
canismos de mudanças institucionais e no aluno, com 
basena participação grupal em que ocorre a prática 
de toda a aprendizagem. O conhecimento é a desco-
berta às necessidades e exigências da vida social. O 
professor é o orientador da aprendizagem por temas 
geradores. A apropriação dos conteúdos somente tem 
sentido quando convertidos em prática.
5. Teoria da educação de enfoque histórico-crítico − 
Representantes: Makarenko, Saviani e Frigotto. A es-
cola tem um caráter ideológico e serve para socializar 
o saber para todos os alunos. Professor e aluno são 
sujeitos em relação pedagógica. É papel do profes-
sor criar as condições necessárias à apropriação do 
conhecimento.
6. Teoria da educação de enfoque crítico-reprodutivo − 
Representantes: Bourdieu, Passeron e Althusser. É fun-
ção da escola reproduzir a cultura dominante. O convívio 
entre alunos e professores articulam as relações entre 
grupos sociais, reproduzindo as relações estruturais. 
Práticas pedagógicas fundamentadas na cultura.
Finalmente, as informações apresentadas descrevem algu-
mas qualidades básicas que alicerçaram e alicerçam as insti-
tuições escolares, revelam a organização social e o clima da 
escola, em que professor e alunos, com deficiência ou não, par-
ticipam como atores no processo ensino-aprendizagem.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO18
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
02
Extra 
Indicamos um vídeo do YouTube para reflexão sobre o pro-
cesso do aprender nos dias atuais. O vídeo discorre sobre as 
diferentes formas do aprender e do ensinar ao longo da história 
da educação. A educação hoje visa a formação multilateral da 
personalidade do aluno. Título do vídeo: Processo de ensino-
-aprendizagem. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=-
-sqkoHerCaE>. Acesso em: 14 fev. 2015
Atividade
Sugira um esquema que demonstre a organização e o fun-
cionamento do processo de ensino–aprendizagem na escola. 
Alguns elementos que podem ser usados: professor, aluno, mé-
todo, avaliação, conteúdo, objetivo, entre outros.
Referências 
BRASIL. Lei n. 5.540, de 28 de novembro de 1968. Fixa normas de organização 
e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e 
dá outras providências. Publicado no Diário Oficial da União, 23 dez. 1968 
e retificado no Diário Oficial da União, de 3 dez. 1968. Revogada pela Lei n. 
9.394, de 20 nov. 1996. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/
L5540.htm>. Acesso em: 20 fev. 2015.
BRASIL. Lei n. 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa normas de organização 
e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, 
e dá outras providências. Publicada no Diário Oficial da União de 23 nov. 
1968 e retificado no Diário Oficial da União de 3 dez. 1968. Revogada pela 
Lei n. 9.394, de 1996, com exceção do artigo 16, alterado pela Lei n. 9.192, 
de 1995. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L5692.htm>. 
Acesso em: 20 fev. 2015.
MIZUKAMI,M. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 19
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
02
Resolução da atividade
Processo de ensino-aprendizagem
Objetivos
Métodos
Avaliação
Recursos
Conteúdo
Professor
Grupo Aluno
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO20
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
03
A INSTITUIÇÃO ESCOLAR INCLUSIVA
A Escola1 organismo vivo, institucionalmente, mostra-se 
como variável interveniente na aprendizagem. Atualmente, ve-
rificamos que os pais/responsáveis preocupam-se com as pro-
postas educativas e pedagógicas da escola e interessam-se em 
conhecê-la previamente. Os pais, em sua maioria, buscam uma 
escola que atenda às necessidades de aprendizagem do filho, 
que conte com recursos tecnológicos e socializadores que favo-
reçam o aprendizado do aluno.
Refletir sobre a Instituição2 escolar requer ponderar sobre 
seus princípios filosóficos, ideológicos e culturais e apontar as 
características institucionais essenciais que contribuem ao su-
cesso na escolarização e educação do alunado. Não há consenso 
sobre quais aspectos constituem uma escola eficaz, no entanto, 
é possível eleger alicerces fundamentais institucionais: relações 
e cenário sócio-histórico-cultural (dirigidos às metas e tarefas), 
sistema complexo aberto e funcional, formação docente, tec-
nologia e informação e interatividade comunicacional.
1 Escola – de acordo a Maria Mossato (2000, p. 3.) “a escola (e seus participantes), enquanto organismo vivo,(...) Articula-se 
como qualquer outro sistema, na busca da manutenção de sua identidade, de seu equilíbrio, ainda que esse equilíbrio implique 
ônus consideráveis”.
2 Instituição – a partir da Psicologia Institucional de José Bleger (1984, p. 37.) significa “o conjunto de organismos de existência 
física concreta, que têm um certo grau de permanência em algum campo ou setor específico da atividade ou vida humana, 
para estudar neles todos os fenômenos humanos que se dão em relação com a estrutura, a dinâmica, funções e objetivos da 
instituição”. 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 21
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
03
De acordo com Aquino (1998, p. 44), “o papel da escola é o 
de uma instituição socialmente responsável” e acessível (comu-
nicacional, metodológica e instrumentalmente) ao aluno e aos 
demais atores escolares.
A organização de que a escola venha a se dotar, a 
cultura que molde o seu funcionamento e as de-
cisões que se tomem nela acabarão de fato tendo 
uma influência educacional sobre os alunos por 
meio de uma dupla via. Em primeiro lugar, uma 
influência indireta ou mediada, à medida que tais 
fatores contribuírem para conformar, em um ou 
em outro sentido, a prática de cada docente com 
seu grupo ou seus grupos de alunos. E, em segundo 
lugar, uma influência direta, à medida que os alu-
nos participam de atividades realizadas na escola 
– mesmo que fora das salas de aula e às vezes na 
ausência de qualquer professor −, e também à me-
dida que fazem parte de uma instituição com um 
determinado clima social, em que regem valores e 
lhes são transmitidos modelos de atuação. (COLL, 
MARCHESI, PALACIOS & COLS. 2004, p. 394).
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO22
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
03
Quadro 1: Influência da escola sobre a aprendizagem dos 
alunos
Influência indireta ou mediada
Favorecendo as melhores con-
dições na escola para que os 
professores respondam de ma-
neira adequada às necessidades 
educacionais de seus alunos.
Influência direta
Favorecendo a participação direta dos 
alunos em situações de aprendizagem 
complementares às da sala de aula.
Objetivo Básico
Contar com um projeto de escola 
coerente, ajustado e viável.
Fatores: decisões do projeto
− Agrupamento dos alunos
− Organização do tempo
− Organização dos espaços
− Grau de interdisciplinaridade 
das matérias curriculares
− Medidas de trânsito entre 
séries e etapas
Processos: organização e 
estilo da tomada de decisões do 
projeto
− Estruturas de participação
− Coordenação vertical e hori-
zontal da escola
− Grau de participação de toda a 
comunidade escolar
− Estilo de liderança
− Autonomia da escola e de cada 
professor ao longo do tempo 
para ajustá-las
− Variação das formas de 
interatividade
− Avaliação da escola
Normas e Modelos de 
comportamento
Atividades não 
letivas
I. Na fase de planeja-
mento da prática
− Intencionalidade: 
incluí-lo no currículo 
explícito
− Participação
− Caráter preventivo, 
e não meramente 
sancionador do RRI 
(Regulamento do 
Regimento Interno)
II. Na fase de pôr em 
prática
− Coerência entre o 
que se diz e o que 
se faz e coerência 
entre o conjunto dos 
professores
− Uso da razão dia-
lógica na educação 
moral
− Riqueza e variedade 
da oferta de atividade
− Complementaridade 
dessas atividades com 
as letivas
− Competência educa-
tiva dos responsáveis 
pelas atividades
− Complementaridade 
com o ambiente(Fonte:. Coll, Marchesi, Palacios & Cols. 2004, p. 396.)
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 23
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
03
Essa estrutura e funcionamento da instituição escolar in-
clusiva deve demonstrar coerência entre o que se diz e o que 
se faz e isso começa no projeto pedagógico e educacional. O 
desenho do projeto revela o currículo escolar, as práticas edu-
cacionais avaliativas e formativas com vistas à aprendizagem 
significativa por seus alunos, tão necessária para viver em acor-
do ao paradigma da sociedade inclusiva da diversidade cultural 
e diferença individual no século XXI.
Extra
Pesquise no site a seguir e reflita sobre Educação inclusi-
va: o que o professor tem a ver com isso? Material produzido 
pela Universidade de São Paulo (USP), coordenado pela profes-
sora Marta Gil. Disponível em: <http://saci.org.br/pub/livro_
educ_incl/redesaci_educ_incl.html>. Acesso em: 19 abr. 2015.
Atividade
Quais as três palavras-chave da escola com influência edu-
cacional, segundo Coll, Marchesi e Palácios (2004)?
Referências 
AQUINO, Julio. (Org.) Diferenças e preconceito na escola: alternativas 
teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1998.
BLEGER, José. Psico-higiene e psicologia institucional. Porto Alegre: 
Artmed, 1984.
COLL, Cesar, MARCHESI, Alvaro; PALACIOS, Jesus; e Colaboradores. 
Desenvolvimento psicológico e educação. Porto Alegre: Artmed, 2004.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO24
EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA NO BRASIL
Pa r t e
03
MOSSATO, Maria S. A escola enquanto organismo responsável pela manutenção 
de valores e mazelas sociais. In: Revista Na Prática Teoria do Conselho 
Regional de Psicologia - 8.ª Região. Curitiba-PR, Ano 20, n. 102, 2000.
Resolução da atividade
Organização, Cultura, Decisões.
Compreender o significado de necessidades 
educativas especiais e entender os 
pressupostos para formação docente 
continuada.
NECESSIDADES 
EDUCATIVAS ESPECIAIS E 
FORMAÇÃO DOCENTE
Aula 02
Objetivos:
G
et
ty
 Im
ag
es
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 27
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 
E FORMAÇÃO DOCENTE
Pa r t e
01
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS
A terminologia necessidades educativas especiais ao lon-
go da história sociocultural obteve múltiplos significados desde 
os de ordem pessoal, a singularidade do aluno até aqueles que 
remetem à coletividade, à instituição escolar. Voltavam-se aos 
“déficits” e incapacidades de cunho clínico e não pedagógico 
até as significações voltadas ao sistema educacional que re-
presentam “o tipo de ações e recursos educacionais a serem 
disponibilizados e efetivados pela escola” (SEED/PR, 2001, p. 15) 
ao aluno. Dessa maneira, “é necessário que os recursos educa-
cionais sejam viabilizados em várias instâncias para assegurar a 
todos o direito de exercício da cidadania” (SEED/PR, 2001, p. 15).
A discussão para atualizar essa terminologia começa a acon-
tecer nos anos de 1980 com inúmeros movimentos da sociedade 
civil, nacionais e internacionais, rompendo com a representação 
vigente assistencialista e terapêutica para referir-se às pessoas 
com limitações e restrições de participação física, sensorial, 
mental ou múltipla. Entre eles, em 1988, a Constituição Federal 
Brasileira e depois, em 1989, a Política Nacional para a Integração 
da Pessoa Portadora de Deficiência reafirma que a educação deve 
promover o desenvolvimento das potencialidades de pessoas 
portadoras de necessidades especiais; em 1994, a Declaração de 
Salamanca ratifica o termo necessidades especiais.
Nessa nova conceptualização, a expressão necessidades 
educativas especiais significa as necessidades do aluno, de 
qualquer natureza psíquica, biológica, social ou cultural, que 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO28
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 
E FORMAÇÃO DOCENTE
Pa r t e
01
influenciam no aprender e nas respostas esperadas do perfil 
idealizado de aluno. 
É uma forma de reconhecer que muitos alunos, 
tenham ou não deficiência [...] apresentam ne-
cessidades educacionais que passam a ser espe-
ciais quando exigem respostas específicas e ade-
quadas. (SEED/PR, 2001, p. 15)
Quer dizer, a perspectiva educacional atual deve alinhar-se 
às contingências de acessibilidade e à remoção das barreiras 
para a aprendizagem de todos os alunos. A prática educativa 
inclusiva vai focar na potencialização das habilidades e com-
petências próprias do aluno para seu desenvolvimento integral.
Extra 
Sugerimos assistir ao filme Como Estrelas na Terra - Toda 
criança é especial, que mostra uma lição de vida. Conta a his-
tória de um garoto com dislexia e seu relacionamento na famí-
lia e na escola. Destaca a importância e o poder do professor 
na vida do aluno. Reconhece que o respeito e a compreensão as 
diferenças fortalecem a autoestima e a aprendizagem. Direção 
e produção de Aamir Khan, lançado em 2007. Disponível em: 
<www.youtube.com/watch?v=6rxSS46Fwk4>. Acesso em: 20 
abr. 2015.
Atividade
Qual documento internacional ratifica o termo “necessida-
des especiais”?
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 29
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 
E FORMAÇÃO DOCENTE
Pa r t e
01
Referências 
DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Espanha, 1994. Sobre Princípios, Políticas 
e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais. Disponível em: 
<http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf>. Acesso em: 
20 abr. 2015.
Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Educação inclusiva: linhas 
de ação para o Estado do Paraná. Gestão 99-2002. Secretaria de Estado da 
Educação Alcyone Saliba. Curitiba-Paraná. SEED/PR, 2001.
Resolução da atividade
Declaração de Salamanca, 1994.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO30
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 
E FORMAÇÃO DOCENTE
Pa r t e
02
PROCESSO DO APRENDER
Historicamente, na prática da educação especial, o pro-
cesso do aprender deixa de focar nos déficits de aprendizagem 
e nas dificuldades específicas dos alunos, para focar no desen-
volvimento das habilidades e competências do aprendiz e dessa 
maneira, coerentes aos pressupostos da educação inclusiva no 
Brasil, que é atender as diferenças individuais e a diversidade 
cultural de todos os alunos.
Para compreender o sentido e significado do termo “pro-
cesso do aprender”, segundo Cabani (2004), deve-se considerar 
3 elementos:
1. cenário educacional, composto pelo ambiente institu-
cional físico e humano, a sala de aula;
2. intenções que podem ser conscientes e inconscientes 
e orientam a atitude e a perspectiva do aprendiz;
3. ação pedagógica educacional do professor.
Na interatividade desses elementos identifica-se a relação 
entre ensino e aprendizagem, “partindo da ideia de que o resul-
tado da aprendizagem depende da interação entre as variáveis 
que intervêm no processo” (CABANI, 2004, p. 193).
Cabani (2004), em referência aos enfoques de aprendiza-
gem de Entwistle (1998)1, desdobra e descreve a aprendizagem 
centrada na perspectiva do aprendiz em quatro elementos in-
terativos: aprendizagem, estratégico, superficial e profundo.
1 Noel Entwistle é psicólogo educacional e professor na Universidade de Edimburgo, na Escócia. É autor de diversas publi-
cações, dirigidas ao tema das teorias da aprendizagem, estilos de aprendizagem e ensino, compreensão da universidade e o 
ensino superior.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 31
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 
E FORMAÇÃO DOCENTE
Pa r t e
02
• Enfoque de aprendizagem: identifica a intenção que 
orienta a atividade do aprendiz.
• Enfoque estratégico: o aprendiz organiza a infor-
mação para conseguir o melhor resultado possível . 
Orienta seu trabalho em função da percepção que tem 
das preferências dos professores. Busca as condições 
e os materiais adequados para o estudo.
• Enfoque profundo: o aprendiz transforma a informa-
ção para compreender as ideias e dotá-las de sentido. 
Relaciona-as ideias com o conhecimento prévioe com 
a experiência. Examina a lógica e os argumentos de 
maneira cautelosa e crítica.
• Enfoque superficial: o aprendiz reproduz a informa-
ção para cumprir os requisitos da série. Memorizar 
os dados e os procedimentos de maneira rotineira. 
Sente-se pressionado e angustiado pelo trabalho sem 
motivo aparente.
Destaca-se o termo estilos de aprendizagem, que é pes-
quisado por muitos autores e descrito como atitude consciente e 
inconsciente do aprendiz frente às situações de aprendizagem.
Para concluir, vamos refletir sobre a citação de Lindemann 
quando discute sobre os estilos de aprendizagem: 
[...] os sujeitos têm variadas maneiras de perce-
ber e processar a informação, que implica direta-
mente em diferenças nos processos de aprendiza-
gem, que podem modificar-se ao longo do tempo 
no mesmo sujeito. (LINDEMANN, 2008, p. 36)
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO32
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 
E FORMAÇÃO DOCENTE
Pa r t e
02
Extra 
Sugerimos o artigo de Sebastião Leme, uma leitura insti-
gante para ampliar a compreensão sobre o tema dos estilos cog-
nitivos e de aprendizagem:
Os estilos cognitivos na educação escolar e sua dimensão 
conceitual como aporte teórico para a orientação do ensino 
e da aprendizagem. Uma discussão introdutória. Disponível 
em: <http://periodicos.franca.unesp.br/index.php/caminhos/
article/view/616. Acesso em: 23 fev. 2015.
Atividade
Cite o foco do processo do aprender na educação atual.
Referências 
CABANI, Maria Luisa. A aprendizagem escolar do ponto de vista do aluno: os 
enfoques de aprendizagem. In: COLL, Cesar; MARCHESI, Álvaro; PALACIOS, 
Jesus e colaboradores. Desenvolvimento psicológico e educação. Porto 
Alegre: Artmed, 2004.
LINDEMANN, Vanessa. Estilos de aprendizagem: buscando a sinergia. 
Porto Alegre: PGIE-UFRGS, 2008. Disponível em <http://hdl.handle.
net/10183/15352>. Acesso em: 24 fev. 2015.
Resolução da atividade
O foco atual do processo do aprender é o desenvolvimento 
das habilidades e competências do aprendiz.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 33
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 
E FORMAÇÃO DOCENTE
Pa r t e
03
FORMAÇÃO DOCENTE
O pressuposto é que a educação exerce função essencial na 
humanização dos sujeitos e da sociedade. Na escola compete ao 
professor ocupar o lugar de interlocutor do aluno, desta feita, 
impõe-se hoje a revitalização do seu status, “o professor deve 
ser reconhecido como tal pela sociedade, além de dispor da 
autoridade necessária e das ferramentas adequadas para exer-
cer sua função” (DELORS, 2010, p. 34), descreve o Relatório 
para a UNESCO, produzido pela Comissão Internacional sobre a 
Educação para o século XXI.
A função do professor delineia-se na convivência com a 
instituição escolar, com o projeto político pedagógico atrela-
do a um tempo e espaço educacional. Portanto, trata-se da 
formação continuada do professor durante sua permanência no 
espaço escolar. A Lei 9.394/96 proclama a educação brasileira 
por meio do processo de ensino-aprendizagem em instituições 
escolares dando ênfase à formação docente continuada.
A formação do professor deve ser um processo 
contínuo, que perpassa sua prática com os alu-
nos, a partir do trabalho transdisciplinar com uma 
equipe permanente de apoio. É fundamental con-
siderar e valorizar o saber de todos os profissio-
nais da educação no processo de inclusão [...] É 
imprescindível, portanto, investir na criação de 
uma política de formação continuada para os pro-
fissionais da educação. (PAULON, FREITAS, PINHO 
2005, p. 21-22)
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO34
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 
E FORMAÇÃO DOCENTE
Pa r t e
03
Sugerimos quatro dimensões à permanente formação do-
cente: interatividade, coerência, responsividade e executável.
A interatividade trata da relação professor-aluno que vai 
se construindo e se atualizando na sala de aula. “Quando um 
profissional reconhece uma situação como única não pode lidar 
com ela apenas aplicando técnicas derivadas de sua bagagem 
de conhecimento profissional” (SCHON,2000 p.17), trata-se 
portanto de uma interação afetivo-social-cultural entre profes-
sor e aluno.
A coerência é revelada na atitude e prática docente que, 
quando ajustada aos processos pedagógicos institucionais, via-
bilizam o aprender do aprendiz.
A responsividade é demonstrada quando o docente está 
em comunhão com as propostas institucionais da escola.
Executável é a dimensão que se refere a viabilidade das 
condições de trabalho proporcionada pela instituição ao profes-
sor, para que concretize sua práxis pedagógica e educacional, a 
favor de todos os alunos.
Extra 
Sugerimos assistir ao vídeo: Rubem Alves — O papel do 
professor. Nesse vídeo Rubem Alves destaca a função do pro-
fessor como aquele que é responsável por despertar a curiosi-
dade do aluno para o aprendizado. Disponível em: <www.youtu-
be.com/watch?v=_OsYdePR1IU>. Acesso em: 20 abr. 2015.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 35
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 
E FORMAÇÃO DOCENTE
Pa r t e
03
Atividade
Quais as quatro dimensões sugeridas à sustentação da for-
mação docente continuada?
Referências 
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de Dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e 
bases da educação nacional. Publicada no Diário Oficial da União, Brasília, 
DF, 23 dez. 1996. Disponível em:<www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.
htm>. Acesso em: 27 fev. 2015.
DELORS, Jacques (Org). Educação. Um tesouro a descobrir. Relatório 
para a Unesco da Comissão Internacional sobre a Educação para o século 
XXI. Brasília, julho de 2010. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/
images/0010/001095/109590por.pdf>. Acesso em: 27 fev. 2015.
PAULON, Simone; FREITAS, Lia Beatriz de; PINHO, Gerson. Documento 
subsidiário à política de inclusão. Brasilia: Ministerio da Educação, Secretaria 
de Educação Especial, 2005. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/
arquivos/pdf/docsubsidiariopoliticadeinclusao.pdf>. Acesso em: 22 fev. 2015.
SCHON, Donald. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o 
ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.
Resolução da atividade
Interatividade, coerência, responsividade e executável.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO36
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS 
E FORMAÇÃO DOCENTE
Pa r t e
03
Refletir sobre a importância das políticas 
educacionais inclusivas.
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, 
TEORIA E PRÁTICA
Aula 03
Objetivo:
Ju
pi
te
ri
m
ag
es
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 39
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA
Pa r t e
01
EDUCAÇÃO PARA TODOS
O mundo encontra-se globalizado e as tecnologias de co-
municação e informação avançam sem parar. Há uma nova cul-
tura educacional na apropriação do conhecimento e se exige 
muito mais habilidades e competências na execução das tarefas 
escolares para todos os alunos. Há um novo estilo de vida, um 
novo paradigma de pensamento se inscreve para que as pessoas 
possam aprender a ser.
A política educacional brasileira está atrelada às pro-
postas internacionais de Política da Educação. Entre elas, a 
Conferência de Jomtien (1990), que reconhece a necessidade 
da educação de proporcionar ao aluno a satisfação no processo 
do aprender. Cada criança deverá estar em condições de apro-
veitar as oportunidades educativas.
A proposta internacional da Declaração de Salamanca 
(1994) valoriza a pedagogia centrada na criança e reconhe-
ce a necessidade de providências dos programas de educação 
às crianças com necessidades educacionais especiais dentro 
do sistema regular de ensino. Para combater atitudes discri-
minatórias e desenvolver ações acolhedoras e colaborativas, 
defende práticas educativas inclusivas. “Toda a criança pos-
sui características, interesses, habilidades e necessidades de 
aprendizagem que são únicas” (SALAMANCA, 1994, p.1).
O Relatório da Comissão Internacional sobre a Educação 
para o século XXI traz como enfoques essenciaisda aprendi-
zagem os quatro pilares da educação, que são alicerces das 
habilidades e competências à educação para todos. O relator 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO40
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA
Pa r t e
01
Jacques Delors (2001) descreve a Educação como um direito e 
uma necessidade de todos.
Aprender a conhecer, isto é, adquirir os instru-
mentos da compreensão; aprender a fazer, para 
poder agir sobre o meio envolvente; aprender a 
viver juntos, a fim de participar e cooperar com 
os outros em todas as atividades humanas; final-
mente aprender a ser, via essencial que integra 
as três precedentes. (DELORS, 2001, p. 89-90 — 
grifo nosso)
Delors (2001) destaca a nova concepção de Educação vol-
tada para que todos os alunos possam descobrir, reavivar e 
fortalecer sua criatividade particular. O aprendiz deverá com-
preender o mundo ao seu redor para viver dignamente e em 
harmonia. Aprender a aprender é desenvolver a curiosidade de 
ser pesquisador do conhecimento. Finalmente, o maior desafio 
da educação na atualidade é aprender a conviver com os ou-
tros, derrubar os preconceitos, a discriminação e a hostilidade 
nas relações interpessoais e deixar aflorar a amizade, o acolhi-
mento das diferenças individuais e a diversidade humana.
Extra
Sugerimos o material Educação para Todos no Brasil, da 
Representação da Unesco no Brasil. Disponível em: <www.unes-
co.org/new/pt/brasilia/education/education-for-all/>. Acesso 
em: 5 mar. 2015.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 41
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA
Pa r t e
01
Atividade
Quais são as três ações que os documentos internacionais 
destacam para uma educação para todos?
Referências 
DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Espanha, 1994. Sobre Princípios, Políticas 
e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais. Disponível em: 
<http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf>. Acesso em: 
3 mar. 2015.
DELORS, Jacques; et al. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para 
a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. São 
Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESCO, 2001. Disponível em: <http://ftp.
infoeuropa.eurocid.pt/database/000046001-000047000/000046258.pdf>. 
Acesso em: 3 mar. 2015.
UNESCO. Declaração de Jomtien. Declaração Mundial sobre Educação para 
Todos: satisfação das necessidades básicas de aprendizagem. Jomtien, 1990. 
Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0008/000862/086291por.
pdf>. Acesso em: 3 mar. 2015.
Resolução da atividade
Satisfação no processo do aprender;
Pedagogia centrada na criança;
Práticas educativas inclusivas.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO42
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA
Pa r t e
02
POLÍTICAS EDUCACIONAIS
A política educacional inclusiva em geral existe para pre-
servar o Direito Universal do Ser Humano (1948) e promover a 
igualdade de oportunidades entre as pessoas, a fim de tornar a 
sociedade em que vivemos acessível, apta a acolher as diferen-
ças individuais e a diversidade cultural. A Constituição Federal 
1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 
9394/96) constituem-se como instrumentos legais centrais para 
a atual legislação educacional nacional. Ambas promoveram um 
avanço qualitativo na concepção e dimensão de educação.
A Constituição Federal do Brasil (1988) constitui-se num 
dispositivo de grande significância à inclusão social, pois asse-
gura a igualdade de oportunidades educacionais para todos os 
alunos. Em consonância, em 1996 surge a LDB para reforçar o 
caráter humanista e social da educação, destacando como es-
sencial à formação do indivíduo a relação pessoa-pessoa, que 
influencia diversos planos da vida humana, a família, a escola 
e o trabalho. A finalidade última da LDB é a internalização da 
cidadania e seu pleno exercício no espaço socioeducativo.
A Lei n.º 13.005/2014, que aprova o PNE para o decênio 
2014/2024, aponta diretrizes para a política de educação es-
pecial no Brasil e indica objetivos e metas para a política de 
educação de pessoas com necessidades educacionais especiais. 
Esse Plano Nacional de Educação norteará as políticas educa-
cionais e ações inclusivas do Brasil, trazendo 20 metas para a 
Educação. Tem como foco a valorização do magistério, a uni-
versalização e a qualidade da Educação.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 43
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA
Pa r t e
02
A Meta 4 do PNE trata da educação especial e dos direitos 
da pessoa com deficiência, trazendo entre suas estratégias a 
implementação de salas de recursos multifuncionais e fomenta 
a formação continuada docente para o atendimento especiali-
zado complementar.
Meta 4: universalizar, para a população de 4 
(quatro) a 17 (dezessete) anos com deficiência, 
transtornos globais do desenvolvimento e altas 
habilidades ou superdotação, o acesso à educação 
básica e ao atendimento educacional especializa-
do, preferencialmente na rede regular de ensino, 
com a garantia de sistema educacional inclusivo, 
de salas de recursos multifuncionais, classes, es-
colas ou serviços especializados, públicos ou con-
veniados. (BRASIL, Lei 13.005/2014)
O Decreto 7.612/2011 institui o Plano Nacional dos Direitos 
da Pessoa com Deficiência — Plano Viver sem Limite, e tem a fi-
nalidade de promover, por meio da integração e articulação de 
políticas, programas e ações, o exercício pleno e equitativo dos 
direitos das pessoas com deficiência. O Plano possui como um 
de seus eixos o acesso à educação, e prevê a garantia de que 
os equipamentos públicos de educação sejam acessíveis para as 
pessoas com deficiência.
Finalmente, os dispositivos legais têm valor relevante para 
o aperfeiçoamento da educação nacional e norteiam ações in-
clusivas com o objetivo de instrumentalizar a sociedade e os 
profissionais nos conhecimentos necessários para o aproveita-
mento das potencialidades dos alunos, desde que respeitadas 
as capacidades e habilidades de cada um quando da atividade 
prática educativa inclusiva.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO44
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA
Pa r t e
02
Extra 
Sugerimos a leitura do material do MEC Planejando a pró-
xima década — Conhecendo as 20 metas do Plano Nacional 
de Educação, com atenção especial para as metas 4 e 8, nas 
páginas 24 e 33, respectivamente. Disponível em: <http://
pne.mec.gov.br/images/pdf/pne_conhecendo_20_metas.pdf>. 
Acesso em: 5 mar. 2015.
Atividade
Qual é a premissa primordial das políticas educacionais 
inclusivas?
Referências 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Publicado no 
Diário Oficial da União de 05.10.1988. Disponível em: <www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 3 mar. 2015.
BRASIL. Decreto n.º 7.612, de 17 de Novembro de 2011. Institui o Plano 
Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência — Plano Viver sem limite. 
Publicado no Diário Oficial da União de 18.11.2011. Disponível em: <www.
planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2011/Decreto/D7612.htm>. 
Acesso em: 3 mar. 2015.
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de Dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes 
e bases da educação nacional. Diário Oficial da União de 23.12.1996. 
Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm>. Acesso em: 
3 mar. 2015.
BRASIL. Lei n. 13.005, de 25 de Junho de 2014. Aprova o Plano 
Nacional de Educação — PNE e dá outras providências. Diário Oficial da 
União de 26.06.2014. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
Ato2011-2014/2014/Lei/L13005.htm>. Acesso em: 3 mar. 2015.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 45
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA
Pa r t e
02
Resolução da atividade
Em geral, as políticas educacionais existem para preservar 
os Direitos Universais.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO46
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA
Pa r t e
03
INCLUSÃO EDUCACIONALNa inclusão educacional, os processos educativos têm como 
cerne à valorização da diversidade humana de modo a preser-
var a liberdade, a criatividade e, a singularidade do aluno, para 
que suas potencialidades sejam aprimoradas integralmente.
Sabemos que um professor sozinho pouco pode fa-
zer diante da complexidade de questões que seus 
alunos colocam em jogo. Por este motivo, a cons-
tituição de uma equipe interdisciplinar, que per-
mita pensar o trabalho educativo desde os diver-
sos campos do conhecimento, é fundamental para 
compor uma prática inclusiva junto ao professor. É 
verdade que propostas correntes nessa área refe-
rem-se ao auxílio de um professor especialista e à 
necessidade de uma equipe de apoio pedagógico. 
(PAULON; FREITAS; PINHO, 2005, p. 9)
Vivemos numa sociedade educativa acessível. A acessibi-
lidade, enquanto direito humano, alicerça-se na autonomia, 
independência e empoderamento da pessoa com deficiência 
(SASSAKI, 1997). Portanto, a acessibilidade nas suas diferen-
tes dimensões (arquitetônica, tecnológica, comunicacional, 
linguística, pedagógica e atitudinal — preconceito, medo e ig-
norância) preconiza a construção de acesso e eliminação dos 
diversos tipos de barreiras favorecendo a dignidade e o bem 
estar de todos os cidadãos.
A Lei Federal n.º 10.098/2000, estabelece as normas e cri-
térios básicos para a promoção de acessibilidade de pessoas 
com deficiência ou mobilidade reduzida a serem aplicadas em 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 47
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA
Pa r t e
03
todos os espaços de convivência social, educativa, profissional. 
Sobre as condições gerais da acessibilidade:
Art. 2.o Para os fins desta Lei são estabelecidas as 
seguintes definições:
I - acessibilidade: possibilidade e condição de al-
cance para utilização, com segurança e autonomia, 
dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, 
das edificações, dos transportes e dos sistemas e 
meios de comunicação, por pessoa portadora de 
deficiência ou com mobilidade reduzida;
II - barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que 
limite ou impeça o acesso, a liberdade de movi-
mento e a circulação com segurança das pessoas, 
classificadas em:
a) barreiras arquitetônicas urbanísticas: as exis-
tentes nas vias públicas e nos espaços de uso 
público;
b) barreiras arquitetônicas na edificação: as exis-
tentes no interior dos edifícios públicos e privados;
c) barreiras arquitetônicas nos transportes: as 
existentes nos meios de transportes;
d) barreiras nas comunicações: qualquer entrave 
ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a ex-
pressão ou o recebimento de mensagens por in-
termédio dos meios ou sistemas de comunicação, 
sejam ou não de massa;
III – pessoa portadora de deficiência ou com 
mobilidade reduzida: a que temporária ou 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO48
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA
Pa r t e
03
permanentemente tem limitada sua capacidade 
de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo;
IV – elemento da urbanização: qualquer compo-
nente das obras de urbanização, tais como os refe-
rentes a pavimentação, saneamento, encanamen-
tos para esgotos, distribuição de energia elétrica, 
iluminação pública, abastecimento e distribuição 
de água, paisagismo e os que materializam as in-
dicações do planejamento urbanístico;
V – mobiliário urbano: o conjunto de objetos exis-
tentes nas vias e espaços públicos, superpostos ou 
adicionados aos elementos da urbanização ou da 
edificação, de forma que sua modificação ou tras-
lado não provoque alterações substanciais nestes 
elementos, tais como semáforos, postes de sina-
lização e similares, cabines telefônicas, fontes 
públicas, lixeiras, toldos, marquises, quiosques e 
quaisquer outros de natureza análoga;
VI – ajuda técnica: qualquer elemento que facilite 
a autonomia pessoal ou possibilite o acesso e o uso 
de meio físico. (BRASIL, Lei 10.098/2000)
É importante destacar o documento da CIF – Classificação 
Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (2004) no 
qual articula-se a acessibilidade e representa uma mudança no 
paradigma para avaliar e trabalhar com a “deficiência”. Alinha-
se a este instrumento as ajudas técnicas ou tecnologias assisti-
vas1, como recursos essenciais a todas as pessoas para o pleno 
exercício da cidadania, qualidade de vida e bem estar social.
1 Tecnologia Assistiva (TA) - entendida como dispositivo que atende a todas as dimensões de acessibilidade dirigidos às ne-
cessidades da pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida e, limitada nas suas funções motoras, auditivas, visuais ou de 
comunicação.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 49
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA
Pa r t e
03
Finalmente, os documentos e aspectos citados ilustram as 
possibilidades de inclusão e acessibilidade no espaço escolar. 
Fortalecem o paradigma da inclusão sócio-educativa na pers-
pectiva da qualidade de vida à todas as pessoas (crianças, ado-
lescentes e adultos), com deficiência e não deficientes.
Extras 
Sugerimos o material do link indicado como complemento 
ao tema Inclusão Escolar. Disponível em <http://cursosonline.
uol.com.br/assinatura/artigos/educacao/o-que-e-inclusao-es-
colar/#rmcl>. Acesso em: 5 mar. 2015.
Recomendamos, também, o acesso à Cartilha de Tecnologia 
Assistiva nas Escolas. Disponível em: <www.itsbrasil.org.br/
publicacoes/cartilha/cartilha-tecnologia-assistiva-nas-escolas-
-recursos-basicos-de-acessibilidade>. Acesso em: 15 mar. 2015.
Atividade
Qual o significado de acessibilidade descrito no Art. 2.º da 
Lei 10.098/2000?
Referências 
BRASIL. Lei Federal n. 10.098, de 19 de Dezembro de 2000. Estabelece 
normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das 
pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras 
providências. Publicado no Diário Oficial da União de 20.12.2000. Disponível 
em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l10098.htm>. Acesso em: 13 out. 
2014.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO50
INCLUSÃO ESCOLAR: 
LEGISLAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA
Pa r t e
03
BRASIL. Ministério da ciência e tecnologia. Tecnologia assistiva nas escolas. 
Recursos básicos de acessibilidade sócio-digital para pessoa com deficiência. 
Its Brasil. Janeiro, 2008. Disponível em: <www.itsbrasil.org.br/sites/itsbrasil.
w20.com.br/files/Digite_o_texto/Cartilha_Tecnologia_Assistiva_nas_
escolas_-_Recursos_basicos_de_acessibilidade_socio-digital_para_pessoal_
com_deficiencia.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2015.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF — Classificação Internacional de 
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa-
Portugal, 2004. Amélia Leitão-tradução e revisão. Disponível em: <www.inr.
pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2015.
PAULON, Simone Mainieri; FREITAS, Lia Beatriz de Lucca; PINHO, Gerson 
Smiech. Documento subsidiário à política de inclusão. Brasília: Ministério 
da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2005. Disponível em: <http://
portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/docsubsidiariopoliticadeinclusao.
pdf>. Acesso em: 5 mar. 2015.
SASSAKI, Romeu. Inclusão – construindo uma sociedade para todos. Rio de 
Janeiro, WVA, 1997.
Resolução da atividade
Possibilidade e condição de alcance para utilização, com 
segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamen-
tos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e 
meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou 
com mobilidade reduzida.
Conhecer e reconhecer as altas 
habilidades e superdotação. 
ALTAS HABILIDADES E 
SUPERDOTAÇÃO
Aula 04
Objetivos:
Sh
ut
te
rs
to
ck
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 53
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
01
CONCEPÇÕES TEÓRICAS
Desde a década de 1980 verifica-se uma preocupação maior 
dos cientistas com as teorias sobre inteligência e a ampliação 
da visão sobre altas habilidades e superdotação – AH/SD. Não háconsenso sobre a definição de AH/SD, no entanto, todos concor-
dam que a criança superdotada apresenta elevado desempenho 
e elevada potencialidade. 
Sobre o tema, alguns estudos se destacam, entre eles:
• Teoria da desintegração positiva, de Kazimierz 
Dabrowski (1950) – marca os primeiros estudos volta-
dos à superdotação. Além de estudar a personalidade 
humana, este autor identifica a criança superdotada 
como tendo “hiperexcitabilidade” devido a um alto ní-
vel de habilidades gerais que se correlacionam positi-
vamente. Essas habilidades apresentam cinco caracte-
rísticas: sensório-perceptiva, psicomotora, cognitiva, 
vivacidade e sensibilidade emocional. No processo de 
desenvolvimento socioemocional pessoal, a maioria 
das pessoas experimenta inicialmente uma integração 
caracterizada na adoção de padrões sociais vigentes. 
Num segundo momento, a desintegração positiva leva 
a pessoa a períodos de reflexão e introspecção, que 
culminam na adoção dos próprios valores. Esse pro-
cesso de desintegração é acompanhado por angústia 
e ansiedade.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO54
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
01
• Teoria do Círculo dos Três Anéis, de Joseph Renzulli 
(1986) – destaca os aspectos intelectuais e o racio-
cínio lógico-matemático, ou melhor, a capacidade de 
resolução, a capacidade criativa elevada e o envolvi-
mento com a tarefa, ou seja, são muito motivados e 
comprometidos com as atividades que desenvolvem. O 
comportamento de AH/SD é definido na dinâmica fun-
cional entre os três anéis onde se valoriza a realização 
criativo-produtiva. Nos remete à questão das poten-
cialidades, habilidades e competências do aprendiz. 
Assim, a AH/SD tem relação com o tempo e as circuns-
tâncias, ou melhor, os comportamentos superdotados 
ocorrem em determinadas pessoas, momentos e cir-
cunstâncias (não o tempo todo). 
Modelo dos Três Anéis 
Capacidade realizadora 
acima da média
Envolvimento 
emocional com a 
tarefa-motivação
Criatividade
Comportamento do 
superdotado
• Teoria das inteligências múltiplas, de Howard 
Gardner (1995) – baseia sua concepção de inteligência 
em competências cognitivas que se interpenetram às 
inteligências múltiplas. A maioria das pessoas é capaz 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 55
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
01
de uma atuação em pelo menos sete diferentes ha-
bilidades: inteligência linguística, inteligência lógi-
co-matemática, inteligência corporal cinestésica, in-
teligência espacial, inteligência musical, inteligência 
intrapessoal e interpessoal. As pessoas são inteligentes 
quando demonstram um comportamento intencional e 
habilidades na resolução de problemas. “Algumas in-
teligências são mais valorizadas em uma cultura do 
que outra e, portanto, o indivíduo só pode ser con-
siderado inteligente se o seu contexto for levado em 
consideração”. (VIRGOLIM, 2007, p. 54.)
Inteligências 
múltiplas
Linguística
Logico- 
-matemática
Corporal 
cinestésica
MusicalIntrapessoal
Interpessoal
Espacial
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO56
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
01
• Teoria triádica da inteligência, de Robert Sternberg 
(1996) – a inteligência está marcada pela habilidade 
de êxito. As pessoas superdotadas conhecem seus pon-
tos fracos e fortes e são capazes de equilibrá-los para a 
resolução dos conflitos cotidianos. Sternberg descreve 
cinco características essenciais presentes na superdo-
tação: excelência, raridade, produtividade, demons-
tratividade e valor. “A pessoa pode ser inteligente de 
três formas: pelo uso de uma inteligência analítica, ou 
pelo uso de uma inteligência criativa, ou ainda pelo 
uso de uma inteligência prática” (VIRGOLIM,2007, p. 
53). A criança superdotada poderá destacar-se em 
uma das formas de inteligência, em duas, ou ainda nas 
três simultaneamente. Sternberg adverte que a valori-
zação sociocultural interfere na funcionalidade que a 
criança superdotada dá às suas atividades cotidianas. 
Criativa Prática
Analítica
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 57
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
01
• Teoria do modelo diferenciado de sobredotação e 
talento, de Françoys Gagné (2000) – a sobredotação 
(superdotação) é inata a priori. Reconhece habilida-
des intelectuais inatas – fator “g”– e talentos específi-
cos decorrem das influências e interações num campo 
ambiental e gradativamente se desenvolvem. O pes-
quisador identifica cinco talentos primordiais: cogniti-
vo, criativo, socioafetivo, sensório-motor e percepti-
vo-sensorial. A superdotação se refere ao rendimento 
alcançado como resultado independente da vivência 
prática. Já o talento se aprimora no contexto relacio-
nal e a criança é identificada como superdotada entre 
seus pares. 
Após essa apresentação percebe-se que a identificação de 
AH/SD é uma questão complexa e com implicações importantes 
na família, na escola, na sociedade. A criança com AH/SD necessi-
ta ser atendida nos espaços relacionais adequadamente para que 
possa explorar suas potencialidades e talentos ao máximo.
Extra 
Sugerimos o acesso ao site MEC, na página A Construção 
de práticas Educacionais para alunos com Altas Habilidades/
Superdotação, onde é possível encontrar subsídios para a constru-
ção de uma proposta de atendimento especializado. Disponível 
em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content 
&view=article&id=12679:a-construcao-de-praticas-educa-
cionais-para-alunos-com-altas-habilidadessuperdotacao 
&catid=192:seesp-esducacao-especial>.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO58
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
01
Outra sugestão é do site da Associação Brasileira para Altas 
Habilidades e Superdotação. Disponível em: <www.altashabili-
dades.com.br/>.
Atividade
Qual a proposição da teoria do círculo dos três anéis, de 
Renzulli? 
Referência 
VIRGOLIM, Angela. Altas habilidades/superdotação: encorajando potenciais. 
Brasilia: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2007. 
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/altashab1.
pdf>. Acesso em: 13 mar. 2015.
Resolução da atividade
Renzulli destaca, além dos aspectos intelectuais e do ra-
ciocínio lógico-matemático (da capacidade de resolução), a ca-
pacidade criativa elevada e o envolvimento com a tarefa, ou 
seja, as pessoas com AH/SD são muito motivadas e comprome-
tidas com as atividades que desenvolvem.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 59
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
02
RECONHECENDO A CRIANÇA COM AH/SD
Quando o assunto é AH/SD alguns mitos estão presentes: 
diz-se que é uma pessoa “pronta” e “extraordinária”. Nem 
tanto assim, são pessoas comuns como eu e você, reconhecidas 
por seus talentos, potencialidades específicas e um modo não 
convencional de resolver problemas. 
No processo ensino-aprendizagem regular pouco se foca na 
potencialização dos talentos, habilidades e competências pró-
prias de cada aluno. Para o aluno com AH/SD o reconhecimento 
do professor e seu acolhimento torna-se muitas vezes essencial 
para sua adaptação e sucesso no ambiente escolar, não apenas 
do ponto de vista cognitivo, como também social e afetivo. Não 
há consenso na definição de AH/SD entre os pesquisadores da 
área. Sua definição está atrelada ao conceito que se tem de 
inteligência. 
As pessoas com altas habilidades formam um gru-
po heterogêneo, com características diferentes e 
habilidades diversificadas; diferem uns dos outros 
também por seus interesses, estilos de aprendi-
zagem, níveis de motivação e de autoconceito, 
características de personalidade e principalmente 
por suas necessidades educacionais. Entendemos 
que é tarefa dos educadores, sejam eles professo-
res ou pais, compreender a superdotação em seus 
aspectos mais básicos e assim se tornarem agentes 
na promoção do desenvolvimento dos potenciais, 
de forma a poder atender as necessidades espe-
ciais desta população. (VIRGOLIM, 2007.p.11)FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO60
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
02
Na relação com o aluno com AH/SD, o professor buscará 
como estratégia educativa inclusiva, levantar o perfil cognitivo 
do aluno para aplicar técnicas pedagógicas para a suplemen-
tação, a diferenciação e o enriquecimento curricular. Dessa 
maneira, contemplam-se no processo de aprendizagem as ne-
cessidades especiais cognitivas, sociais e afetivas do aluno; res-
peita-se seu ritmo e estilo de aprendizagem e, finalmente, 
atende-se às características específicas do ciclo de desenvolvi-
mento da criança com AH/SD. 
Ainda a aprendizagem deve contemplar também necessi-
dades sociais e afetivas do aluno a fim de dar-lhe oportunidade 
de construir seu conhecimento respeitando seu estilo e ritmo 
de aprendizagem. Dessa maneira, atende-se ao padrão irregu-
lar de desenvolvimento cognitivo, social, afetivo, tão frequen-
te, no aluno com AH/SD.
O artigo 5.º, inciso III da Resolução CNE/CEB n. 2 de 2001, 
que estabelece as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial 
na Educação Básica, traz como premissa: “altas habilidades/
superdotação, grande facilidade de aprendizagem que os leve 
a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes”. 
Já os Parâmetros Curriculares Nacionais (2004), em sua série de 
Adaptações Curriculares, Saberes e Práticas da Inclusão, atri-
buem indicativos às crianças com AH/SD. 
SUPERDOTAÇÃO 
Notável desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos 
seguintes aspectos isolados ou combinados: 
- capacidade intelectual geral; 
- aptidão acadêmica especifica; 
- pensamento criativo ou produtivo; 
- capacidade de liderança; 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 61
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
02
- talento especial para artes; 
- capacidade psicomotora. (BRASIL, 2003. p. 28-29)
Para a identificação de crianças com AH/SD, apresentamos 
a seguir um formulário com alguns dos principais indicativos de 
AH/SD, que serve como recurso ao professor na sala de aula:
Formulário para a identificação da superdotação
Reserve alguns minutos para listar os nomes dos alunos que 
venham primeiramente à sua mente quando você lê as descrições 
abaixo. Utilize esta lista como uma “associação livre” e de forma 
rápida. Não é necessário preencher todas as linhas. É provável que 
você encontre mais do que um aluno em cada descrição.
01 Aprende fácil e rapidamente.
02 Original, imaginativo, criativo, não convencional.
03 Amplamente informado; informado em áreas não comuns.
04 Pensa de forma incomum para resolver problemas.
05 Persistente, independente, autodirecionado (faz coisa sem que seja mandado).
06 Persuasivo, capaz de influenciar os outros.
07 Mostra senso comum; pode não tolerar tolices.
08 Inquisitivo, cético, curioso sobre o como e porquê das coisas.
09 Adapta-se a uma variedade de situações e novos ambientes.
10 Esperto ao fazer coisas com materiais comuns.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO62
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
02
11 Habilidades nas artes (música, dança, desenho etc.).
12 Entende a importância da natureza (tempo, Lua, Sol, estrelas, solo etc.).
13 Vocabulário excepcional, verbalmente fluente.
14 Aprende facilmente novas línguas.
15 Trabalhador independente, mostra iniciativa.
16 Bom julgamento, lógico.
17 Flexível, aberto.
18 Versátil, muitos interesses, interesses além da idade cronológica.
19 Mostra insights e percepções incomuns.
20 Demonstra alto nível de sensibilidade, empatia com relação aos outros.
21 Apresenta excelente senso de humor.
22 Resiste à rotina e repetição.
23 Expressa ideias e reações, frequentemente de forma argumentativa.
24 Sensível à verdade e à honra.
(GALBRAITH, J.; DELISLE, J. The gifted kid’s survival guide: A teen handbook. 
Minneapolis, MN: Free Spirit Publishing, 1996. In: VIRGOLIM, A. M. R. Altas 
Habilidades/Superdotação Encorajando Potenciais. Brasilia: MEC/Secretaria 
de Educação Especial, 2007. p. 44. Adaptado.) 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 63
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
02
Extras 
Consulte o documento das Diretrizes Nacionais para a 
Educação Especial na Educação Básica, do MEC/Secretaria de 
Educação Especial, de 2001. Disponível em: <http://portal.mec.
gov.br/seesp/arquivos/pdf/diretrizes.pdf>. Acesso em: 08 mar. 
2015.
Outro link interessante é o blog Práticas Educacionais para 
Alunos Superdotados e o Desenvolvimento de Talentos, que traz 
diversas práticas educacionais voltadas as AH/SD como legis-
lação, artigos, livros, projetos desenvolvidos. Disponível em: 
<http://superdotadosetalentos.blogspot.com.br/>. Acesso em: 
08 mar. 2015.
Atividade
Como é definido o aluno com AH/SD nas Diretrizes Nacionais 
para a Educação Especial na Educação Básica?
Referências 
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Saberes e 
Práticas da Inclusão: Estratégias para a Educação de Alunos com Necessidades 
Educacionais Especiais. Brasilia, 2003. Disponível em: <http://portal.mec.
gov.br/seesp/arquivos/pdf/serie4.pdf>. Acesso em: 17 mar. 2015. 
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Câmara de Educação Básica. Resolução 
CNE/CEB 2, de 11 de setembro de 2001. Institui Diretrizes Nacionais para a 
Educação Especial na Educação Básica. Publicada no Diário Oficial da União, 
Brasília, 14 de setembro de 2001. Seção 1E, p. 39-40. Disponível em: <http://
portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB0201.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2015.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO64
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
02
VIRGOLIM, Angela Mágda Rodrigues. Altas habilidades/superdotação: 
encorajando potenciais. Brasilia: Ministério da Educação / Secretaria de 
Educação Especial, 2007. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/
arquivos/pdf/altashab1.pdf>. Acesso em 3 mar. 2015.
Resolução da atividade
Estabelece como premissa que o aluno com AH/SD apre-
senta grande facilidade de aprender, dominando rapidamente 
conceitos, procedimentos e atitudes.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 65
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
03
QUESTÕES ÉTICAS 
NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
A educação inclusiva na interface com as ações éticas 
tem por referência as diretrizes nacionais e internacionais, 
como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), 
a Constituição Federal (1988), o Estatuto da Criança e do 
Adolescente (1990), Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) e 
a Política Nacional de Direitos Humanos (2007). 
Agir em acordo com as questões éticas significa ter por 
base o respeito às diferenças individuais como único meio de 
se atingir a igualdade social. A ética se traduz na atitude de 
respeito e de reconhecimento do outro em qualquer espaço de 
relacionamento: pessoa-pessoa, família, escola e trabalho.
As práticas educativas no cotidiano escolar devem promo-
ver um clima de sociabilidade, visando à construção de um am-
biente de respeito ao ser humano. Dessa maneira, a aplicação 
das questões éticas inclusivas no espaço de aprendizagem do 
aluno supera as práticas discriminatórias e excludentes vigen-
tes, promove-se a igualdade entre as pessoas, propicia-se o diá-
logo, a participação, a responsabilidade social e a vivência em 
comunidade entre todos. 
Na sala de aula o trabalho do professor é determinante. 
Cabe a ele facilitar ao aluno o acesso à postura ética no espaço 
escolar, devendo:
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO66
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
03
• Promover uma atitude reflexiva sobre as práticas 
educativas; 
• Mobilizar a compreensão do conceito de justiça social;
• Desenvolver o aprender a ser solidário e rejeitar 
discriminações; 
• Aplicar o diálogo como forma de gerenciamento de 
conflitos e tomada de decisões;
• Construir uma postura que considere diferentes pon-
tos de vista e valorize as potencialidades de cada um;
• Desenvolver o desejo de aprender a aprender. 
É um desafio para o educador ensinar a atitudereflexiva-
-crítica-ética, ou seja, ensinar ao aluno o saber pensar e saber 
agir frente aos desafios instigantes do cotidiano, pois é isso que 
nos faz diferentes de outras espécies, nos faz essencialmen-
te humanos. Incentivar a reflexão, despertar o senso crítico, a 
curiosidade e a criatividade do aluno é incluí-lo na sociedade 
educativa inclusiva. 
Extra 
Sugerimos a leitura da entrevista de Fernando Savater à 
Revista Escola (ed. 153 – Jun/2002): Da ética como método de 
trabalho. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/
crianca-e-adolescente/comportamento/etica-como-metodo-
-trabalho-431445.shtml>. Acesso em: 3 mar. 2015.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 67
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
03
Atividade
O que significa agir em acordo com as questões éticas? 
Referências 
BRASIL. Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos. Plano Nacional 
de Educação em Direitos Humanos / Comitê Nacional de Educação em 
Direitos Humanos. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 
Ministério da Educação, Ministério da Justiça, UNESCO, 2007. Disponível em: 
<file:///C:/Users/Irene/Downloads/plano_nacional%20(1).pdf>. Acesso em: 
3 mar. 2015.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Publicado no 
Diário Oficial da União de 05.10.1988. Disponível em: <www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 3 mar. 2015.
BRASIL. Lei 8069, de 13 de Julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança 
e do Adolescente e dá outras providências. Publicado no Diário Oficial da 
União 16.7.1990 e retificado em 27.9.1990. Disponível em <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm>. Acesso em: 3 mar. 2015.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares 
Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais / Secretaria 
de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.Disponível em: 
<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf>. Acesso em: 3 mar. 
2015.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU. Declaração Universal dos Direitos 
Humanos, de 10 de agosto de 1948. Disponível em: <www.dudh.org.br/wp-
content/uploads/2014/12/dudh.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2015.
Resolução da atividade
Significa ter por base o respeito às diferenças individuais 
como único meio de se atingir a igualdade social.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO68
ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO
Pa r t e
03
Reconhecer as características do 
comportamento social inadequado e 
seus reflexos à inclusão escolar, as 
características das dificuldades de 
aprendizagem e a educação inclusiva.
COMPORTAMENTO 
ANTISSOCIAL E A 
INCLUSÃO EDUCACIONAL 
Aula 05
Objetivo:
m
om
m
ay
ap
/S
hu
tt
er
st
oc
k
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 71
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL 
E A INCLUSÃO EDUCACIONAL 
Pa r t e
01
FATORES ASSOCIADOS AO 
COMPORTAMENTO SOCIAL INADEQUADO
A criança com comportamento social inadequado pode ser 
descrita como aquela que foge aos padrões de comportamento 
esperado para determinada pessoa num determinado período 
do desenvolvimento (infância, adolescência), numa determina-
da comunidade. No cotidiano, pode ser referida como criança 
“sem limites” que tem dificuldade em perceber o espaço do 
outro e se harmonizar com o ambiente, por exemplo, em sala 
de aula, no relacionamento com o professor e com os cole-
gas. Sua atividade é incessante, questiona o professor, fala e 
quer mostrar que ninguém manda nela. Elias (2005 p. 54), diz 
que “De acordo com a percepção dos professores, esses alunos 
apresentam mais dificuldades de adaptação às demandas da 
sala de aula quando comparados aos colegas com rendimento 
satisfatório”. 
A manifestação do comportamento social inadequado de-
corre da impossibilidade de internalizar responsabilidades e 
deveres, não respeita as regras e limites do ambiente e apre-
senta atitude desafiadora à autoridade. Revela imaturidade e 
dependência das relações afetivas e não suporta a frustração e 
a castração. 
Atinge um comportamento patológico quando persiste por 
muito tempo, parecendo faltar-lhe a capacidade de aprender 
com os efeitos prejudiciais e destrutivos dos seus próprios atos 
e seu comportamento passa a ter maior impacto nos outros 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO72
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL 
E A INCLUSÃO EDUCACIONAL 
Pa r t e
01
que em si mesmo. Apresenta um comportamento intimidador e 
violento com as pessoas. Creditam-se como fatores causais do 
comportamento social inadequado o ambiente interior e exte-
rior, ou melhor, fatores constitucionais e o meio de convivência 
(familiar e social) da criança.
No ambiente escolar, a criança com comportamento social 
inadequado, não se envolve com o ensino e isso se reflete no 
seu aproveitamento e desempenho. Ao ser questionada, res-
ponde impulsivamente: “não quero saber de nada disso”, “isso 
não me interessa”. Essas crianças convivem com problemas so-
ciais e familiares diversos e demonstram no comportamento os 
anos de vivência permissiva. Esses padrões de comportamento 
inadequado se chocam com a aprendizagem formal realizada 
na escola. 
Neste sentido, dificultando a intervenção da educação 
como um elemento transformador do comportamento no es-
paço escolar. “Sem um programa de intervenção precoce, os 
problemas de comportamento em crianças podem se cristalizar 
a partir dos oito anos de idade, iniciando uma trajetória de pro-
blemas acadêmicos” (Rios & Willians 2008, p. 800).
Quanto mais cedo forem identificados os comportamen-
tos sociais inadequados de uma dada criança, maiores serão as 
chances de reversão nos quadros de desajustamento socioedu-
cativo e maiores serão os benefícios para um desenvolvimento 
saudável e digno de cidadania a toda criança.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 73
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL 
E A INCLUSÃO EDUCACIONAL 
Pa r t e
01
Extra 
A sugestão é uma busca no link Pedagogia ao pé da letra, 
para complementar os estudos e conhecer projetos inovadores 
voltados à formação de seres humanos. Disponível em: <http://
pedagogiaaopedaletra.com/programa-etica-e-cidadania-cons-
truindo-valores-na-escola-e-na-sociedade/>. Acesso em: 17 
mar. 2015.
Atividade
O comportamento social inadequado é definido com base 
em três aspectos determinantes. Quais são eles?
Referências 
ELIAS, Luciana; MATURANO, Edna. Oficina de linguagem proposta de 
atendimento psicopedagogico para crianças com queixas escolares. Revista 
Estudo de Psicologia,10(1) p. 53-61. 2005. Disponível em: <www.scielo.br/
pdf/epsic/v10n1/28008.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2015.
RIOS, Karyne; WILLIAMS, Lucia. Intervenção com famílias como estratégia 
de prevenção de problemas de comportamento em crianças: uma revisão. 
Revista Psicologia em Estudo, Maringá, v. 13, n. 4, p. 799-806, out./dez. 
2008 Disponível em: <www.scielo.br/pdf/pe/v13n4/v13n4a18>. Acesso em: 
25 mar. 2015.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO74
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL 
E A INCLUSÃO EDUCACIONAL 
Pa r t e
01
Resolução da atividade
Um comportamento social inadequado pode ser descrito 
como:
1. foge aos padrões de comportamento esperado para 
determinada pessoa;
2. aparece num determinado período do desenvolvimen-
to (infância, adolescência),
3. numa determinada comunidade.
Ou seja, será identificado em uma pessoa especifica, em 
uma das etapas do desenvolvimento humano e em uma deter-
minada comunidade (cultura).
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 75
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL 
E A INCLUSÃO EDUCACIONAL 
Pa r t e
02
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
Na busca por uma definição atualizada das dificuldades de 
aprendizagem, supera-se o paradigma de que as causas estejam 
no aluno e ignoram-se as influências do ambiente na apren-
dizagem. Não há dúvidas de que o entendimento das dificul-
dades de aprendizagem só acontece quando se compreende 
a complexidade das interações entre aspectos do ambiente 
interior eexterior do aluno, quer sejam contexto socioafetivo, 
cognitivo, e o contexto das estratégias de aprendizagem na es-
colarização do aluno.
Boruchovitch considera que, para uma definição das di-
ficuldades de aprendizagem, inúmeros problemas podem ser 
identificados como 
[...] problemas situacionais de aprendizagem [...] 
problemas de comportamento, problemas emocio-
nais, problemas de comunicação [...] problemas 
físicos, de visão e de audição e, por fim, proble-
mas múltiplos (BORUCHOVITCH, 2001, p. 40-41), 
Tais problemas afetam e interferem nas manifestações 
do comportamento. Dessa forma, pessoas que os apresentam 
podem ser interpretadas como alunos que “não aprendem” e 
que são “desatentos” ou, “desinteressados” no ambiente de 
aprendizagem. 
Pode-se complementar essa definição relacionando as 
questões das dificuldades de aprendizagem aos atrasos ou di-
ficuldades na linguagem oral e escrita e ao raciocínio lógico-
-matemático, em pessoas com inteligência potencialmente nor-
mal e sem deficiências. Geralmente, afetam algumas áreas do 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO76
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL 
E A INCLUSÃO EDUCACIONAL 
Pa r t e
02
processamento cognitivo e podem estar relacionadas a proble-
mas de percepção, concentração, memória, raciocínio-lógico, 
pensamento, adaptação social e problemas emocionais.
O aluno com dificuldades de aprendizagem frente ao pro-
fessor e às atividades escolares pode apresentar atitudes de des-
crença, percepção negativa da sua capacidade de realizar tare-
fas escolares, distorção da realidade, problemas motivacionais.
Cabe reconhecer que as dificuldades de aprendizagem 
exigem um olhar interdisciplinar para pensar as questões re-
lativas a sua definição, etiologias, diagnósticos e tratamentos. 
Diferentes campos do conhecimento investigam as dificuldades 
de aprendizagem, como educação, psicologia, fonoaudiologia, 
neuropsicologia, linguística, entre outras.
A identificação e o tratamento das dificuldades de apren-
dizagem são essenciais para a emergência de um comportamen-
to socioeducativo adequado ao ambiente institucional escolar 
acessível e inclusivo. Pois, num ambiente acessível, é possível 
inovar, criar outras práticas educativas, outras formas de abor-
dar a aprendizagem, que respeitem os diferentes ritmos e esti-
los de aprendizagem de cada aluno.
Extra 
Sugere-se consultar o link a seguir para que os conhecimen-
tos sobre o tema Crianças com dificuldade de aprendizagem 
seja ampliado. Muitas são as ações educativas que podem ser 
aplicadas para o sucesso escolar das crianças que apresentam 
dificuldades de aprendizagem. Disponível em: <http://direcio-
nalescolas.com.br/2013/12/10/criancas-com-dificuldade-de-
-aprendizagem/>. Acesso em: 15 mar. 2015.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 77
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL 
E A INCLUSÃO EDUCACIONAL 
Pa r t e
02
Atividade
Quais são os problemas que Boruchovitch identifica para 
uma definição das dificuldades de aprendizagem? 
Referências 
BORUCHOVITCH, Evely. Dificuldades de aprendizagem, problemas 
motivacionais e estratégias de aprendizagem. In: SISTO, Fermino; 
BORUCHOVITCH, Evely. (Orgs). Dificuldades de aprendizagem no contexto 
psicopedagógico. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.
Resolução da atividade
Boruchovitch considera que para uma definição das di-
ficuldades de aprendizagem inúmeros problemas podem ser 
identificados:
1. problemas situacionais de aprendizagem;
2. problemas de comportamento;
3. problemas emocionais;
4. problemas de comunicação;
5. problemas físicos, de visão e de audição;
6. problemas múltiplos.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO78
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL 
E A INCLUSÃO EDUCACIONAL 
Pa r t e
03
SOBRE O COMPORTAMENTO 
E A EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
O termo “comportamento” pode aqui ser entendido como 
uma reação da pessoa aos efeitos da interação com o ambien-
te interior e exterior. O comportamento visa a adaptação da 
pessoa ao meio e apresenta características de maleabilidade 
e mutabilidade que se desenvolvem no curso do ciclo de vida 
da pessoa, quer dizer, desde a infância e adolescência à vida 
adulta e velhice. 
A acessibilidade atitudinal reflete um comportamento coe-
rente com as práticas educativas inclusivas, fundamentada na 
concepção de direitos humanos, sem qualquer forma de dis-
criminação. A manifestação de um comportamento inclusivo 
significa compreender que a educação é um direito básico e 
fundamental do ser humano e que as condições de acesso e de 
permanência no espaço escolar são essenciais para assegurar 
o direito de todas as pessoas à educação escolar de qualidade 
com vistas ao exercício da cidadania.
Um dos ambientes fundamentais para a aquisição de com-
portamentos socioeducativos é a instituição escolar. Os compor-
tamentos se inscrevem na vivência institucional e nas práticas 
educativas viabilizadas nas relações interpessoais entre profes-
sores e alunos. Cabe ao professor criar um ambiente acolhedor 
a todo tipo de comportamento do aluno, mesmo este sendo 
“não adequado” ou com “dificuldades” na aprendizagem.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 79
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL 
E A INCLUSÃO EDUCACIONAL 
Pa r t e
03
A postura do educador deve ser de uma constante 
reavaliação de sua atuação e de uma análise críti-
ca sobre as reais potencialidades e dificuldades de 
seus alunos que estejam interferido no aprender. 
É claro que estamos considerando também o aluno 
que possui como causa da desadaptação escolar 
fatores psicológicos, neurológicos, psiquiátricos, 
dentre outros. O professor não irá “curar” os pro-
blemas dos alunos e nem saberá diagnosticá-los, 
mas tem uma participação muito importante na 
criação de um ambiente de respeito, de promoção 
de autoconfiança, diminuindo a ansiedade e uma 
visão negativa que seus alunos possam estar crian-
do. (OLIVEIRA, 2001, p. 94.)
A instituição escolar inclusiva é como um sistema aberto, 
dinâmico, flexível e em evolução que se atualiza nas trocas 
com a comunidade. É aquela que faz do seu engajamento, na 
valorização e aceitação das diferenças, a alavanca para criar 
estratégias pedagógicas que possam ser internalizadas nas rea-
ções, nos comportamentos de professores e alunos. Uma prá-
tica educativa inclusiva trabalha na direção do sucesso escolar 
e no desenvolvimento das potencialidades do aluno, não fica 
restrita à incapacidade e à restrição de participação, seja ela 
motora, intelectual, visual ou auditiva. 
Assim, terá pessoas implicadas e mobilizadas na busca de 
alternativas que eliminem qualquer tipo de barreira à inclusão 
educacional e social. Pessoas com atitudes solidárias, coopera-
tivas, com hábitos “adequados” ao exercício de uma cidadania 
mais saudável, ética e igualitária, que respeita a diversidade e 
o direito do ser humano. 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO80
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL 
E A INCLUSÃO EDUCACIONAL 
Pa r t e
03
Extra s
Sugestão de link: Ética e cidadania: construindo valores na 
escola e na sociedade, da Secretaria de Educação Básica, Fundo 
Nacional de Desenvolvimento da Educação. Brasília: MEC/SEB, 
2007. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/
storage/materiais/0000015515.pdf>. Acesso em: 19 mar. 2015.
Outra sugestão é a entrevista postada no YouTube: 
Cidadania – Inclusão de pessoas com deficiência no mercado 
de trabalho, da qual participam Patricia Siqueira Silveira, audi-
tora fiscal do trabalho, e Eugênia Augista Gonzaga, procurado-
ra regional da República. Disponível em: <www.youtube.com/
watch?v=lB2po8CdGt4>. Acesso em: 19 mar. 2015.
Atividade
O dispositivo do comportamento humano aplicado a práti-
cas educativas inclusivas se enquadra a qual das dimensões da 
acessibilidade?
Referência 
OLIVEIRA, Gislene. Dificuldades subjacentes ao não aprender. In: SISTO, 
Fermino; BORUCHOVITCH, Evely (Orgs). Dificuldades de aprendizagem no 
contexto psicopedagógico. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.
Resolução da atividade
Na acessibilidadeatitudinal, o comportamento é um dis-
positivo coerente com as práticas educativas inclusivas.
Conhecer as manifestações do TDAH 
e identificar as práticas educativas 
inclusivas no trabalho com este 
transtorno. 
APRENDIZAGEM DAS 
CRIANÇAS COM 
HIPERATIVIDADE 
Aula 06
Objetivos:
Ju
pi
te
ri
m
ag
en
s
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 83
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
COM HIPERATIVIDADE 
Pa r t e
01
CARACTERÍSTICAS E MANIFESTAÇÕES DO 
TRANSTORNO TDAH
Há controvérsias sobre a definição, as causas, o diagnóstico 
e o tratamento do Transtorno Déficit de Atenção e Hiperatividade 
(TDAH). De acordo com os DSM IV e V1 e a OMS2, pode-se en-
tender que a Hiperatividade ou Transtorno Hipercinético tem 
características de um padrão de comportamento com falta de 
atenção, hiperatividade e/ou impulsividade, em grau maior 
que aquele observado entre pessoas com a mesma faixa etária 
e de desenvolvimento. 
Indicam que para um diagnóstico, os sintomas devem estar 
presentes antes dos sete anos de idade em pelo menos em dois 
ambientes diferentes (familiar, escolar ou social) por um perío-
do superior a seis meses. 
A hiperatividade se caracteriza pela presença 
frequente das seguintes características: agitar as 
mãos ou os pés ou se remexer na cadeira; abando-
nar sua cadeira em sala de aula ou outras situações 
nas quais se espera que permaneça sentado; cor-
rer ou escalar em demasia, em situações nas quais 
isto é inapropriado; pela dificuldade em brincar 
ou envolver-se silenciosamente em atividades de 
lazer; estar frequentemente “a mil” ou muitas 
vezes agir como se estivesse “a todo o vapor”; e 
1 DSM IV e V- referem-se ao Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria. 
É um instrumento padrão de classificação de transtornos mentais de uso dos profissionais de saúde. Entre os anos de 1994 
a 2000 o DSM IV foi elaborado e publicado e esteve vigente até a publicação do DSM V em 2013. O DSM V atualizou e alterou 
alguns critérios do DSM IV. 
2 OMS - Organização Mundial da Saúde criada em 1948 estando subordinada às prerrogativas da ONU. Tem por fundamento geren-
ciar as ações de promoção e proteção de saúde a todas as nações. A saúde entendida como o pleno desenvolvimento e bem-estar 
da pessoa nos aspectos orgânicos, psíquicos e socioculturais. 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO84
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
COM HIPERATIVIDADE 
Pa r t e
01
falar em demasia. Os sintomas de impulsividade 
são: frequentemente dar respostas precipitadas 
antes das perguntas terem sido concluídas; com 
frequência ter dificuldade em esperar a sua vez; e 
frequentemente interromper ou se meter em as-
suntos de outros. (ROHDE et al. 2000, p. 2)
A interação entre os aspectos genéticos e o contexto am-
biental influencia na determinação do TDAH, e pode ser consi-
derada como fator na sua etiologia. Os problemas no ambiente 
familiar não são determinantes, mas influenciam o TDAH. Uma 
das características familiares importantes seriam as práticas 
educativas negligentes dos pais para com os filhos, o que con-
duz a criança a ter que se comportar de maneira inadequada 
para conseguir a atenção necessária das figuras parentais ou 
seus representantes. 
Pela complexidade de fatores do transtorno, seu diagnós-
tico clínico e tratamento deve ser realizado por uma equipe 
interdisciplinar com profissionais da neuropsiquiatria, psicolo-
gia, psicopedagogia, fonoaudiologia e terapeuta ocupacional. A 
história de vida pessoal e escolar é um dado significativo para 
o diagnóstico. No tratamento, em alguns casos, recomenda-se 
o uso de fármacos.
A criança com TDAH pode sofrer de inquietação, hiperex-
citabilidade e desorganização generalizada. Pode demonstrar 
interesse por tudo o que está acontecendo no ambiente ao seu 
redor, embora não sustente o interesse. O que importa para 
ela é perguntar, não tanto a resposta. Pela dificuldade de man-
ter a atenção, as tarefas e/ou atividades são desagradáveis. 
Dificilmente escutam as instruções e concluem as atividades 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 85
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
COM HIPERATIVIDADE 
Pa r t e
01
solicitadas pelos pais, professores e autoridades. Mantém uma 
referência egocêntrica nos relacionamentos e nas interações 
com o ambiente. Tendem a adotar um estilo de vida e de apren-
dizagem muito peculiar que podem comprometer sua adaptação 
social e sucesso escolar. É possível verificar alto índice de in-
teligência nas crianças com TDAH. Parecem ser mais atraídas 
pelas atividades divertidas e recompensadoras em qualquer am-
biente (família, escola, sociedade). 
Finalmente, o diagnóstico deve buscar compreender o de-
senvolvimento de cada criança e propor um tratamento que 
contribua na melhoria da qualidade de vida da criança em todos 
os ambientes de sua convivência. 
Extra 
Sugestão: consultar o site da Associação Brasileira de 
Déficit de Atenção (ABDA), para atualizar os conhecimentos e 
pesquisar dicas para o TDAH. Disponível em: <www.tdah.org.
br/br/a-abda/quem-somos.html>. Acesso em: 25 mar. 2015.
Atividade
Qual deve ser a premissa no diagnóstico e tratamento do 
TDAH entendido com um transtorno complexo e multifatorial?
Referências 
ROHDE, Luis Augusto; BARBOSA, Genário; TRAMOTINA, Silzá; POLANCZYK, 
Guilherme. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. In: Revista 
Brasileira de Psiquiatria. v. 22. s. 2. dez. 2000. Disponível em: <www.scielo.
br/scielo.php?pid=S15164462000000600003&script=sci_arttext>. Acesso em: 
19 abr. 2015.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO86
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
COM HIPERATIVIDADE 
Pa r t e
01
Resolução da atividade
No diagnóstico deve-se compreender o desenvolvimento 
peculiar da criança. No tratamento deve-se visar a melhoria da 
qualidade de vida da criança. 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 87
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
COM HIPERATIVIDADE 
Pa r t e
02
CONTEXTO E PERCEPÇÃO SOCIAL
O contexto e a percepção social são ingredientes impor-
tantes no processo ensino-aprendizagem. Ao estudar o contexto 
contemporâneo em que se insere a escola e o sujeito, Benedetti 
(2008) analisa a interferência dos aspectos sociais, culturais e 
éticos no comportamento e na aprendizagem das crianças. 
A desconsideração das dimensões socioculturais e 
psicológicas da criança obstaculiza o conhecimen-
to do aluno na totalidade de suas características o 
que pode levar os professores a terem uma visão 
irreal daqueles com quem atuarão. (BENEDETTI, 
2008, p. 43)
Aspectos relativos aos domínios cognitivo, social e afetivo 
têm sido discutidos com a intenção de compreender mais sobre 
as barreiras que impedem a aprendizagem do aluno. “O aspecto 
afetivo é um importante elemento a se considerar quando se 
pretende compreender o processo de aprendizagem dos indiví-
duos” (MARTINELLI, 2001. p. 99).
De acordo com a teoria sócio-histórica de Vigotski o ho-
mem é um ser social em permanente desenvolvimento e apren-
dizagem. O comportamento da criança recebe influências do 
contexto sócio-histórico, assim como os costumes, as regras, a 
moral e a ética são aprendidas nas interações com o ambiente 
e manifestadas no comportamento. 
No mesmo sentido, a aprendizagem não acontece 
de maneira isolada, o indivíduo participante de 
um grupo social, ao conviver com outras pessoas 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO88
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
COM HIPERATIVIDADE 
Pa r t e
02
efetua trocas de informações e, desta forma, vai 
construindo o seu conhecimento conforme seu de-
senvolvimento psicológico e biológico lhe permi-
te. (MELLO, 2012, p. 3-4.)
O outro ingrediente essencial é a percepção do aluno no 
processo do aprender. Esse termo é muito bem descrito na 
Psicologia da Gestalt como o ato de perceber o mundo ao seu 
redor e apreender um sentido e um significado que será mani-
festo no comportamento.
[...] a forma como interpretamos os estímulos do 
meio ambiente, utilizandonossa experiência e vi-
vências anteriores e nossas necessidades presentes, 
constitui o ato de perceber. Experiências anterio-
res, maior ou menor interesse pelos estímulos, mo-
tivação, estado afetivo-emocional no momento de 
observação, sensibilidade dos órgãos, dos sentidos 
para estímulos particulares e a integração ou orga-
nização do que está ocorrendo – determina nossa 
percepção dos fatos. (COUTINHO, 2008, p. 36)
E, para concluir, vale destacar que, além dos contextos ci-
tados, no trabalho com o aluno é importante considerar seu es-
tilo cognitivo, que é a ideia de que cada aluno tem uma manei-
ra peculiar de “perceber” e de “processar a informação” o que 
implica diferença no seu processo de aprendizagem para uma 
aprendizagem significativa. Ainda, os contextos extraescolares 
que tratam das dimensões das políticas públicas educacionais, 
da gestão administrativo-financeira e a gestão pedagógica. 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 89
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
COM HIPERATIVIDADE 
Pa r t e
02
Extra 
Sugestão: pesquisar no site TDAH e você, os problemas 
vividos pela pessoa com TDAH e como solucioná-los. Apresenta 
dicas para uma convivência cotidiana que contemple as premis-
sas da inclusão escolar e social. Disponível em: <www.tdahevo-
ce.com.br/tdahevoce/>. Acesso em: 22 mar. 2015.
Atividade
Como a Psicologia da Gestalt define o termo percepção? 
Referências 
BENEDETTI, Ieda; URT, Sonia da Cunha. Escola, ética e cultura contemporânea: 
reflexões sobre a constituição do sujeito que “não aprende”. Psicologia da 
Educação. São Paulo. 27 2.º sem. 2008, PP. 141-155. Disponível em: <http://
pepsic.bvsalud.org/pdf/psie/n27/v27a08.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2015. 
COUTINHO, Katia Regina Roseiro. A psicologia da Gestalt: aplicabilidade a 
prática pedagógica da educação de jovens e adultos. Rev. Teoria e Prática da 
Educação. v. 11 n. 1 pp. 33-40. jan/abr. 2008. Disponível em: <www.dtp.uem.
br/rtpe/volumes/v11n1/004_Katia_Regina.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2015.
MARTINELLI, Selma. Os aspectos afetivos das dificuldades de aprendizagem. In: 
SISTO, Fermino; BORUCHOVITCH, Evely (orgs). Dificuldades de aprendizagem 
no contexto psicopedagógico. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.
MELLO, Elisangela de Fátima Fernandes de; TEIXEIRA, Adriano Canabarro. 
A interação social descrita por Vigotski e a sua possível relação com a 
aprendizagem colaborativa através das tecnologias de rede. Disponível 
em: <www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/
viewFile/6/871>. Acesso em: 22 mar. 2015.
VIGOTSKI, Lev. Psicologia Pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2003.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO90
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
COM HIPERATIVIDADE 
Pa r t e
02
Resolução da atividade
Percepção é a forma como interpretamos os estímulos do 
meio ambiente, utilizando nossa experiência e vivências ante-
riores e nossas necessidades presentes.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 91
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
COM HIPERATIVIDADE 
Pa r t e
03
O PROFESSOR E O ALUNO COM TDAH 
O aluno com TDAH apresenta problemas que podem afetar 
seu desempenho e aproveitamento escolar, o que pode resultar 
no fracasso e/ou evasão escolar. 
No ambiente escolar e na sala de aula devem-se observar 
as manifestações de comportamento social inadequado, asso-
ciadas às características da hiperatividade, no que se refere ao 
respeito às regras, aos combinados e a autoridade instituída. As 
dificuldades de aprendizagem podem estar presentes no TDAH, 
uma vez que as características do transtorno remetem aos pro-
cessos mentais básicos e superiores como atenção, memória, 
percepção, pensamento, linguagem, entre outros. 
O aluno com TDAH tem dificuldades para transformar suas 
grandes ideias em ação verdadeira. Tem problemas em enten-
der e explicar seus pontos de vista e isso afeta a aquisição da 
aprendizagem. Seu limite de tolerância à opinião discordante 
da sua é baixo, o que faz com que apresente comportamento 
social instável, indo rapidamente da tristeza para a raiva e vi-
ce-versa. Este aluno também tem muita dificuldade de geren-
ciamento, organização, planejamento e tempo nas atividades e 
tarefas. Raramente apresenta consciência crítica reflexiva, não 
aprende com seus próprios erros. 
O professor, no trabalho com o aluno com hiperatividade, 
deve entender que se trata de um processo dinâmico no qual 
também intervém a história de vida pessoal e escolar do aluno 
e do conteúdo de aprendizagem. 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO92
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
COM HIPERATIVIDADE 
Pa r t e
03
Estamos discutindo aqui não o conteúdo do pro-
fessor, mas a forma como ele gerencia seu con-
teúdo, ou seja, não o que ele faz, mas como ele 
age. A generosidade do professor é que o faz ques-
tionar os seus conteúdos e permite que ele não 
se paralise diante de suas convicções. É também 
o que toca o aluno e lhe desperta o sentimento 
de empatia e anseio de conhecer, que faz surgir 
nele a vontade de ir além do que é simplesmente 
proposto. (LAVOURA; BOTURA, DARIDO, 2006, p. 
207.)
Donald Winnicott (1983) descreve o conceito holding como 
essencial para o desenvolvimento do comportamento social da 
criança. Trata-se do ambiente relacional entre a mãe e o seu 
filho, no qual a mãe faz continente para a convivência e desen-
volvimento saudável do bebê. No holding a mãe protege o filho 
das agressões fisiológicas e externas. Estabelece uma relação 
de cuidado para com seu filho. Cabe assim ao professor criar 
um ambiente que favoreça a continuidade do crescimento do 
aluno.
Extra 
Sugestão: pesquisar as ações educacionais inovadoras no 
site do Instituto ABCD, organização social que dissemina pro-
jetos que atendam a diversidade do alunado. Disponível em: 
<www.institutoabcd.org.br/portal/>. Acesso em: 22 mar. 2015.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 93
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
COM HIPERATIVIDADE 
Pa r t e
03
Atividade
O que significa o holding para Donald Winnicott?
Referências 
LAVOURA, Tiago; BOTURA, Henrique Moura Leite; DARIDO, Suraya Cristina. 
Educação física escolar: conhecimentos necessários para a prática pedagógica. 
Revista da Educação Física UEM. Maringá v. 7 n. 2, 2006. pp. 203-209. 
Disponível em: <http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/
article/view/3341/2414>. Acesso em: 20 mar. 2015.
WINNICOTT, Donald. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: 
Artmed,1983.
Resolução da atividade
Ambiente relacional entre a mãe e o seu filho.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO94
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
COM HIPERATIVIDADE 
Pa r t e
03
Conhecer as características dos 
transtornos do neurodesenvolvimento e 
reconhecer o papel da família na inclusão.
TRANSTORNOS DO 
NEURODESENVOLVIMENTO
Aula 07
Objetivos:
M
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FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 97
TRANSTORNOS DO 
NEURODESENVOLVIMENTO
Pa r t e
01
CONHECENDO A ETIOLOGIA 
A expressão “transtornos do neurodesenvolvimento” 
foi descrita recentemente no DSM V1 – Manual Diagnóstico 
Estatístico de Transtornos Mentais, que tem por finalidade 
fazer um levantamento estatístico da prevalência e curso dos 
transtornos e ser um guia facilitador das trocas interdisciplina-
res entre os profissionais da área da saúde mental (psiquiatras, 
psicólogos, psicanalistas, entre outros). 
De acordo com pesquisas recentes, os transtornos do neu-
rodesenvolvimento estão relacionados a alterações das células 
neuronais, que formam o sistema nervoso e o cérebro huma-
no. As manifestações dos transtornos estão atreladas às con-
dições ambientais, pessoais, neuropsicológicas e cognitivas. 
Geralmente, apresentam comprometimento nas áreas: com-
portamento, linguagem e interação interpessoal e intrapessoal.
De acordo com as informações acima, compreende-se que 
o uso da classificação sintomatológica é insuficiente para um 
diagnóstico e intervenção clínica ou educacional que atendam 
aparticularidades de cada indivíduo. 
Nesse sentido o uso de classificações categoriais é 
limitante, pois a topografia de um comportamento 
não é suficiente para a compreensão da sua fun-
ção para um determinado indivíduo. A análise fun-
cional do comportamento é imprescindível para o 
planejamento da intervenção clínica. (ARAÚJO e 
NETO, 2014. p. 68)
1 O DSM-5, “oficialmente publicado em 18 de maio de 2013, é a mais nova edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de 
Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana. A publicação é o resultado de um processo de doze anos de estudos, 
revisões e pesquisas de campo realizados por centenas de profissionais divididos em diferentes grupos de trabalho. O objetivo 
final foi o de garantir que a nova classificação, com a inclusão, reformulação e exclusão de diagnósticos, fornecesse uma fonte 
segura e cientificamente embasada para aplicação em pesquisa e na prática clínica”. (ARAÚJO; NETO 2014, p. 70)
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO98
TRANSTORNOS DO 
NEURODESENVOLVIMENTO
Pa r t e
01
As patologias descritas pelo DSM V nesse grupo são: 
• Deficiências intelectuais — Síndrome de Down.
• Transtornos da comunicação — Disfluências de lingua-
gem, gagueira.
• Transtorno de espectro autista — Síndrome de Asperger.
• Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade 
— TDAH.
• Transtorno específico de aprendizagem — Dislexia, di-
sartria, discalculia.
• Transtornos motores — Movimentos estereotipados, 
Síndrome de Tourette.
Um exemplo de deficiência intelectual é a Síndrome de 
Down, que apresenta características como percepção adequada 
de si mesmo e do ambiente em que vive, interesse pelo ambien-
te, relacionamento afetivo interpessoal e seu desenvolvimento 
é persistente, lento, mas harmônico. Tem estilo e ritmos de 
aprendizagem próprios.
Entre os transtornos de comunicação, estão as disfluên-
cias de linguagem e fala, que comprometem a comunicação 
com o interlocutor. Exemplos: a gagueira infantil e a dislalia. 
Essas alterações da linguagem envolvem fatores genéticos, de-
generativos, ambientais e emocionais, caracterizam a má ar-
ticulação, omissões, distorções dos sons da fala, incapacidade 
respiratória, inadequação da mastigação e deglutição, hábitos 
orais inadequados.
No Transtorno de Espectro Autista, enquadram-se o autis-
mo e a síndrome de Asperger, com características de ruptura 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 99
TRANSTORNOS DO 
NEURODESENVOLVIMENTO
Pa r t e
01
nos processos das habilidades sociais, comprometimento de ha-
bilidades estratégicas para o aprendizado que podem determi-
nar prejuízos persistentes e difusos. Apresentam incapacidade 
nas funções executivas e rigidez dos comportamentos estereo-
tipados e interesses restritos.
Os transtornos de déficit de atenção e hiperatividade carac-
terizam-se como transtornos de alta incidência nas crianças, com 
comorbidades de difícil análise diagnóstica e tratamento. Suas 
manifestações comprometem a capacidade de atenção, concen-
tração, atividade psicomotora e comportamento adequado.
Entre os transtornos específicos de aprendizagem, encon-
tram-se as dislexias, que apresentam limitações nas funções 
cognitivas de atenção e memória, em alguns aspectos no de-
senvolvimento da linguagem oral e escrita, na socialização e 
até emocionalmente. Falta de habilidade em aprender com sua 
experiência é uma característica.
Os transtornos motores podem ser ilustrados com a sín-
drome de Tourette, caracterizada por tiques múltiplos de alta 
frequência e repetitivos, motores ou vocais, como tossir, fungar 
ou limpar a garganta, movimentos de coçar ou de bater com as 
mãos na cabeça, mas também podem estar associados a outros 
transtornos. 
Extra
Sugere-se o vídeo do YouTube que ilustra a Síndrome de 
Tourette. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=fM4vFU-
cqGgk>. Acesso em: 1 abr. 2015.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO100
TRANSTORNOS DO 
NEURODESENVOLVIMENTO
Pa r t e
01
Atividade
Compreende-se a etiologia dos transtornos do neurodesen-
volvimento como sendo multifatorial, por quê?
Referências 
ARAÚJO, Álvaro; NETO, Francisco Lotufo. A nova classificação americana para 
os transtornos mentais-DSM -5. Revista Brasileira de Terapia Comportamental 
e Cognitiva, v. XVI, n. 1, 2014. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-55452014000100007&lng=pt&nrm=is
o&tlng=pt>. Acesso em: 25 mar. 2015. 
Resolução da atividade
Os transtornos do neurodesenvolvimento envolvem alte-
rações das células neuronais que formam o sistema nervoso, 
condições neuropsicológicas, cognitivas, contexto pessoal e o 
ambiente de convivência.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 101
TRANSTORNOS DO 
NEURODESENVOLVIMENTO
Pa r t e
02
PODE-SE APRENDER?
É fundamental, por um lado, considerar que todos os 
alunos podem aprender e, por outro, para alguns alunos que 
apresentam necessidades educativas especiais, é preciso com-
preender que englobam uma variedade de condições restritivas 
de participação e de limitações orgânicas e sensoriais, condi-
ções ambientais e pessoais psicológicas que têm consequências 
diferentes no aproveitamento e desempenho educacional dos 
alunos. 
Deve-se ainda dizer à professora que pergunta pela 
capacidade de aprender dessas crianças algo sobre 
suas condições intelectuais. Evidentemente, essas 
crianças aprendem. Aliás, todas as crianças apren-
dem muito mais do que sonha a nossa vã pedago-
gia. A preocupação com os problemas de aprendi-
zagem de leitura e da escrita na escola moderna 
é tão grande, que muitos educadores acabam por 
reduzir a imensa capacidade de aprender de uma 
criança ao seu repertório de habilidades para ler e 
escrever. (KUPFER; PETRI, 2000, p.115-116)
Na inclusão escolar, identificar condutas de interesse na 
instituição escolar, os modelos de intervenção pedagógica, a ro-
tina diária do professor e as relações de cooperação contribuem 
para a compreensão e criação de uma intervenção que atende 
ao processo de inclusão escolar do aluno com necessidades edu-
cativas especiais. 
Criar é, basicamente, formar. É poder dar uma 
forma a algo novo. Em qualquer que seja o campo 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO102
TRANSTORNOS DO 
NEURODESENVOLVIMENTO
Pa r t e
02
de atividade, trata-se, nesse “novo”, de novas 
coerências que se estabelecem para a mente hu-
mana, fenômenos relacionados de modo novo e 
compreendidos em termos novos. O ato criador 
abrange, portanto, a capacidade de compreender, 
e esta, por sua vez, a de ordenar, configurar, sig-
nificar. (OSTROWER,1987, p. 9)
Observar a direção do olhar do educador é um indicativo 
dos aspectos que estão sendo iluminados, se para o diagnósti-
co, para a deficiência, para o sujeito, para o aprendiz, para o 
contexto histórico-cultural, para as dimensões de acessibilida-
de social e educacional. Ressaltando que uma atitude inclusiva 
pressupõe assumir uma posição de coautoria na construção de 
novos conhecimentos e novas possibilidades de aprender. 
É o aprendizado que possibilita o despertar de 
processos internos do indivíduo, liga o desenvol-
vimento da pessoa a sua relação com o ambiente 
sociocultural em que vive. (OLIVEIRA, 1993. p. 58)
Extra
Visite o site do Lugar de Vida — Centro de Educação 
Terapêutica e conheça uma instituição de referência no trata-
mento e no acompanhamento escolar de crianças e adolescen-
tes com problemas psíquicos. Disponível em: <www.lugardevi-
da.com.br/quem01.php>. Acesso em: 31 mar. 2015.
Atividade
Que definição Ostrower apresenta para criar? 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 103
TRANSTORNOS DO 
NEURODESENVOLVIMENTO
Pa r t e
02
Referências 
KUPFER, Maria; PETRI, Renata. Por que ensinar a quem não aprende? Estilos 
da clínica. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/estic/v5n9/_08.
pdf>. Acesso em: 25 mar. 2015.
OLIVEIRA, Marta. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento um processo 
sócio-histórico. SãoPaulo: Scipione, 1993.
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Petrópolis: Vozes, 
1987.
Resolução da atividade
De acordo com o autor Ostrower, criar é poder dar forma 
a algo novo. É formar. O ato criador abrange, portanto, a ca-
pacidade de compreender, e esta, por sua vez, a de ordenar, 
configurar, significar.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO104
TRANSTORNOS DO 
NEURODESENVOLVIMENTO
Pa r t e
03
RELAÇÃO ESCOLA-FAMÍLIA 
NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
A família, pensada como instituição, é importante para a 
construção de crenças, virtudes, valores éticos e morais, para o 
desenvolvimento saudável e adaptativo dos bebês e das crian-
ças. A convivência familiar e a inter-relação pais-filhos são 
essenciais à aquisição e manutenção de comportamentos so-
cioafetivos adequados num ambiente. 
Cabe aos pais perceberem o significado e o sentido valioso 
da função que tem o pai e a mãe para o filho na formação de 
uma base de normas vigentes que representem um padrão mí-
nimo de referência, um repertório de possibilidades à convivên-
cia nos diversos ambientes (família, escola, comunidade), para 
uma capacidade de discernimento crítico do filho. 
O envolvimento familiar e o acolhimento família-sujeito 
são percebidos pelo filho ou pela criança nas ações de prote-
ção, de continente, nas relações de confiança, de segurança 
no ambiente de convivência. Ainda, favorecem ao filho ou à 
criança a emergência de competências afetivas e sociais im-
portantes para o pleno exercício de cidadania. Competências 
como autonomia, independência, iniciativa, saber pensar e agir 
de maneira crítica, criativa e reflexiva no gerenciamento satis-
fatório dos conflitos do dia a dia.
De acordo as condições do contexto (educativo, social, cul-
tural e político), é possível criar estratégias para a superação 
dos desafios cotidianos em prol da formação dos seres humanos.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 105
TRANSTORNOS DO 
NEURODESENVOLVIMENTO
Pa r t e
03
A prevenção de problemas de comportamento, afetivos e/
ou cognitivos na infância, deve ser prioridade nas políticas de 
saúde e de educação. A Declaração de Salamanca (1994), em 
seus artigos 57, 58 e 59 preconiza: 
Art. 57. A educação de crianças com necessidades 
educacionais especiais é uma tarefa a ser dividi-
da entre pais e profissionais. Uma atitude positiva 
da parte dos pais favorece a integração escolar e 
social. Pais necessitam de apoio para que possam 
assumir seus papéis de pais de uma criança com 
necessidades especiais. O papel das famílias e dos 
pais deveria ser aprimorado através da provisão 
de informação necessária em linguagem clara e 
simples; ou enfoque na urgência de informação e 
de treinamento em habilidades paternas constitui 
uma tarefa importante em culturas onde a tradi-
ção de escolarização seja pouca.
Art. 58. Pais constituem parceiros privilegiados no 
que concerne as necessidades especiais de suas 
crianças, e desta maneira eles deveriam, o máxi-
mo possível, ter a chance de poder escolher o tipo 
de provisão educacional que eles desejam para 
suas crianças. 
Art. 59. Uma parceria cooperativa e de apoio en-
tre administradores escolares, professores e pais 
deveria ser desenvolvida e pais deveriam ser con-
siderados enquanto parceiros ativos nos processos 
de tomada de decisão. Pais deveriam ser enco-
rajados a participar em atividades educacionais 
em casa e na escola (onde eles poderiam obser-
var técnicas efetivas e aprender como organizar 
atividades extracurriculares) bem como na super-
visão e apoio à aprendizagem de suas crianças. 
(DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994, p. 13-14)
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO106
TRANSTORNOS DO 
NEURODESENVOLVIMENTO
Pa r t e
03
Extra
É importante se prover de cuidados e apoio à família e à 
comunidade para que as crianças e adolescentes tenham condi-
ções favoráveis para um desenvolvimento saudável. Sugere-se, 
para ampliar as possibilidades da família às praticas inclusivas, 
o link seguir: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/
afamilia.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2015.
Atividade
Que ações traduzem o envolvimento e acolhimento 
família-sujeito? 
Referências 
DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das 
Necessidades Educativas Especiais. Espanha, 1994. Disponível em: <http://
portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf>. Acesso em: 6 abr. 
2015.
Resolução da atividade
As ações de proteção, de continente, as relações de 
confiança, de segurança no ambiente familiar em que o fi-
lho, a criança, convive com os integrantes da família (pais/
responsáveis).
Definir as habilidades cognitivas, 
caracterizar estilo cognitivo e de 
aprendizagem, identificar o pensar criativo 
no processo do aprender.
HABILIDADES 
COGNITIVAS
Aula 08
Objetivos:
G
et
ty
 Im
ag
es
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 109
HABILIDADES COGNITIVAS
Pa r t e
01
O QUE SÃO HABILIDADES COGNITIVAS?
O funcionamento do nosso sistema cognitivo é complexo e 
articula-se ao desenvolvimento das competências da inteligên-
cia, como: raciocínio lógico-matemático, raciocínio linguístico, 
pensamento reflexivo-crítico, capacidade de análise e síntese, 
atenção-concentração, compreensão-interpretação e argumen-
tação textual para a autonomia do aprender e a atualização das 
estruturas do conhecimento no processo de escolarização.
Dias (2002) remete a Jean Piaget (1936) para descrever a 
inteligência como um processo mental. 
É um termo genérico designando as formas supe-
riores de organização ou de equilíbrio das estrutu-
ras cognitivas [...] a inteligência é essencialmente 
um sistema de operações vivas e atuantes. Ela é 
adaptação mental mais extremada (PIAGET, 1936, 
apud DIAS, 2002, p. 22). 
Assim, as competências e habilidades cognitivas humanas 
constituem um dos grandes desafios a serem aprimorados em 
todas as etapas de escolarização, desde a educação infantil ao 
ensino superior, atendendo as prerrogativas da “educação para 
todos” e demais dispositivos legais nacionais e internacionais. 
Cabe à educação criar as condições para operacionalizar práti-
cas educativas que atendam à educação inclusiva.
Primi (2001), ao descrever as competências e habilidades 
cognitivas, apresenta a definição de habilidade proposta por 
Carrol (1993), articulada aos processos de aprender.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO110
HABILIDADES COGNITIVAS
Pa r t e
01
A habilidade pressupõe a ideia de potencial de 
realização, ou seja, a existência de uma relativa 
facilidade em lidar com informações e com pro-
blemas de uma determinada classe ou conteúdo. 
O investimento deste potencial em experiências 
de aprendizagem pode conduzir à maestria, que 
envolve um conhecimento organizado sobre um 
determinado tema. (CARROLL, 1993, apud PRIMI, 
2001, p. 155)
O sistema cognitivo humano se desenvolve na interação 
de alguns fatores: orgânico, sociocultural e afetivo. Não há 
consenso entre os pesquisadores para definir a inteligência. 
Apresentamos três modelos explicativos da inteligência: 
1. Modelo psicométrico – define as estruturas da in-
teligência a partir dos instrumentos de medida. 
Pesquisadores: Alfred Binet e Francis Galton.
2. Modelo desenvolvimentista – define a inteligência e a 
sua dinâmica ao longo do desenvolvimento, trazendo 
avanços significativos ao procurar descrever o proces-
samento cognitivo e relacioná-lo aos diferentes está-
gios do desenvolvimento humano. Pesquisadores: Jean 
Piaget, Henri Wallon e Lev Vygotsky.
3. Modelo do processamento neuronal de informação 
– é a mais recente abordagem de entendimento das 
estruturas mentais. Pesquisadores: Howard Gardner, 
Daniel Golemann e Robert J. Sternberg.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 111
HABILIDADES COGNITIVAS
Pa r t e
01
Extra
Sugestão de leitura para aprofundar a compreensão sobre 
as habilidades cognitivas num dos dispositivos legais nacionais. 
MEC. Eixos cognitivos do ENEM. Brasília, INEPMinistério da 
Educação, 2002. Disponível em: <http://livros01.livrosgratis.
com.br/me001971.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2015.
Atividade
Que fatores interagem para o desenvolvimento do sistema 
cognitivo humano? 
Referências 
DIAS, Maria da Graça. O desenvolvimento das competências que nos 
permite conhecer. In: Eixos cognitivos do ENEM. Brasília, INEP Ministério da 
Educação, 2002, p. 21-29. Disponível em: <http://livros01.livrosgratis.com.
br/me001971.pdf>. Acesso em: 5 abr. 2015.
PRIMI, Ricardo; et al. Competências e habilidades cognitivas: diferentes 
definições dos mesmos construtos. Revista Psicologia: teoria e pesquisa. Mai-
-Ago 2001, v. 17, n. 2, p. 151-159. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/
ptp/v17n2/7875.pdf>. Acesso em: 11 maio 2015.
Resolução da atividade
Fatores condicionantes: orgânico, sociocultural e afetivo.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO112
HABILIDADES COGNITIVAS
Pa r t e
02
ESTILO COGNITIVO
É importante entender que o desenvolvimento das habili-
dades cognitivas alavancam as estratégias cognitivas utilizadas 
pelos indivíduos. Referem-se a dois fatores interdependentes: 
estilo de aprendizagem e estilo cognitivo. A consideração des-
ses fatores favorece a autonomia, a iniciativa e autoconfiança 
do sujeito e, de fato, o reconhece como sujeito ativo no apren-
der a aprender e apreender o conhecimento. 
Assim, o estilo é um modo de ser pessoal, em que a pes-
soa usa das suas competências e habilidades para saber sobre 
si mesmo e conhecer seu ambiente de convivência. O estilo 
define um modo particular de extrair informações, conscientes 
e inconscientes, para processá-las e criar formas significativas 
de se conduzir na vida. “É através da apercepção criativa, mais 
do que qualquer outra coisa, que o indivíduo sente que a vida é 
digna de ser vivida” (WINNICOTT, 1975, p. 95).
Parga (2004), no texto O enlace desejo-inteligência na 
aprendizagem diz que, “para compreendermos o processo de 
aprendizagem, é necessário ir além da experiência imediata, 
pois o conhecimento se encontra antes, por longos períodos, 
inconscientes”.
Estilo cognitivo significa o modo como o indivíduo apreen-
de e processa as informações em situações gerais de resolução 
de conflito. Leibovitz (2013) utiliza a definição de Kolb (1984) 
para estilo de aprendizagem, “como tendo a ver com carac-
terísticas individuais e variáveis, de índole cognitiva e/ou de 
personalidade, que explicam as diferentes formas de abordar, 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 113
HABILIDADES COGNITIVAS
Pa r t e
02
planear ou responder a um desafio de aprendizagem” (KOLB, 
1984, apud LEIBOVITZ, 2013, p. 4621).
No processo de aprendizagem, compreender e considerar 
o estilo tem implicações educacionais importantes e que inter-
ferem na atitude do professor no planejamento das atividades 
para a sala de aula, nas estratégias desafiadoras de aprendiza-
gem, na diversificação dos instrumentos de avaliação aplicados 
aos aprendentes. 
Reconhecer que os alunos aprendem de forma diferente 
vai ao encontro das premissas da educação inclusiva, que con-
templa as diferenças individuais e a diversidade cultural nas 
práticas educativas.
Não se pode, pois, entender o processo da apren-
dizagem desconectado da própria história do su-
jeito aprendente, uma vez que este significa suas 
novas experiências a partir da revivescência sin-
gular de seu passado. (PARGA, 2001, p. 151)
Extras
Sugerimos a leitura de alguns artigos estimulantes para a 
compreensão de um fator desafiador na aprendizagem – Estilo, 
seja cognitivo, seja de aprendizagem: 
Os estilos cognitivos na educação escolar e sua dimensão 
conceitual como aporte teórico para a orientação do ensino e 
da aprendizagem uma discussão introdutória. De Sebastião de 
Souza Lemos, o artigo está disponível no link: <http://periodi-
cos.franca.unesp.br/index.php/caminhos/article/view/616>. 
Acesso em: 10 abr. 2015. 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO114
HABILIDADES COGNITIVAS
Pa r t e
02
Estilos de aprendizagem: em busca das diferenças indi-
viduais. de Lia Cristina B. Cavellucci. Disponível em: <www.iar.
unicamp.br/disciplinas/am540_2003/lia/estilos_de_aprendiza-
gem.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2015.
O estilo de aprendizagem e a queixa escolar, de Edith 
Regina Rubinstein. Disponível em: <www.plenamente.com.br/
artigo/33/-estilo-aprendizagem-queixa-escolar-edith-rubins-
tein.php#.VSRI-PnF-m0>. Acesso em: 10 abr. 2015.
Atividade
Como definir estilo?
Referências 
LEIBOVITZ, Luisa Jesus; LEITE, Laurinda; NUNES, Manuela. A aprendizagem 
das ciências baseada na resolução de problemas online: comparação entre 
estilos de aprendizagem e opiniões de alunos do 7.º ano. In: ATAS do XII 
Congresso Internacional Galego-Portugual de psicopedagogia. Braga: 
Universidade do Minho, 2013. Disponível em: <http://repositorium.sdum.
uminho.pt/handle/1822/25186> e em <http://repositorium.sdum.uminho.
pt/bitstream/1822/25186/3/A_aprendizagem_das_ci%C3%AAncias_baseada_
na_resolu%C3%A7%C3%A3o_de_problemas_online_2.pdf>. Acesso em: 10 abr. 
2015.
PARGA, Márcia. O enlace desejo-inteligência na aprendizagem. In: SISTO, 
Fermino, BORUCHOVITCH, Evely; FINI, Lucila (Orgs). Dificuldades de 
aprendizagem no contexto psicopedagógico. Petrópolis; RJ: Vozes, 2004. 
WINNICOTT, Donald. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago,1975.
Resolução da atividade
O estilo é um modo de ser pessoal, em que a pessoa usa das 
suas competências e habilidades para saber sobre si mesmo e 
conhecer seu ambiente de convivência. Define um modo parti-
cular de extrair informações, conscientes e inconscientes para 
processá-las e criar formas de se conduzir na vida.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 115
HABILIDADES COGNITIVAS
Pa r t e
03
PROCESSO CRIATIVO NA ESCOLARIZAÇÃO 
E EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
O processo criativo na escolarização e educação inclusiva 
traz outra perspectiva ao trabalho e à relação professor-aluno. 
Aprimora a atitude do professor no ambiente de aprendizagem. 
“Muitos compararam o trabalho do professor com o do artista, 
destacando como fundamentais os aspectos da criação indivi-
dual” (VIGOTSKI, 2003 p. 296). Criar produz maior envolvimen-
to com a tarefa e satisfação pessoal. 
Esses propósitos norteiam a educação atual, que balizada 
pela habilidade do pensar criativo, conduz o processo ensino-
-aprendizagem à construção do sujeito. “Para a educação atual 
não é tão importante ensinar certa quantidade de conhecimen-
tos, mas educar a aptidão de adquirir esses conhecimentos e 
valer-se deles” (VYGOTSKY, 2003, p. 296). O ato criativo 
[...] é algo que [...] se faz presente quando qual-
quer pessoa [...] se inclina de maneira saudável 
para algo ou realiza deliberadamente alguma coi-
sa [...] de modo que seu impulso criativo possa 
tomar forma e o mundo seja testemunha dele.” 
(WINNICOTT, 1975, p.100). 
Compreendemos que o ato criativo depende das experiên-
cias vividas de cada pessoa em seu ambiente sócio-histórico-
-cultural e que para o impulso criativo importa criar formas e 
Formar importa em transformar. Todo processo 
de elaboração e de desenvolvimento abrange um 
processo dinâmico de transformação, em que a 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO116
HABILIDADES COGNITIVAS
Pa r t e
03
matéria, que orienta a ação criativa, é transfor-
mada pela mesma ação [...] o próprio homem com 
isso se configura [...]. Estruturando a matéria, 
também dentro de si ele se estruturou. Criando, 
ele se recriou [...]. A criatividade é, portanto, ine-
rente à condição humana. (OSTROWER, 1999, p. 
52-53).
As práticas educativas que se organizam pelo processo 
criativo, desmontam as barreiras da identificação dos estilos 
cognitivo e de aprendizagem, ao ritmo de aprendizagem de 
cada estudante e promovem equiparação de oportunidades e 
a acessibilidade atitudinal a todos os estudantes e a sua apro-
priação do conhecimento. “Há vários conceitos sobre a criativi-
dade [...] em geral todos concordam que algo criativotem que 
atender aos critérios de ser original e útil, em um determinado 
tempo histórico” (FLEITH, 2007, p. 16).
Extra
Sugerimos que assista ao vídeo do YouTube Criatividade e 
a Inclusão escolar. Algumas questões interessantes são apre-
sentadas que nos instigam a refletir sobre o pensar criativo na 
escola. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=aCImhdU-
k-ss>. Acesso em: 19 abr. 2015.
Atividade
Qual o efeito para o professor quando se considera o pro-
cesso criativo na escolarização?
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 117
HABILIDADES COGNITIVAS
Pa r t e
03
Referências 
FLEITH, Denise de Souza (Org.). A construção de práticas educacionais 
para alunos com altas habilidades/superdotação. v. 2.: Atividades de 
estimulação de alunos. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de 
Educação Especial, 2007. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/
arquivos/pdf/altashab3.pdf>. Acesso em: 11 maio 2015.
OSTROWER,Fayga. Criatividade e processo de criação. Petrópolis, RJ: Vozes, 
1999.
WINNICOTT, Donald. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago,1975.
VIGOTSKI, Liev. Psicologia pedagógica. Tradução de Claudia Schilling. Porto 
Alegre: Artmed, 2003.
Resolução da atividade
O efeito refere-se ao aprimoramento da atitude do 
professor.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO118
HABILIDADES COGNITIVAS
Pa r t e
03
Operacionalizar as adaptações curriculares 
para a educação inclusiva. 
ADAPTAÇÕES 
CURRICULARES PARA A 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Aula 09
Objetivo:
G
et
ty
 Im
ag
es
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 121
ADAPTAÇÕES CURRICULARES 
PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Pa r t e
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OPERACIONALIZANDO AS ADAPTAÇÕES 
CURRICULARES
Pensar o currículo na inclusão e sua operacionalização às 
práticas educativas, convida o educador a refletir sobre os dis-
positivos de funcionamento na instituição escolar inclusiva, en-
tre eles, sua compreensão da educação e das perspectivas no 
contexto histórico cultural atual. Como aplicar as orientações 
das políticas educacionais inclusivas nacionais e internacionais 
na sala de aula, que percepção se tem do lugar e função do 
professor e do aluno com deficiência – esses saberes sustentam 
as propostas curriculares implantadas nas escolas. O currículo 
como eixo norteador da prática docente no espaço escolar con-
templa três dimensões: a epistemológica, a político-social e a 
de sistema aberto complexo.
No século XXI a Educação é a essência do processo de hu-
manização do homem e a atitude do professor, sua prática do-
cente, é a alavanca que dispara o processo da educação inclu-
siva, cabe ao educador criar metodologias e instrumentos mais 
significativos que ofereçam oportunidades de aprendizagem a 
todos os estudantes.
A sala de aula é o espaço onde se concretiza o cur-
rículo e deve acontecer o processo ensino-aprendi-
zagem. Este processo acontece não só por meio da 
transferência de conteúdos, mas, também pela in-
fluência das diversas relações e interações desse es-
paço escolar, na sala de aula e na relação professor-
-aluno. Concordamos que o eixo central do Currículo 
é diversos conhecimentos. (SABAINI, 2007, p. 9)
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ADAPTAÇÕES CURRICULARES 
PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA
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O currículo proporciona informações sobre o que ensinar, 
quando ensinar, como ensinar e o que, como e quando avaliar. 
Para a proposta de adaptação curricular é válido considerar es-
ses critérios para adequar as diferentes situações as quais se 
aplica. 
Uma escola consegue organizar um currículo inclu-
sivo quando reconhece a complexidade das rela-
ções humanas (professor-aluno), a amplitude e os 
limites de seus objetivos e ações; quando entende 
o ambiente escolar como um espaço relacional 
que estabelece laços que contribuem para a for-
mação de uma identidade individual e social. [...] 
O professor organiza e pratica o currículo enquan-
to constrói e reconstrói suas concepções, percep-
ções e escolhas e, assim, também o faz o aluno 
enquanto aprende. (MINETTO, 2008, p. 32-33).
De fato, um currículo inclusivo deve contar com adapta-
ções e flexibilizações para atender as diferenças individuais e a 
diversidade em sala de aula. 
Currículos, em qualquer processo de escolariza-
ção, transforma-se na síntese básica da educação 
[...] devem ter uma base nacional comum[...] a 
ser suplementada ou complementada por uma 
parte diversificada e exigida, inclusive pelas ca-
racterísticas dos alunos. (BRASIL, 2001, p. 57-58.) 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 123
ADAPTAÇÕES CURRICULARES 
PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA
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Extra
Sugerimos um artigo para complementar a compreensão 
e o significado do currículo na instituição escolar – Currículo 
e educação inclusiva: as políticas curriculares nacionais de 
Amélia Maria Araújo Mesquita. Publicado em 10 de Setembro 
de 2010. Revista Espaço do currículo, v. 3 n. 1. Disponível 
em: <http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/rec/article/
view/9093>. Acesso em: 15 abr. 2015.
Atividade
O que deve informar o currículo sobre o ensinar e o avaliar?
Referências 
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes nacionais para a educação 
especial na educação básica. Secretaria de educação especial. MEC: SEESP, 
2001. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/
diretrizes.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2015.
MINETTO, Maria. Currículo na educação inclusiva: entendendo esse desafio. 
Curitiba: Ibpex, 2008.
SABAINI, Selma. Porque estudar currículo e teorias de currículo. 
2007. Disponível em: <www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/
arquivos/261-2.pdf>. Acesso em: 9 abr. 2015.
Resolução da atividade
O currículo proporciona informações sobre o que ensinar, 
quando ensinar, como ensinar e o que, como e quando avaliar.
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ADAPTAÇÕES CURRICULARES PARA A 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA
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RECURSOS NECESSÁRIOS
“Para a definição das ações pedagógicas, a escola deve 
prever e prover em suas prioridades, os recursos humanos e ma-
teriais necessários à educação na diversidade” (BRASIL, 2001, 
p. 42). Estes recursos necessários à educação inclusiva con-
templam os serviços de apoio pedagógico especializado, que 
acontece nas salas regulares, com a presença de especialistas, 
intérpretes de Libras, sistema Braille, tecnologias assistivas, 
acessibilidade em suas dimensões necessárias e, nas salas de 
recursos, onde o professor realiza a complementação curricu-
lar, utilizando instrumentos técnicos e pedagógicos específicos.
As condições pedagógicas para a ação e planejamento de 
práticas educativas inclusivas irão refletir sobre a temporalidade 
flexível, seja das atividades em sala de aula como do ano letivo. 
A avaliação psicopedagógica pode contribuir na identificação das 
necessidades específicas do aluno formando assim “uma rede de 
apoio interinstitucional que envolva profissionais das áreas de saú-
de, assistência social e trabalho sempre que necessário para o seu 
sucesso na aprendizagem”. (BRASIL, 2001. p. 48).
A flexibilização é uma ação essencial quando se pensa nas 
adaptações à educação inclusiva. Dispomos de uma variedade 
de recursos de acessibilidade que atendem as especificidades 
de cada aluno, desde os mais simples até os mais sofisticados. 
Os recursos da tecnologia de informação e comunicação desem-
penham papel importante à acessibilidade na educação inclusi-
va. Interessante destacar a contribuição das tecnologias assis-
tivas e comunicação alternativa, como área de conhecimento 
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EDUCAÇÃO INCLUSIVA
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investigativo e criação de instrumentos acessíveis à pessoa com 
deficiência, de modo a viabilizar a participação social e o exer-
cício da cidadania.
Para as adaptações que atendam as limitações e restrições 
de participação motoras, visuais, auditivas e físicas
[...] existem sistemas/dispositivos que apresen-tam soluções, próteses chamadas de tecnologia 
assistiva/adaptativa ou Autoajudas/Ajudas técni-
cas [...] refere-se ao conjunto de artefatos dispo-
nibilizados às pessoas com necessidades especiais, 
que contribuem para prover-lhes uma vida mais 
independente, com mais qualidade e possibilida-
des de inclusão social. (SONZA, 2013, p. 199.) 
Finalmente, quando se buscam recursos necessários de 
acessibilidade a cada aluno deve-se “começar com uma análise 
detalhada e escuta aprofundada de suas necessidades, para, a 
partir daí, ir optando pelos recursos que melhor respondem” 
(BRASIL, 2008, p. 38) ao aluno. 
Extra
A sugestão é para aprofundamento nas possibilidades de 
recursos técnicos que auxiliam as praticas pedagógicas inclu-
sivas: Tecnologia assistiva nas escolas — Recursos básicos de 
acessibilidade sócio-digital para pessoas com deficiência. Do 
ITS BRASIL (Instituto tecnologia social) e Microsoft | Educação, 
2008. Disponível em: <www.itsbrasil.org.br/sites/itsbrasil.w20.
com.br/files/Digite_o_texto/Cartilha_Tecnologia_Assistiva_
nas_escolas_Recursos_basicos_de_acessibilidade_socio-digital_
para_pessoal_com_deficiencia.pdf>. Acesso em: 15 abr. 2015. 
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ADAPTAÇÕES CURRICULARES PARA A 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA
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Atividade
Quais os passos para definir o recurso que atenda às neces-
sidades do aluno?
Referências 
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes nacionais para a educação 
especial na educação básica. Secretaria de educação especial. MEC: SEESP, 
2001. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/
diretrizes.pdf>. Acesso em: 10 abr 2015.
ITS BRASIL. Tecnologia assistiva nas escolas: recursos básicos de acessibilidade 
sócio-digital para pessoas com deficiência. Its Instituto tecnologia social. 
2008. Disponível em: <www.itsbrasil.org.br/sites/itsbrasil.w20.com.br/files/
Digite_o_texto/Cartilha_Tecnologia_Assistiva_nas_escolas_Recursos_basicos_
de_acessibilidade_socio-digital_para_pessoal_com_deficiencia.pdf>. Acesso 
em: 15 abr. 2015.
SONZA, Andréa P. (org.) Acessibilidade e tecnologia assistiva: pensando 
a inclusão sociodigital de PNEs. Ministério da Educação. Bento Gonçalves, 
RS. 2013. Disponível em: <www.planetaeducacao.com.br/portal/conteudo_
referencia/acessibilidade-tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 15 abr. 2015.
Resolução da atividade
Para definir qual recurso é adequado ao aluno é neces-
sário avaliar as suas reais necessidades educativas especiais e 
planejar um recurso que atenda a essas necessidades para cada 
aluno em específico.
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ADAPTAÇÕES CURRICULARES PARA A 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA
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AVALIAÇÃO NO CURRÍCULO ADAPTADO
Ao propor a avaliação no currículo adaptado entende-se 
que deva estar interligada a prática docente de ensino adap-
tativo e, dessa maneira, as ações pedagógicas são coerentes 
com a educação inclusiva na construção do conhecimento. “As 
práticas avaliadoras configuram-se, no âmbito do ensino adap-
tativo, como recurso por excelência para concretizar a atenção 
educacional à diversidade” (COLL; MARCHESI, PALÁCIOS, 2004, 
p. 378). 
Segundo Coll, Marchesi e Palácios (2004), ao discutirem a 
avaliação da aprendizagem escolar sugerem alguns critérios no 
planejamento e no desenvolvimento das atividades de avaliação 
adaptada. Estes autores trazem os critérios descritos abaixo: 
• “Priorizar a função pedagógica da avaliação das 
aprendizagens” – avaliação cumulativa; vincular todas 
as atividades de caráter avaliativo aplicadas em sala 
de aula;
• “Reforçar o valor regulador, formativo e formador da 
avaliação nas aprendizagens” – deve ser um instrumen-
to que contribua à melhoria do processo de aprender;
• “Recuperar e reforçar a função pedagógica da avalia-
ção cumulativa das aprendizagens” – avaliação conti-
nuada e diversificada, autoavaliação. Novas formas de 
incluir os pais nos processos avaliativos e de participa-
ção do aluno;
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ADAPTAÇÕES CURRICULARES PARA A 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA
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• “A busca de maior coerência e continuidade entre as 
decisões de ordem pedagógica e de ordem social, as-
sociadas à avaliação das aprendizagens” – critérios de 
avaliação de acordo com os princípios psicopedagó-
gicos que inspiram os usos pedagógicos de avaliação; 
• “A autonomia das escolas e dos professores no pla-
nejamento e no desenvolvimento da avaliação das 
aprendizagens”. (COLL; MARCHESI, PALÁCIOS, 2004, 
p. 378-384. Adaptado.)
Destacam também os processos psicológicos envolvidos no 
planejamento e na execução das avaliações da aprendizagem 
escolar:
• A importância dos fatos cognitivos, afetivos e relacio-
nais na avaliação das aprendizagens;
• A avaliação é um fator essencial na configuração dos 
perfis motivacionais e dos padrões atributivos dos 
alunos;
• A avaliação das aprendizagens realizadas pelos alunos 
é uma questão de grau;
• A inter-relação dos significados limita o alcance das 
atividades de avaliação;
• A avaliação da aprendizagem: um momento estático 
do processo de construção do conhecimento;
• A importância dos erros na avaliação;
• A influência da natureza do conteúdo na avaliação;
• A importância do contexto na construção do conheci-
mento escolar e na avaliação da aprendizagem;
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ADAPTAÇÕES CURRICULARES PARA A 
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• A funcionalidade da aprendizagem e a busca de indica-
dores para a avaliação;
• A incorporação progressiva do controle e da responsa-
bilidade no processo de aprendizagem: uma fonte de 
indicadores para a avaliação. 
Extra
Entende-se que a avaliação no contexto da inclusão deve 
ser desenvolvida, não a partir de aspectos quantitativos, mas 
sim tendo em vista os aspectos qualitativos do sujeito. Para 
tal reflexão recomendamos a leitura do artigo Reflexões sobre 
a Avaliação na Escola Inclusiva, de Francisca Jesus Monteiro 
et al, 2010. Disponível em: <www.ufpi.br/subsiteFiles/ppged/
arquivos/files/VI.encontro.2010/GT.11/GT_11_17_2010.pdf>. 
Acesso em: 10 abr. 2015.
Atividade
A que deve estar ligada a avaliação no currículo adaptado 
na instituição escolar? 
Referência 
COLL, Cesar; MARCHESI, Alvaro; PALACIOS, Jesus. Desenvolvimento 
psicológico e educação. Porto Alegre: Artmed, 2004.
Resolução da atividade
Entende-se que a avaliação no currículo adaptado deva es-
tar interligada a prática docente de ensino adaptativo.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO130
ADAPTAÇÕES CURRICULARES PARA A 
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FUNDAMENTOS TEÓRICOS 
E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO 
Irene Carmem Picone Prestes
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ISBN 978-85-387-4834-2
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