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Herbert.sdp10@uni9.edu.br 
 
 @Herbert_sdp 
 
CRISE FEBRIL
CRISE FEBRIL 
Lactente 8 meses, masculino. Mãe refere tosse 
seca e coriza há 2 dias. Hoje apresentou um pico 
febril de 39,2 ◦C tendo administrado 9 gotas de 
paracetamol, mas após 10 minutos iniciou com 
movimentos tônico-clônicos de membros 
superiores e inferiores com perda de 
consciência. Durou cerca de 3 minutos. Ficou um 
pouco sonolento, mas em aproximadamente 10 
minutos ficou mais alerta. 
■ Exame físico: BEG, sem sinais meníngeos, 
fontanela normotensa, corado, hidratado, 
acianótico, anictérico. FC=110 FR=34 T=38,3 ◦C 
TEC<3seg saturação=97% 
Orofaringe: com discreta hiperemia de 
pilares/tonsilas. 
Restante do Exame físico: sem alterações. 
 
1)Qual a sua Hipótese diagnóstica? 
 
2)Após 3 dias de febre evoluiu com este quadro 
exantemático e ficou afebril. Qual o diagnóstico? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Caso clínico 
 MGO, 4 meses, masculino. Refere ter nascido de 
parto normal, termo com peso 3200 gramas, sem 
intercorrências perinatais. Há um dia com febre 
de até 38,5 graus e hoje apresentou movimentos 
tônico-clônicos generalizados, acompanhado de 
cianose e perda de consciência que durou 
aproximadamente 3 minutos. Logo após o 
episódio ficou um pouco hipoativa, mas logo 
recuperou. Ao Exame Físico: BEG, eupneico, 
ativo, anictérico, corado, febril (39,5 ◦C) fontanela 
normotensa, TEC< 3seg. Restante do exame sem 
alterações. 
 1. Diagnóstico de FSSL 
2. Necessário colher líquor para afastar infecção 
de SNC 
3. Conforme a vacinação realizada não é 
necessário coleta de Líquor 
4. Glicemia, hemograma e eletrólitos são 
essenciais. 
 
RESPOSTA: Criança <6 meses colher líquor para 
eliminar diagnósticos. 
 
Crise febril 
Definição: crise convulsiva associada 
Evento na primeira infância que acontece entre 
os 3 meses e 5 anos, associado a febre, mas sem 
evidências de infecção intracraniana ou causa 
definida para convulsão, após ter excluído 
crianças com convulsões afebris anteriores. 
➢ febre (≥ 38oC) 
➢ 6 a 60 meses de idade (pico 18 meses) 
➢ sem evidência de infecção ou inflamação do 
SNC ou alteração metabólica 
 
-Período neonatal não apresenta crise febril 
 
** Critérios de exclusão: 
■ história prévia de crise convulsiva afebril 
■ Período neonatal 
** Ocorre em 2 a 5 % de crianças nessa faixa 
etária. 
 
Epidemiologia 
-Pico é 18 meses, com cerca de 80% das crises 
febris ocorrendo entre 1-3 anos de idade. 
-A prevalência de 6,4%, sendo crises febris 
simples em 88,8% dos casos, sem diferença entre 
gêneros. 
 
 
 
 
Herbert.sdp10@uni9.edu.br 
 
 @Herbert_sdp 
 
Características clínicas 
-As convulsões febris ocorrem no início da rápida 
elevação da temperatura e a maior parte nas 24h 
do começo da febre 
-As convulsões são tipicamente generalizadas. 
-As convulsões febris ocorrem durante infecções 
virais ou bacterianas 
-Vacinação para sarampo, caxumba e rubéola 
pode ser a causa da febre 
-Fatores familiares e genéticos parecem aumentar 
a suscetibilidade as convulsões febris. 
-Classificar em simples ou complexa. 
 
Crise febril simples (80%) 
■ Tônico-clônicas generalizadas e curta duração. 
■Deve ser <15 min 
■ Não ocorre mais de uma vez em 24 horas e 
resolvem espontaneamente. 
■ Exame neurológico pós-ictal: normal. 
 
Crise febril complexa ou atípica 
■ Início focal/parcial 
■ São mais duradouras, geralmente > 15 min 
■ Podem recorrer dentro de 24 h ou + 
recorrências na mesma doença febril. 
■ Exame neurológico pós-ictal: alterado 
(ex: paralisia de Todd) --membro superior com 
paresia ou sonolência que dure mais que 1 H 
***Limite para intervenção terapêutica ativa: 5 
minutos 
(maior potencial de induzir lesão neuronal 
permanente e ou resistência a drogas) 
 
*** Crise Febril se apresentando como estado de 
mal epiléptico (EME) em 5% (crise febril é a causa 
mais frequente de EME na infância). 
 
-O estado epiléptico febril é caracterizado por 
convulsões contínuas ou intermitentes com 
duração ≥20 min, sem recuperação do nível de 
consciência entre elas, e geralmente requer a 
administração de anticonvulsivantes para sua 
interrupção. 
 
Fisiopatologia da Crise febril 
 
Fisiopatologia exata ???- multifatorial 
 
• Imaturidade cerebral: 
• > susceptibilidade (falta de mielina, diferença de 
permeabilidade e atividade elétrica, 
excitação>inibição). 
 
• ↑ T: produção de interleucinas pró-
convulsivantes/ação em canais iônicos/alcalose 
respiratória - > excitabilidade neuronal. 
 
• ↓ limiar convulsivo: grau de temperatura/ 
 ↑ velocidade de aumento T 
 
• Genético: 
• se história familiar positiva (25-40%) - 4,4 X 
(pais) > do que a população geral de apresentar a 
convulsão febril – quando mãe o risco ↑ para 8 X. 
 
 
 
Qual etiologia mais frequente numa crise febril? 
Infecções virais 
 
Etiopatogenia 
• Mais comum: vírus (mais prevalente na 
comunidade) -principalmente de doença 
respiratória- sazonalidade das crises (+outono) 
• Frequente associação com exantema súbito 
(roséola infantum) -10-15% podem evoluir com 
crise febril 
• Mas pode estar associado: infecções 
pulmonares, urinárias, gastrointestinais e 
vacinação (DPT-componente da pertussis/ 
tríplice viral-componente do sarampo) 
 
Características da Crise febril benigna 
■ Idade: 6 meses a 5 anos 
■ Crise convulsiva: tônico-clônica generalizada 
■ Duração: até 15 minutos 
■ Retorno do nível normal de consciência após 
término da convulsão 
■ Documentação da febre (≥ 38oC) 
■ Única crise convulsiva em 24 horas 
■ Ausência de doença neurológica prévia 
 
Maioria da crise febril: 
■ Ocorre nas primeiras 24 horas da doença, e em 
alguns casos essa é a primeira manifestação que 
a criança está doente. 
■ duração < 5 minutos 
■ retorna gradualmente ao nível normal de 
consciência dentro de uma hora. 
-Se dura +1 H, entra como complexa. 
 
Herbert.sdp10@uni9.edu.br 
 
 @Herbert_sdp 
 
FATORES DE RISCO 
-Crises febris é multifatorial 
-Doenças virais, algumas vacinas e predisposição 
genética são fatores de riscos comuns que afeta o 
SNC vulnerável em desenvolvimento sob estresse 
de uma febre. 
 
#Quais as crianças que apresentam maior 
probabilidade de recorrência? 
 
Fatores de maior probabilidade de recorrência da 
Crise febril (20-30%) 
• Crianças < de 18 meses 
• Temperatura < de 39°C na primeira crise 
• Intervalo < de 1 hora entre início da febre e 
convulsão 
• Parentes de 1º grau com história de crise febril 
 
Quais as crianças que apresentam maior 
probabilidade de evoluir com epilepsia na evolução? 
■ Risco de epilepsia em crianças com crise febril: 
2-10% (na população geral =2%) 
 
■ Pode ser >: 
• anormalidades do desenvolvimento neurológico 
• História familiar de epilepsia 
• Crises febris complexas 
O risco de recorrência é mais elevado em 
crianças com menos de 1 ano de idade na ocasião 
da 1°crise ou na presença de familiar de 1° Grau 
com crises febris. 
 
Diagnóstico 
 
 Clínico= As convulsões são 
diagnósticas como febris após a 
exclusão de outras causas. 
-Não é necessário exames de rotina para 
convulsões febris simples, exceto para 
diagnosticar a origem da febre. 
-Se a criança apresenta convulsões complexas, 
período pós-ictal, déficits neurológicos ou sinais 
de uma gravidade (Meningite, distúrbios 
metabólicos) é necessário prosseguir com a 
investigação. 
■ Anamnese (caracterizar a crise/antecedentes 
pessoais e familiares) 
 ■ exame físico cuidadoso (inclusive sinais 
meníngeos) 
■ Classificar em simples ou complexa 
■ Crise com duração >5 minutos: medicar com 
benzodiazepínico 
■ Identificar o possível foco da febre. 
 
Exame complementares 
 
A criança pode estar apresentando crise 
convulsiva por meningite? Quando devemos 
colher LCR? 
-Analisar o líquor para excluir meningite e 
encefalite em crianças < 6 meses de idade 
-Crianças que não estão totalmente imunizadas 
ou em uso de antibióticos também devem ter 
avaliação do liquórica 
 
#Cuidado com meningite, pois a primeira 
manifestação é febre e convulsão.Punção lombar para colher (LCR) 
 
★ Todas < 6 meses de idade com crise febril 
★ 6-12 meses: avaliar presença de sinais 
meníngeos e se negativo considerar em: 
-Não vacinadas para S. pneumoniae/ H. 
influenzae tipo b/ Neisseria meningites -em uso 
de antibiótico 
 
 
 
Herbert.sdp10@uni9.edu.br 
 
 @Herbert_sdp 
 
 EEG (eletroencefalograma) 
 
• Não faz parte da avaliação inicial 
 
 Se convulsões febris têm características 
focais ou são recorrentes. 
 
• (se grande suspeita de epilepsia fazer após 2 
semanas da crise) 
 
 
Neuroimagem 
 
• Não recomendado 
• (casos individualizados de crise 
complexa/suspeita de HI) 
-Fazer somente na crise febril complexa 
 
Exame de imagem 
-TC ou RM do crânio se o exame neurológico 
detectar anormalidades focais, ou se 
características focais ocorrem durante a 
convulsão ou período pós-ictal. 
 
Laboratorial 
 
 • Não se recomenda hemograma e eletrólitos de 
rotina 
• Glicemia se jejum prolongado ou período pós-
crise prolongado 
-Teste de função hepático e renal e dos níveis 
séricos de glicose, sódio, cálcio, magnésio e 
potássio se houver história recente de vômitos, 
diarreia ou ingestão de líquidos escassa, se 
houver sinais de desidratação ou edema, ou se 
ocorrerem convulsões febris complexas. 
Tratamento 
 
■ Durante a crise 
• Benzodiazepínicos nas crises com duração > 5 
minutos (Diazepam ou Midazolam) -Podem ser 
usados em crianças que apresentam crises 
frequentes em um curto período ou para crises 
que durem mais de 15 minutos. 
 • Antitérmicos se febre 
 
■ Prevenção de novos episódios: 
• Terapia prolongada com anticonvulsivantes: 
não se justifica (EC) 
• Diazepam oral ou retal intermitente durante 
doenças febris ** 
• Antitérmicos: não reduzem o risco de crise 
febril. 
-Tratamento de crises prolongadas é se a 
convulsão tem duração ≥15 minutos, podem usar 
benzodiazepínico (I.V) de ação rápida 
(Midazolam ou Diazepam) 
-Fenitoína deve ser administrado durante 15-30 
minutos se a convulsão persistir. 
-Tratamento das convulsões febris é de suporte 
se durarem menos de 15 minutos. 
-A maioria dos episódios é de curta duração, 
autolimitada e não querer tratamento de longo 
prazo com drogas antiepiléticas. 
-Buscar causa da febre 
 
Orientação à Família 
*Cuidados durante a crise 
-Proteção contra traumas 
-Não introduzir nada na boca -manter em 
decúbito lateral 
-Não há necessidade de compressão torácica ou 
respiração boca a boca 
-Se crise > 5 minutos, dirigir-se ao serviço de 
emergência 
*Não administrar líquidos ou alimentos logo após 
a crise 
*Crise Febril recorrente: orientação quanto a 
administração de benzodiazepínico retal 
#Proteger, vira de lado para evitar broncoaspira, 
não introduzir nada na boca. 
-Aconselhar os pais de uma criança que teve 
convulsão febril a monitorar atentamente a 
temperatura e a administrar antipiréticos se a 
temperatura estiver alta (sem base cientifica que 
previne a recorrência das crises). 
 
CASO CLÍNICO 
GHO, 7meses, masculino. Mãe refere tosse seca e 
coriza há 2 dias. Hoje apresentou um pico febril 
de 39,5 ◦C tendo administrado 9 gotas de 
dipirona, mas após 10 minutos iniciou com 
movimentos tonico-clônicos de membros com 
perda de consciência, cianose, e perda urinária. 
Durou cerca de 20 minutos. Ficou um pouco 
sonolento, mas em aproximadamente 10 minutos 
ficou mais alerta. 
Exame físico: BEG, sem rigidez de nuca, 
fontanela normotensa, corado, hidratado, 
acianótico, anictérico. FC=110 FR=34 T=38,3 ◦C, 
TEC<3seg, saturação=97%. 
Restante do Exame físico: sem alterações. 
Herbert.sdp10@uni9.edu.br 
 
 @Herbert_sdp 
 
Antecedente familiar: mãe teve um episódio de 
convulsão associado a febre 
com 2 anos de idade 
■ Qual a sua hipótese diagnóstica. 
■ Quais são os dados importantes que justifiquem 
a sua hipótese diagnóstico? 
■ Qual o dado complementar essencial para a 
conduta neste caso clínico 
■ Quais são os dados importantes para risco de 
recorrência. 
 
-Crise febril. 
 
- < 18 meses, temperatura < 39 °C na primeira 
crise, Intervalo < 1H entre início da febre e 
convulsão, Parentes de 1°grau. 
 
-Vacinação completa e uso de antibiótico. 
 
-Temperatura < 39 ° C, intervalo < 1H, parente 
de 1° grau. 
 
 
CASO CLÍNICO 
LPO, 3 anos e 4 meses, feminina. Saudável sem 
antecedentes patológicos. Mãe refere que 
repentinamente apresentou perda de consciência 
seguida de movimentos tônico-clônicos de membros, 
perda urinária, cianose e trouxe ao hospital tendo 
demorado aproximadamente 5 minutos. Ao EF de 
entrada: Inconsciente, apresentando crise convulsiva 
tônico-clônico generalizada, febril (38,7◦C), sem sinais 
meníngeos, TEC < 3 segs., FC=120, saturação 92%. 
 Sem outras alterações ao exame físico. 
Administrado Midazolam IM com melhora da crise e 
após 20 minutos estava vígil, Glasgow 15 sem déficits 
motores aparentes. 
Sem outras alterações ao exame físico. 
1. Até 15 minutos de crise convulsiva não necessita de 
medicação ( 
benzodiazepínico). 
2. Não necessita coleta de líquor 
3. Geralmente o fator desencadeante da febre é uma 
infecção bacteriana 
4. Como necessitou do uso de benzodiazepínico é 
necessário encaminhar 
para realização de eletroencefalograma. 
 
RESPOSTA: Não necessita de coleta de líquor 
 
 
 
 
REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA 
JÚNIOR, Dioclécio C.; BURNS, Dennis Alexander 
R.; LOPEZ, Fábio A. Tratado de pediatria. v.2. 
[Digite o Local da Editora]: Editora Manole, 2021. 
E-book. ISBN 9786555767483. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/boo
ks/9786555767483/. Acesso em: 15 mai. 2023.

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