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Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 1 Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 2 1. Lesões nos Tecidos (ósseo, muscular e ligamentar).................................................................3 2. Princípios da Consolidação e da Reabilitação das Fraturas......................................................8 3. Principais Lesões de Membros Superiores..............................................................................11 3.1 Lesões de Ombro...............................................................................................................11 3.1.1 Lesão no manguito rotador.................................................................................11 3.1.2 Bursite.................................................................................................................12 3.1.3 Capsulite adesiva.................................................................................................12 3.1.4 Luxação Glenoumeral anterior............................................................................13 3.1.5 Síndrome do impacto subacromial......................................................................14 3.2 Lesão de Cotovelo..............................................................................................................15 3.2.1 Epicondilite..........................................................................................................15 3.3 Lesões de Punho e mão.....................................................................................................15 3.3.1 Síndrome do Túnel do carpo...............................................................................15 3.3.2 Dedo em Gatilho.................................................................................................16 3.3.2 Tenossinovite de De Quervain............................................................................16 3.4 Lesões na Coluna vertebral...............................................................................................16 3.4.1Hérnia de disco....................................................................................................16 3.4.2 Espondilolistese..................................................................................................17 3.4.3 Osteofitose – Bico de papagaio..........................................................................18 4. Principais Lesões de Membros Inferiores...............................................................................20 4.1 Lesões de Quadril..............................................................................................................20 4.1.1 Osteoartrose de quadril......................................................................................20 4.1.2 Impacto Femoroacetabular................................................................................20 4.2 Lesões de Joelho...............................................................................................................21 4.2.1 Lesão de menisco...............................................................................................21 4.2.2 Osteoartose de joelho........................................................................................22 4.2.3 Dor femoropatelar..............................................................................................23 4.3 Lesão de Tornozelo............................................................................................................23 4.3.1 Entorse de Tornozelo..........................................................................................23 4.4 Lesão de Pé........................................................................................................................25 4.4.1 Fascite Plantar.....................................................................................................25 Sumário Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 3 Tecido Ósseo As fraturas ósseas são definidas como a quebra da continuidade na arquitetura de um osso, resultando na perda de sua integridade mecânica. Elas podem ser classificadas de acordo com as suas características e peculiaridades, com intuito de ajudar a definir prognósticos, tratamentos e complicações esperadas de cada fratura. Diferentes classificações existem dependendo do osso fraturado, da região do osso fraturado, do tipo de trauma e do autor ou época adotada na classificação. Como as classificações das fraturas geralmente derivam de três principais características possíveis: (localização anatômica da fratura, exposição ou não ao ambiente e tipo ou morfologia do traço da fratura). A classificação do sistema AO para fraturas de ossos longos, é um importante norteador de traços e gravidades de fraturas. Esse sistema de classificação se baseia na seguinte subdivisão de tipos: • A representa fraturas com traços simples, com apenas uma linha de fratura; • B representa fraturas em cunha (com três ou mais fragmentos, em que os dois maiores fragmentos mantêm contato); • C representa uma fratura complexa (com três ou mais fragmentos, em que os dois maiores fragmentos não mantêm contato. Cada tipo de fratura é subdividido em três grupos em ordem de gravidade. Localização Anatômica A fratura é nomeada em função de sua localização no osso acometido, podendo ocorrer na diáfise, na metáfise, na epífise ou acometer uma ou mais faces articulares. Nesses casos, são classificadas como fraturas diafisárias, metafisárias e epifisárias, respectivamente. Exposição da Fratura (Fechada ou aberta) Para os casos em que não há a ruptura da pele expondo o osso ou os tecidos moles ao meio exterior, dá-se o nome de fratura fechada. As fraturas fechadas são mais comuns que as fraturas abertas e estão associadas a um melhor prognóstico quando comparadas a estas. Em contrapartida, as fraturas abertas, em que há a ruptura da pele, costumam estar associadas a maiores índices de complicações, como infecções, Lesões nos Tecidos Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 4 consolidações viciosas e comprometimentos neurovasculares. O sistema de classificação modificado de gravidade das fraturas expostas, descrito por Gustilo-Anderson, leva em consideração esses fatores e ordena em tipos I, II e III esses traumas, por ordem de gravidade. Morfologia (Tipos de Fraturas) As mais comuns são: • Fratura por avulsão: decorrente de uma grande força de tração gerada por um tendão ou ligamento em uma determinada porção óssea. • Fratura cominutiva: com múltiplos fragmentos ósseos (dois ou mais) que ficam desorganizados no foco da fratura. • Fratura por compressão: é um tipo de fratura cominutiva em que há a compressão de dois ou mais fragmentos ósseos. • Fratura com deslocamento: em que um dos segmentos ósseos foi deslocado e há a perda da comunicação entre o periósteo dos dois lados. • Fratura espiral: o traço da fratura se projeta de forma espiral ao longo da diáfise. Em geral, ocorrem forças de torção. • Fratura em galho-verde: fratura incompleta em que uma das corticais do osso fica lascada e a outra permanece conectada, porém deformada. Mais comum em crianças. • Fratura longitudinal: o traço da fratura se projeta ao longo do eixo longitudinal do osso, não rompendo o periósteo de maneira significativa. • Fratura oblíqua: o traço da fratura se projeta de forma oblíqua ao eixo longitudinal do osso. Em ossos longos, são consideradas oblíquas as fraturas com um ângulo do traço da fratura maior que 30° em relação ao seu eixo. • Fratura transversal: o traço da fratura se projeta transversalmente à diáfise, com um ângulo do traço danão rompendo o periósteo de maneira significativa; Fratura oblíqua: o traço da fratura se projeta de forma oblíqua ao eixo longitudinal do osso; Fratura transversal: o traço da fratura se projeta transversalmente à diáfise; Fratura flutuante: quando ocorre fratura em dois ossos longos, ficando a articula ção sem sustentação. As fraturas ósseas são definidas como a quebra da continuidade na arquitetura de um osso, resultando na perda de sua integridade mecânica. Localização anatômica da fratura; Exposição ou não ao ambiente; Tipo ou morfologia do traço da fratura. Principais características possíveis: Sistema AO para fraturas de ossos longos A - representa fraturas com traços simples, com apenas uma linha de fratura; B - representa fraturas em cunha (com três ou mais fragmentos, em que os dois maiores fragmentos mantêm contato); C - representa uma fratura complexa (com três ou mais fragmentos, em que os dois maiores fragmentos não mantêm contato. Diáfise; Metáfise; Epífise. Localização Anatômica A fratura é nomeada em função de sua localização no osso acometido, podendo ocorrer na: Fechada: não há a ruptura da pele; Aberta/exposta: há ruptura da pele. Exposição da Fratura Morfologia (Tipos de Fraturas) Fraturas traumáticas: Ossos saudáveis que não apresentam alteração em sua composição natural que sofrem um trauma mecânico; Fraturas patológicas: O osso saudável é enfraquecido por alguma patologia de base, geralmente sistêmica. Etiologia das Fraturas @fisio.stephanebispo 3 LESÃO MUSCULAR As lesões musculares são a causa mais frequente de incapacidade física na prática esportiva. Estima-se que 30 a 50% de todas as lesões associadas ao esporte são causadas por lesões de tecidos moles. Contusões; Estiramentos; Lacerações. As lesões musculares podem ser causadas por: Contusões Estiramento Estiramentos e contusões leves (grau I) Estiramentos e contusões moderadas (grau II) Estiramento ou contusão grave (grau III) Classificação Representam uma lesão de apenas algumas fibras musculares com pequeno edema e desconforto Provocam um dano maior ao músculo com evidente perda de função (habilidade para contrair). Uma lesão estendendo-se por toda a sessão transversa do músculo e resultando em virtualmente completa perda de função muscular e dor intensa. A força tênsil exercida sobre o músculo leva a um excessivo estiramento das miofibrilas e, consequentemente, a uma ruptura próxima à junção miotendínea. A cicatrização do músculo esquelético segue uma ordem constante - Contusão, estiramento ou laceração. Três fases estão envolvidas neste processo: destruição, reparo e remodelação. Fase 1: destruição – caracterizada pela ruptura e posterior necrose das miofibrilas, pela formação do hematoma no espaço formado entre o músculo roto e pela proliferação de células inflamatórias. Fase 2: reparo e remodelação – consiste na fagocitose do tecido necrótico, na regeneração das miofibrilas e na produção concomitante do tecido cicatricial conectivo, assim como a neoformação vascular e crescimento neural. Fase 3: remodelação – período de maturação das miofibrilas regeneradas, de contração e de reorganização do tecido cicatricial e da recuperação da capacidade funcional muscular. Como as miofibrilas são fusiformes e muito compridas, há um risco iminente de que a necrose iniciada no local da lesão se estenda por todo o comprimento da fibra. Diagnóstico Exame Clínico • Quadro clínico • Mecanismo da lesão • Palpação • Avaliação física/funcional → Exame de Imagem: USG, tomografia, ressonância magnética. @fisio.stephanebispo 4 LESÃO LIGAMENTAR Os ligamentos são estruturas com pouca elasticidade compostas por tecido fibroso que tem como principal constituinte o colágeno, e que possuem a principal função de estabilizar passivamente as articulações. Geralmente, as estruturas ligamentares mais acometidas encontram-se nas articulações do tornozelo e joelho. Ligamento talo-fibular anterior (TFA): Evita a inversão; Ligamento calcâneo-fibular: Limita a dorsiflexão extrema; Ligamento talo-fibular posterior: Limita a inversão. Na articulação do tornozelo, a lesão com maior frequência é a entorse em inversão, acometendo principalmente os ligamentos: Ligamento Cruzado Anterior: Evita a translação anterior da tíbia em relação ao fêmur; Ligamento Cruzado Posterior: Evita a translação posterior da tíbia em relação ao fêmur; Ligamento Colateral Medial: Evita o estresse em Valgo; Ligamento Colateral Lateral:Evita o estresse em Varo. Na articulação do joelho, existem quatro grandes ligamentos que são mais acometidos por lesões são: 1º grau – Entorse do ligamento sem instabilidade; 2º grau – Entorse com instabilidade detectável, porém com continuidade das fibras; 3º grau – Ruptura completa do ligamento. Classificação Dor; Edema; Dificuldade de exercer o movimento completo; Instabilidade na descarga de peso. Sintomas Inflamação: Primeiras horas; Proliferação: 1 - 6 semanas; Remodelação: 6 semanas – 12 meses. Cicatrização Ligamentar A lesão ligamentar normalmente está relacionada a traumas, podendo ser direto (por exemplo acidente com autos ou motos) ou mecanismos rotacionais, evoluindo com dor, aumento de volume, episódios de “falseio” e pode estar associada a lesão meniscal ou de múltiplos ligamentos. @fisio.stephanebispo 5 LESÃO DO MANGUITO ROTADOR O manguito rotador é o grupo de músculos e tendões que se inserem na região proximal do úmero (osso do braço). É formado por 4 músculos do ombro: o subscapular, o supraespinhal, o infraespinhal e o redondo menor. A principal função do manguito rotador é estabilizar e centralizar a cabeça umeral no soquete articular, a cavidade glenoidal. A lesão do manguito rotador é a causa mais comum de dor no ombro. Sua duração - (aguda ou crônica); Seu Tamanho - (parciais, totais ou extensas) ; Sua etiologia - (traumática ou degenerativa). As lesões do manguito rotador podem ser descritas de várias maneiras, de acordo com: Fatores mecânicos; Fatores ambientais; Biológicos ou intrínsecos; Fatores traumáticos; Fatores genéticos. Há diversos fatores que podem causar lesão, como: Dor em região antero-lateral; Fraqueza; Dor noturna; Dificuldade em levantar ou arremessar. Sintomas: Lesão Pequena 5cm Cofield (Lesão Total do Manguito Rotador) Baseado na maior dimensão da rotura Diagnóstico Pode ser feito por meio de exame clínico do paciente, amparado por exames de imagem, principalmente a ultrassonografia e a ressonância magnética do ombro. O uso de radiografias do ombro pode fundamentar o diagnóstico diferencial, excluindo outras doenças. Tratamento O tendão desses músculos pode inflamar ou romper parcial ou totalmente e o tratamento vai depender da gravidade da ruptura e da dor. Se a ruptura for incompleta, vai cicatrizar sozinha, desde que não interfira nas atividades do dia a dia da pessoa. Lesões parciais: nessas lesões a inserção está de alguma forma mantida, porém, ou a parte de cima do tendão, ou a parte de baixo do tendão (lesão parcial articular) ou as fibras no meio do tendão (lesões intrasubstanciais) estão lesionadas. Lesões completas/totais/transfixantes: nessas lesões o tendão está completamente desgrudado/desinserido do osso. Essas lesões podem ser classificadas como pequenas, médias, grandes ou extensas. As lesões do manguito podem ser divididas em: @fisio.stephanebispo 6 BURSITE Bursite é a inflamação da bursa, pequena bolsa contendo líquido que funciona como amortecedor entre ossos, tendões e tecidos musculares. A bursite ocorre principalmente nos ombros Traumatismos; Infecções; Lesões por esforço; Uso excessivo das articulações; Movimentos repetitivo; Artrite; Gota. Principais causas: A sua função é a de facilitar o movimento, amortecer impactos e reduzir a fricção entre as articulações. Quando uma bolsa torna-se infectada, traumatizada, ou ferida é referido como bursite. A inflamação da bolsa causa: Dor, rubor e inchaço Medicamentosa:Analgésicos, anti- inflamatórios e Corticóides; Fisioterapia: Visa promover analgesia, mobilização articular, liberação e posteriormente ganho de ADM. Tratamento Predominantemente conservardor, dividido em duas fases: Dor em todo o ombro, especialmente na parte superior; Dificuldade em levantar o braço acima da cabeça, devido à dor; Fraqueza muscular em todo o braço afetado; Pode haver sensação de formigamento local que irradia por todo o braço. Principais Sintomas A bursite trocantérica afeta lugares como os quadris, enquanto a bursite subacromial acontece debaixo dos ombros. A bursite no quadril e a bursite no ombro são as variedades mais comuns dessa doença, que também pode afligir cotovelos e joelhos, por exemplo. Crônica, onde o paciente acaba sofrendo por toda a vida; Aguda, onde seus sintomas se apresentam durante um determinado período do tempo e podem diminuir até sumir. A bursite pode ser: @fisio.stephanebispo 7 CAPSULITE ADESIVA A Capsulite Adesiva, conhecida popularmente como “ombro congelado”, é um quadro que se caracteriza por limitação dos movimentos e intensa dor no ombro. A capsulite adesiva é provocada por uma inflamação da cápsula que reveste a articulação do ombro. Acomete cerca de 3 a 5% da população geral; A doença torna-se mais frequente a partir dos 55 anos, sendo rara antes dos 40 anos de idade; Mais comum em mulheres; Estudos mostram que o ombro do braço não dominante é ligeiramente mais susceptível à capsulite adesiva; Em cerca de 10% dos pacientes, o ombro contralateral também torna-se doente dentro de um intervalo de 5 anos. Epidemiologia Primário ou Idiopático: ocorre a contratura capsular que aparece após mínimo ou nenhum trauma e tem um processo fibrótico intrínseco na cápsula; Secundário (intrínseco ou extrínseco): ombros rígidos que apresentam etiologia conhecida (pós-traumáticos, pós-infecciosos, imobilização prolongada). Pode ser classificado em: 1. 2. Fase 1 (Inflamatória / Dolorosa): insidiosa, gradual, mal localizada, com perda lenta e progressiva da mobilidade passiva e ativa do ombro, sintoma principal a dor. Apresenta duração de 2 a 6 meses. Fase 2 (Rigidez): limitação da mobilidade, principalmente rotação externa, elevação até 100 graus, com dor leve e persistente. Esta fase pode variar de 6 a 24 meses. Fase 3 (Remissão da doença "Descongelamento") retorno gradual dos movimentos de forma lenta e progressiva ao longo de meses. O período de duração pode variar de 6 a 12 meses. Evolução clínica Caracteriza-se por 3 fases: Idade acima de 50 anos; Traumas na região do ombro; Imobilização prolongada do braço; Cirurgias (não necessariamente do ombro); Diabetes Mellitus; Hipotireoidismo e Hipertireoidismo; Doenças autoimunes; AVC. Fatores de Risco: Dor; Incapacidade funcional. Sintomas: @fisio.stephanebispo 8 LUXAÇÃO GLENOUMERAL ANTERIOR A luxação glenoumeral anterior é a mais comum (93% a 97%) dentre os casos de luxação glenoumeral nas emergências hospitalares, sendo Mais frequente em indivíduos do sexo masculino com idade entre 20 e 30 anos. Epidemiologia É definida como o movimento de translação anterior da cabeça do úmero para fora da cavidade glenóide. Fisiopatologia Acontece quando há falha ou insuficiência mecânica das estruturas responsáveis pela sua estabilidade (principalmente os componentes do manquito rotador) frente às forças externas. Dor elevada acompanhada de impotência funcional; Espasmo muscular intenso; Leve depressão do membro superior, sendo capaz de identificar o "sinal da dragona" (pequena com- cavidade) logo abaixo do acrômio. Quadro Clínico Após a primeira luxação, a evolução clínica do ombro lesado geral mente é caracterizada por: Em 90% dos casos, ela está associada a episódios traumáticos durante a prática esportiva, quedas, impacto corpo a corpo violento, movimento de tração vigorosa do membro superior para trás. Relacionados à condição de instabilidade multidirecional da articulação glenoumeral devido à frouxidão da cápsula articular; Pode estar associado a fatores congênitos ou pela exposição de microlesões sofridas ao longo do tempo. Causas Lesões Associadas Lesão de Bankart: a mais encontrada (associada a 90% dos casos) e acontece quando o labrum glenoidal é deslocado na sua porção ântero-inferior durante a luxação, podendo ser acompanhada de avulsão óssea em 5% dos casos. Lesão de Hill-Sachs: caracterizada pela depressão da cortical óssea na porção póstero-lateral da cabeça do úmero, ocorrendo em 35% a 40% dos casos. Ambos os casos também es- tão associados a maior predisposição para lesões recidivas. Deve ser feito através do exame radiográfico. A imobilização do ombro irá oferecer maior cicatrização; O tratamento cirúrgico geralmente é indicado quando há lesões associadas, ou quando o tratamento conservador não resolveu. Diagnóstico e Tratamento Promover alívio de dores; Ganho de amplitude de movimento; Restabelecimento da estabilidade do ombro; Fortalecimento do manguito rotador Melhora do controle neuromuscular. Fisioterapia @fisio.stephanebispo 9 Síndrome do Impacto SÍNDROME DO IMPACTO SUBACROMIAL É definida como a compressão anormal das estruturas (tendões do manguito rotador, porção longa do tendão do bíceps braquial, bursa subacromial e porção superior da cápsula articular) encontradas entre a porção superior da cabeça do úmero e o arco coracoacromial (espaço subacromial), capaz de levar a alterações degenerativas É considerada uma das lesões mais comuns do ombro (40-60%); Afeta geralmente trabalhadores e atletas que realizam o movimento de elevação do ombro acima de 90° repetidamente; Prevalência superior em mulheres e idade entre 40 e 50 anos. Epidemiologia Multifatorial; Fatores intrínsecos - (hipovascularização tendínea do supraespinhal); Fatores extrínsecos - (insuficiência dos músculos do manquito rotador, desequilíbrio do REU (discinese escapular); Sempre associados ao movimento repetitivo de elevação em abdução ou flexão do ombro acima de 90°. Causas Quadro clínico O indivíduo pode apresentar dor intensa na região anterior do ombro comumente relatada como "fisgada", que piora durante o movimento de abdução ativa entre 60° e 120° ou quando está dormindo, associada a rigidez articular e sensação de fraqueza dos músculos do ombro. Estágio 1: Caracterizado por dor aguda, hemorragia e edema (reversíveis), causados pelo movimento repetitivo; Estágio 2: Evidente processo inflamatório crônico e intermitente, acarretando fibrose com espessamento da bursa subacromial e tendinite do manguito rotador; Estágio 3: Já se encontram roturas parciais ou totais dos tendões do manguito rotador ou bíceps braquial associado a alterações ósseas. É dividida em três estágios Nos estágios l e ll,, o tratamento conservador aparece como primeira opção; N estágio lll, a intervenção cirúrgica é mais indicada devido ao nível de comprometimento tecidual irreversível. Tratamento Divide-se em tratamento conservador e abordagem cirúrgica. Teste de Neer; Testes Clínicos Teste de Hawkins-Kennedy. @fisio.stephanebispo 10 EPICONDILITE EPICONDILITE LATERAL EPICONDILITE MEDIAL A epicondilite ocorre quando os tendões do cotovelo apresentam degeneração, às vezes referido como tendinopatia ou tendinoses. Atualmente, o termo mais empregado é epicondilalgia, pois o processo patológico de base é a degeneração tendínea e não inflamação. Também é conhecida como “cotovelo do tenista” É a epicondilite mais comum como também é a causa mais comum de dor no cotovelo, podendo afetar anualmente até 3% da população adulta. Sua ocorrência é igual entre homens e mulheres; Incidência maior entre 35 e 50 anos, com preferência pelo membro dominante. Mecanismo de lesão: Ocorre pela lesão no tendão na região do epicôndilo lateral, em decorrência de movimentos repetitivos de extensores de punho. Dor ao movimento de preensão ou extensão do punho; Dor ao toque logo abaixo do epicôndilo lateral; Sintomatologia: Conservador; Anti-inflamatórios; Fisioterapia; Adaptação funcional.Tratamento: Também é conhecida como “cotovelo do golfista” Mecanismo de lesão: Ocorre pela lesão do tendão na região do epicôndilo medial, em decorrência de movimentos repetitivos de flexores de punho. É bem mais rara, sendo também menos estudada e de tratamento mais difícil; Acomete igualmente homens e mulheres na faixa etária produtiva; 75% dos casos ocorrem no membro dominante. Sintomatologia: Dor um pouco abaixo do epicôndilo medial, piorada por movimento de preensão e movimentação do punho. Tratamento: mesma linha de indicação da Epicondilite Lateral, a diferença é que tanto o tratamento não- operatório quanto o operatório tem piores resultados. @fisio.stephanebispo 11 Teste de Phalen; Teste de Tinel. Testes Clínicos Síndrome do Túnel do Carpo A síndrome do túnel do carpo (STC) é a neuropatia compressiva mais comum na população adulta, acometendo principalmente as mulheres. Aguda, secundariamente a um trauma; Forma gradual, que é a forma mais frequente. Pode ocorrer de forma: Conservador (imobilização por no máximo, Gelo, calor, posteriormente mobilização e fortalecimento); Anti-inflamatórias não-esteroidais; Fisioterapia; Cirúrgico - cirurgia aberta ou endoscopia Tratamento Geralmente se iniciam à noite; Dor e formigamento; Parestesia nos quatros primeiros dedos e nos punhos, dor no braço, fraqueza para realizar movimentos finos; Hipoestesia no território do nervo mediano; Fraqueza muscular ou perda funcional da capacidade de pinça entre o polegar e os dedos, com queda frequente de objetos; Sintomas Ocorre, geralmente, em trabalhadores que desempe nham tarefas que envolvem movimentos repe titivos das mãos, tais como digitação, operação em máquinas e linha de montagem. O estresse ergonômico e fatores psicossociais também favorecem o desenvolvimento dessa síndrome. Causas @fisio.stephanebispo 12 DEDO EM GATILHO O dedo em gatilho é um tipo de tendinopatia estenosante na qual há um encarceramento do tendão na sua passagem pelo túnel osteofibroso, com subsequente espessamento da bainha sinovial e formação de um nódulo. Anti-inflamatórios; Corticoide local; Fisioterapia - Calor superficial; Cirurgia. Tratamento Queixa de lentidão; Dificuldade para realizar extensão; Pode progredir para queixas de travamento; Contratura da articulação interfalangiana proximal (IFP). Sintomas É frequente entre pessoas com artrite reumatoide ou diabetes; Uso repetitivo das mãos; Causas @fisio.stephanebispo 13 TENOSSINOVITE DE DE QUERVAIN Corresponde à hipertrofia do retináculo, espessamento da membrana sinovial, aderências, degeneração da matriz celular e ausência de processo inflamatório ativo dos tendões do abdutor longo e extensor curto do polegar. O espessamento é devido principalmente a uma combinação de movimentos repetitivos que envolvem pronação e supinação do antebraço, desvio ulnar e radial do punho e abdução e/ou extensão do polegar. Fisioterapia; Órteses; Medidas farmacológicas: como injeção de corticosteroides e anti-inflamatórios; Orientações ergonômicas e modificação de atividades são fundamentais para o sucesso do tratamento conservador; Cirurgia. Tratamento Causa comum de dor no pulso; Adultos ativos entre 30 e 50 anos; Afeta predominantemente a mão dominante. É 6 a 10 vezes mais prevalente em mulheres do que em homens; Incidência é maior em certas profissões como: donas de casa, empregadas de limpeza, costureiras e pianistas. Epidemiologia Início gradual de dor ou sensibilidade no estilóide radial; Pode ser acompanhada de inchaço; Diminuição da amplitude de movimento de abdução e extensão na primeira articulação carpometacarpiana; Dor com ativação isométrica. Sintomas Feito com base nos sintomas clínicos, em combinação com o exame físico. O teste mais utilizado para o diagnóstico é o teste de Finkelstein. Diagnóstico @fisio.stephanebispo 14 Classificação HÉRNIA DE DISCO Disco Intervertebral: O papel do disco é único, pois ele opera como um sistema osmótico e avascular, mantendo os corpos vertebrais adjacentes juntos, e, ao mesmo tempo, afastando-os. A hérnia de disco, também chamada de hérnia discal ou protusão discal, é um problema da coluna vertebral que provoca compressão dos nervos, causando dor, fraqueza e perda de sensibilidade em um dos membros. Inflamação: proteínas do núcleo pulposo extravassam, geram edema (inchaço) e irritação dos nervos próximos. Compressão mecânica: fragmentos do disco podem exercer efeito mecânico contra os nervos. Com a degeneração do disco intervertebral pode haver produção de sintomas. Os mecanismos são: Idade: risco entre os 35 e 50 anos de idade. Gênero: homens são mais acometidos. Atividade laboral: trabalhos pesados, especialmente com carga. Obesidade: aumenta a sobrecarga lombar. Fumo: reduz o fluxo de sangue para os discos, facilitando a degeneração. Histórico familiar: há fator hereditário na degeneração discal. Fatores de risco Antiinflamatórios; Analgésicos; Corticóide oral na fase aguda; Relaxantes musculares; Antidepressivos e anticonvulsivantes; Infiltração epidural para diminuir dor e inflamação; Cirurgico - Técnica Minimamente Invasivas: discectomia endoscópica é a mais utilizada. Tratamento Dor; Perda da sensibilidade; Formigamento; Fraqueza em um dos membros. Sintomas @fisio.stephanebispo 15 ESPONDILOLISTESE A espondilolistese é uma condição em que afeta a coluna vertebral e ocorre quando uma vértebra da coluna vertebral se desloca deslizando para frente, o que faz com que a coluna fique desalinhada e cause uma compressão dos nervos. Malformações congênitas da coluna; Pancadas ou traumas na coluna; Doenças da coluna ou dos ossos: como osteoporose ou câncer; Complicação após uma cirurgia na coluna; Prática de esportes. Principais causas: Espondilolistese degenerativa: escorregamento acontece pela degeneração do disco e das articulações e acomete principalmente o seguimento entre a quarta e a quinta vertebras lombares. Espondilolistese ístmica: acontece por uma falha semelhante a uma fratura em uma determinada região da vértebra e é mais frequente entre a última vértebra lombar e o sacro. Existem ainda outros tipos menos frequentes: congênita, devido a defeitos presentes ao nascimento; traumática, devido a fraturas e metabólica em decorrência de doenças ósseas que tornam a coluna mais frágil. Tipos: A espondilolistese degenerativa é 4 vezes mais comum nas mulheres em relação aos homens com uma incidência em torno de 8% e 2% respectivamente. A espondilolistese ístmica acomete cerca de 4% das crianças sendo mais comum nos meninos. Incidência: Dor (podendo ser local e/ou irradiada); Dificuldade para andar; Dificuldade de coordenar os movimentos; Parestesia; Espasmos musculares. Sintomatologia: Analgésicos e antiiflamatórios; A fisioterapia, correções posturais e os exercícios de fortalecimento do tronco são importantes no tratamento e prevenção das dores. A restrição de determinados esportes; Tratamento @fisio.stephanebispo 16 OSTEOFITOSE BICO DE PAPAGAIO Com o desgaste da articulação vertebral (degeneração do disco intervertebral), acontece a instabilidade do segmento da coluna, e assim micromovimentação de forma anormal. Na tentativa de estabilizar e fusionar este nível doente da coluna, o corpo humano faz crescer osso. Assim, ocorre a formação óssea nas bordas articulares, à frente e/ou para ao lado do disco intervertebral. O “bico de papagaio” ou osteofitose se manifesta quando os ligamentos e as cartilagens que envolvem as vértebras se calcificam, como forma de estabilizar a estrutura desgastada. Idade; Hereditariedade; Má postura; Obesidade; Sedentarismo; Fraturas; Doenças reumáticas. Causas: Todos esses fatorestambém contribuem para desgastar as articulações e podem levar à calcificação vertebral. É um processo irreversível e progressivo, mas 90% dos casos são leves e têm controle mais fácil. Dor forte localizada nas costas ou que irradia até à coxa, principalmente quando se movimenta; Sensação de formigamento nas pernasquando se desenvolve na região lombar ou nos braços caso se localize na cervical; Diminuição da força muscular e rigidez; Limitação dos movimentos com a coluna. Sintomas: A avaliação clinica e o levantamento da história de vida do paciente; Exames de imagem como raios X, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Diagnóstico: O tratamento pode ser conservador, com a adoção de novos hábitos, como boa postura, juntamente com prática de atividade física pode auxiliar no alívio das dores; Pode ser Cirúrgico, é recomendado quando o paciente apresenta dano neurológico súbito e quando a coluna evidenciar sinais de desalinhamento progressivo com dor intensa. Este tipo de cirurgia habitualmente requer o uso de enxertos ósseos e implantes. Tratamento: @fisio.stephanebispo 17 OSTEOARTRITE DE QUADRIL Osteoartrite é o mesmo que osteoartrose, artrose ou doença articular degenerativa. Esta doença causa degeneração das cartilagens, sendo que é muito comum surgir no quadril. Dor; Rigidez articular matinal; Crepitação óssea; Fraqueza muscular; Limitação na ADM articular; Alterações funcionais. Sintomas: O Colégio Americano de Reumatologia (ACR) estabeleceu critérios que são comumente utilizados para o diagnóstico da OA de quadril na prática clínica. Idade > 50 anos Rigidez matinal do quadril ≤ 60 minutos Dor durante a rotação medial do quadril Rotação medial do quadril ≥ 15º Dor + Artrite reumatoide, Espondilite anquilosante; Diabetes; Artrite séptica; Displasia do quadril; Traumatismo no local ou traumatismo de repetição (corrida). Fatores de risco: Sentar-se e levantar-se de uma cadeira durante 30 segundos; Teste de caminhada rápida de 40 metros; Teste de subir e descer degraus. Diagnóstico Funcional Em 2013, foi publicado um consenso que abordou os testes baseados em desempenho recomendados pela OARSI para a avaliação de OA de quadril e joelho: 1. 2. 3. Conservador: A primeira linha de tratamento da OA de quadril envolve o tratamento não medicamentoso (educação e programas estruturados de exercícios) e o medicamentoso (fármacos anti-inflamatórios não esteroides tópicos). Cirúrgico: Quando não se tem resposta positiva com o tratamento conservador a artroplastias da articulação do quadril tornam-se necessária. Tratamento: @fisio.stephanebispo 18 IMPACTO FEMOROACETABULAR O impacto femoroacetabular é uma condição que resulta em um contato anormal entre o osso proximal do fémur e o acetábulo devido a alterações morfológicas do osso do quadril. Isso cria uma força no labrum acetabular desencadeando dor, desgaste e pequenas lesões que podem produzir uma cascata de lesões condrais e potenciais alterações degenerativas. As estruturas mais afetadas são o labrum e a região anterolateral da cartilagem articular do acetábulo e as forças lesivas traduzem-se por compressão e cisalhamento". Existem dois tipos de lesão por impacto femoroacetabular (IFA) descritos na literatura: a lesão do tipo CAM e a lesão do tipo PINCER. Lesões do tipo CAM: a porção não esférica da cabeça femoral entra em contato com a borda do acetábulo (principalmente na flexão), gera uma abrasão de fora para dentro da cartilagem a porção ântero-superior do acetábulo. Em seguida, ocorre a avulsão do labrum e do osso subcondral, progredindo para a degeneração da articulação. Lesões do tipo PINCER: ocorre um contato linear entre a borda do acetábulo e a junção cefalocervical. O labrum é comprometido e, com o impacto frequente, ocorrem as lesões condrais, que incluem a porção posteroinferior. Dor na virilha e em atividades de vida diária; Evolui para sensação de bloqueio da articulação; Limitação para rotação interna; Marcha claudicante. Sinais e sintomas: Não necessariamente a presença do IFA do tipo CAM ou PINCER estará associado a dor ou qualquer outra manifestação clínica. Em pacientes sintomáticos, a principal queixa é: Exame físico - testes irritativos, dentre eles o FADIR (flexão + adução + rotação interna). Testes clínicos; Exames de imagem - raio-X em diversas incidências, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética. Diagnóstico: Conservador: é a primeira opção de tratamento e é indicado para casos mais leves quando não há lesões graves das estruturas. As lesões onde os tecidos moles têm grande influência no quadro de dor tendem a ter uma boa resposta com a fisioterapia. Cirúrgico: é indicado nos casos de falha no tratamento conservador e tem como objetivo corrigir anatomicamente a origem do problema, isto é, o que está gerando o impacto. A cirurgia é feita de forma minimamente invasiva, por via artroscópica, apesar de suas limitações. Em alguns casos, é necessário realizar cirurgia aberta. Tratamento @fisio.stephanebispo 19 OSTEOARTRITE DE JOELHO A osteoartrite (OA) é o processo degenerativo e progressivo da cartilagem articular, de origem multifatorial, inicia de forma insidiosa e assintomática, com quadro clínico geralmente acima dos 50 anos de idade, afeta principalmente articulações que suportam o peso corporal, como as do joelho. Primária ou idiopática, quando a doença é desconhecida; Secundária, quando o indivíduo, em virtude de algum fator extrínseco, como trauma, obesidade ou má formação congênita, passa a apresentar a osteoartrose. Etiologia: pode ser dividida em: Obesidade; Idade (acima de 60 anos); Fatores genéticos; Sexo (mulheres são mais acometidas); Microtraumas; Distúrbios metabólicos; Lesões articulares prévias; Tarefas Ocupacionais repetitivas. Fatores de risco: Rigidez articular, fraqueza e instabilidade, pode evoluir com deformidades, limitação e incapacidade funcional na realização de atividades de vida diária. A dor é a principal sintomatologia da doença e, quando associada à: As radiografias simples são os exames de imagem mais utilizados para diagnóstico e planejamento cirúrgico, baseando-se na classificação de comprometimento da osteoartrite, elaborada por Ahlback e modificada por Keyes e Goodfellow. A osteoartrite de joelho não tem cura e não existe tratamento que retarde a evolução ou reverta o processo patológico; O principal objetivo do tratamento é aliviar os sintomas e permitir que os portadores possam levar uma vida normal, sem dor ou limitações de movimento; Além disso, medicamentos, como ácido acetilsalicílico e analgésicos comuns, como acetaminofeno ou dipirona, podem ser úteis para tratar episódios isolados de dor. Tratamento Artroplastia (substituição parcial ou total da parte destruída por uma prótese); Artrodese (fusão cirúrgica de dois ossos, usada principalmente na coluna); Osteoplastia (retirada e limpeza cirúrgica da parte óssea deteriorada); Osteotomia (mudança do alinhamento ósseo através do corte de partes ósseas). Tratamento Cirurgico: As intervenções mais frequentes são: @fisio.stephanebispo 20 DOR PATELOFEMORAL Considerada uma das formas de dor mais comuns no joelho; Afeta adultos, adolescentes e populações fisicamente ativas em geral; Representa entre 25-40% de todos os problemas encontrados no joelho na prática clínica. Incidência A DPF é considerada autolimitante e as pesquisas têm mostrado que ela é frequentemente recidivante, persistindo por muitos anos, sendo causa da diminuição da prática esportiva. A dor patelofemoral (ou femoropatelar) se caracteriza por ser sentida na frente do joelho, ou então uma dor profunda ou difusa, que tipicamente é pior para movimentos de agachamento e subidas ou descidas de planos inclinados ou escadas. Fortalecimento inadequado da musculatura dos membros inferiores, quadris e tronco; Formato de joelho predisponente; Lesões internas do joelho; Padrões de movimento prejudiciais; Intensidade de atividades acima da capacidade; Aumento da intensidade de atividades físicas; Sobrepeso. A principal causa da dor patelofemoral é uma sobrecarga da articulação. Isso pode ocorrer por: creptos, rigidez no joelho, dificuldades para executar atividades da vida diária e qualidade de vida baixa. Apesar do sintoma dominante ser a dor, pacientes frequentemente descrevem:O diagnóstico da DPF é um diagnóstico clínico, primariamente baseado na dor anterior do joelho, agravado pelas atividades de sobrecarga patelofemoral.; O melhor teste disponível é a dor causada durante a manobra de agachamento; Exames de imagem - pode ser útil para identificar fontes potenciais de estímulos nociceptivos, tais como lesões subcondrais, sinovites ou inflamação do coxim gorduroso. Diagnóstico É baseado na diminuição da sobrecarga da articulação. Reabilitação é a principal medida a ser tomada: fortalecimento, ativação muscular, alongamentos, tratamento de movimentos predisponentes; Controle de peso é benéfico para aqueles pacientes acima do peso ideal; Medicamentos por boca ou intra-articulares (infiltrações) podem ser usados no controle dos sintomas quando necessário, mas sempre de forma complementar ao trabalho de reabilitação. Tratamento @fisio.stephanebispo 21 ENTOSE DE TORNOZELO A Entorse de tornozelo é uma lesão ligamentar (dos ligamentos) que ocorre, habitualmente, após uma torção no tornozelo. entorse ocorre quando o ligamento é forçado acima da sua capacidade normal. Existem dois tipos de entorse do tornozelo. Entorse em Inversão do pé, que se define por forçar a articulação para o lado de dentro (“o pé está preso ao solo pela carga e o corpo roda para fora”); Entorse em eversão do pé (mecanismo contrário ao de inversão). Mecanismo de Lesão: O principal mecanismo para lesão ligamentar é a supinação ou inversão com flexão plantar (entorse lateral do tornozelo), representando cerca de 85% dos casos, mas ela também pode acontecer pelo mecanismo de eversão. Dor no pé - pode ser de leve a muito intensa; O tornozelo começa a “inchar” (edema); Pode surgir equimose local; Área do tornozelo sensível ao toque; Dor aumenta com os movimentos. Sinais e sintomas Proteção, repouso, gelo, compressão e elevação (PRICE); Anti-inflamatórios; Uma bandagem, tala, bota especialmente desenhada ou gesso; Fisioterapia. Tratamento @fisio.stephanebispo 22 FASCITE PLANTAR A fascite plantar é a inflamação da fáscia plantar. A fáscia plantar é uma banda espessa de tecido fibroso que se estende desde o osso do calcanhar até aos dedos dos pés. Esta banda está recoberta de gordura para absorver choques e suporta a arcada plantar. A fascite plantar é na maioria dos casos unilateral, afetando tanto o calcanhar esquerdo como o direito. A fascite plantar bilateral, ou seja, que afeta os dois pés em simultâneo é menos frequente, ocorrendo em cerca de um terço dos casos. Calçados inadequados; Lesões anteriores; Dorsiflexão limitada do tornozelo; Hiperpronação do pé; Fraqueza da musculatura do pé; Envelhecimento; Suporte prolongado de peso; Padrões posturais inadequados de caminhada ou corrida. Principais causas: Dor no calcanhar - "pontada"; A dor possui um início insidioso e sem irradiação; A dor tende a agravar ao subir escadas ou se o doente permanecer de pé durante algum tempo; A dor tende a aliviar com a deambulação (andar, caminhar) e agrava com o repouso prolongado; Em alguns casos pode ter inchaço. Sintomas Feito pelo médico ortopedista com base na história clínica; Radiografia (RX) do pé; Cintigrafia óssea; Estudo analítico; Eletromiografia. Diagnóstico Evitar complicações futuras; Alterações no estilo de vida; Repouso e limitação de atividade física; Palmilha ortopédica; Bota walker ou órtese noturna; Fisioterapia; Medicamentos (ou remédio) anti-inflamatórios Tratamento @fisio.stephanebispo 23fratura menor que 30° em relação ao seu eixo. • Fratura flutuante: quando ocorre fratura em dois ossos longos, ficando a articulação sem sustentação. Essas fraturas estão frequentemente ligadas a traumas de grande energia. Etiologia das Fraturas As fraturas traumáticas geralmente ocorrem em ossos saudáveis que não apresentam alteração em sua composição natural, porém sofrem um trauma mecânico suficiente para causar a lesão do tecido ósseo. Traumas de trânsito são um dos principais responsáveis pelas fraturas traumáticas, e esse problema vem crescendo em países em desenvolvimento. Acidentes em estradas subiram da oitava para a sétima principal causa de anos vividos com incapacidade, levando-se em consideração todas as idades. Nas fraturas patológicas, o osso saudável é enfraquecido por alguma patologia de base, geralmente sistêmica, e sofre a fratura quando não é mais capaz de suportar uma carga mecânica que, em geral, se esperaria ser capaz de suportar. Como consequência, essas fraturas ocorrem com mais frequência em ossos que recebem carga constantemente ou com maior intensidade, como as vértebras e os ossos dos membros inferiores. Entre os exemplos mais comuns, estão as fraturas relacionadas à osteoporose e tumores ósseos. Todavia, outras doenças sistêmicas, como hipertireoidismo, diabetes melito e osteomalácia, podem interferir na capacidade de mineralização do osso, resultando em uma fratura em algum momento. As fraturas por estresse diferenciam-se das fraturas patológicas por ocorrerem em um osso saudável e das fraturas traumáticas tradicionais por não dependerem apenas de um evento de trauma específico. Elas são Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 5 resultado de uma sobrecarga mecânica repetitiva, que, quando somada por longos períodos, pode levar o osso previamente sadio à falha mecânica. Ex: Corredores, militares e dançarinos são exemplos de populações que costumam apresentar essas lesões, devido às sobrecargas mecânicas constantes às quais são submetidos. As fraturas por estresse acometem geralmente os ossos dos membros inferiores, principalmente a tíbia, a fíbula e os metatarsos. Avaliação Cinético Funcional Analisar: o Tipo de fratura → fase de cicatrização óssea → tratamento empregado (conservador ou cirúrgico) → tipo de fixação → tempo desde a cirurgia→ idade do paciente → estado nutricional → tabagismo → presença de infecção, entre outras. • Traçar Objetivos de tratamento (curto, médio e longo prazo); • Prognóstico; • Potenciais fatores de risco para complicações. Tecido Muscular As lesões musculares são a causa mais frequente de incapacidade física na prática esportiva. Estima-se que 30 a 50% de todas as lesões associadas ao esporte são causadas por lesões de tecidos moles. Apesar de o tratamento não cirúrgico resultar em bom prognóstico na maioria dos atletas com lesão muscular, as consequências da falha do tratamento podem ser dramáticas, postergando o retorno à atividade física por semanas ou até mesmo meses. Anatomia e biomecânica As fibras musculares geralmente se originam em um osso ou tecido conectivo denso e se inserem a outro osso através de uma inserção tendínea. Há músculos que atravessam uma ou mais articulações para gerar movimento. Os músculos com função tônica ou postural geralmente são uniarticulares, largos, planos, com velocidade de contração baixa e com capacidade de geração e manutenção de força contrátil grande. Geralmente estão localizados nos compartimentos mais profundos. Os músculos biarticulares têm velocidade de contração e capacidade para mudança de comprimento maiores, contudo, menor capacidade de suportar tensão. Geralmente estão localizados em compartimentos superficiais. Quanto à forma, os músculos fusiformes permitem uma maior amplitude de movimento, enquanto que os músculos penados têm maior força contrátil. O comprimento da fibra é um determinante importante da quantidade de contração possível no músculo. Como as fibras musculares geralmente apresentam distribuição oblíqua dentro de um ventre muscular, elas geralmente são menores do que o comprimento total do músculo. Mecanismos de lesão As lesões musculares podem ser causadas por contusões, estiramentos ou lacerações. • Mais de 90% de todas as lesões relacionadas ao esporte são contusões ou estiramento. • Já as lacerações musculares são as lesões menos frequentes no esporte. • A força tênsil exercida sobre o músculo leva a um excessivo estiramento das miofibrilas e, consequentemente, a uma ruptura próxima à junção miotendínea. • Os estiramentos musculares são tipicamente observados nos músculos superficiais que trabalham cruzando duas articulações, como os músculos reto femoral, semitendíneo e gastrocnêmio. (Contusão) (Estiramento) (Laceração) Classificação A atual classificação das lesões musculares separa as lesões entre leve, moderada e grave a partir dos aspectos clínicos revelados. • Estiramentos e contusões leves (grau I) representam uma lesão de apenas algumas fibras musculares com pequeno edema e desconforto, acompanhadas de nenhuma ou mínima perda de força e restrição de movimentos. Não é possível palpar-se qualquer defeito muscular durante a contração muscular. Apesar de a dor não causar incapacidade funcional significativa, a manutenção Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 6 do atleta em atividade não é recomendada devido ao grande risco de aumentar a extensão da lesão. • Estiramentos e contusões moderadas (grau II) provocam um dano maior ao músculo com evidente perda de função (habilidade para contrair). É possível palpar- -se um pequeno defeito muscular, ou gap, no sítio da lesão, e ocorre a formação de um discreto hematoma local com eventual ecmose dentro de dois a três dias. A evolução para a cicatrização costuma durar de duas a três semanas e, ao redor de um mês, o paciente pode retornar à atividade física de forma lenta e cuidadosa. • Uma lesão estendendo-se por toda a sessão transversa do músculo e resultando em virtualmente completa perda de função muscular e dor intensa é determinada como estiramento ou contusão grave (grau III). A falha na estrutura muscular é evidente, e a equimose costuma ser extensa, situando-se muitas vezes distante ao local da ruptura. O tempo de cicatrização desta lesão varia de quatro a seis semanas. Este tipo de lesão necessita de reabilitação intensa e por períodos longos de até três a quatro meses. O paciente pode permanecer com algum grau de dor por meses após a ocorrência e tratamento da lesão Fisiopatologia O que distingue a cicatrização da lesão muscular da cicatrização óssea é que no músculo ocorre um processo de reparo, enquanto no tecido ósseo ocorre um processo de regeneração. A cicatrização do músculo esquelético segue uma ordem constante, sem alterações importantes conforme a causa (contusão, estiramento ou laceração). Três fases foram identificadas neste processo: destruição, reparo e remodelação. As duas últimas fases (reparo e remodelação) se sobrepõem e estão intimamente relacionadas. 1. Fase 1: destruição – caracterizada pela ruptura e posterior necrose das miofibrilas, pela formação do hematoma no espaço formado entre o músculo roto e pela proliferação de células inflamatórias. 2. Fase 2: reparo e remodelação – consiste na fagocitose do tecido necrótico, na regeneração das miofibrilas e na produção concomitante do tecido cicatricial conectivo, assim como a neoformação vascular e crescimento neural. 3. Fase 3: remodelação – período de maturação das miofibrilas regeneradas, de contração e de reorganização do tecido cicatricial e da recuperação da capacidade funcionalmuscular. Como as miofibrilas são fusiformes e muito compridas, há um risco iminente de que a necrose iniciada no local da lesão se estenda por todo o comprimento da fibra. Contudo, existe uma estrutura específica, chamada de banda de contração, que é uma condensação do material citoesquelético que atua como um “sistema antifogo. Uma vez que a fase de destruição diminui, o presente reparo da lesão muscular começa com dois processos simultâneos e competitivos entre si: a regeneração da miofibrila rota e a formação do tecido conectivo cicatricial. Uma progressão balanceada destes processos é pré-requisito para uma ótima recuperação da função contrátil do músculo. Diagnóstico Exame Clínico: • Quadro clínico • Mecanismo da lesão • Palpação • Avaliação física/funcional → Exame de Imagem: USG, tomografia, ressonância magnética. Tecido Ligamentar Os ligamentos são estruturas com pouca elasticidade compostas por tecido fibroso que tem como principal constituinte o colágeno, e que possuem a principal função de estabilizar passivamente as articulações. Eles impedem os movimentos anormais dos ossos, ligando-os uns aos outros. Os ligamentos são compostos por feixes de fibras de colágeno compactados, orientados de forma paralela Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 7 para proporcionar estabilidade das articulações no sistema musculoesquelético. O principal tipo de célula é o fibroblasto e eles são intercalados nos feixes paralelos de colágeno. Entre 65% e 70% do peso total de um ligamento é composto de água. Em uma base livre de gordura, o colágeno tipo l é o principal constituinte (70-80% em peso seco) e é o principal responsável pela resistência à tração de um ligamento. O colágeno tipo III(8% em peso seco) e o colágeno tipo V (12% em peso seco) são outros componentes principais. Classificação • 1º grau – entorse do ligamento sem instabilidade; • 2º grau – entorse com instabilidade detectável, porém com continuidade das fibras; • 3º grau – ruptura completa do ligamento. Estruturas mais acometidas Geralmente, as estruturas ligamentares mais acometidas encontram-se nas articulações do tornozelo e joelho. Na articulação do tornozelo, a lesão com maior frequência é a entorse em inversão, acometendo principalmente os ligamentos: • Ligamento talo-fibular anterior (TFA): função de evitar a inversão; • Ligamento calcâneo-fibular: função de limitar a dorsiflexão extrema; • Ligamento talo-fibular posterior: função de limitar Já na articulação do joelho, existem quatro grandes ligamentos, sendo que os mais acometidos por lesões são: • Ligamento Cruzado Anterior: função de evitar a translação anterior da tíbia em relação ao fêmur; • Ligamento Cruzado Posterior: função de evitar a translação posterior da tíbia em relação ao fêmur; • Ligamento Colateral Medial: função de evitar o estresse em Valgo; • Ligamento Colateral Lateral: função de evitar o estresse em Varo. Sintomas • Dor; • Edema; • Dificuldade de exercer o movimento completo; • Instabilidade na descarga de peso. Cicatrização Ligamentar Inflamação • Primeiras horas: O local da lesão enche-se com eritrócitos, leucócitos e linfócitos. Os segmentos ligamentares tornam-se progressivamente mais friáveis com o acúmulo de fluido seroso na região. • 24h: Os monócitos e os macrófagos infiltram a região. Os fibroblastos começam a aparecer e, finalmente, tornam-se significativos em número. • 48-72h: Os fibroblastos produzem a matriz extracelular. Proliferação • 1 - 2 semanas: Os fibrócitos e os macrófagos se tornam numerosos. Fibras colágenas aleatórias e substância fundamental abundante são constatadas. Observa-se um frágil tecido de granulação vascular no local da lesão. À matriz extracelular continua a ser sintetizada por fibroblastos, Macrófagos, mastócitos e fibroblastos continuam predominando. Brotos vasculares aparecem na ferida para se comunicar com capilares existentes. A elastina é encontrada na região • 2 dias - 6 semanas: Ocorre a fase de proliferação, durante a qual estruturas celulares e matriz irão substituir o coágulo sanguíneo formado durante a inflamação. Remodelação • 6 semanas – 12 meses: Macrófagos e fibroblastos diminuem. • Até 12 meses: À concentração de colágeno se estabiliza com colágeno tipo I substituindo o tipo III e as ligações cruzadas de colágeno aumentando em número. O ligamento se torna mais normal. • 40 – 50 semanas: Uma força tênsil próxima do normal é restaurada. Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 8 Consolidação No tratamento de fraturas, há duas maneiras possíveis de consolidação: primária ou secundária. O processo de reparação tecidual ósseo é intimamente dependente do modelo de fixação empregado no tratamento. Os modelos de fixação absoluta não permitem o movimento no foco da fratura, ao passo que os métodos de fixação relativa permitem algum grau de movimento. Os casos em que a fratura é fixada com restrição absoluta do movimento e compressão do traço da fratura desencadeiam a consolidação chamada de primária. Nos demais casos, em que a fixação é relativa, ocorre a formação do calo fibroso, que, posteriormente, transformar-se-á em calo ósseo. Consolidação Primária A consolidação primária (ou consolidação por contato) pode ocorrer apenas como resultado da fixação absoluta, obtida por meio de implantes cirúrgicos (placas e parafusos). Esses materiais de síntese promovem um ambiente mecanicamente estável, com pouco espaço entre fragmentos ósseos (menos de 1 mm) e ausência de movimento, resultando na consolidação primária. Com a redução das extremidades da fratura, o hematoma formado na lesão é eliminado pela compressão da fratura promovida pelo implante utilizado no processo cirúrgico. Esses implantes serão capazes de promover a estabilidade e evitar praticamente todos os movimentos, exceto micromovimentos do traço da fratura. O implante cirúrgico desempenha, então, o papel de um calo mole, promovendo a estabilidade mecânica e possibilitando que os osteoclastos presentes na parte íntegra do osso se projetem em direção à linha de fratura para formar novos canais de Havers, que promoverão a revascularização dos fragmentos. Da mesma forma, os osteoblastos do osso íntegro utilizarão esses novos canais formados para preencher com matriz óssea a fratura e formar novos ósteons, ligando os fragmentos. Espera-se que esse processo ocorra em até seis semanas. Contudo, embora após aproximadamente seis semanas no osso maduro seja possível visualizar uma junção de matriz óssea ligando ambos os fragmentos, esse osso ainda não está pronto para receber carga. O osso recém-formado ainda é fraco, devido a uma deposição de matriz óssea sem orientação mecânica. A remodelação, a deposição de cálcio e a adequação às cargas funcionais ocorrerão como resposta a uma exposição mecânica gradual, maturando, assim, o osso recém-formado em osso lamelar. Consolidação Secundária A consolidação secundária (ou consolidação através de calo ósseo) se diferencia da consolidação primária principalmente pela formação de calo ósseo. Esse calo é resultado de uma cascata de eventos fisiológicos por meio dos quais o osso irá se cicatrizar e se regenerar. A consolidação secundária resulta de um tratamento por meio de métodos de fixação relativa, em que, embora haja aproximação das extremidades da fratura, a estabilidade mecânica e a proximidade dos fragmentos não são suficientes para que ocorra a consolidação primária. Portanto, esse tipo de consolidação é comumente percebido em fraturas que são tratadas com redução fechada, hastes intramedulares ou fixadores externos. Quem será responsável por promover um ambiente suficientementeestável para a consolidação é o calo ósseo, que, inicialmente, será fibrocartilaginoso e irá se diferenciar mais tardiamente em calo ósseo maduro. Cicatrização óssea Após a ocorrência de uma fratura, dá-se início a uma cascata de eventos fisiológicos necessários à cicatrização óssea. Os processos inflamatórios locais, seguidos pela regeneração tecidual e pelo remodelamento da matriz óssea, são esperados durante a regeneração tecidual óssea. Sob uma perspectiva metabólica, esses processos podem ser organizados em duas grandes fases: anabólica e catabólica. Durante a primeira fase, ocorre o crescimento do volume tecidual local, que irá se diferenciar em tecido ósseo posteriormente. A segunda etapa metabólica, isto é, o período de predominância dos processos catabólicos, é Consolidação e Reabilitação de Fraturas Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 9 caracterizada pela redução do volume tecidual e pelo remodelamento do calo ósseo que foi formado durante a primeira fase. Histologicamente, podemos dividir as fases metabólicas em cinco estágios da cicatrização óssea, apresentados a seguir. 1. Estágio Hemorrágico: Logo após a ocorrência da fratura, há a formação de um coágulo, devido a um sangramento local que cerca os limites dos tecidos lesionados. A matriz óssea local é, então, envolvida em um processo de necrose dos tecidos locais que foram lesionados e perderam vascularização. 2. Estágio Granular: Com a hemorragia, ocorre a liberação de mediadores inflamatórios, o que aumenta o fluxo sanguíneo no entorno da lesão e gera uma elevada concentração de neutrófilos, monócitos, fatores de crescimento e osteoclastos. A conversão do hematoma em tecido granular proporciona a remoção de impurezas e a degradação do coágulo de fibrina local, abrindo caminho para a formação do calo ósseo. 3. Estágio de Formação do Calo Ósseo Imaturo: Nessa fase, ocorre um processo de revascularização por meio da formação de novos vasos sanguíneos. No periósteo, inicia-se uma maior concentração de osteoblastos, próximo às extremidades da linha de fratura. Essas células depositam matriz óssea intramembranosa de forma desorganizada. De modo simultâneo a esse processo, a proliferação dos condrócitos vindos da porção medular de ambas as extremidades do osso lesado se acumula, formando uma cartilagem que liga as duas extremidades da fratura, dando origem ao calo ósseo imaturo. 4. Estágio de maturação do calo ósseo: À medida que ocorre a formação do novo osso reticular e o tecido condral se calcifica, o calo começa a sofrer uma mudança na sua composição. Sucessivamente, a composição de osteoclastos e condroclastos aumenta à medida que o calo amadurece. Novos vasos internos serão formados a partir da cartilagem calcificada, e o osso reticular, ainda desorganizado, unirá ambos os lados da linha de fratura. Nesse momento, o osso ainda não tem propriedades mecânicas esperadas (“calo mole”), porém o tecido reticular irá se organizar conforme for ocorrendo a calcificação da cartilagem e a progressão da substituição do osso esponjoso por osso lamelar. Ao fim desse processo, o osso será capaz de suportar cargas mecânicas com maior eficiência (“calo duro”). 5. Estágio de Remodelamento do Calo ósseo: Em geral, o calo ósseo vai sendo remodelado pela ação dos osteoclastos e osteoblastos, que atuam em conjunto. O reticular (esponjoso) e desorganizado calo ósseo vai sendo cada vez mais substituído por osso lamelar (compacto) e organizado conforme os estímulos mecânicos a que é submetido. Mesmo após a união e a maturação mecânica do osso, o excedente do calo ósseo é retirado progressivamente, ao longo de muito tempo, e o osso seguirá se modelando ao longo das linhas de estresse mecânico às quais for submetido. Complicações na consolidação Retardo da consolidação Em geral, as fraturas se consolidam em aproximadamente 3 a 6 meses; quando ultrapassar 12 semanas sem sinal de consolidação, considera-se um retardo nesse processo. Fraturas complexas, abertas, cominutivas e transversais são mais propensas a evoluir com atraso na cicatrização e ocorrem com mais frequência em ossos longos, como fêmur, tíbia e úmero, por estarem mais suscetíveis a traumas de grande energia. Contudo, há casos em que ocorre a mobilização precoce em fixações rígidas, gerando um calo ósseo exuberante. Fraturas de diáfise de fêmur estabilizadas com haste intramedular bloqueada, por exemplo, permitem apoio precoce, gerando um calo exuberante. As fraturas de escafoide, muitas vezes, são diagnosticadas tardiamente e apresentam problemas na consolidação com mais frequência que as demais. Pseudoartrose É classificada como pseudoartrose a fratura que ultrapassou 6 a 8 meses sem consolidação. A pseudoartrose pode ser classificada como atrófica ou hipertrófica. A pseudoartrose atrófica é oriunda da falta de perfusão sanguínea e apresenta pouco calo ou cartilagem, ou, ainda, tecido cicatricial no foco da fratura. Já a pseudoartrose hipertrófica apresenta calo ósseo com cartilagem, porém não confere estabilidade adequada para o osso e é proveniente de fatores mecânicos. Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 10 Consolidações Viciosas Consolidação viciosa é o nome dado quando os fragmentos ósseos perdem o alinhamento inicial e consolidam-se com desvio. Pode ocorrer em reduções fechadas e sem estabilização cirúrgica e em traumas com muitos fragmentos, como, por exemplo, em fraturas de antebraço. Infecções ósseas (Osteomielite) Após a estabilização da fratura, uma das possíveis complicações mais importantes é a ocorrência de infecção do osso fraturado. Os principais fatores de risco para infecção óssea são: politrauma, tabagismo e diabetes e traumas dos ossos longos dos membros inferiores, principalmente a tíbia. Em fraturas fechadas e de baixa energia, o índice de infecção é em torno de 1%, ao passo que, em fraturas abertas e traumas de alta energia, esse número sobe para 15%. A classificação da infecção pode ser feita de acordo com o período em que ela se manifesta. • É classificada como precoce ou aguda quando surge entre o pós-operatório imediato e até duas semanas após. • Entre a 3ª e a 10ª semanas, a infecção é denominada como atrasada ou retardada. • Por fim, as infecções que aparecem após 10 semanas são chamadas de tardias. Síndrome da dor complexa regional A síndrome da dor complexa regional (SDCR) é uma condição clínica mais frequente após traumas distais no antebraço ou no punho, tanto em tratamento conservador quanto cirúrgico. É classificada em tipos I e II. Na síndrome tipo I, ocorre uma resposta inflamatória excessiva posteriormente ao trauma, porém não há lesão nervosa. Já na SDCR tipo II, a resposta inflamatória é acompanhada de uma lesão nervosa associada. Síndrome compartimental A síndrome compartimental aguda é uma condição clínica secundária, na maioria das vezes, a um trauma grave, em que há um aumento da pressão dentro de um compartimento em virtude do extravasamento de sangue ou de líquidos, comprometendo a circulação sanguínea. Tratamento conservador ou cirúrgico A escolha do tratamento é pautada na análise do tipo de fratura, do osso acometido e da idade do indivíduo. De modo geral, em fraturas de ossos que não recebem descarga de peso, em que é possível fazer uma redução completa, sem degrau ósseo, pode ser feita a estabilização com aparelhos de gesso e tratamento conservador. Já nos ossos longos, em que há descarga de peso, o tratamento mais comum é a fixação cirúrgica, que pode ser feita com haste intramedular, placas e parafusos, pinos ou, ainda, fixadores externos. Fraturas de ossos pequenos, como os ossos do punho, podemser estabilizadas com fios de Kirschner, pinos e parafusos. Talas de gesso, hastes, fios de aço e fixadores externos são classificados como fixações relativas, em que a transmissão de carga no foco da fratura é parcial, permitindo micromovimentos, o que gera calo ósseo. Já a placa fixada com parafusos é uma fixação absoluta e estimula a consolidação primária Intervenção Fisioterapêutica De maneira geral, pode-se dividir a intervenção fisioterapêutica na reabilitação de fraturas em dois períodos principais. Em um primeiro momento, no período de consolidação, a fratura ainda não está consolidada, portanto, alguns cuidados quanto à carga e a mobilizações devem ser tomados. Após a imobilização e/ou a síntese, inicia-se a fase de retomada da função, em que, progressivamente, evoluímos as capacidades do paciente em direção à recuperação plena da função. Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 11 As fraturas nos membros superiores são muito comuns e têm alta incidência em relação aos outros segmentos do corpo. Essas fraturas corresponderam a 42,8% de todas as fraturas atendidas em um hospital universitário, sendo que as fraturas distais do rádio e da ulna foram as mais comuns, seguidas pelas fraturas dos ossos da mão (falanges e metacarpos), pelas fraturas proximais do úmero e pelas fraturas de clavícula. Lesões de Ombro Lesão do Manguito Rotador A principal função do manguito rotador é estabilizar e centralizar a cabeça umeral no soquete articular, a cavidade glenoidal. A lesão do manguito rotador é a causa mais comum de dor no ombro. Principais causas: • Traumática • Degenerativa Sintomas: • Dor em região antero-lateral; • Fraqueza; • Dor noturna; • Dificuldade em levantar ou arremessar. As lesões do manguito rotador podem ser classificadas de várias maneiras: • Em relação à espessura; • Ao tamanho da lesão quando completa; • Ao grau de retração do coto tendinoso em relação à cabeça umeral; • Ao tempo; • A etiologia. Cofield (Lesão Total do Manguito Rotador) Baseado na maior dimensão da rotura • Lesão Pequena 5cm Para diagnosticar o local exato da lesão, primeiramente é feito um exame físico, onde o paciente faz movimentos rotatórios com o braço e o médico vai pedindo relatos das características da dor. Tratamento O tendão desses músculos pode inflamar ou romper parcial ou totalmente e o tratamento vai depender da gravidade da ruptura e da dor. Se a ruptura for incompleta, vai cicatrizar sozinha, desde que não interfira nas atividades do dia a dia da pessoa. Durante Lesões em Membros Superiores Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 12 o tratamento o paciente vai conquistar uma postura correta, descansar os ombros, fazer compressas de gelo de 2 ou 3 vezes ao dia e tomar anti-inflamatórios prescritos pelo médico. • A fisioterapia realiza exercícios para diminuir a inflamação, amenizar a dor e fortalecer os músculos. Tudo com o objetivo de que o paciente retorne brevemente às suas atividades, tendo a maior segurança para realizá-las. O retorno antes do tempo pode agravar a lesão e causar um dano permanente. O tempo será determinado pelo profissional de acordo com a reabilitação do paciente. Para que não ocorra novas lesões os músculos e tendões devem estar sempre bem fortalecidos e alongados. • A cirurgia costuma ser indicada nos casos de lesão completa, principalmente em pacientes jovens, ou nos casos em que o tratamento não cirúrgico não foi efetivo. Bursite Bursite é a inflamação da bursa, pequena bolsa contendo líquido que funciona como amortecedor entre ossos, tendões e tecidos musculares. A bursite ocorre principalmente nos ombros. Principais causas: • Traumatismos; • Infecções; • Lesões por esforço; • Uso excessivo das articulações; • Movimentos repetitivo; • Artrite(inflamação das articulações); • Gota (depósito de cristais de ácido úrico nas articulações). Os sintomas mais comuns da bursite são: • Dor; • Edema; • Inflamação; • Restrição de movimento. O tratamento de bursite deve ser feito sob orientação médica e inclui o uso de anti-inflamatórios, relaxantes musculares, aplicações de gelo e redução dos movimentos na área afetada e Fisioterapia, os casos mais graves podem exigir intervenção cirúrgica. Capsulite Adesiva A Capsulite Adesiva, conhecida popularmente como “ombro congelado”, é um quadro que se caracteriza por limitação dos movimentos e intensa dor no ombro. A capsulite adesiva é provocada por uma inflamação da cápsula que reveste a articulação do ombro. • Acomete cerca de 3 a 5% da população geral; • A doença torna-se mais frequente a partir dos 55 anos, sendo rara antes dos 40 anos de idade; • Mais comum em mulheres; • Estudos mostram que o ombro do braço não dominante é ligeiramente mais susceptível à capsulite adesiva; • Em cerca de 10% dos pacientes, o ombro contralateral também se torna doente dentro de um intervalo de 5 anos. Fatores de Risco: • Idade acima de 50 anos; • Traumas na região do ombro; • Imobilização prolongada do braço; • Cirurgias (não necessariamente do ombro); • Diabetes Mellitus; • Hipotireoidismo e Hipertireoidismo; • Doenças autoimunes; • AVC. Sintomas: • Dor; • Incapacidade funcional. Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 13 A capsulite adesiva habitualmente se desenvolve em três fases: • Fase dolorosa ou inflamatória (1 a 6 semanas) – Analgesia; • Fase de congelamento ou rigidez (4 a 12 meses) – Liberação articular; • Fase de recuperação ou descongelamento (12 a 24 meses) – Fortalecimento. Luxação Glenoumeral anterior A luxação glenoumeral anterior é a mais comum (93% a 97%) dentre os casos de luxação glenoumeral nas emergências hospitalares, sendo mais frequente em indivíduos do sexo masculino com idade entre 20 e 30 anos. É definida como o movimento de translação anterior da cabeça do úmero para fora da cavidade glenóide. Em 90% dos casos, ela está associada a episódios traumáticos durante a prática esportiva, como quedas, impacto corpo a corpo violento ou quando há movimento de tração vigorosa do membro superior para trás, expondo o ombro a extensão, abdução e rotação externa em amplitudes máximas, o que configura o seu mecanismo de lesão. Isso acontece quando há falha ou insuficiência mecânica das estruturas responsáveis pela sua estabilidade (principalmente os componentes do manquito rotador) frente às forças externas. Os casos não traumáticos geralmente estão relacionados à condição de instabilidade multidirecional da articulação glenoumeral devido à frouxidão da cápsula articular, que pode estar associado a fatores congênitos ou pela exposição de microlesões sofridas ao longo do tempo, Lesões associadas também são muito comuns nos casos de luxação anterior traumática. A lesão de Bankart é a mais encontrada (associada a 90% dos casos) e acontece quando o labrum glenoidal é deslocado na sua porção ântero-inferior durante a luxação, podendo ser acompanhada de avulsão óssea em 5% dos casos. Já a lesão de Hill-Sachs é caracterizada pela depressão da cortical óssea na porção póstero-lateral da cabeça do úmero, ocorrendo em 35% a 40% dos casos. Ambos os casos também es- tão associados a maior predisposição para lesões recidivas. Quadro Clínico Após a primeira luxação, a evolução clínica do ombro lesado geral mente é caracterizada por: • Dor elevada acompanhada de impotência funcional; • Espasmo muscular intenso; • Leve depressão do membro superior, sendo capaz de identificar o "sinal da dragona" (pequena concavidade) logo abaixodo acrômio. Diagnóstico e Tratamento • O diagnóstico deve ser feito através do exame radiográfico. Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 14 • A imobilização do ombro irá oferecer maior cicatrização, incialmente. • O tratamento cirúrgico geralmente é indicado quando há lesões associadas, ou quando o tratamento conservador não resolveu. Fisioterapia • Promover alívio de dores; • Ganho de amplitude de movimento; • Restabelecimento da estabilidade do ombro; • Fortalecimento do manguito rotador • Melhora do controle neuromuscular; Síndrome do Impacto Subacromial A Síndrome do impacto subacromial (SIS) foi primeiramente descrita por Neer em 1972, sendo definida como a compressão anormal das estruturas (tendões do manguito rotador, porção longa do tendão do bíceps braquial, bursa subacromial e porção superior da cápsula articular) encontradas entre a porção superior da cabeça do úmero e o arco coracoacromial (espaço subacromial), capaz de levar a alterações degenerativas. É considerada uma das lesões mais comuns do ombro (40-60%), afetando geralmente trabalhadores e atletas que realizam o movimento de elevação do ombro acima de 90° repetidamente, com prevalência superior em mulheres e idade entre 40 e 50 anos. Possui causa multifatorial, podendo envolver fatores intrínsecos como a hipovascularização tendínea do supraespinhal, que o torna ainda mais vulnerável a lesão ou tipo de acrômio, que pode ser mais inclinado (ganchoso) e favorecer a impactação por causa da sua configuração anatômica. Já entre os fatores extrínsecos, podemos citar a insuficiência dos músculos do manquito rotador e, principalmente, o desequilíbrio do REU (discinese escapular), por exemplo. Sempre associados ao movimento repetitivo de elevação em abdução ou flexão do ombro acima de 90°. Quadro clínico O indivíduo pode apresentar dor intensa na região anterior do ombro comumente relatada como "fisgada", que piora durante o movimento de abdução ativa entre 60° e 120° ou quando está dormindo, associada a rigidez articular e sensação de fraqueza dos músculos do ombro. Essa condição pode levar a limitação funcional importante prgressiva quando não tratada.42 De acordo com a evolução clínica, Neer divide a SIS em três estágios: • Estágio 1: Caracterizado por dor aguda, hemorragia e edema (reversíveis), causados pelo movimento repetitivo de elevação do membro superior acima de 90° no trabalho ou esporte, ocorrendo tipicamente em indivíduos jovens até 25 anos. • Estágio 2: Evidente processo inflamatório crônico e intermitente, acarretando fibrose com espessamento da bursa subacromial e tendinite do manguito rotador, sendo comum em pacientes entre 25 e 40 anos. • Estágio 3: Já se encontram roturas par- ciais ou totais dos tendões do manguito rotador ou bíceps braquial associado a alterações ósseas, sendo prevalente em pacientes a partir da 4ª década de vida. Testes Clínicos Teste de Neer Teste de Hawkins-Kennedy Tratamento Divide-se em tratamento conservador e abordagem cirúrgica. Nos estágios l e II, o tratamento conservador aparece como primeira opção, já no estágio Ill, a intervenção cirúrgica é mais indicada devido ao nível de comprometimento tecidual irreversível. Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 15 Não há diferenças significativas quanto aos efeitos da cirurgia aberta ou via artroscopia. Lesão de Cotovelo Epicondilite A epicondilite ocorre quando os tendões do cotovelo apresentam degeneração, às vezes referido como tendinopatia ou tendinoses. Atualmente, o termo mais empregado é epicondilalgia, pois o processo patológico de base é a degeneração tendínea e não inflamação. A epicondilite lateral, também é conhecida como “cotovelo do tenista”. • Esta não só é a epicondilite mais comum como também é a causa mais comum de dor no cotovelo, podendo afetar anualmente até 3% da população adulta. • Sua ocorrência é igual entre homens e mulheres, com incidência maior entre 35 e 50 anos, com preferência pelo membro dominante. Sintomatologia: • Dor ao movimento de preensão ou extensão do punho; • Dor ao toque logo abaixo do epicôndilo lateral; O exame físico geralmente é suficiente para fazer o diagnóstico correto e excluir outras doenças, como a síndrome do túnel radial. Tratamento: • Conservador ➢ Anti-inflamatórios ➢ Crioterapia ➢ Fisioterapia ➢ Adaptação funcional • Cirúrgico- Raramente indicado A epicondilite medial (ou interna), também conhecida como “cotovelo do golfista”. • É bem mais rara, sendo também menos estudada e de tratamento mais difícil. • Também acomete igualmente homens e mulheres na faixa etária produtiva, e 75% dos casos ocorrem no membro dominante. Os sintomas são dor um pouco abaixo do epicôndilo medial, piorada por movimento de preensão e movimentação do punho. Tratamento: Segue a mesma linha de indicação da Epicondilite Lateral, a diferença é que tanto o tratamento não-operatório quanto o operatório tem piores resultados. Lesões de Punho e Mão Síndrome do Túnel do Carpo A síndrome do túnel do carpo (STC) é a neuropatia compressiva mais comum na população adulta, acometendo principalmente as mulheres. • Pode ocorrer de forma aguda, secundariamente a um trauma, ou desenvolver-se de forma gradual, que é a forma mais frequente. • Os sintomas geralmente se iniciam à noite e podem incluir dor e formigamento ou dormência na distribuição sensorial do nervo mediano da mão. • Podendo haver queixas de fraqueza muscular ou perda funcional da capacidade de pinça entre o polegar e os dedos, com queda frequente de objetos. Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 16 Tratamento: Conservador (imobilização por no máximo 12h por dia, Gelo, calor, posteriormente mobilização e fortalecimento) ou cirúrgico. Dedo em Gatilho O dedo em gatilho é um tipo de tendinopatia estenosante na qual há um encarceramento do tendão na sua passagem pelo túnel osteofibroso, com subsequente espessamento da bainha sinovial e formação de um nódulo. • O polegar e o quarto dedos são os mais frequentemente envolvidos. • Tem relação com a realização de sobrecarga sustentada ou repetitiva nos tendões. • O diagnóstico é feito por meio de exame clínico. • De início, há queixa de lentidão e dificuldade para realizar extensão, que pode progredir para queixas de travamento e contratura da articulação interfalangiana proximal (IFP). Tratamento: • Anti-inflamatórios; • Corticoide local; • Fisioterapia; • Calor superficial; • Cirurgia. Tenossinovite de De Quervain Correspondem à hipertrofia do retináculo, espessamento da membrana sinovial, aderências, degeneração da matriz celular e ausência de processo inflamatório ativo dos tendões do abdutor longo e extensor curto do polegar. • A queixa mais comum é dor na região radial do punho, especificamente no primeiro compartimento dorsal, podendo apresentar irradiação para o polegar ou o antebraço; • A dor piora com movimentos do polegar, e o teste clínico de Finkelstein é geralmente positivo; • A queixa mais comum é dor na região radial do punho, especificamente no primeiro compartimento dorsal, podendo apresentar irradiação para o polegar ou o antebraço; • A dor piora com movimentos do polegar, e o teste clínico de Finkelstein é geralmente positivo. Tratamento • Fisioterapia; • Órteses; • Medidas farmacológicas: como injeção de corticosteroides e anti-inflamatórios; • Orientações ergonômicas e modificação de atividades são fundamentais para o sucesso do tratamento conservador; • Cirurgia. Lesões da Coluna Vertebral Hérnia de Disco Disco Intervertebral: O papel do disco é único, pois ele operacomo um sistema osmótico e avascular, mantendo os corpos vertebrais adjacentes juntos, e, ao mesmo tempo, afastando-os. Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 17 A hérnia de disco, também chamada de hérnia discal ou protusão discal, é um problema da coluna vertebral que provoca compressão dos nervos, causando dor, fraqueza e perda de sensibilidade em um dos membros. Os sintomas mais comuns: • Dor; • Perda da sensibilidade; • Formigamento; • Fraqueza em um dos membros. A localização dos sintomas depende da região da coluna vertebral que apresenta a hérnia de disco. Do mesmo modo, quando há sintomas, eles podem ser leves, moderados ou intensos e incapacitantes, dependendo do grau de lesão da raiz nervosa. Tratamento: • Conservador: • Fisioterapia; • Medicamentoso Cirúrgico: • Cirurgia Aberta Técnica Minimamente Invasivas: discectomia endoscópica é a mais utilizada. Espondilolistese A espondilolistese é uma condição em que afeta a coluna vertebral e ocorre quando uma vértebra da coluna vertebral se desloca deslizando para frente, o que faz com que a coluna fique desalinhada e cause uma compressão dos nervos. Principais causas: • Malformações congênitas da coluna; • Pancadas ou traumas na coluna; • Doenças da coluna ou dos ossos: como osteoporose ou câncer; • Complicação após uma cirurgia na coluna; • Prática de esportes. Sintomatologia: • Dor (podendo ser local e/ou irradiada); • Dificuldade para andar; • Dificuldade de coordenar os movimentos; • Parestesia; • Espasmos musculares. Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 18 Osteofitose – Bico de Papagaio Com o desgaste da articulação vertebral (degeneração do disco intervertebral), acontece a instabilidade do segmento da coluna, e assim micro movimentação de forma anormal. Na tentativa de estabilizar e fusionar este nível doente da coluna, o corpo humano faz crescer osso. Assim, ocorre a formação óssea nas bordas articulares, à frente e/ou para ao lado do disco intervertebral. O “bico de papagaio” ou osteofitose se manifesta quando os ligamentos e as cartilagens que envolvem as vértebras se calcificam, como forma de estabilizar a estrutura desgastada. O problema tem maior incidência na região lombar, mas pode atingir outras partes da coluna. As dores são causadas pela própria rigidez da coluna, na qual as vértebras afetadas pressionam nervos e músculos. Causas Além da idade, outros fatores podem causar a formação do bico de papagaio: • Hereditariedade; • Má postura; • Obesidade; • Sedentarismo; • Fraturas; • Doenças reumáticas. Todos eles também contribuem para desgastar as articulações e podem levar à calcificação vertebral. É um processo irreversível e progressivo, mas 90% dos casos são leves e têm controle mais fácil. Sintomas • Dor forte localizada nas costas ou que irradia até à coxa, principalmente quando se movimenta; • Sensação de formigamento nas pernas quando se desenvolve na região lombar ou nos braços caso se localize na cervical; • Diminuição da força muscular e rigidez; • Limitação dos movimentos com a coluna. Tratamento O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. No primeiro caso, a adoção de novos hábitos, como boa postura, juntamente com prática de atividade física pode auxiliar no alívio das dores. Com relação ao tratamento cirúrgico, este é recomendado quando o paciente apresenta dano neurológico súbito e quando a coluna evidenciar sinais de desalinhamento progressivo com dor intensa, bem como alteração de força e sensibilidade nos membros superiores. A realização deste tipo de cirurgia habitualmente requer o uso de enxertos ósseos e implantes. Fisioterapia manual e reeducação postural ajudam a recuperar a estabilidade. Assim, apesar de o osteófito continuar instalado, a dor será estabilizada devido à estrutura corporal mais forte, flexível e alinhada. A melhor alternativa continua sendo a prevenção. Quanto antes incorporar novos hábitos, menores as chances de ocorrer um osteófito no futuro. Desvios Posturais Escoliose Escoliose caracteriza-se por uma deformidade tridimensional da coluna vertebral, assim sendo identificadas alterações na estrutura nos três planos anatómicos. O padrão ouro para avaliar a escoliose é mensurar a deformidade lateral. Para se alcançar tal medida, pode-se utilizar o método de Cobb. Essa técnica possibilita quantificar o grau de desvio lateral e assim classificar em: Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 19 • Escoliose leve (menor ou igual a 20°): não resulta em repercussões clínicas; • Escoliose moderada (20° a 40°): pacientes podem apresentar alterações respiratórias, descompensação do tronco e repercussões funcionais e pode ser empregada a utilização de órtese para o tratamento; • Escoliose grave (maiores que 40°): normalmente o tratamento cirúrgico é indicado. A etiologia da escoliose pode não ter uma causa específica, sendo as. sim denominada escoliose idiopática. Podemos classificá-las observando as características das curvas, utilizando o sistema de classificação de King, descrito em 1983. • Tipo 1: curva em formato de S em que tanto a curva torácica quanto a curva lombar cruzam a linha média. A curva lombar é maior e mais rígida que a curva torácica; • Tipo 2: curva em formato de S em que tanto a curva torácica quanto a curva lombar cruzam a linha média. A curva torácica é maior e mais rígida que a curva lombar; • Tipo 3: curva torácica estruturada e curva lombar que não cruza a linha média; • Tipo 4: curva longa torácica em que L5 é centrado sobre o sacro e L4 inclina-se em direção à curva; • Tipo 5: curva dupla torácica em que T1 está inclinada para convexidade da curva superior. Curva superior também rígida. A escoliose idiopática diferencia-se quanto à faixa etária. Assim, recebe os nomes de denominadas de escoliose idiopática infantil (O a 2 anos), escoliose idiopática juvenil (3 a 10 anos) e escoliose idiopática (EIA) (11 anos até a maturidade). A ElA acomete de 1% a 13% desse grupo sendo que cerca de 85% são meninas. As curvas escolióticas podem progredir na fase do estirão e evoluir com deformidades graves. Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 20 Lesões de Quadril Osteoartrite de Quadril Osteoartrite é o mesmo que osteoartrose, artrose ou doença articular degenerativa Sintomatologia: • Dor; • Rigidez articular matinal; • Crepitação óssea; • Fraqueza muscular; • Limitação na ADM articular; • Alterações funcionais. O Colégio Americano de Reumatologia (ACR) estabeleceu critérios que são comumente utilizados para o diagnóstico da OA de quadril na prática clínica. Dor +: • Idade > 50 anos • Rigidez matinal do quadril ≤ 60 minutos • Dor durante a rotação medial do quadril • Rotação medial do quadril ≥ 15º Diagnóstico Funcional: Em 2013, foi publicado um consenso que abordou os testes baseados em desempenho recomendados pela OARSI para a avaliação de OA de quadril e joelho: 1- Sentar-se e levantar-se de uma cadeira durante 30 segundos; 2- Teste de caminhada rápida de 40 metros; 3- Teste de subir e descer degraus. Tratamento: • Conservador: A primeira linha de tratamento da OA de quadril envolve o tratamento não medicamentoso (educação e programas estruturados de exercícios) e o medicamentoso (fármacos anti-inflamatórios não esteroides tópicos). • Cirúrgico: Quando não se tem resposta positiva com o tratamento conservador a artroplastias da articulação do quadril tornam-se necessária. Impacto Femoroacetabular O impactofemoroacetabular é uma condição que resulta em um contato anormal entre o osso proximal do fémur e o acetábulo devido a alterações morfológicas do osso do quadril. Isso cria uma força no labrum acetabular desencadeando dor, desgaste e pequenas lesões que podem produzir uma cascata de lesões condrais e potenciais alterações degenerativas. As estruturas mais afetadas são o labrum e a região anterolateral da cartilagem articular do acetábulo e as forças lesivas traduzem-se por compressão e cisalhamento". Existem dois tipos de lesão por impacto femoroacetabular (IFA) descritos na literatura: a lesão do tipo CAM e a lesão do tipo PINCER. Nas lesões do tipo CAM, a porção não esférica da cabeça femoral entra em contato com a borda do acetábulo (principalmente na flexão), gerando uma abrasão de fora para dentro da cartilagem a porção ântero-superior do acetábulo. Consequentemente, Lesões em Membros Inferiores Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 21 ocorre a avulsão do labrum e do osso subcondral, progredindo para a degeneração da articulação. Já nas lesões do tipo PINCER ocorre um contato linear entre a borda do acetábulo e a junção cefalocervical. O labrum é comprometido e, com o impacto frequente, ocorrem as lesões condrais, que incluem a porção posteroinferior. O IFA é responsável por boa parte dos casos de osteoartrite de quadril, principalmente as mais precoces em adultos jovens'. Sinais e sintomas Não necessariamente a presença do IFA do tipo CAM ou PINCER estará associado a dor ou qualquer outra manifestação clínica. Porém, em pacientes sintomáticos, a principal queixa é dor na virilha e em atividades de vida diária que geralmente evolui para sensação de bloqueio da articulação, limitação para rotação interna e marcha claudicante. Diagnóstico O exame físico envolve uma série de testes irritativos, dentre eles o FADIR (flexão + adução + rotação interna). Além dos testes clínicos, exames de imagem como raio-X em diversas incidências, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética são utilizadas para um diagnóstico mais preciso. Tratamento O tratamento do IFA divide-se em conservador e cirúrgico. O conservador é a primeira opção de tratamento e é indicado para casos mais leves quando não há lesões graves das estruturas. As lesões onde os tecidos moles têm grande influência no quadro de dor tendem a ter uma boa resposta com a fisioterapia. O tratamento conservador não resolverá a causa do problema e, em casos avançados e mais graves, pode surtir pouco ou nenhum efeito. Assim, o tratamento cirúrgico é indicado nos casos de falha no tratamento conservador e tem como objetivo corrigir anatomicamente a origem do problema, isto é, o que está gerando o impacto. A cirurgia é feita de forma minimamente invasiva, por via artroscópica, apesar de suas limitações. Em alguns casos, é necessário realizar cirurgia aberta. Lesões de Joelho Lesão de menisco Os meniscos da articulação do joelho são lâminas com formato de meia-lua na face articular da tíbia e absorve o impacto durante a deambulação. Tipos de Lesão: • Traumática; • Degenerativa. Classificação: Avaliação funcional: Teste de McMurray Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 22 Teste de Steinmann Tratamento A maioria das lesões meniscais, seja de forma traumática ou degenerativa, é tratada conservadoramente com fisioterapia, com ênfase em alívio da dor, manutenção do movimento, melhora na flexibilidade dos isquiotibiais e da musculatura do quadril, aumento na força do quadríceps, além de exercícios proprioceptivos. Osteoartite de Joelho A osteoartrite (OA) é o processo degenerativo e progressivo da cartilagem articular," de origem multifatorial, iniciando de forma insidiosa e assintomática, com quadro clínico evidenciado geralmente acima dos 50 anos de idade, afetando principalmente articulações que suportam o peso corporal, como as do joelho. Quanto a sua etiologia, a osteoartrite pode ser dividida em primária ou idiopática, quando a doença é desconhecida, e secundária, quando o indivíduo, em virtude de algum fator extrínseco, como trauma, obesidade ou má formação congênita, passa a apresentar a osteoartrose. Fatores de risco: • Obesidade; • Idade (acima de 60 anos); • Fatores genéticos; • Sexo (mulheres são mais acometidas); • Microtraumas; • Distúrbios metabólicos; • Lesões articulares prévias; • Tarefas Ocupacionais repetitivas. A dor é a principal sintomatologia da doença e, quando associada à rigidez articular, fraqueza e instabilidade, pode evoluir com deformidades, limitação e incapacidade funcional na realização de atividades de vida diária. As radiografias simples são os exames de imagem mais utilizados para diagnóstico e planejamento cirúrgico, baseando-se na classificação de comprometimento da osteoartrite, elaborada por Ahlback e modificada por Keyes e Goodfellow. Porém, é importante realizar o diagnóstico funcional, através de questionários de dor, função e qualidade de vida, além de testes de desempenho, para maior percepção das limitações oriundas da patologia, consequentemente uma abordagem terapêutica mais específica. O tratamento da osteoartrite depende de alguns fatores, como o nível de limitação funcional, dos fatores de origem da patologia, das atividades de vida diária, das constatações clínicas articulares e do estágio da osteoartrite. A abordagem terapêutica ocorre de três formas: Não Farmacológico: • Fisioterapia; • Atividades físicas regularmente; • Redução ponderal. Farmacológico: • Analgésicos orais; • Anti0inflamátorios não esteroides (AINES); • Condroprotetores; • Corticoide Intra-articular; • Viscossuplementação (ácido hialurônico). Cirúrgico: Em casos selecionados, o tratamento é cirúrgico. As intervenções mais frequentes são: • Artroplastia (substituição parcial ou total da parte destruída por uma prótese); • Artrodese (fusão cirúrgica de dois ossos, usada principalmente na coluna); • Osteoplastia (retirada e limpeza cirúrgica da parte óssea deteriorada); Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 23 • Osteotomia (mudança do alinhamento ósseo através do corte de partes ósseas). Dor Patelofemoral A dor patelofemoral (DPF) é considerada uma das formas de dor mais comuns no joelho, afetando adultos, adolescentes e populações fisicamente ativas em geral. Representa entre 25-40% de todos os problemas encontrados no joelho na prática clínica. A dor patelofemoral é caracterizada por uma dor anterior no joelho, em atividades como agachar, correr, subir e descer escadas. A DPF é considerada autolimitante e as pesquisas têm mostrado que ela é frequentemente recidivante, persistindo por muitos anos, sendo causa da diminuição da prática esportiva." Alguns estudos atribuem a DPF como a precursora da osteoartrite patelofemoral, Apesar do sintoma dominante ser a dor, pacientes frequentemente descrevem creptos, rigidez no joelho, dificuldades para executar atividades da vida diária e qualidade de vida baixa. A interrupção das atividades físicas, devido à dor, pode causar aumento de peso, aumentando a sobrecarga na articulação patelofemoral, aumentando a dor e levando a um ciclo vicioso que distancia o paciente das atividades físicas. Diagnóstico O diagnóstico da DPF é um diagnóstico clínico, primariamente baseado na dor anterior do joelho, agravado pelas atividades de sobrecarga patelofemoral. Não há um teste definitivo para diagnosticar a dor patelofemoral. O melhor teste disponível é a dor causada durante a manobra de agachamento; a dor patelofemoral é evidente em 80% das pessoas que sentem dor ao fazer esta manobra." Outros testes, como oteste de apreensão, apresentam baixa acurácia e baixa sensibilidade. É importante uma avaliação criteriosa para excluir outras fontes de dor anterior do joelho, como a tendinopatia patelar e a doença de Osgood-Schlatter (em adolescentes). O exame de imagem geralmente não é necessário para diagnosticar a DP entretanto pode ser útil para identificar fontes potenciais de estímulos nociceptivos, tais como lesões subcondrais, sinovites ou inflamação do coxim gorduroso. Fatores associados Uma revisão sistemática mostrou que fatores associados com a DPF incluem: • Morfologia patelofemoral (variações na tróclea femoral, patela lateralizada); • Alteração de padrões de movimento dos MMII (adução de quadril com rotação interna); • Fraqueza muscular (quadríceps, complexo posterolateral do quadril) e alterações em pé. Tratamento O último consenso sobre a Dor Patelofemoral (2018), realizado pelo International Patellofemoral Pain Research Retreat, concluiu que os exercícios terapêuticos continuam sendo a melhor evidência para o tratamento da dor patelofemoral, melhorando a função a curto, médio e longo prazo, principalmente os exercícios de fortalecimento de joelho e quadril. Os exercícios associados ao uso de palmilhas são recomendados para a diminuição das dores, também. Lesões de Tornozelo Entorse de Tornozelo As entorses agudas do tornozelo representam uma das mais frequentes lesões musculoesqueléticas associadas à prática esportiva ou atividades recreacionais, sendo o complexo ligamentar externo, composto pelos ligamentos talofibular anterior (LTFA), calcaneofibular (LCF) e o talofibular posterior (LTFP), o mais atingido, correspondendo de 75% a 85% dos casos. Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 24 Lesões isoladas do ligamento deltoide são raras devido não só à força tênsil desse ligamento, mas à menor probabilidade de ocorrer uma lesão com mecanismo de versão. Quando ocorrem, vêm associadas a fraturas no tornozelo. Mecanismo da lesão O mecanismo etiológico típico dessa lesão acontece geralmente quando o pé está sem carga e em uma postura combinada de flexão plantar e inversão, que representa a posição de máximo estresse no LTFA, o que, pela característica de ter a menor elasticidade dos ligamentos laterais, faz dele o mais comumente lesado. Em uma situação de inversão com maior estresse articular, o LCF e o LTFP também podem ser lesados. Os traumatismos relacionados à combinação de versão e abdução são menos frequentes, não só pela força do ligamento deltoide, como citado anteriormente, mas também pela característica anatômica da articulação do tornozelo, onde o maléolo fibular, pela sua posição mais caudal e mais posterior, exerce a função de bloquear' parcialmente esse movimento. Classificação das entorses A gravidade da entorse é baseada tanto em parâmetros clínicos, tais como volume do edema, presença e extensão da equimose, limitação da amplitude articular e quadro álgico, quanto pelos achados nos exames complementares, a exemplo da radiografia e ressonância magnética. Uma entorse é classificada em graus crescentes de gravidade, variando do grau l ao lll, levando-se em consideração o nível de comprometimento do ligamento e os aspectos clínicos. O diagrama abaixo apresenta um resumo dessa classificação. Tratamento de entorses do tornozelo • Proteção, repouso, gelo, compressão e elevação (PRICE); • Anti-inflamatórios; • Uma bandagem, tala, bota especialmente desenhada ou gesso; • Fisioterapia. O tratamento pode incluir PRICE, bem como paracetamol para controle da dor. Muletas são usadas para todas as entorses até as pessoas poderem caminhar normalmente. Entorses leves A maioria das entorses do tornozelo é leve, não requer tratamento especial e sara bem. Recomenda-se PRICE. Ele inclui o seguinte: • Proteção: Apoiar o tornozelo com bandagem elástica, uma tala, uma bota especialmente projetada ou um gesso dependendo da gravidade da entorse • Repouso: não andar apoiado no tornozelo lesionado e usar uma muleta para caminhar quando necessário • Gelo: colocar bolsas de gelo sobre o tornozelo lesionado • Compressão: comprimir o tornozelo colocando uma fita ou bandagem elástica ao redor dele e do pé • Elevação: elevar o tornozelo o máximo possível Entorses moderadas Pode ser tratadas com PRICE. Se caminhar for extremamente difícil, pode-se usar uma tala ou bota para apoio. A maioria das pessoas consegue caminhar e exercitar-se dentro de poucos dias. A fisioterapia é necessária para ajudar a minimizar o inchaço, manter diversos movimentos articulares e aumentar aos poucos a força dos músculos ao redor do tornozelo (e, desta forma, evitar futuras entorses). Entorses graves • Entorses graves requerem assistência médica imediata. Sem tratamento, o tornozelo pode ficar instável e dolorido. • O tornozelo é imobilizado, às vezes com gesso. A maioria das pessoas é encaminhada a um especialista. • A realização, ou não, de cirurgia, é um assunto controverso. A maioria dos especialistas acredita que a reconstrução cirúrgica de rupturas de Stephane Bispo Fisioterapia Musculoesquelética @fisio.stephanebispo 25 ligamentos não é melhor que tratamento sem cirurgia. • É necessário realizar fisioterapia para restabelecer o movimento, fortalecer os músculos e melhorar o equilíbrio antes que as pessoas voltem a praticar atividades extenuantes. A fisioterapia também pode acelerar a recuperação. Entorses na parte alta do tornozelo: geralmente exigem gesso por várias semanas Lesões do Pé Fascite Plantar A FP é uma condição clínica caracterizada por queixas de dor aguda no calcanhar, e seus sintomas geralmente estão ligados à inflamação da fáscia plantar. Principais causas: • Calçados inadequados; • Lesões anteriores; • Dorsiflexão limitada do tornozelo; • Hiperpronação do pé; • Fraqueza da musculatura do pé; • Envelhecimento; • Suporte prolongado de peso; • Padrões posturais inadequados de caminhada ou corrida. Tratamentos Tratamentos não invasivos: • Fisioterapia (em suas várias abordagens); • Órteses; • Anti-inflamatórios não esteroides orais (AINEs); • Eletro fototerapia. Tratamentos invasivos: • Injeção de corticosteroide; • Injeção de toxina botulínica; • Injeção de plasma rico em plaquetas; • Cirurgia. AUTORIA REDE SOCIAL Você acaba de adquirir um ebook, resumido e ilustrado, feito por: Stephane Bispo Me siga no Instagram @fisio.stephanebispo para acompanhar conteúdo e conhecer outros materiais BENEFÍCIOS DEPOIMENTO Dentre os benefícios que ele trás, podemos citar: melhor qualidade de estudo; otimização de tempo; estímulos visuais; fácil entendimento, etc. Seu Feedback é muito importante para nós e para outras pessoas que desejam adquirir este material. Nós envie sua experiência pelo nosso e-mail ou pelo Instagram. OBRIGADA PELA SUA COMPRA! @fisio.stephanebispo A VENDA DESSE MATERIAL SEM AUTORIZAÇAO É PROIBIDA! VEJA OUTROS EBOOKS DISPONÍVEIS: @fisio.stephanebispo Fraturas Ósseas Epífise Epífise Metáfise Metáfise Diáfise Aberta Fechada Fratura por avulsão: decorrente de uma grande força de tração; Fratura cominutiva: com múltiplos fragmentos ósseos (dois ou mais); Fratura por compressão: é um tipo de fratura cominutiva em que há a compressão de dois ou mais fragmentos ósseos; Fratura com deslocamento: em que um dos segmentos ósseos foi deslocado e há a perda da comunicação entre o periósteo dos dois lados; Fratura espiral: fratura se projeta de forma espiral ao longo da diáfise. Em geral, ocorrem forças de torção; Fratura em galho-verde: fratura incompleta em que uma das corticais do osso fica lascada e a outra permanece conectada, porém deformada; Fratura longitudinal: fratura se projeta ao longo do eixo longitudinal do osso,