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16.05.23 ENFERMIDADES INFECCIOSAS EM EQUINOS ADENITE EQUINA Contagiosa, com alta rotina clínica. Enfermidade respiratória com primeiro sinal clínico de secreções mucosas e posterior rompimento de linfonodos retro faríngeos Também chamada de garrotilho, atinge trato respiratório superior. Acometendo animais de todas as idades, principalmente potros. Causada pelo Streptococcus equi, sendo ß-hemolítica → afeta glóbulos vermelhos do sangue Epidemiologia Facilmente destruído por desinfetantes ou calor. Entretanto, quando comparado aos outros Streptococcus, o equi é o mais resistente, ficando de 2 a 3 meses em material dessecado Vias de eliminação: secreções nasais, conteúdo de abcessos e fezes Hospedeiro susceptível: equinos saudáveis Fatores pé disponentes: alterações climáticas bruscas (mudança imunológica), desmama (↑ estresse), transporte prolongado, treinamento intensivo, superlotação, virose e parasitose Contagio: mucosa nasal e oral Contato direto: animais sadios com doentes Contato indireto: tratadores, fômites A infecção pode ser transmitida também em casos de éguas para potros que estão em fase de amamentação, levando a mastite Com 2 a 3 anos, animais já apresentam imunidade. Sendo que o agente endêmico é encontrado nas mucosas orofaríngeas e nasais normalmente, sendo comum da flora Animais jovens até 3 anos → imunidade via colostro 1 a 2% dos casos foge do trato respiratório superior Via aerogena → laringite, traqueíte, bronquite e pneumonia Via linfo hemática → abscessos em outras localidades do corpo → fígado, baco, rim → morte no período agudo ou cronicidade Complicações: empiema das bolsas guturais Fonte de infecção: corrimento nasal de animais infectados, água, alimentos, fômites, pastagens e disseminação pelo ambiente Patogenia Animais infectados (clínicos ou subclínicos) são reservatórios Transmissão de bactérias por meio da contaminação de água, alimentos, fômites que tiveram contato com secreções nasais. Aerossóis, contato direto, Após inalada ou ingerida a bactéria se fixa a células epiteliais da mucosa bucal e nasal Colonizam a mucosa da nasofaringe e tecidos tonsilares, com primeiros sinais de rinite e faringite → inicio da liberação de conteúdo mucopurulento. Após isso invade mucosa e tecido linfático faríngeo, formando abcessos. Com isso, ocorre obstrução local ou comprimir certos movimentos. Os abcessos podem fistular entre 7 e 14 dias após o inicio da infecção, drenando para faringe e bolsa gutural (formação de condroides) ou se fistular para fora, tem se a liberação do agente no ambiente. Estima-se que 20% dos animais convalescentes ainda apresentam o agente na secreção nasal. 75% desenvolvem imunidade eficaz após recuperarem-se de um quadro infeccioso. Bem como, colostros de éguas imunizadas. Sintomas Hipertermia (40-41°C), inapetência, tosse, corrimento nasal seroso → purulento. Odinofagia devido a faringite → extensão de pescoço, dificuldade para se alimentar ↑ de linfonodos retro faríngeos e em 7 a 10 dias abscedam (vem a furo) Duração de 23 dias Diagnostico Baseado nos achados da casuística clínica. Ainda mais quando a sintomatologia é palpável Hemograma: anemia e leucocitose com neutrofilia Isolamento do agente em secreções nasais ou abcessos, PCR, cultura bacteriana, ELISA Diagnostico diferenciais Influenza, faringite viral, linfoma, endocardite bacteriana, linfadenite ulcerativa Tratamentos Isolar animais doentes, uso de antibióticos (penicilina 5-7 dias), sulfa +trimetropim (flunexim, fenilbutazona, maxicam), gentamicina ceftiofour, corticoides, AINE (dexametasona 5-7 dias), associa com dipirona, bromexina (broncodilatador) Antibioticoterapia, anti-inflamatório e broncodilatador Prevenção e controle Isolar equinos suspeitos e monitoramento da temperatura retal Vacinais podem auxiliar na prevenção da doença, mas não conferem imunidade completa e podem causar reação no local da aplicação Complicações Bolsas guturais Timpanismo das bolsas guturais: presença de ar Empiema: acumulo de pus devido a fistulação dos linfonodos para dentro do organismo dos animais. Provocando, descarga nasal, aumentando quando o equino comprimi a bolsa. Além de aumento de volume, dor a palpação e formação de condroides (solidificação dos mucos) Garrotilho bastardo: disseminação por outros linfonodos, pulmões, cérebro, fígado, baço. A patogenia se dá por tratamentos inadequados Purpura hemorrágica: reação de hipersensibilidade do tipo III (vasculite imunomediada, com extravasamento de líquido → aumento de volume localizados, edema, petéquias na mucosa oral, vulvar e ocular), sendo que os sintomas aparecem de 3 a 4 semanas após a doença sistêmica. Tratamento com dexametasona a 0,2 mg/kg/ dia IV e antibiótico (penicilina) → 5 a 7 dias INFLUENZA EQUINA Gripe dos equinos, sintomas semelhantes ao garrotilho, causada pelo vírus pertencente a Influenza A Dois subtipos (H7N7 e H3N8). Afetam desempenho principalmente de cavalos em treinamento e competição. Além de baixa mortalidade em imunocompetentes. Pode manifestar de forma branda em cavalos previamente vacinados, porem observam- se maiores ocorrências de fatalidades entre muares e potros. Pássaros e aquáticos, são os maiores reservatórios do vírus Vacinação obrigatória (SC é anual) Patogenia Curtos períodos de latência (do momento da infecção até se tornar infeccioso/transmissível) e incubação (da infecção até o aparecimento dos sinais clínicos) → PI: 48 horas Fatores pré disponentes: animais não vacinados, ↑ n° de animais, outono – inverno, compartilhamento de cochos. Sendo que o vírus sobrevive por até 72 horas em locais úmidos e 48 horas em locais secos. Transmissão: contato direto com secreções nasais ou saliva, via aérea e aerossóis Após entrar no trato respiratório, o vírus se replica nas células epiteliais dos brônquios e traqueia, promovendo a destruição do epitélio celular, dificultando a limpeza de partículas, favorecendo infecções bacterianas secundarias. Como por exemplo: pneumonia bacteriana, miosite, miocardite e edema de membros. Sinais clínicos Tosse seca (1 a 3 semanas), rinite com secreções serosas e depois mucosa (no garrotilho é purulenta), hipertermia (40-41°C → picos de 48 e 96h), sons pulmonares (estertor). Fase clinica entre 7 a 14 dias, podendo atingir 21 dias Diagnostico Definitivo por meio de testes imunológicos e moleculares é pouco disponível e alto custo Histórico, sinais clínicos e eliminação de outras doenças Tratamento Controle dos sinais clínicos, isolar animais doentes Para cada dia de febre, o equino fique 7 dias afastado de atividade esportiva, para futura regeneração epitelial AINES (dipirona, flunexina, fenilbutazona) Antibiótico: prevenir infecções secundárias Prevenção Esquema de vacinação, anualmente ou semestralmente, dependendo do estado Éguas prenhes devem ser vacinadas 2 a 6 semanas antes do parto: imunidade para os potros ate os 4 meses Potros em três doses, sendo a primeira aos 4 meses, segunda aos 5 meses e a terceira aos 9 meses. → a partir disso segue orientação do MAPA: a ou 2x/ano 30.05.23 RODOCOCOSE Rhodococcus equi, casuística de morbidade e mortalidade em potros de 1 a 6 meses. Ela pode resistir por até um ano no solo, mesmo quando exposto a condições extremas → sendo característica saprófita da microbiota intestinal, se multiplicando nas fezes do animal Fatores que contribuem: manutenção de lotes com potros de várias idades, permanência num mesmo local, pastagens com cobertura deficiente (degradação), ausência de monitoramento adequada e falha na colostragem Epidemiologia Inalação de partículas de poeira contaminadacom fezes → regiões quentes e secas Patogenia Fonte de infecção: potros infectados, disseminando ↑ n° de bactérias virulentas nas fezes até a 7° semana de vida Ingestão de fezes, solução continuada de pele, contaminação direta pelo ar expirado e secreções nasais de animais infectados Fatores de virulência que fazem o mecanismo de vazão do sistema imune: multiplicação no interior de fagócitos, como neutrófilos e macrófagos → dificuldade na resposta imune → formação de processos de processos piogranulomatosos (abcessos) no animal, sendo de difícil restituição Fator equi: polissacarídeos capsulares → inibição da fagocitose do microrganismo Algumas exoenzimas: (colesterol oxidase e fosfolipase C) → destruição dos tecidos do hospedeiro → acentuada atividade membranolítica Proteína VapA: codificada por plasmídeos: proteína de superfície ancorada no envelope celular → termorregulação Sinais clínicos Sintomatologia respiratória e gastrointestinal (diarreia) Broncopneumonia pela formação de abcessos no pulmão, associada com inflamação dos vasos linfáticos (linfadenite supurativa) Sem a colostragem adequada, a ocorrência de pneumonia nos primeiros dias de vida dos potros; inicialmente apresentam febre, hiporexia e depressão. Posteriormente, aparecem os abcessos no pulmão e o aparecimento de dispneia, tosse e descarga nasal. Bem como, respiração abdominal, cianose e decúbito Auscultação: estertores (roncos), sibilos ou diminuição dos sons respiratórios Animais que ingeriram as fezes podem estar apresentando enterocolite (inflamação da parede decorrente das bactérias) Com a invasão da bactéria em outros tecidos podem ocorrer: formação de imunocomplexos (artrite asséptica – polissinovite → bactérias nas articulações e ulcera de córnea), ulceração cutânea, abortamento e placentite No homem Indivíduos imunologicamente comprometido → transplantes, neoplasias, AIDS Saudáveis → crianças e idosos Diagnostico Cultura de secreções → swab, lavado traqueal com isolamento bacteriano e PCR Cultura e antibiograma demoram muito. Com isso, entra-se já com os medicamentos Sorológico: imunodifusão e ELISA não são tão eficazes Diferencias: pneumonia por Streptococus equi, pneumonias viriais e migrações parasitárias Tratamento Reconhecimento precoce e antibiótico: ceftiofur (IV por 5 dias), claritromicina (VO por 5 dias) dipirona sódica, flunixin meglumine, suporte com ringer lactato (mais velhos 18 litros e neonatos não passar de 1,2L IV/dia Prevenção Plasma hiperimune, por IV → 500mL/dia por 3 dias → plasma da mãe p/ potro Manejo e controle sanitário, ↓ de potros por piquete, quarentena e separação dos animais doentes HERPERVIRUS EHV-1 E EHV-4: importante → doença respiratória, neurológica e abortamento Relacionada, mas a forma de ação é diferente EHV – 1: cavalos domésticos (bovinos, camelos e cervídeos) EH – 4: exclusivo dos equinos domésticos EHV – 1 Variedade de células, incluindo epitélio respiratório, endotélio uterino, gânglios neuronais e linfoides EHV – 4 Tropismo por células endoteliais e neuronais, além de possuir potencial limitado de invasão de células linfoides e endotélios Patogenia Ciclo lítico: infecção ocorre por aerossóis, infectando epitélio respiratório → replicação viral com ou sem sinais clínicos → fase de viremia: atravessam membrana basal e infectam linfócitos T, se disseminando pelo organismo – ocorrendo de 4 a 10 dias após a infecção Chegando aos vasos sanguíneos, invadem células e causam vasculite, trombose e necrose tecidual Causam danos no endométrio, resultando em abortamento, sinais neurológicos, gerando mieloencefalopatias (passa barreira hematoencefálica e causa degeneração das células do sistema nervoso) → não chega aporte sanguíneo suficiente Ciclo latente: invade células nervosas do gânglio trigêmeo (passa próximo a epiderme do animal) → inflamação Fica em estado latente até diminuir a imunidade Sinais clínicos Inicial: assintomático e após uma replicação aparecem febre, hiporexia, descargas nasais (serosas que vão a mucopurulenta), conjuntivite, tosse, apatia EHV – 1: respiratórios e abortamentos no terço final da gestação (sem sinais prévios), morte neonatal e mieloencefalopatias. As manifestações nervosas variam do local acometido EHV – 4: restrito ao trato respiratório superior Linfopenia e neutropenia seguida de leucocitose Após não tratar os sinais, o animal pode apresentar sensibilidade bronquial inespecífica Diagnostico Rotina clínica: Diagnóstico definitivo: imunofluorescência, PCR e isolamento viral (tecidos e secreções nasais) Xantocromia: liquido cerebroespinhal com aspecto amarelado é característico de doença neurológica Diagnostico diferencial: influenza, garrotilho, DIVA/ORVA Tratamento Sintomático: flunixina, fenilbutazona, firocoxibe, dipirona, dexametasona, antibiótico em casos de infecções respiratórias bacterianas secundarias Isolamento dos doentes por 21 dias Prevenção e controle Fetos e restos de abortos devem ser incinerados e isolar o local Vacinação de éguas prenhes no 5°, 7° e 9° mês Potros: 4° e 5° mês → vacina de tétano, encefalomielite ENCEFALOMIELITES VIRAIS EQUINAS Vírus Toagviridae, gênero Alphavirus Encefalites equinas do Leste, do Oeste e venezuelanas (mais comum Brasil) Gênero flavivírus: encefalites de Sant Louis (comum no Brasil) Zoonose Aves e roedores silvestres são os reservatórios do vírus, indo a infectar humanos e equinos Patogenia Inicia pela picada do mosquito contaminado → após a inoculação, ocorre a replicação em fibroblastos próximos ao local da picada → atinge sistema linfático e se dissemina por todo organismo, chegando aos SNC, passando barreira hematoencefálica, destruindo células Sinais clínicos Febre, pressionamento da cabeça contra locais fixos, cegueira, bruxismo, cabeça e orelhas baixas, ataxia, protusão de língua, posição de cavalete e cabeça próxima ao abdômen (auto auscultação) 2 a 14 dias curso da doença Diagnostico PCR, ELISA, sorologia Tratamento Suporte e 3 a 5 dias o animal vem a óbito AINE, manitol (redução de edema cerebral), detomidina (tranquilização) Prevenção e controle Vacinação Égua: terço final da gestação Machos: anual Potros: 4° mês e revacinação após 21 dias Considerações de saúde pública Humanos podem se infectar, onde os sinais clínicos podem variar de sinais neurológicos e morte Idosos, crianças e imunossuprimidos são mais susceptíveis. MIELOENCEFALITE PROTOZOARIA EQUINA (EPM) Bambeira → doença neurológica dos equídeos Equinos são hospedeiros intermediários Causados pelos protozoários Sarcocystis neurona e Neospora hughesi Forma clinica está associada a animais estressados (↓ da imunidade) Patogenia Sarcocystis neurona tem menos dois hospedeiros HD: gambas Diedelphis → formas infectantes → esporocistos nas fezes HI: os protozoários realizam reprodução assexuada e se alojam sob forma de sarcocistos na musculatura → animais morrem → gambas ingerem a carne e o ciclo se completa Equinos: ingestão e água e alimentos contaminados → liberação de esporozoítos no TGI → atingem corrente sanguínea, ativando sistema imune → em contato com leucócitos, são fagocitados por macrófagos, os quais se tornam incapazes de digeri-los → tornando -se cavalos de troia e conseguindo passar a barreira hematoencefálica Sinais clínicos T Sistema nervoso periférico: neurônios motores inferiores, superiores e sensitivos Paresia dos membros (pélvicos), ataxia, déficits proprioceptivos e atrofia muscular assimétrica (glúteos e masseter) Sinais associados aos nervos cranianos e cerebrais como cegueira, convulsões e confusão mental Relacionado ao local de alojamento Diagnostico Presuntivo, sinais clínicos Sorológico não é conclusivo Presença de anticorpos contra Sarcocystis neurona em liquido cerebroespinhal O diagnostico definitivo é dado somente no pós mortem, com identificação dos microrganismos diretamente no sistema nervoso por imunofluorescência direta ou PCR Tratamentos Sulfa: 90 dias Diclazuril (1,0 mg/kg), VO, uma vez ao dia por 28 dias; Ponazuril (5, 0 mg/kg) VO, 1 vez ao dia por 28 dias; Toltrazuril (5,0 – 7,0 mg/kg) VO, 1 vez ao dia por 28 dias Tratamento suporte