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FORMAÇÃO DOCENTE NO BRASIL SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4 2 ORIGEM E PROCESSOS DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO BRASIL .... 5 2.1 As relações entre formação plena do docente e sua prática de ensino ............ 8 2.2 Programas de governo de incentivo à formação continuada dos docentes ...... 9 2 TRABALHO DOCENTE E POLÍTICA NACIONAL ............................................... 13 2.1 O papel do professor na formulação e execução da política educacional ...... 16 2.2 As relações entre a formação de professores e a política educacional .......... 19 3 A FORMAÇÃO DO PEDAGOGO ......................................................................... 23 3.1 A formação do pedagogo e a sua atuação ..................................................... 27 3.2 A formação inicial e continuada de professores no Brasil............................... 29 3.3 A formação docente e a BNCC ....................................................................... 33 4 POLÍTICAS PÚBLICAS DE FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES ............ 36 4.1 Diretrizes nacionais para a formação continuada de professores .................. 40 4.2 Proposta para as ações de formação continuada ........................................... 40 5 COMPETÊNCIAS DO PROFISSIONAL DE PEDAGOGIA .................................. 42 5.1 A escola e a atuação do pedagogo frente às diversidades ............................. 43 5.2 Parâmetros nacionais para o profissional de Pedagogia no Brasil ................. 44 5.3 Algumas considerações sobre a contextualização da profissão de pedagogo no mundo ....................................................................................................................... 47 6 FORMAÇÃO PROFISSIONAL TEÓRICA METODOLÓGICA .............................. 48 6.1 A formação do pedagogo e a atuação no contexto escolar ............................ 50 6.2 Desafios contemporâneos na formação acadêmica do profissional de Pedagogia 51 7 A IMPORTÂNCIA DO MATERIAL PEDAGÓGICO .............................................. 53 7.1 O significado histórico, cultural e simbólico do material pedagógico .............. 55 7.2 Materiais pedagógicos lúdicos e promoção de novas aprendizagens ............ 57 7.3 Os diferentes tipos de materiais pedagógicos, seus usos e suas funções ..... 59 7.4 Os jogos como materiais pedagógicos na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental ................................................................................................... 59 8 DOCÊNCIA NO BRASIL: UMA PRÁTICA EM CONSTANTE TRANSFORMAÇÃO 61 8.1 Prática docente: da educação básica ao ensino superior ............................... 66 8.2 Prática docente: percepções e perspectivas .................................................. 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 72 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 2 ORIGEM E PROCESSOS DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO BRASIL A educação sofreu significativas transformações durante nossa história. Para que possamos compreender a complexidade que envolve a formação de professores, é necessário conhecer as nossas origens. Desse modo, convido você a voltar no tempo, mais precisamente no período que marca o início da educação em nosso país. No período Brasil colônia, marcado pelo surgimento dos colégios construídos pelos jesuítas e, pela implementação das aulas régias na reforma pombalina, não havia uma preocupação evidente com a formação dos professores. Foi a partir da Independência do Brasil que se iniciou uma organização educacional voltada para a instrução das camadas populares da sociedade. Assim, Saviani (2009, p. 144) organiza a história da formação dos professores de acordo com o seguinte panorama: • Ensaios intermitentes de formação de professores (1827-1890). Esse período se inicia com o dispositivo da Lei das Escolas de Primeiras Letras, que obrigava os professores a se instruir no método do ensino mútuo, às próprias expensas; estende-se até 1890, quando prevalece o modelo das Escolas Normais. • Estabelecimento e expansão do padrão das Escolas Normais (1890-1932), cujo marco inicial é a reforma paulista da Escola Normal tendo como anexo a escola- modelo. • Organização dos Institutos de Educação (1932- 1939), cujos marcos são as reformas de Anísio Teixeira no Distrito Federal, em 1932, e de Fernando de Azevedo em São Paulo, em 1933. • Organização e implantação dos Cursos de Pedagogia e de Licenciatura e consolidação do modelo das Escolas Normais (1939-1971). • Substituição da Escola Normal pela Habilitação Específica de Magistério (1971- 1996). • Advento dos Institutos Superiores de Educação, Escolas Normais Superiores e o novo perfil do Curso de Pedagogia (1996-2006). Agora que vimos as fases que marcaram a formação dos professores no decorrer de nossa história, de acordo com a percepção de Saviani, iremos nos aprofundar em cada uma delas, trazendo as suas principais características. A primeira delas denominada pelo autor como Ensaios intermitentes de formação de professores, contemplando o período que vai de 1827 a 1890, caracteriza-se pela criação da Lei das Escolas de Primeiras Letras em outubro de 1827, determinando que o ensino deveria passar a se valer de um método mútuo para treinar professores que seriam didaticamente capacitados. Em 1834, a instrução primária passou a ser responsabilidade da província, momento marcado pelo surgimento das Escolas Normais. Na teoria, o objetivo dessas instituições era a preparação dos professores para assumirem o ensino nas escolas primárias, porém, a preocupação recaiu sobre a capacitação para o domínio dos conhecimentos a serem transmitidos nas Escolas de Primeiras Letras, trazendo, como consequência, a ausência do preparo pedagógico adequado desses profissionais (SAVIANI, 2009). Entre o período de 1890 a 1932, após muitas contestações e reflexões, as Escolas Normais passam a ser expandidas e houve uma reformulação do currículo. De acordo com Saviani, A reforma foi marcada por dois vetores: enriquecimento dos conteúdos curriculares anteriores e ênfase nos exercícios práticos de ensino, cuja marca característica foi a criação da escola-modelo anexa à Escola Normal – na verdade a principal inovação da reforma. Assumindo os custos de sua instalação e centralizando o preparo dos novos professores nos exercícios práticos, os reformadores estavam assumindo o entendimento de que, sem assegurar de forma deliberada e sistemática por meio da organização curricular a preparação pedagógico-didática, não se estaria, em sentido próprio, formando professores (SAVIANI, 2009, p. 145). Seguindo essa estrutura organizacional, a EscolaNormal passou a se expandir pelas principais cidades do país. Dando continuidade à análise dos marcos de referências que apontam diferentes tendências para os cursos de formação de professores, veremos o período de 1932 a 1939 marcado pela organização dos Institutos de Educação. Nesse momento, há uma preocupação com o domínio dos conhecimentos que serão transmitidos. Esses espaços institucionais concebiam a educação como ensino e pesquisa. Os institutos de educação incorporaram as demandas pedagógicas que concebiam o conhecimento com um viés científico, consolidando um modelo educacional de formação docente capaz de superar algumas inconsistências e distorções anteriores das escolas normais. Assim, apresentavam “[...] um curso híbrido, que oferecia, ao lado de um exíguo currículo profissional, um ensino de humanidades e ciências quantitativamente mais significativo” (TANURI, 2000, p. 72). Após a fase de consolidação dos Institutos de Educação, temos, em nosso país, a fase de organização e implementação para os cursos de pedagogia e licenciatura, além da consolidação do padrão das escolas normais. Essa fase compreende o período de 1939 até 1971 e expande os institutos ao Ensino Superior. Contudo, o paradigma de formação de professores de nível superior foi perdendo as referências de sua concepção, não tendo mais como base as pesquisas que garantiam o viés científico desses processos de formação (SAVIANI, 2009). Na data de 2 de janeiro de 1946 aprovou-se o decreto nº 8.530, que apresentava a Lei Orgânica do Ensino Normal. O documento continha a nova base do curso normal, que passou então a ser dividido em fases, ou ciclos. O primeiro, se relacionava ao ciclo ginasial e fazia parte do período de quatro anos. O segundo, ciclo colegial, durava três anos (SAVIANI, 2009). De 1971 a 1996, foi substituída a Escola Normal pela habilitação específica de Magistério. Nesse período, o país sofreu um Golpe Militar que determinou alterações no campo educacional. Segundo o autor Nessa nova estrutura, desapareceram as Escolas Normais. Em seu lugar foi instituída a habilitação específica de 2º grau para o exercício do magistério de 1º grau (HEM). Pelo parecer n. 349/72 (Brasil-MEC-CFE, 1972), aprovado em 6 de abril de 1972, a habilitação específica do magistério foi organizada em duas modalidades básicas: uma com a duração de três anos (2.200 horas), que habilitaria a lecionar até a 4ª série; e outra com a duração de quatro anos (2.900 horas), habilitando ao magistério até a 6ª série do 1º grau. O currículo mínimo compreendia o núcleo comum, obrigatório em todo o território nacional para todo o ensino de 1º e 2º graus, destinado a garantir a formação geral; e uma parte diversificada, visando à formação especial. O antigo curso normal cedeu lugar a uma habilitação de 2º Grau. A formação de professores para o antigo ensino primário foi, pois, reduzida a uma habilitação dispersa em meio a tantas outras, configurando um quadro de precariedade bastante preocupante (SAVIANI, 2009, p. 147). Conforme as mudanças mencionadas ocorriam, no ano de 1980, houve um esforço que implicava a reformulação dos cursos de Pedagogia. Os cursos voltados para essa habilitação passaram a contemplar a “[...] docência como a base da identidade profissional de todos os profissionais da educação” (SILVA, 2003, p. 68 e 79). 2.1 As relações entre formação plena do docente e sua prática de ensino Os processos de ensino e aprendizagem referem-se a relações complexas ligadas ao desenvolvimento histórico e social. Para que o espaço escolar ofereça experiências estimulantes, globais e contextuais, espera-se que os professores que medeiam a construção do conhecimento, passem por um processo pleno de formação. Embora seja claro que para alcançar resultados pedagógicos positivos é preciso investir na formação de professores, ainda há muito o que discutir, refletir e mudar na prática, já que aquele ensino tradicional que tem sido modelo para grande parte de nossa educação ficou obsoleto. Segundo Parente, Valle e Mattos (2015, p.15): As pesquisas e as reflexões, em escala crescente, têm se dedicado ao (novo) papel do professor nesses processos e, frequentemente, afirma-se que as formas atuais de qualificação dos docentes não têm sido adequadas ou suficientes para que eles possam enfrentar a complexidade dos problemas educacionais da contemporaneidade e que isto tem muito a ver com o descompasso entre a sua formação inicial e a realidade da educação e da escola. Nas duas últimas décadas, notadamente desde o final dos anos de 1990, diversas iniciativas, tanto públicas como privadas, tentam preencher as lacunas de formação inicial por meio da formação continuada, para que os professores possam enfrentar, primeiramente, o denominado “choque de realidade”. Além do esforço de investir na formação desses profissionais, preparando os mesmos para a prática profissional, torna-se necessário que eles acompanhem os avanços no campo da educação e do ensino e aprendizagem. A formação de professores deve ser capaz de fornecer aos futuros profissionais suporte teórico e prático para desenvolver as habilidades e competências necessárias em cenários educacionais que acompanham o desenvolvimento da tecnologia e redefinir os papéis dos participantes desse processo. Onde antes o professor era visto como detentor do conhecimento e os alunos como receptores, agora esse professor medeia o encontro dos alunos com o conhecimento, que se constrói na realidade desses alunos por meio de atividades contextualizadas. Essas questões foram ponto de preocupação das esferas governamentais e houve um avanço no investimento e na compreensão de que não se trata de reciclar ou treinar professores em momentos estanques, mas, sim, algo que deve ocorrer de modo gradual e contínuo desde a sua graduação, tendo sequência ao longo de sua carreira profissional (PLACCO; SILVA, 2006). A oferta de formação continuada para professores é necessária para que haja correção de algumas lacunas existentes na formação inicial e também para criar uma base capaz de dar segurança frente às mudanças sociais e educativas, a qual apresenta- se como um meio poderoso de equilibrar teoria e prática. Ocorreram diante da constatação da importância desses investimentos, pesquisas nas esferas acadêmicas que, segundo Parente, Valle e Mattos (2015, p. 26) tinham como objetivo: [...] fornecer subsídios teóricos e práticos que fundamentassem políticas nacionais de formação continuada válidos para todo o território nacional e adequados às diferenças regionais que caracterizam o Brasil. Experiências de formação continuada, promovidas pelas escolas de forma autônoma, espalham- se pelo território brasileiro e são estudadas pelos pesquisadores que retornam às universidades munidos de dados e informações de grande relevância para que suas pesquisas não sejam feitas no vazio. Os conhecimentos desenvolvidos através de pesquisas e apresentações em conferências, juntamente com reflexões sobre as práticas quotidianas da escola, revelam as preocupações com os professores em início de carreira e como as inovações no campo da educação vão refletir na formação dos professores nos próximos anos (PARENTE; VALLE; MATTOS, 2015). Portanto, são necessários esforços, tanto das instituições de ensino que formam esses professores quanto dos próprios profissionais, para se apropriarem desse processo formativo que propõe novos olhares para a educação. 2.2 Programas de governo de incentivo à formação continuada dos docentes Objetivando reparar algumas brechas causadas pelas políticas de educação que culminaram em desigualdades sociais, o Ministério da Educação (MEC) propôs documentos, leis e diretrizes como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), e também o Plano Nacional de Educação (PNE). Sendo assim, apresentaremos noQuadro 1, as mudanças causadas por esses documentos em relação à formação docente: Quadro 1 – Mudanças na formação dos professores, proporcionadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e pelo Plano Nacional de Educação. LDBEN Lei nº 9394/96 “Art 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal.” “Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão: I – cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso normal superior, destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental; II – programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica; III – programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis.” PNE Lei nº 13005/14 “Meta 16: formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) dos professores da educação básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir a todos(as) os(as) profissionais da educação básica formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino.” Fonte: Brasil (1996; 2014) Além da criação desses documentos, ao analisarmos a história da educação em nosso país e as transformações sociais ao longo das últimas décadas, verificaremos que foram realizadas diversas pesquisas e também inúmeros estudos acadêmicos apontando para a necessidade de se investir em uma formação que seja capaz de oferecer meios para que o docente tenha condições de lidar com as demandas educacionais atuais. A fim de que possamos conhecer algumas das principais iniciativas, o Quadro 2 apresenta os programas de incentivo à formação continuada elaborados pelo MEC. Listaremos as principais características e os objetivos, bem como os resultados alcançados Quadro 2 – Programas de incentivo à formação continuada elaborados pelo MEC. Nome do programa de governo O que é o programa? Objetivos UAB (início em 08 de junho de 2006) É um sistema integrado por universidades públicas que oferece cursos de nível superior para camadas da população que têm dificuldade de acesso à formação universitária, por meio do uso da metodologia da educação à distância. O público em geral é atendido, mas os professores que atuam na Educação Básica têm prioridade de formação, seguidos dos dirigentes, dos gestores e dos trabalhadores em Educação Básica de Estados, municípios e do Distrito Federal Oferecer cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada de professores da Educação Básica; ofertar cursos superiores para capacitação de dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios; dispor de cursos superiores nas diferentes áreas do conhecimento; ampliar o acesso à educação superior pública; reduzir as desigualdades de oferta de ensino superior entre as diferentes regiões do país; estabelecer amplo sistema nacional de educação superior à distância; fomentar o desenvolvimento institucional para a modalidade de educação à distância, bem como a pesquisa em metodologias inovadoras de ensino superior apoiadas em tecnologias de informação e comunicação Programa de Formação Continuada de Professores na Educação Especial (início em 2007) O Programa de Formação Continuada de Professores na Educação Especial oferta cursos de aperfeiçoamento ou especialização em educação especial, na modalidade à distância, no âmbito da UAB, por meio de instituições públicas de educação superior Formar professores das redes públicas de ensino que atuam no atendimento educacional especializado, em salas de recursos multifuncionais, e professores do ensino regular para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional – ProInfo Integrado (início em 12 de dezembro de 2007) O ProInfo Integrado é um programa para integrar e articular a distribuição de equipamentos tecnológicos às escolas, como computadores, impressoras e outros equipamentos de informática, além de ofertar cursos de formação continuada e conteúdos e Proporcionar a inclusão digital de professores, gestores de escolas públicas da educação básica e a comunidade escolar em geral, além de dinamizar a qualificação dos processos de ensino e aprendizagem, desenvolvendo recursos multimídia e digitais por meio do Portal do Professor, da TV Escola, etc. É ofertado a professores e gestores das escolas públicas contempladas com laboratórios de informática pelo ProInfo, a técnicos e demais agentes educacionais dos sistemas de ensino responsáveis pelas escolas e por núcleos de tecnologia educacional, 3 cursos de formação continuada e 1 curso de especialização competências, habilidades e conhecimentos Portal do Professor (início em 18 de junho de 2008) O Portal do Professor é uma solução tecnológica que permite o armazenamento e a circulação de conteúdos educacionais multimídias, oferecendo aos educadores, em especial os professores atuantes na Educação Básica, acesso rápido e funcional a um acervo variado O Portal do Professor apoia o processo de formação dos professores e permite o armazenamento e a circulação de um acervo de conteúdos educacionais multimídia em diferentes formatos, além de links e funcionalidades que subsidiem a pesquisa e a interação na Educação Infantil, nos ensinos Fundamental, Médio, Profissional e modalidades. O portal funciona também como elemento integrador do sistema público de educação básica e profissional, unindo o MEC, as secretarias estaduais e municipais de educação, as escolas, os gestores, os professores e os alunos Fonte: Própria autoria Conhecer os principais programas de incentivo à formação continuada nos permite observar a preocupação de atender às diferentes exigências e às tentativas de preencher lacunas na busca de superar alguns dos problemas educacionais recorrentes em nossa história educacional. Analisamos que, de uma maneira geral, esses programas oportunizam aos docentes formados em diferentes momentos a possibilidade de participar de bolsas de estudo, subsidiando os custos da continuidade de sua formação, tanto em território nacional, quanto em alguns outros países por meio de parcerias. Por meio da modalidade a distância, foi ofertado também, a estudantes de regiões com dificuldade de acesso ao ensino presencial, a possibilidade de iniciar e continuar sua formação. É importante ressaltar que as esferas governamentais devem estar sempre em consonância com a realidade das diferentes regiões e que, do mesmo modo que a formação dos docentes deve ser continuada, devem ser contínuos os esforços de enfrentamento dos problemas reais, bem como haver debate, diálogo e esforço de todos os setores envolvidos para que as transformações ocorram de modo satisfatório. É consenso que investir em educação é o caminho para o progresso e o desenvolvimento para nosso país. 2 TRABALHO DOCENTE E POLÍTICA NACIONAL Uma vez, uma menina paquistanesa que havia sido baleada na cabeça pelo Talibã em 2012 ao retornar da escola falou a seguinte frase em uma palestra na sede da ONU: “Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo” (MALALA, 2013). Essa frase nos leva a refletir sobre a essência da educação e das relações que se estabelecem entre alunos e professores em diferentes tempos e lugares. No entanto, é importante destacar que, no decorrer da históriaeducacional brasileira, essas relações sofreram influência da visão que cada governo teve do conceito de educação e de seus objetivos. O que estudaremos neste capítulo, é a forma pela qual essas relações foram alteradas em nosso país, a partir de transformações históricas, sociais e políticas. Com a globalização e alguns fenômenos econômicos, vieram também novas formas de organização das instituições escolares, por meio de políticas educacionais reguladoras e novos tipos de articulações entre os cenários locais e globais. Os novos papéis do Estado também descentralizaram demandas administrativas, financeiras e pedagógicas, afetando a práxis docente no que tange às suas responsabilidades, intensificando o trabalho e as funções a desempenhar, tal como aponta Oliveira (2007, p. 366): Tal descentralização veio acompanhada de processos de padronização de procedimentos administrativos e pedagógicos, como meios de garantir o rebaixamento dos custos da expansão do atendimento e redefinir gastos, sem, contudo, abrir mão do controle central das políticas. Por meio dos currículos centralizados, o livro e material didático, vídeos, programas de computadores, a regularidade dos exames nacionais de avaliação e a prescrição normativa sobre o trabalho pedagógico, observa-se relativa padronização nos processos escolares. Além dessas observações, encontramos mudanças advindas da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), nº. 9.394/96 (BRASIL, 1996). Tal lei é indicativa da realização de um trabalho escolar feito coletivamente, no qual professores passam a participar efetivamente do planejamento do Projeto Político Pedagógico das instituições escolares, trabalhando com os conteúdos curriculares de modo transversal. Assim, passam-se a conceber as avaliações como ações contínuas, considerando seu viés diagnóstico, somativo e formativo. Outro setor amplamente transformado foi o administrativo e financeiro. Gestores escolares passaram a ter mais autonomia, flexibilidade e responsabilidade na obtenção de recursos externos. Essas transformações afetam o trabalho pedagógico, “[...] proveniente da combinação de diferentes fatores que se fazem presentes na gestão e organização do trabalho escolar, tendo como corolário [uma] maior responsabilização dos professores e [um] maior envolvimento da comunidade” (OLIVEIRA, 2007, p. 367). Essas demandas descentralizadoras foram adotadas para a diminuição das ações burocráticas das instituições escolares, visando a uma maior eficiência e ampliando as atribuições de tomada de decisão dos gestores. Como parte dessas mudanças, encontramos também ressignificações das responsabilidades de estudantes e seus responsáveis, atores envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Na LDB, por exemplo, essas demandas evidenciam-se pela menção do Estatuto da Criança e do Adolescente e dos Conselhos Escolares (BRASIL, 1996). Assim, ao refletirmos sobre essas transformações, notamos que, se de um lado surgem marcos normativos que ampliam a autonomia dos sujeitos, de outro ampliam-se os elementos controladores. Como aponta Oliveira (2007, p. 367–368): [...] aumenta a responsabilidade dos trabalhadores docentes sobre o êxito dos alunos, ampliando os raios de ação e competência desses profissionais. O desempenho dos alunos passa a ser algo exaustivamente mensurado, avaliado sistematicamente por instrumentos que não são elaborados no contexto escolar. Da mesma maneira, são muitas as demandas que chegam a esses trabalhadores como provas e exigências de sua competência em conseguir responder às prescrições de ordem orçamentária, jurídica, pedagógica e política. Os trabalhadores docentes se vêem então forçados a dominarem práticas e saberes que antes não eram exigidos deles para o exercício de suas funções e, muitas vezes, recebem tais exigências como resultados do avanço da autonomia e da democratização da escola e de seu trabalho. Assim, o trabalho docente passa a contemplar as atividades em sala de aula, as reuniões pedagógicas, a participação na gestão da escola, o planejamento pedagógico, entre outras. Levando em consideração que nos próprios processos de ensino e aprendizagem já existiam uma série de dificuldades e desafios para os profissionais envolvidos, a situação torna-se complicada com a instituição de mais atribuições. Além disso, “[...] esses novos modelos de organização escolar expressam muito mais um discurso sobre a prática do que a própria realidade” (VALENTE, 2012, p. 28). Assim, o que as políticas de reformas educacionais exigem não leva em consideração que a formação docente não acompanhou a reestruturação das relações de trabalho pedagógico/administrativo, tampouco que esses profissionais lidam com condições salariais desfavoráveis e com a precarização das condições estruturais de trabalho. Pesquisadores que se dedicam a investigar essas transformações apontam que a ótica das reformas educacionais se voltou para as formas como o trabalho docente é organizado nas instituições escolares: como é feito o planejamento, as relações entre o controle e a autonomia, a coletividade, as formas avaliativas internas e externas, os recursos disponibilizados e os resultados alcançados (DUARTE, 2006). No entanto, é fundamental que também sejam considerados outros aspectos, tais como o contexto da comunidade local onde a instituição escolar está inserida, os atores envolvidos nesse processo (os representantes da comunidade), os alunos e os responsáveis. Deve-se considerar que a “[...] atividade fim do professor é o aluno e, nesse sentido, a ação pedagógica educativa e formativa é dirigida ao aluno, que, nesse contexto, pode ser considerado objeto do trabalho do professor” (VALENTE, 2012, p. 29). A partir do momento em que as políticas educacionais expandem esse objeto, ultrapassam-se também as ações envolvendo processos de ensino-aprendizagem. O docente passa a ser considerado um profissional que, segundo Shiroma e Evangelista (2004, p. 531-532), deve ser: [...] dotado de conhecimento especializado e competências organizacionais; [...] condições de ajudar os alunos a encontrarem, organizarem e gerirem o saber; meios de possibilitar ao educando a inserção na sociedade da informação, entre outras qualidades [além de] [...] participar das políticas educacionais formulando- as e executando-as; ser reflexivos, autônomos, criativos e comprometidos com a mudança; desenvolver a aprendizagem formal e à distância, e mais uma lista imensa de atribuições. A partir dessas novas responsabilidades dos docentes, advindas das políticas públicas de reformas educacionais, observamos a existência de uma autonomia para decisões de determinadas demandas do cotidiano, tais como a escolha de temas que serão trabalhados transversalmente, dos projetos que serão desenvolvidos e das propostas para o enfrentamento dos problemas da comunidade escolar. A questão é que, junto com essa autonomia, chegam as cobranças por resultados, causando uma sobrecarga que afeta esses profissionais que já lidam diariamente com tantos desafios. 2.1 O papel do professor na formulação e execução da política educacional Sem professores, a implementação das políticas educacionais não seria possível, concorda? Antes mesmo de avançarmos nossos estudos sobre o papel do professor nessas formulações e execuções, destacamos que esse profissional é essencial em todos os aspectos e dimensões que fazem parte do campo educacional. As atribuições docentes no mundo contemporâneo envolvem o processo de ensino-aprendizagem em sala de aula, a participação em atividades realizadas coletivamente e a comunicação com responsáveis e membros da comunidade escolar. Uma dessas atribuições se efetiva na construção do Projeto Político Pedagógico (PPP), encontrado na Lei nº. 13.005, de 25 de junho de 2014, que aprova o Plano Nacional de Educação. A disposição sobre as ações de promoção desseplano envolve: [...] estimular a participação e a consulta de profissionais da educação, alunos (as) e seus familiares na formulação dos projetos político-pedagógicos, currículos escolares, planos de gestão escolar e regimentos escolares, assegurando a participação dos pais na avaliação de docentes e gestores escolares (BRASIL, 2014). O Projeto Político Pedagógico passou a ser obrigatório por meio da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no artigo 12, onde consta que a “[...] determinação de os estabelecimentos de ensino, terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica” (BRASIL, 1996). As instituições passam a exercer um papel mais autônomo e participativo, refletindo, planejando e implementando ações pensadas em conjunto. O envolvimento dos professores no PPP oportuniza uma maior apropriação da realidade da localidade onde estão atuando. Assim, podem pensar teorias pedagógicas e desdobrarem-nas no dia a dia de seu trabalho, reconhecendo-se como membros participantes do desenvolvimento pedagógico da instituição. É importante destacar que esse documento “[...] estabelece princípios, diretrizes, propostas de organização, sistematização e avaliação das atividades desenvolvidas por um estabelecimento educacional como um todo” (FELÍCIO, 2010, p. 147). Agora que já comentamos as atribuições dos docentes na formulação e execução da política educacional, em consonância com a Lei de Diretrizes e Bases e o Plano Nacional de Educação, trataremos de algumas das funções desses profissionais. Como função, o docente tem por objetivo o desenvolvimento global dos alunos, apoiando o exercício da cidadania. Além disso, participa de ações em conjunto com os gestores escolares, contribuindo para fortalecer “[...] uma cultura institucional democrática e intervir no projeto, implementação e avaliação de políticas educacionais locais e nacionais, para promover nos estudantes aprendizagens e desenvolvimento de competências e habilidades para a vida” (UNESCO, 2005, p. 11). Desse modo, podemos identificar três dimensões que abarcam o trabalho docente, abrangendo alunos, gestores e políticas educacionais. Essas últimas fazem alusão à atuação dos docentes na elaboração, implementação e avaliação de políticas, partindo da análise das necessidades sociais da comunidade local e da própria instituição escolar. Para isso, é fundamental o esforço de todos para aproximações, debates e discussões que resultem em decisões pedagógicas, administrativas e financeiras. Estes papéis podem ser assumidos por professores que tenham competências profissionais, éticas e sociais, que se sintam formados, capacitados e dispostos a se lançar num novo papel de protagonista. Que se vejam a si mesmos e a suas escolas como membros de alianças com outros atores, para que seus estudantes aprendam mais e melhor, para que haja uma gestão cooperativa das escolas e para que as políticas locais e nacionais reflitam as demandas de desenvolvimento das comunidades e sociedades, e para que essas demandas sejam efetivamente atendidas. Com essa visão dos papéis dos docentes, a re-significação de seu trabalho e a recuperação da posição central dele pressupõem um reconhecimento de que há um conjunto de fatores que determinam o desempenho, e de que esses fatores interagem e influenciam uns aos outros. Entre eles: formação inicial, desenvolvimento profissional em serviço, condições de trabalho, saúde, auto-estima, compromisso profissional, clima institucional, valorização social, capital cultural, salários, estímulos, incentivos, carreira profissional, avaliação do desempenho (UNESCO, 2005, p. 12). Outro aspecto importante a ser mencionado é que essas mudanças, advindas das reformas do ensino na execução de políticas educacionais pelos docentes, trouxeram como uma das consequências a separação “[...] entre a concepção e execução do trabalho educacional” (VALENTE, 2012, p. 33). Esse distanciamento causou sensação de desânimo e impotência por parte dos professores, pela perda de sua autonomia para a execução dos processos de ensino e aprendizagem. O trabalho do docente passou a estar vinculado a treinamentos e métodos que buscam eficiência para a obtenção de resultados no desempenho dos alunos e da instituição escolar, estando estes diretamente relacionados à distribuição de verbas. Com isso, a escola deixa de priorizar os aspectos sociais para se voltar aos aspectos técnicos, visando a obtenção de bons resultados (FREITAS, 2011). Em torno dessas questões, muitas críticas surgem pelas vozes de docentes e educadores que são impactados diretamente em sua práxis, sentindo-se atores em um cenário descontextualizado da realidade local, responsabilizados por resultados que não dependem somente de seu desempenho. Um levantamento feito pela pesquisadora Linda Darling-Hammond apontou que, mais que o desempenho individual do docente, existem outras variáveis que afetam os resultados educacionais, como: Fatores escolares, tais como tamanho das turmas, escolhas curriculares, tempo de ensino, disponibilidade de especialistas, tutores, livros, computadores, laboratórios científicos, e outros recursos; – Experiência anterior de escolaridade e docentes, assim como outros aspectos das experiências mais atuais – tais como oportunidades de aprendizagem profissional e planejamento colaborativo; – Cultura de pares e desempenho; – Diferencial de ganhos e perdas na aprendizagem de verão (férias); – Fatores domésticos, tais como capacidade dos pais no auxílio aos trabalhos para casa, segurança com a alimentação e moradia, e apoio ou abuso físico e mental; e – Necessidades individuais dos estudantes, saúde e assistência (DARLING- HAMMOND, 2015, apud HYPOLITO, 2015, p. 519). A partir desses fatores, que comprovadamente se relacionam ao desempenho dos estudantes, constatamos que a responsabilidade pelos resultados das avaliações não deveria recair somente sobre o trabalho dos docentes. Partindo desse pressuposto, deve ser um esforço coletivo a reflexão para pensar em ações nos âmbitos pedagógicos, administrativos e financeiros que promovam uma educação de qualidade. É fundamental que todos os atores envolvidos nos processos de ensino e aprendizagem estejam conscientes de sua responsabilidade, bem como das normas e diretrizes governamentais vigentes em diferentes esferas. Acima de tudo, para que os professores possam cumprir seus papéis na formulação e execução das políticas educacionais, eles devem ser ouvidos, considerados e valorizados, tanto no que diz respeito a sua remuneração, quanto às condições adequadas para o exercício de suas funções. 2.2 As relações entre a formação de professores e a política educacional Ao acompanharmos a práxis docente ao longo das últimas décadas, observamos profundas transformações a partir das mudanças nas relações de trabalho, das tendências econômicas e das concepções governamentais sobre o objetivo da educação na sociedade. A instituição escolar no mundo contemporâneo deixou de ser um espaço de transmissão de conteúdo para se tornar um ambiente democrático de formação para a cidadania, para o desenvolvimento integral, para o estímulo à reflexão e para a formação da vida em coletividade, respeitando a diversidade, preservando a identidade e a cultura e baseando-se em valores e princípios éticos. Um exemplo que corrobora com essa identificação é encontrado em um relatório elaborado pela Comissão Internacional sobre a Educação no Século XXI, que aponta como pilares educacionais, os seguintes princípios (INTERNATIONAL COMMISSION ON EDUCATION FOR THE TWENTY- FIRST, 2010, p. 31): • Aprender a conhecer, combinando uma cultura geral, suficientemente ampla, com a possibilidade de estudar, em profundidade, um número reduzido de assuntos, ou seja: aprender a aprender, para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo da vida. •Aprender a fazer, a fim de adquirir não só uma qualificação profissional, mas, de uma maneira mais abrangente, a competência que torna a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe. Além disso, aprender a fazer no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalho, oferecidas aos jovens e adolescentes, seja espontaneamente na sequência do contexto local ou nacional, seja formalmente, graças ao desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho. • Aprender a conviver, desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das interdependências – realizar projetos comuns e preparar-se para gerenciar conflitos – no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz. • Aprender a ser, para desenvolver, o melhor possível, a personalidade e estar em condições de agir com uma capacidade cada vez maior de autonomia, discernimento e responsabilidade pessoal. Com essa finalidade, a educação deve levar em consideração todas as potencialidades de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas, aptidão para comunicar-se. Ao observar todos esses princípios envolvendo a educação, nos questionamos: será que a formação docente se adequou para preparar os professores para tantas transformações? Para que esses pilares sejam efetivamente trabalhados em sala de aula, é fundamental que o docente possua uma formação que desenvolva competências que o levem a desempenhar uma prática reflexiva e crítica, que o envolva nos processos de ensino e aprendizagem das tendências educacionais globais. No que diz respeito à legislação, temos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), em seu art. 61, a seguinte garantia de direitos e estabelecimento de diretrizes: A formação de profissionais da educação, de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e as características de cada fase do desenvolvimento do educando, terá como fundamentos: I- a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço; II- aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e outras atividades (BRASIL, 1996, documento-online). Realizando uma análise crítica, é recomendável que a formação dos professores seja planejada para preparar esses profissionais para “[...] atuar num nível de educação onde são definidos os valores e as condições básicas para o aluno apreender o conhecimento mínimo elaborar a visão estratégica imprescindível a compreender o mundo, intervir na realidade e agir como sujeito crítico” (CARNEIRO, 2003, p. 150). Desse modo, para que o professor possa promover um ambiente reflexivo em sala de aula, é recomendável que sua capacitação seja fundamentada e organizada em dois planos, conforme afirmam Perrenoud e outros autores (2002), o primeiro, para de forma conjunta, construir uma visão comum e sintética da formação de professores, seus objetivos e procedimentos na escala de um projeto de fundação, e em segundo plano, desenvolvimento de regulamentos especiais em grupos de trabalho restritos de acordo com um plano comum. A partir dessas considerações, para que esses profissionais estejam preparados para atuar nesse cenário educacional, palco de tantas transformações, as políticas educacionais devem se voltar para a premissa de que “[...] o desenvolvimento do professor se realiza de forma ampla, seja ela inicial, continuada, de atualização ou aperfeiçoamento, desde que o permita buscar outros conhecimentos e interligá-los com sua área de atuação” (BARBOSA; MAIA, 2012, p. 3). Após abordamos alguns aspectos conceituais sobre a formação docente, veremos a seguir, como a nossa legislação federal concebe a institucionalização da formação de professores para educação básica. A partir da análise de Cury (1996) a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96 concedeu-se um título para os profissionais da educação, o Título VI da Lei, que consequente a Constituição Federal, elege dispositivos programáticos para a valorização dos profissionais. Além disso, alguns parágrafos são mais específicos, como os art. 62, 63 e 64, que se referem à formação docentes em universidades e institutos de educação de nível superior, e também sobre as especializações. A partir desses dispositivos legais, diferentes esferas governamentais exercem um papel essencial na formulação de políticas educacionais, planos e programas que assegurem o direito à formação inicial e continuada dos professores. Quanto à formação inicial da educação básica, Libâneo (2001) faz uma crítica em relação a sua organização. O autor afirma que grande parte das licenciaturas aproxima o docente da realidade escolar somente após este ter tido a formação teórica dos aportes específicos e pedagógicos de sua área. De acordo com o autor, o ideal seria o docente em formação integrar, desde seu ingresso no Ensino Superior, os conteúdos disciplinares às vivências práticas, para que tivesse a oportunidade de prever situações e desafios, refletindo sobre os caminhos e decisões pertinentes para alcançar os objetivos propostos. Ter a contribuição desses especialistas é fundamental para buscarmos superar dificuldades e propormos novas estratégias, tais como as encontradas no Plano Nacional de Educação (PNE), instituído na Lei nº. 13.005, de junho de 2014, do qual destacaremos alguns dos compromissos assumidos em relação aos profissionais docentes (BRASIL, 2014): • Promover a formação inicial e continuada dos (as) profissionais da educação infantil, garantindo, progressivamente, o atendimento por profissionais com formação superior; • Estimular a articulação entre pós-graduação, núcleos de pesquisa e cursos de formação para profissionais da educação, de modo a garantir a elaboração de currículos e propostas pedagógicas que incorporem os avanços de pesquisas ligadas ao processo de ensino-aprendizagem e às teorias educacionais no atendimento da população de 0 (zero) a 5 (cinco) anos; • Promover e estimular a formação inicial e continuada de professores (as) para a alfabetização de crianças, com o conhecimento de novas tecnologias educacionais e práticas pedagógicas inovadoras, estimulando a articulação entre programas de pós-graduação stricto sensu e ações de formação continuada de professores (as) para a alfabetização; • Fomentar a formação de consórcios entre instituições públicas de educação superior, com vistas a potencializar a atuação regional, inclusive por meio de plano de desenvolvimento institucional integrado, assegurando maior visibilidade nacional e internacional às atividades de ensino, pesquisa e extensão; • Ampliar programa permanente de iniciação à docência a estudantes matriculados em cursos de licenciatura, a fim de aprimorar a formação de profissionais para atuar no magistério da educação básica; • Fomentar a oferta de cursos técnicos de nível médio e tecnológicos de nível superior destinados à formação, nas respectivas áreas de atuação, dos (as) profissionais da educação de outros segmentos que não os do magistério. Observar propostas, metas e compromissos, como os destacados acima, permite- nos reconhecer avanços. Basta relembrarmos nosso passado educacional e vermos a preocupação formativa, abarcando diferentes aspectos e buscando articulá-los às tendências globais. Em suma, o que discutimos ao longo de nossos estudos a respeito da formação dos professores e das políticas educacionais permite-nos concluir que essas ações, planos e programas devem se voltar para a oferta de uma preparação inicial e continuada do exercício docente, visando à implementação de propostas de aperfeiçoamento fundamentados de referenciais teóricos e vivências práticas que formem profissionais com a base necessária para atuar. Esses profissionais devem se apropriar de competências essenciais que deem conta de cumprir os objetivosde formação dos educandos exigidos no mundo contemporâneo. 3 A FORMAÇÃO DO PEDAGOGO Os professores que hoje ensinam as crianças e os jovens nas primeiras etapas da educação básica se formam nos cursos de Pedagogia. Segundo Saviani (2020, p. 30), a primeira vez que o termo “pedagogia” apareceu no Brasil foi em 1826, com a apresentação do Projeto de Lei “[...] que pretendia instituir um sistema completo de educação distribuído em quatro graus, sendo o primeiro, relativo ao ensino elementar, isto é, aos conhecimentos mínimos necessários a todos indistintamente”. Assim, a “[...] Lei das Escolas de Primeiras Letras promulgada em 15 de outubro de 1817 prescrevia, no artigo 1º: ‘Haverão [sic] escolas de primeiras letras, que se chamarão pedagogias, em todas as cidades, vilas e lugares populosos […]’” (SAVIANI, 2020, p. 31). Como em muitos países europeus, a formação inicial de professores no Brasil era feita nas Escolas Normais, sendo que a primeira fundada no país na data de 1835 se situava na cidade de Niterói. Observa-se que houve um atraso de quase meio século em relação à formação de professores na Europa, pois a primeira Escola Normal de que se tem registro foi aberta na França, na cidade de Paris, em 1795. Segundo Saviani (2020, p. 27), nas Escolas Normais Primárias europeias, predominava como modelo de formação o “[...] modelo pedagógico-didático [...] este modelo considera que a formação propriamente dita dos professores só se completa com o efetivo preparo pedagógico- didático” (SAVIANI, 2020, p. 32). Já no Brasil, o currículo priorizava os conteúdos a serem ensinados na escola elementar. Esse direcionamento estava previsto na Lei Provincial (Ato nº. 10), de 4 de abril de 1835. Ao determinar os conteúdos a serem ensinados às crianças, definiam-se os moldes da formação dos professores. Isso é observado no Decreto nº 7.247, de 19 de abril de 1879, da província do Rio de Janeiro, no qual fica determinado que o ensino primário passa a adotar o método intuitivo, como descreve Saviani (2020, p. 33): É o que se evidencia no enunciado da disciplina “prática do ensino intuitivo ou lições de coisas” (Art. 9º) do currículo da Escola Normal, bem como no componente disciplinar “noções de coisas” (Art. 4º) do currículo da escola primária. E o substantivo “pedagogia” assim como o adjetivo “pedagógico” já aparecem cada um uma vez no texto do decreto. Trata-se do inciso 10 do artigo 8º, onde se lê: “Fundar ou auxiliar bibliotecas e museus pedagógicos nos lugares onde houver escolas normais” e do § 1º do artigo 9º, onde se fixa “pedagogia e prática do ensino primário em geral” como uma das disciplinas do currículo da Escola Normal. Saviani (2020) destaca que o termo “pedagógico” é, na verdade, um adjetivo para bibliotecas e museus, e o substantivo “pedagogia” é uma indicação da atividade prática, não caracterizando o sentido de teoria da educação. Em 1890, na província de São Paulo, ocorreu a maior reforma da instrução pública, tendo como preocupação a boa formação dos professores e uma crítica às Escolas Normais existentes. Dessa forma, como destaca Saviani (2020, p. 35): A reforma foi marcada por dois vetores: enriquecimento dos conteúdos curriculares anteriores; e ênfase nos exercícios práticos de ensino, cuja marca característica foi a criação da Escola-Modelo anexa à Escola Normal, na verdade a principal inovação da reforma. De fato, foi por meio dessa escola de aplicação que o modelo pedagógico-didático se tornou a referência para a formação de professores propiciada pelas Escolas Normais. Esse modelo, que também pode ser chamado de escola de professores, evidenciou que era necessário garantir a preparação didático-pedagógica na formação de professores de forma deliberada e sistemática. Essa ideia se expandiu para todas as demais províncias. Dessa reforma, surgiu a primeira tentativa para elevar os estudos ao nível superior, A Lei n. 88, de 8 de setembro de 1892, instituiu o curso superior da Escola Normal organizado em duas seções, a científica e a literária, com dois anos de duração, tendo como finalidade a formação de professores para as Escolas Normais e ginásios. E “no regulamento da Escola Normal de São Paulo, aprovado em 9 de outubro de 1896, o curso superior reaparece apenas como um dos cursos da Escola Normal de São Paulo”, tendo como objetivo a formação de professores para o ensino secundário (SAVIANI, 2020, p. 35). Foi por meio do Decreto nº. 19.851, de 11 de abril de 1931, que se estabeleceu o Estatuto das Universidades Brasileiras, que se previu entre os cursos superiores o de educação. Para Saviani (2020, p. 36), foi um passo importante para a criação do “espaço acadêmico da pedagogia” — ou seja, a educação seria pensada no ensino superior, dentro das universidades onde, na época, só se valorizavam os cursos tradicionais de Direito, Medicina e Engenharia. No entanto, pela exigência do estatuto, foi instituída no Rio de Janeiro apenas a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras como espaço de formação de professores. Esse estatuto foi uma vitória, ainda que não se concretizasse o curso de Pedagogia, pois passaram a ser valorizados os estudos de educação em nível superior. Com a criação da Universidade de São Paulo (USP), em 1934, formou-se a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras em São Paulo, como “[...] instituição integradora de todos os conhecimentos humanos” e que mantinha “disciplinas comuns aos demais institutos universitários para a formação dos professores das escolas secundárias e das instituições de ensino superior” (SAVIANI, 2020, p. 41). O espaço de educação da USP nascia, na verdade, em outro endereço, na Escola Normal da Praça, [...] o antigo Instituto Caetano de Campos, ao qual ficaram subordinados administrativa e tecnicamente, como institutos anexos, o Curso Complementar; a Escola Secundária; a Escola Primária; e o Jardim de Infância, “destinados à experimentação, demonstração e prática do ensino, e ao estágio profissional dos alunos da Escola de Professores”, conforme se estipulou no artigo 5º do Decreto Estadual n. 6.283, de 25 de janeiro de 1934, que criou a USP (SÃO PAULO, 2000, p. 211 apud SAVIANI, 2020, p. 42). O Decreto nº. 4.888, de 12 de fevereiro de 1931, transformou a Escola Normal da Praça em instituto pedagógico, por meio de Lourenço Filho, reorganizando o ensino normal com um “ideário renovador”. Isso porque se buscava uma formação aos professores primários de elevada qualidade, em que era possível vivenciar a escola em sua complexidade enquanto se preparava para atuar nela. Isso era inovador de tal forma que se podia afirmar, segundo Monarcha, que “[...] Lourenço Filho e Fernando Azevedo estariam inaugurando uma Escola Normal Superior” (MONARCHA, 1999 apud SAVIANI, 2020, p. 44). Segundo Gatti et al. (2019, p. 22): O efeito dos institutos de educação será contribuir para um novo padrão de escolas normais em nível secundário (hoje médio) e, com sua elevação ao nível universitário, no caso do Rio de Janeiro e de São Paulo, dão origem na Universidade do Distrito Federal e na Universidade de São Paulo à área de estudos relativos à Educação e aos cursos de Pedagogia. Esse movimento, construído passo a passo, devido à necessidade de qualificação na formação de professores, acabou por desencadear, em meio ao Estado Novo, pelo Decreto-Lei nº. 1.190, de 04 de abril de 1939, a organização da Faculdade Nacional de Filosofia. Esta se estruturava em quatro seções: filosofia, ciências, letras e pedagogia, acrescentando uma seção especial que era, na verdade, a de didática. Essas seções ofereciam diferentes cursos; contudo, as seções de pedagogia e didática abrigavam apenas o curso com o nome da seção. Segundo Saviani (2020), foi aí que nasceu o curso de Pedagogia. A Faculdade Nacional de Filosofia, em suas diferentes seções, oferecia cursos em duas modalidades, bacharelado e licenciatura,inclusive a pedagogia. No entanto, os cursos iniciavam com três anos de bacharelado. Somente ao final, caso os alunos quisessem atuar na docência, como professores, deveriam cursar a seção de didática, para receberem o grau de licenciados. Assim, o curso de pedagogia era: [...] lugar de formação de “técnicos em educação”. Estes eram, à época, professores primários que realizavam estudos superiores em Pedagogia para, mediante concurso, assumirem funções de administração, planejamento de currículos, orientação a professores, inspeção de escolas, avaliação do desempenho dos alunos e dos docentes, de pesquisa e desenvolvimento tecnológico da educação, no Ministério da Educação, nas secretarias dos estados e dos municípios (BRASIL, 2005, p. 2). Foi somente com a Reforma Universitária, a partir da Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968, que houve uma nova regulamentação para o curso de Pedagogia, que resultou na Resolução nº. 02, de 12 de maio de 1969, do Conselho Federal de Educação (CFE), na qual foram estabelecidos os conteúdos e a duração do curso. Assim, a formação de professores teve seus conteúdos divididos em duas frentes: uma base comum a todos e uma parte diversificada, que continha as habilitações, como orientação educacional, administração escolar, supervisão escolar e inspeção escolar. Apesar de inúmeras discussões e movimentos acerca dos conteúdos e da carga horária, o curso de pedagogia não se alterou até 1996, com a publicação da LDB. Definindo a educação básica e as suas principais características, a LDB acabou impulsionando, primeiramente, a publicação da Resolução do Conselho Pleno (CP) nº. 01, de 30 de setembro de 1999, que criava os Institutos Superiores de Educação, com o intuito de promover as formações inicial, continuada e complementar de professores para atuarem na docência da educação básica. Em seguida, houve a publicação do Decreto nº. 3.276, de 6 de dezembro de 1999, que dispunha sobre a formação em nível superior de professores para atuar na educação básica. Nele, ficou estabelecido (no art. 5º) que o Conselho Nacional de Educação (CNE) definiria as diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores, o que ocorreu com a publicação da Resolução CNE/CP nº. 01, de 15 de maio de 2006, revogando, quase 50 anos depois de sua publicação, a Resolução CFE nº. 02/1969. Contudo, as mudanças não pararam por aí. Em 2015, o CNE publicou a Resolução nº. 02, de 1 de julho de 2015, que definia as diretrizes curriculares nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Essa Resolução não revogou as diretrizes do curso de Pedagogia, mas acrescentou a esse curso e a todos os demais cursos de formação de professores aspectos que definiam princípios, fundamentos, dinâmica formativa e procedimentos para a formação inicial e continuada. 3.1 A formação do pedagogo e a sua atuação A formação do pedagogo não se estabeleceu da noite para o dia — foi um longo processo de construção que, além de intervir na própria formação docente, também modificou o modo como a sociedade foi entendendo a educação e o papel do pedagogo. A formação inicial é compreendida, atualmente, como um processo de construção de identidade que articula o profissional formado no curso de pedagogia com a formação inicial de docentes — tanto que as políticas públicas delimitaram essas questões em diferentes resoluções. O pedagogo, ao se formar, segundo o art. 2º da Diretriz Curricular Nacional (DCN) do Curso de Pedagogia, está habilitado a atuar na docência da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, nos cursos de ensino médio, na modalidade normal, em cursos profissionais na área de serviço e apoio escolar e na gestão escolar (BRASIL, 2006). A DCN prevê que o pedagogo poderá atuar em quaisquer áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos, o que amplia os espaços de atuação, como a participação no “[...] planejamento, gestão e avaliação dos estabelecimentos de ensino, de sistemas educativos escolares, bem como na organização e desenvolvimento de programas não escolares”, conforme definido no Parecer CNE/CP nº. 05/2005 (BRASIL, 2005, documento on-line). Podemos destacar, a partir desse conjunto citado na legislação, a atuação do pedagogo como coordenador pedagógico, diretor de escola e supervisor de ensino. Podemos ainda ampliar esse espaço de atuação, considerando que o pedagogo poderá, entre outras funções: • Orientar a produção e revisão de materiais didáticos, sejam eles livros, brinquedos, jogos, games, entre outros; • Desenvolver programas de formação em empresas e corporações, bem como em instituições do terceiro setor, em hospitais, bibliotecas, museus e espaços diversos que compreendam ações educativas, o que inclui programas de rádio, TV e imprensa; • Elaborar questões para as avaliações em larga escala, como a Provinha Brasil e outras; • avaliar relatórios educacionais; • Desenvolver pesquisas na sua área de atuação. Observa-se que há um vasto campo de atuação já conquistado pelos pedagogos, e outras formas de atuação que vêm surgindo a cada mudança nos espaços produtivos, como tutor para a educação a distância, criador de conteúdo para sites e blogs na área da educação, entre outros. A Resolução CNE/CP nº. 01/2006, ao definir que o pedagogo poderá atuar em qualquer espaço que preveja os conhecimentos pedagógicos, entende, como descrito no § 2º do art. 2º, que o curso de pedagogia propiciará aos seus egressos: [...] por meio de estudos teórico-práticos, investigação e reflexão crítica, [...] I – o planejamento, execução e avaliação de atividades educativas; II – a aplicação ao campo da educação, de contribuições, entre outras, de conhecimentos como o filosófico, o histórico, o antropológico, o ambiental-ecológico, o psicológico, o linguístico, o sociológico, o político, o econômico, o cultural (BRASIL, 2006, documento on-line). Sendo a pedagogia uma área ligada diretamente à formação humana, torna-se necessário que esse campo possa ser compreendido dentro das demais áreas do conhecimento. Isso, porque o objetivo dos estudos de pedagogia é orientar os pedagogos na “[...] observação, análise, execução e avaliação do ato docente e de suas repercussões ou não em aprendizagens, bem como orientar práticas de gestão de processos educativos [...]”, sendo esses conhecimentos considerados centrais na formação do pedagogo (BRASIL, 2005, documento on-line). Nesse sentido, é importante compreender as competências que devem ser construídas pelos alunos ao longo do curso de Pedagogia e que definem a sua competência profissional. De acordo com o art. 5º da Resolução CNE/CP nº. 01/2006 (BRASIL, 2006, documento on-line), os egressos do curso de Pedagogia deverão estar aptos a: • atuar com ética e compromisso para uma sociedade justa, equânime e igualitária; • contribuir para o desenvolvimento integral de crianças de zero a cinco anos; • fortalecer as aprendizagens de crianças, jovens e adultos; • promover as aprendizagens a todos e nas diversas etapas de escolaridade; • reconhecer as necessidades dos educandos; • ensinar os conteúdos previstos nas diversas áreas de forma interdisciplinar; • relacionar as linguagens dos meios de comunicação à educação com domínio das novas tecnologias de informação e comunicação; • promover e facilitar a relação escola-família; • investigar e intervir nas realidades complexas; • respeitar as diferenças de forma consciente; • trabalhar em equipe de forma dialógica com todas as áreas; • participar plenamente da gestão das instituições escolares; • participar da gestão em espaços escolares e não escolares; • produzir conhecimentos que promovam o sucesso na área educacional; • utilizar com competência os instrumentosde construção de conhecimento pedagógico e científico; • estudar e aplicar a legislação educacional. Além da formação específica no curso de Pedagogia, é preciso que o profissional se oriente por duas outras resoluções: a Resolução CNE/CP nº. 02/2019, a DCN da formação inicial para professores, e a Resolução CNE/CP nº. 01/2020, a DCN da formação continuada. Ambas articulam a formação do professor com a BNCC. 3.2 A formação inicial e continuada de professores no Brasil Você já deve ter percebido que a formação de professores não termina. Assim, é fundamental compreender como esse percurso de aprendizagem está previsto nas políticas públicas, desde a graduação e ao longo de toda a atuação profissional. A Resolução CNE/CP nº. 02/2019 “Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica e institui a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação)” (BRASIL, 2019, documento on-line). Há uma preocupação na política educacional de que os professores tenham desenvolvidas competências profissionais que contribuam para a consolidação das aprendizagens essenciais previstas na BNCC para a educação básica. Por isso, essa Resolução também institui a BNC-Formação. A BNC-formação define 10 competências gerais e específicas (Quadro 1), sendo estas organizadas em três dimensões, que são interdependentes e devem integrar-se e complementar-se na ação docente. Quadro 1 – Competências específicas em suas três dimensões Conhecimento Profissional Prática Profissional Engajamento Profissional • Dominar objetos de conhecimento e saber ensiná-los; • Demonstrar conhecimentos sobre os estudantes e como eles aprendem; • Reconhecer os contextos da vida dos estudantes; • Conhecer a estrutura e a governança dos sistemas educacionais. • Planejar as ações de ensino que resultem em efetivas aprendizagens; • Criar e saber gerir os ambientes de aprendizagem; • Avaliar o desenvolvimento do educando, a aprendizagem e o ensino; • Conduzir as práticas pedagógicas dos objetos do conhecimento, as competências e as habilidades. • Comprometer-se com o próprio desenvolvimento profissional; • Comprometer-se com a aprendizagem dos estudantes e colocar em prática o princípio de que todos são capazes de aprender; • Participar do Projeto Pedagógico da escola e da construção de valores democráticos; • Engajar-se, profissionalmente, com as famílias e com a comunidade, visando melhorar o ambiente escolar. Fonte: adaptado de Brasil, 2019. As competências específicas para a formação inicial de professores possuem estreita relação com as competências para a formação dos pedagogos, e ambas devem compor a formação docente, sem qualquer hierarquia e com total integração. A formação inicial do professor visa garantir o pleno desenvolvimento dos alunos da educação básica em todas as suas etapas e modalidades. Dessa forma, são fundamentos: • a sólida formação básica com conhecimentos científicos e sociais do trabalho de sua competência; • a associação entre teorias e práticas pedagógicas; e • o aproveitamento da formação e de experiências anteriores, desenvolvidas ao longo da escolarização, em outras atividades docentes ou na área da educação. Enfatiza-se no parágrafo único do art. 5º da Resolução CNE/CP nº. 02/2019 que todos os processos de ensino e de aprendizagem devem alicerçar-se em conhecimentos científicos, de modo a favorecer o desenvolvimento dos saberes e promover o acesso ao conhecimento. A política de formação de professores para a educação básica, articulada à BNCC, enfatiza os princípios que mostram que o Estado se compromete com a formação docente para que se fortaleça uma educação básica de qualidade. Tais princípios são listados no art. 6º da Resolução CNE/CP nº. 02/2019 (BRASIL, 2019, documento on-line): Art. 6º A política de formação de professores para a Educação Básica, em consonância com os marcos regulatórios, em especial com a BNCC, tem como princípios relevantes: I - a formação docente para todas as etapas e modalidades da Educação Básica como compromisso de Estado, que assegure o direito das crianças, jovens e adultos a uma educação de qualidade, mediante a equiparação de oportunidades que considere a necessidade de todos e de cada um dos estudantes; II - a valorização da profissão docente, que inclui o reconhecimento e o fortalecimento dos saberes e práticas específicas de tal profissão; III - a colaboração constante entre os entes federados para a consecução dos objetivos previstos na política nacional de formação de professores para a Educação Básica; IV - a garantia de padrões de qualidade dos cursos de formação de docentes ofertados pelas instituições formadoras nas modalidades presencial e a distância; V - a articulação entre a teoria e a prática para a formação docente, fundada nos conhecimentos científicos e didáticos, contemplando a indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão, visando à garantia do desenvolvimento dos estudantes; VI - a equidade no acesso à formação inicial e continuada, contribuindo para a redução das desigualdades sociais, regionais e locais; VII - a articulação entre a formação inicial e a formação continuada; VIII - a formação continuada que deve ser entendida como componente essencial para a profissionalização docente, devendo integrar-se ao cotidiano da instituição educativa e considerar os diferentes saberes e a experiência docente, bem como o projeto pedagógico da instituição de Educação Básica na qual atua o docente; IX - a compreensão dos docentes como agentes formadores de conhecimento e cultura e, como tal, da necessidade de seu acesso permanente a conhecimentos, informações, vivência e atualização cultural; e X - a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte, o saber e o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas. Com base nesses princípios, a Resolução determina que os cursos destinados à formação inicial de professores para a educação básica tenham em seus fundamentos pedagógicos toda a organização e o amparo necessários para uma formação sólida, de modo a tornar esses profissionais aptos e competentes para formarem as crianças e os jovens na educação básica em todas as áreas do conhecimento. Nessa prática, devem ser usadas estratégias e metodologias inovadoras, com domínio de todos os processos educacionais apoiados no conhecimento científico, e todas as decisões pedagógicas devem ser tomadas com base em evidências. Para os cursos de licenciatura, e aqui destacamos o curso de Pedagogia, essa Resolução destaca algumas temáticas que são indissociáveis da formação docente para atuar na educação básica, em especial na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, que veremos mais adiante. A formação continuada e a BNC-Continuada, apresentadas na Resolução CNE/CP nº. 01/2020, são definidas com orientações detalhadas para a implementação em todas as modalidades e cursos de formação de professores para a educação básica. Essa Resolução adota 10 competências gerais, as mesmas descritas na BNC-Formação, e também prevê as três dimensões para as competências específicas. No entanto, ao desenvolvê-las, amplia as habilidades, evidenciando a ideia de progressão na formação docente ao longo da vida. O art. 9º da Resolução CNE/CP nº. 01/2020 define os cursos e programas para a formação continuada, destacando que podem ser “[...] atividades formativas diversas, presenciais, a distância, semipresenciais, de forma híbrida, ou por outras estratégias não presenciais” (BRASIL, 2020, documento on-line). Considerando as necessidades formativas, tais atividades poderão ocorrer em cursos de atualização com carga horária mínima de 40 horas, em cursos e programas de extensão,em cursos de aperfeiçoamento com mínimo de 180 horas de carga horária, em cursos de pós graduação lato sensu com o mínimo de 360 horas de carga horária e em cursos e programas de mestrado acadêmico ou profissional e de doutorado, que são cursos de pós graduação stricto sensu. Espera-se que os docentes que ministrarão essa formação continuada nas instituições sejam professores com experiência nas redes escolares, para que haja uma ponte orgânica e contextualizada entre o ensino superior e a educação básica. Ainda, os artigos 11, 12, 13 e 14 que dispõe sobre as Diretrizes curriculares para a formação continuada de professores para a educação básica (BRASIL, 2020) apresentam as políticas de formação ao longo da vida e em serviço, sendo uma das inovações a relação de mentoria ou tutoria do professor mais experiente acompanhando a formação daquele que inicia sua trajetória, atendendo ao parágrafo único do art. 61 da LDB. Há, tanto na BNC-Formação quanto na BNC-Formação Continuada, uma forte preocupação em manter o constante diálogo entre a formação docente nas instituições formadoras e a vivência nos processos escolares. Isso porque esse diálogo possibilita maior qualificação no atendimento à educação básica, como previsto nos respectivos fundamentos e objetivos. 3.3 A formação docente e a BNCC Quando analisamos cuidadosamente a formação docente — inicial e continuada — e a sua articulação com a BNCC, podemos observar a estreita relação entre a ação pedagógica de ensino e a ampliação ao acesso dos alunos da educação básica a uma educação de qualidade. Por isso, a formação docente não pode se restringir ao espaço acadêmico, pois a sua vivência profissional se dará na complexidade e na especificidade das escolas da educação básica. Por mais que se discuta quantos são os aspectos formativos que compõem a escola, a qualidade da educação se inicia com a figura do professor, como defendem Gatti et al. (2019, p. 43): Qualquer que seja o tipo de relação estabelecida e as formas dos processos educativos, o formador é figura imprescindível. Os insumos, a infraestrutura, são condições necessárias, mas, não suficientes para a implementação de processos formativos. Terceiro aspecto a integrar essa forma de configurar qualidade educacional é a concepção de que o núcleo do processo educativo é a formação das pessoas, seja como indivíduos sociais e/ou como profissionais. Somente por meio das vivências é possível integrar-se à realidade do trabalho de formação das crianças e jovens no dia a dia da escola. Assim, podemos compreender o intuito da atual política pública, que define no art. 15 da Resolução CNE/CP nº. 02/2019 (BRASIL, 2019), que a carga horária de 800 horas, destinada às atividades práticas e ao estágio supervisionado, deve ser aplicada de forma presencial nos espaços escolares, tendo como suporte o apoio do professor da instituição formadora e de um professor experiente da escola em que o aluno realizará suas atividades. Assim, acredita-se ser possível concretizar a união entre teoria e prática e, consequentemente, entre a formação oferecida na graduação e a formação realizada nas escolas — o diálogo entre os saberes acadêmicos e os saberes escolares. Esse diálogo pode ser observado nas 10 competências gerais docentes propostas na BNC-Formação e na BNC-Formação Continuada e nas 10 competências gerais para a educação básica, apresentadas no Quadro 2. Quadro 2 – Competências gerais apresentadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), na BNC – Formação e na BNC – Formação Continuada Competências gerais para educação básica — BNCC Competências gerais docentes — BNC-Formação e BNC Formação Continuada 1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital, para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 1. Compreender e utilizar os conhecimentos historicamente construídos para poder ensinar a realidade, com engajamento na aprendizagem do estudante e na sua própria aprendizagem, colaborando para a construção de uma sociedade livre, justa, democrática e inclusiva 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 2. Pesquisar, investigar, refletir, realizar a análise crítica, usar a criatividade e buscar soluções tecnológicas para selecionar, organizar e planejar práticas pedagógicas desafiadoras, coerentes e significativas 3. Desenvolver o senso estético para reconhecer, valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também para participar de práticas diversificadas da produção artístico- cultural. 3. Valorizar e incentivar as diversas manifestações artísticas e culturais, tanto locais quanto mundiais, e a participação em práticas diversificadas da produção artístico- - cultural, para que o estudante possa ampliar seu repertório cultura 4. Utilizar diferentes linguagens — verbal (oral ou visual-motora, como Libras) e escrita, corporal, visual, sonora e digital —, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos, em diferentes contextos, e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 4. Utilizar diferentes linguagens — verbal, corporal, visual, sonora e digital — para se expressar e fazer com que o estudante amplie seu modelo de expressão, ao partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos, produzindo sentidos que levem ao entendimento mútuo. 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação, de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares), para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas docentes, como recurso pedagógico e como ferramenta de formação, para comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e potencializar as aprendizagens. 6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade 6. Valorizar a formação permanente para o exercício profissional, buscar atualização na sua área e afins, apropriar-se de novos conhecimentos e experiências que lhe possibilitem aperfeiçoamento profissional e eficácia e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania, ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns, que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável, em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado consigo mesmo, com os outros e com o planeta 7. Desenvolver argumentos com base em fatos, dados e informações científicas para formular, negociar e defender ideias, pontosde vista e decisões comuns, que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental, o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos, de forma harmônica, e a cooperação, fazendo-se respeitar, bem como promover o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza, para promover ambiente colaborativo nos locais de aprendizagem. 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões, com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. 10. Agir e incentivar, pessoal e coletivamente, com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência, a abertura a diferentes opiniões e concepções pedagógicas, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários, para que o ambiente de aprendizagem possa refletir esses valores. Fonte: Adaptado de Brasil (2017). Observa-se que a BNC-Formação, a BNC-Formação Continuada e a BNCC partem do mesmo núcleo de competências gerais. Todas elas se articulam, sendo que, aos alunos, são designadas competências a serem desenvolvidas, e aos docentes, são designadas competências a serem desenvolvidas para ensinar e promover a aprendizagem de seus alunos, dentro do previsto na BNCC. Esse quadro nos evidencia a importância de a formação docente estar articulada com a BNCC, pois é preciso que as competências a ser desenvolvidas caminhem na mesma direção — ou seja, o que se espera é uma educação de qualidade ao longo de toda a vida. A BNCC é, como descrito no art. 1º da Resolução CNE/CP nº. 02/2017, um “[...] documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo das aprendizagens essenciais como direito das crianças, jovens e adultos no âmbito da educação básica escolar [...]” (BRASIL, 2017, documento on-line). Assim, a organização dos currículos prevê que os conteúdos sejam desenvolvidos a partir de metodologias e estratégias que possam promover a sua realização. Esses conhecimentos são encontrados na formação do pedagogo e na formação inicial docente (BNC-Formação). 4 POLÍTICAS PÚBLICAS DE FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES Ao longo dos últimos anos, preocupados com a qualidade da Educação Básica, os órgãos responsáveis pelas políticas educacionais têm se voltado para a formação docente. Assim, assistimos, nos últimos cinco anos, à publicação de programas que visam organizar a formação inicial e continuada dos professores. No dia 2 de julho de 2019, foi publicada a Resolução nº 1 do Conselho Nacional de Educação/Conselho Pleno (CNE/CP), que alterou o art. 22 da Resolução CNE/CP nº 2 de 1º de julho de 2015, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada de professores da educação básica (BRASIL, 2019a). Ainda em 2019, no mês de dezembro, outra resolução (BRASIL, 2019b) foram definidas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores voltadas para a Educação Básica e instituiu a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores de Educação Básica (BNC-Formação), revogando a Resolução CNE/CP nº 2/2015. Para elaboração deste documento levou-se em consideração o parágrafo 8º do art. 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) que determina que os currículos dos cursos para formação docente devem pautar-se pela Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017a). De acordo com o art. 11 da Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, após a homologação da BNCC, as instituições de ensino responsáveis pela formação inicial dos professores teriam o prazo de dois anos para a adequação curricular docente (BRASIL, 2017b). A necessidade de articulação entre a formação docente e a BNCC encontra- se prevista em duas outras resoluções do CNE: na Resolução CNE/CP nº 2 de 22 de dezembro de 2017 e na Resolução CNE/CP nº 4, de 17 de dezembro de 2018, que correspondem, respectivamente, à implantação da BNCC dos ensinos fundamental e médio. Essa necessidade de articulação parte do pressuposto de que as aprendizagens essenciais previstas na BNCC só podem ser garantidas aos educandos se as competências profissionais dos professores puderem ser asseguradas pelas ações de formação docente: Art. 2º A formação docente pressupõe o desenvolvimento, pelo licenciado, das competências gerais previstas na BNCC-Educação Básica, bem como das aprendizagens essenciais a serem garantidas aos estudantes, quanto aos aspectos intelectual, físico, cultural, social e emocional de sua formação, tendo como perspectiva o desenvolvimento pleno das pessoas, visando à Educação Integral (BRASIL, 2019a, documento on-line). Da mesma maneira como estão previstas, na BNCC, competências gerais que devem ser desenvolvidas pelos educandos ao longo de seu percurso de escolarização na educação básica, estão previstas, na BNC-Formação, competências gerais docentes que devem ser desenvolvidas, pelo licenciado, durante seu percurso de formação inicial. As específicas competências que os professores devem desenvolver, estão relacionadas com três dimensões fundamentais, independentes entre si, mas que se integram e se complementam na ação docente: 1. Conhecimento profissional; 2. Prática profissional; 3. Engajamento profissional. Cada uma dessas dimensões se desdobra em competências específicas, apresentadas no Quadro 1. Quadro 1 – Competência específicas das diferentes dimensões da ação docente Dimensão Competências Específicas Conhecimento Profissional • Dominar os objetos de conhecimento e saber como ensiná-los. • Demonstrar conhecimento sobre os estudantes e como eles aprendem. • Reconhecer os contextos de vida dos estudantes. • Conhecer a estrutura e a governança dos sistemas educacionais. Prática Profissional • Planejar as ações de ensino que resultem em efetivas aprendizagens. • Criar e saber gerir os ambientes de aprendizagem. • Avaliar o desenvolvimento do educando, a aprendizagem e o ensino. • Conduzir as práticas pedagógicas dos objetos do conhecimento, as competências e as habilidades. Engajamento profissional • Comprometer-se com o próprio desenvolvimento profissional. • Comprometer-se com a aprendizagem dos estudantes e colocar em prática o princípio de que todos são capazes de aprender. • Participar do Projeto Pedagógico da escola e da construção de valores democráticos. • Engajar-se, profissionalmente, com as famílias e com a comunidade, visando melhorar o ambiente escolar. Fonte: Adaptado de Brasil (2019a). Especificamente, o conhecimento profissional impulsiona o professor em seu trabalho, ouseja, aos conhecimentos sobre os alunos em suas diferentes etapas, seu contexto de vida e faixas de idade, além de relacionar esses aspectos a como eles aprendem. Além disso, é fundamental que o professor conheça os sistemas educacionais. Em suas práticas profissionais, o docente deve ser capaz de planejar e implementar ações de ensino que promovam, efetivamente, a aprendizagem de seus alunos. Para isso, é necessário que ele seja capaz de criar e gerir ambientes de aprendizagem e de realizar uma avaliação formativa, que permita a adequação das ações propostas às especificidades e demandas dos alunos. O docente também deve ser capaz de conduzir as práticas pedagógica dos objetos do conhecimento, as competências e as habilidades previstas. Além disso, a qualificação das ações docentes se faz via o engajamento profissional do professor. Engajar-se significa comprometer-se com o próprio desenvolvimento profissional e com a aprendizagem dos alunos, partindo do pressuposto de que todos os alunos são capazes de aprender. Cabe ao professor, portanto, engajar- se também nas ações de elaboração do Projeto Político Pedagógico da escola, visando à construção de valores democráticos, e no estabelecimento de relações com as famílias e com a comunidade, visando à melhoria do ambiente escolar. As políticas públicas voltadas para a formação inicial docente visam à sólida formação básica dos professores, oportunizando a construção dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho, a articulação entre as teorias e as práticas pedagógicas e o aproveitamento da formação e das experiências prévias em outras atividades docentes ou na área da educação. Essas políticas, assim, visam assegurar o direito de todos os educandos a uma educação de qualidade, pautada na equiparação de oportunidades que considere as necessidades de todos e de cada um dos estudantes brasileiros. Elas visam, também, à valorização e ao reconhecimento da profissão docente, bem como ao fortalecimento dos saberes e das práticas inerentes a ela. 4.1 Diretrizes nacionais para a formação continuada de professores O parágrafo primeiro do artigo 62 da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), define a obrigação da União, do Distrito Federal, Estados e Municípios, em regime de colaboração, para promover a formação, tanto inicial quanto continuada, além da capacitação docente para que os mesmos zelem pela aprendizagem dos discentes. No inciso III do art. 63 da referida Lei, foi definido que os institutos de educação de nível superior devem manter programas de educação continuada para os diversos níveis de educação. Dessa forma, a formação continuada para profissionais da educação, foi aprovada em lei e colocada como meta do Plano Nacional de Educação (PNE), de acordo com a Lei nº 13.005, datada de 25 de junho de 2014. E está posto que: [...] a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aturarão em regime de colaboração” para “formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) dos professores da Educação Básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir a todos (as) os (as) profissionais da Educação Básica, formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino (BRASIL, 2020, documento on-line). As ações voltadas para a formação continuada de professores devem subsidiar o planejamento e a implementação de práticas educativas que estejam de acordo com o que está posto na BNCC, conforme definido pelo parágrafo 1º do art. 5º das Resoluções CNE/CP nº 2/2017 e CNE/CP nº 4/2018. 4.2 Proposta para as ações de formação continuada As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Continuada para docentes abrangem todos os profissionais atuantes em diferentes fases e modalidades da educação básica e institui que a BNC-Formação Continuada deve ser contemplada em todas as modalidades de cursos e/ou programas que se destinam à formação docente continuada para àqueles que atuam na educação básica. A BNC-Formação Continuada tem como pressuposto que o docente precisa ter um conhecimento robusto dos saberes constituídos, das metodologias, dos processos de didática-aprendizagem e também da produção cultural, tanto local quanto global, para que possa oportunizar o desenvolvimento pleno a todos os educandos. Para que esse desenvolvimento se faça possível, o documento prevê a continuidade da presença das três dimensões (conhecimento profissional, prática profissional e engajamento profissional) na ação docente na educação básica. A formação docente continuada pode ser ofertada através de ações variadas, com diferentes cargas horárias, presenciais ou não, semipresenciais ou ainda, híbridas. Essas ações podem ser ofertadas por Institutos de Ensino Superior, através de organizações especializadas ou ainda por órgãos formativos no setor de gestão das redes de ensino. De acordo com a Resolução CNE/CP nº 1/2020, as ações formativas praticadas fora da escola podem ser (BRASIL, 2020): • Cursos de atualização, com carga horária mínima de 40 (quarenta) horas; • Cursos e programas de extensão, com carga horária variável, conforme respectivos projetos; • Cursos de aperfeiçoamento, com carga horária mínima de 180 (cento e oitenta) horas; • Cursos de pós-graduação lato sensu de especialização, com carga horária mínima de 360 (trezentas e sessenta) horas, de acordo com as normas do CNE; • Cursos ou programas de mestrado acadêmico ou profissional, e de doutorado, respeitadas as normas do CNE, bem como da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Ainda, é importante que as políticas para a formação em serviço dos docentes, desenvolvidas e implantadas pelos diferentes agentes (escolas, redes escolares, sistemas de ensino, entre outros), sejam desenvolvidas de maneira a atender as especificidades dos locais de atuação dos docentes. As ações desenvolvidas devem oportunizar a aprendizagem significativa de saberes relevantes para a atuação profissional, construídos na interação com os pares e na troca de experiências já vivenciadas no percurso de docência. Nesse sentido, a formação docente continuada tem que favorecer o constante desenvolvimento de habilidades e competências exigidas à profissão, além da permanente atualização da produção acadêmico-científica focada na compreensão dos processos de ensino-aprendizagem. Além disso, também deve fortalecer a relação de independência entre o ensino e a pesquisa, ofertando aos profissionais, um protagonismo à produção de novos conteúdos sobre os processos acerca da escola e da sala de aula. 5 COMPETÊNCIAS DO PROFISSIONAL DE PEDAGOGIA Na atualidade, os cursos de Ensino Superior de Pedagogia têm apresentado propostas de ensino cada vez mais modernas, com objetivos inovadores de formação do profissional e com competências, habilidades e conteúdo para o exercício da prática educativa em espaços escolares e não escolares. Além disso, em geral, propõe-se a articular, de forma crítica e reflexiva, as concepções teóricas e o cotidiano docente. Nessa perspectiva, utiliza, enquanto suporte teórico, os saberes advindos de áreas como a Filosofia, a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia, a Didática e a Política, entre muitas outras. Busca-se, nesse profissional, diversas competências e habilidades, que, portanto, acabam por caracterizá-lo. São elas: • ter capacidade de planejamento, execução de planos e projetos; • dinamismo e olhar múltiplo frente às diversidades; • saber se comunicar e dialogar; • ter equilíbrio emocional; • ter conhecimento teórico suficiente para embasar a sua prática pedagógica; • saber trabalhar em equipe e mediar conflitos; • ser criativo; • ter aptidão para o trabalho com o público; • ser proativo para promover ações preventivas; • elaborar estratégias e intervenções pedagógicas;• acreditar na Educação. Diante de tantas aptidões, o objetivo é que os profissionais de Pedagogia consigam, principalmente, compreender as transformações educacionais, políticas, científicas e sociais, considerando os mais diversos vieses e as diversidades existentes nesse processo de construção do conhecimento. É preciso defender e assegurar uma matriz curricular que contenha o domínio de conteúdos básicos e a expansão gradual de habilidades e competências articuladas e relacionadas com o universo educacional e pedagógico, tomando, para si, a reflexão, a ação crítica, a interdisciplinaridade, a contextualização e a formação continuada. Para que o processo de formação do pedagogo ocorra de maneira eficaz e seja coerente com as demandas sociais, a adequação, a ampliação e a inovação da proposta pedagógica curricular, com a perspectiva de conceber a Educação como algo em constante movimento e transformação, são necessárias. Nesse contexto, tem-se, como pano de fundo, a atuação do pedagogo, de modo a possibilitar que o conhecimento pedagógico esteja acessível e contribua com os mais diversos espaços e em diferentes realidades. A formação e a consequente atuação do profissional de Pedagogia devem reafirmar uma preocupação com a qualidade e a responsabilidade inerentes a essa função para resultar na transformação dos mais diversos espaços educacionais, escolares e não escolares. Portanto, é preciso que haja a reflexão permanente acerca dos processos que envolvem a Educação e a Pedagogia e toda a sua complexidade na sociedade contemporânea. Assim, emergem alguns questionamentos indispensáveis: Qual é o pedagogo que queremos para a sociedade atual? Como colaborar na (re)construção desse profissional? O pedagogo da/na sociedade atual deve ser um profissional multifacetado, o qual navega pelos conhecimentos teóricos da Educação e da Pedagogia para que tenha sustentação em sua prática cotidiana. Deve ser um profissional pesquisador empenhado em transformar a realidade do espaço escolar ou dos demais espaços onde atua. Além disso, esse profissional precisa agir no trabalho com ética pela justiça, pela igualdade de oportunidades e pela diminuição dos distanciamentos e das lacunas para que todos tenham acesso aos processos educativos, nos mais diferentes espaços. 5.1 A escola e a atuação do pedagogo frente às diversidades As discussões que envolvem a diversidade perpassam, inclusive, pelo contexto escolar, visto que este é um espaço de diferenças e pluralidades. Portanto, o pedagogo contemporâneo deve atuar nesse cenário, de forma a desconstruir aspectos de preconceito e criar estratégias de respeito e dissolução das discriminações, que aniquilam as relações e comprometem o processo de ensino-aprendizagem. Nadime (2003) ressalta que o preconceito poderá ser manifestado pelo simples discurso ou pelo ato de um sujeito e poderá também tomar forma, ou melhor, estruturar-se a partir da observação do cotidiano escolar. Isso poderá ser uma via de disseminação da intolerância, por meio da linguagem ou do pequeno gesto, na qual estão contidos termos pejorativos, os quais, na maioria das vezes, desvalorizam a imagem do outro. De acordo com Gentile (2003), na sociedade, a rejeição aparece de várias formas. O desrespeito e a intolerância se contrapõem a indivíduos ou grupos desfavorecidos, que se entregam ao medo e convivem com violência, corrupção e discriminação. Na escola, essa característica aparece de forma constante. O fato de amenizar situações sem, na verdade, resolvê-las ou ainda optar pelo silêncio diante de certos fatos pelo receio de haver repressão, são apenas simples exemplos, os quais comprovam que, muitas vezes, atos discriminatórios são reforçados por atitudes de omissão, levando uma situação que deveria ser discutida e resolvida. Por isso, torna-se fundamental que o pedagogo esteja sempre atento e promova o combate a essas violências. Segundo Whitaker (1994), é necessário que os educadores, incluindo os profissionais de Pedagogia e as pessoas envolvidas no sistema educacional, percebam que, quando situações de violência e discriminação são ocultadas com o intuito de serem amenizadas, estes podem estar agindo como violadores dos direitos dos alunos, reforçando uma corrente discriminativa que não só oculta a violência que está no dia a dia, como também esconde suas verdadeiras causas. É uma violência sutil que, em geral, não aparece de forma tão explícita e serve para dissimular os conflitos. 5.2 Parâmetros nacionais para o profissional de Pedagogia no Brasil Na perspectiva de pensar a Educação e a Pedagogia na atualidade, é importante nos atermos a alguns pontos que auxiliam em tal compreensão. Paulo Ghiraldelli Jr. (2009) ressalta que apenas com a modernidade a Pedagogia foi tomando a forma e se tornou aquilo que hoje, efetivamente, conhecemos por Pedagogia. Foi a partir do século XVII que ela começou a deixar de atuar como simples condutora de crianças para se transformar em uma ciência da Educação. Nessa vertente, a Pedagogia vai traçando seus objetivos e passa a ter como objetivo geral o aperfeiçoamento dos processos de ensino-aprendizagem dos sujeitos por intermédio da reflexão crítica, da sistematização (organização) e da produção de conhecimentos. Como ciência social, a área da Pedagogia deve estar conectada com o saber produzido socialmente, inclusive por outras ciências, como a Filosofia, a Antropologia, a Sociologia, a Psicologia, a Pediatria, entre outras, além de se inteirar para compreender e fazer valer as normas educacionais do país em que está inserida. Em nível nacional, as discussões geradas acerca da construção de um curso de Pedagogia só emergiram a partir da década de 1930, visto que esse momento estava marcado por uma grande discussão em torno da Educação. De acordo com Pereira ([s.d.]), algumas curiosidades sobre o curso de Pedagogia são: • O curso foi instituído no Brasil, em 1939, e desde então a atuação do pedagogo e seu perfil profissional vêm sofrendo alterações significativas. • Hoje, a Pedagogia está cada vez mais presente em diferentes áreas: Pedagogia Empresarial, Pedagogia Hospitalar, Psicopedagogia, etc. • Devido às muitas mudanças com o decorrer da história, o perfil do pedagogo se modificou, assim como também foi redefinido o papel da Educação, da escola e dos profissionais que nela atuam. • A Pedagogia investiga a natureza dos processos educativos, bem como suas finalidades. Enquanto ciência, é responsável por explicar os objetivos e as formas de intervenção metodológica e de organização da atividade educativa visando ao sucesso da aprendizagem. Vale enfatizar que as diretrizes curriculares para o curso de Pedagogia, definidas pela Resolução nº 1, de 15 de maio de 2006, do Conselho Nacional de Educação, trouxeram como pauta para discussão o debate a respeito da identidade do curso e a sua finalidade profissionalizante, agora instituída como licenciatura. Portanto, o curso de Pedagogia é destinado, na sua atual formulação legal, à formação de professores para a Educação Infantil e para os anos iniciais do Ensino Fundamental. Complementarmente também há o desenvolvimento de competências para o ensino nos cursos de nível médio, na modalidade normal, para a educação profissional na área de serviços e apoio escolar, para as atividades de organização e gestão educacionais e para as atividades de produção e difusão do conhecimento tecno- científico do campo educacional. Nessa perspectiva, a estrutura curricular do curso de Pedagogia deverá ser organizada em três grandes núcleos: 1. Conteúdos básicos: articuladores da relação teoria e prática, referentes aos contextos: a) histórico e sociocultural, compreendendo os fundamentos filosóficos, históricos, políticos, econômicos, sociológicos, psicológicos e antropológicos; b) da educação básica, compreendendoestudos dos conteúdos curriculares da educação básica, os conhecimentos didáticos, o estudo dos processos de organização do trabalho pedagógico e o estudo das relações entre educação e trabalho; c) do exercício profissional em âmbitos escolares e não escolares, articulando saber acadêmico, pesquisa e prática educativa. 2. Estudos de aprofundamento e/ou diversificação da formação: referem-se “à diversificação da formação do pedagogo [que] é desejável para atender às diferentes demandas sociais e para articular a formação aos aspectos inovadores que se apresentam no mundo contemporâneo”. Propõem ainda o aprofundamento de conteúdos da educação básica ou o oferecimento de conteúdos voltados às áreas de atuação profissional priorizadas nos projetos das IES. 3. Estudos integradores: realizados a partir da participação em seminários, projetos de iniciação científica, monitoria e extensão, bem como em aulas práticas, experiências, atividades de comunicação e expressão cultural, entre outros. É importante considerar que muitos dos problemas do curso surgiram a partir das diversas discussões que o circundam, configurando-se como alguns de seus muitos dilemas: Qual é a área de atuação dos profissionais em Pedagogia? Para que serve a Pedagogia? Pedagogo e professor são a mesma coisa? Nessa perspectiva, torna-se importante trazer, neste capítulo, a atualização legal sobre os cursos de licenciatura. A Resolução nº 2, de 1º de julho de 2015, define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial de Nível Superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada (BRASIL, 2015). Nesse cenário, o curso de Pedagogia vem se firmando como importante instrumento para a formação de docentes no país, sendo assim, com o passar dos anos, tem demonstrado seu valor e sua pertinência nos processos educativos de empresas, instituições e escolas. 5.3 Algumas considerações sobre a contextualização da profissão de pedagogo no mundo O desejo por outras respostas e transformações e a busca por novos olhares e novas perspectivas é o que impulsiona e deve impulsionar o pedagogo na busca pelo desconhecido. É importante atravessar o universo de uma escola ou de uma instituição e entrelaçar os conhecimentos para desvendar quais são as possibilidades de pensar o processo educacional. O pedagogo, muitas vezes, é influenciado pelas experiências que vivencia, as quais são vitais para que suas ações aconteçam de maneira eficaz. Em seu percurso, em geral, cada encontro resulta em uma nova descoberta ou uma (re)vivência. À medida que o tempo passa, as impressões e as percepções, certamente, dão lugar aos registros e às intervenções que mobilizam, diminuem distanciamentos e permitem aprendizagens. Libâneo (2001) enfatiza que o pedagogo é o profissional que atua em várias instâncias da prática educativa e que suas ações estão direta ou indiretamente ligadas à organização e aos processos de transmissão e assimilação de saberes, além de citar as formas de atuação, tendo em vista os objetivos da formação previamente definidos em sua contextualização histórica. Nas ações pedagógicas, cada passo dado faz emergir novos questionamentos e novas descobertas no profissional da Pedagogia e fervilhar um turbilhão de encontros e desencontros. As ações de um pedagogo, em qualquer lugar do mundo, devem dialogar com as circunstâncias e os acontecimentos, além de observar, problematizar, articular, perceber as falas, criar estratégias e intervir. O olhar e o compromisso de um educador, a garra de um pesquisador, as vivências e experiências de um professor, o desejo de fazer e de aprender de um estudante e a responsabilidade do sujeito, todas essas características são essenciais ao profissional de Pedagogia, independente do país em que este atue. A profissão exige uma postura que se baseia em estratégias políticas para mostrar que, mesmo em meio a tantos desafios e desventuras que atravessam os sujeitos, é possível transformar e que diante da imposição, do medo e da descrença, há reinvenções e criatividade, mecanismos necessários para as reconstruções. É preciso que o pedagogo sinalize as transformações futuras, vislumbrando a necessidade da continuidade de cursos de formação e aperfeiçoamentos que busquem levantar, problematizar e discutir as práticas pedagógicas cotidianas dos profissionais, visando a um olhar para além daquilo que está imposto, tentando perceber as lacunas existentes dentro da escola e das demais instituições de atuação, para assim dialogar e reinventar maneiras de ser pedagogo e de praticar a Pedagogia. 6 FORMAÇÃO PROFISSIONAL TEÓRICA METODOLÓGICA Para discutirmos sobre o processo de formação teórica-metodológica do pedagogo, que, entre outros vieses, perpassa pela área da formação e pelo aperfeiçoamento docente, inicialmente é necessário ressaltar que são muitos os desafios quando o assunto é formação dos profissionais da educação (pedagogos, professores, gestores, etc.). Contudo, é preciso lembrar também que existem diversos pesquisadores que têm se debruçado nessa temática e, assim, muitos estudos têm apresentado possibilidades de reflexão sobre formação continuada e práticas pedagógicas que envolvem os diferentes assuntos no contexto escolar. A formação pedagógica, assim assumida, surge como a construção de caminhos coletivos que possibilitam o novo, além de contribuir para o reconhecimento da necessidade de problematizar e discutir os diversos aspectos que envolvem o contexto escolar, entendendo a construção do conhecimento como algo processual, com vistas a ir além para analisar, ressignificar, desconstruir e articular saberes. De maneira a aprofundar em alguns conceitos para promover atravessamentos, destaco que o termo problematização foi muito utilizado por Foucault nos seus últimos dois anos de sua vida. Ele entendia como o conjunto de práticas discursivas ou não discursivas introduz algo no jogo do verdadeiro e do falso e o constitui como objeto para o pensamento (seja sob a forma da reflexão moral, do conhecimento científico, da análise política, etc.) (REVEL, 2011). Na perspectiva da problematização, é preciso pensar a escola como um lugar de produção de verdades e de condutas, bem como um ambiente onde as relações são marcadas pelas diferenças, portanto, as práticas pedagógicas devem ser repensadas e o profissional em pedagogia deve estar sempre atualizado, com uma visão crítica, criativa e eficaz. A escola é também regida por normatizações que, muitas vezes, controlam, proíbem e reprimem, impedindo os acessos e ocultando saberes, porém, é também um lugar de resistências, pois, diante do medo, da repressão e da renúncia, emergem resistências, fugas e vontades estratégicas que se materializam em pequenas revoluções cotidianas, pois “onde há poder há resistência” (FOUCAULT, 2010, p. 105). Dessa maneira, há inúmeras possibilidades para o fazer pedagógico, para a atuação do profissional em pedagogia e para a reelaboração de processos e espaços escolares. O termo resistência emergiu, a partir da década de 1970, distante da ideia de transgressão: “a resistência ocorre, onde existe poder, porque poder e resistência não se separam [...]. A resistência é a possibilidade de abrir espaços de lutas e de administrar possibilidades de transformação por toda parte.” (REVEL, 2011, p. 127-128). Vale lembrar que a transgressão sugere um passar dos limites, ocorrendo no processo coletivo relacional, enquanto a resistência é singular, a partir das pequenas revoluções diárias que ocorrem no íntimo de nossas práticas individuais. Devemos pensar em resistência como uma estratégia para mostrar que, mesmo em meio a todos os desafios e todos os percalços que acometem o sujeito, nesse caso o profissional em pedagogia, ele resiste, além disso, mesmoem meio a todo disciplinamento, este é capaz de criar mecanismos e estratégias para fugir ao enquadramento. Nesse momento, é necessário pensar com profundidade esses conceitos. Assim, podemos pensar que a escola, por muitas vezes, tem procedimentos disciplinares de controle e de massificações, designando uma série de mecanismos de vigilância que têm como meta conter condutas, limitar comportamentos e ações, restringir desempenhos e gerenciar posturas. A visão e a postura críticas de um pedagogo poderão resultar em um novo modelo de instituição escolar. A essas alturas, é relevante atentarmos para o quanto a formação do profissional em pedagogia nos é favorável e necessária para repensarmos a escola e as diversas formas de sermos pedagogos e professores. Dessa maneira, as possibilidades não se excluem, mas se conectam em um movimento de descobertas, reconhecimentos e reinvenções. Enfim, para elevarmos ainda mais nossas reflexões sobre a urgência e a importância da formação teórica-metodológica profissional em pedagogia, torna-se indispensável considerar o que nos diz Larrosa (2004) quando este fala da (im)possibilidade traduzida como aquilo frente ao qual se desfalece todo o saber e todo o poder. Para pensar em uma formação eficaz para o pedagogo, é necessário nos despojarmos de todo o saber e de todo o poder, ou seja, abrirmo-nos ao (im)possível. Pensar no (im)possível é vislumbrar as possibilidades. O (im)possível, portanto, é aquilo que exige uma relação constituída segundo uma medida diferente à do saber e à do poder. O autor descreve, ainda, que o nascimento constitui a possibilidade de tudo o que escapa ao possível, ou, dito de outra maneira, do que não está determinado pelo que sabemos ou podemos. Dessa forma, como será possível pensar em uma formação significativa ao profissional de pedagogia? 6.1 A formação do pedagogo e a atuação no contexto escolar Pensar o processo de formação do profissional em pedagogia, vislumbrando sua atuação no contexto escolar, requer mais do que uma simples reflexão. Na verdade, é preciso levar em consideração toda a complexidade que envolve as transformações sociais, bem como os diferentes contextos escolares, para assim iniciarmos uma possível discussão e, certamente, um aprofundamento sobre o assunto, sem a pretensão de esgotá-lo ou de chegar a uma resposta única para tal situação. Nessa perspectiva, compreende-se à docência como ação educativa e processo pedagógico, metódico e intencional, construído com relações sociais, étnico-raciais e produtivas, as quais influenciam conceitos, princípios e objetivos da Pedagogia, desenvolvendo-se na articulação entre conhecimentos científicos e culturais, valores éticos e estéticos inerentes a processos de aprendizagem, socialização e construção do conhecimento no âmbito do diálogo entre diferentes visões de mundo (BRASIL, 2006). É recomendável, na hora da escolha da instituição a cursar, que seja uma reconhecida pelo MEC e um curso pautado em seriedade e compromisso com a profissão, pois isso fará diferença na formação e no concorrido mercado de trabalho. Após esse período, como opção, há as especializações em várias áreas. Dessen e Polonia (2007) apontam que, considerando as transformações sociais e, consequentemente, as mudanças no contexto escolar, o pedagogo deverá exercer, de forma satisfatória, as suas funções em seu campo de atuação e deverá trabalhar, de maneira determinada, para que possa reconhecer a realidade de cada problema, solucioná-los de forma adequada e com isso, obter resultados positivos para o corpo docente. Confirmando a necessidade de uma formação teórico e metodológica efetiva, é possível apontar alguns pontos importantes para o sucesso desse processo: • Desenvolvimento de projetos de educação para contribuir com a profissionalização e com o crescimento dos educadores; • Implementação, planejamento e acompanhamento quanto a qualidade e o desenvolvimento do ensino; • Auxílio ao corpo docente, com ofertas de disciplinas variadas, implementação de técnicas de estudo e integração da escola com a comunidade qual está inserida; • Organização dos métodos de ensino buscando inovações, formação de grupos de docentes motivados e competentes; • Identificação das áreas com piores resultados, agindo para que os problemas sejam sanados; • Construção de uma equipe de ensino qualificada; • Orientação para estudantes durante o processo de aprendizagem com métodos da psicologia e pedagogia; • Orientação de jovens para a escolha vocacional; • Desenvolvimento de programas de treinamento em recursos humanos; • Assessoria pedagógica para os canais de comunicação e para a divulgação cultural; • Atuação em organizações não governamentais com coordenação de programas de saúde, meio ambiente, trânsito, entre outras; • Desenvolvimento de pesquisas cientificas. 6.2 Desafios contemporâneos na formação acadêmica do profissional de Pedagogia O profissional pedagogo é aquele que estuda, conhece e se envolve com a educação. Ele é um aluno contínuo cuja principal tarefa é organizar e sistematizar os vários conhecimentos que naturalmente surgem do ensino e aprendizagem humana. Importante lembrar que o profissional da pedagogia deve construir e se responsabilizar pelo controle de todas as questões educacionais que visam orientar e qualificar esse processo. É, portanto, responsabilidade deste profissional, possuir uma base teórica bem fundamentada, conhecer a legislação educacional, bem como ter uma boa capacidade de planejamento para garantir um trabalho de qualidade. Além disso, o profissional precisa ser capaz de trabalhar em equipe, uma vez que o seu trabalho inevitavelmente dialoga com outras pessoas de diferentes áreas e setores. Durante o processo de ensino e aprendizagem, são vários os objetivos deste profissional, entre os quais estão, organizar o processo de aplicação de currículos com a equipe escolar e fornecer informações sobre todo o processo realizado anteriormente. No entanto, isso não é tão fácil quanto parece, porque aprender vai além de processos didáticos e regras organizacionais, já que a aprendizagem acontece no discente, de dentro para fora, através de experiências vivenciadas que são ofertadas pelo docente através da aplicação de atividades interativas que permitam o contato, reflexão e conscientização acerca do objeto de estudo. Vale reforçar, que o profissional de pedagogia deve reconhecer para fazer valer as propostas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que visa a unificar influências e referências de cada instituição de ensino. A BNCC surge, portanto, para solucionar um problema muito comum no Brasil. Quando são analisados os currículos escolares espalhados pelo país, é possível encontrar discrepâncias muito grandes. A ideia de uma base curricular comum às escolas de todo o Brasil já existe desde a promulgação da Constituição de 1988, em que o Artigo 210º prevê a criação de uma matriz de conteúdos fixos a serem estudados no Ensino Fundamental. O profissional de pedagogia, ao realizar suas ações, precisa trabalhar acerca das competências do BNCC para o século XXI, que dizem respeito a formar cidadãos mais críticos, com capacidade de aprender a aprender, de resolver problemas, de ter autonomia para a tomada de decisões, ou seja, cidadãos que sejam capazes de trabalhar em equipe, respeitar o outro e o pluralismo de ideias, que tenham a capacidade de argumentar e defender seu ponto de vista. A sociedade contemporânea impõe um novo olhar a questões centrais da educação, em especial: o que aprender, para que aprender, como ensinar e como avaliar o aprendizado. Dessa maneira e nessas condições, emergem inúmeros desafios para a atuação do pedagogo. A pedagogia vive à procura de estratégias e metodologias que garantam uma melhor aprendizagem e apropriação de conhecimentos, tendocomo alvo principal gerar mudanças no comportamento dos sujeitos, de modo que estes se aperfeiçoem. Portanto, em função de toda a mudança, há a necessidade do pedagogo se tornar uma pessoa crítica e visionária, que seja capaz de se adaptar a mudanças, ser mais flexível e que contribua, efetivamente, para o processo pedagógico e educacional. É fato que muitas pessoas são resistentes a mudanças e novas ideias, seja por medo ou mesmo por acomodação. Talvez sejam essas as características que assombram a educação e a pedagogia e aniquilam as possibilidades de continuidade e transformação. Priorizar o desejo por mudanças e novas perspectivas deve ser um argumento primordial para as pessoas inseridas nos processos de formação do profissional de pedagogia. Para que isso ocorra, faz-se necessária a ferramenta da desconstrução, pois só a partir dela poderão surgir aspectos que norteiam novas propostas educacionais e olhares renovadores sobre inúmeros assuntos dentro da educação, refletindo em novos profissionais de pedagogia. 7 A IMPORTÂNCIA DO MATERIAL PEDAGÓGICO Com grande relevância nos processos de ensino e aprendizagem, o material pedagógico pode ser entendido como um recurso utilizado nos procedimentos de ensino para oportunizar as aprendizagens dos alunos e aproximá-los dos conteúdos propostos. São considerados materiais pedagógicos os conjuntos de materiais, objetos e brinquedos que são usados, nas práticas educativas, com finalidades didáticas (BANDEIRA, 2009). Portanto, esses materiais são instrumentos pedagógicos que apoiam as ações docentes e as aprendizagens dos educandos e que fazem parte do planejamento da escola, na medida em que servem de referência para os processos educativos. Os materiais pedagógicos podem ser mais tradicionais, como os materiais impressos, que, de acordo com as modalidades e as etapas da educação formal, bem como das particularidades dos educandos a que são destinados, podem assumir o formato de cadernos de atividades, guia do aluno, guia do professor, livro-texto, livro didático, livro paradidático, ilustrações, mapas, entre outros (BANDEIRA, 2009). Ou, de outro modo, esses materiais podem ter como suporte as novas tecnologias da informação e comunicação (TICs), como é o caso, por exemplo, dos materiais pedagógicos audiovisuais. Segundo Bandeira (2019, p. 20), o material audiovisual é “um produto, objeto, ou processo que, ao trabalhar com estímulos sensoriais da audição e da visão, objetiva uma troca comunicacional”. O uso de materiais pedagógicos audiovisuais em sala de aula é bastante interessante para oportunizar aos alunos a visualização de situações distantes no tempo e no espaço, além de promover o contato com diferentes representações da realidade (BRASIL, 2003). As TICs têm possibilitado novas formas de produção, armazenamento e distribuição de informações e conhecimentos, sobretudo por meio de computadores, smartphones, e outros aparelhos conectados à web. Assim como nas diversas esferas da vida cotidiana e do mundo do trabalho, as TICs têm sido também incorporadas às práticas educativas, servindo de suporte para a veiculação de materiais pedagógicos de apoio aos processos de ensino e aprendizagem. Sua crescente incorporação nesses processos tem permitido a ampliação da oferta de materiais didáticos e pedagógicos nas diferentes etapas e modalidades de ensino, além do atendimento de demandas específicas e do desenvolvimento de produtos individualizados (BANDEIRA, 2009). Além de considerar as finalidades educativas, é importante que, durante a escolha do tipo de material pedagógico, o professor tenha em conta o contexto em que ele será utilizado, atentando para o perfil dos estudantes e para os recursos disponíveis no local onde a aula vai ocorrer (BANDEIRA, 2009). Ainda, o professor sempre deve individualizar e adaptar os materiais, visando a atender as especificidades dos alunos e do contexto particular no qual o trabalho está ocorrendo (ZABALA et al., 2016). Mesmo com os diversos avanços tecnológicos ocorridos nas últimas décadas, os livros didáticos continuam tendo um papel importante nas práticas educativas realizadas na educação básica. Dada a importância dos livros e demais materiais didáticos, o Ministério da Educação criou o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) para a avaliação desses materiais, visando a garantir a qualidade dos conteúdos veiculados e sua pertinência em relação à proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Esse programa é importante porque tanto os materiais adquiridos pelas escolas quanto aqueles produzidos pelos professores para atender às especificidades de seus alunos devem, necessariamente, estar de acordo com as propostas apresentadas pela BNCC, de modo que possam garantir as aprendizagens básicas previstas para todos os educandos matriculados na educação básica em nosso país. Como vimos nesta seção, os materiais pedagógicos são imprescindíveis para apoiar os processos de ensino e aprendizagem. Diferentes recursos, adquiridos ou produzidos pela equipe escolar, podem contribuir para a construção de novos conhecimentos, desde que sua escolha leve em consideração as particularidades do grupo com o qual o professor está trabalhando e as necessidades de cada educando. Na próxima seção, conheceremos o significado histórico, cultural e simbólico do material pedagógico. 7.1 O significado histórico, cultural e simbólico do material pedagógico Nem sempre os materiais pedagógicos fizeram parte das práticas educativas. Durante muito tempo, a educação escolar foi baseada em práticas transmissivas, pautadas pelo verbalismo docente e pela recepção passiva por parte dos alunos. Sendo assim, a presença da expressão “material pedagógico”, ou “recurso pedagógico”, é relativamente recente nas discussões realizadas nos contextos educacionais, tendo sido incorporada definitivamente ao vocabulário pedagógico apenas na metade do século XX, após o término da Segunda Guerra Mundial (HAIDT, 2003). Antes mesmo da adoção da expressão que nomeia os diferentes materiais utilizados, vários educadores já defendiam a necessidade do uso de recursos auxiliares para o ensino, com a finalidade de ilustrar a palavra docente e tornar as lições mais concretas e relacionadas à realidade do aluno (HAIDT, 2003). Alguns registros históricos que descrevem as salas de aula de tempos remotos relatam que os mestres da Antiguidade e da Idade Média já dispunham de certos recursos para facilitar o ensino, como grandes tábuas que serviam de lousa, material para o ensino do cálculo aritmético, documentos cartográficos, globos, cartas murais de astronomia e livros com ilustrações (HAIDT, 2003, p. 226). Michel de Montaigne já criticava, no século XVI, o excesso de verbalismo docente e propunha uma educação baseada na experiência, em que o aluno pudesse observar, comparar e refletir. No século seguinte, houve, nos meios educacionais europeus, a eclosão do movimento intitulado “realismo pedagógico” (HAIDT, 2003). O realismo pedagógico teve como base teórica a corrente filosófica empirista, cujo principal representante, na época, era o pensador Francis Bacon. Para ele, o conhecimento humano era fruto das experiências e das percepções sensíveis, o que demandava que o início do processo de aprendizagens fosse marcado pelo estudo da natureza e pelo conhecimento das coisas, utilizando-se, para tanto, o método indutivo, pelo qual os educandos partiriam da observação dos fatos particulares até chegar à elaboração de conceitos gerais. O método proposto dava ênfase à observação direta dos fenômenos da natureza ou, na sua ausência, ao uso de materiais que pudessem substituí-los ou representá-los (HAIDT, 2003). No século XVIII, o pensador Jean-Jacques Rousseau passou a defender que, para se chegar aos objetos intelectuais, era preciso, antes, partir de objetos sensíveis.Ao final desse mesmo século e início do século XIX, o pedagogo Johann Pestalozzi propôs e utilizou um método de ensino pautado pela vivência de situações concretas, pela observação da natureza e pela experiência de fatos e fenômenos. Para ele, quanto maior fosse o número de sentidos utilizados na investigação da natureza ou das qualidades de um objeto, mais exato seria o conhecimento adquirido (HAIDT, 2003). Nos anos iniciais do século XX, o movimento de renovação pedagógica denominado “Escola Nova” passou a recomendar o emprego de métodos ativos, que previam a participação ativa dos estudantes e o uso, pelos professores, de recursos diversos que possibilitassem o estabelecimento de relações entre os conteúdos e a realidade, bem como a ativação dos processos mentais dos educandos. Também foi nesse século que diversos materiais pedagógicos passaram a fazer parte das práticas educativas, permitindo a passagem dos métodos intuitivos para os métodos ativos. Jogos e materiais concretos foram criados pela médica italiana Maria Montessori, e recursos audiovisuais foram inseridos nos contextos educativos a partir das propostas de Célestin Freinet (HAIDT, 2003). O período da Segunda Guerra Mundial foi definitivo para a inserção dos recursos audiovisuais nas práticas de ensino e aprendizagem, pois o conflito demandou a preparação, em pouco tempo e de maneira eficiente, de um grande contingente de jovens para a participação nas atividades de guerra. Os resultados obtidos nessa preparação, principalmente nos Estados Unidos, foram divulgados, levando à integração dos recursos audiovisuais às práticas escolares (HAIDT, 2003). Desde a inserção dos materiais pedagógicos nas práticas educativas, novos recursos têm sido incorporados aos processos de ensino e aprendizagem, como consequência sobretudo dos avanços tecnológicos e das novas demandas formativas decorrentes da necessidade de formação de indivíduos capazes de interagir, de maneira competente, com as TICs. De acordo com Zabala et al. (2016), os materiais pedagógicos têm uma vida limitada, justamente em função da necessidade de novos recursos para o enfrentamento das novas demandas. Sendo assim, eles não podem ser definidores do currículo, mas, sim, recursos pontuais que sugerem um modo de trabalho, uma forma de selecionar e organizar o conhecimento, bem como uma maneira de se relacionar com este. 7.2 Materiais pedagógicos lúdicos e promoção de novas aprendizagens Há uma grande variedade de materiais pedagógicos que podem ser utilizados nas práticas educativas para que os objetivos propostos sejam atingidos. Entre eles, estão os materiais pedagógicos lúdicos, que levam para a sala de aula diferentes possiblidades de desenvolvimento e aprendizagem a partir do brincar. A inserção de atividades lúdicas nas práticas educativas encontra embasamento teórico nos aportes da psicologia do desenvolvimento, que destaca a brincadeira como um vasto campo de significados. Isso porque, ao brincar, a criança se relaciona com outras crianças, com brinquedos e com materiais que vão dialogar com ela e proporcionar condições para que se desenvolva, pois: [...] o brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal da criança. No brinquedo, a criança sempre se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além de seu comportamento diário; no brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade. Como no foco de uma lente de aumento, o brinquedo contém todas as tendências do desenvolvimento sob forma condensada, sendo, ele mesmo, uma grande fonte de desenvolvimento (VYGOTSKY, 1991, p. 69). As brincadeiras são frequentemente relacionadas às experiências vivenciadas pelas crianças e apresentadas como reproduções interpretativas do contexto em que estão inseridas. Sendo assim, o brinquedo provê uma situação de transição entre a ação da criança com objetos concretos e suas ações com significados. Além disso, embora sejam situações imaginárias, as brincadeiras de faz de conta são regidas por regras sociais que precisam ser respeitadas. Por exemplo, ao brincar de escolinha, a criança adota comportamentos observados no seu meio de inserção, tanto as ações desempenhadas pelo professor quanto as desempenhadas pelos alunos (OLIVEIRA, 1997). São as regras da brincadeira que fazem com que as crianças se comportem de forma mais avançada do que aquela que é condizente com a sua idade: Tanto pela criação da situação imaginária, como pela definição de regras específicas, o brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. No brinquedo a criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real e também aprende a separar objeto e significado. (OLIVEIRA, 1997, p. 67). No entanto, os brinquedos, as brincadeiras e os materiais pedagógicos nem sempre estiveram presentes nas práticas escolares. Sua inserção foi feita progressivamente, a partir da mudança nas concepções de ensino e aprendizagem que ocorreu ao longo da história. Essas mudanças continuarão ocorrendo, em função tanto do crescente desenvolvimento tecnológico quanto das novas demandas formativas que surgem a partir desse desenvolvimento. Jean Piaget, outro representante importante da corrente psicológica interacionista- construtivista, também se dedicou ao estudo do papel do brincar no desenvolvimento infantil. Para ele, o brincar pode ser definido como uma maneira de interpretar e assimilar o mundo. Na brincadeira, a criança assimila o mundo da sua maneira, sem que haja compromisso com a realidade. As interações com os objetos independem de sua natureza, uma vez que sua função advém do significado e do sentido atribuídos pela criança por meio do simbolismo (PIAGET, 1976). Nesse sentido, Piaget (1976, p. 160) destaca que o jogo e o brincar proporcionam uma: [...] assimilação da real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem todos que se forneça às crianças um material conveniente, a fim de que, jogando e brincando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil. De acordo com o autor, dada a importância do brinquedo e das brincadeiras no desenvolvimento infantil, é fundamental que o professor faça a inserção de materiais pedagógicos lúdicos em suas aulas (PIAGET, 1976). Na próxima seção, vamos refletir sobre a importância de alguns materiais pedagógicos, conhecendo suas funções e seus usos na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. 7.3 Os diferentes tipos de materiais pedagógicos, seus usos e suas funções A escolha de alguns materiais escolares (livros didáticos e paradidáticos) é realizada, de maneira coletiva, pela equipe escolar. Contudo, cabe ao professor a adaptação dos materiais e a produção de outros recursos, de acordo com as características do grupo de educandos e das necessidades de cada aluno. Para atender à proposta da BNCC, é fundamental que o professor que atua na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental contemple em suas práticas educativas materiais pedagógicos lúdicos. O documento entende que, na educação infantil, a brincadeira é, ao mesmo tempo, um eixo estruturante do trabalho pedagógico e um direito de desenvolvimento e aprendizagem (BRASIL, 2018). Tendo em vista os eixos estruturantes do trabalho pedagógico e as competências gerais previstas para a educação básica, a BNCC propõe seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento para a educação infantil. Tais direitos devem ser garantidos às crianças para que elas possam aprender “em situações nas quais possam desempenhar um papel ativo em ambientes que as convidem a vivenciar desafios e a sentirem-se provocadas a resolvê-los, nas quais possam construir significados sobre si, osoutros e o mundo social e natural” (BRASIL, 2018, p. 37). Entre esses direitos está o brincar, que deve ocorrer cotidianamente, de diferentes formas, em espaços e tempos diversos e com diferentes parceiros. Ele deve ampliar e diversificar o acesso das crianças às produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade e suas experiências (BRASIL, 2018). Nos anos iniciais do ensino fundamental, as situações lúdicas são valorizadas por se constituírem como elementos fundamentais para a continuidade do trabalho pedagógico desenvolvido na etapa anterior e de articulação entre os saberes já construídos e aqueles que são pretendidos (BRASIL, 2018). 7.4 Os jogos como materiais pedagógicos na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental Os jogos são atividades lúdicas que permitem às crianças o engajamento em um mundo imaginário, regido por regras próprias, que são construídas, quase sempre, a partir das regras sociais de convivência (BRANDÃO et al., 2009). O uso de jogos nas práticas pedagógicas demanda a escolha prévia pelo professor, de acordo com a sua intencionalidade pedagógica, a sua inserção no planejamento e a gestão dos tempos e espaços escolares para que a situação de jogo possa ocorrer. Cabe ao professor a escolha dos jogos mais adequados aos objetivos didáticos pretendidos, além de garantir que haja jogos suficientes para que todos os alunos possam, efetivamente, participar do momento lúdico. A inserção da situação de jogo no planejamento visa a garantir a adoção de ações sistemáticas que proporcionem a construção efetiva de novos conhecimentos (KISHIMOTO, 2003). A seguir, apresentamos aspectos que devem ser observados para que as atividades pedagógicas com os jogos sejam bem-sucedidas, de acordo com Brandão et al. (2009): • Sempre que um novo jogo for inserido nas práticas pedagógicas, é fundamental que suas regras sejam apresentadas aos alunos e que o professor garanta que elas foram compreendidas por todos. Na interação com os grupos, o professor pode retomar as regras, pedindo aos alunos que expliquem como o jogo deve ser realizado, de modo a se certificar de que houve compreensão por parte dos alunos. • Diferentes tipos de jogos demandam a organização de diferentes agrupamentos dos alunos. Há jogos que podem ser propostos em duplas, trios ou grupos maiores. Há também jogos que podem ser utilizados individualmente, para o atendimento às demandas específicas dos estudantes. • Ao final da situação, é importante que o professor retome o percurso do jogo, para que possa sistematizar as aprendizagens pretendidas. Por exemplo, se o jogo proposto visava à comparação de diferentes números, os alunos podem relatar quais números foram tirados por cada um do seu grupo em uma determinada jogada e explicar a razão da vitória de um dos membros. • Sempre que possível, respeitadas as características de cada faixa etária, as crianças devem ser convidadas a realizarem o registro do jogo, por meio de desenhos, de textos autorais ou da combinação dos dois. O professor pode encontrar em lojas ou mesmo disponíveis gratuitamente na internet diversos tipos de jogos que podem ser utilizados com diferentes propósitos educativos. Há jogos já produzidos com finalidades didáticas e outros que podem ser adaptados pelo professor para que se constituam como instrumentos para a promoção de novas aprendizagens. Ainda, o professor também pode produzir seus próprios jogos, de acordo com os objetivos didáticos pretendidos. Vimos nesta seção que o professor tem um papel fundamental na escolha dos materiais didáticos que serão inseridos nas práticas educativas e na forma como serão utilizados. Na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, os jogos e os brinquedos têm um lugar privilegiado na promoção de novas aprendizagens, na sistematização dos conhecimentos e na continuidade dos trabalhos pedagógicos previamente realizados. Nesses contextos, a intencionalidade do professor vai permitir não só a escolha dos jogos a serem utilizados, mas também a adaptação das situações lúdicas para atender aos objetivos pretendidos. Neste capítulo, você pôde compreender a relevância dos materiais pedagógicos nos processos educativos, atuando como facilitadores das aprendizagens. Como vimos, há diferentes tipos de materiais pedagógicos, entre os quais merecem atenção especial aqueles que têm um caráter lúdico. A ludicidade é fundamental no percurso do desenvolvimento das crianças, tendo um importante papel no desenvolvimento do simbolismo infantil. Os materiais pedagógicos lúdicos, assim como os demais, demandam a intencionalidade pedagógica e a gestão dos tempos, espaços e materiais escolares, de modo que ocorram as aprendizagens pretendidas. 8 DOCÊNCIA NO BRASIL: UMA PRÁTICA EM CONSTANTE TRANSFORMAÇÃO Não há como negar que os contextos de temporalidade de cada época trazem consigo resquícios de um dado comportamento social e econômico, aliado a demandas que, por vezes, são debatidas e orientadas no âmbito das políticas públicas (GODINHO; FARIAS, 2018). Nesse sentido, como afirma Godinho e Farias (2018, p. 192), “A cada período, década ou século que se passa os contextos vão se modificando, a demanda gera uma nova necessidade, da necessidade saciada surge um novo hábito, que origina novas rotinas e assim surge um novo ciclo [...]”. É sob essa ótica que a evolução histórica da prática docente no Brasil se assenta, e, por vezes, como meros expectadores dos resultados, os professores lamentam pelos índices que classificam o País e depreciam a imagem nacional (INSTITUTO PAULO MONTENEGRO, 2016). Mas de que vale se preocupar com a fotografia (resultados imediatos), e não lançar mão de meios para educar-se a si primeiro, para, depois, buscar contornar os reflexos (consequências) dessa paisagem (constatação), que ainda serão sentidos por anos e anos a fio? De quem seria a responsabilidade e a autoridade pela educação de crianças e jovens? Desde quando e como acontece a prática docente no Brasil? Qual o papel da prática docente da educação básica ao ensino superior? Diplomas e artigos científicos bastariam para qualificar essa prática docente? Por muito tempo, no Brasil, aprender a ler era uma possibilidade restrita a poucos, e, com a expansão da escolarização, a alfabetização, com seus questionáveis métodos, foi ganhando cada vez mais espaço. Assim, o analfabetismo estrito caiu vertiginosamente, porém convém admitir que o letramento, por si só, não basta. Hoje em dia, existem as dificuldades do aproveitamento escolar, o que sublinha a preocupação emergente com o analfabetismo funcional (INSTITUTO PAULO MONTENEGRO, 2016). Saber decodificar códigos e números e ler as sentenças sem conseguir interpretá-las torna-se um impasse limitante para a contratação e o progresso profissional de muitos formados em nível médio e até mesmo em nível superior. Nesse ínterim, os alunos que passaram compulsoriamente pelos ciclos escolares durante esse período da vida foram teoricamente formados para serem bons cidadãos e, com base nas atuais diretrizes educacionais instrumentalizados, trabalhadores (RIBEIRO, 1993). No entanto, muito antes desse atual panorama educacional, que serve como engrenagem para manter o sistema financeiro e seu poderio na formação do “capital” humano, o ideal de educação e prática docente que se iniciou no Brasil a partir da sua colonização, no século XVI, esteve atrelado à educação católica e ao modelo de escolas jesuíticas (NEGRÃO, 2000; RIBEIRO, 1993). Na prática, tal cenário foi uma resposta imediata ao declínio da formação intelectual vivenciada no velho continente e além-mar, implementada na Terra de Santa Cruz. Nesse sentido, foram os padres os primeiros educadores de muitos brasileiros nos primórdios do País (NEGRÃO, 2000). Mas, afinal, de quem seria a responsabilidade e a autoridadepela educação das crianças e jovens brasileiros? Para responder a essa questão, faz-se necessário observar o modelo de organização da sociedade atual e de antigamente. Um fato que distorce a resposta, hoje, é a “necessidade” da terceirização do ensino, haja visto que os pais se lançam avidamente no mercado de trabalho em busca de retorno financeiro, logo, paira um senso comum de que caberia à escola a educação dos pequenos. No entanto, se a ordem natural fosse observada e levada em consideração, com a análise de que esse sucateamento traz inúmeras consequências à formação moral e intelectual das crianças e dos jovens, nossa imediata resposta seria dizer que é a família o primeiro núcleo educacional que tem a responsabilidade e a autoridade pela educação dos seus. No Brasil, a história recente conduziu-nos ao atual e questionável consenso que reside sobre a perspectiva de educação do ensino básico ao superior. Se, para alguns pensadores, “lugar de criança é na escola”, você já parou para pensar por que o Estado, a partir de um Ato Institucional em 1834, tomou para si a responsabilidade de educar os pequenos, alegando sua suposta autoridade sobre os pagadores de impostos? Se a Educação é um direito de todos, promulgado na Constituição de 1988, seria, de fato, o Estado responsável por cumprir esse papel? O Estado estaria interessado em formar bons cidadãos e trabalhadores ou em controlar a sociedade para manter o poder sobre os seus? O Quadro 1, a seguir, apresenta um breve histórico da trajetória nacional da educação até hoje, com base nos achados de Ribeiro (1993) e Godinho e Farias (2018). Quadro 1 – Trajetória nacional da educação Ano Cenário Educacional 1930–1945 Na Era Vargas, foi criado o Ministério de Educação e Saúde, em 1930, ocupando a pasta Francisco Campos. Em 1932, como uma resposta à encíclica de Pio XI, no Brasil, foi publicado o Manifesto dos Pioneiros, na tentativa de descentralizar o poder educacional da Igreja, entregando os educandos ao Estado, movimento conhecido como Escola Nova. Na mentalidade desses profissionais, o ensino deveria ser “leigo”, gratuito, universal e obrigatório. Essa aparente “neutralidade” nas políticas educacionais entregou cada vez as crianças e os adolescentes sob a “égide” do Estado. Além disso, a Constituição de 1934 atribuiu à União a competência privativa de traçar as diretrizes educacionais do País. Em 1942, pelo Decreto-Lei nº 4.048, ocorreu a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), para ampliar a formação mínima ao operariado. Nesse mesmo ano, ocorreu a Reforma Capanema, voltada para o patriotismo e o nacionalismo, difundindo disciplina e ordem por meio dos cursos de moral e civismo e de educação militar para os alunos do sexo masculino nas escolas secundárias. 1946–1964 Durante o período conhecido no Brasil como nacional desenvolvimentismo, foi criado, em 1946, pelo Decreto-Lei nº 8.621, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Além disso, as empresas foram obrigadas a empregar menores e matriculá-los nas escolas de aprendizagem do SENAC. Em 1948, uma comissão, presidida por Lourenço Filho, elaborou um anteprojeto de educação, que foi discutido durante 13 anos e somente aprovado em 1961, com a promulgação da Lei nº 4.024, primeira Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 1964–1984 Durante o Período Militar, houve a promulgação da Lei nº 5.692, de 1971, que fixa diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus e dá outras providências. 1984–1988 Transição democrática. 1996 Durante o Governo Fernando Henrique Cardoso, houve a promulgação da Lei nº 9.394, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Ainda no mesmo ano, houve a divulgação da Lei nº 9.424, que dispõe sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundeb). 2001 Ainda durante o Governo Fernando Henrique Cardoso, houve a aprovação da Lei nº 10.172, que aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências. 2006 Durante o Governo Lula, houve a autorização da concessão de bolsas de estudo e de pesquisa a participantes de programas de formação inicial e continuada de professores para a educação básica a partir da Lei nº 11.273. 2007 No ano seguinte, a Lei nº 11.494 regulamentou o Fundeb. Ainda durante o Governo Lula, houve uma alteração nas competências e na estrutura organizacional da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) a partir da Lei nº 11.502. 2010 Em 2010, foi promulgado o Decreto nº 7.219, que dispõe sobre o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). 2016 Durante o Governo Dilma, foi promulgado o Decreto nº 8.752, que dispõe sobre a Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica. Fonte: Própria autoria Diante desse cenário, qual o papel da prática docente da educação básica ao ensino superior? Diplomas e artigos científicos bastariam para qualificar a prática docente? De fato, há quem diga que a prática docente requer um constante aprendizado sobre a arte de ensinar que acompanha o aspirante a professor desde a sua iniciação na graduação, durante o exercício da profissão até a formação continuada (MARQUEZAN; SCREMIN; SANTOS, 2017). O processo formativo, quer queira ou não, parece ser sempre inacabado e em constante transformação (TAVARES, 2010), por isso, cabe ao professor estar atento para atualizar-se frente às demandas da sociedade atual. Cabe destacar que, pelo fato de a prática docente ser um constante aprendizado (MARQUEZAN; SCREMIN; SANTOS, 2017), assentar sua intervenção no simples fato de ter um diploma ou na quantidade de artigos científicos depositados no currículo evidentemente não basta. Com a invenção dos diplomas pela Universidade de Paris, no século XIX, passou-se a buscar mais a titulação do que a formação. Contudo, produtividade acadêmica não necessariamente é sinônimo de verdadeiro caminho de formação intelectual (BERTANCINI et al., 2018). Além disso, é importante considerar que, nesse esboço, encontra-se apenas um recorte do panorama educacional no País. Formado por grandes estudiosos desde o século XVI, o processo educacional no Brasil entrou em deriva com a maré controladora do Estado, em concordância com as diretrizes educacionais internacionais (BARRETO; FILGUEIRAS, 2007). Se, por um lado, a educação é, de fato, um direito, o dever de suprir tal necessidade está centrado na autoridade da família em dispor os meios e decidir a quem e quando delegar parte da formação. Nessa trajetória, reside o professor, para o qual os pais, por força de leis, se veem impelidos a confiar compulsoriamente os seus. A missão formativa do professor é ainda mais salutar quando ele se torna capaz de enxergar pela lupa da veracidade dos fatos a realidade educacional brasileira. 8.1 Prática docente: da educação básica ao ensino superior Há quem diga que a prática docente é uma tríade formada por: conhecimento, docente e discente (PESSOA; MACEDO, 2018). O arcabouço teórico é o elo entre aqueles que almejam ensinar e aqueles que tem sede por aprender. Nesse ínterim, reside o processo de ensino-aprendizagem, com seus métodos e técnicas específicas para cada área do conhecimento. Diante desse cenário, a prática docente recebe fundamental importância, visto que ela possui grande responsabilidade pela formação intelectual dos alunos. É a partir desse panorama formativo que se inicia a discussão deste capítulo: qual o papel da prática docente da educação básica ao ensino superior? No Brasil, à docência sofreu profundas transformações, visto que, do século XX até hoje, o processo educacional teve várias intervenções estatais, na tentativa de ampliar a escolarização (NÓVOA, 1992). Nesse contexto, a prática docente passou a ser majoritariamenteefetuada nas escolas, por meio da matrícula obrigatória das crianças e dos adolescentes em seus mais variados ciclos. O professor, por sua vez, era tido como mero mediador do processo de ensino-aprendizagem, quando, na realidade, ao observar a dimensão da prática docente na formação inicial dos educandos, percebe-se a singular missão de ser mestre e guia da vida intelectiva de outrem em busca da verdade. Sob essa ótica, confiar-se a ser educado por outra pessoa permeia uma relação de troca de saberes e de proximidade (GALVÃO, 2002). Assim, o docente precisa ser alguém revestido de virtudes, para que seja capaz de ensinar e corrigir os erros encontrados pelo caminho enquanto oportunidade de aprendizado para o aluno (GALVÃO, 2002). Dito isso, a prática docente está presente nas escolas desde a educação infantil, perpassando o ensino fundamental até os concluintes da educação básica, representados pelos alunos do ensino médio. De acordo com Nóvoa (2009), a constante busca pela formação também continua dentro da escola, de modo que deve compor a postura docente a necessidade por atualizar-se para intervir. Tratando-se da educação infantil, de acordo com o disposto pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNEI), esse ciclo escolar tem por objetivo articular as experiências e os saberes do público infantil com os conhecimentos que compõem o patrimônio cultural, científico e tecnológico da sociedade, a fim de promover o desenvolvimento integral das crianças de 0 a 5 anos de idade (BRASIL, 2010). Ciente disso, é um desafio e tanto para um professor recém- formado assumir um cargo nesse ciclo educacional (RODRIGUES; BOER, 2019), uma vez que engloba crianças desde o berçário, passando pelo maternal até as ramificações da pré-educação. Outro aspecto a ser destacado é o fato de que, além de ser um público que requer múltiplos conhecimentos por parte do professor, tal dimensão formativa confronta a realidade de que pouco se ensina na formação universitária sobre como e quando intervir (RODRIGUES; BOER, 2019). Com base nisso, e devido ao fato de que cada vez mais as crianças são levadas desde cedo ao cuidado dos professores nas escolas, há educadores que compactuam com a seguinte perspectiva educacional: que ao educador cabe a missão de observar as práticas das crianças, a fim de desenvolver a interpretação das mensagens que são ditas mesmo que palavra alguma seja verbalizada. Nesse sentido, a prática docente levaria em consideração os saberes do público infantil observados durante os momentos de interação e brincadeiras (RODRIGUES; BOER, 2019). Já nos ensinos fundamental e médio, a prática docente recebe contornos de formação letrada e pautada nos ditames das diretrizes educacionais vigentes (BRASIL, 2013). Nesse interim, o aluno é formado para ser um cidadão capaz de atuar na sociedade, e os finais da educação básica deveriam permiti-lo alcançar, caso almeje, a formação de nível superior. No Brasil, há vários alunos que ficam pelo caminho (LEBLANCK; SILVA, 2019), mas a grande maioria termina a escolarização, mesmo que o letramento tenha sido alcançado em contraposição ao precário aproveitamento escolar (INSTITUTO PAULO MONTENEGRO, 2016). A prática docente no ensino superior perpassa atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária. É interessante observar que, durante muito tempo, a formação universitária foi restrita a uma parcela da população. Em contrapartida, a esse passado recente, cabe destacar que possibilitar apenas o acesso à universidade não resolve o problema de analfabetismo funcional e precariedade da escolarização no País, uma vez que tal dilema encontra eco nos cursos de formação de professores (LEBLANCK; SILVA, 2019). Formados por um sistema educacional ineficiente, pressupondo o domínio do conteúdo a ser aprendido, os professores ensinam visando ao retorno financeiro. Aqueles conscientes das suas limitações e de que precisam se educar aparentam conhecer um pouco mais da realidade educacional brasileira, ao passo que a grande maioria deixa-se ludibriar por ela. Nossa “pátria educadora” estaria de fato educando os filhos seus? Outra indagação pertinente seria esta: será que de fato caberia a ela tal missão? Desse modo, pode-se verificar que a prática docente perpassa desde os anos iniciais até o ensino superior. Cabe destacar que, independentemente da área de atuação profissional e formação inicial, o professor precisa de uma formação acadêmica que contribua para a sua intervenção profissional. 8.2 Prática docente: percepções e perspectivas Na prática, a abordagem crítico-reflexiva leva o educador, ainda durante seu processo de formação inicial, por meio dos estágios supervisionados ou até mesmo da prática como componente curricular, a questionar a separação entre a teoria e a prática. Dito isso, em um primeiro momento, faz-se necessário desmembrar a concepção de professor crítico-reflexivo, a fim de entender os pressupostos teóricos (teoria reflexiva e teoria crítica) e o pensamento dos autores que estão por trás de tudo isso. Para chegar nessa visão de uma prática docente crítico-reflexiva no campo das ideias, a teoria foi (re)formulada por vários pensadores desde o início do século XX. Suas raízes históricas mais profundas estão atreladas aos pressupostos teóricos de John Dewey, um filósofo da educação norte-americana, que viveu entre os anos 1859 e 1952. Para Dewey, a educação é um instrumento estatal que serve para educar o homem ao mercado de trabalho (ZEICHNER, 2008). Essa formação, embora questionável, compôs o arcabouço teórico de um dos responsáveis pelas reformas educacionais no Brasil na década de 1920, Anísio Teixeira. Haja vista sua atuação, até hoje seu nome é homenageado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) (RIBEIRO, 1993). Mas, afinal, qual a relação entre os pressupostos de Dewey para a educação e o cenário de escolarização atual e a prática docente no Brasil? É possível constatar sua influência ao observar atentamente como ocorre a alfabetização, a escolarização e a prática docente na atualidade. Conscientes disso ou não, muitos docentes servem a este fim, embora não seja mais para formar um sujeito de virtudes que busca a verdade. Na prática, muitos alunos são treinados para serem capazes de atuar na sociedade e, nesse contexto, serem trabalhadores. No Brasil, tal debate se iniciou a partir de intensas discussões sobre o objetivo da educação, o que culminou na promulgação da 1ª e 2ª Leis de Diretrizes de Bases (LDB) (Quadro 1, mencionado na seção anterior). Nesse interim, foram décadas de debates e embates, projetos de lei e correções das diretrizes sancionadas. Além disso, cabe relembrar que houveram severas alterações no cenário político e educacional ao longo do século XX, e também das influências de pensadores além-mar (RIBEIRO, 1993), como Donald Schön, um pedagogo estadunidense que se debruçou a estudar a teoria da reflexividade tendo como base a visão de Dewey sobre a educação (PINTO, 2015; RANGEL-BETTI; BETTI, 1996). Schön desenvolveu seu trabalho sobre a teoria da reflexividade atrelada à formação profissional. Para o autor, a reflexão na e sobre a ação deveria seguir a sequência de pensamento apresentada na Figura 1 (PINTO, 2015). Figura 1 – Teoria reflexiva na concepção de Donald Schön Fonte: adaptada de Pinto (2015) Na concepção de Zeichner (2008, p. 545), há diferentes formas de se pensar a formação docente reflexiva, e “[…] todos os professores são reflexivos de alguma forma. É importante considerar o que queremos que os professores reflitam [...]”. Diante dessa revelação, cabe pensar sob qual jugo se assenta a ideia de um professor crítico-reflexivo. Observe que, para Zeichner (2008), o conceito de reflexão ainda significa para muitos professores uma ajuda aos seus pares quanto a melhor forma de corresponderaos currículos vigentes e, por conseguinte, à adequação aos métodos de ensino em voga. Nas palavras do autor, “[…] a pergunta que se faz aqui sobre a ‘reflexão’ é a seguinte: Em que medida a minha prática está de acordo com aquilo que alguém deseja que eu faça?” (ZEICHNER, 2008, p. 541). Assim, cabe alertar sobre as raízes ideológicas que têm a pretensão de reger a reflexividade na docência, sob a égide de que a reflexão teria um caráter político. Alguns teóricos acreditam que a missão do professor reflexivo seria contribuir para uma sociedade na qual fosse intensificada a tensão social, haja vista a pretensão de igualdade e transferência de poder aos educadores (ZEICHNER, 2008). Em vários países, a concepção de prática reflexiva de Schön pode ser constatada, por exemplo, por meio dos estudos de Shulman e Zeichner, nos Estados Unidos, Garcia e Pérez-Gómez, na Espanha, Perrenoud, na França e Nóvoa, em Portugal (RANGEL- BETTI; BETTI, 1996). No Brasil, a influência de Donald Schön remonta à década de 1980, de forma mais proeminente a partir dos anos 1990, quando educadores brasileiros tiveram contato com a produção acadêmica do professor português Antônio Nóvoa, em seu livro Os professores e sua formação (PINTO, 2015). A ideia por trás da teoria reflexiva na formação de professores era formar educadores que pensassem a prática profissional antes, durante e depois da intervenção (RANGEL-BETTI; BETTI, 1996). Conforme destaca Zeichner (2008, p. 538): Quando Donald Schön publicou o livro “O profissional reflexivo”, em 1983 [...], isso marcou a reemergência da prática reflexiva como um tema importante da formação docente norte-americana. A ideia da prática reflexiva já existia há muito tempo, tanto na filosofia ocidental como na não ocidental, incluindo a grande influência que o livro de John Dewey, “Como pensamos” exerceu na educação nos EUA, no início dos anos de 1900. Após a publicação do livro do Schön e da grande quantidade de literatura sobre o tema que ele estimulou a produzir no planeta inteiro, e do trabalho de outros educadores no mundo, incluindo o de Paulo Freire, no Brasil [...], e o de Jurgen Habermas, na Europa [...] formadores de educadores de diferentes países começaram a discutir como eles preparavam seus estudantes para serem professores reflexivos. O ensino reflexivo tornou-se rapidamente um slogan adotado por formadores de educadores das mais diferentes perspectivas políticas e ideológicas para justificar o que faziam em seus programas e, depois de certo tempo, ele começou a perder qualquer significado específico. Atualmente, a discussão gira em torno da aproximação da teoria da reflexividade da teoria crítica (PINTO, 2015). É diante dessas ideias que, ainda nas décadas de 80 e 90, surgiram os trabalhos de autores como Libâneo e Saviani a respeito das formulações críticas (PINTO, 2015) e tais estudos influenciaram outros educadores. Haja visto esse panorama, centrado na prática docente diante da abordagem dialógica, crítica e reflexiva, a preocupação dos formadores de educadores se voltou para a formação inicial e continuada (RANGEL-BETTI; BETTI, 1996). Conforme destacado por Pinto (2015), durante a formação inicial de educadores, por intermédio das práticas curriculares e extracurriculares, a formação crítico-reflexiva deve protagonizar o desenvolvimento do licenciando frente ao seu contexto de atuação profissional (PINTO, 2015). Nesse âmbito, almejando formar um bom professor, tem-se a concepção de professor bem-sucedido (GALVÃO, 2002), que pressupõe o cumprimento de três características centrais. Em um primeiro momento, o professor bem- sucedido é aquele que apresenta o domínio do conteúdo e da metodologia. Além disso, tal docente mostra envolvimento com a realidade dos seus educandos, fato que contribuiria, por conseguinte, para o caráter reflexivo de sua prática docente (GALVÃO, 2002). Como visto, a prática docente no Brasil é fruto da institucionalização do processo educacional. Entre normativas e diretrizes, a prática docente ocorre por meio da interação entre o conhecimento, o docente e o discente. Este último (os educandos), com a atual perspectiva da educação — de formar capital humano para o mercado de trabalho —, vê entre a realidade da prática profissional e as teorias acadêmicas um distanciamento entre a teoria e a prática. Frente a isso, ainda que limitadas e questionáveis, estão as teorias crítica e reflexiva, defendidas por educadores, em uma tentativa de superar modelos curriculares antes implementados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAGNARA, I. 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