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1 P O LÍ TI C A S P Ú B LI C A S P A R A O E S P O R TE N O B R A S IL GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA Políticas Públicas para o Esporte no Brasil Cássia Damiani Adriano César Carneiro Loureiro 1 Copyright © 2023 by Fundação Demócrito Rocha FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas Narcez Bessa UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora Pedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron-End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e tecnologia para Educação Germana Cristina Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly Ribeiro Este fascículo é parte integrante do projeto Programa de Capacitação para Gestão Multidisciplinar do Esporte, em decorrência do III Edital de Projetos Desportivos e Paradesportivos: incentivo ao esporte cearense. Processo nº 11403815/2019. Todos os direitos desta edição reservados à: Fundação Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327 Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br P964 Programa de Capacitação para Gestão Multidisciplinar do Esporte/ vários autores ; organizado por Ricardo Catunda ; ilustrado por Carlus Campos. - Fortaleza : Fundação Demócrito Rocha, 2023. 192 p. : il. : 26cm x 30cm. Inclui bibliografi a. ISBN Coleção: 978-65-5383-041-7 ISBN F1: 978-65-5383-042-4 1. Esporte. 2. Educação física. 3. Políticas públicas. 4. Formação. 5. Pedagogia do esporte. 6. Gestão de projetos. 7. Gestão de pessoas. 8. Esporte de rendimento. 9. Gestão fi nanceira. I. Catunda, Ricardo. II. Campos, Carlus. III. Título. 2023-236 CDD 613.7 CDU 796 Elaborado por Vagner Rodolfo da Silva - CRB-8/9410 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISBD Índice para catálogo sistemático: 1. Educação física 613.7 2. Educação física 796 GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico e Editora de Design Andrea Araujo Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota 3 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 4 7 15 15 12 5 POLÍTICA PÚBLICA: O QUE É? PARA QUE SERVE? O ESPORTE ENTRE AS POLÍTICAS DE ESTADO E AS POLÍTICAS DE GOVERNO REFERÊNCIAS CARACTERÍSTICAS DO ESPORTE COMO DIREITO CONSIDERAÇÕES FINAIS FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 4 APRESENTAÇÃO 1 uma Política de Estado ser uma Polí- tica democrática. Como esta Política é constituída? O que são os direitos so- ciais? Como pensar as necessidades humanas? Qual a real função do Estado e qual a correlação de força existentes entre os governos e a população? Quais os elementos constitutivos de uma Po- lítica de Estado? Como pensar e o que pensar quando se quer uma Política pe- rene, que não atenda apenas interesses de alguns setores da sociedade? As- sim, convidamos você para esta leitura e esperamos poder auxiliá-lo na refl exão sobre estas e outras questões. Estudar e pensar em Política Públi-ca é essencial para compreender como lidar com as necessidades e direitos que são postos pela sociedade e que devem ser atendidos pelo Estado. Este texto foi elaborado para auxiliar as pessoas a pensarem sobre as Políti- cas Públicas, entendendo esta Política não como ações pontuais, mas como ações com visão de permanência, de continuidade. O objetivo deste fascículo é trazer reflexões sobre elementos que irão auxiliar a pensar o que é a Política Pública para o Esporte, além de refl etir quais elementos são importantes para 5 P O LÍ TI C A S P Ú B LI C A S P A R A O E S P O R TE N O B R A S IL POLÍTICA PÚBLICA: O QUE É? PARA QUE SERVE? Para iniciar nossa conversa é pre-ciso entender o que são as Políti-cas Públicas e para que servem. Segundo Macêdo (2018), as Políticas Públicas são “ações e programas de- senvolvidos pelo Estado para garantir e colocar em prática direitos que são pre- vistos na Constituição Federal e em ou- tras leis”. São medidas práticas, progra- mas criados pelos governos, dedicados a garantir o bem-estar da população em geral, sendo caracterizado com uma necessidade fundamental. Assim, é pos- sível dizer que o esporte está no rol de atividades relacionadas ao bem-estar da população. O esporte é, portanto, uma atividade inalienável do ser humano. As Políticas Públicas estão relacio- nadas às necessidades humanas e para tal compreensão Doyal e Gough (1991) trazem explicações a esse respeito, con- siderando a existência de necessidades humanas básicas, intermediárias e de aspiração e desejos. A principal orien- tação entre elas é apreciar elementos que considerem a integridade humana, evitando a ocorrência de prejuízos à vida material dos homens e à atuação destes como sujeitos, caso as necessidades humanas básicas nã o sejam adequada- mente satisfeitas. Deste modo, as necessidades bá- sicas correspondem à preservação da sobrevivência física que assegura a exis- tência das pessoas e à garantia da auto- nomia que possibilita à s pessoas a par- ticipação social e as escolhas legítimas, compreensíveis e democráticas. Com as necessidades básicas satisfeitas, todo o ser humano pode constituir-se como tal, diferindo-se dos animais, e realizar qual- quer outro propósito socialmente reco- nhecido (PEREIRA, 2011). O esporte pode ser considerado como direito. Segundo Athayde et al. (2016), o esporte pode ser considerado uma necessidade intermediária e, por- tanto, é um dos componentes necessá- rios para alcançar os direitos de cidada- nia plena. As necessidades intermediárias, se- gundo Doyal e Gough (1991), compõem um conjunto de variedades de satisfato- res (bens, serviç os, atividades, relações) que, em maior ou menor grau, podem ser utilizados para satisfazer as neces- sidades básicas. Apesar de universal, comum a todos, as necessidades bá- sicas nã o sã o padronizadas na sua sa- tisfação. Esses autores identifi cam as características de satisfatores que em qualquer lugar são reconhecidos como 2 material dos homens e à atuação destes como sujeitos, caso as necessidades humanas básicas nã o sejam adequada- mente satisfeitas. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 6 fatores de melhoria da saúde física e da autonomia dos seres humanos. Portanto, consideramos o esporte uma necessidade humana intermediária que, complementando as necessidades humanas básicas (segurança, alimenta- ção, saúde, capacidade de tomada de decisão, entre outros), fazem parte da formação, do desenvolvimento integral e do conjunto de direitos humanos. Desta forma, as Políticas Públicas resultam do empenho da população para conquistar projetos, programas, ações e serviços com o objetivo de aten- der estas necessidades. Simplifi cando, as Políticas Públicas devem atender es- tas necessidades humanas reconheci- das pelo Estado e devem ser considera- das um direito do cidadão. Nos Estados democráticos, estes direitos são reco- nhecidos sem muitas difi culdades. #FICAADICA Uma boa dica de leitura é a Tese de Doutorado da professora Cás- sia Damiani, do Programade Pó s- -graduaç ã o em Ciência do Movi- mento Humano da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, inti- tulado Contradições e tendências para a instituição de uma Polí tica de Estado de esporte no Brasil (2003 a 2015). O trabalho é recente (2021) e faz uma abordagem Política e refl exiva sobre a trajetória recente das Polí- ticas Públicas esportivas no país. 7 P O LÍ TI C A S P Ú B LI C A S P A R A O E S P O R TE N O B R A S IL CARACTERÍSTICAS DO ESPORTE COMO DIREITO AConstituição Federal (CF) de 1988, denominada “Constituição Cidadã”, restaurou o Estado de di- reito democrático em um clima de rede- mocratização que transcorria em todo o paí s. Reconheceu como dever do Es- tado o fomento das práticas esportivas formais e não formais, bem como esta- beleceu o lazer como um direito social, e assim o acesso a ambos deve ser al- cançado por toda a população brasileira. No Art. 217 da CF consta que “É dever do Estado fomentar práticas des- portivas formais e nã o formais, como direito de cada um...”. Pela primeira vez, a expressão “é dever do Estado” apare- ce no texto constitucional, referindo-se ao esporte. Isso atribuiu ao Estado uma responsabilidade sobre o esporte que até então inexistia. Com esse espírito de democrati- zação abriu-se a possibilidade para a ampliação de acesso às práticas espor- tivas, quando se diferenciou o Esporte Educacional e o Esporte de Participa- ç ã o como práticas esportivas nã o for- mais e o Esporte de Rendimento como prática esportiva formal. Mais recente- mente, em 2015, o Esporte de Formação também foi incluído na “Lei Pelé”. TÁ NA LEI Art. 217 da Constituição Federal de 1998: É dever do Estado fomentar prá- ticas desportivas formais e não formais como direito de cada um, observados: I - A autonomia das entidades des- portivas dirigentes e associações, quanto à sua organização e funcio- namento; II - A destinação de recursos públi- cos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específi cos, para a do desporto de alto rendimento; III - O tratamento diferenciado para o desporto profi ssional e o não profi ssional; IV - A proteção e o incentivo às ma- nifestações desportivas de criação nacional. § 1º O Poder Judiciário só admiti- rá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após es- gotarem-se as instâncias da Justi- ça Desportiva, regulada em Lei. § 2º A Justiça Desportiva terá o prazo máximo de sessenta dias, contados da instauração do pro- cesso, para proferir decisão fi nal. § 3º O Poder Público incentivará o la- zer, como forma de promoção social. 3 a expressão “é dever do Estado” apare- ce no texto constitucional, referindo-se ao esporte. Isso atribuiu ao Estado uma responsabilidade sobre o esporte que até então inexistia. zação abriu-se a possibilidade para a ampliação de acesso às práticas espor- tivas, quando se diferenciou o Educacional ç ã o como práticas esportivas nã o for- mais e o como práticas esportivas nã o for- como prática esportiva formal. Mais recente- mente, em 2015, o Esporte de Formação também foi incluído na “Lei Pelé”. TÁ NA LEI Art. 3º da Lei Pelé (nº 9.615/98) O desporto pode ser reconhecido em qualquer das seguintes mani- festações: I - desporto educacional, pratica- do nos sistemas de ensino e em formas assistemáticas de educa- ção, evitando-se a seletividade, a hipercompetitividade de seus praticantes, com a fi nalidade de alcançar o desenvolvimento inte- gral do indivíduo e a sua forma- ção para o exercício da cidadania e a prática do lazer; II - desporto de participação, de modo voluntário, compreenden- do as modalidades desportivas praticadas com a fi nalidade de contribuir para a integração dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde e educação e na preservação do meio ambiente; I II - desporto de rendimento, pra- ticado segundo normas gerais desta Lei e regras de prática des- portiva, nacionais e internacio- nais, com a fi nalidade de obter resultados e integrar pessoas e comunidades do país e estas com as de outras nações; IV - desporto de formação, carac- terizado pelo fomento e aquisição inicial dos conhecimentos des- portivos que garantam competên- cia técnica na intervenção despor- tiva, com o objetivo de promover o aperfeiçoamento qualitativo e quantitativo da prática desportiva em termos recreativos, competiti- vos ou de alta competição. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 8 9 P O LÍ TI C A S P Ú B LI C A S P A R A O E S P O R TE N O B R A S IL Tais manifestações sã o signifi ca- tivas para o entendimento do conceito de esporte e a concepção de “direito” que constam na legislação, ao mesmo tempo em que se criou a possibilidade de ampliação do acesso ao esporte à população. Em seu texto, a CF traz o esporte como direito de cada um, em vez de um direito de todos e todas. Essa compreensão abre espaço para uma discussão sobre o Estado poder facultar o acesso universal ao esporte, ao aten- der os interesses individuais, conforme o desejo de cada um de praticá-lo. Na Constituinte, o debate esteve sob a infl uê ncia de alguns setores do esporte que tinham como questão cen- tral, naquele momento, a autonomia das entidades representativas do Esporte de Rendimento, quanto à sua organizaç ã o e funcionamento internos. Vale destacar que consta também na CF orientações sobre a Justiça Des- portiva, instância existente somente no Brasil e que está vinculada ao Es- porte de Rendimento, uma vez que sua atuação é exclusiva a essa manifesta- ção esportiva. Percebemos também o enfraqueci- mento da obrigatoriedade do Estado em garantir o acesso ao lazer como um di- reito social de cidadania. Ao afi rmar que o Estado incentivará o lazer, a CF nã o aponta para qualquer mecanismo que o assegure. A legislação infraconstitucional do Esporte da década de 1990, composta pela “Lei Zico” (no 8.672/1993) e pela subsequente “Lei Pelé ” (no 9.615/98), infl uenciadas pelo contexto político e econômico vigentes nas décadas de 1990 e 2000, tinha como preocupação a modernização do futebol profi ssional e a regulamentação dos dispositivos constitucionais. Na Lei Pelé , essas tendências fi ca- ram mais evidentes, entre as leis regu- lamentadas após a CF. Se considerar- mos as manifestações esportivas que vigoram na Lei Pelé , temos as mani- festações do Esporte Educacional, do Esporte de Participaç ã o, do Esporte de Rendimento e do Esporte de Formação que derivaram da Lei Zico, acrescidas da manifestação do Esporte Espetá - culo. Considerando que a “espetacula- rização” é característica do Esporte de Rendimento, esse acréscimo poderia ser entendido como redundante e como reafi rmação da tendência à priorização do Esporte de Rendimento na Lei. Pos- teriormente, entretanto, houve exclusão da manifestação do Esporte Espetá culo. Quanto ao conceito de esporte na legislação, percebemos que o Esporte de Rendimento é o mais regulamen- tado e com maior predominância de dispositivos. Pimentel (2007) diz que há uma contradição entre o que consta na Lei vigente e o que ocorre na prática, pois caberia ao Estado priorizar as ma- nifestações do Esporte Educacional e do Esporte de Participaç ã o, “tendo em vista os valores trazidos pela própria le- gislação: cidadania, democratização e a função social do Estado, bem como o fato de o Esporte de Rendimento nã o ser o mais adequado para atender os refe- ridos valores” (PIMENTEL, 2007, p.165). É importante entender que as Políticas Públicas são, na maioria das vezes, uma luta e conquista popular, mas também pode ser uma concessão a partir do olhar dos governantes. É in- teressante destacar que em regimes políticos mais autoritários, com me- nor participação popular na tomada de decisões, os recursos fi nanceiros e o acesso às muitas PolíticasPúblicas são mais difíceis. Dito isto, é importante discutir o que é de fato o esporte. Qual a sua real importância para a sociedade? Para re- ver o conceito de esporte, partimos do FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 10 reconhecimento de que foi um avanço constar na CF um conceito que abrange diferentes manifestações, além do Es- porte de Alto Rendimento, e que prioriza o Esporte Educacional como dimensã o formativa, apesar de admitir que tal pre- ceito nã o tenha se materializado de for- ma satisfatória desde a sua sanç ã o. Podemos inferir que os conceitos das manifestaç õ es esportivas, da forma em que foram elaborados e que se apre- sentaram como um avanço à época, nã o expressam, no atual momento, con- tornos teó ricos claros, inconfundí veis, entre si. Tais conceitos mais se parecem com enunciados que tentam identifi car prá ticas com caracterí sticas diferentes. Além disso, com as várias modifi caç õ es sofridas pela Lei Pelé , identifi camos um amparo maior ao Esporte de Rendimen- to. Alé m disso, a Lei fragmenta as for- mas particulares de esporte, o que nã o refl ete a forma em que o esporte ocorre, na realidade. Nas resoluç õ es da II Conferência Nacional do Esporte (CNE), realizado em 2006, com mais de mil delegados representando diversos municípios de todas as unidades federativas do Brasil, declarou-se que, para a consolidação de um Sistema Nacional do Esporte (SNE), era preciso entender que as ma- nifestaç õ es, ou dimensões esportivas, “nã o sã o excludentes entre si, mas ar- ticuladas, de forma equânime, em uma estrutura aberta, democrá tica e des- centralizada, que envolve municí pios, estados e Uniã o, nos â mbitos pú blicos e privados, primando pela participaç ã o de toda a sociedade” (BRASIL, 2009). Essas dimensões deveriam e deverão estar coerentes com a Política Nacional do Esporte (PNE) (BRASIL, 2005), apro- vada no Conselho Nacional do Despor- to (CND), em 2005, como resultado da I CNE, realizada em 2004. Deve-se, portanto, afi rmar, pela atu- alidade do debate, os preceitos aprova- dos na PNE, que trazem o entendimento do “Esporte como uma Polí tica de Es- tado, com vistas ao desenvolvimento da naç ã o, ao fortalecimento da identidade cultural, da cidadania, da autodetermina- ç ã o de seu povo e que visa à defesa da soberania do paí s” (BRASIL, 2005). O que se pode extrair desse docu- mento é que, no conceito de esporte abordado, o esporte e o lazer sã o tidos como dimensõ es insepará veis. Na PNE (BRASIL, 2005) e na segunda CNE (BRA- SIL, 2009), por exemplo, há documentos que nos remetem a pensar o conceito de esporte de forma unitá ria, sem fragmen- taç õ es entre o que é entendido como Esporte Educacional, Esporte de Partici- paç ã o, Esporte de Rendimento e Esporte de Formação. Parece-nos falso a contraposição do “Esporte” Educacional e Participaç ã o “ao Esporte” de Alto Rendimento como polos opostos e excludentes. Para satis- fazer as necessidades sociais, o Estado deve oferecer acesso ao esporte como direito de todos, que o acessarão de acordo com as suas possibilidades, de- sejos e condições particulares. Portanto, a grande questã o que se impõ e é que, na sociedade atual, o es- porte tornou-se uma mercadoria, e nã o um componente inalienável da constitui- ção humana. É nisto que reside a con- tradição: o uso que se faz do esporte torna-o dividido e, assim, na atualidade, determina, condiciona e explora sua face competitiva, impondo ní veis cada vez mais altos de desempenho, por meio de métodos também cada vez mais so- fi sticados para dele se extrair lucro má- ximo. Sob esse argumento, já vemos ser hipervalorizada e padronizada outra for- ma particular do esporte, seja lúdica ou expressiva, como algumas atividades de lazer e de Esporte Educacional que tam- bém alçou a condiç ã o de mercadoria. Enfi m, outras manifestações, além do rendimento, podem ser e são exploradas como mercadoria, tendo descaracteriza- das as suas essências. 11 P O LÍ TI C A S P Ú B LI C A S P A R A O E S P O R TE N O B R A S IL Outro esforç o no sentido de discu- tir e reformular o conceito de esporte ocorreu na elaboração da proposta do SNE, realizado em 2015, por Grupo de Trabalho, amplo e diversifi cado, sob a coordenação do Ministério do Esporte (ME). Foi um momento de construç ã o coletiva e de consolidação da partici- paç ã o social, aos ní veis mais elevados, que tratou da defi nição conceitual do esporte. Isso porque assegurou a pre- sença das principais representações do universo esportivo, bem como garantiu o conteúdo aprovado nas ediç õ es da CNE. Esse esforç o originou um consen- so possível sobre o conceito de esporte construído com o conjunto de forças Políticas diversas dos segmentos es- portivos (BRASIL, 2015). Desta forma, no Brasil, é fundamen- tal a presença do Estado para assegurar o acesso aos direitos de cidadania, pro- movendo Polí ticas Pú blicas de Esporte e Lazer, considerando os índices alar- Fig. 1 - Mapa Mental de Alguns Benefícios da Prática Esportiva para a Sociedade mantes de desigualdade social. Para ampliar e atualizar o conceito do espor- te, coerentes com perspectiva presente na PNE e nos documentos referentes ao SNE (BRASIL, 2009), podemos admitir, com Athayde et al. (2016), que o esporte é uma das necessidades humanas que devem incidir no rol de direitos sociais atendidos pelo Estado, por meio de Po- lí ticas Pú blicas, na perspectiva da cida- dania ampliada. Talvez uma pergunta central seja por que o esporte é considerado um pilar básico de uma sociedade e deve ser fomentado pelo Estado como Políti- ca Pública? Acima, é possível observar alguns dos benefícios, comprovados cientificamente, que demonstra o que a prática esportiva pode proporcionar para a população (Figura 1). Uma sociedade que consiga entender de fato a impor- tância destes benefícios inclina-se a ser uma sociedade mais justa, livre, fraterna, igualitária, solidária. Responsabilidade Coletiva Liderança Resolução de Confl ito Empatia Inspiração Disciplina Foco Personalidade Dinâmica Objetivos Maiores Certifi cados Medalhas e Troféus CorpoMente Imunidade Espiríto de Equipe Desenvolvimento Social de Equipe Comportamento de Grupo Vontade de Vencer Saúde Física Atitude Benefícios dos Esporte para a Sociedade Instinto de Sobrevivência Esportividade FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 12 Écrucial entender que o Estado é maior do que o governo. O Estado é a estrutura que deve ser adminis- trada pelas diretrizes do governo, que por sua vez é formado por eleitos pelo voto popular. Partindo-se do conceito ampliado de Estado, passamos a tratar da noç ã o básica sobre o governo como um todo de pessoas que têm autoridade tem- porária para conduzir, gerir Políticas e administrar o Estado. Do ponto de vista operacional, o Estado é a organizaç ã o polí tica e jurídica que, por meio de um esquema institucional, existe em uma sociedade, sendo que sua existência transcende vá rios períodos de governo. A Polí tica de governo conforma-se como uma orientação polí tica de um determinado governo, que assume e desempenha as funç õ es do Estado no tempo circunscrito do mandato que exerce. Tais polí ticas conjugam um con- junto de programas e projetos que sã o propostos pela sociedade ao longo dos tempos (HÖ FLING, 2001). As Polí ticas de Estado sã o aquelas que conseguem ultrapassar os períodos de um governo. O ESPORTE ENTRE AS POLÍTICAS DE ESTADO E AS POLÍTICAS DE GOVERNO 4 No entanto, o que há de novo sobre a di- ferenç a dos tipos de polí ticas é a manei- ra como elas sã o institucionalizadas. Uma Política de Estado tem que estar assentada e reconhecida como di- reito, constar na CF. Isto é fundamental,pois se esta não for reconhecida como direito, pode ser retirada a qualquer mo- mento, e o que está descrito na CF pode ser reivindicado pela sociedade a qual- quer momento. O que não está na Constituição, mesmo que se reivindique, não existe uma base legal que a sustente. Então, por exemplo, no caso do Brasil, num possível governo autoritário, mínimo, por exemplo, por mais que os dirigentes queiram retirar a saúde ou o esporte da população, não seria possível, pois saú- de e esporte são reconhecidos como necessidades e direitos estabelecidos na Constituição. Portanto, as Polí ticas de Estado nã o sã o descontinuadas, quando há alter- nância de governos ou de governantes, devendo ser compulsoriamente cum- pridas por eles, porque exigiram o en- volvimento de vá rios setores e ní veis de poder para a sua consecução e a apro- vação por meio de instrumentos legais. Existem alguns mecanismos de permanência, categorias, para estabe- lecer as Políticas de Estado, presentes no estudo de Damiani (2021). As condi- ç õ es necessá rias para a Polí tica de Es- tado de Esporte sã o as categorias cap- tadas e adensadas a partir das alusões e referê ncias presentes na literatura sobre os atributos que constitui uma Polí tica de Estado. São 7 (sete) as categorias que apon- tam as condições necessárias para uma Polí tica de Estado de Esporte, a saber: (1) ser relevante* (2) permanente* (3) contínua* (4) sustentável** (5) abrangente** (6) democrática** e (7) estruturada*** (*) MELO, 2007; OLIVEIRA, 2011; MEZZADRI, 2011; ALMEIDA, 2018; CASTELLANI FILHO, 2019. (**) BOSCHETTI; BEHRINGER, 2011; CARNEIRO; MASCARENHAS, 2018. (***) SANTOS, 2013; MENDES; CODATO, 2015; ALMEIDA, 2018. 13 P O LÍ TI C A S P Ú B LI C A S P A R A O E S P O R TE N O B R A S IL A Política Relevante deve ser en- tendida como uma necessidade tão evi- dente para a vida da população que esta deve estar garantida na CF como uma Política de Estado. Ou seja, quando há o reconhecimento do direito ao esporte como uma necessidade humana a ser satisfeita pelo Estado que, por meio de um consenso ativo, conste como um valor proeminente da sociedade. Ade- mais, ela contribui como propulsora do desenvolvimento cultural, social e eco- nômico do paí s. A Política Permanente signifi ca que um conjunto de leis infraconstitucionais (por exemplo: Lei Pelé, Lei do Bolsa Atleta, Lei de Incentivo ao Esporte, Estatuto do Torcedor) devem assegurar que o direito seja consolidado como Política Pública perene, com garantias irrefutáveis do direito ao esporte, sendo resistentes às alternâncias de poder dos governos, por terem conquistado institucionalidade na sociedade. Por isso, permanece por mui- tos anos, independente do governo que está no poder, nã o podendo ser extinta ou ter a sua essê ncia alterada, mesmo com mudanças advindas das disputas presentes no percurso. Podemos ter, como exemplo, o Programa Bolsa Atle- ta que, pela importância, tornou-se Lei, e oferece um valor em dinheiro diretamen- te ao atleta que alcança os critérios pre- vistos, garantindo condições para a sua manutenção e treinamento, de acordo com categorias, desde o atleta escolar até o atleta de alto rendimento. Tais pro- gramas são tão importantes na disputa de recursos que são replicados em leis de vários estados e municípios. VOCÊ SABIA? Em 2003, foi criado o Ministério do Esporte (ME). Com uma pasta específi ca no go- verno federal, a gestão do esporte ganhou mais autonomia e diver- sos programas. Três anos após a criação do ME, a Lei de Incen- tivo ao Esporte (nº 11.438/2006) foi aprovada. Essa Lei seguiu os mecanismos de incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet) e da Lei do Audiovisu- al, que já haviam sido testados. Hoje, pessoas físicas que decla- ram o Imposto de Renda podem incentivar o esporte com até 7% do seu imposto e empresas com até 2% do imposto devido. A Polí tica Contínua é aquela com capacidade de seguir de forma conse- cutiva e que, independentemente da vontade do governante, nã o seja inter- rompida devido à sua relevância social e aos mecanismos e dispositivos legais que asseguram a sua continuidade. Isto é, ocorre quando as propriedades inerentes aos planos, programas, pro- jetos e aç õ es sã o ininterruptas e cons- tantes, asseguradas por meio de meca- nismos democráticos com pactos entre os outros setores de polí ticas sociais e outros entes federados com garantias legais. Sã o polí ticas com alta capacida- de de transversalidade e intersetoriali- dade e de estabelecer relações com di- versos ní veis federativos. São exemplos dessa Política, programas federais de inclusão social, denominados Progra- ma Segundo Tempo (PST), voltado à formação esportiva para crianças e jo- vens, e o Programa Esporte e Lazer da Cidade (PELC), orientado em atividades lúdicas e formação de lideranças es- portivas, nos estados e municípios, por meio de parcerias. Para se assegurar uma Polí tica Sustentável, fi nanceiramente é preciso instituir mecanismos que perenizem o fl uxo dos recursos pú blicos, e isso não está seguro pelo orçamento discricioná- rio, devendo ocorrer por meio de um fun- do nacional público e fundos estaduais/ municipais e de indexação de percentu- al orçamentário ao Orçamento Geral da Uniã o destinado ao esporte. É também importante outras medidas que imple- mentem formas de ampliação e diversi- fi cação, como as leis de incentivo ao es- porte, o patrocínio de empresas estatais e privadas, recursos advindos de loterias esportivas, entre outras que possibilitem crescimento ou manutenção do volume, sufi cientes e compatíveis para a cober- tura dos benefícios devidos às Polí ticas. Entretanto, a Política Sustentável deve ter também o reconhecimento da iniciativa privada. Em vários países do mundo, além do Estado, a iniciativa pri- vada disponibiliza muito recurso para o esporte, tendo um impacto signifi cativo no Produto Interno Bruto (PIB). Assim, uma Política só pode ser consolidada de forma mais direta, se tiver um fundo independente, com regras, voltada para a maioria da população, sendo que este fundo deve garantir as atividades que não sejam atrativas para a iniciativa privada. Para se considerar uma Política de Estado, também é preciso ser uma Po- lítica Abrangente. O principal dado que compõe esse indicador é o nú mero de pessoas benefi ciadas. Assim, esse in- dicador deve sempre ser relacionado ao universo a que a polí tica e/ou programa deveria se destinar. Então, quando há um programa com todas as caracterís- ticas de uma Política universal, mas esta não consegue atingir um percentual mí- nimo do universo existente, isto é um de- nominador para indicar que não houve consolidação desta Política. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 14 A Política Democrática é reconheci- da quando por um lado está organizada de forma multidimensional, que abrange diversos segmentos e a diversidade hu- mana com relações intercomunicantes e, por outro, deve incorporar mecanis- mos de interlocução e participação da sociedade para o estabelecimento de ações, assegurando o controle social. Os princípios da gestão democrá- tica podem ser observados sob dois aspectos: 1º aspecto: refere-se à democrati- zação da gestão, ou seja, a participação popular nas decisões do rumo da Polí- tica. O que não indica, necessariamen- te, que haverá intervenção na gestão do órgão administrador. O que importa é que a opinião da população vai pesar na decisão sobre o rumo da Política e na sua avaliação, com a realização de conferências nacionais, estaduais e mu- nicipais, e, quando existentes, conselhos paritários e deliberativos, fóruns de de- bates, entre outros. 2º aspecto: diz respeito à demo- cratização do acesso baseado na di- versidade humana. Ou seja, que envolva idosos, crianças, adolescentes,adultos, pessoas com deficiência, mulheres, ne- gros, LGBTQIA+ e outros segmentos da sociedade que devem ter acesso às Po- líticas Públicas. Um outro aspecto que caracteriza uma Política de Estado é que esta deve ser uma Política Estruturada, assentada no comando único de um órgão público próprio, com estrutura administrativa e quadro de servidores suficiente para formular, implementar e acompanhar a Política Pública, além de deter o plane- jamento que garanta a sua continuidade ao longo do tempo. É muito importante ter uma estrutura forte. Por exemplo, recentemente, o Ministério do Esporte (ME), criado em 2003, foi extinto e redu- zido à condição de Secretaria Especial do Esporte, dentro do Ministério da Ci- dadania, e com isto houve redução drás- tica do orçamento e, consequentemen- te, a pulverização de vários programas que eram oferecidos. Atualmente, o ME foi recomposto e, com isto, temos uma retomada da trajetória para consolida- ção das Políticas Públicas do Esporte. SAIBA MAIS A ciência já confirmou que o es- porte é um fenômeno humano que proporciona diversos benefí- cios para uma sociedade. Sua prática regular traz inúmeras vantagens para a vida e para a saúde (combate à violência; pro- moção de saúde, prevenção e re- abilitação de doenças, inclusive mentais; ganhos na capacidade de raciocínio e na função cogni- tiva), em todas as suas dimen- sões, naqueles em quem o prati- ca, formando cidadãos críticos e colaboradores. Por isto, através do esporte, ocorre melhoria na qualidade de vida da população, sendo esse o motivo da sua im- portância como Política Pública. Em síntese, uma Política Pública para se tornar relevante, permanente, contínua, sustentável, abrangente, de- mocrática e estruturada, tem que estar na Constituição, tem que ter força de Lei e ter movimentos sociais de luta para a consolidação do direito ao esporte, com entregas valorosas e ininterruptas de Po- líticas à sociedade brasileira (Figura 2). BOAS PRÁTICAS O Centro de Liderança Pública (CLP), uma organização suprapar- tidária, entende que Boas Práticas, dentro do conceito de Políticas Públicas, são atividades gover- namentais que devem necessa- riamente gerar resultados e alto impacto. Assim, elas devem ser replicáveis, consistentes, adaptá- veis e com a facilidade de utilizar novos recursos e metodologias (https://www.clp.org.br). Fig. 2 - Categorias Necessárias para Política de Estado de EsporteEstruturada Abrangente Sustentável Contínua Permanente Relevante Democrática 15 P O LÍ TI C A S P Ú B LI C A S P A R A O E S P O R TE N O B R A S IL CONSIDERAÇÕES FINAIS Como refl exões sobre o texto, evi-dencia-se que as Políticas de Es-tado são necessárias para atender aos interesses da maioria da população. Percebe-se que é relevante a articulação entre setores públicos e privados, pois as entregas não devem ser somente de responsabilidade do Poder Público para o fortalecimento das Políticas Públicas de uma área, como o esporte. Outro aspecto que deve ser observado é a importância REFERÊNCIAS ALMEIDA P. R. Polí ticas de Estado e polí ticas de governo. 2018. Disponí vel em: http://diplomati- zzando.blogspot.com/2018/02/politicas-de-esta- do-e-politicas-de.html. Acesso em: 21 jan. 2023. ATHAYDE, P. F. A. et al. O esporte como direito de cidadania. Pensar a prática, v. 19, n. 2, p. 489- 500, 2016. 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Por fi m, é interessante destacar a per- tinência de Políticas democráticas para uma sociedade mais justa e igualitária. 5 FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 16 porte no Brasil – 2003 A 2015. Tese (Doutorado em Ciência do Movimento Humano - Universida- de Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2021. Disponível em:https://lume.ufrgs.br/bits- tream/handle/10183/242258/001139673.pdf?se- quence=1&isAllowed=y. Acesso em: 22 jan. 2023. DOYAL, L.; GOUGH, I. A theory of human need. London: MacMillan, 1991. HÖ FLING, E. M. Estado e polí ticas (pú blicas) so- ciais. Caderno CEDES, v. 55, n. 21 nov. 2001. MACÊDO, S. Políticas Públicas: o que são e para que existem. Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, 2018. Disponível em: https://al.se.leg. br/politicas-publicas-o-que-sao-e-para-que- -existem/. Acesso em: 18 jan. 2023. MELO, M. P. 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AUTORES ILUSTRADOR Adriano César Carneiro Loureiro Pós-doutor em Fisiologia pela UFRJ, Doutor em Ciências (Fisiologia) pela UFRJ, Mestre em Ciências Fisiológicas pela UECE, Graduado em Educação Física pela UNIFOR, Professor Adjunto da UECE, Membro da Comissão de Edu- cação Física e Saúde do CREF5 e ex-Conselheiro do CREF5, Membro do Time do Brasil em 3 Olimpíadas (Atenas, Pequim e Tóquio). Atualmente é Superin- tendente do Centro de Formação Olímpica (CFO). Carlus Campos Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na pro- dução de suas ilustrações, utiliza várias linguagens como: desenho, pintura, aquarela, gravura e fotografi a. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos prêmios com arte gráfi ca, fez incursões pelas artes plásticas participando de diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRAFIKA .Em 2019 fun- da, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft. Apoio: Patrocínio: Realização: CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO 17 P E D A G O G IA D O E S P O R TE GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA Pedagogia do Esporte Antônio Ricardo Catunda de Oliveira Lívia Marques Quixadá 2 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 19 CONCEPÇÕES PARA O ENSINO E FORMAÇÃO HUMANA PELA PEDAGOGIA DO ESPORTE 20 31 CONSIDERAÇÕES FINAIS O QUE É A PEDAGOGIA DO ESPORTE? 24 19 P E D A G O G IA D O E S P O R TE 1. APRESENTAÇÃO 1 Ao participar deste curso já deu um grande passo, pois se permitiu atualizar- -se de práticas pedagógicas e rever as decisões didáticas, bem como ampliar suas possibilidades de utilização do es- porte como uma preciosa e eficaz ferra- menta sociocultural. É preciso valorizar a formação contínua para que seja capaz de proporcionar uma reviravolta nos am- bientes diversos onde o esporte está pre- sente, como: a escola, os projetos sociais, os clubes esportivos, os espaços de lazer, os centros de formação para atletas de alto rendimento, entre outros. Assim, espero que ao concluir o mó- dulo você possa demonstrar conheci- mentos sobre os valores educativos do esporte para o desenvolvimento integral e para a formação humana; compreender como os processos aplicados por meio das estratégias encontradas nas diversas metodologias de ensino podem ser facili- tadores para que se pratique o ensino de qualidade e a aprendizagem significativa; reconhecer na Pedagogia do Esporte uma forma de ensinar para a autonomia, para competência motora, para a compreen- são, motivação, participação ativa e reco- nhecimento do esporte como catalisador de competências para a vida e mundo do trabalho; utilizar a competição como for- ma de educar para o respeito às regras, para a superação, vencer desafios, apren- der a lidar com as alegrias e frustrações, demonstrar empatia, perseverança; ser capaz de planejar uma aula ou treina- mento utilizando estratégias inovadoras e eficazes para a aprendizagem dos alu- nos e atletas. O esporte é um dos grandes aliados da educação de crianças e adoles-centes. A ONU faz uso regular dos valores mobilizadores do esporte para realizar missões em ações que englobam a me- lhoria da saúde e da educação, opor- tunidades de geração de empregos e a promoção da tolerância e respeito pelos direitos humanos (Unesco, PNUD, Unicef). Pensar o desenvolvimento de uma abor- dagem contemporânea e pedagógica do esporte requer a compreensão de que seu uso se dá como ferramenta, logo, re- quer a intervenção humana qualificada. Para a formação integral das novas gerações, por meio do esporte podemos desenvolver valores éticos e morais para a participação social, a solidariedade, a disciplina, a cooperação entre iguais e diferentes e o espírito de equipe, dentre outros, desde que trabalhados com essa intencionalidade, visto que, o esporte em si não desenvolve esses aspectos. O es- porte poderá, desde que assuma a inten- cionalidade quando está sendo ensinado, contribuir para o desenvolvimento de ha- bilidades distintas, pois trata-se de uma manifestação social e cultural complexa e multifacetada, tendo a necessidade de ser abordada didática e pedagogicamen- te para que prevaleça referenciais técni- co, tático e socioeducativo (RODRIGUES et al., 2013). É com esse olhar que o(a) convido a fazer um exercício que requer adaptabili- dade e flexibilidade de pensamento, pois você fará uso de conhecimentos para ampliar a compreensão e a capacidade de intervir nesse cenário recheado de imprevisibilidade, desafios e conquistas. Você se sente preparado? FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 20 VOCÊ SABIA? A prática esportiva desenvolve respeito, liderança, tolerância, persistência, paciência, cumpri- mento às regras e o jogo limpo, portanto, saber ganhar ou perder sem impor suas alegrias ou frus- trações aos adversários (TUBINO, 2017). Quando bem desenvolvido, o esporte melhora a saúde e com- bate o sedentarismo, melhora a postura e aumenta a consciência corporal, a imunidade e a resis- tência muscular, e desenvolve a coordenação motora e o sistema cognitivo, melhorando o desem- penho em todas as disciplinas. Auxilia no desenvolvimento car- diorrespiratório, circulação san- guínea, oxigenação do cérebro, no combate ao estresse e à ansie- dade e proporciona sensação de bem-estar. 21 P E D A G O G IA D O E S P O R TE 2 CONCEPÇÕES PARA O ENSINO E FORMAÇÃO HUMANA PELA PEDAGOGIA DO ESPORTE O momento atual do Brasil é favorá-vel ao desenvolvimento do esporte por meio das políticas públicas que geram programas e projetos capazes de atender as camadas menos assistidas da população, com a retomada de um Minis- tério exclusivo para o desenvolvimento de ações e com uma gestão que torne o es- porte acessível a toda a população. Essas intenções se dirigem direta- mente a você que é professor de educa- ção física e/ou participa de programas e projetos na área esportiva, em que a dimensão educacional não privilegia apenas o treinamento dos gestos e fun- damentos esportivos para os mais ha- bilidosos. Concebido na perspectiva de uma prática pedagógica de qualidade, o esporte ensina muito mais que mo- vimentos e técnicas, proporcionando a alunos(as) e atletas o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e compe- tências que ampliam a capacidade para a tomada de decisão, resolução de pro- blemas, pensamento estratégico, valori- zação de objetivos coletivos, convivência pacífica com as diferenças, formação de uma cultura de paz, cidadania ativa, além da aquisição de valores como justiça, so- lidariedade e respeito, essenciais para a convivência humana. Para que a Pedagogia do Esporte seja eficaz, uma premissa é que haja a parti- cipação inclusiva de todos, o tempo todo e de todas as formas nas diversas etapas do ensino. Os participantes agem sobre a sua própria aprendizagem, analisando as melhores opções e formas de realização e aplicação do que aprendem durante as aulas ou treinos, desenvolvendo, inclusi- ve, uma visão tática e estratégica de jogo. Esse aspecto merece destaque ao trazer ações pedagógicas centradas na aprendi- zagem e inclusão dos alunos. Você con- corda com essa afirmativa? Esses fun- damentos pedagógicos se alinham com os seus? Como lida com a aplicação dos métodos de ensino? SEJA CURIOSO(A) Busque, inicialmente, o máximo de informações por meio de recursos como livros ou tecnologias digitais sobre o que é Pedagogia do Es- porte. Importante o conhecimento prévio e o hábito de pesquisar. No livro Recomendação para a Edu- cação Física Escolar, publicação do Con- selho Federal de Educação Física/Confef (CATUNDA, LAURINDOe SARTORI, 2014), essas ações são destacadas ao recomen- dar para os professores: (1) Reconhecer que todos os alunos po- dem aprender, e que todas as diferenças podem ser compreendidas; (2) Atender a todos os alunos, respeitan- do suas diferenças e estimulando-os ao maior conhecimento de si e de suas po- tencialidades, num exercício de ética e cidadania; (3) Adotar um modelo ativo e inclusivo de ensino, que busca o desenvolvimento da autonomia, cooperação, participação so- cial e afirmação de valores e princípios éticos e democráticos, qualificando os ní- veis de aprendizagem; (4) Ter a devida consciência e competên- cia para que as práticas não sejam exclu- sivas, onde se privilegia os “talentosos” em detrimento dos “menos habilidosos”. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 22 O QUE É? Cidadania Ativa Exige a possibilidade da partilha entre os elementos de uma comu- nidade, com benefício mútuo, mas também em prol de uma ideia de sociedade que se quer promover (DARMANIN, 2012). Tomando o “Ser Ativo” como o objeto e alvo da Educação Física, isso supõe ter iniciativa, com decisão, por boas causas, sempre enquadradas por valores, pressupondo uma dimen- são atitudinal que se contrapõe à inércia, apatia e indolência (SO- BRAL LEAL, 2016). Implica a dis- ponibilidade e o desejo individual para assumir responsabilidades para com o seu desenvolvimento pessoal, do meio ambiente, e o da sociedade em que se integra. FICA A DICA Pedagogia dos Esportes: Jogos Coletivos de Invasão https://www.youtube.com/wat- ch?v=Pcz4Zb0mKl4 Esporte: um grande aliado da educação https://www.youtube.com/wat- ch?v=QGX9UhE-7kw Você está sendo convidado(a) a par- ticipar de uma viaGem pela Pedagogia do Esporte, iniciando pela compreensão do valor da Educação, do Professor e da Educação Física, como os três pilares in- tervenientes nesse processo. 2.1. A Educação É um processo contínuo para o desen- volvimento humano e se consolida como uma ação social e parte da vida do ser humano. Assim sendo [...] qualquer coisa que se espere dos jovens quando adul- tos, deve ser vivida na escola (Dewey). A educação funda-se precisamente na preocupação de enraizar uma cultura de apreço, de valorização e fruição da vida, afirma Bento (2015), que relaciona aspec- tos próprios do esporte à educação, iden- tificados como um princípio educacional a existência do movimento, suor, esforço, gols, cestas, pontos, arremessos. Quando se corre, salta e luta. Quando agir, fazer e experimentar são os verbos preferidos. Quando se enfrentam e ultrapassam bar- reiras e obstáculos. Quando os corpos grandes, pequenos, gordos e magros, forte e débeis, velozes e lentos são iguais no gosto pela ação e pelo uso do esporte. Quando há desejo, gosto e oportunidade de exercitar e aprender. Quando se vence receios, complexos e medos. Quando há otimismo e empenho. Tudo isto contribui para que, assim como a educação, a prá- tica esportiva se torne uma necessidade vital. E isto é possível! https://www.youtube.com/watch?v=Pcz4Zb0mKl4 https://www.youtube.com/watch?v=Pcz4Zb0mKl4 https://www.youtube.com/watch?v=QGX9UhE-7kw https://www.youtube.com/watch?v=QGX9UhE-7kw 23 P E D A G O G IA D O E S P O R TE tiva, as inteligências múltiplas, a ética e a estética. A distribuição de papéis, o conví- vio com as regras, a relação estabelecida entre a vitória e o fracasso e, por fim, a rivalidade e a cooperação cultivam valo- res e comportamentos condizentes com as próprias bases democráticas da so- ciedade contemporânea (Unesco, 2013). O esporte, devido ao seu potencial para o desenvolvimento individual e coletivo, é componente essencial para uma edu- cação de qualidade. Por outro lado, sua inobservância ergue barreiras ao fortale- cimento do tecido social. (Unesco, 2015). 2.3. A Educação Física A educação física integra os currículos desde que a escola foi criada. Existem referências sociais e culturais da educa- ção física no cotidiano de todos os paí- ses que constituem representações das atividades físicas e esportivas, conferin- do siginificado social, o que lhe impõe a condição de legitimada e parte obriga- tória nos currículos. A educação física escolar promove circunstâncias socioe- ducativas para a formação de jovens fi- sicamente ativos, capazes de optar por uma vida saudável, participar de ativida- des socialmente relevantes, como o es- porte, apresentar uma boa autoestima e motivação, um maior engajamento como cidadã e cidadão, além de proporcionar maiores níveis de aprendizagem em to- das as disciplinas escolares (CATUNDA, MARQUES, 2017). Para o desenvolvimento do esporte nas aulas, o protagonismo do aluno deve ser real e desafiador, independentemente do cenário onde as atividades serão de- senvolvidas. Com uma intensa interação proposta pelos professores, o rompimento com o modelo de ensino tradicional, cen- tralizado no conhecimento e pensamen- to do professor, aos poucos dá lugar ao modelo ativo e reflexivo de ensino, onde o aluno, sob mediação atenta e qualificada, produz conhecimento e relaciona o que aprende como algo significativo e aplicável em sua realidade. Quando aprende as atividades mo- toras para o esporte, dando o devido significado e aplicando-as dentro da im- previsibilidade com tomada de decisões positivas e exitosas, o(a) aluno(a) ou atle- ta adquire confiança e motivação para uma prática esportiva vitalícia. Para uma aprendizagem do esporte que valoriza os processos educativos, os professores agem pela Pedagogia do Esporte. Você a conhece? Pois é o que vamos discutir nesse módulo, visando ampliar suas pos- sibilidades didáticas. 2.2. O Professor O professor pertence à corporação mais necessária, generosa e civilizadora de quantos que trabalham para satisfazer as exigências de um estado democrá- tico (SAVATER). Pensar uma Pedagogia para o Esporte como atividade multicul- tural impõe sensibilizar e qualificar os professores de educação física e técni- cos desportivos. O esporte é capaz, sob orientação especializada, de confrontar os participantes com desafios capazes de contribuir para o desenvolvimento de ha- bilidades e competências motoras, poten- cializar a relação interpessoal e socioafe- FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 24 A Pedagogia do Esporte, para Sca-glia (2014), tem como objeto de estudo e intervenção o processo de ensino, vivência, aprendizagem e treinamento do esporte, promovendo um conhecimento significativo a respeito da organização, sistematização, aplicação e avaliação das práticas esportivas em diversos sentidos e manifestações. São ações e intervenções com exigências pedagógicas, com a intencionalidade da resolução das relações entre teoria e prá- tica. E sintetiza: “A Pedagogia do esporte assume o porquê, o para que, o que e o como ensinar esporte em diferentes ce- nários para distintas faixas etárias”. Oriunda da Pedagogia Geral e das Ciências do Desporto, a Pedagogia do Es- porte visa compreender, à luz pedagógi- ca, as diferentes formas de manifestação do esporte. É responsável por estudar as possibilidades intencionais e funcionais da educação por meio do movimento, do jogo e do esporte (FERREIRA, 2009). As- sim, como uma área que interpreta numa perspectiva pedagógica as práticas es- portivas, ocupa-se dos seus movimentos, dos jogos e dos aspectos que permeiam o ensino, a aprendizagem, o treino, a com- petição (BENTO, 2006). O QUE É A PEDAGOGIA DO ESPORTE? PARA REFLETIR Qual seu posicionamento sobre a competição? Especialmente da Educação Fí- sica, têm-se apontados os bene- fícios da atividade esportiva na infância, ao mesmo tempo que também alertam para o aspecto demasiadamente competitivo, muitas vezes imputado a essa prática. No entanto, por acreditar que o esporte favorece o desen- volvimentohumano, ele pode ser considerado como importante ele- mento da cultura, com relevância nos programas educativos, mas também como um elemento de comparação, seleção e competi- tividade, que conduz, em certas circunstâncias, a excessos, sub- metendo as crianças, durante a atividade esportiva, a assumir responsabilidades de adultos para as quais elas podem não es- tar preparadas. 3 Continua Scaglia (2014), lançan- do mão de conhecimentos específicos, como: Sociologia, Psicologia do Esporte, Aprendizagem Motora, Biomecânica, Teo- rias e Métodos de Ensino, a Pedagogia do Esporte permite reflexões sobre o ensino e a aprendizagem dos gestos esportivos, das relações interpessoais, como tam- bém das questões técnicas, táticas, fisio- lógicas e motoras. A Pedagogia do Espor- te aborda o mesmo enquanto fenômeno sociocultural, e seu trato pedagógico é defendido a partir de três referenciais: o técnico-tático, o socioeducativo e o histó- rico-cultural. 25 P E D A G O G IA D O E S P O R TE TÉCNICO-TÁTICO SOCIOEDUCATIVO HISTÓRICO-CULTURAL ÎEstratégias; ÎAspectos táticos ofensivos, defensivos e de transição; ÎHabilidades motoras gerais; ÎFundamentos especializados; Capacidades biomotoras. ÎPromover a discussão de princípios, valores e modos de comportamento; ÎPropor a troca de papéis ao colocar-se no lugar do outro (empatia); ÎPromover a participação, inclusão, diversificação, a coe- ducação e a autonomia; ÎConstruir um ambiente favo- rável para desenvolvimento de relações intrapessoais e inter- pessoais (coletivas); ÎEstabelecer relações entre o que acontece na aula de es- portes com a vida em comu- nidade. ÎHistória das modalidades es- portivas; ÎEvolução das modalidades; ÎRegras e contexto de suas alterações; ÎPrincipais competições em nível local, regional, nacional e internacional; ÎPersonalidades de cada mo- dalidade; ÎOutros saberes necessários para a compreensão da mo- dalidade. O que será definidor para que haja motivação, compreensão e conhecimento do esporte como atividade multicultural capaz de influenciar a formação integral das crianças e adolescentes é a condição de que os professores e técnicos primem por uma qualificação permanente, que possibilite a transposição didática do que é ensinado para a aplicação cotidiana. Que transformem atitudes e comporta- mentos, promovendo aprendizagem sig- nificativa para que alunos(as) e atletas consigam valorizar o que foi aprendido por encontrar relação direta com a apli- cação no campo real, bem como para o desenvolvimento de suas capacidades. Fonte: Adaptado de Galatti, Darido e Paes (2010), Machado (2012) e Machado, Galatti e Paes (2014) SAIBA MAIS Transposição Didática dos Saberes Uma ideia originária do sociólogo Michel Verret (1975) se concretiza como um conjunto de ações que torna um saber sábio em saber ensinável: “Um conteúdo do sa- ber que foi designado como saber a ensinar sofre, a partir daí, um conjunto de transformações adap- tativas que vão torná-lo apto para ocupar um lugar entre os objetos de ensino. O trabalho que transfor- ma um objeto do saber a ensinar em objeto de ensino é denominado de transposição didática” (CHE- VALLARD, 2001: 20). FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 26 Um Imperativo: O esporte só será praticado se for devidamente ensinado e aprendido. A aprendizagem não ocorrerá de forma natural, precisando de estímu- los específicos e sob orientação do pro- fissional de educação física, em um pro- cesso que se inicia na escola nas aulas de educação física e poderá se estender na participação em projetos e programas so- ciais, centros de treinamento, clubes es- portivos ou fazer parte de um lazer ativo. SAIBA MAIS Princípios da Pedagogia dos Esportes Coletivos https://www.youtube.com/wat- ch?v=QRBHRD5i5jM Pedagogia do Esporte – Prof. Dr. Ademir Costa https://www.youtube.com/wat- ch?v=6Omw07GwSXI. Pedagogia do Jogo na Educação Física Escolar - Prof. Dr. Scaglia https://www.youtube.com/wat- ch?v=WDU_VD-QpA8 IMPORTANTE Em trabalhos de iniciação esporti- va não se pode simplesmente copiar modelos de propostas de atividades ou de qualquer programa de treina- mento, pois, são universos diferentes. A Pedagogia do Esporte que funda- menta a orientação esportiva deve cuidar para que não seja projetado aos iniciantes um modelo ideal de atleta que desrespeite as caracterí- siticas individuais e os sonhos dese- nhados pelos integrantes. 3.1. Por qual razão a Pedagogia do Esporte tem na escola um espaço privilegiado? Î A maioria dos escolares (80%) se concentra nas instituições públicas, tendo neste ambiente o único espaço para a prática orientada e aprendiza- gem significativa pelo esporte; Î Todos os jovens frequentam obriga- toriamente a escola; Î Na escola estão os profissionais qua- lificados para a educação dos jovens; Î A idade escolar representa o me- lhor período crítico de aprendizagem para aquisição de habilidades e com- petências motoras e sociais; e Î Na escola existe a disciplina de Edu- cação Física, parte integrante e obri- gatória do currículo, sendo espaço considerado ideal para programas com objetivos educativos por meio do esporte (CATUNDA, 2015; MAR- QUES, 2010, MARTINS, 2014). FIQUE POR DENTRO... Esporte Educação https://www.youtube.com/watch?- v=DbXQmW1wX-U SE LIGA Orientação pedagógica aos pro- fessores e técnicos: parte do seu olhar cuidadoso e sábio sobre os intertesses e as necessidades de cada aluno ou atleta, das carac- terísiticas específicas correspon- dentes a cada fase da vida espor- tiva, da compreensão de como o(a) aluno(a) aprende e da interpreta- ção de uma avaliação processual. https://www.youtube.com/watch?v=QRBHRD5i5jM https://www.youtube.com/watch?v=QRBHRD5i5jM https://www.youtube.com/watch?v=6Omw07GwSXI https://www.youtube.com/watch?v=6Omw07GwSXI https://www.youtube.com/watch?v=WDU_VD-QpA8 https://www.youtube.com/watch?v=WDU_VD-QpA8 https://www.youtube.com/watch?v=DbXQmW1wX-U https://www.youtube.com/watch?v=DbXQmW1wX-U 27 P E D A G O G IA D O E S P O R TE 3.2. Fases dos Movimentos Especializados Necessário para o Ensino dos Esportes Sendo a fase reconhecida como madu- ra para a aprendizagem dos esportes, Gallahue (2005) dividiu esta importante etapa da vida em estágios: 3.2.1. Estágio Transitório A partir de 7 anos, a criança começa a combinar e aplicar habilidades motoras fundamentais ao desempenho especiali- zado. A família e professores(as) devem ajudar as crianças a aumentar o controle e competência motora em inúmeras ati- vidades. Há apenas aplicação dos mo- vimentos fundamentais de forma mais específica e complexa. As crianças estão muito ativas e não se deve restringir os movimentos. 3.2.2. Estágio de Aplicação: Ocorre entre 11 e 13 anos, provocando mu- danças interessantes. A criança demons- tra maior satisfação cognitiva, já apresen- tando a capacidade de tomar decisões e fazer escolhas de aprendizado, inclusive, escolher ou evitar praticar habilidades esportivas, como também a possibilidade de fazer autoexame de forças e fraquezas, oportunidades e restrições. 3.2.3. Estágio de Utilização Permanente A partir de 14 anos, caso haja aprendiza- gem no tempo certo, no auge do processo de desenvolvimento motor. Etapa carac- terizada pelo uso de repertório de movi- mentos adquirido pelo indivíduo ao longo de sua vida. É dependente de fatores ex- ternos, como a igualdade de oportunida- des de prática, diminuição das barreiras sociais e orientação qualificada dos pro- fissionais de educação física. REFLEXÃO PARA UMA PEDAGOGIA DO ESPORTE Î Você tem dúvidas quanto à função educacional do esporte? Î Está claro para você que as crianças e adolescentes têm no esporte um meio para aprendi- zagem de valores, de desenvol- vimento da competência motora e a possibilidade de exercerema cidadania ativa? Î Para você, o enfoque educativo está bem definido e é assumido também pelos gestores escolares e do esporte? Î Qual a sua posição sobre compe- tição? Os(As) professores(as) pre- param os jovens para o esporte de competição, compreendendo como algo inerente à prática es- portiva? O balizador para as intenções educativas é oferecer a todas as crianças experiências desafiadoras, que possam contribuir para a afir- mação de suas competências (RE- VERDITO et al., 2008). Para além da aprendizagem dos gestos motores, o esporte prepara para a vida, como é caso das competências consideradas importantes para o mundo do traba- lho e que são possíveis de serem de- senvolvidas quando se utiliza a Peda- gogia do Esporte como princípio. Veja: trabalho em equipe e comunicação; tomada de decisões e liderança; re- solução de problemas e criatividade; gestão do tempo e recursos. SEJA UM(A) PROFESSOR(A) REFLEXIVO(A Você consegue identificar durante as aulas e treinamentos esportivos os momentos em que essas competên- cias são exercitadas? Consegue defi- nir quais delas está experimentando? A esse comportamento do(a) profes- sor(a) denominamos intencionalidade. Você planeja definindo qual inten- cionalidade pretende trabalhar? Identi- ficando, como faz para avaliar se os(as) alunos(as) e atletas estão tendo êxito para que possam evoluir nos níveis de complexidade das atividades? Concor- da que esses são aspectos que asse- guram a existência de aprendizagem? Para que ocorra a aprendizagem dos esportes, é necessário que o ensino seja eficaz, promova o desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais e dialogue com a transição para as habi- lidades motoras especializadas que, ao serem desenvolvidas, são aspectos es- senciais para a aprendizagem do esporte. A seguir, a definição desses importantes conceitos para o desenvolvimento har- monioso das crianças e adolescentes: Î Movimentos fundamentais: são ten- tativas orientadas para que as crian- ças experimentem a capacidade mo- tora dos seus corpos. Esse período é essencial para as descobertas de movimentos combinados, por exem- plo: correr, pular, arremessar, apa- nhar, andar com firmeza e equilíbrio. Î Movimentos especializados, são to- talmente dependentes de fases ante- riores. Se aplicam a atividades diárias, brincadeiras e nos esportes. Nesta etapa, os movimentos básicos estão refinados, combinados e elaborados para situações de maior exigência. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 28 REFLITA Seria possível a aprendizagem dos esportes sem a devida aprendizagem e aplicação das habilidades motoras especializadas? Você sabia que a per- cepção de competência motora é fun- damental para a motivação de apren- der e praticar um esporte? Pesquise sobre esse conceito e re- flita sobre a importância em desen- volver essas competências para a aprendizagem dos esportes. 3.3. Metodologias Empregadas para o Ensino do Esporte Agora você verá algumas possibilidades metodológicas com o objetivo de provo- car interesse que possa gerar transfor- mações positivas ou justificar as suas práticas pedagógicas atuais. Importa motivar sua criatividade e capacidade de adaptação a realidades diversas para suas aulas ou treinos, que o(a) possibilite fazer escolhas eficazes que levem ao êxi- to no ensino, motivação, compreensão e a aprendizagem dos seus(uas) alunos(as) e atletas. TREINANDO... Após o estudo, escolha a metodologia que mais se aproxima de sua concep- ção pedagógica e prepare uma aula ou treino e experimente. Em seguida, escreva sobre a ex- periência, identificando aspectos posi- tivos e negativos. SE LIGA Não haverá metodologia ou mo- delo únicos que deem conta de um ensino de qualidade. 3.3.1. Método Tradicional ou Analítico/ Tecnicista Tendo como base os estudos de Scaglia (2014), este método é influenciado pelas teorias empiristas e inatistas, tendo a preocupação principal com o desenvol- vimento e aperfeiçoamento das técnicas do jogo e dos movimentos, por vezes es- tereotipados. Segundo o autor, o tecnicis- mo fragmenta o jogo em partes, utilizan- do o ensino dos fundamentos técnicos descontextualizados com a realidade da prática esportiva sendo treinados e auto- matizados pelos(as) alunos(as) e atletas. Podemos apresentar como exemplos: en- fileirar alunos e treinar o passe com ên- fase na execução do gesto técnico, com base em padrões motores de excelência de baixa efetividade para iniciantes; for- mar fila de alunos para realização de chutes a gol, arremessos ou bandeja com marcações no solo para sincronização dos passos. 3.3.2. Novas Tendências em Pedagogia do Esporte Apresenta uma posição de ruptura com o pensamento e modo tradicional de ensi- no. Para tal mudança, pressupõe-se um profissional habilitado e capacitado a transformar uma ação motora em pro- cesso cultural, social e educativo. Expe- rimentar essas novas tendências, exigirá do(a) professor(a) a capacidade de ensi- nar por meio de competências, como des- taca Scaglia (2014), requerendo que haja análise do processo com base nas com- petências para o jogo, na inteligência interpretativa e na tomada de decisão. Isso coloca a ampliação das condutas motoras como aspecto prioritário para a participação emancipada nos esportes, sendo o(a) aluno(a) um(a) participante ati- vo(a), tendo a consciência de suas ações. Para o autor, as diferentes propostas metodológicas concebidas em meio às influências advindas das novas tendên- cias em Pedagogia do Esporte tendem a valorizar o jogo, sendo os procedimen- tos didático-metodológicos baseados nas relações de cooperação e oposição, individuais e coletivas. Existe assim uma lógica de que o jogo possibilita a apren- dizagem pela experimentação perma- nente e associada às habilidades apren- didas no próprio contexto vivenciado nas aulas ou treinos. SAIBA MAIS A Pedagogia do Esporte e as novas tendências metodológicas por Alcides José Scaglia (2014) https://novaescola.org.br/con- teudo/246/a-pedagogia-do-es- porte-e-as-novas-tendencias- -metodologicas https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogia-do-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogia-do-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogia-do-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogia-do-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas 29 P E D A G O G IA D O E S P O R TE 3.3.3. Modelo de Educação Desportiva Para Mesquita (2012), há simulação de aspectos fundamentais dos contextos desportivos, nos quais os(as) alunos(as) e atletas assumem gradualmente respon- sabilidades à medida em que avançam na aprendizagem. O(A) professor(a) aplica estratégias de instrução mais informais, valorizando a dimensão humana e cultu- ral do esporte, reconhecendo a importân- cia de democratizar a competição, quan- do assume o compromisso pedagógico entre inclusão, competição e aprendiza- gem. O modelo tem como premissa um esporte plural, onde cada um participa de acordo com suas possibilidades e interes- ses. Entende que a competição tem um valor esportivo insubstituível, sendo esta uma prioridade natural para quem treina. 3.3.4. Teaching Games for Understanding (TGfU) Os autores Bunker e Thorpe (1982) pro- puseram na Inglaterra a implementação de uma proposta pedagógica a partir da insatisfação com os modelos pedagógi- cos esportivos que tinham o tecnicismo como principal característica. Apresenta- ram uma nova concepção para o ensino, baseada no entendimento, compreensão, reflexão e problematização de elementos estruturais dos próprios jogos. A seguir, a proposta em seis etapas: a. De acordo com o nível dos alunos, será introduzida uma forma completa ou simplificada do jogo, a fim de promo- ver uma maior apropriação de seu funcionamentoe o envolvimento inicial dos praticantes com os seus proble- mas; b. Corresponderá à reflexão sobre lógica interna do jogo (regras, dinâ- mica, funcionamento), na qual os(as) próprios(as) alunos(as) fariam suas considerações sobre a prática; c. Referente à conscientização tático- -estratégica, os(as) alunos(as) seriam estimulados(as) a refletir, identificar e propor soluções práticas para os pro- blemas de ataque e defesa do jogo; d. Compreenderá a contextualização da tomada de decisão, por exemplo, definições sobre o que se fazer com ou sem a posse da bola; onde se colocar em determinada situação; como fazer determinados movimentos etc.; e. Indicará o desenvolvimento das técni- cas de jogo necessárias para um bom desempenho a partir dos problemas encontrados em etapas anteriores; f. Será realizada a avaliação da perfor- mance dos(as) alunos(as) e a prepara- ção de um jogo, com maior complexi- dade, para o início de um novo ciclo. 3.3.5. Modelo Ativo e Reflexivo de Ensino (Mare) Desenvolvido com base em teorias di- versas da educação e pelo ensino aberto, problematizado e híbrido das metodolo- gias ativas com a intenção de aplicação em todos os conteúdos da educação fí- sica, em particular no ensino do esporte (CATUNDA, 2019). Apresenta como obje- tivo criar um ambiente educativo adequa- do e desafiador, que permita desenvolver a literacia física para o pleno uso das ca- pacidades e competências necessárias, para que alunos(as) e atletas tenham mo- tivação, compreensão e confiança para aprender e praticar e treinar o esporte que desejar. Suas principais característi- cas são: a. Traduzido em um modo de ensinar por trilhas flexíveis e criativas; b. Apresenta alta interação para motiva- ção e engajamento constante dos(as) alunos(as); c. Centrado na realização e cocriação de tarefas mediadas pelo(a) professor(a); d. Valoriza desafios constantes a profes- sores(as) e alunos(as); e. Inclusão de todos(as), o tempo todo e de todas as formas no processo de aprendizagem; f. Organização das atividades prioritaria- mente em grupos, com variações nas quantidades de participantes e condi- ções de desenvolvimento; g. Aprendizagem por times, incluindo a escolha de lideranças pelos(as) alu- nos(as); h. Oportunidade permanente para a tomada de decisão e resolução de problemas; i. Controle do tempo e manutenção do foco para realização das tarefas; j. Possibilidade aberta e híbrida de es- tratégias, métodos, técnicas e estilos de ensino, mantendo os objetivos a se- rem alcançados na aula ou no treino; k. Atenção aos níveis de atividade física e engajamento dos alunos. PARA REFLETIR Como professor(a) ou técnico(a) desportivo(a) é preciso levar em consideração o que é imprevisível no esporte. Compreender para to- mar decisões sobre a complexida- de existente nos jogos, não sendo o centro do processo, mas um(a) fa- cilitador(a) ativo(a), capaz de mo- bilizar os(as) alunos(as) para o foco e resolução coletiva dos desafios da prática esportiva. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 30 AÇÃO POSITIVA + Durante a prática, proporcione oportu- nidades para que os(as) alunos(as) e atletas pensem e organizem as ações para além da execução de movimen- tos desconectada da realidade e em sintonia com a utilização exitosa em favor do jogo, do coletivo, do êxito de seu grupo e do jogar bem por saber fazer a transposição entre o aprendi- do e o aplicado. É preciso fazê-los(as) pensar nas si- tuações táticas dos jogos e tomar decisões positivas e autorais. Não se concebe mais, nos dias de hoje, um(a) professor(a) direcionando a atividade e os(as) alunos(as) somente executan- do sem a capacidade de interpretação dos problemas e as suas formas de resolução, criando suas próprias es- tratégias, que já deveriam ter sido ob- jeto de experimentação nas aulas ou treinos. O ensino de forma transmissiva, em caso de opção dos(as) professo- res(as), deverá ser misturado com estratégias mais ativas, que possibi- litem a eles(as) o desenvolvimento de autonomia e a capacidade de de- cisão durante a prática dos esportes. SAIBA MAIS Metodologia do Ensino/treinamen- to dos Esportes Coletivos https://www.youtube.com/watch?- v=N5dNtwEPbrc PARA REFLETIR É fundamental controlar as ambi- ções e as ansiedades dos adultos pais, técnicos, dirigentes esporti- vos e todos os demais envolvidos com a prática das modalidades esportivas, no sentido de impedir a criação de um conjunto de unida- des e forças que venham interferir no desenvolvimento da criaça no esporte (NISTA-PICCOLO, 1999). FIQUE ATENTO(A)! Respeitar as dimensões sensíveis dos atletas, presentes nos momen- tos de treino e de competição, é um princípio pedagógico importante para o crescimento e continuidade da carreira esportiva. https://www.youtube.com/watch?v=N5dNtwEPbrc https://www.youtube.com/watch?v=N5dNtwEPbrc 31 P E D A G O G IA D O E S P O R TE CONSIDERAÇÕES FINAIS CATUNDA, R. Relatório de Estágio Pós-Dou- toral. Universidade de Lisboa, Pt. 2019. CATUNDA, R., LAURINDO, E. SARTORI, S. Reco- mendações para a Educação Física Escolar. CONFEF, Rio de Janeiro, 2014. CATUNDA, R., MARQUES, A. Educação Física Escolar: referenciais para o ensino de qua- lidade. Belo Horizonte, Casa da Educação Fí- sica, 2017. FREIRE, J. B., SCAGLIA, A. J. Educação como Prática Corporal. São Paulo: Scipione, 2003. GALLAHUE, D. L; OZMUN, J. C; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7 ed. Porto Aalegre-RS: Artmed, 2013. MOREIRA, W.W., BENTO, J.O. (Orgs.) Citius, Al- tius, Fortius: Brasil, esportes e jogos olímpi- cos. Belo Horizonte: Casa da Educação Física, 2014. In. Os Jogos Olímpicos na Perspectiva da Pedagogia do Esporte no Brasil. NISTSA- -PICOLO, V.L., NUNOMURA, M. Neste módulo, você recebeu conhe-cimentos sobre os valores educa-tivos do esporte quando trabalha- do com a intencionalidade de formação integral. O esporte, compreendido como fenômeno social e cultural, pode ser uti- lizado com importante ferramenta para o desenvolvimento humano. Identifica- mos que a Educação, o(a) Professor(a) e a Educação Física são reconhecidos como os três pilares intervenientes no processo de ensino dos esportes. Vimos também os principais conceitos, tendên- cias e definições sobre o que é a Pedago- gia do Esporte. Tivemos a oportunidade de comparar as diversas metodologias, modelos e estratégias, comparando o ensino centrado no tecnicismo e tam- bém conhecer as novas tendências pe- dagógicas para o esporte. E o melhor ainda está porvir. Acompanhe! REFERÊNCIAS REVERDITO, R. S., SCAGLIA, A. J. Pedagogia do Esporte. São Paulo: Phorte, 2009. SCAGLIA, A. J. O Futebol e as Brincadeiras de Bola. São Paulo: Phorte, 2011. _____________ . A Pedagogia do Esporte e as Novas Tendências Metodológicas. Pu- blicado em NOVA ESCOLA Edição 273, 01 de junho | 2014. https://novaescola.org.br/con- teudo/246/a-pedagogiado-esporte-e-as-no- vas-tendencias-metodologicas TANI, G., BENTO, J. O., PETERSEN, R. D. S. Pe- dagogia do Desporto. Rio de Janeiro: Guana- bara Koogan, 2006. UNESCO. Carta Internacional da Educação Fí- sica, da Atividade Física e do Esporte, 2015. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/ pf0000235409_por UNESCO. Valores do Esporte. Brasília: Funda- ção Vale, Unesco, 2013. https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogiado-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogiado-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogiado-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000235409_por https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000235409_por AUTORES Antônio Ricardo Catunda de Oliveira Possui graduação em Educação Física e mestrado em Educação em Saúde, am- bos pela Universidade de Fortaleza (Uni- for). Doutor emCiências da Educação, no ramo da Didática do Ensino da Educação Física e do Desporto pela Universidade de Lisboa, Portugal. Pós-Doutor na espe- cialidade de Educação para a Saúde, pelo Centro de Estudos de Educação e Promo- ção da Saúde da Universidade de Lisboa, Portugal. Professor adjunto da Universi- dade Estadual do Ceará (Uece). Desen- volve estudos e pesquisas em Educação Física escolar e Metodologias Ativas. Criador do Modelo Ativo e Reflexivo de Ensino na Educação Física. Presidente da Comissão de Educação Física Escolar do Confef. Líder do Núcleo de Investigação em Atividade Física na Escola (Niafe). Lívia Marques Quixadá Graduada em Educação Física pela Uni- versidade Estadual do Ceará (Uece), com especialização em Educação Física Esco- lar (Uece). Professora e pesquisadora do Núcleo de Investigação em Atividade Físi- ca na Escola (Niafe-Uece). 32 Apoio: Patrocínio: Realização: CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora Pedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron- End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-043-1 (Fascículo 2) Fundação Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327 Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br Todos os direitos desta edição reservados à: ILUSTRADOR Carlus Campos Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na produção de suas ilustrações, utiliza várias lingua- gens como: desenho, pintura, aquarela, gravura e fotografia. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos prêmios com arte gráfica, fez incursões pelas artes plásticas participando de diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRA- FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft. 33 P R O J E TO P O LÍ TI C O -P E D A G Ó G IC O GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA Projeto Político-Pedagógico Planejar a Educação Física para uma educação transformadora José Airton de Freitas Pontes Junior Vitória Monteiro Monte Oliveira 3 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 35 36 38 41 42 O PAPEL DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO (PPP): FUNCIONALIDADE, RELEVÂNCIA E PROCESSO DE CONSTRUÇÃO PARTICIPAÇÃO DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA CONSTRUÇÃO DO PPP ESTUDO DE CASO 5 35 P R O J E TO P O LÍ TI C O -P E D A G Ó G IC O APRESENTAÇÃO 1 responsáveis por participar da elabora- ção dessa proposta e cumprir o plano de trabalho proposto (Art. 13) e que a gestão democrática do ensino público tem como princípio a “I - participação dos profissio- nais da educação na elaboração do proje- to pedagógico da escola”. Portanto, os planos são importantes para o desenvolvimento da Educação Físi- ca de Qualidade e o PPP tem como premis- sa a participação de docentes na proposta pedagógica escolar. Nesse sentido, como docentes de Educação Física podem con- tribuir na elaboração e execução do PPP? A partir da leitura deste módulo, dis- cutiremos acerca de sua função, relevân- cia, processo de construção, relação da Educação Física e o papel do profissional da área na elaboração do PPP, de forma que ao final deste módulo você (1) compre- enda o que é um Projeto Político-Pedagó- gico (PPP), qual a sua função, importância e os envolvidos no processo de construção e o papel da Educação Física nesse pro- cesso; (2) Saiba, de forma prática, partici- par da construção de um PPP e defender o espaço da profissão no ambiente escolar; (3) Valorize a participação de outros pro- fissionais e entenda que o documento é fruto de um trabalho conjunto. Mas, antes de começarmos, apre- sentamos a seguir alguns dos marcos históricos importantes na linha do tempo sobre Educação Física que influenciaram a sua presença na escola brasileira: Pensar uma educação transformado-ra vai ao encontro do papel da Edu-cação na formação humana e social de todas as pessoas, para que colaborem no desenvolvimento da coletividade ba- seadas na justiça social. Esse papel vai além de uma visão estrita da educação formal escolar conteudista, avançando para a aplicação na sociedade dos conhe- cimentos historicamente acumulados. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em vários dos seus documen- tos apresentou, como recomendação, os quatro pilares da Educação para o sécu- lo XXI (Delors, 1999): (1) saber conhecer, (2) saber fazer, (3) saber ser e (4) saber conviver. Essa visão nos parece condizen- te com as perspectivas de importantes pensadores que consideram a Educação como meio de intervenção direta e indire- ta na sociedade e na cultura em um mun- do com diferenças tão explícitas (PRIGOL; BEHRENS, 2020). A Carta Internacional da Educação Física e do Esporte da Unesco (1978) cor- robora com essas ideias supracitadas e avança em vários aspectos relativos à sua área, sendo o ponto 9.2. algo que cha- ma a atenção: “É atribuição de todas as instituições responsáveis pela educação física e pelo esporte promover um plano de ação consistente, geral e descentra- lizado, dentro do marco da educação ao longo da vida, para permitir a continui- dade e a coordenação entre as atividades físicas compulsórias e as praticadas de forma espontânea” (Grifo nosso). Em Diretrizes para a Educação Física de Qualidade (Unesco, 2015) percebe-se que os planos e metas para a área são fundamentais nos delineamentos dos currículos, no tempo da oferta da aula, nas ações de atenção a todas as pessoas envolvidas e na organização escolar com essas intencionalidades necessária para atingir os objetivos da Carta e dos pro- gramas escolares. No Brasil, a Educação é um direito do povo brasileiro presente no Art. 205 da Constituição Federal de 1988. Essa garantia abrangente serve de alicerce na adoção de posturas inclusivas, que abra- cem a diversidade, forneçam a justiça so- cial e cumpram esse compromisso com a sociedade. Mas como aplicar o que está na Lei? Professor(a), certamente você já deve ter ouvido falar sobre o Projeto Polí- tico-Pedagógico (PPP) escolar, mas já pa- rou para pensar no impacto que ele tem dentro das ações do ambiente educacio- nal no qual está vinculado? A Lei de Diretrizes e Bases da Edu- cação Nacional (LDB) nos aponta elemen- tos para entendermos a sua importância, caro(a) professor(a), e do Projeto Político- -Pedagógico (PPP) da escola, ao explicitar o que os estabelecimentos de ensino de- vem elaborar e executar em sua proposta pedagógica (Art. 12), que os docentes são FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 36 ÎReformaCouto Ferraz (1851): Esta- beleceu que as escolas do município da corte passassem a ter Educação Física como conteúdo obrigatório (LIMA, 2015); ÎReforma de Rui Barbosa (1883): De- fendeu a inclusão da ginástica na esco- la para os dois sexos e a equiparação dos professores de Educação Física com os demais (CAVALCANTE; BUN- GENSTAB; LAZZAROTTI FILHO, 2021); ÎLei de Diretrizes e Bases da Educa- ção (LDB) (1996): No §3º, do Art. 26, da LDB a Educação Física passa a ser considerada obrigatória na educação básica (BRASIL, 1996); ÎLei nº 9.696, de 1º de setembro de 1998: Regulamentou a profissão de Educação Física e deu origem aos seus Conselhos; ÎParâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) – Educação Física (1997 e 1998): Documento não obrigatório, com direcionamentos para orientar o trabalho dos professores de Educação Física; ÎBase Nacional Comum Curricular (BNCC) (2017): O documento trouxe a Educação Física como componente curricular obrigatório da educação bá- sica, localizado na área de linguagens. 2 Na apresentação ao lado, a Educação Física passou por diversos momen-tos políticos, educacionais e sociais até desenvolver direcionamentos peda- gógicos condizentes com documentos internacionais para consolidar sua inter- venção no ambiente escolar. Importante enfatizar a sua condição de componente curricular obrigatório desde a LDB de 1996, e a reafirmação da participação na escola estabelecida pela BNCC em 2017. O suporte das leis e políticas é fun- damental para que a Educação Física, enquanto disciplina legítima curricular, ocupe espaço e componha o PPP com contribuições inerentes à sua área, a par- tir da participação ativa do profissional de Educação Física na escola e na constru- ção desse importante documento. Incluir os conhecimentos da área da Educação Física no Projeto Pedagógico é uma vitória para os(as) estudantes, que passarão por experiências de aprendi- zagem mais humanas, críticas e liberta- doras, com a inserção do(a) aluno(a) nos conhecimentos e vivências da cultura corporal (SOUTO et al, 2010). Assim como as demais ações e ob- jetivos do PPP, a Educação Física deve estar incluída e fazer parte do esforço coletivo para reduzir barreiras e promo- ver a participação discente. Essa nova roupagem que acolhe a cultura corporal no ambiente escolar remete ao acolhi- mento de discentes de forma subjetiva, a oferecer oportunidade de explorar suas potencialidades (SOUTO et al, 2010). Essa perspectiva escolar que enfa- tiza as características de uma educação que promove a transformação social tem uma roupagem que se aproximam da tendência Pedagógica descrita por Pon- tes Junior e Trompieri Filho (2011), visto que supera e tem como foco o princípio da inclusão e na aprendizagem do(a) es- tudante. Uma possibilidade de expandir o potencial transformador da Educação Fí- sica na escola é a adoção do modelo de escolas ativas proposto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvi- mento (PNUD), que faz com que os(as) alunos(as) levem as Atividades Físicas e Esportivas (AFEs) para seu cotidiano e trajetória, a partir da oportunidade de vivenciar experiências significativas e prazerosas (PNUD, 2017). Ao verificar o nível das escolas pú- blicas e privadas do Brasil, foi constata- do que apenas 0,55% das escolas do país podem ser consideradas ativas, enquan- to 38,56% possuem níveis insuficientes, ou seja, precárias para a promoção das AFEs. Para modificar esse contexto, o relatório sugere que (1) por crianças e jovens serem naturalmente ativos, propi- ciar o movimento na escola é vantajoso e (2) uma variedade de adaptações são re- alizáveis na estrutura da escola, abrindo um leque de possibilidades para o movi- mento (PNUD, 2017, p.25). É importante ressaltar que o PNUD não O PAPEL DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA 37 P R O J E TO P O LÍ TI C O -P E D A G Ó G IC O foca exclusivamente nos(as) alunos(as), mas busca incluir toda a comunidade es- colar por meio de programas e propostas como: AFEs nos intervalos das aulas, re- creio, incentivo à adoção de mobilidade ati- va e prática esportivas fora da escola. As propostas voltadas a AFEs como promotoras de saúde dão ênfase em atin- gir a meta mínima de 60 minutos de ativi- dade física diária para crianças e jovens. Vale ressaltar que, além dos benefícios re- lacionados à saúde, a atividade física tam- bém traz benefícios ao cérebro e cognição, a partir da influência positiva na memória, tomada de decisão, dentre outros. Dessa forma, o termo “ativo” torna a vida escolar mais rica, reconhece as AFEs e o mover-se como forma de potencializar a aprendiza- gem e vida plena (PNUD, 2017). FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 38 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO (PPP): FUNCIONALIDADE, RELEVÂNCIA E PROCESSO DE CONSTRUÇÃO 3 Você já reparou que o significado das palavras que compõe a no-menclatura do PPP antecipa sua função? Conforme Rocha, Bueno e Braga (2022) um Projeto é a ação com sistema- tização e intencionalidade. Para os mes- mos autores, o PPP da escola também pode ser considerado um Projeto Político pela sua articulação, compromisso de- mocrático e coletivo, pois a escola é vista como local de formação de cidadãos. En- quanto o componente Pedagógico reme- te às práticas educacionais intencionais e objetivadas. Então, o que é o PPP? Qual sua im- portância? Para melhor compreender, você precisa saber que cada escola tem metas a serem realizadas e precisam de um caminho planejado e estruturado para atingi-las. Portanto, tenha em men- te que o PPP se trata de um documento norteador, que auxilia as práticas peda- gógicas e fortalece o processo de ensi- no-aprendizagem (SOUTO et al, 2010). O PPP pode ser classificado como “formal” quando se refere ao documento escrito e “em ação” ao se tratar do fun- cionamento prático no dia a dia (VENÂN- CIO; DARIDO, 2012). Mas a criação de um PPP é opcional? Há leis que orientam sua criação? É fundamental que você, educa- dor(a), entenda que o PPP é obrigatório a todas as instituições de ensino brasilei- ras, conforme definição da Lei de Dire- trizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LDB/1996), veja: Art. 12. Os estabelecimentos de ensi- no, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre a frequ- ência e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola (BRASIL, 1996). Vale ressaltar que o protagonismo do PPP não se deu a partir da LDB/96. A sua inclusão vem desde a Constituição Federal (CF) de 1988, enquanto sua regulamenta- ção se deu nos anos de 1990 por intermé- dio da lei supracitada (TAMURA, 2022). Mas todas as escolas utilizam o mesmo PPP ou ele é elaborado de ma- neira individual por cada instituição? 39 P R O J E TO P O LÍ TI C O -P E D A G Ó G IC O Conforme o conteúdo proposto no Art.12 da LDB/96, compreende-se a autonomia da escola para realizar o levantamento e utilização de dados que irão auxiliar no processo de planejamento de ações con- cretas, detalhadas e repassadas como guia a toda a comunidade escolar de for- ma autônoma e subjetiva. A situação da escola pode ser ana- lisada e alterada a fim de atingir objeti- vos da comunidade escolar. Por isso é fundamental que haja a colaboração de todos(as) os(as) envolvidos(as), não só na criação, mas no empenho para manter o PPP vivo (SOUTO et al, 2010). E quem são esses(as) envolvidos(as) no processo de criação do PPP? Trata-se da comunidade escolar, ou seja, confor- me Pinheiro (2022), estudantes e seus familiares, comunidade na qual a escola está inserida, magistério, gestores e de- mais funcionários, apoio e técnicos admi- nistrativos. Essa abrangência de colabo- radoresé apresentada nos Art. 13 e 14 da LDB (BRASIL, 1996), observe: FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 40 Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: I - participar da elaboração da pro- posta pedagógica do estabelecimen- to de ensino; Art. 14. Os sistemas de ensino defi- nirão as normas da gestão democrá- tica do ensino público na educação básica, de acordo com as suas pecu- liaridades e conforme os seguintes princípios: I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II - participação das comunidades es- colar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Portanto, fica claro que o envolvi- mento de todos(as) é fundamental para que haja a diversidade e sentimento de pertencimento. Além disso, as respon- sabilidades devem ser divididas em mo- mentos oportunos, como na reunião de planejamento anual, entre envolvidos(as), a fim de que os objetivos sejam realiza- dos ao longo do ano. Quais informações devem estar pre- sentes no documento? Para Cerce, Ban- deira e Ferreira (2022), o PPP mostra para a comunidade a identidade escolar e deve possuir em sua composição as caracte- rísticas dos cenários da escola, clientela, ambientes econômicos, identidade da ins- tituição de ensino, missão, visão, valores, objetivos e metodologias. Já Souza (2022) define, como elementos essenciais ao PPP, a “missão, clientela, dados sobre aprendi- zagem, relação com as famílias, recursos, diretrizes pedagógicas e plano de ação”. 41 P R O J E TO P O LÍ TI C O -P E D A G Ó G IC O 4 PARTICIPAÇÃO DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA CONSTRUÇÃO DO PPP O estudo de Sousa, Przylepa e Assis (2019) considerou que o compo-nente curricular “Educação Física” ocupou espaço de maneira acanhada no PPP de duas instituições investigadas, tanto no contexto de elaboração, quanto no de atualização. Os mesmos autores propõem que essa situação pode gerar descompasso do componente curricular em relação aos demais. Ou seja, professor(a), a partir do en- tendimento acerca do funcionamento pe- dagógico de uma escola, a instituição de ensino como um todo deve optar por for- mas de minimizar o trabalho hierarquiza- do e fragmentado. Para que de fato isso ocorra, é necessário que haja a inclusão de uma proposta pedagógica para a Educação Física. O amparo da BNCC e LDB/1996 na legalidade do componente curricular escolar demonstra a necessidade e im- portância da contribuição dos professo- res(as) de Educação Física nas reuniões e elaboração de propostas para o PPP, enfatizando a cultura corporal do mo- vimento, inclusão, e objetivos da BNCC para o componente “Educação Física”, adaptados à realidade local na qual a es- cola está inserida. Em ambiente escolar, na condição de professor(a), o(a) profissional de Educa- ção Física está inserido(a) em um coletivo com responsabilidades e tarefas. Tenha em mente que, enquanto área, a Educa- ção Física deve oferecer aos seus(uas) es- tudantes vivências significativas para que eles(as) compreendam a linguagem cor- poral e respeitem tanto os(as) outros(as) quanto a si mesmos(as). Para atingir esse propósito, você deve considerar as parti- cularidades dos(as) seus(uas) alunos(as) e os princípios do PPP da escola no mo- mento de elaborar seu plano (VENÂNCIO; DARIDO, 2012). Mas quais ideias transformadoras você pode sugerir para que a sua escola seja mais ativa? Pode haver momentos nas reuniões escolares destinados a pa- lestras sobre temas relacionados à Edu- cação Física e saúde, com oportunidade para que a comunidade compreenda a importância do componente curricular e de hábitos saudáveis. Outra possibilidade de transforma- ção social é a oferta de eventos como interclasse entre os(as) estudantes, para que tenham maior aproximação e gosto pelos esportes a partir da oportunidade de escolher em qual desejam competir, além da adoção do modelo de “Escolas Ativas” proposto pelo PNUD, com interva- los ativos e incentivo à adoção de hábitos de vida saudáveis, como mobilidade ativa no percurso dos(as) estudantes e famílias de casa à escola. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 42 ESTUDO DE CASO Agora que você já compreendeu de forma prática e objetiva o que é o PPP, a sua importância, quem parti- cipa dessa construção e o papel do profis- sional de Educação Física, vamos falar de forma prática sobre o que deve ser con- siderado para sua elaboração em tópicos essenciais. Para isso, confira a situação proposta no estudo de caso, a seguir: 5 Em uma escola de Ensino Funda- mental (anos finais), localizada em zona de vulnerabilidade social, a comunidade escolar tem como missão a construção do PPP. Para melhor entendimento, foi elaborado o quadro, a seguir, com base nos elementos considerados essenciais à construção do PPP (Cerce, Bandeira e Ferreira, 2022, e Souza, 2022). Observe: Elemento Resultado Histórico e identificação Foi levantada a localização, motivação para o nome da escola e a existência de 8 (oito) turmas de Ensino Fundamental II. A escola tem horta, cantina, sala dos professores, espaço para os alunos lancharem, coordenação, secretaria, laboratório de ciências, sala de informática, biblioteca e um pequeno pátio. Não há projetos ativos no momento. Missão O propósito da instituição foi definido como: “Transformar a realidade dos(as) alunos(as) os(as) preparando para o mercado de trabalho, cidadania ativa e desenvolvimento da literacia física. Tudo de forma inclusiva e efetiva.” Visão Na visão para o futuro, a escola almeja ser reconhecida pela comu- nidade como um espaço inclusivo e de transformação social, que valoriza o desenvolvimento integral do(a) aluno(a), além de alcançar a marca de se tornar uma das melhores escolas públicas de Fortaleza. Valores Respeito e Princípios. Objetivos Formação cidadã; preparar para o mercado de trabalho; compreender e valorizar inteligências múltiplas; propiciar o desenvolvimento da literacia física; promover a aproximação dos estudantes à atividade física. 43 P R O J E TO P O LÍ TI C O -P E D A G Ó G IC O FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 44 Clientela Com o propósito da instituição definido, os dados sobre a comuni- dade, ou seja, a clientela, foram analisados a partir de uma reunião proposta pela gestão, na qual foram repassados questionários e coletados dados, posteriormente tratados e expressados em gráfi- cos com os seguintes resultados: 85% dos responsáveis pelos(as) estudantes não frequentou a escola durante toda a educação básica, enquanto apenas 15% dos pais afirmou tê-la concluído. A renda média por família é de R$1.200,00, seus empregos são por carteira assinada, e em 89% das famílias, apenas um dos responsáveis tra- balha. Todas as famílias são naturais da região e adotam como for- ma de lazer o uso da Areninha e caminhada na própria comunidade. Dados sobre aprendiza- gem Os dados da aprendizagem foram observados no sistema, e demons- traram os seguintes resultados para os 320 matriculados: Dados da aprendizagem dos alunos Série Matriculados Aprovação Reprovação Nº evasão 6º ano 88 99% 1% 01 7º ano 91 97% 3% 01 8º ano 71 85% 15% 02 9º ano 70 84% 16% 08 Fonte: elaborado pelos autores. Foi identificado, como desafio, reduzir a evasão de alunos(as), princi- palmente no 9º ano. Relação com as famílias A respeito da Relação com as famílias, foi identificado que os pais possuem assiduidade e acompanham o rendimento dos filhos, parti- cipam dos grupos de WhatsApp da turma, reuniões e buscam feedba- ck ao final das aulas, o que é fundamental à permanência e desenvol- vimento adequado dos alunos. 45 P R O J E TO P O LÍ TI C O -P E D A G Ó G IC O RecursosQuando se tratou de recursos, a escola demonstrou ter alguns ma- teriais fornecidos pelo governo anualmente, por já constarem no orçamento, como livros, material dourado, pincéis e apagadores. Há boa iluminação, energia elétrica, água filtrada e ambientes climatiza- dos. No entanto, foi observada a carência nos materiais para aulas de educação física na escola, pátio pequeno para a demanda de alunos, ausência de quadra. Sobre recursos humanos, a escola conta com todos os(as) professo- res(as) na condição de efetivos(as), assim como há um diretor, duas coordenadoras e uma secretária, sem nenhuma carência de corpo docente e administrativo. Diretrizes pedagógicas As Diretrizes pedagógicas foram definidas a partir de reuniões com os(as) professores(as), gestores(as) e agentes, nas quais conside- raram todos os componentes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), adaptando os conteúdos com exemplos da cultura regional para melhor assimilação, e foram priorizados os métodos ativos durante as aulas, na intenção de formar alunos(as) autônomos(as) e críticos(as) com base nas ideias de Paulo Freire. Plano de ação Durante a reunião foram apresentados em gráficos os dados da aprendizagem, clientela, assim como todos os outros pontos do PPP para a criação do Plano de Ação da escola. Durante esse momento, o professor de Educação Física pediu espaço de fala e sugeriu que a escola priorizasse a compra de tatames, caixa de som, bolas de fut- sal e basquete, cones chineses, bambolês e cordas. Declarou que os materiais que não fossem comprados seriam construídos pelos(as) alunos(as), a fim de ter chance da experimentação de todos os con- teúdos propostos na BNCC. Além disso, o mesmo professor citou os conteúdos regionais, do Bra- sil e do mundo, que pretende usar para cada um dos conteúdos da Educação Física na BNCC, de acordo com as diferentes faixas etárias. Explicou sobre a importância na experimentação de diversas possibi- lidades de movimento durante as aulas, do objetivo de formar indiví- duos fisicamente literados, protagonistas e ativos socialmente, assim como sugeriu a adoção do modelo de escolas ativas proposto pelo PNUD, com olimpíadas de intervalo e a criação de um interclasse uma vez por ano na escola, para que os(as) alunos(as) se aproximassem, tivessem pertencimento e criassem o gosto por esportes. Cada professor(a) levou contribuições para seu componente curricular. Os objetivos gerais para a escola foram traçados e uma nova reunião foi marcada com espaço de fala para toda a comunidade escolar, a fim de apresentar o Plano de Ação e a escolha dos responsáveis para dividir tarefas em prazos específicos. A reunião ocorreu e, após ajustes, todos(as) foram envolvidos(as) e responsabilizados(as) ativamente. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 46 VOCÊ SABIA? Literacia Física é “uma compe- tência multidimensional que se aprende e se traduz pelo domínio de uma cultura motora diversifica- da e socialmente reconhecida, as- sente numa aptidão física ajustada que permite que cada indivíduo possa com confiança, autonoma- mente e de forma perseverante, envolver-se na prática de ativida- de física, ao longo da vida. A lite- racia física é muito mais do que o conceito de exercitação física, tão frequentemente propalado como o meio para a promoção de uma vida ativa e saudável” (ONOFRE, 2017). FICA A DICA A Educação Física encontra-se na área de linguagens da BNCC (BNCC, 2017, p.29) e seus conte- údos na condição de componente curricular do Ensino Fundamental são: Jogos e Brincadeiras (1º ao 7º ano), Esportes, Ginásticas e Dan- ças (1º ao 9º ano), Lutas (3º ao 9º ano) e Esportes de Aventura (6º ao 9º ano) (BNCC, 2017, p.231-p.239). Acesse: h t t p : / / b a s e n a c i o n a l c o m u m . mec.gov.br/images/BNCC_EI_ EF_110518_versaofinal_site.pdf http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf 47 P R O J E TO P O LÍ TI C O -P E D A G Ó G IC O BRASIL. Constituição da República Federati- va do Brasil de 1988. Disponível em: <https:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicao.htm>. Acesso em: 09 jan. 2023. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacio- nal Comum Curricular. 2017. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ima- ges/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site. pdf>. Acesso em 19 jan 2023. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamen- tal. Parâmetros Curriculares Nacionais: Edu- cação física / Secretaria de Educação Funda- mental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. 96p. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamen- tal. Parâmetros Curriculares Nacionais: Edu- cação Física / Secretaria de Educação Funda- mental. Brasília: MEC / SEF, 1998. 114 p. UNESCO. Carta Internacional da Educação Física e do Esporte da UNESCO. Paris, 1978. Disponível em:< https://unesdoc.unesco.org/ ark:/48223/pf0000216489_por >. Acesso em: 12 jan. 2022. CAVALCANTE, Fernando Resende; BUNGENS- TAB, Gabriel Carvalho; LAZZAROTTI FILHO, Ari. Rui Barbosa e a educação física nos pareceres para o ensino primário de 1883: influências e proposições. Movimento, v. 26, 2021. CERCE, Lívia Maria Rassi; BANDEIRA, Eduardo Arthur Neves; FERREIRA, Valdivina Alves. Do- cumentos pedagógicos no âmbito da escola de educação básica. Educação Por Escrito, v. 13, n. 1, p. e39458-e39458, 2022. DELORS, Jacques et al. Relatório para a UNES- CO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Educação um tesouro a descobrir, v. 6, 1996. UNESCO. 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Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron- End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-044-8 (Fascículo 3) Fundação Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327 Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br Todos os direitos desta edição reservados à: José Airton de Freitas Pontes Junior Licenciado em Educação Física, mestre e doutor em Educação pela Univer- sidade Federal do Ceará (UFC), com pós-doutorado em Educação pela Uni- versidade do Minho (Portugal) e especialização em Relações Internacionais pela Faculdade Verbo Jurídico Educacional. Professor da Universidade Es- tadual do Ceará (Uece), vinculado ao curso Licenciatura em Educação Física, ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPSAC) e ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/Uece). Vitória Monteiro Monte Oliveira Graduada em Educação Física (Uece), com especialização em Docência do Ensino Superior e Metodologias Ativas de Aprendizado (Faculdade Descom- plica). Professora efetiva do município de Fortaleza e pesquisadora do Nú- cleo de Investigação em Atividade Física na Escola (Niafe- Uece) Carlus Campos Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na produção de suas ilustrações, utiliza várias lingua- gens como: desenho, pintura, aquarela, gravura e fotografia. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos prêmios com arte gráfica, fez incursões pelas artes plásticas participando de diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRA- FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft. 49 ES P O R TE D E P A R TI C IP A Ç Ã O , E D U C A C IO N A L, D E R E N D IM E N TO E D E F O R M A Ç Ã O GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA Esporte de Participação, Educacional, de Rendimento e de Formação Especificidades e políticas no Brasil André Accioly Nogueira Machado Lívia Marques Quixadá 4 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 51 52 54 56 60 ESPORTE: DEFINIÇÕES, ESPECIFICIDADES E CONTEXTOS A IMPORTÂNCIA DO ESPORTE NA SAÚDE, ECONOMIA E SOCIEDADE AS DIMENSÕES DO ESPORTE E SUAS DEFINIÇÕES, EXEMPLOS E POLÍTICAS ASSOCIADAS CONSIDERAÇÕES FINAIS 5 51 ES P O R TE D E P A R TI C IP A Ç Ã O , E D U C A C IO N A L, D E R E N D IM E N TO E D E F O R M A Ç Ã O APRESENTAÇÃO 1 Diariamente, você e a sociedade como um todo devem se deparar com informações acerca de espor- tes nos mais diversos meios e suportes de comunicação. O esporte, historica- mente, está presente na vida de todos, seja através dos meios de comunicação mais tradicionais, como jornais, TV e rá- dio, seja nas redes sociais, nos eventos esportivos, nos anúncios e propagandas, na venda de materiais esportivos ou de álbuns de figurinhas, nas recomendações e espaços para a sua prática, em casa, na escola, na boca de torcedores em todo lu- gar, entre outros. Ou seja, o esporte, nas suas mais diversas modalidades, é um fenômeno completamente enraizado na cultura e nos costumes da sociedade contemporânea. Atualmente, o esporte se apresen- ta enquanto um fenômeno sociocultural complexo e multifacetado, com ampla disseminação mundial, cada vez mais presente na sociedade e bem estabeleci- do enquanto patrimônio da humanidade (BENTO, 2006). Pode-se destacar tam- bém que o esporte atinge cada vez mais pessoas interessadas em sua prática e mantém relação com o campo da saúde, educação, turismo, economia, entre ou- tros, conferindo particularidade interdis- ciplinar (TUBINO 2002). Com tantas características e dife- renças entre si, os esportes são dividi- dos em modalidades e tipos esportivos. Cada esporte tem hoje seu espaço, suas regras, seus objetivos e materiais. Mas, além disso, os esportes também são categorizados em dimensões, mas com uma divisão feita de tal maneira que uma modalidade pode estar presente em to- das as dimensões. O que trará a diferen- ça será o nível de tratamento do esporte, ambiente e objetivos a serem alcançados em cada dimensão. Vamos bater um papo sobre isso neste módulo, no qual esperamos que, ao final, você possa: (1) Compreender os aspectos básicos para a conceituação de esporte, sua classificação e políticas nor- teadoras; e (2) Diferenciar as dimensões do esporte de acordo com suas caracte- rísticas, objetivos e habilidades no con- texto de sua prática. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 52 Apesar do termo “esporte” ser bem compreendido dentro do senso comum, no âmbito acadêmico se faz necessário uma maior discussão e melhor definição de termos e conceitos. Nesse contexto, surgem alguns questio- namentos: o que é esporte? O esporte, enquanto manifestação sociocultural, apresenta o mesmo sentido quando pra- ticado na rua, nas escolas ou nos grandes eventos desportivos? É possível que um único conceito de esporte seja abrangen- te o suficiente para compreender estas diferentes manifestações? Tal qual acontece com outras ma- nifestações culturais, o esporte oferece amplas possibilidades e significados em seu desenvolvimento (BOURDIEU, 1990). Não podemos esquecer que a exemplo de práticas corporais de aventura, tal qual o surfe, algumas modalidades podem ser classificadas como esporte sob certas circunstâncias, e quando as circunstân- cias mudam, este significado também muda (BARBANTI, 2006). A partir da observação dessas exten- sas possibilidades, percebe-se uma difi- culdade em compreender e, consequente- mente, em definir o que vem a ser esporte e qual lugar ele ocupa no mundo moderno. Acredita-se que a palavra esporte tenha sua origem da palavra francesa deport, que pode significar prazer, diver- tir ou recreio. Com o passar dos anos, à luz de processos dedesenvolvimento e internacionalização, o termo sofre uma 2 ressignificação e adquire novos sentidos. Aparentemente, a expansão vertiginosa no número de modalidades, causada pela criação de novas e/ou em decorrência de mudanças em modalidades já existentes, junto à divulgação, aprimoramento nas regras e contextos de prática parecem ter influenciado fortemente este fenômeno (MARCHI JUNIOR, 2015). Barbanti (2006) afirma que existem três requisitos básicos a serem contem- plados no desenvolvimento de uma defi- nição contemporânea de esporte. O primeiro nos remete aos tipos es- pecíficos de atividades, uma vez que di- versos conceitos contemplam a percep- ção que esportes são necessariamente praticados em condições de exigência física. Dessa forma, atividades como o xadrez e e-sports poderiam não ser clas- sificados como tal. O segundo refere-se às condições em que o esporte acontece. Nessa pers- pectiva, o esporte deve acontecer sob um conjunto particular de circunstâncias, apresentando seu desenvolvimento em situações que podem ir da informalida- de a condições formais e organizadas de forma institucionalizada. Por último, o esporte depende da orientação subjetiva dos praticantes. Aqui você deve levar em consideração aspectos que vão da motivação intrínseca no envolvimento na atividade aos fatores externos ao sujeito, como troféus, meda- lhas e dinheiro. PARA REFLETIR Valdir José Barbanti, em 2006, de- finiu esporte como “uma atividade competitiva institucionalizada que envolve esforço físico vigoroso ou o uso de habilidades motoras relativamente complexas, por in- divíduos, cuja participação é mo- tivada por uma combinação de fatores intrínsecos e extrínsecos”. Jim Parry, filósofo do esporte inglês, apresenta um conceito construído a par- tir de critérios claros e objetivos que têm a finalidade de definir o que é esporte. Parry (2014) afirma que, para ser enten- dida enquanto esporte, qualquer ativida- de deve atender aos seguintes critérios: (1) o esporte é praticado em essência por seres humanos, devendo objetivar o desenvolvimento do mesmo; (2) o esporte sempre demanda esforço físico, em variadas intensidades; (3) todas as habilidades relacionadas ao esporte devem ser estimuladas e desen- volvidas em contexto prático e pedagó- gico; (4) presença de aspectos competitivos e uma prática que busque a excelência esportiva; (5) a existência de regras estabelecidas e que determinam a prática; ESPORTE: DEFINIÇÕES, ESPECIFICIDADES E CONTEXTOS 53 ES P O R TE D E P A R TI C IP A Ç Ã O , E D U C A C IO N A L, D E R E N D IM E N TO E D E F O R M A Ç Ã O (6) o aspecto estrutural e organizacional do esporte pelo qual as regras e a parti- cipação em alguns contextos são fiscali- zadas; por último, (7) destacamos os valores intrínsecos e extrínsecos do esporte, que definem as características da prática em diversos grupos. Nessa perspectiva, se faz necessário classificar as modalidades esportivas a partir de suas características. Com o es- tabelecimento de critérios claros é possí- vel definir categorias, facilitando o enten- dimento do esporte e de sua organização. González (2004) propõe um siste- ma de classificação das modalidades de acordo com os seguintes critérios: a. cooperação, podendo ser prati- cado de forma individual ou co- letiva; b. interação com o(a) adversá- rio(a), característicos dos espor- tes com oposição direta; c. ambiente, justificado pela possi- bilidade do ambiente de prática oferecer incertezas para o(a) praticante; d. desempenho motor, como este se expressa na modalidade; e e. objetivos táticos da ação, repre- sentado por meio da exigência imposta aos (às) participantes. Observando as amplas possibilida- des de conceituação e classificação, você pode perceber que o esporte é um cam- po vasto, com diferentes possibilidades de expressão. Dessa forma, não pode ser entendido de uma única maneira, e sim a partir da expressão de seus diferentes contextos, sentido da prática e forma em que o mesmo é praticado (STIGGER, 2002). FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 54 3 Perceba que a ampla oportunidade da prática esportiva em diferentes contextos para a população exerce profunda influência em diversos aspec- tos. O aumento na prática de atividade física, que contempla a prática esportiva, contribui de forma decisiva para ganhos para a saúde individual e, por consequên- cia, à saúde pública. Dessa forma, impac- tando diretamente na redução de custos relacionados ao tratamento de doenças crônico degenerativas e internações hospitalares. Além do impacto econômico prove- niente dos benefícios à saúde dos indi- víduos, o esporte, expresso através dos grandes eventos esportivos, também pode trazer contribuições significativas à economia de muitos países. Esse impac- to econômico se revela de forma direta, quando muitos profissionais do espor- te são remunerados(as) por isso, como atletas, treinadores(as), técnicos(as), árbitros(as) etc. Outros, exploram o es- petáculo esportivo de forma indireta, tal como a indústria de material esportivo, o comércio de forma geral, além de setores alimentícios, turísticos e da comunicação. A exemplo disto, a Copa do Mundo de fu- tebol do Catar, por exemplo, movimentou um volume de aproximadamente 220 mi- lhões de dólares de investimento. Este valor é cerca de vinte vezes maior do que os valores investidos na Copa do Brasil em 2014. Nesse contexto, políticas públicas no Brasil têm assegurado a inclusão social através do esporte e ajudado atletas a superar desigualdades. Perceba que nas Olimpíadas do Rio, em 2016, o atleta Isa- quias Queiroz conquistou três medalhas na canoagem, o atleta Robson Conceição foi medalha de ouro no boxe e a judoca Rafaela Silva também campeã em sua ca- tegoria. É bastante interessante, quando reconhecemos que esses três atletas chegaram no esporte por meio de proje- tos sociais, como o Segundo Tempo e o Bolsa-Atleta. E mais: das dezenove me- dalhas conquistadas pelo Brasil em 2016, dezessete foram conquistadas também por beneficiários do Bolsa- Atleta. A IMPORTÂNCIA DO ESPORTE NA SAÚDE, ECONOMIA E SOCIEDADE 55 ES P O R TE D E P A R TI C IP A Ç Ã O , E D U C A C IO N A L, D E R E N D IM E N TO E D E F O R M A Ç Ã O FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 56 Você, professor(a), já sabe o que é o esporte, suas especificidades, di-ferenças de outras práticas e sua importância para a sociedade. De acordo com Política Nacional do Esporte, três di- mensões de prática e de ensino construí- am o esporte no Brasil: Î Esporte de Participação; Î Esporte Educacional; e Î Esporte de Rendimento. E, para somar com as três dimen- sões citadas acima, os esportes ganha- ram mais uma dimensão: a de Formação, ficando assim quatro divisões que serão tratadas neste módulo. TÁ NA LEI Foi por meio da Lei Pelé (nº 13.155/2015) que o esporte no Bra- sil ganhou mais uma dimensão, além das três criadas inicialmente. Foi incluído o Esporte de Formação. Você leu, no início deste módulo, que esportes têm regras, lugares e materiais específicos que devem ser seguidos em cada modalidade. 4 AS DIMENSÕES DO ESPORTE E SUAS DEFINIÇÕES, EXEMPLOS E POLÍTICAS ASSOCIADAS O Esporte de Participação é a di- mensão em que se pode praticar alguma modalidade (à sua escolha) de forma mais voluntária, sem necessidade de cumprir as características oficiais exemplificadas anteriormente. Ele tem como finalidade: (1) oportunizar as mais diversificadas ati- vidades físicas e esportivas para indivídu- os de variadas idades; (2) desenvolver a saúde individual e coletiva e educação; (3) favorecer a integração de quem a pratica em uma plena vida social e preservação do meio ambiente. Percebe-seque seu caráter se apre- senta ligado ao lazer, podendo gerar, além dos objetivos citados acima, bem-estar, inclusão e integração. Observe que nele não necessitamos seguir regras, lugares e materiais oficiais das modalidades es- portivas. A sua democratização acontece naturalmente, sendo bastante acessível e fortalecendo a ideia de que o esporte é para todos(as). Favorecendo momentos e sentimen- to de bem-estar, exemplos de manifes- tações dessa dimensão esportiva são: a prática em si dos esportes, os jogos, as brincadeiras, as atividades de lazer e vi- vências com ludicidade. Todos envolven- do desportos em suas diversas modali- dades, porém, com mais flexibilidade e espontaneidade. 57 ES P O R TE D E P A R TI C IP A Ç Ã O , E D U C A C IO N A L, D E R E N D IM E N TO E D E F O R M A Ç Ã O Um dos primeiros documentos que garantiram o esporte e o lazer como di- reitos da sociedade pelo Estado foi a Constituição Brasileira de 1988, a deno- minada “Constituição Cidadã”. O artigo 217 traz formalmente as obrigações do Estado (abrangendo União, o Distrito Fe- deral, os estados e os municípios e o) no que se refere ao esporte. E quais seriam as obrigações do Es- tado acerca dos esportes*? Confira: I - a autonomia das entidades des- portivas dirigentes e associações, quanto à sua organização e funcionamento; II - a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento; III – o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não profissional; IV - a proteção e o incentivo às mani- festações desportivas de criação nacional. (*) elaborado pelos autores com base em Brasil (Constituição 1988, Art. 217). Ao lado da Constituição Federal e da Lei Pelé, outro documento importante para a compreensão do esporte como di- reito social, foi a Carta Brasileira de Edu- cação Física, cujo conteúdo explana que a Educação Física não é uma obrigação, mas, sim, um direito fundamental. Vejamos agora o Esporte Educacional. Essa dimensão é bastante ligada a escolas, porém não se restringe a elas, podendo acontecer fora delas. O Esporte Educacional se preocupa com a prática e aprendizado esportivo em si, possuindo metodologias próprias de ensino, mas, da mesma forma, seu objetivo é promover e atingir o desenvolvimento integral dos indivíduos. Visa formar o ser humano para que possa exercer uma cidadania de forma exitosa e ativa, como no lazer. Assim como possui objetivos a se- rem alcançados, possui também pontos e circunstâncias a serem evitadas: nes- sa dimensão há o combate e a preven- ção de situações como segregação en- tre os(as) praticantes (seletividade) e a competitividade em grau elevado. Essa dimensão pode ser subdividida em dois grupos: (1) Educacional propriamente dito e (2) Escolar: Î Educacional propriamente dito: tem como valores norteadores a inclusão, promoção da saúde, cooperação e co- educação, responsabilidade e partici- pação. Pode existir dentro e fora de es- colas e colégios. Você pode observar, como exemplo, o projeto “Aprendendo em Movimento”, que leva a capoeira para crianças e adolescentes em es- colas e comunidades em Fortaleza com o intuito de acompanhar os jo- vens, auxiliá-los em suas vidas fami- liar e escolar. Î Escolar: realizado dentro da escola e abrangendo também o esporte na universidade. Seus objetivos envol- vem (1) desenvolver habilidades e FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 58 espírito esportivos, (2) uma formação cidadã, (3) promoção da saúde e (4) auxiliar o cultivo de potencialidades para o desporto de rendimento. Nes- se âmbito, um bom exemplo são os Jogos Intercolegiais Cordimarianos (JICs), que reúnem times de diferentes modalidades de uma rede de escolas de Fortaleza e outras cidades. Traba- lham com os(as) alunos(as) a prática dos esportes, a responsabilidade com os(as) próprios(as) colegas e com os(as) jovens de outros grupos, além de, ao longo da competição, a forma- ção humana. Sobre o ambiente escolar, observa- mos que documentos, como a Lei de Di- retrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a Base Nacional Comum Curri- cular (BNCC), definem a Educação Físi- ca como obrigatória no ensino básico e organizam seus conteúdos de acordo com as séries. Também os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), documen- to que conjuntamente norteia a Educação Física, auxiliam no combate à seletivida- de e exclusão. CURIOSIDADE Em relação às dimensões esporti- vas, o Esporte Educacional é tratado com prioridade na distribuição de recursos públicos pela nossa Cons- tituição. A terceira dimensão é o Esporte de Rendimento. Nele, os objetivos envolvem a integração de diferentes populações, sociedades ou grupos, podendo ser den- tro de um mesmo país (nível nacional) e também entre países diferentes (nível in- ternacional), tudo isso por meio de com- petições e eventos que buscam o alcance de bons resultados por aqueles(as) que praticam os esportes. Exemplos de Esporte de Rendimento são as grandes competições que envol- vem várias modalidades, como as Olimpí- adas e Paraolimpíadas, competições que envolvem apenas uma modalidade, como a Copa do Mundo de Futebol, e aquelas que acontecem a níveis nacionais, regio- nais, estaduais ou até municipais, como copas ou torneios entre times de diferen- tes comunidades. Observe: diferente do Esporte de Participação, no qual as regras podem ser modificadas e adaptadas para cada rea- lidade, nesta dimensão as modalidades praticadas devem seguir rigorosamente as regras nacionais e internacionais, no que se refere à questão de espaço, tempo, materiais e participantes, dentre outros pontos. Em relação aos(às) praticantes, es- ses(as) podem ser divididos(as) em dois grupos: profissionais e não profissionais, onde a diferença é que o primeiro recebe recursos financeiros por jogar e partici- par de competições. Para finalizar as quatro dimensões dos esportes, temos o Esporte de Forma- ção. Como você já leu no início desse tó- 59 ES P O R TE D E P A R TI C IP A Ç Ã O , E D U C A C IO N A L, D E R E N D IM E N TO E D E F O R M A Ç Ã O lidades básicas em relação ao esporte escolhido com o objetivo de aperfeiçoar a sua prática cada vez mais. Exemplo disso, em escolas, são as “escolinhas”, onde os(as) alunos(as) aprendem desde o básico de alguma modalidade espor- tiva e vão se aperfeiçoando com o tem- po. Em ambientes de lazer, como pra- ças ou campinhos, você pode encontrar projetos em que técnicos(as) formam turmas com indivíduos de uma comuni- dade para treinar uma determinada mo- dalidade esportiva. Os praticantes dessa iniciação esportiva podem tanto cami- nhar para participação em competições, como para a utilização das habilidades adquiridas em sua rotina e lazer. pico, ele foi criado apenas em 2015, anos depois das demais dimensões aqui apre- sentadas. Os Esportes de Participação, Educacional e de Rendimento abrangem o ambiente de competições, o ambiente de lazer e o ambiente de educação. O Esporte de Formação tem como característica a possibilidade de acon- tecer em praças ou áreas de lazer, em escolas, dentro de projetos sociais e em ambientes de competição. E o que vai di- ferenciar e apontá-lo, então, como sendo de Formação? Será a etapa em que o(a) atleta está e o objetivo naquele momen- to. Vamos entender: nessa dimensão é tratada a iniciação esportiva daquele indivíduo, na qual ele desenvolve habi- FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 60 Você aprendeu neste módulo que o mundo dos esportes é amplo e abrange diferentes objetivos, além de torneios e competições, observado nas variadas plataformas de informação. Primeiramente, pôde notar que para con- ceituar o esportedeve observar pontos como: (1) o tipo de atividade que se está praticando ou trabalhando, (2) as condi- ções em que ela está acontecendo e (3) as orientações que envolvem aquela prática. As atividades consideradas espor- tes reúnem aspectos físicos, nos quais os participantes necessitam demandar esforço físico, trabalhar seu desempenho e habilidades motoras e seu desenvolvi- mento de técnicas em cada modalidade. Também reúnem aspectos cogniti- vos, onde o praticante deve trabalhar tá- ticas de ações, o desdobramento do ensi- no-aprendizagem (pedagogia que gera o aprendizado), o entendimento de regras e da organização de cada jogo. Também observou os aspectos de comportamento e relações, nos quais são trabalhadas as relações entre os(as) praticantes, seus(uas) colegas, seus(uas) adversários e o ambiente. Inclui-se aqui também o saber lidar com a competitivi- dade intrínseca ao mundo esportivo e a aquisição, ao longo das práticas, de valo- res enquanto atletas e pessoais. CONSIDERAÇÕES FINAIS Por fim, você aprendeu sobre as qua- tro dimensões dos esportes. Em relação à escolha de qual delas você deve seguir como praticante ou como profissional da área de Educação Física, observe e pon- dere três principais pontos: Î os objetivos que quer alcançar; Î as possibilidades do tempo pre- sente e futuro de cada; e Î qual ambiente você está ou quer estar inserido. Cada uma das dimensões aqui tra- balhadas possui seus próprios objetivos: em uma a saúde e lazer como prioridade (Participação), em outra o aprendizado de habilidades esportivas (Formação), em outra, ainda, a inclusão e integração entre os participantes (Educacional) e em ou- tra a competição e relações entre nações (Rendimento). Contemplando todos os ambientes, níveis de acessibilidade e finalidades possíveis, o esporte é um fenômeno que pode e deve ser possibilitado a todos(as), seja como praticantes, como professo- res(as)/técnicos(as)/monitores(as), seja como iniciantes ou como profissionais. O esporte é direito legal e fundamen- tal de todos(a) e importante para a so- ciedade no sentido da saúde, economia e gerando até perspectiva de vida. Vamos praticar? 5 61 ES P O R TE D E P A R TI C IP A Ç Ã O , E D U C A C IO N A L, D E R E N D IM E N TO E D E F O R M A Ç Ã O FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 62 AMARAL, Cacilda Mendes dos Santos; BAS- TOS, Flávia da Cunha. Instalações esportivas voltadas ao esporte de participação: propo- sal of a management processes model for brazilian reality. 2019. Disponível em < ht- tps://repositorio.usp.br/item/002954572>. BARBANTI Valdir. O que é esporte?. In Revis- ta Brasileira de Atividades Físicas. v.11, n.1, 2006 Disponível em: https://rbafs.org.br/ RBAFS/article/view/833 BENTO, Jorge Olímpio. Da pedagogia do des- porto. In: TANI, Go; BENTO, Jorge Olímpio; PE- TERSEN, Ricardo Demétrio de Souza. Peda- gogia do desporto. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. p. 26-40. BOURDIEU, P. Coisas ditas. São Paulo: Brasi- liense,1990. CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO FÍSI- CA. Carta Brasileira da Educação Física. 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Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron- End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-045-5 (Fascículo 4) Fundação Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327 Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br Todos os direitos desta edição reservados à: AUTORES André Accioly Nogueira Machado Professor adjunto do curso de gradua- ção em Educação Física da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Doutor em Ci- ências-Fisiologia, pela UFRJ. Mestre em Ciências Fisiológicas (Uece). Graduado em EducaçãoFísica pela Universidade de Fortaleza (Unifor). Professor e pes- quisador do Núcleo de Investigação em Atividade Física na Escola (Niafe-Uece). Atualmente, atuando na área de Práticas Corporais de Aventura. Lívia Marques Quixadá Graduada em Educação Física e espe- cialista em Educação Física Escolar, am- bas pela Universidade Estadual do Cea- rá (Uece). Professora e pesquisadora do Núcleo de Investigação em Atividade Fí- sica na Escola (Niafe-Uece). Atuante em colégios nos níveis infantil e fundamental com Educação Física e ensino de Karatê. Possui pesquisas e trabalhos na área de Educação Física Escolar, Atividade Física e Saúde e Comportamento Sedentário. ILUSTRADOR Carlus Campos Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na produção de suas ilustrações, utiliza várias lingua- gens como: desenho, pintura, aquarela, gravura e fotografia. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos prêmios com arte gráfica, fez incursões pelas artes plásticas participando de diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRA- FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft. GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA Gestão Multidisciplinar do Esporte na Escola Braulio Nogueira de Oliveira 5 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 67 68 CONCEITO DE MULTIDISCIPLINARIDADE 70 GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE NAS DISCIPLINAS CURRICULARES 72 GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE ESCOLAR 78 CONSIDERAÇÕES FINAIS 5 67 G ES TÃ O M U LT ID IS C IP LI N A R D O E S P O R TE N A E S C O LA APRESENTAÇÃO 1 Nesse módulo você irá aprender sobre a gestão multidisciplinar do esporte na perspectiva do trabalho escolar. Inicialmente, será abordado o con- ceito de multidisciplinaridade e sua interface com o esporte. Em segundo momento, será discutido a gestão mul- tidisciplinar do esporte na escola em duas perspectivas: (1) nas disciplinas curriculares, especialmente na Educa- ção Física; e (2) no esporte escolar (nas chamadas escolinhas esportivas), indo desde a iniciação esportiva à formação das equipes escolares. Nesse contexto, cabe destacar a pos- sibilidade de articulação da gestão mul- tidisciplinar do esporte com os distintos componentes curriculares da Educação Básica, como também com os distintos profissionais, sejam eles vinculados à própria escola, ou mesmo por meio de articulação intersetorial. Para este módulo, trazemos como objetivos de aprendizagem: (1) Com- preender o conceito de multidiscipli- naridade e sua mobilização na gestão multidisciplinar do esporte na escola; (2) Articular a gestão multidisciplinar do esporte na perspectiva das disciplinas curriculares da educação básica; (3) Ar- ticular a gestão multidisciplinar do es- porte na perspectiva do esporte escolar; e (4) Demonstrar capacidade de gestão e liderança, ao entender o esporte em sua dimensão sociocultural e pedagógica na formação das identidades. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 68 Em geral, quando você ouve ou vê o termo “multidisciplinar”, automati-camente pensa em algo que envol- ve diferentes disciplinas em prol de um objetivo em comum. Contudo sua abor- dagem se torna complexa, na medida em que para que tal objetivo possa ser alcan- çado, é preciso diálogo entre essas distin- tas disciplinas. Vejamos: “A multidisciplinaridade, como con- cepção epistemológica, remonta à visão cartesiana moderna para a qual cada dis- ciplina constitui-se num saber específico, com objeto determinado, com fronteiras delimitadas e com métodos próprios. Pressupõe, em sua origem, que o conhe- cimento pode ser construído consideran- do-se o objeto como algo isolado de um todo e que pode ser dividido e analisado em partes (disciplinas).” (MARTINAZZO; CHEROBINI, 2014, p. 472). Considerando o conceito ora apre- sentado, você pode observar que a críti- ca da autoria com relação a abordagem multidisciplinar na escola recai sobre cada professor(a) ou disciplina curricular. Ainda que todos(as) abordem o mesmo tema, o fazem com seu próprio viés, sem considerar as contribuições das demais disciplinas no que se refere a interações e conexões. Uma abordagem multidisciplinar (tradicional) do Esporte enquanto conte- údo poderia ser a seguinte relação entre distintas disciplinas (sem diálogo entre si) e o mesmo tema (esporte): 2 • Educação Física - preparação fí- sica e esportiva; • Matemática - análise de desem- penho e eficiência de atletas no esporte via scout; • História - origem e principais fa- tos históricos de um determinado; • Biologia - alterações fisiológicas durante o exercício físico. Você deve perceber que são conte- údos que poderiam ser abordados em conjunto. O mesmo ocorre quando essa mesma lógica, no âmbito da gestão multi- disciplinar, atinge a dimensão de distintas profissões que atuam no esporte: profis- sional de Educação Física; Psicólogo do Esporte; Analista de Desempenho; Fisio- logista, Administrador, entre outros. Na acepção aqui trabalhada, a ges- tão multidisciplinar aparece mais alinha- da ao conceito de interdisciplinariedade. Nessa linha, pensando do ponto de vista prático, além de trabalhar uma mesma temática, as distintas disciplinas, em constante diálogo, atuariam de modo in- tercomplementar, quando não de modo concomitante (ao mesmo tempo). Nesse sentido, as disciplinas Educação Física, Matemática, História e Biologia (citados no exemplo anterior, mas que você pode até pensar em outras) abordariam um mesmo tema, de modo complementar, respondendo a questões que são mais próprias de uma ou de outra, mas que todas podem contribuir, a saber: como se relacionam o treinamento aeróbico ou anaeróbico, suas alterações fisiológicas e as mudanças na prática de treinamento esportivo no decorrer dos anos? Como se relacionam os fatos históricos esportivos e a história, política e cultura do país? Que outras estratégias e táticas podem ser pensadas, a partir da análise estatística de desempenho? Você verá mais sobre isso no tópico “Disciplinas Curriculares”. ATENÇÃO! Compreendemos a interdisciplina- ridade e a intercomplementaridade como concepções que apresentam aspectos em comum, uma vez que ambas comportam os conceitos mais fundamentais de cada espe- cialidade enquanto necessários para outras áreas, quando, de fato, o estudo, a significação de conceitos de uma área, potencializa as ações de outra(s). (AUTH, 1994, p. 394) Os exemplos citados servem para pensar não somente a gestão multidis- ciplinar do esporte no âmbito das disci- plinas escolares, como também das dis- tintas profissões que trabalham com o esporte. Urge a necessidade de diálogo entre as diferentes categorias, tais como administradores, fisioterapeutas, profis- CONCEITO DE MULTIDISCIPLINARIDADE 69 G ES TÃ O M U LT ID IS C IP LI N A R D O E S P O R TE N A E S C O LAsionais de Educação Física, psicólogos, nutricionistas. Mas como articular tudo isso na escola? É o que você verá no tópi- co sobre o esporte escolar. Vejamos a seguir um Estudo de Caso: Uma dinâmica interessante para o entendimento mais ampliado de uma gestão ou trabalho multidisciplinar parte de uma prática em grupo. Divida a turma em dois grupos, com objetivo de confeccionar um desenho re- lativo à prática de algum esporte, deven- do constar cabeça, tronco e membros. É importante a definição antecipada sobre o desenho, bem como disponibilizar os materiais. Para o primeiro grupo, disponibili- ze uma cartolina, pincéis e lápis de cor. A orientação é que conversem entre si e que produzam o desenho da forma de que for mais conveniente. No caso do segundo grupo, você de- verá subdividi-lo em três subgrupos. Re- corte a cartolina em três partes iguais, na horizontal, e disponha uma parte da cartolina,pincéis e lápis de cor para cada subgrupo. Os subgrupos não poderão dia- logar entre eles, mas tão somente interna- mente. Após garantir que não haverá diá- logo entre os distintos subgrupos, solicite que um grupo desenhe cabeça e pescoço, outro o tronco e membros superiores e o outro os membros inferiores. Finalizado esse desenho, junte as três partes. Como resultado final, provavelmente você terá como fruto do trabalho do pri- meiro grupo um desenho simetricamente alinhado, e do trabalho do segundo grupo tamanhos distintos que não se encaixam corretamente. É importante solicitar que os(as) próprios(as) alunos(as) reflitam sobre a vivência. Em segundo momento, aponte o quanto é importante o diálogo entre os diferentes saberes (disciplinas) para atingir um objetivo específico de modo mais profundo e eficiente, no qual cada um contribui de modo complementar, a exemplo do trabalho desenvolvido pelo primeiro grupo. Neste grupo, provavelmente cada um assumiu as funções as quais estava mais preparado (seja ela desenhar, orien- tar, pensar que cores utilizar...), ainda que dialogando com quem era responsável por outras funções. Sem diálogo entre as distintas disciplinas, mesmo que com o mesmo objetivo, o produto pode estar de- salinhado com aquilo que se espera. Em síntese, podemos conceber que na ges- tão multidisciplinar, o todo é maior que a mera soma das partes. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 70 3 A articulação das distintas disciplinas em torno de um projeto em comum não é algo propriamente novo no âmbito escolar. Você deve conhecer algu- mas experiências exitosas que nos reve- lam abordagens multidisciplinares, tais como alguns currículos construtivistas. Na verdade, a multidisciplinaridade se institucionaliza parcialmente enquanto política no Brasil na medida em que são constituídas áreas de conhecimento. Em- bora a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) possa (e deva) ser questionada, traz consigo um elemento interessante que é, justamente, a interface entre distin- tas disciplinas em áreas do conhecimen- to, ainda que na forma de competências. Uma configuração que não necessaria- mente se manifesta na prática, conside- rando que essa subdivisão por áreas de conhecimento já era prevista nos Parâ- metros Curriculares Nacionais (PCNs). Nesse sentido, a Educação Física, que é responsável principal por arti- cular o tema dos Esportes, se constitui enquanto Unidade Temática que apare- ce de modo explícito apenas na área de conhecimento Linguagens, no caso do ensino fundamental. Na educação in- fantil pode trabalhar alguns campos de experiência e, no ensino médio, integra área da Linguagens e suas Tecnologias, embora apenas Língua Portuguesa te- nha habilidades detalhadas nesse nível (BRASIL, 2018). Mas, afinal, quais as possibilidades de articular a gestão mul- tidisciplinar do esporte na perspectiva das disciplinas curriculares? GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE NAS DISCIPLINAS CURRICULARES SAIBA MAIS Aqui você pode identificar al- gumas experiências exitosas que abordaram a gestão multidiscipli- nar do esporte em componentes curriculares da educação básica. • Experiência curricular que articula a questão do espor- te com a sociologia: o estudo evidencia que as interven- ções pedagógicas podem ser mais bem contextualizadas e ampliadas, no intuito de con- tribuir de maneira positiva e crítica na formação das sub- jetividades das crianças e dos jovens (MEZZAROBA, 2012). Para saber mais, consulte: http://ri.ufs.br/jspui/handle/ riufs/11613 • Experiência curricular que ar- ticula a questão do esporte e as áreas de Educação Física e Ciências no ensino fundamen- tal. Ao abordar, por exemplo, o tema “Composição corporal e nutrição para o esporte”, foi possível reconhecer a im- portância da atividade física para a saúde; compreender o que é Índice de Massa Corpo- ral (IMC); e realizar práticas para compreender a relação da composição corporal e o IMC (LEMKE, 2020). Para sa- ber mais, consulte: https:// rd.uffs.edu.br/bitstream/pre- fix/4136/1/LEMKE.pdf • Experiência curricular que ar- ticula uma atividade compar- tilhada entre professores de Educação Física, Matemática, Produção Textual e Writing, em que os estudantes foram desafiados a elaborarem um artigo científico, realizando uma coleta de dados relacio- nados à saúde (Relação Cin- tura Quadril, Índice de Massa Corporal e Percentual de Gor- dura Corporal) (BRAVALHERI; ALMEIDA, 2022). Para saber mais, consulte: https://www. cp2.g12.br/ojs/index.php/te- masemedfisicaescolar/arti- cle/view/2926 http://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/11613 http://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/11613 https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/4136/1/LEMKE.pdf https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/4136/1/LEMKE.pdf https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/4136/1/LEMKE.pdf https://www.cp2.g12.br/ojs/index.php/temasemedfisicaescolar/article/view/2926 https://www.cp2.g12.br/ojs/index.php/temasemedfisicaescolar/article/view/2926 https://www.cp2.g12.br/ojs/index.php/temasemedfisicaescolar/article/view/2926 https://www.cp2.g12.br/ojs/index.php/temasemedfisicaescolar/article/view/2926 71 G ES TÃ O M U LT ID IS C IP LI N A R D O E S P O R TE N A E S C O LApoder presentes nas práticas corporais; e a última sobre a violência no futebol, que demanda conhecer aspectos históricos, sociológicos e culturais do esporte, além do modo em que aparece na mídia. Evi- dentemente, essas questões envolvem saberes de distintas disciplinas: História, Sociologia, Filosofia, Educação Física, en- tre outras. Você sabe que o(a) professor(a) des- sas disciplinas podem abordar a temáti- ca do esporte, embora seja uma Unidade Temática específica da Educação Física. O(a) professor(a) pode realizar uma abor- dagem multidisciplinar mesmo que sem articular com outros(as) professores(as), mas dialogando com saberes que são próprios de outras disciplinas. Na Educação Física, por exemplo, as Unidades Temáticas são práticas corpo- rais que por sua vez podem ser entendi- das como “textos culturais passíveis de leitura e produção” (BRASIL, 2018, p. 214). Nesse sentido, olhar uma prática espor- tiva e “ler” de modo proficiente tais tex- tos culturais significa não somente saber praticar, mas também conhecer aspec- tos históricos, culturais, sociológicos, biológicos, dentre outros saberes. Assim, fortalecemos a justiça social e evitamos a recorrência de práticas profundamente equivocadas das quais você ainda na atu- alidade assistimos, por exemplo: você sa- bia que o futebol excluía pessoas negras? Que as mulheres não podiam praticá-lo, mesmo no país do futebol? A resposta para essas questões permeia distintos componentes curriculares, mas encontra a Educação Física como disciplina privile- giada para sua abordagem, especialmen- te em uma perspectiva multidisciplinar. Vale ressaltar que seus alunos prova- velmente saberão discutir tais questões, caso você não articule tais temas em suas práticas. Conforme você observou no conceito de multidisciplinaridade, uma premissa crucial é o diálogo entre as distintas dis- ciplinas. Assim, urge a necessidade de diálogo entre os (as) professores(as) das distintas disciplinas em torno do tema do esporte. Uma das possibilidades é a par- tir das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Se considerarmos apenas a edição do Enem de 2022, por exemplo, havia pelo menos três questões que tematizavam diretamente o esporte. Uma delas sobre a história da prática do mountainboard, que demanda conhecer as principais marcas das atividades da aventura; outra sobre a prática do skate por mulheres, que envolve a análise de preconceitos, estereótipos e relações de FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 72 Pensar o esporte escolar remete à perspectivado trabalho que vai além das disciplinas curriculares na dire- ção da iniciação esportiva (ou iniciação esportiva tardia), seguindo até a formação das equipes da escola das distintas mo- dalidades individuais e coletivas. Logo, a prática esportiva assume um patamar ainda mais relevante em relação a sua abordagem curricular, que pode ocorrer por meio de projetos multidisciplinares na escola e perdurar por todo o ano letivo. Contudo, as deficiências estruturais nas escolas também passam a ter um peso maior. Nesse âmbito, se torna oportu- no um grande fôlego para oportunizar treinos em cada escola, garantir a con- tabilização da carga horária para o(a) professor(a) de Educação Física, espaço e material adequado, entre outras de- mandas, considerando não só a cultura esportiva, como também a função so- cial da escola. Caso a escola não tenha tais condições, os diversos agentes, jun- tamente com os gestores, devem realizar uma articulação de parcerias com outras instituições e viabilizar tais práticas. GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE ESCOLAR CURIOSIDADE O principal modo de tematizar o esporte e consolidar uma gestão multidisciplinar é por meio de sua prática, que ocorre de modo im- bricado a determinada teoria. Po- rém as condições estruturais das escolas brasileiras não são satis- fatórias. Quase metade das esco- las brasileiras não têm local para prática de esporte, intitula o arti- go escrito por Demétrio Vecchioli, em 14 de dezembro de 2021, na coluna “Olhar Olímpico” da Re- vista UOL. O autor reporta um le- vantamento feito pelo Ministério da Cidadania: o Censo Escolar da Educação Básica de 2020. Em sín- tese, argumenta que de 135.263 escolas do ensino fundamental I ao médio, 47% não possuem ne- nhuma instalação para a prática desportiva. Chama ainda mais atenção quando consideradas a quantidade de escolas que possui piscina e sala/estúdio de dança, correspondente a apenas 2,7% e 1,8% respectivamente. Outro dado relevante é que a rede pri- vada possui menos quadras (60%) que as escolas estaduais (65%) e federais (80%), sendo a condição mais grave a das escolas muni- cipais (32%). Nesse sentido, cabe a implicação de cada agente na mudança desse cenário, incluindo alunos, pais, comunidade, profes- sores, gestores, empresários, po- líticos, entre outros. Vale a reflexão: você tem feito algo para mudar esse cenário? 4 73 G ES TÃ O M U LT ID IS C IP LI N A R D O E S P O R TE N A E S C O LA Entendida como um contato inicial sistematizado com a prática esportiva, a iniciação esportiva, ou a iniciação espor- tiva tardia (no caso daqueles/as cujo con- tato inicial sistematizado ocorre em ida- de já avançada) toma como preocupação principal evitar a chamada especialização precoce. Nesse momento, a gestão multi- disciplinar com profissionais de diferen- tes áreas pode colaborar no cuidado com demandas recorrentes nesse período: questões de níveis de habilidades distin- tos, étnicas, estéticas, de gênero, religião, inclusão social, entre outras. O intuito central da iniciação esportiva é tornar o(a) aluno(a) proficiente a ponto de pra- ticar o esporte em outros ambientes que não apenas a escola, de modo a compre- ender e respeitar as diferenças culturais e de habilidades motoras ali presentes. No que se refere às equipes esporti- vas da escola, outras preocupações vêm à tona, tais como o processo seletivo para sua formação. Alguns esportes mais populares, como é o caso do futsal mas- culino, muitas vezes conta com grande quantidade de estudantes que desejam integrar. Evidentemente, tal interesse é influenciado por questões midiáticas e culturais. A maioria dos(as) alunos(as) já possuem alguma vivência nesse esporte em sua rotina diária. Logo, proporcionar uma ampliação do léxico dessa cultura corporal de movimento, por meio da vivência e conhecimento de outros esportes, se torna oportuno, assim como evidenciar, no início do trabalho, quais critérios serão tomados como referência. Diante da formação das equipes, ou um grupo um pouco maior de inte- ressados em participar de competições escolares, inicia-se um processo de estruturação dos treinos. Os(As) alu- nos(as), agora na condição de estudan- tes-atletas, precisam começar a lidar FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 74 com cobranças (sejam elas por parte de pais, colegas, amigos, ou de si mesmo), vitórias e frustrações. Assim, a gestão multidisciplinar do esporte ganha mais relevância, já que o saber de outros pro- fissionais passa a ser ainda mais de- mandado nesse acompanhamento. Mas como lidar com isso, já que muitas vezes a escola não conta com profissionais de áreas como psicologia, serviço social, fisioterapia, administração? Ou, se con- tam, eles estão ocupados com outras funções que não o esporte escolar? Você bem sabe que projetos multi- disciplinares que comportam a iniciação esportiva e as equipes esportivas da es- cola é de responsabilidade preponderan- te do professor(a) de Educação Física, como o planejamento das aulas/treinos. Logo, se torna oportuno que este(a), com apoio da gestão, alunos e pais/responsá- veis, articule com os(as) demais colegas da escola a fim de promover práticas que visem a educação em sua integralidade. Outra perspectiva relevante é a ar- ticulação intersetorial, ou seja, quanto mais de um setor da política pública está envolvido em determinada ação. Em evi- dente alocação no setor educação, a es- cola, ou melhor dizendo, seus diversos agentes, podem e devem articular com outros setores. Ao investigar consensos e desafios práticos para a intersetoriali- dade, um estudo realizado em 2009 iden- tificou as áreas Administração e Saúde Coletiva como aquelas que possuem as principais publicações no campo da in- tersetorialidade, com pouca produção em Educação e Assistência Social (que possui intersetorialidade como princípio nortea- dor) (MONNERAT; SOUZA, 2009). O tema central nesses estudos foi a questão do planejamento, pois esse deve conside- rar uma negociação de interesses entre diferentes setores que compartilham de uma mesma questão (MONNERAT; SOU- ZA, 2009). Passados quase 15 anos desse es- tudo, ao revisitar de modo assistemático a literatura atual, somado ao acúmulo de experiências profissionais nesse campo, observamos que o cenário permanece semelhante. Logo, se torna oportuno que as ações intersetoriais nos projetos mul- tidisciplinares esportivos desenvolvidos na escola tomem como elemento central um planejamento contínuo e dialógico, evitando assim ações pontuais e frag- mentadas entre os diversos profissionais envolvidos. Uma possibilidade interessante se- ria que o(a) professor(a) de Educação Fí- sica, juntamente com a equipe de gestão da Escola, provoque as equipes multipro- fissionais desses diferentes setores para o planejamento e consequente enfrenta- mento de desafios compartilhados. Den- tre os setores que mais compartilham o objetivo com a educação. podemos des- tacar o setor saúde, que possui Unidades de Saúde na Atenção Primária à Saúde e Centros de Atenção Psicossocial, que contam com equipes multiprofissionais, por vezes, com profissionais de Educa- ção Física. Outro exemplo é o setor as- sistência social, como os Centro de Refe- rência da Assistência Social (Cras), que também contam com equipes multipro- fissionais, que podem incluir colegas da Educação Física. ESTUDO DE CASO Uma experiência interessan- te de articulação intersetorial foi realizada por meio de Oficinas de Futsal por meio de uma parceria entre a equipe do Núcleo de Apoio à Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) e uma escola da regio- nal Leste de Belo Horizonte. As articulações entre educa- ção e saúde e a ação compartilhada entre escola e Unidade Básica de Saúde, durante as Oficinas de Fut- sal permitiram desenvolver junto aos adolescentes uma intervençãocapaz de integrar todas as dimen- sões humanas (cognitiva, afetiva, ética, social, lúdica, física) em um trabalho de reflexão e produção de novos modos de ser e agir (TAVA- RES, 2020). Uma vez constituídos projetos mul- tidisciplinares esportivos, sejam eles de iniciação esportiva, ou mesmo treinamen- to para a equipe escolar, com colaboração sistemática e contínua de diferentes pro- fessores/educadores e/ou profissionais de diferentes categorias profissionais em articulação intersetorial, você pode pen- sar de modo mais consistente nas com- petições escolares. É imperativo pensar jogos no escopo da escola que viabilize a participação de todos os(as) estudantes interessados(as), muito embora para al- gumas competições fora da escola deve- rá ter um processo seletivo. 75 G ES TÃ O M U LT ID IS C IP LI N A R D O E S P O R TE N A E S C O LA Na estrutura do das competições escolares no Brasil, temos hoje a nível nacional: • Jogos Escolares Brasileiros (JEBS), faixa etária entre 12 e 14 anos, organizado pela Confe- deração Brasileira de Desporto Escolar (CBDE). Classifica os (as) vencedores (as) para competi- ções internacionais como os Jo- gos Escolares Sul-americanos e para a Gymnasiade Sub-15; • Jogos da Juventude (JJuv), fai- xa etária entre 15 e 17 anos, or- ganizado pelo Comitê Olímpico do Brasil.; • Paralimpíadas Escolares, para alunos com deficiência física, visual e intelectual, com idade entre 11 e 18 anos (dependen- do da modalidade), organizado pelo Comitê Paralímpico Brasi- leiro (CPB). Contudo, para que a escola venha a participar de uma competição escolar a nível nacional, é preciso que seja sele- cionada nas competições escolares esta- duais. Em geral, caso não tenham outros inscritos na modalidade, a equipe/atleta é automaticamente classificado(a) para a próxima etapa. Logo, vejamos as etapas previstas para que uma escola represen- te o Ceará nos jogos nacionais, tomando como referência o regulamento de 2022 (CEARÁ, 2022): FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 76 ATENÇÃO! Os jogos internos, ou jogos in- terclasses, consistem em um even- to relevante para fomentar a cul- tura esportiva na escola. Trata-se de um momento importante para viabilizar a participação de todos e de todas em que a gestão multidis- ciplinar do esporte pode ocorrer de diferentes maneiras. Uma possibi- lidade é adaptar algumas regras, como ocorre nos Jogos Escolares de 12 a 14 anos, em que há, por exemplo, a regra da substituição obrigatória. Alguns temas podem ser trabalhados de modo transver- sal, como a limpeza dos espaços, o fair-play entre os participantes, a cultura de paz. Podem ser rea- lizados jogos convidando pais e responsáveis pelos alunos, pro- fessores e todos(as) os(as) demais trabalhadores da educação como aqueles(as) que cuidam da segu- rança, limpeza, merenda, gestão, entre outras atribuições. Portanto, precisa ser um evento muito bem planejado, no qual um diferencial é, justamente, o envolvimento de di- ferentes saberes e agentes em sua construção, tais como a realização de Congressos Técnicos para to- mada de decisão em conjunto com alunos (as). • Interclasses: cada escola deve organizar seus jogos internos, viabilizando a participação de todos(as) os(as) alunos(as) inte- ressados(as). • Intercolegial (municipal): a equipe esportiva da escola, com representantes escolhidos pe- lo(a) professor(a) de Educação Física, participa dessa competi- ção com representantes de ou- tras escolas. • Etapa Crede: os selecionados do Intercolegial participam de com- petições de modo regionalizado em 20 Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educa- ção (Credes). No caso das Para- limpíadas Escolares, essa etapa não é realizada. • Etapa Macrorregional: os sele- cionados de cada Crede dispu- tam em sete macrorregiões ce- arenses. • Etapa Estadual: os selecionados da etapa Macrorregional dis- putam a etapa estadual, a qual seleciona os representantes do estado do Ceará para participar da Etapa Nacional. 77 G ES TÃ O M U LT ID IS C IP LI N A R D O E S P O R TE N A E S C O LA SAIBA MAIS O projeto quero-quero foi de- senvolvido em parceria com o Ins- tituto Ayrton Senna e se baseou no paradigma da Educação pelo Es- porte, tendo como eixo estruturador uma proposta de Educação Integral voltada para crianças de escolas públicas, integrando diversas di- mensões da ação educativa: indiví- duo, família, escola e comunidade. O projeto foi desenvolvido de forma multidisciplinar, integrando as áreas de Educação Física, Psico- logia, Pedagogia, Nutrição e Artes Plásticas. Foram atendidas cerca de 120 crianças de escolas públi- cas estaduais que desenvolvem ati- vidades no turno complementar ao seu horário escolar. As atividades foram desenvolvidas por bolsistas, universitários dos diferentes cur- sos envolvidos, sob a supervisão dos respectivos professores. A metodologia de trabalho proposta para esta ação foi pautada em um processo de construção participa- tiva, orientado nos princípios da Educação pelo Esporte e nos qua- tro pilares da educação proposta pela Unesco, visando propiciar o desenvolvimento pessoal, cogniti- vo, social e produtivo dos partici- pantes. Para saber mais, consulte: https://www.lume.ufrgs.br/bitstre- am/handle/10183/203335/Resu- mo_6325.pdf?sequence=1 Por fim, é importante que você te- nha sempre em mente a função social da escola e o objetivo dessas competições escolares. Embora participem delas estu- dantes que também praticam esportes em clubes, que tenham representatividade em competições nacionais e internacionais, o caráter educativo deve prevalecer. Inte- gra, entre os objetivos das competições escolares, a possibilidade de identificar e desenvolver novos talentos esportivos, e o resultado dessas competições, especial- mente as de nível nacional, contabilizam para algumas bolsas como o Auxílio Es- porte Escolar e o Bolsa Atleta, contudo, especialmente a nível de escola (como os Jogos Interclasses), você precisa fomentar a participação e a inclusão social dos(as) estudantes nas atividades esportivas. https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/203335/Resumo_6325.pdf?sequence=1 https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/203335/Resumo_6325.pdf?sequence=1 https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/203335/Resumo_6325.pdf?sequence=1 FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 78 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste módulo você pôde conhecer um pouco mais sobre o conceito de multidisciplinaridade/interdis- ciplinaridade e sua mobilização na ges- tão multidisciplinar do esporte na esco- la. Compreendeu conceitos e algumas possibilidades de concretizar a gestão multidisciplinar do esporte, seja na pers- pectiva das disciplinas curriculares da educação básica, ou no trabalho com ini- ciação esportiva e na formação das es- quipes escolares. Todo esse processo de articulação da gestão multidisciplinar do esporte entre diversos professores(as) e profissionais demanda capacidade de gestão e liderança, bem como o enten- dimento do esporte em sua dimensão sociocultural e pedagógica na formação das identidades. Esperamos que esse conteúdo venha a fomentar a cultura esportiva alinhada à função social da escola, que considere as diversas contribuições multidisciplinares na integralidade da educação. 5 79 G ES TÃ O M U LT ID IS C IP LI N A R D O E S P O R TE N A E S C O LA REFERÊNCIAS AUTH, Milton Antonio. Interdisciplinaridade. In: GONZÁLEZ, Fernando Jaime; FENSTER- SEIFER, Paulo Evaldo (Org.). Dicionário crítico da educação física. 3 ed. Ijuí: Unijuí, 2014. p. 393-395. BRASIL. 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Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron- End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-046-2 (Fascículo 5) Fundação Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327 Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br Todos os direitos desta edição reservados à: AUTOR Braulio Nogueira de Oliveira Graduado em Educação Física (Uece), com especialização em caráter de Re- sidência Multiprofissional em Saúde da Família (EFSFVS/UVA). Tem mestrado em Saúde Coletiva (PPSAC/Uece) e dou- torado em Ciências do Movimento Hu- mano (PPGCMH/UFRGS). É professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE), editor da Revista de Educação Física, Saúde e Es- porte - Refise (IFCE), tutor da graduação em Educação Física da Universidade Es- tadual do Ceará vinculada à Universidade Aberta do Brasil (UAB) e líder do Grupo de Pesquisa Tecnologia da Informação, Saúde e Educação (TISE/IFCE). Trabalha com o esporte escolar desde 2019, com resultados significativos em âmbito local, regional e nacional. ILUSTRADOR Carlus Campos Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na produção de suas ilustrações, utiliza várias lingua- gens como: desenho, pintura, aquarela, gravura e fotografia. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos prêmios com arte gráfica, fez incursões pelas artes plásticas participando de diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRA- FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft. GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA Esporte de Rendimento: desafios e oportunidades no âmbito escolar Mário Antônio de Moura Simim 6 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 83 ESPORTE 84 ESPORTE NA ESCOLA E ESPORTE DA ESCOLA 88 MODELO DE DESENVOLVIMENTO ESPORTIVO A LONGO PRAZO 89 CONCLUSÕES 945 83 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R APRESENTAÇÃO 1 Estamos iniciando o módulo 6 do nos-so curso e nele trabalharemos as re-lações entre esporte de rendimento e os desafios e as oportunidades no âm- bito escolar. Nos módulos anteriores foram discu- tidas questões sobre as políticas públicas para o esporte no Brasil (módulo 1), peda- gogia do esporte (módulo 2), projeto político pedagógico e o planejamento da educação física (módulo 3). Além disso, o módulo 4 forneceu informações sobre o esporte de participação, educacional, rendimento e de formação e o módulo 5 questões relativas à gestão multidisciplinar do esporte na escola. No decorrer deste módulo, discuti- remos os desafios e as oportunidades de desenvolvimento do esporte de rendi- mento no âmbito escolar. Inicialmente retomaremos os con- ceitos de esporte e de esporte de ren- dimento. Apresentaremos questões re- lativas ao esporte no contexto escolar, principalmente o que concerne a díade Esporte na escola x Esporte da Escola. Por fim, apresentaremos a proposta do modelo brasileiro de desenvolvimento esportivo do atleta a longo prazo. Ao final deste módulo, você terá de- senvolvido a competência de conhecer a proposta do modelo brasileiro de desen- volvimento esportivo do atleta a longo prazo, refletindo sobre a prática do espor- te de maneira ampla e transformadora. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 84 A fim de orientar nossos estudos, va-mos acompanhar a experiência do professor de Educação Física (João Bernardo) ao longo de suas atividades no Colégio Maria Flor Pimentel Simim (CM- FPS) – sim, o nome do colégio é uma ho- menagem a minha linda filha. O diretor do CMFPS, prof. Marcos An- tônio1, vem observando que outros colé- gios tem escolinhas de esportes e fazem captação de alunos por meio do esporte. O prof. Marcos Antônio convidou o prof. João Bernardo para uma reunião a fim de discutir como o CMFPS poderia implan- tar atividades esportivas de qualidade no colégio. O prof. Marcos Antônio fez alguns questionamentos ao prof. João Bernardo, tais como: “Qual o conceito de esporte? Quais as características que podemos atribuir ao esporte? Após escutar os questionamentos e demandas do diretor, João Bernardo des- tacou que iria buscar informações para implantar as atividades no colégio. Primeiramente vale ressaltar que a definição precisa de esporte é impossível devido à grande variedade de significa- dos. O esporte é o fenômeno sociocultural mais evidente dos últimos séculos, prin- cipalmente pelas relações que tem com estruturas sociais, econômicas, políticas e judiciais. A origem do termo “esporte” reflete a evolução da atividadeao longo dos séculos, desde uma forma de diverti- mento ao ar livre para uma atividade glo- balmente organizada e competitiva. 1 Essa é uma homenagem ao prof. Marcos Antô- nio Álvares (in memoriam) e ao prof. João Ber- nardo pela contribuição em minha formação durante a vida escolar. 2 ESPORTE 85 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R De maneira geral, o esporte refere- -se a tipos específicos de atividades que dependem das condições sob as quais as atividades acontecem e da orientação subjetiva dos participantes envolvidos nessas atividades (BARBANTI, 2006). Al- guns autores destacam que o esporte é uma atividade competitiva, institucionali- zada, que envolve esforço físico vigoroso ou o uso de habilidades motoras comple- xas. Por outro lado, o esporte também pode ser conceituado como manifestação da cultura física, compreendendo tam- bém a dança e a recreação que se funda- menta na educação física (TUBINO, 2017). A partir da explicação acima, o prof. João Bernardo destacou que mais impor- tante do que compreender o conceito de esporte é compreender a importância do esporte na sociedade. A Constituição Federal do Brasil (ar- tigo 217), o Estatuto da Criança e do Ado- lescente (ECA) e as recomendações da Unesco preconizam que o esporte é direi- to de cada cidadão e atua como instru- mento de formação integral dos indiví- duos. Isso possibilita a convivência social, a construção de valores, a promoção da saúde e o aprimoramento da consciência crítica e da cidadania. Além de ser divertido e saudável, o esporte também pode ser uma fonte de orgulho e espírito escolar. Ele pode ajudar a melhorar a relação entre os estudantes e a escola, e pode oferecer oportunidades para os estudantes se envolverem em ati- vidades extracurriculares. O prof. João Bernardo também ex- plicou as principais características do esporte. Ele disse ao diretor que existem muitos tipos diferentes de esportes, cada um com suas próprias regras e habili- dades específicas. Alguns esportes são jogados ao ar livre, enquanto outros são jogados em ambientes fechados. Alguns esportes são jogados com bola, enquanto outros não são. Alguns esportes são joga- dos individualmente, enquanto outros são jogados em equipe. Os participantes podem ser crianças em escolas, jovens em equipes univer- sitárias ou adultos em ligas amadoras e profissionais. O esporte também pode ser jogado por pessoas com deficiências, por meio de modalidades esportivas adapta- das. Nesse caso, as principais adaptações para pessoas com deficiência são as re- gras, o espaço de jogo, a estrutura da ativi- dade ou jogo e a divisão por grupos afins. Além disso, o prof. João Bernardo destacou que entende o esporte a par- tir de três dimensões (Quadro 1) e que o ingresso dos alunos no Programa de Esportes do CMFPS deve ocorrer por meio do esporte educacional (esporte- -formação), estruturado como educação permanente em iniciação aos esportes. Essa perspectiva cria oportunidades para o aprendizado da cultura de práticas es- portivas, o que torna possível o processo de seleção e estímulo dos alunos para o esporte de rendimento. SAIBA MAIS O Desenvolvimento Esportivo é um processo longitudinal multifa- torial de melhoria do ambiente es- portivo, caracterizado pelo aumen- to na quantidade de praticantes em todos os níveis e na qualidade da prática oferecida, incluindo a formação continuada dos agentes desse processo, o que resulta na melhora do desempenho esportivo de atletas. Durante as discussões entre o di- retor do CMFPS e o prof. João Bernardo surgiu um questionamento: Qual a dife- rença entre esporte NA escola e esporte DA Escola? Essa questão será abordada na próxima seção. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 86 Quadro 1 DIMENSÕES DO ESPORTE E SUAS CARACTERÍSTICAS Dimensões Manifestações Princípios Objetivos Características Público-alvo Esporte Educação Esporte Educacional Participação, cooperação, coeducação, corresponsabilidade e inclusão Formação da cidadania e estilo de vida ativo Regras e premiação adaptadas as premissas educativas. Crianças, adolescentes e jovens Esporte Escolar Desenvolvimento esportivo e do espirito esportivo Desenvolvimento dos jovens mais aptos ao esporte, sem perder a formação para cidadania Regras convencionais das entidades, valorização da formação integral e de competições esportivas em dosagem adequada Jovens com habilidades esportivas Esporte Lazer Esporte lazer, de participação ou de tempo livre Participação, lazer e inclusão Entretenimento e vida ativa (saúde) Regras convencionais das entidades, criadas ou adaptadas as circunstâncias, pode ser praticado sem adversário Destinado a todas as pessoas, independente da faixa etária Esporte de desempenho ou rendimento Esporte de rendimento ou de alto rendimento Rendimento e desenvolvimento esportivo Vitórias, sucessos, conquistas esportivas, recordes, prêmios e valorização pessoal Regras oficiais e institucionalizadas, muitas vezes praticado profissionalmente, dirigido por entidades como confederações e federações. Destinado a talentos esportivos para cada modalidade Fonte: Tubino (2010) 87 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R #FICAADICA Esporte de elite: Forma de espor- te que objetiva performance eleva- da em nível regional, nacional ou internacional. As principais carac- terísticas do esporte de elite são os recordes e o sucesso interna- cional. Convido para a leitura dos artigos indicados abaixo: • McKay, A. K., Stellingwerff, T., Smith, E. S., Martin, D. T., Mu- jika, I., Goosey-Tolfrey, V. L., Sheppard, J., & Burke, L. M. (2022). Defining Training and Performance Caliber: A Par- ticipant Classification Fra- mework, International Jour- nal of Sports Physiology and Performance, 17(2), 317-331. https://journals.humankine- tics.com/view/journals/ijs- pp/17/2/article-p317.xml • McAuley, A.B.T., Baker, J. & Kelly, A.L. Defining “elite” sta- tus in sport: from chaos to clarity. Ger J Exerc Sport Res 52, 193–197 (2022). https:// doi.org/10.1007/s12662-021- 00737-3 https://doi.org/10.1007/s12662-021-00737-3 https://doi.org/10.1007/s12662-021-00737-3 https://doi.org/10.1007/s12662-021-00737-3 FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 88 Os questionamentos acerca do es-porte no ambiente escolar foram iniciados na década de 1980, prin- cipalmente com a criação da “Comissão de Reformulação do Desporto Nacional” e com a elaboração do documento “Uma nova política para o desporto brasileiro”. Assim, a dicotomia entre esporte educa- cional x esporte de rendimento ganhou destaque. Por exemplo, Vago (1996, p. 8) destaca que... O esporte é legitimado pela socieda- de e é exatamente isso que garantiria legitimidade para o ensino de Educa- ção Física na escola: ensinar esporte. Mas, paradoxalmente, parece que a Educação Física somente seria legi- timada na escola na medida em que transmitisse (ensinasse) esse ele- mento da cultura tal como ele se re- aliza nas sociedades modernas, com os códigos citados. O paradoxo apontado acima trouxe reflexões e discussões a respeito das di- ferenças entre o que é conceituado como “Esporte na escola” e “Esporte da escola”. O “Esporte na Escola” está relaciona- do à atividade necessária para o desen- volvimento físico, social dos estudantes e pode ser uma alternativa para ensinar valores como trabalho em equipe, resili- ência e fair play. 3 ESPORTE NA ESCOLA E ESPORTE DA ESCOLA Especificamente, o “Esporte na esco- la” é a reprodução do esporte como ele é, ou seja, um prolongamento da instituiçãoesportiva sendo desenvolvido na escola (BRACHT, 1992). Nesse contexto, as aulas de educação física escolar são desenvol- vidas baseadas nos princípios de rendi- mento esportivo. Por outro lado, o “Esporte da escola” caracteriza-se pela atuação pedagógi- ca do professor de educação física, que busca participação de todos e a formação da cidadania e estilo de vida ativo (BRA- CHT, 1992). Nessa perspectiva, o profes- sor de educação física utilizará o esporte como ferramenta de ensino, modifican- do regras, locais de prática e materiais (VAGO, 1996). O prof. Marcos Antônio ouviu aten- tamente a explicação do prof. João Ber- nardo. Após refletir a respeito das infor- mações, o diretor do CMFPS disse que o colégio não busca negação radical do “Esporte da Escola” x “Esporte na Es- cola”. A esse respeito, o prof. João Ber- nardo destacou que considera essencial para a Educação Física avançar no sen- tido de construir uma ponte entre as duas perspectivas. Para tanto, o prof. João Bernardo ficou de buscar uma al- ternativa adequada para que ambas as perspectivas possam ser desenvolvidas no colégio. 89 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R 4 Enquanto dirigia para o colégio, João Bernardo refletiu sobre o curso de atletismo que participou na noite an- terior. O palestrante apresentou o modelo de desenvolvimento esportivo do Comitê Olímpico do Brasil (COB), com ênfase na abordagem “Caminho de Desenvolvimento de Atletas (CDA)”. O palestrante também falou sobre a necessidade de focar nas necessidades e estágios de desenvolvi- mento esportivo dos alunos. Isso tem re- lação direta com o caminho utilizado para se alcançar o rendimento esportivo e com modelo de desenvolvimento a longo prazo. Com base no CDA, João Bernardo percebeu que a implantação desse mo- delo seria adequada para o colégio e que seria a possível solução para a dicotomia “Esporte da Escola” x “Esporte na Escola”. Este capítulo apresenta as características do Caminho de Desenvolvimento de Atle- tas (CDA), que é um modelo de desenvol- vimento esportivo proposto recentemen- te pelo COB. Em linhas gerais, o começo de todo desenvolvimento esportivo ocorre nos anos iniciais, com processo carregado de brincadeiras espontâneas e experimen- tação de diferentes atividades. Os primei- ros contatos com práticas relacionadas ao esporte ocorrem no contexto escolar, em especial nas aulas de Educação Físi- ca (COB, 2022). A possibilidade de o aluno se tornar um atleta tem como porta de entrada a iniciação esportiva, que pode ocorrer no contraturno escolar e/ou em escolas de esportes. Posteriormen- te, ocorre o processo de especialização quando as atividades se modificam com o objetivo de desenvolver competências e habilidades específicas ao aprender e treinar determinada modalidade. MODELO DE DESENVOLVIMENTO ESPORTIVO A LONGO PRAZO FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 90 BOAS PRÁTICAS Para saber mais a respeito das expe- riências de outros países com dife- rentes modelos de desenvolvimento de atletas a longo prazo acesse: • Reino Unido: https://www.uks- port.gov.uk/our-work/talent- -id/how-we-find-the-talent • Canadá: https://sportforlife.ca/ wp-content/uploads/2019/06/ Long-Term-Development-in- -Sport-and-Physical-Activity- -3.0.pdf • Austrália: https://www.ais.gov. au/ftem/talent O CDA foi elaborado para orientar os caminhos de participação, treinamento, competição no esporte, desde a infância até as fases da vida adulta (COB, 2022). O CDA se concentra nas necessidades dos participantes e em seus estágios indivi- duais de desenvolvimento e fornece pon- to de referência para treinadores, profes- sores, cientistas do esporte, pais e outros a ofertar o esporte em todos os níveis e para todas as idades (COB, 2022). O CDA é composto por sete etapas que se interligam em períodos de tran- sição. O modelo reconhece tanto a parti- cipação quanto os caminhos orientados para o rendimento no esporte, ambos precedidos pelas etapas escolares (“Ex- perimentar e Brincar”, “Brincar e Apren- der” e “Aprender e Treinar”). O básico das informações sobre cada etapa do CDA é abordado a seguir: 1. Experimentar e brincar (até 8 anos): prática livre com jogos e brincadeiras infantis em ambien- tes divertidos, desafiadores e di- versificados. Ocorre no contexto informal (família, rua) ou formal (escola, clube e etc.). Prazer e motivação para envolvimento com práticas corporais variadas deve ser enfatizado. Desenvolvi- mento de competências corpo- rais básicas e diversificadas. 2. Brincar e Aprender (6 a 12 anos): primeiro contato sistematizado e organizado para aprendizagem do esporte (iniciação esportiva). Ao final dessa etapa, a criança já tem condição de escolher a mo- dalidades com maior afinidade. Prazer e motivação pela prática e aprendizagem esportiva formal e/ou estruturada. 3. Aprender e Treinar (10 a 16 anos): fase de especialização esportiva em contexto formal de práticas esportivas por meio de treino e participação em com- petições. Desejo de ingressar na jornada do rendimento para aqueles que demonstrem po- tencial de desempenho esporti- vo conforme cada modalidade. Desejo de prosseguir na prática esportiva de participação para aqueles que não demonstrem potencial para o rendimento. 4. Treinar e Competir (14 a 23 anos): últimas etapas do pro- cesso de especialização na mo- dalidade escolhida. Participa de competições de alto nível, ainda em categorias com limitação etária. Em preparação para a categoria adulta e o esporte de elite. Compromisso com evolu- ção do desempenho esportivo. Tolerância a cargas físicas e psi- cológicas progressivas de trei- namento e competição. 5. Competir e Vencer (18 a 25 anos): Alto desempenho esporti- vo, marcado pelo treino intenso e ajustes ao máximo nível de com- petição. Autocontrole emocio- nal frente às exigências típicas da rotina de atleta em treinos e competições, com melhora re- gular de desempenho esportivo ao longo dos anos. Postura de competidor/a com atitudes e comportamentos que sirvam de referência para jovens em de- senvolvimento. 6. Vencer e Inspirar (22 a 40 anos): manutenção do alto ní- vel de desempenho e constante busca por melhores resultados e medalhas, servindo ao mesmo tempo como concorrente e ins- piração para atletas mais jovens. Autogestão da carreira de atleta (saúde/desempenho/educação), conciliando com as demandas sociais. Manutenção de hábitos e rotinas como atleta de referência e com foco em resultados supe- riores e conquista de medalhas. Planejamento do encerramento de carreira. 7. Inspirar e Reinventar-se: re- dução do volume e intensida- de de treinamento esportivo e participação em competições, preparando-se para o momento do encerramento da carreira es- portiva. Postura responsável, ali- nhada ao seu legado esportivo, inspirando novos atletas. Prepa- ração para nova carreira, dentro ou fora do contexto esportivo. Adaptação ao novo contexto so- cial, profissional e financeiro. https://www.uksport.gov.uk/our-work/talent-id/how-we-find-the-talent https://www.uksport.gov.uk/our-work/talent-id/how-we-find-the-talent https://www.uksport.gov.uk/our-work/talent-id/how-we-find-the-talent https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf https://www.ais.gov.au/ftem/talent https://www.ais.gov.au/ftem/talent91 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R SAIBA MAIS Acesse o site do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e faça o download do Modelo de desenvolvimento esporti- vo do Comitê Olímpico do Brasil. Esse é um documento importante para desenvolvimento do conteú- do e para as atividades propostas ao final do módulo. Disponível em: https://www.cob. org.br/pt/documentos/download/ a63aad29fb2e0 Após apresentar a proposta para o diretor do CMFPS, o prof. João Bernardo destacou que a mudança de estágio é baseada no desenvolvimento do atleta e não apenas idade cronológica. Além disso, o prof. João Bernardo destacou que a idade cronológica seria um guia para identificar as principais mudanças dos alunos(as). Com base no material recebi- do durante o curso, o prof. João Bernar- do apresentou para o diretor do CMFPS as principais características do CDA em uma figura (Figura 1). FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 92 Observe que na figura 1 apresentada pelo prof. João Bernardo, cada etapa tem seus objetivos e características específi- cas que devem servir de orientação para os resultados esperados, evitando a es- pecialização precoce. SAIBA MAIS Especialização precoce é o termo utilizado para expressar o proces- so pelo qual as crianças tornam- -se especializadas em um deter- minado esporte muito antes da idade apropriada para tal. A prá- tica especializada das habilidades de um determinado esporte, sem a prática das atividades motoras características da idade das crian- ças, quase sempre traz como con- sequência o abandono prematuro da prática esportiva Note que a frequência semanal, volu- me da sessão, tipo de competição e orien- tação do treinamento são diferentes para cada etapa do CDA. 93 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R Figura 1 CARACTERÍSTICAS DAS ETAPAS DO CDA Competição Festivais Local Regional Estadual Nacional Internacional Olímpico Intensidade máxima das sessões (%) 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Volume por sessão (min) 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Frequência semanal 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Oritentação do treinamento Diversificação Especialização ETAPAS DO CDA EXPERIMENTARE BRINCAR BRINCAR E APRENDER APRENDER E TREINAR TREINAR E COMPETIR COMPETIR E VENCER VENCER E INSPIRAR INSPIRAR E REINVENTAR-SE IDADE 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 35 Fonte: COB (2022, p. 42) FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 94 5 CONCLUSÕES Em resumo, o desenvolvimento de atletas a longo prazo é uma abor-dagem abrangente e integrada que leva em consideração todos os aspectos da vida de um atleta, incluindo sua for- mação física, mental e emocional. É um processo contínuo e exige dedicação e planejamento para garantir o sucesso a longo prazo. Além disso, esse processo deve ser iniciado no âmbito escolar, res- peitando sempre as características espe- cíficas de cada faixa etária e série. O diretor do CMFPS perguntou ao prof. João Bernardo se esse modelo seria aplicado a todos os esportes e se existia diferença entre cada um deles. O prof. João Bernardo respondeu que as carac- terísticas de cada etapa somam-se às especificidades de cada modalidade e às características pessoais dos alunos(as)/ atletas. Assim, a oferta de prática espor- tiva no colégio é a base para implantação do CDA. João Bernardo também destacou que, após o processo de iniciação espor- tiva, o(a) jovem pode seguir o caminho do desenvolvimento esportivo para o rendi- mento ou o esporte de participação. Uma ressalva é que poucos praticantes chega- rão ao alto nível de desempenho (MCKAY et al., 2022). Após todas as considerações apre- sentadas, o diretor do CMFPS autorizou o prof. João Bernardo a iniciar o planeja- mento e implantação do CDA no colégio. João Bernardo ainda ministrou curso sobre o CDA para os outros professores de educação física do CMFPS e de outras escolas de sua região. 95 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R REFERÊNCIAS BARBANTI, V. O que é esporte? Revista Brasi- leira de Atividade Física e Saúde, 11, n. 1, p. 54-58, 2006. BRACHT, V. Aprendizagem social e Educação Física. Porto Alegre: Magister, 1992. COMITÊ OLÍMPICO DO BRASIL (COB). Mode- lo de desenvolvimento esportivo do Comitê Olímpico do Brasil. Disponível em: https:// www.cob.org.br/pt/documentos/download/ a63aad29fb2e0/. Acesso em 25/01/2022. MCKAY, A. K.; STELLINGWERFF, T.; SMITH, E. S.; MARTIN, D. T.; MUJIKA, I.; GOOSEY-TOLFREY, V. L.; SHEPPARD, J.; BURKE, L. M. Defining Train- ing and Performance Caliber: A Participant Classification Framework. International Jour- nal of Sports Physiology and Performance, 17, n. 2, p. 317-331, 2022. TUBINO, M. J. G. Estudos brasileiros sobre o esporte: ênfase no esporte-educação. Marin- gá: EdUEM, 2010. 165 p. TUBINO, M. J. G. O que é esporte. Editora Bra- siliense, 2017. VAGO, T. M. O esporte na escola e o esporte da escola, da negação radical para uma relação de tensão permanente: Um diálogo com Valter Bracht. . Movimento, n. 5, p. 4-17, 1996. https://www.cob.org.br/pt/documentos/download/a63aad29fb2e0/ https://www.cob.org.br/pt/documentos/download/a63aad29fb2e0/ https://www.cob.org.br/pt/documentos/download/a63aad29fb2e0/ 96 Apoio: Patrocínio: Realização: CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora Pedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron- End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-047-9 (Fascículo 6) Fundação Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327 Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br Todos os direitos desta edição reservados à: AUTOR Mário Antônio de Moura Simim Doutor em Ciências do Esporte pela UFMG, mestre em Educação Física pela UFTM, especialista em Esportes e ati- vidades físicas inclusivas para pessoas com deficiência pela UFJF e graduado em Educação Física pelo Uni-BH. Professor adjunto no Instituto de Educação Física e Esportes (IEFES) da Universidade Federal do Ceará, professor permanente no Pro- grama de Pós-graduação em Fisioterapia e Funcionalidade (UFC), Agente de Aces- sibilidade da Secretaria de Acessibilida- de (UFC). É também auxiliar- técnico da Seleção Brasileira de Futebol para Ampu- tados, membro pesquisador da Academia Paralímpica Brasileira ecoordenador do Grupo de estudos em Educação Física e Desporto Adaptado (GEFDA/IEFES/UFC). ILUSTRADOR Carlus Campos Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na produção de suas ilustrações, utiliza várias lingua- gens como: desenho, pintura, aquarela, gravura e fotografia. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos prêmios com arte gráfica, fez incursões pelas artes plásticas participando de diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRA- FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft. GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA Esporte Educacional: referenciais de sucesso no Brasil e no mundo Ana Luísa Batista Santos Felipe Nogueira Catunda 7 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 99 CONCEITO DE ESPORTE EDUCACIONAL EXPERIÊNCIAS EXITOSAS DO ESPORTE EDUCACIONAL 100 102 POSSIBILIDADES DE DESENVOLVIMENTO DO ESPORTE EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO BÁSICA E NO ENSINO SUPERIOR 110 99 ES P O R TE E D U C A C IO N A L: R E FE R E N C IA IS D E S U C ES S O N O B R A S IL E N O M U N D O APRESENTAÇÃO 1 Rachel é professora de Educação Fí-sica e atua na Educação Básica e no Ensino Superior. Nos últimos anos, Rachel tem percebido que tanto os alunos das séries iniciais quanto os universitários têm apresentado compor- tamentos de dificuldade de socialização e de expressividade em decorrência da pandemia de Covid-19, após esses perí- odos de isolamento social. Como Rachel é apaixonada pelo es- porte educacional e conhece seu poder de integração social, de desenvolvi- mento psicomotor e de atividade física educativa, ela acredita no potencial de transformação cidadã promovido pelo esporte educacional. Assim, pretende propor para a gestão da escola e da uni- versidade pública a criação de um proje- to de esporte educacional. Ao chegar para a reunião pedagó- gica anual, Rachel apresenta todos os argumentos que reforçam a relevância do projeto de esporte educacional no âmbito multidisciplinar. Contudo, a ges- tão da escola e da universidade pública respondem de forma uníssona que a proposta é brilhante, mas que as insti- tuições não possuem verba para o de- senvolvimento de um projeto contínuo de esporte educacional. Rachel sai da reunião desmotivada, mas ainda firme para lutar contra a es- cassez e pela formação integral dos seus alunos. Com isso, Rachel decide anotar al- gumas inquietações e procurar referen- ciais de sucesso no Brasil e no mundo: como posso desenvolver o esporte educa- cional na escola e na universidade? Qual deve ser o principal objetivo dessa ação? Qual deve ser o resultado esperado? No decorrer deste módulo, convido você a acompanhar o percurso de re- flexão e aperfeiçoamento da professora Rachel. Ela irá (re)conhecer o conceito de esporte educacional e compartilhará algumas experiências de sucesso no de- senvolvimento do esporte educacional na Educação Básica e no Ensino Superior no cenário nacional e internacional. Ao final deste fascículo você deverá capaz de: (1) conceituar o esporte educacional; (2) conhecer experiências exitosas do esporte educacional no Brasil e no mundo; (3) refletir sobre as possibilidades de desenvolvimento do esporte educacional na Educação Básica e no Ensino Superior. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 100 Para começar a definição de Esporte Educacional, nada melhor do que dar uma olhada de como nossas leis enxergam esse termo, não é mesmo? No Capítulo I, Disposições Prelimina- res, do Decreto nº 7.984, de 8 de abril de 2013, que regulamenta a Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, que institui normas ge- rais sobre desporto no Art 3o, encontramos: I - desporto educacional ou esporte- -educação, praticado na educação básica e superior e em formas assistemáticas de educação, evitando-se a seletividade, a competitividade excessiva de seus pra- ticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação para o exercício da cidada- nia e a prática do lazer; Para desenhar uma proposta de oficina, projeto ou programa de espor- te educacional, Rachel precisa saber as principais características do esporte edu- cacional para poder aplicá-lo fora de sala de aula, mas sem perder o foco do obje- tivo educativo. Em suas pesquisas, ela encontrou que o esporte educacional está conectado à in- tegração social, ao desenvolvimento psi- comotor e às atividades físicas educativas. Na perspectiva da integração so- cial, o programa deve garantir que os 2 alunos participem de forma autêntica, tendo oportunidade de decidir sobre a organização das atividades que serão propostas no turno extraescolar ou nos horários livres de aula na universida- de. No que remete ao desenvolvimen- to psicomotor, os participantes devem experimentar situações de movimento, juízo crítico e autoavaliação, livre de discriminações de qualquer tipo. Já nas atividades físicas educativas, Rachel deve estimular seus alunos a concre- tizarem as aptidões em capacidades com o intuito de aumentarem o desem- penho (TUBINO, 2001). Sem sombra de dúvida, o espor- te educacional pode ser um dos meios mais exitosos na formação de jovens, pois a prática esportiva é indispensável no desenvolvimento da personalidade e relevante no processo de emancipação. Um ponto importante a ser destacado nesse conceito: o esporte educacional jamais pode ser confundido como um ramo do esporte performance ou es- porte de rendimento. Mesmo quando houver competições escolares, estas devem ter foco voltado para formação cidadã (TUBINO, 2001). A Figura a seguir reúne os principais pilares do conceito de Esporte Educacional: CONCEITO DE ESPORTE EDUCACIONAL FORMAÇÃO CIDADÃ PELO ESPORTE EDUCACIONAL Integração Social Atividades Físicas Educativas Desenvolvimento Psicomotor Agora que a Rachel já reconhece os principais pilares do esporte educacional, ela irá em busca de exemplos de projetos e programas de esporte educacional exi- tosos desenvolvidos no Brasil e no mun- do em escolas e universidades. Antes de conhecer esses casos de sucesso, é im- portante ter em mente as inquietações da Rachel. Lembra-se delas?: como posso desenvolver o esporte educacional na es- cola e na universidade? Qual deve ser o principal objetivo dessa ação? Qual deve ser o resultado esperado? 101 ES P O R TE E D U C A C IO N A L: R E FE R E N C IA IS D E S U C ES S O N O B R A S IL E N O M U N D O FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 102 3 EXPERIÊNCIAS EXITOSAS DO ESPORTE EDUCACIONAL Primeiramente, Rachel pesquisou programas de incentivo ao espor-te educacional nas esferas nacio- nal e internacional para ter uma refe- rência inicial. Depois, Rachel procurou boas práticas de professores que atuam na Educação Básica em busca de algu- mas estratégias que possa aplicar com seus(uas) alunos(as) jovens. Outro deta- lhe importante sobre o modelo procurado pela professora é a rotina, pois na escola em que trabalha os espaços físicos e ma- teriais esportivos são limitados. Por fim, Rachel também está curiosa em saber se há alguma iniciativa de esporte educa- cional que já se tornou, de fato, parte do currículo escolar, como foi inserida pela escola e como é denominada pela gestão. 3.1. Esporte Educacional na Educação Básica no Brasil A Confederação Brasileira do Desporto Escolar, designada, pela sigla CBDE, filia- da à Federação Internacional do Esporte Escolar (ISF), à Federação Internacional de Escolas Católicas (FISEC), reconhecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), é uma entidade privada sem fins lucrativos, de caráter desportivo educacional e inte- gra o Sistema Nacional do Desporto. A CBDE realizaeventos de diversas modalidades esportivas em nível escolar, contudo, não tem uma atividade voltada a projetos, no sentido de incluir na sua agenda outras formas de fortalecimento do esporte escolar. A Federação Cearen- se de Desporto Escolar (Fecede), uma vez que é entidade filiada à referida Confede- ração, segue a mesma estrutura dese- nhada pela instituição nacional. Programa Segundo Tempo (Brasil, 2013) O programa foi criado em 2003 com o objetivo de: Oferecer práticas corporais que esti- mulem o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes; Estimular os valores sociais e cultu- rais inerentes às práticas corporais; Ofertar condições pedagógicas ade- quadas à prática esportiva educacional; Motivar a promoção de ações interse- toriais que integrem a política espor- tiva educacional aos demais setores (educação, saúde, cultura, defesa en- tre outros). O núcleo do Programa Segundo Tem- po pode ser estabelecido em escolas ou espaços comunitários (públicos ou priva- dos). As atividades são desenvolvidas no contraturno escolar e as instalações físi- cas devem ser apropriadas às práticas de esporte educacional, conforme a proposta de trabalho do programa. Cada núcleo deve atender 100 beneficiados organizados em 3 turmas com 35 alunos, no máximo. Paradesporto Configura-se também como núcleo do programa, instituições. Nesse caso, o nú- cleo interessado deve disponibilizar infra- estrutura esportiva adequada em locais públicos ou privados, preferencialmente que não demandem transporte para o deslocamento dos beneficiados. Serão atendidos 60 beneficiados por núcleo. Su- gere-se que aproximadamente 70% sejam PCD e 30% alunos convencionais. Para o desenvolvimento das ativi- dades o ensino do esporte educacional deverá considerar: a) Os tipos de defici- ências dos beneficiados (visual, auditiva, física, intelectual e outras); b) A faixa etá- ria dos beneficiados e se possível organi- zar as turmas por proximidade de idade; c) Inclusão, a favorecer interação entre os beneficiados com e sem deficiência. Cada beneficiado deve participar das atividades 2 vezes na semana, com no mí- nimo de 3 horas diárias, ou 3 vezes na se- mana com 2 horas diárias de frequência. Programa Vem Ser! (Brasil, 2022) Teve sua diretriz publicada na Portaria nº. 749, de 14 de fevereiro de 2022, pelo Ministério da Cidadania, visando ampliar as políticas públicas do desporto educa- cional em âmbito nacional. É uma inicia- tiva da Secretaria Especial do Esporte e reforça as potencialidades do esporte, da promoção da saúde e da inclusão social. Portanto, o “Vem Ser!” Tem como objeto “oportunizar o acesso de crianças e adolescentes, com faixa etária entre 8 (oito) a 17 (dezessete) anos, à iniciação esportiva de qualidade, prioritariamente daqueles que se encontram em áreas de vulnerabilidade social e que preferencial- mente estejam matriculados na rede pú- blica de ensino.” (BRASIL, 2022). http://arquivo.esporte.gov.br/index.php/institucional/esporte-educacao-lazer-e-inclusao-social/segundo-tempo http://arquivo.esporte.gov.br/index.php/institucional/esporte-educacao-lazer-e-inclusao-social/segundo-tempo https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/outros/programa-vem-ser 103 ES P O R TE E D U C A C IO N A L: R E FE R E N C IA IS D E S U C ES S O N O B R A S IL E N O M U N D O Como é Feito? (Financeiro) É viabilizado por meio de parcerias entre a Secretaria Nacional de Esporte, Edu- cação, Lazer e Inclusão Social (Snelis) e governos dos estados, dos municípios, do Distrito Federal, instituições públi- cas federais de ensino e Organizações da Sociedade Civil (OSCs), com apoio de recursos financeiros próprios da Secre- taria Especial do Esporte ou por meio de emendas parlamentares. Como é Feito? (Pedagógico) Para facilitar a aprendizagem e o de- senvolvimento integral dos alunos-atle- tas, os conteúdos propostos deverão ser abordados em aulas e desenvolvidos da seguinte maneira: 1º Passo - Círculo da acolhida: re- cepção dos alunos-atletas e retoma- da dos conteúdos da aula anterior, bem como explicação dos valores e competên- cias da aula do dia; 2º Passo - Desenvolvimento: execu- ção das atividades das modalidades ofer- tadas, estimulando assim o desenvolvi- mento físico, cognitivo e socioemocional; 3º Passo - Momento Vem Ser!: a equipe orientará os alunos-atletas a re- lacionarem as vivências esportivas com os fatos da vida cotidiana, propiciando o desenvolvimento integral. Como é Feito? (Rotina) As atividades são desenvolvidas no con- traturno ou como complemento escolar e os espaços físicos devem ser adequados às práticas esportivas elencadas no pro- jeto técnico: • limite mínimo de 80 alunos-atletas; • iniciação esportiva de, no mínimo, duas modalidades esportivas por aluno-atleta, conforme a faixa etária; • equilíbrio de gênero, compreenden- do e respeitando a especificidade de cada indivíduo e a realidade de cada município; • Frequência: 4 horas semanais – 16h/ aula/mês. INSTITUTO ESPORTE E EDUCAÇÃO Desde 2011, o Instituto Esporte & Educa- ção, em parceria com a Petrobrás, desen- volveu uma estratégia de disseminação das práticas de Esporte Educacional a par- tir da transferência de tecnologia e da par- ceria com outras instituições (ONGs, Uni- versidades) e municípios. O Projeto Rede de Parceiros Multiplicadores de Esporte Educacional já assistiu a 58 municípios em 7 estados brasileiros, formando 773 pro- fessores e gestores da escolar pública e impactando 42.363 alunos na faixa etária de 3 a 17 anos, em aulas regulares e 1.643 eventos de esporte educacional. https://esporteeducacao.org.br/ https://esporteeducacao.org.br/ FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 104 A partir de 2018, o novo Projeto do IEE propõe democratizar e qualificar a prática do esporte educacional em mu- nicípios brasileiros, por meio da articu- lação, formação, aplicação de aulas de esporte educacional e implantação de escola ativa em diferentes territórios e contextos brasileiros. A metodologia aplicada nas interven- ções desenvolvidas pelo IEE para alcan- çar os objetivos do programa é baseada em cinco princípios norteadores: INCLUSÃO EDUCAÇÃO INTEGRAL CONSTRUÇÃO COLETIVA AUTONOMIA DIVERSIDADE 3.2. Esporte Educacional na Educação Básica no Mundo América – Estados Unidos Rachel teve que procurar bastante para encontrar uma instituição que tivesse foco na educação no continente America- no, pois, ali, muitos países dão foco ao es- porte de alto rendimento a partir do Ensi- no Médio. Contudo, encontrou, para você se inspirar, um caso de sucesso em uma Organização Não Governamental (ONG) nos Estados Unidados. A Harker School é uma escola par- ticular sem fins lucrativos, no Vale do Silício, que ganhou reconhecimento internacional por seus melhores ren- dimentos acadêmicos, professores de qualidade e realizações dos alunos. Fun- dada em 1893 e educando 1.975 alunos, a Harker é a maior escola independente do gênero na Califórnia. Para a ONG, esporte educacional é uma parte importante da experiência da formação adolescente, desde o aprendi- zado de novas habilidades físicas e es- portividade até simplesmente aproveitar a emoção da atividade e da competição. Os alunos experimentam benefícios que apoiam seu crescimento acadêmico, so- cial e emocional no Ensino Médio. Exis- tem programas esportivos abrangentes para todos os níveis de habilidade. Assim como propostas de atividades competiti- vas para as equipes esportivas ou equi- pes internas e de desenvolvimento para alunos(a) que gostam de jogar, mas não necessariamente de competir. Ásia – Coreia do Sul Em Seul, a capital da Coreia do Sul, os alu- nos do Ensino Fundamental têm inúmeras atividades para escolher, desde reforço es- colar aos sábados até a formação integral após a escola, que envolve tanto atividades https://www.harker.org/middle-school/programs-extracurriculars/athleticshttps://www.siskorea.org/student-life/athletics 105 ES P O R TE E D U C A C IO N A L: R E FE R E N C IA IS D E S U C ES S O N O B R A S IL E N O M U N D O artísticas quanto as atléticas, culminando com um programa de esporte educacional de 4ª e 5ª séries que inclui futebol, basque- te, flag futebol e natação, abertos a todos os alunos do Ensino Fundamental e são dedi- cados ao desenvolvimento de habilidades e trabalho em equipe. Europa - Luxemburgo O modelo referência de educação euro- peia será Luxemburgo, pois, segundo a Organização para a Cooperação e Desen- volvimento Econômico, é o país que mais investiu em educação no ano de 2019. Logo, Rachel ficou curiosa em conhecer suas iniciativas voltadas para o esporte educacional. Na Escola Internacional de Luxem- burgo (ISL), o esporte é parte integran- te e essencial do programa educacional total. Desenvolve todos os aspectos do bem-estar físico, social e mental de uma criança dentro e fora da sala de aula. A ISL acredita que uma ampla oferta de es- portes extracurriculares e competitivos contribui para a experiência educacional e promove o desenvolvimento social e fí- sico dos participantes. A ISL valoriza o benefício intrínseco da participação esportiva e o espírito de jogo em equipe. A ênfase é colocada prin- cipalmente na participação, cooperação e bom espírito esportivo, onde os treina- dores são professores e modelos para os atletas, promovendo atitudes positivas, trabalho em equipe e respeito às regras. África O Grupo Agence Française de Développe- ment (AFD) é uma instituição pública que põe em prática a política francesa em matéria de desenvolvimento e solidarie- dade internacional. Criada em 1941, a AFD é a mais antiga instituição de desen- volvimento do mundo. A missão da AFD é contribuir para o progresso econômico, social e ambiental dos países de baixa e média renda. Concretamente, essa missão se re- veste em forma de empréstimos, sub- venções, expertise ou assistência téc- nica, acordados a estados, autarquias locais, empresas, fundações ou ONGs, e permitem realizar projetos em diversas áreas: clima, biodiversidade, energia, educação, urbanismo, saúde, digital, es- porte, treinamento, etc. Para promover a educação através do esporte e forta- lecer a coesão social desde a mais ten- ra idade, a AFD compromete-se junto a organizações da sociedade civil fran- cesas, tais como a Play International, aprovada pelo Ministério dos Esportes e reconhecida como de interesse geral. No Burundi, no Senegal, na Libéria e no Kosovo, a Play International utiliza sua “Playdagogia” para manter os jovens no sistema educacional através do espor- te e criar laços sociais em prol da re- construção do país. Em Mayotte, a ONG implementa um projeto educacional e esportivo que se insere no combate à discriminação. Lembrando que “play” significa brincar, jogar, ou seja, se apro- xima da ludicidade que é uma das ba- ses do esporte educacional. A AFD associa-se igualmente a or- ganizações internacionais, tais como a NBA, a FIFA ou a Basketball Africa Lea- gue. Essas parcerias visam a promoção da prática esportiva e a sensibilização dos jovens beneficiários para os desa- fios do desenvolvimento sustentável através do esporte e da organização de eventos esportivos. https://www.islux.lu/student-life/sports https://www.play-international.org/en https://www.afd.fr/en/actualites/sport-mayotte-increasing-awareness-gender-equality https://www.afd.fr/en/actualites/sport-mayotte-increasing-awareness-gender-equality https://www.afd.fr/pt/actualites/nba-liga-africana-de-basquete-e-afd-o-esporte-em-desenvolvimento https://www.afd.fr/en/actualites/communique-de-presse/championnes-football-gender-equality-africa FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 106 Oceania – Austrália O exemplo que a Rachel encontrou do continente da Oceania, foi a Austrália. O currículo de Educação Física do país é pautado no conceito da alfabetização físi- ca, que envolve a aprendizagem holística ao longo da vida por meio do movimento e da atividade física. Oferece benefícios físicos, psicológicos, sociais e cognitivos para a saúde e o bem-estar. O Estatuto do Posicionamento Espor- tivo Australiano sobre Alfabetização Físi- ca descreve nosso compromisso em criar uma geração mais saudável de australia- nos mais ativos. O currículo escolar ativa esse compromisso por meio do estabele- cimento de uma linguagem comum para apoiar todos os australianos a desenvol- ver sua alfabetização física, em todas as fases da vida. No que se refere ao Esporte Educa- cional, o país oferta programas gratuita- mente às crianças e a suas famílias para ajudar os alunos a desenvolverem a con- fiança e a capacidade de serem ativos por toda a vida. Para ajudar a conseguir isso, a Co- missão Esportiva Australiana fez parceria com mais de 35 organizações esportivas nacionais (NSOs). Existe um programa para escolas primárias e um programa di- recionado para escolares de 7 e 8 anos do ensino fundamental. O governo acredita que todos têm potencial para valorizar, de- senvolver e manter comportamentos po- sitivos de atividade física por toda a vida. Vale lembrar que Rachel também é professora universitária e que precisa conhecer a realidade do esporte educa- cional das universidades brasileiras e de outros continentes. A seguir, você encon- trará alguns casos exitosos no Ensino Su- perior para se inspirar. 3.3. Esporte Educacional no Ensino Superior no Brasil Rachel não pode falar de esporte edu- cacional no Ensino Superior sem men- cionar a Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU), quem tem a brilhante missão de inspirar e de- senvolver o potencial de novos líderes através do esporte. É uma instituição que trabalha a consonância do esporte com a educação! A CBDU é filiada à Federação Inter- nacional do Esporte Universitário (Fisu), portanto, segue regras semelhantes ao regulamento do organismo internacional. A Fisu trabalha com alunos(as) universi- tários(as) na faixa etária de 17 a 25 anos de idade. A CBDU, contudo, tem algumas flexibilizações. As competições no Brasil, aceita alunos(as) com 16 anos completos até 25 anos. Entretanto, em algumas mo- dalidades, podem participar alunos(as) acima dessa faixa etária. Por exemplo, o Futsal, que pode ter dois alunos(as) aci- ma de 25 anos, o Vôlei de Praia, no qual aceita-se um(a) aluno(a) acima de 25 anos dentro da dupla. A CBDU tem um ranking nacional que é feito entre as federações estaduais (FUEs) e as instituições de ensino supe- rior. Esse ranking é formando de acordo com a participação em eventos. São atri- buídas pontuações para as instituições de acordo com as colocações que alcançam nos eventos. A instituição pontua em cada competição que participa e também gera pontuação para a federação do estado a que corresponde. Então, pontuam tanto a instituição, com sua participação, quanto a federação, por levar a sua instituição. Esse ranking é renovado anualmente. A CBDU ainda promove o troféu efi- ciência. A premiação também conta com a participação estadual. Em 2022, houve uma disputa bastante acirrada, com dife- rença de apenas trinta pontos. Entre as fa- culdades particulares melhores ranquea- das estão a UNIP de São Paulo, UniNassau de Pernambuco e a Unifor e a UniAteneu, ambas do Ceará. Entre as públicas, desta- cam-se, a nível nacional, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Universidade de Brasília (UnB). Agora que você conheceu um pouco do papel da Confederação, que tal desco- brir as iniciativas que têm sido desenvol- vidas no âmbito do desporto educacional universitário Brasil afora? Programa Segundo Tempo - Universitário (Brasil, 2013) As atividades são desenvolvidas em espaços físicos adequados às práticas corporais de acordo com a indicação es- tabelecida na Proposta de Trabalho. a)Quantidade de beneficiados por núcleo: 300 beneficiados, prioritaria- mente discentes. b) Desenvolvimento das Atividades: organiza-se o ensino das práticas corpo- rais de acordo com o interesse dos bene- ficiados. Para tanto, o(a) professor(a), após considerar quais são as práticas corporais que os beneficiados têm maior interesse, deverá organizar seu Planejamento Pe- dagógico do Núcleo (PPN) contemplando uma ou mais práticas corporais. c) Frequência: cada beneficiado deverá participar de dois encontros de 1h30min (cada um), duas vezes por se- mana. A definição dos horários e das atividades poderá ser flexível de acordo com a demanda e a disponibilidade de in- fraestrutura. d) Turmas: devem ser organizadas com no máximo 60 alunos(as). https://www.sportaus.gov.au/schools 107 ES P O R TE E D U C A C IO N A L: R E FE R E N C IA IS D E S U C ES S O N O B R A S IL E N O M U N D O Grupo Ser Educacional É composto pelas instituições privadas de Ensino Superior: UniNassau (Norte, Nor- deste e Centro-Oeste), Unama (Amazô- nia), UNG (Guarulhos), UniVeritas (Rio de Janeiro), UniNorte, Unibanco (Recife), Uni- Juazeiro (Juazeiro do Norte), UniFacimed (Rondônia), Unesc (Rondônia), UniFasb (Bahia) e UniFael (Paraná). O grupo oferta mais de 2.500 bol- sas de estudos de até 100% para atletas de diversas modalidades. O resultado é que, a cada ano, os estudantes se des- tacam em competições nacionais e in- ternacionais. Nos Jogos Universitários Brasileiros 2022, somaram 100 meda- lhas conquistadas durante o evento: 24 de ouro, 37 de prata e 39 de bronze. Além disso, o Grupo contou com a maior delegação da competição nacional, so- mando mais de 600 participantes, entre atletas e técnicos. A instituição acredita que o esporte e a educação podem transformar vidas. Por isso, tem orgulho de ser o grupo edu- cacional que mais investe em esporte no país. A prática de esportes afasta o jovem das drogas, evita a evasão esco- lar, aumenta a capacidade cognitiva, traz benefícios consideráveis à saúde e gera cooperação e socialização entre os estu- dantes. E, ao fim da graduação, aqueles que não se tornam atletas profissionais têm a possibilidade de alcançar uma boa profissão e uma vida melhor. Esporte Unifor (Fortaleza-CE) A Universidade de Fortaleza (Unifor), por meio da Vice-Reitoria de Extensão e Co- munidade Universitária e gerenciamen- to da Divisão de Atividades Desportivas (DAD), desenvolve programas e projetos esportivos para atender à sua comuni- dade (interna e externa), visando propor- cionar e estimular a adoção de hábitos https://www.sereducacional.com/institucional.html https://www.unifor.br/en/esporte/apresentacao#tabs FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 108 saudáveis por meio da atividade física e esportiva. É possível aliar momentos de aprendizagem, lazer e saúde por meio dos projetos que incentivam o esporte como base para a vida pessoal e profissional. A Universidade também sedia projetos so- ciais, revela novos talentos e dá suporte a atletas de alto nível que representam a instituição em competições nacionais e internacionais. Em todos os projetos de responsabilidade social desenvolvidos pela Unifor, utilizando o esporte como fer- ramenta, foram contemplados centenas de alunos ao longo desses 20 anos, quer seja com acesso ao nível superior por meio de bolsas de estudo e outros incen- tivos como moradia e planos de saúde, quer seja pela oportunidade de trabalho e emprego, em função da aproximação da Unifor com a comunidade, quer seja pelo desenvolvimento atlético, que por meio da escola de esporte e programa da in- centivo ao esporte, alguns se tornaram atletas profissionais. Quanta intervenção inspiradora a gente pôde perceber, não é mesmo?! Ainda não acabou! Na seção logo abaixo, você irá encontrar outros casos de suces- so do desporto educacional universitário no mundo. 3.2. Esporte Educacional no Ensino Superior No Mundo América – Estados Unidos Mais de mil faculdades e universidades dos EUA oferecem oportunidades para estudantes talentosos(as) jogarem pelo time universitário como forma de pagar por seus estudos. Os(As) atletas inte- ressados(as) podem pedir cartas de re- ferência de seus(suas) treinadores(as) e outros(as) mentores(as) para ajudá-los a expressar como eles(elas) veem seu po- tencial de sucesso e representar a insti- tuição com uma bolsa esportiva. Ásia – China Fundado em 2017, o China Athletics Colle- ge é afiliado à Divisão de Esportes Olím- picos da Beijing Sport University (BSU). É uma academia profissional que consegue a integração integral e profunda com a Seleção Nacional de Atletas e a Seleção Nacional Juvenil. É guiado pelos requisi- tos de treinamento de talentos de ponta, integrado, internacional e colaborativo. Ele constrói um sistema educacional que integra ensino, treinamento, pesquisa científica e serviços de logística, desde o ensino fundamental e médio até o ensi- no de graduação e pós-graduação. Tem o objetivo de alcançar um novo modelo de formação de atletas de alto nível, técni- cos, árbitros e pesquisadores científicos com características chinesas. Europa - França As federações esportivas francesas com assessoramento do Instituto Nacional do Esporte, da Expertise e da Performance (INSEP) garantem a formação e a prepa- ração dos atletas de alto nível, visando à excelência no esporte e ao bom desem- penho escolar, universitário ou profissio- nal. O INSEP é um centro de treinamento e preparação olímpica e paraolímpica de referência para atletas internacionais na França. O seu objetivo principal é apoiar os(as) atletas de elite e seus(suas) trei- nadores(as), principalmente fornecen- do-lhes instalações e equipamentos es- portivos da mais alta qualidade. Metade das medalhas olímpicas da França são conquistadas por atletas que treinam no INSEP, que é uma instituição pública sob a administração do Ministério do Espor- te. Estabelecido em 1945, é um centro de treinamento olímpico e paraolímpico de referência, bem como uma voz poderosa na política esportiva de elite na França. https://educationusa.state.gov/athletic-scholarships https://en.bsu.edu.cn/Schools/AcademicDivisionofOlympicSports/ca410d5b238847b8be07ca05634a556a.htm 109 ES P O R TE E D U C A C IO N A L: R E FE R E N C IA IS D E S U C ES S O N O B R A S IL E N O M U N D O Oceania - Austrália O Programa “Caminho do Atleta Aluno de Elite” (ESAP), na Austrália, fornece liderança e direção para estabelecer e entregar estratégias que promovem a co- laboração entre as Universidades austra- lianas, a Rede Instituto Nacional e as Or- ganizações Desportivas Nacionais (ODN) para identificar, monitorar e apoiar estu- dantes-atletas de elite. O esporte de alto rendimento exige um comprometimento significativo do atleta, principalmente quando aliado aos estudos acadêmicos. Estudantes-atletas de elite geralmen- te precisam de suporte extensivo para se destacarem em ambas as atividades. Como tal, os alunos-atletas de elite po- dem ter direito a obter apoio de várias or- ganizações, como sua universidade, ODN, instituto estadual/academia de esporte, clube esportivo, governo (local, estadual e/ou federal) ou local comunidade. As universidades membros da UniSport Aus- tralia oferecem suporte a aproximada- mente 5.000 estudantes atletas de elite e emergentes, desde representantes esta- duais até equipes nacionais e atletas pro- fissionais. Mais de 60 funcionários da uni- versidade fornecem suporte a esses(as) estudantes atletas na forma de suporte acadêmico, assistência ao desempenho esportivo e desenvolvimento pessoal. https://www.unisport.com.au/elite-student-athlete-pathways FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 110 POSSIBILIDADES DE DESENVOLVIMENTODO ESPORTE EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO BÁSICA E NO ENSINO SUPERIOR Rachel chegou ao final dessa jor-nada com uma bagagem cheia de história, emoções, dificuldades e superações dos(as) colegas de profissão, não é mesmo? Ela percebeu que não está sozinha nessa jornada e que não existe barreira intransponível. Para facilitar seu planejamento, ela fez um check-list sobre os pontos-chave que vão nortear o de- lineamento do seu projeto. Que tal, você fazer o seu a partir dos itens a seguir? OBJETIVO: METODOLOGIA FINANCIAMENTO: GLOSSÁRIO Atividade Física: é um comporta- mento que envolve os movimentos vo- luntários do corpo, com gasto de energia acima do nível de repouso, promovendo interações sociais e com o ambiente, po- dendo acontecer no tempo livre, no des- locamento, no trabalho ou estudo e nas tarefas domésticas. Aptidão: compreende tanto a capa- cidade cognitiva como as características emocionais e da personalidade do indiví- duo. Ex: aptidão física. Capacidade: poder de produção, de execução; rendimento máximo. Desempenho: maneira como atua ou se comporta alguém ou algo, avaliada em termos de eficiência, de rendimento. Desenvolvimento Psicomotor: é o desenvolvimento do domínio do próprio corpo, mente e emoções, como: habili- dades de lateralidade (esquerda/direi- ta), espaciais, temporais, coordenação motora etc. Esporte Educacional: desporto educacional ou esporte-educação, prati- cado na educação básica e superior e em formas assistemáticas de educação, evi- tando-se a seletividade, a competitivida- de excessiva de seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação para o exercício da cidadania e a prática do lazer. Educação Básica: a Educação Bási- ca, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB - 9.394/96), passou a ser estruturada por etapas e modalidades de ensino, englobando a Educação Infantil, o Ensino Fundamental (obrigatório de nove anos) e o Ensino Médio. Ensino Superior: é uma etapa edu- cacional que vem depois da educação bá- sica. Pode ser Bacharelado, Licenciatura ou Tecnólogo. Integração Social: é o desenvolvi- mento de competências técnicas, sociais e comunicativas, essenciais para o seu processo de desenvolvimento individual e social. Pessoa com Deficiência: pessoa que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sen- sorial, as quais, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. 4 111 ES P O R TE E D U C A C IO N A L: R E FE R E N C IA IS D E S U C ES S O N O B R A S IL E N O M U N D O REFERÊNCIAS KRAVCHYCHYN, C.; OLIVEIRA, A. A. B. Esporte Educacional no Programa Segundo Tempo: uma construção coletiva. J Phys Educ, v.27, e2719, p. 1-18, 2016. MACHADO, P. X. et al. O impacto de um projeto de educação pelo esporte no desenvolvimento infantil. Psicologia Escolar e Educacional, v. 11, n. 1, p. 52-62, 2007. SOUZA, L. C. L.; SILVA, M. M.; SILVA, J.V. P. Polí- tica de esporte universitário em uma institui- ção pública de ensino superior de Mato Grosso do Sul, Rev Motriviv, v. 31, n. 60, p. 1-20, 2019. TUBINO, M. J. G. Dimensões sociais do espor- te. 2. ed. São Paulo: Editora Cortez, 2001. 112 Apoio: Patrocínio: Realização: CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora Pedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron- End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-053-0 (Fascículo 7) Fundação Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327 Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br Todos os direitos desta edição reservados à: AUTORES Ana Luísa Batista Santos Graduada em Educação Física pela Uni- versidade Estadual do Ceará (Uece) e Indiana University e mestre em Saúde Coletiva (Uece) e Segurança de Aviação Civil (ITA). É professora pesquisadora do Núcleo de Investigação em Atividade Físi- ca na Escola (Niafe) e do Instituto Federal do Maranhão. Felipe Nogueira Catunda Graduado em Educação Física (Licencia- tura/Bacharelado) e especialista em Fi- siologia do Exercício pela Universidade Estadual do Ceará (Uece). Especialista em Gestão e Educação Inclusiva pelo Pro- minas. Mestrando em Ensino em Saúde (Uece). É presidente/fundador da Asso- ciação D’ Eficiência Superando Limites (Adesul) e professor efetivo vinculado à Secretaria da Educação do Estado do Ce- ará e coordenador de Educação Especial da Coordenadoria Regional de Desenvol- vimento da Educação (Crede) 1. ILUSTRADOR Carlus Campos Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na produção de suas ilustrações, utiliza várias lingua- gens como: desenho, pintura, aquarela, gravura e fotografia. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos prêmios com arte gráfica, fez incursões pelas artes plásticas participando de diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRA- FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft. GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA Elaboração e gestão de projetos para o esporte educacional Marcelo Soldon 8 FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 114 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 115 CONCEITOS 116 PROJETOS PARA O ESPORTE EDUCACIONAL 119 ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DE UM PROJETO 120 GESTÃO DE PROJETOS 1265 115 E LA B O R A Ç Ã O E G ES TÃ O D E P R O J E TO S P A R A O E S P O R TE E D U C A C IO N A L APRESENTAÇÃO 1 É muito comum ao iniciarmos um novo ano, termos aquela sede de mudanças: vou começar uma dieta, mudar de apartamento, trocar de empre- go, entrar na academia, aprender uma língua estrangeira. Contudo, os meses vão passando e nada acontece. Então você entende que deve cair na realidade de que precisa sair do plano dos sonhos e desejos e que precisa ir além, ou seja, tem que se esforçar para que esses de- sejos se tornem metas e se concretizem. Quando coloco um objetivo claro à frente e planejo atingi-lo, levando em consideração o tempo necessário, os seus recursos fundamentais, avaliando o que preciso abrir mão e o que preciso fa- zer para “chegar lá”, daí posso, sim, cha- mar essa ideia estruturada e planejada de PROJETO. Os projetos podem ser classificados de acordo com seus objetivos. Existem projetos de engenharia, projetos sociais, projeto de vida, projetos empresariais, projetos esportivos, entre outros. O resul- tado desses projetos, quando alcançados,são singulares e caracterizam o seu fim. Neste módulo, você lerá sobre proje- tos para o esporte educacional, que são atividades planejadas e executadas com a finalidade do desenvolvimento integral do indivíduo e de sua formação para o lazer, tendo o esporte como principal dis- positivo metodológico. Você também será apresentado a conceitos fundamentais de projeto e esporte educacional, além dos elementos para elaboração de um projeto e como geri-lo com excelência, adminis- trando os recursos envolvidos nele e ana- lisando os indicadores e metas, na busca para atingir o objetivo traçado. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 116 2.1. O Esporte Educacional O esporte educacional nasceu en-tre cientistas da educação física e surgiu na legislação brasileira em 1993, por meio da “Lei Zico” (Lei Fede- ral nº 8672/1993). Após a Constituição Federal de 1988 apontar como dever do estado e direito de todo cidadão o apoio a práticas esportivas formais e não for- mais, a Lei Zico veio regulamentar alguns aspectos do esporte brasileiro. Dentre esses aspectos, fomos apre- sentados às manifestações esportivas em forma de “dimensões”, como esporte de rendimento, de participação e educacio- nal. O esporte (ou desporto) educacional, que foi definido como aquele praticado “através dos sistemas de ensino e formas assistemáticas de educação, evitando-se a seletividade, a hipercompetitividade de seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral e a formação para a cidadania e o lazer.” Esta primeira versão de 1993 sofreu modificações. A principal delas em 1998, com o surgimento da “Lei Pelé” (Lei Fede- ral nº 9615/98). Essas modificações não afetaram sua diretriz principal, que é a for- mação integral do indivíduo utilizando o esporte como uma ferramenta para isso. 2 nhece alguém que não gosta de música? Existem aqueles que ouvem rock, aqueles que preferem forró, aqueles que se en- cantam com MPB e músicas internacio- nais, e ainda aqueles que não só ouvem, como gostam de dançar ao som do seu estilo preferido. O esporte possui também essa ade- são maciça. Existem aqueles que prati- cam futebol, corrida, natação, ciclismo... e existem aqueles que simplesmente não são adeptos à atividade física, mas se de- leitam com uma apresentação de ginás- tica artística na televisão, durante uma olimpíada, ou até mesmo curtem uma partida de hóquei sobre o gelo, curiosos por aquele ambiente. Destaca-se que, de alguma maneira, o esporte está presente na vida da população como um todo, quer como competidor, praticante ou como es- pectador/torcedor. Compreendendo essa grande acei- tação do esporte por parte da população, os profissionais da área enxergaram uma gigante ferramenta de troca de conheci- mento e experiências que pudesse ser implementada na formação de crianças e adolescentes. Através dele, conseguimos transmitir os valores inerentes à prática competitiva, como o respeito às regras, VOCÊ SABIA? Zico e Pelé foram, respectivamente, minis- tros do Esporte nos governos Collor e Fer- nando Henrique, sendo corresponsáveis pelas leis que formalizaram e classifica- ram as manifestações esportivas, entre elas a do esporte educacional. TÁ NA LEI Lei Zico: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l8672.htm Lei Pelé: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/l9615consol.htm Ora, nesse sentido, o esporte se apresenta apenas como um “caminho” para se atingir um objetivo. Ratificamos: leia “um” caminho, e não “o” caminho, vis- to que a formação integral compreende muitas esferas, como cognitiva, social, fí- sica, afetiva, psicológica, entre outras. As práticas esportivas possuem uma característica de aceitação quase que universal, comparável à música. Você co- CONCEITOS http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8672.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8672.htm 117 E LA B O R A Ç Ã O E G ES TÃ O D E P R O J E TO S P A R A O E S P O R TE E D U C A C IO N A L aos adversários, às autoridades, o saber ganhar e perder, o de enfrentar adversi- dades, superar obstáculos, encarar de- safios, se capacitar e ser melhor a cada dia. A educação física da época passou a compreender a importância e o alcan- ce de suas atividades. Tudo isso com o bônus dos benefícios fisiológicos à saú- de, com a melhoria da força, do sistema cardiovascular, da habilidade motora, da flexibilidade e da consciência corporal. Dessa forma, a educação física den- tro do ambiente escolar começou a se desenvolver, principalmente na segunda metade do século XX, com seus conceitos próprios, metodologias, conteúdos e cur- rículos, entre eles as práticas esportivas e o lazer saudável. O lazer, ligado ao tempo livre disponí- vel entre as atividades, sempre teve como um dos seus principais elementos a prá- tica esportiva. Por que não sistematizar e desenvolver atividades que gerassem também esses benefícios no ambiente extraescolar? Assim o esporte educacional não se limitou às paredes das escolas, ganhando terreno em espaços públicos e privados, por meio de escolinhas, núcleos e proje- tos específicos. Desde que as atividades mantives- sem os princípios fundamentais do des- porto educacional, como inclusão, partici- pação, cooperação, respeito à diversidade e construção coletiva, poderiam ser clas- sificadas dentro desta manifestação. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 118 2.2. Projetos Esportivos Conceitualmente, projetos esportivos são todos aqueles que têm como foco o es- porte. Esse esporte pode ser tanto a fina- lidade própria do projeto, mas também pode ser uma ferramenta pedagógica, como explicado a seguir: Quadro 1 PROJETO ESPORTIVO Tem como característica ter o esporte como objetivo ou como principal ferramenta Esporte como Objetivo Esporte como Ferramenta • O projeto busca objetivos que são pró- prios do esporte. • Possui finalidade nele próprio. • Exemplos de objetivos: (a) obtenção de títulos ou campeonatos na modalidade proposta; (b) melhoria do condicio- namento físico; (c) desenvolvimento de atletas ou equipes para resultados esportivos. • O projeto utiliza o esporte como um meio para atingir seus objetivos. • As finalidades são outras que, inclu- sive, podem ser atingidas por outras ferramentas que não o esporte. • Exemplos de objetivos: (a) educação para cidadania; (b) transmissão de valores; (c) coletividade, trabalho em grupo, socialização; (d) indiscriminação e inclusão da pessoa com deficiência. educacionais são normalmente voltados para as faixas etárias mais jovens, na sua maioria em ambientes educacionais for- mais, inclusivos e participativos. A concepção de um projeto esportivo surge na ânsia do atendimento a alguma situação encontrada, alguma “lacuna”, a percepção de uma situação-problema. O projeto busca atender a alguma neces- sidade existente, que foi observada pelo elaborador ou um terceiro que, por meio dessa percepção/diagnóstico, traz o pro- blema para o papel, gerando uma solu- ção, parcial ou total, em forma de projeto. E que forma é essa? Veremos adiante. O conteúdo do Quadro 1 é apenas um dos elementos de um projeto, cuja análise nos faz classificar como esportivo ou não, que é (ou são) os objetivos. No decorrer deste módulo você verá que existem di- versos outros elementos fundamentais para a construção de um projeto que ga- ranta a sua coesão, clareza, eficiência, eficácia e sua tangibilidade. Quando falamos de projetos espor- tivos educacionais, entramos no univer- so dos projetos esportivos que utilizam o esporte como uma ferramenta para atingir seus objetivos, e não um fim nele próprio. Por isso, os projetos esportivos 119 E LA B O R A Ç Ã O E G ES TÃ O D E P R O J E TO S P A R A O E S P O R TE E D U C A C IO NA L PROJETOS PARA O ESPORTE EDUCACIONAL Quando refletimos sobre o tema “projeto para o esporte educacio-nal”, talvez a primeira lembrança que nos venha à mente são os jogos in- terclasses e intercolegiais, ou as ginca- nas entre turmas, séries e escolas. Nas grandes redes escolares, vêm à nossa memória as rivalidades esportivas entre as diferentes sedes, o desafio entre os adversários existentes nas competições esportivas, as torcidas inflamadas nas arquibancadas de ginásios e os times aguerridamente competindo dentro da quadra. Contudo, o esporte educacional e suas possibilidades de projetos e ações vão muito além disso, inclusive chegando além dos muros escolares. Uma das maneiras estratégicas de se atingir esses objetivos é por meio de pro- jetos que, conforme o Ministério do Plane- jamento, Orçamento e Gestão nada mais é do que “um empreendimento planejado, orientado a resultados, possuindo ativida- des com início e término, para atingir um objetivo claro e definido”, neste caso, ali- nhados com o desporto educacional. Primeiramente, precisamos dife- renciar entre os projetos esportivos educacionais planejados para as insti- tuições de ensino e aqueles que funcio- narão fora delas. O principal ponto de atenção é que todo projeto esportivo educacional a ser realizado dentro da estrutura de ensino formal precisa estar alinhado com as diretrizes e legislações vigentes, bem como com o projeto político-pedagógico da escola ou instituição. Como já dizia o pai da química moder- na, Antoine Lavoisier: “na natureza, nada se perde, nada se cria; tudo se transfor- ma”. Mesmo os projetos mais inovadores precisam ter suas bases alicerçadas em linhas pedagógicas amplamente discuti- das e amadurecidas. Dentro das escolas existem diversos documentos que norteiam as atividades acadêmicas para cada série do ensino básico: Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Diretrizes Curriculares Nacionais, Projeto Político-Pedagógico, entre outros. Seria coerente um projeto esportivo de cunho educacional estar desalinhado com as propostas já existentes, que levam em conta a maturidade, o grau de instrução e a formação desejada, seus objetivos e metas? Claro que não. Isto posto, cabe ao profissional se apropriar dessa base pe- dagógica para a elaboração do projeto. Fora do âmbito escolar, os mesmos documentos podem ser norteadores, mas não condicionantes para a elaboração do projeto. Existem outras demandas, fragi- lidades e anseios apresentados por um território, por uma população específica, por um grupo de pessoas ou mesmo por uma entidade que são mais valiosos de informações para o projeto que se propõe. 3 Um dos pontos iniciais do planeja- mento de qualquer projeto e ação é o diagnóstico. Esse diagnóstico pode ser mais superficial ou mais profundo, mas tem como finalidade identificar a realida- de humana, social, econômica e compor- tamental daquele espaço. Diante dos dados coletados, cabe ao bom profissional levar em consideração as particularidades locais e elencá-las, em grau de importância, para que condu- za a elaboração de um projeto exitoso. #FICAADICA O sucesso de um gestor está direta- mente ligado à capacidade que sua equipe tem de entregar resultados sob sua liderança. Sendo assim, a gestão de pessoas é fundamental para o sucesso de um projeto es- portivo educacional, pois as ferra- mentas tecnológicas e estruturais são importantes, mas nada como o material humano envolvido, capa- citado, engajado e alinhado com os objetivos institucionais. Saiba mais na leitura do módulo Gestão de Pessoas e Ações em Projetos de Esporte. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 120 4 Os fundamentos para a constru-ção de projetos nos acompanham na vida escolar desde as séries iniciais. Quem não se lembra dos traba- lhos feitos na escola, no preenchimento do cabeçalho com informações sobre os objetivos, materiais a serem utilizados, forma de fazer e resultados esperados? Para quem não tem essa recordação, basta procurar qualquer receita culiná- ria na internet para se deparar com um formato bem parecido. Temos o objetivo (prato a ser feito), os recursos (ingredien- tes), o cronograma (tempo da receita), o público-alvo (quantas pessoas servem) e a metodologia (forma de preparo). Mui- tas receitas nos dão inclusive a opção de substituir ingredientes a nosso gosto (ajustes) para que o produto atenda me- lhor aos nossos anseios. Apesar da nossa analogia a uma receita de bolo, a elaboração de proje- tos não é uma ciência exata. Não pode- mos afirmar, entretanto, que um projeto bem escrito, elaborado e planejado será necessariamente um sucesso, pois você verá que existem muitas variáveis (pós- -escrita) no meio do caminho que podem determinar o seu insucesso. Contudo, este autor, seguramente, pode afirmar que um projeto esportivo sem cuidado na elaboração e sem o devido planejamento, sem dúvida, é um fracasso. Existem autores de diversas áreas de projetos que possuem modelos dis- tintos do seu conteúdo. Apresentaremos aqui os principais formatos exigidos em editais, formulários e escopos de proje- tos esportivos, salientando que “o mes- mo projeto pode e deve ser personaliza- do e ajustado para o público a qual ele será apresentado”. #FICAADICA Link de um modelo de projeto esportivo do Ministério do Esporte: https://www.gov.br/cidadania/pt-br/ acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao- -esporte/arquivos/modelos-de-projetos/ modelo_nucleo_de_desenvolvimento_ arari.pdf 4.1. Dados do Projeto No formato de cabeçalho, tabela, formu- lário, tópicos, conforme a escolha do(a) autor(a) – a não ser que haja um formulá- rio específico que já tenha o seu formato ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DE UM PROJETO https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao-esporte/arquivos/modelos-de-projetos/modelo_nucleo_de_desenvolvimento_arari.pdf https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao-esporte/arquivos/modelos-de-projetos/modelo_nucleo_de_desenvolvimento_arari.pdf https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao-esporte/arquivos/modelos-de-projetos/modelo_nucleo_de_desenvolvimento_arari.pdf https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao-esporte/arquivos/modelos-de-projetos/modelo_nucleo_de_desenvolvimento_arari.pdf https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao-esporte/arquivos/modelos-de-projetos/modelo_nucleo_de_desenvolvimento_arari.pdf 121 E LA B O R A Ç Ã O E G ES TÃ O D E P R O J E TO S P A R A O E S P O R TE E D U C A C IO N A L exigido. O mais importante é que seja bem detalhado, logo no início do projeto, com informações básicas do(a) Proponente e de ordem administrativa. Esta é a sua identidade (pessoa física) ou da entidade (pessoa jurídica) que você representa. Se estamos falando ainda de uma ideia ou de uma proposta que virá a ser comercializada para uma entidade, esse campo pode ser preenchido com o per- fil das entidades para as quais o proje- to será ofertado: nome do projeto, valor, proponente/entidade proponente, CNPJ, endereço, classificação do projeto, res- ponsável técnico do projeto etc. É importante que todos esses dados sejam aprofundados, ou minimamente coletados por parte do(a) elaborador(a) do projeto, pois em algum momento o mesmo pode ser solicitado. 4.1.1. Apresentação O primeiro tópico deve resumir, de ma- neira clara, objetiva e direta, o seu projeto. Ele serve para dizer, em poucas palavras, tudo aquilo que está disposto no restan- te do documento. É fundamental que ao término da leitura da apresentação do projeto todas as informações principais estejam claras para o(a) leitor(a)/analis- ta/parecerista, que, neste ponto, já deve estar encantado(a) ou, no mínimo, curio- so(a) em conhecer a sua proposta. Deixa-se claro o título do projeto, que se tratade um projeto esportivo, os seus objetivos, que modalidades esportivas en- volve, sua duração, onde irá ocorrer, quem pretende beneficiar, quanto custará e por quem e como será executado, além de, na- turalmente, os seus resultados esperados. Essa mesma apresentação deve ter o poder de causar a mesma impressão de “encantamento” para um potencial patrocinador. 4.1.2. Justificativa Como dica para a elaboração deste tópi- co, deve ser respondida a seguinte per- gunta: POR QUÊ o projeto foi elaborado e POR QUÊ ele merece ser implementado? É importante fazer uma contextuali- zação do local onde o projeto funcionará. Se for um projeto esportivo social, apon- tar as fragilidades do território, apresen- tar esse público-alvo e as suas “dores”. Apontar dados de levantamento socioe- conômico é de extrema importância, pois qualifica o seu diagnóstico. Projetos esportivos educacionais possuem uma infinidade de variáveis. O propósito deste tópico é justificar as es- colhas feitas para o projeto. Escolha de local, de período, de modalidade, de pú- blico-alvo e de objetivos, por exemplo. A justificativa de um projeto também precisa estar atrelada a uma certa rele- vância. Imagine que você vai apresentar seu projeto a um gestor(a)/patrocina- dor(a) que possui recursos para apoiar projetos esportivos. Surgindo a oportuni- dade, você precisará apresentar a ele(a) as razões pelas quais ele deve apoiar o seu projeto, inclusive em detrimento a outros “concorrentes”. Neste momento, a sua justificativa deve ser extremamente coerente, convincente e estar alinhada aos propósitos deste(a) apoiador(a). FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 122 4.1.3. Objetivos Para os objetivos do projeto, normalmen- te faz-se a divisão entre objetivo geral e objetivos específicos. O objetivo geral está ligado à missão do projeto. Aquela realidade (situação- -problema) que se busca modificar. O que se almeja ao término do seu projeto, a melhoria que o público-alvo terá ao final das ações previstas. Para os projetos esportivos educa- cionais, o objetivo geral é mais abran- gente, superficial e genérico. Isso porque os benefícios da prática esportiva na for- mação humana dificilmente são mensu- rados totalmente a curto ou médio prazo, tempos que podem ser associados aos benefícios diretos de um projeto. A noção de um ser coletivo, de um indivíduo pleno e consciente de seu papel na sociedade, de um “desenvolvimento integral e da for- mação para a cidadania e o lazer” serão observados no decorrer da sua trajetória humana, passando pelas fases da adoles- cência, juventude, adulta e terceira idade. Quanto aos objetivos específicos, eles estão associados às principais ações e atividades que serão executadas duran- te o projeto para que se alcance o objetivo geral. Essas ações normalmente respon- dem perguntas, como: o que se precisa trabalhar para que o projeto avance? Que mudanças gradativas espero? Estas ações estão no âmbito de aten- dimento do projeto. Os beneficiários são o público dessas ações. As atividades administrativas não entram nesse escopo, pois são de ordem interna de quem está executando o projeto, ou seja, do(a) proponente. Elenca-se entre 5 a 7 objetivos espe- cíficos, sempre em ordem cronológica de implementação e com total alinhamento com o objetivo geral do projeto. Essas eta- pas intermediárias são de cumprimento essencial, ao longo do projeto, para que se alcance o objetivo geral. 4.1.4. Público-Alvo Para qual perfil de público o seu projeto foi elaborado? Quem ele pretende alcan- çar, transformar? Descreva de maneira mais fidedigna possível quem deverá ser atendido pelo projeto. Faixa etária, gêne- ro, perfil socioeconômico, região, particu- laridades e/ou minorias atendidas devem ser descritos nesse tópico. 4.1.5. Metas As metas diferem-se dos objetivos espe- cíficos, pois elas são quantitativamente mensuráveis. Estamos falando de quan- tidade X de público atingido; X lanches oferecidos, X horas/aula de capacitação, percentual X de melhoria de rendimen- to escolar, percentual X de diminuição de evasão, participação em X competições estudantis durante o ano. Enfim, índices que se espera que sejam impactados com as ações do projeto, e que podem ser men- surados no seu montante, no seu valor. Para análise de cada uma das me- tas estabelecidas precisa-se de um in- dicador, que vai apontar para você se a meta estabelecida foi atingida ou se foi erroneamente planejada. Abordaremos novamente esse ponto no tópico “Gestão de Projetos”. 4.1.6. Cronograma Consiste na organização temporal das atividades do projeto. Apresenta essa or- ganização cronológica e auxilia também o acompanhamento de atrasos ou na an- tecipação de ações. Usualmente usa-se um quadro para esse tópico, tabulado em dias, semanas ou meses, e lista-se as etapas de execução do projeto, como: divulgação, inscrição, capacitação, aula inaugural, atividades regulares, avalia- ções etc. Veja, a seguir, um exemplo de crono- grama de projeto: 123 E LA B O R A Ç Ã O E G ES TÃ O D E P R O J E TO S P A R A O E S P O R TE E D U C A C IO N A L Etapa Estruturação Execução Finalização AÇÕES | MÊS Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 Mês 7 Mês 8 Divulgação Contrato com fornecedores Capacitação dos professores … 4.1.7. Metodologia Na metodologia é onde você deverá dis- correr sobre COMO se dará o projeto. Diante de todos os objetivos, o público-al- vo, a realidade diagnosticada e os recur- sos disponíveis, como se darão as ações? Que abordagens serão utilizadas? De que maneira serão executadas as atividades? Qual a forma de cada uma das etapas? Qual a duração de cada atividade? Que materiaisqrecursos irá utilizar? Uma boa dica para a redação da me- todologia a ser empregada é: precisa ser clara o suficiente para que alguém que não tenha relação com o projeto consiga inter- pretar e executar as ações planejadas. 4.1.8. Orçamento O orçamento reúne todas as necessida- des financeiras para materiais, equipa- mentos, serviços, mão de obra e quais- quer outros itens que sejam necessários para que o projeto seja viável, ou seja, possível de ser executado e de conseguir alcançar os resultados esperados. Os itens (rubricas) são listados den- tro de uma certa organização (material de consumo, material permanente, re- cursos humanos, serviços especializa- dos, impostos e encargos etc.) com sua estimativa financeira. É importante que seja também acompanhado de uma “memória de cál- culo”, pois existem itens que tem desem- bolso mensal, outros de caráter único, outros por metas atingidas. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 124 4.1.9. Acompanhamento e Avaliação Estes dois instrumentos revelam o dia a dia de seu projeto, servem para analisar o andamento do projeto, observar o que está caminhando bem e o que não está, servindo para tomada de decisões impor- tantes e preventivas. O acompanhamento deve ser imple- mentado durante a fase intermediária da execução do projeto, checando se as etapas estão sendo realizadas dentro dos prazos, com os recursos previstos e atin- gindo as metas parciais. Na observância de alguma inconsistência, existe a possi- bilidade de ajustes, correções e novos ali- nhamentos ainda no decorrer das ações. Esses ajustes são feitos nos fluxos e pro- cessos do projeto. Na última etapa, avaliação, devem-se analisar os indicadores pertinentes aos resultados esperados do projeto. Os indi- cadores podem ser qualitativos ou quan- titativos, mas ambos de resultados, pois a análise dos processos que foram exe- cutados acontece durante o acompanha- mento. Ao final, conclui-se se o projeto atingiu seus objetivos, ou se os mesmos foram sub ou superestimados. As etapas descritas acima são ele- mentares de projetos de qualquer natu- reza. O quecabe ao profissional das áreas correlatas aos esportes é saber adequar o formato às particularidades do projeto esportivo educacional. 125 E LA B O R A Ç Ã O E G ES TÃ O D E P R O J E TO S P A R A O E S P O R TE E D U C A C IO N A L GESTÃO DE PROJETOS Um gestor de projetos é aquele que consegue coordenar, dirigir e ge-renciar os recursos disponíveis para realizar entregas com maior efici- ência. Cada vez mais a ciência da gestão de projetos avança, pois as corporações entenderam que seccionar as atividades em projetos é uma boa solução para que o trabalho tenha foco, acompanhamen- to e consiga trazer bons resultados. Um conjunto de projetos entrega resultados que convergem para grandes feitos da instituição. Em projetos esportivos educacionais é fundamental que o gestor tenha conhe- cimento de fundamentos das três áreas: (1) gestão, (2) esporte e (3) educação. Além de ser essencial que reúna a sua equipe também alicerçada nesses três pilares, visto que serão os olhares espe- cíficos de cada área que irão construir um projeto de qualidade. 5.1. Recursos Um dos principais papéis de um gestor de projetos é saber administrar os recur- sos disponíveis, sejam eles: (1) humanos, (2) físicos e (3) financeiros. Os recursos humanos são compos- tos pelos colaboradores do projeto, os atendidos pelas ações e todos(as) aque- les(as) que, de maneira voluntária ou pro- fissional, dedicam seu tempo, ação e inte- lecto para a execução do projeto. Os recursos físicos podem ser: • Estruturais: equipamentos e ma- teriais esportivos, ginásios etc. • Temporais: horas, dias, semanas e meses • Tecnológicos: softwares, siste- mas, aplicativos, programas etc. • E qualquer outra ferramenta que contribua para a execução do projeto. Já os recursos financeiros têm o pa- pel de viabilizar a aquisição, seja perma- nente ou temporária, de todos os outros recursos necessários para o projeto. Importante destacar que a gestão dos recursos de um projeto não é um fim nela mesmo, pois ela precisa ter metas (intermediárias e finais) que devem ser buscadas sempre da maneira mais efi- ciente possível. No módulo 10 deste curso, você vai compreender mais sobre a relação da instituição com a equipe de trabalho, como ponto essencial a ser desenvolvido no ambiente profissional. 5.2. Comunicação Um aspecto fundamental para um pro- jeto esportivo educacional de sucesso é a comunicação. Vou além: apesar de vivermos na era da comunicação e con- seguirmos nos comunicar com alguém do outro lado do mundo em tempo real, com imagem e som de qualidade, aponto 5 a falta de comunicação como o primeiro colocado no quesito “falhas” na gestão de um projeto. A comunicação é essencial ao ser humano, seja no campo profissional, pessoal, familiar, esportivo, educacio- nal, amoroso, entre outros. É importante ser claro, objetivo e se fazer entender durante qualquer ação, além de, claro, ter alcance e visibilidade (itens que os patro- cinadores(a) adoram e que dão vantagem ao seu projeto). Você já trabalhou em algum proje- to e não sabia os seus objetivos? Você já elaborou um relatório simplesmen- te preenchendo os campos solicitados, sem saber a informação que queria ser levantada? Você já foi a uma reunião sem saber a pauta ou quanto tempo ela iria durar? Tenho certeza de que se identifica- ram com pelo menos duas das três si- tuações acima. Cabe ao(à) gestor(a) ser claro no processo de comunicação com seus(uas) colaboradores(as). Para isso, mantenha a comunicação constante, uti- lize todos os suportes e redes possíveis, mas sempre com foco e clareza, junto aos seus(uas) colaboradores(as). 5.3. Foco Um(a) gestor(a) precisa que sua equipe esteja constantemente alinhada com as diretrizes do projeto. Se o objetivo princi- FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 126 pal do seu projeto esportivo é promover a cooperação entre um grupo de alunos(a), por que suas atividades estão estimulan- do a individualidade? Por que em vez de modalidades coletivas e jogos de coope- ração está trabalhando treinamentos in- dividualizados? Alternar metodologias de trabalho são estratégias válidas, mas elas precisam ser bem controladas, justificadas e alinhadas com o objetivo proposto. A análise durante o percurso do pro- jeto para saber se o mesmo continua ali- nhado com os objetivos propostos é cha- mada de Controle, e ela comumente está embasada em algumas metas e indica- dores parciais. Lembrando que metas e indicadores precisam estar diretamente relacionados. Para cada meta é necessá- rio um indicador, que nada mais é do que a ferramenta escolhida para apontar se aquela meta foi ou não atingida. Se estamos conduzindo um carro e nossa meta é alcançarmos a velocidade de 80km/h, precisaremos acelerar, pas- sar as marchas e controlar o carro, mas quem irá me dizer se atingi a velocidade desejada é o velocímetro. Ou seja, o ve- locímetro será o meu indicador. Sem in- dicadores, ficamos conduzindo às cegas, sem controle ou avaliação das nossas ações, sem saber se estamos no rumo certo ou não e se estamos próximos de alcançar os objetivos propostos. Um(a) bom(oa) gestor(a) é aquele(a) que elenca objetivos audaciosos, mas palpáveis, e que possam ser mensurados durante o processo. Quando o(a) gestor(a) observa que as suas metas não estão sendo atingidas, cabe a ele(a) analisar e fazer as devidas correções, seja nos pro- cessos, nas ações ou nos recursos em- pregados em cada área do projeto. 5.4. Tecnologia Por último, cabe ao(à) gestor(a) se valer do avanço da tecnologia como um aliado para suas atividades. Existem hoje dispo- níveis diversos programas e aplicativos – muitos deles gratuitos – que facilitam a gestão de projetos, de tarefas, de pro- cessos ou que, simplesmente, melhoram a comunicação nas ações. Esteja atua- lizado de ferramentas genéricas, como recursos de e-mail e reuniões on-line, e das mais específicas, como softwares de gestão de competições, gestão de proje- tos sociais e esportivos, pois elas foram criadas para facilitar o processamento de dados e a projeção de resultados nesse universo cada vez mais veloz e imediato. Fique atento(a) a essas dicas, busque se aprimorar por meio de leituras e víde- os na internet sobre gestão de projetos, e tenha a certeza de que, qualificando-se, você estará cada vez mais diante do su- cesso desejado. Boa sorte. 127 E LA B O R A Ç Ã O E G ES TÃ O D E P R O J E TO S P A R A O E S P O R TE E D U C A C IO N A L REFERÊNCIAS AMORIM, Felipe Wolfgang Patsch. A impor- tância da Gestão Esportiva para a vida profissional do professor de educação fí- sica. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. 2013. Disponível no link: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/han- dle/10183/79643/000901923.pdf?sequen- ce=1&isAllowed=y BRASIL. Metodologia de gerenciamento de projetos do SISP. Manual do Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão. Brasília. 2011. Disponível no link: https://www.gov.br/ governodigital/pt-br/sisp/documentos/arqui- vos/mgp-sisp_versao_1-0.pdf SANTOS, Luana Ferreira, NOBRE, Anna Cláu- dia dos Santos, RESENDE, Tamiris Cristhina, RAMOS, Anatalia Saraiva Martins. Análise de stakeholders na Gestão de Projetos Sociais. Revista de Gestão e Projetos. 2019. Disponí- vel no link: https://periodicos.uninove.br/gep/ article/view/10957 https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/79643/000901923.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/79643/000901923.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/79643/000901923.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://www.gov.br/governodigital/pt-br/sisp/documentos/arquivos/mgp-sisp_versao_1-0.pdf https://www.gov.br/governodigital/pt-br/sisp/documentos/arquivos/mgp-sisp_versao_1-0.pdf https://www.gov.br/governodigital/pt-br/sisp/documentos/arquivos/mgp-sisp_versao_1-0.pdfhttps://periodicos.uninove.br/gep/article/view/10957 https://periodicos.uninove.br/gep/article/view/10957 128 Apoio: Patrocínio: Realização: CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora Pedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron- End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-049-3 (Fascículo 8) Fundação Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327 Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br Todos os direitos desta edição reservados à: AUTOR Marcelo Soldon É profissional de educação física e espe- cialista em treinamento esportivo, mas foi na gestão e administração esportiva que construiu sua trajetória. Possui 17 anos de experiência em entidades pú- blicas e privadas do esporte. Foi coorde- nador logístico da Copa do Mundo FIFA 2014, gerente de instalação esportiva nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e coordenador de Esportes da Secretaria do Esporte e Juventude do Ceará. Atualmente, é vice- -presidente da Federação Universitária Cearense de Esportes e do Conselho do Desporto do Estado do Ceará, presiden- te da Comissão de Esportes do Conselho Regional de Educação Física CREF-5, con- sultor esportivo, diretor e fundador do Es- critório do Esporte. ILUSTRADOR Carlus Campos Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na produção de suas ilustrações, utiliza várias lingua- gens como: desenho, pintura, aquarela, gravura e fotografia. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos prêmios com arte gráfica, fez incursões pelas artes plásticas participando de diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRA- FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft. GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA Gestão de Equipamentos e Espaços de Esporte e Lazer Adriano César Carneiro Loureiro 9 FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 130 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 131 BENEFÍCIOS PARA SOCIEDADE 132 DIFICULDADES DA GESTÃO 135 SUSTENTABILIDADE 137 ELEMENTOS RELEVANTES PARA UMA BOA GESTÃO 1385 ORGANOGRAMA E CONTRATAÇÃO DE PESSOAL 1406 INFRAESTRUTURA ESPORTIVA 1417 CONSIDERAÇÕES FINAIS 1438 131 G ES TÃ O D E E Q U IP A M E N TO S E E S PA Ç O S D E E S P O R TE E L A ZE R APRESENTAÇÃO 1 A prática regular de atividade física em equipamentos e espaços de esporte e lazer possibilita muitos benefícios para a saúde física e mental dos indivídu- os, além de outros inúmeros benefícios. Por isso, a boa gestão desses ambientes esportivos é fundamental para garantir a segurança e o bem-estar dos usuários, além de assegurar a sustentabilidade dos equipamentos e espaços. Alguns elementos são essenciais para a boa gestão, como a concepção e a efetivação da missão, visão, valores e objetivos de uma instituição, que são as- pectos cruciais para o sucesso da gestão desses equipamentos e espaços. Além disso, o organograma e a contratação de pessoal capacitado são fatores impor- tantes para assegurar a eficiência para esta gestão. A infraestrutura dos equipa- mentos e espaços esportivos também é fundamental para garantir a segurança e a satisfação dos usuários. Assim, é perti- nente investir na manutenção e corre- ção regular desses espaços. Algumas perguntas-chave precisam ser consideradas para melhor entendi- mento do assunto: (1) Quais são os principais benefí- cios da prática regular de ati- vidade física em equipamentos e espaços esportivos e de lazer para a comunidade? (2) Quais as principais dificuldades encontradas na gestão desses locais? (3) Como garantir a boa gestão de ambientes esportivos? (4) Qual a importância da missão, visão, valores e objetivos para equipamentos e espaços de es- porte e lazer? (5) Como o organograma e a contra- tação de pessoal podem impac- tar a gestão de equipamentos e espaços esportivos? (6) Como a manutenção e correção da infraestrutura esportiva po- dem influenciar na satisfação e segurança dos usuários? Estas e outras questões serão temas de discussão neste módulo, e esperamos que ao final da sua leitura e estudo você possa refletir melhor sobre esses aspec- tos relacionados à gestão de equipamen- tos e espaços de esporte e lazer. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 132 O esporte pode ser considerado a re-presentação simbólica do homem em movimento, de seus ímpetos, medos, angústias e desejos. O espor- te é cultura humana, pois é estruturado como forma de linguagem que possibilita a comunicação e interação de diferentes pessoas e sociedades (ROSSETO JÚNIOR, 2014). Assim, a prática esportiva, inclu- sive como forma de lazer, é parte fun- damental da cultura de uma sociedade e traz consigo valores importantes. Para que esses valores sejam plena- mente desenvolvidos e para que o espor- te desempenhe seu papel na melhoria da qualidade de vida das pessoas, é neces- sário que haja equipamentos e espaços esportivos adequados. É nos espaços da cidade e na vida cotidiana das pessoas que o esporte desenvolve seus valores e manifestações (PEDROSO, 2010). Assim, a disponibilidade de bons equipamentos e espaços esportivos (Figura 1) é crucial para que a sociedade possa aproveitar plenamente os benefícios do esporte. 2 ÎDesenvolvimento motor: esses locais podem ajudar no desenvolvimento e na coordenação motora, estimulando o crescimento físico e mental. O desen- volvimento de habilidades físicas, téc- nicas e mentais podem ajudar a me- lhorar o rendimento em competições esportivas e na vida diária; ÎLazer: esses lugares oferecem a pos- sibilidade para a realização de ativida- des recreativas e divertidas, como an- dar de skate, patinete, patins, bicicleta, jogar bola, nadar, entre tantas outras atividades físicas possíveis, possibili- tando experiências e contribuindo para uma vida mais feliz; ÎMelhoria psicológica: praticar ativi- dades físicas e esportes pode ajudar a melhorar a autoestima, a autoimagem e a autoconfiança, além de trazer be- nefícios emocionais, como a redução do estresse e da ansiedade; ÎIntegração social: equipamentos e es- paços de esporte e lazer são territórios nos quais as pessoas podem se encon- trar, conhecer novas pessoas, construir novas amizades, oportunizando a socia- lização comunitária e a construção de relações sociais positivas. Além disso, esses locais também podem ser usa- dos como ferramentas para combater a criminalidade por meio da inclusão social e da formação de valores, comoa cooperação, o trabalho em equipe, a to- lerância e a disciplina (GIL; RUIZ, 2007). Figura 1 – Exemplos de Equipamentos e Espaços de Esporte e Lazer Deste modo, de maneira geral, os equipamentos e espaços de esporte e lazer no Brasil têm como finalidade prin- cipal proporcionar à população oportuni- dades para praticar atividades físicas e recreativas, contribuindo para a promo- ção da saúde, bem-estar e qualidade de vida, entre outros inúmeros benefícios. Então, esses locais podem possibilitar para a sociedade um conjunto de benefí- cios que incluem: ÎMelhoria da saúde: praticar esportes e atividades físicas regularmente pode ajudar na melhoria da condição físi- ca geral, na promoção da saúde e na prevenção e tratamento de doenças, como obesidade, hipertensão, diabetes e outros, contribuindo para o desen- volvimento de uma comunidade ativa e saudável com mais qualidade de vida; BENEFÍCIOS PARA SOCIEDADE 133 G ES TÃ O D E E Q U IP A M E N TO S E E S PA Ç O S D E E S P O R TE E L A ZE R VOCÊ SABIA? Muitos equipamentos e espaços de esporte e lazer do Brasil foram construídos para as Olimpíadas de 2016, realizadas no Rio de Janeiro/ RJ. Alguns desses espaços, incluin- do o Centro de Formação Olím- pica, localizado em Fortaleza/CE, foram projetados com uma abor- dagem sustentável, incluindo siste- mas de captação de água da chuva. Uma outra pauta que merece atenção da sociedade é o estímulo à economia que ocorrem nesses locais. Os equipa- mentos e espaços esportivos promovem o fomento à economia local porque atra- em visitantes e praticantes de esportes, aumentando a demanda por bens e ser- viços locais, como a contratação de pro- fissionais, compras, alimentação, trans- porte, hospedagem, entre outros. Isso resulta em mais empregos e mais negó- cios bem-sucedidos, o que impulsiona o crescimento econômico local. Além disso, a construção de novos equipamentos e espaços esportivos pode gerar empregos diretos e indiretos na construção e manu- tenção destes ambientes. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 134 É possível observar alguns dos bene- fícios que podem ser desenvolvidos, ple- namente, por usuários de equipamentos e espaços esportivos apropriados. Confira: (1) Ajudar as pessoas a se tornarem mais sociais e diminuir o comporta- mento antissocial; (2) Formar pessoas mais felizes e ensi- nar lições de vida; (3) Ajudar as pessoas a criar amizades e a desenvolver relacionamentos; (4) Reduzir a obesidade e o risco de do- enças cardiovasculares; (5) Ajudar as crianças a se tornarem mais ativas; (6) Reduzir a depressão, a ansiedade e o estresse; (7) Melhorar a saúde mental das pes- soas e fazer as pessoas se sentirem mais confiantes; (8) Proporcionar desafios; (9) Melhorar o aprendizado, o humor e a disposição; (10) Constituir uma nação mais saudável; (11) Reduzir os gastos com doenças e o risco de desenvolver doenças; (12) Melhorar o desempenho acadêmico, as habilidades cognitivas e o bem- -estar; (13) Gerar empregos; #FICAADICA Uma boa dica de leitura é o livro Gestão de Espaços e Equipamentos de Esporte e Lazer dos professores Antônio Carlos Bramante, Luiz Wilson Alves Corrêa Pina e Mar- cos Ruiz da Silva. O livro aborda, entre outras coisas, métodos, procedimentos e relatos de experiências concretas para au- xiliar o(a) leitor(a) nas diferentes situações que podem acontecer em contextos de gestão destes locais. As informações sobre a obra você encontra nas referências, no final deste módulo. 135 G ES TÃ O D E E Q U IP A M E N TO S E E S PA Ç O S D E E S P O R TE E L A ZE R Existem muitas dificuldades para a implementação de uma boa gestão de equipamentos e espaços espor- tivos. As dificuldades encontradas para o bom funcionamento desses ambientes vão desde a insuficiência de recursos fi- nanceiros para o atendimento adequado das necessidades sociais até a percep- ção negativa dos(as) usuários(as) sobre o aproveitamento desses locais. Esses problemas podem dificultar o uso dessas estruturas e, consequentemente, o aces- so aos benefícios que a prática esportiva poderia e pode proporcionar à população. A carência de investimento dos go- vernos, em todos os âmbitos, e da ini- ciativa privada impõem um obstáculo de difícil resolução. É preciso investir em infraestrutura para que os espaços es- portivos sejam construídos e bem apro- veitados. A falta de manutenção regular dos equipamentos esportivos também pode resultar em deterioração e perda de sua finalidade. Da mesma maneira, esses locais também devem ser beneficiados regularmente com melhorias, aprimora- mentos de infraestrutura. Um outro tópico que merece atenção diz respeito a falta de fiscalização e regu- lamentação dos equipamentos esportivos. Sem supervisão adequada, pode haver descumprimento de regras, normas e re- gulamentos, muitas vezes determinados por leis, que existem para garantir a segu- rança e o bem-estar dos(as) usuários(as). 3 Além disso, sem gerenciamento apropria- do pode haver excesso de uso, danificação dos equipamentos, falta de manutenção e outros problemas que prejudicam a quali- dade dos ambientes esportivos. Os conflitos com outras atividades na área também podem ocasionar difi- culdades na boa gestão dos equipamen- tos e espaços esportivos. O aumento da população ou a carência de locais desta natureza podem levar a uma sobrecarga de demanda por esses equipamentos e espaços, resultando em mau funciona- mento devido à dificuldade de organiza- ção dos ambientes ou ao seu uso excessi- vo. Nesta situação, podem ocorrer certas conturbações sociais. A falta de acessibilidade devido a barreiras físicas ou financeiras é outro problema na gestão de locais esportivos. A barreira física está relacionada à limitação do acesso de pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida a esses equipamen- tos, levando a uma diminuição da parti- cipação desses cidadãos em atividades esportivas, podendo, inclusive, ser vista como uma forma de discriminação, preju- dicando a imagem e a reputação da gestão do equipamento ou espaço esportivo. Sobre a barreira financeira: se as ta- rifas cobradas são muito elevadas, pode acontecer de as pessoas de baixa renda serem impedidas de acessar os equi- pamentos e espaços esportivos, sendo privadas de participar das atividades de DIFICULDADES DA GESTÃO FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 136 #FICAADICA Para melhor entendimento de questões relacionadas a dificulda- des da gestão de espaços de es- porte e lazer, temos uma dica de leitura. Sugerimos o estudo do livro Gestão do Esporte no Brasil: desafios e perspectivas de Leandro Mazzei e Flávia Bastos. A obra aborda questões como in- vestimento, manutenção, fiscaliza- ção, acessibilidade, profissionaliza- ção, segurança e gestão eficiente relacionados à gestão do esporte no Brasil. A referência completa você encon- tra no final deste módulo. esporte e lazer oferecidas. Isso pode ser visto como uma forma de exclusão so- cial e pode prejudicar a imagem e, con- sequentemente, a reputação da gestão do equipamento ou espaço esportivo. Uma outra questão sensível é a ca- rência de profissionalização dos(as) co- laboradores(as). Os(As) funcionários(as) lotados(as) nos ambientes esportivos precisam ser capacitados(as) e ter trei- namento adequado para garantir o bom funcionamento desses locais, pois sem formação adequada os(as) colaborado- res(as) podem não ser capazes de cum- prir suas funções de maneira eficaz e se- gura, causando problemas de segurança, de qualidade dos serviços prestados, de manutenção dos equipamentos esporti- vos e até de dificuldade de orientação e suporte aos(às) usuários(as) dos equipa- mentos, afetando negativamente a expe- riência desses(as) usuários(as). Garantira segurança de usuários(as) e colaboradores(as) em ambientes espor- tivos é uma preocupação crítica. A falta de segurança pode levar a incidentes, como roubos e vandalismo, prejudicando os equipamentos e dificultando o seu uso. Isto pode afastar os(as) usuários(as), resultar em lugares esvaziados e, consequente- mente, em menos recursos financeiros para a manutenção e suas melhorias. É importante entender que o(a) usuário(a) pode ser um(a) contribuin- te financeiro(a). Além disso, a falta de segurança pode levar a uma má per- cepção pública dos locais de esporte e lazer, o que pode afetar negativamente sua imagem e sua capacidade de atrair novos(as) frequentadores(as). Por fim, destacamos algo que está diretamente relacionado com todos os pontos abordados anteriormente: a fal- ta de gestão eficiente. A má gestão dos equipamentos e espaços esportivos pode resultar em uma péssima distribuição de recursos financeiros, falta de plane- jamentos de desenvolvimento dos locais, falta de programação de atividades e eventos para a população, má comuni- cação e falta de cooperação entre os se- tores responsáveis, o que pode resultar em problemas de logística, segurança e todos os outros aspectos já relatados. A Figura 2 destaca resumidamente as principais adversidades relacionadas à boa gestão dos espaços e equipamen- tos de esporte e lazer. Todas elas e ou- tras dificuldades podem ser facilmente encontradas na literatura e na internet, bem como fazem parte do cotidiano de gestores de ambientes que propiciam esporte e o lazer. Má Gestão Carência de Investimentos Falta de Manutenção/MelhoriasFalta de Manutenção/Melhorias Falta de Fiscalização e Regulamentação Conflitos com Outras Atividades na Área Falta de Acessibilidade Carência de Profissionalização dos Colaboradores Falta de Segurança Figura 2 – Dificuldades para a Boa Gestão de Ambientes Esportivos 137 G ES TÃ O D E E Q U IP A M E N TO S E E S PA Ç O S D E E S P O R TE E L A ZE R SUSTENTABILIDADE bilidade social e ambiental que pos- sam contribuir para a imagem positiva do equipamento. Assim, por exemplo, deve-se ter atenção na eficiência ener- gética, incluindo a implementação de novas tecnologias de iluminação e cli- matização menos poluentes e mais efi- cientes, que possam ajudar a reduzir os custos operacionais a médio e a longo prazo. Além disso, práticas eficientes de gestão de resíduos para minimizar o impacto ambiental, bem como a reu- tilização da água devem ser observa- dos. Tudo que apresentamos impacta na preservação da biodiversidade local e minimiza custos. A diversificação das atividades ofere- cidas também é essencial para garantir o desenvolvimento sustentável dos equi- pamentos e espaços de esporte e lazer. Diante do conjunto de problemas apontados é imprescindível discutir a importância da sustentabilidade de equipamentos e espaços esportivos. Desenvolver soluções sustentáveis para construir e operar esses espaços esportivos é uma preocupação atual e crescente para muitos gestores esporti- vos. Assim, algumas estratégias podem e devem ser adotadas para garantir a sua sustentabilidade. A diversificação de fontes de finan- ciamento, incluindo parcerias público- -privadas, patrocínios e investimentos, como doações de empresas e organi- zações, receitas geradas pelos próprios equipamentos por diferentes formas, empréstimos bancários, entre outros, é fundamental para o sucesso da gestão desses espaços. A gestão financeira res- ponsável, incluindo o monitoramento e controle eficiente de despesas, e a obten- ção de receitas adicionais devem fazer parte da rotina de gestores de espaços de esporte e lazer. Um outro ponto que merece des- taque é a otimização do uso do equipa- mento de esporte e lazer, incluindo a rea- lização de vários eventos ao longo do ano, garantindo receita e retorno social, bem como a manutenção eficiente dos espa- ços, garantindo sua boa conservação e prolongando a vida útil do local. A sustentabilidade também está relacionada ao desenvolvimento de programas e iniciativas de responsa- 4 Além das atividades esportivas, as ati- vidades artísticas e culturais devem ser estimuladas como forma de aumentar a rentabilidade desses ambientes. A boa gestão dos equipamentos e es- paços esportivos permite garantir a qua- lidade, a segurança, a disponibilidade e o uso correto dos equipamentos. Uma ges- tão eficiente pode ajudar a maximizar a vida útil desses lugares, minimizar os cus- tos de manutenção e garantir que os(as) usuários(as) tenham acesso aos espaços apropriados e necessários para realizar suas atividades de esporte e lazer. A Figura 3 destaca os principais as- pectos relacionados à sustentabilidade dos espaços e equipamentos de esporte e lazer que podem ser facilmente cons- tatadas na teoria e na prática de gestores de esporte e lazer. Fontes de Receita Diversificadas Otimização do Uso dos Espaços Manutenção Eficiente dos Espaços Preservação da Biodiversidade Eficência Energética Diversificação de Atividades Atendidas Figura 3 – Alguns Aspectos para a Boa Sustentabilidade de Ambientes Esportivos Gestão Eficiente do Orçamento FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 138 TÁ NA LEI Existem leis importantes para am- parar o funcionamento adequado de equipamentos e espaços de es- porte e lazer. Elas tratam da segu- rança dos(as) usuários(as), venda de ingressos, proteção social de crianças, adolescentes e idosos e da Política Nacional de Esportes, que estabelece o esporte e o lazer como práticas que devem ser fo- mentadas pelo Estado: • Lei nº 10.671/03 (Estatuto do Torcedor), que dispõe sobre o combate à violência nos esportes e regulamenta a atividade de co- mercialização de ingressos para espetáculos esportivos; • Lei nº 8.069.90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), que dispõe que os governos devem estimular e facilitar a destinação de recursos para programações esportivas e de lazer; • Lei nº 10.741/03 (Estatuto do Idoso), que garante direitos aos idosos e inclui medidas para a promoção de sua participação em atividades esportivas; • Projeto de Lei nº 409/22, que cria a Política Nacional do Esporte. O planejamento estratégico é essen-cial para uma boa gestão, pois per-mite que uma organização, empresa ou indivíduo definam adequadamente suas metas, processos, ações e recursos neces- sários para alcançá-los, o que aumenta as suas chances de sucesso. Além disso, o planejamento permite identificar possíveis problemas ou desafios, bem como delinear procedimentos de como superá-los. Há relação direta entre o planeja- mento e a missão, visão, valores e objeti- vos de uma organização, pois o planeja- mento é o meio pelo qual uma instituição pode traduzir sua missão, visão, valores e objetivos em ações concretas. Missão, visão, valores e objetivos são componen- tes essenciais da estratégia de uma em- presa, incluindo os equipamentos e espa- ços de esporte e lazer. A missão é uma declaração que descreve o propósito e o papel da institui- ção no mercado e na sociedade. A visão é uma imagem transparente e ambicio- sa do futuro da entidade, o que esta pre- tende alcançar a longo prazo. Os valores 5 podem ser descritos como os princípios e crenças que guiam as ações e decisões da empresa. E os objetivos são metas específicas e mensuráveis que ajudam a realizar a visão e a missão da organização (FERREIRA JÚNIOR, 2019). A importância desses elementos é que eles fornecem direção e clareza so- bre o que a entidade espera alcançar e como planeja alcançar esses objetivos. Este planejamento também ajuda a esta- belecer prioridades, alinhar as ações dos funcionários e medir o sucesso da gestão do ambiente. Além disso, a missão, a vi- são, os valores e os objetivos acessíveis, descomplicados, podem fortalecer a ima- gem da marca e a reputação da institui- ção responsávelpela gestão do espaço de esporte e lazer. Em resumo, a aplicação habitual da missão, visão, valores e objetivos é fun- damental para a gestão de equipamentos e espaços de esporte e de lazer e pode ajudar a melhorar a eficiência, o alcance dos objetivos e o sucesso da organização responsável pela gestão. ELEMENTOS RELEVANTES PARA UMA BOA GESTÃO 139 G ES TÃ O D E E Q U IP A M E N TO S E E S PA Ç O S D E E S P O R TE E L A ZE R PARA REFLETIR A missão, visão, valores e objetivos de uma instituição são importantes para fornecer direção e propósito, mas muitas vezes são negligencia- dos ou mal compreendidos. A falta de conhecimento desses elementos pode resultar em desconexões entre os(as) colaboradores(as), decisões in- consistentes da equipe gestora e um sentido de falta de propósito ou dire- ção para as ações da organização. É necessário que as instituições compreendam e sigam sua missão, visão, valores e objetivos para ga- rantir sucesso a longo prazo. A atuação e o atendimento ao públi- co também são importantes em um equi- pamento esportivo, sabido que são res- ponsáveis por criar uma boa impressão e uma experiência positiva para os(as) usuários(as) e visitantes. Um atendimen- to profissional e eficiente pode ajudar a aumentar a satisfação do(a) usuário(a) e a probabilidade de seu retorno, criar uma imagem positiva do equipamento esporti- vo e atrair novos(as) usuários(as). Para otimizar a atuação e o atendi- mento é fundamental treinar a equipe, ou seja, oferecer treinamento e suporte para que os(as) colaboradores(as) saibam: ÎComo atender ao público de maneira profissional e eficiente; ÎMonitorar a satisfação do(a) cliente, e, para isto, a coleta de feedback dele(a) é elementar para melhorar o atendimento; Î Implementar tecnologias, como sis- temas de atendimento ao(à) cliente e monitoramento eletrônico (câmeras), ampliando a eficiência e melhorando a sua segurança; e, ÎFocar na qualidade e competência do atendimento ao público, buscando sempre atender às expectativas dos(as) clientes. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 140 6 ORGANOGRAMA E CONTRATAÇÃO DE PESSOAL O organograma é uma representa-ção esquemática da estrutura or-ganizacional de uma empresa, in- cluindo as relações hierárquicas entre as posições e as funções de trabalho. A partir do organograma é possível contribuir para que aspectos importantes da gestão estejam adequadamente de- finidos e organizados. Isso pode auxiliar para que as tarefas que necessitam ser realizadas pela entidade sejam organi- zadas de maneira eficiente entre os(as) colaboradores(as), o que pode aumentar a produtividade, a satisfação dos(as) pró- prios(as) funcionários(as) e, consequen- temente, dos(as) usuários(as). O organograma também pode ser útil para identificar pontos fracos na estrutura da empresa e para identificar oportunidades de melhoria. Para definir o organograma ade- quado para um equipamento esportivo é indispensável a análise das necessi- dades do ambiente e o número de fun- cionários(as) essenciais para cumprir as tarefas desejadas. As funções de tra- balho também devem ser corretamente definidas para cada posição, incluindo as responsabilidades. O organograma deve refletir a estrutura hierárquica da empre- sa, incluindo as relações de supervisão e subordinação entre as posições. Também é necessário que o organograma seja fle- xível o suficiente para permitir mudanças futuras na estrutura da empresa. A contratação de pessoal é outro ponto que merece atenção, sendo considerada uma tarefa crítica para o su- cesso de um equipamento de esporte e lazer. A escolha inadequada de funcioná- rios(as) pode afetar negativamente a pro- dutividade, a qualidade do atendimento ao público e a imagem da empresa. É fundamental entender que, antes de iniciar o processo de contratação, é importante avaliar as necessida- des da empresa e identificar as posi- ções que precisam ser preenchidas. É interessante definir o perfil ideal do(a) candidato(a) para cada posição, incluin- do as habilidades, a formação e a ex- periência. O processo de seleção deve ser rigoroso e incluir entrevistas, testes e verificações de referências para ga- rantir que o(a) candidato(a) seja o mais adequado para a posição. Após a contra- tação, é essencial também fornecer trei- namento e oportunidades de desenvol- vimento para os(as) colaboradores(as), a fim de garantir que eles(as) possam desempenhar suas funções da melhor maneira possível. Os(As) funcionários(as) representam a imagem da empresa e são responsá- veis por criar uma boa impressão nas pessoas. Além disso, eles(as) desempe- nham um papel crítico na prestação de serviços de alta qualidade e na realização dos objetivos da empresa. Ao seguir um processo de contratação rigoroso, é pos- sível garantir que os(as) funcionários(as) sejam escolhidos(as) com base em suas habilidades, experiência e personalidade, o que pode aumentar a eficiência, a pro- dutividade e a satisfação dos(as) funcio- nários(as) e dos(as) usuários(as). 141 G ES TÃ O D E E Q U IP A M E N TO S E E S PA Ç O S D E E S P O R TE E L A ZE R 7 INFRAESTRUTURA ESPORTIVA A manutenção e a correção da infra-estrutura esportiva no Brasil são desafios complexos devido a uma série de fatores. O Brasil tem uma história de falta de investimento em infraestrutura esportiva, o que tem dificultado a manutenção e a correção de instalações esportivas exis- tentes. Muitas vezes, os governos não têm recursos suficientes para investir em melhorias na infraestrutura esportiva, o que dificulta o acesso da população ao equipamento. O planejamento inadequa- do de projetos esportivos de infraestrutu- ra também pode resultar em instalações que são ineficientes, de difícil manuten- ção e inadequadas para atender às ne- cessidades esportivas da comunidade. Além desses aspectos, a falta de respon- sabilidade dos governos e das entidades esportivas quanto à manutenção e à cor- reção das instalações esportivas também contribui para ampliar o problema. Entretanto, algumas medidas po- dem ser tomadas para reduzir essas dificuldades. Primeiro, é necessário que haja um aumento de investimen- to em infraestrutura esportiva para garantir que as instalações existentes sejam mantidas e corrigidas de forma adequada. É importante que haja um planejamento eficiente para projetos esportivos de infraestrutura, de for- ma a garantir que as instalações sejam construídas de modo adequado e de fácil manutenção. É essencial também que haja uma responsabilidade com- partilhada entre os governos e as em- presas de gestão esportivas quanto à manutenção e correção das instalações esportivas. E por fim, deve-se estimu- lar a participação da comunidade, fun- damental para assegurar que as ins- talações esportivas atendam às suas necessidades, e para ajudar a garantir que elas sejam mantidas e corrigidas de forma adequada. Tanto o poder público quanto a inicia- tiva privada investem em equipamentos e espaços de esporte e lazer no Brasil. Os governos federal, estaduais e municipais costumam investir em projetos esportivos de infraestrutura como forma de fomentar o esporte e aprimorar a estrutura esporti- va do país, especialmente durante a pre- paração para grandes eventos esportivos. Empresas privadas também inves- tem em equipamentos e espaços espor- tivos, seja para fins rentáveis, seja para contribuir para a comunidade e promo- ver a prática de atividades físicas. Por exemplo, muitas empresas investem em clubes de esportes, arenas esportivas, gi- násios e outros equipamentos esportivos para atrair clientes, promover sua marca e apoiar a comunidade local. Em geral, o investimento em equipa- mentos e espaços de esporte e lazer no Brasil é resultado de uma combinação de esforços, tanto do poder público quanto da iniciativaprivada, com o objetivo de apri- morar a infraestrutura esportiva do país e promover a prática de atividades físicas. IMPORTANTE Uma dica para a gestão eficiente de equipamentos e espaços esporti- vos no Brasil é ter um planejamen- to estratégico, incluindo objetivos claros, identificação de recursos disponíveis e um plano de trabalho detalhado. É essencial haver boa comunica- ção e colaboração entre setores envolvidos, como equipes técnicas, administração, finanças e usuá- rios(as), e investir em manutenção e atualização dos equipamentos e espaços para garantir segurança e funcionalidade. A monitorização constante dos re- sultados e a adaptação às neces- sidades e desafios são igualmente importantes para o sucesso desses espaços a longo prazo. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 142 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nos últimos anos, é possível que o aumento de investimentos em in-fraestrutura esportiva, apesar de ainda insuficiente, e a adoção de práticas de gestão mais eficientes, embora ain- da necessite de melhorias, possam ser considerados como os principais avanços na gestão de equipamentos e espaços de esporte e lazer no Brasil. Assim, considera-se que os princi- pais desafios na gestão desses ambien- tes esportivos no Brasil, nos próximos anos, incluem superar a insuficiência de investimentos em infraestrutura, a carên- cia de recursos financeiros e humanos para a gestão adequada, a falta de plane- jamento e coordenação entre diferentes setores de uma empresa, e a necessida- de de manutenção e melhorias regulares dos equipamentos e espaços esportivos. E, para superá-los, é fundamental in- vestir em planejamento estratégico, esti- mular a colaboração entre diferentes seto- res da organização esportiva, aperfeiçoar recursos humanos e providenciar recur- sos financeiros adequados, tarefa esta de grande dificuldade. Além de tudo isso, é fundamental manter a monitorização dos resultados e a adaptação de estratégias de acordo com as necessidades e os de- safios que se apresentam. Por fim, é preciso reforçar que toda essa discussão tem como foco principal o nosso bem-estar, sendo necessário debater com a sociedade os problemas e as soluções da gestão de equipamentos e espaços de esporte e lazer no Brasil. A boa gestão desses locais resulta- rá na promoção de inúmeros benefícios para a nossa sociedade. 143 G ES TÃ O D E E Q U IP A M E N TO S E E S PA Ç O S D E E S P O R TE E L A ZE R REFERÊNCIAS BRAMANTE, A. C; PINA, L. W. A. C; DA SILVA, M. R. Gestão de espaços e equipamentos de esporte e lazer. Curitiba: InterSaberes, 2020. FERREIRA JÚNIOR, F. Como definir a missão, a visão e os valores: planejamento estratégi- co. eBook Kindle, 2019. GIL, R. B; RUIZ, E. J. G. F. Valores en el deporte escolar: estudio con profesores de Educación Física. Cuadernos de Psicologia del Deporte. v.7, n. 2, p. 89-103, 2007. MAZZEI, L. C; BASTOS, F. C. Gestão do esporte no Brasil: desafios e perspectivas. São Paulo: Ícone, 2012. PEDROSO, C. A. M. Q. Equipamentos despor- tivos municipais do Recife. 2010. Dissertação (Mestrado em Ciências do Desporto) – Univer- sidade do Porto. Porto, 2010. ROSSETTO JUNIOR, A. J. Cultura e esporte: o possível diálogo. The Journal of the Latin American Socio-cultural Studies of Sport (ALESDE). v. 4, n. 2, p. 46-55, 2014. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/alesde/article/ view/38015. Acesso em: 1 fev. 2023. 144 Apoio: Patrocínio: Realização: CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora Pedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron- End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-048-6 (Fascículo 9) Fundação Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327 Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br Todos os direitos desta edição reservados à: AUTOR Adriano César Carneiro Loureiro Tem pós-doutorado em Fisiologia e é dou- tor em Ciências (Fisiologia), ambos pela UFRJ. É mestre em Ciências Fisiológicas pela Uece, sendo graduado em Educação Física pela Unifor. É professor adjunto da Uece, membro da Comissão de Educação Física e Saúde do CREF5 e ex-conselheiro do CREF5. Atuou como membro do Time do Brasil em 3 Olimpíadas (Atenas, Pequim e Tóquio). Atualmente, é superintendente do Centro de Formação Olímpica (CFO). ILUSTRADOR Carlus Campos Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na produção de suas ilustrações, utiliza várias lingua- gens como: desenho, pintura, aquarela, gravura e fotografia. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos prêmios com arte gráfica, fez incursões pelas artes plásticas participando de diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRA- FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft. GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA Gestão de Pessoas em Ações e Projetos de Esporte Luis Fernando de Freitas Marcelo Soldon 10 FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 146 APRESENTAÇÃO GESTÃO DE PESSOAS O TIME O SUGESTÃO DE FILMES PARA REFLETIR147 148 151 158 SUMÁRIO 147 G ES TÃ O D E P ES S O A S E M A Ç Õ ES E P R O J E TO S D E E S P O R TE APRESENTAÇÃO 1 Antigamente os(as) gestores(as) tinham como característica a in-flexibilidade. Seguiam rigorosa- mente as leis, eram conhecidos(as) por serem frios(as) e manterem uma distân- cia em relação aos(às) funcionários(as) e sem muita cerimônia na hora de demitir colaboradores(as). Funcionários(as) cha- mados ao setor pessoal já pensavam na possibilidade de serem desligados da instituição, e isso alimentava um clima de medo e insegurança. Ainda hoje algumas empresas não enxergam a importância da relação gestor(a) e colaborador(a), e observamos vivas muito dessas práticas que se comprovaram nocivas ao ambien- te corporativo. A partir da Segunda Guerra Mundial (década de 1940), a administração de pes- soal passou a se preocupar mais com as condições de trabalho e com os benefícios disponibilizados aos(às) seus(suas) em- pregados(as) (GIL, 2009). Esse avanço foi importante para uma melhoria da condi- ção estrutural do(a) trabalhador(a), como sua remuneração, horas de descanso e férias. Contudo, faltava ainda melhorar a condição humana e social da convivência e da relação patrão(oa) x empregado(a) dentro das empresas e indústrias. VOCÊ SABIA? Em maio de 1943, todo o conjunto de leis, decretos e normas exis- tentes é sistematizadona Conso- lidação das Leis do Trabalho (CLT). Confere no link: https://www.ipea.gov.br/desafios/index. php?option=com_content&id=2909:ca- tid=28 TÁ NA LEI Consolidação das Leis do Trabalho na atualidade: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto-lei/Del5452compilado.htm De um lado, as organizações; de outro, os(as) empregados(as). As organizações observaram que, além de oferecer estru- tura de trabalho adequada, boas remu- nerações, maquinários e equipamentos necessários para o trabalho, deveriam cuidar e zelar dos seus(suas) emprega- dos(as), sendo esses aspectos inerentes ao surgimento da gestão de pessoas. https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2909:catid=28 https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2909:catid=28 https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2909:catid=28 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452compilado.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452compilado.htm FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 148 As organizações são compostas de pessoas e precisam delas para atingir suas metas e cumprir sua missão, da mesma forma que as pes- soas necessitam das organizações para alcançar seus objetivos pessoais (CHIA- VENATO, 2005). Numa instituição ou projeto, a Gestão de Pessoas vai muito além de um depar- tamento pré-estabelecido. É um conjunto de metodologias, processos e ações com a missão de administrar o capital huma- no, proporcionando a conexão entre os interesses dos colaboradores com os ob- jetivos da entidade. André Luiz Fischer, um estudioso das ciências da administração, definiu a importância da gestão de pessoas quando ressaltou que as organizações dependem do desempenho das pesso- as para atingir os objetivos propostos e, para isso, é preciso desenvolver e or- ganizar formas de gerenciar o compor- tamento humano. Essas formas devem buscar a atração, manutenção, motiva- ção, treinamento e desenvolvimento do patrimônio humano, em alinhamento com os propósitos da instituição em que ele trabalha. Cada pessoa tem suas particula- ridades. Experiências, vivências, limita- ções e valores. Como buscar esse equi- líbrio sem que prejudique os resultados do time e possa otimizar o potencial indi- vidual de cada membro para um melhor desempenho da equipe? 2 jogador(a) para que possa escalar um time forte, competitivo, que conquiste a vitória e traga bons resultados. Diante desse contexto, proponho aqui uma comparação entre treinamento e gestão. Você acredita que existe alguma relação entre Treinamento Desportivo X Gestão de Pessoas? Essa analogia nos traz o entendi- mento de forma mais clara sobre alguns princípios que vivenciamos nas práticas esportivas com a realidade do cotidiano de uma Instituição no que se refere à Ges- tão de Pessoas. Segundo Manoel Tubino, um dos principais nomes da Educação Física brasileira, os princípios do Treinamento Desportivo são: Î individualidade biológica; Îadaptação; Îsobrecarga; Îcontinuidade; Î interdependência volume-intensidade; Îespecificidade; Îvariabilidade; e Îsaúde. Com isso, trazemos essa relação para exemplificar e tornar mais real a compreensão desses princípios listados a seguir: SE LIGA! A palavra “time” não necessaria- mente pode ser empregada apenas quando se tratar de algo ligado ao esporte, mas podemos fazer rela- ção com o time de trabalho da Em- presa, Indústria, Academia, Clube, ONG, Escola, Projeto etc. Formar um time sempre foi um de- safio para muitos professores, técnicos e gestores. Buscar o equilíbrio ideal de acordo com as necessidades e exigências de cada área em harmonia com o perfil de cada membro do time requer experi- ência e conhecimento dos objetivos a se- rem alcançados. No que se refere ao líder, precisa conhecer a si mesmo, identificar as causas dos seus problemas, emoções e eliminá-las para que possa fazer uma gestão humanizada, sabendo das suas limitações, pontos de estresse, domínio próprio, gatilhos mentais, inteligência emocional e autoestima. Consequentemente é necessário conhecer sua equipe de trabalho. En- tendendo, por exemplo, que num time de Futebol não há 11 atacantes, muito menos 11 goleiros. Existem 11 posi- ções (funções) na hora do jogo, no qual o técnico precisa conhecer as exigências técnicas de cada posição, as qualidades, características e especialidades de cada GESTÃO DE PESSOAS 149 G ES TÃ O D E P ES S O A S E M A Ç Õ ES E P R O J E TO S D E E S P O R TE FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 150 2.1. Individualidade Biológica O fenômeno que explica a variabilidade entre elementos da mesma espécie, o que faz com que não existam pessoas iguais entre si (TUBINO, 1984, p. 100). Na ges- tão de pessoas precisamos compreender que cada um possui suas individualida- des, cultura, fé, crenças, valores, criação, estrutura familiar e realidades que nos tornam diferentes uns dos outros. Sendo assim, o respeito ao próximo, às suas es- colhas, o senso coletivo, a vida em comu- nidade e o trabalho em equipe precisam ser preservados, a fim de proporcionar um ambiente de trabalho agradável. Conhecer individualmente cada membro do seu time é essencial para o coletivo, considerando suas particulari- dades e, assim, aprimorando suas ha- bilidades para otimizar o desempenho do time, não permitindo que os pontos fracos de uma pessoa determinem seu fracasso, unindo esforços para poten- cializar os seus pontos fortes. 2.2. Adaptação Possui particularidades relacionadas com o nível de estímulo a ele(a) aplicado, pro- porcionando mudanças estruturais e fun- cionais dos organismos. Entretanto, a ca- pacidade de adaptação depende da reação ao estímulo da carga do treinamento e fre- quência de exercícios. Nesse sentido, es- tímulos fracos não trazem consequências positivas ao treinamento, enquanto estí- mulos muito fortes podem causar danos. O(A) líder precisa conhecer bem sua equipe e as exigências de cada área/se- tor para que possa unir a capacidade de trabalho de cada membro com as neces- sidades da área/setor, não utilizando uma “balança desregulada” para medir os resultados e ser injusto com as cobran- ças. Ele(a) deve ficar sempre atento(a) ao comportamento de cada pessoa, buscan- do evitar o comodismo, desmotivação e falta de entusiasmo que, provavelmente, acarretaria numa homeostase laboral. 2.5. Especificidade Isto serve, cada vez mais, para firmar na consciência do(a) treinador(a) que o treino, principalmente na fase próxima à competição, deve ser estritamente es- pecífico, e que a realização de atividades diferentes das executadas durante a per- formance com a finalidade de preparação física, se justifica se for feita para evitar a inibição reativa ou “saturação de apren- dizagem” (DANTAS, 1995). O(A) funcionário(a) precisa ter o co- nhecimento da sua área de atuação na empresa como o entendimento da missão e visão da empresa para que possa desen- volver o seu trabalho aliado com os prin- cípios da Instituição. Muitas empresas têm buscado colaboradores(as) que possuam uma visão global do trabalho e das funções a serem desempenhadas, sendo abertos e flexíveis a novos conhecimentos e desafios a fim de contribuir de uma forma mais am- pla com o sucesso da empresa. 2.6. Variabilidade: Tanto na forma como no método de trei- namento, a variabilidade é um fator de extrema importância. Estímulos diferen- tes, seja em grupos musculares, fontes de energia, volume e intensidade das ati- vidades estimulam o corpo a adaptar-se a diferentes situações, de acordo com Fleck e Kraemer (2017). Para isso, de- ve-se utilizar das mais variadas formas de treinamento com estímulos cada vez mais variados, aumentando as chances de chegar a um resultado positivo. O desenvolvimentoglobal permite a aquisição diversificada de conhecimentos, usando da criatividade do(a) colabora- dor(a) como da gestão para tornar possí- vel e viabilizar as condições necessárias para sua evolução pessoal e profissional. 2.3. Sobrecarga Para que o treino proporcione melhorias na performance é preciso que o orga- nismo tenha estímulos maiores que os normalmente encontrados. Isto não sig- nifica que devemos sempre treinar mais e mais forte, pois caso isso ocorra iremos esgotar a capacidade de o organismo res- ponder aos estímulos. Olhar para além das dificuldades, barreiras, desafios, permite que o(a) líder promova os seus(uas) colaboradores(as) para um outro nível de maturidade pes- soal e profissional, buscando um novo estímulo para que possa gradualmente se desenvolver, aumentando de forma significativa os resultados positivos da empresa. No decorrer do tempo com o amadu- recimento, ganho de experiência, o(a) co- laborador(a) vai se credenciando a novos desafios e possibilidades de crescimento dentro da empresa trilhando novos cami- nhos numa proposta bem elaborada de um plano de cargos e carreiras. 2.4. Continuidade Para desfrutar dos ganhos com o treino, o(a) atleta deve realizar os exercícios du- rante um determinado período, sem que haja falhas ou pausas significativas, ligado ao da adaptação, pois a continuidade ao longo do tempo é primordial para o orga- nismo, progressivamente, se adaptar. O(A) colaborador(a) precisa sempre buscar o seu crescimento pessoal e pro- fissional, por meio de uma formação con- tínua, como cursos, especializações, arti- gos, pesquisas na internet, livros etc. Não deixar que a acomodação estanque a sua ascensão profissional, mas que possa ser transformado(a) a cada dia pela renova- ção da sua mente e atitudes. 151 G ES TÃ O D E P ES S O A S E M A Ç Õ ES E P R O J E TO S D E E S P O R TE 3 O TIME Na organização de um time existem funções essenciais para estruturar e dar sustentação. Da mesma for- ma, existem alguns pilares essenciais na implantação e desenvolvimento da Ges- tão de Pessoas. Vamos agora bater uma bola sobre esses pilares: (1) liderança, (2) trabalho em equipe, (3) comunicação, (4) acessibilidade, (5) controle e avaliação e (6) relação profissional x pessoal. 3.1. Liderança Um lugar no topo não garante que alguém se torne um(a) líder. O livro As 21 Irrefutá- veis Leis da Liderança afirma claramente que “a verdadeira medida da liderança é a influência – nada mais, nada menos”. Quando entendem a dinâmica de ganhar influência sobre as pessoas, os(as) líderes chegam a perceber que posição tem pouco a ver com a verdadeira liderança. A tarefa fundamental para desenvol- ver a liderança é ser capaz de inspirar as pessoas. Nem todos são capazes de inspirar, somente promovendo expiração, diminuindo a motivação e vitalidade. Se você é alguém que só expira, talvez não consiga ser líder, talvez consiga ser che- fe, mas chefe está ancorado em uma hie- rarquia (Cortella, 2017). Influenciar os outros é uma ques- tão de disposição, não exclusivamente de posição, você pode fazer a diferença independentemente de onde esteja. De acordo com Maxwell (2007), os(as) líderes influenciam pessoas em qualquer nível da organização, aprendendo a liderar para o norte, influenciando os que possuem autoridade sobre eles(as), para leste e FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 152 oeste ao contagiar seus pares e para o sul andando devagar nos corredores e valori- zando todos(as) os(as) colaboradores(as). De acordo com Tichy (1999), liderar não é ditar comportamentos específicos, não é dar ordens e exigir obediência. Lide- rar é fazer com que os(as) outros(as) vejam uma situação como realmente é e saibam discernir sobre as ações que precisam ser tomadas para levar a organização para o fim desejado. Seja algo tão simples, como definir a prioridade de tarefas da semana, ou algo tão complexo, como tomar decisões certas, o que importa na atividade de ensi- no é como as ideias e valores estão sendo transmitidos. Portanto, para ser um(a) líder em qualquer nível de uma organização, é necessário ser um(a) professor(a). Para ser mais simples, se você não está ensinando, você não está liderando. Todos(as) os(as) líderes são guiados(as) por uma visão e não lideram apenas para manter as coisas. A visão interna é a bússola do líder. Visão é uma imagem guardada nos olhos da sua men- te que mostra como as coisas poderiam ou deveriam ser nos dias vindouros. A vi- são é o retrato de um futuro melhor. Para que a visão possa se tornar aplicável a liderança, precisa se mover por meio da confiança, contribuindo para o desenvol- vimento da integridade que tem alto valor de influência. Integridade significa viver a verdade em minha própria vida primeiro, antes de liderar a outros(as). Uma perso- nalidade carismática pode atrair pessoas, mas somente a integridade as manterá no nível de confiança. Sobretudo, você não será um(a) líder até que o grupo que você estiver liderando afirme isso. 3.2. Trabalho em Equipe O(A) líder deve envolver todo o seu time para alcançar um objetivo comum. Uma grande falha do(a) líder é quando confia de- mais em seus próprios esforços, e apenas nele. Você jamais será um(a) líder eficiente se não incluir os(as) seus(uas) lidera- dos(as) naquilo que faz. Você só consegui- rá liderar quando seus(uas) seguidores(as) estiverem tão motivados(as) quanto você pela visão e sentido da missão. Podemos enxergar nos Jogos Coo- perativos muitas aplicações que estão inseridas no trabalho em equipe de qual- quer instituição. O jogo cooperativo tem a missão de solucionar algum problema no qual todas as pessoas precisam se engajar sem que haja um único vitorioso, ou seja, todos(as) se doam para um bem maior do time, baseado em parceria, en- trosamento e diálogo. É necessário que esse espírito de cooperação seja bem trabalhado na equipe, entendendo que ninguém deve buscar os seus próprios interesses e, sim, os interesses coletivos e da instituição. Para que sejam eliminadas quaisquer possibilidades de disputa e competição, até porque o público-alvo é o mesmo den- tro do projeto, quando todos(as) derem as mãos em busca de caminharem juntos, aumentam as possibilidades de êxito e consecução dos objetivos. Uma equipe é formada por pessoas com habilidades complementares, diver- sificadas e dedicadas a uma missão, que precisam apresentar resultados pelos quais se consideram mutuamente res- ponsáveis. Essa união traz uma diversida- de de benefícios para a instituição, entre eles o aumento da produtividade (o prin- cipal) e um maior envolvimento pessoal e profissional dos(as) colaboradores(as). As atividades podem ser divididas de acordo com a afinidade e habilidade de cada colaborador(a), resultando em um foco maior do(a) funcionário(a) em sua atividade. Ao surgir um problema, todos(as) se unem em busca da melhor solução. Cada um(a) na sua área. Habilidades e experiências irão somar para que seja encontrada a melhor solução, em vez de tomarem uma atitude estática e jogar a responsabilidade para o(a) outro(a), ale- gando não ser aquele o seu papel. Atitu- des assim acabam não solucionando o problema e dando origem a outras ques- tões relacionais atreladas ao fracasso de não conseguirem trabalhar em equipe. Uma equipe esportiva é isso: um conjunto de pessoas com um interesse em comum que reúnem suas habilida- des, particularidades, capacidades e se complementam, cada um(a) no seu setor (posição), em busca da vitória. Todas es- sas questões sob a regência de líderes, que são os(as) técnicos(as), capitães ou outros(as) gestores(as) de equipe. Muitos valores que são trabalhados no esporte, principalmente com crianças, 153 G ES TÃ O D E P ES S O A S E M A Ç Õ ES E P R O J E TO S D E E S P O R TE 3.3. Comunicação Notrabalho em equipe, não apenas o(a) líder tem a responsabilidade de conseguir comunicar-se. É fundamental que todos(as) os(as) membros expressem da forma mais compreensível o que estão querendo infor- mar, possibilitando que a outra pessoa e o time entendam o assunto diminuindo pro- blemas de comunicação e dúvidas. Você já brincou de “telefone sem fio”? Essa brincadeira popular retrata muito bem o uso da boa comunicação nas relações, independentemente do es- paço onde ocorra, quer seja no ambiente familiar, social ou corporativo. A brincadeira se desenvolve da se- guinte maneira: uma pessoa inicia falando alguma palavra ou frase no ouvido de quem está ao lado, e assim vai passando para a pessoa seguinte até chegar no último da fila que fala em voz alta o que escutou. Na maioria das vezes, a informação expressada em voz alta é muito diferente daquela dita no início da brincadeira. Ela expressa o quanto a informação, no de- correr da transferência entre as pessoas, pode ser deturpada ou até se perder. adolescentes e jovens, no momento da prática, possivelmente não serão perce- bidos, mas essa semente estará sendo plantada constantemente nas aulas e posteriormente irão dar frutos, terão a oportunidade de viver cada valor na so- ciedade, ambiente de trabalho, família, condomínio, academia etc. Valores, como respeito, tolerância, comprometimen- to, humildade, amor, paz, capacidade de aprender a lidar com as frustrações e gratidão precisam estar presentes e nor- tear o trabalho em equipe como o saber viver em sociedade. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 154 Para isso, devemos ter o zelo e o cui- dado para que tenhamos uma comunica- ção clara, limpa e objetiva sobre as tarefas dentro dos projetos e ações esportivas. Vivemos atualmente na era da co- municação. Conseguimos em tempo real conversar com alguém do outro lado do mundo. Temos ferramentas tecnológicas que permitem o registro e o envio de infor- mações de maneira imediata. Precisamos nos apropriar desses dispositivos para que possamos usufruir deles no processo de comunicação interna com nosso time. 3.4. Relação Profissional x Pessoal A comunicação é essencial nas relações, sendo muitas vezes um fator a ser traba- lhado constantemente para que haja en- tendimento da visão, missão e resoluções imediatas para problemas mais graves. Por meio da comunicação, o(a) gestor(a) consegue abrir uma porta de aproxima- ção e relação com a equipe, na qual em algumas situações contrárias que esse ponto não é trabalhado há um desconfor- to no grupo, as pessoas não se sentem valorizadas, acolhidas e são vistas ape- nas pelos resultados que entregam. Segundo Cortella (2017), se você tem a tarefa de gestor(a), avalie se aquela pessoa que trabalha com você no dia a dia tem clareza de qual é a obra dela den- tro da equipe, da empresa, da sociedade? Ou será que ela, porventura, supõe que a obra dela é apenas aquilo que está fa- zendo no imediato? Essa é uma questão relevante por que uma das tarefas do(a) líder é esclarecer a obra coletiva. Com o decorrer do trabalho, o con- vívio proporciona uma maior aproxima- ção entre os membros da equipe como também da gestão, fato que é importante para manter o ambiente de trabalho pra- zeroso e humanizado. Mas, qual o limi- te dessa relação profissional e pessoal sem que haja prejuízo no cumprimento das atividades do trabalho? Esses limites são traçados por uma relação ética que marca as fronteiras da convivência, por meio dos princípios e valores que cada pessoa tem. De acor- do com Rosenberg (2006), uma estra- tégia interessante pode ser vista dentro da chamada Comunicação Não Violenta (CNV), que é baseada em 4 componentes: (1) observação, (2) sentimento, (3) neces- sidades e (4) pedido. Primeiramente, observamos o que está de fato acontecendo numa situação: o que estamos vendo os(as) outros(as) di- zerem ou fazerem que é enriquecedor ou não para nossa vida? Uma opção é ser ca- paz de articular essa observação sem fa- zer nenhum julgamento ou avaliação, mas simplesmente dizer o que nos agrada ou não naquilo que as pessoas estão fazendo. Em seguida, identificamos como nos sentimos ao observar aquela ação: ma- goados(as), assustados(as), alegres, di- vertidos(as), irritados(as) etc. Em terceiro lugar, reconhecemos quais de nossas necessidades estão liga- das aos sentimentos que identificamos. Temos consciência desses três compo- nentes quando usamos a CNV para expres- sar clara e honestamente como estamos. Um(a) professor(a) pode utilizar es- ses três pontos numa situação. Por exem- plo: “Pedro, quando você está desatento na hora da explicação, fico preocupado(a), principalmente porque você não vai con- seguir realizar a atividade na hora do jogo e pode estar atrapalhando algum(a) ami- go(a). Você está mais atento?” Esse componente enfoca o que estamos querendo da outra pessoa para enriquecer nossa vida ou torná-la mais maravilhosa. Assim, parte da CNV consiste em expressar as quatro informações muito claramente, seja de forma verbal, seja por outros meios. O outro aspecto dessa forma de comunicação consiste em rece- ber aquelas mesmas quatro informações dos outros. O(A) gestor(a) precisa desenvolver essa relação de forma orgânica, exercendo lide- rança sem imposição por status, sendo ca- paz de desenvolver a capacidade de crescer coletivamente, não sendo omisso em tratar quaisquer questões que surjam nas relações diárias, independentemente se com um(a) 155 G ES TÃ O D E P ES S O A S E M A Ç Õ ES E P R O J E TO S D E E S P O R TE TÁ NA LEI A Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, prevê cotas pessoas com deficiência no mercado de traba- lho. Dispõe que, de acordo com a legislação, as proporções para em- pregar pessoas com deficiência va- riam de acordo com a quantidade de funcionários(as). De 100 a 200 empregados, a reserva legal é de 2%; de 201 a 500, de 3%; de 501 a 1.000, de 4%. As empresas com mais de 1.001 empregados devem reservar 5% das vagas para essas necessida- des especiais. Proporcionar um ambiente favorável e preparar a estrutura física para atender às demandas de um(a) colaborador(a) com deficiência vai muito além de cum- prir a Lei, e, sim, vai ao encontro com os princípios que a instituição traz, princi- palmente com o olhar inclusivo e acolhe- dor, buscando de uma forma humaniza- da reduzir os níveis de preconceitos que essas pessoas já carregam. 3.6. Controle e Avaliação Nas competências de uma gestão eficaz é preciso criar um processo para definir e alinhar as expectativas para o traba- lho juntamente com o(a) colaborador(a). Além de acompanhar o desempenho, avaliar resultados e estabelecer melho- rias que proporcionem desenvolvimento. Na relação com a equipe que tenha como pilar a comunicação, não pode fi- car de fora o hábito do feedback. Todos(as) os(as) colaboradores(as) precisam rece- ber um retorno sobre o seu desempenho colaborador(a) experiente ou com aquele(a) que está iniciando carreira na instituição. O mundo do trabalho precisa de gesto- res(as) de destino, que consigam diagnosti- car um problema, enxergar o contexto da si- tuação, tomar as decisões necessárias, não ser conivente com o erro, ser resolutivo(a) e utilizar as advertências necessárias para mostrar ao(à) colaborador(a) o que preci- sa ser melhorado. Caso seja avaliado que as condutas e as falhas não conseguiram ser trabalhadas, não houve uma evolução e estão afetando os princípios da instituição, possivelmente essa pessoa não se encaixa mais nos planos da instituição. 3.5. Acessibilidade As instituições precisam possibilitar às pessoas com deficiência condições de uso dos espaços, dos meios de comunicação e informação, eliminando barreiras e garan- tindo a inclusão social daqueles que apre- sentam alguma deficiência. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O CH A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 156 no trabalho entregue, para que possa re- fletir sobre suas práticas e, no mínimo, ter oportunidade de corrigir o erro, aprender e não ser recorrente, como também saber que está no caminho certo. A instituição deve mostrar que os resultados espe- rados não estão atrelados apenas aos resultados quantitativos, mas compre- ender que, por trás dos números e indica- dores, muitas vidas se empenharam por meio de um trabalho humanizado. Apesar da importância dos métodos de avaliação, é desafiador desenvolver instrumentos que possam mensurar o desempenho dos(as) trabalhadores(as) de forma justa e eficaz. Para conseguir isso, os(as) gestores(as) utilizam um ou mais métodos formais de avaliação de desem- penho dentro de uma periodicidade. A avaliação de desempenho aplicada pela equipe de gestão identifica os pon- tos fortes e pontos a serem melhorados na equipe e trabalha para o desenvolvi- mento e a melhoria da instituição. Deve- -se compreender como um processo de identificação, diagnóstico e análise do comportamento durante um período. Muitas demandas chegam dia a dia para serem solucionadas e encaminha- das. É necessário que o(a) gestor(a) faça o controle de forma organizada para que venha mensurar o que é importante e o que é urgente. Uma ferramenta muito utilizada é a Matriz de Eisenhower (Figura 1), uma ferramenta de gestão de tarefas que ajuda a organizar e priorizar os afazeres por ur- gência e importância. Com ela, você sepa- rará as suas tarefas em quatro categorias: (1) as tarefas que fará primeiro, (2) as que agendará para mais tarde, (3) as que delegou ou delegará e (4) as que excluirá. É IMPORTANTE, MAS NÃO URGENTE NÃO É IMPORTANTE, NEM URGENTE Faça mais tarde Delegue para outra pessoa Faça imediatamente Decida quando você vai fazer IM P O R TA N TE URGENTE URGENTE, MAS NÃO É IMPORTANTE É IMPORTANTE E URGENTE Figura 1 – Matriz de Eisenhower A ferramenta é dividida nos seguin- tes quadrantes: ÎImportante e urgente: ou seja, faça imediatamente. ÎImportante, mas não urgente: boa para tarefas que devem ser desenvol- vidas a médio ou longo prazo. ÎUrgente, mas não importante: como fazer ligações, e-mails e reuniões. ÎNão urgente, não importante: tarefas que estão na lista, mas podem esperar ou serem eliminadas. #FICAADICA Conheça mais a Matriz de Eise- nhower. Acesse: https://www.napratica.org.br/ma- triz-de-eisenhower-produtividade/ https://www.napratica.org.br/matriz-de-eisenhower-produtividade/ https://www.napratica.org.br/matriz-de-eisenhower-produtividade/ 157 G ES TÃ O D E P ES S O A S E M A Ç Õ ES E P R O J E TO S D E E S P O R TE O papel do(a) gestor(a) é de extrema importância para o êxito daquela instituição, daquele projeto ou simplesmente daquela ação. E um(a) gestor(a) é aquele(a) que con- segue administrar os recursos disponíveis da maneira mais eficiente e eficaz, atingin- do seus objetivos dentro do planejado. O principal recurso de um(a) ges- tor(a) é o recurso humano. Saber geren- ciar sua equipe para o rumo planejado, por meio do exemplo, da liderança, do respeito, da boa relação, da comunicação clara e acessível é um bom caminho para o sucesso. Cabe a ele(a) também sempre se atualizar das estratégias mais atuais, acompanhar o contexto que o(a) rodeia e saber se ajustar aos fatores externos. Para isso, cabe uma parcela de autoco- nhecimento, para que, a partir de si, pos- sa ser exemplo para seus comandados. Não é uma tarefa simples, mas es- peramos que este módulo auxilie o traba- lho de gestores(as) nas suas atividades, e que os(as) mesmos(as) possam ajudar a engrandecer o esporte no nosso país, através do exemplo e da liderança. SUGESTÃO DE FILMES #ficaadica FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 158 SUGESTÃO DE FILMES PARA REFLETIR 4.1. O Homem que Mudou o Jogo O filme relata a tentativa de Billy Beane de montar um time de beisebol com um orçamento reduzido, por meio de análi- ses geradas por computador para adqui- rir novos jogadores. De uma equipe der- rotada e em último lugar, o time teve 20 vitórias consecutivas, estabelecendo um novo recorde na Liga Americana. Qual o ensinamento? O que levou ao sucesso foi o uso de intuição e estatísti- ca. O filme mostra que, ao compararmos nossas decisões com dados de indicado- res, é possível tomar decisões mais as- sertivas para construir um grupo de alta performance. Porém, utilizar somente a tecnologia não é possível sem o fator humano. A combinação de ambos é o que realmente faz a diferença para uma ges- tão de pessoas estratégica. 4.2. Invictus Baseado na biografia de Nelson Mandela, o filme mostra sua libertação da prisão e a eleição que o colocou na história como o primeiro presidente negro da África do Sul. Para diminuir o Apartheid e unir a na- ção, o líder utiliza o Springboks, time de rugby do país. Qual o ensinamento? O filme mostra como engajar equipes de forma brilhan- te e o papel da liderança para alcançar a motivação. Assim, a gestão de pessoas deve resgatar o propósito e realizar ati- vidades que demonstrem os valores para que os colaboradores estejam cada vez mais alinhados com a cultura e missão da organização. 4.3. A Fuga das Galinhas O filme mostra o trabalho em equipe com humor. Os personagens têm um objetivo muito claro: escapar da fazenda e não vi- rarem tortas. Percebem que apenas tra- balhando em conjunto é que conseguiriam planejar ações e colocá-las em prática para chegarem ao resultado tão desejado. Qual o ensinamento? O trabalho em equipe é essencial para se chegar ao su- cesso. Muitas coisas que penso que não consigo fazer sozinho, quando levo para o coletivo se torna mais fácil e prazeroso. 4.4. Coach Carter: treino para vida Baseado em uma história real, fala sobre um time de basquete que só tinha resul- tados ruins, era indisciplinado e sofria di- versas derrotas. Quando o novo treinador chega, os jogadores percebem que, com foco no resultado, diálogo e trabalho em equipe, o desenvolvimento melhora e as vitórias começam a chegar. Qual o ensinamento? É importante, especialmente nos momentos em que a equipe não tem clareza sobre o que deve ser feito. Se você já vivenciou algo pare- cido, deve ter percebido que a falta de alinhamento dificulta muito o alcance de bons resultados. Esse filme pode ser uma ótima opção. 4.5. Um Senhor Estagiário Ben Whitaker, um viúvo de 70 anos, sen- te que a aposentadoria deixou um vazio em sua rotina. Quando aparece uma vaga como estagiário em uma empresa de moda on-line, Ben a enxerga como uma oportunidade para voltar à luta. Qual o ensinamento? O filme mostra como as diferentes vivências das pessoas podem ajudar a melhorar a vida das ou- tras, independentemente de fatores como a idade ou a aparência. Um filme para fa- zer pensar. 4 https://www.gupy.io/blog/indicadores-de-recrutamento-e-selecao https://www.gupy.io/blog/indicadores-de-recrutamento-e-selecao 159 G ES TÃ O D E P ES S O A S E M A Ç Õ ES E P R O J E TO S D E E S P O R TE REFERÊNCIAS CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. CORTELLA, Mario Sergio. Qual é a tua obra?: inquietações propositivas sobre gestão, lide- rança e ética / Mario Sergio Cortella. Petrópo- lis, RJ: Vozes, 2017. DANTAS, Estélio H. M. A Prática da prepara- ção física. 3ª edição. Rio de Janeiro: Shape, 1995. FISCHER, André Luiz. Um resgate conceitual e histórico dos modelos de gestão de pesso- as: as pessoas na organização. Tradução . São Paulo: Gente, 2002 GIL, A.C. Gestão de pessoas: enfoque nos pa- péis profissionais. São Paulo: Atlas, 2009 ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não- -violenta: técnicas para aprimorar relaciona- mentos pessoais e profissionais / Marshall B. Rosenberg ; [tradução Mário Vilela]. – São Paulo: Ágora, 2006.TICHY, Noel M. O motor da liderança: como as empresas vencedoras formam líderes em cada nível da organização. São Paulo: Educa- tor, 1999. TUBINO, Manoel José Gomes. Metodologia científica do treinamento desportivo. 3ª edi- ção. São Paulo: Ibrasa, 1984. AUTORES ILUSTRADOR Carlus Campos Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na produção de suas ilustrações, utiliza várias lingua- gens como: desenho, pintura, aquarela, gravura e fotografia. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos prêmios com arte gráfica, fez incursões pelas artes plásticas participando de diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRA- FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft. Luiz Fernando de Freitas Profissional de Educação Física especia- lista em gestão e negócios no esporte, atuando desde 2009 na área da ges- tão esportiva. Na Secretaria de Esporte do Estado do Ceará, esteve na equipe de coordenação do Programa Segundo Tempo, organizou diversas competições, como: Jogos Escolares, Jogos Abertos do Interior, Jogos Indígenas, entre outros. Durante 9 anos colaborou no desenvol- vimento das Políticas Públicas de Juven- tude de Fortaleza, como: coordenador de Juventude de Fortaleza, diretor de For- mação, Esporte e Trabalho do Instituto Cuca, coordenador de Esporte do Cuca Jangurussu e José Walter e gerente do Cuca Jangurussu. Marcelo Soldon É profissional de educação física e espe- cialista em treinamento esportivo, mas foi na gestão e administração esportiva que construiu sua trajetória. Possui 17 anos de experiência em entidades pú- blicas e privadas do esporte. Foi coorde- nador logístico da Copa do Mundo FIFA 2014, gerente de instalação esportiva nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e coordenador de Esportes da Secretaria do Esporte e Juventude do Ceará. Atualmente, é vice- -presidente da Federação Universitária Cearense de Esportes e do Conselho do Desporto do Estado do Ceará, presiden- te da Comissão de Esportes do Conselho Regional de Educação Física CREF-5, con- sultor esportivo, diretor e fundador do Es- critório do Esporte. 160 Apoio: Patrocínio: Realização: CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora Pedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron- End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-050-9 (Fascículo 10) Fundação Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327 Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br Todos os direitos desta edição reservados à: GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA 11 Captação de Recursos para Projetos Esportivos Elisabete Laurindo de Souza SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 163 COMO IDENTIFICAR FONTES DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS 164 COMO ELABORAR BOAS PROPOSTAS, IMPLANTAR PROJETOS ESPORTIVOS DE FORMA EFICIENTE E PRESTAR CONTAS 170 COMO PRESTAR CONTAS? 173 163 C A P TA Ç Ã O D E R EC U R S O S P A R A P R O J E TO S E S P O R TI V O SAPRESENTAÇÃO 1 Um dos grandes desafios para os(as) profissionais de Educação Física e gestores(as) do esporte é identifi- car as fontes para captação de recursos que custeiem os projetos esportivos que pretendem desenvolver e, principalmen- te, o que se refere à parte burocrática, como elaboração, organização documen- tal, execução e prestação de contas. Diante disso, neste módulo vamos apresentar algumas possibilidades para obtenção de recursos públicos e priva- dos, entendendo o que é essencial conter nas propostas a serem apresentadas às fontes e como implantar os projetos de forma eficiente. Por fim, entenderemos a importância de prestar contas de forma adequada, ganhando a credibilidade e a confiança de quem disponibiliza o recur- so, o que pode assegurar a você a conti- nuidade de seu projeto. Para iniciar, quero destacar que mobilizar recursos não significa ape- nas garantir recursos financeiros, mas também recursos humanos, materiais e serviços. Tudo isso precisa ser observa- do quando da elaboração do seu projeto. Assim, ao concluir este módulo, es- peramos que você deva conhecer as possibilidades de captação de recursos financeiros para o desenvolvimento de projetos esportivos, sua execução e pres- tação de contas, atuando em instituições públicas ou privadas. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 164 É importante você saber que existem várias fontes de captação de recur-sos disponíveis a serem utilizadas em projetos esportivos, sendo preciso apenas identificá-las. Uma das formas é ler os editais para conhecer as exigências necessárias a se- rem cumpridas, executar e prestar contas. Vale destacar que as fontes de recursos podem mudar. Muitas vezes as empresas alteram o foco do investimento a cada ano e os editais podem conter características diferentes, conforme o seu interesse. Para Camargo (2019), a captação de recursos é um processo complexo, mas que pode ser mais eficiente se for orien- tado por princípios claros, e que envolve três etapas principais: (1) conhecer os principais doadores; (2) montar estratégias de captação eficazes; e (3) gerenciar bem os recursos captados. Diante disso, mostrarei algumas pos- sibilidades de captação de recursos para o financiamento de projetos esportivos: 2.1. Captação de Recursos por Meio de Editais de Chamamento Público O mais importante é ler com muita aten- ção os editais publicados nos sites das empresas para não esquecer de nenhum item que possa desclassificar o seu pro- jeto. Além disso, ficar atento(a) às datas e aos documentos exigidos na sua inscrição. 2 da própria empresa, políticas de vendas da empresa ou por decisão da diretoria ou do dono da empresa. Fique atento(a)! Para conquistar fi- nanciamento do seu projeto é necessário se informar sobre os objetivos da em- presa e qual a relação do seu projeto com ela. Para isso, você precisa, claro, conhe- cer bem os objetivos dessa(s) empresa(s), missão, visão, princípios/valores, saber quais projetos são mais apoiados por ela etc. O seu projeto a ser apresentado deve ter objetivos claros, público-alvo bem de- finido, metas de fácil execução, cronogra- ma e orçamento pré-estabelecido. #FICAADICA Um exemplo claro desse tipo de pa- trocínio está disponível em: https:// www.braskem.com.br/patrocinio- sedoacoes. 2.3. Patrocínio por Fontes Internacionais Esses recursos provêm principalmen- te de acordos de cooperação bilateral ou multilaterais entre os países com a intenção de concretizar objetivos co- muns. Normalmente, são agências governamentais de países desenvolvidoscomo União Europeia, bancos interna- Normalmente você precisará cadastrar a instituição que representa, então é importante ter em mãos toda a documentação necessária. Empre- sas como Mapfre, Porto Seguro, Ambev, Eletrobrás, Banco Itaú, Banco do Brasil, Usiminas, Criança Esperança e muitas outras abrem seus editais no ano an- terior a sua execução, então fique aten- to(a) aos prazos. #FICAADICA Acesse o site da Associação Brasi- leira de Captadores de Recursos e acompanhe alguns editais. ACESSE: https://captadores.org.br/cate- gory/noticias/editais 2.2. Patrocínio Direto das Empresas Existem os patrocínios disponibilizados pela própria empresa e que não necessi- tam de seleção por meio de editais. Nes- se caso, as empresas desejam, muitas vezes, apresentar sua marca à socieda- de ou simplesmente cumprir sua função social. Algumas patrocinam eventos ou projetos bem específicos, podendo ou não ter critérios pré-estabelecidos. Es- sas verbas podem ser de marketing, de cumprimento de responsabilidade social COMO IDENTIFICAR FONTES DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS 165 C A P TA Ç Ã O D E R EC U R S O S P A R A P R O J E TO S E S P O R TI V O S cionais, Organização das Nações Unidas (ONU), entre outros. A seguir, alguns links que você de- verá acessar para começar a pensar em atuar internacionalmente: Europeaid: <https://commission.europa. eu/>. USAID: <www.brasil.usaid.gov/pt>. Fundação Bill e Melinda Gates: <https:// www.gatesfoundation.org/>. Banco Interamericano de Desenvolvi- mento (BID): <https://www.iadb.org/pt>. Deloitte: <https://www2.deloitte.com/ br/pt/pages/about-deloitte/articles/in- centivo-cultura-esporte.html>. Unicef: <https://www.unicef.org/brazril/ esportes-para-o-desenvolvimento>. 2.4. Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) No. 11.438/2006 O Ministério da Cidadania, por meio da Se- cretaria Nacional de Incentivo e Fomento ao Esporte, operacionalizava a LIE, mas com a mudança do Governo Federal, conforme Medida Provisória no. 1.154/2023, passa a fazer parte do Ministério do Esporte. A Lei nº. 11.438/2006 permite que recursos provenientes de renúncia fis- cal, deduzido do Imposto de Renda devido das empresas, sejam aplicados em pro- jetos esportivos ou paradesportivos, para pessoas de todas as idades, se configu- rando como um importante instrumento de efetivação de direitos sociais. https://commission.europa.eu/ https://commission.europa.eu/ http://www.brasil.usaid.gov/pt https://www.gatesfoundation.org/ https://www.gatesfoundation.org/ https://www.iadb.org/pt https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/about-deloitte/articles/incentivo-cultura-esporte.html https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/about-deloitte/articles/incentivo-cultura-esporte.html https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/about-deloitte/articles/incentivo-cultura-esporte.html https://www.unicef.org/brazril/esportes-para-o-desenvolvimento https://www.unicef.org/brazril/esportes-para-o-desenvolvimento FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 166 Você pode, então, nos perguntar: Na LIE quem pode propor projetos esportivos? Todas as Pessoas Jurídicas (PF) de fins não econômicos de natureza esportiva e que tenha no mínimo 1 (um) ano de funcionamento e tenha regulari- dade fiscal nas esferas municipal, esta- dual e federal, além de emitir certidões negativas de INSS e FGTS. Quem pode patrocinar? A empresa com tributação no lucro real pode pa- trocinar ou doar recursos para projetos aprovados pelo Ministério do Esporte. A Pessoa Jurídica (PJ) pode investir 2% (dois por cento) do imposto devido e a Pessoa Física (PF) 7% (sete por cento) do imposto devido. Esses recursos podem ser direcionados aos projetos esportivos. Quais as manifestações esportivas os projetos devem se enquadrar? São 3 categorias: (I) desporto educa- cional: para alunos(as) regularmente ma- triculados(as) em instituição de ensino de qualquer sistema de ensino; (II) desporto de participação: para prática voluntária de pessoas que buscam qualidade de vida, integração social, educação e preservação do meio ambiente; (III) desporto de rendi- mento: direcionado a competições, forma- ção de atletas e capacitação. O professor e autor Manoel Gomes Tubino (1986) descreveu as Dimensões Sociais do Esporte, afirmando que o es- 167 C A P TA Ç Ã O D E R EC U R S O S P A R A P R O J E TO S E S P O R TI V O S porte tem função pedagógica no processo de formação do indivíduo, proporcionando a compreensão de valores como respeito, solidariedade, espírito de equipe, parti- cipação, entre outros fatores que contri- buem para o desenvolvimento humano. Sendo assim, classificando-as como: ÎEsporte performance (Rendimento) ÎEsporte educação (Educacional) ÎEsporte de participação (Comunitário) ÎEsporte de Formação (Incluído recen- temente na Lei Pelé) Essa classificação é a mesma apre- sentada no Art. 2º da Lei no. 11.438/2006 que afirma: “Os projetos desportivos e paradesportivos, em cujo favor serão captados e direcionados os recursos oriundos dos incentivos previstos nesta Lei, atenderão a pelo menos uma das se- guintes manifestações, nos termos e con- dições definidas em regulamento”. SAIBA MAIS Acesse o site do Ministério do Es- porte ou consulte o Manual da Lei de Incentivo ao Esporte: file:///C:/Users/ Usu%C3%A1rio/Downloads/ ManualLeideIncentivo%20ao%20 esporte%20ATUALIZADO2022.pdf TÁ NA LEI Nº. 11.438/2006 https://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/ l11438.htm A título de informação, vários estados e municípios possuem Leis de Incentivo ao Esporte que permitem o financiamne- to de projetos esportivos elaborados pela sociedade cívil organizada, por meio de abatimento fiscal em tributos como ISS- QN, IPTU, ICMS ou IRRF, como é o caso da Lei Nacional de Incentivo. 2.5. Recursos Oriundos de Emendas Parlamentares Federal São recursos destinados por parlamen- tares, sejam deputados ou senadores, a projetos específicos de seus estados, municípios ou regiões, com o objetivo de desenvolver ações que contribuam para a melhoria da qualidade de vida da população. Esses recursos são pro- venientes do Orçamento da União e são liberados a partir do Orçamento Geral da União (OGU) a cada ano. As emendas parlamentares são úteis para destinar recursos a projetos ou ações que não estão previstos no Or- çamento Geral da União. Elas são fun- damentais na resolução de problemas sociais, como a falta de serviços bási- cos, acesso à saúde, educação, cultura, esporte, construção, entre outras. Tem grande relevância social, pois ajudam a financiar projetos que podem melhorar a vida das pessoas, oferecendo serviços básicos e melhorando a infraestrutura de cidades e regiões. Para isso, os projetos precisam ser aprovados pelo Ministério do Planeja- mento, Orçamento e Gestão (MPOG), que fiscaliza o uso dos recursos. É preciso destacar que com a mudança dos governos as plataformas podem mudar as nomenclaturas. Fique atento(a)! Como exemplo, no ano de 2008 foi criada a plataforma Sistema de Gestão de Convênios (Siconv) e contratos de repasse para processar informações e operacionalizar as transferências volun- tárias de recursos do Governo Federal. Até o final de 2022, denominava-se Pla- taforma + Brasil e, agora em 2023, passa a ser Sistema de Gestão de Parcerias da União (SIGPAR), que passa a estruturar atividades de planejamento, coordena- ção, orientação e gestão das parcerias entre a União e instituições, por meio do Ministério da economia. IMPORTANTE Destaco que a ferramenta tecnoló- gica passa a se chamar transferegov.br e terá o endereço divulgado pelo Ministério da Economia. file:///C:/Users/Usu%C3%A1rio/Downloads/ManualLeideIncentivo%20ao%20esporte%20ATUALIZADO2022.pdf file:///C:/Users/Usu%C3%A1rio/Downloads/ManualLeideIncentivo%20ao%20esporte%20ATUALIZADO2022.pdf file:///C:/Users/Usu%C3%A1rio/Downloads/ManualLeideIncentivo%20ao%20esporte%20ATUALIZADO2022.pdffile:///C:/Users/Usu%C3%A1rio/Downloads/ManualLeideIncentivo%20ao%20esporte%20ATUALIZADO2022.pdf FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 168 O fluxograma da Figura 1 apresen- ta o percurso dos convênios públicos. A parte que está na cor preta é a que ante- cede a execução, que vai desde o pedido de realização do projeto aos parlamenta- res, ou à adesão a algum programa, até a inserção na plataforma transfere.gov. A parte azul se refere à execução e a parte alaranjada se refere a alguma questão que tenha ficado pendente. das para programas, obras, projetos de infraestrutura e serviços de saúde, edu- cação, segurança, cultura, esporte, meio ambiente, desenvolvimento econômico e outros setores. São aprovadas pela Assembleia Le- gislativa Estadual e são financiadas com recursos públicos do Tesouro Estadual. Elas fornecem recursos para projetos que não estão previstos no orçamento FLUXOGRAMA DE CONVÊNIOS PÚBLICOS E CORRELATOS A Nova Legislação E Gestão De Convênios Licitações e Convênios Públicos Plataforma +Brasil Obras: Execução, Acompanhamento e Prestação de Contas Tomada de Contas Especial (TCE) Diligências e Notificações dos órgãos de Controle (CGU e TCU) Concessões de Serviços Públicos e Parcerias Público-Privadas (PPP) Fundações de Apoio: Abordagem Jurídica no TCU Falhas e Irregularidades nos Convênios Publicação, Qualificação de Organizações Sociais e Celebração de Contratos de Gestão Termo de Execução Descentralizada TED e a Plataforma +Brasil (transfere.gov) MROSC Planejamento e Execução do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Vicil Prestação de Contas de Convênios (Fundamentos, Execução e Análise) Entendendo Tributação, Notas Fiscais e DCTFWEB Fiscalização e Acompanhamento de Convênios Plataforma +Brasil (transfere.gov) completo imersão, 40h Emendas Parlamentares Captação de Recursos Federais Elaboração e Análise de Projetos Projetos e Plano de Trabalho na Plataforma +Brasil (transfere.gov) Figura 1: Fluxograma de Convênios públicos e correlatos. Fonte: Grupo Orzil, 2023. 2.5. Emendas Parlamentares Estaduais As emendas parlamentares estaduais seguem as normas de cada estado e são indicadas pelos deputados estaduais por meio da Lei Orçamentária Anual (LOA) para financiar projetos de interesse re- gional ou local. Elas são propostas pelos parlamentares estaduais e são direciona- 169 C A P TA Ç Ã O D E R EC U R S O S P A R A P R O J E TO S E S P O R TI V O S do ano em curso, indicados por deputa- dos ao projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA), e ajudam a financiar projetos de in- teresse da população. As emendas parlamentares estadu- ais são aprovadas no limite de 1% (um por cento) da Receita Corrente Líquida prevista no Projeto de Lei encaminhado pelo Poder Executivo. Basicamente, todos os estados seguem as mesmas prerro- gativas, mas será necessário observar a particularidade do estado no qual você está inserido(a). *** Como você viu até aqui “existem várias formas de buscar recursos para desenvolver o esporte local. Não po- demos ficar esperando somente pelas prefeituras, no caso dos municípios” (SOUZA, 2017). Os recursos estão dis- poníveis, basta conhecermos os cami- nhos e decidir trilhá-los. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 170 Para elaborar bons projetos esporti-vos, você deve ter em mente uma proposta bem definida. Vou apre- sentar uma visão ampla das etapas de um projeto e dar dicas para elaboração de um bom projeto de forma fácil e clara. 3.1. Qual seu plano? Pense de forma clara o objetivo do seu projeto e quais os objetivos específicos que farão com que você alcance o objeti- vo geral. Pense como executar, isso será a sua estratégia. Quanto isso irá custar e de onde virão os recursos? Os passos básicos para elaboração de um bom projeto são os seguintes: • Título do projeto: Deve ser curto e expressar o seu objetivo; • Objetivos: Geral (que se refere ao objeto a ser executado) e es- pecíficos (ações que farão com que o objetivo geral aconteça); • Metas: (1) Quantitativas (você deve indicar as metas físicas tan- gíveis, relacionadas aos objetivos, geral e específicos, de modo a permitir a verificação da eficiên- cia e da eficácia das ações) e (2) Qualitativas (indique as metas relacionadas a aspectos intan- gíveis dos objetivos, geralmente aquelas referentes aos impactos gerados no público-alvo); • Justificativa: Qual a relevância do projeto? Qual a resposta a um problema ou necessidade identi- ficada de forma objetiva? Qual a razão de ser do projeto? Informe os motivos que o levaram a pro- por o projeto e faça uma análise objetiva do contexto geral e es- pecífico. Nessa etapa, você deve informar os indicadores que comprovem a capacidade téc- nico-operativa do proponente (aquele que propõe o projeto); • Beneficiários: Qual é o (s) indiví- duo (s) ou instituição que se be- neficiará com o seu projeto? Nes- te tópico será preciso delimitar o público envolvido e descrever os beneficiários diretos e indire- tos. Essa descrição deve ser rea- COMO ELABORAR BOAS PROPOSTAS, IMPLANTAR PROJETOS ESPORTIVOS DE FORMA EFICIENTE E PRESTAR CONTAS lista e coerente com a proposta e estratégia do projeto; • Local: Descrever em que local o projeto será realizado. Pode ser mais de um local, mas será preciso apresentar um Termo de Parceria ou Termo de Cessão do espaço escolhido, caso o espaço não seja de sua instituição; • Estratégia: Como fazer? Elabo- rar uma descrição quantitativa e qualitativa das metas a serem atingidas, destacando cada item do desenvolvimento e as ações para assegurar o êxito do projeto; • Metodologia: Aqui você pode descrever os processos e as téc- nicas que usará para realizar a ação. A partir dos objetivos, pen- se como você executará isso na prática. Detalhe como as diferen- tes etapas serão implementadas e como elas se inter-relacionam; • Cronograma de atividades: Des- creva as datas e as atividades que serão realizadas, com pra- zos estabelecidos por atividades. 3 171 C A P TA Ç Ã O D E R EC U R S O S P A R A P R O J E TO S E S P O R TI V O S Todos os meses terão documentos ou ações que comporão a Prestação de Contas, então fique atento(a) à documen- tação exigida na Prestação de Contas, como notas fiscais, relatórios, fichas de presença de alunos(as) e professores(as), entre outros que serão anexados ao final do projeto. • Orçamento: Especificar como e onde as verbas serão aplicadas, detalhando em forma de crono- grama a aplicação dos recursos. Vale destacar que na LIE existe uma tabela de precificação que, ao utilizá-la, nos isenta de cotar os itens que constam no proje- to, como: materiais esportivos, recursos humanos, serviços de terceiros (ex. contador), unifor- mes, entre outros. Modelo Básico de um Cronograma de Ações ATIVIDADES/AÇÕES 1º Mês 2º Mês 3º Mês 4º Mês 5º Mês 6º Mês 7º Mês 8º Mês Contratação da equipe de profissionais e estagiários X Processo de aquisição de produtos e serviços para execução do projeto X Divulgação e Comunicação do projeto X X X X X X X X Capacitação da equipe de trabalho X X X X X X X X Seleção e cadastro dos beneficiários X X X Início das atividades X Acompanhamento do Projeto X X X X X X X X Avaliação dos resultados e impactos X X X X X Prestação de contas e divulgação dos resultados. X X X X X X X X Obs.: Cronograma para o desenvolvimento de um projeto para 8 (oito) meses de duração. 3.2. Divulgação do Projeto: Pense nas ações de comunicação e divul- gação do projeto juntamente às entidades governamentais e não-governamentais, além de empresas privadas. Também uti- lize as redes sociais para divulgação.3.3. Aproximação com Órgãos Governamentais: é importante buscar parcerias com os ór- gãos governamentais, pois muitas vezes eles podem ser responsáveis pela capta- ção de recursos para projetos esportivos. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 172 IMPORTANTE Muitas vezes as empresas esco- lhem um projeto aprovado na Lei Nacional de Incentivo ao Esporte (LIE) para patrocinar. Vale a pena ter seu projeto aprovado na LIE! Sua instituição pode inscrever até 6 (seis) projetos. 3.4. Estabelecimento de Parcerias: é importante buscar parcerias com or- ganizações, empresas privadas e outras entidades que possam contribuir com re- cursos financeiros para o projeto. 3.5. Realização de Eventos: even- tos como torneios esportivos, competi- ções, palestras, workshops, bazares etc. são ótimas maneiras de captar recursos para o projeto. 3.6. Utilização de Redes Sociais: as redes sociais são uma ótima ferramen- ta para divulgação e captação de recursos para projetos esportivos. 3.7. Monitoramento e Avaliação: é necessário monitorar e avaliar o de- sempenho do projeto para ver se os obje- tivos estão sendo alcançados. Monitorar os recursos financeiros e humanos, além de avaliar o nível de satisfação dos(as) participantes, é importante para garantir que o projeto está sendo bem gerenciado. 3.8. Reconhecimento do Tra- balho: é importante reconhecer o trabalho dos envolvidos no projeto, como voluntários(as), patrocinadores(as), cola- boradores(as) etc. 3.9. Compartilhamento de Re- sultados: é importante compartilhar os resultados alcançados com o projeto, pois isso incentiva a continuidade do trabalho e a captação de novos recursos. #FICAADICA Você pode simular um projeto de captação de recursos. Quer tentar? Acesse: <https://arleideincentivo- aoesporte.com.br/simulador/> 173 C A P TA Ç Ã O D E R EC U R S O S P A R A P R O J E TO S E S P O R TI V O S 4 A Prestação de Contas é um docu-mento emitido por um gestor de recursos financeiros, que detalha e demonstra a aplicação de fundos de um determinado período de tempo. É um do- cumento importante para empresas, or- ganizações, governos e outras entidades que utilizam financiamento externo. Ela é usada para fins contábeis, fiscais e de auditoria, e garante que os recursos se- jam gastos de acordo com as diretrizes estabelecidas no seu projeto. Ela também pode ser usada para fins de análise e emissão de relatórios gerenciais. Vamos ao trabalho, então! Com es- ses passos e a ajuda indispensável de um contador você vai conseguir realizar uma excelente Prestação de Contas. A Prestação de Contas tem como ob- jetivo oferecer uma visão geral das recei- tas e despesas de um determinado perío- do. Ela informará detalhadamente o saldo atual da conta, assim como os pagamentos realizados com os recursos disponíveis. O que são as Receitas? São as en- tradas de dinheiro na conta bancária aberta especificamente para a execução do projeto aprovado e pelo período es- tabelecido no próprio projeto. Importan- te: você, obrigatoriamente, deverá fazer aplicação dos recursos que entram na conta para que o dinheiro possa render durante o período de execução do proje- to. Se deixar o dinheiro parado na conta, você poderá ter problemas na Prestação de Contas. O que são Despesas? Referem-se aos pagamentos feitos durante o período em questão. Vale destacar que os paga- COMO PRESTAR CONTAS? mentos devem ser feitos dentro do pe- ríodo estabelecido no projeto, ou seja, o período compreendido entre a data de início e de término estabelecido no Termo de Compromisso entre as partes. Lembrete: Nenhuma Nota Fiscal (NF) pode ser paga antes da data da própria nota. Primeiro você recebe a NF e procede o pagamento dela depois ou no mesmo dia do recebimento do produto ou do serviço. Como exemplo, na Lei de Incentivo ao Esporte, existe a obrigatoriedade do uso de 2 (dois) carimbos que devem ser colocados na NF, na data do recebimento. Comprove nos modelos a seguir: Nº SLIE _________________ MINISTÉRIO DA CIDADANIA SECRETARIA ESPECIAL DO ESPORTE LEI 11.438/2006 ATESTO QUE O SERVIÇO/PRODUTO FOI RECEBIDO EM: _____/____/____ _____________________________ ASSINATURA Fonte: https://www.gov.br/cidadania/pt-br/ acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao- esporte/modelos-e-manuais Com a mudança de gestão do Gover- no Federal, as orientações podem sofrer alterações, desde a mudança dos logo- tipos, nomenclaturas e também outras exigências. Caso você faça a captação de recursos pela LIE, deve atentar-se a todos os detalhes exigidos. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 174 Para a conclusão da Prestação de Contas, normalmente temos 60 (sessen- ta) dias de prazo para entrega, mas sem- pre se certifique com a fonte financiado- ra. Toda a documentação original deve ficar guardada na sede da instituição proponente pelo período de 10 (dez) anos. Basicamente, os documentos que você precisará organizar durante e ao final da execução do projeto, são os seguintes: ÎRelatório de cumprimento do objeto, que mencionará os resultados espera- dos e atingidos, os objetivos previstos e alcançados e a repercussão da ini- ciativa na comunidade e no desenvol- vimento do esporte; ÎRelação de pessoal contratado; ÎRelação de beneficiários; ÎRelatórios de receitas e despesas, de exe- cução físico-financeira e de pagamentos; ÎCópia do extrato da conta bancária es- pecífica, desde o dia do recebimento dos recursos até a data do último pagamento; ÎDemonstrativo de rendimentos das aplicações dos recursos; ÎCópia dos documentos comprobató- rios das despesas, acompanhados dos documentos comprobatórios como no- tas fiscais, recibos etc.; ÎRelação de bens adquiridos, produzi- dos ou construídos (se for o caso); ÎComprovante de divulgação da execu- ção do projeto, eventos e/ou atividades realizadas; ÎFotografias dos materiais, equipamen- tos adquiridos, eventos realizados, treinos, beneficiários, construção, en- tre outros que façam parte do objeto do seu projeto. Para finalizar, faça um relatório para os(as) patrocinadores(as) do seu projeto. Nele, deve conter mais fotos e números (resultados) do que textos. Lembre-se de que, no caso do patrocinador, este relató- rio precisa encantar e motivar novos pa- trocínios, novas doações e doadores(as). 175 C A P TA Ç Ã O D E R EC U R S O S P A R A P R O J E TO S E S P O R TI V O S BRASIL, Lei de Incentivo ao Esporte. Dispõe sobre incentivos e benefícios para fomentar as atividades de caráter desportivo e dá outras providências. Disponível em: <.https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2004-2006/2006/lei/l11438.htm>. Acesso em 25 jan. 2023. CAMARGO, Fernando Aguiar. Captação de re- cursos: contexto, principais doadores, finan- ciadores e estratégias, Intersaberes, 2019. SOUZA. Elisabete Laurindo de. Políticas Pú- blicas de Esporte e Lazer. Balneário Cambo- riú. Editora Faculdade Avantis, 2017. GRUPO ORSIL. Saiba tudo sobre a Plata- forma mais Brasil. Disponível em: <https:// www.orzil.org/saiba-tudo-sobre-a-platafor- ma-mais-brasil/>. Acesso em: 26 jan. 2023. TUBINO, M. J. G. Dimensões sociais do es- porte. São Paulo: Editora Cortez, 1986. REFERÊNCIAS 176 Apoio: Patrocínio: Realização: CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira CoordenadoraPedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron- End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-051-6 (Fascículo 11) Fundação Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327 Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br Todos os direitos desta edição reservados à: AUTORA Elisabete Laurindo de Souza Graduada em Educação Física (FURJ) e Estudos Sociais (Univali), é especialista em Gestão para a Qualidade na Administração Esportiva (Udesc) e Ciências do Movimento Humano (IBPEX). Mestre em Gestão de Políticas Públicas (Univali), tem experiência em Educação Física Escolar e Esporte, Gestão do Esporte e Lazer; Educação Física Escolar; BNCC; Metodologias Ativas; Políticas Públicas; Elaboração de Projetos e Captação de Recursos. ILUSTRADOR Carlus Campos Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na produção de suas ilustrações, utiliza várias lingua- gens como: desenho, pintura, aquarela, gravura e fotografia. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos prêmios com arte gráfica, fez incursões pelas artes plásticas participando de diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRA- FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft. GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA Gestão Financeira de Recursos Públicos em Projetos Esportivos Elisabete Laurindo de Souza Edegilson de Souza 12 FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 178 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 179 180 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE RECURSOS NOS ÂMBITOS: MUNICIPAL, ESTADUAL E NACIONAL 184 GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE NAS DISCIPLINAS CURRICULARES 188 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 178 179 G ES TÃ O F IN A N C E IR A D E R EC U R S O S P Ú B LI C O S E M P R O J E TO S E S P O R TI V O S APRESENTAÇÃO 1 Neste módulo, você entenderá a en-genharia do serviço público e quais os conhecimentos necessários para atuar de forma eficiente, além das funções básicas de quem assume a ges- tão do esporte do ponto de vista das polí- ticas governamentais. Conhecerá também as fontes de recursos públicos e as formas de cap- tação externas. Contudo, em primeiro lugar, será preciso pontuar que as três esferas go- vernamentais, municipais, estaduais e federal, são regidas por um conjunto de legislação, como Leis, Decretos, Portarias, Instruções Normativas, entre outros documentos oficiais que regulam as ações dos governos. Para formular políticas públicas, fo- mentar e apoiar projetos e ações que incorporem o esporte será preciso mui- to conhecimento e envolvimento político para que, de fato, suas propostas entrem na agenda governamental. Vamos entender um pouco mais de como isso funciona? FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 180 2 Na atualidade, as políticas públicas e consequentemente a gestão des-sas políticas tende a seguir um cer- to grau de profissionalismo, quando nas Fundações, Secretarias ou no Ministério já se conta com profissionais efetivos que podem dar continuidade as ações, pro- gramas e projetos, mesmo com a troca das gestões dos governos. Essa é uma das maiores dificulda- des da gestão pública: a descontinuidade das políticas estabelecidas pelos gover- nantes, pois a cada ciclo político ocorrem mudanças dos cargos e cada gestor(a) quer modificar as ações conforme suas propostas de campanha. Diante desse quadro, precisamos entender que nossas ações devem estar balizadas em demandas que atendam à sociedade e nas resoluções de problemas da coletividade, com foco nas oportunida- des que poderemos oferecer às pessoas por meio do processo de gestão eficiente de um governo que se transforme em po- lítica de estado. Nesse sentido, precisamos seguir algumas etapas necessárias à efetivação das políticas públicas para executar as ações planejadas. Observe a Figura 1 e planeje como irá realizá-la. Monitoramento Revisão das estratégias e ações Problema, Demanda ou Oportunidade Avaliação Impactos e Resultados Execução Planejamento Figura 1: Ciclo de gestão do governo Fonte: PRATES, 2014 CICLO DE POLITICAS PÚBLICAS ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE RECURSOS NOS ÂMBITOS: MUNICIPAL, ESTADUAL E NACIONAL 181 G ES TÃ O F IN A N C E IR A D E R EC U R S O S P Ú B LI C O S E M P R O J E TO S E S P O R TI V O S Îquais as possibilidades de envolvi- mento com a comunidade? Para ser gestor(a) do esporte, o per- fil do profissional precisa corresponder a algumas demandas específicas, como (1) ter liderança (do saber); (2) competência (do fazer); (3) relacionamento e comuni- cação; (4) força política (partidária e ou- tras); (5) conhecer o papel do(a) gestor(a) e ser facilitador(a); e (6) organizar e des- centralizar as ações. Alguns(as) têm capacidades inatas (criatividade, dinamismo, pró-atividade), mas um(a) gestor(a)/empreendedor(a) adquire as suas principais competências, know-how, experiência e contatos ao lon- go dos anos. Você está pronto(a) para o desafio? Lembre-se: não fazemos nada sozinho(a)! Após análise da Figura 1 e o levan- tamento das ações, é importante você saber que, para todas elas, é necessário identificar qual será a fonte de recur- sos financeiros, quem irá implementar e quais serão os beneficiários da ação. Destaco que ainda não faz parte da cultura política da maioria dos municí- pios a discussão e priorização da área do esporte. Essa política pública ainda não é vista como uma possibilidade de promo- ver a qualidade de vida para as pessoas, entretenimento, integração e desenvol- vimento. Como consequência disso, há pouca receita destinada a essa área, ten- do os gestores que captar recursos exter- nos para poder implementar seus proje- tos esportivos. O grande desafio dos(as) gesto- res(as) públicos é estabelecer o que fa- zer e quando começar. Daí surgem os questionamentos: Îquais são as ideias dos dirigentes es- portivos? Îcomo apresentar um projeto à munici- palidade (prefeito, vereadores e comu- nidade)? Îquem deve liderar a construção dos planos, programas e estratégias? FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 182 É necessário manter uma estrutura ad- ministrativa adequada ao bom funciona- mento do trabalho, estabelecendo metas para quatro anos de mandato, com possi- bilidades de implantar políticas que per- maneçam como políticas de estado. Toda Política Pública Municipal de Esporte e Lazer deve se apresentar como um projeto à municipalidade, baseada nas demandas da população e serem ela- boradas a partir de planos, programas, ações estrategicamente planejadas, e com possibilidades de envolvimento da comunidade. Neste sentido, o município tem um papel muito importante. Para começar, você pode pensar em algumas ações,como: ÎCriar ou manter o Conselho Municipal de Esporte; Î Instalar um fórum permanente de debate sobre o esporte; ÎCriar núcleos comunitários de atendi- mento esportivo; Î Identificar parcerias com universida- des, empresas e outras instituições de apoio, como Rotary, Lions, entre outras; ÎOportunizar profissionais nas praças para atender à população; ÎOrganizar ações esportivas nas quatro dimensões sociais do esporte: (1) Ren- dimento, (2) Educacional, (3) de Forma- ção e (4) Comunitário; ÎBuscar fontes de recursos para custe- ar alguns projetos; ÎAmpliar e melhorar a infraestrutura esportiva do município ou do estado. ÎCriar Lei municipal para apoiar finan- ceiramente projetos esportivos; ÎDivulgar todas as ações e prestar con- tas aos envolvidos. Para focar no tópico voltado à ad- ministração financeira de recursos nos âmbitos municipais, estaduais e federal, destacamos o instrumento legal deno- minado Dotação Orçamentária, que é a distribuição dos recursos arrecadados a partir dos impostos pagos pela popu- lação. Trata-se do crédito previamente aprovado pelo Poder Legislativo, que se destina a suprir alguma demanda públi- ca, nesse caso o esporte. O instrumento legal que rege o con- trole dos gastos da União, estados, Dis- trito Federal e municípios é a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Comple- mentar nº 101/2000) que integra três instrumentos de planejamento previstos pela Constituição Federal de 1988: Plano Plurianual (PPA); Lei de Diretrizes Orça- mentárias (LDO) e Lei dos Orçamentos Anuais (LOA), observados alguns itens: ÎSão obrigatórios para a União, para o Distrito Federal, para os estados e para todos os municípios. ÎO PPA apresenta as diretrizes, os ob- jetivos e as metas físicas e financeiras para um período de quatro anos, que se inicia no segundo ano de mandato e vai até o primeiro ano de mandato do próximo governo. ÎO PPA é uma Lei aprovada pelo poder Legislativo, podendo receber emen- das, desde que observadas as regras existentes. ÎLDO: Indica a direção dos gastos anuais que explicará as metas para cada ano. ÎLOA: Proverá recursos para a execu- ção das ações necessárias ao alcance das metas. 183 G ES TÃ O F IN A N C E IR A D E R EC U R S O S P Ú B LI C O S E M P R O J E TO S E S P O R TI V O S IMPORTANTE O Plano Plurianial (PPA) é o principal documento produzido coletivamente, pois integra (1) as propostas dos governos expostas no período eleitoral, (2) as ações que estão em andamento, (3) o que se espera para o futuro e (4) o total de recursos previsto para quatro anos. Fique atento aos prazos para elaboração do PPA O documento deve ser enviado pelo poder Executivo ao Legislativo até o dia 31 de agosto do primeiro ano de mandato. Este prazo é obrigatório para a esfera federal, mas os municípios e os estados podem adotar prazos diferentes, desde que este- ja definido na Constituição Estadual e na Lei Orgânica Municipal. Perceba que o primeiro ano de vigên- cia do Plano Plurianual (PPA) municipal é iniciado no segundo ano de mandato do chefe do Executivo e encerra no primei- ro ano subsequente. Por isso, deve ser elaborado com a visão clara de onde se pretende chegar e expressando a visão estratégica dos(as) gestores(as). Deve conter desde a compra de uma bola, a contratação de um(a) professor(a) ou a construção de um ginásio. Figura 2: Etapas para elaboração do Plano Plurianual (PPA). Fonte: VILHENA, 2016. DEFINIÇÃO DE PROGRAMAS BASE ESTRATÉGICA Proposta de Programas Setoriais Validação e Consolidação pelo órgão central PPA Documento Final A Cidade: Situação atual x Futuro desejado • Direção da mudança • Papel do Governo • Parcerias possíveis Levantamento das ações setoriais • Ações em andamento • Propostas de novas ações • Parcerias possíveis Condicionantes do Planejamento • Projeções das Receitas • Restrições Legais • Condicionantes das Despesas Orientação Estratégica do Governo Definição dos Macroobjetivos Definição de Recursos por Órgão/Entidade Orientação Estratégica dos Dirigentes dos Órgãos/Entidades Etapas para Elaboração do PPA 3) participar com o maior número de representantes do esporte e da socieda- de, na elaboração e votação do PPA nas audiências públicas; 4) Além dos recursos previstos no PPA, buscar fontes de recursos externas para garantir que todas as ações sejam realizadas. Para você que pretende ser gestor(a) público(a), será preciso trilhar alguns passos: 1) inserir nos planos de governos dos candidatos (em campanha) as necessida- des da sociedade relacionadas ao esporte; 2) conhecer os caminhos para aqui- sição de recursos financeiros para execu- tar as ações; FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 184 3 POSSIBILIDADES DE RECURSOS FINANCEIROS PARA AS INSTITUIÇÕES ESPORTIVAS Você observou que a gestão dos re-cursos financeiros para as institui-ções esportivas, sejam elas públicas ou privadas, seguem um trâmite legal? No caso das Fundações ou Secreta- rias municipais ou estaduais, para além dos recursos públicos estabelecidos no PPA, também podem ocorrer as capta- ções por meio de editais de empresas ou órgãos públicos, bem como pelas Leis de Incentivo ao Esporte, Emendas Parlamentares e de fontes internacio- nais, como foram apresentadas anterior- mente no módulo 11. As Fundações ou Secretarias de Es- porte podem captar recursos nas Secre- tarias estaduais e também na União. As Secretarias estaduais também podem captar recursos na União e todas podem captar recursos nos editais de empre- sas, sempre verificando o que estabele- ce o edital. Estão disponíveis também recursos dos Programas Nacionais, em 2023 sob o comando do Ministério do Esporte. Como vivemos um momento de transição, você precisa ficar atento às novas nomencla- turas. Vou exemplificar alguns: (a) Bolsa Atleta Nacional É um incentivo aos(às) atletas de alto rendimento, especificamente para quem obtém bons resultados em competições nacionais ou internacionais. É importan- te para o(a) gestor(a) público(a) incenti- var os(as) atletas a se inscreverem, pois garantem os recursos mensais para se manterem. Além disso, os(as) atletas pre- cisam manter-se treinando e competindo para alcançar bons resultados nas com- petições classificatórias indicadas pelas respectivas confederações. Segundo informações do Ministério da Cidadania (2023) as categorias “con- vencionais” do Bolsa Atleta integram edi- tal separado, que tem previsão de publi- cação no início de 2023. Atualmente, há 6.416 esportistas contemplados, entre as categorias Base (292), Estudantil (241), Nacional (4.792), Internacional (847) e Olímpica/Paralímpica (244). São 3.576 homens (56%) e 2.840 mulheres (44%). Os repasses mensais variam entre R$ 370 e R$ 3.100, de acordo com a categoria. Atualmente, 357 pessoas são bene- ficiadas pela categoria “Pódio” do Bolsa Atleta, recebendo repasses mensais de R$ 5 mil a R$ 15 mil. São 199 atletas no masculino e 158 no feminino. Do grupo, 195 exercem modalidades do programa paralímpico e 162 praticam modalidades olímpicas (Ministério da Cidadania, 2023). (b) Programa Seleções do Futuro Visa a incentivar, desenvolver e democra- tizar o acesso à formação esportiva em futebol para crianças e adolescentes (6 aos 17 anos), buscando garantir com qua- lidade o direito constitucional ao esporte, por meio da implantação de núcleos de futebol de base, masculino e feminino, em todo o território nacional. São compostos por grupos de 200 beneficiados em atividades desenvolvi- das no contraturno escolar. A cada bene- ficiado será assegurada atividades com frequência mínima de 2 vezes na sema- na, com no mínimo de 90 minutos diários e em dias alternados (total de 3h sema- nais – 12h/aula/mês). O Programa for- nece também equipamentos necessários para a prática desportiva, como camisa, calção, meião e chuteira.