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TJPE 2022 (Prova comentada - Equipe Mege)

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2 
 
 
 
3 
CURSO MEGE 
 
Site: www.mege.com.br 
Celular/Whatsapp: (99) 982622200 (Tim) 
Fanpage: /cursomege 
Instagram: @cursomege 
Turma: TJPE 2022 (Turma de Reta final) 
Material: TJPE 2022 (Prova comentada – conforme gabarito preliminar) 
 
 
 
 
 
TJPE 2022 
Prova comentada 
(Gabarito preliminar)1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 Divulgado dia 18/10/2022. 
 
4 
OBSERVAÇÕES INICIAIS 
 
A prova objetiva do TJPE foi realizada em 16/10/2022. Assim que tivemos 
acesso ao gabarito preliminar iniciamos a tradicional prova comentada do Mege. É 
incrível viver esses momentos de ansiedade juntos e, novamente, entregamos em mãos 
tudo que apuramos ainda dentro do prazo recursal. A nossa intenção neste material é 
auxiliar nossos alunos e seguidores na análise da elaboração de seus recursos, além de 
possibilitar, em formato conclusivo, a revisão de temas cobrados no certame. 
A prova do TJPE foi a mais extensa dos últimos anos. Por consequência, uma 
das mais complexas quanto ao quesito gestão do tempo. Não foram poucos os relatos 
sobre a dificuldade de completar a leitura e resolução das 100 questões no tempo de 
prova. Além disso, tivemos que enfrentar enunciados com boas pegadinhas. Sobre elas, 
trataremos com atenção neste estudo de prova comentada. 
No último TJPE, 27 aprovados estudaram ao nosso lado. Para nossa equipe, 
foi uma honra retornar ao Recife depois de alguns anos. Ainda mais pelo clima 
excpecional de recepção calorosa como fomos recebidos. A relação com cada 
megeano(a) é bastante especial. Vocês fazem toda correria ser repleta de bons e 
inesquecíveis momentos! A vista do aulão de véspera, inclusive, foi a mais bonita que já 
encontramos até hoje em nossas atuações. Coisas do nosso belo nordeste! 
O material aqui apresentado trata de versão preliminar elaborada com as 
finalidades informadas e concluída por nosso time específico para 1ª fase de 
magistratura, sem maiores pretensões de aprofundamento e trabalho editorial neste 
momento de puro apoio. 
Não há também o viés de verificação rigorosa de temas antecipados em nossas 
atuações, diante do curto tempo para entrega desse apoio em prazo recursal e da ampla 
produção de conteúdo de nossas turmas. No entanto, nossa felicidade foi imensa ao 
constatarmos o quanto nosso apoio, novamente, foi efetivo em reta final e o quanto 
nossos alunos do clube da Magistratura estão bem direcionados independentemente 
do nível da prova a ser aplicada. 
O corte, neste momento, segue estimado em 71 acertos para ampla 
concorrência Em cotas, a nota de corte necessária é de 60 acertos. 
Os nossos professores entendem que 4 (quatro) questões, em especial, estão 
envolvidas em alguma polêmica a ser apreciada (9, 47, 54 e 63) e, portanto, podem ter 
suas situações alteradas na fase recursal, o que deixa em aberto a nota de corte para 
outras possibilidades. 
Após este estudo, o candidato poderá vislumbrar a possibilidade de um 
aumento em sua nota final. Em nossa experiência, constatamos um parâmetro de que a 
cada 2 (duas) questões anuladas a pontuação oficial de corte aumenta em 1 (um) 
ponto. Essa dica deve seguir como norte para definição de maiores chances de avanço 
no certame. Guardem esta informação! 
Aos alunos das turmas do Mege para o TJPE, pedimos que não deixem de reler 
os conteúdos das rodadas com temas antecipados na prova. A melhor fixação será 
 
5 
importante nos próximos desafios (e também para 2ª fase do concurso, aos que 
prosseguirão). Como perceberam, o estudo em sprint final foi revertido em pontos 
decisivos. 
É importante mencionar que o Clube do Magistratura também é extremamente 
valioso para qualquer nível de prova para carreira (especialmente por tratar de um edital 
completo ao longo de 1 ano). Não fizemos maiores apontamentos sobre ele por aqui 
pelo curto tempo de comparativo temático de sua produção com as questões de prova. 
No entanto, é pacífico entre os professores que esse também estava representado em 
praticamente 100% da prova. 
Sempre acreditamos muito que, com o devido foco, é possível evoluir mesmo 
em menor prazo. Portanto, no próximo desafio, seja em SP ou no RJ (os mais prováveis 
neste momento), seguiremos juntos ao lado de todos em reta final. 
É válido citar que, neste momento, até iniciamos uma turma gratuita de 
esquenta para o TJSP 190. 
 
LINK da TURMA GRATUITA de ESQUENTA TJSP 189 
 
 
SEGUNDO O OLHO NA VAGA 
Até parece uma imagem colada de outra turma do tanto que tem sido assim, 
nossos alunos, novamente, deram um show em relação aos demais cursos 
cadastrados! 
O gráfico abaixo representa o desempenho geral da resposta comparativa de 
nossos alunos (conforme gabarito e possível nota de corte). Algo apurado em 
plataforma que não temos qualquer tipo de vínculo ou parceira - informação genuína e 
que nos enche de orgulho. 
 
 
https://concursos.mege.com.br/esquenta-tjsp
 
6 
PARA ONDE DEVO IR? 
 
Em nossa análise sobre caminhos pós-prova no TJPE, entendemos que esse 
direcionamento esquematizado pode orientar da melhor forma. Sobre a nota de corte 
de ampla concorrência (estimada em 71 pontos), diante das polêmicas apontadas como 
possíveis anulações, estimamos que até 68 pontos seria possível imaginar uma chance 
de 2ª fase. Em cotas, 57 seria esse limite indicado, diante das possibilidades de 
anulações que apontamos. 
 
SE VOCÊ NÃO FOI TÃO BEM NO TJPE NÃO SE DESESPERE! 
 
Aos colegas que não estão dentro dessas faixas, indicamos, conforme o caso, 
entrar imediatamente no Clube da Magistratura (turma 2022.2), Nossa turma mais 
completa para quem se prepara para carreira (inclusive assinante premium ganha 
acesso a todas as retas finais de magistratura que atuamos). 
Se você presta concursos de magistratura em outros estados, o Clube da 
Magistratura conta com tudo que você precisa para preparação em todas as fases do 
concurso. Desde o estudo da lei comentada até correções de provas de 2ª fase de forma 
personalizada; e até mesmo a opção de acompanhamento personalizado. 
Vale a pena conferir! 
 
 
 
 
7 
CLUBE DA MAGISTRATURA 2022.2 
 
 
A SEGUNDA FASE É LOGO ALI! 
 
Por fim, vale ressaltar que já estamos com inscrições abertas para turma de 2ª 
fase TJPE (onde contaremos com 2 opções: com e sem correções de provas 
personalizadas) focada em uma preparação completa para este desafio. O estudo de 
sentenças e discursivas (aqui inclusa ainda uma abordagem ampla para Humanística 
específica para o TJPE), a experiência de redigir e ter correções de provas manuscritas, 
tudo devidamente alinhado ao seu desafio no melhor nível. Uma equipe que conta com 
ex-examinadores em correções e um time focado em turmas de 2ª fase de magistratura 
desde 2015. 
As inscrições já estão abertas em nosso site e você ainda poderá utilizar o os 
cupons indicados (caso seja ex-aluno) para garantir sua vaga com 10% de desconto no 
carrinho de compra! 
Os links para inscrição nas turmas de 2ª fase seguem conforme abaixo: 
TJPE (2ª fase - TURMA 1: COM CORREÇÕES PERSONALIZADAS) 
 
Ex-aluno tem ainda 10% de desconto com o cupom: TJPE2FASE 
 
Observação: As vagas esgotaram nesta modalidade (com correções personalizadas) 
antes da disponibilização deste material e as vendas foram, portanto, encerradas, mas 
conseguimos ampliar 10 vagas (de forma excepcional) para quem ainda não conseguiu 
matrícula nesta modalidade. 
TJPE (2ª fase - TURMA 2: COM CORREÇÕES PERSONALIZADAS) 
 
Ex-aluno tem ainda 10% de desconto com o cupom: TJPE2FASE 
Agora é com vocês, vamos para análise de tudo que caiu na objetiva do TJPE. 
Seguiremos firmes e com trabalho realmente específico também na 2ª fase. 
Bons estudos! 
Arnaldo Bruno Oliveira2 
 
2 Insta: @prof.arnaldobruno (fiquem à vontade para envio de mensagens sobre o Mege). 
https://clube.mege.com.br/assine-clube-da-magistratura/
https://www.mege.com.br/proposta/tjpe2fase
https://www.mege.com.br/proposta/tjpeespelhosdecorrecao8 
 
SUMÁRIO 
 
BLOCO I ..................................................................................................................... 9 
DIREITO CIVIL ................................................................................................................ 9 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL ........................................................................................ 27 
DIREITO DO CONSUMIDOR ......................................................................................... 45 
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ................................................................. 55 
BLOCO II .................................................................................................................. 61 
DIREITO PENAL ............................................................................................................ 61 
DIREITO PROCESSUAL PENAL ...................................................................................... 76 
DIREITO CONSTITUCIONAL ......................................................................................... 91 
DIREITO ELEITORAL ................................................................................................... 102 
BLOCO III ............................................................................................................... 107 
DIREITO EMPRESARIAL.............................................................................................. 107 
DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO ........................................................................ 114 
DIREITO AMBIENTAL ................................................................................................. 122 
DIREITO ADMINISTRATIVO ....................................................................................... 125 
NOÇÕES GERAIS DE DIREITO E FORMAÇÃO HUMANÍSTICA ..................................... 140 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
BLOCO I 
DIREITO CIVIL 
 
1. Emengarda faleceu, deixando muitos bens e péssimo relacionamento com seus cinco 
filhos. Fábio a injuriou em um jantar de família há muitos anos e nunca mais se falaram 
desde então. Guilherme a coagiu a modificar seu testamento, ameaçando divulgar 
informações íntimas suas se não lhe deixasse a parte disponível da herança. Henrique 
caluniou o homem com quem ela vivia há muitos anos em união estável. Igor tentou 
matá-la por envenenamento, estando preso desde então pelo seu crime. Enfim, Júlio, 
foi quem efetivamente a matou, buscando contê-la em uma discussão que chegou às 
vias de fato, tendo sido condenado por homicídio culposo. O herdeiro que pode 
pretender excluir por indignidade todos os demais e ficar com a herança toda de 
Emengarda para si é: 
(A) Fábio; 
(B) Guilherme; 
(C) Henrique; 
(D) Igor; 
(E) Júlio. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa E. 
(B) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa E. 
(C) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa E. 
(D) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa E. 
(E) CORRETA. 
 
10 
O homicídio culposo praticado por Júlio não é causa de indignidade, nos moldes do art. 
1814, CC: 
“Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários: 
I - que houverem sido autores, co-autores ou partícipes de homicídio doloso, ou tentativa 
deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente 
ou descendente; 
II - que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem 
em crime contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou companheiro; 
III - que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança 
de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade. 
Questão, porém, merece ser a anulada, porque lista também hipóteses de deserdação 
(art. 1.962 e 1.963, CC), sem, porém, mencionar que falecido havia deixado testamento 
determinando essa deserdação”. 
Art. 1.962. Além das causas mencionadas no art. 1.814, autorizam a deserdação dos 
descendentes por seus ascendentes: 
I - ofensa física; 
II - injúria grave; 
III - relações ilícitas com a madrasta ou com o padrasto; 
IV - desamparo do ascendente em alienação mental ou grave enfermidade”. 
_______________________________________________________________________ 
2. Júlio, com 17 anos, já é um conhecido desenhista. Ele é contratado por uma equipe 
profissional e tem gastado o salário que recebe em viagens, não chegando a ser 
independente financeiramente. Por entender que Júlio estava esbanjando dinheiro, 
seus pais entraram em conflito com ele, exigindo administrar o dinheiro que ele recebe 
mensalmente. 
Diante disso, é CORRETO afirmar que: 
(A) dada a incapacidade civil de Júlio, os pais têm o dever de administrar os valores 
recebidos por ele; 
(B) ainda que Júlio seja relativamente incapaz, os pais não têm direito a administrar os 
valores recebidos por ele; 
(C) ter 17 anos e emprego geram emancipação, e por isso os pais não têm direito a 
administrar os valores recebidos por ele; 
(D) os pais não têm mais poder familiar sobre Júlio, mas têm direito a administrar os 
valores recebidos por ele; 
 
11 
(E) os pais somente deveriam administrar os valores recebidos por Júlio se ele tivesse 
menos de 14 anos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Isso porque, não existe, necessariamente o dever da administração dos bens, conforme 
se extrai do CC/02: 
“Art. 1.689. O pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar: 
I - são usufrutuários dos bens dos filhos; 
II - têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua autoridade.” 
(B) CORRETA. 
CC/02: “Art. 1.693, inc. II do CC: “Art. 1.693. Excluem-se do usufruto e da administração 
dos pais: II – os valores auferidos pelo filho maior de dezesseis anos, no exercício de 
atividade profissional e os bens com tais recursos adquiridos”. 
(C) INCORRETA. 
É que segundo o art. 5º do CC/02, a emancipação de Júlio não acontece de ofício, 
devendo ser concedida pelos pais, ou por um deles na falta do outro, ou por sentença 
do juiz. 
(D) INCORRETA. 
Ora, os pais de Júlio já possuem o pleno exercício do poder familiar sobre ele, já que é 
menor de idade e não emancipado. 
(E) INCORRETA. 
De acordo com o art. 1.635º, inc. II e III do CC/02, os pais de Júlio possuem o exercício 
do poder familiar, até porque ele não atingiu a maioridade nem foi emancipado. Nos 
termos do art. 1.689, inciso II, o pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar 
têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua autoridade. 
 
3. A empresa hoteleira Azul Anil aciona a construtora Obra Executiva para cobrar-lhe 
multa rescisória em decorrência de ter enjeitado o imóvel prometido à venda, o qual 
serviria de sede da autora, cujo acabamento não correspondia ao anunciado. Além 
disso, pede indenização suplementar por perdas e danos extraordinários. As partes 
 
12 
dispensam a produção de provas e pedem o julgamento antecipado. O juiz, então, julga 
procedentes, em parte, os pedidos para reduzir, de ofício, a multa rescisória a 10% 
daquele valor inicialmente pactuado, tendo em vista o comprovado cumprimento de 
90% do programa contratual. De outro lado, afasta o pedido de indenização 
suplementar, por ter verificado que a construtora advertiu, a tempo de evitar o 
aprofundamento dos danos suportados pelos adquirentes, acerca da mudança do 
acabamento. 
Nesse caso, o juiz: 
(A) não poderia ter reduzido, de ofício, a cláusula penal, sob pena de invadir a autonomia 
privada das partes, além de violar o princípio de inércia da jurisdição; 
(B) acertou ao reduzir a cláusula penal a 10%, porquanto o Código Civil, assim 
interpretado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, determina que a multa 
deve ser estritamenteproporcional ao percentual da obrigação que fora adimplido; 
(C) ao julgar improcedente o pedido de indenização suplementar, aplicou a teoria do 
inadimplemento eficiente (efficient breach), consectária ao postulado de boa-fé, que 
preconiza a exoneração ou mitigação de responsabilidade daquele que, de maneira 
eficiente, evita o agravamento de danos do credor; 
(D) deveria ter condenado o réu em juros de mora sobre o valor da multa desde a 
citação, o que, mesmo somando-se à cláusula penal, não constituiria injusta cumulação 
de encargos moratórios (bis in idem); 
(E) deveria ter julgado improcedente, também, o pedido de pagamento de multa, 
porque a autora não produziu prova de seu efetivo prejuízo, de modo que não pode 
haver responsabilidade sem dano ou por dano hipotético no ordenamento brasileiro. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
O enunciado356 do CJF aduz que: "Nas hipóteses previstas no art. 413 do Código Civil, o 
juiz deverá reduzir a cláusula penal de ofício”. 
(B) INCORRETA. 
De acordo com o STJ, a redução da cláusula penal em razão do pagamento parcial da 
dívida – prevista no artigo 413 do Código Civil – é dever do juiz e direito do devedor. 
Entretanto, nessa tarefa, o magistrado não deve se ater à simples adequação 
matemática entre o grau de inexecução do contrato e o abatimento da penalidade; em 
 
13 
vez disso, na busca de um patamar proporcional e equitativo, é preciso analisar uma 
série de fatores para garantir o equilíbrio entre as partes contratantes, como o tempo 
de atraso, o montante já quitado e a situação econômica do devedor (REsp 1898738). 
(C) INCORRETA. 
A Teoria do Inadimplemento Eficiente do Contrato sugere que o contratante, diante de 
uma oportunidade mais lucrativa, possa descumprir deliberadamente o pacto já 
firmado, honrando com o pagamento da multa contratual prevista. 
Cuida-se do dever de mitigar o próprio prejuízo (Duty to mitigate the loss). 
(D) CORRETA. 
CC/02: "Art. 405: “Contam-se os juros de mora desde a citação inicial” e Art. 389: “Não 
cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização 
monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de 
advogado”." 
(E) INCORRETA. 
CC/02: "Art. 416: “Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor alegue 
prejuízo”. 
_______________________________________________________________________ 
4. Maria realiza contrato de financiamento com o Banco X e apresenta João como seu 
fiador, que, na oportunidade, anuiu expressamente. Maria não consegue pagar as 
parcelas e, de boafé, convida o Banco X a renegociar. Maria e o Banco X optam por 
realizar uma nova obrigação, que extinguiu a anterior, sendo que as novas prestações 
são compatíveis com as possibilidades financeiras de Maria. 
Quanto à situação do fiador João, é CORRETO afirmar que: 
(A) está exonerado, já que há nova obrigação e, quanto a esta, não anuiu; 
(B) permanece obrigado como fiador, já que a nova obrigação se trata de novação, que, 
segundo a lei, não o exonera; 
(C) permanece obrigado como fiador, já que a fiança é o exemplo típico de obrigação 
acessória e, como tal, deve seguir a obrigação principal; 
(D) permanece obrigado como fiador, já que a segunda negociação é mera continuidade 
da primeira, não representando, tecnicamente, nova obrigação; 
(E) permanece obrigado como fiador, já que a fiança é garantia pessoal, vinculando-o a 
Maria e seu contrato de financiamento com o Banco X, independentemente da 
obrigação. 
_______________________________________________________________________ 
 
14 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. 
CC/02: “Art. 366. Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com 
o devedor principal.” 
“Art. 838: “O fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado: I – se, sem consentimento 
seu, o credor conceder moratória ao devedor”. 
(B) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa A. 
(C) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa A. 
(D) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa A. 
(E) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa A. 
_______________________________________________________________________ 
5. João, proprietário de terreno no centro da cidade de Pouso Feliz, subutiliza-o, sem 
edificar ou parcelar, mantendo-o abandonado, com vegetação aleatória, acúmulo de 
água, entre outras situações que deixam claro o não cumprimento do princípio da 
função social. 
Nesse caso, a melhor conduta a ser tomada é: 
(A) o Estado onde está localizado o terreno deverá intimar João a edificar, parcelar ou 
utilizar o terreno, sob pena de desapropriação; 
(B) o Município onde está localizado o terreno deverá intimar João a edificar, parcelar 
ou utilizar o terreno, sob pena de estipulação de alíquotas progressivas de IPTU; 
(C) o Município onde está localizado o terreno deverá intimar João a edificar, parcelar 
ou utilizar o bem, sob pena de desapropriação; (D) o Estado onde está localizado o 
terreno deverá intimar João a edificar, parcelar ou utilizar o bem, sob pena de 
estipulação de alíquotas progressivas de IPTU; 
 
15 
(E) o Estado e o Município poderão intimar João a edificar, parcelar ou utilizar o bem, 
sob pena de estipulação de alíquotas progressivas de IPTU ou desapropriação, a 
depender da gravidade da violação ao princípio da função social. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
(B) CORRETA. 
É a alternativa que coaduna com o teor dos arts. 5°, 6° e 7° do Estatuto da Cidade e com 
o art. 182, § 4°, da CF/88. 
(C) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
(D) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
(E) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
_______________________________________________________________________ 
6. Após um breve namoro, João e Maria se casaram em 2011, quando ambos já 
contavam 71 anos, e elegeram, em pacto antenupcial, a opção pela separação absoluta, 
com o objetivo expresso de impedir a comunicação de qualquer patrimônio. Em 2022, 
João falece. Maria postula a partilha dos bens. 
Nesse caso, se houver impugnação dos descendentes, o juiz deverá reconhecer: 
(A) apenas direito à meação, ainda que haja pacto antenupcial com ajuste em sentido 
contrário, uma vez que, nos termos do Código Civil, é nula a convenção ou cláusula dela 
que contravenha disposição absoluta de lei; 
(B) que Maria não é herdeira, por força da separação legal, nem meeira, porque o pacto 
antenupcial pode afastar a regra de que, no regime de separação legal de bens, 
comunicam-se os adquiridos na constância do casamento (súmula 377 do Supremo 
Tribunal Federal); 
 
16 
(C) apenas direito à sucessão, porquanto, no caso, prevaleça o regime da separação 
convencional, expressamente assinalado pelos envolvidos, em que o cônjuge supérstite 
concorre com os descendentes; 
(D) que Maria herdará os bens particulares do falecido e, sobre os demais, terá direito à 
meação, considerando que a convenção não poderia ter afastado regra cogente própria 
do regime de separação legal; 
(E) a exclusão, no caso concreto, do direito de habitação sobre o imóvel em que 
residiam, tendo em vista a regência da separação legal de bens. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
(B) CORRETA. 
É o dispositivo que coaduna com o teor dos arts. 1.641 e 1.829, I, CC e com o 
entendimento do STJ (REsp 1.922.347). 
A propósito, no casamento ou na união estável regidos pelo regime da separação 
obrigatória de bens, é possível que os nubentes/companheiros, em exercício da 
autonomia privada, estipulando o que melhor lhes aprouver em relação aos bens 
futuros, pactuem cláusulamais protetiva ao regime legal, com o afastamento da Súmula 
n. 377 do STF, impedindo a comunhão dos aquestos. 
(C) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
(D) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
(E) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
_______________________________________________________________________ 
7. Maria Clara, recém-empossada como juíza de direito, recebeu para análise uma ação 
de divórcio com pedido de partilha de bens de Roque e Elisa, que viveram mais de 
cinquenta anos juntos, sob o regime da comunhão universal de bens. Na constância do 
casamento, Roque comprou duas casas; Elisa herdou, com cláusula de 
 
17 
incomunicabilidade, uma fazenda de macieiras, que desde que passou à sua 
administração, vem tendo alta produção de maçãs, todas colhidas durante o casamento; 
e Roque recebeu a doação de três cavalos. 
Maria Clara deverá considerar comuns somente os seguintes bens: 
(A) as casas e os cavalos; 
(B) as casas, as maçãs e os cavalos; 
(C) as casas, a fazenda e as maçãs; 
(D) a fazenda e as maçãs; 
(E) as maçãs e os cavalos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
(B) CORRETA. 
CC/02: 
“Art. 1.667. O regime de comunhão universal importa a comunicação de todos os bens 
presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas, com as exceções do artigo 
seguinte. 
Art. 1.668. São excluídos da comunhão: 
I - os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados 
em seu lugar; 
II - os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário, antes de 
realizada a condição suspensiva; 
III - as dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com seus 
aprestos, ou reverterem em proveito comum; 
IV - as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de 
incomunicabilidade; 
V - Os bens referidos nos incisos V a VII do art. 1.659. 
Art. 1.669. A incomunicabilidade dos bens enumerados no artigo antecedente não se 
estende aos frutos, quando se percebam ou vençam durante o casamento.” 
 
 
18 
(C) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
(D) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
(E) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
_______________________________________________________________________ 
8. Rosa e Geraldo estavam casados há dez anos, quando Geraldo foi diagnosticado com 
uma doença terminal. Por não desejarem que eventuais filhos crescessem órfãos, o casal 
procurou os métodos contraceptivos mais eficazes do mercado, no que encontraram 
um remédio, produzido em parceria pelos laboratórios XPTO e YZX, que garantia 100% 
de infalibilidade. Apesar de toda a publicidade e do uso escorreito da medicação, 
acabaram engravidando. Aos oito meses de gestação, a doença de Geraldo chega a 
termo e o leva a óbito. Um mês depois, nasce a filha do casal, Bela, o que traz imensa 
alegria a Rosa, que vê nisto uma perpetuação do amado. Mesmo assim, depois de muita 
hesitação e um dia antes do implemento do prazo prescricional, Rosa, Bela e o espólio 
de Geraldo ajuízam demanda indenizatória por danos morais em face de ambos os 
laboratórios. 
Nesse caso, é CORRETO afirmar, sob o ponto de vista exclusivamente do Direito Civil, 
que: 
(A) não seria possível transação com os réus, porque a lide envolve direitos indisponíveis 
de menor de idade (Bela), ainda que esteja representada judicialmente por sua mãe; 
(B) Rosa não sofreu danos morais, caracterizados juridicamente como o sofrimento ou 
a humilhação decorrente de uma violação de direitos da personalidade, já que o 
nascimento da filha lhe causou grande alegria; 
(C) os danos morais constituem lesão personalíssima e, por isso mesmo, o direito à 
indenização não poderia ser transmitido aos herdeiros, ainda mais porque, no caso, Bela 
receberia indenização cujo fato gerador seria o próprio nascimento; 
(D) se os autores firmarem transação com o laboratório XPTO, eventual quitação 
contemplará, também e salvo expressa disposição em contrário, o laboratório YZX, 
ainda que este não tenha intervindo no negócio jurídico e nada tenha desembolsado; 
(E) reconhecidos danos morais deverão ser arbitrados de acordo com o método bifásico, 
sendo certo que, conforme entendimento mais atual do Superior Tribunal de Justiça 
para casos congêneres de responsabilidade aquiliana, o juiz deverá ponderar, para 
reduzir a indenização, o tempo levado pelos autores em buscar a indenização. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
 
19 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa D. 
(B) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa D. 
(C) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa D. 
(D) CORRETA. 
No caso em apreço, os laboratórios são solidariamente responsáveis, nos termos do art. 
7°, parágrafo único do CDC). 
No mais, a quitação ou extinção da dívida da indenização com um aproveita ao outro, 
como dispõe o art. 844, § 3°, CC: 
“Art. 844. A transação não aproveita, nem prejudica senão aos que nela intervierem, 
ainda que diga respeito a coisa indivisível. 
(...) 
§ 3° Se entre um dos devedores solidários e seu credor, extingue a dívida em relação aos 
co-devedores.”. 
Cumpre ressaltar, ainda, que o STJ admite indenização por dano moral contra 
laboratório por falha de anticoncepcional (RESp 1.452.306). Esse direito à indenização, 
inclusive, é transmissível aos herdeiros (art. 943, CC). 
(E) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa D. 
_______________________________________________________________________ 
9. Marlise comprometera-se a dar um de seus cachorros, apelidado de Totó, para 
Rejane. Entretanto, tendo se apegado ao animal, no dia do vencimento ofereceu a 
Rejane, em lugar do Totó, uma joia que acabara de herdar de sua falecida tia, o que foi 
prontamente aceito pela credora, tendo ocorrido de imediato a transferência da joia. 
Todavia, decisão judicial veio a reconhecer a nulidade do testamento da tia, que previa 
o legado da joia a Marlise, vindo Rejane então a perder o bem em favor do acervo 
hereditário. 
Diante disso, Rejane pode exigir de Marlise: 
(A) o equivalente pecuniário da joia somente; 
 
20 
(B) o equivalente pecuniário da joia mais eventuais perdas e danos; 
(C) o Totó somente; 
(D) o Totó mais eventuais perdas e danos; 
(E) perdas e danos somente. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE ANULAÇÃO. 
 
(A) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa C. 
(B) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa C. 
(C) INCORRETA. 
Os arts. 356 a 359 do CC/2002 tratam da dação em pagamento (datio in solutum), que 
pode ser conceituada como uma forma de pagamento indireto em que há um acordo 
privado entre os sujeitos da relação obrigacional, pactuando-se a substituição do objeto 
obrigacional por outro. Para tanto, é necessário o consentimento expresso do credor, o 
que caracteriza o instituto como um negócio jurídico bilateral.). 
Se o credor for evicto da coisa recebida, a obrigação primitiva será restabelecida, ficando 
sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros de boa-fé (art. 359 do 
CC): 
“Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a 
obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de 
terceiros”. 
Assim, Rejane só poderá exigir o Totó, uma vez que restabelecer-se-á a obrigação 
primitiva. 
Neste particular, não obstante a banca dar como certa a alternativa D, a alternativa C 
está correta. É preciso destacar, também, que a evicção, em regra, se aplica a contratos 
onerosos (art. 447, CC). A questão trata de contrato gratuito (doação). Logo, nos parece 
ser um ponto a ser questionado em eventualrecurso. 
 
 
21 
(D) CORRETA. 
Vide comentário da alternativa C. 
(E) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa C. 
______________________________________________________________________ 
10. Entre seus três filhos, Amália sempre demonstrou certa predileção por Vitor. 
Recentemente, seus outros filhos ficaram indignados quando ela deu um imóvel de 
presente a Vitor sem consultá-los, pois, embora ela tenha em seu patrimônio outros 
imóveis de maior valor, eles temem potencial prejuízo à parte deles na herança. 
A doação feita por Amália a Vitor sem concordância dos demais herdeiros é: 
(A) inexistente; 
(B) nula; 
(C) anulável; 
(D) ineficaz; 
(E) válida. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa E. 
(B) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa E. 
(C) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa E. 
(D) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa E. 
(E) CORRETA. 
Cumpre ressaltar que doação a descendente é válida, não precisando de consentimento 
dos demais. Ocorre, porém, que será preciso colacionar, salvo disposição contrária com 
respeito à legítima calculada ao tempo da doação (arts. 544 e 2.002 e ss do CC). 
 
22 
Pela importância destacamos: 
“Art. 544. A doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa 
adiantamento do que lhes cabe por herança.” 
Sublinhe-se que o conceito de colação ou conferência pode ser retirado do art. 2.002 do 
CC, segundo o qual: “os descendentes que concorrerem à sucessão do ascendente 
comum são obrigados, para igualar as legítimas, a conferir o valor das doações que dele 
em vida receberam, sob pena de sonegação”. 
Ressalte-se, ainda, o teor do art. 2.003: “A colação tem por fim igualar, na proporção 
estabelecida neste Código, as legítimas dos descendentes e do cônjuge sobrevivente, 
obrigando também os donatários que, ao tempo do falecimento do doador, já não 
possuírem os bens doados. Parágrafo único. Se, computados os valores das doações 
feitas em adiantamento de legítima, não houver no acervo bens suficientes para igualar 
as legítimas dos descendentes e do cônjuge, os bens assim doados serão conferidos em 
espécie, ou, quando deles já não disponha o donatário, pelo seu valor ao tempo da 
liberalidade.” e por último, o do art. 1.847 (“Art. 1.847. Calcula-se a legítima sobre o 
valor dos bens existentes na abertura da sucessão, abatidas as dívidas e as despesas do 
funeral, adicionando-se, em seguida, o valor dos bens sujeitos a colação.”). 
_______________________________________________________________________ 
11. Asdrúbal é síndico do condomínio do edifício Epitáfio. Recentemente, foi constatada 
a necessidade urgente de substituição da rede elétrica que passa por cima da garagem, 
por conta de risco de incêndio. Entretanto, o custo da obra é bastante significativo, 
especialmente tendo em vista a quantidade de condôminos e suas condições 
financeiras. 
Diante disso, Asdrúbal: 
(A) deve iniciar a realização das obras, dispensada consulta à assembleia; 
(B) deve iniciar a realização das obras, mas deve convocar imediatamente a assembleia 
para dar ciência delas; 
(C) depende de aprovação das obras pela maioria dos condôminos na assembleia; 
(D) depende de aprovação das obras por dois terços dos condôminos na assembleia; 
(E) depende de aprovação das obras pela unanimidade dos condôminos na assembleia. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
 
23 
Vide comentário da alternativa B. 
(B) CORRETA. 
CC/02 - Art. 1.341, § 2°: “Se as obras ou reparos necessários forem urgentes e 
importarem em despesas excessivas, determinada sua realização, o síndico ou o 
condômino que tomou a iniciativa delas dará ciência à assembléia, que deverá ser 
convocada imediatamente”. 
(C) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
(D) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
(E) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
_______________________________________________________________________ 
12. Lauro comprou um carro usado de seu vizinho para Marcos, seu filho que acabara 
de completar 18 anos. Ficou satisfeito com o modelo que escolheu, pois além de ser um 
carro versátil para um jovem, viu que possuía um rastreador, que pensou ser relevante 
para questões de segurança. Celebrado o negócio jurídico, Lauro ficou surpreso quando 
o carro foi entregue sem o rastreador e, ao questionar o vendedor, ele o informou que 
a aquisição desse item não foi convencionada. 
O vendedor não estava obrigado a entregar o rastreador, porque ele é considerado: 
(A) bem imóvel por acessão intelectual; 
(B) produto; 
(C) benfeitoria; 
(D) pertença; 
(E) bem móvel para efeitos legais. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Conforme comentário da alternativa D. No mais, não se trata de bem imóvel. 
(B) INCORRETA. 
 
24 
Conforme comentário da alternativa D. Além disso, nos termos do art. 3° do CDC: “§ 1° 
Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial”. 
(C) INCORRETA. 
Conforme comentário da alternativa D. 
(D) CORRETA. 
Cumpre salientar que pertenças são bens que - a despeito da específica destinação 
acessória, na medida em que atendem a finalidade econômico-social da coisa principal 
- são facilmente destacáveis do bem principal, sem prejuízo de sua essência, de sua 
finalidade ou de seu valor econômico (substancialmente considerado). A partir de tais 
características, é de se concluir que o equipamento de monitoramento (rastreador) do 
carro comprado por Lauro é uma pertença. 
Trata-se, indiscutivelmente, de "coisa ajudante" que atende ao uso do bem principal. 
Desse modo, sua retirada do veículo não altera a natureza do bem principal, em nada 
prejudicando sua função finalística, tampouco refletindo uma depreciação econômica 
de tal monta que torne inviável, sob tal aspecto, a separação. Logo, o vendedor não 
estava obrigado a entregar o rastreador. 
Nesse sentindo, destacamos o REsp 1.667.227-RS do STJ, bem como o teor dos seguintes 
dispositivos do CC/02: 
“Art. 93. São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, 
de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. 
Art. 94. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as 
pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das 
circunstâncias do caso.” 
(E) INCORRETA. 
Conforme comentário da alternativa D. 
_______________________________________________________________________ 
13. Maria, após consumir álcool, assume a direção de seu carro e causa acidente de 
trânsito, vitimando João que, seguindo todas as regras de trânsito, voltava de seu 
plantão. No acidente, João bate a cabeça, sofre grave traumatismo e permanece, a partir 
do evento, em estado comatoso por seis anos. Felizmente, após tal prazo, João se 
recupera e decide ajuizar demanda de reparação civil em face de Maria. 
Com base nos fatos narrados e no Código Civil/2002, é CORRETO afirmar que a 
pretensão de João: 
(A) está fulminada pela prescrição, já que ultrapassados os dois anos previstos para 
exercício de seu direito; 
 
25 
(B) não pode estar prescrita, já que não corre prescrição contra os absolutamente 
incapazes, abarcados aqueles que, por causa transitória, não puderem exprimir 
vontade; 
(C) está fulminada pela prescrição, já que ultrapassados os cinco anos previstos para 
exercício de seu direito; 
(D) não pode estar prescrita, já que o prazo previsto para exercício de seu direito é o 
prazo geral do Código Civil, qual seja, prazo de dez anos; 
(E) está fulminada pela prescrição, já que ultrapassados os três anos previstos para o 
exercício de seu direito. 
_______________________________________________________________________GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa E. 
(B) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa E. 
(C) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa E. 
(D) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa E. 
(E) CORRETA. 
De acordo com o art. 206, § 3° do CC/02: “Art. 206. Prescreve: (...) § 3° Em três anos: (...) 
V - a pretensão de reparação civil; (...)”. 
Neste particular, importante ressaltar que quem está em estado comatoso é 
relativamente incapaz (art. 4°, CC/02). 
Por conseguinte, a pretensão de João está fulminada pela prescrição, já que 
ultrapassado os três anos previstos para o exercício do seu direito. 
_______________________________________________________________________ 
14. Jurema deixou consignada uma estatueta sua em uma loja de antiguidades, a 
Salomão Ltda. Os representantes da loja incumbiram-se de buscar vendê-la, obrigando-
se a pagar a Jurema o preço ajustado ou devolver a estatueta ao final de um mês. 
Sobre o caso, é CORRETO afirmar que: 
 
26 
(A) durante a vigência do contrato, Jurema não perde a possibilidade de vender ela 
própria a estatueta; 
(B) a Salomão Ltda. ficará exonerada de sua obrigação se a estatueta perecer por fato 
não imputável à loja de antiguidades; 
(C) eventuais credores da Salomão Ltda. podem vir a penhorar a estatueta antes do 
término do contrato; 
(D) a escolha entre o pagamento do preço ou a devolução da estatueta é direito da 
Salomão Ltda.; 
(E) a entrega da estatueta para a venda implica transferência de sua propriedade à loja 
Salomão Ltda. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
CC/02: “Art. 537: “O consignante não pode dispor da coisa antes de lhe ser restituída ou 
de lhe ser comunicada a restituição.”. 
(B) INCORRETA. 
CC/02: “Art. 535: “O consignatário não se exonera da obrigação de pagar o preço, se a 
restituição da coisa, em sua integridade, se tornar impossível, ainda que por fato a ele 
não imputável.”. 
(C) INCORRETA. 
CC/02: “Art. 536: “A coisa consignada não pode ser objeto de penhora ou seqüestro pelos 
credores do consignatário, enquanto não pago integralmente o preço”. 
(D) CORRETA. 
CC/02: “Art. 534. Pelo contrato estimatório, o consignante entrega bens móveis ao 
consignatário, que fica autorizado a vendê-los, pagando àquele o preço ajustado, salvo 
se preferir, no prazo estabelecido, restituir-lhe a coisa consignada”. 
“Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se 
estipulou.” 
(E) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa D. 
_______________________________________________________________________ 
 
27 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
15. Contra acórdão de apelação cível, a parte interessada interpôs recurso especial ao 
Superior Tribunal de Justiça, apontando a violação a dispositivos infraconstitucionais, 
bem como suscitando dissídio jurisprudencial. 
Sobre o processamento do recurso especial, é CORRETO afirmar que: 
(A) o presidente ou o vice-presidente do Tribunal local deverá realizar o juízo de 
admissibilidade e, se negativo, caberá agravo interno ao Superior Tribunal de Justiça, no 
qual deverá ser demonstrada a relevância da matéria impugnada e do dissídio 
jurisprudencial apontado; 
(B) o presidente ou o vice-presidente do Tribunal local deverá selecionar o recurso como 
representativo de controvérsia, observando que o recurso selecionado deve ser 
admissível e conter abrangente argumentação e discussão a respeito da questão a ser 
decidida; 
(C) o pedido de efeito suspensivo ao recurso especial deve ser formulado ao Superior 
Tribunal de Justiça, no período compreendido entre a interposição do recurso e a 
publicação da decisão de admissão do recurso, ficando o relator designado para seu 
exame prevento para julgá-lo; 
(D) se o relator, no Superior Tribunal de Justiça, entender que o recurso especial versa 
sobre questão constitucional, deverá conceder prazo para que o recorrente demonstre 
a existência de repercussão geral e se manifeste sobre a questão constitucional, 
devendo o Supremo Tribunal Federal julgar o recurso, sem devolvê-lo ao Superior 
Tribunal de Justiça; 
(E) o presidente ou o vice-presidente do Tribunal local poderá negar seguimento ao 
recurso especial se o acórdão recorrido estiver em conformidade com o entendimento 
do Superior Tribunal de Justiça, exarado no regime de julgamento de recurso repetitivo. 
Contra essa decisão caberá agravo em recurso especial. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
 A alternativa encontra-se incorreta nos termos do disposto no §2º do art. 1.030 do 
CPC/2015, que prevê que em face da decisão do presidente ou o vice-presidente do 
Tribunal que negou seguimento ao recurso especial fundado em uma das hipóteses do 
inciso I e III, cabe agravo interno para o próprio tribunal, nos termos do art. 1.021 do 
CPC/2015. 
 
28 
(B) CORRETA. 
A alternativa encontra-se correta, nos termos do disposto nos §§1º e 6º do art. 1.036 do 
CPC/2015, que dispõe que o presidente ou o vice-presidente de tribunal de justiça ou 
de tribunal regional federal selecionará 2 (dois) ou mais recursos representativos da 
controvérsia, que somente podem ser selecionados se for admissível e contenham 
abrangente argumentação e discussão a respeito da questão a ser decidida. 
Art. 1.036, § 1º, CPC/2015 - O presidente ou o vice-presidente de tribunal de justiça ou 
de tribunal regional federal selecionará 2 (dois) ou mais recursos representativos da 
controvérsia, que serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal ou ao Superior 
Tribunal de Justiça para fins de afetação, determinando a suspensão do trâmite de todos 
os processos pendentes, individuais ou coletivos, que tramitem no Estado ou na região, 
conforme o caso. 
Art. 1.036, § 6º, CPC/2015 Somente podem ser selecionados recursos admissíveis que 
contenham abrangente argumentação e discussão a respeito da questão a ser decidida. 
(C) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta, uma vez que, conforme disposto no inciso III do art. 
1.029, §5º, do CPC/2015, o pedido de efeito suspensivo ao recurso especial será dirigido 
ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, no período compreendido 
entre a interposição do recurso e a publicação da decisão de admissão do recurso. 
Art. 1.029, §5º, III – ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, no 
período compreendido entre a interposição do recurso e a publicação da decisão de 
admissão do recurso, assim como no caso de o recurso ter sido sobrestado, nos termos 
do art. 1.037. 
(D) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta, pois nos termos do parágrafo único do art. 1.032 do 
CPC/2015 o Supremo Tribunal Federal, em juízo de admissibilidade, poderá devolvê-lo 
ao Superior Tribunal de Justiça. 
Art. 1.032. Se o relator, no Superior Tribunal de Justiça, entender que o recurso especial 
versa sobre questão constitucional, deverá conceder prazo de 15 (quinze) dias para que 
o recorrente demonstre a existência de repercussão geral e se manifeste sobre a 
questão constitucional. 
Parágrafo único. Cumprida a diligência de que trata o caput, o relator remeterá o 
recurso ao Supremo Tribunal Federal, que, em juízo de admissibilidade, poderá devolvê-
lo ao Superior Tribunal de Justiça. 
(E) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta nos termos do disposto no §2º do art. 1.030 do 
CPC/2015, que prevê que em face da decisão do presidente ou o vice-presidente do 
 
29 
Tribunal que negou seguimento ao recurso especial fundado em uma das hipóteses do 
inciso I, cabe agravo interno para o próprio tribunal, nos termos do art. 1.021 do 
CPC/2015 
_______________________________________________________________________ 
16. Sobre a produção de provas, é CORRETO afirmar que: 
(A) o juiz nãopoderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, ainda 
que observe o contraditório; 
(B) é vedada em qualquer hipótese a distribuição diversa do ônus da prova por negócio 
jurídico processual firmado antes do litígio; 
(C) a confissão extrajudicial feita oralmente representa meio de prova hígido contra o 
confitente, inclusive nos casos em que a lei exija prova literal; 
(D) não dependem de prova os fatos notórios, afirmados por uma parte e confessados 
pela parte contrária e aqueles envolvendo regras de experiência comum e de 
experiência técnica; 
(E) os atos concertados entre os juízes cooperantes podem consistir no estabelecimento 
de procedimento para a obtenção e a apresentação de provas, inclusive a coleta de 
depoimentos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta, tendo em vista que o art. 372 do CPC/2015 admite 
a prova emprestada. 
(B) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta, nos termos do disposto nos §§3º e 4º do art. 373 do 
CPC/2015, que prevê a possibilidade de distribuição diversa do ônus da prova por 
convenção das partes, inclusive antes do processo. 
Art. 373, § 3º, CPC/2015 - A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer 
por convenção das partes, salvo quando: 
I - recair sobre direito indisponível da parte; 
II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. 
§ 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. 
(C) INCORRETA. 
 
30 
Art. 394 CPC/2015 - A confissão extrajudicial, quando feita oralmente, só terá eficácia 
nos casos em que a lei não exija prova literal. 
(D) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta, tendo em vista o disposto no art. 375 do CPC/2015 
que dispõe que quanto experiência técnica será ressalvado a prova pericial. 
 Art. 374 CPC/2015 - Não dependem de prova os fatos: 
I - notórios; 
II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; 
Art. 375 CPC/2015 - O juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela 
observação do que ordinariamente acontece e, ainda, as regras de experiência técnica, 
ressalvado, quanto a estas, o exame pericial. 
(E) CORRETA. 
A alternativa encontra-se correta nos termos do disposto no §2º, inciso II, do art. 69 do 
CPC/2015, que prevê que os atos concertados entre os juízes cooperantes poderão 
consistir, além de outros, no estabelecimento de procedimento para a obtenção e 
apresentação de provas e a coleta de depoimentos. 
_______________________________________________________________________ 
17. Em uma cidade do Estado de Pernambuco, a concessão do serviço de transporte se 
tornou deficitária e desequilibrada no último biênio do contrato, instaurando uma 
situação de conflito entre as concessionárias, o poder público e os usuários, que 
passaram a ficar desatendidos. Diante de uma situação dessa natureza, as partes 
interessadas consideram que o meio mais adequado para a solução desse conflito não 
seria a judicialização. 
Quanto a essa situação hipotética, é CORRETO afirmar que: 
(A) a pessoa jurídica de direito público não poderá participar de mediações extrajudiciais 
fora do âmbito dos tribunais, pois o interesse público é indisponível e não pode ser 
objeto de transação; 
(B) a submissão do conflito à mediação extrajudicial demanda a resolução integral da 
questão, não podendo as partes fracionar o conflito; 
(C) a instauração de procedimento administrativo para a resolução consensual de 
conflito no âmbito da administração pública não suspende a prescrição; 
(D) conflitos que versem sobre o equilíbrio econômico-financeiro de contratos 
celebrados pela administração com particulares podem ser objeto de mediação perante 
as câmaras de prevenção e resolução administrativa de conflitos; 
 
31 
(E) eventual acordo firmado entre a administração pública e o particular no âmbito das 
câmaras de prevenção e resolução administrativa de conflitos, ainda que envolva 
direitos disponíveis, demanda homologação judicial para ter força de título executivo 
extrajudicial, por envolver o interesse público. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta, uma vez que a Lei nº 13.140/2015 em seu capítulo 
II trata justamente da autocomposição dos conflitos envolvendo pessoas jurídicas de 
direito público. 
(B) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta, tendo em vista que o art. 3º, §1º da Lei nº 
13.140/2015 prevê que a mediação pode versar sobre todo o conflito ou parte dele. 
(C) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta, visto que o art. Art. 34 da Lei nº 13.140/2015 
estabelece que a instauração de procedimento administrativo para a resolução 
consensual de conflito no âmbito da administração pública suspende a prescrição. 
(D) CORRETA. 
A alternativa encontra-se correta, visto que o §5º da Lei nº 13.140/2015 dispõe que se 
compreendem na competência das câmaras de prevenção e a resolução de conflitos os 
que envolvam equilíbrio econômico-financeiro de contratos celebrados pela 
administração com particulares. 
(E) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta, tendo em vista que, nos termos do disposto no §3º 
do art. 33 da Lei nº 13.140/2015, se houver consenso entre as partes, o acordo será 
reduzido a termo e constituirá título executivo extrajudicial, independentemente de 
homologação judicial. 
_______________________________________________________________________ 
18. O Código de Processo Civil/2015 autoriza expressamente o juiz, em casos específicos, 
a conceder benefícios às partes para estimular determinada conduta ou 
comportamento positivo. 
Sobre as “sanções premiais”, é CORRETO afirmar que: 
 
32 
(A) em ação de dissolução parcial de sociedade, havendo manifestação expressa e 
unânime pela concordância da dissolução, não haverá condenação em honorários 
advocatícios de nenhuma das partes, e as custas serão rateadas segundo a participação 
das partes no capital social; 
(B) na ação monitória, se o réu reconhecer a dívida e não oferecer embargos monitórios, 
terá o direito de parcelar todo o débito em até seis parcelas mensais, acrescidas de 
correção monetária e de juros de 1% ao mês, independentemente da concordância do 
autor da demanda; 
(C) na ação monitória, se o réu reconhecer a dívida e cumprir a obrigação de fazer ou 
não fazer no prazo de quinze dias, deverá pagar honorários advocatícios de 5% do valor 
atribuído à causa e arcará apenas com a metade das custas processuais; 
(D) havendo julgamento de recurso especial ou extraordinário repetitivo sobre a matéria 
objeto da lide, o autor tem o direito de desistir da ação antes da prolação da sentença, 
independentemente do consentimento do réu, ainda que tenha sido oferecida 
contestação, com a redução de honorários sucumbenciais pela metade; 
(E) em ação envolvendo a fazenda pública, se esta deixar de oferecer impugnação ao 
cumprimento de sentença que enseje a expedição de precatório, não haverá a 
incidência de honorários sucumbenciais relativos à fase de cumprimento de sentença e 
ficará isenta do reembolso de custas processuais. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. 
A alternativa encontra-se correta, tendo em vista o disposto nos 603, §1º, do CPC/2015 
que prevê que havendo manifestação expressa e unânime pela concordância da 
dissolução, o juiz a decretará, passando-se imediatamente à fase de liquidação e que, 
nesta hipótese, não haverá condenação em honorários advocatícios de nenhuma das 
partes, e as custas serão rateadas segundo a participação das partes no capital social. 
(B) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta, pois não é necessário o prévio consentimentoda 
parte contrária para a interposição do recurso adesivo, conforme disposto no §1º do 
art. 997 do CPC/2015. 
(C) INCORRETA. 
 
33 
A alternativa encontra-se incorreta, tendo em vista que na ação monitória, se o réu 
reconhecer a dívida e cumprir a obrigação de fazer ou não fazer no prazo de quinze dias, 
este será isento de custas, nos termos do §1º do art. 701 do CPC/2015. 
(D) INCORRETA. 
Conforme disposto no §2º do art. 1.040 do CPC/2015, se a desistência ocorrer antes de 
oferecida contestação, a parte ficará isenta do pagamento de custas e de honorários 
de sucumbência. Portanto, não há a previsão de redução, apenas de isenção se for 
oferecida a desistência antes da contestação. 
(E) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta, tendo em vista que nos termos do §7º do art. 85 do 
CPC/2015 não serão devidos honorários no cumprimento de sentença contra a Fazenda 
Pública que enseje expedição de precatório, desde que não tenha sido impugnada. 
Contudo, a Fazenda Pública não está isenta do recolhimento de custas. 
_______________________________________________________________________ 
19. Em uma ação envolvendo direitos disponíveis, antes da decisão de organização e 
saneamento, as partes firmaram negócio jurídico processual, por meio do qual 
escolheram consensualmente o perito e estabeleceram que nenhuma das partes 
indicaria assistente técnico. 
Diante dessa situação jurídica, é CORRETO afirmar que: 
(A) para a validade do referido negócio jurídico, este deve ser previamente homologado 
pelo juiz; 
(B) o juiz deverá aceitar o perito escolhido consensualmente pelas partes, mas não 
poderá autorizar a dispensa de assistentes técnicos, por força de previsão legal; 
(C) para o referido negócio jurídico processual produzir efeitos, o juiz deve figurar como 
parte, por se tratar de disposição diretamente ligada à atividade jurisdicional; 
(D) diante da autonomia da vontade das partes, o juiz não poderá recusar o referido 
negócio jurídico processual, ainda que uma das partes se encontre em manifesta 
situação de vulnerabilidade; 
(E) as partes podem convencionar sobre seus poderes por meio de negócio jurídico 
processual, o que lhes autoriza a indicar consensualmente o perito e a dispensar a 
indicação de assistente técnico. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
 
34 
(A) INCORRETA. 
A maior parte da doutrina (Didier e Daniel Amorim, por exemplo) vem entendendo que 
o NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL NÃO DEPENDE DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL, 
produzindo efeitos imediatamente, nos termos do artigo 200 do NCPC (“Os atos das 
partes consistentes em declarações unilaterais ou bilaterais de vontade produzem 
imediatamente a constituição, modificação ou extinção de direitos processuais. 
Parágrafo único. A desistência da ação só produzirá efeitos após homologação 
judicial”.). O juiz pode controlar a validade da convenção, conforme o exposto no 
Parágrafo único do artigo 190, mas não é condição de eficácia do negócio. Neste sentido, 
vide o enunciado 133 do Fórum Permanente de Processualistas Civis, segundo o qual 
“salvo nos casos expressamente previstos em lei, os negócios processuais do art. 190 
não dependem de homologação judicial”. 
(B) INCORRETA. 
Conforme dispõe o art. 471 do CPC/2015, as partes podem de comum acordo, escolher 
o perito, indicando os assistentes técnicos. Contudo, não há vedação legal que impeça 
acordo entre as partes de dispensa dos assistentes técnicos, não cabendo ao juiz, 
portanto, não autorizar a dispensa do assistente técnico conforme acordo realizado 
pelas partes. 
(C) INCORRETA. 
Conforme previsto no art. 190 do CPC/2015, o juiz não participará dos negócios jurídicos 
processuais como parte, cabendo a este controlar a validade da convenção processual. 
(D) INCORRETA. 
Conforme disposto no parágrafo único do art. 190 do CPC/2015, o juiz controlará a 
validade das convenções previstas neste artigo, recusando-lhes aplicação somente nos 
casos de nulidade ou de inserção abusiva em contrato de adesão ou em que alguma 
parte se encontre em manifesta situação de vulnerabilidade. 
(E) CORRETA. 
O CPC/2015, em seu art. 190, trouxe um regramento específico sobre o chamado 
“NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL”, no qual as partes podem estipular mudanças no 
procedimento, desde que sejam plenamente capazes, estejam de comum acordo e o 
direito em disputa admita autocomposição, isto é, que não se trate de direitos 
indisponíveis, trazendo hipóteses específicas de firmação de acordo entre as partes 
como ocorre no caso de nomeação de perito pelas partes, nos termos do art. 471 do 
CPC/2015. 
_______________________________________________________________________ 
 
35 
20. A escola Aprender Sorrindo Ltda. firmou contrato de prestação de serviços de 
limpeza com a empresa Limpinho Limpeza Ltda. O aludido contrato possuía cláusula 
autorizando a rescisão contratual por qualquer das partes, mediante notificação prévia, 
devendo a parte que pretende rescindir efetuar o pagamento da cláusula penal, de 
acordo com determinada métrica de cálculo. Após o envio da notificação de rescisão por 
parte da escola Aprender Sorrindo Ltda., a empresa Limpinho Limpeza Ltda. se recusou 
a aceitar o pagamento da cláusula penal, por entender que a escola não observou a 
métrica contratual. 
Diante dessa situação jurídica, é CORRETO afirmar que: 
(A) por se tratar de obrigação pecuniária, a escola Aprender Sorrindo Ltda. poderá se 
valer da consignação extrajudicial em estabelecimento bancário. Nessa hipótese, a 
empresa Limpinho Limpeza Ltda. poderá apresentar recusa por escrito, que deverá ser 
direcionada à escola, inaugurando o prazo de quinze dias para o ajuizamento da ação de 
consignação em pagamento, devendo a inicial ser instruída com a prova da recusa; 
(B) se a escola Aprender Sorrindo Ltda. optar por ajuizar ação consignatória em face da 
empresa Limpinho Limpeza Ltda., deverá depositar o valor da cláusula penal em juízo, 
no prazo de cinco dias, contado a partir da distribuição da ação, sob pena de extinção 
da ação sem resolução de mérito; 
(C) em caso de ajuizamento de ação consignatória, se a empresa Limpinho Limpeza Ltda. 
alegar em sua defesa que o depósito não é integral, no prazo de réplica de quinze dias, 
a escola Aprender Sorrindo Ltda. terá a oportunidade de complementar o depósito, 
além de se manifestar sobre os documentos que instruíram a defesa; 
(D) caso a escola Aprender Sorrindo Ltda. ajuíze ação consignatória, que venha a ser 
julgada procedente, o juiz declarará extinta a obrigação e condenará o réu ao 
pagamento de custas e de metade dos honorários advocatícios, caso não tenha 
contestado o depósito; 
(E) caso a escola Aprender Sorrindo Ltda. ajuíze ação consignatória, que venha a ser 
julgada improcedente, a empresa Limpinho Limpeza Ltda. poderá executar a diferença 
nos próprios autos, ainda que seja necessária a liquidação do valor devido. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 539, § 1º, CPC/2015 - Tratando-se de obrigação em dinheiro, poderá o valor ser 
depositado em estabelecimento bancário, oficial onde houver, situado no lugar do 
pagamento, cientificando-se o credor por carta com aviso de recebimento, assinado o 
prazo de 10 (dez) dias para a manifestação de recusa. 
 
36 
(B) INCORRETA. 
Art. 542 CPC/2015 - Na petição inicial, o autor requererá: 
I - o depósito da quantia ou da coisa devida, a ser efetivado no prazo de 5 (cinco) dias 
contados do deferimento, ressalvada a hipótese do art. 539, § 3º ; 
Parágrafo único. Não realizado o depósito no prazo do inciso I, o processo será extinto 
sem resolução do mérito. 
(C) INCORRETA. 
Art. 545 do CPC/2015 - Alegada a insuficiência do depósito, é lícito ao autor completá-
lo, em 10 (dez) dias, salvo se corresponder a prestação cujoinadimplemento acarrete a 
rescisão do contrato. 
(D) INCORRETA. 
A alternativa encontra-se incorreta, tendo em vista que o art. 546 do CPC/2015 não 
prever a possibilidade de condenação pela metade dos honorários advocatícios. foi 
comprovado durante o processo que o réu não possui responsabilidade pelo acidente 
de trânsito ocasionado e sim o terceiro, devendo, portanto, o juiz julgar improcedente 
o pedido do autor proferindo sentença com resolução do mérito, nos termos do art. 
487, inciso I, do CPC/2015. 
(E) CORRETA. 
A alternativa encontra-se correta, visto que o § 2º do art. 545 do CPC/2015 dispõe que 
sentença que concluir pela insuficiência do depósito determinará, sempre que possível, 
o montante devido e valerá como título executivo, facultado ao credor promover-lhe o 
cumprimento nos mesmos autos, após liquidação, se necessária. 
_______________________________________________________________________ 
21. Antônio intentou ação em face de Bruno, pleiteando a sua condenação ao 
pagamento de verba da qual afirmava ser credor. Regularmente citado, o réu 
apresentou contestação na qual, admitindo a existência do débito, ainda que em valor 
inferior àquele afirmado na petição inicial, assim como o seu não pagamento na data do 
vencimento, alegou que estava apenas aguardando o levantamento de uma 
determinada importância em outro feito, no qual figurava como autor, a fim de que 
pudesse satisfazer o débito que reputava existente. 
Logo depois de ofertada a peça de réplica, Bruno protocolizou petição em que afirmava 
ter satisfeito a integralidade do crédito reclamado por Antônio, fato que foi por este 
confirmado. Nesse cenário, deve o juiz da causa: 
(A) extinguir o feito sem resolução do mérito, imputando ao réu a responsabilidade pelo 
pagamento dos honorários advocatícios sucumbenciais; 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art539%C2%A73
 
37 
(B) extinguir o feito sem resolução do mérito, imputando ao autor a responsabilidade 
pelo pagamento dos honorários advocatícios sucumbenciais; 
(C) julgar improcedente o pedido, imputando ao autor a responsabilidade pelo 
pagamento dos honorários advocatícios sucumbenciais; 
(D) julgar procedente o pedido, imputando ao réu a responsabilidade pelo pagamento 
dos honorários advocatícios sucumbenciais; 
(E) julgar procedente o pedido, imputando ao autor a responsabilidade pelo pagamento 
dos honorários advocatícios sucumbenciais. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
No caso narrado na questão não há interesse de agir na continuidade da demanda, 
tendo em vista que o requerido arcou com o pagamento da quantia devida, devendo ser 
extinto o processo por sentença sem resolução do mérito, nos termos do art. 485, inciso 
VI, do CPC/2015. Em razão do princípio da causalidade que rege a condenação 
honorários advocatícios sucumbenciais, o requerido deverá arcar com a sucumbência, 
tendo em vista que a parte autora teve que acionar o Poder Judiciário para obter êxito 
no seu direito ao pagamento do valor devido. 
_______________________________________________________________________ 
22. O credor de determinada obrigação contratual ajuizou ação em que pleiteava a 
condenação do devedor a cumpri-la. Proferido o juízo positivo de admissibilidade da 
demanda e ofertada a contestação, o juiz da causa julgou antecipadamente o mérito, 
acolhendo o pedido de cobrança. Inconformado, o réu interpôs recurso de apelação, 
subindo os autos ao órgão ad quem após o oferecimento das contrarrazões recursais 
pela parte autora. 
Distribuído o feito a um órgão fracionário do tribunal, veio aos autos a notícia, 
devidamente comprovada por documentos, de que o réu fora acometido de doença que 
lhe comprometia a capacidade civil, já tendo, inclusive, sido interditado. Todavia, não 
foi anexado aos autos instrumento de mandato assinado pelo curador da parte ré. 
Nesse contexto, deverá o relator do procedimento recursal: 
(A) ordenar o retorno do feito à primeira instância, a fim de que o juiz assine prazo 
razoável para que o réu sane o vício de sua representação, sob pena de inadmissão de 
seu apelo pelo órgão a quo; 
(B) ordenar o retorno do feito à primeira instância, a fim de que o juiz assine prazo 
razoável para que o réu sane o vício de sua representação, sob pena de extinção do feito 
sem resolução do mérito pelo órgão a quo; 
 
38 
(C) ordenar o retorno do feito à primeira instância, a fim de que o juiz assine prazo 
razoável para que o réu sane o vício de sua representação, sob pena de decretação de 
sua revelia pelo órgão a quo; 
(D) assinar prazo razoável para que o réu sane o vício de sua representação, sob pena 
de não conhecimento de seu recurso de apelação; 
(E) assinar prazo razoável para que o réu sane o vício de sua representação, sob pena de 
desentranhamento de suas razões de apelação, sem prejuízo do reexame necessário da 
sentença. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 76 CPC/2015 - Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da 
representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para 
que seja sanado o vício. 
§ 2º Descumprida a determinação em fase recursal perante tribunal de justiça, tribunal 
regional federal ou tribunal superior, o relator: 
I - não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente; 
_______________________________________________________________________ 
23. Encerrada a fase instrutória de determinado processo, o juiz da causa condenou a 
pessoa jurídica demandada a pagar ao autor, menor absolutamente incapaz, verba 
indenizatória no montante de trezentos mil reais. 
Após o advento do trânsito em julgado, instaurou-se a fase de cumprimento de 
sentença, ocasião em que se apurou a inexistência de bens em nome da empresa 
executada, conquanto os seus sócios fossem proprietários de valiosos imóveis, segundo 
as certidões de ônus reais carreadas aos autos. 
Na sequência, o órgão do Ministério Público que intervinha no feito formulou 
requerimento de instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica 
da ré, de modo a viabilizar a ulterior incidência de atos constritivos sobre os bens dos 
sócios. 
Após a vinda da manifestação dos interessados, o juiz da causa, embora reconhecendo 
estarem cumpridos os pressupostos legais específicos para a desconsideração da 
personalidade jurídica, como de fato estavam, indeferiu o pleito do Ministério Público, 
por entender que lhe faltava legitimidade para formulá-lo, a par da impossibilidade de 
instauração do incidente na fase de cumprimento de sentença. 
 
39 
Intimado da decisão, o órgão ministerial interpôs agravo de instrumento, pleiteando a 
reforma da decisão de primeira instância, para o fim de se deferir o seu requerimento 
de deconsideração da personalidade jurídica da empresa demandada. 
Nesse quadro, o recurso que se interpôs: 
(A) deverá ser conhecido e provido; 
(B) não deverá ser conhecido, por falta de adequação; 
(C) deverá ser conhecido, porém desprovido, já que, apesar da legitimidade do 
Ministério Público para requerer a instauração do incidente, este não tem lugar na fase 
de cumprimento de sentença; 
(D) deverá ser conhecido, porém desprovido, já que, apesar da possibilidade de 
instauração do incidente na fase de cumprimento de sentença, não pode ela ser 
requerida pelo Ministério Público; 
(E) deverá ser conhecido, porém desprovido, tanto pela impossibilidade da instauração 
do incidente na fase de cumprimento de sentença, quanto pela falta de legitimidade do 
Ministério Público para requerê-la. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Conforme disposto no art. 133 do CPC/2015, o incidente de desconsideração da 
personalidade jurídicapoderá ser instaurado a pedido do Ministério Público, quando 
lhe couber intervir no processo. Como a causa envolve interesse de incapaz, o 
Ministério Público possui competência para instaurar o incidente, nos termos do art. 
178, inciso II, do CPC/2015. Portanto, o recurso de agravo de instrumento deve ser 
provido e conhecido. 
_______________________________________________________________________ 
24. No tocante à indisponibilidade de bens da parte ré, com o escopo de garantir a 
integral recomposição do erário desfalcado em razão do cometimento de ato de 
improbidade administrativa, é CORRETO afirmar que: 
(A) consiste numa tutela provisória antecipada, revestindo-se de natureza satisfativa; 
(B) a decisão que a defere é impugnável pelo recurso de agravo de instrumento, não o 
sendo, porém, a decisão que a indefere; 
(C) o juiz, ao tomar contato com a petição inicial, poderá deferir a medida sem a prévia 
oitiva da parte ré; 
 
40 
(D) não pode ter por objeto bem de família do réu, ainda que o imóvel seja fruto de 
vantagem patrimonial indevida; 
(E) é vedado ao réu requerer a sua substituição por caução, tampouco por fiança 
bancária ou seguro-garantia judicial. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
A indisponibilidade de bens prevista no art. 16 da Lei nº 8249/92 trata-se de tutela de 
urgência cautelar e não antecipada, pois visa garantir o resultado útil do processo. Art. 
16, § 3º, Lei 8429/92 - O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere 
o caput deste artigo apenas será deferido mediante a demonstração no caso concreto 
de perigo de dano irreparável ou de risco ao resultado útil do processo, desde que o 
juiz se convença da probabilidade da ocorrência dos atos descritos na petição inicial com 
fundamento nos respectivos elementos de instrução, após a oitiva do réu em 5 (cinco) 
dias. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
(B) INCORRETA. 
Art. 16, § 9º, Lei 8429/92 - Da decisão que deferir ou indeferir a medida relativa à 
indisponibilidade de bens caberá agravo de instrumento, nos termos da Lei nº 13.105, 
de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (Incluído pela Lei nº 14.230, de 
2021) 
(C) CORRETA. 
Art. 16, § 4º, Lei 8429/92 - A indisponibilidade de bens poderá ser decretada sem a oitiva 
prévia do réu, sempre que o contraditório prévio puder comprovadamente frustrar a 
efetividade da medida ou houver outras circunstâncias que recomendem a proteção 
liminar, não podendo a urgência ser presumida. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 
2021) 
(D) INCORRETA. 
Art. 16, § 14, Lei 8429/92 - É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família 
do réu, salvo se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial 
indevida, conforme descrito no art. 9º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 
2021) 
(E) INCORRETA. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
 
41 
Art. 16, §6º, Lei 8429/92 - O valor da indisponibilidade considerará a estimativa de dano 
indicada na petição inicial, permitida a sua substituição por caução idônea, por fiança 
bancária ou por seguro-garantia judicial, a requerimento do réu, bem como a sua 
readequação durante a instrução do processo. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
_______________________________________________________________________ 
25. No que concerne à denunciação da lide, é CORRETO afirmar que: 
(A) é cabível em processos de conhecimento, de execução e cautelares, tocando ao 
interessado formulá-la, sob pena de perda do direito de regresso; 
(B) se o denunciante for sucumbente na demanda original, a litisdenunciação não terá 
o seu mérito apreciado pelo juiz, diante da perda de seu objeto; 
(C) sendo julgados procedentes os pedidos da ação original e da litisdenunciação, 
poderá o autor requerer o cumprimento da sentença em desfavor do réu e, também, do 
denunciado; 
(D) é modalidade provocada de intervenção de terceiros, cabendo apenas à parte ré da 
ação original formulá-la, não havendo interesse jurídico para a parte autora em fazê-lo; 
(E) é admissível a formulação de litisdenunciações sucessivas, de modo a viabilizar a 
composição de diversas lides no mesmo feito, desde que isso não comprometa a sua 
duração razoável. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Conforme disposto no §1º do 125 do CPC/2015, a parte não perde o direito de regresso 
se não interpuser a denunciação da lide. Portanto, com o novo CPC é um direito da parte 
exercer o seu direito de regresso mediante a interposição de denunciação da lide ou por 
meio de ação autônoma. 
(B) INCORRETA. 
Art. 128, II, CPC/2015 - se o denunciado for revel, o denunciante pode deixar de 
prosseguir com sua defesa, eventualmente oferecida, e abster-se de recorrer, 
restringindo sua atuação à ação regressiva; 
(C) CORRETA. 
Art. 128, Parágrafo único, CPC/2015 - Procedente o pedido da ação principal, pode o 
autor, se for o caso, requerer o cumprimento da sentença também contra o 
denunciado, nos limites da condenação deste na ação regressiva. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
 
42 
(D) INCORRETA. 
Art. 125 CPC/2015 - É admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das 
partes: 
(E) INCORRETA. 
Art. 125, § 2º, CPC/2015 - Admite-se uma única denunciação sucessiva, promovida pelo 
denunciado, contra seu antecessor imediato na cadeia dominial ou quem seja 
responsável por indenizá-lo, não podendo o denunciado sucessivo promover nova 
denunciação, hipótese em que eventual direito de regresso será exercido por ação 
autônoma. 
_______________________________________________________________________ 
26. Credor de determinada obrigação contratual, no dia 09 de maio de 2022, distribuiu 
a uma vara cível de determinada comarca a petição inicial de ação em que pleiteou a 
declaração da existência do vínculo jurídico obrigacional. 
Três dias depois, foi distribuída pelo mesmo credor, noutra vara cível da mesma 
comarca, a inicial de uma segunda demanda, já então para se pedir a condenação do 
devedor ao pagamento da mesma obrigação. 
No processo distribuído em primeiro lugar, o despacho liminar positivo foi proferido em 
23 de maio de 2022, e, no segundo, o provimento de igual natureza veio a lume em 16 
de maio de 2022. Nesse contexto, é CORRETO afirmar que: 
(A) o feito distribuído em segundo lugar deverá ser extinto, sem resolução do mérito, 
em razão da litispendência; 
(B) o feito distribuído em primeiro lugar deverá ser extinto, sem resolução do mérito, 
em razão da falta de interesse de agir; 
(C) os feitos devem ser reunidos para julgamento conjunto no juízo em que houver 
ocorrido a primeira distribuição; 
(D) os feitos devem ser reunidos para julgamento conjunto no juízo que tiver proferido 
o primeiro provimento liminar positivo; 
(E) os feitos não devem ser reunidos, embora se deva suspender a tramitação daquele 
distribuído em segundo lugar. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido 
ou a causa de pedir.43 
§ 1º Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um 
deles já houver sido sentenciado. 
 Art. 58. A reunião das ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento, onde 
serão decididas simultaneamente. 
Art. 59. O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo. 
_______________________________________________________________________ 
27. Em uma ação judicial, o juiz proferiu sentença julgando extinto o feito, sem resolução 
de mérito, acolhendo a preliminar de ilegitimidade ativa deduzida em contestação. 
Contra a sentença, o autor interpôs o recurso de apelação cível, requerendo que o juiz 
exercesse o juízo de retratação. 
Sobre o juízo de retratação, é CORRETO afirmar que: 
(A) não é cabível em caso de extinção sem resolução de mérito, aplicando-se apenas em 
caso de improcedência liminar do pedido; 
(B) por se tratar de hipótese de indeferimento da petição inicial, é facultado ao juiz 
exercer o juízo de retratação no prazo de cinco dias; 
(C) após a vigência do Código de Processo Civil/2015, o juiz não tem mais a possibilidade 
de exercer juízo de retratação, devendo apenas remeter os autos ao tribunal; 
(D) deverá ser realizado pelo juiz após a apresentação de contrarrazões de apelação pelo 
réu, na qual o demandado poderá impugnar tal pedido; 
(E) depende do oferecimento de caução referente aos ônus sucumbenciais. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 485, § 7º, CPC/2015 - Interposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam 
os incisos deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias para retratar-se. 
(B) CORRETA. 
Art. 330 CPC/2015 - A petição inicial será indeferida quando: II - a parte for 
manifestamente ilegítima; 
(C) INCORRETA. 
Art. 331 CPC/2015 - Indeferida a petição inicial, o autor poderá apelar, facultado ao juiz, 
no prazo de 5 (cinco) dias, retratar-se. 
 
44 
(D) INCORRETA. 
Art. 331, §1º, CPC/2015 - Se não houver retratação, o juiz mandará citar o réu para 
responder ao recurso. 
(E) INCORRETA. 
O juízo de retratação não está condicionado a apresentação de caução. 
_______________________________________________________________________ 
28. Diante da existência de questão repetitiva envolvendo direito processual no âmbito 
do TJPE, a uniformização do entendimento sobre a matéria, resguardando a isonomia 
entre os jurisdicionados e a segurança jurídica, é CORRETO afirmar que: 
(A) se o processo estiver tramitando em 2ª instância, o relator poderá instaurar o 
incidente de resolução de demandas repetitivas, desde que intime as partes para se 
manifestarem sobre a questão de direito processual controvertida e, em seguida, 
submeta a admissão do incidente para deliberação pelo colegiado de sua câmara/turma; 
(B) se o tema também for objeto de divergência em múltiplos processos no âmbito de 
outros tribunais e o processo já tiver sido julgado em 2ª instância, qualquer dos 
legitimados poderá instaurar incidente de resolução de demandas repetitivas 
diretamente no Superior Tribunal de Justiça, a fim de que seja firmado entendimento 
com abrangência nacional; 
(C) ainda que o processo não envolva partes hipossuficientes, a Defensoria Pública, 
observando a repetição da questão processual e o risco à isonomia e à segurança 
jurídica, poderá, desde que autorizada judicialmente, ingressar em nome próprio na 
demanda e requerer a instauração do incidente de resolução de demandas repetitivas 
por ofício, ficando a critério do relator a seleção dos processos que contenham 
abrangente argumentação; 
(D) qualquer das partes poderá requerer a instauração do incidente de resolução de 
demandas repetitivas por petição direcionada ao presidente do tribunal, que, ao 
examinar a admissibilidade do incidente, deverá observar se o tema já foi afetado pelo 
Superior Tribunal de Justiça, ou se já houve a instauração de incidente anterior sobre o 
tema que tenha sido inadmitido, e, em caso positivo, deverá verificar se foi satisfeito o 
requisito que ensejou a inadmissão anterior; 
(E) qualquer dos legitimados poderá requerer a instauração do incidente de resolução 
de demandas repetitivas, devendo se desincumbir do ônus de demonstrar o 
preenchimento dos respectivos pressupostos nas razões do ofício ou da petição, 
conforme o caso, sendo vedada a juntada de documentos para tal finalidade, por se 
tratar de questão unicamente de direito. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
 
45 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 977 CPC/2015 - O pedido de instauração do incidente será dirigido ao presidente de tribunal: 
II - pelas partes, por petição; 
Art. 976, § 4º, CPC/2015 - É incabível o incidente de resolução de demandas repetitivas quando 
um dos tribunais superiores, no âmbito de sua respectiva competência, já tiver afetado recurso 
para definição de tese sobre questão de direito material ou processual repetitiva. 
Art. 976, § 3º, CPC/2015 - A inadmissão do incidente de resolução de demandas repetitivas 
por ausência de qualquer de seus pressupostos de admissibilidade não impede que, uma 
vez satisfeito o requisito, seja o incidente novamente suscitado. 
_______________________________________________________________________ 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR 
 
29. Determinada ação civil pública foi ajuizada pelo Ministério Público em face de um 
Magazine, tendo como fundamento a omissão dos preços no encarte divulgado nas ruas 
do centro daquela cidade, no qual havia indicativo de promoção de relógios e 
parcelamento, mas não o preço das mercadorias. Embora a promoção e a forma de 
pagamento fossem verídicas, aduziu a parte autora que se tratava de publicidade 
enganosa por omissão, por faltar o indicativo do preço. Em sua defesa, o réu alegou 
ilegitimidade para propositura de ação, por se tratar de número limitado de pessoas que 
adquiriram os panfletos, que logo foram recolhidos, faltando interesse social coletivo. 
No mérito, aduziu ausência de determinação legal para que as peças publicitárias 
indicassem o preço dos produtos divulgados. 
À luz do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e do entendimento do Superior Tribunal 
de Justiça, o anúncio publicitário: 
(A) é enganoso, por omitir informação substancial, ainda que seja exemplificativo o rol 
do CDC; há legitimidade ativa, por se tratar da hipótese de interesses ou direitos 
coletivos; 
(B) deve omitir informação substancial para ser considerado enganoso, não sendo 
qualquer omissão configuradora de ilícito; há legitimidade ativa, por se tratar da 
hipótese de interesses ou direitos individuais homogêneos; 
(C) não é enganoso, posto que as informações indicadas são verídicas; configura-se a 
ilegitimidade ativa pela inexistência de interesse social; 
(D) omitiu informação substancial integrante do rol taxativo do CDC e, por isso, é 
enganoso; há legitimidade ativa, por se tratar da hipótese de interesses ou direitos 
difusos; 
 
46 
(E) não é enganoso, posto que não é capaz de induzir os consumidores a 
comportamento prejudicial à saúde ou segurança; configura-se a ilegitimidade ativa 
pela inexistência de interesse social. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O enunciado da referida questão engloba temas diversos de Direito do Consumidor, 
quais sejam, defesa do consumidor em juízo (com classificação dos direitos coletivos 
lato sensu), oferta e publicidade. 
Iniciemos os comentários com a análise da oferta. O art. 31 do CDC traz, em um rol 
exemplificativo (“entre outros dados”), alguns dados que devem constar da oferta, 
dentre eles o preço. 
Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem 
assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em 
língua portuguesa sobre suas características, qualidades, 
quantidade, composição, preço,garantia, prazos de validade e 
origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que 
apresentam à saúde e segurança dos consumidores. 
Ocorre que a oferta e suas obrigações não são, necessariamente, publicidade enganosa 
por omissão, quando falta algum dos dados previstos no art. 31. 
O par. 1º do art. 37 define a publicidade enganosa nos seguintes termos: 
§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou 
comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente 
falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz 
de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, 
características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, 
preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. 
Ou seja, para a configuração da publicidade enganosa por omissão, não apenas é 
necessário a ausência de dados, mas também a capacidade de induzir o consumidor em 
erro a respeito do preço, o que não restou caracterizado no caso concreto (pelo menos 
o enunciado não trouxe nenhuma informação a esse respeito). 
Dessa forma, embora ausente dado que deveria constar da oferta, trata-se de uma 
infração de dever legal, mas não necessariamente de publicidade enganosa por omissão, 
que tem, inclusive, outros efeitos, como caracterização de crime de consumo. 
 
47 
Passado esse primeiro ponto, há de se perquirir qual o tipo de direito coletivo (lato 
sensu) envolvido no caso hipotético. Observe-se que o enunciado informa que houve a 
divulgação por meio de panfletos que, como tal, são entregues a pessoas/transeuntes 
em número determinado (ao contrário de uma oferta por meios de comunicação, cujo 
alcance é bem maior e pode atingir número indeterminado de pessoas). 
Desse modo, e havendo sido recolhidos os panfletos das poucas pessoas que os haviam 
recebido, está-se diante de direitos individuais homogêneos, que possuem origem 
comum. 
Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e 
das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a 
título coletivo. 
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar 
de: 
III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim 
entendidos os decorrentes de origem comum. 
São os interesses ou direitos objetivamente indivisíveis, cujos titulares são pessoas 
indeterminadas e indetermináveis, ligadas entre si por circunstâncias de fato. 
Os traços característicos dessa categoria são a indivisibilidade e a indeterminabilidade 
dos seus titulares (são indeterminados e indetermináveis), que estão relacionados entre 
si por circunstâncias de fato. 
Tratando-se de direitos individuais homogêneos, há, sim, legitimidade ativa do MP para 
promover a ação coletiva, nos termos do art. 82, I, do CDC e com base nos seguintes 
fundamentos. 
No que tange à legitimidade do MP para tutelar, em ação coletiva, direitos individuais 
homogêneos, apesar de alguns questionamentos doutrinários, o STJ firmou o 
entendimento de que o MP tem legitimidade para propor ACP e ação coletiva com o 
propósito de velar por direitos difusos e, também, direitos individuais dos 
consumidores, ainda que disponíveis. 
Nesse sentido: 
Súmula 601 do STJ. O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de 
direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que 
decorrentes da prestação de serviço público. 
O Ministério Público possui legitimidade para promover a tutela coletiva de direitos 
individuais homogêneos, mesmo que de natureza disponível, desde que o interesse 
jurídico tutelado possua relevante natureza social”. 
 
48 
REsp 1.585.794-MG, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, 
julgado em 28/09/2021, DJe 01/10/2021. 
_______________________________________________________________________ 
30. Gustavo ajuizou ação buscando a nulidade de contrato de seguro de vida que 
garantia a quitação do débito, firmado no ato da contratação de consórcio de veículo 
automotor, bem como a devolução dos valores pagos. Aduziu o consumidor que, no ato 
da contratação, pretendeu celebrar o seguro com outra seguradora, sendo-lhe 
informado pelo representante do consórcio que se tratava, o prêmio, do melhor preço 
do mercado, e que a peculiaridade do sistema de consórcio não permitia contratação 
do seguro de forma independente pelo consorciado. Em sua defesa, a ré alegou que a 
adesão ao seguro prestamista se deu de forma clara e compreensível pelo consumidor 
e se justificava essencial ao contrato, de modo a garantir quitação do débito e não 
comprometimento do equilíbrio financeiro do grupo consorcial. 
Diante da narrativa, o pedido de Gustavo deve ser julgado: 
(A) improcedente, na medida em que o seguro prestamista é essencial ao plano de 
consórcio, ao qual o consumidor aderiu de livre vontade; 
(B) procedente, com declaração de nulidade de ambos os contratos e devolução dos 
valores pagos em dobro, acrescidos de correção monetária, por ferir a boa-fé objetiva, 
ou seja, independente do elemento volitivo; 
(C) improcedente, pois o seguro prestamista não é autônomo, pois está sempre 
associado a outro contrato, inclusive de consórcio, ao qual serve como garantia; 
(D) procedente, com declaração de nulidade do contrato de seguro prestamista, sem 
devolução dos valores pagos, por ter o consumidor usufruído do seguro enquanto 
vigente; 
(E) procedente, posto que não foi dada a opção de o consumidor realizar livre 
contratação com outra seguradora, configurando venda casada. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto da questão foi em parte tratado na aula de revisão de véspera. 
 
A situação hipotética encartada na questão diz respeito, em síntese, a um contrato 
principal de consórcio para aquisição de veículo automotor, ao qual foi imposto um 
contrato de seguro de vida para garantir a quitação do débito em caso de eventual 
falecimento do contratante. O mais importante é perceber que o enunciado deixa claro 
 
49 
que o autor/contratante “no ato da contratação, pretendeu celebrar o seguro com 
outra seguradora” e que “a peculiaridade do sistema de consórcio não permitia 
contratação do seguro de forma independente pelo consorciado”. 
Trata-se de manifesto caso de venda casada, nos termos do art. 39, I, do CDC: 
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre 
outras práticas abusivas: 
I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao 
fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa 
causa, a limites quantitativos; 
Especificamente quanto ao tema, o STJ já assim decidiu: 
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRATOS 
BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. SEGURO DE PROTEÇÃO FINANCEIRA. PRECEDENTE 
REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. TEMA N. 972 DO STJ. ILEGALIDADE NÃO 
VERIFIDADA NA ORIGEM. SÚMULAS N. 5, 7 E 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 
1. A jurisprudência desta Corte, firmada sob a sistemática dos recursos repetitivos, 
orienta que "o consumidor não pode ser compelido a contratar seguro com a 
instituição financeira ou com seguradora por ela indicada" (REsp 1639320/SP, Rel. 
Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 12/12/2018, 
DJe 17/12/2018). 
2. No caso, ficou consignado no acórdão que a parte autora da ação revisional não foi 
compelida a contratar o seguro nem demonstrou a suposta venda casada. 
3. O desfecho atribuído ao processo na origem não destoa das premissas fixadas no 
precedente representativo da controvérsia (Súmula n. 83/STJ), impondo-se reafirmar 
que o acolhimento da insurgência demandaria reexame de matéria fática e 
interpretação do contrato estabelecido entre as partes, procedimento inviável em 
recurso especial (Súmulas n. 5 e 7 do STJ). 
4. Agravo interno a que se nega provimento. 
(AgInt no REsp n. 1.899.817/PR, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, 
julgado em 13/6/2022, DJe de 21/6/2022.)_______________________________________________________________________ 
31. Determinada publicidade televisiva sobre um produto eletrônico informava que os 
dados sobre preço e forma de pagamento pelo produto poderiam ser obtidos por meio 
de contato telefônico, que se realizava de modo tarifado. 
Instado a julgar o processo que descreveu na causa de pedir tais fatos, e considerando 
o direito à informação como garantia fundamental da pessoa humana e como algo que 
 
50 
impacta na autodeterminação e liberdade de escolha do consumidor, seguindo o 
entendimento do Superior Tribunal de Justiça, é CORRETO considerar que: 
(A) a situação narrada configura publicidade enganosa por omissão, mesmo se a compra 
não tiver sido concretizada; 
(B) o dever de informar é tratado como dever anexo às relações de consumo, e o caso 
não configura publicidade enganosa; 
(C) a modalidade omissiva não consagra publicidade enganosa, prevista na forma 
comissiva decorrente de uma afirmação; 
(D) a situação narrada configura publicidade abusiva por omissão, mas somente se a 
compra tiver sido concretizada; 
(E) a publicidade enganosa por omissão somente será caracterizada caso se concretize 
a compra do produto. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto da questão foi em parte tratado na aula de revisão de véspera. 
 
Vimos, nos comentários à questão 29, que o art. 31 do CDC traz, em um rol 
exemplificativo (“entre outros dados”), alguns dados que devem constar da oferta, 
dentre eles o preço. 
Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem 
assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em 
língua portuguesa sobre suas características, qualidades, 
quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e 
origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que 
apresentam à saúde e segurança dos consumidores. 
Ocorre que a oferta e suas obrigações não são, necessariamente, publicidade enganosa 
por omissão, quando falta algum dos dados previstos no art. 31. 
A situação vertente, porém, é completamente diferenciada, pois há uma dificuldade de 
acesso manifesta a dados essenciais sobre o produto, quais sejam, o preço e a forma 
de pagamento, cujo acesso depende de chamada onerosa para o interessado 
(consumidor em potencial, nos termos do art. 29 do CDC). Trata-se de verdadeiro óbice 
ao acesso à informação, dever geral dos fornecedores que norteia a relação de consumo 
e as práticas comerciais. 
 
51 
Aliás, a figura equiparada de consumidor prevista no art. 29 é todo aquele que estiver 
submetido às práticas comerciais (consumidor equiparado potencial), assim, não há 
necessidade de efetivamente ter havido a aquisição (pois se enquadraria no conceito 
padrão/standard de consumidor do art. 2º, caput, do CDC). 
Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se 
aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, 
expostas às práticas nele previstas. 
O STJ já decidiu caso extremamente similar, entendendo pela configuração de 
publicidade enganosa por omissão: 
CONSUMIDOR. AÇÃO COLETIVA. PUBLICIDADE DE PRODUTOS EM CANAL DA TV 
FECHADA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO ESSENCIAL. PREÇO E FORMA DE PAGAMENTO 
OBTIDOS SOMENTE POR MEIO DE LIGAÇÃO TARIFADA. PUBLICIDADE ENGANOSA POR 
OMISSÃO. NÃO OBSERVÂNCIA DO DEVER POSITIVO DE INFORMAR. MULTA DIÁRIA 
FIXADA NA ORIGEM. AUSÊNCIA DE EXORBITÂNCIA. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL INCOGNOSCÍVEL. 
1. Na origem, a Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Estado 
do Rio de Janeiro propôs ação coletiva contra Polimport Comércio e Exportação Ltda. 
(Polishop), sob a alegação de que a ré expõe e comercializa seus produtos em um canal 
da TV fechada, valendo-se de publicidade enganosa por omitir o preço e a forma de 
pagamento, os quais somente podem ser obtidos mediante ligação telefônica tarifada e 
onerosa ao consumidor, independentemente de este adquirir ou não o produto. 
2. O Juízo de primeiro grau julgou procedente o pedido para condenar a ré à obrigação 
de informar elementos básicos para que o consumidor, antes de fazer o contato 
telefônico, pudesse avaliar a possível compra do produto, com destaque para as 
características, a qualidade, a quantidade, as propriedades, a origem, o preço e as 
formas de pagamento, sob pena de multa diária por descumprimento. O Tribunal de 
origem, em sede de agravo interno, manteve a sentença. 
3. O direito à informação, garantia fundamental da pessoa humana expressa no art. 5°, 
inciso XIV, da Constituição Federal, é gênero que tem como espécie o direito à 
informação previsto no Código de Defesa do Consumidor. 
4. O Código de Defesa do Consumidor traz, entre os direitos básicos do consumidor, a 
"informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com 
especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, 
bem como sobre os riscos que apresentam" (art. 6º, inciso III). 
5. O Código de Defesa do Consumidor atenta-se para a publicidade, importante técnica 
pré-contratual de persuasão ao consumo, trazendo, como um dos direitos básicos do 
consumidor, a "proteção contra a publicidade enganosa e abusiva" (art. 6º, IV). 
6. A publicidade é enganosa por comissão quando o fornecedor faz uma afirmação, 
parcial ou total, não verdadeira sobre o produto ou serviço, capaz de induzir o 
consumidor em erro (art. 37, § 1º). É enganosa por omissão a publicidade que deixa de 
 
52 
informar dado essencial sobre o produto ou o serviço, também induzindo o consumidor 
em erro exatamente por não esclarecer elementos fundamentais (art. 37, § 3º). 
7. O caso concreto é exemplo de publicidade enganosa por omissão, pois suprime 
algumas informações essenciais sobre o produto (preço e forma de pagamento), as 
quais somente serão conhecidas pelo consumidor mediante o ônus de uma ligação 
tarifada, mesmo que a compra não venha a ser concretizada. 
8. Quando as astreintes são fixadas conforme a capacidade econômica, a redução da 
multa diária encontra óbice no reexame do conjunto fático-probatório dos autos 
(Súmula 7/STJ). Ressalvam-se os casos de fixação de valor exorbitante, o que não ocorre 
no caso concreto. 
9. A inexistência de similitude fática e jurídica entre os acórdãos confrontados impede 
o conhecimento do recurso especial com fundamento na divergência jurisprudencial. 
Recurso especial conhecido em parte e improvido. 
(REsp n. 1.428.801/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 
27/10/2015, DJe de 13/11/2015.) 
_______________________________________________________________________ 
32. O Código de Defesa do Consumidor dispõe em capítulo próprio sobre a proteção 
contratual, a respeito da qual o Superior Tribunal de Justiça conferiu interpretação 
aplicável às diversas situações fáticas consumeristas. 
Seguindo essa temática nos termos da norma e do entendimento do Superior Tribunal 
de Justiça, é CORRETO afirmar que: 
(A) as declarações de vontade, mesmo quando constantes de escritos particulares, 
vinculam o fornecedor; 
(B) a garantia legal de adequação do produto ou serviço terá aplicabilidade se não 
houver garantia contratual estabelecida mediante termo escrito; 
(C) é lícita a cláusula contratual que estabeleça prazos de carência para 
restabelecimento integral dos direitos do consumidor a partir da purgação da mora; 
(D) após a assinatura do contrato ou do ato de recebimento do produto ou serviço 
adquirido por telefone, será de trinta dias o prazo decadencial para o consumidor 
exercitar o direito de arrependimento; 
(E) a inserção de cláusula no formulário do contrato desconfigura a natureza de adesão 
do contrato, pois se exige que as cláusulas tenham sido estabelecidas unilateralmente 
pelo fornecedor de produto ou serviço. 
_______________________________________________________________________GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
 
53 
O assunto da questão foi em parte tratado na aula de revisão de véspera. 
 
(A) CORRETA. 
Art. 48. As declarações de vontade constantes de escritos 
particulares, recibos e pré-contratos relativos às relações de 
consumo vinculam o fornecedor, ensejando inclusive execução 
específica, nos termos do art. 84 e parágrafos 
 
(B) INCORRETA. 
Art. 50. A garantia contratual é complementar à legal e será 
conferida mediante termo escrito. 
É inadmissível substituir a garantia legal pela contratual, pois a primeira é obrigatória e 
inderrogável, enquanto a última é meramente complementar. Recorde-se que os prazos 
de garantia legal são aqueles previstos no art. 26 do CDC, ou seja 30 (trinta) dias para os 
bens não duráveis e 90 (noventa) dias para os duráveis. 
 
(C) INCORRETA. 
Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas 
contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços 
que: 
XVIII - estabeleçam prazos de carência em caso de 
impontualidade das prestações mensais ou impeçam o 
restabelecimento integral dos direitos do consumidor e de seus 
meios de pagamento a partir da purgação da mora ou do 
acordo com os credores. 
 
(D) INCORRETA. 
Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 
dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do 
produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento 
de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento 
comercial, especialmente por telefone ou a domicílio. 
 
(E) INCORRETA. 
Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham 
sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas 
 
54 
unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem 
que o consumidor possa discutir ou modificar 
substancialmente seu conteúdo. 
§ 1° A inserção de cláusula no formulário não desfigura a 
natureza de adesão do contrato. 
_______________________________________________________________________ 
33. Lucas ingressou com ação de indenização em face da instituição de ensino privada 
onde cursa faculdade, tendo ajuizado a causa no endereço do seu domicílio. A demanda 
teve por base o contrato de prestação de serviços que continha cláusula de eleição de 
foro na cidade vizinha, domicílio da executada. 
Em razão disso, a instituição de ensino requereu, prima facie, a extinção do feito por 
incompetência do juízo. 
Nesse caso, é CORRETO afirmar que: 
(A) deverá ser declinada a competência para o juízo estabelecido previamente pelas 
partes pela via contratual; 
(B) deverá ser extinto o processo sem resolução do mérito, por ser diverso o juízo 
indicado na cláusula de eleição de foro; 
(C) se trata de relação de consumo e Lucas está autorizado a demandar no seu domicílio, 
a despeito da cláusula de eleição de foro; 
(D) não se configura relação de consumo, dada a natureza de serviços educacionais, 
imperando a competência indicada na cláusula de eleição de foro; 
(E) a competência do foro do domicílio do autor é absoluta, por se tratar de relação de 
consumo, mesmo quando o consumidor é o demandante. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Segundo o CDC, o consumidor pode ingressar com ação de responsabilidade civil do 
fornecedor no foro do seu domicílio. 
Art. 101. Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e serviços, sem 
prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste título, serão observadas as seguintes 
normas: 
I - a ação pode ser proposta no domicílio do autor; 
 
55 
Trata-se de uma faculdade/opção, e não imposição. Nada obsta, por exemplo, que o 
consumidor abra mão dessa prerrogativa e opte por foro de eleição previsto 
contratualmente, conforme sua conveniência. 
O STJ também já entendeu desse modo: 
“Se a autoria do feito pertence ao consumidor, contudo, 
permite-se a escolha do foro de eleição contratual, 
considerando que a norma protetiva, erigida em seu benefício, 
não o obriga quando puder deduzir sem prejuízo a defesa dos 
seus interesses fora do seu domicílio” (CC 107.441/SP, Rel. 
Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 
22/06/2011, DJe 01/08/2011). 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 
 
34. Bárbara, adolescente de 15 anos, encontra-se em acolhimento familiar, sob os 
cuidados do casal de acolhedores Jeremias e Carmem, sendo remotas as possibilidades 
de reintegração à família natural ou extensa. Após a destituição do poder familiar de 
seus pais, são realizadas diversas tentativas de colocação de Bárbara em família 
substituta, sem que haja pretendentes habilitados à adoção da adolescente. A equipe 
técnica da Vara da Infância e Juventude sugere a inclusão da adolescente no programa 
de apadrinhamento afetivo desenvolvido por organização da sociedade civil na 
Comarca. 
Considerando a regulamentação do apadrinhamento pela Lei nº 8.069/1990 (ECA), é 
CORRETO afirmar que: 
(A) Bárbara não poderá ser incluída em programa de apadrinhamento, pois este se 
destina apenas a crianças e adolescentes em acolhimento institucional; 
(B) o apadrinhamento não é indicado para Bárbara, uma vez que ela não se enquadra 
no perfil prioritário de inserção nesse tipo de programa, conforme previsão do ECA; 
(C) os programas de apadrinhamento devem ser executados, exclusivamente, pela 
Justiça da Infância e Juventude, não sendo cabível execução por organizações da 
sociedade civil; 
(D) o apadrinhamento afetivo tem como requisito obrigatório a concessão de guarda da 
adolescente a pessoa ou casal inscrito no programa, sob pena de revogação; 
(E) somente podem ser padrinhos ou madrinhas pessoas maiores de 18 anos não 
inscritas nos cadastros de adoção, conforme previsão do ECA. 
_______________________________________________________________________ 
 
56 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 19-B, § 2º do ECA - Podem ser padrinhos ou madrinhas pessoas maiores de 18 
(dezoito) anos não inscritas nos cadastros de adoção, desde que cumpram os requisitos 
exigidos pelo programa de apadrinhamento de que fazem parte. 
_______________________________________________________________________ 
35. Diante da notícia de violação de direitos praticados contra criança, o Conselho 
Tutelar aplica aos pais a medida de encaminhamento a tratamento psicológico prevista 
no Art. 129, III, da Lei nº 8.069/1990 (ECA). Inconformados com essa decisão 
administrativa, os genitores a descumprem, procurando a Defensoria Pública em busca 
de orientações. Ao ser comunicado acerca de tal situação e ciente do descumprimento 
da decisão exarada pelo Conselho Tutelar, o promotor de justiça oferece Representação 
por Infração Administrativa ao Art. 249 do ECA em face dos pais, in fine. 
Considerando o disposto na Lei nº 8.069/1990 (ECA), é CORRETO afirmar que: 
(A) o Conselho Tutelar não poderá aplicar a medida de encaminhamento a tratamento 
psicológico aos pais, a qual é de competência exclusiva do juiz, no bojo de ação 
contenciosa; 
(B) os pais poderão requerer ao Poder Judiciário a revisão da decisão administrativa 
exarada pelo Conselho Tutelar, na forma prevista pelo ECA; 
(C) o Ministério Público não possui legitimidade para o ajuizamento de Representação 
por Infração Administrativa, em conformidade com o disposto no ECA; 
(D) é vedado ao Conselho Tutelar aplicar a medida de encaminhamento a tratamento 
psicológico aos pais, sem prévio laudo médico que a fundamente, conforme previsto no 
ECA; 
(E) as decisões do Conselho Tutelar não têm eficácia plena ou são passíveis de execução 
imediata, razão pela qual seria incabível a Representação por Infração Administrativa 
proposta pelo Ministério Público. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 136 do ECA - São atribuições do Conselho Tutelar: I- atender as crianças e 
adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando as medidas previstas 
no art. 101, I a VII; II - atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas 
previstas no art. 129, I a VII; (...) 
 
57 
Art. 137 do ECA - As decisões do Conselho Tutelar somente poderão ser revistas pela 
autoridade judiciária a pedido de quem tenha legítimo interesse. 
_______________________________________________________________________ 
36. Michael, adolescente de 17 anos, está em cumprimento de medida socioeducativa 
de semiliberdade, em razão da prática de ato infracional análogo a tráfico de 
entorpecentes. Michael descumpre, de forma reiterada e injustificável, a medida 
mencionada, conforme estudos técnicos e conclusões constantes do Plano Individual de 
Atendimento (PIA). Após a realização de audiência, com a oitiva e participação do 
adolescente, de sua genitora e da defesa técnica, o juiz da Infância e Juventude aplica a 
Michael a medida socioeducativa de internação, com fulcro no Art. 122, III, do ECA. 
Considerando o disposto na Lei nº 8.069/1990 (ECA) e na Lei nº 12.594/2012 (Sinase), é 
CORRETO afirmar que: 
(A) a medida de internação aplicada pelo magistrado na hipótese narrada no enunciado 
será executada pelo prazo mínimo de um ano; 
(B) a medida de internação aplicada não poderá ser superior a três meses, devendo ser 
decretada judicialmente após o devido processo legal; 
(C) a medida de internação poderá ser cumprida, excepcionalmente, em unidade 
prisional, desde que o socioeducando possua mais de 18 anos de idade; 
(D) a internação pelo descumprimento reiterado e injustificável da medida tem a 
natureza de internação provisória, razão pela qual não pode exceder o prazo de 
quarenta e cinco dias; 
(E) a medida de internação aplicada independe da realização de audiência para a oitiva 
do adolescente, podendo estar baseada apenas no parecer da equipe técnica da 
unidade socioeducativa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 122 do ECA - A medida de internação só poderá ser aplicada quando: I - tratar-se de 
ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa; II - por 
reiteração no cometimento de outras infrações graves; III - por descumprimento 
reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta. 
§ 1º O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser 
superior a 3 (três) meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo 
legal. 
_______________________________________________________________________ 
 
58 
37. Juliano, adolescente de 16 anos, cumpre medida socioeducativa de prestação de 
serviços à comunidade pela prática de ato infracional análogo a furto há quatro meses. 
O juiz competente para a execução da medida tem ciência de que Juliano praticou, no 
ano anterior, ato infracional análogo a furto qualificado, sendo-lhe aplicada, naquele 
processo, medida socioeducativa de prestação de serviços à comunidade, a qual se 
encontra pendente de cumprimento. Diante disso, o representante do Ministério 
Público requer a unificação das medidas socioeducativas, sendo ouvida a defesa técnica 
do adolescente. 
Considerando o disposto na Lei nº 12.594/2012 (Sinase), é CORRETO afirmar que: 
(A) Juliano deverá cumprir mais dois meses da medida socioeducativa de prestação de 
serviços à comunidade, observada a unificação das medidas socioeducativas; 
(B) em razão da reiteração na prática de ato infracional, a execução da medida atual 
deverá ter reinício, com o cumprimento por seis meses; 
(C) tendo em vista que o ato infracional foi praticado durante a execução, a autoridade 
judiciária poderá deixar de considerar o prazo máximo de cumprimento da medida; 
(D) a hipótese narrada não dá ensejo à unificação de medidas socioeducativas, devendo 
o adolescente cumprir, de forma sucessiva, as duas medidas pelo prazo máximo de um 
ano; 
(E) o tempo de medida socioeducativa já cumprido não poderá ser considerado para fins 
de unificação, devendo o magistrado determinar o reinício de cumprimento da medida. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 117 do ECA - A prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas 
gratuitas de interesse geral, por período não excedente a seis meses, junto a entidades 
assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em 
programas comunitários ou governamentais. 
Art. 45 da Lei 12.594/2012 - Se, no transcurso da execução, sobrevier sentença de 
aplicação de nova medida, a autoridade judiciária procederá à unificação, ouvidos, 
previamente, o Ministério Público e o defensor, no prazo de 3 (três) dias sucessivos, 
decidindo-se em igual prazo. 
§ 1º É vedado à autoridade judiciária determinar reinício de cumprimento de medida 
socioeducativa, ou deixar de considerar os prazos máximos, e de liberação compulsória 
previstos na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do 
Adolescente), excetuada a hipótese de medida aplicada por ato infracional praticado 
durante a execução. 
 
59 
_______________________________________________________________________ 
38. Paulo e Eduarda são habilitados à adoção para o perfil de criança de 02 a 04 anos, 
sem doenças. Após serem contatados pela equipe técnica da Vara da Infância e 
Juventude para conhecerem Henrique, criança de 03 anos disponibilizada para adoção, 
visitam o serviço de acolhimento e iniciam o processo de aproximação com o infante. 
Diante do êxito da experiência, o casal ajuíza ação de adoção com pedido de guarda 
provisória da criança, que lhes é deferida pelo magistrado. Durante o estágio de 
convivência, apesar dos vínculos afetivos estabelecidos com a criança, o casal desiste do 
pedido de adoção e “devolve” Henrique à Vara da Infância e Juventude, alegando que 
ele é rebelde e não sabe se comportar em público. O juiz aplica a Henrique a medida 
protetiva de acolhimento familiar. 
Considerando o disposto na Lei nº 8.069/1990 (ECA), é CORRETO afirmar que: 
(A) o casal poderá renovar a habilitação à adoção após o decurso de seis meses, quando 
poderá especificar novo perfil da criança a ser adotada; 
(B) na hipótese de o casal custear as despesas com o novo acolhimento da criança, a 
habilitação seguirá válida, pelo prazo de três anos; 
(C) o casal deverá ser excluído do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), 
sendo vedada a renovação da habilitação, salvo decisão judicial fundamentada; 
(D) após a juntada de documentação atualizada, a habilitação poderá ser renovada, sem 
a necessidade de nova decisão judicial; 
(E) após a “devolução” da criança, deverá ser convocado, imediatamente, pessoa ou 
casal habilitado no SNA, para adoção da criança, não sendo cabível a medida de 
acolhimento e o estágio de convivência. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 197-E, § 5º do ECA - A desistência do pretendente em relação à guarda para fins de 
adoção ou a devolução da criança ou do adolescente depois do trânsito em julgado da 
sentença de adoção importará na sua exclusão dos cadastros de adoção e na vedação 
de renovação da habilitação, salvo decisão judicial fundamentada, sem prejuízo das 
demais sanções previstas na legislação vigente. 
_______________________________________________________________________ 
39. Jefferson, adolescente de 16 anos, é apreendido em flagrante pela prática de ato 
infracional análogo aos crimes de furto e de dano. A Polícia Militar conduz o adolescente 
até a delegacia, para a lavratura do registro de ocorrência. Ato contínuo, Jefferson é 
apresentado ao Ministério Público, que realiza a oitiva informal do adolescente e de 
 
60 
seus responsáveis legais, com a participação deadvogado. O membro do Ministério 
Público promove o arquivamento dos autos, submetendo-os à autoridade judicial para 
a homologação. O magistrado não concorda com a promoção de arquivamento e 
remete os autos ao procurador geral de justiça (PGJ). 
Considerando o disposto na Lei nº 8.069/1990, é CORRETO afirmar que o PGJ: 
(A) poderá homologar diretamente o arquivamento, pois o Ministério Público é o órgão 
titular da ação para a imposição de medida socioeducativa; 
(B) não possui atribuição para a análise da promoção de arquivamento, devendo o 
magistrado designar outro promotor de justiça para oferecimento de representação; 
(C) poderá ratificar a promoção de arquivamento, hipótese em que se tornará 
obrigatória a homologação pela autoridade judiciária; 
(D) não possui atribuição para a análise da promoção de arquivamento, que deverá ser 
submetida, em reexame necessário, ao Tribunal de Justiça; 
(E) poderá conceder, no exercício da atribuição originária, a remissão ao adolescente, 
como forma de suspensão do processo. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 180, § 2º do ECA - Discordando, a autoridade judiciária fará remessa dos autos ao 
Procurador-Geral de Justiça, mediante despacho fundamentado, e este oferecerá 
representação, designará outro membro do Ministério Público para apresentá-la, ou 
ratificará o arquivamento ou a remissão, que só então estará a autoridade judiciária 
obrigada a homologar. 
_______________________________________________________________________ 
40. Maria, mãe de duas crianças de 02 e 05 anos, encontra-se em cumprimento de prisão 
preventiva, em razão da alegada prática de crime de roubo contra terceiros. 
Considerando que não há genitor ou família extensa apta a exercer a guarda das 
crianças, o juiz da Infância e Juventude aplica a estas a medida protetiva de acolhimento 
institucional. Maria deseja que seus filhos sejam levados para visita na unidade prisional, 
em razão do grande afeto que nutre pelas crianças, encaminhando carta ao magistrado 
com tal solicitação. O Ministério Público requer a suspensão do poder familiar de Maria 
em relação aos seus filhos, com a proibição de visitas das crianças na unidade prisional, 
em razão da prática de crime por Maria, sendo os autos remetidos à conclusão, para a 
apreciação do juiz da Infância e Juventude. 
Considerando os fatos narrados e à luz da Lei nº 8.069/1990 (ECA) e da Lei nº 
13.257/2016 (Marco Legal da Primeira Infância), é CORRETO afirmar que: 
 
61 
(A) é indispensável a autorização judicial para que Maria seja visitada por seus filhos, 
tendo em vista a previsão contida no ECA; 
(B) as crianças não poderão ser levadas à visitação da genitora no presídio, em razão da 
vedação existente na Lei nº 13.257/2016 e por estarem na faixa etária da primeira 
infância; 
(C) a suspensão do poder familiar de Maria, com a proibição de visitas pelas crianças, é 
cabível, tendo em vista a prática de crime mediante o emprego de violência e grave 
ameaça; 
(D) a defesa técnica de Maria poderá requerer o benefício de prisão domiciliar, para 
assegurar o convívio com os seus filhos, com fundamento no Marco Legal da Primeira 
Infância; 
(E) a prática de crime de roubo é causa de perda do poder familiar de Maria em relação 
aos seus filhos, por ato judicial, razão pela qual não deverá ser autorizada a visitação 
pelas crianças. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 19, § 4º do ECA - Será garantida a convivência da criança e do adolescente com a 
mãe ou o pai privado de liberdade, por meio de visitas periódicas promovidas pelo 
responsável ou, nas hipóteses de acolhimento institucional, pela entidade responsável, 
independentemente de autorização judicial. 
Art. 318-A do CPP - A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou 
responsável por crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão 
domiciliar, desde que: I - não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a 
pessoa; II - não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente. 
_______________________________________________________________________ 
BLOCO II 
DIREITO PENAL 
41. Gerald, Harold, Arnold, Sid e Eugene se reúnem de forma permanente e estável, por 
alguns meses, planejando roubos a determinados bancos. Ultimada essa fase, deflagram 
a execução do roubo, com emprego de simulacros de armas de fogo, sendo certo que 
Harold, Arnold, Sid e Eugene ingressam no estabelecimento bancário, realizando a 
rendição das pessoas e a coleta do dinheiro em espécie, ao passo que Gerald permanece 
com um veículo de fuga ligado, na porta do banco. Quando da fuga, são cercados pela 
 
62 
polícia, dentro do carro, no quarteirão imediatamente posterior, ainda em posse dos 
simulacros e do dinheiro arrecadado. 
Diante desse cenário, é CORRETO afirmar que os agentes responderão por: 
(A) associação criminosa e roubo majorado pelo concurso de pessoas, em concurso 
material; 
(B) associação criminosa e roubo simples, em concurso material; 
(C) associação criminosa e roubo majorado pelo concurso de pessoas, em concurso 
formal; 
(D) associação criminosa e roubo simples, em concurso formal; 
(E) roubo majorado pelo concurso de pessoas, ficando a associação criminosa 
consumida. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Segundo a jurisprudência desta Corte, não há bis in idem na condenação pelo crime de 
associação criminosa armada e pelo de roubo qualificado pelo concurso de agentes, pois 
os delitos são autônomos, aperfeiçoando-se o primeiro independentemente do 
cometimento de qualquer crime subsequente. Ademais, os bens jurídicos protegidos 
pelas normas incriminadoras são distintos - no caso do art. 288, parágrafo único, do CP, 
a paz pública e do roubo qualificado, o patrimônio, a integridade física e a liberdade do 
indivíduo. (AgRg no AREsp n. 1.425.424/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, 
julgado em 6/8/2019, DJe de 19/8/2019.) 
(A) CORRETA. 
Conforme orientação do julgado acima. 
(B) INCORRETA. 
Trata-se de roubo majorado, porquanto não há bis in idem na condenação pelo crime 
de associação criminosa armada e pelo de roubo qualificado pelo concurso de agentes. 
(C) INCORRETA. 
O concurso é material, pois os delitos são autônomos, aperfeiçoando-se o primeiro 
independentemente do cometimento de qualquer crime subsequente. 
(D) INCORRETA. 
 
63 
Vide comentário das alternativas B e C. 
(E) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa B. 
_______________________________________________________________________ 
42. Marcos e João são vizinhos com histórico de discussões em razão dos ruídos 
noturnos provocados pelas festas produzidas por João. Certa noite, Marcos, em um 
acesso de raiva, efetua disparo de arma de fogo contra João, com intenção de matar seu 
alvo. O disparo atinge a perna da vítima, que é prontamente levada ao hospital, onde 
fica internada. No segundo dia de internação, em razão de um vazamento de gás não 
percebido, João morre por asfixia. 
Diante do caso narrado, Marcos deverá responder pelo crime de: 
(A) homicídio, uma vez que João só se encontrava no hospital em razão das lesões 
decorrentes da conduta criminosa de Marcos (conditio sine qua non); 
(B) lesão corporal seguida de morte, uma vez que a morte por asfixia no hospital não 
era previsível; (C) lesão corporal, já que eliminando-se em abstrato o vazamento de gás, 
não haveria a morte como resultado naturalístico de sua conduta; 
(D) tentativa de homicídio, com fundamento na teoria da causalidade adequada, 
também adotada pelo ordenamento jurídico; 
(E) tentativa de homicídio, em razão da existência de concausa concomitante para o 
resultado morte: o disparo de arma de fogo e o vazamento de gás. 
_______________________________________________________________________GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 13, § 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação 
quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a 
quem os praticou (tentativa de homicídio). 
(B) INCORRETA. 
Art. 13, § 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação 
quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a 
quem os praticou (tentativa de homicídio). 
 
64 
(C) INCORRETA. 
Segundo entendimento majoritário, o art. 13, § 1º, CP, adotou, neste ponto, a teoria da 
causalidade adequada (ou teoria da condição qualificada). 
(D) CORRETA. 
Tratando-se de causa superveniente relativamente independente, que por si só 
produziu o resultado, temos uma exceção enunciada pela própria lei. Segundo 
entendimento majoritário, o art. 13, § 1º, CP, adotou, neste ponto, a teoria da 
causalidade adequada (ou teoria da condição qualificada). Art. 13, § 1º - A 
superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si 
só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os 
praticou (tentativa de homicídio). 
(E) INCORRETA. 
As causas relativamente independentes estão associadas à causa principal que, 
somadas, produzem o resultado. Podem ser preexistentes, concomitantes e 
supervenientes. No caso do enunciado, trata-se de causa superveniente. 
_______________________________________________________________________ 
43. José foi condenado à pena de 05 anos e 10 meses de reclusão, em regime fechado, 
pela prática do crime de tráfico de drogas (Art. 33 da Lei nº 11.343/2006). O acusado foi 
apreendido em flagrante com 147 quilos de maconha (Cannabis sativa) e, embora não 
fosse reincidente, José possuía em sua folha de antecedentes criminais anotações 
referentes a quatro inquéritos policiais e cinco ações penais em curso. 
Diante do caso apresentado e da hipótese de diminuição de pena prevista no Art. 33, 
§4º, da Lei nº 11.343/2006, é CORRETO afirmar que: 
(A) embora não seja possível a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso 
para majorar a pena-base com fundamento em maus antecedentes, é possível sua 
utilização para o afastamento da causa de diminuição, com fundamento na “dedicação 
a atividades criminosas”; 
(B) diante da elevada quantidade de drogas apreendidas com José, deve ser afastada a 
minorante, já que somente pessoa envolvida habitualmente com a traficância teria 
acesso a esse montante de entorpecente; 
(C) é possível a valoração da quantidade da droga apreendida com José, tanto para 
fixação da pena-base quanto para a modulação da causa de diminuição referida, neste 
último caso ainda que sejam os únicos elementos aferidos, desde que não tenham sido 
considerados na primeira fase do cálculo da pena; 
 
65 
(D) a aplicação da referida minorante constitui direito subjetivo do acusado, não sendo 
possível obstar sua aplicação com base em considerações subjetivas do juiz. Portanto, 
em que pese a quantidade de drogas apreendidas, a causa de diminuição só poderia ser 
afastada em caso de reincidência de José; 
(E) é vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso seja para agravar 
a pena-base, seja para afastar a aplicação da causa de diminuição referida, seja para 
aferir a periculosidade do agente para fins de fundamentar eventual prisão cautelar, sob 
pena de ferir a presunção de inocência. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
Tema tratado no aulão de véspera pelo professor Rafhael Nepomuceno. 
 
(A) INCORRETA. 
A interpretação ora conferida ao art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 não confunde os 
conceitos de antecedentes, reincidência e dedicação a atividades criminosas. Ao 
contrário das duas primeiras, que exigem a existência de condenação penal definitiva, a 
última pode ser comprovada pelo Estado-acusador por qualquer elemento de prova 
idôneo, tais como escutas telefônicas, relatórios de monitoramento de atividades 
criminosas, documentos que comprovem contatos delitivos duradouros ou qualquer 
outra prova demonstrativa da dedicação habitual ao crime. O que não se pode é inferir 
a dedicação ao crime a partir de simples registros de inquéritos e ações penais cujo 
deslinde é incerto. (REsp 1.977.027-PR) 
(B) INCORRETA. 
O STF tem posicionamento firme de que a quantidade de droga apreendida não é, por 
si só, fundamento idôneo para afastamento da minorante do art. 33, § 4º, da Lei n. 
11.343/2006. (RHC 138.117) 
(C) CORRETA. 
É possível a valoração da quantidade e natureza da droga apreendida, tanto para a 
fixação da pena-base quanto para a modulação da causa de diminuição prevista no art. 
33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, neste último caso ainda que sejam os únicos elementos 
aferidos, desde que não tenham sidos considerados na primeira fase do cálculo da pena. 
(HC n. 725.534/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção, julgado em 
27/4/2022, DJe de 1/6/2022.) 
 
66 
(D) INCORRETA. 
A aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 
11.343/2006 (Lei de Drogas) constitui direito subjetivo do acusado, caso presentes os 
requisitos legais, não sendo possível obstar sua aplicação com base em considerações 
subjetivas do juiz. É vedado ao magistrado instituir outros requisitos além daqueles 
expressamente previstos em lei para a sua incidência, bem como deixar de aplicá-la se 
presentes os requisitos legais. (REsp 1.977.027-PR) 
(E) INCORRETA. 
É uníssono nesta Corte Superior que inquéritos e ações penais em curso podem ser 
utilizados para avaliar, em caráter preliminar e precário, a periculosidade do agente para 
fins de fundamentar eventual prisão cautelar. Isso se justifica porque esta medida 
acauteladora não exige que se afirme inequivocamente que o Réu provisoriamente 
segregado é o autor do delito ou que sua liberdade indubitavelmente oferece riscos, 
bastando que haja, nos termos do art. 312, caput, do Código de Processo Penal, indício 
suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado. (REsp 
1.977.027-PR) 
_______________________________________________________________________ 
44. A autorização das saídas temporárias é benefício previsto nos Arts. 122 e seguintes 
da Lei de Execução Penal (LEP), com o objetivo de permitir ao preso que cumpre pena 
em regime semiaberto visitar a família, estudar na comarca do Juízo da Execução e 
participar de atividades que concorram para o retorno ao convívio social, aplicável ao 
condenado que não tenha praticado crime hediondo com resultado de morte. 
Sobre esse tema, é CORRETO afirmar que: 
(A) o benefício depende de ato motivado do juiz da execução penal, devendo cada 
autorização de saída temporária do preso ser precedida de decisão judicial motivada e 
individualizada; 
(B) o benefício depende de ato motivado do juiz da execução penal, ouvido o Ministério 
Público e a administração penitenciária, desde que o preso tenha comportamento 
adequado, tenha cumprido o mínimo de 1/6 da pena, se primário, e 1/4, se reincidente, 
e haja compatibilidade do benefício com os objetivos da pena; 
(C) é incabível a fixação de calendário anual de saídas temporárias por ato judicial único, 
ainda que observadas as hipóteses de revogação automática, devendo haver a 
apreciação individual de cada pedido, com decisão fundamentada, desde que tenha 
cumprido o mínimo de 1/6 da pena, se primário, e 1/4, se reincidente, e haja 
compatibilidade do benefício com os objetivos da pena; 
 
67 
(D) o calendário prévio das saídas temporárias deve ser fixado pelo Juízo das Execuções, 
sendo possível delegar à autoridade prisional a escolha das datas específicas nas quais 
o apenado irá usufruir os benefícios, desde que tenha cumprido o mínimo de 1/6 da 
pena, se primário,e 1/4, se reincidente, e haja compatibilidade do benefício com os 
objetivos da pena; 
(E) respeitado o limite anual de trinta e cinco dias, estabelecido na LEP, é cabível a 
concessão de maior número de autorizações de curta duração, até o limite de cinco 
vezes ao ano, já intercaladas durante os doze meses, com ou sem pernoite, desde que 
tenha cumprido o mínimo de 1/6 da pena, se primário, e 1/4, se reincidente, e haja 
compatibilidade do benefício com os objetivos da pena. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Competência do juiz da execução para fixação do calendário prévio de saídas 
temporárias. (REsp 1544036-RJ) 
(B) CORRETA. 
LEP - Art. 123. A autorização será concedida por ato motivado do Juiz da execução, 
ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária e dependerá da satisfação 
dos seguintes requisitos: I - comportamento adequado; II - cumprimento mínimo de 1/6 
(um sexto) da pena, se o condenado for primário, e 1/4 (um quarto), se reincidente; III - 
compatibilidade do benefício com os objetivos da pena. 
(C) INCORRETA. 
O calendário prévio das saídas temporárias deverá ser fixado, obrigatoriamente, pelo 
Juízo das Execuções, não se lhe permitindo delegar à autoridade prisional a escolha das 
datas específicas nas quais o apenado irá usufruir os benefícios. (REsp 1544036-RJ) 
(D) INCORRETA. 
O calendário prévio das saídas temporárias deverá ser fixado, obrigatoriamente, pelo 
Juízo das Execuções, não se lhe permitindo delegar à autoridade prisional a escolha das 
datas específicas nas quais o apenado irá usufruir os benefícios. (REsp 1544036-RJ) 
 
(E) INCORRETA. 
 
68 
LEP – Art. 124. § 2o Quando se tratar de frequência a curso profissionalizante, de 
instrução de ensino médio ou superior, o tempo de saída será o necessário para o 
cumprimento das atividades discentes. § 3o Nos demais casos, as autorizações de saída 
somente poderão ser concedidas com prazo mínimo de 45 (quarenta e cinco) dias de 
intervalo entre uma e outra. 
_______________________________________________________________________ 
45. Márcia e Sueli são sócias-administradoras de uma sociedade empresária do ramo de 
materiais cirúrgicos. Diana, amiga das referidas empresárias, é secretária municipal de 
Saúde e realiza a contratação dessa sociedade empresária para a entrega de trezentos 
bisturis e duzentas máscaras cirúrgicas. Contudo, Márcia, Sueli e Diana ajustaram entre 
si a entrega, o que de fato foi realizado, de apenas cinquenta bisturis e cinquenta 
máscaras. 
Quanto à tipicidade penal, é CORRETO afirmar que Márcia e Sueli: 
(A) não responderão criminalmente, em razão de não serem funcionárias públicas e não 
deterem o poder decisório sobre a contratação; 
(B) responderão pelo crime de fraude em licitação ou contrato; 
(C) responderão pelo crime de concussão em concurso material com o crime de peculato 
culposo; 
(D) responderão pelo crime de corrupção ativa em concurso formal com o crime de 
lavagem de dinheiro; 
(E) responderão pelo crime de contratação inidônea em concurso formal com o crime 
de peculato doloso. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora 
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. § 1º 
- Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade 
paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou 
conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. 
(B) CORRETA. 
 
69 
CP - Art. 337-L. Fraudar, em prejuízo da Administração Pública, licitação ou contrato dela 
decorrente, mediante: I - entrega de mercadoria ou prestação de serviços com 
qualidade ou em quantidade diversas das previstas no edital ou nos instrumentos 
contratuais; 
(C) INCORRETA. 
CP - Concussão n- Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, 
ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida. 
Peculato. Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer 
outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou 
desviá-lo, em proveito próprio ou alheio. 
(D) INCORRETA. 
CP - Corrupção ativa. Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário 
público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício. 
(E) INCORRETA. 
CP - Contratação inidônea - Art. 337-M. Admitir à licitação empresa ou profissional 
declarado inidôneo. Peculato. Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, 
valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão 
do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio. 
_______________________________________________________________________ 
46. Relativamente aos institutos da reparação do dano, da desistência voluntária, do 
arrependimento eficaz, do arrependimento posterior e do crime impossível, segundo a 
doutrina e a jurisprudência dominantes, é CORRETO afirmar que: 
(A) responderá pelo resultado pretendido inicialmente, nos crimes de mera conduta, o 
agente que, após iniciar os atos de execução, impedir que o resultado se produza; 
(B) terá a pena reduzida de 1/3 a 2/3 o agente que, por ato voluntário, reparar o dano 
causado em crime praticado sem violência à pessoa, após a sentença recorrível; 
(C) responderá apenas pelos atos até então praticados o agente que, voluntariamente, 
desistir de prosseguir na execução do crime; 
(D) responderá pela tentativa o agente quando, em razão da ineficácia absoluta do meio, 
for impossível consumar-se o crime; 
(E) terá a pena reduzida de 2/3 o agente que reparar o dano no crime de peculato 
culposo após a sentença irrecorrível. 
_______________________________________________________________________ 
 
70 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
Tema tratado no aulão de véspera pelo professor Rafhael Nepomuceno. 
 
(A) INCORRETA. 
CP - Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou 
impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. 
(B) INCORRETA. 
CP - Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado 
o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato 
voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. 
(C) CORRETA. 
CP - Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou 
impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. 
(D) INCORRETA. 
CP - Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por 
absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime. 
(E) INCORRETA. 
CP – Art. 312, § 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à 
sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a 
pena imposta. 
_______________________________________________________________________ 
47. Em relação à detração penal, é CORRETO afirmar que: 
(A) é incabível a detração do tempo de prisão provisória proveniente de processo 
diverso daquele cujo delito ensejou a condenação penal; 
(B) é de competência exclusiva do Juízo da Execução realizar a detração, vedada ao Juízo 
do Conhecimento a adoção de tal providência; 
(C) é incabível na aplicação da detração a pretensão de cômputo do período de prisão 
provisória para fins de substituição da pena corporal por restritivas de direito; 
 
71 
(D) o período de cumprimento de medida cautelar de monitoração eletrônica possibilita 
a contagem de tempo para efeito de concessão da detração penal; 
(E) é incabível a detração, na pena privativa de liberdade, no momento de cumprimentodo recolhimento domiciliar no período noturno, com ou sem monitoração eletrônica. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
(A) INCORRETA. 
A jurisprudência deste Superior Tribunal admite a detração (art. 42 do CP) por custódia 
indevidamente cumprida em outro processo, desde que o crime em virtude do qual o 
condenado executa a pena a ser computada seja anterior ao período pleiteado. Busca-
se, com isso, impedir uma espécie de crédito em desfavor do Estado, disponível para 
utilização no futuro. (HC n. 624.077, Ministro Antonio Saldanha Palheiro, DJe de 
11/12/2020.) 
(B) INCORRETA. 
CPP - Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória: § 2o O tempo de prisão 
provisória, de prisão administrativa ou de internação, no Brasil ou no estrangeiro, será 
computado para fins de determinação do regime inicial de pena privativa de liberdade. 
(C) CORRETA. 
No que diz respeito à pretensão de cômputo do período de prisão provisória, para fins 
de substituição da pena corporal por restritivas de direitos, inexiste no ordenamento 
jurídico pátrio qualquer previsão de aplicação da detração para fins diversos daqueles 
expressamente definidos no art. 387, § 2º, do CPP, isto é, os atrelados à possibilidade 
de abrandamento do regime inicial de resgate da reprimenda. (AgRg no AREsp 
2.123.235/RJ) 
Em que pese tal constatação, a FGV deveria ter dado mais informações no enunciado 
capazes de excluir o decidem do HC nº 178.894-RS, julgado em 13/11/2012, porquanto 
é possível que haja detração em processos criminais distintos se a prisão cautelar foi 
posterior ao crime pelo qual a pessoa foi condenada. Veja, por esta falta de 
especificidade no enunciado, casado com a afirmação C, questão PASSÍVEL DE 
ANULAÇÃO. 
(D) INCORRETA. 
 
72 
A orientação jurisprudencial desta Suprema Corte é no sentido de que a detração da 
pena privativa de liberdade não abrange o cumprimento de medidas cautelares diversas 
da prisão por falta de previsão legal. (STF. 1ª Turma. HC 205.740/SC AgR, Rel. Min. Rosa 
Weber, julgado em 22/04/2022) 
(E) INCORRETA. 
É possível considerar o tempo submetido à medida cautelar de recolhimento noturno, 
aos finais de semana e dias não úteis, supervisionados por monitoramento eletrônico, 
com o tempo de pena efetivamente cumprido, para detração da pena. (STJ. 3ª Seção. 
HC 455097/PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/04/2021) 
_______________________________________________________________________ 
48. Lucas subtraiu para si uma bicicleta infantil que se encontrava no interior de uma 
residência familiar às 22h, momento em que os moradores estavam acordados. Para ter 
acesso ao bem furtado, Lucas pulou o muro da residência. 
Diante da situação narrada, é CORRETO afirmar que: 
(A) para a incidência da qualificadora da escalada é indispensável a realização de exame 
pericial, não sendo possível sua substituição; 
(B) o fato de os moradores estarem acordados exclui a incidência da majorante relativa 
à prática do crime de furto no período noturno; 
(C) não é possível a aplicação da causa de aumento relativa à prática de furto no período 
noturno em concomitância com a qualificadora da escalada; 
(D) a escalada e a prática de furto no período noturno são circunstâncias que devem ser 
analisadas na terceira etapa da dosimetria penal; 
(E) não seria aplicável a causa de aumento relativa ao furto noturno na hipótese em que 
a casa estivesse desabitada, por ausência de violação ao bem jurídico tutelado pela 
majorante. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
Tema tratado no aulão de véspera pelo professor Rafhael Nepomuceno. 
 
(A) INCORRETA. 
 
73 
Em regra, é necessária perícia para comprovar a escalada no caso de furto qualificado 
(art. 155, § 4º, II, do CP). Excepcionalmente, a prova pericial será prescindível 
(dispensável) se houver nos autos elementos aptos a comprovar a escalada de forma 
inconteste. (STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1895487-DF, Rel. Min. Antonio Saldanha 
Palheiro, julgado em 26/04/2022) 
(B) INCORRETA. 
São irrelevantes os fatos das vítimas estarem, ou não, dormindo no momento do crime, 
ou o local de sua ocorrência, em estabelecimento comercial, via pública, residência 
desabitada ou em veículos, bastando que o furto ocorra, obrigatoriamente, à noite e em 
situação de repouso. (STJ. 3ª Seção.REsp 1.979.989-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, 
julgado em 22/06/2022) 
(C) CORRETA. 
A causa de aumento prevista no § 1º do art. 155 do Código Penal (prática do crime de 
furto no período noturno) não incide no crime de furto na sua forma qualificada (§ 4º). 
(STJ. 3ª Seção. REsp 1.890.981-SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 
25/05/2022) 
(D) INCORRETA. 
CP - Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; 
em seguida serão consideradas as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, 
as causas de diminuição e de aumento. Parágrafo único - No concurso de causas de 
aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só 
aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou 
diminua. 
(E) INCORRETA. 
O STJ tem-se manifestado no sentido da incidência da majorante prevista no art. 155, § 
1º, do Código Penal, mesmo na hipótese de furto praticado durante o repouso noturno 
em estabelecimento comercial vazio. (STJ. 6ª Turma.AgRg no REsp 1847131/SP, Rel. 
Min. Nefi Cordeiro, DJe 15/5/2020). 
_______________________________________________________________________ 
49. Paulo, policial militar, supondo ter encontrado Cláudio, traficante conhecido na 
região e com mandado de prisão em aberto, efetua a prisão de desconhecido irmão 
gêmeo univitelino de Cláudio, com restrição de liberdade do irmão gêmeo por tempo 
considerável. 
 
74 
Diante da situação narrada, a responsabilidade penal de Paulo é afastada por: 
(A) ausência de tipicidade, ante a inexistência de elemento objetivo do tipo; 
(B) ausência de tipicidade, ante a inexistência de elemento subjetivo do tipo; 
(C) ausência de ilicitude, pelo estrito cumprimento do dever legal putativo; 
(D) ausência de culpabilidade, pela inexigibilidade de conduta diversa; 
(E) ausência de culpabilidade, por erro de proibição. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Os elementos objetivos do tipo são aqueles relacionados aos aspectos materiais e 
normativos. Dividem-se em elementos objetivos descritivos e elementos objetivos 
normativos. 
(B) CORRETA. 
Diz respeito à intenção, objetivo, finalidade do agente. Análise da esfera anímica ou 
psicológica do agente. 
(C) INCORRETA. 
O estrito cumprimento do dever legal putativo, ocorre quando por erro justificável, 
existe a suposição de situação de dever legal. É a prática putativa de uma conduta 
determinada pela lei (que deve ser entendida em seu sentido amplo, englobando, 
portanto, lei em sentido estrito, atos administrativos emitidos em estrita 
correspondência à lei, cumprimento de decisões judiciais, etc.), tornando lícito um fato 
típico. 
(D) INCORRETA. 
A inexigibilidade de conduta diversa é uma causa geral de exclusão de culpabilidade 
fundada na não censurabilidade de uma conduta, quando era inexigível, em 
determinadas circunstâncias e com base nos padrões sociais vigentes, diferente ação ou 
omissão do agente. 
(E) INCORRETA. 
 
75 
O erro de proibição pode ser definido como a falsa percepção do agente acerca do 
caráter ilícito do fato típico por ele praticado - que valora, equivocadamente, acerca da 
reprovabilidade de sua conduta. O agente conhece a existência da lei penal, mas 
desconhece ou interpreta mal o seu conteúdo. 
_______________________________________________________________________ 
50. Tomás, 21 anos,no momento em que fazia uso de um pino de cocaína, foi 
abordado por Agostinho, policial militar. Surpreendido e com receio de ser 
repreendido por seus pais, ofereceu cinco mil reais ao policial para que não fosse 
preso. 
Diante dessa hipótese, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, 
é CORRETO afirmar que: 
(A) não se identifica a prática do crime de corrupção ativa por Tomás, em razão da 
impossibilidade de prisão em flagrante pelo uso de substância entorpecente; 
(B) o crime de corrupção ativa será consumado no momento da aceitação da oferta por 
parte de Agostinho. Em caso de recusa do policial, haverá mera tentativa; 
(C) Agostinho somente poderia conduzir Tomás à Delegacia de Polícia pelo flagrante 
relativo ao crime de corrupção ativa, uma vez que não há crime de uso de substância 
entorpecente; 
(D) ao contrário do crime de corrupção ativa cometido por Tomás, que é formal, o crime 
de corrupção passiva exige para a consumação o efetivo recebimento da vantagem, para 
si ou para outrem; 
(E) Tomás praticou o crime de corrupção ativa ao oferecer o dinheiro a Agostinho para 
determiná-lo a omitir ou retardar ato de ofício relacionado com o cometimento do crime 
de posse de drogas para uso próprio. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Vide comentário das alternativas B e C. 
(B) INCORRETA. 
Para a configuração do delito de corrupção ativa, basta o oferecimento da vantagem 
indevida, independentemente de a oferta ser aceita; se o servidor efetivamente deixar 
 
76 
de cumprir o seu dever, incidirá o aumento de pena previsto no parágrafo único do 
artigo 333 do Código Penal. (AREsp 2.007.599) 
(C) INCORRETA. 
A posse de drogas para consumo próprio, de que trata o artigo 28 da Lei 11.343/2006, 
apesar de não ser punível com prisão, é crime e, por essa razão, é obrigação do policial 
conduzir o autor do fato ao juízo competente ou à delegacia, para registro do termo 
circunstanciado. (AREsp 2.007.599) 
(D) INCORRETA. 
No delito de corrupção passiva (art. 317 do CP) a percepção dos valores exigidos é mero 
exaurimento do delito. (EDcl no AgRg no RHC 123.419/DF) 
(E) CORRETA. 
Corrupção ativa. Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário 
público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO PROCESSUAL PENAL 
 
51. Tício e Mévio foram presos em flagrante delito pela prática de crime de roubo 
ocorrido a bordo de aeronave pousada na pista do Aeroporto Internacional do 
Recife/Guararapes – Gilberto Freyre. O crime consistiu na subtração, mediante grave 
ameaça, de numerário pertencente ao Banco do Brasil e sob guarda de empresa 
transportadora de valores. 
Diante da hipótese narrada, é correto afirmar que a competência será da: 
(A) justiça federal, tendo em conta que a vítima é o Banco do Brasil, sociedade de 
economia mista federal; 
(B) justiça federal, tendo em conta que o crime foi cometido a bordo de aeronave, ainda 
que em solo; 
(C) justiça estadual, tendo em conta que o Banco do Brasil é sociedade de economia 
mista e não atrai a competência especializada; 
(D) justiça estadual, tendo em conta que não há interesse da União pelo fato de a 
aeronave estar em terra; 
(E) justiça estadual, tendo em conta que, embora praticado a bordo de aeronave, não 
há elemento que indique internacionalidade. 
 
77 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de paciente condenado por roubo e 
formação de quadrilha em continuidade delitiva (arts. 288 e 157, § 2º, I e II, ambos do 
CP). Alega o impetrante a incompetência da Justiça Federal para processar e julgar o 
crime, visto que, apesar de o roubo dos malotes (com mais de R$ 4 milhões) ter ocorrido 
a bordo de aeronave, deu-se em solo (aeroporto) contra a transportadora, sendo a 
vítima o banco, que possui capital privado e público; nessas circunstâncias, não 
deslocaria a competência para a Justiça Federal. Para o Min. Relator, não há falar em 
qualidade da empresa lesada diante do entendimento jurisprudencial e do disposto no 
art. 109, IX, da CF/1988, que afirmam a competência dos juízes federais para processar 
e julgar os delitos cometidos a bordo de aeronaves, independentemente de elas se 
encontrarem no solo. Com esse entendimento, a Turma denegou a ordem. Precedentes 
citados do STF: RHC 86.998-SP, DJ 27/4/2007; do STJ: HC 40.913-SP, DJ 15/8/2005, e HC 
6.083-SP, DJ 18/5/1998. HC 108.478-SP, Rel. Min. Adilson Vieira Macabu 
(Desembargador convocado do TJ-RJ), julgado em 22/2/2011. 
_______________________________________________________________________ 
52. Sócrates, magistrado estadual, está sendo investigado no âmbito de inquérito 
policial. Contudo, alega a existência de vício procedimental, com base em lei 
complementar estadual, que estabelece a necessidade de prévia autorização do órgão 
colegiado do tribunal competente para prosseguir com investigações que objetivam 
apurar suposta prática de crime cometido por magistrado, o que não ocorreu. 
Diante do caso, tendo como base a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é 
CORRETO afirmar que: 
(A) assiste razão a Sócrates, já que a autorização prévia do tribunal competente é 
exigência para a regularidade formal da investigação e também é exigida no âmbito da 
LC nº 35/1979 (Lei Orgânica da Magistratura Nacional – LOMAN); 
(B) assiste razão a Sócrates, pois há vício procedimental uma vez que a LC nº 35/1979 
(Lei Orgânica da Magistratura Nacional – LOMAN) exige autorização para 
prosseguimento das investigações, embora a lei estadual seja eivada de 
inconstitucionalidade formal; 
(C) não assiste razão a Sócrates, pois a norma estadual é inconstitucional por vício de 
competência e por promover indevida inovação, ofendendo o princípio da isonomia; 
 
78 
(D) não assiste razão a Sócrates, pois não há utilidade no reconhecimento de nulidade 
na fase de inquérito, devendo a autorização para investigação ser aferida apenas em 
caso de denúncia; 
(E) não assiste razão a Sócrates, pois a norma estadual é inconstitucional formal e 
materialmente, não havendo qualquer necessidade de remessa dos autos ao tribunal. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Direito Constitucional. Ação direta de inconstitucionalidade. Lei de organização 
judiciária estadual. Autorização para prosseguimento de investigações contra 
magistrado. 
1. Ação direta de inconstitucionalidade que tem por objeto o art. 90, § 1º, da Lei 
Complementar nº 59 /2001 do Estado de Minas Gerais, que prevê a necessidade de 
autorização de órgão colegiado do Tribunal de Justiça para prosseguimento das 
investigações contra magistrado. 
2. Cabe a lei complementar de iniciativa do Supremo Tribunal Federal disciplinar as 
matérias institucionais relativas à magistratura nacional (art. 93 da Constituição 
Federal). 
3. O dispositivo impugnado é formalmente inconstitucional ao instituir prerrogativa não 
prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional. Tal norma determina, nas 
investigações contra magistrado, a remessa do inquérito ao Tribunal ou órgão 
competente, mas não condiciona o prosseguimento à autorização do órgão colegiado. 
4. A norma questionada é materialmente inconstitucional por violação ao princípio da 
isonomia, já que confere garantia mais extensa aos magistrados mineiros do que a 
prevista para os demais membros da magistratura e autoridades com foro por 
prerrogativa de função. 
5. Há relevante distinção entre o presente caso e o que decidido na ADI 7083, Rel. Min. 
Cármen Lúcia. Em tal oportunidade, esta Corte destacou que “a mesma razão jurídica 
apontada para justificar a necessidadede supervisão judicial dos atos investigatórios de 
autoridades com prerrogativa de foro neste Supremo Tribunal Federal aplica-se às 
autoridades com prerrogativa de foro em outros Tribunais”. No entanto, o Regimento 
Interno do STF não exige que o prosseguimento da investigação seja autorizado por 
órgão colegiado, bastando que o relator decida a respeito. Na mesma linha, dispôs o 
Regimento Interno do TJAP, cuja constitucionalidade fora afirmada em tal precedente. 
6. Ação direta cujo pedido se julga parcialmente procedente, para declarar a 
inconstitucionalidade da expressão “na primeira sessão”, do art. 90, § 1º, da Lei 
 
79 
Complementar nº 59/2001 do Estado de Minas Gerais, e atribuir interpretação 
conforme à Constituição à expressão “órgão competente do Tribunal de Justiça”, 
prevista no mesmo dispositivo, a fim de estabelecer que caberá ao relator autorizar o 
prosseguimento das investigações. 
STF. Plenário. ADI 5331/MG, Rel. Min. Rosa Weber, redator do acórdão Min. Roberto 
Barroso, julgado em 3/6/2022 (Info 1057). 
_______________________________________________________________________ 
53. De acordo com a doutrina e a jurisprudência dominante nos Tribunais Superiores, 
quanto aos recursos e às ações autônomas de impugnação, é CORRETO afirmar que: 
(A) admite-se mandado de segurança para atribuir efeito suspensivo ao recurso em 
sentido estrito desprovido deste efeito interposto pelo Ministério Público; 
(B) impetrado habeas corpus por outra pessoa em favor do paciente, se este se opuser 
e desautorizar o pedido, o habeas corpus não será conhecido; 
(C) fará jus à indenização, na ação de revisão criminal, o condenado quando o erro ou a 
injustiça da condenação resultar da ocultação de provas em seu poder; 
(D) poderá o Ministério Público, como fiscal da lei, ajuizar ação de revisão criminal a 
favor ou contra o condenado; 
(E) admite-se habeas corpus para o trancamento de ação de improbidade 
administrativa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
 Súmula 604 do STJ: Mandado de segurança não se presta para atribuir efeito 
suspensivo a recurso criminal interposto pelo Ministério Público. 
(B) CORRETA. 
Não se deve conhecer do pedido de habeas corpus quando este, ajuizado 
originariamente perante o Supremo Tribunal Federal, e desautorizado pelo próprio 
paciente (RISTF, art. 192, parágrafo único). 
(STF - HC: 91433 DF, Relator: Min. GILMAR MENDES, Data de Julgamento: 30/05/2007, 
Data de Publicação: DJ 13/06/2007 PP-00028) 
(C) INCORRETA. 
 
80 
CPP, Art. 630. O tribunal, se o interessado o requerer, poderá reconhecer o direito a uma justa 
indenização pelos prejuízos sofridos. 
§ 1o Por essa indenização, que será liquidada no juízo cível, responderá a União, se a 
condenação tiver sido proferida pela justiça do Distrito Federal ou de Território, ou o 
Estado, se o tiver sido pela respectiva justiça. 
§ 2o A indenização não será devida: 
a) se o erro ou a injustiça da condenação proceder de ato ou falta imputável ao próprio 
impetrante, como a confissão ou a ocultação de prova em seu poder; 
b) se a acusação houver sido meramente privada. 
(D) INCORRETA. 
CPP, Art. 623. A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por procurador 
legalmente habilitado ou, no caso de morte do réu, pelo cônjuge, ascendente, 
descendente ou irmão. 
(E) INCORRETA. 
Não existe qualquer sanção de improbidade administrativa que importe em restrição à 
liberdade de locomoção, sendo, portanto, incabível habeas corpus na espécie. Vejamos: 
Lei 8.429/92 - Art. 12. Independentemente do ressarcimento integral do dano 
patrimonial, se efetivo, e das sanções penais comuns e de responsabilidade, civis e 
administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de 
improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou 
cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: 
I - na hipótese do art. 9º desta Lei, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao 
patrimônio, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos até 14 (catorze) 
anos, pagamento de multa civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial e 
proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos 
fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa 
jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 14 (catorze) anos; 
II - na hipótese do art. 10 desta Lei, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao 
patrimônio, se concorrer esta circunstância, perda da função pública, suspensão dos 
direitos políticos até 12 (doze) anos, pagamento de multa civil equivalente ao valor do 
dano e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou 
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de 
pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 12 (doze) 
anos; 
III - na hipótese do art. 11 desta Lei, pagamento de multa civil de até 24 (vinte e quatro) 
vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o 
 
81 
poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou 
indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio 
majoritário, pelo prazo não superior a 4 (quatro) anos; 
_______________________________________________________________________ 
54. Quanto à teoria geral dos recursos e os recursos em espécie no processo penal, 
segundo a doutrina e a jurisprudência dominante nos Tribunais Superiores, admite-se: 
(A) o recurso do assistente se o Ministério Público tiver interposto um recurso total; 
(B) o efeito devolutivo dos recursos quando da apresentação das razões recursais; 
(C) a reformatio in pejus se o condenado tiver recorrido de todo o conteúdo impugnável 
da sentença; 
(D) a medida cautelar para dar efeito suspensivo a recurso em sentido estrito desprovido 
originariamente deste efeito; 
(E) a interposição de recurso em sentido estrito pelo ofendido não habilitado como 
assistente se o Ministério Público não recorrer da decisão. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE ANULAÇÃO. 
 
OBS: Questão bastante mal formulada, em que os conceitos são tratados de forma 
incompleta e com imprecisão. Vislumbramos 3 itens corretos. A questão precisa ser 
anulada. 
(A) INCORRETA. 
Entende-se majoritariamente que a legitimidade recursal do assistente de acusação é 
subsidiária/supletiva, ou seja, somente irá interpor recurso quando o MP não o fizer. 
Dessa forma, se o MP apresenta recurso total, não cabe recurso do assistente de 
acusação. 
CPP, Art. 271. Ao assistente será permitido propor meios de prova, requerer perguntas 
às testemunhas, aditar o libelo e os articulados, participar do debate oral e arrazoar os 
recursos interpostos pelo Ministério Público, ou por ele próprio, nos casos dos arts. 584, 
§ 1º, e 598. 
(B) INCORRETA. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del3689Compilado.htm#art584
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del3689Compilado.htm#art584
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del3689Compilado.htm#art598
 
82 
Apesar de o item ter sido considerado incorreto, a doutrina majoritária (por todos, 
Renato Brasileiro) entende que o efeito devolutivo dos recursos pode ser delimitado em 
dois momentos: tanto na petição de interposição e nas razões recursais. Afirma o autor: 
a) Recurso de fundamentação livre: na eventualidade de o recorrente não delimitar a 
matéria impugnada em sua petição de interposição, há quem entenda que se devolve 
ao juízo ad quem o conhecimento integral da matéria que gerou a sucumbência, sendo 
vedado à parte querer reduzi-la por ocasião da apresentaçãodas razões recursais. Com 
a devida vênia, partilhamos do entendimento de que o recorrente tem duas 
oportunidades para delimitar a matéria impugnada: primeiro, por ocasião da 
interposição; segundo, ao apresentar as respectivas razões recursais. Logo, se não o fez 
no primeiro momento, é plenamente válido que o faça no segundo. Ora, considerando-
se a função precípua das razões recursais de cumprir o requisito formal de apresentação 
da insurgência recursal, seria no mínimo desarrazoado concluir-se que o recorrente não 
poderia delimitar a matéria impugnada por ocasião de sua apresentação." Essa 
discussão não é meramente acadêmica. Tem fundamental importância para 
verificarmos uma possível violação à regra do tantum devolutum quantum appelatum e 
ao princípio da non reformatio in pejus (CPP, art. 617). Vejamos um exemplo: suponha-
se que o Ministério Público tenha interposto apelação contra sentença condenatória 
pela prática do crime de tráfico de drogas. O termo de interposição da apelação foi 
omisso quanto à parte do julgado contra a qual o Ministério Público se insurgia, porém 
constou das razões do apelo exclusivamente o pedido para que fosse denegada a 
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Nesse caso, 
firmada a premissa de que as razões recursais também podem delimitar a matéria 
impugnada, é de todo evidente que, no exemplo dado, o juízo ad quem jamais poderia 
dar provimento ao recurso para majorar a pena do acusado, alterar o regime inicial de 
cumprimento da pena, etc., sob pena de evidente reformatio in pejus; 
Referência: LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal: volume único. 8. ed. 
Salvador: Ed. Juspodivm, 2020. 
(C) INCORRETA. 
Como é sabido, se somente o acusado recorreu, sua situação jurídica não pode ser 
prejudicada, sob pena de ofensa ao princípio da non reformatio in pejus (direta ou 
indireta). De toda sorte, a questão não deixa claro se o recurso é ou não exclusivo da 
defesa, ou seja, não existe clareza no enunciado. 
(D) CORRETA. 
Consoante a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, “[p]ode ser conferido efeito 
suspensivo a qualquer recurso que não o tenha, desde que de forma fundamentada, 
como feito na Corte de origem ao acolher Medida Cautelar para dar efeito suspensivo 
a Agravo em Execução, no qual o Parquet busca a manutenção de preso em Presídio 
Federal. Precedentes desta Turma: HC 309.390/RR, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJe 
 
83 
10/5/2016 e HC 397.665/AM, Rel. Min. REYNALDO SOARES DA FONSECA, DJe 
1º/12/2017” (HC n. 577.558/RS, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, 5ª T., DJe 9/6/2020). 
(E) CORRETA. 
A legitimidade do assistente de acusação ocorre nas seguintes hipóteses: 
- Apelar da sentença com fundamento no art. 598 do CPP; 
- Apelar da decisão de impronúncia com fundamento no art. 584, §1º, c/c art. 416 e 598 
do CPP 
- Recorrer em sentido estrito da decisão que julgar extinta a punibilidade pela prescrição 
ou outra causa, com base no art. 584, §1º, c/c e 598 do CPP 
- Recorrer extraordinariamente nos casos em que ele poderia recorrer da decisão do juiz 
singular, de acordo com a súmula 210 do STF, o que tem sido interpretado 
extensivamente em relação ao Recurso Especial. (Súmula 210 do STF: "O assistente do 
Ministério Público pode recorrer, inclusive extraordinariamente, na ação penal, nos 
casos dos arts. 584, § 1º, e 598 do Código de Processo Penal"). 
Além dessas, existem outras possibilidades discutidas na doutrina. Essas são as 
uníssonas. 
A doutrina entende majoritariamente que é desnecessária habilitação prévia do 
assistente de acusação, servindo a própria interposição como pedido implícito de 
habilitação (por todos, Renato Brasileiro, Norberto Avena, Fabio Roque e Klaus Negri 
Costa). Sendo assim, a questão está incorreta. 
_______________________________________________________________________ 
55. Em relação à utilização de registros de geolocalização como ferramenta informativo-
probatória, por se referirem a dados relacionados à identificação de usuários que 
operaram em área delimitada e por intervalo de tempo determinado, tal situação 
configura: 
(A) quebra de sigilo telemático; 
(B) quebra de fluxo de comunicações de dados; 
(C) quebra de sigilo de dados informáticos estáticos; 
(D) interceptação de sigilo de dados; 
(E) interceptação de comunicações telefônicas. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
 
84 
A determinação judicial de quebra de sigilo de dados informáticos estáticos (registros), 
relacionados à identificação de usuários que operaram em determinada área geográfica, 
suficientemente fundamentada, não ofende a proteção constitucional à privacidade e à 
intimidade. 
A quebra do sigilo de dados armazenados não obriga a autoridade judiciária a indicar 
previamente as pessoas que estão sendo investigadas, até porque o objetivo precípuo 
dessa medida é justamente de proporcionar a identificação do usuário do serviço ou do 
terminal utilizado. 
Logo, a ordem judicial para quebra do sigilo dos registros, delimitada por parâmetros de 
pesquisa em determinada região e por período de tempo, não se mostra medida 
desproporcional, porquanto, tendo como norte a apuração de gravíssimos crimes, não 
impõe risco desmedido à privacidade e à intimidade dos usuários possivelmente 
atingidos por tal diligência. 
STJ. 3ª Seção. RMS 61.302-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/08/2020 
(Info 678). 
_______________________________________________________________________ 
56. João foi vítima de tentativa de estelionato e procurou a Delegacia de Polícia de Serra 
Talhada/PE, cidade em que reside e na qual se encontra sua agência bancária. Narrou 
que, no dia 15/03/2022, houve a tentativa de compensação de um cheque clonado em 
sua conta-corrente, que somente não foi pago pela instituição bancária em razão de 
insuficiência de fundos. Foi apurado que a cártula fora depositada em agência bancária 
localizada na cidade de Jaboatão dos Guararapes/PE. 
Diante do caso e em consonância com a legislação e jurisprudência do Superior Tribunal 
de Justiça, a competência criminal é de um dos juízos criminais de: 
(A) Serra Talhada/PE, já que a competência para julgar o delito de estelionato cometido 
por meio de cheque fraudulento é a do local do prejuízo, que ocorre com a autorização 
para o saque do numerário no local da agência bancária da vítima; 
(B) Serra Talhada/PE, em razão de modificação legislativa que incluiu regra expressa no 
Código de Processo Penal ao prever a competência do local do domicílio da vítima, 
quando praticado o estelionato mediante emissão de cheques sem suficiente provisão 
de fundos; 
(C) Jaboatão dos Guararapes/PE, uma vez que eventual crime de estelionato se consuma 
no local e no momento em que o agente obtém vantagem ilícita que, no caso, é a cidade 
em que foi feito o depósito; 
(D) Jaboatão dos Guararapes/PE, já que as fases do iter criminis se deram nessa cidade, 
o que é determinante para a fixação da competência criminal no crime de estelionato; 
 
85 
(E) Jaboatão dos Guararapes/PE, em razão de modificação legislativa que incluiu regra 
expressa no Código de Processo Penal ao prever a competência do local do depósito do 
título de crédito, quando praticado o estelionato mediante emissão de cheques sem 
suficiente provisão de fundos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. PENAL E PROCESSUAL PENAL. ESTELIONATO. 
CRIME PRATICADO MEDIANTE CHEQUE FRAUDULENTO. HIPÓTESE NÃO PREVISTA NA LEI 
N. 14.155/2021. CONSUMAÇÃO DO CRIME NO LOCAL ONDE A VÍTIMA POSSUI CONTA 
BANCÁRIA. CONFLITO CONHECIDO PARA DECLARAR COMPETENTE O JUÍZO SUSCITADO. 
1. O delito de estelionato, tipificado no art. 171, caput, do Código Penal, consuma-se no 
lugar onde aconteceu o efetivo prejuízoà vítima. Por essa razão, a Terceira Seção do 
Superior Tribunal de Justiça, no caso específico de estelionato praticado por meio de 
depósito em dinheiro ou transferência de valores, firmara a compreensão de que a 
competência seria do Juízo onde se auferiu a vantagem ilícita em prejuízo da vítima, ou 
seja, o local onde se situava a conta que recebeu os valores depositados. 
2. A Lei n. 14.155, de 27 de maio de 2021, que incluiu o § 4.º no art. 70 do Código de 
Processo Penal, criou hipótese específica de competência no caso de crime de 
estelionato praticado mediante depósito, transferência de valores ou cheque sem 
provisão de fundos em poder do sacado ou com o pagamento frustrado. Diante da 
modificação legislativa, não mais subsiste o entendimento firmado por esta Corte 
Superior, devendo ser reconhecida a competência do Juízo do domicílio da vítima. 
3. Contudo, a hipótese dos autos, como bem ressaltou o parecer ministerial, não foi 
expressamente prevista na nova legislação, visto que não se trata de cheque emitido 
sem provisão de fundos ou com pagamento frustrado, mas de tentativa de saque de 
cártula falsa, em prejuízo de correntista. Assim, aplica-se o entendimento pela 
competência do Juízo do local do eventual prejuízo, que ocorre com a autorização para 
o saque do numerário no local da agência bancária da vítima. 
4. Conflito conhecido para declarar competente o JUÍZO DE DIREITO DA VARA ÚNICA DE 
URUPÊS/SP, o Suscitado. 
STJ. 3ª Seção. CONFLITO DE COMPETÊNCIA Nº 182.977 - PR (2021/0307101-9). RELATORA : 
MINISTRA LAURITA VAZ. Julgado em 09/03/2022. 
_______________________________________________________________________ 
57. Luigi e Mário foram denunciados pelo crime de furto qualificado pelo concurso de 
agentes. Recebida a denúncia, foi determinada pelo juiz a citação dos acusados, tendo 
 
86 
Luigi sido localizado na Itália, em lugar sabido, e expedida carta rogatória para a sua 
citação, e Mário citado por edital, não tendo este comparecido nem constituído 
advogado. 
Quanto à situação dos cursos do processo e do prazo prescricional em relação aos 
acusados, é CORRETO afirmar que: 
(A) os cursos do processo e do prazo prescricional serão suspensos em relação a Mário 
e o curso da prescrição será suspenso em relação a Luigi até o cumprimento da 
rogatória; 
(B) os cursos do processo e do prazo prescricional serão suspensos em relação a Mário 
e Luigi; 
(C) o curso da prescrição será suspenso em relação a Mário e o curso do processo será 
suspenso em relação a Luigi até o cumprimento da rogatória; 
(D) o curso do processo será suspenso em relação a Mário e Luigi, mas o curso do prazo 
prescricional será interrompido somente em relação a Mário; 
(E) o curso do processo será suspenso em relação a Luigi até o cumprimento da rogatória 
e o curso da prescrição será interrompido em relação a Mário. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
CPP, Art. 368. Estando o acusado no estrangeiro, em lugar sabido, será citado mediante 
carta rogatória, suspendendo-se o curso do prazo de prescrição até o seu cumprimento. 
STJ: O art. 368, do CPP, embora seja claro ao estabelecer a suspensão do prazo 
prescricional pela expedição de carta rogatória para citação do acusado no exterior, não 
é preciso quanto ao termo final da referida suspensão, devendo ser interpretado de 
forma sistemática, com o art. 798, § 5º, “a”, do CPP, bem como com a Súmula 710, do 
STF, voltando a correr o lapso prescricional da data da efetivação da comunicação 
processual no estrangeiro, ainda que haja demora para a juntada da carta rogatória 
cumprida aos autos. STJ. 5ª Turma. RECURSO ESPECIAL Nº 1.882.330 - PR 
(2020/0161752-4). RELATOR : MINISTRO RIBEIRO DANTAS. Julgado em 6 de abril de 
2021. 
CPP, Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir 
advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz 
determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, 
decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. 
 
87 
_______________________________________________________________________ 
58. Relativamente ao inquérito policial e às diligências neste levadas a efeito, é CORRETO 
afirmar que: 
(A) na busca domiciliar fundada em ordem judicial, quando encontrada a arma objeto 
do crime de roubo, a não especificação no mandado judicial para a busca pessoal 
impedirá a realização desta; 
(B) o delegado de polícia, apurando crime de extorsão mediante sequestro, necessita de 
prévia autorização judicial para requisitar, de quaisquer órgãos do poder público, dados 
e informações cadastrais dos suspeitos; 
(C) após representação do delegado de polícia, nos crimes relacionados ao tráfico de 
pessoas, sobre a disponibilização dos meios técnicos que permitam a localização da 
vítima, se não houver manifestação judicial no prazo de doze horas, poderá aquele 
proceder às requisições, comunicando-se imediatamente ao juiz; 
(D) nos crimes relacionados ao tráfico de pessoas, o delegado de polícia poderá 
requisitar, independentemente de autorização judicial, às empresas prestadoras de 
serviço de telecomunicações que disponibilizem imediatamente os meios técnicos 
adequados que permitam a localização dos suspeitos; 
(E) dar-se-á prioridade à realização de exame de corpo de delito, na fase do inquérito 
policial, quando se tratar de crime que envolva criança ou adolescente, idoso, pessoa 
com deficiência, indígena ou gestante. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
CPP, Art. 244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando 
houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de 
objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for 
determinada no curso de busca domiciliar. 
(B) INCORRETA. 
Lei 12.830/13 - Art. 2º As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais 
exercidas pelo delegado de polícia são de natureza jurídica, essenciais e exclusivas de 
Estado. 
 
88 
§ 1º Ao delegado de polícia, na qualidade de autoridade policial, cabe a condução da 
investigação criminal por meio de inquérito policial ou outro procedimento previsto em 
lei, que tem como objetivo a apuração das circunstâncias, da materialidade e da autoria 
das infrações penais. 
§ 2º Durante a investigação criminal, cabe ao delegado de polícia a requisição de 
perícia, informações, documentos e dados que interessem à apuração dos fatos. 
(C) CORRETA. 
CPP, Art. 13-B. (...) Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao 
tráfico de pessoas, o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderão 
requisitar, mediante autorização judicial, às empresas prestadoras de serviço de 
telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos 
adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima 
ou dos suspeitos do delito em curso. 
§ 4o Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 (doze) horas, a autoridade 
competente requisitará às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou 
telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como 
sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos 
do delito em curso, com imediata comunicação ao juiz. 
(D) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa C. 
(E) INCORRETA. 
Indígenas e gestantes não estão incluídos na previsão. 
Art. 158. (...) 
Parágrafo único. Dar-se-á prioridade à realização do exame de corpo de delito quando 
se tratar de crime que envolva: 
I - violência doméstica e familiar contra mulher; 
II - violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência.” 
_______________________________________________________________________59. José cumpre pena pelo crime de roubo em regime fechado na cidade de Recife/PE. 
Sua família, contudo, reside em Petrolina/PE, razão pela qual sua defesa requer a 
transferência para estabelecimento prisional localizado nessa cidade, a fim de contribuir 
com o processo de ressocialização do apenado. 
Diante do caso apresentado, é CORRETO afirmar que: 
(A) é direito subjetivo de José ser transferido para Petrolina/PE sendo imperativa a 
viabilização de sua transferência pelo juízo de execução penal; 
 
89 
(B) a existência de vagas no estabelecimento de Petrolina/PE, torna absoluto o direito 
de José de ser transferido para perto de sua família; 
(C) a transferência de José independe de prévia consulta ao juízo da localidade de 
Petrolina/PE, sendo suficiente a comunicação prévia da ordem de transferência; 
(D) a transferência de José para Petrolina/PE dependerá da conveniência da 
Administração e pode ser negada por decisão fundamentada do juízo da execução 
penal; 
(E) a transferência de José para Petrolina/PE somente pode ser negada em caso de o 
apenado estar em regime disciplinar diferenciado ou de inexistência de vagas em 
estabelecimento prisional. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. WRIT SUCEDÂNEO DE 
RECURSO OU REVISÃO CRIMINAL. TRANSFERÊNCIA PARA PENITENCIÁRIA PRÓXIMA A 
FAMÍLIA DO PRESO. AUSÊNCIA DE DIREITO SUBJETIVO ABSOLUTO. FUNDAMENTAÇÃO 
IDÔNEA. MANIFESTA ILEGALIDE OU TERATOLOGIA NÃO IDENTIFICADAS. 1. Não 
obstante a possibilidade de execução da pena privativa de liberdade em Unidade 
Federativa diversa da qual aplicada a pena (art. 86 da LEP), na linha da orientação 
jurisprudencial desta Suprema Corte, o apenado não tem direito subjetivo absoluto à 
transferência para estabelecimento penal de sua preferência. Precedente. 2. Afastada a 
plausibilidade jurídica do pleito defensivo forte na ausência de estabelecimento 
prisional adequado ao regime semiaberto no local pretendido pelo paciente e na 
incompatibilidade da progressão de regime per saltum. 3. Agravo regimental conhecido 
e não provido. (HC 212543 AgR, Relator(a): ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 
11/04/2022, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-072 DIVULG 12-04-2022 PUBLIC 18-04-2022) 
Direito processual penal. Agravo regimental em habeas corpus. Execução penal. 
Transferência de preso. Sistema penitenciário federal. Jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal. Ausência de ilegalidade flagrante ou abuso de poder. 1. A 
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) é no sentido de que o condenado não 
tem direito subjetivo de cumprir pena em estabelecimento prisional de sua preferência, 
estando a remoção condicionada à observância de “critérios fundados em razões de 
segurança prisional e de preservação da ordem pública” (HC 88.508-AgR, Rel. Min. Celso 
de Mello). Ainda nessa linha: HC 89.597, Rel. Min. Joaquim Barbosa. 2. O STF já decidiu 
que “a via processualmente contida do habeas corpus não permite uma ampla incursão 
nos dados empíricos que embasaram a transferência do paciente para uma Unidade 
 
90 
Prisional com melhores condições de abrigar prisioneiros de ‘alta periculosidade’” (HC 
101.540, Rel. Min. Ayres Britto). 3. Paciente que “mantém posição de destaque em 
célula da organização criminosa ‘OS MANOS’ e, utilizando-se dessa influência e de 
comunicação via telefone celular, passou a formatar uma rede de tráfico de drogas, 
recrutando e comandando indivíduos, atuando nas regiões do Vale dos Sinos e Vale do 
Paranhana, mais notadamente nas cidades de Rolante/RS e Portão/RS. Para manter a 
hegemonia do narcotráfico nas suas regiões de domínio, (…) determina a execução de 
devedores e desafetos’”. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (HC 209757 
AgR, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 28/03/2022, 
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-061 DIVULG 30-03-2022 PUBLIC 31-03-2022) 
_______________________________________________________________________ 
60. No tocante ao sequestro de bens, é CORRETO afirmar que: 
(A) poderá o juiz decretar o sequestro abrangendo bens ou valores equivalentes ao 
produto ou proveito do crime quando estes não forem encontrados no patrimônio do 
investigado ou acusado; 
(B) poderá o juiz decretar o sequestro alargado nas infrações penais às quais a lei comine 
pena máxima superior a quatro anos; 
(C) será o sequestro levantado se a ação penal não for intentada no prazo de trinta dias, 
contado da data em que ficar concluída a diligência; 
(D) bastará para a decretação do sequestro a existência de indícios veementes da 
proveniência ilícita dos bens, se estes não tiverem sido transferidos a terceiros; 
(E) será o sequestro levantado se o acusado for absolvido, mesmo antes do trânsito em 
julgado da sentença absolutória. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. 
CPP, Art. 125. Caberá o seqüestro dos bens imóveis, adquiridos pelo indiciado com os 
proventos da infração, ainda que já tenham sido transferidos a terceiro. 
 CPP, Art. 126. Para a decretação do seqüestro, bastará a existência de indícios 
veementes da proveniência ilícita dos bens. 
CPP, Art. 127. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou do ofendido, 
ou mediante representação da autoridade policial, poderá ordenar o seqüestro, em 
qualquer fase do processo ou ainda antes de oferecida a denúncia ou queixa. 
 
91 
CPP, Art. 132. Proceder-se-á ao seqüestro dos bens móveis se, verificadas as condições 
previstas no art. 126, não for cabível a medida regulada no Capítulo Xl do Título Vll deste 
Livro. 
(B) INCORRETA. 
A hipótese se chama “confisco alargado”. 
Art. 91-A. Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima 
superior a 6 (seis) anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como produto ou 
proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio 
do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito. 
(C) INCORRETA. 
CPP, Art. 131. O seqüestro será levantado: 
I - se a ação penal não for intentada no prazo de sessenta dias, contado da data em que 
ficar concluída a diligência; 
II - se o terceiro, a quem tiverem sido transferidos os bens, prestar caução que assegure 
a aplicação do disposto no art. 74, II, b, segunda parte, do Código Penal; 
III - se for julgada extinta a punibilidade ou absolvido o réu, por sentença transitada em 
julgado. 
(D) INCORRETA. 
CPP, Art. 125. Caberá o seqüestro dos bens imóveis, adquiridos pelo indiciado com os 
proventos da infração, ainda que já tenham sido transferidos a terceiro. 
(E) INCORRETA. 
CPP, Art. 131. O seqüestro será levantado: 
I - se a ação penal não for intentada no prazo de sessenta dias, contado da data em que 
ficar concluída a diligência; 
II - se o terceiro, a quem tiverem sido transferidos os bens, prestar caução que assegure 
a aplicação do disposto no art. 74, II, b, segunda parte, do Código Penal; 
III - se for julgada extinta a punibilidade ou absolvido o réu, por sentença transitada em 
julgado. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
61. João, servidor público do Estado Gama, deseja requerer a aposentadoria especial, 
em razão do exercício de atividade em condições de insalubridade, mas descobre a 
ausência de norma regulamentadora em seu Estado. 
 
92 
Diante do exposto, é CORRETO afirmar que João: 
(A) poderá impetrar mandado de injunção, não podendo ser conferida eficácia ultra 
partes ou erga omnes à decisão que conceder a injunção, mesmo quando indispensável 
ao exercício do direito objeto da impetração; 
(B) não poderá impetrar mandado de injunção, pois a Constituição garante o direito à 
aposentadoria especial a todos aqueles servidores que exercem atividadeem condição 
insalubre, independentemente de norma regulamentadora pelo Estado Gama; 
(C) poderá impetrar mandado de injunção, podendo o Poder Judiciário estabelecer as 
condições em que se dará o exercício do direito, uma vez reconhecida e não suprida a 
mora legislativa, no prazo determinado, pelo Estado Gama; 
(D) poderá impetrar mandado de injunção, podendo o Poder Judiciário apenas 
reconhecer a mora legislativa e fixar prazo para edição da norma, sem estabelecer as 
condições em que se dará o exercício do direito, já que impedido de atuar como 
legislador positivo; 
(E) não poderá impetrar mandado de injunção, pois será necessário o ajuizamento de 
Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão para que o Poder Judiciário defina as 
condições em que se dará o exercício do direito, em razão da mora legislativa do Estado 
Gama. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
A Lei 13.300 de 2016 regulamenta o inciso LXXI do art. 5º da Constituição Federal. Nos 
termos do art. 2º da referida Lei, “Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a 
falta total ou parcial de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos 
e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania 
e à cidadania.” 
Diante da ausência de norma regulamentadora no Estado, cabível a impetração de 
mandado de injunção, acrescentando-se que, na forma do art. 8º, II, da mesma Lei, não 
suprida a mora, será deferida a injunção, podendo o Poder Público estabelecer as 
condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas 
reclamados. 
Art. 8º Reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para: 
I - determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma 
regulamentadora; 
 
93 
II - estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou 
das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o 
interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora 
legislativa no prazo determinado. 
_______________________________________________________________________ 
62. A Lei Orgânica do Município Beta foi alterada por duas emendas de iniciativa 
parlamentar. A Emenda número 1 definiu nova hipótese de crime de responsabilidade 
praticado pelo chefe do Poder Executivo municipal, e a Emenda número 2 garantiu a 
prerrogativa de foro aos vereadores eleitos. 
Diante do exposto e a respeito da repartição de competências legislativas, é CORRETO 
afirmar, de acordo com a jurisprudência majoritária do Supremo Tribunal Federal, que: 
(A) a Emenda à Lei Orgânica número 1 é constitucional, pois compete ao ente municipal 
legislar sobre crime de responsabilidade praticado pelo chefe do Poder Executivo 
municipal; 
(B) a Emenda à Lei Orgânica número 2 é inconstitucional, pois embora seja da 
competência do ente municipal legislar sobre a prerrogativa de foro dos vereadores, a 
iniciativa para apresentar o projeto é exclusiva do prefeito; 
(C) a Emenda à Lei Orgânica número 1 é inconstitucional, pois compete privativamente 
à União legislar sobre crime de responsabilidade praticado pelos chefes do Poder 
Executivo da União, dos Estados e dos Municípios; 
(D) a Emenda à Lei Orgânica número 2 é constitucional, pois o foro por prerrogativa de 
função de vereadores é autorizado em razão do princípio da simetria; 
(E) a Emenda à Lei Orgânica número 2 é inconstitucional, pois compete aos Estados, nas 
respectivas Constituições, instituir a prerrogativa de foro aos vereadores eleitos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
De acordo com o art. 22, I, da Constituição Federal, é de competência legislativa 
privativa da União legislar sobre Direito Penal, não sendo possível ao Município legislar 
sobre crimes de responsabilidade. 
Neste sentido: Súmula Vinculante nº 46: A definição dos crimes de responsabilidade e o 
estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento são da competência 
legislativa privativa da União. 
 
94 
Norma do Piauí que previa prerrogativa de foro a vice-prefeitos e vereadores nos casos 
de cometimento de crimes comuns e de responsabilidade é inconstitucional (ADI 6842, 
julgada em 2021). 
A jurisprudência prevalecente neste Supremo Tribunal é contrária à extensão 
discricionária do rol de autoridades detentoras do foro por prerrogativa de função, em 
afronta aos princípios constitucionais da simetria, da isonomia e do juiz natural. 
_______________________________________________________________________ 
63. Estudiosos do sistema político brasileiro travaram intenso debate a respeito da 
denominada “cláusula de barreira ou de desempenho”, prevista na Constituição da 
República de 1988, a ser aplicada aos partidos políticos, e de sua correlação com a figura 
da federação de partidos. Pedro entende que essa cláusula somente será tendida com 
a obtenção, pelo partido político, de um percentual mínimo de votos válidos nas eleições 
para a Câmara dos Deputados, distribuído em pelo menos um terço das unidades da 
federação brasileira, com um percentual mínimo dos votos válidos em cada uma, não 
sendo influenciada pelo instituto da federação partidária. Antônio, por sua vez, entende 
que o referido percentual de votos válidos deve ser distribuído por, no mínimo, três 
quintos da federação, além de ser exigida a eleição de um número mínimo de deputados 
federais, acrescendo, ainda, que a federação de partidos permitiria a soma desses 
indicadores para fins de avaliação de desempenho e, em consequência, para a 
incidência, ou não, da cláusula de barreira. O debate ainda contou com a participação 
de Ana, que concordava, em parte, com ambos: com Pedro, em relação ao percentual 
mínimo de votos válidos e à forma de distribuição, e com Antônio no que diz respeito à 
exigência de que o partido ainda elegesse um número mínimo de deputados, mas tinha 
posição singular em relação à federação de partidos, entendendo que a soma, ou não, 
dos indicadores de cada partido político que a integra levaria em consideração o 
disposto no estatuto da federação. 
À luz da sistemática afeta à matéria, é CORRETO afirmar que: 
(A) Ana está totalmente certa; 
(B) Pedro está totalmente certo; 
(C) Antônio está totalmente certo; 
(D) Pedro, Antônio e Ana estão parcialmente certos; 
(E) Pedro e Ana estão parcialmente certos, e Antônio está totalmente errado. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
95 
Tema tratado no aulão de véspera pelo professor Arnaldo Bruno Oliveira, onde foram 
revisadas informações suficientes para o acerto da questão. Tanto no aspecto 
constitucional e exigências de quóruns, quanto no aspecto infraconstitucional das 
federações em seus artigos pertinentes. A resposta como D para essa questão já havia 
sido divulgada no insta do Mege. 
 
OBSERVAÇÃO: a fala sobre Pedro não ficou 100% clara. É perceptível compreender o 
que o examinador quis, mas não podemos fechar aos olhos que há uma forma de 
interpretar em que a 2ª parte da fala pode ser tido como correta. Ao ler o enunciado, 
de imediato pudemos perceber essa imprecisão no tocante ao trecho “não sendo 
influenciada pelo instituto da federação partidária”. O examinador deveria ter sido mais 
claro que esse partido é analisado sob a ótica de integrar uma federação; pois, de forma 
isolada, o instituto da federação partidária em nada afetou a exigência dos paridos “não-
federados” (isolados) de também precisaram cumprir os requisitos mínimos de ordem 
constitucional. Disse menos do que deveria nesse trecho, o que deu margem para 
confusão em alguns candidatos. Por outro lado, quem acertou ao dizer que Pedro estava 
parcialmente certo, compreendeu que o partido ali tratado eraanalisado dentro de um 
contexto de já integrar uma federação. Quanto ao assunto, não há maior polêmica nesse 
viés. 
Depois dessa longa explicação, acredito que o enunciado foi impreciso e afetou a 
compreensão sobre a 2ª parte da fala de Pedro, o que daria margem para letra B. 
Ainda assim, não há dúvida que a mais segura a ser marcada em prova, como 
antecipamos, seria realmente a letra D. Com o discurso de todos entendido como 
parcialmente correto. 
Acredito em anulação!? Não! Mas, para quem errou essa, vale a tentativa. 
 
Sobre o conteúdo em si para revisão: 
A cláusula de barreira (ou de desempenho) aprovada na Emenda Constitucional nº 
97/2017, limita o acesso dos partidos políticos ao fundo partidário e ao programa 
gratuito de rádio e televisão, em virtude do percentual de votos mínimos recebidos nas 
eleições proporcionais à Câmara dos Deputados, ou, alternativamente, a eleição de 15 
deputados federais distribuídos em um terço dos Estados. 
Trata-se de previsão contida no art. 17, §3º, da Constituição Federal: 
Art. 17, § 3º Somente terão direito a recursos do fundo 
partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da 
lei, os partidos políticos que alternativamente: 
 
96 
I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no 
mínimo, 3% (três por cento) dos votos válidos, distribuídos em 
pelo menos um terço das unidades da Federação, com um 
mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma 
delas; ou 
II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais 
distribuídos em pelo menos um terço das unidades da 
Federação. 
Em relação à federação partidária, devemos atentar para o art. 
11-A, caput e §8º, da Lei 9096 de 1995: 
Art. 11-A. Dois ou mais partidos políticos poderão reunir-se em 
federação, a qual, após sua constituição e respectivo registro 
perante o Tribunal Superior Eleitoral, atuará como se fosse uma 
única agremiação partidária. (Incluído pela Lei nº 14.208, de 
2021) 
§ 8º Aplicam-se à federação de partidos todas as normas que 
regem as atividades dos partidos políticos no que diz respeito às 
eleições, inclusive no que se refere à escolha e registro de 
candidatos para as eleições majoritárias e proporcionais, à 
arrecadação e aplicação de recursos em campanhas eleitorais, à 
propaganda eleitoral, à contagem de votos, à obtenção de 
cadeiras, à prestação de contas e à convocação de 
suplentes. (Incluído pela Lei nº 14.208, de 2021) 
Diante dessas disposições constitucionais e legais, Pedro, Antônio e Ana estão 
parcialmente certos em suas afirmações. 
Destacamos e lemos juntos todos esses artigos no aulão de véspera (enviados também 
por slides). 
_______________________________________________________________________ 
64. Em razão de notícias de irregularidades detectadas na implementação de certas 
políticas públicas pela Administração Pública direta do Estado Alfa, uma comissão 
permanente da Assembleia Legislativa deliberou, com base na Constituição Estadual, 
pela convocação de determinados agentes públicos, que teriam conhecimento dos 
fatos, para que prestassem depoimento. Esses agentes eram os seguintes: (1) o 
governador do Estado Alfa; (2) o secretário de Estado de Assistência Social; (3) o 
procurador-geral de justiça; e (4) o presidente da autarquia Beta. 
À luz da sistemática estabelecida na Constituição da República de 1988, é CORRETO 
afirmar que a convocação é: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14208.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14208.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14208.htm#art1
 
97 
(A) constitucional em relação a todos os agentes, já que compete à Constituição Estadual 
disciplinar a matéria; 
(B) inconstitucional apenas em relação ao governador do Estado, que não pode ser 
convocado pelo Poder Legislativo; 
(C) inconstitucional apenas em relação ao governador do Estado e ao procurador-geral 
de justiça, que não estão sujeitos a convocação por comissão permanente; 
(D) inconstitucional em relação a todos os agentes, já que a convocação somente pode 
ser realizada por comissão parlamentar de inquérito; 
(E) inconstitucional apenas em relação ao governador do Estado, ao procurador-geral 
de justiça e ao presidente da autarquia Beta, que não estão sujeitos a convocação por 
comissão permanente. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Previsão contida no art. 50 da Constituição Federal: 
Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, 
poderão convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente 
subordinados à Presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações 
sobre assunto previamente determinado, importando crime de responsabilidade a 
ausência sem justificação adequada. 
Nos termos do art. 50 da Constituição Federal, as comissões parlamentares a nível 
federal podem convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos 
diretamente subordinados à Presidência da República, de modo que, na esfera estadual, 
por repetição obrigatória, também possuem a prerrogativa de convocar secretários de 
Estado. 
Entretanto, sob pena de violação à separação de poderes e diante da ausência de 
previsão constitucional, não podem convocar governadores, membros do Ministério 
Público e presidentes de autarquias. 
_______________________________________________________________________ 
65. O Supremo Tribunal Federal (STF), pela escassa maioria de um voto, declarou a 
inconstitucionalidade da Lei Estadual nº XX, em sede de controle concentrado de 
constitucionalidade, o que gerou grande insatisfação junto a diversos segmentos da 
população do Estado Alfa. Sensível a essa insatisfação, um grupo de deputados estaduais 
apresentou um projeto de lei de teor idêntico ao referido diploma normativo, o qual 
 
98 
veio a ser aprovado pela Assembleia Legislativa e sancionado, daí surgindo a Lei Estadual 
nº YY. 
Considerando os efeitos regulares da decisão proferida pelo STF ao declarar a 
inconstitucionalidade da Lei Estadual nº XX, é CORRETO afirmar que a Lei Estadual nº YY 
é: 
(A) constitucional, pois o efeito vinculante da decisão proferida não obsta que o 
legislador edite outro diploma normativo de idêntico teor, salvo se resolução do Senado 
Federal atribuísse efeitos erga omnes a essa decisão, o que não ocorreu; 
(B) constitucional, pois o efeito vinculante da decisão proferida não obsta que o 
legislador edite outro diploma normativo de idêntico teor, salvo se fosse aprovada 
súmula vinculante, o que não ocorreu; 
(C) inconstitucional, pois a referida declaração de inconstitucionalidade produz efeitos 
vinculantes e erga omnes, o que afasta a possibilidade de ser editada nova lei de idêntico 
teor; 
(D) inconstitucional, pois o Tribunal não excepcionou a Assembleia Legislativa, de 
maneira expressa, do alcance de sua decisão, embora estivesse autorizado a fazê-lo; 
(E) constitucional, pois o efeito vinculante da decisão proferida não obsta que o 
legislador edite outro diploma normativo de idêntico teor. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF no julgamento de ADI, ADC ou 
ADPF possuem eficácia contra todos (erga omnes) e efeito vinculante (§ 2º do art. 102 
da CF/88). 
O Poder Legislativo, em sua função típica de legislar, não fica vinculado. Assim, o STF 
não proíbe que o Poder Legislativo edite leis ou emendas constitucionais em sentido 
contrário ao que a Corte já decidiu. Não existe uma vedação prévia a tais atos 
normativos. 
O legislador pode, por emenda constitucional ou lei ordinária, superar a jurisprudência. 
Trata-se de uma reação legislativa à decisão da Corte Constitucionalcom o objetivo de 
reversão jurisprudencial. 
O Poder Legislativo promoverá verdadeira hipótese de mutação constitucional pela via 
legislativa. STF. Plenário. ADI 5105/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/10/2015 (Info 
801). 
 
99 
_______________________________________________________________________ 
66. A Lei Orgânica do Município Alfa estabelece que, no caso de omissão do Poder 
Legislativo municipal em julgar as contas do prefeito no prazo previsto, deverá 
prevalecer o parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas. 
Diante do exposto, é CORRETO afirmar, de acordo com a jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal, que a Lei Orgânica do Município Alfa é: 
(A) inconstitucional, pois o exercício da competência de julgamento pelo Tribunal de 
Contas não fica subordinado ao crivo posterior do Poder Legislativo; 
(B) constitucional, pois o Tribunal de Contas exerce auxílio ao Poder Legislativo, 
produzindo um parecer técnico de caráter consultivo, que não pode deixar de prevalecer 
por decisão do Poder Legislativo; 
(C) inconstitucional, pois é incabível o julgamento ficto das contas do prefeito por 
decurso do prazo, uma vez que compete, exclusivamente, à Câmara de Vereadores, o 
julgamento das referidas contas; 
(D) constitucional, pois o Tribunal de Contas é órgão independente e autônomo, sendo 
que a fiscalização por ele exercida serve como condição de eficácia do ato, contrato ou 
negócio jurídico realizado; 
(E) inconstitucional, pois a função judicante não foi garantida constitucionalmente ao 
Tribunal de Contas, mesmo em relação às contas dos demais administradores e 
responsáveis. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
A resposta pode ser extraída das seguintes teses firmadas pela Suprema Corte: 
“Para os fins do artigo 1º, inciso I, alínea g, da Lei Complementar 64/1990, a apreciação 
das contas de Prefeito, tanto as de governo quanto as de gestão, será exercida pelas 
Câmaras Municipais, com auxílio dos Tribunais de Contas competentes, cujo parecer 
prévio somente deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos vereadores”. STF. 
Plenário. ADI 2404/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 31/8/2016 (Info 837). 
“Parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas tem natureza meramente opinativa, 
competindo exclusivamente à Câmara de Vereadores o julgamento das contas anuais 
do chefe do Poder Executivo local, sendo incabível o julgamento ficto das contas por 
decurso de prazo”. STF. Plenário. RE 729744/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 
10/8/2016 (repercussão geral) (Info 834). 
 
100 
_______________________________________________________________________ 
67. Após ampla mobilização popular, com a realização de inúmeras audiências públicas 
no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado Alfa, ocasião em que foram ouvidos 
diversos especialistas em urbanismo, meio ambiente e segurança viária, foi editada a Lei 
Estadual nº XX. Esse diploma normativo estabeleceu o prazo de dois anos para que todas 
as sociedades empresárias em atuação no Estado, que explorassem o serviço de energia 
elétrica, promovessem a substituição dos postes de sustentação de energia elétrica por 
instalações subterrâneas, ressalvada a demonstração de total impossibilidade fática. 
Considerando a divisão constitucional de competências, a Lei Estadual nº XX é 
formalmente: 
(A) inconstitucional, pois compete privativamente aos Municípios legislar sobre 
assuntos de interesse local; 
(B) constitucional, pois os Estados possuem competência concorrente com a União para 
legislar sobre meio ambiente; 
(C) inconstitucional, pois somente a União, no âmbito das normas gerais, e os 
Municípios, na esfera local, podem legislar sobre urbanismo; 
(D) constitucional, pois a competência concorrente do Estado para legislar sobre 
segurança viária permite que suas leis tangenciem a competência de outro ente 
federativo; 
(E) inconstitucional, pois a competência legislativa é influenciada pela natureza da 
atividade desempenhada pelas referidas pessoas jurídicas, carecendo o Estado de 
competência. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Conforme se extrai do art. 22, IV, da Constituição Federal, compete privativamente à 
União legislar sobre energia elétrica. 
Embora se trate de matéria polêmica, o STF possui entendimento majoritário no sentido 
de que a União, por ser titular da prestação do serviço público de energia elétrica (art. 
21, XII, “b” e art. 22, IV, da CF/88), detém a prerrogativa constitucional de estabelecer o 
regime e as condições da prestação desse serviço por concessionárias, o qual não pode 
sofrer ingerência normativa dos demais entes políticos. STF. Plenário. ADI 3763/RS, Rel. 
Min. Cármen Lúcia, julgado em 7/4/2021 (Info 1012) 
_______________________________________________________________________ 
 
101 
68. João, servidor público do Município Alfa, ocupante de cargo de provimento efetivo, 
teve a sua aposentadoria voluntária deferida pelo órgão municipal competente. Apesar 
de o processo administrativo ter sido encaminhado ao Tribunal de Contas, esse órgão 
não emitiu qualquer pronunciamento nos cinco anos subsequentes ao ato de 
aposentadoria, embora estivesse com os autos há apenas quatro anos. 
Considerando os termos dessa narrativa: 
(A) o ato de aposentadoria, em razão do decurso de cinco anos desde a sua edição, deve 
ser considerado definitivamente registrado; 
(B) o Tribunal de Contas pode registrar, ou não, o ato, pois o prazo de cinco anos de que 
dispõe deve ser considerado a contar da chegada do respectivo processo; 
(C) o Tribunal de Contas, independentemente do lapso temporal transcorrido desde a 
edição do ato de aposentadoria de João, deve observar o contraditório e a ampla defesa 
para alterá-lo; 
(D) o ato de aposentadoria de João tem a natureza de ato complexo, somente 
produzindo efeitos no momento em que houver a conjugação de vontades do órgão de 
origem e do Tribunal de Contas; 
(E) o Tribunal de Contas deve se pronunciar sobre a legalidade, ou não, do ato de 
concessão inicial do benefício, independentemente do tempo decorrido desde a sua 
edição, não se exigindo a observância do contraditório e da ampla defesa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O Plenário do STF definiu a seguinte tese de repercussão geral (Tema 445): “Os Tribunais 
de Contas estão sujeitos ao prazo de cinco anos para o julgamento da legalidade do ato 
de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do 
processo à respectiva Corte de Contas, em atenção aos princípios da segurança jurídica 
e da confiança legítima”. STF. Plenário. RE 636553/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado 
em 19/2/2020 (repercussão geral – Tema 445) (Info 967). 
Assim, o prazo de cinco anos de que dispõe deve ser considerado a contar da chegada 
do respectivo processo ao Tribunal de Contas. 
_______________________________________________________________________ 
 
102 
 
DIREITO ELEITORAL 
 
69. A Justiça Eleitoral atua para garantir o exercício da democracia, cuidando de 
estabelecer diretrizes ético-jurídicas para que o processo eleitoral se desenvolva num 
clima de tolerância democrática. 
Com relação às funções desempenhadas pela Justiça Eleitoral, é CORRETO afirmar que: 
(A) a Justiça Eleitoral não desempenha função consultiva; 
(B) a função administrativa da Justiça Eleitoral tem por objetivo solucionar o conflito de 
interesses em matéria eleitoral; 
(C) a consulta prevista no Art. 23, inciso XII, do Código Eleitoral não se restringe à matéria 
eleitoral; 
(D) a vedação de agir de ofício se aplica aos juízes eleitorais tanto no desempenho da 
função jurisdicional quanto no da função administrativa; 
(E) no exercício da função normativa, oTribunal Superior Eleitoral tem competência para 
emitir Resoluções e outros atos normativos de caráter genérico em matéria eleitoral. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
No aulão de véspera comentamos sobre as letras C e D. 
 
(A) INCORRETA. 
A Justiça Eleitoral desempenha função consultiva. De acordo com o art. 23, XII do Código 
Eleitoral: 
Art. 23. Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior: 
XII – responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas em tese por 
autoridade com jurisdição federal ou órgão nacional de partido político; 
Ainda, no âmbito dos Tribunais Regionais, preceitua o art. 30, VIII do mesmo Código: 
Art. 30. Compete, ainda, privativamente, aos tribunais regionais: 
VIII – responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas, em tese, por 
autoridade pública ou partido político; 
 
103 
(B) INCORRETA. 
A solução de conflito de interesses faz parte da função jurisdicional. 
- Função administrativa: o juiz eleitoral administra todo o processo eleitoral, 
independentemente de que um conflito de interesses lhe seja submetido para solução, 
mesmo porque está investido do poder de polícia, que é a “atividade da administração 
pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática 
de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente [...]”, por 
exemplo, à segurança, à ordem, aos costumes, à tranquilidade pública (art. 78 do Código 
Tributário). 
Alguns exemplos do exercício da função administrativa são: alistamento eleitoral, 
transferência de domicílio eleitoral e medidas para impedir a prática de propaganda 
eleitoral irregular. 
- Função jurisdicional: o juiz atuará na solução de conflitos sempre que provocado 
judicialmente para aplicar o Direito. Isso acontecerá em situações tais como 
ajuizamento de ação de investigação judicial eleitoral (AIJE),ação de impugnação de 
mandato eletivo(AIME), ação de impugnação de registro de candidatura(AIRC) e nas 
representações por propaganda eleitoral irregular. 
Além dessas, a Justiça eleitoral possui ainda função normativa e consultiva. 
(C) INCORRETA. 
Art. 23. Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior: 
XII – responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas em tese por 
autoridade com jurisdição federal ou órgão nacional de partido político; 
(D) INCORRETA. 
No tocante à função administrativa, os juízes eleitorais podem agir de ofício, a exemplo 
do exercício de poder de polícia. Nesse sentido: 
“[...] 4. Compete ao Juiz Eleitoral, no regular exercício do poder de polícia, decretar 
medidas que visem coibir a prática de propaganda ilícita, conforme previsto nos arts. 
35, XVII, e 242, parágrafo único, do Código Eleitoral. Precedentes [...]” (Ac. de 7.11.2018 
no RO nº 3558, rel.Min.Jorge Mussi.) 
Ressalte-se que a vedação ao agir de ofício do magistrado, neste caso, restringe-se à 
aplicação de multa. Nos termos da Súmula 18 do TSE, é vedado ao juiz eleitoral, no 
exercício do poder de polícia, de ofício, instaurar procedimento com a finalidade de 
impor multa pela veiculação de propaganda eleitoral em desacordo com a Lei 9.504/97. 
(E) CORRETA. 
http://inter03.tse.jus.br/sjur-consulta/pages/inteiro-teor-download/decisao.faces?idDecisao=304194&noChache=2082966438
http://inter03.tse.jus.br/sjur-consulta/pages/inteiro-teor-download/decisao.faces?idDecisao=304194&noChache=2082966438
 
104 
A função normativa, descrita no art. 1º, parágrafo único e art. 23, IX, ambos do Código 
Eleitoral, permite à Justiça Eleitoral expedir instruções para a execução das leis 
eleitorais, entre elas o Código Eleitoral. O conteúdo inserido nessas normas tem o 
propósito de regulamentar as matérias de competência do órgão colegiado que as 
instituiu, criando situações gerais e abstratas. 
Código Eleitoral: 
Art. 1º, parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral expedirá instruções para sua fiel 
execução. 
Art. 23. Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior: 
IX – expedir as instruções que julgar convenientes à execução deste código; 
Observação: Ac.-TSE, de 20.4.2017, no AgR-AI nº 143882 e, de 9.9.2014, no REspe nº 
64770: a competência para regulamentar legislação eleitoral é exclusiva do Tribunal 
Superior Eleitoral. 
_______________________________________________________________________ 
70. A Justiça Eleitoral caracteriza-se por princípios que a diferenciam da justiça comum. 
Em relação à Justiça Eleitoral, é CORRETO afirmar que: 
(A) os princípios da celeridade e da segurança jurídica são incompatíveis com o instituto 
da preclusão; 
(B) é inaplicável o princípio da responsabilidade solidária na apuração dos excessos na 
propaganda eleitoral; 
(C) as regras de desincompatibilização e a proibição da captação ilícita do sufrágio são 
manifestações do princípio da lisura eleitoral; 
(D) pelo princípio da autonomia partidária, não existe vedação a que o partido político 
receba recursos financeiros de governos estrangeiros; 
(E) o sistema jurídico eleitoral visa preservar valores que se referem à legitimidade das 
eleições e à liberdade do eleitor, por isso, as nulidades no ato da votação, 
independentemente de impugnação, devem ser conhecidas. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
 
105 
TSE: “[...] 3. A Corte Regional Eleitoral deferiu os registros de candidatura de prefeito e 
vice-prefeito, sob os fundamentos de que teria havido preclusão da matéria atinente à 
suposta irregularidade do DRAP da coligação e de que não foram comprovadas as 
inelegibilidades do art. 1º, II, i e l, da LC 64/90. 4. O entendimento adotado pela Corte 
de origem encontra respaldo na orientação firmada pelo TSE, no sentido de que ‘a 
matéria atinente à validade de convenção partidária deve ser discutida nos autos do 
Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP), e não no registro de 
candidatura individual’ [...]. 5. O instituto da preclusão tem por objetivo preservar a 
ordem pública e a segurança jurídica, ainda com mais relevo nesta Justiça 
especializada, diante da necessária celeridade que o processo eleitoral reclama. [...]” 
(Ac. de 27.11.2018 no AgR-REspe nº 19840, rel. Min. Admar Gonzaga.) 
(B) INCORRETA. 
TSE: “[...] Propaganda irregular. Derramamento de santinhos. Véspera do pleito. 
Configuração. Multa. Responsabilidade solidária. Candidato. Coligação. Arts. 241 do 
código eleitoral e 6º, § 1º, da lei 9.504/97. [...] 1. No decisum monocrático, de relatoria 
do e. Ministro Jorge Mussi, manteve–se acórdão unânime do TRE/GO no sentido de se 
aplicar multa, de forma solidária, a candidato e à coligação agravante em virtude do 
derramamento de grande quantidade de santinhos em vias públicas próximas a locais 
de votação na véspera do pleito de 2018 (art. 14, § 7º, da Res.–TSE 23.551/2017). 2. A 
Corte a quo, ao examinar a responsabilidade pela prática do ilícito, asseverou que as 
circunstâncias fáticas não deixam dúvida de que ‘os representados tiveram 
conhecimento do fato e se beneficiaram da conduta irregular’. Concluir de modo diverso 
esbarraria no óbice da Súmula 24/TSE. 3. Nos termos da jurisprudência desta Corte, a 
regra do art. 241 do Código Eleitoral, que prevê de modo expresso 
a responsabilidade solidária das agremiações pelos excessos cometidos por seus 
candidatos concernentes à propaganda eleitoral, se aplica às coligações, pois lhes são 
atribuídas as prerrogativas e obrigações de partido político, no curso do processo 
eleitoral, conforme disposto no § 1º do art. 6º da Lei 9.504/97. [...]” 
(Ac. de 19.5.2020 no AgR-REspe nº 060340340, rel. Min. Luis Felipe Salomão.) 
(C) CORRETA. 
TSE: “[...] 3. O instituto da desincompatibilização de cargos públicos disciplinado na LC 
nº 64/90 encontra supedâneo na preservação da isonomiaentre os candidatos na 
disputa das eleições com vistas a ‘evitar o quanto possível que candidatos ocupantes de 
cargos públicos coloquem–nos a serviço de suas candidaturas, comprometendo não só 
os desígnios da Administração Pública, no que concerne aos serviços que devem ser 
prestados com eficiência à população, como também o equilíbrio e a legitimidade das 
eleições’ [...]. 4. A ratio essendi da incompatibilidade em apreço "reside na tentativa de 
coibir – ou, ao menos, amainar – que os pretensos candidatos valham–se da máquina 
administrativa em benefício próprio, circunstância que, simultaneamente, macularia os 
https://sjur-servicos.tse.jus.br/sjur-servicos/rest/download/pdf/303463
http://inter03.tse.jus.br/sjur-consulta/pages/inteiro-teor-download/decisao.faces?idDecisao=1143941&noChache=-1187493648
 
106 
princípios fundamentais reitores da Administração Pública, vulneraria a igualdade de 
chances entre os players da competição eleitoral e amesquinharia a higidez e a lisura das 
eleições’ [...].” 
(Ac. de 11.2.2021 no REspEl nº 060010505, rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.) 
TSE: “[...] Ação de impugnação de mandato eletivo (AIME). Ação de investigação judicial 
eleitoral (AIJE). [...] Prefeito e vice. Captação ilícita de sufrágio. Entrega imediata de 
dinheiro e promessa de pagamento ulterior de dinheiro. [...] 19. A corrupção eleitoral, 
que veicula causa petendi de ação de impugnação de mandato eletivo, resta 
configurada sempre que as circunstâncias concretas do reconhecimento da prática 
de captação ilícita de sufrágio, ex vi do art. 14-A da Lei das Eleições, evidenciarem 
gravidade suficiente para amesquinhar a principiologia reitora do processo eleitoral 
(legitimidade e normalidade das eleições e lisura do prélio), independentemente da 
diferença de votos entre o primeiro e o segundo colocado. 20. O fato de as condutas 
supostamente abusivas ostentarem potencial para influir no resultado do pleito é 
relevante, mas não essencial. Há um elemento substantivo de análise que não pode ser 
negligenciado: o grau de comprometimento aos bens jurídicos tutelados pela norma 
eleitoral causado por essas ilicitudes, circunstância revelada, in concrecto, pela 
magnitude e pela gravidade dos atos praticados. [...]” 
(Ac. de 22.11.2016 no REspe nº 154666, rel. Min. Luiz Fux.) 
(D) INCORRETA. 
CF 
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, 
resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os 
direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes 
preceitos: Regulamento 
(...) 
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo 
estrangeiros ou de subordinação a estes; 
Lei 9.096/95 
Art. 31. É vedado ao partido receber, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou 
pretexto, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive através 
de publicidade de qualquer espécie, procedente de: 
I – entidade ou governo estrangeiros. 
(E) INCORRETA. 
Tais nulidades devem ser arguidas no momento da votação, sob pena de preclusão. 
https://sjur-servicos.tse.jus.br/sjur-servicos/rest/download/pdf/1409648
https://sjur-servicos.tse.jus.br/sjur-servicos/rest/download/pdf/256322
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9096.htm
 
107 
TSE: “[...] Cédula eleitoral. Nome de candidato em desacordo com o indicado por ocasião 
do registro. Ausência de impugnação perante a mesa receptora de votos. Ocorrência de 
preclusão. [...]” 
(Ac. nº 14.960, de 25.3.97, rel. Min. Eduardo Alckmin.) 
TSE: “[...] Eleitora que votou com o título eleitoral da mãe. Votação anulável (art. 221, 
III, c, CE). Preclusão. Falta de prequestionamento. A impugnação relativa à identidade 
do eleitor deve ser feita no momento da votação, sob pena de preclusão. Tema de 
natureza infraconstitucional. Precedente. [...]” 
(Ac. de 6.3.2007 no AgRgREspe nº 25.556, rel. Min. Gerardo Grossi.) 
TSE: “Votação. Nulidade. Fiscalização. Cerceamento durante a apuração. Preclusão. 
Indefere-se pedido de anulação de votação, em razão de cerceamento da fiscalização 
partidária, durante a apuração, a falta de impugnação oportuna. [...]” 
(Ac. nº 10.916, de 28.9.89, rel. Min. Miguel Ferrante.) 
_______________________________________________________________________ 
BLOCO III 
DIREITO EMPRESARIAL 
71. Cooperativa Agropecuária de Escada emitiu Certificado de Direitos Creditórios do 
Agronegócio (CDCA) em favor de Industrial Pesqueira S/A no valor nominal de R$ 
990.000,00 e data de vencimento no dia 26 de março de 2022. Antes do vencimento, o 
CDCA foi negociado mediante endosso em favor do Banco Limoeiro S/A. 
Verificado o não pagamento do CDCA, o endossatário requereu a falência da companhia 
endossante sem submeter o título a qualquer protesto, tendo em vista a liquidez, a 
certeza e a exigibilidade do título de crédito. 
O juiz da 2ª Vara Cível da Comarca de Serra Talhada, lugar do principal estabelecimento, 
ao apreciar a petição inicial, decidiu, com base nas disposições da Lei nº 11.101/2005: 
(A) determinar que o credor a emendasse diante da ausência do instrumento de 
protesto falimentar para comprovar a impontualidade do devedor; 
(B) indeferir liminarmente a petição inicial por nulidade do endosso do CDCA, visto que 
o primeiro endossante deve ser sociedade cooperativa agropecuária, tal qual o 
emitente; 
(C) determinar a citação do devedor para apresentar contestação, em razão da 
facultatividade do protesto cambial do CDCA para o requerimento de falência do 
endossante; 
http://www.tse.jus.br/sadJudInteiroTeor/pesquisa/actionGetBinary.do?tribunal=TSE&processoNumero=14960&processoClasse=RESPE&decisaoData=19970325&decisaoNumero=14960
http://www.tse.jus.br/sadJudInteiroTeor/pesquisa/actionGetBinary.do?tribunal=TSE&processoNumero=25556&processoClasse=RESPE&decisaoData=20070306&decisaoNumero=
http://www.tse.jus.br/sadJudInteiroTeor/pesquisa/actionGetBinary.do?tribunal=TSE&processoNumero=8386&processoClasse=RESPE&decisaoData=19890928&decisaoNumero=10916
 
108 
(D) julgar extinto o processo com resolução de mérito pela ilegitimidade passiva do 
requerente em razão da ausência de responsabilidade cambiária do endossante; 
(E) julgar antecipadamente a lide, indeferindo o pedido quanto ao mérito em razão da 
nulidade do CDCA, pois é vedada sua emissão por sociedades cooperativas 
agropecuárias. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Não há qualquer vedação à circulação do título mediante endosso (art. 25, inciso X, da 
Lei 11.076/2004), porém o art. 94, §3º, da Lei de Falências (Lei 11.101/2005) exige que 
o protesto do título seja feito para comprovar a impontualidade injustificada de título 
superior a 40 (quarenta) salários-mínimos. 
_______________________________________________________________________ 
72. Sacada duplicata escritural, mediante lançamento no sistema eletrônico de 
escrituração, em favor da sociedade empresária Móveis Condado Ltda., embora o título 
tenha sido aceito pelo sacado João, não foi realizado o pagamento, ensejando sua 
cobrança judicial. 
A despeito da facultatividade do protesto por falta de pagamento, ele foi lavrado e 
registrado previamente ao ajuizamento da ação de execução no lugar do pagamento, 
Município de Moreno. 
Em conformidade com a lei de duplicatas escritural, o processo de execução por quantia 
certa da duplicata escritural, título executivo extrajudicial, deve ser instruído com: 
(A) a certidão da triplicata da duplicata escritural extraída pelo gestor do sistema 
eletrônico de escrituração da duplicata; 
(B) o extrato do livro de registro de duplicatas em poder do sacador, que serviu de lastro 
à emissão da duplicata escritural; 
(C) o boleto bancário emitido pelo gestor do sistema de escrituração de duplicatas, que 
representa para efeito de cobrança judicial a duplicata registradano sistema; 
(D) o extrato do registro eletrônico da duplicata emitido pelo gestor do sistema 
eletrônico de escrituração; 
(E) a certidão do protesto por falta de pagamento emitida pelo tabelião de protesto de 
títulos, que representa a duplicata escritural para efeito de cobrança judicial. 
_______________________________________________________________________ 
 
109 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Questão fundamentada no art. 7º da Lei 13.775/2018. 
Conforme este artigo, a duplicata escritural e o extrato emitido pelos sistemas são 
títulos executivos extrajudiciais. Logo, a alternativa D é a correta e todas as outras estão 
incorretas. 
_______________________________________________________________________ 
73. A sociedade Belém e Maria Comércio de Pneus Ltda. teve sua falência requerida pela 
sociedade Goitá Transportes e Logística Ltda. em razão da impontualidade no 
pagamento de duplicatas de prestação de serviços cujo valor total é de R$ 83.500,00, 
protestadas para fins falimentares. 
Após a citação da devedora, e no prazo da contestação, foi apresentado ao juízo da 
Comarca de Catende pedido de recuperação judicial, sem elisão do pedido de falência. 
Acerca do efeito da apresentação do pedido sobre o curso do procedimento pré-
falimentar, é CORRETO afirmar que a falência: 
(A) não poderá ser decretada em razão da apresentação de pedido de recuperação 
judicial no prazo da contestação; 
(B) poderá ser decretada em razão da não efetivação de depósito elisivo no prazo da 
contestação; 
(C) não poderá ser decretada diante da insuficiência do valor das duplicatas protestadas 
para ensejar o requerimento; 
(D) poderá ser decretada em razão do impedimento ao pedido de recuperação judicial 
após o requerimento da falência; 
(E) não poderá ser decretada em razão da ausência do protesto das duplicatas para fins 
cambiais. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Questão fundamentada no art. 95 da Lei de Falências (Lei 11.101/2005). 
“Art. 95. Dentro do prazo de contestação, o devedor poderá pleitear sua recuperação 
judicial.” 
 
110 
_______________________________________________________________________ 
74. Afrânio constituiu, sozinho, uma sociedade do tipo limitada, com integralização 
imediata do capital social, esse no valor de R$ 3.000,00. A sociedade foi denominada Bar 
Jataúba Ltda. 
Em razão da crise econômica gerada pela recessão decorrente dos efeitos da pandemia 
do Covid-19, Afrânio resolveu encerrar as atividades sociais sem tomar qualquer 
providência no sentido de promover a liquidação da sociedade. 
A sociedade Materiais de Construção Lagoa do Carro Ltda., credora da sociedade Bar 
Jataúba Ltda. no valor de R$ 12.000,00, tomou conhecimento do encerramento das 
atividades e ingressou com medida judicial para responsabilizar Afrânio pelo débito, já 
vencido, e encerramento irregular. 
Com base nos dados apresentados, a sociedade credora poderá: 
(A) requerer a falência da sociedade limitada com fundamento na impontualidade no 
pagamento de seu crédito; 
(B) ajuizar ação pauliana para obter a decretação de nulidade da decisão do sócio 
Afrânio de encerrar as atividades da sociedade; 
(C) requerer a desconsideração inversa da personalidade jurídica com fundamento na 
inexistência de deliberação social; 
(D) requerer a liquidação judicial da sociedade limitada e nomear o liquidante, em razão 
da substituição processual que lhe é conferida em caso de inércia do sócio; 
(E) requerer em juízo a imputação de responsabilidade ilimitada ao sócio Afrânio pela 
decisão de encerrar as atividades da sociedade sem promover sua liquidação. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Por se tratar de crédito inferior à 40 salários-mínimos, não há possibilidade de requerer 
a falência com base na impontualidade (LFRE, art. 94, inciso I). Também, o STJ tem 
entendimento que não cabe desconsideração da personalidade jurídica por 
encerramento irregular da sociedade (AgInt no AREsp 1.958.685/SP). 
Importante ressaltar que não é cabível ação pauliana neste caso da questão. 
Assim, com fundamento no art. 1.080 do CC, a questão exige que o candidato saiba que 
a liquidação irregular acarreta a responsabilidade ilimitada do seu sócio, de forma 
subsidiária. 
 
111 
“Art. 1.080. As deliberações infringentes do contrato ou da lei tornam ilimitada a 
responsabilidade dos que expressamente as aprovaram.” 
_______________________________________________________________________ 
75. Seis empresários individuais, três deles enquadrados como microempresa e os 
demais enquadrados como empresa de pequeno porte, todos optantes pelo Simples 
Nacional, decidiram constituir sociedade de propósito específico (SPE) para que, através 
dela, os empresários possam realizar venda de produtos para os mercados nacional e 
internacional. 
A SPE foi constituída como cooperativa de consumo, tendo sido inserido em seu 
estatuto, na cláusula referente ao objeto social, que ela também realizará operações de 
venda de bens adquiridos dos sócios para pessoas jurídicas que não sejam suas sócias. 
Levado o estatuto a arquivamento na Junta Comercial, foi indeferido o pedido sob 
justificativa de desobediência às prescrições legais. 
A Junta Comercial apresentou os argumentos a seguir. 
1º) proibição de a SPE realizar venda de produtos para o mercado internacional; 
2º) o objeto social deve estar limitado às operações de compras para revenda às 
microempresas ou empresas de pequeno porte que sejam suas sócias; 
 3º) é vedada a constituição da SPE sob a forma de cooperativa, ainda que seja de 
consumo. 
Proposta medida judicial contra o ato da Junta Comercial para assegurar o arquivamento 
compulsório do estatuto, o Juízo da Comarca de Tamandaré pronunciou-se pelo: 
(A) indeferimento, considerando procedentes todos os argumentos levantados pela 
Junta Comercial; 
(B) deferimento, considerando procedentes todos os argumentos levantados pela Junta 
Comercial; 
(C) indeferimento, considerando procedente apenas o 3º argumento levantado pela 
Junta Comercial, eis que a SPE só pode ser constituída como sociedade do tipo limitada; 
(D) deferimento, considerando a incompetência da Junta Comercial para se opor ao 
arquivamento do estatuto sob argumento de vícios intrínsecos ao negócio jurídico; 
(E) indeferimento, considerando procedentes o 1º e o 2º argumentos, eis que a SPE não 
pode atuar em negócios para o mercado internacional e seu objeto cinge-se às 
operações com os seus sócios. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
 
112 
COMENTÁRIOS 
 
Dos 3 argumentos da Junta Comercial, apenas o 3º procede. No 1º, a Junta Comercial 
erra, pois, é permitido o uso da Sociedade de Propósito Específico (SPE) para realizar 
negócios de compra e venda de bens e serviços para os mercados nacional e 
internacional (LC 123, art. 56). O 2º argumento, também incorreto, contraria o art. 56, 
inciso II, alínea “b” da LC 123/2006. 
O 3º argumento, contudo, está correto, pois o art. 56, §5º, inciso II, da LC 123/2006 
impõe que a SPE seja constituída sob a forma de sociedade limitada (LTDA). 
_______________________________________________________________________ 
76. Companhia Araripina, cujas ações são ordinárias e não há atribuição de voto plural 
a nenhuma delas, é a única acionista de Lapidação Capoeiras S/A. 
A assembleia geral extraordinária da Companhia Araripina, convocada para deliberar a 
alienação de parte das ações da controlada Lapidação Capoeiras S/A, aprovou a 
operação. A mesma assembleia aprovou a atribuição das ações a uma outra sociedade 
que seria, futuramente, incorporada pela Companhia Araripina e fixou o valor da 
operação. 
Três acionistas minoritários, titulares de 8% do capital da Companhia Araripina, 
ajuizaramação para anular a deliberação assemblear, com pedido de antecipação de 
tutela para sustar a alienação, sob os seguintes fundamentos: 
a) negativa por parte da companhia de lhes assegurar direito de preferência na aquisição 
de ações do capital de Lapidação Capoeiras S/A; 
b) necessidade de convocação de uma assembleia geral extraordinária com o fito 
específico de oferecer as ações de Lapidação Capoeiras S/A aos acionistas da Companhia 
Araripina. 
Em sede de contestação, a companhia ré confirmou a negativa de oferta das ações da 
controlada aos acionistas e da ausência de convocação da assembleia específica, sob os 
seguintes argumentos: 
(i) não cabe direito de preferência aos acionistas da controladora em caso de 
alienação de ações da controlada; 
(ii) a realização de assembleia para oferta das ações somente teria lugar caso a 
companhia emitisse ações preferenciais sem direito a voto. 
Provados os fatos alegados, com base na legislação societária, como juiz, você decidiria 
no sentido de: 
 
113 
(A) conhecer, de ofício, a ilegitimidade ativa dos autores em razão de a deliberação 
assemblear não ter por objeto as ações da Companhia Araripina, e sim as ações de outra 
companhia da qual os autores não são acionistas, extinguindo o processo sem resolução 
de mérito; 
(B) julgar improcedente o pedido, com resolução de mérito, reconhecendo a ausência 
do direito de preferência dos acionistas da ré e a inaplicabilidade da oferta em 
assembleia específica aos acionistas titulares de ações ordinárias; 
(C) julgar procedente o pedido, com resolução de mérito, reconhecendo o direito de 
preferência dos acionistas da ré à aquisição das ações da controlada e a necessidade de 
oferta a eles em assembleia especialmente convocada para esse fim; 
(D) julgar procedente em parte o pedido, com resolução de mérito, apenas quanto à 
necessidade de convocação de assembleia específica para a oferta simultânea a 
acionistas e não acionistas, afastando a existência do direito de preferência; 
(E) julgar procedente em parte o pedido, com resolução de mérito, apenas no tocante à 
existência do direito de preferência dos acionistas da ré, afastando a necessidade de 
convocação de assembleia específica para a oferta. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Como a sociedade Lapidação Capoeiras S.A. é subsidiária integral da Companhia 
Araripina (art. 251 da Lei 6.404/1976), os acionistas possuem direito de preferência da 
companhia que decidir alienar ações da subsidiária integral em assembleia geral 
convocada para esse fim (art. 253, inciso I da Lei 6.404/1976). 
_______________________________________________________________________ 
77. Após a publicação do aviso aos credores quanto ao recebimento do plano de 
recuperação judicial de Olinda Cereais Veganos Ltda., em recuperação judicial, o credor 
quirografário Tamandaré Adubos Ltda. ofereceu no prazo legal objeção ao plano. Em 
consequência, o juiz da vara única da Comarca de Afrânio determinou a convocação de 
assembleia geral de credores, marcada para o dia 30 de junho de 2022. Na véspera da 
realização da assembleia, o advogado da recuperanda protocolou no juízo termo de 
adesão ao plano assinado por credores das classes I e III do Art. 41 da Lei nº 11.101/2005. 
Em relação aos credores da classe I, o termo de adesão está assinado por 129, dentre os 
200 credores, cujos créditos perfazem 40% do passivo da classe; em relação aos 
credores da classe III, o plano está assinado por 75% dos credores que representam 88% 
 
114 
do passivo da classe, tudo com base na segunda relação de credores publicada. Não há 
credores das classes II e IV do referido Art. 41. 
Considerados esses dados, é CORRETO afirmar que o juiz: 
(A) poderá homologar o plano, tendo em vista a tempestividade da apresentação do 
termo de adesão e do cumprimento do quórum legal para aprovação do plano, ainda 
que sem a realização da assembleia e apreciação da objeção do credor quirografário; 
(B) não poderá homologar o plano, tendo em vista a intempestividade da apresentação 
do termo de adesão, ainda que o quórum legal para aprovação do plano tenha sido 
observado; 
(C) poderá homologar o plano, tendo em vista a dispensa da realização da assembleia 
quando o devedor apresentar, até o momento de sua instalação, termo de adesão 
subscrito pelo número de credores suficiente para a aprovação do plano; 
(D) não poderá homologar o plano, pois não foi atingido o quórum legal para sua 
aprovação, ainda que tenha sido tempestiva a apresentação do termo de adesão pela 
recuperanda; 
(E) não poderá homologar o plano, pois houve apresentação de objeção tempestiva, 
devendo ser convocada assembleia de credores, salvo se apresentado, até quinze dias 
antes, termo de adesão assinado por credores representando mais da metade do valor 
dos créditos em cada classe. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Conforme relatado pela questão, o termo de adesão foi protocolado pelo advogado da 
empresa recuperanda na véspera da assembleia geral de credores. A Lei Falencial impõe 
um prazo de 5 dias úteis ANTES da data da realização da assembleia geral de credores 
para apresentação do termo de adesão, comprovando a aprovação dos credores ao 
plano, tudo conforme o art. 56-A da Lei 11.101/2005. 
Ainda, apenas para ressaltar que o quórum do art. 45 foi totalmente cumprido no termo 
de adesão. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO 
 
78. Lei do Estado Alfa de julho de 2021 estabeleceu que o Imposto sobre a Circulação de 
Mercadorias e Serviços (ICMS) incide sobre operação de circulação de petróleo ou gás 
 
115 
natural desde os poços de sua extração para a empresa concessionária, determinando 
que o fato gerador ocorre imediatamente após a extração do petróleo ou gás natural, 
quando estes, provenientes da jazida, passarem pelos Pontos de Medição da Produção 
instalados pela empresa concessionária. A lei também estatuiu que a base de cálculo 
desse ICMS seria o preço de referência do petróleo ou do gás natural conforme média 
de preços de venda praticados pelo concessionário em condições normais de mercado, 
ou preço mínimo estabelecido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). 
À luz da legislação nacional de regência do ICMS e do entendimento dominante dos 
Tribunais Superiores, acerca da operação acima descrita, é CORRETO afirmar que: 
(A) para fins de delimitação da base de cálculo de incidência de ICMS, não é admissível 
a utilização do mecanismo tributário de preços de referência; 
(B) a União, como titular da jazida de petróleo e gás natural explorada comercialmente, 
deve recolher o ICMS incidente sobre tal operação de circulação de petróleo ou gás 
natural; 
(C) a empresa concessionária, como titular do petróleo e gás natural produzido, deve 
recolher o ICMS incidente sobre tal operação de circulação de petróleo ou gás natural; 
(D) tal operação de circulação de petróleo ou gás natural não constitui circulação de 
mercadoria para fins de incidência de ICMS; 
(E) o gás natural, para fins de incidência de ICMS, não é reputado bem essencial. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Questão que encontra fundamento na jurisprudência do STF firmada no julgamento da 
ADI 5.481. Em síntese, o STF entendeu que operação de circulação de petróleo ou gás 
natural não configura negócio jurídico que transfira a titularidade de uma mercadoria, 
assim não há incidência de ICMS. 
_______________________________________________________________________ 
79. No curso da execução do orçamento anual do Estado Alfa, constata-se que haverá 
necessidade de reforço de dotação orçamentária em relação a uma despesa prevista na 
Lei Orçamentária Anual(LOA), uma vez que a dotação inicialmente consignada se 
mostrou insuficiente. 
Diante desse cenário e nos termos da Lei nº 4.320/1964, é CORRETO afirmar que: 
 
116 
(A) por razão de segurança jurídica e para fins de controle das contas públicas, não é 
permitida a retificação do orçamento no curso de sua execução, devendo o reforço de 
dotação ser consignado no projeto de LOA do ano subsequente; 
(B) é possível, para tal reforço de dotação, a abertura de crédito adicional extraordinário 
por decreto executivo, que é o instrumento retificador do orçamento cabível para 
despesas imprevistas, mas sem a possibilidade de edição de Medida Provisória para esse 
fim; 
(C) em se tratando de despesa inicialmente prevista na LOA, cuja dotação se mostre 
insuficiente no curso de sua execução, a única forma de custeio do valor excedente será 
a abertura de crédito por antecipação de receita orçamentária, que deverá ser quitado 
até o término do exercício financeiro; 
(D) é cabível a abertura de crédito adicional suplementar por decreto executivo, desde 
que autorizado em lei, sendo necessária a indicação da fonte de recursos para fazer 
frente ao referido reforço de dotação; 
(E) o reforço de dotação orçamentária para despesa inicialmente prevista na LOA deve 
ser realizado através da abertura de crédito adicional especial por meio de Medida 
Provisória, desde que indique a fonte de custeio para o respectivo reforço de dotação. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Questão fundamentada na Constituição Federal (art. 165, §8º e art. 167, inciso V) e na 
Lei 4.320/1964 (art. 42). 
O item correto é o “D”, uma vez que é permitida a abertura de crédito adicional 
suplementar por decreto executivo. 
_______________________________________________________________________ 
80. O governador do Estado Alfa pretende conceder uma isenção de ICMS para 
beneficiar os adquirentes de automóveis no território estadual que sejam 
comprovadamente pessoas com deficiência (PcD). Para tanto, envia projeto de lei à 
Assembleia Legislativa, requerendo aprovação de tal benefício fiscal. 
A partir desse cenário, tal isenção: 
(A) poderia ser concedida também mediante decreto; 
(B) dispensa a autorização do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz); 
(C) necessita de estimativa de impacto orçamentário e financeiro; 
 
117 
(D) não pode ser concedida, pois a atividade administrativa de lançamento é vinculada 
e obrigatória; 
(E) configura uma modalidade de extinção do crédito tributário. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
A questão exige conhecimento da Constituição Federal e da jurisprudência do STF. 
Conforme o julgamento da ADI 6.474/RR, aprende-se que “a ausência de prévia 
instrução da proposta legislativa com a estimativa do impacto financeiro e 
orçamentário, nos termos do art. 113 do ADCT, aplicável a todos os entes federativos, 
implica inconstitucionalidade formal.” 
Logo, a única alternativa correta é o item “C”. 
_______________________________________________________________________ 
81. Maria, cidadã norte-americana residente e domiciliada em Miami (EUA), em julho 
de 2022, doou para sua prima Marta, cidadã brasileira residente e domiciliada no Estado 
Alfa (Brasil), por escritura pública lavrada nos EUA, uma série de ações de uma empresa 
norte-americana com ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque (EUA). 
Diante desse cenário e à luz do entendimento dominante dos Tribunais Superiores sobre 
a tributação com o Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doações (ITCMD) a ser 
cobrado no Brasil, é CORRETO afirmar que: 
(A) Maria será contribuinte do ITCMD nessa doação; 
(B) Marta será contribuinte do ITCMD nessa doação; 
(C) Maria e Marta não serão contribuintes do ITCMD nessa doação; 
(D) Maria e Marta serão ambas contribuintes do ITCMD e solidariamente responsáveis 
nessa doação; 
(E) Marta será contribuinte do ITCMD nessa doação, figurando Maria como responsável 
tributária. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
 
118 
Conforme o Tema 825 do STF (RE 851.108/SP), ficou decidido que “os Estados não 
podem criar leis para tributar as doações e heranças de bens no exterior, sob pena de 
violação do artigo 155, § 1º, inciso III, da Constituição Federal, que exige lei 
complementar para regular esta cobrança.”. 
Assim, a alternativa correta é o item C. 
_______________________________________________________________________ 
82. Lucas, deputado federal, apresenta uma emenda ao projeto de lei do orçamento 
anual para ampliar certa dotação orçamentária que reputa ter sido contemplada com 
alocação insuficiente de recursos. 
Para tanto, tal emenda de Lucas deverá indicar os recursos necessários, que poderão 
provir de anulação de despesas que incidam sobre: 
(A) serviço da dívida; 
(B) dotações para pessoal civil; 
(C) dotações para encargos com pessoal militar; 
(D) restos a pagar não processados de material de consumo; 
(E) transferências tributárias constitucionais para os Estados, Municípios e Distrito 
Federal. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
A questão exigia o conhecimento do art. 166, §3º, da CF/88. 
“Art. 166. [...] 
§3º As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem 
somente podem ser aprovadas caso: 
I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias; 
II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de 
despesa, excluídas as que incidam sobre: 
a) dotações para pessoal e seus encargos; 
b) serviço da dívida; 
c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito 
Federal;” 
 
119 
Logo, a única alternativa correta é o item “D”. 
_______________________________________________________________________ 
83. O Município Alfa, em 2021, pretende celebrar com o Estado Beta um convênio para 
transferência voluntária de recursos estaduais ao Município para fins de execução de 
políticas públicas municipais. 
Acerca desse cenário, é CORRETO afirmar que o Município Alfa: 
(A) somente pode ser beneficiado com a transferência voluntária se houver previsto e 
efetivamente arrecadado, ao menos, 90% dos tributos de sua competência 
constitucional; 
(B) pode utilizar os recursos obtidos por meio da transferência voluntária em finalidade 
diversa da originalmente pactuada, desde que aplicados nas áreas de saúde, educação 
ou assistência social; 
(C) não pode ser impedido de receber transferências voluntárias relativas a ações de 
educação, saúde e assistência social, ainda que viole regras de responsabilidade fiscal 
previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal; 
(D) ao receber tal transferência voluntária de recursos, pode utilizá-los com a finalidade 
de pagamento de despesas com seu pessoal ativo, inativo e pensionista; 
(E) ficará proibido de receber qualquer transferência voluntária se o Legislativo 
municipal ultrapassar a despesa total com pessoal e não eliminar o excedente no prazo 
de dois quadrimestres. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Questão exigia o conhecimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. 
Conforme o art. 25, §3º, da LRF (LC 101/2000), “para fins da aplicação das sanções de 
suspensão de transferências voluntárias constantes desta Lei Complementar, excetuam-
se aquelas relativas a ações de educação, saúde e assistência social.”. Logo, a única 
alternativa correta é o item “C”. 
_______________________________________________________________________ 
84. Mário desejava adquirir um apartamento de José, tendo sido pactuado o preço em 
R$ 300.000,00, pois o imóvel necessitavade ampla reforma, ainda que um imóvel 
naquela região custasse em torno de R$ 400.000,00. Para poder efetuar o registro do 
 
120 
negócio jurídico, Mário foi informado pelo registrador de que deveria recolher o 
Imposto de Transmissão Inter Vivos (ITBI). 
Mário declarou ao Fisco municipal o mesmo valor que constaria da escritura pública (R$ 
300.000,00), mas o Fisco não aceitou tal valor, arbitrando-o unilateralmente em R$ 
400.000,00. 
À luz do Código Tributário Nacional e do entendimento dominante dos Tribunais 
Superiores, é CORRETO afirmar que: 
(A) o registrador não poderia ser responsabilizado tributariamente pelo não 
recolhimento do ITBI; 
(B) o valor de R$ 300.000,00 declarado por Mário goza da presunção de ser condizente 
com o valor de mercado; 
(C) a apuração do valor venal do imóvel ocorre da mesma forma no ITBI e no IPTU; 
(D) o Fisco está correto em arbitrar unilateralmente o valor do imóvel em R$ 400.000,00, 
por ser este efetivamente o valor médio de mercado de um imóvel similar naquela 
região; 
(E) o Fisco pode arbitrar previamente a base de cálculo do ITBI deste imóvel com 
respaldo em valor de referência por ele estabelecido unilateralmente em pauta genérica 
de valores venais aplicável a todos os imóveis do Município. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Questão exigia o conhecimento do Tema 1.113 da jurisprudência do STJ. 
O STJ firmou o seguinte entendimento: 
“a) a base de cálculo do ITBI é o valor do imóvel transmitido em condições normais de 
mercado, não estando vinculada à base de cálculo do IPTU, que nem sequer pode ser 
utilizada como piso de tributação; b) o valor da transação declarado pelo contribuinte 
goza da presunção de que é condizente com o valor de mercado, que somente pode 
ser afastada pelo fisco mediante a regular instauração de processo administrativo 
próprio (art. 148 do CTN); c) o Município não pode arbitrar previamente a base de 
cálculo do ITBI com respaldo em valor de referência por ele estabelecido 
unilateralmente.” 
A alternativa correta é o item “B”, que se enquadra perfeitamente ao item “b” do tema 
1.113 do STJ. 
 
121 
_______________________________________________________________________ 
85. Sociedade de economia mista estadual responsável pelo saneamento básico no 
Estado Alfa, que possui ações negociadas em bolsa de valores, requereu ao Município 
Beta, quanto a seu edifício sede situado em território municipal: 
a) reconhecimento de imunidade tributária de Imposto Predial e Territorial 
Urbano (IPTU); 
b) concessão de isenção de Contribuição de Iluminação Pública (Cosip) prevista 
em lei específica municipal em favor da União, Estados, Distrito Federal, 
Municípios e suas respectivas autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo 
Poder Público. 
Diante desse cenário e à luz da Constituição da República de 1988 e do entendimento 
dominante dos Tribunais Superiores, tal empresa estatal: 
(A) faz jus à imunidade tributária de IPTU e à isenção de Cosip; 
(B) faz jus à imunidade tributária de IPTU, mas não à isenção de Cosip; 
(C) faz jus à imunidade tributária de IPTU e à isenção de Cosip proporcionalmente às 
ações detidas pelo Poder Público; 
(D) não faz jus à imunidade tributária de IPTU, mas sim à isenção de Cosip; 
(E) não faz jus à imunidade tributária de IPTU nem à isenção de Cosip. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
A questão exigia conhecimento do Tema 1140 do STF e do CTN. 
Julgando o Tema 1140, o STF decidiu que “as empresas públicas e as sociedades de 
economia mista delegatárias de serviços públicos essenciais, que não distribuam lucros 
a acionistas privados nem ofereçam risco ao equilíbrio concorrencial, são beneficiárias 
da imunidade tributária recíproca prevista no artigo 150, VI, a, da Constituição Federal, 
independentemente de cobrança de tarifa como contraprestação do serviço.” 
Logo, não cabe imunidade do IPTU à SEM Estadual. 
Com relação à isenção, o art. 111, inciso II, do CTN fala que interpreta-se literalmente a 
legislação tributária que disponha sobre a outorga de isenção. Assim, se a Lei que isenta 
a COSIP não fala de SEM, não é possível ampliar o rol, sem violar o CTN. 
_______________________________________________________________________ 
 
122 
DIREITO AMBIENTAL 
 
86. João, de forma culposa, usou produto com substância tóxica, nociva ao meio 
ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis e nos seus 
regulamentos. 
Em matéria criminal, de acordo com a Lei nº 9.605/1998, em tese, João: 
(A) não praticou crime ambiental, pois não existe previsão legal para a modalidade 
culposa do crime narrado; 
(B) não praticou crime ambiental, mas cometeu contravenção penal ambiental, que não 
enseja possibilidade de transação penal, diante da natureza do ilícito; 
(C) praticou crime ambiental e é incabível a transação penal, diante da pena máxima 
abstratamente prevista, que é superior a dois anos; 
(D) praticou crime ambiental de menor potencial ofensivo, e é cabível proposta de 
transação penal, desde que haja prévia concordância do órgão ambiental competente 
do Sisnama; 
(E) praticou crime ambiental de menor potencial ofensivo, mas a proposta de transação 
penal somente é viável mediante composição de eventual dano ambiental, salvo em 
caso de comprovada impossibilidade. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 56 da Lei 9.605/1998 - Produzir, processar, embalar, importar, exportar, 
comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar 
produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, 
em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos: Pena 
- reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
§ 3º Se o crime é culposo: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. 
Art. 27 da Lei 9.605/1998 - Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a 
proposta de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 
76 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, somente poderá ser formulada desde 
que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da 
mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade. 
 
123 
Art. 61 da Lei 9.099/95 - Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, 
para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena 
máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. 
______________________________________________________________________ 
87. José integra a terceira geração da família Silva que trabalha com pesca artesanal 
profissional no rio Alfa, vivendo dessa atividade. No ano de 2018, após sagrar-se 
vencedora em licitação e mediante prévia e regular licença ambiental, a sociedade 
empresária concessionária Beta instalou e iniciou a operação de usina hidrelétrica no 
citado rio. Naquele mesmo ano, José constatou significativa redução na quantidade de 
alguns peixes, em razão do funcionamento das turbinas da usina hidrelétrica, 
inviabilizando por completo o exercício de sua profissão. 
Em meados de 2022, José procurou a Defensoria Pública e ajuizou ação indenizatória 
em face da concessionária Beta, sustentando e comprovando, de forma inequívoca, que 
a construção da usina lhe causou negativo impacto econômico e sofrimento moral, uma 
vez que ele não pôde mais pescar no local. 
Consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a pretensão de José: 
(A) merece prosperar, pois as demandas indenizatórias que têm como causa de pedir a 
ocorrência de dano ambiental, ainda que de natureza individual, são imprescritíveis, 
pois se aplica a tese de dano ambiental contínuo; 
(B) merece prosperar, pois se aplica o prazo quinquenalde prescrição para demandas 
de natureza individual e patrimonial, ainda que a causa de pedir próxima seja a violação 
a direito ambiental; 
(C) não merece prosperar, pois, apesar de a pretensão de José ser imprescritível em 
razão da tese de dano ambiental contínuo, o autor não tem direito subjetivo a 
permanecer pescando em rio, que é bem público; 
(D) não merece prosperar, pois as demandas indenizatórias ajuizadas com vistas à 
reparação de interesses de cunho individual e patrimonial sujeitam-se ao prazo 
prescricional trienal, previsto no Código Civil; 
(E) não merece prosperar, pois está ausente um dos elementos da responsabilidade civil 
ambiental, que é a existência de um ato ilícito, haja vista que a operação da hidrelétrica, 
que causou a morte dos peixes, foi regularmente precedida de licença ambiental. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
 
124 
O STJ tem entendido que, tratando-se AÇÃO INDENIZATÓRIA INDIVIDUAL, ainda que 
pautada em dano ambiental, com fundamento no artigo 206, parágrafo 3º, inciso V, do 
Código Civil de 2002, a pretensão prescreve em três anos. (Resp. 1.641.167/RS e Resp. 
1.346.489/RS. 
Destaca-se que, em sua dimensão coletiva o STF e. STJ entendem que a pretensão de 
reparação do dano ambiental é imprescritível. (RE 654833, Relator(a): ALEXANDRE DE 
MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 20/04/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-157 
DIVULG 23-06-2020 PUBLIC 24-06-2020) 
______________________________________________________________________ 
88. Com o escopo de fomentar a atividade econômica com melhor aproveitamento de 
suas riquezas naturais minerais, o Estado Alfa editou lei estadual, flexibilizando exigência 
legal para o desenvolvimento de atividade potencialmente poluidora, na medida em que 
criou modalidade mais simplificada e célere de licenciamento ambiental único que 
denominou “Licença de Operação Direta”, para atividade de lavra garimpeira, inclusive 
instituindo dispensa para alguns casos de lavra a céu aberto. A referida lei estadual 
regulamentou aspectos da atividade garimpeira, nomeadamente, ao estabelecer 
conceitos a ela relacionados, delimitou áreas para seu exercício e autorizou o uso de 
azougue (mercúrio) em determinadas condições, tudo de forma menos restritiva do que 
a legislação da União. 
De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a lei estadual editada é: 
(A) constitucional, haja vista que a competência da União para legislar sobre normas 
gerais sobre meio ambiente não exclui a competência suplementar dos Estados; 
(B) inconstitucional materialmente, porque viola o princípio do desenvolvimento 
sustentável, e formalmente, pois é competência privativa da União proteger o meio 
ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; 
(C) inconstitucional materialmente, porque viola os princípios da prevenção e da 
precaução, mas é formalmente constitucional, uma vez que a matéria tratada na lei é 
de competência legislativa comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios; 
(D) constitucional, haja vista que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal 
legislar concorrentemente sobre conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos 
naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; 
(E) inconstitucional, uma vez que é competência privativa da União legislar sobre jazidas, 
minas, outros recursos minerais e metalurgia, bem como porque a lei tornou menos 
eficiente a proteção do meio ambiente ecologicamente equilibrado. 
_______________________________________________________________________ 
 
125 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 22 da CF - Compete privativamente à União legislar sobre: (...) XII - jazidas, minas, 
outros recursos minerais e metalurgia; 
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. AMBIENTAL. §§ 1º, 2º E 3º DO 
ART. 29 DA LEI N. 14.675, DE 13.4.2009, ALTERADA PELA LEI N. 17.893, DE 23.1.2020, DE 
SANTA CATARINA. DISPENSA E SIMPLIFICAÇÃO DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL PARA 
ATIVIDADES DE LAVRA A CÉU ABERTO. OFENSA À COMPETÊNCIA DA UNIÃO PARA 
EDITAR NORMAS GERAIS SOBRE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE. DESOBEDIÊNCIA AO 
PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO E DO DEVER DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE 
ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO (ART. 225 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA). AÇÃO 
JULGADA PROCEDENTE. 1. Instruído o feito nos termos do art. 10 da Lei n. 9.868/1999, 
é de cumprir o imperativo constitucional de conferir-se celeridade processual, com o 
conhecimento e julgamento definitivo de mérito da ação direta por este Supremo 
Tribunal, ausente a necessidade de novas informações. Precedentes. 2. É formalmente 
inconstitucional a subversão da lógica sistêmica das normas gerais nacionais pela 
Assembleia Legislativa de Santa Catarina ao instituir dispensa e licenciamento 
simplificado ambiental para atividades de lavra a céu aberto. 3. A dispensa e 
simplificação de licenciamento ambiental às atividades de mineração pelo legislador 
estadual esvaziou o procedimento de licenciamento ambiental estabelecido na 
legislação nacional, em ofensa ao art. 24 da Constituição da República. 4. O 
estabelecimento de procedimento de licenciamento ambiental estadual que torne 
menos eficiente a proteção do meio ambiente equilibrado quanto às atividades de 
mineração afronta o caput do art. 225 da Constituição da República por inobservar o 
princípio da prevenção. 5. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente para 
declarar inconstitucionais os §§ 1º, 2º e 3º do art. 29 da Lei n. 14.675/2009 de Santa 
Catarina. (ADI 6650, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 27/04/2021, 
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-085 DIVULG 04-05-2021 PUBLIC 05-05-2021) 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
 
89. Em janeiro de 2022, o Estado Alfa, após ampla participação da sociedade civil, 
inclusive mediante a realização de audiências públicas pelo Poder Legislativo, editou lei 
estadual dispondo sobre Política Estadual de Prevenção, Enfrentamento das Violências, 
Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Em um de seus artigos, constou 
da citada lei que o chefe do Poder Executivo regulamentará a matéria no âmbito da 
 
126 
Administração Pública estadual no prazo de noventa dias. Já se passaram mais de oito 
meses e até o momento o governador do Estado Alfa não regulamentou a lei. 
Em matéria de poderes administrativos, consoante a jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal, a citada norma que estabelece o prazo de noventa dias para o chefe 
do Executivo atuar é: 
(A) constitucional, pois a Carta Magna determina prioridade absoluta no exercício do 
poder normativo para a tutela de crianças e adolescentes; 
(B) constitucional, pois se aplica o princípio da razoabilidade, de maneira que noventa 
dias são suficientes para a edição do ato normativo; 
(C) inconstitucional, pois compete ao chefe do Poder Executivo examinar a conveniência 
e a oportunidade para o exercício do poder regulamentar, em respeito ao princípio da 
separação dos poderes; 
(D) inconstitucional, pois é vedado ao chefe do Poder Executivo o exercício do poder 
normativo, que compete ao Legislativo, em respeito ao princípio da separação dos 
poderes; 
(E) objeto de interpretação conforme a Constituição da República de 1988, de maneira 
que seja observado prazo razoável, que é de cento e oitenta dias, findo o qual será 
declarada a mora do governador, que fica sujeito a medidas coercitivas atípicas. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Como sabido, o poder normativo ou regulamentar consiste no poder de editar normas 
(administrativas) gerais e abstratas complementares à lei, para sua fiel execução, com 
efeitos erga omnes. Sem destinatários específicos e determinados, os atos normativos 
incidem sobre todos os fatos e situaçõesprevistos abstratamente na norma. 
O poder normativo não se confunde com o poder de legislar, os atos normativos ou 
regulamentares não são editados pelo Poder Legislativo, mas pela Administração 
Pública (não são lei em sentido formal), e no exercício da função administrativa, não 
podendo, assim, inovar a ordem jurídica, limitando-se a regulamentar, de forma 
subalterna, a lei, subordinando-se às suas prescrições. Trata-se, com efeito, de “atos 
normativos derivados”, devendo respeitar os limites e contornos da lei (ato normativo 
originário), possuindo, assim, natureza secundum legem. Essa impossibilidade de 
inovação da ordem jurídica é decorrência imediata do princípio fundamental da 
separação de poderes (art. 2º, da CF/88) e da garantia constitucional da legalidade (art. 
5º, II, da CF/88). 
 
127 
No julgamento da ADI nº 4.728/DF, em 12/11/2021, o Plenário do STF julgou 
inconstitucional a Lei Amapaense nº 1.601/2011, que, ao instituir a Política Estadual de 
Prevenção e Enfrentamento das Violências, Abuso e Exploração Sexual de Crianças e 
Adolescentes, fixou o prazo de 90 dias para que o Chefe do Poder Executivo 
regulamentasse a matéria no âmbito da Administração Pública Estadual. 
De acordo com o STF, o Legislativo não pode estabelecer prazo para o Chefe do 
Executivo exerça o poder regulamentar, sob pena de violação dos arts. 2º (princípio da 
separação dos poderes) e 84, II (competência privativa do Chefe do Executivo de exercer 
a direção superior da Administração Pública), da CF/88. 
______________________________________________________________________ 
90. O Tribunal de Contas do Estado Beta condenou Carla, prefeita do Município Alfa, ao 
ressarcimento ao erário, mediante acórdão com imputação de débito do valor de 
duzentos mil reais, diante de ilegalidade de despesa consistente em superfaturamento 
em contrato para aquisição de uniformes escolares. Ocorre que Carla não cumpriu a 
decisão e não pagou o valor indicado. Dessa forma, o Tribunal de Contas ajuizou ação 
de execução do título executivo extrajudicial cobrando a quantia. 
No caso em tela, consoante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o Tribunal de 
Contas do Estado Beta: 
(A) não possui legitimidade para ajuizar a ação executiva, e é prescritível a pretensão de 
execução do ressarcimento ao erário fundada em decisão do Tribunal de Contas; 
(B) possui legitimidade para ajuizar a ação executiva, por meio de sua Procuradoria, e é 
imprescritível a pretensão de execução do ressarcimento ao erário fundada em decisão 
de Tribunal de Contas; 
(C) não possui legitimidade para ajuizar a ação executiva, e é imprescritível a pretensão 
de execução do ressarcimento ao erário fundada em decisão de Tribunal de Contas; 
(D) possui legitimidade para ajuizar a ação executiva, por meio do Ministério Público de 
Contas, e é imprescritível a pretensão de execução do ressarcimento ao erário fundada 
em decisão de Tribunal de Contas, desde que o ato ilícito que deu azo à condenação 
pelo TCE também seja tipificado como ato doloso de improbidade administrativa; 
(E) não possui legitimidade para ajuizar a ação executiva, e é imprescritível a pretensão 
de execução do ressarcimento ao erário fundada em decisão de Tribunal de Contas, 
desde que o ato ilícito que deu azo à condenação pelo TCE também seja tipificado como 
ato doloso de improbidade administrativa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
128 
 
Segundo o STF, o art. 71, § 3º, da CF/88, não outorgou ao Tribunal de Contas 
legitimidade para executar suas decisões das quais resulte imputação de débito ou 
multa, cabendo ao titular do crédito constituído a partir da decisão, vale dizer, ao ente 
público prejudicado, promover a pertinente ação executiva (STF. 2ª Turma. AI 826676 
AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 08/02/2011). 
Sobre a prescritibilidade da pretensão de ressarcimento ao erário, rememore-se que o 
STF entende ser imprescritível apenas aquela fundada na prática de ato doloso tipificado 
na Lei de Improbidade Administrativa (STF, Plenário, RE 852475/SP, Rel. orig. Min. 
Alexandre de Moraes, Rel. para acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 08/08/2018 – 
Repercussão Geral – Tema 897 – Info 910). 
Nessa ordem de ideias, o STF considerou ser prescritível a pretensão de ressarcimento 
ao erário fundada em decisão de Tribunal de Contas, pois este não tem como considerar 
que o ato lesivo apurado caracterizou ato doloso de improbidade administrativa, uma 
vez que, no processo de tomada de contas, a Corte de Contas procede a uma análise 
técnica de contas a fim de apurar a ocorrência de lesão ao patrimônio público, 
imputando ao responsável, se o caso, débito. Explica o Pretório Excelso que o Tribunal 
de Contas não analisa a existência ou não de ato doloso de improbidade administrativa, 
além de não proferir decisão judicial, já que não há contraditório e ampla defesa plenos, 
pois não é possível, por exemplo, que o imputado defenda-se afirmando a ausência de 
elemento subjetivo (STF, Plenário, RE 636886, Rel. Alexandre de Moraes, j. em 
20/04/2020 – Repercussão Geral – Tema 899 – Info 983). 
Nada impede, contudo, que, com base nas decisões do Tribunal de Contas, além da 
execução do acórdão, o ente prejudicado ou o Ministério Público proponham ação de 
improbidade administrativa para que, com as garantias do contraditório e da ampla 
defesa, seja o imputado condenado, inclusive ao ressarcimento ao erário, caso em que 
a pretensão de reparação ao erário será imprescritível (ato doloso de improbidade 
administrativa). 
______________________________________________________________________ 
91. O Município Alfa editou lei municipal criando cargos em comissão no âmbito da 
Administração Pública municipal. Em determinado processo judicial, a citada legislação 
foi objeto de questionamento no que tange à sua constitucionalidade. 
Sabe-se que a criação de cargos em comissão somente se justifica quando presentes os 
pressupostos constitucionais para sua instituição. 
Dessa forma, com base na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao analisar a 
constitucionalidade da citada legislação do Município Alfa, o julgador deve observar 
que: 
 
129 
(A) a criação e o preenchimento de cargos em comissão não pressupõem necessária 
relação de confiança entre a autoridade nomeante e o servidor nomeado; 
(B) as atribuições dos cargos em comissão devem estar elencadas em ato normativo 
infralegal, não havendo necessidade de descrição, de forma clara e objetiva, na própria 
lei que os instituir; 
(C) a criação de cargos em comissão somente se justifica para o exercício de funções de 
direção, chefia e assessoramento, ou o desempenho de atividades técnicas ou 
operacionais de estratégica relevância; 
(D) o número de cargos comissionados criados deve guardar proporcionalidade com a 
necessidade que eles visam suprir e com o número de servidores ocupantes de cargos 
efetivos no ente federativo que os criar; 
(E) os cargos em comissão são preenchidos exclusivamente por servidores ocupantes de 
cargo efetivo de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, e 
destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Nos termos do art. 37, V, da CF/88, “as funções de confiança, exercidas exclusivamente 
por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem 
preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos 
previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e 
assessoramento”. 
Note-se que a tanto a função de confiança quanto o cargo em comissão se destinam 
exclusivamente ao desempenho das funções de direção, chefia e assessoramento e são 
de livre nomeação e exoneração pela autoridadecompetente. 
A diferença reside no fato de que as funções de confiança são exercidas exclusivamente 
por servidores ocupantes de cargo efetivo, enquanto os cargos em comissão podem ser 
preenchidos por pessoas sem qualquer vínculo com a Administração, apenas se exigindo 
que a lei fixe um percentual mínimo que deve ser ocupado por ocupantes de cargos 
efetivos de carreira. 
O STF ao analisar o Tema 1010, afirmou que a criação de cargos em comissão é exceção 
à regra de ingresso no serviço público mediante concurso público de provas ou provas e 
títulos e somente se justifica quando presentes os pressupostos constitucionais para sua 
instituição. Na oportunidade, foram fixadas as seguintes teses: 
 
130 
a) A criação de cargos em comissão somente se justifica para o 
exercício de funções de direção, chefia e assessoramento, não se 
prestando ao desempenho de atividades burocráticas, técnicas 
ou operacionais; 
b) tal criação deve pressupor a necessária relação de confiança 
entre a autoridade nomeante e o servidor nomeado; 
c) o número de cargos comissionados criados deve guardar 
proporcionalidade com a necessidade que eles visam suprir e 
com o número de servidores ocupantes de cargos efetivos no 
ente federativo que os criar; e 
d) as atribuições dos cargos em comissão devem estar descritas, 
de forma clara e objetiva, na própria lei que os instituir. 
STF. Plenário. RE 1041210 RG, Rel. Dias Toffoli, julgado em 
27/09/2018 (Repercussão Geral – Tema 1010). 
______________________________________________________________________ 
92. O Tribunal de Justiça do Estado Delta, após sugestão de seu comitê de integridade, 
criou um departamento específico para tratar de suas licitações e contratos. 
Nesse sentido, o novo departamento está atento para o fato de que, de acordo com a 
Lei nº 14.133/2021, o planejamento de compras deverá considerar a expectativa de 
consumo: 
(A) anual e observar as condições de aquisição e pagamento semelhantes às do setor 
privado; 
(B) anual e observar o atendimento ao princípio da responsabilidade fiscal, mas vedada 
a comparação da despesa estimada com a prevista no orçamento; 
(C) semestral e observar o atendimento ao princípio da padronização, considerada a 
compatibilidade de especificações técnicas, mas não de especificações estéticas; 
(D) plurianual para os próximos quatro anos e observar o atendimento ao princípio da 
aglutinação de compras, proibida a fragmentação de licitação, ainda que o 
parcelamento seja tecnicamente viável e economicamente vantajoso; 
(E) plurianual para os próximos quatro anos, e observar a determinação de unidades e 
quantidades a serem adquiridas em função de consumo e utilização prováveis, cuja 
estimativa será obtida, sempre que possível, mediante adequadas técnicas 
quantitativas, vedado o fornecimento contínuo. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
 
131 
COMENTÁRIOS 
 
O art. 40 da Lei Federal nº 14.133/2021 (Nova Lei Geral de Licitações e Contratações 
Públicas) assim disciplina o planejamento de compras, in verbis: 
Art. 40. O planejamento de compras deverá considerar a 
expectativa de consumo anual e observar o seguinte: 
I - condições de aquisição e pagamento semelhantes às do 
setor privado; 
II - processamento por meio de sistema de registro de 
preços, quando pertinente; 
III - determinação de unidades e quantidades a serem 
adquiridas em função de consumo e utilização prováveis, cuja 
estimativa será obtida, sempre que possível, mediante 
adequadas técnicas quantitativas, admitido o fornecimento 
contínuo; 
IV - condições de guarda e armazenamento que não 
permitam a deterioração do material; 
V - atendimento aos princípios: 
a) da padronização, considerada a compatibilidade de 
especificações estéticas, técnicas ou de desempenho; 
b) do parcelamento, quando for tecnicamente viável e 
economicamente vantajoso; 
c) da responsabilidade fiscal, mediante a comparação da 
despesa estimada com a prevista no orçamento. 
______________________________________________________________________ 
93. João, ex-secretário de Fazenda do Estado Ômega, foi condenado pela prática de ato 
de improbidade administrativa por ter, dolosamente, na época em que exercia a função 
pública, recebido vantagem econômica, consistente em propina no valor de duzentos 
mil reais, para omitir ato de ofício a que estava obrigado. A sentença judicial já transitada 
em julgado condenou João à perda dos valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio e 
ao pagamento de multa civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial. 
Atualmente, o processo está em fase de cumprimento de sentença, mas João 
demonstrou incapacidade financeira de saldar imediatamente o débito resultante da 
condenação pela prática de improbidade administrativa. 
No caso em tela, de acordo com a Lei de Improbidade Administrativa, o juiz poderá: 
 
132 
(A) autorizar o parcelamento do débito, em até quarenta e oito parcelas mensais 
corrigidas monetariamente; 
(B) suspender a exigibilidade do débito, por até trinta e seis meses, com a prévia e 
indispensável oitiva da pessoa jurídica lesada; 
(C) autorizar o parcelamento do débito, em até três parcelas, com a prévia e 
indispensável oitiva do Ministério Público e do Tribunal de Contas; 
(D) converter a obrigação de pagar em outras sanções, como a perda de eventual função 
pública atual e a suspensão dos direitos políticos por até doze anos; 
(E) converter a obrigação de pagar em proibição de contratar com o poder público ou 
de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, pelo prazo não superior a doze 
anos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
De acordo com o § 4º do art. 18 da Lei Federal nº 8.429/1992 (com redação dada pela 
Lei Federal n 14.230/2021), “O juiz poderá autorizar o parcelamento, em até 48 
(quarenta e oito) parcelas mensais corrigidas monetariamente, do débito resultante de 
condenação pela prática de improbidade administrativa se o réu demonstrar 
incapacidade financeira de saldá-lo de imediato”. 
______________________________________________________________________ 
94. O Município Ômega realizou queima de fogos de artifício na noite de réveillon do 
último ano. No dia primeiro de janeiro seguinte, os irmãos João e Maria, de 7 e 8 anos 
de idade, brincavam na praça da cidade, quando resolveram manusear restos de 
explosivos deixados na noite anterior por agentes municipais sem qualquer tipo de 
alerta, proteção ou elemento indicativo de que era proibido o acesso ao local, ocasião 
em que alguns fogos dispararam e o acidente resultou em sérias lesões no corpo de 
ambas as crianças. 
João e Maria, patrocinados por seu tio que é advogado, ajuizaram ação indenizatória em 
face do Município, que se defendeu alegando culpa exclusiva dos pais dos autores, que 
não os vigiaram adequadamente. 
Ao proferir sentença, adotando a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o 
magistrado deve aplicar a responsabilidade civil: 
(A) objetiva, orientada pela teoria do risco administrativo, não havendo que se falar em 
culpa exclusiva ou concorrente dos pais pelos danos causados aos seus filhos; 
 
133 
(B) objetiva, não havendo que se falar em culpa exclusiva dos pais pelos danos causados 
aos seus filhos, mas reduzindo-se o valor da indenização pela culpa concorrente dos 
genitores; 
(C) objetiva, não havendo que se falar em culpa exclusiva ou concorrente dos pais pelos 
danos causados aos seus filhos, mas afastando-se a pretensão autoral pela excludente 
de responsabilidade do caso fortuito ou força maior; 
(D) subjetiva, por se tratar de conduta omissiva do poder público, de maneira que é 
necessária a comprovação da conduta culposa dos agentes municipais consistente na 
negligência ou má prestação do serviço; 
(E) subjetiva, por se tratar de condutaomissiva do poder público, mas persiste o dever 
de indenizar em razão da teoria do risco integral, que não admite excludente de 
responsabilidade por caso fortuito ou força maior. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Tradicionalmente, o STJ entendia que a responsabilidade civil do Estado por omissão era 
de natureza subjetiva, com base na chamada “culpa anônima do serviço”, que reclamava 
a demonstração de que o serviço público não funcionou, funcionou mal ou não 
funcionou, disso decorrendo o dano ao particular (STJ, AgRg no Resp 1345620/RS, j. em 
24/11/2015). 
Ocorre, contudo, que, desde 2020, a Corte Cidadã vem temperando seu entendimento, 
reconhecendo o caráter objetivo da responsabilidade por omissão quando se tratar de 
atividade estatal naturalmente perigosa. Vejamos: 
ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA DO 
ESTADO. FALECIMENTO DE ADVOGADO NAS DEPENDÊNCIAS 
DO FÓRUM. MORTE CAUSADA POR DISPAROS DE ARMA DE 
FOGO EFETUADOS POR RÉU EM AÇÃO CRIMINAL. OMISSÃO 
ESTATAL EM ATIVIDADE DE RISCO ANORMAL. ART. 927, 
PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO CIVIL. NEXO DE CAUSALIDADE 
CONFIGURADO. HISTÓRICO DA DEMANDA 1. Cuida-se, na 
origem, de "ação de indenização" em que se buscam o 
reconhecimento da responsabilidade civil e a condenação da 
Fazenda do Estado de São Paulo ao pagamento de danos 
materiais e morais em virtude do falecimento de advogado 
dentro do Fórum de São José dos Campos, decorrente de 
disparo de arma de fogo efetuado por réu em processo 
 
134 
criminal, no qual a vítima figurava como patrono da parte 
autora. A sentença julgou parcialmente procedentes os 
pedidos. O Tribunal de origem, por sua vez, reformou o 
decisum por entender que "não restou evidenciado (art. 333, I 
do CPC), à luz dos elementos trazidos aos autos, o nexo de 
causalidade a gerar a responsabilidade civil do Estado." NÃO 
INCIDÊNCIA DO ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ 2. Os fatos foram 
devidamente descritos no acórdão impugnado, razão pela qual 
não incide o óbice da Súmula 7/STJ no conhecimento do 
recurso. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA DO ESTADO POR 
OMISSÃO: HIPÓTESE EXCEPCIONAL QUANDO CARACTERIZADO 
RISCO ANORMAL DA ATIVIDADE 3. A regra geral do 
ordenamento brasileiro é de responsabilidade civil objetiva por 
ato comissivo do Estado e de responsabilidade subjetiva por 
comportamento omissivo. Contudo, em situações excepcionais 
de risco anormal da atividade habitualmente desenvolvida, a 
responsabilização estatal na omissão também se faz 
independentemente de culpa. 4. Aplica-se igualmente ao 
Estado a prescrição do art. 927, parágrafo único, do Código 
Civil, de responsabilidade civil objetiva por atividade 
naturalmente perigosa, irrelevante seja a conduta comissiva ou 
omissiva. O vocábulo "atividade" deve ser interpretado de 
modo a incluir o comportamento em si e bens associados ou 
nele envolvidos. Tanto o Estado como os fornecedores privados 
devem cumprir com o dever de segurança, ínsito a qualquer 
produto ou serviço prestado. Entre as atividades de risco "por 
sua natureza" incluem-se as desenvolvidas em edifícios 
públicos, estatais ou não (p. ex., instituição prisional, 
manicômio, delegacia de polícia e fórum), com circulação de 
pessoas notoriamente investigadas ou condenadas por crimes, 
e aquelas outras em que o risco anormal se evidencia por 
contar o local com vigilância especial ou, ainda, com sistema de 
controle de entrada e de detecção de metal por meio de revista 
eletrônica ou pessoal. 5. A Resolução 104, de 6 de abril de 2010, 
do Conselho Nacional de Justiça determinou o controle de 
acesso das pessoas aos Tribunais, bem como a instalação de 
aparelhos de detecção de metal nas áreas de ingresso nos 
prédios dos fóruns. É incontestável nos autos que a porta do 
Fórum com detector de metal encontrava-se avariada e que 
não havia seguranças na entrada do estabelecimento público 
que pudessem inspecionar os que adentrassem o local. 6. 
 
135 
Ademais, também presente o nexo causal, apto a determinar a 
responsabilização do Poder Público no caso concreto. Se não 
fosse por sua conduta omissiva, tendo deixado de agir com 
providências necessárias a garantir a segurança dos 
magistrados, autoridades, servidores e usuários da Justiça no 
Fórum Estadual, o evento danoso não teria ocorrido. É certo 
ainda que a exigência de atuação nesse sentido - de forma a 
impedir ou, pelo menos, dificultar que réu em Ação Penal 
comparecesse à audiência portando arma de fogo - não está, 
de forma alguma, acima do razoável. CONCLUSÃO 7. Recurso 
Especial provido. 
(STJ - REsp: 1869046 SP 2017/0098413-5, Relator: Ministro 
HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 09/06/2020, T2 - 
SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 26/06/2020) 
Mais recentemente, o STJ passou a seguir o entendimento do STF, segundo o qual a 
responsabilidade civil do Estado por omissão é essencialmente objetiva, dependente da 
demonstração de uma “omissão específica” do Estado, elemento de caráter objetivo, 
devendo-se perquirir, nessa linha, se o Poder Público deixou de cumprir determinado 
dever jurídico e essa omissão foi a causa do prejuízo gerado. É por isso que se diz que, 
em caso de omissão, a responsabilidade do Estado reclama a existência de um ilícito 
estatal, qual seja, a omissão de determinado dever jurídico (omissão específica) (ARE nº 
655.277 ED/MG, j. em 24/04/2012). Confira-se, in litteris, recente julgado do STJ: 
ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE 
CIVIL DO ESTADO POR OMISSÃO. MORTE EM DECORRÊNCIA DE 
DISPARO DE ARMA DE FOGO NO INTERIOR DE HOSPITAL 
PÚBLICO. AUSÊNCIA DE VIGILÂNCIA. FALHA ESPECÍFICA NO 
DEVER DE AGIR. EXCLUDENTE DE ILICITUDE. NÃO OCORRÊNCIA. 
1. A responsabilidade civil estatal é, em regra, objetiva, uma vez 
que decorre do risco administrativo, em que não se exige 
perquirir sobre existência de culpa, conf orme disciplinado 
pelos arts. 14 do Código de Defesa do Consumidor; 186, 192 e 
927 do Código Civil; e 37, § 6º, da Constituição Federal. 2. O 
Superior Tribunal de Justiça, alinhando-se ao entendimento do 
Excelso Pretório, firmou compreensão de que o Poder Público, 
inclusive por atos omissivos, responde de forma objetiva 
quando constatada a precariedade/vício no serviço decorrente 
da falha no dever legal e específico de agir. 3. A atividade 
exercida pelos hospitais, por sua natureza, inclui, além do 
serviço técnico-médico, o serviço auxiliar de estadia e, por tal 
razão, está o ente público obrigado a disponibilizar 
 
136 
equipe/pessoal e equipamentos necessários e eficazes para o 
alcance dessa finalidade. 4. A análise da responsabilidade civil, 
no contexto desafiador dos tempos modernos, em que se 
colocam a julgamento as consequências impactantes das 
omissões estatais, impõe ao julgador o ônus preponderante de 
examinar os dispositivos civis referidos, sob o olhar dos direitos 
e garantias fundamentais do cidadão. 5. Logo, é de se concluir 
que a conduta do hospital que deixa de fornecer o mínimo 
serviço de segurança e, por conseguinte, despreza o dever de 
zelar pela incolumidade física dos pacientes, contribuiu de 
forma determinante e específica para o homicídio praticado em 
suas dependências, afastando-se a alegação da excludente de 
ilicitude, qual seja, fato de terceiro. 6 . Recurso especial provido 
para restabelecer a indenização, pelos danos morais e 
materiais, fixada na sentença. 
(STJ - REsp: 1708325 RS 2015/0273254-9, Data de Julgamento: 
24/05/2022, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 
24/06/2022) 
No caso do enunciado, tratando-se de atividade demasiadamente perigosa, de um risco 
anormal, bem como estando claro se tratar de uma omissão específica do Poder Público, 
que não tomou cuidados mínimos para proteger a área, a responsabilidade civil do 
Estado é de natureza objetiva, caso em que não se discute o elemento volitivo, não 
havendoque se falar em culpa exclusiva ou concorrente da vítima ou de seus pais. 
______________________________________________________________________ 
95. A sociedade empresária Gama, após regular processo licitatório, celebrou contrato 
de concessão com o Município Beta, para prestação do serviço público de transporte 
coletivo de passageiros intramunicipal. 
Com o escopo de aumentar o preço da passagem dos usuários e justificar 
descumprimento de diversas cláusulas contratuais, a concessionária Gama manipulou e 
fraudou o equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão. 
No caso em tela, considerando o disposto na Lei nº 12.846/2013, por ter praticado ato 
lesivo à Administração Pública, observadas as formalidades legais, a sociedade 
empresária Gama pode ser responsabilizada: 
(A) subjetivamente, na esfera administrativa, e se sujeita à perda dos valores acrescidos 
ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância, e à proibição de contratar 
com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, pelo 
prazo não superior a cinco anos; 
 
137 
(B) subjetivamente, na esfera administrativa, e se sujeita à multa equivalente ao valor 
do dano e à proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou 
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de 
pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a oito anos; 
(C) subjetivamente, na esfera administrativa, e se sujeita à multa, no valor de 10% a 30% 
do faturamento bruto do último exercício anterior ao da instauração do processo 
administrativo, e à proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios 
ou incentivos fiscais ou creditícios, pelo prazo não superior a cinco anos; 
(D) objetivamente, na esfera administrativa, e se sujeita à multa equivalente ao valor do 
dobro do dano e à proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios 
ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio 
de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a oito anos; 
(E) objetivamente, na esfera administrativa, e se sujeita à multa, no valor de 0,1% a 20% 
do faturamento bruto do último exercício anterior ao da instauração do processo 
administrativo, excluídos os tributos, a qual nunca será inferior à vantagem auferida, 
quando for possível sua estimação, e à publicação extraordinária da decisão 
condenatória. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
A Lei Federal nº 12.846/2013 dispõe sobre a responsabilização objetiva administrativa e 
civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional 
ou estrangeira. 
O art. 6º da Lei disciplina a responsabilização da pessoa jurídica na esfera administrativa, 
estabelecendo, textualmente: 
Art. 6º Na esfera administrativa, serão aplicadas às pessoas 
jurídicas consideradas responsáveis pelos atos lesivos previstos 
nesta Lei as seguintes sanções: 
I - multa, no valor de 0,1% (um décimo por cento) a 20% 
(vinte por cento) do faturamento bruto do último exercício 
anterior ao da instauração do processo administrativo, excluídos 
os tributos, a qual nunca será inferior à vantagem auferida, 
quando for possível sua estimação; e 
II - publicação extraordinária da decisão condenatória. 
 
138 
§ 1º As sanções serão aplicadas fundamentadamente, 
isolada ou cumulativamente, de acordo com as peculiaridades 
do caso concreto e com a gravidade e natureza das infrações. 
§ 2º A aplicação das sanções previstas neste artigo será 
precedida da manifestação jurídica elaborada pela Advocacia 
Pública ou pelo órgão de assistência jurídica, ou equivalente, do 
ente público. 
§ 3º A aplicação das sanções previstas neste artigo não 
exclui, em qualquer hipótese, a obrigação da reparação integral 
do dano causado. 
§ 4º Na hipótese do inciso I do caput , caso não seja 
possível utilizar o critério do valor do faturamento bruto da 
pessoa jurídica, a multa será de R$ 6.000,00 (seis mil reais) a R$ 
60.000.000,00 (sessenta milhões de reais). 
______________________________________________________________________ 
96. O Município Beta, pretendendo construir uma escola no imóvel de Maria, editou 
decreto que declarou o imóvel como de utilidade pública. Em seguida, o Município 
ajuizou ação de desapropriação, sem requerer a imissão provisória na posse do imóvel. 
No curso do processo judicial, o Município decidiu construir a escola em outro imóvel 
que já era de sua propriedade, de maneira que revogou o decreto de utilidade pública e 
requereu a extinção do processo de desapropriação, pela desistência. 
No caso em tela, adotando a jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça, o 
magistrado deve extinguir o feito, homologando a desistência: 
(A) sem condenação do Município Beta em honorários advocatícios sucumbenciais, 
diante da ausência de prejuízo a Maria, uma vez que não houve imissão na posse; 
(B) sem condenação do Município Beta em honorários advocatícios sucumbenciais, 
diante da ausência de má-fé e do atendimento ao interesse público na extinção do 
processo; 
(C) com condenação do Município Beta em honorários advocatícios sucumbenciais, com 
valor calculado com base nos parâmetros do Código de Processo Civil entre o mínimo 
de 10% e o máximo de 20% sobre o valor atualizado da causa; 
(D) com condenação do Município Beta em honorários advocatícios sucumbenciais, com 
valor calculado levando em consideração os limites da Lei das Desapropriações entre 
0,5% e 5% incidentes sobre o valor atualizado da causa; 
(E) com condenação do Município Beta em honorários advocatícios sucumbenciais, com 
valor calculado com base no princípio da proporcionalidade e observado o limite 
máximo de vinte salários mínimos, para evitar o enriquecimento ilícito de Maria. 
 
139 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Em 07/06/2022, no julgamento do REsp nº 1.834.024/MG, a Segunda Turma do STJ 
concluiu que, em caso de desistência da ação de desapropriação por utilidade pública, 
em razão da inexistência de condenação e de proveito econômico, os honorários 
advocatícios serão calculados com base no valor atualizado da causa (aplicação 
subsidiária do CPC), mas observados os limites de 0,5% e 5% da Lei de Desapropriações 
(Decreto-Lei n. 3.365/1941). Observe-se, in verbis: 
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO 
ADMINISTRATIVO 3/STJ. INTERVENÇÃO DO ESTADO NA 
PROPRIEDADE. DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA. 
DESISTÊNCIA DA AÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA 
SUCUMBÊNCIA. ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS 
ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. OBSERVÂNCIA DO DECRETO-
LEI 3.365/1941. APLICABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO CPC/2015. 
NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. RAZÕES GENÉRICAS. 
SÚMULA 284/STF. 1. A alegação de violação aos arts. 489 e 
1.022 do CPC/2015 exige do recorrente a indicação de qual o 
texto legal, as normas jurídicas e as teses recursais não foram 
objeto de análise nem de emissão de juízo de valor pelo 
Tribunal da origem, pena de a preliminar carecer de 
fundamentação pertinente. Inteligência da Súmula 284/STF. 2. 
Na hipótese de desistência da ação de desapropriação por 
utilidade pública o ente desapropriante é o responsável pelo 
pagamento do ônus financeiro do processo, com o 
ressarcimento de despesas eventualmente pagas pelo réu, a 
serem apuradas em momento próprio de liquidação ou de 
cumprimento de sentença. Inteligência do art. 90, "caput", do 
CPC/2015 e do art. 30 do Decreto-Lei 3.365/1941. 3. De igual 
modo, face a inexistência de condenação e de proveito 
econômico, os honorários advocatícios sucumbenciais 
observam o valor atualizado da causa, assim como os limites da 
Lei das Desapropriações. Inteligência do art. 85, § 2.º, do 
CPC/2015,e do art. 27, § 1.º, do Decreto-Lei 3.365/1941. 4. 
Recurso especial conhecido parcialmente e, nessa extensão, 
parcialmente provido. 
 
140 
(STJ - REsp: 1834024 MG 2019/0252610-5, Data de Julgamento: 
07/06/2022, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 
17/06/2022) 
______________________________________________________________________ 
NOÇÕES GERAIS DE DIREITO E FORMAÇÃO HUMANÍSTICA 
 
97. É significativo o debate no meio jurídico acerca dos limites e das possibilidades da 
utilização de argumentos consequencialistas para fundamentar uma decisão. O 
pragmatismo jurídico é uma corrente jusfilosófica que, em linhas gerais, sustenta que 
uma decisão deve ponderar as consequências, seja para buscar efeitos desejados, seja 
para evitar efeitos indesejados. Como correlatos do consequencialismo, o pragmatismo 
jurídico apresenta outras duas características: o antifundacionalismo e o 
contextualismo. Essas duas últimas características podem ser respectivamente 
entendidas como: 
(A) a abertura do raciocínio jurídico para outros campos do saber, especialmente para 
poder dimensionar a ação desejada; a busca das características pessoais de cada um dos 
sujeitos envolvidos no conflito sob julgamento; 
(B) a negação das fontes formais do direito e de sua estatalidade como dogma jurídico; 
a ideia de que se deve privilegiar o impacto instrumental das decisões jurídicas, pois o 
fim da jurisdição é a pacificação social; 
(C) a afirmação da natureza prático-dogmática da doutrina jurídica que em nada se 
confunde com uma ciência do direito; a utilização instrumental do processo, sendo 
orientado pelo princípio da economia processual; 
(D) a adoção do conceito de pluralismo jurídico como inversão fundacional do monismo 
jurídico; o enquadramento do caso no contexto jurisdicional, tendo em vista o livre 
convencimento do juiz para a tomada da melhor decisão no caso concreto; 
(E) a recusa em admitir verdades preconcebidas, afirmando que todo princípio é apenas 
uma hipótese a ser testada; a crença de que somente as circunstâncias dimensionam 
corretamente o problema e é a partir dele (problema) que se deve buscar uma solução 
jurídica. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
 
141 
Anti-Fundacionalismo (ou Anti-Idealismo): é a rejeição de fundamentos últimos para as 
teorias e argumentos do Direito, ou seja, é a contraposição a argumentos metafísicos 
como suportes teóricos de decisões judiciais. O pragmatismo nega a possibilidade de que 
respostas às questões jurídicas possam ser deduzidas de ideias fundamentais de toda 
uma teoria. Rejeita assim um dedutivismo, em que existiriam princípios estruturais às 
teorias, funcionando como arquétipos dos quais poderiam ir sendo extraídas as soluções 
para todos os problemas jurídicos. (Manual de Humanísticas – Filippe Augusto dos 
Santos Nascimento) 
Contextualismo: enfatiza a importância do contexto histórico e das experiências 
humanas de cada sujeito nas investigações científicas ou discussões teóricas de justiça. 
Se todo o conhecimento é contextual, não faria sentido se pensar em conceitos 
abstratos, absolutos e válidos a qualquer tempo e em qualquer tipo de realidade. Posner 
chega a afirmar: "não apenas nosso conhecimento é local, como também é perspectivo, 
sendo moldado pelas condições históricas e outras condições nas quais é produzido". 
(Manual de Humanísticas – Filippe Augusto dos Santos Nascimento) 
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98. Inácio, servidor do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, foi instado, por seu 
superior hierárquico, a analisar a forma de substituição do juiz de direito titular do órgão 
jurisdicional localizado em Fernando de Noronha, nas situações de impedimento e 
suspeição. 
Após analisar o Código de Organização Judiciária, Inácio concluiu, corretamente, que a 
referida: 
(A) Vara Única Seccional não integra a Tabela de Substituição Automática do Estado, 
devendo a designação ser realizada pelo presidente do Tribunal de Justiça; 
(B) Vara Única Distrital não integra a Tabela de Substituição Automática do Estado, 
devendo a designação ser realizada pelo presidente do Tribunal de Justiça; 
(C) Vara Única Seccional integra a Tabela de Substituição Automática do Estado, na qual 
há prévia indicação do juízo substituto; 
(D) Vara Única Distrital integra o Código de Tabelamento Automático, no qual há prévia 
indicação do juízo substituto; 
(E) Vara Regional integra o Código de Tabelamento Automático, no qual há prévia 
indicação do juízo substituto. 
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GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
142 
 
Art. 8º, LC 100/2007 (Código de Organização Judiciária do Estado de Pernambuco): A 
Vara Única Distrital de Fernando de Noronha, de 1ª entrância, integra a 3ª circunscrição 
Judiciária, sendo provida por cargo de Juiz de Direito de 1ª Entrância, que terá jurisdição 
plena sobre a área territorial do Distrito Estadual de Fernando de Noronha. (Redação 
alterada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 452, de 26 de maio de 2021.) 
§1º A Vara Única Distrital de Fernando de Noronha, em virtude de sua situação 
geográfica, não integra a Tabela de Substituição Automática do Estado. (Acrescido pelo 
art. 1º da Lei Complementar nº 452, de 26 de maio de 2021.) 
§2º Nas férias, licenças, afastamentos, impedimentos e suspeição do Juiz, a 
substituição dar-se-á por designação do Presidente do Tribunal de Justiça dentre os 
integrantes da 3ª Circunscrição Judiciária, bem como pelos juízos da 11ª Região do 
Estado. (Acrescido pelo art. 1º da Lei Complementar nº 452, de 26 de maio de 2021.) 
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99. João, juiz de direito, endereçou ao órgão competente do Tribunal de Justiça do 
Estado de Pernambuco requerimento para que pudesse residir fora da Comarca em que 
atuava regularmente. Além disso, recebeu a informação de que fora solicitado o seu 
comparecimento ao órgão com competência para organizar e supervisionar o Núcleo de 
Gerenciamento de Precedentes do Tribunal. 
Os órgãos descritos na narrativa são, respectivamente: 
(A) o presidente do Tribunal e o corregedor-geral da justiça; 
(B) o corregedor-geral da justiça e o Conselho da Magistratura; 
(C) o Conselho da Magistratura e o 2º vice-presidente do Tribunal; 
(D) o presidente do Tribunal e o Conselho de Administração da Justiça Estadual; 
(E) o 1º vice-presidente do Tribunal e o Conselho de Administração da Justiça Estadual. 
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GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 37, Resolução 395/2017 (Regimento Interno do Tribunal de Justiça de 
Pernambuco): Compete ao Conselho da Magistratura: 
(...) 
 
143 
VIII - autorizar juízes a residirem fora da comarca; 
(...). 
Art. 32, Resolução 395/2017 (Regimento Interno do Tribunal de Justiça de 
Pernambuco): Compete ao 2º Vice-Presidente: 
(...) 
VI - organizar e supervisionar o Núcleo de Gerenciamento de Precedentes (NUGEP) do 
Tribunal; 
(...). 
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100. O Brasil é signatário de diferentes convenções de direitos humanos que vedam 
várias formas de discriminação direta. Você, contudo, se depara com uma situação que 
caracteriza discriminação indireta ou disparate impact. 
Tal situação se caracteriza quando: 
(A) ocorre alguma distinção, exclusão, restrição ou preferência que tenha o propósito 
ou o efeito de anular ou prejudicar o reconhecimento, gozo ou exercício em pé de 
igualdade de direitos humanos e liberdades fundamentais em qualquer campo da vida 
humana; 
(B) um ato deliberado e intencional do administrador público limita o acesso de um 
grupo vulnerável específico a determinados direitos fundamentais, sejam eles de 
natureza civil, política,econômica, social ou cultural; 
(C) certas políticas, práticas e normas, com natureza universal e neutras em relação aos 
seus destinatários, produzem consequências menos gravosas para um grupo e mais 
gravosas para outro grupo, sem que haja uma justificação razoável para isso; 
(D) existe a violação ou restrição de direitos humanos ou liberdades públicas das 
gerações futuras, como consequência de medidas adotadas pelas autoridades da 
geração presente, caracterizando, assim, uma situação de preferência geracional; 
(E) determinadas ações ou omissões praticadas por indivíduos ou grupos privados 
produzem como resultado indireto a restrição ou privação de direitos próprios da esfera 
pública, contribuindo para um cenário de maior precarização das camadas 
hipossuficientes da sociedade. 
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GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
144 
 
“A discriminação indireta também é conhecida como Teoria do Impacto 
Desproporcional. A Teoria do Impacto Desproporcional está atrelada aos conceitos de 
discriminação de fato e discriminação por ações neutras: 
i) Discriminação de Fato: ocorre quando a realidade é desigual e os atores envolvidos 
poderiam agir para encerrar a desigualdade, mas, por omissão, mantém a desigualdade 
de fato. 
ii) Discriminação por Ações Neutras: acontece quando há uma norma aparentemente 
neutra, que, na sua aplicação, efetivamente irá discriminar uma pessoa ou grupo, ou 
seja, a mera aplicação da norma leva à discriminação.” (Manual de Humanísticas – 
Filippe Augusto dos Santos Nascimento) 
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