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Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Patologia As doenças dos vasos, em particular das artérias, são a principal causa de morte no mundo todo, inclusive no Brasil. HAS e aterosclerose são as responsáveis principais pela morbidade e mortalidade. A aterosclerose é a principal causa de infartos do miocárdio e do encéfalo. Arteriosclerose significa “endurecimento das artérias” e é um termo genérico para o espessamento da parede arterial e perda de sua elasticidade. Há três padrões gerais, com diferentes consequências clínicas e patológicas: Arteriolosclerose afeta pequenas artérias e arteríolas e pode causar lesão isquêmica distal. A esclerose média de Mönckeberg é caracterizada pela calcificação das paredes das artérias musculares, que envolvem tipicamente a membrana elástica interna. A aterosclerose, das palavras de raiz grega “mingau” e “endurecimento”, é o padrão mais frequente e clinicamente importante. A aterosclerose é a base da patogenia das doenças vasculares periféricas, cerebral e coronariana, causando mais morbidade e mortalidade (aproximadamente metade dos óbitos) no mundo ocidental que qualquer outra doença. A probabilidade de desenvolver a aterosclerose é determinada pela combinação de fatores de riscos adquiridos e hereditários. Agindo em conjunto, eles causam lesões da camada íntima chamadas ateromas (também chamadas de placas ateromatosas ou ateroscleróticas) que fazem protrusão na luz dos vasos. Uma placa ateromatosa consiste em uma lesão elevada com centro mole e grumoso de lipídios (principalmente colesterol e ésteres do colesterol), coberta por uma capa fibrosa. Além da obstrução mecânica do fluxo sanguíneo, as placas ateroscleróticas podem se romper, levando à catastrófica trombose vascular obstrutiva. As placas ateroscleróticas também podem aumentar a distância de difusão da luz para a média, levando a lesões isquêmicas e ao enfraquecimento das paredes dos vasos, alterações que podem resultar na formação de aneurismas. Não Modificáveis (Constitucionais) Anormalidades genéticas Histórico familiar Idade avançada Gênero masculino Modificáveis Hiperlipidemia Hipertensão Tabagismo Diabetes Inflamação Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Patologia A aterogênese integra os fatores de risco e é chamada de hipótese de “resposta à lesão”. A aterosclerose é então entendida como uma resposta crônica inflamatória e reparativa da parede arterial à lesão endotelial. A progressão da lesão ocorre pela interação entre lipoproteínas modificadas, macrófagos derivados de monócitos e linfócitos T, com células endoteliais e células musculares lisas da parede arterial. Lesão Endotelial: a lesão de células endoteliais é o pilar da hipótese da resposta à lesão. As lesões iniciais são encontradas em locais de endotélio morfologicamente intacto. Com isso, a disfunção endotelial sem denudação é a base da maior parte dos casos de aterosclerose. Nessa situação, células endoteliais intactas, porém disfuncionais, mostram aumento da permeabilidade endotelial, aumento da adesão de leucócitos e expressão genética alterada. Desequilíbrio Hemodinâmico: observa-se que as placas tendem a ocorrer nos óstios de saída dos vasos, nos pontos de ramificações e ao longo da parede posterior da aorta abdominal, onde há fluxo sanguíneo turbulento. Lipídios: os lipídios são transportados na corrente sanguínea ligados a apoproteínas específicas. Dislipoproteinemias são anormalidades da lipoproteína que podem estar presentes na população geral e incluem: Aumento dos níveis de colesterol LDL; Diminuição dos níveis de colesterol HDL; Aumento anormal da lipoproteína; Isto pode ser o resultado de mutações que levam a defeitos em apoproteínas ou receptores de lipoproteínas, ou se origina Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Patologia de outros distúrbios subjacentes que afetam os níveis de lipídio na circulação. Com hiperlipidemia crônica, sobretudo a hipercolesterolemia, as lipoproteínas se acumulam dentro da íntima, onde elas podem se agregar ou ser oxidadas por radicais livres produzidos por células inflamatórias. Esta LDL modificada é acumulada por macrófagos através de vários receptores ou depuradores. Como as lipoproteínas modificadas não podem ser completamente degradadas, a ingestão crônica leva à formação de macrófagos cheios de lipídios, chamados de células espumosas. As células musculares lisas podem se transformar de forma similar em células espumosas pela ingestão de lipídios modificados através das proteínas relacionadas areceptores LDL. As lipoproteínas modificadas não só são tóxicas para as células endoteliais, células musculares lisas e macrófagos, como também sua ligação e captação estimulam ainda a liberação de fatores de crescimento, citocinas e quimiocinas, criando círculos viciosos de recrutamento e ativação de monócitos. Inflamação: a inflamação crônica contribui com o início e progressão das lesões ateroscleróticas. Acredita‑se que a inflamação seja desencadeada pelo acúmulo de cristais de colesterol e ácidos graxos livres em macrófagos e outras células. Os macrófagos ativados produzem espécies reativas de oxigênio que aumentam a oxidação da LDL e elaboram fatores de crescimento que estimulam a proliferação de células musculares lisas. As células T ativadas nas lesões da íntima em crescimento elaboram citocinas inflamatórias que pode, por sua vez, estimular os macrófagos, bem como as células endoteliais e as células musculares lisas. Esses leucócitos e as células da parede vascular liberam fatores de crescimento que promovem a proliferação de células musculares lisas e a síntese de proteínas da matriz extracelular. Portanto, muitas lesões da aterosclerose são atribuídas a reações a inflamações crônicas nas paredes dos vasos. Proliferação das Células do Músculo Liso e Síntese de Matriz: a proliferação de células do músculo liso da íntima e a deposição de MEC convertem a lesão inicial, ou seja, as estrias gordurosas, em ateroma maduro, contribuindo para o crescimento progressivo das lesões ateroscleróticas. Células do músculo liso da íntima podem se originar da média ou de precursores circulantes e possuem fenótipo proliferativo e sintético distinto daquelas subjacentes às células musculares lisas da média. As células musculares lisas recrutadas sintetizam MEC (principalmente o colágeno), que estabilizam as placas ateroscleróticas. No entanto, células inflamatórias ativadas nos ateromas também podem causar apoptose das células musculares lisas da íntima e desintegrar a matriz, formando placas instáveis. Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Patologia Os aneurismas são dilatações dos vasos sanguíneos ou do coração, podendo ser congênitos ou adquiridos. Os aneurismas ”verdadeiros“ acometem as três camadas da artéria (íntima, média e adventícia) ou uma parede frágil do coração; elas incluem os aneurismas vasculares ateroscleróticos e congênitos, bem como os ventriculares resultantes do infarto do miocárdio transmural. Diferentemente, o aneurisma falso (pseudoaneurisma) refere- se ao quadro de ruptura vascular seguida de dissolução do hematoma, resultando em protuberância encapsulada por fibrose, mas sem envolver as três camadas do vaso. OBS: aneurismas formam-se sobretudo na aorta e no encéfalo. Na dissecção arterial, o sangue pressurizado entra na parede arterial através de um defeito na superfície da íntima e invade as camadas subjacentes. Os aneurismas e as dissecções são importantes causas de estase com formação de trombose subsequente; além disso,possuem maior propensão à ruptura. Os aneurismas podem ser classificados pela sua forma. Os aneurismas saculares são distintos divertículos variando de 5-20 cm de diâmetro, que frequentemente contêm trombos. Os fusiformes se caracterizam por dilatações com até 20 cm de diâmetro circunferencial; eles envolvem mais comumente o arco aórtico, a aorta abdominal e as artérias ilíacas. As paredes arteriais possuem um equilíbrio entre a síntese e a degradação da MEC. Os aneurismas são resultados do comprometimento das estruturas e funções do tecido conjuntivo das artérias, enfraquecendo a parede dos vasos. Os aneurismas congênitos são: Síndrome de Marfan: enfraquecimento do tecido elástico; Síndrome de Loeys-Dietz: síntese defeituosa de elastina e colágenos I e II; Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Patologia Síndrome de Ehlers-Danlos: defeito na síntese de colágeno III. OBS: os aneurismas aórticos são causados sobretudo por hipertensão e aterosclerose. A dissecção aórtica ocorre quando o sangue se espalha nos planos laminares da média, formando um canal repleto de sangue dentro da parede aórtica. Esse processo pode ser catastrófico se houver rompimento da dissecção através da adventícia e hemorragia nos espaços adjacentes. A dissecção da aorta ocorre principalmente em dois grupos de idade: (1) homens entre 40-60 anos de idade com histórico familiar de hipertensão (mais de 90% dos casos) e (2) pacientes jovens com anormalidades no tecido conjuntivo que afetam a aorta (por exemplo, síndrome de Marfan). As manifestações clínicas da dissecção dependem, principalmente, da porção da aorta afetada; as complicações mais graves envolvem as dissecções da aorta proximal e do arco aórtico. Desse modo, as dissecções aórticas, em geral, são classificadas em dois tipos: Lesões proximais: dissecções tipo A, acometem a aorta ascendente, com ou sem envolvimento da aorta descendente (tipos I ou II da classificação de De Bakey). Lesões distais: dissecções tipo B, usualmente se iniciam distalmente à artéria subclávia (tipo III da classificação de DeBakey). Os aneurismas que ocorrem nas artérias do cérebro (artérias cerebrais) são chamados aneurismas cerebrais, podendo ser aneurisma não roto e aneurisma roto (quando ocorre o rompimento). Se o aneurisma rompido sangrar no tecido cerebral (hemorragia intracerebral), as pessoas geralmente desenvolvem sintomas de um acidente vascular cerebral (AVC). AVC isquêmico: bloqueio do fluxo por um coagulo; AVC hemorrágico: ruptura de um vaso sanguíneo, causando hemorragia.