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INQUÉRITO SOBRE ORÇAMENTO FAMILIAR - IOF 2019/20 INQUÉRITO SOBRE O ORÇAMENTO FAMILIAR – IOF 2019/20 Estado Nutricional das Crianças menores de 5 anos e Percepção dos Agregados Familiares sobre a Segurança Alimentar SUPLEMENTO RELATÓRIO FINAL Outubro de 2021 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 1 SUPLEMENTO RELATÓRIO FINAL Outubro de 2021 INQUÉRITO SOBRE O ORÇAMENTO FAMILIAR – IOF 2019/20 Estado Nutricional das Crianças menores de 5 anos e Percepção dos Agregados Familiares sobre a Segurança Alimentar 2 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 3 INQUÉRITO SOBRE ORÇAMENTO FAMILIAR – IOF 2019/20. ESTADO NUTRICIONAL DAS CRIANÇAS MENORES DE 5 ANOS E PERCEPÇÃO DOS AGREGADOS FAMILIARES SOBRE A SEGURANÇA ALIMENTAR. © 2021 Instituto Nacional de Estatística – Moçambique Reprodução autorizada, excepto para fins comerciais, com indicação da fonte bibliográfica PRESIDÊNCIA Eliza Mónica Ana Magaua Presidente FICHA TÉCNICA Título: Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20. Estado Nutricional das Crianças menores de 5 anos e Percepção dos Agregados Familiares sobre a Segurança Alimentar Relatório Final Editor: Instituto Nacional de Estatística Av. 24 de Julho, n° 1989, Caixa Postal 493. Maputo Telefones: +25821305529 Fax: +258 21305529 E_Mail: info@ine.gov.mz Homepage: www.ine.gov.mz Direcção Alexandre Marrupi, Pedro Duce, Cipriano Cláudio, Elísio Mazive e Ernesto Samo Coordenação: Armando Tsandzana e Gilberto Nhapure Produção: Tomás Zaba (Nutrição) e Finório Castigo (Segurança Alimentar) Amostragem: Carlos Creva Singano, Manuel Chapepa Revisão Dorothy Foote, Pedro Duce, Alexandre Marrupi, Elisio Mazive, Abdulai Dade e Gilberto Nhapure Crítica e Processamento: Tomás Zaba, Ramiro Mouzinho e Celso Zunguze Parceiros: Banco Mundial e UNICEF Design e Grafismo: Mário Chivambo Difusão: Instituto Nacional de Estatística Impressão: Oficinas Gráficas do INE 4 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 A/I Altura-para-Idade AE Áreas de Enumeração BP Baixo Peso cm Centímetros DA Desnutrição Aguda DAc Prevalência combinada da Desnutrição Aguda DAG Desnutrição Aguda Grave DC Desnutrição Crónica DP Desvio Padrão EB Edema Bilateral ENA Emergency Nutrition Assessment IC Intervalo de Confiança INE Instituto Nacional de Estatística IOF Inquérito Sobre o Orçamento Familiar JME Joint Malnutrition Estimates Kg Quilogramas MISAU Ministério da Saúde mm Milímetros OMS Organização Mundial de Saúde P/A Peso-para-Altura P/I Peso-para-Idade PB Perímetro Braquial SETSAN Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional UNICEF Fundo das Nações Unidas para a Infância UPA Unidade Primária de Amostragem ABREVIATURAS, ACRÓNIMOS E SÍMBOLOS Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 5 ÍNDICE GERAL 1. INTRODUÇÃO....................................................................................................................................7 2. DADOS E MÉTODOS ..........................................................................................................................8 2.1. População ........................................................................................................................... 8 2.2. Base de Amostragem ........................................................................................................... 8 2.3. Desenho da Amostra ............................................................................................................ 8 2.4. Cobertura e Taxas de Resposta do IOF 2019/2020 ................................................................. 9 2.5. Cálculo de Ponderadores para os Dados do IOF 2019/20 ........................................................ 9 2.6. Nível de Precisão das Estimativas ........................................................................................10 2.7. 2.7. Medição dos parametros de nutrição no IOF 2019/202 ....................................................10 2.7.1. Composição das Equipas e Supervisão das Actividades ..........................................................10 2.7.2. Treinamento das Equipas de Inquérito .................................................................................10 2.8. Recolha e Processamento de Dados .....................................................................................11 2.9. Variáveis e Indicadores: Definição, cálculo e interpretação dos dados antropométricos .............11 2.9.1. Variáveis ............................................................................................................................11 2.9.2. Indicadores ........................................................................................................................12 2.9.2.1. Definições, Cálculos e interpretação .....................................................................................12 3. RESULTADOS ..................................................................................................................................15 3.1. Qualidade dos Dados ..........................................................................................................15 3.2. Estado Nutricional das Crianças menores de 5 anos ...............................................................15 3.2.1. Prevalência da Desnutrição Crónica ......................................................................................15 3.2.1.1. Comparação da Prevalência da Desnutrição Crónica entre o IOF 2019/20, o IDS 2011 e o EdB do SETSAN 2013 ...................................................................................17 3.2.2. Prevalência da Desnutrição Aguda ........................................................................................19 3.2.2.1. Prevalência da Desnutrição Aguda por P/A e/ou EB ...............................................................19 3.2.2.2. Prevalência da Desnutrição Aguda por PB e/ou EB em crianças com idade entre 6-59 meses ................................................................................................................21 3.2.2.3. Prevalência Combinada da Desnutrição Aguda ......................................................................22 3.2.3. Prevalência do Baixo Peso ...................................................................................................23 3.2.3.1. Comparação da Prevalência do Baixo Peso entre IOF 2019/20, IDS 2011 e Estudo de Base (do SETSAN) 2013 .......................................................................................24 3.2.4. Prevalência de Sobrepeso ....................................................................................................25 3.2.4.1. Comparação da Prevalência do Sobrepeso entre IOF 2019/20, IDS 2011 e Estudo de Base (do SETSAN) 2013 .......................................................................................26 3.3. Percepção dos Agregados Familiares sobre a Segurança Alimentar ........................................27 4. ANEXOS .............................................................................................................................................28 4.1. Qualidade dos Dados Antropométricos ................................................................................28 5. REFERÊNCIAS .................................................................................................................................36 6 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 ÍNDICE DE GRÁFICOS GRÁFICO 4.1. Distribuição da amostra por sexo e idade .......................................................................30 GRÁFICO 4.2. Distribuição das preferências digitais do conjunto de dadosagregados. Moçambique, 2019/20 .........................................................................................................31 GRÁFICO 4.3. Distribuição das preferências digitais do conjunto de dados desagregados por província. Moçambique, 2019/20 .........................................................................................................31 GRÁFICO 4.4. Distribuição das preferências digitais da variável PB, do conjunto de dados. Moçambique, 2019/20 .........................................................................................................33 GRÁFICO 4.5. Calendário de Eventos Locais Estruturado ......................................................................35 ÍNDICE DE QUADROS QUADRO 2.1. Tamanho da Amostra de UPAs, Agregados Familiares, por Área de Residência e Província ............................................................................................................................. 9 QUADRO 2.2. Cobertura e taxas de Resposta por Província, unidades amostraIs (UPAs e Agregados Familiares) .............................................................................................. 9 QUADRO 2.3. Definição de Desnutrição Aguda, Desnutrição Crónica, Baixo Peso e Sobrepeso de acordo com referência da OMS 2006 ...............................................................................................14 QUADRO 2.4. Classificação da OMS para gravidade da prevalência da desnutrição em Crianças <5 anos ................................................................................................................14 QUADRO 2.5. Definição da Desnutrição Aguda pela OMS com base no PB .............................................14 QUADRO 3.1. Prevalência da desnutrição crónica em crianças menores de cinco anos de idade, por características demográficas seleccionadas......................................................................16 QUADRO 3.2. Comparação da prevalência da desnutrição crónica e crónica grave entre o IOF 2019/20, o IDS 2011 e o EdB (do SETSAN) 2013 por características demográficas seleccionadas ...............18 QUADRO 3.3. Prevalência da desnutrição aguda avaliada com base no peso-para-altura em crianças menores de cinco anos de idade, por características demográficas seleccionadas ....................20 QUADRO 3.4. Prevalência da desnutrição aguda avaliada com base no perímetro braquial em crianças com idade entre 6-59 meses, por características demográficas seleccionadas .................................21 QUADRO 3.5. Prevalência da desnutrição aguda combinada em crianças com idade entre 6-59 meses, por características demográficas seleccionadas......................................................................22 QUADRO 3.6. Prevalência do baixo peso em crianças menores de 5 anos de idade, por características demográficas seleccionadas .................................................................................................23 QUADRO 3.7. Comparação da prevalência do baixo peso e baixo peso grave entre IOF 2019/20, IDS 2011 e Estudo de Base (do SETSAN) 2013 por características demográficas seleccionadas ...............24 QUADRO 3.8. Prevalência do sobrepeso e obesidade em crianças menores de cinco anos de idade, por características demográficas seleccionadas......................................................................25 QUADRO 3.9. Comparação da prevalência do sobrepeso entre IOF 2019/20, IDS 2011 e Estudo de Base (do SETSAN) 2013 por características demográficas seleccionadas .........................................26 QUADRO 3.10. Percentagem de agregados familiares que passaram por dificuldades alimentares por falta de dinheiro ou outros meios nos últimos 12 meses anteriores à data da entrevista ..................27 QUADRO 4.0.1. Número de casos (e percentagem) com falta de informação para variáveis essências para as análises .........................................................................................................................30 QUADRO 4.0.2. Razão de sexo entre às crianças. Moçambique, 2019/20 ...............................................30 QUADRO 4.3. Percentagem de valores de ¬Z-score biologicamente não plausíveis por índice antropométrico ...................................................................................................................33 QUADRO 4.4. Sumário das estatísticas de tendência central e de dispersão em relação a amostra por cada índice antropométrico. Moçambique, 2019/20 .......................................................................34 QUADRO 4.5. Equipa de Supervisores ................................................................................................35 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 7 1. INTRODUÇÃO O Inquérito sobre o Orçamento Familiar (IOF) é uma das mais antigas pesquisas realizadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e Moçambique. O IOF realizado entre 2019 e 2020 (IOF 2019/20) é uma pesquisa por amostragem probabilística, estratificada e multi-etápica, baseada na amostra mãe 2017 - 2026 elaborada a partir dos dados e cartografia do Recenseamento Geral da População e Habitação 2017. Este inquérito é realizado por entrevista directa com o objectivo de obter dados sobre as despesas, receitas, informações sobre as características socio-demográficas dos agregados familiares. Nos questionários, foram incluídos os módulos destinados a recolher os dados antropométricos em crianças menores de cinco anos de idade e dados relacionados à percepção dos agregados familiares sobre a segurança alimentar. Tal como os IOF anteriores, as unidades de observação e análise deste são o agregado familiar e respectivos membros ali residentes. Cada agregado familiar seleccionado foi visitado durante 14 dias contínuos (aproximadamente uma quinzena) em um trimestre. A recolha de dados para o IOF foi feita durante um período de 12 meses, para representar a variação das despesas, receitas e outras características socio- económicas a nível geográfico e durante o ano. Os dados são representativos a nível Nacional, Provincial e por Áreas de Residência (Urbano e Rural) do nível Nacional. A amostra fornece estimativas precisas para cada nível indicado e permite fazer análises comparativas e evolutivas dos vários indicadores calculados. Os resultados de nutrição e segurança alimentar do IOF 2019/20 servirão de suporte para a formulação de políticas públicas, tomada de decisões estratégicas do sector privado e advocacia da sociedade civil e academia no geral, e informação para o acompanhamento da evolução das condições de vida da população que reside no território nacional. O último inquérito desta natureza foi realizado em 2014/2015 e abrangeu 11 592 agregados familiares. Deste modo, a maior parte da informação desses dois inquéritos é comparável, o que permite analisar os progressos alcançados. Embora tenha sido recolhida informação sobre a nutrição em crianças e segurança alimentar no IOF 2014/15, os dados não foram incluidos no relatório final. Desta vez, para dar maior visibilidade aos resultados, e manter a estrutura simplificada do relatório princiapal do IOF, os resultados são detalhadamente apresentados neste Suplemento do relatório principal. Este Suplemento apresenta resultados (i) sobre o estado nutricional das crianças menores de cinco anos de idade, especificamente a desnutrição crónica, a desnutrição aguda, o baixo peso e o sobrepeso, com base nas avaliações antropométricas e (ii) e os resultados da percepção dos agregados familiares em relação à segurança alimentar. 8 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 2. DADOS E MÉTODOS 2.1. População O universo do IOF 2019/20 corresponde à população residente em território nacional. Excluem-se os indivíduos que vivem na rua (sem casa) e os residentes em alojamentos colectivos, tais como hotéis, internatos,quarteis e similares. 2.2. Base de Amostragem A amostra do IOF 2019/20 foi selecionada a partir de uma base de amostragem, conhecida por “Amostra Mãe 2017-2026” construída a partir dos dados do Recenseamento Geral da População e Habitação de 2017 e que serve de fonte para extrair as amostras dos inquéritos destinados aos agregados familiares realizados pelo INE. 2.3. Desenho da Amostra A amostra do IOF 2019/20 foi dimensionada de modo independente para cada uma das 10 províncias, mais a Cidade de Maputo (como um domínio de análise). Para o dimensionamento da amostra utilizou-se a informação do IOF realizado em 2014/15, os erros relativos de amostragem mais elevados a nível provincial, não ultrapassando genericamente os 18%. A amostra foi desenhada a 95% de confiança para os domínios de análise planeados (nacional, nacional urbano, nacional rural e Provincial). Dentro de cada domínio de análise, a amostra é uma maquete dos vários estratos existentes (urbano: estratos socio-económicos, resto urbano; rural: zonas agro-ecológica), geo-localização (costa, fronteiriça e hinterland). Para evitar o impacto negativo das possíveis não respostas resultantes de desactualização da base de amostragem, a amostra obtida foi reforçada com agregados familiares de substituição, de modo que o número final de entrevistas conseguidas fosse próximo ao da amostra previamente dimensionada e necessário ao cumprimento dos critérios de precisão pretendidos. De modo a minimizar os efeitos sazonais nos resultados do inquérito, houve a preocupação de assegurar uma razoável dispersão temporal e geográfica dos agregados familiares da amostra. Assim, considerando que o período de observação de cada agregado familiar era de Catorze dias, distribuíram-se as unidades de alojamento de forma mais ou menos uniforme por 21 períodos idênticos (quinzena)1. A amostra do IOF 2019/20 foi desenvolvida e seleccionada em três etapas: • Na 1ª Etapa - foram seleccionadas 1.320 Unidades Primárias de Amostragem (UPAs ou áreas de controle) sistematicamente com probabilidades iguais da amostra mãe.; • Na 2ª Etapa - em cada UPA foi seleccionada uma única área de enumeração com PPS por cada UPA selecionada; • Na 3ª Etapa de amostragem - uma amostra de 12 agregados familiares foi seleccionada sistematicamente com probabilidade igual para as AEs urbanas, e 9 agregados familiares para os AEs rurais. No Quadro 2.1 apresenta-se a dimensão global das áreas de enumeração e amostra de agregados familiares onde foram recolhidos os dados para o presente relatório, designadamente, as medidas antropométricas das crianças menores de cinco anos de idade e os dados sobre a percepção dos agregados familiares em relação à segurança alimentar. 1Houve uma interrupção a partir de 02 de Junho de 2020 (aproximadamente 36 dias consecutivos sem trabalhos de campo) devido a situação da COVID-19 que não afectou tanto a sazonalidade das despesas e receitas como também a distribuição das quinzenas estabelecidas. Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 9 QUADRO 2.1. Tamanho da Amostra de UPAs, Agregados Familiares, por Área de Residência e Província Províncias Amostra de UPA's Nº de Agregados Familiares esperados Urbano Rural Total Urbano Rural Total AF Niassa 36 72 108 432 648 1 080 Cabo Delgado 32 72 104 384 648 1 032 Nampula 60 100 160 720 900 1 620 Zambézia 52 112 164 624 1 008 1 632 Tete 40 72 112 480 648 1 128 Manica 44 68 112 528 612 1 140 Sofala 48 64 112 576 576 1 152 Inhambane 44 56 100 528 504 1 032 Gaza 44 56 100 528 504 1 032 Maputo Província 72 56 128 864 504 1 368 Maputo Cidade 120 120 1 440 1 440 Total 592 728 1 320 7 104 6 552 13 656 2.4. Cobertura e Taxas de Resposta do IOF 2019/2020 Na sequência do trabalho de campo, foram obtidos os seguintes resultados: QUADRO 2.2. Cobertura e taxas de Resposta por Província, unidades amostraIs (UPAs e Agregados Familiares) Província Cobertura em UPA's Cobertura em Agregados Familiares Urbano Rural Total Urbano Rural Total N % N % N % N % N % N % Niassa 36 100,0% 69 95,8% 105 97,2% 431 99,8% 620 95,7% 1 051 97,3% Cabo Delgado 30 93,8% 68 94,4% 98 94,2% 356 92,7% 610 94,1% 966 93,6% Nampula 60 100,0% 98 98,0% 158 98,8% 687 95,4% 876 97,3% 1 563 96,5% Zambézia 51 98,1% 112 100,0% 163 99,4% 606 97,1% 1005 99,7% 1 611 98,7% Tete 40 100,0% 71 98,6% 111 99,1% 478 99,6% 637 98,3% 1 115 98,8% Manica 44 100,0% 66 97,1% 110 98,2% 524 99,2% 591 96,6% 1 115 97,8% Sofala 48 100,0% 62 96,9% 110 98,2% 572 99,3% 555 96,4% 1 127 97,8% Inhambane 44 100,0% 56 100,0% 100 100,0% 528 100,0% 503 99,8% 1 031 99,9% Gaza 42 95,5% 55 98,2% 97 97,0% 504 95,5% 494 98,0% 998 96,7% Maputo Província 72 100,0% 56 100,0% 128 100,0% 861 99,7% 504 100,0% 1 365 99,8% Maputo Cidade 118 98,3% _ _ 118 98,3% 1 401 97,3% 0 _ 1 401 97,3% Total 585 98,8% 713 97,9% 1 298 98,3% 6 948 97,8% 6395 97,6% 13 343 97,7% A taxa de respostas global ao nível de agregados familiares corresponde ao quociente entre o número de entrevistas conseguidas e válidas (13 343) e a dimensão da amostra (13 656), ou seja, 97,7%. A taxa de resposta mínima foi de 93,6% em Cabo Delgado e máxima de 99,9% em Inhambane 2.5. Cálculo de Ponderadores para os Dados do IOF 2019/20 Os dados do IOF 2019/20 foram ponderados com vista a corresponder ao tamanho e à estrutura da população por estrato urbano ou rural, ao nível de AFs e pessoas. Para além de que os dados também foram ajustados tendo em conta às “não-respostas”. Os ponderadores do IOF 2019/20 foram ajustados ao tamanho e à estrutura da população a meio do período da recolha de dados (Agosto de 2020). Ou seja, para que as estimativas do IOF 2019/20 fossem representativas da população, foi necessário multiplicar os dados por um factor de ponderação. O ponderador básico para cada agregado familiar seleccionado foi calculado como o inverso da sua probabilidade de 10 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 selecção (que se calcula, multiplicando as probabilidades para cada etapa de amostragem). O ponderador básico, ou factor de expansão, é calculado como o inverso desta probabilidade de selecção. Dado que os ponderadores foram calculados ao nível do conglomerado, também foi necessário ajustar os ponderadores a este nível. A soma dos ponderadores dos agregados familiares é igual ao total de agregados familiares no país e a multiplicação do número médio de membros em cada agregado familiar pelo total de agregados familiares deve ser igual ao total da população à metade do período da recolha de dados (15 de Agosto de 2020). 2.6. Nível de Precisão das Estimativas Como em todos os inquéritos por amostragem, os resultados são afectados por dois tipos de erros: Erros Amostrais e Erros Não Amostrais. O segundo tipo de erros pode ocorrer no processo de recolha, processamento e ou validação dos dados. Este segundo tipo de erro pode ser minimizado com uma boa elaboração de instrumentos de anotação, capacitação do pessoal de campo, uma adequada supervisão em todas as etapas do processo do inquérito, o controlo de qualidade na recolha de dados e uma validação de dados cautelosa e profunda. Mais adiante neste relatório descreve-se como foi controlado o segunto tipo de erro. Para o cálculo das Estimativas e outras estatísticas dos IOF tomou-se em conta os diferentes aspectos do desenho e amostragem, como é o caso da selecção das áreas de enumeração (AE). 2.7. 2.7. Medição dos parametros de nutrição no IOF 2019/202 2.7.1. Composição das Equipas e Supervisão das Actividades Nas províncias de Nampula e Zambézia, devido ao maior número de áreas a cobrir em relação as restantes províncias, foram alocados dois avaliadores para a antropometria, e noutras apenas um. Nas medições antropométricas, os avaliadores trabalhavam em colaboração com os controladores das equipas provinciais, também treinados em conjunto. Quanto à supervisão, foram constituídas equipas de supervisãocompostas por técnicos do Ministério da Saúde e do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional, com experiência comprovada na supervisão de inquéritos de nutrição (antropometria) em crianças e histórico de boa qualidade de dados. Esta equipa foi identificada, treinada nos moldes do IOF 2019/20 e coordenada pela UNICEF Moçambique 2.7.2. Treinamento das Equipas de Inquérito Todas equipas de inquérito foram submetidas a um treinamento de cinco dias sobre os aspectos técnico- teóricos e práticos sobre as medições antropométricas em crianças. O treinamento foi facilitado pelo UNICEF Moçambique. Um teste de padronização das medições antropométricas foi realizado durante um dia, onde cada equipa, em pares, mediram o peso, altura e perímetro braquial de 10 crianças em dois momentos diferentes com uma pausa entre os dois momentos. O objectivo foi de avaliar a precisão e acurácia dos avaliadores em fazer medições com qualidade necessária. Foram aprovados aqueles que tivessem passado do teste, segundo os resultados analisados no software (ENA for SMART software). No final do treinamento, em conjunto com outros conteúdos do IOF 2019/20, foi realizado um teste piloto numa comunidade da província de Maputo, para avaliar o desempenho das equipas de inquérito nas condições reais do campo. De seguida, foi feito o inquérito piloto que durou cerca de 60 dias onde as equipas foram enviadas às suas respectivas províncias. Os dados recolhidos foram analisados e foi verificada a qualidade dos mesmos, bem como a operacionalidade dos instrumentos de recolha de dados. Os resultados deste teste serviram para recalibrar os instrumentos e melhorar as instruções aos inquiridores no treinamento da equipe principal do inquérito. 2 A importância deste subcapítulo surge para elucidar a forma como os dados foram recolhidos de forma a garantir a qualidade de dados, segundo os padrões internacionais. Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 11 2.8. Recolha e Processamento de Dados Como descrito na secção sobre a recolha de dados e processamento do relatório principal do IOF 2019/20, a nivel dos agregados familiares, de uma forma geral, os dados eram recolhidos em três momentos durante os catorze dias de permanêncencia das equipas em cada agregado familiar. Entretanto, os dados da nutrição e da segurança alimentar foram recolhidos uma e única vez. Após a recolha de dados cada inquiridor tinha a obrigatoriedade de enviá-los ao servidor dos serviços centrais do INE. Os dados eram recebidos pela equipa de editores de dados para a análise de consistência. Em caso de inconsistência, estes eram devolvidos ao inquiridor para a devida correcção. Essa equipa era também responsável pela crítica, codificação e digitação dos questionários aprovados. Ao longo do período de recolha de dados, foi sendo feita a verificação da qualidade dos dados antropométricos e a retro- alimentação das respectivas equipas através dos supervisores de antropometria. Os inquiridores foram instruídos para enviarem regularmente os dados recolhidos no campo usando o Questionário em papel ou via Tablet, ao respectivo controlador. O controlador compilava todos os dados e enviava via internet para o sector de informática e crítica-codificação e digitação dos serviços centrais do INE. A equipa de crítica e codificação fazia uma análise da qualidade e atribuía códigos às perguntas abertas do questionário em papel. Somente os questionários aprovados é que passavam para a digitação. 2.9. Variáveis e Indicadores: Definição, cálculo e interpretação dos dados antropométricos 2.9.1. Variáveis a. Idade A idade da criança foi recolhida de duas formas: (i) mediante a extracção da data de nascimento dos documentos oficiais (cédula pessoal, cartão de saúde, entre outros) e registada no formato “DD/MM/AAAA” para dia/mês/ano; e (ii) mediante a estimação da idade com recurso ao uso de calendário de eventos locais (Anexo 4.2) para ajudar ao cuidador da criança a lembrar o ano e o mês em que a sua criança nasceu, e para o dia considerava-se a mediana 15. Este procedimento permitiu calcular com maior precisão os Z-scores usados para determinar o estado nutricional da criança. b. Peso O peso foi avaliado em crianças menores de cinco anos de idadee registado em quilogramas (Kg) com recurso à uma balança electrónica da marca SECA, referência 874, com função 2 em 1 (pesagem indirecta). Crianças que com alguma facilidade podiam ficar de pé por si próprias eram pesadas directamente na balança. Para as crianças que não podiam ficar de pé na balança por si próprias, a pesagem indirecta era feita com ajuda de algum membro da família. Dois membros de uma equipa trabalhavam de forma colaborativa para medir as crianças, com responsabiliades intrasmissíveis. c. Altura A altura era medida em crianças menores de cinco anos de idade em centimetro (cm) com uma casa decimal. Foi usado um altímetro de madeira padrão, para crianças. Crianças com idade inferior à dois anos eram medidas deitadas e aquelas com idade superior ou igual à dois anos eram medidas de pé. Em casos de situação contrária era indicado no questionário para permitir ajustes durante a análise conforme o caso. Dois membrosde uma equipa trabalhavam em colaboração para medir as crianças, com responsabiliades intrasmissíveis. 12 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 d. Perímetro Braquial (PB) O PB foi avaliado em crianças com idades entre 6-59 meses em centímetro (cm) com uma casa decimal e convertido em milímetro durante a análise. Todas as crianças eram avaliadas usando o braço esquerdo com recurso à fitas de PB para crianças. Dois membros de uma equipa trabalhavam em colaboração para medir as crianças, com responsabiliades intrasmissíveis. e. Edema Bilateral O edema bilateral foi avaliado em crianças com idades entre 0-59 meses. A presença ou ausência de edema bilateral em crianças foi registada como “sim” para presença ou “não” para ausência. A verificação da presença ou ausência de edema bilateral era feito pressionando os dois dedos polegares por três segundos continuos sobre os dois pés da criança em simultâneo. Qualquer caso suspeito requeria a confirmação por diferentes equipas, incluindo o supervisor, se presente naquele momento. 2.9.2. Indicadores 2.9.2.1. Definições, Cálculos e interpretação Conforme descrito no capítulo sobre a metodologia empregada neste inquérito, a amostra foi obtida com base em várias etapas. A análise dos dados antropométricos respeitou o desenho da amostra e os ponderadores da amostra, igualmente, foram calculados considerando a metodologia da amostragem. a. Desnutrição Crónica (DC) A DC é uma manisfestação física de uma desnutrição a longo termo que retarda o crescimento e desenvolvimento. É um factor de risco que contribui para a mortalidade infantil, e é também um marcador de desigualidades no desenvolvimento humano (Development Initiatives, 2020). Ela reflecte a falha em alcançar uma altura óptima em crianças menores de cinco anos de idade. A DC é estimada usando o índice Altura-para-Idade (A/I). A A/I foi calculada com recurso ao WHO Anthro Survey Analyzer comparando a altura observada de uma criança, com a altura mediana de crianças para aquela idade, em referência aos padrões de crescimento da população de referência da OMS 2006. A DC é soma de desnutrição crónica grave e desnutrição crónica moderada. Os pontos de coorte usados são apresentados no Quadro 2.3. b. Desnutrição Aguda (DA) A DA é uma manifestação física, consequência da incapacidade de um individuo consumir ou absorver nutrientes. A DA representa a falha na criança em receber nutrição adequada e pode ser resultado da ingestão alimentar inadequada ou um episódio recente de doença, que terá causado a perda de peso. Os dados antropométricos de crianças foram analisados considerando os critérios de exclusão da OMS: (peso-para-alturaou comprimento: < -5 ou > +5) e a população de referência da OMS (WHO and UNICEF, 2019). Critérios de exclusão do SMART para o perímetro braquial (PB) (PB <70 mm e > 235 mm) foram considerados (SMART, 2017). • Peso-para-Altura (P/A) O P/A é usado para diagnosticar a desnutrição aguda (perda de peso) em crianças menores de cinco anos de idade. O índice P/A foi calculado com recurso ao WHO Anthro Survey Analyzer comparando o peso observado de uma determinda criança com a mediana do peso de uma criança, em referência aos padrões de crescimento da população da OMS 2006. A DA é soma da Desnutrição Aguda Grave (DAG) e Desnutrição Aguda Moderada (DAM) (WHO and UNICEF, 2019). Os pontos de corte para o P/A são apresentados no Quadro 2.3. Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 13 • Perímetro Braquial (PB) O PB é também usado para diagnosticar a desnutrição aguda em crianças com idade entre 6-59 meses. É avaliada usando a fita de PB e medindo a circunferência do braço esquerdo. Entre crianças com idade entre 6-59 meses, a DA é a soma de DAG e DAM. A prevalência da desnutrição aguda foi calculada usando o ENA Software for SMART (SMART, 2017). Os pontos de coorte do PB são apresentados no Quadro 2.3. • Edema Bilateral (EB) Finalmente, o edema bilateral de causa nutricional, é também usado para avaliar a DA. Crianças com presença de edema bilateral são automaticamente considerados sofrendo de DAG, independemente dos valores de P/A ou PB. • Prevalência combinada da Desnutrição Aguda (DAc) A prevalência combinada da desnutrição aguda (DAc) é um indicador composto usado para avaliar a desnutrição aguda em crianças com idades entre 6-59 meses considerando tanto o P/A, PB e/ou edema bilateral. Estudos, incluindo os realizados em Moçambique, mostraram que os dois critérios recomendados pela OMS nem sempre detectam ou diagnosticam as mesmas crianças como tendo desnutrição aguda (discordância), de formas que, reportar prevalência calculada com base no P/A apenas ou prevalência calculada com base no PB apenas subestima a carga real do problema da desnutrição aguda na área em análise (Grellety and Golden, 2016; Zaba, Nyawo and Álvarez Morán, 2020). No caso especifico do estudo de Moçambique, o nível de concordância entre o P/A e PB mostrou-se ser raro (κ = 0,353; ρ < 0,001) e os resultados foram similares quando analisados por província (Zaba, Nyawo and Álvarez Morán, 2020). A DAc foi calculada com recurso ao ENA Software for SMART considerando a seguinte definição de caso: P/A <-2 DP ou PB < 125 mm ou presença de edema bilateral. A prevalência combinada da desnutrição aguda grave (DAGc) foi calculada considerando a dinificação de caso: P/A <-3 DP ou PB < 115 mm ou presença de edema bilateral, do conjunto de dados na base (Zaba, Nyawo and Álvarez Morán, 2020). b. Baixo Peso (BP) O BP é uma manifestação física tanto da DA como da DC. Em crianças menores de cinco anos de idade, o BP é estimado usando o índice Peso-para-Idade (P/I). O P/I foi estimado com recurso ao WHO Anthro Survey Analyzer, ao comparar o peso observado de uma determinada criança, com o peso médio de crianças da população de referência para determinada idade. Usando o P/I, a distribuição da amostra foi comparada contra a população de referência da OMS 2006. O BP é soma de baixo peso grave e baixo peso moderado. Os pontos de coorte usados são apresentados no Quadro 2.3 c. Sobrepeso e Obesidade O sobrepeso ou obesidade em crianças refere-se àquelas crianças que têm um peso corporal excessivo para a sua altura. Esta forma de malnutrição resulta de um dispêndio de calorias muito baixo em relação a quantidade ingerida, e isso aumenta o risco de desenolvimento de doenças não transmissiveis mais tarde na vida. Considera-se sobrepeso em crianças quando a criança tem o índice P/A maior que 2 DP, acima da mediana dos padrões de crescimento de uma criança de referência da OMS. Considera-se obesidade quando uma criança tiver o índice P/A maior que 3 DP acima da mediana dos padrões de crescimento de uma criança da OMS. As prevalências da DA (por P/A), DC, BP e o sobrepeso foram classificadas em termos gravidade dos seus níveis e significância em saúde pública segundo a OMS (Onis et al., 2018), conforme apresentado no Quadro 2.4. 14 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 QUADRO 2.3. Definição de Desnutrição Aguda, Desnutrição Crónica, Baixo Peso e Sobrepeso de acordo com referência da OMS 2006 Gravidade DA (P/A) DC (A/I) BP (P/I) Sobrepeso Global <-2 DP e/ou edema bilateral <-2 DP <-2 DP >+2 DP Grave <-3 DP e/ou edema bilateral <-3 DP <-3 DP >+3 DP Gravidade (Nível) DA (P/A) DC (A/I) BP (P/I) Sobrepeso Muito alto ≥ 15% ≥ 30% ≥ 30% ≥ 15% Alto ≥ 10% - <15% ≥ 20% - < 30% ≥ 20% - < 30% ≥ 10% - <15% Médio ≥ 5% - < 10% ≥ 10% - < 20% ≥ 10% - < 20% ≥ 5% - < 10% Baixo ≥ 2,5% - < 5% ≥ 2,5% - < 10% < 10% ≥ 2,5% - < 5% Muito baixo <2,5 <2,5 - <2,5 QUADRO 2.4. Classificação da OMS para gravidade da prevalência da desnutrição em Crianças <5 anos (Onis et al., 2018) QUADRO 2.5. Definição da Desnutrição Aguda pela OMS com base no PB Gravidade PB (mm) Global < 125 e/ou edema bilateral Grave < 115 e/ou edema bilateral Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 15 3. RESULTADOS 3.1. Qualidade dos Dados Antes de proceder com as análises de prevalências, a qualidade dos dados antropométricos foi exaustivamente analisada. O relatório desta análise é apresentado no Anexo 4.1 deste Suplemento e incluiu: (a) Completude na recolha de dados de todas variáveis; (b) Rácio sexo; (c) Preferências digitais do peso, altura e perímetro braquial; (d) Z-scores biologicamente não plausíveis; (e) Desvio padrão dos Z-scores e (f) Normalidade dos Z-scores. 3.2. Estado Nutricional das Crianças menores de 5 anos 3.2.1. Prevalência da Desnutrição Crónica O Quadro 3.1 apresenta a prevalência de crianças menores de 5 anos cuja altura é inferior em relação a sua idade, desagregado por características sociodemográficas seleccionadas. Mais abaixo no Quadro 3.2 são apresentados os resultados de uma análise comparativa mediante o cálculo do rácio entre as prevalências deste inquérito e as reportadas no Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) de 2011 (MISAU, INE and ICFI, 2011) e Estudo de Base (EdB) do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN) de 2013 (SETSAN, 2013). Em geral, os resultados apresentados no Quadro 3.1 mostram uma prevalência média nacional da desnutrição crónica de 38,0% (36,3;39,6) e 16,5% (15,2;17,9) de desnutrição crónica grave. Segundo a WHO e UNICEF, (2019), estes níveis observados na população são classificados em “muito alto” em termos de sua importância em saúde pública. Relativo à distribuição da desnutrição crónica com base nas características sociodemográficas seleccionadas, os resultados mostram que, na idade, a desnutrição crónica ocorre em níveis “muito alto” em crianças maiores de 12 meses de idade. Em relação ao sexo das crianças, tanto a desnutrição crónica assim como a sua forma grave afecta mais as crianças do sexo masculino que as do sexo feminino. Crianças que vivem em áreas rurais sofrem mais da desnutrição crónica, em níveis “muito alto”, em relação àquelas que vivem em áreas urbanas, em níveis classificados como “médio”. Crianças que vivem em agregados familiares cujos chefes não tem um nível de escolaridade completo e aqueles que têm o nível primário completo, são mais afectadas pela desnutrição crónica, em níveis classificados como “muito alto”. Por fim, a distribuição da prevalência da desnutrição crónica por província mostra uma variação entre elas. Todas as províncias da zona centro e norte mostram prevalências em níveis “muito alto”, sendo a província de Nampula com a prevalência mais alta. As províncias da zona sul têm prevalências que variam entre os níveis “médio” (Inhambane, Gaza e Maputo cidade) e nível“baixo” na província de Maputo. 16 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 QUADRO 3.1. Prevalência da desnutrição crónica em crianças menores de cinco anos de idade, por características demográficas seleccionadas Desnutrição Crónica(Altura-para-Idade) Características seleccionadas < -3 DP % (95% IC) < -2 DP % (95% IC) Desvio Padrão (DP Amostra não ponderada Amostra Ponderada** Idade em meses < 6 5,5 ( 4,0; 7,5) 15,5 (12,7; 18,7) 1,67 956 487 679 6-11 7,4 ( 5,5; 9,9) 22,9 (19,1; 27,2) 1,56 929 481 412 12-23 20,8 (18,1; 23,9) 45,7 (42,5; 48,9) 1,50 1 847 937 586 24-35 24,5 (21,4; 27,9) 49,5 (46,1; 52,8) 1,50 1 880 932 891 36-47 17,6 (15,2; 20,1) 41,6 (38,5; 44,7) 1,41 1 912 970 463 48-59 13,0 (10,9; 15,4) 33,9 (30,7; 37,1) 1,23 1 635 803 251 Sexo Masculino 18,3 (16,6; 20,2) 41,2 (39,1; 43,3) 1,54 4 498 2 300 484 Feminino 14,7 (13,2; 16,3) 34,8 (32,7; 36,8) 1,51 4 661 2 312 798 Área de residência Urbano 10,6 ( 9,1; 12,3) 27,7 (25,3; 30,2) 1,50 4 078 1 347 599 Rural 18,9 (17,2; 20,7) 42,2 (40,2; 44,2) 1,52 5 081 3 265 684 Nível de Escolaridade Completo do Chefe do AF Nenhum 20,6 (18,2; 23,2) 43,8 (41,4; 46,3) 1,51 2 961 1 699 861 Primário 14,5 (12,9; 16,3) 36,4 (34,1; 38,8) 1,48 3 533 1 742 496 Secundário 9,7 ( 7,8; 11,9) 27,6 (24,4; 31,0) 1,44 1 442 586 680 Superior 1,1 ( 0,3; 3,6) 7,1 ( 4,2; 11,8) 1,28 263 81 567 Desconhecido 6,5 ( 1,5; 24,0) 21,0 ( 9,5; 40,3) 1,60 40 16 913 Província Niassa 19,0 (15,7; 22,9) 43,3 (39,6; 47,2) 1,68 896 358 475 Cabo Delgado 17,6 (14,0; 22,0) 45,0 (40,3; 49,8) 1,41 720 370 786 Nampula 25,9 (22,1; 30,0) 46,7 (42,6; 50,9) 1,79 1 142 1 019 450 Zambézia 19,9 (17,4; 22,7) 44,6 (41,1; 48,2) 1,39 1 284 986 425 Tete 11,7 ( 8,9; 15,2) 34,1 (29,2; 39,5) 1,38 803 449 531 Manica 12,3 ( 9,4; 15,9) 37,0 (32,8; 41,3) 1,26 945 328 679 Sofala 12,7 (10,0; 16,0) 35,9 (31,1; 41,0) 1,43 937 365 367 Inhambane 4,7 (3,0; 7,2) 18,3 (15,1; 22,1) 1,28 534 181 966 Gaza 6,9 (4,7; 10,0) 20,9 (16,7; 25,8) 1,31 618 189 641 Maputo Província 1,5 (0,8; 2,9) 8,1 (5,9; 11,1) 1,15 684 255 862 Maputo Cidade 2,0 (1,0; 4,0) 11,6 (8,9; 15,0) 1,27 596 107 100 Total 16,5 (15,2 - 17,9) 38,0 (36,3 - 39,6) 1,53 9 159 4 613 283 * Amostra não ponderada corresponde ao número de crianças avaliadas durante o inquérito. **Amostra ponderada corresponde ao número de população representada na amostra, que neste caso particular do IOF é a população projectada até ao meio do processo de recolha de dados, dia 15 de Agosto de 2020. Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 17 3.2.1.1. Comparação da Prevalência da Desnutrição Crónica entre o IOF 2019/20, o IDS 2011 e o EdB do SETSAN 2013 Os resultados da análise comparativa entre IOF 2019/20 em relação ao IDS 2011 mostram um rácio de 0,84 e 0,89 para desnutrição crónica geral e desnutrição crónica grave respectivamente; Em relação ao EdB de 2013, o rácio é de: 0,88 e 0,69 para desnutrição crónica geral e desnutrição crónica grave, respectivamente (Quadro 3.2). Em outra palavras, os resultados mostram que a prevalência da desnutrição crónica no IOF 2019/20 foi menor em relação as prevalências reportadas em 2011 e 2013 respectivamente. Nas características sociodemográficas seleccionadas, a análise de comparação com o IDS 2011 mostrou haver uma redução da prevalência quase à metade em crianças menores de 6 meses que sofrem de desnutrição crónica e desnutrição crónica grave (rácio: 0,56 e 0,42). Crianças com idade entre 12-23 meses continuam sendo afectadas nas mesmas proporções que as observadas no IDS 2011, inclusive na forma grave das desnutrição crónica. Alguma redução nas prevalências foi observada entre crianças do sexo masculino e feminino, em relação ao IDS 2011: rácio 0,92 e 0,85 para crianças do sexo masculino e 0,85 e 0,82 crianças do sexo feminino para desnutrição crónica e desnutrição crónica grave. Houve uma redução na prevalência em crianças que residem em áreas urbanas em relação ao IDS 2011 assim como o EdB. Nas análises por províncias, apesar dos níveis continuarem a ser “muito alto”, em algumas delas nota- se uma redução considerável em relação ao IDS 2011 e o EdB de 2013. É o caso de todas províncias da zona Sul do país onde a redução chega a ser mais da metade em relação ao IDS 2011 e ao EdB de 2013: Inhambane com o rácio de 0,51 e 0,30 no IDS, 0,59 e 0,36 no EdB para desnutrição crónica e crónica grave respectivamente; Gaza com o rácio de 0,78; 0,81 no IDS e 0,54 e 0,50 no EdB, Maputo província com rácio de 0,36 e 0,25 no IDS e 0,32 e 0,12 no EdB e Maputo cidade: 0,50 e 0,27 no IDS e 0,37 e 0,13 no EdB. Nas províncias de Manica e Sofala, em relação ao IDS, a redução na prevalência não é tão considerável quando comparado com a do EdB. O resto das províncias embora alguma redução, não é comparável às outras províncias. Interpretação do rácio da prevalência: a. Se o rácio é igual 1.0, significa que a prevalência do IOF 2019-20 é igual à prevalência do outro inquérito em comparação. b. Se o rácio é maior que 1.0, significa que a prevalência do IOF 2019- 20 é maior em relação à prevalência do outro inquérito em comparação. c. Se o rácio é menor que 1.0, significa que a prevalência do IOF 2019- 20 é menor em relação à prevalência do outro inquérito em comparação. 18 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 QUADRO 3.2. Comparação da prevalência da desnutrição crónica e crónica grave entre o IOF 2019/20, o IDS 2011 e o EdB (do SETSAN) 2013 por características demográficas seleccionadas Desnutrição Crónica (Altura-para-idade) Características seleccionadas IOF 2019/20 IDS 2011 Estudo de Base (SETSAN) 2013 Rácio IOF 2019/20:IDS 2011 Rácio IOF 2019/20:EdB 2013 <-3 DP <-2 DP <-3 DP <-2 DP <-3 DP <-2 DP <-3 DP <-2 DP <-3 DP <-2 DP Idade em meses < 6 5,5 15,5 12,8 27,6 - - 0,43 0,56 - - 6-11 7,4 22,9 -* - - - - - - - 12-23 20,8 45,7 - - - - - - - - 24-35 24,5 49,5 22,9 49,3 - - 1,07 1,00 - - 36-47 17,6 41,6 22,8 47,0 - - 0,77 0,89 - - 48-59 13.0 33,9 17,0 41,6 - - 0,76 0,81 - - Sexo Masculino 18,3 41,2 21,5 44,7 - - 0,85 0,92 - - Feminino 14,7 34,8 17,9 40,5 - - 0,82 0,86 - - Área de residência Urbano 10,6 27,7 15,4 35,0 21,5 38,8 0,69 0,79 0,49 0,71 Rural 18,9 42,2 21,3 45,5 25,0 45,1 0,89 0,93 0,76 0,94 Nível de Escolaridade Completo do Chefe do AF Nenhum 20,6 43,8 23,4 47,0 - - 0,88 0,93 - - Primário 14,5 36,4 19,2 43,0 - - 0,76 0,85 - - Secundário 9,7 27,6 8,8 26,9 - - 1,10 1,03 - - Superior 1,1 7,1 - - - - - - - - Desconhecido 6.5 21 36,9 49,3 - - 0,18 0,43 - - Província Niassa 19,0 43,3 24,0 46,8 21,9 44,0 0,79 0,93 0,87 0,98 Cabo Delgado 17,6 45,0 26,8 52,8 28,6 50,1 0,66 0,85 0,62 0,90 Nampula 25,9 46,7 30,0 55,3 30,3 49,5 0,86 0,84 0,85 0,94 Zambézia 19,9 44,6 21,0 45,2 20,6 40,9 0,95 0,99 0,97 1,09 Tete 11,7 34,1 19,3 44,2 32,0 51,8 0,61 0,77 0,37 0,66 Manica 12,3 37,0 18,2 41,9 29,0 47,9 0,68 0,88 0,42 0,77 Sofala 12,7 35,9 14,8 35,7 36,0 47,7 0,86 1,01 0,35 0,75 Inhambane 4,7 18,3 15,8 36,0 13,0 30,9 0,30 0,51 0,36 0,59 Gaza 6,9 20,9 8,5 26,8 13,9 39,0 0,81 0,78 0,50 0,54 Maputo Província 1,5 8,1 6,0 22,7 12,3 25,0 0,25 0,36 0,12 0,32 Maputo Cidade 2,0 11,6 7,4 23,2 14,9 31,0 0,27 0,50 0,13 0,37 Total 16,5 38,0 19,7 42,6 24,0 43,3 0,84 0,89 0,69 0,88 * Os traços indicam que informação para aquela característica sociodemográfica não está disponível no relatório original do inquérito. Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 19 3.2.2. Prevalência da Desnutrição Aguda Conforme descrito no subcapítulo sobre a definição dos indicadores, a desnutrição aguda foi avaliada com base em dois parâmetros antropométricos(i) P/A e (ii) PB, incluindo o (iii) sinal clínico da presença de EB. Os resultados sobre a desnutrição aguda são apresentados por cada parâmetro antropométrico, incluindo o EB, e da combinação dos três. Sendo a desnutrição aguda um problema cuja sua evolução varia de acordo com época sazonal, nenhuma análise comparativa é feita. Isto deve-se ao facto do período de recolha de dados do IOF 2019/20 ter incluído todas as épocas sazonais do ano (Dezembro de 2019 a Novembro de 2020) e o IDS ter coberto apenas o período de colheita e início da época de escassez de alimentos (Junho a Novembro de 2011) (MISAU, INE and ICFI, 2011) e o EdB do SETSAN 2013 ter coberto uma parte do período de escassez de alimentos (Novembro de 2013 a Janeiro de 2014) (SETSAN, 2013). 3.2.2.1. Prevalência da Desnutrição Aguda por P/A e/ou EB Segundo apresentado no Quadro 3.3, com base no P/A e/ou EB, a prevalência média nacional foi de 4,5% (3,8; 5,2) e 1,5% (1,2; 1,9) de DAG, com 42 casos de EB identificados. A prevalência observada é classificada em nível “baixo”. As análises por características sociodemográficas selecionadas mostram que, na idade, as crianças menores de 24 meses de idade são mais afectadas, com prevalências classificadas em nível “médio” e crianças com idades entre 24 e 35 meses, com prevalência classificada em “baixo” e o resto em nível “muito baixo”. As crianças do sexo masculino e feminino são afectadas em practicamente mesmas proporções, inclusive a DAG. O mesmo observa-se entre crianças que vivem em áreas urbanas e as que vivem em áreas rurais. Em ambas características, as prevalências são classificadas em nível “baixo”. As crianças que vivem em agregados familiares cujo chefe não tem um nível de escolaridade completo são mais afectadas pela desnutrição aguda com prevalência classificada em “médio”, em relação ás restantes categorias, cujas prevalências são classificadas em “baixo”. Nas províncias de Niassa, Cabo Delgado, Zambézia, Tete, Sofala, Gaza e Maputo Província, as prevalências são classificadas em nível “baixo”. Nas províncias de Sofala e Maputo Cidade os níveis são classificados em “muito baixo”. Todas estas províncias têm prevalência de DAG <2,0%. Uma situação particular nota-se na província de Nampula onde a prevalência esteve em nível “médio”, com a prevalência de DAG em 3,3% (2,3; 4,7). 20 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 QUADRO 3.3. Prevalência da desnutrição aguda avaliada com base no peso-para-altura em crianças menores de cinco anos de idade, por características demográficas seleccionadas Desnutrição Aguda por Peso-para-Altura Características seleccionadas < -3 DP % (95% IC) < -2 DP % (95% IC) Desvio Padrão (DP) Casos de EB Amostra não ponderada* Amostra Ponderada** Idade em meses < 6 2,9 (1,9; 4,5) 7,2 (5,3; 9,9) 1,44 5 946 482 016 6-11 3,1 (1,9; 5,1) 7,9 (6,1; 10,3) 1,32 5 934 484 623 12-23 1,7 (1,0; 2,7) 5,9 (4,6; 7,6) 1,18 9 1 842 934 405 24-35 0,9 (0,5; 1,7) 4,0 (2,5; 6,2) 1,1 10 1 879 936 460 36-47 1,1 (0,7; 1,9) 2,6 (1,9; 3,6) 1,11 7 1 903 966 196 48-59 0,6 (0,2; 1,5) 1,9 (1,2; 2,9) 0,97 6 1 626 799 804 Sexo Masculino 1,7 (1,3; 2,3) 4,3 (3,6; 5,3) 1,19 22 4 501 2 303 823 Feminino 1,3 (0,9; 1,8) 4,6 (3,8; 5,6) 1,15 20 4 638 2 304 773 Área de residência Urbano 1,6 (1,1; 2,4) 4,1 (3,3; 5,1) 1,12 20 4 075 1 346 290 Rural 1,5 (1,1; 2,0) 4,6 (3,8; 5,6) 1,19 22 5 064 3 262 306 Nível de Escolaridade Completo do Chefe do AF Nenhum 1,9 (1,3; 2,8) 5,1 (3,9; 6,7) 1,19 16 2 955 1 698 384 Primário 1,3 (0,8; 2,0) 3,8 (3,0; 4,8) 1,13 13 3 530 1 743 076 Secundário 0,6 (0,3; 1,0) 2,8 (1,9; 4,0) 1,12 5 1 435 584 509 Superior 2,2 (0,9; 5,0) 3,3 (1,5; 7,4) 1,1 4 265 82 052 Desconhecido 0,0 (0,0; 0,0) 0,0 (0,0; 0,0) 1,13 0 40 16 913 Província Niassa 1,2 (0,6; 2,4) 4,1 (2,7; 6,2) 1,23 4 879 353 596 Cabo Delgado 1,0 (0,5; 2,1) 2,7 (1,7; 4,2) 1,11 2 724 371 781 Nampula 3,3 (2,3; 4,7) 9,1 (7,1; 11,6) 1,35 11 1 130 1 011 901 Zambézia 1,3 (0,7; 2,6) 3,9 (2,8; 5,3) 1,06 6 1 290 992 120 Tete 0,4 (0,1; 1,4) 2,9 (2,0; 4,3) 1,16 1 804 450 633 Manica 1,0 (0,4; 2,6) 2,3 (1,3; 3,8) 1,06 6 943 327 828 Sofala 0,7 (0,3; 1,3) 3,4 (2,3; 5,1) 1,13 4 939 367 116 Inhambane 1,0 (0,4; 2,5) 2,2 (1,1; 4,2) 1,08 1 533 181 427 Gaza 1,4 (0,6; 3,6) 3,0 (1,8; 5,0) 1,12 1 616 188 774 Maputo Província 0,9 (0,4; 1,9) 2,5 (1,5; 4,2) 1,01 5 684 255 869 Maputo Cidade 0,6 (0,2; 1,9) 1,4 (0,7; 2,9) 1,04 1 597 107 551 Total 1,5 (1,2; 1,9) 4,5 (3,8; 5,2) 1,17 42 9 139 4 608 596 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 21 3.2.2.2. Prevalência da Desnutrição Aguda por PB e/ou EB em crianças com idade entre 6-59 meses Apesar do PB ser um método usado para diagnosticar a desnutrição aguda recomendado pela OMS, não existem padrões internacionalmente aceites para classificar a prevalência da desnutrição aguda determinada com base no PB. Assim sendo, neste relatório não é feita nenhuma classificação. Os resultados são apresentados na Quadro 3.4. A prevalência média nacional da desnutrição aguda com base no PB foi de 3,1% (2,7; 3,5) e 1,0% (0,8; 1,3) de DAG. À semelhança da prevalência com base no P/A, a medida que a criança cresce, menos é afectada pela desnutrição aguda. São mais afectadas as crianças com idade entre 6-11 meses 7,4% (5,9; 9,3) com DAG em 2,1% (1,4; 3,3) e 12-23 meses 5,5% (4,6; 6,7) e DAG em 1,6% (1,1; 2,2). As crianças do sexo masculino tiveram uma prevalência relativamente alta em relação às do sexo feminino, mas com practicamente mesmos casos de EB. Por área de residência, crianças que vivem em áreas rurais tiveram uma prevalência de 3,9% (3,4; 4,5), com 19 casos de EB, em relação às das áreas urbanas com 2,0% (1,6; 2,5) e 18 casos de EB. A nível das províncias, Nampula e Zambézia foram as que tiveram as prevalências mais altas em relação as restantes províncias 6,7% (5,0; 8,9) e 5,6% (4,4; 7,2), respectivamente. QUADRO 3.4. Prevalência da desnutrição aguda avaliada com base no perímetro braquial em crianças com idade entre 6-59 meses, por características demográficas seleccionadas Desnutrição Aguda por Perímetro Braquial Características seleccionadas <115 mm % (95% IC) <125 mm % (95% IC) Casos de EB Amostra não ponderada Amostra Ponderada Idade em meses < 6 n.a n.a n.a n.a 482 016 6-11 2,1 (1,4; 3,3) 7,4 (5,9; 9,3) 5 968 484 623 12-23 1,6 (1,1; 2,2) 5,5 (4,6; 6,7) 9 1 909 934 405 24-35 0,9 (0,6; 1,5) 2,6 (2,0; 3,4) 10 1 962 936 460 36-47 0,6 (0,3; 1,0) 1,0 (0,6; 1,6) 7 1 984 966 196 48-59 0,5 (0,2; 0,9) 0,7 (0,4; 1,3) 6 1 708 799 804 Sexo Masculino 0,9 (0,7; 1,3) 3,6 (3,1; 4,2) 18 4 341 2 303 823 Feminino 1,1 (0,9; 1,5) 2,5 (2,1; 3,0) 19 4 190 2 304 773 Área de residência Urbano 0,9 (0,6; 1,2) 2,0 (1,6; 2,5) 18 3 832 1 346 290 Rural 1,2 (0,9; 1,5) 3,9 (3,4; 4,5) 19 4 699 3 262 306 Nível de Escolaridade Completo do Chefe do AF Nenhum 1,2 (0,8; 1,7) 3,7 (3,0; 4,4) 13 2 821 1 698 384 Primário 0,9 (0,6; 1,3) 2,9 (2,4; 3,6) 13 3 282 1 743 076 Secundário 0,4 (0,2; 0,9) 1,1 (0,6; 1,8) 3 1 348 584 509 Superior 2,1 (0,9; 5,0) 2,1 (0,9; 5,0) 4 240 82 052 Desconhecido 0 (0,0; 9,8) 0 (0,0; 9,8) 0 35 16 913 Província Niassa 0,5 (0,2; 1,3) 1,7 (1,0; 2,9) 3 882 353 596 Cabo Delgado 0,5 (0,2; 1,5) 1,8 (0,9; 3,3) 1 655 371 781 Nampula 2,7 (1,8; 4,0) 6,7 (5,0; 8,9) 11 1 086 1 011 901 Zambézia 1,6 (1,0; 2,4) 5,6 (4,4; 7,2) 6 1 181 992 120 Tete 0,7 (0,3; 1,7) 3,1 (1,9; 4,9) 1 731 450 633 Manica 0,6 (0,2; 1,4) 1,7 (1,0; 2,7) 4 865 327 828 Sofala 0,9 (0,5; 1,8) 3,0 (2,0; 4,5) 4 913 367 116 Inhambane 1,0 (0,4; 2,9) 2,5 (1,3; 4,6) 1 514 181 427 Gaza 0,7 (0,3; 1,9) 2,3 (1,1; 4,9) 1 579 188 774 Maputo Província 1,1 (0,6; 2,3) 1,1 (0,6; 2,3) 5 633 255 869 Maputo Cidade 0,2 (0,0; 1,3) 0,4 (0,1; 1,5) 1 552 107 551 Total 1,0 (0,8; 1,3) 3,1 (2,7; 3,5) 38 8 531 4 608 596 22 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 3.2.2.3. Prevalência Combinada da Desnutrição AgudaAinda não existem padrões internacionalmente aceites para classificar os níveis da desnutrição aguda com base na prevalência combinada. Por isso, neste relatório não é feita nenhuma classificação. Conforme apresentado no Quadro 3.5, a prevalência média nacional foi de 5,2% (4,8; 5,8) e 1,5% (1,3; 1,8) de DAG. Análises por características sociodemográficas seleccionadas mostram uma prevalência de 11,5% (9,9; 14,1) e 3,4% (2,4; 4,7) de DAG em crianças com idade entre 6 a 11 meses e 7,7% (6,6; 9,0) e 2,1% (1,5; 2,9) de DAG em crianças com idade entre 12 a 23 meses. Nas crianças do sexo masculino, a prevalência foi 4,7% (4,1; 5,4) e 1,5% (1,1; 1,8) de DAG em relação à 5,4% (4,8; 6,2) e 1,6% (1,3; 2,0) de DAG em crianças do sexo feminino. A nível das províncias, a prevalência mais alta foi observada na província de Nampula com 11,3% (9,2; 13,8) e 4,3% (3,2; 5,8) de DAG, seguido da província da Zambézia com 6,8% (5,4; 8,4) e 1,8% (1,2; 2,8) de DAG, Sofala: 5,3% (3,9; 7,2) e 1,5% (0,9; 2,5) de DAG e Tete: 5,0% (3,6; 6,8) e 0,8% (0,4; 1,8) de DAG. Nas restantes províncias, a prevalência foi abaixo de 5,0%. QUADRO 3.5. Prevalência da desnutrição aguda combinada em crianças com idade entre 6-59 meses, por características demográficas seleccionadas Desnutrição Aguda Combinada Características seleccionadas P/A <-3 DP ou PB <115 mm ou EB % (95% IC) P/A <-2 DP ou PB <125 mm ou EB % (95% IC) Casos EB Amostra não ponderada Amostra Ponderada Idade em meses < 6 n.a n.a n.a n.a n.a 6-11 3,4 (2,4; 4,7) 11,5 (9,9; 14,1) 5 968 484 623 12-23 2,1 (1,5; 2,9) 7,7 (6,6; 9,0) 9 1 909 934 405 24-35 1,2 (0,8; 1,8) 4,1 (3,3; 5,0) 10 1 962 936 460 36-47 1,2 (0,8; 1,7) 3,1 (2,4; 3,9) 7 1 984 966 196 48-59 0,6 (0,3; 1,1) 2 (1,5; 2,83) 6 1 708 799 804 Sexo Masculino 1,5 (1,1; 1,8) 4,7 (4,1; 5,4) 18 4 341 2 303 823 Feminino 1,6 (1,3; 2,0) 5,4 (4,8; 6,2) 19 4 190 2 304 773 Área de residência Urbano 1,3 (0,9; 1,7) 4,1 (3,5; 4,7) 18 3 832 1 346 290 Rural 1,7 (1,4; 2,2) 5,9 (5,3; 6,6) 19 4 699 3 262 306 Nível de Escolaridade Completo do Chefe do AF Nenhum 1,7 (1,3; 2,3) 5,9 (5,1; 6,8) 13 2 821 1 698 384 Primário 1,3 (0,9; 1,7) 4,6 (4,0; 5,4) 13 3 282 1 743 076 Secundário 0,7 (0,4; 1,3) 2,7 (2,0; 3,8) 3 1 348 584 509 Superior 2,5 (1,1; 5,3) 3,8 (2,0; 7,0) 4 240 82 052 Desconhecido 0 (0,0; 9,8) 0 (0,0; 9,8) 0 35 16 913 Província Niassa 1,1 (0,6; 2,1) 4,8 (3,3; 6,9) 3 882 353 596 Cabo Delgado 1,1 (0,5; 2,3) 4,0 (2,7; 5,8) 1 655 371 781 Nampula 4,3 (3,2; 5,8) 11,3 (9,2; 13,8) 11 1 086 1 011 901 Zambézia 1,8 (1,2; 2,8) 6,8 (5,4; 8,4) 6 1 181 992 120 Tete 0,8 (0,4; 1,8) 5,0 (3,6; 6,8) 1 731 450 633 Manica 0,7 (0,3; 1,6) 2,9 (2,0; 4,4) 4 865 327 828 Sofala 1,5 (0,9; 2,5) 5,3 (3,9; 7,2) 4 913 367 116 Inhambane 1,2 (0,5; 3,1) 3,3 (1,0; 5,6) 1 514 181 427 Gaza 1,4 (0,6; 3,3) 4,7 (3,0; 7,2) 1 579 188 774 Maputo Província 1,1 (0,6; 2,3) 2,7 (1,6; 4,6) 5 633 255 869 Maputo Cidade 0,4 (0,1; 1,5) 1,5 (0,8; 2,9) 1 552 107 551 Total 1,5 (1,3; 1,8) 5,2 (4,8; 5,8) 37 8 531 4 608 596 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 23 Baixo peso (Peso-para-idade) Características seleccionadas < -3 DP % (95% IC) < -2 DP % (95% IC) Desvio Padrão (DP) Amostra não ponderada Amostra Ponderada Idade em meses < 6 4,5 (3,2; 6,4) 11,2 (8,9; 14,0) 1,44 980 499 979 6-11 5,5 (3,8; 7,9) 15,4 (12,7; 18,5) 1,39 946 491 111 12-23 6,1 (4,7; 7,9) 18,1 (15,7; 20,8) 1,27 1 860 944 048 24-35 5,8 (4,2; 8,0) 16,9 (14,5; 19,6) 1,20 1 906 951 238 36-47 2,7 (2,0; 3,6) 13,9 (11,9; 16,3) 1,13 1 932 982 367 48-59 2,4 (1,5; 4,0) 13,7 (11,6; 16,1) 0,97 1 646 809 217 Sexo Masculino 5,1 (4,3; 6,1) 16,6 (15,0; 18,4) 1,25 4 559 2 332 401 Feminino 3,8 (3,1; 4,6) 13,8 (12,5; 15,3) 1,2 4 711 2 345 559 Área de residência Urbano 3,1 (2,4; 4,0) 10,7 ( 9,2; 12,4) 1,18 4 140 1 374 833 Rural 5,0 (4,2; 6,0) 17,1 (15,5; 18,7) 1,23 5 130 3 303 127 Nível de Escolaridade Completo do Chefe do AF Nenhum 5,2 (4,3; 6,5) 17,7 (15,7; 20,0) 1,24 2 990 1 719 277 Primário 3,9 (3,0; 5,1) 14,2 (12,5; 16,1) 1,16 3 580 1 768 051 Secundário 2,6 (1,8; 3,8) 9,6 ( 7,4; 12,2) 1,18 1 464 596 464 Superior 1,8 (0,7; 4,7) 4,2 ( 2,1; 8,2) 1,09 265 82 052 Desconhecido 0,0 (0,0; 0,0) 5,4 ( 1,2; 20,5) 1,23 40 16 913 Província Niassa 3,6 (2,4; 5,3) 14,1 (11,5; 17,3) 1,26 914 361 857 Cabo Delgado 3,7 (2,5; 5,4) 17,7 (14,2; 21,9) 1,13 730 374 419 Nampula 7,0 (5,3; 9,0) 21,4 (18,3; 24,9) 1,38 1 176 1 048 434 Zambézia 5,5 (4,0; 7,6) 18,9 (16,0; 22,2) 1,12 1 294 995 433 Tete 3,7 (2,4; 5,7) 12,7 (10,0; 16,0) 1,17 811 454 865 Manica 2,1 (1,3; 3,5) 11,6 ( 9,0; 14,8) 1,03 946 328 626 Sofala 4,6 (3,1; 6,6) 13,1 (10,4; 16,4) 1,18 962 378 119 Inhambane 1,9 (0,9; 4,0) 4,7 ( 3,1; 7,1) 1,09 534 181 966 Gaza 2,2 (1,2; 3,8) 6,7 ( 4,7; 9,6) 1,08 619 190 059 Maputo Província 1,7 (0,9; 3,2) 4,5 ( 3,0; 6,7) 1,01 685 256 364 Maputo Cidade 0,8 (0,3; 2,1) 2,4 ( 1,4; 3,9) 1,07 599 107 818 Total 4,5 (3,8; 5,2) 15,2 (14,0; 16,5) 1,23 9 270 4 677 960 3.2.3. Prevalência do Baixo Peso A prevalência média nacional do baixo peso foi de 15,2% (14,0; 16,5) e 4,5% (3,8; 5,2) de baixo peso grave. Esta prevalência é classificada em nível “médio”. Análises por características sociodemográficas seleccionadas mostram que quase em todas as características, as prevalências observadas são classificadas em nível “médio”, com excepção da província de Nampula com prevalência de 21,4% (18,3; 24,9) classificada em nível “alto” (Quadro 3.6). QUADRO 3.6. Prevalência do baixo peso em crianças menores de 5 anos de idade, por características demográficas seleccionadas 24 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 3.2.3.1. Comparação da Prevalência do Baixo Peso entre IOF 2019/20, IDS 2011 e Estudo de Base (do SETSAN) 2013 Em relação ao IDS 2011, os resultados deste inquérito não mostram diferenças consideráveis, comparativamente ao EdB de 2013. Por exemplo, a prevalência média nacional deste inquérito foi 1,1 vezes alta em relação ao do IDS 2011, porém em relação ao EdB de 2013, a prevalência média nacional foi menor (rácio 0,72). QUADRO 3.7. Comparação da prevalência do baixo peso e baixo peso grave entre IOF 2019/20, IDS 2011 e Estudo de Base (do SETSAN) 2013 por características demográficas seleccionadas Baixo Peso Características seleccionadas IOF 2019/20 IDS 2011 Estudo de Base (SETSAN) 2013 Rácio IOF 2019/20:IDS 2011 Rácio IOF 2019/20:EdB 2013 <-3 DP <-2 DP <-3 DP <-2 DP <-3 DP <-2 DP <-3 DP <-2 DP <-3 DP <-2 DP Idade em meses < 6 4,5 11,2 6,8 15,3 - - 0,66 0,73 - - 6-11 5,5 15,4 -* - - - - - - - 12-23 6,1 18,1 - - - - - - - - 24-35 5,8 16,9 3,5 13,6 - - 1,66 1,24 - - 36-47 2,7 13,9 3,3 13,6 - - 0,82 1,02 - - 48-59 2,4 13,7 2,1 14,5 - - 1,14 0,94 - - Sexo Masculino 5,1 16,6 5,0 16,6 - - 1,02 1,00 - - Feminino 3,8 13,8 3,2 13,3 - - 1,19 1,04 - - Área de residência Urbano 3,1 10,7 2,7 9,8 7,7 16,7 1,15 1,09 0,40 0,64 Rural 5,0 17,1 4,6 16,9 9,9 22,8 1,09 1,01 0,51 0,75 Nível de Escolaridade Completo do Chefe do AF Nenhum 5,2 17,7 5,9 18,7 - - 0,88 0,95 - - Primário 3,9 14,2 3,5 14,2 - - 1,11 1,00 - - Secundário 2,6 9,6 1,1 6,4 - - 2,36 1,50 - - Superior 1,8 4,2 - - - - - - - - Desconhecido 0,0 5,4 0,0 26,8 - - - - - - Província Niassa 3,6 14,1 5,1 18,2 5,5 21,0 - - 0,65 0,66 Cabo Delgado 3,7 17,7 6,4 20,6 8,2 20,2 - - 0,45 0,88 Nampula 7 21,4 4,5 15,5 17,9 30,9 1,56 1,38 0,39 0,69 Zambézia 5,5 18,9 5,9 21,3 6,3 19,8 0,93 0,89 0,87 0,95 Tete 3,7 12,7 4,1 17,1 17,7 29,5 0,90 0,74 0,21 0,43 Manica 2,1 11,6 2,5 10,8 6,4 16,7 0,84 1,07 0,33 0,69 Sofala 4,6 13,1 3,2 11,3 14,7 29,9 1,44 1,16 0,31 0,44 Inhambane 1,9 4,7 1,2 6,9 2,0 8,8 1,58 0,68 0,95 0,53 Gaza 2,2 6,7 1,8 6,3 4,1 13,4 1,22 1,06 0,54 0,50 Maputo Província 1,7 4,5 1,7 7,4 3,3 9,3 1,00 0,61 0,52 0,48 Maputo Cidade 0,8 2,4 2,4 5,4 2,3 6,7 0,33 0,44 0,35 0,36 Total 4,5 15,2 4,1 14,9 9,3 21,0 1,10 1,02 0,48 0,72 * Os traços significa que informação para aquela característica sociodemográfica não está disponívelno relatório original do inquérito. Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 25 3.2.4. Prevalência de Sobrepeso A prevalência média nacional do sobrepeso foi de 4,6% (4,0; 5,3), classificado em nível “baixo”. A prevalência da obesidade por sua vez foi de 1,0% (0,7; 1,3). Análises por características sociodemográficas seleccionadas mostrou que o sobrepeso afecta mais crianças menores de 6 meses com uma prevalência de 7,2% (5,3; 9,8), classificado em nível “médio” e 2,7 (1,5; 4,8) para obesidade. Outros grupos de idades mais afectadas são crianças de 6-11 meses, 24-35 e 36-47 meses com 5,1% cada, nível “médio”. Crianças do sexo masculino tiveram uma prevalência relativamente mais alta em relação as crianças do sexo feminino: 5,1% (4,3; 6,0), nível “médio” e 4,2% (3,5; 5,1), nível “baixo”, respectivamente. Quanto a área de residência, tanto as crianças do meio rural quanto do meio urbano são afectadas em níveis “baixo”, apesar da prevalência ser relativamente maior nas crianças das áreas rurais que urbanas. Quatro províncias tiveram prevalência classificada em nível médio: Gaza 6,4% (4,5; 8,8), Niassa 6,1% (4,3; 8,5), Nampula 5,8% (4,3; 7,8) e Inhambane 5,2% (3,7; 7,3), e o resto com prevalências em nível “baixo”. QUADRO 3.8. Prevalência do sobrepeso e obesidade em crianças menores de cinco anos de idade, por características demográficas seleccionadas Sobrepeso Características seleccionadas > +2 DP % (95% IC) > +3 DP % (95% IC) Amostra não ponderada Amostra Ponderada Idade em meses < 6 7,2 (5,3; 9,8) 2,7 (1,5; 4,8) 946 482 016 6-11 5,1 (3,6; 7,1) 1,6 (0,8; 3,1) 934 484 623 12-23 3,3 (2,5; 4,5) 0,5 (0,2; 1,2) 1 842 934 405 24-35 5,1 (3,7; 6,9) 0,5 (0,3; 1,0) 1 879 936 460 36-47 5,1 (3,9; 6,6) 1,2 (0,7; 2,2) 1 903 966 196 48-59 3,3 (2,2; 4,8) 0,4 (0,1; 1,1) 1 626 799 804 Sexo Masculino 5,1 (4,3; 6,0) 1,1 (0,8; 1,5) 4 501 2 303 823 Feminino 4,2 (3,5; 5,1) 0,9 (0,5; 1,4) 4 638 2 304 773 Área de residência Urbano 3,9 (3,1; 4,8) 0,8 (0,5; 1,3) 4 075 1 346 290 Rural 4,9 (4,2; 5,8) 1,0 (0,7; 1,5) 5 064 3 262 306 Nível de Escolaridade Completo do Chefe do AF Nenhum 5,2 (4,2; 6,5) 1,0 (0,6; 1,7) 2 955 1 698 384 Primário 4,0 (3,3; 5,0) 0,9 (0,5; 1,5) 3 530 1 743 076 Secundário 4,6 (3,4; 6,2) 1,2 (0,5; 2,7) 1 435 584 509 Superior 4,0 (2,2; 7,1) 1,5 (0,6; 3,7) 265 82 052 Desconhecido 4,5 (0,7; 24,9) 0,0 (0,0; 0,0) 40 16 913 Província Niassa 6,1 (4,3; 8,5) 1,8 (1,1; 3,0) 879 353 596 Cabo Delgado 3,5 (2,2; 5,4) 0,7 (0,2; 1,8) 724 371 781 Nampula 5,8 (4,3; 7,8) 1,7 (1,0; 3,1) 1 130 1 011 901 Zambézia 3,3 (2,3; 4,7) 0,4 (0,2; 1,0) 1 290 992 120 Tete 4,8 (2,8; 8,1) 1,3 (0,5; 3,5) 804 450 633 Manica 3,9 (2,7; 5,5) 0,2 (0,0; 0,8) 943 327 828 Sofala 4,7 (2,9; 7,7) 1,3 (0,6; 3,0) 939 367 116 Inhambane 5,2 (3,7; 7,3) 0,4 (0,1; 1,6) 533 181 427 Gaza 6,4 (4,5; 8,8) 0,6 (0,2; 1,6) 616 188 774 Maputo Província 4,0 (2,6; 6,2) 0,2 (0,1; 0,7) 684 255 869 Maputo Cidade 4,4 (2,9; 6,7) 0,6 (0,2; 1,8) 597 107 551 Total 4,6 (4,0; 5,3) 1,0 (0,7; 1,3) 9 139 4 608 596 26 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 3.2.4.1. Comparação da Prevalência do Sobrepeso entre IOF 2019/20, IDS 2011 e Estudo de Base (do SETSAN) 2013 Resultados são apresentados no Quadro 3.9. Em geral, observa-se uma redução na prevalência do sobrepeso em relação aos resultados reportados no IDS 2011. Nalgumas províncias, a prevalência actual reduziu à metade (o caso da Cidade de Maputo com rácio de 0,51) e outras com redução mais que a metade (o caso de Manica: 0,38, Maputo província: 0,42 e Inhambane: 0,48). O EdB do SETSAN de 2013 não reportou resultados sobre o sobrepeso. QUADRO 3.9. Comparação da prevalência do sobrepeso entre IOF 2019/20, IDS 2011 e Estudo de Base (do SETSAN) 2013 por características demográficas seleccionadas Sobrepeso Sobrepeso Características IOF 2019/20 IDS 2011 Estudo de Base (SETSAN) 2013 Rácio IOF 2019/20:IDS 2011 Rácio IOF 2019/20:EdB 2013 >+2 DP >+3 DP >+2 DP >+3 DP >+2 DP >+3 DP >+2 DP >+3 DP >+2 DP >+3 DP Idade em meses < 6 7,2 2,7 18,0 - - - 0,28 - - - 6-11 5,1 1,6 - - - - - - - - 12-23 3,3 0,5 - - - - - - - - 24-35 5,1 0,5 7,6 - - - 0,67 - - - 36-47 5,1 1,2 5,0 - - - 0,66 - - - 48-59 3,3 0,4 4,5 - - - - - - - Sexo Masculino 5,1 1,1 7,5 - - - 0,68 - - - Feminino 4,2 0,9 7,2 - - - 0,58 - - - Área de residência Urbano 3,9 0,8 8,2 - - - 0,48 - - - Rural 4,9 1,0 7,1 - - - 0,69 - - - Nível de Escolaridade Completo do Chefe do AF Nenhum 5,2 1,0 6,8 - - - 0,76 - - - Primário 4,0 0,9 7,4 - - - 0,54 - - - Secundário 4,6 1,2 9,8 - - - 0,47 - - - Superior 4,0 1,5 - - - - - - - - Desconhecido 4,5 0,0 0,0 - - - - - - - Província Niassa 6,1 1,8 6,9 - - - 0,88 - - - Cabo Delgado 3,5 0,7 6,4 - - - 0,55 - - - Nampula 5,8 1,7 8,9 - - - 0,65 - - - Zambézia 3,3 0,4 4,6 - - - 0,72 - - - Tete 4,8 1,3 6,7 - - - 0,72 - - - Manica 3,9 0,2 10,3 - - - 0,38 - - - Sofala 4,7 1,3 7,4 - - - 0,64 - - - Inhambane 5,2 0,4 10,8 - - - 0,48 - - - Gaza 6,4 0,6 7,0 - - - 0,91 - - - Maputo Província 4,0 0,2 9,5 - - - 0,42 - - - Maputo Cidade 4,4 0,6 8,6 - - - 0,51 - - - Total 4,6 1 7,4 - - - 0,62 - - - Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 27 3.3. Percepção dos Agregados Familiares sobre a Segurança Alimentar Conforme descrito acima, o IOF 2019/20 recolheu dados sobre a segurança alimentar ao nível dos agregados familiares, cujo período de referência foi dos últimos 12 meses anteriores à data da entrevista, com o objectivo de identificar as percepções dos agregados familiares, cujos resultados apresentados são baseados na avaliação das respostas positivas das oito variáveis que compõem este módulo. Todas as oito variáveis procuravam saber se por falta de dinheiro ou outros meios, o agregado familiar teria passado por uma situação de privação à segurança alimentar. O Quadro 3.10 mostra a distribuição, em percentagem, de agregados familiares que responderam positivamente como tendo enfrentado dificuldades alimentares por falta de dinheiro ou outros meios nos últimos 12 meses anteriores à data da entrevista. É possível observar que, a nível nacional, mais de 50% dos agregados familiares residentes passaram por alguma dificuldade alimentar. Desagregado por áreas de residência, observa-se que tanto os agregados familiares residentes nas áreas rurais, assim como os residentes em áreas urbanas, são afectados em níveis muito acima de 50% em quase todas questões, excepto a questão que procurou saber se o agregado familiar ficou um dia inteiro sem comer, com a média nacional de 28,2% e 24,0% e 30,3% para urbano e rural, respectivamente. Nota-se o mesmo comportamento em todas as províncias. QUADRO 3.10. Percentagem de agregados familiares que passaram por dificuldades alimentares por falta de dinheiro ou outros meios nos últimos 12 meses anteriores à data da entrevista Área geográfica Teve preocupação de não ter comida suficiente Não conseguiu ter uma alimentação saudável e nutritiva Comeu apenas alguns tipos de alimentos Deixou de fazer alguma refeição Comeu menos do que achou que devia Já ficou sem comida em sua casa Sentiu fome, mas não comeu Ficou um dia inteiro sem comer Total 78,4 76,4 77,5 70,1 72,2 58,1 61,6 28,2 Urbano 73,7 76,4 71,9 63,4 65,9 52,0 55,2 24,0 Rural 80,8 79,4 80,4 73,6 75,9 61,3 65,0 30,3 Niassa 71,0 70,4 70,8 63,7 64,3 45,2 56,6 26,0 Cabo Delgado 85,0 79,7 82,1 73,0 76,9 53,7 55,4 31,7 Nampula 85,0 82,6 82,3 78,4 77,3 73,1 71,9 37,9 Zambézia 77,3 77,8 76,2 71,7 71,7 61,6 64,0 28,9 Tete 70,0 67,4 68,4 60,7 66,9 43,2 58,0 25,1 Manica 72,1 61,5 75,5 74,8 68,4 55,5 58,1 32,9 Sofala 90,2 89,0 88,9 80,2 81,8 69,0 66,9 23,8 Inhambane 79,4 76,6 80,5 65,4 72,0 51,7 55,8 16,4 Gaza 75,7 77,4 76,3 64,5 71,0 57,7 63,3 16,9 Maputo Província 69,9 70,9 70,1 56,1 63,8 40,9 46,6 19,4 Maputo Cidade 72,4 71,6 76,2 59,5 69,3 53,5 55,0 21,6 28 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre OrçamentoFamiliar – IOF 2019/20 4. ANEXOS 4.1. Qualidade dos Dados Antropométricos O objectivo deste apêndice é de proporcionar aos usuários dos resultados sobre o estado nutricional das crianças menores de cinco anos reportados neste inquérito, um resumo sobre a qualidade dos dados usados para produção desta informação. O relatório debruça-se sobre os seguintes testes (a) Completude na recolha de dados de todas variáveis essenciais; (b) razão de sexo; (c) distribuição da amostra por idade e sexo; (d) preferências de dígitos na avaliação e registo dos dados do peso, altura e PB; (e) Z-scores biologicamente não plausíveis; (f) desvio padrão dos Z-scores e (g) normalidade dos Z-scores. • Quadro 4.1 apresenta a distribuição de casos (e respectiva percentagem) com falta de informação nas variáveis essenciais para as análises de prevalência. É o caso da idade, peso, altura ou comprimento e PB em relação ao número total de crianças avaliadas no inquérito. Da base de dados geral e agregada, cerca de 3,5% das crianças não tiveram informação para a variável peso, 4,2% não tiveram informação para a variável altura ou comprimento e 3,2% não tiveram informação para a variável perímetro braquial, apesar das outras variáveis, também essenciais, terem tido informação. O ideal é ter zero porcentos de dados em falta. Considera-se preocupante quando as proporções excedem os 10% de cada variável. No entanto, as proporções são menores que 10% a nível nacional e provincial. Em termos gerais, a falta de informação na idade, peso e altura ou comprimento pode ter ocorrido por ausência das crianças outrora listadas naquele agregado familiar e que na hora de realizar as medições não estiveram presentes até a saída dos avaliadores naquela área. • Quadro 4.2 apresenta a razão de sexo das crianças, na população entrevistada. O resultado foi obtido mediante a divisão do número de crianças do sexo masculino da amostra ponderada de todos os dados agregados, sobre o número de crianças do sexo feminino da mesma amostra ponderada, multiplicado por 100. O resultado foi comparado com a razão de sexo esperada, estimada das projecções de população do Instituto Nacional de Estatística para o ano 2020. Os resultados da análise mostraram que haviam cerca de 99,4 crianças do sexo masculino em cada 100 crianças do sexo feminino, o que vai de acordo com o rácio projectado que era de 100 crianças do sexo masculino em cada 100 do sexo feminino. Considerando o facto dos resultados agregados terem mostrado uma representatividade em relação ao esperado, não houve necessidade de verificar a distribuição por províncias. • Gráfico 4.1: a análise apresentada neste gráfico teve como objectivo verificar se algum grupo etário esteve sub-representado do total de crianças elegíveis. Foram consideradas todas crianças independentemente de se nalgumas variáveis tiveram valores em falta ou não. Em termos de distribuição da amostra, idealmente espera-se que as barras correspondentes às crianças dos grupos etários de 12-23, 24-35, 36-47 e 48-59 meses de idade, sejam similares e que tenham aproximadamente o mesmo número de crianças do sexo masculino e do sexo feminino. Espera-se também que as barras correspondentes às crianças dos grupos etários 0-5 e 6-11 meses de idade, tenham aproximadamente a metade da altura das outras barras que cobrem 12 meses de intervalo. Com relação ao sexo, também espera-se que sejam distribuídos aproximadamente a metade. Idealmente o número de crianças com informação não disponível devia ser mais próximo do zero. Assim, com base na descrição acima apresenta, os resultados no Gráfico 4.1 mostram uma boa qualidade dos dados em termos de representação de cada grupo etário e sexo, em relação ao esperado. • Gráfico 4.2, Gráfico 4.3 e Gráfico 4.4 apresentam resultados da distribuição das preferências digitais para a variável peso, altura (Gráfico 4.2) e PB (Gráfico 4.4) para o conjunto de dados agregados. O Gráfico 4.3. mostra a distribuição das preferências digitais desagregados por províncias. Preferências digitais refere à uma distribuição não esperada dos últimos dígitos das variáveis mencionadas neste parágrafo. Se, e quando as equipas usam equipamentos recomendados, isto é, balanças digitais, fitas de PB e altímetros de madeira com uma fita métrica graduada em milímetros, cada peso, altura ou comprimento ou PB deve ter um digito terminal. Há 10 possíveis dígitos terminais que variam de 0 a 9. Num inquérito onde as medições são feitas e registadas correctamente, os dígitos terminais são distribuídos de uma forma uniforme, isto é, cada dígito terminal deve representar aproximadamente Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 29 10% de todos dígitos terminais. Neste sentido, diz-se que há preferências digitais quando existe uma tendência de arredondar, quer por excesso ou por defeito, os valores encontrados nas medições. Por exemplo, ao registar 10,0 kg enquanto o valor real obtido na balança digital foi 10,2kg, ou registar 95,0 cm ou 12,5 cm enquanto o valor real da altura foi 94,8 e do PB foi de 12,4 cm. Os dígitos que tendem a ser mais preferidos são 0 e 5. Os resultados apresentados nos gráficos mostram que o Peso, o PB tiveram uma distribuição muito próximo do esperado, isto é, cada dígito terminal tem aproximadamente 10% de partilha. O mesmo observa-se nas análises desagregadas por províncias. A altura ou comprimento por sua vez mostrou uma tendência não esperada nos dados agregados. Isso suscitou necessidade de verificar a distribuição por província, onde notou-se algumas tendências anormais em algumas províncias com picos em certos dígitos terminais. • Quadro 4.3 apresenta as percentagens dos índices antropométricos fora dos intervalos recomendados pela OMS (A/I <-6, >+6, P/A <-5, >+5 e P/I <-6, >+5). Estes critérios foram aplicados automaticamente pelo software para cada índice, o que significa que, uma mesma criança podia ter o índice P/A identificado como biologicamente não plausível, consequentemente excluído da análise de prevalência, mas o índice A/I ou P/I ser considerado normal. É por esta razão que nas tabelas sobre as prevalências do relatório, o número total de crianças é diferente para desnutrição crónica, baixo peso, sobrepeso e desnutrição aguda por P/A. Considera-se como indicativo de problemas de qualidade quando as percentagens de em cada índice for maior que 1,0%. Os resultados do Quadro 4.3 mostram que das análises do conjunto de dados agregados, todos os índices tiveram percentagem <1,0%. • Quadro 4.4: esta tabela contém informação referente a distribuição da malnutrição (desnutrição ou sobrepeso) na população inquerida. O principal indicador a considerar na tabela para analisar a qualidade dos dados é o desvio padrão (DP) de cada um dos índices antropométricos. O DP é uma medida estatística que quantifica a quantidade de variabilidade em conjunto de dados. Quanto menor for o DP, mais próximo os pontos de dados tendem estar da média e quanto maior o DP, maior é a dispersão dos pontos de dados da média. Quando a curva da distribuição assume uma assimetria, geralmente observada em populações desnutridas, por exemplo, o DP é uma combinação da dispersão e do grau de assimetria. Por outro lado, a dispersão da distribuição pode também ser afectada pela heterogeneidade da população, facto que pode muito frequentemente ocorrer em inquéritos que abrangem áreas grandes, como é o caso do IOF 2019/20, a nível provincial, por exemplo. Note-se também que a baixa qualidade dos dados, como a que ocorre com erros de medição, pode levar à inflação dos DP, entretanto esta relação não é sempre verdadeira na mesma direção, o que significa que DP altos não estão apenas relacionados à má qualidade de dados, contudo, a equipa do Joint Malnutrition Estimates (JME) composta por UNICEF, OMS e Banco Mundial, afirma que pode ser dito com segurança que, à medida que o DP para os índices antropométricos se tornammaior, eles podem ser mais razoavelmente atribuídos à baixa qualidade dos dados, em vez de heterogeneidade populacional ou grau de desnutrição (UNICEF, World Health Organization, World Bank Group, 2019). Este grupo considerou os seguintes limites (usados no JME): DP > 2,0 considera-se muito preocupante, isto é mais provável que os dados sejam de uma qualidade pobre; 1,8-1,99 preocupante e <1,8 interpretação pouco clara. Dito isto, os resultados no Quadro 4.4 mostram o seguinte, interpretados por cada índice antropométrico: i. Altura-para-idade: os dados são de boa qualidade. Na província de Nampula, o DP foi igual a 1,83. Este nível é classificado como preocupante. Entretanto, segundo explicado no parágrafo acima, e combinado com os outros indicadores de qualidade desagregados por província, é razoável e lógico pensar que a variação observada nesta província pode ser mais relacionada a heterogeneidade da população do que a problemas de qualidade. ii. Peso-para-altura: os dados são de boa qualidade para todo o conjunto de dados e incluindo desagregados pelas características sociodemográficas seleccionadas. iii. Peso-para-idade: os dados são de boa qualidade para todo conjunto de dados e incluindo desagregados pelas características sociodemográficas seleccionadas. 30 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 QUADRO 4.0.1. Número de casos (e percentagem) com falta de informação para variáveis essências para as análises Geral Amostra Idade Peso (kg) Altura ou comprimento PB* Sexo N n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) 9 638 81 (0,8) 338 (3,5) 400 (4,2) 272 (3,2) 0 (0) Província Niassa 935 1 (0,1) 17 (1,8) 21 (2,2) 14 (1,7) 0 (0) Cabo Delgado 770 13 (1,7) 36 (4,7) 41 (5,3) 29 (4,4) 0 (0) Nampula 1 234 6 (0,5) 49 (4) 69 (5,6) 43 (3,9) 0 (0) Zambézia 1 345 17 (1,3) 49 (3,6) 53 (3,9) 30 (2,5) 0 (0) Tete 828 9 (1,1) 13 (1,6) 19 (2,3) 10 (1,4) 0 (0) Manica 972 9 (0,9) 26 (2,7) 26 (2,7) 18 (2,1) 0 (0) Sofala 1 011 1 (0,1) 45 (4,5) 65 (6,4) 46 (5,0) 0 (0) Inhambane 571 6 (1,1) 37 (6,5) 37 (6,5) 32 (6,2) 0 (0) Gaza 645 1 (0,2) 26 (4) 26 (4) 21 (3,6) 0 (0) Maputo Província 712 15 (2,1) 25 (3,5) 27 (3,8) 16 (2,5) 0 (0) Maputo Cidade 615 3 (0,5) 15 (2,4) 16 (2,6) 13 (2,3) 0 (0) *Percentagens calculadas considerando apenas o número de crianças com idade entre 6-59 meses na base de dados (N=8 531). QUADRO 4.0.2. Razão de sexo entre às crianças. Moçambique, 2019/20 Geral Rácio Crianças do sexo masculino por 100 do sexo feminino Rácio esperado com base nas projecções de população (crianças <5 anos) para o ano 2020 99,4 100,8 GRÁFICO 4.1. Distribuição da amostra por sexo e idade Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 31 GRÁFICO 4.2. Distribuição das preferências digitais do conjunto de dados agregados. Moçambique, 2019/20 GRÁFICO 4.3. Distribuição das preferências digitais do conjunto de dados desagregados por província. Moçambique, 2019/20 32 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 33 GRÁFICO 4.4. Distribuição das preferências digitais da variável PB, do conjunto de dados. Moçambique, 2019/20 QUADRO 4.3. Percentagem de valores de ¬Z-score biologicamente não plausíveis por índice antropométrico A/I (%) P/A (%) P/I (%) Geral 0,7 0,8 0,2 34 Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 QUADRO 4.4. Sumário das estatísticas de tendência central e de dispersão em relação a amostra por cada índice antropométrico. Moçambique, 2019/20 Características Am os tr a nã o po nd er ad a Altura-para-Idade Peso-para altura Peso-para-Idade Média DP Sk ew ne ss 4 Ku rt os is 5 Média DP Sk ew ne ss Ku rt os is Média DP Sk ew ne ss Ku rt os is (A/I Z- score) (P/A Z- score) (P/I Z- score) Todas crianças 9 638 -1,41 1,51 0,22 4,02 0,11 1,14 -0,08 4,08 -0,71 1,21 0,1 4,21 Idade em meses 00-05 1 023 -0,49 1,64 0,0 4,05 0,18 1,4 -0,27 3,8 -0,27 1,43 -0,3 4,34 06-11 968 -0,88 1,54 0,14 4,44 -0,03 1,32 0,03 3,65 -0,54 1,4 0,02 3,34 12-23 1 910 -1,62 1,52 0,28 3,98 0,01 1,16 -0,15 3,59 -0,77 1,25 0,01 3,73 24-35 1 963 -1,75 1,44 0,25 3,81 0,21 1,07 0,04 3,91 -0,81 1,16 -0,07 3,93 36-47 1 985 -1,58 1,41 0,16 4,2 0,23 1,08 -0,06 4,44 -0,73 1,13 0,38 5,16 48-59 1 708 -1,45 1,28 -0,11 4,13 0,02 0,95 0,05 4,05 -0,87 0,99 0,03 4,38 Sexo Masculino 4 752 -1,47 1,54 0,27 3,99 0,11 1,16 -0,05 4,0 -0,75 1,23 0,12 4,15 Feminino 4 886 -1,35 1,48 0,18 4,07 0,12 1,12 -0,11 4,16 -0,67 1,2 0,07 4,29 Área de residência Urbano 4 311 -1,12 1,46 0,11 3,98 0,13 1,11 -0,15 4,1 -0,52 1,18 0,08 4,11 Rural 5 327 -1,65 1,51 0,35 4,31 0,1 1,16 -0,03 4,06 -0,86 1,22 0,14 4,39 Província Niassa 935 -1,75 1,68 0,45 4,44 0,21 1,23 -0,02 4,28 -0,75 1,32 0,61 4,85 Cabo Delgado 770 -1,74 1,4 0,19 3,98 0,09 1,13 0,0 4,3 -0,94 1,12 0,02 3,68 Nampula 1 234 -1,76 1,83 0,58 3,88 -0,03 1,36 -0,07 3,89 -0,99 1,42 0,57 5,12 Zambézia 1 345 -1,78 1,39 0,41 4,61 -0,04 1,06 -0,02 3,87 -1,07 1,12 -0,15 3,7 Tete 828 -1,39 1,35 0,23 3,79 0,01 1,12 0,14 3,57 -0,78 1,13 0,03 3,8 Manica 972 -1,57 1,25 0,06 3,99 0,13 1,04 0,03 3,37 -0,81 1,03 0 3,39 Sofala 1 011 -1,48 1,48 0,31 4,25 0,05 1,12 -0,08 4,17 -0,79 1,19 -0,07 3,94 Inhambane 571 -0,91 1,29 -0,06 4,32 0,31 1,09 -0,6 4,92 -0,29 1,1 -0,6 5,67 Gaza 645 -1,05 1,33 0,34 4,67 0,27 1,11 -0,24 3,85 -0,39 1,07 -0,06 3,59 Maputo Província 712 -0,55 1,17 0,27 3,69 0,28 1,03 0,07 3,62 -0,11 1,04 0 4,38 Maputo Cidade 615 -0,56 1,29 0,29 3,63 0,31 1,04 -0,1 4,41 -0,07 1,09 0,15 3,69 4,5 A distribuição da A/I, do P/A e do P/I é uma descrição do número relativo de vezes em que cada Z-score ocorre na população entrevistada (o conjunto de dados recolhidos). Uma distribuição normal corresponde à uma curva simétrica em forma de sino com uma média igual a zero e o desvio padrão de 1. Padrões de desvio da distribuição normal incluem curvas de distribuição assimétricas (Skewness), de pico ou planas (Kurtosis). Neste caso, o Skewness corresponde à uma medida de assimetria da curva de distribuição: uma curva de distribuição normal que seja perfeitamente simétrica assume um valor de Skewness igual azero, com distribuição igual tanto na metade direita como na esquerda. Quando o coeficiente do Skewness é positivo, a distribuição é mais inclinada à direita: isto indica que há mais casos (do problema em estudo) no lado direito da curva de distribuição do que no lado esquerdo, normalmente uma indicação de valores extremos no lado direito ou na cauda da curva de distribuição. O Kurtosis por sua vez, é uma descrição do desvio da forma normal de uma distribuição de probabilidade, isto é, a acuidade e planeza da curva do pico da distribuição de frequência. O coeficiente de Kurtosis igual a 3 representa uma população com uma distribuição normal e quando <2 e >4 indicam Kurtosis. O indicador a considerar para interpretar a qualidade dos dados aqui apresentados é o DP, que é a combinação da dispersão e o grau do Skewness. Instituto Nacional de Estatística - Inquérito sobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 35 GRÁFICO 4.5. Calendário de Eventos Locais Estruturado QUADRO 4.5. Equipa de Supervisores Nome Instituição Achi Adiame Direcção Provincial de Saúde (DPS) de Tete Albano Bertil Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS) de Changara, Província de Tete Ananias António Ministério da Saúde (MISAU), Departamento de Nutrição, Maputo Big Office Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN) – Central Eugénio Finiasse Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS) de Chifunde, Província de Tete Henriques Viagem Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS) de Chiúta, Província de Tete Tomás Zaba Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), Maputo 36 Instituto Nacional de Estatística - Inquéritosobre Orçamento Familiar – IOF 2019/20 5. REFERÊNCIAS Development Initiatives (2020) 2020 Global Nutrition Report: Action on equity to end malnutrition. Bristol, UK. Available at: https://globalnutritionreport.org/reports/2020-global-nutrition-report/. Grellety, E. and Golden, M. H. (2016) ‘Weight-for-height and mid-upper-arm circumference should be used independently to diagnose acute malnutrition: policy implications’, BMC Nutrition, 2(1), p. 10. doi: 10.1186/ s40795-016-0049-7. MISAU, INE and ICFI (2011) Moçambique Inquérito Demográfico e de Saúde 2011. Calverton, Maryland. Onis, M. De et al. (2018) ‘Prevalence thresholds for wasting , overweight and stunting in children under 5 years Public Health Nutrition’, Public Health Nutrition, (4), pp. 1–5. doi: https://doi.org/10.1017/ S1368980018002434. SETSAN (2013) ‘Relatorio do Estudo de Base de Seguranca Alimentar e Nutricional’, pp. 1–185. SMART (2017) Standardized Monitoring and Assessment of Relief and Transitions. 2Ed edn. Canada: SMART Methodology. Available at: https://smartmethodology.org/wp-content/uploads/2018/02/SMART- Manual-2.0_Final_January-9th-2017-for-merge-3.pdf. UNICEF, World Health Organization, World Bank Group (2019) SDG Indicators 2.2.1 on stunting, 2.2.2a on wasting and 2.2.2b on overweight: Country consultation background document. WHO and UNICEF (2019) Recommendations for data collection, analysis and reporting on anthropometric indicators in children under 5 years old. Geneva. Available at: https://www.who.int/nutrition/publications/ anthropometry-data-quality-report/en/. Zaba, T., Nyawo, M. and Álvarez Morán, J. L. (2020) ‘Does weight-for-height and mid upper-arm circumference diagnose the same children as wasted? An analysis using survey data from 2017 to 2019 in Mozambique’, Archives of Public Health, 78(1), p. 94. doi: 10.1186/s13690-020-00462-7. C.P. nº 493 - Maputo, Moçambique Av. 24 de Julho nº 1989 Tel.: +258 - 21 356700 capa 2 IOF .pdf Page 1 Page 2