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ESTADO E 
PROTEÇÃO 
SOCIAL
Professora Me. Letícia Carla Baptista Rosa
Professora Me. Mariane Helena Lopes
Professora Me. Monica Cameron Lavor Francischini
GRADUAÇÃO
Unicesumar
Acesse o seu livro também disponível na versão digital.
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor Executivo de EAD
William Victor Kendrick de Matos Silva
Pró-Reitor de Ensino de EAD
Janes Fidélis Tomelin
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Diretoria Executiva
Chrystiano Minco�
James Prestes
Tiago Stachon 
Diretoria de Graduação
Kátia Coelho
Diretoria de Pós-graduação 
Bruno do Val Jorge
Diretoria de Permanência 
Leonardo Spaine
Diretoria de Design Educacional
Débora Leite
Head de Curadoria e Inovação
Tania Cristiane Yoshie Fukushima
Gerência de Processos Acadêmicos
Taessa Penha Shiraishi Vieira
Gerência de Curadoria
Carolina Abdalla Normann de Freitas
Gerência de de Contratos e Operações
Jislaine Cristina da Silva
Gerência de Produção de Conteúdo
Diogo Ribeiro Garcia
Gerência de Projetos Especiais
Daniel Fuverki Hey
Supervisora de Projetos Especiais
Yasminn Talyta Tavares Zagonel
Coordenador de Conteúdo
Maria Cristina Araújo de Brito Cunha
Designer Educacional
Bárbara Neves
Projeto Gráfico
Jaime de Marchi Junior
José Jhonny Coelho
Arte Capa
Arthur Cantareli Silva
Ilustração Capa
Bruno Pardinho
Editoração
Kleber Ribeiro da Silva
Qualidade Textual
Cintia Prezoto Ferreira
Ilustração
Marcelo Yukio Goto
Universidade Cesumar - UniCesumar. U58
Núcleo de Educação a Distância.
Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722. 
Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a).
Estado e Proteção Social / Letícia Carla Baptista Rosa, 
Mariane Helena Lopes, Monica Cameron Lavor Francischini. - 
Indaial, SC : Arqué, 2023. 
216 p. : il.
“Graduação - EaD”.
1. Estado 2. Proteção 3. Social. 4. Letícia Carla Baptista 
Rosa. 5. Mariane Helena Lopes. 6. Monica Cameron Lavor 
Francischini. I. Título. 
CDD - 341 
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu-
nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de 
alcançar um nível de desenvolvimento compatível com 
os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica 
e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con-
tribuindo no processo educacional, complementando 
sua formação profissional, desenvolvendo competên-
cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em 
situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal 
objetivo “provocar uma aproximação entre você e o 
conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento 
da autonomia em busca dos conhecimentos necessá-
rios para a sua formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cresci-
mento e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns 
e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis-
cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe 
de professores e tutores que se encontra disponível para 
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de 
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
A
U
TO
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A
S
Professora Me. Monica Cameron Lavor Francischini
Mestrado em Ciências Jurídicas com ênfase nos Direitos da Personalidade 
pelo Centro Universitário Cesumar (Unicesumar/2015). Especialização em 
Educação a Distância e as Tecnologias Educacionais pelo Centro de Ensino 
Superior de Maringá (Cesumar/2014). Atualmente é docente dos cursos 
Centro de Ensino Superior de Maringá (Cesumar).
<http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4231336J8> 
Professora Me. Letícia Carla Baptista Rosa
Doutorado (em curso) em Função Social do Direito pela Faculdade Autônoma 
de Direito de São Paulo (FADISP). Mestrado em Ciências Jurídicas pelo 
Centro Universitário Cesumar (Unicesumar/2013). Especialização em Direito 
e Processo Penal pela Universidade Estadual de Londrina (UEL/2009). 
Graduação em Direito pelo Centro Universitário Cesumar (Unicesumar/2006). 
Atualmente é coordenadora dos cursos de pós-graduação em Direito Civil, 
Processo Civil e Direito do Trabalho, de Direito Público e de Direito Empresarial 
do Centro Universitário Cesumar (Unicesumar). Pesquisadora externa da 
Universidade Estadual de Maringá (UEM). Docente dos cursos de graduação 
em Direito da Faculdade Metropolitana de Maringá (UNIFAMMA). Docente 
nos cursos em Gestão Financeira e Marketing (EAD) do Centro Universitário 
Cesumar (Unicesumar). Docente do curso de pós-graduação em Direito 
Civil, Processo Civil e Direito do Trabalho do Centro Universitário Cesumar 
(Unicesumar), além de outras atividades.
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e 
publicações, acesse seu currículo, disponível no endereço a seguir:
<http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4423935Z7>
Professora Me. Mariane Helena Lopes 
Mestrado em Ciências Jurídicas, com ênfase em Direitos da Personalidade, 
pelo Centro Universitário Cesumar (Unicesumar/2012). Especialização 
em Direito Aplicado pela Escola da Magistratura do Paraná (EMAP/2009). 
Graduação em Direito (Unicesumar/2008). Desde o ano de 2010, atua como 
docente nos cursos de Administração, Direito, Gestão de Recursos Humanos, 
Jornalismo, Pilotagem de Aviões e Publicidade e Propaganda, na modalidade 
presencial (Unicesumar). No ensino a distância (EAD), atua nos cursos de 
Administração, Gestão de Recursos Humanos e Processos Gerenciais, Serviço 
Social, Gestão Hospitalar, Economia, Gestão de Cooperativas (Unicesumar). 
Na pós-graduação, atua nos cursos...
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e 
publicações, acesse seu currículo, disponível no endereço a seguir:
<http://lattes.cnpq.br/1815582404405502>.
SEJA BEM-VINDO(A)!
A obra “Estado e Proteção Social” foi especialmente organizada para os acadêmicos do 
curso de graduação em Serviço Social no intuito de lhes dar uma iniciação às matérias 
de Direito, que são relacionadas à área de atuação do assistente social.
Buscou-se delimitar alguns conhecimentos básicos do Direito para que os graduandos 
possam agraciar, de forma didática, a base da Constituição Federal e a legislação espe-
cial. Trataremos de temas, como o direito de família e a seguridade social, por meio de 
uma análise bem abrangente acerca dos principais conceitos jurídicos, uma compreen-
são que é imprescindível aos profissionais e estudiosos da área.
Na primeira Unidade, buscou-se trazer as noções gerais de direito com intuito de deli-
near as origens e o conceito de Direito, Direito e Estado, Direito Natural e Positivo, Hie-
rarquia das Leis, Ordenamento Jurídico e os ramos do direito, subdividindo-o em Direito 
Público e Direito Privado, e as Fontes do Direito. Foi elaborada uma unidade com vários 
conteúdos conceituais que visaram introduzir o acadêmico na esfera jurídica.
Já na segunda Unidade, diante da necessidade de conhecimentos básicos acerca das 
relações familiares, foram preparados e selecionados temas que são presentes no Direi-
to de Família e que trazem algumas noções gerais do mesmo. Essa unidade tratara do 
desenvolvimento do conceito de família, dos váriosformatos familiares da pós-moder-
nidade, dos princípios que decorrem do Direito de Família, dos aspectos jurídicos da for-
mação e dissolução da família, como, por exemplo, o casamento e seus efeitos, regimes 
de bens, divórcio e a união estável. Também será abordada a maneira como o Direito 
trata das relações de parentesco, dos direitos e deveres inerentes ao poder familiar e 
como são classificadas as espécies de alimentos para a doutrina.
Na terceira Unidade, diante dos inúmeros conflitos existentes na família que irão tra-
zer efeitos para o profissional do serviço social, pretendeu-se especificar algumas di-
ferenças entre grupos de minorias e vulneráveis, no intuito de identificar as proteções 
aos vulneráveis no âmbito familiar, por exemplo, à criança e ao adolescente, à mulher 
e ao idoso. No âmbito de proteção à criança, foram apresentados temas de grande im-
portância para serem discutidos, tais como a parentalidade responsável, a doutrina da 
proteção integral, o princípio do melhor interesse da criança e o direito fundamental à 
convivência familiar. Destarte, com relação à proteção da mulher, visou-se apresentar, 
de uma forma genérica, o instrumento legislativo que tutela a mulher. A Lei Maria da 
Penha conceitua as formas de violência, mas primeiramente tratarmos de uma questão 
polêmica que é a igualdade entre o homem e a mulher, fruto de muitos debates na 
área jurídica. Em seguida, com relação à proteção jurídica do idoso, sera traçado uma 
discussão sobre os conceitos e dispositivos com especificações protetivas e também um 
debate acerca da condição jurídica do idoso no Brasil atual.
APRESENTAÇÃO
ESTADO E PROTEÇÃO SOCIAL
A Unidade IV foi dedicada totalmente aos conceitos básicos acerca da Seguridade 
Social. Nela foi traçada uma evolução histórica sobre os principais princípios que 
regem a seguridade, as formas de custeio, os direitos sociais e a assistência social, 
sendo incluídas as classificações dos benefícios a serem custeados pelo Estado, bem 
como o amparo social ao idoso e ao portador de deficiência.
Por fim, a Unidade V trara conceitos relacionados à Previdência Social e especifica o 
Sistema Previdenciário brasileiro por meio da identificação dos sujeitos da relação 
jurídica, dos períodos de carência, do valor dos benefícios e das prestações previ-
denciárias.
Portanto, verifica-se que a obra é de grande valia para estudantes que visam ter 
conhecimentos jurídicos básicos com o escopo de dirimir ou solucionar os mais di-
versos problemas e casos relacionados à área do Serviço Social e Direito.
As autoras.
APRESENTAÇÃO
SUMÁRIO
09
UNIDADE I
INTRODUÇÃO AO DIREITO E DIREITO CONSTITUCIONAL
15 Introdução
16 Conceito de Direito 
18 Direito Objetivo e Direito Subjetivo 
18 Distinção Entre Direito e Moral 
20 Ramos do Direito 
22 Fontes do Direito 
24 Aplicação das Normas de Direito 
26 Eficácia 
27 Princípios Gerais do Direito 
29 Direito Constitucional 
30 Princípios Constitucionais 
32 Divisão dos Poderes 
35 Direitos e Garantias Individuais 
44 Nacionalidade 
46 Direitos Políticos 
48 Considerações Finais 
55 Referências 
56 Gabarito 
SUMÁRIO
10
UNIDADE II
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
59 Introdução
60 Desenvolvimento Histórico do Conceito de Família 
64 Formatos Familiares 
68 Princípios do Direito de Família 
71 Aspectos Jurídicos da Formação e Dissolução da Família: Casamento, 
Efeitos do Casamento, Divórcio e União Estável
75 Relações de Parentesco 
76 Direitos e Deveres Inerentes ao Poder Familiar 
83 Alimentos 
85 Tutela e Curatela 
88 Considerações Finais 
95 Referências 
97 Gabarito 
SUMÁRIO
11
UNIDADE III
QUESTÕES ATUAIS RELACIONADAS À FAMÍLIA
101 Introdução
102 Direitos da Criança e do Adolescente: Estatuto da Criança e do 
Adolescente
120 Direitos Humanos das Mulheres: Lei Maria da Penha 
130 Direitos do Idoso: Estatuto do Idoso 
139 Considerações Finais 
146 Referências 
151 Gabarito 
UNIDADE IV
SEGURIDADE SOCIAL
157 Introdução
158 A Seguridade Social na Constituição Federal de 1988 
162 Principais Princípios que Regem a Seguridade Social 
170 Forma de Custeio da Seguridade Social 
172 Os Direitos Sociais e a Assistência Social 
178 Considerações Finais 
184 Referências 
186 Gabarito 
SUMÁRIO
12
UNIDADE V
BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA E LEGISLAÇÃO 
PREVIDENCIÁRIA
191 Introdução
192 Benefício de Prestação Continuada 
197 Planos de Benefícios da Previdência Social 
199 Normas Previdenciárias 
206 Considerações Finais 
213 Referências 
215 Gabarito 
216 CONCLUSÃO
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Professora Me. Mariane Helena Lopes
INTRODUÇÃO AO DIREITO E 
DIREITO CONSTITUCIONAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Conhecer o Direito.
 ■ Diferenciar Direito Objetivo e Direito Subjetivo.
 ■ Diferenciar Direito e Moral.
 ■ Analisar os ramos do Direito
 ■ Conhecer as fontes do Direito.
 ■ Compreender como ocorre a aplicação das normas.
 ■ Entender a eficácia da lei.
 ■ Elencar alguns princípios gerais do Direito.
 ■ Compreender a evolução do Direito Constitucional.
 ■ Elencar alguns princípios do Direito Constitucional.
 ■ Conhecer os poderes existentes em nosso país.
 ■ Conhecer os direitos previstos na Constituição Federal.
 ■ Entender a nacionalidade.
 ■ Demonstrar os direitos políticos previstos.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Conceito de Direito
 ■ Direito Objetivo e Direito Subjetivo
 ■ Distinção entre Direito e Moral
 ■ Ramos do Direito
 ■ Fontes do Direito
 ■ Aplicação das normas de Direito
 ■ Eficácia
 ■ Princípios gerais do Direito
 ■ Direito Constitucional
 ■ Princípios Constitucionais
 ■ Divisão dos Poderes
 ■ Direitos e garantias individuais
 ■ Nacionalidade
 ■ Direitos políticos
INTRODUÇÃO
Nesta primeira Unidade, iremos estudar o conceito de Direito, qual a sua impor-
tância para a nossa sociedade e como ele regulamenta a vida humana em sociedade. 
Veremos, também, a divisão do Direito em ramos que facilitarão o nosso estudo 
e permitirão uma compreensão melhor da matéria. 
Para facilitar nosso estudo, temos que considerar que o Direito se divide em 
ramos, permitindo, assim, que o estudo dessa ciência seja mais fácil. Precisamos 
nos atentar que o Direito é de suma importância para a organização da sociedade.
Contudo, deve-se tomar cuidado para não confundir o Direito com a Moral. 
Ambos se confundem e, em muitas situações, não conseguimos separá-los. De 
acordo com o que estudaremos nesta unidade, ficará claro que as características os 
diferenciam, tornando, assim, o Direito uma ciência que devo obrigatoriamente 
cumprir, enquanto a Moral dependerá da minha criação, da minha formação 
enquanto indivíduo.
Analisaremos as fontes do Direito, sendo as principais as leis, jurisprudên-
cia, costume jurídico e doutrina jurídica, existindo outras fontes, mas de menor 
importância para esta disciplina. 
Após essa parte introdutória, passaremos a estudar o Direito Constitucional, 
a principal e mais importante área do Direito. É a partir da Constituição Federal 
que todas as demais fontes no nosso ordenamento jurídico devem ser criadas. Caso 
alguma fonte seja criada em contradição com a Constituição Federal, esta não 
pode ser aplicada em nossa sociedade, devendo ser considerada inconstitucional. 
Até porque é a Constituição que regulamenta toda a estrutura do nosso Estado.
Por fim, veremos alguns direitos e deveres individuais e coletivos previstos 
na Constituição Federal, que devem ser aplicados a toda a sociedade, sem qual-
quer distinção, visto que a Carta Magna é uma norma a ser aplicada para toda 
a sociedade.
Bons estudos!
Introdução
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INTRODUÇÃO AO DIREITO E DIREITO CONSTITUCIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IUN I D A D E16
CONCEITO DE DIREITO
Para Luis Alberto Warat (1977), uma boa definição de Direito depende dos seguin-
tes requisitos: a) não deve ser circular; b) não deve ser elaborada em linguagem 
ambígua, obscura ou figurada; c) não deve ser demasiado ampla nem restrita; d) 
não deve ser negativa quando puder ser positiva. Contudo, para conseguirmos 
definir o que vem a ser o Direito, é fundamental analisarmos o pensamento de 
Aristóteles sobre o assunto.
Aristóteles mencionava que o homem é um animal político, destinado a viver 
em sociedade. Por essa razão, havia a necessidade de regras para que pudesse 
viver em harmonia, evitando a desordem em sociedade (MARTINS, 2013).
Isto é, para Aristóteles, as regras foram necessárias, permitindo que a socie-
dade vivesse harmonicamente em sua organização. Miguel Reale define o Direito 
como “a vinculação bilateral atributiva da conduta para a realização ordenada 
dos valores de convivência” (REALE, 1972, p. 617). Assim, pode-se dizer que o 
Direito é um conjunto de instituições, regras e princípios que buscam regula-
mentar a vida humana em sociedade.
Conceito de Direito
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Quando se fala em regulamentar a vida humana em sociedade, deve-se fa-
zer uma reflexão: o Direito está em todo lugar? Posso falar que ele existe 
apenas onde existe a sociedade?
Vamos desmembrar a definição anterior para compreendermos melhor o Direito. 
Inicialmente, podemos defini-lo como conjunto. De fato, o Direito representa 
um conjunto por ser composto de várias partes organizadas, formando, assim, 
um sistema. Como iremos estudar mais adiante, observaremos que o Direito é 
dividido em vários ramos, cada um sobre um determinado assunto. Nesta dis-
ciplina, estudaremos os seguintes ramos: Direito Constitucional, Direito Civil, 
Direito Administrativo, Direito Internacional e Direito Penal.
Ele possui princípios próprios como qualquer ciência, mesmo que não exata. 
Dentre eles, pode-se citar o da dignidade humana, boa-fé, publicidade, razoabi-
lidade, proporcionalidade, dentre outros que estudaremos adiante.
No Direito, encontramos as instituições, que são entidades que perduram 
no tempo, por exemplo: os sindicatos, os órgãos do Poder Judiciário, do Poder 
Executivo etc. Por fim, ele é um meio para a realização ou obtenção de um fim, 
que é a Justiça. Por mais que esta, muitas vezes, pareça utópica, é para essa fina-
lidade que o Direito existe na sociedade.
Para que o Direito seja cumprido em sociedade, o Estado (aqui, quando se 
fala em Estado deve-se compreender como país), com o uso do seu poder impe-
rativo, prevê a sanção (punição). A sanção no Direito existe para que a norma 
criada seja cumprida, quando a submissão a ela não ocorre espontaneamente.
O Direito, como coloca Sérgio Pinto Martins (2013), tem em uma das mãos 
a balança e na outra a espada. A balança serve para sopesar o Direito e a espada 
visa fazer cumprir as suas determinações. A espada sem a balança é a despro-
porção. A balança sem a espada é um direito ineficaz. As duas devem caminhar 
juntas. A proporção do emprego da espada e da balança tem que ser igual para 
não se criar desigualdades. 
INTRODUÇÃO AO DIREITO E DIREITO CONSTITUCIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E18
DIREITO OBJETIVO E DIREITO SUBJETIVO
O Direito Objetivo, nas palavras de Sérgio Pinto Martins (2013, p. 5), “é o com-
plexo de normas que são impostas às pessoas, tendo caráter de universalidade, 
para regular suas relações”. O Direito Objetivo é, portanto, aquele criado pelo 
Estado e aplicado a toda a coletividade; independente da vontade do indivíduo, 
ele existe. Podemos citar como exemplo o Direito Constitucional, que é apli-
cado igualmente a todos.
O Direito Subjetivo, por outro lado, é a faculdade, a escolha de a pessoa pos-
tular seu direito, objetivando a realização de seus interesses, uma vez que não 
foram cumpridos.
Diferentemente do Direito Objetivo, no caso do Direito Subjetivo, ele depen-
derá da vontade do indivíduo para existir, ou seja, é necessária a manifestação 
de vontade para a aplicação de um direito. O exemplo deste seria o Direito do 
Consumidor. Quando se compra um produto e ele apresenta algum defeito, 
dependerá da manifestação da vontade daquele que o comprou para que o pro-
duto seja trocado ou o negócio seja desfeito.
DISTINÇÃO ENTRE 
DIREITO E MORAL
Para continuarmos nosso 
estudo sobre o Direito, preci-
samos estabelecer a distinção 
entre o que é Direito e o 
que é Moral. A Moral pos-
sui um conceito que varia 
com o tempo, em razão de 
questões políticas, sociais e 
Distinção Entre Direito e Moral
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econômicas que vão sendo alteradas de acordo com a história e com a socie-
dade que é estudada. A Moral é unilateral, pois não há punição, uma vez que a 
norma foi descumprida. No Direito, porém, há uma bilateralidade, uma vez que 
há uma imposição do comportamento do indivíduo na sociedade, e quando este 
é descumprido, há uma sanção (punição) por parte do Estado.
Para melhor compreender, veja a tabela a seguir com a distinção feita por 
Miguel Reale (1972, p. 626).
Quadro 1 - Diferenças entre Moral e Direito
ASPECTO MORAL DIREITO
Quanto à valoração do 
ato
a) unilateral;
b) visa à intenção, partin-
do da exteriorização 
do ato.
a) bilateral;
b) visa à exteriorização 
do ato, partindo da 
intenção.
Quanto à forma
a) é autônoma, prove-
niente da vontade das 
partes;
b) não há coação.
a) pode vir de fora da 
vontade das partes 
(heterônomo);
b) é coercível.
Quanto ao objeto
a) visa ao bem individu-
al ou aos valores da 
pessoa.
a) visa ao bem-estar 
social ou aos valores 
de convivência.
Fonte: Reale (1972, p. 626).
Assim, observamos que, entre o Direito e a Moral, apesar de parecerem a mesma 
coisa em muitos momentos, a diferença fica clara quando se fala na punição e 
na criação da norma de cada um deles.
INTRODUÇÃO AO DIREITO E DIREITO CONSTITUCIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E20
RAMOS DO DIREITO
Existe uma vasta classificação da ciência do Direito. A primeira que vamos tra-
balhar é a classificação em Direito natural e Direito positivo. 
O Direito natural nasce a partir do momento em que surge o homem, apa-
recendo, portanto, naturalmente para regular a vida humana em sociedade, de 
acordo com as regras da natureza (MARTINS, 2013, p. 8).
Pode-se dizer que seria uma norma criada pela natureza e não pelo homem, 
logo não pode ser criada pelo Estado. Seriam princípios gerais e universais para 
regular os direitos e deveres do homem. O Direito natural é aquele que fixa regras 
de validade universal, não consubstanciadas em regras impostas ao indivíduo 
pelo Estado. Em verdade, ele se impõe a todos os povos pela força dos princí-
pios supremos dos quais resulta, como, por exemplo, o direito de reproduzir, o 
direito de viver etc. (FÜHRER; MILARÉ, 2009, p. 34).
Ramos do Direito
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Por outro lado, o Direito positivo compreende o conjunto de regras esta-
belecidas por meio do poder político em vigor num determinado país e numa 
determinada época (FÜHRER; MILARÉ, 2009). “O Direito positivo é apenas a 
norma legal, emanada pelo Estado e não de outras fontes do Direito. Ele esta-
belece o que é útil, sendo conhecido por meio de uma declaração de vontade 
alheia, que é a promulgação” (FÜHRER; MILARÉ, 2009, p. 23).
O Direito público é aquele que regula as relações em que o Estado é parte; 
Direito privado é o que disciplina as relações entre particulares, nas quais predo-mina, de modo imediato, o interesse de ordem privada (REIS; H.; REIS, C. 2006). 
Ainda, pode-se definir o Direito público como o ramo que: 
[...] regula as relações em que predominam os interesses gerais da so-
ciedade, considerada como um todo. Nas relações de Direito Público, o 
Estado participa como sujeito ativo (titular do poder jurídico) ou como 
sujeito passivo (destinatário do dever jurídico), mas sempre como ór-
gão da sociedade e, portanto, sem perder a posição de supremacia ou 
poder de império (REIS; REIS, C. 2006, p. 8).
Dessa forma, percebe-se que o Direito público terá, como um dos sujeitos, a 
figura do Estado, com o intuito de zelar pelos interesses da sociedade.
O Direito privado é aquele que:
[...] regula as relações em que predominam os interesses particulares 
ou a esfera privada. Nas relações jurídicas de Direito Privado o Estado 
pode participar como sujeito ativo ou passivo, em regime de coorde-
nação com os particulares, isto é, dispensando sua supremacia ou po-
der de império (REIS; REIS, C. 2006, p. 8).
Assim, conclui-se que o Direito público envolve a organização de um Estado, 
em que são estabelecidas as normas de ordem pública; enquanto o Direito pri-
vado diz respeito ao interesse dos particulares, decorrentes da manifestação de 
vontade dos interessados.
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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FONTES DO DIREITO
Ao se falar em fontes, deve-se ter em mente as diversas formas pelas quais nasce 
o Direito. 
Como visto, o Direito é uma criação do Estado, de acordo com as necessi-
dades da sociedade. Por essa razão, a própria sociedade determinará de onde 
provêm ou emanam as regras que a disciplinará.
As fontes primárias do Direito são: lei, costumes, doutrina e jurisprudência. 
Passaremos a estudar cada uma delas. 
LEI
A lei é a fonte do direito 
de maior importância em 
nosso país e em nosso orde-
namento jurídico. Assim, 
deve-se buscar nela a forma 
correta de proceder em nos-
sas relações sociais.
O Art. 5º, II da 
Constituição Federal estabelece que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar 
de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”.
Tal fonte é uma regra de conduta editada pelo Poder Legislativo, no qual estão 
presentes os representantes do povo, ou seja, são os vereadores (nível municipal), 
os deputados estaduais (nível estadual) e os deputados federais (nível federal).
A característica da lei é a generalidade. Ela se aplica de uma maneira geral 
a todos, não fazendo qualquer tipo de distinção.
Fontes do Direito
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COSTUME
O costume é o comportamento praticado reiteradamente pela sociedade, que acaba 
se tornando uma lei, sendo, então, incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro, 
ou seja, antes mesmo de se tornar uma lei já é considerado uma fonte do direito.
Como dito anteriormente, a principal fonte do direito é a lei. Todavia, em 
alguns casos ainda não há regulamentação, sendo necessário buscar a solução 
para estes casos nas regras que a sociedade vem praticando de forma reiterada. 
Deve-se salientar que o costume não poderá ser aplicado se for contrário a uma 
determinação expressa em lei.
O costume acaba variando de acordo com o ramo do Direito. Entretanto, 
no caso do Direito Penal, por exemplo, o costume é proibido, pois não há crime 
sem lei que o defina. 
DOUTRINA
A doutrina consiste na opinião dos juristas, que são os estudiosos do Direito 
sobre determinado assunto.
Seria o conjunto sistemático de teorias sobre o Direito elaborado pelos 
juristas. Pode-se dizer que é um produto da reflexão e do estudo que os grandes 
juristas desenvolvem sobre o Direito (COTRIM, 2009, p. 8).
JURISPRUDÊNCIA
Ao lado da doutrina, a jurisprudência realiza a interpretação do Direito. Enquanto 
a doutrina é a interpretação do Direito feita pelos juristas, a jurisprudência é a 
interpretação do Direito feita pelos Tribunais do nosso país.
A principal fonte é a lei, porém ela deve ser interpretada e isto é feito tanto pelos 
juristas quanto pelos Tribunais, no momento em que eles julgam os casos concretos.
Dessa forma, a jurisprudência acaba sendo utilizada como uma referência para 
a pessoa ingressar com uma ação, ajudando, assim, a fundamentar seu pedido.
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IU N I D A D E24
APLICAÇÃO DAS NORMAS DE DIREITO
Ao aplicar uma lei, o juiz busca atender aos fins sociais a que ela se dirige e às 
exigências do bem comum.
Passaremos a estudar a interpretação e a integração das normas, compreen-
dendo, assim, como se aplica uma lei ao caso concreto.
INTERPRETAÇÃO
Para se aplicar a norma, precisamos interpretá-la, compreendendo o que levou 
o legislador a criá-la. Quanto às fontes que interpretam a norma, elas podem 
ser: autêntica, doutrinária ou jurisprudencial; com relação aos meios: gramati-
cal, lógica, histórica e sistemática; e, por fim, quanto aos resultados: declarativa, 
extensiva, restritiva, finalística.
Vamos analisar as várias formas de interpretação da norma jurídica, segundo 
Martins (2013):
a) Gramatical, literal ou filológica: é a verificação do sentido 
gramatical da norma criada. Analisa-se o alcance das pala-
vras no texto da lei. 
b) Lógica: estabelece-se uma conexão entre vários textos legais a 
serem interpretados e aplicados ao caso concreto.
c) Teleológica ou finalística: a interpretação da norma é dada de 
acordo com o fim esperado pelo legislador.
d) Sistemática: é feita a interpretação de acordo com o sistema que 
a norma está inserida, não interpretando isoladamente a lei.
e) Extensiva ou ampliativa: dá-se um sentido mais amplo à norma 
do que ela normalmente teria.
f) Restritiva ou limitativa: dá-se um sentido mais restrito, limi-
tando-se à interpretação da norma jurídica.
Aplicação das Normas de Direito
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g) Histórica: deve-se analisar a evolução histórica dos fatos, o 
pensamento do legislador não só à época da edição da lei, mas 
também de acordo com sua exposição de motivos.
h) Autêntica: é realizada pelo próprio órgão que criou a lei, no 
momento em que ela declara o sentido, alcance e conteúdo 
por meio de norma.
i) Sociológica: constata-se a realidade e a necessidade social 
na elaboração da lei e em sua aplicação (MARTINS, 2013, p. 
21-22).
No Direito, não há uma única interpretação fora do que foi mencionado anterior-
mente, por isso devem ser seguidos os métodos de interpretação supracitados.
INTEGRAÇÃO
A integração é quando o intérprete da lei fica autorizado a suprir as lacunas exis-
tentes na norma jurídica por meio da utilização de técnicas jurídicas, que são: 
analogia, equidade e princípios gerais do direito. 
A analogia é um meio de preenchimento das lacunas deixadas pelo legis-
lador no momento de criação de uma lei. É quando o juiz, ao analisar o caso 
concreto, aplica uma lei semelhante ao caso.
A equidade é a justiça, o bom senso. Sendo assim o juiz irá aplicar ao caso 
concreto a solução que considerar como adequada de acordo com o seu enten-
dimento, com o que ele considerar como correto. Ela tem como significado 
completar a lacuna da lei, porém é vedado julgar contra a lei. 
Tanto a analogia quanto a equidade serão utilizadas exclusivamente pelo 
juiz para fundamentar sua decisão quando a lei apresentar alguma lacuna. Os 
princípios gerais do direito, porém, serão analisados separadamente no decor-
rer desta unidade, devido à sua complexidade.
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IU N I D A D E26
EFICÁCIA
A eficácia pode serconceituada como “a produção de efeitos jurídicos concretos 
ao regular as relações” (MARTINS, 2013, p. 25). Compreende a aplicabilidade 
da norma e se ela é obedecida ou não pelas pessoas.
A eficácia jurídica possibilidade norma ser aplicada ao caso concreto, gerando 
efeitos jurídicos. Essa eficácia pode ser dividida no tempo e no espaço, fatores 
que iremos estudar a seguir (MARTINS, 2013, p. 25).
EFICÁCIA NO TEMPO
Significa a entrada da lei em vigor, ou seja, quando a lei passará a existir na socie-
dade. Geralmente, a lei entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial 
da União (DOU). Caso a lei não apresente nenhum prazo, esta começará a vigo-
rar 45 dias depois de oficialmente publicada (MARTINS, 2013, p. 26).
Com a publicação da lei no Diário Oficial da União, objetiva-se torná-la 
pública para toda a sociedade, não podendo ser alegado o desconhecimento da 
mesma.
Se a lei não trouxer um prazo específico de duração da norma, ela só dei-
xará de existir até que outra lei a modifique ou a revogue.
A lei posterior pode revogar a anterior nas seguintes situações:
a) Expressamente o declare: revogam-se as disposições em contrá-
rio, ou quando revoga especificamente outra lei ou Artigo de lei;
b) For incompatível como, por exemplo, quando prescrever con-
duta totalmente contrária à especificada na lei anterior;
c) Regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior 
(MARTINS, 2013, p. 26).
Caso a lei nova estabeleça disposições gerais ou especiais iguais às já existentes, 
ela não revoga nem modifica a lei anterior. Uma vez que a lei passou a ter vigor, 
terá efeito imediato e geral, respeitando sempre o ato jurídico perfeito, o direito 
adquirido e a coisa julgada.
Princípios Gerais do Direito
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O ato jurídico perfeito é aquele já consumado, segundo a lei vigente, ao 
tempo em que ela se efetuou. O direito adquirido é o que integra o patrimônio 
jurídico da pessoa, por já ter implementado todas as condições para adquirir 
o direito, podendo exercê-lo a qualquer momento. E, por fim, a coisa julgada 
é a decisão judicial que já não cabe mais recurso, não podendo ser modificada 
(MARTINS, 2013, p. 27).
EFICÁCIA NO ESPAÇO
A eficácia no espaço diz respeito ao território em que será aplicada a norma. Ela 
se aplica ao Brasil, tanto para os natos como para os estrangeiros que aqui resi-
dam (MARTINS, 2013, p. 27).
A eficácia no espaço também resolverá os casos em que acontecer alguma 
atitude contrária à lei, analisando se naquele território será aplicada a lei brasi-
leira ou uma lei estrangeira.
Para ilustrar, imagine a seguinte situação: o indivíduo A entrou na embai-
xada brasileira na Holanda e acabou matando o sujeito B. Nesse caso, ainda que 
a embaixada esteja localizada na Holanda, será aplicada a lei brasileira, pois o 
órgão oficial é brasileiro, sendo considerada uma extensão do nosso território.
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO
O princípio é a base de tudo. Por essa razão, podemos dizer que ele é o alicerce 
do Direito, que servirá para informar e orientar as normas jurídicas. 
FUNÇÕES GERAIS DO PRINCÍPIO
As funções dos princípios são: informadora, normativa e interpretativa. A 
primeira função tem como finalidade a inspiração e orientação ao legislador, 
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IU N I D A D E28
servindo para basear a criação de uma norma e como sustentáculo para o orde-
namento jurídico (MARTINS, 2013).
A segunda função — normativa — atuará nos casos concretos quando não 
houver uma disposição específica para disciplinar determinada situação. E, por 
fim, a terceira e última função servirá de critério orientador para os intérpre-
tes e aplicadores da lei. Auxiliará na interpretação da norma e também tem sua 
exata compreensão.
Em nosso ordenamento jurídico, os princípios só serão utilizados quando 
não houver uma norma legal, convencional ou contratual. Será o último elo a 
que o intérprete irá recorrer para solucionar o caso concreto.
ALGUNS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO
A seguir, vemos os princípios gerais do Direito:
1º) Princípio do respeito à dignidade da pessoa humana: é um dos objetivos 
do nosso país. O Art. 5º, X da Constituição Federal assegura a inviola-
bilidade à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas, 
assegurando o direito à indenização pelo dano material ou moral decor-
rente de sua violação.
2º) Princípio da função social: regula a vida humana em sociedade, estabe-
lecendo as regras de conduta que devem ser respeitadas por todos. 
3º) Princípio da razoabilidade: as pessoas devem agir com razoabilidade, o 
que também acontece com as normas jurídicas.
4º) Princípio da proporcionalidade: não se pode impor condutas, a não ser 
que seja em estrito cumprimento do interesse público. Não se pode agir 
com excessos, nem de forma insuficiente.
Direito Constitucional
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Antes de se começar a estudar o Direito Constitucional, é preciso fazer a aná-
lise do Art. 1º da Constituição Federal, o qual dispõe que a República Federativa 
do Brasil, formada pela união indissolúvel dos estados, municípios e do Distrito 
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento: 
a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do 
trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político.
A Constituição é a lei máxima e fundamental do Estado. Ela ocupa o ponto 
mais alto da hierarquia das normas, recebendo, por esse motivo, nomes como: Lei 
Suprema, Lei Maior, Carta Magna, Lei das Leis ou Lei Fundamental (COTRIM, 
2009, p. 19).
O Direito Constitucional é o ramo do Direito Público responsável por estu-
dar as regras estruturadoras do Estado e garantidoras dos direitos e liberdades 
individuais (JACQUES, 1954 apud MARTINS, 2013).
A Constituição pode ser conceituada como um conjunto de princípios e 
regras relativos à estrutura e ao funcionamento do Estado. Ela é uma norma 
escrita ou costumeira, que regula a forma de Estado e governo, sua organização 
INTRODUÇÃO AO DIREITO E DIREITO CONSTITUCIONAL
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IU N I D A D E30
(MARTINS, 2013, p. 60). Por isso, na Constituição Federal brasileira são encon-
tradas várias regras de Direito Civil, Tributário, Administrativo, Internacional, 
Penal, do Trabalho, da Seguridade Social, entre outras, ou seja, ela traz um pouco 
de cada ramo do direito.
Possui, ainda, um conteúdo específico, previamente identificável, do que 
seja, ou não, próprio de uma Constituição. Seu conteúdo é elástico, variando de 
acordo com a vontade política do povo.
Cotrim (2009) define a Constituição da seguinte maneira:
É a declaração da vontade política de um povo, manifestada por meio 
de seus representantes cujos mandatos resultam de eleição popular. É 
uma declaração solene expressa mediante um conjunto de normas ju-
rídicas superiores a todas as outras que estabelece os direitos e deveres 
fundamentais das pessoas, das entidades e dos poderes públicos (CO-
TRIM, 2009, p. 19).
Conclui-se que a Constituição é um documento político, dirigida a todas as pes-
soas, tendo, geralmente, uma linguagem comum e não técnica para que todos 
possam compreender.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
Passaremos a estudar alguns dos princípios constitucionais previstos na 
Constituição Federal.
1º) Princípio da supremacia da Constituição: a norma constitucional é supe-
rior, devendo ser obedecida por todas as demais normas.
2º) Princípio da unidade da Constituição: ela deve ser interpretada na sua 
unidade, ou seja, no seu conjunto. A interpretação deve ser feita deforma 
a evitar contradições.
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3º) Princípio da máxima efetividade da Constituição: as normas constitu-
cionais devem ter o máximo de eficácia na sua aplicação.
4º) Princípio da interpretação conforme a Constituição: caso a norma tenha 
mais de uma interpretação, deve-se dar preferência àquela que estiver de 
acordo com a Constituição.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
O preâmbulo da Constituição Federal dispõe que:
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Na-
cional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado 
a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, 
a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça 
como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem 
preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem 
interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, pro-
mulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da Repú-
blica Federativa do Brasil (BRASIL, 1988, on-line).
Quando se fala em preâmbulo, deve-se entender como uma indicação das inten-
ções da Constituição brasileira.
Os fundamentos da República Federativa do Brasil são: a) soberania; b) cida-
dania; c) dignidade da pessoa humana; d) valores sociais do trabalho e da livre 
iniciativa; e) pluralismo político, sendo vedada a existência de um partido único.
Por sua vez, os objetivos fundamentais são: a) construir uma sociedade livre, 
justa e solidária; b) garantir o desenvolvimento nacional; c) erradicar a pobreza 
e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; d) promover 
o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer 
outras formas de discriminação.
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DIVISÃO DOS PODERES
A base da organização do governo está no Art. 2º da Constituição Federal, que 
prevê: “são poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, 
o Executivo e o Judiciário” (BRASIL, 1988, on-line).
“Os Poderes são os órgãos que realizam as diversas funções atribuídas ao 
Estado, quais sejam, as funções: legislativas, administrativas e jurisdicionais” 
(FÜHRER; MILARÉ, 2009, p. 73). A fórmula ideal para o funcionamento do 
Estado é de que suas operações fundamentais sejam repartidas entre vários órgãos 
autônomos, cada um atuando na sua esfera de atribuição.
Divisão dos Poderes
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PODER EXECUTIVO
É o órgão incumbido de executar as 
leis e administrar o país. Ele é exer-
cido pelo Presidente da República, 
auxiliado pelos Ministros de 
Estado. O mandato do Presidente 
da República é de quatro anos, com 
início no dia 1º de janeiro do ano 
seguinte de sua eleição. A reeleição é permitida em um único período.
O presidente pode cometer crimes como: a) de responsabilidade definidos 
em lei especial; e b) comuns, previstos na legislação ordinária. A acusação contra 
o Presidente da República, para ser admitida, precisa de dois terços de aprova-
ção na Câmara dos Deputados e, após isso, será submetido a julgamento perante 
o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns; ou perante o Senado 
Federal, nos crimes de responsabilidade (BRASIL, 1988, Art. 86).
 Para ser eleito, o candidato a presidente e vice-presidente da República 
deverão ter a idade mínima de 35 anos. O governador e o vice-governador de 
Estado e Distrito Federal deverão ter, no mínimo, 30 anos. O prefeito e o vice-
-prefeito deverão ter no mínimo 21 anos.
PODER JUDICIÁRIO
O Poder Judiciário tem a função de 
legislar e administrar, bem como a 
função de dizer o direito, aplicando 
ao caso concreto, mediante um pro-
cesso regularmente instaurado, por 
iniciativa do interessado. É o Poder 
Judiciário que dirá como as normas 
serão aplicadas e, assim, demonstrará a forma correta de interpretação das leis 
existentes em nosso ordenamento jurídico.
INTRODUÇÃO AO DIREITO E DIREITO CONSTITUCIONAL
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PODER LEGISLATIVO
Em nível federal, o Poder 
Legislativo é exercido pelo 
Congresso Nacional, que 
se compõe de duas casas, o 
Senado e a Câmara dos Deputados, ambos eleitos pelos habitantes dos respec-
tivos estados. Cada estado e o Distrito Federal, de acordo com os Arts. 44 e 45 
da Constituição Federal, elegerá três senadores, com dois suplentes cada, com 
mandato de oito anos, sendo renovada a representação a cada quatro anos de 
forma alternada.
O número total de deputados, bem como a representação por estado e pelo 
Distrito Federal, será estabelecido por Lei Complementar, proporcionalmente 
à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, 
para que nenhuma unidade da federação tenha menos de oito e mais de setenta 
deputados (PALAIA, 2011, p. 40).
O mandato dos deputados tem duração de quatro anos, e para se elegerem 
devem ter idade mínima de 21 anos. No caso dos senadores, estes são eleitos pelo 
sistema majoritário, sendo três para cada estado e para o Distrito Federal. Os 
mandatos têm duração de oito anos, e para se elegerem devem ter idade mínima 
de 35 anos (MARTINS, 2013).
Direitos e Garantias Individuais
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DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS
Eles foram estabelecidos para coibir os abusos praticados pelas autoridades. Os 
direitos não se confundem com as garantias. Os direitos são aspectos, manifesta-
ções da personalidade humana em sua existência subjetiva ou em suas situações 
de relação com a sociedade ou, ainda, os indivíduos que a compõem. As garan-
tias, porém, são os instrumentos para o exercício do direito consagrados na 
Constituição (MARTINS, 2013).
Os direitos e deveres são individuais e coletivos. São garantias expressas 
na Constituição, pois não excluem outros decorrentes do regime e dos prin-
cípios por ele adotados ou dos tratados internacionais em que o Brasil é parte 
(BRASIL, 1988 §2º).
INTRODUÇÃO AO DIREITO E DIREITO CONSTITUCIONAL
Reprodução proibida. A
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IU N I D A D E36
A Constituição Federal, em seu Art. 5º, assegura que:
1. Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos 
termos da Constituição. Poderá haver tratamento diferenciado 
se assim a Constituição estabelecer;
2. Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo a não 
ser em virtude de lei. É o princípio da legalidade;
3. Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desu-
mano ou degradante;
4. É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o ano-
nimato;
5. É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, 
além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
6. É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo 
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, 
na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias;
7. É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência reli-
giosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
8. É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência reli-
giosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar 
para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se 
a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
9. É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica 
e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
10. São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a ima-gem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano 
material ou moral decorrente de sua violação;
11. A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo 
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de fla-
grante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante 
o dia, por determinação judicial;
Direitos e Garantias Individuais
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12. É inviolável o sigilo da correspondência às comunicações tele-
gráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no 
último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que 
a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instru-
ção processual penal. A norma que trata do assunto é a Lei 
nº 9.296/96;
13. É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, 
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
14. É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o 
sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;
15. É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, 
podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, per-
manecer ou dele sair com seus bens;
16. Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais 
abertos ao público, independentemente de autorização, desde 
que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para 
o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autori-
dade competente;
17. É plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a 
de caráter paramilitar;
18. A criação de associações e, na forma da lei, a de cooperati-
vas independem de autorização, sendo vedada a interferência 
estatal em seu funcionamento. As sociedades cooperativas são 
reguladas na Lei nº 5.764/71;
19. As associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas 
ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigin-
do-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
20. Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permane-
cer associado;
21. As entidades associativas, quando expressamente autoriza-
das, têm legitimidade para representar seus filiados judicial 
ou extrajudicialmente;
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22. É garantido o direito de propriedade;
23. A propriedade atenderá a sua função social;
24. A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por 
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, 
mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados 
os casos previstos na Constituição;
25. No caso de iminente perigo público, a autoridade competente 
poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprie-
tário indenização ulterior, se houver dano;
26. A pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde 
que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para 
pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, 
dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvi-
mento;
27. Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publica-
ção ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros 
pelo tempo que a lei fixar;
28. São assegurados, nos termos da lei: (a) a proteção às participa-
ções individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem 
e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; (b) o 
direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras 
que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intér-
pretes e às respectivas representações sindicais e associativas;
29. A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio 
temporário para sua utilização, bem como proteção às criações 
industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empre-
sas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse 
social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do país;
30. É garantido o direito de herança;
31. A sucessão de bens de estrangeiros situados no país será regu-
lada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos 
brasileiros, sempre que não lhes seja favorável a lei pessoal 
do “de cujus”;
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32. O Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumi-
dor. O Código de Defesa do Consumidor é a Lei nº 8.078/90;
33. Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações 
de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, 
que serão prestadas no prazo de lei, sob pena de responsabi-
lidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à 
segurança da sociedade e do Estado;
34. São a todos assegurados, independentemente do pagamento 
de taxas: (a) o direito de petição aos Poderes Públicos em 
defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (b) 
a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa 
de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;
35. A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou 
ameaça a direito;
36. A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico per-
feito e a coisa julgada. Direito adquirido é o que faz parte do 
patrimônio jurídico da pessoa, que implementou todas as con-
dições para fim, podendo exercê-lo a qualquer momento. Na 
expectativa de direito, a pessoa não reuniu todas as condições 
para adquirir o direito no curso do tempo. Ato jurídico per-
feito é o que se formou sob o império da lei velha e não pode 
ser modificado. A lei não pode ser retroativa. Devem ser res-
peitadas as situações estabelecidas na vigência de lei anterior, 
em razão da estabilidade e segurança jurídicas. Chama-se coisa 
julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba 
mais recurso. Há coisa julgada “quando se repete ação que já 
foi decidida por sentença, de que não caiba recurso”. Deno-
mina-se coisa julgada material a eficácia, que torna imutável 
e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordiná-
rio ou extraordinário;
37. Não haverá juízo ou tribunal de exceção;
38. É reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe 
der a lei, assegurados: (a) a plenitude de defesa; (b) o sigilo 
das votações; (c) a soberania dos veredictos; (d) a competên-
cia para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
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IU N I D A D E40
39. Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem 
prévia cominação legal;
40. A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
41. A lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos 
e liberdades fundamentais;
42. A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescri-
tível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;
43. A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça 
ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecen-
tes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes 
hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executo-
res e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
44. Constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos 
armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o 
Estado Democrático;
45. Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a 
obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de 
bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra 
eles asseguradas, até o limite do valor do patrimônio trans-
ferido;
46. A lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, 
as seguintes: (a) privação ou restrição da liberdade; (b) perda 
de bens; (c) multa; (d) prestação social alternativa; (e) suspen-
são ou interdição de direitos;
47. Não haverá penas: (a) de morte, salvo em caso de guerradecla-
rada; (b) de caráter perpétuo; (c) de trabalhos forçados; (d) de 
banimento; (e) cruéis;
48. A pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo 
com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;
49. É assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
50. Às presidiárias serão asseguradas condições para que possam 
permanecer com seus filhos durante o período de amamentação;
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51. Nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em 
caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de 
comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes 
e drogas afins, na forma da lei;
52. Não será concedida extradição de estrangeiro por crime polí-
tico ou de opinião;
53. Ninguém será processado nem sentenciado senão pela auto-
ridade competente;
54. Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o 
devido processo legal;
55. Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos 
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla 
defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
56. São inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios 
ilícitos;
57. Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado 
de sentença penal condenatória;
58. O civilmente identificado não será submetido a identificação 
criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;
59. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta 
não for intentada no prazo legal;
60. A lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais 
quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;
61. Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem 
escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, 
salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente 
militar, definidos em lei;
62. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão 
comunicados imediatamente ao juiz competente e à família 
do preso ou à pessoa por ele indicada;
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IU N I D A D E42
63. O preso será informado de seus direitos, entre os quais o de 
permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da 
família e de advogado;
64. O preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua 
prisão ou por seu interrogatório policial;
65. A prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade 
judiciária;
66. Ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei 
admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;
67. Não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo 
inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimen-
tícia e a do depositário infiel;
68. Conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se 
achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liber-
dade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
69. Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito 
líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas 
data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder 
for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercí-
cio de atribuições do Poder Público;
70. O mandado de segurança coletivo deve ser impetrado por: 
(a) partido político com representação no Congresso Nacio-
nal; (b) organização sindical, entidade de classe ou associação 
legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um 
ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;
71. Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de 
norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direi-
tos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes 
à nacionalidade, à soberania e à cidadania;
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72. Conceder-se-á habeas data: (a) para assegurar o conhecimento 
de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes 
de registros ou bancos de dados de entidades governamentais 
ou de caráter público; (b) para a retificação de dados, quando 
não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou admi-
nistrativo;
73. Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular 
que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de enti-
dade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, 
ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando 
o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e 
do ônus da sucumbência;
74. O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos 
que comprovarem insuficiência de recursos;
75. O Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim 
como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença;
76. São gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da 
lei: (a) o registro civil de nascimento; (b) a certidão de óbito;
77. São gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na 
forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania;
78. A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a 
razoável duração do processo e os meios que garantam a cele-
ridade de sua tramitação (adaptado de BRASIL, 1988, on-line).
São direitos sociais previstos na Constituição Federal: a educação, a saúde, a 
alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a 
proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados.
Estes irão garantir aos indivíduos condições materiais tidas como imprescin-
díveis para o pleno gozo dos seus direitos. Contudo, eles exigem uma intervenção 
na ordem social para assegurar uma justiça distributiva, ou seja, dessa forma, 
o Estado teria que atuar diretamente com a finalidade de diminuir as desigual-
dades sociais.
INTRODUÇÃO AO DIREITO E DIREITO CONSTITUCIONAL
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IU N I D A D E44
NACIONALIDADE
A nacionalidade pode ser definida por dois critérios: ius sanguini e ius soli. O pri-
meiro é aquele em que a pessoa tem a mesma nacionalidade de seus pais, como 
o nome diz, decorre do sangue; enquanto a segunda é aquela em que a pessoa 
tem que nascer no território para adquirir a nacionalidade do Estado. 
De acordo com o Art. 12 da Constituição Federal, são considerados brasi-
leiros natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de 
pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de 
seu país (ius soli); 
b) os nascidos no estrangeiro, depois de atingida a maioridade, 
de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que sejam registra-
dos em repartição brasileira competente ou qualquer deles 
esteja a serviço do Brasil (ius sanguini); 
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou mãe brasileira, 
desde que sejam registrados em repartição brasileira com-
petente ou venham a residir no Brasil e optem, em qualquer 
tempo, depois de atingida a maioridade pela nacionalidade 
brasileira (BRASIL, 1988, on-line).
Já os brasileiros naturalizados, serão considerados: 
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, 
exigidas aos originários de países de língua portuguesa ape-
nas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes no Brasil 
há mais de 15 anos ininterruptos e sem condenação penal, 
desde que requeiram a nacionalidade brasileira (BRASIL, 
1988, on-line).
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A lei brasileira não poderá fazer qualquer distinção entre brasileiros natos e natu-
ralizados, salvo as previstas na Constituição Federal (MARTINS, 2013).
De acordocom a Constituição Federal, os cargos exclusivos de brasileiros 
nato são: 
a) Presidente e Vice-presidente da República; 
b) Presidente da Câmara dos Deputados; 
c) Presidente do Senado Federal; 
d) Ministro do Supremo Tribunal Federal; 
e) carreira diplomática; 
f) oficial das Forças Armadas; 
g) Ministro de Estado da Defesa (BRASIL, 1988, on-line).
Por fim, existem hipóteses em que será declarada a perda da nacionalidade do 
brasileiro que:
a) tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em 
virtude de atividade nociva ao interesse nacional; 
b) adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos de: 
1) reconhecimento de nacionalidade originária pela lei 
estrangeira; 
2) imposição de naturalização, pela forma estrangeira, ao bra-
sileiro residente em país estrangeiro, como condição para 
permanência em seu território ou para o exercício de direi-
tos civis (MARTINS, 2013, p. 57).
Dessa forma, podemos observar que tanto a aquisição quanto a perda da naciona-
lidade são previstas em lei com o objetivo de proporcionar a todos direitos iguais.
INTRODUÇÃO AO DIREITO E DIREITO CONSTITUCIONAL
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IU N I D A D E46
DIREITOS POLÍTICOS
De acordo com o Art. 14 da Constituição Federal, a soberania popular é exer-
cida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para 
todos e, nos termos da lei, pelo: a) plebiscito; b) referendo; e c) iniciativa popular.
O sufrágio é o direito subjetivo de uma pessoa eleger alguém ou de ser 
eleito para algum cargo político. Por ser um direito subjetivo, como visto ante-
riormente, significa que ele é uma faculdade do indivíduo. O voto é apenas o 
direito de eleger uma pessoa, cada indivíduo tem o seu, não podendo vendê-lo 
nem transmitir a terceiros.
O plebiscito é a consulta anterior formulada ao povo para aprovar ou rejei-
tar o que lhe houver sido submetido, sendo feito por meio do voto. O referendo, 
porém, é a consulta posterior formulada ao povo para ratificar ou rejeitar ato 
legislativo ou administrativo já determinado.
Direitos Políticos
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47
Pela Carta Magna, o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para os maio-
res de 18 anos e facultativo (opcional) para os analfabetos, os maiores de 70 anos 
e os maiores de 16 e menores de 18 anos. Ainda, não poderão fazer o alistamento 
eleitoral os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os 
conscritos.
Para ser eleito, é preciso que os candidatos atendam às seguintes exigências: 
ter idade mínima de: a) 35 anos para presidente, vice-presidente da República e 
senador; b) 30 anos para governador e vice-governador de Estado e do Distrito 
Federal; c) 21 anos para deputado federal, deputado estadual ou distrital, pre-
feito e vice-prefeito; e d) 18 anos para vereador. Contudo, não há uma idade 
limite para se candidatar.
Portanto, nessa primeira Unidade, vimos assuntos mais gerais ligados ao 
Direito, com o intuito de esclarecer como funciona essa ciência e ratificar a 
importância da mesma para a organização da sociedade.
Em recente caso de plebiscito que tivemos em nosso país, foi feita uma 
proposta de divisão do Estado do Pará e, para tanto, houve uma consulta à 
população paraense. Com a realização do plebiscito, a população rejeitou a 
proposta que acabou não seguindo adiante.
Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://brasilescola.uol.com.
br/brasil/divisao-estado-para.htm>.
Fonte: a autora.
INTRODUÇÃO AO DIREITO E DIREITO CONSTITUCIONAL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E48
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na primeira Unidade, estudamos quais as funções e como se divide o Direito. 
Diferenciamos, ainda, o Direito da Moral. Neste estudo, pudemos constatar que 
o Direito surge por uma imposição do Estado, que o cria a partir da necessi-
dade da própria sociedade, devendo prosperar conforme a evolução da mesma. 
A moral, porém, surge a partir da cultura, da religião e da criação de cada pes-
soa, não existindo uma punição e nem mesmo sendo imposta pelo Estado.
Além disso, verificamos que o Direito possui uma classificação em ramos, 
com o objetivo de facilitar nosso estudo e ficar mais claro como o Direito se 
estruturou.
No que diz respeito às fontes, como o Direito traz regras que regulamen-
tam a vida humana em sociedade, não poderíamos deixar de mencionar que a 
principal delas é a Constituição Federal de 1988, responsável por regulamentar 
todo o nosso Estado Democrático de Direito. Além disso, toda lei que é criada 
em nosso país deve, obrigatoriamente, seguir o que é previsto na Constituição. 
Caso contrário, a lei criada será declarada como inconstitucional, ou seja, não 
produzirá efeitos perante a sociedade.
Para inspirar a criação de uma norma, não podemos deixar de falar dos prin-
cípios de Direito, os quais têm como função a inspiração, o direcionamento, o que 
permitirá que a norma seja criada. Contudo, deve-se ressaltar que estes não são 
considerados fontes do Direito, mas sim apenas uma referência para o mesmo.
Vimos, ainda, que a Constituição brasileira traz uma série de Artigos, pre-
vendo um pouco de cada ramo do Direito. Ela aborda quais são os fundamentos 
e os objetivos do nosso Estado e, por fim, os direitos e garantias fundamentais 
previstos no Art. 5º da Carta Magna.
Aqui, objetivamos não esgotar os assuntos, mas apenas ilustrar a importân-
cia deles, buscando despertar a curiosidade e o estudo pelos temas apresentados.
49 
1. O Direito pode ser definido como o conjunto de princípios, regras e instituições 
destinados a regulamentar a vida humana em sociedade. Para que o Direito seja 
cumprido em sociedade, o Estado, com o uso do seu poder imperativo, prevê a 
sanção (punição). Com o intuito de facilitar a compreensão do Direito, este é di-
vidido em algumas áreas. Vimos que uma dessas divisões é em Direito objetivo e 
Direito subjetivo. Com relação a essa divisão, analise as afirmativas a seguir:
I. O Direito objetivo é aquele criado pelo Estado e aplicado a toda a sociedade.
II. O Direito subjetivo é a faculdade, a escolha de a pessoa postular seu direito, 
objetivando a realização de seus interesses.
III. O Direito objetivo dependerá da vontade do indivíduo para existir.
IV. O Direito subjetivo é um complexo de normas que são impostas às pessoas.
Assinale a alternativa correto
a) Estão corretas somente as afirmativas I e II.
b) Estão corretas somente as afirmativas I e IV.
c) Estão corretas somente as afirmativas III e IV.
d) Estão corretas somente as afirmativas II e III.
e) Todas as afirmativas estão corretas.
2. O Direito é uma ciência bilateral, pois precisa de duas pessoas para existir, além 
de impor um comportamento do indivíduo na sociedade e, quando for descum-
prido, haverá uma sanção por parte do Estado. Já que o Direito é uma ciência, 
existe uma vasta classificação dele. Com relação a essa classificação, analise 
as afirmativas a seguir. 
I. O Direito Natural nasce a partir do momento em que surge o homem, apare-
cendo naturalmente para regular a vida humana em sociedade.
II. O Direito Positivo é um conjunto de regras estabelecidas por meio do poder 
político em vigor em um determinado país e em uma determinada época.
III. O Direito Público envolve a organização de um Estado, onde são estabeleci-
das as normas de ordem pública.
IV. O Direito Privado diz respeito ao interesse dos particulares, decorrente da 
manifestação de vontade dos interessados.
Assinale a alternativa correto
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.
50 
3. Ao aplicar uma lei, o juiz busca atender aos fins sociais a que ela se dirige e às exi-
gênciasdo bem comum. Para se aplicar uma norma, muitas vezes, o juiz precisa 
analisar o caso e interpretar a norma com o intuito de compreender o que o le-
gislador quis dizer com sua criação. Sobre as formas de interpretação, analise 
as afirmativas que segue:
I. Histórica: constata-se a realidade e a necessidade social na elaboração da lei 
e em sua aplicação.
II. Restritiva: é aquela realizada pelo próprio órgão que criou a lei, no momento 
em que ela declara o sentido, alcance e conteúdo por meio de norma.
III. Lógica: estabelece-se uma conexão entre vários textos legais a serem inter-
pretados e aplicados ao caso concreto.
IV. Gramatical: é a verificação do sentido gramatical da norma criada.
Assinale a alternativa correto
a) Estão corretas somente as afirmativas I, II e IV.
b) Estão corretas somente as afirmativas I e II.
c) Estão corretas somente as afirmativas II, III e IV.
d) Estão corretas somente as afirmativas III e IV.
e) Todas as afirmativas estão corretas.
4. Como o próprio nome diz, o princípio é a base de tudo. Pode-se dizer que ele é o 
alicerce do Direito. A atuação do princípio no Direito se inicia antes de a regra ser 
feita, ou em uma fase pré-jurídica, ou seja, em verdade os princípios acabam in-
fluenciando a elaboração da regra. Em nossa disciplina, estudamos alguns prin-
cípios gerais de Direito. Sobre esses princípios, assinale a alternativa correta:
a) O princípio do respeito à dignidade da pessoa humana é um dos objetivos 
que o governo em exercício deve ter e pode ser modificado a cada eleição.
b) O princípio da proporcionalidade é aquele em que não se pode impor condu-
tas, a não ser que seja em estrito cumprimento do interesse público.
c) O princípio da razoabilidade é aquele em que as pessoas devem agir com 
proporcionalidade, o que também acontece com as normas jurídicas.
d) O princípio da função social é aquele que disciplina a vida humana em so-
ciedade, estabelecendo regras de conduta que devem ser respeitadas por 
todos.
e) O princípio normativo é aquele em que o Poder Legislativo atuará nos casos 
concretos quando não houver uma disposição específica para disciplinar de-
terminada atuação.
51 
5. A Constituição Federal, em seu art. 2º, prevê que “são poderes da União, indepen-
dentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. A fórmula 
ideal para o funcionamento do Estado é que suas operações fundamentais se-
jam repartidas entre vários órgãos autônomos, cada um atuando em sua esfera 
de atribuição. No Brasil, existem três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. 
Sobre esses poderes, assinale a alternativa correta.
a) O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos 
Ministros de Estado.
b) O Poder Judiciário dirá se a norma está correta ou não.
c) O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que é composto so-
mente pelo Senado Federal, sendo eleito pelos habitantes dos respectivos 
estados.
d) Os deputados são escolhidos pelo sistema majoritário. 
e) O vereador é um representante do povo na Câmara dos Deputados.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 
Os direitos fundamentais são básicos para a nossa sociedade. Eles que irão proporcionar que 
todos os cidadãos sejam tratados de forma igual, independentemente da posição que ocu-
pem. É sobre isso que se trata o excerto a seguir.
DIREITOS FUNDAMENTAIS
Direitos fundamentais são entendidos 
como os direitos mais básicos de todos os 
cidadãos. Embora haja confusão terminoló-
gica quanto ao termo, sendo muito usado 
como sinônimo de “direitos humanos” ou 
“direitos do Homem”, é importante isolá-lo 
como uma categoria própria. Na doutrina 
jurídica brasileira, os direitos fundamentais 
são descritos pela Constituição de 1988 e 
se aplicam somente aos indivíduos e casos 
por ela regidos, diferindo de “direitos huma-
nos” por estes se aplicarem a todo o mundo, 
independente de soberania nacional. No 
seu Título segundo, a Constituição classi-
fica os direitos e garantias fundamentais 
dos brasileiros entre direitos e deveres indi-
viduais e coletivos (igualdade perante a 
lei, inviolabilidade do direito à vida etc.), 
direitos sociais (saúde, educação, trabalho, 
lazer...) e direitos políticos.
Não existe uma origem concreta nem uma 
definição objetiva para direitos fundamen-
tais, embora as três principais correntes 
jusfilosóficas tenham dado suas inter-
pretações. A dos jusnaturalistas é a mais 
conhecida, classificando tais direitos como 
anteriores a qualquer legislação; para 
eles, tais direitos nascem de característi-
cas inatas da humanidade, sendo comuns 
a todos os homens, independente do 
espaço ou tempo. Mais sucintos, os jus-
positivistas defendem tais direitos como 
frutos da legislação humana, enquanto os 
realistas jurídicos, mais influentes na Amé-
rica do Norte, acreditam que os direitos 
fundamentais são aqueles conquistados 
pelas sociedades ao longo do história, não 
tendo uma origem fixa nem dependendo 
somente da vontade jurídica.
Hoje, tanto no Brasil quanto em boa parte 
do Ocidente, o consenso é de que estes 
direitos resultaram de um gradual processo 
histórico e sociológico. Como explanou 
o jurista Norberto Bobbio, os “direitos 
do homem” nasceram após árduas lutas 
entre os detentores de velhos privilé-
gios e os defensores de novas liberdades. 
Assim, o “fundamental” para uma socie-
dade em determinado tempo não é igual 
para outros povos em épocas diferentes, 
caracterizando sua natureza histórica. Além 
disso, reconhece-se que os direitos funda-
mentais são relativos (nenhum se sobrepõe 
ao outro), concorrentes (podem conflitar-
-se), imprescritíveis (não se perdem pela 
falta de uso), inalienáveis (não podem ser 
transferidos), irrenunciáveis (ninguém pode 
abdicar deles), eficazes (geram relações 
entre indivíduos ou entre estes e o Estado) 
e indivisíveis, ou seja, devem ser tomados 
em sua completude (ninguém pode “des-
respeitar um pouco” certo direito; ele é ou 
respeitado ou quebrado inteiramente).
Por sua evolução histórica, classificam-se os 
direitos fundamentais em três gerações. Os 
de primeira geração são os direitos mais fun-
damentais conquistados pela humanidade, 
como a posse de propriedade e as liberda-
des de movimento, crença ou expressão. 
53 
São chamados de direitos individuais ou 
negativos, pois concernem primariamente 
a cada cidadão e não podem ser negados 
por qualquer autoridade. Já os direitos 
de segunda geração focam no bem estar 
coletivo, a exemplo da saúde, educação, 
segurança pública e alimentação (liberdade 
da fome). São chamados de direitos posi-
tivos porque se pressupõe um dever do 
Estado, por assistência ou políticas públi-
cas, em promovê-los.
Mais recente, a terceira geração brotou com 
a revolução tecnocientífica (década de 70 
em diante), sendo também referida como 
direitos meta ou supraindividuais. Embora 
indivíduos estejam envolvidos, esses direi-
tos focam no ecossistema de relações por 
eles construído. São os direitos à paz, ao 
desenvolvimento e a um meio ambiente 
ecologicamente equilibrado, por exem-
plo. Adicionalmente, o Direito Processual 
Civil distingue-os entre direitos difusos 
(válidos para todos, sem pertencer a nin-
guém específico), direitos coletivos stricto 
sensu (válidos para um grupo, sem per-
tencer a nenhum membro só) e direitos 
individuais homogêneos (pertencentes a 
cada indivíduo, mas cuja defesa pode ser 
feita coletivamente). Vale notar que, com 
a ascensão de novas tecnologias e movi-
mentos sociais, os direitos fundamentais 
podem entrar em uma quarta geração, a 
exemplo dos direitos ao acesso à internet 
e à saúde sexual e reprodutiva.
Fonte: Cysne (2016, on-line)1.
MATERIAL COMPLEMENTAR
Instituições de Direito Público e Privado
Sérgio Pinto Martins
Editora: Atlas
Sinopse: a obra citada é excelente para nos auxiliar a entender 
melhor o Direito. É uma obra simples, com linguagem fácil, voltada 
para aqueles que não têm formação jurídica, mas têm interesse em 
conhecer melhor a estrutura e o funcionamentodo nosso país. 
Náufrago
Sinopse: narra a história de um empregado da FedEx que sofre um 
acidente aéreo e vai parar numa ilha desabitada no meio do Pacífico 
Sul. No cinema hollywoodiano é incomum que durante a maior parte 
do filme só haja um personagem humano. 
Comentário: o filme é um bom exemplo de onde existe o Direito 
de fato. No momento em que Tom Hanks fica sozinho na ilha, não 
existe nenhuma regulamentação sobre a vida em sociedade. A partir 
do momento em que ele volta para a civilização, deve se adaptar 
novamente à regulamentação que ali existe.
https://pt.wikipedia.org/wiki/FedEx
https://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_a%C3%A9reo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_a%C3%A9reo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_a%C3%A9reo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha
https://pt.wikipedia.org/wiki/Oceano_Pac%C3%ADfico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Oceano_Pac%C3%ADfico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Oceano_Pac%C3%ADfico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hollywood
REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. 
Acesso em: 22 ago. 2017.
COTRIM, G. Direito Fundamental: Instituições de Direito Público e Privado. São 
Paulo: Saraiva, 2009.
FÜHRER, M. C. A.; MILARÉ, E. Manual de Direito Público e Privado. São Paulo: RT, 
2009.
MARTINS, S. P. Instituições de Direito Público e Privado. São Paulo: Atlas, 2013.
PALAIA, N. Noções essenciais de Direito. São Paulo: Saraiva, 2011.
REALE, M. FIlosofia do Direito. São Paulo: Saraiva, 1972.
REIS, H. M. dos; REIS, C. N. P. dos. Direito para administradores. São Paulo: Cenga-
ge, 2006.
WARAT, L. A. A definição jurídica: suas técnicas. Porto Alegre: Atrium, 1977.
REFERÊNCIAS ON-LINE
1 em: <http://www.infoescola.com/direito/direitos-fundamentais/>. Acesso em: 22 
ago. 2017.
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GABARITO
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3. d.
4. e.
5. a.
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Professora Me. Letícia Carla Baptista Rosa
Professora Me. Mariane Helena Lopes
RELAÇÕES FAMILIARES: 
NOÇÕES GERAIS DO 
DIREITO DE FAMÍLIA
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar a evolução do conceito de família pelo Direito.
 ■ Definir as entidades familiares reconhecidas pelo Direito.
 ■ Conhecer os princípios do Direito de Família.
 ■ Diferenciar e tratar alguns aspectos do Direito de Família, delineando 
aspectos do casamento e da união estável.
 ■ Conhecer as relações de parentesco.
 ■ Estudar algumas questões relacionadas aos institutos da paternidade, 
filiação e os direitos inerentes ao poder familiar.
 ■ Estudar os alimentos delineando suas espécies.
 ■ Buscar diferenciar e classificar a tutela e curatela.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Desenvolvimento Histórico do Conceito de Família
 ■ Formatos Familiares
 ■ Princípios do Direito De Família
 ■ Aspectos Jurídicos da Formação e Dissolução da Família: Casamento, 
Divórcio e União Estável
 ■ Relações de Parentesco
 ■ Direitos e Deveres Inerentes ao Poder Familiar
 ■ Alimentos
 ■ Tutela e Curatela
INTRODUÇÃO
A família contemporânea é formada pelo afeto, pelo companheirismo, pela solida-
riedade e pela ajuda mútua. Mesmo na correria do nosso dia a dia não podemos 
esquecer os motivos que realmente levam os indivíduos a formar suas famílias.
A atual Constituição Federal, antes mesmo da decisão do Supremo Tribunal 
Federal reconhecer a união homoafetiva como uma união estável, já havia pre-
visto outras entidades familiares, além daquela formada pelo matrimônio. Dessa 
forma, sabemos que existem várias formas de família reconhecidas hoje pelo 
Direito, diferentemente do que foi previsto originalmente pela Constituição 
Federal de 1988.
A jurisprudência já reconhece aos companheiros homoafetivos direitos como 
uma relação heteroafetiva, fundamentando-se nos princípios constitucionais da 
dignidade da pessoa humana, da igualdade, da liberdade e da afetividade.
Pretende-se, aqui, traçar uma evolução histórica da família informal desde 
os primórdios, passando pela contemporaneidade até a pós-modernidade. Serão 
delineados os aspectos pessoais e jurídicos da formação e dissolução da família, 
apresentando o casamento, a família e a união estável.
Para uma melhor exposição do tema, serão conceituadas e classificadas as 
relações de parentesco e a instituição da filiação e, principalmente, os direitos e 
deveres que são oriundos do exercício do poder familiar.
Por fim, visar-se-á expor acerca dos alimentos, suas classificações e for-
mas de efetivação, e as formas como o direito assistencial abrange a proteção de 
menores incapazes ou pessoas maiores incapazes por determinada circunstância.
Tal instituto jurídico é de suma importância, pois muitas vezes quem acaba 
pleiteando os alimentos não é o interessado, mas sim quem o representa naquele 
momento. É importante que fique sempre deve ser em benefício do menor e 
não no que seu representante gostaria de receber ou pretendia receber com a 
demanda apresentada.
Introdução
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IIU N I D A D E60
DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DO CONCEITO DE 
FAMÍLIA 
A vida familiar e o comportamento social evoluíram muito ao longo do tempo, 
não podendo ser assumida como uma simples instituição histórica que perdura 
no tempo. As relações familiares não são mais como na Antiguidade, quando a 
família era construída na desigualdade e sustentada pelo sistema patriarcal, com 
a concentração do poder na figura do pater familias. 
Na Antiguidade, a mulher era considerada um ser inferior ao homem, tendo 
por quase única função a procriação, não existindo qualquer planejamento 
familiar.
Uma prova disso é que nos direitos grego, romano e hindu a mulher é anali-
sada como inferior, sendo considerada uma parte integrante do próprio esposo 
a partir do casamento, ou seja, essa mulher nunca seria a dona de um lar, não 
possuía qualquer autoridade dentro dele. Na infância, depende do pai; durante a 
mocidade, de seu marido; com a morte deste, dependerá de seus filhos; e se não 
os tiver, dependerá de parentes mais próximos do marido (COULANGES, 2002).
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É certo que a palavra família só passou a ter um sentido jurídico a partir do 
direito romano; no entanto, suas primeiras acepções nada condiziam com o sig-
nificado atual de família, ligado a ideia de pais e filhos.
Nesse sentido, Paulo Lôbo bem esclarece que a expressão famulus queria 
dizer escravo, e família era o conjunto de escravos, propriedade de um deter-
minado homem; portanto, a expressão foi utilizada pelos romanos no intuito 
de nomear um determinado número de escravos que eram submetidos ao pater 
familias que detinha o poder de morte ou vida sobre eles. Estava caracterizado 
que a primeira forma de família nada tem a ver com uma formação espontânea, 
natural e primitiva, mas sim com questões econômicas e com o triunfo da busca 
pela propriedade individual, em que o domínio era do homem com a expressa 
finalidade de procriar filhos (LÔBO, 2009, p. 8).
Portanto, em Roma, somente depois de algum tempo é que a família passou a 
ser definida como uma “unidade econômica, política, militar e religiosa, que era 
comandada sempre por uma figura do sexo masculino, o pater familias”. Este era 
o ascendente mais velho de um núcleo que reunia todos os descendentes sobre 
a sua autoridade (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2012, p. 50).
A família romana evoluiu na medida em que restringiu progressivamente a 
autoridade do pater, dando uma autonomia à mulher e aos filhos e substituindo 
o parentescoagnatício pelo cognatício (WALD, 2002, p. 10). 
O direito romano reconhecia duas formas de parentesco: a agnação (agnatio), 
que era o parentesco fundamentado na sujeição das pessoas a um mesmo 
pater familias, não havendo qualquer laço de consanguinidade. E a cognação 
(cognatio), que constituía o parentesco natural, aquele por consanguinidade, 
que poderia ser em linha reta ou linha colateral.
Fonte: Rolim (2003, p. 156).
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E62
O Cristianismo trouxe a atividade legislativa que era realizada por meio de câno-
nes, diferente do direito romano até então vigente. Uma das principais alterações 
foi o casamento, com o objetivo de procriação e a diminuição da inferioridade 
da mulher em relação ao homem no matrimônio (GAMA, 2008, p. 16).
Durante a Idade Média, as relações familiares foram disciplinadas pelo 
direito canônico, que também tratava o casamento como um sacramento, ape-
sar de muitas vezes ser considerado um negócio pelas famílias, em que a mulher 
tinha a função de procriar, não devendo demonstrar prazer durante o ato sexual 
(WALD, 2002, p. 13). Ressalte-se que a família informal não era bem vista pela 
sociedade, em decorrência da sacralização do casamento.
Somente eram consideradas como legítimas as relações advindas do casa-
mento, e apenas elas teriam o condão de gerar filhos legítimos (DONIZETTI, 
2007, p. 9).
No tocante à Idade Média, a família ainda era patriarcal e respeitava valores 
morais e religiosos considerados relevantes na época, tendo seus alicerces cons-
truídos nesses valores. Não se considerava qualquer manifestação de sentimento 
na formação familiar, tendo um modelo, instituído pela religião, a ser seguido.
Já para se chegar a um conceito contemporâneo de família, alguns acon-
tecimentos históricos, como a Revolução Industrial, a inserção da mulher no 
mercado de trabalho, as duas grandes guerras, a necessidade de formação de 
grandes centros urbanos, a revolução sexual, o movimento feminista, o aumento 
e reconhecimento do divórcio, a admissão da criança como um sujeito de direito 
passível de tutela, a mudança de papéis de homens e mulheres dentro de seus lares, 
entre outros, deram margem ao surgimento desses vários modelos de família. 
Somente a partir da década de 60 que passaram a surgir leis que visavam à 
proteção da família. Até então, o Código Civil de 1916 (BRASIL, 1916, on-Line)
possuía caráter extremamente patrimonialista, pois tinha por objetivo final a 
tutela de cunho patrimonial, o que aumentava as discriminações dentro das 
relações familiares.
No século XIX, inconformadas com a superioridade de seus pais e esposos, 
as mulheres buscaram o reconhecimento de seus direitos e, consequentemente, 
surgiram os movimentos feministas, que viriam a criar mais força em sua luta 
durante o século subsequente (SAPKO, 2005, p. 39). 
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Somente com a Constituição Federal de 1988 é que passou a ser possível 
expandir a proteção da família. A partir da ampliação do conceito de família, 
remodelou-se o paradigma de família quando foram reconhecidos outros arran-
jos familiares, como a união estável entre um homem e uma mulher e a família 
monoparental, além daquela oriunda do matrimônio. Reconheceu-se o direito 
ao planejamento familiar no § 7º do seu art. 226, o qual foi calcado nos princí-
pios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável. 
Para Pereira (2003), essa Constituição realizou uma revolução no Direito de 
Família, que se fundamentou em três eixos principais: no art. 226, consignou que 
a família do terceiro milênio é plural e não mais singular; no § 6º do art. 227, alte-
rou o sistema de filiação, não fazendo qualquer diferenciação acerca dos filhos; 
no terceiro eixo, nos arts. 5º, inciso I e § 6º do art. 226, estabeleceu a igualdade 
entre homens e mulheres (PEREIRA, 2003, p. 233-234).
A constitucionalização do direito de família intensificou os laços de afeto, 
trouxe a família como o lugar para refugiar-se do mundo moderno, tornando-se 
uma irmandade em que os seus membros buscaram o afeto e, principalmente, o 
apoio, a ajuda e o suporte emocional uns dos outros.
Essa família da pós-modernidade se identifica por meio da solidariedade, que 
acaba sendo o próprio fundamento da afetividade. Dessa forma, a “família insti-
tuição” transformou-se em “família-instrumento”, que objetiva o desenvolvimento 
da personalidade de cada um dos seus membros, destacando a importância da 
preservação das estruturas psíquicas deles e a garantia de convívio com aqueles 
que lhe tragam afeto (FRAGA, 2005, p. 45). 
Por essa ótica, a falta do afeto traz como consequência direta, nessa nova 
forma familiar, a falência desse projeto de vida, portanto, a traição e infidelidade 
passam a perder espaço (FRAGA, 2005, p. 44). 
Já a possibilidade de dissolução do vínculo matrimonial trouxe uma con-
sequência lógica para a formação familiar, pois a permanência ou existência de 
uma família surge mais por um ato de vontade do que por mera imposição social.
Pode-se afirmar, desta forma, que a família pós-moderna poderá abran-
ger diversos formatos por meio de uma interpretação extensiva da própria 
Constituição Federal, desde que seja constituída com base no afeto e com o 
intuito de preservação e promoção da dignidade de seus membros. 
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
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FORMATOS FAMILIARES
A Constituição Federal de 1988 
consagrou, além da família 
advinda do casamento, outras 
entidades familiares, como as 
oriundas da união estável e da 
comunidade formada por um 
genitor e seus ascendentes, a 
família conhecida como mono-
parental. No entanto, visando 
ao resguardo dos princípios 
da igualdade e da dignidade da 
pessoa humana, não podemos 
considerar somente esses forma-
tos familiares, visto que atualmente 
o Direito tem dado respaldo às demais 
formações que decorram do afeto.
DA FAMÍLIA MATRIMONIAL
É aquela advinda do casamento, que possui como característica a indissolubi-
lidade da união entre um homem e uma mulher. Por muito tempo, somente se 
reconheceu como legítima esta entidade familiar, sendo as demais marginaliza-
das. Nela, adota-se o princípio da monogamia, segundo o qual as pessoas devem 
ser fiéis e, por muito tempo, foi formada sob o sistema patriarcal. A Constituição 
Federal de 1988 igualou homens e mulheres em direitos e deveres, ratificou a 
A priori, a família atual está calcada na afetividade, na pluralidade de formas 
e na importância individual de cada um de seus membros. Não há mais uma 
instituição e sim um instrumento que irá existir a fim de trazer a realização 
pessoal de cada um de seus membros. 
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ruptura do casamento prevista na Lei do Divórcio de 1977 e deu tutela às demais 
entidades familiares não fundamentadas no casamento. Contudo, o afeto sempre 
existiu nas relações familiares, independentemente do que o Estado estabelece 
em seu sistema normativo e das religiões (DIAS, 2013, p. 43).
DA FAMÍLIA INFORMAL
A família informal é aquela formada por uma união estável, incluindo, atual-
mente, a união entre pessoas do mesmo sexo. Atente-se ao fato de que a União 
Estável só foi reconhecida como entidade familiar a partir da Constituição Federal 
de 1988, e a primeira lei que tratou do tema foi a de nº. 8.971/1994 (BRASIL, 
1994, on-line). Posteriormente, a Lei nº. 9.278/1996 (BRASIL, 1996, on-line)
disciplinou de forma mais abrangente esse tipo de união,e o atual Código Civil 
não inovou, apenas reproduziu a legislação que já existia, o que permitiu a con-
versão em casamento desde que configurada a convivência pública, contínua, 
duradoura e estabelecida com o objetivo de constituir família (DIAS, 2013, p. 46).
DA FAMÍLIA MONOPARENTAL
É a entidade familiar formada por um dos pais e seus descendentes que só teve 
reconhecimento com a Constituição Federal de 1988, em seu § 4.º do artigo 226. 
DA FAMÍLIA HOMOAFETIVA
Foi reconhecida somente a partir da decisão do Supremo Tribunal Federal, em 
2011, por meio da ADI nº. 4277 da ADPF nº. 132, que garantiu às uniões homo-
afetivas os efeitos da união estável. Já no ano de 2012, o CNJ, posteriormente, 
editou uma Resolução com o intuito de reconhecer a possibilidade de casamento 
civil para o casal do mesmo sexo; portanto, não há que se discutir mais a possi-
bilidade ou não de um casal poder se unir civilmente. 
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
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DA FAMÍLIA ANAPARENTAL
É entendida como aquela família em que estão ausentes os genitores, cite-se como 
exemplo dois irmãos ou duas primas que vivam sob o mesmo teto. Há a convi-
vência dos entes familiares e a comunhão de esforços com o intuito de constituir 
um acervo patrimonial e, principalmente, o afeto (DIAS, 2013, p. 48). 
DA FAMÍLIA PLURIPARENTAL OU MOSAICO
São também chamadas de famílias recompostas, caracterizadas por uma famí-
lia que advém de uma ruptura de vínculos, visto que surgem em decorrência do 
divórcio, do reconhecimento das famílias informais e das novas uniões oriun-
das da anulação de relacionamentos anteriores. Para Grisard Filho (2003), essas 
famílias são definidas como uma “estrutura familiar originada do casamento ou 
da união estável de um casal, na qual um ou ambos de seus membros têm filho 
ou filhos de um vínculo anterior” (GRISARD FILHO, 2003, p. 257).
DA FAMÍLIA PARALELA OU SIMULTÂNEA 
É aquela família formada paralelamente a outra, sempre tratada com preconceito. 
Nela estão presentes os requisitos legais; no entanto, o Direito vem realizando 
o reconhecimento de ambas pelo ordenamento jurídico, sob pena de afrontar a 
ética e o enriquecimento ilícito (DIAS, 2013, p. 50).
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo foi o primeiro do Brasil que 
publicou no Diário da Justiça uma norma que regulamentava o casamento 
civil entre pessoas do mesmo sexo; portanto, tanto o casamento de casais 
homossexuais quanto a união estável homoafetiva foram inseridos nas pre-
visões das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça de São Paulo.
Fonte: as autoras.
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DA FAMÍLIA EUDEMONISTA
É a forma de família que visa à busca da felicidade, da solidariedade e do res-
peito mútuo. Nela há o intuito de felicidade individual e também coletiva, e tem 
como seu elemento formador o afeto, no qual intenta-se a realização plena de 
seus membros, que estão unidos por um afeto recíproco, pela consideração e pelo 
respeito mútuo, independentemente da consanguinidade (DIAS, 2013, p. 54).
DA FAMÍLIA POLIAFETIVA 
Recentemente a notícia de uma escritura pública declaratória de união poliafetiva 
de um homem com duas mulheres trouxe uma enorme discussão, delineando 
uma grande controvérsia acerca da moral e dos bons costumes. Houve a dis-
cussão na doutrina se não seria ato nulo ou inexistente; no entanto, não se pode 
negar ou ignorar esse tipo de relacionamento, sob pena de violar os direitos de 
quem convive por livre manifestação de vontade. Nesse sentido, é ético reco-
nhecer o pacto estabelecido entre as pessoas que convivem nesse formato, sob 
pena de propiciar o locupletamento ilícito de um ou mais em relação ao outro 
(DIAS, 2013, p. 53-54).
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
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PRINCÍPIOS DO DIREITO DE FAMÍLIA
Aqui, passaremos a analisar os princípios ligados ao direito de família, que são 
de suma importância, visto que eles inspiram a criação de normas diretamente 
ligadas a esse ramo do Direito.
DO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
A dignidade da pessoa humana é inerente a todo ser humano. Moraes (2002) asse-
vera que a dignidade humana é um valor espiritual e moral inerente a qualquer 
pessoa. Se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e respon-
sável da própria vida, está inserida em seu sentido a pretensão do respeito por 
parte das demais pessoas, assegurando que, somente excepcionalmente, possam 
ser feitas limitações ao exercício dos direitos fundamentais (MORAES, 2002, p. 
50). No âmbito familiar, esse princípio se concretiza a partir do momento em 
que os entes familiares colaboram para o desenvolvimento da personalidade de 
cada um de seus membros, não permitindo qualquer violação da integridade 
física ou psicológica deles garantindo seu normal desenvolvimento. 
DO PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE FAMILIAR
Este princípio está relacionado ao fato de a família dar ensejo a uma comunhão 
plena de vida entre os cônjuges ou os companheiros, ou seja, a atenção e o zelo de 
um para com o outro e para com a sua prole, que se traduz na assistência mate-
rial, moral e intelectual (NERY JUNIOR; NERY, 2009, p. 1094).
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DO PRINCÍPIO DA IGUALDADE ENTRE OS CÔNJUGES E 
COMPANHEIROS
A Constituição Federal de 1988 estabeleceu, no § 5º, do art. 226, a igualdade 
jurídica entre os cônjuges e os companheiros. Esta decorre do fato de que todos 
são iguais perante a lei, conforme o art. 5º, inciso I e II do mesmo diploma. Essa 
igualdade também foi retratada no art. 1.511 do Código Civil, o qual dispõe que 
o casamento estabelece a comunhão de vida plena, fundamentado na igualdade 
de direitos e deveres entre os cônjuges.
DO PRINCÍPIO DA IGUALDADE DOS FILHOS
Após a Constituição Federal de 1988, também não se pode falar em distinção 
entre os filhos oriundos do casamento ou de qualquer outro tipo de entidade 
familiar, sejam consanguíneos, adotivos ou socioafetivos. Portanto, todos os 
filhos possuem os mesmos direitos, sem qualquer discriminação.
DO PRINCÍPIO DO MELHOR INTERESSE DA CRIANÇA E DO 
ADOLESCENTE
Esse princípio adveio da doutrina da proteção integral com a atual Constituição 
Federal e tornou-se, assim, um dever jurídico imposto à família, à sociedade e ao 
Estado, sendo observado na elaboração de leis ou no resguardo de direitos que 
digam respeito às relações familiares com pessoas em desenvolvimento. Lôbo 
(2004) afirma que esse “princípio não é uma recomendação ética, mas uma dire-
triz determinante nas relações de crianças e adolescentes com seus pais, com sua 
família, com a sociedade e com o Estado” (LÔBO, 2004, p. 333).
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Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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DO PRINCÍPIO DA AFETIVIDADE
O afeto passou a ser o elemento formador da família, mesmo não estando pre-
visto na Constituição Federal de 1988. Ele decorre do princípio da dignidade da 
pessoa humana (TARTUCE, 2006). A partir desse reconhecimento, o afeto pas-
sou a delinear várias decisões que trazem reflexo direto ao direito de família, por 
exemplo, a possibilidade de reconhecimento da filiação socioafetiva, o reconhe-
cimento da união homoafetiva, o abandono afetivo, dentre outros.
DO PRINCÍPIO DA MONOGAMIA
Trata-se de uma forma de organização familiar que tem origem no matrimô-
nio, ou seja, uma união matrimonial deve, necessariamente, ser exclusiva. O art. 
1.566 do Código Civil trouxe a fidelidadecomo um dos deveres do casamento, 
já quanto à união estável, o art. 1.727 do Código Civil trouxe a lealdade como 
um dos deveres dos companheiros.
DO PRINCÍPIO DO PLURALISMO FAMILIAR
A própria Constituição Federal, em seu art. 226, dispôs sobre esse princípio a 
partir do momento que estabeleceu como possibilidades de entidades familiares 
aquela oriunda da união estável, da família monoparental, bem como a família 
matrimonial. Ressalte-se que o rol apresentado pela Constituição Federal não é 
taxativo e sim exemplificativo. Nesse sentido, Lôbo (2004) assevera que os tipos de 
entidades familiares referidos na Constituição brasileira não encerram numerus 
clausus; ou seja, foi suprimida a cláusula de exclusão que apenas admitia a família 
oriunda do matrimônio, adotando-se um conceito aberto, abrangente e de inclu-
são. Logo, qualquer entidade familiar que preencha os requisitos da afetividade, 
estabilidade e ostensibilidade está constitucionalmente protegida, como tipos pró-
prios, sendo os efeitos jurídicos tutelados pelo Direito de Família (LÔBO, 2004).
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DO PRINCÍPIO DA PARENTALIDADE RESPONSÁVEL E 
PLANEJAMENTO FAMILIAR
A parentalidade responsável é tratada por um princípio disposto no § 7º do art. 227 
da Constituição Federal, nos arts. 3º e 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente, 
(brasil, 1990 a, onine) e no inc. IV do art. 1.566 do Código Civil, e deve ser observada 
independentemente da orientação sexual, restando superada a ótica preconceitu-
osa de que isso poderia afetar o desenvolvimento psicológico da criança. Pode-se 
conceituar a paternidade responsável como a obrigação que os pais têm de prover a 
assistência moral, afetiva, intelectual e material aos filhos (CARDIN; ROSA, 2012).
ASPECTOS JURÍDICOS DA FORMAÇÃO E 
DISSOLUÇÃO DA FAMÍLIA: CASAMENTO, EFEITOS 
DO CASAMENTO, DIVÓRCIO E UNIÃO ESTÁVEL
Neste tópico, iremos estudar alguns aspectos 
ligados ao estado civil do sujeito, como casa-
mento, divórcio e união estável.
CASAMENTOS E EFEITOS DO 
CASAMENTO
Pelo casamento ocorrem uma série de conse-
quências que se projetam nas relações pessoais 
e patrimoniais dos cônjuges e dos membros 
familiares.
Assim, por meio do casamento, existem 
alguns efeitos que são provocados com ato e 
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E72
atingirá as pessoas dos cônjuges e também refletirá diretamente na sociedade.
A Constituição Federal de 1988 trouxe a igualdade entre os cônjuges na dire-
ção da sociedade conjugal. Posteriormente, o Código Civil de 2002 (BRASIL, 
2002, on-line)corroborou com esse entendimento, garantido a dignidade da pes-
soa humana dos cônjuges.
Há, deste modo, por meio do casamento, a criação da família, bem como a 
possibilidade da emancipação do cônjuge que case e seja menor de idade, tor-
nando-o plenamente capaz, como se houvesse atingido a maioridade (artigo 5º, 
§ único, II, do Código Civil), e também estabelece o vínculo de afinidade entre 
cada consorte e os parentes do outro (artigo 1.595, § 1º e 2º, do Código Civil) 
(GONÇALVES, 2012, p. 182).
Com o casamento, estabelece-se o estado de casados entre os cônjuges e, por 
meio dele, há um fator de identificação na sociedade dos cônjuges como casados 
e, ainda, a presunção de paternidade inicial e final do marido. 
Ademais, o casamento estabelece a comunhão de vida plena entre os côn-
juges; , com o ato também surge uma série de deveres que os cônjuges deverão 
cumprir uns com os outros, por exemplo, a fidelidade recíproca, vida em comum 
e domicílio conjugal mútua assistência, sustento, guarda e educação dos filhos, 
respeito e consideração mútuos.
Outro efeito que decorre do casamento é a possibilidade de um dos cônjuges 
adotar o sobrenome do outro e, em decorrência da igualdade estabelecida entre 
eles, ambos podem escolher se adotam ou não o sobrenome do outro.
Um efeito patrimonial se consubstancia com os direitos que surgem por meio 
da sucessão, no qual tiveram regras previamente estabelecidas no Código Civil 
brasileiro, tanto para os cônjuges quanto para os companheiros sobreviventes.
Existe também o efeito diretamente relacionado à administração dos bens 
dos filhos. Destaca-se, nesse sentido, que caberá aos pais, enquanto exercerem o 
poder familiar, a possibilidade de usufruir e administrar os bens dos filhos con-
juntamente ou exclusivamente na falta do outro. Em caso de divergência dos 
pais acerca da administração desses bens, caberá ao juiz decidir sobre a situação.
Da mesma forma ocorre o dever alimentar entre cônjuges e filhos, isto é, os 
cônjuges estão responsáveis por dar assistência material aos filhos por meio do 
pagamento dos alimentos.
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A instituição do bem de família também é um dos efeitos do casamento, esse 
instituto é regulamentado pela Lei n. 8.009/1990, (BRASIL, 1990 b, on-line)que 
traz disposições das possibilidades de impenhorabilidade deste bem.
DIVÓRCIO
A Emenda Constitucional n. 66/2010 (BRASIL, 2010 a, on-line) alterou a redação 
do § 6º do art. 226 da C.F., dispondo que o casamento se dissolve pelo divórcio 
e extinguindo o instituto da separação judicial.
Antes existiam o divórcio direto e o divórcio conversão, este poderia ser rea-
lizado depois de mais de um ano de separação judicial para só então requerer 
o divórcio, enquanto que aquele, o divórcio direto, somente ocorria após dois 
anos de separação de fato.
Portanto, a partir da Emenda n. 66/2010 (BRASIL, 2010a, on-line), o divór-
cio passou a ser direto, não precisando do tempo de separação de um ano para 
converter a separação em divórcio e de dois anos de separação de fato para o 
pedido do divórcio direto.
Ademais, com a Lei nº. 11.441/2007 (BRASIL, 2007, on-line) o divórcio 
passou a ter a possibilidade de ser realizado de forma extrajudicial, desde que o 
casal não tenha filhos menores e incapazes, devendo ser realizado por meio de 
escritura pública e ser consensual com relação à partilha de bens, pensão alimen-
tícia e retomada de nome de solteira ou mantendo o nome de casada (BRASIL, 
2007). Assim, o casal que se encaixar nos requisitos expostos poderá compare-
cer em um Cartório de Registro Civil e realizar a escritura pública de divórcio.
UNIÃO ESTÁVEL
A união estável passou a ser reconhecida enquanto entidade familiar a partir da 
Constituição de 1988. A primeira lei que disciplinou acerca da união estável foi 
a de nº. 8.971/1994 (BRASIL, 1994, on-line) e depois a Lei nº. 9.278/1996, que 
disciplinou de forma mais abrangente essa entidade familiar. O Código Civil de 
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2002 (BRASIL, 2002, on-line) apenas reproduziu o que já existia, permitindo a 
conversão em casamento desde que configurada a convivência pública, contínua e 
duradoura e estabelecida com, o objetivo de constituir família (DIAS, 2013, p. 46).
Dessa forma, a união estável para estar caracterizada precisa da convivência 
pública, contínua e duradoura com o intuito de constituição de família.
O art. 1.724 do Código Civil dispôs sobre os deveres inerentes aos com-
panheiros, que deverão seguir a lealdade, o respeito e a assistência,a guarda, o 
sustento e a educação dos filhos (BRASIL, 2002, on-line).
Ressalta-se que as pessoas que se encontrem impedidas de casar não pode-
rão constituir uma união estável, pois os efeitos jurídicos não serão produzidos. 
Somente o §1º do art. 1.723 do Código Civil traz como única exceção a possibi-
lidade da pessoa, mesmo casada, ser separada de fato ou judicialmente de outro 
cônjuge (BRASIL, 2002, on-line).v
Assim como o casamento, a união estável gera os efeitos patrimoniais do casa-
mento e, sem haver estipulação em contrário, o regime adotado será o de 
comunhão parcial de bens.
Com relação à sucessão do companheiro, as Leis nº. 8.971/1994 e nº. 
9.278/1996 estipularam como ela deveria ocorrer em caso de morte de um 
dos companheiros. No entanto, o Código Civil de 2002 trouxe um tratamen-
to diferenciado e principalmente confuso. O art. 1.790 é muito criticado pela 
doutrina, visto que trouxe uma forma diferenciada ao tratamento dado ao 
cônjuge sobrevivente, realizando, assim, uma discriminação entre união es-
tável e casamento. Também não se possibilita o usufruto a favor do compa-
nheiro, visto que acabou sendo substituído pela concorrência sucessória.
Fonte: pelas autoras.
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RELAÇÕES DE PARENTESCO
O parentesco poderá ser conceituado como o vínculo jurídico estabelecido entre 
pessoas com a mesma origem biológica, com o mesmo tronco comum, entre os 
cônjuges e seus parentes e entre as pessoas que possuem entre si um vínculo civil. 
Nesse sentido, pode-se ter três formas de parentesco: consanguíneo ou natural, 
por afinidade e civil.
O parentesco consanguíneo, ou também conhecido como natural, é aquele 
que decorre de um vínculo biológico ou de sangue. Já o parentesco por afinidade 
passa a existir entre o cônjuge e companheiro, sendo que marido e mulher não 
são parentes, mas com o casamento e com a união estável passam a ser paren-
tes dos seus respectivos parentes em linha reta e colateral. Por fim, o parentesco 
civil decorre, sobretudo, da lei, não configurando parentesco consanguíneo nem 
por afinidade (TARTUCE, 2011, p. 1108). 
Ressalte-se que o parentesco consanguíneo constitui-se em linha reta ascen-
dente (avós, pais) e descendente (filhos) e em linha colateral ou transversal, que 
se caracteriza-se por meio dos irmãos, tios e primos até 4º grau. 
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
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IIU N I D A D E76
DIREITOS E DEVERES INERENTES AO PODER 
FAMILIAR
O Código Civil de 1916 denominava o poder familiar como pátrio poder, dis-
pondo, no seu art. 379, (BRASIL, 1916, on-line) que tanto os filhos legítimos 
como os legitimados ou adotivos estavam sujeitos ao pátrio poder até atingirem 
a maioridade civil, sendo a partir daí capazes civilmente.
Essa noção de pátrio poder adveio do direito romano e foi calcado na ideia 
de absoluta autoridade do pai sobre as pessoas dos filhos; no entanto, isto mudou 
atualmente.
A expressão pátrio poder deixou de ser utilizada pelo Código Civil de 2002 
(BRASIL, 2002, on-line), pois retrata que a prevalência das relações entre os 
membros da família não está mais sob a autoridade paterna, mas sim dos pais 
(pai e mãe) em condições de igualdade.
Logo, essa evolução ocorreu de forma gradativa, ao longo dos séculos, 
seguindo a transformação de que a noção de poder sobre os outros, na verdade 
,é de uma autoridade natural dos pais com relação aos filhos, que são pessoas 
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dotadas de dignidade, no melhor interesse deles e garantindo-lhes uma convi-
vência familiar (LÔBO, 2006, p. 149). 
Leite (2005) destaca dois principais fatores que contribuíram para a alte-
ração dessa mentalidade: fáticos, quando houve o desaparecimento da família 
patriarcal e a substituição pela família nuclear, tendo como elementos a igual-
dade e o companheirismo; e legais, quando a Constituição Federal, em seu art. 
226, § 5º, estabeleceu a igualdade entre os cônjuges na administração da socie-
dade conjugal, trazendo, assim, alterações pertinentes na relação entre pais e 
filhos (LEITE, 2005, p. 276).
O poder familiar está relacionado ao conjunto de direitos e deveres que a lei 
atribui aos pais ao responsabilizá-los pela educação e administração dos bens dos 
filhos menores, até atingirem a maioridade (CARDIN, 2012, p. 207).
Nesse sentido, Arnaldo Rizzardo afirma que:
Nesta ordem de colocação do instituto, pode-se ir além e dizer que se 
trata de uma conduta dos pais relativamente aos filhos, de um acom-
panhamento para conseguir a abertura dos mesmos, que se processará 
progressivamente, à medida que evoluem na idade e no desenvolvi-
mento físico e mental, de modo a dirigi-los a alcançarem sua própria 
capacidade para se dirigirem e administrarem seus bens. Não haveria 
tão-somente um encargo, ou um munus, mas um encaminhamento, 
com o poder para impor uma certa conduta, em especial entes da ca-
pacidade relativa. Não mais há de se falar praticamente em poder dos 
pais, mas em conduta de proteção, de orientação e acompanhamento 
dos pais (RIZZARDO, 2004, p. 601-602).
O poder familiar deve ser entendido como uma consequência da parentalidade 
e não um efeito de determinada forma de filiação, pois os pais são os defensores 
e protetores naturais dos filhos, sendo também os titulares e depositários dessa 
autoridade que é delegada pela sociedade e pelo Estado (LÔBO, 2006, p. 274).
De tal modo, o poder familiar “é instituído no interesse dos filhos e da família, 
não em proveito dos genitores, em atenção ao princípio da paternidade res-
ponsável insculpido no art. 226, § 7º, da Constituição Federal” (GONÇALVES, 
2012, p. 413).
Os pais não exercem direitos e poderes de competência privada a eles, pois 
irão exercer direitos cujos titulares são os filhos; portanto, terão o direito de diri-
gir a educação e a criação dos filhos e, ao mesmo tempo, deverão assegurá-las.
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
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IIU N I D A D E78
Na impossibilidade de um dos pais exercerem o poder familiar, o Código Civil 
dispõe em seu art. 1.631, que o outro exercerá com exclusividade. Ressaltando-se 
que o divórcio e a dissolução da união estável não alteram as relações entre pais 
e filhos, somente quanto ao direito de os terem sem sua companhia. 
Em caso de filho que não tenha o reconhecimento do pai, a mãe poderá exer-
cer com exclusividade o poder familiar, caso haja a impossibilidade de exercê-lo, 
nomear-se-á um tutor para isso.
Poderão ocorrer a extinção, a suspensão e a perda do poder familiar dos 
pais sobre seus filhos.
A extinção está disciplinada pelo art. 1.635 do Código Civil e fundamenta-
-se em razões da própria natureza, independentemente da vontade de qualquer 
dos envolvidos, pois em regra advém de alguns acontecimentos, por exemplo, 
morte dos pais ou filhos, emancipação dos filhos, maioridade dos filhos, ado-
ção e por uma sentença judicial na forma do art. 1.638; ocorrerá por meio dela 
a interrupção definitiva do poder familiar.
Já a suspensão do poder familiar ocorre quando existe quebra de deveres 
paternais para com os filhos, de acordo com o que está disposto no art. 1.637. 
Essa suspensão poderá ser por comportamento inadequado dos pais ou por um 
fato involuntário (GOMES, 1991, p. 376). 
Paulo Lôbo classifica em quatro as formas de suspensão do poder fami-
liar, sendo que a primeira é o descumprimento dos deveres inerentes aos pais; a 
segunda se refere à ruína dos filhos; a terceira ao risco à segurança dos filhos; e a 
quarta à condenação por crime compena superior a dois anos. Não há necessi-
dade que essas causas sejam permanentes, basta que um só acontecimento possa 
se repetir no futuro, causando o risco à segurança do menor e de seus haveres 
(LÔBO, 2006, p. 283).
Obviamente, “havendo abuso de poder por parte dos genitores, o magistrado, 
após a sua apuração, deverá suspender o poder familiar por decisão fundamen-
tada” (CARDIN, 2012, p. 214).
A perda do poder familiar enseja uma gravidade maior da conduta dos pais, 
portanto, deve ser arbitrada somente quando há um perigo permanente à segu-
rança e à dignidade do filho (LÔBO, 2006, p. 284).
Cardin (2012) ensina que a perda do poder familiar desencadeia efeitos 
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emocionais e psicológicos aos filhos e aos pais, por isso, a lei enumera os fatos 
que poderiam prejudicar o completo desenvolvimento da criança ou do adoles-
cente no art. 1.638 do Código Civil (CARDIN, 2012, p. 214).
De acordo com Pereira (2010):
A perda do poder familiar é a mais grave sanção imposta ao que falta 
aos seus deveres para com o filho, ou falhar em relação à sua condi-
ção paterna ou materna. O abuso da autoridade e a falta aos deveres 
inerentes à autoridade parental autorizam o Juiz a adotar medida que 
lhe pareça reclamada pela segurança do filho e seus haveres, podendo 
inclusive suspender suas prerrogativas (PEREIRA, 2010, p. 464).
Nesse sentido, ocorrerá a perda do poder familiar quando: houver o castigo imo-
derado do filho, atente-se que aqui verifica-se o limite, pois poderá haver castigo 
sem excessos; deixar o filho em situação de abandono, ou seja, a criança tem o 
direito de uma convivência familiar, não poderá ser abandonada ou exposta a 
perigos; praticar atos imorais ou contrários aos bons costumes; e, por último, 
incidir reiteradamente nas faltas do art. 1.637 do Código Civil.
Obviamente, para ter a perda do poder familiar por sentença judicial, devi-
damente fundamentada, os pais têm que cometer essas faltas constantemente, 
ou seja, agir de forma reiterada. 
Faz-se necessária, assim, a propositura de uma ação por uma pessoa legiti-
mada (Ministério Público) para que esse poder familiar seja suspenso ou perdido 
pelo titular desse direito, cabendo a nomeação de um curador especial para 
criança no curso da ação (CARDIN, 2012, p. 215).
Há duas passagens que tratam do poder familiar no ECA (BRASIL, 1990a, 
on-line): o capítulo referente ao direito à convivência familiar e comunitária, 
arts. 21 a 24; e o capítulo atinente aos procedimentos de perda e suspensão do 
mesmo, arts. 155 a 163.
Assim como no Código Civil, o ECA dispõe que o exercício do poder fami-
liar deverá ser realizado em conjunto pelos pais durante o casamento ou a união 
estável, e deu a possibilidade de que, havendo alguma divergência quanto ao 
exercício, poderá qualquer um deles recorrer ao juiz para solucionar o conflito. 
Ressalta-se que um novo casamento ou uma nova união estável de qualquer 
um dos cônjuges ou companheiros que tiveram a primeira união desfeita pela 
morte, pelo divórcio ou pela dissolução trará a extinção do poder familiar, pois 
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
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IIU N I D A D E80
mesmo pais solteiros quando se casam e juntam-se com outrem não têm qual-
quer consequência para o poder familiar. O novo casamento ou união não traz 
qualquer prejuízo aos filhos do leito anterior. 
Nesse sentido, é evidente que, mesmo quando os pais não vivem juntos, nada 
muda em relação ao poder familiar que pertence a eles, devendo estes dar con-
tinuidade no seu exercício e garantir o desenvolvimento saudável e adequado 
da criança, não sendo, portanto, a convivência dos pais entre si requisito para a 
titularidade do poder familiar. 
Existirá, nesses casos, a imposição unilateral ou conjunta da guarda da criança. 
A guarda surge como um elemento do próprio exercício do poder familiar e trata-
-se de um direito e dever dos pais, podendo ser exercido por eles ou por terceiros. 
A guarda consiste num instituto jurídico advindo do poder familiar, em que 
um dos pais, ou ambos, terão os encargos de cuidado, zelo, proteção e custódia 
do filho. Ressalta-se que o conceito e o alcance desse instituto no ECA difere-
-se, pois a guarda inclui-se nas modalidades de famílias substitutas, juntamente 
com a adoção, pressupondo a perda do poder familiar pelos pais e, por isso, é 
atribuída a um terceiro (LÔBO, 2006, p. 169).
Amin (2010) adverte que a guarda é um atributo do poder familiar e como tal 
caracteriza-se como um direito e um dever, não sendo só o direito que o sujeito 
tem de manter o filho junto de si, mas também regulamenta as relações, repre-
senta o dever de resguardar a vida do filho, exercendo uma vigilância sobre ele, 
englobando o dever de assistência e representação (AMIN, 2010, p. 95).
Ainda assevera que: 
a cada genitor incumbe, portanto, o dever de saber onde, com quem e 
por que o filho menor de idade está longe de suas vistas. Deve os pais 
assegurar-se de que, distante dos seus olhos, o filho estará em seguran-
ça porque algum adulto o estará assistindo (AMIN, 2010, p. 96). 
De acordo com o Código Civil brasileiro, a guarda poderá ser unilateral ou compar-
tilhada, tendo sido alterada a redação do art. 1.583 pela Lei n. 11.698/2008 (BRASIL, 
2008a, on-line), que instituiu e disciplinou acerca da guarda compartilhada.
Assim, a doutrina classifica quatro modalidades de guarda: 
a) Guarda unilateral ou exclusiva, que é a mais comum, pois um 
dos pais detém exclusivamente a guarda, cabendo ao outro 
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direito de visitas, portanto, o filho mora com o seu guardião;
b) Guarda alternada, aquela que muitas vezes se confunde com 
a guarda compartilhada, mas possui características específi-
cas. Igualmente quando for fixada, os genitores irão alternar 
períodos exclusivos de guarda, cabendo o direito de visitação 
ao outro. É o juiz que fixa o tempo de exercício da guarda, 
no entanto, não corresponde ao melhor interesse da criança;
c) Nidação ou aninhamento é uma modalidade pouco comum, mas 
frequente na Europa. Nela a criança permanece na residência em 
que os pais moravam durante a união e esses revezam a com-
panhia da mesma, o que não condiz com a realidade brasileira, 
pois os genitores teriam que manter três residências, as que pos-
suíam antes da dissolução e cada um a sua própria residência;
d) Guarda compartilhada ou conjunta é a modalidade que vem 
sendo mais estipulada pelos juízes, pois traz vantagens ao 
desenvolvimento psicológico da criança, pois não há exclu-
sividade para seu exercício. Nela os genitores conjuntamente 
detêm a guarda e são corresponsáveis pela condução da vida 
do filho (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2012, p. 609).
A guarda unilateral deverá ser aplicada como medida de exceção e não como regra. 
E ainda deverá ser aplicada de forma temporária e em casos excepcionais, quando 
um dos genitores não possa exercer a guarda (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 
2012, p. 606), visto que poderá trazer à prole graves riscos de nível psicológico.
A guarda compartilhada pode ser entendida como a perspectiva dos titulares do 
poder familiar em manterem e exercerem a guarda conjuntamente, ainda que o vín-
culo jurídico tenha desaparecido (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2012, p. 108)
Há uma unanimidade em defender a guarda compartilhada como o instituto 
mais adequado, pois é ele que corresponde ao melhor interesse do menor, dando 
a possibilidade de um desenvolvimento psicológico mais efetivo à criança que 
sofre com a separação dos seus genitores, sendo dada, dessa forma, a oportuni-
dadede uma convivência familiar adequada mesmo com a ruptura do vínculo 
entre seus genitores.
Em decorrência do poder familiar, também surgem o direito e o dever 
quanto à educação dos filhos, sendo que o próprio art. 55 do ECA (BRASIL, 
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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1990a, on-line) preceitua ser dever dos pais matricular seus filhos ou pupilos na 
rede regular de ensino.
Assim sendo, os pais também têm o dever de dar uma educação adequada, 
pois espera-se deles o exercício da parentalidade de forma responsável. 
Ademais, independente de quem fique com a guarda, ambos terão o dever 
de exercer o poder familiar sobre essa criança, devendo garantir seu pleno 
desenvolvimento.
Para o genitor que não ficou com a guarda ou aquele que não tem a criança 
em sua companhia, a lei atribui o direito de visitação e convivência, dando-lhe 
também o dever de supervisionar e fiscalizar os interesses do filho. 
Recentemente, a Lei nº. 12.398/2011 (BRASIL, 2011, on-line) incluiu o pará-
grafo único do art. 1.589 do Código Civil, estendendo o direito de visitação a 
qualquer dos avós sob o critério do juiz e devendo ser observados sempre os 
interesses da criança. 
Não pode-se conceber que aquele que não tenha a guarda deixe de orientar 
e educar seu filho, por esse motivo, em regra, os juízes estipulam períodos de 
convivência longos sem qualquer prejuízo para a criança. 
A melhor forma de garantir a convivência da criança com o outro genitor, com 
o qual não reside ou não possui sua guarda, é garantir o direito de visitação de 
forma ampla, não se devendo restringir apenas aos finais de semanas alternados.
Entretanto, quando o outro genitor, detentor da guarda ou que tem a criança 
em sua companhia, não aceitou o divórcio e utiliza-se da guarda para minar 
o afeto da criança referente ao outro genitor, impondo uma visão negativa do 
mesmo para criança, poderá responder pela alienação parental.
Em 26 de agosto de 2010 foi publicada a Lei nº. 12.318 (BRASIL, 2010b, 
on-line), que teve o intuito de proteger os direitos individuais da criança e do 
adolescente, vítimas de abuso exercido pelos seus genitores. A alienação paren-
tal consiste na conduta de 
interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente pro-
movida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que te-
nham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância 
para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à 
manutenção de vínculos com este (BRASIL, 2010, on-line). 
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Cumpre observar que essas regras serão aproveitadas também pelo casal 
homoafetivo, que deverá exercer juntamente o poder familiar e os direitos e 
deveres oriundos dele, proporcionando à prole condições mínimas para o desen-
volvimento das crianças.
Destarte, todos os deveres e direitos oriundos do poder familiar devem ser 
aplicados a qualquer entidade familiar, uma vez que o Código Civil e o ECA não 
fazem menção ou diferenciação acerca do formato familiar apresentado. 
ALIMENTOS
Os alimentos são prestações devidas para a satisfação das necessidades pesso-
ais daquele que não pode prover pelo próprio trabalho (DINIZ, 2010, p. 1201).
Assim, o pagamento desses alimentos tem o intuito de pacificação social, 
sendo fundamentados pelos princípios da dignidade da pessoa humana e da 
solidariedade familiar. Em sentido amplo, os alimentos compreendem as neces-
sidades vitais da pessoa, e o objetivo é fornecer alimentação, saúde, moradia, 
vestuário, lazer, educação, entre outros. Estão incluídos dentro da ideia de patri-
mônio mínimo (TARTUCE, 2011, p. 1147-1148). 
Como pressupostos dos alimentos, têm-se: o vínculo de parentesco, casa-
mento ou união estável, podendo ser incluída a parentalidade socioafetiva, visto 
que enunciado do STJ já dá essa garantia; necessidade do alimentando ou credor; 
e, por fim, a possibilidade do alimentante ou devedor (TARTUCE, 2011, p. 1148).
Em decorrência da necessidade do alimentando e possibilidade do alimentante 
é que se tem o que a doutrina chama do binômio necessidade versus possibilidade.
A jurisprudência vem se posicionando no sentido que os alimentos devem 
ser fixados em 1/3 dos rendimentos do alimentante, não sendo obrigatória essa 
imposição, pois, em caso de pessoas de baixa renda, essa fração poderá ser 
diminuída, e também nos casos que haja mais filhos com genitoras diferentes 
(TARTUCE, 2011, p. 1148).
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E84
Os alimentos poderão se apresentar nas seguintes espécies: os naturais, 
que constituem aqueles que são destinados às necessidades primárias da vida, 
como indispensáveis à subsistência; os civis são os destinados a manter a con-
dição social, inclusive a educação do alimentando; os legais decorrem de lei; os 
voluntários decorrem da declaração de vontade inter vivos ou causa mortis, por 
exemplo, o legado de alimentos; os indenizatórios são resultantes da responsabi-
lidade civil; os definitivos são aqueles de caráter permanente, fixados pelas partes 
ou por decisão judicial definitiva; os provisórios são os fixados liminarmente 
na ação de alimentos, necessitando de prova pré-constituída, devendo o juiz 
fixar os alimentos provisórios, seguindo o rito estipulado na Lei nº. 5.478/1968 
(BRASIL, 1968, on-line); os provisionais são fixados por meio de uma medida 
cautelar antes de uma ação principal de divórcio, nulidade ou anulabilidade de 
casamento ou de extinção de união estável (GARCIA; PINHEIRO, 2014, p. 825).
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TUTELA E CURATELA
Trata-se a tutela de um instituto de direito assistencial que visa à defesa de inte-
resses de menores não emancipados, não sujeitos ao poder familiar. O objetivo 
do instituto é a administração dos bens patrimoniais do menor, na falta dos pais 
que exercem o poder familiar (TARTUCE, 2011, p. 1165).
Nela há o munus público, ou seja, trata-se de uma obrigação imposta pelo 
Estado com o intuito de atender aos interesses públicos e sociais. Também consti-
tui uma das formas de inserir a criança na família substitutiva, segundo o Estatuto 
da Criança e Adolescente (TARTUCE, 2011, p. 1166).
A tutela poderá ser dividida nas seguintes espécies: tutela testamento, que é aquela 
instituída por meio de ato de última vontade, como testamento, legado ou codicilo, 
em que os pais nomeiam uma pessoa para ser tutor; tutela legítima, que consiste na 
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E86
tutela instituída pela lei, está prevista no art. 1.731 do Código Civil, aos parentes con-
sanguíneos do menor; tutela dativa, na falta de uma tutela testamentária e legítima, 
o juiz poderá nomear um tutor idôneo e residente no domicílio do menor.
O Código Civil estabelece quem não poderá exercer a tutela, dispondo: aque-
les que não tiverem a livre administração de seus bens; aqueles que, no momento 
da instituição da tutela, forem constituídos em obrigação para com o menor ou 
tiverem que fazer valer direitos contra este e aqueles cujos pais, filhos ou cônju-
ges tiverem demanda contra o menor; aqueles que forem inimigos do menor ou 
de seus pais ou que tiverem sido por estes expressamente excluídos da tutela; os 
condenados por crime de furto, roubo, estelionato, falsidade, contra a família ou 
os costumes, tenham ou não cumprido pena; as pessoas de mau procedimento 
ou falhas em probidade, e as culpadasde abuso em tutorias anteriores; e aqueles 
que exercerem função pública incompatível com a boa administração da tutela.
Há também a possibilidade dos tutores se escusarem da tutela nos casos em 
que forem mulheres casadas, maiores de sessenta anos, aqueles que tiverem sob 
sua autoridade mais de três filhos, os impossibilitados por enfermidade, aque-
les que habitarem longe do lugar onde se haja de exercer a tutela, aqueles que já 
exercerem tutela ou curatela e militares em serviço.
São inúmeros os deveres que são impostos ao tutor, e o Código Civil esta-
belece toda a regulamentação relacionada ao exercício da tutela em seus artigos 
1.740 a 1.752, e sobre a prestação de contas que está disposta nos artigos 1.755 
a 1.762 do mesmo diploma.
As funções de um tutor poderá cessar em algumas situações específicas, 
por exemplo, a maioridade ou a emancipação do menor; quando cair o menor 
sob o poder familiar, em caso de reconhecimento ou adoção, quando expirar o 
termo ao qual está obrigado a servir; quando sobrevir uma escusa legítima e ao 
ser removido.
A curatela também é um instituto do direito assistencial e tem o intuito 
de defender os interesses dos maiores incapazes; bem como na tutela, possui o 
munus público. 
Tutela e Curatela
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Estarão sujeitos à curatela os maiores incapazes que serão representados 
pelo curador para a prática dos atos da vida civil, sob pena de nulidade absoluta 
do ato praticado. Nota-se que os relativamente incapazes serão assistidos nes-
ses atos, senão o ato será passível de anulabilidade (TARTUCE, 2011, p. 1.176).
Portanto, a curatela e a tutela são institutos distintos, visto que a última visa à 
proteção de interesses de menores, enquanto a primeira a de maiores incapazes. 
Estarão sujeitos à curatela aqueles que, por enfermidade ou deficiência men-
tal, não tiverem o necessário discernimento para praticar os atos da vida civil; 
aqueles que, por outra causa duradoura, não puderem exprimir a sua vontade; 
os deficientes mentais; os ébrios habituais e os viciados em tóxicos; os excepcio-
nais sem completo desenvolvimento mental e os pródigos.
Para que a pessoa seja sujeita à curatela deverá ser interditada, sendo que 
esse processo de só poderá ser promovido pelos pais ou tutores, pelo cônjuge 
ou por qualquer parente e pelo Ministério Público que agirá em caso de doença 
mental grave, se não existir ou não promover a interdição das pessoas delinea-
das anteriormente ou se essas forem incapazes.
A curatela poderá ser instituída ao nascituro, no caso de morte do pai, 
enquanto a mulher estiver grávida e não puder exercer o poder familiar. 
Assim como na tutela, o Código Civil dos arts. 1.781 ao 1.783 regulamenta 
como deve ocorrer o exercício da curatela. Dessa forma, fica evidente a diferença 
entre esses dois institutos, bem como a aplicação dos mesmos.
RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E88
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por muito tempo, perdurou o sistema patriarcal que só passou a ser alterado 
no âmbito familiar com a Constituição Federal de 1988, que trouxe a igualdade 
entre os cônjuges.
Quanto ao divórcio, a Emenda Constitucional n. 66/2010 alterou a redação 
do § 6º do art. 226 da C.F., dispondo que o casamento se dissolve pelo divór-
cio, sendo extinto o instituto da separação judicial, visto que o divórcio passou 
a ser direto, não precisando do tempo de separação de um ano para converter 
a separação em divórcio e de dois anos de separação de fato para o pedido do 
divórcio direto.
Pela Lei nº. 11.441/2007, o divórcio passou a ter a possibilidade de ser rea-
lizado de forma extrajudicial, desde que o casal não tenha filhos menores e 
incapazes, devendo ser realizado por meio de escritura pública e ser consensual 
com relação a partilha de bens, pensão alimentícia e retomada de nome de sol-
teira ou conservação do nome de casada.
A união estável passou a ser reconhecida enquanto entidade familiar a par-
tir da Constituição de 1988, sendo que a primeira lei a discipliná-la foi a de n. 
8.971/1994 (BRASIL, 1994, on-line), posteriormente a Lei nº. 9.278/1996 (BRASIL, 
1994, on-line), que disciplinou de forma mais abrangente essa entidade fami-
liar; e, finalmente, o Código Civil de 2002 permitiu a conversão em casamento 
,desde que configurada a convivência pública, contínua, duradoura e estabele-
cida com o objetivo de constituir família.
A parentalidade responsável e o poder familiar também dá ensejo a diversos 
direitos e deveres na realização do projeto parental desse casal, ou seja, o exercí-
cio da paternidade responsável terá reflexos diretos na maneira como estão sendo 
concretizados o poder familiar, a guarda e, até mesmo, a visitação da criança.
Assim, o poder familiar deve ser entendido como uma consequência da 
parentalidade e não como um efeito de determinada forma de filiação, pois os 
pais são os defensores e protetores naturais dos filhos, sendo também os titula-
res e depositários dessa autoridade que é delegada pela sociedade e pelo Estado.
89 
1. Quais os princípios basilares do Direito de Família?
2. Quais os efeitos principais que decorrem do casamento?
3. Atualmente, como pode se dar o divórcio?
4. Quais os deveres dos cônjuges que advêm do casamento?
5. Quais as espécies de alimentos dos quais o Direito de Família dispõe? 
Explique-as.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
90 
DO DIVÓRCIO NA ATUALIDADE
Valéria Silva Galdino Cardin1*
A Emenda constitucional nº 66/2010 
suprimiu a separação judicial. Hoje, 
temos apenas em que um dos cônju-
ges pode ingressar independente de 
qualquer lapso temporal e sem que seja 
necessário apresentar as causas que o 
motivaram, mas também há a possi-
bilidade de se discutir a culpa quando 
houver infração dos deveres conjugais.
O adultério pode se alegado no término 
do casamento, mas a infidelidade virtual 
não caracteriza aquele, porque é neces-
sário provar que ocorreram relações 
sexuais extraconjugais. A conduta deson-
rosa também pode ser alegada e ocorre, 
por exemplo, quando um dos cônjuges 
menospreza os entes familiares do outro, 
utiliza drogas, prática lenocínio ou outros 
crimes, se embriaga, se recusa em pagar 
débitos da família, não trabalha etc.
A injúria, que consiste em atentar a honra 
do outro cônjuge, bem como a sevícia 
(maus tratos), configura o descumpri-
mento do dever de mútua assistência 
e também enseja o divórcio. Contudo, 
é fundamental que seja avaliada a gra-
vidade e a intensidade da injúria, bem 
como a condição social das pessoas 
envolvidas, o grau de educação e o 
ambiente em que vivam. Não é neces-
sário que haja publicidade.
O abandono voluntário do lar conjugal 
por lapso temporal significativo, sem 
motivo justificado, pode ser invocado no 
divórcio também, uma vez que é dever 
dos cônjuges viver no mesmo domicílio 
conjugal e manter relações sexuais. Toda-
via, tal dever não é absoluto, uma vez 
que aqueles podem residir em cidades 
diferentes em decorrência de atividade 
laborativa. 
A mútua assistência também constitui 
um dos deveres dos cônjuges e diz res-
peito aos cuidados que um cônjuge deve 
dispensar ao outro, como proporcionar 
alimentos, vestuário, medicamentos, 
transporte, lazer etc. conforme o padrão 
social e econômico e também em caso 
de doença.
Caso um dos consortes atente contra 
a vida do outro, mesmo não se consu-
mando, motiva a decretação do divórcio 
litigioso, além da responsabilidade civil 
e penal. 
Assim, se houver a infração dos deveres 
conjugais a culpa deverá ser apreciada 
na própria ação de divórcio sendo pas-
sível de reparação civil por danos morais 
em outra ação, quando expor o côn-
juge ofendido a uma situação vexatória. 
O cúmplice do adúltero pode vir a res-
1*Advogada em Maringá-PR, professora da UniversidadeEstadual de Maringá e do Centro Universitário 
de Maringá-PR; mestre e doutora em Direito das Relações Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de 
São Paulo; pós-doutora em Direito pela Universidade de Lisboa. Endereço eletrônico: <valeria@galdino.
adv.br>. Artigo publicado na Revista Rose Ortega, Maringá, p. 22 - 23, 01 dez. 2012.
91 
ponder também por danos morais se 
provocar danos ao cônjuge ofendido.
O foro competente do divórcio é o da 
residência da mulher, se houver filhos em 
comum e ela estiver com a guarda deles.
 As pessoas que se encontram judicial-
mente separadas com o advento desta 
emenda não se tornam imediatamente 
divorciadas, sendo necessário o pedido 
de decretação daquele, independente-
mente de qualquer prazo. 
O divórcio pode ser realizado extrajudi-
cialmente, ou seja, no Cartório, desde 
que seja consensual e os filhos sejam 
maiores. 
É possível ainda que os ex-cônjuges acei-
tem o divórcio e continuem a discutir 
outras questões, como por exemplo, a 
guarda dos filhos, o exercício do direito 
de visita, o quantum dos alimentos etc. 
Há, ainda, a possibilidade de o alimen-
tante ingressar com a ação de prestação 
de contas com o intuito de fiscalizar se a 
pensão está sendo utilizada em prol do 
melhor interesse do menor. 
Poderá ser utilizada ainda a medida cau-
telar de separação de corpos quando um 
dos cônjuges expor o outro em risco ou 
os filhos. Nesta hipótese, após 30 dias de 
concessão da liminar, caberá ao reque-
rente propor a ação de divórcio. Além 
da separação de corpos é possível a uti-
lização da Tutela Antecipada para arrolar 
bens no caso de ameaça de dissipação 
dos bens comuns, assim como o pleito de 
alimentos para a manutenção dos entes 
familiares dependentes.
 O cônjuge “culpado” poderá perder o 
direito de usar o patronímico do outro, 
quando expor o sobrenome do outro há 
uma situação vexatória. 
Por fim, o melhor é que o casal se divorcie 
da forma consensual para a preservação 
do convívio familiar, mas caso não seja 
possível, admite-se a discussão da culpa 
quando houver infração dos deveres con-
jugais ou qualquer outra conduta que 
torne insuportável a vida em comum, 
caso contrário teríamos a instituciona-
lização da irresponsabilidade pessoal 
que deixou de ser um dever meramente 
moral, quando o legislador dispôs no 
Código Civil os deveres de ambos os 
cônjuges. 
MATERIAL COMPLEMENTAR
Manual de Direito Civil
Flávio Tartuce
Editora: Forense
Sinopse: o trabalho condensa os principais posicionamentos do 
autor a respeito das categorias jurídicas, expondo as doutrinas 
clássica e contemporânea. Traz também comentários sobre todos 
os enunciados doutrinários aprovados nas Jornadas de Direito Civil, 
eventos históricos promovidos pelo Conselho da Justiça Federal 
e pelo Superior Tribunal de Justiça entre os anos de 2002 e 2013, dos quais o autor participou. Tais 
exposições vêm acompanhadas dos entendimentos sumulados e ementados pelos Tribunais brasileiros, 
notadamente da mais recente jurisprudência superior. O livro apresenta enfoque interdisciplinar e 
multicultural, com interações com outros ramos jurídicos, como o Direito Constitucional e o Direito 
do Consumidor. Estão expostas as grandes teses do Direito Civil Contemporâneo, tais como a teoria 
do diálogo das fontes, o Direito Civil Constitucional, os princípios do Código Civil de 2002, a eficácia 
horizontal dos direitos fundamentais, as eficácias interna e externa da função social do contrato, os 
conceitos parcelares da boa-fé objetiva (supressio, surrectio, tu quoque, exceptio doli, venire contra 
factum proprium e duty to mitigate the loss), a função social da posse, a função social e socioambiental 
da propriedade, as novas entidades familiares, a parentalidade socioafetiva, as principais controvérsias 
da sucessão legítima, entre outros. Nota-se, assim, uma interação contínua entre teoria e prática, entre 
as categorias da civilística contemporânea e sua efetividade.
Princípios Constitucionais de Direito de Família: 
Guarda Compartilhada à Luz da Lei n. 11.698/08: 
família, criança, adolescente e idoso
Guilherme Calmon Nogueira Gama
Editora: Atlas
Sinopse: de acordo com a constitucionalização do Direito Civil, 
as famílias não são mais tuteladas em si mesmas, mas é enquanto 
instrumentos voltados ao cumprimento do projeto constitucional 
de sociedade civil. A dignidade da pessoa humana, colocada no ápice do ordenamento jurídico, 
encontra na família o solo apropriado para o seu enraizamento e desenvolvimento. O autor adotou 
a metodologia civil-constitucional na abordagem dos princípios de Direito de Família, tratando-se 
de orientação que condiz com os novos tempos relacionados à concretização dos fundamentos e 
objetivos da República Federativa do Brasil, além de haver apontado especial aplicação aos integrantes 
mais vulneráveis das entidades familiares, justamente as crianças, os adolescentes e os idosos.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Manual de Direito das famílias
Maria Berenice Dias
Editora: Revista dos Tribunais
Sinopse: por mais piegas que possa parecer, todos vivem na busca 
da felicidade. E por mais que tente, o legislador não consegue 
impor modelos de comportamento. As pessoas, seus sonhos, 
suas vidas, tudo muda, e não há como a lei não acompanhar essas 
mudanças. É difícil dizer se é a sociedade que traz reflexos nas 
relações familiares ou se são as mudanças no âmbito da família que levam à evolução da sociedade. 
contudo ninguém duvida que ocorreu uma evolução — quase uma revolução — significativa. Antes 
se valorizava muito mais a família, tanto que sua manutenção era imposta pela lei. Basta lembrar que o 
casamento era indissolúvel.
A Separação
Sinopse: Nader e Simin divergem sobre a possibilidade de deixar o 
Irã. Simin quer deixar o país para dar melhores oportunidades a sua 
filha, Termeh. Nader, no entanto, quer continuar no Irã para cuidar 
de seu pai, que sofre do Mal de Alzheimer. Chegam à conclusão de 
que devem se separar, mesmo ainda estando apaixonados. Sem 
uma esposa para cuidar da casa, Nader contrata uma empregada 
para ser responsável pelos afazeres domésticos e por tratar da 
rotina de seu pai. A empregada, que está grávida, aceita o trabalho 
sem avisar o seu marido.
A Busca
Sinopse: Theo Gadelha (Wagner Moura) e Branca (Mariana Lima) 
são casados e trabalham como médicos. O casal tem um filho, 
Pedro (Brás Antunes), que desaparece quando está perto de 
completar 15 anos. Para piorar a situação, Theo fica sabendo 
que Branca quer se separar dele e que seu mentor (Germano 
Haiut) está à beira da morte. Theo sai em busca do filho sumido 
e aproveita a viagem para se redescobrir.
REFERÊNCIAS
AMIN, A. R. Evolução histórica do direito da criança e do adolescente. In: MACIEL, K. 
R. F. L. A. (coord.). Curso de direito da criança e do adolescente: aspectos teóricos 
e práticos. 4. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Emendas Cons-
titucionais. Presidência da República, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 23 ago. 2017.
______. Emenda Constitucional n° 66, de 13 de julho de 2010. Dá nova redação 
ao § 6º do art. 226 da Constituição Federal, que dispõe sobre a dissolubilidade do 
casamento civil pelo divórcio, suprimindo o requisito de prévia separação judicial 
por mais de 1 (um) ano ou de comprovada separação de fato por mais de 2 (dois) 
anos. Presidência da República, 2010a. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc66.htm>. Acesso em: 23 ago. 2017.
______. Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Presi-
dência da República, 2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/2002/l10406.htm>. Acesso em: 23 ago. 2017.
______. Lei n° 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Altera dispositivos da Lei no 5.869, 
de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil,possibilitando a realização de 
inventário, partilha, separação consensual e divórcio consensual por via administra-
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GABARITO
97
1. Princípio da dignidade da pessoa humana; da solidariedade familiar; da igualda-
de entre os cônjuges e companheiros; da igualdade dos filhos; do melhor inte-
resse da criança e do adolescente; da afetividade; da monogamia; do pluralismo 
familiar; da parentalidade responsável e do planejamento familiar.
2. O casamento estabelece o estado de casados entre os cônjuges, existindo uma 
presunção de paternidade inicial, fidelidade recíproca, vida em comum e domi-
cílio conjugal, mútua assistência, sustento, guarda e educação dos filhos, respei-
to e consideração mútuos.
3. O divórcio passou a ser direto, não precisando do tempo de separação de um 
ano para converter a separação em divórcio e de dois anos de separação de fato 
para o pedido do divórcio direto. O divórcio passou a ter a possibilidade de ser 
realizado de forma extrajudicial, desde que o casal não tenha filhos menores e 
incapazes, devendo ser realizado por meio de escritura pública e ser consensual 
com relação à partilha de bens, pensão alimentícia e retomada de nome de sol-
teira ou mantendo o nome de casada.
4. O casamento estabelece a comunhão de vida plena entreos cônjuges e, assim, 
com o ato também surge uma série de direitos que os cônjuges deverão cum-
prir uns com os outros, por exemplo, a fidelidade recíproca, vida em comum e 
domicílio conjugal mútua assistência, sustento, guarda e educação dos filhos e 
respeito e consideração mútuos.
5. Os alimentos poderão se apresentar nas seguintes espécies: os naturais, que 
constituem aqueles que são destinados às necessidades primárias da vida, como 
indispensáveis à substância; os civis, que são os destinados a manter a condição 
social, inclusive a educação do alimentando; os legais, que decorrem de lei; os 
voluntários decorrem da declaração de vontade inter vivos ou causa mortis, como 
o legado de alimentos; os indenizatórios são resultantes da responsabilidade ci-
vil; os definitivos são aqueles de caráter permanente, fixados pelas partes ou por 
decisão judicial definitiva; os provisórios são os fixados liminarmente na ação de 
alimentos, necessitando de prova pré-constituída, devendo o juiz fixar os ali-
mentos provisórios, seguirá o rito estipulado na Lei n. 5.478/1968; os provisio-
nais são fixados por meio de uma medida cautelar, antes de uma ação principal 
de divórcio, nulidade ou anulabilidade de casamento ou de extinção de união 
estável (GARCIA; PINHEIRO, 2014, p. 825).
GABARITO
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Professora Me. Letícia Carla Baptista Rosa
Professora Me. Mariane Helena Lopes
QUESTÕES ATUAIS 
RELACIONADAS À FAMÍLIA
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Definir a proteção dos direitos da criança e do adolescente por meio 
do Estatuto da Criança e do Adolescente, delineando seus conceitos 
básicos, princípios e direitos básicos.
 ■ Diferenciar e tratar alguns aspectos dos direitos das mulheres, 
delineando os principais aspectos da Lei Maria da Penha.
 ■ Estudar algumas questões relacionadas ao direito do idoso, 
ressaltando as especificações do Estatuto do Idoso.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Direitos da criança e do adolescente: Estatuto da Criança e do 
Adolescente
 ■ Direitos humanos das mulheres: Lei Maria da Penha 
 ■ Direitos do idoso: Estatuto do Idoso
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), nesta unidade discutiremos pontos específicos ligados ao 
Direito de Família e que temos contato no nosso dia a dia. São questões rotinei-
ras e que, constantemente, nos deparamos com alguém nesse tipo de situação. 
Por essa razão, separamos os tópicos que seriam mais interessantes para análise.
No decorrer da unidade, um tópico tratará dos direitos humanos das crianças 
e dos adolescentes e sua regulamentação, delineando as principais disposi-
ções do Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como de alguns Tratados 
Internacionais que contribuíram para a tutela destes. Sendo assim, será abor-
dado, principalmente, o que significa a parentalidade responsável e suas nuances.
No que diz respeito à criança e ao adolescente, é de suma importância com-
preendermos que estes indivíduos, apesar de serem protegidos pelo mesmo 
Estatuto, são sujeitos diferentes para o Direito e, por essa razão, também são tra-
tados de forma diferentes pela lei. Um dos casos que os diferenciam diz respeito 
à idade dos sujeitos, que veremos no decorrer do nosso estudo.
Pretende-se demarcar a abrangência da teoria da proteção integral, espe-
cificando o princípio do melhor interesse da criança e do adolescente, alguns 
direitos fundamentais e alguns instrumentos de proteção da criança e do 
adolescente.
Outro assunto polêmico a ser tratado está relacionado à proteção dos direi-
tos humanos da mulher. Diante da ainda presente desigualdade de gêneros entre 
os sexos, e apesar de todas as campanhas, é crescente o número de violência 
doméstica praticada contra a mulher.
Serão apresentados também alguns campos de abrangência da Lei Maria da 
Penha, apontando algumas formas de violência que podem ser cometidas con-
tra a mulher. 
Por fim, serão apresentados os aspectos da tutela jurídica dada pelo Estatuto 
do Idoso às pessoas com 60 anos ou mais, pontuando alguns aspectos gerais dessa 
proteção e a discussão que a envolveu. 
Introdução
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IIIU N I D A D E102
DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE: 
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Aqui, analisaremos os direitos ligados à criança e ao adolescente, uma vez que 
estes merecem uma proteção maior do Direito por serem vulneráveis. Por essa 
razão, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) merece uma análise mais 
aprofundada.
CONCEITOS BÁSICOS
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é a lei que veio regulamentar a 
proteção para as crianças e os adolescentes e traz o conceito de quem pode ser 
considerado pela lei como uma criança ou um adolescente. Crianças são os indi-
víduos de zero até doze anos incompletos, enquanto os adolescentes são os que 
têm entre doze e dezoito anos de idade (BRASIL, 1990, on-line).
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Salienta-se que o ECA traz expressamente que os direitos fundamentais ine-
rentes à pessoa humana abrangem como titulares as crianças e os adolescentes, 
também considerados sujeitos de direitos e obrigações e que passaram a ter do 
Estado a proteção integral.
Houve, recentemente, uma alteração realizada pela lei nº. 13.010/2014 (“Lei 
Menino Bernardo”) (BRASIL, 2014, on-line)no ECA, na qual a aplicação do cas-
tigo físico - caracterizado pela ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada 
com o uso da força física sobre a criança ou o adolescente que possa resultar em 
sofrimento físico ou lesão poderá sujeitar o autor da agressão a medidas pre-
vistas na referida lei. Procede-se da mesma forma com o tratamento cruel ou 
degradante, caracterizado pela conduta ou pela maneira cruel de tratamento 
que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize a criança ou ao adolescente 
(BRASIL, 1990, on-line).
Também está no ECA o conceito de ato infracional, sendo considerada a 
conduta descrita como crime ou contravenção penal realizada por uma criança 
ou adolescente (BRASIL, 1990, on-line). Portanto, a criança e o adolescente tec-
nicamente não praticam crime ou contravenção e, sim, ato infracional.
Nesse sentido, o ECA se transforma em um importante instrumento de pro-
teção da criança e do adolescente, que recebe atualizações constantemente, no 
intuito de melhorar a estrutura do cuidado e da proteção que o Estado, a famí-
lia e a sociedade devem a esses seres humanos em desenvolvimento. 
PARENTALIDADE RESPONSÁVEL 
Somente com a Constituição Federal de 1988 que o planejamento familiar alçou 
o status constitucional, em seu § 7º do art. 226, podendo ser exercido por qual-
quer pessoa livremente, com fundamento nos princípios da dignidade da pessoa 
humana e da paternidade responsável.
Logo, a Constituição atrelou o exercício livre do direito ao planejamento 
familiar, desde que fossem observados os princípios da dignidade da pessoa 
humana e da paternidade responsável, com observância da utilização de recur-
sos educacionais e científicos para sua realização. 
QUESTÕES ATUAIS RELACIONADAS À FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E104
Trata-se de um direito de origem governamental, dotado de natureza pro-
mocional, não coercitiva, orientado por ações preventivas e educativas e por 
garantia de acesso igualitário a informações, meios, métodos e técnicas disponí-
veis para a regulação da fecundidade, em nada dispondo sobre qualquer proibição 
ou restrição referente à orientação sexual do indivíduo (CARDIN; RUIZ, 2010).Essa atuação estatal exigiu uma dupla função: a) a preventiva, quando se busca 
a informação, o ensino e a educação das pessoas acerca de métodos, recursos e 
técnicas para o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos; e b) a promocional, 
quando emprega os recursos e conhecimentos científicos para que as pessoas 
exerçam os direitos reprodutivos e sexuais, já educados com relação às formas 
e instrumentos possíveis (GAMA, 2003, p. 448). 
Para Diniz (2014), o planejamento familiar é um direito reprodutivo básico 
a todos os casais e indivíduos que poderão decidir, de forma livre, o número de 
filhos, o tempo e intervalos entre os nascimentos destes, e para isso dispõem de 
informações e dos meios que puderem utilizar na realização desse projeto e alcan-
çar o nível mais elevado de saúde sexual e reprodutiva (DINIZ, 2014, p. 140-143). 
No Brasil, o direito ao planejamento familiar traz ínsito nele essa dupla fei-
ção, compreendendo o direito de procriar em âmbito negativo e positivo. No 
entanto, predominam as ações voltadas para a anticoncepção, pois as políticas e 
os planos do governo são, em regra, voltados para o aspecto negativo do plane-
jamento familiar (BARBOZA, 2009, p. 161).
Nesse sentido, Barboza (2009) adverte que a Constituição Federal assegurou 
a autonomia reprodutiva e o acesso às informações e meios para sua efetivação, 
integrando as ações de atendimento global e integral à saúde que obriga ao SUS, 
em todos os níveis, garantir um programa que inclua atividades básicas, como a 
assistência à concepção e contracepção, e que sejam direcionados para o exercício 
do planejamento familiar todos os métodos e técnicas de concepção cientifica-
mente aceitos, desde que não coloquem em risco a vida e a saúde das pessoas, 
garantindo a liberdade de opção (BARBOZA, 2009, p. 160-161).
Gama (2003) destaca que o planejamento familiar exige:
[...] por óbvio, prévia educação e informação às pessoas acerca das op-
ções e mecanismos de controle da fecundidade. Há nítida conexão en-
tre os aspectos políticos, econômicos, sociais e familiares no que tange 
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o planejamento familiar. Com base na informação, no aconselhamento, 
no acompanhamento da postura reprodutiva, é perfeitamente possível 
que as pessoas passem a assimilar a concepção de que cabe a elas, na 
sua privacidade, a possibilidade de livre decisão quanto ao número de 
filhos, espaçamento entre eles (GAMA, 2003, p. 444).
Por meio do planejamento familiar, o Estado transferiu a responsabilidade de edu-
car e profissionalizar o filho à família, mas assumiu o dever de propiciar recursos 
educacionais e científicos para o exercício desse direito (REIS, 2008, p. 425).
A Lei nº. 9.263/1996 regulamentou o planejamento familiar no Brasil, esta-
belecendo em seu art. 2º que: 
[...] entende-se planejamento familiar como o conjunto de ações de 
regulação da fecundidade que garanta direito igual de constituição, li-
mitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo casal. 
É considerado um ato consciente de escolher entre ter ou não filhos de 
acordo com seus planos e expectativas (CARDIN, RUIZ, 2010). 
Essa lei inovou quando direcionou as normas de planejamento familiar não somente 
ao casal, mas também ao homem e a mulher individualmente considerados, assegu-
rando o exercício desse direito pela família monoparental no art. 3º e autorizando, 
no art. 9º, que, para o exercício daquele, serão oferecidos métodos de reprodução 
assistida, não fazendo qualquer referência quanto à orientação sexual das pessoas. 
No art. 3º da lei, há a menção de que “o planejamento familiar é parte inte-
grante do conjunto de ações de atenção à mulher, ao homem ou ao casal, dentro 
de uma visão de atendimento global e integral à saúde”; portanto, acarretando ao 
que está disposto o art. 196 da Constituição Federal, em que a saúde é direito de 
todos sem qualquer distinção, sendo dever do Estado garantir o seu acesso univer-
sal e promover ações de proteção e recuperação da mesma (GAMA, 2003, p. 449).
O Código Civil tratou do planejamento familiar no § 2º do art. 1.565 de 
maneira superficial, nele dispôs que tal planejamento é um encargo assumido 
tanto pelo homem quanto pela mulher quando da formação de uma família, 
sendo de livre decisão do casal, cabendo ao Estado propiciar recursos educacio-
nais para o adequado exercício desse direito, sendo vedada a coerção de qualquer 
instituição pública ou privada.
Logo, a ninguém é dado o direito de decidir o que deve ser deliberado pelo 
casal conjuntamente, trata-se de uma decisão personalíssima deles, vedando-se 
QUESTÕES ATUAIS RELACIONADAS À FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E106
qualquer forma de coerção, seja de natureza pública ou privada (REIS, 2008, p. 427).
Complementando, Reis (2008) ainda adverte que esse direito ao planeja-
mento familiar é:
[...] um direito personalíssimo dos consortes. Deve ser uma decisão co-
erente e consciente de duas pessoas – não é, nem poderá ser unilateral 
– “O planejamento familiar é de livre decisão do casal...” (art. 1.565, § 2º 
do CC). A liberdade e autonomia do casal, prescrita pelo texto do Código 
Civil é direito de personalidade, que são intransferíveis e irrenunciáveis, 
a teor do contido no artigo 12 do referido códex. Sendo direito pessoal, 
não poderá ser conspurcado pela intervenção de terceiros, quem quer 
que seja, instituição privada ou pelo próprio Estado (REIS, 2008, p. 427). 
Portanto, o ato da geração deverá ser uma decisão plural, e também há de vir 
inspirado nos ideais de fraternidade, solidariedade, amor e também responsa-
bilidade (REIS, 2008, p. 428). 
A lei tem o claro propósito de que a paternidade seja exercida de forma res-
ponsável, porque somente assim todos os princípios fundamentais, como a vida, 
a saúde, a dignidade da pessoa humana e a filiação serão respeitados.
O planejamento familiar é um direito garantido pela atual Constituição 
Federal no § 7º do art. 226, que deve ser exercido com fundamento nos princí-
pios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável. 
A paternidade responsável é um princípio constitucional assegurado no § 
7º do art. 227 da Constituição Federal, nos arts. 3º e 4º do Estatuto da Criança 
e do Adolescente e no inc. IV do art. 1.566 do Código Civil, devendo ser obser-
vada independentemente de qualquer coisa. 
Qualquer cidadão, independente do seu estado civil e da sua orientação 
sexual, tem o direito de realizar o seu projeto parental de forma livre, ou seja, 
escolher o número de filhos que deseja ter, optar pelas técnicas de reprodução 
assistida, ainda que não seja estéril ou infértil e de como será exercida sua paren-
talidade (ROSA; CARDIN, 2012).
Pode-se conceituar a parentalidade responsável como a obrigação que os 
pais têm de prover a assistência moral, afetiva, intelectual, material, espiritual e 
de orientação sexual aos filhos (ROSA; CARDIN, 2012).
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O planejamento familiar associado à parentalidade responsável compreende 
não só decidir o número de filhos, mas também aumentar o intervalo entre as 
gestações, utilizar as técnicas de reprodução assistida como último recurso à pro-
criação, não praticando a seleção de embriões com finalidades eugênicas para 
escolha de atributos físicos, bem como suprimir a filiação por meio da monopa-
rentalidade, dentre outros direitos e obrigações (ROSA; CARDIN, 2012).
A postura da Constituição Federal demonstra que o caráter do livre plane-
jamento familiar estimula a paternidade responsável, poisexige que o casal ou 
a pessoa esteja consciente do ato de planejar a família, o que implica, necessa-
riamente, em recursos de natureza física, social e econômica; portanto, traz aos 
consortes uma responsabilidade social (REIS, 2008, p. 423).
Reconhece-se como absoluto o direito ao planejamento familiar, sendo 
somente limitado seu exercício pela inobservância da parentalidade responsá-
vel e do princípio da dignidade da pessoa humana.
Nesse sentido, Moraes (1980) afirma que:
Ao estabelecer como dever de ambos os cônjuges sustentar, guardar e 
educar os filhos, é claro que o legislador brasileiro aí estatui um princí-
pio inequívoco de planejamento familiar: não devem os pais ter filhos 
sem quaisquer limitações, mas tê-los tantos quantos possam sustentar, 
guardar e educar. Estas três obrigações legais só poderão ser cumpridas 
se os cônjuges tiverem em conta os recursos de que necessitam para a 
sua nobre missão. 
[...] 
É ensino claro do que se tem denominado paternidade responsável: se 
os recursos e as condições biológicas permitem ter dez ou doze filhos, 
que sejam estes trazidos à vida. Mas se escasseiam aqueles, ou as pró-
prias condições de saúde contraindicam, é dever dos cônjuges limitar a 
prole ao número de filhos que podem honestamente sustentar, guardar 
e educar (MORAES, 1980, p. 29).
Ressalta-se que, quando a Constituição Federal atual instituiu o princípio da 
paternidade responsável, objetivando a tutela da convivência familiar e a efetiva-
ção do princípio da proteção integral da criança, trouxe como dever da família, 
da sociedade e do Estado assegurar às crianças a convivência familiar, velando 
para que não sofram nenhuma forma de negligência, de discriminação, de explo-
ração, de violência ou de crueldade.
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Reprodução proibida. A
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Portanto, a parentalidade responsável deverá ser exercida desde a concepção 
do filho, independente dele ser biológico ou socioafetivo, e traz inserida nela a 
responsabilidade pela realização do projeto parental.
É por isso que esse princípio deve ser observado juntamente com o princí-
pio da dignidade humana, visto que essa responsabilidade deverá ser ressalvada 
tanto na formação quanto na manutenção da família, pois esta deve sempre 
buscar um ambiente propício para que seus membros possam se desenvolver 
saudavelmente e se realizar enquanto pessoa.
Gama (2008) faz uma crítica à expressão “paternidade responsável”, que pode 
não abranger o conteúdo material do § 7º do art. 226 da Constituição Federal, 
pois ao se referir à paternidade, olvida-se a maternidade, limitando-se o enten-
dimento desse princípio somente à linha paterna. Deve-se realizar um exame 
mais aprofundado, permitindo a conclusão de que o constituinte disse menos 
do que queria ou ao menos deveria dizer, provavelmente por ter sido induzido 
em equívoco diante da tradução do termo “parental responsability”. Assim, sem 
o cuidado que se deveria ter na tradução da expressão para o Direito brasileiro, 
o constituinte empregou o termo “paternidade responsável”, que deveria ter sido, 
na realidade, “parentalidade responsável” (GAMA, 2008, p. 30-31).
Destaca também que a ideia do termo “parentalidade responsável” traz 
ínsita a noção de que corresponde às consequências do exercício dos direitos 
reprodutivos pelas pessoas no Direito de Família, relacionando-se aos vínculos 
paterno-materno-filiais (GAMA, 2008, p. 30-31).
A parentalidade responsável representa os deveres parentais em decorrên-
cia dos resultados do exercício dos direitos reprodutivos, independentemente de 
a procriação ocorrer por processo natural ou por meio de técnicas de reprodu-
ção assistida. Há, nesse dever, a responsabilidade individual e social das pessoas 
do homem e da mulher quando exerce sua sexualidade e o direito de procriar 
gerando uma nova vida. E, ainda, o direito individual da mulher de exercer sua 
sexualidade e optar pela maternidade contrapõe-se às responsabilidades indivi-
duais e sociais que assume ao se tornar mãe, da mesma forma como ocorre com 
o homem (GAMA, 2008, p. 30-31). 
Portanto, há na parentalidade responsável um compromisso individual e 
social tanto da mulher quanto do homem, que, no exercício das suas liberdades 
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ínsitas à sexualidade e à procriação, têm a possibilidade de gerar uma nova vida, 
devendo ser priorizado seu bem-estar físico, psíquico e espiritual, reconhecendo 
todos os seus direitos fundamentais, e ao mesmo, tempo constituindo responsa-
bilidades nas relações paterno-filiais (GAMA, 2003, p. 454). 
Reis (2008) destaca que: 
[...] não importa a dimensão dos riscos e problemas que advirão, o que 
conta é a responsabilidade dos pais em relação a ele, em decorrência da 
livre escolha que fizeram no âmbito do poder familiar. Por essa razão, 
sempre haverá que ser uma decisão de risco, em que predominam a in-
certeza e a insegurança sobre o futuro do filho gerado, bem como, os 
sacrifícios que resultaram desse processo de escolha do casal. Na socie-
dade moderna, em que os direitos e obrigações do casal foram consti-
tucionalmente igualizados não há mais espaço para uma maternidade 
responsável senão e, igualmente, uma paternidade do mesmo sentido 
responsável. O dever de formar cidadão no seio da família não é tare-
fa relegada exclusivamente destinada a mãe geradora do filho, senão no 
mesmo sentido, ao pai que foi a causa de sua geração – dupla responsabi-
lidade, em que as tarefas diárias decorrentes dos cuidados e educação do 
filho devem ser repartidas entre os consortes (REIS, 2008, p. 427-428).
Também busca-se o alcance da paternidade responsável por uma ótica do cui-
dado, que caracteriza-se ontologicamente e em sua concepção filosófica como a 
existência do próprio homem, constituindo, assim, um dos valores jurídicos que 
legitima o estabelecimento de direitos e deveres inerentes às relações de natu-
reza familiar (BARBOZA, 2009, p. 86).
O cuidado poderá ser definido com uma conduta em relação ao outro, ou 
seja, “um modo-de-ser mediante o qual a pessoa sai de si e se centra no outro com 
desvelo e solicitude”. Nele está inserida a noção de desvelo, solicitude, diligência, 
zelo, atenção, bom trato e de responsabilidade, em que as pessoas relacionam-
-se e o ser humano vai construindo o próprio ser, a autoconsciência e a própria 
identidade (BARBOZA, 2009, p. 86).
Pode, até mesmo, ser reconhecido como um valor implícito ao ordenamento 
jurídico, pois o cuidado está vinculado às relações de afeto, de solidariedade e 
de responsabilidade não só em âmbito familiar. Portanto, o cuidado conduz a 
compromissos efetivos e ao envolvimento necessário com o outro, por meio de 
uma norma ética da convivência. Também poderá ser entendido como um valor 
informador da dignidade da pessoa humana e da boa-fé objetiva, pois terá uma 
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função na interpretação e aplicação das normas jurídicas (BARBOZA, 2009, p. 86).
A ministra Nancy Andrighi, em decisão proferida em 2012, destacou que:
Vê-se hoje nas normas constitucionais a máxima amplitude possível e, 
em paralelo, a cristalização do entendimento, no âmbito científico, do 
que já era empiricamente percebido: o cuidado é fundamental para a 
formação do menor e do adolescente; ganha o debate contornos mais 
técnicos, pois não se discute mais a mensuração do intangível – o 
amor – mas, sim, a verificação do cumprimento, descumprimento, 
ou parcial cumprimento, de uma obrigação legal: cuidar.
Negar ao cuidado o status de obrigação legal importa na vulneração da 
membrana constitucional de proteção ao menor e adolescente,crista-
lizada, na parte final do dispositivo citado: “[...] além de colocá-los a 
salvo de toda a forma de negligência [...]”. [...]
Aqui não se fala ou se discute o amar e, sim, a imposição biológica 
e legal de cuidar, que é dever jurídico, corolário da liberdade das 
pessoas de gerarem ou adotarem filhos. [...]
Em suma, amar é faculdade, cuidar é dever (BRASIL, 2012). [grifo 
nosso]
Verifica-se que, em regra, cabem aos genitores os papéis de pais, devendo estes 
cuidar para que seus encargos não se limitem ao aspecto material, ao sustento. 
Alimentar o corpo sim, mas também cuidar da alma, da moral e do psíquico. 
Essas são as prerrogativas do poder familiar (SILVA, 2004, p. 124).
Dessa parentalidade responsável decorrerá o poder familiar, que se caracte-
riza como um munus público, imposto pelo Estado aos pais, a fim de que zelem 
pelo futuro de seus filhos. Tal poder familiar é instituído no interesse dos filhos 
e da família (GONÇALVES, 2012, p. 413).
Também como desdobramento da parentalidade responsável surge a questão 
da alienação parental, fenômeno presente na família pós-moderna. A prática da 
alienação parental poderá ocorrer quando, no intuito de manter a aliança e união 
com o genitor alienador, o filho acaba desvinculando-se afetivamente do genitor 
alienado, acreditando em todas as coisas ditas pelo alienador, chegando, inclusive, 
a confundir as noções de realidade e fantasia com a chamada implantação de fal-
sas memórias. 
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Em regra, a alienação parental ocorre quando um dos pais não consegue 
elaborar adequadamente o luto da ruptura do vínculo matrimonial, desencade-
ando um processo de desmoralização e de descrédito do outro que não detém a 
guarda, e a criança se torna instrumento de vingança (CARDIN; RUIZ, 2010). 
É justamente a partir desse momento que a família, que deveria ser sinônimo 
de um reduto de afetividade, passa a dar lugar a sentimentos subalternos, como 
os de deslealdade, frieza, egoísmo, ódio e abandono, desencadeando a prática da 
alienação parental. Essas condutas são praticadas de forma reiterada, o que traz 
uma dificuldade e violação ao normal desenvolvimento da criança, visto que, 
muitas vezes, é praticada em plena fase de desenvolvimento da personalidade 
dela, trazendo malefícios que carregará para o resto de sua vida.
Por fim, sendo a parentalidade responsável uma limitação ao livre exercício 
do direito ao planejamento familiar que deve ser observada juntamente com o 
princípio da dignidade da pessoa humana, não há como não reconhecer o dever 
de cuidado como um desdobramento da mesma tanto com relação ao abandono 
afetivo como em relação à alienação parental.
DOUTRINA DA PROTEÇÃO INTEGRAL
Somente com a criação do primeiro Juizado de Menores, em 1924, e seguindo 
tendências da Europa e da América do Norte é que se passou a verificar a neces-
sidade não apenas de uma instância própria para menores, mas também de 
uma legislação criada especialmente para regulamentar as situações em que 
os envolvessem; sendo assim, a partir de 1927, é promulgado o Decreto nº. 
17.943, de 12 de outubro, que constituiu o primeiro Código de Menores brasi-
leiro (VERONESE, 1997).
O Código de Menores corporificou as leis e decretos que tratavam dos 
menores, incluindo e alterando algumas concepções, como o discernimento, a 
culpabilidade e a responsabilidade, disciplinando, também, sobre a assistência 
à infância, dando a ela um caráter educacional (VERONESE, 1997, p. 10-11). 
Esse diploma não considerou criminoso o menor de 14 anos e manteve as 
medidas direcionadas aos infratores pela Lei Federal nº. 4.242/1921, trazendo 
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algumas inovações, como a liberdade vigiada aos menores absolvidos da prática 
de crimes e contravenções e a possibilidade de encarceramento de menores que 
tivessem cometido crimes graves e estivessem na faixa de 16 a 18 anos de idade, 
em estabelecimentos destinados a adultos e de onde só sairiam se fosse verificada 
a regeneração, sem exceder o máximo legal da pena (PAULA, 2002, p. 18-19).
A despeito disso, a presente legislação representou um progresso no trata-
mento da criança e do adolescente, visto que o objetivo das penas ao menor era 
a educação e não de repreensão, bem como abrangeu todas as esferas infracio-
nais, assistenciais e também passou à família o atendimento das necessidades 
básicas dessas crianças. 
Pereira (2008) ensina que o referido Código “representou a abertura significa-
tiva do tratamento à criança para a época, preocupado em que fosse considerado 
o estado físico, moral e mental da criança, e ainda a situação social, moral e eco-
nômica dos pais” (PEREIRA, 2008, p. 9).
O Serviço de Assistência do Menor (SAM), criado em 1941, que atendia os 
menores delinquentes, passou a receber muitas críticas a partir da década de 60 
por não cumprir os objetivos pelo qual foi criado, sendo extinto, em 1964, pela 
Lei nº. 4.513, a mesma que criou a Fundação Nacional do Bem-estar do Menor 
(FUNABEM) (AMIN, 2010, p. 7).
A FUNABEM era baseada na Política Nacional do Bem-estar do Menor 
(PNBEM), possuía uma gestão verticalizada e centralizadora e uma proposta 
pedagógica assistencial progressista. Na prática, era mais um instrumento de 
controle do regime político autoritário exercido pela Ditadura Militar viven-
ciada no país (AMIN, 2010, p. 7).
Nessas décadas, houve certo retrocesso na tutela da criança e do adolescente 
em nome da segurança nacional. A Lei nº. 5.228/1967 reduziu a responsabilidade 
penal para dezesseis anos de idade, aplicando o critério do discernimento nova-
mente dos dezesseis aos dezoito anos. Contudo, no ano anterior, já retornou ao 
regime de imputabilidade penal aos 18 anos (AMIN, 2010, p. 7).
Somente em 1979 é que foi publicado o novo Código de Menores (Lei nº. 
6.697/1979), que encampou a teoria da situação irregular, sendo que, nesse período 
,a cultura da internação de menores carentes e delinquentes seguiu-se intensamente, 
tornando a segregação como a única solução em muitos casos (AMIN, 2010, p. 7).
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Essa doutrina limitou-se em tratar daqueles que se enquadravam no modelo 
predefinido de situação irregular, que compreendia: o menor privado de con-
dições essenciais à sua subsistência (saúde e instrução obrigatória pela ação ou 
omissão dos pais ou responsáveis); as vítimas de maus-tratos; as crianças expos-
tas a perigo moral por estarem em ambientes ou atividades contrárias aos bons 
costumes; o autor de uma infração penal ou os menores que apresentem des-
vio de conduta.
Também apresentou o campo de atuação do Juiz de Menores, restrito ao 
binômio carência/delinquência, qualquer outra questão que envolvesse crianças 
ou adolescentes deveriam ser tratadas na Vara de Família e seriam regulamen-
tadas pelo Código Civil.
Não possuía uma característica garantista, pois não elencava direitos, somente 
enunciava algumas situações em que deveria ter uma atuação de resultados, ou 
seja, era um direito do menor que agia sobre ele, como objeto da proteção e não 
como sujeito de direitos (AMIN, 2010, p. 13).
No âmbito da proteção ao menor, visava-se combater e impedir os abusos 
que ocorriam de forma clara quando o Estado intervinha por meio do traba-
lho realizado pela Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor — FUNABEM .
Somente em 1988 é que diversos setores da sociedade civil, juntamente com 
algumas organizações não-governamentais, mobilizaram-se pela criação de uma 
nova política paracrianças e adolescentes. Essa mobilização contribuiu para a 
inclusão na Constituição Federal dos artigos 227 e 228, que versam sobre a garan-
tia, com absoluta prioridade, dos direitos fundamentais e sociais para crianças e 
adolescentes e a inimputabilidade para menores de 18 anos (SANTOS, 1992, p. 69).
Nesse sentido, Amin (2010) afirma que a intensa mobilização das organiza-
ções populares nacionais e de atores na área da infância e juventude, junto com 
a pressão internacional, como a UNICEF, foram primordiais para que o legisla-
dor constituinte reconhecesse a importância de uma causa já internacionalmente 
reconhecida e rompesse com a ordem até então instituída, consolidando a dou-
trina da proteção integral (AMIN, 2010, p. 8).
Assim, foi a partir do século XX que se passou a valorizar a tutela da criança, 
sendo formulados, em âmbito mundial, direitos básicos e reconhecendo a criança e 
o adolescente como um ser humano especial, com características peculiares e, assim 
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sendo, como um “sujeito de direitos”, ou seja, um titular de direitos e obrigações.
É justamente nesse contexto que a criança e o adolescente são tratados como 
vulneráveis. Em 1988, a Constituição Federal passou a tratar as crianças e os 
adolescentes como sujeitos de direitos e adotou a teoria da proteção integral, 
passando a conceder amparo jurídico aos mesmos.
Essa doutrina da proteção integral à criança foi consagrada por meio da 
Declaração Universal dos Direitos da Criança de 1959, da Convenção Internacional 
sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas, em 1989. No 
Brasil, ela foi concretizada pela Constituição Federal de 1988 e pelo Estatuto da 
Criança e do Adolescente que passou a ser amparada.
O significado dessa teoria se dá no sentido de conferir uma visibilidade de 
sujeito de direitos para essas crianças e adolescentes, pois passaram a ser titula-
res de direitos que poderiam ser exigidos da família, da sociedade e do Estado, 
o que está retratado no caput do art. 227 da Constituição Federal.
Compreende-se, por meio dessa proposição, que a legislação que tutele 
direitos de crianças e de adolescentes deverá concebê-los como cidadãos plenos; 
contudo, devem ser considerados como sujeitos a uma proteção prioritária, já 
que são pessoas em desenvolvimento físico, psicológico e moral.
Este é um dos motivos pelos quais se torna essencial que sejam proporciona-
das ao menor, nessa etapa, condições favoráveis ao adequado desenvolvimento 
de sua personalidade.
Outra das principais alterações decorridas da Constituição Federal de 1988 foi 
o fim da discriminação entre filhos legítimos e ilegítimos, definindo, assim, todas 
as crianças e adolescentes como “sujeitos de direitos”, sem fazer qualquer diferen-
ciação entre os filhos oriundos do matrimônio, adotados ou extramatrimoniais.
Assim, para regulamentar e consolidar as diretrizes da Constituição Federal, 
em 13 de julho de 1990, foi promulgado o Estatuto da Criança e do Adolescente 
reafirmando a doutrina da proteção integral do menor.
Amin (2010), acerca da doutrina da proteção integral, ensina que:
Com ela, constrói-se um novo paradigma para o direito infanto-ju-
venil. Formalmente, sai de cena a Doutrina da Situação Irregular, de 
caráter filantrópico e assistencial, com gestão centralizadora do Poder 
Público, a quem cabia a execução de qualquer medida referente aos 
menores que integravam o binômio abandono-delinquência.
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Em seu lugar, implanta-se a Doutrina da Proteção Integral, com cará-
ter de política pública. Crianças e adolescente deixam de ser objeto de 
proteção assistencial e passam a titulares de direitos subjetivos. Para 
assegurá-los é estabelecido um sistema de garantia de direitos, que se 
materializa no Município, a quem cabe estabelecer a política de atendi-
mento dos direitos da criança e do adolescente [...] (AMIN, 2010, p. 9). 
Houve a necessidade de respeitar os direitos das crianças e dos adolescentes, 
lembrando que eles são pessoas em desenvolvimento, sujeitos de direito e que, 
portanto, também têm um conjunto de direitos fundamentais a serem protegidos. 
No intuito de garantir e efetivar os direitos fundamentais e sociais definidos 
no ECA, foram constituídos órgãos, como o Conselho de Direitos da Criança e do 
Adolescente, com participação de representantes da sociedade civil e do governo 
e os Conselhos Tutelares, formados por representantes eleitos pela população 
dos bairros aos quais atendem, sendo este órgão o responsável pela defesa dos 
direitos do menor em caso de lesão ou perigo de lesão dos mesmos.
Instalou-se, então, uma nova perspectiva na proteção das crianças e dos ado-
lescentes, pois, além de declarar direitos aos mesmos, estabeleceu instrumentos 
e procedimentos que são adequados para a efetivação desses direitos dentro da 
realidade vivida pelo país.
Ressalta-se que o próprio estatuto utiliza várias vezes a expressão proteção 
integral, sendo ela uma “expressão designativa de um sistema onde crianças e 
adolescentes figuram como titulares de interesses subordinantes frente à famí-
lia, à sociedade e ao Estado” (PAULA, 2002, p. 23).
Passou-se, então, a um novo modelo de proteção, possuindo este a carac-
terística de ser democrático e participativo, tendo a família, a sociedade e o 
Estado como cogestores do sistema de garantias, não se restringindo à infância 
e juventude pobres, mas para todas as crianças e adolescentes que sofrem lesão 
ou perigo de lesão aos seus direitos fundamentais de pessoas em desenvolvi-
mento (AMIN, 2010, p. 10).
Portanto, a criança e o adolescente gozam de proteção especial pela atual 
Constituição Federal e pelo ECA, em decorrência de terem alcançado a condi-
ção de sujeitos de direitos fundamentais, devendo ser-lhes garantida uma vida 
digna, livre de violência, bem como a preservação da integridade física e psico-
lógica, para que possam desenvolver, de forma saudável, a personalidade.
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Essa especial proteção conferida à criança e ao adolescente tem como fun-
damento o princípio da dignidade da pessoa humana previsto no art. 1º, inciso 
III, do texto constitucional. 
O princípio do melhor interesse do menor caracteriza-se pela valorização 
da condição de vulnerabilidade do infante, sendo dever do Estado, da família e 
da sociedade amparar a criança e o adolescente em seu desenvolvimento.
Ressalta-se também, segundo o art. 15 do ECA, a liberdade, o respeito e a 
dignidade que são introduzidos como a base para o desenvolvimento dos meno-
res como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição 
e nas leis ordinárias. 
Não se pode olvidar que a família é o lugar onde a pessoa modela a sua per-
sonalidade, é onde deverá se sentir protegida e aprender a enfrentar os desafios 
oferecidos pela condição de estar vivo, definindo seus valores morais, sociais, 
éticos, políticos, espirituais, entre outros. 
Destarte, é a família a primeira responsável pela construção do cidadão, que 
nela realiza a sua formação física, mental, moral, espiritual e social, e a criança 
como um sujeito em desenvolvimento deve ter direito de convivência com sua 
família.
A Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (FUNABEM) ficou conhecida 
pelas fugas, rebeliões, denúncias de maus-tratos aos adolescentes, torturas, 
frequentes motins e superlotações, o que demonstrou, de forma clara, que 
as políticas do governo não conseguiam respeitar o mínimo de dignida-
de humana das crianças e dos adolescentes considerados em situação de 
marginalidade.Por esse motivo, houve uma reestruturação dessa forma de 
atendimento, que passou a ser chamado de Fundação Casa, que significa 
Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente.
Fonte: as autoras.
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PRINCÍPIO DO MELHOR INTERESSE DA CRIANÇA E DO 
ADOLESCENTE
O princípio do melhor interesse da criança e do adolescente adveio da doutrina 
da proteção integral com a atual Constituição Federal e tornou-se, assim, um 
dever jurídico imposto à família, à sociedade e ao Estado, sendo observado na 
elaboração de leis ou no resguardo de direitos que digam respeito às relações 
familiares com pessoas em desenvolvimento.
Não se trata de uma “recomendação ética, mas uma diretriz determinante 
nas relações da criança e do adolescente com seus pais, com sua família, com a 
sociedade e com o Estado” (LÔBO, 2004, p. 333).
Na Declaração dos Direitos da Criança de 1959, em seu princípio 2º, há a 
disposição que as leis devem ser instituídas com fundamento no “melhor inte-
resse da criança”. Igualmente, a Convenção Internacional dos Direitos da Criança 
de 1989, aprovada pela Assembleia Geral das Organizações das Nações Unidas 
(ONU), em 1989, previu, em seu art. 3º, item 1, que as ações relacionadas às 
crianças deverão primordialmente considerar o melhor interesse da criança. 
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Ressalta-se que a versão em inglês dessa Convenção utilizou um conceito 
qualitativo, referindo-se à expressão the best interests of the child; já a versão bra-
sileira adotou um conceito quantitativo ao se referir como “o maior interesse 
da criança”; no entanto, devido à orientação e sistemática seguida pelo ordena-
mento jurídico brasileiro, seria mais adequado utilizar a forma qualitativa, pois 
condizia com a realidade do documento (PEREIRA, 1999, p. 6).
Essa expressão the best interests of the child surgiu na Inglaterra vinculada ao insti-
tuto do parens patriae. Este dava ao Rei e a Coroa a prerrogativa de serem cuidadores de 
pessoas incapazes, bem como administrar seus patrimônios (PEREIRA, 1999, p. 1-2).
Ressalta-se que esse instituto primariamente não foi concebido com insti-
tuito de tutelar as crianças, pois, pelo sistema antigo, estas eram apenas objetos 
que pertenciam a seus pais, a quem deviam total obediência. Somente depois de 
1836 passou a ser efetivo na Inglaterra (PEREIRA, 1999, p. 2).
Essa fórmula advinda do sistema anglo-saxônico, representada na expres-
são the best interests of the child, está prevista tanto na Constituição Federal de 
1988 quanto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O princípio localiza-se no texto constitucional em seu art. 227, caput devendo 
ser considerado intrínseco ao princípio da parentalidade responsável, pois repre-
senta expressamente a alteração do eixo das relações paterno-filiais, em que as 
crianças passaram a ser consideradas sujeito de direitos e obrigações.
No ECA, art. 4º, há a disposição de uma série de deveres que a família, a 
sociedade e o Estado devem dispender à criança e ao adolescente como priori-
dade absoluta na efetivação de seus direitos, garantindo-lhes “o desenvolvimento 
físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade”. 
Foi com o advento da Lei nº. 8.069/1990 (ECA) que o sistema de tutela à 
criança passou a contar com uma série de normas direcionadas ao seu melhor 
interesse; buscou-se, assim, que a criança possa gozar plenamente de seus direi-
tos fundamentais, dessa forma, a expressão está por todo o texto da lei.
O princípio do melhor interesse não será utilizado somente como um prin-
cípio geral, mas também como um critério interpretativo dos códigos e das 
leis ordinárias, bem como na elaboração de novas leis (GAMA, 2009, p. 460; 
PEREIRA, 2008), pois, em decorrência dele, priorizam-se as necessidades da 
criança e do adolescente no caso de conflito entre pais ou responsáveis.
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Lembre-se que o princípio do melhor interesse da criança tem caráter de 
norma fundamental, portanto, deverá se projetar para além da ordem jurídica, 
alcançando as políticas públicas que oriente o desenvolvimento de uma cultura 
que traga a ideia de igualdade e respeito aos direitos de todos. 
Atente-se ao fato de que não se deve atribuir a tal princípio um alcance que 
ele nunca teve, uma vez que isso pode legitimar uma série de abusos interpre-
tativos, que poderiam elevar a criança a uma categoria de “majestade suprema”. 
Ele deverá ser concebido como um preceito dirigido ao Estado-administrador, 
ao Estado-juiz e ao Estado-legislador, aquiescendo-o com as reais necessidades 
da criança. Assim, também deve agir a família com relação às crianças em qual-
quer tomada de qualquer decisão em relação a elas (MONACO, 2005, p. 179-184).
DIREITO FUNDAMENTAL DE CONVIVÊNCIA FAMILIAR
Acrescenta-se que o ECA reconhece a importância do direito à convivência fami-
liar e à vida privada. Constam, no art. 100, parágrafo único, os princípios que 
devem ser adotados ao se aplicar medidas de proteção a crianças ou a adoles-
centes que tenham seus direitos violados, como o da intervenção mínima (inc. 
VII) e o da prevalência da família (inc. X) (BRASIL, 1990, on-line).
Toda criança e adolescente têm o direito de crescer convivendo com seus 
pais, é garantido a eles que em qualquer abuso do poder familiar, faltando a 
paternidade responsável, pode-se suspender os pais ou destituí-los, sendo o que 
dispõe os arts. 1.637 e 1.638. 
O direito à convivência familiar está disposto no art. 227 da Constituição 
Federal e também no art. 19 do ECA. Este assegura à criança ou ao adolescente 
o direito de conviver e ser educado pela sua família natural, sobretudo em con-
dições saudáveis. No entanto, também admite que a criança ou o adolescente 
seja inserido em uma família substituta, decorrente de guarda, tutela ou adoção, 
conforme o que o art. 28 dispõe (BRASIL, 1990, on-line).
Percebemos, assim, que a convivência familiar é de suma importância para 
o desenvolvimento da criança e do adolescente, bem como para que os laços de 
família sejam fortalecidos entre seus membros.
QUESTÕES ATUAIS RELACIONADAS À FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E120
DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES: LEI MARIA DA 
PENHA
Neste tópico, iremos tratar da Lei Maria da Penha, que trouxe uma proteção 
diferenciada para as mulheres, de acordo com a necessidade apresentada pela 
sociedade, como demonstraremos na sequência.
A IGUALDADE DO HOMEM E DA MULHER NA FAMÍLIA: O 
DIREITO À DIFERENÇA
A desigualdade entre os gêneros é um assunto recorrente na nossa sociedade 
desde a antiguidade. Desde que o mundo é mundo, há diferença entre o homem 
e a mulher, principalmente no âmbito doméstico. 
Ao se tratar de violência de gênero, estar-se-á a vislumbrar a agressão reali-
zada contra a mulher em razão do gênero, visto que, verdadeiramente, a história 
da mulher é constituída de grande vulnerabilidade. Isso porque, desde os tem-
pos mais remotos, ela foi submetida ao poder do homem - tanto pelo pai quanto 
pelo marido - de modo que nas famílias imperava o pater família. Salienta Ester 
Kosovski que foi por ocasião, ou pouco antes, do aparecimento da escrita que 
surgiu o patriarcalismo, em que se atribuiu à mulher um papel secundário e com-
plementar, acarretando a sua submissão ao homem que dominava os negócios 
do mundo (KOSOVSKI, 1993, p. 31).
Nesse sentido, por um bom período, a mulher teve suas funçõespredefi-
nidas e limitadas, sendo que era submissa ao homem, pois tinha como dever 
cuidar da família, e seu papel social era sempre ficar à sombra do seu homem.
A convivência familiar está prevista no art. 227 da CF e no art. 19 do ECA. Foi no 
intuito de proteger esse direito fundamental que surgiu a lei nº. 12.318/2010, 
que dispôs sobre condutas que possam dar ensejo à alienação parental e pre-
judicam o desenvolvimento das crianças e adolescentes que a sofram.
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Para a mulher, a única realização possível era o casamento e a dedicação à 
maternidade, visto que eram consideradas destituídas de capacidade de raciona-
lidade, sendo a única vantagem a própria maternidade, na qual lhe era confiada 
a educação dos filhos, entretanto com a constante supervisão e autoridade do 
marido (CANEZIN, 2004).
Confirmando isso, Costa (2008) aponta que:
Quando falamos relações de Gênero, estamos falando de poder. Na 
medida que as relações existentes entre masculino e feminino são rela-
ções desiguais, assimétricas, mantêm a mulher subjugada ao homem e 
ao domínio patriarcal (COSTA, 2008 on-line).
Ressalta-se que com a Revolução Francesa, esse cenário de submissão começa a 
ganhar contornos diferentes, visto que as mulheres começam a reivindicar seus 
direitos, mas ainda continuaram a sofrer com a imposição da superioridade 
masculina. Na Revolução Industrial, houve uma escravização da mulher ope-
rária pelas máquinas e pelo trabalho, já estando submissa no ambiente familiar.
Em meados do século XIX, com a Segunda Guerra Mundial e a saída dos 
homens para a guerra, as mulheres se viram obrigadas a integrar o mercado de tra-
balho, passando a se igualar ao homem. Na mesma época, surgiu a primeira onda 
do feminismo, o que fez com que a mulher começasse a ganhar espaço efetivo na 
sociedade por meio da sua luta por igualdade. Apesar disso, no Brasil, imperava 
o sistema patriarcal, no qual as mulheres eram subordinadas aos seus cônjuges. 
Nesse período, a mulher não detinha liberdade para praticar qualquer atividade, 
assim, ao homem era atribuído o pátrio poder, podendo, inclusive, impor castigos 
corporais à mulher sem que lhe fosse imputada pena (MARQUES, 2009, p. 15).
Foi a partir desse momento que cresceu a luta constante para igualar o 
homem e a mulher; no entanto, essa igualdade ainda hoje na família não é possí-
vel ser destacada, visto que aparentemente a mulher conseguiu igualdade com o 
homem, porém o cuidado com a família, em regra, ainda pertence a ela, fazendo 
com que tenha uma dupla jornada, a do trabalho e a do lar.
Apesar do avanço no combate à desigualdade, à violência física, psicológica 
e moral, ainda se trata de uma realidade que está presente na vida de muitas 
mulheres brasileiras. 
Atualmente, no que diz respeito à educação, as mulheres estudam mais que os 
QUESTÕES ATUAIS RELACIONADAS À FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E122
homens, mas ainda têm menos chances de emprego, recebem menos exercendo 
as mesmas funções e ocupam os piores postos. Em 1998, 52,8% das brasileiras 
eram consideradas economicamente ativas, comparadas a 82% dos homens. Em 
2008, essas proporções eram de 57,6% e 80,5%. A participação nas esferas de deci-
são ainda é pequena. Em 2010, elas ficaram com 13,6% dos assentos no Senado, 
8,7% na Câmara dos Deputados e 11,6% no total das Assembleias Legislativas 
(O VOLUNTARIADO, on-line)1.
Destaca-se, ainda, que as mulheres ganharam um espaço significativo no 
mercado do trabalho, mas infelizmente não possuem a mesma participação nas 
esferas de decisão política, apesar de a lei prever que cada partido necessite de 
30% da candidatura de pessoas do sexo feminino, conforme demonstra o art. 
10, § 3º da Lei nº. 9.504/1997 (BRASIL, 1997, on-line). 
Vê-se de forma clara que ainda há barreiras do mercado que trazem maiores 
prejuízos às mulheres, o que aumenta as disparidades entre os gêneros. 
Em nível jurídico, somente com a Constituição Federal de 1988, eclodiria, 
em meio a movimentos feministas, o que se considerou a igualdade entre mulhe-
res e homens. A Constituição Federal dispôs acerca da igualdade entre os sexos 
no inciso I, do artigo 5° e, especificamente, para o âmbito familiar, no § 5º, do 
art. 226, além de versar acerca do dever do Estado de combater a violência nas 
relações familiares. 
Portanto, mesmo estando consagrado na Constituição Federal, o princípio 
da igualdade e sua aplicação no intuito de proibir a discriminação entre mulhe-
res e homens é difícil, visto que a vertente a ser aplicada é sua forma material ou 
substancial, entendida como isonomia.
A simples igualdade formal é incapaz de eliminar essas diferenças históri-
cas entre homem e mulher, o que impõe uma conduta mais ativa do Estado no 
intuito de assegurar um equilíbrio ou uma equiparação por meio de uma redu-
ção dessas diferenças (DIAS, 2004, p. 25). É justamente nesse ponto que surge a 
importância do Estado em implementar políticas públicas que venham a dimi-
nuir essa realidade.
Portanto, a desigualdade, que ainda é marcante nos dias atuais, deriva do 
histórico de exclusão da qual a mulher foi vítima. Uma cultura com forte raízes 
machistas e patriarcais não muda de repente em decorrência de uma lei. Não se 
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conseguirá alterar isso de um dia para outro, pois será necessário tempo e muito 
trabalho de conscientização para atingir o mais próximo daquilo que as mulheres 
buscam em sua proteção, denotando, justamente nesse ponto, o papel fundamen-
tal do Estado e da sociedade em geral na busca desse objetivo.
A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO ÂMBITO DOMÉSTICO
Foi aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional e assinada em 7 de 
agosto de 2006 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Lei n. 11.340/2006 
(BRASIL, 2006, on-line), popularmente conhecida como Lei Maria da Penha, 
que imediatamente tornou-se o principal instrumento legal para coibir e punir 
a violência doméstica praticada contra mulheres no Brasil.
A lei alterou o Código Penal Brasileiro e possibilitou que agressores de mulhe-
res no âmbito doméstico sejam punidos pelas condutas de violência realizadas. 
Esses agressores poderão ser presos em flagrante ou ter a prisão preventiva decre-
tada, mas não poderão ser punidos com penas alternativas. A lei prevê medidas 
que vão desde a saída do agressor do domicílio até a proibição de sua aproxi-
mação da mulher agredida.
Tem-se que violência familiar, intrafamiliar ou doméstica pode ser con-
siderada como toda ação ou omissão cometida no seio da família por um de 
seus membros, ameaçando a vida, a integridade física ou psíquica dos mesmos, 
sendo que a vítima deve ser, necessariamente, mulher, por se tratar de violência 
de gênero (JESUS, 2010, p. 8).
A Lei Maria da Penha também definiu o ambiente onde a agressão pode 
ocorrer, visto que proteção à mulher abrange a unidade doméstica, o âmbito 
familiar, bem como situações em que inexiste coabitação entre agressor e agre-
dida, bastando existir a relação de afeto entre eles (art. 5°). 
Dentre as formas de violência dispostas na lei, tem-se: 
Violência contra a mulher: é qualquer conduta - ação ou omissão - de discrimi-
nação, agressão ou coerção ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher e que 
cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psi-
cológico, social, político ou econômico ou perda patrimonial (CNJ, on-line)2.
QUESTÕES ATUAIS RELACIONADAS À FAMÍLIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E124
Violênciade gênero: é a violência sofrida pelo fato de se ser mulher, sem 
distinção de raça, classe social, religião, idade ou qualquer outra condição, pro-
duto de um sistema social que subordina o gênero feminino (CNJ, on-line)2. 
Essa violência é algo difícil de se aceitar, visto que ela ocorre única e exclusiva-
mente pelo fato de se tratar de uma mulher, independentemente de qualquer 
outro fato.
A chamada violência familiar é aquela que acontece dentro da família, ou 
seja, nas relações entre os membros da comunidade familiar, formada por vín-
culos de parentesco natural (pai, mãe, filha etc.) ou civil (marido, sogra, padrasto 
ou outros), por afinidade (por exemplo, o primo ou tio do marido) ou afetivi-
dade (amigo ou amiga que more na mesma casa) (CNJ, on-line)2 .
Violência institucional é o tipo de violência motivada por desigualdades (de 
gênero, étnico-raciais, econômicas etc.) predominantes em diferentes socieda-
des. Essas desigualdades se formalizam e institucionalizam não só nas diferentes 
organizações privadas e aparelhos estatais, como também nos diferentes grupos 
que constituem essas sociedades (CNJ, on-line)2.
Por fim, a violência intrafamiliar ou a violência doméstica é aquela que ocorre 
dentro de casa ou da unidade doméstica e geralmente é praticada por um mem-
bro da família que viva com a vítima. Nelas estão incluídas o abuso físico, sexual 
e psicológico, a negligência e o abandono (CNJ, on-line)2.
Essa lei também trouxe a possibilidade de legitimar uma relação homoafe-
tiva, sendo o primeiro instrumento a dar essa interpretação, pois não exige que 
a pessoa que venha a agredir, ou seja, sujeito ativo da conduta, seja do gênero 
masculino. Assim, se eventualmente uma mulher mantém uma relação afetiva 
com outra, mesmo não coabitando com esta, estará caracterizada a violência 
doméstica, podendo ser aplicar a referida lei.
Portanto, a Lei 11.340/2006 foi um marco na história do combate à violên-
cia familiar contra o gênero feminino. Nesse sentido, Maria Amélia de Almeida 
Teles e Mônica de Melo afirmam que é necessário demonstrar e sistematizar as 
desigualdades socioculturais existentes entre mulheres e homens, que repercu-
tem na esfera da vida pública e privada de ambos os sexos, visto que lhes colocam 
em papéis sociais diferenciados construídos historicamente, e criando polos de 
dominação e submissão (MELO; TELES, 2003, p. 16). 
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No entanto, mesmo com a Lei Maria da Penha, são muitos os casos de vio-
lência contra a mulher em decorrência da cultura machista e patriarcal que ainda 
marca a sociedade brasileira.
Nota-se que a mulher em situação de violência acaba se acomodando à situ-
ação, normalmente isso ocorre por todo o período do relacionamento com o 
agressor até que consiga romper o ciclo de violência. O seu silêncio é um sis-
tema de defesa, já que o conflito entre manter o silêncio e a vontade de gritar a 
sua dor é inerente ao trauma psicológico (SLEGH, 2006, on-line). 
De acordo com pesquisas, em 2011, foram mais de 48 mil ocorrências de agres-
sões contra mulheres no Brasil, sendo que destas, 5 mil não informaram o local da 
agressão, 68,8% do restante foram agredidas na residência, enquanto que 4% dos 
casos ocorreram em via pública; 27,1% dessas agressões são realizadas pelo côn-
juge. No caso de morte, 40% ocorrem dentro de casa (WAISELFISZ, 2012,on-line).
Apesar do alto índice de violência contra as mulheres, as vítimas podem con-
tar com programas de apoio na resolução de seus problemas familiares, tanto 
governamentais quanto não governamentais. 
Em um primeiro momento, parece haver uma grande contradição, já que se 
espera que a existência de serviços de apoio e prevenção resulte na redução dos 
casos. Contudo, observa-se que a violência tem se agravado e aumentado tanto 
na quantidade quanto na intensidade, ou seja, as vítimas têm sofrido agressões 
físicas, cada vez mais severas, que ocasionam a morte ou graves sequelas, impos-
sibilitando-as para o trabalho e complicando, ainda mais, a sua situação (SILVA; 
COELHO; CAPONI, 2007). Destarte:
Nesses programas de atendimento à vítima, percebe-se que a maioria 
das queixas (98%) parte de mulheres que são vítimas de alguma forma 
de violência no interior do espaço doméstico. É evidente a transforma-
ção da violência doméstica numa forma cada vez mais brutal de violên-
cia contra a mulher, mesmo que esta já possa contar com atendimento 
especializado (SILVA; COELHO; CAPONI, 2007).
A questão da violência contra a mulher é tão constante no mundo todo que foi 
criada uma instituição, de carater internacional, de proteção à mulher para obrigar 
os Estados seguidores das Organizações das Nações Unidas a tomar providên-
cias internas a fim de minimizar, por meio de programas de apoio e assistência, 
a violência contra as mulheres ou, até mesmo, erradicá-la,.
QUESTÕES ATUAIS RELACIONADAS À FAMÍLIA
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IIIU N I D A D E126
Outra ferramenta que poderá fazer a diferença na proteção das mulheres 
vítimas de violência é o Dispositivo de Segurança Preventiva (DSP), batizado de 
botão do pânico. O juiz auxiliar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Álvaro 
Kalix, participou do evento de lançamento, na sede do TJES, e destacou a impor-
tância do instrumento que, uma vez pressionado, envia um chamado diretamente 
para a central da Guarda Municipal e uma viatura é direcionada ao local. O botão 
do pânico é um dispositivo eletrônico, constituído por GPS e mecanismo para a 
gravação de áudio (SOUZA, 2013, on-line)3. Esse mecanismo tem se mostrado 
útil se for considerada uma perseguição, em que a vítima não tem condições 
de efetuar uma ligação para pedir socorro. O acionamento do botão do pânico 
demonstra-se prático e eficaz.
A Central de Atendimento à Mulher recebe diariamente vários chamados de 
socorro de mulheres desesperadas em busca de ajuda. Existem vários tipos de vio-
lência: a psicológica, a moral, a sexual e a física. A instauração do inquérito policial 
e a aplicação das medidas protetivas serão efetivadas mediante representação da 
vítima. Na prática, as mulheres que chamam a polícia são ouvidas na delegacia, o 
agressor fica preso, o inquérito é enviado ao fórum e elas mesmas, as próprias víti-
mas, vão no balcão da vara criminal retirar a guia de fiança para que os agressores 
voltem para a casa. No caso de o agressor não ser preso na primeira audiência, as 
próprias vítimas acabam dizendo, na primeira audiência, que estão desistindo da 
representação por estarem movendo a máquina judiciária sem motivo.
Há a necessidade de se enfrentar e combater a violência doméstica, visto 
que não se trata de um problema particular que se resolverá dentro dos la-
res, deve ser um interesse legítimo do Estado, já que a família é a base e a 
instituição primária da sociedade, onde o indivíduo se realiza enquanto pes-
soa, efetivando sua dignidade. Ademais, se construirmos famílias saudáveis, 
a sociedade também o será. 
(Azambuijo).
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FORMAS DE VIOLÊNCIA
Em vigor desde o dia 22 de setem-
bro de 2006, sob nº. 11.340/2006, 
a Lei Maria da Penha dá cumpri-
mento à Convenção para prevenir, 
punir e erradicar a violência con-
tra a mulher; à Convenção de 
Belém do Pará, da Organização 
dos Estados Americanos (OEA), 
ratificada pelo Brasil em 1994; e 
à Convenção para eliminação de 
todas as formas de discrimina-
ção contra a mulher (Cedaw), da 
Organização das Nações Unidas 
(ONU).
Atente-se que são muitas as 
formas de violência praticadas 
contra a mulher no âmbito fami-
liar, as quais estão inseridas na Lei Maria da Penha.O art. 7º do referido da lei 
dispõe acerca de algumas formas de violência, não sendo taxativo, mas mera-
mente exemplificativo, uma vez que utilizou a expressão “entre outras”. 
Assim, de acordo com o entendimento do inciso I, trata-se de violência física 
a ação ou omissão qu'e coloque em risco ou cause dano à integridade física de 
uma pessoa (CNJ, on-line)2. Compreende a agressão que causa dano ou risco à 
pessoa fisicamente, sendo uma das formas mais comuns de violência em pleno 
século XXI.
Segundo Dias (2007), qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde 
corporal é considerada como violência física; não exige marcas aparentes, mas 
se caracteriza simplesmente pela ofensa ao corpo ou à saúde da mulher pelo uso 
da força física (DIAS, 2007a, p. 46).
A violência psicológica consubstancia a ação ou omissão destinada a degra-
dar ou controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa 
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por meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, 
isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicoló-
gica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal.
A violência psicológica é muito comum e sua comprovação é muito difícil, 
visto que não causa marcas aparentes, mas causa danos irreparáveis e imensu-
ráveis à vítima. O sofrimento psicológico pode ser considerado o sofrimento 
que um dos cônjuges causa ao outro, a ponto de lhe desencadear doenças físicas 
e psíquicas graves, prejudicando-lhe o desempenho no trabalho, no lazer e no 
cumprimento de suas atribuições no lar (FIORELLI; MANGINI, 2011, p. 275).
O inciso III do art. 7º da Lei nº. 11.340/2006 traz também a violência sexual, 
a qual é caracterizada pela ação que obriga uma pessoa a manter contato sexual, 
físico ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, inti-
midação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro 
mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal. Considera-se como violên-
cia sexual também o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar alguns desses 
atos com terceiros (CNJ, on-line)2.
Ainda para o Código Penal Brasileiro, a violência sexual pode ser caracte-
rizada de forma física, psicológica ou com ameaça, compreendendo o estupro, 
a tentativa de estupro e o ato obsceno (CNJ, on-line)2. Essa forma de violência 
pode causar danos irreversíveis, chegando a ceifar a vida de quem esteve sujeito 
a esse tipo de agressão.
Outra forma está presente no inciso IV, no qual está delineada a violência patri-
monial, consubstanciada naquela que implique dano, perda, subtração, destruição 
ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores (CNJ, on-line) 2.
Por fim, tem-se a violência moral, caracterizada na ação destinada a calu-
niar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação da mulher. Está disposta no 
inciso V do art. 7º da lei. Essa forma de violência é praticada com a intenção de 
alterar, modificar ou criar algo que atente contra a honra e reputação social da 
mulher (CNJ, on-line)2.
A violência física poderá ser realizada por meio de empurrões, puxões de 
cabelo, chutes, queimaduras, pontapés ou os mais diversos atos que sejam 
capazes de causar ferimentos e cortes (causados por faca, canivete, peda-
ços de madeira, objetos pontiagudos), asfixia, entre outras condutas que 
venham a atingir a integridade física da mulher. Não se pode olvidar que o 
Código Penal é o responsável por punir essas condutas, pois a Lei Maria da 
Penha não possui a tipificação delas, ou seja, a descrição desses compor-
tamentos como crimes. Portanto, em caso de realização dessas condutas 
descritas dentro do âmbito doméstico ou por alguém com quem a vítima 
tenha uma relação de afeto e esta for mulher, será aplicado o Código Penal 
com a agravante prevista no art. 61, II e alínea f do mesmo diploma legal, 
consoante as medidas protetivas dispostas na Lei Maria da Penha. 
Fonte: as autoras.
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Destarte, apesar de serem bem estabelecidas as espécies de violência domés-
tica e familiar, elas não estão adstritas somente às formas apresentadas, visto que 
em qualquer forma pode gerar muito dano à mulher e principalmente à família.
Assim, percebe-se que a mulher ainda merece uma proteção maior pela legis-
lação, considerando que, de acordo com o que estudamos, há uma diferença de 
tratamento entre os sujeitos na nossa sociedade.
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IIIU N I D A D E130
DIREITOS DO IDOSO: ESTATUTO DO IDOSO
Antigamente, a velhice era valorizada, visto que os idosos eram pessoas que deve-
riam transmitir o saber e a memória da comunidade, possuindo as posições mais 
elevadas na hierarquia social. Entretanto, para alguns povos, o envelhecimento 
significava que a pessoa não poderia mais prover suas necessidades básicas e 
acabavam por ser sacrificados ou abandonados; afinal, no início da humani-
dade, o ser humano era nômade e vivia da caça e da pesca, e os idosos, por suas 
limitações físicas e mentais, dificultavam tal meio de subsistência (SCHONS; 
PALMA, 2000, p. 51).
Nesse sentido, nas sociedades históricas, o papel social do velho dependeu 
sempre da ideologia que era vigente na época, embora não se visse na velhice um 
grande problema, já que a média de vida era de 23 anos (BASSO, 2005, p. 177).
Silva (2012) resume a flexível importância e valorização do idoso ao men-
cionar que “em todas as sociedades consistia em ele possuir ou não bens úteis 
– fossem eles materiais ou imaterias” (SILVA, 2012, p. 80).
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Atualmente, há um aumento da expectativa de vida e a maior permanência 
dos jovens em casa; diversos lares possuem relações familiares intergeracionais, 
que se referem a pessoas de gerações diferentes, mas que convivem sob o mesmo 
teto (VITALE, 2010, p. 98).
É claro que o idoso traz consigo inúmeras experiências e conhecimentos, 
porém, nesse ponto da vida, inúmeras pessoas tornam-se frágeis e apresentam 
limitações, pois suas habilidades já não são as mesmas de anos atrás, o que acaba 
por trazer uma condição de dependência na velhice, fruto da pobreza, da saúde 
e de suas condições físicas e mentais.
Também é notório que muitos idosos vivem em condições de miserabilidade, 
já que por limitações físicas, e até mentais, não podem mais garantir o seu sus-
tento e nem competir no mercado de trabalho atual, o que acaba fazendo com 
que sejam descartados, excluídos ou abandonados pelos próprios familiares.
A velhice não é apenas uma fase cronológica da vida, é a forma ética que se 
caracteriza, ao mesmo tempo, pela independência relativamente a tudo que não 
depende de nós, e pela plenitude de uma relação consigo em que a soberania 
não se exerce como um combate, mas como um gozo (ABUJAMRA; MARTIN, 
2010, p. 63).
CONCEITOS BÁSICOS
Destaca-se que a população idosa tem aumentado significativamente desde a década 
de 60 e, desde então, começou a crescer em ritmo mais acelerado do que as popu-
lações adultas e jovens. O desenvolvimento da medicina e da tecnologia fez surgir 
condições favoráveis para que se ampliasse cada vez mais a expectativa de vida das 
pessoas, e esse fator, associado à redução da fertilidade dos tempos modernos, con-
correu para que ocorresse uma verdadeira transição demográfica (ALTMANN, 2011).
Dessa forma, esse fato desperta maior atenção e preocupação com as carac-
terísticas e demandas próprias da faixa etária que está acima dos 65 anos,que 
tem crescido tanto no Brasil como em todo o mundo (ALTMANN, 2011).
Para entender o conceito de idoso, faz-se necessário, primeiramente, enten-
der o que seja pessoa. A palavra pessoa, que deriva do latim persona, passou a 
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IIIU N I D A D E132
ser utilizada na linguagem teatral da antiguidade romana no sentido, primitiva-
mente, de máscara. Assim era considerada como uma persona, visto que emitia 
a voz de uma pessoa. Com o passar do tempo, esse vocábulo passou a signifi-
car o papel que cada ator representava e, posteriormente, passou a expressar o 
próprio indivíduo que representava esses papéis. Já no direito moderno, pes-
soa passou a ser sinônimo de sujeito de direito ou sujeito de relação jurídica 
(GONÇALVES, 2003, p. 74).
Contudo, havia uma constante preocupação dos padres da época em expli-
car alguns questionamentos cristãos, quais sejam: a Santíssima Trindade, a 
Encarnação do verbo e a Semelhança ontológica entre o Homem e Deus, assim, 
a teologia cristã alterou tal conceituação e sentido ao entender que se tratava de 
uma categoria ontológica, o que, por consequência, acabou por considerar que 
“a noção de pessoa é, em justiça, uma criação da teologia cristã” (GONÇALVES, 
2008, p. 24).
O conteúdo ontológico relacionado à velhice é “um processo que não implica 
necessariamente a degeneração da pessoa humana, uma vez que o Ser mantém 
sua condição ontológica intocável” (SILVA, 2012, p. 36). 
Ressalta-se que a ontologia está relacionada à filosofia e possui a finalidade de 
estudar o “ser”. Nessa perspectiva, Kant e Hume acabam por conceituar persona 
como uma visão diferenciada, em que se deixa o conteúdo ontológico proposto 
pela teologia cristã e designa uma realidade psíquica que vai além do próprio 
sujeito (GONÇALVES, 2008, p. 26).
Nesse sentido, além das limitações físicas, o avanço da idade traz consigo o 
envelhecimento social, afinal, os papéis sociais que o idoso desempenhou ao longo 
da vida vão se alterando, pois passa de filho a pai/mãe e avô/avó; de solteiro(a) des-
comprometido(a) a responsável chefe de família; de estudante a trabalhador e depois 
aposentado(a); de pessoa absolutamente sem tempo, devido às inúmeras atividades 
profissionais, a proprietário(a) de um tempo livre (SCHONS; PALMA, 2000, p. 22).
Não se pode esquecer que o homem é um ser em construção e dependente 
dos demais, pois “na configuração externa da sua vida corporal há uma total e 
radical dependência da sociedade” (GONÇALVES, 2008, p. 44-47). Aristóteles, 
em sua obra “Tratado sobre retórica”, descreve os velhos como desconfiados, pes-
simistas e egoístas, mostrando a juventude e a velhice como polos opostos, sendo 
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a juventude uma época de excessos e desvarios, e a velhice uma etapa de con-
servadorismo. Para descrever os velhos, costumava usar o eufemismo “esses de 
idade avançada”, caracterizando-os como indecisos e incapazes. Por outro lado, 
uma minoria valorizava a velhice, como Homero, que associava a velhice à sabe-
doria (SCHONS; PALMA, 2000, p. 88).
Nota-se que a idade determinante para início da “vida idosa” variou muito 
através dos anos e das culturas vigentes em cada época, tanto que na década de 
20, as pessoas com 25 anos eram consideradas idosas, isso considerando a expec-
tativa de vida da época (SOUZA, 2013, p. 365).
O homem, com o passar dos anos, passa a apresentar características físicas, 
biológicas e psíquicas próprias de sua idade, sendo uma consequência natural 
do seu envelhecimento. As características da terceira idade são irreversíveis e se 
fundamentam na vulnerabilidade à qual o idoso está exposto tanto em relação 
ao meio interno quanto ao externo, ou seja, “o idoso funciona tão bem quanto 
o jovem. A diferença manifesta-se nas situações onde se torna necessária a uti-
lização das reservas homeostáticas que, no idoso, são menores” (MORAES; 
SILVA, 2008, p. 21).
Sabe-se que o ser humano atinge o máximo de suas funções orgânicas aos 
30/40 anos, sendo que após essa idade há uma estabilização até os 50 anos e, pos-
teriormente, há uma queda de cerca de 1% ao ano de sua perda funcional global 
(MORAES; SILVA, 2008, p. 21).
Segundo Barros (2011), “os sinais da velhice são, assim, denunciados pela 
perda paulatina ou abrupta das formas de controle de si, do domínio do corpo 
e da vigilância constante da mente” (BARROS, 2011, p. 49).
Para a percepção psicossocial do idoso, ao se confrontarem com as modi-
ficações que o envelhecimento provoca no organismo humano, compreendem 
o processo como um fato natural e universal, visto que alguns desses sintomas 
são observados pelo espelho, como os cabelos grisalhos, as rugas e a pele flácida 
(SILVA, C; MARCO, F.; PASQUALOTTI, 2009, p. 56).
É notório que os sintomas da velhice são subjetivos e variam de pessoa para 
pessoa. Silva (2012) destaca que é uma tarefa difícil definir exatamente quando 
termina a idade adulta e quando se inicia a terceira idade, para ele “não é pos-
sível afirmar com precisão quando se inicia o estágio do envelhecimento: as 
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IIIU N I D A D E134
alterações de órgãos e sistemas do organismo humano não se dão de forma uni-
forme e tampouco paralela, variando de indivíduo a indivíduo” (SILVA, 2012, p. 
27; RUIZ; SENGIK, 2013, p. 309).
Assim, embora existam diversas características comuns que marcam essa 
etapa da vida, não há uma única que caracteriza a velhice; afinal, a forma de 
envelhecer é experimentada de diversas maneiras pelas pessoas, e isso se altera 
de acordo com as circunstâncias históricas, sociais, econômicas, genéticas, pato-
lógicas e ambientais, além de outras, que são vivenciadas pelo sujeito durante o 
curso de sua vida (ALCÂNTARA, 2007).
Destaca-se que não se pode confundir senescência e senilidade, pois a pri-
meira é aquela em que a pessoa “com serenidade passa a conviver com limitações 
e continua ativa até o fim da vida”, enquanto que a segunda ocorre nos casos em 
que a pessoa “envelhece sob condição ou forma patológica, com incapacidade 
progressiva para a vida ativa”(SILVA, 2012, p. 28).
Ressalta-se, dessa forma, que a senescência varia de acordo com o sexo, sendo 
que para as mulheres se inicia na menopausa, aos 45 anos de idade aproxima-
damente; enquanto que para os homens, a queda hormonal ocorre próximo dos 
55 anos (CANALLI FILHO, 2011, p. 29).
A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Resolução nº. 39/125, 
divide o ciclo da vida humana em três idades, considerando como parâmetro 
para tanto o aspecto econômico e o homem como força de trabalho. Seu princi-
pal objetivo é analisar e dividir os períodos da vida do homem em faixas de idade 
e desenhar qual seria o indivíduo apto para se adequar à indústria mecanicista 
da época; assim, a divisão etária atribuiu às fases importâncias diferenciadas e 
teve como base sua capacidade de produzir riqueza, apresentado um declínio 
da valorização do ser humano. A velhice é vista negativamente, preza-se muito 
mais o material e a capacidade de gerar riquezas (ABUJAMRA, 2010, p. 60).
Nesse sentido, na primeira idade estão as pessoas em idade improdutiva, ou 
seja, crianças e adolescentes; na segunda idade, são as pessoas que produzem e 
consomem (jovens e adultos); enquanto que na terceira idade estariam as pes-
soas que já produziram e consumiram, sendo uma idade considerada inativa, 
pois não mais produzem e apenas consomem (SANTIN; RAITER, 2009, p. 227).
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Com base emestudos de geriatras chilenos, Schons e Palma (2000) consi-
deram como primeira idade a pessoa de 0 a 20 anos, na segunda idade estariam 
os indivíduos de 21 a 49 anos, na terceira idade aqueles entre 50 e 77 anos e, por 
fim, teríamos a quarta idade, onde se encaixariam os idosos de 78 a 105 anos 
(SCHONS; PALMA, 2000, p. 41).
Ainda relatam as autoras que alguns psicólogos consideram a maturidade 
como fator divisor do grupo etário, sendo a maturidade inicial aquela entre os 
20 e 35/40 anos; maturidade média dos 41 aos 65/70 anos; e a maturidade tardia 
aquela das pessoas a partir dos 66 anos de idade (SCHONS; PALMA, 2000, p. 41). 
Portanto, essa maturidade tardia também se subdivide em três grandes ramos: 
idoso jovem (dos 66 aos 74 anos); idoso velho (dos 75 aos 85 anos) e manuten-
ção pessoal (dos 86 em diante) (SCHONS; PALMA, 2000, p. 42).
A Constituição Federal de 1988 traz diversos direitos e garantias aos ido-
sos, usando, inclusive,s as termino, logias “velhice” e “idoso”; no entanto, não 
define qual seria o marco etário, físico ou sociológico para defini-los, cabendo 
essa tarefa à legislação infraconstitucional.
Em 1994, com a promulgação da Política Nacional do Idoso, estabeleceu-se 
que o idoso seria a pessoa com idade superior a 60 (sessenta) anos, adotando-se, 
assim, o critério cronológico para a definição de idoso. Esse também foi o critério 
utilizado pelo Estatuto do Idoso, que reiterou a definição de que idosa é a pes-
soa que, independentemente do sexo, possui idade igual ou superior a 60 anos. 
O fato de a legislação infraconstitucional conceituar idoso mediante o requi-
sito etário, desconsiderando a capacidade física, psicológica ou social da pessoa, 
é objeto de inúmeras críticas doutrinárias (SILVA, 2012, p. 36-74). Barros (2011) 
destaca que a própria legislação estipula “idades para a escolarização, para o 
casamento, para a entrada e saída do mundo do trabalho; enfim para a respon-
sabilidade por atos civis, políticos, sociais e por direitos” (BARROS, 2011, p. 50).
Portanto, qualquer pessoa que completar 60 (sessenta) anos de idade, inde-
pendentemente de suas condições físicas e mentais, e de sua qualidade de vida, 
será considerada pessoa idosa para efeitos legais no Brasil.
QUESTÕES ATUAIS RELACIONADAS À FAMÍLIA
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IIIU N I D A D E136
CONDIÇÃO JURÍDICA DO 
IDOSO
Levando-se em consideração que 
o envelhecimento populacional 
é relacionado com a constante 
busca pelo direito da tutela dos 
hipossuficientes, no caso dos 
indivíduos denominados como 
integrantes de grupo vulnerável, 
o aumento do número de idosos 
provocou efeitos no ordenamento 
jurídico.
No tocante ao conceito pós-moderno de 
família, alguns acontecimentos históricos, como 
a Revolução Industrial, a inserção da mulher no mercado de trabalho, as duas 
grandes guerras, a necessidade de formação de grandes centros urbanos, a revo-
lução sexual, o movimento feminista, o aumento e reconhecimento do divórcio, 
a admissão da criança como um sujeito de direito passível de tutela, a mudança 
de papéis de homens e mulheres dentro de seus lares, dentre outros, deram mar-
gens ao surgimento de modelos familiares existentes atualmente (DONIZETTI, 
2007, p. 52; GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2012, p. 52).
A expansão de um novo modelo econômico no século XIX estremeceu os 
alicerces da família considerada como instituição, pondo fim a uma concep-
ção uniforme e conservadora de família (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 
2012, p. 52). 
Foi justamente nesse contexto que os idosos passaram a não ser mais primor-
diais na sociedade, pois para o capitalismo os “velhos” não têm capacidade de 
produzir e, consequentemente, foram desvalorizados e perderam espaço social.
Bauman (2005), em sua obra “Vidas desperdiçadas”, trata sobre o refugo 
humano, pessoas “excluídas da proteção da lei por ordem do soberano” (BAUMAN, 
2005, p. 53), isto é, pessoas que, devido ao progresso econômico, acabaram por 
ser consideradas inúteis, uma categoria excedente da população.
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O Estatuto do Idoso foi o instrumento legislativo que possibilitou a regula-
mentação da situação do idoso no país, disciplinando e efetivando todas as relações 
de proteção ao idoso, e inclusive, trouxe os conceitos anteriormente explicitados. 
Não se pode olvidar que, assim como na proteção da criança, aqui também 
tem-se a teoria da proteção integral. O art. 2º do Estatuto do Idoso dispõe acerca 
da tutela de seus direitos fundamentais, sem prejuízo da proteção integral, asse-
gurando-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, 
para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, 
intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade (BRASIL, 
2003, on-line).
Destaca-se também que o envelhecimento é um direito personalíssimo e a 
sua proteção um direito social, portanto, trata-se de obrigação do Estado garan-
tir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas 
sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de 
dignidade (BRASIL, 2003, on-line).
Ressalta-se que, apesar de o Estatuto do Idoso preconizar acerca da prote-
ção integral do idoso, é necessária a concretização da realização desse princípio, 
que se efetiva com a integração do atendimento aos direitos fundamentais, sem 
se esquecer da assistência moral, intelectual, espiritual e social. 
Ademais, a proteção integral não é a mesma coisa da proteção especial, visto 
que, como vulnerável, é direito de todos os idosos a proteção integral; já a pro-
teção especial é direcionada ao direito violado ou em iminência de ser violado. 
Portanto, pelo princípio da proteção integral, a pessoa idosa tem o direito 
de preservação da saúde física e mental, em condições de liberdade e dignidade, 
sendo assim, é obrigação não só do Estado, mas também da família efetivar esses 
direitos com absoluta prioridade.
QUESTÕES ATUAIS RELACIONADAS À FAMÍLIA
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IIIU N I D A D E138
Não se pode esquecer de que o Estatuto do Idoso também dispôs sobre a prefe-
rência processual para o idoso, em que é assegurada prioridade na tramitação 
dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em 
que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 
(sessenta) anos, em qualquer instância, sendo que esta prioridade se estende aos 
processos e procedimentos na Administração Pública, empresas prestadoras de 
serviços públicos e instituições financeiras, ao atendimento preferencial junto à 
Defensoria Pública da União, dos Estados e do Distrito Federal em relação aos 
Serviços de Assistência Judiciária (BRASIL, 2003, on-line).
Neste tópico, verificamos que o idoso também merece uma proteção maior 
por parte da nossa sociedade, considerando que é uma pessoa frágil, não tem 
mais as mesmas habilidades de antes e, em alguns momentos, se torna até mesmo 
indefeso.
Esse princípio da proteção integral do idoso que decorre de sua vulnerabili-
dade pode ser claramente apresentado na possibilidade de pleitear alimen-
tos, dos quais familiares serão obrigados ao pagamento de verba alimentar 
ao alimentando demonstrando-se a necessidade.
Nesse sentido, tem-se a seguinte decisão:
Definição da natureza solidária da obrigação de prestar alimentos à luz do 
Estatuto do Idoso. — A doutrina é uníssona, sob o prisma do Código Civil, 
em afirmar que o dever de prestar alimentos recíprocos entre pais e filhos 
não tem natureza solidária, porque é conjunta. — A Lei 10.741/2003 atri-
buiu natureza solidária à obrigação de prestar alimentos quando os credo-
res forem idosos, que por força da sua natureza especial prevalecesobre as 
disposições específicas do Código Civil. — O Estatuto do Idoso, cumprindo 
política pública (art. 3º), assegura celeridade no processo, impedindo inter-
venção de outros eventuais devedores de alimentos. — A solidariedade da 
obrigação alimentar devida ao idoso lhe garante a opção entre os prestado-
res (art. 12). Recurso especial não conhecido (BRASIL, 2006, on-line). 
Fonte: as autoras.
Considerações Finais
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A criança, a mulher e o idoso são seres vulneráveis, visto que podem ser oprimidos 
de diversas formas possíveis, por exemplo, a falta de exercício da parentalidade 
responsável e a violência intrafamiliar em específico. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente traz o conceito de crianças e ado-
lescentes, sendo estes os que têm entre doze e dezoito anos de idade, e aquelas 
as pessoas de até doze anos de idade completos (BRASIL, 1990).
A Constituição Federal relacionou o exercício livre do direito ao planeja-
mento familiar à observância dos princípios da dignidade da pessoa humana 
e da parentalidade responsável. Entende-se a parentalidade responsável como 
a obrigação que os pais têm de prover a assistência moral, afetiva, intelectual, 
material, espiritual e de orientação sexual aos filhos.
Em outro âmbito de proteção, tem-se a questão dos direitos humanos das 
mulheres, em que a Lei Maria da Penha acaba delineando todos os seus aspectos.
Esta Lei também definiu alguns campos de abrangência em que a agressão 
pode ocorrer, visto que proteção à mulher é realizada na unidade doméstica, no 
âmbito familiar, bem como em situações em que inexiste coabitação entre agressor 
e agredida, bastando existir a relação de afeto entre eles. Também trouxe a defi-
nição de algumas formas de violência que podem ser realizadas contra a mulher.
Foi importante incluir a proteção ao idoso atualmente, considerando o fato 
de exigir uma maior atenção e preocupação com as características e demandas 
próprias da faixa etária que está acima dos 65 anos, a qual tem crescido não só 
no Brasil, mas no mundo todo.
Por fim, tem-se no Estatuto do Idoso o instrumento legislativo que regula a 
situação do idoso no país, disciplinando e efetivando todas as relações de pro-
teção ao idoso, inclusive, trazendo alguns conceitos.
140 
1. O que está abrangido no conceito do princípio do melhor interesse da criança e 
do adolescente?
2. O que pode ser considerado castigo físico, tratamento cruel ou degradante à 
criança e ao adolescente?
3. Quais os fatores preponderantes que auxiliam a diminuição das diferenças entre 
homens e mulheres nas relações sociais?
4. Quais as espécies possíveis de violência doméstica que poderão se apresentar e 
que a Lei Maria da Penha conceitua? Explique-as.
5. Qual a doutrina que alterou a visão que a sociedade tinha da criança, do adoles-
cente e do idoso dentro da organização jurídica brasileira? Explique-a.
141 
DA NEGLIGÊNCIA: UMA OMISSÃO PARENTAL EM RELAÇÃO AO 
DEVER DE CUIDADO PARA COM OS FILHOS
Letícia Carla Baptista Rosa1*
Tatiana de Freitas Giovanini Mochi2**
A prática de negligência no âmbito 
doméstico, além de revelar uma trans-
gressão ao princípio da paternidade 
responsável, também se enquadra como 
uma forma de violência intrafamiliar per-
petrada contra a criança e o adolescente. 
Para Viviane Nogueira de Azevedo 
Guerra, a violência doméstica praticada 
contra a população infantojuvenil é um 
abuso do poder disciplinar e coercitivo 
dos pais ou responsáveis, em que estes 
sujeitam o filho a uma situação de maus-
-tratos como verdadeiros objetos de 
dominação, podendo prolongar-se por 
meses ou anos (GUERRA, 2001, p. 31-32). 
São “relações hierárquicas adultocêntri-
cas”, caracterizadas por um processo de 
vitimização em que o adulto aprisiona a 
vontade e o desejo da vítima, coagindo-a 
a satisfazer os interesses, as expectati-
vas e as paixões do agressor (AZEVEDO, 
2000, p. 35).
Segundo Cecilia Grosman, pode-se con-
ceituar, ainda, a violência intrafamiliar 
como qualquer ação ou omissão inten-
cional e sistemática praticada por pais 
ou responsáveis que privem os filhos 
do exercício de seus direitos e de gozar 
de uma situação de bem-estar, interfe-
rindo, por consequência, no seu correto 
desenvolvimento físico, psíquico e social 
(GROSMAN, 2002, p. 57).
É intercorrente a presença de violência 
doméstica no seio das famílias brasileiras, 
uma vez que os pais enxergam os filhos 
como “propriedade” e não como “sujei-
tos de direitos”, evidenciando, assim, uma 
crise de autoridade que atinge toda a 
sociedade moderna.
No caso da criança e do adolescente, 
é a sua vulnerabilidade no desenvol-
vimento físico, psíquico e sexual que 
os torna sujeitos à prática de violência 
intrafamiliar, sobretudo em razão de dois 
motivos: a) quanto mais tenra a idade da 
criança, menores são as possibilidades de 
que perceba que está sendo vítima de 
maus-tratos domésticos; e b) ainda que 
compreendam a agressão ou o perigo de 
abuso, dificilmente a criança ou o adoles-
cente estarão aptos a se defenderem ou a 
solicitarem a ajuda e intervenção de um 
terceiro (MARCHIORI, 2005, p. 173-176).
Note-se, destarte, que a violência intra-
familiar perpetrada contra a infância e a 
1*Mestre em Direito pela Unicesumar; Professora universitária Unicesumar.
2**Advogada em Maringá; Mestre em Direito pela Unicesumar e Professora universitária da Unicesumar.
142 
adolescência é usualmente classificada 
em quatro modalidades, quais sejam a 
violência física, o abuso sexual, o aban-
dono ou a negligência, e a violência 
psíquica, ora denominada violência psi-
cológica ou abuso emocional.
Diferentemente da violência física, da 
violência psicológica e do abuso sexual, 
os quais se concretizam, sobretudo, por 
meio de condutas comissivas dos pais 
ou responsáveis, como agredir, xingar 
ou fazer carícias nos órgãos sexuais da 
vítima, o abandono ou a negligência 
intrafamiliar implica, principalmente, 
em uma omissão parental no cuidado 
dos filhos menores.
O abandono total ou parcial do infante, 
bem como a sua expulsão do lar, também 
se amoldam na espécie de negligência 
supramencionada, como ocorre nas situ-
ações em que o bebê é abandonado em 
lugares públicos logo após o nascimento; 
quando o menor é internado no hospital 
em decorrência de alguma enfermidade, 
mas seus pais não voltam para buscá-lo 
no momento em que é liberado para vol-
tar ao seu lar; ou mesmo na hipótese de 
um dos genitores deixar o filho sob os 
cuidados de outro genitor, ou mesmo de 
um terceiro, e demorar muito para regres-
sar ou nunca regressar (NATIONAL, 2005).
A omissão parental em relação às neces-
sidades afetivas e psicológicas da criança 
ou do adolescente configura, por sua vez, 
a prática de negligência emocional. Esta 
modalidade de descuido aproxima-se e 
confunde-se com a violência ou abuso 
psicológico, mas em sua forma omissiva. 
Portanto, o abandono ou a negligência 
de crianças e adolescentes é uma triste 
realidade cuja incidência nas famílias 
supera os casos de abuso sexual, de vio-
lência física e de violência psicológica. 
Trata-se de um fenômeno que eviden-
cia a falta de cuidado e de afeto dos pais 
em relação aos filhos, os quais, em decor-
rência de sua vulnerabilidade, sofrem 
sequelas nefastas no desenvolvimento 
da personalidade. É necessário conscien-
tizar a sociedade acerca deste tipo de 
omissão parental, haja vista que implica 
em uma violação aos direitos fundamen-
tais infantojuvenis, além de corroborar a 
falha parental em exercer a paternidade 
de forma responsável.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Minorias & grupos vulneráveis: reflexões para uma 
tutela inclusiva
Dirceu Pereira Siqueira e Nilson Tadeu Reis Campos Silva (Orgs.)
Editora: Boreal Boreal
Sinopse: urge que a materialidade e o dinamismo das 
condições de exclusão sejam enfrentados tanto peloEstado, em 
cumprimento de obrigações decorrentes dos textos normativos 
dispostos pelo constituinte brasileiro e pelos instrumentos internacionais de proteção quanto pela 
sociedade de maneira enérgica, estabelecendo-se canais de participação cada vez mais abertos e 
exigindo a legislação adequada, a política pública fundada no interesse coletivo e a jurisprudência 
promotora dos direitos. E cabe à Doutrina alertar sobre as circunstâncias que viabilizam a discriminação 
negativa, subsidiar as empreitadas governamentais e sociais, de maneira a oferecer um panorama de 
saídas a esse conjunto de situações que negam a pluralidade social.
Direito do idoso: tutela jurídica constitucional
Nilson Tadeu Reis Campos Silva
Editora: Juruá
Sinopse: a presente obra analisa o Direito do Idoso à luz 
das Constituições brasileiras, do seu Estatuto específico e da 
efetividade da tutela material e processual, tendo como foco a 
garantia dos direitos constitucionais a estes previstos. A análise 
do envelhecimento como progressivo processo natural em que ocorrem mutações no indivíduo, 
que podem, ou não, incapacitá-lo bio-psico-juridicamente, é o ponto de partida para considerações 
multidisciplinares que perpassam conceitos das áreas médicas, psicológica, sociológica, teleológica, 
histórica e jurídica. Além das percepções das artes literárias, o livro identifica o Ser para distinguir 
senilidade de senescência e assim, fixar a intangibilidade ontológica do que Sartre denominou Ser-
para-si, base da consciência dotada de temporalidade e de facticidade.
MATERIAL COMPLEMENTAR
Violência Contra A Mulher: o Homicídio Privilegiado 
e A Violência Doméstica
Paulo Marco Ferreira Lima
Editora: Atlas
Sinopse: de acordo com o Relatório Mundial sobre a Violência 
e Saúde da Organização Mundial da Saúde, em 86% dos casos 
em que uma mulher é vítima de violência o ato é cometido por 
alguém de sua intimidade, sejam eles namorados, amantes, 
maridos, irmãos, pai ou padrastos. Também não se pode ignorar o fato de que há mulheres que acabam 
por se verem escravizadas por seus amantes, a tal ponto que se sujeitariam a qualquer degradação para 
se manterem perto deles. Constatações como essas são apresentadas, comentadas e analisadas pelo 
autor, que, por força de sua atividade no Ministério Público em mais de 20 anos lidando com o tema, faz 
um estudo aprofundado sobre a questão da violência doméstica, e em especial, contra as mulheres.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Preciosa: uma história de esperança
Sinopse: a história se passa no ano de 1987, em Nova York, no 
bairro do Harlem. Claireece “Preciosa” Jones (Gabourey Sidibe) 
é uma adolescente de 16 anos que sofre uma série de privações 
durante sua juventude. Violentada pelo pai (Rodney Jackson) e 
abusada pela mãe (Mo’Nique), ela cresce irritada e sem qualquer 
tipo de amor. O fato de ser pobre e acima do peso também não a 
ajuda nem um pouco. Além disso, Preciosa tem um filho apelidado 
de “Mongo”, por ser portador de síndrome de Down, que está 
sob os cuidados da avó. Quando engravida pela segunda vez, Preciosa é suspensa da escola. A Sra. 
Lichtenstein (Nealla Gordon) consegue para ela uma escola alternativa, que possa ajudá-la a melhor 
lidar com sua vida. Na escola, Preciosa encontra um meio de fugir de sua existência traumática, se 
refugiando em sua imaginação.
De Menor
Sinopse: a jovem advogada Helena (Rita Batata) é defensora 
pública de menores infratores e vive com Caio (Giovanni Gallo), 
seu irmão caçula. Órfãos, os dois têm um relacionamento de 
muita cumplicidade, até o dia em que o rapaz comete um delito 
e torna-se réu na Vara da Infância e Juventude de Santos, local 
de trabalho de Helena.
Pelo meus olhos
Sinopse: é a história de uma mulher que, numa noite de inverno, 
foge de casa levando o filho e traz consigo a visão de um quadro 
familiar em que os conceitos de lar, amor e proteção se misturam 
com dor e medo.
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REFERÊNCIAS
151
GABARITO
1. O princípio do melhor interesse não será utilizado somente como um princípio 
geral, mas também como um critério interpretativo dos códigos e das leis or-
dinárias, bem como na elaboração de novas leis (GAMA, 2009, p. 460; PEREIRA, 
2008), pois, em decorrência dele, priorizam-se as necessidades da criança e do 
adolescente no caso de conflito entre pais ou responsáveis.
2. A lei nº. 13.010/2014 (Lei Menino Bernardo), no ECA, são o de castigo físico, ca-
racterizado pela ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da 
força física sobre a criança ou o adolescente que possa resultar em sofrimento 
físico ou lesão. E também o de tratamento cruel ou degradante, caracterizado 
pela conduta ou pela forma cruel de tratamento que humilhe, ameace grave-
mente ou ridicularize a criança ou o adolescente (BRASIL, 1990).
3. Foi com a Revolução Francesa que o cenário de submissão da mulher perante 
o homem começou a ganhar contornos diferentes, visto que as mulheres co-
meçaram a reivindicar seus direitos. No entanto, ainda continuam a sofrer com 
a imposição da superioridade masculina. Na Revolução Industrial, houve uma 
escravização da mulher operária às máquinas e ao trabalho, já estando submissa 
no ambiente familiar.
Somente em meados do século XIX, com a Segunda Guerra Mundial e a saída dos 
homens para a guerra, as mulheres se viram obrigadas a integrar o mercado de 
trabalho, passando a se igualar ao homem. Na mesma época, surgiu a primeira 
onda do feminismo, assim, a mulher começou a ganhar espaço efetivo na socieda-
de por meio da sua luta por igualdade. Apesar disso, no Brasil, imperava o sistema 
patriarcal, em que as mulheres eram subordinadas aos seus cônjuges. Nesse pe-
ríodo,a mulher não detinha liberdade para praticar qualquer atividade, assim, ao 
homem era atribuído o pátrio poder, podendo, inclusive, impor castigos corporais 
à mulher sem que lhe fosse imputada pena (MARQUES, 2009, p. 15).
Foi a partir desse momento que cresceu a luta constante para igualar o homem 
e a mulher, no entanto, essa igualdade ainda hoje na família não é possível ser 
destacada, visto que, aparentemente, a mulher conseguiu igualdade ao homem, 
porém o cuidado com a família, em regra, ainda pertence a ela, o que faz com 
que a mulher tenha uma dupla jornada, a do trabalho e a do lar.
Atualmente, as mulheres estudam mais que os homens, mas ainda têm menos 
chances de emprego, recebem menos exercendo as mesmas funções e ocupam 
os piores postos. Em 1998, 52,8% das brasileiras eram consideradas economica-
mente ativas, comparadas a 82% dos homens. Em 2008, essas proporções eram de 
57,6% e 80,5%. A participação nas esferas de decisão ainda é pequena. Em 2010, 
elas ficaram com 13,6% dos assentos no Senado, 8,7% na Câmara dos Deputados 
e 11,6% no total das Assembleias Legislativas (O VOLUNTARIADO, online).
Contudo, as mulheres ganharam um espaço significativo no mercado do trabalho, 
mas infelizmente não é o mesmo nas esferas de decisão política, apesar de a lei pre-
ver que cada partido necessita de 30% da candidatura de pessoas, do sexo feminino, 
conforme demonstra o art. 10, § 3º da Lei n. 9.504/1997(PROGRAMA, 2014). 
GABARITO
O Brasil tem progredido com os indicadores do ODM 3, principalmente no acesso 
à educação. De 1990 a 2012, a escolarização dos homens no ensino médio aumen-
tou mais do que a das mulheres, diminuindo a disparidade, já que a desvantagem 
pertencia a eles. Enquanto em 1990 havia 136 mulheres para cada 100 homens no 
ensino médio, em 2012, a proporção era de 125 para 100. Tal fato pode ser justi-
ficado pela melhoria do fluxo dos alunos no ensino fundamental que, junto com 
o aumento da oferta de vagas no ensino médio, possibilitou que mais homens 
pudessem prosseguir com seus estudos (PROGRAMA, 2014 on-line)4. 
Essa diferença entre a quantidade de mulheres e homens no ensino médio se 
dava pelo fato de que os homens tinham preconceito em relação aos estudos, 
acreditavam que estudar não era considerado coisa de homem, pois era tido 
como uma atribuição feminina, uma vez que o homem deveria se dedicar ao 
trabalho. Atualmente, não há mais esse preconceito e têm-se cada vez mais ho-
mens concluindo o ensino médio (PROGRAMA, 2014 on-line)4.
A desvantagem masculina no ensino superior aumentou. Em 1990, para cada 100 
homens frequentando escolas superiores, havia 126 mulheres e, em 2012, essa 
razão passou a ser de 100 para 136. Com relação à participação feminina no traba-
lho, no Brasil, a percentagem de mulheres em atividades fora da agricultura já era 
de 42,7% em 1992 e passou para 47,3% em 2012. Além disso, as mulheres chegam 
a representar 59,5% dos empregados no setor não agrícola com educação supe-
rior, ou seja, são maioria entre os profissionais que ocupam os melhores e mais 
bem remunerados postos de trabalho assalariados (PROGRAMA, 2014 on-line)4.
Conforme demonstrado, nota-se que há mais mulheres cursando o ensino supe-
rior do que homens e, consequentemente, há mais mulheres formadas no mer-
cado de trabalho, o que deveria trazer como resultado a igualdade entre sexos, 
mas nem sempre é isso que ocorre.
Dados do 5º Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimen-
to do Milênio (ODM) mostram que, entre 2010 e 2012, os relatos de violência física 
representaram mais de 55% dos atendimentos realizados pelo Ligue 180, a Central 
de Atendimento à Mulher, criado, em 2006, pelo governo brasileiro. Os relatos de 
violência psicológica (27,6%) e violência moral (11,7%) vêm na sequência, também 
figurando entre os casos mais comuns reportados (PROGRAMA, 2014, on-line)4.
Vê-se de forma clara que ainda há barreiras do mercado que trazem maiores 
prejuízos às mulheres, o que aumenta as disparidades entre os gêneros. O Fundo 
de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), por meio de 
uma pesquisa, conseguiu constatar que a mulher brasileira recebe em média um 
salário 30% inferior que o homem (ONU..., online). Esse fato traz estranheza, no 
entanto, não pode ser ignorado.
Em nível jurídico, somente com a Constituição Federal de 1988, eclodiria, em 
meio a movimentos feministas, o que se considerou a igualdade entre mulheres 
e homens. A Constituição Federal dispôs acerca da igualdade entre os sexos no 
GABARITO
153
inciso I, do artigo 5° e, especificamente, para o âmbito familiar, no § 5º, do art. 
226, além de versar acerca do dever do Estado de combater a violência nas rela-
ções familiares.
4. A violência física é considerada qualquer conduta que ofenda sua integridade 
ou saúde corporal, não exige marcas aparentes, mas se caracteriza simplesmen-
te pela ofensa ao corpo ou à saúde da mulher pelo uso da força física (DIAS, 
2007, p. 46).
A violência psicológica consubstancia a ação ou omissão destinada a degradar 
ou controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por 
meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, iso-
lamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, 
à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal.
O inciso III do art. 7º da Lei nº. 11.340/2006 traz também a violência sexual, a qual 
é caracterizada pela ação que obriga uma pessoa a manter contato sexual, físico 
ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimi-
dação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro 
mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal. Considera-se como violência 
sexual, também, o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar alguns desses 
atos com terceiros (CNJ, on-line)2.
Outra forma está presente no inciso IV, no qual está delineada a violência patri-
monial, consubstanciada naquela que implique dano, perda, subtração, destrui-
ção ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores (CNJ, online)2.
Por fim, tem-se a violência moral, caracterizada na ação destinada a caluniar, di-
famar ou injuriar a honra ou a reputação da mulher, está disposta no inciso V 
do art. 7º da lei. Essa forma de violência é praticada com a intenção de alterar, 
modificar ou criar algo que atente contra a honra e reputação social da mulher 
(CNJ, online)2.
5. Trata-se da Teoria da Proteção Integral que pretende dar uma visibilidade de 
sujeito de direitos às crianças e aos adolescentes e idosos, que são titulares de 
direitos que podem ser exigidos da família, da sociedade e do Estado.
Compreende-se, por meio dessa proposição, que a legislação que tutele direitos 
de crianças e de adolescentes e idosos deverá concebê-los como cidadãos plenos, 
contudo, devem ser considerados como sujeitos a uma proteção prioritária, já que 
são pessoas em desenvolvimento físico, psicológico e moral ou, no caso do idoso, 
que devido sua debilidade física, psicológica e moral, merecem tal proteção.
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Professora Me. Mariane Helena Lopes
Professora Me. Monica Cameron Lavor Francischini
SEGURIDADE SOCIAL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Estudar a evolução histórica, o conceito e os princípios da Seguridade 
Social.
 ■ Conhecer os princípios da Seguridade Social.
 ■ Definir as formas de custeio.
 ■ Analisar os direitos sociais e a Assistência Social.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ A Seguridade Social na Constituição Federal de 1988
 ■ Principais Princípios que Regem a Seguridade Social
 ■ Forma de Custeio da Seguridade Social
 ■ Os Direitos Sociais e a Assistência Social
INTRODUÇÃO
Durante séculos, o Estado não se preocupou em criar mecanismos de proteção 
ao indivíduo para enfrentar as adversidades da vida, como a velhice ou a doença, 
talvez por esse motivo é que a previdência complementar (de iniciativa privada) 
tenha sidocriada antes mesmo da previdência de ordem pública.
Atualmente, a realidade é outra. A Seguridade Social está positivada na 
Constituição Federal e em diversas leis para proteger o cidadão nessas adversi-
dades, seja mediante caráter contributivo ou não.
A busca da igualdade social levou ao reconhecimento, em inúmeros paí-
ses, da necessidade de se tutelar os indivíduos que se tornem hipossuficientes, 
seja por enfermidade, invalidez ou por envelhecimento, de modo a se permitir 
uma vida digna àquelas pessoas cuja falta de autonomia é decorrente da perda 
de sua renda ou da ausência de apoio, o que impede, assim, uma participação 
ativa na sociedade.
Aprender sobre essas formas de proteção estatal é primordial para o exer-
cício da profissão de assistente social, pois diariamente você, acadêmico(a), irá 
encontrar pessoas carentes e necessitadas de amparo estatal.
Para isso, esta unidade irá permiti-lo(a) conhecer mais sobre a seguridade 
social e a assistência social brasileira, em que esta última, por força da previsão 
constitucional, passou a ser prestada às pessoas que não conseguem prover seu 
próprio sustento e também não o conseguem ter, provido por seus familiares 
como preconizado pelas normas do Código Civil.
Tem-se, pois, que a assistência social é direito do cidadão e é dever do Estado 
promovê-la, este, por meio de uma política de seguridade social não contribu-
tiva, prevê condições mínimas necessárias para o atendimento básico ao cidadão 
e, consequentemente, proporciona renda permissiva de uma vida digna.
Assim, nesta unidade, verificaremos como foi a evolução da Seguridade 
Social, objetivando promover a discussão sobre a efetividade do sistema e a real 
proteção da sociedade. Contudo, cabe ressaltar que não temos como objetivo 
esgotar o assunto, mas sim fomentar o estudo sobre o mesmo.
Introdução
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A SEGURIDADE SOCIAL NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
DE 1988
A Seguridade Social é um direito fundamental inserido entre os direitos sociais 
assegurados pela Constituição Federal, como a saúde, a previdência social, a pro-
teção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados, motivo pelo 
qual há a corresponsabilidade da sociedade e do Estado, pois a seguridade é um 
conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, 
destinado a assegurar os direitos relacionados.
O constituinte de 1988 aplicou a concepção de Seguridade Social en-
tendendo ser uma política de proteção integrada da cidadania fun-
damentada na declaração dos direitos do homem, enquanto política 
pública de proteção social, política de direitos, universal e de responsa-
bilidade estatal, composta pela saúde, Previdência e assistência social. 
Dentro deste contexto, a Previdência Social brasileira deixou de ser um 
simples seguro para se tornar um direito social (FRANÇA, 2011, p. 17).
A Seguridade Social possui definição prevista na Constituição Federal de 1988, 
mais precisamente no artigo 194, que a define como um conjunto integrado de 
ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar 
os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.
No Texto Constitucional, no capítulo da Seguridade Social (artigos 194 a 204), 
a Seguridade é definida como um conjunto de princípios e normas destinados 
a estabelecer um sistema de proteção social aos indivíduos contra contingên-
cias que os impeçam de prover suas necessidades pessoais básicas e as de suas 
famílias.
A Seguridade Social é 
composta de várias partes orga-
nizadas, formando um sistema. 
Contém, ainda, princípios pró-
prios e objetivos que visam à 
promoção do bem-estar e justiça 
social, derivando daí as demais 
normas. Dentre estas, estão as Leis 
nº. 8.212 e 8.213, ambas editadas 
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em 1991, bem como a Lei 8.742 de 1993 e suas respectivas alterações, as quais 
centralizam o seu microssistema jurídico estatal.
Nas mãos do Estado está centralizado todo o sistema de Seguridade Social, 
esse organiza seu custeio e concede os benefícios e os serviços, sendo o órgão 
incumbido dessas determinações o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 
autarquia subordinada ao Ministério da Previdência Social e Assistência Social.
Prevê-se, dentro desse sistema, não só a participação do Poder Público, mas 
também de toda a sociedade, por intermédio de um conjunto integrado de ações 
de ambas as partes envolvidas, sendo importante salientar o fato de que eventu-
ais insuficiências financeiras ficarão a cargo da União, mas isso não desnatura a 
participação de todos os cidadãos.
Por conseguinte, o Estado atenderá às necessidades dos cidadãos advindas 
das adversidades, proporcionando-lhes tranquilidade, principalmente no futuro, 
quando o trabalhador tiver perdido a sua remuneração, capacidade de exercer 
atividade laborativa, ou mesmo daquelas pessoas sem condições de prover sua 
própria subsistência, tornando possível um nível de vida aceitável.
Para França (2011, p. 21), a Seguridade Social visa amenizar as desigualda-
des e a pobreza em cumprimento ao disposto no artigo 3 da CF/88, amparando, 
assim, os necessitados nas hipóteses em que não possam prover suas necessida-
des e as de seus familiares, por seus próprios meios.
Integram a Seguridade Social: a Previdência Social, a Assistência Social e 
a Saúde.
EVOLUÇÃO HISTÓRICA
A proteção social nasceu do próprio eixo familiar, pois cabia aos mais jovens o 
cuidado aos idosos e incapacitados (MARTINEZ, 1989 p. 76). Entretanto, nem 
sempre essa proteção e cuidado era (e ainda é) possível, o que faz com que essas 
pessoas fragilizadas precisem de um auxílio externo: terceiros voluntários que, 
com o apoio da Igreja, auxiliavam as pessoas necessitadas.
O conceito de proteção e assistência inerentes à previdência possui 
uma ligação estreita com o instinto de sobrevivência do ser humano. 
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Os sentimentos de insegurança e incerteza é que levam o homem a 
imaginar formas de se proteger dos perigos que ainda não existem ou 
que ele pode presumir virem a afligi-lo no futuro independente da dis-
tância desse futuro. Para os longevos essa premissa é alicerçada princi-
palmente na necessidade de proteção especial em razão da vulnerabili-
dade a que as pessoas com uma idade mais avançada se veem expostos 
num cenário de algumas limitações físicas que a própria idade impõe 
(CANALI FILHO, 2011, p. 67).
A família romana, por meio do pater famílias, tinha a obrigação de prestar assis-
tência aos servos e clientes em forma de associação, mediante contribuição de 
seus membros de modo a ajudar os mais necessitados, tendo o Estado somente 
assumido suas responsabilidades sociais no século XVII, com a edição da “Lei 
dos Pobres”, pois, para o Estado Liberal, o governo era um bem necessário que 
pouco interferia em áreas consideradas fundamentais.
E, como o Estado Liberal era a forma política de uma sociedade in-
dividualista (fundada principalmente na prevalência do ter sobre o 
ser), primando pela extrema liberdade, sem a intervenção do Estado 
na ordem econômica, ele não se mostrou suficiente para a solução dos 
problemas sociais então emergentes, permitindo que se instituísse uma 
nova escravidão, com o crescimento das forças dos privilegiados da for-
tuna e a servidão e opressão dos mais débeis.
Não se garantia a subsistência mínima aos menos afortunados que, na 
velhice, quedavam desamparados (SETTE, 2004, p. 40).
Na Alemanha, Otto VonBismarck introduziu uma série de seguros sociais, de 
modo a atenuar a tensão existente nas classes trabalhadoras, tendo instituído, 
em 1883, o seguro doença, custeado por contribuições dos empregados, empre-
gadores e do próprio Estado.
Em 1884, decretou-se o seguro contra acidentes do trabalho com custeio 
dos empresários e, em 1889, foi criado o seguro contra invalidez e velhice, cus-
teado pelos próprios trabalhadores, empregadores e Estado, sendo a Dinamarca 
a pioneira na assistência aos idosos indigentes.
Nos Estados Unidos, em 1935, foram criados dois planos com a finalidade de 
combater o desemprego e garantir os direitos sociais pelo Estado. Dentro desse 
contexto é que surge a seguridade social, com a função de satisfazer as necessi-
dades sociais (BOLLMANN, 2009, p. 57).
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Na Inglaterra, o Plano Beveridge de 1941, criado por Lord Beveridge, tinha 
como finalidade criar um sistema de seguro social que garantisse ao indivíduo pro-
teção diante de certas contingências sociais, tais como a incapacidade laborativa.
Neste momento histórico é que se estabeleceu um divisor entre o seguro e os 
serviços sociais, pois a Seguridade Social deveria ser entendida como parte de uma 
política ampla de progresso social, podendo o Estado proporcionar garantia de renda.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, inscreve, entre 
outros direitos fundamentais, a proteção previdenciária ao determinar que:
Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente pare lhe asse-
gurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à 
alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda 
quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no 
desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros 
casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias indepen-
dentes da sua vontade (ONU, 1948, on-line)
Com esses conceitos, surgiu o Estado de Bem-Estar Social, cujas medidas afir-
mativas trouxeram a Previdência Social e o auxílio a pessoas carentes, tendo o 
Brasil, desde a Constituição Federal de 1988, adotado esta linha de pensamento.
No Brasil, o Príncipe Regente Dom Pedro de Alcântara, em 1821, aprovei-
tando o contexto histórico descrito, concedeu aos professores que cumpriram 
com, no mínimo, 30 (trinta) anos de serviço uma espécie de aposentadoria deno-
minada jubilação, sendo que aqueles que atendessem às exigências e optassem 
por permanecer em exercício seria concedido um abono de 25% (vinte e cinco 
por cento) sobre seus salários.
Em 1835, foram criados os Montepios, instituições nas quais cada membro con-
tribuía em cotas para, após seu falecimento, favorecer a alguém por ele escolhido.
O próprio Código Comercial de 1850 já definia, em seu artigo 79, que os 
“acidentes imprevistos e inculpados que impedirem aos prepostos o exercício 
de suas funções, não interromperão o vencimento de seu salário, contanto que 
a inabilitação não exceda a 3 meses contínuos” (BRASIL, 1850, on-line).
A Constituição Federal de 1891, em seu artigo 75, foi a primeira a conter a 
terminologia “aposentadoria” em seu texto e determinava que esse benefício só 
poderia ser dado aos funcionários públicos em caso de invalidez “no serviço da 
Nação” (MARTINS, 2008, p. 06).
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Um outro importante momento histórico brasileiro foi a criação da Lei Eloy 
Chaves (Decreto 4.682 de 21/01/1923) (BRASIL, 1923, on-line), tendo sido essa 
a primeira norma a instituir no Brasil a previdência social, criando a Caixa de 
Aposentadorias e Pensões para os ferroviários a nível nacional.
A Constituição Federal de 1934 (BRASIL, 1934, on-line) trouxe a compe-
tência legislativa para que a União Federal fixasse as regras de Assistência Social, 
e diversas outras leis foram criadas até chegar ao sistema previdenciário atual.
Vale dizer que a atual Constituição Federal possui um capítulo inteiro que 
trata da Seguridade Social, tendo sido criado o INSS em 1990, o qual absorve as 
funções de arrecadação das contribuições previdenciárias, pagamento de bene-
fícios e prestações de serviço, havendo um “discurso afirmativo dizendo que é 
responsabilidade do Estado a cobertura das necessidades sociais da população 
e que ela tem acesso a estes direitos na condição de cidadão” (BOLLMANN, 
2009, p. 61).
Em 1991, foram publicadas duas importantes leis sobre a Seguridade Social: a 
Lei 8.212 (que dispõe sobre a organização da seguridade social e institui o plano 
de custeio) e a Lei 8.213 (planos de benefícios da Previdência Social), além da 
LOAS (Lei 742/1993), que veio dispor sobre a organização da Assistência Social.
PRINCIPAIS PRINCÍPIOS QUE REGEM A SEGURIDADE 
SOCIAL
Conforme já mencionado na primeira Unidade, atualmente os princípios são 
considerados uma norma jurídica, até porque os princípios constitucionais 
“encarnam juridicamente os ideais de justiça” (SARMENTO, 2004, p. 78-79).
Princípios são as normas protetoras dos valores considerados essenciais 
para a sociedade, o que faz com que a ofensa a um princípio seja um ato grave.
Assim, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 194, parágrafo único, 
determina que cabe ao Poder Público organizar a Seguridade Social, estabele-
cendo os objetivos constitucionais que a regem.
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Os princípios constitucionais previdenciários, num total de sete, são pautas 
de valores consagradas na Carta Política referentes à Seguridade Social, sendo 
eles os a seguir elencados.
UNIVERSALIDADE DA COBERTURA E DO ATENDIMENTO
A Seguridade Social possui como postulado basilar a universalidade, ou seja, a 
abrangência de todos os residentes do país, que, diante de uma contingência, 
terão direito aos benefícios, atendendo à cobertura dos riscos sociais da forma 
mais ampla possível (BOLLMANN, 2009, p. 67).
Ensina Armando Canali Filho (2011, p. 71) que esse princípio garante a todas 
as pessoas o direito à Seguridade Social, assim, essa universalidade de cobertura 
deve alcançar todos os eventos cuja reparação seja urgente, a fim de manter a 
subsistência dos que dela necessitam, por exemplo, a impossibilidade de retor-
nar ao trabalho, a idade avançada, a morte, entre outros. 
Já a universalidade do atendimento tem por função a entrega das ações, pres-
tações e serviços de seguridade social a todos os que necessitam, observando-se 
a contributividade, o que significa dizer que somente terão acesso aos benefícios 
previdenciários aqueles que contribuírem. Por outro lado, Marcelo Leonardo 
Tavares defende que: 
[...] desde que o indivíduo comprove estar em situação de necessidade 
e preencha os requisitos específicos para a fruição das prestações esta-
tais, é vedado a lei eleger qualquer critério baseado em características 
pessoais para negar o gozo de benefícios e serviços sociais assistenciais, 
pois na redação do art. 203, a assistência social será prestada a quem 
dela necessitar (TAVARES, 2008, p. 02-03). 
UNIFORMIDADE E EQUIVALÊNCIA DOS BENEFÍCIOS E 
SERVIÇOS ÀS POPULAÇÕES URBANAS E RURAIS
Anteriormente, na edição das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, o Brasil possuía 
distintos regimes de previdência voltados aos trabalhadores do setor privado; 
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entre eles, um destinado aos trabalhadores rurais, que possuía menor proteção 
social, e outro destinado aos trabalhadores urbanos. 
Após a edição das leis supracitadas, buscando acabar com a desigualdade 
de tratamento,foi conferido procedimento uniforme a trabalhadores rurais e 
urbanos, havendo, assim, idênticos benefícios e serviços para os mesmos even-
tos cobertos pelo sistema.
Entretanto, esse pareamento concedeu tratamento igualitário somente para os 
critérios utilizados para a concessão das prestações e não para os valores a serem 
recebidos a título de benefício, pois o valor pode ser diferenciado.
SELETIVIDADE E DISTRIBUTIVIDADE NA PRESTAÇÃO DOS 
BENEFÍCIOS E SERVIÇOS
Esse princípio permite ao legislador fazer a seleção das prestações obedecendo 
às possibilidades econômico-financeiras do sistema da Seguridade Social. Isto 
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significa dizer que, tendo em vista o caixa da Seguridade Social, os benefícios e 
serviços serão prestados na medida de sua essencialidade.
Por outro lado, Ferraro (2010, p. 98) destaca que o princípio da seletividade 
pressupõe que os benefícios são concedidos a quem deles efetivamente necessite, 
ou seja, com menor renda, motivo pelo qual se devem apontar os requisitos para 
a concessão dos benefícios e serviços. Vários serão os benefícios ou serviços que 
serão concedidos e mantidos de forma seletiva, conforme a necessidade da pessoa.
Por distributividade entendemos que esse princípio deve ser interpretado 
em seu sentido de distribuição de renda e bem-estar social; assim, pela conces-
são de benefícios e serviços, visa-se ao bem-estar e à justiça social. 
No que diz respeito ao princípio da seletividade, Tavares (2008, p. 04) exem-
plifica: “é o que ocorre com o salário-família, benefício previdenciário do Regime 
Geral da Previdência. Prestação considerada não essencial no sistema, somente 
é devida aos segurados de mais baixa renda (art. 201, IV).” Quanto ao princí-
pio da distributividade, exemplifica que nas prestações de saúde, aqueles que 
dela necessitam, recebem prioridade em relação a outros que necessitem menos.
IRREDUTIBILIDADE DO VALOR DOS BENEFÍCIOS 
O princípio da irredutibilidade do valor dos benefícios é equivalente ao princípio 
da intangibilidade do salário dos empregados e dos vencimentos dos servidores, 
o que significa dizer que aquele benefício concedido legalmente não pode ter 
seu valor nominal reduzido, não podendo ser objeto de desconto, exceto aqueles 
determinados por lei ou ordem judicial. Dessa forma, visa-se garantir a man-
tença do poder aquisitivo. 
Nessa perspectiva, aplica-se o princípio da suficiência ou efetividade na 
medida em que se determina que o valor dos benefícios não serão reduzidos. 
Ressalta-se que tal vedação está relacionada à redução nominal. Contudo, ape-
nas a proibição à redução do valor nominal dos benefícios não é garantia de que 
se evitará a sua irredutibilidade. A partir dessa ideia, o legislador constituinte de 
1988 previu que a irredutibilidade não é apenas nominal, mas sim real (artigo 
201, parágrafo 4º da CF/88 e artigo 58 do ADCT). 
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EQUIDADE NA FORMA DE PARTICIPAÇÃO NO CUSTEIO
O financiamento da Seguridade Social deve ser feito tanto pelo Estado quanto 
pela sociedade civil. A Lei 8.212/91 deixa claro o respectivo princípio ao defi-
nir alíquotas diferenciadas para contribuinte empregado, empregado doméstico 
e avulso, na medida de seus salários de contribuição (BRASIL, 1991, on-line). 
A Emenda Constitucional 20/98 e 47/05 (BRASIL, 1988, on-line) também 
explica o referido princípio, em seu artigo 195, § 9º, que determina que possui-
rão alíquotas ou bases de cálculo diferenciados as contribuições sociais a cargo 
do empregador, das empresas ou entidade a ela equiparada.
DIVERSIDADE DA BASE DE FINANCIAMENTO 
Segundo Oliveira (2009, p. 346), o princípio da diversidade da base de finan-
ciamento ensina que toda a sociedade deve contribuir para o financiamento da 
seguridade social. 
O constituinte, diante desse princípio, tentou estabelecer um tríplice sistema 
de financiamento, em que a receita da Seguridade Social pudesse ser arrecadada 
de várias fontes pagadoras, tais como os trabalhadores, empregadores e Poder 
Público.
A gestão dos recursos, programas, planos e serviços da Seguridade Social, 
aí compreendida a Saúde, a Assistência Social e a Previdência Social, deve ser 
realizada mediante discussão da sociedade. Com essa finalidade, foram criados 
órgãos colegiados de deliberação (FERRARO, 2010, p. 110).
O primeiro deles seria o Conselho Nacional de Previdência Social — CNPS, 
órgão criado pela Lei 8.213/91 (BRASIL, 1991), que tem como principal objetivo 
Apesar desse princípio prever a irredutibilidade dos benefícios, não existe 
mais vinculação entre o reajuste dos benefícios da seguridade social e o sa-
lário mínimo. 
Fonte: as autoras.
Principais Princípios que Regem a Seguridade Social
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estabelecer o caráter democrático e descentralizado da administração, em cum-
primento ao disposto no art. 194 da Constituição, com a redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 20, que preconiza uma gestão quadripartite, com a 
participação do Governo, dos trabalhadores em atividade, dos empregadores e 
dos aposentados. 
Existe também o Conselho Nacional da Assistência Social — CNAS, órgão 
superior de deliberação colegiada, vinculado à estrutura do Ministério do 
Desenvolvimento Social e Combate à Fome, instituído pela Lei 8.742/93 (Lei 
Orgânica de Assistência Social — LOAS), que é responsável pela coordenação 
da política Nacional de Assistência Social e possui como objetivo zelar pela efe-
tivação do sistema descentralizado e participativo de assistência social, apreciar 
e aprovar a proposta orçamentária da Assistência Social a ser encaminhada pelo 
Ministério, entre outros.
E, por fim, o Conselho Nacional de Saúde — CNS, que se trata de um órgão 
do Ministério da Saúde, de instância colegiada, deliberativa e de natureza per-
manente, criado pela Lei 8.080/90, que tem por finalidade atuar na formulação 
e controle da execução da política nacional de saúde, inclusive nos aspectos eco-
nômicos e financeiros, nas estratégias e na promoção do processo de controle 
social em toda a sua amplitude, no âmbito dos setores público e privado.
Esses são os princípios elencados no artigo 194 da CF/88, entretanto, exis-
tem diversos outros princípios diretamente ligados à Seguridade Social, em que 
destacam-se os seguintes:
Princípio da Solidariedade
Esse princípio pode ser considerado um postulado fundamental da Seguridade 
Social, pois está previsto implicitamente na Constituição Federal, em seu artigo 
3, I.
Sua origem vem desde os achados arqueológicos egípcios, onde houve a com-
provação da preocupação “do grupo em resguardar o interesse de todos diante do 
infortúnio que pode transformar os ricos em pobres” (BOLLMANN, 2009, p. 38).
Esse interesse individual se tornou um interesse da coletividade para deter-
minadas contingências sociais, como fome, velhice, morte, entre outros, tendo 
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por objetivo prevenir futuras adversidades. Com o passar dos anos, essa quota 
foi aumentando e formando grupos de profissionais, de empresas, que, por inter-
médio de esforços em comum ou da criação de determinado fundo, vinham se 
preparando para quando não mais pudessem trabalhar.
A solidariedade resumia-se, então, na contribuição da maioria em benefí-
cio da minoria, principalmente daqueles que não mais possuíam condições de 
trabalhar e garantir o sustento próprio e da família.
Ocorre a solidariedade da Seguridade Social quando várias pessoas unem 
forças para um fim comum, o bem-estar e a justiçasocial (MUSSI, 2010, p. 155), 
ou seja, a pessoa atingida por uma contingência deixa de contribuir, mas as outras 
continuam contribuindo, garantido a cobertura do benefício do necessitado. 
Tendo em vista esse preceito no tocante à Seguridade Social, aqueles que 
possuem melhores condições financeiras contribuirão com uma parcela maior 
para financiar a Seguridade, ou seja: a maioria contribui para o bem-estar da 
minoria em sociedade, que, por sua vez, em um dado momento, também con-
tribuirá ou não para a manutenção de outras pessoas e assim sucessivamente” 
(FERRARO, 2010, p. 86).
Sendo assim, vai se formando a cotização de cada uma das pessoas envolvi-
das pela Seguridade Social para a constituição do numerário, visando à concessão 
dos seus benefícios.
Assim, depreende-se que o princípio da solidariedade consiste num conjunto 
de instrumentos voltados para garantir uma existência digna, comum a todos, 
em uma sociedade que se desenvolva de forma livre e justa. 
Princípio da Dignidade da Pessoa Humana
A dignidade da pessoa humana tem sido uma preocupação constante no mundo 
ocidental, tendo sido pautadas legislações e decisões no mundo todo, prin-
cipalmente após a Segunda Guerra Mundial, pois “para definir dignidade é 
necessário levar em consideração todas as violações que foram praticadas” 
(FREIRE; RAMPAZZO, 2009, p. 602).
Apesar disso, o conceito desse princípio não é universal. Isso porque a dig-
nidade da pessoa humana não é absoluta, possui um aspecto cultural, social e 
Principais Princípios que Regem a Seguridade Social
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político, devendo seu conteúdo e aplicação ser analisados conforme o “contexto 
da situação concreta da conduta estatal e do comportamento de cada pessoa 
humana” (SARLET, 2009, p. 28).
A dignidade da pessoa humana se assenta sobre o pressuposto de que cada ser 
humano possui um valor intrínseco e desfruta de uma posição especial no uni-
verso, pois identifica um espaço de integridade moral a ser assegurado por todas 
as pessoas por sua existência no mundo. A dignidade relaciona-se tanto com a 
liberdade e valores do espírito quanto com as condições materiais de subsistência.
Denota-se que o princípio da dignidade da pessoa humana não tem o condão 
apenas de impedir a degradação do homem, mas também de que haja promo-
ção ao livre desenvolvimento da pessoa humana. Para Barroso (2013, p. 21), 
toda pessoa deverá ter direito ao livre desenvolvimento da sua personalidade na 
medida em que não viole os direitos de terceiros e nem ofenda a ordem consti-
tucional ou a moralidade. 
A CF/88 (BRASIL, 1988) trouxe a dignidade da pessoa humana como um dos 
fundamentos da República, devendo ser essa dignidade respeitada pelo Estado 
e pela sociedade, uma vez que sem ela o homem se torna um bem, uma coisa.
Costuma-se afirmar que a dignidade é um atributo do ser humano, a qual 
nasce junto com ele, sendo o principal fundamento do nosso ordenamento jurí-
dico e dos próprios direitos humanos.
Sarlet (2009, p. 20) explica que a dignidade inerente ao ser humano não 
pode ser considerada sinônimo de qualidade biológica, como as características 
genéticas de raça e cor dos olhos. A dignidade da pessoa humana independe 
das características externas do indivíduo, sua classe social, gênero, idade e cor, 
sendo que todos os seres humanos a possuem independente, inclusive, de seus 
bens materiais.
Carlos Simões (2013, p. 215), ao tratar dos direitos sociais, destaca que o 
conjunto desses direitos sociais são imprescindíveis a uma vida com dignidade, 
pois “a universalização dos direitos deve garantir o resultado das lutas sociais, 
criar novas formas de garanti-los e ajustar a realidade em função dos interesses 
gerais, no esforço por uma vida digna”.
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Reprodução proibida. A
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IVU N I D A D E170
Universalizar esses direitos não se trata de mascarar as diferenças sociais exis-
tentes, mas possibilitar uma vida digna às pessoas que não têm condições de 
tê-la provida sozinhas. 
FORMA DE CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL
Entende-se por fonte de custeio “os meios econômicos e, principalmente, financei-
ros obtidos e destinados à concessão e manutenção das prestações previdenciárias” 
(MARTINEZ, 1989, p. 111).
Para a consecução das finalidades da Seguridade Social, a Constituição 
(BRASIL, 1988, on-line) prevê um orçamento anual próprio, abrangente de 
órgãos e entidades das administrações diretas e indiretas, incluindo-se fundos 
destinados ao custeio do sistema.
Assim, a Seguridade Social será financiada por toda sociedade, de forma 
Forma de Custeio da Seguridade Social
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direta e indireta, nos termos do artigo 195 da Constituição Federal, em concomi-
tância com o artigo 10 e seguintes da Lei 8.212/91, por intermédio dos recursos 
provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 
Na forma direta, a sociedade é chamada a contribuir por meio das contribuições 
de seguridade social. Dessa forma, são responsáveis pelo recolhimento o empre-
gador, a empresa, a entidade a ela equiparada na forma da lei, o trabalhador e os 
demais segurados da previdência social, bem como o empresário responsável 
pelos concursos de prognósticos e o importador de bens ou serviços do exte-
rior, ou de quem a lei a ele equiparar.
Na forma indireta, contribuem, mediante recursos provenientes de seus orça-
mentos, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Considera-se 
indireta, pois também há a participação da sociedade na contribuição por meio 
dos tributos em geral.
Pode-se verificar, portanto, que o financiamento da Seguridade Social é pro-
veniente dos recursos dos entes federativos, das contribuições sociais e outras 
fontes de custeio.
Além das fontes de custeio previstas nos artigos citados, o texto constitucio-
nal admite a criação de outras fontes, por intermédio de lei complementar, 
seja para financiar novos benefícios e serviços, seja para manter os já exis-
tentes (artigo 154, I da CF/88).
As contribuições sociais constituem receita no orçamento da Seguridade 
Social de que trata o artigo 165, § 3º da CF/88.
Dispõe o artigo 165, § 5º do Texto Constitucional, que o orçamento da Se-
guridade Social, abarcando todas as entidades e órgãos a ela vinculados, é 
tanto proveniente da Administração direta, quanto indireta, bem como dos 
fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público.
Fonte: as autoras.
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IVU N I D A D E172
OS DIREITOS SOCIAIS E A ASSISTÊNCIA SOCIAL
A proteção social teve um importante momento histórico: a Revolução Industrial, 
pois a partir dela houve uma enorme migração de pessoas do campo para a 
cidade, gerando pobreza nos centros urbanos e o trabalho “semiescravo”, em 
que o indivíduo se submetia a condições degradantes (OLIVEIRA, 2009, p. 333).
Os direitos sociais surgiram nesse contexto e, em virtude do fracasso do 
Estado Liberal, fizeram surgir a preocupação e predominância dos valores da 
solidariedade e da igualdade, como as Constituições Mexicana (1917) e alemã 
de Weimar (1919).
Essa forma de Estado (denominada de Estado do Bem-Estar Social) surgiu 
em decorrência da hipossuficiência do indivíduo de satisfazer suas necessidades 
básicas e a consequente obrigatoriedade estatal de prover essas necessidades, afi-
nal, desde de 1970, tanto na América Latina quanto no Brasil, a luta pelos direitos 
sociais passou a se vincular à condição de carência, pois as desigualdades sociais 
foram, ao longo dos anos, remetidas ao campo da privacidade, como a renda, a 
idade, a condição social, dentre outros:
As diferenças sociaispassaram, assim, a ser definidas pela renda com-
patível com o consumo dos bens que as satisfaçam. Aqueles grupos que 
percebem uma renda mensal abaixo de um determinado valor, arbi-
trariamente fixado, são classificados como pobres. E, a partir daí, em 
sentido descendente, como miseráveis ou indigentes, constituídos por 
aqueles que nem sequer são capazes de garantir, por conta, própria, 
níveis mínimos de sobrevivência alimentar (SIMÕES, 2013, p. 190).
Carlos Simões, em sua obra “Teoria & Crítica dos Direitos Sociais” (2013, p. 
171-174), trata dos direitos fundamentais dando ênfase exatamente nos direitos 
sociais, cujo conceito, inicialmente, se restringia apenas às relações de traba-
lho, pois apenas com o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais 
e Culturais da ONU, em 1983, que os direitos sociais passaram a ser considera-
dos nos termos atuais. Esse campo de abrangência é definido pelo autor quando 
de sua conceituação:
O conceito dos direitos sociais assenta, prima facie, na especificidade de 
que apresentam um mesmo conteúdo geral, que é a referência, indis-
tintamente, a determinados bens sociais, como a saúde, a previdência 
Os Direitos Sociais e a Assistência Social
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social e outros, considerados imprescindíveis à garantia do valor da 
dignidade. Genericamente, é a instituição desse conteúdo social que os 
distingue dos demais direitos fundamentais (SIMÕES, 2013, p. 175).
Assim, os direitos sociais são prestações estatais que visam diminuir a desigual-
dade social e se caracterizam pela preservação da dignidade humana.
Os direitos sociais visam assegurar o direito a prestações estatais, sendo asse-
gurados à população em determinadas condições materiais e espirituais, pois 
possuem um cunho social, em que o Poder Público assume uma “tripla obri-
gação: respeitar, não se imiscuindo no seu exercício; proteger, não tolerando 
desrespeito por terceiros; e realizar, fornecendo os meios para o seu exercício 
efetivo” (SIMÕES, 2013, p. 177).
Siqueira (2013, p. 192) explica que a exclusão social pode se dar por diversos 
fatores, tais como a religião ou a deficiência. No Brasil, essa exclusão se dá tanto 
na esfera urbana quanto na rural, estando essas pessoas excluídas, até mesmo, 
das condições básicas de sobrevivência.
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IVU N I D A D E174
Assim, os direitos sociais “não se formulam por políticas de inclusão diretamente 
no trabalho, mas no acesso ao consumo de bens. Um acesso que, no entanto, o 
trabalho é que deveria prover” (SIMÕES, 2013, p. 198).
Em resumo, esses direitos que foram instituídos pela CF/88 buscam a igual-
dade “pelo tratamento desigual dos desiguais” (SIMÕES, 2013, p. 199), por meio 
de um “princípio de justiça e de solidariedade social, que institui um patamar 
mínimo de bem-estar como parte de um padrão civilizatório que define os direi-
tos fundamentais” (SIMÕES, 2013, p. 208).
É nesse contexto que a Assistência Social constitui-se numa forma de prote-
ção social existente desde o Código de Hamurabi, de Manu e da própria Lei das 
XII Tábuas, tendo sido implantado no Brasil pela Santa Casa de Misericórdia de 
Santos e do Rio de Janeiro, com o objetivo de prestar caridade àquelas pessoas 
em estado de miserabilidade (BOLLMANN, 2009, p. 58).
Isto visando à compensação do mercado, sendo uma forma de amenizar as 
desigualdades sociais promovidas pela nobreza, pela burguesia e pelas guerras. 
Somente após a Segunda Guerra Mundial é que houve a transformação do “está-
gio de compensação de mercado para efetivo direito de cidadania” (COUTO, 
2010, p. 64).
Após esse período de guerra e o custeio de serviços públicos pelas receitas 
estatais, promoveu-se, principalmente na Inglaterra e na França, o bem-estar 
social, a solidariedade e a proteção social que acabaram por se expandir por 
toda a Europa.
No Brasil, entre 1898 e 1905, o Juiz Ataulpho Nápoles de Paiva escreveu diver-
sos artigos e livros sobre a assistência social pública, porém, somente em 1935, 
na ditadura do Estado Novo, é que Getúlio Vargas, de forma informal, criou um 
comitê de estudo sobre os problemas e obras sociais.
Em 1938 foi criado, com o objetivo de criar políticas de amparo social pri-
vado e filantrópico, o Conselho Nacional do Serviço Social — CNSS, tendo sido 
o Juiz Ataulpho Nápoles de Paiva seu presidente. 
Em 1943, foi criada a Legião Brasileira de Assistência (LBA), que possuía alguns 
programas voltados aos idosos, como o apoio a asilos (FALEIROS, 2007, p. 165), 
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tendo sido criado, em 1977, o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social, 
por meio da Lei 6.439 (BRASIL, 1977, on-line). Este órgão ficou responsável por 
prestar assistência social à população considerada carente, o que deveria ser feito por 
meio de programas de desenvolvimento social e de atendimento àquelas pessoas. 
Após o período ditatorial, houve um empobrecimento populacional e um 
aumento do nível de desigualdade social, tendo a assistência social voltado a 
focar suas ações na compensação do mercado.
Foi então que Geisel editou o Plano Nacional de Desenvolvimento e, conse-
quentemente, a instalação do Conselho de Desenvolvimento Social e a criação do 
Ministério da Previdência Social e Assistência — MPAS para combater a pobreza.
ASSISTÊNCIA SOCIAL E PREVISÃO CONSTITUCIONAL
Até a Constituição Federal de 1946 (BRASIL, 1946, on-line), o texto constitucio-
nal não tratou sobre a política voltada à área social, entretanto, a CF/46 trouxe 
alguns instrumentos importantes para enfrentar a questão social, tais como a 
isenção de impostos às instituições de assistência social.
Quando da instalação da Assembleia Constituinte para criação da atual CF, 
sentiu-se a necessidade de uma legislação com alcance social, afinal, os próprios 
objetivos da CF/88 deixam claro que “os constituintes, além de reconhecerem as 
desigualdades sociais e regionais brasileiras, impuseram a solução dessas desi-
gualdades a ação do país” (COUTO, 2010, p. 158).
A consequência foi a previsão da Assistência Social na Constituição Federal 
de 1988, pois desde então a Assistência Social passou a ser prestada às pessoas 
que não conseguem prover seu próprio sustento, e também não o conseguem 
ter provido por seus familiares como previsto pelas normas do Código Civil.
Tem-se, pois, que a assistência social é direito do cidadão e dever do Estado 
que, por meio de uma política de seguridade social não contributiva, prevê 
condições mínimas necessárias para o atendimento básico ao cidadão e, conse-
quentemente, proporciona renda permissiva de uma vida digna.
SEGURIDADE SOCIAL
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Martins (2008) define a assistência social como:
[...] um conjunto de princípios, de regras e de instituições destinado a 
estabelecer uma política social aos hipossuficientes, por meio de ati-
vidades particulares e estatais, visando à concessão de pequenos be-
nefícios e serviços, independentemente de contribuição por parte do 
próprio interessado (MARTINS, 2008, p. 480)
A Assistência Social é provida pelo Estado aos considerados desamparados, ou 
seja, àquelas pessoas que não possuem meios para custear a Previdência Social 
durante o período de carência necessário para obter um benefício.
Miguel Horvath Junior (2008, p. 116) explica que a Assistência Social integra 
a política de seguridade social não contributiva que provê os mínimos sociais, 
sendo “realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública 
e da sociedade para garantir o atendimento às necessidadesbásicas”.
As prestações assistenciais são diversas e prestadas por intermédio de bene-
fícios (prestações pecuniárias) ou serviços (prestações não pecuniárias com a 
finalidade de oferecer aos beneficiários melhores condições de vida e trabalho).
Santos (2005, p. 227) defende que o legislador constituinte pretendeu que a 
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assistência social fosse não apenas uma ajuda provisória, mas e sim um fator de 
transformação social por meio da promoção, integração e inclusão do assistido 
na vida comunitária, tornando-o mais igual aos demais e, consequentemente, 
capaz de exercer atividades que lhe garantam a subsistência.
Com relação ao custeio, a assistência social será realizada com recursos pro-
venientes do orçamento da seguridade social, de acordo com o artigo 204 da 
CF/88, sendo um encargo de toda a sociedade, de forma direta ou indireta, nos 
termos do artigo 195 do texto constitucional (BRASIL, 1988, on-line).
O custeio dos benefícios, serviços e programas estabelecidos de acordo com a 
LOAS (Lei 8742/93) far-se-á com os recursos provenientes da União Federal, 
Estados, Distrito Federal e Municípios, além das demais contribuições sociais 
previstas no artigo 195 da Constituição Federal, bem como daquelas previstas 
que compõem o Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS).
Os recursos de responsabilidade da União Federal destinados ao financia-
mento dos benefícios de prestação continuada (BPC) poderão ser repassados 
diretamente pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, não cabendo, 
portanto, à Previdência Social o custeio das prestações assistenciais.
Os benefícios assistenciais podem ser classificados em permanentes ou 
eventuais, sendo exemplo do primeiro o LOAS (conhecido também como 
amparo social), e do segundos o auxílio natalidade e funeral.
Fonte: as autoras.
SEGURIDADE SOCIAL
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IVU N I D A D E178
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), nesta unidade, vimos que a Seguridade Social é composta de 
Saúde, Assistência Social e Previdência Social, sendo aquela primordial para 
auxiliar a população considerada hipossuficiente, seja hipossuficiência decor-
rente da idade, de condições físicas ou psíquicas.
Aprofundamos nosso conhecimento na Assistência Social, sua previsão legal, 
seu alcance e sua necessidade para cumprir um dos fundamentos da República 
Federativa Brasileira: a dignidade da pessoa humana, que tem sido preocupação 
constante no mundo ocidental após a Segunda Guerra Mundial.
No Brasil, não poderia ser diferente, já que, além dos fatos históricos mun-
diais descritos, acrescentam-se os fatos e torturas decorrentes da ditadura militar. 
Apesar disso, o conceito desse princípio não é universal, variando pela aplicação 
dos fatores: lugar, espaço, cultura, circunstâncias políticas e ideológicas.
Sendo assim, a dignidade da pessoa humana não é absoluta, pois possui um 
aspecto cultural, social e político, devendo seu conteúdo e aplicação serem ana-
lisados, pois se assenta sobre o pressuposto de que cada ser humano possui um 
valor intrínseco e desfruta de uma posição especial no universo, pois identifica 
um espaço de integridade moral a ser assegurado por todas as pessoas por sua 
existência no mundo. A dignidade relaciona-se tanto com a liberdade e valores 
do espírito quanto com as condições materiais de subsistência.
Sobre essas condições materiais, é importante refletir que nem todas as pes-
soas têm possibilidade de manter sua própria sobrevivência sem a ajuda estatal, 
fato este que demonstra a desigualdade social em que estamos inseridos.
Conhecer esses requisitos e exigir do Poder Público os direitos dessas pes-
soas é primordial para garantir uma mínima qualidade de vida a esses cidadãos!
Até a próxima unidade!
179 
1. Cite e explique um Princípio da Seguridade Social.
2. Conceitue o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana.
3. Qual a forma de custeio da Seguridade Social e da Assistência Social?
4. O amparo social ao idoso é vitalício? Ou seja, expira apenas quando ocorre o 
falecimento do beneficiário?
5. Quem pode ser considerado deficiente pela legislação?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
180 
ANÁLISE DOS BENEFÍCIOS ASSISTENCIAIS AOS IDOSOS EM OUTROS 
PAÍSES
Na maioria dos países, o amparo estatal 
para pessoas idosas guarda similitude 
com as diretivas brasileiras. 
Em Portugal, há uma assistência social 
bem semelhante à brasileira, denomi-
nada Pensão Social de Velhice, que se 
traduz em uma prestação em dinheiro, 
atribuída mensalmente aos cidadãos a 
partir dos 65 anos de idade. 
Para ter direito a esse auxílio financeiro 
português, é necessário que o idoso não 
se encontre abrangido por qualquer 
regime de proteção social obrigatório 
ou pelos regimes transitórios dos rurais 
ou, estando-o, não satisfaça os perío-
dos de garantia definidos para acesso 
à pensão, bem como sendo pensionista 
de invalidez, velhice ou sobrevivência, 
tenha direito à pensão de montante infe-
rior ao da pensão social e, por fim, tenha 
rendimentos mensais ilíquidos iguais 
ou inferiores a 167,69 EUR (cerca de R$ 
509,00) caso se trate de pessoa isolada, 
ou 251,53 EUR (cerca de R$ 764,00) tra-
tando-se de casal.
Contudo, Camarano e Pasinato (2007) tra-
cejam algumas diferenças demográficas 
que impactam na concessão de auxílio 
aos idosos na América Latina:
O desenvolvimento dos sistemas de seguridade social tem como ob-
jetivo repor a renda dos indivíduos que perderam a sua capacidade 
de trabalho ocasionada pelo avanço da idade através da suavização 
do seu consumo ao longo do ciclo de vida e da redução da pobreza 
entre os idosos. Dos seis países considerados, a proporção de idosos 
pobres era menor que a observada para o resto da população, a sa-
ber: Argentina, Brasil, Bolívia e Peru [...]. Os dois primeiros países con-
tam com sistemas previdenciários já consolidados. O inverso ocorria 
nos demais países. A maior diferença na proporção mencionada foi 
observada no Brasil, ou seja, a proporção da população total pobre 
foi 4,7 vezes mais elevada que a da população idosa (CAMARANO; 
PASINATO, 2007, p. 5)
As autoras destacam (p. 14-20) ser bas-
tante heterogênea a cobertura da 
seguridade social nos países pesquisa-
dos (Argentina, Brasil, Costa Rica, México, 
Bolívia e Peru), uma vez que a Argentina e 
o Brasil são pioneiros na adoção de siste-
mas de seguridade (criados nas décadas 
de 1910 e 1920, respectivamente), 
enquanto que os demais constituíram 
seus sistemas na década de 1940, sob a 
influência das recomendações da Orga-
nização Internacional do Trabalho (OIT) 
para a constituição de um sistema de pro-
teção social mais amplo:
181 
No entanto, Bolívia, Peru e México permaneceram contando com 
uma baixa cobertura, especialmente na área rural. Já a Costa Rica 
universalizou o seu sistema, ampliando o acesso ao mesmo para os 
indivíduos de baixa renda através de um regime não contributivo e 
extensão dos serviços de atenção à saúde. [...]
Em média, a taxa de cobertura dos sistemas na região é baixa e 
bastante diferenciada entre os países estudados. Enquanto o Brasil 
contava com uma cobertura praticamente universal no que diz res-
peito à proporção de idosos beneficiários (87,2%), na Bolívia apenas 
14,7% dos idosos eram beneficiários e no México, 19,2%. Conside-
rando-se apenas as áreas rurais, essa cobertura tende a ser ainda 
menor, à exceção do Brasil, que adotou um programa de benefícios 
não contributivos para os trabalhadores rurais na década de 1990 
(CAMARANO; PASINATO, 2007, p. 9).
A análise de Camarano e Pasinato 
(2007, p. 24) concluiu que todos os paí-
ses estudados (exceto o Peru) possuem 
programas não-contributivos para o 
amparo aos idosos e pessoas com defi-
ciência, sendo que “no Brasil e na Costa 
Rica, essesprogramas atendem a uma 
significativa parcela de idosos e portado-
res de deficiência, beneficiando 34,1% e 
19,8% da população de 65 anos e mais, 
respectivamente.” 
Já na Argentina, a parcela atendida por 
estes programas governamentais é equi-
valente a menos de 2% dos idosos, sendo 
que, neste país, o financiamento desse 
auxílio provém de recursos de tributos 
do próprio Estado, enquanto no Brasil e 
na Costa Rica contam também com sub-
sídios do sistema previdenciário.
Em 1996, na Bolívia, foi criado um benefí-
cio não-contributivo para o atendimento 
aos idosos denominado Bonosol, sendo 
“o único caso entre os países analisados 
de um programa de renda universal para 
idosos. Têm acesso ao benefício todos os 
bolivianos nascidos até 1975 ao alcança-
rem 65 anos” (CAMARANO; PASINATO, 
2007, p. 25).
Em 2006, o Governo Federal Mexicano 
instituiu um plano de benefícios de 250 
pesos mensais (equivalente a cerca de R$ 
45,00) a idosos maiores de 70 anos inscri-
tos no programa social “Oportunidades”, 
sendo que esse benefício é condicionado 
ao atendimento de consultas médicas, 
excluindo-se, portanto, segundo o levan-
tamento, “a população em situação de 
extrema pobreza, que vive em localida-
des onde não existem centros de saúde 
e nem escolas” (CAMARANO; PASINATO, 
2007, p. 25).
Fonte: as autoras.
MATERIAL COMPLEMENTAR
Curso de Direito do Serviço Social
Carlos Simões
Editora: Cortez
Sinopse: com base na Constituição Federal e na legislação 
ordinária, esta obra expõe uma análise bastante abrangente dos 
principais conceitos jurídicos sobre a assistência social e suas 
relações com o Serviço Social, cuja compreensão é indispensável 
aos profissionais e estudiosos da área, como um importante subsídio para se entender as mudanças 
jurídico-políticas inauguradas pela Constituição de 1988 e as leis complementares e ordinárias que se 
seguiram.
O direito social e a assistência social na sociedade 
brasileira: uma equação possível?
Berenice Rojas Couto
Editora: Cortez
Sinopse: este livro tem como foco de análise a assistência social, 
buscando aprendê-la no movimento da constituição de direitos 
no Brasil. 
Saiba como está o “avanço” dos direitos fundamentais no Brasil por meio da 
reportagem, disponível em: <http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2014/04/
pesquisa-mostra-avanco-na-protecao-dos-direitos-humanos>.
REFERÊNCIAS
183
BARROSO, L. R. A Dignidade da Pessoa Humana no Direito Constitucional Con-
temporâneo: Natureza Jurídica, Conteúdos Mínimos e Critérios de Aplicação. Ver-
são provisória para debate público. Mimeografado, dez. 2010.
¬¬______. A Dignidade da Pessoa Humana no Direito Constitucional Contem-
porâneo: A Construção de um Conceito Jurídico à Luz da Jurisprudência Mundial. 
Tradução Humberto Laport de Mello. Belo horizonte: Fórum, 2013.
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GABARITO
1. Os princípios são:
 ■ UNIVERSALIDADE DA COBERTURA E DO ATENDIMENTO
A Seguridade Social possui como postulado basilar a universalidade, ou seja, 
abrange todos os residentes do país que, diante de uma contingência, te-
rão direito aos benefícios, atendendo à cobertura dos riscos sociais da forma 
mais ampla possível.
Já a universalidade do atendimento tem por função a entrega das ações, 
prestações e serviços de seguridade social a todos os que necessitam, ob-
servando-se a contributividade, significando dizer que somente terão acesso 
aos benefícios previdenciários aqueles que contribuírem.
 ■ UNIFORMIDADE E EQUIVALÊNCIA DOS BENEFÍCIOS E SERVIÇOS ÀS POPULA-
ÇÕES URBANAS E RURAIS
Buscando acabar com a desigualdade de tratamento, foi instituído esse prin-
cípio que estipula procedimento uniforme a trabalhadores rurais e urbanos, 
havendo, assim, idênticos benefícios e serviços para os mesmos eventos co-
bertos pelo sistema.
 ■ SELETIVIDADE E DISTRIBUTIVIDADE NA PRESTAÇÃO DOS BENEFÍCIOS E SER-
VIÇOS
Esse princípio permite ao legislador fazer a seleção das prestações obede-
cendo às possibilidades econômico-financeiras do sistema da Seguridade 
Social. Isso significa dizer que, tendo em vista o caixa da Seguridade Social, 
os benefícios e serviços serão prestados na medida de sua essencialidade.
Por distributividade, entendemos que esse princípio deve ser interpretado 
em seu sentido de distribuição de renda e bem-estar social, assim, pela con-
cessão de benefícios e serviços, visa-se ao bem-estar e a justiça social. 
 ■ IRREDUTIBILIDADE DO VALOR DOS BENEFÍCIOS 
O princípio da irredutibilidade do valor dos benefícios é equivalente ao prin-
cípio da intangibilidade do salário dos empregados e dos vencimentos dos 
servidores, o que significa dizer que aquele benefício concedido legalmente 
não pode ter seu valor nominal reduzido, não podendo ser objeto de des-
conto, exceto aqueles determinados por lei ou ordem judicial. Dessa forma, 
visa-se garantir a mantença do poder aquisitivo. 
 ■ EQUIDADE NA FORMA DE PARTICIPAÇÃO NO CUSTEIO
O financiamento da Seguridade Social deve ser feito tanto pelo Estado quan-
to pela sociedade civil. 
 ■ DIVERSIDADE DA BASE DE FINANCIAMENTO 
O constituinte, diante desse princípio, tentou estabelecer um tríplice sistema 
REFERÊNCIAS
187
GABARITO
de financiamento, em que a receita da Seguridade Social pudesse ser arreca-
dada de várias fontes pagadoras, tais como os trabalhadores, empregadores 
e Poder Público.
 ■ CARÁTER DEMOCRÁTICO E DESCENTRALIZADO DA ADMINISTRAÇÃO ME-
DIANTE GESTÃO QUADRIPARTITE, COM PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADO-
RES, DOS EMPREGADORES, DOS APOSENTADOS E DO GOVERNO NOS ÓR-
GÃOS COLEGIADOS
A gestão dos recursos, programas, planos e serviços da Seguridade Social, 
aí compreendida a Saúde, a Assistência Social e a Previdência Social, deve 
ser realizada mediante discussão da sociedade. Com essa finalidade, foram 
criados órgãos colegiados de deliberação.
Esses princípios são os explícitos na CF/88, mas a Seguridade Social também 
está ligada ao princípio da solidariedade e da dignidade da pessoa humana.
2. O conceito desse princípio não é universal, variando pela aplicação dos fatores: 
lugar, espaço, cultura, circunstâncias políticas e ideológicas, mas pode ser con-
ceituado por meio do pressuposto de que cada ser humano possui um valor 
intrínseco e desfruta de uma posição especial no universo, pois identifica um 
espaço de integridade moral a ser assegurado por todas as pessoas por sua exis-
tência no mundo. A dignidade relaciona-se tanto com a liberdade e valores do 
espírito quanto com as condições materiais de subsistência.
3. Para a consecução das finalidades da Seguridade Social, a constituição prevê um 
orçamento anual próprio, abrangente de órgãos e entidades das administrações 
diretas e indiretas, incluindo-se fundos destinados ao custeio do sistema, ou 
seja, a Seguridade Social será financiada por toda sociedade, de forma direta e 
indireta, nos termos do artigo 195 da Constituição Federal, em concomitância 
com o artigo 10 e seguintes da Lei 8.212/91, por intermédio dos recursos prove-
nientes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 
Com relação ao custeio da assistência social, este será realizado com recursos 
provenientes do orçamento da seguridade social, de acordo com o artigo 204 da 
CF/88, sendo um encargo de toda a sociedade, de forma direta ou indireta nos 
termos do artigo 195 do texto constitucional.
4. O amparo social ao idoso não é vitalício, pois, de acordo com a legislação, ele 
deve ser revisto a cada dois anos para que se verifique se as condições de im-
plantação continuam as mesmas.
5. De acordo com a legislação, será considerada deficiente a pessoa que tem im-
pedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, 
os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação 
plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
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Professora Me. Mariane Helena Lopes
BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO 
CONTINUADA E LEGISLAÇÃO 
PREVIDENCIÁRIA
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Conhecer o benefício da prestação continuada.
 ■ Diferenciar os planos de benefícios da previdência social.
 ■ Analisar as normas previdenciárias.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Benefício da prestação continuada
 ■ Planos de benefícios da previdência social
 ■ Normas previdenciárias
INTRODUÇÃO
Nesta unidade, iremos conhecer um pouco mais sobre o Direito Assistencial e o 
Direito Previdenciário. Essa área do Direito é de suma importância no que diz 
respeito à proteção do empregado e dos autônomos, pois, após tanto tempo de 
trabalho, é por meio da Previdência Social que as pessoas conseguirão se apo-
sentar, sendo compensados financeiramente pelo trabalho realizado.
Inicialmente, como todas as áreas do Direito, precisamos compreender o 
fato histórico que fez a Previdência ser importante e passasse a ser regulamen-
tada a fim de proteger cada vez mais o empregado.
Na sequência, verificaremos os fundamentos da Seguridade Social, ou seja, 
quem ela procura proteger, como se divide, a importância no tema, como ela 
poderá auxiliar os empregados e empregadores nessa relação e por que acaba 
sendo tão importante.
Como se sabe, a Seguridade Social surgiu por uma necessidade da sociedade 
e para que a classe trabalhadora tivesse uma proteção maior e uma segurança 
maior na velhice, após prestar serviço para a sociedade.
A seguir, analisaremos os planos de benefícios da Previdência Social, que 
são inúmeros e constantemente alterados, de acordo com a necessidade da socie-
dade e sua evolução. Contudo, devido ao curto tempo que temos para tratar do 
assunto em nossa disciplina, selecionaremos alguns planos que são mais impor-
tantes para a segurança no trabalho, e os demais esboçaremos em um quadro 
sistemático, com o intuito de demonstrar quem poderá ser por ele protegido.
Por fim, analisaremos as normas previdenciárias, mas especificando alguns 
tópicos sobre elas, pois, devido a sua constante mudança, seria utópico querermos 
taxar um fator que vem passando por uma crise econômica e uma reforma com 
o intuito de prolongar sua duração e coberturaà classe trabalhadora. Até por-
que, como a expectativa de vida vem aumentando e a população envelhecendo, 
medidas precisam ser tomadas para garantir a proteção das gerações vindouras.
Introdução
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BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA
Entre as prestações assistenciais está o Benefício de Prestação Continuada — BPC, 
que integra a proteção social básica no âmbito do Sistema Único de Assistência 
Social — SUAS, instituído pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, 
em consonância com o estabelecido pela Política Nacional de Assistência Social 
— PNAS (conforme art. 1º, § 1º do Decreto nº 6.214/2007), sendo assim, o bene-
fício é coordenado pelo SUAS, mas operacionalizado pelo Instituto Nacional do 
Seguro Social — INSS (art. 3º do Decreto nº 6.214/2007).
Esse benefício visa diminuir a desigualdade social e possibilitar a construção 
de uma sociedade mais igualitária. Para tanto, a CF/88, em face da existência de 
inúmeras pessoas vivendo abaixo da linha da miséria, inseriu-se a erradicação 
da pobreza como um dos objetivos fundamentais brasileiros.
O legislador constituinte acabou, também, por priorizar o idoso e o defi-
ciente que não possuam meios de prover sua própria subsistência ou de tê-la 
provida por sua família, estabelecendo o valor de um salário mínimo a ser pago 
a essas pessoas que comprovarem a condição de miserabilidade em que vivem.
Para tanto, há a necessidade de o idoso comprovar sua idade (mínima de 
65 anos) e de o deficiente ser incapaz para o labor, mediante parecer do Serviço 
Social e da Perícia Médica.
Além desses requisitos, faz-se ainda necessário que a renda mensal per capita 
familiar seja inferior a ¼ do salário mínimo vigente quando do requerimento 
administrativo e que o beneficiário não esteja recebendo qualquer outro bene-
fício da Previdência Social ou outro regime previdenciário.
O Benefício Assistencial (ou BPC) foi regulamentado pela Lei 8.742/1993 
(BRASIL, 1993, on-line), também conhecida como Lei Orgânica da Assistência 
Social (LOAS), mais precisamente em seu artigo 20, e trata-se de benefício de 
caráter não contributivo.
O beneficiário da assistência social não tem condições de colaborar na 
manutenção do sistema garantidor de sua atenção. Não tendo condi-
ções de subsistência, não pode, por isso mesmo, arcar com o plus de 
contribuir. Sua contribuição, medida do seu consumo, quando existe é 
inexpressiva e as suas técnicas de proteção são pessoais, reduzindo-se a 
um mínimo de participação na sociedade (MARTINEZ, 2011, p. 201).
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O Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome esclarece que:
O BPC é um benefício da Política de Assistência Social, que integra a 
Proteção Social Básica no âmbito do Sistema Único de Assistência So-
cial – SUS e para acessá-lo não é necessário ter contribuído com a Previ-
dência Social. É um benefício individual, não vitalício e intransferível 
que assegura a transferência mensal de 1 (um) salário mínimo ao idoso, 
com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais, e à pessoa com deficiência, de 
qualquer idade, com impedimentos de longo prazo, de natureza física, 
mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas 
barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade 
em igualdade de condições com as demais pessoas. Em ambos os casos, 
devem comprovar não possuir meios de garantir o próprio sustento, 
nem tê-lo provido por sua família. A renda mensal familiar per capita 
deve ser inferior a ¼ (um quarto) do salário mínimo vigente.
A gestão do BPC é realizada pelo Ministério do Desenvolvimento So-
cial e Combate à Fome (MDS), por intermédio da Secretaria Nacional 
de Assistência Social (SNAS) que é responsável pela implementação, 
coordenação, regulação, financiamento, monitoramento e avaliação do 
Benefício. A operacionalização é realizada pelo Instituto Nacional do 
Seguro Social (INSS).
Os recursos para o custeio do BPC provêm da Seguridade Social, sendo 
administrado pelo MDS e repassado ao INSS, por meio do Fundo Na-
cional de Assistência Social (FNAS). 
Atualmente são 3,6 milhões (dados de março de 2012) beneficiários do 
BPC em todo o Brasil, sendo 1,9 milhões pessoas com deficiência e 1,7 
idosos (BRASIL, on-line).
Dessa forma, e considerando os requisitos etário, biológico, social e econômico 
do indivíduo, existem duas espécies de amparo social: aquele voltado ao idoso 
e aquele voltado ao deficiente.
BPC AO IDOSO OU AMPARO SOCIAL AO IDOSO
A constante busca pela igualdade social fez com que o direito tutelasse os indi-
víduos considerados hipossuficientes, seja por enfermidade, invalidez ou por 
envelhecimento, de modo a se permitir uma vida digna a essas pessoas.
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Dentro dessa perspectiva, foi estabelecido, na Constituição Federal de 1988 
(artigo 230), que o idoso é responsabilidade da família, da sociedade e do Estado, 
sendo tal cuidado executado preferencialmente em seus lares.
Como já mencionado, o BPC foi instituído pela Constituição Federal de 1988 
e regulamentado por meio da Lei Orgânica da Assistência Social de 07/12/1993 
(Lei 8.742), alteradas pelas Leis 12.435 de 06/07/2011 e 12.470 de 31/08/2011, e 
ainda pelos Decretos 6.214/2007 e 6.564/2008.
Contudo, nem todos os idosos brasileiros podem se privilegiar desse benefício. 
De acordo com a Lei 8.742/93 — Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), 
para a concessão do benefício de amparo assistencial ao idoso são requisitos: a 
idade mínima de 65 anos e a comprovação da condição de miserabilidade.
Essa miserabilidade, nos termos da lei, é aquela família cuja renda mensal 
per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo, sendo considerada 
família “a unidade mononuclear que vive sob o mesmo teto, cuja economia é man-
tida pela contribuição de seus integrantes” (HORVATH JUNIOR, 2008, p. 120), 
sendo que a situação de internado não prejudica o direito do idoso ao benefício.
O BPC ao idoso cessará nos casos de superação das condições que deram ori-
gem ao benefício, pela morte (ou morte presumida) do beneficiário, já que se 
trata de direito personalíssimo, pela ausência declarada do beneficiário, nos 
termos da lei civil, ou, ainda, pela falta de apresentação da declaração de com-
posição do grupo e renda familiar quando da revisão do benefício.
Fonte: a autora.
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No Estado do Paraná, e segundo informações disponibilizadas pelo Ministério 
de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em 01/2014 houve um gasto 
público da ordem de R$ 61.759.473,34 (sessenta e um milhões, setecentos e cin-
quenta e nove mil, quatrocentos e setenta e três reais e trinta e quatro centavos) 
apenas com o BPC ao idoso, tendo beneficiado, assim, 85.382 (oitenta e cinco 
mil, trezentos e oitenta e dois) idosos (BRASIL, on-line).
AMPARO SOCIAL AO DEFICIENTE
Conforme mencionado anteriormente, a Constituição Federal, por diversas vezes, 
procura proteger a pessoa deficiente. Dentre as formas de proteção está o artigo 
203, V, que estipula a garantia de um salário mínimo à pessoa deficiente que não 
possua meios de garantir sua subsistência e nem tê-la provida por seus familiares.
Assim como no BPC ao idoso, o BPC para os demais casos também foi ins-tituído pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pela Lei Orgânica 
da Assistência Social de 07/12/1993 (Lei 8.742), alteradas pelas Leis 12.435 
de 06/07/2011 e 12.470 de 31/08/2011 e, ainda, pelos Decretos 6.214/2007 e 
6.564/2008.
BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA E LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA
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Contudo, nem todos os deficientes brasileiros podem se privilegiar desse 
benefício. De acordo com a Lei 8.742/93 — Lei Orgânica da Assistência Social 
(LOAS) (BRASIL, 1993), para a concessão do benefício de amparo assistencial 
ao idoso, são requisitos: o reconhecimento da condição de deficiente e a com-
provação da condição de miserabilidade.
De acordo com a legislação, será considerada deficiente a pessoa que tem 
impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, 
os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação 
plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
A miserabilidade é a mesma do LOAS ao idoso, ou seja, aquela família cuja 
renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo.
Ainda de acordo com a legislação, ambos os benefícios (diferentemente de 
uma aposentadoria) não possibilitam a concessão de pensão, quando da morte 
do titular, por se tratar de benefício de caráter personalíssimo.
Além disso, não podem ser cumulativos com qualquer outro benefício da 
Previdência Social ou de qualquer outro regime previdenciário, devendo ser 
revisto a cada dois anos para apuração se as condições do beneficiário conti-
nuam a atender aos requisitos exigidos pela lei. Dessa forma, não se pode dizer 
que o benefício é vitalício, necessitando sempre da atualização.
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PLANOS DE BENEFÍCIOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL
A Constituição Federal prevê um Sistema Previdenciário que tem dois regi-
mes: regime público e regime privado. São regimes públicos: o Regime Geral 
de Previdência Social (RGPS), o regime previdenciário próprio dos servidores 
públicos civis e o regime previdenciário próprio dos militares. Estes são de cará-
ter obrigatório, ou seja, a filiação independe da vontade do segurado. Já o regime 
privado é a previdência complementar, prevista no art. 202 da Constituição 
Federal. É de caráter facultativo, no qual se ingressa por manifestação expressa 
da vontade do interessado.
Sob o ponto de vista financeiro, os regimes previdenciários podem ser de dois 
tipos: de capitalização ou de repartição simples. No regime de capitalização, adotam-
-se técnicas financeiras de seguro e poupança. A capitalização pode ser individual ou 
coletiva. Na capitalização individual, as contribuições se creditam na conta de cada 
segurado e, com os rendimentos desse capital, por longo período, será possível o 
pagamento das prestações devidas. Já na capitalização coletiva, as contribuições, em 
seu conjunto, são consideradas em favor da coletividade segurada (LENZA, 2013).
BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA E LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA
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No regime de repartição simples, que é baseado na solidariedade entre 
indivíduos e entre gerações, as contribuições dos que podem trabalhar são ime-
diatamente empregadas ao pagamento das prestações dos que não podem exercer 
a atividade laboral (LENZA, 2013). 
A Constituição Federal garante regime público de Previdência Social, de 
caráter obrigatório, para os segurados da iniciativa privada, ou seja, que não 
estejam submetidos à disciplina legal dos servidores públicos civis e militares.
Tal conceito é dado pelo art. 201 da Constituição Federal, na redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 20, de 15-12-1998: “a previdência social será 
organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação 
obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atua-
rial” (BRASIL, 1998, on-line).
As contingências que têm cobertura previdenciária pelo RGPS estão rela-
cionadas no art. 201 da Constituição Federal: cobertura dos eventos de doença, 
invalidez, morte e idade avançada; proteção à maternidade, especialmente à 
gestante; proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; salá-
rio-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; 
e pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro 
e dependentes (BRASIL, 1988, on-line).
O RGPS está regulado pela Lei nº 8.212 (Plano de Custeio da Seguridade Social 
— PCSS) e Lei nº 8.213 (Plano de Benefícios da Previdência Social — PBPS), 
ambas regulamentadas pelo Decreto nº 3.048, de 06.05.1999 (Regulamento da 
Previdência Social — RPS).
O regime é de caráter contributivo porque a cobertura previdenciária pres-
supõe o pagamento de contribuições do segurado para o custeio do sistema. 
Somente quem contribui adquire a condição de segurado da Previdência Social 
e, cumpridas as respectivas carências, tem direito à cobertura previdenciária cor-
respondente à contingência-necessidade que o acomete.
A filiação é obrigatória porque quis o legislador constituinte, de um lado, que 
todos tivessem cobertura previdenciária e, de outro, que todos contribuíssem para o 
custeio. A cobertura previdenciária garante proteção ao segurado e desonera o Estado 
de arcar com os custos de atendimento daquele que não pode trabalhar em razão da 
ocorrência das contingências-necessidade enumeradas na Constituição Federal e na lei.
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Em verdade, a Constituição Federal quis que os critérios de organização do 
RGPS preservassem o equilíbrio financeiro e atuarial.
NORMAS PREVIDENCIÁRIAS
As normas previdenciárias são de suma importância, pois trazem cada uma das 
normas que protegem os empregados na relação de emprego, seja por motivo 
de doença, por idade, dentre outras.
O regime previdenciário previsto na Constituição Federal é de caráter obriga-
tório para os segurados da iniciativa privada, ou seja, que não estejam submetidos 
à disciplina legal de servidores públicos civis e militares.
O conceito é previsto no art. 201 da Constituição Federal, que dispõe: “a 
previdência social será organizada sob forma de regime geral, de caráter contri-
butivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio 
financeiro e atuarial” (BRASIL, 1988, on-line).
No que diz respeito às normas previdenciárias, para facilitar sua compreen-
são e a diferenciação sobre cada uma delas, iremos explanar sobre as formas de 
aposentadoria e benefícios no formato de um quadro, com o intuito de compa-
rar as principais formas de aposentadoria.
Quadro 1 - Aposentadoria por Invalidez
Contingência Incapacidade total e permanente
Carência ■ 12 meses (regra).
 ■ Dispensada em casos de acidente de qualquer natureza 
ou causa, doença profissional ou do trabalho e doenças 
previstas por lei.
Sujeito ativo Segurado.
Sujeito passivo INSS.
Fonte: Lenza (2013).
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Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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Como se pode perceber, uma vez concedido o benefício, o segurado aposentado 
por invalidez, independentemente de sua idade, deve cumprir algumas 
obrigações, sob pena de sustação do pagamento: submeter-se a processo de 
reabilitação profissional prescrito e custeado pelo INSS. Contudo, o segurado 
não está obrigado a realizar procedimentos cirúrgicos e transfusão de sangue, 
que são considerados facultativos (LENZA, 2013).
Quadro 2 - Aposentadoriapor idade (regras permanentes)
Contingência Idade para segurados urbanos:
 ■ 65 anos (homens).
 ■ 60 anos (mulheres).
Idade para segurados rurais:
 ■ 60 anos (homens).
 ■ 55 anos (mulheres).
Carência 180 contribuições mensais.
Sujeito ativo Segurado.
Sujeito passivo INSS.
Fonte: Santos (2013).
Observa-se que, na aposentadoria por idade, a contingência idade avançada é, 
por certo, a mais importante em termos previdenciários, uma vez que presume 
a incapacidade para o trabalho.
O envelhecimento é considerado um evento certo, previsível, que a cada ano 
adquire diferentes contornos em razão da longevidade cada vez maior, sendo 
considerado um fruto da melhoria das condições gerais de vida da população 
(SANTOS, 2012).
Quadro 3 - Aposentadoria por tempo de contribuição
Contingência Tempo de contribuição.
 ■ 35 anos para homens.
 ■ 30 anos para mulheres.
Carência ■ 420 contribuições mensais (35 anos) para homem.
 ■ 360 contribuições mensais (30 anos) para mulher.
Sujeito ativo Segurado.
Sujeito passivo INSS.
Fonte: Santos (2013).
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A aposentadoria por tempo de contribuição é o resultado de um planejamento 
feito pelo segurado ao longo de sua vida laboral. Ele é requerido voluntariamente 
pelo segurado, resultado do planejamento previdenciário que fez ao longo da 
atividade laboral realizada (SANTOS, 2013).
Quadro 4 - Aposentadoria especial
Contingência ■ Efetiva exposição aos agentes nocivos químicos, físi-
cos, biológicos ou associação de agentes.
 ■ De forma permanente, não ocasional nem intermiten-
te.
 ■ Durante 15, 20 ou 25 anos.
 ■ Fornecimento de EPC e EPI não tira a característica 
especial da atividade.
Carência 180 contribuições mensais.
Sujeito ativo ■ Empregado.
 ■ Trabalhador avulso.
 ■ Contribuinte individual filiado à cooperativa de traba-
lho ou de produção.
Sujeito passivo INSS.
Fonte: Santos (2013).
Nesse tipo de benefício o segurado, deve exercer atividade sujeita a condições 
especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, de forma permanente, 
e não ocasional nem intermitente, com a efetiva exposição aos agentes nocivos 
químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à 
integridade física, durante 15, 20 ou 25 anos (SANTOS, 2013).
Quadro 5 - Auxílio-doença
Contingência Estar incapacitado para a atividade habitual por mais de 15 dias.
Carência 12 contribuições mensais, exceto nas hipóteses de dispen-sa.
Sujeito ativo Segurado.
Sujeito passivo INSS.
Fonte: Santos (2013).
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No auxílio-doença, o segurado deve estar incapacitado para a atividade habitual 
por mais de 15 dias. Contudo, atualmente, vem sendo discutida no Congresso 
Nacional a alteração de 15 para 30 dias. Tal fato tem como intuito diminuir os 
gastos da Previdência Social pelo aumento da expectativa de vida e a diminui-
ção do número de contribuintes.
Quadro 6 - Salário-família
Contingência Ser segurado empregado ou avulso com renda bruta não 
superior a R$ 862,60, quem mantém filhos de até 14 anos 
de idade incompletos ou inválidos de qualquer idade.
Carência Independente de carência.
Sujeito ativo ■ O segurado empregado.
 ■ O segurado trabalhador avulso.
 ■ O servidor sem regime próprio de previdência.
 ■ O segurado empregado ou trabalhador avulso aposen-
tado por invalidez ou por idade.
 ■ O trabalhador rural aposentado por idade.
 ■ Os demais aposentados que tenham 60 anos ou mais 
(mulheres), e 65 anos ou mais (homens).
Sujeito passivo INSS (sujeito passivo onerado).
Fonte: Santos (2013).
A Lei nº 4.266/63 (BRASIL, 1963, on-line) deu o direito ao salário-família aos 
segurados empregados que tivessem filhos menores, de qualquer condição, até 
14 anos de idade. Ele era pago pela empresa vinculada à Previdência Social, essa 
empresa era reembolsada, mensalmente, pelos pagamentos de cotas feitos aos 
seus empregados, mediante desconto do valor pago ao total das contribuições 
recolhidas ao Instituto ou Institutos de Aposentadoria e Pensões a que forem 
vinculadas (art. 4º, § 5º da Lei).
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Quadro 7 - Salário-maternidade
Contingência Ser mãe, adotar ou obter guarda judicial para fins de ado-
ção de criança de até 8 anos de idade.
Carência ■ Varia ou não existe de acordo com o tipo de segurada 
considerado.
 ■ Reduzida, em caso de parto antecipado, em número de 
meses igual ao de antecipação.
Sujeito ativo ■ Segurada empregada.
 ■ Empregada doméstica.
 ■ Trabalhadora avulsa.
 ■ Segurada servidora pública sem regime próprio de 
previdência.
 ■ Segurada contribuinte individual.
 ■ Segurada especial.
 ■ Facultativa.
 ■ Desempregada, durante o período de graça.
Sujeito passivo INSS (onerado).
Fonte: Santos (2013).
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 7º XVIII, garante a licença à 
gestante, sem prejuízo do empregado ou do salário, com a duração de 120 dias.
Quadro 8 - Auxílio-acidente
Contingência Redução da capacidade para o trabalho habitualmente exerci-
do, resultante da consolidação das lesões decorrentes de aci-
dente de qualquer natureza, inclusive acidente do trabalho.
Carência Independente de carência.
Sujeito ativo ■ Segurado empregado.
 ■ Trabalhador avulso.
 ■ Segurado especial.
 ■ Segurado desempregado se o acidente ocorrer no período 
de graça.
Sujeito passivo INSS.
Fonte: Santos (2013).
O benefício citado anteriormente não substitui os salários de contribuição ou os 
ganhos habituais do trabalhador que deixa de exercer suas atividades (SANTOS, 
2013).
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Quadro 9 - Pensão por morte
Contingência Ser dependente de segurado falecido.
Carência Independe de carência.
Sujeito ativo Conjunto de dependentes do segurado.
Sujeito passivo INSS.
Fonte: Santos (2013).
A morte do segurado deixa desamparados os seus dependentes. Essa é a razão 
pela qual o Direito protege os dependentes do segurado falecido.
Quadro 10 — Auxílio-reclusão
Contingência Ser dependente de segurado de baixa renda recolhido à 
prisão.
Carência Independente de carência.
Sujeito ativo Conjunto de dependentes do segurado de baixa renda 
recolhido à prisão.
Sujeito passivo INSS.
Fonte: Santos (2013).
No caso do auxílio-reclusão, poderá ser beneficiado aquele que for dependente 
de segurado recolhido à prisão que não receba remuneração da empresa nem 
Atualmente, existe uma discussão no Congresso Nacional sobre as mudan-
ças em relação à pensão por morte. Isso porque várias pessoas vêm se bene-
ficiando de um relacionamento que, para o Direito, não durou tempo consi-
derado suficiente, a fim de que pudessem receber tal benefício.
Assim, no que diz respeito à pensão por morte, devemos nos atentar para 
as possíveis mudanças que poderão ser aprovadas, tais como: comprovação 
de relacionamento; período que a pessoa poderá receber a pensão, pois, 
em alguns casos, deixará de ser vitalícia, dentre outras que ainda estão em 
análise.
Fonte: a autora.
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esteja em gozo de auxílio-doença ou aposentadoria, e desde que seu último salá-
rio de contribuição seja inferior ou igual a R$ 862,00, de acordo com a Portaria 
Interministerial nº 407/2011.
A lei não traz nenhuma distinção acerca dos motivos que levaram à prisão 
do segurado, podendo ser prisão penal, civil ou administrativa, cautelarou não.
Dessa forma, entende-se que independentemente do tipo de prisão, desde 
que cumpra os demais requisitos, poderá pleitear o auxílio-reclusão.
BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA E LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E206
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta unidade, vimos um pouco sobre o Direito Previdenciário. Para tanto, ana-
lisamos inicialmente sua evolução histórica. Por meio dela, pudemos observar 
que a seguridade social foi dividida em três aspectos: Assistência Social, Seguro 
Social e Seguridade Social.
A proteção dada a cada uma delas tem sua importância e passou por uma 
evolução de acordo com as mudanças ocorridas na sociedade. Hoje, aqueles que 
não contribuem para a Previdência Social podem por ela ser protegidos, sendo 
assim assistidos pela Seguridade Social.
Outro caso é direito à saúde. De acordo com a Constituição Federal (BRASIL, 
1988), todos têm direito à saúde, podendo a qualquer momento solicitar ao Estado 
sua proteção, com o intuito de ter seu direito preservado e atingido, ainda que o 
mesmo não tenha condições de proporcionar a parte necessitada.
Na sequência, vimos os fundamentos que levaram à criação da Seguridade 
Social como um fator de proteção ao empregado. Nesse aspecto, como pudemos 
analisar, uma série de fatores deve ser considerada, sempre levando em consi-
deração que o empregado, por ser a parte mais fraca, deve sim ter uma proteção 
maior, possibilitando que o mesmo não passe por nenhuma necessidade e não 
coloque sua família em risco.
Para finalizar, analisamos algumas formas de aposentadoria e alguns bene-
fícios que podem ser recebidos por aquele que tem a proteção da Previdência 
Social. Por conta do curto tempo que temos para discutir cada um desses bene-
fícios, o objetivo foi mostrar os principais pontos de cada uma das formas de 
aposentadoria, bem como quem é protegido por cada uma delas.
Em verdade, como discutido durante nosso estudo, a Previdência Social vem 
passando por uma série de mudanças, considerando o aumento da expectativa 
de vida, o que pode causar uma alteração nesses benefícios expostos.
Assim, o conteúdo aqui trabalhado objetiva fomentar a curiosidade, bem 
como compreender as normas que regem a nossa sociedade, com o intuito de 
que, enquanto cidadãos, busquemos melhorias.
207 
1. A evolução socioeconômica fez com que as desigualdades sociais se acentuas-
sem entre os membros da mesma comunidade e da comunidade internacional. 
A pobreza não é um problema apenas individual, mas sim social, atingindo di-
versos setores da sociedade. Sobre a evolução da Seguridade Social, assinale a 
alternativa correta
a) O homem nem sempre se preocupou em garantir seu sustento e de sua famí-
lia em situações de carência econômica, enfermidades, diminuição da capa-
cidade de trabalho, redução ou perda de renda.
b) A evolução histórica da proteção social foi dividida em dois grandes tópicos: 
seguridade social e assistência pública.
c) A evolução do Direito previdenciário sempre procurou acompanhar a socie-
dade com o objetivo de proporcionar uma proteção para a classe trabalha-
dora.
d) A assistência pública foi fundada na caridade, sendo conduzida pelas insti-
tuições públicas.
e) O Direito previdenciário sempre atendeu a todos de forma igualitária, sem 
estipular critérios para tal.
2. Não bastava a caridade para o socorro dos necessitados. Fazia-se necessário criar 
outros mecanismos de proteção que não se baseassem na generosidade e que 
não submetessem o indivíduo a comprovações vexatórias de suas necessidades. 
No que diz respeito ao Seguro Social, assinale a alternativa correta
a) O seguro do Direito Civil forneceu as bases para a criação de um novo instru-
mento garantidor de proteção em situações de necessidade.
b) O desenvolvimento do instituto do seguro fez surgir somente o seguro de 
vida.
c) O final do século XIX foi marcado pelo surgimento do seguro de carros, cuja 
natureza era obrigatória a todos.
d) Em 1883, nasceu o seguro nacional, com a Lei do Seguro Doença, que criou o 
Seguro Enfermidade, resultado da proposta de Bismark.
e) O seguro ligado à Previdência Social deve ser entendido, hoje, como o mes-
mo seguro que fazemos junto a corretoras.
3. Como pudemos observar, para se atender os necessitados não bastava a carida-
de. De fato, fez-se necessário criar outros mecanismos de proteção que não se 
baseassem na generosidade e que não submetessem o indivíduo a comprova-
ções vexatórias de suas necessidades. A partir disso, surgiram as empresas segu-
radoras. Sobre o Seguro Social, avalie as afirmações a seguir.
208 
I. Em verdade, as empresas seguradoras surgiram com fins não lucrativos e a 
administração era baseada em critérios econômicos.
II. O Seguro Social era uma espécie do gênero seguro que, embora com carac-
terísticas próprias, ainda tinha muito do seguro privado.
III. O desenvolvimento do instituto do seguro fez surgir novas formas: seguro de 
vida, contra invalidez, contra danos, contra doenças, entre outros.
IV. Sobre o seguro, o Direito Civil forneceu as bases para a criação de um novo 
instrumento garantidor de proteção em situações de necessidade.
É correto o que se afirma em:
a) II, III e IV.
b) I, II, III e IV.
c) II e IV.
d) I, II e III.
e) I e IV.
4. O art. 6 da Constituição Federal enumera os direitos sociais que se destinam à 
redução das desigualdades sociais e regionais. Dentre esses direitos está a Se-
guridade Social, que é composta pelo direito à saúde, pela assistência social e 
pela previdência social. O art. 194 da Constituição Federal traz o conceito de que 
seria “o conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da so-
ciedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à 
assistência social”. Sobre os fundamentos da Seguridade Social, é correto o que 
se afirma em:
a) Apenas as mutações sociais decorrentes do avanço tecnológico conduzem a 
novas situações causadoras de necessidades, fazendo que a proteção social 
tenha que se adequar aos novos tempos.
b) A nossa Constituição não deseja que todos estejam protegidos dentro da Se-
guridade Social, mas sim somente aqueles que contribuem para a mesma.
c) A Seguridade Social não é um instrumento de bem-estar, mas sim um redu-
tor das desigualdades sociais.
d) As prestações de Seguridade Social são o gênero do qual benefícios e servi-
ços são espécies.
e) A solidariedade não é o fundamento da Seguridade Social, mas sim a gene-
rosidade.
209 
5. De acordo com o que estudamos sobre as fontes do Direito, que também são 
consideradas fontes do Direito Previdenciário, a Constituição Federal prevê vá-
rios assuntos de suma importância para a nossa sociedade, dentre eles o siste-
ma previdenciário que se divide em: regime público e regime privado. Já sob o 
ponto de vista financeiro, os regimes previdenciários podem ser de dois tipos: 
de capitalização ou de repartição simples. Sobre o sistema previdenciário, avalie 
as afirmações a seguir.
I. Fazem parte do regime público: o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), 
o regime previdenciário próprio dos servidores públicos civis e o regime pre-
videnciário próprio dos militares.
II. O regime privado é a previdência complementar, ou seja, aquela que o pró-
prio indivíduo opta se vai fazer ou não.
III. O regime de repartição simples é baseado na solidariedade entre indivíduos 
e entre gerações.
IV. No regime de capitalização adotam-se técnicas financeiras de seguro e pou-
pança.
É correto o que se afirma em:
a) I, II, III e IV.
b) I, III e IV.
c) II, III e IV.
d) I e III.
e) II e IV.
210 
Para facilitar e compreender como funciona o sistema previdenciário no Brasil, leia o 
texto abaixo e confira os tipos de aposentadoria existentes no Brasil:
Atualmente, o sistema previdenciário brasileiro conta com três categorias: Regime Geral da 
Previdência Social, Regimes Próprios de Previdência Social e Previdência Complementar.Confira cada um deles:
Regime Geral da Previdência Social 
(RGPS)
Inclui todos os indivíduos que contri-
buem para o Instituto Nacional do Seguro 
Social (INSS): trabalhadores da iniciativa 
privada, funcionários públicos (concur-
sados e não concursados), militares e 
integrantes dos Poderes Judiciário, Legis-
lativo e Executivo.
Regimes Próprios de Previdência 
Social (RPPS)
Organizadas pelos estados e municípios 
para servidores públicos ocupantes de 
cargos efetivos (que exigem concurso 
público). 
Existem dois regimes de RPPS: o de 
repartição simples e o de capitalização. 
O primeiro é igual ao do INSS. Isto é, as 
contribuições do trabalhador em ativi-
dade pagam o benefício do aposentado. 
No sistema de capitalização, é criado um 
fundo para receber as contribuições que 
são aplicadas em ativos de renda fixa e 
variável. Neste caso, o servidor recebe 
o valor de suas reservas mais os rendi-
mentos.
Previdência Complementar
É um benefício opcional, que proporciona 
ao trabalhador um seguro previdenciário 
adicional, conforme sua vontade. É uma 
aposentadoria contratada para garantir 
uma renda extra ao trabalhador ou a seu 
beneficiário. Os valores dos benefícios 
são aplicados pela entidade gestora, com 
base nos chamados cálculos atuariais 
(que estabelece o valor da contribuição 
mensal necessária para pagar as aposen-
tadorias prometidas).
Um exemplo de previdência comple-
mentar é a Previ, o fundo de pensão dos 
funcionários do Banco do Brasil e o maior 
do País, que gera recursos que vão com-
plementar a aposentadoria do INSS dos 
funcionários dessa instituição.
INSS oferece quatro tipos de aposen-
tadoria
A Previdência Social completou, neste 
ano, 91 anos de proteção ao trabalhador 
e sua família. Criada a partir da sanção da 
Lei Eloy Chaves, em 1923, a seguradora 
do trabalhador brasileiro paga, todos os 
meses, mais de 31 milhões de benefícios 
e transfere mais de R$ 27 bilhões, movi-
mentando a economia de milhares de 
municípios brasileiros.
Do total de benefícios, mais de 17,4 
milhões são aposentadorias. Destas, 9 
milhões são aposentadorias por idade, 
3,3 milhões são por invalidez e 5 milhões 
são por tempo de contribuição.
O trabalhador brasileiro, tanto o empre-
gado quanto aquele que exerce atividade 
por conta própria e contribui para a Pre-
211 
vidência Social, têm direito a todos os 
benefícios oferecidos pelo INSS, incluindo 
aposentadoria, auxílio-doença, salário-
-maternidade, auxílio-reclusão e pensão 
por morte, esses dois últimos para os 
dependentes.
A Previdência oferece quatro tipos de 
aposentadoria para os seus segurados. A 
aposentadoria por idade, por exemplo, é 
concedida aos homens com 65 anos de 
idade e às mulheres com 60 anos. Os tra-
balhadores rurais do sexo masculino se 
aposentam por idade aos 60 anos e as 
mulheres, aos 55. O tempo mínimo de 
contribuição é de 15 anos para os inscri-
tos após 25 de julho de 1991. Se começou 
a contribuir antes desta data, são neces-
sárias 144 contribuições.
No caso da aposentadoria por tempo de 
contribuição, são necessários 35 anos de 
contribuição para o trabalhador do sexo 
masculino e 30 anos para as mulheres. 
Algumas categorias, como a dos profes-
sores, têm um tempo de contribuição 
diferenciado (30 anos para os homens e 
25 para as mulheres).
A aposentadoria por invalidez é conce-
dida quando a perícia médica do INSS 
considera a pessoa totalmente inca-
paz para o trabalho, seja por motivo 
de doença ou acidente. Existe ainda a 
aposentadoria especial, destinada aos 
trabalhadores expostos a agentes noci-
vos à saúde, sejam físicos, químicos ou 
biológicos.
Para ter direito a uma dessas aposen-
tadorias ou a outro benefício oferecido 
pelo INSS, é necessário que o trabalhador 
seja filiado à Previdência Social, contri-
bua todos os meses e cumpra o período 
de carência exigido para cada benefício. 
No caso da aposentadoria por idade, a 
carência é de 180 contribuições men-
sais. Isso significa que, para se aposentar 
por idade, o homem e a mulher devem 
começar a contribuir para a Previdência 
Social quinze anos antes de completar a 
idade exigida, e o trabalhador rural deve 
comprovar o efetivo exercício da ativi-
dade rural por um período de dez anos 
anteriores ao pedido da aposentado-
ria. O auxílio-doença e a aposentadoria 
por invalidez decorrentes de acidente 
de trabalho não têm carência. Já para o 
auxílio-doença previdenciário, a carên-
cia é de 12 contribuições.
Como se filiar à Previdência Social
O trabalhador com carteira assinada é 
inscrito na Previdência quando assina 
o contrato de trabalho. O trabalhador 
autônomo deve se inscrever como contri-
buinte individual. A contribuição mínima 
corresponde a 20% do salário-mínimo. 
Basta acessar o site da Previdência ou 
fazer uma ligação para o número 0800 
78 0191. A ligação é grátis. Quem prefe-
rir, pode comparecer a uma Agência da 
Previdência Social, apresentar a carteira 
de identidade, o CPF e um comprovante 
de residência. As donas de casa e os estu-
dantes maiores de 16 anos também 
podem se inscrever como contribuintes 
facultativos, assim como aqueles que já 
foram empregados e estão fora do mer-
cado de trabalho.
Fonte: Portal Brasil (on-line)1.
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/341
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/341
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/341
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/341
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/341
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/348
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/348
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/348
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/348
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/342
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/342
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/342
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/342
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/342
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/342
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/342
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/342
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/342
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/381
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/381
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/381
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/381
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/381
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/345
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/345
http://agencia.previdencia.gov.br/e-aps/servico/345
http://www.previdencia.gov.br/
http://www.previdencia.gov.br/
http://www.previdencia.gov.br/
http://www.previdencia.gov.br/
http://www.previdencia.gov.br/
MATERIAL COMPLEMENTAR
Curso de Direito Previdenciário
Vladimir Martinez
Editora: LTr
Sinopse: a presente obra possui 90 capítulos, sendo um dos mais 
completos estudos sobre a previdência social. Ela desdobra-se em: 
I) noções de direito previdenciário; II) previdência social; III) direito 
previdenciário procedimental e IV) previdência complementar.
O autor, Wladimir Novaes Martinez, é um grande especialista no assunto e sua obra merece leitura para 
que se possa compreender melhor sobre o sistema previdenciário brasileiro. 
REFERÊNCIAS
213
BEVERIDGE, S. W. O Plano Beveridge: relatório sobre o seguro social e serviços afins. 
Rio de Janeiro: José Olympio, 1943.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Emendas Cons-
titucionais. Presidência da República, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 23 ago. 2017.5
______. Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. Aprova o Regulamento da Pre-
vidência Social, e dá outras providências. Presidência da República, 1999. Disponí-
vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3048.htm>. Acesso em: 25 
ago. 2017.
______. Decreto n° 6.214, de 26 de setembro de 2007. Regulamenta o benefício 
de prestação continuada da assistência social devidoà pessoa com deficiência e ao 
idoso de que trata a Lei no 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e a Lei nº 10.741, de 1º 
de outubro de 2003, acresce parágrafo ao art. 162 do Decreto no 3.048, de 6 de maio 
de 1999, e dá outras providências. Presidência da República, 2007. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6214.htm>. 
Acesso em: 25 ago. 2017.
______. Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 1998. Modifica o 
sistema de previdência social, estabelece normas de transição e dá outras providên-
cias. Presidência da República, 1998. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm>. Acesso em: 25 ago. 2017.
______. Lei n° 4.266, de 3 de outubro de 1963. Institui o salário família do traba-
lhador. Presidência da República, 1963. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/L4266.htm>. Acesso em: 25 ago. 2017.
______. Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre a organização da Se-
guridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências. Presidência 
da República, 1991. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
l8212cons.htm>. Acesso em: 25 ago. 2017.
______. Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefí-
cios da Previdência Social e dá outras providências. Presidência da República, 1991. 
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm>. Acesso 
em: 25 ago. 2017.
______. Lei n° 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Dispõe sobre a organização da 
Assistência Social e dá outras providências. Presidência da República, 1993. Disponí-
vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8742.htm>. Acesso em: 25 ago. 
2017.
______. Lei n° 9.717, de 27 de novembro de 1998. Dispõe sobre regras gerais para 
a organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos 
servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos 
militares dos Estados e do Distrito Federal e dá outras providências. Presidência da 
REFERÊNCIAS
República, 1998. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9717.
htm>. Acesso em: 25 ago. 2017.
HORVARTH JUNIOR, M. Direito Previdenciário. Quartier Latin: Atlântico Pacífico, 
2008.
LENZA, P. Direito Constitucional Esquematizado. São Paulo: Editora Saraiva, 2013.
MARTINEZ, W. N. A Seguridade Social na Constituição Federal. São Paulo: LTr, 1989.
______. Princípios de Direito Previdenciário. 5. ed. São Paulo: LTr, 2011.
SANTOS, C. M. dos. Direito Previdenciário. São Paulo: Central de Concursos, 2004.
SANTOS, M. F. Direito previdenciário esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2012.
______. Direito previdenciário esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013.
REFERÊNCIA ON-LINE
1 Em: <http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2014/05/confira-os-tipos-
-de-aposentadoria-existentes-no-brasil>. Acesso em: 25 ago. 2017.
GABARITO
215
1. b.
2. d.
3. a.
4. d.
5. a.
GABARITO
CONCLUSÃO
Após o estudo de dois ramos do Direito (Direito Civil e Previdenciário), você, acadê-
mico(a), não tem a obrigatoriedade de conhecer todas as normas dessas disciplinas, 
até porque nem mesmo os juízes, advogados e estudiosos do Direito conhecem-
-nas. O que é necessário saber é sobre o que procurar e onde encontrar. Para isso é 
que as aulas e o material de Direito servem.
Com essas aulas, você não se tornará um advogado(a), até porque seu curso supe-
rior não é Direito, mas se tornará uma pessoa capacitada para conhecer a base do 
nosso ordenamento jurídico e contratar ou indicar um advogado apenas quando 
for necessário.
Lembre-se que é de suma importância o estudo das disciplinas jurídicas no seu cur-
so e que estas devem ter proporcionado um conhecimento holístico e bem atual da 
influência do Direito nos direitos sociais e protetivos, dotando-os de competências 
e de habilidades para a atuação frente às diversas situações jurídicas que lhes apa-
recerem. Daí a necessidade de os assistentes sociais tomarem conhecimento acer-
ca do ordenamento jurídico vigente que refletirá certamente em seu desempenho 
profissional.
A legislação está em constante mudança para atender a sua principal finalidade, 
que é acompanhar a evolução da própria sociedade, sua alteração de costumes, 
entendimentos, conceitos e necessidades.
Estudar e conhecer o Direito é primordial para saber aplicá-lo, e entender sua base 
não é importante apenas para a sua vida profissional, mas também é essencial para 
a vida pessoal.
Em suma, agora, passado o estudo desta matéria, você é capaz de entender o que 
é o Direito e qual é a sua finalidade, podendo, inclusive, aplicá-lo no seu cotidiano 
profissional.
Nunca se esqueça de estar sempre atento às constantes mudanças sociais, econô-
micas e jurídicas, pois você já possui as noções básicas para interpretar as normas 
dentro de sua área de atuação, contribuindo, assim, para o seu sucesso profissional.
As autoras.
CONCLUSÃO
	h.1fob9te
	id.30j0zll
	id.1fob9te
	id.gjdgxs
	UNIDADE I
	INTRODUÇÃO AO DIREITO E DIREITO CONSTITUCIONAL
	Introdução
	Conceito de Direito
	Direito Objetivo e Direito Subjetivo
	Distinção entre Direito e Moral
	Ramos do Direito
	Fontes do Direito
	Aplicação das Normas de Direito
	Eficácia
	Princípios Gerais do Direito
	Direito Constitucional
	Princípios Constitucionais
	Divisão dos Poderes
	Direitos e Garantias Individuais
	Nacionalidade
	Direitos Políticos
	Considerações Finais
	Referências
	Gabarito
	UNIDADE II
	RELAÇÕES FAMILIARES: NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA
	Introdução
	Desenvolvimento Histórico do Conceito de Família 
	Formatos Familiares
	Princípios do Direito de Família
	Aspectos Jurídicos da Formação e Dissolução da Família: Casamento, Efeitos do Casamento, Divórcio e União Estável
	Relações de Parentesco
	Direitos e Deveres Inerentes ao Poder Familiar
	Alimentos
	Tutela e Curatela
	Considerações Finais
	Referências
	GABARITO
	UNIDADE III
	QUESTÕES ATUAIS RELACIONADAS À FAMÍLIA
	Introdução
	Direitos da Criança e do Adolescente: Estatuto da Criança e do Adolescente
	Direitos Humanos das Mulheres: Lei Maria da Penha
	Direitos do Idoso: Estatuto do Idoso
	Considerações Finais
	Referências
	Gabarito
	UNIDADE IV
	SEGURIDADE SOCIAL
	Introdução
	A Seguridade Social na Constituição Federal de 1988
	Principais Princípios que Regem a Seguridade Social
	Forma de Custeio da Seguridade Social
	Os Direitos Sociais e a Assistência Social
	Considerações Finais
	Referências
	Gabarito
	UNIDADE V
	BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA E LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA
	Introdução
	Benefício de Prestação Continuada
	Planos de Benefícios da Previdência Social
	Normas Previdenciárias
	Considerações Finais
	GABARITO
	Conclusão
	Button 25:

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