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Lucianne Albuquerque |Semiologia P5 MENINGOENCEFALITES Conferência Meningoencefalite é sinônimo de meningite. É todo processo inflamatório que atinge as leptomeninges (aracnoide – é + vascularizada e pia-máter). Também pode acometer o encéfalo e outras partes (meningoencefalite). OBS: alguns agentes, como o vírus rábico (100% letal) e alguns príons (proteína infecciosa), fazem encefalites sem acometimento meníngeo. AGENTE ETIOLÓGICOS: bactérias, incluindo micobactérias (quadros agudos e subagudos, tem alta letalidade 20%); Vírus; fungos; protozoários; helmintos; príons. Vírus: Herpes simples (HSV), raiva, HTLV I e II, HIV, varicela zoster, citomegalovírus, poliomielite, coxsackie A e B, Echovirus, Epstein barr, papilomavirus, adenovírus, sarampo, rotavirus. Arbovírus: Dengue, febre amarela, West nile fever, zika, chikungunya, rocio, mayaro, oropuche são da Amazônia, encefalite japonesa, encefalite venezuelana, saint louis, encefalite leste e oeste. Bactérias: NEISSERIA MENINGITIDIS (meningococo), Haemophilus influenzae B, Streptococcus pneumoniae (pneumococo), E coli, Staphylococcus aureus, klebisiella pneumoniae, pseudomonas aeruginosa, listeria sp, proteus sp, salmonela typhi, aerobacter sp, mycobacterium turbeculosis, treponema pallidum, leptospira interrogans. ➜Sorotipos: Menincococo C (BRASIL), A (Sul do BR – mulçumanos), W135, B (Cuba) e Pneumococo com 23 sorotipos ETIOLOGIA POR FAIXA ETÁRIA DAS BACTÉRIAS 0-3 meses: bacilos gram negativos devido ao canal de parto; 3m- 60anos: meningococo; Maiores 60 anos: pneumococo Protozoários: Trypanossoma Cruzi, amebas de vida livre (Naegleria – vivem em lagos e piscina natual e há entrada pela lâmina crivosa/ Nervo Olfatório e Acanthamoeba), toxoplasma gondii, plasmodium falciparum. Helmintos: Strongyloides stercoralis, Schistosoma mansoni, cysticercus cellulosae (taenia solium) Fungos: Cryptococcus neoformans, Candida Albicans, Paracoccidioides brasilieensis Príons: doença de Kreutzfeld Jackob (doença da vaca louca), Kuru PATOGENIA Colonização da orofaringe Disseminação hematogênica Contiguidade Vasculite Falência das suprarrenais GERA MORTE DE 12-24h POR CHOQUE! FATORES PREDISPONENTES Traumatismo crânio-encefálico Otites Mastoidites Sinusites Pneumonias Imunodepressão: SIDA, DM, etc QUADRO CLÍNICO Lucianne Albuquerque |Semiologia P5 Início geralmente súbito Febre alta (40-40,5ºC) ou hipotermia em RN Vômitos (em jato devido a hipertensão intracraniana, serve de alerta porém só aparece horas depois) Cefaleia intensa occipital – MUITO FORTE!!! RN com Fontanelas abauladas, tensas e pulsáteis – GRAVE!!! Comprometimento do estado geral Distúrbios da consciência Convulsões ➜Doença meningocócica tem 3 formas: - meningite : apenas central - meningococcemia: dissemina, geralmente gera choque. - meningite + meningococcemia Doença pneumocócica em geral tem infecção otorrinolaringológica prévia EXAME FÍSICO SINAIS DE IRRITAÇÃO MENÍNGEA: RIGIDEZ DE NUCA, kerning, brudzinski e lasegue Sulfusões hemorrágicas: petéquias, equimoses ou necroses (Cada petéquia evolui para necrose) Otite, mastoidite, sinusite ou faringoamigdalite podem preceder o quadro meníngeo. OBS: vale lembrar que o liquor é uma proteção mecânica que ajuda no movimento do pescoço, sendo assim temos como sinal mais comum a rigidez de nuca. COMPLICAÇÕES Abscessos cerebrais, coleção subdural, sequelas motoras e funcionais, retardo mental DIAGNÓSTICO Análise LCR: citologia+citometria, bioquímica (proteína + glicose), bacterioscopia (dá ideia de qual bactéria será), cultura (confirma o tipo de bactéria – padrão-ouro) e pesquisa de antígenos bacterianos (LÍQUOR QUEM DA DIAGNÓSTICO) Hemograma Hemocultura Glicemia TC e RM: faz para complicações e aparece desvio da linha média e diferença entre os hemisférios e ventrículos principalmente no abscesso. LCR NORMAL ANORMAL VIRAL BACTERIANA TUBERCULOSA ASPECTO Límpido, transparente, incolor e coágulo ausente TURVO: com células acima de 200mm³ e/ou bactérias Purulento: leucócitos acima de 1000mm³ Hemorrágico: hemácias (acidente de punção ou hemorragia) Xantocrômico: proteína elevada, bilirrubina, hemoglobina (hemólise) Coágulo: proteína elevada Límpido, transparente, incolor e coágulo ausente Turvo ou purulento opalescente, coagulo ausente ou presente Límpido, transparente, incolor ou xantocrômico, coágulo ausente ou presente CITOLOGIA Leucócitos até 4mm³ no RN e hemácias 0 Leucócitos até 200mm³ - linfócitos Leucócitos acima de 200/mm³ - neutrófilos Leucócitos até 200/mm³ Lucianne Albuquerque |Semiologia P5 BIOQUIMICA Glicose: 50- 70mg% Proteínas: até 45mg% Cloretos: 680- 750mg% Glicose: normal Proteínas: normais Cloretos: normais Glicose: baixa tendendo a zero Proteínas elevada Cloretos baixos Glicose: baixa Proteína elevada Cloretos: baixo OBS: se paciente for diabético o valor da glicose no LCR tem valor maior que o normal e nem por isso indica alteração. Liquor 2/3 da glicose sérica, pois bactéria vai se “alimentar” de glicose. Porque proteínas altas no liquor? Por conta da BHE “facilitar” a passagem. Lactato vai ta alto no liquor se for coletado. FUNGO: tem predomínio de proteína, linfomonoclear (linfócito e monócito), faz tinta da china. Meningococo – diplococo gram – ASPECTO: Turvo, glicose baixa, proteína, leucócitos com prevalência de linfócitos e eosinofilos DIAGNÓSTICO ETIOLÓGICO Bacterioscopia do LCR (gram), pesquisa de fungos (tinta nanquim), cultura do LCR, hemocultura, aglutinação pelo látex, contraimunoeletroforese, pesquisa direta de fungos TRATAMENTO Até 3 meses de idade (RN): 1- Ampicilina 400mg/kg/dia IV 6/6h + Gentamicina 5mg/kg/dia, IM 8/8h OU 2- cefalosporina 3ª geração: ceftriaxona 100mg/kg/dia IV 12/12h ➜Gentamicina: atravessa BHE até 3 meses, por isso é usado. Ampicilina pega mais listeria. De 3meses a 4 anos: 1- Ampicilina + Cloranfenicol 100mg/kg/dia IV ou VO de 6/6h OU 2- Cefalosporina de 3 geração ➜Cloranfenicol tem muito efeito adverso grave Acima de 4 anos: 1- Ampicilina, 2- Cefalosporina de 3ª geração OBS: corticoides são usados por 4 ações: ⤵efeito inflamatório de imediato e isso faz com que ⤵sequelas, melhora passagem do ATB pela BHE (há controvérsias, mas mesmo assim é usado), evita falência suprarrenal por reposição hormonal, muito usado no meningococo em específico, mas faz para outros patógenos também. Geralmente usa por 4-5 dias. PARA NÃO PIORAR A HIPERTENSÃO INTRACRANIANA. MENINGOENCEFALITE COMPLICADA TRATA COM Ceftriaxona (para GRAM +) + Metronidazol (GRAM -) + Vancomicina (S aureus) MENINGOENCEFALITE TUBERCULOSA: Esquema RIPE por 12 meses + corticoides MENINGOENCEFALITES POS PROCEDIMENTO NO SNC: Ceftazidina, Aztreonam, Meropenem, polimixina B NEUROTOXOPLASMOSE: Sulfadiazina +pirimetamina + ácido folínico ou Clindamicina + primaquina por 6 semanas. NEUROCRIPTOCOCOSE: Anfotericina B, Anfotericina B + 5-fluor-citosina, Fluconazol MENINGITE HERPETICA: ACICLOVIR EV PROFILAXIA Indicada na doença meningocócica e por Haemophilus; Contactantes íntimos; Contato com secreção respiratória (IOT, massagem cardíaca); Isolamento respiratório por 24h após iniciar ATB; Vacinação (sorotipo específica) QUIMIOPROFILAXIA Meningococo: Rifampicina (crianças- 20mg/kg/dia VO 12/12h por 2 dias e adultos 600mg 12/12h VO por 2 dias) Lucianne Albuquerque |Semiologia P5 Haemophilus: 4 dias apenas em crianças. ➜Se a criança acometida frequentar creche ou escola precisa tratar TODAS as crianças da mesma sala e pessoas de contato prolongado que dormiram no mesmo quarto como pai e mãe. MENINGITES BACTÉRIANAS POR TRATADO DE INFECTOLOGIA – Veronesi A meningite e um processo inflamatório das membranas leptomeningeas (a pia-aracnoide, mais interna,e a aracnoide, mais externa, que envolvem o espaço subaracnóide) que, com a meníngea dura-máter, envolvem o encéfalo e a medula espinal. A infecção pode atingir, por contiguidade, estruturas do sistema nervoso central (SNC), constituindo: meningomielite, meningoencefalite ou meningomieloencefalite. O liquido cefalorraquidiano (LCR), que circula no espaço subaracnóide, e o melhor elemento para a pesquisa diagnostica de meningite. Ele participa ativamente na resolução do processo infeccioso, seja ao facilitar o transporte de elementos imunitários sanguíneos as meninges e ao SNC, O comprometimento infeccioso do SNC e de suas membranas envoltórias pode ser agudo, particularmente por bactérias e vírus, ou crônico, quando causado por protozoários, espiroquetas, helmintos, fungos ou micobacterias. As infecções do SNC e de suas membranas meníngeas envoltórias podem ser causadas por inúmeros agentes infecciosos (bactérias, vírus, protozoários, helmintos, espiroquetas e fungos) ou não infecciosos. As meningites se desenvolvem, em geral, secundariamente a focos infecciosos distantes. De um ponto de vista didático pode-se apresentar as principais vias de infecção: Por via hematogênica: a maioria das bactérias que causam meningite se coloniza na orofaringe e, através do sangue, atinge o SNC, como e o caso de meningococo, pneumococo e hemofilo; outras provem dos intestinos (enterobacterias), dos pulmões (pneumococo) e do aparelho geniturinário (gram-negativos), sempre por disseminação hematogênica. Por contiguidade: a partir de focos próximos as estruturas anatômicas do SNC, como otites medias crônicas, mastoidites ou sinusites. Por continuidade ou acesso direto: como nos traumatismos cranianos e por manipulação propedêutica ou terapêutica do SNC e de estruturas próximas (punção liquorica e uso de cateter ou implantes sem a devida assepsia). As meningites bacterianas têm uma porta de entrada geralmente inaparente; em apenas 10% dos casos há um foco primário detectável. Na ausência de um foco primário detectável, para se estabelecer o início da terapêutica empírica e importante saber quais as bactérias mais prevalentes por faixa etária. Recém-nascidos de até três meses de vida: até esse período, o recém-nascido esta geralmente protegido por anticorpos maternos, transferidos por via transplacentária, contra pneumococo, meningococo e hemofilos. As etiologias mais frequentes no período neonatal são: Streptococcus sp e outras espécies de estreptococos do grupo B; E.coli; outros gram-negativos enterobacteriaceos; e, em algumas situações clinicas e em berçários “patológicos”, o S. aureus Lucianne Albuquerque |Semiologia P5 resistente a meticilina (MRSA). Crianças de baixo peso, cujo sistema imunológico e ainda imaturo, podem colonizar o Streptococcus agalactiae ou Listeria monocytogenes, uma bactéria saprófita dos genitais femininos que está presente no canal do parto. Entre 3 meses e 10 anos de idade: passam a prevalecer com mais frequência Neisseria meningitidis (meningococo) e Streptococcus pneumoniae (pneumococo). E o período etário em que o Haemophilus influenzae tipo b, transmitido por secreções nasofaringeas, e mais frequente. A partir dos 5 anos, sua ocorrência vai decrescendo, ate os 10 anos de idade, sendo rara a ocorrência depois disso. Acima dos 10 anos de idade: prevalecem Neisseria meningitidis e Streptococcus pneumoniae, que respondem por 80 a 90% dos casos na ausência de períodos epidêmicos de outras bactérias. Recentemente, com a introdução de vacina especifica e altamente eficaz contra o Haemophilus influenzae, tem-se a expectativa da modificação do panorama epidemiológico, com redução significativa do número de casos. Nos países mais desenvolvidos, onde a vacina já está sendo administrada há anos dentro do esquema básico de vacinação, e possível que haja a extinção dos casos. Em pacientes idosos, o pneumococo tem participação significativa nas infecções, seja causando frequentes infecções pneumônicas, assim como otorrinolaringológicas e decorrentes de traumatismos cranioencefalicos. Na senilitude: o indivíduo idoso, debilitado orgânica e imunologicamente, e suscetível também a infecções por agentes “oportunistas”. Além do meningococo e do pneumococo, prevalecem bactérias oportunistas, como Listeria monocytogenes, Streptococcus agalactiae e enterobacterias. A ocorrência de meningite se da durante todo o ano, com pequeno aumento sazonal nas épocas de clima frio. O pneumococo e uma causa frequente de meningite em indivíduos alcoólatras, esplenectomizados, com anemia falciforme e em portadores de deficiências de imunoglobulinas. MENINGITE SIMULTÂNEA POR MAIS DE UM AGENTE O isolamento e a identificação de mais do que uma bactéria em pacientes com meningite são raros. Quando estão implicadas duas ou mais bactérias, geralmente trata-se de uma associação entre uma bactéria de alta virulência com um ou mais germes “oportunistas”. Outro tipo de interação etiológica possível e a de meningite por bacilo tuberculoso, ou fungo, com bactérias piogênicas. Essas infecções polimicrobianas tem incluído o isolamento simultâneo de enterovirus concomitantemente com os microrganismos citados. Essas situações (superinfecções) costumam estar associadas a defeitos anatômicos congênitos ou traumáticos da estrutura encefálica ou, ainda, a presença de síndromes clinicas imunossupressoras. PATOGENIA E PATOLOGIA O mecanismo e a via de invasao pela qual a bacteria produz meningite ainda nao estao totalmente esclarecidos. O SNC (particularmente o cerebro) possui um bom sistema protetor contra agentes patogenicos invasivos, composto por caixa craniana, meningites e um complexo mecanismo que se interpõe entre o sangue e o liquor (barreira hematoliquorica). A infeccao pode atingir o SNC por meio de tres mecanismos basicos: propagacao sanguinea (bacteremia ou septicemia); infeccao adjacente as meningites (faringite, sinusite, mastoidite, otite media etc.); solucao de continuidade. As infeccoes cronicas otorrinolaringologicas podem se comportar como foco inicial silencioso, sobretudo a otite media cronica, que se propaga por contiguidade atraves do mastoide ou do osso temporal. A bacteremia costuma se desenvolver, tanto no recem-nascido como nos demais segmentos etarios, a partir de infeccoes de pele, pulmao, coracao, trato intestinal e geniturinario. A orofaringe e uma fonte de infeccao por bacterias que podem se colonizar assintomaticamente nessa regiao. Algumas experiencias mostram que as bacterias se distribuem no SNC ao longo das paredes dos seios venosos encefalicos, onde a pressao do sistema venoso e baixa. Deste ponto, elas penetram pela dura-mater, conseguindo alcancar o espaco subaracnoideo. Este e o momento critico que ira definir o destino dessas bacterias; se os mecanismos locais de defesa (ainda nao bem conhecidos) nao conseguirem promover rapidamente a depuracao bacteriana, os microrganismos se colonizam e disseminam a infeccao. A grande maioria dos casos e causada por apenas poucos agentes bacterianos. A habilidade dessas bacterias em atingir o espaco subaracnoideo e as meningeas decorre de fatores de virulencia que as permitem burlar o sistema imunologico de defesa. Assim, os meningococos, por exemplo, possuem estruturas fenotipicas, as pili (adesinas), na sua superficie, que os permitem aderir a mucosa e se colonizar. De outro modo, pneumococos, hemofilos e meningococos secretam proteases que fazem a clivagem das IgAs secretorias na superficie da mucosa oral. Ja na corrente Lucianne Albuquerque |Semiologia P5 sanguinea, os polissacarídeos capsulares podem se livrar do sistema complementar sérico atividade-especifico, que e ativado pela via alternativa. Se a bacteremia e mantida, as bacterias invadem o espaco subaracnóideo e o SNC por vias e mecanismos ainda nao bem esclarecidos. Apos ultrapassar a barreira hematoliquorica, as bacterias podem se colonizar com mais facilidade porque, no SNC, osistema humoral de defesa e precario. Componentes da estrutura bacteriana (parede celular do pneumococo, lipopolissacarideos do H. influenzae, N. meningitidis e E. coli) induzem a producao e a secrecao local de citocinas (interleucina 1 [IL-1], IL-6 e fator de necrose tumoral), que medeiam o processo inflamatorio. As citocinas ativam o endotelio cerebral, induzindo a adesao de leucocitos e glicoproteinas e a diapedese dos leucocitos para o liquor. A lesao da microvasculatura cerebral e o processo inflamatorio das meníngeas facilitam a producao de edema cerebral, tanto por mecanismos vasogenicos (exsudacao de albumina atraves da barreira hematoliquorica alterada), como por mecanismos intersticiais (reducao na reabsorcao de liquor pelas vilosidades aracnoideas). Ambos os processos aumentam a pressao intracraniana. A producao de mediadores vasoativos (oxigenio e nitrogenio) reduz a autorregulacao do fluxo sanguineo cerebral, prejudicando o metabolismo celular (deficit de oxigênio e glicose em nivel tecidual), produzindo, em consequencia, dano cerebral (isquemia, convulsoes, herniacoes, lesao nos nervos cranianos etc.). Ha três etapas de resposta imunológica conhecidas na meningite bacteriana. A primeira e a reação inflamatória inespecífica (grande afluxo de micrófagos); seguida pela reação imunitária humoral (com participação de imunoglobulinas e complemento); e, por último, a reação macrofagica (monócitos modificados e macrófagos originários de descamação de células aracnoideas). A presença de imunoblastos e plasmócitos (produtores de imunoglobulinas) no liquor e infrequente na meningite bacteriana aguda, ao contrário das meningites crônicas ou de etiologia viral. A resposta imune mediada por células não parece ser de importância preponderante. A meningite se manifesta por 3 síndromes: infecciosa, hipertensão endocraniana e comprometimento meníngeo. Na infecciosa tem sinais inespecíficos comum a doenças infecciosas, tais como febre, anorexia, mal-estar, mialgias e estado toxêmico. Na hipertensão endocraniana pode ter sinais mais específicos, como: cefaleia, paroxismos por flexão da cabeça, vômitos em jato, alteração da consciência, taquicardia, palidez, edema de papila – no exame de fundo de olho, convulsões e sinais neurológicos focais. (nervo abducente tem muito acometimento) No comprometimento meníngeo tem os sinais meníngeos: Rigidez da nuca, em que o flexionamento da cabeça e dificultado ou mesmo impossível. A contratura extensora máxima da musculatura dorsal constitui o opistótono (grau máximo de rigidez de nuca). O meningismo (dor a flexão do pescoço, sem comprometimento supurativo das meningites) pode se confundir com a rigidez de nuca e está presente em várias clinicas, como septicemias, processos inflamatórios localizados no segmento cervical, mastoidite, desidratação hipertanica, convulsões febris da infância, contraturas voluntarias de origem psicossomática. Sinal de Brudzinski que consiste na limitação, pela dor, da flexão do pescoço, acompanhada, secundariamente, de flexão dos joelhos. Sinal de Kernig que é uma limitação dolorosa da extensão da perna, quando se traciona positivamente a coxa sobre a bacia (mantendo o joelho articulado). A perna oposta, mantida estendida, tende a se flexionar, simultaneamente. Lucianne Albuquerque |Semiologia P5 Sinal do “tripe”observado quando, ao se flexionar passivamente o tronco, no sentido de manter sentado o paciente, este adota uma posição característica, com a cabeça rígida, joelhos articulados e braços para trás, obrigando-se a se sustentar em três pontos de apoio: as mãos, a bacia e os pés. Sinal de Lasegue no qual o paciente reage com manifestação de dor a movimentação passiva da coxa sobre a bacia (mantendo a perna estendida). Secundariamente, ha flexão ativa, concomitante, da outra coxa sobre a bacia. A síndrome de comprometimento meníngeo se completa com uma postura antálgica adotada pelo paciente em decúbito lateral, com flexão das coxas sobre o abdome e as pernas flexionadas (posição de “gatilho de espingarda”); a coluna, o pescoço e a cabeça são mantidos rigidamente estendidos. Os sinais meníngeos não são patognomônico de meningite. Nos pacientes idosos, febre e confusão mental podem ser os únicos sinais iniciais. Os sinais meníngeos podem estar ausentes ou ser de difícil caracterização, em razão da osteoartrite cervical ou da doença de Parkinson, mas podem ocorrer convulsões e sinais focais. A meningite crônica e uma síndrome clínica, com duração de pelo menos quatro semanas, que e causada por agentes infecciosos ou não infecciosos. Ela caracteriza-se pela persistência de sinais e sintomas de meningite, como cefaleia holocraniana, febre, rigidez de nuca, náuseas, vômitos, letargia e confusão, e está associada a pleocitose e hiperproteinorraquia. Desta forma, anamnese precisa e meticulosa história clinica podem ser peças-chave neste procedimento. A procedência de certas regiões endêmicas, como devido a viagens turísticas, pode relacionar o caso com áreas onde ha doenças, como coccidioidomicose, paracoccidioidomicose ou cisticercose. A pesquisa do teste tuberculínico, a sorologia para HIV, HTLV I e II e a história de Lucianne Albuquerque |Semiologia P5 exantema ou outras lesões cutâneas que podem levantar suspeita de sífilis ou eritema migratório com suspeita de Borrelia burgdorferi sempre devem ser bem analisadas. As infecções mais frequentes no SN são as meningites virais, habitualmente confundidas com as meningites assépticas que são aquelas em que não é possível estabelecer o diagnóstico de infecção bacteriana por meio do exame de liquido cefalorraquidiano (LCR). Sendo assim, meningites assépticas podem incluir: a) Em sentido mais estrito, as meningites virais, as inflamatórias, aquelas relacionadas a presença de células neoplásicas nas meninges e aquelas induzidas por drogas. b) Em sentido mais amplo, além dessas, também a neurotuberculose, as meningites fúngicas e as neuroparasitoses. Entretanto, entre as infecções mais graves do SN estão as encefalites ou meningoencefalites e as mielites, nas quais, além das meninges, ha também acometimento do tecido nervoso subjacente. As meningites agudas caracterizam-se pela presença das três síndromes clássicas: 1. a toxêmica; 2. a de hipertensão intracraniana (SHIC); 3. a de irritação meníngea. Deve ser realçado que a síndrome toxêmica e menos dramática nas meningites assépticas virais e raramente observada nas meningites não infecciosas. A SHIC que acontece nas meningites assépticas agudas tem etiologia semelhante aquela observada nas meningites bacterianas. Entretanto, habitualmente, e menos intensa. A síndrome de irritação meníngea apresenta também características semelhantes aquelas descritas para as meningites bacterianas agudas, embora geralmente menos acentuadas. Um dos complicadores mais frequentes no diagnóstico das encefalites e das meningoencefalites e a dificuldade do médico em distinguir uma encefalopatia de uma encefalite. Encefalopatia e uma alteração do nível de consciência que dura, pelo menos, 24 horas e que inclui letargia, irritabilidade extrema e alterações de personalidade ou de comportamento. Paciente com encefalite e aquele que apresenta encefalopatia acompanhada de duas ou mais das seguintes alterações: febre maior ou igual a 37,5 graus centigrados; convulsão recente; sinais de localização ao exame neurológico; pleocitose no LCR (mais de cinco células); alterações sugestivas ao exame de neuroimagem – tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética. A confirmação diagnostica das meningites assépticas e feita por exames complementares: 1. O exame de LCR e imprescindível para o diagnóstico etiológico das meningites assépticas; seus riscos, desde que indicado corretamente, são virtualmente nulos. 2. Os exames de neuroimagem tem pouco valor na fase aguda do diagnóstico das meningitesassépticas puras. Entretanto, havendo sinais de localização, sinais de acometimento meningoencefalitico ou suspeita de neoplasia do SN, os exames de imagem (TC e RM) são obrigatórios e devem preceder o exame de LCR. 3. Devem ser solicitados rotineiramente exames laboratoriais capazes de caracterizar a vigencia de processos infecciosos e/ou inflamatórios sistêmicos. Elemento crucial para determinar se há acometimento encefalitico ou não e a atividade de adenosino-deaminase (ADA). Essa enzima aumenta em todos os processos em que haja acometimento inflamatório do parênquima cerebral mediado por células T. Isso ocorre em neurotuberculose, neuromicoses, meningoencefalite herpética, ou mesmo em alguns tipos de Lucianne Albuquerque |Semiologia P5 linfomas. Não e possível estabelecer, no LCR, relação entre o valor numérico de ADA e maior ou menor valor preditivo para nenhuma dessas doenças. PUNÇÃO LIQUORICA É utilizada para fazer o seguinte: Avaliar a pressão intracraniana e a composição do líquido cerebrospinal Reduzir terapeuticamente a hipertensão intracraniana Administrar fármacos por via intratecal – quimioterápicos ou antibióticos ou um agente de contraste radiopaco para mielografia Pode ser usada para terapêutica e diagnóstica. O que é o liquor? É um fluido corporal produzido no plexo coroide, presente em cavidades no cerébro e na medula espinhal, e atua como um amortecedor protegendo as estruturas cerebrais e medulares; fornece nutrientes essenciais para o cérebro e possui importante função na remoção dos resíduos provenientes da atividade cerebral e no equilíbrio da pressão intracraniana. Em condições normais, o LCR é produzido e reabsorvido continuamente em torno de 500 ml/dia, que pode variar de acordo com a estrutura corporal do indivíduo. COMO É REALIZADA? Geralmente feita na região lombar, mas há casos que tem necessidade de ser coletado na região da nuca (punção cisternal ou sub-occipital) – cisterna magna. PASSO A PASSO 1- SEPARE O MATERIAL agulha espinal com estilete, geralmente entre 20-22 gauge (bebes 3,8cm, crianças 6,3 e adultos 8,9cm) material para degermação/antigermes campos estéreis luvas estereis tubos para coleta de material raquimanometro (alguns casos) 2- POSICIONAMENTO ➜É necessário explicar ao paciente sobre riscos e benefícios + consentimento (principalmente se for menor de idade). POSIÇÃO DE COLETA: DECUBITO LATERAL (preferido) OU SENTADA. Assume a posição fetal ou se curva como um gato com as costas fletidas (pois aumenta os espaços entre os processos espinhosos), daí a coluna precisa ficar paralela ao leito. Se sentado, coluna do paciente ficar perpendicular ao leito (a agulha fica no centro). Uma linha imaginária é traçada nas bordas superiores da crista ilíaca interceptando na linha média o processo espinhoso de L4. Insere a agulha no espaço intervertebral de L3 e L4 ou L4 e L5 (que estão abaixo da medula espinal). https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/exames-e-procedimentos-neurol%C3%B3gicos/outros-exames-de-imagem-neurol%C3%B3gicos#v27276748_pt Lucianne Albuquerque |Semiologia P5 OBS: é necessário palpar os pontos de referência antes de aplicar a anestesia local. 3- PREPARO Limpe a área com agente antigermes como clorexidina ou PVPI no padrão espiralado de dentro para fora. Isole a área e organize os tubos da coleta. OBS: é necessária anestesia e se possível sedação. Pode ser local em forma de adesivo e subcutâneo. 4- INSERÇÃO DA AGULHA Deve ser em 15º em direção ao umbigo na linha média da porção superior do processo espinhoso imediatamente inferior; o bisel da agulha deve estar no plano sagital para separar as fibras e reduz o risco de vazamento do LCR. QUAL CAMINHO SEGUIRÁ? Passará pela pele, tecido subcutâneo, ligamento supraespinhal, ligamento interespinal (entre os processos espinhosos), ligamento amarelo, espaço epidural (incluindo plexos venosos vertebrais internos), dura-mater, aracnoide, subaracnóide e entre as raízes nervosas da cauda equina. Quando passa o ligamento amarelo tem a sensação de estalo e move 2mm. Se ao tirar o estilete não vinher líquido ou tocar no osso, retraia a agulha até o tecido subcutâneo, sem tira-la da pele e redirecione a agulha. Daí o liquor fluirá. Se tiver acidente de punção pode estar tinto de sangue, mas torna-se límpido logo após. Caso o fluxo esteja lento, a agulha pode ter sido obstruída por uma raiz nervosa e deverá rodar 90º graus. Caso o sangue obstrua a agulha deve trocar e fazer em outro espaço intervertebral. 5- PRESSÃO DE ABERTURA DO LIQUOR Paciente em decúbito lateral, acopla o raquimanometro na agulha espinal. Se ultrapassar 25cm há risco pois tem sinais de herniação intracraniana. 6- COLETA DA AMOSTRA Quantidade deve ser a mínima para análise, geralmente 3-4mL. E deve deixar que o liquor caia no frasco de coleta e não seja aspirado. OBS: retira a agulha e há evidencias do paciente permanecer deitado para não ter vazamento do LCR, porém não é comprovativo. INDICAÇÕES Diagnóstico de meningite, encefalites e mielites, doenças inflamatórias como esclerose múltipla, câncer – leucemia e processos metabólicos. CONTRAINDICAÇÕES Lucianne Albuquerque |Semiologia P5 Pacientes com comprometimento cardiorrespiratório (pode piorar em consequência da posição que precisam ficar para realizar a punção); Pacientes com sinais de herniações no cérebro, herniação incipiente, pressão craniana elevada e sinais neurológicos focais (precisa realizar TC de crânio antes da punção, pois há riscos de hematoma espinal); Pacientes submetidos a cirurgia de coluna anteriormente. CONTRAINDICAÇÃO RELATIVA é infecção no local de punção (pois pode colocar a infecção para dentro e causar a meningite); também o consentimento do paciente; uso de anticoagulante. DIFICULDADES Obesos, osteoartrite, espondilite anquilosante, cifoescoliose, cirurgia prévia com alteração das referências anatômicas, doença discal degenerativa. COMPLICAÇÕES Herniação cerebelar, dor referida, cefaleia, sangramento, infecção, cisto epidermal subaracnóide pode ser formado (quando uma porção de pele é inserida no espaço subaracnóide), vazamento do liquor (agulhas maiores causam mais) – pode ser avaliado por um anestesista para fazer um bloqueio e ocluir o vazamento. OBS: para isso muitas vezes é necessário fazer exame neurológico completo e avaliação do paciente. REFERÊNCIAS: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/exames-e- procedimentos-neurol%C3%B3gicos/pun%C3%A7%C3%A3o-lombar-pun%C3%A7%C3%A3o- espinhal https://neurolife.com.br/como-realizar-a-coleta-do-liquor-puncao-lombar/ https://www.youtube.com/watch?v=ErNhuKfoYAU Anotações de aula Tempo: agudo e crônico Óbito bacteriano é pior. Incidência maior é de vírus Paciente chega séptico com foco de SNC Clássico: irritação meníngea – febre, cefaleia e rigidez de nuca (pesquisar sinais) Meningite é emergência Erradicou da nasofaringe em 24h por isso isola. Diferença de vômitos normais e em jato (hipertensão intracraniana) e tem reflexo mais forte e não tem náusea com precedência, no normal pode ter afecção no TGI e ter como sintoma. Hipertensão intracraniana - Tríade de cushing: hipertensão, bradicardia e respiração irregular (bradicardia sem tomar nenhum fármaco a isso). Petequias – meningogoccemia (tipo sepse por meningite), devido a estar disseminado por via hematogenica. Não some com a digitopressão, já no rash ele some. Porque aparece petequia no meningococo? Por causa da vasculite, daí pode gerar CIVD e necrose. Quando a vasculite ocorre na adrenal gera a necrose e aí é BABADO! Otite pode aparecer desacordado, confuso e com pus saindo do ouvido, olhar sempre se tem vermelhidão no mastoide. Pneumococo pode ser o agente causal entre otite, sinusite,mastoidite. Haemofilus sempre pensar até 5 anos. Tem vacina para isso. Qual objetivo da quimioprofilaxia? Não disseminar. É um bloqueio. Mas quem tem que fazer é quem vai entrar em contato com crianças menos de 5 anos no haemofilus. no meningococo todos. https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/exames-e-procedimentos-neurol%C3%B3gicos/pun%C3%A7%C3%A3o-lombar-pun%C3%A7%C3%A3o-espinhal https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/exames-e-procedimentos-neurol%C3%B3gicos/pun%C3%A7%C3%A3o-lombar-pun%C3%A7%C3%A3o-espinhal https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/exames-e-procedimentos-neurol%C3%B3gicos/pun%C3%A7%C3%A3o-lombar-pun%C3%A7%C3%A3o-espinhal https://neurolife.com.br/como-realizar-a-coleta-do-liquor-puncao-lombar/ https://www.youtube.com/watch?v=ErNhuKfoYAU Lucianne Albuquerque |Semiologia P5 Rifampicina – haemofilus 2 dias, meningococo 4 dias. Meningite por herpes em adolescente ele fica mais introspectivo que o normal, pode estar associado ou não a febre. Nos imunossuprimidos é quadro arrastado e pode aparecer o neurocriptoccocose. Cefaleia pós punção é um dos efeitos adversos da LCR que vazou... COMO resolver quando ta vazando? Pode deixar em repouso no decúbito lateral, injetar sangue do próprio paciente para poder coagular, se nenhum desses resolver o neurocirurgião faz bloqueio do eixo. Sempre que tiver alteração de linha média sempre tem risco de herniar (desvio da estrutura). Pior de todas herniações é o cerebelo pois pode dar parada cardiorrespiratória. Idoso da ceftriaxona por causa da listeria. Ceftriaxona geralmente cobre bem a maioria. Paciente com suspeita de hipertensão intracraniana faz TC sem contraste para saber se pode puncionar ou não. Aglutinação pelo látex tem aglutinação de anticorpos e pode ser bastante útil no exame do LCR.