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2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 3 2 A ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA NA LEGISLAÇÃO EDUCACIONAL...........................................................................................................4 3 OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL .................................... 5 4 O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – AEE ............................. 7 4.1 Diretrizes da política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva......................................................................................................................11 4.2 O atendimento educacional especializado: operacionalização da educação especial na escola regular ......................................................................................... 15 5 CONCEITO DE REPRESENTAÇÃO SOCIAL ..................................................... 20 5.1 A relação professor-aluno como um indicativo social para a construção de uma sala de aula inclusiva ................................................................................................ 23 6 COMPREENDENDO AS DEFICIÊNCIAS ............................................................ 26 6.1 As salas de recursos multifuncionais: conceituação e especificidades ............... 32 6.2 Composição das salas de recursos multifuncionais ............................................ 36 7 AS RELAÇÕES FAMILIARES E O AEE .............................................................. 38 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 44 3 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 2 A ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA NA LEGISLAÇÃO EDUCACIONAL No decorrer da história da educação, podem ser observadas várias fases até o final do século XX, que representaram diferentes formas de organização do sistema educacional com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), promulgada durante um período conturbado da ditadura no país (LIMA et al., 2016). Desde a década de 1980, múltiplos movimentos de democratização da educação se mobilizaram para uma nova constituição que garantisse a todos os cidadãos o direito de uma educação de qualidade. Portanto, manifestações e conferências como a Conferência Brasileira de Educação realizada em Goiânia em 1986, resultaram em um documento intitulado Carta de Goiânia, que continha o seguinte texto introdutório: Atendendo ao convite das entidades organizadoras — ANDE (Associação Nacional de Educação), ANPED (Associação Nacional de Pesquisa e Pós- Graduação em Educação) e CEDES (Centro de Estudos Educação e Sociedade) — seis mil participantes, vindos de todos os estados do país, debateram temas da problemática educacional brasileira, tendo em vista a indicação de propostas para a nova Carta Constitucional. Os profissionais da educação declaram-se cientes de suas responsabilidades na construção de uma Nação democrática, onde os cidadãos possam exercer plenamente seus direitos, sem discriminação de qualquer espécie. Então, empenhamos em debater, analisar e fazer denúncias dos problemas e impasses da educação brasileira e, simultaneamente, em colocar sua capacidade profissional e sua vontade política para a superação dos obstáculos que impedem a universalização do ensino público de qualidade para todo o povo brasileiro (CARTA..., 1986, p. 1239). A partir da análise desenvolvida nesta carta, que delineia as reivindicações da conferência, observar-se como essa mobilização de educadores de todo o país influenciou na formação da constituição federal, na qual, foi promulgada em 1988, e ofereceu uma oportunidade para transformar a renovação do sistema educacional. Porém, a educação é um direito garantido por lei. Além do que a Constituição Federal, dispõe em relação às competências das autoridades federal, estadual, distrital e municipal, outros documentos partem de um princípio para a organização do sistema de ensino que se baseiam nesses princípios, como a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. º 9.394/96) e o 5 Plano Nacional de Educação (PNE, Lei n. º 13.005 de 25 de junho de 2014). No Brasil o termo legislação educacional se refere aos: [...] processos de formação oferecidos por instituições formais e não formais quanto para expressar uma ideia relativa ao ato de legislar em matéria da educação ou ainda para designar o conjunto de leis que objetivam disciplinar a matéria educacional (LIMA et al., 2016, p. 2). Assim, a lei educacional pode representar aspectos da disciplina educacional, da profissão docente e da regulação da política educacional. Em um país de dimensões continentais, marcado por lutas de classes, desigualdades, conflitos políticos e diferenças culturais enormes, a criação de documentos normativos implica uma complexidade desafiadora. A partir dessas especificidades da legislação, podem ser observados que essa estrutura conecta a prática educacional, à política governamental por meio de leis, políticas, resoluções, ementas, portarias e decretos baseados em fundamentos constitucionais (LIMA et al., 2016). 3 OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL Como apontam Rosin-Pinola e Del Prette (2014), o processo de democratização da educação amplia perspectivas sobre aspectos relacionados à educação, incluído como resultado, muitas questões são levantadas, como o ambiente relevante e propício em que todas as disciplinas se desenvolvem em termos de sua subjetividade e especificidade, e o consequente impacto da formação docente e do contexto social. Paulo Freire (1999) mencionou em seu livro “Educação como Prática Livre” que a educação é uma ponte para a construção cidadã, tendo a democracia como base de sua efetividade. Para isso, deve ser aliado ao diálogo, à ação participativa, à valorização da educação e à consequente conscientização da formação da disciplina na totalidade. Nesse sentido, os desafios enfrentados pelas escolas para se adequarem às exigências inclusivas de escolas brasileiras podem ser vistos pela lente da cidadania constituída pelas relações sociais e, podem ser compreendidos em função dos sujeitos envolvidos e suas características e detalhe. 6 A inclusão será um esforço perseverante para realizar o que foi previamente decretado e precisa ser ajustado, em uma visão para a diversidade. Para tanto, também é necessário que instituições de ensino, educadores, gestores e especialistas se engajem com coragem para mudar a realidade nas medidas necessárias para alcançar a educação inclusiva (SAVIANI, 2017). Consolidar a educação inclusiva, a instrumentalização e a formação contínua de educadores e gestores tem sido de muito esforço. Embora o conceito de direitoshumanos e cidadania tenha se desenvolvido a partir do reconhecimento das diferenças e da participação do sujeito, há certo reconhecimento na sociedade dos mecanismos, processos hierárquicos, diferenciados de padrões ideais de ação e as funções do sujeito, operando para a regulação e consequente reprodução da desigualdade. Nesse sentido, as escolas e os ambientes de ensino e formação devem, preferencialmente, oferecer um espaço para lidar com o problema dos processos normativos de discriminação do indivíduo. Esses espaços podem servir para esclarecer diferenças como potencialidades, possibilitando a compreensão de uma variedade de características intelectuais, físicas, culturais, sociais, linguísticas, entre outras diversidades, respeitar a igualdade e a justiça. Para se adequar às exigências da educação inclusiva no Brasil, a formação de educadores e gestores deve ser mantida completa e atualizada, motivando e trabalhando conscientemente em cooperação com toda a comunidade escolar (SCHIMIDT, 1997). A aprendizagem cooperativa pode ser apresentada como uma metodologia capaz de garantir interdependência e reciprocidade. Simultaneamente, pode se configurar como uma oportunidade para os alunos aprenderem e vivenciarem os valores da cidadania democrática desde cedo e de forma sistemática, para adquirirem respeito às diferenças e diversidades em seus estilos de vida existente. Outra questão importante é a flexibilidade de atividades e programas que constrói capacidades educacionais para atuar nas necessidades específicas de aprendizagem dos alunos. (MOREIRA, 2016). A participação de todos os educadores, gestores, famílias e comunidades para que os alunos tenham voz, ouçam suas necessidades e percebam o processo 7 educativo é um processo ativo, uma ação política. Por meio dessa ação, incentiva-se a criação e o aprimoramento de atividades para serem visíveis às pessoas com necessidades especiais, para garantir seus direitos e melhorar a qualidade de vida. Contudo, apesar dessa informação, esse assunto ainda precisa ter mais destaque para que as pessoas tenham conhecimento sobre a educação especial no Brasil. Dessa forma, no próximo tópico vamos abordar o tema o atendimento educacional especializado – AEE, onde representa muito a educação especial. 4 O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – AEE Fonte:psiqueasy.com.br Durante muitos anos a educação especial foi considerada um Atendimento Educacional Especializado, como uma alternativa ao ensino tradicional, com visões diferentes, levando à criação de instituições especializadas e ao surgimento de escolas especiais. Alguns dos documentos oficiais relacionados com o campo da educação especial incluem o princípio da igualdade e o direito das pessoas com deficiência, transtornos do espectro autista que frequentarem o ensino regular. Na perspectiva da educação inclusiva, a atual Política Nacional de Educação Especial, a partir de 2008, afirma o direito de todos os alunos à educação regular, recebendo, quando necessário, o Atendimento Educacional Especializado – AEE (CHAVES, 2013). 8 Assim, o Apoio à Educação Profissional (AEE) é um serviço voltado para educação especial que identifica, desenvolve e organiza recursos pedagógicos e acessíveis, considerando suas necessidades específicas e eliminando barreiras para à plena participação dos alunos (BRASIL, 2008). Contudo, cabe aos profissionais do AEE oferecer uma formação que atenda às necessidades dos alunos que são o público-alvo da educação especial. Hoje em dia o AEE não substitui o ensino da rede regular, pois a sua função é complementar ou suplementar o ensino comum, considerando as necessidades dos alunos para escolarização. Este serviço é oferecido exclusivamente a alunos com deficiências, transtornos do espectro autista - TEA. A legislação federal brasileira garante o atendimento gratuito a esse público, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino (BRASIL, 2013). Esse Atendimento Especializado é realizado em uma sala de recursos multifuncionais, normalmente na mesma escola em que o aluno está matriculado, em sentido contrário às aulas de ensino habituais para não impedir a frequência nas aulas. Segundo a Lei n. 7.611 de 2011, uma sala de recursos multifuncionais, onde acontece o Atendimento Educacional Especializado, é caracterizada como sendo “ambientes dotados de equipamentos, mobiliários e materiais didáticos e pedagógicos para a oferta do atendimento educacional especializado” (BRASIL, 2011). AEE em escolas públicas recebe apoio técnico e financeiro do Ministério da Educação. A verba será utilizada para aperfeiçoar o Atendimento Educacional Especializado já existentes na instituição, implementar uma sala de recursos, Salas de Recursos Multifuncionais para realização de atividades, devendo ser destinado à formação continuada de professores e gestores, incluindo o desenvolvimento do ensino de libras e braile, devendo colaborar para a desenvolver a acessibilidade física arquitetônicas nas estruturas escolares e recursos educacionais para a acessibilidade (BRASIL, 2011). Além de ser oferecido em escolas públicas, esse serviço também pode ser oferecido em instituições especializadas, que podem ser encontradas no Decreto n. º 7.611, de 2011: O Atendimento Educacional Especializado aos estudantes da rede pública de ensino regular pode ser oferecido pelos sistemas públicos de ensino ou por 9 instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com atuação exclusiva na educação especial. O surgimento de instituições de ensino para pessoas com deficiência no Brasil deve-se às mudanças sociais e econômicas ocorridas e estão intimamente relacionadas aos interesses das classes dominantes em diferentes períodos históricos. Conforme Santiago (2011, p. 243), o imperial instituto dos meninos cegos, de 1854, (hoje chamado instituto Benjamin Constant) que foi criado para conseguir atender ao imperador, pois, sua filha era cega, criada por alguns nobres da época, assim, só quem poderia ter acesso à fundação eram indivíduos indicados pelo próprio imperador. Passado muito tempo, cerca de 30 anos após a fundação do imperial instituto de surdos e cegos, surgiram novas instituições dedicadas a essa área, com destaque para o instituto de cegos do recife, criado 50 anos depois. Depois de muito tempo, cerca de trinta anos após a fundação dos Institutos Imperiais para surdos e cegos, é que se tem o surgimento de novas fundações voltadas para esta área, destacando-se o Instituto de cegos de Recife em que foi fundado após cinquenta anos. Outras instituições surgiram ao longo dos anos, mas as condições econômicas sempre impedem a inclusão de pessoas com deficiências, transtornos do espectro autista. Atualmente, é crescente a necessidade de políticas públicas efetivas que garantam a efetividade de serviços especializados que facilitem a inclusão desses sujeitos nas classes comuns do ensino geral e nos diversos âmbitos da vida social. Ou seja, isso significa que há a necessidade de uma transformação nas escolas públicas para que se tornem escolas inclusivas, escolas para todos. Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos (SANTIAGO, 2011, p. 255). O Atendimento Educacional Especializado é muito relevante nesse processo de transformação em relação às escolas públicas em escolas inclusivas, porque as intervenções trabalhadas no AEE são diferenciadas e elaboradas para facilitar o processo de aprendizagem na sala de aula e para dar melhores condições necessárias que o educando precisa para se sentir incluso no ambiente escolar.O corpo docente organizará e realizará atividades com base nas necessidades dos 10 alunos e oferecerá recursos didáticos para estimular o aprendizado nas áreas mais difíceis. Conforme a Resolução n. º, de 2 de outubro de 2009, para trabalhar no AEE, os professores devem possuir formação inicial que o habilite para o exercício da docência e formação específica para a Educação Especial. Portanto, ele deve ser formado em Pedagogia, com aprofundamento ou especialização na área de educação especial. São exemplos de prerrogativas e responsabilidades delegadas ao professor do Atendimento Educacional Especializado: Orientar professores e famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade utilizados pelo aluno; ensinar e usar recursos de Tecnologia Assistiva para ampliar habilidades funcionais dos alunos, promovendo autonomia, atividade e participação; estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum, visando a disponibilização dos serviços, dos recursos pedagógicos e de acessibilidade e das estratégias que promovem a participação dos alunos nas atividades escolares. (BRASIL, 2009). No Atendimento Educacional Especializado os professores podem ensinar a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) para surdos, ensinar códigos em Braile para alunos cegos e desenvolver processos cognitivos como atenção, raciocínio e criatividade para alunos com deficiência, transtornos do espectro autista - TEA, utilizar recursos instrucionais acessíveis, bem como o uso de recursos de tecnologia assistiva e acessibilidade informática, explorar as potencialidades dos alunos nas áreas em que têm dificuldade, respeitar as suas limitações, etc. Ainda conforme o Decreto n. º 7.611, de 17 de novembro de 2011, o Atendimento Educacional Especializado pretende: Garantir serviços de apoio especializados conforme as necessidades individuais dos estudantes; garantir a transversalidade das ações da educação especial no ensino regular; fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem; e assegurar condições para a continuidade de estudos nos demais níveis, etapas e modalidades de ensino. (BRASIL, 2011). Daí a importância da relação com o ensino regular, verificando-se assim que o AEE não substitui o ensino formal, ou seja, não é um sistema de ensino paralelo, ele complementa o ensino com atividades diversificadas, proporcionando condições de acesso, participação e aprendizagem no contexto do ensino comum. 11 No entanto, é claro que a AEE requer formação dedicada de professores para atingir seus objetivos. O Atendimento Educacional Especializado, por se tratar de uma proposta de apoio permanente aos alunos com deficiência, transtornos do espectro autista - TEA, deve estar sempre vinculada às recomendações pedagógicas da escola, sendo fundamental o envolvimento da família para que, com os professores, atendem às necessidades específicas de cada aluno, complementando e suplementando a formação dos mesmos. Dessa forma, você pode compreender que o AEE é um atendimento realizado por um professor de educação especial, que identifica as barreiras existentes na escola comum que impedem ou dificultam a convivência, o desenvolvimento e a aprendizagem dos estudantes com deficiência, transtornos do espectro autista - TEA. Assim, no próximo tópico vamos apresentar as diretrizes da política nacional relacionada a educação inclusiva. 4.1 Diretrizes da política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva A educação especial é um modelo de ensino que permeia todos os níveis, etapas e modalidades, presta atendimento educacional especializado, disponibiliza serviços e recursos específicos para esse atendimento e orienta os alunos e seus professores para o uso desse atendimento nas classes comuns do ensino regular (CHAVES, 2013). O atendimento educacional especializado, se desenvolver por identificação, elaboração e organização de recursos pedagógicos e de acessibilidade para remover barreiras à participação total do aluno, considerando as necessidades específicas do aluno. As atividades realizadas no atendimento educacional especializado diferem das classes comuns porque não substituem o ensino. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a educação do aluno para independência e autodeterminação na escola e fora dela. O atendimento educacional especializado fornece programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização, auxílios tecnológicos e tecnologia assistiva, entre outros 12 serviços. Este serviço deve ser integrado com as questões pedagógicas do ensino comum. A inclusão escolar começa na educação infantil, durante a qual são lançadas as bases necessárias para a construção do conhecimento e seu desenvolvimento global. Nessa fase, o brincar, o acesso a diferentes formas de comunicação, a estimulação do enriquecimento físico, emocional, cognitivo, psicomotor, social e a convivência com as diferenças facilitam o relacionamento, o respeito e a valorização da criança. Do nascimento aos três anos, o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços de intervenção precoce, destinados a otimizar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em articulação com os serviços de saúde e assistência social (CHAVES, 2013). Em todas as etapas e modalidades da educação básica, a organização de atendimento educacional especializado para apoiar o desenvolvimento dos alunos constitui uma disposição obrigatória do sistema educacional, devendo esse serviço educacional ser realizado em escolas ou centros profissionalizantes em oposição às aulas comuns. Portanto, as ações de educação especial podem ampliar as oportunidades educacionais, a formação para a vida prática e a efetiva participação social na forma de educação de jovens e adultos e formação profissional. A articulação da educação especial com a educação dos povos indígenas, do campo e quilombola deve garantir a oferta de recursos educacionais especializados, serviços e atendimento em programas educativos baseados nas diferenças sociais e culturais desses grupos. No ensino superior, a transversalidade da educação especial se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e a participação dos alunos. Essas ações envolvem o planejamento e a organização de recursos e serviços para promover a acessibilidade arquitetônica, a comunicação, os sistemas de informação, o ensino e os materiais didáticos, que devem ser disponibilizados, pesquisados e divulgados no processo seletivo e no desenvolvimento de todas as atividades que envolvam o ensino e a aprendizagem (CHAVES, 2013). Para a inclusão de alunos surdos em escolas públicas, educação bilíngue - Língua Portuguesa / LIBRAS, promove o desenvolvimento do ensino escolar na 13 Língua Portuguesa e na língua de sinais, como já mencionado anteriormente, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita para alunos surdos, os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua Portuguesa e o ensino dá, libras para os demais alunos da escola. O atendimento educacional especializado, fornece serviços educacionais profissionais, tanto na modalidade oral e escrita, quanto na língua de sinais. Devido às diferenças linguísticas, os alunos surdos devem dividir as aulas com outros colegas surdos em escolas regulares, tanto quanto possível. O atendimento educacional especializado é desenvolvido por meio de conhecimentos específicos no ensino de língua brasileira de sinais, da Língua Portuguesa na modalidade escrita como segunda língua, sistema Braille, soroban, orientação e movimento, atividades de vida autônoma, comunicação alternativa, desenvolvimento de processos mentais superiores, planejamento de enriquecimentocurricular, adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos, uso de recursos ópticos e não ópticos, tecnologia assistiva entre outros (CHAVES, 2013). Cabe aos sistemas de ensino, sistematizar a educação especial no ponto de vista da educação inclusiva, possibilitar as funções de instrutor, tradutor/intérprete de Libras e guia intérprete, assim como, disponibilizar um monitor ou cuidador aos alunos com determinada necessidade de apoio nas atividades que fazem parte do dia a dia, tais como, higiene, alimentação, locomoção, entre outras que exijam auxílio constante no cotidiano escolar. Neste contexto e, de acordo com esta definição, entende-se que o AEE deve ser ofertado aos alunos de forma complementar e/ou suplementar ao ensino regular, tendo em conta as particularidades e necessidades de cada indivíduo, e não substituindo o ensino regular. Assim, inclui uma atuação diferenciada, não reproduzindo o mesmo conteúdo nem tampouco a metodologia adotada pela escola comum (BATISTA, 2013). O AEE é baseado nas necessidades e idiossincrasias do aluno. Ou seja, o AEE deve ocorrer em turno contrário ao horário escolar regular do aluno, em favor do trabalho do outro. Assim, o AEE pode ser caracterizado por uma gama de atividades, recursos instrucionais e de acessibilidade, e adaptações curriculares grandes e pequenas. Essas ações podem ser realizadas em pequenos grupos ou em turnos 14 individuais, ao contrário da escolarização. Em relação aos objetivos do AEE o Decreto n° 7.611 (BRASIL, 2011) dispõe: Art. 3º São objetivos do atendimento educacional especializado: I – Prover condições de acesso, participação e aprendizagem no ensino regular e garantir serviços de apoio especializados conforme as necessidades individuais dos estudantes; II – Garantir a transversalidade das ações da educação especial no ensino regular; III – fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem; e IV – assegurar condições para a continuidade de estudos nos demais níveis, etapas e modalidades de ensino (BRASIL, 2011). É importante destacar que o AEE especializado deve incorporar o Projeto Político Pedagógico (PPP) institucional da escola e envolver as famílias para garantir o engajamento e o desempenho dos alunos. O referido atendimento necessita ocorrer atrelado às demais políticas públicas. Contudo, para atuar na área de educação especial, os professores devem passar por uma formação inicial e continuada baseada tanto nos conhecimentos gerais da docência quanto nos conhecimentos específicos da área. Esta formação possibilita o ingresso no atendimento educacional especializado e deve aprofundar o ensino regular em salas de aulas gerais, salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, centros de acessibilidade de instituições de ensino superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. Esta formação deverá incluir conhecimentos sobre gestão de sistemas de educação inclusiva com vista ao desenvolvimento de projetos em cooperação com outras áreas que visem a construção de acessibilidades, cuidados de saúde, promoção da assistência social, trabalho e ação judicial (CHAVES, 2013). Até aqui, você tomou conhecimento das diretrizes das políticas nacionais do AEE e sobre a inserção da educação inclusiva, pois, através dela deve-se incluir conhecimentos sobre crianças, adolescentes, jovens e adultos dentro das suas especificidades, bem como, as suas necessidades conforme alunos que precisam de um apoio especializado. Portanto, no próximo tópico vamos abordar sobre o AEE em relação a suas atividades na educação especial, dentro da escolar no ensino regular. 15 4.2 O atendimento educacional especializado: operacionalização da educação especial na escola regular A Política Nacional de Educação Especial, na visão da educação inclusiva trouxe o atendimento educacional especializado - AEE como uma de suas inovações, possibilitando que alunos do público-alvo da educação especial recebam atendimento de acordo com suas particularidades em espaços comuns de aprendizagem e participem de atividades educativas regulares, garantindo que todos tenham acesso à educação de direito. Os alunos são conceituados, como o público-alvo da educação especial do ponto de vista da educação inclusiva, portanto, os alunos que devem matricular-se nas classes de ensino regular e AEE, são alunos com deficiência física, mental, intelectual ou sensorial, assim como, os alunos com transtornos do espectro autista - TEA. Assim, a matrícula no ensino regular permite efetivamente que os alunos obtenham o AEE, mas a obrigatoriedade do AEE para alunos ou para os seus responsáveis é facultativa. Portanto, a participação ou não do aluno no AEE não influencia a restrição, ou impedimento da sua matrícula no ensino comum (FÁVERO et al., 2007). De acordo com SEESP/MEC (1998), o papel da AEE é identificar, desenvolver e organizar os recursos pedagógicos e o acesso à educação para eliminar as barreiras à plena participação dos alunos, tendo em conta as suas necessidades específicas. Aulas de caráter complementar e/ou suplementar as intervenções pedagógicas, ou seja, não substitui a escolarização, mas agrega outras atividades para apoiar o desenvolvimento do aluno visando sua independência dentro e fora da escola. Em outras palavras, o AEE atua como suporte e diálogo com a classe regular por meio da implementação de práticas educativas específicas que ajudem a garantir o acesso e as condições de aprendizagem de alunos com necessidades especiais nas escolas comuns. Quanto à oferta preferencial do AEE nas escolas comuns, Fávero et al. (2007, p.26) afirma que o atendimento educacional especializado deve ser fornecido em todos os níveis de ensino, de preferência nas escolas comuns da rede regular. Este é 16 o ambiente escolar mais adequado para garantir o relacionamento dos alunos com os pares da mesma idade e facilitar os tipos de interações que podem melhorar o seu desenvolvimento cognitivo, motor e emocional. O AEE é melhor realizado em escolas regulares, ou seja, nas escolas comuns, na sala de recursos multifuncionais, no turno contrário ao da classe comum. Caso o AEE não esteja disponível na própria escola, este deve ser organizado em um centro especializado público ou filantrópico prestador desse serviço educacional, visto que tais serviços são complementares e não substituem a escolarização oferecida na rede regular de ensino. No entanto, a partir do texto constitucional de 1988, vários são os motivos pelos quais esse atendimento ocorre nas escolas comuns, pela LDBEN (Lei nº 9394/96) e, principalmente, para que a singularidade de cada aluno seja reconhecida e atendida neste espaço de formação comum a todos (FÁVERO et al., 2007; ROPOLI et al., 2010). Como primeiro passo, as escolas devem garantir a oferta do AEE, por meio, da institucionalização e conforme o projeto político-pedagógico, deve ser desenvolvido com a participação de todos os professores e de toda a comunidade escolar, considerando: organização de salas de recursos transversais, perfil e função do corpo docente atuante no AEE, desenvolver planos de bem-estar estudantil, comunicação entre a equipe da AEE e os responsáveis das instituições, entre outras coisas. A sala de recurso multifuncionais é uma sala destinada a realizar as intervenções do AEE para o público-alvo de alunos de educação especial e não uma sala privada destinada a substituir a educação. Salas de recursos multifuncionais são ambientes da escola onde se desenvolve as atividades do atendimento educacional especializado para todos os alunos com necessidades educativas especiais através do desenvolvimento de estratégias de aprendizagem quese centram em novas atividades educativas que facilitam a construção do conhecimento das crianças e apoiam o desenvolvimento de programas de aprendizagem e participação na vida escolar (ALVES et al., 2006). A sala de recursos multifuncionais é composta por móveis, materiais didáticos e pedagógicos, recursos de acessibilidade e equipamentos específicos, que atendem alunos direcionados à educação especial, em oposição à escolarização. Nestas salas, 17 os alunos podem frequentar individualmente ou em pequenos grupos, tendo em conta o tipo de necessidades educativas dos alunos. A frequência da semana, a duração do atendimento, o tipo de recurso a ser utilizado, tudo será definido pelo professor segundo a individualidade dos alunos para mantê-los engajados e aprendendo nas atividades (ROPOLI et al., 2010). A fim de fornecer os serviços educacionais oferecidos pela educação especial para atender às necessidades educacionais especiais dos alunos, os professores devem seguir uma formação especializada, obtida por meio de cursos de graduação, pós-graduação ou cursos de formação continuada, se especializando com aprofundamento em áreas específicas da educação especial (ROPOLI et al., 2010). A Resolução n. º04/2009, em seu artigo 13º, essa resolução permite a articulação entre o professor do AEE e os professores do ensino regular, bem como, o diálogo com as famílias, interlocução com o serviço de saúde, assistência social, dentre outros. Desta forma, este mesmo documento prevê que o professor tem como atribuições: I – Identificar, elaborar, produzir e organizar serviços, recursos pedagógicos, de acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos público-alvo da Educação Especial; II – Elaborar e executar plano de Atendimento Educacional Especializado, avaliando a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade; III – organizar o tipo e o número de atendimentos aos alunos na sala de recursos multifuncionais; IV – Acompanhar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade na sala de aula comum do ensino regular, bem como em outros ambientes da escola; V – Estabelecer parcerias com as áreas Inter setoriais na elaboração de estratégias e na disponibilização de recursos de acessibilidade; VI – Orientar professores e famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade utilizados pelo aluno; VII – ensinar e usar a tecnologia assistiva para ampliar habilidades funcionais dos alunos, promovendo autonomia e participação; VIII – estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum, visando à disponibilização dos serviços, dos recursos pedagógicos e de acessibilidade e das estratégias que promovem a participação dos alunos nas atividades escolares. Entende-se que a formação dos professores para atuar no AEE considera o conhecimento de sua função e as necessidades específicas dos alunos envolvidos em seu atendimento. Nesse caso, o espaço se torna primeiro um local de formação quando os professores passam a utilizá-lo como um ambiente propício à pesquisa, 18 sendo que a finalidade da pesquisa é sempre aprofundar e compreender os problemas que ali surgem. Pois, conforme Garcia (2001, p.64), "fazer as coisas com ousadia é o caminho para abrir o reino do possível. É esse tipo de ação - com seus erros e acertos - que nos permite construir algo consistente". No que lhe concerne, o papel da educação especial constitui-se com suporte para o trabalho realizado na sala de aula regular e, em diversos momentos, beneficia a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos especiais. Vale ressaltar que o trabalho realizado no AEE não é organizado segundo a sequência e a lógica pré- definida do conteúdo a ser absorvido, ou seja, a produção do conhecimento está desvinculada do planejamento sistemático da escola. Portanto, o processo de construção do conhecimento no AEE não visa avançar o conhecimento acadêmico, mas sim estabelecer novos padrões relacionados ao desempenho do aluno no enfrentamento dos desafios da construção do conhecimento Ou seja, os métodos de ensino no AEE diferem dos oferecidos nas escolas comuns e não devem ser confundidos com uma mera aula de reforço (repetição da prática educativa da sala de aula), nem com atendimentos clínicos ou espaços sociais. Nesse caso, as dificuldades de aprendizagem não são relacionadas às deficiências ou condutas típicas e não são pertinentes ao AEE, mas ao cotidiano da sala de aula, o que significa que as respostas pedagógicas da professora da classe comum foram suficientes para atender às solicitações específicas feitas pelos alunos em suas trajetórias de aprendizagem, oferecendo suporte eficaz e eficiente (GARCIA, 2001). Percebe-se que há diferenças no trabalho dos professores comuns e dos professores da educação especial. Um professor responsável por uma sala comum tem que sistematizar o ensino dos conteúdos curriculares e o professor do AEE tem que se manter em uma condição que complemente o ensino regular, por isso sua prática é baseada na construção de "conhecimentos e recursos específicos que removam barreiras que impedem ou limitam sua participação com autonomia e independência nas turmas comuns do ensino regular” (ROPOLI et al., 2010, p.19). Neste contexto, o AEE precisa ser um trabalho dinâmico e interativo entre o professor da sala de aula regular e o professor da sala de recursos multifuncionais, local onde acontece o AEE. 19 Dessa maneira, a interface entre o AEE e as escolas regulares será baseada nas necessidades de cada caso, isso é crucial para o esforço de ambos os professores em entender as construções de conhecimento dos alunos para que eles possam atuar como mediadores do conhecimento. Vale ressaltar que esse esforço conjunto não se caracteriza por uma forma de instrução instrucional dos professores do AEE aos professores generalistas ou vice-versa, mas sim pela busca de soluções que beneficiem os alunos de todas as formas possíveis (ROPOLI et al., 2010). Como todos sabemos, garantir que todos os alunos com deficiência ingressem nas escolas comuns, significa uma mudança no rumo da educação especial, ou seja, a premissa é eliminar as barreiras que as escolas comuns e as escolas de educação especial, estabelecem como as escolas dos diferentes, uma para alunos “normais” e a outra para alunos “especiais”. Neste contexto, a proposta é uma organização pedagógica das escolas gerais e das práticas pedagógicas voltadas para oportunizar todas as oportunidades possíveis para que alunos com a determinada deficiência se tornem agentes capazes de gerar conhecimento/significado (ROPOLI et al., 2010, p.16-17). Por esta razão, é necessário formular uma gestão escolar conjunta entre as escolas em conjunto com a educação especial, encurtar a distância, atender e compartilhar a responsabilidade de ensinar e aprender, ou seja, as responsabilidades de ensino e aprendizagem mútua. No entanto, “a integração entre ambas não deve descaracterizar as respetivas características, abrindo espaço para a intersecção de capacidades protegidas pelos condicionalismos operacionais que as designam” (ROPOLI et al., 2010, p.18-19). Porém, para a aprendizagem e desenvolvimento do aluno com deficiência não basta a escola oferecer o AEE, é preciso também mudar a prática pedagógica na perspectiva dos alunos, professores, currículo e gestão para promover a construção escolar. Um novo modelo de educação: uma pedagogia dialogada e interativa que considera as habilidades e possibilidades de aprendizagem de todos os alunos. Isso se configura como um dos grandes desafios da escola contemporânea, o de (re) significar e (re) pensar a diversidade que se encontra em seu cenário (ROPOLI et al., 2010). 20 Até aqui! Você compreendeu que o AEE é um atendimento proporcionado porum professor de educação especial, que consegue identificar as barreiras existentes no ambiente escolar comum que impedem ou dificultam a convivência, o desenvolvimento e a aprendizagem dos estudantes com deficiência ou algum tipo de transtorno. Assim, o profissional pretende identificar, elaborar, produzir e organizar serviços, recursos pedagógicos, de acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos público-alvo da educação especial. Contudo, para que você compreenda melhor, essa relação com o professor e o aluno com deficiência, primeiro é necessário falarmos sobre a representação social. 5 CONCEITO DE REPRESENTAÇÃO SOCIAL Fonte: diversa.org.br A representação social é uma área teórica de pesquisa interdisciplinar que transcendeu a sociologia, com raízes muito profundas nos campos da psicologia e da linguística. No entanto, por se tratar de uma tendência recente no estudo das representações sociais na educação, buscaremos conceituar representação social a partir de autores mais bem fundamentados teoricamente, tais como, Moscovici (1997), Hall (1997) e Jodelet (1990). A Teoria das Representações Sociais (TRS) trabalha com a mente social em sua vitalidade e diversidade, na qual existem diferentes formas de conhecer e comunicar. Existem representações sociais de consenso e campos científicos. O 21 mundo do consenso consiste em conversas informais, na vida cotidiana, por outro lado, o universo científico, também conhecido como universo físico, cristaliza com precisão científica. As representações sociais são construídas prioritariamente no âmbito do consenso, onde todos podem falar e dizer tudo, já que na ciência só os especialistas “autorizados” a falar (MOSCOVICI, 1974). Moscovici (1974) argumenta que as representações sociais, oriundas do universo consensual, como conhecimentos pré-teóricos dotados de racionalidade. Esta seria uma forma de compreender as características típicas de determinados grupos sociais. As representações sociais são agenciamentos dinâmicos cujo estado é a geração de comportamento e relação com o meio, estado de mudança de comportamento de um e de outro, não de reprodução [...] são sistemas com lógica própria e uma espécie de linguagem específica, uma estrutura implícita, que remete a valores e conceitos [com] seu próprio estilo de discurso. Não as pensamos como ideias sobre, nem como imagens, mas como “teorias” de uma “ciência coletiva” destinada a explicar a realidade (MOSCOVICI,1974, p.48). Conforme o conceito de representação de Moscovici (1974), Jodelet (1990, p. 48) define as representações sociais como "formas de conhecimento socialmente produzidas, compartilhadas para fins práticos que contribuem para a construção de um conjunto comum de fatos”. Em outras palavras, para os autores, essas representações fazem sentido para serem estudadas por meio de conexões entre fatos, emocionais, psicológicos, sociais, linguísticos e comunicativos. De acordo Hall (1997), cultura é um conjunto de valores ou significados e significados compartilhados por meio da linguagem, de modo que, por meio do uso que fazemos de coisas, palavras, ideias e sentimentos, expressamos e lhes damos significado. Esses significados gerados na prática e na experiência social organizam a prática social, incorporam-se as identidades através da sensação de pertencimento de um conjunto de ideias. No campo da regulação da prática social, a compreensão em relação à representação social dos profissionais do AEE é muito importante. Pois, o foco de Hall (1997) na representação social está justamente relacionado à construção de identidades e às normas da prática social. 22 Dessa forma, as representações sociais relacionadas ao AEE, reforçam as atribuições dos profissionais em uma visão analítica e hermenêutica que possibilitam a atuação desses profissionais para com o aluno. Afirma-se que as divergências existem entre as definições legislativas e o imaginário social, construído por estes sujeitos. Dessa forma, os profissionais compreendem o seu importante papel social e as suas atribuições, sendo aquelas que estão na legislação. Assim, a caracterização da representação do profissional, está em identificar as necessidades educacionais dos alunos, com potencial para produzir recursos didáticos, bem como, desenvolver as intervenções pedagógicas. Contudo, os professores são representados pela sua responsabilidade, pois, são afetivos e atenciosos com seus alunos, mantendo um bom relacionamento com a equipe escolar na maioria das vezes. Alguns, demonstram desejo de maior reconhecimento e valorização social, outros expressam insatisfação quando entram em contato com professores de reforço ou são trazidos para substituições de professoras regentes. As atividades especializadas são enfatizadas pelos professores, a partir de uma perspectiva positiva, pois, eles têm a responsabilidade e capacidade de contribuir com o processo de inclusão. Assim, pode-se verificar que há um consenso da importância desses profissionais no ambiente escolar (HALL, 1997). Neste contexto, os profissionais desejam contribuir para a formação social de seus alunos, capacitando-os para atuar na sociedade de forma consciente e crítica. Verbalizar o progresso do aprendizado do aluno, julgado como resultado do monitoramento de salas de aula regulares e salas de aula de recursos multifuncionais. Dessa forma, é importante ressaltar a noção de representação social, a ideia de que o conhecimento surge nas relações cotidianas e se cristaliza em verdade. Na visão das representações é a de que a legislação precisa ser melhor compreendida para determinar a atuação dos professores especialistas nas escolas regulares. É necessária uma melhor compreensão desses profissionais e das decisões e conhecimento sobre as atividades que legitimam as práticas inclusivas. Além disso, é importante que mais pesquisas se concentrem na questão da representação social no que se refere a outras questões da educação inclusiva. 23 Assim, se pensarmos a representação como conhecimento produzido discursivamente, seu resultado é uma entrada na formação comportamental, moral, cultural e ética do sujeito. Devemos também ter em mente que, para Hall (1997), não há uma única interpretação das imagens sociais, a interpretação é sempre negociada para gerar novas situações representacionais. Isso nos permite pensar a representação como um uso da linguagem e uma parte essencial do processo de construção de significado (HALL, 1997). Você conseguiu compreender os conceitos básicos da importância da representatividade social e a sua relação com os professores do AEE. No próximo tópico vamos complementar o que foi mencionado acima, sobre a relação professor- aluno como um indicativo social, para a construção de uma sala de aula inclusiva. 5.1 A relação professor-aluno como um indicativo social para a construção de uma sala de aula inclusiva Como parte integrante da escola, o professor deve ter uma responsabilidade e uma obrigação para com o aluno, dando apoio para que esses se tornem um cidadão participativo na sociedade em sua totalidade. Bessa (2011) e Libâneo (1994) afirmam que a característica mais importante da atividade profissional do professor é a mediação entre os alunos e a sociedade. Segundo Morales (2001), a relação professor-aluno em sala de aula é complexa e multifacetada, ou seja, não pode ser reduzida a uma relação educacional fria ou a uma relação humana calorosa. Mas toda a relação professor-aluno deve ser encarada por um modelo simples e diretamente relacionado com a motivação, mas deve incluir tudo o que acontece na aula, devendo ser desenvolvidas atividades motivacionais. Assim, a relação entre professor e aluno envolve comportamentos intimamente relacionados em que o comportamento de um desencadeiaou facilita o comportamento do outro. Dessa forma, os alunos não se tornam repositórios de conhecimento memorizado como fichários ou gavetas. Um aluno é uma pessoa que pensa, reflete, discute, expressa opiniões, participa e decide o que fazer e o que não quer. 24 Para facilitar essa relação professor-aluno em sala de aula, é preciso que professores e alunos contribuam para a melhoria de todos os alunos com deficiência que exigem uma inclusão justa e satisfatória desses professores, entre outros fatores precisam de empatia e aceitação dos professores e demais componentes escolares. A aceitação ou consideração positiva incondicional do professor pelo aluno inclui uma atitude de aceitação e respeito irrestritos pelo aluno, que acolhe suas diferenças e respeita sua singularidade porque ele é digno de confiança. Nesse sentido, é a questão da aceitação incondicional que merece atenção, o que nos remete à estrutura da consistência, pois a aceitação incondicional dos alunos às vezes compromete o princípio da autenticidade. Nesse sentido, merece atenção a questão da aceitação incondicional, o que nos remete à estrutura da coerência, uma vez que a aceitação incondicional dos alunos pode, por vezes, comprometer o princípio da autenticidade. Segundo Rogers (1971) a aprendizagem significativa é provável quando o professor consegue ler as respostas íntimas de seus alunos, quando eles têm um forte senso de como os alunos percebem o processo de ensino e aprendizagem. Porém, colocar-se no lugar do outro e enxergar as situações pelos ‘olhos’ de nossos alunos é uma atitude rara em nossas escolas. Para alguns professores, construir uma relação empática pode ser difícil, pois ‘sair’ do seu lugar, assumindo para si, algumas atitudes dos alunos, nem sempre. Assim, seja qual for o motivo (real ou imaginário), um aluno fica aquém das expectativas, ou não está andando no ritmo esperado, evidencia uma série de sentimentos conflitantes com os quais os professores devem lidar em sala de aula. O conflito é a base das relações humanas. Assim, embora reconhecendo que as relações docentes são facilitadas pela presença de certas atitudes, seria utópico esperar que os professores sejam empáticos em todas as situações. Vale ressaltar que as instituições de ensino têm avançado na inclusão de alunos com deficiência, levando os professores a buscarem novos paradigmas de ensino e novas formas de ensinar a fim de incluir todas as pessoas no ensino regular e aumentar a autonomia e independência desses alunos. Os professores têm a responsabilidade de realizar um trabalho que se concentre na igualdade e de oportunidade a todos, e isso não requer uma abordagem única de educação, mas a capacidade de fornecer a cada indivíduo uma abordagem educacional que melhor 25 atenda às suas necessidades, com base em suas características, interesses e habilidades (ROGERS,1971). Formar um ensino que respeite e aprenda com a diversidade das pessoas, valendo-se do conhecimento que cada indivíduo constrói numa perspectiva de crescimento interpessoal, pois a probabilidade dessas pessoas aprenderem está diretamente relacionada à intenção de aprender, influenciada pelos professores e todas as disciplinas pertinentes, independentemente de sua necessidade e/ou habilidade, adquiram novas funções cognitivas fundamentais para suas trajetórias escolares. A inclusão implica uma mudança de políticas e programas educacionais de exclusão para inclusão, criando um ambiente em que as práticas não precisam ser confinadas a sistemas educacionais paralelos. Para que os professores possam atuar na educação inclusiva são necessárias reformas estruturais e pedagógicas que quebrem barreiras e abram portas para alunos com diferentes tipos e graus de dificuldades e habilidades. Por fim, aponta-se a importância do professor nesse processo, pois por meio dele, os alunos aprendem a conviver com as diversidades e diferenças em sala de aula, de forma que o ensino foque na compreensão e no respeito mútuo, sem discriminação, pois não existem pessoas melhores e nem piores devidos às suas particularidades, o que existe são diferenças que precisam ser superadas (ROGERS,1971). Até aqui! Você pôde compreender sobre todo o contexto do atendimento educacional especializado e apoio permanente, onde o público-alvo é os alunos da educação especial, crianças com algum tipo de deficiência ou transtorno. E esse atendimento é um trabalho desenvolvido em salas de aulas comuns, para oferecer meios e modos que efetive o real aprendizados desses alunos. Contudo, para que você compreenda melhor sobre esse atendimento, vamos abordar no próximo tópico sobre a sala de recursos multifuncionais, cujo objetivo é apoiar o AEE, potencializando o ensino dos alunos com deficiência, promovendo condições de acesso, aprendizagem e participação no ensino regular. Tendo em vista que não são um reforço e não substituem as intervenções de salas regulares, com as quais devem estar em sintonia. Entretanto, antes de começarmos falando sobre a sala de recursos multifuncionais, vamos entender os conceitos básicos relacionado as deficiências. 26 6 COMPREENDENDO AS DEFICIÊNCIAS Quando dizemos que uma pessoa tem uma deficiência, isso quer dizer que ela tem algumas limitações referente a uma restrição física, mental ou sensorial, podem ser de origem permanente ou transitória, que podem limitar a capacidade de realizar uma ou mais atividade básica da vida diária, causada ou agravada pelo ambiente econômico e social (BRASIL, 2001). Existem muitas crianças deficientes no Brasil, a maioria são meninos e meninas, por falta de informações sobre essas questões essas crianças acabam sofrendo algum tipo de preconceito e infelizmente isso colabora para que essas crianças não estejam na sala de aula e assim contribuam para o número crescente da evasão escolar (BRASIL, 2001). Quase 46 milhões de brasileiros, cerca de 24% da população, declarou possuir pelo menos uma das deficiências investigadas (mental, motora, visual e auditiva), a maioria, mulheres. Em 2010, o Censo registrou, ainda, que as desigualdades permanecem em relação aos deficientes, com taxas de escolarização menores que a população sem nenhuma das deficiências investigadas. O mesmo ocorreu em relação à ocupação e ao rendimento. Todos esses números referem-se à soma dos três graus de severidade das deficiências investigados (alguma dificuldade, grande dificuldade, não consegue de modo algum) (IBGE, 2010, p. 02). É necessário ressaltar que as deficiências não são uma doença, portanto, essa visão que a pessoa com deficiência é doente precisa acabar. Para alguns, a repulsa é tão intensa que nem se fosse uma doença infecciosa seria necessário agir de uma forma tão discriminatória. Em contraste com o sentido de inclusão, o modelo médico de deficiência faz com que as pessoas confundam deficiência com doença. Algumas doenças realmente causam incapacidades relacionada a deficiências, sendo estas, o resultado das doenças e não a doença em si (BIANCHETTI; FREIRE, 2004). É importante lembrar que, por décadas, as pessoas com deficiência, eram vistas como pessoas anormais, inválidas, incompleta, imperfeita, de retardadas, dementes, selvagens e excepcionais. Ao longo dos anos, passaram a ser chamadas como pessoas deficientes, pessoas portadoras de deficiência, portador de necessidades especiais e pessoas especiais. E hoje em dia, com a atualização dos temos, essas pessoas são denominadas de pessoas com deficiência, ou seja, o termo antigo PPD- pessoa portadora de deficiência é um grande erro, pois, passa uma ideia 27 de que a deficiência, seja algo que o indivíduo porta e sabemos que não se porta uma deficiência, não, é algo que ele possa simplesmente prescindir, ou deixar de utilizar, sendo assim, está se torna uma forma equivocada de denominação, passandoentão ser chamada de pessoa com deficiência (BIANCHETTI; FREIRE, 2004). Assim, conforme o estatuto, pessoa com deficiência é aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas (BIANCHETTI; FREIRE, 2004). Veja a seguir quais são os tipos de deficiências existentes: Deficiência auditiva A perda auditiva, também conhecida como surdez, é a perda da audição ou deficiência auditiva, ou seja, compromete a capacidade da pessoa de ouvir, gerando um déficit relacionado ao sentido da audição, assim, o indivíduo terá que aprender a se comunicar de forma diferente, bem como, utilizar o sentido da visão para suas aprendizagens. A deficiência auditiva é classificada conforme o nível da perda da sensibilidade auditiva, pois, ela é avaliada em decibéis, e pode apresentar das seguintes formas, leve, moderada, profunda e severa. Os especialistas enfatizam a importância do reconhecimento e diagnóstico precoce da deficiência auditiva para uma intervenção imediata e eficaz nesses casos, ainda precisa ser feito para que os procedimentos de detecção precoce da deficiência auditiva se tornem uma realidade. A causa da deficiência auditiva pode ser genética, pré-natal, perinatal ou pós-natal. Não só durante a gravidez ou quando a criança nasce, mas nos primeiros anos de vida, porque a surdez pode ser encontrada também, essencialmente nos três primeiros anos de vida. Quando se trata de perda auditiva de origem congênita destacam-se as doenças infecciosas como sendo um dos principais motivos. A mais conhecida infecção fetal causadora de deficiência auditiva é a rubéola, porém, com a introdução dos programas de vacinação, a incidência dessa causa sofreu redução nos países em desenvolvimento, nas últimas décadas. Contudo, a rubéola e outras infecções fetais ainda demonstram que possuem grande abrangência em estados do nordeste do Brasil, e devem ser sempre 28 lembradas na avaliação da etiologia da deficiência auditiva congênita na infância. (SILVA et al, 2006, p.03) Além da rubéola, a meningite bacteriana é um dos principais patógenos causadores da perda auditiva. É necessário esclarecer as expressões incorretas que alguns ouvintes ainda usam quando falam de pessoas com deficiência auditiva, tais como, surdo-mudo, surdinho, mudinho e deficiente auditivo (SILVA et al, 2006). Segundo Sassaki (2003), quando nos referimos a uma pessoa surda, a palavra muda não corresponde à realidade dessa pessoa. Um diminutivo mudinho ou surdinho indica que o surdo não é considerado um ser humano completo. Para Quadros (2004), a pessoa surda é aquela que se identifica como surda, é o sujeito que conhece o mundo por meio da experiência visual, com direito e possibilidade de se apropriar da Língua Brasileira de Sinais e do Português para promover seu desenvolvimento integral e garantir sua transição em diferentes contextos sociais e culturais. A identificação da pessoa surda localizada culturalmente na experiência visual. A cultura surda é entendida como a identidade cultural de um grupo de surdos que se define como distinto de outros grupos. Portanto, os termos corretos a serem usados ao lidar com pessoas surdas são: comunidade surda ou com deficiência auditiva (QUADROS, 2004). Deficiência visual É a perda ou comprometimento da capacidade de enxergar sem possibilidade de reversão, ou seja, com aquisição permanente, congênita ou não congênita. Pode ser classificada entre as pessoas com deficiência visual de maneira clara a partir de dois grupos existentes, que são fundamentados na perda do campo visual como: pessoas com baixa visão ou visão subnormal e cegueira (CRUZ, 2008). É considerado baixa visão ou visão subnormal o indivíduo que apresenta uma alteração no que mencionamos como visão normal. Uma pessoa com baixa visão tem o sistema visual parcialmente danificado e a visão é reduzida e incorrigível mesmo após o tratamento com óculos e lentes de contato, mas é possível o uso do resíduo visual com auxílios ópticos. Já a cegueira, diferente da baixa visão, não tem uma visão 29 útil, caracterizada pelo comprometimento completo ou grave da função visual da pessoa. É uma completa falta de percepção visual. As causas da deficiência visual se diferem e podem ser congênitas, geralmente adquiridas antes do nascimento, por exemplo, como é o caso da amaurose congênita de Leber, ou as denominadas malformações oculares, o glaucoma congênito, a catarata congênita, ou pode ser adquirida devido a trauma ocular, catarata, degeneração macular, glaucoma ou doenças como diabetes relacionada à hipertensão arterial. Todas essas doenças podem causar a cegueira (CRUZ, 2008). Pessoas sem deficiência muitas vezes se perguntam sobre a maneira correta de tratar pessoas cegas. É importante observar que as pessoas com deficiência visual não são possuem comprometimentos cognitivos. A sua mente é desenvolvida quanto o das outras pessoas (CRUZ, 2008). Deficiência intelectual A deficiência caracteriza-se por um funcionamento intelectual significativamente abaixo da média e a presença de pelo menos duas áreas de competência além da restrição de comunicação, cuidados pessoais, habilidades sociais, aptidões nas funções escolares, lazer e trabalho. Portanto, para verificar a deficiência intelectual de um indivíduo é preciso colocar restrições relevantes sobre a operação do intelecto, ou seja, existem dificuldades em entender ideias, formar relacionamentos sociais e obedecer a regras, do mesmo jeito que não consegue desenvolver as atividades cotidianas como o cuidado pessoal (SASSAKI, 2007). Se uma pessoa tem apenas um déficit intelectual, não é suficiente para diagnosticar a deficiência intelectual, faz-se necessário detectar a presença da dificuldade nas outras áreas que afetam o seu desenvolvimento antes dos 18 anos. Dessa forma, a deficiência intelectual é caracterizada pela dificuldade em relação à aprendizagem e no desenvolvimento dessas pessoas. Geralmente são crianças que demandam mais tempo para conseguir aprender as competências necessárias para cuidar de si, pois, apresentam uma baixa produção de conhecimento. Assim, é normal que tenham dificuldades, principalmente no início 30 da escola. Neste ponto a deficiência torna-se mais evidente. Mas aprenderão com a ajuda de profissionais capacitados. (SASSAKI, 2007). Deficiência física/motora Distúrbios somáticos/motores são alterações físicas ou limitações na coordenação motora, que podem ser congênitas ou adquiridas, resultando em prejuízo funcional e dificuldade de movimento. Conforme o Decreto 5.296, de 2 de dezembro de 2004, essa deficiência se manifesta da seguinte forma: Paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (BRASIL, 2004, p. 02). Ao se referir a uma pessoa com uma dessas deficiências, o termo correto é pessoa com deficiência física. Até o final da década de 1970, termos como defeituoso, com mau funcionamento e vazio não eram usados com frequência, mas não são mais usados hoje (SASSAKI, 2007). Deve-se notar que existem diferenças nos conceitos de deficiência física e deficiência motora. A física é a amputação, ou seja, a retirada de um membro do corpo. Por outro lado, a motora ocorre quando há diminuição da função motora, dificultando o movimento. As limitações das pessoas com deficiência física ou motora podem ser alcançadas e superadas por meio da adaptaçãoaos meios ambientes. É importante esclarecer que alunos com deficiência física não necessariamente possuem problemas mentais ou deficiência intelectual como muitos pensam. Este é um pensamento errado. Contudo, não há nada que impeça o aluno de realizar atividades educativas como parte do processo de aprendizagem. Os métodos de ensino precisam ser adaptados às necessidades dos alunos. Deficiências Múltiplas Para os autores Oliveira e Rocha (2009), uma pessoa é considerada com deficiência múltipla quando a mesma pessoa tem mais de uma deficiência 31 simultaneamente. Existem várias razões. Um exemplo é a pessoa com paralisia cerebral que, além dos déficits físico-motores, desenvolve dificuldades na produção da linguagem. Em relação à classificação da surdocegueira é quando uma pessoa tem deficiência auditiva e visual, não podemos denominar de deficiências múltiplas, pois, a surdocegueira é classificada como uma única deficiência porque difere de simplesmente da soma das deficiências. A Associação Gaúcha de Pais e Amigos de Surdocegos e Multideficientes, (Agapasm) conforme Sassaki (2007), define a surdocegueira da seguinte forma: A surdocegueira é uma deficiência única que apresenta a perda da audição e da visão de maneira que a combinação dos defeitos não permita o uso dos sentidos de distância, cria necessidades especiais de comunicação, causa dificuldade extrema na consecução dos objetivos educacionais, profissionais, recreacionais e sociais para o acesso à informação e a compreensão do mundo que rodeia a pessoa”. E o próprio nome da instituição distingue os “surdocegos” dos “multideficientes (SASSAKI, 2007, p. 4). Os professores precisam entender o assunto, e ter o conhecimento sobre deficiências múltiplas e surdocegueira, para poderem considerar a maneira correta de proceder, em relação a trabalhar com esse indivíduo. Isso é primordial, para que os professores entendam as limitações e habilidades das pessoas com múltiplas deficiências e desenvolvam métodos apropriados de ensino e comunicação. O planejamento deve ser feito caso a caso, dependendo do tipo e extensão do envolvimento (SASSAKI, 2007). Como você viu, as deficiências são um conjunto de uma repercussão imediata da doença sobre o corpo, impondo uma alteração estrutural ou funcional ao nível tecidual, ou orgânico. Assim, torna-se uma incapacidade de uma redução ou falta de capacidade de realizar uma atividade num padrão considerado normal, para o ser humano, em decorrência de uma deficiência. Contudo, você conseguiu compreender também sobre o termo correto a ser mencionado, quando se refere a uma pessoa com deficiência, portanto, usa-se PcD, pessoa com deficiência. Agora, que você pôde compreender sobre as deficiências, vamos abordar sobre as salas de recursos multifuncionais: conceituação e especificidades. 32 6.1 As salas de recursos multifuncionais: conceituação e especificidades As Salas de Recursos Multifuncionais (SRMs) foram implantadas para disponibilizar AEE através do programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais, visa apoiar o sistema de ensino geral da sua instituição e disponibilizar AEE para promover a inclusão escolar nas classes comuns de ensino. Essas salas são espaços compostos por equipamentos de informática, assistência técnica, material didático e mobiliário adaptado para atender às necessidades educacionais especiais dos alunos (BRAGA, 2018). Para facilitar a implantação desse serviço, o MEC disponibiliza um manual de instruções: Programa de Implantação de Sala de Recursos Multifuncionais, contendo objetivos e ações, critérios de implantação, atendimento, matrícula e orientações escolares, composição da sala e orientações para acesso a materiais e recursos técnicos. As SRMs foram fornecidas para os estados e municípios, encarregando aos gestores responsabilidade de indicar as escolas a serem contempladas, conforme a necessidade, demanda com os critérios estabelecidos pelo programa. A entrega e a instalação dos equipamentos são monitoradas pelo MEC. Neste contexto, o MEC explica os conceitos, definições, objetivos e a quem se destina o trabalho realizado pelo atendimento educacional especializado nas salas de recursos multifuncionais, portanto, são espaços nas escolas onde são prestados serviços educativos, ou seja, o atendimento educacional para alunos com necessidades educacionais desenvolvendo estratégias de aprendizagem com foco em novas abordagens pedagógicas que facilitem a construção do conhecimento do aluno e apoiem sua participação no desenvolvimento curricular e na participação escolar (BRAGA, 2018). Os serviços oferecidos no AEE visam formar alunos com deficiência, permitindo-lhes participar das atividades diárias do centro, integrando-o no processo de ensino e aprendizagem de acordo com suas condições específicas, e alcançar um desenvolvimento cognitivo, social e acadêmico. As intervenções são desenvolvidas na interface com o trabalho desenvolvido na sala de aula comum, em contraposição às mudanças escolares, mas em diálogo entre os professores envolvidos. Os espaços físicos são projetados para atender a muitos requisitos diferentes, um espaço 33 organizado com materiais e equipamentos de ensino e aprendizagem, bem como, os profissionais capacitados para atender as necessidades educacionais dos alunos deficientes. Contudo, este espaço pode ser utilizado para satisfazer as mais diversas necessidades educativas e para desenvolver diferentes complementos ou suplementos curriculares. A disposição do espaço deve atender às necessidades educacionais do seu público alvo, ou seja, alunos com deficiência, transtorno, altas habilidades, favorecendo o acesso ao conhecimento. É importante ressaltar que a matrícula de alunos com deficiência no AEE é instruída à matrícula no ensino regular. Este serviço está disponível em centros de atendimento de educação profissional em redes públicas ou privadas sem fins lucrativos. Os centros devem estar em acordo com os aspectos disponibilizados pela Política de educação especial na perspectiva da educação inclusiva (PNEE-PEI), como também, sobre as diretrizes operacionais da educação especial para o atendimento educacional especializado na educação básica. Os professores responsáveis pelo atendimento aos alunos nas salas, recursos multifuncionais, devem seguir as orientações estabelecidas em documentos expedidos pela Secretaria de educação especial (BRAGA, 2018). Os serviços no AEE devem ter em conta as circunstâncias únicas dos alunos com deficiência em termos de diferentes aos ritmos e estilos diversos de aprendizagem, bem como o desenvolvimento da independência e a promoção de processos inclusivos por recursos educativos, pedagógicos e de acessibilidade. É importante desenvolver um dinamismo de trabalho alinhado com as potencialidades desses indivíduos, facilitando o desenvolvimento de competências que potenciem a aprendizagem numa sala de aula inclusiva. O AEE pode ser feito em aulas individuais ou em pequenos grupos conforme as necessidades dos alunos. Atuar no AEE requer um caráter interativo e interdisciplinar. Portanto, é necessário fiscalizar o trabalho das classes regulares e também das salas de recursos e centros de atendimento, dos centros de acessibilidade das instituições de ensino superior e das classes hospitalares de prestação de serviços e recursos de educação especial. Todos os planos ou programas e ações do governo federal com respeito aos estados e municípios e Distrito Federal pressupõem um mecanismo cooperativo que 34 atribui responsabilidades a cada rede de ensino quanto ao sistema de ensino no que se refere ao Programa Implantação salas de recursos multifuncionais. O MEC garante que sejam tomadas as seguintes ações dentro de sua área de responsabilidade como acesso aos recursos das salas;salas disponíveis e normas adotadas, fiscalização da entrega de materiais às escolas, sistema de orientação e ensino, cadastro de escolas com recursos multifuncionais, formação continuada dos professores do AEE, encaminhamento, assinatura e publicação dos contratos de doação, dualização dos recursos das salas implantadas pelo Programa e apoio à acessibilidade. Essas e outras ações são realizadas por meio de políticas públicas, leis e programas de apoio à diversidade nas escolas (BRAGA, 2018). Contudo, de acordo essa temática da inclusão, pesquisas mostram a relevância das atividades que se traduzem no dia a dia escolar, em relação ao fazer pedagógico diário e nas possibilidades de viver experiências com a diversidade. Embora a legislação e as políticas públicas afirmem o direito dos alunos de frequentar escolas públicas regulares, sabemos que ainda existem muitas lutas para efetivar as condições por vários motivos, o governo não garante todos os recursos, as escolas ainda não apresentam experiência suficiente com a inclusão, os profissionais estão em processo de formação contínua e os desafios aparecem cotidianamente. O trabalho docente é realizado diariamente, tanto teoria quanto a prática se somam buscando acolher a diversidade e o AEE se insere no processo como espaços de referência para a educação especial nas escolas comuns. Portanto, acreditamos que a organização do AEE é relevante para o processo de inclusão educacional e é necessário utilizar múltiplos recursos: materiais, físicos, humanos e pedagógicos, instrumentos para que os alunos com deficiência, possam ter acesso ao currículo como uma forma garantida de aprender. Com base nas informações fornecidas no documento MEC/SECADI/2013, de 2005 a 2013, foram implantadas 4.000 salas em todo o país, totalizando 41.801 Salas de Recursos Multifuncionais ao nível nacional MEC/SECADI (MEC, 2013, p. 09) por meio da Portaria Ministerial n. º 13/2007, que integra o Programa de Desenvolvimento Educacional - PDE e o Programa Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite, respeitado tais, característica: 35 Dar suporte a organização para a educação especial direcionado a perspectiva da educação inclusiva; Garantir o total acesso dos alunos que são públicos alvo da educação especial no ensino regular em igualdade criando condições com os demais estudantes; Possibilitar os recursos pedagógicos e prover a acessibilidade as escolas regulares da rede pública de ensino; Possibilitar o desenvolvimento profissional e a inclusão da comunidade escolar; Para atingir esses objetivos, o MEC (SECADI, 2013) empreende as seguintes ações: A obtenção dos recursos que constituem as salas; Informações sobre a disponibilidade referente as salas e das regras adotadas; Acompanhamento da entrega e instalação dos itens às escolas; Orientar sobre os sistemas de ensino para organização e oferta do AEE; Foi implementado o cadastramento escolar para salas de recursos multifuncionais implantadas; A progressão da formação continuada de professores para atuação no AEE; Publicação dos termos de doação; O desenvolvimento da formação continuada de professores para atuação no AEE; Suporte financeiro, através do PDDE escolas acessíveis, para adequação arquitetônica, considerando, a promoção de acessibilidade nas escolas, com salas implantadas. Segundo Braga, (2018), a implementação das salas de recursos multifuncionais é definida pelos gestores como o planejamento de ofertas de AEE e indicação de escolas a serem consideradas, conforme as necessidades da rede, atendendo aos seguintes critérios programáticos: 36 A secretaria de educação a qual se vincula a escola deve ter elaborado o Plano de Ações Articuladas – PAR, registrando as demandas do sistema de ensino com base no diagnóstico da realidade educacional; A escola indicada deve ser da rede pública de ensino regular, conforme registro no Censo Escolar MEC/INEP (escola comum); A escola de ensino regular deve ter matrícula de aluno (s) público alvo da educação especial em classe comum, registrado (s) no Censo Escolar/INEP, para a implantação da sala Tipo I; A escola de ensino regular deve ter matrícula de aluno (s) cego (s) em classe comum, registrado (s) no Censo Escolar/INEP, para a implantação da sala de Tipo II; A escola deve ter disponibilidade de espaço físico para o funcionamento da sala e professor para atuação no AEE. O governo pretende, as ações direcionadas às escolas e às secretarias de educação, assim, sua função está em organizar a implantação de novas salas de recursos multifuncionais com atividades voltadas para escolas e secretarias de educação. Essas são ações articuladas entre o Censo, MEC e o INEP. No entanto, é importante lembrar da responsabilidade da administração escolar, não apenas o espaço ou o cadastramento da SRMs no MEC, bem como, a organização do orçamento escolar, recursos comuns como papelaria, jogos didáticos, adaptação de materiais pedagógicos, entre outros. Segundo documento do MEC (BRASIL, 2010), a formação das Salas de Recursos Multifuncionais, pretende atender às necessidades do sistema educacional. A tipologia da sala é caracterizada na fundamentação dos dados do Censo escolar, classificadas como sala do tipo I e sala do tipo II, que serão apresentadas no próximo tópico. 6.2 Composição das salas de recursos multifuncionais As Salas de Recursos Multifuncionais (SRMs) são denominadas por Tipo I e Tipo II, sendo compostas por equipamentos, tais como, móveis e materiais didáticos 37 pedagógicos (Tipo I) e ferramentas e materiais didáticos pedagógicos destinados especificamente a alunos com cegueira e deficiência visual (Tipo II) (BRAGA, 2018). As Salas de Recursos Tipo I são constituídas pelos seguintes itens: Quadro 1- Composição de Salas de Recursos Multifuncionais Tipo I Fonte: SECADI, (2012). As salas de recursos relacionadas ao Tipo II consistem em todos os recursos da sala do Tipo I, adicionados os recursos de acessibilidade para alunos com deficiência visual, conforme abaixo: Quadro 2- Composição de Salas de Recursos Multifuncionais Tipo II Fonte: SECADI, (2012). 38 Com base nas especificações de cada sala de aula, é necessário que as escolas públicas reservem espaço físico para funcionamento da SRM onde serão realizados os Atendimentos Educacionais Especializados - AEE. Possuem mobiliário, materiais didáticos e materiais didáticos e pedagógicos, recursos de acessibilidade e equipamentos específicos para atender alunos direcionados à educação especial e alunos que necessitam de AEE no contra turno escolar. A organização e gestão deste espaço é da responsabilidade da direção escolar, devendo os professores que exercem este serviço educativo estarem formados para lecionarem ao nível básico e adquirirem conhecimentos específicos da educação especial em programas de aperfeiçoamento e especialização (BRAGA, 2018). Enfim, afirmamos que os serviços oferecidos pelo AEE à SRM não devem se limitar a como um guia, mas sim como uma proposta de planejamento do AEE para complementar ou completar as atividades escolares. O plano AEE serve como base para um plano de aula ou serviço e contém todos os objetivos e recursos destinados a fornecer atendimento individual aos alunos. Deve ser dominado de forma flexível segundo as necessidades específicas de cada disciplina, dando ênfase em suas potencialidades e condições de acesso a oportunidades de aprendizagem. Assim, você conseguiu identificar os aspectos e características da sala de recursos multifuncionais do tipo I e tipo II e as suas composições. Contudo, vamos finalizar esse material abordando um pouco sobre as relações familiares e o AEE, considerando, que fora o atendimento especializado para estes alunos, opapel da família é muito importante nesse desenvolvimento de aprendizagem. 7 AS RELAÇÕES FAMILIARES E O AEE Na sociologia, a família é vista como o principal fator de socialização da primeira unidade social do homem, psicologicamente, considera-se que a família permite que as crianças se desenvolvam de maneira saudável, proporcionando-lhes uma sensação de segurança e afeto, preparando-as para integração na sociedade (GOMES,1995). Quando e onde as pessoas aprendem a se comunicar? Em qual instituição as pessoas estudam materiais básicos de referência? Com quem as pessoas criam as regras e restrições para regular suas vidas? De quem as pessoas 39 sabem o que é certo e o que é errado? As respostas para todas essas perguntas têm uma coisa em comum: os laços familiares. Historicamente, os grupos familiares mudaram nos tempos modernos, e as estruturas familiares mudaram e se configuraram de maneira diferente, constituindo- se de várias formas. Independentemente de sua configuração, a família continua a ser a principal fonte de socialização para funções educativas e formativas importantes, tais como: desenvolvimento intelectual (etapas de desenvolvimento), transmissão de valores, transmissão de caráter, transmissão de hábitos, transmissão de práticas culturais, atitudes cívicas e políticas, educação sexual, educação emocional, educação religiosa e ideais de vida. Entre as mudanças ocorridas no núcleo familiar, também houve um aumento recente de mulheres exercendo atividades profissionais, e sendo chefes de família (GOMES,1995). E existem muitas famílias nas quais um membro tem algum tipo de deficiência. Essas famílias, cada uma em seu núcleo, dão um significado diferente aos problemas que encontram. E a ideia de que o ambiente doméstico e o processo educacional estão extremamente interligados, ou seja, o processo de aprendizagem é fortemente influenciado pelo ambiente doméstico e é muito importante para a educação das crianças. Assim, no atendimento educacional especializado, torna-se evidente a necessidade de os professores estarem atentos às relações familiares e à possibilidade de relação entre os sintomas de incapacidade e o ambiente familiar da criança. De acordo com Paniagua (2004), nos séculos anteriores, até o início do século XX, a deficiência era atribuída a causas orgânicas derivadas da depravação moral de familiares. No passado, essa atribuição era fonte de vergonha e culpa para muitas famílias, e ainda hoje muitos pais se sentem muito culpados porque, no fundo, acreditam que dar à luz uma criança com deficiência é uma espécie de punição. Nos séculos anteriores, até o início do século XX, a deficiência era atribuída a causas orgânicas derivadas da depravação moral de familiares. No passado, essa atribuição era fonte de vergonha e culpa para muitas famílias, e ainda hoje, culturalmente os pais se sentem culpados porque acreditam que o nascimento de uma criança com deficiência é uma espécie de punição. 40 Mas podemos dizer que ter um filho com deficiência é fonte de responsabilidade e preocupação que varia segundo as características individuais, familiares e sociais. As estratégias que os pais desenvolvem diante da deficiência de seus filhos não são muito diferentes daquelas que utilizam em outras situações difíceis. Para os pais, saber que seu filho tem uma deficiência é um processo que vai além do conhecimento dos fatos. A assimilação da situação leva. Há uma sensação de perda ao ter um filho deficiente e os pais precisam prescindir das expectativas alimentadas durante a gravidez: ter um filho ideal e perfeito. Segundo Paniagua (2004) as reações que são mais frequentes que ocorrem os pais admitem deficiências antes da aceitação: 1- Fase de choque: quando eles são informados de que seu filho tem uma deficiência, há uma barreira, uma confusão geral que pode dificultar a compreensão das informações que recebem. O primeiro choque pode durar de alguns minutos a vários dias. Este estágio não ocorre, ou é provável que ocorra, se a família suspeitar de uma mudança ou atraso por algum tempo. 2- Negação: após a profunda perturbação e desorientação inicial, muitos pais reagem "esquecendo" ou ignorando o problema dia após dia, como fingindo que nada está acontecendo, ou lutando ativamente e questionando a competência profissional ou considerando que se trata de um erro. 3 - Fase de reação: após o choque inicial de negação, os pais experimentam uma gama de emoções e sentimentos. Embora esses fatores sejam claramente incapazes de adaptação, eles são os primeiros passos inevitáveis da adaptação, necessários para que sua expressão atinja seu estágio mais construtivo. Os estágios mais comuns: ansiedade, distanciamento, sensação de fracasso, irritabilidade, culpa e depressão. 4- Fase de adaptação e orientação-após sentir com intensidade: a participação ativa das famílias no processo de aprendizagem é essencial para que as crianças se desenvolvam de acordo com suas próprias necessidades. No entanto, os pesquisadores concordam com o entendimento de Paulon (2007) de que o nascimento de um filho com deficiência causa uma série de bloqueios nas relações familiares, com consequente sentimento de frustração, culpa, negação dos problemas, entre outros. 41 Eles também entendem que esses problemas tendem a se multiplicar se as famílias não receberem a ajuda necessária para ver seus filhos como sujeitos de múltiplas possibilidades. A condição da família da criança com deficiência é considerada uma barreira no processo de inclusão educacional, dificultando a inclusão por não reconhecer as possibilidades da criança (GODOI, 2006). As famílias são entendidas como um dos exemplos mais importantes de que a inclusão na escola pode ser demonstrada por meio do trabalho coletivo, uma ação que envolve tomada de decisão, comprometimento e responsabilidade compartilhada. Quando se trata de coletivos, inclui a presença das famílias nas escolas, porque, a relação família-escola é extremamente importante, principalmente quando se trata de educação inclusiva, pois, o aluno não pode ser acompanhado sem uma parceria com a família e a escola precisa de informações sobre o aluno para um acompanhamento mais abrangente (GODOI, 2006). É fundamental que os profissionais que atuam na Sala de Recursos multifuncionais identifiquem e entendam as necessidades e habilidades dos alunos, mantenham contato com as famílias e as orientem sobre como contribuir e participar da vida de seus filhos para garantir o seu desenvolvimento, tanto na escola quanto fora dela, sendo uma delas a vida diária, como tomar banho, escovar os dentes, vestir- se, fazer compras sozinho. A família é a mediadora e facilitadora do processo de ensino aprendizagem, de forma que o primeiro espaço social da pessoa é a sua família, que estabelece valores e referências, boas e más, no ambiente onde a criança vive. Os pais precisam educar e se mobilizar para apoiar a escola e trabalhar com a escola para focar no aprendizado da criança. A superproteção dos pais dificulta muito o desenvolvimento de habilidades especiais, o que em nada contribui para ajudar a criança a desenvolver a independência humana. É necessário apoio das famílias para que os alunos tenham um bom desempenho acadêmico, mas muitas famílias veem as faltas como falta de tempo para participar das reuniões, acompanhar os deveres de casa ou atividades de sala de aula, pois, o pai trabalha fora e não estar presente todo dia em casa (GODOI, 2006). As escolas enfrentam muitas dificuldades, uma delas é a falta de profissionais qualificados para trabalhar com alunos deficiência, uma sala de recursos 42 multifuncional pode atender as pessoas com as seguintes deficiências: autismo, e síndrome de down, altas habilidades, deficiência visual, baixa visão, e deficiência múltipla, tendouma abundância de deficiências e suas especificidades, não é fácil se tornar um profissional qualificado para atender todas com precisão, requer muito estudo e pesquisa sobre as barreiras dos alunos e muitas conversas com famílias e equipes transversais, ou seja, multifuncionais, como, por exemplo, (psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, e terapeuta educacional), a maioria das escolas não tem, e professores de sala de recursos, professores de sala comum e equipes pedagógicas tentam ajudar para haja um aprendizado. Diante de todas as dificuldades e problemas que temos encontrado, vale ressaltar que as escolas não estão totalmente preparadas para atender os alunos da educação especial. Fazer com que uma escola inclusiva funcione de forma eficaz é um enorme desafio para todos, mas com a capacidade e as boas intenções de todos na escola e em casa, eles farão algo por todas as crianças com deficiência. Para Szymanski (2010), as famílias têm a responsabilidade de trabalhar para transformar a sociedade e as escolas para refletir uma visão de mundo libertadora que rejeite todas as formas de preconceito e opressão. É inegável que existem ferramentas de mudança, que permitem reinventar a escola “desmontando” a velha maquinaria que a controla, os conceitos que a sustentam e os pilares teórico- metodológicos. A aprendizagem é um processo que acontece de uma certa maneira porque cada um aprende de uma forma diferente. Portanto, para alcançar qualquer sucesso acadêmico, a família deve desempenhar um papel importante e integral no processo, onde a aprendizagem ocorre por meio da linguagem, pensamento, emoção e ação. Neste contexto, é necessário que estes processos estejam em harmonia. Sobre a diferença de família e escola, Parolim (2010) comenta que tanto a família quanto a escola querem a mesma coisa, sendo esta preparar a criança para o mundo, e saber que o lar tem sua especificidade que o diferencia da escola, e a necessidade de aproximá-lo da mesma instituição. A escola tem sua metodologia e filosofia própria para educar as crianças, mas precisa das famílias para implementar seus programas educacionais, observa-se pela revisão de Parolin (2010) que cada instituição, seja ela uma escola ou uma família, 43 tem objetivos específicos em relação à educação das crianças, e quanto mais diferentes são, mais precisam umas das outras. Portanto, não apenas os setores ligados à educação, mas a sociedade em sua totalidade tem a responsabilidade de mudar o dia a dia das escolas e das famílias por meio de pequenas ações para alcançar o entendimento e a importância dos objetivos traçados pelas instituições educacionais. Já em relação sobre a importância da participação dos pais na escola, Chechia e Andrade (2005) apontam que um estudo mostrou o impacto do envolvimento dos pais nas escolas sobre a importância do desempenho escolar, mas o envolvimento dos pais não deve ser visto como garantia de bom desempenho. O desenvolvimento escolar do aluno é um processo que ocorre na escola sob a influência da família, não depende inteiramente da família. As escolas têm funções específicas que devem ser enfatizadas para não manterem um discurso ideológico segundo o qual o sucesso depende de como as famílias se comportam no ambiente escolar de seus filhos (CHECHIA, ANDRADE, 2005). No que diz respeito à participação educacional, as famílias precisam reconhecer que a escolarização por si só não afeta realmente o papel da educação. Na maioria das vezes, no entanto, há uma transferência de responsabilidade. Dessa forma, se as instituições de ensino continuarem atuando sozinhas, não pode haver possibilidades de educação e ensino bem-sucedidos. Nesse sentido, deve haver o envolvimento dos pais, pois esse papel não é só da escola. Desde este início, a família e a escola desempenham um papel crucial no sucesso escolar das crianças com deficiência, pois é onde se tem o primeiro contato social, pois é a base da construção do conhecimento. 44 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES; D. O. et., al. Sala de Recursos Multifuncionais: espaço para o atendimento educacional especializado. Brasília: SEESP-MEC, 2006. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-V-TR: manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. BATISTA, C. A. M. 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