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Página 1 de 8 IBET – INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS Módulo II: Incidência e Crédito Tributário Seminário IV: Imposto sobre a Renda Pessoa Física e Regime de Fonte 1. Compor a(s) regra(s)-matriz(es) de incidência do imposto sobre a renda pessoa física. Destaca-se que o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF está previsto nos artigos 153, III, da Constituição Federal e 43 a 45, do Código Tributário Nacional. Dessa forma, após a análise das legislações supramencionadas, pode-se construir a RMIT do IRPF da seguinte forma: Hipótese Critério material: adquirir a disponibilidade econômica e jurídica de renda e proventos de qualquer natureza; Critério espacial: a renda ou o provento adquirido no território nacional, por residente e não-residentes no país, e no exterior, por pessoa residente e domiciliada no Brasil, enquanto mantida essa condição nos termos da lei; Critério temporal: o exato momento de ocorrência do fato gerador do IR é aquele em que se puder quantificar, na sua inteireza a renda revelada pelos acréscimos patrimoniais, apuados de acordo com a periodicidade estabelecida em lei – 31 de dezembro de cada ano; Consequente Critério pessoal: Sujeito ativo - União; Sujeito passivo - pessoa física que adquirir renda ou proventos caracterizados como riqueza nova ou acréscimo patrimonial. Critério quantitativo: base de cálculo – total dos rendimentos percebidos, menos as despesas necessárias à produção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, bem como dedução dos respectivos dependentes, respeitando-se o mínimo existencial necessário à sobrevivência e a dignidade humana do contribuinte e familiares; alíquota – tabela progressiva 7,5% a 27,5% 2. Defina “renda”, “rendimento” e “ganho”. Qual a relação/diferença entre eles? Que são “proventos de qualquer natureza”? Com fulcro nessas definições, identifique a base de cálculo do IRPF e posicione-se, de forma fundamentada: tal como definida Página 2 de 8 na legislação infraconstitucional, a base de cálculo do imposto representa, efetivamente, a “renda”? Primeiramente, para tratarmos sobre as definições acima solicitadas, deve-se levar em consideração o dispositivo constitucional que versa sobre o Imposto de Renda, o qual dispõe o seguinte: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: III - renda e proventos de qualquer natureza; A partir da análise do referido artigo, o ilustre doutrinador Paulo Ayres Barreto chega à conclusão de que a interpretação que deverá ser usada para a definição de renda é a relacionada ao acréscimo patrimonial, veja-se: A expressão renda e proventos de qualquer natureza é de ser interpretada, nos estritos termos em que constitucionalmente plasmada, como acréscimo a um dado conjunto de bens e direitos (patrimônio), pertencente a uma pessoa (física ou jurídica), observado um lapso temporal necessário para que se realize o cotejo entre determinados ingressos, de um lado, e certos desembolsos, de outro. Tomaremos a expressão proventos de qualquer natureza como espécie do gênero renda, pressupondo-se sempre a verificação de efetivo acréscimo patrimonial.1 Destaca-se também, que o texto positivado no artigo 43, do CTN, deve ser analisado com base no texto constitucional, ou seja, renda como acréscimo patrimonial. O artigo 43, do CTN, assim dispõe, veja-se: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Dessa forma, levando-se em consideração o disposto na legislação, pode-se chegar as seguintes definições: Renda – soma de todos os rendimentos auferidos pelo contribuinte, desde que caracterize acréscimo patrimonial; Rendimentos - valores recebidos pelo contribuinte proveniente de determinada fonte pagadora; Ganho de 1 BARRETO, Paulo Ayres. O imposto sobre a renda e os preços de transferência. São Paulo: Dialética. Capítulo IV, pg.72 Página 3 de 8 capital - diferença positiva entre o valor de revenda de um bem móvel ou imóvel e seu valor de compra. Proventos de qualquer natureza se refere ao fato de que, independentemente da origem, no caso de aferição de renda pelo sujeito passivo, haverá a incidência do tributo. Neste conceito estão abarcados os demais acréscimos patrimoniais que não se encaixam como produto de capital, trabalho ou combinação de ambos. Com relação a base de cálculo do Imposto de Renda, o artigo 44, do CTN, assim dispõe, veja-se: Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Conforme a premissa apontada acima para a definição de renda, entende-se que para chegar-se a base de cálculo real do IR, no caso de pessoas físicas, devem ser realizadas as deduções e abatimentos de forma abrangentes, com o objetivo principal de chegar a capacidade contributiva de cada contribuinte, observando assim o princípio da igualdade. Dessa forma, quando a legislação infraconstitucional cria barreiras e limites para as deduções realizadas pelo contribuinte, a fim de simplificar e facilitar o processo de arrecadação, entende-se pela desconsideração dos valores constitucionais, uma vez que a base de cálculo que passa a ser utilizada não é efetivamente fruto do acréscimo patrimonial. Neste sentido, destaca o Ilustre Paulo Ayres Barreto, in verbis: A simplificação e a padronização do imposto incidente sobre a renda das pessoas físicas afronta os princípios da igualdade e da capacidade contributiva, colocando em situação equivalente contribuintes que se encontram em situação desigual.2 Confronte a afirmação doutrinária de que o “fato gerador” do imposto sobre a renda é “complexivo” com a(s) Regra(s)-Matriz(es) do IRPF e responda: (a) como compatibilizar a ideia do “fato gerador complexivo” do imposto sobre a renda com o critério temporal da(s) sua(s) RMIT? e com a(s) base(s) de cálculo? 2 BARRETO, Paulo Ayres. O imposto sobre a renda e os preços de transferência. São Paulo: Dialética. Capítulo IV, pg.94 Página 4 de 8 Com relação a alegação de que o fato gerador do IR seria complexivo, convém citar a nobre doutrinadora Mary Elbe Queiroz, que melhor explica sobre a temática: Somente se poderá constatar se houve efetivamente acréscimo ao patrimônio, no caso do IR, se puder fazer uma comparação entre os fatos ocorridos em um determinado período de tempo, a chamada periodicidade, sem que com isso se desnature o caráter instantâneo de ocorrência do fato gerador. O posicionamento no sentido de se enquadrar-se o Imposto sobre a Renda como instantâneo não se descaracteriza em face do reconhecimento da periodicidade, que deverá ser considerada a fim de possibilitar a apuração do “acréscimo patrimonial”, nem a dita periodicidade é o bastante para caracterizá-lo como complexivo.3 (b) em que instante deve ser apurado o imposto sobre a renda das pessoas físicas? A periodicidade da incidência é anual (31 de dezembro de cada ano). 3. Diferençar os conceitos de aquisição da disponibilidade jurídica e aquisição de disponibilidade econômica. Verbas indenizatórias podem ser consideradas “renda”. Por quê? Analise criticamente os anexos I, II e III. Disponibilidade econômica é a percepção efetiva da renda ou provento, ou seja, a posse efetiva do numerário que configura acréscimo patrimonial. Já disponibilidade jurídica é a aquisição de um título jurídico que confere direito ao recebimento de um determinado valor, que ingressará no patrimônio. Com relação as verbas indenizatórias,considero que não podem ser consideradas como “renda”, uma vez que possuem o objetivo de indenizar o empregado por dano sofrido, ou seja, configura-se apenas recomposição patrimonial. 4. O art. 42 da Lei 9.430/96 criou uma nova hipótese de incidência para o imposto de renda? Essa hipótese de incidência baseia-se em uma presunção ou em uma ficção? O direito tributário admite o uso de presunções e de ficções para tanto? (Vide anexo IV). 3 QUEIROZ, Mary Elbe. Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. São Paulo: Manole. Capítulo 3, pg 128 Página 5 de 8 Esse dispositivo não foi instituído com o objetivo de criar uma hipótese de incidência do Imposto sobre a Renda, mas apenas para criar uma forma de apuração da renda auferida pelo sujeito passivo, visto que através dos valores ingressados em sua conta, ele teve um aumento de patrimônio. Destaca-se que a lei estabelece que o contribuinte será previamente intimado para justificar o ingresso em questão, evitando dessa forma, a ficção da ocorrência da hipótese de incidência 5. A atual tabela progressiva do imposto sobre a renda da pessoa física prevê alíquotas de 7,5%, 15%, 22,50% e 27,5%. Tal previsão observa o princípio da progressividade? Qual é o efeito da chamada “parcela a deduzir”? Pode a lei restringir as deduções, da base de cálculo do IRPF (vide art. 4º da Lei 9.250/95)? Há parâmetros constitucionais ou legais para a fixação dos abatimentos e deduções possíveis e seus respectivos limites? Quais? O art. 153, §2º, da CF, determina que o imposto sobre a renda é regido pelos princípios da generalidade, universalidade e progressividade. Com relação ao princípio da progressividade, ele representa uma variação da alíquota na medida que se aumenta a base de cálculo deste tributo (quanto maior a base de cálculo maior a alíquota). Assim, pode-se afirmar que a progressividade é um subprincípio do princípio da capacidade contributiva, pois a progressividade das alíquotas implica em onerar quem possuir maior capacidade contributiva. Dito isto, entendo que a atual tabela de alíquotas não observa por completo o princípio da progressividade. Isso porque, se o princípio da progressividade tem como finalidade onerar quem possui maior capacidade contributiva, a porcentagem de 27,5% deveria ser aplicada para determinada faixa de renda, e não para uma infinidade de rendas. Assim, a tabela atende apenas em parte o princípio da progressividade, posto que a última faixa tributada em uma infinidade de rendas não satisfaz referido princípio. Em relação à “parcela a deduzir”, entendo que o seu efeito é excluir da tributação a faixa de isenção da tabela por meio de um cálculo matemático. Isso porque o valor da parcela a deduzir é obtido calculando-se a diferença entre a porcentagem Página 6 de 8 cobrada sobre o total do salário (depois de descontadas as deduções legais) e aquelas que deveriam incidir apenas sobre as diferenças. 6. Existe identidade entre o IR fonte e o IR anual ou trata-se de impostos autônomos (isto é, há apenas uma ou mais de uma regra-matriz de incidência tributária)? Seria a retenção na fonte mero objeto de dever instrumental? Justifique a resposta. (Vide anexos V, VI, VII). O IRPF e IRRF não podem ser considerados impostos autônomos, pois o IRRF é a apenas uma forma técnica de arrecadação, se enquadrando como espécie e substituição tributária. Trata-se, portanto da mesma modalidade de imposto, a diferença é que o IRRF é recolhido de forma antecipada. Com relação a composição do RMIT, existe apenas um do IR, pois conforme pontuado o IRRF é apenas uma técnica de arrecadação. A retenção na fonte também é considerada dever instrumental quando a pessoa pagadora atua como substituta, na função arrecadadora, porém a empresa atua também como responsável pelo recolhimento do tributo. 7. Analise os efeitos jurídicos inerentes ao contribuinte e à fonte pagadora em cada um dos casos abaixo arrolados. Retenção – Fonte pagadora (Pessoa Jurídica) Recolhimento – Fonte pagadora (Pessoa Jurídica) Declaração do rendimento na Declaração de Ajuste Anual – DAA, entregue pela pessoa física (empregado ou prestador de serviços) em 30 de abril Caso 1 Retém Recolhe Declara rendimento e retenção Caso 2 Retém Recolhe Não declara rendimento nem retenção Caso 3 Retém Não recolhe Declara rendimento e retenção Caso 4 Retém Não recolhe Não declara rendimento nem retenção Caso 5 Não retém Recolhe Declara rendimento e retenção Página 7 de 8 Caso 6 Não retém Recolhe Não declara rendimento nem retenção Caso 7 Não retém Não recolhe Declara rendimento e retenção Caso 8 Não retém Não recolhe Não declara rendimento nem retenção Caso 1: Não houve irregularidade tanto para a fonte quanto para o contribuinte. Caso 2: O contribuinte descumpriu o dever instrumental podendo sofre penalidades pela ausência de declaração. Caso 3: A empresa sofrerá penalidade com relação ao descumprimento do dever de recolher, além dos juros sobre valor não repassado. Além disso, a empresa poderá sofrer processo por crime contra a ordem tributária. Caso 4: Nesse caso há o descumprimento dos obrigação principal e acessória, porém a empresa reteve, por esse motivo sofrerá a devidas sanções com aplicação de multa e juros da mora e ainda sujeitar-se as penalidades resultantes da prática do crime contra a ordem tributária. Caso 5: A empresa sofrerá as penalidades em razão do descumprimento do dever de reter. Caso 6: A pessoa jurídica e o contribuinte, pessoa física, sofrerá a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória. Caso 7: Nesse caso, será aplicado as sanções para a empresa, sendo multada pelo não cumprimento de dever instrumental e o contribuinte deverá recolher o tributo devido no ajuste anual. Caso 8: A empresa sofrerá sanções, sendo multada por descumprimento de dever instrumental somado à multa de mora e pagamento do IR devido. 8. Há a incidência de IR fonte ou do IR anual sobre Stock Options? Pressupondo a possibilidade de que venham a ser tributados, como definir a sua base de cálculo? Em outros termos, a base de cálculo do IR recairia sobre o preço da aquisição das Página 8 de 8 ações, o preço do mercado ou sobre o preço em que elas são vendidas? Analise os anexos VIII e IX, expressando sua concordância ou não, de forma justificada. As Stock Options são conhecidas no mercado como sendo forma de remuneração variável. Elas são remunerações através de ações, onde uma empresa fornece ao seu funcionário de cargo superior a opção de comprar determinada quantia de ações a um preço, em regra, abaixo do negociado no mercado, por um determinado período. Contudo, após um determinado de tempo, o funcionário deverá vender suas ações. O objetivo das empresas é aumentar seus patrimônios e motivar seus funcionários, recompensando-os. As Stock Options podem ser caracterizadas como tendo natureza salarial ou de investimento, visto que as ações adquiridas pelos funcionários ocasionam aumento patrimonial para aqueles que compram abaixo do preço de mercado para no futuro vender a um preço normalizado. Sendo assim, considerando que pode ser defensável a natureza dos Stocks Options como sendo salarial, entende-se que deve ser aplicado a retenção do imposto de renda na fonte - IRRF. Contudo, levando em consideração que o aumento patrimonial se dá apenas no momento da venda da ação, não podemos considerar a modalidade como sendo vinculada relação laboral. Visto isso, poderá ser defendido que o IR deverá ser recolhido anualmente. Com relação aos anexos VIII e IV do exercício, tratam-se de acórdãos do CARF com entendimento de que “Stock Options” devido as vantagens econômicas oferecidos aos empregados na aquisição de lotes de ações da empresa,quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, essa modalidade teria natureza salarial, remuneratória, base de cálculo de contribuições previdenciárias e que o Imposto de Renda deve ser retido na fonte. Tendo em vista esse entendimento, teríamos um IR sendo recolhido através de um rendimento resumido e não real.