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GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA
Políticas Públicas para
o Esporte no Brasil
Cássia Damiani 
Adriano César Carneiro Loureiro
1
Copyright © 2023 by Fundação Demócrito Rocha
FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR)
Presidente
Luciana Dummar
Diretor Administrativo-Financeiro
André Avelino de Azevedo
Gerente-Geral
Marcos Tardin
Gerente Editorial e de Projetos
Raymundo Netto
Gerente de Audiovisual
Chico Marinho
Gerente de Marketing & Design
Andrea Araujo
Coordenadora de Projetos Sociais
Lia Leite
Analistas de Projetos
Aurelino Freitas e Fabrícia Góis
Analista de Contas
Narcez Bessa
UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE)
Gerente Educacional
Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira
Coordenadora Pedagógica
Profa. Ms. Jôsy Cavalcante
Coordenadora de Cursos
Esp. Marisa Ferreira
Secretária Escolar
Iany Campos
Desenvolvedora Fron-End
Isabela Marques
Estagiárias em Mídias e tecnologia para Educação
Germana Cristina
Rebeca Azevedo
Estagiária em Pedagogia
Arielly Ribeiro
Este fascículo é parte integrante do projeto Programa de Capacitação para Gestão 
Multidisciplinar do Esporte, em decorrência do III Edital de Projetos Desportivos e 
Paradesportivos: incentivo ao esporte cearense. Processo nº 11403815/2019.
Todos os direitos desta edição reservados à:
Fundação Demócrito Rocha
Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora 
CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará 
Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327
Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br
Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br
P964 Programa de Capacitação para Gestão Multidisciplinar do Esporte/ 
vários autores ; organizado por Ricardo Catunda ; ilustrado por Carlus 
Campos. - Fortaleza : Fundação Demócrito Rocha, 2023.
 192 p. : il. : 26cm x 30cm.
 Inclui bibliografi a.
 ISBN Coleção: 978-65-5383-041-7
 ISBN F1: 978-65-5383-042-4
 1. Esporte. 2. Educação física. 3. Políticas públicas. 4. Formação. 
5. Pedagogia do esporte. 6. Gestão de projetos. 7. Gestão de pessoas. 
8. Esporte de rendimento. 9. Gestão fi nanceira. I. Catunda, Ricardo. II. 
Campos, Carlus. III. Título.
 2023-236 CDD 613.7
 CDU 796
Elaborado por Vagner Rodolfo da Silva - CRB-8/9410 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISBD 
Índice para catálogo sistemático:
1. Educação física 613.7
2. Educação física 796
GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE:
PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO
Concepção e Coordenadora Geral
Valéria Xavier 
Coordenadores de Conteúdo
Ricardo Catunda e Valéria Xavier 
Coordenador Editorial e Revisor 
Raymundo Netto
Projeto Gráfico e Editora de Design
Andrea Araujo
Designer Gráfico
Welton Travassos
Ilustrador
Carlus Campos
Analista de Marketing
Henri Dias
Analista de Projetos 
Daniele de Andrade
Social Media
Letícia Frota
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SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
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POLÍTICA PÚBLICA: O QUE 
É? PARA QUE SERVE?
O ESPORTE ENTRE AS 
POLÍTICAS DE ESTADO E AS 
POLÍTICAS DE GOVERNO
REFERÊNCIAS
CARACTERÍSTICAS DO 
ESPORTE COMO DIREITO
CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
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APRESENTAÇÃO
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uma Política de Estado ser uma Polí-
tica democrática. Como esta Política é 
constituída? O que são os direitos so-
ciais? Como pensar as necessidades 
humanas? Qual a real função do Estado 
e qual a correlação de força existentes 
entre os governos e a população? Quais 
os elementos constitutivos de uma Po-
lítica de Estado? Como pensar e o que 
pensar quando se quer uma Política pe-
rene, que não atenda apenas interesses 
de alguns setores da sociedade? As-
sim, convidamos você para esta leitura 
e esperamos poder auxiliá-lo na refl exão 
sobre estas e outras questões.
Estudar e pensar em Política Públi-ca é essencial para compreender como lidar com as necessidades e 
direitos que são postos pela sociedade 
e que devem ser atendidos pelo Estado. 
Este texto foi elaborado para auxiliar as 
pessoas a pensarem sobre as Políti-
cas Públicas, entendendo esta Política 
não como ações pontuais, mas como 
ações com visão de permanência, de 
continuidade. O objetivo deste fascículo 
é trazer reflexões sobre elementos que 
irão auxiliar a pensar o que é a Política 
Pública para o Esporte, além de refl etir 
quais elementos são importantes para 
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POLÍTICA PÚBLICA: 
O QUE É? PARA 
QUE SERVE?
Para iniciar nossa conversa é pre-ciso entender o que são as Políti-cas Públicas e para que servem. 
Segundo Macêdo (2018), as Políticas 
Públicas são “ações e programas de-
senvolvidos pelo Estado para garantir e 
colocar em prática direitos que são pre-
vistos na Constituição Federal e em ou-
tras leis”. São medidas práticas, progra-
mas criados pelos governos, dedicados 
a garantir o bem-estar da população 
em geral, sendo caracterizado com uma 
necessidade fundamental. Assim, é pos-
sível dizer que o esporte está no rol de 
atividades relacionadas ao bem-estar da 
população. O esporte é, portanto, uma 
atividade inalienável do ser humano.
As Políticas Públicas estão relacio-
nadas às necessidades humanas e para 
tal compreensão Doyal e Gough (1991) 
trazem explicações a esse respeito, con-
siderando a existência de necessidades 
humanas básicas, intermediárias e de 
aspiração e desejos. A principal orien-
tação entre elas é apreciar elementos 
que considerem a integridade humana, 
evitando a ocorrência de prejuízos à vida 
material dos homens e à atuação destes 
como sujeitos, caso as necessidades 
humanas básicas nã o sejam adequada-
mente satisfeitas.
Deste modo, as necessidades bá-
sicas correspondem à preservação da 
sobrevivência física que assegura a exis-
tência das pessoas e à garantia da auto-
nomia que possibilita à s pessoas a par-
ticipação social e as escolhas legítimas, 
compreensíveis e democráticas. Com as 
necessidades básicas satisfeitas, todo o 
ser humano pode constituir-se como tal, 
diferindo-se dos animais, e realizar qual-
quer outro propósito socialmente reco-
nhecido (PEREIRA, 2011).
O esporte pode ser considerado 
como direito. Segundo Athayde et al.
(2016), o esporte pode ser considerado 
uma necessidade intermediária e, por-
tanto, é um dos componentes necessá-
rios para alcançar os direitos de cidada-
nia plena. 
As necessidades intermediárias, se-
gundo Doyal e Gough (1991), compõem 
um conjunto de variedades de satisfato-
res (bens, serviç os, atividades, relações) 
que, em maior ou menor grau, podem 
ser utilizados para satisfazer as neces-
sidades básicas. Apesar de universal, 
comum a todos, as necessidades bá-
sicas nã o sã o padronizadas na sua sa-
tisfação. Esses autores identifi cam as 
características de satisfatores que em 
qualquer lugar são reconhecidos como 
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material dos homens e à atuação destes 
como sujeitos, caso as necessidades 
humanas básicas nã o sejam adequada-
mente satisfeitas.
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fatores de melhoria da saúde física e da 
autonomia dos seres humanos.
Portanto, consideramos o esporte 
uma necessidade humana intermediária 
que, complementando as necessidades 
humanas básicas (segurança, alimenta-
ção, saúde, capacidade de tomada de 
decisão, entre outros), fazem parte da 
formação, do desenvolvimento integral 
e do conjunto de direitos humanos.
Desta forma, as Políticas Públicas 
resultam do empenho da população 
para conquistar projetos, programas, 
ações e serviços com o objetivo de aten-
der estas necessidades. Simplifi cando, 
as Políticas Públicas devem atender es-
tas necessidades humanas reconheci-
das pelo Estado e devem ser considera-
das um direito do cidadão. Nos Estados 
democráticos, estes direitos são reco-
nhecidos sem muitas difi culdades.
#FICAADICA
Uma boa dica de leitura é a Tese 
de Doutorado da professora Cás-
sia Damiani, do Programade Pó s-
-graduaç ã o em Ciência do Movi-
mento Humano da Universidade 
Federal do Rio Grande do Sul, inti-
tulado Contradições e tendências 
para a instituição de uma Polí tica 
de Estado de esporte no Brasil 
(2003 a 2015).
O trabalho é recente (2021) e faz 
uma abordagem Política e refl exiva 
sobre a trajetória recente das Polí-
ticas Públicas esportivas no país.
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CARACTERÍSTICAS 
DO ESPORTE COMO 
DIREITO
AConstituição Federal (CF) de 1988, denominada “Constituição Cidadã”, restaurou o Estado de di-
reito democrático em um clima de rede-
mocratização que transcorria em todo 
o paí s. Reconheceu como dever do Es-
tado o fomento das práticas esportivas 
formais e não formais, bem como esta-
beleceu o lazer como um direito social, 
e assim o acesso a ambos deve ser al-
cançado por toda a população brasileira. 
No Art. 217 da CF consta que “É 
dever do Estado fomentar práticas des-
portivas formais e nã o formais, como 
direito de cada um...”. Pela primeira vez, 
a expressão “é dever do Estado” apare-
ce no texto constitucional, referindo-se 
ao esporte. Isso atribuiu ao Estado uma 
responsabilidade sobre o esporte que 
até então inexistia.
Com esse espírito de democrati-
zação abriu-se a possibilidade para a 
ampliação de acesso às práticas espor-
tivas, quando se diferenciou o Esporte 
Educacional e o Esporte de Participa-
ç ã o como práticas esportivas nã o for-
mais e o Esporte de Rendimento como 
prática esportiva formal. Mais recente-
mente, em 2015, o Esporte de Formação 
também foi incluído na “Lei Pelé”.
TÁ NA LEI
Art. 217 da Constituição Federal de 
1998:
É dever do Estado fomentar prá-
ticas desportivas formais e não 
formais como direito de cada um, 
observados:
I - A autonomia das entidades des-
portivas dirigentes e associações, 
quanto à sua organização e funcio-
namento;
II - A destinação de recursos públi-
cos para a promoção prioritária do 
desporto educacional e, em casos 
específi cos, para a do desporto de 
alto rendimento;
III - O tratamento diferenciado para 
o desporto profi ssional e o não 
profi ssional;
IV - A proteção e o incentivo às ma-
nifestações desportivas de criação 
nacional.
§ 1º O Poder Judiciário só admiti-
rá ações relativas à disciplina e às 
competições desportivas após es-
gotarem-se as instâncias da Justi-
ça Desportiva, regulada em Lei.
§ 2º A Justiça Desportiva terá o 
prazo máximo de sessenta dias, 
contados da instauração do pro-
cesso, para proferir decisão fi nal.
§ 3º O Poder Público incentivará o la-
zer, como forma de promoção social.
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a expressão “é dever do Estado” apare-
ce no texto constitucional, referindo-se 
ao esporte. Isso atribuiu ao Estado uma 
responsabilidade sobre o esporte que 
até então inexistia.
zação abriu-se a possibilidade para a 
ampliação de acesso às práticas espor-
tivas, quando se diferenciou o 
Educacional
ç ã o como práticas esportivas nã o for-
mais e o 
 como práticas esportivas nã o for-
 como 
prática esportiva formal. Mais recente-
mente, em 2015, o Esporte de Formação 
também foi incluído na “Lei Pelé”.
TÁ NA LEI
Art. 3º da Lei Pelé (nº 9.615/98)
O desporto pode ser reconhecido 
em qualquer das seguintes mani-
festações:
I - desporto educacional, pratica-
do nos sistemas de ensino e em 
formas assistemáticas de educa-
ção, evitando-se a seletividade, 
a hipercompetitividade de seus 
praticantes, com a fi nalidade de 
alcançar o desenvolvimento inte-
gral do indivíduo e a sua forma-
ção para o exercício da cidadania 
e a prática do lazer;
 II - desporto de participação, de 
modo voluntário, compreenden-
do as modalidades desportivas 
praticadas com a fi nalidade de 
contribuir para a integração dos 
praticantes na plenitude da vida 
social, na promoção da saúde e 
educação e na preservação do 
meio ambiente;
I II - desporto de rendimento, pra-
ticado segundo normas gerais 
desta Lei e regras de prática des-
portiva, nacionais e internacio-
nais, com a fi nalidade de obter 
resultados e integrar pessoas 
e comunidades do país e estas 
com as de outras nações;
IV - desporto de formação, carac-
terizado pelo fomento e aquisição 
inicial dos conhecimentos des-
portivos que garantam competên-
cia técnica na intervenção despor-
tiva, com o objetivo de promover 
o aperfeiçoamento qualitativo e 
quantitativo da prática desportiva 
em termos recreativos, competiti-
vos ou de alta competição.
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Tais manifestações sã o signifi ca-
tivas para o entendimento do conceito 
de esporte e a concepção de “direito” 
que constam na legislação, ao mesmo 
tempo em que se criou a possibilidade 
de ampliação do acesso ao esporte à 
população. Em seu texto, a CF traz o 
esporte como direito de cada um, em 
vez de um direito de todos e todas. Essa 
compreensão abre espaço para uma 
discussão sobre o Estado poder facultar 
o acesso universal ao esporte, ao aten-
der os interesses individuais, conforme 
o desejo de cada um de praticá-lo. 
Na Constituinte, o debate esteve 
sob a infl uê ncia de alguns setores do 
esporte que tinham como questão cen-
tral, naquele momento, a autonomia das 
entidades representativas do Esporte de 
Rendimento, quanto à sua organizaç ã o 
e funcionamento internos. 
Vale destacar que consta também 
na CF orientações sobre a Justiça Des-
portiva, instância existente somente 
no Brasil e que está vinculada ao Es-
porte de Rendimento, uma vez que sua 
atuação é exclusiva a essa manifesta-
ção esportiva.
Percebemos também o enfraqueci-
mento da obrigatoriedade do Estado em 
garantir o acesso ao lazer como um di-
reito social de cidadania. Ao afi rmar que 
o Estado incentivará o lazer, a CF nã o 
aponta para qualquer mecanismo que 
o assegure. 
A legislação infraconstitucional do 
Esporte da década de 1990, composta 
pela “Lei Zico” (no 8.672/1993) e pela 
subsequente “Lei Pelé ” (no 9.615/98), 
infl uenciadas pelo contexto político e 
econômico vigentes nas décadas de 
1990 e 2000, tinha como preocupação 
a modernização do futebol profi ssional 
e a regulamentação dos dispositivos 
constitucionais. 
Na Lei Pelé , essas tendências fi ca-
ram mais evidentes, entre as leis regu-
lamentadas após a CF. Se considerar-
mos as manifestações esportivas que 
vigoram na Lei Pelé , temos as mani-
festações do Esporte Educacional, do 
Esporte de Participaç ã o, do Esporte de 
Rendimento e do Esporte de Formação 
que derivaram da Lei Zico, acrescidas 
da manifestação do Esporte Espetá -
culo. Considerando que a “espetacula-
rização” é característica do Esporte de 
Rendimento, esse acréscimo poderia 
ser entendido como redundante e como 
reafi rmação da tendência à priorização 
do Esporte de Rendimento na Lei. Pos-
teriormente, entretanto, houve exclusão 
da manifestação do Esporte Espetá culo.
Quanto ao conceito de esporte na 
legislação, percebemos que o Esporte 
de Rendimento é o mais regulamen-
tado e com maior predominância de 
dispositivos. Pimentel (2007) diz que 
há uma contradição entre o que consta 
na Lei vigente e o que ocorre na prática, 
pois caberia ao Estado priorizar as ma-
nifestações do Esporte Educacional e 
do Esporte de Participaç ã o, “tendo em 
vista os valores trazidos pela própria le-
gislação: cidadania, democratização e 
a função social do Estado, bem como o 
fato de o Esporte de Rendimento nã o ser 
o mais adequado para atender os refe-
ridos valores” (PIMENTEL, 2007, p.165). 
É importante entender que as 
Políticas Públicas são, na maioria das 
vezes, uma luta e conquista popular, 
mas também pode ser uma concessão 
a partir do olhar dos governantes. É in-
teressante destacar que em regimes 
políticos mais autoritários, com me-
nor participação popular na tomada 
de decisões, os recursos fi nanceiros e 
o acesso às muitas PolíticasPúblicas 
são mais difíceis. 
Dito isto, é importante discutir o 
que é de fato o esporte. Qual a sua real 
importância para a sociedade? Para re-
ver o conceito de esporte, partimos do 
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reconhecimento de que foi um avanço 
constar na CF um conceito que abrange 
diferentes manifestações, além do Es-
porte de Alto Rendimento, e que prioriza 
o Esporte Educacional como dimensã o 
formativa, apesar de admitir que tal pre-
ceito nã o tenha se materializado de for-
ma satisfatória desde a sua sanç ã o. 
Podemos inferir que os conceitos 
das manifestaç õ es esportivas, da forma 
em que foram elaborados e que se apre-
sentaram como um avanço à época, 
nã o expressam, no atual momento, con-
tornos teó ricos claros, inconfundí veis, 
entre si. Tais conceitos mais se parecem 
com enunciados que tentam identifi car 
prá ticas com caracterí sticas diferentes. 
Além disso, com as várias modifi caç õ es 
sofridas pela Lei Pelé , identifi camos um 
amparo maior ao Esporte de Rendimen-
to. Alé m disso, a Lei fragmenta as for-
mas particulares de esporte, o que nã o 
refl ete a forma em que o esporte ocorre, 
na realidade. 
Nas resoluç õ es da II Conferência 
Nacional do Esporte (CNE), realizado 
em 2006, com mais de mil delegados 
representando diversos municípios de 
todas as unidades federativas do Brasil, 
declarou-se que, para a consolidação 
de um Sistema Nacional do Esporte 
(SNE), era preciso entender que as ma-
nifestaç õ es, ou dimensões esportivas, 
“nã o sã o excludentes entre si, mas ar-
ticuladas, de forma equânime, em uma 
estrutura aberta, democrá tica e des-
centralizada, que envolve municí pios, 
estados e Uniã o, nos â mbitos pú blicos 
e privados, primando pela participaç ã o 
de toda a sociedade” (BRASIL, 2009). 
Essas dimensões deveriam e deverão 
estar coerentes com a Política Nacional 
do Esporte (PNE) (BRASIL, 2005), apro-
vada no Conselho Nacional do Despor-
to (CND), em 2005, como resultado da I 
CNE, realizada em 2004. 
Deve-se, portanto, afi rmar, pela atu-
alidade do debate, os preceitos aprova-
dos na PNE, que trazem o entendimento 
do “Esporte como uma Polí tica de Es-
tado, com vistas ao desenvolvimento da 
naç ã o, ao fortalecimento da identidade 
cultural, da cidadania, da autodetermina-
ç ã o de seu povo e que visa à defesa da 
soberania do paí s” (BRASIL, 2005).
O que se pode extrair desse docu-
mento é que, no conceito de esporte 
abordado, o esporte e o lazer sã o tidos 
como dimensõ es insepará veis. Na PNE 
(BRASIL, 2005) e na segunda CNE (BRA-
SIL, 2009), por exemplo, há documentos 
que nos remetem a pensar o conceito de 
esporte de forma unitá ria, sem fragmen-
taç õ es entre o que é entendido como 
Esporte Educacional, Esporte de Partici-
paç ã o, Esporte de Rendimento e Esporte 
de Formação. 
Parece-nos falso a contraposição 
do “Esporte” Educacional e Participaç ã o 
“ao Esporte” de Alto Rendimento como 
polos opostos e excludentes. Para satis-
fazer as necessidades sociais, o Estado 
deve oferecer acesso ao esporte como 
direito de todos, que o acessarão de 
acordo com as suas possibilidades, de-
sejos e condições particulares. 
Portanto, a grande questã o que se 
impõ e é que, na sociedade atual, o es-
porte tornou-se uma mercadoria, e nã o 
um componente inalienável da constitui-
ção humana. É nisto que reside a con-
tradição: o uso que se faz do esporte 
torna-o dividido e, assim, na atualidade, 
determina, condiciona e explora sua 
face competitiva, impondo ní veis cada 
vez mais altos de desempenho, por meio 
de métodos também cada vez mais so-
fi sticados para dele se extrair lucro má-
ximo. Sob esse argumento, já vemos ser 
hipervalorizada e padronizada outra for-
ma particular do esporte, seja lúdica ou 
expressiva, como algumas atividades de 
lazer e de Esporte Educacional que tam-
bém alçou a condiç ã o de mercadoria. 
Enfi m, outras manifestações, além do 
rendimento, podem ser e são exploradas 
como mercadoria, tendo descaracteriza-
das as suas essências.
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Outro esforç o no sentido de discu-
tir e reformular o conceito de esporte 
ocorreu na elaboração da proposta do 
SNE, realizado em 2015, por Grupo de 
Trabalho, amplo e diversifi cado, sob a 
coordenação do Ministério do Esporte 
(ME). Foi um momento de construç ã o 
coletiva e de consolidação da partici-
paç ã o social, aos ní veis mais elevados, 
que tratou da defi nição conceitual do 
esporte. Isso porque assegurou a pre-
sença das principais representações do 
universo esportivo, bem como garantiu 
o conteúdo aprovado nas ediç õ es da 
CNE. Esse esforç o originou um consen-
so possível sobre o conceito de esporte 
construído com o conjunto de forças 
Políticas diversas dos segmentos es-
portivos (BRASIL, 2015). 
Desta forma, no Brasil, é fundamen-
tal a presença do Estado para assegurar 
o acesso aos direitos de cidadania, pro-
movendo Polí ticas Pú blicas de Esporte 
e Lazer, considerando os índices alar-
Fig. 1 - Mapa Mental de Alguns Benefícios da 
Prática Esportiva para a Sociedade
mantes de desigualdade social. Para 
ampliar e atualizar o conceito do espor-
te, coerentes com perspectiva presente 
na PNE e nos documentos referentes ao 
SNE (BRASIL, 2009), podemos admitir, 
com Athayde et al. (2016), que o esporte 
é uma das necessidades humanas que 
devem incidir no rol de direitos sociais 
atendidos pelo Estado, por meio de Po-
lí ticas Pú blicas, na perspectiva da cida-
dania ampliada. 
Talvez uma pergunta central seja 
por que o esporte é considerado um 
pilar básico de uma sociedade e deve 
ser fomentado pelo Estado como Políti-
ca Pública? Acima, é possível observar 
alguns dos benefícios, comprovados 
cientificamente, que demonstra o que a 
prática esportiva pode proporcionar para 
a população (Figura 1). Uma sociedade 
que consiga entender de fato a impor-
tância destes benefícios inclina-se a ser 
uma sociedade mais justa, livre, fraterna, 
igualitária, solidária.
Responsabilidade 
Coletiva
Liderança
Resolução 
de Confl ito Empatia Inspiração Disciplina Foco
Personalidade 
Dinâmica
Objetivos 
Maiores
Certifi cados
Medalhas e 
Troféus
CorpoMente Imunidade
Espiríto de 
Equipe
Desenvolvimento 
Social de Equipe
Comportamento 
de Grupo
Vontade 
de
Vencer
Saúde Física
Atitude
Benefícios dos 
Esporte para a
Sociedade
Instinto de 
Sobrevivência
Esportividade
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Écrucial entender que o Estado é maior do que o governo. O Estado é a estrutura que deve ser adminis-
trada pelas diretrizes do governo, que 
por sua vez é formado por eleitos pelo 
voto popular. 
Partindo-se do conceito ampliado 
de Estado, passamos a tratar da noç ã o 
básica sobre o governo como um todo 
de pessoas que têm autoridade tem-
porária para conduzir, gerir Políticas e 
administrar o Estado. Do ponto de vista 
operacional, o Estado é a organizaç ã o 
polí tica e jurídica que, por meio de um 
esquema institucional, existe em uma 
sociedade, sendo que sua existência 
transcende vá rios períodos de governo. 
A Polí tica de governo conforma-se 
como uma orientação polí tica de um 
determinado governo, que assume e 
desempenha as funç õ es do Estado no 
tempo circunscrito do mandato que 
exerce. Tais polí ticas conjugam um con-
junto de programas e projetos que sã o 
propostos pela sociedade ao longo dos 
tempos (HÖ FLING, 2001). As Polí ticas 
de Estado sã o aquelas que conseguem 
ultrapassar os períodos de um governo. 
O ESPORTE ENTRE AS 
POLÍTICAS DE ESTADO E AS 
POLÍTICAS DE GOVERNO
4
No entanto, o que há de novo sobre a di-
ferenç a dos tipos de polí ticas é a manei-
ra como elas sã o institucionalizadas. 
Uma Política de Estado tem que 
estar assentada e reconhecida como di-
reito, constar na CF. Isto é fundamental,pois se esta não for reconhecida como 
direito, pode ser retirada a qualquer mo-
mento, e o que está descrito na CF pode 
ser reivindicado pela sociedade a qual-
quer momento. 
O que não está na Constituição, 
mesmo que se reivindique, não existe 
uma base legal que a sustente. Então, 
por exemplo, no caso do Brasil, num 
possível governo autoritário, mínimo, 
por exemplo, por mais que os dirigentes 
queiram retirar a saúde ou o esporte da 
população, não seria possível, pois saú-
de e esporte são reconhecidos como 
necessidades e direitos estabelecidos 
na Constituição.
Portanto, as Polí ticas de Estado nã o 
sã o descontinuadas, quando há alter-
nância de governos ou de governantes, 
devendo ser compulsoriamente cum-
pridas por eles, porque exigiram o en-
volvimento de vá rios setores e ní veis de 
poder para a sua consecução e a apro-
vação por meio de instrumentos legais. 
Existem alguns mecanismos de 
permanência, categorias, para estabe-
lecer as Políticas de Estado, presentes 
no estudo de Damiani (2021). As condi-
ç õ es necessá rias para a Polí tica de Es-
tado de Esporte sã o as categorias cap-
tadas e adensadas a partir das alusões 
e referê ncias presentes na literatura 
sobre os atributos que constitui uma 
Polí tica de Estado. 
São 7 (sete) as categorias que apon-
tam as condições necessárias para uma 
Polí tica de Estado de Esporte, a saber: 
(1) ser relevante* 
(2) permanente*
(3) contínua* 
(4) sustentável** 
(5) abrangente** 
(6) democrática** e 
(7) estruturada***
(*) MELO, 2007; OLIVEIRA, 2011; MEZZADRI, 
2011; ALMEIDA, 2018; CASTELLANI FILHO, 2019.
(**) BOSCHETTI; BEHRINGER, 2011; CARNEIRO; 
MASCARENHAS, 2018.
(***) SANTOS, 2013; MENDES; CODATO, 2015; 
ALMEIDA, 2018.
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A Política Relevante deve ser en-
tendida como uma necessidade tão evi-
dente para a vida da população que esta 
deve estar garantida na CF como uma 
Política de Estado. Ou seja, quando há 
o reconhecimento do direito ao esporte 
como uma necessidade humana a ser 
satisfeita pelo Estado que, por meio de 
um consenso ativo, conste como um 
valor proeminente da sociedade. Ade-
mais, ela contribui como propulsora do 
desenvolvimento cultural, social e eco-
nômico do paí s.
A Política Permanente signifi ca que 
um conjunto de leis infraconstitucionais 
(por exemplo: Lei Pelé, Lei do Bolsa Atleta, 
Lei de Incentivo ao Esporte, Estatuto do 
Torcedor) devem assegurar que o direito 
seja consolidado como Política Pública 
perene, com garantias irrefutáveis do 
direito ao esporte, sendo resistentes às 
alternâncias de poder dos governos, por 
terem conquistado institucionalidade na 
sociedade. Por isso, permanece por mui-
tos anos, independente do governo que 
está no poder, nã o podendo ser extinta 
ou ter a sua essê ncia alterada, mesmo 
com mudanças advindas das disputas 
presentes no percurso. Podemos ter, 
como exemplo, o Programa Bolsa Atle-
ta que, pela importância, tornou-se Lei, e 
oferece um valor em dinheiro diretamen-
te ao atleta que alcança os critérios pre-
vistos, garantindo condições para a sua 
manutenção e treinamento, de acordo 
com categorias, desde o atleta escolar 
até o atleta de alto rendimento. Tais pro-
gramas são tão importantes na disputa 
de recursos que são replicados em leis 
de vários estados e municípios.
VOCÊ SABIA?
Em 2003, foi criado o  Ministério 
do Esporte (ME). 
Com uma pasta específi ca no go-
verno federal, a gestão do esporte 
ganhou mais autonomia e diver-
sos programas. Três anos após 
a criação do ME, a Lei de Incen-
tivo ao Esporte (nº 11.438/2006) 
foi aprovada. Essa Lei seguiu os 
mecanismos de incentivo da Lei 
Federal de Incentivo à Cultura 
(Rouanet) e da Lei do Audiovisu-
al, que já haviam sido testados. 
Hoje,  pessoas físicas que  decla-
ram o Imposto de Renda podem 
incentivar o esporte com até 7% 
do seu imposto e empresas com 
até 2% do imposto devido.
A Polí tica Contínua é aquela com 
capacidade de seguir de forma conse-
cutiva e que, independentemente da 
vontade do governante, nã o seja inter-
rompida devido à sua relevância social e 
aos mecanismos e dispositivos legais 
que asseguram a sua continuidade. 
Isto é, ocorre quando as propriedades 
inerentes aos planos, programas, pro-
jetos e aç õ es sã o ininterruptas e cons-
tantes, asseguradas por meio de meca-
nismos democráticos com pactos entre 
os outros setores de polí ticas sociais e 
outros entes federados com garantias 
legais. Sã o polí ticas com alta capacida-
de de transversalidade e intersetoriali-
dade e de estabelecer relações com di-
versos ní veis federativos. São exemplos 
dessa Política, programas federais de 
inclusão social, denominados Progra-
ma Segundo Tempo (PST), voltado à 
formação esportiva para crianças e jo-
vens, e o Programa Esporte e Lazer da 
Cidade (PELC), orientado em atividades 
lúdicas e formação de lideranças es-
portivas, nos estados e municípios, por 
meio de parcerias.
Para se assegurar uma Polí tica 
Sustentável, fi nanceiramente é preciso 
instituir mecanismos que perenizem o 
fl uxo dos recursos pú blicos, e isso não 
está seguro pelo orçamento discricioná-
rio, devendo ocorrer por meio de um fun-
do nacional público e fundos estaduais/
municipais e de indexação de percentu-
al orçamentário ao Orçamento Geral da 
Uniã o destinado ao esporte. É também 
importante outras medidas que imple-
mentem formas de ampliação e diversi-
fi cação, como as leis de incentivo ao es-
porte, o patrocínio de empresas estatais 
e privadas, recursos advindos de loterias 
esportivas, entre outras que possibilitem 
crescimento ou manutenção do volume, 
sufi cientes e compatíveis para a cober-
tura dos benefícios devidos às Polí ticas.
Entretanto, a Política Sustentável 
deve ter também o reconhecimento da 
iniciativa privada. Em vários países do 
mundo, além do Estado, a iniciativa pri-
vada disponibiliza muito recurso para o 
esporte, tendo um impacto signifi cativo 
no Produto Interno Bruto (PIB). Assim, 
uma Política só pode ser consolidada 
de forma mais direta, se tiver um fundo 
independente, com regras, voltada para 
a maioria da população, sendo que este 
fundo deve garantir as atividades que não 
sejam atrativas para a iniciativa privada. 
Para se considerar uma Política de 
Estado, também é preciso ser uma Po-
lítica Abrangente. O principal dado que 
compõe esse indicador é o nú mero de 
pessoas benefi ciadas. Assim, esse in-
dicador deve sempre ser relacionado ao 
universo a que a polí tica e/ou programa 
deveria se destinar. Então, quando há 
um programa com todas as caracterís-
ticas de uma Política universal, mas esta 
não consegue atingir um percentual mí-
nimo do universo existente, isto é um de-
nominador para indicar que não houve 
consolidação desta Política. 
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A Política Democrática é reconheci-
da quando por um lado está organizada 
de forma multidimensional, que abrange 
diversos segmentos e a diversidade hu-
mana com relações intercomunicantes 
e, por outro, deve incorporar mecanis-
mos de interlocução e participação da 
sociedade para o estabelecimento de 
ações, assegurando o controle social. 
Os princípios da gestão democrá-
tica podem ser observados sob dois 
aspectos:
1º aspecto: refere-se à democrati-
zação da gestão, ou seja, a participação 
popular nas decisões do rumo da Polí-
tica. O que não indica, necessariamen-
te, que haverá intervenção na gestão do 
órgão administrador. O que importa é 
que a opinião da população vai pesar 
na decisão sobre o rumo da Política e 
na sua avaliação, com a realização de 
conferências nacionais, estaduais e mu-
nicipais, e, quando existentes, conselhos 
paritários e deliberativos, fóruns de de-
bates, entre outros. 
2º aspecto: diz respeito à demo-
cratização do acesso baseado na di-
versidade humana. Ou seja, que envolva 
idosos, crianças, adolescentes,adultos, 
pessoas com deficiência, mulheres, ne-
gros, LGBTQIA+ e outros segmentos da 
sociedade que devem ter acesso às Po-
líticas Públicas.
Um outro aspecto que caracteriza 
uma Política de Estado é que esta deve 
ser uma Política Estruturada, assentada 
no comando único de um órgão público 
próprio, com estrutura administrativa 
e quadro de servidores suficiente para 
formular, implementar e acompanhar a 
Política Pública, além de deter o plane-
jamento que garanta a sua continuidade 
ao longo do tempo. É muito importante 
ter uma estrutura forte. Por exemplo, 
recentemente, o Ministério do Esporte 
(ME), criado em 2003, foi extinto e redu-
zido à condição de Secretaria Especial 
do Esporte, dentro do Ministério da Ci-
dadania, e com isto houve redução drás-
tica do orçamento e, consequentemen-
te, a pulverização de vários programas 
que eram oferecidos. Atualmente, o ME 
foi recomposto e, com isto, temos uma 
retomada da trajetória para consolida-
ção das Políticas Públicas do Esporte.
SAIBA MAIS
A ciência já confirmou que o es-
porte é um fenômeno humano 
que proporciona diversos benefí-
cios para uma sociedade. 
Sua prática regular traz inúmeras 
vantagens para a vida e para a 
saúde (combate à violência; pro-
moção de saúde, prevenção e re-
abilitação de doenças, inclusive 
mentais; ganhos na capacidade 
de raciocínio e na função cogni-
tiva), em todas as suas dimen-
sões, naqueles em quem o prati-
ca, formando cidadãos críticos e 
colaboradores. Por isto, através 
do esporte, ocorre melhoria na 
qualidade de vida da população, 
sendo esse o motivo da sua im-
portância como Política Pública.
Em síntese, uma Política Pública 
para se tornar relevante, permanente, 
contínua, sustentável, abrangente, de-
mocrática e estruturada, tem que estar 
na Constituição, tem que ter força de Lei 
e ter movimentos sociais de luta para a 
consolidação do direito ao esporte, com 
entregas valorosas e ininterruptas de Po-
líticas à sociedade brasileira (Figura 2).
BOAS PRÁTICAS
O Centro de Liderança Pública 
(CLP), uma organização suprapar-
tidária, entende que Boas Práticas, 
dentro do conceito de Políticas 
Públicas, são atividades gover-
namentais que devem necessa-
riamente gerar resultados e alto 
impacto. Assim, elas devem ser 
replicáveis, consistentes, adaptá-
veis e com a facilidade de utilizar 
novos recursos e metodologias 
(https://www.clp.org.br).
Fig. 2 - Categorias 
Necessárias para Política 
de Estado de EsporteEstruturada
Abrangente
Sustentável
Contínua
Permanente
Relevante
Democrática
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CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
Como refl exões sobre o texto, evi-dencia-se que as Políticas de Es-tado são necessárias para atender 
aos interesses da maioria da população. 
Percebe-se que é relevante a articulação 
entre setores públicos e privados, pois 
as entregas não devem ser somente de 
responsabilidade do Poder Público para o 
fortalecimento das Políticas Públicas de 
uma área, como o esporte. Outro aspecto 
que deve ser observado é a importância 
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a instituição de uma polí tica de estado de es-
do planejamento das Políticas Públicas 
a partir de diagnósticos situacionais; le-
vantamento das condições estruturais, 
físicas, fi nanceiras; acesso aos sistemas 
informacionais e a pessoas qualifi cadas. 
É importante também o equilíbrio entre 
as várias manifestações esportivas na 
elaboração das Políticas Públicas. 
Por fi m, é interessante destacar a per-
tinência de Políticas democráticas para 
uma sociedade mais justa e igualitária.
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Cássia Damiani
Doutora em Ciências do movimento humano pela UFRGS, Mestre em Edu-
cação pela UFC, Licenciada em Educação Física pela UFMT, Professora As-
sociada 1 do Instituto de Educação Física e Esporte da UFC. Foi gestora do 
Ministério do Esporte (2005 a 2016), coordenou o Diagnóstico Nacional do 
Esporte e edições da ConferênciaNacional do Esporte, autora de várias publi-
cações sobre políticas públicas de esporte. Atualmente é Secretária Nacional 
de Esporte Educacional, Lazer e Inclusão Social, do Ministério do Esporte.
AUTORES
ILUSTRADOR
Adriano César Carneiro Loureiro
Pós-doutor em Fisiologia pela UFRJ, Doutor em Ciências (Fisiologia) pela 
UFRJ, Mestre em Ciências Fisiológicas pela UECE, Graduado em Educação 
Física pela UNIFOR, Professor Adjunto da UECE, Membro da Comissão de Edu-
cação Física e Saúde do CREF5 e ex-Conselheiro do CREF5, Membro do Time 
do Brasil em 3 Olimpíadas (Atenas, Pequim e Tóquio). Atualmente é Superin-
tendente do Centro de Formação Olímpica (CFO).
Carlus Campos
Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na pro-
dução de suas ilustrações, utiliza várias linguagens como: desenho, pintura, 
aquarela, gravura e fotografi a. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos 
prêmios com arte gráfi ca, fez incursões pelas artes plásticas participando de 
diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço 
em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRAFIKA .Em 2019 fun-
da, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft.
Apoio: Patrocínio: Realização:
CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO
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Pedagogia
do Esporte
Antônio Ricardo Catunda de Oliveira
Lívia Marques Quixadá
2
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
19
CONCEPÇÕES PARA O ENSINO 
E FORMAÇÃO HUMANA PELA 
PEDAGOGIA DO ESPORTE
20
31
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O QUE É A PEDAGOGIA DO 
ESPORTE?
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1. APRESENTAÇÃO
1
Ao participar deste curso já deu um 
grande passo, pois se permitiu atualizar-
-se de práticas pedagógicas e rever as 
decisões didáticas, bem como ampliar 
suas possibilidades de utilização do es-
porte como uma preciosa e eficaz ferra-
menta sociocultural. É preciso valorizar 
a formação contínua para que seja capaz 
de proporcionar uma reviravolta nos am-
bientes diversos onde o esporte está pre-
sente, como: a escola, os projetos sociais, 
os clubes esportivos, os espaços de lazer, 
os centros de formação para atletas de 
alto rendimento, entre outros.
Assim, espero que ao concluir o mó-
dulo você possa demonstrar conheci-
mentos sobre os valores educativos do 
esporte para o desenvolvimento integral 
e para a formação humana; compreender 
como os processos aplicados por meio 
das estratégias encontradas nas diversas 
metodologias de ensino podem ser facili-
tadores para que se pratique o ensino de 
qualidade e a aprendizagem significativa; 
reconhecer na Pedagogia do Esporte uma 
forma de ensinar para a autonomia, para 
competência motora, para a compreen-
são, motivação, participação ativa e reco-
nhecimento do esporte como catalisador 
de competências para a vida e mundo do 
trabalho; utilizar a competição como for-
ma de educar para o respeito às regras, 
para a superação, vencer desafios, apren-
der a lidar com as alegrias e frustrações, 
demonstrar empatia, perseverança; ser 
capaz de planejar uma aula ou treina-
mento utilizando estratégias inovadoras 
e eficazes para a aprendizagem dos alu-
nos e atletas.
O esporte é um dos grandes aliados da educação de crianças e adoles-centes. 
A ONU faz uso regular dos valores 
mobilizadores do esporte para realizar 
missões em ações que englobam a me-
lhoria da saúde e da educação, opor-
tunidades de geração de empregos e a 
promoção da tolerância e respeito pelos 
direitos humanos (Unesco, PNUD, Unicef). 
Pensar o desenvolvimento de uma abor-
dagem contemporânea e pedagógica do 
esporte requer a compreensão de que 
seu uso se dá como ferramenta, logo, re-
quer a intervenção humana qualificada.
Para a formação integral das novas 
gerações, por meio do esporte podemos 
desenvolver valores éticos e morais para 
a participação social, a solidariedade, a 
disciplina, a cooperação entre iguais e 
diferentes e o espírito de equipe, dentre 
outros, desde que trabalhados com essa 
intencionalidade, visto que, o esporte em 
si não desenvolve esses aspectos. O es-
porte poderá, desde que assuma a inten-
cionalidade quando está sendo ensinado, 
contribuir para o desenvolvimento de ha-
bilidades distintas, pois trata-se de uma 
manifestação social e cultural complexa 
e multifacetada, tendo a necessidade de 
ser abordada didática e pedagogicamen-
te para que prevaleça referenciais técni-
co, tático e socioeducativo (RODRIGUES et 
al., 2013). 
É com esse olhar que o(a) convido a 
fazer um exercício que requer adaptabili-
dade e flexibilidade de pensamento, pois 
você fará uso de conhecimentos para 
ampliar a compreensão e a capacidade 
de intervir nesse cenário recheado de 
imprevisibilidade, desafios e conquistas. 
Você se sente preparado? 
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VOCÊ SABIA?
A prática esportiva desenvolve 
respeito, liderança, tolerância, 
persistência, paciência, cumpri-
mento às regras e o jogo limpo, 
portanto, saber ganhar ou perder 
sem impor suas alegrias ou frus-
trações aos adversários (TUBINO, 
2017). Quando bem desenvolvido, 
o esporte melhora a saúde e com-
bate o sedentarismo, melhora a 
postura e aumenta a consciência 
corporal, a imunidade e a resis-
tência muscular, e desenvolve a 
coordenação motora e o sistema 
cognitivo, melhorando o desem-
penho em todas as disciplinas. 
Auxilia no desenvolvimento car-
diorrespiratório, circulação san-
guínea, oxigenação do cérebro, no 
combate ao estresse e à ansie-
dade e proporciona sensação de 
bem-estar.
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CONCEPÇÕES PARA O 
ENSINO E FORMAÇÃO 
HUMANA PELA 
PEDAGOGIA DO ESPORTE
O momento atual do Brasil é favorá-vel ao desenvolvimento do esporte por meio das políticas públicas que 
geram programas e projetos capazes de 
atender as camadas menos assistidas da 
população, com a retomada de um Minis-
tério exclusivo para o desenvolvimento de 
ações e com uma gestão que torne o es-
porte acessível a toda a população.
Essas intenções se dirigem direta-
mente a você que é professor de educa-
ção física e/ou participa de programas 
e projetos na área esportiva, em que a 
dimensão educacional não privilegia 
apenas o treinamento dos gestos e fun-
damentos esportivos para os mais ha-
bilidosos. Concebido na perspectiva de 
uma prática pedagógica de qualidade, 
o esporte ensina muito mais que mo-
vimentos e técnicas, proporcionando a 
alunos(as) e atletas o desenvolvimento 
de conhecimentos, habilidades e compe-
tências que ampliam a capacidade para 
a tomada de decisão, resolução de pro-
blemas, pensamento estratégico, valori-
zação de objetivos coletivos, convivência 
pacífica com as diferenças, formação de 
uma cultura de paz, cidadania ativa, além 
da aquisição de valores como justiça, so-
lidariedade e respeito, essenciais para a 
convivência humana. 
Para que a Pedagogia do Esporte seja 
eficaz, uma premissa é que haja a parti-
cipação inclusiva de todos, o tempo todo 
e de todas as formas nas diversas etapas 
do ensino. Os participantes agem sobre a 
sua própria aprendizagem, analisando as 
melhores opções e formas de realização 
e aplicação do que aprendem durante as 
aulas ou treinos, desenvolvendo, inclusi-
ve, uma visão tática e estratégica de jogo. 
Esse aspecto merece destaque ao trazer 
ações pedagógicas centradas na aprendi-
zagem e inclusão dos alunos. Você con-
corda com essa afirmativa? Esses fun-
damentos pedagógicos se alinham com 
os seus? Como lida com a aplicação dos 
métodos de ensino?
SEJA CURIOSO(A)
Busque, inicialmente, o máximo de 
informações por meio de recursos 
como livros ou tecnologias digitais 
sobre o que é Pedagogia do Es-
porte. Importante o conhecimento 
prévio e o hábito de pesquisar.
No livro Recomendação para a Edu-
cação Física Escolar, publicação do Con-
selho Federal de Educação Física/Confef 
(CATUNDA, LAURINDOe SARTORI, 2014), 
essas ações são destacadas ao recomen-
dar para os professores: 
(1) Reconhecer que todos os alunos po-
dem aprender, e que todas as diferenças 
podem ser compreendidas; 
(2) Atender a todos os alunos, respeitan-
do suas diferenças e estimulando-os ao 
maior conhecimento de si e de suas po-
tencialidades, num exercício de ética e 
cidadania; 
(3) Adotar um modelo ativo e inclusivo de 
ensino, que busca o desenvolvimento da 
autonomia, cooperação, participação so-
cial e afirmação de valores e princípios 
éticos e democráticos, qualificando os ní-
veis de aprendizagem; 
(4) Ter a devida consciência e competên-
cia para que as práticas não sejam exclu-
sivas, onde se privilegia os “talentosos” 
em detrimento dos “menos habilidosos”.
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O QUE É?
Cidadania Ativa
Exige a possibilidade da partilha 
entre os elementos de uma comu-
nidade, com benefício mútuo, mas 
também em prol de uma ideia de 
sociedade que se quer promover 
(DARMANIN, 2012). Tomando o 
“Ser Ativo” como o objeto e alvo 
da Educação Física, isso supõe ter 
iniciativa, com decisão, por boas 
causas, sempre enquadradas por 
valores, pressupondo uma dimen-
são atitudinal que se contrapõe à 
inércia, apatia e indolência (SO-
BRAL LEAL, 2016). Implica a dis-
ponibilidade e o desejo individual 
para assumir responsabilidades 
para com o seu desenvolvimento 
pessoal, do meio ambiente, e o da 
sociedade em que se integra.
FICA A DICA
Pedagogia dos Esportes: 
Jogos Coletivos de Invasão
https://www.youtube.com/wat-
ch?v=Pcz4Zb0mKl4
Esporte: um grande aliado 
da educação
https://www.youtube.com/wat-
ch?v=QGX9UhE-7kw
Você está sendo convidado(a) a par-
ticipar de uma viaGem pela Pedagogia 
do Esporte, iniciando pela compreensão 
do valor da Educação, do Professor e da 
Educação Física, como os três pilares in-
tervenientes nesse processo. 
2.1. A Educação
É um processo contínuo para o desen-
volvimento humano e se consolida como 
uma ação social e parte da vida do ser 
humano. Assim sendo [...] qualquer coisa 
que se espere dos jovens quando adul-
tos, deve ser vivida na escola (Dewey). 
A educação funda-se precisamente na 
preocupação de enraizar uma cultura de 
apreço, de valorização e fruição da vida, 
afirma Bento (2015), que relaciona aspec-
tos próprios do esporte à educação, iden-
tificados como um princípio educacional 
a existência do movimento, suor, esforço, 
gols, cestas, pontos, arremessos. Quando 
se corre, salta e luta. Quando agir, fazer 
e experimentar são os verbos preferidos. 
Quando se enfrentam e ultrapassam bar-
reiras e obstáculos. Quando os corpos 
grandes, pequenos, gordos e magros, 
forte e débeis, velozes e lentos são iguais 
no gosto pela ação e pelo uso do esporte. 
Quando há desejo, gosto e oportunidade 
de exercitar e aprender. Quando se vence 
receios, complexos e medos. Quando há 
otimismo e empenho. Tudo isto contribui 
para que, assim como a educação, a prá-
tica esportiva se torne uma necessidade 
vital. E isto é possível! 
https://www.youtube.com/watch?v=Pcz4Zb0mKl4
https://www.youtube.com/watch?v=Pcz4Zb0mKl4
https://www.youtube.com/watch?v=QGX9UhE-7kw
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tiva, as inteligências múltiplas, a ética e a 
estética. A distribuição de papéis, o conví-
vio com as regras, a relação estabelecida 
entre a vitória e o fracasso e, por fim, a 
rivalidade e a cooperação cultivam valo-
res e comportamentos condizentes com 
as próprias bases democráticas da so-
ciedade contemporânea (Unesco, 2013). 
O esporte, devido ao seu potencial para 
o desenvolvimento individual e coletivo, 
é componente essencial para uma edu-
cação de qualidade. Por outro lado, sua 
inobservância ergue barreiras ao fortale-
cimento do tecido social. (Unesco, 2015).
2.3. A Educação Física
A educação física integra os currículos 
desde que a escola foi criada. Existem 
referências sociais e culturais da educa-
ção física no cotidiano de todos os paí-
ses que constituem representações das 
atividades físicas e esportivas, conferin-
do siginificado social, o que lhe impõe a 
condição de legitimada e parte obriga-
tória nos currículos. A educação física 
escolar promove circunstâncias socioe-
ducativas para a formação de jovens fi-
sicamente ativos, capazes de optar por 
uma vida saudável, participar de ativida-
des socialmente relevantes, como o es-
porte, apresentar uma boa autoestima e 
motivação, um maior engajamento como 
cidadã e cidadão, além de proporcionar 
maiores níveis de aprendizagem em to-
das as disciplinas escolares (CATUNDA, 
MARQUES, 2017).
Para o desenvolvimento do esporte 
nas aulas, o protagonismo do aluno deve 
ser real e desafiador, independentemente 
do cenário onde as atividades serão de-
senvolvidas. Com uma intensa interação 
proposta pelos professores, o rompimento 
com o modelo de ensino tradicional, cen-
tralizado no conhecimento e pensamen-
to do professor, aos poucos dá lugar ao 
modelo ativo e reflexivo de ensino, onde o 
aluno, sob mediação atenta e qualificada, 
produz conhecimento e relaciona o que 
aprende como algo significativo e aplicável 
em sua realidade.
Quando aprende as atividades mo-
toras para o esporte, dando o devido 
significado e aplicando-as dentro da im-
previsibilidade com tomada de decisões 
positivas e exitosas, o(a) aluno(a) ou atle-
ta adquire confiança e motivação para 
uma prática esportiva vitalícia. Para uma 
aprendizagem do esporte que valoriza 
os processos educativos, os professores 
agem pela Pedagogia do Esporte. Você 
a conhece? Pois é o que vamos discutir 
nesse módulo, visando ampliar suas pos-
sibilidades didáticas.
2.2. O Professor
O professor pertence à corporação mais 
necessária, generosa e civilizadora de 
quantos que trabalham para satisfazer 
as exigências de um estado democrá-
tico (SAVATER). Pensar uma Pedagogia 
para o Esporte como atividade multicul-
tural impõe sensibilizar e qualificar os 
professores de educação física e técni-
cos desportivos. O esporte é capaz, sob 
orientação especializada, de confrontar 
os participantes com desafios capazes de 
contribuir para o desenvolvimento de ha-
bilidades e competências motoras, poten-
cializar a relação interpessoal e socioafe-
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A Pedagogia do Esporte, para Sca-glia (2014), tem como objeto de estudo e intervenção o processo 
de ensino, vivência, aprendizagem e 
treinamento do esporte, promovendo um 
conhecimento significativo a respeito da 
organização, sistematização, aplicação 
e avaliação das práticas esportivas em 
diversos sentidos e manifestações. São 
ações e intervenções com exigências 
pedagógicas, com a intencionalidade da 
resolução das relações entre teoria e prá-
tica. E sintetiza: “A Pedagogia do esporte 
assume o porquê, o para que, o que e o 
como ensinar esporte em diferentes ce-
nários para distintas faixas etárias”.
Oriunda da Pedagogia Geral e das 
Ciências do Desporto, a Pedagogia do Es-
porte visa compreender, à luz pedagógi-
ca, as diferentes formas de manifestação 
do esporte. É responsável por estudar as 
possibilidades intencionais e funcionais 
da educação por meio do movimento, do 
jogo e do esporte (FERREIRA, 2009). As-
sim, como uma área que interpreta numa 
perspectiva pedagógica as práticas es-
portivas, ocupa-se dos seus movimentos, 
dos jogos e dos aspectos que permeiam o 
ensino, a aprendizagem, o treino, a com-
petição (BENTO, 2006).
O QUE É A PEDAGOGIA 
DO ESPORTE?
PARA REFLETIR
Qual seu posicionamento sobre a 
competição?
Especialmente da Educação Fí-
sica, têm-se apontados os bene-
fícios da atividade esportiva na 
infância, ao mesmo tempo que 
também alertam para o aspecto 
demasiadamente competitivo, 
muitas vezes imputado a essa 
prática. No entanto, por acreditar 
que o esporte favorece o desen-
volvimentohumano, ele pode ser 
considerado como importante ele-
mento da cultura, com relevância 
nos programas educativos, mas 
também como um elemento de 
comparação, seleção e competi-
tividade, que conduz, em certas 
circunstâncias, a excessos, sub-
metendo as crianças, durante a 
atividade esportiva, a assumir 
responsabilidades de adultos 
para as quais elas podem não es-
tar preparadas.
3
Continua Scaglia (2014), lançan-
do mão de conhecimentos específicos, 
como: Sociologia, Psicologia do Esporte, 
Aprendizagem Motora, Biomecânica, Teo-
rias e Métodos de Ensino, a Pedagogia do 
Esporte permite reflexões sobre o ensino 
e a aprendizagem dos gestos esportivos, 
das relações interpessoais, como tam-
bém das questões técnicas, táticas, fisio-
lógicas e motoras. A Pedagogia do Espor-
te aborda o mesmo enquanto fenômeno 
sociocultural, e seu trato pedagógico é 
defendido a partir de três referenciais: o 
técnico-tático, o socioeducativo e o histó-
rico-cultural.
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TÉCNICO-TÁTICO SOCIOEDUCATIVO HISTÓRICO-CULTURAL
 ÎEstratégias; 
 ÎAspectos táticos ofensivos, 
defensivos e de transição;
 ÎHabilidades motoras gerais; 
 ÎFundamentos especializados; 
Capacidades biomotoras.
 ÎPromover a discussão de 
princípios, valores e modos de 
comportamento; 
 ÎPropor a troca de papéis ao 
colocar-se no lugar do outro 
(empatia); 
 ÎPromover a participação, 
inclusão, diversificação, a coe-
ducação e a autonomia; 
 ÎConstruir um ambiente favo-
rável para desenvolvimento de 
relações intrapessoais e inter-
pessoais (coletivas); 
 ÎEstabelecer relações entre o 
que acontece na aula de es-
portes com a vida em comu-
nidade.
 ÎHistória das modalidades es-
portivas; 
 ÎEvolução das modalidades; 
 ÎRegras e contexto de suas 
alterações; 
 ÎPrincipais competições em 
nível local, regional, nacional e 
internacional; 
 ÎPersonalidades de cada mo-
dalidade; 
 ÎOutros saberes necessários 
para a compreensão da mo-
dalidade.
O que será definidor para que haja 
motivação, compreensão e conhecimento 
do esporte como atividade multicultural 
capaz de influenciar a formação integral 
das crianças e adolescentes é a condição 
de que os professores e técnicos primem 
por uma qualificação permanente, que 
possibilite a transposição didática do que 
é ensinado para a aplicação cotidiana. 
Que transformem atitudes e comporta-
mentos, promovendo aprendizagem sig-
nificativa para que alunos(as) e atletas 
consigam valorizar o que foi aprendido 
por encontrar relação direta com a apli-
cação no campo real, bem como para o 
desenvolvimento de suas capacidades.
Fonte: Adaptado de Galatti, Darido e Paes (2010), Machado (2012) e Machado, Galatti e Paes (2014)
SAIBA MAIS
Transposição Didática dos Saberes
Uma ideia originária do sociólogo 
Michel Verret (1975) se concretiza 
como um conjunto de ações que 
torna um saber sábio em saber 
ensinável: “Um conteúdo do sa-
ber que foi designado como saber 
a ensinar sofre, a partir daí, um 
conjunto de transformações adap-
tativas que vão torná-lo apto para 
ocupar um lugar entre os objetos 
de ensino. O trabalho que transfor-
ma um objeto do saber a ensinar 
em objeto de ensino é denominado 
de transposição didática” (CHE-
VALLARD, 2001: 20).
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Um Imperativo: O esporte só será 
praticado se for devidamente ensinado e 
aprendido. A aprendizagem não ocorrerá 
de forma natural, precisando de estímu-
los específicos e sob orientação do pro-
fissional de educação física, em um pro-
cesso que se inicia na escola nas aulas de 
educação física e poderá se estender na 
participação em projetos e programas so-
ciais, centros de treinamento, clubes es-
portivos ou fazer parte de um lazer ativo.
SAIBA MAIS
Princípios da Pedagogia dos 
Esportes Coletivos
https://www.youtube.com/wat-
ch?v=QRBHRD5i5jM
Pedagogia do Esporte – Prof. Dr. 
Ademir Costa
https://www.youtube.com/wat-
ch?v=6Omw07GwSXI.
Pedagogia do Jogo na Educação 
Física Escolar - Prof. Dr. Scaglia
https://www.youtube.com/wat-
ch?v=WDU_VD-QpA8
IMPORTANTE
Em trabalhos de iniciação esporti-
va não se pode simplesmente copiar 
modelos de propostas de atividades 
ou de qualquer programa de treina-
mento, pois, são universos diferentes. 
A Pedagogia do Esporte que funda-
menta a orientação esportiva deve 
cuidar para que não seja projetado 
aos iniciantes um modelo ideal de 
atleta que desrespeite as caracterí-
siticas individuais e os sonhos dese-
nhados pelos integrantes.
3.1. Por qual razão a 
Pedagogia do Esporte 
tem na escola um espaço 
privilegiado?
 Î A maioria dos escolares (80%) se 
concentra nas instituições públicas, 
tendo neste ambiente o único espaço 
para a prática orientada e aprendiza-
gem significativa pelo esporte; 
 Î Todos os jovens frequentam obriga-
toriamente a escola; 
 Î Na escola estão os profissionais qua-
lificados para a educação dos jovens; 
 Î A idade escolar representa o me-
lhor período crítico de aprendizagem 
para aquisição de habilidades e com-
petências motoras e sociais; e 
 Î Na escola existe a disciplina de Edu-
cação Física, parte integrante e obri-
gatória do currículo, sendo espaço 
considerado ideal para programas 
com objetivos educativos por meio 
do esporte (CATUNDA, 2015; MAR-
QUES, 2010, MARTINS, 2014).
FIQUE POR DENTRO...
Esporte Educação
https://www.youtube.com/watch?-
v=DbXQmW1wX-U
 
SE LIGA
Orientação pedagógica aos pro-
fessores e técnicos: parte do seu 
olhar cuidadoso e sábio sobre os 
intertesses e as necessidades de 
cada aluno ou atleta, das carac-
terísiticas específicas correspon-
dentes a cada fase da vida espor-
tiva, da compreensão de como o(a) 
aluno(a) aprende e da interpreta-
ção de uma avaliação processual.
https://www.youtube.com/watch?v=QRBHRD5i5jM
https://www.youtube.com/watch?v=QRBHRD5i5jM
https://www.youtube.com/watch?v=6Omw07GwSXI
https://www.youtube.com/watch?v=6Omw07GwSXI
https://www.youtube.com/watch?v=WDU_VD-QpA8
https://www.youtube.com/watch?v=WDU_VD-QpA8
https://www.youtube.com/watch?v=DbXQmW1wX-U
https://www.youtube.com/watch?v=DbXQmW1wX-U
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3.2. Fases dos Movimentos 
Especializados Necessário 
para o Ensino dos Esportes
Sendo a fase reconhecida como madu-
ra para a aprendizagem dos esportes, 
Gallahue (2005) dividiu esta importante 
etapa da vida em estágios:
3.2.1. Estágio Transitório
A partir de 7 anos, a criança começa a 
combinar e aplicar habilidades motoras 
fundamentais ao desempenho especiali-
zado. A família e professores(as) devem 
ajudar as crianças a aumentar o controle 
e competência motora em inúmeras ati-
vidades. Há apenas aplicação dos mo-
vimentos fundamentais de forma mais 
específica e complexa. As crianças estão 
muito ativas e não se deve restringir os 
movimentos.
3.2.2. Estágio de Aplicação: 
Ocorre entre 11 e 13 anos, provocando mu-
danças interessantes. A criança demons-
tra maior satisfação cognitiva, já apresen-
tando a capacidade de tomar decisões e 
fazer escolhas de aprendizado, inclusive, 
escolher ou evitar praticar habilidades 
esportivas, como também a possibilidade 
de fazer autoexame de forças e fraquezas, 
oportunidades e restrições.
3.2.3. Estágio de Utilização 
Permanente
A partir de 14 anos, caso haja aprendiza-
gem no tempo certo, no auge do processo 
de desenvolvimento motor. Etapa carac-
terizada pelo uso de repertório de movi-
mentos adquirido pelo indivíduo ao longo 
de sua vida. É dependente de fatores ex-
ternos, como a igualdade de oportunida-
des de prática, diminuição das barreiras 
sociais e orientação qualificada dos pro-
fissionais de educação física.
REFLEXÃO PARA 
UMA PEDAGOGIA DO 
ESPORTE
 Î Você tem dúvidas quanto à função 
educacional do esporte?
 Î Está claro para você que as 
crianças e adolescentes têm no 
esporte um meio para aprendi-
zagem de valores, de desenvol-
vimento da competência motora 
e a possibilidade de exercerema 
cidadania ativa?
 Î Para você, o enfoque educativo 
está bem definido e é assumido 
também pelos gestores escolares 
e do esporte?
 Î Qual a sua posição sobre compe-
tição? Os(As) professores(as) pre-
param os jovens para o esporte 
de competição, compreendendo 
como algo inerente à prática es-
portiva?
O balizador para as  intenções 
educativas é oferecer a todas as 
crianças experiências desafiadoras, 
que possam contribuir para a afir-
mação de suas competências (RE-
VERDITO et al., 2008). Para além da 
aprendizagem dos gestos motores, o 
esporte prepara para a vida, como é 
caso das competências consideradas 
importantes para o mundo do traba-
lho e que são possíveis de serem de-
senvolvidas quando se utiliza a Peda-
gogia do Esporte como princípio. Veja: 
trabalho em equipe e comunicação; 
tomada de decisões e liderança; re-
solução de problemas e criatividade; 
gestão do tempo e recursos.
SEJA UM(A) 
PROFESSOR(A) 
REFLEXIVO(A
Você consegue identificar durante as 
aulas e treinamentos esportivos os 
momentos em que essas competên-
cias são exercitadas? Consegue defi-
nir quais delas está experimentando? 
A esse comportamento do(a) profes-
sor(a) denominamos intencionalidade. 
Você planeja definindo qual inten-
cionalidade pretende trabalhar? Identi-
ficando, como faz para avaliar se os(as) 
alunos(as) e atletas estão tendo êxito 
para que possam evoluir nos níveis de 
complexidade das atividades? Concor-
da que esses são aspectos que asse-
guram a existência de aprendizagem?
Para que ocorra a aprendizagem 
dos esportes, é necessário que o ensino 
seja eficaz, promova o desenvolvimento 
das habilidades motoras fundamentais 
e dialogue com a transição para as habi-
lidades motoras especializadas que, ao 
serem desenvolvidas, são aspectos es-
senciais para a aprendizagem do esporte. 
A seguir, a definição desses importantes 
conceitos para o desenvolvimento har-
monioso das crianças e adolescentes:
 Î Movimentos fundamentais: são ten-
tativas orientadas para que as crian-
ças experimentem a capacidade mo-
tora dos seus corpos. Esse período 
é essencial para as descobertas de 
movimentos combinados, por exem-
plo: correr, pular, arremessar, apa-
nhar, andar com firmeza e equilíbrio.
 Î Movimentos especializados, são to-
talmente dependentes de fases ante-
riores. Se aplicam a atividades diárias, 
brincadeiras e nos esportes. Nesta 
etapa, os movimentos básicos estão 
refinados, combinados e elaborados 
para situações de maior exigência.
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REFLITA
Seria possível a aprendizagem dos 
esportes sem a devida aprendizagem 
e aplicação das habilidades motoras 
especializadas? Você sabia que a per-
cepção de competência motora é fun-
damental para a motivação de apren-
der e praticar um esporte?
Pesquise sobre esse conceito e re-
flita sobre a importância em desen-
volver essas competências para a 
aprendizagem dos esportes.
3.3. Metodologias 
Empregadas para o Ensino 
do Esporte
Agora você verá algumas possibilidades 
metodológicas com o objetivo de provo-
car interesse que possa gerar transfor-
mações positivas ou justificar as suas 
práticas pedagógicas atuais. Importa 
motivar sua criatividade e capacidade 
de adaptação a realidades diversas para 
suas aulas ou treinos, que o(a) possibilite 
fazer escolhas eficazes que levem ao êxi-
to no ensino, motivação, compreensão e 
a aprendizagem dos seus(uas) alunos(as) 
e atletas. 
TREINANDO...
Após o estudo, escolha a metodologia 
que mais se aproxima de sua concep-
ção pedagógica e prepare uma aula ou 
treino e experimente. 
Em seguida, escreva sobre a ex-
periência, identificando aspectos posi-
tivos e negativos.
SE LIGA
Não haverá metodologia ou mo-
delo únicos que deem conta de 
um ensino de qualidade.
3.3.1. Método Tradicional ou Analítico/
Tecnicista
Tendo como base os estudos de Scaglia 
(2014), este método é influenciado pelas 
teorias empiristas e inatistas, tendo a 
preocupação principal com o desenvol-
vimento e aperfeiçoamento das técnicas 
do jogo e dos movimentos, por vezes es-
tereotipados. Segundo o autor, o tecnicis-
mo fragmenta o jogo em partes, utilizan-
do o ensino dos fundamentos técnicos 
descontextualizados com a realidade da 
prática esportiva sendo treinados e auto-
matizados pelos(as) alunos(as) e atletas. 
Podemos apresentar como exemplos: en-
fileirar alunos e treinar o passe com ên-
fase na execução do gesto técnico, com 
base em padrões motores de excelência 
de baixa efetividade para iniciantes; for-
mar fila de alunos para realização de 
chutes a gol, arremessos ou bandeja com 
marcações no solo para sincronização 
dos passos.
3.3.2. Novas Tendências em Pedagogia 
do Esporte 
Apresenta uma posição de ruptura com o 
pensamento e modo tradicional de ensi-
no. Para tal mudança, pressupõe-se um 
profissional habilitado e capacitado a 
transformar uma ação motora em pro-
cesso cultural, social e educativo. Expe-
rimentar essas novas tendências, exigirá 
do(a) professor(a) a capacidade de ensi-
nar por meio de competências, como des-
taca Scaglia (2014), requerendo que haja 
análise do processo com base nas com-
petências para o jogo, na inteligência 
interpretativa e na tomada de decisão. 
Isso coloca a ampliação das condutas 
motoras como aspecto prioritário para a 
participação emancipada nos esportes, 
sendo o(a) aluno(a) um(a) participante ati-
vo(a), tendo a consciência de suas ações. 
Para o autor, as diferentes propostas 
metodológicas concebidas em meio às 
influências advindas das novas tendên-
cias em Pedagogia do Esporte tendem a 
valorizar o jogo, sendo os procedimen-
tos didático-metodológicos baseados 
nas relações de cooperação e oposição, 
individuais e coletivas. Existe assim uma 
lógica de que o jogo possibilita a apren-
dizagem pela experimentação perma-
nente e associada às habilidades apren-
didas no próprio contexto vivenciado nas 
aulas ou treinos.
SAIBA MAIS
A Pedagogia do Esporte e as novas 
tendências metodológicas
por Alcides José Scaglia (2014)
https://novaescola.org.br/con-
teudo/246/a-pedagogia-do-es-
porte-e-as-novas-tendencias-
-metodologicas
https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogia-do-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas
https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogia-do-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas
https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogia-do-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas
https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogia-do-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas
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3.3.3. Modelo de Educação Desportiva 
Para Mesquita (2012), há simulação de 
aspectos fundamentais dos contextos 
desportivos, nos quais os(as) alunos(as) e 
atletas assumem gradualmente respon-
sabilidades à medida em que avançam 
na aprendizagem. O(A) professor(a) aplica 
estratégias de instrução mais informais, 
valorizando a dimensão humana e cultu-
ral do esporte, reconhecendo a importân-
cia de democratizar a competição, quan-
do assume o compromisso pedagógico 
entre inclusão, competição e aprendiza-
gem. O modelo tem como premissa um 
esporte plural, onde cada um participa de 
acordo com suas possibilidades e interes-
ses. Entende que a competição tem um 
valor esportivo insubstituível, sendo esta 
uma prioridade natural para quem treina.
3.3.4. Teaching Games for 
Understanding (TGfU)
Os autores Bunker e Thorpe (1982) pro-
puseram na Inglaterra a implementação 
de uma proposta pedagógica a partir da 
insatisfação com os modelos pedagógi-
cos esportivos que tinham o tecnicismo 
como principal característica. Apresenta-
ram uma nova concepção para o ensino, 
baseada no entendimento, compreensão, 
reflexão e problematização de elementos 
estruturais dos próprios jogos. A seguir, a 
proposta em seis etapas:
a. De acordo com o nível dos alunos, será 
introduzida uma forma completa ou 
simplificada do jogo, a fim de promo-
ver uma maior apropriação de seu 
funcionamentoe o envolvimento inicial 
dos praticantes com os seus proble-
mas;
b. Corresponderá à reflexão sobre 
lógica interna do jogo (regras, dinâ-
mica, funcionamento), na qual os(as) 
próprios(as) alunos(as) fariam suas 
considerações sobre a prática;
c. Referente à conscientização tático-
-estratégica, os(as) alunos(as) seriam 
estimulados(as) a refletir, identificar e 
propor soluções práticas para os pro-
blemas de ataque e defesa do jogo;
d. Compreenderá a contextualização 
da tomada de decisão, por exemplo, 
definições sobre o que se fazer com ou 
sem a posse da bola; onde se colocar 
em determinada situação; como fazer 
determinados movimentos etc.; 
e. Indicará o desenvolvimento das técni-
cas de jogo necessárias para um bom 
desempenho a partir dos problemas 
encontrados em etapas anteriores;
f. Será realizada a avaliação da perfor-
mance dos(as) alunos(as) e a prepara-
ção de um jogo, com maior complexi-
dade, para o início de um novo ciclo.
3.3.5. Modelo Ativo e Reflexivo de 
Ensino (Mare)
Desenvolvido com base em teorias di-
versas da educação e pelo ensino aberto, 
problematizado e híbrido das metodolo-
gias ativas com a intenção de aplicação 
em todos os conteúdos da educação fí-
sica, em particular no ensino do esporte 
(CATUNDA, 2019). Apresenta como obje-
tivo criar um ambiente educativo adequa-
do e desafiador, que permita desenvolver 
a literacia física para o pleno uso das ca-
pacidades e competências necessárias, 
para que alunos(as) e atletas tenham mo-
tivação, compreensão e confiança para 
aprender e praticar e treinar o esporte 
que desejar. Suas principais característi-
cas são:
a. Traduzido em um modo de ensinar por 
trilhas flexíveis e criativas;
b. Apresenta alta interação para motiva-
ção e engajamento constante dos(as) 
alunos(as);
c. Centrado na realização e cocriação de 
tarefas mediadas pelo(a) professor(a);
d. Valoriza desafios constantes a profes-
sores(as) e alunos(as);
e. Inclusão de todos(as), o tempo todo 
e de todas as formas no processo de 
aprendizagem; 
f. Organização das atividades prioritaria-
mente em grupos, com variações nas 
quantidades de participantes e condi-
ções de desenvolvimento;
g. Aprendizagem por times, incluindo a 
escolha de lideranças pelos(as) alu-
nos(as);
h. Oportunidade permanente para a 
tomada de decisão e resolução de 
problemas;
i. Controle do tempo e manutenção do 
foco para realização das tarefas;
j. Possibilidade aberta e híbrida de es-
tratégias, métodos, técnicas e estilos 
de ensino, mantendo os objetivos a se-
rem alcançados na aula ou no treino;
k. Atenção aos níveis de atividade física e 
engajamento dos alunos.
PARA REFLETIR
Como professor(a) ou técnico(a) 
desportivo(a) é preciso levar em 
consideração o que é imprevisível 
no esporte. Compreender para to-
mar decisões sobre a complexida-
de existente nos jogos, não sendo o 
centro do processo, mas um(a) fa-
cilitador(a) ativo(a), capaz de mo-
bilizar os(as) alunos(as) para o foco 
e resolução coletiva dos desafios 
da prática esportiva.
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AÇÃO POSITIVA +
Durante a prática, proporcione oportu-
nidades para que os(as) alunos(as) e 
atletas pensem e organizem as ações 
para além da execução de movimen-
tos desconectada da realidade e em 
sintonia com a utilização exitosa em 
favor do jogo, do coletivo, do êxito de 
seu grupo e do jogar bem por saber 
fazer a transposição entre o aprendi-
do e o aplicado. 
É preciso fazê-los(as) pensar nas si-
tuações táticas dos jogos e tomar 
decisões positivas e autorais. Não se 
concebe mais, nos dias de hoje, um(a) 
professor(a) direcionando a atividade 
e os(as) alunos(as) somente executan-
do sem a capacidade de interpretação 
dos problemas e as suas formas de 
resolução, criando suas próprias es-
tratégias, que já deveriam ter sido ob-
jeto de experimentação nas aulas ou 
treinos. 
O ensino de forma transmissiva, 
em caso de opção dos(as) professo-
res(as), deverá ser misturado com 
estratégias mais ativas, que possibi-
litem a eles(as) o desenvolvimento 
de autonomia e a capacidade de de-
cisão durante a prática dos esportes.
SAIBA MAIS
Metodologia do Ensino/treinamen-
to dos Esportes Coletivos
https://www.youtube.com/watch?-
v=N5dNtwEPbrc
PARA REFLETIR
É fundamental controlar as ambi-
ções e as ansiedades dos adultos 
pais, técnicos, dirigentes esporti-
vos e todos os demais envolvidos 
com a prática das modalidades 
esportivas, no sentido de impedir 
a criação de um conjunto de unida-
des e forças que venham interferir 
no desenvolvimento da criaça no 
esporte (NISTA-PICCOLO, 1999).
FIQUE ATENTO(A)!
Respeitar as dimensões sensíveis 
dos atletas, presentes nos momen-
tos de treino e de competição, é um 
princípio pedagógico importante 
para o crescimento e continuidade 
da carreira esportiva.
https://www.youtube.com/watch?v=N5dNtwEPbrc
https://www.youtube.com/watch?v=N5dNtwEPbrc
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CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
CATUNDA, R. Relatório de Estágio Pós-Dou-
toral. Universidade de Lisboa, Pt. 2019.
CATUNDA, R., LAURINDO, E. SARTORI, S. Reco-
mendações para a Educação Física 
Escolar. CONFEF, Rio de Janeiro, 2014.
CATUNDA, R., MARQUES, A. Educação Física 
Escolar: referenciais para o ensino de qua-
lidade. Belo Horizonte, Casa da Educação Fí-
sica, 2017.
FREIRE, J. B., SCAGLIA, A. J. Educação como 
Prática Corporal. São Paulo: Scipione, 2003.
GALLAHUE, D. L; OZMUN, J. C; GOODWAY, J. D. 
Compreendendo o desenvolvimento motor: 
bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7 
ed. Porto Aalegre-RS: Artmed, 2013.
MOREIRA, W.W., BENTO, J.O. (Orgs.) Citius, Al-
tius, Fortius: Brasil, esportes e jogos olímpi-
cos. Belo Horizonte: Casa da Educação Física, 
2014. In. Os Jogos Olímpicos na Perspectiva 
da Pedagogia do Esporte no Brasil. NISTSA-
-PICOLO, V.L., NUNOMURA, M.
Neste módulo, você recebeu conhe-cimentos sobre os valores educa-tivos do esporte quando trabalha-
do com a intencionalidade de formação 
integral. O esporte, compreendido como 
fenômeno social e cultural, pode ser uti-
lizado com importante ferramenta para 
o desenvolvimento humano. Identifica-
mos que a Educação, o(a) Professor(a) 
e a Educação Física são reconhecidos 
como os três pilares intervenientes no 
processo de ensino dos esportes. Vimos 
também os principais conceitos, tendên-
cias e definições sobre o que é a Pedago-
gia do Esporte. Tivemos a oportunidade 
de comparar as diversas metodologias, 
modelos e estratégias, comparando o 
ensino centrado no tecnicismo e tam-
bém conhecer as novas tendências pe-
dagógicas para o esporte.
E o melhor ainda está porvir. 
Acompanhe!
REFERÊNCIAS
REVERDITO, R. S., SCAGLIA, A. J. Pedagogia do 
Esporte. São Paulo: Phorte, 2009.
SCAGLIA, A. J. O Futebol e as Brincadeiras de 
Bola. São Paulo: Phorte, 2011. 
_____________ . A Pedagogia do Esporte 
e as Novas Tendências Metodológicas. Pu-
blicado em NOVA ESCOLA Edição 273, 01 de 
junho | 2014. https://novaescola.org.br/con-
teudo/246/a-pedagogiado-esporte-e-as-no-
vas-tendencias-metodologicas
TANI, G., BENTO, J. O., PETERSEN, R. D. S. Pe-
dagogia do Desporto. Rio de Janeiro: Guana-
bara Koogan, 2006.
UNESCO. Carta Internacional da Educação Fí-
sica, da Atividade Física e do Esporte, 2015. 
https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/
pf0000235409_por
UNESCO. Valores do Esporte. Brasília: Funda-
ção Vale, Unesco, 2013. 
https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogiado-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas
https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogiado-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas
https://novaescola.org.br/conteudo/246/a-pedagogiado-esporte-e-as-novas-tendencias-metodologicas
https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000235409_por
https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000235409_por
AUTORES
Antônio Ricardo Catunda de Oliveira
Possui graduação em Educação Física e 
mestrado em Educação em Saúde, am-
bos pela Universidade de Fortaleza (Uni-
for). Doutor emCiências da Educação, no 
ramo da Didática do Ensino da Educação 
Física e do Desporto pela Universidade 
de Lisboa, Portugal. Pós-Doutor na espe-
cialidade de Educação para a Saúde, pelo 
Centro de Estudos de Educação e Promo-
ção da Saúde da Universidade de Lisboa, 
Portugal. Professor adjunto da Universi-
dade Estadual do Ceará (Uece). Desen-
volve estudos e pesquisas em Educação 
Física escolar e Metodologias Ativas. 
Criador do Modelo Ativo e Reflexivo de 
Ensino na Educação Física. Presidente da 
Comissão de Educação Física Escolar do 
Confef. Líder do Núcleo de Investigação 
em Atividade Física na Escola (Niafe).
Lívia Marques Quixadá
Graduada em Educação Física pela Uni-
versidade Estadual do Ceará (Uece), com 
especialização em Educação Física Esco-
lar (Uece). Professora e pesquisadora do 
Núcleo de Investigação em Atividade Físi-
ca na Escola (Niafe-Uece).
32 
Apoio: Patrocínio: Realização:
CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO
FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral 
Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design 
Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas 
Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora 
Pedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron-
End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly 
Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier 
Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo 
Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing 
Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota
ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-043-1 (Fascículo 2)
Fundação Demócrito Rocha
Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora 
CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará 
Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327
Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br
Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br
Todos os direitos desta edição reservados à:
ILUSTRADOR
Carlus Campos
Artista visual que há mais de 30 anos é 
ilustrador do Jornal O POVO. Na produção 
de suas ilustrações, utiliza várias lingua-
gens como: desenho, pintura, aquarela, 
gravura e fotografia. Ao longo dos anos 
90, além de ganhar diversos prêmios com 
arte gráfica, fez incursões pelas artes 
plásticas participando de diversos Salões 
de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa 
considerável espaço em sua produção 
chegando a participar do coletivo IN-GRA-
FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas 
cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft.
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GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA
Projeto Político-Pedagógico
Planejar a Educação Física para 
uma educação transformadora
José Airton de Freitas Pontes Junior
Vitória Monteiro Monte Oliveira
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SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
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38
41
42
O PAPEL DA EDUCAÇÃO 
FÍSICA NA ESCOLA
PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 
(PPP): FUNCIONALIDADE, 
RELEVÂNCIA E PROCESSO 
DE CONSTRUÇÃO
PARTICIPAÇÃO DO 
PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO 
FÍSICA NA CONSTRUÇÃO 
DO PPP
ESTUDO DE CASO 5
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APRESENTAÇÃO
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responsáveis por participar da elabora-
ção dessa proposta e cumprir o plano de 
trabalho proposto (Art. 13) e que a gestão 
democrática do ensino público tem como 
princípio a “I - participação dos profissio-
nais da educação na elaboração do proje-
to pedagógico da escola”.
Portanto, os planos são importantes 
para o desenvolvimento da Educação Físi-
ca de Qualidade e o PPP tem como premis-
sa a participação de docentes na proposta 
pedagógica escolar. Nesse sentido, como 
docentes de Educação Física podem con-
tribuir na elaboração e execução do PPP?
A partir da leitura deste módulo, dis-
cutiremos acerca de sua função, relevân-
cia, processo de construção, relação da 
Educação Física e o papel do profissional 
da área na elaboração do PPP, de forma 
que ao final deste módulo você (1) compre-
enda o que é um Projeto Político-Pedagó-
gico (PPP), qual a sua função, importância 
e os envolvidos no processo de construção 
e o papel da Educação Física nesse pro-
cesso; (2) Saiba, de forma prática, partici-
par da construção de um PPP e defender o 
espaço da profissão no ambiente escolar; 
(3) Valorize a participação de outros pro-
fissionais e entenda que o documento é 
fruto de um trabalho conjunto.
Mas, antes de começarmos, apre-
sentamos a seguir alguns dos marcos 
históricos importantes na linha do tempo 
sobre Educação Física que influenciaram 
a sua presença na escola brasileira:
Pensar uma educação transformado-ra vai ao encontro do papel da Edu-cação na formação humana e social 
de todas as pessoas, para que colaborem 
no desenvolvimento da coletividade ba-
seadas na justiça social. Esse papel vai 
além de uma visão estrita da educação 
formal escolar conteudista, avançando 
para a aplicação na sociedade dos conhe-
cimentos historicamente acumulados. 
A Organização das Nações Unidas 
para a Educação, a Ciência e a Cultura 
(Unesco) em vários dos seus documen-
tos apresentou, como recomendação, os 
quatro pilares da Educação para o sécu-
lo XXI (Delors, 1999): (1) saber conhecer, 
(2) saber fazer, (3) saber ser e (4) saber 
conviver. Essa visão nos parece condizen-
te com as perspectivas de importantes 
pensadores que consideram a Educação 
como meio de intervenção direta e indire-
ta na sociedade e na cultura em um mun-
do com diferenças tão explícitas (PRIGOL; 
BEHRENS, 2020). 
A Carta Internacional da Educação 
Física e do Esporte da Unesco (1978) cor-
robora com essas ideias supracitadas e 
avança em vários aspectos relativos à 
sua área, sendo o ponto 9.2. algo que cha-
ma a atenção: “É atribuição de todas as 
instituições responsáveis pela educação 
física e pelo esporte promover um plano 
de ação consistente, geral e descentra-
lizado, dentro do marco da educação ao 
longo da vida, para permitir a continui-
dade e a coordenação entre as atividades 
físicas compulsórias e as praticadas de 
forma espontânea” (Grifo nosso). 
Em Diretrizes para a Educação Física 
de Qualidade (Unesco, 2015) percebe-se 
que os planos e metas para a área são 
fundamentais nos delineamentos dos 
currículos, no tempo da oferta da aula, 
nas ações de atenção a todas as pessoas 
envolvidas e na organização escolar com 
essas intencionalidades necessária para 
atingir os objetivos da Carta e dos pro-
gramas escolares.
No Brasil, a Educação é um direito 
do povo brasileiro presente no Art. 205 
da Constituição Federal de 1988. Essa 
garantia abrangente serve de alicerce na 
adoção de posturas inclusivas, que abra-
cem a diversidade, forneçam a justiça so-
cial e cumpram esse compromisso com a 
sociedade. Mas como aplicar o que está 
na Lei? Professor(a), certamente você já 
deve ter ouvido falar sobre o Projeto Polí-
tico-Pedagógico (PPP) escolar, mas já pa-
rou para pensar no impacto que ele tem 
dentro das ações do ambiente educacio-
nal no qual está vinculado? 
A Lei de Diretrizes e Bases da Edu-
cação Nacional (LDB) nos aponta elemen-
tos para entendermos a sua importância, 
caro(a) professor(a), e do Projeto Político-
-Pedagógico (PPP) da escola, ao explicitar 
o que os estabelecimentos de ensino de-
vem elaborar e executar em sua proposta 
pedagógica (Art. 12), que os docentes são 
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 ÎReformaCouto Ferraz (1851): Esta-
beleceu que as escolas do município 
da corte passassem a ter Educação 
Física como conteúdo obrigatório 
(LIMA, 2015);
 ÎReforma de Rui Barbosa (1883): De-
fendeu a inclusão da ginástica na esco-
la para os dois sexos e a equiparação 
dos professores de Educação Física 
com os demais (CAVALCANTE; BUN-
GENSTAB; LAZZAROTTI FILHO, 2021);
 ÎLei de Diretrizes e Bases da Educa-
ção (LDB) (1996): No §3º, do Art. 26, 
da LDB a Educação Física passa a ser 
considerada obrigatória na educação 
básica (BRASIL, 1996);
 ÎLei nº 9.696, de 1º de setembro de 
1998: Regulamentou a profissão de 
Educação Física e deu origem aos 
seus Conselhos;
 ÎParâmetros Curriculares Nacionais 
(PCNs) – Educação Física (1997 e 
1998): Documento não obrigatório, 
com direcionamentos para orientar o 
trabalho dos professores de Educação 
Física;
 ÎBase Nacional Comum Curricular 
(BNCC) (2017): O documento trouxe 
a Educação Física como componente 
curricular obrigatório da educação bá-
sica, localizado na área de linguagens.
2
Na apresentação ao lado, a Educação Física passou por diversos momen-tos políticos, educacionais e sociais 
até desenvolver direcionamentos peda-
gógicos condizentes com documentos 
internacionais para consolidar sua inter-
venção no ambiente escolar. Importante 
enfatizar a sua condição de componente 
curricular obrigatório desde a LDB de 
1996, e a reafirmação da participação na 
escola estabelecida pela BNCC em 2017.
O suporte das leis e políticas é fun-
damental para que a Educação Física, 
enquanto disciplina legítima curricular, 
ocupe espaço e componha o PPP com 
contribuições inerentes à sua área, a par-
tir da participação ativa do profissional de 
Educação Física na escola e na constru-
ção desse importante documento.
Incluir os conhecimentos da área da 
Educação Física no Projeto Pedagógico é 
uma vitória para os(as) estudantes, que 
passarão por experiências de aprendi-
zagem mais humanas, críticas e liberta-
doras, com a inserção do(a) aluno(a) nos 
conhecimentos e vivências da cultura 
corporal (SOUTO et al, 2010). 
Assim como as demais ações e ob-
jetivos do PPP, a Educação Física deve 
estar incluída e fazer parte do esforço 
coletivo para reduzir barreiras e promo-
ver a participação discente. Essa nova 
roupagem que acolhe a cultura corporal 
no ambiente escolar remete ao acolhi-
mento de discentes de forma subjetiva, a 
oferecer oportunidade de explorar suas 
potencialidades (SOUTO et al, 2010). 
Essa perspectiva escolar que enfa-
tiza as características de uma educação 
que promove a transformação social tem 
uma roupagem que se aproximam da 
tendência Pedagógica descrita por Pon-
tes Junior e Trompieri Filho (2011), visto 
que supera e tem como foco o princípio 
da inclusão e na aprendizagem do(a) es-
tudante.
Uma possibilidade de expandir o 
potencial transformador da Educação Fí-
sica na escola é a adoção do modelo de 
escolas ativas proposto pelo Programa 
das Nações Unidas para o Desenvolvi-
mento (PNUD), que faz com que os(as) 
alunos(as) levem as Atividades Físicas 
e Esportivas (AFEs) para seu cotidiano 
e trajetória, a partir da oportunidade de 
vivenciar experiências significativas e 
prazerosas (PNUD, 2017).
Ao verificar o nível das escolas pú-
blicas e privadas do Brasil, foi constata-
do que apenas 0,55% das escolas do país 
podem ser consideradas ativas, enquan-
to 38,56% possuem níveis insuficientes, 
ou seja, precárias para a promoção das 
AFEs. Para modificar esse contexto, o 
relatório sugere que (1) por crianças e 
jovens serem naturalmente ativos, propi-
ciar o movimento na escola é vantajoso e 
(2) uma variedade de adaptações são re-
alizáveis na estrutura da escola, abrindo 
um leque de possibilidades para o movi-
mento (PNUD, 2017, p.25).
É importante ressaltar que o PNUD não 
O PAPEL DA 
EDUCAÇÃO FÍSICA 
NA ESCOLA
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foca exclusivamente nos(as) alunos(as), 
mas busca incluir toda a comunidade es-
colar por meio de programas e propostas 
como: AFEs nos intervalos das aulas, re-
creio, incentivo à adoção de mobilidade ati-
va e prática esportivas fora da escola.
As propostas voltadas a AFEs como 
promotoras de saúde dão ênfase em atin-
gir a meta mínima de 60 minutos de ativi-
dade física diária para crianças e jovens. 
Vale ressaltar que, além dos benefícios re-
lacionados à saúde, a atividade física tam-
bém traz benefícios ao cérebro e cognição, 
a partir da influência positiva na memória, 
tomada de decisão, dentre outros. Dessa 
forma, o termo “ativo” torna a vida escolar 
mais rica, reconhece as AFEs e o mover-se 
como forma de potencializar a aprendiza-
gem e vida plena (PNUD, 2017).
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PROJETO POLÍTICO 
PEDAGÓGICO (PPP): 
FUNCIONALIDADE, 
RELEVÂNCIA E PROCESSO 
DE CONSTRUÇÃO
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Você já reparou que o significado das palavras que compõe a no-menclatura do PPP antecipa sua 
função? Conforme Rocha, Bueno e Braga 
(2022) um Projeto é a ação com sistema-
tização e intencionalidade. Para os mes-
mos autores, o PPP da escola também 
pode ser considerado um Projeto Político 
pela sua articulação, compromisso de-
mocrático e coletivo, pois a escola é vista 
como local de formação de cidadãos. En-
quanto o componente Pedagógico reme-
te às práticas educacionais intencionais 
e objetivadas.
Então, o que é o PPP? Qual sua im-
portância? Para melhor compreender, 
você precisa saber que cada escola tem 
metas a serem realizadas e precisam de 
um caminho planejado e estruturado 
para atingi-las. Portanto, tenha em men-
te que o PPP se trata de um documento 
norteador, que auxilia as práticas peda-
gógicas e fortalece o processo de ensi-
no-aprendizagem (SOUTO et al, 2010).
O PPP pode ser classificado como 
“formal” quando se refere ao documento 
escrito e “em ação” ao se tratar do fun-
cionamento prático no dia a dia (VENÂN-
CIO; DARIDO, 2012). Mas a criação de um 
PPP é opcional? Há leis que orientam sua 
criação? É fundamental que você, educa-
dor(a), entenda que o PPP é obrigatório a 
todas as instituições de ensino brasilei-
ras, conforme definição da Lei de Dire-
trizes e Bases da Educação Nacional de 
1996 (LDB/1996), veja: 
Art. 12. Os estabelecimentos de ensi-
no, respeitadas as normas comuns e 
as do seu sistema de ensino, terão a 
incumbência de:
I - elaborar e executar sua proposta 
pedagógica;
VII - informar pai e mãe, conviventes 
ou não com seus filhos, e, se for o caso, 
os responsáveis legais, sobre a frequ-
ência e rendimento dos alunos, bem 
como sobre a execução da proposta 
pedagógica da escola (BRASIL, 1996).
Vale ressaltar que o protagonismo do 
PPP não se deu a partir da LDB/96. A sua 
inclusão vem desde a Constituição Federal 
(CF) de 1988, enquanto sua regulamenta-
ção se deu nos anos de 1990 por intermé-
dio da lei supracitada (TAMURA, 2022). 
Mas todas as escolas utilizam o 
mesmo PPP ou ele é elaborado de ma-
neira individual por cada instituição? 
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Conforme o conteúdo proposto no Art.12 
da LDB/96, compreende-se a autonomia 
da escola para realizar o levantamento e 
utilização de dados que irão auxiliar no 
processo de planejamento de ações con-
cretas, detalhadas e repassadas como 
guia a toda a comunidade escolar de for-
ma autônoma e subjetiva. 
A situação da escola pode ser ana-
lisada e alterada a fim de atingir objeti-
vos da comunidade escolar. Por isso é 
fundamental que haja a colaboração de 
todos(as) os(as) envolvidos(as), não só na 
criação, mas no empenho para manter o 
PPP vivo (SOUTO et al, 2010).
E quem são esses(as) envolvidos(as) 
no processo de criação do PPP? Trata-se 
da comunidade escolar, ou seja, confor-
me Pinheiro (2022), estudantes e seus 
familiares, comunidade na qual a escola 
está inserida, magistério, gestores e de-
mais funcionários, apoio e técnicos admi-
nistrativos. Essa abrangência de colabo-
radoresé apresentada nos Art. 13 e 14 da 
LDB (BRASIL, 1996), observe: 
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Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
I - participar da elaboração da pro-
posta pedagógica do estabelecimen-
to de ensino;
Art. 14. Os sistemas de ensino defi-
nirão as normas da gestão democrá-
tica do ensino público na educação 
básica, de acordo com as suas pecu-
liaridades e conforme os seguintes 
princípios:
I – participação dos profissionais da 
educação na elaboração do projeto 
pedagógico da escola;
II - participação das comunidades es-
colar e local em conselhos escolares 
ou equivalentes.
Portanto, fica claro que o envolvi-
mento de todos(as) é fundamental para 
que haja a diversidade e sentimento de 
pertencimento. Além disso, as respon-
sabilidades devem ser divididas em mo-
mentos oportunos, como na reunião de 
planejamento anual, entre envolvidos(as), 
a fim de que os objetivos sejam realiza-
dos ao longo do ano.
Quais informações devem estar pre-
sentes no documento? Para Cerce, Ban-
deira e Ferreira (2022), o PPP mostra para 
a comunidade a identidade escolar e deve 
possuir em sua composição as caracte-
rísticas dos cenários da escola, clientela, 
ambientes econômicos, identidade da ins-
tituição de ensino, missão, visão, valores, 
objetivos e metodologias. Já Souza (2022) 
define, como elementos essenciais ao PPP, 
a “missão, clientela, dados sobre aprendi-
zagem, relação com as famílias, recursos, 
diretrizes pedagógicas e plano de ação”.
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PARTICIPAÇÃO DO 
PROFISSIONAL DE 
EDUCAÇÃO FÍSICA NA 
CONSTRUÇÃO DO PPP
O estudo de Sousa, Przylepa e Assis (2019) considerou que o compo-nente curricular “Educação Física” 
ocupou espaço de maneira acanhada no 
PPP de duas instituições investigadas, 
tanto no contexto de elaboração, quanto 
no de atualização. Os mesmos autores 
propõem que essa situação pode gerar 
descompasso do componente curricular 
em relação aos demais.
Ou seja, professor(a), a partir do en-
tendimento acerca do funcionamento pe-
dagógico de uma escola, a instituição de 
ensino como um todo deve optar por for-
mas de minimizar o trabalho hierarquiza-
do e fragmentado. Para que de fato isso 
ocorra, é necessário que haja a inclusão 
de uma proposta pedagógica para a 
Educação Física.
O amparo da BNCC e LDB/1996 na 
legalidade do componente curricular 
escolar demonstra a necessidade e im-
portância da contribuição dos professo-
res(as) de Educação Física nas reuniões 
e elaboração de propostas para o PPP, 
enfatizando a cultura corporal do mo-
vimento, inclusão, e objetivos da BNCC 
para o componente “Educação Física”, 
adaptados à realidade local na qual a es-
cola está inserida.
Em ambiente escolar, na condição de 
professor(a), o(a) profissional de Educa-
ção Física está inserido(a) em um coletivo 
com responsabilidades e tarefas. Tenha 
em mente que, enquanto área, a Educa-
ção Física deve oferecer aos seus(uas) es-
tudantes vivências significativas para que 
eles(as) compreendam a linguagem cor-
poral e respeitem tanto os(as) outros(as) 
quanto a si mesmos(as). Para atingir esse 
propósito, você deve considerar as parti-
cularidades dos(as) seus(uas) alunos(as) 
e os princípios do PPP da escola no mo-
mento de elaborar seu plano (VENÂNCIO; 
DARIDO, 2012).
Mas quais ideias transformadoras 
você pode sugerir para que a sua escola 
seja mais ativa? Pode haver momentos 
nas reuniões escolares destinados a pa-
lestras sobre temas relacionados à Edu-
cação Física e saúde, com oportunidade 
para que a comunidade compreenda a 
importância do componente curricular e 
de hábitos saudáveis.
Outra possibilidade de transforma-
ção social é a oferta de eventos como 
interclasse entre os(as) estudantes, para 
que tenham maior aproximação e gosto 
pelos esportes a partir da oportunidade 
de escolher em qual desejam competir, 
além da adoção do modelo de “Escolas 
Ativas” proposto pelo PNUD, com interva-
los ativos e incentivo à adoção de hábitos 
de vida saudáveis, como mobilidade ativa 
no percurso dos(as) estudantes e famílias 
de casa à escola.
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ESTUDO DE CASO
Agora que você já compreendeu de forma prática e objetiva o que é o PPP, a sua importância, quem parti-
cipa dessa construção e o papel do profis-
sional de Educação Física, vamos falar de 
forma prática sobre o que deve ser con-
siderado para sua elaboração em tópicos 
essenciais. Para isso, confira a situação 
proposta no estudo de caso, a seguir:
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Em uma escola de Ensino Funda-
mental (anos finais), localizada em zona 
de vulnerabilidade social, a comunidade 
escolar tem como missão a construção 
do PPP. Para melhor entendimento, foi 
elaborado o quadro, a seguir, com base 
nos elementos considerados essenciais 
à construção do PPP (Cerce, Bandeira e 
Ferreira, 2022, e Souza, 2022). Observe:
Elemento Resultado
Histórico e 
identificação
Foi levantada a localização, motivação para o nome da escola e a 
existência de 8 (oito) turmas de Ensino Fundamental II. A escola 
tem horta, cantina, sala dos professores, espaço para os alunos 
lancharem, coordenação, secretaria, laboratório de ciências, sala de 
informática, biblioteca e um pequeno pátio. Não há projetos ativos no 
momento.
Missão
O propósito da instituição foi definido como: “Transformar a realidade 
dos(as) alunos(as) os(as) preparando para o mercado de trabalho, 
cidadania ativa e desenvolvimento da literacia física. Tudo de forma 
inclusiva e efetiva.” 
Visão
Na visão para o futuro, a escola almeja ser reconhecida pela comu-
nidade como um espaço inclusivo e de transformação social, que 
valoriza o desenvolvimento integral do(a) aluno(a), além de alcançar a 
marca de se tornar uma das melhores escolas públicas de Fortaleza.
Valores Respeito e Princípios.
Objetivos
Formação cidadã; preparar para o mercado de trabalho; compreender 
e valorizar inteligências múltiplas; propiciar o desenvolvimento da 
literacia física; promover a aproximação dos estudantes à atividade 
física.
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Clientela
Com o propósito da instituição definido, os dados sobre a comuni-
dade, ou seja, a clientela, foram analisados a partir de uma reunião 
proposta pela gestão, na qual foram repassados questionários e 
coletados dados, posteriormente tratados e expressados em gráfi-
cos com os seguintes resultados: 85% dos responsáveis pelos(as) 
estudantes não frequentou a escola durante toda a educação básica, 
enquanto apenas 15% dos pais afirmou tê-la concluído. A renda 
média por família é de R$1.200,00, seus empregos são por carteira 
assinada, e em 89% das famílias, apenas um dos responsáveis tra-
balha. Todas as famílias são naturais da região e adotam como for-
ma de lazer o uso da Areninha e caminhada na própria comunidade.
Dados sobre 
aprendiza-
gem
Os dados da aprendizagem foram observados no sistema, e demons-
traram os seguintes resultados para os 320 matriculados:
Dados da aprendizagem dos alunos
Série Matriculados Aprovação Reprovação Nº evasão
6º ano 88 99% 1% 01
7º ano 91 97% 3% 01
8º ano 71 85% 15% 02
9º ano 70 84% 16% 08
Fonte: elaborado pelos autores.
Foi identificado, como desafio, reduzir a evasão de alunos(as), princi-
palmente no 9º ano.
Relação com 
as famílias
A respeito da Relação com as famílias, foi identificado que os pais 
possuem assiduidade e acompanham o rendimento dos filhos, parti-
cipam dos grupos de WhatsApp da turma, reuniões e buscam feedba-
ck ao final das aulas, o que é fundamental à permanência e desenvol-
vimento adequado dos alunos.
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RecursosQuando se tratou de recursos, a escola demonstrou ter alguns ma-
teriais fornecidos pelo governo anualmente, por já constarem no 
orçamento, como livros, material dourado, pincéis e apagadores. Há 
boa iluminação, energia elétrica, água filtrada e ambientes climatiza-
dos. No entanto, foi observada a carência nos materiais para aulas de 
educação física na escola, pátio pequeno para a demanda de alunos, 
ausência de quadra.
Sobre recursos humanos, a escola conta com todos os(as) professo-
res(as) na condição de efetivos(as), assim como há um diretor, duas 
coordenadoras e uma secretária, sem nenhuma carência de corpo 
docente e administrativo. 
Diretrizes 
pedagógicas
As Diretrizes pedagógicas foram definidas a partir de reuniões com 
os(as) professores(as), gestores(as) e agentes, nas quais conside-
raram todos os componentes da Base Nacional Comum Curricular 
(BNCC), adaptando os conteúdos com exemplos da cultura regional 
para melhor assimilação, e foram priorizados os métodos ativos 
durante as aulas, na intenção de formar alunos(as) autônomos(as) e 
críticos(as) com base nas ideias de Paulo Freire.
Plano de 
ação
Durante a reunião foram apresentados em gráficos os dados da 
aprendizagem, clientela, assim como todos os outros pontos do PPP 
para a criação do Plano de Ação da escola. Durante esse momento, 
o professor de Educação Física pediu espaço de fala e sugeriu que a 
escola priorizasse a compra de tatames, caixa de som, bolas de fut-
sal e basquete, cones chineses, bambolês e cordas. Declarou que os 
materiais que não fossem comprados seriam construídos pelos(as) 
alunos(as), a fim de ter chance da experimentação de todos os con-
teúdos propostos na BNCC. 
Além disso, o mesmo professor citou os conteúdos regionais, do Bra-
sil e do mundo, que pretende usar para cada um dos conteúdos da 
Educação Física na BNCC, de acordo com as diferentes faixas etárias. 
Explicou sobre a importância na experimentação de diversas possibi-
lidades de movimento durante as aulas, do objetivo de formar indiví-
duos fisicamente literados, protagonistas e ativos socialmente, assim 
como sugeriu a adoção do modelo de escolas ativas proposto pelo 
PNUD, com olimpíadas de intervalo e a criação de um interclasse uma 
vez por ano na escola, para que os(as) alunos(as) se aproximassem, 
tivessem pertencimento e criassem o gosto por esportes. 
Cada professor(a) levou contribuições para seu componente curricular. 
Os objetivos gerais para a escola foram traçados e uma nova reunião 
foi marcada com espaço de fala para toda a comunidade escolar, a 
fim de apresentar o Plano de Ação e a escolha dos responsáveis para 
dividir tarefas em prazos específicos. A reunião ocorreu e, após ajustes, 
todos(as) foram envolvidos(as) e responsabilizados(as) ativamente.
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VOCÊ SABIA?
Literacia Física é “uma compe-
tência multidimensional que se 
aprende e se traduz pelo domínio 
de uma cultura motora diversifica-
da e socialmente reconhecida, as-
sente numa aptidão física ajustada 
que permite que cada indivíduo 
possa com confiança, autonoma-
mente e de forma perseverante, 
envolver-se na prática de ativida-
de física, ao longo da vida. A lite-
racia física é muito mais do que o 
conceito de exercitação física, tão 
frequentemente propalado como o 
meio para a promoção de uma vida 
ativa e saudável” (ONOFRE, 2017).
FICA A DICA
A Educação Física encontra-se 
na área de linguagens da BNCC 
(BNCC, 2017, p.29) e seus conte-
údos na condição de componente 
curricular do Ensino Fundamental 
são: Jogos e Brincadeiras (1º ao 7º 
ano), Esportes, Ginásticas e Dan-
ças (1º ao 9º ano), Lutas (3º ao 9º 
ano) e Esportes de Aventura (6º ao 
9º ano) 
(BNCC, 2017, p.231-p.239).
Acesse:
h t t p : / / b a s e n a c i o n a l c o m u m .
mec.gov.br/images/BNCC_EI_
EF_110518_versaofinal_site.pdf
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf
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Licenciado em Educação Física, mestre e doutor em Educação pela Univer-
sidade Federal do Ceará (UFC), com pós-doutorado em Educação pela Uni-
versidade do Minho (Portugal) e especialização em Relações Internacionais 
pela Faculdade Verbo Jurídico Educacional. Professor da Universidade Es-
tadual do Ceará (Uece), vinculado ao curso Licenciatura em Educação Física, 
ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPSAC) e ao Programa 
de Pós-Graduação em Educação (PPGE/Uece).
Vitória Monteiro Monte Oliveira
Graduada em Educação Física (Uece), com especialização em Docência do 
Ensino Superior e Metodologias Ativas de Aprendizado (Faculdade Descom-
plica). Professora efetiva do município de Fortaleza e pesquisadora do Nú-
cleo de Investigação em Atividade Física na Escola (Niafe- Uece)
Carlus Campos
Artista visual que há mais de 30 anos é 
ilustrador do Jornal O POVO. Na produção 
de suas ilustrações, utiliza várias lingua-
gens como: desenho, pintura, aquarela, 
gravura e fotografia. Ao longo dos anos 
90, além de ganhar diversos prêmios com 
arte gráfica, fez incursões pelas artes 
plásticas participando de diversos Salões 
de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa 
considerável espaço em sua produção 
chegando a participar do coletivo IN-GRA-
FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas 
cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft.
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GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA
Esporte de Participação,
Educacional, de Rendimento 
e de Formação
Especificidades e políticas no Brasil
André Accioly Nogueira Machado
Lívia Marques Quixadá
4
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
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ESPORTE: DEFINIÇÕES, 
ESPECIFICIDADES E 
CONTEXTOS
A IMPORTÂNCIA DO ESPORTE NA 
SAÚDE, ECONOMIA E SOCIEDADE
AS DIMENSÕES DO ESPORTE E 
SUAS DEFINIÇÕES, EXEMPLOS E 
POLÍTICAS ASSOCIADAS
CONSIDERAÇÕES FINAIS 5
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APRESENTAÇÃO
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Diariamente, você e a sociedade como um todo devem se deparar com informações acerca de espor-
tes nos mais diversos meios e suportes 
de comunicação. O esporte, historica-
mente, está presente na vida de todos, 
seja através dos meios de comunicação 
mais tradicionais, como jornais, TV e rá-
dio, seja nas redes sociais, nos eventos 
esportivos, nos anúncios e propagandas, 
na venda de materiais esportivos ou de 
álbuns de figurinhas, nas recomendações 
e espaços para a sua prática, em casa, na 
escola, na boca de torcedores em todo lu-
gar, entre outros. Ou seja, o esporte, nas 
suas mais diversas modalidades, é um 
fenômeno completamente enraizado na 
cultura e nos costumes da sociedade 
contemporânea. 
Atualmente, o esporte se apresen-
ta enquanto um fenômeno sociocultural 
complexo e multifacetado, com ampla 
disseminação mundial, cada vez mais 
presente na sociedade e bem estabeleci-
do enquanto patrimônio da humanidade 
(BENTO, 2006). Pode-se destacar tam-
bém que o esporte atinge cada vez mais 
pessoas interessadas em sua prática e 
mantém relação com o campo da saúde, 
educação, turismo, economia, entre ou-
tros, conferindo particularidade interdis-
ciplinar (TUBINO 2002). 
Com tantas características e dife-
renças entre si, os esportes são dividi-
dos em modalidades e tipos esportivos. 
Cada esporte tem hoje seu espaço, suas 
regras, seus objetivos e materiais. Mas, 
além disso, os esportes também são 
categorizados em dimensões, mas com 
uma divisão feita de tal maneira que uma 
modalidade pode estar presente em to-
das as dimensões. O que trará a diferen-
ça será o nível de tratamento do esporte, 
ambiente e objetivos a serem alcançados 
em cada dimensão. 
Vamos bater um papo sobre isso 
neste módulo, no qual esperamos que, 
ao final, você possa: (1) Compreender os 
aspectos básicos para a conceituação de 
esporte, sua classificação e políticas nor-
teadoras; e (2) Diferenciar as dimensões 
do esporte de acordo com suas caracte-
rísticas, objetivos e habilidades no con-
texto de sua prática.
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Apesar do termo “esporte” ser bem compreendido dentro do senso comum, no âmbito acadêmico se 
faz necessário uma maior discussão e 
melhor definição de termos e conceitos. 
Nesse contexto, surgem alguns questio-
namentos: o que é esporte? O esporte, 
enquanto manifestação sociocultural, 
apresenta o mesmo sentido quando pra-
ticado na rua, nas escolas ou nos grandes 
eventos desportivos? É possível que um 
único conceito de esporte seja abrangen-
te o suficiente para compreender estas 
diferentes manifestações? 
Tal qual acontece com outras ma-
nifestações culturais, o esporte oferece 
amplas possibilidades e significados em 
seu desenvolvimento (BOURDIEU, 1990). 
Não podemos esquecer que a exemplo de 
práticas corporais de aventura, tal qual o 
surfe, algumas modalidades podem ser 
classificadas como esporte sob certas 
circunstâncias, e quando as circunstân-
cias mudam, este significado também 
muda (BARBANTI, 2006).
A partir da observação dessas exten-
sas possibilidades, percebe-se uma difi-
culdade em compreender e, consequente-
mente, em definir o que vem a ser esporte 
e qual lugar ele ocupa no mundo moderno.
Acredita-se que a palavra esporte 
tenha sua origem da palavra francesa 
deport, que pode significar prazer, diver-
tir ou recreio. Com o passar dos anos, à 
luz de processos dedesenvolvimento e 
internacionalização, o termo sofre uma 
2
ressignificação e adquire novos sentidos. 
Aparentemente, a expansão vertiginosa 
no número de modalidades, causada pela 
criação de novas e/ou em decorrência de 
mudanças em modalidades já existentes, 
junto à divulgação, aprimoramento nas 
regras e contextos de prática parecem ter 
influenciado fortemente este fenômeno 
(MARCHI JUNIOR, 2015).
Barbanti (2006) afirma que existem 
três requisitos básicos a serem contem-
plados no desenvolvimento de uma defi-
nição contemporânea de esporte. 
O primeiro nos remete aos tipos es-
pecíficos de atividades, uma vez que di-
versos conceitos contemplam a percep-
ção que esportes são necessariamente 
praticados em condições de exigência 
física. Dessa forma, atividades como o 
xadrez e e-sports poderiam não ser clas-
sificados como tal. 
O segundo refere-se às condições 
em que o esporte acontece. Nessa pers-
pectiva, o esporte deve acontecer sob um 
conjunto particular de circunstâncias, 
apresentando seu desenvolvimento em 
situações que podem ir da informalida-
de a condições formais e organizadas de 
forma institucionalizada. 
Por último, o esporte depende da 
orientação subjetiva dos praticantes. 
Aqui você deve levar em consideração 
aspectos que vão da motivação intrínseca 
no envolvimento na atividade aos fatores 
externos ao sujeito, como troféus, meda-
lhas e dinheiro. 
PARA REFLETIR
Valdir José Barbanti, em 2006, de-
finiu esporte como “uma atividade 
competitiva institucionalizada que 
envolve esforço físico vigoroso 
ou o uso de habilidades motoras 
relativamente complexas, por in-
divíduos, cuja participação é mo-
tivada por uma combinação de 
fatores intrínsecos e extrínsecos”.
Jim Parry, filósofo do esporte inglês, 
apresenta um conceito construído a par-
tir de critérios claros e objetivos que têm 
a finalidade de definir o que é esporte. 
Parry (2014) afirma que, para ser enten-
dida enquanto esporte, qualquer ativida-
de deve atender aos seguintes critérios: 
(1) o esporte é praticado em essência 
por seres humanos, devendo objetivar o 
desenvolvimento do mesmo; 
(2) o esporte sempre demanda esforço 
físico, em variadas intensidades; 
(3) todas as habilidades relacionadas ao 
esporte devem ser estimuladas e desen-
volvidas em contexto prático e pedagó-
gico; 
(4) presença de aspectos competitivos 
e uma prática que busque a excelência 
esportiva; 
(5) a existência de regras estabelecidas 
e que determinam a prática; 
ESPORTE: DEFINIÇÕES, 
ESPECIFICIDADES E 
CONTEXTOS
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(6) o aspecto estrutural e organizacional 
do esporte pelo qual as regras e a parti-
cipação em alguns contextos são fiscali-
zadas; por último, 
(7) destacamos os valores intrínsecos e 
extrínsecos do esporte, que definem as 
características da prática em diversos 
grupos.
Nessa perspectiva, se faz necessário 
classificar as modalidades esportivas a 
partir de suas características. Com o es-
tabelecimento de critérios claros é possí-
vel definir categorias, facilitando o enten-
dimento do esporte e de sua organização. 
González (2004) propõe um siste-
ma de classificação das modalidades de 
acordo com os seguintes critérios: 
a. cooperação, podendo ser prati-
cado de forma individual ou co-
letiva; 
b. interação com o(a) adversá-
rio(a), característicos dos espor-
tes com oposição direta;
c. ambiente, justificado pela possi-
bilidade do ambiente de prática 
oferecer incertezas para o(a) 
praticante; 
d. desempenho motor, como este 
se expressa na modalidade; e
e. objetivos táticos da ação, repre-
sentado por meio da exigência 
imposta aos (às) participantes.
Observando as amplas possibilida-
des de conceituação e classificação, você 
pode perceber que o esporte é um cam-
po vasto, com diferentes possibilidades 
de expressão. Dessa forma, não pode ser 
entendido de uma única maneira, e sim 
a partir da expressão de seus diferentes 
contextos, sentido da prática e forma em 
que o mesmo é praticado (STIGGER, 2002).
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Perceba que a ampla oportunidade da prática esportiva em diferentes contextos para a população exerce 
profunda influência em diversos aspec-
tos. O aumento na prática de atividade 
física, que contempla a prática esportiva, 
contribui de forma decisiva para ganhos 
para a saúde individual e, por consequên-
cia, à saúde pública. Dessa forma, impac-
tando diretamente na redução de custos 
relacionados ao tratamento de doenças 
crônico degenerativas e internações 
hospitalares.
Além do impacto econômico prove-
niente dos benefícios à saúde dos indi-
víduos, o esporte, expresso através dos 
grandes eventos esportivos, também 
pode trazer contribuições significativas à 
economia de muitos países. Esse impac-
to econômico se revela de forma direta, 
quando muitos profissionais do espor-
te são remunerados(as) por isso, como 
atletas, treinadores(as), técnicos(as), 
árbitros(as) etc. Outros, exploram o es-
petáculo esportivo de forma indireta, tal 
como a indústria de material esportivo, o 
comércio de forma geral, além de setores 
alimentícios, turísticos e da comunicação. 
A exemplo disto, a Copa do Mundo de fu-
tebol do Catar, por exemplo, movimentou 
um volume de aproximadamente 220 mi-
lhões de dólares de investimento. Este 
valor é cerca de vinte vezes maior do que 
os valores investidos na Copa do Brasil 
em 2014.
Nesse contexto, políticas públicas no 
Brasil têm assegurado a inclusão social 
através do esporte e ajudado atletas a 
superar desigualdades. Perceba que nas 
Olimpíadas do Rio, em 2016, o atleta Isa-
quias Queiroz conquistou três medalhas 
na canoagem, o atleta Robson Conceição 
foi medalha de ouro no boxe e a judoca 
Rafaela Silva também campeã em sua ca-
tegoria. É bastante interessante, quando 
reconhecemos que esses três atletas 
chegaram no esporte por meio de proje-
tos sociais, como o Segundo Tempo e o 
Bolsa-Atleta. E mais: das dezenove me-
dalhas conquistadas pelo Brasil em 2016, 
dezessete foram conquistadas também 
por beneficiários do Bolsa- Atleta.
A IMPORTÂNCIA DO ESPORTE 
NA SAÚDE, ECONOMIA E 
SOCIEDADE
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Você, professor(a), já sabe o que é o esporte, suas especificidades, di-ferenças de outras práticas e sua 
importância para a sociedade. De acordo 
com Política Nacional do Esporte, três di-
mensões de prática e de ensino construí-
am o esporte no Brasil:
 Î Esporte de Participação;
 Î Esporte Educacional; e 
 Î Esporte de Rendimento. 
E, para somar com as três dimen-
sões citadas acima, os esportes ganha-
ram mais uma dimensão: a de Formação, 
ficando assim quatro divisões que serão 
tratadas neste módulo. 
TÁ NA LEI
Foi por meio da Lei Pelé (nº 
13.155/2015) que o esporte no Bra-
sil ganhou mais uma dimensão, 
além das três criadas inicialmente. 
Foi incluído o Esporte de Formação.
Você leu, no início deste módulo, que 
esportes têm regras, lugares e materiais 
específicos que devem ser seguidos em 
cada modalidade. 
4
AS DIMENSÕES DO ESPORTE E 
SUAS DEFINIÇÕES, EXEMPLOS 
E POLÍTICAS ASSOCIADAS
O Esporte de Participação é a di-
mensão em que se pode praticar alguma 
modalidade (à sua escolha) de forma mais 
voluntária, sem necessidade de cumprir 
as características oficiais exemplificadas 
anteriormente. Ele tem como finalidade: 
(1) oportunizar as mais diversificadas ati-
vidades físicas e esportivas para indivídu-
os de variadas idades; (2) desenvolver a 
saúde individual e coletiva e educação; (3) 
favorecer a integração de quem a pratica 
em uma plena vida social e preservação 
do meio ambiente. 
Percebe-seque seu caráter se apre-
senta ligado ao lazer, podendo gerar, além 
dos objetivos citados acima, bem-estar, 
inclusão e integração. Observe que nele 
não necessitamos seguir regras, lugares 
e materiais oficiais das modalidades es-
portivas. A sua democratização acontece 
naturalmente, sendo bastante acessível 
e fortalecendo a ideia de que o esporte é 
para todos(as).
Favorecendo momentos e sentimen-
to de bem-estar, exemplos de manifes-
tações dessa dimensão esportiva são: a 
prática em si dos esportes, os jogos, as 
brincadeiras, as atividades de lazer e vi-
vências com ludicidade. Todos envolven-
do desportos em suas diversas modali-
dades, porém, com mais flexibilidade e 
espontaneidade. 
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Um dos primeiros documentos que 
garantiram o esporte e o lazer como di-
reitos da sociedade pelo Estado foi a 
Constituição Brasileira de 1988, a deno-
minada “Constituição Cidadã”. O artigo 
217 traz formalmente as obrigações do 
Estado (abrangendo União, o Distrito Fe-
deral, os estados e os municípios e o) no 
que se refere ao esporte.
E quais seriam as obrigações do Es-
tado acerca dos esportes*? Confira:
I - a autonomia das entidades des-
portivas dirigentes e associações, quanto 
à sua organização e funcionamento;
II - a destinação de recursos públicos 
para a promoção prioritária do desporto 
educacional e, em casos específicos, para 
a do desporto de alto rendimento;
III – o tratamento diferenciado para o 
desporto profissional e o não profissional;
IV - a proteção e o incentivo às mani-
festações desportivas de criação nacional.
(*) elaborado pelos autores com base em Brasil 
(Constituição 1988, Art. 217).
Ao lado da Constituição Federal e da 
Lei Pelé, outro documento importante 
para a compreensão do esporte como di-
reito social, foi a Carta Brasileira de Edu-
cação Física, cujo conteúdo explana que 
a Educação Física não é uma obrigação, 
mas, sim, um direito fundamental.
Vejamos agora o Esporte Educacional. 
Essa dimensão é bastante ligada a 
escolas, porém não se restringe a elas, 
podendo acontecer fora delas. O Esporte 
Educacional se preocupa com a prática e 
aprendizado esportivo em si, possuindo 
metodologias próprias de ensino, mas, da 
mesma forma, seu objetivo é promover 
e atingir o desenvolvimento integral dos 
indivíduos. Visa formar o ser humano 
para que possa exercer uma cidadania de 
forma exitosa e ativa, como no lazer. 
Assim como possui objetivos a se-
rem alcançados, possui também pontos 
e circunstâncias a serem evitadas: nes-
sa dimensão há o combate e a preven-
ção de situações como segregação en-
tre os(as) praticantes (seletividade) e a 
competitividade em grau elevado. Essa 
dimensão pode ser subdividida em dois 
grupos: (1) Educacional propriamente 
dito e (2) Escolar:
 Î Educacional propriamente dito: tem 
como valores norteadores a inclusão, 
promoção da saúde, cooperação e co-
educação, responsabilidade e partici-
pação. Pode existir dentro e fora de es-
colas e colégios. Você pode observar, 
como exemplo, o projeto “Aprendendo 
em Movimento”, que leva a capoeira 
para crianças e adolescentes em es-
colas e comunidades em Fortaleza 
com o intuito de acompanhar os jo-
vens, auxiliá-los em suas vidas fami-
liar e escolar.
 Î Escolar: realizado dentro da escola 
e abrangendo também o esporte na 
universidade. Seus objetivos envol-
vem (1) desenvolver habilidades e 
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espírito esportivos, (2) uma formação 
cidadã, (3) promoção da saúde e (4) 
auxiliar o cultivo de potencialidades 
para o desporto de rendimento. Nes-
se âmbito, um bom exemplo são os 
Jogos Intercolegiais Cordimarianos 
(JICs), que reúnem times de diferentes 
modalidades de uma rede de escolas 
de Fortaleza e outras cidades. Traba-
lham com os(as) alunos(as) a prática 
dos esportes, a responsabilidade com 
os(as) próprios(as) colegas e com 
os(as) jovens de outros grupos, além 
de, ao longo da competição, a forma-
ção humana. 
Sobre o ambiente escolar, observa-
mos que documentos, como a Lei de Di-
retrizes e Bases da Educação Nacional 
(LDB) e a Base Nacional Comum Curri-
cular (BNCC), definem a Educação Físi-
ca como obrigatória no ensino básico e 
organizam seus conteúdos de acordo 
com as séries. Também os Parâmetros 
Curriculares Nacionais (PCNs), documen-
to que conjuntamente norteia a Educação 
Física, auxiliam no combate à seletivida-
de e exclusão.
CURIOSIDADE
Em relação às dimensões esporti-
vas, o Esporte Educacional é tratado 
com prioridade na distribuição de 
recursos públicos pela nossa Cons-
tituição.
A terceira dimensão é o Esporte de 
Rendimento. Nele, os objetivos envolvem 
a integração de diferentes populações, 
sociedades ou grupos, podendo ser den-
tro de um mesmo país (nível nacional) e 
também entre países diferentes (nível in-
ternacional), tudo isso por meio de com-
petições e eventos que buscam o alcance 
de bons resultados por aqueles(as) que 
praticam os esportes.
Exemplos de Esporte de Rendimento 
são as grandes competições que envol-
vem várias modalidades, como as Olimpí-
adas e Paraolimpíadas, competições que 
envolvem apenas uma modalidade, como 
a Copa do Mundo de Futebol, e aquelas 
que acontecem a níveis nacionais, regio-
nais, estaduais ou até municipais, como 
copas ou torneios entre times de diferen-
tes comunidades.
Observe: diferente do Esporte de 
Participação, no qual as regras podem ser 
modificadas e adaptadas para cada rea-
lidade, nesta dimensão as modalidades 
praticadas devem seguir rigorosamente 
as regras nacionais e internacionais, no 
que se refere à questão de espaço, tempo, 
materiais e participantes, dentre outros 
pontos.
Em relação aos(às) praticantes, es-
ses(as) podem ser divididos(as) em dois 
grupos: profissionais e não profissionais, 
onde a diferença é que o primeiro recebe 
recursos financeiros por jogar e partici-
par de competições. 
Para finalizar as quatro dimensões 
dos esportes, temos o Esporte de Forma-
ção. Como você já leu no início desse tó-
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lidades básicas em relação ao esporte 
escolhido com o objetivo de aperfeiçoar 
a sua prática cada vez mais. Exemplo 
disso, em escolas, são as “escolinhas”, 
onde os(as) alunos(as) aprendem desde 
o básico de alguma modalidade espor-
tiva e vão se aperfeiçoando com o tem-
po. Em ambientes de lazer, como pra-
ças ou campinhos, você pode encontrar 
projetos em que técnicos(as) formam 
turmas com indivíduos de uma comuni-
dade para treinar uma determinada mo-
dalidade esportiva. Os praticantes dessa 
iniciação esportiva podem tanto cami-
nhar para participação em competições, 
como para a utilização das habilidades 
adquiridas em sua rotina e lazer.
pico, ele foi criado apenas em 2015, anos 
depois das demais dimensões aqui apre-
sentadas. Os Esportes de Participação, 
Educacional e de Rendimento abrangem 
o ambiente de competições, o ambiente 
de lazer e o ambiente de educação.
O Esporte de Formação tem como 
característica a possibilidade de acon-
tecer em praças ou áreas de lazer, em 
escolas, dentro de projetos sociais e em 
ambientes de competição. E o que vai di-
ferenciar e apontá-lo, então, como sendo 
de Formação? Será a etapa em que o(a) 
atleta está e o objetivo naquele momen-
to. Vamos entender: nessa dimensão é 
tratada a iniciação esportiva daquele 
indivíduo, na qual ele desenvolve habi-
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Você aprendeu neste módulo que o mundo dos esportes é amplo e abrange diferentes objetivos, além 
de torneios e competições, observado 
nas variadas plataformas de informação. 
Primeiramente, pôde notar que para con-
ceituar o esportedeve observar pontos 
como: (1) o tipo de atividade que se está 
praticando ou trabalhando, (2) as condi-
ções em que ela está acontecendo e (3) as 
orientações que envolvem aquela prática. 
As atividades consideradas espor-
tes reúnem aspectos físicos, nos quais 
os participantes necessitam demandar 
esforço físico, trabalhar seu desempenho 
e habilidades motoras e seu desenvolvi-
mento de técnicas em cada modalidade. 
Também reúnem aspectos cogniti-
vos, onde o praticante deve trabalhar tá-
ticas de ações, o desdobramento do ensi-
no-aprendizagem (pedagogia que gera o 
aprendizado), o entendimento de regras e 
da organização de cada jogo.
Também observou os aspectos de 
comportamento e relações, nos quais 
são trabalhadas as relações entre os(as) 
praticantes, seus(uas) colegas, seus(uas) 
adversários e o ambiente. Inclui-se aqui 
também o saber lidar com a competitivi-
dade intrínseca ao mundo esportivo e a 
aquisição, ao longo das práticas, de valo-
res enquanto atletas e pessoais. 
CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
Por fim, você aprendeu sobre as qua-
tro dimensões dos esportes. Em relação 
à escolha de qual delas você deve seguir 
como praticante ou como profissional da 
área de Educação Física, observe e pon-
dere três principais pontos: 
 Î os objetivos que quer alcançar;
 Î as possibilidades do tempo pre-
sente e futuro de cada; e 
 Î qual ambiente você está ou quer 
estar inserido. 
Cada uma das dimensões aqui tra-
balhadas possui seus próprios objetivos: 
em uma a saúde e lazer como prioridade 
(Participação), em outra o aprendizado de 
habilidades esportivas (Formação), em 
outra, ainda, a inclusão e integração entre 
os participantes (Educacional) e em ou-
tra a competição e relações entre nações 
(Rendimento).
Contemplando todos os ambientes, 
níveis de acessibilidade e finalidades 
possíveis, o esporte é um fenômeno que 
pode e deve ser possibilitado a todos(as), 
seja como praticantes, como professo-
res(as)/técnicos(as)/monitores(as), seja 
como iniciantes ou como profissionais. 
O esporte é direito legal e fundamen-
tal de todos(a) e importante para a so-
ciedade no sentido da saúde, economia e 
gerando até perspectiva de vida. 
Vamos praticar?
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Apoio: Patrocínio: Realização:
CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO
FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral 
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Todos os direitos desta edição reservados à:
AUTORES
André Accioly Nogueira Machado
Professor adjunto do curso de gradua-
ção em Educação Física da Universidade 
Estadual do Ceará (Uece). Doutor em Ci-
ências-Fisiologia, pela UFRJ. Mestre em 
Ciências Fisiológicas (Uece). Graduado 
em EducaçãoFísica pela Universidade 
de Fortaleza (Unifor). Professor e pes-
quisador do Núcleo de Investigação em 
Atividade Física na Escola (Niafe-Uece). 
Atualmente, atuando na área de Práticas 
Corporais de Aventura.
Lívia Marques Quixadá
Graduada em Educação Física e espe-
cialista em Educação Física Escolar, am-
bas pela Universidade Estadual do Cea-
rá (Uece). Professora e pesquisadora do 
Núcleo de Investigação em Atividade Fí-
sica na Escola (Niafe-Uece). Atuante em 
colégios nos níveis infantil e fundamental 
com Educação Física e ensino de Karatê. 
Possui pesquisas e trabalhos na área de 
Educação Física Escolar, Atividade Física 
e Saúde e Comportamento Sedentário.
ILUSTRADOR
Carlus Campos
Artista visual que há mais de 30 anos é 
ilustrador do Jornal O POVO. Na produção 
de suas ilustrações, utiliza várias lingua-
gens como: desenho, pintura, aquarela, 
gravura e fotografia. Ao longo dos anos 
90, além de ganhar diversos prêmios com 
arte gráfica, fez incursões pelas artes 
plásticas participando de diversos Salões 
de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa 
considerável espaço em sua produção 
chegando a participar do coletivo IN-GRA-
FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas 
cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft.
GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA
Gestão Multidisciplinar 
do Esporte na Escola
Braulio Nogueira de Oliveira
5
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
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CONCEITO DE 
MULTIDISCIPLINARIDADE
70
GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO 
ESPORTE NAS DISCIPLINAS 
CURRICULARES
72
GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO 
ESPORTE ESCOLAR
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CONSIDERAÇÕES FINAIS 5
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APRESENTAÇÃO 
1
Nesse módulo você irá aprender sobre a gestão multidisciplinar do esporte na perspectiva do trabalho escolar.
Inicialmente, será abordado o con-
ceito de multidisciplinaridade e sua 
interface com o esporte. Em segundo 
momento, será discutido a gestão mul-
tidisciplinar do esporte na escola em 
duas perspectivas: (1) nas disciplinas 
curriculares, especialmente na Educa-
ção Física; e (2) no esporte escolar (nas 
chamadas escolinhas esportivas), indo 
desde a iniciação esportiva à formação 
das equipes escolares. 
Nesse contexto, cabe destacar a pos-
sibilidade de articulação da gestão mul-
tidisciplinar do esporte com os distintos 
componentes curriculares da Educação 
Básica, como também com os distintos 
profissionais, sejam eles vinculados à 
própria escola, ou mesmo por meio de 
articulação intersetorial.
Para este módulo, trazemos como 
objetivos de aprendizagem: (1) Com-
preender o conceito de multidiscipli-
naridade e sua mobilização na gestão 
multidisciplinar do esporte na escola; 
(2) Articular a gestão multidisciplinar do 
esporte na perspectiva das disciplinas 
curriculares da educação básica; (3) Ar-
ticular a gestão multidisciplinar do es-
porte na perspectiva do esporte escolar; 
e (4) Demonstrar capacidade de gestão e 
liderança, ao entender o esporte em sua 
dimensão sociocultural e pedagógica na 
formação das identidades.
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Em geral, quando você ouve ou vê o termo “multidisciplinar”, automati-camente pensa em algo que envol-
ve diferentes disciplinas em prol de um 
objetivo em comum. Contudo sua abor-
dagem se torna complexa, na medida em 
que para que tal objetivo possa ser alcan-
çado, é preciso diálogo entre essas distin-
tas disciplinas. Vejamos:
“A multidisciplinaridade, como con-
cepção epistemológica, remonta à visão 
cartesiana moderna para a qual cada dis-
ciplina constitui-se num saber específico, 
com objeto determinado, com fronteiras 
delimitadas e com métodos próprios. 
Pressupõe, em sua origem, que o conhe-
cimento pode ser construído consideran-
do-se o objeto como algo isolado de um 
todo e que pode ser dividido e analisado 
em partes (disciplinas).” (MARTINAZZO; 
CHEROBINI, 2014, p. 472).
Considerando o conceito ora apre-
sentado, você pode observar que a críti-
ca da autoria com relação a abordagem 
multidisciplinar na escola recai sobre 
cada professor(a) ou disciplina curricular. 
Ainda que todos(as) abordem o mesmo 
tema, o fazem com seu próprio viés, sem 
considerar as contribuições das demais 
disciplinas no que se refere a interações 
e conexões.
Uma abordagem multidisciplinar 
(tradicional) do Esporte enquanto conte-
údo poderia ser a seguinte relação entre 
distintas disciplinas (sem diálogo entre 
si) e o mesmo tema (esporte):
2
• Educação Física - preparação fí-
sica e esportiva; 
• Matemática - análise de desem-
penho e eficiência de atletas no 
esporte via scout; 
• História - origem e principais fa-
tos históricos de um determinado; 
• Biologia - alterações fisiológicas 
durante o exercício físico.
Você deve perceber que são conte-
údos que poderiam ser abordados em 
conjunto. O mesmo ocorre quando essa 
mesma lógica, no âmbito da gestão multi-
disciplinar, atinge a dimensão de distintas 
profissões que atuam no esporte: profis-
sional de Educação Física; Psicólogo do 
Esporte; Analista de Desempenho; Fisio-
logista, Administrador, entre outros.
Na acepção aqui trabalhada, a ges-
tão multidisciplinar aparece mais alinha-
da ao conceito de interdisciplinariedade. 
Nessa linha, pensando do ponto de vista 
prático, além de trabalhar uma mesma 
temática, as distintas disciplinas, em 
constante diálogo, atuariam de modo in-
tercomplementar, quando não de modo 
concomitante (ao mesmo tempo). Nesse 
sentido, as disciplinas Educação Física, 
Matemática, História e Biologia (citados 
no exemplo anterior, mas que você pode 
até pensar em outras) abordariam um 
mesmo tema, de modo complementar, 
respondendo a questões que são mais 
próprias de uma ou de outra, mas que 
todas podem contribuir, a saber: como 
se relacionam o treinamento aeróbico ou 
anaeróbico, suas alterações fisiológicas e 
as mudanças na prática de treinamento 
esportivo no decorrer dos anos? Como se 
relacionam os fatos históricos esportivos 
e a história, política e cultura do país? Que 
outras estratégias e táticas podem ser 
pensadas, a partir da análise estatística 
de desempenho? Você verá mais sobre 
isso no tópico “Disciplinas Curriculares”.
ATENÇÃO!
Compreendemos a interdisciplina-
ridade e a intercomplementaridade 
como concepções que apresentam 
aspectos em comum, uma vez que 
ambas comportam os conceitos 
mais fundamentais de cada espe-
cialidade enquanto necessários 
para outras áreas, quando, de fato, 
o estudo, a significação de conceitos 
de uma área, potencializa as ações 
de outra(s). (AUTH, 1994, p. 394)
Os exemplos citados servem para 
pensar não somente a gestão multidis-
ciplinar do esporte no âmbito das disci-
plinas escolares, como também das dis-
tintas profissões que trabalham com o 
esporte. Urge a necessidade de diálogo 
entre as diferentes categorias, tais como 
administradores, fisioterapeutas, profis-
CONCEITO DE 
MULTIDISCIPLINARIDADE
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LAsionais de Educação Física, psicólogos, 
nutricionistas. Mas como articular tudo 
isso na escola? É o que você verá no tópi-
co sobre o esporte escolar. 
Vejamos a seguir um Estudo de Caso:
Uma dinâmica interessante para o 
entendimento mais ampliado de uma 
gestão ou trabalho multidisciplinar parte 
de uma prática em grupo. 
Divida a turma em dois grupos, com 
objetivo de confeccionar um desenho re-
lativo à prática de algum esporte, deven-
do constar cabeça, tronco e membros. É 
importante a definição antecipada sobre 
o desenho, bem como disponibilizar os 
materiais.
Para o primeiro grupo, disponibili-
ze uma cartolina, pincéis e lápis de cor. 
A orientação é que conversem entre si 
e que produzam o desenho da forma de 
que for mais conveniente. 
No caso do segundo grupo, você de-
verá subdividi-lo em três subgrupos. Re-
corte a cartolina em três partes iguais, 
na horizontal, e disponha uma parte da 
cartolina,pincéis e lápis de cor para cada 
subgrupo. Os subgrupos não poderão dia-
logar entre eles, mas tão somente interna-
mente. Após garantir que não haverá diá-
logo entre os distintos subgrupos, solicite 
que um grupo desenhe cabeça e pescoço, 
outro o tronco e membros superiores e o 
outro os membros inferiores. Finalizado 
esse desenho, junte as três partes.
Como resultado final, provavelmente 
você terá como fruto do trabalho do pri-
meiro grupo um desenho simetricamente 
alinhado, e do trabalho do segundo grupo 
tamanhos distintos que não se encaixam 
corretamente. É importante solicitar que 
os(as) próprios(as) alunos(as) reflitam 
sobre a vivência. 
Em segundo momento, aponte o 
quanto é importante o diálogo entre os 
diferentes saberes (disciplinas) para 
atingir um objetivo específico de modo 
mais profundo e eficiente, no qual cada 
um contribui de modo complementar, a 
exemplo do trabalho desenvolvido pelo 
primeiro grupo.
Neste grupo, provavelmente cada 
um assumiu as funções as quais estava 
mais preparado (seja ela desenhar, orien-
tar, pensar que cores utilizar...), ainda que 
dialogando com quem era responsável 
por outras funções. Sem diálogo entre as 
distintas disciplinas, mesmo que com o 
mesmo objetivo, o produto pode estar de-
salinhado com aquilo que se espera. Em 
síntese, podemos conceber que na ges-
tão multidisciplinar, o todo é maior que 
a mera soma das partes.
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A articulação das distintas disciplinas em torno de um projeto em comum não é algo propriamente novo no 
âmbito escolar. Você deve conhecer algu-
mas experiências exitosas que nos reve-
lam abordagens multidisciplinares, tais 
como alguns currículos construtivistas. 
Na verdade, a multidisciplinaridade se 
institucionaliza parcialmente enquanto 
política no Brasil na medida em que são 
constituídas áreas de conhecimento. Em-
bora a Base Nacional Comum Curricular 
(BNCC) possa (e deva) ser questionada, 
traz consigo um elemento interessante 
que é, justamente, a interface entre distin-
tas disciplinas em áreas do conhecimen-
to, ainda que na forma de competências. 
Uma configuração que não necessaria-
mente se manifesta na prática, conside-
rando que essa subdivisão por áreas de 
conhecimento já era prevista nos Parâ-
metros Curriculares Nacionais (PCNs). 
Nesse sentido, a Educação Física, 
que é responsável principal por arti-
cular o tema dos Esportes, se constitui 
enquanto Unidade Temática que apare-
ce de modo explícito apenas na área de 
conhecimento Linguagens, no caso do 
ensino fundamental. Na educação in-
fantil pode trabalhar alguns campos de 
experiência e, no ensino médio, integra 
área da Linguagens e suas Tecnologias, 
embora apenas Língua Portuguesa te-
nha habilidades detalhadas nesse nível 
(BRASIL, 2018). Mas, afinal, quais as 
possibilidades de articular a gestão mul-
tidisciplinar do esporte na perspectiva 
das disciplinas curriculares?
GESTÃO MULTIDISCIPLINAR 
DO ESPORTE NAS 
DISCIPLINAS CURRICULARES
SAIBA MAIS
Aqui você pode identificar al-
gumas experiências exitosas que 
abordaram a gestão multidiscipli-
nar do esporte em componentes 
curriculares da educação básica.
• Experiência curricular que 
articula a questão do espor-
te com a sociologia: o estudo 
evidencia que as interven-
ções pedagógicas podem ser 
mais bem contextualizadas e 
ampliadas, no intuito de con-
tribuir de maneira positiva e 
crítica na formação das sub-
jetividades das crianças e dos 
jovens (MEZZAROBA, 2012). 
Para saber mais, consulte: 
http://ri.ufs.br/jspui/handle/
riufs/11613
• Experiência curricular que ar-
ticula a questão do esporte e 
as áreas de Educação Física e 
Ciências no ensino fundamen-
tal. Ao abordar, por exemplo, 
o tema “Composição corporal 
e nutrição para o esporte”, 
foi possível reconhecer a im-
portância da atividade física 
para a saúde; compreender o 
que é Índice de Massa Corpo-
ral (IMC); e realizar práticas 
para compreender a relação 
da composição corporal e o 
IMC (LEMKE, 2020). Para sa-
ber mais, consulte: https://
rd.uffs.edu.br/bitstream/pre-
fix/4136/1/LEMKE.pdf
• Experiência curricular que ar-
ticula uma atividade compar-
tilhada entre professores de 
Educação Física, Matemática, 
Produção Textual e Writing, 
em que os estudantes foram 
desafiados a elaborarem um 
artigo científico, realizando 
uma coleta de dados relacio-
nados à saúde (Relação Cin-
tura Quadril, Índice de Massa 
Corporal e Percentual de Gor-
dura Corporal) (BRAVALHERI; 
ALMEIDA, 2022). Para saber 
mais, consulte: https://www.
cp2.g12.br/ojs/index.php/te-
masemedfisicaescolar/arti-
cle/view/2926
http://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/11613
http://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/11613
https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/4136/1/LEMKE.pdf
https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/4136/1/LEMKE.pdf
https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/4136/1/LEMKE.pdf
https://www.cp2.g12.br/ojs/index.php/temasemedfisicaescolar/article/view/2926
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LApoder presentes nas práticas corporais; e 
a última sobre a violência no futebol, que 
demanda conhecer aspectos históricos, 
sociológicos e culturais do esporte, além 
do modo em que aparece na mídia. Evi-
dentemente, essas questões envolvem 
saberes de distintas disciplinas: História, 
Sociologia, Filosofia, Educação Física, en-
tre outras.
Você sabe que o(a) professor(a) des-
sas disciplinas podem abordar a temáti-
ca do esporte, embora seja uma Unidade 
Temática específica da Educação Física. 
O(a) professor(a) pode realizar uma abor-
dagem multidisciplinar mesmo que sem 
articular com outros(as) professores(as), 
mas dialogando com saberes que são 
próprios de outras disciplinas.
Na Educação Física, por exemplo, as 
Unidades Temáticas são práticas corpo-
rais que por sua vez podem ser entendi-
das como “textos culturais passíveis de 
leitura e produção” (BRASIL, 2018, p. 214). 
Nesse sentido, olhar uma prática espor-
tiva e “ler” de modo proficiente tais tex-
tos culturais significa não somente saber 
praticar, mas também conhecer aspec-
tos históricos, culturais, sociológicos, 
biológicos, dentre outros saberes. Assim, 
fortalecemos a justiça social e evitamos 
a recorrência de práticas profundamente 
equivocadas das quais você ainda na atu-
alidade assistimos, por exemplo: você sa-
bia que o futebol excluía pessoas negras? 
Que as mulheres não podiam praticá-lo, 
mesmo no país do futebol? A resposta 
para essas questões permeia distintos 
componentes curriculares, mas encontra 
a Educação Física como disciplina privile-
giada para sua abordagem, especialmen-
te em uma perspectiva multidisciplinar. 
Vale ressaltar que seus alunos prova-
velmente saberão discutir tais questões, 
caso você não articule tais temas em 
suas práticas.
Conforme você observou no conceito 
de multidisciplinaridade, uma premissa 
crucial é o diálogo entre as distintas dis-
ciplinas. Assim, urge a necessidade de 
diálogo entre os (as) professores(as) das 
distintas disciplinas em torno do tema do 
esporte. Uma das possibilidades é a par-
tir das questões do Exame Nacional do 
Ensino Médio (Enem). Se considerarmos 
apenas a edição do Enem de 2022, por 
exemplo, havia pelo menos três questões 
que tematizavam diretamente o esporte. 
Uma delas sobre a história da prática do 
mountainboard, que demanda conhecer 
as principais marcas das atividades da 
aventura; outra sobre a prática do skate 
por mulheres, que envolve a análise de 
preconceitos, estereótipos e relações de 
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Pensar o esporte escolar remete à perspectivado trabalho que vai além das disciplinas curriculares na dire-
ção da iniciação esportiva (ou iniciação 
esportiva tardia), seguindo até a formação 
das equipes da escola das distintas mo-
dalidades individuais e coletivas. Logo, a 
prática esportiva assume um patamar 
ainda mais relevante em relação a sua 
abordagem curricular, que pode ocorrer 
por meio de projetos multidisciplinares 
na escola e perdurar por todo o ano letivo. 
Contudo, as deficiências estruturais nas 
escolas também passam a ter um peso 
maior. Nesse âmbito, se torna oportu-
no um grande fôlego para oportunizar 
treinos em cada escola, garantir a con-
tabilização da carga horária para o(a) 
professor(a) de Educação Física, espaço 
e material adequado, entre outras de-
mandas, considerando não só a cultura 
esportiva, como também a função so-
cial da escola. Caso a escola não tenha 
tais condições, os diversos agentes, jun-
tamente com os gestores, devem realizar 
uma articulação de parcerias com outras 
instituições e viabilizar tais práticas. 
GESTÃO MULTIDISCIPLINAR 
DO ESPORTE ESCOLAR
CURIOSIDADE
O principal modo de tematizar o 
esporte e consolidar uma gestão 
multidisciplinar é por meio de sua 
prática, que ocorre de modo im-
bricado a determinada teoria. Po-
rém as condições estruturais das 
escolas brasileiras não são satis-
fatórias. Quase metade das esco-
las brasileiras não têm local para 
prática de esporte, intitula o arti-
go escrito por Demétrio Vecchioli, 
em 14 de dezembro de 2021, na 
coluna “Olhar Olímpico” da Re-
vista UOL. O autor reporta um le-
vantamento feito pelo Ministério 
da Cidadania: o Censo Escolar da 
Educação Básica de 2020. Em sín-
tese, argumenta que de 135.263 
escolas do ensino fundamental I 
ao médio, 47% não possuem ne-
nhuma instalação para a prática 
desportiva. Chama ainda mais 
atenção quando consideradas a 
quantidade de escolas que possui 
piscina e sala/estúdio de dança, 
correspondente a apenas 2,7% 
e 1,8% respectivamente. Outro 
dado relevante é que a rede pri-
vada possui menos quadras (60%) 
que as escolas estaduais (65%) e 
federais (80%), sendo a condição 
mais grave a das escolas muni-
cipais (32%). Nesse sentido, cabe 
a implicação de cada agente na 
mudança desse cenário, incluindo 
alunos, pais, comunidade, profes-
sores, gestores, empresários, po-
líticos, entre outros. 
Vale a reflexão: você tem feito 
algo para mudar esse cenário?
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Entendida como um contato inicial 
sistematizado com a prática esportiva, a 
iniciação esportiva, ou a iniciação espor-
tiva tardia (no caso daqueles/as cujo con-
tato inicial sistematizado ocorre em ida-
de já avançada) toma como preocupação 
principal evitar a chamada especialização 
precoce. Nesse momento, a gestão multi-
disciplinar com profissionais de diferen-
tes áreas pode colaborar no cuidado com 
demandas recorrentes nesse período: 
questões de níveis de habilidades distin-
tos, étnicas, estéticas, de gênero, religião, 
inclusão social, entre outras. O intuito 
central da iniciação esportiva é tornar 
o(a) aluno(a) proficiente a ponto de pra-
ticar o esporte em outros ambientes que 
não apenas a escola, de modo a compre-
ender e respeitar as diferenças culturais 
e de habilidades motoras ali presentes. 
No que se refere às equipes esporti-
vas da escola, outras preocupações vêm 
à tona, tais como o processo seletivo 
para sua formação. Alguns esportes mais 
populares, como é o caso do futsal mas-
culino, muitas vezes conta com grande 
quantidade de estudantes que desejam 
integrar. Evidentemente, tal interesse é 
influenciado por questões midiáticas e 
culturais. A maioria dos(as) alunos(as) já 
possuem alguma vivência nesse esporte 
em sua rotina diária. Logo, proporcionar 
uma ampliação do léxico dessa cultura 
corporal de movimento, por meio da 
vivência e conhecimento de outros 
esportes, se torna oportuno, assim como 
evidenciar, no início do trabalho, quais 
critérios serão tomados como referência. 
Diante da formação das equipes, 
ou um grupo um pouco maior de inte-
ressados em participar de competições 
escolares, inicia-se um processo de 
estruturação dos treinos. Os(As) alu-
nos(as), agora na condição de estudan-
tes-atletas, precisam começar a lidar 
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com cobranças (sejam elas por parte de 
pais, colegas, amigos, ou de si mesmo), 
vitórias e frustrações. Assim, a gestão 
multidisciplinar do esporte ganha mais 
relevância, já que o saber de outros pro-
fissionais passa a ser ainda mais de-
mandado nesse acompanhamento. Mas 
como lidar com isso, já que muitas vezes 
a escola não conta com profissionais de 
áreas como psicologia, serviço social, 
fisioterapia, administração? Ou, se con-
tam, eles estão ocupados com outras 
funções que não o esporte escolar? 
Você bem sabe que projetos multi-
disciplinares que comportam a iniciação 
esportiva e as equipes esportivas da es-
cola é de responsabilidade preponderan-
te do professor(a) de Educação Física, 
como o planejamento das aulas/treinos. 
Logo, se torna oportuno que este(a), com 
apoio da gestão, alunos e pais/responsá-
veis, articule com os(as) demais colegas 
da escola a fim de promover práticas que 
visem a educação em sua integralidade. 
Outra perspectiva relevante é a ar-
ticulação intersetorial, ou seja, quanto 
mais de um setor da política pública está 
envolvido em determinada ação. Em evi-
dente alocação no setor educação, a es-
cola, ou melhor dizendo, seus diversos 
agentes, podem e devem articular com 
outros setores. Ao investigar consensos 
e desafios práticos para a intersetoriali-
dade, um estudo realizado em 2009 iden-
tificou as áreas Administração e Saúde 
Coletiva como aquelas que possuem as 
principais publicações no campo da in-
tersetorialidade, com pouca produção em 
Educação e Assistência Social (que possui 
intersetorialidade como princípio nortea-
dor) (MONNERAT; SOUZA, 2009). O tema 
central nesses estudos foi a questão do 
planejamento, pois esse deve conside-
rar uma negociação de interesses entre 
diferentes setores que compartilham de 
uma mesma questão (MONNERAT; SOU-
ZA, 2009). 
Passados quase 15 anos desse es-
tudo, ao revisitar de modo assistemático 
a literatura atual, somado ao acúmulo de 
experiências profissionais nesse campo, 
observamos que o cenário permanece 
semelhante. Logo, se torna oportuno que 
as ações intersetoriais nos projetos mul-
tidisciplinares esportivos desenvolvidos 
na escola tomem como elemento central 
um planejamento contínuo e dialógico, 
evitando assim ações pontuais e frag-
mentadas entre os diversos profissionais 
envolvidos. 
Uma possibilidade interessante se-
ria que o(a) professor(a) de Educação Fí-
sica, juntamente com a equipe de gestão 
da Escola, provoque as equipes multipro-
fissionais desses diferentes setores para 
o planejamento e consequente enfrenta-
mento de desafios compartilhados. Den-
tre os setores que mais compartilham o 
objetivo com a educação. podemos des-
tacar o setor saúde, que possui Unidades 
de Saúde na Atenção Primária à Saúde 
e Centros de Atenção Psicossocial, que 
contam com equipes multiprofissionais, 
por vezes, com profissionais de Educa-
ção Física. Outro exemplo é o setor as-
sistência social, como os Centro de Refe-
rência da Assistência Social (Cras), que 
também contam com equipes multipro-
fissionais, que podem incluir colegas da 
Educação Física.
ESTUDO DE CASO
Uma experiência interessan-
te de articulação intersetorial foi 
realizada por meio de Oficinas de 
Futsal por meio de uma parceria 
entre a equipe do Núcleo de Apoio à 
Saúde da Família e Atenção Básica 
(NASF-AB) e uma escola da regio-
nal Leste de Belo Horizonte. 
As articulações entre educa-
ção e saúde e a ação compartilhada 
entre escola e Unidade Básica de 
Saúde, durante as Oficinas de Fut-
sal permitiram desenvolver junto 
aos adolescentes uma intervençãocapaz de integrar todas as dimen-
sões humanas (cognitiva, afetiva, 
ética, social, lúdica, física) em um 
trabalho de reflexão e produção de 
novos modos de ser e agir (TAVA-
RES, 2020).
Uma vez constituídos projetos mul-
tidisciplinares esportivos, sejam eles de 
iniciação esportiva, ou mesmo treinamen-
to para a equipe escolar, com colaboração 
sistemática e contínua de diferentes pro-
fessores/educadores e/ou profissionais 
de diferentes categorias profissionais em 
articulação intersetorial, você pode pen-
sar de modo mais consistente nas com-
petições escolares. É imperativo pensar 
jogos no escopo da escola que viabilize a 
participação de todos os(as) estudantes 
interessados(as), muito embora para al-
gumas competições fora da escola deve-
rá ter um processo seletivo.
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Na estrutura do das competições 
escolares no Brasil, temos hoje a nível 
nacional:
• Jogos Escolares Brasileiros 
(JEBS), faixa etária entre 12 e 
14 anos, organizado pela Confe-
deração Brasileira de Desporto 
Escolar (CBDE). Classifica os (as) 
vencedores (as) para competi-
ções internacionais como os Jo-
gos Escolares Sul-americanos e 
para a Gymnasiade Sub-15;
• Jogos da Juventude (JJuv), fai-
xa etária entre 15 e 17 anos, or-
ganizado pelo Comitê Olímpico 
do Brasil.;
• Paralimpíadas Escolares, para 
alunos com deficiência física, 
visual e intelectual, com idade 
entre 11 e 18 anos (dependen-
do da modalidade), organizado 
pelo Comitê Paralímpico Brasi-
leiro (CPB).
Contudo, para que a escola venha a 
participar de uma competição escolar a 
nível nacional, é preciso que seja sele-
cionada nas competições escolares esta-
duais. Em geral, caso não tenham outros 
inscritos na modalidade, a equipe/atleta 
é automaticamente classificado(a) para a 
próxima etapa. Logo, vejamos as etapas 
previstas para que uma escola represen-
te o Ceará nos jogos nacionais, tomando 
como referência o regulamento de 2022 
(CEARÁ, 2022):
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ATENÇÃO!
Os jogos internos, ou jogos in-
terclasses, consistem em um even-
to relevante para fomentar a cul-
tura esportiva na escola. Trata-se 
de um momento importante para 
viabilizar a participação de todos e 
de todas em que a gestão multidis-
ciplinar do esporte pode ocorrer de 
diferentes maneiras. Uma possibi-
lidade é adaptar algumas regras, 
como ocorre nos Jogos Escolares 
de 12 a 14 anos, em que há, por 
exemplo, a regra da substituição 
obrigatória. Alguns temas podem 
ser trabalhados de modo transver-
sal, como a limpeza dos espaços, 
o fair-play entre os participantes, 
a cultura de paz. Podem ser rea-
lizados jogos convidando pais e 
responsáveis pelos alunos, pro-
fessores e todos(as) os(as) demais 
trabalhadores da educação como 
aqueles(as) que cuidam da segu-
rança, limpeza, merenda, gestão, 
entre outras atribuições. Portanto, 
precisa ser um evento muito bem 
planejado, no qual um diferencial é, 
justamente, o envolvimento de di-
ferentes saberes e agentes em sua 
construção, tais como a realização 
de Congressos Técnicos para to-
mada de decisão em conjunto com 
alunos (as).
• Interclasses: cada escola deve 
organizar seus jogos internos, 
viabilizando a participação de 
todos(as) os(as) alunos(as) inte-
ressados(as). 
• Intercolegial (municipal): a 
equipe esportiva da escola, com 
representantes escolhidos pe-
lo(a) professor(a) de Educação 
Física, participa dessa competi-
ção com representantes de ou-
tras escolas.
• Etapa Crede: os selecionados do 
Intercolegial participam de com-
petições de modo regionalizado 
em 20 Coordenadorias Regionais 
de Desenvolvimento da Educa-
ção (Credes). No caso das Para-
limpíadas Escolares, essa etapa 
não é realizada.
• Etapa Macrorregional: os sele-
cionados de cada Crede dispu-
tam em sete macrorregiões ce-
arenses. 
• Etapa Estadual: os selecionados 
da etapa Macrorregional dis-
putam a etapa estadual, a qual 
seleciona os representantes do 
estado do Ceará para participar 
da Etapa Nacional.
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SAIBA MAIS
O projeto quero-quero foi de-
senvolvido em parceria com o Ins-
tituto Ayrton Senna e se baseou no 
paradigma da Educação pelo Es-
porte, tendo como eixo estruturador 
uma proposta de Educação Integral 
voltada para crianças de escolas 
públicas, integrando diversas di-
mensões da ação educativa: indiví-
duo, família, escola e comunidade. 
O projeto foi desenvolvido de 
forma multidisciplinar, integrando 
as áreas de Educação Física, Psico-
logia, Pedagogia, Nutrição e Artes 
Plásticas. Foram atendidas cerca 
de 120 crianças de escolas públi-
cas estaduais que desenvolvem ati-
vidades no turno complementar ao 
seu horário escolar. As atividades 
foram desenvolvidas por bolsistas, 
universitários dos diferentes cur-
sos envolvidos, sob a supervisão 
dos respectivos professores. A 
metodologia de trabalho proposta 
para esta ação foi pautada em um 
processo de construção participa-
tiva, orientado nos princípios da 
Educação pelo Esporte e nos qua-
tro pilares da educação proposta 
pela Unesco, visando propiciar o 
desenvolvimento pessoal, cogniti-
vo, social e produtivo dos partici-
pantes. Para saber mais, consulte: 
https://www.lume.ufrgs.br/bitstre-
am/handle/10183/203335/Resu-
mo_6325.pdf?sequence=1
Por fim, é importante que você te-
nha sempre em mente a função social da 
escola e o objetivo dessas competições 
escolares. Embora participem delas estu-
dantes que também praticam esportes em 
clubes, que tenham representatividade em 
competições nacionais e internacionais, o 
caráter educativo deve prevalecer. Inte-
gra, entre os objetivos das competições 
escolares, a possibilidade de identificar e 
desenvolver novos talentos esportivos, e o 
resultado dessas competições, especial-
mente as de nível nacional, contabilizam 
para algumas bolsas como o Auxílio Es-
porte Escolar e o Bolsa Atleta, contudo, 
especialmente a nível de escola (como os 
Jogos Interclasses), você precisa fomentar 
a participação e a inclusão social dos(as) 
estudantes nas atividades esportivas. 
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/203335/Resumo_6325.pdf?sequence=1
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/203335/Resumo_6325.pdf?sequence=1
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/203335/Resumo_6325.pdf?sequence=1
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CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
Neste módulo você pôde conhecer um pouco mais sobre o conceito de multidisciplinaridade/interdis-
ciplinaridade e sua mobilização na ges-
tão multidisciplinar do esporte na esco-
la. Compreendeu conceitos e algumas 
possibilidades de concretizar a gestão 
multidisciplinar do esporte, seja na pers-
pectiva das disciplinas curriculares da 
educação básica, ou no trabalho com ini-
ciação esportiva e na formação das es-
quipes escolares. Todo esse processo de 
articulação da gestão multidisciplinar do 
esporte entre diversos professores(as) 
e profissionais demanda capacidade de 
gestão e liderança, bem como o enten-
dimento do esporte em sua dimensão 
sociocultural e pedagógica na formação 
das identidades.
Esperamos que esse conteúdo venha 
a fomentar a cultura esportiva alinhada à 
função social da escola, que considere as 
diversas contribuições multidisciplinares 
na integralidade da educação. 
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Todos os direitos desta edição reservados à:
AUTOR
Braulio Nogueira de Oliveira
Graduado em Educação Física (Uece), 
com especialização em caráter de Re-
sidência Multiprofissional em Saúde da 
Família (EFSFVS/UVA). Tem mestrado 
em Saúde Coletiva (PPSAC/Uece) e dou-
torado em Ciências do Movimento Hu-
mano (PPGCMH/UFRGS). É professor do 
Instituto Federal do Ceará (IFCE), editor 
da Revista de Educação Física, Saúde e Es-
porte - Refise (IFCE), tutor da graduação 
em Educação Física da Universidade Es-
tadual do Ceará vinculada à Universidade 
Aberta do Brasil (UAB) e líder do Grupo 
de Pesquisa Tecnologia da Informação, 
Saúde e Educação (TISE/IFCE). Trabalha 
com o esporte escolar desde 2019, com 
resultados significativos em âmbito local, 
regional e nacional.
ILUSTRADOR
Carlus Campos
Artista visual que há mais de 30 anos é 
ilustrador do Jornal O POVO. Na produção 
de suas ilustrações, utiliza várias lingua-
gens como: desenho, pintura, aquarela, 
gravura e fotografia. Ao longo dos anos 
90, além de ganhar diversos prêmios com 
arte gráfica, fez incursões pelas artes 
plásticas participando de diversos Salões 
de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa 
considerável espaço em sua produção 
chegando a participar do coletivo IN-GRA-
FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas 
cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft.
GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA
Esporte de Rendimento: 
desafios e oportunidades 
no âmbito escolar
Mário Antônio de Moura Simim
6
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
83
ESPORTE
84
ESPORTE NA ESCOLA E 
ESPORTE DA ESCOLA
88
MODELO DE 
DESENVOLVIMENTO 
ESPORTIVO A LONGO PRAZO
89
CONCLUSÕES
945
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APRESENTAÇÃO
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Estamos iniciando o módulo 6 do nos-so curso e nele trabalharemos as re-lações entre esporte de rendimento 
e os desafios e as oportunidades no âm-
bito escolar. 
Nos módulos anteriores foram discu-
tidas questões sobre as políticas públicas 
para o esporte no Brasil (módulo 1), peda-
gogia do esporte (módulo 2), projeto político 
pedagógico e o planejamento da educação 
física (módulo 3). Além disso, o módulo 4 
forneceu informações sobre o esporte de 
participação, educacional, rendimento e de 
formação e o módulo 5 questões relativas à 
gestão multidisciplinar do esporte na escola. 
No decorrer deste módulo, discuti-
remos os desafios e as oportunidades de 
desenvolvimento do esporte de rendi-
mento no âmbito escolar. 
Inicialmente retomaremos os con-
ceitos de esporte e de esporte de ren-
dimento. Apresentaremos questões re-
lativas ao esporte no contexto escolar, 
principalmente o que concerne a díade 
Esporte na escola x Esporte da Escola. 
Por fim, apresentaremos a proposta do 
modelo brasileiro de desenvolvimento 
esportivo do atleta a longo prazo. 
Ao final deste módulo, você terá de-
senvolvido a competência de conhecer a 
proposta do modelo brasileiro de desen-
volvimento esportivo do atleta a longo 
prazo, refletindo sobre a prática do espor-
te de maneira ampla e transformadora. 
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A fim de orientar nossos estudos, va-mos acompanhar a experiência do professor de Educação Física (João 
Bernardo) ao longo de suas atividades no 
Colégio Maria Flor Pimentel Simim (CM-
FPS) – sim, o nome do colégio é uma ho-
menagem a minha linda filha. 
O diretor do CMFPS, prof. Marcos An-
tônio1, vem observando que outros colé-
gios tem escolinhas de esportes e fazem 
captação de alunos por meio do esporte. 
O prof. Marcos Antônio convidou o prof. 
João Bernardo para uma reunião a fim de 
discutir como o CMFPS poderia implan-
tar atividades esportivas de qualidade no 
colégio. O prof. Marcos Antônio fez alguns 
questionamentos ao prof. João Bernardo, 
tais como: “Qual o conceito de esporte? 
Quais as características que podemos 
atribuir ao esporte? 
Após escutar os questionamentos e 
demandas do diretor, João Bernardo des-
tacou que iria buscar informações para 
implantar as atividades no colégio. 
Primeiramente vale ressaltar que a 
definição precisa de esporte é impossível 
devido à grande variedade de significa-
dos. O esporte é o fenômeno sociocultural 
mais evidente dos últimos séculos, prin-
cipalmente pelas relações que tem com 
estruturas sociais, econômicas, políticas 
e judiciais. A origem do termo “esporte” 
reflete a evolução da atividadeao longo 
dos séculos, desde uma forma de diverti-
mento ao ar livre para uma atividade glo-
balmente organizada e competitiva. 
1 Essa é uma homenagem ao prof. Marcos Antô-
nio Álvares (in memoriam) e ao prof. João Ber-
nardo pela contribuição em minha formação 
durante a vida escolar. 
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ESPORTE
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De maneira geral, o esporte refere-
-se a tipos específicos de atividades que 
dependem das condições sob as quais 
as atividades acontecem e da orientação 
subjetiva dos participantes envolvidos 
nessas atividades (BARBANTI, 2006). Al-
guns autores destacam que o esporte é 
uma atividade competitiva, institucionali-
zada, que envolve esforço físico vigoroso 
ou o uso de habilidades motoras comple-
xas. Por outro lado, o esporte também 
pode ser conceituado como manifestação 
da cultura física, compreendendo tam-
bém a dança e a recreação que se funda-
menta na educação física (TUBINO, 2017). 
A partir da explicação acima, o prof. 
João Bernardo destacou que mais impor-
tante do que compreender o conceito de 
esporte é compreender a importância do 
esporte na sociedade. 
A Constituição Federal do Brasil (ar-
tigo 217), o Estatuto da Criança e do Ado-
lescente (ECA) e as recomendações da 
Unesco preconizam que o esporte é direi-
to de cada cidadão e atua como instru-
mento de formação integral dos indiví-
duos. Isso possibilita a convivência social, 
a construção de valores, a promoção da 
saúde e o aprimoramento da consciência 
crítica e da cidadania. 
Além de ser divertido e saudável, o 
esporte também pode ser uma fonte de 
orgulho e espírito escolar. Ele pode ajudar 
a melhorar a relação entre os estudantes 
e a escola, e pode oferecer oportunidades 
para os estudantes se envolverem em ati-
vidades extracurriculares.
O prof. João Bernardo também ex-
plicou as principais características do 
esporte. Ele disse ao diretor que existem 
muitos tipos diferentes de esportes, cada 
um com suas próprias regras e habili-
dades específicas. Alguns esportes são 
jogados ao ar livre, enquanto outros são 
jogados em ambientes fechados. Alguns 
esportes são jogados com bola, enquanto 
outros não são. Alguns esportes são joga-
dos individualmente, enquanto outros são 
jogados em equipe.
Os participantes podem ser crianças 
em escolas, jovens em equipes univer-
sitárias ou adultos em ligas amadoras e 
profissionais. O esporte também pode ser 
jogado por pessoas com deficiências, por 
meio de modalidades esportivas adapta-
das. Nesse caso, as principais adaptações 
para pessoas com deficiência são as re-
gras, o espaço de jogo, a estrutura da ativi-
dade ou jogo e a divisão por grupos afins.
Além disso, o prof. João Bernardo 
destacou que entende o esporte a par-
tir de três dimensões (Quadro 1) e que 
o ingresso dos alunos no Programa de 
Esportes do CMFPS deve ocorrer por 
meio do esporte educacional (esporte-
-formação), estruturado como educação 
permanente em iniciação aos esportes. 
Essa perspectiva cria oportunidades para 
o aprendizado da cultura de práticas es-
portivas, o que torna possível o processo 
de seleção e estímulo dos alunos para o 
esporte de rendimento.
SAIBA MAIS
O Desenvolvimento Esportivo é 
um processo longitudinal multifa-
torial de melhoria do ambiente es-
portivo, caracterizado pelo aumen-
to na quantidade de praticantes 
em todos os níveis e na qualidade 
da prática oferecida, incluindo a 
formação continuada dos agentes 
desse processo, o que resulta na 
melhora do desempenho esportivo 
de atletas.
Durante as discussões entre o di-
retor do CMFPS e o prof. João Bernardo 
surgiu um questionamento: Qual a dife-
rença entre esporte NA escola e esporte 
DA Escola? Essa questão será abordada 
na próxima seção. 
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Quadro 1
DIMENSÕES DO ESPORTE E SUAS CARACTERÍSTICAS
Dimensões Manifestações Princípios Objetivos Características Público-alvo
Esporte Educação
Esporte Educacional
Participação, 
cooperação, 
coeducação, 
corresponsabilidade 
e inclusão
Formação da 
cidadania e estilo de 
vida ativo
Regras e premiação 
adaptadas 
as premissas 
educativas.
Crianças, 
adolescentes e 
jovens
Esporte Escolar
Desenvolvimento 
esportivo e do 
espirito esportivo
Desenvolvimento 
dos jovens mais 
aptos ao esporte, 
sem perder a 
formação para 
cidadania
Regras 
convencionais 
das entidades, 
valorização da 
formação integral 
e de competições 
esportivas em 
dosagem adequada
Jovens com 
habilidades 
esportivas
Esporte Lazer
Esporte lazer, de 
participação ou de 
tempo livre
Participação, lazer e 
inclusão
Entretenimento e 
vida ativa (saúde)
Regras 
convencionais das 
entidades, criadas 
ou adaptadas as 
circunstâncias, pode 
ser praticado sem 
adversário
Destinado a 
todas as pessoas, 
independente da 
faixa etária
Esporte de 
desempenho ou 
rendimento
Esporte de 
rendimento ou de 
alto rendimento
Rendimento e 
desenvolvimento 
esportivo
Vitórias, sucessos, 
conquistas 
esportivas, 
recordes, prêmios e 
valorização pessoal
Regras oficiais e 
institucionalizadas, 
muitas vezes 
praticado 
profissionalmente, 
dirigido por 
entidades como 
confederações e 
federações.
Destinado a talentos 
esportivos para cada 
modalidade
Fonte: Tubino (2010)
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#FICAADICA
Esporte de elite: Forma de espor-
te que objetiva performance eleva-
da em nível regional, nacional ou 
internacional. As principais carac-
terísticas do esporte de elite são 
os recordes e o sucesso interna-
cional. Convido para a leitura dos 
artigos indicados abaixo: 
• McKay, A. K., Stellingwerff, T., 
Smith, E. S., Martin, D. T., Mu-
jika, I., Goosey-Tolfrey, V. L., 
Sheppard, J., & Burke, L. M. 
(2022). Defining Training and 
Performance Caliber: A Par-
ticipant Classification Fra-
mework, International Jour-
nal of Sports Physiology and 
Performance, 17(2), 317-331. 
https://journals.humankine-
tics.com/view/journals/ijs-
pp/17/2/article-p317.xml
• McAuley, A.B.T., Baker, J. & 
Kelly, A.L. Defining “elite” sta-
tus in sport: from chaos to 
clarity. Ger J Exerc Sport Res 
52, 193–197 (2022). https://
doi.org/10.1007/s12662-021-
00737-3
https://doi.org/10.1007/s12662-021-00737-3
https://doi.org/10.1007/s12662-021-00737-3
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Os questionamentos acerca do es-porte no ambiente escolar foram iniciados na década de 1980, prin-
cipalmente com a criação da “Comissão 
de Reformulação do Desporto Nacional” 
e com a elaboração do documento “Uma 
nova política para o desporto brasileiro”. 
Assim, a dicotomia entre esporte educa-
cional x esporte de rendimento ganhou 
destaque. Por exemplo, Vago (1996, p. 8) 
destaca que...
O esporte é legitimado pela socieda-
de e é exatamente isso que garantiria 
legitimidade para o ensino de Educa-
ção Física na escola: ensinar esporte. 
Mas, paradoxalmente, parece que a 
Educação Física somente seria legi-
timada na escola na medida em que 
transmitisse (ensinasse) esse ele-
mento da cultura tal como ele se re-
aliza nas sociedades modernas, com 
os códigos citados.
O paradoxo apontado acima trouxe 
reflexões e discussões a respeito das di-
ferenças entre o que é conceituado como 
“Esporte na escola” e “Esporte da escola”. 
O “Esporte na Escola” está relaciona-
do à atividade necessária para o desen-
volvimento físico, social dos estudantes 
e pode ser uma alternativa para ensinar 
valores como trabalho em equipe, resili-
ência e fair play. 
3
ESPORTE NA ESCOLA E 
ESPORTE DA ESCOLA
Especificamente, o “Esporte na esco-
la” é a reprodução do esporte como ele é, 
ou seja, um prolongamento da instituiçãoesportiva sendo desenvolvido na escola 
(BRACHT, 1992). Nesse contexto, as aulas 
de educação física escolar são desenvol-
vidas baseadas nos princípios de rendi-
mento esportivo. 
Por outro lado, o “Esporte da escola” 
caracteriza-se pela atuação pedagógi-
ca do professor de educação física, que 
busca participação de todos e a formação 
da cidadania e estilo de vida ativo (BRA-
CHT, 1992). Nessa perspectiva, o profes-
sor de educação física utilizará o esporte 
como ferramenta de ensino, modifican-
do regras, locais de prática e materiais 
(VAGO, 1996). 
O prof. Marcos Antônio ouviu aten-
tamente a explicação do prof. João Ber-
nardo. Após refletir a respeito das infor-
mações, o diretor do CMFPS disse que 
o colégio não busca negação radical do 
“Esporte da Escola” x “Esporte na Es-
cola”. A esse respeito, o prof. João Ber-
nardo destacou que considera essencial 
para a Educação Física avançar no sen-
tido de construir uma ponte entre as 
duas perspectivas. Para tanto, o prof. 
João Bernardo ficou de buscar uma al-
ternativa adequada para que ambas as 
perspectivas possam ser desenvolvidas 
no colégio. 
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Enquanto dirigia para o colégio, João Bernardo refletiu sobre o curso de atletismo que participou na noite an-
terior. O palestrante apresentou o modelo 
de desenvolvimento esportivo do Comitê 
Olímpico do Brasil (COB), com ênfase na 
abordagem “Caminho de Desenvolvimento 
de Atletas (CDA)”. O palestrante também 
falou sobre a necessidade de focar nas 
necessidades e estágios de desenvolvi-
mento esportivo dos alunos. Isso tem re-
lação direta com o caminho utilizado para 
se alcançar o rendimento esportivo e com 
modelo de desenvolvimento a longo prazo.
Com base no CDA, João Bernardo 
percebeu que a implantação desse mo-
delo seria adequada para o colégio e que 
seria a possível solução para a dicotomia 
“Esporte da Escola” x “Esporte na Escola”. 
Este capítulo apresenta as características 
do Caminho de Desenvolvimento de Atle-
tas (CDA), que é um modelo de desenvol-
vimento esportivo proposto recentemen-
te pelo COB.
Em linhas gerais, o começo de todo 
desenvolvimento esportivo ocorre nos 
anos iniciais, com processo carregado de 
brincadeiras espontâneas e experimen-
tação de diferentes atividades. Os primei-
ros contatos com práticas relacionadas 
ao esporte ocorrem no contexto escolar, 
em especial nas aulas de Educação Físi-
ca (COB, 2022). A possibilidade de o aluno 
se tornar um atleta tem como porta de 
entrada a iniciação esportiva, que pode 
ocorrer no contraturno escolar e/ou 
em escolas de esportes. Posteriormen-
te, ocorre o processo de especialização 
quando as atividades se modificam com 
o objetivo de desenvolver competências 
e habilidades específicas ao aprender e 
treinar determinada modalidade.
MODELO DE 
DESENVOLVIMENTO 
ESPORTIVO A 
LONGO PRAZO
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BOAS PRÁTICAS
Para saber mais a respeito das expe-
riências de outros países com dife-
rentes modelos de desenvolvimento 
de atletas a longo prazo acesse:
• Reino Unido: https://www.uks-
port.gov.uk/our-work/talent-
-id/how-we-find-the-talent
• Canadá: https://sportforlife.ca/
wp-content/uploads/2019/06/
Long-Term-Development-in-
-Sport-and-Physical-Activity-
-3.0.pdf
• Austrália: https://www.ais.gov.
au/ftem/talent
O CDA foi elaborado para orientar os 
caminhos de participação, treinamento, 
competição no esporte, desde a infância 
até as fases da vida adulta (COB, 2022). O 
CDA se concentra nas necessidades dos 
participantes e em seus estágios indivi-
duais de desenvolvimento e fornece pon-
to de referência para treinadores, profes-
sores, cientistas do esporte, pais e outros 
a ofertar o esporte em todos os níveis e 
para todas as idades (COB, 2022). 
O CDA é composto por sete etapas 
que se interligam em períodos de tran-
sição. O modelo reconhece tanto a parti-
cipação quanto os caminhos orientados 
para o rendimento no esporte, ambos 
precedidos pelas etapas escolares (“Ex-
perimentar e Brincar”, “Brincar e Apren-
der” e “Aprender e Treinar”). 
O básico das informações sobre cada 
etapa do CDA é abordado a seguir: 
1. Experimentar e brincar (até 8 
anos): prática livre com jogos e 
brincadeiras infantis em ambien-
tes divertidos, desafiadores e di-
versificados. Ocorre no contexto 
informal (família, rua) ou formal 
(escola, clube e etc.). Prazer e 
motivação para envolvimento 
com práticas corporais variadas 
deve ser enfatizado. Desenvolvi-
mento de competências corpo-
rais básicas e diversificadas.
2. Brincar e Aprender (6 a 12 anos): 
primeiro contato sistematizado e 
organizado para aprendizagem 
do esporte (iniciação esportiva). 
Ao final dessa etapa, a criança já 
tem condição de escolher a mo-
dalidades com maior afinidade. 
Prazer e motivação pela prática e 
aprendizagem esportiva formal 
e/ou estruturada.
3. Aprender e Treinar (10 a 16 
anos): fase de especialização 
esportiva em contexto formal de 
práticas esportivas por meio de 
treino e participação em com-
petições. Desejo de ingressar 
na jornada do rendimento para 
aqueles que demonstrem po-
tencial de desempenho esporti-
vo conforme cada modalidade. 
Desejo de prosseguir na prática 
esportiva de participação para 
aqueles que não demonstrem 
potencial para o rendimento.
4. Treinar e Competir (14 a 23 
anos): últimas etapas do pro-
cesso de especialização na mo-
dalidade escolhida. Participa de 
competições de alto nível, ainda 
em categorias com limitação 
etária. Em preparação para a 
categoria adulta e o esporte de 
elite. Compromisso com evolu-
ção do desempenho esportivo. 
Tolerância a cargas físicas e psi-
cológicas progressivas de trei-
namento e competição.
5. Competir e Vencer (18 a 25 
anos): Alto desempenho esporti-
vo, marcado pelo treino intenso e 
ajustes ao máximo nível de com-
petição. Autocontrole emocio-
nal frente às exigências típicas 
da rotina de atleta em treinos e 
competições, com melhora re-
gular de desempenho esportivo 
ao longo dos anos. Postura de 
competidor/a com atitudes e 
comportamentos que sirvam de 
referência para jovens em de-
senvolvimento.
6. Vencer e Inspirar (22 a 40 
anos): manutenção do alto ní-
vel de desempenho e constante 
busca por melhores resultados 
e medalhas, servindo ao mesmo 
tempo como concorrente e ins-
piração para atletas mais jovens. 
Autogestão da carreira de atleta 
(saúde/desempenho/educação), 
conciliando com as demandas 
sociais. Manutenção de hábitos e 
rotinas como atleta de referência 
e com foco em resultados supe-
riores e conquista de medalhas. 
Planejamento do encerramento 
de carreira.
7. Inspirar e Reinventar-se: re-
dução do volume e intensida-
de de treinamento esportivo e 
participação em competições, 
preparando-se para o momento 
do encerramento da carreira es-
portiva. Postura responsável, ali-
nhada ao seu legado esportivo, 
inspirando novos atletas. Prepa-
ração para nova carreira, dentro 
ou fora do contexto esportivo. 
Adaptação ao novo contexto so-
cial, profissional e financeiro.
https://www.uksport.gov.uk/our-work/talent-id/how-we-find-the-talent
https://www.uksport.gov.uk/our-work/talent-id/how-we-find-the-talent
https://www.uksport.gov.uk/our-work/talent-id/how-we-find-the-talent
https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf
https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf
https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf
https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf
https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf
https://www.ais.gov.au/ftem/talent
https://www.ais.gov.au/ftem/talent91 
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SAIBA MAIS
Acesse o site do Comitê Olímpico do 
Brasil (COB) e faça o download do 
Modelo de desenvolvimento esporti-
vo do Comitê Olímpico do Brasil. 
Esse é um documento importante 
para desenvolvimento do conteú-
do e para as atividades propostas 
ao final do módulo.
Disponível em: https://www.cob.
org.br/pt/documentos/download/
a63aad29fb2e0
Após apresentar a proposta para o 
diretor do CMFPS, o prof. João Bernardo 
destacou que a mudança de estágio é 
baseada no desenvolvimento do atleta 
e não apenas idade cronológica. Além 
disso, o prof. João Bernardo destacou que 
a idade cronológica seria um guia para 
identificar as principais mudanças dos 
alunos(as). Com base no material recebi-
do durante o curso, o prof. João Bernar-
do apresentou para o diretor do CMFPS 
as principais características do CDA em 
uma figura (Figura 1). 
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Observe que na figura 1 apresentada 
pelo prof. João Bernardo, cada etapa tem 
seus objetivos e características específi-
cas que devem servir de orientação para 
os resultados esperados, evitando a es-
pecialização precoce.
 
SAIBA MAIS
Especialização precoce é o termo 
utilizado para expressar o proces-
so pelo qual as crianças tornam-
-se especializadas em um deter-
minado esporte muito antes da 
idade apropriada para tal. A prá-
tica especializada das habilidades 
de um determinado esporte, sem 
a prática das atividades motoras 
características da idade das crian-
ças, quase sempre traz como con-
sequência o abandono prematuro 
da prática esportiva
Note que a frequência semanal, volu-
me da sessão, tipo de competição e orien-
tação do treinamento são diferentes para 
cada etapa do CDA.
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Figura 1
CARACTERÍSTICAS DAS ETAPAS DO CDA
Competição
Festivais
Local
Regional
Estadual
Nacional
Internacional
Olímpico
Intensidade máxima
das sessões (%)
20 30 40 50 60 70 80 90 100
Volume por
sessão (min)
20 40 60 80 100 120 140 160 180
Frequência
semanal
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Oritentação 
do
treinamento
Diversificação
Especialização
ETAPAS DO CDA EXPERIMENTARE BRINCAR
BRINCAR
E APRENDER
APRENDER
E TREINAR
TREINAR E
COMPETIR
COMPETIR
E VENCER
VENCER
E INSPIRAR
INSPIRAR
E REINVENTAR-SE
IDADE
6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 35
Fonte: COB (2022, p. 42)
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CONCLUSÕES
Em resumo, o desenvolvimento de atletas a longo prazo é uma abor-dagem abrangente e integrada que 
leva em consideração todos os aspectos 
da vida de um atleta, incluindo sua for-
mação física, mental e emocional. É um 
processo contínuo e exige dedicação e 
planejamento para garantir o sucesso a 
longo prazo. Além disso, esse processo 
deve ser iniciado no âmbito escolar, res-
peitando sempre as características espe-
cíficas de cada faixa etária e série. 
O diretor do CMFPS perguntou ao 
prof. João Bernardo se esse modelo seria 
aplicado a todos os esportes e se existia 
diferença entre cada um deles. O prof. 
João Bernardo respondeu que as carac-
terísticas de cada etapa somam-se às 
especificidades de cada modalidade e às 
características pessoais dos alunos(as)/
atletas. Assim, a oferta de prática espor-
tiva no colégio é a base para implantação 
do CDA. 
João Bernardo também destacou 
que, após o processo de iniciação espor-
tiva, o(a) jovem pode seguir o caminho do 
desenvolvimento esportivo para o rendi-
mento ou o esporte de participação. Uma 
ressalva é que poucos praticantes chega-
rão ao alto nível de desempenho (MCKAY 
et al., 2022). 
Após todas as considerações apre-
sentadas, o diretor do CMFPS autorizou 
o prof. João Bernardo a iniciar o planeja-
mento e implantação do CDA no colégio. 
João Bernardo ainda ministrou curso 
sobre o CDA para os outros professores 
de educação física do CMFPS e de outras 
escolas de sua região. 
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REFERÊNCIAS
BARBANTI, V. O que é esporte? Revista Brasi-
leira de Atividade Física e Saúde, 11, n. 1, p. 
54-58, 2006.
BRACHT, V. Aprendizagem social e Educação 
Física. Porto Alegre: Magister, 1992.
COMITÊ OLÍMPICO DO BRASIL (COB). Mode-
lo de desenvolvimento esportivo do Comitê 
Olímpico do Brasil. Disponível em: https://
www.cob.org.br/pt/documentos/download/
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de tensão permanente: Um diálogo com Valter 
Bracht. . Movimento, n. 5, p. 4-17, 1996.
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https://www.cob.org.br/pt/documentos/download/a63aad29fb2e0/
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FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral 
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Todos os direitos desta edição reservados à:
AUTOR
Mário Antônio de Moura Simim
Doutor em Ciências do Esporte pela 
UFMG, mestre em Educação Física pela 
UFTM, especialista em Esportes e ati-
vidades físicas inclusivas para pessoas 
com deficiência pela UFJF e graduado em 
Educação Física pelo Uni-BH. Professor 
adjunto no Instituto de Educação Física e 
Esportes (IEFES) da Universidade Federal 
do Ceará, professor permanente no Pro-
grama de Pós-graduação em Fisioterapia 
e Funcionalidade (UFC), Agente de Aces-
sibilidade da Secretaria de Acessibilida-
de (UFC). É também auxiliar- técnico da 
Seleção Brasileira de Futebol para Ampu-
tados, membro pesquisador da Academia 
Paralímpica Brasileira ecoordenador do 
Grupo de estudos em Educação Física e 
Desporto Adaptado (GEFDA/IEFES/UFC).
ILUSTRADOR
Carlus Campos
Artista visual que há mais de 30 anos é 
ilustrador do Jornal O POVO. Na produção 
de suas ilustrações, utiliza várias lingua-
gens como: desenho, pintura, aquarela, 
gravura e fotografia. Ao longo dos anos 
90, além de ganhar diversos prêmios com 
arte gráfica, fez incursões pelas artes 
plásticas participando de diversos Salões 
de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa 
considerável espaço em sua produção 
chegando a participar do coletivo IN-GRA-
FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas 
cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft.
GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA
Esporte Educacional: 
referenciais de sucesso 
no Brasil e no mundo
Ana Luísa Batista Santos
Felipe Nogueira Catunda
7
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
99
CONCEITO DE ESPORTE 
EDUCACIONAL
EXPERIÊNCIAS EXITOSAS 
DO ESPORTE EDUCACIONAL
100
102
POSSIBILIDADES DE 
DESENVOLVIMENTO DO ESPORTE 
EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO BÁSICA 
E NO ENSINO SUPERIOR
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APRESENTAÇÃO
1
Rachel é professora de Educação Fí-sica e atua na Educação Básica e no Ensino Superior. Nos últimos 
anos, Rachel tem percebido que tanto 
os alunos das séries iniciais quanto os 
universitários têm apresentado compor-
tamentos de dificuldade de socialização 
e de expressividade em decorrência da 
pandemia de Covid-19, após esses perí-
odos de isolamento social.
Como Rachel é apaixonada pelo es-
porte educacional e conhece seu poder 
de integração social, de desenvolvi-
mento psicomotor e de atividade física 
educativa, ela acredita no potencial de 
transformação cidadã promovido pelo 
esporte educacional. Assim, pretende 
propor para a gestão da escola e da uni-
versidade pública a criação de um proje-
to de esporte educacional.
Ao chegar para a reunião pedagó-
gica anual, Rachel apresenta todos os 
argumentos que reforçam a relevância 
do projeto de esporte educacional no 
âmbito multidisciplinar. Contudo, a ges-
tão da escola e da universidade pública 
respondem de forma uníssona que a 
proposta é brilhante, mas que as insti-
tuições não possuem verba para o de-
senvolvimento de um projeto contínuo 
de esporte educacional.
Rachel sai da reunião desmotivada, 
mas ainda firme para lutar contra a es-
cassez e pela formação integral dos seus 
alunos. Com isso, Rachel decide anotar al-
gumas inquietações e procurar referen-
ciais de sucesso no Brasil e no mundo: 
como posso desenvolver o esporte educa-
cional na escola e na universidade? Qual 
deve ser o principal objetivo dessa ação? 
Qual deve ser o resultado esperado?
No decorrer deste módulo, convido 
você a acompanhar o percurso de re-
flexão e aperfeiçoamento da professora 
Rachel. Ela irá (re)conhecer o conceito 
de esporte educacional e compartilhará 
algumas experiências de sucesso no de-
senvolvimento do esporte educacional na 
Educação Básica e no Ensino Superior no 
cenário nacional e internacional.
Ao final deste fascículo você deverá 
capaz de:
(1) conceituar o esporte educacional;
(2) conhecer experiências exitosas do 
esporte educacional no Brasil e no mundo;
(3) refletir sobre as possibilidades de 
desenvolvimento do esporte educacional 
na Educação Básica e no Ensino Superior.
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Para começar a definição de Esporte Educacional, nada melhor do que dar uma olhada de como nossas leis 
enxergam esse termo, não é mesmo?
No Capítulo I, Disposições Prelimina-
res, do Decreto nº 7.984, de 8 de abril de 
2013, que regulamenta a Lei nº 9.615, de 24 
de março de 1998, que institui normas ge-
rais sobre desporto no Art 3o, encontramos:
I - desporto educacional ou esporte-
-educação, praticado na educação básica 
e superior e em formas assistemáticas 
de educação, evitando-se a seletividade, 
a competitividade excessiva de seus pra-
ticantes, com a finalidade de alcançar o 
desenvolvimento integral do indivíduo e a 
sua formação para o exercício da cidada-
nia e a prática do lazer;
Para desenhar uma proposta de 
oficina, projeto ou programa de espor-
te educacional, Rachel precisa saber as 
principais características do esporte edu-
cacional para poder aplicá-lo fora de sala 
de aula, mas sem perder o foco do obje-
tivo educativo.
Em suas pesquisas, ela encontrou que 
o esporte educacional está conectado à in-
tegração social, ao desenvolvimento psi-
comotor e às atividades físicas educativas.
Na perspectiva da integração so-
cial, o programa deve garantir que os 
2
alunos participem de forma autêntica, 
tendo oportunidade de decidir sobre a 
organização das atividades que serão 
propostas no turno extraescolar ou nos 
horários livres de aula na universida-
de. No que remete ao desenvolvimen-
to psicomotor, os participantes devem 
experimentar situações de movimento, 
juízo crítico e autoavaliação, livre de 
discriminações de qualquer tipo. Já nas 
atividades físicas educativas, Rachel 
deve estimular seus alunos a concre-
tizarem as aptidões em capacidades 
com o intuito de aumentarem o desem-
penho (TUBINO, 2001).
Sem sombra de dúvida, o espor-
te educacional pode ser um dos meios 
mais exitosos na formação de jovens, 
pois a prática esportiva é indispensável 
no desenvolvimento da personalidade e 
relevante no processo de emancipação. 
Um ponto importante a ser destacado 
nesse conceito: o esporte educacional 
jamais pode ser confundido como um 
ramo do esporte performance ou es-
porte de rendimento. Mesmo quando 
houver competições escolares, estas 
devem ter foco voltado para formação 
cidadã (TUBINO, 2001).
A Figura a seguir reúne os principais 
pilares do conceito de Esporte Educacional:
CONCEITO DE ESPORTE 
EDUCACIONAL
FORMAÇÃO 
CIDADÃ PELO 
ESPORTE 
EDUCACIONAL
Integração 
Social
Atividades
Físicas 
Educativas
Desenvolvimento 
Psicomotor
Agora que a Rachel já reconhece os 
principais pilares do esporte educacional, 
ela irá em busca de exemplos de projetos 
e programas de esporte educacional exi-
tosos desenvolvidos no Brasil e no mun-
do em escolas e universidades. Antes de 
conhecer esses casos de sucesso, é im-
portante ter em mente as inquietações da 
Rachel. Lembra-se delas?: como posso 
desenvolver o esporte educacional na es-
cola e na universidade? Qual deve ser o 
principal objetivo dessa ação? Qual deve 
ser o resultado esperado?
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3
EXPERIÊNCIAS EXITOSAS DO 
ESPORTE EDUCACIONAL
Primeiramente, Rachel pesquisou programas de incentivo ao espor-te educacional nas esferas nacio-
nal e internacional para ter uma refe-
rência inicial. Depois, Rachel procurou 
boas práticas de professores que atuam 
na Educação Básica em busca de algu-
mas estratégias que possa aplicar com 
seus(uas) alunos(as) jovens. Outro deta-
lhe importante sobre o modelo procurado 
pela professora é a rotina, pois na escola 
em que trabalha os espaços físicos e ma-
teriais esportivos são limitados. Por fim, 
Rachel também está curiosa em saber se 
há alguma iniciativa de esporte educa-
cional que já se tornou, de fato, parte do 
currículo escolar, como foi inserida pela 
escola e como é denominada pela gestão. 
3.1. Esporte Educacional na 
Educação Básica no Brasil 
A Confederação Brasileira do Desporto 
Escolar, designada, pela sigla CBDE, filia-
da à Federação Internacional do Esporte 
Escolar (ISF), à Federação Internacional 
de Escolas Católicas (FISEC), reconhecida 
pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), é 
uma entidade privada sem fins lucrativos, 
de caráter desportivo educacional e inte-
gra o Sistema Nacional do Desporto.
A CBDE realizaeventos de diversas 
modalidades esportivas em nível escolar, 
contudo, não tem uma atividade voltada 
a projetos, no sentido de incluir na sua 
agenda outras formas de fortalecimento 
do esporte escolar. A Federação Cearen-
se de Desporto Escolar (Fecede), uma vez 
que é entidade filiada à referida Confede-
ração, segue a mesma estrutura dese-
nhada pela instituição nacional.
Programa Segundo Tempo 
(Brasil, 2013)
O programa foi criado em 2003 
com o objetivo de:
Oferecer práticas corporais que esti-
mulem o desenvolvimento integral de 
crianças e adolescentes;
Estimular os valores sociais e cultu-
rais inerentes às práticas corporais;
Ofertar condições pedagógicas ade-
quadas à prática esportiva educacional;
Motivar a promoção de ações interse-
toriais que integrem a política espor-
tiva educacional aos demais setores 
(educação, saúde, cultura, defesa en-
tre outros).
O núcleo do Programa Segundo Tem-
po pode ser estabelecido em escolas ou 
espaços comunitários (públicos ou priva-
dos). As atividades são desenvolvidas no 
contraturno escolar e as instalações físi-
cas devem ser apropriadas às práticas de 
esporte educacional, conforme a proposta 
de trabalho do programa. Cada núcleo deve 
atender 100 beneficiados organizados em 
3 turmas com 35 alunos, no máximo.
Paradesporto
Configura-se também como núcleo do 
programa, instituições. Nesse caso, o nú-
cleo interessado deve disponibilizar infra-
estrutura esportiva adequada em locais 
públicos ou privados, preferencialmente 
que não demandem transporte para o 
deslocamento dos beneficiados. Serão 
atendidos 60 beneficiados por núcleo. Su-
gere-se que aproximadamente 70% sejam 
PCD e 30% alunos convencionais.
Para o desenvolvimento das ativi-
dades o ensino do esporte educacional 
deverá considerar: a) Os tipos de defici-
ências dos beneficiados (visual, auditiva, 
física, intelectual e outras); b) A faixa etá-
ria dos beneficiados e se possível organi-
zar as turmas por proximidade de idade; 
c) Inclusão, a favorecer interação entre 
os beneficiados com e sem deficiência. 
Cada beneficiado deve participar das 
atividades 2 vezes na semana, com no mí-
nimo de 3 horas diárias, ou 3 vezes na se-
mana com 2 horas diárias de frequência.
Programa Vem Ser! (Brasil, 2022)
Teve sua diretriz publicada na Portaria 
nº. 749, de 14 de fevereiro de 2022, pelo 
Ministério da Cidadania, visando ampliar 
as políticas públicas do desporto educa-
cional em âmbito nacional. É uma inicia-
tiva da Secretaria Especial do Esporte e 
reforça as potencialidades do esporte, da 
promoção da saúde e da inclusão social.
Portanto, o “Vem Ser!” Tem como 
objeto “oportunizar o acesso de crianças 
e adolescentes, com faixa etária entre 8 
(oito) a 17 (dezessete) anos, à iniciação 
esportiva de qualidade, prioritariamente 
daqueles que se encontram em áreas de 
vulnerabilidade social e que preferencial-
mente estejam matriculados na rede pú-
blica de ensino.” (BRASIL, 2022).
http://arquivo.esporte.gov.br/index.php/institucional/esporte-educacao-lazer-e-inclusao-social/segundo-tempo
http://arquivo.esporte.gov.br/index.php/institucional/esporte-educacao-lazer-e-inclusao-social/segundo-tempo
https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/outros/programa-vem-ser
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Como é Feito? (Financeiro)
É viabilizado por meio de parcerias entre 
a Secretaria Nacional de Esporte, Edu-
cação, Lazer e Inclusão Social (Snelis) e 
governos dos estados, dos municípios, 
do Distrito Federal, instituições públi-
cas federais de ensino e Organizações 
da Sociedade Civil (OSCs), com apoio de 
recursos financeiros próprios da Secre-
taria Especial do Esporte ou por meio de 
emendas parlamentares.
Como é Feito? (Pedagógico)
Para facilitar a aprendizagem e o de-
senvolvimento integral dos alunos-atle-
tas, os conteúdos propostos deverão ser 
abordados em aulas e desenvolvidos da 
seguinte maneira:
1º Passo - Círculo da acolhida: re-
cepção dos alunos-atletas e retoma-
da dos conteúdos da aula anterior, bem 
como explicação dos valores e competên-
cias da aula do dia;
2º Passo - Desenvolvimento: execu-
ção das atividades das modalidades ofer-
tadas, estimulando assim o desenvolvi-
mento físico, cognitivo e socioemocional;
3º Passo - Momento Vem Ser!: a 
equipe orientará os alunos-atletas a re-
lacionarem as vivências esportivas com 
os fatos da vida cotidiana, propiciando o 
desenvolvimento integral.
Como é Feito? (Rotina)
As atividades são desenvolvidas no con-
traturno ou como complemento escolar e 
os espaços físicos devem ser adequados 
às práticas esportivas elencadas no pro-
jeto técnico:
• limite mínimo de 80 alunos-atletas;
• iniciação esportiva de, no mínimo, 
duas modalidades esportivas por 
aluno-atleta, conforme a faixa etária;
• equilíbrio de gênero, compreenden-
do e respeitando a especificidade de 
cada indivíduo e a realidade de cada 
município; 
• Frequência: 4 horas semanais – 16h/
aula/mês.
INSTITUTO ESPORTE E 
EDUCAÇÃO
Desde 2011, o Instituto Esporte & Educa-
ção, em parceria com a Petrobrás, desen-
volveu uma estratégia de disseminação 
das práticas de Esporte Educacional a par-
tir da transferência de tecnologia e da par-
ceria com outras instituições (ONGs, Uni-
versidades) e municípios. O Projeto Rede 
de Parceiros Multiplicadores de Esporte 
Educacional já assistiu a 58 municípios em 
7 estados brasileiros, formando 773 pro-
fessores e gestores da escolar pública e 
impactando 42.363 alunos na faixa etária 
de 3 a 17 anos, em aulas regulares e 1.643 
eventos de esporte educacional.
https://esporteeducacao.org.br/
https://esporteeducacao.org.br/
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A partir de 2018, o novo Projeto do 
IEE propõe democratizar e qualificar a 
prática do esporte educacional em mu-
nicípios brasileiros, por meio da articu-
lação, formação, aplicação de aulas de 
esporte educacional e implantação de 
escola ativa em diferentes territórios e 
contextos brasileiros.
A metodologia aplicada nas interven-
ções desenvolvidas pelo IEE para alcan-
çar os objetivos do programa é baseada 
em cinco princípios norteadores:
INCLUSÃO
EDUCAÇÃO
INTEGRAL
CONSTRUÇÃO 
COLETIVA
AUTONOMIA
DIVERSIDADE
3.2. Esporte Educacional na 
Educação Básica no Mundo 
América – Estados Unidos
Rachel teve que procurar bastante para 
encontrar uma instituição que tivesse 
foco na educação no continente America-
no, pois, ali, muitos países dão foco ao es-
porte de alto rendimento a partir do Ensi-
no Médio. Contudo, encontrou, para você 
se inspirar, um caso de sucesso em uma 
Organização Não Governamental (ONG) 
nos Estados Unidados. 
A Harker School é uma escola par-
ticular sem fins lucrativos, no Vale do 
Silício, que ganhou reconhecimento 
internacional por seus melhores ren-
dimentos acadêmicos, professores de 
qualidade e realizações dos alunos. Fun-
dada em 1893 e educando 1.975 alunos, 
a Harker é a maior escola independente 
do gênero na Califórnia. 
Para a ONG, esporte educacional é 
uma parte importante da experiência da 
formação adolescente, desde o aprendi-
zado de novas habilidades físicas e es-
portividade até simplesmente aproveitar 
a emoção da atividade e da competição. 
Os alunos experimentam benefícios que 
apoiam seu crescimento acadêmico, so-
cial e emocional no Ensino Médio. Exis-
tem programas esportivos abrangentes 
para todos os níveis de habilidade. Assim 
como propostas de atividades competiti-
vas para as equipes esportivas ou equi-
pes internas e de desenvolvimento para 
alunos(a) que gostam de jogar, mas não 
necessariamente de competir.
Ásia – Coreia do Sul
Em Seul, a capital da Coreia do Sul, os alu-
nos do Ensino Fundamental têm inúmeras 
atividades para escolher, desde reforço es-
colar aos sábados até a formação integral 
após a escola, que envolve tanto atividades 
https://www.harker.org/middle-school/programs-extracurriculars/athleticshttps://www.siskorea.org/student-life/athletics
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artísticas quanto as atléticas, culminando 
com um programa de esporte educacional 
de 4ª e 5ª séries que inclui futebol, basque-
te, flag futebol e natação, abertos a todos os 
alunos do Ensino Fundamental e são dedi-
cados ao desenvolvimento de habilidades e 
trabalho em equipe.
Europa - Luxemburgo
O modelo referência de educação euro-
peia será Luxemburgo, pois, segundo a 
Organização para a Cooperação e Desen-
volvimento Econômico, é o país que mais 
investiu em educação no ano de 2019. 
Logo, Rachel ficou curiosa em conhecer 
suas iniciativas voltadas para o esporte 
educacional.
Na Escola Internacional de Luxem-
burgo (ISL), o esporte é parte integran-
te e essencial do programa educacional 
total. Desenvolve todos os aspectos do 
bem-estar físico, social e mental de uma 
criança dentro e fora da sala de aula. A 
ISL acredita que uma ampla oferta de es-
portes extracurriculares e competitivos 
contribui para a experiência educacional 
e promove o desenvolvimento social e fí-
sico dos participantes.
A ISL valoriza o benefício intrínseco 
da participação esportiva e o espírito de 
jogo em equipe. A ênfase é colocada prin-
cipalmente na participação, cooperação 
e bom espírito esportivo, onde os treina-
dores são professores e modelos para os 
atletas, promovendo atitudes positivas, 
trabalho em equipe e respeito às regras.
África
O Grupo Agence Française de Développe-
ment (AFD) é uma instituição pública que 
põe em prática a política francesa em 
matéria de desenvolvimento e solidarie-
dade internacional. Criada em 1941, a 
AFD é a mais antiga instituição de desen-
volvimento do mundo. A missão da AFD 
é contribuir para o progresso econômico, 
social e ambiental dos países de baixa e 
média renda. 
Concretamente, essa missão se re-
veste em forma de empréstimos, sub-
venções, expertise ou assistência téc-
nica, acordados a estados, autarquias 
locais, empresas, fundações ou ONGs, e 
permitem realizar projetos em diversas 
áreas: clima, biodiversidade, energia, 
educação, urbanismo, saúde, digital, es-
porte, treinamento, etc. Para promover 
a educação através do esporte e forta-
lecer a coesão social desde a mais ten-
ra idade, a AFD compromete-se junto a 
organizações da sociedade civil fran-
cesas, tais como a Play International, 
aprovada pelo Ministério dos Esportes 
e reconhecida como de interesse geral. 
No Burundi, no Senegal, na Libéria e no 
Kosovo, a Play International utiliza sua 
“Playdagogia” para manter os jovens no 
sistema educacional através do espor-
te e criar laços sociais em prol da re-
construção do país. Em Mayotte, a ONG 
implementa um projeto educacional e 
esportivo que se insere no combate à 
discriminação. Lembrando que “play” 
significa brincar, jogar, ou seja, se apro-
xima da ludicidade que é uma das ba-
ses do esporte educacional.
A AFD associa-se igualmente a or-
ganizações internacionais, tais como a 
NBA, a FIFA ou a Basketball Africa Lea-
gue. Essas parcerias visam a promoção 
da prática esportiva e a sensibilização 
dos jovens beneficiários para os desa-
fios do desenvolvimento sustentável 
através do esporte e da organização de 
eventos esportivos.
https://www.islux.lu/student-life/sports
https://www.play-international.org/en
https://www.afd.fr/en/actualites/sport-mayotte-increasing-awareness-gender-equality
https://www.afd.fr/en/actualites/sport-mayotte-increasing-awareness-gender-equality
https://www.afd.fr/pt/actualites/nba-liga-africana-de-basquete-e-afd-o-esporte-em-desenvolvimento
https://www.afd.fr/en/actualites/communique-de-presse/championnes-football-gender-equality-africa
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Oceania – Austrália
O exemplo que a Rachel encontrou do 
continente da Oceania, foi a Austrália. O 
currículo de Educação Física do país é 
pautado no conceito da alfabetização físi-
ca, que envolve a aprendizagem holística 
ao longo da vida por meio do movimento 
e da atividade física. Oferece benefícios 
físicos, psicológicos, sociais e cognitivos 
para a saúde e o bem-estar. 
O Estatuto do Posicionamento Espor-
tivo Australiano sobre Alfabetização Físi-
ca descreve nosso compromisso em criar 
uma geração mais saudável de australia-
nos mais ativos. O currículo escolar ativa 
esse compromisso por meio do estabele-
cimento de uma linguagem comum para 
apoiar todos os australianos a desenvol-
ver sua alfabetização física, em todas as 
fases da vida.
No que se refere ao Esporte Educa-
cional, o país oferta programas gratuita-
mente às crianças e a suas famílias para 
ajudar os alunos a desenvolverem a con-
fiança e a capacidade de serem ativos por 
toda a vida.
Para ajudar a conseguir isso, a Co-
missão Esportiva Australiana fez parceria 
com mais de 35 organizações esportivas 
nacionais (NSOs). Existe um programa 
para escolas primárias e um programa di-
recionado para escolares de 7 e 8 anos do 
ensino fundamental. O governo acredita 
que todos têm potencial para valorizar, de-
senvolver e manter comportamentos po-
sitivos de atividade física por toda a vida.
Vale lembrar que Rachel também 
é professora universitária e que precisa 
conhecer a realidade do esporte educa-
cional das universidades brasileiras e de 
outros continentes. A seguir, você encon-
trará alguns casos exitosos no Ensino Su-
perior para se inspirar.
3.3. Esporte Educacional no 
Ensino Superior no Brasil
Rachel não pode falar de esporte edu-
cacional no Ensino Superior sem men-
cionar a Confederação Brasileira do 
Desporto Universitário (CBDU), quem 
tem a brilhante missão de inspirar e de-
senvolver o potencial de novos líderes 
através do esporte. É uma instituição 
que trabalha a consonância do esporte 
com a educação! 
A CBDU é filiada à Federação Inter-
nacional do Esporte Universitário (Fisu), 
portanto, segue regras semelhantes ao 
regulamento do organismo internacional. 
A Fisu trabalha com alunos(as) universi-
tários(as) na faixa etária de 17 a 25 anos 
de idade. A CBDU, contudo, tem algumas 
flexibilizações. As competições no Brasil, 
aceita alunos(as) com 16 anos completos 
até 25 anos. Entretanto, em algumas mo-
dalidades, podem participar alunos(as) 
acima dessa faixa etária. Por exemplo, o 
Futsal, que pode ter dois alunos(as) aci-
ma de 25 anos, o Vôlei de Praia, no qual 
aceita-se um(a) aluno(a) acima de 25 
anos dentro da dupla.
A CBDU tem um ranking nacional 
que é feito entre as federações estaduais 
(FUEs) e as instituições de ensino supe-
rior. Esse ranking é formando de acordo 
com a participação em eventos. São atri-
buídas pontuações para as instituições de 
acordo com as colocações que alcançam 
nos eventos. A instituição pontua em cada 
competição que participa e também gera 
pontuação para a federação do estado a 
que corresponde. Então, pontuam tanto a 
instituição, com sua participação, quanto 
a federação, por levar a sua instituição. 
Esse ranking é renovado anualmente.
A CBDU ainda promove o troféu efi-
ciência. A premiação também conta com 
a participação estadual. Em 2022, houve 
uma disputa bastante acirrada, com dife-
rença de apenas trinta pontos. Entre as fa-
culdades particulares melhores ranquea-
das estão a UNIP de São Paulo, UniNassau 
de Pernambuco e a Unifor e a UniAteneu, 
ambas do Ceará. Entre as públicas, desta-
cam-se, a nível nacional, a Universidade 
Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e 
a Universidade de Brasília (UnB).
Agora que você conheceu um pouco 
do papel da Confederação, que tal desco-
brir as iniciativas que têm sido desenvol-
vidas no âmbito do desporto educacional 
universitário Brasil afora?
Programa Segundo Tempo - 
Universitário (Brasil, 2013)
As atividades são desenvolvidas em 
espaços físicos adequados às práticas 
corporais de acordo com a indicação es-
tabelecida na Proposta de Trabalho.
a)Quantidade de beneficiados por 
núcleo: 300 beneficiados, prioritaria-
mente discentes.
b) Desenvolvimento das Atividades: 
organiza-se o ensino das práticas corpo-
rais de acordo com o interesse dos bene-
ficiados. Para tanto, o(a) professor(a), após 
considerar quais são as práticas corporais 
que os beneficiados têm maior interesse, 
deverá organizar seu Planejamento Pe-
dagógico do Núcleo (PPN) contemplando 
uma ou mais práticas corporais.
c) Frequência: cada beneficiado 
deverá participar de dois encontros de 
1h30min (cada um), duas vezes por se-
mana. A definição dos horários e das 
atividades poderá ser flexível de acordo 
com a demanda e a disponibilidade de in-
fraestrutura.
d) Turmas: devem ser organizadas 
com no máximo 60 alunos(as).
https://www.sportaus.gov.au/schools
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Grupo Ser Educacional
É composto pelas instituições privadas de 
Ensino Superior: UniNassau (Norte, Nor-
deste e Centro-Oeste), Unama (Amazô-
nia), UNG (Guarulhos), UniVeritas (Rio de 
Janeiro), UniNorte, Unibanco (Recife), Uni-
Juazeiro (Juazeiro do Norte), UniFacimed 
(Rondônia), Unesc (Rondônia), UniFasb 
(Bahia) e UniFael (Paraná).
O grupo oferta mais de 2.500 bol-
sas de estudos de até 100% para atletas 
de diversas modalidades. O resultado é 
que, a cada ano, os estudantes se des-
tacam em competições nacionais e in-
ternacionais. Nos Jogos Universitários 
Brasileiros 2022, somaram 100 meda-
lhas conquistadas durante o evento: 
24 de ouro, 37 de prata e 39 de bronze. 
Além disso, o Grupo contou com a maior 
delegação da competição nacional, so-
mando mais de 600 participantes, entre 
atletas e técnicos.
A instituição acredita que o esporte 
e a educação podem transformar vidas. 
Por isso, tem orgulho de ser o grupo edu-
cacional que mais investe em esporte 
no país. A prática de esportes afasta o 
jovem das drogas, evita a evasão esco-
lar, aumenta a capacidade cognitiva, traz 
benefícios consideráveis à saúde e gera 
cooperação e socialização entre os estu-
dantes. E, ao fim da graduação, aqueles 
que não se tornam atletas profissionais 
têm a possibilidade de alcançar uma boa 
profissão e uma vida melhor. 
Esporte Unifor (Fortaleza-CE)
A Universidade de Fortaleza (Unifor), por 
meio da Vice-Reitoria de Extensão e Co-
munidade Universitária e gerenciamen-
to da Divisão de Atividades Desportivas 
(DAD), desenvolve programas e projetos 
esportivos para atender à sua comuni-
dade (interna e externa), visando propor-
cionar e estimular a adoção de hábitos 
https://www.sereducacional.com/institucional.html
https://www.unifor.br/en/esporte/apresentacao#tabs
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saudáveis por meio da atividade física e 
esportiva. É possível aliar momentos de 
aprendizagem, lazer e saúde por meio dos 
projetos que incentivam o esporte como 
base para a vida pessoal e profissional. A 
Universidade também sedia projetos so-
ciais, revela novos talentos e dá suporte 
a atletas de alto nível que representam a 
instituição em competições nacionais e 
internacionais. Em todos os projetos de 
responsabilidade social desenvolvidos 
pela Unifor, utilizando o esporte como fer-
ramenta, foram contemplados centenas 
de alunos ao longo desses 20 anos, quer 
seja com acesso ao nível superior por 
meio de bolsas de estudo e outros incen-
tivos como moradia e planos de saúde, 
quer seja pela oportunidade de trabalho 
e emprego, em função da aproximação da 
Unifor com a comunidade, quer seja pelo 
desenvolvimento atlético, que por meio 
da escola de esporte e programa da in-
centivo ao esporte, alguns se tornaram 
atletas profissionais.
Quanta intervenção inspiradora a 
gente pôde perceber, não é mesmo?! 
Ainda não acabou! Na seção logo abaixo, 
você irá encontrar outros casos de suces-
so do desporto educacional universitário 
no mundo.
3.2. Esporte Educacional no 
Ensino Superior No Mundo 
América – Estados Unidos
Mais de mil faculdades e universidades 
dos EUA oferecem oportunidades para 
estudantes talentosos(as) jogarem pelo 
time universitário como forma de pagar 
por seus estudos. Os(As) atletas inte-
ressados(as) podem pedir cartas de re-
ferência de seus(suas) treinadores(as) e 
outros(as) mentores(as) para ajudá-los a 
expressar como eles(elas) veem seu po-
tencial de sucesso e representar a insti-
tuição com uma bolsa esportiva.
Ásia – China
Fundado em 2017, o China Athletics Colle-
ge é afiliado à Divisão de Esportes Olím-
picos da Beijing Sport University (BSU). É 
uma academia profissional que consegue 
a integração integral e profunda com a 
Seleção Nacional de Atletas e a Seleção 
Nacional Juvenil. É guiado pelos requisi-
tos de treinamento de talentos de ponta, 
integrado, internacional e colaborativo. 
Ele constrói um sistema educacional que 
integra ensino, treinamento, pesquisa 
científica e serviços de logística, desde o 
ensino fundamental e médio até o ensi-
no de graduação e pós-graduação. Tem o 
objetivo de alcançar um novo modelo de 
formação de atletas de alto nível, técni-
cos, árbitros e pesquisadores científicos 
com características chinesas.
Europa - França
As federações esportivas francesas com 
assessoramento do Instituto Nacional do 
Esporte, da Expertise e da Performance 
(INSEP) garantem a formação e a prepa-
ração dos atletas de alto nível, visando à 
excelência no esporte e ao bom desem-
penho escolar, universitário ou profissio-
nal. O INSEP é um centro de treinamento 
e preparação olímpica e paraolímpica de 
referência para atletas internacionais na 
França. O seu objetivo principal é apoiar 
os(as) atletas de elite e seus(suas) trei-
nadores(as), principalmente fornecen-
do-lhes instalações e equipamentos es-
portivos da mais alta qualidade. Metade 
das medalhas olímpicas da França são 
conquistadas por atletas que treinam no 
INSEP, que é uma instituição pública sob 
a administração do Ministério do Espor-
te. Estabelecido em 1945, é um centro de 
treinamento olímpico e paraolímpico de 
referência, bem como uma voz poderosa 
na política esportiva de elite na França.
https://educationusa.state.gov/athletic-scholarships
https://en.bsu.edu.cn/Schools/AcademicDivisionofOlympicSports/ca410d5b238847b8be07ca05634a556a.htm
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Oceania - Austrália
O Programa “Caminho do Atleta Aluno 
de Elite” (ESAP), na Austrália, fornece 
liderança e direção para estabelecer e 
entregar estratégias que promovem a co-
laboração entre as Universidades austra-
lianas, a Rede Instituto Nacional e as Or-
ganizações Desportivas Nacionais (ODN) 
para identificar, monitorar e apoiar estu-
dantes-atletas de elite. O esporte de alto 
rendimento exige um comprometimento 
significativo do atleta, principalmente 
quando aliado aos estudos acadêmicos. 
Estudantes-atletas de elite geralmen-
te precisam de suporte extensivo para 
se destacarem em ambas as atividades. 
Como tal, os alunos-atletas de elite po-
dem ter direito a obter apoio de várias or-
ganizações, como sua universidade, ODN, 
instituto estadual/academia de esporte, 
clube esportivo, governo (local, estadual 
e/ou federal) ou local comunidade. As 
universidades membros da UniSport Aus-
tralia oferecem suporte a aproximada-
mente 5.000 estudantes atletas de elite e 
emergentes, desde representantes esta-
duais até equipes nacionais e atletas pro-
fissionais. Mais de 60 funcionários da uni-
versidade fornecem suporte a esses(as) 
estudantes atletas na forma de suporte 
acadêmico, assistência ao desempenho 
esportivo e desenvolvimento pessoal.
https://www.unisport.com.au/elite-student-athlete-pathways
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POSSIBILIDADES DE 
DESENVOLVIMENTODO 
ESPORTE EDUCACIONAL NA 
EDUCAÇÃO BÁSICA E NO 
ENSINO SUPERIOR
Rachel chegou ao final dessa jor-nada com uma bagagem cheia de história, emoções, dificuldades e 
superações dos(as) colegas de profissão, 
não é mesmo? Ela percebeu que não está 
sozinha nessa jornada e que não existe 
barreira intransponível. Para facilitar seu 
planejamento, ela fez um check-list sobre 
os pontos-chave que vão nortear o de-
lineamento do seu projeto. Que tal, você 
fazer o seu a partir dos itens a seguir?
OBJETIVO:
METODOLOGIA
FINANCIAMENTO:
GLOSSÁRIO 
Atividade Física: é um comporta-
mento que envolve os movimentos vo-
luntários do corpo, com gasto de energia 
acima do nível de repouso, promovendo 
interações sociais e com o ambiente, po-
dendo acontecer no tempo livre, no des-
locamento, no trabalho ou estudo e nas 
tarefas domésticas. 
Aptidão: compreende tanto a capa-
cidade cognitiva como as características 
emocionais e da personalidade do indiví-
duo. Ex: aptidão física.
Capacidade: poder de produção, de 
execução; rendimento máximo.
Desempenho: maneira como atua 
ou se comporta alguém ou algo, avaliada 
em termos de eficiência, de rendimento.
Desenvolvimento Psicomotor: é o 
desenvolvimento do domínio do próprio 
corpo, mente e emoções, como: habili-
dades de lateralidade (esquerda/direi-
ta), espaciais, temporais, coordenação 
motora etc.
Esporte Educacional: desporto 
educacional ou esporte-educação, prati-
cado na educação básica e superior e em 
formas assistemáticas de educação, evi-
tando-se a seletividade, a competitivida-
de excessiva de seus praticantes, com a 
finalidade de alcançar o desenvolvimento 
integral do indivíduo e a sua formação 
para o exercício da cidadania e a prática 
do lazer.
Educação Básica: a Educação Bási-
ca, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação (LDB - 9.394/96), passou a ser 
estruturada por etapas e modalidades de 
ensino, englobando a Educação Infantil, o 
Ensino Fundamental (obrigatório de nove 
anos) e o Ensino Médio.
Ensino Superior: é uma etapa edu-
cacional que vem depois da educação bá-
sica. Pode ser Bacharelado, Licenciatura 
ou Tecnólogo.
Integração Social: é o desenvolvi-
mento de competências técnicas, sociais 
e comunicativas, essenciais para o seu 
processo de desenvolvimento individual 
e social.
Pessoa com Deficiência: pessoa 
que tem impedimento de longo prazo de 
natureza física, mental, intelectual ou sen-
sorial, as quais, em interação com uma ou 
mais barreiras, pode obstruir participação 
plena e efetiva na sociedade em igualdade 
de condições com as demais pessoas.
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REFERÊNCIAS
KRAVCHYCHYN, C.; OLIVEIRA, A. A. B. Esporte 
Educacional no Programa Segundo Tempo: 
uma construção coletiva. J Phys Educ, v.27, 
e2719, p. 1-18, 2016.
MACHADO, P. X. et al. O impacto de um projeto 
de educação pelo esporte no desenvolvimento 
infantil. Psicologia Escolar e Educacional, v. 
11, n. 1, p. 52-62, 2007.
SOUZA, L. C. L.; SILVA, M. M.; SILVA, J.V. P. Polí-
tica de esporte universitário em uma institui-
ção pública de ensino superior de Mato Grosso 
do Sul, Rev Motriviv, v. 31, n. 60, p. 1-20, 2019.
TUBINO, M. J. G. Dimensões sociais do espor-
te. 2. ed. São Paulo: Editora Cortez, 2001. 
112 
Apoio: Patrocínio: Realização:
CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO
FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral 
Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design 
Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas 
Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora 
Pedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron-
End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly 
Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier 
Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo 
Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing 
Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota
ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-053-0 (Fascículo 7)
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Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora 
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Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br
Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br
Todos os direitos desta edição reservados à:
AUTORES
Ana Luísa Batista Santos
Graduada em Educação Física pela Uni-
versidade Estadual do Ceará (Uece) e 
Indiana University e mestre em Saúde 
Coletiva (Uece) e Segurança de Aviação 
Civil (ITA). É professora pesquisadora do 
Núcleo de Investigação em Atividade Físi-
ca na Escola (Niafe) e do Instituto Federal 
do Maranhão.
Felipe Nogueira Catunda
Graduado em Educação Física (Licencia-
tura/Bacharelado) e especialista em Fi-
siologia do Exercício pela Universidade 
Estadual do Ceará (Uece). Especialista 
em Gestão e Educação Inclusiva pelo Pro-
minas. Mestrando em Ensino em Saúde 
(Uece). É presidente/fundador da Asso-
ciação D’ Eficiência Superando Limites 
(Adesul) e professor efetivo vinculado à 
Secretaria da Educação do Estado do Ce-
ará e coordenador de Educação Especial 
da Coordenadoria Regional de Desenvol-
vimento da Educação (Crede) 1.
ILUSTRADOR
Carlus Campos
Artista visual que há mais de 30 anos é 
ilustrador do Jornal O POVO. Na produção 
de suas ilustrações, utiliza várias lingua-
gens como: desenho, pintura, aquarela, 
gravura e fotografia. Ao longo dos anos 
90, além de ganhar diversos prêmios com 
arte gráfica, fez incursões pelas artes 
plásticas participando de diversos Salões 
de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa 
considerável espaço em sua produção 
chegando a participar do coletivo IN-GRA-
FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas 
cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft.
GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA
Elaboração e gestão 
de projetos para o 
esporte educacional
Marcelo Soldon
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SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
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CONCEITOS 
116
PROJETOS PARA O 
ESPORTE EDUCACIONAL
119
ELEMENTOS FUNDAMENTAIS 
DE UM PROJETO
120
GESTÃO DE PROJETOS
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APRESENTAÇÃO
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É muito comum ao iniciarmos um novo ano, termos aquela sede de mudanças: vou começar uma dieta, 
mudar de apartamento, trocar de empre-
go, entrar na academia, aprender uma 
língua estrangeira. Contudo, os meses 
vão passando e nada acontece. Então 
você entende que deve cair na realidade 
de que precisa sair do plano dos sonhos 
e desejos e que precisa ir além, ou seja, 
tem que se esforçar para que esses de-
sejos se tornem metas e se concretizem.
Quando coloco um objetivo claro à 
frente e planejo atingi-lo, levando em 
consideração o tempo necessário, os 
seus recursos fundamentais, avaliando o 
que preciso abrir mão e o que preciso fa-
zer para “chegar lá”, daí posso, sim, cha-
mar essa ideia estruturada e planejada 
de PROJETO.
Os projetos podem ser classificados 
de acordo com seus objetivos. Existem 
projetos de engenharia, projetos sociais, 
projeto de vida, projetos empresariais, 
projetos esportivos, entre outros. O resul-
tado desses projetos, quando alcançados,são singulares e caracterizam o seu fim.
Neste módulo, você lerá sobre proje-
tos para o esporte educacional, que são 
atividades planejadas e executadas com 
a finalidade do desenvolvimento integral 
do indivíduo e de sua formação para o 
lazer, tendo o esporte como principal dis-
positivo metodológico. Você também será 
apresentado a conceitos fundamentais de 
projeto e esporte educacional, além dos 
elementos para elaboração de um projeto 
e como geri-lo com excelência, adminis-
trando os recursos envolvidos nele e ana-
lisando os indicadores e metas, na busca 
para atingir o objetivo traçado.
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2.1. O Esporte Educacional
O esporte educacional nasceu en-tre cientistas da educação física e surgiu na legislação brasileira em 
1993, por meio da “Lei Zico” (Lei Fede-
ral nº 8672/1993). Após a Constituição 
Federal de 1988 apontar como dever do 
estado e direito de todo cidadão o apoio 
a práticas esportivas formais e não for-
mais, a Lei Zico veio regulamentar alguns 
aspectos do esporte brasileiro.
Dentre esses aspectos, fomos apre-
sentados às manifestações esportivas em 
forma de “dimensões”, como esporte de 
rendimento, de participação e educacio-
nal. O esporte (ou desporto) educacional, 
que foi definido como aquele praticado 
“através dos sistemas de ensino e formas 
assistemáticas de educação, evitando-se 
a seletividade, a hipercompetitividade 
de seus praticantes, com a finalidade de 
alcançar o desenvolvimento integral e a 
formação para a cidadania e o lazer.”
Esta primeira versão de 1993 sofreu 
modificações. A principal delas em 1998, 
com o surgimento da “Lei Pelé” (Lei Fede-
ral nº 9615/98). Essas modificações não 
afetaram sua diretriz principal, que é a for-
mação integral do indivíduo utilizando o 
esporte como uma ferramenta para isso.
2
nhece alguém que não gosta de música? 
Existem aqueles que ouvem rock, aqueles 
que preferem forró, aqueles que se en-
cantam com MPB e músicas internacio-
nais, e ainda aqueles que não só ouvem, 
como gostam de dançar ao som do seu 
estilo preferido.
O esporte possui também essa ade-
são maciça. Existem aqueles que prati-
cam futebol, corrida, natação, ciclismo... 
e existem aqueles que simplesmente não 
são adeptos à atividade física, mas se de-
leitam com uma apresentação de ginás-
tica artística na televisão, durante uma 
olimpíada, ou até mesmo curtem uma 
partida de hóquei sobre o gelo, curiosos 
por aquele ambiente. Destaca-se que, de 
alguma maneira, o esporte está presente 
na vida da população como um todo, quer 
como competidor, praticante ou como es-
pectador/torcedor.
Compreendendo essa grande acei-
tação do esporte por parte da população, 
os profissionais da área enxergaram uma 
gigante ferramenta de troca de conheci-
mento e experiências que pudesse ser 
implementada na formação de crianças e 
adolescentes. Através dele, conseguimos 
transmitir os valores inerentes à prática 
competitiva, como o respeito às regras, 
VOCÊ SABIA? 
Zico e Pelé foram, respectivamente, minis-
tros do Esporte nos governos Collor e Fer-
nando Henrique, sendo corresponsáveis 
pelas leis que formalizaram e classifica-
ram as manifestações esportivas, entre 
elas a do esporte educacional.
TÁ NA LEI
Lei Zico:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
l8672.htm
Lei Pelé:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/l9615consol.htm
Ora, nesse sentido, o esporte se 
apresenta apenas como um “caminho” 
para se atingir um objetivo. Ratificamos: 
leia “um” caminho, e não “o” caminho, vis-
to que a formação integral compreende 
muitas esferas, como cognitiva, social, fí-
sica, afetiva, psicológica, entre outras.
As práticas esportivas possuem uma 
característica de aceitação quase que 
universal, comparável à música. Você co-
CONCEITOS
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8672.htm
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aos adversários, às autoridades, o saber 
ganhar e perder, o de enfrentar adversi-
dades, superar obstáculos, encarar de-
safios, se capacitar e ser melhor a cada 
dia. A educação física da época passou 
a compreender a importância e o alcan-
ce de suas atividades. Tudo isso com o 
bônus dos benefícios fisiológicos à saú-
de, com a melhoria da força, do sistema 
cardiovascular, da habilidade motora, da 
flexibilidade e da consciência corporal.
Dessa forma, a educação física den-
tro do ambiente escolar começou a se 
desenvolver, principalmente na segunda 
metade do século XX, com seus conceitos 
próprios, metodologias, conteúdos e cur-
rículos, entre eles as práticas esportivas 
e o lazer saudável. 
O lazer, ligado ao tempo livre disponí-
vel entre as atividades, sempre teve como 
um dos seus principais elementos a prá-
tica esportiva. Por que não sistematizar 
e desenvolver atividades que gerassem 
também esses benefícios no ambiente 
extraescolar?
Assim o esporte educacional não se 
limitou às paredes das escolas, ganhando 
terreno em espaços públicos e privados, 
por meio de escolinhas, núcleos e proje-
tos específicos.
Desde que as atividades mantives-
sem os princípios fundamentais do des-
porto educacional, como inclusão, partici-
pação, cooperação, respeito à diversidade 
e construção coletiva, poderiam ser clas-
sificadas dentro desta manifestação.
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2.2. Projetos Esportivos
Conceitualmente, projetos esportivos são 
todos aqueles que têm como foco o es-
porte. Esse esporte pode ser tanto a fina-
lidade própria do projeto, mas também 
pode ser uma ferramenta pedagógica, 
como explicado a seguir:
Quadro 1
PROJETO ESPORTIVO
Tem como característica ter o esporte como objetivo ou 
como principal ferramenta
Esporte como Objetivo Esporte como Ferramenta
• O projeto busca objetivos que são pró-
prios do esporte.
• Possui finalidade nele próprio.
• Exemplos de objetivos: (a) obtenção de 
títulos ou campeonatos na modalidade 
proposta; (b) melhoria do condicio-
namento físico; (c) desenvolvimento 
de atletas ou equipes para resultados 
esportivos.
• O projeto utiliza o esporte como um 
meio para atingir seus objetivos.
• As finalidades são outras que, inclu-
sive, podem ser atingidas por outras 
ferramentas que não o esporte.
• Exemplos de objetivos: (a) educação 
para cidadania; (b) transmissão de 
valores; (c) coletividade, trabalho em 
grupo, socialização; (d) indiscriminação 
e inclusão da pessoa com deficiência.
educacionais são normalmente voltados 
para as faixas etárias mais jovens, na sua 
maioria em ambientes educacionais for-
mais, inclusivos e participativos.
A concepção de um projeto esportivo 
surge na ânsia do atendimento a alguma 
situação encontrada, alguma “lacuna”, a 
percepção de uma situação-problema. 
O projeto busca atender a alguma neces-
sidade existente, que foi observada pelo 
elaborador ou um terceiro que, por meio 
dessa percepção/diagnóstico, traz o pro-
blema para o papel, gerando uma solu-
ção, parcial ou total, em forma de projeto.
E que forma é essa? Veremos adiante.
O conteúdo do Quadro 1 é apenas um 
dos elementos de um projeto, cuja análise 
nos faz classificar como esportivo ou não, 
que é (ou são) os objetivos. No decorrer 
deste módulo você verá que existem di-
versos outros elementos fundamentais 
para a construção de um projeto que ga-
ranta a sua coesão, clareza, eficiência, 
eficácia e sua tangibilidade.
Quando falamos de projetos espor-
tivos educacionais, entramos no univer-
so dos projetos esportivos que utilizam 
o esporte como uma ferramenta para 
atingir seus objetivos, e não um fim nele 
próprio. Por isso, os projetos esportivos 
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PROJETOS PARA O ESPORTE 
EDUCACIONAL
Quando refletimos sobre o tema “projeto para o esporte educacio-nal”, talvez a primeira lembrança 
que nos venha à mente são os jogos in-
terclasses e intercolegiais, ou as ginca-
nas entre turmas, séries e escolas. Nas 
grandes redes escolares, vêm à nossa 
memória as rivalidades esportivas entre 
as diferentes sedes, o desafio entre os 
adversários existentes nas competições 
esportivas, as torcidas inflamadas nas 
arquibancadas de ginásios e os times 
aguerridamente competindo dentro da 
quadra. Contudo, o esporte educacional 
e suas possibilidades de projetos e ações 
vão muito além disso, inclusive chegando 
além dos muros escolares. 
Uma das maneiras estratégicas de se 
atingir esses objetivos é por meio de pro-
jetos que, conforme o Ministério do Plane-
jamento, Orçamento e Gestão nada mais 
é do que “um empreendimento planejado, 
orientado a resultados, possuindo ativida-
des com início e término, para atingir um 
objetivo claro e definido”, neste caso, ali-
nhados com o desporto educacional.
Primeiramente, precisamos dife-
renciar entre os projetos esportivos 
educacionais planejados para as insti-
tuições de ensino e aqueles que funcio-
narão fora delas.
O principal ponto de atenção é que 
todo projeto esportivo educacional a ser 
realizado dentro da estrutura de ensino 
formal precisa estar alinhado com as 
diretrizes e legislações vigentes, bem 
como com o projeto político-pedagógico 
da escola ou instituição.
Como já dizia o pai da química moder-
na, Antoine Lavoisier: “na natureza, nada 
se perde, nada se cria; tudo se transfor-
ma”. Mesmo os projetos mais inovadores 
precisam ter suas bases alicerçadas em 
linhas pedagógicas amplamente discuti-
das e amadurecidas.
Dentro das escolas existem diversos 
documentos que norteiam as atividades 
acadêmicas para cada série do ensino 
básico: Base Nacional Comum Curricular 
(BNCC), Diretrizes Curriculares Nacionais, 
Projeto Político-Pedagógico, entre outros. 
Seria coerente um projeto esportivo de 
cunho educacional estar desalinhado com 
as propostas já existentes, que levam em 
conta a maturidade, o grau de instrução 
e a formação desejada, seus objetivos e 
metas? Claro que não. Isto posto, cabe ao 
profissional se apropriar dessa base pe-
dagógica para a elaboração do projeto.
Fora do âmbito escolar, os mesmos 
documentos podem ser norteadores, mas 
não condicionantes para a elaboração do 
projeto. Existem outras demandas, fragi-
lidades e anseios apresentados por um 
território, por uma população específica, 
por um grupo de pessoas ou mesmo por 
uma entidade que são mais valiosos de 
informações para o projeto que se propõe.
3
Um dos pontos iniciais do planeja-
mento de qualquer projeto e ação é o 
diagnóstico. Esse diagnóstico pode ser 
mais superficial ou mais profundo, mas 
tem como finalidade identificar a realida-
de humana, social, econômica e compor-
tamental daquele espaço.
Diante dos dados coletados, cabe ao 
bom profissional levar em consideração 
as particularidades locais e elencá-las, 
em grau de importância, para que condu-
za a elaboração de um projeto exitoso.
#FICAADICA
O sucesso de um gestor está direta-
mente ligado à capacidade que sua 
equipe tem de entregar resultados 
sob sua liderança. Sendo assim, a 
gestão de pessoas é fundamental 
para o sucesso de um projeto es-
portivo educacional, pois as ferra-
mentas tecnológicas e estruturais 
são importantes, mas nada como o 
material humano envolvido, capa-
citado, engajado e alinhado com os 
objetivos institucionais. 
Saiba mais na leitura do módulo 
Gestão de Pessoas e Ações em 
Projetos de Esporte.
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Os fundamentos para a constru-ção de projetos nos acompanham na vida escolar desde as séries 
iniciais. Quem não se lembra dos traba-
lhos feitos na escola, no preenchimento 
do cabeçalho com informações sobre os 
objetivos, materiais a serem utilizados, 
forma de fazer e resultados esperados? 
Para quem não tem essa recordação, 
basta procurar qualquer receita culiná-
ria na internet para se deparar com um 
formato bem parecido. Temos o objetivo 
(prato a ser feito), os recursos (ingredien-
tes), o cronograma (tempo da receita), o 
público-alvo (quantas pessoas servem) 
e a metodologia (forma de preparo). Mui-
tas receitas nos dão inclusive a opção 
de substituir ingredientes a nosso gosto 
(ajustes) para que o produto atenda me-
lhor aos nossos anseios.
Apesar da nossa analogia a uma 
receita de bolo, a elaboração de proje-
tos não é uma ciência exata. Não pode-
mos afirmar, entretanto, que um projeto 
bem escrito, elaborado e planejado será 
necessariamente um sucesso, pois você 
verá que existem muitas variáveis (pós-
-escrita) no meio do caminho que podem 
determinar o seu insucesso. Contudo, 
este autor, seguramente, pode afirmar 
que um projeto esportivo sem cuidado na 
elaboração e sem o devido planejamento, 
sem dúvida, é um fracasso.
Existem autores de diversas áreas 
de projetos que possuem modelos dis-
tintos do seu conteúdo. Apresentaremos 
aqui os principais formatos exigidos em 
editais, formulários e escopos de proje-
tos esportivos, salientando que “o mes-
mo projeto pode e deve ser personaliza-
do e ajustado para o público a qual ele 
será apresentado”.
#FICAADICA
Link de um modelo de projeto esportivo 
do Ministério do Esporte:
https://www.gov.br/cidadania/pt-br/
acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao-
-esporte/arquivos/modelos-de-projetos/
modelo_nucleo_de_desenvolvimento_
arari.pdf
4.1. Dados do Projeto
No formato de cabeçalho, tabela, formu-
lário, tópicos, conforme a escolha do(a) 
autor(a) – a não ser que haja um formulá-
rio específico que já tenha o seu formato 
ELEMENTOS 
FUNDAMENTAIS DE 
UM PROJETO
https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao-esporte/arquivos/modelos-de-projetos/modelo_nucleo_de_desenvolvimento_arari.pdf
https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao-esporte/arquivos/modelos-de-projetos/modelo_nucleo_de_desenvolvimento_arari.pdf
https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao-esporte/arquivos/modelos-de-projetos/modelo_nucleo_de_desenvolvimento_arari.pdf
https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao-esporte/arquivos/modelos-de-projetos/modelo_nucleo_de_desenvolvimento_arari.pdf
https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao-esporte/arquivos/modelos-de-projetos/modelo_nucleo_de_desenvolvimento_arari.pdf
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exigido. O mais importante é que seja bem 
detalhado, logo no início do projeto, com 
informações básicas do(a) Proponente 
e de ordem administrativa. Esta é a sua 
identidade (pessoa física) ou da entidade 
(pessoa jurídica) que você representa.
Se estamos falando ainda de uma 
ideia ou de uma proposta que virá a ser 
comercializada para uma entidade, esse 
campo pode ser preenchido com o per-
fil das entidades para as quais o proje-
to será ofertado: nome do projeto, valor, 
proponente/entidade proponente, CNPJ, 
endereço, classificação do projeto, res-
ponsável técnico do projeto etc.
É importante que todos esses dados 
sejam aprofundados, ou minimamente 
coletados por parte do(a) elaborador(a) 
do projeto, pois em algum momento o 
mesmo pode ser solicitado.
4.1.1. Apresentação
O primeiro tópico deve resumir, de ma-
neira clara, objetiva e direta, o seu projeto. 
Ele serve para dizer, em poucas palavras, 
tudo aquilo que está disposto no restan-
te do documento. É fundamental que ao 
término da leitura da apresentação do 
projeto todas as informações principais 
estejam claras para o(a) leitor(a)/analis-
ta/parecerista, que, neste ponto, já deve 
estar encantado(a) ou, no mínimo, curio-
so(a) em conhecer a sua proposta. 
Deixa-se claro o título do projeto, que 
se tratade um projeto esportivo, os seus 
objetivos, que modalidades esportivas en-
volve, sua duração, onde irá ocorrer, quem 
pretende beneficiar, quanto custará e por 
quem e como será executado, além de, na-
turalmente, os seus resultados esperados.
Essa mesma apresentação deve ter 
o poder de causar a mesma impressão 
de “encantamento” para um potencial 
patrocinador.
4.1.2. Justificativa
Como dica para a elaboração deste tópi-
co, deve ser respondida a seguinte per-
gunta: POR QUÊ o projeto foi elaborado e 
POR QUÊ ele merece ser implementado?
É importante fazer uma contextuali-
zação do local onde o projeto funcionará. 
Se for um projeto esportivo social, apon-
tar as fragilidades do território, apresen-
tar esse público-alvo e as suas “dores”. 
Apontar dados de levantamento socioe-
conômico é de extrema importância, pois 
qualifica o seu diagnóstico.
Projetos esportivos educacionais 
possuem uma infinidade de variáveis. O 
propósito deste tópico é justificar as es-
colhas feitas para o projeto. Escolha de 
local, de período, de modalidade, de pú-
blico-alvo e de objetivos, por exemplo.
A justificativa de um projeto também 
precisa estar atrelada a uma certa rele-
vância. Imagine que você vai apresentar 
seu projeto a um gestor(a)/patrocina-
dor(a) que possui recursos para apoiar 
projetos esportivos. Surgindo a oportuni-
dade, você precisará apresentar a ele(a) 
as razões pelas quais ele deve apoiar o 
seu projeto, inclusive em detrimento a 
outros “concorrentes”. Neste momento, a 
sua justificativa deve ser extremamente 
coerente, convincente e estar alinhada 
aos propósitos deste(a) apoiador(a).
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4.1.3. Objetivos
Para os objetivos do projeto, normalmen-
te faz-se a divisão entre objetivo geral e 
objetivos específicos.
O objetivo geral está ligado à missão 
do projeto. Aquela realidade (situação-
-problema) que se busca modificar. O que 
se almeja ao término do seu projeto, a 
melhoria que o público-alvo terá ao final 
das ações previstas.
Para os projetos esportivos educa-
cionais, o objetivo geral é mais abran-
gente, superficial e genérico. Isso porque 
os benefícios da prática esportiva na for-
mação humana dificilmente são mensu-
rados totalmente a curto ou médio prazo, 
tempos que podem ser associados aos 
benefícios diretos de um projeto. A noção 
de um ser coletivo, de um indivíduo pleno 
e consciente de seu papel na sociedade, 
de um “desenvolvimento integral e da for-
mação para a cidadania e o lazer” serão 
observados no decorrer da sua trajetória 
humana, passando pelas fases da adoles-
cência, juventude, adulta e terceira idade.
Quanto aos objetivos específicos, 
eles estão associados às principais ações 
e atividades que serão executadas duran-
te o projeto para que se alcance o objetivo 
geral. Essas ações normalmente respon-
dem perguntas, como: o que se precisa 
trabalhar para que o projeto avance? Que 
mudanças gradativas espero?
Estas ações estão no âmbito de aten-
dimento do projeto. Os beneficiários são 
o público dessas ações. As atividades 
administrativas não entram nesse 
escopo, pois são de ordem interna de 
quem está executando o projeto, ou seja, 
do(a) proponente.
Elenca-se entre 5 a 7 objetivos espe-
cíficos, sempre em ordem cronológica de 
implementação e com total alinhamento 
com o objetivo geral do projeto. Essas eta-
pas intermediárias são de cumprimento 
essencial, ao longo do projeto, para que 
se alcance o objetivo geral.
4.1.4. Público-Alvo
Para qual perfil de público o seu projeto 
foi elaborado? Quem ele pretende alcan-
çar, transformar? Descreva de maneira 
mais fidedigna possível quem deverá ser 
atendido pelo projeto. Faixa etária, gêne-
ro, perfil socioeconômico, região, particu-
laridades e/ou minorias atendidas devem 
ser descritos nesse tópico.
4.1.5. Metas
As metas diferem-se dos objetivos espe-
cíficos, pois elas são quantitativamente 
mensuráveis. Estamos falando de quan-
tidade X de público atingido; X lanches 
oferecidos, X horas/aula de capacitação, 
percentual X de melhoria de rendimen-
to escolar, percentual X de diminuição de 
evasão, participação em X competições 
estudantis durante o ano. Enfim, índices 
que se espera que sejam impactados com 
as ações do projeto, e que podem ser men-
surados no seu montante, no seu valor.
Para análise de cada uma das me-
tas estabelecidas precisa-se de um in-
dicador, que vai apontar para você se a 
meta estabelecida foi atingida ou se foi 
erroneamente planejada. Abordaremos 
novamente esse ponto no tópico “Gestão 
de Projetos”.
4.1.6. Cronograma
Consiste na organização temporal das 
atividades do projeto. Apresenta essa or-
ganização cronológica e auxilia também 
o acompanhamento de atrasos ou na an-
tecipação de ações. Usualmente usa-se 
um quadro para esse tópico, tabulado 
em dias, semanas ou meses, e lista-se 
as etapas de execução do projeto, como: 
divulgação, inscrição, capacitação, aula 
inaugural, atividades regulares, avalia-
ções etc.
Veja, a seguir, um exemplo de crono-
grama de projeto:
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Etapa Estruturação Execução Finalização
AÇÕES | MÊS Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 Mês 7 Mês 8
Divulgação
Contrato com fornecedores
Capacitação dos professores
…
4.1.7. Metodologia
Na metodologia é onde você deverá dis-
correr sobre COMO se dará o projeto. 
Diante de todos os objetivos, o público-al-
vo, a realidade diagnosticada e os recur-
sos disponíveis, como se darão as ações? 
Que abordagens serão utilizadas? De que 
maneira serão executadas as atividades? 
Qual a forma de cada uma das etapas? 
Qual a duração de cada atividade? Que 
materiaisqrecursos irá utilizar?
Uma boa dica para a redação da me-
todologia a ser empregada é: precisa ser 
clara o suficiente para que alguém que não 
tenha relação com o projeto consiga inter-
pretar e executar as ações planejadas.
4.1.8. Orçamento
O orçamento reúne todas as necessida-
des financeiras para materiais, equipa-
mentos, serviços, mão de obra e quais-
quer outros itens que sejam necessários 
para que o projeto seja viável, ou seja, 
possível de ser executado e de conseguir 
alcançar os resultados esperados.
Os itens (rubricas) são listados den-
tro de uma certa organização (material 
de consumo, material permanente, re-
cursos humanos, serviços especializa-
dos, impostos e encargos etc.) com sua 
estimativa financeira.
É importante que seja também 
acompanhado de uma “memória de cál-
culo”, pois existem itens que tem desem-
bolso mensal, outros de caráter único, 
outros por metas atingidas.
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4.1.9. Acompanhamento 
e Avaliação
Estes dois instrumentos revelam o dia a 
dia de seu projeto, servem para analisar 
o andamento do projeto, observar o que 
está caminhando bem e o que não está, 
servindo para tomada de decisões impor-
tantes e preventivas. 
O acompanhamento deve ser imple-
mentado durante a fase intermediária 
da execução do projeto, checando se as 
etapas estão sendo realizadas dentro dos 
prazos, com os recursos previstos e atin-
gindo as metas parciais. Na observância 
de alguma inconsistência, existe a possi-
bilidade de ajustes, correções e novos ali-
nhamentos ainda no decorrer das ações. 
Esses ajustes são feitos nos fluxos e pro-
cessos do projeto. 
Na última etapa, avaliação, devem-se 
analisar os indicadores pertinentes aos 
resultados esperados do projeto. Os indi-
cadores podem ser qualitativos ou quan-
titativos, mas ambos de resultados, pois 
a análise dos processos que foram exe-
cutados acontece durante o acompanha-
mento. Ao final, conclui-se se o projeto 
atingiu seus objetivos, ou se os mesmos 
foram sub ou superestimados.
As etapas descritas acima são ele-
mentares de projetos de qualquer natu-
reza. O quecabe ao profissional das áreas 
correlatas aos esportes é saber adequar 
o formato às particularidades do projeto 
esportivo educacional. 
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GESTÃO DE PROJETOS
Um gestor de projetos é aquele que consegue coordenar, dirigir e ge-renciar os recursos disponíveis 
para realizar entregas com maior efici-
ência. Cada vez mais a ciência da gestão 
de projetos avança, pois as corporações 
entenderam que seccionar as atividades 
em projetos é uma boa solução para que 
o trabalho tenha foco, acompanhamen-
to e consiga trazer bons resultados. Um 
conjunto de projetos entrega resultados 
que convergem para grandes feitos da 
instituição. 
Em projetos esportivos educacionais 
é fundamental que o gestor tenha conhe-
cimento de fundamentos das três áreas: 
(1) gestão, (2) esporte e (3) educação. 
Além de ser essencial que reúna a sua 
equipe também alicerçada nesses três 
pilares, visto que serão os olhares espe-
cíficos de cada área que irão construir um 
projeto de qualidade. 
5.1. Recursos
Um dos principais papéis de um gestor de 
projetos é saber administrar os recur-
sos disponíveis, sejam eles: (1) humanos, 
(2) físicos e (3) financeiros.
Os recursos humanos são compos-
tos pelos colaboradores do projeto, os 
atendidos pelas ações e todos(as) aque-
les(as) que, de maneira voluntária ou pro-
fissional, dedicam seu tempo, ação e inte-
lecto para a execução do projeto.
Os recursos físicos podem ser:
• Estruturais: equipamentos e ma-
teriais esportivos, ginásios etc.
• Temporais: horas, dias, semanas 
e meses 
• Tecnológicos: softwares, siste-
mas, aplicativos, programas etc.
• E qualquer outra ferramenta 
que contribua para a execução 
do projeto.
Já os recursos financeiros têm o pa-
pel de viabilizar a aquisição, seja perma-
nente ou temporária, de todos os outros 
recursos necessários para o projeto. 
Importante destacar que a gestão 
dos recursos de um projeto não é um fim 
nela mesmo, pois ela precisa ter metas 
(intermediárias e finais) que devem ser 
buscadas sempre da maneira mais efi-
ciente possível.
No módulo 10 deste curso, você vai 
compreender mais sobre a relação da 
instituição com a equipe de trabalho, 
como ponto essencial a ser desenvolvido 
no ambiente profissional.
5.2. Comunicação
Um aspecto fundamental para um pro-
jeto esportivo educacional de sucesso 
é a comunicação. Vou além: apesar de 
vivermos na era da comunicação e con-
seguirmos nos comunicar com alguém 
do outro lado do mundo em tempo real, 
com imagem e som de qualidade, aponto 
5
a falta de comunicação como o primeiro 
colocado no quesito “falhas” na gestão de 
um projeto.
A comunicação é essencial ao ser 
humano, seja no campo profissional, 
pessoal, familiar, esportivo, educacio-
nal, amoroso, entre outros. É importante 
ser claro, objetivo e se fazer entender 
durante qualquer ação, além de, claro, ter 
alcance e visibilidade (itens que os patro-
cinadores(a) adoram e que dão vantagem 
ao seu projeto).
Você já trabalhou em algum proje-
to e não sabia os seus objetivos? Você 
já elaborou um relatório simplesmen-
te preenchendo os campos solicitados, 
sem saber a informação que queria ser 
levantada? Você já foi a uma reunião 
sem saber a pauta ou quanto tempo ela 
iria durar?
Tenho certeza de que se identifica-
ram com pelo menos duas das três si-
tuações acima. Cabe ao(à) gestor(a) ser 
claro no processo de comunicação com 
seus(uas) colaboradores(as). Para isso, 
mantenha a comunicação constante, uti-
lize todos os suportes e redes possíveis, 
mas sempre com foco e clareza, junto aos 
seus(uas) colaboradores(as).
5.3. Foco
Um(a) gestor(a) precisa que sua equipe 
esteja constantemente alinhada com as 
diretrizes do projeto. Se o objetivo princi-
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pal do seu projeto esportivo é promover a 
cooperação entre um grupo de alunos(a), 
por que suas atividades estão estimulan-
do a individualidade? Por que em vez de 
modalidades coletivas e jogos de coope-
ração está trabalhando treinamentos in-
dividualizados?
Alternar metodologias de trabalho 
são estratégias válidas, mas elas precisam 
ser bem controladas, justificadas e 
alinhadas com o objetivo proposto.
A análise durante o percurso do pro-
jeto para saber se o mesmo continua ali-
nhado com os objetivos propostos é cha-
mada de Controle, e ela comumente está 
embasada em algumas metas e indica-
dores parciais. Lembrando que metas e 
indicadores precisam estar diretamente 
relacionados. Para cada meta é necessá-
rio um indicador, que nada mais é do que 
a ferramenta escolhida para apontar se 
aquela meta foi ou não atingida.
Se estamos conduzindo um carro e 
nossa meta é alcançarmos a velocidade 
de 80km/h, precisaremos acelerar, pas-
sar as marchas e controlar o carro, mas 
quem irá me dizer se atingi a velocidade 
desejada é o velocímetro. Ou seja, o ve-
locímetro será o meu indicador. Sem in-
dicadores, ficamos conduzindo às cegas, 
sem controle ou avaliação das nossas 
ações, sem saber se estamos no rumo 
certo ou não e se estamos próximos de 
alcançar os objetivos propostos. 
Um(a) bom(oa) gestor(a) é aquele(a) 
que elenca objetivos audaciosos, mas 
palpáveis, e que possam ser mensurados 
durante o processo. Quando o(a) gestor(a) 
observa que as suas metas não estão 
sendo atingidas, cabe a ele(a) analisar e 
fazer as devidas correções, seja nos pro-
cessos, nas ações ou nos recursos em-
pregados em cada área do projeto.
5.4. Tecnologia
Por último, cabe ao(à) gestor(a) se valer 
do avanço da tecnologia como um aliado 
para suas atividades. Existem hoje dispo-
níveis diversos programas e aplicativos 
– muitos deles gratuitos – que facilitam 
a gestão de projetos, de tarefas, de pro-
cessos ou que, simplesmente, melhoram 
a comunicação nas ações. Esteja atua-
lizado de ferramentas genéricas, como 
recursos de e-mail e reuniões on-line, e 
das mais específicas, como softwares de 
gestão de competições, gestão de proje-
tos sociais e esportivos, pois elas foram 
criadas para facilitar o processamento de 
dados e a projeção de resultados nesse 
universo cada vez mais veloz e imediato.
Fique atento(a) a essas dicas, busque 
se aprimorar por meio de leituras e víde-
os na internet sobre gestão de projetos, e 
tenha a certeza de que, qualificando-se, 
você estará cada vez mais diante do su-
cesso desejado. Boa sorte.
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REFERÊNCIAS
AMORIM, Felipe Wolfgang Patsch. A impor-
tância da Gestão Esportiva para a vida 
profissional do professor de educação fí-
sica. Universidade Federal do Rio Grande do 
Sul. Porto Alegre. 2013. Disponível no link: 
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/han-
dle/10183/79643/000901923.pdf?sequen-
ce=1&isAllowed=y
BRASIL. Metodologia de gerenciamento de 
projetos do SISP. Manual do Ministério de 
Planejamento, Orçamento e Gestão. Brasília. 
2011. Disponível no link: https://www.gov.br/
governodigital/pt-br/sisp/documentos/arqui-
vos/mgp-sisp_versao_1-0.pdf
SANTOS, Luana Ferreira, NOBRE, Anna Cláu-
dia dos Santos, RESENDE, Tamiris Cristhina, 
RAMOS, Anatalia Saraiva Martins. Análise de 
stakeholders na Gestão de Projetos Sociais. 
Revista de Gestão e Projetos. 2019. Disponí-
vel no link: https://periodicos.uninove.br/gep/
article/view/10957
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/79643/000901923.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/79643/000901923.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/79643/000901923.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://www.gov.br/governodigital/pt-br/sisp/documentos/arquivos/mgp-sisp_versao_1-0.pdf
https://www.gov.br/governodigital/pt-br/sisp/documentos/arquivos/mgp-sisp_versao_1-0.pdf
https://www.gov.br/governodigital/pt-br/sisp/documentos/arquivos/mgp-sisp_versao_1-0.pdfhttps://periodicos.uninove.br/gep/article/view/10957
https://periodicos.uninove.br/gep/article/view/10957
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Apoio: Patrocínio: Realização:
CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO
FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral 
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Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas 
Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora 
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End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly 
Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier 
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Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing 
Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota
ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-049-3 (Fascículo 8)
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CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará 
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Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br
Todos os direitos desta edição reservados à:
AUTOR
Marcelo Soldon
É profissional de educação física e espe-
cialista em treinamento esportivo, mas 
foi na gestão e administração esportiva 
que construiu sua trajetória. Possui 17 
anos de experiência em entidades pú-
blicas e privadas do esporte. Foi coorde-
nador logístico da Copa do Mundo FIFA 
2014, gerente de instalação esportiva nos 
Jogos Olímpicos Rio 2016 e coordenador 
de Esportes da Secretaria do Esporte e 
Juventude do Ceará. Atualmente, é vice-
-presidente da Federação Universitária 
Cearense de Esportes e do Conselho do 
Desporto do Estado do Ceará, presiden-
te da Comissão de Esportes do Conselho 
Regional de Educação Física CREF-5, con-
sultor esportivo, diretor e fundador do Es-
critório do Esporte.
ILUSTRADOR
Carlus Campos
Artista visual que há mais de 30 anos é 
ilustrador do Jornal O POVO. Na produção 
de suas ilustrações, utiliza várias lingua-
gens como: desenho, pintura, aquarela, 
gravura e fotografia. Ao longo dos anos 
90, além de ganhar diversos prêmios com 
arte gráfica, fez incursões pelas artes 
plásticas participando de diversos Salões 
de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa 
considerável espaço em sua produção 
chegando a participar do coletivo IN-GRA-
FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas 
cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft.
GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA
Gestão de 
Equipamentos e 
Espaços de Esporte 
e Lazer
Adriano César Carneiro Loureiro
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SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
131
BENEFÍCIOS PARA 
SOCIEDADE
132
DIFICULDADES 
DA GESTÃO
135
SUSTENTABILIDADE
137
ELEMENTOS RELEVANTES 
PARA UMA BOA GESTÃO
1385
ORGANOGRAMA E 
CONTRATAÇÃO DE 
PESSOAL 
1406
INFRAESTRUTURA 
ESPORTIVA
1417
CONSIDERAÇÕES FINAIS
1438
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APRESENTAÇÃO
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A prática regular de atividade física em equipamentos e espaços de esporte e lazer possibilita muitos benefícios 
para a saúde física e mental dos indivídu-
os, além de outros inúmeros benefícios. 
Por isso, a boa gestão desses ambientes 
esportivos é fundamental para garantir 
a segurança e o bem-estar dos usuários, 
além de assegurar a sustentabilidade dos 
equipamentos e espaços. 
Alguns elementos são essenciais 
para a boa gestão, como a concepção e 
a efetivação da missão, visão, valores e 
objetivos de uma instituição, que são as-
pectos cruciais para o sucesso da gestão 
desses equipamentos e espaços. Além 
disso, o organograma e a contratação de 
pessoal capacitado são fatores impor-
tantes para assegurar a eficiência para 
esta gestão. A infraestrutura dos equipa-
mentos e espaços esportivos também é 
fundamental para garantir a segurança e 
a satisfação dos usuários. Assim, é perti-
nente investir na manutenção e corre-
ção regular desses espaços.
Algumas perguntas-chave precisam 
ser consideradas para melhor entendi-
mento do assunto: 
(1) Quais são os principais benefí-
cios da prática regular de ati-
vidade física em equipamentos 
e espaços esportivos e de lazer 
para a comunidade? 
(2) Quais as principais dificuldades 
encontradas na gestão desses 
locais? 
(3) Como garantir a boa gestão de 
ambientes esportivos? 
(4) Qual a importância da missão, 
visão, valores e objetivos para 
equipamentos e espaços de es-
porte e lazer? 
(5) Como o organograma e a contra-
tação de pessoal podem impac-
tar a gestão de equipamentos e 
espaços esportivos?
(6) Como a manutenção e correção 
da infraestrutura esportiva po-
dem influenciar na satisfação e 
segurança dos usuários?
Estas e outras questões serão temas 
de discussão neste módulo, e esperamos 
que ao final da sua leitura e estudo você 
possa refletir melhor sobre esses aspec-
tos relacionados à gestão de equipamen-
tos e espaços de esporte e lazer.
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O esporte pode ser considerado a re-presentação simbólica do homem em movimento, de seus ímpetos, 
medos, angústias e desejos.  O espor-
te é cultura humana, pois é estruturado 
como forma de linguagem que possibilita 
a comunicação e interação de diferentes 
pessoas e sociedades (ROSSETO JÚNIOR, 
2014). Assim, a prática esportiva, inclu-
sive como forma de lazer, é parte fun-
damental da cultura de uma sociedade e 
traz consigo valores importantes.
Para que esses valores sejam plena-
mente desenvolvidos e para que o espor-
te desempenhe seu papel na melhoria da 
qualidade de vida das pessoas, é neces-
sário que haja equipamentos e espaços 
esportivos adequados. É nos espaços da 
cidade e na vida cotidiana das pessoas 
que o esporte desenvolve seus valores e 
manifestações (PEDROSO, 2010). Assim, 
a disponibilidade de bons equipamentos 
e espaços esportivos (Figura 1) é crucial 
para que a sociedade possa aproveitar 
plenamente os benefícios do esporte.
2
 ÎDesenvolvimento motor: esses locais 
podem ajudar no desenvolvimento e 
na coordenação motora, estimulando o 
crescimento físico e mental. O desen-
volvimento de habilidades físicas, téc-
nicas e mentais podem ajudar a me-
lhorar o rendimento em competições 
esportivas e na vida diária;
 ÎLazer: esses lugares oferecem a pos-
sibilidade para a realização de ativida-
des recreativas e divertidas, como an-
dar de skate, patinete, patins, bicicleta, 
jogar bola, nadar, entre tantas outras 
atividades físicas possíveis, possibili-
tando experiências e contribuindo para 
uma vida mais feliz;
 ÎMelhoria psicológica: praticar ativi-
dades físicas e esportes pode ajudar a 
melhorar a autoestima, a autoimagem 
e a autoconfiança, além de trazer be-
nefícios emocionais, como a redução 
do estresse e da ansiedade;
 ÎIntegração social: equipamentos e es-
paços de esporte e lazer são territórios 
nos quais as pessoas podem se encon-
trar, conhecer novas pessoas, construir 
novas amizades, oportunizando a socia-
lização comunitária e a construção de 
relações sociais positivas. Além disso, 
esses locais também podem ser usa-
dos como ferramentas para combater 
a criminalidade por meio da inclusão 
social e da formação de valores, comoa 
cooperação, o trabalho em equipe, a to-
lerância e a disciplina (GIL; RUIZ, 2007).
Figura 1 – Exemplos de Equipamentos e 
Espaços de Esporte e Lazer 
 
Deste modo, de maneira geral, os 
equipamentos e espaços de esporte e 
lazer no Brasil têm como finalidade prin-
cipal proporcionar à população oportuni-
dades para praticar atividades físicas e 
recreativas, contribuindo para a promo-
ção da saúde, bem-estar e qualidade de 
vida, entre outros inúmeros benefícios. 
Então, esses locais podem possibilitar 
para a sociedade um conjunto de benefí-
cios que incluem:
 ÎMelhoria da saúde: praticar esportes 
e atividades físicas regularmente pode 
ajudar na melhoria da condição físi-
ca geral, na promoção da saúde e na 
prevenção e tratamento de doenças, 
como obesidade, hipertensão, diabetes 
e outros, contribuindo para o desen-
volvimento de uma comunidade ativa e 
saudável com mais qualidade de vida;
BENEFÍCIOS PARA SOCIEDADE
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VOCÊ SABIA?
Muitos equipamentos e espaços 
de esporte e lazer do Brasil foram 
construídos para as Olimpíadas de 
2016, realizadas no Rio de Janeiro/
RJ. Alguns desses espaços, incluin-
do o Centro de Formação Olím-
pica, localizado em Fortaleza/CE, 
foram projetados com uma abor-
dagem sustentável, incluindo siste-
mas de captação de água da chuva.
Uma outra pauta que merece atenção 
da sociedade é o estímulo à economia 
que ocorrem nesses locais. Os equipa-
mentos e espaços esportivos promovem 
o fomento à economia local porque atra-
em visitantes e praticantes de esportes, 
aumentando a demanda por bens e ser-
viços locais, como a contratação de pro-
fissionais, compras, alimentação, trans-
porte, hospedagem, entre outros. Isso 
resulta em mais empregos e mais negó-
cios bem-sucedidos, o que impulsiona o 
crescimento econômico local. Além disso, 
a construção de novos equipamentos e 
espaços esportivos pode gerar empregos 
diretos e indiretos na construção e manu-
tenção destes ambientes.
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É possível observar alguns dos bene-
fícios que podem ser desenvolvidos, ple-
namente, por usuários de equipamentos 
e espaços esportivos apropriados. Confira:
(1) Ajudar as pessoas a se tornarem 
mais sociais e diminuir o comporta-
mento antissocial;
(2) Formar pessoas mais felizes e ensi-
nar lições de vida;
(3) Ajudar as pessoas a criar amizades 
e a desenvolver relacionamentos;
(4) Reduzir a obesidade e o risco de do-
enças cardiovasculares;
(5) Ajudar as crianças a se tornarem 
mais ativas;
(6) Reduzir a depressão, a ansiedade e o 
estresse;
(7) Melhorar a saúde mental das pes-
soas e fazer as pessoas se sentirem 
mais confiantes;
(8) Proporcionar desafios;
(9) Melhorar o aprendizado, o humor e a 
disposição;
(10) Constituir uma nação mais saudável;
(11) Reduzir os gastos com doenças e o 
risco de desenvolver doenças;
(12) Melhorar o desempenho acadêmico, 
as habilidades cognitivas e o bem-
-estar;
(13) Gerar empregos;
#FICAADICA
Uma boa dica de leitura é o livro 
Gestão de Espaços e Equipamentos 
de Esporte e Lazer dos professores 
Antônio Carlos Bramante, Luiz 
Wilson Alves Corrêa Pina e Mar-
cos Ruiz da Silva. 
O livro aborda, entre outras coisas, 
métodos, procedimentos e relatos 
de experiências concretas para au-
xiliar o(a) leitor(a) nas diferentes 
situações que podem acontecer em 
contextos de gestão destes locais. 
As informações sobre a obra você 
encontra nas referências, no final 
deste módulo.
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Existem muitas dificuldades para a implementação de uma boa gestão de equipamentos e espaços espor-
tivos. As dificuldades encontradas para 
o bom funcionamento desses ambientes 
vão desde a insuficiência de recursos fi-
nanceiros para o atendimento adequado 
das necessidades sociais até a percep-
ção negativa dos(as) usuários(as) sobre 
o aproveitamento desses locais. Esses 
problemas podem dificultar o uso dessas 
estruturas e, consequentemente, o aces-
so aos benefícios que a prática esportiva 
poderia e pode proporcionar à população.
A carência de investimento dos go-
vernos, em todos os âmbitos, e da ini-
ciativa privada impõem um obstáculo de 
difícil resolução. É preciso investir em 
infraestrutura para que os espaços es-
portivos sejam construídos e bem apro-
veitados. A falta de manutenção regular 
dos equipamentos esportivos também 
pode resultar em deterioração e perda de 
sua finalidade. Da mesma maneira, esses 
locais também devem ser beneficiados 
regularmente com melhorias, aprimora-
mentos de infraestrutura.
Um outro tópico que merece atenção 
diz respeito a falta de fiscalização e regu-
lamentação dos equipamentos esportivos. 
Sem supervisão adequada, pode haver 
descumprimento de regras, normas e re-
gulamentos, muitas vezes determinados 
por leis, que existem para garantir a segu-
rança e o bem-estar dos(as) usuários(as). 
3
Além disso, sem gerenciamento apropria-
do pode haver excesso de uso, danificação 
dos equipamentos, falta de manutenção e 
outros problemas que prejudicam a quali-
dade dos ambientes esportivos.
Os conflitos com outras atividades 
na área também podem ocasionar difi-
culdades na boa gestão dos equipamen-
tos e espaços esportivos. O aumento da 
população ou a carência de locais desta 
natureza podem levar a uma sobrecarga 
de demanda por esses equipamentos e 
espaços, resultando em mau funciona-
mento devido à dificuldade de organiza-
ção dos ambientes ou ao seu uso excessi-
vo. Nesta situação, podem ocorrer certas 
conturbações sociais. 
A falta de acessibilidade devido a 
barreiras físicas ou financeiras é outro 
problema na gestão de locais esportivos. A 
barreira física está relacionada à limitação 
do acesso de pessoas com deficiências ou 
mobilidade reduzida a esses equipamen-
tos, levando a uma diminuição da parti-
cipação desses cidadãos em atividades 
esportivas, podendo, inclusive, ser vista 
como uma forma de discriminação, preju-
dicando a imagem e a reputação da gestão 
do equipamento ou espaço esportivo.
Sobre a barreira financeira: se as ta-
rifas cobradas são muito elevadas, pode 
acontecer de as pessoas de baixa renda 
serem impedidas de acessar os equi-
pamentos e espaços esportivos, sendo 
privadas de participar das atividades de 
DIFICULDADES 
DA GESTÃO
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#FICAADICA
Para melhor entendimento de 
questões relacionadas a dificulda-
des da gestão de espaços de es-
porte e lazer, temos uma dica de 
leitura. Sugerimos o estudo do livro 
Gestão do Esporte no Brasil: desafios 
e perspectivas de Leandro Mazzei 
e Flávia Bastos. 
A obra aborda questões como in-
vestimento, manutenção, fiscaliza-
ção, acessibilidade, profissionaliza-
ção, segurança e gestão eficiente 
relacionados à gestão do esporte 
no Brasil. 
A referência completa você encon-
tra no final deste módulo.
esporte e lazer oferecidas. Isso pode ser 
visto como uma forma de exclusão so-
cial e pode prejudicar a imagem e, con-
sequentemente, a reputação da gestão do 
equipamento ou espaço esportivo. 
Uma outra questão sensível é a ca-
rência de profissionalização dos(as) co-
laboradores(as). Os(As) funcionários(as) 
lotados(as) nos ambientes esportivos 
precisam ser capacitados(as) e ter trei-
namento adequado para garantir o bom 
funcionamento desses locais, pois sem 
formação adequada os(as) colaborado-
res(as) podem não ser capazes de cum-
prir suas funções de maneira eficaz e se-
gura, causando problemas de segurança, 
de qualidade dos serviços prestados, de 
manutenção dos equipamentos esporti-
vos e até de dificuldade de orientação e 
suporte aos(às) usuários(as) dos equipa-
mentos, afetando negativamente a expe-
riência desses(as) usuários(as).
Garantira segurança de usuários(as) 
e colaboradores(as) em ambientes espor-
tivos é uma preocupação crítica. A falta de 
segurança pode levar a incidentes, como 
roubos e vandalismo, prejudicando os 
equipamentos e dificultando o seu uso. Isto 
pode afastar os(as) usuários(as), resultar 
em lugares esvaziados e, consequente-
mente, em menos recursos financeiros 
para a manutenção e suas melhorias. 
É importante entender que o(a) 
usuário(a) pode ser um(a) contribuin-
te financeiro(a). Além disso, a falta de 
segurança pode levar a uma má per-
cepção pública dos locais de esporte e 
lazer, o que pode afetar negativamente 
sua imagem e sua capacidade de atrair 
novos(as) frequentadores(as).
Por fim, destacamos algo que está 
diretamente relacionado com todos os 
pontos abordados anteriormente: a fal-
ta de gestão eficiente. A má gestão dos 
equipamentos e espaços esportivos pode 
resultar em uma péssima distribuição 
de recursos financeiros, falta de plane-
jamentos de desenvolvimento dos locais, 
falta de programação de atividades e 
eventos para a população, má comuni-
cação e falta de cooperação entre os se-
tores responsáveis, o que pode resultar 
em problemas de logística, segurança e 
todos os outros aspectos já relatados. 
A Figura 2 destaca resumidamente 
as principais adversidades relacionadas 
à boa gestão dos espaços e equipamen-
tos de esporte e lazer. Todas elas e ou-
tras dificuldades podem ser facilmente 
encontradas na literatura e na internet, 
bem como fazem parte do cotidiano de 
gestores de ambientes que propiciam 
esporte e o lazer.
Má Gestão
Carência de Investimentos
Falta de Manutenção/MelhoriasFalta de Manutenção/Melhorias
Falta de Fiscalização e Regulamentação
Conflitos com Outras Atividades na Área
Falta de Acessibilidade
Carência de Profissionalização dos Colaboradores
Falta de Segurança
Figura 2 – Dificuldades para a Boa Gestão de Ambientes Esportivos
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SUSTENTABILIDADE
bilidade social e ambiental que pos-
sam contribuir para a imagem positiva 
do equipamento. Assim, por exemplo, 
deve-se ter atenção na eficiência ener-
gética, incluindo a implementação de 
novas tecnologias de iluminação e cli-
matização menos poluentes e mais efi-
cientes, que possam ajudar a reduzir os 
custos operacionais a médio e a longo 
prazo. Além disso, práticas eficientes 
de gestão de resíduos para minimizar 
o impacto ambiental, bem como a reu-
tilização da água devem ser observa-
dos. Tudo que apresentamos impacta 
na preservação da biodiversidade local 
e minimiza custos.
A diversificação das atividades ofere-
cidas também é essencial para garantir 
o desenvolvimento sustentável dos equi-
pamentos e espaços de esporte e lazer. 
Diante do conjunto de problemas apontados é imprescindível discutir a importância da sustentabilidade 
de equipamentos e espaços esportivos. 
Desenvolver soluções sustentáveis 
para construir e operar esses espaços 
esportivos é uma preocupação atual e 
crescente para muitos gestores esporti-
vos. Assim, algumas estratégias podem e 
devem ser adotadas para garantir a sua 
sustentabilidade.
A diversificação de fontes de finan-
ciamento, incluindo parcerias público-
-privadas, patrocínios e investimentos, 
como doações de empresas e organi-
zações, receitas geradas pelos próprios 
equipamentos por diferentes formas, 
empréstimos bancários, entre outros, é 
fundamental para o sucesso da gestão 
desses espaços. A gestão financeira res-
ponsável, incluindo o monitoramento e 
controle eficiente de despesas, e a obten-
ção de receitas adicionais devem fazer 
parte da rotina de gestores de espaços de 
esporte e lazer.
Um outro ponto que merece des-
taque é a otimização do uso do equipa-
mento de esporte e lazer, incluindo a rea-
lização de vários eventos ao longo do ano, 
garantindo receita e retorno social, bem 
como a manutenção eficiente dos espa-
ços, garantindo sua boa conservação e 
prolongando a vida útil do local.
A sustentabilidade também está 
relacionada ao desenvolvimento de 
programas e iniciativas de responsa-
4
Além das atividades esportivas, as ati-
vidades artísticas e culturais devem ser 
estimuladas como forma de aumentar a 
rentabilidade desses ambientes.
A boa gestão dos equipamentos e es-
paços esportivos permite garantir a qua-
lidade, a segurança, a disponibilidade e o 
uso correto dos equipamentos. Uma ges-
tão eficiente pode ajudar a maximizar a 
vida útil desses lugares, minimizar os cus-
tos de manutenção e garantir que os(as) 
usuários(as) tenham acesso aos espaços 
apropriados e necessários para realizar 
suas atividades de esporte e lazer.
A Figura 3 destaca os principais as-
pectos relacionados à sustentabilidade 
dos espaços e equipamentos de esporte 
e lazer que podem ser facilmente cons-
tatadas na teoria e na prática de gestores 
de esporte e lazer.
Fontes de Receita Diversificadas
Otimização do Uso dos Espaços
Manutenção Eficiente dos Espaços
Preservação da Biodiversidade
Eficência Energética
Diversificação de Atividades Atendidas
Figura 3 – Alguns Aspectos para a Boa Sustentabilidade de Ambientes Esportivos
Gestão Eficiente do Orçamento
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TÁ NA LEI
Existem leis importantes para am-
parar o funcionamento adequado 
de equipamentos e espaços de es-
porte e lazer. Elas tratam da segu-
rança dos(as) usuários(as), venda 
de ingressos, proteção social de 
crianças, adolescentes e idosos e 
da Política Nacional de Esportes, 
que estabelece o esporte e o lazer 
como práticas que devem ser fo-
mentadas pelo Estado:
• Lei nº 10.671/03 (Estatuto do 
Torcedor), que dispõe sobre o 
combate à violência nos esportes 
e regulamenta a atividade de co-
mercialização de ingressos para 
espetáculos esportivos;
• Lei nº 8.069.90 (Estatuto da 
Criança e do Adolescente), que 
dispõe que os governos devem 
estimular e facilitar a destinação 
de recursos para programações 
esportivas e de lazer;
• Lei nº 10.741/03 (Estatuto do 
Idoso), que garante direitos aos 
idosos e inclui medidas para a 
promoção de sua participação 
em atividades esportivas;
• Projeto de Lei nº 409/22, que cria 
a Política Nacional do Esporte.
O planejamento estratégico é essen-cial para uma boa gestão, pois per-mite que uma organização, empresa 
ou indivíduo definam adequadamente suas 
metas, processos, ações e recursos neces-
sários para alcançá-los, o que aumenta as 
suas chances de sucesso. Além disso, o 
planejamento permite identificar possíveis 
problemas ou desafios, bem como delinear 
procedimentos de como superá-los.
Há relação direta entre o planeja-
mento e a missão, visão, valores e objeti-
vos de uma organização, pois o planeja-
mento é o meio pelo qual uma instituição 
pode traduzir sua missão, visão, valores 
e objetivos em ações concretas. Missão, 
visão, valores e objetivos são componen-
tes essenciais da estratégia de uma em-
presa, incluindo os equipamentos e espa-
ços de esporte e lazer. 
A missão é uma declaração que 
descreve o propósito e o papel da institui-
ção no mercado e na sociedade. A visão 
é uma imagem transparente e ambicio-
sa do futuro da entidade, o que esta pre-
tende alcançar a longo prazo. Os valores 
5
podem ser descritos como os princípios 
e crenças que guiam as ações e decisões 
da empresa. E os objetivos são metas 
específicas e mensuráveis que ajudam a 
realizar a visão e a missão da organização 
(FERREIRA JÚNIOR, 2019).
A importância desses elementos é 
que eles fornecem direção e clareza so-
bre o que a entidade espera alcançar e 
como planeja alcançar esses objetivos. 
Este planejamento também ajuda a esta-
belecer prioridades, alinhar as ações dos 
funcionários e medir o sucesso da gestão 
do ambiente. Além disso, a missão, a vi-
são, os valores e os objetivos acessíveis, 
descomplicados, podem fortalecer a ima-
gem da marca e a reputação da institui-
ção responsávelpela gestão do espaço de 
esporte e lazer.
Em resumo, a aplicação habitual da 
missão, visão, valores e objetivos é fun-
damental para a gestão de equipamentos 
e espaços de esporte e de lazer e pode 
ajudar a melhorar a eficiência, o alcance 
dos objetivos e o sucesso da organização 
responsável pela gestão.
ELEMENTOS 
RELEVANTES PARA 
UMA BOA GESTÃO 
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PARA REFLETIR
 A missão, visão, valores e objetivos 
de uma instituição são importantes 
para fornecer direção e propósito, 
mas muitas vezes são negligencia-
dos ou mal compreendidos. A falta 
de conhecimento desses elementos 
pode resultar em desconexões entre 
os(as) colaboradores(as), decisões in-
consistentes da equipe gestora e um 
sentido de falta de propósito ou dire-
ção para as ações da organização. 
É necessário que as instituições 
compreendam e sigam sua missão, 
visão, valores e objetivos para ga-
rantir sucesso a longo prazo.
A atuação e o atendimento ao públi-
co também são importantes em um equi-
pamento esportivo, sabido que são res-
ponsáveis por criar uma boa impressão 
e uma experiência positiva para os(as) 
usuários(as) e visitantes. Um atendimen-
to profissional e eficiente pode ajudar a 
aumentar a satisfação do(a) usuário(a) e 
a probabilidade de seu retorno, criar uma 
imagem positiva do equipamento esporti-
vo e atrair novos(as) usuários(as). 
Para otimizar a atuação e o atendi-
mento é fundamental treinar a equipe, ou 
seja, oferecer treinamento e suporte para 
que os(as) colaboradores(as) saibam:
 ÎComo atender ao público de maneira 
profissional e eficiente; 
 ÎMonitorar a satisfação do(a) cliente, e, 
para isto, a coleta de feedback dele(a) é 
elementar para melhorar o atendimento; 
 Î Implementar tecnologias, como sis-
temas de atendimento ao(à) cliente e 
monitoramento eletrônico (câmeras), 
ampliando a eficiência e melhorando a 
sua segurança; e,
 ÎFocar na qualidade e competência do 
atendimento ao público, buscando sempre 
atender às expectativas dos(as) clientes.
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ORGANOGRAMA E 
CONTRATAÇÃO DE PESSOAL 
O organograma é uma representa-ção esquemática da estrutura or-ganizacional de uma empresa, in-
cluindo as relações hierárquicas entre as 
posições e as funções de trabalho.
A partir do organograma é possível 
contribuir para que aspectos importantes 
da gestão estejam adequadamente de-
finidos e organizados. Isso pode auxiliar 
para que as tarefas que necessitam ser 
realizadas pela entidade sejam organi-
zadas de maneira eficiente entre os(as) 
colaboradores(as), o que pode aumentar 
a produtividade, a satisfação dos(as) pró-
prios(as) funcionários(as) e, consequen-
temente, dos(as) usuários(as).
O organograma também pode ser 
útil para identificar pontos fracos na 
estrutura da empresa e para identificar 
oportunidades de melhoria.
Para definir o organograma ade-
quado para um equipamento esportivo 
é indispensável a análise das necessi-
dades do ambiente e o número de fun-
cionários(as) essenciais para cumprir 
as tarefas desejadas. As funções de tra-
balho também devem ser corretamente 
definidas para cada posição, incluindo as 
responsabilidades. O organograma deve 
refletir a estrutura hierárquica da empre-
sa, incluindo as relações de supervisão e 
subordinação entre as posições. Também 
é necessário que o organograma seja fle-
xível o suficiente para permitir mudanças 
futuras na estrutura da empresa.
A contratação de pessoal é outro 
ponto que merece atenção, sendo 
considerada uma tarefa crítica para o su-
cesso de um equipamento de esporte e 
lazer. A escolha inadequada de funcioná-
rios(as) pode afetar negativamente a pro-
dutividade, a qualidade do atendimento 
ao público e a imagem da empresa.
É fundamental entender que, antes 
de iniciar o processo de contratação, 
é importante avaliar as necessida-
des da empresa e identificar as posi-
ções que precisam ser preenchidas. É 
interessante definir o perfil ideal do(a) 
candidato(a) para cada posição, incluin-
do as habilidades, a formação e a ex-
periência. O processo de seleção deve 
ser rigoroso e incluir entrevistas, testes 
e verificações de referências para ga-
rantir que o(a) candidato(a) seja o mais 
adequado para a posição. Após a contra-
tação, é essencial também fornecer trei-
namento e oportunidades de desenvol-
vimento para os(as) colaboradores(as), 
a fim de garantir que eles(as) possam 
desempenhar suas funções da melhor 
maneira possível.
Os(As) funcionários(as) representam 
a imagem da empresa e são responsá-
veis por criar uma boa impressão nas 
pessoas. Além disso, eles(as) desempe-
nham um papel crítico na prestação de 
serviços de alta qualidade e na realização 
dos objetivos da empresa. Ao seguir um 
processo de contratação rigoroso, é pos-
sível garantir que os(as) funcionários(as) 
sejam escolhidos(as) com base em suas 
habilidades, experiência e personalidade, 
o que pode aumentar a eficiência, a pro-
dutividade e a satisfação dos(as) funcio-
nários(as) e dos(as) usuários(as).
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INFRAESTRUTURA ESPORTIVA
A manutenção e a correção da infra-estrutura esportiva no Brasil são desafios complexos devido a uma 
série de fatores. 
O Brasil tem uma história de falta de 
investimento em infraestrutura esportiva, 
o que tem dificultado a manutenção e a 
correção de instalações esportivas exis-
tentes. Muitas vezes, os governos não 
têm recursos suficientes para investir em 
melhorias na infraestrutura esportiva, o 
que dificulta o acesso da população ao 
equipamento. O planejamento inadequa-
do de projetos esportivos de infraestrutu-
ra também pode resultar em instalações 
que são ineficientes, de difícil manuten-
ção e inadequadas para atender às ne-
cessidades esportivas da comunidade. 
Além desses aspectos, a falta de respon-
sabilidade dos governos e das entidades 
esportivas quanto à manutenção e à cor-
reção das instalações esportivas também 
contribui para ampliar o problema.
Entretanto, algumas medidas po-
dem ser tomadas para reduzir essas 
dificuldades. Primeiro, é necessário 
que haja um aumento de investimen-
to em infraestrutura esportiva para 
garantir que as instalações existentes 
sejam mantidas e corrigidas de forma 
adequada. É importante que haja um 
planejamento eficiente para projetos 
esportivos de infraestrutura, de for-
ma a garantir que as instalações sejam 
construídas de modo adequado e de 
fácil manutenção. É essencial também 
que haja uma responsabilidade com-
partilhada entre os governos e as em-
presas de gestão esportivas quanto à 
manutenção e correção das instalações 
esportivas. E por fim, deve-se estimu-
lar a participação da comunidade, fun-
damental para assegurar que as ins-
talações esportivas atendam às suas 
necessidades, e para ajudar a garantir 
que elas sejam mantidas e corrigidas 
de forma adequada.
Tanto o poder público quanto a inicia-
tiva privada investem em equipamentos e 
espaços de esporte e lazer no Brasil. Os 
governos federal, estaduais e municipais 
costumam investir em projetos esportivos 
de infraestrutura como forma de fomentar 
o esporte e aprimorar a estrutura esporti-
va do país, especialmente durante a pre-
paração para grandes eventos esportivos.
Empresas privadas também inves-
tem em equipamentos e espaços espor-
tivos, seja para fins rentáveis, seja para 
contribuir para a comunidade e promo-
ver a prática de atividades físicas. Por 
exemplo, muitas empresas investem em 
clubes de esportes, arenas esportivas, gi-
násios e outros equipamentos esportivos 
para atrair clientes, promover sua marca 
e apoiar a comunidade local.
Em geral, o investimento em equipa-
mentos e espaços de esporte e lazer no 
Brasil é resultado de uma combinação de 
esforços, tanto do poder público quanto da 
iniciativaprivada, com o objetivo de apri-
morar a infraestrutura esportiva do país e 
promover a prática de atividades físicas.
IMPORTANTE
Uma dica para a gestão eficiente de 
equipamentos e espaços esporti-
vos no Brasil é ter um planejamen-
to estratégico, incluindo objetivos 
claros, identificação de recursos 
disponíveis e um plano de trabalho 
detalhado. 
É essencial haver boa comunica-
ção e colaboração entre setores 
envolvidos, como equipes técnicas, 
administração, finanças e usuá-
rios(as), e investir em manutenção 
e atualização dos equipamentos e 
espaços para garantir segurança e 
funcionalidade. 
A monitorização constante dos re-
sultados e a adaptação às neces-
sidades e desafios são igualmente 
importantes para o sucesso desses 
espaços a longo prazo.
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CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
Nos últimos anos, é possível que o aumento de investimentos em in-fraestrutura esportiva, apesar de 
ainda insuficiente, e a adoção de práticas 
de gestão mais eficientes, embora ain-
da necessite de melhorias, possam ser 
considerados como os principais avanços 
na gestão de equipamentos e espaços de 
esporte e lazer no Brasil.
Assim, considera-se que os princi-
pais desafios na gestão desses ambien-
tes esportivos no Brasil, nos próximos 
anos, incluem superar a insuficiência de 
investimentos em infraestrutura, a carên-
cia de recursos financeiros e humanos 
para a gestão adequada, a falta de plane-
jamento e coordenação entre diferentes 
setores de uma empresa, e a necessida-
de de manutenção e melhorias regulares 
dos equipamentos e espaços esportivos.
E, para superá-los, é fundamental in-
vestir em planejamento estratégico, esti-
mular a colaboração entre diferentes seto-
res da organização esportiva, aperfeiçoar 
recursos humanos e providenciar recur-
sos financeiros adequados, tarefa esta de 
grande dificuldade. Além de tudo isso, é 
fundamental manter a monitorização dos 
resultados e a adaptação de estratégias 
de acordo com as necessidades e os de-
safios que se apresentam.
Por fim, é preciso reforçar que toda 
essa discussão tem como foco principal 
o nosso bem-estar, sendo necessário 
debater com a sociedade os problemas e 
as soluções da gestão de equipamentos e 
espaços de esporte e lazer no Brasil. 
A boa gestão desses locais resulta-
rá na promoção de inúmeros benefícios 
para a nossa sociedade.
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REFERÊNCIAS
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esporte e lazer. Curitiba: InterSaberes, 2020.
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GIL, R. B; RUIZ, E. J. G. F. Valores en el deporte 
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PEDROSO, C. A. M. Q.  Equipamentos despor-
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ROSSETTO JUNIOR, A. J. Cultura e esporte: 
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(ALESDE). v. 4, n. 2, p. 46-55, 2014. Disponível 
em: https://revistas.ufpr.br/alesde/article/
view/38015. Acesso em: 1 fev. 2023. 
144 
Apoio: Patrocínio: Realização:
CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO
FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral 
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Todos os direitos desta edição reservados à:
AUTOR
Adriano César Carneiro Loureiro
Tem pós-doutorado em Fisiologia e é dou-
tor em Ciências (Fisiologia), ambos pela 
UFRJ. É mestre em Ciências Fisiológicas 
pela Uece, sendo graduado em Educação 
Física pela Unifor. É professor adjunto da 
Uece, membro da Comissão de Educação 
Física e Saúde do CREF5 e ex-conselheiro 
do CREF5. Atuou como membro do Time do 
Brasil em 3 Olimpíadas (Atenas, Pequim e 
Tóquio). Atualmente, é superintendente do 
Centro de Formação Olímpica (CFO).
ILUSTRADOR
Carlus Campos
Artista visual que há mais de 30 anos é 
ilustrador do Jornal O POVO. Na produção 
de suas ilustrações, utiliza várias lingua-
gens como: desenho, pintura, aquarela, 
gravura e fotografia. Ao longo dos anos 
90, além de ganhar diversos prêmios com 
arte gráfica, fez incursões pelas artes 
plásticas participando de diversos Salões 
de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa 
considerável espaço em sua produção 
chegando a participar do coletivo IN-GRA-
FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas 
cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft.
GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA
Gestão de Pessoas 
em Ações e Projetos 
de Esporte
Luis Fernando de Freitas
Marcelo Soldon
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APRESENTAÇÃO
GESTÃO DE PESSOAS
O TIME
O SUGESTÃO DE 
FILMES PARA 
REFLETIR147
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151
158
SUMÁRIO
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APRESENTAÇÃO
1
Antigamente os(as) gestores(as) tinham como característica a in-flexibilidade. Seguiam rigorosa-
mente as leis, eram conhecidos(as) por 
serem frios(as) e manterem uma distân-
cia em relação aos(às) funcionários(as) e 
sem muita cerimônia na hora de demitir 
colaboradores(as). Funcionários(as) cha-
mados ao setor pessoal já pensavam na 
possibilidade de serem desligados da 
instituição, e isso alimentava um clima de 
medo e insegurança. Ainda hoje algumas 
empresas não enxergam a importância 
da relação gestor(a) e colaborador(a), e 
observamos vivas muito dessas práticas 
que se comprovaram nocivas ao ambien-
te corporativo.
A partir da Segunda Guerra Mundial 
(década de 1940), a administração de pes-
soal passou a se preocupar mais com as 
condições de trabalho e com os benefícios 
disponibilizados aos(às) seus(suas) em-
pregados(as) (GIL, 2009). Esse avanço foi 
importante para uma melhoria da condi-
ção estrutural do(a) trabalhador(a), como 
sua remuneração, horas de descanso e 
férias. Contudo, faltava ainda melhorar a 
condição humana e social da convivência 
e da relação patrão(oa) x empregado(a) 
dentro das empresas e indústrias. 
VOCÊ SABIA?
Em maio de 1943, todo o conjunto 
de leis, decretos e normas exis-
tentes é sistematizadona Conso-
lidação das Leis do Trabalho (CLT). 
Confere no link:
https://www.ipea.gov.br/desafios/index.
php?option=com_content&id=2909:ca-
tid=28
TÁ NA LEI
Consolidação das Leis do Trabalho 
na atualidade: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
decreto-lei/Del5452compilado.htm
De um lado, as organizações; de outro, 
os(as) empregados(as). As organizações 
observaram que, além de oferecer estru-
tura de trabalho adequada, boas remu-
nerações, maquinários e equipamentos 
necessários para o trabalho, deveriam 
cuidar e zelar dos seus(suas) emprega-
dos(as), sendo esses aspectos inerentes 
ao surgimento da gestão de pessoas.
https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2909:catid=28
https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2909:catid=28
https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2909:catid=28
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452compilado.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452compilado.htm
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As organizações são compostas de pessoas e precisam delas para atingir suas metas e cumprir sua 
missão, da mesma forma que as pes-
soas necessitam das organizações para 
alcançar seus objetivos pessoais (CHIA-
VENATO, 2005).
Numa instituição ou projeto, a Gestão 
de Pessoas vai muito além de um depar-
tamento pré-estabelecido. É um conjunto 
de metodologias, processos e ações com 
a missão de administrar o capital huma-
no, proporcionando a conexão entre os 
interesses dos colaboradores com os ob-
jetivos da entidade.
André Luiz Fischer, um estudioso 
das ciências da administração, definiu 
a importância da gestão de pessoas 
quando ressaltou que as organizações 
dependem do desempenho das pesso-
as para atingir os objetivos propostos 
e, para isso, é preciso desenvolver e or-
ganizar formas de gerenciar o compor-
tamento humano. Essas formas devem 
buscar a atração, manutenção, motiva-
ção, treinamento e desenvolvimento do 
patrimônio humano, em alinhamento 
com os propósitos da instituição em 
que ele trabalha.
Cada pessoa tem suas particula-
ridades. Experiências, vivências, limita-
ções e valores. Como buscar esse equi-
líbrio sem que prejudique os resultados 
do time e possa otimizar o potencial indi-
vidual de cada membro para um melhor 
desempenho da equipe? 
2
jogador(a) para que possa escalar um 
time forte, competitivo, que conquiste a 
vitória e traga bons resultados.
Diante desse contexto, proponho 
aqui uma comparação entre treinamento 
e gestão. Você acredita que existe alguma 
relação entre Treinamento Desportivo X 
Gestão de Pessoas?
Essa analogia nos traz o entendi-
mento de forma mais clara sobre alguns 
princípios que vivenciamos nas práticas 
esportivas com a realidade do cotidiano 
de uma Instituição no que se refere à Ges-
tão de Pessoas.
Segundo Manoel Tubino, um dos 
principais nomes da Educação Física 
brasileira, os princípios do Treinamento 
Desportivo são: 
 Î individualidade biológica;
 Îadaptação;
 Îsobrecarga;
 Îcontinuidade;
 Î interdependência volume-intensidade;
 Îespecificidade;
 Îvariabilidade; e 
 Îsaúde. 
Com isso, trazemos essa relação 
para exemplificar e tornar mais real a 
compreensão desses princípios listados 
a seguir:
SE LIGA!
A palavra “time” não necessaria-
mente pode ser empregada apenas 
quando se tratar de algo ligado ao 
esporte, mas podemos fazer rela-
ção com o time de trabalho da Em-
presa, Indústria, Academia, Clube, 
ONG, Escola, Projeto etc.
Formar um time sempre foi um de-
safio para muitos professores, técnicos 
e gestores. Buscar o equilíbrio ideal de 
acordo com as necessidades e exigências 
de cada área em harmonia com o perfil 
de cada membro do time requer experi-
ência e conhecimento dos objetivos a se-
rem alcançados. No que se refere ao líder, 
precisa conhecer a si mesmo, identificar 
as causas dos seus problemas, emoções 
e eliminá-las para que possa fazer uma 
gestão humanizada, sabendo das suas 
limitações, pontos de estresse, domínio 
próprio, gatilhos mentais, inteligência 
emocional e autoestima.
Consequentemente é necessário 
conhecer sua equipe de trabalho. En-
tendendo, por exemplo, que num time 
de Futebol não há 11 atacantes, muito 
menos 11 goleiros. Existem 11 posi-
ções (funções) na hora do jogo, no qual 
o técnico precisa conhecer as exigências 
técnicas de cada posição, as qualidades, 
características e especialidades de cada 
GESTÃO DE PESSOAS
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2.1. Individualidade Biológica
O fenômeno que explica a variabilidade 
entre elementos da mesma espécie, o que 
faz com que não existam pessoas iguais 
entre si (TUBINO, 1984, p. 100). Na ges-
tão de pessoas precisamos compreender 
que cada um possui suas individualida-
des, cultura, fé, crenças, valores, criação, 
estrutura familiar e realidades que nos 
tornam diferentes uns dos outros. Sendo 
assim, o respeito ao próximo, às suas es-
colhas, o senso coletivo, a vida em comu-
nidade e o trabalho em equipe precisam 
ser preservados, a fim de proporcionar 
um ambiente de trabalho agradável.
Conhecer individualmente cada 
membro do seu time é essencial para o 
coletivo, considerando suas particulari-
dades e, assim, aprimorando suas ha-
bilidades para otimizar o desempenho 
do time, não permitindo que os pontos 
fracos de uma pessoa determinem seu 
fracasso, unindo esforços para poten-
cializar os seus pontos fortes.
2.2. Adaptação
Possui particularidades relacionadas com 
o nível de estímulo a ele(a) aplicado, pro-
porcionando mudanças estruturais e fun-
cionais dos organismos. Entretanto, a ca-
pacidade de adaptação depende da reação 
ao estímulo da carga do treinamento e fre-
quência de exercícios. Nesse sentido, es-
tímulos fracos não trazem consequências 
positivas ao treinamento, enquanto estí-
mulos muito fortes podem causar danos.
O(A) líder precisa conhecer bem sua 
equipe e as exigências de cada área/se-
tor para que possa unir a capacidade de 
trabalho de cada membro com as neces-
sidades da área/setor, não utilizando uma 
“balança desregulada” para medir os 
resultados e ser injusto com as cobran-
ças. Ele(a) deve ficar sempre atento(a) ao 
comportamento de cada pessoa, buscan-
do evitar o comodismo, desmotivação e 
falta de entusiasmo que, provavelmente, 
acarretaria numa homeostase laboral.
2.5. Especificidade
Isto serve, cada vez mais, para firmar 
na consciência do(a) treinador(a) que o 
treino, principalmente na fase próxima 
à competição, deve ser estritamente es-
pecífico, e que a realização de atividades 
diferentes das executadas durante a per-
formance com a finalidade de preparação 
física, se justifica se for feita para evitar a 
inibição reativa ou “saturação de apren-
dizagem” (DANTAS, 1995).
O(A) funcionário(a) precisa ter o co-
nhecimento da sua área de atuação na 
empresa como o entendimento da missão 
e visão da empresa para que possa desen-
volver o seu trabalho aliado com os prin-
cípios da Instituição. Muitas empresas têm 
buscado colaboradores(as) que possuam 
uma visão global do trabalho e das funções 
a serem desempenhadas, sendo abertos e 
flexíveis a novos conhecimentos e desafios 
a fim de contribuir de uma forma mais am-
pla com o sucesso da empresa.
2.6. Variabilidade:
Tanto na forma como no método de trei-
namento, a variabilidade é um fator de 
extrema importância. Estímulos diferen-
tes, seja em grupos musculares, fontes 
de energia, volume e intensidade das ati-
vidades estimulam o corpo a adaptar-se 
a diferentes situações, de acordo com 
Fleck e Kraemer (2017). Para isso, de-
ve-se utilizar das mais variadas formas 
de treinamento com estímulos cada vez 
mais variados, aumentando as chances 
de chegar a um resultado positivo.
O desenvolvimentoglobal permite a 
aquisição diversificada de conhecimentos, 
usando da criatividade do(a) colabora-
dor(a) como da gestão para tornar possí-
vel e viabilizar as condições necessárias 
para sua evolução pessoal e profissional.
2.3. Sobrecarga
Para que o treino proporcione melhorias 
na performance é preciso que o orga-
nismo tenha estímulos maiores que os 
normalmente encontrados. Isto não sig-
nifica que devemos sempre treinar mais 
e mais forte, pois caso isso ocorra iremos 
esgotar a capacidade de o organismo res-
ponder aos estímulos.
Olhar para além das dificuldades, 
barreiras, desafios, permite que o(a) líder 
promova os seus(uas) colaboradores(as) 
para um outro nível de maturidade pes-
soal e profissional, buscando um novo 
estímulo para que possa gradualmente 
se desenvolver, aumentando de forma 
significativa os resultados positivos da 
empresa.
No decorrer do tempo com o amadu-
recimento, ganho de experiência, o(a) co-
laborador(a) vai se credenciando a novos 
desafios e possibilidades de crescimento 
dentro da empresa trilhando novos cami-
nhos numa proposta bem elaborada de 
um plano de cargos e carreiras.
2.4. Continuidade
Para desfrutar dos ganhos com o treino, 
o(a) atleta deve realizar os exercícios du-
rante um determinado período, sem que 
haja falhas ou pausas significativas, ligado 
ao da adaptação, pois a continuidade ao 
longo do tempo é primordial para o orga-
nismo, progressivamente, se adaptar.
O(A) colaborador(a) precisa sempre 
buscar o seu crescimento pessoal e pro-
fissional, por meio de uma formação con-
tínua, como cursos, especializações, arti-
gos, pesquisas na internet, livros etc. Não 
deixar que a acomodação estanque a sua 
ascensão profissional, mas que possa ser 
transformado(a) a cada dia pela renova-
ção da sua mente e atitudes.
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O TIME
Na organização de um time existem funções essenciais para estruturar e dar sustentação. Da mesma for-
ma, existem alguns pilares essenciais na 
implantação e desenvolvimento da Ges-
tão de Pessoas. Vamos agora bater uma 
bola sobre esses pilares: (1) liderança, (2) 
trabalho em equipe, (3) comunicação, (4) 
acessibilidade, (5) controle e avaliação e 
(6) relação profissional x pessoal.
3.1. Liderança
Um lugar no topo não garante que alguém 
se torne um(a) líder. O livro As 21 Irrefutá-
veis Leis da Liderança afirma claramente 
que “a verdadeira medida da liderança é 
a influência – nada mais, nada menos”. 
Quando entendem a dinâmica de ganhar 
influência sobre as pessoas, os(as) líderes 
chegam a perceber que posição tem 
pouco a ver com a verdadeira liderança.
A tarefa fundamental para desenvol-
ver a liderança é ser capaz de inspirar 
as pessoas. Nem todos são capazes de 
inspirar, somente promovendo expiração, 
diminuindo a motivação e vitalidade. Se 
você é alguém que só expira, talvez não 
consiga ser líder, talvez consiga ser che-
fe, mas chefe está ancorado em uma hie-
rarquia (Cortella, 2017).
Influenciar os outros é uma ques-
tão de disposição, não exclusivamente 
de posição, você pode fazer a diferença 
independentemente de onde esteja. De 
acordo com Maxwell (2007), os(as) líderes 
influenciam pessoas em qualquer nível da 
organização, aprendendo a liderar para 
o norte, influenciando os que possuem 
autoridade sobre eles(as), para leste e 
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oeste ao contagiar seus pares e para o sul 
andando devagar nos corredores e valori-
zando todos(as) os(as) colaboradores(as).
De acordo com Tichy (1999), liderar 
não é ditar comportamentos específicos, 
não é dar ordens e exigir obediência. Lide-
rar é fazer com que os(as) outros(as) vejam 
uma situação como realmente é e saibam 
discernir sobre as ações que precisam ser 
tomadas para levar a organização para o 
fim desejado. Seja algo tão simples, como 
definir a prioridade de tarefas da semana, 
ou algo tão complexo, como tomar decisões 
certas, o que importa na atividade de ensi-
no é como as ideias e valores estão sendo 
transmitidos. Portanto, para ser um(a) líder 
em qualquer nível de uma organização, é 
necessário ser um(a) professor(a). Para ser 
mais simples, se você não está ensinando, 
você não está liderando.
Todos(as) os(as) líderes são 
guiados(as) por uma visão e não lideram 
apenas para manter as coisas. A visão 
interna é a bússola do líder. Visão é uma 
imagem guardada nos olhos da sua men-
te que mostra como as coisas poderiam 
ou deveriam ser nos dias vindouros. A vi-
são é o retrato de um futuro melhor. Para 
que a visão possa se tornar aplicável a 
liderança, precisa se mover por meio da 
confiança, contribuindo para o desenvol-
vimento da integridade que tem alto valor 
de influência. Integridade significa viver a 
verdade em minha própria vida primeiro, 
antes de liderar a outros(as). Uma perso-
nalidade carismática pode atrair pessoas, 
mas somente a integridade as manterá 
no nível de confiança. Sobretudo, você 
não será um(a) líder até que o grupo que 
você estiver liderando afirme isso. 
3.2. Trabalho em Equipe
O(A) líder deve envolver todo o seu time 
para alcançar um objetivo comum. Uma 
grande falha do(a) líder é quando confia de-
mais em seus próprios esforços, e apenas 
nele. Você jamais será um(a) líder eficiente 
se não incluir os(as) seus(uas) lidera-
dos(as) naquilo que faz. Você só consegui-
rá liderar quando seus(uas) seguidores(as) 
estiverem tão motivados(as) quanto você 
pela visão e sentido da missão.
Podemos enxergar nos Jogos Coo-
perativos muitas aplicações que estão 
inseridas no trabalho em equipe de qual-
quer instituição. O jogo cooperativo tem 
a missão de solucionar algum problema 
no qual todas as pessoas precisam se 
engajar sem que haja um único vitorioso, 
ou seja, todos(as) se doam para um bem 
maior do time, baseado em parceria, en-
trosamento e diálogo.
É necessário que esse espírito de 
cooperação seja bem trabalhado na 
equipe, entendendo que ninguém deve 
buscar os seus próprios interesses e, sim, 
os interesses coletivos e da instituição. 
Para que sejam eliminadas quaisquer 
possibilidades de disputa e competição, 
até porque o público-alvo é o mesmo den-
tro do projeto, quando todos(as) derem as 
mãos em busca de caminharem juntos, 
aumentam as possibilidades de êxito e 
consecução dos objetivos.
Uma equipe é formada por pessoas 
com habilidades complementares, diver-
sificadas e dedicadas a uma missão, que 
precisam apresentar resultados pelos 
quais se consideram mutuamente res-
ponsáveis. Essa união traz uma diversida-
de de benefícios para a instituição, entre 
eles o aumento da produtividade (o prin-
cipal) e um maior envolvimento pessoal 
e profissional dos(as) colaboradores(as). 
As atividades podem ser divididas 
de acordo com a afinidade e habilidade 
de cada colaborador(a), resultando em 
um foco maior do(a) funcionário(a) em 
sua atividade.
Ao surgir um problema, todos(as) 
se unem em busca da melhor solução. 
Cada um(a) na sua área. Habilidades e 
experiências irão somar para que seja 
encontrada a melhor solução, em vez de 
tomarem uma atitude estática e jogar a 
responsabilidade para o(a) outro(a), ale-
gando não ser aquele o seu papel. Atitu-
des assim acabam não solucionando o 
problema e dando origem a outras ques-
tões relacionais atreladas ao fracasso de 
não conseguirem trabalhar em equipe.
Uma equipe esportiva é isso: um 
conjunto de pessoas com um interesse 
em comum que reúnem suas habilida-
des, particularidades, capacidades e se 
complementam, cada um(a) no seu setor 
(posição), em busca da vitória. Todas es-
sas questões sob a regência de líderes, 
que são os(as) técnicos(as), capitães ou 
outros(as) gestores(as) de equipe.
Muitos valores que são trabalhados 
no esporte, principalmente com crianças, 
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3.3. Comunicação
Notrabalho em equipe, não apenas o(a) 
líder tem a responsabilidade de conseguir 
comunicar-se. É fundamental que todos(as) 
os(as) membros expressem da forma mais 
compreensível o que estão querendo infor-
mar, possibilitando que a outra pessoa e o 
time entendam o assunto diminuindo pro-
blemas de comunicação e dúvidas.
Você já brincou de “telefone sem fio”?
Essa brincadeira popular retrata 
muito bem o uso da boa comunicação 
nas relações, independentemente do es-
paço onde ocorra, quer seja no ambiente 
familiar, social ou corporativo.
A brincadeira se desenvolve da se-
guinte maneira: uma pessoa inicia falando 
alguma palavra ou frase no ouvido de quem 
está ao lado, e assim vai passando para a 
pessoa seguinte até chegar no último da 
fila que fala em voz alta o que escutou.
Na maioria das vezes, a informação 
expressada em voz alta é muito diferente 
daquela dita no início da brincadeira. Ela 
expressa o quanto a informação, no de-
correr da transferência entre as pessoas, 
pode ser deturpada ou até se perder.
adolescentes e jovens, no momento da 
prática, possivelmente não serão perce-
bidos, mas essa semente estará sendo 
plantada constantemente nas aulas e 
posteriormente irão dar frutos, terão a 
oportunidade de viver cada valor na so-
ciedade, ambiente de trabalho, família, 
condomínio, academia etc. Valores, como 
respeito, tolerância, comprometimen-
to, humildade, amor, paz, capacidade de 
aprender a lidar com as frustrações e 
gratidão precisam estar presentes e nor-
tear o trabalho em equipe como o saber 
viver em sociedade.
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Para isso, devemos ter o zelo e o cui-
dado para que tenhamos uma comunica-
ção clara, limpa e objetiva sobre as tarefas 
dentro dos projetos e ações esportivas.
Vivemos atualmente na era da co-
municação. Conseguimos em tempo real 
conversar com alguém do outro lado do 
mundo. Temos ferramentas tecnológicas 
que permitem o registro e o envio de infor-
mações de maneira imediata. Precisamos 
nos apropriar desses dispositivos para 
que possamos usufruir deles no processo 
de comunicação interna com nosso time.
3.4. Relação Profissional 
x Pessoal
A comunicação é essencial nas relações, 
sendo muitas vezes um fator a ser traba-
lhado constantemente para que haja en-
tendimento da visão, missão e resoluções 
imediatas para problemas mais graves. 
Por meio da comunicação, o(a) gestor(a) 
consegue abrir uma porta de aproxima-
ção e relação com a equipe, na qual em 
algumas situações contrárias que esse 
ponto não é trabalhado há um desconfor-
to no grupo, as pessoas não se sentem 
valorizadas, acolhidas e são vistas ape-
nas pelos resultados que entregam. 
Segundo Cortella (2017), se você tem 
a tarefa de gestor(a), avalie se aquela 
pessoa que trabalha com você no dia a 
dia tem clareza de qual é a obra dela den-
tro da equipe, da empresa, da sociedade? 
Ou será que ela, porventura, supõe que 
a obra dela é apenas aquilo que está fa-
zendo no imediato? Essa é uma questão 
relevante por que uma das tarefas do(a) 
líder é esclarecer a obra coletiva.
Com o decorrer do trabalho, o con-
vívio proporciona uma maior aproxima-
ção entre os membros da equipe como 
também da gestão, fato que é importante 
para manter o ambiente de trabalho pra-
zeroso e humanizado. Mas, qual o limi-
te dessa relação profissional e pessoal 
sem que haja prejuízo no cumprimento 
das atividades do trabalho? 
Esses limites são traçados por uma 
relação ética que marca as fronteiras da 
convivência, por meio dos princípios e 
valores que cada pessoa tem. De acor-
do com Rosenberg (2006), uma estra-
tégia interessante pode ser vista dentro 
da chamada Comunicação Não Violenta 
(CNV), que é baseada em 4 componentes: 
(1) observação, (2) sentimento, (3) neces-
sidades e (4) pedido.
Primeiramente, observamos o que 
está de fato acontecendo numa situação: 
o que estamos vendo os(as) outros(as) di-
zerem ou fazerem que é enriquecedor ou 
não para nossa vida? Uma opção é ser ca-
paz de articular essa observação sem fa-
zer nenhum julgamento ou avaliação, mas 
simplesmente dizer o que nos agrada ou 
não naquilo que as pessoas estão fazendo. 
Em seguida, identificamos como nos 
sentimos ao observar aquela ação: ma-
goados(as), assustados(as), alegres, di-
vertidos(as), irritados(as) etc. 
Em terceiro lugar, reconhecemos 
quais de nossas necessidades estão liga-
das aos sentimentos que identificamos. 
Temos consciência desses três compo-
nentes quando usamos a CNV para expres-
sar clara e honestamente como estamos.
Um(a) professor(a) pode utilizar es-
ses três pontos numa situação. Por exem-
plo: “Pedro, quando você está desatento 
na hora da explicação, fico preocupado(a), 
principalmente porque você não vai con-
seguir realizar a atividade na hora do jogo 
e pode estar atrapalhando algum(a) ami-
go(a). Você está mais atento?”
Esse componente enfoca o que 
estamos querendo da outra pessoa 
para enriquecer nossa vida ou torná-la 
mais maravilhosa.
Assim, parte da CNV consiste em 
expressar as quatro informações muito 
claramente, seja de forma verbal, seja 
por outros meios. O outro aspecto dessa 
forma de comunicação consiste em rece-
ber aquelas mesmas quatro informações 
dos outros.
O(A) gestor(a) precisa desenvolver essa 
relação de forma orgânica, exercendo lide-
rança sem imposição por status, sendo ca-
paz de desenvolver a capacidade de crescer 
coletivamente, não sendo omisso em tratar 
quaisquer questões que surjam nas relações 
diárias, independentemente se com um(a) 
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TÁ NA LEI
A Lei nº 8.213, de 24 de julho de 
1991, prevê cotas pessoas com 
deficiência no mercado de traba-
lho. Dispõe que, de acordo com a 
legislação, as proporções para em-
pregar pessoas com deficiência va-
riam de acordo com a quantidade 
de funcionários(as). De 100 a 200 
empregados, a reserva legal é de 
2%; de 201 a 500, de 3%; de 501 a 
1.000, de 4%. 
As empresas com mais de 1.001 
empregados devem reservar 5% 
das vagas para essas necessida-
des especiais.
Proporcionar um ambiente favorável 
e preparar a estrutura física para atender 
às demandas de um(a) colaborador(a) 
com deficiência vai muito além de cum-
prir a Lei, e, sim, vai ao encontro com os 
princípios que a instituição traz, princi-
palmente com o olhar inclusivo e acolhe-
dor, buscando de uma forma humaniza-
da reduzir os níveis de preconceitos que 
essas pessoas já carregam.
3.6. Controle e Avaliação
Nas competências de uma gestão eficaz 
é preciso criar um processo para definir 
e alinhar as expectativas para o traba-
lho juntamente com o(a) colaborador(a). 
Além de acompanhar o desempenho, 
avaliar resultados e estabelecer melho-
rias que proporcionem desenvolvimento.
Na relação com a equipe que tenha 
como pilar a comunicação, não pode fi-
car de fora o hábito do feedback. Todos(as) 
os(as) colaboradores(as) precisam rece-
ber um retorno sobre o seu desempenho 
colaborador(a) experiente ou com aquele(a) 
que está iniciando carreira na instituição.
O mundo do trabalho precisa de gesto-
res(as) de destino, que consigam diagnosti-
car um problema, enxergar o contexto da si-
tuação, tomar as decisões necessárias, não 
ser conivente com o erro, ser resolutivo(a) 
e utilizar as advertências necessárias para 
mostrar ao(à) colaborador(a) o que preci-
sa ser melhorado. Caso seja avaliado que 
as condutas e as falhas não conseguiram 
ser trabalhadas, não houve uma evolução e 
estão afetando os princípios da instituição, 
possivelmente essa pessoa não se encaixa 
mais nos planos da instituição.
3.5. Acessibilidade
As instituições precisam possibilitar às 
pessoas com deficiência condições de uso 
dos espaços, dos meios de comunicação e 
informação, eliminando barreiras e garan-
tindo a inclusão social daqueles que apre-
sentam alguma deficiência. 
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no trabalho entregue, para que possa re-
fletir sobre suas práticas e, no mínimo, ter 
oportunidade de corrigir o erro, aprender 
e não ser recorrente, como também saber 
que está no caminho certo. A instituição 
deve mostrar que os resultados espe-
rados não estão atrelados apenas aos 
resultados quantitativos, mas compre-
ender que, por trás dos números e indica-
dores, muitas vidas se empenharam por 
meio de um trabalho humanizado.
Apesar da importância dos métodos 
de avaliação, é desafiador desenvolver 
instrumentos que possam mensurar o 
desempenho dos(as) trabalhadores(as) de 
forma justa e eficaz. Para conseguir isso, 
os(as) gestores(as) utilizam um ou mais 
métodos formais de avaliação de desem-
penho dentro de uma periodicidade.
A avaliação de desempenho aplicada 
pela equipe de gestão identifica os pon-
tos fortes e pontos a serem melhorados 
na equipe e trabalha para o desenvolvi-
mento e a melhoria da instituição. Deve-
-se compreender como um processo de 
identificação, diagnóstico e análise do 
comportamento durante um período. 
Muitas demandas chegam dia a dia 
para serem solucionadas e encaminha-
das. É necessário que o(a) gestor(a) faça 
o controle de forma organizada para que 
venha mensurar o que é importante e o 
que é urgente.
Uma ferramenta muito utilizada é 
a Matriz de Eisenhower (Figura 1), uma 
ferramenta de gestão de tarefas que ajuda 
a organizar e priorizar os afazeres por ur-
gência e importância. Com ela, você sepa-
rará as suas tarefas em quatro categorias:
(1) as tarefas que fará primeiro, 
(2) as que agendará para mais tarde, 
(3) as que delegou ou delegará e 
(4) as que excluirá. 
É IMPORTANTE, MAS NÃO URGENTE
NÃO É IMPORTANTE, NEM URGENTE
Faça mais tarde
Delegue para
outra pessoa
Faça imediatamente
Decida quando
você vai fazer
IM
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URGENTE
URGENTE, MAS NÃO É IMPORTANTE
É IMPORTANTE E URGENTE
Figura 1 – Matriz de Eisenhower
A ferramenta é dividida nos seguin-
tes quadrantes:
 ÎImportante e urgente: ou seja, faça 
imediatamente.
 ÎImportante, mas não urgente: boa 
para tarefas que devem ser desenvol-
vidas a médio ou longo prazo.
 ÎUrgente, mas não importante: como 
fazer ligações, e-mails e reuniões.
 ÎNão urgente, não importante: tarefas 
que estão na lista, mas podem esperar 
ou serem eliminadas.
#FICAADICA
Conheça mais a Matriz de Eise-
nhower. Acesse:
https://www.napratica.org.br/ma-
triz-de-eisenhower-produtividade/
https://www.napratica.org.br/matriz-de-eisenhower-produtividade/
https://www.napratica.org.br/matriz-de-eisenhower-produtividade/
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O papel do(a) gestor(a) é de extrema 
importância para o êxito daquela instituição, 
daquele projeto ou simplesmente daquela 
ação. E um(a) gestor(a) é aquele(a) que con-
segue administrar os recursos disponíveis 
da maneira mais eficiente e eficaz, atingin-
do seus objetivos dentro do planejado.
O principal recurso de um(a) ges-
tor(a) é o recurso humano. Saber geren-
ciar sua equipe para o rumo planejado, 
por meio do exemplo, da liderança, do 
respeito, da boa relação, da comunicação 
clara e acessível é um bom caminho para 
o sucesso. Cabe a ele(a) também sempre 
se atualizar das estratégias mais atuais, 
acompanhar o contexto que o(a) rodeia 
e saber se ajustar aos fatores externos. 
Para isso, cabe uma parcela de autoco-
nhecimento, para que, a partir de si, pos-
sa ser exemplo para seus comandados.
Não é uma tarefa simples, mas es-
peramos que este módulo auxilie o traba-
lho de gestores(as) nas suas atividades, 
e que os(as) mesmos(as) possam ajudar 
a engrandecer o esporte no nosso país, 
através do exemplo e da liderança.
SUGESTÃO 
DE FILMES
#ficaadica
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SUGESTÃO DE FILMES 
PARA REFLETIR
4.1. O Homem que Mudou 
o Jogo
O filme relata a tentativa de Billy Beane 
de montar um time de beisebol com um 
orçamento reduzido, por meio de análi-
ses geradas por computador para adqui-
rir novos jogadores. De uma equipe der-
rotada e em último lugar, o time teve 20 
vitórias consecutivas, estabelecendo um 
novo recorde na Liga Americana.
Qual o ensinamento? O que levou ao 
sucesso foi o uso de intuição e estatísti-
ca. O filme mostra que, ao compararmos 
nossas decisões com dados de indicado-
res, é possível tomar decisões mais as-
sertivas para construir um grupo de alta 
performance. Porém, utilizar somente a 
tecnologia não é possível sem o fator 
humano. A combinação de ambos é o que 
realmente faz a diferença para uma ges-
tão de pessoas estratégica.
4.2. Invictus
Baseado na biografia de Nelson Mandela, 
o filme mostra sua libertação da prisão e 
a eleição que o colocou na história como 
o primeiro presidente negro da África do 
Sul. Para diminuir o Apartheid e unir a na-
ção, o líder utiliza o Springboks, time de 
rugby do país.
Qual o ensinamento? O filme mostra 
como engajar equipes de forma brilhan-
te e o papel da liderança para alcançar a 
motivação. Assim, a gestão de pessoas 
deve resgatar o propósito e realizar ati-
vidades que demonstrem os valores para 
que os colaboradores estejam cada vez 
mais alinhados com a cultura e missão 
da organização.
4.3. A Fuga das Galinhas
O filme mostra o trabalho em equipe com 
humor. Os personagens têm um objetivo 
muito claro: escapar da fazenda e não vi-
rarem tortas. Percebem que apenas tra-
balhando em conjunto é que conseguiriam 
planejar ações e colocá-las em prática 
para chegarem ao resultado tão desejado. 
Qual o ensinamento? O trabalho em 
equipe é essencial para se chegar ao su-
cesso. Muitas coisas que penso que não 
consigo fazer sozinho, quando levo para 
o coletivo se torna mais fácil e prazeroso.
4.4. Coach Carter: treino 
para vida
Baseado em uma história real, fala sobre 
um time de basquete que só tinha resul-
tados ruins, era indisciplinado e sofria di-
versas derrotas. Quando o novo treinador 
chega, os jogadores percebem que, com 
foco no resultado, diálogo e trabalho em 
equipe, o desenvolvimento melhora e as 
vitórias começam a chegar.
Qual o ensinamento? É importante, 
especialmente nos momentos em que a 
equipe não tem clareza sobre o que deve 
ser feito. Se você já vivenciou algo pare-
cido, deve ter percebido que a falta de 
alinhamento dificulta muito o alcance 
de bons resultados. Esse filme pode ser 
uma ótima opção.
4.5. Um Senhor Estagiário
Ben Whitaker, um viúvo de 70 anos, sen-
te que a aposentadoria deixou um vazio 
em sua rotina. Quando aparece uma vaga 
como estagiário em uma empresa de 
moda on-line, Ben a enxerga como uma 
oportunidade para voltar à luta.
Qual o ensinamento? O filme mostra 
como as diferentes vivências das pessoas 
podem ajudar a melhorar a vida das ou-
tras, independentemente de fatores como 
a idade ou a aparência. Um filme para fa-
zer pensar.
4
https://www.gupy.io/blog/indicadores-de-recrutamento-e-selecao
https://www.gupy.io/blog/indicadores-de-recrutamento-e-selecao
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REFERÊNCIAS
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas. 
Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
CORTELLA, Mario Sergio. Qual é a tua obra?: 
inquietações propositivas sobre gestão, lide-
rança e ética / Mario Sergio Cortella. Petrópo-
lis, RJ: Vozes, 2017.
DANTAS, Estélio H. M. A Prática da prepara-
ção física. 3ª edição. Rio de Janeiro: Shape, 
1995.
FISCHER, André Luiz. Um resgate conceitual 
e histórico dos modelos de gestão de pesso-
as: as pessoas na organização. Tradução . São 
Paulo: Gente, 2002
GIL, A.C. Gestão de pessoas: enfoque nos pa-
péis profissionais. São Paulo: Atlas, 2009
ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não-
-violenta: técnicas para aprimorar relaciona-
mentos pessoais e profissionais / Marshall 
B. Rosenberg ; [tradução Mário Vilela]. – São 
Paulo: Ágora, 2006.TICHY, Noel M. O motor da liderança: como 
as empresas vencedoras formam líderes em 
cada nível da organização. São Paulo: Educa-
tor, 1999.
TUBINO, Manoel José Gomes. Metodologia 
científica do treinamento desportivo. 3ª edi-
ção. São Paulo: Ibrasa, 1984.
AUTORES ILUSTRADOR
Carlus Campos
Artista visual que há mais de 30 anos é 
ilustrador do Jornal O POVO. Na produção 
de suas ilustrações, utiliza várias lingua-
gens como: desenho, pintura, aquarela, 
gravura e fotografia. Ao longo dos anos 
90, além de ganhar diversos prêmios com 
arte gráfica, fez incursões pelas artes 
plásticas participando de diversos Salões 
de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa 
considerável espaço em sua produção 
chegando a participar do coletivo IN-GRA-
FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas 
cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft.
Luiz Fernando de Freitas
Profissional de Educação Física especia-
lista em gestão e negócios no esporte, 
atuando desde 2009 na área da ges-
tão esportiva. Na Secretaria de Esporte 
do Estado do Ceará, esteve na equipe 
de coordenação do Programa Segundo 
Tempo, organizou diversas competições, 
como: Jogos Escolares, Jogos Abertos do 
Interior, Jogos Indígenas, entre outros. 
Durante 9 anos colaborou no desenvol-
vimento das Políticas Públicas de Juven-
tude de Fortaleza, como: coordenador de 
Juventude de Fortaleza, diretor de For-
mação, Esporte e Trabalho do Instituto 
Cuca, coordenador de Esporte do Cuca 
Jangurussu e José Walter e gerente do 
Cuca Jangurussu.
Marcelo Soldon 
É profissional de educação física e espe-
cialista em treinamento esportivo, mas 
foi na gestão e administração esportiva 
que construiu sua trajetória. Possui 17 
anos de experiência em entidades pú-
blicas e privadas do esporte. Foi coorde-
nador logístico da Copa do Mundo FIFA 
2014, gerente de instalação esportiva nos 
Jogos Olímpicos Rio 2016 e coordenador 
de Esportes da Secretaria do Esporte e 
Juventude do Ceará. Atualmente, é vice-
-presidente da Federação Universitária 
Cearense de Esportes e do Conselho do 
Desporto do Estado do Ceará, presiden-
te da Comissão de Esportes do Conselho 
Regional de Educação Física CREF-5, con-
sultor esportivo, diretor e fundador do Es-
critório do Esporte.
160 
Apoio: Patrocínio: Realização:
CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO
FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral 
Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design 
Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas 
Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora 
Pedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron-
End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly 
Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier 
Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo 
Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing 
Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota
ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-050-9 (Fascículo 10)
Fundação Demócrito Rocha
Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora 
CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará 
Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327
Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br
Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br
Todos os direitos desta edição reservados à:
GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA
11 Captação de Recursos para Projetos 
Esportivos
Elisabete Laurindo de Souza
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
163
COMO IDENTIFICAR 
FONTES DE CAPTAÇÃO 
DE RECURSOS
164
COMO ELABORAR BOAS PROPOSTAS, 
IMPLANTAR PROJETOS ESPORTIVOS DE 
FORMA EFICIENTE E PRESTAR CONTAS
170
COMO PRESTAR CONTAS?
173
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SAPRESENTAÇÃO
1
Um dos grandes desafios para os(as) profissionais de Educação Física e gestores(as) do esporte é identifi-
car as fontes para captação de recursos 
que custeiem os projetos esportivos que 
pretendem desenvolver e, principalmen-
te, o que se refere à parte burocrática, 
como elaboração, organização documen-
tal, execução e prestação de contas. 
Diante disso, neste módulo vamos 
apresentar algumas possibilidades para 
obtenção de recursos públicos e priva-
dos, entendendo o que é essencial conter 
nas propostas a serem apresentadas às 
fontes e como implantar os projetos de 
forma eficiente. Por fim, entenderemos a 
importância de prestar contas de forma 
adequada, ganhando a credibilidade e a 
confiança de quem disponibiliza o recur-
so, o que pode assegurar a você a conti-
nuidade de seu projeto.
Para iniciar, quero destacar que 
mobilizar recursos não significa ape-
nas garantir recursos financeiros, mas 
também recursos humanos, materiais e 
serviços. Tudo isso precisa ser observa-
do quando da elaboração do seu projeto.
Assim, ao concluir este módulo, es-
peramos que você deva conhecer as 
possibilidades de captação de recursos 
financeiros para o desenvolvimento de 
projetos esportivos, sua execução e pres-
tação de contas, atuando em instituições 
públicas ou privadas.
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É importante você saber que existem várias fontes de captação de recur-sos disponíveis a serem utilizadas 
em projetos esportivos, sendo preciso 
apenas identificá-las.
Uma das formas é ler os editais para 
conhecer as exigências necessárias a se-
rem cumpridas, executar e prestar contas. 
Vale destacar que as fontes de recursos 
podem mudar. Muitas vezes as empresas 
alteram o foco do investimento a cada ano 
e os editais podem conter características 
diferentes, conforme o seu interesse. 
Para Camargo (2019), a captação de 
recursos é um processo complexo, mas 
que pode ser mais eficiente se for orien-
tado por princípios claros, e que envolve 
três etapas principais:
(1) conhecer os principais doadores;
(2) montar estratégias de captação 
eficazes; e
(3) gerenciar bem os recursos captados.
Diante disso, mostrarei algumas pos-
sibilidades de captação de recursos para 
o financiamento de projetos esportivos:
2.1. Captação de Recursos 
por Meio de Editais de 
Chamamento Público
O mais importante é ler com muita aten-
ção os editais publicados nos sites das 
empresas para não esquecer de nenhum 
item que possa desclassificar o seu pro-
jeto. Além disso, ficar atento(a) às datas e 
aos documentos exigidos na sua inscrição.
2
da própria empresa, políticas de vendas 
da empresa ou por decisão da diretoria 
ou do dono da empresa.
Fique atento(a)! Para conquistar fi-
nanciamento do seu projeto é necessário 
se informar sobre os objetivos da em-
presa e qual a relação do seu projeto com 
ela. Para isso, você precisa, claro, conhe-
cer bem os objetivos dessa(s) empresa(s), 
missão, visão, princípios/valores, saber 
quais projetos são mais apoiados por ela 
etc. O seu projeto a ser apresentado deve 
ter objetivos claros, público-alvo bem de-
finido, metas de fácil execução, cronogra-
ma e orçamento pré-estabelecido.
#FICAADICA
Um exemplo claro desse tipo de pa-
trocínio está disponível em: https://
www.braskem.com.br/patrocinio-
sedoacoes.
2.3. Patrocínio por Fontes 
Internacionais
Esses recursos provêm principalmen-
te de acordos de cooperação bilateral 
ou multilaterais entre os países com a 
intenção de concretizar objetivos co-
muns. Normalmente, são agências 
governamentais de países desenvolvidoscomo União Europeia, bancos interna-
Normalmente você precisará 
cadastrar a instituição que representa, 
então é importante ter em mãos toda 
a documentação necessária. Empre-
sas como Mapfre, Porto Seguro, Ambev, 
Eletrobrás, Banco Itaú, Banco do Brasil, 
Usiminas, Criança Esperança e muitas 
outras abrem seus editais no ano an-
terior a sua execução, então fique aten-
to(a) aos prazos.
#FICAADICA
Acesse o site da Associação Brasi-
leira de Captadores de Recursos e 
acompanhe alguns editais. ACESSE:
https://captadores.org.br/cate-
gory/noticias/editais
2.2. Patrocínio Direto das 
Empresas
Existem os patrocínios disponibilizados 
pela própria empresa e que não necessi-
tam de seleção por meio de editais. Nes-
se caso, as empresas desejam, muitas 
vezes, apresentar sua marca à socieda-
de ou simplesmente cumprir sua função 
social. Algumas patrocinam eventos ou 
projetos bem específicos, podendo ou 
não ter critérios pré-estabelecidos. Es-
sas verbas podem ser de marketing, de 
cumprimento de responsabilidade social 
COMO IDENTIFICAR FONTES 
DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS
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cionais, Organização das Nações Unidas 
(ONU), entre outros.
A seguir, alguns links que você de-
verá acessar para começar a pensar em 
atuar internacionalmente:
Europeaid: <https://commission.europa.
eu/>.
USAID: <www.brasil.usaid.gov/pt>.
Fundação Bill e Melinda Gates: <https://
www.gatesfoundation.org/>.
Banco Interamericano de Desenvolvi-
mento (BID): <https://www.iadb.org/pt>.
Deloitte: <https://www2.deloitte.com/
br/pt/pages/about-deloitte/articles/in-
centivo-cultura-esporte.html>.
Unicef: <https://www.unicef.org/brazril/
esportes-para-o-desenvolvimento>.
2.4. Lei de Incentivo ao 
Esporte (LIE) No. 11.438/2006
O Ministério da Cidadania, por meio da Se-
cretaria Nacional de Incentivo e Fomento ao 
Esporte, operacionalizava a LIE, mas com 
a mudança do Governo Federal, conforme 
Medida Provisória no. 1.154/2023, passa a 
fazer parte do Ministério do Esporte.
A Lei nº. 11.438/2006 permite que 
recursos provenientes de renúncia fis-
cal, deduzido do Imposto de Renda devido 
das empresas, sejam aplicados em pro-
jetos esportivos ou paradesportivos, para 
pessoas de todas as idades, se configu-
rando como um importante instrumento 
de efetivação de direitos sociais.
https://commission.europa.eu/
https://commission.europa.eu/
http://www.brasil.usaid.gov/pt
https://www.gatesfoundation.org/
https://www.gatesfoundation.org/
https://www.iadb.org/pt
https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/about-deloitte/articles/incentivo-cultura-esporte.html
https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/about-deloitte/articles/incentivo-cultura-esporte.html
https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/about-deloitte/articles/incentivo-cultura-esporte.html
https://www.unicef.org/brazril/esportes-para-o-desenvolvimento
https://www.unicef.org/brazril/esportes-para-o-desenvolvimento
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Você pode, então, nos perguntar:
Na LIE quem pode propor projetos 
esportivos? Todas as Pessoas Jurídicas 
(PF) de fins não econômicos de natureza 
esportiva e que tenha no mínimo 1 (um) 
ano de funcionamento e tenha regulari-
dade fiscal nas esferas municipal, esta-
dual e federal, além de emitir certidões 
negativas de INSS e FGTS.
Quem pode patrocinar? A empresa 
com tributação no lucro real pode pa-
trocinar ou doar recursos para projetos 
aprovados pelo Ministério do Esporte. 
A Pessoa Jurídica (PJ) pode investir 2% 
(dois por cento) do imposto devido e a 
Pessoa Física (PF) 7% (sete por cento) do 
imposto devido. Esses recursos podem 
ser direcionados aos projetos esportivos.
Quais as manifestações esportivas 
os projetos devem se enquadrar? 
São 3 categorias: (I) desporto educa-
cional: para alunos(as) regularmente ma-
triculados(as) em instituição de ensino de 
qualquer sistema de ensino; (II) desporto 
de participação: para prática voluntária 
de pessoas que buscam qualidade de vida, 
integração social, educação e preservação 
do meio ambiente; (III) desporto de rendi-
mento: direcionado a competições, forma-
ção de atletas e capacitação.
O professor e autor Manoel Gomes 
Tubino (1986) descreveu as Dimensões 
Sociais do Esporte, afirmando que o es-
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porte tem função pedagógica no processo 
de formação do indivíduo, proporcionando 
a compreensão de valores como respeito, 
solidariedade, espírito de equipe, parti-
cipação, entre outros fatores que contri-
buem para o desenvolvimento humano. 
Sendo assim, classificando-as como:
 ÎEsporte performance (Rendimento)
 ÎEsporte educação (Educacional)
 ÎEsporte de participação (Comunitário)
 ÎEsporte de Formação (Incluído recen-
temente na Lei Pelé) 
Essa classificação é a mesma apre-
sentada no Art. 2º da Lei no. 11.438/2006 
que afirma: “Os projetos desportivos e 
paradesportivos, em cujo favor serão 
captados e direcionados os recursos 
oriundos dos incentivos previstos nesta 
Lei, atenderão a pelo menos uma das se-
guintes manifestações, nos termos e con-
dições definidas em regulamento”.
SAIBA MAIS
Acesse o site do Ministério do Es-
porte ou consulte o Manual da Lei 
de Incentivo ao Esporte: 
file:///C:/Users/
Usu%C3%A1rio/Downloads/
ManualLeideIncentivo%20ao%20
esporte%20ATUALIZADO2022.pdf
TÁ NA LEI 
Nº. 11.438/2006
https://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/
l11438.htm
A título de informação, vários estados 
e municípios possuem Leis de Incentivo 
ao Esporte que permitem o financiamne-
to de projetos esportivos elaborados pela 
sociedade cívil organizada, por meio de 
abatimento fiscal em tributos como ISS-
QN, IPTU, ICMS ou IRRF, como é o caso da 
Lei Nacional de Incentivo.
2.5. Recursos Oriundos de 
Emendas Parlamentares 
Federal
São recursos destinados por parlamen-
tares, sejam deputados ou senadores, 
a projetos específicos de seus estados, 
municípios ou regiões, com o objetivo 
de desenvolver ações que contribuam 
para a melhoria da qualidade de vida 
da população. Esses recursos são pro-
venientes do Orçamento da União e são 
liberados a partir do Orçamento Geral da 
União (OGU) a cada ano.
As emendas parlamentares são 
úteis para destinar recursos a projetos 
ou ações que não estão previstos no Or-
çamento Geral da União. Elas são fun-
damentais na resolução de problemas 
sociais, como a falta de serviços bási-
cos, acesso à saúde, educação, cultura, 
esporte, construção, entre outras. Tem 
grande relevância social, pois ajudam a 
financiar projetos que podem melhorar 
a vida das pessoas, oferecendo serviços 
básicos e melhorando a infraestrutura 
de cidades e regiões.
Para isso, os projetos precisam ser 
aprovados pelo Ministério do Planeja-
mento, Orçamento e Gestão (MPOG), que 
fiscaliza o uso dos recursos. É preciso 
destacar que com a mudança dos 
governos as plataformas podem mudar 
as nomenclaturas. Fique atento(a)! 
Como exemplo, no ano de 2008 foi 
criada a plataforma Sistema de Gestão 
de Convênios (Siconv) e contratos de 
repasse para processar informações e 
operacionalizar as transferências volun-
tárias de recursos do Governo Federal. 
Até o final de 2022, denominava-se Pla-
taforma + Brasil e, agora em 2023, passa 
a ser Sistema de Gestão de Parcerias da 
União (SIGPAR), que passa a estruturar 
atividades de planejamento, coordena-
ção, orientação e gestão das parcerias 
entre a União e instituições, por meio do 
Ministério da economia. 
IMPORTANTE
Destaco que a ferramenta tecnoló-
gica passa a se chamar 
transferegov.br e terá o endereço 
divulgado pelo Ministério 
da Economia.
file:///C:/Users/Usu%C3%A1rio/Downloads/ManualLeideIncentivo%20ao%20esporte%20ATUALIZADO2022.pdf
file:///C:/Users/Usu%C3%A1rio/Downloads/ManualLeideIncentivo%20ao%20esporte%20ATUALIZADO2022.pdf
file:///C:/Users/Usu%C3%A1rio/Downloads/ManualLeideIncentivo%20ao%20esporte%20ATUALIZADO2022.pdffile:///C:/Users/Usu%C3%A1rio/Downloads/ManualLeideIncentivo%20ao%20esporte%20ATUALIZADO2022.pdf
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O fluxograma da Figura 1 apresen-
ta o percurso dos convênios públicos. A 
parte que está na cor preta é a que ante-
cede a execução, que vai desde o pedido 
de realização do projeto aos parlamenta-
res, ou à adesão a algum programa, até 
a inserção na plataforma transfere.gov. A 
parte azul se refere à execução e a parte 
alaranjada se refere a alguma questão 
que tenha ficado pendente.
das para programas, obras, projetos de 
infraestrutura e serviços de saúde, edu-
cação, segurança, cultura, esporte, meio 
ambiente, desenvolvimento econômico e 
outros setores.
São aprovadas pela Assembleia Le-
gislativa Estadual e são financiadas com 
recursos públicos do Tesouro Estadual. 
Elas fornecem recursos para projetos 
que não estão previstos no orçamento 
FLUXOGRAMA DE CONVÊNIOS PÚBLICOS E CORRELATOS
A Nova Legislação 
E Gestão De 
Convênios
Licitações
e Convênios 
Públicos
Plataforma +Brasil Obras:
Execução, 
Acompanhamento e 
Prestação de Contas
Tomada de
Contas
Especial (TCE)
Diligências e 
Notificações dos órgãos 
de Controle
(CGU e TCU)
Concessões de
Serviços Públicos 
e Parcerias
Público-Privadas 
(PPP)
Fundações de 
Apoio: Abordagem 
Jurídica no TCU
Falhas e
Irregularidades
nos Convênios
Publicação, 
Qualificação de 
Organizações 
Sociais e Celebração 
de Contratos de 
Gestão
Termo de Execução 
Descentralizada 
TED e a Plataforma 
+Brasil 
(transfere.gov)
MROSC
Planejamento e Execução 
do Marco Regulatório 
das Organizações da 
Sociedade Vicil
Prestação de Contas 
de Convênios
(Fundamentos, 
Execução e Análise)
Entendendo 
Tributação, 
Notas Fiscais e 
DCTFWEB
Fiscalização e
Acompanhamento
de Convênios
Plataforma +Brasil 
(transfere.gov) 
completo 
imersão, 40h
Emendas
Parlamentares
Captação de
Recursos
Federais
Elaboração 
e Análise de 
Projetos
Projetos e Plano 
de Trabalho 
na Plataforma 
+Brasil 
(transfere.gov)
Figura 1: Fluxograma de Convênios públicos e correlatos.
Fonte: Grupo Orzil, 2023.
2.5. Emendas Parlamentares 
Estaduais
As emendas parlamentares estaduais 
seguem as normas de cada estado e são 
indicadas pelos deputados estaduais por 
meio da Lei Orçamentária Anual (LOA) 
para financiar projetos de interesse re-
gional ou local. Elas são propostas pelos 
parlamentares estaduais e são direciona-
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do ano em curso, indicados por deputa-
dos ao projeto de Lei Orçamentária Anual 
(LOA), e ajudam a financiar projetos de in-
teresse da população. 
As emendas parlamentares estadu-
ais são aprovadas no limite de 1% (um 
por cento) da Receita Corrente Líquida 
prevista no Projeto de Lei encaminhado 
pelo Poder Executivo. Basicamente, todos 
os estados seguem as mesmas prerro-
gativas, mas será necessário observar a 
particularidade do estado no qual você 
está inserido(a). 
***
Como você viu até aqui “existem 
várias formas de buscar recursos para 
desenvolver o esporte local. Não po-
demos ficar esperando somente pelas 
prefeituras, no caso dos municípios” 
(SOUZA, 2017). Os recursos estão dis-
poníveis, basta conhecermos os cami-
nhos e decidir trilhá-los.
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Para elaborar bons projetos esporti-vos, você deve ter em mente uma proposta bem definida. Vou apre-
sentar uma visão ampla das etapas de 
um projeto e dar dicas para elaboração 
de um bom projeto de forma fácil e clara.
3.1. Qual seu plano?
Pense de forma clara o objetivo do seu 
projeto e quais os objetivos específicos 
que farão com que você alcance o objeti-
vo geral. Pense como executar, isso será 
a sua estratégia. Quanto isso irá custar e 
de onde virão os recursos? 
Os passos básicos para elaboração 
de um bom projeto são os seguintes:
• Título do projeto: Deve ser curto 
e expressar o seu objetivo;
• Objetivos: Geral (que se refere 
ao objeto a ser executado) e es-
pecíficos (ações que farão com 
que o objetivo geral aconteça);
• Metas: (1) Quantitativas (você 
deve indicar as metas físicas tan-
gíveis, relacionadas aos objetivos, 
geral e específicos, de modo a 
permitir a verificação da eficiên-
cia e da eficácia das ações) e (2) 
Qualitativas (indique as metas 
relacionadas a aspectos intan-
gíveis dos objetivos, geralmente 
aquelas referentes aos impactos 
gerados no público-alvo);
• Justificativa: Qual a relevância 
do projeto? Qual a resposta a um 
problema ou necessidade identi-
ficada de forma objetiva? Qual a 
razão de ser do projeto? Informe 
os motivos que o levaram a pro-
por o projeto e faça uma análise 
objetiva do contexto geral e es-
pecífico. Nessa etapa, você deve 
informar os indicadores que 
comprovem a  capacidade téc-
nico-operativa  do proponente 
(aquele que propõe o projeto);
• Beneficiários: Qual é o (s) indiví-
duo (s) ou instituição que se be-
neficiará com o seu projeto? Nes-
te tópico será preciso delimitar o 
público envolvido e descrever os 
beneficiários diretos e indire-
tos. Essa descrição deve ser rea-
COMO ELABORAR BOAS 
PROPOSTAS, IMPLANTAR 
PROJETOS ESPORTIVOS DE 
FORMA EFICIENTE E PRESTAR 
CONTAS
lista e coerente com a proposta e 
estratégia do projeto;
• Local: Descrever em que local 
o projeto será realizado. Pode 
ser mais de um local, mas será 
preciso apresentar um Termo de 
Parceria ou Termo de Cessão do 
espaço escolhido, caso o espaço 
não seja de sua instituição;
• Estratégia: Como fazer? Elabo-
rar uma descrição quantitativa 
e qualitativa das metas a serem 
atingidas, destacando cada item 
do desenvolvimento e as ações 
para assegurar o êxito do projeto;
• Metodologia: Aqui você pode 
descrever os processos e as téc-
nicas que usará para realizar a 
ação. A partir dos objetivos, pen-
se como você executará isso na 
prática. Detalhe como as diferen-
tes etapas serão implementadas 
e como elas se inter-relacionam;
• Cronograma de atividades: Des-
creva as datas e as atividades 
que serão realizadas, com pra-
zos estabelecidos por atividades.
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Todos os meses terão documentos 
ou ações que comporão a Prestação de 
Contas, então fique atento(a) à documen-
tação exigida na Prestação de Contas, 
como notas fiscais, relatórios, fichas de 
presença de alunos(as) e professores(as), 
entre outros que serão anexados ao final 
do projeto.
• Orçamento: Especificar como e 
onde as verbas serão aplicadas, 
detalhando em forma de crono-
grama a aplicação dos recursos. 
Vale destacar que na LIE existe 
uma tabela de precificação que, 
ao utilizá-la, nos isenta de cotar 
os itens que constam no proje-
to, como: materiais esportivos, 
recursos humanos, serviços de 
terceiros (ex. contador), unifor-
mes, entre outros. 
Modelo Básico de um Cronograma de Ações
ATIVIDADES/AÇÕES
1º 
Mês
2º 
Mês
3º 
Mês
4º 
Mês
5º 
Mês
6º 
Mês
7º 
Mês
8º 
Mês
Contratação da equipe de profissionais 
e estagiários
X              
Processo de aquisição de produtos e 
serviços para execução do projeto
X              
Divulgação e Comunicação do projeto X X X X X X X X
Capacitação da equipe de trabalho X X X X X X X X
Seleção e cadastro dos beneficiários X X X          
Início das atividades X              
Acompanhamento do Projeto X X X X X X X X
Avaliação dos resultados e impactos       X X X X X
Prestação de contas e divulgação dos 
resultados.
X X X X X X X X
Obs.: Cronograma para o desenvolvimento de um projeto para 8 (oito) meses de duração. 
3.2. Divulgação do Projeto:
Pense nas ações de comunicação e divul-
gação do projeto juntamente às entidades 
governamentais e não-governamentais, 
além de empresas privadas. Também uti-
lize as redes sociais para divulgação.3.3. Aproximação com 
Órgãos Governamentais:
é importante buscar parcerias com os ór-
gãos governamentais, pois muitas vezes 
eles podem ser responsáveis pela capta-
ção de recursos para projetos esportivos.
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IMPORTANTE
Muitas vezes as empresas esco-
lhem um projeto aprovado na Lei 
Nacional de Incentivo ao Esporte 
(LIE) para patrocinar. Vale a pena ter 
seu projeto aprovado na LIE! 
Sua instituição pode inscrever até 6 
(seis) projetos.
3.4. Estabelecimento de Parcerias: 
é importante buscar parcerias com or-
ganizações, empresas privadas e outras 
entidades que possam contribuir com re-
cursos financeiros para o projeto.
3.5. Realização de Eventos: even-
tos como torneios esportivos, competi-
ções, palestras, workshops, bazares etc. 
são ótimas maneiras de captar recursos 
para o projeto.
3.6. Utilização de Redes Sociais: 
as redes sociais são uma ótima ferramen-
ta para divulgação e captação de recursos 
para projetos esportivos. 
3.7. Monitoramento e Avaliação: 
é necessário monitorar e avaliar o de-
sempenho do projeto para ver se os obje-
tivos estão sendo alcançados. Monitorar 
os recursos financeiros e humanos, além 
de avaliar o nível de satisfação dos(as) 
participantes, é importante para garantir 
que o projeto está sendo bem gerenciado.
3.8. Reconhecimento do Tra-
balho: é importante reconhecer o 
trabalho dos envolvidos no projeto, como 
voluntários(as), patrocinadores(as), cola-
boradores(as) etc.
3.9. Compartilhamento de Re-
sultados: é importante compartilhar os 
resultados alcançados com o projeto, pois 
isso incentiva a continuidade do trabalho 
e a captação de novos recursos. 
#FICAADICA
Você pode simular um projeto de 
captação de recursos. Quer tentar?
Acesse: <https://arleideincentivo-
aoesporte.com.br/simulador/>
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A Prestação de Contas é um docu-mento emitido por um gestor de recursos financeiros, que detalha e 
demonstra a aplicação de fundos de um 
determinado período de tempo. É um do-
cumento importante para empresas, or-
ganizações, governos e outras entidades 
que utilizam financiamento externo. Ela 
é usada para fins contábeis, fiscais e de 
auditoria, e garante que os recursos se-
jam gastos de acordo com as diretrizes 
estabelecidas no seu projeto. Ela também 
pode ser usada para fins de análise e 
emissão de relatórios gerenciais.
Vamos ao trabalho, então! Com es-
ses passos e a ajuda indispensável de um 
contador você vai conseguir realizar uma 
excelente Prestação de Contas.
A Prestação de Contas tem como ob-
jetivo oferecer uma visão geral das recei-
tas e despesas de um determinado perío-
do. Ela informará detalhadamente o saldo 
atual da conta, assim como os pagamentos 
realizados com os recursos disponíveis.
O que são as Receitas? São as en-
tradas de dinheiro na conta bancária 
aberta especificamente para a execução 
do projeto aprovado e pelo período es-
tabelecido no próprio projeto. Importan-
te: você, obrigatoriamente, deverá fazer 
aplicação dos recursos que entram na 
conta para que o dinheiro possa render 
durante o período de execução do proje-
to. Se deixar o dinheiro parado na conta, 
você poderá ter problemas na Prestação 
de Contas.
O que são Despesas? Referem-se 
aos pagamentos feitos durante o período 
em questão. Vale destacar que os paga-
COMO PRESTAR 
CONTAS?
mentos devem ser feitos dentro do pe-
ríodo estabelecido no projeto, ou seja, 
o período compreendido entre a data de 
início e de término estabelecido no Termo 
de Compromisso entre as partes.
Lembrete: Nenhuma Nota Fiscal (NF) 
pode ser paga antes da data da própria 
nota. Primeiro você recebe a NF e procede 
o pagamento dela depois ou no mesmo dia 
do recebimento do produto ou do serviço.
Como exemplo, na Lei de Incentivo 
ao Esporte, existe a obrigatoriedade do 
uso de 2 (dois) carimbos que devem ser 
colocados na NF, na data do recebimento. 
Comprove nos modelos a seguir:
Nº SLIE _________________
MINISTÉRIO DA CIDADANIA
SECRETARIA ESPECIAL DO ESPORTE
LEI 11.438/2006
ATESTO QUE O SERVIÇO/PRODUTO 
FOI RECEBIDO EM: _____/____/____
_____________________________
ASSINATURA
Fonte: https://www.gov.br/cidadania/pt-br/
acoes-e-programas/lei-de-incentivo-ao-
esporte/modelos-e-manuais
Com a mudança de gestão do Gover-
no Federal, as orientações podem sofrer 
alterações, desde a mudança dos logo-
tipos, nomenclaturas e também outras 
exigências. Caso você faça a captação de 
recursos pela LIE, deve atentar-se a todos 
os detalhes exigidos.
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Para a conclusão da Prestação de 
Contas, normalmente temos 60 (sessen-
ta) dias de prazo para entrega, mas sem-
pre se certifique com a fonte financiado-
ra. Toda a documentação original deve 
ficar guardada na sede da instituição 
proponente pelo período de 10 (dez) anos. 
Basicamente, os documentos que você 
precisará organizar durante e ao final da 
execução do projeto, são os seguintes:
 ÎRelatório de cumprimento do objeto, 
que mencionará os resultados espera-
dos e atingidos, os objetivos previstos 
e alcançados e a repercussão da ini-
ciativa na comunidade e no desenvol-
vimento do esporte; 
 ÎRelação de pessoal contratado; 
 ÎRelação de beneficiários; 
 ÎRelatórios de receitas e despesas, de exe-
cução físico-financeira e de pagamentos;
 ÎCópia do extrato da conta bancária es-
pecífica, desde o dia do recebimento dos 
recursos até a data do último pagamento; 
 ÎDemonstrativo de rendimentos das 
aplicações dos recursos; 
 ÎCópia dos documentos comprobató-
rios das despesas, acompanhados dos 
documentos comprobatórios como no-
tas fiscais, recibos etc.; 
 ÎRelação de bens adquiridos, produzi-
dos ou construídos (se for o caso);
 ÎComprovante de divulgação da execu-
ção do projeto, eventos e/ou atividades 
realizadas;
 ÎFotografias dos materiais, equipamen-
tos adquiridos, eventos realizados, 
treinos, beneficiários, construção, en-
tre outros que façam parte do objeto 
do seu projeto.
Para finalizar, faça um relatório para 
os(as) patrocinadores(as) do seu projeto. 
Nele, deve conter mais fotos e números 
(resultados) do que textos. Lembre-se de 
que, no caso do patrocinador, este relató-
rio precisa encantar e motivar novos pa-
trocínios, novas doações e doadores(as).
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BRASIL, Lei de Incentivo ao Esporte. Dispõe 
sobre incentivos e benefícios para fomentar 
as atividades de caráter desportivo e 
dá outras providências. Disponível em: 
<.https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2004-2006/2006/lei/l11438.htm>. Acesso 
em 25 jan. 2023.
CAMARGO, Fernando Aguiar. Captação de re-
cursos: contexto, principais doadores, finan-
ciadores e estratégias, Intersaberes, 2019.
SOUZA. Elisabete Laurindo de. Políticas Pú-
blicas de Esporte e Lazer. Balneário Cambo-
riú. Editora Faculdade Avantis, 2017. 
GRUPO ORSIL. Saiba tudo sobre a Plata-
forma mais Brasil. Disponível em: <https://
www.orzil.org/saiba-tudo-sobre-a-platafor-
ma-mais-brasil/>. Acesso em: 26 jan. 2023.
TUBINO, M. J. G. Dimensões sociais do es-
porte. São Paulo: Editora Cortez, 1986.
REFERÊNCIAS
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Apoio: Patrocínio: Realização:
CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO
FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral 
Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design 
Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas 
Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira CoordenadoraPedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron-
End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly 
Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier 
Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo 
Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing 
Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota
ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-051-6 (Fascículo 11)
Fundação Demócrito Rocha
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Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br
Todos os direitos desta edição reservados à:
AUTORA
Elisabete Laurindo de Souza
Graduada em Educação Física (FURJ) e 
Estudos Sociais (Univali), é especialista 
em Gestão para a Qualidade na 
Administração Esportiva (Udesc) e 
Ciências do Movimento Humano (IBPEX). 
Mestre em Gestão de Políticas Públicas 
(Univali), tem experiência em Educação 
Física Escolar e Esporte, Gestão do 
Esporte e Lazer; Educação Física Escolar; 
BNCC; Metodologias Ativas; Políticas 
Públicas; Elaboração de Projetos e 
Captação de Recursos. 
ILUSTRADOR
Carlus Campos
Artista visual que há mais de 30 anos é 
ilustrador do Jornal O POVO. Na produção 
de suas ilustrações, utiliza várias lingua-
gens como: desenho, pintura, aquarela, 
gravura e fotografia. Ao longo dos anos 
90, além de ganhar diversos prêmios com 
arte gráfica, fez incursões pelas artes 
plásticas participando de diversos Salões 
de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa 
considerável espaço em sua produção 
chegando a participar do coletivo IN-GRA-
FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas 
cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft.
GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA
Gestão Financeira de 
Recursos Públicos em 
Projetos Esportivos
Elisabete Laurindo de Souza 
Edegilson de Souza
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SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
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ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA 
DE RECURSOS NOS ÂMBITOS: 
MUNICIPAL, ESTADUAL E NACIONAL
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GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO 
ESPORTE NAS DISCIPLINAS 
CURRICULARES
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PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
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APRESENTAÇÃO
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Neste módulo, você entenderá a en-genharia do serviço público e quais os conhecimentos necessários 
para atuar de forma eficiente, além das 
funções básicas de quem assume a ges-
tão do esporte do ponto de vista das polí-
ticas governamentais. 
Conhecerá também as fontes de 
recursos públicos e as formas de cap-
tação externas.
Contudo, em primeiro lugar, será 
preciso pontuar que as três esferas go-
vernamentais, municipais, estaduais 
e federal, são regidas por um conjunto 
de legislação, como Leis, Decretos, 
Portarias, Instruções Normativas, entre 
outros documentos oficiais que regulam 
as ações dos governos. 
Para formular políticas públicas, fo-
mentar e apoiar projetos e ações que 
incorporem o esporte será preciso mui-
to conhecimento e envolvimento político 
para que, de fato, suas propostas entrem 
na agenda governamental.
Vamos entender um pouco mais de 
como isso funciona?
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Na atualidade, as políticas públicas e consequentemente a gestão des-sas políticas tende a seguir um cer-
to grau de profissionalismo, quando nas 
Fundações, Secretarias ou no Ministério 
já se conta com profissionais efetivos que 
podem dar continuidade as ações, pro-
gramas e projetos, mesmo com a troca 
das gestões dos governos. 
Essa é uma das maiores dificulda-
des da gestão pública: a descontinuidade 
das políticas estabelecidas pelos gover-
nantes, pois a cada ciclo político ocorrem 
mudanças dos cargos e cada gestor(a) 
quer modificar as ações conforme suas 
propostas de campanha.
Diante desse quadro, precisamos 
entender que nossas ações devem estar 
balizadas em demandas que atendam à 
sociedade e nas resoluções de problemas 
da coletividade, com foco nas oportunida-
des que poderemos oferecer às pessoas 
por meio do processo de gestão eficiente 
de um governo que se transforme em po-
lítica de estado. 
Nesse sentido, precisamos seguir 
algumas etapas necessárias à efetivação 
das políticas públicas para executar as 
ações planejadas. Observe a Figura 1 e 
planeje como irá realizá-la.
Monitoramento
Revisão das 
estratégias e ações
Problema,
Demanda ou
Oportunidade
Avaliação
Impactos e
Resultados
Execução
Planejamento
Figura 1: Ciclo de gestão do governo
Fonte: PRATES, 2014
CICLO DE POLITICAS PÚBLICAS
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA 
DE RECURSOS NOS ÂMBITOS: 
MUNICIPAL, ESTADUAL E 
NACIONAL
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 Îquais as possibilidades de envolvi-
mento com a comunidade?
Para ser gestor(a) do esporte, o per-
fil do profissional precisa corresponder a 
algumas demandas específicas, como (1) 
ter liderança (do saber); (2) competência 
(do fazer); (3) relacionamento e comuni-
cação; (4) força política (partidária e ou-
tras); (5) conhecer o papel do(a) gestor(a) 
e ser facilitador(a); e (6) organizar e des-
centralizar as ações. 
Alguns(as) têm capacidades inatas 
(criatividade, dinamismo, pró-atividade), 
mas um(a) gestor(a)/empreendedor(a) 
adquire as suas principais competências, 
know-how, experiência e contatos ao lon-
go dos anos. 
Você está pronto(a) para o 
desafio?
Lembre-se: não fazemos nada sozinho(a)! 
Após análise da Figura 1 e o levan-
tamento das ações, é importante você 
saber que, para todas elas, é necessário 
identificar qual será a fonte de recur-
sos financeiros, quem irá implementar e 
quais serão os beneficiários da ação. 
Destaco que ainda não faz parte da 
cultura política da maioria dos municí-
pios a discussão e priorização da área do 
esporte. Essa política pública ainda não é 
vista como uma possibilidade de promo-
ver a qualidade de vida para as pessoas, 
entretenimento, integração e desenvol-
vimento. Como consequência disso, há 
pouca receita destinada a essa área, ten-
do os gestores que captar recursos exter-
nos para poder implementar seus proje-
tos esportivos.
O grande desafio dos(as) gesto-
res(as) públicos é estabelecer o que fa-
zer e quando começar. Daí surgem os 
questionamentos: 
 Îquais são as ideias dos dirigentes es-
portivos? 
 Îcomo apresentar um projeto à munici-
palidade (prefeito, vereadores e comu-
nidade)? 
 Îquem deve liderar a construção dos 
planos, programas e estratégias? 
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É necessário manter uma estrutura ad-
ministrativa adequada ao bom funciona-
mento do trabalho, estabelecendo metas 
para quatro anos de mandato, com possi-
bilidades de implantar políticas que per-
maneçam como políticas de estado. 
Toda Política Pública Municipal de 
Esporte e Lazer deve se apresentar como 
um projeto à municipalidade, baseada 
nas demandas da população e serem ela-
boradas a partir de planos, programas, 
ações estrategicamente planejadas, e 
com possibilidades de envolvimento da 
comunidade. Neste sentido, o município 
tem um papel muito importante. 
Para começar, você pode pensar em 
algumas ações,como:
 ÎCriar ou manter o Conselho Municipal 
de Esporte;
 Î Instalar um fórum permanente de 
debate sobre o esporte;
 ÎCriar núcleos comunitários de atendi-
mento esportivo;
 Î Identificar parcerias com universida-
des, empresas e outras instituições de 
apoio, como Rotary, Lions, entre outras;
 ÎOportunizar profissionais nas praças 
para atender à população;
 ÎOrganizar ações esportivas nas quatro 
dimensões sociais do esporte: (1) Ren-
dimento, (2) Educacional, (3) de Forma-
ção e (4) Comunitário;
 ÎBuscar fontes de recursos para custe-
ar alguns projetos;
 ÎAmpliar e melhorar a infraestrutura 
esportiva do município ou do estado.
 ÎCriar Lei municipal para apoiar finan-
ceiramente projetos esportivos;
 ÎDivulgar todas as ações e prestar con-
tas aos envolvidos.
Para focar no tópico voltado à ad-
ministração financeira de recursos nos 
âmbitos municipais, estaduais e federal, 
destacamos o instrumento legal deno-
minado Dotação Orçamentária, que é a 
distribuição dos recursos arrecadados 
a partir dos impostos pagos pela popu-
lação. Trata-se do crédito previamente 
aprovado pelo Poder Legislativo, que se 
destina a suprir alguma demanda públi-
ca, nesse caso o esporte.
O instrumento legal que rege o con-
trole dos gastos da União, estados, Dis-
trito Federal e municípios é a Lei de 
Responsabilidade Fiscal (Lei Comple-
mentar nº 101/2000) que integra três 
instrumentos de planejamento previstos 
pela Constituição Federal de 1988: Plano 
Plurianual (PPA); Lei de Diretrizes Orça-
mentárias (LDO) e Lei dos Orçamentos 
Anuais (LOA), observados alguns itens:
 ÎSão obrigatórios para a União, para o 
Distrito Federal, para os estados e para 
todos os municípios.
 ÎO PPA apresenta as diretrizes, os ob-
jetivos e as metas físicas e financeiras 
para um período de quatro anos, que 
se inicia no segundo ano de mandato 
e vai até o primeiro ano de mandato 
do próximo governo.
 ÎO PPA é uma Lei aprovada pelo poder 
Legislativo, podendo receber emen-
das, desde que observadas as regras 
existentes.
 ÎLDO: Indica a direção dos gastos anuais 
que explicará as metas para cada ano.
 ÎLOA: Proverá recursos para a execu-
ção das ações necessárias ao alcance 
das metas.
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IMPORTANTE
O Plano Plurianial (PPA) é o 
principal documento produzido 
coletivamente, pois integra (1) as 
propostas dos governos expostas 
no período eleitoral, (2) as ações 
que estão em andamento, (3) o que 
se espera para o futuro e (4) o total de 
recursos previsto para quatro anos.
Fique atento aos prazos para 
elaboração do PPA
O documento deve ser enviado pelo poder 
Executivo ao Legislativo até o dia 31 de 
agosto do primeiro ano de mandato. Este 
prazo é obrigatório para a esfera federal, 
mas os municípios e os estados podem 
adotar prazos diferentes, desde que este-
ja definido na Constituição Estadual e na 
Lei Orgânica Municipal. 
Perceba que o primeiro ano de vigên-
cia do Plano Plurianual (PPA) municipal é 
iniciado no segundo ano de mandato do 
chefe do Executivo e encerra no primei-
ro ano subsequente. Por isso, deve ser 
elaborado com a visão clara de onde se 
pretende chegar e expressando a visão 
estratégica dos(as) gestores(as).  Deve 
conter desde a compra de uma bola, a 
contratação de um(a) professor(a) ou a 
construção de um ginásio.
Figura 2: Etapas para elaboração do Plano Plurianual (PPA).
Fonte: VILHENA, 2016.
DEFINIÇÃO DE 
PROGRAMAS
BASE ESTRATÉGICA
Proposta de 
Programas Setoriais
Validação e 
Consolidação pelo 
órgão central
PPA
Documento
Final
A Cidade: Situação atual x Futuro 
desejado
• Direção da mudança
• Papel do Governo
• Parcerias possíveis
Levantamento das ações setoriais
• Ações em andamento
• Propostas de novas ações
• Parcerias possíveis
Condicionantes do Planejamento
• Projeções das Receitas
• Restrições Legais
• Condicionantes das Despesas
Orientação
Estratégica 
do Governo
Definição dos
Macroobjetivos
Definição de
Recursos por
Órgão/Entidade
Orientação
Estratégica dos
Dirigentes dos
Órgãos/Entidades
Etapas para Elaboração do PPA
3) participar com o maior número de 
representantes do esporte e da socieda-
de, na elaboração e votação do PPA nas 
audiências públicas;
4) Além dos recursos previstos no 
PPA, buscar fontes de recursos externas 
para garantir que todas as ações sejam 
realizadas. 
Para você que pretende ser gestor(a) 
público(a), será preciso trilhar alguns passos:
1) inserir nos planos de governos dos 
candidatos (em campanha) as necessida-
des da sociedade relacionadas ao esporte;
2) conhecer os caminhos para aqui-
sição de recursos financeiros para execu-
tar as ações;
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POSSIBILIDADES DE 
RECURSOS FINANCEIROS 
PARA AS INSTITUIÇÕES 
ESPORTIVAS
Você observou que a gestão dos re-cursos financeiros para as institui-ções esportivas, sejam elas públicas 
ou privadas, seguem um trâmite legal? 
No caso das Fundações ou Secreta-
rias municipais ou estaduais, para além 
dos recursos públicos estabelecidos no 
PPA, também podem ocorrer as capta-
ções por meio de editais de empresas 
ou órgãos públicos, bem como pelas 
Leis de Incentivo ao Esporte, Emendas 
Parlamentares e de fontes internacio-
nais, como foram apresentadas anterior-
mente no módulo 11.
As Fundações ou Secretarias de Es-
porte podem captar recursos nas Secre-
tarias estaduais e também na União. As 
Secretarias estaduais também podem 
captar recursos na União e todas podem 
captar recursos nos editais de empre-
sas, sempre verificando o que estabele-
ce o edital.
Estão disponíveis também recursos 
dos Programas Nacionais, em 2023 sob o 
comando do Ministério do Esporte. Como 
vivemos um momento de transição, você 
precisa ficar atento às novas nomencla-
turas. Vou exemplificar alguns:
(a) Bolsa Atleta Nacional
É um incentivo aos(às) atletas de alto 
rendimento, especificamente para quem 
obtém bons resultados em competições 
nacionais ou internacionais. É importan-
te para o(a) gestor(a) público(a) incenti-
var os(as) atletas a se inscreverem, pois 
garantem os recursos mensais para se 
manterem. Além disso, os(as) atletas pre-
cisam manter-se treinando e competindo 
para alcançar bons resultados nas com-
petições classificatórias indicadas pelas 
respectivas confederações.
Segundo informações do Ministério 
da Cidadania (2023) as categorias “con-
vencionais” do Bolsa Atleta integram edi-
tal separado, que tem previsão de publi-
cação no início de 2023. Atualmente, há 
6.416 esportistas contemplados, entre as 
categorias Base (292), Estudantil (241), 
Nacional (4.792), Internacional (847) e 
Olímpica/Paralímpica (244). São 3.576 
homens (56%) e 2.840 mulheres (44%). Os 
repasses mensais variam entre R$ 370 e 
R$ 3.100, de acordo com a categoria.
Atualmente, 357 pessoas são bene-
ficiadas pela categoria “Pódio” do Bolsa 
Atleta, recebendo repasses mensais de 
R$ 5 mil a R$ 15 mil. São 199 atletas no 
masculino e 158 no feminino. Do grupo, 
195 exercem modalidades do programa 
paralímpico e 162 praticam modalidades 
olímpicas (Ministério da Cidadania, 2023).
(b) Programa Seleções 
do Futuro
Visa a incentivar, desenvolver e democra-
tizar o acesso à formação esportiva em 
futebol para crianças e adolescentes (6 
aos 17 anos), buscando garantir com qua-
lidade o direito constitucional ao esporte, 
por meio da implantação de núcleos de 
futebol de base, masculino e feminino, 
em todo o território nacional.
São compostos por grupos de 200 
beneficiados em atividades desenvolvi-
das no contraturno escolar. A cada bene-
ficiado será assegurada atividades com 
frequência mínima de 2 vezes na sema-
na, com no mínimo de 90 minutos diários 
e em dias alternados (total de 3h sema-
nais – 12h/aula/mês). O Programa for-
nece também equipamentos necessários 
para a prática desportiva, como camisa, 
calção, meião e chuteira.

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