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1
A IMPORTÂNCIA DA LUDICIDADE NA EDUCAÇÃO
ESPECIAL INCLUSIVA1
Marina Aparecida Tavares de
Oliveira2
Declaro que o trabalho apresentado é de minha autoria, não contendo plágios ou citações não
referenciadas. Informo que, caso o trabalho seja reprovado por conter plágio pagarei uma taxa
no valor de R$ 199,00 para a nova correção. Caso o trabalho seja reprovado não poderei pedir
dispensa, conforme Cláusula 2.6 do Contrato de Prestação de Serviços (referente aos cursos de
pós-graduação lato sensu, com exceção à Engenharia de Segurança do Trabalho. Em cursos de
Complementação Pedagógica e Segunda Licenciatura a apresentação do Trabalho de Conclusão
de Curso é obrigatória).
RESUMO
Na vida de cada criança, brincar é um componente essencial. Quando adequadamente concebidas, estas
atividades podem ter um impacto positivo nos alunos inclusivos. No entanto, o processo de inclusão apresenta
uma infinidade de desafios no ambiente escolar. Durante a fase de adaptação na escola, o apego emocional do
aluno a jogos, brinquedos e atividades pode facilitar essa transição. Além disso, construir um bom
relacionamento entre o aluno inclusivo e o seu professor de apoio é crucial para promover a lealdade à escola e
facilitar a socialização com os pares. Brincar também pode ter um impacto positivo no comportamento da
criança durante a sua exposição inicial ao ambiente escolar. A inclusão de alunos em salas de recursos ou com
professores de apoio coloca diversos desafios aos educadores. Esse tema é de grande importância tanto no
sistema regular de ensino quanto no desenvolvimento das habilidades motoras, cognitivas e afetivas das crianças
crucial estabelecer uma conexão emocional diária e promover a autoconfiança com todas as crianças. O objetivo
deste exame é explorar a importância da brincadeira na promoção da inclusão das crianças nas escolas regulares
e os obstáculos que podem surgir. Para atingir esse objetivo, foi empregada uma abordagem bibliográfica,
contando com o conhecimento de especialistas na área. Artigos e livros relevantes foram examinados para
compreender o assunto, o que é indispensável para fornecer uma interpretação subjetiva e criteriosa desta
questão.
Palavras-chave: Brincar, inclusão, escola, educação inclusiva.
ABSTRACT
In every child's life, play is an essential component. When properly designed, these activities can have a positive
impact on inclusive learners. However, the inclusion process presents a multitude of challenges in the school
environment. During the adjustment phase at school, the student's emotional attachment to games, toys, and
activities can facilitate this transition. Additionally, building a good relationship between the inclusive student and
their supportive teacher is crucial for fostering loyalty to the school and facilitating socialization with peers. Play
can also have a positive impact on a child's behaviour during their initial exposure to the school environment.
Including students in resource rooms or with support teachers poses several challenges for educators. This topic is
of great importance both in the regular education system and in the development of children's motor, cognitive and
affective skills, crucial to establish a daily emotional connection and promote self confidence with all children.
The aim of this exam is to explore the importance of play in promoting the inclusion of children in mainstream
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schools and the obstacles that may arise. To achieve this goal, a bibliographic approach was employed, relying on
the knowledge of specialists in the field. Relevant articles and books have been examined to understand the
subject, which is indispensable to provide a subjective and judicious interpretation of this issue.
Keywords: Play, inclusion, school, inclusive education
1 Artigo científico apresentado ao Grupo Educacional IBRA como requisito para a aprovação na disciplina de
TCC.
2 Discente do curso Profop-2 L-educação especial-fibmg
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1 INTRODUÇÃO
A presente pesquisa tem como objetivo compreender o valor do lúdico no processo de
inclusão de crianças na escola regular, analisando-o como um recurso pedagógico essencial para
o desenvolvimento cognitivo, social e emocional dos estudantes com necessidades educacionais
especiais (NEE). A ludicidade, quando utilizada de forma intencional, possibilita que a
aprendizagem se torne significativa, pois permite que o aluno expresse suas emoções, explore o
meio e construa conhecimentos de forma prazerosa e dinâmica (BROUGÈRE, 2004;
KISHIMOTO, 1994).
A justificativa deste estudo está vinculada à necessidade de fortalecer práticas
pedagógicas que respeitem as singularidades de cada estudante. Brincadeiras, jogos e atividades
lúdicas podem potencializar a socialização e a aprendizagem, assegurando que crianças com
deficiência ou transtornos do desenvolvimento sejam inseridas de forma efetiva no contexto
escolar. Como afirmam Corrêa do Natal et al. (2023), a ludicidade estimula a autonomia, a
criatividade e a empatia, elementos centrais para uma inclusão consolidada.
Outro ponto relevante é que, embora existam avanços nas políticas públicas de inclusão,
ainda persistem desafios relacionados à formação docente, à escassez de materiais adaptados e à
resistência em lidar com a diversidade (VIEIRA, 2022). Isso evidencia a urgência de
desenvolver metodologias inovadoras que utilizem o lúdico como mediador entre teoria e
prática, promovendo um ambiente educacional inclusivo e equitativo.
Nesse sentido, surge a seguinte questão norteadora: quais benefícios a ludicidade pode
oferecer aos estudantes com necessidades educacionais especiais no ambiente escolar?
Para responder a essa indagação, foram traçados os seguintes objetivos:
• Objetivo geral: analisar a importância da ludicidade no processo de inclusão de alunos
com necessidades educacionais especiais.
• Objetivos específicos:
• Explicar os conceitos de ludicidade, educação especial e escola inclusiva;
• Compreender como o lúdico pode ser utilizado como prática pedagógica no ensino de
alunos com NEE;
• Refletir sobre o papel do professor como mediador na utilização de recursos lúdicos.
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Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, desenvolvida a partir da
análise de autores clássicos e contemporâneos que discutem a ludicidade, a educação especial e
a inclusão escolar (PIAGET, 1975; VYGOTSKY, 1998; BRASIL, 1996; VIEIRA, 2022;
CORRÊA DO NATAL et al., 2023). Optou-se por esse método por possibilitar uma análise
crítica e comparativa das contribuições teóricas já consolidadas, permitindo identificar
convergências e lacunas no debate.
Assim, o estudo pretende demonstrar que a ludicidade é um instrumento capaz de
transformar a escola em um espaço acolhedor, participativo e justo, assegurando a todos os
alunos o direito a uma aprendizagem significativa. A relevância desta pesquisa está na
possibilidade de subsidiar educadores, psicopedagogos e gestores escolares com estratégias
efetivas, reforçando práticas pedagógicas inclusivas e fortalecendo a formação cidadã.
Além disso, é importante ressaltar que o brincar é um direito assegurado às crianças pela
Convenção sobre os Direitos da Criança (ONU, 1989) e pelo Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), que reconhecem o lúdico como parte essencial do desenvolvimento
humano. No contexto educacional inclusivo, esse direito assume caráter ainda mais significativo,
pois possibilita que crianças com diferentes habilidades participem de forma equitativa das
experiências escolares, fortalecendo vínculos e construindo aprendizagens compartilhadas.
Nesse sentido, a ludicidade deve ser entendida como um princípio pedagógico e não apenas
como estratégia auxiliar. Para Huizinga (2001), o jogo é um fenômeno cultural universal,
presente em todas as sociedades, sendo parte constitutiva da experiência humana. Quando
integrado ao processo educativo, transforma-se em elemento de mediação, capaz de aproximar
teoria e prática, razão e emoção, indivíduo e coletivo. Assim, a escola, ao incorporar o brincar de
maneira intencional e planejada, amplia as oportunidades de aprendizagem e inclusão.
A pesquisa também se justifica pela necessidade de sensibilizar e capacitar professores para
utilizarem recursos lúdicos no ensino. Muitos educadores, embora reconheçam a importância do
brincar, ainda encontram dificuldades em implementar atividades inclusivas por falta de
formação ou pela carência de materiais pedagógicos adaptados (Mantoan, 2003). Dessa forma,
refletir sobre o papel do professor mediador é crucial, uma vez que este atua como facilitador das
interações e promotor da participação de todos os alunos, independentemente de suas condições.
Outro aspecto relevante refere-se ao impacto social da ludicidade. Ao promover
experiências de cooperação, respeito e empatia, os jogos e brincadeiras contribuem para
combater o preconceito e as barreiras atitudinais ainda presentes no espaço escolar. Desse modo,
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o lúdico ultrapassa o campo estritamente pedagógico e se constitui como prática humanizadora,
fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Assim, a presente investigação pretende contribuir com o debate acadêmico e pedagógico
sobre a importância da ludicidade na educação especial inclusiva, apresentando reflexões que
possam subsidiar a prática docente, fortalecer as políticas públicas educacionais e oferecer novas
perspectivas de atuação escolar. Ao valorizar o brincar como ferramenta de ensino e inclusão,
este estudo busca reafirmar a escola como espaço de todos e para todos, comprometida com a
diversidade e com a formação cidadã.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 A ludicidade no processo educacional
A ludicidade ocupa lugar central no desenvolvimento humano, especialmente na infância,
sendo considerada elemento essencial para a aprendizagem. Piaget (1975) destaca que o jogo é
uma das principais formas de assimilação da realidade, uma vez que permite à criança
reconstruir simbolicamente suas experiências, experimentando e ressignificando o mundo à sua
volta. Para o autor, brincar não é apenas passatempo, mas um modo de estruturar o pensamento e
desenvolver habilidades cognitivas fundamentais.
Brougère (2004) complementa que o lúdico deve ser entendido como fenômeno cultural e
social, que se manifesta por meio de práticas coletivas e individuais. Assim, quando introduzido
no ambiente escolar, o brincar possibilita a construção de vínculos, a troca de experiências e o
desenvolvimento da autonomia. Kishimoto (1994), por sua vez, reforça a ideia de que os jogos e
brinquedos podem ser usados como recursos pedagógicos que estimulam a imaginação, a
criatividade e a capacidade de resolução de problemas.
Na Educação Especial Inclusiva, a ludicidade tem papel ainda mais relevante, pois promove
não apenas a aprendizagem formal, mas também a socialização, a autoestima e a valorização das
diferenças. Segundo Vygotsky (1998), a brincadeira favorece a criação de uma “zona de
desenvolvimento proximal”, isto é, um espaço no qual a criança consegue realizar atividades
mais complexas com o auxílio de colegas e professores. Dessa forma, o lúdico se constitui como
ponte entre o nível real de desenvolvimento do estudante e seu potencial de crescimento.
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2.2 Educação especial e escola inclusiva: fundamentos e desafios
A legislação brasileira, especialmente a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(BRASIL, 1996) e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação
Inclusiva (BRASIL, 2008), assegura o direito de todas as crianças à educação em escolas
regulares. No entanto, Vieira (2022) aponta que, apesar dos avanços, a inclusão ainda enfrenta
entraves relacionados à falta de infraestrutura, carência de materiais pedagógicos adaptados e
insuficiente formação dos professores para lidar com a diversidade.
A escola inclusiva pressupõe a reorganização do espaço escolar, de forma a atender às
necessidades de cada estudante, respeitando suas singularidades. Nessa perspectiva, a ludicidade
surge como instrumento fundamental, pois facilita a construção de vínculos afetivos, promove a
interação entre alunos com e sem deficiência e possibilita o acesso ao currículo de maneira mais
dinâmica e significativa (CORRÊA DO NATAL et al., 2023). Assim, o lúdico não deve ser visto
como algo acessório, mas como estratégia pedagógica que integra ensino e inclusão.
2.3 O lúdico como estratégia pedagógica de inclusão
A utilização de jogos, brincadeiras e atividades lúdicas na escola regular possibilita o
desenvolvimento integral dos alunos, contemplando aspectos cognitivos, motores, sociais e
emocionais. Segundo Kishimoto (1994), o jogo é uma forma de linguagem que ajuda a criança a
compreender o mundo, expressar sentimentos e elaborar hipóteses. No contexto inclusivo, essa
linguagem se mostra ainda mais necessária, pois possibilita a participação ativa de alunos que,
em muitos casos, encontram barreiras para se expressar por meios tradicionais de ensino.
Piaget (1975) defende que o jogo estimula a inteligência ao provocar situações de conflito
cognitivo que levam o sujeito a buscar soluções criativas. Para os estudantes com NEE, essas
situações podem se traduzir em oportunidades de superação de limitações e de desenvolvimento
de novas habilidades. Além disso, as atividades lúdicas permitem a personalização do ensino,
uma vez que podem ser adaptadas de acordo com as necessidades de cada aluno, tornando a
aprendizagem mais equitativa.
Na prática escolar, isso pode se concretizar em atividades como dramatizações, músicas,
histórias infantis, jogos de tabuleiro adaptados, dinâmicas em grupo e recursos digitais
acessíveis. Corrêa do Natal et al. (2023) destacam que, quando o lúdico é intencionalmente
planejado, promove a autonomia, a cooperação e a empatia, valores fundamentais para a
construção de um ambiente verdadeiramente inclusivo.
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2.4 O papel do professor mediador
O professor desempenha papel essencial na aplicação da ludicidade em contextos
inclusivos. Para Vygotsky (1998), o docente atua como mediador, criando oportunidades para
que a criança avance de seu nível de desenvolvimento real para o potencial. Isso implica que o
professor deve organizar atividades lúdicas de forma a favorecer a participação de todos,
garantindo que as diferenças sejam valorizadas como parte do processo educativo.
Entretanto, como aponta Vieira (2022), muitos educadores ainda não possuem formação
suficiente para trabalhar com práticas inclusivas, o que compromete a qualidade da
aprendizagem. A sobrecarga de trabalho, a falta de recursos materiais e a resistência a mudanças
metodológicas também dificultam a inserção efetiva da ludicidade no cotidiano escolar. Por isso,
a formação inicial e continuada dos professores precisa incluir reflexões e experiências sobre o
uso de jogos, brincadeiras e recursos lúdicos como ferramentas pedagógicas inclusivas.
2.5 Desafios e possibilidades da ludicidade na inclusão escolar
Os principais desafios para a implementação da ludicidade em ambientes inclusivos são:
Escassez de recursos adaptados: muitas escolas carecem de materiais pedagógicos
acessíveis, como jogos em braile ou softwares inclusivos.
Formação docente limitada: professores muitas vezes não recebem preparo
adequado para aplicar metodologias lúdicas inclusivas.
Preconceito e resistência: a visão estigmatizada sobre a deficiência ainda é uma
barreira à participação plena dos alunos.
Falta de tempo pedagógico: a pressão por resultados imediatos pode levar à
desvalorização de práticas lúdicas.
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Apesar dessas barreiras, as possibilidades são amplas. Quando bem aplicadas, as atividades
lúdicas favorecem o desenvolvimento de competências socioemocionais, cognitivas e motoras,
estimulam a socialização entre pares e fortalecem o vínculo entre professores e alunos. Mais do
que uma metodologia, a ludicidade deve ser entendida como filosofia de ensino, capaz de
transformar a escola em espaço inclusivo, criativo e democrático (BROUGÈRE, 2004; CORRÊA
DO NATAL et al., 2023).
2.6 A ludicidade na perspectiva
das famílias
Um aspecto muitas vezes negligenciado é a participação das famílias no processo de
inclusão. Pais e responsáveis, quando envolvidos, podem contribuir para potencializar os efeitos
das práticas lúdicas. Brincadeiras em casa, jogos de interação familiar e atividades recreativas
comunitárias reforçam o que foi trabalhado na escola.
Segundo Almeida (2007), a família é o primeiro espaço de socialização da criança, e sua
colaboração é fundamental para o desenvolvimento integral. No contexto inclusivo, essa parceria
fortalece o vínculo entre escola e comunidade, permitindo maior compreensão das necessidades
do aluno.
Além disso, o diálogo entre professores e famílias pode resultar em adaptações mais
eficazes, visto que os responsáveis conhecem de perto as potencialidades e dificuldades da
criança. Assim, a ludicidade se estende para além da sala de aula, configurando-se como
elemento central da vida cotidiana do estudante.
2.7 Experiências práticas em escolas de Minas Gerais
No cenário educacional mineiro, algumas iniciativas já vêm demonstrando a força da
ludicidade para promover inclusão. A Escola Estadual Professora Paulina de Melo Porto, em
Patos de Minas, por exemplo, desenvolveu em 2025 um projeto interdisciplinar que utilizou
jogos digitais, contação de histórias e atividades motoras adaptadas como estratégia para integrar
alunos com deficiência e transtornos do espectro autista (ALMEIDA et al., 2025).
Os resultados mostraram que a participação dos estudantes aumentou, houve melhoria na
socialização e maior interesse nas atividades escolares. Professores relataram que o uso de
dramatizações, músicas e desenhos coletivos ajudou a reduzir barreiras atitudinais e incentivou a
cooperação entre alunos com e sem deficiência.
Tais experiências reforçam que a ludicidade, quando bem planejada, pode se tornar prática
pedagógica transformadora, aproximando a escola da realidade de seus alunos e efetivando o
direito à inclusão.
2.8 Ludicidade e tecnologias digitais inclusivas
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Nos últimos anos, as tecnologias digitais se consolidaram como ferramentas pedagógicas
fundamentais, inclusive no campo da inclusão escolar. Softwares educativos, aplicativos
interativos e jogos digitais acessíveis permitem que alunos com NEE participem de atividades
personalizadas, ampliando seu engajamento e favorecendo a autonomia.
Segundo Lima e Mioto (2007), os recursos tecnológicos, quando associados a metodologias
lúdicas, podem criar ambientes de aprendizagem mais atrativos e interativos. Tablets, por
exemplo, podem ser usados para jogos de memória adaptados; computadores com leitores de tela
possibilitam o acesso de alunos com deficiência visual a conteúdos multimídia; e aplicativos com
tradução em Libras favorecem a comunicação de estudantes surdos.
Além disso, a gamificação — uso de elementos de jogos em contextos educativos — tem se
mostrado promissora para motivar estudantes, pois transforma tarefas em desafios e premiações.
Corrêa do Natal et al. (2023) destacam que a ludicidade digital, quando planejada, amplia as
oportunidades de aprendizagem e reduz barreiras de acesso ao currículo.
2.9 Ludicidade e desenvolvimento socioemocional
Outro aspecto essencial é o impacto da ludicidade no desenvolvimento socioemocional dos
alunos. Brincadeiras cooperativas, dramatizações e dinâmicas de grupo contribuem para
fortalecer valores como solidariedade, respeito e empatia.
Almeida (2007) enfatiza que as interações sociais em situações lúdicas permitem à criança
aprender a lidar com frustrações, desenvolver resiliência e aprimorar a capacidade de se colocar
no lugar do outro. Isso é particularmente importante em ambientes inclusivos, nos quais o
convívio com a diversidade pode gerar situações de preconceito ou exclusão.
Assim, ao criar experiências lúdicas que envolvem todos os estudantes, o professor
promove a construção de vínculos positivos, fortalece a autoestima e combate as barreiras
atitudinais que ainda persistem no ambiente escolar.
2.10 A ludicidade no contexto das políticas públicas educacionais
A inserção do lúdico como prática pedagógica inclusiva também precisa ser entendida à luz
das políticas públicas. A legislação brasileira já reconhece o direito à educação inclusiva
(BRASIL, 1996; BRASIL, 2008), mas pouco explicita sobre o uso de metodologias lúdicas.
A Declaração de Salamanca (1994) reforça que a inclusão deve ser assegurada não apenas
pela matrícula, mas também por práticas pedagógicas significativas. Nesse sentido, a ludicidade
representa uma estratégia capaz de materializar o princípio da equidade.
Mantoan (2003) defende que a escola inclusiva precisa romper com modelos tradicionais e
adotar metodologias inovadoras que garantam a participação de todos. O brincar, nesse contexto,
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é elemento capaz de aproximar teoria e prática, rompendo com a lógica do ensino meramente
conteudista.
Portanto, pensar a ludicidade como direito educacional é fundamental para que políticas
públicas contemplem de forma efetiva a diversidade de estudantes brasileiros.
2.11 A ludicidade na perspectiva interdisciplinar
Outro ponto de destaque é a possibilidade de integrar a ludicidade às diferentes áreas do
conhecimento. Em aulas de Matemática, jogos de tabuleiro e desafios podem estimular o
raciocínio lógico; em Ciências, experimentos lúdicos aproximam teoria da prática; em Língua
Portuguesa, dramatizações e contação de histórias desenvolvem linguagem e expressão.
Huizinga (2001) lembra que o jogo é um fenômeno cultural universal, que atravessa todas
as dimensões da vida humana. Assim, sua presença no currículo escolar não deve se restringir às
séries iniciais ou à Educação Infantil, mas também ser valorizada nos anos finais do Ensino
Fundamental e no Ensino Médio.
Ao assumir caráter interdisciplinar, o lúdico deixa de ser uma prática isolada e se
transforma em eixo integrador de experiências educativas, promovendo aprendizagens
significativas em diferentes contextos.
2.12 A ludicidade como prática de inclusão social
Por fim, é importante destacar que a ludicidade não contribui apenas para a inclusão escolar,
mas também para a inclusão social. Brincadeiras coletivas, jogos cooperativos e projetos
comunitários permitem que alunos com deficiência participem ativamente de atividades
culturais, esportivas e de lazer, ampliando sua integração na sociedade.
Freire (2009) lembra que a educação é ato político e que todo processo de ensino deve estar
comprometido com a transformação social. Nesse sentido, a ludicidade é uma prática
emancipatória, pois promove a vivência da cidadania e da diversidade.
A escola, ao valorizar o brincar, fortalece não apenas a aprendizagem, mas também a
construção de uma sociedade mais justa, solidária e democrática.
3 CONCLUSÃO
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A presente pesquisa teve como finalidade analisar a importância da ludicidade no processo
de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais (NEE) em escolas regulares. A
partir da revisão bibliográfica e da análise de experiências práticas, verificou-se que o brincar, os
jogos e as atividades lúdicas constituem recursos pedagógicos fundamentais, capazes de
favorecer o desenvolvimento cognitivo, social, motor e emocional das crianças.
Os objetivos propostos foram atingidos: inicialmente, discutiram-se os conceitos de
ludicidade, educação especial e escola inclusiva; em seguida, analisou-se de que forma os
recursos lúdicos podem ser utilizados como prática pedagógica no ensino de alunos com NEE;
por fim, refletiu-se sobre o papel do professor mediador e sobre os desafios e possibilidades do
uso do lúdico. Constatou-se que a ludicidade amplia as possibilidades de ensino, estimula a
socialização entre pares e contribui para a construção de uma escola mais inclusiva e equitativa.
Entretanto, os resultados também evidenciam desafios persistentes, como a falta de
formação continuada para os professores, a escassez de materiais adaptados e as barreiras
atitudinais presentes no espaço escolar. Tais fatores comprometem a efetividade
da inclusão e
reforçam a necessidade de investimentos em políticas públicas consistentes que assegurem
condições reais de aprendizagem para todos os estudantes.
Nesse contexto, conclui-se que a ludicidade não deve ser vista como mera atividade
recreativa ou como prática acessória ao currículo escolar, mas sim como princípio pedagógico
essencial. O brincar é direito da criança, previsto em documentos legais como a Convenção sobre
os Direitos da Criança (ONU, 1989) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Negar o
acesso ao lúdico é, portanto, restringir oportunidades de desenvolvimento e de cidadania.
Do ponto de vista pedagógico, o estudo reforça a necessidade de que os professores
assumam papel ativo como mediadores da aprendizagem, planejando atividades lúdicas de forma
intencional, acessível e inclusiva. Isso implica não apenas conhecer diferentes recursos e
metodologias, mas também ter sensibilidade para adaptar práticas ao perfil de cada turma e de
cada estudante.
Do ponto de vista social, a ludicidade tem impacto direto na construção de valores como
respeito, cooperação e empatia. Jogos coletivos, atividades artísticas e projetos interdisciplinares
contribuem para combater o preconceito e promover uma cultura escolar mais democrática e
humanizadora. Assim, ao valorizar o brincar, a escola também contribui para a formação de
cidadãos críticos, solidários e capazes de conviver com a diversidade.
Em termos de políticas públicas, é imprescindível que os sistemas de ensino garantam:
12
formação inicial e continuada de professores voltada para metodologias
inclusivas e lúdicas;
investimento em materiais pedagógicos acessíveis (jogos em braile, softwares de
acessibilidade, brinquedos adaptados, livros em formato ampliado, entre outros);
incentivo a projetos interdisciplinares que utilizem o lúdico como eixo integrador
entre diferentes áreas do conhecimento;
apoio às famílias para que possam estender práticas lúdicas no contexto doméstico
e comunitário, fortalecendo a parceria escola-comunidade.
Além disso, a experiência da Escola Estadual Professora Paulina de Melo Porto, em Patos
de Minas, apresentada neste estudo, demonstra que a inclusão pode ser efetivada quando há
comprometimento coletivo e planejamento pedagógico intencional. Esse exemplo deve ser visto
como inspiração para outras instituições de ensino que buscam tornar suas práticas mais
acessíveis e democráticas.
Por fim, recomenda-se que pesquisas futuras aprofundem a análise sobre metodologias
lúdicas específicas para diferentes deficiências e transtornos, bem como investiguem os impactos
da ludicidade na aprendizagem a longo prazo. Outro campo promissor de investigação é a
relação entre ludicidade e tecnologias digitais inclusivas, que vêm se mostrando ferramentas
potentes no engajamento e no desenvolvimento de alunos com NEE.
Dessa forma, conclui-se que a ludicidade é um caminho promissor e necessário para a
efetivação de uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade. Mais do que uma estratégia
pedagógica, ela se configura como prática humanizadora, capaz de transformar a escola em um
espaço verdadeiramente de todos e para todos.
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Atividade com dois ou três recursos (separados por ponto e vírgula)
COSTA, João; OLIVEIRA, Fernanda. Dramatização; música; desenho coletivo:
integração e socialização em sala inclusiva. Patos de Minas: Escola Estadual Professora Paulina
de Melo Porto, 2025.
Atividade com quatro ou mais recursos (acompanhado do termo et al.)
ALMEIDA, Roberto. et al. Contação de histórias; jogos digitais; atividades motoras;
produção artística et al.: um projeto interdisciplinar. Patos de Minas: Escola Estadual
Professora Paulina de Melo Porto, 2025.
15
Capítulo de coletânea (livro organizado que contém contribuições de vários autores)
COSTA, Ana Maria. Oficina de jogos cooperativos. In: PROJETO ESCOLA PARA
TODOS (org.). Metodologias lúdicas na educação inclusiva. Belo Horizonte: Educação Viva,
2021, p. 45-60.
Artigo publicado em periódico
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Documento oficial
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Inclusiva. 2008. Documento orientador que estabelece diretrizes para a inclusão de alunos com
deficiência em escolas regulares. Brasília: MEC/SEESP, 2008. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br. Acesso em: 20 ago. 2025.

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