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Gestão Ambiental Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco Diretor Geral Gilmar de Oliveira Diretor de Ensino e Pós-graduação Daniel de Lima Diretor Administrativo Eduardo Santini Coordenador NEAD - Núcleo de Educação a Distância Jorge Van Dal Coordenador do Núcleo de Pesquisa Victor Biazon Secretário Acadêmico Tiago Pereira da Silva Projeto Gráfico e Editoração André Dudatt Revisão Textual Kauê Berto Web Designer Thiago Azenha UNIFATECIE Unidade 1 Rua Getúlio Vargas, 333, Centro, Paranavaí-PR (44) 3045 9898 UNIFATECIE Unidade 2 Rua Candido Berthier Fortes, 2177, Centro Paranavaí-PR (44) 3045 9898 UNIFATECIE Unidade 3 Rua Pernambuco, 1.169, Centro, Paranavaí-PR (44) 3045 9898 UNIFATECIE Unidade 4 BR-376 , km 102, Saída para Nova Londrina Paranavaí-PR (44) 3045 9898 www.fatecie.edu.br As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site ShutterStock FICHA CATALOGRÁFICA FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS DO NORTE DO PARANÁ. Núcleo de Educação a Distância; MATARUCO, Sônia Maria Crivelli. Gestão Ambiental. Sônia Maria Crivelli Mataruco. Paranavaí - PR.: Fatecie, 2020. 145 p. Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Zineide Pereira dos Santos. AUTOR Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco Lattes: CV: http://lattes.cnpq.br/0836891204233076 ● Mestre na área de Educação pela Unespar Campus de Paranavaí ● Graduação em Licenciatura em Matemática na Universidade Filadélfia de Londrina - Unifil; (2015) ● Graduação em Tecnologia em Gestão Ambiental pela Faculdade de Tecnologia e Ciências do Norte do Paraná - Fatecie (2009). ● Graduada em bacharelado Administração pela Faculdade Estadual de Educa- ção Ciências e Letras de Paranavaí (1992); ● Graduação em Licenciatura em Pedagogia pela Fatecie – Faculdade de Tecno- logia e Ciências do Norte do Paraná – (2020) ● Pós- graduada em Marketing e Gestão de pessoas pela Faculdade Estadual de Educação Ciências e Letras de Paranavaí; ● Pós- graduada em Psicopedagogia institucional pela Faculdade de Tecnologia e Ciências do Norte do Paraná - Fatecie; (2015) ● Pós- graduada em auditoria e certificação ambiental pela Faculdade de Tecno- logia e Ciências do Norte do Paraná - Fatecie; (2018) ● Pós- graduada em Saneamento Ambiental pela UENP – Universidade Estadual Norte do Paraná.(2019). Ampla experiência como gestora ambiental da Companhia de Saneamento do Paraná - Sanepar e professora universitária atuando nos seguintes temas: gerenciamento ambiental, recursos hídricos e hidrología, sustentabilidade ambiental, responsabilidade so- cioambiental, poluição e resíduos, gestão de águas, saneamento ambiental, agronegócio, gestão ambiental, Educação ambiental, gestão de negócios ambientais, fundamentos de marketing e administração de materiais e patrimônio, Tópicos especiais de Administração; Agroecologia e Gestão Ambiental e metodologia de pesquisa. APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Caro aluno (a) seja muito bem-vindo (a) a leitura do livro que utilizaremos na disci- plina Gestão Ambiental. Este livro foi carinhosamente planejado para que você possa ter conhecimento geral dos principais assuntos relacionados à gestão ambiental; a pressão da legislação; a norma ISO 14001 que se configura como uma ferramenta importante para implementação e avaliação de um Sistema de Gestão Ambiental; conceito do PDCA e Melhoria Contínua. Este conteúdo servirá de base para compreensão dos temas abordados, com o objetivo de levá-lo a ter consciência dos problemas ambientais e perceber que antes de qualquer ação, é preciso pensar na sustentabilidade para o futuro das gerações atuais e futuras. Para facilitar os estudos dividimos este material em quatro capítulos de acordo com os temas e suas relações entre si. A disciplina “Gestão Ambiental” apresenta assuntos ligados ao meio ambiente, e a necessidade de implantação de ferramentas gerenciais que conduzam a utilização dos recursos de forma sustentável. Desta forma no primeiro capítulo falaremos como ocorrem as inter-relações no ecossistema, a questão ambiental, conceitos fundamentais relativos ao meio ambiente, as Influências dos padrões de consumo e de produção sobre o meio; as consequências das agressões ambientais sobre a saúde pública; saneamento e desenvolvimento sustentável. No segundo capítulo, abordaremos a importância dos recursos ambientais e natu- rais, conceituando-os e classificando-os. Será tratado sobre a teoria dos recursos naturais exauríveis e renováveis. Demonstraremos a importância do levantamento dos aspectos e impactos ambientais, os procedimentos para uma avaliação e aplicação de metodologias de impactos ambientais. Os princípios do poluidor-pagador; a importância da análise de custo-benefício. Citaremos os métodos utilizados para valoração econômica ambiental e como se dá o controle da qualidade ambiental das águas; ar e solo e finalizaremos com os tópicos relacionados à certificados negociáveis de poluição e instrumentos de gestão e educação ambiental. No terceiro capítulo, abordaremos a tão falada sustentabilidade e sua relação com o desenvolvimento. Enfatizaremos a diferença entre desenvolvimento e crescimento, con- ceituando-os e mostrando o papel da sociedade, do governo e das empresas, na busca por um mundo mais sustentável em todas as suas dimensões: ambiental, social e econômico. Conceituaremos ecoeficiência e mostraremos a importância do estabelecimento de indica- dores que sejam capazes de mensurar o grau de sustentabilidade do processo produtivo. E dentro do quesito política ambiental, sua importância e os instrumentos que a compõem. As relações de comércio internacional, responsabilidade social corporativa, determinantes do investimento ambiental. Para encerrar trará a rotulagem ambiental, mostrando seus objeti- vos e princípios de mercado verdes; selo verde e finalizaremos com a legislação ambiental demonstrando os princípios gerais do direito ambiental e a constitucionalidade do direito ambiental. No quarto capítulo será o momento de abordarmos a gestão ambiental, trazendo conceitos e aspectos gerais, bem como as razões que levam as empresas a adotá-la como prática ambiental. Será abordado as normas ambientais NBR ISO 14000. O sistema de gestão ambiental (SGA); a importância de suas práticas em relação à gestão ambiental e os benefícios e as dificuldades ISO 14001. Será explanada a implantação do SGA, e as etapas necessárias para implantá-lo. Conceituaremos o licenciamento e os tipos de licenças ambientais e quais os procedimentos para obtenção de licença. Assim a partir dos estudos destas aulas que possamos ter subsídios para ser ges- tores capazes de cuidar do meio ambiente, utilizando mecanismos que permitam proteção ambiental assegurando a qualidade de vida das pessoas e principalmente a conservação dos recursos hídricos do solo e da biodiversidade, garantindo o desenvolvimento sustentá- vel e a melhoria das condições de vida da sociedade, entendendo que é da natureza que retiramos nossos alimentos e garantimos nossa sobrevivência. Mostrando que é possível desenvolver de forma sustentável. Bom estudo e que a partir dessa leitura você possa ser uma agente em defesa do meio ambiente. Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco SUMÁRIO UNIDADE I ...................................................................................................... 7 Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia UNIDADE II ................................................................................................... 34 Economia Ambiental, Controle da Qualidade UNIDADE III .................................................................................................. 62 Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável UNIDADE IV .................................................................................................. 96 Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão 7 Plano deEstudo: ● Os ecossistemas e a questão ambiental; ● Influência do padrão de consumo e de produção sobre o meio; ● Consequências das agressões ambientais sobre a saúde pública; ● Saneamento e desenvolvimento sustentável ● Ecologia humana - Conceitos fundamentais relativos ao meio ambiente ● Ecossistemas de áreas preservadas, rurais, urbanas, costeiras e seus problemas ambientais. Objetivos da Aprendizagem: ● Entender os ecossistemas e a questão ambiental; ● Conhecer as Influências do padrão de consumo e de produção sobre o meio; ● Saber a consequências das agressões ambientais sobre a saúde pública; ● Conhecer sobre saneamento e desenvolvimento sustentável ● Saber sobre ecologia humana - Conceitos fundamentais relativos ao meio ambiente; ● Conhecer os ecossistemas de áreas preservadas, rurais, urbanas, costeiras e seus problemas ambientais. UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco 8UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia INTRODUÇÃO Esta é a nossa primeira aula e trataremos de temas de grande relevância para a manutenção do equilíbrio ambiental. Assim abordaremos os ecossistemas ou sistemas ecológicos, a importância das relações entre o homem e meio ambiente, que quando em sintonia proporciona saúde a todos os seres vivos. A natureza nos traz sabedoria, e através dos seus exemplos ensina ao homem como deve proceder para estabelecer uma relação harmoniosa e saudável com o meio onde vive. É de entendimento de todos que o homem necessita da natureza, para extrair os recursos naturais para o desenvolvimento das suas atividades, entretanto na maioria das vezes utiliza-se de técnicas de manejo inadequadas, não preservando ou não promovendo meios para que haja reposição destes recursos de forma que possa suprir à atual e a futura geração. Diante dessa preocupação com o meio ambiente e com os impactos da ação do homem na natureza, os estudos elaborados têm apontado que as consequências das extinções prematuras de espécies, causadas pelo homem, incidem diretamente sobre seus habitats e também sobre a qualidade de vida das populações. Assim, o conhecimento das inter-relações entre os organismos existentes é fator primordial para a boa relação homem-natureza. Quando a sociedade analisa os problemas ambientais existentes, e busca conhecer a forma como os organismos se relacionam entre si, dá um grande passo que conduz ao desenvolvimento sustentável, pois os organismos da Terra não vivem isolados, interagem uns com os outros e com o meio ambiente. 9UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia 1. OS ECOSSISTEMAS E A QUESTÃO AMBIENTAL Preservar o meio ambiente é fundamental para manter a saúde do planeta e de todos os seres vivos que moram nele. Os seres humanos só conseguem sobreviver graças à natureza. Afinal, usamos os animais e plantas para nos alimentar, água para beber e tomar banho, e muitos outros recursos que nem sequer percebemos. (BEGON, 2007) O termo ecossistema foi proposto pela primeira vez pelo ecólogo inglês Sir Arthur G. Tansley em 1935 e podemos conceituá-lo como sendo a unidade funcional básica, com- posta pelos componentes bióticos e abióticos. (ODUM e BARRET, 2007, p. 18). Um ecossistema ou sistema ecológico possui dimensões variadas, sendo classi- ficado em terrestre ou aquático. O primeiro tipo diz respeito a todos os biomas da terra, enquanto o ecossistema aquático é formado pelos oceanos, mares, rios lagos, lagoas, ge- leiras e recursos hídricos subterrâneos. De modo geral, os ecossistemas aquáticos podem ser divididos entre marinho e de água doce. (BEGON, 2007) Os ecossistemas aquáticos são essenciais para a preservação da biodiversidade marinha e para a sobrevivência humana. Isso porque além das milhões de espécies de animais, vegetais e microrganismos que dependem dos ecossistemas marinhos para so- breviver é justamente deste ecossistema que retiramos um recurso indispensável para a vida humana: a “água”. (BEGON, 2007) O ecossistema terrestre pode ser constituído por uma floresta inteira, num espaço grande que se chama de “macro-ecossistema”, ou por uma planta a exemplo das bromélias, 10UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia ou seja, espaço pequeno chamado “micro-ecossistema”. Isso porque da mesma forma que um grande ecossistema possui todos os fenômenos e fatores que delimitam e definem o ambiente dos seres vivos, no pequeno ecossistema acontece o mesmo. (BEGON, 2007) Portanto, qualquer ambiente onde há a interação entre o meio físico (natureza solar, luminosidade, temperatura, pressão, água, umidade do ar, salinidade) e os seres vivos se constituem num ecossistema, seja ele terrestre ou aquático grande ou pequeno. Já a ecologia é a ciência que estuda as relações entre os seres vivos e os meios onde vivem. A palavra deriva do grego oikos, que significa lugar onde se vive, ou seja, meio ambiente. Desta forma, para melhor compreensão do mundo vivo, são usados os níveis de organização. A ecologia moderna usa como base de estudo os ecossistemas, mas estuda também os organismos. Segundo MAYR (1998) os Níveis de organização da vida em um ecossistema são: A continuidade é a interação de todos os ecossistemas da Terra formando a biosfera, que é na verdade um grande ecossistema; O sistema aberto é aquele que se mantém pelo fluxo contínuo de energia; A homeostase é o estado de equilíbrio dinâmico de todo ecossistema, pela sua autorregulação; Espécie: organismos com características genéticas semelhantes. Com isso, o cruzamento de indivíduos da mesma espécie geram descendentes férteis. Exemplos: caranguejos, ursos, pau-brasil, etc; População: termo que designa o conjunto de organismos da mesma espécie. Inicialmente usado para grupos humanos, depois ampliados para qualquer organismo. Exemplo: grupo de peixes-palhaço; Comunidade: conjunto das populações que vivem numa mesma região. Também chamado de «Comunidade Biológica», «Biocenose» ou «Biótopo». Exemplo: aves, insetos e plantas de uma região; Biocenose: são as diversas espécies que vivem em determinado local e interagem entre si; Biótopo: corresponde a uma parte do habitat. É uma área com condições ambientais específicas que permitem a vida de determinadas espécies. Exemplo: trecho de uma floresta ou de uma lagoa; 11UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia Ecossistema: conjunto de comunidades que interagem entre si e com o ambiente. Formado pela interação de biocenoses e biótopos. Exemplos: pode ser uma lagoa, uma floresta ou até um aquário; Bioma: reunião de ecossistemas com características próprias de diversidade biológica e condições ambientais. Exemplos: a Mata Atlântica, o Cerrado e a Amazônia são alguns dos biomas brasileiros; Biosfera: conjunto de todos os ecossistemas das diferentes regiões do planeta. É a reunião de toda a biodiversidade existente na Terra. Para Begon, (2007) na sucessão ecológica, há o processo de adaptação das espécies com o meio físico. O processo de sucessão pode levar anos para a comunidade se estabelecer e atingir o grau máximo de desenvolvimento chamado CLÍMAX, ou seja, este é o ponto máximo da sucessão, o estágio final Nesse contexto existem interações entre as comunidades bióticas que compõem um ecossistema são chamadas de “Interações Biológicas” ou “Relações Ecológicas” e determinam relações dos seres vivos entre si e o meio em que habitam para sobreviverem e se reproduzirem. (MAYR, 1998) Esta comunidade, formada por todos os indivíduos que fazem parte de um determinado ecossistema, possui diversas formas de interações entre os seres que a constituem, geralmente relacionadas à obtenção de alimento, abrigo, proteção, reprodução, etc. Para MAYR (1998) as relações ecológicas podem ser classificadas segundo o nível de interdependência: ● Intraespecíficas ou Homotípicas: para seres da mesma espécie. ● Interespecíficasou Heterotípicas: para seres de espécies diferentes. E segundo os benefícios ou prejuízos que apresentam: ● Relações Harmônicas: quando a resultada da associação entre as espécies é positiva, na qual um ou ambos são beneficiados sem o prejuízo de nenhum deles. ● Relações Desarmônicas: quando o resultado desta relação for negativo, ou seja, se houver prejuízos para uma ou ambas as espécies envolvidas. Ao deixar de observar essas relações podemos extinguir espécies ou deixá-las em vias de extinção, interfere-se na cadeia alimentar, afetando as predadoras daquelas, que passarão a ter dificuldades para arranjar alimentos, bem com as suas presas naturais, que terão desenvolvimento desenfreado. Isso constitui um ciclo vicioso de desequilíbrio https://www.todamateria.com.br/ecossistema/ https://www.todamateria.com.br/biosfera/ 12UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia ambiental que chegará às espécies da flora, que também sofrerão com o desequilíbrio, tanto de predadores naturais quanto de espécies polinizadoras. (MAYR, 1998) Preservar os animais, portanto, não é só uma questão ecológica e cultural. A inter- ferência da destruição e extinção prematura de espécies da fauna incide diretamente na vegetação e, por consequência, em todo o bioma, afetando também os rios e cursos d’água e a qualidade do ar, além das populações que estão economicamente ligadas à pesca, à caça ou ao extrativismo. Antunes (2002) Conhecer e compreender as inter-relações existentes entre os inúmeros seres vivos existentes na terra é fundamental para a sobrevivência e desenvolvimento da espécie humana. As relações ecológicas se particularizam pela forma de interação que os seres vivos mantêm entre si, sendo categorizadas de acordo com os benefícios e/ou prejuízos que trazem aos organismos. A espécie humana construiu desde sua origem, uma relação ímpar com a natureza para suprir suas necessidades. Essa convivência necessita ser harmoniosa e organizada. Antunes (2002) diz que a história tem demonstrado que o homem consegue, durante um período, viver isolado, mas não durante toda a sua existência, pois o homem é, por sua natureza, animal social e político, vivendo em multidão, ainda mais que todos os outros animais, o que se evidencia pela natural necessidade. Portanto, é na sociedade que o homem encontra condições favoráveis para o seu desenvolvimento. Os organismos estabelecem relações mútuas entre si e com o ambiente físico, baseado nas interações que ocorrem no mundo natural. O entendimento dos diferentes fenômenos que englobam essas relações e interações entre seres vivos (incluindo o homem) e os componentes abióticos é amplamente discutido à luz de teorias ecológicas. O ambiente é alterado, físico e químicamente, pela maneira como os indivíduos realizam suas atividades. Também as interações entre organismos, têm influência na vida de outros seres, da mesma espécie e de espécies diferentes. (BEGON, 2007, p. 223). Na natureza os seres vivos mantêm entre si vários tipos de interações ecológicas que podem ser consideradas como sendo harmônicas ou positivas e desarmônicas ou negativas. As interações harmônicas ou positivas são aquelas onde não há prejuízo para as espécies participantes e vantagem para, pelo menos, uma delas. As interações desarmônicas ou negativas são aquelas onde pelo menos uma das espécies participantes é prejudicada, podendo existir benefício para uma delas. 13UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia Com a exploração de determinado conjunto de recursos, cada espécie define o seu nicho ecológico, também entendido como o papel desempenhado por esta espécie no ecossistema. Se não existissem competidores, predadores e parasitas em seu ambiente, uma espécie seria capaz de viver sob maior amplitude de condições ambientais (seu nicho fun- damental) do que faria na presença de outras espécies que a afetam negativamente (seu nicho realizado). Por outro lado, a presença de espécies benéficas pode aumentar a gama de condições em que uma espécie consegue sobreviver. Dentro de cada um dos tipos de interações mencionados acima, ainda podemos classificá-las em interações intraespecíficas e interespecíficas, conforme ocorre entre indi- víduos da mesma espécie ou entre espécies diferentes respectivamente, conforme tabela abaixo que mostra os principais tipos de interações ecológicas possíveis de ocorrer entre organismos de duas espécies. Essas relações ecológicas são muito importantes, pois garantem a sobrevivência dos diferentes seres vivos e ajudam no combate da densidade populacional, de modo que favorecem o equilíbrio ecológico. Para Leripio (2001), ecossistema é o conjunto formado pelo meio ambiente, pelos seres que aí vivem e pela dependência recíproca. É a unidade fundamental da ecologia. São exemplos de ecossistemas: uma floresta, uma lagoa, uma campina, um aquário, etc. Quando não se consegue repor os recursos, ou quando sua reposição é menor que o consumo considera-se que este recurso é limitado. A abundância ou escassez influencia a distribuição das espécies e no desenvolvimento de uma sociedade. Por exemplo, uma pequena quantidade de água doce em um determinado ambiente poderá limitar o interesse de investimentos na área. QUADRO 01: RESUMO - PRINCIPAIS TIPOS DE INTERAÇÕES ECOLÓGICAS RELAÇÕES INTERAÇÕES HARMÔNICAS INTERAÇÕES DESARMÔNICAS Intra Específica Colônia (+) Sociedade (+) Competição. Principais tipos de intera- ções ecológicas entre os seres vivos (-) Inter Específica Mutualismo (+ +) Cooperação (+ +) Competição (- -) Parasitismo (+ -) Comensalismo (+0) Inquilismo (+0) Epifitismo (+ 0) Predatismo (+ -) Amensalismo (+ -) 14UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia Essa relação de escassez e/ou abundância nos leva a refletir sobre como se dá o equilíbrio ecológico que consiste na relação entre os organismos vivos entre si com o ecossistema, assegurando a sobrevivência das espécies, bem como a preservação dos recursos naturais. A sociedade que apresentar um ecossistema perturbado e não buscar um equilíbrio ecológico receberá cedo ou tarde resposta pelos seus atos, pois é importante ressaltar que a espécie humana não é só a que mais contribui para esse desequilíbrio, mas também, é a mais atingida pelas alterações ambientais. Vale lembrar que o ecossistema com sua capacidade de resiliência tende a reverter naturalmente um quadro de desequilíbrio, no entanto, nem sempre isso é possível, ou o tempo necessário para que o equilíbrio ecológico seja estabelecido novamente é muito grande, o que pode causar outras alterações ainda mais graves, pois para se garantir equilíbrio ambiental, basta proteger o ecossistema. Os ecossistemas são sistemas equilibrados e cada espécie viva tem o seu papel no funcionamento do ecossistema que pertence. Para Leripio (2001) a existência da cobertura vegetal e diversidade genética da flora local, depende diretamente da ação de alguns integrantes da Fauna Silvestre, tendo os insetos voadores e pássaros como maiores protagonistas dessas ações, pois com suas estratégias de obtenção de alimento em busca do néctar das flores, procede a polinização, carregando involuntariamente os grãos de pólen em seus corpos e permitindo que esses grãos fecundem flores de outras árvores da mesma espécie em áreas diferentes. O autor citado complementa que as aves e mamíferos frugívoros são considerados os “plantadores da mata”, pois se alimentam dos frutos nativos e procede a dispersão das sementes pelas fezes em todas as áreas de sua existência. O controle populacional é outra importante função dos animais silvestres na natureza, pois eles integram uma cadeia alimentar bem organizada, onde os consumidores primários dependem da flora em equilíbrio para sobreviverem pois são animais herbívoros e servem de alimento para os consumidores secundários (algumas espécies de serpentes, corujase mamíferos carnívoros de médio porte) que por sua vez são predados pelos consumidores terciários ou os chamados “animais topo de cadeia” representados pelas aves de rapina, répteis e mamíferos carnívoros de grande porte. (LERIPIO, 2001). 15UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia 2. INFLUÊNCIAS DO PADRÃO DE CONSUMO E DE PRODUÇÃO SOBRE O MEIO A relação entre consumismo e degradação ambiental, embora pareça naturalmente interdependente, carece de identificação e explicitação mais acentuada dos seus elementos de causa e efeito e os padrões de consumo atuais representam um problema por causa de dois traços aparentemente contraditórios – superconsumo (over-consumption) e subconsumo (underconsumption), onde o consumo mundial tem crescido dramaticamente. Em contradição ao mesmo tempo, milhões de pessoas não estão consumindo o suficiente para saciar suas necessidades básicas. As duas tendências geram enorme estresse ao meio ambiente global. (CAMARGO, 1992, p.11) Ainda o autor afirma que “quanto maior o poder aquisitivo da remuneração devida aos agentes econômicos, maior a possibilidade de consumir”. (CAMARGO, 1992, p. 11/12) Essa situação nos leva à reflexão sobre qual é o impacto dos padrões atuais de consumo e produção sobre o meio ambiente. A resposta é simples: eles estão esgotando os recursos não-renováveis, gerando poluição e resíduos que excedem a capacidade de suporte do planeta de absorver e convertê-los, e contribuindo para a deterioração de recursos renováveis tais como água, solo e florestas. Energia, água e matérias primas são requeridas para fazer os produtos que os consumidores demandam. Solo e ecossistemas são perturbados para extrair recursos e converter terra para uso produtivo. A produção, uso e eliminação de produtos contribuem com poluição e lixo para o meio ambiente. (CAMARGO, 1992, p.12) 16UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia Segundo o Ministério do Meio Ambiente, em 1998, no contexto global de consumo e produção sustentável, cita que o WWF desenvolveu um index de “Pressões do Consumo” tentando mensurar o fardo posto nos ecossistemas naturais pela atividade humana. O Index listou seis categorias de dados de 152 países para calcular a pressão do consumo por pessoa e por país. O index é uma ferramenta interessante para comparar os efeitos do consumo entre diferentes países. Os efeitos ambientais dos padrões atuais de produção e consumo não são nem localizados nem distribuídos eqüitativamente. Por exemplo, enquanto o desmatamento está concentrado em países em desenvolvimento, muito disso ocorreu para suprir a demanda de países desenvolvidos por madeira e papel. De maneira semelhante, é previsível que a mudança climática, que é em grande parte resultado do uso intensivo de combustível fóssil nas sociedades industriais, irá afetar adversamente países tais como Bangladesh e as nações das ilhas do Pacífico que nunca tiveram participação significante na (ou benefícios da) industrialização. (Ministério do Meio Ambiente, 1998, p. 3) Complementando, a Agenda 21 deixou bem claro que mudar os padrões de consu- mo e produção está no coração do desenvolvimento sustentável. Mudanças fundamentais e dramáticas são necessárias para fazer com que consu- mo e produção sejam sustentáveis. Será difícil (senão impossível) fazer essas mudanças abordando padrões de consumo e produção separadamente. Sua interconectividade, parti- cularmente quanto a produtos e serviços, exige uma estratégia de sistema. 17UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia 3. AS CONSEQUÊNCIAS DAS AGRESSÕES AMBIENTAIS SOBRE A SAÚDE PÚ- BLICA As preocupações com os problemas ambientais e sua vinculação com a saúde humana foram ampliadas no Brasil, inclusive, a partir da década de 1970. A Constituição Federal, de 1988, expressa essa preocupação em diversos de seus artigos: Em seu art. 196 define saúde como: direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação; O art. 225 diz: todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo, preservá-lo para as presentes e futuras gerações; E no art. 200, incisos II e VIII, fixam, como atribuição do Sistema Único de Saúde – SUS -, entre outras, a execução de ações de vi- gilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador e colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.( BRASIL, 1988. p.118, 120; 131.) Para Lima (2010) saúde ambiental são todos aqueles aspectos da saúde humana, incluindo a qualidade de vida, que estão determinados por fatores físicos, químicos, bio- lógicos, sociais e psicológicos no meio ambiente. Também se refere à teoria e prática de valorar, corrigir, controlar e evitar aqueles fatores do meio ambiente que, potencialmente, possam prejudicar a saúde de gerações atuais e futuras. A Saúde pode ser definida como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças ou enfermidades. Sendo assim, não basta 18UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia apenas estar sem nenhuma doença, é necessário estar bem consigo mesmo e com o corpo, sem sentir dores ou até mesmo tristeza. (Brasil-MS, 1999). Nessa intenção e na busca por melhoria de qualidade de vida, e na intenção de atender suas necessidades, o homem sempre estabeleceu uma relação de dominação com a natureza, e com o passar dos tempos, cada geração viveu em realidades sociais e culturais diferentes. No entanto, a descrição dos relatos de um passado distante pode favorecer o enriquecimento dos argumentos nas discussões e reflexões sobre a relação sociedade natureza no tempo e no espaço buscando impedir a devastação de toda forma de vida no planeta. Assim ocorreram vários prejuízos ambientais e socioeconômicos muito significati- vos como: ● Desequilíbrios climáticos com diminuição das chuvas devido à alteração das áreas de mata e do clima, causando grandes períodos de estiagem, e redução da umidade relativa do ar, pois com a remoção das folhagens há uma queda da regulação da temperatura ambiental, deixando-a mais alta e instável; ● Perda de biodiversidade da fauna e flora nativas e com isso, o equilíbrio ecoló- gico pode tornar-se ameaçado; ● Degradação de mananciais ao remover a proteção das nascentes e prejudicar a impermeabilização do solo em torno da água; ● O esgotamento dos solos com a intensificação de processos de erosão e de- sertificação. ● O crescimento das cidades sem planejamento urbano adequado também causa vários impactos ao meio ambiente e consequentemente à saúde das pessoas. Um dos principais é a retirada de áreas verdes para a construção de prédios, residências, fábricas e outros tipos de construção. Desta forma, com pouca área verde, há aumento da poluição atmosférica, deixando vulneráveis populações que residem, trabalham e/ou transitam em regiões metropolitanas, centros industriais, gerando desta forma o agravamento de doenças pré-existentes e/ou o aumento do número de casos de doenças respiratórias, oculares e cardiovasculares. etc. Sem contar as doenças transmissíveis, que estão diretamente relacionados com as condições de higiene e melhoria do ambiente físico (saneamento), a provisão de água e alimentos em boa qualidade e em quantidade, a provisão de cuidados médicos,. 19UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia Desta forma, relacionado à saúde, é ainda mais complicado estimar o custo dessas mudanças ocorridas no planeta. Complementando, segundo os objetivos do desenvolvimento sustentável – ODS no quesito Saúde e bem estar deve: «Assegurar uma vidasaudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades»: As metas da Agenda 2030 estão não apenas a redução da mortalidade neonatal, da obesidade e a erradicação de doenças como o HIV, a tuberculose e a malária, mas também a conscientização quanto ao uso de álcool e drogas e o esclarecimento cada vez maior em torno da saúde mental e da importância do bem-estar psicológico e físico (FORNO, 2017). Segundo OMS (2017) no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), os países estão trabalhando para alcançar uma série de metas que podem orientar as intervenções de higiene do ambiente em que vivem as crianças e, consequentemente, acabar com as mortes evitáveis de lactentes e crianças menores de cinco anos até 2030. Além da meta específica da saúde – ‘Garantir um estilo de vida saudável e promover o bem-estar de todos em todas as idades’ – a realização de outros objetivos – acesso à água potável, ao saneamento e à higiene; transição para o uso de energias não-poluentes, a fim de melhorar a salubridade do ar; e, por fim, reverter a mudança climática global – também trará efeitos positivos sobre a saúde infantil (FORNO, 2017). De acordo com dois novos relatórios da Organização Mundial de Saúde OMS (2012), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos são causadas pela poluição ambiental. Todos os anos, as condições ambientais insalubres, tais como a poluição do ar em ambientes fechados e ao ar livre, o fumo passivo, a água contaminada, a falta de saneamento e a higiene inadequada causam a morte a 1,7 milhões de crianças menores de cinco anos (FORNO, 2017). A OMS (2012) propôs algumas medidas para que todas as crianças vivam em entornos saudáveis como: A redução da poluição atmosférica dentro e fora das casas, acesso à água potável, saneamento e desinfecção (especialmente nas maternidades), proteção das mulheres grávidas contra o fumo passivo e medidas de higiene ambiental podem prevenir muitas mortes e doenças infantis. Para que isso ocorra, no entanto, é necessário trabalho conjunto de vários setores do governo, os quais podem trabalhar juntos para implementar as seguintes medidas: 20UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia ● Ambiente doméstico: uso de combustíveis não poluentes na cozinha e nos siste- mas de aquecimento. Eliminação de mofo e pragas, de materiais de construção que contenham contaminantes e tintas contendo chumbo. ● Escolas: garantir saneamento e a higiene, criando ambientes sem ruído exces- sivo e poluição, além de promover a boa nutrição. ● Centros de saúde: garantir o fornecimento de água potável, saneamento, higie- ne e alimentação e eletricidade sem cortes. ● Urbanismo: criação de mais áreas verdes e espaços seguros para pedestres e ciclistas. ● Transportes: reduzir as emissões e ampliar o transporte público. ● Agricultura: reduzir o uso de pesticidas perigosos e eliminar o trabalho infantil. ● Indústria: eliminação de resíduos perigosos e cortar o uso de substâncias quí- micas nocivas. ● Setor da saúde: acompanhar os resultados de saúde e educar as pessoas sobre os efeitos da saúde ambiental e a importância da prevenção. 21UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia 4. SANEAMENTO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Na antiguidade, as pessoas, por falta de conhecimento, não consideravam a qualidade da água um fator restritivo, para o desenvolvimento, embora os aspectos estéticos como aparência, sabor e odor, influenciassem na escolha das fontes de água que usariam (CAVINATTO, 1992). De acordo com Cavinatto (1992), no Brasil, a preocupação com saneamento estava amplamente relacionada ao surgimento e ao crescimento de cidades, que na maioria das vezes eram instaladas próximas aos rios, com objetivo de obter água para suas atividades diárias e ter facilidade para descartar seus dejetos, não havendo nenhuma prevenção ou tratamento para evitar a contaminação das águas. O autor supramencionado reforça que ainda na década de 50, no Brasil, os feitos que os lançamentos de dejetos indevidos poderiam causar na qualidade da água eram des- prezados, mas com o aumento da população agrupada em assentamentos, os problemas de contaminação das águas superficiais e subterrâneas acentuaram-se devido à grande quantidade de dejetos despejados diariamente nos rios. Segundo dados da OMS (2012), quase 400 mil pessoas no ano de 2011 foram internadas por diarreia no Brasil, e esse número representa uma grande parcela dos gastos em saúde pública no país. Sem contar o grande número de leitos hospitalares que são diariamente ocupados por pessoas com problemas relacionados à falta de saneamento bá- sico, vagas que poderiam estar disponíveis para pessoas com enfermidades mais graves. 22UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia A falta de sistemas de saneamento básico é sem dúvida, um problema de saúde pública, pois pode provocar doenças que são transmitidas por meio hídrico ou pelo contato direto com esgoto. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, relata que: O acesso à água e ao saneamento reforça algumas velhas lições do desen- volvimento humano. Em média, as taxas de cobertura em ambas as áreas crescem com o rendimento: uma maior riqueza tende a ser acompanhada por um melhor acesso à água e ao saneamento. […] As pessoas necessitam de água potável e de saneamento para manterem a sua Saúde e dignidade. […] O fornecimento de água potável, a eliminação de águas residuais e a oferta de saneamento são três dos alicerces mais básicos do progresso humano. […] Mais ainda do que a água, o saneamento ressente-se de uma combina- ção de fragmentação institucional, fraco planejamento nacional e baixo esta- tuto político. (PNUD, 2017, p. 25). A ausência de investimentos no setor, e o descaso do poder público acabam comprometendo todo o ecossistema e, consequentemente, a qualidade de vida da população, devida contato direto com esgotos lançados em locais impróprios. As ações de saneamento reduzem a ocorrência de doenças e evitam danos ao ambiente, especialmente aos solos e corpos hídricos (IBGE, 2011). Diante das condições gerais do saneamento ambiental no Brasil, é interessante destacar a necessidade de buscar a universalização dos serviços de saneamento básico e de melhorar a qualidade dos mesmos, de modo a proporcionar saúde e o bem-estar da população, e tornar o meio ambiente mais saudável. No Brasil, o acesso universal aos serviços de água e esgoto está amparado de forma implícita e explícita em várias legislações, inclusive de áreas afins, como recursos hídricos, ambiente, saúde pública, defesa do consumidor e desenvolvimento urbano. Mostrando que o acesso aos serviços de saneamento básico é condição necessária à dignidade do ser humano e, particularmente, à sua sobrevivência. A participação do indivíduo na atividade econômica e social depende de uma vida saudável, para tanto é fundamental o acesso ao saneamento básico, assim como à mora- dia, à saúde e à educação (PNUD, 2017). É importante ressaltar que, segundo o Atlas do saneamento (IBGE 2011, p. 1, capítulo 3), o saneamento abrange aspectos que vão além do saneamento básico como: Abastecimento de água potável, a coleta, o tratamento e a disposição final dos esgotos e dos resíduos sólidos e gasosos, os demais serviços de limpeza urbana, a drenagem urbana, compreende o controle ambiental de vetores e reservatórios de doenças, a disciplina da ocupação e de uso da terra e obras especializadas para proteção e melhoria das condições de vida. As consequências da contaminação do meio ambiente podem se manifestar pontualmente ou a longo prazo, podendo não somente atingir a população local, tendo 23UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia em vista que a natureza não estabelece limites políticos, tampouco geográficos. Por isso, as pessoas precisam se conscientizar da problemática do setor de saneamento básico e, principalmente,conhecer os malefícios que sua falta pode ocasionar à saúde. A solução exige investimento maciço de recursos com objetivo de ampliar o acesso universal aos serviços de fornecimento de água e saneamento, além de acordos efetivos entre países para a cooperação no uso da água. Há também a necessidade de mudança nos padrões de produção e consumo, para evitar o desperdício de água nas esferas doméstica, industrial e agropecuária. “O saneamento é uma meta coletiva diante da importância da vida humana e da proteção ambiental, sendo dever do Estado sua promoção, constituindo-se um direito social integrante de políticas públicas e sociais” (BORJA, 2004, p. 83). Mesmo sendo um país privilegiado com a grande quantidade de recursos hídricos, o Brasil apresenta sérios problemas de abastecimento de água, devido ao crescimento acelerado da população e o progresso tecnológico que conduziram à alteração dos hábitos diários, aumentando, assim, o consumo médio diário por habitante, além da carência de saneamento na maioria das cidades brasileiras. Conforme demonstrado na figura 05, a meta estabelecida no Plano Nacional de Saneamento Básico (2013) para o ano de 2033 é atingir um atendimento a 99% da população com água tratada e 93% com coleta e tratamento de esgoto. Segundo dados da ONU (2010) a população mundial cresce aceleradamente, em 1950, éramos 2,5 bilhões de pessoas e, em 2011, sete bilhões e a estimativa é que passaremos de 8,3 bilhões em 2030 a 9,3 bilhões em 2050. A quantidade de água utilizada para satisfazer essa população e o processo de produção não é mais a mesma, infelizmente se perdeu a qualidade da água por uma série de fatores como a falta de saneamento básico e o descaso com a proteção dos mananciais de abastecimento público. GRÁFICO 01: PRINCIPAIS METAS PARA SANEAMENTO BÁSICO NO BRASIL Fonte: Plano Nacional de Saneamento Básico – Plansab 2013. 24UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia De acordo com as estimativas de órgãos como o Instituto Trata Brasil1, isso demanda um investimento de pelo menos 15 bilhões de reais por ano, enquanto o Estado vem investindo, em média, nove bilhões de reais. O aumento do consumo da água potável e dos recursos naturais cresce de forma mais rápida do que o crescimento populacional, isso nos mostra que se continuarmos agindo dessa forma, não teremos condições de atender às necessidades das futuras gerações, e não chegaremos a atingir a sustentabilidade tão almejada. Partindo dos problemas levantados, uma provável solução para a preservação dessas águas é o investimento em saneamento, principalmente no tratamento do esgoto sanitário. Para tanto, é necessário, além de se ter dispositivos (redes) para coletar os dejetos, dar destinação adequada, direcionando-os para estações de tratamento de esgoto e, posteriormente, devolver o efluente tratado em condições adequadas no rio. Isso somente é possível se houver monitoramento nas Estações de Tratamento de Esgoto. Importante ressaltar que o tratamento dos esgotos reflete diretamente na qualidade da água e a falta do saneamento ambiental reflete em nível de saúde da população, sendo um dos itens que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH de um país, e é interligada à educação, pois crianças com melhores condições de saúde aprendem melhor. Daí advém, então, a necessidade de almejar soluções criativas para desenvolver uma relação harmônica do homem com a natureza, o que implica na melhoria de qualidade de vida para todos. Sabe-se que o esgoto reflete na qualidade da água. Para adequar a água de diferentes mananciais aos padrões de qualidade definidos pelos órgãos de saúde e agências reguladoras, é necessário o emprego de sofisticadas tecnologias, diferentes operações e processos unitários para tratá-la e atender às exigências do Ministério da Saúde, que é o órgão responsável por definir quais as características adequadas para que a água possa ser consumida pelos seres humanos sem causar danos à saúde. O capítulo 18 da “Agenda 21” analisa que as atividades econômicas e sociais dependem muito do suprimento e da qualidade da água, sendo importante definir métodos que possibilitem assegurar uma oferta de água na quantidade e qualidade adequada. Devem ser satisfeitas as necessidades hídricas para que o país alcance um desenvolvimento sustentável, e, ao mesmo tempo, devem ser preservadas as funções hidrológicas, biológicas e químicas dos ecossistemas, adaptando as atividades humanas aos limites da capacidade de absorção de seus impactos pela natureza. 1 Instituto Trata Brasil é uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, formado por empresas com interesse nos avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos do país. Atua desde 2007 trabalhando para que o cidadão seja informado e reivindique a universalização do serviço mais básico, essencial para qualquer nação: o saneamento básico. Disponível em < http://www.tratabrasil. org.br/quem-somos>. Acesso em 31 de julho de 2020. 25UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia 5. ECOLOGIA HUMANA - CONCEITOS FUNDAMENTAIS RELATIVOS AO MEIO AMBIENTE A terminologia “ambiente” pode nos remeter a uma variedade de sentidos, contex- tos e significados. Ouvimos dizer ou dizemos que nosso ambiente de trabalho é tranquilo, que o ambiente familiar é aconchegante ou que o ambiente entre amigos é descontraído. Em todos esses casos trata-se, pela regra gramatical portuguesa, de um ambiente subs- tantivado. Podemos também falar de temperatura ambiente, luz ambiente e até mesmo cor ambiente, manifestando a ideia de ambiente como adjetivo, que expressa alguma qualidade. Por sua vez, uma peça teatral, um filme ou um fato são ambientados, ou seja, ocorrem em determinado local, em determinado momento e em dada circunstância (COIMBRA, 2002). Embora as situações envolvem somente o contexto humano, poderíamos transpor tais situações para qualquer grupo taxonômico, uma vez que os seres vivos localizam-se em determinado local e sofrem influências favoráveis ou não favoráveis das circunstâncias físicas e biológicas que os cercam. Nesse sentido, os organismos encontram-se imersos em um meio, seja ele físico (geográfico) ou circunstancial. Além da pluralidade conceitual a que estamos sujeitos ao abordarmos o vocábulo “ambiente”, há a utilização de outras expressões que, aparentemente, possuem significados semelhantes: “meio” e “meio am- biente”. Defini-las e distingui-las, evidenciando suas interfaces, anunciou-se um empreendi- mento necessário e instigante. Necessário porque fundamental à compreensão da proble- mática investigada – diferentes modelos representativos. Instigante, por se tratar de uma 26UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia discussão pioneira das ambiguidades dessas expressões e suas implicações técnicas e ideológicas que permeiam a Ecologia e a Educação Ambiental. No contexto da Ecologia encontramos a palavra ambiente referindo-se aos “ar- redores de um organismo, incluindo as plantas, os animais e os micróbios com os quais interage” (COIMBRA, 2002 p.480), ou ao “conjunto de influências externas exercidas sobre os organismos representadas por fatores (abióticos e bióticos) e fenômenos” (BEGON; TOWNSEND; HARPER, 2007, prefácio, IX). De acordo com Krebs (2009), o environment incluiria todos os fatores bióticos e abióticos que afetam um organismo individualmente em algum estágio de seu ciclo de vida. Nesse sentido o desenvolvimento de uma sociedade estaria relacionado a esses dois conjuntos de forças inversamente proporcionais (ambiente físico e ambiente social). Na medida em que o homem desenvolveu habilidades e instrumentos de domínio sobre o mundo natural (fogo, agricultura, domesticação de animais), devido a mudanças na or- ganização social, mais independente tornou-se e menos influência do meio físico passou a receber. Ao mesmo tempo em que passou amoldar o seu próprio ambiente e menos dependente tornou-se do ambiente físico, passou a sofrer maior influência do meio social (ibid.). A ação humana sobre o ambiente se diferencia das ações dos demais seres por ser socialmente determinada. No entanto, não podemos esquecer que se as necessidades humanas são culturalmente determinadas, a possibilidade de satisfazê-las é limitada ecolo- gicamente, ou seja, depende dos recursos/elementos naturais (LAGO; PÁDUA, 1984) 27UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia 6. ECOSSISTEMAS DE ÁREAS PRESERVADAS, RURAIS, URBANAS, COSTEIRAS E SEUS PROBLEMAS AMBIENTAIS. A zona costeira brasileira corresponde ao espaço geográfico de intera- ção do ar, do mar e da terra, incluindo seus recursos renováveis e não-renová- veis, abrangendo uma faixa marítima e uma faixa terrestre (Lei nº 7.661/1988) e integra o patrimônio nacional, de acordo com a Constituição Federal de 1988. É notória a importância da região litorânea do Brasil, tendo em vista sua extensão territorial, que compreende uma faixa de 8.698 km de extensão, 17 estados e cerca de 400 municípios, além de sua alta densidade populacional, cinco vezes superior à média nacional ( IBGE, 2010). Neste ambiente, portanto, a paisagem é regulada por dinâmicas peculiares e pela interrelação entre o meio físico-biológico e o socioeconômico (CABRAL 2015). Além disso, inúmeras são as pressões socioeconômicas na zona costeira, podendo-se destacar o acelerado e desordenado processo de urbanização acarretando a intensa de- gradação dos recursos naturais, colocando em xeque a sustentabilidade socioeconômica e a qualidade ambiental das populações (GRANZIERA, 2009). Sobre isso, Granziera (2009, p. 457) afirma: O planejamento de um espaço tão disputado para as atividades econômicas e para a instalação de cidades, com valores ambientais tão importantes, en- frenta naturalmente uma situação de conflito. Talvez a zona costeira seja uma das regiões brasileiras em que o princípio do desenvolvimento sustentável encontre maiores dificuldades em ser aplicado (GRANZIERA, 2009, p. 457). 28UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia Fernandes (2008, p. 303) também aponta outros fatores como causas da degra- dação ambiental costeira como, por exemplo, “a especulação imobiliária, loteamentos irregulares, turismo predatório, assentamentos clandestinos, entre outros”. É por esta região, inclusive, que as riquezas brasileiras são escoadas, através de estradas e portos, bem como muitas atividades econômicas são desenvolvidas, destacando-se a atividade pesqueira, a extração de petróleo e gás, polos petroquímicos e usinas nucleares – Angra 1 e 2 (GRANZIERA, 2009). Assim, a pressão antrópica produz inúmeros impactos ambientais extremamente significativos nas áreas costeiras, trazendo sérios problemas, muitas vezes superiores à capacidade do limiar de resiliência dos sistemas naturais e destruindo várias funções ambientais de diversas unidades de paisagem (GRANZIERA, 2009). Além da pressão antrópica, a zona costeira é bastante suscetível aos impactos das alterações climáticas, logo, os riscos nas zonas costeiras, muitas vezes, podem tornar-se catástrofes (GRANZIERA, 2009). Outro fator trata-se do licenciamento ambiental, e Cabral (2015) ressalta a dificul- dade para a determinação da competência para o licenciamento na zona costeira, tendo em vista que a região apresenta aspectos físicos e econômicos interligados. Segundo Asmus, Kitzmann, Laydner, Tagliani (2006), o gerenciamento costeiro integrado prevê ações em seis áreas prioritárias, a saber: Planejamento (planejar usos e ocupação das áreas costeiras e oceânicas), proteção ambiental (proteção da base ecológica, preservação da biodiversi- dade e garantia do uso sustentável das áreas costeiras), promoção do de- senvolvimento econômico (através do uso projetado em áreas costeiras, ad- jacentes e oceânicas), resolução de conflitos (equilíbrio e harmonização dos usos presentes e futuros), segurança pública (garantir a segurança frente a eventos naturais e antrópicos), e, gerenciamento de áreas públicas (garantir o correto uso de recursos comuns). (Asmus et al., 2006, p.02). De acordo com o MMA (2008), além dos planos e políticas diretamente ligadas à esta temática existem outros instrumentos que devem ser desenvolvidos em consonância para a gestão das áreas costeiras, como a Política de Recursos Hídricos, Resíduos Sólidos, Saneamento, a legislação sobre Patrimônio da União e o Estatuto da Cidades, além das ações relacionadas a áreas protegidas, pesca, exploração de recursos naturais, turismo, navegação e defesa nacional, entre outras. Dessa forma, o crescente interesse em discussões sobre as questões costeiras impulsionada pela necessidade de atendimento aos critérios estabelecidos pelo Plano Na- cional de Gerenciamento Costeiro, por parte dos estados e municípios, justifica a presente pesquisa. Torna-se imprescindível, portanto, compreender em que estágio o Estado do Rio Grande do Norte se encontra em relação ao desenvolvimento, implantação e estruturação de sua governança para a gestão costeira. Isto posto, o objetivo deste estudo é realizar um diagnóstico da situação do processo de gestão integrada no Estado do Rio Grande do Norte e no município de Areia Branca, analisando estrutura normativa, políticas públicas, ações desenvolvidas, entre outras variáveis. 29UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia SAIBA MAIS A garantia do acesso universal e de qualidade ao saneamento básico no Brasil ainda é um grande desafio. Como outros serviços públicos essenciais, os déficits denunciam o atraso do País na garantia de direitos básicos como acesso à água e ao destino seguro dos dejetos e resíduos sólidos. A exclusão e a desigualdade e a baixa qualidade dos serviços é o produto de um modelo de desenvolvimento vinculado ao modo de produção capitalista e, como tal, promotor de contradições, antagonismo e iniquidades. Fonte: Borja, P. C. Política pública de saneamento básico: uma análise da recente experiência brasileira. Revista Saúde e Sociedade . 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104- 12902014000200007. https://www.scielosp.org/article/sausoc/2014.v23n2/432-447/ Adaptado. Acesso 31 jul.2020. REFLITA O jornal “A Folha de S. Paulo” noticiou em outubro de 2004, que as enormes quantida- des de substâncias químicas encontradas no ar, na água, nos alimentos e nos produtos utilizados rotineiramente estão diretamente relacionadas com uma maior incidência de câncer, de distúrbios neurocomportamentais, de depressão e de perda de memória. Tal reportagem também divulgou dados do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, apontan- do que dois terços dos casos de câncer daquele país tem causas ambientais. O referido artigo ainda menciona uma pesquisa feita com cinquenta controladores de trânsito da cidade de S. Paulo (conhecidos como “marronzinhos”), não fumantes e sem doenças prévias. A conclusão foi que todos apresentavam elevação da pressão arterial e varia- ção da frequência cardíaca nos dias de maior poluição atmosférica. Além disso, 33% deles possuíam condições típicas de fumantes, como redução da capacidade pulmonar e inflamação frequente dos brônquios. Diante do fato reflita somos o que comemos? O atual modelo de desenvolvimento preza pela saúde e melhoria de qualidade de vida das pessoas? Fonte: CUNHA, Paulo Roberto. A relação entre meio ambiente e saúde e a importância dos princípios da prevenção e da precaução. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 10, n. 633, 2 abr. 2005. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/6484. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/6484/a-relacao- entre-meio-ambiente-e-saude-e-a-importancia-dos-principios-da-prevencao-e-da-precaucao.Acesso em: 31 jul. 2020. https://www.scielosp.org/article/sausoc/2014.v23n2/432-447/ https://doi.org/10.1590/S0104-12902014000200007 https://doi.org/10.1590/S0104-12902014000200007https://www.scielosp.org/article/sausoc/2014.v23n2/432-447/ https://jus.com.br/artigos/6484/a-relacao-entre-meio-ambiente-e-saude-e-a-importancia-dos-principios-da-prevencao-e-da-precaucao https://jus.com.br/artigos/6484/a-relacao-entre-meio-ambiente-e-saude-e-a-importancia-dos-principios-da-prevencao-e-da-precaucao 30UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia CONSIDERAÇÕES FINAIS Os problemas ambientais desencadeiam uma série de questionamentos sobre suas causas e consequências. Essas causas e consequências afetam a relação entre os homens e deles com a natureza. O ser humano deve observar os exemplos da natureza e ter a consciência de que a biosfera tem limites e que estes devem ser respeitados. Sendo necessário repensar práticas, costumes e padrões de consumo e tecnologias empregadas, pois com os paradigmas atuais, não haverá planeta suficiente para manter a sociedade com a inclusão que ainda precisa ser feita. Desta maneira, diante da intensa degradação da natureza, medidas urgentes devem ser tomadas por todos a benefício do homem e do próprio meio ambiente a fim de minimizar os impactos negativos que tem levado os recursos naturais e a escassez em nome da melhoria da qualidade de vida. Estamos cada vez mais questionando o atual modelo de desenvolvimento, por isso entendemos a necessidade de termos um olhar para o passado, compreender a natureza e aplicar este conhecimento a benefício do homem e da própria natureza. O desenvolvimento sustentável não é um estado permanente de equilíbrio, mas sim de mudanças quanto ao acesso aos recursos e quanto à distribuição de custos e benefícios, controlar e destinar de forma inadequadas os resíduos sólidos podem causar inúmeras consequências negativas à economia ao setor social e ambiental. Efeitos como emissão de gases de efeito estufa, degradação e contaminação do solo, poluição da água, proliferação de vetores de importância sanitária, como é o caso do Aedes aegypti (vetor da dengue), potencialização dos efeitos de enchentes nos centros urbanos, entre outros. E nesse sentido o recurso água será altamente atingido e consequentemente as pessoas e ainda devemos considerar que é responsabilidade de todos buscar um mundo melhor. Segundo Lerípio (2001, p. 2), a relação meio ambiente e desenvolvimento deve deixar de ser conflitante para tornar-se uma relação de parceria. O ponto chave da questão passa a ser a necessidade de uma convivência pacífica entre a boa qualidade do meio ambiente e o desenvolvimento econômico. 31UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia LEITURA COMPLEMENTAR Artigo: Rivlin, L. G.. Olhando o passado e o futuro: revendo pressupostos sobre as inter- -relações pessoa-ambiente. Estud. psicol. (Natal). Vol.8 nº2. Natal. 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-294X2003000200003&script=s- ci_arttext. Acesso em: 31 jul. 2020. RESUMO Este artigo examina alguns dos pressupostos que guiaram os primeiros trabalhos em Psicologia Ambiental e os revisa à luz de perspectivas contemporâneas. Muitos desses pressupostos continuam a ter relevância, mas são necessárias algumas modificações e acréscimos para dar conta do desenvolvimento em ideias e pesquisa ao longo dos anos. É preciso: ir além da pesquisa multidisciplinar, engajando-se no pensamento interdisciplinar e pesquisa em colaboração com pessoas de outras disciplinas; ampliar a atenção com as questões éticas; examinar o papel da tecnologia na vida das pessoas; e reconhecer a na- tureza holística das transações pessoa-ambiente levando em consideração a diversidade criada por idade, gênero, nível de capacidade/incapacidade, cultura e economia. Artigo: Danilo, S. K. , Kawasaki, C., Carvalho, L. M. de. O conceito de “ecossistema” em teses e dissertações em educação ambiental no Brasil: construção de significados e sentidos. VIII EPEA - Encontro Pesquisa em Educação Ambiental. Rio de Janeiro. 2015. RESUMO: O presente trabalho constitui parte de uma tese, concluída em 2014, e que teve como objetivo investigar o conceito de “ecossistema” presente em teses e disser- tações do campo da Educação Ambiental (EA), no período de 1980 a 2009 no Brasil. Além da caracterização dos aspectos da pesquisa em EA, analisa os significados e sentidos construídos e associados ao conceito de ecossistema nas referidas pesquisas. Este artigo foca na relação entre os núcleos de significação resultantes desta construção, e suas re- lações com o ensino de Ecologia e a EA. Os procedimentos metodológicos são descritos e estão fundamentados na perspectiva da análise dialógica do discurso e inseridos no https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-294X2003000200003&script=sci_arttext https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-294X2003000200003&script=sci_arttext 32UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia contexto da pesquisa qualitativa em educação. A apresentação dos núcleos de significação construídos possibilitou a emergência de sentidos contraditórios e que são compreendidos a partir do conceito de ecossistema, mesmo que estes não sejam enunciados diretamente. Fonte: Disponível em: http://epea.tmp.br/epea2015_anais/pdfs/plenary/29.pdf. Acesso 31 jul. 2020. Artigo: Efeito de vespas não-polinizadoras sobre o mutualismo Ficus – vespas de figos RESUMO: Relações ecológicas interespecíficas, que resultam em benefício para todos os organismos participantes, são conhecidas como mutualismo. No entanto, tal cooperação abre espaço para o surgimento de estratégias oportunistas (ou de trapaça), representadas por indivíduos parasitas do mutualismo, que recebem o benefício de um dos parceiros sem oferecer nada em troca. A interação figueiras – vespas - de - figo é um sistema adequado para o estudo do mutualismo e de estratégias oportunistas (pa- rasitas de mutualismos). Representantes do gênero Ficus (Moraceae) apresentam uma relação mutualística com pequenas vespas polinizadoras (Agaonidae) e são explorados por outras espécies de vespas não-polinizadoras. Esse trabalho teve como objetivo avaliar o impacto das vespas não-polinizadoras sobre o mutualismo Ficus citrifolia e suas vespas polinizadoras, Pegoscapus tonduzi Grandi, 1919. Para tal, foi comparada a produção de aquênios (função feminina) e de fêmeas da espécie polinizadora (função masculina) entre amostras de sicônios altamente infestados e pouco infestados por vespas não-polinizadoras, coletadas nos municípios de Londrina (Paraná), Campinas e Ribeirão Preto (São Paulo), Brasil. Nossos resultados apontaram que as vespas não-polinizadoras exercem impacto negativo nos componentes feminino e masculino da planta, sendo maior no masculino. A produção de vespas polinizadoras foi cerca de sete vezes menor nos figos infestados, ao passo que a produção de aquênios foi 1,5 vez menor nesses mesmos figos. Hipóteses sobre a estabilidade do mutualismo na presença das espécies oportunistas são discutidas. Fonte: Elias. L, G.; Fernado, H. A.; Pereira, R. A. S. Efeito de vespas não poliniza- doras sobre o mutualismo Ficus – vespas de figos Iheringia, Sér. Zool. vol.97 no.3 Porto Alegre Sept. 2007 Disponivel em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi- d=S0073-47212007000300006&lang=pt. Acesso:08 ago.2020. http://epea.tmp.br/epea2015_anais/pdfs/plenary/29.pdf https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0073-47212007000300006&lang=pt https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0073-47212007000300006&lang=pt 33UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Ecologia: De Indivíduos a Ecossistemas Autor: Michael Begon, Colin R. Townsend, John L. Harper Editora: Blackwell Publishing Ltd, Oxford. Sinopse: Considerado o livro-texto definitivo sobre todos os aspectos da ecologia. Esta nova edição continua a fornecer um tratamento completo do tema, desde os princípios ecológicos fundamentaisaté uma reflexão vívida sobre nossa compreensão da ecologia no século XXI. Aborda a teoria de nichos, a teoria da história de vida, os padrões de migração e a dinâmica de popula- ções pequenas, dedicando atenção especial a restauração após dano ambiental, biossegurança (resistência à invasão de espécies alóctones) e conservação de espécies. FILME/VÍDEO Título: Relações ecológicas Ano: 2016 Sinopse: A vida na terra, seja ao nível de uma pequena poça ou ao nível de um ecossistema que abrange um continente, se resume em interações. Além de interagirem com o meio físico, os organismos interagem com indivíduos da sua espécie e com outras espécies, estabelecendo o que chamamos de Relações Ecológicas. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=SZbMnJ99q3U https://www.youtube.com/watch?v=SZbMnJ99q3U 34 Plano de Estudo: ● Recursos ambientais e naturais. conceito, classificação e tipos ● Teoria dos recursos naturais exauríveis e renováveis ● Análise de custo-benefício e métodos para valoração ● econômica ambiental. ● O princípio poluidor-pagador; certificados negociáveis de poluição; ● Controle da qualidade ambiental - controle da qualidade das águas; do ar e do solo. ● Instrumentos de gestão ambiental - educação ambiental; ● Avaliação de impacto ambiental e planejamento territorial e ambiental; Objetivos da Aprendizagem: ● Conhecer sobre os recursos ambientais e naturais. conceito, classificação e tipos entender as teoria dos recursos naturais exauríveis e renováveis ● Saber sobre a análise de custo-benefício e métodos para valoração econômica ambiental. ● Conhecer o princípio poluidor-pagador; certificados negociáveis de poluição; ● Entender sobre as formas de controle da qualidade ambiental - controle da qualidade das águas; do ar e do solo. ● Compreender os instrumentos de gestão ambiental - educação ambiental; ● Saber sobre a avaliação de impacto ambiental e planejamento territorial e ambiental; UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco 35UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade INTRODUÇÃO O estudo da economia dos recursos naturais é de extrema importância indepen- dente da corrente de pensamento econômico que se adote. O aumento da competitividade mercadológica demanda cada vez mais recursos naturais de todos os tipos e isso acaba gerando crescimento dos conflitos ou disputas que no fundo ocasionam sua escassez. (PHILIPI, 2017). Desta forma inicialmente, neste capítulo abordou-se os principais conceitos e classificações dos recursos naturais mostrando que são elementos essenciais à existência do ser humano e à manutenção da vida. Nós, diariamente, buscamos satisfazer nossas necessidades e para isso recorremos ao meio ambiente e ao que ele nos fornece. Contudo, ao longo dos anos, os recursos naturais foram explorados e utilizados de maneira irracional e sem o cuidado necessário para sua manutenção. Assim, atualmente, há uma grande preocupação por parte da sociedade, gover- nantes e da comunidade científica a respeito da preservação dos recursos naturais, sendo necessário buscar uma forma de suprir as necessidades e promover o desenvolvimento das sociedades de forma sustentável. 36UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade 1. RECURSOS AMBIENTAIS E NATURAIS. CONCEITO, CLASSIFICAÇÃO E TIPOS Os Recursos Naturais são os elementos que a natureza oferece, que por sua vez, são utilizados pelo homem na construção e desenvolvimento das sociedades e, portanto, para sua sobrevivência. Segundo Assunção (2002, p. 52) “...a palavra recurso significa algo a que se possa recorrer para a obtenção de alguma coisa.” Sendo a este recorrido no intuito da satisfação das necessidades humanas. Para Santos (2013) o recurso pode ser um componente do ambiente relacionado com frequência à energia que é utilizado por um organismo (alimento) e qualquer coisa obtida do ambiente vivo e não-vivo para preencher as necessidades e desejos humanos. Confirmando o pensamento de Santos, Assunção (2002, p. 55) diz que o recurso pode ser definido como elementos de que o homem se vale para satisfazer suas necessida- des e os recursos naturais são aqueles que se originam sem qualquer intervenção humana. Para Santos (2013, p. 32) complementa que os recursos naturais podem ser clas- sificados como renovável e não renovável sendo o primeiro como o próprio nome diz são aqueles que se renovam na natureza. Não se esgotam com facilidade, pois seu tempo de renovação é de curto prazo. Entretanto sua renovação depende da forma como são utilizados pelo homem são determinantes para a sua manutenção na natureza. 37UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade Já os recursos naturais não renováveis são aqueles que sua renovação demora, ou seja, se dá em longo prazo, em um espaço de tempo que não garante o suprimento das necessidades do ser humano, sendo, portanto, uma regeneração lenta. Outra situação importante a ser ressaltada é que embora ainda bastante utilizado no senso comum como referência aos cuidados com o ambiente, o termo recursos naturais quase não faz mais parte da “legislação brasileira” recente, que adotou preferencialmente o termo “recursos ambientais”. Um claro exemplo disso é o inciso VI do artigo 4º da Lei Federal nº 6.938/81 que diz “a imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos”. (BRASIL, 1981). Segundo Godarg (2000, p. 205) os recursos além de serem classificados em reno- váveis e não renováveis são bens da natureza também agrupados de acordo com seu tipo. Existem quatro tipos de agrupamentos: biológicos, hídricos, minerais e energéticos. O grupo biológico são os vegetais, que formam a biodiversidade de um ecossistema e a conservação deles garante o equilíbrio e a preservação saudável dos ecossistemas, como plantas, solo, flores e árvores e animais. São utilizados com a finalidade de abaste- cer a indústria de extração de madeira, agricultura, construção, medicamentos e fonte de alimentação e em atividades de agropecuária. O consumo de carne e de leite são exemplos do uso de recursos biológicos animais. Godarg (2000, p. 206) Os recursos hídricos podem ser superficiais (rios, lagos, etc.) e subterrâneos, que ficam em camadas mais profundas, sendo o acesso mais difícil. Os recursos minerais são formados por pedras preciosas, rochas e minerais, e podemos citar como exemplos: areia, argila, diamante, grafite, ouro, prata, carvão, entre outros. São recursos utilizados na engenharia, no mercado de pedras preciosas, como fonte de energia, na indústria de produtos de saúde, entre outros. Para Godarg (2000) a extração desse tipo de recurso deve ser feita de forma res- ponsável e planejada, pois seu uso indiscriminado pode levar à escassez desses bens, aumento da poluição de ecossistemas e desequilíbrios ambientais. Por fim, os recursos energéticos são todos os bens da natureza que podem ser usados como fonte de energia, sendo alguns renováveis e outros não renováveis como, por exemplo, o sol, o vento e as águas. 38UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade 2. TEORIA DOS RECURSOS NATURAIS EXAURÍVEIS E RENOVÁVEIS Segundo Margulis (1999) somente a partir dos anos 1970 que os recursos naturais foram reinseridos no escopo principal da teoria econômica. Após os intensos debates sobre os limites do crescimento econômico promo- vido pelo famoso “Clube de Roma” e outros fóruns. Essa reinserção ocorreu por intermédio do resgate de trabalhos isolados produzidos anteriormente, mas que permaneceram esquecidos por longo tempo por não representarem o pensamento econômico dominante, como por exemplo, os trabalhos de Faustmann, sobre a regra de gestão dos recursos florestais, de 1849, e os o estudo de Hotelling, de 1931, sobre as regrasde uso ótimo dos recursos esgotáveis, entre outros. (MARGULIS, 1999, p. 158). Nesse sentido, ALIER (2007) relata que os recursos naturais têm um papel relevan- te no mercado mundial. Eles oferecem um valor tangível de presente e de futuro, são parte da “economia real”, em contraposição com outros modelos que foram referência até pouco tempo atrás, como as chamadas “economias de bolha”. Os recursos naturais são fundamentais para o desenvolvimento econômico, visto que muitos apresentam viabilidade econômica. Contudo, nem todos esses elementos po- dem ser utilizados na forma que são retirados da natureza, precisando, portanto, passar por um processo de transformação e beneficiamento para que seja utilizado. (MARGULIS, 1990). Dentro do contexto econômico Alier (2007, p. 220) relata que a importância do é entendimento que: 39UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade Os recursos não estão distribuídos de forma homogênea no planeta, portan- to, há lugares com maior ou menor disponibilidade de determinado elemento. Assim, determinadas áreas podem apresentar insuficiência de recursos na- turais para suprir as necessidades da população, gerando conflitos entre os indivíduos, como é o caso do petróleo. (ALIER, 2007, p. 220). Assim, as teorias dos recursos exauríveis demonstra a relação existente entre o tempo que os processos naturais necessitam para a concentração mineral em jazidas e a velocidade que estes são extraídos, a classificação exaurível de um recurso natural. Um determinado recurso será exaurível quando demandar maior tempo em recomposição que sua taxa de consumo (SILVA, 2003). A teoria dos recursos exauríveis leva a pensar de maneira diferente quanto à ex- tração de recursos naturais. São compreendidos então como finitos todos os minerais, mesmo que em pequena parcela presente em qualquer rocha, porém inviável pelo custo de exploração que demandaria o processo. Schumacher, (1973) relata que em 1930, durante a depressão econômica em escala mundial sentiu-se apto a especular as possibilidades econômicas para as futuras gerações e concluiu que talvez não estivesse muito longe o dia que, com o aumento populacional e enriquecimento das nações, a renovabilidade dos recursos naturais estaria comprometido. 40UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade 3. ANÁLISE DE CUSTO-BENEFÍCIO E MÉTODOS PARA VALORAÇÃO ECONÔMI- CA AMBIENTAL A análise custo-benefício tem sido utilizada e considerada como uma das melhores técnicas econômica para mensuração de valor de um bem ambiental. Para Motta (2001) Tem como objetivo fazer a comparação entre os custos e benefí- cios ligados a projetos em fase de aprovação. No caso de um projeto ambiental, os custos representam o bem-estar que se deixou de ter em função da opção de utilizar os recursos em políticas ambientais ao invés de aplicá-lo em outras atividades da economia. Já os benefícios são os impactos positivos para a sociedade, alegando o bem- -estar das pessoas, decorrendo de políticas ecológicas que possibilitem a manutenção e conservação deste capital natural. Através da utilização das técnicas da ACB torna-se possível escolher quais es- tratégias deverão ser adotadas para que possam utilizar a melhor maneira os recursos. Agindo com essa racionalidade, os agentes estarão “maximizando os recursos disponíveis da sociedade e, consequentemente, otimizando o bem-estar (Motta 2001) Cavalcanti (1998) destaca que a escolha de projetos através do critério da Análise Custo-benefício constitui urna série e operações, trazendo para as condições reais o mode- lo de mercado perfeito, para que possa realizar uma avaliação racional. O valor de um objeto, produto ou serviço é aquilo que estamos dispostos a pagar por ele. Ficando difícil uma análise de preço em alguns produtos. 41UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade Assim, para análise de custo benefício são criados métodos de valoração dos recursos naturais, através de instrumentos econômicos, visando estimar o impacto das ações presentes projetadas no tempo futuro pelo custo de utilização. Sendo eles: método do valor econômico total (VET); Método de produção sacrificada; método da disposição a pagar. Boa parte dos recursos naturais são bens públicos, tais como: ar, água, capacidade de assimilação de dejetos etc., portanto não têm preços. Para análise de custo-benefício e valoração econômica é importante levar em consideração a escassez ao se referir a determinado recurso naturais. Desta forma, como a grande maioria dos recursos e serviços ambientais não são negociados em mercados específicos, a determinação do seu valor não pode ser determi- nada pela simples relação de oferta e procura. Os métodos de valorização econômica são apresentados como soluções alternativas à falta de mercados específicos em que os bens ambientais possam ser transacionados. Bellia (1996) afirma que o valor dos benefícios proporcionados pelo meio ambiente pode ser representado economicamente pela expressão: Valor Econômico Total = Valor de Uso + Valor de Opção + Valor de Existência . Conforme Motta (2001) e citado por Willian (2006) o Valor de Uso costuma (confor- me figura 03) ser desagregado em: Valor de Uso Direto tratando-se de quando o indivíduo utiliza um recurso na atualidade, através do consumo direto, extração, atividade de produ- ção, etc. e Valor de Uso Indireto está relacionado ao fato do benefício atual do recurso derivar de funções ecossistêmicas, como por exemplo, a manutenção de níveis adequados do efeito estufa causado pela redução das emissões de CO2. FIGURA 01: ECONOMIA DOS RECURSOS NATURAIS – VALOR ECONÔMICO TOTAL Fonte: WILLIAN, C. N.. A valoração econômica dos recursos ambientais e 0 papel desempenhado pelas empresas neste processo. Florianópolis/SC. 2006. 78 p. Disponível em: http://tcc.bu.ufsc.br/Econo- mia294108.PDF. Acesso 01 de ago. 2020. http://tcc.bu.ufsc.br/Economia294108.PDF http://tcc.bu.ufsc.br/Economia294108.PDF 42UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade Para Willian (2006, p. 40) o Valor de Opção é aquele: atribuído pelos indivíduos à possibilidade de consumir o recurso ou obter seus benefícios em outro momento, abdicando de seu uso imediato. Incenti- vos para essa forma de consumo podem decorrer de diversas preocupações, como a vontade de garantir um legado de qualidade e diversidade ambiental a nossos filhos ou então o benefício resultante de remédios cujos princípios ativos contenham matérias-primas somente encontradas em florestas tropi- cais (WILLIAN, 2006, p. 40). Complementando, BeIlia (1996) demonstra a composição do Valor de Opção: Valor de Uso = Valor de Uso (para os indivíduos) + Valor de Uso para os indivíduos no futuro (descendentes e futuras gerações) + Valor de Uso por outros (“valor do vigário” para os indivíduos) Já o Valor de Existência segundo Willian (2006, p. 40): não está associado ao uso - embora represente um consumo ambiental de- rivando de posições morais, éticas, cultural ou filantrópica em relação aos direitos de existência de espécies que não sejam humanas ou então através da preservação de outras riquezas naturais, mesmo estando essas disso- ciadas de um uso atual ou futuro para a pessoa. Portanto o Valor de Exis- tência está relacionado a percepção que as pessoas têm da irreversibilidade da degradação ambiental e as incertezas quanto aos impactos negativos decorrentes dessa ação. Desta forma, como determinar o preço que os indivíduos estarão dispostos a pagar, por determinado bem? Segundo Willian (2006, p 42-44) os métodos mais utilizados para essa determinação são: Os valores associados, preço de propriedade, Custo de Viagem e Valor da Vida Hu- mana. ● Valor Associado - Através de pesquisas (enquetes) o método do valor associado tenta identificar o valor que os entrevistados dão à preservação ambiental (re- servas florestais, recursos hídricos, certas paisagens,etc.) avaliando o quanto estão dispostos a pagar para usufruir desse recurso preservado. ● Preço de Propriedade – quando se observa a localização do imóvel, por exemplo, a tranquilidade do local, distante de áreas industriais para garantir a qualidade do ar, num local com baixo nível de ruídos e se possível com uma bela paisagem. Essas características comuns tomam o imóvel mais valorizado se comparado à outra com as mesmas características porém situados em local de elevada degradação. Para Willian (2006, p. 42) há uma valorização dependendo das características am- bientais no entorno do local, somando a esse critério outros como a proximidade de locais estratégicos como escolas, transporte, padarias, etc. Como o comprador desconhece todos 43UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade os benefícios de morar num local de elevada qualidade ambiental, a avaliação monetária através dessa técnica pode estar subvalorizada, oferecendo apenas uma estimativa. ● O Custo de Viagem é a disposição que um indivíduo tem de pagar pelo uso de determinado bem ambiental, como um parque, uma cachoeira, uma praia, etc. em sua determinação, é utilizado o custo médio das viagens, o qual envolve o custo da viagem (deslocamento), despesas com hotéis e restaurantes, as horas de trabalho trocadas pela visita ao ativo ambiental em questão, o pagamento de entradas no local, etc. O Valor da Vida Humana é o mais difícil em ser valorado. Para Willian (2006, p. 44) ao citar BeIlia (1996) assinala que: as formas de calcular o valor de uma vida, o autor elimina aquelas considera- das muito simples e também as que envolvem sentimentos. Como exemplo de um cálculo simples do valor da vida Buarque 1989 apud Bellia 1996 apre- senta os valores de um seguro de vida, pressupondo que esses seriam os valores que os indivíduos atribuem a sua vida. Contudo, em caso de morte, esse valor serve apenas para cobrir despesas e amenizar o desespero finan- ceiro pelo qual na maioria das vezes passam os dependentes do falecido. Outro motivo para descartar os seguros de vida como medida de valor é o fato da maioria dos jovens não estarem interessados em adquirir seguros de vida, isso não quer dizer que ele não atribua valor a sua vida. (WILLIAN, 2006, p. 44). 44UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade 4. O PRINCÍPIO POLUIDOR-PAGADOR; CERTIFICADOS NEGOCIÁVEIS DE POLUIÇÃO O Art. 225 da Constituição Federal de 1988 é o fundamento constitucional do princí- pio do usuário-pagador, o qual funciona como vetor para que o bem ambiental seja utilizado em benefício da coletividade, pois é bem essencial à qualidade de vida. Assim, constituição Federal de 1988 em seu artigo nº 225. relata que: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as pre- sentes e futuras gerações.§1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público” I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou subme- tam os animais a crueldade “. (BRASIL, 1988, p. 131) Nesse sentido, May (1994) relata que na garantia dos direitos estabelecidos na constituição federal vêm o princípio do Poluidor/Usuário-Pagador entre outros. O princípio do usuário-pagador, origina-se do princípio poluidor-pagador que decor- re o pagamento pela utilização de recursos ambientais, evitando a utilização predatória dos recursos naturais e desestimulando assim a degradação da qualidade ambiental, visando imputar ao usuário dos bens ambientais o custo do seu “empréstimo”. MAY (1994, p. 58) Este princípio está previsto no art. 4º, inc. VII, da Lei nº 6.938/81, ao dispor que a Política Nacional do Meio Ambiente visará à imposição, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos. O princípio do usuário-pagador, 45UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade portanto, não ostenta caráter punitivo, já que, independentemente da ilegalidade do com- portamento do usuário, ele pode ser cobrado pelo mero uso do bem ambiental. Estabelece que os preços devem refletir todos os custos sociais do uso e esgotamento do recurso. Exemplo: quem utiliza água para irrigação deve pagar pelo uso desse bem ambiental limitado. Assim, as externalidades podem ser negativas quando a ação de uma das partes impõe custos sobre a outra ou positivas, quando a ação de uma das partes beneficia a outra. Para Cavalcanti (1998) a presença de externalidades demonstra uma fonte de má alocação dos fatores de produção e uma ineficiente distribuição dos bens produzidos, onde alguns agentes consomem em demasia e outros de menos. Nisto estão as externalidades negativas ou os custos indiretos da exploração dos recursos naturais e dos empreendimentos que impactam o meio ambiente precisam ser consideradas, não podendo ser ignoradas. MILARÉ (2015) Segundo Benjamin, (1993 p. 200) as externalidades surgem: Quando determinada ação produz efeitos em outra pessoa ou empresa pelos quais esta não paga ou não é compensada. Traz como consequência a pro- dução excessiva dos bens que geram externalidades negativas e oferta in- suficiente daqueles que geram externalidades positivas. O autor exemplifica, de modo preciso, elencando casos de contaminação do ar ou da água, a qual não é eficientemente controlada por ação do poluidor porque este não tem incentivo para investir na redução da poluição. Em outros casos, as ações de uma pessoa ou empresa produzem benefícios não compensados que se denominam externalidades positivas.( BENJAMIN, 1993. p. 200). Segundo Rodrigues (2005, p. 159) além do poluidor-pagador, temos também o usuário-pagador e a diferença entre os dois é: Sendo os bens ambientais de natureza difusa e sendo o seu titular a coletivi- dade indeterminada, aquele que usa o bem em prejuízo dos demais titulares passa a ser devedor desse ‘empréstimo’, além de ser responsável pela sua eventual degradação. É nesse sentido e alcance que deve ser diferenciado do poluidor-pagador. A expressão é diversa porque se todo poluidor é um usuário (direto ou indireto) do bem ambiental, nem todo usuário é poluidor. O primeiro tutela a qualidade do bem ambiental e o segundo a sua quantidade. Na verdade, o usuário-pagador obriga a arcar com os custos do ‘empréstimo’ ambiental, aquele que beneficia do ambiente (econômica ou moralmente), mesmo que esse uso não cause qualquer degradação. Em havendo degra- dação, deve arcar também com a respectiva reparação. Nesta última hipóte- se, diz-se que o usuário foi poluidor. Em resumo, o princípio poluidor-pagador é também conhecido como princípio da responsabilidade, exige que o poluidor suporte as despesas de prevenção, reparação e repressão dos danos ambientais por ele causados. 46UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade Busca internalizar os custos sociais do processo de produção, ou seja, os custos resultantes da poluição devem ser internalizados nos custos de produção e assumidos pelos empreendedores de atividades potencialmente poluidoras. Outro mecanismo interessante que tem funcionado bem nos Estados Unidos no intuito de utilizar o processo poluidor-pagador para reduzir a poluição são os certificados de poluição negociáveis Uma alternativa é a abordagem da taxa que consiste na criação de um mercado de certificados de poluição negociáveis. Esta ideia foi formulada por Dales, em 1968 onde ao invés de colocar uma taxa ao nível necessário para obter a redução das emissões, pode simplesmente determinar a quantidade de poluição aceitável e emitir certificados de poluição, permitindo aos poluidores comprá-los e vendê-losdiretamente entre si. Desta forma as três principais categorias de políticas ambientais orientadas para o mercado são taxas por emissão de poluentes, licenças negociáveis e direitos de proprieda- de bem-definidos. Um programa de licenças negociáveis é um programa em que o governo emite licenças permitindo somente uma determinada quantidade de poluição. Estas licenças para poluir podem ser vendidas ou dadas a empresas gratuitamente. Uma taxa de poluição é um imposto incidente sobre a quantidade de poluição que uma empresa emite. Os direitos de propriedade são os direitos legais de propriedade em que os outros não estão autorizados a violar sem pagar compensação. 47UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade 5. CONTROLE DA QUALIDADE AMBIENTAL - CONTROLE DA QUALIDADE DAS ÁGUAS, DO AR E DO SOLO. A Lei 6.938/81 foi a primeira norma brasileira a definir legalmente o meio ambiente. De acordo com o art. 3º, I da referida lei, meio ambiente é o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas. Ademais, em seu art. 2º, I, temos o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo. Desta forma, considera-se, de maneira geral, que a qualidade do meio ambiente constitui fator determinante para o alcance de uma melhor qualidade de vida. Sewell (1978, p. 01) define controle ambiental como: “o ato de influenciar as atividades humanas que afetem a qualidade do meio físico do homem, especialmente o ar, a água e características terrestres”. Nesse contexto, considera-se que controlar e manter um elevado padrão de qualidade ambiental constitui um grande desafio, tendo em vista as condições atuais de grande parte das cidades do mundo contemporâneo, principalmen- te àquelas dos países “subdesenvolvidos” como o Brasil que passaram por um processo de urbanização desenfreado e que continuam se expandindo de maneira caótica e desumana, expressando, respectivamente, desordem e injustiças sociais. Dentro do contexto de qualidade ambiental, Machado (1997, p. 16), relata que a importância da qualidade do solo na manutenção do ecossistema. 48UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade Nesse sentido, Motta (2001) diz que a qualidade do solo está intimamente ligada a capacidade de exercer suas funções na natureza que são: funcionar como meio para o crescimento das plantas; regular e compartimentalizar o fluxo de água no ambiente; esto- car e promover a ciclagem de elementos na biosfera; e servir como tampão ambiental na formação, atenuação e degradação de compostos prejudiciais ao ambiente. Para Machado (1997, p. 16), a qualidade do solo tem efeitos profundos na saúde e na produtividade de um determinado ecossistema e nos ambientes a ele relacionados. Diferentemente do ar e da água, para os quais existem padrões de qualidade, a definição e quantificação da qualidade do solo não é simples em decorrên- cia da complexidade dos fatores envolvidos e de não ser o solo consumido diretamente pelo homem e animais. A qualidade do solo é aceita, frequen- temente, como uma característica abstrata que depende, além de seus atri- butos intrínsecos, de fatores externos, como as práticas de uso e manejo, de interações com o ecossistema e das prioridades socioeconômicas e po- líticas. O conceito do que seja um solo com qualidade depende das priori- dades previamente estabelecidas. Contudo, deve levar em consideração a sua funcionalidade múltipla para não comprometer, no futuro, o desempenho de algumas de suas funções. Assim, um determinado tipo de solo pode ser considerado com boa qualidade quando apresentar a capacidade, dentro dos limites de um ecossistema natural ou manejado, de manter a produtividade e a biodiversidade vegetal e animal, melhorar a qualidade do ar e da água e contribuir para a habitação e a saúde humana. (MACHADO, 1997, p. 16). Entretanto, Machado (1997, p. 18), relata que os solos são de vital importância à manutenção da vida na Terra e possuem cinco papéis básicos ou funções no nosso ambiente: ● O solo sustenta o crescimento da flora, principalmente fornecendo a estrutura necessária para a sua existência. ● As características dos solos determinam o destino da água na superfície da Terra, essencial para a sobrevivência. ● O solo desempenha um papel essencial na reciclagem de nutrientes e no des- tino que se dá aos corpos de animais (incluindo o homem) e restos de plantas que morrem na superfície da Terra. ● O solo é o habitat, a casa de muitos organismos. ● Os solos são capazes de fornecer material para construção de casas e edifí- cios, além de proporcionar a fundação para essas construções. Para Santos (1993, p. 130) a avaliação quantitativa da qualidade do solo é funda- mental na determinação da sustentabilidade dos sistemas de manejo utilizados. A determi- nação de indicadores de qualidade de solo se faz necessária para possibilitar a identificação de áreas problemas utilizadas na produção, fazer estimativas realistas de produtividade, https://querobolsa.com.br/enem/biologia/flora 49UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade monitorar mudanças na qualidade ambiental e auxiliar agências governamentais a formular e avaliar políticas agrícolas de uso da terra. Com relação à água seu controle tem relação com o uso que se faz dessa água. Por exemplo, uma água de qualidade adequada para uso industrial, navegação ou geração hidrelétrica pode não ter qualidade adequada para o abastecimento humano, a recreação ou a preservação da vida aquática. Os padrões de qualidade são fixados por entidades públicas, com o objetivo de garantir que a água a ser utilizada para um determinado fim não contenha impurezas que venham a prejudicá-lo. Existe uma grande variedade de indicadores que expressam aspectos parciais da qualidade das águas. No entanto, não existe um indicador único que sintetize todas as variáveis de qualidade da água. Geralmente são usados indicadores para usos específicos, tais como o abastecimento doméstico, a preservação da vida aquática e a recreação de contato primário (balneabilidade). No tocante ao abastecimento público o controle da qualidade é feito no momento em que a água entra na estação, estendendo-se até as residências, onde existe um mo- nitoramento através de coletas nas residências, escolas, creche e hospitais, realizados semanalmente, sendo que a potabilidade da água tem de estar de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde). Uma forma de definir a qualidade das águas dos mananciais é enquadrá-los em classes, em função dos usos propostos para os mesmos, estabelecendo-se critérios ou condições a serem atendidos. De acordo com a RESOLUÇÃO CONAMA N° 357/ 2005, que dispõe sobre a classi- ficação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências, os corpos hídricos nacionais são classificados em nove classes, sendo as cinco primeiras classes de água doce (baixa quantidade de sais minerais), as duas seguintes de água salinas (média quantidade de sais minerais), e as duas últimas de águas salobras (alta quantidade de sais minerais), (BRASIL, 2005). Para cada classe citada acima existem restrições de uso e lançamento de efluentes, sendo que a classe que mais possui restrições de uso é a Classe Especial. No tocante ao controle de qualidade do ar, sua gestão envolve medidas mitigadoras que tenham como base a definição de limites permissíveis de concentração dos poluentes 50UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade na atmosfera, restrição de emissões, bem como um melhor desempenho na aplicação dos instrumentos de comando e controle, entre eles o licenciamento e o monitoramento. Em nível federal, a primeira legislação mais efetivade controle da poluição atmos- férica foi a Portaria do Ministério do Interior de nº 231, de 27 de abril de 1976, que visava a estabelecer padrões nacionais de qualidade do ar para material particulado, dióxido de enxofre, monóxido de carbono e oxidantes fotoquímicos. Nesse contexto de demandas institucionais e normativas, o CONAMA, por meio da Resolução nº 05 de 15 de junho de 1989, criou o Programa Nacional de Controle de Qualidade do Ar - PRONAR, com o intuito de “permitir o desenvolvimento econômico e social do país de forma ambientalmente segura, pela limitação dos níveis de emissão de poluentes por fontes de poluição atmosférica, com vistas à melhora da qualidade do ar, ao atendimento dos padrões e estabelecidos e o não comprometimento da qualidade do ar nas áreas consideradas não degradadas”. Como medidas de curto prazo foram estabelecidas: a definição dos limites de emissão para fontes poluidoras prioritárias; a definição dos padrões de qualidade do ar; o enquadramento das áreas na classificação de usos pretendidos; o apoio à formulação dos Programas Estaduais de Controle de Poluição do Ar; a capacitação laboratorial e a capacitação de recursos humanos. Entretanto, os avanços observados foram limitados, tendo sido fixados tão somente limites de emissão para óleo e carvão. Maiores avanços deram-se quanto à definição dos padrões de qualidade do ar. 51UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade 6. INSTRUMENTOS DE GESTÃO AMBIENTAL - EDUCAÇÃO AMBIENTAL As práticas educativas ambientais devem proporcionar mudanças de hábitos, ati- tudes e práticas sociais, sendo, portanto, a Educação Ambiental o caminho para que as pessoas adquiram consciência da importância de terem atitudes sustentáveis. É inegável que a educação ambiental contribui significativamente para a proteção do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida. Nesse sentido, Medina, (2001, p. 20) aponta que: Há de se promover urgente conscientização social sobre a problemática do meio ambiente visando à educação e ética ambientais, proporcionando, por consequência, uma vida mais saudável para a população mundial, que esbarra com as novas tecnologias e o crescimento demográfico, que estão ocorrendo sem o devido cuidado com o meio ambiente. Imprescindível, por- tanto, um esforço para a educação em questões ambientais dirigidas tanto às gerações jovens como aos adultos e que se preste à devida atenção ao setor da população menos privilegiado, para fundamentar as bases de uma opinião pública bem informada e de uma conduta dos indivíduos, das empresas e das coletividades inspirada por sua responsabilidade sobre a proteção e melhoria do meio ambiente em toda sua dimensão humana (Medina, 2001, p. 20). Mudança de paradigmas implica discutir valores para construir uma sociedade mais justa, que satisfaça as necessidades das gerações atuais, sem comprometer a sobrevivên- cia das futuras gerações. Segundo Medina (2001) a atuação dos educadores ambientais nas políticas públicas de águas é portadora de um significativo potencial sinérgico capaz de incutir e sedimentar uma perspectiva realmente sistêmica, integradora e ambiental como diferencial 52UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade para qualificar a gestão dos recursos hídricos no país e promover a efetiva melhoria nas condições de vida das pessoas e do meio com o qual convivem. Para Medina (2001) dentre várias definições sobre o que é EA, destaca-se: a Educação Ambiental como processo [...] consiste em propiciar às pessoas uma compreensão crítica e global do ambiente, para elucidar valores e de- senvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e par- ticipativa a respeito das questões relacionadas com a conservação e a ade- quada utilização dos recursos naturais deve ter como objetivos a melhoria da qualidade de vida a eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado. (MEDINA, 2001, p. 17). Assim, a promoção de processos continuados e permanentes de desenvolvimento de capacidades e de Educação Ambiental para a Gestão de Águas constitui iniciativa es- tratégica fundamental para assegurar a sustentabilidade do crescimento da economia e a promoção do desenvolvimento sustentável. (Ministério do Meio Ambiente, 2015) Entendendo que educação ambiental é um processo que deve partir do interno para o externo, levando a mudanças de hábitos e comportamentos como pequenas iniciativas no lar, escola, bairro, até alcançar uma abrangência mais ampla, que envolva uma região, estado, país, beneficiando todo o ecossistema e a humanidade, nesse processo, a família e a escola figuram como os principais responsáveis por disseminar a importância dos bons hábitos e da consciência ambiental. Os resultados obtidos são levados pelo resto da vida e disseminados, garantindo a eficácia e a construção de uma sociedade mais responsável ecologicamente. No Brasil, com a aprovação da Lei nº 9.795/1999, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, e dentre várias premissas, a lei afirma trata-se de um componente es- sencial e permanente da educação no Brasil, que deve estar presente de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. A Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA (Lei 9.795/1999) estabelece, como um dos objetivos estratégicos da EA, o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania. De forma coerente com a política das águas, a construção de uma cultura da participação, qualificada com o diálogo, mostra-se como um dos eixos centrais da PNEA. Segundo o artigo 1º da Lei 9.795/1999, entende-se por educação ambiental: os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem va- lores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essen- cial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. (BRASIL, PNEA, 1999). E complementa ainda no seu artigo 5º, também como um dos seus objetivos funda- mentais que a educação ambiental deve promover o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos. 53UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade 7. AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL E PLANEJAMENTO TERRITORIAL E AMBIENTAL Para um correto gerenciamento ambiental uma das premissas mais importante é a identificação e avaliação de aspectos e impactos ambientais. Constitui o primeiro passo da fase de planejamento proposta pela ISO 14.001:2015, onde todos os demais requisitos da norma está ligado a este passo. A ISO 14.001/2015, na fase de planejamento dentro do escopo definido no sistema de gestão ambiental determina que a organização deva: “identificar os aspectos ambientais relacionados às suas atividades, produtos e serviços os quais ela possa controlar e aque- les que ela possa influenciar, e seus impactos ambientais associados, considerando uma perspectiva de ciclo de vida”. (ISO 14.001/2015). Desta forma, Aspectos Ambientais podem ser definidos como elementos das ativi- dades, produtos ou serviços de uma organização que podem interagir com o meio ambien- te, causando ou podendo causar impactos ambientais, sejam eles positivos ou negativos. (ABNT ISO 14001: 2004) O Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), por meio da Resolução 001/86, conceitua impacto ambiental da seguinte forma: Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante de atividades humanas que, direta ou indiretamente, afe- tem: a saúde, segurançae o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias e o meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais. (CONAMA, 1986). 54UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade Empreendimentos e atividades que utilizam recursos ambientais e/ou são capazes de causar degradação ambiental, devem fazer o Levantamento de Aspectos e Impactos Ambientais (LAIA). O (LAIA) é o diagnóstico da situação ambiental da unidade avaliada e auxilia no processo de tomada de decisões, trazendo planos de ações aos gestores para a mitigação dos impactos ambientais. Esta ferramenta subsidia o SGA (Sistema de Gestão Ambiental) bem como a certificação da unidade com base nas normas ISO 14001. Nesse diagnóstico a empresa deve elencar as causas dos impactos ambientais causados por suas atividades buscando mecanismos para controlar e prevenir os riscos que possam ocorrer e comprometam o meio ambiente. Os dados que devem fazer parte da estrutura do LAIA são: Identificação das áreas, processos e atividades da empresa; identificação dos aspectos e impactos ambientais; frequência ou probabilidade do aspecto ambiental; abrangência do impacto ambiental; se- veridade do impacto ambiental; classe do impacto ambiental e Identificação dos aspectos ambientais significativos. Os dados levantados durante o LAIA devem ser catalogados e separados, para posteriormente realizar o cruzamento das informações, podendo ser utilizada a metodolo- gia FMEA (Failure Mode and Effect Analysis). Trata-se da Análise do Tipo e Efeito de Falha, uma ferramenta que apura os riscos potenciais e aponta ações de melhoria. O Levantamento de Aspectos e Impactos Ambientais de uma organização é umas das etapas mais importantes para a implementação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) eficaz, e um dos requisitos para uma empresa conseguir um licenciamento ambiental. O levantamento é obrigatório para empresas que pretendem se certificar na nor- ma NBR ISO 14001. Um dos itens da norma é justamente o levantamento de aspectos e impactos ambientais. Dentro dos Sistemas Produtivos Industriais, existem metodologias para a avaliação de impactos ambientais, tais como: o Método GAIA - Gerenciamento de Aspectos e Im- pactos Ambientais (LERÍPIO, 2001), MECAIA Modelo Econômico de Controle e Avaliação de Impactos Ambientais (MEDEIROS, 2003), MAICAPI - Metodologia para Avaliação de Impactos e Custos Ambientais em Processos Industriais (SILVA; AMARAL, 2011), Produção Mais Limpa (P+L), Análise do Ciclo de Vida –(ACV), entre outras. Porém, vale ressaltar que estas ferramentas de análise enfatizam as questões re- lacionadas ao meio ambiente dentro de um contexto mais amplo e, prejudicam a avaliação https://www.verdeghaia.com.br/blog/auditoria-interna-sistema-gestao-ambiental/ https://www.verdeghaia.com.br/blog/auditoria-interna-sistema-gestao-ambiental/ 55UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade de impactos ambientais, tornando inviável seu uso para empresas menores, tornando muito complexa sua implementação e utilização dos recursos necessários. Para melhor entendimento o Método GAIA, avalia a sustentabilidade ambiental da empresa, através do mapeamento da cadeia de produção, sensibilizando seus gestores. A metodologia é considerada dispendiosa na obtenção dos dados e tornando inviável com custo muito alto para ser subsidiada por empresas de pequeno porte. O Método MECAIA tem por objetivo avaliar os impactos e custos ambientais in- serindo-os na estrutura do modelo Balanced Scorecard (BSC). Considera-se o método trabalhoso e o tempo de aplicação longo. A Metodologia MAICAPI avalia os impactos globais, associada à análise de im- pactos locais e regionais, com foco no chão de fábrica, a análise proposta (que conjuga aspectos ambientais e econômicos) torna sua aplicação demasiadamente longa e, conse- quentemente, com um alto custo associado. Entretanto, é consenso que a aplicação de tais metodologias envolve grande es- forço, mobilização de pessoas, complexidade de análises e, em alguns casos, ao inserir a questão ambiental dentro de um contexto mais amplo, ocorre à perda de foco da avaliação de impactos ao meio ambiente propriamente dita. Já a produção mais limpa visa à redução do uso de matérias-primas não renováveis e em seu princípio traz orientações e critérios para desenvolvimento de projeto sustentável que, se seguidos, podem levar a avanços úteis em relação à redução de custos e ganhos ambientais (SILVA, 2011). A adoção de princípios/ferramentas da produção mais limpa (P+L) consiste na incorporação de ideias sobre sustentabilidade na produção, transformando-as em proce- dimentos e práticas com o objetivo de reduzir desperdícios, atender com maior eficácia às normas e requisitos ambientais, promover tratamento dos resíduos gerados, resultando na minimização de custos (SILVA, 2011). A (ACV) é uma metodologia poderosa de avaliação ambiental que serve para quantificar os impactos do berço ao túmulo, desde a extração da matéria-prima até o uso e descarte final. Por permitir uma avaliação pormenorizada dos impactos em cada uma das etapas de produção, a Análise de Ciclo de Vida fornece informações valiosas para a indústria, conforme demonstrada na figura 08 que representa as entradas e saídas de insumos ao longo do ciclo de vida de um produto, representando todos os aspectos envolvidos ao longo do ciclo de vida que devem ser computados na ACV. 56UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade FIGURA 02: REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO CICLO DE VIDA DE UM PRODUTO Fonte: Adaptado de Rebitzer et al (2004) A partir da ACV pode-se avaliar a maneira mais eficaz o ciclo de vida do produto para reduzir o impacto por ele produzido, além da necessidade de se engajar com forne- cedores e consumidores finais para buscar a minimização de impactos além das unidades produtivas da empresa. De acordo com a NBR ISO 14040:2009 a ACV é uma técnica para avaliar aspectos ambientais e impactos potenciais associados a um produto mediante: ● a compilação de um inventário de entradas e saídas pertinentes de um sistema de produto; ● a avaliação dos impactos ambientais potenciais associados a essas entradas e saídas; ● a interpretação dos resultados das fases de análise de inventário e de avaliação de impactos em relação aos objetivos dos estudos. ● A ACV pode ajudar: ● na identificação de oportunidades para melhorar os aspectos ambientais dos produtos em vários pontos de seu ciclo de vida; ● na tomada de decisões na indústria, organizações governamentais ou não-go- vernamentais (por exemplo, planejamento estratégico, definição de prioridades, projeto ou reprojeto de produtos ou processos); ● na seleção de indicadores pertinentes de desempenho ambiental, incluindo técnicas de medição; e ● no marketing (por exemplo, uma declaração ambiental, um programa de rotula- gem ecológica ou uma declaração ambiental de produto) 57UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade A ACV tem como linha mestra a série de normas ISO 14.040 e é composta por quatro fases: definição de objetivo e escopo, análise de inventário, avaliação de impactos ambientais e interpretação conforme demonstrado na figura 09 abaixo: FIGURA 03: ESTRUTURA E APLICAÇÕES DA ACV. Fonte: Norma ABNT NBR ISO 10040:2009 SAIBA MAIS A avaliação ambiental de um processo produtivo inicia-se com a identificação de suas atividades, produtos ou serviços que interagem com o meio ambiente. Todavia é neces- sário selecionar aqueles que possuem maior impacto ambiental negativo. Fonte: SILVA, P. R. S. da; Amaral, F. G..Modelo para Avaliação Ambiental em Sistemas Produtivos Industriais - MAASPI - aplicação em uma fábrica de esquadrias metálicas. Revista: Gestão & Produção. vol.18 no.1 São Carlos 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-530X2011000100004.Acesso: 29 Jan.2020. 58UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia REFLITA A Coca-Cola após analisar o impacto de suas embalagens, mudou toda a linha de pro- dução de latas e garrafas. E a mudança nas garrafas de vidro provocou uma redução de emissão de 26 mil toneladas de gás carbônico. A aplicação da ACV para avaliar o impacto de sacolas de supermercado para verificar qual sacola tem menor impacto so- bre o meio ambiente: a de papel ou a de plástico? O estudo comprovou que a pegada de uma sacola de plástico é menor do que a de papel, quando considerado todo o ciclo de vida do produto. As, sacolas de papel consomem 4 vezes mais água na produção e têm maior impacto de emissões de resíduo. Resultados semelhantes foram encontra- dos por outros estudos no Reino Unido e na França. Finalmente, o pesquisador holan- dês Jan M. Kooijman analisou os impactos de um produto agrícola e chegou à seguin- te conclusão sobre a pegada ambiental:49% se referem ao plantio, cultivo, colheita e/ ou processamento;11% são da distribuição;16% dizem respeito ao resfriamento para conservação;14% são do preparo;10% se devem à embalagem, divididos em 7% para a embalagem primária e 3% para o transporte. A ACV tem um papel relevante pela melhoria dos produtos, da gestão dos impactos ambientais e do consumo responsável. Fontes: COCA-COLA BRASIL. Embalagens: como repensá-las sob a perspectiva da sustentabilidade. Disponível em: https://www.cocacolabrasil.com.br/historias/embalagens-como-repensa-las-sob-a-perspectiva-da-e- conomia-circular. Acesso em 29 ago.2020 GLOBO.COM. Plástico ou papel: qual sacola é menos prejudicial ao meio ambiente? Disponível em: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/01/31/plastico-ou-papel-qual-sacola-e-menos-prejudicial-ao- -meio-ambiente.ghtml. Acesso: 29 ago.2020 http://www.coca-colacompany.com/stories/reduce http://publications.environment-agency.gov.uk/PDF/SCHO0711BUAN-E-E.pdf http://www.ademe.fr/htdocs/actualite/rapport_carrefour_post_revue_critique_v4.pdf http://www.abre.org.br/setor/apresentacao-do-setor/a-embalagem/analise-do-ciclo-de-vida/ http://www.abre.org.br/setor/apresentacao-do-setor/a-embalagem/analise-do-ciclo-de-vida/ https://www.cocacolabrasil.com.br/historias/embalagens-como-repensa-las-sob-a-perspectiva-da-economia-circular https://www.cocacolabrasil.com.br/historias/embalagens-como-repensa-las-sob-a-perspectiva-da-economia-circular 59UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo falamos sobre a importância da empresa adotar ferramentas ou ins- trumentos de gestão ambiental que visam auxiliar no processo de planejamento, bem como na operacionalização da gestão ambiental, de modo que essa gestão possa ser integrada de maneira estratégica por todas as suas atividades. É importante se buscar medidas gerenciais ambientalmente corretas, incluindo a adoção de Gestão Ambiental. Desta forma a implantação da gestão ambiental tem sido uma das respostas das empresas a esse conjunto de pressões O princípio do usuário-pagador estar relacionado e decorre do princípio do polui- dor-pagador, as diferenças entre ambos são nítidas, já que no caso do usuário-pagador a necessidade de contrapartida financeira pelo agente usuário do recurso ambiental não depende do cometimento de infração ambiental, ou mesmo da ocorrência de poluição. Desta forma entende-se que a economia ambiental é o campo de estudo preocupa- do com o fluxo de resíduos que migram da atividade econômica de volta para a natureza. A valoração econômica ambiental busca avaliar o valor econômico de um recurso ambiental através da determinação do que é equivalente, em termos de outros recursos disponíveis na economia, que estaríamos dispostos a abrir mão de maneira a obter uma melhoria de qualidade ou quantidade do recurso ambiental. A Lei nº 9.984/92 prevê a cobrança pelo uso da água, justificada pela busca da sustentabilidade ao processo de reversão do quadro de degradação. Os recursos da co- brança devem ser investidos em ações que gerem a recuperação da qualidade ambiental dos corpos hídricos. 60UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade LEITURA COMPLEMENTAR Artigo: MEDEIROS, D. D.; Silva, G. C. S. da.. Análise do Gerenciamento Ambiental em Empresas do Estado de Pernambuco. XXIII Encontro Nac. de Eng. de Produção - Ouro Preto, MG, Brasil. 2003. Acesso: 29 ago.2020. Resumo: Um Sistema de Gestão Ambiental permite que uma organização controle permanentemente os efeitos do processo produtivo no meio ambiente. 61UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Educação Ambiental: Princípios e práticas Autor: Genebaldo Freire Dias Editora: Editora Gaia; Edição: 9 Sinopse: O desenvolvimento e a prática da Educação Ambiental no Brasil sempre esbarrou em graves problemas socioeconômi- cos, acrescidos da falta de materiais educativos adequados sobre Educação Ambiental (EA). Este livro reúne as informações básicas conceituais sobre a EA, faz um histórico de suas atividades pelo mundo, sugere mais de cem atividades para sua prática, fornece subsídios para a ampliação dos conhecimentos sobre EA e expõe as diferentes formas legais de ação individual e comunitária que possibilitam um exercício de cidadania, visando uma melhor qua- lidade de vida. Trata-se de uma obra inovadora pelo seu pioneiris- mo como documento para estudiosos e leigos, posicionando a EA como instrumento de busca da harmonia racional e responsável entre o homem e o seu meio ambiente. FILME/VÍDEO Título: IMPACTO AMBIENTAL - Resumo de Geografia para o Enem Ano: 2018 Sinopse: Avaliação de Impacte Ambiental (AIA): instrumento de carácter preventivo da política do ambiente, sustentado na rea- lização de estudos e consultas, com efetiva participação pública e análise de possíveis alternativas, que tem por objeto a recolha de informação, identificação e previsão dos efeitos ambientais de determinados projetos, bem como a identificação e proposta de medidas que evitem, minimizem ou compensem esses efeitos, tendo em vista uma decisão sobre a viabilidade da execução de tais projetos e respectiva pós-avaliação. • Link do vídeo https://www.youtube.com/watch?v=pG0UNRcOUdI https://www.youtube.com/watch?v=pG0UNRcOUdI 62 Plano de Estudo: ● Conceito e importância da política ambiental; ● Instrumentos de Política Ambiental e a polícia Nacional de Meio Ambiente ● Políticas ambientais e o comércio internacional - determinantes do investimento ambiental ● O que é desenvolvimento sustentável; ● O conceito de ecoeficiência ● Responsabilidade social corporativa ● Rotulagem Ambiental, Mercados verdes e “selo verde”. ● Legislação ambiental - Princípios gerais do direito ambiental; ● Responsabilidade ambiental, Infrações e sanções administrativas e constitucionalidade do direito ambiental; ● Declaração de Estocolmo e a Declaração do Rio de Janeiro; Objetivos da Aprendizagem: ● Conhecer os conceitos e importância da política ambiental; ● Entender os instrumentos de Política Ambiental e a polícia Nacional de Meio Ambiente ● Saber as políticas ambientais e o comércio internacional - Determinantes do investimento ambiental ● Entender o que é desenvolvimento sustentável; ● Saber o conceito de eco-eficiência ● Compreender responsabilidade social corporativa ● Saber sobre rotulagem Ambiental, Mercados verdes e “selo verde”. ● Conhecer a legislação ambiental - Princípios gerais do direito ambiental; UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco 63UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável INTRODUÇÃO Neste capítulo demonstraremos os conceito e importância da política ambiental, seus instrumentos e como funciona dentro do comércio internacional. A Política Ambiental consiste no compromisso que a empresa tem coma comunidade e na preocupação em deixar para as gerações futuras um meio ambiente equilibrado e sustentável, em que a realidade atual seja consistentemente alterada com o princípio da melhoria contínua. Explanaremos sobre o que é desenvolvimento sustentável, o conceito de ecoe- ficiência, mostrando que a sustentabilidade deve ser concebida como a capacidade de manutenção e conservação da vida. Um processo de desenvolvimento em constante adaptação da sociedade na busca por qualidade de vida, incluindo a satisfação de suas necessidades básicas e de ampliação de suas liberdades e potencialidades. Desenvolvimento não deve ser confundido apenas com crescimento econômico, pois este, em princípio, depende do consumo crescente de energia e recursos naturais. O desenvolvimento nestas bases é insustentável, pois leva ao esgotamento dos recursos naturais dos quais a humanidade depende. Desenvolvimento significa produzir, propondo em suas atividades projetos, solu- ções e tecnologias sustentáveis, capazes de reduzir ou eliminar os impactos ambientais causados pelo homem na exploração dos recursos naturais, procurando harmonia entre os objetivos de desenvolvimento econômico, social e a conservação ambiental. Complemen- tando abordaremos responsabilidade social corporativa; determinantes do investimento ambiental. Mostraremos que rotulagem ambiental ou rótulos ecológicos é a indicação de que um produto ou serviço possuem atributos ambientais, onde é demonstrado sob a forma de atestados, símbolos ou gráficos em rótulos de produtos ou embalados. Rotulagem ambiental constitui avanços nos padrões éticos que visam estimular fabricantes e consumidores a adotarem postura sustentável perante os assuntos ambien- tais. Esta é uma das ferramentas que orientam o desenvolvimento de novos padrões de consumo ambientalmente saudáveis, motivando a evolução da produção industrial. E finalizando explanaremos os princípios gerais do direito ambiental; Constituciona- lidade do direito ambiental, declaração de Estocolmo e política Nacional do Meio Ambiente. 64UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável 1. CONCEITO E IMPORTÂNCIA DA POLÍTICA AMBIENTAL A política Ambiental de uma empresa deve considerar a missão, visão, valores, essenciais e benéficos da organização. Ser estabelecida após a revisão ambiental inicial da empresa pela alta administração e revisada ao final de cada ciclo, mas imutável dentro de um ciclo. Deve ser evidenciada por meio de um documento escrito, uma carta de compro- misso da empresa abordando todos os valores e filosofia da empresa relativa ao meio ambiente, bem como apontar os requisitos necessários ao atendimento de sua política ambiental, por meio dos objetivos, metas e programas ambientais. Reis & Queiroz (2002) Segundo Reis & Queiroz (2002) a Série ISO 14001, no seu requisito relativo à política ambiental, afirma que: A alta administração deve estabelecer a política ambiental da empresa e assegurar que ela: seja apropriada à natureza, escala e impactos ambien- tais de suas atividades, produtos ou serviços; inclua o compromisso com a melhoria contínua e a prevenção da poluição; inclua comprometimento com a legislação e normas ambientais aplicáveis e demais requisitos subscritos pela organização; forneça a estrutura para o estabelecimento e revisão dos objetivos e metas ambientais; esteja disponível para o público. (Documentos 39, Embrapa Meio Ambiente, 2004, p.10) É na definição da política ambiental que a gestão da empresa formaliza o compromisso em trabalhar de maneira que promova a proteção e promoção ambiental. É preciso definir a equipe e avaliar as competências de que dispõe. Pois assim, a organiza- ção decide acerca da necessidade de contratar ajuda externa uma vez que a maior parte 65UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável das organizações não dispõe de nenhum especialista em SGA pelo que é aconselhável, contratar um consultor especialista em sistemas, a fim de a organização ficar com uma perspectiva mais correta e realista do trabalho a desenvolver. A equipe deverá participar na definição e elaboração da documentação do SGA, garantir a implementação do SGA e promover a motivação e envolvimento dos colaboradores. (Documentos 39, Embrapa Meio Ambiente, 2004 p.10) Nesse sentido, Barbieri (2007) cita as possíveis maneiras concretas de materializar uma política ambiental através das seguintes diretrizes: ● Otimização do uso e consumo de recursos naturais; ● Redução do desperdício industrial; ● Estímulo ao comportamento socioambiental correto; ● Atendimento à legislação e normas aplicáveis ao meio ambiente, assim como aos demais requisitos estabelecidos na Licença Ambiental; ● Prevenir e minimizar a poluição e a geração de resíduos utilizando racionalmen- te os recursos naturais; ● Envolver os funcionários e prestadores de serviços internos, conscientizando-os da importância da preservação ambiental; ● Gerenciar as atividades e processos, de forma a minimizar o impacto ao meio ambiente protegendo assim a atmosfera, a água e o solo; ● Adoção de processos de reciclagem; ● Ações que visem à redução do consumo de energia; ● Planejamento urbano adequado por parte dos governos. Nestas ações são importantes; a preservação de áreas verdes e projetos de arborização urbana; ● Uso, sempre que possível, de fontes de energia limpa como, por exemplo, eólica e solar; ● As empresas que geram qualquer tipo de poluição em seu processo produtivo devem adotar medidas eficazes para que estes poluentes não sejam despeja- dos no meio ambiente (ar, rios, lagos, oceanos e solo); ● As empresas devem criar produtos com baixo consumo de energia e, sempre que possível, usar materiais recicláveis; ● Criação de projetos governamentais voltados para a educação ambiental, prin- cipalmente em escolas; ● Implantação das normas do ISO 14.000 e obtenção do certificado. Assim, Lustosa et al. (2003) entende que a Política Ambiental é necessária para induzir ou forçar os agentes econômicos a adotarem posturas e procedimentos menos agressivos ao meio ambiente, para reduzir a quantidade de poluentes lançados no ambien- te e minimizar o consumo de recursos naturais. 66UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável 2. INSTRUMENTOS DE POLÍTICA AMBIENTAL E A POLÍCIA NACIONAL DE MEIO AMBIENTE Segundo a tipologia abaixo relacionada por Lustosa (2003, p. 142) e Barbieri (2007, p. 73), descreve os instrumentos da política ambiental: TABELA 01 - INSTRUMENTOS DE POLÍTICA AMBIENTAL Comando e controle Econômicos Comunicação Controle ou proibição de pro- duto Tributação sobre produto Fornecimento de informação Controle de Processo Tributação sobre uso de recur- sos naturais Acordos Proibição ou restrição de ativi- dades Incentivos fiscais para reduzir emissões e conservar recursos Criação de redes Especificações tecnológicas Remuneração pela conservação de serviços ambientais Sistema de gestão ambiental Controle do uso de recursos naturais Financiamento em condições especiais Selos ambientais Padrões de poluição para fontes específicas Criação e sustentação de mer- cados de produtos ambiental- mente saudáveis Marketing ambiental Padrão de emissão Permissões negociáveis Apoio ao desenvolvimento cien- tífico e tecnológico Padrão de qualidade Sistemas de depósito- retorno Educação ambiental Padrão de desempenho Unidades de conservação Padrões tecnológicos Proibições e restrições sobre produção, comercialização e uso de produtos e processos. Licenciamento ambiental Estudo de impacto ambiental Zoneamento ambiental Fonte: Lustosa et al. (2003, p. 142) e Barbieri (2007, p. 73). 67UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável Os instrumentos de comando e controle são aqueles mais utilizados pelos agentes públicos, segundo a legislaçãoe é nessa classificação que se encontram os instrumentos privilegiados na pesquisa, o Estudo de Impacto Ambiental e o Licenciamento Ambiental. Segundo Lustosa et al., os instrumentos de comando e controle assumiram duas características definidas: (i) A imposição pela autoridade ambiental de padrões de emissão incidentes sobre a produção final (ou sobre o nível de utilização de um insumo básico) do agente poluidor; (ii) A determinação da melhor tecnologia disponível para abatimento da poluição e cumprimento do padrão de emissão (Lustosa et al., 2003, p. 136). Complementando Castro (2015), relata que além das ferramentas acima citadas temos outras maneiras ou outros instrumentos de gestão ambiental que visam auxiliar no processo de planejamento, bem como na operacionalização da gestão ambiental, de modo que essa gestão possa ser integrada de maneira estratégica por todas as atividades, sendo: Avaliação do desempenho ambiental (ADA) – Considerada como avaliação evoluti- va do desempenho ambiental de uma organização. Esse método permite medir e melhorar os resultados da gestão ambiental praticada numa organização ou atividade econômica. Existindo ou não um sistema de gestão ambiental formal implementado numa entidade, esse instrumento poderá ser aplicado e pode ser mais vantajoso se pelo menos alguns as- pectos do Sistema de Gestão Ambiental estiverem implementados. (CASTRO, 2015, p.16) Licenciamento Ambiental – De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, Licen- ciamento Ambiental é o procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental autoriza a localização, instalação, ampliação e operação de empreendimentos e atividades que façam uso de recursos naturais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental. (CASTRO, 2015, p.16) Geoprocessamento – Tem como principal elemento a informação. É um sistema que permite captar, analisar, consultar, modelar, recuperar e apresentar soluções com informações geograficamente referenciadas, os dados são armazenados em um banco de dados. (CASTRO, 2015, p.16) Educação Ambiental – Tem como objetivo sensibilizar e motivar os empregados com relação ao uso dos recursos naturais, e geralmente são desenvolvidos por profis- sionais treinados da própria empresa ou por consultores externos. A educação ambiental é uma das ferramentas mais poderosas para transformar o comportamento humano e é também o maior instrumento para desacelerar e reverter o atual quadro de degradação ambiental do planeta, causado principalmente pela cultura contemporânea do consumismo como gerador de desenvolvimento econômico. (CASTRO, 2015. p.16) A auditoria ambiental - é uma ferramenta de gestão que permite fazer uma pon- deração sistemática, periódica, documentada e objetiva dos sistemas de gestão e do desempenho dos equipamentos instalados em uma organização, para fiscalizar e limitar atividades sobre o meio ambiente. (CASTRO, 2015. p.16) 68UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável 3. POLÍTICAS AMBIENTAIS E O COMÉRCIO INTERNACIONAL - DETERMINANTES DO INVESTIMENTO AMBIENTAL Conseguir exportar e colocar os produtos nacionais no mercado internacional tem se tornado cada vez mais difícil, isto porque diversos países adotam políticas ambientais rigorosas. Tal situação é bastante positiva no intuito de cada vez mais as empresas buscarem se adequar às diretrizes implantadas. Por outro lado conforme citado Curi, (2011, p. 103) é o fato das empresas no intuito de facilitar suas negociações migrarem para localidades mais favoráveis às suas operações. É comum, por exemplo, que indústrias poluidoras deixem as nações desenvolvidas, onde a legislação ambiental é levada a sério, e migrem para o Terceiro Mundo, em busca de leis mais favoráveis. Além da liberdade para poluir, elas costumam encontrar autoridades convenientes, que fecham os olhos para as leis trabalhistas – quando elas existem, permitindo a explora- ção subumana da mão-de-obra local (CURI, 2011, p. 103) Para CURI, (2011), o meio ambiente é um dos principais focos de atenção nas relações internacionais, pois sua inter-relação em outras atividades humana, resultam em consequências globais. Os governos nacionais agora enfrentam o paradigma atual: como conciliar meio ambiente e comércio. Primeiramente deve-se levar em consideração como meio ambiente e comércio internacional se relacionam. Para ocorrer uma troca comercial, é necessário existir alguém que demande um produto e/ou serviço, e alguém que os oferte. 69UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável Segundo Queiroz (2005) a política de comércio externo procura a liberalização do comércio internacional, por meio de um conjunto de instrumentos de intervenção pública sobre o comércio exterior, enquanto que a Política de Meio Ambiente defende a preserva- ção e/ou conservação ambiental, a saúde e segurança humana, a proteção do consumidor e o tratamento dado aos animais. Queiroz (2005) menciona ainda que o conflito surge entre as correntes dos ambien- talistas e a dos defensores do livre comércio. Os primeiros querendo impor seus padrões de proteção ambiental, enquanto que os segundos creditam esses padrões como protecio- nistas. Uma prática constante no comércio internacional, que mundialmente é denominado de dumping ambiental e social. O dumping ambiental é uma situação de mercado na qual uma empresa vende a mercadoria abaixo do custo, ou quando o preço praticado por ela no mercado externo é mais baixo do que o praticado no mercado. E o dumping social se refere à legislação trabalhista, onde as empresas relatam que é impossível competir com organi- zações que não se comprometerem com a legislação trabalhista aceita pela Organização Internacional do Trabalho – OIT, e faz uso em suas atividades da mão-de- obra infantil, trabalho escravo, sem remuneração 70UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável 4. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E CONCEITO DE ECOEFICIÊNCIA O ser humano desde a sua existência busca transformar os recursos naturais a seu favor, pois desenvolver, transformar, progredir faz parte da sua natureza. Entretanto, ao longo da história o próprio conceito de desenvolvimento tem sofrido diversas alterações. Quando falávamos em crescimento econômico entendíamos que estávamos desen- volvendo, e nem se quer imaginávamos que uma simples palavra como desenvolvimento pudesse significar tanto para uma nação como para o meio ambiente. Dizer que uma nação cresceu, significa que ela realmente está progredindo, avan- çando, mas não necessariamente significa que está desenvolvendo, pois desenvolvimento engloba crescer além do aspecto geográfico, econômico, mas também social, dando con- dições dignas para que a população possa ter moradia, alimento, saúde, lazer, educação, etc. Importante ressaltar que o aspecto ambiental nem era comentado, neste conceito de desenvolvimento implantado. Entre os indicadores de mensuração do crescimento econômico, está o Produto Interno Bruto (PIB), que pode ser definido como “o valor de mercado de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em um dado período de tempo” (SALES, 2013, p. 62) nos setores de agropecuária, serviços e indústria. Dessa forma, quando comparado o PIB de um ano e este é superior ao anterior, houve crescimento do país, o oposto, recessão. (PASSOS, 2012). Já o conceito de Desen- volvimento Econômico está relacionado à melhoria do bem-estar da população. 71UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável Furtado (1983, p. 90) distingue os conceitos de crescimento e desenvolvimento da seguinte forma: “Assim, o conceito de desenvolvimento compreende a ideia de crescimento, superando-a. Com efeito: ele se refere ao crescimento de um conjunto de es- trutura complexa. Essa complexidade estrutural não éuma questão de nível tecnológico. Na verdade, ela traduz a diversidade das formas sociais e eco- nômicas engendrada pela divisão do trabalho social. Porque deve satisfazer às múltiplas necessidades de uma coletividade é que o conjunto econômico nacional apresenta sua grande complexidade de estrutura. Esta sofre a ação permanente de uma multiplicidade de fatores sociais e institucionais que es- capam à análise econômica corrente [...] O conceito de crescimento deve ser reservado para exprimir a expansão da produção real no quadro de um sub- conjunto econômico. Esse crescimento não implica, necessariamente, modi- ficações nas funções de produção, isto é, na forma em que se combinam os fatores no setor produtivo em questão”. Com a definição dada pelo autor constata-se que o crescimento econômico nem sempre garante o desenvolvimento, ou seja, mesmo que haja crescimento na geração de riqueza se esta não for distribuída de forma justa, não necessariamente trará melhorias na qualidade de vida da população em geral. Para Sachs (2004, p.13): os objetivos do desenvolvimento vão bem além da mera multiplicação da rique- za material. O crescimento é uma condição necessária, mas de forma alguma suficiente (muito menos é um objetivo em si mesmo), para se alcançar a meta de uma vida melhor, mais feliz e mais completa para todos. (SACHS, 2004, p.13) Para Sachs (2004, p. 13) o termo desenvolvimento sustentável abrange oito dimen- sões da sustentabilidade, pois somente se considera desenvolvimento sustentável quando há o atendimento de todas as dimensões: ambiental, econômica, social, cultural, espacial, psicológica, política nacional e internacional. Brasileiro (2006, p. 88) aponta que: “embora tenha ocorrido uma evolução sobre o conceito nas últimas décadas, a atual busca pelo desenvolvimento continua primando pelo crescimento econômico, em primeiro plano, continuando a negligenciar a distribuição desigual das riquezas; o agravamento da pobreza e exclusão social; a precarização das relações de trabalho; e o esgotamento dos recursos naturais’”. Já o termo “desenvolvimento sustentável” surgiu a partir de estudos da Organiza- ção das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas. Nasceu com a intenção de dar uma resposta para a humanidade diante da crise social e ambiental pela qual o mundo passava. O Conceito de desenvolvimento sustentável, conforme o Relatório de Brundtland de 1991 pressupõe um modelo de desenvolvimento que “atenda às necessidades da atual ge- ração, sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades”. Desenvolvimento sustentável traz melhoria na qualidade de vida de todos 72UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável os habitantes do mundo sem aumentar o uso de recursos naturais além da capacidade da Terra. A construção do conceito de desenvolvimento sustentável continuou durante a Cú- pula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, da ONU, realizada em Joanesburgo, África do Sul, em 2002. A Declaração de Joanesburgo estabelece que o desenvolvimento sustentável ba- seia-se em três pilares: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental, Conforme demonstrado abaixo na FIGURA 01: DESENHO ESQUEMÁTICO RELACIONANDO PARÂMETROS PARA SE ALCANÇAR O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Disponível em: Revista Visões 4ª Edição, Nº4, Volume 1 - Ago/Jun 2008. Acesso em: 08 ago. 2020. Segundo dados publicados em 2004 pela Revista Economia e Desenvolvimento, n° 16, (Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, Joanesburgo 2002), o desenvol- vimento sustentável pode requerer ações distintas em cada região do mundo, os esforços para construir um modo de vida verdadeiramente sustentável requer a integração entre: ● Crescimento e Equidade Econômica – Lançar os olhos para todas as nações de forma que possam estar integradas promovendo um crescimento responsável. Saber usar os recursos do planeta de forma eficiente, visando um mercado competitivo que busque a internacionalização de custos ambientais. Assim, a sustentabilidade seria alcançada pela racionalização econômica local, nacional e planetária. Para se implementar a sustentabilidade seria necessário a racio- nalização econômica local e nacional (RATTNER, 1999). 73UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável ● Conservação de Recursos Naturais e do Meio Ambiente – Buscar reduzir o consumo de recursos, e diminuir a poluição e conservar os habitats naturais. ● Desenvolvimento Social – buscar a igualdade de condições, de acesso a bens, da boa qualidade dos serviços necessários para uma vida digna, onde as pessoas possam ter emprego, alimento, educação, energia, serviço de saúde, água e sa- neamento, respeito aos seus direitos trabalhistas e as suas diversidades culturais. Complementando Ignacy Sachs, citando (MONTIBELLER-FILHO, 2004) entende que para atingirmos a sustentabilidade do ecodesenvolvimento precisamos contemplar cinco dimensões: a) Sustentabilidade social: o processo deve se dar de maneira que reduza substan- cialmente as diferenças sociais. b) Sustentabilidade econômica: define-se por uma “alocação e gestão mais efi- cientes dos recursos e por um fluxo regular do investimento público e privado”. A eficiência econômica deve ser medida, sobretudo em termos de critérios macrossociais. c) Sustentabilidade ecológica: compreende o uso dos potenciais inerentes aos variados ecossistemas compatíveis com sua mínima deterioração. d) Sustentabilidade espacial/geográfica: pressupõe evitar a excessiva concentração geográfica de populações, de atividades e do poder. Busca uma relação mais equilibrada cidade/campo. e) Sustentabilidade cultural: significa traduzir o “conceito normativo de ecodesen- volvimento em uma pluralidade de soluções particulares, que respeitem as especificidades de cada ecossistema, de cada cultura e de cada local”. Entretanto, Santos (2002, p.18) concorda com todas as dimensões anteriormente citadas e complementa que é necessário incorporar entre elas o fim da pobreza, da tirania, da carência de oportunidades econômicas e o fim da negligência dos serviços públicos, da intolerância ou interferência excessiva de Estados repressivos. E segundo o Relatório da Comissão Brundtland, uma série de medidas devem ser tomadas pelos países para promover o desenvolvimento sustentável. Entre elas: ● limitação do crescimento populacional; ● garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) a longo prazo; ● preservação da biodiversidade e dos ecossistemas; ● diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis; 74UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável ● aumento da produção industrial nos países não-industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas; ● Controle da urbanização desordenada e integração entre campo e cidades menores; ● Atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia). ● Já em âmbito internacional, as metas propostas pelo Relatório da Comissão Brundtland estabelecem: ● adoção da estratégia de desenvolvimento sustentável pelas organizações de desenvolvimento (órgãos e instituições internacionais de financiamento); ● proteção dos ecossistemas supranacionais como a Antártica, oceanos, etc, pela comunidade internacional; ● banimento das guerras; ● implantação de um programa de desenvolvimento sustentável pela Organização das Nações Unidas (ONU). ● Algumas outras medidas para a implantação de um programa minimamente adequado de desenvolvimento sustentável são: ● uso de novos materiais na construção; ● reestruturação da distribuição de zonas residenciais e industriais; ● aproveitamento e consumo de fontes alternativas de energia, como a solar, a eólica e a geotérmica; ● reciclagem de materiais reaproveitáveis; ● consumoracional de água e de alimentos; ● redução do uso de produtos químicos prejudiciais à saúde na produção de alimentos. 75UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável 5. O CONCEITO DE ECOEFICIÊNCIA Para Dias (2006), a penetração do conceito de desenvolvimento sustentável no meio empresarial tem se pautado como uma maneira das empresas desenvolverem uma gestão mais eficiente, como práticas identificadas com a ecoeficiência e a produção mais limpa, do que uma elevação do nível de consciência do empresariado em torno de uma perspectiva de um desenvolvimento econômico mais sustentável. Durante muito tempo dentro do processo de produção e exploração dos recursos naturais, os termos “Produção Mais Limpa” e “Ecoeficiência” não tinham um reconhecimento estratégico merecido, sendo frequentemente estigmatizados como tecnologias ambientais. Entretanto, tendo em vista a constante busca por soluções que minimizem ou elimi- nem os impactos ambientais gerados pela exploração humana, a “Produção Mais Limpa” e “Ecoeficiência” tornou-se uma constante cobrança da sociedade junto aos produtores rurais e empresários da indústria. Barbieri (2011) complementa que a criação de modelos e/ou metodologias espe- cíficas pautadas na Produção Mais Limpa (P+L) e ecoeficiência, que sejam capazes de reduzir a poluição do ar, do solo, e das águas e aumentar a sustentabilidade ambiental nas atividades realizadas pelas indústrias, têm se tornado cada vez mais eminente. Segundo Furtado (2000), Produção Mais Limpa e Ecoeficiência implicam em redu- zir o impacto ambiental do processo produtivo. Já a Produção Limpa busca implantar um processo realmente limpo. 76UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável A ecoeficiência é uma das principais medidas que contribuem para um futuro sus- tentável. Este conceito refere-se à disponibilização de bens e serviços capazes de satisfazer as necessidades humanas e proporcionar qualidade de vida sem causar impactos ambien- tais e gastando o mínimo dos recursos naturais não renováveis. Os produtos ecoeficientes também geram um menor volume de resíduos em seus processos produtivos, trazendo ainda mais benefícios para o planeta. Dias (2006) afirma que seriam chamadas de empresas ecoeficientes, aquelas que alcançam de forma contínua maiores níveis de eficiência, evitando a contaminação median- te a substituição de materiais, tecnologias e produtos mais limpos e a busca de uso mais eficiente e a recuperação dos recursos através de uma boa gestão. Na visão de Vilela e Demajorovic (2006), ecoeficiência significa gerar mais produtos e serviços com menor uso dos recursos e diminuição da geração de resíduos e poluentes. Considerada dessa forma, a ecoeficiência tem conseguido grande aceitação no meio empresarial, embora recentemente se tenha observado a publicação de diversos trabalhos ressaltando as limitações dessa ferramenta. No ponto de vista de Almeida (2002, p. 101), a ecoeficiência é uma filosofia de gestão empresarial que incorpora a gestão ambiental. Pode ser considerada uma forma de responsabilidade ambien- tal corporativa. Encoraja as empresas de qualquer setor, porte e localização geográfica a se tornarem mais competitivas, inovadoras e ambientalmente responsáveis. As empresas ecoeficientes são aquelas que obtêm benefícios econômicos, agilidade em seus processos e qualidade de seus produtos, com redução nos custos associados aos desperdícios de água, energia e materiais; à medida que obtêm benefícios ambientais por meio da redução progressiva da geração de resíduos sólidos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas, introduzindo em seu processo gerencial o conceito de prevenção da poluição e de riscos ocupacionais (VILELA E DEMAJOROVIC, 2006). A ecoeficiência atinge-se através da oferta de bens e serviços a preços competitivos, que, por um lado, satisfaçam as necessidades humanas e contribuam para a qualidade de vida e, por outro, reduzam progressivamente o impacto ecológico e a intensidade de utilização de recursos ao longo do ciclo de vida, até atingirem um nível, que, pelo menos, respeite a capacidade de sustentação estimada para o planeta Terra. (DIAS 2006). Os elementos da ecoeficiência são: (1) Reduzir o consumo de materiais com bens e serviços; (2) Reduzir o consumo de energia com bens e serviços; (3) Reduzir a disper- são de substâncias tóxicas; (4) Intensificar a reciclagem de materiais; (5) Maximizar o uso 77UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável sustentável de recursos renováveis; (6) Prolongar a durabilidade dos produtos; (7) Agregar valor aos bens e serviços. (ALMEIDA 2007). Para May, Lustosa e Vinha (2003), a ecoeficiência é alcançada mediante o forneci- mento de bens e serviços a preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida, ao mesmo tempo reduz progressivamente o impacto ambiental e o consumo de recursos ao longo do ciclo de vida, a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de sustentação estimada da terra. 78UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável 6. RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA Como tendência mundial, a complexidade dos negócios, o avanço de novas tecno- logias, e a necessidade de incremento da produtividade levou a um aumento significativo da competitividade entre as empresa, aliado às pressões populares cresce cada vez mais a quantidade de instituições que desejam investir em projetos sociais, adotando uma postura mais sensível aos problemas da comunidade ou assumindo responsabilidade sobre os impactos causados por seus processos produtivos (BARBOSA, 2001). Isto porque para as empresas, a responsabilidade social pode ser vista como uma estratégia a mais para manter ou aumentar sua rentabilidade e potencializar o seu desenvolvimento. Isto é explicado ao se constatar maior conscientização do consumidor o qual procura por produtos e práticas que gerem melhoria para o meio ambiente e a comunidade. Para McWilliams e Siegel (2001, p.35), já que a responsabilidade social corporativa tem se apresentado como um tema cada vez mais importante no comportamento das orga- nizações e tem exercido impactos nos objetivos e nas estratégias das empresas. Para Ghemawat, (2000, p.65) a responsabilidade social corporativa é: na maioria dos casos, conceito usado na literatura especializada sobretudo para empresas, principalmente de grande porte, com preocupações sociais voltadas ao seu ambiente de negócios ou ao seu quadro de funcionários. “Responsabilidade Social Corporativa é o comprometimento permanente dos empresários de adotar um comportamento ético e contribuir para o desen- volvimento econômico, melhorando simultaneamente a qualidade de vida de seus empregados e de suas famílias, da comunidade local e da sociedade como um todo”. (GHEMAWAT, 2000, p.65) 79UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável Segundo McWilliams e Siegel (2006, p. 35), a responsabilidade corporativa como uma estratégia de diferenciação, é usada para: criar novas demandas e obter um preço premium para um produto ou servi- ço existente. Ainda segundo os autores, alguns consumidores querem que os produtos que compram apresentem alguns atributos de responsabilidade social (inovação de produtos). Outros consumidores valorizam produtos que são produzidos de forma responsável (inovação de processo). (MCWILLIAMS E SIEGEL, 2006, p. 35). 80UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável 7. ROTULAGEM AMBIENTAL MERCADOS VERDES E SELOS VERDES O Programa ABNT de Rotulagem Ambiental é uma certificação voluntária de pro- dutos e serviços, desenvolvido de acordo com as normas ABNT NBR ISO 14020 e ABNT NBR ISO 14024, que consiste em atribuiu um selo ou rótulo a um produto ou serviço para informar a respeito dos seus aspectos ambientais.Entende-se como rotulagem ambiental um mecanismo de comunicação com o mer- cado consumidor sobre os aspectos ambientais do produto ou serviço com características benéficas, cujo objetivo é diferenciá-lo da concorrência. Os mesmos são materializados por meio de símbolos, marcas, textos ou gráficos. Segundo Lemos e Barra (2008, p. 5) a série ISO sobre rotulagem ambiental apre- senta três tipos diferentes de declarações ambientais: Tipo I, II e III, a saber: a) Rotulagem Tipo I: NBR ISO 14024 – Programa Selo Verde - Esta Norma rela- ciona os princípios e procedimentos para o desenvolvimento de programas de rotulagem ambiental, incluindo: seleção de categorias, critérios ambientais e características funcionais dos produtos, para avaliar e demonstrar sua conformidade. Relaciona também os procedi- mentos de certificação para a concessão do rótulo. Na figura 09 mostra modelo de Rótulo Ambiental tipo I. 81UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável FIGURA 02: RÓTULO AMBIENTAL TIPO I. Fonte: Projeto de Cooperação entre SECEX União Européia PNUMA. b) Rotulagem Tipo II: NBR ISO 14021 – Autodeclarações ambientais. Esta Nor- ma especifica os requisitos para autodeclarações ambientais, incluindo textos, símbolos e gráficos, no que se refere aos produtos. Descreve ainda, termos selecionados usados comumente em declarações ambientais e fornece qualificações para seu uso. Apresenta uma metodologia de avaliação e verificação geral para auto declarações ambientais. Na figura 10 mostra modelo de Rótulo Ambiental tipo II. FIGURA 03: MODELO DE RÓTULO AMBIENTAL TIPO II Fonte: Barra (2008) - BARRA, B. N.; RENOFIO, A. Rotulagem Ambiental: a Validade dos Critérios na Concessão do Selo Verde para Produtos de Couro. XXVIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, Rio de Janeiro, RJ, . 2008. c) Rotulagem Tipo III: NBR ISO 14025 – Esta Norma informa sobre dados am- bientais de produtos, qualificados de acordo com os conjuntos de parâmetros previamente selecionados e baseados na Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), são rótulos concedidos e licenciados por organizações externas independentes. Também são considerados os Indicadores de Categoria de Impacto Ambiental, tais como: aquecimento global, nevoeiro fotoquímico e eutrofização da água, acidificação da chuva, destruição da camada de ozô- nio. A rotulagem tipo III, em geral, são mono-criteriosos e são semelhantes aos selos de 82UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável produtos alimentícios que detalham seu teor de gordura, açúcar ou vitaminas. Ex.: “Algodão orgânico” Dentro do seu objetivo, conforme relatado por Barra et al. (2008, p. 8) o programa de rotulagem busca: despertar no consumidor e no setor privado a consciência e entendimento dos conceitos de proteção ambiental e produção industrial sustentável. Criar uma consciência e entendimento dos aspectos ambientais de um produto que recebe o rótulo, influenciando na escolha do consumidor ou no compor- tamento do fabricante sempre visando o menor impacto ambiental. Para Barra et al. (2008) a questão ambiental influencia nas decisões dos consu- midores de modo a encorajar a fabricação e o consumo de produtos menos agressivos ao meio ambiente. A Promoção da Inovação Ambientalmente Sustentável na Indústria proporciona um incentivo mercadológico para as empresas introduzirem tecnologias inovadoras e sustentá- veis do ponto de vista ambiental, bem como posições de liderança em relação aos aspectos ambientais (melhoria contínua). A Conscientização Ambiental dos Consumidores é considerada idônea e confiável para dar visibilidade no mercado aos produtos ou serviços preferíveis do ponto de vista ambiental. Segundo Barra et al. (2006, p. 8) os princípios da Rotulagem Ambiental são: precisos, verificáveis, relevantes e não enganosos; não devem ser elabora- dos, adotados ou aplicados com objetivo de criar barreiras comerciais; ba- seado em metodologia científica que produza resultados precisos e repro- duzíveis; apresente informações de procedimentos, metodologias e critérios devem estar disponíveis para as partes interessadas; considere todos os as- pectos relevantes do ciclo de vida; e não iniba inovações que tenham objetivo de manter ou melhorar o desempenho ambiental; Complementando, Barra et al. (2008) relata que os benefícios oferecidos pela rotu- lagem ambiental são: Ambientais sociais e econômicos. Onde: I. Ambientais: a) Redução de problemas e impactos ambientais; b) Melhora do desempenho ambiental (além do requerido na Lei). II. Sociais: a) Aumento da satisfação do consumidor e melhoria das condições de vida: saúde, felicidade espiritual, etc. III. Econômicos: a) Aumento do “marketshare” e da competitividade; b) Reconhecimento da liderança do mercado; 83UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável c) Aumenta da capacidade de inovação do produto; d) Acesso mais fácil a mercados mais nobres; e) Melhoria das exportações; f) Credibilidade nos mercados; g) Maior comunicação e visibilidade. Desta forma vale ressaltar que a rotulagem ambiental é a certificação de produtos adequados ao uso e que apresentam menor impacto no meio ambiente em relação a ou- tros produtos comparáveis disponíveis no mercado. A diferença entre rotulagem ambiental (ecolabelling) e certificação ambiental (eco-certification): o rótulo é voltado para os consu- midores. A certificação ambiental é voltada para indústrias de recursos, para a venda por atacado (comunidade compradora) e não direcionada para consumidores varejistas. Ambos os desenvolvimentos são etapas evolucionárias importantes na busca da sustentabilidade e o marketing ambiental ou verde é o instrumento que as empresas possuem para divulgar sua imagem ecologicamente correta (apelo ecológico) e obter um diferencial competitivo. 84UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável 8. LEGISLAÇÃO AMBIENTAL - PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO AMBIENTAL Os princípios do direito ambiental são frutos de uma construção jurídica originada no direito internacional ambiental, a partir das conferências ambientais internacionais. Por exemplo, a Conferência de Estocolmo (1972), a Cúpula da Terra ou Conferência do Rio (1992) e a Convenção Quadro das Nações Unidas Sobre as Mudanças do Clima (1992). Os princípios do direito ambiental foram elaborados para dar legitimidade jurídica aos Estados a criarem políticas públicas voltadas à proteção ambiental. Por isso, os princí- pios do direito ambiental possuem a função de ordenar a construção normativa ambiental internacional, regional e nacional. Na visão de Furtado (2000, p. 97-102) Os princípios do direito ambiental são: a) Princípio da precaução1: a ausência da certeza científica formal, a existência de um risco de um dano sério ou irreversível requer a implementação de medidas que possam prever este dano. Evitar doenças irreversíveis para os trabalhadores e danos irreparáveis para o planeta. Significa ter cuidado e estar ciente e estabelecer uma relação respeitosa e funcional do homem com a natureza. b) Princípio da prevenção: Uma dada atividade apresenta riscos de dano ao meio ambiente, tal atividade não poderá ser desenvolvida; justamente porque, caso ocorra qual- quer dano ambiental, sua reparação é praticamente impossível. 85UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável Fundamenta-se em substituir o controle de poluição pela prevenção da geração de resíduos na fonte, evitando a geração de emissões perigosas para o ambiente e o homem, ao invés de remediar os efeitos de tais emissões. c) Princípio do controle democrático: pressupõem o acesso a informações sobre questões que dizem respeito à segurança e uso de processos e produtos, para todas as partes interessadas, inclusive as emissões e registros de poluentes, planos de redução de uso de produtostóxicos e dados sobre componentes perigosos de produtos. Informar a todos, do trabalhador até o consumidor, incluindo também a comunidade dos arredores, sobre a implicação da existência de determinados processos na região. d) Princípio da integração: Avaliar o ciclo de vida do produto, dentro de uma vi- são holística do sistema. Os materiais devem ser avaliados quanto ao tempo de vida que apresentam na natureza e seus impactos. Princípio da integração ambiental reconhece o caráter transversal do ambiente e a necessidade de todas as políticas públicas, planos, programas ou atividades que possam causar impacto adverso no meio natural. e) Princípio do Poluidor-Pagador - diferente dos princípios do direito ambiental cita- dos anteriormente, este possui como característica identificar as externalidades causadas pela atividade econômica. Tal externalidade é inserida nos custos da atividade econômica a fim de mitigar os custos dos danos ambientais ao contribuinte. f) Princípio do Desenvolvimento Sustentável - provavelmente seja o mais con- troverso dos princípios do direito ambiental devido ao seu alto grau de abstração, não obrigatoriedade, ou até mesmo se discute se é realmente um princípio ou um conceito. Com relação a constitucionalidade do direito ambiental no âmbito do que dispõe a Constituição Federal de 1988, afirma-se que além da constitucionalização do meio ambien- te como direito fundamental, o legislador constituinte utilizou-se de diversas técnicas para a defesa do meio ambiente, quais sejam: direitos e deveres fundamentais, princípios, função ecológica da propriedade, objetivos públicos vinculantes, programas públicos abertos, ins- trumentos, biomas e áreas especialmente protegidas. “(...) o artigo 225 é na verdade, uma síntese de todos os dispositivos constitucionais ambientais que permeiam a Constituição. Síntese que não implica totalidade ou referência única”. Além do artigo 225 a Constituição de 1988 também determina a utilização de deter- minados instrumentos na consecução dos fins a serem atingidos, como: 1) a definição estatal de áreas a serem protegidas (art.225, §1o, III), 86UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável 2) o Estudo Prévio de Impacto Ambiental, conhecido como EIA, para instalação de obra ou atividade causadora de significativa degradação (art.225, §1º, IV); 3) o licenciamento ambiental (art.225, §1º, V), como controle prévio de obras ou atividades capazes de causar degradação ambiental, legalmente exigido no art.10, da Lei Federal no 6.938/81 – Política Nacional do Meio Ambiente; 4) a responsabilização (art.225, §2º e 3º) por danos causados ao meio ambiente (civil), bem como penal (crime) e administrativa, que constitui princípio, a seguir tratado; 5) indisponibilidade de terras devolutas e áreas indispensáveis à preservação am- biental (art.225, §5º); 6) lei federal definidora de localização para a operação de usinas nucleares, como condição para sua instalação (art.225, §6º, c/c arts.21, XXIII, “a” e 49, XIV, da CF). A abrangência dessa expressão no texto constitucional deve ser entendida além das Unidades de Conservação (de que trata a Lei nº 9.985/2000), para incluir, por exemplo: as áreas de proteção especial, determinadas por lei municipal de Uso e Parcelamento do Solo; além das áreas de preservação permanente (APP´s) e de reserva legal, definidas no Código Florestal (Lei Federal no 4.771/65). Ainda podemos citar que a legislação ambiental tem se expandido de forma uni- forme, baseada no princípio fundamental no cumprimento das regras elaboradas pela lei, assim podemos citar: A Lei nº 9.605/1988 – lei dos crimes ambientais – sociedade, aos órgãos ambientais e ao Ministério Público mecanismo para punir os infratores do meio ambiente. Destaca-se, por exemplo, a possibilidade de penalização das pessoas jurídicas no caso de ocorrência de crimes ambientais. Lei 12.305/2010 – institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e altera a Lei 9.605/1998 – Estabelece diretrizes à gestão integrada e ao gerenciamento ambiental adequado dos resíduos sólidos. Propõe regras para o cumprimento de seus objetivos em amplitude nacional e interpreta a responsabilidade como compartilhada entre governo, em- presas e sociedade. Na prática, define que todo resíduo deverá ser processado apropria- damente antes da destinação final e que o infrator está sujeito à penas passíveis, inclusive, de prisão. Lei 11.445/2007 – estabelece a Política Nacional de Saneamento Básico – Versa sobre todos os setores do saneamento (drenagem urbana, abastecimento de água, esgo- tamento sanitário e resíduos sólidos). 87UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável Lei 9.985/2000 – institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Na- tureza – Entre seus objetivos estão a conservação de variedades de espécies biológicas e dos recursos genéticos; a preservação e restauração da diversidade de ecossistemas naturais e a promoção do desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais. LEI Nº 9.605/ 1998 - dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e de outras providências. A Lei 9605/98 é a primeira lei que criminalizou, de forma efetiva, as condutas nocivas ao meio ambiente. Antes, tais condutas eram tratadas como contravenções penais e punidas na forma do artigo 26 do antigo Código Florestal (Lei 4771/65). A Lei n. 6.938 é de 1981 - Política nacional de meio ambiente é anterior à CF. Por isso, é um marco na legislação brasileira, pois foi o primeiro ato normativo que efetivamente tratou de uma forma mais detalhada a questão ambiental. Art. 2º A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, me- lhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. (BRASIL, 1981). 88UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável 9. RESPONSABILIDADE AMBIENTAL, INFRAÇÕES E SANÇÕES ADMINISTRATI- VAS E CONSTITUCIONALIDADE DO DIREITO AMBIENTAL; Responsabilidade Ambiental é um conjunto de atitudes, individuais ou empresariais, voltado para o desenvolvimento sustentável do planeta. Ou seja, estas atitudes devem levar em conta o crescimento econômico ajustado à proteção do meio ambiente na atualidade e para as gerações futuras, garantindo a sustentabilidade. Exemplos de atitudes que envolvem a responsabilidade ambiental individual: ● Realizar a reciclagem de lixo (resíduos sólidos). ● Não jogar óleo de cozinha no sistema de esgoto. ● Usar de forma racional, economizando sempre que possível, a água. ● Buscar consumir produtos com certificação ambiental e de empresas que res- peitem o meio ambiente em seus processos produtivos. ● Usar transporte individual (carros e motos) só quando necessário, dando priori- dades para o transporte coletivo ou bicicleta. ● Comprar e usar eletrodomésticos com baixo consumo de energia. ● Economizar energia elétrica nas tarefas domésticas cotidianas. ● Evitar o uso de sacolas plásticas nos supermercados. 89UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável 10. DECLARAÇÃO DE ESTOCOLMO E A DECLARAÇÃO DO RIO DE JANEIRO O principal marco do processo de internacionalização do debate em torno dos temas ecológicos ocorreu com a Conferência de Estocolmo, oficialmente denominada de “Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano”. Foi realizada na Suécia, em 1972, e representa o primeiro grande encontro orga- nizado pela ONU para a discussão específica dos problemas ambientais que assolavam o mundo em plena Guerra Fria. (CMMAD, 1991) Estes problemas extrapolavam as fronteiras nacionais, situação que demonstrava a necessidade de uma ação conjunta entre os diversos paísesatingidos para a busca de soluções. A Conferência de Estocolmo teve como objetivo discutir as consequências da de- gradação do meio ambiente e conscientizar a sociedade a melhorar a relação com o meio ambiente e assim atender as necessidades da população presente sem comprometer as gerações futuras, discutir as mudanças climáticas, a qualidade da água, debater soluções para reduzir os desastres naturais, reduzir e encontrar soluções para a modificação da pai- sagem, discutir as bases do desenvolvimento sustentável, limitar a utilização de pesticidas na agricultura, reduzir a quantidade de metais pesados lançados na natureza.( CMMAD, 1991) O encontro também abordou as políticas de desenvolvimento humano e a busca por uma visão comum de preservação dos recursos naturais. O debate durante a confe- 90UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável rência foi inflamado pela necessidade de adoção de um novo modelo de desenvolvimento econômico. Esse modelo não poderia induzir ao esgotamento das reservas naturais, como o petróleo, ao mesmo tempo que não reduziria o crescimento econômico. Na Conferência de Estocolmo, em 1972, os países desenvolvidos apresentaram uma proposta que correlacionava às ações do homem e o meio, idealizando uma nova política de redução de agressões e degradações ambientais em função do aumento capital. Os Estados Unidos comprometeram-se em reduzir a poluição em seu território. Os países em desenvolvimento não concordaram com as metas de redução das atividades industriais, visto que tal ação poderia comprometer a economia. O Brasil foi um país decisivo em muitas das discussões promovidas. SAIBA MAIS Existem dois tipos de rótulo ambiental, um que consiste na autodeclaração de produto ambiental por parte da empresa, e outro, no qual a declaração de produto ambiental é concedida por uma instituição organizadora responsável pela certificação, esse certifi- cado é concedido para empresas que seguem critérios mínimos de qualidade ambiental do produto. Fonte: BARROS, J.de S.; Freitas, L. S. de,;Rotulagem ambiental: um estudo sobre os fatores de deci- são de compra de produtos orgânicos. VII SEGeT – Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnolo- gia – 2010. Disponível em: https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20 final%20com%20autores.pdf. Acesso: 06 ago. 2020 https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final%20com%20autores.pdf https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final%20com%20autores.pdf 91UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável REFLITA Segundo as principais certificadoras (IBD, 2001; AAO, 2001), nos últimos anos tem-se observado um aumento do consumo de produtos orgânicos no mercado interno, apesar de todo este desempenho, os hortifrutigranjeiros não exercem significativa participação neste mercado, sendo que as culturas de maior expressão são aquelas de exportação. (O consumo de produtos da agricultura orgânica tem se caracterizado como um seg- mento diferenciado de mercado, no qual a segurança alimentar, aliado ao não uso de agrotóxicos é decisiva na opção de consumo). Para uma melhor valorização do seu produto faz-se necessário que os produtores da agricultura orgânica busquem a for- malização de um sistema de certificação para a obtenção de um rótulo para o produto orgânico. O agricultor que possuir as condições de produção ao longo do ciclo de vida estabelecido por esse sistema de certificação terá acesso a nichos de mercados com mais elevados índices de remuneração de seu produto, associado a um regime de ven- das garantidas e à construção de uma imagem de qualidade com relação ao seu cliente. Para isso faz-se necessário à adoção de Políticas bem planejadas que poderiam induzir o desenvolvimento desses agricultores marginalizados. Fonte: BARROS, J.de S.; Freitas, L. S. de. Rotulagem ambiental: um estudo sobre os fatores de deci- são de compra de produtos orgânicos. VII SEGeT – Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnolo- gia – 2010. Disponível em: https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20 final%20com%20autores.pdf. Acesso: 26 Jan. 2020 https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final%20com%20autores.pdf https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final%20com%20autores.pdf 92UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo concluímos que a principal finalidade dos produtos rotulados é in- formar, aos consumidores, sobre as práticas produtivas do fabricante para que, no ato da compra, possam tomar a melhor decisão e, desta forma, participar na difusão de um consu- mo ambientalmente sustentável, constituindo assim, vantagens para consumidor, empresa e meio ambiente, ou seja demonstrar que o processo produtivo está comprometido com o tripé da sustentabilidade. Diante da atual situação ambiental vivida, torna-se urgente a adoção de metodolo- gias eficientes para produzir de forma mais limpa pelas empresas e pelos países, no intuito de prevenir a geração de resíduos e minimizar o uso de recursos naturais. Desta forma, o desafio da humanidade para as próximas décadas é reduzir o rit- mo de crescimento da população e fazer uma drástica mudança no modo de produção e consumo da sociedade. As atividades antrópicas não podem ultrapassar a capacidade de regeneração do Planeta. No ritmo atual, estamos caminhando para o fim da espécie humana, pois com certeza com o passar do tempo a natureza com sua grande capacidade de Resiliência florescerá novamente. Os indicadores de sustentabilidade servem para mensurar as ações relacionadas ao desenvolvimento sustentável e constituem uma base útil à tomada de decisão em todos os níveis. Os indicadores constituem importantes parâmetros para orientar a gestão e o planejamento de políticas e ações que podem ser desenvolvidas. 93UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável LEITURA COMPLEMENTAR Artigo: Rotulagem Ambiental: a Validade dos Critérios na Concessão do Selo Verde para Produtos de Couro. Resumo: Produtos detentores de selos verdes informam consumidores sobre boas práticas produtivas do fabricante para que, no ato da compra, possam tomar a melhor decisão. Entretanto, programas de rotulagem ambiental que contemplam a categoria couro- -calçado possuem falhas, pois, desconsideram etapas que promovam impactos ambientais decorrentes de suas atividades. Apresentar definição dos critérios para concessão dos selos ambientais para esta categoria resulta na falta de informações sobre a realidade dos impactos ambientais relacionados à produção do couro, e estimula ações indiscriminadas e perdulárias na Amazônia brasileira. Fonte: BARRA, B. N.; RENOFIO, A. Rotulagem Ambiental: a Validade dos Critérios na Concessão do Selo Verde para Produtos de Couro. XXVIII Encontro Nacional de En- genharia de Produção, Rio de Janeiro, RJ, . 2008. Disponível em: http://www.abepro.org. br/biblioteca/enegep2008_tn_sto_088_562_12335.pdf. Acesso: 26 Jan. 2020. http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2008_tn_sto_088_562_12335.pdf http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2008_tn_sto_088_562_12335.pdf 94UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Sustentabilidade: O que é - O que não é Autor: Leonardo Boff Editora: Vozes Sinopse: O drástico aumento populacional previsto para o planeta nas próximas quatro décadas, orienta-se majoritariamente para os países emergentes e em desenvolvimento. Na razão direta deste crescimento, estipula-se para empresas e governos uma explosão de demandas de consumo e estrutura, exigindo-se dos principais atores do cenário produtivo mundial estratégias que se adéquem aos desafios do futuro de acordo com as cadavez mais iminentes metas e legislações com foco em sustentabilidade – sem com isso preterir a responsabilidade financeira devida a acionistas e cidadãos. Este é o cenário a que se destina o enfoque do livro, or- ganizado por Isak Kruglianskas e Vanessa Pinsky, Gestão Estraté- gica da Sustentabilidade. O volume, que reúne artigos de diversos especialistas e apresenta as mais variadas análises de casos de gestão da sustentabilidade corporativa, traz um texto embasado por pesquisas empíricas, constituindo-se uma leitura valiosa tanto para referência específica a cada setor, quanto para uma visão ampla das repercussões das práticas sustentáveis em adminis- tração e produção. Ao longo de 10 capítulos, são observadas diversas abordagens de gestão em variadas empresas atuantes no país, tratando do planejamento adotado por uma empresa de saúde e vacinação, da viabilização do asfalto-borracha (ecoflex), do tratamento de resíduos automotivos na parceria entre uma se- guradora e uma cooperativa, dos elos de produção/ transformação/ distribuição no setor de bovinocultura no Mato Grosso do Sul, da atuação de uma transnacional na busca de negócios sustentáveis em metrópoles no Brasil, da gestão de risco socioambiental no financiamento de projetos por um banco brasileiro, da gestão da inovação sustentável em bens de consumo, dos desafios da ges- tão de resíduos na indústria eletroeletrônica, da cadeia produtiva de embalagens PET no Brasil e da gestão da inovação tecnológi- ca e sustentável de compressores. Mantendo sempre a atenção aos aspectos sociais, ambientais e legais concernentes, Gestão Estratégica da Sustentabilidade oferece-se como uma importante contribuição para aqueles que querem e precisam pensar e orga- nizar a gestão empresarial na perspectiva de um futuro regido pelo equilíbrio entre a prosperidade econômica e a sustentabilidade. FILME/VÍDEO Título: Política Ambiental Ano: 2015 Sinopse Vídeo sobre a Política Ambiental, requisito necessário para a implantação de um Sistema de Gestão Ambiental - SGA. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=xunBYn5_pBg https://www.amazon.com.br/s/ref=dp_byline_sr_book_1?ie=UTF8&field-author=Leonardo+Boff&text=Leonardo+Boff&sort=relevancerank&search-alias=stripbooks https://www.youtube.com/watch?v=xunBYn5_pBg 95UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável WEB Sites Recomendados: 1 - Recomendo entrar no site Disponível em: https://gennegociosegestao.com. br/livros-sobre-gestao-ambiental/ Existem diversos livros muito interessantes referente a gestão ambiental. 2 - Como funciona a Integração do SGA com o Sistema de Gestão da Quali- dade? Disponível em: https://www.consultoriaiso.org/como-funciona-a-integracao-do-sga- -com-o-sistema-de-gestao-da-qualidade/. Acesso: 26 Jan.2020. Resumo: O site mostra que a integração dos sistemas de gestão ambiental e qualidade de uma organização em um único sistema tem sido uma estratégia adotada por várias empresas, especialmente no que se refere à contribuição destes na construção da melhoria contínua do empreendimento, de seus produtos e serviços. A integração com SGA torna mais eficiente a implantação da política, dos objetivos, processos, procedimentos e práticas do que por meio de sistemas de gestão individuais. 3 - Implantação de sistema de gestão ambiental em shopping center da região metropolitana da baixada santista Resumo: O empresariado brasileiro vem assumindo uma posição proativa no enfrentamento das questões ambientais e a preparação das empresas para atuar com responsabilidade é a chave para o desenvolvimento sustentável no país. O comprometi- mento do setor empresarial está vinculado ao atendimento da legislação e a implantação de sistemas de gestão, principalmente o ambiental. O presente trabalho apresenta uma proposta de Gestão Ambiental para um empreendimento pertencente a um mercado eco- nômico responsável por 18,3% do varejo e 2% do PIB nacional. Fonte: Santos, Rodrigo Martins dos; Prado, Aline Saboya . Implantação de sis- tema de gestão ambiental em shopping center da região metropolitana da baixada santista / Rodrigo Martins dos Santos; Aline Saboya Prado – Santos, 2010.Disponível em : https://cetesb.sp.gov.br/escolasuperior/wp-content/uploads/sites/30/2016/06/Rodrigo_Mar- tins_TCC.pdf. Acesso: 26 Jan. 2020. https://gennegociosegestao.com.br/livros-sobre-gestao-ambiental/ https://gennegociosegestao.com.br/livros-sobre-gestao-ambiental/ https://www.consultoriaiso.org/como-funciona-a-integracao-do-sga-com-o-sistema-de-gestao-da-qualidade/ https://www.consultoriaiso.org/como-funciona-a-integracao-do-sga-com-o-sistema-de-gestao-da-qualidade/ https://www.consultoriaiso.org/voce-sabe-o-que-e-planejamento-estrategico/ https://www.consultoriaiso.org/politica-de-qualidade-como-fazer/ https://www.consultoriaiso.org/objetivos-e-metas-da-iso-140012015-alinhados-a-gestao-de-residuos/ https://cetesb.sp.gov.br/escolasuperior/wp-content/uploads/sites/30/2016/06/Rodrigo_Martins_TCC.pdf https://cetesb.sp.gov.br/escolasuperior/wp-content/uploads/sites/30/2016/06/Rodrigo_Martins_TCC.pdf 96 Plano de Estudo: ● Conceitos de licenciamento ambiental ● Tipos de licenças ambientais ● Procedimentos para obtenção de licenças e Exigências ambientais ● Sistema de Gestão Ambiental - Finalidades Básicas da Gestão Ambiental e Empresarial ● Gestão ambiental - Avaliação de desempenho ambiental – Diretrizes NBR-ISO 14031 ● Normas da ABNT para qualidade ambiental - Introdução; Apresentação das Normas da série ISO 14000 ● Fundamentos Básicos da Gestão Ambiental - Importância da Gestão Ambiental na Empresa ● Sistemas da gestão ambiental - Requisitos com orientações para uso - ● NBR ISO 14001- Benefícios e Dificuldades Implantação ISO 14001 . ● Sistemas de gestão ambiental - Diretrizes gerais sobre princípios, ● sistemas e técnicas de apoio - NBR ISO 14004 - Implantação Do SGA Objetivos da Aprendizagem: ● Conhecer os conceitos de licenciamento ambiental ● Saber os tipos de licenças ambientais ● Conhecer os procedimentos para obtenção de licenças e Exigências ambientais ● Compreender o sistema de Gestão Ambiental - Finalidades Básicas da Gestão Ambiental e Empresarial ● Compreender a gestão ambiental - Avaliação de desempenho ambiental – Diretrizes NBR-ISO 14031 ● Entender a Normas da ABNT para qualidade ambiental - Introdução; Apresentação das Normas da série ISO 14000 ● Conhecer os fundamentos Básicos da Gestão Ambiental - Importância da Gestão Ambiental na Empresa ● Saber os sistemas da gestão ambiental - Requisitos com orientações para uso - NBR ISO 14001- Benefícios e dificuldades - Implantação ISO 14001 ● Conhecer os sistemas de gestão ambiental - Diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio - NBR ISO 14004- Implantação Do SGA ● Conhecer os fundamentos Básicos da Gestão Ambiental - Importância da Gestão Ambiental na Empresa ● Saber os sistemas da gestão ambiental - Requisitos com orientações para uso - NBR ISO 14001- Benefícios e Dificuldades - Implantação ISO 14001 UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco 97UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão INTRODUÇÃO Nesta unidade trabalharemos os conceitos de licenciamento ambiental, que foi ins- tituído pela Lei nº 6938, de 31 de agosto de 1981- Política Nacional de Meio Ambiente. Este instrumento é um pacto de caráter obrigatório entre o empreendedor e a sociedade para que os processos produtivos sejam desenvolvidos garantindo a mitigação dos impactos ambientais gerados por estes empreendimentos. O licenciamento ambiental foi colocado em prática a partir de 1975, inicialmente nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo e sua aplicação inicial se deu nas indústrias de transformação passando a abranger ao longo do tempo vários projetos de infraestrutura pro- movidos pelo próprio governo e empresas e consequentemente o licenciamentoambiental foi ampliado alcançando outras áreas como projetos de expansão urbana, agropecuária e turismo, cuja implantação possa, efetiva ou potencialmente, causar degradação ambiental. Falaremos dos tipos de licenças e os procedimentos necessários para sua obten- ção, buscando sempre atender as exigências ambientais em busca de um ambiente mais saudável e equilibrado. Descreveremos os fundamentos, objetivos, finalidades e o quão importante é o sistema de gestão ambiental para empresa. E complementando como objetivo de toda empresa que busca implantar o sistemas da gestão ambiental entender todos os requisitos de orientação descritos na NBR- ISO 14.000, Sistemas de gestão ambiental - Diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técni- cas de apoio – NBR-ISSO 14.004; Gestão ambiental - Avaliação de desempenho ambiental – Diretrizes NBRISO14.031; normas da ABNT para qualidade ambiental. 98UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão 1. CONCEITOS DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL O processo de licenciamento é visualizado por muitos como uma barreira ao pro- gresso e o crescimento econômico. Entretanto seu objetivo é exatamente o contrário sendo peça fundamental para garantir que os processos não comprometam a capacidade de suporte dos recursos naturais, para sempre estarem disponíveis a serem utilizados pelos próprios empreendimentos. Licenciamento ambiental, de acordo com o art. 1º, I da Resolução CONAMA 237/97, é assim definido: Art. 1º Para efeito desta Resolução são adotadas as seguintes defini- ções: I - Licenciamento Ambiental: procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, consideran- do as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso. [...] Ainda, com o advento da Lei Complementar nº 140/2011, ficou claro o conceito de licenciamento ambiental, conforme segue: Art. 2o Para os fins desta Lei Complementar, consideram-se: I - licenciamento ambiental: o procedimento administrativo destinado a licenciar atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencial- mente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental; [...] 99UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro- Firjan, (2004) o licenciamento ambiental é um procedimento realizado pelo órgão ambiental estadual ou pelas prefeituras municipais, que avalia as condições e impactos ambientais dos em- preendimentos e, assim, autoriza ou regulariza as atividades, a localização, a instalação, ampliação e operação destes. O Licenciamento surgiu para que o órgão ambiental público pudesse ter um con- trole sobre as atividades humanas que são capazes de causar degradação ambiental ou que utilizem de recursos naturais; como proibir, autorizar ou regularizá-las (MASSUKADO, 2004). Portanto, trata-se de uma ferramenta onde os órgãos ambientais depois de avalia- rem os sistemas produtivos bem como seus mecanismos de gestão ambiental autorizam a implantação e a operação das atividades que utilizam os recursos naturais ou ainda que sejam potencialmente poluidoras. Atualmente o processo de licenciamento ambiental é uma exigência para a autori- zação de diversas atividades. As atividades sujeitas ao processo de licenciamento ambiental podem ser encontradas nas Resoluções CONAMA 001/86, 011/86, 006/87, 006/88, 009/90 e 010/90, além disso, uma importante resolução foi a resolução 237/97 que traz o rol de atividades sujeitas ao processo de licenciamento ambiental em seu anexo. Segundo Bechara (2009), o licenciamento ambiental é obrigatório para atividades que utilizam de recursos naturais como água, madeira, solo de terrenos e etc. Isto quando utilizadas nas atividades como uma construção, instalação, ampliação, e até mesmo uma operação diária dentro de um empreendimento, se esta for considerada potencialmente poluidora, ou seja, que cause qualquer tipo de degradação ambiental. Essas ações são importantes para manter o controle, destacando: Proteger o meio ambiente; planejar e fiscalizar o uso de recursos naturais; pre- servar áreas ambientais; proteger áreas com riscos de degradação; cuidar dos recursos renováveis. O licenciamento proporciona diversos benefícios, pois sua posse demonstra que o empreendimento está cumprindo com suas responsabilidades em relação ao meio am- biente e garantindo qualidade de vida a toda sociedade. Por meio da adequação do em- preendimento às normas que existem no país, o risco de possíveis multas será eliminado e o desempenho ambiental melhorará. No âmbito econômico, pode ocasionar corte de custos, aumento da competitividade no mercado e fornecer a possibilidade de obter linhas de crédito e financiamento. 100UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão 2. TIPOS DE LICENÇAS AMBIENTAIS O Instituto Ambiental define e divide diferentes tipos de licenciamentos para ati- vidades gerais, sendo estes: Licença Prévia (LP) Licença de Operação (LO) Licença de Instalação (LI) Autorização ambiental (AA) Dispensa do Licenciamento Ambiental Estadual (DLAE) Licença Ambiental Simplificada (LAS) Licença Ambiental Simplificada de Regulari- zação (LASR) Licença de Operação de Regularização (LOR) A questão envolvendo a natureza jurídica das licenças ambientais não é pacífica entre os doutrinadores de Direito. A Resolução 237/97 assim conceitua o termo “licença ambiental”: II - Licença Ambiental: ato administrativo pelo qual o órgão ambiental compe- tente, estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental. De acordo com Bechara (2009), o licenciamento ambiental se desenvolve em três fases principais, que culminam com a outorga de licenças ambientais com escopos diver- sos: a licença prévia (LP), a licença de instalação (LI) e de operação (LO). Licença Prévia (LP): Deve ser solicitada na fase inicial do projeto e determina a viabilidade ambiental e a localização do empreendimento. Especifica as condições básicas a serem atendidas durante a instalação do empreendimento. A licença Prévia tem validade estabelecida pelo cronograma de elaboração dos planos, programas e projetos, mas não pode ser superior a 05 (cinco) anos. 101UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão Licença de Instalação (LI): Com o cumprimento das exigências contidas na LP e a apresentação dos documentos/informações necessárias, a LI é emitida e autoriza o início da implantação do projeto. O prazo de validade da Licença de Instalação (LI) deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de instalação do empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 6 (seis) anos. Licença de Operação (LO): após a instalação dos equipamentos e toda a infraestru- tura necessária à operação do empreendimento, bem como a implantação dos sistemas de controle de poluição hídrica, atmosférica, de resíduos sólidos, ruídos e vibrações, a Licença de Operação é emitida, permitindo o início das atividades operacionais. Esta licença tem validade que varia de 04 (quatro) a 06 (seis) anos. Licença Ambiental Simplificada- A Licença Simplificada (LS) é um processo de regularização voltado para empreendimentos classificados como pequenos e responsáveis por um impacto ambiental não significativo. A LAS deve ser requerida e concedida antes de iniciara implantação do empreendi- mento para que seja atestado a viabilidade ambiental, bem como a autorização da implan- tação e a operação do negócio. 102UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão 3. PROCEDIMENTOS PARA OBTENÇÃO DE LICENÇAS E EXIGÊNCIAS AMBIENTAIS O licenciamento ambiental, em razão da estrutura federativa do Brasil, bem como para não haver violação da independência dos entes federativos, pode ocorrer em três níveis de competência: federal, estadual ou municipal. A competência para o exercício do licenciamento ambiental decorre das regras de repartição de competências previstas no art. 23 da Constituição Federal. O parágrafo único de tal artigo assim dispõe: Art. 23. [...] Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a coo- peração entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. (Brasil, Constituição Federal, 1988, p. 146). Assim, resta claro que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios têm o dever de proteger o meio ambiente. Acrescenta-se a isso o fato de que o art. 225 da Constituição Federal prevê que a atuação do poder público é fundamental para que ocorra a preservação e defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado para estas e futuras gerações Ainda, o licenciamento ambiental, com base na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, tinha na Resolução CONAMA 237/1997 a principal norma estabelecedora das atribuições dos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) dentro do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). Em relação ao licenciamento ambiental, o posicionamento majoritário é o de que ele corresponde a um procedimento administrativo, por ser com conjunto de atos que culminam 103UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão na concessão ou não da licença ambiental. Tal é o entendimento da Lei Complementar nº 140/2011. A doutrina minoritária, anteriormente à publicação da Lei Complementar nº 140/2011, defendia que tal instituto corresponde a um processo. Nesse sentido é o entendimento de Talden Farias, ao aduzir que, tendo em vista seu alto grau de complexidade, sua litigiosidade e a necessidade de estabelecimento de contraditório e ampla defesa, o licenciamento ambiental se define melhor como um processo administrativo, especialmente tendo em vista o interesse público, pois o processo geraria maiores garantias de acesso e participação da coletividade. A própria legislação ora falava em procedimento (art. 1º, I da Resolução CONAMA nº 237/97) e ora falava em processo (art. 12, caput2 da Resolução CONAMA 237/97, art. 1º da Resolução CONAMA 006/883 e considerações da Resolução CONAMA nº 308/0214). O art. 10 da Resolução CONAMA 237/97 prevê que o licenciamento Ambiental possui, ao menos, oito fases, a saber: Art. 10. O procedimento de licenciamento ambiental obedecerá às seguintes etapas: I - Definição pelo órgão ambiental competente, com a participação do empreendedor, dos documentos, projetos e estudos ambientais, neces- sários ao início do processo de licenciamento correspondente à licença a ser requerida; II - Requerimento da licença ambiental pelo empreendedor, acompanhado dos documentos, projetos e estudos ambientais pertinentes, dando-se a devida publicidade; III - Análise pelo órgão ambiental competen- te, integrante do SISNAMA, dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados e a realização de vistorias técnicas, quando necessárias; IV - Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente integrante do SISNAMA, uma única vez, em decorrência da aná- lise dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados, quando couber, podendo haver a reiteração da mesma solicitação caso os escla- recimentos e complementações não tenham sido satisfatórios; V - Audiên- cia pública, quando couber, de acordo com a regulamentação pertinente; VI - Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, decorrentes de audiências públicas, quando couber, podendo haver reiteração da solicitação quando os esclarecimentos e complementa- ções não tenham sido satisfatórios; VII - Emissão de parecer técnico conclu- sivo e, quando couber, parecer jurídico; VIII - Deferimento ou indeferimento do pedido de licença, dando-se a devida publicidade.§ 1º No procedimento de licenciamento ambiental deverá constar, obrigatoriamente, a certidão da Prefeitura Municipal, declarando que o local e o tipo de empreendimento ou atividade estão em conformidade com a legislação aplicável ao uso e ocupa- ção do solo e, quando for o caso, a autorização para supressão de vegetação e a outorga para o uso da água, emitidas pelos órgãos competentes. § 2º No caso de empreendimentos e atividades sujeitos ao estudo de impacto am- biental- EIA, se verificada a necessidade de nova complementação em de- corrência de esclarecimentos já prestados, conforme incisos IV e VI, o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada e com a participação do empreendedor, poderá formular novo pedido de complementação.(BRASIL, 237/97, p. 4) 2 Art. 12. O órgão ambiental competente definirá, se necessário, procedimentos específicos para as licenças ambientais, observadas a natureza, características e peculiaridades da atividade ou empreendimento e, ainda, a compatibilização do processo de licenciamento com as etapas de planejamento, implantação e operação. 3 Atualmente revogada pela Resolução CONAMA 313/2002. A redação do referido artigo era a seguinte: “ No processo de licenciamento ambiental de atividades industriais, os resíduos gerados dou (sic) existentes deverão ser objeto de controle específico.” 4 Atualmente revogada pela Resolução CONAMA 404/2002. Um dos trechos de suas considerações assim dizia: “Considerando as dificuldades dos municípios de pequeno porte para implantação e operação de sistemas de disposição final de resíduos sólidos, na forma em que são exigidos no processo de licenciamento ambiental;”. 104UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão 4. SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL - FINALIDADES BÁSICAS DA GESTÃO AMBIENTAL E EMPRESARIAL Confundir os significados de termos usados no setor corporativo quando se fala em gestão, gerenciamento e administração são muito comuns, e no meio ambiental isto também ocorre. Embora os conceitos sejam bastante parecidos, cada um possui a sua especificação. Desta forma, iniciaremos a explicação pelo conceito de administração, o que fará com que o entendimento dos conceitos de gestão e gerenciamento seja mais facilmente entendido. Na visão de Chiavenato (2001) administração – Do latim “administrare”, trata dos aspectos gerais da empresa. Ou seja, a administração tem como função criar mecanismos para solucionar os diversos problemas que surgem em uma organização, seja de natureza financeira, patrimonial e humana, bem como do marketing, da produção, da concorrência, do mercado, que tenha a finalidade atingir os objetivos da organização. É a parte que trata dos assuntos macro da empresa. Já o Gerenciamento compreende aspectos mais específicos, pois irá tratar de setores ou departamentos de uma organização, podendo no caso perfeitamente ser o setor ambiental da empresa. O gerente ambiental desenvolve práticas para coordenar a utilização dos recursos naturais, buscando meios de proteger e preservar o meio ambiente. Ainda como premissa 105UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão principal deve observar se a empresa atua em conformidade com o que foi estabelecido previamente na política ambiental. Exemplo de gerenciamento na área de resíduo seria um conjunto de ações exer- cidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final dos rejeitos sem agrediro meio ambiente. Já o termo gestão na concepção de Azambuja (2002), [...] está relacionado à am- plitude, sugere ao administrador “o que fazer”, dentro de uma visão ampla. A figura do gerenciamento sugere ao administrador o “como fazer”. A gestão compreende as ações referentes à tomada de decisões políticas e estra- tégicas, quanto aos aspectos institucionais, operacionais, financeiros, sociais e ambientais. O gestor exercer o papel de forma mais criativa e habilidosa, devendo gerir, geren- ciar, administrar, organizar, planejar, pensar o processo de maneira eficiente do ponto de vista das técnicas, das pessoas incentivando a participação, estimulando a responsabilida- de e autonomia dos funcionários, e do ambiente do qual irá retirar os recursos que pretende transformar em produto final. O Gestor Ambiental deve utilizar-se de técnicas e conhecimentos para garantir o uso racional dos recursos naturais. Sua função consiste em planejar e executar projetos sempre visando estratégias sustentáveis para minimizar possíveis impactos causados à natureza. Massukado (2004) mostra as diferenças entre gestão e gerenciamento no quadro 01. QUADRO 01: CARACTERÍSTICAS DIFERENCIADORAS ENTRE GESTÃO E GERENCIAMENTO GESTÃO GERENCIAMENTO O que fazer Como fazer Visão Ampla Implementação dessa visão Decisões estratégicas Aspectos operacionais Planejamento, definição de diretrizes e estabelecimento de metas. Ações que visão implementar e operacionalizar as diretrizes estabelecidas pela gestão Conceber, planejar, definir e organizar. Implementar, orientar, coordenar, controlar e fiscalizar Fonte: Massukado (2004). 106UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão A gestão ambiental integra: 1. A política ambiental - consiste nos princípios doutrinários de proteger e conser- var o ambiente. 2. O planejamento ambiental - visa adequar o uso, controle e proteção do ambiente que são descritas formal ou informalmente na política ambiental. 3. O gerenciamento ambiental - mecanismos de regulação do uso, controle, prote- ção e conservação do meio ambiente com os princípios doutrinários estabeleci- dos pela política ambiental. Para Massukado (2004) o gerenciamento ambiental é membro integrante da gestão ambiental. Desta forma o termo Gestão Ambiental busca de forma permanente a melhoria contínua das questões ambientais, orientando a criação de uma política ambiental. Outro objetivo é promover a compatibilização das atividades com a qualidade e a preservação do patrimônio ambiental. Na gestão ambiental há também objetivos específicos que são claramente definidos pela norma NBR-ISO 14.001: ● Implementar, manter e aprimorar um sistema de gestão ambiental. ● Assegurar-se de sua conformidade com a política ambiental definida. ● Demonstrar tal conformidade a terceiros. ● Buscar certificação/registro do seu sistema de gestão ambiental por uma organização externa. ● Realiza auto-avaliação e emitir autodeclaração de conformidade com essa Norma. Além dos objetivos específicos, há outros objetivos a serem alcançados e que são de grande importância para um desenvolvimento sustentável: ● Uso de recursos naturais de forma racional. ● Adoção de sistemas de reciclagem de resíduos sólidos. ● Tratamento e reutilização da água e outros recursos naturais dentro do processo produtivo. ● Criação de produtos que provoquem o mínimo possível de impacto ambiental. ● Treinamento de funcionários para que conheçam o sistema de sustentabilidade da empresa, sua importância e suas formas de colaboração. ● Criação de programas de pós-consumo para retirar do meio ambiente os produ- tos, ou partes deles, que possam contaminar o ambiente. 107UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia Existem diversas razões que levam as empresas a adotar e praticar a gestão ambiental, que podem percorrer desde procedimentos obrigatórios de atendimento da legislação ambiental até a fixação de políticas ambientais que visem à conscientização de todo o pessoal da organização. (FORNO, 2017). Nesse sentido, Dal Forno (2017, p. 14) ressaltar que: O ambiente é visto, então, como processos de natureza e de sociedade, como dinâmicas de natureza e como dinâmicas de sociedade. Acrescente-se que a natureza pode ser vista como elemento e também como recurso: elemento enquanto parte, e recurso enquanto algo que se pretende usufruir. E, neste sentido, é bom lembrar que dinâmicas de natureza e dinâmicas de sociedade têm um espaço geográfico social de tempos diferentes. A natureza produz em um tempo, e a sociedade produz em outro tempo, geralmente mais breve, mais rápido e mais intenso do que a própria natureza. (FORNO, 2017, p. 14). Para Dal Forno (2017) o ser humano intervém tecnicamente no processo para satis- fazer seus desejos mudando o fluxo normal e tornando mais rápido o processo, o qual não seria realizado de forma natural na natureza. “A natureza é necessária para manutenção de qualquer forma de vida. É com este cuidado de respeito à vida que se deve efetivar a gestão ambiental.” (FORNO, 2017, p. 14). E infelizmente, nessa apropriação muitas vezes desordenada da natureza surgem diversos impactos ambientais. Devido ao aumento considerável desses impactos negativos ao meio ambiente e às pessoas, nas últimas décadas, as preocupações referentes às questões ambientais se intensificaram de tal maneira que iniciativas dos variados setores da sociedade, têm sido desenvolvidas no intuito de minimizar as consequências ocasionadas pelo uso desgover- nado dos recursos naturais. No entanto, outras razões que levam as empresas a adotar e praticar a gestão ambiental são: ● Os recursos naturais (matérias-primas) são limitados e estão sendo fortemente afetados pelos processos de utilização, exaustão e degradação decorrentes de atividades públicas ou privadas, portanto estão cada vez mais escassos relati- vamente mais caros ou se encontram legalmente mais protegidos. ● Os bens naturais (água, ar) já não são mais bens considerados infinitos que po- dem ser utilizados livremente sem valor agregado. Por exemplo, a água possui valor econômico, ou seja, paga-se, e cada vez se pagará mais por esse recurso natural. Determinadas indústrias, principalmente com tecnologias avançadas, necessitam de áreas com relativa pureza atmosférica. Ao mesmo tempo, uma residência num bairro com ar puro custa bem mais do que uma casa em região poluída. 108UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão ● A legislação ambiental exige cada vez mais respeito e cuidado com o meio ambiente, exigência essa que conduz coercitivamente a uma maior preocupação ambiental. ● Pressões públicas de cunho local, nacional e mesmo internacional exigem cada vez mais responsabilidades ambientais das empresas. ● Bancos, financiadores e seguradoras dão privilégios a empresas ambientalmente sadias ou exigem taxas financeiras e valores de apólices mais elevadas de firmas poluidoras. ● A sociedade em geral e a vizinhança em particular está cada vez mais exigente e crítica no que diz respeito a danos ambientais e à poluição provenientes de empresas e atividades. ● Organizações não governamentais estão mais vigilantes, exigindo o cumprimento da legislação ambiental, a minimização de impactos, a reparação de danos ambientais ou impedem a implantação de novos empreendimentos ou atividades. ● Compradores de produtos intermediários estão exigindo cada vez mais produtos que sejam produzidos em condições ambientais favoráveis. ● A imagem de empresas ambientalmente saudáveis é mais bem aceita por acionistas, consumidores, fornecedores e autoridades públicas. ● Acionistas conscientes da responsabilidade ambiental preferem investir em empresas lucrativas sim, mas principalmente que sejam ambientalmente responsáveis. Desta forma, a demanda por produtos cultivados ou fabricados de forma ambiental- mentecompatível cresce mundialmente, em especial nos países industrializados. Os con- sumidores tendem a dispensar produtos e serviços que agridem o meio ambiente. 109UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão 4. GESTÃO AMBIENTAL - AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO AMBIENTAL – DIRETRI- ZES NBR ISO 14031 Segundo (Forno, 2017, p. 14) os Indicadores segundo a Norma ISO 14.000, que repre- senta uma das mais significativas contribuições para a atividade industrial humana foi a Gestão pela Qualidade Total – GQT (CAMPOS, 1992), logo estendida aos setores terciário e primário, bem como suas variantes, representados pelas Normas ISO série 9000 e ISO série 14000. A NBR ISO 14031 trata especificamente da Avaliação de Desempenho Ambien- tal (ISO, 2004). Ela recomenda o uso do modelo PDCA, proveniente da GQT, e oferece metodologias para determinação de indicadores para avaliar o desempenho ambiental, organizados em dois grupos principais: a) Grupo A: indicadores de desempenho ambiental, subdivididos em: ● Indicadores de desempenho de gestão (IDG): implantação de políticas e de pro- gramas; conformidades; desempenho financeiro; relações com a comunidade. ● Indicadores de desempenho operacional (IDO): quantidade de materiais utili- zados nos processos; quantidade de energia utilizada nos processos; serviços de suporte às operações da instituição; infraestrutura e equipamentos utilizados pela instituição; fornecedores e clientes; produtos; serviços executados pela empresa; resíduos da produção; emissões. 110UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão b) Grupo B: Indicadores de condições ambientais - locais ou regionais (ICA); ar, água, solo, flora, fauna; seres humanos, comunidade, estética, cultura e heranças para as próximas gerações. Os indicadores e os índices servem como: suporte para tomada de decisões, ajudando os gestores na atribuição de fundos, alocação de recursos naturais e determina- ção de prioridades; comparação de condições em diferentes locais ou áreas geográficas; informação sobre o nível de cumprimento das normas ou critérios legais; séries de dados para detectar tendências no tempo e no espaço; aplicações em desenvolvimentos científi- cos servindo nomeadamente de alerta para a necessidade de investigação científica mais aprofundada e informação ao público sobre os processos de desenvolvimento sustentável. Os indicadores de desempenho ambiental podem ser muito úteis para diferentes stakeholders como: 1. Dar respaldo para autoridades públicas sobre as emissões de poluentes para o solo, ar e água; 2. Dar respaldo para as comunidades envolventes sobre os níveis de ruído junto da empresa, 3. Dar respaldo aos clientes sobre o percentual de fornecedores avaliados ambientalmente, 4. Dar respaldo para os trabalhadores sobre o número anual de horas de formação ambiental, 5. Dar respaldo para instituições financeiras sobre o percentual de investimentos em tecnologia de produção mais limpa; 6. Dar respaldo para ONG% sobre as compras de produtos ambientalmente adequados; A definição de indicadores ambientais requer o conhecimento de como a empresa impacta o meio ambiente, e esse índice é detectado através do mapeamento dos principais impactos ambientais que a organização causa; quais são as suas principais emissões, prevendo a quantificação do impacto como sua intensidade se é crítico, moderado ou fraco. Implica ainda em conhecer o que o concorrente está fazendo usando indicadores comparativos de suas práticas organizacionais com as de outras empresas. Benchmarking (comparações com referenciais) é uma prática aceita e difundida na área da Qualidade. E quais são os objetivos da empresa. Os indicadores devem levar à escolha de objetivos e metas factíveis e mensuráveis; desta maneira, um critério formal deve estar desenvolvido para selecionar objetivos e metas. 111UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão 6. NORMAS DA ABNT PARA QUALIDADE AMBIENTAL - INTRODUÇÃO; APRE- SENTAÇÃO DAS NORMAS DA SÉRIE ISO 14000 As relações internacionais ou o comércio internacional vem sendo apontado como fator capaz de estimular a adoção de melhores práticas ambientais nas empresas. A ISO é uma organização mundial para normalização (International Organization for Standardization) localizada em Genebra na Suíça, foi fundada em 1947. A finalidade da ISO é desenvolver e promover normas e padrões mundiais que traduzam o consenso dos diferentes países do mundo de forma a facilitar o comércio internacional. A ISO tem cento e dezenove (119) países membros e a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT é o representante brasileiro. A ISO 14000 é uma série de padrões internacionalmente reconhecidos, por estru- turar o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) de uma organização e o gerenciamento do desempenho ambiental. As empresas ao implantar um SGA devem investir tempo para o planejamento, já que as atividades não são simples. As atividades são de uma complexida- de onde a administração da organização precisa envolver todos em seu processo. Desta forma as normas da Série ISO 14000 foram desenvolvidas pelo Comitê Téc- nico 207 da INTERNATIONAL ORGANIZATION for STANDARDIZATION – ISO -TC 207. Trata-se de um grupo de normas que fornece ferramentas e estabelece um padrão de Sistema de Gestão Ambiental, abrangendo seis áreas bem definidas: 112UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão ● Sistemas de Gestão Ambiental (Série ISO 14001 e 14004); ● Auditorias Ambientais (ISO 14010, 14011, 14012 e 14015); ● Rotulagem Ambiental (Série ISO 14020, 14021, 14021 e 14025); ● Avaliação de Desempenho Ambiental (Série ISO 14031 e 14032); ● Avaliação do Ciclo de Vida de Produto (Série ISO 14040, 14041, 14042 e 14043); ● Termos e Definições (Série ISO 14050). A Norma NBR Série ISO 14001 especifica as principais exigências para a implan- tação e adoção de um sistema de gestão ambiental, orientando a empresa na elaboração da política ambiental e no estabelecimento de estratégias, objetivos e metas, levando em consideração os impactos ambientais significativos e a legislação ambiental em vigor no país (ISO, 2015). Em suma, de acordo com a figura 01 as normas contidas na Série ISO 14000 são dirigidas para a organização e para o produto. As normas dirigidas para o produto dizem respeito a determinação dos impactos ambientais de produtos e serviços sobre o seu ciclo de vida, rotulagem e declarações ambientais. As normas dirigidas para a organização proporcionam um abrangente guia para o estabelecimento, manutenção e avaliação de um sistema de gestão ambiental (Meystre, 2003). FIGURA 01: EXEMPLOS DE NORMAS DA SÉRIE ISO 14000 Fonte: Meystre, (2003). Os elementos-chave, ou os princípios definidores de um Sistema de Gestão Ambiental baseados na NBR Série ISO 14001 conforme representados na figura 02 são: Introdução; objetivo; referências normativas; termos e definições; requisitos do sistema de 113UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão gestão ambiental (requisitos gerais: (1) Política ambiental; (2) Planejamento; (3) Implemen- tação e operação; (4) Verificação e ação corretiva; (5) Análise crítica, pela administração); e orientações para o uso da norma (ISO, 2004) são representadas pela espiral apresentada na Figura abaixo. FIGURA 02: ESPIRAL DEFINIDORES DE UM SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL BASEADO NA NBR SÉRIE ISO 14001 Fonte: Forte (2007) Para implementar um Sistema de Gestão Ambiental a direção da empresa deve formalizar que sua instituição deseja adotar um SGA. Nessa formalização é importante demonstrar claramente as intenções, com ênfase nos benefícios a serem obtidos com a sua adoção. Essa medida demonstra que a alta direção da empresa está comprometida com a realização de palestras de conscientização e de esclarecimentos da abrangência pretendi- da, realização de diagnósticos ambientais, definiçãoformal do grupo coordenador, definição de um cronograma de implantação, e, finalmente, no lançamento oficial do programa de implantação do SGA. A ISO 14001 é baseada no ciclo PDCA do inglês “plan-do-check-act” – planejar, fazer, checar e agir – e utiliza terminologia e linguagem de gestão, apresentando uma série de benefícios para a organização. Através do ciclo PDCA a implantação de um SGA, segundo a norma NBR ISO 14001 faz com que o processo produtivo seja reavaliado continuamente, refletindo na bus- ca por procedimentos, mecanismos e padrões comportamentais menos nocivos ao meio ambiente. 114UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão 7. FUNDAMENTOS BÁSICOS DA GESTÃO AMBIENTAL - IMPORTÂNCIA DA GESTÃO AMBIENTAL NA EMPRESA Desenvolvimento sustentável é uma das palavras mais faladas no século XXI, e seu conceito surgiu nos anos 70 mais precisamente depois da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente em Estocolmo. A partir dessa conferência houve significativamente muitas pressões para que as empresas buscassem mecanismos para administrar melhor a questão ambiental e tomas- sem medidas de proteção do meio ambiente. Nesse contexto foram criados métodos e processos com objetivo de tornar o siste- ma produtivo menos poluidor possível. Etimologicamente o termo gestão tem sua origem na palavra ger que tem significa- do de fazer brotar, nascer, germinar. No geral, a palavra gestão tem sua raiz no verbo gero, gessi, gestum, significando levar sobre si, carregar, chamar a si, exercer, gerar e executar (CURY, 2002). O SGA constitui uma ferramenta capaz de identificar problemas e trazer soluções ambientais baseadas no conceito de melhoria contínua (POMBO, 2008). Desta forma a função do sistema de gestão ambiental é sintetizar como possibili- dade de desenvolver, implementar, organizar, coordenar e monitorar as atividades organi- zacionais relacionadas ao meio ambiente atendendo a legislação pertinente e redução de resíduos em todos os segmentos do processo (MELNYK; SROUFE; CALANTONE, 2002). 115UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão Um sistema de gestão ambiental (SGA) apoia as organizações no controle e a redução contínua de seus impactos ambientais e contribui significativamente no quesito de responsabilidade social e atendimento da legislação, inclusive utilizando de forma racional os recursos naturais como água, energia com finalidade geral de equilibrar a proteção ambiental e a prevenção de poluição com as necessidades socioeconômicas. (MELNYK; SROUFE; CALANTONE, 2002) O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) constitui uma parte do sistema global de gestão de uma organização que visa o controle dos seus aspectos ambientais, através de uma abordagem estruturada e planeada à gestão ambiental, em todas as suas vertentes (ar, água, etc.), envolvendo toda a estrutura da organização e todos os outros que sejam influenciados pelas atividades, equipamentos, produtos e processos da organização que provocam ou podem vir a provocar danos ambientais, implementando um processo proativo de melhoria contínua. (MELNYK; SROUFE; CALANTONE, 2002) Este processo é dinâmico visto que está sujeito a uma avaliação periódica, onde são analisados os objetivos e metas traçados, o seu cumprimento e a eficácia das medidas corretivas implementadas. (POMBO et al., 2008). Para Pombo (2008) este esforço de gestão deve resultar numa melhoria sempre contínua do desempenho da organização em matérias ambientais. Um sistema deve assegurar, como mínimo, os seguintes aspectos: Definir a estru- tura operacional; estabelecer as atividades de planejamento; definir as responsabilidades; definir os recursos; estabelecer as práticas e procedimentos; assegurar a identificação dos aspectos ambientais e determinar a sua significância e demonstrar o cumprimento dos requisitos legais e outros que a organização subscreva. As práticas ambientais são vistas, segundo Pombo (2008), como parte das respon- sabilidades sociais das empresas, e têm se tornado uma questão de estratégia competitiva, marketing de finanças, relações humanas, eficiência operacional e desenvolvimento de produtos. Na busca de procedimentos gerenciais ambientalmente corretos, incluindo aqui a adoção de um Sistema Ambiental (SGA), encontra inúmeras razões que justificam a sua adoção. Assim, os propósitos predominantes podem variar de uma organização para outra. No entanto, eles podem ser resumidos nos seguintes princípios básicos conforme demons- trado no quadro 2, onde apresentamos uma síntese das práticas do SGA, mais abordadas na literatura. 116UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão TABELA 01: PRÁTICAS DO SGA PRÁTICA DEFINIÇÃO Energia Pressupõe conciliar desenvolvimento com uso racional. É busca por fontes de energia limpas e renováveis Resíduos Busca pela redução do peso ou o volume dos resíduos gerados, muitas vezes modificando suas características, a fim de produzir o mínimo de resíduos e reduzir seu grau de periculosidade. Custos Produti- vos Eliminar ou reduzir os impactos produtivos na fonte de geração, em vez de preo- cupar-se com seu tratamento que geram custos para adequar-se à legislação. Fornecedores A gestão ambiental deve ser considerada uma cadeia, desse modo, nota-se a im- posição a fornecedores diretos e indiretos de requisitos socioambientais associa- dos ao processo produtivo e/ou ao produto. Água/Efluentes A água utilizada na produção deve ser tratada para minimizar o impacto causado no ambiente e nas correntes de água, caso contrário terá seu uso inviabilizado. Legislação O licenciamento ambiental, como principal instrumento de prevenção de danos ambientais, age de forma a prevenir os danos que uma determinada atividade po- deria causar ao ambiente. Colaboradores Ações como campanhas de motivação, educação ambiental e treinamento dos co- laboradores para que eles assumam uma postura de respeito ao meio ambiente, assegurando práticas adequadas na execução de suas atividades. Fonte: Adaptado. (FORNO, 2008) Desse modo, salienta-se que as empresas podem adotar estas práticas por vários fatores, porém, segundo Forno (2008), algumas práticas e valores mais sustentáveis são distinguidos e disseminados entre as organizações, as quais tendem a adotá-las, muitas vezes, devido a pressões externas, assumindo caráter estratégico. 117UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão 8. SISTEMAS DA GESTÃO AMBIENTAL - REQUISITOS COM ORIENTAÇÕES PARA USO - NBR ISO 14001- BENEFÍCIOS E DIFICULDADES IMPLANTAÇÃO ISO 14001 Embora o principal objetivo de uma empresa seja o lucro, as questões ambientais têm se tornado cada vez mais importantes em função do aumento da conscientização do consumidor. Assim, conhecida mundialmente a ISO 14001 tem como princípio preservar o meio ambiente através do controle dos impactos ambientais e permite a empresa demonstrar para seus consumidores que está engajada com causas sustentáveis. Desperta maior atratividade perante investidores devido a credibilidade e maior confiabilidade na marca da empresa, uma vez que o certificado representa um selo susten- tável, e o mercado visualiza a empresa de forma positiva, proporcionando o surgimento de novos negócios internacionais. Desta forma a consciência ecológica está abrindo caminhos para o desenvolvimen- to de novas oportunidades de negócio e, com isso, facilitando a inclusão das empresas brasileiras no mercado internacional (POMBO, 2008). A empresa torna-se mais eficaz e consciente, por ter maior controle dos custos, diminuição dos gastos desnecessários, e na contratação de seguros devido redução dos riscos de acidentes e consequentemente também evita multas por impactos negativos; proporciona melhoria no desenvolvimento sustentável nas empresas a partir da implanta- 118UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão ção do SGA; e consequentementefomenta auditorias ambientais; proporciona criação de comunicação ambiental nas empresas. Tem maior facilidade de acesso a empréstimos; motivação dos colaboradores para atingirem metas e objetivos ambientais; influência positiva nos demais processos internos de gestão, melhoria do moral dos colaboradores. Na tabela 02 são demonstrados alguns dos benefícios obtidos com a ISSO 14001 de forma resumida. TABELA 02: BENEFÍCIOS OBTIDOS COM O ISO 14001 BENEFÍCIOS DEFINIÇÃO Custos produti- vos Redução de custos. Maior reaproveitamento dentro da própria organização Imagem organi- zacional O SGA promove a conformidade com a legislação, à minimização de impactos negativos ao ambiente, isso resulta na melhoria da imagem da organização junto à sociedade. Atendimento a legislação Redução dos custos inerentes ao cumprimento da legislação, devido ao fato de a empresa adequar-se antes de receber multas, e também tem um tempo para adequação maior. Conscientização dos colaborado- res Ao estabelecer-se, o SGA promove a definição de funções, responsabilidades e autoridades, levando a um aumento da conscientização e motivação dos colabo- radores para estas questões ambientais. Benefícios intan- gíveis Melhoria do gerenciamento, padronização dos processos, rastreabilidade de in- formações técnicas, etc. Fonte: (FORNO, 2008) Contudo a ISO 14001 precisa que as organizações desenvolvam uma política ambiental comprometida com as necessidades de prevenir poluição, melhoria contínua; que demonstre os aspectos ambientais de sua operação e atenda as exigências legais, fixe objetivos e metas consistentes com política ambiental; estabelece um programa de gerenciamento ambiental; implemente e operacionalize um programa que inclua uma estrutura e responsabilidade definida, treinamento, comunicação, documentação, controle operacional, e preparação para atendimento a emergências; confira as ações corretivas incluindo o monitoramento, a correção, a ação preventiva e a auditoria; e faça uma revisão do gerenciamento. Complementando, Oliveira, & Serra (2010) ressaltam que existem vários entraves na gestão de um SGA com base na norma NBR ISO 14001 conforme demonstrado na tabela 03. 119UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão TABELA 03: DIFICULDADES DE IMPLEMENTAÇÃO ISO 14001 DIFICULDA- DE DEFINIÇÃO Recursos eco- nômicos Problemas de caráter econômico devido à falta de recursos financeiros para aqui- sição de tecnologias mais avançadas. Legislação Dificuldades de implementação de procedimentos de avaliação periódica ineren- tes ao cumprimento da legislação ambiental aplicável. Cultura dos co- laboradores Dificuldade de internalização pelos colaboradores do real significado de desen- volvimento sustentável, bem como rejeição a novos paradigmas e novas práticas. Realizar a men- suração Dificuldade de mesurar os resultados da implementação de um SGA, visto que este é um tópico complexo e pouco abordado nas organizações. Profissionais Dificuldade de encontrar pessoas e fornecedores com a qualificação e experiên- cia necessária para implementar o SGA de maneira correta e eficaz. Fonte: (FORNO, 2008) No Brasil, tem aumentado consideravelmente o número de empresas que desen- volveram a gestão ambiental com base na norma NBR ISO 14001. A norma NBR ISO 14001 estabelece um conjunto de requisitos necessários que precisam ser cumpridos pelas empresas e organizações, independente do segmento ou tamanho, para estar de acordo com princípios estabelecidos pela legislação. E para aten- der a ISO 14001, as organizações precisam identificar qual é a legislação aplicável deste escopo ao seu negócio e monitorar, constantemente, o atendimento aos requisitos legais. Esse monitoramento deve ser de forma documentada, para evidenciar o atendimento das disposições da ISO 14001. (NBR ISO 14001: 2004). 120UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão 9. SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL - DIRETRIZES GERAIS SOBRE PRINCÍPIOS, SISTEMAS E TÉCNICAS DE APOIO - NBR ISO 14004 - IMPLANTAÇÃO DO SGA A empresa ao implantar um SGA está buscando mecanismos para que seus pro- cessos produtivos tenha uma política ambiental estabelecida em padrões comportamentais menos nocivos ao meio ambiente (CAMPOS; MELO, 2008). Assim, conforme demonstrado na figura 03 apresenta de forma esquemática, o fluxo do processo de melhoria contínuo do sistema de gestão ambiental. FIGURA 03: FLUXO DO PROCESSO DE MELHORIA CONTÍNUA DO SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL Fonte: Sistema de Gestão Ambiental (NBR ISO 14001: 2004) 121UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão Entretanto, é importante ressaltar que a implementação de um sistema de gestão ambiental não tem fronteiras de estanques, ou seja, existem ou podem existir intersecções entre atividades inseridas em diferentes etapas. Assim, as principais etapas de implantação do SGA são constituídas por cinco princípios e em cada um deles demonstraremos as etapas necessárias para que o SGA seja corretamente implantado. Primeiramente a empresa precisa realizar levantamento da situação inicial, onde se conhece a realidade da empresa em relação à questão ambiental. Analisa a organização no que, como e com o quê faz, identificando todas as suas atividades, observando como desenvolve o processo produtivo, embalagem e transporte, desempenho ambiental e as práticas dos subcontratados e fornecedores, gestão de resíduos, etc. Neste momento a empresa realiza uma auditoria interna com objetivo de perceber a atual situação que se encontra. Em seguida realizar a sensibilização da gestão é o momento de apresentar o resultado do diagnóstico inicial e sensibilizar a gestão de topo para as vantagens de imple- mentação de um SGA e posteriormente deve aplicar o primeiro princípio: 1 PRINCÍPIO DA POLÍTICA AMBIENTAL A norma NBR Série IS0 14001 define Política Ambiental como “Declaração da organização das suas intenções e princípios com relação a seu desempenho global e que devem nortear o planejamento de ações e o estabelecimento de seus objetivos e metas ambientais”. Entender que ISO deve ser um compromisso de todos e ser alinhada com outras políticas da empresa. 2 PRINCÍPIO DO PLANEJAMENTO Nesta etapa a Série ISO 14001 orienta que a organização avalie a política ambiental estabelecida e elabore seu plano de forma que possa atender todos os requisitos por ela estabelecidos. A Série ISO 14001 orienta que este plano deve conter: aspectos ambientais; requisitos legais e outros requisitos; objetivos e metas; e programas de gestão ambiental. 2.1 Aspectos ambientais Neste item a norma pretende fazer com que a organização tenha claro todos os significativos, reais e potenciais impactos ambientais que possa ocasionar no desenvolvi- 122UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão mento de suas atividades, produtos e serviços, para que possa controlar os aspectos sob sua responsabilidade (MEYSTRE, 2003). Reis & Queiroz (2002) esclarecem que segundo esta norma, aspecto ambiental significa a causa de danos ambientais e impacto ambiental significa os seus efeitos ambien- tais, adversos ou benéficos. 2.2 Requisitos legais e outros requisitos A Organização deve demonstrar que tem pleno conhecimento de toda a legislação ambiental aplicável e conhece as suas implicações e aplica os procedimentos. 2.3 Objetivos e metas Devem refletir os aspectos e impactos ambientais significativos e relevantes visando o desdobramento em metas e objetivos ambientais a serem alcançados operacionalmente por setores específicos da empresa, com definição das responsabilidades. Buscar definir as metas com objetivo de melhoria contínua do SGA; Esforço contínuo para evitar/minimi- zar impactos ambientais. Os objetivos devem ser específicos e as metas mensuráveis. As metas ambientais devem apresentar requisito detalhado de desempenho ambiental passí- vel de serquantificado e praticável, aplicável à organização ou parte dela, decorrente dos objetivos ambientais. A meta deve ser proposta e alcançada para que sejam considerados cumpridos os objetivos. Exemplo: quantidade de resíduos por tonelada de produtos 2.4 Programas de Gestão Ambiental É o estabelecimento de roteiro com cronograma de execução, que seja possível fazer comparações entre o previsto e o realizado, alocação de recursos financeiros, às atividades, definição de responsabilidades e prazos para cumprimento dos objetivos e metas estabelecidos. Deve-se considerar o que? Quando? Por quê? Onde e como? Ferramenta básica do planejamento. 3 PRINCÍPIO DA IMPLEMENTAÇÃO E OPERAÇÃO É neste princípio que a empresa deve desenvolver os mecanismos de apoio ne- cessários para atender o que está previsto em sua política, e nos seus objetivos e metas ambientais. 123UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão 3.1 Estrutura organizacional e Responsabilidade Como o próprio nome diz, é o momento de definir as funções, responsabilidades e autoridade, documentadas ainda repassadas no intuito de facilitar o desenvolvimento de uma gestão ambiental eficaz. E cabe a administração o fornecimento dos recursos seja financeiro ou tecnológico necessário à implantação e controle do sistema de gestão am- biental. 3.2 Treinamento, Conscientização e Competência Cabe à empresa desenvolver treinamentos que propiciem aos seus empregados a conscientização da importância e responsabilidade em atingir a conformidade com a política ambiental; conhecimento para avaliar os impactos ambientais significativos, reais ou potenciais de suas atividades. 3.3 Comunicação Este item relata a importância da empresa criar, desenvolver e demonstrar e manter procedimentos para a comunicação interna e externa. Criar canais de comunicação que seja claro, e possa fluir regularmente com informações organizacionais e técnicas entre os vários níveis e funções dentro da organização. Ter a prática de documentar todas as infor- mações relevantes recebidas e enviadas das partes externas interessadas nos aspectos ambientais e no sistema de gestão ambiental (FORNO, 2008). 3.4 Documentação do Sistema de Gestão Ambiental Segundo documentos 39, Embrapa Meio Ambiente (2004, p. 12) A documentação deve assegurar que o sistema de gestão ambiental seja compreendido pelo público interno e externo com o qual a empresa mantém relações, tais como clientes, fornecedores, go- verno, sociedade civil em geral, etc. Defina os tipos de documentos que podem variar em função do porte e complexidade da empresa, podendo ser sob a forma física ou eletrônica. (EMBRAPA MEIO AMBIENTE, 2004, p. 12). Consiste em integrar e compartilhar com a documentação de outros sistemas; identificar e atualizar periodicamente; documentação típica do SGA; manual do SGA; procedimentos operacionais; instruções de trabalho e registros. 124UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão 3.5 Controle de documentos As evidências que relatam a responsabilidade ambiental dentro dos processos desenvolvidos pela empresa devem ser localizadas, analisada e periodicamente atualizada quanto à conformidade com os regulamentos, leis e outros critérios ambientais assumidos pela empresa. Devem estar atentas as versões atualizadas da norma e atender os requisi- tos exigidos pela Série 14001. 3.6 Controle operacional A empresa que se propõe adotar sistema de gestão ambiental deve periodicamente fazer controle operacional onde identificará as atividades potencialmente poluidoras visan- do garantir melhor desempenho ambiental principalmente no compromisso assumido em sua política ambiental relacionado à “prevenção da poluição”. 3.7 Preparação e atendimento a emergências Neste quesito retrata a importância do estabelecimento de ações de contingências. Essas ações devem ser de conhecimento de todos os funcionários envolvidos no processo no intuito de agir com rapidez em situações de emergências e eventos não controlados. Consiste em identificar e classificar áreas de riscos e processos críticos; identificar riscos potenciais de acidentes e situações emergências (questões de saúde, segurança e aspec- tos ambientais) e responder prontamente e adequadamente às situações adversas. 4 PRINCÍPIO DA VERIFICAÇÃO E AÇÃO CORRETIVA Nesta etapa é o momento de avaliar se o que foi estabelecido na política, nos objetivos e metas está sendo cumprido. Hora de comparar o previsto e realizado. Avaliar se a empresa está operando de acordo com o programa de gestão ambiental previamente definido, identificando aspectos não desejáveis e mitigando quaisquer impactos negativos, além de tratar das medidas preventivas. A Verificação e Ação Corretiva são etapas orientadas por quatro características básicas do processo de gestão ambiental: Monitoramento e Medição, Não conformidades e Ações Corretivas e Preventivas, Registros, e Auditoria do SGA 4.1 Monitoramento e Medição O sistema de gestão ambiental envolve as fases de planejamento, implementação, execução, operação e avaliação dos resultados alcançados. No entanto, é preciso também 125UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão monitorar e controlar para verificar a existência de desvios e corrigi-los, ou seja, estabelecer medidas-padrão para a verificação do desempenho ambiental das empresas. Segundo Mo- reira (2001), monitorar um processo significa acompanhar a evolução dos dados, ao passo que controlar um processo significa manter o processo dentro dos limites preestabelecidos. 4.2 Não conformidades e Ações Corretivas e Preventivas As pessoas responsáveis por esta etapa precisam ter bem definidos o conceito de “Não conformidade” e a responsabilidade pela observação da documentação, comunicação e correção das “Não conformidades”. A norma estabelece como “Não conforme” quando a empresa não atinge os obje- tivos ou não consegue evidenciá-las. Encontra desvio nos padrões estabelecidos. As ações preventivas devem apoiar-se na possibilidade de ocorrência de “não-conformidades” e as ações corretivas devem ser pautadas em procedimentos que possibilitem a eliminação da não-conformidade e sua não recorrência. 4.3 Registros Neste quesito a empresa deve adotar mecanismos para registrar as atividades do SGA, incluindo informações sobre os treinamentos realizados. Esses registros servirão de evidências na auditoria. 4.4 Auditoria do Sistema de Gestão Ambiental Por auditoria, entende-se o procedimento de verificação se a empresa cumpriu todas as etapas de implementação e manutenção do sistema de gestão ambiental. As auditorias do sistema de gestão ambiental devem ser periódicas, sendo recomendadas duas auditorias internas por ano. Visa determinar se o SGA está em conformidade com as disposições planeadas para a gestão ambiental, incluindo os requisitos da norma, avalia periodicamente se o SGA está adequadamente implementado e mantido; verifica conformidade de todas as ações planejadas para o gerenciamento ambiental (política, objetivos, metas) inclusive os requisi- tos da Norma ISO 14001 e prove informações sobre os resultados para a alta administração. 5 PRINCÍPIO DA ANÁLISE CRÍTICA Nesse momento, passado a avaliação da auditoria, a empresa verá algumas alte- rações em seu ambiente interno e externo. Essas alterações correspondem a pressões do mercado que exigirá posturas ambientalmente corretas da empresa devido compromisso assumido de melhoria contínua em seu SGA. Assim, cabe nesse momento reavaliar se há necessidade de possíveis alterações na política ambiental definida, nos objetivos e metas propostos, ou seja, uma constante avaliação no intuito de melhorar os processos. 126UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão CONSIDERAÇÕES FINAIS A preocupação com a degradação ambiental está cada vez maior e presente na vidade todos, haja vista uma série de fatores responsável como por exemplo: a qualidade do ar que respiramos o aquecimento global, as queimadas, o calor excessivo, o medo de desas- tres naturais e, principalmente a preservação para as futuras gerações. Pensando nisso, os órgãos ambientais se responsabilizam pela cobrança do licenciamento e fiscalização, no intuito de diminuir o impacto causado, por empreendimentos considerados potencialmente poluidores. Aliado a isto no intuito de amenizar esta situação, as empresas de acordo com a AS- 8000 buscam avaliar as condições de trabalho, envolvendo-se também no lado político, educacional e a saúde, ser responsáveis por proporcionar melhoria de qualidade de vida para seus funcionários. Aliado a isto, as empresas têm buscado mecanismos de produção e atendimento de suas necessidades sem exaurir os recursos naturais desenvolvendo produtos ecologi- camente corretos e com materiais que não agride o meio ambiente. Sendo assim, urge a necessidade de mudanças de paradigmas, de atitudes, com- preendendo que é um esforço individual partindo para um esforço e envolvimento de toda a sociedade, exigindo uma nova forma de produzir sem degradar o meio ambiente. A maioria das empresas atualmente entende a importância dos Sistemas de Ges- tão Ambiental (SGA) em seus ambientes, pois estes são a reunião de todas as estratégias, ações e precauções tomadas pela empresa no sentido de minimizar o impacto de suas atividades na natureza e também com o objetivo de melhorar essa relação entre a empresa e os demais agentes da sociedade. Dessa forma, engloba desde uma política de reaprovei- tamento de água até ações simples como cartazes informativos sobre coleta seletiva - tudo faz parte da implantação do SGA rumo a um negócio verde. Ainda como complemento, o desenvolvimento de planejamento em longo prazo pautado nas pessoas, no meio ambiente e na sobrevivência econômica de um local ou do planeta como um todo, com posturas firmes e estratégicas para diminuir os riscos ambientais e garantir o equilíbrio ambiental, e desenvolver projetos que alie produção e preservação com uso de tecnologia adaptada a esse preceito e que sejam colocados como prioridade à 127UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão cooperação e parceria tendo como fundamento o ambiente, o interesse social, o respeito à cultura de cada povo, à política e à democracia. Mudanças nos processos, novos materiais, que tenham origem em diferentes matérias primas, menos impactantes, precisam ser formatados, com um custo que seja aceitável, para que o mercado consiga absorvê-los. Novas fontes de recursos, como ma- teriais reutilizados e reciclados, também precisam ser encontradas, de modo a diminuir o impacto negativo desse processo. Assim, as normas da NBR- ISO tem por objetivo levar a empresa a melhorar seus processos visando poluir cada vez menos e compartilhar do uso racional dos recursos naturais e garantir a sustentabilidade das pessoas e do Planeta como um todo. 128UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão SAIBA MAIS Pagamento pelo Uso dos Recursos Naturais Pode-se incluir entre os instrumentos de gestão associados ao licenciamento ambiental, a aplicação do princípio de “usuário - pagador” ou “poluidor – pagador”. O uso dos recursos naturais pode ser gratuito ou oneroso. A raridade do recurso, o uso poluidor e a necessidade de prevenir catástrofes vêm levando à cobrança do uso dos recursos naturais. A Lei nº 6.938/81 estabelece que a PNMA visará “à imposição, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos” e “à imposição ao poluidor e predador da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados”. No Brasil, esse princípio vem sendo consolidado através da cobrança pelo uso das águas, estabelecida pela Lei nº 9.433/97, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos, e também pela Lei nº 9.605/ 98 - Lei de Crimes Ambientais, que estabeleceu os custos das multas e penalidades pro- porcionalmente aos danos gerados ao ambiente. Fonte: Ministério do Meio Ambiente – MMA -Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Natu- rais Renováveis – IBAMA. Manual de Procedimentos para o Licenciamento Ambiental Federal – IBAMA. Guia de Procedimentos do Licenciamento Ambiental Federal. Brasília 2002. Disponível em : https://www. mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/Procedimentos.pdf. Acesso 13 ago.2020. REFLITA O meio ambiente é uma das preocupações centrais de todas as nações e, atualmente, é um dos assuntos que despertam grande interesse em todos os países, independente- mente do regime político ou sistema econômico. Fonte: EDNALDO, C. R. ; CANTO , J. L.; PEREIRA, P. C. Avaliação de impactos ambientais em países do MERCOSUL. Ambiente & Sociedade – Vol. VIII nº. 2 jul./dez. 2005. Disponível em: http://www.scielo. br/pdf/asoc/v8n2/28609.pdf .Acesso: 02 set. 2020. https://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/Procedimentos.pdf https://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/Procedimentos.pdf 129UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão LEITURA COMPLEMENTAR Artigo: Silva, J. P. B. da, Silva, S. S. da, Mendes, R. da Silva. Gestão ambiental em empresas públicas e sociedades de economia mista do estado de Minas Gerais. Disponível em: https://periodicos.unifor.br/rca/article/view/3615/pdf. Capa > v. 23, n. 2 (2017). Acesso: 03 abr. 2020 Resumo: As empresas públicas e sociedades de economia mista, pressionadas a se posicionarem de modo responsável diante das questões ambientais, adotam programas, projetos e ações ligadas à gestão ambiental. Os resultados revelaram que os modelos mais implementados foram o licenciamento ambiental e a responsabilidade social. Já a educação ambiental e o sistema de gestão ambiental estiveram presentes em um número menor de organizações. As sociedades de economia mista investiram mais em tais modelos. 130UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Sistemas de Gestão Ambiental (ISO 14001) e Saúde e Segurança Ocupacional (OHSAS 18001) Autor: Mari Elizabete Bernardini Seiffert Editora: Atlas Sinopse: O foco principal deste livro está em discutir os benefícios para a implantação integrada das normas OHSAS 18001 e da ISO 14001. Aborda também a sinergia existente nessa integração para o processo de gestão dos perigos relacionados ao processo pro- dutivo, alinhando o desempenho da organização a um nível mais elevado de responsabilidade social, segundo a ótica do desenvol- vimento sustentável. O conteúdo dos capítulos da obra objetiva fornecer elementos para que se possa perceber como o processo de implantação integrada dos dois instrumentos de gestão é extre- mamente interessante tanto do ponto de vista econômico, estra- tégico, gerencial, como do ponto de vista operacional, otimizando sua gestão dentro de uma perspectiva holística. FILME/VÍDEO Título: Quer Saber? SGA, o Sistema de Gestão Ambiental Ano: 2016 Sinopse: O que é um Sistema de Gestão Ambiental? Para que serve? Porque é importante e como pode nos ajudar a preservar o meio ambiente? Maneira animada de ensinar SGA. https://www.grupogen.com.br/sistemas-de-gestao-ambiental-iso-14001-e-saude-e-seguranca-ocupacional-ohsas-18001?utm_source=blog&utm_medium=blog-csa&utm_campaign=ecommerce-sistemas-gestao-ambiental-9788522460496-03-2019 https://www.grupogen.com.br/sistemas-de-gestao-ambiental-iso-14001-e-saude-e-seguranca-ocupacional-ohsas-18001?utm_source=blog&utm_medium=blog-csa&utm_campaign=ecommerce-sistemas-gestao-ambiental-9788522460496-03-2019 131 REFERÊNCIAS ABNT NBR ISO 14040:2009 e ABNT NBR ISO 14044: 2009. ALIER, J. M. O ecologismo dos pobres: conflitos ambientais e linguagens de valo- ração [Tradutor Maurício Waldman]. São Paulo: Contexto, 2007, p. 379. ALMEIDA, Fernando. O Bom Negócio da Sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,2002. ALMEIDA, Fernando. Os Desafios da Sustentabilidade: uma ruptura urgente. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. ANTUNES, Ricardo L. C. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. 6. ed. 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No intuito de amenizar esta situação, as empresas buscam avaliar as condições de trabalho, envolvendo-se também no lado político, educacional e a saúde, ser responsáveis por proporcionar melhoria de qualidade de vida para seus funcionários. Aliado a isto, as empresas têm buscado mecanismos de produção e atendimento de suas necessidades sem exaurir os recursos naturais desenvolvendo produtos ecologi- camente corretose com materiais que não agride o meio ambiente. Sendo assim, urge a necessidade de mudanças de paradigmas, de atitudes, com- preendendo que é um esforço individual partindo para um esforço e envolvimento de toda a sociedade, exigindo uma nova forma de produzir sem degradar o meio ambiente. A maioria das empresas atualmente entende a importância da Gestão Ambiental em seus ambientes, pois constitui a reunião de todas as estratégias, ações e precauções tomadas pela empresa no sentido de minimizar o impacto de suas atividades na natureza e também com o objetivo de melhorar essa relação entre a empresa e os demais agentes da sociedade. Dessa forma, engloba desde uma política de reaproveitamento de água até ações simples como cartazes informativos sobre coleta seletiva - tudo faz parte da implan- tação do SGA rumo a um negócio verde. Ainda como complemento, o desenvolvimento de planejamento em longo prazo pautado nas pessoas, no meio ambiente e na sobrevivência econômica de um local ou do planeta como um todo, com posturas firmes e estratégicas para diminuir os riscos ambientais e garantir o equilíbrio ambiental, e desenvolver projetos que alie produção e preservação com uso de tecnologia adaptada a esse preceito e que sejam colocados como prioridade à cooperação e parceria tendo como fundamento o ambiente, o interesse social, 144 o respeito à cultura de cada povo, à política e à democracia. A utilização de ferramentas da gestão ambiental entre outras, leva a empresa ter visão completa dos seus processos e entender seus pontos fracos e fortes e isto sem sombra de dúvida constituirá em vantagem competitiva. Os certificados incentivam o uso de práticas mais sustentáveis e normalmente estabelecem exigências que promovem a diferenciação e a fácil identificação por parte dos consumidores. Além disso, estes selos adquiriram uma forte conotação comercial, pois servem como diferencial de mercado. Deste modo entendem que para que os impactos ambientais gerados nas ativida- des produtivas sejam minimizados, é necessário que os processos sofram alterações, de modo a resultar redução de resíduos. Os projetos, por exemplo, precisam considerar estas mudanças, para que o resultado final seja alcançado. Mudanças nos processos, novos materiais, que tenham origem em diferentes matérias primas, menos impactantes, precisam ser formatados, com um custo que seja aceitável, para que o mercado consiga absorvê-los. Novas fontes de recursos, como ma- teriais reutilizados e reciclados, também precisam ser encontradas, de modo a diminuir o impacto negativo desse processo. Assim, as normas da NBR- ISO tem por objetivo levar a empresa a melhorar seus processos visando poluir cada vez menos e compartilhar do uso racional dos recursos naturais e garantir a sustentabilidade das pessoas e do Planeta como um todo. bookmark=id.gjdgxs _heading=h.gjdgxs _heading=h.30j0zll _heading=h.1fob9te _heading=h.j9vgskoe1hge _heading=h.x2b2yoxrkfsl _heading=h.dwh7pwm1i3cy _heading=h.fl1g1h182p6h _GoBack _heading=h.2et92p0 _heading=h.d6rlidjoe8ne _heading=h.io2vwnn5uht5 UNIDADE I Interação Homem, Meio Ambiente e Ecologia UNIDADE II Economia Ambiental, Controle da Qualidade UNIDADE III Políticas Ambientais, Empresas e Desenvolvimento Sustentável UNIDADE IV Licenciamento Ambiental e Sistema de Gestão