Logo Passei Direto
Buscar

Esse resumo é do material:

APG 23 - DOENCAS DESMIELINIZANTES
7 pág.

Neurologia Universidade do Vale do ParnaibaUniversidade do Vale do Parnaiba

Material

Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original

## Resumo sobre Doenças Desmielinizantes e Esclerose Múltipla (EM)Este material aborda de forma detalhada as doenças desmielinizantes do sistema nervoso central (SNC), com ênfase na Esclerose Múltipla (EM), uma doença autoimune crônica e progressiva que afeta a substância branca do SNC. Inicialmente, o texto explica a estrutura e função da mielina, uma camada isolante formada por oligodendrócitos no SNC e células de Schwann no sistema nervoso periférico (SNP), essencial para a condução eficiente dos impulsos nervosos. A mielina é composta por cerca de 70% de lipídios e 30% de proteínas, com alta concentração de colesterol e fosfolipídios, e sua destruição caracteriza as doenças desmielinizantes, que causam perda da capacidade de transmissão dos impulsos elétricos.A Esclerose Múltipla é descrita como uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca a bainha de mielina, gerando inflamação crônica e lesões desmielinizantes no cérebro e medula espinhal. Essas lesões, chamadas placas, podem variar em tamanho e localização, sendo comuns em áreas periventriculares, tronco encefálico, cerebelo, nervo óptico e medula espinhal. Microscopicamente, as fases iniciais da doença apresentam intensa infiltração por células inflamatórias, como linfócitos e macrófagos, que degradam a mielina. Com a progressão, as áreas lesionadas tornam-se glióticas, com perda da capacidade de remielinização devido à rarefação dos oligodendrócitos. A doença apresenta um curso clínico caracterizado por surtos e remissões, com sintomas neurológicos transitórios que refletem a localização e extensão das lesões.### Epidemiologia e FisiopatologiaA EM é mais prevalente em regiões temperadas e frias, especialmente em populações caucasianas, com maior incidência em adultos jovens entre 20 e 40 anos e predominância no sexo feminino numa proporção de 3:1. No Brasil, as regiões Sul e Sudeste apresentam maior prevalência. A etiologia da EM envolve uma complexa interação entre fatores genéticos e ambientais, como exposição a vírus, baixa produção de vitamina D e fatores socioeconômicos que influenciam a resposta imune. O processo patológico inicia-se com a ativação desregulada do sistema imune, especialmente linfócitos T e B, que atravessam a barreira hematoencefálica, desencadeando inflamação e destruição da mielina. A perda da função nervosa durante os surtos resulta tanto da inflamação aguda quanto da desmielinização, podendo haver recuperação parcial nas fases de remissão, embora a progressão da doença leve à formação de placas cicatriciais e morte neuronal.### Manifestações Clínicas e DiagnósticoOs sintomas da EM são variados e dependem da localização das lesões no SNC. Os sintomas sensitivos, como hipoestesia, parestesia e dor, são os mais comuns, seguidos por alterações motoras, incluindo espasticidade, hiperreflexia e sinal de Babinski, que indicam acometimento do neurônio motor superior. A neurite óptica, caracterizada por perda visual unilateral e dor retro-ocular, é uma manifestação frequente. Além disso, sintomas gênito-urinários, como incontinência e disfunção sexual, impactam significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Manifestações psiquiátricas, como depressão e declínio cognitivo progressivo, também são comuns, especialmente em fases avançadas da doença. Fenômenos específicos, como o Fenômeno de Uhthoff (piora dos sintomas com aumento da temperatura corporal) e o sinal de Lhermitte (sensação de choque ao flexionar o pescoço), auxiliam no diagnóstico clínico.O diagnóstico da EM é baseado em critérios clínicos, radiológicos e laboratoriais. A ressonância magnética (RM) é o exame de escolha, evidenciando lesões características na substância branca, como as lesões ovaladas e os "Dedos de Dawson" (lesões em forma de dedos), além dos "black holes", que indicam áreas de desmielinização crônica. A análise do líquor cefalorraquidiano revela, em cerca de 75% dos casos, bandas oligoclonais de IgG, indicando atividade inflamatória, embora não seja específica para EM. Os critérios diagnósticos mais utilizados são os de Schumacher e os critérios de McDonald (atualizados em 2017), que sistematizam a avaliação da disseminação das lesões no tempo e no espaço, além de excluir outras patologias.### Variantes Clínicas e Diagnóstico DiferencialAlém da EM clássica, o material descreve variantes e outras doenças desmielinizantes que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial. A neurite óptica isolada pode ocorrer sem outras manifestações de EM, enquanto a neuromielite óptica (NMO) afeta exclusivamente o nervo óptico e a medula espinhal, com lesões extensas e evolução recidivante sem progressão entre os episódios. A mielopatia aguda transversa é uma doença inflamatória monofásica que não evolui para EM. A encefalomielite aguda disseminada (ADEM) ocorre geralmente após infecções ou vacinação, com sintomas graves e alteração do nível de consciência, mas raramente evolui para EM. Outras doenças mencionadas incluem a doença de Marburg, caracterizada por desmielinização extensa e rápida, e a doença de Balo, que apresenta lesões concêntricas típicas.O diagnóstico diferencial é fundamental, pois várias doenças sistêmicas (vasculites, lúpus, Sjögren, Behçet, sarcoidose), síndromes infecciosas (sífilis, doença de Lyme, HIV, HTLV-I), síndromes paraneoplásicas e outras condições neurológicas podem mimetizar a EM. A avaliação clínica detalhada, exames laboratoriais específicos e exames de imagem são essenciais para excluir essas condições e confirmar o diagnóstico.### TratamentoO tratamento da EM visa reduzir a intensidade e duração dos surtos, controlar os sintomas e modificar o curso da doença para prevenir incapacidades. O diagnóstico precoce é crucial para iniciar terapias modificadoras da doença, que são divididas em primeira e segunda linha, além de tratamentos experimentais. As drogas de primeira linha incluem interferons, acetato de glatirâmero, fingolimode, dimetil fumarato e teriflunomida, que atuam reduzindo a atividade inflamatória e a adesão das células T à barreira hematoencefálica. Quando não há resposta adequada, são indicados imunossupressores (azatioprina, mitoxantrona) e anticorpos monoclonais (natalizumabe, alentuzumabe). O transplante autólogo de células hematopoiéticas é uma alternativa experimental.No tratamento dos surtos, a pulsoterapia com metilprednisolona intravenosa (500 mg a 1 g por 3 a 5 dias) é a primeira escolha, seguida por dexametasona oral e, em casos selecionados, plasmaférese ou imunoglobulina endovenosa. É fundamental descartar infecções antes do uso de corticosteroides para evitar agravamento do quadro. Apesar da eficácia, os tratamentos podem apresentar efeitos colaterais graves, como leucoencefalopatia induzida por imunossupressores, exigindo monitoramento cuidadoso.---## Destaques- A Esclerose Múltipla é uma doença autoimune desmielinizante crônica que afeta a substância branca do SNC, causando lesões inflamatórias e cicatriciais.- O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, radiológicos (ressonância magnética) e laboratoriais (bandas oligoclonais no líquor), com destaque para os critérios de McDonald.- Os sintomas são variados, incluindo alterações sensitivas, motoras, visuais, gênito-urinárias e psiquiátricas, com manifestações específicas como o Fenômeno de Uhthoff e o sinal de Lhermitte.- O tratamento envolve drogas modificadoras da doença de primeira e segunda linha, além de terapias para controle dos surtos, sendo o diagnóstico precoce essencial para melhor prognóstico.- O diagnóstico diferencial é amplo, incluindo outras doenças desmielinizantes, sistêmicas, infecciosas e paraneoplásicas, exigindo avaliação clínica e exames complementares detalhados.

Teste o Premium para desbloquear

Aproveite todos os benefícios por 3 dias sem pagar! 😉
Já tem cadastro?

Mais conteúdos dessa disciplina