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1 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros FARMACOLOGIA – Professor: Luciano Neves Aula 02: FARMACODINÂMICA A farmacocinética estuda o trajeto da droga desde sua introdução até a absorção, distribuição, redistribuição, metabolização e a eliminação do fármaco. A farmacocinética diz que o organismo pode modificar o efeito de um fármaco. Então a farmacocinética estuda as modificações que o organismo pode provocar ao efeito dos fármacos. A farmacodinâmica estuda as modificações que o fármaco vai provocar no organismo, ou seja, o mecanismo de ação das drogas. Como pode-se perceber, a farmacodinâmica é o inverso da farmacocinética, pois na farmacodinâmica, é a droga que vai modificar a ação de um determinado receptor ou enzimas do organismo, a fim de reverter uma patologia específica. A farmacodinâmica é a ação da droga. Como pode-se perceber, a farmacodinâmica é o inverso da farmacocinética, pois na farmacodinâmica, é a droga que vai modificar a ação de um determinado receptor ou enzima do organismo, a fim de reverter uma patologia específica. E a farmacocinética depende do nosso organismo. Todo local de ação de um medicamento é chamado de biofase. É a farmacodinâmica que possui um mecanismo de ação a fim de reverter uma patologia especifica. MARGEM DE SEGURAÇÃO TERAPÊUTICA (índice terapêutico) Definição: é o intervalo de concentração de um fármaco dentro do qual existe uma alta probabilidade de conseguir a eficácia terapêutica com toxicidade mínima na maioria dos pacientes. Tem uma dose efetiva mediana e uma dose mediana tóxica. Se aumentar a concentração da droga, pode entrar na dose tóxica mediana, podendo até mesmo matar o paciente. Isso é importante para quando for prescrever o medicamento, pois devemos saber se o medicamento se encontra no nível terapêutico, sub-terapêutico ou no nível tóxico. Nível terapêutico: o medicamento está fazendo efeito. Sub- terapêutico (abaixo do limiar terapêutico) não faz efeito. Acima do nível terapêutico já pode ser tóxico, chegando a ser potencialmente tóxico. Dose x Frequência posológica: O índice terapêutico pode ser amplo ou estreito. - Amplo: diferença entre a dose efetiva mínima e a dose tóxica mínima, está longe da dose tóxica. Ex.: Ibuprofeno é um anti-inflamatório, que suas doses normais podem variar 400 a 3.200 mg/dia, sem que haja diferença substancial no efeito ou na toxicidade. - Estreito: a dose efetiva está muito próxima da dose tóxica; nesses casos o conhecimento do perfil farmacocinético da droga é muito importante. Ex.: Teofilina, causa broncodilatação, (concentrações sanguíneas 10 - 20 g/ml); concentrações abaixo 10 g/ml não tem efeitos terapêuticos; 2 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros concentrações acima 20 g/ml já possui efeitos tóxicos graves (convulsões, arritmias e mesmo morte). FARMACODINÂMICA Estuda as modificações que o fármaco vai provocar no organismo, ou seja, o mecanismo de ação das drogas. Farmacodinâmica, é a droga que vai modificar a ação de um determinado receptor ou enzimas do organismo, a fim de reverter uma patologia específica. A droga tem que interagir com o receptor para ter uma resposta, só que para que isso ocorra, ela tem que ter afinidade pelo receptor. A afinidade da droga pelo receptor é chamada da Km. Na farmacodinâmica, temos uma droga agonista e uma droga antagonista, ambas devem ter afinidade pelo receptor para exercer sua ação. Receptores: “qualquer macromolécula celular que se liga aos fármacos e medeiam suas ações farmacológicas”. Os receptores podem estar localizados na membrana, no citoplasma ou no núcleo. Ex.: muitos antibióticos possuem ação no núcleo, assim como os corticoides (prednisolona – anti-inflamatório hormonal) agem no citoplasma; porém a grande maioria das drogas agem na membrana plasmática. Ex.: Atenolol: tem afinidade pelo receptor β₁. PA = DC x RVP DC = FC x VS O atenolol age no coração por ter afinidade pelo receptor β₁, ele age bloqueando o receptor β₁, ou seja, é um antagonista. Toda vez que a adrenalina atua em β₁, ativa a proteína Gs, que ativa a adenilato ciclase, aumentando o AMPc, causando uma taquicardia. O atenolol bloqueia o receptor β₁, impedindo a ação da adrenalina. Esse receptor está localizado na membrana. Ex.: Losartana potássica. A angiotensina II age em alguns receptores para liberar aldosterona, reabsorver sódio no túbulo contornado proximal, nos vasos, causando vasoconstrição. Então, toda vez que aumenta a angiotensina II, ela age no receptor AT1, aumentando a pressão arterial. A losartana tem afinidade por AT1, bloqueando esse receptor; é antagonista de AT1, reduz a pressão arterial. Ex.: Diclofenaco, ácido mefenâmico, ibuprofeno, piroxicam. Bloqueiam a COX 1 e a COX 2 (são duas enzimas). Existem medicamentos que são seletivos para COX 1, ou para COX 2, ou mais para um do que para o outro. Ex.: Diclofenaco bloqueia COX 1 e COX 2; celebra bloqueia apenas a COX 2; Meloxicam bloqueia mais COX 2 do que a COX 1. COX 2 que causa febre, gera dor, pois diminui o seu limiar e, participa do processo inflamatório. Ex.: Propranolol, bloqueia β₁ e β₂; β₁ bloqueado causa bradicardia; β₂ está no pulmão e causa broncodilatação, ao ser bloqueado vai causar uma broncoconstrição; por isso tem que tomar cuidado com pessoa hipertensa asmática, não pode usar o propranolol. 3 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Ex.: Tilex: paracetamol + codeína (derivado da morfina). Paracetamol bloqueia a COX; a codeína, bloqueia a dor no sistema portão, através do receptor Mu, ela age igual a encefalina, bloqueando a dor. Quando temos uma dor central ou neuropática, podemos usar a codeína. Ex.: Benzodiazepínicos: GABA é o mais importante neurotransmissor inibitório presente no nosso cérebro; o GABA age no receptor GABA abrindo o canal de cloro (negativo), que vai entrar, deixando a membrana mais hiper polarizada, dando mais sono; os benzodiazepínicos (clonazepam, diazepan, alprazolan) atuam no canal de GABA, pois afinidade pelo receptor do GABA, ou seja, aumentam a entrada de cloro. Ex.: Manitol: só existe por via IV. Em casos de edema cerebral (acúmulo de líquido no interstício cerebral), podemos administrar o manitol. Ao ser administrado, o manitol vai ser distribuído via corrente sanguínea pelo nosso corpo, chegando no cérebro. Ao passar na corrente sanguínea pelo cérebro, o manitol, puxa o líquido do interstício para dentro do vaso, diminuindo o edema cerebral. O manitol chega nos rins para ser eliminado, ao passar pelo túbulo contornado proximal, o sódio é reabsorvido, porém a água fica com o manitol dentro do túbulo, fazendo com que o paciente urine mais; ou seja, o manitol é um diurético osmótico. Obs.: o manitol não age em nenhum receptor! Ou seja, existem medicamentos que agem sem ação de receptor. Então, vimos que as drogas podem agir no núcleo, citoplasma e na membrana. Importância do Kd kd é a afinidade da droga para com o receptor. É a concentração de ligante (droga) em que 50% dos receptores disponíveis estão ocupados. Se a concentração da droga fosse 40, ela atingiria 50% dos receptores, então o kd seria maior, precisando de mais droga para interagir com 50% dos receptores. Se o kd for menor e já atingiu os 50%, maior é a afinidade da droga pelo receptor. Então, o ideal é que o kd seja pequeno. Quando junta esse complexo droga mais receptor temos um efeito farmacológico. QUANTIFICAÇÃO DA INTERAÇÃO DROGA – RECEPTOR O complexo droga – receptor terá um efeito farmacológico, tanto no agonista quando no antagonista. Ex.: um ligante endógeno, como por exemplo a adrenalina agindo em um receptor. A droga agonista tem que se parecer com a adrenalina, tendo um efeito interno na célula. Já a droga antagonista, bloqueia o receptor, não tendo efeito (atividade intrínseca). 4 Farmacologia P1 –Por Júlia Barros O efeito produzido dentro da célula é denominado de eficácia. EFICÁCIA (Emáx): é a resposta máxima produzida pelo agonista total. Atividade intrínseca (k): é uma constante matemática que representa a capacidade de uma droga em ativar um mecanismo de transdução; está relacionada com a EFICÁCIA de um agonista. POTÊNCIA (EC50): é a medida da quantidade do fármaco (dose) necessária para desencadear uma determinada resposta; está relacionado com a afinidade (kd). Quanto menor o kd maior é a potência da droga, pois quanto menor o kd, maior é a afinidade da droga pelo receptor. Aula 03: Agonistas e Antagonistas AGONISTAS Temos os agonistas parciais e os agonistas totais. A eficácia do agonista total é igual a 1; a do agonista parcial fica entre 0,1 a 1, mas não chega a 1. A eficácia é a resposta máxima produzida pelo agonista, que tem a ver com a atividade intrínseca da droga. Ex.: Adrenalina agindo em β₁: a adrenalina é um neurotransmissor endógeno com atividade intrínseca. Se dermos uma droga que age igual a adrenalina, com afinidade ao mesmo receptor, ela é agonista, causa uma alteração intrínseca igual a adrenalina: sua eficácia vai ser igual a 1. No gráfico ao lado, podemos observar o agonista total e o agonista parcial. A potência do agonista total é maior do que a potência do agonista parcial. Ex.: Fentanil e codeína são derivados da morfina, a via de administração da codeína é por VO e do fentanil por via EV; são usados em caso de dor forte. Paciente faz uso da codeína para dor por VO em casa, porém continua com dor e vai para o hospital tomar fentanil EV. A codeína age igual a encefalina no receptor Mu, diminuindo a dor, porem o fentanil também vai agir no receptor Mu, então a codeína atrapalha a ação do fentanil. A potência do fentanil é máxima, então para fazer efeito tem que tirar a codeína, para liberar o receptor. Codeína é agonista parcial e o fentanil é um agonista total. Então, temos o agonista pleno (total), parcial, o agonista inverso e o antagonista. 5 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros O agonista inverso é uma droga com alta afinidade para com o receptor inativado – Liga-se ao receptor, tem atividade intrínseca e têm efeito oposto ao do agonista. Diferente do antagonista, que ele não tem atividade intrínseca. Ex.: A histamina age em vários receptores, como H1 e H2. A loratadina bloqueia H1, gerando uma resposta desinflamatória no receptor H1, um agonista inverso como a Loratadina encaixa no receptor H1, produz resposta que acaba com a inflamação e também não permite que uma histamina se encaixe. Muitos medicamentos originalmente considerados apenas antagonistas, revelaram ser agonistas inversos. Ou seja, histamina e loratadina tem afinidade pelo mesmo receptor, com ações diferentes. ANTAGONISTA O antagonista tem que ter afinidade pelo receptor, porém ele não causa atividade intrínseca. Temos o antagonista competitivo e o não competitivo. O antagonista competitivo pode ser reversível e irreversível. Ex.: a adrenalina age em β₁; o atenolol bloqueia β₁; por bloquear o mesmo receptor da adrenalina ele vai ser um antagonista competitivo, por competir pelo mesmo receptor. Se não competir pelo mesmo receptor, é um antagonista não competitivo. Voltando um pouco, o agonista mais usado na prática clínica é o agonista total. Já o antagonista mais utilizado na área médica é o antagonista competitivo reversível. ANTAGONISTA NÃO COMPETITIVO Ex.: A adrenalina age em β₁ no coração, causando taquicardia. A acetilcolina age em M₂ no coração, causando bradicardia. Então, eu posso aumentar a adrenalina causando taquicardia, mas a acetilcolina, age em outro receptor não competitivo, não deixando a adrenalina agir muito, pois a acetilcolina causa bradicardia. O receptor do agonista é diferente do receptor do antagonista. No gráfico ao lado, observamos a curva log dose resposta, aonde o agonista está fazendo seu efeito máximo; se dermos um antagonista não competitivo, mesmo aumentando o nível do agonista, não chega ao efeito máximo, pois o antagonista não competitivo está agindo em outro receptor. ANTAGONISTA COMPETITIVO Os antagonistas competitivos irão competir pelo mesmo sítio de ligação. 6 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Antagonista competitivo reversível (gráfico A) A adrenalina é o agonista total, tem efeito máximo. Se usar a adrenalina junto com o atenolol, tem que aumentar a quantidade de adrenalina para conseguir chegar ao efeito máximo; pois o atenolol é um antagonista competitivo reversível, que ao aumentar o agonista, retira o antagonista reversível (libera o receptor). A magnitude do deslocamento da curva depende da concentração do antagonista e da afinidade do antagonista. Ex.: Ipatrópio (Atrovent) e o fenoterol (Berotec). A acetilcolina age em M3 no pulmão, causando broncoconstrição, é um agonista; já o ipatrópio bloqueia M3 no pulmão, causando broncodilatação, ou seja, é um antagonista competitivo; agora se tivermos muita acetilcolina, ela retira o ipatrópio, por ele ser um antagonista competitivo reversível. A adrenalina age em β₂, causando broncodilatação; então o fenoterol é um agonista adrenérgico, pois ele também age em β₂, causando broncodilatação; por isso que na nebulização utiliza-se atrovent + berotec. O fenoterol também age em β₁, aonde em doses mais elevadas, pode causar taquicardia. O ipatrópio em doses mais altas também pode bloquear M2 no coração, causando taquicardia. Antagonista Competitivo Irreversível Age no mesmo receptor do agonista, só que é um competitivo irreversível, ele bloqueia o receptor e não sai mais, mesmo aumentando a concentração do agonista. No gráfico, podemos observa o agonista com seu efeito máximo; ao aplicar uma dose x de antagonista competitivo irreversível, mesmo que aumente a dose do agonista, não aumenta a sua resposta; quanto mais aumentarmos a dose do antagonista irreversível, menor será o efeito do antagonista; então, o deslocamento da curva é para direita. Ex.: FEOCROMOCITOMA No sistema nervo autônomo, a adrenalina só pode ser produzida pela medula da glândula suprarrenal através das células de cromafins. Ocorre a formação da noradrenalina que se transforma em adrenalina por um processo de metilação, através da enzima feniletanolamina N- metiltransferase. A adrenalina é lançada na circulação sistêmica. O feocromocitoma é um tumor da célula de cromafins, esse tumor pode estar localizado na medula da glândula suprarrenal, no pulmão, no intestino; o paciente que tem feocromocitoma tem um aumento da produção de adrenalina, aumentando a pressão do paciente, esse paciente tem uma hipertensão maligna. Esse paciente tem que ser operado, mas antes tem que 7 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros diminuir a pressão do paciente. O medicamento utilizado é a FENOXIBENZAMINA, que é um antagonista competitivo irreversível do receptor α₁ e α₂, ela bloqueia esses receptores, causando vasodilatação, diminuindo a pressão arterial; ela impede a ação da adrenalina. Em resumo... Aula 04: FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO O sistema nervoso autônomo é dividido em simpático e parassimpático; o parassimpático é crânio-sacral e o simpático é toraco-lombar (de T1 até L3). Tanto o sistema nervoso simpático, quanto o parassimpático possuem a fibra pré ganglionar e pós ganglionar. No simpático a pré ganglionar é curta e a pós ganglionar é longa, elas se encontram no gânglio. No parassimpático a fibra pré ganglionar vai ser longa e a pós ganglionar curta. Ambas fibras liberam neurotransmissores. 8 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Sistema Nervoso Simpático: A fibra pré ganglionar libera acetilcolina; a fibra pós ganglionar libera noradrenalina e 7% dafibra pós ganglionar também libera acetilcolina. Então toda vez que tivermos uma descarga adrenérgica (descarga simpática) ocorre a liberação de noradrenalina e adrenalina; a adrenalina é produzida pelas células de cromafins presentes na medula da glândula suprarrenal. A fibra pré ganglionar vai até a medula da glândula suprarrenal, libera acetilcolina que vai estimular a medula a liberar adrenalina e noradrenalina para a circulação (80% adrenalina e 20% de noradrenalina). Sistema Nervoso Parassimpático: A fibra pré ganglionar libera acetilcolina, assim como a fibra pós ganglionar. Receptores nos órgãos efetores A adrenalina e a noradrenalina irão agir nos receptores α e β; a acetilcolina vai agir nos receptores muscarínicos e nicotínicos. Temos os receptores α₁ e α₂; β₁, β₂ e β₃; os muscarínicos são divididos em M1, M2, M3, M4 e M5; e os nicotínicos em muscular (N(m)) e neuronal (N(n)). O que temos que saber dessa aula? Neurotransmissor: adrenalina, noradrenalina e acetilcolina; Receptores; Mecanismo de ação. Toda vez que um desses neurotransmissores interagirem com esses receptores algum mecanismo de ação irá ocorrer dentro da célula: podem abrir ou fechar canais iônicos; podem ativar enzimas sinalizadoras; acoplar-se a proteína G; alterar o citoesqueleto da célula. SISTEMA NERVOSO PARASSIMPÁTICO O SNP é crânio-sacral. 75% do SNP está no nervo vago. “Eu sou o nervo vago de arrepiar, estou entre a carótida e a jugular, eu sou o nervo vago”! Até a parte superior do intestino, pelo sistema parassimpático, é inervada pelo nervo vago. Sinapse colinérgica 9 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Ocorre a liberação de acetilcolina, que irá interagir com o seu receptor e posteriormente será degradada pela acetilcolinesterase. Existem várias colinesterases, a acetilolinesterase se econtra no músculo esquelético na placa motora, ou seja, na placa motora do músculo esquelético também ocorre a liberação de acetilcolina. Quando a acetilcolina é degradada pela colinesterase ela é transformada em colina + acetato. O acetato vai para o ciclo do ácido cítrico (ciclo de Krebs) e a colina é recaptada para o interior do neurônio através de um co-transporte. A colina entra e vai se juntar com a acetil coenzima A, através da colina acetiltransferase, formando a acetilcolina que será transportada para dentro da vesicula sináptica. Tipos de receptores colinérgicos Temos os receptores muscarínicos e receptores nicotínicos. Muscarínicos é por causa do cogumelo, já o nicotínico é por causa do cigarro. A muscarina tem muita afinidade pelo mesmo receptor que recebe a acetilcolina; e o receptor da nicotina tem muito mais afinidade por esse receptor do que a acetilcolina, por isso é chamado de receptor nicotínico. M1: estômago e SNC. M2: localizado no CORAÇÃO: bradicardia. Aceticolina interage com M2 no coração, ativando a proteína Gi, inibindo a adenilato ciclase, diminuindo o AMPc, causando uma alteração dentro do coração, abre o canal de K⁺, ele sai e a membrana fica hiperpolariza durante o potencial auto excitável, diminuindo a contração, causando uma bradicardia;e também diminui a entrada de Ca⁺⁺, diminuindo a contração muscular cardíaca. M3: localizado na musculatura lisa e glândulas. Ex.: glândula sudorípara, intestino, bexiga, pulmão. Toda vez que a acetilcolina interage com M3, se for no músculo liso, aumenta a contração: 10 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros - Pulmão: broncoconstrição; - Intestino: aumento do movimento peristáltico; - Bexiga: contração da bexiga para urinar. - Exceção: toda vez que a acetilcolina interage com o endotélio, aumenta a liberação do óxido nítrico, que é um potente vasodilatador; - Gândulas: aumenta a secreção, como por exemplo, glândula sudorípara, aumenta a secreção de suor; glândula salivar, aumenta a secreção de saliva (sialorréia); glândula lacrimal, aumenta a secreção de lágrimas. M4 e M5: SNC. N(m): músculo esquelético: contração muscular. N(n): fibra pós ganglionar. A fibra pré ganglionar simpática e parassimpática liberam acetilcolina, que agem no neurônio pós ganglionar através do receptor N(n). SUBTIPOS DE RECEPTORES MUSCARÍNICOS 11 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros M1: a acetilcolina interage com M1, ativando a proteína Gq, que ativa a fosfolipase C, ativando o inositol trifosfato (IP₃) e o diacilglicerol (DAG); causando excitação e secreção de ácido clorídrico. Ex.: no estômago temos a bomba de prótons, que libera muito H⁺ pro estômago, pois este é ácido. Existem 3 fatores que controlam a bomba de prótons: gastrina, histamina e acetilcolina. A histamina é a principal. Todas as três aumentam a secreção de H⁺. se aumentarmos a liberação de acetilcolina no estômago, aumenta a liberação de H⁺, deixando o estômago mais ácido, podendo causar até mesmo uma úlcera. O estresse aumenta a liberação de acetilcolina no estômago, aumentando a acidez gástrica, levando a uma gastrite nervosa. M2: a acetilcolina interage com M2, ativando a proteína Gi, inibindo a adenilato ciclase, diminuindo o AMPc, diminuindo o Ca⁺⁺ intracelular para a contração muscular, aumentando a condutância do K⁺, causando uma hiperpolarização e inibição cardíaca. M3: a acetilcolina interage com a proteína Gq, ativando a fosfolipase C, ativando o IP₃ e o DAG, para aumentar a secreção e a contração; porém no músculo liso vascular, aumenta a produção do óxido nítrico, causando vasodilatação. AULA 05: AGONISTAS E ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS Os agonistas colinérgicos são dorgas que mimetizam (imitam) o efeito da ACETILCOLINA. Os antagonistas são dorgas que antagonizam (bloqueiam) os efeitos da acetilcolinas. Os agonistas colinérgicos podem ser diretos e indiretos; já os antagonistas colinérgicos são apenas diretos, eles vão bloquear os receptores da acetilcolina, muscarínicos ou nicotínicos. AGONISTAS COLINÉRGICOS São os fármacos parassimpaticomiméticos. O agonista direto age diretamente no receptor; os indiretos são agonistas que bloqueiam a colinesterase (enzima que degrada a colinesterase). Ao bloquear a colinesterase, aumenta a concentração de acetilcolina de forma indireta, aumentando sua ação. Então, os agonistas indiretos são os anticolinesterásicos e podem ser classifcados como reversíveis e irreversíveis. Principais Efeitos dos Agentes Muscarínicos ✓ Efeitos Cardiovasculares - redução da frequência cardíaca, diminuição do débito cardíaco (redução da força de contração do átrio); vasodilatação generalizada (mediada pela liberação do óxido nítrico); queda da pressão arterial; PA = DC x RVP DC = FC x VS ✓ Efeitos sobre a musculatura lisa - da contração do músculo liso do TGI (aumento do peristaltismo); contração da bexiga e dos brônquios; contração uterina. 12 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Ex.: Escopolamina (buscopam), paciente com cólica usa a escopolamina para bloquear M3, diminuindo a contração uterina; no pronto socorro se administra por via IV, deve aplicar devagar, paciente pode ter efeitos colaterais como midríase, vista embaçada. PROVA: discursiva, ação do antagonista M3, efeitos colaterais. Ex.: Paciente com retenção urinária é tratado com agonista colinérgico; paciente paraplégico não tem a inervação parassimpática chegando até a bexiga, o agonista colinérgico faz contração da bexiga, fazendo com que o paciente urine. Colinérgicos Diretos 1) Ésteres de colina: acetilcolina, metacolina, betanecol e carbacol; 2) Alcalóides: pilocarpina e muscarina. ACETILCOLINA A acetilcolina como medicamento tem em gotas, para o glaucoma, causando miose para poder fazer cirurgia; e também tem por via EV, porém ela é rapidamente degradada pela acetilcolinesterase. No sangue, temos a butirilcolinesterase, que é a pseudocolinesteraseplasmática, então assim que a acetilcolina cai na circulação ela é degrada. Ações da acetilcolina no sistema cardiovascular: diminui a frequência cardíaca, diminui o débito cardíaco, diminui a pressão arterial, aumenta o peristaltismo no TGI, no olho causa miose, nas vias respiratórias causa broncoconstrição. Seu uso clínico é limitado devido à sua curta duração de ação (por ter uma rápida degradação) e de efeitos potencialmente tóxicos. Se inibirmos a colinesterase a acetilcolina tem um grande efeito. BETANECOL (Liberan) Não é hidrolisado pela acetilcolinesterase. Tem mais ação muscarínica do que nicotínica. Vai agir no TGI (aumenta o peristaltismo, podendo causar até mesmo diarreia) e na bexiga (relaxa o trígono e o esfíncter) usado no tratamento de retenção urinária. PROVA (objetiva, medicamento usado para tratamento de retenção urinária) CARBACOL Não é hidrolisado pela acetilcolinesterase. Tem ações nicotínicas e muscarínicas. Raramente utilizado na terapêutica, exceto no tratamento do glaucoma, porém utiliza-se mais a pilocarpina. PILOCARPINA Uso oftálmico. Utilizada no tratamento do glaucoma. O quadro ao lado mostra que o carbacol, o betanecol e a pilocarpina não são degradados pela colinesterase. Os efeitos desses medicamentos podem ser antagonizados pela ATROPINA. 13 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Usos clínicos dos Agentes Muscarínicos ✓ Tratamento do glaucoma e Síndrome de Sjögren (síndrome seca: não tem saliva, não tem lágrima): utiliza-se a pilocarpina. A pilocarpina vai agir em M3, aumentando a secreção das glândulas. No glaucoma, ocorre um aumento do humor aquoso; o canal de Schelemn drena esse líquido; se esse canal estiver entupido, ocorre um acúmulo do humor aquoso na câmara anterior, causando o glaucoma e aumentando a pressão. A pilocarpina faz a miose, abrindo o canal de Schlemn, drenando o humor aquoso. A atropina piora o glaucoma por causar midríase, ela bloqueia a acetilcolina. ✓ Esvaziamento da bexiga no pós operatório e estimulador da motilidade gastrointestinal: Nesses casos utilizamos o betanecol. • GLAUCOMA Pilocarpina (ag. M₁ e M₃) (0,5 -4% efeito imediato, duração 4-8h). Inibidores da AChE possuem maior duração. • XEROSTOMIA (induzida por radiação ou Síndrome de Sjögren) Pilocarpina 5-10 mg VO 3xd, Betanecol (M₃) ou Cevimelina (ag. M₁ e M₃) • DISTENÇÃO ABDOMINAL PÓS-OPERATÓRIA E ATONIA GÁSTRICA Betanecol (10-20 mg VO 3-4xd) •ATONIA VESICAL (retenção urinária não obstrutiva) Betanecol (10-50 mg VO 2-4xd ou 2,5 mg SC) • MIOSE APÓS CIRURGIA (acetilcolina em solução oftálmica – Miochol-E) Efeitos adversos (muita acetilcolina) •Efeitos cardiovascular: bradicardia, hipotensão, rubor; •Cefaleia (vasodilatação dos leitos vasculares cerebrais); •Efeitos GI: náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal; MIOSE INDUZIDA PELA PILOCARPINA MIDRÍASE INDUZIDA PELA ATROPINA 14 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros •Bexiga: micção; •Olhos: miose e dificuldade de acomodação visual; •Glândulas: sudorese, salivação, lacrimejamento, secreção ácido gástrico; • Efeitos Neurológicos (pilocarpina): irritabilidade, ataxia, delírios, alucinação e convulsão. Ex.: intoxicação por pilocarpina, muscarina e cogumelo, vai ter muita liberação de acetilcolina. •Sintomas (30-60 min após a ingestão): salivação, lacrimejamento, náuseas, vômitos, cefaleia, distúrbios visuais, cólicas abdominais, diarreia, broncoespasmo, bradicardia, hipotensão e choque. •Efeitos Neurológicos: irritabilidade, ataxia, alucinação, delírio, sonolência e sedação intensa. Reversão da intoxicação: Primeiramente temos que fazer uma lavagem gástrica. Administrar sulfato de atropina, pois esta bloqueia o receptor muscarínico; adrenalina, pois esse paciente tem broncoconstrição e bradicardia, então temos que administrar adrenalina, que vai agir em β₁ causando taquicardia e vai agir em β₂ no pulmão causando broncodilatação. Colinérgicos Indiretos Reversíveis Os mais utilizados são o edrofrônio, neostigmina, fisostigmina e piridostigmina. A colinesterase degrada a acetilcolina, então toda vez que a colinesterase é boqueada aumenta a concentração de acetilcolina. Tipos de colinesterase: ✓Acetilcolinesterase: localizada na placa motora do músculo cardíaco, principalmente ligada à membrana - específica para ACh - responsável pela rápida hidrólise da Ach; ✓ Butirilcolinesterase e pseudocolinesterase plasmática: não seletiva; localizada no plasma e em muitos tecidos.Tipos de anticolinesterásicos: - Anticolinesterásicos reversíveis: Carbamatos: edrofônio, neostigmina, fisostigmina e piridostigmina; Inseticida Carbamato: Aldicarb (chumbinho). Fisostigmina: encontrado nas plantas. Penetra no SNC. Neostigmina: não penetra no SNC. Usada no tratamento da miastenia grave, pois sua atividade sobre a musculatura esquelética é mais intensa que a da fisostigmina. Piridostigmina: usada no tratamento crônico da miastenia grave. Edrofônio: ações similares às da neostigimina. - Anticolinesterásicos irreversíveis: 15 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Organofosforados: Ecotiopato* (Glaucoma), Diflos (inseticidas), Paration, Malation (inseticidas); pesticidas organoclorados: DDT, HCH, BHC, Aldrin -dieldrin Tabun – Sarin – Soman (gás dos nervos). Organofosforados e carbamatos são inseticidas comuns que inibem a atividade da colinesterase, causando manifestações muscarínicas agudas. Os organofosforados causam o envelhecimento da colinesterase e dificilmente consegue retirar o organofosforado da colinesterase; existe um medicamento chamado de PRALIDOXIMA, que é capaz de retirar o anticolinesterásico da colinesterase, caso essa enzima ainda não tenha envelhecido. A enzima demora de 1 a 2h para envelhecer. Os organofosforados são venenos, muito utilizado em plantações de tomates. Efeitos dos anticolinesterásicos: • Efeitos autônomos: bradicardia, hipotensão, secreções excessivas, broncoconstrição, hipermotilidade gastrointestinal, redução da pressão intraocular; • Ação neuromuscular: fasciculação muscular e aumento na tensão da contração espasmódica. TOXICIDADE COM Anti-AChE (anticolinesterásicos) O que as pessoas normalmente tomam com intenção suicida são os inseticidas agrícolas e os raticidas. A toxicidade desses anticolinesterásicos causam: - Olhos: miose, dor ocular, congestão conjuntival, redução da acomodação visual. - Trato respiratório: rinorreia, hiperemia, aumento das secreções, broncoconstrição; -TGI: anorexia, náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia; - Defecação e urinação; ereção peniana, hipotensão, bradicardia (intoxicação severa); - Glândulas: salivação, sudorese, lacrimejamento; - Ações nicotínicas: faciculações musculares → Paralisia muscular; - SNC: confusão, ataxia, fala arrastada, perda dos reflexos, depressão respiratória, convulsão, coma e paralisia respiratória. Causas de Morte: Depressão respiratória e/ou cardiovascular (coma). Para tratar esse paciente tem que bloquear os receptores de acetilcolina. TRATAMENTO DAS INTOXICAÇÕES COM ORGANOFOSFORADOS MEDIDAS DE SUPORTE: 1. Evitar ou reduzir a absorção: remover roupas contaminadas, lavar a pele exposta com água e sabão; lavagem gástrica se ingerido; 2. Respiração artificial se necessário; anticonvulsivante (5-10 mg IV) e tratamento do choque. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO: - A atropina antagoniza (1-4 mg IM ou IV; BPM = 100; 1-2 dias) a salivação, secreção brônquica, broncoconsticção, mas não influi na paralisia muscular esquelética, nem a respiratória. - A aplicação imediata da pralidoxima (1-2 g infusão lenta 30 min) regenera a enzima na periferia (não atravessa BHE), reduzindo o bloqueio da placa mioneural. INDICAÇÕES CLÍNICAS 16 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros • Atonia da musculatura lisa do TGI e da bexiga; • Reversão do bloqueioneuromuscular; • Intoxicação por drogas antagonistas muscarínicos (Atropina, antihistamínicos, antidepressivos tricíclicos e fenotiazídicos); • Miastenia Grave; • Glaucoma: facilita a drenagem do humor aquoso pela contração do músculo ciliar, abrindo a rede trabécular; • Doença de Alzheimer (Donepezil, Rivastigmina – Galantamina) – PROVA- caiu questão objetiva na minha prova, quais anticolinesterásicos são utilizados para retardar o Alzheimer. Na doença de Alzheimer bloqueamos a colinesterase no cérebro para aumentar a concentração de acetilcolina. O sono REM consolida a memória, no sono REM liberamos muita acetilcolina. Então, a acetilcolina é muito importante para a memória. • Miastenia grave: É uma doença auto imune que acomete a placa motora do músculo esquelético. Nessa placa motora, a acetilcolina é liberada e vai interagir com o receptor N(m), abrindo um canal que permite a entrada de Na⁺ e saída de K⁺, gerando o potencial da placa motora. Esse potencial da placa motora, tem que ter uma amplitude suficiente para gerar um potencial de ação no sarcolema, que vai invadir o túbulo T, que vai abrir o retículo sarcoplasmático dentro do músculo esquelético, pra liberar Ca⁺⁺, pra ir pro sarcômero, levando a contração muscular esquelética. O paciente com miastenia grave libera a acetilcolina na placa motora, mas ela não consegue interagir com o receptor N(m), tem um anticorpo que bloqueia esse receptor. 100 % dos receptores da placa motora são N(m), porém só é necessário interagir com 20% desses receptores para haver a contração. Então esse anticorpo interage com 50% desses receptores, permitindo que a placa motora ainda funcione, mas se interagir com 85%, a placa motora já não funciona mais. A miastenia grave começa no olho, na musculatura periorbital, e vai descendo; até que o paciente para de utilizar a musculatura esquelética, podendo vir a óbito por parada respiratória. Então, o primeiro sinal clínico é a ptose palpebral. Se um paciente chega com ptose palpebral tem que investigar se não é miastenia grave, usando um bloqueador da colinesterase para aumentar a acetilcolina (neostigmina). 17 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Quando aumenta a acetilcolina, o paciente abre o olho, aí o paciente olha pra cima, e, logo em seguida, cai de novo, significando que ele tem miastenia grave. 18 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros FARMACOLOGIA – Professor: Rossy Bastos Aula 04: AGONISTAS ADRENÉRGICOS Sistema Nervoso Autônomo Simpático TRANSMISSÃO NORADRENÉRGICA A terminação nervosa adrenérgica é composta por um nervo pré sináptico e um nervo pós sináptico; a fibra pré sináptica libera neurotransmissores (adrenalina / noradrenalina) que irão agir na fibra pós sináptica; desencadeando uma resposta. A noradrenalina é produzida a partir da tirosina; sua síntese depende de várias enzimas, assim como sua degradação. A partir do momento que a adrenalina é liberada na fenda sináptica, ela pode interagir com seus receptores. Existem os receptores pré sinápticos e os receptores pós sinápticos. Os receptores pré sinápticos são representados pelo α₂, e, normalmente são reguladores de maior ou menor liberação de adrenalina / noradrenalina; já os receptores prós sinápticos, são normalmente excitatórios e são representados pelos demais receptores da família α e β. A MAO e a COMT são enzimas que degradam a adrenalina / noradrenalina que estão a mais tempo na fenda sináptica. A noradrenalina quando é liberada na fenda, ela atua nos receptores excitatórios, atua nos receptores inibitórios e depois ela é recaptada, voltando pra dentro da vesícula sináptica, para depois ser novamente liberada. Receptores nos órgãos efetores Os receptores adrenérgicos, que possuem afinidade pela adrenalina e noradrenalina são: α₁, α₂, β₁, β₂ e β₃. Esses receptores se ligam à proteína G, ativando segundos mensageiros para que se tenha uma resposta intrínseca celular. Cada receptor está localizado em um determinado órgão. α₁ é um receptor pós sináptico excitatório, ele estimula a condução da terminação nervosa. α₂ é pré sináptico, regulador, ele inibe a condução do nervo pós sináptico. 19 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros AGONISTAS ADRENÉRGICOS Quando a adrenalina / noradrenalina interage com α₁ nos vasos sanguíneos, promove vasoconstrição; contração da bexiga; no fígado promove glicogenólise (formação de glicose por outras vias); no intestino promove o relaxamento da musculatura lisa; e no coração, aumenta a contratilidade do músculo cardíaco. Quando a adrenalina / noradrenalina interage com α₂ no pâncreas, diminui a secreção de insulina, diminui a agregação plaquetária, diminui a liberação de noradrenalina nas terminações nervosas, tende a fazer um relaxamento da musculatura lisa, pois diminui a liberação de noradrenalina; inibe a atividade simpática geral, inclusive dentro do SNC. Quando a adrenalina / noradrenalina interage com o receptor β₁ promove aumento da contratilidade cardíaca, aumento da frequência cardíaca, relaxamento da musculatura lisa e aumento da secreção de renina. Quando a adrenalina / noradrenalina interage com o receptor β₂ promove o relaxamento da musculatura lisa, broncodilatação, glicogenólise e relaxamento da bexiga. ADRENALINA / NORADRENALINA / ISOPROTERENOL Receptor 1 A NA >> Iso No receptor α₁, a adrenalina age muito mais do que a noradrenalina, que age muito mais do que o isoproterenol. Receptor 2 A NA >> Iso No receptor α₂, a adrenalina tem maior ação do que a noradrenalina, e, maior que o isoproterenol. Receptor 1 Iso > A= NA No receptor β₁, o isoproterenol tem maior ação que a adrenalina, que é igual a noradrenalina. Receptor 2 Iso > A >> NA No receptor β₂, o isoproterenol tem maior ação que a adrenalina, que te maior ação que a noradrenalina. É importante saber quais os fármacos vão agir mais em cada receptor, para saber qual usar em determinadas situações, como por exemplo em uma parada cardíaca usa-se principalmente a adrenalina. PROVA: caiu objetiva. Respostas dos diversos órgãos efetores à estimulação adrenérgica Em cada órgão, esses neurotransmissores irão exercer uma função. 20 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Olho: midríase; Coração: aumento da frequência cardíaca; Vasos sanguíneos: vasoconstrição. Estômago: contração dos esfíncteres, inibição da secreção e redução da motilidade; Fígado: glicogenólise por α₁ e gliconeogênese por β₂. Função dos receptores adrenérgicos A noradrenalina atua de maneira igual em α₁ e α₂, porém atua mais em β₁ do que em β₂. Ou seja, paciente que teve alguma parada cardíaca por exemplo, é interessante deixar em bomba de infusão com noradrenalina, para melhorar a perfusão dos órgãos. No coração tem principalmente β₁, que aumenta a frequência, contratilidade e velocidade de condução, aumentando a fração de ejeção. No pulmão tem receptores β₂ e α₁. β₂ quando estimulado faz broncodilatação e diminuem a secreção. Ex.: fenoterol: é um agonista β₂. 21 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Nos vasos sanguíneos, tem principalmente α₁ e α₂ que causa vasoconstrição. O isoproterenol quase não se tem mais para uso, diferente da adrenalina e noradrenalina. Em situações de anafilaxia, o uso de agonistas é muito importante, pois temos uma vasodilatação, diminuição da resistência vascular periférica e diminuição da pressão arterial. Normalmente utiliza-se a adrenalina. α₁: vasoconstrição, aumento da resistência vascular periférica, aumentando a pressão arterial, contração dos esfíncteres e midríase; α₂: diminui a liberação de noradrenalina e diminui a liberação de insulina; β₁: taquicardia, aumento do débito cardíaco, lipólise e aumento da secreção de renina;β₂: vasodilatação, aumento da resistência vascular periférica, broncodilatação, relaxamento da musculatura uterina e aumento da liberação de insulina. Ex.: Propanolol é uma antagonista de β, ele bloqueia o receptor β, impedindo a ação da noradrenalina; diminuindo a frequência cardíaca e controlando a pressão arterial. Renina estimula a aldosterona, que retem eletrólitos, puxando liquido para dentro do vaso, aumentando a volemia e a pressão arterial. Os β bloqueadores então, diminuem a secreção de renina, ajudando no controle da pressão arterial. Pacientes asmáticos fazem broncoconstrição, então damos um agonista adrenérgico β₂, pois assim terá um relaxamento da musculatura lisa, fazendo broncodilatação. Paciente asmático e hipertenso, que faz uso de atenolol; não adianta dar um agonista de β, pois o atenolol é um antagonista de β. O receptor vai estar bloqueado. AGONISTAS ADRENÉRGICOS Os agonistas podem atuar diretamente no receptor de maneira seletiva ou de maneira não seletiva; podem ter ação mista, atuar tanto em α, quanto em β; e também podem ter ação indireta, inibindo a ação do neurotransmissor através da inibição da enzima que degrada a noradrenalina ou através da inibição da recaptação. Ex. de medicamentos: - Ação direta seletivos: Fenoterol, terbutalina, salbutamol: atuam em β₂; Teoricamente são seletivos, mas podem ter como efeito colateral taquicardia. Dobutamina: seletivo para β₁; 22 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Muito utilizado para manter a contratilidade cardíaca em pacientes no CTI, pode estar associado a noradrenalina em infusão lenta. Clonidina: seletivo para α₂; Paciente hipertenso que já faz uso de β bloqueador, de inibidor de ECA, diurético, que não melhora, é interessante inibir a liberação de noradrenalina com o uso da clonidina, pois α₂ é inibitório. Fenilefrina: seletivo para α₁; Nariz entupido ocorre por excesso de vasodilatação do vaso, o ideal é vasocontrair para melhorar. - Ação mista: Efedrina Ajuda no desentupimento nasal, pacientes com rinite por atuar em α₁; dá taquicardia por atuar também em β₁. Cada agonista tem uma afinidade maior ou menor pelos receptores conforme podemos observar na tabela ao lado. A dopamina também é um neurotransmissor que atua nos receptores dopaminérgicos, que interagem com receptores adrenérgicos. É uma boa medicação por também atuar em β; pacientes que não estão respondendo muito bem a dobutamina, pode-se associar com a dopamina para manter uma cabeça de pressão no rim, melhorando a perfusão renal. A farmacocinética desses medicamentos desses medicamentos é muito variada, podem ser administrados via spray, oral, inalatória, IM, SC; são medicamentos com boa absorção e distribuição; alguns passam pela barreira hematoencefálica e outros não; possuem metabolização hepática e também na própria fenda sináptica através da MAO e da COMT; são eliminados predominantemente por via renal. EFEITOS DA INFUSÃO INTARVENOSA DE ADRENALINA, NORADRENALINA E ISOPROTERENOL (FC-PA-RVPT) PROVA: cai questão discursiva com o gráfico para explicar Esses medicamentos fazem um controle mais fino da frequência cardíaca, da pressão arterial e da resistência vascular periférica, tendo que ser muito bem controlados quando administrados. Apesar da adrenalina, da noradrenalina e do isoproterenol serem agonistas adrenérgicos, eles atuam de maneira diferente. 23 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros No gráfico, podemos observar a ação de cada medicamento. - Adrenalina: paciente com parada cardíaca, sempre usaremos a adrenalina, pois esta atua muito em receptor α e, principalmente, β₁: β1 = β2 >> α Por ter ação em β₂, a adrenalina faz vasodilatação periférica, diminuindo a RVP; por ter ação em β₁, aumenta a frequência cardíaca; já a PA desse paciente vai estar com a pressão diastólica um pouco diminuída e a sistólica aumentada. - Noradrenalina: aumenta muito a PA do paciente por atuar muito mais em β₁ do quem em β₂; aumenta tanto que ativa os barorreceptores que reconhecem o aumento dessa pressão, fazendo com que ocorra uma descarga colinérgica, diminuindo a frequência cardíaca; a RVP fica aumentada por causa da ação em α. α1 = α2; β1>> β2 Obs.: Caiu na prova discursiva para explicar a ação da noradrenalina, relacionada com PA, FC e RVP, tinha que falar dos barorreceptores. - Isoproterenol: por atuar em β₁, tem aumento da frequência cardíaca; mas na periferia faz vasodilatação, diminuindo a pressão arterial diastólica e aumentando muito pouco a pressão sistólica. Não é muito utilizado, pois não mantem uma boa pressão arterial. β1 = β2>>>> α ADRENALINA A adrenalina pode ser administrada em baixas doses ou em altas doses, pois de acordo com a sua dose ela estimula diferentes receptores. Em baixas doses, que utilizamos em pacientes com falência cardíaca para manter uma frequência, diminui a pressão arterial e aumenta a ação em β₂. Em altas doses, que utilizamos em casos de parada cardíaca, anafilaxia, por exemplo, tem aumento da pressão arterial. A adrenalina vai ter uma ação inotrópica positiva, cronotrópica positiva, então aumenta a contratilidade, aumenta o débito cardíaco, a frequência cardíaca, a velocidade de condução. Faz vasoconstrição periférica, aumentando a RVP, oferecendo mais sangue pra circulação. Em doses mais elevadas faz vasoconstrição arteriolar. Indicações clínicas da adrenalina: Parada cardíaca; Choque anafilático (adrenalina IV); Associada aos anestésicos locais: para fazer vasoconstrição, diminuindo o sangramento e aumentando o efeito do anestésico, pois ele ficará mais tempo no local; Asma (adrenalina sc; agonistas β2-adrenérgicos) Restaurar o rítmo cardíaco na Falência cardíaca. Farmacocinética: Administração: parenteral – rápido início de ação e curta duração; 24 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Biotransformação: MAO e COMT. NORADRENALINA Farmacocinética: Administração: parenteral – rápido início de ação e curta duração, por isso deve ser administrada em uma bomba de infusão; Biotransformação: MAO e COMT. Efeitos cardiovasculares: Aumento da resistência vascular periférica; Aumento da pressão arterial sistólica e diastólica; Diminui um pouco a frequência cardíaca. Efeitos adversos (semelhantes à adrenalina): Elevação da pressão; Bradicardia reflexa; Hiperglicemia; Aumento do consumo de O2 – Angina e Arritmia; Tremores; Ansiedade, insônia, agitação, cefaleia; Hemorragias cerebrais por aumento da pressão. Indicações clínicas: Hipotensão; Choque. Em uma parada cardíaca, quando utilizamos adrenalina ou noradrenalina, aumentamos muito o consumo de oxigênio do músculo cardíaco; após o infarto agudo do miocárdio é interessante fazer uma baixa dose de β bloqueador para o paciente pra diminuir o consumo do oxigênio. DOPAMINA Age nos receptores dopaminérgicos e adrenérgicos. Farmacocinética: Administração: Infusão IV (2,5 – 10 μg/Kg); Rápido início de ação e curta duração; Biotransformação: MAO e COMT Indicação clínica: No tratamento da falência cardíaca, principalmente no paciente com insuficiência renal e resistência vascular periférica normal a baixa; pois ela faz uma cabeça de pressão, melhorando a perfusão renal; Choque cardiogênico – aumenta o débito cardíaco e a função renal. Normalmente utilizamos a dopamina em baixas doses. 25 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros AGONISTAS DOS RECEPTORES β-ADRENÉRGICOS DOBUTAMINA (Dobutrex®) Farmacocinética: Administração: Infusão IV (2,5 – 10 μg/Kg); Rápido início de ação e curta duração Biotransformação: MAO e COMT Indicação clínica: Para aumentar o débito cardíaco na falência cardíaca descompensada resultante de cirurgiascardíacas, ou em pacientes com FCC ou infarto agudo do miocárdio; pois atua de uma maneira mista. Em relação aos agonistas β₁, podemos ter um efeito inibitório ou estimulatório; mas sempre tendendo para o aumento. A dobutamina só fazemos quando os pacientes não estão tendo efeito com noradrenalina e adrenalina. AGONISTAS SELETIVOS DOS RECEPTORES β₂-ADRENÉRGICOS: metaproterenol, terbutalina, albuterol, ritodrina, etc. AGONISTAS β₂ SELETIVOS Na maioria das vezes não são totalmente seletivos, mas alguns são mais seletivos; então, são medicamentos que fazem broncodilatação, mas também irão fazer um aumento da frequência cardíaca. Os broncodilatadores de dividem em dois grandes grupos: longa duração e curta duração. Os de curta duração, se ligam aos receptores de maneira mais externa, ele rapidamente é metabolizado, por isso seu efeito é rápido e de curta duração, logo depois temos que fazer outra dose; já os de longa ação, encaixam no receptor na sua parte externa e transmembraníca, ele é mais lipossolúvel, encaixa perfeitamente no receptor, ficando mais tempo acoplado no receptor, tendo um efeito mais prolongado, e consequentemente são mais seletivos, evitando os efeitos colaterais; ele não se desprende para se acoplar no outro receptor e causar taquicardia. Vias de Administração: Via inalatória ou oral, IV; hoje em dia quase não se utiliza a VO e IV. Indicação clínica: Asma brônquica; Prolongar a gestação: pois o receptor β₂ no músculo uterino provoca o relaxamento, impedindo o trabalho de parto prematuro. Efeitos adversos: Resultantes da estimulação β excessiva Tremor (comum); Fadiga, ansiedade; Taquicardia (comum na via oral); Tolerância com o uso contínuo (Down regulation); 26 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros oral: hiperglicemia, ↑[AGs]p, hipocalemia. AGONISTAS SELETIVOS DOS RECEPTORES α1-ADRENÉRGICOS Na maioria das vezes, são utilizados como descongestionante nasal ou midriático para exame de fundo de olho; ou em pacientes hipotensos (toda vez que levanta fica tonto); pois irão atuar em α₁ e em α₂, aumentando a resistência vascular periférica e aumentando discretamente o aumento da FC; mantendo então PA e RVP aumentadas. AGONISTAS SELETIVOS DOS RECEPTORES α2-ADRENÉRGICOS São predominantemente inibitórios, então são muito utilizados para inibir a liberação de noradrenalina na fenda, como em casos de hipertensão maligna utilizamos a clonidina por exemplo. Outros agentes simpaticomiméticos: ANFETAMINA E METANFETAMINA, EFEDRINA ANFETAMINA E DERIVADOS Mecanismo de ação: Potente estimulante do SNC; Liberação de NE e dopamina. Efeitos da anfetamina: Sistema cardiovascular: ↑ Pressão arterial – bradicardia reflexa; Bexiga e esfíncter: retenção urinária; Efeitos metabólicos: aumento da glicogenólise e lipólise; SNC: ↑alerta, reduz a fadiga e o sono; Estimula o centro respiratório: ↑frequência respiratória; ↓Apetite; ↑humor, iniciativa, autoconfiança, concentração; Ansiedade, cefaleia; Delírios, alucinações; Tolerância e Dependência. Efeitos adversos: Ansiedade, cansaço, tremor, irritabilidade, insônia; Taquicardia, hipertensão, arritmias; Confusão mental, agressividade, delírio, alucinações, tendências suicidas e homicidas. 27 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros EDEFRINA Mecanismo de ação: Simpaticomimético de ação mista; atuam como agonista α e β, aumentando a liberação de noradrenalina. Efeitos farmacológicos: Sistema cardiovascular: ↑frequência cardíaca; ↑ débito cardíaco; Vasoconstricção; ↑ Pressão arterial; Pulmão: broncodilatação; SNC: ↑alerta, reduz a fadiga e o sono; Aumenta o desempenho atlético, pode cair no doping. Obs.: Pseudoefedrina possui menos efeitos centrais e cardiovasculares. Usos clínicos: Descongestionante nasal; Estimulante do SNC na narcolepsia; No tratamento da hipotensão. Efeitos adversos: Hipertensão, taquicardia; Insônia. USOS TERAPÊUTICOS DOS FÁRMACOS SIMPATICOMIMÉTICOS A. Na Emergência Hipotensiva para preservar o fluxo sanguíneo cerebral e coronariano: Ex. hemorragias graves; lesão da medula ou resultante da overdose com anti-hipertensivos ou depressores do SNC. ⇒ Agonistas α de ação direta: noradrenalina, fenilefrina e metoxamina. B. Choque cardiogênico para aumentar o débito cardíaco e melhorar a perfusão dos tecidos vitais (cerebral, coronariana e renal): ⇒ Agentes inotrópicos positivos: Dopamina; Dobutamina; Adrenalina. C. Parada cardíaca: ⇒Adrenalina; dobutamina. D. Hipertensão: ⇒ Agonistas α2-adrenérgicos: Clonidina. E. No Choque anafilático para reverter o broncoespasmo, a congestão da mucosa, angioedema e hipotensão grave: ⇒ Adrenalina + Glicocorticoides (os anti-histamínicos podem ser úteis como terapia secundária). F. Na Asma brônquica para reverter o broncoespasmo e reduzir as secreções: ⇒ Agonistas β2-seletivos, Adrenalina e isoproterenol. G. Como Descongestionante nasal: ⇒ Efedrina, Fenilefrina. H. Associados aos Anestésicos Locais: ⇒ Adrenalina. 28 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros I. Redução do peso: ⇒ Anfetamina e Derivados com efeitos adrenérgicos e serotoninérgicos (metanfetamina, dextroanfetamina, fentermina, benzfetamina, fendimetrazina, fenmetrazina, dietilpopiona, mazindol, fenilpropanolamina e silbutramina). J. Aplicações oftálmicas: ⇒ Como agente midriático para facilitar o exame de retina: fenilefrina; ⇒ Tratamento do Glaucoma: aproclonidina, brimonidina; K. Na Narcolepsia para reduzir a hipersonia: ⇒ Anfetamina e Derivados (alternativa Antidepressivos tricíclicos e inibidores da MAO). L. No Distúrbio de Hiperatividade com Déficit de Atenção para o controle da atenção no córtex cerebral: ⇒ Dextroanfetamina; metilfenidato. TOXICIDADE: EFEITOS CARDIOVASCULARES: Elevação acentuada da Pressão; Aumento do trabalho cardíaco – isquemia e insuficiência cardíaca; Taquicardia sinusal e arritmias graves. EFEITOS NO SNC: (Anfetamina e derivados lipossolúveis) Agitação, tremor, insônia, ansiedade; Estado paranóide, alucinações e delírios; Dependência e Tolerância; Cocaína: convulsão, hemorragia cerebral, arritmias e infarto. 29 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Aula 05: ANTAGONISTAS ADRENÉRGICOS FÁRMACOS SIMPATICOLÍTICOS (ANTAGONISTAS ADRENÉRGICOS) Um fármaco simpaticolítico ele interrompe a ação simpática. Existem algumas categorias desses antagonistas, conforme descrito no quadro abaixo: Bloqueadores α-Adrenérgicos: classificação e mecanismo de ação Antagonistas não seletivos: atuam em mais de um receptor ao mesmo tempo. Haloalquilaminas: Fenoxibenzamina (α1= α₂) Imidazolinas: Fentolamina (α1= α₂) Talazolina (α2 > α1) Antagonistas seletivos α1: PRAZOSIN (mais usado). Indoramina Doxazosin Terazosin Tamsulosina (α1A> α1B) Antagonistas seletivos α2: vai ter um efeito estimulatório, pois está inibindo um receptor inibitório. Ioimbina Derivados da Ergot: Ergotamina, dihidroergotamina. Efeitos Cardiovasculares Antagonistas α adrenérgicos Ao bloquear α₁ promove uma vasodilatação arterial e uma vasodilatação venosa. Lembrar que α₁ está localizado nos vasos sanguíneos e quando estimulado pelo sistema simpático promove vasoconstrição, aumentando a resistência vascular periférica, tendo um aumento da pressão arterial. Então, ao antagonizar esse receptor, o contrário ocorre, tendo uma vasoconstrição, tendo uma diminuição da resistência vascular periférica e queda da pressão arterial. Porém, se essa pressão arterial diminuir muito, pode ocorrer uma atividade simpática reflexa levando a uma taquicardia, aumentando um pouco o débito cardíaco. Mas de uma maneira geral, o mecanismo é a vasodilatação com a queda da pressão arterial. Antagonistas seletivos α₁ Quando temos uma ação seletiva, nãoocorre a taquicardia reflexa, então, teremos apenas a vasodilatação, diminuição da resistência vascular periférica e queda da pressão arterial. Curta duração Antagonista irreversível Competitivos reversíveis Longa duração 30 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros São medicamentos utilizados para controle da pressão arterial, por ter ação seletiva em α₁. Indicações clínicas: Hipertensão arterial sistêmica: antagonista α1 seletivos; Hipertensão maligna, Feocromocitoma: Fenoxibenzamina + Bloqueador β; Disfunção sexual: aumenta a vascularização do corpo cavernoso; Fentolamina + Papaverina; Hiperplasia Benigna Prostática (HBP): Bloqueia α1, principalmente a Tamsulozin. Hiperplasia Prostática Benigna Quando a noradrenalina atua em α₁, ocorre a contração do músculo da bexiga, da cápsula prostática e da uretra, o que dificulta o fluxo urinário, é como se fosse uma obstrução; ao usar um antagonista de α₁, promove o relaxamento da musculatura do trígono vesical, facilitando o fluxo urinário. O mais utilizado é o tansulosin. TAMSULOSIN Atua principalmente em α₁A, que é especifico da próstata, já o α₁B é vascular; então, para diminuir os efeitos colaterais sistêmicos utilizamos o tansulosin. Efeitos adversos dos Bloqueadores α Bloqueadores β adrenérgicos Agonistas β₁ no coração, promovem o aumento da frequência cardíaca e da força de contração; no pulmão faz broncodilatação. Ao utilizar o antagonista, haverá diminuição da frequência cardíaca e da força de contração e broncoconstrição pulmonar. Os β bloqueadores podem ser: 31 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros - Seletivos: atingindo principalmente β₁ no coração; são os mais utilizados, podem ser utilizado em pacientes com asma e DPOC, mas tem que tomar um pouco de cuidado; - Não seletivos: atuando em β₁ e em β₂; são contra indicados nos pacientes com DPOC e asma; - Antagonista β seletivo + antagonista α₁: utilizados em pacientes com taquicardia e hipertensão arterial; possuem uma boa ação na periferia, controlando a resistência vascular periférica e também atuam no controle da frequência cardíaca; - Antagonistas β₁ + agonista β₂: ex.: celiprolol é um agonista β₂ e antagonista β₁ sendo uma boa indicação para paciente asmático e hipertenso, pois ao estimular β₂ promove broncodilatação e ao ser antagonista de β₁, controla a frequência cardíaca. Alguns são mais lipossolúveis, tendo maiores efeitos no SNC, e outros menos lipossolúveis, sendo mais seguros por não terem efeitos centrais. Todos possuem metabolização hepática e eliminação renal e por fezes. Alguns β bloqueadores são chamados de antagonistas competitivos ou antagonistas parciais, podendo ter mais ou menos efeito de acordo com sua capacidade de ligação com o receptor. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS dos bloqueadores Quando o fármaco não é seletivo ele atua bloqueando tanto β₁ quanto β₂. Ao antagonizar, β₂ faz vasoconstrição periférica e ao antagonizar β₁ diminui a frequência cardíaca, diminuindo a contratilidade e o débito cardíaco. Então, como tem uma vasoconstrição periférica, aumenta um pouco o débito controlando um pouco a pressão; porém não há muito receptor na periferia, sendo assim, o efeito é principalmente no coração. Efeitos anti-hipertensivos diretos: quando bloqueado, o β₁ diminui a FC e o DC, diminuindo a pressão arterial. Efeitos anti-hipertensivos indiretos: no rim, ocorre a diminuição da produção de renina, diminuindo a ação da angiotensina II, que vai diminuir a produção de aldosterona, diminuindo a retenção de sódio e água, diminuindo o débito cardíaco; consequentemente ocorre uma melhora da pressão arterial. Larbetolol e carbedilol fazem vasodilatação, podendo controlar a frequência cardíaca e, atuam no receptor α₁. O celiprolol é um antagonista de β₁ e agonista β₂, promovendo vasodilatação, sendo indicado para o tratamento do 32 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros paciente asmático. O proponolol é um medicamento não seletivo, atua bloqueando tanto em β₁ quanto em β₂, sendo um problema para os pacientes asmáticos, pois seu controle brônquico será prejudicado. Os agonistas adrenérgicos aumentam a glicose e a energia, por atuar em β₂, podendo aumentar também a lipólise, por atuar em β₃. Ao antagonizar esses receptores, diminui a glicogenólise e a secreção de glucagon, diminuindo a mobilização da glicose; por isso tem que tomar cuidado com o uso desses medicamentos em pacientes que fazem uso de insulina, pois pode levar a hipoglicemia. Também pode haver o aumento de lipoproteínas que carreiam o colesterol e consequentemente pode provocar dislipidemia; pode aumentar os triglicerídeos e diminuir o HDL. Indicações clínicas: Sistema Cardiovascular: Hipertensão arterial sistêmica; Angina estável (para diminuir o consumo de O2): diminui a frequência cardíaca, diminuindo o consumo de oxigênio do músculo cardíaco, evitando o processo de angina; Arritmias cardíacas; Infarto do miocárdio; Falência cardíaca leve a moderada: carvedilol. Benefícios dos β-bloqueadores pós infarto agudo do miocárdio Efeito protetor sobre o miocárdio: Previne a recorrência de IAM; Reduz o tamanho da área infartada e acelera a recuperação; Reduz a incidência de morte súbita por arritmias pós- IAM. Utiliza-se um β bloqueador na fase inicial e crônica pós infarto, para diminuir o trabalho cardíaco, diminuindo a possibilidade de ter uma arritmia, tendo um efeito protetor para o miocárdio. Outras Indicações Clínicas: Glaucoma: propranolol ou timolol: diminuem a secreção humor aquoso, diminuindo a pressão intraocular; Hipertireoidismo: propranolol: para controle sintomático em pacientes que apresentam taquicardia; Estados de ansiedade: diminuição de tremor, sudorese, taquicardia; Profilaxia da enxaqueca: inibe a vasodilatação induzida pelas catecolaminas. Efeitos adversos: Broncoespasmo (asmático); Bradicardia; Falência cardíaca; 33 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros Bloqueio átrio ventricular; Hipotensão; Fadiga; Extremidades frias; Hipoglicemia; SNC: Insônia, pesadelos, depressão; Impotência sexual. Contraindicações e Precauções Contraindicação absoluta: não pode utilizar de jeito nenhum, pode levar a arritmia. Contraindicação relativa: usa, mas tem que ficar em observação. Obs.: Interrupção lenta em pacientes com doenças cardíacas isquêmicas para não precipitar uma crise de angina ou infarto. O quadro abaixo mostra os medicamentos e suas indicações: Bons estudos! Boas provas! Contem sempre comigo! Deus abençoe vocês! Nunca se esqueçam, vocês são capazes de ser quem quiserem, só depende de vocês! 34 Farmacologia P1 – Por Júlia Barros