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Homilética (Arte de Pregar) - 1 - (A Arte de Pregar) NOME – Aluno (a): ______________________________________________data: ____/___/______ Homilética (Arte de Pregar) - 2 - Introdução A palavra é um veículo de comunicação, ela pode ser expressa por sinais corporais, sons, gráficos, por luminosos e outros. Desde os tempos bíblicos, a arte da oratória teve papel de destaque na vida dos povos antigos. Os profetas hebreus eram verdadeiros artistas da palavra, cada um deles segundo o seu estilo, por exemplo: Isaias era mestre no uso de figura de linguagem, e fina ironia, Jeremias enchia os discursos de emoção, como se pode ver no livro de Lamentações. Malaquias era hábil no uso de perguntas retóricas. Cristo falava com autoridade, e Paulo era um orador erudito. Do ponto de vista clássico, a retórica começou com Corácio, grego de Siracusa que viveu cinco séculos antes de Cristo. Os gregos deram à conversa o nome de “homilia” (de onde nos veio a palavra homilética, que significa a arte de pregar ou preparar sermões eclesiásticos ou religiosos). O estudo da homilética pode ajudar os pregadores a conhecerem algumas regras essenciais à pregação do Evangelho, na área humana da comunicação das verdades bíblicas. O pregador do evangelho, é o homem designado por Deus para anunciar a palavra da verdade de forma certa na hora certa: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15). A observação da homilética no preparo de um sermão, não visa suprimir a inspiração e a unção do Espírito Santo, não só necessária, mas também indispensáveis à pregação do evangelho. O estudo da homilética é importante, porque fornece ao pregador recursos para elaboração dos pensamentos, colocando-os na ordem lógica e coordenada, para que todos possam entender o que queremos dizer, e nós alcançarmos o objetivo do assunto que estamos transmitindo. O autor. Homilética (Arte de Pregar) - 3 - 1. OBJETIVO DA HOMILÉTICA A homilética tem como objetivo ajudar o pregador na confecção de sermões mais eficientes. Isto porque beneficia o pregador, e beneficia o auditório, porque um sermão homileticamente preparado é mais assimilável. Muitos sermões falham por ser absolutamente sem ordem e sem objetividade. a. O que a homilética não é: 1. Substituta da vida espiritual. 2. Substituta do Espírito Santo. 3. Uma garantia de um ministério eficiente. b. O que a homilética é: Um auxiliar na exposição das idéias. Um auxiliar no estudo e análise do texto. Uma compreensão de que o sermão tem muito a ver com o pregador.(a boca fala do que o coração está cheio). Uma compreensão de que Deus colocou no mundo recursos que devemos aproveitar. Inclusive os da ciência da comunicação verbal. c. Jesus e a homilética No ministério de Cristo, a homilética ocupou o lugar central no que diz respeito a sua propagação plena. Embora fortemente ousado a dar primazia a outros métodos de abordar o povo, Jesus “...veio pregando” (Mc 1.14). Na sinagoga de Nazaré, o Mestre descreveu a si mesmo como divinamente enviado “...para evangelizar os pobres... a pregar liberdade aos cativos... a anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18,19). Os evangelhos nos apresentam quadros inesquecíveis, do Pregador Itinerante, nas sinagogas, nos montes, nas planícies, à beira-mar, de vila em vila, de cidade em cidade - finalmente em todo o lugar, trazendo após si multidões quase incontáveis, deixando o povo fascinado com suas palavras de graça e com autoridade do seu ensino. A pregação de Jesus continha todo o sabor da bondade divina: era um clamor insistente por sua compaixão, e poderoso por sua urgência. A pregação direta é, sem dúvida, um convite à consciência, à razão, à imaginação e aos sentimentos, mediante a declaração da verdade e da graça de Deus, pois produz um efeito mais urgente e eficaz. 3. O valor da homilética A homilética contribui, no sentido geral, na propagação da Palavra de Deus. Duas coisas, contudo, influenciaram grandemente a pregação cristã, levando-a para as formas retóricas. a) A primeira vantagem A primeira foi a disseminação do Evangelho entre as nações gentílicas, em cujo seio as tradições e formas judaicas eram pouco conhecidas. Basta lembrarmos da crítica que de Paulo fizeram alguns coríntios, e como se deliciavam em ouvir Apolo, por ser “...eloqüente e poderoso nas Escrituras”. b) A segunda vantagem A segunda coisa que influiu foi à conversão de homens que já tinham sido treinados na retórica. Muitos deles, dia-a-dia, se tornavam pregadores, e naturalmente usavam seus dotes retóricos na proclamação do Evangelho. Acrescentemos a essa influência o declínio dos pregadores judeus não cristãos, e veremos como a homilia (a arte de pregar) cedeu lugar proeminente ao sermão elaborado. Por isso, naqueles dias já se defina a homilética “como a ciência que ensina os princípios fundamentais de discursos em público, aplicados na proclamação e ensino da verdade em reuniões regulares congregadas para o culto divino” (Hoppin) Homilética (Arte de Pregar) - 4 - 2. A ORIGEM DA HOMILÉTICA Porque Estudar a Homilética? Porque alguns sermões têm a capacidade de atrapalhar o culto. Você pode achar estranho, mas é isso mesmo. Alguns cultos seriam melhores se não houvesse o sermão. Alias, sempre que a pregação for vazia e sem poder, atrapalha o culto. Às vezes o culto começa bem com os hinos congregacionais, os louvores, as orações fervorosas, e tudo vai bem até o momento em que começa o sermão. É nesse ponto que começa a tortura para os adoradores, que logo percebem que o pregador não tem o que dizer, ou diz muito, mas não fala nada de proveitoso ou edificante, destruindo todo clima espiritual criado pelo louvor. E o que é pior, o pregador não se contenta em ativar essa câmara de tortura por apenas quinze minutos, ou meia hora, ele acaba se estendendo por uma hora ou mais. Muitas igrejas geralmente estão vazias nos cultos de doutrina, não é porque o povo trabalha ou estuda, na sua maioria é porque o pastor apascenta tão mal, que as ovelhas fogem dos seus ensinos vazios e maçantes. “Portanto, assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes...” (Jr 23.2). Bem disse um certo pastor, experiente: “as pessoas abandonam a igreja não tanto por uma verdade rigorosa que lhes são ensinadas, mas pelas fracas mensagens, sem começo, nem meio nem objetividade que lhes são ensinadas”. Pode até ser que Deus faça o milagre acontecer numa mensagem como essa, mas isso não justifica o despreparo do pregador. Qual é a origem da Homilética? A homilética propriamente dita, nasceu muito cedo na história humana, embora não como termo designativo homiletikos (arte de pregar sermão) e homilia (arte de falar elegantemente na oratória eclesiástica), mas como oratória pictográfica (sistema primitivo de escrita no qual as idéias são expressas por meio de desenhos das coisas ou figuras simbólicas). Ela surgiu na Mesopotâmiahá mais de 3000 anos a.C., para auxiliar à necessidade que os sacerdotes tinham de prestar contas dos recebimentos e gastos às corporações a que pertenciam e faziam suas prédicas em defesa da existência miraculosas dos deuses do paganismo. O sistema sumeriano viria a ser protótipo (primeiro tipo ou exemplo) de outros importantes sistemas de escrita, como o egípcio, por exemplo. a ) Como termo designativo Entretanto, homilética como termo designativo com suas técnicas, sistematização e adaptação às habilidades humanas, nasceu entre os gregos com o nome de retórica. Depois foi adaptada no mundo romano com o nome de oratória, e, finalmente, para o mundo religioso com o nome de homilética. *A retórica e a oratória tornaram-se sinônimos para identificar o discurso persuasivo (profano). *A homilética, entretanto, passou a identificar o discurso sacro (religioso). b) A partir do IV Século d.C. A partir dessa época os pregadores cristãos começaram a estruturar suas mensagens, seguindo as técnicas da retórica grega e da oratória romana. Com efeito, porém, desde o primeiro século da Era Cristã, esta influência estrutural da homilética já começava a ser sentida no seio do cristianismo. Não é de se surpreender, portanto, que a maioria dos teólogos cristãos primitivos compunha-se dos que aceitavam as teorias gregas e romanas, pois muitos deles eram filósofos neoplatônicos convertidos ao cristianismo ou estavam sob a influência dessas idéias (conforme foi o caso de Justino Mártir, de Clemente de Alexandria, de Orígenes, de Agostinho, de Ambrósio e muitos outros). Homilética (Arte de Pregar) - 5 - 3. HOMILÉTICA E ORATÓRIA A oratória é a arte de falar em público de forma elegante, precisa, fluente e atrativa. Os romanos, que sofreram grande influencia cultural dos gregos, não podiam deixar de empolgar-se com a oratória. Cícero foi o maior orador romano. Ele se tornou célebre não só pela causa que defendeu como advogado e político, mas também pelas teorias que expôs sobre a oratória. Muitos pregadores são estudiosos, pesquisadores, inteligentes, e até homens de oração; mas falham, quanto à elegância e fluência quanto a transmissão da mensagem divina, não alcançando assim o seu objetivo. HOMILÉTICA E RETÓRICA A palavra retórica é de origem grega, e derivada de retos, palavra falada, e basiando-se na observação e no raciocínio. Retórica, no seu sentido mais amplo, significa, teoria e prática da eloqüência, seja falada ou escrita. A retórica falada é a oratória. A retórica define as regras que regem toda composição ou discurso em prosa que se propõem influir na opinião ou no sentimento das pessoas. O primeiro homem a traçar as normas de um discurso foi Córax, um sofista (nome aplicado pelos antigos gregos aos homens eruditos. Em seus ensinamentos tendiam a enfatizar a arte da retórica e revelar aos discípulos técnicas para alcançar o êxito na vida pública) que viveu na cidade de Siracusa, na Grécia, a 500 anos antes de Cristo. Córax ensinava que o discurso deveria ter a seguinte disposição: introdução, narração, argumento, observação adicional e peroração (conclusão). Sócrates se opôs aos ensinos retóricos dos sofistas, por causa da conduta deles e sua falta de ética, mas reconheceu que ela poderia se revestir de significado, na medida que se submetesse a Filosofia. HOMILÉTICA E ELOQUÊNCIA. A palavra eloqüência vem do latim, e significa o ato e o efeito de se falar bem. Na oratória romana, era à parte que tratava da propriedade, disposição e elegância das palavras. A eloqüência é a capacidade de convencer pelas palavras. As palavras esclarecem, orientam e movem as pessoas. O pregador ou orador que consegue mover as pessoas, persuadindo-as a aceitarem as suas palavras, é eloqüente, pois a eloqüência é a capacidade de persuadir pelas palavras. Há quatro maneiras de persuadirmos ou convencermos alguém a seguir a nossa orientação: Pela força física.(exemplo) arma. Pela força pessoal (exemplo). Psicologia. Pela força social (leis e costumes expostos pelo estado). Pela força verbal (falada ou escrita). A eloqüência pode ser definida como o conjunto de qualidades de um pregador, que leva seus ouvintes a aceitarem suas palavras. Sem eloqüência não há Retórica, Oratória ou Homilética. Sem eloqüência não há orador ou pregador. A eloqüência distingue um orador de um tagarela, que fala muito, mas não diz nada. Homilética (Arte de Pregar) - 6 - 4. HOMILÉTICA E COMUNICAÇÃO Comunicação é um processo (verbal ou não) de compartilhar informações com outra pessoa, de forma que ela compreenda o que se quer dizer. A palavra comunicação, do latim (comunicativo) é composta de três outras palavras: com (juntos), munis (presente,dádiva), actio (ação). Então comunicação significa trocar presentes, ou idéia, é a arte de sensibilizar as pessoas levando-as a adotarem as mesmas idéias, os mesmos hábitos e a pugnarem pelos mesmos propósitos. A homilética tem muito a ver com a comunicação, por isso vamos estudar os três elementos que integram a comunicação. 1. O emissor: É aquele que envia a mensagem ao receptor. Quando isto acontece dizemos, então, que ouve uma comunicação. 2. O receptor: É aquele que recebe a mensagem. É importante frisar que o receptor só poderá entender a mensagem envidada se esta estiver bem nítida, e adequada ao nível do receptor. Devemos notar que a comunicação atua sempre sobre os sentidos do receptor. 3. A mensagem: Deve ter um conteúdo que desperte e alimente o interesse do receptor. A codificação deve ser adequada (proporcional ao nível cultural, e à especialidade do auditório) O pregador deve estar atento, durante o processo da ministração para verificar se está havendo recepção. Qualquer sinal de desinteresse ou desatenção deve leva-lo a uma avaliação em tempo de corrigir as interferências, para que sua mensagem chegue ao destinatário; seus ouvintes. 1. Noção e definição O vocábulo retórica (do grego, “rhetor”, - orador numa assembléia) tem sido interpretado como arte de falar bem ou arte de oratória, isto é, a arte de usar todos os meios e recursos da linguagem com o objetivo de provocar determinado efeito nos ouvintes. Os gregos sofistas a dividiam em três grupos: *Política *Forense *Epidítica (demonstrativa). Tratando não somente do estilo, mas também do assunto, da estrutura e dos métodos de elocução em cada caso, os gregos combinavam as técnicas dos sofistas com a concepção platônica e aristotélica de que a arte da oratória deve estar a serviço da verdade. A oratória ensinada na Grécia antiga pelo sofistas, fundamentada em princípios disciplinares de conduta, teve origem Sicília, noV século a.C., através do siracusano Córax e seu discípulo Tísias. Tísias tornou o discípulo mais famoso de Córax. Quando Córax lhe cobrou as aulas ministradas, Tísias recusou a pagar, alegando que, se fora bem instruído pelo mestre, estava apto a convencê-lo de não cobrar, e, se este não ficasse convencido, era porque o discípulo ainda não estava devidamente preparado, fato que o desobrigava de qualquer pagamento. O resultado é que Tísias ganhou a questão. a) As regras do discurso Córax formulou uma série de regras para dividir o discurso em cinco partes: *Prêmio *Narração *Argumentação *Observações adicionais *Peroração (epílogo). Homilética (Arte de Pregar)- 7 - As regras estabelecidas por Córax tinham por finalidade orientar os advogados que se propunham a defender as causas das pessoas que desejavam reaver seus bens e propriedades tomadas pelos tiranos. Os sofistas foram os primeiros a dominar com facilidade a palavra modulada nesses princípios; entre os objetivos que possuíam, visando uma completa formação, três eram procurados com maior intensidade: adestrarem para julgar, falar e agir. Seu aprendizado na arte de falar consistia em fazer leituras em público, comentários sob artistas famosos, improvisar e promover debates. A partir daí, a palavra retórica passou a ser usada no campo da comunicação para descrever o discurso persuasivo, quer escrito ou falado. b) As qualidades exigidas Os oradores sofistas, entre eles, Górgias, Isócrates (que viveu de 436 a 338 a.C., e implantou a disciplina da retórica no currículo escolar dos estudantes atenienses) e muitos outros, exigiam várias habilidades dos oradores. Entre todas, quinze são consideradas imprescindíveis: memória, habilidades, inspiração, criatividade, entusiasmo, determinação, observação, teatralização, síntese, rítmo, voz, vocabulário, expressão corporal, naturalidade e conhecimento. Filósofos destacados como Platão (430-347a.C.), Aristóteles (382-322 a.C.) e Cícero (106- 44 a.C.) deram muita atenção aos princípios a serem seguidos por quem desejasse a levar homens a crerem e agirem. Paulo, pelo que parece, observou que esses princípios retóricos levaram alguns oradores cristãos ao extremos, firmando-os apenas em ¨...sublimidade de palavras ou de sabedoria ...¨(1 Co 2.1). Era esta a época em que os ¨...gregos buscavam sabedoria¨. c) O retor O retor entre os gregos, era o orador de uma assembléia. Entre nós, entretanto, a palavra rhetor veio ter o significado pomposo de mestre de oratória. O objetivo do retor (orador retórico) era, através de seu discurso laureado, o de persuadir os sentimentos nas discussões e nas deliberações sobre os problemas na democracia grega. As reuniões eram processadas nas praças ou no Areópago. Logo se percebeu que os cidadãos falantes, de fácil verbo, se expressavam mais adequadamente, dominavam a situação, sentiam-se sempre vitoriosos, tornavam-se admirados pelas multidões e galgavam os melhores postos na comunidade. Não demorou para que todo o mundo desejasse conquistar os segredos dessa nova arte. 2. A divisão da retórica Entre os gregos e os romanos, os discursos retóricos deviam ser modulados em cinco pontos, a cada um dos tais foram associadas muitas sugestões para o bem falar. a) Invenção: A invenção consistia na coleta e planejamento do uso dos materiais e idéias, a fim de influenciar aos ouvintes. Três tipos de apelo que o orador pode fazer. São: *Apelos lógicos baseados na evidência e no raciocínio. *Apelos emocionais baseados nos impulsos e sentimentos. *Apelos éticos baseados no caráter, personalidade, experiência e reputação do orador. b) Disposição: Consistia no arranjo do material na ordem destinada a servir melhor o propósito do orador. c) Estilo: Nesse sentido Aristóteles foi o maior deles. Consistia no uso de palavras para transmitir a mensagem da maneira mais eficaz. d) Memória: Consistia em lembrar a mensagem a ser transmitida. e) Entrega: Consistia no uso correto da voz e do corpo para apresentar a mensagem aos ouvintes. Depois, com grande influência do cristianismo, passou-se a distinguir a retórica da homilética e alguns princípios éticos foram incorporados a esta última. Homilética (Arte de Pregar) - 8 - 5. O QUE ORATÓRIA 1. Sua extensão Convém que o leitor saiba que a retórica inventada pelos gregos passou para o mundo romano com o nome de oratória e para o campo religioso com o nome de homilética. Entretanto, a partir do IV século d.C., a retórica e a oratória tornam-se sinônimos usados para identificar o discurso profano, e a homilética identifica o discurso sacro, religioso, cristão. A homilética, a partir daí, passou a ser a arte de pregar o Evangelho. Assim, a oratória (de oris, boca) passou a indicar mais a parte técnica do sermão; enquanto que a homilética, as partes práticas e dogmáticas cristãs, que vão do sermão à celebração do culto. 2. Os grandes mestres de oratória Os romanos sofreram extraordinária influência cultural dos gregos no século 11 a.C., inclusive na arte da oratória. Com efeito, porém, outros grandes mestres, de diferentes nacionalidades, deram também sua contribuição. a) Cícero Cícero foi o maior orador romano. Nascido no ano 106 a.C., preparou-se desde muito cedo para a arte da palavra. Com apenas dez anos de idade, seu pai o deixou aos cuidados de dois mestres da oratória. Aos quatorze anos, iniciou seu aprendizado retórico na escola do retor Plócio e já aos dezesseis anos abraçou a prática da fala, observando os grandes oradores de sua época, que se defrontavam nas assembléias de fórun. b) Quintiliano Depois de Cícero, merece atenção especial na história da Arte Oratória romana, Quintiliano. Nascido na metade do primeiro século da Era cristã, na Espanha, foi para Roma logo nos primeiros anos de sua vida para estudar oratória. Seu pai e seu avô foram retores e o pai lhe ministrou as primeiras aulas de retórica. c) Demóstenes Demóstenes, orador grego de extraordinária eloqüência, foi contemporâneo de Filipe na Macedônia, que através das Filípicas, Orações Violentas, atacava sua política, denunciando-lhe as intenções de dominar a Grécia. Demóstenes, considerado um dos maiores e mais perfeito orador da antiguidade, obteve êxito na arte de falar, depois de ter superado dificuldades impostas pelas suas próprias deficiências naturais. Os problemas de respiração, dicção, articulação e postura não lhe creditavam as condições mínimas para que pudesse atingir seu objetivo de tornar-se um orador. Duas qualidades, porém, Demóstenes possuía: a determinação e a vontade. *(A determinação). Ao iniciar sua preparação, isolou-se num local onde ninguém pudesse perturbá-lo. Para que sua concentração e meditação fosse completa...a sua dicção foi corrigida com seixos que colocava na boca e com os quais procurava pronunciar as palavras da forma mais correta possível. Outros maus hábitos, entre eles o de levantar um ombro quando falava, foi também corrigido com disciplina rígida. *(A força de vontade). Demóstenes parece ter tido um início difícil e sido filho do próprio esforço. Entretanto, superou todas estas dificuldades. Empregou todas as técnicas e meios de engenhosos para conseguir ser o maior orador da antiguidade (declamar diante da praia vencendo com a voz o ruído e barulho das ondas; correr, subindo montanhas íngremes, recitando trechos de autores gregos para desenvolver o fôlego, etc.). O resultado de seu esforço foi gratificante. Ele conseguiu aquilo que almejava! Homilética (Arte de Pregar) - 9 - 5. O PERFIL DO PREGADOR 1. A Importância da Matéria Sendo a HOMILÉTICA a "Arte de Pregar", deve ser considerada a mais nobre tarefa existente na terra. O próprio Senhor Jesus Cristo em Lucas 16 : 16 disse: Ide pregai o evangelho... Quando a Homilética é observada e aplicada, proporciona-se ao ouvinte uma melhor compreensão do texto. A observação da Homilética traz orientação ao orador. 2. A Eloqüência Eloqüência é um termo derivado Latim “Eloquentia” que significa: “Elegância no falar, Falar bem, ou seja, garantir o sucesso de sua comunicação, capacidade de convencer”. É a soma das qualidades do pregador. Não é gritaria, pularia ou pancadaria no púlpito.A elocução é o meio mais comum para a comunicação; portanto devemos observar três pontos importantes do pregador: 1. “Voz”. A voz é o principal aspecto de um discurso. Audível Todos possa ouvir. Entendível Todos possa entender. Pronunciar claramente as palavras. Leitura incorreta, não observa as pontuações e acentuações. 2. “Vocabulário”. Quantidade de palavras que conhecemos. Fácil de falar - comum a todos, de fácil compreensão - saber o significado. Evitar as gírias, Linguagem incorreta, Ilustrações impróprias. Quando estiver pregando – Nunca colocar as mãos no bolso. Algumas Regras de Eloqüência Procurar ler o mais que puder sobre o assunto a ser exposto. Conhecimento do publico ouvinte. Procurar saber o tipo de reunião e o nível dos ouvintes. Seriedade, pois o orador não é um animador de platéia. Ser objetivo, claro para não causar nos ouvintes o desinteresse. Utilizar uma linguagem bíblica. Evitar usar o pronome EU e sim o pronome NÓS. 3. “Postura”. É muito importante que o orador saiba como comportar-se em um púlpito ou tribuna. A sua postura pode ajudar ou atrapalhar sua exposição. A fisionomia é muito importe pois transmite os nossos sentimentos, Vejamos : Ficar em posição de nobre atitude. Olhar para os ouvintes. Não demonstrar rigidez e nervosismo. Evitar exageros nos gestos. Não demonstrar indisposição. Evitar as leituras prolongadas. Sempre preocupado com a indumentária. (Cores, Gravata, Meias) Cabelos penteados melhora muito a aparência. O assentar também é muito importante. “Lembre-se que existem muitos ouvintes, e estão atentos, esperando receber alguma coisa boa da parte de Deus através de você”. Homilética (Arte de Pregar) - 10 - Temático ou tópico Textual Expositivo *Sermão inferencial Ilativo *Sermão extemporâneo Improvisado *Sermões especiais Casamento Aniversários, bodas, etc. Funeral Crianças Palestras para outros eventos especiais. 6. A CLASSIFICAÇÃO DOS SERMÕES Como os sermões se classificam? 1. Definição geral Há muitos tipos de sermões e vários meios de classificá-los. Alguns mestres de oratória classificam os sermões de acordo com o conteúdo ou assunto; segundo a estrutura, e ainda outros quanto ao método usado na dissertação da mensagem. Então, os sermões encontram-se classificados assim: *Sermões de natureza homiliasta 2. Sermões Homiliastas 1.a) Sermão “Temático” Muitas vezes o sermão temático é também chamado de sermão tópico, em razão do mesmo principiar com um tópico tirado da Bíblia. Há diferença entre o sermão temático quando confrontado com os sermões textual e expositivo. O sermão temático não começa com um versículo, ou passagem (longa) especial da Bíblia como fazemos no caso dos sermões textual e expositivo. Salvo, quando se trata de versículos, tais como: “Não matarás” (Êx 20.13); “Jesus chorou” (Jo 11.35), etc. Geralmente, tem início com um assunto, tópico ou tema. A dissertação do sermão temático não se concentra no texto, ou numa parte das Escrituras onde aquele tema está em foco. O título principal em tal sermão, naturalmente, não se baseia na análise de um versículo ou passagem, como geralmente se faz nos outros sermões, mas na análise do assunto. A distinção que se faz entre os sermões temáticos e sermões textuais dizem respeito apenas no plano do discurso, especialmente no que se refere à fonte de suas divisões. É somente isso que constitui as espécies diferentes; mas, no entanto, tal diferença é de considerável importância na prática. As frases em questão que alguns substituem por sermões sobre assuntos e sobre textos, não têm sido geralmente empregadas com precisão ou uniformidade. Uma clara aplicação delas que pode ser bem definida, é a seguinte: sermões tópicos, ou temáticos, são aqueles cujas divisões provêm do assunto, independentemente do texto; ao passo que sermões textuais são esses cujas divisões são tiradas do próprio texto. Não se pode determinar especificamente que se pregue sobre este tema ou aquele isso depende do Espírito Santo e do pregador, a menos que tal pregador seja apenas um instrumento teórico e não prático. Há certos temas que foram sugeridos pelo Espírito Santo para atender uma necessidade ou necessidades prementes; entretanto, estes temas em outras ocasiões não chegam a produzir efeito ou edificação. A Bíblia trata de todas as frases concebíveis da vida e das atividades humanas. Também revela os propósitos de Deus na Graça para com os homens, no tempo e na eternidade. Assim a Bíblia contém uma fonte inesgotável de temas, dentre os Três tipos de mensagens: 1ª) Temática (Gira em torno de um só tema) 2ª) Textual (Gira em torno de um só texto) 3ª) Expositiva (Gira em torno de vários textos) Homilética (Arte de Pregar) - 11 - quais o pregador pode selecionar material para mensagens temáticas adequadas a toda ocasião e condição em que as pessoas se encontrem. Na seleção do tema, devemos buscar a direção do Senhor, que no-la dará à medida que passamos tempo em oração e meditação da Palavra de Deus. 2.b) Sermão “Textual” O sermão textual, de acordo com aquilo que sugere o termo, é aquele em que as divisões principais são derivadas de um texto constituído de uma breve porção da Bíblia. Essa porção pode ser, dependendo da natureza do sermão de “um versículo ou até mesmo dois ou três versículos”. Não deve ser mais do que isto, pois nesse caso não se trata mais de uma porção para um sermão textual, e, sim, uma porção para um sermão expositivo. *A importância do texto O vocabulário texto deriva-se do latim texere, cujo substantivo textus significa tecer, e que figuradamente quer dizer reunir, construir, compor, e expressa o pensamento em contínuo discurso ou escrita. O substantivo textus, então, indica o produto do tecer, o tecido, a trama, e assim, no uso literário, a trama do pensamento de alguém, uma composição contínua. Os oradores romanos usavam a presente expressão para sugerir a tecedura ou o fundamento das idéias e pensamentos sobre os quais os discursos se baseiam. *Definição teológica Teologicamente falando, o termo texto passou, então, a significar todo o passo, ou trecho bíblico lido pelo pregador, que pode ir de uma linha até um livro inteiro. Exemplo: Obadias (AT), Filemom, 2 e 3 Epístolas de João e a Epístolas de Judas (NT). *Na leitura Na leitura, o sentido do texto passou a indicar qualquer porção escrita. A sistematização partiu da leitura de narrativas ou discussões contínuas de algum autor e da adição de comentários, principalmente explicativos, ou de se tomar o próprio escrito do autor e adicionar notas nas margens, ou na parte inferior da página. Assim, a própria obra do autor passou a ser chamada o texto, para distingui-lo das notas e comentários fragmentados do editor ou orador. A dissertação do sermão textual é inversa daquela que se apresenta no sermão temático; ali, aquela se baseia no tema e segue; aqui, esta se baseia no texto e segue. Uma das primeiras tarefas do pregador na preparação de um sermão textual é fazer o estudo completo do texto, descobrir nele a idéia dominante e, a seguir, estabelecer as divisões principais. Cada divisão se transforma, pois, numa ampliação ou desenvolvimento do assunto. *A variação No sermão textual, o pregador não se prende exclusivamente a um assunto como, por força de regra, acontece com um sermão temático, mas são tratados vários tópicos, apresentados pelo texto. Tais tópicos, mesmoque não se admitam ser combinados num só assunto, devem ter tal relação mútua que dê unidade ao discurso. 3.c) Sermão “Expositivo” O sermão expositivo parece um pouco em sua estruturação como sermão textual. Sendo que, necessariamente, ele assume um caráter mais extenso e progressivo. Define-se este tipo de sermão como aquela mensagem em que uma porção mais ou menos extensa das Escrituras é interpretada em relação a um tema ou assunto. O sermão temático gira em torno de um tema; o textual, em torno de um texto, enquanto que o expositivo, em torno de um assunto em vários textos. Especificamente, a unidade da mensagem expositiva consiste em um bom número de versículos dos quais emerge uma idéia central. Em outros casos, podemos tomar como base para nossa exposição um capítulo completo, ou um livro completo da Bíblia. Para exemplificar: Uma exposição sobre a vida do patriarca Jó. Deve-se, nesse caso, tomar como base todo o livro do capítulo 1 ao 42. É claro que não leremos no início do sermão todos estes capítulos. Entretanto, por força do argumento, aqui, ali e acolá, temos que fazer uma citação tópica, pois somente assim o sermão apresentaria unidade e estilo de natureza expositiva. Se nossa imposição tem como base o Sermão do Monte pregado por Jesus, é óbvio que tomaremos como base três capítulos do livro de Mateus (5,6,7) e ainda uma pequena porção do capítulo 8. Numa exposição sobre lágrimas, ou sobre alguém que chorou, teríamos como base João 11.35 “Jesus chorou”. Neste caso, o pregador exploraria a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do versículo em foco, e assim teria material substancial para toda a dissertação do sermão. Homilética (Arte de Pregar) - 12 - Na apresentação dum sermão expositivo, requer-se maior preparo para o pregador. Razão por que uma mensagem desta natureza engloba assuntos de variados temas. Neste caso, a escolha do tema ou assunto, deve ser bem definida. Além desta escolha, o pregador deve se ater a uma série de recursos internos e externos que lhe possibilitem melhor apresentação do sermão. Durante a fase preparatória, o pregador precisa reunir todos os recursos que estiverem em seu alcance. 3) A escolha da passagem *Deve ser um texto completo: ditado, parágrafo, secção, parábola, livro. Uma unidade literária. *Deve ter integridade hermenêutica - tudo que se expõe deve ser fiel ao texto e argumento principal. *O contexto deve estar em sintonia direta com o texto e se coadunar em cada detalhe do subtexto e outras formas de expressão. *Deve ter coesão - um colar de pedras preciosas. *Deve ter movimento e direção - leva o ouvinte para frente. *Deve ter aplicação prática na vida. 4) Familiarização com o texto Ler várias vezes. Campbell Morgan opina que se deve ler o texto mais de 50 vezes antes do sermão. Luiz King: para um sermão modelo e completo (um ano), 8hs. por dia. Ler o livro da Bíblia onde o texto está encravados várias vezes com o propósito de descobrir o sentido retrospectivo e prospectivo. Leitura sintética - buscar o tema principal, o desenvolvimento do tema e subsídios para o esboço. Leitura biográfica - tudo que lança luz sobre o autor e os indivíduos importantes mencionados no episódio. Leitura histórica - buscar a situação histórica, social, geográfica e cultural do escritor e seus leitores (contemporâneo) originais. Leituras teológicas - buscar ensinamento doutrinário e pressuposições que levem o autor a argumentar tal como ele faz. Leitura teórica - notar as figuras de linguagem, tantas de cor como de forma. Leitura tópica - buscar os assuntos principais no livro sagrado, tais como éticos, práticos ou doutrinários. Leitura analítica - buscar o inter-relacionamento entre frases e palavras. Leitura devocional - buscar o alimento espiritual com atenção à voz de Deus. Um sermão expositivo é, de fato, uma exposição por ordem, baseadas no contexto duma acurada investigação! Eis a razão por que recomenda-se ao pregador obtenção total para com a preguiça. A preguiça, como um dos pecados capitais, destrói a oportunidade e mata a alma, pois significa ¨aversão ao trabalho, indolência, vadiagem, negligência, ociosidade, descuido¨. Homilética (Arte de Pregar) - 13 - 7. O ASSUNTO DO SERMÃO 1. Orientação geral O sermão pode ter um texto, e pode também não ter. Com efeito, porém, deve sempre ter um assunto. De modo definitivo, deve tratar de alguma coisa, de alguma verdade importante, relacionada com a vida religiosa. O assunto deve estar presente, especialmente quando o poder de Deus atua ininterruptamente na Igreja. Paulo diz, por amor de seu argumento: “Que fazes pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação...” (1 Co 14.26). Noutras palavras, o que não faltava na Igreja de Corinto era assunto para se falar. 2. Dois princípios fundamentais devem estar presentes na escolha do assunto: a) A necessidade geral da Igreja As necessidades gerais da Igreja são vistas à primeira vista como um todo. Elas absorvem um assunto doutrinário, ou um princípio ético, um problema moral, pessoal, ou social, uma necessidade humana como a de ser salvo, encorajado, ou guiado na vida religiosa e daí por diante. Estes assuntos são desenvolvidos dentro do contexto de nossa experiência e preparo teórico. b) As necessidades individuais As necessidades individuais são de naturezas prementes. Na maioria das vezes, essas necessidades não estão expostas como as outras necessidades comuns da vida. 3. Devemos buscar a orientação divina O pregador ideal e compassivo não confia apenas em suas habilidades e capacidades de discernimento, mas procura a todo custo, nos santos pés do Senhor, o lenitivo necessário de que a Igreja e o povo em geral precisam. O homem espiritual tem sempre esta experiência! 4. A versatilidade de Paulo Parece que, segundo a luz do contexto parafraseante, o apóstolo Paulo valia-se do método mais apropriado para o momento. Então ele diz: a) Sermão lido “A palavra está junto de ti...” (Rm10.8a). b) Sermão recitado “A palavra está na tua boca...” (Rm10.8b). c) Sermão esboçado “A palavra está no teu coração...” (Rm10.8c). d) Sermão improvisado “Orando por mim...para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra...” (Ef 6.19). “No sermão improvisado (dizia Crisóstomo), Deus fala muito e o homem fala pouco”. Para concluímos penso eu - o que a Bíblia nos diz: “ Porque, em parte, conhecemos, [Sermão Esboçado] e em parte profetizamos” [Sermão Improvisado] (1 Co 13.9). Homilética (Arte de Pregar) - 14 - Temos que saber o que pregar para cada ocasião: Ex. No culto fúnebre ou em uma festa de aniversário. 8. SERMÕES PARA OCASIÕES ESPECIAIS 1). Sermão para casamento O sermão para casamento trata-se mais de uma mensagem prática, cheia de várias recomendações, do que propriamente um sermão analítico com regras e técnicas preestabelecidas. Alguns pregadores fazem uma introdução, lendo partes selecionadas das Escrituras, e depois apresentam um conteúdo do sermão, trazendo reminiscências oportunas de exemplos bíblicos. * O conteúdo: O assunto principal num sermão para casamento, ou sermão nupcial, está baseado em passagens alusivas a tais acontecimentos. O pregador, nesse caso, deve ter ampla liberdade para escolher o texto ou passagemque melhor facilite sua dissertação. 2). Sermão para aniversário, bodas, etc. Sermão para aniversário, bodas e outras ocasiões festivas, varia em sua forma de apresentação, pois estão em foco, nestas comemorações, pessoais, instituições e objetivos. Ele deve ser: * Histórico (um breve relato sobre a origem, a existência, etc.). * Expositivo (uma descrição do presente). * Escatológico (uma boa perspectiva para o futuro). * O conteúdo: As associações de idéias do momento podem sugerir algumas vezes ligeiras modificações ou peculiaridades de alusão, de ilustrações e de estilo; entretanto, Cristo deve ser o tema central do início ao fim. 3). Sermão acadêmico O sermão acadêmico se refere aos sermões pregados em qualquer instituições de ensino: seja ela primária, média ou superior. * O conteúdo: O assunto central nestas ocasiões deve ser Cristo crucificado! Nunca se deve pregar um sermão retórico de ciência e de erudição, pois este é o assunto diário desses professores e alunos. 4). Sermão para funeral De todos os sermões é este o mais difícil de se pregar. Mormente porque foi este o único exemplo que nosso Senhor não nos deixou. Ele nunca foi a um sepultamento; portanto, nunca realizou uma cerimônia fúnebre! Com efeito, porém, os exemplos bíblicos de outras ocasiões e as evidências nos ensinam que este sermão deve ser breve, simples e de fácil compreensão, para não perder seu objetivo principal. Por ocasião de um sepultamento, o povo prefere quase sempre um ofício religioso simples, talvez com uma fala breve, em memória do falecido, ou várias falas em caso de interesse especial. * O conteúdo: Entristecidos e abrandados, os presentes sentem profunda necessidade da misericórdia e da graça de Deus; então, é uma oportunidade de meditação e consideração. Aproveitando este momento, o pregador pode prazerosamente (mais sóbrio) chamar a atenção de todos para o evangelho da consolação e incutir a necessidade da piedade pessoal, a fim de que todos estejam preparados para o viver e o morrer. È de grande importância, portanto, que o argumento central sirva para consolar os enlutados e levar os presentes a um momento de meditação sobre um futuro encontro com Deus. 5). Sermão para crianças. Em geral, o sermão para crianças deve produzir três coisas: [1. Interesse 2. Instrução 3.Impressão] Freqüentemente, dizem os pedagogos: “No infante predomina a imaginação; na criança de 10 a 12 anos a memória; e já até o seu maior desenvolvimento se tornam mais ativos os poderes de abstração e raciocínio”. A criança não tem muita paciência, distrai-se com relativa facilidade; seus pensamentos mudam constantemente de lugar, e é difícil faze-la prestar atenção num Homilética (Arte de Pregar) - 15 - determinado assunto por tempo prolongado. Quanto mais rápido for o sermão, mais chances terá de atingir seus objetivos. Por esta razão, alguém aconselha pregar um sermãozinho e não um sermão retórico e prolongado. * O conteúdo: Nunca o pregador deve transmitir um sermão para crianças pensando apenas em diverti-las! Não! As crianças precisam entender que estão aprendendo alguma coisa e precisam ver também que lhes estamos querendo fazer algum bem. Para alcançarmos tais objetivos, devemos, pois, falar a elas sobre fatos e verdades interessantes e instrutivas, usando palavras concretas e conhecidas delas, sem argumentação formal, sem processos analíticos, sem idéias abstratas. “O Livro sem Palavras” Um dos métodos mais atraente e instrutivo para se falar à imaginação da criança, ao seu coração e à sua consciência, é o livro sem palavras. Este livro, geralmente, é constituído de cartolina ou de outro material apropriado. Seu número de páginas deve ser, no geral, cinco, pois num sermão normal isso significaria cinco divisões especiais. Cada página deste livro contém uma cor diferente. Página Dourada: Esta página dourada fala do Céu. Então o pregador deve fazer uma exposição concisa sobre o Céu e suas formas de expressão; com citações bíblicas e exemplos adequados. Página Preta: Esta página é tomada para representar o pecado. Nesse caso, o pregador deve contar para as crianças toda a história do pecado: sua origem, natureza e seus males sombrios. E depois, apresentar na página seguinte (a vermelha) a solução para estes males. Página Vermelha: Esta página representa o precioso sangue de Cristo. Então o pregador deve aqui contar toda a história da redenção. Página Branca: A página branca representa o coração limpo, a pureza da alma, que o Senhor Jesus já purificou. Nesse caso devemos falar às crianças da santificação, purificação, etc. Página Verde: Esta fala da nova vida que recebemos na hora em que aceitamos Jesus como Salvador. O pregador deve então falar sobre a vida eterna e tudo aquilo que diz respeito a uma vida feliz. 6). Palestras para outros eventos especiais São inúmeras as ocasiões em que se requer a presença dum pregador com habilidades e técnicas essenciais, tais como: * Dedicação de templo, * Apresentação de crianças, * Consagração de obreiros - ministros e oficiais, * Recebimento e despedida de missionários ou obreiros em geral, * Batismo, * Santa Ceia, * Outras datas comemorativas, etc. Entretanto, não devemos nos esquecer que o próprio evento, circunstâncias e local inspirarão o obreiro para criatividade e apresentação da mensagem coloquial. Recomendamos ao leitor que compre e faça uso de um manual que trate especificamente destes assuntos. O apóstolo Pulo, quando pensava nestes momentos, disse: “...O Senhor te dará entendimento em tudo” (2 Tm 2.7 b ). * O conteúdo. Algumas vezes, certas ocasiões facilmente podem tornar o pregador superficial. Entretanto, se ele é realmente um homem de Deus, nenhuma influência externa modificará sua personalidade. Então, como sempre, seu assunto central deve ser Cristo! Homilética (Arte de Pregar) - 16 - O TÍTULO O TEMA O TEXTO A INTRODUÇÃO - exórdio - introdução central - intróito O CORPO DO SERMÃO - divisões, subdivisões e transições. A APLICAÇÃO DO SERMÃO A CONCLUSÃO DO SERMÃO 9. AS PARTES QUE COMPÕEM O SERMÃO 1. Os elementos gerais do sermão Os elementos gerais (ou funcionais) que compõem o sermão, conforme a divisão correta, são: 2. As diretrizes básicas da enunciação Alguém poderá então perguntar: Por que tantos elementos funcionais na composição do sermão? Estabelecer uma idéia central como âmago do sermão nem sempre é fácil, especialmente quando se trata de sermões textuais e expositivos. É aí, segundo a divisão correta, que necessariamente deve o pregador fixar sua mente e a de seus ouvintes sobre as palavras, frases e cláusulas do título, do tema e do texto. Somente assim eles terão percepção correta do assunto em discussão. “O TÍTULO” 1. Definição O título, como sabemos, é a primeira parte do sermão. A função do título é chamar a atenção, interessar e atrair as pessoas. Ele dá nome ao sermão, como uma peça literária completa. Não devemos confundir o título com o tema. O título dá nome ao conteúdo. O tema dá nome ao assunto em discussão. O título deve ser bem sugestivo para que possa despertar atenção ou curiosidade. Tem de ser atraente, não pelo uso de mera novidade, mas por ser de vital interesse às pessoas. Para ser interessante, o título deve relacionar-se com as situações e necessidades da vida. Muitas circunstâncias, tanto internas como externas, influenciam a vida e o pensamentoda Igreja, ou do auditório em geral. Épocas de bênçãos espirituais, dias de provações, prosperidade ou adversidade, sublevações sociais ou políticas, comemorações e aniversários, ocasiões de regozijos ou de lutas. Tudo isso, bem como assuntos pessoais dos membros da congregação, influenciam as pessoas a quem o pregador ministra. 2. O título não deve ser negativo O pregador nunca deve usar títulos extravagantes ou negativos. Embora procuremos criar interesse, usando título atraente, é preciso manter sempre a dignidade devida à Palavra de Deus. Certa feita tive o desprazer de ouvir um pregador transmitir um sermão baseado no seguinte título: “Cristo não pode”. Enquanto que o tema trazia a seguinte frase: “Sete razões porque Cristo não salva”. Título dessa natureza e tema extravagante assim, nem salva e nem converte a ninguém. Ele expressa uma mensagem negativa. “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc19.10). Melhor seria pregar: “Três razões porque Cristo salva”. Sem dúvida alguma, o resultado seria glorioso! 3. A divisão do título O título pode ser, segundo a divisão correta, local, geral ou intermediário. *Local, quando se prende apenas a um assunto ou obra literária. *Geral, quando encabeça outros títulos. *Intermediário, quando transita entre o título local e o geral. O título intermediário também pode ser definido como sendo o subtítulo. Homilética (Arte de Pregar) - 17 - O subtítulo, quando é uma parte apenas do título geral, também pode ser chamado de título parcial. De acordo com as regras homiliastas, o título deve ser breve. Há ocasiões em que é necessário usar uma sentença completa, mas concisa. 4. A natureza do título A natureza do título pode ser “declarativa”, “interrogativa”, “afirmativa”, ou “exclamativa”. Biblicamente falando, pode ser apresentado este gráfico assim: * Declarativa “O que Deus não pode fazer¨ (curiosidade) - Tito 1.2. * Interrogativa “Onde está Jesus?¨ (vontade de conhecer) - Mateus 2.2. * Afirmativa “Jesus foi e voltarᨠ( a evidência e a certeza) - João 14.3. * Exclamativa “Para mim o viver é cristo! ¨ (determinação) - Filipenses 1.21. 5. A Escolha do Título Na homilética, a escolha do título deve ser mais um assunto particular de cada pregador. Cada um de nós tem as vantagens e as desvantagens para desenvolver um tema baseado num certo título. Há pregadores que se amoldam a certos títulos e outros não. Entretanto, certas ocasiões são sugestivas para a escolha do título. Exemplo: a) Por ocasião do natal: “O presente de Deus”. b) No dia das mães “Amor e ternura exemplificados”. c) No Dia de Finados “A esperança da ressurreição”. d) No Dia da Independência “Liberdade e Fraternidade”. e) No Dia de Ano Novo “Uma nova etapa” (aguardando nova esperança, etc). f) Sexta-Feira Santa “A morte de Cristo”. g) Sábado de Aleluia “O silencio de Cristo”. h) Domingo de Páscoa “A ressurreição de Cristo”. i) Por ocasião dum culto de missões “A Igreja e sua missão prioritária”. j) Num culto evangelistico “Salvação, Arrependimento, Cura”. Em algumas ocasiões estes títulos são sugeridos diretamente pelo Espírito Santo. Homilética (Arte de Pregar) - 18 - “O TEMA” 1. A síntese do assunto O tema é a segunda parte do sermão e vem depois do título, pela ordem correta. É a síntese do assunto em discussão. Vem de uma raiz grega “théma” que significa ponho, coloco, guardo, deposito, trazendo assim a idéia de algo que está dentro, ou no meio de alguma coisa. Dentro do sermão (em síntese) é exatamente esta a posição do tema. Sua posição técnica no sermão encontra-se entre o título e o texto. 2. O tema e sua função A função do tema é sintetizar o assunto e personifica-lo. Por isso, tema é o nome do assunto que vamos tratar ou a síntese do conjunto deles, enquanto que o assunto (corpo do sermão propriamente dito), vai ser a argumentação (ou conteúdo do tema). Em razão do tema gravitar bem perto do título, alguns mestres da oratória chegaram até sugerir que o tema devia vir antes do título, e não depois. É verdade que em algumas passagens ou assuntos da Bíblia, isso parece lógico; mas outras não. Portanto, o tema deve vir depois do título e não antes. Quando o tema é geral, pode servir de título. Em alguns casos, isso é natural. Exemplo: numa dissertação sobre a more de Cristo, o tema seria A morte de Cristo, enquanto, que, nesse caso, o título viria depois com a seguinte frase: Os sofrimentos de Cristo. Com efeito, portanto, o tema viria primeiro e o título depois, sem que alterasse as regras do procedimento. Mas, no contexto prático, o título deve vir mesmo, em primeiro lugar. “O TEXTO” 1. Definição do texto O texto, ou a porção, refere-se à passagem bíblica em síntese ou no seu todo, usado pelo pregador para fundamentação do sermão. “O Texto é interpretado pela luz do Contexto” O vocábulo deriva-se do latim texere, que significa tecer e, figuradamente, quer dizer reunir, construir, compor, expressar o pensamento em contínuo discurso ou escrita. O substantivo textus, então, indica o produto do tecer, o tecido, a trama e, assim, no uso literário, a trama do pensamento de alguém, uma composição contínua (leia mais sobre texto, quando abordamos uma importante definição sobre texto, contexto, subtexto, etc.). 2. Dependendo da natureza do sermão Dependendo da natureza do sermão, o texto pode sofrer alterações no uso da pronúncia. a) Sermão textual (o texto) b) Sermão expositivo (a porção) c) Sermão temático (a passagem) d) Sermão ilativo (uma inferência) e) Sermão extemporâneo (uma palavra) f) Sermão para ocasiões especiais (uma frase) Num sermão temático, muitas vezes o texto é substituído pelo tema central. Entretanto, ele deve ter o nome de a passagem, para melhor compreensão do significado do pensamento. Na literatura Na literatura, texto é tudo o que está escrito. Na homilética Na homilética, texto é o nome da porção curta da Bíblia que se toma como base para um sermão. Neste sentido, o texto pode ser a penas uma palavra, uma frase ou um período curto. Já a porção extensa, usada num sermão expositivo, pode incluir vários versículos ou até um capítulo todo. Homilética (Arte de Pregar) - 19 - “A INTRODUÇÃO” 1. O exórdio A introdução é a parte inicial do corpo do sermão. É o vestíbulo, ou a plataforma de acesso ao ponto central da argumentação. O propósito da introdução é despertar a atenção do povo e desadiar-lhe o pensamento de tal modo que se interesse ativamente pelo assunto. Alguém até comparou-a a fortes garras de ferro que prendem imediatamente a mente dos seus ouvintes. Podemos comparar a missão da introdução como uma comissão de recepção de um grande evento. Quando esta funciona mal, todo o curso fica prejudicado. No sermão, acontece também a mesma coisa; quando a introdução é mal feita, a tese se desenvolve defeituosa. 2. Deve visar diretamente o assunto A introdução deve visar diretamente o assunto principal. Para tanto, as afirmativas nela contidas devem consistir em idéias progressivas que culminem no objetivo principal do sermão. Toda citação, explicação, exemplo ou incidente devem ser apresentados com este propósito em mente. Os oradores antigos dividiam a introdução em duas espécies: a formal ea não-formal. A formal A introdução formal consistia uma ligeira palavra distinta do verdadeiro assunto (inicio) do sermão. A não-formal A introdução consistia na forma atual do inicio do discurso. A primeira era para levar à invocação; a segunda para preparar a divisão. Os oradores mais exigentes dividiam a introdução em trem partes, a saber: O exórdio (prelúdio) A introdução central (plataforma) O intróito (entrada). Com efeito, a parte final da introdução deve ser chamada de o intróito, visto ser ela a que dá entrada no corpo do sermão propriamente dito. “O CORPO DO SERMÃO” 1. Definição O corpo do sermão, conforme soa melhor em termos práticos entre os pregadores cristãos, é o conjunto de fatos, de idéias, de provas ou de argumentos arrolados pelo pregador. Esta argumentação deve ser bem apresentada e ao mesmo tempo mesclada com o sabor da graça de Deus (Mc 9.50; Cl 4.6). Somente assim, o pregador pode se enquadrar no exemplo típico do divino Mestre. Dele se diz : “…todos… se maravilharam das palavras de graça que saíam de sua boca…” (Lc 4.22) e “…nunca homem algum falou assim como este homem” (Jo.7:46 b). Dependendo da coluna geral ou ambiental, esta parte do sermão (ou este conjunto de idéias, fatos, provas e argumentação) pode ser chamada de: A descrição A narração A dissertação A exposição A discussão A oração A explanação A argumentação A tese A proposição Homilética (Arte de Pregar) - 20 - A prédica O assunto O corpo do sermão O conteúdo da mensagem O calor da eloqüência O centro da pregação O âmago da oratória O corpo do discurso O desenvolvimento O tratado O tópico central, etc… Algumas dessas expressões são apenas termos designativos para classificar métodos gerais de exposição. Por exemplo: *A descrição A descrição é a exposição analítica, detalhada, particular e minuciosa de um objetivo (coisa ou pessoa). A descrição é a forma de se dizer como uma coisa é, em detalhes. *A narração A narração é a exposição de fatos, do modo como eles aconteçam. O narrador se limita a dizer as coisas como elas se deram. É o método típico do cronista, do repórter, do historiador, da testemunha fiel a si mesma e aos outros. *A dissertação A dissertação é a exposição discursiva onde os fatos são analisados, interpretados, as idéias elaboradas e os conceitos estabelecidos, segundo a visualização e a opinião do autor (pregador). No conceito geral, entretanto todos esses termos apontam de uma maneira ou de outra para o corpo do sermão. 2. O objetivo do sermão Em linhas gerais, o sermão tem dois objetivos: persuadir e dissuadir. O alvo do pregador, ou mesmo da mais humilde testemunha de Cristo, é salvar e edificar seus ouvintes. Tratando-se de pecadores, a missão daquele que ministra a Palavra de Deus é dissuadi-los do pecado e persuadi-los a crer em Jesus como Salvador (Lc 24.47,48; At 8.4,5; 14,15). No tocante aos salvos, segue-se a mesma sentença, isto é, dissuadi-los daquelas coisas que são contrárias à vontade divina e persuadi-los a “...permanecerem no Senhor com propósito do coração” (At 11.23). Para persuadir os ouvintes e levá-los à salvação ou edificação espiritual, todas as formas de sermão podem ser usadas. 3. As divisões do sermão As divisões do sermão variam em número, dependendo do conteúdo e da capacidade do pregador. Aconselha-se a limitação de pontos a um máximo de cinco numa série. A memória tende a falhar, quando há mais de cinco pontos num sermão. Testes psicológicos no campo da educação revelaram que, quando há mais de cinco pontos dentre os quais escolher, o discernimento fica mais ou menos nebuloso e, por conseguinte, as escolhas são menos confiáveis. Sugere-se, portanto, para melhor compreensão do significado do pensamento, nos sermões temáticos e textuais, três divisões, e cinco para um sermão expositivo. Também as divisões não devem ser páreas e, ímpares. È muito fácil para os ouvintes acompanhar uma mensagem falada, quando as idéias principais estão organizadas corretamente e proferidas com clareza, do que quando elas não têm organização ou não se relacionam. À medida que o pregador anuncia as divisões e passa de um ponto principal a outro, os ouvintes conseguem identificar as divisões das partes entre si e discernir a progressão da mensagem. a) As divisões No esquema apresentado, o leitor deve observar que algumas divisões principais são tão condensadas que não precisam sofrer subdivisões. Outras, porém, pelo contrário, são amplas e heterogêneas e, por isso, precisam. Outrossim, algumas divisões, por causa do seu conteúdo, podem exigir mais atenção, enquanto que outras não terão tanta importância em relação ao objetivo ou propósito da pregação. Em casos específicos, material que não foi necessário se aplicar numa divisão, podemos aplicar na outra, pois com a mesma ferramenta podemos usar vários tipos de atividade. Homilética (Arte de Pregar) - 21 - b) As subdivisões As subdivisões de cada divisão principal devem derivar do tema da divisão e desenvolver- se dentro do assunto e argumentos principal. c) As transições A função primordial das transições durante o sermão é fazer a ligação (ou junção) da passagem de um assunto para outro. Na linguagem jornalística, chama-se de gancho e na linguagem homiliasta, de transições. Seja a transição mediata ou imediata, sempre é desejável empregar alguma forma de expressão que juntamente com uma natural mudança de tom e de maneira, leve o ouvinte a observar que aí estamos passando para outra linha de pensamento. As transições usadas durante um sermão devem ser caracterizadas com palavras-chaves e nunca com palavras adversas. Observando bem, as transições funcionam entre uma divisão e outra, como uma espécie de minúsculas introduções. “A APLICAÇÃO DO SERMÃO” 1. Convite ou apelo A aplicação do sermão é um dos elementos mais importantes do nosso discurso. Mediante esse processo, obtemos o resultado negativo ou positivo daquilo que pregamos ou ensinamos. A aplicação do sermão deve ser de acordo com o tipo de mensagem que pregamos. Definimos a aplicação como sendo o apelo, ou melhor, posição correta, o convite oferecido aos ouvintes. Esta parte é a penúltima peça do sermão. Antecedendo assim a conclusão do discurso. 2. O objetivo da aplicação O objetivo da aplicação no sermão visa o resultado positivo daquilo que ministramos. Por exemplo: quando pregamos a palavra da salvação aos pecadores, a aplicação deve ser o convite (o apelo). Se ministramos a palavra de Deus num auditório, mostrando a necessidade do crente de ser batizado com o Espírito Santo, a aplicação, nesse caso, deve ser um convite para uma oração de poder, a fim de que nosso Salvador batize com o Espírito Santo; em outras palavras, conforme nosso dia-a-dia, convidamos para “vir a frente”. Quando o sermão se baseia na cura divina, a aplicação deve ser um apelo às pessoas doentes a participarem de uma oração, geralmente intitulada a oração da fé, a fim de que recebam saúde. Vamos observar estes exemplos na Bíblia, onde os sermões tiveram aplicações imediatas: a) No cárcere de Filipos *O sermão: “Não te faças nenhum mal, que aqui estamos”. * A aplicação: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (At. 16.28,31). b) Em Èfeso *O sermão: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?… em que sois batizados então?…certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, Jesus Cristo”. * A aplicação: “E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o EspíritoSanto; e falavam línguas e profetizavam” (At. 19.1-6). c) Em Jerusalém, na porta formosa * O sermão: “Olha para nós. Não tenho ouro e nem prata, mas o que tenho isto te dou”. * A aplicação: “Em nome de Jesus, o Nazareno, levanta-te e anda” (At 3.4,6). São inúmeras as passagens e os episódios na Bíblia, onde o sermão foi seqüenciado pela aplicação. Portanto, numa linguagem clara e acessível, a aplicação do sermão é o convite (apelo) baseado naquilo que pregamos. Homilética (Arte de Pregar) - 22 - 10. O PREGADOR E O SEU COMPORTAMENTO ÉTICO “ÉTICA” 1. Como usar o corpo e a voz Um fator bastante negativo para o pregador, em relação aos ouvintes, é a sua maneira extravagante de se portar no púlpito, ou em qualquer outro lugar ocupado por ele durante a pregação. Paulo recomendava aos seus leitores que evitassem tal prática e ação. Então ele diz: “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus” (1 Co 10.32). E o próprio Deus nos recomenda: “Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6). O pregador deve tentar vencer o mal, em vez de procurar um meio de esconder as suas manifestações externas, como gestos grosseiros e deselegantes. Para esse fim, a prática é um grande remédio, e um tratamento mais poderoso é a fé em Deus. É preciso também, de acordo com sua personalidade, que o pregador se acostume com o povo; então ele fica à vontade, porque está à vontade, sente-se em casa. 2. Os maus hábitos Spurgeom fala-nos destes maus hábitos e nos adverte contra eles. Ele afirma ter conhecido um pregador que, quando perdia a pronúncia correta de uma palavra, invariavelmente, esfregava com cuidado o canto interno do olho esquerdo, com o dedo médio da mão direita. Outro coçava ferozmente o nariz com o nó do polegar dobrado. Um terceiro curvava os joelhos, separando-os, até suas pernas ficarem parecendo uma elipse. Depois, enfiando as mãos nos bolsos até o fundo, lançava com vivacidade a seção superior corpo para frente. Ora, freqüentemente, o hábito pode levar os pregadores a movimentos singulares, e a estes ficam tão apegados que não podem falar sem eles. Alguns mexem num botão do paletó, ou brincam com os dedos, outros ajeitam o nó da gravata dezenas de vezes. Eu mesmo, já vi um pregador dando chutes com os dois pés, dizendo que estava chutando a cabeça do diabo. 3. A postura do pregador A postura do pregador deve ser natural, mas sua natureza não deve ser do tipo grosseiro; deve ser uma natureza bem educada e elegante. Deve, o pregador, evitar especialmente aquelas posições nada naturais, num orador, por obstruírem os órgãos de comunicação por comprimirem os pulmões. Homilética (Arte de Pregar) - 23 - 4. A posição da cabeça John Wesley opina quanto esta parte, e diz: “A cabeça do orador não deve ser mantida muito para cima, nem comicamente lançada muito para frente, nem deve descair e ficar pendendo, por assim dizer, sobre o peito; nem deve ficar inclinada para um lado ou para o outro; mas deve ser mantida modesta e decentemente correta, em seu estado de posição natural”. 5. A posição do pescoço Esticar o pescoço durante a pregação é antiético e penoso para a voz. 6. O rosto O semblante talvez seja a parte mais expressiva de todo o corpo. Funciona como uma espécie de tela, onde as imagens do nosso interior são apresentadas em todas as suas dimensões. Cada sentimento possui formas diferentes para ser apresentado pelo semblante. O queixo, a boca, as faces, o nariz, os olhos, a sobrancelha e a testa trabalham isoladamente, ou em conjunto, para demonstrar idéias e sentimentos transmitidos pelas palavras e, muitas vezes, sem a existência delas. A boca semi-aberta, com os olhos abertos indicará estado de espanto, surpresa, sem que uma única palavra seja pronunciada. O semblante trabalha também como indicador de coerência e de sinceridade das palavras. Deve demonstrar exatamente aquilo que estamos dizendo. Se falarmos de um assunto que deveria provocar tristeza, não podemos demonstrar uma fisionomia alegre ou indiferente. 7. Os olhos Os olhos representam o poder mais enérgico que a pessoa humana tem para influenciar outrem, e até mesmo para exercer influência sobre as demais pessoas que a rodeiam. Muitas são as razões que explicam esta situação. Por exemplo, a primeira coisa a olharmos em outra pessoa, quando estamos próximos e queremos ser educados e atenciosos, será precisamente os olhos dos que nos olham e de quem nos ouve. As pessoas que usam meios e práticas associativas à palavra, não deixam de educar os olhos, para que, tendo mais facilidade de manterem a sua autoridade, venham persuadir seus ouvintes. O pregador não deve olhar para cima (teto) o tempo todo; e nem para o chão. Não pode olhar somente para uma pessoa o tempo todo, como eu costumo observar. O ideal é olhar para todo o público. 8. O uso das mãos Outro fator importante para o pregador é saber usar suas mãos para a glória de Deus. “John Wesley” em sua obra Orientações Sobre Pronuncias e Gestos, orienta o pregador quanto ao uso correta das mãos, dizendo: “Nunca deve bater palmas, nem esmurrar o púlpito. Já pensou Moisés esmurrando e dando pontapés na Arca, ou no Propiciatório? Raramente as mãos devem elevar-se acima dos olhos”. Quando o seu sermão exigir um pouco de ação imitativa, seja vigilante para não usar alguma parte do seu corpo (especialmente as mãos) de maneira incorreta. Em nossa própria cultura universal, determinados gestos com partes de nosso corpo transmitem aquilo que queremos expressar. É verdade que a movimentação expressa menos coisas do que a linguagem, mas é possível expressar essas poucas coisas com maior força ainda. Por exemplo: Abrir com indignação uma porta e apontar para ela é uma ação quase tão enfática como dizer: “Saia da sala!” Negar a mão quando outro estende a sua é marcante declaração de má vontade, e provavelmente produzirá amargor mais duradouro do que as palavras mais severas. Um pedido para fazer silêncio sobre certo assunto pode ser transmitido muito bem cruzando os lábios com o dedo. Um meneio de cabeça indica desaprovação de modo marcante. Sobrancelhas erguidas expressam surpresa em estilo categórico. E cada parte do rosto tem sua eloqüência, exprimindo prazer ou pesar. Que volumes podem ser condensados num encolher de ombros, e que lamentáveis danos esse mesmo escolher tem produzido! Homilética (Arte de Pregar) - 24 - Sermões que atrapalham o culto 1. O sermão sedativo: É aquele que parece anestesia geral. Mal o pregador começou a falar a congregação já está quase roncando. Caracteriza-se pelo tom de voz monótono, arrastado, e pelo linguajar pesado, com expressões arcaicas e carregadas de chavões deste tipo: “Prezados irmãos, estamos chegando aos derradeiros meandros desta senda”. Por que não dizer: “Irmãos, estamos chegando ás ultimas curvas do caminho”? Seria mais fácil de entender. Ficar acordado num sermão desse tipo é quase uma prova de resistência física. Como dizia Spurgeon: “Há colegas de ministério que pregam de modo intolerável: ou nos provocam raiva ou nos dão sono. Nenhum anestésico pode igualar-se a alguns discursos nas propriedades soníferas. Nenhum ser humano que não seja dotado de infinidade paciente poderia suportar ouvi-los, e bem faz a naturezaem libertá-lo por meio do sono” 2. O sermão insípido: Esse sermão pode ate ter uma linguagem mais moderna e um tom melhor, mas não tem gosto e é duro de engolir. As idéias são pálidas, sem nenhum brilho que as torne interessantes. Muitas vezes é um sermão sobre temas profundos, porém sem o sabor de uma aplicação contemporânea, ou sem o bom gosto de uma ilustração. É como se fosse comida sem sal. É como pregar sobre as profecias de Apocalipse, por exemplo, sem mostrar a importância disso para a vida pratica. O pregador não tem o direito de apresentar uma mensagem insípida, porque a Bíblia não é insípida. O pregador tem o dever de explorar as belezas da Bíblia, seleciona-las, pois são tantas, e esbanja-las perante a congregação. 3. O sermão óbvio: É aquele sermão que diz apenas o que todo mundo já sabe e está cansado de ouvir. O ouvinte é quase capaz de adivinhar o final de cada frase de tanto que já a ouviu. È como ficar dizendo que roubar é pecado ou que quem se perder não vai se salvar (é óbvio). Isso é uma verdade, mas tudo o que se fala no púlpito é verdade. Com raras exceções, ninguém diz inverdade no púlpito. O que falta é apenas revestir essa verdade de um interesse presente e imediato. 4. O sermão indiscreto: È aquele que fala de coisas apropriadas para qualquer ambiente menos uma igreja, onde as pessoas estão famintas do pão da vida. Às vezes, o assunto é impróprio até para outros ambientes. Certa ocasião, um pregador descreveu o pecado de Davi com Bate-Seba com tanto detalhes, que quase criou um clima erótico na congregação. Existem pessoas, que já foram homossexuais ou lésbicas e quando vão pregar, contam seu testemunho, e o fazem com tantos detalhes que o povo sai enojado da reunião. 5. O sermão reportagem: È aquele que fala de tudo, menos da Bíblia. Inspira-se nas noticias de jornais, manchetes de revistas e reportagens da televisão. Parece uma compilação das noticias de maior impacto da semana. È um sermão totalmente desprovido do poder do Espírito Santo e da beleza de Jesus Cristo. È uma tentativa de aproveitar o interesse despertado pela mídia para substituir a falta de estudo da palavra de Deus. Noticias podem ser usadas esporadicamente para rápidas ilustrações, nunca como base de um sermão. Homilética (Arte de Pregar) - 25 - 6. O sermão de marketing: È aquele usado para promover e divulgar os projetos da igreja ou as atividades dos diversos departamentos. Usar o púlpito, nos cultos públicos por exemplo, para promover congressos, divulgar literatura, prestar relatórios financeiros ou estatísticos, ou fazer campanhas para angariar fundos, seja qual for à finalidade, destrói o verdadeiro espírito da adoração e, portanto, atrapalha o culto. A igreja precisa de marketing, e deve haver um espaço para isso, mas anúncios intermináveis no púlpito, acabam com o trabalho. 7. O sermão metralhadora: È usado para disparar, machucar e ferir. Às vezes a critica é contra um grupo com idéias opostas, contra administradores da igreja, contra uma pessoa pecadora ou rival, ou mesmo contra toda a congregação. Seja qual for o destino, o púlpito não é uma arma para disparar contra ninguém. Às vezes o pregador não tem a coragem cristã de ir pessoalmente falar com um membro faltoso, e se protege atrás de um microfone, aonde ninguém vai refuta-lo, e dispara contra uma única pessoa, sob o pretexto de “o Espírito Santo é quem mandou dizer”. Resultado: a pessoa fica ferida, e todas as outras também. Não é essa a maneira de ajuda-las, em vez de chumba-la com uma lista de ataques e reprovações, o pregador tem o dever santo de oferecer o balsamo de Gileade, e o perdão de Cristo como esperança de restauração. COMO EDUCAR A VOZ? A voz é um instrumento sensível. Os pequenos músculos das cordas vocais se cansam quando forçados. Sendo assim, o pregador deve cultivar o uso correto da voz, educando-a, de modo a evitar o desgaste excessivo das cordas vocais. Existem pelo menos cinco qualidades a serem observadas na educação da voz: sonoridade, timbre, intensidade e altura, flexibilidade e variedade. De pessoa para pessoa, o timbre, a altura e o volume da voz variam muito, por isso cada um precisa se esforçar por conhecer a própria voz e seus recursos, a fim de aproveita-los ao maximo, para que a sua dicção seja agradável de ouvir. Sonoridade: A sonoridade trata da boa voz, agradável e bonita a harmonização do timbre, da altura, da intensidade e do colorido da voz. Timbre: É fácil identificar uma pessoa pelo timbre da voz, pois este é a fisionomia, a personificação da voz. A qualidade do timbre é percebida pelo tom. Se for nasal (produzido pelo nariz), ou gutural (produzido pela garganta). É necessário cultivar a voz dando-lhe consistência e harmonia, num timbre puro, com vibrações claras das cordas vocais. Intensidade e altura: Intensidade é o grau de força de expiração com que o som da fala é proferido. É o grau de força do som que produz a altura e o volume da voz. Falta intensidade a certos pregadores porque não sabem usar os recursos da inspiração e expiração do ar. A altura da voz tem a ver com a onda ou vibração sonora, por isso, o exercício de intensidade consiste em soltar a voz, emitindo uma letra ou silaba ou palavra que leve para os pulmões a maior quantidade de ar. Então, diga uma vogal ou palavra numa única expiração, e só termine-a quando não tiver mais ar nos pulmões. Flexibilidade: É a capacidade que permite ao pregador alcançar todos os tons vocais. Dependendo da acústica do local pode-se usar a intensidade e a altura da voz . Existe na voz uma escala de sons, desde os mais baixos até os mais altos, a qual pode ser usada na emissão dos pensamentos.Essa flexibilidade permite ao orador passar ao auditório sentimento de tristeza ou alegria. O uso da voz é uma arte que pode ser aprimorada pelos pregadores. Variedades: Uma voz boa e educada pode variar o modo de falar de acordo com o ambiente, o local e a hora. Os especialistas apresentam, pelo menos, quatro tipos de vozes, assim classificadas: ouro, prata, bronze e veludo. Voz de ouro é aquela, dos grandes oradores, capazes de contagiar um auditório e levar seus ouvintes a grandes comoções e decisões. A voz de prata, segundo os especialistas , é apropriada a temas poéticos, por causa do som claro e agradável. A voz de bronze é volumosa e forte, normalmente utilizada Homilética (Arte de Pregar) - 26 - em senilidades, pois tem um tom declamatório. A voz de veludo é a que se reverte dos outros três tipos de vozes. Num discurso ou pregação, deve ser ao mesmo tempo macia e forte, para que os pensamentos emitidos sejam ouvidos com prazer pelos ouvintes. Dicção: A dicção é a maneira de dizer as palavras e está relacionada com duas funções básicas: a articulação e a pronúncia. Embora essas duas funções estejam intimamente ligadas, a articulação refere-se à enunciação completa das palavras, sem omitir, ou engolir, vogais, consoantes ou sílabas. Um erro muito comum de articulação é engolir o “s” do final dos plurais, com por exemplo em “ fizemo” no lugar de “fizemos”, ou “fomo” no lugar de “fomos”, Outro erro comum é engolir o “r” do final dos infinitivos, como por exemplo: “anda” no lugar de “andar” ou “fica” no lugar de “ficar”. Ainda outro erro, por sua vez refere-se ao som correto das palavras com a devida ênfase das silabas tônicas, como por exemplo “Jesuis” no lugar de “Jesus”, ou treis”, no lugar de “três”. A regra geral é pronunciar as palavras completas, com os sons corretos. Um bom exercício para isso é a leitura pausada em voz alta. Entonação: Quanto à entonação das palavras, procureondular a voz de acordo com as diferentes ênfases do seu discurso. Não use tom de voz artificial ou clerical. Alguns pregadores parecem que estão rezando, em vez de pregando, O melhor tom é o coloquial, ou seja, falar com os ouvintes em vez de falar para eles. “Jamais pregue gritando.” 11. OS ELEMENTOS BÁSICOS DE UM SERMÃO 1. Texto: A palavra texto vem do latim textus (do verbo texere, traçar, tecer) e significa tecer, figurativamente, quer dizer reunir, construir, compor, expressar o pensamento em contínuo discurso ou escrita. Em um sentido amplo texto é tudo o que está escrito. Em sentido restrito, texto é apenas uma porção escrita que se quer considerar. O texto pode ser apenas uma palavra, uma oração, uma frase ou um capítulo. Assim sendo, a parte tomada como texto faz com que tudo que está escrito antes ou depois seja o contexto. 2. Contexto: O contexto, é tudo que vem antes ou depois do texto, pode ser antecedente ou conseqüente, próximo ou remoto, conforme sua posição e distancia do texto. O texto pode ser também interno(ao redor do texto que se está considerando) ou externo (fora dele.) neste caso o contexto pode ser histórico, social geográfico, etc. 3. Título: A palavra título vem do grego “TÍTLOS” (através do latim titulus). A função do titulo é chamar a atenção, endereçar e atrair as pessoas. Não devemos confundir o título com o tema. O titulo dá nome ao conteúdo. O tema dá nome ao assunto em discussão. O titulo deve ser bem sugestivo para atrair a atenção dos ouvintes, bem como está relacionado com as necessidades das pessoas. 4. Tema: A palavra tema vem do grego “THÉMA” e significa algo que está dentro, guardado, depositado. É o assunto-chave do sermão. É a verdade central ou a idéia central do sermão e vem depois do título, pela ordem correta. Uma pregação sem tema é como um navio sem leme, ou um viajante sem destino certo. Quando uma pregação se apresenta sem tema, os pensamentos perdem-se no final da mensagem, e os ouvintes não terão condições da guardar algo daquela pregação. Toda mensagem requer um só tema, ainda que subdividido em vários pontos. Em razão de o tema gira bem perto do título, alguns mestres da oratória chegam até a sugerir que o tema deveria vir antes do título, e não depois. É verdade que em algumas passagens ou assuntos da Homilética (Arte de Pregar) - 27 - Bíblia, isso parece lógico; mas em outras não. Portanto, o tema deve vir depois do título e não antes. Quando o tema é geral, pode servir de título. Em alguns casos, isso é natural. Exemplo de título e tema: Título: O bom pastor. Tema: Jesus o bom pastor. a) Alguns princípios para a escolha de temas: O tema deve ser breve. O tema deve ser interessante. O tema deve estar de acordo com a mensagem. Tema deve estar de acordo com a dignidade do púlpito. O tema pode consistir numa citação breve de um texto bíblico. O tema pode vir em forma de afirmação, exclamação ou interrogação. b) Tipos de temas: 1. Interrogativo: É o tema em forma de pergunta. É o tipo fácil de encontrar na Bíblia. O seu desenvolvimento também é muito fácil, visto que, se o tema aparece em forma de pergunta, você pode logo notar que o rumo desse sermão será contestação. Exemplo: Tema: Que farei para ser salvo? (at 16.31). Desenvolvimento: 1- Crer no Senhor Jesus Cristo. 2- Arrepender-se dos seus pecados. 3- Viva uma vida nova em Cristo. 2. Declarativo: É o tema tirado de uma declaração bíblica. Normalmente você encontra esse tipo de declaração na Bíblia em inúmeras declarações, de cujas frases você poderá extrair temas para seus sermões. Exemplo: Tema: Lembrai-vos da mulher de Ló. (Lc 17.32). 1- Conformou-se com o mundo. 2- Olhou para trás. 3- Transformou-se em uma estátua de sal. 3. Imperativo: Homilética (Arte de Pregar) - 28 - Este tipo de tema é encontrado na Bíblia em forma de mandamento ou ordem divina. Exemplo: Tema: Sede santos. (1 Pe 1.16). 1- Por que devemos ser santos. 2- Como podemos ser santos. 3- As bênçãos, por sermos santos. c) Exemplos de temas: O grande doador. O cristão e o altar. Egito juízo e redenção. As sete tranças de Sansão. Paulo o apóstolo pequeno. Chegando -se junto ao trono. O arrebatamento da igreja A noite mais escura da história. Características do verdadeiro cristão. Davi em Maanaim e os anjos de Deus. Davi o homem segundo o coração de Deus. A oração que move o trono de Deus na eternidade. d) Como trabalhar o texto para preparação do sermão. Determinar a extensão do texto. Defina qual é a porção que vai ser usada com base para o sermão, o texto pode ser uma palavra, uma oração, uma frase ou um período curto ou longo. Interprete-o gramaticalmente. Descubra quem está falando, ou agindo, no caso quem é o sujeito da oração, e o predicado, e os complementos. As figuras de linguagem, etc. Consultar outras traduções. Isto lhe dará mais segurança sobre o assunto que ira discorre, principalmente no tema que ira escolher. Consultar um bom dicionário da língua. Um dicionário atualizado nos verbetes lhe ajudara muito na compreensão da palavra. Consultar uma enciclopédia. Principalmente se o termo exigir uma explicação histórica ou geográfica com detalhes particulares. Consultar um comentário bíblico. Homilética (Arte de Pregar) - 29 - Se o termo exigir uma explicação teológica ou textual mais profunda. Outras observações úteis: Descobrir quem é o autor, quando escreveu, para quem escreveu e com que propósito.Que gênero adotou, e qual o seu estilo, etc. e) Requisitos importantes para a escolha de temas. Tenha sempre à mão uma caderneta de anotações, para anotar pensamentos ou idéias novas que brotam em sua mente nas mais diversas circunstancias e lugares. Poderosos temas poderão surgir por inspiração do Espírito Santo, através da leitura de um livro, jornal ou revista, em casa ou viajando, trabalhando ou descansando. Um incidente qualquer, uma noticia pelo radio, uma frase lida ou ouvida em algum lugar, podem inspirar o pregador a descobrir bons temas para pregação. Leia muito e saiba selecionar sua leitura: bons livros e periódicos. Não só a leitura de livros de cunho evangélico, mas também de livros seculares. A cultura é indispensável ao cultivo de qualquer pregador. Ele deve procurar enriquecer seu vocabulário e seus conhecimentos gerais, como estudamos em lição anterior. A leitura sistemática fornecera ao pregador bons temas homiléticos. Esteja sempre em dia com os assuntos atuais. Hoje, os meios de comunicação favorecem essa atualização cultural. Ele precisa pelo menos, ter uma idéia geral dos problemas mundiais, a fim de colher lições espirituais para a sua igreja. Será de grande utilidade para o pregador, um arquivo homilética, para guardar e selecionar por assuntos, fatos, noticias, teses, ciência, relações humanas, etc; O qual o manterá sempre em dia ante os acontecimentos mais recentes, ou de interesse permanente. O cultivo principal e a fonte suprema de inspiração do pregador estão na oração e meditação da Palavra de Deus. A oração descerra o véu, e a luz da inspiração divina jorrará sobre a meditação feita na Palavra de Deus. f) Finalmente,você deve considerar ainda os seguintes pontos: Fuja de temas triviais e frívolos, isto é tema sabido de todos, comum, vulgar. Escolha temas de fácil comunicação, tema de difícil compreensão, pode levar você a não atingir o objetivo. Defina-se por temas que produzam bênçãos, em outras palavras temas com mensagens positivas e não negativas. Escolha temas apropriados para a época, lugar e ocasião, o pregador deve usar sua inteligência, em cooperação com a direção do Espírito Santo, para saber pregar a mensagem certa na hora certa, e no lugar certo. Escolha temas, que você tenha condições de desenvolve-los. Escolher um tema que não se domina muito bem, seria um desastre para o pregador, e com certeza o povo logo percebera, e não prestará mais atenção no que ele estiver dizendo. INTRODUÇÃO DO SERMÃO Introdução é à parte do sermão que serve de ponto de contato entre o pregador e o auditório. Normalmente a introdução é a ultima parte a ser feita na preparação de um sermão. Por que? Antes de o pregador escrever as primeiras palavras do sermão, ele deve formar a idéia geral do assunto que vai falar. É impossível apresentar uma introdução de um sermão, do qual não se tenha uma nítida idéia geral. A introdução só deverá ser feita exatamente quando o pregador tiver fixado o propósito do sermão, escolhido o texto, determinado o tema e organizando o esboço; então ele estará pronto para preparar a introdução do sermão. Na introdução você ira dizer ao seu auditório o que ira falar no sermão, por isso, ela deve ser preparada por ultimo. Analisemos as características de uma boa introdução e o que se deve evitar: Atratividade: Por tudo que já foi dito, a introdução tem a obrigação de ser atraente e interessante para despertar a atenção do público. Se não for interessante, é melhor não haver introdução, porque Homilética (Arte de Pregar) - 30 - ele vai fazer exatamente o efeito contrario, ou seja, os ouvintes vão dizer: “Isso não me interessa”. Por isso a introdução é considerada o ponto estratégico do sermão, para não dizer o ponto mais importante. Não adianta o sermão ser poderoso , se o ouvinte não for conquistado para ouvi-lo. Aliais, não existe sermão poderoso sem introdução poderosa. Objetividade: A introdução não tem que explicar o sermão, mas precisa pelo menos, explicar-se a si mesma, ou seja, ter uma razão de ser. Para isso ,tem de ser objetiva e vinculada ao tema do sermão, para servir-se de ponte entre a atenção do auditório e o assunto do sermão. Concisão: Aqui entra a capacidade de síntese como qualidade do orador. Se há um ponto em que o pregador não pode ser descuidado, é a introdução. Segundo um certo pregador: O segredo para a gente ser enfadonho é contar tudo. Brevidade: Mesmo sendo interessante e concisa, a introdução não deve se longa, pois o ouvinte pode ficar sem saber aonde o pregador quer chegar. Em outras palavras, a introdução deve durar só o suficiente para conquistar a atenção dos ouvintes para a introdução do assunto. Modéstia: Cuidado para não fazer promessas como alguns políticos na introdução do sermão, ou seja, prometer o que não pode fazer, como por exemplo: “ Nesta noite muitos serão curados, batizados com Espírito Santo e libertos pelo poder de Deus.”Seja modesto deixe que o conteúdo fale Por si mesmo e revele coerência, não prometa o que pode não acontecer, para que você não caia no descaso e passe por mentiroso diante do auditório. Clareza: O ouvinte não tem de fazer força para entender a introdução, pois, afinal de contas, é a introdução que deve conquista-lo, não ele conquistar a introdução. A introdução tem de ser clara nas palavras, clara nas idéias e clara nas intenções. Não use ilustrações com objetos desconhecidos ou alguma lei cientifica difícil de entender. Planejamento: Mais uma vez o preparo é fundamental. Alguns pregadores têm a ingenuidade de preparar o corpo do sermão e deixar a introdução para o improviso. Não faça isso nunca. Recomenda-se de fato preparar a introdução por último, quando já tiver pronto o sermão, para saber que rumo dar à introdução, mas ela precisa estar muito bem preparada, pois é a parte do sermão em que você precisa demonstrar a maior segurança possível, para ganhar a confiança dos ouvintes. Um certo professor de homilética dissera: “Se você não obter a atenção dos ouvintes nos primeiros 60 segundos, você pode não conseguir mais” Por isso, planeje muito bem as suas primeiras 25 palavras. As fontes para a introdução podem ser: O texto bíblico. O contexto. Uma ilustração. Fatos e acontecimentos da atualidade. Uma frase ou um provérbio. Uma experiência pessoal. Homilética (Arte de Pregar) - 31 - QUATRO PERGUNTAS BÁSICAS O sermão deve responder a quatro perguntas básicas: Quê? Por quê? Como? então? Estas perguntas não têm, obrigatoriamente, de estar expressas no esboço do sermão, mas devem nortear os pensamentos do pregador. 1. Quê? Esta pergunta preocupa-se em apresentar a origem de alguma coisa nova ou diferente. Respondê-la é definir, explicar ou esclarecer coisas ou fatos. 2. Por quê? Se na primeira pergunta o pregador mostra a origem do assunto, na segunda apresenta a razão, o fato, à importância, a prova. Não é suficiente mostrar ao auditório a origem do assunto; deve-se também provar a sua necessidade. Causas e efeitos são demonstrados neste ponto. 3. Como? Nesta divisão o pregador conduz o auditório a entender o modo pelo qual algo acontece, e sob qual condição pode ser recebido ou cumprido. Ilustremos: Um vendedor ambulante tem em mãos um produto novo e diferente. Ele o apresente ao público, dizendo o que está a oferecer. Em seguida, mostra o porquê do produto - sua importância e necessidade. Depois de convencer o público de que o produto é bom, diz como consegui-lo. Finalmente, mostra o que fazer com o produto. 4. Que, então? Nesta divisão encontra-se o ponto culminante do sermão. É a aplicação da mensagem, aparte principal.De nada nos vale responder às três primeiras perguntas, se não soubermos convencer o auditório a desejar ou fazer aquilo que se está oferecendo.Tem havido muitas falhas neste sentido. Certos pregadores deixam os ouvintes com água na boca, mas não lhes dão o direito de beber, desta água da vida, saciando-lhes assim a sua sede. Homilética (Arte de Pregar) - 32 - 12. COMO ESCOLHER UM TEXTO PARA O SERMÃO Todos os textos da Bíblia são ricos de significados e beleza, mesmos aqueles que parecem menos atraentes. Contudo, é evidente que alguns textos parecem mais fáceis, por oferecer mais campo para aplicação das verdades bíblicas na vida dos ouvintes. Vejamos alguns deles: 1) Escolha um texto que fale primeiro ao seu coração: O primeiro critério para escolher o texto do sermão é entusiasmar-se com ele. Alguns textos enchem os olhos e o coração à primeira vista, por falar primeiro ao coração do pregador, deixando o pregador motivado para o preparo do sermão. A final, se o pregador não vibrar com o texto, a congregação também não vibrará. 2) Procure um texto que atinja uma necessidade da igreja: À medida que o pregador conhece as necessidades da congregação, ele saberá as principais carências que precisam ser satisfeias, e a própria necessidade poderá sugerir o texto. 3) Procure textos de sentido claro e relevente: Alguns textos falam mais diretamente sobre temas que são mais relevantes, e de interesse imediadospara os ouvinte. Um sermão, por exemplo, sobre genealogia ou sobre as leis levítias pode até tornar-se interessante, mas vai exigir muito esforço e habilidade no prepar, por não serem assuntos de interesse imediato. Da mesma maneira, você pode preparar exelentes sermões sobre Cantares de Salomão, mas é recomendavel evitar as expreções de excessiva intimidade. Uma vez que o texto deve ser interpretado dentro de um contexto histórico, cultural e tipologico, pois dependendo da ocasião isso pode tornar-se inconveniente e irrelevante. 4) Prefira textos com enfoque positivo: Isso não é uma regra absoluta, mas o enfoque positivo geralmente é mais atraente para ouvir, do que o negativo. 5) Prefira textos que apelem à imaginação: Uma lei da comunicação é que os ouvintes preferem ver a ter de pensar. Portanto, pinte um quadro na mente deles e dê-lhes algo para ver, sentir e fazer. Quando perguntaram a Jesus quem era o próximo, ele pintou o quadro do bom Samaritano, com cenas de atividades, conflitos e pessoas. As paraboras e milagres podem ser mais fáceis de pregar do que as epistolas, por exemplos. Por outro lado, quando for pregar sobre as epístolas,você precisa enriquecer o sermão com mais ilustrações e aplicações. 6) Prefira textos curtos: Os textos menores concentram melhor as idéias do que as maiores, e isso ajuda a prender a atenção do ouvinte. Além disso, a multiplicidade de idéias dificulta a unidade, e o sermão corre o risco de desviar para mais de um assunto. Quando for pregar sobre um texto longo, você tem de selecionar bem as idéias principais e concentrar-se somente nelas. 7) Concentre-se num só texto: O risco de ferir a unidade e a concentração das idéias é maior quando se utiliza mais de um texto no sermão expositivo. Somente em casos excepcionais deve- se usar mais de um texto no sermão expositivo. É claro que esse método não se aplica ao sermão temático, que não se apega ao texto, mas sim ao tema. OBJETIVO GERAL DO SERMÃO O objetivo geral é o propósito central do sermão, a categoria a que ele se encaixa em termos de fim do sermão. O que se pretende com um sermão? Ocupar o tempo no culto? Dar algum material para o povo pensar? Os ouvintes de um pregador ou são salvos ou são perdidos. A quem se destina o sermão? A ênfase no seu conteúdo se para os salvos, se para os perdidos, é o que determina o seu objetivo geral. São seis os objetivos gerais do sermão, conforme Crane. (El sermon eficaz pg. 57-75): Evangelístico, doutrinário, devocional, consagração, ética (ou moral) e alento (pastoral).Vejamos: Homilética (Arte de Pregar) - 33 - 1. Sermão Evangelístico. Sua finalidade é persuadir os perdidos a aceitarem Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Infelizmente, os sermões evangelísticos são, hoje, repletos de frases feitas: "Deus te ama", "Você pode morrer esta noite", "Vem agora", etc. No entanto, um sermão evangelístico pode ter um bom conteúdo (O evangelista não necessita de pobreza de idéias no cumprimento de sua missão). Quatro verdades devem se delinear no sermão evangelístico: a) O homem natural está perdido; b) A obra redentora é de Cristo; c) As condições pelas quais o homem se apropria da obra redentora de Cristo; d) A necessidade de uma decisão, se não pública, pelo menos no íntimo. 2. O sermão Doutrinário. Sua finalidade é instruir os crentes sobre as grandes verdades da fé e como aplicá-las, portanto, é didático. O dom de ensino era muito difundido no cristianismo nascente. Jesus era intitulado de "Mestre" e os seus seguidores de "discípulos". O sermão doutrinário atende quatro funções na vida da igreja: a) Atende o desejo de aprender que existe na vida do crente; b) Previne contra as heresias; c) Dá embasamento à ação; d) Contribui para o crescimento dos ouvintes e do próprio pregador. 3. O sermão Devocional. Sua finalidade é desenvolver nos crentes um sentimento de amorosa devoção para com Deus, despertando sentimento de louvor. 4. O sermão de Consagração. Sua finalidade é estimular os crentes a dedicarem talentos, tempo, bens, influência, vida, etc, ao serviço de Deus. Estimula a igreja para vocação, abertura de novos trabalhos, ofertas missionárias, etc. 5. O sermão Ético ou Moral. Sua finalidade é orientar os crentes para pautarem suas condutas diárias e relações sociais de acordo com os princípios cristãos. Assuntos que cabem aqui: Matrimônio, adultério, divórcio, justiça social, racismo, dignidade da pessoa. 6. O sermão de Alento (ou Pastoral). Sua finalidade é fortalecer e alertar os crentes no meio de crises pessoais ou comunitárias. Focalizam o cuidado de Deus para com o seu povo e o livramento que o Senhor opera. Homilética (Arte de Pregar) - 34 - 13. TIPOS DE SERMÕES Nesta lição vamos estudar como construir o edifício do seu sermão. Um edifício pode ter basicamente uma só estrutura, mas suas paredes e decorações podem ser diferentes. Há basicamente três espécies de sermões, os quais podemos chamar de: 1) Temáticos: É o que expõe as verdades bíblicas implícitas num tema utilizado pelo pregador. A divisão do sermão temático deriva-se do tema, e não do texto bíblico. 2) Textuais: Suas divisões derivam do texto bíblico tomado, não do tema do sermão. 3) Expositivos: Suas divisões vêm da exegese do texto tomado, e ainda apoiadas por referencias bíblicas, é uma análise pormenorizada, lógica e aplicada, do texto bíblico. Nota: Ainda poderíamos citar os sermões ocasionais, como: Santo ceia, Ano novo, Dia da pátria, Semana da Paixão e Inauguração de Templos. Também os sermões tipológicos, que são baseados em pessoas, figuras, ou objetos do Antigo testamento, com seus significados revelados no Novo Testamento, como por exemplo: A vida de José, um tipo da vida de Cristo, Éster um tipo da igreja, A libertação do povo de Israel do Egito, um tipo da nossa libertação do mundo. O altar do holocausto, um tipo do sacrifício de Cristo na cruz do calvário, etc. Além disso o Espírito Santo na sua soberania, pode, mediante inspiração ou revelação momentânea, transmitir, no que chamamos um sermão profético, o qual não resulta de prévio estudo do texto bíblico ou preparação especial do pregador cheio do Espírito Santo. Quando isso ocorre, a congregação geralmente rompe em profunda adoração e regozijo na presença de Deus. SERMÕES TEMÁTICOS Sermão temático como acabamos de explicar acima é aquele cujas divisões são tiradas do tema ou assunto, independente do texto. Nesta espécie de sermão, o texto bíblico fornece apenas a idéia ou pensamento da mensagem desejada, que ira girar em torno do tema ou assunto. Este tipo de sermão é o mais fácil de ser desenvolvido pelo pregador que tiver imaginação, for criativo na busca de temas inspirados para seus sermões. Exemplos de sermão temáticos: Tema: A importância do arrependimento. “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.”(Mt 3.2). I. Porque o homem deve se arrepender? 1) Deus o ordena a todos os homens, (At 17.30). 2) Cristo veio ao mundo pregar o arrependimento. (Mt 4.17). 3) A igreja primitiva pregava o arrependimento.(At2.38). Homilética (Arte de Pregar) - 35 - II.O que significa arrependimento? 1) Significa mudança de atitude e pensamento.(Sl32.4). 2) Um abandono do pecado (Ez 18.30.31). 3) Um Retorno para Deus (2 Cr 7.14). III.Os resultados do arrependimento. 1) Alegria nos céus. (Lc 15.10). 2) Alegria na terra, na igreja de Deus. (Lc15. 32). 3) Alegria pela salvação no coraçãodo pecador. (At 3.19). Tema: Que fazer de Jesus, chamado o Cristo? “Disse então Pilatos: Que farei de Jesus chamado o Cristo?” (Mt 27.22). I. Muitos tentam ignora-lo. 1) Como Pilatos (Jo 12.31). 2) Só que diante de Cristo não existe neutralidade. (Mt 12.30). II. Muitos tentam rejeita-lo. 1) Como os fariseus, e os líderes religiosos daquela época. 2) Só que se está for a sua opção, você já esta condenado.(Jo 3.36). III. Muitos estão crendo nele. 1) Como o carcereiro de Filipos. (At 16.31). 2) Como Zaqueu o publicano. ( Lc 19. 8-10) IV. Muitos estão seguindo ele em todo mundo. 1) Como o ex-cego de Jericó (Mt 10.52). 2) O que está você fazendo de Cristo? a. Vai ignora-lo? b. Vai rejeita-lo? c. Ou vai crer nele, e segui-lo? Homilética (Arte de Pregar) - 36 - Tema: Quando perdemos a Jesus. “E, como o não encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele. E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores,” (Lc 2.45-46). I. A Bíblia da atenção a coisas perdidas: 1) Parábolas da ovelha, da moeda e do filho pródigo. 2) Gênesis nos fala de um paraíso perdido. 3) O texto nos fala de Jesus perdido por sua mãe. II. A Bíblia nos aponta três classes de pessoas: 1) Os que conhecem a Jesus, e andam com ele diariamente. 2) Os que não conhecem a Jesus. 3) Os que conheceram, mas o perderam, como aconteceu com Maria. III. Como pode alguém hoje perder a Jesus. 1) Afastando-se da casa de Deus. 2) Dando prioridades a outros assuntos e pessoas. 3) As ilusões, os prazeres e as ofertas deste mundo. IV. Como encontra-lo de novo? 1) Procura-lo, como fez Maria. 2) Perseverar nesta procura. 3) Procura-lo no lugar certo: “A casa de Deus”. Obs: No sermão temático cada ponto deve ter correspondência e estreita relação com o tema principal e o propósito do sermão. Ainda que os pontos sejam distintos um do outro, devem relacionar-se entre si com o tema e o propósito de sermão. Vejamos dois exemplos: Exemplo errado: Tema: O arrebatamento da igreja, sua maior esperança. Texto:Tito 2.15. 1º Ponto principal: A maior esperança da igreja. 2º Ponto principal: A cura do cego de Jericó. 3ºPonto principal: A obra da regeneração. Homilética (Arte de Pregar) - 37 - Você deve ter notado a divergência entre os pontos principais deste sermão . Que relação tem um ponto com o outro? Nenhuma, tão pouco com o tema. Exemplo correto: Tema: O arrebatamento da igreja, sua maior esperança. Texto: Tito: 2.15. 1º Ponto principal: Devemos esperar vigilantes. 2º Ponto principal: Devemos esperar preparados. 3º Ponto principal: Devemos esperar santificados. SERMÕES TEXTUAIS Sermão textual é aquele que se baseia obrigatoriamente no texto bíblico, a divisão e tirada do próprio texto. Neste tipo de sermão, você pode selecionar alguns versículos, ou apenas um, ou até mesmo, parte de um versículo como texto base para o sermão. Ao elaborar um sermão textual a primeira coisa que se deve fazer é escolher qual será o tema do texto que se deseja desenvolver, isto é, o assunto de que se trata o texto. O sermão textual pode ser desenvolvido de três formas de divisões as quais são: 1. Divisão textual natural; 2. Divisão textual analítica; 3. Divisão textual sintética. Modelo de divisão textual natural: Texto: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três; mas a maior destas é a caridade”.(I Co 13.13.). Divisões: 1. Primeira divisão: Fé. 2. Segunda divisão: esperança. 3. Terceira divisão: caridade. Texto: “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo”.(1 Jo 2.16). Divisões: 1. Primeira divisão: A concupiscência da carne. 2. Segunda divisão: A concupiscência dos olhos. 3. Terceira divisão: A soberba da vida. Texto: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14.6). Divisões: 1. Primeira divisão: O caminho. Homilética (Arte de Pregar) - 38 - 2. Segunda divisão: A verdade. 3. Terceira divisão: A vida. Divisão textual analítica: Este tipo de divisão, exige que o pregador tire a idéia geral que o próprio texto fornece, e depois dividi-la analiticamente sem mudar a ordem em que se acha na passagem bíblica. Para que se faça uma boa análise textual, o pregador tem de estudar com especial carinho todas as partes do texto: frase, contexto gramatical, histórico, geográfico, teológico e pratico do texto escolhido. Modelo de divisão Analítica. Texto : Lc 15.17-24. Divisões: 1. Reconheceu seu estado perdido. v.17. 2. Arrependeu-se do que havia feito. v18. 3. Confessou o seu pecado. vv 19-20. 4. Foi perdoado e recebido. vv 20-21. 5. Reconquistou seus direitos de filho, pela reconciliação. vv. 22-24. Outro modelo: Texto: Lc 19.1-10. 1. Uma visita inesperada. v. 1. 2. Uma visita transformadora. v.8. 3. Uma visita salvadora. vv. 9-10. Divisão textual sintética. O próprio sentido da palavra “sintetizar” indica o modelo de se elaborar a divisão sintética. Enquanto na divisão analítica as divisões principais, encontradas no texto, não podem fugir à ordem cronológica textual; na divisão sintética, o pregador tem liberdade de organizar seu esboço sem preocupar-se com a ordem das partes do texto. Neste tipo de sermão o pregador pode adaptar cada divisão como bem desejar, sem preocupar-se com a ordem cronológica, e sim, com a ordem lógica do texto. Alguns mestres denominam assim tal divisão: Divisão Textual de Tópicos. É chamada desta maneira por ser o tipo que se preocupa com as frases, e não propriamente com as palavras do texto. Modelo de divisão textual sintética: Tema: Jesus o bom pastor. Texto: Jo 10.10-14. 1. O mercenário. vv.12-13. 2. O ladrão. v. 10. 3. O lobo. v. 12. 4. O bom Pastor. vv. 11-14. Outro exemplo: Tema: Cristo o Despenseiro de Deus. Texto: Marcos 6.34-38. 1. A visão do despenseiro (vv. 34,38). Homilética (Arte de Pregar) - 39 - 2. A compaixão do despenseiro (v. 35). 3. A atuação do despenseiro (v37). Observe que nos dois exemplos citados acima as ordens dos versículos estão alteradas para prover uma ordem lógica ao assunto do texto. Tema: Cristo o Senhor dos Senhores. Texto: Colossenses 1. Introdução: 1.Saudação inicial da Paulo- 1.1,2. 2. Ação de graças- 1.3-8. I-CRISTO, O SENHOR PLENO. –1.13-23. 1. Senhor da redenção. 1.13,14. 2. Senhor da criação. 1.15-17. 3. Senhor da Igreja Universal. 1.18-20. II-CRISTO SENHOR DO MINISTÉRIO DE PAULO. 1. 24-29. 1. Um ministério de sofrimento. 1.24. 2. Um ministério de serviço. 1. 25-27. 3. Um ministério pastoral. 1. 28. 4. Um ministério de responsabilidade. 1. 29. CONCLUSÃO: Com estes dois exemplos de modelos expositivos, sabemos que podemos detalhar alguns pontos e subpontos, aperfeiçoando a exposição da mensagem, para uma melhor compreensão do auditório. Recursos que apelam às necessidades dos ouvintes. Não bastam bons argumentos numa pregação para convencer os ouvintes. É preciso que a exposição dos pensamentos tenha um misto de lógica e emoção, e preencha as necessidades dos ouvintes.A exposição do sermão não pode ser mera demonstração de conhecimento, raciocínio e sentimentos, o pregadordeve ter em mente, não só o persuadir, mas também o preenchimento das necessidades morais, afetivas e espirituais dos ouvintes. Recursos de ilustração. A ilustração embeleza o sermão, e facilita a compreensão da mensagem. No campo da homilética “a ilustração é o meio pelo qual se lança luz sobre um sermão através de um exemplo. É a representação de uma sena, ou a descrição de uma pessoa ou, incidente, com o fim de iluminar o conteúdo de uma mensagem, ajudando o ouvinte a compreender as verdades que o pregador proclama”. Normalmente, a ilustração envolve algo conhecido de todos. Pode vir na forma de uma parábola, história verídica, alegoria, experiência pessoal, fato ou aspecto histórico – biográfico.O Senhor Jesus Cristo utilizou-se de situações da vida diária para revelar as grandes verdades divinas. A ilustração além de aclarar a mente do ouvinte, desperta a atenção e quebra a monotonia. Homilética (Arte de Pregar) - 40 - A importância da ilustração. Adquirimos nossos conhecimentos através dos cinco sentidos naturais, nas seguintes proporções: Aprendem-se 70% do que se ouve e vê. Aprendem-se 50% do que se vê Aprendem-se 20% do que se ouve. Aprendem-se 2% por meio do tato. Aprendem-se 1.5% por meio do olfato. Aprendem-se 1.5% por meio do paladar. A visão e a audição assimilam mais conhecimentos que os outros sentidos. Portanto, é a exploração desses dois agentes físicos que ajudarão o pregador na exposição da palavra de Deus. Por meio de uma ilustração bem apresentada, o pregador pode elucidar, explicar, provar e ornamentar uma verdade bíblica. Porém, o valor da ilustração é secundário; porque ela representa apenas a janela da casa, e uma casa não pode ser feita só de janelas. O valor primordial deve ser dado exclusivamente a palavra da Deus. São requisitos necessários da ilustração: 1. Ser interessante. 2. Ser sem exagero. 3. Ser simples e clara. 4. Ser exata e objetiva. 5. Ser apropriada e introduzida no momento. 6. Ter íntima relação com a necessidade dos ouvintes. 7. Esclarecer quaisquer duvidas acerca das verdades divinas. 8. Não ser longa, cansativa, enfadonha, detalhada, mas breve, uma vez que a finalidade da ilustração é esclarecer. Pregar é uma arte, Orar é um talento!! A maior pregação do mundo é aquele que se prega com testemunho!! Josiel Saraiva, Mestre em Teologia. BIBLIOLOGIA Bíblia de Estudo Pentecostal; Bíblia Vida Nova, Corrigida e Atualizada; Prega a Palavra. Gesiel Gomes.CPAD; Homilética, o Pregador e o Sermão. CPAD; Como Preparar Sermões. CPAD; Homilética, falando de Deus aos homens. EETAD; Hermenêutica. Ed. Vida; Como preparar Mensagens Bíblicas.Ed Vida; A arte de falar em público. Ed Saraiva. Amem! Homilética (Arte de Pregar) - 41 - Prova de Homilética (NOME LEGÍVEL) Aluno (a):....................................................................................................................data............./.............../............ (Marque um X na alternativa correta) 1. Quais são os três tipos de mensagens? Literal, Simbólica e Figurada. Temática, Textual e Expositiva. Evangelistica, Doutrinaria e Escatológica 2. O texto é interpretado pela luz do... Tema Texto Contexto 3. Quais são os três pontos importantes do pregador? Voz, Postura e Leitura. Voz, Vocabulário e Postura. Higiene, Educação e Comportamento. 4. Quantos tipos de sermões existem? Textual, Temático e Expositivo Textual, Temático Profundo Temático e Expositivo e Oratório 5. Qual é a primeira parte que compõem um sermão? O Tema O Título O Texto Observação: Só existe uma alternativa correta em cada questão, e cada questão vale 2 Pontos. Registro Nº.............................................. Professor.................................................................................