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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI – UFSJ NÚCLEO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA LICENCIATURA EM FILOSOFIA TAREFA I DATA: 07/04/2021 NOME DO ALUNO: Heberton Camilo de Freitas POLO: Patos de Minas DISCIPLINA: Didática do Ensino de Filosofia TUTOR: Luiz Raimundo Tadeu da Silva Tarefa sobre literatura e educação filosófica Primeira parte Agora, você deve avaliar um texto literário a partir dos critérios que Diego Antonio Pineda considera adequados para uma educação filosófica, conforme consta nas páginas 88 e 89 do artigo de referência: -texto literário aberto; -posição do narrador no texto; -texto rico em alusões e imagens; -texto narrativo que permite a expressão de certas emoções; -trecho de diálogo; -texto com linguagem compatível com o tipo de leitor. Explicite também em sua avaliação: -possíveis conceitos ou problemas filosóficos presentes no texto literário. -autores da Filosofia que podem estabelecer diálogo a partir de conceitos e problemas identificados no texto literário e justifique suas indicações de autores Seiscentos e Sessenta e Seis A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6ª-feira… Quando se vê, passaram 60 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado… E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio seguia sempre em frente… E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas. (Mário Quintana) A partir da leitura do texto Literatura e Educação Filosófica de Diego Antonio Pineda e dos pressupostos elencado por esse autor para avaliação de um texto literário, apresentasse a análise do poema “Seiscentos e Sessenta e Seis”, de Mário Quintana, exposto acima. A escolha de um poema se dá pelo fato de ser um tipo de texto mais fácil para a compreensão dos alunos e por conta da linguagem metafórica que pode auxiliar no tratamento de várias questões. De acordo com Pineda (2004) um texto literário aberto é aquele que pode gerar uma discussão em diversas direções e não somente sobre um único assunto nesse sentido o texto encaixa pois ele pode suscitar sobre o tempo, sentido e efemeridade da vida. Do mesmo modo a posição do autor na obra também corresponde ao que é apresentado por Pineda (2004), pois no texto literário apresentado o autor, ao refletir a transitoriedade do tempo, faz uma reflexão do tempo de sua vida no lugar de alguém que a medida em que a narrativa vai desenrolando não deixa antever o que vai acontecer gerando indagação ao leitor. Pineda (2004) ressalta que texto literário com potencial filosófico precisa ter riquezas de imagens e alusões, na obra analisada de Quintana se observa o uso de metáforas para se referir à passagem do tempo, uma vez que o poeta associa essa passagem a um dever de casa. No que se refere à narração no texto trabalhado o autor procura falar diretamente com e busca aconselhar-lhe, acerca do diálogo, por se tratar de uma poesia, não há muito espaço para conversações, no entanto a forma como o eu poético se relaciona com o leitor também se encaixa nos pressupostos definido por Pineda (2004) no sentido de expressar conflitos. Por fim, Pineda (2004) afirma que é necessário que a linguagem do texto literário esteja adequada ao público apresentado, nesse sentido o poema “Seiscentos e Sessenta e Seis” possui uma narração simples, com palavras acessíveis e é bastante pertinente para alunos do ensino médio. Sobre os problemas filosóficos encontrados no texto, destacam-se própria noção de tempo, o que é o tempo? Qual a relação entre tempo passado, presente e futuro? Para tratar desses questionamentos, pode-se recorrer à Aristóteles para quem a essência do tempo é o que vivemos no agora, mas também o movimento entre o passado e o futuro. REFERÊNCIAS: QUINTANA, Mário. Esconderijos do tempo. Porto Alegre, L&PM, 1980 PUENTE, Fernando Rey. Os Sentidos do Tempo em Aristóteles. São Paulo: Loyola, 2001. R. PINEDA, Diego Antonio. Literatura e educação filosófica. Trad. Wanderson Flor do Nascimento.In: KOHAN, Walter O (org.). filosofia. Lugares da infância: Rio de Janeiro: DP&A, 2004. p.71-96. Segunda parte Você também estudou que muitos filósofos fazem uso de gêneros literários em suas produções. Nesta segunda parte da tarefa, você vai avaliar um texto de teor filosófico que usa uma forma literária como suporte. Considere em sua avaliação: -o texto no conjunto da obra do autor (Conheça um pouco sobre o autor); -os problemas filosóficos abordados pelo autor no texto; -os conceitos filosóficos trabalhados pelo autor no texto; -a tese defendida pelo autor no texto; -os argumentos utilizados pelo autor para sustentar sua tese. O francês François-Marie Arouet, conhecido pelo pseudônimo Voltaire, nascido em Paris em 1694, foi um proeminente escritor filósofo iluminista era a favor da liberdade religiosa e do livre comércio e fazia críticas à igreja católica e à monarquia absolutista e suas ideias foram muito importantes para a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos. Em seu texto O Bom Brâmane escrito em 1759 o filósofo apresenta como problema a relação entre felicidade e conhecimento, destacando sobretudo a seguinte questão: é melhor ser infeliz buscando conhecimento ou ser feliz sendo ignorante? Nesse sentido, os conceitos filosóficos trabalhados pelo autor envolvem a epistemologia na busca pelo conhecimento e as dificuldades de se adquirir a compreensão, pois esse e um processo muito complexo e árduo que requer reflexão constante e para o qual não existe respostas prontas. A tese defendida pelo autor é a de que é melhor ter o conhecimento sendo infeliz do que ser feliz sendo um imbecil. Os argumentos utilizados pelo filosofo para defender a sua tese são dois, ele coloca como primeiro exemplo um Brâmane, individuo da casta sacerdotal indiana, um homem rico que em tese possuía todos os recursos para ter uma vida feliz e ser realizado, contudo se mostra o oposto, pois este é constantemente perturbado pela dificuldade de encontrar as respostas metafísicas acerca de sua existência. Por outro lado, Voltaire apresenta uma outra personagem, uma velha carola imbecil que reside em frente ao brâmane, ela é pobre e teria todos os motivos para ser uma pessoa infeliz, contudo, indagada acerca dos problemas existências evidenciadas pelo primeiro personagem ela não se mostra afetada, pois não tem conhecimento nenhum para achá-los relevantes ao ponto de atormentá- la. REFERÊNCIAS: VOLTAIRE. Romans et contes. (Org.: H. Bénac). Paris: Classiques Garnier, 1957, pp. 114-6. Tarefa sobre a pedagogia da imagem Você estudou também sobre a importância do uso de imagens, no caso a pintura, para o ensino de Filosofia. João Virgílio Tagliavini foi importante nesse estudo. Agora é a sua vez: escolha uma pintura que você considera possuir potencial filosófico e elabore um texto contemplando os seguintes itens: -Sobre os sentimentos: quais os sentimentos que a obra de arte escolhida desperta em você? -Procure levantar elementos sugeridos pela pintura capazes de levar a questionamentos e interpretações de caráter filosófico (conceitos, valores, problemas). -Procure identificar autores e textos de filosofia que, de alguma forma, possam ser correlacionados com a pintura escolhida. Explicite essas possíveis correlações. -Investigue os contextos histórico, social, cultural e artístico do autor da obra que possam ter influenciado, de alguma forma, sua criação artística. Figura 1 Sisifo, de Tiziano Vecellio, 1548-1549. A obra de arte Sísifo foi pintada pelo italiano Ticiano Vecellio entre1548 e 1549. É considerada uma pintura pré-renascentista que retrata o mito no qual Sísifo, um dos mortais mais astutos, filho do rei Éolo, é condenado a carregar pedras eternamente em uma montanha na Terra dos Mortos por ofender os deuses. Em um primeiro momento, a obra causa um sentimento de sofrimento e apreensão, sobretudo se observado diretamente o rosto de Sísifo quase encoberto pelos braços e pela sombra da pedra, o qual é obrigado a carregar, além disso, o aspecto sombrio da Terra dos Mortos, um local escuro, corrobora ao ambiente do árduo trabalho do personagem. Nesse sentido, a obra de arte pode fazer uma alusão à incessante busca pelo conhecimento, que também se configura como um trabalho incessante e carregado de sofrimento. Do mesmo, o trabalho solitário também pode fazer referência ao ofício daqueles que se dedicam ao pensamento, que se configura como uma tarefa individual e isolada. De outro modo, o filosofo Albert Camus (1989) também explorou a história de Sísifo em sua obra de mesmo nome, nela o personagem é usado pelo autor para travar uma alegoria acerca dos trabalhos em uma sociedade industrial, cada vez mecanizada na qual os indivíduos têm como tarefa trabalhos repetitivos e muitas vezes sequer se dão conta do motivo que os leva a exercer aquela função. Acerca do contexto histórico, social e político do autor, trata-se, como já foi mencionado, de uma obra do período pré-renascentista, na qual são retratados motivos religiosos e paisagísticos, isso influi na forma religiosa com que Sísifo é concebido em semelhança com Jesus carregando a cruz. REFERÊNCIAS: CAMUS, A. O mito de Sísifo. Rio de Janeiro: Guanabara, 1989.