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Aula 8 – 19/04/2023Ortopedia - Parte I Anatomia · Ossos longos · Epífise – articula com o osso (proximal e distal) · Metáfise (tem a linha fisária) – linhas de crescimento no filhote · Diáfise FIGURA: Fêmur esquerdo do cão. (A) Cranial, (B) caudal e (C) lateral. Fêmur esquerdo de equino. (D) vista cranial e (E) lateral. 1, Cabeça; 1', fóvea; 2, pescoço; 3, trocânter maior; 3' e 3", partes cranial e caudal do trocânter maior; 4, trocânter menor; 4, terceiro trocânter; 5, fossa trocantérica; 6, tróclea; 6, extremidade proximal alargada da crista troclear medial; 7, tuberosidades supracondilares; 7' fossa supracondilar; 8 e 8, côndilos lateral e medial; 9, fossa intercondilar; 10, patela; 11, ossos sesamoides (no gastrocnêmio); 12, fossa extensora: 13, fossa para o poplíteo. · Córtex – externo · Medula – interno · Linha fisária – linha de crescimento na metáfise · Região proximal · Região distal Quanto mais longe do cachorro, mais distal será · Terços: distal, medial e proximal Exame ortopédico · A maioria dos casos são: lesões osteoarticulares (osteomusculares) e fraturas · Ex: displasia coxofemoral Questão de prova: Qual é o sintoma mais comum Histórico mais comum é claudicação e dor · Exame ortopédico tem como objetivo LOCALIZAR e IDENTIFICAR a lesão para direcionar o DIAGNÓSTICO e o TRATAMENTO adequado · Ex: luxação de patela (diagnóstico e tratamento clínico) · Tratamentos ortopédicos podem ser clínicos e/ou cirúrgicos · Clínicos: manter a qualidade de vida, fazer controle de dor ou da doença articular degenerativa (fortalecimento da musculatura, controle do peso, diminuição de danos articulares e ligamentares) · Cirúrgicos: estabilização de fraturas, reposicionamento de articulações luxadas, ressecção de neoplasias musculares e ósseas, reparo de lesão de tendões e ligamentos e estabilização e descompressão de lesões vertebrais · O exame para localização da lesão, se inicia com: anamnese, histórico e informações do paciente (idade, raça, sexo, doenças concomitantes) · A manipulação deve ser com cuidado · Controle de dor se necessário analgesia e depois exames Quais são as etapas do exame ortopédico? – PROVA!! Etapa subjetiva: avaliação da caminhada · Se inicia pela observação dos sinais de claudicação animal · Lesões articulares ou de crescimento apoio do membro, mesmo que sem muita carga · Fraturas claudicação sem apoio, sem suporte ao peso do corpo · Avaliação da caminhada do paciente, de preferência em espaço aberto · Exceto felinos · Primeiro: caminhando lentamente identificar a claudicação e alivio de peso · Segundo: caminhada rápida ou trote permitem boa avaliação de algumas alterações · Solicitar que o animal fique em estação e sentado, deite e levante-se · E avaliar o paciente durante a subida e descida de escadas ou rampas *Verificar sinais de atrofias ou hipertrofias musculares* Exame ortopédico – Alívio de peso FIGURA: ilustração de um paciente canino, demonstrando que ao tocar o membro lesionado no solo, o animal faz um balançar da cabeça para retirar o peso do membro afetado Etapa objetiva: exame clínico e diagnóstico por imagem · Palpação sistêmica do paciente deve ser realizada · Cada examinador pode criar sua própria sequência de exames · Comparação constante entre os membros direito e esquerdo (início: membro sadio) · Iniciando pelas extremidades parte superior do membro · Todas as articulações devem ser extendidas e flexionas, abduzidas e aduzidas · Sempre apalpar os ossos longos · Respostas dolorosas, aumentos de volumes, instabilidade e crepitações (rangidos e estalos) · MTS: Abaixo do carpo Carpo Radio e ulna Cotovelo Úmero Ombro Escápula · MPS: Abaixo do tarso Tarso Tíbia Joelho Patela Ligamentos colaterais Ligamentos cruzados Menisco Fêmur Articulação coxofemoral Luxação e elasticidade da ACF Pelve · Exame neurológico: Avaliar propiocepção dos 4 membros -> Flexionar e estender o pescoço -> aplicar pressão na coluna toracolombar e lombar -> Testar dor superficial e profunda na extremidade do membro acometido · O exame começa pelas unhas uma unha quebrada pode causar claudicação (quebras e até suturas completas) · Os coxins e face palmar: lacerações e a presença de corpos estranhos perfurantes · As falanges, as articulações falangeanas, os ossos da região do metacarpo, carpo, metatarso, tarso: luxações e fraturas Exame ortopédico do membro pélvico · A articulação do tornozelo e o tendão de aquiles: integridade e funcionalidade · Tíbia: fraturas e avulsões · Joelho: exames específicos luxação de patela, RLCCr Compressão tibial e teste de gaveta · O cachorro sempre está com o joelho flexionado, então o ligamento é o que mantem o joelho estável · Quando o ligamento rompe, o animal tem que fazer cirurgia · Teste de gaveta segura o fêmur em uma mão e a tíbia com a outra mão, flexionando o tornozelo · Teste de compressão tibial flexiona o tarso (tornozelo) e deixa o dedo posicionado na crista da tíbia · Fêmur: fissuras, fraturas, neoplasias ou lesões musculares (contratura dos músculos do quadríceps) · A articulação coxo femural (quadril): potencial causador necrose asséptica da cabeça do fêmur, displasia, luxação ou subluxações do fêmur luxação coxofemoral Exame ortopédico do membro torácico · Radio e ulna: fraturas são mais comuns, porém pode ter doenças do crescimento · Cotovelo: articulação complexo e pode ser acometida por mais de uma doença concomitante CUIDADO!! · Úmero: fissuras, fraturas ou lesões musculares podem ser identificadas. · Ombro: luxações, osteocondrite dissencante da cabeça umeral Cirurgia ortopédica Possibilidades Nem todo tratamento será cirúrgico, alguns são clínicos · Estabilizar ossos fraturados · Explorar, debridar e estabilizar articulações lesionadas · Reposicionar as articulações · Estabilizar lesões da coluna vertebral · Descomprimir a medula espinhal · Resseccionar tumores músculo esquelético · Reparar lesões e ligamento · Paciente com queixa de doença articular ou trauma recente · Avaliação do paciente primeiro precisa estabilizar o paciente · Classificar a fratura · O ortopedista precisa estabelecer um plano cirúrgico para fixação com resultados previsíveis e consistente Desenvolver habilidades cirúrgicas e manuseio de instrumentos Exame físico · Pacientes que sofreram trauma devem ser submetidos a um rigoroso exame físico investigando possíveis alterações traumáticos em outros sistemas · Exame ortopédico: · Avaliação da claudicação – andando e em estação · Avaliar atrofia da musculatura · Palpação do membro acometido – iniciar pelas unhas até a região mais proximal · (assimetria, dor a palpação, edema, anormalidades na amplitude do movimento, instabilidade e crepitação · Exame neurológico inicial Diagnóstico · Radiografia simples · Posicionamento adequado e correto · Contenção química pode ser necessário · SEMPRE SERÁ PRECISO DUAS projeções em 90º entre elas ou projeções obliquas · Radiografia seriada para o acompanhamento do processo cicatricial ósseo FIGURA: A) A consolidação óssea indireta ocorre em fraturas estabilizadas com gesso. (B) inicialmente o intervalo da fratura aumenta em largura à medida que ocorre a reabsorção óssea. O calo periosteal começa distante da superfície da fratura e aumenta de largura à medida que se aproxima da fratura. (C) Eventualmente, o calo se assemelha a um arco que abrange a fratura. A lacuna da fratura lentamente se torna indistinta à medida que o calo começa a cobrir a fratura e ocorre a mineralização da fibrocartilagem. (D) Depois que o calo fecha a fratura, a estabilidade é alcançada e ocorre a remodelação óssea · Tomografia computadorizada – imagem seccional transversa + reconstrução 3D · Ressonância magnética – não fornece informação do osso cortical – coluna · Ultrassonografia (pouco usado em pequenos animais) – tecidos moles articulares (tendões, ligamentos e músculos) · Cintilografia óssea (não tem no Brasil) – indicada em casos aonde o exame clínico e radiográfico não conseguiram chegar (nãoconseguiram diagnosticar o motivo da claudicação) Coaptação de fraturas · Telas podem ser utilizada com o objetivo de reduzir lesões alinhas e elevar o conforto do paciente · Talas devem ser aplicadas de maneira apropriada e monitoradas com cuidado · Tem talas de tratamento ou diagnóstico · Edema da porção distal, deslizamento e abrasões na pele Bandagem de Robert Jones É a mais utilizada para imobilização e conforto · Posicionar faixas de fita adesiva na superfície cranial e caudal do membro · Atadura e algodão hidrofóbico · Atadura firme sobre o membro para comprimi-lo · Esparadrapo e fita elástica sobre a superfície extrema da bandagem · Proteger contra umidade e sujidades · Não deixar o animal lamber Posicionamento da tala · Vermelho local lesionado · Amarelo membros e área de imobilização Classificação de fraturas · Deslocamento: alinhamento · Localização, direção e número de linhas de fratura · Metáfise, fise e diáfise · Completas ou incompletas · Galho verde – incompleta – uma borda do córtex · Por avulsão – inserção de ligamento ou tendão · Transversa, obliquas curta e longas, espiral, cominutiva · Caso os fragmentos possam ser reconstruídos – redutível ou irredutível · Caso seja exposta ao ambiente – aberta ou fechadas Abertas · Mecanismo de perfuração · Grau I (é o pior) – pequeno orifício na pele causado pelo osso (ele pode não estar visível) o osso causou a fratura · Grau II – ferida de tamanho variável resultando de um trauma extremo · Grau III – fragmentação óssea severa com extensa lesão de tecidos moles Gravidade da lesão de tecidos moles Fraturas fisárias · Fratura Salter-Harris · Tipo I: ao longo da fise · Tipo II: fise e parte da metáfise · Tipo III: fise e epífise – articulares · Tipo IV: fraturas articulares da epífise, fise e matafíse · Tipo V (é a pior) Biomecânica de fraturas e fixação · Compressivas · Dobramento · Torção · Tensão – fratura por avulsão · Velocidade – baixa ou alta influência do tipo de fratura · Estresse – repetidas vezes a mesma carga Tomada de decisão em fraturas Objetivo: união óssea e retorno do paciente a função normal · Planejamento cirúrgico e escolha do implante – resultados previsíveis e consistentes · Considerar informações da fratura, do paciente e do tutor · Planejamento inadequado: falha do implante, atraso na circulação, infecção e não-união Escore de avaliação de fraturas · Após estabilização do quadro clínico · Avaliar os dados do paciente: idade, peso, saúde geral, grau de atividade e presença de outra afecção ortopédica · Avaliar fatores mecânicos x biológicos x clínicos Fatores mecânicos · Apontar o nível de intensidade da fixação para o paciente · Número de membros acometidos · Tamanho do paciente · Atividade · Capacidade de atingir fixação que distribua a carga no eixo ósseo e no implante FIGURA: Fatores mecânicos a serem considerados ao determinar a avaliação da fratura do paciente. As condições que ocorrem no lado esquerdo (por exemplo, função de suporte e lesão em vários membros) colocam tensão máxima em um sistema de implante e exigem escolha e aplicação cuidadosas do implante. Em contenção, se as condições à direita estiverem presentes, menos estresse é aplicado ao sistema de implante, reduzindo o risco de complicações Fatores biológicos · Indicações de quão rápido o calo ósseo pode ser formado · Pacientes jovens (menor que 6 meses) – cicatrização acelerada – tempo de implante menor · Pacientes idosos – maior tempo até alcançar a cicatrização · Fraturas abertas ou fechadas – maior lesão tecidual e maior a quantidade de fragmentos ósseos – mais tempo · Fraturas abertas – dano vascular iatrogênico FIGURA: Fatores biológicos a serem considerados ao determinar a avaliação da fratura do paciente. Os fatores do paciente listados à esquerda não favorecem a cicatrização rápida; assim, o sistema de implante deve permanecer no local por períodos prolongados. Em contraste, os fatores do paciente à direita determinam uma cicatrização rápida e exigem que o implante funcione por um curto período de tempo. Fatores clínicos · Características do tutor e do paciente · Disposição e capacidade dos tutores atenderem as necessidades pós cirúrgicas desses pacientes · Cooperação prevista do paciente após a cirurgia · Função prevista do membro no pós cirúrgico Pacientes e tutores não comprometidos com os cuidados requeridos, pelo tempo necessário, não devem receber essa tarefa FIGURA: Fatores clínicos a serem considerados ao determinar a avaliação da fratura do paciente. Os fatores clínicos à esquerda exigem um sistema de implante confortável que requer pouca manutenção pós-operatória, enquanto qualquer sistema de implante (independentemente da manutenção pós-operatória) é apropriado com fatores clínicos à direita. Interpretar escore de condição de fraturas · Escore de avaliação de fraturas: · Notas maiores tendem a apresentar recuperação melhor · Notas menores recuperação mau sucedida · Escore baixo – 0 a 3 – placas ósseas de prolongamento, associada a pino intramedular, fixadores externos tipo II ou III, ou hastes bloqueadas com parafusos · Escore moderado – 4 a 7 – Placas ósseas, fixadores externos tipo I e II, fixador externo combinado com pino intramedular (tie-in) e hastes bloqueadas · Escore alto – 8 a 10 – Fixadores externos Tipo I, fios de cerclagem, pinos intramedulares e coaptação externa