Prévia do material em texto
FISIOLOGIA 2 FISIOLOGIA DA LACTAÇÃO DIVISÃO DOS MAMÍFEROS Os mamíferos são classificados quanto ao desenvolvimento mamário e como as mães amamentam a prole. Sendo eles: PROTOTÉRIOS OU MONOTREMADOS - Ovíparos; - Não possuem mamilos e o filhote lambe o pelo da mãe na região onde está saindo o leite para se alimentar; - Ex: Ornitorrincos, equidna; METATÉRIOS OU MARSUPIAIS - Placenta não tão desenvolvida; - Termina o desenvolvimento embrionário fora da mãe (dentro do marsúpio), a partir de secreções produzidas pela glândula mamária; - Ex: Coalas, gambás, cangurus; EUTÉRIOS OU PLACENTÁRIOS - Maioria dos mamíferos; - Desenvolvimento embrionário todo dentro da placenta; - A alimentação dos filhotes é via glândula mamária depois de nascido; FISIOLOGIA DA LACTAÇÃO A fisiologia da lactação é similar nas espécies de animais domésticos, porém a glândula mamária possui algumas variações entre espécies, tais como:: - Aparência; - Localização; - Número de Glândulas; - Tetos; - Abertura do orifício do teto; GLÂNDULA MAMÁRIA Características gerais: - Faz parte da pele como uma glândula sudorípara modificada; - Inclusa no aparato reprodutor; - Em machos e fêmeas são iguais até a maturidade sexual. Em fêmeas há maior desenvolvimento por causa da ação dos estrógenos, e ocorre em todo período de maturidade sexual; - Sua função inicia-se no momento do parto até o término da fase lactante do filhote, ou término do período de ordenha em casos de fêmeas de produção que não tenham acesso aos seus filhotes.; REGIÕES DA GLÂNDULA MAMÁRIA E SUAS FUNÇÕES I. Ductos lácteos conduzem o leite até a cisterna da glândula; II. Alvéolos estão localizados no final dos ductos (imagem aumentada), dentro deles têm as células funcionais produtoras de leite; III. Células secretoras produzem colostro e leite; IV. Células mioepiteliais são sensíveis à ocitocina e possui bastante irrigação sanguínea (capilares) responsável por levar oxigênio e nutrição para estas células; V. Cisterna da glândula é responsável pelo armazenamento de secreções (colostro e leite); VI. Cisterna do teto responsável pelo armazenamento de leite ou colostro, liberado pela sucção do filhote ou da ordenha; VII. Roseta de Furstenberg possui camada muscular. O leite só desce se esta e o esfíncter estiverem abertos; *Muita gordura nas mamas (entremeadas entre os tecidos de sustentação) podem prejudicar o desenvolvimento alveolar e lobular. Por isso, uma fêmea na puberdade precisa ter uma dieta balanceada para que não haja redução na capacidade de produzir leite quando for mamãe; *células mioepiteliais: sob ação da ocitocina, ejetam/ expulsão o leite dos alvéolos; PRIMATAS E ELEFANTES - Glândulas torácicas; - 8 a 10 canais do teto; - Não possui cisternas do teto; - PORCA - Glândulas torácicas, abdominais e inguinais; - 2 ou 3 canais por teto; - 2 cisternas; OVELHAS E CABRAS - Glândulas na região inguinal; - 1 canal por teto; - 1 cisterna do teto; ÉGUAS - Glândulas na região inguinal; - 2 canais por teto; - 2 cisternas; CADELAS E GATAS - Glândulas na região torácica, abdominal e inguinal; - 5 a 6 canais por teto; - GATAS: 12 canais na porção final da teta - CADELAS: 20 canais na porção final da teta; IRRIGAÇÃO SANGUÍNEA Chegada no úbere = artéria mamária Para vacas, temos: - 500 litros de sangue passando pelo úbere para produzir 1 litro de leite (em média); - 670:1 (vacas de média produção); - 1000:1 (vacas de alta produção); No geral, o organismo como um todo sofre adaptações metabólicas num curto espaço de tempo para manter adequadamente a lactação. CONSTITUIÇÃO DA GLÂNDULA MAMÁRIA No parênquima glandular há unidades funcionais, tais como: - Alvéolos secretores; - Ductos lactíferos responsáveis pelo transporte - Seio lactífero onde fica a cisterna e coleta No estroma há deposição de gordura e presença dos tecidos de sustentação, tais como: - Artérias; - Veias; - Fibras nervosas; É comum usarem a gordura da glândula mamária em espetinhos, pois esta quando derrete tem a capacidade de garantir maciez à carne No tecido interparênquimatoso há tecido conectivo (tecido conjuntivo intersticial); FASES DA LACTAÇÃO I. Mamogênese - Formação das glândulas mamárias desde a vida intra-útero até a puberdade; - Até a puberdade o desenvolvimento é igual tanto para homens quanto para mulheres; II. Lactogênese - Crescimento das glândulas mamárias durante a gestação e início da secreção do leite; - Pós-parto ou puerpério; III. Galactopoiese - Manutenção da secreção do leite IV. Galactocinese/ Ejeção láctea - Remoção do conteúdo alveolar; FASES DO DESENVOLVIMENTO DAS GLÂNDULAS MAMÁRIAS I. Faixa mamária - É encontrada na 2ª semana (coelha, porca, ovelha, cabra, cadelas e gatas) e na 4ª semana (vaca e égua). - Linhas de células ectodérmicas com início da diferenciação celular; II. Estria mamária - Fase de diferenciação celular; III. Linha mamária - É encontrada na 3º semana (coelha, porca, ovelha, cabra, cadelas e gatas) e na 5º semana (vaca e égua); - várias camadas de células ectodérmicas; IV. Crista mamária - Camadas ectodermais que começam a crescer nas camadas mesenquimais; V. Hillock mamário - Continuação do crescimento das camadas ectodermais; VI. Botão mamário - Já é visível o local onde se dará origem as glândulas mamárias; VII. Mamilos - São formados na 5 - 6ª semana (coelha, porca, ovelha, cabra, cadela e gata) e 8 - 9ª (vaca e égua); - *Até essa fase não há diferenciação sexual, o animal continuará nesta fase até a puberdade; VIII. Pré-puberdade - Crescimento isométrico, ou seja cresce em harmonia do tamanho do animal; - Não há diferenciação fisiológica; IX. Puberdade - Crescimento e desenvolvimento da rede de ductos que invadem o tecido adiposo; X. Maturidade - Ductos mamários aumentam no estro e regridem no metaestro e diestro pela ação dos esteróides ovarianos (estrógenos), mantendo essa fêmea com a glândula mamária madura; XI. Gestação - Proliferação e aumento do tamanho dos alvéolos e consequente aumento do tamanho da glândula; - Ação da progesterona do corpo lúteo e depois progesterona placentária; - Os ductos se desenvolvem pela ação dos estrógenos; XII. Lactação - Alvéolos continuam a aumentar no início da lactação; - Leite aumenta alvéolos que aumentam a glândula mamária; - Contração das células mioepiteliais pela ação da ocitocina; XIII. Período seco e involução mamária - Duração de 15 a 60 dias ; - Alvéolos e ductos regridem (baixa prolactina); - Estroma reconstrói colágeno do tecido intralobular; - Tecido adiposo aumenta preenchendo a glândula mamária; - Apesar de voltar ao repouso, a arquitetura e a composição do tecido suporte não será a mesma; AÇÃO HORMONAL - Estradiol = Crescimento dos ductos mamários; - Progesterona = Crescimento do lóbulo alveolar mamário e inibição da lactogênese; - Lactogênio Placentário = Mamogênese e lactogênese; - Prolactina = Galactopoiese; - Ocitocina = Galactocinese; - Hormônio do crescimento (GH) = direciona os nutrientes para a síntese de leite e aumenta sua produção; - Glicocorticóides = dão início e garantem a manutenção da lactação ao exercer seu efeito obre o número de células mamárias e sobre a atividade metabólica; - T3 e T4 = Estimula o consumo de oxigênio e a síntese de proteínas aumentando a síntese do leite; - Paratormônio (PTH) = Responsável pelo metabolismo de cálcio e fósforo; - Insulina = Responsável pelo metabolismo da glicose; PRODUÇÃO DE LEITE FASES: I. Exocitose - Componentes da fase aquosa do leite; - Proteínas sintetizadas no ribossomo, seguem para o retículo endoplasmático rugoso, depois para o complexo de golgi e por fim para as vesículas secretoras; - O complexo de golgi também sintetiza a lactose; II. Síntese de lipídio e secreção - Sintetizado no retículo endoplasmático liso, seguindo para o ápice da célula e formando a gota de gordura; - São constituintes da gota os ácidos graxos, colesterol e fosfolipídios; III. Transporte através da membrana apical - Sódio, potássio e cloro podem utilizar este mecanismopara deixar a célula alveolar; IV. Transcitose - Proteínas intactas atravessam a célula alveolar; ESTÍMULOS PARA A MANUTENÇÃO DA GALACTOPOESE A produção e liberação de leite podem ser provocadas por: - Tato: Contato do filhote/ordenhador com o úbere; - Olfato: Cheiro do filhote/ordenhador; - Audição: Som da ordenha/filhote; - Visão: Visão do filhote/ordenhador; - Instinto materno: carinho; Ademais, há estímulo nervoso provocado pela ação destes tópicos listados acima, que é recebido pelo hipotálamo, estimulando a secreção da ocitocina pela neurohipófise. Ademais, a ocitocina é responsável por criar laços maternos com o filhote e ejeção do leite materno. Prolactina = Produzida constantemente em diferentes níveis. Ocitocina = Produzida no início e durante a mamada/ordenha. FUNÇÕES DO LEITE As principais funções do leite são: - Propriedade imunológica: Imunidade passiva pelo colostro; - Propriedade nutritiva: Crescimento e desenvolvimento da prole até que possam se alimentar sozinhos; - Propriedade laxativa (principalmente no colostro); MANEJO DA ORDENHA Retirar de 2 a 3 jatos de leite de cada teto em uma caneca de fundo preto; I. Examinar se o leite está em floculação, alterações de cor ou consistência; II. Lavar os tetos com água morna; III. Realizar o Pré-dipping - Utilizar sanitizantes apropriados (Iodo a 0,3%, hipoclorito de sódio a 2%, ou clorexidina a 0,3%); IV. Secar o úbere e os tetos; V. Verificar o vácuo da ordenhadeira; VI. Introduzir o conjunto de ordenha em 30 segundos após o preparo do úbere; VII. Retirar o conjunto de ordenha após o fechamento/vácuo; VIII. Retirar todas as teteiras ao mesmo tempo; IX. Mergulhar os tetos na solução pós-dipping (0,5 a 1% de iodo); MASTITE Mastite é a inflamação das glândulas mamárias que pode ocorrer pela presença de microrganismos patogênicos ou pela permanência de leite represado em dutos mamários por prolongado período de tempo (puerpério). Pelos canais do teto entram microrganismos patogênicos e/ou há represamento de leite nos ductos mamários, provocando uma reação inflamatória, que evolui para uma atrofia do parênquima, formando um tecido fibroso. A olho nu, pode haver abertura tecidual na região mamária da fêmea. Ademais, a mastite tem a fase clínica, na qual é observada alterações sintomatológicas no leite e no animal, e subclínica, que não são observadas alterações sintomatológicas, e no leite não há alterações a olho nu.