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Estruturas de Madeira e Metálicas com BIM Estados-Limite, Ações e Resistências Michael Leone Madureira de Souza michael.souza@ibmr.br 1 / 41 Sumário 1 Estados-Limites 2 Ações 3 Resistências 4 Concepção Estrutural 2 / 41 1 Estados-Limites 2 Ações 3 Resistências 4 Concepção Estrutural 3 / 41 Estados-Limites Conceitos Os critérios de segurança adotados pela NBR 8800:2008 baseiam-se na NBR 8681. Nesse sentido devem ser considerados os estados-limites últimos (ELU) e os estados-limites de serviço (ELS). Os estados-limites últimos estão relacionados com a segurança da estrutura sujeita às combinações mais desfavoráveis previstas em toda a vida útil, durante a construção ou quando atuar uma ação especial ou exepcional. Os estados-limites de serviço estão relacionados com o desempenho da estrutura sob condições normais de utilização e operação. O método dos estados-limites utilizado para o dimensionamento de uma estrutura exige que nenhum estado-limite aplicável seja excedido quando a estrutura for submetida a todas as combinações apropriadas de ações. Se um ou mais estados-limites forem excedidos, a estrutura não atende mais aos objetivos para os quais foi projetada. 4 / 41 Estados-Limites Conceitos As condições usuais de segurança referentes aos estados-limites últimos são expressas por desigualdades do tipo: θ(Sd , Rd) ≥ 0 onde Sd representa os valores de cálculo dos esforços atuantes obtidos com base nas combinações últimas de ações e Rd representa os valores de cálculo correspondentes aos esforços resistentes obtidos de acordo com o cenário estrutural estudado. Quando a segurança é verificada isoladamente em relação a cada um dos esforços atuantes, as condições de segurança tomam a forma simplificada: Rd ≥ Sd 5 / 41 Estados-Limites Conceitos As condições usuais de segurança referentes aos estados-limites de serviço são expressas por desigualdades do tipo: Sser ≥ Slim onde Sser representa os valores dos efeitos estruturais de interesse, tais como flechas, deformações, etc. obtidos com base nas combinações de serviço das ações e Slim representa os valores-limites adotados para esses efeitos fornecidos, por exemplo, pelo Anexo C da NBR 8800:2008. 6 / 41 Estados Limite Conceitos Figure: Ilustração esquemática de um tipo de ELU. 7 / 41 Estados Limite Conceitos Figure: Ilustração esquemática de um tipo de ELS. 8 / 41 1 Estados-Limites 2 Ações 3 Resistências 4 Concepção Estrutural 9 / 41 Ações Conceitos Na análise estrutural deve ser considerada a influência de todas as ações que possam produzir efeitos significativos para a segurança da estrutura em exame, levando-se em conta os posśıveis estados-limites últimos e os de serviço. As ações a considerar (Ações) classificam-se, de acordo com a NBR 8681 em permanentes, variáveis e excepcionais. As ações permanentes são as que ocorrem com valores praticamente constantes durante toda a vida da construção. Também são consideradas permanentes as ações que aumentam no tempo, tendendo a um valor-limite constante. Devem ser consideradas com seus valores representativos mais desfavoráveis para a segurança. Podem ser divididas em ações permanentes a) diretas ou b) indiretas. 10 / 41 Ações Conceitos Ações permanentes diretas são constitúıdas pelo peso próprio da estrutura, pelos pesos dos elementos construtivos fixos, das instalações permanentes e dos empuxos permanentes. * peso próprio: carga proveniente da própria estrutura; * elementos construtivos e instalações permanentes: as massas espećıficas dos materiais de construção correntes são detalhados na NBR 6120. Os pesos das instalações permanentes são considerados com os valores nominais indicados pelos respectivos fornecedores. * empuxos permanentes: consideram-se empuxos permanentes os empuxos de terra e outros materiais granulosos quando forem admitidos como não remov́ıveis. Os valores caracteŕısticos são dados conforme NBR 8681. Ações permanentes indiretas são constitúıdas pelas deformações impostas por retração e fluência do concreto, deslocamentos de apoio, imperfeições geométricas e protensão. 11 / 41 Ações Conceitos As ações variáveis diretas são constitúıdas pelas cargas acidentais previstas para o uso da construção, pela ação do vento e da água, devendo-se respeitas as prescrições feitas por Normas Brasileiras espećıficas. Podem ser divididas em: * cargas acidentais previstas para o uso da construção: cargas verticiais de uso; cargas móveis, considerando o impacto vertical; impacto lateral; força longitudinal de frenação ou aceleraçãoe força centŕıfuga; * ação do vento: esforços solicitantes relativos à ação do vento, de acordo com a NBR 6123. * ação da água: cargas provenientes do ńıvel d’água de reservatórios, tanques, água de chuva retida, entre outras, conforme NBR 8681. * ações variáveis durante a construção 12 / 41 Ações Conceitos As ações variáveis indiretas podem ser divididas em: * variações uniformes de temperatura; * variações não uniformes de temperatura; * ações dinâmicas: quando a estrutura está sujeita a choques ou vibrações. As ações excepcionais são carregamentos cujos efeitos não podem ser controlados, em geral, associados a fenômenos naturais ou acidentes e atentados. 13 / 41 Ações Conceitos 14 / 41 Ações Conceitos 15 / 41 Ações Conceitos Os valores caracteŕısticos das ações, Fk, são estabelecidos em função da variabilidade de suas intensidades de seus valores representativos. São definidos pela NBR 8800 e NBR 6120. I Ações permanentes: devem ser adotados iguais aos valores médios das respectivas distribuições de probabilidade, sejam valores caracteŕısticos superiores ou inferiores. II Ações variáveis: correspondem a valores que têm probabilidade de serem ultrapassados no sentido desfavorável durante um peŕıodo de 50 anos. 16 / 41 Ações Conceitos Os valores de cálculo das ações, Fd, são obtidos a partir dos valores representativos, multiplicando-os pelos respectivos coeficientes de ponderação, γf . Sabe-se que γf = γf1 · γf2 · γf3 onde: γf1: é a parcela que considera a variabilidade das ações. γf2: é a parcela que considera a simultaneidade de atuação das ações. γf3: é a parcela que considera posśıveis erros de avaliação dos efeitos das ações, seja por problemas construtivos, deficiência do método de cálculo empregado, etc. De forma geral, é posśıvel simplificar essas notações por: γg = γf1 · γf3 ações permanentes γq = γf2 ações variáveis 17 / 41 Ações Conceitos Os coeficientes de ponderação das ações no estado-limite último ELU são dados pela Tabela 1 e 2 da NBR 8800:2008. 18 / 41 Ações Conceitos 19 / 41 Ações Conceitos Um carregamento é definido pela combinação das ações que têm probabilidades não despreźıveis de atuarem simultaneamente sobre a estrutura, durante um peŕıodo preestabelecido. A combinação das ações deve ser feita de forma que possam ser determinados os edeitos mais desfavoráveis para a estrutura. A verificação da segurança em relação aos estados-limites últimos e aos estados-limites de serviço deve ser realizada em função de combinações últimas e combinações de serviço, respectivamente. Uma combinação última pode ser classificada como: * normal: devem estar inclúıdas as ações permanentes e variáveis principais, com seus valores caracteŕısticos e as demais ações variáveis, consideradas secundárias, com seus valores reduzidos de combinação. * especiais ou de construção: devem estar presentes as ações permanentes e a ação variável especial, quando existir, com seus valores caracteŕısticos e as demais ações variáveis com probabilidade não despreźıvel, de ocorrência simultânea, com seusvalores reduzidos. * normal: * normal: 20 / 41 Ações Conceitos * excepcionais: devem figurar as ações permanentes e a ação variável excepcional, quando existir, com seus valores representativos e as demais ações variáveis com probabilidade não despreźıvel de ocorrência simultânea, com seus valores reduzidos de combinação conforme NBR 8681. O escopo do curso aborda somente as combinações últimas normais para esgotamento da capacidade resistente de estruturas de concreto armado. 21 / 41 Ações Conceitos Para cada combinação, aplica-se a seguinte expressão: Fd = Ng∑ i=1 (γg,i · Fgk,i) + γq,1 · Fqk,1 + Nq∑ j=1 (γq,j · Ψ0,j · Fqk,j) Fgk,i: representa os valores caracteŕısticos das ações permanetes, com i = 1, · · · , Ng, onde Ng é o número de cargas permanentes. Fqk,1: representa o valore caracteŕıstico da ação variável considerada principal nessa combinação. Fqk,j : representa os valores caracteŕısticos das ações variáveis que podem atuar simultaneamente, com j = 1, · · · , Nq, onde Nq é o número de cargas variáveis consideradas secundárias nessa combinação. 22 / 41 Ações Conceitos Exemplo. Suponha que um elemento estrutural que é exposto aos seguintes esforços normais: a) peso próprio: Np = 300 kN b) revestimentos e alvenarias: Ng = 100 kN c) carga de ocupação sem concentração elevada: Nq = 150 kN d) vento: Nv = 40 kN. Qual o carregamento normal de cálculo Fd? 23 / 41 1 Estados-Limites 2 Ações 3 Resistências 4 Concepção Estrutural 24 / 41 Resistências Conceitos Os valores caracteŕısticos das resistências, fk são os que, em um lote de material, têm uma determinada probabilidade de serem ultrapassados, no sentido desfavorável para a segurança. Usualmente é de interesse a resistência caracteŕıstica inferior fk, inf , cujo valor é menor que a resistência média fm, embora por vezes haja interesse na resistência caracteŕıstica superior fk, sup, que é maior que fm. Para efeitos da NBR 8800:2008 a resistência inferior é admitida como sendo o valor que tem apenas 5 % de probabilidade de não ser atingido pelos elementos de um dado lote do material. A resistência de cálculo, fd é dada pela expressão: fd = fk γm , onde γm representa o coeficiente de ponderação onde γm representa o coeficiente de ponderação do material. 25 / 41 Resistências Conceitos 26 / 41 Resistências Conceitos Os valores para verificação do estado-limite último estão indicados na Tabela 12.1 da NBR 8800. 27 / 41 Resistências Conceitos As condições anaĺıticas de segurança estabelecem que as resistências não podem ser menores que as solicitações e devem ser verificadas em relação a todos os estados-limites e todos os carregamentos especificados para o tipo de construção considerado. Portanto, deve ser respeitada a condição: Rd ≥ Sd como introduzido no ińıcio da aula. 28 / 41 Resistências Conceitos 29 / 41 Resistências Conceitos Exemplo. Calcule a resistência de a tração de projeto fyd aço CA-50. 30 / 41 1 Estados-Limites 2 Ações 3 Resistências 4 Concepção Estrutural 31 / 41 Concepção Estrutural Conceitos Quem concebe a estrutura? Qualquer um que seja capaz de compreender, entender e explicar seu funcionamento. A concepção estrutural é anterior ao seu dimensionamento. Significa: 1) ter ciência da possibilidade de sua existência; 2) perceber o arranjo que permite transmitir os esforços para o solo; 3) identificar os materiais que melhor se adaptam a esse sistema. 32 / 41 Concepção Estrutural Conceitos O que são? Elementos dimensionados para transmitir esforços. São classificados de acordo com sua geometria. Qual é a melhor solução estrutural? Figure: Soluções estruturais 33 / 41 Concepção Estrutural Conceitos Uma solução pode ser econômica no consumo de materiais mas será feia e de execução demorada. Outra será bonita, mas cara e dif́ıcil de ser executada. A melhor estrutura não existe! O que existe é uma solução que resolve bem alguns pré-requisitos, dispostos de forma hierarquica. Por exemplo: 1) velocidade de execução 2) custo 3) estética 34 / 41 Sistemas Estruturais Básicos Conceitos Os elementos estruturais são divididos em sistemas estruturais que são empregados de acordo com as diferentes formas de transmissão de esforços. Podem ser divididos em: (i) cabos (ii) arcos (iii) vigas (iv) treliças (v) pilares 35 / 41 Sistemas Estruturais Básicos Cabo Elementos lineares Não apresentam rigidez nem à compressão e nem à flexão. É empregado em situações onde ocorre tração. São também chamadas de estruturas suspensas ou pênseis. 36 / 41 Sistemas Estruturais Básicos Cabo Figure: Funcionamento do cabo Figure: Exemplo: ponte pênsil 37 / 41 Sistemas Estruturais Básicos Arco Elementos lineares. Sua aplicação é oposta ao cabo. É empregado em situações onde ocorre compressão. São elementos ŕıgidos, como barras. Figure: Funcionamento dos arcos Figure: Exemplo: pórtico 38 / 41 Sistemas Estruturais Básicos Viga Elementos lineares. São solicitadas predominantemente por cargas transversais. São elementos ŕıgidos. Figure: Exemplos de vigas Figure: Detalhe de uma seção transversal. 39 / 41 Sistemas Estruturais Básicos Treliça Elementos lineares. ”Soma” do cabo e do arco. Um arranjo no qual seus elementos sofrem ou tração ou compressão. São elementos ŕıgidos. 40 / 41 Sistemas Estruturais Básicos Pilar Elementos lineares. São solicitados por forças transversais e axiais. São elementos ŕıgidos. 41 / 41 Estados-Limites Ações Resistências Concepção Estrutural