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SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO …………………………………………………………………... 4
2. CIÊNCIA ABA: ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA
(APPLIED BEHAVIOR
ANALYSIS).......................................................................................................
5
2.1 Os objetivos da intervenção …………………………….………………….… 6
2.2 Os objetivos da avaliação …………………………….………………….…… 7
2.3 Exemplos de comportamento-problema das crianças e jovens com
autismo ……………………………………………………………………………….
9
2.4 Currículo ……………………………………………………………………. ….. 10
2.5 A “pizza” curricular ……………………………………………………………... 11
2.6 Quantos programas ensinar de uma só vez? ………...…………………….. 14
2.7 Análise de tarefa …………………………………….…….………………….... 15
3. MÉTODO TEACCH (TREATMENT AND EDUCATION OF AUTISTIC
AND RELATED COMMUNICATION-HANDICAPPED CHILDREN) …………
18
3.1 Objetivos do TEACCH ………………………………………………………… 20
3.2 Técnicas educativas do método TEACCH …………………………………. 20
3.3 Organizando o espaço físico segundo o TEACCH ………………………… 22
3.4 Rotinas e programação diária ………………………………………………… 25
3.5 Metodologia de ensino ………………………………………………………… 26
4. MÉTODO PECS …………………………………………………………………. 32
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4.1 O que é PECS? ………………………………………………………………… 32
4.2 As seis fases do PECS ………………………………………………………... 33
5. MÉTODO SON-RISE ……………………………………………………………. 40
5.1 Princípios que fazem do the son-rise programa um método único e
efetivo de tratamento do autismo ………………………………………………….
41
5.2 Modelo de desenvolvimento e currículo social ……………………………… 43
5.3 Os quatro fundamentos …………………………………………...…………... 44
5.4 Criando um currículo social para sua criança ………………………………. 47
5.5 Guia de avaliação dos fundamentos …………………………………………. 52
5.6 Comunicação …………………………………………………………………… 53
5.7 Variações periféricas …………………………………………………………... 57
5.8 Variações centrais ……………………………………………………………… 57
5.9 Variações espontâneas ………………………………………………………... 58
5.10 Lidando com estímulos sensoriais …………………………………………. 59
5.11 PANORAMA: estágios 1-5 …………………………………………………… 59
5.12 PANORAMA: estágios 1-5 (continuação) …………………………………. 60
6. ANEXOS …………………………………………………………………………. 60
7. REFERÊNCIAS …………………………………………………………………. 86
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1. INTRODUÇÃO
O tratamento do autismo envolve intervenções psicoeducacionais, orientação
familiar, desenvolvimento da linguagem e/ou comunicação. O recomendado é que
uma equipe multidisciplinar avalie e desenvolva um programa de intervenção
orientado a satisfazer as necessidades particulares de cada indivíduo. Dentre alguns
profissionais que podem ser necessários, podemos citar: psiquiatras, psicólogos,
fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e educadores físicos.
Existem vários tipos de tratamento que podem ser usados para ajudar uma
criança com autismo. Independente da linha escolhida, a maioria dos especialistas
ressalta que: o tratamento deve começar o mais cedo possível; as terapias devem ser
adaptadas às necessidades específicas de cada autista e a eficácia do tratamento
deve ser medida com os avanços da criança. Sabe-se que uma boa intervenção
consegue reduzir comportamentos inadequados e minimizar os prejuízos nas áreas
do desenvolvimento. Os tratamentos visam tornar os indivíduos mais independentes
em todas as suas áreas de atuação, favorecendo uma melhoria na qualidade de vida
das pessoas com autismo e suas famílias. (Ribeiro, 2010).
Embora os pesquisadores não tenham tido sucesso até o momento em
identificar as causas do autismo, eles têm desenvolvido métodos eficazes para o
tratamento do transtorno. Pesquisas têm demonstrado que, enquanto as crianças
autistas não aprendem facilmente nos ambientes típicos de ensino, elas podem
aprender muito quando o ambiente é devidamente adaptado, pesquisas apontam
também que tratamentos bem sucedidos para crianças com autismo são aqueles
baseados nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), esta
intervenção comportamental entre outras, são mais eficazes quando são
realizadas em um espaço de tempo de 30- 40 horas por semana e começam em tenra
idade (3-5 anos), essas mesmas estratégias, entretanto, têm sido utilizadas com
sucesso com os alunos mais velhos também.
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2. CIÊNCIA ABA: ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA (APPLIED
BEHAVIOR ANALYSIS)
A análise do comportamento aplicada, ou ABA (Applied Behavior Analysis, na
sigla em inglês) é uma abordagem da psicologia que é usada para a compreensão do
comportamento e vem sendo amplamente utilizada no atendimento a pessoas com
desenvolvimento atípico, como os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TIDs)
e no Transtorno do Espectro Autista (TEA). ABA vem do Behaviorismo e observa,
analisa e explica a associação entre o ambiente, o comportamento humano e a
aprendizagem (LEAR, 2004).
As origens experimentais da terapia comportamental trouxeram algumas
vantagens importantes ao clínico: ele foi treinado na observação de comportamentos
verbais e não verbais, seja em casa, na escola e/ou no próprio consultório, o que é
fonte de dados relevantes. Ele estuda o papel que o ambiente desempenha –
ambiente este onde é possível interferir e verificar as hipóteses levantadas – outra
habilidade é o entendimento do que é observado como um processo comportamental,
com contínuas interações e, portanto, sujeito a mudanças (WINDHOLZ, 2002).
As técnicas de modificação comportamental têm se mostrado bastante eficazes
no tratamento, principalmente em casos mais graves de autismo. Para o analista do
comportamento ser terapeuta significa atuar como educador, uma vez que o
tratamento envolve um processo abrangente e estruturado de ensino-aprendizagem
ou reaprendizagem (WINDHOLZ, 1995).
Um dos princípios básicos da ABA é que um comportamento é qualquer ação
que pode ser observada e contada, com uma frequência e duração, e que este
comportamento pode ser explicado pela identificação dos antecedentes e de suas
consequências. É a identificação das relações entre os eventos ambientais e as ações
do organismo. Para estabelecer estas relações devemos especificar a ocasião em
que a resposta ocorre, a própria resposta e as consequências reforçadoras (MEYER,
2003).
Estes comportamentos são motivados de forma prazerosa. Eles têm uma
função: servem para conseguir algo que se deseja. Sabemos que todos os
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comportamentos de um modo geral são aprendidos, bem como os comportamentos
problemas. Isso não significa que alguém intencionalmente nos ensinou a exibir este
tipo de comportamento-problema, apenas que aprendemos que eles são eficazes
para conseguirmos o que queremos.
A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) pode intencionalmente ensinar a
criança a exibir comportamentos mais adequados no lugar dos comportamento-
problema.
Comportamentos estão relacionados a eventos ou estímulos que os precedem
(antecedentes) e a sua probabilidade de ocorrência futura está relacionada às
consequências que os seguem.
Todo comportamento é modificado através de suas consequências (Moreira e
Medeiros, 2007). Tentamos fazer coisas e se elas funcionam faremos novamente;
quando nossas ações não funcionam é menos provável que as realizaremos
novamente no futuro.
2.1 Os objetivos da intervenção são:1. Trabalhar os déficits, identificando os comportamentos que a criança
tem dificuldades ou até inabilidades que prejudicam sua vida e suas aprendizagens.
2. Diminuir a frequência e intensidade de comportamentos de birra ou
indesejáveis, por exemplo: agressividade, estereotipias e outros que dificultam o
convívio social e aprendizagem deste indivíduo.
3. Promover o desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativas,
adaptativas, cognitivas, acadêmicas etc.
4. Estimular comportamentos socialmente desejáveis
A intervenção é baseada em uma análise funcional, ou seja, análise da função
do comportamento determinante, para eliminar comportamentos socialmente
indesejáveis. Este é um ponto central para entendermos qual é o propósito do
comportamento problema que a criança está apresentando e, com isso, montarmos a
intervenção para modificá-la. Se o comportamento é influenciado por suas
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consequências, podemos manipulá-las para entendermos melhor como essa
sequência acontece e como modificar os comportamentos dos sujeitos, programando
consequências especiais para tal (Moreira e Medeiros, 2007).
O primeiro passo para se resolver um comportamento problema é identificar a
sua função. Se não soubermos porque uma criança deve se engajar em um
comportamento adequado (qual a função ou propósito), será difícil saber como
devemos ensiná-la.
Pais, terapeutas e professores tendem a imaginar ou achar um motivo para o
comportamento e isso incorre no insucesso da intervenção. A avaliação
comportamental é a fase da descoberta, e visa à identificação e o entendimento de
alguns aspectos relativos à criança com autismo e seu ambiente.
2.2 Os objetivos da avaliação são:
● Entender o repertório de comunicação da criança: presença ou não de
linguagem funcional, contato visual, atendimento de ordens, entre outros;
● Como ela se relaciona em seu ambiente: brinquedos preferidos, apresenta
birras frequentes e como reage às pessoas;
● Qual a função de seus comportamentos;
● Em que circunstâncias certos problemas ocorrem ou deixam de ocorrer
com maior frequência ou intensidade?
● Quais as consequências fornecidas a esses comportamentos-problema?
Com base nestas informações, o segundo passo é traçar pequenos objetivos
a curto prazo, visando à ampliação de habilidades e eliminação de comportamentos
inadequados, realizando a manipulação dos antecedentes (estratégias de
prevenção).
É importante que a modificação de comportamentos desafiadores seja feita
gradualmente, sendo a redução da ansiedade e do sofrimento o objetivo principal. Isto
é feito pelo estabelecimento de regras claras e consistentes (quando o
comportamento não é admitido ou permitido); uma modificação gradativa;
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identificação de funções subjacentes, tais como ansiedade ou incerteza; modificações
ambientais (mudança nas atitudes ou tornar a situação mais previsível) e
transformação das obsessões em atividades adaptativas (Bosa, 2006).
Modificando os antecedentes podemos prevenir que o comportamento-
problema aconteça.
Isto é realizado de diferentes maneiras:
1. Evitando situações ou pessoas que sirvam como antecedentes para o
comportamento-problema;
2. Controlando o meio ambiente – no decorrer da vida do indivíduo o ambiente
modela, cria um repertório comportamental e o mantém; o ambiente ainda estabelece
as ocasiões nas quais o comportamento acontece, já que este não ocorre no vácuo
(Windholz, 2002).
3. Dividindo as tarefas em passos menores e mais toleráveis, o que
chamamos de aprendizagem sem erro. Toda a intervenção está baseada na
aprendizagem sem erros, ou seja, deixamos de lado o histórico de fracassos e
ensinamos a criança a aprender.
Esta aprendizagem deve ser prazerosa e divertida para a criança, podendo-se
usar reforçadores para manter a criança motivada. Um reforço é uma consequência
que aumenta a probabilidade dessa resposta acontecer novamente. Quando um
comportamento é fortalecido, é mais provável que ele ocorra no futuro.
Além do reforço, usamos a hierarquia de dicas: quando iniciamos o ensino de
qualquer comportamento, ajudamos a criança a realizá-lo com a dica necessária, que
pode ser verbal (total ou parcial), física, leve, gestual, visual ou auditiva – e planejamos
a retirada dessa dica até que a criança seja capaz de realizar o comportamento de
maneira independente.
O terceiro passo é a elaboração de programas de ensino. Os programas de
ensino são individualizados, geralmente ocorrem em situação de “um para um” e
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envolvem as diversas áreas do desenvolvimento: acadêmica, linguagem, social,
verbal, motora, o brincar, pedagógica e atividades de vida diária.
A ciência ABA e seus procedimentos são constantes e padronizados, o que
possibilita que mais de um professor (pessoa que realiza os programas) trabalhe com
a criança.
Este é um programa intensivo e deve ser feito de 20 a 30 horas por semana. É
importante ressaltar que este programa não é aversivo e rejeita qualquer tipo de
punição.
A participação dos familiares da criança no programa é de grande contribuição
para seu sucesso e assegura a generalização e manutenção de todas as habilidades
aprendidas pela criança.
O tratamento ABA envolve o ensino intensivo e individualizado das habilidades
necessárias para que o indivíduo possa adquirir independência e a melhor qualidade
de vida possível. Dentre as habilidades ensinadas incluem-se comportamentos
sociais, como: contato visual e comunicação funcional; comportamentos acadêmicos:
pré-requisitos para leitura, escrita e matemática; além de atividades da vida diária,
como higiene pessoal.
2.3 Exemplos de comportamento-problema das crianças e jovens com autismo:
● Estereotipias;
● Rituais;
● Interesse restrito;
● Disruptivos e birras;
São comportamentos-problema que impedem a realização de comportamentos
adequados na sociedade, atrasando a aprendizagem e o desenvolvimento do
indivíduo autista.
Estereotipias - São movimentos repetitivos produzidos por auto estimulação.
Eles costumam acontecer em circunstâncias: quando a criança está muito ansiosa ou
quando não tem atividades produtivas para fazer. Para trabalhar esta questão é
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fundamental colocar o indivíduo sempre fazendo atividades produtivas, assim
evitando a auto estimulação.
Como sabemos, não tem como manter a criança ocupada por muito tempo em
atividades adequadas; por isso, existe uma alternativa de lidar com estes
comportamentos. Fazendo uma lista de quais movimentos mais frequentes, e
estabelecendo um padrão de ocorrência destes. Anotando a hora da estereotipia e o
que está acontecendo no ambiente da criança.
Rituais - São comportamentos repetitivos, mas ocorrem de forma mais
localizada. Ex: a criança insiste em passear pelo mesmo caminho. Para intervir faça
uma lista de mapeamento dos rituais. Modificar gradualmente as situações nas quais
o ritual ocorre e o comportamento tipicamente apresentado. É muito útil, para lidar
com mudanças de ambiente criar um quadro de rotinas para a criança, que apresenta
(com fotos) todas as atividades que ela irá realizar durante o dia.
Interesse Restrito - Significa quando a criança se apega a um determinado
objeto ou uma atividade, limitando está a não aceitação em interagir em outras tarefas
ou brincadeiras.Direcione a criança para outra atividade, ajude-a nesta nova tarefa
ou com um novo objeto; fazendo muita festa.
Disruptivos e birras - São comportamentos de oposição e enfrentamento, em
que as crianças ficam muito agitadas, pois elas se manifestam com o corpo
demonstrando o que querem dizer ou o que não desejam naquele momento.
2.4 Currículo
Um currículo é o plano norteador para ensinar as habilidades e os
conhecimentos que a criança precisa aprender e para a sequência em que serão
apresentados. Antes de começar a entender como ensinar usando a ciência ABA,
você primeira precisa saber o que ensinar. Diante disso, é necessário selecionar um
currículo que supra as necessidades específicas do aluno.
Um currículo cuidadosamente pensado acompanha a criança a partir do ponto
em que ela está até o presente, constrói as habilidades de base para aprendizagem
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e progride através de várias áreas fundamentais do desenvolvimento. Um currículo é
usualmente desenvolvido ou escolhido depois que uma avaliação inicial tenha
indicado em que nível de habilidade a criança está funcionando atualmente. Esta
avaliação é tipicamente feita por um Psicólogo ou consultor da área Comportamental.
Talvez você já esteja trabalhando ou procurando por um consultor para ajudá-lo a
desenvolver seu programa.
Entretanto, muitas pessoas decidem montar e gerenciar sozinhos o currículo
programático por causa do custo, acesso limitado a um consultor ou uma lista de
espera para tais serviços insuportavelmente longos. Se foi isto que decidiu fazer,
então você pode usar os currículos disponíveis. Não é difícil determinar um ponto de
partida razoável e avançar sozinho, mas não é impossível.
2.5 A “pizza” curricular
Ao criar um currículo, pode ser difícil avaliar por onde começar; por isso a
“Pizza Curricular” divide as áreas de aprendizagem em 6 categorias amplas. É um
modelo útil quando consideramos tanto o currículo geral quanto o específico.
Se você está apenas começando, provavelmente vai querer um currículo bem
equilibrado, com programas que contemplem cada uma das áreas da “Pizza
Curricular”.
À medida que seu aluno progride e as habilidades se desenvolvem, você pode
decidir dedicar mais ou menos tempo a outras áreas. Enfim, à medida que os
programas se tornam mais complexos, você verá que áreas começam a se fundir (ex.
habilidades sociais e brincar podem se tornar uma área, ou linguagem pode ocorrer
em todas as áreas do currículo). Por outro lado, pode ser proveitoso mais tarde dividir
as áreas (ex. dividir linguagem em expressiva e receptiva, ou dividir brincar em brincar
individual, brincar com iguais, brincar de fazer de conta, etc.).
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Para lhe dar uma ideia geral do que trata cada categoria, temos abaixo um
exemplo de conteúdo programático. Este de maneira alguma deve ser entendido
como sendo uma lista exaustiva, e não está apresentado em uma ordem específica,
ou em uma sequência de desenvolvimento. Por isso, a ABA é tão valiosa, porque ela
oferece um plano a seguir para ensinar habilidades em 25 categorias abrangentes.
Autocuidado:
● Usa independentemente a xícara, colher e garfo.
● Veste e tira a roupa de forma independente.
● Habilidades de toalete.
Exemplo de Conteúdo em Cada Categoria da “Pizza Curricular”
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● Habilidades de higiene, como: pentear os cabelos, escovar os dentes, lavar o
rosto, as mãos e tomar banho.
● Coordenação motora (Fina e Ampla).
● Desenhar, colorir.
● Copiar, escrever.
● Cortar, amarrar.
● Usar o teclado, usar o mouse.
● Correr, andar, pular, balançar.
● Usar equipamentos (bolas, raquetes etc.).
Social:
● Responder a saudações.
● Responder a perguntas sociais (“como vai você?”, “qual é o seu nome?”).
● Imita colegas.
● Responde às propostas dos amigos.
● Inicia brincadeiras com colegas.
● Interage verbalmente com colegas (comenta, pergunta, oferece ajuda).
Linguagem/Comunicação:
● Receptiva – identifica objetos, partes do corpo, figuras e segue instruções de
1, 2 e 3 passos.
● Expressiva – faz pedidos, nomeia figuras, objetos, pessoas, verbos, pede itens
desejados, diz “sim” e “não”; repete frases, permuta informações e responde a
perguntas do tipo “por quê”.
● Abstrata – conversa sobre coisas ausentes, responde questões do tipo “por
quê?”, antecipa consequências, explica ações, relata e inventa histórias.
Brincar:
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● Brincar sozinho de modo apropriado com brinquedos.
● Brincar em paralelo e ao lado de outras crianças, sem interação.
● Brincar com foco compartilhado com os mesmos itens, tal como as outras
crianças, sem interação.
● Brincar com ação compartilhada que demanda alguma colaboração com outras
crianças (construir torre, empurrar balança).
● Brincar de faz de conta, quer dizer que a criança é capaz de assumir uma outra
identidade, como brincar com os colegas e de representar papéis.
Habilidades acadêmicas e pré-acadêmicas:
● Habilidades de imitação.
● Identificação de números e letras.
● Leitura de palavras inteiras e fônicas.
● Soletração.
● Habilidades de matemática e números.
● Habilidades de uso do computador.
● Habilidades escolares, como participar de um grupo, espera a vez e recitar em
uníssono.
Pode ser mais fácil concentrar-se em uma área da “Pizza Curricular” por vez.
Quando estiver avaliando, verifique se a habilidade é “sólida”, ou seja, se ela ocorre
consistentemente cada vez. Caso a criança apenas execute a habilidade ou
demonstre seu conhecimento esporadicamente, sob certas condições com ajuda, só
para você, ou se ela está relacionada com um momento, lugar ou evento
específicos (responde “sim” ou “não” somente na presença de comida). Diante disso,
você pode querer incluir tais habilidades como uma área necessária.
2.6 Quantos programas ensinar de uma só vez?
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Quantos programas incluir de uma só vez é sempre uma questão. A resposta
dependerá do aprendiz e da quantidade de tempo disponível. Se for uma criança
pequena que tira sonecas e vai para a escola maternal, você não conseguirá ensinar
muitos programas. Como regra geral seria melhor ensinar um número menor de
programas a uma frequência maior, do que ter um programa muito amplo que você
não consegue terminar num dia.
Uma prática mais intensiva é sempre melhor para a taxa de aquisição. Como
diretriz geral, tente começar, talvez, com 10 programas e veja como ajustá-los daí por
diante. Se conseguir passar por todos os programas em uma manhã, com muito
tempo de sobra para mandos e emparelhamentos em ambiente natural,
provavelmente está no caminho certo. Você pode repetir o mesmo programa à tarde.
Mas, se tomar todo o dia e você não tiver tempo para mandos e emparelhamentos em
ambiente natural, então 10 programas serão provavelmente um número excessivo.
2.7 Análise de Tarefa
Se não puder encontrar um programa que ensine uma habilidade específica
desejada, você pode criar seu próprio programa. Precisará começar com uma “análise
de tarefa”. Uma análise de tarefa é simplesmente o processo de conseguir uma
descrição passo a passo de todas as etapas que compõem uma tarefa ou atividade.
Como fazer uma análise de tarefa● Decida que tarefa ou habilidade você quer ensinar, por exemplo, escovar os
dentes.
● Observe um executor competente fazendo a tarefa. Você pode querer ver
algumas pessoas diferentes fazendo a tarefa antes de decidir qual seria a
maneira mais fácil e direta de executá-la. Outros métodos de obter as
informações incluem entrevistar pessoas, fazer com que “especialistas”
preencham questionários ou mesmo auto-observação.
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● Liste, em ordem linear e sequencial, todas as atividades ou passos que
são executados para a conclusão daquela tarefa específica (escovar os
dentes).
1. Ir até o banheiro (dentes cerrados, lábios afastados).
2. Abrir a gaveta.
3. Pegar a escova de dentes vermelha.
4. Colocá-la na bancada.
5. Pegar a pasta de dentes.
6. Abrir a tampa.
7. Apertar a pasta de dentes sobre a escova.
8. Pegar a escova de dentes.
9. Colocar a escova de dentes na boca.
10. Escovar os dentes inferiores direitos.
11. Escovar os dentes inferiores esquerdos.
12. Cuspir.
13. Escovar os dentes superiores direitos.
14. Escovar os dentes superiores esquerdos.
15. Fazer uma careta “Grrr”.
16. Escovar dentes frontais para cima e para baixo.
17. Cuspir.
18. Abrir a torneira.
19. Pegar o copo.
20. Encher o copo com água.
21. Encher a boca com um pouco de água.
22. Enxaguar a boca.
23. Cuspir.
24. Enxaguar a escova de dentes.
25. Fechar a torneira.
26. Colocar a escova de dentes na gaveta.
27. Colocar a pasta de dentes na gaveta.
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28. Secar o rosto.
Agora, tente ver um executor inexperiente (ou uma criança da mesma idade)
fazer a tarefa. Isto pode destacar as áreas difíceis de aprender ou que possam
demandar análise adicional (ex: por pasta de dentes na escova pequena).
Concentre-se em ensinar as sequências mais comuns e não precisa incluir
todas as exceções ou circunstâncias especiais (ex: a pasta de dentes escorreu).
Decida os quão curtos ou longos precisam ser os passos. Você pode precisar
alterá-los ao observar como vai o ensino. Pode precisar dividir os passos listados em
mais etapas curtas e detalhadas ou talvez possa "concentrar" algumas. Dependerá
do aprendiz e da tarefa.
Confira os pré-requisitos:
● O aprendiz será capaz de selecionar a escova de dente vermelha?
● Identifica cores?
● Conhece direita e esquerda, em cima e em baixo?
Selecione o verbo de ação correto para descrever a tarefa ou passo. Depois
de concluída a análise de tarefa, decida como você ensinará a tarefa.
Encadeamento de frente para trás ensina cada passo individualmente na
ordem em que irá ocorrer. Não é necessário começar do começo. O encadeamento
de trás para frente ensina os passos em ordem inversa e trabalha do final para o
começo da sequência. Aprender primeiro o último passo significa que a criança estará
próxima da finalização da tarefa e será naturalmente reforçada por terminá-la. A
apresentação da tarefa completa significa que você faz todos os passos do começo
ao fim, todas às vezes. Você pode também querer ensinar alguns passos mais
difíceis, por exemplo: apertar a pasta de dentes ou encher o copo de água, antes de
ensiná-los em sequência.
Cada passo da análise de tarefa pode se tornar um programa que você pode
ensinar.
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Usando uma folha de SD (estímulo discriminativo) fornecida no livro: Help us
Learn (Ajude-nos a aprender) que é um Manual de Treinamento em ABA, escreva
cada passo como um programa.
3. MÉTODO TEACCH (TREATMENT AND EDUCATION OF AUTISTIC AND
RELATED COMMUNICATION-HANDICAPPED CHILDREN)
Em português significa Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com
Déficits Relacionados com a Comunicação. É um programa educacional e clínico com
uma prática predominantemente psicopedagógica criado a partir de um projeto de
pesquisa que buscou observar profundamente os comportamentos das crianças
autistas em diversas situações frente a diferentes estímulos.
O método Teacch fundamenta-se em pressupostos da teoria comportamental
e da psicolinguística.
Na área da psicolinguística, fundamenta-se nessa teoria a partir da afirmação
de que a imagem visual é geradora de comunicação.
Na Terapia comportamental é imprescindível que o professor manipule o
ambiente do autista de maneira que comportamentos indesejáveis desapareçam ou,
pelo menos, sejam amenizados, e condutas adequadas recebam reforço positivo.
Na terapêutica psicopedagógica, trabalha-se concomitantemente a linguagem
receptiva e a expressiva. São utilizados estímulos visuais (fotos, figuras, cartões),
estímulos corporais (apontar, gestos, movimentos corporais) e estímulos auditivos,
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cinestésicos e visuais (som, palavra, movimentos associados às fotos) para buscar a
linguagem oral ou uma comunicação alternativa. Por meio de cartões com fotos,
desenhos, símbolos, palavras escritas ou objetos concretos em sequência (potes,
legos etc.), indicam-se visualmente as atividades que serão desenvolvidas naquele
dia na escola. Os sistemas de trabalho são programados individualmente e ensinados
um a um pelo professor. As crianças autistas são mais responsivas às situações
dirigidas que às livres e também respondem mais consistentemente aos estímulos
visuais que aos estímulos auditivos.
Fonte: www.assistiva.com.br
Quando a criança apresenta plena desenvoltura na realização de uma
atividade (conduta adquirida), esta passa a fazer parte da rotina de forma sistemática.
Mas o trabalho não se limita apenas aos aspectos cognitivos, ensina
também noções básicas de AVD (atividades de vida diária) e AVP (atividades de vida
e prática) possibilitando maior independência possível.
Na maioria das vezes a utilização deste método traz tranquilidade à criança já
que possibilita melhor compreensão e comunicação.
É um serviço de programas para pessoas com transtorno do Espectro Autista
(TEA) e suas famílias, desenvolvido pela Universidade da Carolina do Norte na
década de 70.
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Suas prioridades são: desenvolvimento de forma significativa, produtiva,
independente, prestar serviços a pessoas com Transtorno do Espectro Autista e seu
ambiente (família, colegas, etc).
Este método destina-se a todas as pessoas com TEA, independentemente da
idade e do nível de funcionalidade. Hoje ele é implantado em 45 estados americanos.
Mais de 20 países ao redor do mundo seguem programas de intervenção inspirados
por esta metodologia.
3.1 Objetivos do Teacch:
● Desenvolvimento de estratégias para compreender, desfrutar da companhia
de outras pessoas e viver de forma mais harmônica em diferentes
contextos.
● Aumento da motivação e habilidades de exploração e aprendizagem.
● Melhora o equilíbrio das funções intelectuais através de métodos de
ensino e estratégias adequadas a cada pessoa.
● Melhora da coordenação motora fina e grossa através de atividades de
integração e exercícios físicos.
● Redução do estresse ocasionado pelo convívio com o indivíduo autista;
● Superação dos problemas de adaptação das pessoas com TEA no
contexto escolar.
3.2 Técnicas educativas do método
Informação visual:
Baseado no fato de crianças autistas serem frequentemente aprendizes
visuais, o TEACCH traz uma clareza visual ao processo de aprendizado buscando a
receptividade, a compreensão, a organização e a independência.A criança trabalha
num ambiente altamente estruturado que deve incluir organização física dos móveis,
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áreas de atividades claramente identificadas, murais de rotina, trabalhos baseados
em figuras e instruções claras de encaminhamento. A criança é guiada por uma
sequência de atividades muito clara e isso ajuda que ela fique mais organizada.
Acredita-se que um ambiente estruturado para uma criança autista, crie uma
forte base para o aprendizado. Embora o TEACCH não foque especificamente nas
habilidades sociais e comunicativas tanto quanto outras terapias, ele pode ser usado
junto com essas terapias para torná-las mais efetivas.
O TEACCH se baseia na adaptação do ambiente para facilitar a compreensão
da criança em relação a seu local de trabalho e ao que se espera dela. Por meio da
organização do ambiente e das tarefas de cada aluno, o TEACCH visa o
desenvolvimento da independência do aluno de forma que ele precise do professor
somente para o aprendizado de atividades novas, mas possibilitando ocupar grande
parte de seu tempo de forma independente.
Partindo do ponto de vista de uma compreensão mais aprofundada da criança
e das ferramentas de que o professor dispõe para lhe dar apoio, cada docente pode
adaptar as ideias gerais que lhe serão oferecidas ao espaço de sala d e aula e aos
recursos disponíveis, e até mesmo às características de sua própria personalidade,
desde que, é claro, compreenda e respeite as características próprias de seus alunos.
A informação dada visualmente tem como objetivo amenizar as dificuldades de
comunicação existentes. A programação das atividades do dia deve ser dada
visualmente.
Pode existir um quadro indicando, em sequência, quais atividades ou tarefas a
criança deve realizar.
Alguns quadros são feitos de maneira a induzir a criança a retirar o cartão com
a foto ou desenho da próxima atividade e depositá-la no local onde deve ir. Por
exemplo, tirar a foto da piscina do quadro e colocá-la em um lugar com o mesmo
símbolo na piscina.
É claro que a utilização dos quadros requer um aprendizado. Inicialmente
alguém fará cada passo com a criança, colocando os cartões em sua mão e
ensinando ela a colocar no local. Quando a atividade tiver acabado, a criança deve
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voltar ao quadro de tarefas para ver qual a próxima atividade e pegar seu respectivo
cartão. Com o tempo ela poderá realizar a atividade de maneira independente.
O fundamental é a persistência, até que a criança aprenda a utilizar a
informação visual.
Na maioria das vezes a utilização deste método traz tranquilidade à criança já
que possibilita melhor compreensão e comunicação. É necessário que ao ver a figura
a criança entenda o que se espera dela. Isto ajuda na organização, minimiza possíveis
problemas de linguagem receptiva e dá independência para a criança.
A família pode ter também um esquema na parede para a criança se situar com
relação aos dias da semana e o que fará em determinado dia.
Nos dias de semana pode colocar uma foto dela com uniforme da escola ou
algum logotipo que a criança associe à escola. Nos sábados e domingos pode-se
colocar uma foto de casa ou foto da criança com os pais ou avós. O importante é que
fique claro para a criança que dia é hoje e o que ela fará. É também útil fotografar os
locais e pessoas que fazem parte da vida da criança.
3.3 Organizando o espaço físico segundo o TEACCH
A disposição física do ambiente de ensino é importante quando se planeja o
currículo para alunos com TEA. Até a disposição dos móveis da sala pode ajudar ou
atrapalhar o funcionamento independente do aluno, o reconhecimento e respeito
pelas regras e limites.
Muitos alunos têm dificuldades de organização, não sabendo aonde ir e como
chegar, perdendo-se no ambiente quando este não lhe oferece dicas e referências. A
organização do meio ambiente, então, lhe dá pistas visuais que ajuda a entender,
evita a distração, promove o foco e tenta garantir que cada área informe a sua função
(Ferreira, 2016).
Alguns aspectos indesejáveis podem ser desprezados ou mesmo modificados,
mas existem algumas situações que podem indicar mudanças na sala, principalmente
na escola comum, por exemplo, colocar uma mesa pequena para um aluno grande
ou vice-versa é uma situação. Outro ponto é deixar a criança sentada no fundo da
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sala, de onde pode visualizar todo o grupo e partir para a desorganização. Também
elementos visuais disponíveis podem favorecer a agitação (muitos quadros, papéis
colados, móbiles) e não posicionar a criança muito próxima à porta de entrada, pois é
um fator de segurança (FONSECA; CIOLA, 2014).
As salas devem ter um espaço definido para que os alunos coloquem seus
objetos pessoais. Podem ser escaninhos, armários, ganchos ou caixas especiais. A
mesa do professor, ou seu espaço, deve estar separada na sala para que os alunos
saibam onde recorrer quando precisar.
Carteiras separadas por divisórias e materiais próximos
Fonte: www.instituto daimaculada.com
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Carteiras coletivas e materiais organizados em armários
Fonte: farm9.staticflickr.com
Rotina da sala de aula com as figuras indicativas
Fonte: www.bp.blogspot.com
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3.4 Rotinas e programação diária
Programação é parte da organização das atividades que os alunos com TEA
necessitam. Muitos têm problemas com memória sequencial e organização do tempo.
Dificuldades de linguagem receptiva também podem tornar difícil aos alunos
compreender o que eles deveriam estar fazendo.
As programações das atividades os ajudam a prever acontecimentos diários e
semanais. Isto diminui a ansiedade sobre o não saber o que acontecerá em seguida.
Além de prever qual atividade ocorrerá depois, a rotina programada auxilia os alunos
a se conduzirem de forma independente entre as atividades (transições), dizendo
onde devem ir em seguida.
Geralmente há dois tipos de programação utilizados simultaneamente nas
salas. O primeiro tipo é a programação geral da classe e o segundo tipo são os
esquemas individuais denominados “sistemas de trabalho”.
A programação individual por aluno (agenda) pode ser indicada visualmente de
várias formas, a depender de como é o sistema comunicativo e o nível de
compreensão. Uma agenda pode ser ilustrada com fotos, pode ser concreta com
objeto, pode ser com pictogramas e escritas (FONSECA; CIOLA, 2014).
A programação da rotina com gravuras, fotos, pictogramas ou objetos pode ser
disposta sequencialmente de cima para baixo, da esquerda para a direita ou
apresentada item a item como códigos representativos (FONSECA; CIOLA, 2014).
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3.5 Metodologia do ensino
O professor deve sistematizar e organizar os métodos de ensino com a
finalidade de ensinar de forma eficaz. Além de usar gestos, as instruções podem
também ser dadas por meio de dicas visuais, tais como apresentar e posicionar
materiais de forma sistemática, em uma sequência, assim como utilizar desenhos e
instruções escritas (FONSECA; CIOLA, 2014).
Organizar o trabalho de maneira uniforme da esquerda para a direita ou de
cima para baixo, lhes fornece uma sistemática para completar as tarefas de forma
mais independente, sem necessidade de tantasinstruções verbais, principalmente,
quando está aprendendo uma rotina.
Para usar dicas de forma eficaz, o professor deve ser sistemático na sua
apresentação, ou seja, a dica deve ser clara, consistente e direcionada ao aluno antes
que ele responda incorretamente. É o que chamamos de “aprendizagem sem erro”
(FONSECA; CIOLA, 2014).
O professor, portanto, pode oferecer ajuda total usando apoio de mão, até que
possa ir diminuindo seu nível de orientação a ponto de o aluno fazer a tarefa sem
ajuda, de forma independente. Sendo assim, a ajuda é gradativamente retirada,
passando da ajuda física total, à independência.
A vida escolar é especial e todos têm o direito de vivenciar essa experiência.
Afinal, é na instituição de ensino que se aprende a conviver em grupo, a se socializar,
trabalhar em equipe e conviver com as diferenças.
No âmbito escolar, a criança autista não poderá fazer tudo o que faz em casa;
ela será solicitada a brincar em grupo e manter atividades com objetivos específicos,
de acordo com a orientação dos professores.
O desempenho escolar das crianças com autismo depende muito do nível de
acometimento do transtorno. Para crianças com autismo clássico, isto é, aquelas
crianças que têm maiores dificuldades de socialização, comprometimento na
linguagem e comportamentos repetitivos, fica clara a necessidade de atenção
individualizada (SILVA; REVELES; GAIATO, 2012).
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Na cartilha dos Direitos das Pessoas com Autismo, elaborada pela Defensoria
Pública do Estado de São Paulo (2011), diz que as pessoas com autismo têm os
mesmos direitos, previstos na Constituição Federal de 1988 e dentre outras leis do
país, que são garantidos a todas as pessoas. Também tem todos os direitos previstos
em leis específicas para pessoas com deficiência (Leis 7.853/89, 8.742/93, 8.899/94,
10.048/2000, 10.098/2000, entre outras), bem como em normas internacionais
assinadas pelo Brasil, como a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência. [...] crianças e adolescentes com autismo têm direito à
educação. Segundo o art. 54 do ECA é obrigação do Estado garantir atendimento
educacional especializado às pessoas com deficiência preferencialmente na rede
regular de ensino, já que toda a criança e adolescente têm direito à educação para
garantir seu pleno desenvolvimento como pessoa, preparo para o exercício da
cidadania e qualificação para o trabalho (ECA, art.54).
Para Aranha (1993) não há dúvidas quanto à aprendizagem do aluno com TEA,
o importante está em compreender como ocorre este processo, já que as
manifestações clínicas estão diretamente relacionadas a este processo. Este deverá
ocorrer por meio da previsibilidade, de forma concreta com associação em relação às
suas sensações, direções visuais, rotinas diárias, comunicações definidas, práticas
sem erros e situações de auxílio, repetições, propostas de atividades que tenha
começo, meio e fim, uma educação clara, manejo para com os estímulos distratores,
monitoração, ordem nas atividades e repouso, destaques e resistência, e
principalmente de forma simplificada.
O método TEACCH não utiliza o ensino estruturado como uma técnica para
organizar o ensino da criança, mas sim para encontrar a forma de estrutura e
organização que melhor se adapte à criança e pela qual ela possa compreender
melhor o seu ambiente e, assim, aprender de forma mais eficiente.
Fonseca e Ciola (2014), lista alguns itens que apresentam a importância da
estrutura do material para autistas, como:
1. Ajuda na organização das dificuldades com memória sequencial e
organização do tempo;
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2. Orienta a criança a compreender o que o material espera dela;
3. Diminui o nível de ansiedade, portanto, reduz a possibilidade do
aparecimento de comportamentos inadaptados;
4. Define o tempo de dedicação a uma determinada tarefa;
5. Orienta o aluno a trabalhar sem muita interferência do adulto, aumentando a
autonomia;
6. Ensina conceitos claros e definidos;
7. Diminui o bombardeio sensorial advindo das informações muito complexas;
8. Reduz a dificuldade na compreensão de tarefas com muitos elementos;
9. Ajuda a aumentar a motivação do aluno perante as atividades acadêmicas;
10. Introduz aspectos pedagógicos compatíveis com a seriação escolar
eliminando temas difusos e propostas inadequadas;
11. Potencializa as facilidades visuais da pessoa com autismo aumentando o foco
atencional;
12. Apresenta os materiais a partir de padrões fixos (em áreas determinadas
e direções definidas);
13. Oferece consistência e beneficia o processamento cerebral responsável pelas
habilidades visuais;
14. Planeja as atividades passo a passo organizando a estrutura da tarefa;
15. Organiza atividades utilizando recursos de baixo custo e de fácil execução.
Cabe ao educador fazer o mundo ser compreensível, ajudar o aluno autista a
organizar as informações; tornar o ilógico, lógico; transformar o “bombardeio
sensorial” em algo tolerável. Estrutura é, nesta concepção, a chave para o sucesso
(FONSECA; CIOLA, 2014 p. 79).
ABA e estratégias de intervenção
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Fonte: www.boaformaesaude.com.br
O Programa TEACCH é de baixo custo; as tarefas são confeccionadas com
recursos do dia a dia a partir do que cada aluno necessita. De acordo com Fonseca e
Ciola (2014), recomenda-se que nesta abordagem haja um envolvimento real de todos
que estarão em contato com a criança, para planejar o que será feito com base em
um currículo, para selecioná-las.
Os sistemas de trabalho utilizados pelo TEACCH, são assim denominados, por
envolverem um processo de construção de tarefas que incluem como selecionar os
materiais, como localizar a atividade, como proceder ao que está sendo solicitado, a
orientação guiada pelo educador, a execução visualmente mediada e o conceito de
fim, dentre outras (FONSECA; CIOLA, 2014).
Desta forma, podemos classificá-los em duas grandes categorias: Sistemas de
Trabalhos Concretos e Sistemas de Trabalhos Simbólicos (imagens, códigos ou
escritos), cada qual com suas características.
Para orientar o aluno nas atividades, o material visualmente organizado é
dividido em área de armazenamento e área de execução. A área de armazenamento
é a parte extrema esquerda (ou superior) do material onde se depositam os estímulos
móveis que serão transferidos para a parte direita da tarefa ou lugar.
Alfabetização
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Fonte: www.tudobemserdiferente.files.wordpress.com
Trabalhando as cores
Fonte: www.pinimg.com
Fonte: bp.blogspot.com
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Trabalhando a matemática
Fonte: www.im age.slidesharecdn.com
Fonte: www.pinimg.com
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4. MÉTODO PECS
4.1 O que é PECS?
Sistema de Comunicação por Troca de Figuras (do Inglês, Picture
Exchange Communication System). Desenvolvido por Andrew S. Bondy, PhD, e
Lori Frost, M.S, CCC-SLP. O PECS foi criado em 1985 como um sistema de
intervenção aumentativa/alternativa de comunicação exclusivo para indivíduos
com Transtorno do Espectro Autista e doenças relacionadas ao desenvolvimento.
Esse recurso foi usado pela primeira vez num programa em Delaware ‘Delaware
Autistic Program’. Desde então, o PECStêm recebido reconhecimento mundial
por focar no componente de iniciação de comunicação.Além disso, o PECS não
requer o uso de materiais complexos ou caros. Sendo assim, foi criado pensando
em educadores, famílias e cuidadores, por isso é facilmente utilizado em uma
variedade de situações.
O PECS começa ensinando uma pessoa a dar uma figura de um item
desejado para um "parceiro de comunicação", que imediatamente aceita a troca
como um pedido. O sistema passa a ensinar a discriminação de figuras e como
juntá-las formando sentenças. Nas fases mais avançadas, os indivíduos
aprendem a responder perguntas e fazer comentários.
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O protocolo de ensino do PECS é baseado no livro de BF Skinner,
Comportamento Verbal, de tal forma que operantes verbais funcionais são
sistematicamente ensinados usando dicas e estratégias de reforço que levarão
a uma comunicação independente. Dicas verbais não são usadas, construindo
assim início imediato e evitando a dependência de dicas.
O PECS tem sido bem sucedido com indivíduos de todas as idades que
possuem graus de comunicação, dificuldades cognitivas e físicas variadas.
Alguns alunos que utilizam o PECS também têm a possibilidade de desenvolver
a fala. Outros podem fazer a transição para um sistema de saída de voz. Os
pesquisadores que apoiam a eficácia do PECS continuam a se expandir, com
pesquisas de países de todo o mundo.
4.2 As seis fases do PECS
FASE I - Como se comunicar
Os alunos aprendem a trocar uma única figura com itens ou atividades que
eles realmente querem.
A primeira lição para iniciar o PECS é fazer com que a criança peça de
forma espontânea artigos ou atividades. Esta primeira fase requer geralmente
duas pessoas, professores ou membros da família para trabalhar com a criança.
O primeiro adulto deverá estar à frente da criança para manter o contato
visual, este adulto será a pessoa com que nós queremos que a criança se dirija
na maioria das vezes. O papel do segundo adulto é permanecer atrás da criança
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e ajudá-la fisicamente para alcançar a figura desejada, também a retirar e entregar
ao primeiro adulto.
Quando o primeiro adulto recebe a figura deve imediatamente pegar o
item solicitado pela criança juntamente com o reforçador verbal: (“Oh! Você quer
coca cola!”).
O auxílio físico do segundo adulto deve ser retirado gradativamente até
que a criança consiga trocar de forma independente a figura pelo item.
Objetivo da fase I:
O objetivo desta fase é que a criança inicie uma comunicação e para que
ela possa ser espontânea. Pais e profissionais devem resistir ao impulso “O que
você quer?” ou outros alertas verbais.
Sendo assim, a criança desde o início aprenderá a solicitar seu desejo de
dentro para fora.
FASE II - Distância e Persistência
Ainda usando uma única figura, os alunos aprendem a generalizar esta
nova habilidade e usá-la em lugares diferentes, com pessoas diferentes e usando
distâncias variadas. Eles aprendem a serem comunicadores persistentes.
Nesta fase a criança deverá de forma confiante e independente solicitar
um item desejado, este item de grande valor (reforçador).
A criança é incentivada a utilizar esta forma de comunicação durante o dia
inteiro e o item deve ser colocado a uma distância mais longa. Nesta fase é
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inserida uma nova figura, ou seja, mais de um brinquedo, mais de um alimento,
roupas, etc.
A criança também é incentivada a solicitar itens de sua preferência para
os pais, familiares, professores, terapeutas, outras crianças etc. Nesta fase a
criança já expandiu o vocabulário e aumentou o número de pessoas para que
seus desejos sejam atendidos.
FASE III - Discriminação de figuras
Os alunos aprendem a escolher entre duas ou mais figuras para pedir
seus itens favoritos. Estes são colocados em uma pasta de comunicação com
tiras de velcro onde as figuras são armazenadas e facilmente removidas para a
comunicação.
Na terceira fase começamos a pedir que a criança discrimine entre um
número de artigos em uma placa, fazendo escolhas a respeito de que item irá
querer.
O profissional ou pais, perguntam: “o que você quer fazer? mostrando a
placa, mas esta pergunta deverá ser desvanecida rapidamente, assim que a
criança consiga de forma espontânea fazer suas escolhas tão bem quanto
responder uma pergunta.
Deve-se iniciar esta fase com uma disposição pequena, geralmente 2
artigos. Quando a criança estiver mais segura para escolher um item de seu
desejo, um terceiro deve ser adicionado e assim por diante até que a criança
consiga encontrar um item do seu interesse dentro de uma disposição com várias
figuras (6 em cada placa).
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Fonte: www.mzstatic.com
FASE IV - Estrutura de sentença
Os alunos aprendem a construir frases simples em uma tira de sentença
usando um ícone "Eu quero" seguido por uma figura do item que está sendo
solicitado.
Nesta fase a criança consegue com facilidade fazer um pedido para uma
variedade de artigos, há uma variedade de pessoas e uma variedade de locais.
Ainda nessa fase a criança é ensinada a usar tiras de sentença e a fazer
um pedido mais longo.
Sendo assim, a criança combina uma figura “eu quero” com outra figura de
seu item de desejo ou atividade.
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As duas figuras deverão ser unidas a uma tira da sentença e a tira inteira
será entregue a outra pessoa que a criança está se comunicando, em seguida,
trocar pelo item solicitado.
Fonte: www.universoautista.com.br
Atributos e expansão da linguagem
Os indivíduos aprendem a expandir suas frases adicionando adjetivos, verbos
e preposições.
FASE V - Solicitação Responsiva
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Os alunos aprendem a usar o PECS para responder à pergunta: "O que você
quer?".
As fases 5 e 6 ocorrem ao mesmo tempo, onde é focalizada a extensão
diferente da habilidade da criança pela troca do item. A fase 5 estende a estrutura
da sentença começada na fase. Os adjetivos e outras podem ser adicionadas ao
repertório da criança para ajudar que seu pedido se torne mais refinado.
Exemplo:
• Quero 3 balas vermelhas;
• Quero o tênis branco e azul;
• Quero macarrão com queijo;
• Quero passear no parque;
• Quero batata.
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FASE VI - Comentário
Agora os alunos aprendem a comentar por meio de resposta às perguntas,
como: "O que você vê?", "O que você ouve?" e "O que é isso?". Eles aprendem a
compor sentenças começando com "Eu vejo", "Eu ouço", "Eu sinto", "É um", etc.
A fase 6 do sistema PECS é um objetivo previsto na comunicação e no
resultado previsto da criança pelo professor. Agora é concluída na comunicação a
figura: “ Eu vejo”,“ Eu escuto”, “ Eu sinto“ e etc...
A criança será ensinada a comentar os elementos do ambiente que vive.
Exemplos da fase 7: Eu vejo carro vermelho.
Exemplos da fase 8:
Dando continuidade à linguagem aumentativa e alternativa, iniciamos neste
momento com textos simples e que são funcionais na vida diária do sujeito. Esta
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também poderá ser a última fase para indivíduos que não conseguem desenvolver a
fala.
Exemplos da fase 9:
Nesta fase chega o momento de substituir figuras por palavras e colocar a fala
junto com a palavra escrita da seguinte forma:
Quandoa criança solicita:
“Eu quero bala”.
A pessoa que está próximo deve ajudar a criança a verbalizar junto,
apontando o indicador para sua boca e repetindo “Eu quero bala”. Qualquer som
produzido pela criança deve ser reforçado verbalmente, como: “Isso”, “Muito bem” e
etc.
Exemplos da fase 10:
Este é o momento da retirada do PECS para indivíduos que construíram uma
linguagem verbal, visual e escrita. Este é o período em que os profissionais/pais
devem solicitar e verbalizar mais, mesmo que a criança procure o PECS. O PECS
não deve ser retirado em sua totalidade, mas de forma gradual.
5. MÉTODO SON-RISE
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Fonte: www.temasdeenfermeria.com.ar
O programa é um eficiente método educacional para crianças com autismo,
desenvolvido pelo The Autism Treatment Center of America, em Massachusetts, nos
Estados Unidos, e tem sido aplicado em diversos países com excelentes resultados.
No início dos anos 70, o casal Barry e Samahria Kaufman, fundadores do Programa
Son-Rise, ouviram dos especialistas que não havia esperança de recuperação para
seu filho Raun, diagnosticado com autismo severo e um QI abaixo de 30.
Decidiram, porém, acreditar na ilimitada capacidade humana para a cura e o
desenvolvimento, e puseram-se à procura de uma maneira de aproximar-se de Raun
– que se encontrava em estado de total isolamento, não interagindo nem mesmo
com os pais. Foi a partir da experimentação criativa e amorosa com Raun, cerca de
30 anos atrás, que eles desenvolveram o Programa Son-Rise. Raun Kaufman, se
recuperou de seu autismo após três anos e meio de trabalho intensivo com seus
pais. Ele continuou a se desenvolver de maneira típica, cursou uma universidade
altamente conceituada e atuou como CEO do Autism Treatment Center of America,
fundado por seus pais em Massachusetts, nos EUA. Desde a recuperação de Raun,
milhares de crianças utilizando o Programa Son-Rise têm se desenvolvido muito
além das expectativas convencionais, algumas delas têm apresentado total
recuperação do autismo (Tolezani, 2010).
5.1 Princípios que fazem do the son-rise programa um método único e efetivo
de tratamento do autismo
Texto extraído do Programa Son-rise desenvolvido pelo The Autism
Treatment Center of America:
O potencial da sua criança é ilimitado.
Não acreditamos em “falsa” esperança. Não podemos prever o que cada
criança vai alcançar, mas não aceitamos que a alguma criança ou pai seja dito aquilo
que não vai alcançar. Nenhum pai deve ter de pedir desculpas por acreditar na sua
criança.
http://www.temasdeenfermeria.com.ar/
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O Autismo nunca é uma perturbação comportamental: é uma perturbação
relacional e interativa. Na sua essência, é um desafio neurológico em que as crianças
têm dificuldades de relacionamento e de conexão com as pessoas à sua volta. A
maioria dos chamados desafios comportamentais tem a sua origem neste déficit
relacional. É por isso que a nossa dinâmica, entusiasmo e método de brincadeiras
focam tão intensamente na socialização. Claro que queremos que se divirta com a
sua criança, mas mais importante, queremos que a sua criança se divirta consigo.
Portanto, motivação, e a não repetição, são a chave de toda a aprendizagem.
Muitas das abordagens tradicionais são “contra o cérebro”, tentam formatar as
crianças ensinando-as através da repetição infinita. Em vez disso, procuramos as
motivações específicas de cada criança e usamo-las para lhes ensinar as
competências que necessitam adquirir. Assim, temos não só a participação voluntária
da criança, mas também um período de atenção mais longo e aumento das suas
competências.
Fonte: www.boaformaesaude.com.br
Os comportamentos repetitivos (stims) da sua criança tem uma enorme
importância e valor. Temos um profundo respeito e aceitação pelas nossas crianças.
Isso permite-nos atravessar a barreira que separa o seu mundo do nosso, fazendo
algo ousado e pouco usual. Em vez de a parar, juntamo-nos à criança nos seus
comportamentos ritualistas e repetitivos. Fazendo isto, criamos afinidades e ligação,
a plataforma de toda a educação e desenvolvimento futuro. Ao participar com a
http://www.boaformaesaude.com.br/
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criança nestes comportamentos, promovemos o contato ocular, desenvolvimento
social e inclusão de outros nas brincadeiras.
A sua criança pode evoluir no ambiente adequado.
A maioria das crianças dentro do espectro autista está estimulada por uma
quantidade de distrações que a maioria de nós nem sequer repara. Iremos mostrar-
lhe como criar um ambiente livre de distrações e onde as interações sejam
facilitadas. Paralelamente, este quarto de jogos/trabalho (playroom) fará diminuir as
situações de “conflito” e tensão que inibem o progresso e a interação adequada,
possibilitando não só o desenvolvimento, como também uma interação mais
próxima, que os pais tanto anseiam.
5.2 Modelo de desenvolvimento e currículo social
Texto extraído do Modelo de Desenvolvimento do Programa Son-rise:
Sabe-se que, como pai, mãe ou educador, você tem tentado ajudar a sua
criança (ou a criança com quem você trabalha) a adquirir determinadas habilidades.
Tem percebido que quando você é capaz de ensinar uma habilidade para a criança,
como colocar as meias, ou sentar-se à mesa por alguns minutos, isso não modifica
de forma alguma as maiores e mais fundamentais qualidades de sua interação. Não
modifica também a sua relação com a criança. E não permite que você interaja com
ela por um período de tempo mais extenso, onde é possível compartilhar alegria,
contato visual e risos.
Por essa razão, o Modelo de Desenvolvimento do Programa Son-Rise lhe
ajuda a focar no ponto estratégico para auxiliar sua criança em seu desenvolvimento,
que é sua habilidade para se relacionar e se conectar socialmente com os outros.
Descobrimos que ao nos concentrarmos primeiro nesse ponto, as crianças e adultos
adquirem a capacidade de construir relações afetivas, interativas e significativas com
seus pais, irmãos e amigos. À medida que a criança se desenvolve, encontra outros
grupos de habilidades para adquirir. Por exemplo: habilidades de autoajuda,
cognitivas, motoras grossas e finas. Enquanto cada uma das áreas de
desenvolvimento é essencial, a questão mais importante para se trabalhar com
nossas crianças é o desenvolvimento ‘social’. É com base nesse fundamento que
ABA e estratégias de intervenção
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sua criança aprenderá com mais facilidade as habilidades cognitivas, de autoajuda,
etc.
5.3 Os Quatro Fundamentos
A Interação Social é construída nos pilares de quatro fundamentos: fazer e
manter contato visual e Comunicação Não-Verbal; comunicação; ter um Período de
atenção compartilhada; e ter flexibilidade dentro das interações.
Contato Visual e Comunicação Não-Verbal
O Contato Visual é a forma mais básica na qual nos conectamos com os
outros à nossa volta e a forma mais óbvia de contato que as crianças com autismo
e outros diagnósticos relacionados não fazem. Outras terapias podem focar nessa
área, mas em geral o fazem através de técnicas comportamentais e repetitivas.
Dessa forma, as crianças tendem a ser pressionadas para olhar nos olhos de outras
pessoas em troca de obterem algo que querem. Nosso objetivo é ensiná-las a gostar
de olhar para as pessoas. Nós as estimulamos a querer olhar nos olhos dos outros.
Assim, elas são capazes de se conectar intensamente com as pessoas que
fazem parte de suas vidas. São capazes de aprender a ter expressão facial (pois
estão olhando para o nosso rosto), aprendem a falar (porque olham para nossa face
quando formulamos palavras) e aprendem a prestar atençãomais longamente (pois
olham para o que fazemos e podem participar). Os benefícios de manter o contato
visual são incontáveis. E o mais importante é que esse contato habilita nossas
crianças a verem o amor que sentimos por elas. A maneira mais efetiva para se
ABA e estratégias de intervenção
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construir essas relações sociais é ajudar as crianças a entenderem a beleza e o
significado que é compartilhado entre duas pessoas que se importam uma com a
outra. Como podem saber se não nos olham? O contato visual é um dos fatores mais
importantes na criação e conservação das relações sociais.
Fazer contato visual enquanto simultaneamente falamos ou escutamos é um
aspecto essencial da comunicação e interação entre as pessoas. Outro importante
elemento que afeta a interação é a comunicação não-verbal – expressões faciais e
linguagem corporal. É importante que nossas crianças não apenas utilizem, mas que
também compreendam e respondam às comunicações não-verbais das outras
pessoas.
Comunicação
As relações sociais surgem através da comunicação entre as pessoas. Nosso
modelo tem como objetivo ajudar as crianças a transformar formas de comunicação
como: choro; resmungo; birra e expressão por gestos físicos, em palavras faladas.
Então, passamos a focar em ajudar a criança a desenvolver a fala de palavras
isoladas (quando já ditas corretamente) para um conteúdo expandido (substantivos,
verbos, etc.), ciclos de conversação (com pergunta/iniciativa e resposta) e
habilidades de conversação.
Queremos que as crianças sejam capazes de comunicarem o que querem, o
que não querem, como elas se sentem e com o que se importam. Queremos que
possam participar dos vários jogos e atividades surpreendentes que envolvem
comunicação verbal em nosso mundo. Queremos que não apenas sejam capazes
de pedir sua comida em um restaurante, mas também que conversem longamente
com seus amigos sobre seus pontos de vista e seus sonhos. Assim, essa sessão do
modelo é bem detalhada para que você possa ajudar a sua criança a aprender os
vários passos importantes para utilizar a comunicação efetiva com os outros que
fazem parte de suas vidas.
Nota: Apesar de nem todos os aspectos de desenvolvimento de linguagem
serem abordados, incluímos os aspectos essenciais necessários para que sua
criança se comunique efetivamente com os outros em suas relações sociais.
ABA e estratégias de intervenção
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Período de Atenção Compartilhada
Mesmo que nossas crianças possam ter a capacidade de concentrar sua
atenção em um objeto ou atividade que envolva somente elas mesmas, não
podemos confundir isso com o Período de Atenção Compartilhada. Assistir televisão,
empurrar um carrinho para frente e para trás, usar o computador, folhear as páginas
de um livro, construir uma torre de blocos – nenhuma dessas atividades é interativa.
Nosso objetivo é ajudar as crianças a ter a capacidade de interagir com outros
sujeitos - olhar para outra pessoa, alterar a sua vez com o outro, e comunicar-se com
o outro dentro de várias atividades (ex: atividades físicas, brincadeiras que utilizam
imaginação, conversas, etc.). A ênfase é ajudar a criança a se mover através dos
níveis do Período de Atenção Compartilhada para que se torne mais e mais
envolvida com as pessoas à sua volta (e como consequência ficar menos tempo
envolvida em atividades solitárias).
Flexibilidade
Qualquer um que tenha alguma vez cuidado de uma criança ou indivíduo com
autismo sabe que a capacidade de ser flexível é um atributo profundamente
necessário para que seja possível o desenvolvimento de relações sociais. Nossas
crianças podem achar isso extremamente difícil. Apenas imagine a rotina de
alimentação de sua criança (você tem que servir uma comida em particular, em um
prato específico, com um determinado garfo), a rotina da hora de dormir (você tem
que ler um determinado livro, especificamente certas páginas, tem que cantar quatro
músicas e não três), as roupas que vestem (têm que usar a mesma camiseta todos
os dias), seus interesses (querem discutir um tema específico, e perguntar a mesma
coisa várias vezes), etc.
Para que nossas crianças sejam capazes de ter amigos e construir relações
com os que estão ao seu redor, elas precisam desenvolver um certo grau de
flexibilidade para interagir. Têm que estar aptas a lidar com alterações de planos.
Precisam manter a tranquilidade quando outra pessoa toca em seu objeto preferido,
ou quando decidimos que não comeremos sanduíche de frango no jantar. Esses são
apenas alguns dos motivos que explicam a razão pela qual a flexibilidade seria uma
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habilidade social fundamental. Ao ajudar nossa criança, ou a criança com quem
trabalhamos, a ser capaz de permitir uma nova atividade, a conduzir uma conversa
para uma nova direção, utilizar uma roupa diferente, etc. Dessa forma, estamos lhe
ajudando a ser capaz de criar relações sociais, e de lidar facilmente com a presença
de outros à sua volta.
5.4 Criando um currículo social para sua criança
Esta seção lhe ajudará a entender as habilidades atuais presentes na criança
através da criação de uma tabela de referência para cada um dos quatro
fundamentos. Em seguida lhe ensinaremos como criar metas específicas (um
currículo social) que ajudará a criança a se desenvolver em direção a cada novo
nível.
Primeiro passo: criar uma base de referência
a) Reserve um tempo para examinar cada estágio (1-5) para determinar qual é o
estágio que você acha que, de maneira geral, descreve as habilidades sociais
atuais da criança. Para cada habilidade ou qualidade assinale o campo “Em
Desenvolvimento” caso a criança apresente sinais de ter uma habilidade, mas
ainda não a utilize previsivelmente ou consistentemente. Caso seja consistente
em usar a habilidade ou tarefa, então marque o campo “Adquirida”.
b) Avalie as habilidades da criança em cada nível enquanto você está com ela a
sós em um ambiente o mais livre possível de distrações. O ideal é que seja no
quarto de brincar do Programa Son-Rise em sua casa. Caso você ainda não
tenha o quarto de brincar/trabalhar, apenas leve a criança para o quarto mais
silencioso da casa. Desligue todos os televisores, computadores, rádios, etc.
que ficam nesse quarto, feche a porta e peça aos outros que não lhe
interrompam.
c) Toda sua informação será baseada na ‘média’ de suas observações sobre a
criança. Se você tiver outras pessoas que também trabalhem com ela, inclua
as observações delas ao criar a sua média.
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d) Use quatro observações, por um período de duas semanas, para criar sua
primeira média da base de referência. Traga a sua folha de papel para o quarto
e simplesmente marque o campo (ou anote em um rascunho) que especifica a
habilidade apresentada pela criança naquela área. Faça isso em quatro
ocasiões e determine a sua primeira média.
e) Recomendamos que você faça uma nova avaliação das habilidades da criança
em cada área pelo menos uma vez por mês. Dessa forma você pode comparar
as áreas de crescimento dela e saber quais áreas você gostaria de se
concentrar mais no próximo mês.
f) Entendemos que tudo isso pode ser novidade, então os gráficos foram criados
para facilitar o processo de avaliação feito por você. Seu objetivo não é criar a
mais perfeita avaliação científica e exata. Apenas confie em seu bom senso e
em suas observações. As suas observações sobre a criança têm mérito e
significado mesmo que você não possua treinamento profissional para fazê-
las. Você descobrirá que é bem fácil quando começar a escrevê-las.
g) Cada estágio e seção é autoexplicativa e se precisar de mais informações veja
o “Guia de Avaliação dos Fundamentos”.Segundo passo: criar um currículo social (Metas do Programa)
Agora que você já criou uma base de referência para as habilidades sociais
presentes na criança, comece a criar o currículo social dela (Metas do Programa).
Sugerimos que você mantenha essas metas, sem adicionar ou mudá-las, por um
mês, até a sua próxima Avaliação dos Fundamentos.
Nossa intenção aqui é anotar o ‘próximo passo’ para a criança em cada
fundamento. Todas as metas são listadas desde a mais básica até a mais difícil.
Então, uma vez que você marcou um campo com a habilidade social presente na
criança, o próximo passo para ela é o campo imediatamente abaixo ou no próximo
Estágio (caso ela tenha adquirido todas as habilidades dentro daquele Fundamento).
Exemplo: veja a sessão de comunicação no Estágio 1 (não no ‘Panorama
dos Estágios 1-5’, mas na página contendo todas as habilidades do Estágio 1.) A
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primeira habilidade é “Tem vocabulário formado por sons semelhantes a
palavras ou mais”.
● Se a criança estiver no nível de habilidade ‘Em Desenvolvimento’ para a
tarefa, continue a ter essa tarefa como meta até que se torne ‘Adquirida’.
● Marque o campo ‘Adquirida’ se a criança já possuir a habilidade e se já estiver
utilizando de forma consistente. O próximo passo no desenvolvimento social
dela para comunicação seria o campo diretamente abaixo, “Tem um
vocabulário de 5 palavras ou mais”. Isso tornaria sua meta do programa para
a criança uma parte vital do currículo social da mesma.
Se necessário, utilize as subdivisões do campo ‘Em Desenvolvimento’ para
registrar o ritmo do desenvolvimento da habilidade em questão por parte da criança.
Fonte: www.companhiadolazer.com.br
Se a criança tiver ‘Adquirido’ todas as tarefas de um determinado Estágio
para qualquer um dos fundamentos, então comece a trabalhar com o Fundamento
do próximo Estágio.
É importante saber que muitas crianças não aprendem essas habilidades em
uma ordem específica. Elas podem “pular” toda a página e ter níveis de habilidades
diferentes em áreas diferentes. Por exemplo, a criança pode estar no Estágio 3 para
Comunicação (falando sentenças simples, tendo conversas que consistem em 2
ciclos ou mais, etc.) enquanto ainda está no Estágio 1 para Flexibilidade. Ainda
que queira trabalhar em cada Fundamento, é essencial que você dê ênfase especial
para o fundamento que é o mais desafiador (menos desenvolvido) para sua criança.
http://www.companhiadolazer.com.br/
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Dependendo do tempo em que a criança se modifica, você pode considerar
mais prático completar a avaliação a cada 6-8 semanas ao invés de 4 semanas.
Uma vez que você identificar o próximo passo para cada habilidade do
Fundamento, estará pronto para escrever as metas para si e para a sua equipe (veja
o terceiro passo).
Terceiro passo: escrever as metas do programa
A cada mês, após completar a avaliação social da criança e criar o seu
currículo social, você escreverá as metas do programa de forma clara e específica
para garantir que você e sua equipe mantenham-se concentrados nessas metas.
O campo diretamente abaixo do nível de habilidade atual da criança, em todos
os quatro fundamentos, é a habilidade para ser trabalhada em seguida. Essas serão
as suas metas para o próximo mês ou mais. Essas metas são então traduzidas para
a forma de uma frase que você pode utilizar com o objetivo de ajudá-lo(a) a manter
o foco das suas ações em relação à criança.
Exemplo: contato visual e comunicação não-verbal:
Você assinalou o Estágio 2 para a criança pois ela é capaz de fazer contato
visual para ter suas necessidades atendidas. O campo abaixo é: “Olha para os outros
com interesse”. Essa é a sua meta. Transforme-a em uma frase que a define como
um curso de ação: “Estimular o John a olhar para nós demonstrando interesse
no que estamos fazendo.”
Exemplo: comunicação:
Você assinalou o Estágio 4 para a criança pois ela “Fala em sentenças
complexas que são gramaticalmente corretas”. O campo abaixo é: “Capaz de
fazer/responder a perguntas e fazer comentários sobre acontecimentos passados e
futuros”. Essa é a sua meta. Transforme-a em uma frase que a define como um curso
de ação. Isso pode significar dividir a meta em partes ainda menores do que o
colocado: “Inspirar o John a responder a perguntas sobre acontecimentos
passados e futuros.”
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Exemplo: período de atenção compartilhada:
Você assinalou o Estágio 3 para a criança pois ela “Apresenta um período
interativo com duração de 9 minutos ou mais”. O campo abaixo é: “Interage em uma
atividade 5 vezes por hora ou mais”. Essa é a sua meta.
Transforme-a em uma frase que a define como curso de ação: “Convidar o
John para interagir com você 5 vezes por hora (quando ele lhe oferecer os
‘Sinais Verdes’ para interação)”
Exemplo: flexibilidade
Você assinalou o Estágio 2 para a criança pois ela “Participa fisicamente da
interação”. O campo abaixo é: "Participar verbalmente da interação”. Essa é a sua
meta. Transforme-a em uma frase que a define como curso de ação: “Encorajar o
John a participar verbalmente da interação.”
Assim que você tiver cada uma das metas na forma de uma sentença, você
terá um claro currículo social com específicas metas do programa. Escreva-as em
uma folha de papel e pendure na porta do quarto de brincar. Adicionalmente, envie-
as por e-mail para as pessoas que trabalham com a criança para garantir que toda a
sua equipe concentre-se nas mesmas metas.
Exemplo:
Metas do programa para o John:
● Estimular o John a olhar para nós demonstrando interesse no que estamos
fazendo.
● Inspirar o John a responder a perguntas sobre acontecimentos passados e
futuros.
● Convidar o John para interagir com você 5 vezes por hora (quando ele lhe
oferecer os ‘Sinais Verdes’ para interação).
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● Encorajar o John a participar verbalmente da interação.
5.5 Guia de avaliação dos fundamentos
É de grande proveito que você avalie as habilidades sociais da criança a cada
mês. Isso lhe ajudará a checar as áreas de crescimento e mudança, e também a
definir quais áreas podem precisar de um maior suporte. Abaixo, você encontrará
informações específicas que lhe ajudarão a avaliar facilmente cada fundamento.
Contato visual e comunicação não-verbal
Todas as informações sobre contato visual e comunicação não-verbal são
estimadas durante o tempo em que a criança está interagindo socialmente com outra
pessoa (sem estar isolado) enquanto está no quarto de brincar de seu Programa Son-
Rise (ou em um ambiente livre de distrações). Somente o contato visual e a
comunicação não-verbal que são espontâneos (iniciados pela criança) são utilizados
em sua avaliação e não aqueles que são induzidos ou solicitados.
1. Função do Contato Visual: Por que a criança espontaneamente olha nos seus
olhos?
Exemplo: Se a criança consistentemente oferece contato visual espontâneo
para iniciar/continuar uma interação (receber cócegas, cantar, jogar bola, falar, etc.)
quando você faz uma pausa na ação, assinale o campo ‘Adquirida’ para esta
habilidade do Estágio 1.
2. Expressões Compartilhadas: Enquanto interage, que expressões faciais
espontâneas a criança compartilha com você? Isto também inclui responder
adequadamente às expressões faciais dos outros (ex: apresenta uma
expressão de preocupação quando alguém aparenta ter se machucado, etc.).
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Exemplo: Se a criança está apenas começando a sorrir ou dar gargalhadas
quando interage com você, assinale o campo ‘Em Desenvolvimento’para esta
habilidade do Estágio 2.
3. Comunicação Não-Verbal: Como a criança utiliza o próprio corpo para se
comunicar e enfatizar a comunicação verbal?
Exemplo: Se a criança é capaz de apontar espontaneamente para a figura de
um livro de forma interativa, animadamente bater palmas, fazer ‘oi’ ou ‘tchau’ com as
mãos, acenar ‘sim’ ou ‘não’ com a cabeça, assinale o campo ‘Adquirida’ para esta
habilidade do Estágio 3.
5.6 COMUNICAÇÃO
Linguagem
Vocabulário/Conteúdo: Em relação ao vocabulário, considere a quantidade
total de palavras diferentes que você já ouviu a criança dizer, tanto dentro quanto fora
do quarto de brincar. Caso ela diga a mesma palavra mais de uma vez – conte-a
apenas como uma palavra. As palavras que a criança utiliza em qualquer atividade
(cantando, contando histórias, falando aparentemente com ela mesma, etc.) são todas
incluídas neste cálculo.
Palavras não claras ou parciais também são incluídas. A cada semana, anote
cada palavra diferente que você ouvir a criança dizer (e peça aos outros que faça o
mesmo.). No final da semana, você poderá totalizar essas palavras e assim terá o
número inicial de sua base de referência. A cada mês, conforme fizer isso, você
adiciona cada nova palavra que ouvir.
Em relação ao conteúdo, considere a forma mais comum da criança se
comunicar verbalmente, desde frases simples até sentenças complexas combinadas.
Exemplo: Se a criança frequentemente se comunica utilizando termos como
“Livro lá” e ocasionalmente diz “Guarde o livro na prateleira”, assinale a média para
esta habilidade do Estágio 2, “Frases simples (combinações de 2 a 3 palavras)”.
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Elementos do Discurso: Que elementos do discurso a criança utiliza para se
comunicar?
● Substantivos: mamãe, papai, cadeira, bola, carro, boneca, etc.
● Verbos: querer, ver, empurrar, puxar, aplaudir, passear, etc.
● Adjetivos: preto, amarelo, grande, macio, comprido, etc.
● Preposições: de, para, com, em, etc.
● Pronomes: ele, você, eu, etc.
● Conjunções: e, ou, que, mas, etc.
● Artigos: a, o, uma, um, etc.
Clareza: em média, o quanto é compreensível a fala da criança? É importante
pensar na clareza em termos de pessoas que não conhecem a criança.
Exemplo: um estranho entenderia essa palavra ou sentença? Se a linguagem
da criança é normalmente entendida por qualquer pessoa, então considere
‘constantemente clara’. Se a linguagem dela for entendida por várias pessoas,
considere ‘geralmente clara’. Se a linguagem dela for entendida por você e pelos
familiares próximos, mas geralmente não pelos outros, considere ‘parcialmente
clara’.
Ciclos de Conversa: em média, quantos ciclos ocorrem quando você e a
criança se comunicam?
Um ciclo de conversação é um ciclo completo de comunicação verbal entre
duas pessoas. Uma pessoa fala e então a outra responde. Cada um tem sua vez de
falar (“iniciativa e resposta”, ou “2 turnos dialógicos”). Exemplo:
Mãe: qual o jogo que você jogou com o papai?
Criança: basquete. [1 CICLO]
Mãe: legal, posso jogar com vocês na próxima vez?
Criança: sim. [2 CICLOS]
Nota: os ciclos de conversação são espontâneos. Isso significa que as
respostas prontas não estão incluídas. Se você fala para a criança o que dizer e ela o
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diz, isso não é considerado um ciclo de comunicação. Os ciclos incluem apenas
respostas e comentários espontâneos.
Conteúdo da Conversa:
Cada Estágio contém uma lista de habilidades bem específicas, como por
exemplo: cumprimentos simples, indagação de perguntas simples, falar em um
volume aceitável socialmente, etc. Essas habilidades tornam-se mais complexas e
sofisticadas conforme a criança caminha para as Habilidades Sociais Avançadas
nos Estágios 4 e 5.
Função da Comunicação Verbal: por que a criança se comunica verbalmente
com você? As habilidades vão desde “ter necessidades atendidas” até “compartilhar
experiências internas – pensamentos e sentimentos”.
Exemplo: Se a criança compartilha seus pensamentos sobre o que está
observando de forma a permitir que a outra pessoa também o vivencie, assinale o
campo ‘Adquirida’ para esta habilidade do Estágio 3.
Período de Atenção Compartilhada
Anotaremos apenas as atividades que incluem outra pessoa, como cócegas,
ser alimentado, jogos de tabuleiro, jogos de imaginação, de personagens, conversas,
etc. Não incluímos nenhuma atividade solitária.
Duração: em média, por quanto tempo a criança interage com você?
Uma interação pode consistir em uma atividade simples brincada por um
período de tempo, ou pode abranger diversas atividades divertidas uma após a outra.
O ponto-chave aqui não é tanto a atividade em si, mas o fato de a criança estar
interativa e incluindo outra pessoa na atividade.
Você pode descobrir que sua criança brinca com você por dois minutos, corre
para o canto e empurra seu caminhãozinho por 20 segundos, e depois volta para a
brincadeira. O período de atenção compartilhada termina quando a criança interrompe
a interação e não retorna após duas solicitações consecutivas para continuar a
atividade interativa.
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Exemplo: Se você estiver brincando de pega-pega com a criança durante 10
minutos e a cada poucos minutos ela correr para o espelho, se olhar, pular por 15
segundos, e depois voltar para a brincadeira após uma ou duas solicitações
consecutivas para continuar a atividade, você pode anotar esse tempo como atividade
interativa de 10 minutos.
Se você estiver fazendo essa mesma brincadeira por 5 minutos e então a
criança pular na frente do espelho e não retornar à atividade após uma ou duas
solicitações consecutivas, mas depois de 2 minutos voltar para a brincadeira por mais
5 minutos, você considera 2 brincadeiras de 5 minutos cada.
Para mensurar se a média da duração das interações encontra-se dentro do
Estágio 5, utilize a seguinte orientação. A duração da interação de uma criança
neurotípica é de aproximadamente 3-5 minutos por ano de idade da criança:
● 2 anos: 6-10 min.
● 5 anos: 15-25 min.
● 8 anos: 24-40 min.
● 12 anos: 36-60 min.
Frequência: em média, quantas vezes por hora a criança participa de uma
atividade com outra pessoa? A atividade pode ser iniciada tanto pela criança quanto
pela outra pessoa.
Tipos de Atividades: em que tipos de atividades a criança é capaz de
interagir? As atividades podem ser físicas, com objetos compartilhados, brincadeiras
simbólicas e de representações de papéis.
Amizades com Colegas: como a criança interage com colegas? Esta
habilidade inclui desde demonstrar um pequeno interesse até interagir
apropriadamente com um colega e pequenos grupos de colegas.
Flexibilidade
O objetivo principal deste fundamento é ajudar a criança a ser flexível (permitir
envolvimento e contribuição de outros) e espontânea (dar início a novas ideias/novas
ABA e estratégias de intervenção
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direções) dentro das interações. Muitas das habilidades citadas nos cinco estágios da
Flexibilidade são autoexplicativas. Abaixo, enumeramos apenas aquelas que
requerem maior explicação.
À medida que você passar por essa seção, faça a pergunta geral: “Em média,
a quanto flexível e espontânea (ao invés de controladora e rígida) é a criança quando
interage nas atividades com outra pessoa?” (Isso inclui atividades que são iniciadas
tanto pela criança quanto por outra pessoa).
Permite facilmente a sua presença dentro de seu quarto do Programa Son-
Rise®. Nesse caso, a criança deixa você se movimentar livremente, verbalizar,
celebrar, tocar e manipular os objetos e móveis com os quais ela não está envolvida
dentro de seu quarto de brincar/trabalhar.A criança permite que você a auxilie dentro das atividades interativas e
repetitivas escolhidas por ela. Então, ela deixa que você a ajude naquilo que está
fazendo. Também consente que a ajude verbalmente ou fisicamente.
Exemplos: A criança permite que você faça efeitos sonoros relativos ao que
ela está fazendo, permite que você segure o livro enquanto ela olha para ele, dê um
bloco de encaixe para ela, pegue algo da prateleira para ela, ajude-a a construir algo,
etc.
5.7 Variações periféricas:
A criança permite que você mude ou altere aspectos ‘sem importância’ da
atividade.
Exemplos: se a atividade interativa da criança for jogar cartas, e neste jogo ela
gostar de ver qual a próxima carta que vai aparecer (motivação essencial), ela deixaria
você, enquanto joga, usar um chapéu engraçado, cantar uma música sobre jogar
cartas, etc.?
Se a criança gostar de brincar com você de pega-pega no quarto, e que você
a pegue e faça cócegas nela, ela permitiria que você pulasse sobre uma torre de
blocos enquanto corre para pegá-la, etc.?
5.8 Variações centrais:
ABA e estratégias de intervenção
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A criança permite que você mude ou altere aspectos importantes da atividade.
Exemplos: Se a atividade interativa da criança for jogar cartas, e nesse jogo
ela gostar de ver qual a próxima carta que vai aparecer (motivação essencial), ela
deixaria você, enquanto joga, fazer a carta voar pelo quarto antes de ser virada, virar
duas cartas de uma vez, etc.?
Se a criança gostar que você leia para ela um livro, que pare em uma
determinada página e faça um som específico, ela deixaria você parar em uma página
diferente, ou prestar atenção em uma parte diferente de sua página favorita?
Flexibilidade dentro da atividade escolhida por ela:
A criança permite facilmente tanto variações periféricas quanto centrais na
atividade interativa.
Nota: qualquer criança, quando engajada em uma atividade, tem preferências
e desejos a respeito de como brincar na atividade. Não estamos procurando por 100%
de flexibilidade em todas as interações, mas sim uma capacidade geral de permitir
facilmente que um amigo ou membro da família faça alterações maiores e menores
na atividade.
5.9 Variações espontâneas:
A criança é capaz de ser espontânea dentro de uma atividade escolhida por ela
mesma ou por outra pessoa. (Toda vez em que você encontrar a palavra ‘espontâneo’
escrita no modelo, queremos nos referir a ideias ou mudanças não planejadas em
uma brincadeira.) A criança pode introduzir uma mudança em uma atividade já
conhecida, ou pode iniciar uma forma totalmente nova de brincar.
Exemplos: Se na brincadeira de cócegas com a criança, ela geralmente se
deita no chão e lhe dá o pé para que você faça cócegas, a ação espontânea da criança
poderia ser lhe dar a mão ao invés do pé.
ABA e estratégias de intervenção
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Se você normalmente finge comprar alimentos com a criança, a ação
espontânea dela poderia sugerir que vocês comprassem sapatos também ou apenas
sapatos.
5.10 Lidando com estímulos sensoriais:
Como a criança responde, sozinha ou de forma interativa, a ambientes que vão
desde aqueles que oferecem um alto grau de suporte (ex: quarto de brincar,
residência, etc.) até ambientes em que não há suporte e que as situações não são
estruturadas (ex: parquinho, shopping center, etc.).
Comunicação através de Choro/Birra/Choramingo
I. Frequência: em média, em uma hora ou um dia, quantas vezes a criança
chora, faz birra ou choraminga? Ao estimar a frequência destes comportamentos,
inclua observações tanto do lado de dentro como de fora do quarto de
brincar/trabalhar.
II. Duração: em média, quanto tempo dura cada episódio de choro, birra ou
choramingo? Ao estimar a duração destes comportamentos, inclua observações tanto
do lado de dentro como de fora do quarto de brincar/trabalhar.
III. Qualidade: existem tipos diferentes de choro, choramingo ou birra.
Esta seção tem como objetivo determinar a qualidade e intensidade de cada
um desses comportamentos. Ao se estimar a qualidade média destes
comportamentos, inclua observações tanto do lado de dentro como de fora do quarto
de brincar/trabalhar.
5.11 PANORAMA: estágios 1-5
Os Quatro Fundamentos da Socialização
1. Contato Visual & Comunicação Não-Verbal
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2. Comunicação Verbal
3. Período de Atenção Compartilhada/Interativa
4. Flexibilidade
5.12 PANORAMA: estágios 1-5 (continuação)
Período de Atenção Compartilhada/Interativa (atenção compartilhada/interativa
= inclusão de outra pessoa na atividade).
6. ANEXOS
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A tabela abaixo sobre Choro/Birra/Choramingo não segue os Estágios 1-5.
Utilize a tabela para acompanhar as comunicações da criança através de
choro, birra e choramingo com o objetivo de ajudá-la a progredir para a
comunicação verbal.
Frequência Mais que 4x/
hora
Menos
que
1x/hora
3-4x/dia Menos que 3x/dia
Comunica-se
verbalmente
e/ou com
gestos claros
e calmos.
Duração Mais que 1
Hora
10-30
min.
5-10 min. 1-5 min. Menos que
1 min.
Qualidade Grita; atira
objetos; bate a
cabeça;
bate em si
mesma e
nos outros;
etc.
Grita Chora Chora/
Choraminga
Choraminga
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Período de Atenção
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Período de Atenção Compartilhada/Interativa
Selecionar como Meta Em Desenvolvimento Adquirida
Apresenta período de atenção
compartilhada com duração
de 4 minutos ou mais
(Período de atenção
compartilhada termina quando a
criança
interrompe a interação e não
retorna após duas
solicitações consecutivas para
que continue na atividade
interativa.)
Frequência de interações por
hora: 4 vezes ou mais
(Aplica-se apenas se a criança
apresenta período de
atenção compartilhada com
duração de 9 minutos ou
menos. Veja no Estágio 4 se a
duração for maior que 9
minutos.)
Interage com uma
pessoa em atividades
simples que incluem
objetos
(Ex: jogos com bola,
atividades com bolhas de
sabão,
leitura de livros, boliche,
etc.)
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Permite contato físico e
demonstração física de
afeto
(Ex: permite carinhos,
cócegas, abraços,
massagem nos pés e
mãos, etc.)
Pode manter contato físico
por 30 segundos ou mais
(Ex: abraços, carinhos, mãos
dadas enquanto dança com a
pessoa, ombros tocam os
ombros da pessoa sentada
ao lado, etc.)
Flexibilidade
Para adquirir qualquer
habilidade relativa à
flexibilidade neste estágio, a
criança deve também
apresentar período de atenção
compartilhada no Estágio 2 ou
acima, tanto para “duração”
como “frequência”.
Permite variações
periféricas nas atividades
interativas rígidas/repetitivas
escolhidas por ela
(Enquanto interage, permite
mudanças ou alterações
relativas a aspectos pouco
importantes da atividade –
mudanças que não interferem
em seu principal foco de
interesse. Ex: ela permite que
você use um chapéu
engraçado durante um jogo de
boliche interativo e
repetitivo; permite que você
cante uma canção durante
uma atividade interativa e
repetitiva de desenhar no
papel, etc.)
Participar fisicamente da interação
(Ex: oferece a mão/pé para
massagem, vira as páginasdo livro, anda pelo quarto para
procurar pelo tesouro
escondido, dança, etc.)
Participar verbalmente da
interação
(Enquanto interage,
espontaneamente pede pelo
que quer ou informa o que não
quer, verbalmente oferece
ideias/contribuições à atividade,
etc.)
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Lida fácil e calmamente com
limites impostos dentro de
um ambiente com alto grau
de suporte
(ambiente acolhedor)
(Aceita limites sem chorar,
bater, etc. Ex: quando as
canetinhas são guardadas na
prateleira pois ela insiste em
desenhar nas paredes, etc.)
Perspectivas para Ensinar/Modelar
Selecionar
como Meta Em Desenvolvimento
Adquirida
Você pode se sentir feliz e se
divertir mesmo quando não
consegue o que quer
(Ex: a criança pode se sentir feliz
mesmo quando a
comida que ela quer não está
disponível; a estrutura que ela
estava construindo se
quebra e não tem conserto; a
pessoa que ela estava esperando
não pode vir visitar no
dia; etc.)
Você pode se divertir tentando,
e você pode tentar muitas
vezes
(A criança pode se divertir
enquanto faz tentativas para
alcançar um objetivo. Ex:
tentativas para montar uma
estrutura de lego, desenhar
uma figura específica, etc. E a
criança entende que há muitas
maneiras diferentes
para se alcançar um objetivo
desejado.)
ESTÁGIO 3
Contato Visual & Comunicação Não-Ver bal
Selecionar
como Meta Em desenvolvi m ento Adquirida
Utiliza contato visual para
chamar atenção
para objetos ou eventos
de seu interesse
(A criança olha para você,
em seguida olha para o
objeto/evento de interesse,
e então olha de volta
para você com o objetivo de
assegurar-se de que você
também viu o
objeto/evento.)
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Olha enquanto escuta
(Sustenta o contato visual
de forma apropriada à
atividade enquanto escuta o
que a outra pessoa
diz. Obs: levar em conta que
a participação em
uma conversa leva a um
nível maior de contato
visual do que aquele
geralmente apresentado em
uma atividade física. Ex: pega-
pega, etc.)
Imita algumas expressões
faciais simples e
exageradas
(Ex: olhos arregalados, cara
feliz, cara triste,
caretas divertidas, etc.)
Faz gestos simples
espontaneamente
(Ex: Aponta para uma figura no
livro de forma
interativa, bate palmas, faz
"tchau" com a mão, acena
“sim” e “não” com a cabeça,
etc.)
Comunicação Verbal
Selecionar
como Meta Em desenvolvimento
Adquirida
Utiliza contato visual para
chamar atenção
para objetos ou eventos
de seu interesse
(A criança olha para você,
em seguida olha para o
objeto/evento de interesse,
e então olha de volta
para você com o objetivo de
assegurar-se de que você
também viu o
objeto/evento.)
Olha enquanto escuta
(Sustenta o contato visual
de forma apropriada à
atividade enquanto escuta o
que a outra pessoa
diz. Obs: levar em conta que
a participação em
uma conversa leva a um
nível maior de contato
visual do que aquele
geralmente apresentado em
uma atividade física. Ex:
pega-pega, etc.)
Imita algumas expressões
faciais simples e
exageradas
(Ex: olhos arregalados, cara
feliz, cara triste,
caretas divertidas, etc.)
ABA e estratégias de intervenção
68
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Faz gestos simples
espontaneamente
(Ex: Aponta para uma figura
no livro de forma
interativa, bate palmas, faz
"tchau" com a mão, acena
“sim” e “não” com a
cabeça, etc.)
Comunicação Verbal
Selecionar
como Meta Em Desenvolvimento
Adquirida
Fala sentenças simples
que contêm substantivos
e verbos ou mais
(Ex: “Jogue a bola”,
“Empurre o carro no
escorregador”,
“O homem caiu no chão”,
“Guarde o gibi na
prateleira”, etc.)
Expressão clara e
compreensível do que ela
quer e não quer
(Ex: "Ponha a bola na
prateleira" ao invés de "Bola
lá")
Fala utilizando
substantivos, verbos,
adjetivos e
preposições, artigos,
conjunções ou mais
(Artigos: a, o, uma, um;
Conjunções: e, ou, que,
mas, etc.)
Tem conversas que
consistem em 2 ciclos ou
mais
Ex: Pai: "Você quer que eu
desenhe?" Criança: "Sim,
desenhe uma casa! [1 ciclo]
Pai: "Está bem! Eu vou
desenhar uma casa azul”
Criança:
“Eu vou desenhar as
árvores” [2 ciclos]
Clareza: as palavras e
sentenças utilizadas são
constantemente claras e
compreensíveis (A
linguagem da criança é
geralmente compreendida
por
quase todas as pessoas –
inclusive por pessoas que
não
conhecem a criança.)
Faz comentários simples
(Ex: “Está chovendo”, "O
vidro quebrou", "Que legal!",
etc.)
ABA e estratégias de intervenção
69
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Responde a perguntas
simples com "o que/qual",
“quem", e "onde" que
requerem informações
factuais
(Ex: "Qual é o nome da
pessoa?", "Quem está
segurando as flores?",
"Onde está o livro do
avião?", etc.)
Faz perguntas simples
com: "o que/qual",
“quem", e
"onde"
(Ex: "Qual é o seu nome?",
" Quem é esse?", "Onde
está
o papai?”, etc.)
Constrói
espontaneamente
sentenças originais
(Constrói sentenças
originais ao invés de
apenas repetir
as que lhe foram ensinadas
ou que ouviu em programas
de TV, DVDs, jogos de
computador, etc.)
Comunica-se de forma
verbal para compartilhar
uma
experiência
(Observa um objeto/evento
e compartilha seus
pensamentos para que a
outra pessoa também tenha
a experiência. Ex: “Olhe,
mamãe, são bolhas!", "
Escute a música", "O
Samuel chegou!", etc.)
Comunica-se
apropriadamente quando
ela quer
mudar ou parar uma
atividade
(Ex: "Acabou", “Terminei",
"Eu não quero mais jogar",
etc., ao invés de se afastar
sem comunicar.)
Pede permissão, quando
apropriado, antes de
executar uma ação
(Ex: quando pega comida
do armário, utiliza algo que
pertence a outra pessoa,
deixa o local, etc.)
Mantém uma distância
socialmente aceitável da
pessoa com quem ela está
conversando
Fala em um volume
socialmente aceitável
Fala com uma velocidade
socialmente aceitável
Período de Atenção Compartilhada/Interativa
ABA e estratégias de intervenção
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Selecionar
como Meta
Em Desenvolvimento Adquirida
Apresenta período de
atenção compartilhada
com
duração de 9 minutos ou
mais
(Período de atenção
compartilhada termina
quando a
criança interrompe a
interação e não retorna
após duas
solicitações consecutivas
para que continue na
atividade interativa.)
Frequência de interações
por hora: 5 vezes ou mais
(Aplica-se apenas se a
criança apresenta período
de atenção compartilhada
com duração de 9 minutos
ou
menos. Veja no Estágio 4
se
a duração for maior que 9
minutos.)
Interage em brincadeiras
simbólicas (que utilizam
imaginação)
(Utiliza acessórios/outros
objetos para representar os
verdadeiros
objetos/animais/pessoas.
Ex: um cubo pode ser um
carro, um cobertor
pode ser um tapete mágico,
etc.)
Pode juntar-se a uma
atividade que já está em
progresso
(Ex: quando dois adultos
estão jogando bola, ela
consegue se juntar ao jogo,
etc.)
Pede ajuda
(Ex: para abrir potes, para
pegar objetos em uma
prateleira fora de seu
alcance, para desenhar
figuras
detalhadas, etc.)
Pode manter contato físico
por 60 segundosou mais
(Ex: abraços, carinhos,
mãos dadas enquanto
dança com
a pessoa, ombros tocam os
ombros da pessoa sentada
ao lado, etc.)
ABA e estratégias de intervenção
71
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Inicia interação com
contato físico e
demonstração
física de afeto
(Ex: pede por ele
espontaneamente oferece
abraços,
cócegas, carinhos, etc.)
É capaz de ter simples
interações com colegas
(Ex:
pega-pega, jogos de cartas
ou de tabuleiros simples,
jogos de bola, breves
conversas, etc.)
Interage com dois adultos
no nível das habilidades
sociais do Estágio 3
(No quarto de brincar, a
criança é capaz de
apresentar as
habilidades sociais do
Estágio 3 com dois adultos.)
Flexibilidade
Para adquirir qualquer
habilidade relativa à
flexibilidade neste estágio, a
criança deve também
apresentar período de
atenção compartilhada no
Estágio 3 ou acima, tanto
para "duração" como
“frequência”.
Selecionar
como Meta Em Desenvolvimento
Adquirida
Permite variações centrais
nas atividades interativas
rígidas/repetitivas
escolhidas por ela
(Enquanto interage, permite
mudanças ou alterações
relativas a aspectos
importantes da atividade
rígida/repetitiva dela –
mudanças que interferem
em seu
principal foco de interesse.
Ex: quando conversando
sobre aviões e olhando para
fotos de aviões de forma
repetitiva, ela aceita a sua
sugestão para inventar e
desenhar um novo modelo
de avião.)
É espontânea dentro da
atividade escolhida por
ela,
pelo menos duas vezes
por atividade
(A criança inicia/sugere
novas ideias e direções
dentro da
atividade escolhida por ela.)
ABA e estratégias de intervenção
72
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Demonstra interesse pela
atividade dos outros
(A criança pergunta sobre ou
observa a atividade
escolhida pela outra pessoa
– podendo até participar da
atividade por alguns
momentos.)
Inicia brincadeiras e
atividades com outra
pessoa
(A criança sugere uma ati
vidade interativa e explica ao
outro
como funciona a
atividade/brincadeira.)
Espera a própria vez
durante uma atividade (Ex:
espera a vez durante jogos
de boliche, jogos de
tabuleiro, jogos de cartas,
atividades em que cada um
tem a sua vez para
escolher qual será a
próxima canção, etc.)
Compreende e age
apropriadamente em
relação ao conceito de
posse (“seu” e “meu”)
(A criança permite que você
tenha controle em relação
às
suas posses e pede
permissão antes de utilizá-
las, e vice-versa.)
Brincar de jogos e
atividades que têm regras
e
estruturas simples
(Ex: futebol, charadas, jogos
de tabuleiros fáceis
de se jogar, etc.)
Compartilha seus objetos
ou brinquedos
(A criança permite que você
utilize o brinquedo/objeto
dela durante um período da
atividade maior do que
apenas um turno ou uma
vez.)
Pode negociar ("fazer
acordos")
(Ex: “O que você acha de
jogarmos o seu jogo por 20
minutos e então jogaremos
o meu jogo?”, etc.)
Interage facilmente em um
ambiente com grau médio
de suporte
(A criança é capaz de
apresentar as habilidades
sociais
do Estágio 3 na sala de
casa, na cozinha, no
quintal, etc.)
Perspectivas para ensinar / Modelar
ABA e estratégias de intervenção
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Selecionar
como Meta
Em Desenvolvimento Adquirida
Você pode ser feliz
mesmo que não seja a
primeira
pessoa a jogar ou que não
ganhe o jogo
(A criança consegue se
divertir ao interagir com os
outros
mesmo quando ela não é a
primeira a jogar/fazer algo
na
atividade ou quando não
ganha o jogo, etc.)
É divertido esperar por
algo que você quer
(A criança consegue
esperar pacientemente e
diverte -se
enquanto nutre a
expectativa de vir a
conseguir o que
quer, ou a criança consegue
se envolver em uma outra
atividade enquanto espera
pelo que quer.)
Faz
declarações/comentários
que são claramente
relevantes ao assunto
da conversa
(A criança oferece
informações que são
facilmente compreendidas e
que se
relacionam ao contexto da
conversa.)
Tem conversas que
consistem em 3-5 ciclos
ou mais
Um exemplo de uma
conversa de 4 ciclos: P:
"Você quer brincar de
desenhar?"
C: "Sim, vamos
desenhar um ônibus!" [1
ciclo]
P: "Está bem. Eu vou
desenhar a estrada."
C: "Eu
vou desenhar o ônibus." [2
ciclos]
P: "Qual é a parte que
você mais gosta de
desenhar?" C: "Eu gosto
de desenhar as rodas." [3
ciclos]
P: "Por quê?"
C: "Porque elas são fáceis
de se desenhar!" [4 ciclos]
ABA e estratégias de intervenção
74
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Utiliza os pronomes
corretamente
(Depois que a criança tiver
desenvolvido as habilidades
de comunicação dos
Estágios 1 a 3, comece a
ensinar os pronomes: ele,
você, eu, mim, eles, nós,
etc.)
Espera a sua vez para
falar e ouve enquanto o
outro fala
É capaz de iniciar uma
conversa
Capaz de educadamente
conseguir a atenção de
outra pessoa quando a
mesma está ocupada
Período de Atenção Compartilhada / Inter ativa
Selecionar
como Meta Em Desenvolv imento Adquirida
Apresenta período de
atenção compartilhada
com duração de 20 minutos
ou mais
(Período de atenção
compartilhada termina
quando a criança
interrompe a
interação e não retorna
após duas solicitações
consecutivas para que
continue
na atividade interativa.)
Frequência de interações
por hora: até 5 vezes ou
mais
(Aplica-se apenas se a
criança apresenta período
de atenção compartilhada
com duração de 10 minutos
ou mais. Veja no Estágio 3 se
a duração for menor que
10 minutos.)
Apresenta período de
atenção compartilhada
com duração “típica”
dentro
de uma atividade
escolhida por ela
(A criança permanece em uma
atividade interativa por um
período de duração “típico” ao
invés de se envolver em várias
atividades consecutivas de
pequena
duração. Período de atenção
“típico”: aproximadamente 3 a
5 minutos
multiplicados pela idade da
criança.)
ABA e estratégias de intervenção
75
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Interage em atividades
que utilizam imaginação
para representar/encenar
papéis
(A criança finge ser um
cachorro, um avião, um
outro membro da família,
um
personagem de filme, etc.)
Geralmente educada e
respeitosa.
Consola outra pessoa
quando a pessoa está
machucada ou
aborrecida (Ex: traz para a
pessoa um copo de água
ou band -aid, pergunta
“Você está bem?” ou “Eu
posso ajudar?”, etc.)
Age fisicamente de forma
adequada
(Ex: abraça apenas
familiares e amigos, não
toca em pessoas estranhas,
etc.)
Interagir apropriadamente
com um colega
(Ex: e espera a vez,
compartilha objetos, negocia
tratos/acordos, aceita as
sugestões da outra criança
na atividade, diz “oi”/”tchau”,
etc.)
Flexibilidade
Para adquirir qualquer
habilidade relativa à
flexibilidade neste estágio, a
criança deve também
apresentar período de
atenção compartilhada no
Estágio 4 ou acima, tanto
para “duração”
como“frequência”.
Selecionar
como Meta Em Desenvolvimento Adquirida
Flexível dentro da
atividade escolhida por
ela
(Em uma atividade escolhida
por ela mesma, a
criança facilmente aceita as
sugestões contribuições da
outra pessoa. Ex: q
quando a outra pessoa
sugere um novo passo à
atividade,
altera a ordem dos eventos,
expande o tópico da
conversa, etc.)
ABA e estratégias de intervenção76
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Participa da atividade de
outra pessoa
(A criança participa de
maneira física e verbal de
atividades que você
inicia/sugere ao invés de
apenas observar a sua
atividade.)
Permite variações
periféricas dentro das
atividades sugeridas por
outra
pessoa
(A criança permite
mudanças ou alterações
relativas a aspectos pouco
importantes da atividade
escolhida por outra pessoa
– Mudanças que não
interferem no principal foco
de interesse que motiva a
criança a participar da
atividade. Ex: ela permite
que você use um chapéu
engraçado durante uma
brincadeira de pega pega,
permite que você cante
uma canção durante um
jogo de cartas, etc.)
É espontânea dentro da
atividade escolhida pelo
outro, pelo menos du as
vezes por atividade
(A criança inicia/sugere
novas ideias e direções
dentro da atividade
escolhida
pela outra pessoa.)
Divide tempo interativo
entre a sua atividade e a
atividade escolhida por
outra pessoa
(A criança interage em
atividades escolhidas por
outra pessoa por pelo
menos
40% do tempo interativo
total.)
Com ajuda, consegue
lidar com a exposição a
diferentes estímulos
sensoriais em ambientes
típicos e apropriados para
a idade dela
(Ex: contando com a ajuda
de uma pessoa através de
explicações, etc., a criança é
capaz de lidar
calmamente com ambientes
onde há muito barulho,
ambientes
que constantemente
mudam, fazem a transição
para outros ambientes, etc.)
Perspectivas para ensinar / Modelar
Selecionar
como Meta
Em
Desenvolvimento
Adquirida
ABA e estratégias de intervenção
77
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Em algumas ocasiões,
abdicar de uma
recompensa imediata por
uma
recompensa a longo prazo
pode ser útil
(Ex: não estourar todos os
balões naquele momento
para que ela possa fazê lo
junto com os amigos
quando eles chegarem; não
gastar todo o dinheiro da
mesada agora para que ela
possa juntar mais dinheiro e
comprar aquele item
mais caro que ela tanto
quer, etc.)
Tudo bem ser diferente de
outras pessoas
(Todos são diferentes –
tanto no formato, tamanho
do corpo e cor da pele,
como no jeito de falar,
andar, etc. A diferença faz
parte da vida, e nós
podemos celebrar essas
diferenças em nós
mesmos e nos outros.)
É prazeroso ajudar e ser
gentil com os outros. Nem
todos irão gostar de você,
e não há problemas nisso
(Algumas pessoas gostarão
de você, e outras não. Se
alguém decide não
gostar de você, isto não
significa que há algo errado
com você.)
Preparação para a Inclusão na Escola ou Trabalho
Selecionar
como Meta
Em
Desenvolvimento
Adquirida
Mantém 75% das
habilidades adquiridas no
Estágio 4 por
aproximadamente 1 hora
por dia, enquanto
encontra-se em um
ambiente
com alto grau de
estimulação
(Ex: encontro social, festa
de aniversário, etc.)
Interage com um colega,
no nível de habilidades do
Estágio 3 ou acima,
durante 20 minutos ou
mais por dia.
Participa de atividades em
pequenos grupos com
dois colegas.
Capaz de seguir o
planejamento (grade de
horários) de um dia
dentro do quarto de
brincar.
ABA e estratégias de intervenção
78
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(A criança facilmente faz a
transição para a nova
atividade na hora
determinada
pela grade de horários.)
Capaz de sentar-se à mesa
por determinados
períodos dentro do quarto
de brincar
(A criança senta-se à mesa
durante o período
necessário para completar a
atividade interativa.)
Escuta e segue instruções
dadas por uma
pessoa que não trabalha
em seu
Programa Son-Rise
(Ex: segue instruções na
aula de ballet, aula de
karatê, aula de artes, etc.)
Totalmente capacitada
para utilizar os vasos
sanitário e se comunica
apropriadamente para ir
ao banheiro (No quarto de
brincar e em qualquer
local da casa, sempre que
necessário, a criança
consegue comunicar que
deseja utilizar o banheiro.)
Lê e escreve em nível
apropriado para a série
escolar que está para
ingressar ou para o
trabalho/emprego (no caso
de um adulto)
(Informe-se sobre o nível de
habilidades de leitura e
escrita exigido para a
criança.)
Possui habilidades de
matemática em nível
apropriado para a série
escolar
que está para ingressar ou
para o
trabalho/emprego (no
caso de um adulto)
(Informe-se sobre o nível de
habilidades de matemática
exigido para a criança.)
ESTÁGIO 5
Contato Visual & Comunicação Não -Verbal
Olha para avaliar os
sinais sociais oferecidos
pela outra pessoa
(Utiliza contato visual para
assegurar-se de que o
outro mantém seu
interesse e atenção na
interação.)
ABA e estratégias de intervenção
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É capaz de alternar o
olhar entre duas ou mais
pessoas
(A criança consegue
acompanhar o fluxo da
interação do
grupo olhando para a
pessoa mais relevante em
cada
momento.)
Responde
adequadamente às
expressões faciais dos
outros
(Ex: demonstra uma
expressão de preocupação
quando
alguém aparenta estar
machucado; ri ou dá
gargalhadas
em resposta à gargalhada
de outros; etc.)
Compreende, utiliza e
responde a sinais sociais
básicos
Expressões faciais, tom
de voz, linguagem
corporal
(A criança compreende e
responde a estes sinais
sociais
físicos. Ex: se alguém leva
o dedo aos lábios indicando
"Silêncio, por favor”, a
criança compreende e
responde adequadamente;
se alguém aparenta estar
entediado e
não faz contato visual
enquanto a criança fala
com ele, a
criança compreende e
responde adequadamente;
etc.)
Referências sociais
(Ao se deparar com um
evento incomum, a criança
observa as expressões e
reações da outra pessoa
com o
objetivo de ajudá-la a
decidir que ações e
emoções são
adequadas no momento.)
ABA e estratégias de intervenção
80
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Atenção compartilhada
(A criança observa a
pessoa e segue a direção
do olhar
desta pessoa com o
objetivo de prestar atenção
ao
mesmo objeto ou evento
que a pessoa está
prestando atenção.)
Comunicação Verbal
Combina sentenças
complexas (3 ou mais
sentenças complexas
consecutivas)
(Ex: “Eu adoro nadar. Eu
fiz aulas de natação
durante 1 ano. Eu sei
nadar estilo peito e estilo
livre.
Também sei mergulhar
do trampolim e
permanecer embaixo
d’água
por bastante tempo. Mas
preciso usar óculos de
natação senão meus olhos
ficam vermelhos...”, etc.)
Utiliza fluentemente
todos os elementos do
discurso oral
(Ex: pronomes, verbos,
artigos, etc.)
(Comunica-se de forma
bem sucedida utilizando
corretamente e
com facilidade os
substantivos, verbos,
adjetivos, preposições,
artigos, etc.)
Faz comentários
reflexivos e faz
perguntas reflexivas
relevantes
Responde a perguntas
sobre seus sentimentos
e ações
(Ex: "Como você se sentiu
quando...?", "Por que você
gritou?", etc.)
ABA e estratégias de intervenção
81
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Pergunta aos outros o
que eles pensam e
como se
sentem
(Ex: “Por que você está
triste?”, "Você gosta do
desenho?", "Você
está feliz com a visita da
vovó?", etc.)
Toma a iniciativa de
expressar informação
emotiva para
compartilhar
experiências internas
(Ex: "Acabei de brincar de
um jogo divertido com a
Julia",
“Estou empolgado em
relação à festa de
amanhã”, “Estou chateada
porquê...”, etc.)
Inclui a opinião dela
dentro da conversa
(Expressa a opinião, ou
seja, os pensamentos
e sentimentos em relação
a algo, ao invés de apenas
oferecer
informaçõesfactuais.
Exemplo
de opinião: “Futebol é meu
esporte favorito!”,
etc.)
Tem conversas que
consistem em 6 ciclos ou
mais
(Veja exemplo em: Estágio
4/Comunicação Verbal/Tem
conversas que consistem
em 3-5 ciclos ou mais.)
Comunica-se através de
comentários, perguntas e
respostas relevantes ao
assunto da conversa
(Durante conversa, a
criança faz comentários,
oferece
respostas e faz perguntas
que são todas
relacionadas ao assunto
da conversa.)
A voz tem várias
entonações.
Inicia conversas
apropriadas ao contexto
social.
É capaz de finalizar uma
conversa de maneira
socialmente aceitável.
ABA e estratégias de intervenção
82
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Capaz de acompanhar e
acrescentar algo a uma
conversa entre duas
outras pessoas.
Tem noção de ritmo em
uma conversa com duas
ou
mais pessoas.
Entende humor.
Entende expressões
idiomáticas/figuras de
linguagem
(Ex: compreende
expressões como “Eu estou
com tanta
fome que poderia comer
um elefante!”, “Está
chovendo
canivetes”, etc.)
Expressa apreço pelos
outros
(Ex: "Isso foi muito
divertido. Obrigada por
brincar comigo hoje!”, “Eu
amo você!”, etc.)
Período de Atenção Compartilhada/Interativa
Apresenta período de
atenção compartilhada
com
duração apropriada para
a idade
(Período de atenção
“típico”: aproximadamente
3 a 5
minutos multiplicados pela
idade da criança.)
Permanece
continuamente interativa
(É capaz de interagir com
outra pessoa por todo o
tempo
em que permanecem
juntos.)
Interage em diversos
tipos de atividades
(É capaz de interagir em
diversos tipos de
atividades. Ex:
atividades físicas, a
atividades que
envolvem imaginação,
conversas, etc.)
ABA e estratégias de intervenção
83
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Interage apropriadamente
em
pequenos grupos com
dois ou mais colegas
(Como no Estágio 4,
"Interagir apropriadamente
com um
colega”, ela agora é capaz
de fazer o mesmo dentro
de
um grupo com dois ou mais
colegas.)
Apresenta período de
atenção compartilhada
com
duração “típica” dentro
de uma atividade
escolhida
por outra pessoa
(A criança permanece em
uma atividade interativa por
um
período de duração “típico”
ao invés de apresentar um
período de atenção
compartilhada com
duração “típica”
formado por várias
atividades consecutivas de
pequena duração.)
Flexibilidade
Para adquirir qualquer
habilidade relativa à
flexibilidade neste estágio,
a criança d
deve também apresentar
período
de atenção compartilhada
no Estágio 5 ou
acima, tanto para
“duração” como
“frequência”.
Selecionar
como Meta
Em
Desenvolvimento
Adquirida
Flexível dentro da
atividade escolhida por
outra
pessoa (Em uma
atividade escolhida
por outra pessoa,
a criança
facilmente aceita as
sugestões e contribuições
da outra
pessoa. Ex: quando a
outra pessoa sugere um
novo
passo à atividade, altera a
ordem dos eventos,
expande
o tópico da conversa, etc.)
ABA e estratégias de intervenção
84
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É flexível dentro de
diversos tipos de
atividades (A
criança aceita facilmente
variações periféricas e
centrais
em diversos tipos de
atividades, jogos e
conversas.)
É espontânea dentro de
diversos tipos de
atividades
(A criança inicia/sugere
novas ideias e direções
dentro de
diversos tipos de
atividades, jogos e
conversas.)
Lida fácil e calmamente
com quase todas as
transições para novos
ambientes e situações
não
estruturadas
(Ex: professores
substitutos, viagens de
férias, parquinhos
cheios de
pessoas, shopping centers,
etc.)
Perspectivas para Ensinar/Modelar
Selecionar
como Meta
Em Desenvolvimento
Adquirida
Todas as pessoas
apresentam áreas de
talentos e de
dificuldades. Não é ruim
encontrar algo difícil
para
você (e que é fácil para
outra pessoa). É apenas
mais
uma oportunidade para
aprender. Quando quiser
mudar algo em você,
você pode fazê-lo
com aceitação por
quem você é, e com
entusiasmo
pela mudança.
(Não é necessário julgar a
si mesmo para alcançar
mudanças, a auto
aceitação pode ajudar
você a mudar a
si mesmo com maior
facilidade.)
ABA e estratégias de intervenção
85
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É divertido dizer aos
outros o que você pensa
e sente,
e perguntar a elas o que
elas sentem e pensam.
(É divertido aprender mais
sobre os outros e deixar que
os outros aprendam mais
sobre você.)
Preparação para a Inclusão na Escola ou Trabalho
Selecionar
como Meta
Em
Desenvolvimento Adquirida
Mantém 75% das
habilidades adquiridas no
Estágio 4
por aproximadamente 2
horas por dia, enquanto
encontra-se na sala de
aula ou no ambiente de
trabalho.
Apresenta habilidades
sociais do Estágio 4 ou
acima,
por 20 minutos ou mais,
enquanto interage com
um
colega durante o horário
de
intervalo/almoço/recreio.
Comunica-se
apropriadamente quando
se encontra
na sala de aula ou
ambiente de trabalho
(ex: levanta a mão, fala com
o supervisor quando está
disponível, etc.)
Participa facilmente, com
2 a 4 colegas, de
atividades em grupo na
sala de aula ou ambiente
de trabalho
Capaz de seguir o
planejamento (grade de
horários)
do dia na escola ou
ambiente de trabalho
Capaz de sentar-se à mesa
ou ficar por determinados
períodos em uma
designada área de trabalho.
Escuta e segue instruções
de
professores/supervisores
(Escuta e faz o que o
professor/supervisor pede
que faça ou que pare de
fazer.)
ABA e estratégias de intervenção
86
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Comunica-se
apropriadamente para
utilizar o banheiro na
escola ou ambiente de
trabalho
(Ex: na escola, pede
permissão para sair da
classe; no ambiente de
trabalho, se
necessário, informa o
supervisor
ou o colega que se
ausentará por alguns
minutos para usar o
banheiro. Obs: Esta
habilidade também inclui
pedir para ir ao banheiro
quando sente necessidade
ao invés de “adiar” a ida ao
banheiro por muito tempo.
7. REFERÊNCIAS
Associação Amigo do Autista. Autism Treatment Center of America. Modelo de
Desenvolvimento do Programa Son-Rise. Entendendo a Importância do
Desenvolvimento Social e Criando um Currículo para o Crescimento Social de
sua Criança. 3ª edição, 2007.
FERREIRA, Patrícia Palmerino Terra. A Inclusão da Estrutura TEACCH na
Educação Básica. Frutal-MG: Prospectiva. 2016.
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