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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 1 QUALIDADE NA EMPRESA E QUALIDADE DE VIDA CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 3 2 TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR .............................................. 4 3 SAÚDE DO TRABALHADOR: ASPECTOS HISTÓRICOS ......................... 6 3.1 Antecedentes da Saúde do Trabalhador no Brasil ............................... 8 4 EVOLUÇÃO HISTÓRICA E DIFERENTES ABORDAGENS DA QUALIDADE DE VIDA .............................................................................................. 10 4.1 Breve Histórico dos Estudos de Qualidade de Vida no Trabalho ....... 11 4.2 Principais referências do conceito de QVT ......................................... 14 4.3 A Qualidade de Vida no Trabalho como ferramenta da Gestão de Pessoas..................... ............................................................................................ 17 5 AS TRANSFORMAÇÕES DO MUNDO DO TRABALHO .......................... 18 6 A INFLUÊNCIA DA RELAÇÃO TRABALHO-FAMÍLIA .............................. 27 7 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO E FAMÍLIA ................................. 33 7.1 Qualidade de vida no trabalho ............................................................ 34 7.2 Teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas; ........................... 36 7.3 Teoria da Satisfação no Trabalho ...................................................... 37 7.4 A Família ............................................................................................ 38 8 DOENÇAS LABORAIS: CARACTERÍSTICAS E ESPECIFICIDADES ..... 41 8.1 Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) ....................................................................... 43 8.2 A medicina e as doenças laborais ...................................................... 44 9 PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL ........................................................... 46 10 O psicólogo organizacional e a qualidade de vida no trabalho .............. 50 11 CONCLUSÕES FINAIS ......................................................................... 53 12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................... 55 CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 3 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 4 2 TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR Fonte:redehumanizasus.net No mundo contemporâneo, o processo de viver humano é marcado pelo crescimento das incertezas e da sensação de fragilidade diante dos fatores de risco e vulnerabilidade aos quais todas as pessoas, direta ou indiretamente, estão expostas. Essas características repercutem também no cotidiano de trabalho dos indivíduos, pois o trabalho é um dos principais eixos estruturantes da vida humana. No âmbito das práticas laborais dos profissionais da saúde, as questões referentes a risco e/ou vulnerabilidade estão ainda mais presentes, uma vez que esses profissionais se expõem rotineiramente a múltiplos e variados riscos relacionados a agentes químicos, físicos, biológicos e psicossociais. Conceitua-se meio ambiente do trabalho como sendo: O local onde o funcionário desenvolve suas atividades relacionadas com o ofício. Com efeito, o meio ambiente de trabalho/condições de trabalho no contexto das relações laborais encontra-se inserido em um mercado econômico altamente agressivo e centrado na busca de altas taxas de produtividade por meio de constantes inovações tecnológicas. (FISCHER, 1990, apud FERREIRA, 2018, p.2) A deterioração das condições de trabalho é observada nas suas novas formas de organização, na flexibilização de suas jornadas (mais extensas e/ou irregulares), na precariedade no emprego, no crescente subemprego, particularmente de mão de CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 5 obra terceirizada, e na temporalidade dos contratos, levando à itinerância dos trabalhadores A intervenção sobre os ambientes e as condições de trabalho deve basear-se em uma análise criteriosa e global da organização laboral, que inclui a análise do conteúdo das tarefas, dos modos operatórios, dos postos de trabalho, do ritmo e da intensidade do ofício, dos fatores mecânicos, das condições físicas do posto laboral, das normas de produção, dos sistemas de turnos, dos fatores psicossociais e individuais e da relação de trabalho entre colegas e chefias. Além disso, contempla as medidas de proteção coletiva e individual implementadas pelas empresas e as estratégias de defesa individuais e coletivas adotadas pelos trabalhadores. As condições de trabalho na vida dos trabalhadores trazem significativos impactos ou repercussões nos aspectos político, econômico e social da população. Essas repercussões podem até mesmo traduzir o grau de desenvolvimento de uma nação. (FIGUEREDO, 2004, apud FERREIRA, 2018, p.2) Quanto à busca pela prevenção envolvendo o trabalhador, conforme o art. 4º, item 2, da Convenção nº 155 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da Segurança e Saúde dos Trabalhadores e o Meio Ambiente de Trabalho, constitui o objetivo de prevenir os acidentes e danos à saúde que forem consequência do trabalho, tenham relação com a atividade de trabalho ou se apresentarem durante o trabalho, reduzindo ao mínimo, na medida que for razoável e possível, as causas próprias dos riscos ao meio ambiente de trabalho. O fundamento jurídico para a proteção do meio ambiente do trabalho está na Constituição Federal, e determina: Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substância e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos. VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalhador". - Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo I - Dos Direitos Sociais, art. 7º, XXII, que dispõe: "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XXII - redução dos riscos próprias ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança". (MENDES, 2002, apud FERREIRA, 2018, p.3) O campo da saúde do trabalhador é de práticas e conhecimentos cujo enfoque teórico-metodológico, no Brasil, emerge da saúde coletiva, buscando conhecer e CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 6 intervir nas relações trabalho e saúde-doença, tendo como referência central o surgimento de um novo ator social, a classe operária industrial, numa sociedade que vive profundas mudanças políticas, econômicas e sociais 3 SAÚDE DO TRABALHADOR: ASPECTOS HISTÓRICOS Fonte:genjuridico.com.br O campo da Saúdedo Trabalhador (ST) no Brasil é resultante de um patrimônio acumulado no âmbito da Saúde Coletiva, com raízes no movimento da Medicina Social latino-americana e influenciado significativamente pela experiência operária italiana. O avanço científico da Medicina Preventiva, da Medicina Social e da Saúde Pública, durante os anos 1960/70, ampliou o quadro interpretativo do processo saúde- doença, inclusive em sua articulação com o trabalho. Essa nova forma de apreender a relação trabalho-saúde e de intervir no mundo do trabalho introduz, na Saúde Pública, práticas de atenção à saúde dos trabalhadores, no bojo das propostas da Reforma Sanitária Brasileira. Configura-se um novo paradigma que, com a incorporação de alguns referenciais das Ciências Sociais - particularmente do pensamento marxista - amplia a visão da Medicina do Trabalho e da Saúde Ocupacional. Algumas publicações referem essa trajetória sistematizam determinadas práticas ou expõem diferenças conceituais e metodológicas da Saúde do Trabalhador com a Medicina do Trabalho e a Saúde Ocupacional. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 7 A referência central para o estudo dos condicionantes saúde-doença é o processo de trabalho, conceito recuperado, nos anos 1970, das ideias expostas por Marx. A apropriação do conceito “processo de trabalho” como instrumento de análise possibilita reformular concepções ainda hegemônicas que ao estabelecerem articulações simplificadas entre causa e efeito, numa perspectiva uni ou multicausal, desconsideram a dimensão social e histórica do trabalho e do binômio saúde/doença. Desse modo, indivíduo e ambiente são apreendidos na sua exterioridade, ignorando-se sua historicidade e o contexto que circunstancia as relações de produção materializadas em condições específicas de trabalhar, geradoras ou não de agravos à saúde. A saúde do trabalhador configura-se como um campo de práticas e de conhecimentos estratégicos interdisciplinares - técnicos, sociais, políticos, humanos -, multiprofissionais e interinstitucionais, voltados para analisar e intervir nas relações de trabalho que provocam doenças e agravos. Seus marcos referenciais são os da Saúde Coletiva, ou seja, a promoção, a prevenção e a vigilância. O tratamento interdisciplinar implica a tentativa de estabelecer e articular dois planos de análise: o que contempla o contorno social, econômico, político e cultural - definidor das relações particulares travadas nos espaços de trabalho e do perfil de reprodução social dos diferentes grupos humanos - e o referente a determinadas características dos processos de trabalho com potencial de repercussão na saúde. Entre os conceitos e noções extraídos dessas características, encontram-se os classificatórios de risco - fundamentalmente associados às propriedades materiais e mensuráveis quantitativamente dos objetos, meios e ambientes de trabalho - e os de exigências ou requerimentos, que dizem respeito a componentes mais qualitativos derivados da organização do trabalho. Contemporâneo ao Movimento da Reforma Sanitária, o pensamento novo sobre a ST obteve maior repercussão com a realização da VIII Conferência Nacional de Saúde, em 1986. Em dezembro desse mesmo ano, na I Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador foram divulgadas as experiências de implantação da Rede de Serviços de ST, então em andamento. Essa rede, anterior à promulgação do SUS, já incorporava princípios e diretrizes que depois seriam consagrados pela Constituição de 1988, tais como a universalidade, a integralidade e o controle social. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 8 A interlocução com os próprios trabalhadores - depositários de um saber emanado da experiência e sujeitos essenciais quando se visa a uma ação transformadora - é uma premissa metodológica. Já, em finais dos anos 1970, essa premissa foi incorporada no “Modelo Operário Italiano”, tendo como alvo a mudança e o controle das condições de trabalho nas unidades produtivas. Neste artigo aborda- se inicialmente o processo que precedeu à inserção da ST no SUS. Mostram-se alguns dos fatores que influíram nesse processo, entre eles, a mobilização pela assistência à saúde no trabalho por parte de determinados setores sindicais e o apoio de organizações internacionais. É analisada, a continuação, a trajetória seguida na institucionalização de ST no SUS, apontando-se os avanços conseguidos e as várias dificuldades encontradas. Destaca-se particularmente a compreensão da Vigilância em Saúde do Trabalhador por meio de casos exemplares que dizem respeito à sua prática. Finalmente, realiza-se uma breve análise da situação do controle social nesse particular. 3.1 Antecedentes da Saúde do Trabalhador no Brasil No caso brasileiro, nos anos de 1970, concomitantemente ao acelerado crescimento do número de trabalhadores industriais, houve um forte incremento na organização dos trabalhadores em torno da regulamentação da jornada de trabalho e em busca de melhores salários. São também dessa década os primeiros movimentos em defesa da saúde pela melhoria das condições de trabalho. Uma iniciativa da assessoria técnica do Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho – DIESAT, junto ao Sindicato dos Trabalhadores Químicos e Petroquímicos do ABCD, foi fundamental para que o sindicato propusesse à Secretaria de Estado da Saúde (SES), no ano de 1984, o Programa de Saúde do Trabalhador Químico do ABC. Uma experiência pioneira com efetiva participação sindical em sua gestão. Posteriormente, foram criados Programas de Saúde do Trabalhador (PST) semelhantes na SES de São Paulo e em outros Estados, com diversos níveis de participação dos trabalhadores, inclusive na realização de ações de vigilância em algumas empresas. O próprio autor salienta que os PST foram influenciados pela posição da OIT e da própria OMS, quando, em 1983, a Organização Pan-Americana CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 9 da Saúde (OPAS) publicou o Programa de Salud de los Trabajadores e patrocinou um seminário, realizado, em 1984, em Campinas. Nesse seminário, discutiu-se a necessidade de se passar do conceito de saúde ocupacional para o de saúde dos trabalhadores, com vistas a enfrentar a problemática saúde-trabalho como um todo, numa conjugação de fatores econômicos, culturais e individuais. Nos primeiros Programas e nos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador – CRST, anteriores ao advento do SUS, prevalecia a dimensão assistencial. O foco principal dessas estratégias era diagnosticar, orientar e acompanhar as patologias decorrentes do trabalho com a perspectiva de criar condições para que a rede pública viesse a se constituir em instância efetiva para assistência à saúde dos trabalhadores. Uma mudança de perspectiva encontra-se no relatório final da VIII Conferência Nacional de Saúde quando apontava que O trabalho em condições dignas e o conhecimento e controle dos trabalhadores sobre processos e ambientes de trabalho são pré-requisitos para o pleno exercício do acesso à saúde. (BRASIL,1994, apud GOMEZ, 2018, p.3) E a 1ª CNST incorpora a proposta de que o SUS deve englobar ações e órgãos de ST, na perspectiva da saúde como direito. Em termos do marco político normativo do Estado, a ST é situada na perspectiva da saúde como direito universal, conforme definido pela Constituição Federal de 1988 e na Lei nº 8080/90, transcendendo o marco do direito previdenciário-trabalhista em que a ação de Estado restringe-se à regulação da saúde e segurança. A própria Lei Orgânica da Saúde determina que as ações de ST devam ser executadas pelo SUS nos âmbitos de assistência, vigilância, informação, pesquisas e participação dos sindicatos. A Lei estabelece também ser competência da instância federal do SUS participar da definição de normas, critérios e padrões para o controle das condiçõese dos ambientes de trabalho e coordenar a política de ST de forma hierarquizada e descentralizada para estados e municípios. A mesma Lei regula também a necessidade de o Conselho de Saúde estruturar a Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador - CIST. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 10 4 EVOLUÇÃO HISTÓRICA E DIFERENTES ABORDAGENS DA QUALIDADE DE VIDA Fonte:metalurgicoscarlosbarbosa.com.br A atividade laboral é extremamente relevante para a manutenção da vida dos indivíduos, contribuindo para sua sobrevivência e adaptação ao mundo. Tendo em conta que uma parcela significativa da vida é passada no ambiente de trabalho, é essencial que os indivíduos se sintam bem neste. Diante disso, o tema da qualidade de vida (QV) assume importante relevância no âmbito das corporações. As organizações tomaram parte na discussão e aplicação desse conceito na tentativa de planejar, implantar e avaliar alternativas de produção que permitam maior satisfação, bem-estar e saúde aos seus colaboradores, vislumbrando, dentre outras consequências, melhoras na produtividade, nas entregas e na rentabilidade. Surge, então, um novo conceito, advindo do primeiro. Trata-se da Qualidade de Vida no Trabalho (QVT). Através da proposta de um enfoque biopsicossocial, pode se dizer QVT como sendo: “[...] o conjunto das ações de uma empresa que envolve a implantação de melhorias e inovações gerenciais e tecnológicas no ambiente de trabalho”. (LIMONGI, 1997, apud Forno 2015, p. 104). No Brasil, o tema vem causando interesse em empresários e em administradores, devido às contribuições que pode oferecer para a satisfação do empregado e para a produtividade empresarial. No atual momento do mercado, CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 11 caracterizado pela alta competitividade e pela grande demanda por profissionais qualificados e hábeis para darem conta dos desafios sempre novos, a QVT afigura-se como necessidade e resposta do indivíduo e como estratégia gerencial da organização. Os níveis elevados de QVT são essenciais para que as organizações continuem a atrair e a reter funcionários, o que se configura em um problema complexo, pois, é difícil identificar e isolar todos os elementos que afetam a QVT. Parece haver consenso entre os diversos autores de que a QVT integra a série de mudanças que estão ocorrendo nas organizações na sociedade atual, de maneira que seu processo de discussão transcende a área da saúde e se vincula às áreas da Administração, da Psicologia, da Sociologia, a partir de um enfoque multidisciplinar humanista. Ainda que a QV em geral e a QVT sejam distintas entre si, elas se relacionam e se influenciam mutuamente, de modo que dissabores no trabalho podem trazer como consequências desajustes na vida familiar e nas relações sociais fora do trabalho, bem como conflitos pessoais atrapalham a atividade laboral. (SAMPAIO, 2004 apud VELOSO, 2007, p. 15). 4.1 Breve Histórico dos Estudos de Qualidade de Vida no Trabalho A QVT teve sua origem na esfera privada, no ambiente empresarial que, histórica e progressivamente, tem se tornando mais competitivo. Verifica-se que, em um cenário de competição global, as pessoas, sobremaneira aquelas que dispõem de conhecimentos e habilidades, ganham importância estratégica no projeto de desenvolvimento de vantagem competitiva das corporações, de modo que a QVT tem sido, muitas vezes, utilizada para elevar o nível de satisfação dos colaboradores a fim de que estes se comprometam, ainda mais, com os processos e com os objetivos organizacionais. O interesse do universo empresarial pela QVT data de mais de meio século. Todavia, foi a partir da década de 1970 que a QVT passou a ser considerada com maior atenção e a receber investimentos, principalmente nas grandes corporações, já que se vivia a crise estrutural nos padrões de acumulação taylorista - fordista e novas alternativas precisavam ser encontradas para a competição que se apresentava. A QVT tem ocupado a atenção do homem desde o início de sua existência. Considerem-se os ensinamentos de Geometria de Euclides de Alexandria, aplicados na melhoria do método de trabalho dos agricultores à margem do CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 12 Nilo e, também, a lei da alavanca da Arquimedes, que desde o ano 287 a.C. contribui para a diminuição do esforço físico dos trabalhadores, melhorando, assim, sua QV. (MONTEIRO, 1999, apud Forno 2015, p. 105). Entretanto, o termo QVT, propriamente dito, começou a ser utilizado na década de 1950, na Inglaterra, quando Eric Trist e colaboradores, do Tavistock Institute, realizaram estudos das relações existentes na tríade indivíduo-trabalho-organização, desenvolvendo uma abordagem sociotécnica da organização do trabalho que objetivava amainar o sofrimento da vida dos trabalhadores, a partir da reestruturação das tarefas. No entanto, foi somente na década de 60 que se observou a retomada de interesse pela QVT, a partir do desenvolvimento de estudos acerca das melhores formas de realizar o trabalho, com foco na saúde e no bem-estar geral dos trabalhadores. Nesse momento, os elementos relacionados ao aumento da produtividade e os índices relativos às aspirações e às necessidades pessoais ganharam relevância, consequência do desafio imposto pela necessidade de produtividade e de bom desempenho econômico-financeiro, fruto da competitividade internacional referem-se a esta retomada de interesse pela QVT, que se prolongou até meados de 1970, nos Estados Unidos da América (EUA), como sendo o primeiro ciclo, quando outras preocupações, tais como descontrole da inflação e custo da energia, desviaram a atenção dos pesquisadores, causando novamente diminuição de interesse pelo tema. A retomada, isto é, o segundo ciclo de interesse na QVT, ocorreria, de acordo com os autores, somente a partir de 1979, alavancada pela convicção de que algo precisava ser feito para melhorar a produtividade frente à concorrência internacional aumentada pelos novos modelos gerenciais, tais como o japonês. As atenções voltaram-se novamente para a QVT, quando muitos centros de estudos foram criados, nos EUA, a fim de desenvolver projetos nessa área. No início dos anos de 1980, a QVT voltou a ocupar lugar de interesse e preocupação no cenário nacional dos norte-americanos, surgindo uma série de frentes de estudo com o objetivo de definir seu significado e os modos como poderia ser utilizada em prol das organizações. (GARCIA, 2010, apud Forno 2015, p. 105). O Quadro 1 apresenta as concepções evolutivas da QVT CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 13 Quadro 1 – Concepções evolutivas da QVT Fonte: Nadler e Lawler (1983 apud RODRIGUES, 1999, p. 81). No Brasil, as ações voltadas para a QVT são mais recentes, acompanhando a abertura tardia do mercado nacional para importação de produtos estrangeiros e os aumentos de concorrência que lhe foram decorrentes, bem como a implantação de programas de qualidade total. Somente a partir dos anos 1980 alguns estudos começaram a ser realizados no território nacional, muitos influenciados, ainda, pelos modelos estrangeiros, com destaque para a Embrapa, em Brasília, e as Universidades Federais do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. Nos anos 1990, assistiu-se a um incremento da produção científica brasileira sobre o tema, embora não haja um consenso conceitual, grande parte dos estudos apresentam a QVT como uma reação ao modelo taylorista. A QVT, originada na abordagem comportamental, é vista como a humanização no trabalho, na medida em que possibilita o bem-estar e a participação dos colaboradores nos processos decisórios. As iniciativas de QVT foram impulsionadas por exigências da sociedade, no que se refere, principalmente, ao aumento das preocupações com os direitos civis e à responsabilidade social das empresas. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU14 4.2 Principais referências do conceito de QVT Alguns autores, que constituem um seleto grupo, figuram como referência obrigatória em QVT. Suas teorias, consideradas clássicas e, simultaneamente, modernas e abrangentes, são largamente mencionadas na literatura e seus modelos utilizados em pesquisas acerca do tema. Walton, Westley, Werther e Davis, Hackman e Oldham, Lippitt, Nadler e Lawler, Huse e Cummings são tidos como os precursores da abordagem científica de QVT, ainda que suas proposições tenham sofrido críticas posteriores. A QVT está diretamente relacionada ao atendimento das necessidades e aspirações dos sujeitos, a partir da humanização do trabalho e da responsabilidade social da empresa. O modelo proposto, atualmente utilizado na maioria das pesquisas de QVT, está sistematizado a partir de oito categorias de avaliação, quais sejam: 1. Compensação adequada e justa (relativa ao salário, considerando-se fatores como experiência e responsabilidade, talento e habilidade); 2. Condições de segurança e de saúde no trabalho (horários razoáveis, não exposição a condições prejudiciais à saúde, limite de idade para determinados trabalhos que exijam tal restrição); 3. Oportunidade imediata para utilização e desenvolvimento da capacidade humana (autonomia, exercício de múltiplas habilidades, informação e perspectivas, execução de tarefas completas e planejamento do trabalho); 4. Oportunidade futura para crescimento contínuo e segurança (possibilidades de promoção, progresso na carreira, desenvolvimento de novas habilidades, estabilidade/segurança no emprego); 5. Integração social na organização de trabalho (ausência de preconceitos e de estratificação, bom relacionamento interpessoal e integração); 6. Constitucionalismo na organização de trabalho (normas que estabelecem direitos e deveres dos trabalhadores, privacidade, diálogo, tratamento justo e direito a recurso); 7. Trabalho e espaço total de vida (equilíbrio entre o trabalho e a vida privada); 8. Relevância social da vida no trabalho (imagem que o trabalhador tem da organização e de suas práticas, o que leva à valorização ou à CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 15 depreciação de seu próprio trabalho e carreira, com efeitos diretos na sua autoestima). Na sequência histórica do estudo do conceito, identificam-se as contribuições de Hackman e Oldham (1975), para os quais a QVT está associada diretamente aos aspectos de motivação interna, satisfação e enriquecimento do cargo. Estes autores sugerem que as características da tarefa são determinantes no surgimento de três estados psicológicos: Significância percebida (valor atribuído ao trabalho); Responsabilidade percebida (relacionada aos resultados do trabalho); Conhecimentos desses resultados, que, quando acessíveis, agregam em satisfação e motivação para os trabalhadores. Ressalta-se que os autores desenvolveram o Job Diagnostic Survey (JDS) (Levantamento do Diagnóstico do Trabalho). O JDS operacionaliza o modelo teórico que propuseram e que possibilita verificar, a partir das atividades que compõem um determinado trabalho, se este necessita ser reestruturado com vistas à melhora da produtividade e o aumento da motivação do funcionário. Poucos anos depois, na busca da compreensão do que influenciaria a QVT, foram agrupados oito critérios de em quatro fatores chave, quais sejam: A. O trabalho em si; B. O indivíduo; C. A produção do trabalho; D. Funções e estrutura da organização. Assim a aplicação de práticas de QVT dependeria do amadurecimento na organização e do desenvolvimento de um novo conceito de indivíduo, com suas reais necessidades, bem como de novos valores organizacionais, referenciados nos ideais humanísticos e democráticos. (STEFANO, 2007, apud Forno 2015, p. 107). Westley, por sua vez, propôs um modelo que considera aspectos internos e externos à organização, relacionando quatro grupos de obstáculos que prejudicam a QVT. Segundo ele, esses teriam origem na natureza das organizações da sociedade industrial. O obstáculo político levaria ao sentimento de insegurança no emprego; o econômico, à injustiça no sistema de recompensas; o psicológico, à alienação; e o sociológico, à anomia. Os sintomas de insatisfação por parte do trabalhador podem CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 16 estar relacionados a sentimentos de privação de igualdade e insegurança em seu ambiente laboral, do mesmo modo que sinais de alienação e anomia podem ser identificados a partir da indiferença com a tarefa, isto é, na falta de envolvimento com o trabalho. Tais problemas devem ser interpretados como categorias gerais que prejudicam a QVT, de modo que esforços concretos de humanização no trabalho cotidiano devem ser empreendidos em sua direção. Os esforços para melhorar a QVT devem estar voltados em tornar os cargos mais produtivos e mais satisfatórios. Os projetos de cargos devem levar em conta os aspectos relacionados aos fatores ambientais, organizacionais e comportamentais, encontrando a justa medida de respeito pelas limitações e exploração do potencial dos trabalhadores. O modelo proposto articula-se a partir de variáveis tais como supervisão, condições de trabalho, pagamento, benefícios e projeto de cargos, por entender que são estas que afetam diretamente a QVT, considerando, que é a natureza do cargo que envolve mais intimamente o trabalhador. Provavelmente, o fator determinante de sucesso e de viabilidade dos esforços de QVT está relacionado com a estrutura dos processos participativos criados na organização. A QVT é uma maneira de pensar a respeito das pessoas, do trabalho e das organizações. A QVT não estar somente no modo através do qual os trabalhadores podem desempenhar melhor a tarefa, mas em como o trabalho pode contribuir para tornar as pessoas melhores, permitindo que participem do processo de tomada de decisão organizacional naquilo que as afeta, o que é diferente de afirmar que todas as decisões da organização devam ser participativas. A atenção ao bem-estar do trabalhador, a sua participação nas decisões e problemas do trabalho e a eficácia organizacional são, os principais aspectos a serem considerados pela QVT. Sugere- se que o trabalhador possa participar dos processos de tomada de decisão, do projeto de reestruturação de cargo e da melhora no ambiente de trabalho. No cenário nacional brasileiro, destacam-se os trabalhos de Fernandes, que analisa a QVT a partir de fatores que tornam os cargos satisfatórios, propondo o modelo conhecido como Auditoria Operacional de Recursos Humanos para melhoria de QVT, fortemente influenciado pelos modelos de Walton e Westley, em uma espécie de sistematização simplificada destes, em quatro grupos de fatores de natureza: A. Econômica; B. Política; CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 17 C. Psicossocial; QVT deve visar, principalmente, a busca do equilíbrio físico/biológico, psíquico e social dos trabalhadores, no contexto organizacional do trabalho, inaugurando, desse modo, no Brasil, o paradigma biopsicossocial organizacional em QVT e propondo ações integradas que levem a um crescimento pessoal e organizacional. 4.3 A Qualidade de Vida no Trabalho como ferramenta da Gestão de Pessoas A QVT, seja como campo de estudo e reflexão seja como programas práticos de intervenção social, tem, progressivamente, despertado o interesse dos responsáveis pela Gestão de Pessoas, que perceberam nas iniciativas relacionadas à área um método eficaz de proporcionar bem-estar aos trabalhadores, obtendo, em retribuição, comprometimento e empenho nas tarefas cotidianas. O desafio imaginado pelos idealizadores da QVT, de torná-la uma ferramenta gerencial efetiva e não apenas mais um modismo passageiro, persiste. Existem dois desafios fundamentais, dentre todos, que se apresentam para o universo corporativo atual:a necessidade de uma força de trabalho saudável, motivada e preparada para a atual competitividade e a capacidade da organização atender à demanda de seus funcionários no que se refere a uma melhor QV. (SILVA, 1997, apud VASCONCELOS, 2001). A questão que se coloca, está relacionada a descobrir quais os fatores que influenciam a decisão das empresas em investir em projetos de QVT. As iniciativas sob esta denominação ainda são recentes e muitos gestores não se encontram suficientemente convencidos de sua efetividade. Alguns benefícios são presumíveis, entretanto, a correlação entre investimento e retorno não é de todo defensável. O desafio está em estabelecer a relação entre os programas de Gestão de Pessoas e os ganhos que trazem à empresa, levando muitos administradores a deixarem em segundo plano a tarefa de avaliar os resultados do investimento. O maior obstáculo para a implantação de programas de QVT está na falta de importância estratégica e em sua baixa relevância financeira. Em contraponto, alguns autores defendem que, em teoria, qualquer investimento em QVT deve acarretar melhoras no desempenho do empregado, refletindo na produtividade e no faturamento da empresa. Tem-se demonstrado que a satisfação com o trabalho se reverte em rentabilidade para a CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 18 organização, seja através de aumentos na produção ou da melhoria no comprometimento. 5 AS TRANSFORMAÇÕES DO MUNDO DO TRABALHO Fonte: ahistoria.info O mundo do trabalho vem passando, nas últimas décadas, por diversas mudanças e, consequentemente novas formas de organização do trabalho surgem, chegando a ocorrer o desmantelamento de empregos que seriam permanentes. Concomitantemente, aparecem novas tecnologias e outros modelos de organização do trabalho. Assim, diante de tantas transformações, falar em significado do trabalho é envolver conceitos e valores. Transformações estas que, precarizam as relações de trabalho, resultando em um universo do não-trabalho, o mundo do desemprego. Os que encontram trabalho o exerce muitas vezes, de forma temporária, precária, flexível, desregulamentada, força de trabalho intensificada, com perdas de direitos trabalhistas e sociais, trazendo aos trabalhadores uma vida de labor instável, tensa, podendo acarretar comprometimento à sua saúde. Também, na esfera pública, a gestão calcada no modelo gerencialista as palavras de ordem no processo de trabalho são: qualidade, produtividade, autonomia, criatividade, versatilidade e flexibilidade. Os termos labor e trabalho, encontram na palavra trabalho ambas significações: a de realizar uma obra que o expresse, que dê reconhecimento social e permaneça além da tua vida; e a do esforço rotineiro e CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 19 repetitivo, sem liberdade, de resultado consumível e incômodo inevitável. Marx, em sua compreensão sobre o trabalho, afirma que, o trabalho é presumido em uma forma que o caracteriza como ser exclusivo do Ser Humano, caracterizado por uma qualidade específica sendo diferente de um simples labor animal. O trabalho é, assim, uma condição de existência do homem, independente de todas as formas sociais, eterna necessidade natural de mediação do metabolismo entre homem e natureza e, portanto, da vida humana. Porém, sob o ditame da mercadoria, o significado de condição de existência, de atividade vital para a existência humana transfigura-se em ação imposta, extrínseca e exterior, forçada e compulsória. Ao trazer a dimensão contraditória presente no mundo do trabalho na atualidade, refere-se que o trabalho é fonte de criação e ao mesmo tempo subordina, humaniza e degrada, libera e escraviza, emancipa e aliena. E, diante de todas as transformações vivenciadas no mundo do trabalho neste século, a questão em xeque é dar sentido ao trabalho, no entanto, fazendo com que a vida tenha sentido fora do trabalho. Ao consideramos o trabalho como o momento fundante da sociabilidade humana como ponto de partida do processo de seu processo de humanização, pode afirmar também que na sociedade capitalista, o trabalho se torna assalariado, assumindo a forma de trabalho alienado. Aquilo que era uma finalidade básica do ser social – a busca de sua realização produtiva e reprodutiva no e pelo trabalho – transfigura-se e se transforma. O processo de trabalho se converte em meio de subsistência e a força de trabalho se torna, como tudo, uma mercadoria especial, cuja finalidade vem a ser a criação de novas mercadorias objetivando a valorização do capital. (ANTUNES, 2005, apud FARIA, 2017, p. 23). No escopo das mudanças vivenciadas no mundo trabalho, o resultado é um grande índice de desemprego, levando os trabalhadores à busca de realização de trabalhos parciais, precários, temporários como alternativa à sua sobrevivência, a sua dignidade enquanto ser social e, consequentemente traz sérios prejuízos à sua condição de vida refletindo diretamente na saúde deste trabalhador. Há de se considerar que, mesmo dentro dessa fragilidade vivenciada, não acredita que estejamos na finitude do trabalho e o desafio é entender o que denomina por nova morfologia ou a nova polissemia do trabalho, pois a partir daí será possível trazer à tona as relações que são exteriorizadas no mundo do labor tratando da sua centralidade, sociabilidade apesar de expressar formas dominantes de estranhamento CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 20 e alienação. No entanto, chama a atenção quando a vida humana é representada tão somente pelo trabalho. Se assim for [...] ela freqüentemente se converte num esforço penoso, alienante, aprisionando os indivíduos de modo unilateral. Se, por um lado, necessitamos do trabalho humano e reconhecemos seu potencial emancipador, devemos também recusar o trabalho que explora, aliena e infelicita o ser social. Essa dimensão dúplice e dialética, presente no trabalho, é central quando se pretende compreender o labor humano. O que nos diferencia enormemente dos críticos do fim ou mesmo da perda de significado do trabalho na contemporaneidade. (ANTUNES, 2005, apud FARIA, 2017, p. 24). Ao tratar da relação entre trabalho e liberdade, ressalta-se a necessidade de eliminação do trabalho assalariado, do trabalho fetichizado e estranhado e a criação dos indivíduos livremente associados. Porém, essa nova ordem social, com sentido dentro e fora do trabalho, está relacionada à necessidade de destruir na sua totalidade o capital e o seu sistema de metabolismo social em todas as suas formas. Ou seja, o sentido do trabalho que estrutura o capital é nocivo para a humanidade; O trabalho, ao reestruturar o ser social, terá desestruturado o capital. E nesse mesmo trabalho autodeterminado que tornou sem sentido o capital gerará as condições sociais para o florescimento de uma subjetividade autêntica e emancipada, dando um novo sentido ao trabalho. (ANTUNES, 2009, apud FARIA, 2017, p. 24). As perspectivas das pesquisas contemporâneas do cotidiano de trabalho, tem procurado entender o trabalho além do seu sentido técnico e econômico, também compreender o sujeito que trabalha. Também reconhece que as transformações no mundo do trabalho advindas do processo de reestruturação produtiva vêm trazendo mudanças na organização do trabalho e consequentemente no sentido do trabalho para este trabalhador. O lugar que este trabalhador ocupa nestes novos modelos de compreender e organizar o trabalho tem a interferência da informatização ou as chamadas novas tecnologias, levando ao aprendizado de outros modos de perceber o organizar os conhecimentos necessários para a execução do trabalho. [...] a informatização constitui-se em uma forma de organização do saber, inscrita nas relações de poder, que orienta e pressiona os modos de subjetivação... Do mesmo modo, tais transformações definem processos de exclusão que atingem os trabalhadores que não possuam qualificaçãoprevista neste “modelo” de trabalhador. (NARDI, 2000, apud FARIA, 2017, p. 25). CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 21 O trabalho enquanto meio de relação social, tanto pela sua relevância econômica pelo viés da sobrevivência quanto pela perspectiva cultural (simbólico), é fundamental para a constituição da subjetividade e do cotidiano da vida, incidindo assim na saúde física e mental dos seres humanos, sendo um lugar fundamental para as relações afetivas entre as pessoas. A precarização do trabalho, tem assumido novas formas trazendo inclusive crises da subjetividade humana decorridas a um capitalismo de tipo “manipulatório”. A precarização que hoje está posta, não é somente a precarização da força de trabalho como mercadoria, mas também o que denomina de precarização do homem que trabalha no sentido de desefetivação do homem como ser genérico. [...]precarização da mera força de trabalho como mercadoria; mas seria também, ‘precarização do homem que trabalha’, no sentido de desefetivação do homem como ser genérico. O que significa que o novo metabolismo social do trabalho implica não apenas tratar de novas formas de consumo da força de trabalho como mercadoria, mas sim, novos modos de (des) constituição do ser genérico do homem. (ALVES, 2011, apud FARIA, 2017, p. 26). O trabalho enquanto espaço que proporcione bem-estar, saúde, prazer e não seja um local adoecedor é quando os trabalhadores têm suas habilidades respeitadas e que possa ter o controle de suas atividades. No entanto, o contrário, pode ocasionar o sofrimento psíquico, quando o trabalho desempenhado deixa de ter significado, quando não ocorre o reconhecimento e sem a identidade social que o mesmo representa. Assim, diante das nuances do trabalho no modo de produção capitalista vigente, incidindo diretamente na forma de como as pessoas estão percebendo e vivenciando o trabalho em suas vidas, com perdas visíveis de significados e sentidos, além de trazer o desgaste físico e metal, podem trazer reais comprometimentos à Saúde dos trabalhadores. Diante desse panorama da discussão acerca das transformações do mundo do trabalho, é importante situar o que gerou tais mudanças e quais consequências ocasionaram para o cotidiano de trabalho para os trabalhadores. Após um extenso período de acumulação de capitais vivenciada no auge do fordismo e do período Keynesiano, o capitalismo, no início da década de 1970 começou a apresentar indícios de uma crise estrutural. Alguns efeitos dessa crise, como taxa de lucro declinante, enfraquecimento do binômio taylorismo/fordismo do processo de produção o que, na verdade, era resposta à redução do consumo CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 22 ocasionado pelo "desemprego estrutural". Apresenta também a "hipertrofia da esfera financeira", a "crise do Welfare State " e a elevação de processos de privatizações. Especificamente no período entre 1965 a 1973, é notória a inabilidade do fordismo e do Keynesianismo em controlar as contradições próprias do capitalismo. Podendo resumir em uma palavra as dificuldades vivenciadas neste momento: rigidez. Existiam problemas com a rigidez dos investimentos de capital fixo de larga escala e de longo prazo em sistemas de produção em massa que impossibilitavam bastante a flexibilidade de planejamento e supunham expansão estável em mercado de consumos invariantes; de rigidez nos mercados, na alocação e nos contratos. A possibilidade de solucionar estes problemas estava na força supostamente invencível da classe trabalhadora. No que tange a rigidez dos compromissos do Estado, esta se acentuou ao passo que programas de assistência se ampliaram obrigatoriamente como forma de manter a legitimidade num momento em que a rigidez na produção reduz aumento da base fiscal para gastos públicos. Via-se na política monetária, na capacidade de reproduzir moeda em qualquer quantidade que seria o suficiente para manter a economia estável, a única solução flexível. No entanto, ao realizar uma análise crítica sobre esse processo toda essa rigidez escondia uma estrutura indomável e aparentemente fixo de poder político e relações mútuas que ligava o grande trabalho, o grande capital e o grande governo aparentando ser uma proteção disfuncional de interesses suspeitos que ao invés de garantir a acumulação do capital o estavam destruindo. No período de 1969 a 1973 assistia-se a expansão do pós-guerra com uma política monetária exageradamente ampla por parte dos Estados Unidos e da Inglaterra. O excesso de fundos inundava o mundo capitalista que com escassos setores produtivos restritos para investimento, geraria uma significativa inflação. A busca em reter a inflação crescente, em 1973, trouxe uma grande capacidade excedente nas economias ocidentais, principalmente ocasionando uma crise mundial nos mercados imobiliários e sérias dificuldades nas instituições financeiras. Acrescenta-se a isso, os resultados da decisão da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em ampliar o preço do petróleo, da decisão dos árabes em impedir a exportação do petróleo para o Ocidente no período da guerra árabe- israelense de 1973. Como resultado desse processo, houve a alteração do valor CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 23 relativo dos insumos de energia de forma extrema levando a todos os setores da economia a procurarem formas de economizarem energia por meio da mudança tecnológica e organizacional. E ainda gerou o problema da reciclagem dos petrodólares sobrantes, ampliando a vulnerabilidade dos mercados financeiros mundiais. A forte deflação entre 1973 a 1975 mostrou que as finanças do Estado estavam muito além dos recursos, gerando uma intensa crise fiscal e de legitimação. Harvey (1998) cita o colapso técnico na cidade de Nova lorque que, em 1975, com um dos maiores orçamentos mundial, mostra a seriedade do problema. Existia muita capacidade de sobra não utilizada (principalmente fábricas e equipamentos ociosos) com possibilidade de impulsionar a competição. Fatalmente, isso os forçou a racionalizar, reestruturar e intensificar o controle do trabalho: A mudança tecnológica, a automação, a busca de novas linhas de produto e nichos de produtos e nichos de mercado, a dispersão geográfica para a zona de controle do trabalho mais fácil, as fusões e medidas para acelerar o tempo de giro do capital. (HARVEY, 1998, apud FARIA, 2017, p. 28). Como estratégia à crise buscou-se reorganizar o Estado a partir da lógica do neoliberalismo, trazendo a privatização do patrimônio público, o retrocesso de direitos trabalhistas conquistados e o desmantelamento do processo produtivo estatal citando aqui a "era Thatcher - Reagan" como referência. Dentro dessa análise, também infere que a expansão do padrão de desenvolvimento norte-americano e a internacionalização da produção que ocorreram no pós-guerra, oportunizaram a recuperação japonesa e europeia, o impulso das empresas multinacionais, emergência de novos países industrializados, a crescente dominância da área financeira e o surgimento de novos produtos e processos de trabalho. No entanto, a crise do padrão de desenvolvimento nos anos de 1960/1970 foi gestada principalmente pela desarticulação das relações do padrão de desenvolvimento norte-americano, trazendo estagflação, choques de preço do petróleo e das taxas de juros, instabilidade financeira, acumulação produtiva restrita e baixas nas taxas de produtividade. Isso trouxe uma maior heterogeneidade entre os países em meio a uma desestruturação da antiga ordem econômica internacional. Era uma situação crítica e complexa por representar uma crise estrutural do capital, caracterizada pela: queda da taxa de lucro; esgotamento do padrão de acumulação CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 24 taylorista/fordista de produção devido a diminuição do consumo, resultado do desemprego estruturalque se começava; hipertrofia da esfera financeira; maior concentração de capitais devido às fusões e empresa Monopolistas e oligopolistas; crise do Welfare State ou do Estado do Bem-Estar social; estímulo às privatizações com tendências às desregulamentações e à flexibilização do processo produtivo. A crise capitalista não é outra coisa senão a ruptura de um padrão de dominação de classe relativamente estável. Aparece como uma, crise econômica, que se expressa na queda da taxa de lucro. Seu núcleo, entretanto, é marcado pelo fracasso de um padrão de dominação estabelecido de novos padrões de dominação. Do ponto de vista do capital, a crise só pode ser resolvida através do estabelecimento de novos padrões de dominação. Isso não significa que o capital tenha novos padrões prontos para impor à classe trabalhadora. Para o capital, a crise somente pode encontrar sua resolução pela luta, mediante o estabelecimento da autoridade e através de difícil busca de novos padrões de dominação. (HOLLOWAY, 1982, apud FARIA, 2017, p. 29). Este período é marcado também por ataques do capital e do Estado, contra a classe trabalhadora e contra as condições vivenciadas no período do auge do fordismo. Além disso, esse momento é também marcado por significativas transformações no campo financeiro, que alcançou uma autonomia - mesmo que relativa - diante das complexas inter-relações que se tem entre a liberação e a mundialização dos capitais e do processo produtivo. As consequências deste período trazem fortes mudanças aos setores econômico, social, político, ideológico, refletindo diretamente nos valores, na individualidade e nas convicções da classe que vive do trabalho. A busca pela reestruturação do capital no sentido de retomar o seu crescimento motivou inúmeras alterações no mundo do trabalho. No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, deu-se a explosão do operário- massa - parcela hegemônica do proletariado do modelo taylorista/fordista, que trabalhavam num local centralizado do processo produtivo. Deste operário-massa, havia sido tirado a sua identidade cultural da era artesanal e manufatureira dos ofícios levando-os ao desempenho das atividades de forma repetitiva, mecanizada, desqualificada, desrespeito à criação de cada processo de trabalho criado, onde o que prevalece é a lógica da maximização da produtividade e o lucro. As profundas mudanças introduzidas pelo fordismo trouxeram significativas alterações na condição proletária em diversos aspectos. Tais alterações desencadearam o surgimento de uma nova figura hegemônica no centro do CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 25 proletariado ocidental: o denominado operário-massa. Este vem substituir, no modelo fordista, o anterior operário de ofício. Os modelos de organização da produção industrial, o taylorismo/fordismo levava à expropriação acentuada do trabalhador, alijando do processo de organização do trabalho, sendo mero executor de um processo repetido e sem sentido a este trabalhador. No entanto, a todo instante o operário-massa era requisitado a corrigir deformações e enganos cometidos pela gerência científica e pelos quadros administrativos. Aliado a isso, o saber e a habilidade dos trabalhadores nos modos de produção taylorismo/fordismo tendem, no momento posterior, a ser monopolizados pelo "staff” administrativo ou agregados diretamente ás máquinas gerando a expropriação dos operários no que se refere ao controle do processo de trabalho e consequentemente, maior subordinação à organização capitalista do trabalho. Apesar da tentativa do proletário em lutar por melhores condições de trabalho, infelizmente o que se teve foi um movimento operário (partidos, sindicatos, associações) que se aliou ao poderio do capital, ampliando e aprofundando o acordo firmado com a classe dominante. Os trabalhadores não alcançaram outras formas de organização que poderiam trazer oposição às organizações sindicais e partidos existentes. Dessa forma, a luta dos trabalhadores enfraqueceu e retrocedeu, não contrapondo hegemonicamente à sociabilidade do capital. Mesmo assim, esse movimento do operário-massa trouxe um desequilíbrio ao funcionamento do capitalismo, um dos elementos que propiciaram o advento da crise dos anos 1970. No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, o operário-massa se rebelou contra os métodos tayloristas e fordistas de produção, ponto central das contradições do processo de massificação. A expropriação do trabalho do operário-massa no fordismo alijava-o da sua importância no processo de trabalho, tendo participação apenas em gestos repetitivos e sem sentido. Criava-se uma falsa autonomia no trabalho no modelo fordista pois tinha duas faces: a da fábrica, exploração intensiva do trabalho sobre fortes regras disciplinares e a do supermercado, conforme a exaltação narcisista do indivíduo no ato do consumo, do tempo livre e do lazer. Assim, O universo da produção fordista, baseando-se na negação brutal de qualquer autonomia individual, só podia entrar em contradição com o processo de personalização estimulado pelo desenvolvimento do consumo mercantil e, de modo geral, pelo conjunto da socialização própria ao fordismo. Essa dupla contradição era a rigor suportável pela primeira geração do operário-massa, CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 26 para a qual as vantagens do fordismo compensavam o "preço" a pagar para lhe ter acesso. Mas certamente esse não era mais o caso da segunda geração. Formada no quadro do próprio fordismo, esta não estava mais disposta a "perder sua vida para ganhá-la": a trocar um trabalho e uma existência desprovidos de sentido pelo simples crescimento de seu "poder de compra", a privação de ser por um excedente em ter. Em poucas palavras, a se satisfazer com os termos do compromisso fordista concluído por sua antecessora. (BIHR, 2010, apud FARIA, 2017, p.32). O enfraquecimento do fordismo está relacionado a quatro elementos: - queda dos ganhos de produtividade: incialmente se teve um grande ganho de produtividade pois se espalhou para outros setores, como algo novo. No entanto, com o passar do tempo, este método se mostrou contra produtivo, se mostrando limitante na fluidez e flexibilidade do trabalho; - elevação da composição orgânica do capital: está relacionada diretamente a obtenção permanente de ganhos de produtividade. Se não há alteração qualquer elevação da composição técnica do capital, pode levar a uma ampliação de sua composição orgânica que, por sua vez, leva ao aumento do capital fixo em relação ao capital circulante logo, há uma diminuição da rotação do capital, ocasionando a queda da taxa de lucro; - saturação da norma social de consumo: no fordismo o consumo privado estava centralizado em certos quantitativos de bens duráveis que estavam saturados nas décadas de 1960 e 1970, ocasionando diminuição de vendas; e - desenvolvimento do trabalho improdutivo: este limita a valorização do capital e a proporção de sua acumulação. Durante a vigência do fordismo, nos países capitalistas desenvolvidos, houve a ampliação do trabalho improdutivo se comparado ao trabalho produtivo. A associação destes quatro fatores desencadeou a chamada redução da taxa média de lucro. Apesar de, em alguns países, esta situação se apresentar antes, como na Grã- Bretanha e Estados Unidos e, posteriormente Japão e França, por exemplo, já no início dos anos 1970 este movimento chegou em todos os países do Ocidente, expressando notadamente o enfraquecimento do fordismo. Assim o fordismo caiu na armadilha da massificação em que ele atingiu o proletariado, porém este irá estabelecer seus limites. Os chamados limites subjetivos estão relacionados à revolta do operário massa contra os modos fordistas de produção (trabalho em cadeia e trabalho por turnos). Os limites objetivos, com a massificação do capital constante, gerando a retração dos ganhos de produtividadee a elevada composição orgânica do capital. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 27 A massificação do capital variável (força de trabalho) traduzia-se pela saturação dos mercados que mantinha a ampliação fordista e pelo aumento dos custos sociais. Em resposta a esta crise, há o aparecimento da denominada acumulação flexível, procurando encarar o momento crítico do progresso do capitalismo na fase da crise estrutural do capitalismo caracterizada pela crise da sobreacumulação, mundialização financeira e novo imperialismo. Apresenta-se como um impulso de ampliação da produção de mercadorias e de vantagem comparativa na concorrência internacional que se evidencia em meados dos anos 1960, constituindo uma nova base tecnológica, organizacional e sociometabólica para a exploração da força de trabalho". O denominado regime de acumulação flexível, advindo desde o ano 1973, com a crise do petróleo, vigora até os dias atuais e é decorrência da junção de inúmeras transformações que trouxeram alterações na esfera do capitalismo mundial, ocasionando o que os autores designaram de profunda reestruturação sistêmica. Os anos 1980 foram determinados pela chamada revolução tecnológica e organizacional na produção, sendo denominada de reestruturação produtiva. Apresenta ainda outros elementos que caracterizam a chamada reestruturação produtiva 6 A INFLUÊNCIA DA RELAÇÃO TRABALHO-FAMÍLIA Nos dias atuais as organizações e colaboradores precisam aprender a lidar com a competitividade do mercado. Em uma sociedade com tantas ofertas é necessário desenvolver produtos que façam a diferença e cativem o consumidor. É aí que entra o fator humano. É preciso, para isso, se formar funcionários além de capacitados, motivados, para que sua criatividade possa fluir na hora de elaborar um novo produto. Há algum tempo o fator humano passou a ser o alvo do setor de Recursos Humanos nas organizações, no entanto, é percebido que os conflitos gerados entre trabalho e família são cada vez maiores. As responsabilidades assumidas por homens e mulheres na atualidade como, trabalhar fora cuidar dos filhos, da casa, vida social, lazer, todas essas atividades geram uma sobrecarga muito grande e o cansaço é inevitável. O Ser humano cansado não consegue desenvolver bem suas atividades, CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 28 ter bons relacionamentos, afinal o seu nível de stress prejudica o contato com os demais. É preciso estratégias que proporcionem conciliar todos esses fatores e manter estas esferas em harmonia. É necessário analisar como anda a saúde mental do trabalhador e até onde as organizações podem influenciar positivamente no melhoramento do desempenho de seus funcionários, seja na vida pessoal ou profissional, o que é um desafio para a Gestão de Recursos Humanos, afinal, colaboradores mentalmente saudáveis e reconhecidos profissionalmente acabam por estabelecer uma relação benéfica para si e, consequentemente, para a empresa em que trabalham, resultando no desenvolvimento organizacional. [...]entende-se por qualidade de vida: “Conjunto harmonioso e equilibrado de realização em todos os níveis, como: saúde, trabalho, lazer, sexo, família, desenvolvimento espiritual...”. (Ramos 1995, apud GUIMARÃES e GRUBITS, 2003, p. 74). Entendendo esse contexto, percebe-se que o comportamento humano nas organizações está ligado a um conjunto de valores que ele traz consigo. O RH de uma empresa deve estar atento a esses quesitos para, muitas vezes, conseguir entender o comportamento de um funcionário perante uma situação de conflito, falta de motivação e comprometimento. Saber administrar essas ocorrências é tarefa fundamental aos gestores humanos que, sabendo conduzi-las, podem trazer resultados positivos à empresa. [...] segundo especialistas organizacionais, o conflito é um fenômeno normal e natural [...] além disso, é visto como uma dinâmica interpessoal e, quando tratado de maneira correta, pode ser ao menos administrado, muitas vezes resolvido e, provavelmente, terá resultados bastante criativos. (WISINSKI, 1995, apud MEURER, 2015, p.3). A área de Recursos Humanos sofreu diversas modificações desde o seu início. No princípio, o profissional de RH tinha a função de controlar a chegada e saída dos funcionários, chamarem a atenção em casos de atrasos e, em casos mais extremos, realizar a demissão de funcionários descompromissados com a empresa. Com o passar do tempo, os empreendedores foram percebendo que esta atuação influenciava de maneira negativa na ação profissional dos empregados e, consequentemente, no desempenho da companhia. Esta análise influenciou e muito CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 29 na evolução das atividades desempenhadas pelo Gestor de Recursos Humanos. Atualmente, as ações deste setor estão voltadas quase que integralmente para o fator humano. Hoje, quando penso em um trabalho de qualidade de vida numa empresa, estou pensando em um trabalho que não seja alienado. Trabalhar cansa, mas não necessariamente precisa gerar estresse. [...] por que um bombeiro, que não ganha muito e trabalha de uma maneira contínua em algo que a maioria de nós não gostaria de fazer, volta para casa cansado, mas de cabeça erguida? Por causa do sentido que ele vê no que faz. Por causa da obra honesta, a serviço do outro, independentemente do status desse outro, da origem social, da etnia, da escolaridade etc. (CORTELLA, 2011, apud MEURER, 2015, p.3). Dentre a gama de responsabilidades agregadas à Gestão de Recursos Humanos, juntamente com a administração da empresa, a principal e mais desafiadora é a de manter seus colaboradores motivados e comprometidos com os objetivos da companhia. Fazer com que estes criem gosto pelo que fazem e percebam que o seu trabalho é fundamental naquele lugar não é tarefa fácil. Por outro lado, é preciso ter um setor de RH e uma administração que saibam visualizar isso nos seus colaboradores e demonstrem esse reconhecimento, pois nem todas as profissões geram a satisfação que o bombeiro, por exemplo, sente ao salvar uma vida. São situações diferentes. No entanto, toda atividade pode trazer satisfação se a pessoa perceber que é reconhecida naquilo que faz. Ela passa a ver o seu ofício com “outros olhos” e ele passa a ter sentido. Seus resultados serão ainda melhores. Um funcionário satisfeito tende a apresentar um bom desempenho no trabalho, uma relação que ele declara ser praticamente óbvia. No entanto, duas situações em que a segunda tende a trazer mais satisfação e melhores resultados dos funcionários: Apesar de estar claro que o desempenho e a satisfação estão relacionados, existem duas explicações opostas. A primeira é que a satisfação deve resultar em desempenho, ou seja, as pessoas que gostam do seu trabalho se empenharão mais e, consequentemente, terão um desempenho melhor. A segunda é que o desempenho deve resultar em satisfação, isto é, pessoas com bom desempenho tendem a se beneficiar, e os benefícios podem aumentar a satisfação. O funcionário pode receber mais dinheiro e reconhecimento, o que pode melhorar a satisfação no trabalho. (SPECTOR, 2008, apud MEURER, 2015, p.4). A busca pela combinação perfeita entre vida pessoal, social e profissional é um desafio ao ser humano. Todos buscam satisfazer suas necessidades constantemente. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 30 Necessidades consideradas infinitas. No entanto, nem tudo pode ser alcançado como planejado ou como se quer e, até mesmo, podem não ser alcançadas. Isto se dá em função de limites que todos temos. Limites que terminam quando começam os limites do outro. É preciso ceder, ter espírito solidário e afetivo, para assim vivermos em harmonia todas as esferas da vida. Isto se enquadra à vida organizacional, onde todos os membros devem formar uma equipe de trabalho, sem espírito competitivo entre eles e, sim, de auxíliomútuo. Nada perdura de forma harmoniosa sem estarem em equilíbrio todas as partes. Infelizmente a realidade nas empresas e na vida não é assim. Cada indivíduo traz consigo valores e culturas diferentes, e estas influenciam em seu comportamento pessoal e profissional, mas, ao mesmo tempo, e por ser racional, ele pode ser trabalhado e aprender a lidar com seus defeitos e diferenças. No ambiente empresarial estas diferenças podem ser superadas e trabalhadas através do levantamento de conflitos existentes, seja sua origem dentro ou fora da empresa. Não se pode dizer que trabalho e vida pessoal andam separados. Somos seres pensantes e, quando estamos com algum problema (em casa ou no trabalho), tendemos a preocupar-nos com ele. Nosso comportamento é influenciado por estes fatores. Dentro do local de trabalho estas situações podem ser contornadas realizando intervenções. O setor de Recursos humanos, atualmente, tem autonomia para realizá- las. Dialogando com o funcionário é possível realizar um levantamento das causas desses conflitos e, após analisar o caso, realizar mediações. A simples ação da empresa em preocupar-se com o empregado já é um ponto positivo para ambas as partes. As dificuldades enfrentadas pelo homem e pela mulher ao conciliar trabalho, família, lazer, em especial, após a entrada da mulher para o mercado de trabalho. Como uma proposta de conciliação entre empresa e trabalhador, seu estudo enfatiza o desejo maior dos pais em poder ter a flexibilização dos horários de trabalho: Assim, a dificuldade de conciliar as obrigações profissionais e familiares está ligada a rigidez dos horários de trabalho como confirmam diversas pesquisas. Ora, o horário rígido era conveniente para uma época na qual o pai de família saía para trabalhar fora todas as manhãs, em horário fixo, enquanto que a mãe ficava em casa o dia todo para cuidar da família e das tarefas domésticas. Esta concepção tradicional de horário de trabalho e da divisão de papéis levava a uma visão do trabalho e da família como dois mundos separados. Trata-se de uma concepção ultrapassada, pois de agora em diante a grande maioria dos pais trabalham, tanto as mães quanto os pais, e, CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 31 na maior parte dos casos, nenhum dos dois cônjuges se ocupa em tempo integral dos filhos e da casa. Mais do que nunca, o mundo do trabalho e o da família devem ser vasos comunicantes, de maneira que o desequilíbrio de um arrisque em afetar o outro. (TREMBLAY, 2004, apud MEURER, 2015, p.5). Independentemente de se ter filhos ou não, morar com os pais, cônjuge, a corrida contra o relógio é diária. Muitos jovens, atualmente, precisam trabalhar para custear seus estudos, aluguel, representando outro perfil de trabalhador, no entanto, com as mesmas necessidades: poder conciliar todos esses afazeres, sem prejuízo de nenhuma das partes. Porém alguns estudos apontam as consequências da dificuldade em conciliar família, trabalho, lazer, tanto para o empregado como para o empregador. Para os empregados, os efeitos podem se traduzir por problemas de saúde, de relações familiares e afetivas, por uma falta de satisfação no trabalho, bem como pelos fracassos e a evasão escolar de seus filhos. Para os empregadores, os inconvenientes são, entre outros, o custo econômico do absenteísmo, as perdas ligadas a uma diminuição da motivação e do rendimento, a resistência à mobilidade e às promoções, a rotatividade elevada de pessoal, a dificuldade em manter pessoal competente e a formação insuficiente da mão de obra. Os gerentes devem então, cada vez mais, levar em conta esta realidade. (TREMBLAY, 2004, apud MEURER, 2015, p.6). É percebido que a responsabilidade em aclimar todas essas esferas não deve ficar apenas sobre o indivíduo e, sim, é necessária a preocupação e atuação por parte dos gestores organizacionais, uma vez que ambos são afetados pelas situações de conflito. Essa atenção por parte das empresas ainda é pequena, mas deve aumentar nos próximos anos. Os gestores humanos tendem a preocupar-se mais com a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores. É a tendência e a finalidade da profissão. Acredita-se que estes profissionais serão os precursores desta preocupação dentro das organizações, uma vez que, apresentam-se poucos estudos sobre o envolvimento das empresas na vida do trabalhador. Um fator que influencia diretamente o comportamento organizacional é a motivação que o indivíduo possui para o trabalho. Que motivos ele encontra no seu local de trabalho que o fazem querer estar ali e permanecer na organização? A motivação, no âmbito empresarial, é vista como sendo o incentivo que o trabalhador possui para alcançar os objetivos da empresa e, por conseguinte, os seus objetivos. No âmbito organizacional, a motivação pode ser definida como sendo a predisposição individual para exercer esforços que busquem o alcance de CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 32 metas organizacionais, condicionadas pela capacidade de esses esforços satisfazerem, simultaneamente, alguma necessidade individual. (SOBRAL, 2008, apud MEURER, 2015, p.6). Os incentivos que influenciam o comportamento do trabalhador estão ligados às necessidades que ele possui, sejam elas econômicas, biológicas, sociais ou psicológicas. Partindo do pressuposto de que o funcionário age para satisfazer suas necessidades, é percebido que as empresas precisam elaborar e aplicar métodos que proporcionem essa satisfação, buscando conciliarem os quatro fatores aos objetivos da empresa e do empregado. Fazendo o gargalo entre empresa e empregado, o setor de Recursos Humanos é o responsável por desenvolver esses métodos. Por meio de pesquisas de clima organizacional, significado do trabalho, é possível realizar um levantamento dos pontos positivos e pontos a serem melhorados/trabalhados com os funcionários e, por que não dizer, com os administradores, afinal, muitas vezes, os empregados estão insatisfeitos com algumas formas de administrar da empresa, o que, muitas vezes, não é percebido pelos mesmos por terem uma filosofia administrativa fixada na ideia de que sabem tudo, sem perceberem que o aprendizado é constante, e que o modo de agir com cada pessoa é diferente, pois cada uma recebe e interpreta de maneira diferente. O mundo muda constantemente e todos precisam estar preparados para o que vier, e se não estiverem preparados, que tenham ao menos a humildade de agir como Seres Humanos que são e admitir a necessidade do aperfeiçoamento ou aprendizado contínuo em todas as esferas da vida. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 33 7 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO E FAMÍLIA Fonte: vitamarketing.com.br No mundo globalizado de hoje, a competitividade entre empresas e entre seus funcionários impera. As famílias acabam sendo impactadas por esse contexto na medida em que são constituídas pelos indivíduos imersos nessa realidade social. O ingresso da mulher no mercado de trabalho, a abertura do mercado econômico, as trocas culturais e outros aspectos pós-modernos resultaram em famílias cujas pessoas trabalham muito, com o intuito de melhorar sempre mais a condição financeira familiar. O mundo vive uma espécie de supervalorização do trabalho. Os pais deixam suas casas, durante muitas horas do dia, para poder oferecer mais conforto aos filhos. Para isso, babás são contratadas ou as crianças precisam ir para creches/escolas muito cedo. Assim, as crianças passam a maior parte de seu tempo longe dos pais. Além disso, os cônjuges têm seu tempo de convivência reduzido. Ocorre uma reorganização da família, devido à inserção da mulher no mercado de trabalho e de sua responsabilidade como fonte de renda. Tais temas estão intimamente relacionados e são emergentes no contexto pós- moderno. É possível afirmar que o trabalho tem influência no lar, não só do brasileiro, mas dos cidadãos do mundo todo.E entender como qualidade de vida no trabalho e interação familiar se relacionam torna-se relevante para buscar a melhoria da qualidade de vida do colaborador. A ideia é que, se o trabalhador não estiver CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 34 adequado ao seu ambiente de trabalho, a família poderá ser prejudicada em algum sentido. Da mesma forma, se algo acontecer no seio familiar, o trabalho desse colaborador poderá ser afetado. Tendo isso em mente, os novos paradigmas da qualidade de vida no trabalho levam em consideração que as condições de crescimento na carreira não devem interferir na vida familiar do empregado. Para isso, é necessário ter uma visão sistêmica. A óptica sistêmica abrange a totalidade. Os autores dessa área compreendem a interação dos sistemas. Assim, o sistema familiar troca com o sistema organizacional, produzindo impactos em ambos. O ser humano está inserido em diversos contextos, diversos grupos. Então, para adotar uma visão de indivíduo concreto, é preciso considerá-lo mediado por seu grupo social e determinado histórica e socialmente. O homem não pode ser compreendido independentemente de suas relações e vínculos. Dessa forma, não é possível falar de ser humano sem mencionar sua família, seu contexto familiar e a influência entre os temas. 7.1 Qualidade de vida no trabalho Para melhor compreender a relação entre a interação familiar, a satisfação do colaborador e a qualidade de vida no trabalho, é preciso entender como esta passou a ser importante para as organizações. O departamento de Gestão de Pessoas (GP) tem como função gerenciar a cooperação dos indivíduos que atuam nas organizações para que os objetivos individuais e os organizacionais sejam alcançados. Tal departamento constitui uma evolução das áreas de administração de pessoal, relações industriais e administração de recursos humanos. É ele o responsável, na maioria das organizações, pela gestão da qualidade de vida no trabalho. O termo Gestão de Pessoas aparece, no final do século XX, como similar para gestão de talentos, gestão de parceiros e gestão do capital humano, conceitos que estão se popularizando. As pessoas constituem o capital intelectual das organizações e, por isso, devem ser tratadas como parceiros. Quando as organizações se tornam bem-sucedidas, tendem a crescer. Dessa forma, os recursos necessários para que suas atividades sejam executadas tornam-se mais complexos. Aumenta-se o capital, CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 35 incrementa-se a tecnologia, cresce o número de colaboradores e existe maior necessidade de intensificar a aplicação de seus conhecimentos e habilidades. É necessário que os recursos sejam utilizados com eficiência e eficácia. Nesse modelo, as pessoas significam o diferencial competitivo que mantém e promove o sucesso da organização. As empresas precisaram mudar seus conceitos e alterar suas práticas gerenciais. Assim, passaram a investir mais nas pessoas. Fala-se em estratégias de recursos humanos para indicar a utilização das pessoas no auxílio de manter ou ganhar vantagem no mercado de trabalho. De um lado, o trabalho toma considerável tempo das vidas e dos esforços das pessoas, que dele dependem para sua subsistência e sucesso pessoal. Separar o trabalho da existência das pessoas é muito difícil, senão quase impossível, diante da importância e do impacto que o trabalho nelas provoca. Assim, as pessoas dependem das organizações nas quais trabalham para atingir seus objetivos pessoais e individuais. Crescer na vida e ser bem- sucedido quase sempre significa crescer dentro das organizações. (CHIAVENATO, 2004, apud MEURER, 2015, p.15). Sempre existiu a preocupação com melhores condições de trabalho. Nos anos 50, as relações, indivíduo x trabalho x organização começaram a ser estudadas, essa nova forma de pensar recebeu o nome de qualidade de vida no trabalho ou QVT. Entretanto, apenas na década de 70, o termo foi exposto publicamente pelo professor Louis Davis, de Los Angeles. Ainda no início dos anos 70, os estudos de QVT passaram por um período de estagnação, devido à conjuntura mundial. As técnicas de gestão passaram a ser o foco das organizações, deixando os estudos sobre qualidade de vida no trabalho à margem das discussões até o final da década. Por certo tempo, quando o tema qualidade nas empresas era abordado, a produção tinha muita ênfase. Nos dias atuais, não apenas a qualidade no trabalho é pontuada, mas também a qualidade de vida dos empregados. A qualidade de vida no trabalho aparece criando oportunidades para o trabalhador, fazendo que ele tenha maior responsabilidade e autonomia, participação no processo decisório, nos resultados e no seu próprio desenvolvimento, tanto pessoal quanto profissional. Dessa forma, o colaborador tem maior oportunidade de realização pessoal e progresso no âmbito laboral. Além disso a satisfação no trabalho influencia o trabalhador afetando sua saúde física e mental, sua atitude e comportamento tanto no lado profissional quanto social, repercutindo na vida pessoal e familiar do colaborador, a satisfação no âmbito laboral CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 36 será definida de diferentes formas. Isso acontece porque essa é um estado pessoal e subjetivo, percebido pelo indivíduo. Assim, uma situação considerada importante para a satisfação de um colaborador pode não ser para o outro. Contudo, uma situação considerada importante para a satisfação de um colaborador pode não ser para o outro. Conceitos mais utilizados são: Satisfação no trabalho como sinônimo de motivação; Satisfação no trabalho como atitude; Satisfação versus insatisfação no trabalho; Satisfação no trabalho como estado emocional. (MARTINEZ, 2003, apud MEURER, 2015, p.20). 7.2 Teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas; Na década de 40 Maslow estruturou sua teoria, propondo que as necessidades humanas podem ser hierarquizadas em cinco níveis ascendentes: 1) Necessidades fisiológicas – relacionadas à sobrevivência e ao equilíbrio do organismo; 2) Necessidades de segurança – relacionadas à segurança física, emocional, familiar e social; 3) Necessidades sociais – representadas pela vontade de interagir socialmente, pertencer, ser aceito e estimado por um grupo, necessidades de amizade e de amor; 4) Necessidade de estima – necessidade do indivíduo em manter a autoestima e ter a estima dos outros, desenvolver sentimentos de confiança, capacidade, valor, poder, prestígio, de ser necessário; 5) Necessidades de auto realização – referentes ao autodesenvolvimento e à tendência dos indivíduos em tornar seus potenciais reais. À medida que as primeiras necessidades básicas são satisfeitas, as necessidades dos níveis seguintes surgem, até que se chegue às mais elevadas. Entretanto, essa hierarquia não é rígida, tais níveis podem ser interdependentes e justapostos. É possível inferir que o trabalho tem papel importante para o ser humano porque os aspectos psicossociais do trabalho podem favorecer ou dificultar a satisfação das necessidades. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 37 7.3 Teoria da Satisfação no Trabalho Foi desenvolvida por Locke, a partir dos anos 70, e tem seu fundamento na concomitância dos valores, ou seja, na importância que o indivíduo confere à meta que almeja alcançar, e das metas, ou objetivos desejados, que impulsionam e levam o indivíduo a agir, obtendo resultados que servirão como feedback para a atribuição dos valores. Considera-se a satisfação no trabalho como uma relação entre o que o colaborador quer de seu trabalho e o que ele percebe que está obtendo. O trabalho seria, então, uma interação complexa de papéis, tarefas, responsabilidades, incentivos, recompensas e relações em um contexto físico e social. Assim, o entendimento da satisfação no trabalho demanda que o trabalho seja analisado em termos doselementos que o constituem, e a satisfação no trabalho global é o resultado da satisfação com variados elementos do trabalho. Mesmo existindo diferenças entre os colaboradores, existem semelhanças entre os fatores causais da satisfação no trabalho, pertencentes a dois grandes grupos: 1) Eventos e condições – O trabalho em si e suas condições, o pagamento, possível promoção, reconhecimento, o ambiente de trabalho – 2) Agentes – colegas e subordinados, supervisores e gerentes, empresa/organização. A partir desses exemplos sobre teorias que envolvem satisfação no trabalho, é possível entender de forma mais clara o tema, porém, devido sua subjetividade, é difícil encontrar padrões universais. É importante ressaltar que, apesar das respostas serem individuais, existe uma semelhança entre o que os colaboradores esperam de seu trabalho. Também a saúde do colaborador tem sido associada à satisfação no trabalho, assim, indivíduos mais satisfeitos no âmbito laboral apresentam melhor qualidade de saúde e menor ocorrência de doenças. Além disso, a longevidade tem sido apontada como uma consequência. O nível de satisfação pode comprometer de forma positiva ou negativa o comportamento em relação a faltas, erros, rotatividade, acidentes de trabalho, por exemplo. Como componente da vida, o trabalho pode comprometer na qualidade de vida do ser humano. Entretanto, isso não ocorre da mesma maneira para todos e dependerá de como o colaborador percebe as dificuldades do trabalho, suas CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 38 gratificações, seu reconhecimento e como ele identifica o trabalho inserido em sua vida familiar e social. 7.4 A Família Para uma melhor compreensão do seu conceito, é preciso compreender que família é uma forma especial de sistema, possuindo propriedades, padrões e estrutura. Propriedades são as responsáveis por organizar mudança e estabilidade. Padrões, por sua vez, são os que definem os caminhos que a família usa para controlar as atitudes de seus membros e tomar suas decisões. Finalmente, estruturas são padrões de influências previsíveis e recorrentes que refletem hierarquias, tensões e filiações. A família deve ter uma estrutura para cumprir seus papéis e dar apoio para a individuação de seus membros, ao mesmo tempo que promove um sentido de pertencer. [...] ela proporciona a construção de nossa primeira identidade e nos insere nas relações sociais, tanto em nível emocional, cultural, como socioeconômico. A ‘família’ é o primeiro referencial e permeia toda a nossa existência. (FILHO, 1998, apud POLSIN, 2012, p.10). A família é um grupo natural que desenvolve modelos de interação que compõem sua estrutura e que governam seu funcionamento. Tal estrutura promove a viabilidade do sistema pautando-se em suas funções de suporte para a individualização e de desenvolvimento do sentido de pertencer à família. Ainda a família desenvolve um conjunto de papéis essenciais para o crescimento do ser humano que enfrenta variadas tarefas em prol de seu desenvolvimento. Trata-se de uma organização de apoio, proteção, limites e socialização de seus integrantes. É preciso, ainda, conviver com as mudanças de valores, de padrões éticos, políticos, econômicos e ideológicos, para, assim, acompanhar as modificações sociais e garantir a manutenção da estabilidade. A família brasileira sofreu mudanças ao longo da história. Inicialmente, coerente com o tipo de colonização desenvolvido pela coroa portuguesa, para a Terra de Vera Cruz vieram o branco europeu – para explorar as riquezas da nova colônia – e o negro africano – para o trabalho escravo. Juntamente com o índio nativo, teve início a miscigenação, que influiu decisivamente na formação da sociedade brasileira. A CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 39 mudança da corte portuguesa para o Brasil trouxe também diversas famílias tradicionais que deram novo formato à sociedade colonial. Os movimentos abolicionistas da metade do século XIX acabaram por modificar o tipo de imigração, levando um grande número de europeus a ingressar no Brasil, para exercer ofícios antes realizados pelos escravos. Em decorrência disso, aumentou ainda mais a miscigenação, graças ao incremento no número de casamentos entre pessoas de diferentes origens. Tal miscigenação, as diferenças socioeconômicas, a magnitude do território nacional e a diversidade de modelos familiares tornam difícil uma generalização da família brasileira. Além disso, a vida moderna apresenta novas configurações para a família nuclear (pais e filhos). São famílias formadas por pais separados, pais recasados, mães ou pais solteiros, entre outros casos. Entretanto, a família nunca deixou de constituir-se numa rede de sustentação afetiva básica sobre o qual se fundamenta a segurança psicológica para formação e crescimento de cada geração nova de filhos. Alguns estudos sobre a família brasileira enfatizam quatro fatores para as mudanças ocorridas ao longo do tempo: As exigências econômicas decorrentes da intensificação industrial e urbana; A inserção profissional da mulher; A distribuição social do conhecimento pela transformação súbita nos meios de comunicação de massa; A quebra do poder integrador das relações de parentesco com o enfraquecimento da família nuclear. (BENINCÁ, 1998, apud POLSIN, 2012, p.11). Estudos já realizados assinalam a importância dos cuidados dos pais para que seja possível garantir condições mínimas para um desenvolvimento saudável de seres humanos independentes, bem-sucedidos e socialmente integrados. A família é uma célula modificável, que transforma e é transformada pela sociedade como um todo. Ela permite mudanças sociais pelas regras conceituais e comunicativas. Pelo caminho inverso, a organicidade familiar se redimensiona em decorrência das pressões sociais que surgem por tais mudanças. Trata-se de uma movimentação constante de oposição entre os valores e regras da herança familiar e os valores e regras da atualidade. A dinâmica relacional da família, no processo de socialização, está submetida às leis internas e externas. Leis internas são as regras da própria família, CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 40 e leis externas, aquelas em virtude do contexto social vigente no qual a organização familiar se encontra. A família tem funções e atribuições indispensáveis para a humanização de seus membros, sem importar a estrutura que possa adquirir. Os seres humanos nascem no seio das famílias. Todos têm um pai, uma mãe e, algumas vezes, irmãos. É pela ação humanizadora da família que o indivíduo se torna humano. Os aspectos emocionais intra e intersubjetivos se evidenciam na família. É nela que os indivíduos aprendem, vivenciam e experimentam os modelos que servirão de modelo para as outras relações que desenvolverão durante sua vida. Uma vez constituída, a família permanece. Essa permanência se traduz no tempo. (GONÇALVES 2002, apud POLSIN, 2012, p.12). Essas mudanças na família brasileira ocorreram em consonância com a modificação no papel de homens e mulheres. Até os dias de hoje, o papel da mulher na sociedade foi se transformando, ampliando e diversificando. Seu campo de atuação vem crescendo até os dias atuais. No início do século XX, o espaço social da mulher era limitado ao círculo familiar. A partir da década de 40, a mulher começou sua entrada no mercado de trabalho, com função principal de professora primária. O fluxo migratório, antes e depois da Segunda Guerra Mundial, contribuiu para a assimilação de novos hábitos. Aos poucos, a mulher foi ingressando no âmbito acadêmico. (BERTOLINI, 2002, apud POLSIN, 2012, p.12). A mulher busca, ao mesmo tempo, realização profissional e pessoal. Ela tenta preservar seu papel como mãe e, aliado a isso, demonstra desejo pela independência econômica. Por mais que a integração desses novos papéis seja conflituosa, a construçãoda nova identidade é fonte de status e poder. Ela passa a investir mais tempo em sua formação acadêmica e profissional. Com isso, o casamento passa a ser adiado e não é mais prioridade na vida de muitas mulheres. Além disso, com o avanço da medicina, houve uma melhoria nos métodos contraceptivos, o que acarretou uma diminuição do número de filhos por casal. O papel do homem também foi se modificando ao longo do tempo. No começo do século XX, o homem era considerado detentor do poder. Ele era o responsável pelo sucesso profissional, financeiro e pelo sustento da família. Com o avanço do poder econômico da mulher, o poder absoluto que o homem tinha sobre as decisões da família foi perdendo espaço. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 41 Também pela modificação do papel da mulher, o homem passou a ser cobrado quanto ao companheirismo, quanto à participação na vida doméstica e quanto à atenção afetiva e sexual devida à esposa. Pode-se considerar que o homem perdeu espaço, entretanto, houve uma ampliação e um enriquecimento de seu papel. (BERTOLINI, 2002, apud POLSIN, 2012, p.13). As famílias se modificam até os dias de hoje, assim como os homens e as mulheres que as formam. Como consequência, as crianças também crescem com uma visão de mundo diferente daquela dos seus pais e avós. Em resposta aos aspectos dessa realidade contemporânea, as famílias buscam uma forma de dividir as tarefas, pais e mães compartilham tarefas educativas e operacionais do dia a dia da família. A dinâmica de cada um possuir sua responsabilidade específica vai se diluindo nesse processo de divisão. Dessa forma, a maneira de se visualizar a qualidade de vida no trabalho mudou. Então, para entender a família e sua relação com o desempenho do colaborador e a qualidade de vida no trabalho, é necessário conhecer como essa foi se modificando até chegar aos dias atuais. 8 DOENÇAS LABORAIS: CARACTERÍSTICAS E ESPECIFICIDADES Fonte: www.opinionjus.com.br As doenças laborais, estão diretamente relacionadas às condições de trabalho em que o profissional está inserido, contando também com situações pessoais do CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 42 indivíduo que podem atrapalhar suas atividades. Hoje em dia, a atenção dada à saúde física e mental dos trabalhadores guarda relação com a prevenção que as empresas aplicam para diminuir esse tipo de doença. Até os anos 60, no Brasil, a única medida tomada perante os profissionais era em relação a acidentes do trabalho. A preocupação com doenças laborais começou a ser tratada com mais seriedade nos anos 70, quando houve um grande aumento da classe de médicos do trabalho, necessários para atender a demanda de trabalhadores. O crescimento da indústria no país contribuiu para o surgimento de enfermidades relacionadas a agentes físicos, como ruídos, radiações e poeiras, além de agentes químicos como solventes e benzeno, tornando doenças e acidentes cada vez mais comuns. Quando a informática começou a se instalar nas empresas brasileiras no início dos anos 80, outras doenças começaram a surgir, como a tenossinovite, constituída pelo atrito do tendão que liga o músculo ao osso. Essas doenças estavam relacionadas a riscos ergonômicos e de postura. Nos anos 2000, as doenças de caráter psicossociais tornaram-se comum, com a incidência de diversos transtornos mentais. A preocupação com a saúde do trabalhador aumentou a partir da Revolução Industrial, quando os operários eram expostos a excessivas jornadas de trabalho e condições de higiene precárias, ocasionando grande número de acidentes e doenças relacionadas com o trabalho, motivando o surgimento de regulamentações e leis de proteção. Após a Segunda Guerra Mundial, com o surgimento da tecnologia industrial, foram intensificadas de forma negativa as relações entre trabalhadores e ambientes de trabalho. Empresários também perceberam que as doenças laborais demandavam elevados custos. Com isso, foi ampliado o conceito de Medicina de Trabalho, dando origem à Saúde Ocupacional, caracterizada como a promoção e preservação da integridade física do trabalhador, buscando detectar fatores que interfiram na sua saúde, como os riscos observados no ambiente de trabalho as principais doenças laborais no Brasil estão ligadas às mais diversas profissões e é possível listar as mais frequentes: Doenças Ocupacionais por Repetição: Lesão por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Doenças Ocupacionais Respiratórias: Asma Ocupacional, Silicose, CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 43 Antracose, Bissinose, Siderose. Doenças Ocupacionais de Pele: Dermatose Ocupacional, Câncer de Pele. Doenças Ocupacionais Auditivas: Surdez. Doenças Ocupacionais de Visão: Catarata, Desgaste da Visão. Doenças Ocupacionais Psicossociais: Depressão, Estresse, Ataques de Ansiedade, Síndrome do Pânico. (GALAFASSI, 1998, apud AIRES, 2017, p. 13). LER e DORT são as responsáveis pela alteração das estruturas osteomusculares, como tendões, articulações, músculos e nervos. Essas doenças acometem principalmente aqueles que executam movimentos repetitivos excessivamente, como agricultores, bancários, digitadores, operadores de linha de montagem e operadores de telemarketing. 8.1 Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) A Lesão por Esforço Repetitivo (LER), é uma síndrome de dor que provoca incapacidade funcional, causada de forma primária por tarefas que desenvolvem movimentos locais repetitivos ou posturas forçadas. As lesões inflamatórias causadas por esforços repetitivos eram conhecidas desde a Antiguidade, mas possuíam outros nomes. É uma lesão relacionada à atividade da pessoa, podendo por vezes ser entendida como uma doença ocupacional, ocorrendo sempre que houver incompatibilidade entre os requisitos físicos da atividade ou tarefa que envolva o corpo humano. Alguns fatores de risco contribuem para a lesão, como postura incorreta e levantamento de pesos. A lesão instala-se lentamente no organismo e pode passar despercebida ao longo de toda uma vida de trabalho e, quando diagnosticada, já comprometeu a área afetada. Sobre os sintomas, os mais conhecidos são dores específicas nas partes afetadas, com formigamento e sensação de queimadura. Essa dor é semelhante a dor de reumatismo ou de esforço estático, como quando se segura algo com o braço por um longo tempo sem movimentá-lo. Por ser considerada uma doença ocupacional, equivalente a um acidente de trabalho, sua ocorrência deve ser comunicada aos órgãos competentes. Por isso, a Norma Regulamentadora, estabelece recomendações ergonômicas relativas ao ambiente de trabalho. As classificações mais usuais são feitas conforme a evolução e o prognóstico, classificando as LER/DORT baseadas apenas em sinais e sintomas (FONSECA, 1998): Estágio 1 – Dor e cansaço dos membros superiores CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 44 durante o turno de trabalho com melhora nos fins de semana, sem alteração no exame físico e com desempenho normal; Estágio 2 – Dores decorrentes, sensações de cansaço persistente e distúrbio do sono, com incapacidade para o trabalho repetitivo; Estágio 3 – Sensação de dor, fadiga e fraqueza persistentes, mesmo com repouso. Distúrbios do sono e presença de sinais objetivos ao exame físico. (MARTINS, 2002, apud AIRES, 2017, p. 14). Os setores com mais casos de LER são o bancário, comércio, processamento de dados, têxtil, confecção, químico, plástico, serviço e telecomunicações. Existem várias causas para o acometimento de LER, com isso são diversos os tratamentos, mas geralmente a prescrição do médico ocupacional é imobilizar a área traumatizada, descansar por um determinado período sem fazer esforço na região, uso oral ou tópico de anti-inflamatórios e analgésicos, bem como sessões defisioterapia e treino de técnicas para que a atividade executada seja menos estressante. É importante também trabalhar junto à empresa para que sejam providenciados equipamentos que evitem doenças ocupacionais. Assim como em LER, o Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (DORT) é ocasionado por esforços repetitivos, porém se apresentam como alterações que se manifestam principalmente no pescoço, braços, punhos e demais membros superiores em decorrência do trabalho. Assim, é necessário comprovar se o trabalho foi o causador das doenças provocadas pela repetição do esforço. A DORT só é caracterizada quando há um fator gerador de doença que tenha sido o trabalho. Para tanto, é necessária uma vistoria no posto de trabalho para comprovar a existência da tríade lesão – nexo – incapacidade. O termo DORT foi adotado no Brasil como Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho, mas atualmente usa-se a denominação de Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho. Os sintomas mais comuns são cansaço excessivo, desconforto após jornada de trabalho, inchaço, formigamento dos pés e das mãos, sensação de choque nas mãos, dor nas mãos e perda dos movimentos das mãos. 8.2 A medicina e as doenças laborais A medicina do trabalho, é uma especialidade médica surgida na Inglaterra na primeira metade do século XIX, juntamente com a Revolução Industrial. Nesse momento histórico, o consumo da força de trabalho era aumentado por causa da CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 45 submissão dos trabalhadores a um processo acelerado e precário, para os trabalhadores, de produção, o que exigiu uma intervenção para que se tornasse viável a sobrevivência dos mesmos, bem como o processo em si. A medicina do trabalho se constitui como uma atividade médica com foco nos locais de trabalho, fazendo parte de um conjunto de concepções que buscam cuidar da integridade física e mental dos trabalhadores, contribuindo para que estejam plenos para executar suas tarefas correspondentes às aptidões. A intervenção médica para a adequação do trabalho ao trabalhador, muitas vezes é restringida à aplicação de atividades educativas, porém é tarefa da medicina do trabalho contribuir para que o estabelecimento mantenha um elevado nível de bem-estar físico e mental dos trabalhadores. Assim a medicina do trabalho é uma especialidade médica que lida com as relações entre a saúde do trabalhador e seu trabalho, buscando não apenas prevenir doenças e acidentes, mas promover saúde e qualidade de vida através de ações articuladas, capazes de assegurar a saúde individual, tanto nas dimensões físicas quanto mentais, propiciando uma relação saudável com o ambiente social, no caso, o trabalho. No Brasil, somente na década de 70 ocorreu à normatização do trabalhador, obrigando os locais de trabalho a contar com equipes multidisciplinares, contando com avaliações de riscos ambientais. Atualmente, toda empresa, seja pública ou privada, deve dispor de profissionais especializados em saúde e segurança do trabalhador e, os trabalhadores, devem ser informados sobre eventuais riscos no local de trabalho, orientados quanto à prevenção de acidentes e acesso a exames médicos. Além disso, a equipe de segurança deve atuar limitando os riscos e a empresa disponibilizar equipamentos necessários para garantir a integridade do trabalhador na execução de seu trabalho. A medicina aplicada ao trabalho se apoia no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), sendo a direção do médico do trabalho e a direção das ações de medicina do trabalho que serão executadas na empresa, começando por exames de análise clínica. Através dos riscos apontados pelo PCMSO que o médico poderá elaborar ações de medicina do trabalho na empresa. A saúde ocupacional proporciona benefícios tanto para o empregador quanto para o empregado. O trabalhador poderá ter acesso a um serviço de saúde que busca garantir seu bem- estar físico e mental, bem mais eficiente e rápido que os serviços externos. Dessa CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 46 forma, o trabalhador terá motivação para trabalhar em um ambiente seguro, aumentando sua produção. A presença de um médico do trabalho garante também ao empregador a escolha de mão de obra apta ao trabalho, oferecendo também respaldo legal ao certificar a capacidade física do mesmo para realizar as funções para as quais foi contratado ou após afastamentos temporários e exames periódicos. Para a prevenção de doenças, a Medicina aplicada ao trabalho deve estar intimamente ligada à ergonomia que, é uma disciplina relacionada ao entendimento das interações entre seres humanos e outros elementos de um determinado sistema, aplicando teoria, princípios, dados e métodos para projetar a fim de aperfeiçoar o bem-estar humano e o desempenho geral de um sistema. Ela, quando bem aplicada, contribui para o projeto e avaliação de tarefas, trabalhos, produtos, ambientes e sistemas, tornando- os compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas, tendo importância especial na análise de acidentes. No Brasil, as condições ergonômicas de trabalho são regulamentas pela Norma Regulamentadora nº 17, dispondo sobre a utilização de materiais, mobiliário, condições ambientais, jornada de trabalho, pausas, folgas e normas de produção. 9 PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL Fonte: facped.com.br CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 47 A Psicologia é uma ciência que pode ser aplicada em diferentes áreas, tanto empresarial quanto da saúde, sendo aplicada de forma individual ou em grupo, é a ciência dos fenômenos psíquicos e do comportamento, podendo ser explorada nas áreas clínicas, organizacionais, escolares ou de forma geral. Por ser uma das ciências mais abrangentes, a psicologia está presente em todos os assuntos que estejam relacionados ao ser humano. Neste âmbito, uma das áreas de grande influência é a psicologia organizacional, conhecida também como psicologia do trabalho, que estuda os comportamentos cotidianos de um trabalhador dentro da empresa, seja no bem- estar de cada um dos colaboradores ou nas emoções geradas no ambiente laboral. A Psicologia do trabalho é uma disciplina ao mesmo tempo teórica e aplicada, que busca, mediante o uso de conceitos, modelos e métodos procedentes da Psicologia, descrever, compreender, predizer e explicar o comportamento laboral de indivíduos e grupos, assim como os processos subjacentes ao mesmo. Objetiva ainda a intervenção, tanto sobre a pessoa como sobre o trabalho, com o propósito de melhor satisfazer as necessidades dos trabalhadores, sem nunca esquecer de incrementar os benefícios e rendimentos da empresa. (Garcia, 2003, apud SILVA, 2018, p. 121). De forma geral, o objetivo da psicologia organizacional é estudar e acompanhar a relação entre o funcionário e a empresa a qual está vinculada, analisando questões como trabalho, comunicação no ambiente de trabalho e averiguação dos motivos do aumento dos índices de rotatividade e absenteísmo. A psicologia organizacional teve seu desenvolvimento relacionado à crescente industrialização ocorrida nos principais países do cenário Ocidental, entre o fim do século XIX e início do século XX, buscando critérios e procedimentos que atendesse as demandas de avaliação e seleção de pessoas para as indústrias que passavam por uma grande expansão. Em 1889, fundou-se o Laboratório da Psicologia do Trabalho na Itália e na Alemanha onde, baseando-se nas teorias de Taylor, Frank e Lilian Gilbreth, estudavam os aspectos psicofisiológicos ligados a carga de trabalho e fadiga consequente. Estes estudos tinham a finalidade de aumentar a eficiência dos trabalhadores, uma vez que projetavam ambientes de trabalho ideais considerando as necessidades humanas. Com o aumento das exigências nas seleções de recursos humanos, em um período entre as duas guerras mundiais, a psicologiaorganizacional cresceu e começou a abranger várias áreas, muitas delas ainda utilizadas até os dias atuais, que podem demonstrar problemas funcionais e afetar a produtividade. A segunda guerra mundial teve grande influência no desenvolvimento da psicologia em geral, CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 48 tanto que se criou em 1944 uma sociedade, hoje conhecida como Sociedade de Psicologia Industrial e Organizacional – SIOP. Com o fim da segunda guerra, ambas as áreas continuaram em constante crescimento, sendo utilizadas até hoje por empresas privadas e públicas. No Brasil, a psicologia aplicada ao trabalho surge em uma época conturbada pela economia escravocrata, pelo aumento do fluxo migratório e pela chegada repentina dos imigrantes europeus. Nesta época iniciou-se o cultivo do café e houve uma grande quantidade pequenos negócios em processo de abertura. O principal motivo aparente para a implementação da psicologia do trabalho deve-se às tentativas de racionalização e à procura de um perfil inovador no controle dos processos de produção que estavam em alta. Em virtude a isso, pode-se observar que a psicologia no mundo do trabalho acompanhou as mudanças ocorridas no ambiente industrial e, com o passar dos anos, tornou-se indispensável para as pequenas, médias e grandes empresas. Em relação à atuação profissional exercida pelo psicólogo organizacional, as funções clássicas antes exercidas começaram a abrir outros horizontes de acordo com as necessidades das empresas, trazendo outros afazeres e novas práticas. Desta forma, além da velha e boa gestão de pessoas, a psicologia organizacional aderiu também ao planejamento e execução de projetos, aos diagnósticos situacionais e às funções de assessoria e consultoria, além de outras diversas ações que visam o melhor desempenho do colaborador e aumento da produtividade do mesmo. É possível afirmar que, atualmente, as áreas da psicologia organizacional são muitas e variadas, acompanhando as importantes mudanças no contexto empresarial e empreendedor. Inicialmente observava-se grande ênfase na avaliação e seleção de pessoal, passando a, posteriormente, focar em fatores relacionados aos interesses e motivações dos empregados, assim como a satisfação do mesmo em fazer parte da organização. Também cresceu a necessidade de se atentar ao conforto, segurança e saúde do trabalhador, fazendo com que o profissional organizacional esteja cada vez mais envolvido com as práticas que melhorem a saúde mental do funcionário, estabelecendo planos de formação e desenvolvimento pessoal, redução de estresse e absenteísmo e inserção social de pessoas com deficiência nos postos de trabalho. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 49 A forma de se trabalhar e abordar a psicologia organizacional pode variar de país ou região. Por exemplo, nos Estados Unidos o foco trabalhado é a parte industrial da empresa, com menos foco na parte organizacional. Já no Canadá e Europa, concentra-se mais na direção organizacional, visto o forte movimento sindical nestes lugares. Desta forma existe algumas diferenças entre tais formas de abordagem da psicologia organizacional, sendo que a psicologia industrial trabalhava principalmente o recrutamento e seleção, utilizando-se do auxílio de testes psicológicos, a fim de aumentar cada vez mais a produção. Já a psicologia organizacional, além da produtividade e eficiência, observava também as habilidades apresentadas pelos funcionários, compreendendo as implicações do trabalho no cotidiano deste. A psicologia aplicada ao trabalho e à organização tem grande relevância, pois além do fator econômico, o capital intelectual e humano pode ser considerado o bem mais importante de uma empresa. Neste ponto, a solução de situações diversas como conflitos de comunicação, problemas interpessoais, falta de liderança ativa, falta de espírito de equipe, conflitos pessoais e entre os membros da equipe, deve ser o posto- chave para o sucesso de uma organização. O bom fluir de uma equipe é um processo complexo e gradual, pois cada pessoa possui uma maneira de pensar, acarretado por um passado diferente do outro. Pode-se perceber que em toda área de atuação existe a necessidade do auxílio psicológico para o funcionamento perfeito da organização, visto que esta é formada por profissionais que exercem suas funções, ora isoladamente, ora em conjunto. Cada um destes profissionais é dotado de um potencial que deve ser utilizado e aproveitado pela empresa. A psicologia organizacional analisa com prioridade a função de cada trabalhador e sua relação com o ambiente ao qual faz parte, permitindo que o mesmo esteja em constante interação com a empresa e com a equipe. Em suma, o papel da psicologia dentro das organizações é atuar como ponto facilitador e conscientizador entre os grupos que compõem a empresa, considerando os fatores de importância ao indivíduo como saúde, conforto, satisfação pessoal e profissional. As atividades exercidas pelo profissional da psicologia organizacional são fundamentadas em técnicas relacionadas ao homem e à organização a qual pertence, trazendo desenvolvimento para empresa, para o trabalhador e para a sociedade a qual ambos estão inseridos. Durante toda a vida útil de uma organização, esta deve sempre estar adepta à psicologia como forma de acompanhamento dos indivíduos CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 50 que integram este conjunto, evitando distúrbios e contratempos indesejados. Assim, os líderes devem ter uma visão clara dos objetivos que norteiam uma organização, sendo necessário contar com profissionais treinados capazes de exercer funções de diversos níveis de complexidade. Neste contexto, a psicologia organizacional se faz de grande valia, uma vez que abordados por avanços tecnológicos diários e estressantes, pode-se contar com os treinamentos constantes e apoio psicológico aos indivíduos que fazem parte do time. Sendo assim, pode-se afirmar que é incontestável e altamente relevante a necessidade de aplicar a psicologia em todos os setores de uma organização. 10 O PSICÓLOGO ORGANIZACIONAL E A QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO Fonte: clinicapsicoseg.com.br A Psicologia Organizacional e do Trabalho é uma área, dentre as diversas ramificações da psicologia, que tem como objetivo estudar e analisar a relação entre o indivíduo e o trabalho, sendo que este último é considerado não apenas uma fonte de renda ao trabalhador, mas também significa um triunfo pessoal e profissional àquele que o exerce. Neste contexto, observa-se como a psicologia vem se adaptando ao longo dos anos a fim de suprir as novas necessidades que o mercado de trabalho possui. O cenário do mundo corporativo tem sofrido significativas alterações que CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 51 implicam diretamente no papel dos profissionais que lidam com gestão de pessoas, impondo uma necessidade de reestruturação em diversos aspectos. O psicólogo, sendo o principal atuante na área da psicologia organizacional, também sofreu implicações acerca de sua atuação junto aos indivíduos que buscam reconhecimento e qualidade de vida dentro das organizações às quais fazem parte. Dada a necessidade do momento atual, quando o psicólogo decide ingressar no contexto das organizações de trabalho, precisa estar preparado para enfrentar os obstáculos referentes a este novo cenário. Por este motivo, tal profissional aprende a lidar não apenas com contratação de pessoas, mas também com formação profissional e identificação das necessidades do colaborador para a prática mais bem-sucedida de suas atividades, evidenciando a relevância do papel do psicólogo organizacional, que busca ao mesmo tempo novas competências facilitadoras para as empresas e o bem- estar para os colaboradores. A Psicologia que, antes voltada à indústria, atuava principalmente com treinamentopessoal para atender os aspectos da visão taylorista que dominava o momento, com o objetivo de encontrar o colaborador ideal para uma empresa que buscava lucro e alta produção. Com a evolução do ambiente corporativo, a psicologia se adaptou às diversas esferas de atuação cruciais para o sucesso dos profissionais em geral. As atividades da psicologia aplicada ao trabalho se iniciaram no Brasil em meados da década de 20 e 30, formando profissionais técnicos que se empenhavam em solucionar ou mesmo entender os problemas de adaptação humana ao trabalho, permitindo que os profissionais psicólogos vivenciassem a rotina presente no ambiente organizacional. Desde a introdução das atividades do psicólogo nas empresas, a percepção acerca destes era de profissionais enigmáticos, dificultosos e inflexíveis, absolutamente fechados nos testes realizados e distantes da realidade da empesa. Os principais problemas enfrentados pelos primeiros psicólogos organizacionais incluíam: a falta de consciência tanto dos líderes quanto dos próprios psicólogos acerca da importância de seu papel nas empresas; a restrição de tarefas meramente operacionais; a competição involuntária com outros profissionais como engenheiros e administradores; o receio de dialogar abertamente com os líderes; a baixa autonomia dentro das organizações; e o próprio preconceito dos psicólogos atuantes na área clínica. Muitos destes problemas persistem no ambiente organizacional até os dias CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 52 atuais. Mas a psicologia vem se modificando a cada dia, trazendo à tona novos cursos e aumentando a quantidade de profissionais da psicologia no mercado de trabalho. Dentre estes, uma grande fatia de psicólogos opta por seguir o foco voltado para a POT (Psicologia Organizacional e do Trabalho) que, segundo o Conselho Federal de Psicologia – CFP, ocupava em 2013 a segunda maior área de atuação com 30% dos profissionais atuando em Recursos Humanos nas empresas. O CFP também expõe que, dentro das organizações, o psicólogo organizacional pode atuar em projetos, avaliações do trabalho realizado, definição de comportamentos adequados, incentivos de cumprimento do desempenho de cargos e funções. Indubitavelmente tais ações do psicólogo auxiliarão nas ações administrativas da empresa e influenciará tanto no sucesso da organização quanto no êxito da vida profissional e pessoal do colaborador. O comportamento que as pessoas têm, indicam se estão satisfeitas ou insatisfeitas, estatísticas relacionadas ao absenteísmo e a rotatividade altos a insatisfação com o trabalho. QVT envolve vários fatores como satisfação do trabalho, reconhecimento de resultados, salário, benefícios, relacionamentos, ambiente psicológico e físico, poder de decisão, motivação, aceitação de mudanças, inovação e criatividade. (SOARES, 2018, apud SILVA, 2018, p. 126). O psicólogo voltado para o ambiente organizacional opera de forma interventiva, como um agente de mediação individual e coletiva, onde busca compreender as diversidades no contexto laboral, analisando a fundo as possíveis variáveis que resultam nos problemas da organização. Nesta conjuntura, este profissional possui por propósito superar e transformar as referências negativas da situação em vivências de bem-estar no trabalho, de forma a assegurar a integridade física, psicológica e social do trabalhador. Se tratando dos desafios enfrentados pelo psicólogo organizacional, existem alguns conflitos entre este e outros profissionais como, por exemplo, os administradores e gestores de recursos humanos, no quesito de como treinar e desenvolver as habilidades dos funcionários. Por se tratar de uma área muito específica, os psicólogos sucumbem a represálias no contexto organizacional, por final ocupando a condição de consultor, impedido de qualquer possibilidade de uma posição estratégica ou de tomar decisões acerca do desenvolvimento dos funcionários. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 53 Fica evidente que neste processo de transformação é crucial o engajamento tanto do psicólogo organizacional ou do departamento de Recursos Humanos, como também de todos os colaboradores, para que seja possível um ambiente saudável e suscetível ao desenvolvimento pessoal e profissional dos indivíduos envolvidos. Portanto, para os profissionais da psicologia aplicada ao trabalho, é necessário ampliar a capacidade de cada colaborador para trabalhar com mais assertividade e em equipe, sabendo lidar com os conflitos que podem causar sofrimento. No que tange ao tema sabendo da importância da qualidade de vida no contexto do trabalho, muitos profissionais da psicologia têm optado pelas áreas de saúde mental no trabalho, olhando mais atentamente à questão da satisfação que o ofício acarreta no trabalhador. Neste contexto, o psicólogo organizacional volta-se para aspectos como o sentido do trabalho na construção da identidade do indivíduo, a proteção da saúde do trabalhador, formulação de práticas e políticas adotadas pela empresa, bem como o estilo de gestão utilizado para atuar junto aos funcionários. Uma vez que o clima organizacional está estritamente ligado à relação que os indivíduos mantêm com a empresa e a cultura da organização, este influencia no desenvolvimento dos funcionários. Diante disso, o psicólogo deverá moldar o clima organizacional objetivando o fortalecimento da saúde do trabalhador e, consequentemente, o fortalecimento da empresa, através de estratégias que promovam a qualidade de vida. Em suma, o psicólogo organizacional possui um dever e compromisso ético com a saúde dentro das empresas, desenvolvendo atividades para o bem-estar dos funcionários, deixando de atentar-se somente com o trabalho mecanicista ao se voltar para as relações de trabalho, o ambiente, as equipes e a saúde psíquica de todos os envolvidos, evidenciando o quão fundamental é o papel do psicólogo como agente promovedor de saúde 11 CONCLUSÕES FINAIS Sabe-se que, atualmente, as empresas têm passado por profundas e constantes mudanças, forçando-as a se adaptarem ao mercado corporativo atual. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 54 Aquelas que não se adaptam às novas tendências, perdem suas vantagens competitivas frente aos concorrentes. Desta forma, muitos empresários estão se dando conta da importância de investir tempo e recursos no capital humano da organização. Empresas que antes focavam apenas o capital monetário perceberam que, para se ter uma gestão inovadora, é necessário investir na qualidade de vida presente no ambiente de trabalho e na valorização do capital humano. Uma organização que possui um clima organizacional que promove o bem-estar psicológico e físico, a integridade moral e que incentiva e capacita seus colaboradores, garante um desempenho eficaz no mercado. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 55 12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRUCIO, F. L. O impacto do modelo gerencial na administração pública. Um breve estudo sobre a experiência internacional recente. Brasília: ENAP, 1997. ALBORNOZ, S. O que é trabalho. São Paulo: Editora Brasiliense, 1994. AMAZARRAY, M. R. Trabalho e Adoecimento no Serviço Público: LER/DORT e articulações com o modo de gestão tecnocrático. Dissertação de Mestrado, UFRGS. 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