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FORMAÇÃO DOCENTE NO BRASIL 
 
 
Neste capítulo, vamos tratar das políticas públicas voltadas para a 
formação inicial e continuada de professores da Educação Básica, que visam 
à melhoria da qualidade da educação oferecida no Brasil. Além disso, vamos 
falar sobre a relação entre essas políticas públicas, junto aos educandos de 
todos os níveis da Educação Básica. 
AULA 04 
PRINCÍPIOS DA 
POLÍTICA DA 
FORMAÇÃO DOCENTE 
PARA A EDUCAÇÃO 
BÁSICA 
 
 
 
Sendo assim, são objetivos desta aula: 
• Reconhecer as políticas públicas para a formação inicial de 
professores. 
• Identificar as diretrizes nacionais para a formação continuada de 
professores. 
• Relacionar a BNC-Formação e BNC-Formação Continuada à atuação 
do docente. 
4 POLÍTICAS PÚBLICAS DE FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES 
Ao longo dos últimos anos, preocupados com a qualidade da Educação Básica, 
os órgãos responsáveis pelas políticas educacionais têm se voltado para a formação 
docente. Assim, assistimos, nos últimos cinco anos, à publicação de programas que 
visam organizar a formação inicial e continuada dos professores. 
No dia 2 de julho de 2019, foi publicada a Resolução nº 1 do Conselho Nacional 
de Educação/Conselho Pleno (CNE/CP), que alterou o art. 22 da Resolução CNE/CP 
nº 2 de 1º de julho de 2015, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação 
pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação 
continuada de professores da educação básica (BRASIL, 2019a). 
Ainda em 2019, no mês de dezembro, outra resolução (BRASIL, 2019b) foram 
definidas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores 
voltadas para a Educação Básica e instituiu a Base Nacional Comum para a Formação 
Inicial de Professores de Educação Básica (BNC-Formação), revogando a Resolução 
CNE/CP nº 2/2015. Para elaboração deste documento levou-se em consideração o 
parágrafo 8º do art. 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) que 
determina que os currículos dos cursos para formação docente devem pautar-se pela 
Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017a). 
De acordo com o art. 11 da Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, após a 
homologação da BNCC, as instituições de ensino responsáveis pela formação inicial 
dos professores teriam o prazo de dois anos para a adequação curricular docente 
(BRASIL, 2017b). A necessidade de articulação entre a formação docente e a BNCC 
encontra- se prevista em duas outras resoluções do CNE: na Resolução CNE/CP nº 
2 de 22 de dezembro de 2017 e na Resolução CNE/CP nº 4, de 17 de dezembro de 
2018, que correspondem, respectivamente, à implantação da BNCC dos ensinos 
fundamental e médio. Essa necessidade de articulação parte do pressuposto de que 
as aprendizagens essenciais previstas na BNCC só podem ser garantidas aos 
educandos se as competências profissionais dos professores puderem ser 
asseguradas pelas ações de formação docente: 
Art. 2º A formação docente pressupõe o desenvolvimento, pelo licenciado, 
das competências gerais previstas na BNCC-Educação Básica, bem como 
das aprendizagens essenciais a serem garantidas aos estudantes, quanto 
aos aspectos intelectual, físico, cultural, social e emocional de sua formação, 
tendo como perspectiva o desenvolvimento pleno das pessoas, visando à 
Educação Integral (BRASIL, 2019a, documento on-line). 
Da mesma maneira como estão previstas, na BNCC, competências gerais que 
devem ser desenvolvidas pelos educandos ao longo de seu percurso de escolarização 
na educação básica, estão previstas, na BNC-Formação, competências gerais 
docentes que devem ser desenvolvidas, pelo licenciado, durante seu percurso de 
formação inicial. 
As específicas competências que os professores devem desenvolver, estão 
relacionadas com três dimensões fundamentais, independentes entre si, mas que se 
integram e se complementam na ação docente: 
1. Conhecimento profissional; 
2. Prática profissional; 
3. Engajamento profissional. 
Cada uma dessas dimensões se desdobra em competências específicas, 
apresentadas no Quadro 1. 
Quadro 1 – Competência específicas das diferentes dimensões da ação docente 
Dimensão 
Competências 
Específicas 
Conhecimento 
Profissional 
• Dominar os objetos de conhecimento e saber 
como ensiná-los. 
• Demonstrar conhecimento sobre os estudantes e 
como eles aprendem. 
• Reconhecer os contextos de vida dos estudantes. 
• Conhecer a estrutura e a governança dos 
sistemas educacionais. 
Prática 
Profissional 
• Planejar as ações de ensino que resultem em 
efetivas aprendizagens. 
• Criar e saber gerir os ambientes de 
aprendizagem. 
• Avaliar o desenvolvimento do educando, a 
aprendizagem e o ensino. 
• Conduzir as práticas pedagógicas dos objetos do 
conhecimento, as competências e as habilidades. 
Engajamento 
profissional 
• Comprometer-se com o próprio desenvolvimento 
profissional. 
• Comprometer-se com a aprendizagem dos 
estudantes e colocar em prática o princípio de que 
todos são capazes de aprender. 
• Participar do Projeto Pedagógico da escola e da 
construção de valores democráticos. 
• Engajar-se, profissionalmente, com as famílias e 
com a comunidade, visando melhorar o ambiente 
escolar. 
Fonte: Adaptado de Brasil (2019a). 
Especificamente, o conhecimento profissional impulsiona o professor em seu 
trabalho, ou seja, aos conhecimentos sobre os alunos em suas diferentes etapas, seu 
contexto de vida e faixas de idade, além de relacionar esses aspectos a como eles 
aprendem. Além disso, é fundamental que o professor conheça os sistemas 
educacionais. 
Em suas práticas profissionais, o docente deve ser capaz de planejar e 
implementar ações de ensino que promovam, efetivamente, a aprendizagem de seus 
alunos. Para isso, é necessário que ele seja capaz de criar e gerir ambientes de 
aprendizagem e de realizar uma avaliação formativa, que permita a adequação das 
ações propostas às especificidades e demandas dos alunos. O docente também deve 
ser capaz de conduzir as práticas pedagógica dos objetos do conhecimento, as 
competências e as habilidades previstas. 
Além disso, a qualificação das ações docentes se faz via o engajamento 
profissional do professor. Engajar-se significa comprometer-se com o próprio 
desenvolvimento profissional e com a aprendizagem dos alunos, partindo do 
pressuposto de que todos os alunos são capazes de aprender. Cabe ao professor, 
portanto, engajar-se também nas ações de elaboração do Projeto Político Pedagógico 
da escola, visando à construção de valores democráticos, e no estabelecimento de 
relações com as famílias e com a comunidade, visando à melhoria do ambiente 
escolar. 
As políticas públicas voltadas para a formação inicial docente visam à sólida 
formação básica dos professores, oportunizando a construção dos fundamentos 
científicos e sociais de suas competências de trabalho, a articulação entre as teorias 
e as práticas pedagógicas e o aproveitamento da formação e das experiências prévias 
em outras atividades docentes ou na área da educação. Essas políticas, assim, visam 
assegurar o direito de todos os educandos a uma educação de qualidade, pautada na 
equiparação de oportunidades que considere as necessidades de todos e de cada um 
dos estudantes brasileiros. Elas visam, também, à valorização e ao reconhecimento 
da profissão docente, bem como ao fortalecimento dos saberes e das práticas 
inerentes a ela. 
4.1 Diretrizes nacionais para a formação continuada de professores 
O parágrafo primeiro do artigo 62 da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), define a 
obrigação da União, do Distrito Federal, Estados e Municípios, em regime de 
colaboração, para promover a formação, tanto inicial quanto continuada, além da 
capacitação docente para que os mesmos zelem pela aprendizagem dos discentes. 
No inciso III do art. 63 dareferida Lei, foi definido que os institutos de educação de 
nível superior devem manter programas de educação continuada para os diversos 
níveis de educação. 
Dessa forma, a formação continuada para profissionais da educação, foi 
aprovada em lei e colocada como meta do Plano Nacional de Educação (PNE), de 
acordo com a Lei nº 13.005, datada de 25 de junho de 2014. E está posto que: 
 [...] a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aturarão em 
regime de colaboração” para “formar, em nível de pós-graduação, 50% 
(cinquenta por cento) dos professores da Educação Básica, até o último ano 
de vigência deste PNE, e garantir a todos (as) os (as) profissionais da 
Educação Básica, formação continuada em sua área de atuação, 
considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas 
de ensino (BRASIL, 2020, documento on-line). 
As ações voltadas para a formação continuada de professores devem subsidiar 
o planejamento e a implementação de práticas educativas que estejam de acordo com 
o que está posto na BNCC, conforme definido pelo parágrafo 1º do art. 5º das 
Resoluções CNE/CP nº 2/2017 e CNE/CP nº 4/2018. 
4.2 Proposta para as ações de formação continuada 
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Continuada para 
docentes abrangem todos os profissionais atuantes em diferentes fases e 
modalidades da educação básica e institui que a BNC-Formação Continuada deve ser 
contemplada em todas as modalidades de cursos e/ou programas que se destinam à 
formação docente continuada para àqueles que atuam na educação básica. 
A BNC-Formação Continuada tem como pressuposto que o docente precisa ter 
um conhecimento robusto dos saberes constituídos, das metodologias, dos processos 
de didática-aprendizagem e também da produção cultural, tanto local quanto global, 
para que possa oportunizar o desenvolvimento pleno a todos os educandos. Para que 
esse desenvolvimento se faça possível, o documento prevê a continuidade da 
presença das três dimensões (conhecimento profissional, prática profissional e 
engajamento profissional) na ação docente na educação básica. 
A formação docente continuada pode ser ofertada através de ações variadas, 
com diferentes cargas horárias, presenciais ou não, semipresenciais ou ainda, 
híbridas. Essas ações podem ser ofertadas por Institutos de Ensino Superior, através 
de organizações especializadas ou ainda por órgãos formativos no setor de gestão 
das redes de ensino. De acordo com a Resolução CNE/CP nº 1/2020, as ações 
formativas praticadas fora da escola podem ser (BRASIL, 2020): 
• Cursos de atualização, com carga horária mínima de 40 (quarenta) horas; 
• Cursos e programas de extensão, com carga horária variável, conforme 
respectivos projetos; 
• Cursos de aperfeiçoamento, com carga horária mínima de 180 (cento e oitenta) 
horas; 
• Cursos de pós-graduação lato sensu de especialização, com carga horária 
mínima de 360 (trezentas e sessenta) horas, de acordo com as normas do 
CNE; 
• Cursos ou programas de mestrado acadêmico ou profissional, e de doutorado, 
respeitadas as normas do CNE, bem como da Coordenação de 
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). 
Ainda, é importante que as políticas para a formação em serviço dos docentes, 
desenvolvidas e implantadas pelos diferentes agentes (escolas, redes escolares, 
sistemas de ensino, entre outros), sejam desenvolvidas de maneira a atender as 
especificidades dos locais de atuação dos docentes. As ações desenvolvidas devem 
oportunizar a aprendizagem significativa de saberes relevantes para a atuação 
profissional, construídos na interação com os pares e na troca de experiências já 
vivenciadas no percurso de docência. 
Nesse sentido, a formação docente continuada tem que favorecer o constante 
desenvolvimento de habilidades e competências exigidas à profissão, além da 
permanente atualização da produção acadêmico-científica focada na compreensão 
dos processos de ensino-aprendizagem. Além disso, também deve fortalecer a 
relação de independência entre o ensino e a pesquisa, ofertando aos profissionais, 
um protagonismo à produção de novos conteúdos sobre os processos acerca da 
escola e da sala de aula. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BRASIL. LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Estabelece as Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União, Brasília, 23 dez. 1996. 
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino 
fundamental. Brasília: Ministério da Educação, 1998. 
BRASIL. BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR. Brasília: Ministério da 
Educação, 2017a. 
BRASIL. LEI Nº 13.415, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017. Diário Oficial da União, 
Brasília, 16 de fevereiro de 2017b. 
BRASIL, RESOLUÇÃO Nº 1, DE 2 DE JULHO DE 2019. Diário Oficial da União, 
Brasília, 2 de julho de 2019a. 
BRASIL. RESOLUÇÃO Nº 2, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2019. Diário Oficial da União, 
Brasília, 15 de abril de 2019b. 
BRASIL. RESOLUÇÃO CNE/CP Nº 1, DE 27 DE OUTUBRO DE 2020. Diário Oficial 
da União, Brasília, 29 de outubro de 2020.

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