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1 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN Farmacologia Farmacologia do sistema nervoso periférico (SNA) Profª Eliane Campesatto Veremos agora as drogas que imitam e bloqueiam o sistema nervoso simpático e parassimpático. Então, o sistema nervoso periférico está dentro do sistema nervoso junto com o sistema nervoso central (encéfalo e medula) e o periférico inclui o neurovegetativo (o autônomo) e o sistema nervoso somático, que é o muscular. Então, o SNP inclui as drogas que agem no SNNV e as drogas que agem no SNS. No somático só temos os bloqueadores neuromusculares, não é relaxante e sim bloqueador e são usados em cirurgias para bloquear os músculos para não haver estímulos nele. Qual a diferença entre o sistema nervoso somático e autônomo? Basicamente/anatomicamente a diferença é a seguinte: o somático é apenas uma fibra, uma fibra que sai da medula e faz sinapse no músculo, enquanto no autônomo são duas fibras, a fibra pré-ganglionar que faz sinapse num gânglio e a fibra pós-ganglionar que vai fazer sinapse no órgão efetor. Basicamente a gente vai ver mais fármacos do autônomo, pois o somático só tem fármacos que não são usados na odontologia, são os bloqueadores neuromusculares (utilizados apenas ambiente hospitalar para bloquear o estímulo ao músculo). Em resumo: Então, no sistema nervoso periférico a diferença entre somático e autônomo é que o somático existe 1 fibra só, já o autônomo sempre vai possuir duas (uma fibra pré-ganglionar e outra pós-ganglionar). A outra diferença é em relação ao neurotransmissor, já dito, no músculo só temos acetilcolina no receptor nicotínico e no SNA, se for simpático, a adrenalina nos receptores adrenérgicos, e se for parassimpático, será a acetilcolina para receptores muscarínicos ou nicotínicos. Então, o sistema nervoso autônomo controla as funções orgânicas que não estão sob o controle voluntário, é aquilo que você não pode controlar. Px: Você não consegue falar para o seu estômago produzir mais secreção gástrica porque você tem indigestão ou para o intestino aumentar o peristaltismo porque você está com constipação ou diminua o peristaltismo porque você está com diarreia, também não se pode mandar o coração bater mais forte ou fraco, são coisas que você não pode controlar. O SNA veicula tudo que sai da 2 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN medula para a periferia exceto a inervação motora do músculo esquelético, porque o músculo esquelético não é autônomo e sim somático. Funções do Sistema Nervoso Neurovegetativo (SNNV): • Controlar as funções orgânicas que não estão sob o controle voluntário (ex: você não fala para o seu coração bater mais forte ou mais fraco; você não fala para o seu vaso sanguíneo dilatar ou contrair; você não controla se seu pâncreas produz insulina ou não; etc). • Veicula todas as informações de saída do SNC para o restante do corpo, exceto inervação motora da musculatura esquelética (a musculatura esquelética é 1 fibra só, é sistema nervoso somático, é o único que não é autônomo). • O SNNV depende do SNC e foge do controle voluntário. • A atividade do Simpático AUMENTA no estresse (resposta de luta ou fuga). Ex: uma situação de estresse, chega para ser assaltado – tem gente que corre, tem gente que paralisa ou ainda que parte para agressão. É involuntário, não tem como prever como vai reagir numa situação de pânico. • Atividade do Parassimpático PREDOMINA durante a saciedade e repouso. Geralmente, depois do almoço predomina o parassimpático, é a pior hora para assistir aula. Ele predomina na digestão, saciedade, ele aumenta a vascularização no trato gastrointestinal e diminui a vascularização cerebral, ocasionando sono. Então, o SNNV é divido em simpático e parassimpático e as figuras abaixo representa o que acontece quando o simpático e o parassimpático estão ativos: SNA simpático: luta e/ou fuga, ele prepara você para a ação. Descarga adrenérgica pela manhã, alguns um pouco mais tardios e outros mais cedo, e geralmente predomina de manhã, meio da tarde e a noite predomina o parassimpático (saciedade) e após o almoço também; O SNA simpático dilata a pupila; O SNC fica ativo/alerta, mais atenção; 3 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN Aumento de salivação; Broncodilatação – bronco dilata para respirar mais, melhorar a oxigenação; O fígado aumenta a produção de glicose; O trato GI aumenta o tônus, libera os esfíncters; O tecido adiposo faz lipólise para você ter ácidos graxos para utilizar; O coração aumenta a força e a frequência cardíaca, aumenta a pressão sanguínea – para vascularizar mais os órgãos; A bexiga aumenta o tônus e diminui o músculo, a contração muscular; O músculo esquelético aumenta a vascularização, aumenta a glicose para eles; De manhã quando acorda ocorre uma liberação muito grande de adrenalina por isso a maior parte dos infartos acontece nesse horário (até as 11:00), por causa da atividade do adrenérgico que predomina de manha, aumentando a pressão arterial. Pra quem tem problema cardíaco esse horário é o mais arriscado. A pressão pela manha chega a aumentar 5 mmHg. Pra quem tem problema respiratório a manha é o melhor horário porque o organismo faz broncodilatação. Tudo tem haver com o adrenérgico (predomina pela manha) e colinérgico (predomina a noite). A maior parte dos pacientes que morrem de problemas respiratórios morre durante a noite (de madrugada) porque há predominância do colinérgico que faz bronco constrição. Remédios de hipertensão tem que ser sempre tomados pela manha e para asma à noite. Pacientes cardíacos e gravidas devem sempre ser atendidos nos consultórios sempre depois das 11:00 da manhã. O horário ideal para pacientes cardíacos é depois da 18:00. Já o parassimpático: Predomina após a digestão e também durante toda a noite, porque você precisa durante a noite produzir secreções: armazenar ácido clorídrico, produzir saliva, produzir lágrima e tudo que é secreção; Pela manhã, após acordar, já sem tem a ativação do simpático; Acomodação visual, miose – contração; Broncoconstrição – para diminuir mais a produção de AMPc, mediadores da broncodilatação; Durante a digestão ocorre uma sonolência devido à sobressaída do SNA parassimpático, porque a vascularização cerebral diminui porque a vascularização aumenta no trato GI e além dele secretar ácido HCl para fazer a digestão você tem a absorção dos nutrientes, principalmente, pelo duodeno, então você concentra todos vasos ali e por isso ocorre pouca oxigenação cerebral e daí vem a sonolência. Porém, é possível ludibriar essa sonolência com cafeína, porque ela aumenta muito o AMPc celular e ocorre a neutralização. 4 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN Produção de secreção; No trato GI aumenta a secreção, aumenta a peristalse, diminui o tônus do esfíncter. A bexiga, no simpático, é como se fosse uma constipação, prisão de músculo e no parassimpático é o contrário; Diminui a força e a frequência do coração e aumenta a o acúmulo de ATP para ser utilizado pela manhã; Diminui a pressão porque não precisa de muito oxigênio para os tecidos; Ocorre a produção de uma saliva copiosa/grossa para a digestão e não uma saliva com um intuito de lubrificação como é no simpático. O sistema nervoso autônomo parassimpático predomina no repouso e na saciedade. Tanto o SNA PARASSIMPÁTICO como o SNA SIMPÁTICO se equilibram na maior parte do dia, mas em algum período do dia um deles prevalece não suficiente para causar alguma doença como hipertensão ou hipotensão. Quando a pessoa fica mal é porquedrogas que atuam nas junções neuromusculares (ex: curare) onde existem receptores Nm e nos gânglios autônomos onde existem receptores Nn. USO DOS BLOQUEADORES NEUROMUSCULARES • CURARE 1930: utilizado para tratar as contrações musculares no tétano, como não existia antibióticos ainda para eliminar a bactéria, se usava curare pra diminuir o sofrimento dos enfermos. Era usada para morte de animais por paralisia dos músculos esqueléticos Esse princípio ativo foi descoberto por índios. Eles mergulhavam as pontas das flechas nesse principio ativo, e viram que os animais atingidos pela flecha onde o principio ativo havia sido colocado ficavam paralisados. Os índios comiam a carne desse animal e não sofriam nenhum efeito do principio ativo, ou seja, essa substancia não tem absorção por via oral. Hoje em dia esses bloqueadores neuromusculares são usados para: anestesia, endoscopia, entubamento, laringoscopia, mas sempre uso IM ou EV, bloqueando totalmente o receptor nicotínico muscular (Nm) e às vezes até o neuronal (Nn). Eles são usados como coadjuvantes em anestesia, pois os anestésicos causam muita depressão no sistema nervoso central, oferecendo risco de ocorrer depressão respiratória. Usando um bloqueador neuromuscular vai usar menos anestésico, por isso são de uso hospitalar. • TUBOCURARINA – Metocurarina Anestesia geral, entubamento, endoscopia em crianças, laringoscopia Mal e irregularmente absorvidos pelo TGI (índios comiam carne) Boa absorção IM Uso IM e EV PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS MÚSCULO ESQUELÉTICO • Adespolarizantes: - Ex.: Tubocurarina e Suxametônio São antagonistas competitivos da Ach Acetilcolina é liberada na fenda onde há o receptor nicotínico no musculo esquelético então a acetilcolina se liga ao receptor nicotínico. Quando o bloqueador neuromuscular está presente, ele retira a acetilcolina que estava ligada no receptor nicotínico e se liga no lugar dela. Se ligando no lugar, faz perder a ação da acetilcolina. • Despolarizantes - Ex.: Succinilcolina e Decametônio Despolarizam a membrana através da abertura de canais = Ach: Eles se ligam no lugar na acetilcolina e promovem uma despolarização, mas eles se mantêm ligados no receptor nicotínico, impedindo que haja a repolarização da membrana para ter um novo potencial de ação. Então no começo eles causam um pouco de fasciculação (repetidas excitações), por causa da excitação, mas depois bloqueiam a transmissão causando paralisia neuromuscular. São chamados de despolarizantes porque despolarizam a membrana e a faz permanecer nesse estado, pois quando a membrana é despolarizada ela precisa ser repolarizada para desencadear um novo potencial de ação, sob a ação desses fármacos a membrana 37 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN permanece despolarizada impedindo de desencadear novos potenciais de ação( causa paralisia). Uma pessoa sob a ação de um bloqueador neuromuscular: vê tudo, ouve tudo, fica consciente, mas não pode responder seja por atos ou fala, pois a musculatura está totalmente paralisada (filme revelação). A) TURBACURARINA • É o adespolarizante, antagonista competitivo, causa paralisia flácida total→ perde o movimento de dedos, olhos, membros, pescoço e diafragma. B) SUCCINILCOLINA • É um despolarizante→ já causa uma paralisia mais leve←. • Fasciculações musculares transitórias: pescoço e membros paralisam mais, enquanto os músculos respiratórios paralisam menos (apenas 25% dos músculos respiratórios); • Os músculos faciais e laríngeos paralisam bem menos. Ou seja, tem bem menos chance de causa depleção respiratória. E essa ação desaparece em minutos. ENTÃO ESSES FÁRMACOS PODEM SER USADOS PARA: 1) Auxiliar na anestesia cirúrgica: relaxando os músculos esqueléticos, diminuindo o risco de depleção respiratória. Porque você vai ter que usar menos anestésico. 2) Procedimentos ortopédicos: quando o paciente tem uma luxação ou fratura vai relaxar a musculatura esquelética pra doer menos. 3) Intubação endotraqueal (pra fazer laringoloscopia e esofagoscopia): relaxam a mm quando o paciente não pode usar benzodiazepínicos pra relaxar a musculatura. 4) Prevenção de traumatismo craniano ou qualquer tipo de traumatismo na terapia por eletrochoque: →hoje só é permitido em casos extremos←. Utilizado em casos de convulsões e traumatismo. 5) Diagnóstico de alguns tipos de lesões em nervo: primeiro relaxa a musculatura pra ver se o nervo que tá pressionando a musculatura consegue ter sua ação bloqueada para saber se é ele que está causando a dor. Se passar a dor é realmente compressão de nervo (ex: compressão do nervo ciático). OBS.: Tem vários fármacos utilizados como o cloreto de succinilcolina, cloreto de tubocurarina. Mas isso fica sempre no centro cirúrgico. Então caso você vá fazer uma cirurgia no hospital eles sempre vão colocar isso pra facilitar o relaxamento da musculatura facial.ela já tem a doença. De manhã você libera cortisol, que é o hormônio que também aumenta a glicose e algumas pessoas tem menos estimulação pela manhã porque tem uma liberação mais tardia de cortisol, então isso influência também, não só a adrenalina. Mas a adrenalina é um dos fatores que estimulam a liberação do cortisol. Os dois principais neurotransmissores que operam no SNA é a acetilcolina no parassimpático e a noradrelanina e adrenalina no simpático. Sendo que a nor é mais central e a adrenalina é mais periférica, porque a adrenalina é convertida na suprarrenal: a suprarrenal possui uma enzima feniletanolamina-n-metil transferase que converte a nor em adrenalina e esta enzima no SNC é escassa, então no SNC se tem pouca conversão de nor em adrenalina. Caso: Se o indivíduo tem depressão, doença que falta monoaminas, ele repõe noradrenalina e não adrenalina, tanto que chamamos a adrenalina de hormônio porque é produzida por uma glândula, a suprarrenal, então é mais um hormônio e a nor é mais neurotransmissor (central). E na odontologia, como vasoconstritor, utilizamos mais a noradrenalina do que a adrenalina, porque tem uma questão aí em que a adrenalina faz mais vasoconstrição que a noradrenalina, só que a adrenalina também age no receptor beta-2 que é vasodilatador e isso acaba dando um efeito contrário, mostrando que não há apenas vasoconstrição. De maneira geral, o SNA regula: A contração e o relaxamento da musculatura lisa, então ele controla a musculatura de intestino, de estômago, de bexiga etc; Todas as secreções exócrinas (saliva, lágrima, suor) e algumas endócrinas (como insulina e glucagon); Os batimentos cardíacos, então enquanto a adrenalina aumenta os batimentos cardíacos à acetilcolina diminui os batimentos; E algumas etapas do metabolismo intermediário, porque o autônomo controla a glicogenolise, a lipólise – porque o receptor beta-3, por exemplo, está no tecido adiposo, faz lipólise. 5 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN O SNA, do ponto de vista farmacológico e funcional, quem comanda são as fibras eferentes – lembre-se, aferente é o que vai e volta sempre eferente e como o estimulo sai da medula as fibras são sempre eferentes, é contrário da dor que é uma fibra aferente. Existem dois neurônios, o pré e o pós-ganglionar. O que sai da medula é o pré e o que faz sinapse no gânglio para o órgão é o pós-ganglionar. O SNA tem um intermediário no meio que é o gânglio, diferente da fibra do músculo que é apenas uma. No SN parassimpático as fibras irão sair da região bulbar e sacral, saí sempre dos extremos; Um acidente com lesão na região bulbar que controla o olho, a glândula lacrimal, a glândula salivar, o coração, pulmão e o trato GI, todas essas regiões ficaram comprometidas e uma lesão na região sacral tem o comprometimento do trato GI inferior, bexiga e genitália. 6 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN No SN simpático as fibras irão sair da região toráco-lombar. Obs1: Coração e pulmão os dois controlam, porém de maneiras diferentes. Px, o simpático aumenta o batimento cardíaco, enquanto o parassimpático diminui. No SN parassimpático a fibra pré-ganglionar é longa e a pós-ganglionar é curta – então, a fibra pós faz sinapse quase dentro do órgão e por isso que o efeito do parassimpático é mais agressivo que o do simpático, o gânglio está muito próximo do órgão e isso torna a sinapse mais rápida; No SN simpático a fibra pré-ganglionar é curta e a pós é longa, isso torna a sinapse não tão agressiva, os efeitos do simpático são mais suaves em relação aos do parassimpático. Px: se a pessoa toma chumbinho (veneno de rato) para se matar, o chumbinho aumenta muito a acetilcolina, é um efeito muito agressivo e a pessoa começa a salivar, defecar, urinar, vomitar, porque é muito agressivo o efeito da acetilcolina devido ela ser liberada muito próxima do órgão. A localização dos gânglios é outra diferença entre o simpático e o parassimpático: No SN simpático os gânglios são paravertebrais, forma uma reta paralela à medula; No SN parassimpático não forma uma rede de sequencial, é mais separado (dispersos) Os neurotransmissores dos neurônios pós-ganglionares: A fibra pré libera acetilcolina no gânglio, tanto no simpático quando no parassimpático, que sempre vai interagir com o neurônio pós através de um receptor nicotínico, então no glânglio do simpático como do parassimpático. Obs2: Os bloqueadores ganglionares são sempre antagonistas nicotínicos, não tem adrenalina e nem receptor adrenérgico no gânglio, é sempre acetilcolina e receptor nicotínico. O simpático libera adrenalina ou noradrenalina que vai interagir com os receptores adrenérgicos alfa ou beta; O parassimpático libera acetilcolina que vai interagir nos órgãos com receptores muscarínicos. Obs3: A acetilcolina no gânglio e nos músculos interage com os receptores nicotínicos e nos órgãos com os receptores muscarínicos. A fibra da transmissão da glândula sudorípara é simpática, mas essa fibra ao invés de liberar noradrenalina libera acetilcolina. Então, os medicamentos que interferem no suor não são simpáticos, são colinérgicos, porque embora a fibra seja simpática ela não libera noradrenalina e, sim, acetilcolina. A inervação dos olhos é apenas parassimpática, tanto que quando se faz exame de vista não tem droga adrenérgica, é sempre atropina. Os colírios são todos parassimpáticos, não tem colírio adrenérgico. 7 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN Obs4: O simpático e o parassimpático nem sempre tem efeitos opostos, em alguns lugares pode está apenas um atuando ou os dois fazendo a mesma coisa. Em alguns locais (ex: intestino, bexiga e coração)→ o sistema simpático e parassimpático produzem efeitos opostos. Na maior parte das vezes eles estão fazendo efeitos contrários; Existem outros locais onde apenas um dos dois está presente (ex: glândulas sudoríparas e vasos sanguíneos) apresentam apenas inervação simpática, ao passo que a musculatura ciliar do olho tem somente uma inervação parassimpática; É um erro dizer que simpático e parassimpático são sempre oponentes fisiológicos. Inclusive há locais onde os dois sistemas produzem efeitos semelhantes. Na glândula salivar, por exemplo, tanto acetilcolina como a adrenalina produz um aumento da salivação. Só que a acetilcolina produz uma salivação mais para a digestão e a adrenalina é mais para lubrificação, para você fugir. Os fármacos do SNA são divididos em fármacos que atuam no simpático e no parassimpático: TRANSMISSÃO ADRENÉRGICA A transmissão adrenérgica é aquela que envolve a adrenalina(hormônio) e noradrenalina(neurotransmissor), então lembrando que adrenalina é mais medula(periferia) Tanto o simpático quando o parassimpático estimulam as glândulas salivares. Drogas que bloqueiam a salivação, tanto no simpático quanto no parassimpático vão diminuir e provocar a xerostomia. Essas drogas são do parassimpático e do simpático e bloqueadores, as que estimulam os dois estimulam a salivação. Simpatomiméticos: imitam; Simpatolíticos: bloqueiam; Colinérgicos: imitam; Parassimpatolíticos: bloqueiam. 8 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN e noradrenalina mais central. A conversão de noradrenalina em adrenalina acontece na medula, lembrando que a medula são duas pequenas glândulas que ficam por cima de cada rim e é da medula também que é liberada o cortisol, testosterona, aldesterona etc. Síntese (transmissão) da noradrenalina e adrenalina Nós obtemos da alimentação um aminoácido chamado tirosina, a maioria dos alimentossão ricos em tirosina. 1) A tirosina vem da alimentação, chega pela corrente sanguínea e entra no citosol por um transportador acoplado ao sódio, uma ATPase dependente de sódio; 2) Essa tirosina sofre ação no citosol do neurônio através da enzima tirosil hidroxilase e converte a tirosina em DOPA; 3) Essa DOPA é convertida em dopamina pela enzima DOPA descarboxilase; 4) A dopamina entra na vesícula e é convertida pela DOPA beta-hidroxilase, enzima presente na vesícula, em noradrenalina. Até a etapa 4, geralmente acontece no neurônio (SNC); 5) Essa noradrenalina é liberada para a periferia e chega na suprarrenal e é convertida em adrenalina pela feniletanolamina-n-metil transferase. Formou-se a adrenalina na periferia. A adrenalina é estocada em vesículas. A conversão de noradrenalina em adrenalina ocorre, principalmente, na suprarrenal. A enzima feniletanolamina-n-metil transferase está em pequenas concentrações no SNC e muito concentrada na suprarrenal, como a suprarrenal é uma glândula costuma-se dizer que a adrenalina é um hormônio. A enzima que converte a noradrenalina em adrenalina é pobre no sistema nervoso central, apenas 15% é adrenalina no SNC e os outros 85% é noradrenalina. A formação de neurônios é muito parecida, o mesmo processo ocorre para formar a dopamina, só que os neurônios dopaminérgicos não possui a enzima DOPA beta- hidroxilase, então a etapa termina na dopamina. E os neurônios que possuem a enzima são os neurônios que produzem a noradrenalina. A liberação desse neurotransmissor se dá por exocitose: Com a chegada do impulso nervoso, chegada do potencial de ação ocorre a despolarização e inversão de cargas devido a saída do potássio e entrada de sódio, abre os canais de cálcio que é importantíssimo no processo, pois se liga com a calmodulina e promove a junção da vesícula no neurônio e promove assim a exocitose do conteúdo que estava dentro da vesícula que no caso é a noradrenalina. 9 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN Uma vez liberado ele tem que fazer sinapse com um neurônio pós, então ele vai se ligar com o receptor do neurônio pós ou ele pode ser metabolizado por uma enzima chamada catecol-O-metil transferase (COMT – atua no grupo O do metil), essa enzima degrada a noradrenalina e a adrenalina que está na fenda. Se não for degradado pela COMT que é uma enzima fraca, ele pode retornar por um transportador dependente de sódio para dentro do neurônio, dentro do neurônio tem uma enzima chamada monoamina oxidase (MAO) que oxida os radicais aminos, então essa nor que escapou da COMT sofre ataque da MAO. Se por ventura a MAO não conseguir degradar tudo, ela vai retornar para a vesícula por um transportador depende de magnésio. RESUMINDO: Aconteceu um potencial de ação, ficando positivo dentro e negativo fora devido à saída de potássio e entrada de sódio, isso ocorrendo irão abrir os canais de cálcio que irá unir as vesículas sinápticas e promover a exocitose do conteúdo das vesículas. Neurotransmissor é liberado. Partindo da premissa que seja a NOR, primeiro ela pode se ligar ao receptor, pode ser degradado pela COMT ou pode retornar para dentro do neurônio dependendo de um transportador dependente de sódio. Dentro do neurônio a NOR pode sofrer a ação de uma enzima chamada MAO, se não degradar a NOR ela volta pra dentro da vesícula dependente de magnésio. Quando a pessoa tem depressão, ela tem baixa dessa nor na fenda, então um dos grupos de medicamentos usados são os inibidores da MAO e inibidores dessa ATPase que 10 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN faz o neurotransmissor voltar para dentro do neurônio. Então, os antidepressivos atuam dessa forma, atuam na enzima ou na recaptação para aumentar a nor na fenda com o intuito de melhorar da depressão e devido ao excesso de nor, no início do tratamento, os pacientes ficam muito agitados/eufóricos. Existem dois tipos de receptores para a adrenalina: os receptores alfa e beta. O receptor alfa é divido em alfa-1 e alfa-2: Alfa-1: está no órgão, ele é pós-sináptico, não vai estar no neurônio e sim no órgão efetor. Ele está no vaso, por exemplo, o principal efeito dele é fazer vasoconstrição, então ele é responsável pelo aumento da pressão arterial, acelera o batimento cardíaco, presente na mucosa nasal para descongestionar o nariz (os descongestionantes como aturgyl e sorine agem em alfa-1), relaxa a musculatura lisa do trato GI, aumenta a secreção salivar, promove glicogenólise hepática (convertem glicogênio em glicose-1-fosfato pela a enzima glicogênio fosforilase). Os descongestionares possuem várias contraindicações, inclusive para pacientes diabéticos e hipertensos, porque aumenta a glicose e a pressão arterial; NORMALMENTE REAÇÕES DE LUTA OU FUGA Alfa-2: ele é pré e pós-sináptico, ele pode estar no próprio neurônio, ou seja, pré e dessa maneira ele regula a liberação de mais nor, inibe a liberação de mais nor. Quando tem muita noradrenalina no SNC, esse excesso estimula alfa-2 que inibe a liberação de mais, ou seja, ele controla a liberação de NOR no SNC. Além disso, ele inibe a liberação da insulina. Só lembrando que a inibição da liberação de insulina acarretará no aumento na quantidade de glicose na corrente sanguínea (hiperglicemia), sendo esse outro fator que estimula a você ter energia mesmo sem ter se alimentado. POR ISSO QUE QUALQUER MEDICAMENTO QUE ALTERE O SIMPÁTICO É CONSIDERADO DOPPING (em esportes de alto rendimento). Receptores betas: Beta-1: local principal de localização é o coração. Quando a gente libera muita nor ou adrenalina quando está muito estressado dá taquicardia, porque estimula beta-1. Então, como ele está presente no coração e quando estimulado ele gera um efeito chamados de efeito ionotrópico e cronotrópico positivo, ou seja, aumenta a força e a frequência cardíaca, então, gera taquicardia, aumento do débito cardíaco, consequentemente aumenta a pressão arterial. Além disso, o beta-1 está no tecido adiposo e faz lipólise (o mesmo do beta-3, que faz lipólise). Beta-2: “receptor dos asmáticos”, receptor que promove broncodilatação. Então, quando a pessoa está com crise de asma a primeira coisa que ela usa é um agonista beta-2, como salbutamol, berotec e fenoterol que estimulam beta-2 para promover broncodilatação. Também. Beta-2 está no útero e causa relaxamento, então as mulheres com riscos de contração, risco de parto prematuro, usam durante a gravidez inteira. Beta-2 causa vasodilatação, a nor não atua em beta-2, mas a adrenalina atua e dá um efeito vasodilatador também. (a nor só atua em alfa 1 e 2, mas a adrenalina atua muito forte em beta-2 que faz vasodilatação, isso pode diminuir um pouco o efeito vasoconstritor). No intestino causa relaxamento, faz glicogenólise, ou seja, libera a glicose e também atua no fígado estimulando a 11 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN glicogenólise hepática e gera o tremor muscular, característico de pacientes asmáticos. A regulação da liberação do neurotransmissor ocorre de duas maneiras: 1. Quando a concentração de nor aumenta muito no citoplasma bloqueia a primeira enzima da via por feedback negativo, a tirosina hidroxilase; 2. A outra maneira é através do receptor, é o seguinte: o alfa-2, se tiver muita nor, ele é estimulado e diminui enquanto que o beta-2, se tiver pouca, promove a liberação de mais. DROGAS ADRENÉRGICAS OU SIMPATOMIMÉTICAS São agonistas do simpático. As drogas adrenérgicas ou simpatomiméticas são as que imitam o efeito da adrenalina ou noradrenalina. São compostos que possuem as características farmacológicas de reproduzirem ou imitarem total ou parcialmente os efeitos da estimulação simpática.AS DROGAS PODEM SER DE: a) AÇÃO DIRETA: quando agem diretamente no receptor adrenérgico; Os fármacos que atuam na lipólise não conseguem estimular apenas o beta-3, esses fármacos sempre estimulam beta-1, então não adianta nada você queimar gordura e ter taquicardia. Esses fármacos não tem seletividade, eles atuam nos dois receptores. Se tivesse um medicamento que só tivesse ação em beta-3, se teria ação apenas em gordura localizada. 12 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN b) AÇÃO INDIRETA: quando inibem a enzima: COMT (catecol-O-metil-transferase) ou a MAO (monoamino oxidase); c) AÇÃO MISTA: quando ativa das duas formas→ receptor e enzima. Então são fármacos que atuam nos receptores α e β-ADRENÉRGICOS, ou seja, atuam em todos os receptores: adrenalina e noradrenalina. Lembrando que a gente tem α-1, α-2, β -1, β -2 e β -3. Então adrenalina e noradrenalina são substâncias endógenas (que o corpo produz), mas eu as tenho na forma de medicamento pra administrar por via intramuscular ou endovenosa. OBS.: Diferente da acetilcolina existe adrenalina injetável. Acetilcolina não pode pois elas são degradadas pelas colinesterases. Então temos a adrenalina e noradrenalina: A noradrenalina, como ela tem efeito central, ela tem mais ação em alfa. Porque o alfa tá no sistema nervoso central. O alfa-2 tá no sistema nervoso central. 13 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN A adrenalina, como ela é mais periférica, ela tem ação em alfa também, até porque o alfa-1 é periférico, mas tem mais ação em beta. Mas ela age nos dois tipos de receptores: alfa e beta. OBS.:No metabolismo: em alfa-1 e beta-2 você tem glicogenólise. Ela ativa sobre uma enzima chamada glicogênio- fosforilase que converte glicogênio em glicose. Então aumenta a glicose circulante. Se você aumenta a glicose você tem hiperglicemia. Nos receptores beta-1 e beta-3 você tem lipólise. Um fármaco que atue nesses receptores vai fazer a quebra dos triglicerídeos que fica armazenado no nosso tecido adiposo em ácido graxo circulante. Então esse ácido graxo vai ser consumido e você perde a gordura. No alfa-2, inibe a liberação de insulina. Se eu tenho menos insulina a glicose não vai entrar na célula e o paciente vai ter hiperglicemia. Isso explica o motivo de um atleta não poder usar qualquer fármaco de ação adrenérgica, porque qualquer simpatomimético aumenta o seu metabolismo. E aumenta a quantidade de glicose na corrente sanguínea e de ácido graxo. Então é por isso que de manhã quando a gente acorda, liberamos bastante adrenalina. Pra converter aquilo que a gente acumulou em substrato pra célula/mitocôndria fazer ATP (glicogênio em glicose; triglicerídeos em ácido graxo). OBS.: No músculo uterino: o receptor B2 também vai causar relaxamento da musculatura lisa uterina→ o mesmo medicamento usado para asma, vou usar pra mulher que esta tendo contração uterina em risco de ter um parto prematuro (o Salbutamol mesmo é usado em grávidas pra relaxar a musculatura uterina). • A adrenalina não é utilizada por via oral, porque ela é metabolizada no intestino pela COMT ( catecol O-Metiltransferase), e no fígado pela MAO (Monoamina oxidase - enzima que degrada a adrenalina no fígado e também dentro do neurônio). A adrenalina é usada por via subcutânea, intramuscular e endovenosa (endovenosa só a nível hospitalar, pois corre o risco de aumentar demais a pressão arterial). É distribuída por todos os órgãos, exceto SNC – porque é hidrossolúvel. Tem vários exemplos de anestésicos que têm adrenalina: Neocaína 0,5% com adrenalina (tubetes) Xylocaína com adrenalina (frasco) Adrenalina 1:1000 – essa é a forma para choque anafilático. EMPREGO CLÍNICO DA ADRENALINA: • Alívio de broncoespasmo (a pessoa chega na emergência com uma crise de asma ou de DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) bem grave, desmaiado, já usou todos os fármacos – salbutamol, fenoterol – e agora eles vão utilizar o que? Adrenalina 0,3 mL à solução pra 1000, de 4 em 4h ou de 6 em 6h) - a adrenalina vai estimular o receptor B2, causando broncodilatação. • Parada cardíaca (pode-se usar via intracardíaca, mas só em casos de cirurgia cardíaca quando o indivíduo já está com o coração exposto, aí aplica direto no coração; caso contrário não se faz, e opta pela via endovenosa) – estimula o receptor B1, aumenta o efeito inotrópico positivo e aumenta o débito cardíaco, revertendo à parada cardíaca. 14 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN • Choque anafilático (que é a reação alérgica mais grave que um indivíduo pode ter). No choque anafilático, há uma liberação maciça de histamina e isso caracteriza o choque de quatro formas: Então é por isso que existem os tratamentos de escolha, a solução milesimal pra mil é utilizada em até três vezes. Geralmente tem que encaminhar o paciente pro hospital, mas a gente ter que ter no consultório o kit de primeiros socorros - nesse kit deve estar a adrenalina. A nora não é muita utilizada em choque porque tem muita ação central. NORADRENALINA A noradrenalina tem menos emprego que a adrenalina, EMBORA TENHA OS MESMOS EFEITOS; EMPREGO CLÍNICO: Ela é usada em: anestesia local com vasoconstricção (ex: Xylestesin→ lidocaína + norepinefrina / Xylocaína: lidocaína + norepinefrina), e também pode ser usada a nível hospitalar em caso de hipotensão ou choque (mas nesse caso, preferencialmente se usa a adrenalina, porque ela não tem efeito central.) FÁRMACOS DE AÇÃO DIRETA 1. FÁRMACOS QUE ATUAM PREDOMINANTEMENTE NOS RECEPTORES ALFA1 (alfa1 faz vasoconstrição); 15 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN São utilizados em duas situações: QUEDA BRUSCA DA PRESSÃO ARTERIAL: Existem fármacos que são utilizados para reverter a hipotensão arterial (EFORTIL), quem sofre dessa enfermidade tem de andar sempre com esse fármaco, pois pode sofrer uma síncope devido a hipotensão. Esse fármaco rapidamente aumenta a pressão arterial por atuar em alfa-1 (ele ativa alfa1), como por exemplo: a) HIPOTENSÃO GRAVÍDICA b) HIPOTENSÃO ORTOSTÁTICA (variação de postura) USADOS PARA CONTRAIR OS VASOS DA MUCOSA NASAL: (sorine, afin, apurgil→ são agonistas de alfa-1). EMPREGO CLÍNICO SISTÊMICO NA PRÁTICA OS MEDICAMENTOS MAIS UTILIZADOS SÃO: • ETINEFRINA: aumenta rapidamente a pressão arterial • EFORTIL: para hipotensão ortostática ou gravídica • FENILEFRINA: usado em casos de: HIPOTENSÃO LEVE A MODERADA; CHOQUE OU HIPOTENSÃO GRAVE; HIPOTENSÃO DURANTE RAQUIANESTESIA OU ANESTESIA EPIDURAL PRODUÇÃO DE MIDRIASE PRÉ-OPERATÓRIAS CIRURGIAS INTRAOCULARES EMPREGO CLÍNICO LOGAL • DESCONGESTIONANTES: seja da nasofaringe ou ouvido médio (pois a atuação em alfa1 irá gerar uma vasoconstricção que irá diminuir o edema na região e assim desobstruir a área). Promovendo: ALÍVIO DA CONGESTÃO DA MUCOSA NASOFARÍNGEA TRATAMENTO EM INFECÇÕES DO OUVIDO MÉDIO ALÍVIO DA CONGESTÃO DAS ENTRADAS EUSTAQUIANAS 1) FENILEFRINA: é o fármaco que é comum e atua em alfa1. (coristina, naldecon); Nafasolina (sorine) Oximetazolina (afrin) são exemplos de descongestionantes nasais. OBS.: O problema do uso contínuo desse tipo de fármaco é o efeito reboot (7 dias) e os efeitos colaterais. O efeito reboot é o teu problema que existia antes da atuação do fármaco só que mais intenso, já que o organismo entende que a atuação do fármaco pode gerar 16 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN hipoxia no tecido irrigado por aqueles vasos e irá liberar mais mediador que fará a vasodilatação e ao final do uso do fármaco aregião terá um edema maior que o inicial. CUIDADOS • IDADE: Esses fármacos descongestionantes precisam ser utilizados com muito cuidado com a idade do paciente (idosos com cautela e crianças não, pois lesa a mucosa nasal). • MODO DE USO: Normalmente as pessoas inspiram o medicamento e engolem o que “sobrou”, sendo que essa ação acarreta em um efeito colateral sistêmico. O correto é massagear a região para aumentar a superfície de contato do fármaco com a região mucosa. • CONSEQUÊNCIA DE USO PROLONGADO: O uso prolongado diminui a eficácia do medicamento com o passar do tempo. Os fármacos descongestionantes são utilizados para gerar vasoconstricção nos vasos nasais. O organismo produz uma reação sistêmica, pois pensa que a vasoconstrição vai gerar hipóxia , dessa forma promove vasodilatação. 17 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN • GRAVIDEZ: Na gravidez o uso é proibido (pois agem no receptor alfa-1 promovendo contração uterina). 2. FÁRMACOS QUE ATUAM PREDOMINANTEMENTE NOS RECEPTORES β-1 ADRENÉRGICO: Fármacos apenas de uso hospitalar (em caso de parada cardíaca), que são: DOPAMINA (não é seletiva) DOBUTAMINA (a dopamina tem nome comercial de Revivan). DOBUTAMINA A Catecolamina sintética é a mais seletiva (por isso, seu uso é preferencial em relação a dopamina) e é mais específica (apenas e diretamente no coração); Atua preferencialmente em receptores β1 diretamente→ aumentando a força (inotropia) e frequência (cronotropia) cardíaca. SÃO USADOS EM PACIENTES COM: • Insuficiência cardíaca congestiva: aumentar débito cardíaco e volume sistólico; • Infarto do miocárdio; • Cirurgias cardíacas. 3. FÁRMACOS QUE ATUAM PREDOMINANTEMENTE SOBRE RECEPTORES BETA 2-ADRENÉRGICO: SÃO ELES: FENOTEROL; FORMOTEROL; SALBUTAMOL (ALBUTEROL); SALMETEROL; TERBUTALINO. Todos são usados para asma! Estimulam B2 e são usados para: • Broncoespasmo; • Asma brônquica; • Bronquite; • Enfisema. 18 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN OBS.: São usados para qualquer situação que seja necessária a broncodilatação com o objetivo de aumentar a atividade mucociliar, para retirar a secreção→ SOLUBILIZAM A SECREÇÃO→ fazendo com que ela seja expelida. • Por via oral, são utilizados para causar o relaxamento da musculatura uterina (B2 está presente nos brônquios e na musculatura uterina) com o objetivo de prevenir partos prematuros não complicados. Fármacos que relaxam o músculo uterino são chamados de tocolíticos. • Além disso, também são utilizados para a prevenção de asma por exercício. Nesses casos é indicado usar dois pufs de salbutamol antes da atividade física. O asmático nunca terá a capacidade respiratória de uma pessoa normal (ela é cerca de 80% - 85%), mesmo sendo asmático controlado. Se houver a exposição do sistema respiratório a uma situação de sobrecarga, é necessário o medicamento. AGONISTAS β2 ADRENÉRGICOS Nós temos os medicamentos usados para asma, são classificados em: não seletivos e seletivos. OBS.: A seletividade se refere a agir mais em beta 2, mas também pode agir em outros, como o fenoterol que tem 41% de afinidade com o beta 1, o salbutamol 5%, o formoterol 20% de afinidade, mas a ação sobre o beta 2 é predominante. # O fenoterol não existe mais nos EUA por conta dessa seletividade; porque acaba tendo muitos casos de arritmia grave. OS OBJETIVOS DOS FÁRMACOS QUE ESTIMULAM BETA 2 É DE: • Relaxar a musculatura brônquica; • Diminuir liberação de histamina; • Aumentar a atividade muco ciliar. 19 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN FÁRMACOS ANTIADRENÉRGICOS SÃO FÁRMACOS QUE VÃO BLOQUEAR OS RECEPTORES ALFA E BETA ADRENÉRGICOS, INIBINDO, ASSIM, A AÇÃO DA ADRENALINA E DA NORADRENALINA NOS RECEPTORES. 1) ALFA BLOQUEADORES: São usados para situações muito específicas. • α-BLOQUEADORES NÃO SELETIVOS→ são usados para: FEOCROMOCITOMA, que é um tumor adrenal; os seletivos são usados para hipertrofia da próstata. EX.: FENTOLAMINA • α-BLOQUEADORES SELETIVOS: USADOS PARA HIPERTROFIA DA PRÓSTATA EX.: PRAZOSIN / TERAZOSIN / DOXASINA / TANSULOSINA 2) BETA BLOQUEADORES: São muito utilizados; É um grupo de antihipertensivo muito usado na medicina; Consiste em uma numerosa família de sais, com uso no tratamento da: HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA ANGINA PEITORAL DISRITMIA CARDÍACA MIOCARDIOPATIA HIPERTRÓFICA PROFILAXIA DE CRISES DE MIGRÂNIA 20 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN Além de: pacientes que fazem profilaxia de enxaqueca, que tem tremor essencial, pessoas com fobia social (com dificuldade de falar em público), para tratar sintomas de hipertireoidismo etc. Os principais fármacos beta bloqueadores são: a) PROPANOLOL – É O MAIS UTILIZADO b) TIMOLOL – USADO PARA GLAUCOMA c) METOPROLOL- 1º DE AÇÃO SELETIVA OS BETA BLOQUEADORES SÃO DIVIDIDOS EM: • CARDIOSSELETIVOS OU BETA BLOQUEADORES PREFERENCIAIS – são os que antagonizam só o beta 1, são usados só para hipertensão arterial e taquicardia: ATENOLOL e BETAXOLOL COLÍRIO→ atravessam pouco a barreira hemato encefálica. Não adianta usar esses para diminuir a fobia social, por exemplo, porque não vai ter efeito. METOPROLOL ESMOLOL BISOPROLOL • NÃO CARDIOSSELETIVOS OU BETA BLOQUEADORES NÃO PREFERENCIAIS – agem em beta 1 e beta 2 (causa broncoconstrição), mas, em compensação, agem em beta 1 no sistema nervoso central (são lipossolúveis), então servem para muitas coisas: PROPANOLOL TIMOLOL COLÍRIO NADALOL O receptor β-1 no coração aumenta a força e a frequência cardíaca, aumenta a velocidade de condução. A pressão arterial é o débito cardíaco vezes a resistência periférica (PA=DC.RP), qualquer coisa que altere o débito cardíaco altera também a pressão arterial. ↑FORÇA + ↑FREQUÊNCIA CARDIACA=↑DEBITO CARDIACO ↑DÉBITO CARDIACO = ↑PA Então quando eu aumento a força e a frequência cardíaca, aumenta a velocidade de condução, então eu aumento o débito cardíaco e se eu aumento o débito cardíaco eu aumento também a pressão arterial. AÇÃO DOS BETA-BLOQUEADORES CARDIOSELETIVOS: Esses medicamentos irão bloquear o receptor β-1, portanto: 21 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN ↓FORÇA + ↓FREQ. CARDIACA (↓VELOCIDADE DE CONDUÇÃO) =↓DÉBITO CARDIACO. ↓DÉBITO CARDIACO= ↓PA Esse é o efeito do anti-hipertensivo. AÇÃO DE BETA BLOQUEADORES NÃO CARDIOSELETIVOS: Alguns fármacos podem ser “não cardiosseletivos” e inibir também receptor β-2 no pulmão, quando eu bloqueio o receptor β-2, eu vou ter broncoconstrição, por isso, asmáticos não podem usar. Eles também podem inibir receptores -2 no fígado que tem a função de aumentar a glicogênese e a glicogenólise (aumentam a glicose circulante), mas se eu o inibo vou ter hipoglicemia. OBS: Por isso os cardiosseletivos são os β-bloqueadores preferenciais, pois irão bloquear apenas β-1 e são usados apenas para hipertensão. Já os β-bloqueadores não preferenciais ou não cardiosseletivos irão bloquear β- 1 e β-2 e causam broncoconstrição. Como são muito lipossolúveis e ultrapassam a BHE são muito utilizados para outras finalidades como: diminuir tremor, fobia social. O TIMODOLOL é usado como colírio para glaucoma, pois não terá absorção sistêmica (ele bloqueia o receptor Beta-2 e causaria broncocontrição caso fosse absorvido e em diabéticos causa hipoglicemia). Dentre esses fármacos existem os hidrossolúveis e os lipossolúveis: • As drogas lipossolúveis possuem efeito no SNC, como o Propanolol; por outro lado, por terem efeito centralpodem ser usadas para tratar fobia social, tremor essencial, todas essas utilidades que já foram faladas. • Já os hidrossolúveis possuem menos efeito no SNC, como é o caso do Atenolol e do Nadolol que devem ser usados apenas para tratar a hipertensão. • Eles são excelentes anti-hipertensivos por que: Reduzem o débito cardíaco (por bloquear o receptor β-1) e reajustam a sensibilidade dos barorreceptores (barorrecetores são mecanoreceptores relacionados à regulação da pressão arterial momento a momento). Quando eu bloqueio β-1 tenho a redução do débito cardíaco. Bloqueiam os receptores beta-1 no SNC. Bloqueiam os Receptores beta-1 pré-sinápticos na periferia Estimulam da secreção da prostaglandina, secretadas pelos rins: *PROSTAGLANDINA E2: aumenta a excreção de Sódio (sódio é um dos íons que mais aumenta a pressão arterial) 22 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN *PROSTAGLANDINA 2: faz vasodilatador sistêmico e também contribui para a diminuição da pressão arterial. Inibem a atividade da renina plasmática. Renina é quem converte Angiotensinogênio em Angiotensina I, portanto não vai haver aumento da pressão arterial. Tem aquele ciclo: ANGIOTENSINOGÊNIO é convertido em ANGIOTENSINA I pela RENINA ANGIOTENSINA I é convertida em ANGIOTENSINA II pela ECA. Agindo nos receptores da Angiotensina aumentando a pressão arterial. Se eu inibo a RENINA estou, automaticamente, diminuindo a pressão arterial. Estes fármacos tem um MECANISMO DE AÇÃO muito completo e por isso são muito usados para tratar a hipertensão. Vejam só: BLOQUEIAM OS RECEPTORES BETA-1 NO CORAÇÃO BLOQUEIAM OS RECEPTORES BETA-1 NO SNC BLOQUEIAM OS RECEPTORES BETA-1 NA PERIFERIA AUMENTAM A PRODUÇÃO DE PROSTAGLANDINA (VASODILATADOR E HIPOTENSOR) DIMINUI A LIBERAÇÃO DE RENINA. FÁRMACOS QUE REDUZEM A FUNÇÃO DO NEURÔNIO ADRENÉRGICO FÁRMACOS QUE ESTIMULAM O RECEPTOR α2 os receptores α-2 são os únicos que são praticamente exclusivos do SNC, os outros podem estar no central ou na periferia, pelo menos os que tem fármacos que atuam (nos receptores). Os principais fármacos que atuam em α2 são: Metildopa e Clonidina. São muito importantes, a Metildopa, é o único fármaco usado na grávida pra tratar hipertensão, único anti-hipertensivo liberado para tratar a hipertensão gravídica. As grávidas normalmente terão hipotensão hidrostática e utilizarão a Metildopa. Existem muitos casos de má formação com o Captopril, Enalapril e 23 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN Losartana, sendo o único fármaco utilizado nessa finalidade = hipertensão gravídica. REAÇÕES ADVERSAS: O receptor α-2 é inibitório (único inibitório dos adrenérgicos), ele inibe a liberação de NORA do SNC para a periferia, quando estimulado, por isso que diminui a pressão arterial, sendo usado como anti-hipertensivo; 2) CLONIDINA: também é utilizada para tratar hipertensão; Como diminui a NORA no SNC, ela é usada: Terceira alternativa no tratamento de hiperatividade em déficit de atenção em crianças. Como ajuda para controlar a abstinência à heroína e à nicotina, para profilaxia de enxaqueca, para tratar o glaucoma. Para fazer um exame que detecta ausência do hormônio do crescimento, a Colidina aumenta a liberação do GRF (Fator liberador de GH). 1) METILDOPA: é um fármaco muito interessante, porque ele imita o processo fisiológico. Normalmente a tirosina vem da alimentação, através da Tirosina hidroxilase forma a DOPA. A DOPA é convertida em DOPAMINA pela dopa descarboxilase e a Dopamina é convertida em Noradrenalina pela DOPA β-hidroxilase (esse é o processo fisiológico). No entanto, a Metildopa engana a enzima e entra no lugar da DOPA, a DOPA descarboxilase, no lugar de converter DOPA em DOPAMINA, converte α-METILDOPA em α-Metildopamina, que é convertida pela DOPA β-hidroxilase, em α-Metilnoradrenalina, que atuará diretamente em receptores α- central. Dessa forma ela é uma pró-droga (convertida pela enzima α- Metilnoradrenalina) no SNC, ela é um falso substrato para as enzimas. 24 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN Quando a criança tem problema de crescimento, o laboratório dosa o GH no sangue, logo após o uso da Colidina coleta o sangue novamente, com 30, 60, 90 e 120 minutos. A criança pode ter o GH e não conseguir liberar, sendo liberado pela Colidina, se ela não tem (leva ao nanismo), não libera, tendo que tomar o hormônio do crescimento, que é oferecido pelo SUS em casos extremos. Além do mais, existe outro problema na Colidina, pois ela é um fármaco de baixo índice terapêutico (a dose efetiva está muito próxima da dose letal), pequenas doses já são capazes de causar toxicidade. Transmissão colinérgica A transmissão colinérgica é feita através da acetilcolina. Os neurônios saem da região crânio-sacral e temos nervos específicos como o III oculomotor, VII facial, IX glossofaríngeo e X vago. OBS.: O vago inerva coração, trato gastrointestinal, sendo um dos mais prevalentes; O colinérgico tem muita atuação em glândulas: salivares, sudoríparas, lacrimais. Em músculo liso como intestino, bexiga, estomago e no miocárdio. OBS.: A salivação é totalmente dependente da acetilcolina. Então um paciente pode ter xerostomia (boca seca), porque há muitos fármacos que inibem o parassimpático, inibindo a glândula salivar. Consequentemente, você vai ter que usar estratégias, como substâncias cítricas ou o que é mais utilizado hoje em dia, que é a saliva artificial. No passado utilizava- se muito uma droga que é agonista do parassimpático, a pilocarpina. Hoje não se usa mais porque ela diminui o batimento cardíaco. Onde se pode ter transmissão colinérgica? Onde se tem acetilcolina. Tem-se acetilcolina na: Sinapse dos gânglios autonômicos, no SN simpático e parassimpático - fibra pré e pós, o gânglio é o mesmo tanto para simpático como para parassimpático e no gânglio eu sempre vou ter ACh para o receptor nicotínico; Sinapses neuroefetoras do SNA parassimpático - a fibra pós do simpático libera adrenalina ou noradrenalina e a fibra pós do parassimpático sempre libera acetilcolina; Sinapses nos músculos esqueléticos (nervos somático) – o SNP é divido em autônomo e somático e o somático é uma fibra que sai da medula para o músculo e lá libera a acetilcolina para o receptor nicotínico muscular; Fibras simpáticas colinérgicas (glândula sudorípara em humanos) – fibra simpática que libera acetilcolina, exceção pois a fibraé simpática, mas libera acetilcolina no lugar de adrenalina. Síntese da acetilcolina 25 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN A ACh é formada por uma enzima chamada CAT (colina acetiltransferase) que transfere um grupo acetil para a colina. Então temos que a colina vem da alimentação. Um neurônio interage com a acetilCoA, formando a acetilcolina que é armazenada em vesícula. A acetilCoA vem do ciclo de Krebs. Tem uma enzima chamada acetiltransferase que se pode ler ao contrário e notar sua função: transferir um grupo acetil para a colina, formando a acetilcolina, a qual fica armazenada em vesículas. Estas serão liberadas na fenda, onde encontra uma enzima chamada de acetilcolinesterase, a qual degrada a acetilcolina em colina mais acetato. Isso tem que ser bem rápido, pois a fibra pós- ganglionar do parassimpático é curta, está bem próxima do órgão. A colina é reaproveitada, mas o acetato é eliminado. Diferentemente da noradrenalina que não pode ser reaproveitada. A colina volta para dentro do neurônio para formar uma nova acetilcolina. Tem uma droga utilizada emlaboratório vesamicol que impede o armazenamento da acetilcolina em vesículas e o animal começa a ter convulsão e a sofre os efeitos da ACh, ela precisa ficar armazenada na vesícula. ACETILCOLINESTERASE (AChE): faz a hidrólise da Ach liberando Colina e Acetato. É uma enzima muito rápida, o colinérgico tem um efeito muito agressivo. Fisostigmina Outro medicamento, que não é chumbinho, inibe de maneira mais branda a AChE, utilizada para tratar miastenia grave (paciente não tem mais receptores nicotínicos, é uma doença autoimune). Então, esses fármacos que inibem e precisa ser de forma reversível porque os agrotóxicos inibem de forma irreversível. COLINA ACETILTRANSFERASE (CAT) • A colina (alimentação)- corrente sanguínea- neurônio e reage com Acetil- CoA- Acetilcolina- armazenada nas vesículas. • A enzima é sintetizada no corpo do neurônio pelas mitocôndrias. • Vesamicol: Impede armazenamento da Ach em vesículas 26 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN Então, existem dois tipos que receptores que ACh interage: os nicotínicos e os muscarínicos. Então, sempre a ligação do neurotransmissor ao receptor leva uma alteração conformacional do receptor e vai levar ao efeito excitatório ou inibitório. RECEPTORES COLINÉRGICOS Os receptores nicotínicos são sempre iônicos, eles possuem um canal iônico no meio que vai abrir ou fechar. Receptores nicotínicos neuronais: no gânglio; Receptores nicotínicos musculares: no músculo, na placa motora. A ACh colina, tanto no gânglio ou no músculo, sempre gera efeito excitatório, ou seja, sempre abre canal de sódio. Então, a ACh no receptor nicotínico faz o gânglio funcionar e o músculo contrair. Os receptores muscarínicos (metabólicos) que são ligados à proteína G, são mais importantes, pois estão agindo em órgãos: M1 e M3 são excitatórios; M2 e M4 são inibitórios. Então: M1 (Neural- Gânglios Autonômicos), ele é excitatório e age através do IP3 e diacilglicerol que são mediadores intracelulares excitatórios; M2 (cardíaco-coração), gera bradicardia, ele inibe a adenilato ciclase, ou seja, diminui o AMPc cardíaco, é inibitório. M3 sempre excitatório, (Musculatura lisa/endotélio vascular, Glândulas exócrinas) – (IP3, DAG)- aumenta os níveis de cálcio intracelular através do IP3 e DAG que são segundos mensageiros. Está nos vasos, nas glândulas exócrinas, na saliva, no suor; M4, inibitório. Inibição da Adenilato Ciclase e não se sabe muita coisa sobre ele. Exemplo para M2: A ACh se liga ao receptor, ele vai inibir a adenilato ciclase que ao invés de receber um GTP ele não recebe e estimula a adenilato ciclase que inibida promove a abertura dos canais de potássio( íon que causa efeito inibitório), gerando inibição do músculo cardíaco e ao invés de taquicardia teremos bradicardia. Obs.: a proteina G também é inibitória – aumenta a entrada de K em detrimento do Na. EFEITOS MUSCARÍNICOS: No coração, está presente o receptor M2 gera efeito inotrópico e cronotrópico negativo, força e frequência negativa, ou seja, bradicardia. Ao contrário do simpático que é taquicardia; No vaso endotélio, se tem o receptor M3 no endotélio vascular, Por muito tempo isso foi uma icognita para os pesquisadores, pois, por se tratar de um receptor excitatório, deveria contrair o vaso. No entanto, ocorria o inverso: o vaso dilatava. Em 1989, com a descoberta do óxido nitrico ( vaso dilatador endotelial) descobriu-se que 27 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN a Ach interagia com o receptor M3, mas este não dilatava o vaso, promovia a liberação do óxido nitrico (presente no viagra), o responsável pela dilatação do vaso. No sistema respiratório, o receptor M3 realiza broncoconstrição e aumento das secreções, péssimo para os asmáticos. M3: Aumento de secreções em geral- das glândulas salivares, sudoríparas etc. Quando estamos dormindo não precisamos de muita oxigenação e logo damos descanso para brônquios que começam a produzir secreção. Por isso que à noite é o horário que a criança tem mais tosse, quando há o predomínio do parassimpático. No sistema urinário também é M3 e se tem contração da musculatura e relaxamento do esfíncter – a musculatura do esfíncter trabalha ao contrário, se você quer eliminar urina ou fezes você tem que contrair o músculo e liberar o esfíncter, toda musculatura tem um esfíncter/válvula que controla a saída, para sair a válvula tem que abrir e para isso o músculo precisa contrair; No trato GI M3 promove peristaltismo- esvaziamento GI, contração do intestino com abertura do esfíncter; Íris: M1 e M3 – contração da pupila, pois você está em repouso e não precisa enxergar melhor - Míose (estimulação dos músculos ciliares). Todos os antagonistas do simpático é um problema na odontologia- retém a salivação. Agonistas do simpático aumentam a salivação. Íris: M1 e M3 – contração da pupila, pois você está em repouso e não precisa enxergar melhor - Míose (estimulação dos músculos ciliares). EFEITOS NICOTÍNICOS: são do músculo Só são observáveis quando usados em altas doses, pois esse efeito nicotínico tem que estar sempre funcionando para que o simpático e parassimpático também funcionem. DROGAS AGONISTAS COLINÉRGICAS Ou COLINOLINOMIMÉTICAS COLINOLINOMIMÉTICOS – imitam a ação da acetilcolina. • Ação Direta - agonista de ação direta • Ação indireta ou Anticolinesterásicos - inibem a enzima acetilcolinesterase. • Não existe acetilcolina injetável, pois ela é rapidamente degradada pelas colinesterases, por isso não existem drogas à base de acetilcolina, como existe a nor e adrenalina. • Então os pesquisadores tiveram que sintetizar substâncias parecidas com a acetilcolina, mas que fossem resistentes à acetilcolinesterase. Daí tem os ésteres da colina, veremos logo abaixo sobre eles. COLINOMIMÉTICOS DE AÇÃO DIRETA A) Agonistas Muscarínicos e A.1) Ésteres da Colina - São pouco lipossolúveis (atravessam a BHE), biotransformados pela colinesterase, mas menos que a acetilcolina. São utilizados na clínica. - Acetilcolina - Metacolina (adicionou um metil), Carbacol (adicionou o grupamento amino), Betanecol (adicionou o grupamento amino e metil). - Supondo que o paciente tenha ausência total de salivação, esteja internado e tal, neste caso pode usar um éster da colina. 28 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN - Hoje em dia, o dentista já usa saliva artificial, mas em alguns casos pode-se usar o éster da colina. Olhando esse quadro, vemos que a metacolina, que foi o primeiro éster, já é metabolizado menos que a acetilcolina. O carbacol e o betanecol não são metabolizados pela acetilcolinesterase. Em compensação existem 2 substâncias que estão aqui na tabela que são a Muscarina e Pilocarpina, que são naturais, mas não são mais usadas na farmacologia, embora tenham dado o nome ao receber muscarínico (muscarina presente no cogumelo) e a pilocarpina é vasodilatador. A acetilcolina só serve como colírio em situações de cirurgia de remoção de catarata, pois pinga no olho e ela faz miose, expondo mais a catarata que vai ser retirada. Sistemicamente usamos a metacolina, apesar de não ser muito usada terapeuticamente, pois ela ainda sofre muita hidrólise pela acetilcolinesterase. Usada em casos de intoxicação, para patologia dos nervos autonômicos e para diagnóstico de asma crônica. Esse teste de metacolina é muito agressivo e pode matar, por isso só é feito quando se tem inquérito judicial para provar que você é asmático. Outros agonistas: - McN-A-343C Colinomimético seletivo para receptores M1 - Oxotremorina ÉSTERES DA COLINA ACETILCOLINA. Fármaco padrão. Uso terapêutico: cirurgia (extração de cataratas), promove míose. ÉSTERES DA COLINA Colinomiméticos Muscarínicos 29 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN METACOLINA. Não é muito usado terapeuticamente, tem muito efeito cardiovascular. Usado para diagnóstico de intoxicação por antagonistas muscarínicos. Patologia dos nervos autonômicos. Diagnóstico de Asma Brônquica. CARBACOL. Éster mais potente. Pode ser utilizado para ajudar o esvaziamento da bexiga ou estimular a motilidade. Então se o paciente está hospitalizado e a bexiga dele não funciona de jeito nenhum, como acontece em pessoas acometidas por cânceres e idosos, pode-se usar o carbacol. BETANECOL. Resistente a ação das colinesterases. Grande estimulação de m Ach R. Éster mais utilizado para ajudar o esvaziamento da bexiga ou estimular a motilidade dos músculos do intestino. Bem semelhante ao Carbacol. COLINOMIMÉTICOS DE AÇÃO DIRETA A.2) Alcalóides de ocorrência Natural – só por causa da história dessas substâncias. Muscarina: • Amanita muscaria (cogumelo alucinógeno) • Deu nome ao receptor muscarínico • 100 vezes mais potente que Ach. • Efeitos cronotrópico e inotrópico, ou seja, causa bradicardia. • Atravessa a BHE (SNC), causando alucinações. • Não é metabolizada pela colinesterase Pilocarpina: • Obtida do Pilocarpus jaborandi. • Produz menos efeitos cardíacos. • Efeito predominante em glândulas, como a salivar, por exemplo. • Droga de escolha no tratamento do Glaucoma (Isopto- pacientes idosos, com hipertensão, mas hoje em dia não é mais usada. • Primeira droga usada para ativar a salivação, mas tem efeitos colaterais e por isso foi deixada de ser usada. USOS DOS AGENTES COLINOMIMÉTICOS MUSCARÍNICOS • Ferramenta farmacológica para investigações científicas (pesquisa) • Betanecol - Íleo paralítico (atonias), quando o intestino não funciona. 30 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN - Retenção urinária não obstrutiva, ou seja, quando a bexiga não funciona de jeito nenhum. • Pilocarpina: primeira droga usada para induzir a salivação. - Glaucoma: é uma doença onde há o aumento da pressão da retina. Observar a imagem abaixo: vemos a pupila e aqui tem um canal chamado de canal Schilemn. A pessoa que tem glaucoma, como a pressão aumenta, a musculatura pressiona esse canal e não deixa drenar o líquido que tem ali dentro. Então como a pilocarpina contrai o músculo, ela deixa o canal mais aberto para que a secreção seja drenada. Hoje em dia tem drogas melhores que a pilocarpina, por isso ela não é mais usada. • Hipotensão acentuada • Bradicardia exagerada • Sialorréia- excesso de salivação, lembrando que na odontologia é usada com fim terapêutico. • Miose • Diarréia • Cólica Contra-indicações • Asma, pois faz vasoconstricção. • Insuficiência coronariana, pois faz bradicardia. • Doenças ácido-pépticas, porque aumenta a secreção. AGENTES ANTICOLINESTERÁSICOS - são aqueles que inibem a ACETILCOLINESTERASE Acetilcolinesterase (AchE) esta presente: • Em neurônios (dentritos, pericário e axônios). • Próxima às sinapses colinérgicas, no gânglio e no músculo. • Eritrócitos (função desconhecida) • Na Junção Neuromuscular (JNM), 85 a 90% da AchE esta presente na região pós- sináptica (membrana e invaginações d próxima da região sináptica, pois é preciso liberar rápido e degradar rápido a acetilcolina. • Mesmo parado, temos acetilcolina sendo liberada. Se for liberada demais e inibir a acetilcolinesterase, teremos contração excessiva do músculo. • Alzaimer: o principal neurotransmissor afetado é a acetilcolina. Então as pessoas com Alzaimer usam anticolinesterásicos, pois eles inibem a acetilcolinesterase. • Hoje, essas drogas têm mais uso para efeitos no SNC que periférico, devido a sua localização no neurônio. 31 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN Butirilcolinesterase (Bu-ChE) está presente: • No plasma, no fígado, na mucosa intestinal e substância branca do SNC. A porção colina da ACh (com grupamento amônio 4aria) liga ao sítio aniônico (negativo) - sítio aniônico só libera a acetilcolina. A porção acetil da ACh liga ao sítio esterático, forma um conjugado intermediário e subsequente liberação colina através de hidrólise- converte a região de acetil em acetato, é a região que mais trabalha. É ele que inativa a acetilcolina. Preferir fármacos que inibam o sítio aniônico para os efeitos não serem tão drásticos. No entanto, os agrotóxicos inibem o sítio estearásico, por isso que os efeitos são muito graves, são drogas irreversíveis. AGETES ANTICOLINESTERÁSICOS A) Ação curta: agem por alguns minutos. Uso para diagnóstico diferencial em pacientes suspeitos de miastenia grave (Edrofônio). - se liga ao sítio aniônico. Miastenia grave é uma doença que afeta predominantemente homens e quando ocorre é na família inteira. Há uma destruição dos receptores nicotínicos, por isso usa drogas de ação curta para aumentar a acetilcolina por mais tempo na fenda. B) Ação Intermediária: Dura algumas horas.-se liga ao sítio aniônico. Neostigmina - Prostigmine (Miastenia grave) Fisostigmina – Eserina (Glaucoma) B) Ação Irreversível: Organofosforados – Paration (inseticida) e outros (substâncias usadas como armas biológicas na segunda guerra mundial) - se liga ao sítio estearásico. - não tem uso terapêutico, mas é importante saber, pois Alagoas é um 32 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN estado muito voltado para agricultura, como Arapiraca. E lá o principal agrotóxico utilizado é um organofosforado, muitas pessoas são utilizam EPIs e acabam se intoxicando, inclusive crianças. ORGANOFOSFORADOS • Líquidos lipossolúveis, por isso atravessam rapidamente pela pele, pela respiração, nariz, por tudo que é lugar. Inclusive uma mulher grávida, se lavar a roupa do marido, pode se intoxicar por causa da absorção pelas mãos e evoluir para um aborto. • Absorção rápida e eficaz SINAIS E SINTOMAS DA INTOXICAÇÃO: todos pelo excesso de acetilcolina Miose acentuada- dor ocular; Visão borrada (longe)- secreções; Broncoconstrição-cólicas; Náuseas-vômitos; Hipotensão-fasciculações; Fadiga muscular-paralisia; Confusão-convulsões; Depressão resp.-coma; SINTOMATOLOGIA CRÔNICA Redução da libido e fertilidade Intolerância ao álcool e nicotina Envelhecimento precoce Desenvolvimento de catarata – comportamental (Suicídio). TRATAMENTO DA INTOXICAÇÃO: tem que ser muito rápido, caso contrário não resolve. 1° PRALIDOXINA - reativador enzimático; mais eficaz para intoxicação aguda. - tem que ser usado nas primeiras 24 horas e tem que ter certeza que foi agrotóxico - vai agir no sítio estearásico e recupera a enzima acetilcolinesterase. - geralmente não tem nos hospitais e os médicos não usam. Se não for por agrotóxico, você inibe o sítio aniônico para tentar arrancar do sítio estearásico e prejudica o paciente. Por isso que usam, geralmente, a atropina. - atividade anticolinesterásica fraca - Pralidoxima 400 mg em 20 ml (1ml/min) - Contrathion (Rhodia) 2° ATROPINA – impedir os efeitos muscarínicos da Ach. - compete com o acetilcolínico e toma o receptor da acetilcolina. - 4-6mg EV a cada 5-10 min - usada em caso de envenenamento por organofosforado e/ou carbonofosforado. 3° DIAZEPAN – anticonvulsivante. 4° AJUDA RESPIRATÓRIA - ventilação mecânica em caso de insuficiência respiratória. 33 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN CARBAMATOS a) Carbaril: Sevin, Menkatol, Carvin, Shellvi, Inivin)b) Propoxur: Baygon c) Moban d) Zectran: Maxacarbate --- Aldicarb (chumbinho) • Tratamento: atropina em dose variável por tempo indeterminado, retirada lenta gradual. • Não usar pralidoxima. ANTICOLINÉRGICOS ou COLINOLÍTICOS • Drogas que vão impedir ou antagonizar de alguma forma a ação da Ach (acetilcolina). Atuam por diferentes mecanismos, Drogas anticolinérgicas temos: 1) Anticolinérgicos Antimuscarínicos - mais usados. Atropina por exemplo. 2) Anticolinérgico Antinicotínico - bloqueadores neuromusculares só utilizados os hospitais, dentista não usa. ANTICOLINÉRGICOS MUSCARÍNICOS ANTICOLINÉRGICOS ANTIMUSCARÍNICOS • DROGA PADRÃO: Atropina. • MECANISMO DE AÇÃO: Bloqueia receptores muscarínicos, impedindo a ação da Ach, ou seja a atropina é um antagonista competitivo- Se liga no receptor, se tiver acetilcolina e ela estiver em grande quantidade, a atropina consegue retirar a acetilcolina. Por isso que em casos de intoxicação, a atropina é a primeira escolha, pois ela consegue retirar a acetilcolina do receptor. • SENSIBILIDADE DOS TECIDOS A ATROPINA Os mais sensíveis são glândulas sudoríparas, salivares e brônquicas. Os tecidos com atividade intermediária são músculo liso e coração. Os tecidos menos sensíveis são as células parietais do estômago, ou seja, as que produzem ácido clorídrico. EFEITOS FARMACOLÓGICOS • No Olho faz Midríase (dilata a pupila) e ciclopegia (paralisia do músculo ciliar). Dilata e fica paralisado. Jenifer Lopez-faz um filme que as pessoas morriam com midríase e taquicardia, características das pessoas, pq ela dava atropina p povo. • No SNC: - Doses Terapêuticas: ligeira excitação no SNC. - Doses Tóxicas: irritabilidade, excitabilidade, alucinações. Algumas pessoas usam certos colírios que têm esse efeito só para ter alucinações, por isso a venda passou a ser controlada. • Nas GLÂNDULAS SUDORÍPARAS - atropina causa bloqueio do receptor muscarínico e aí concentra o suor e aumenta a temperatura, o que chamamos de febre atropínica. Sabemos que as glândulas sudoríparas é responsável por dissipar o calor, com o bloqueio do receptor muscarínico, o calor será acumulado e o aumento da temperatura corporal causa febre, chamada de febre atropínica porque foi induzida pela atropina. 34 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN - Fibras simpáticas que liberam Ach. • TGI: - Glândulas salivares – como é um antimuscarínico, diminui a salivação, ou seja, causa xerostomia. - Glândulas gástricas - diminui o ácido clorídrico, já foi usado para tratamento de úlceras. - Motilidade GI- relaxa a musculatura do TGI e contrai o esfíncter. Lembre que são contrários: se eu relaxar o músculo, o esfíncter contrai. Ex.: buscopam para diminuir a cólica (cólica acontece quando a musculatura e o esfíncter estão contraídos), Ao tomar o Buscopam é uma escopolamina, que é uma atropina mais suave, a musculatura relaxa (alívio da cólica) e o esfíncter contrai, ai passa a colica. Musculatura e esfíncter sempre oponentes. • SISTEMA RESPIRATÓRIO-Glândulas Brônquicas e musculatura relaxa - acontece dilatação, broncodilatação. • SISTEMA GENITOURINÁRIO- relaxamento da musculatura lisa, diminui tônus e esfíncter contrai. • SISTEMA CARDIOVASCULAR - leve taquicardia, causada pela Atropina por ter efeito inotrópico e cronotrópico positivo. EFEITOS SEMELHANTES (COLATERAIS) Quando ouvir falar que uma droga terá efeito antimuscarínico, significa que ela promoverá xerostomia, midríase, no intestino faz constipação, relaxa a bexiga- retém líquido causando retenção urinária, taquicardia por ser inotrópico e cronotrópico positivo (aumento da força e resistência cardíaca). ESSES EFEITOS É DEVIDO AO BLOQUEIO DOS RECEPTORES MUSCARÍNICOS. Drogas com efeitos antimuscarínicos: • Antidepressivos tricíclicos que usamos para tratar DTM. • Anti-histamínicos H1 como o dramim, fernegam. • Antipsicóticos como os fenotiazínicos. ANTICOLINÉRGICO/ANTIMUSCARÍNICO Exemplos de fármacos: a) ATROPINA (natural) Usos terapêuticos: • Tratamento da bradicardia (IV) é usado a nível hospitalar, pois a atropina impede a ação da acetilcolina aumentando a atividade inotrópica e cronotrópica (taquicardia); • Adjuvante da anestesia – para diminuir a secreção pulmonar. Cirurgias de longa duração são suscetíveis a acumulo de secreção nos brônquios causando pneumonia por aspiração. A Atropina é usada para ressecar a secreção brônquica, além de estimular a broncodilatação. • Intoxicação por Organofosforados – Esses agrotóxicos inibem a acetilcolinesterase (AchE) e aumentam a acetilcolina provocando intoxicação. A atropina antagoniza o efeito da ACh. • Intoxicação por Amanita muscaria – a atropina se liga ao receptor revertendo a intoxicação por esse cogumelo alucinógeno. • Pacientes com HIV usam sulfato de atropina para conter diarreia causada pelo uso de antirretrovirais. 35 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN b) ESCOPOLAMINA OU HYOSCINA E N- BUTIL ESCOPOLAMINA - tem todos os efeitos da atropina, mas é mais depressor, sem os efeitos alucinógenos da atropina. Como a Atropina é muito potente, muito efeito central, hoje em dia usa-se muito seus derivados que tem efeito mais depressor, eles são chamados de ESCOPOLAMINA. - Usos semelhantes à Atropina + cinetose + endoscopia e radiologia GI - Efeitos depressores sobre o SNC EXEMPLOS DE FÁRMACOS: - Buscopan® (dá sono, porque não tem efeito estimulante), Buscoveran ®, Ductopan®, Hioscina ®, Sedalol ® c) Drogas utilizadas na oftalmologia - Produzem midríase e ciclopegia (efeito local) - colírios de uso altamente controlados. - Fármacos: Tropicamida - mydriacyl® (nome comercial)- ação curta - Ciclopentolato - Ciclopégico® (nome comercial)- ação prolongada. Colírio de uso controlado por que as pessoas pegavam o colírio e tomavam para ter alucinações. d) Drogas usadas como Antiespasmódicas: relaxamento da musculatura lisa GI - Camilofilina que tem noEspasmo silidron® - Dicicloverina - Bentyl® (nome comercial)- para cólica uterina. - Adifenina – Lisador® (nome comercial) - Flavoxato – Genurim® (nome comercial) - Piperidolato – Dactil-OB® (nome comercial) UTILIZADOS PARA RELAXAR A MUSCULATURA. e) Brometo de Ipratrópio e Tiotrópio . Curta duração: Brometo de Ipratrópio (Atrovent®, Duovent®, Combivent®)- Utilizados para tratar asma. (causa broncodilatação – não atravessa a BHE e não é absorvido pelo organismo, só faz efeito no brônquio) – Se a acetilcolina causa bronquioconstricção, os Ipratrópio é um antagonista muscarínico que causa broncodilatação e como eles são derivados quartenários diferente da Atropina que é um derivado terciário e atravessa a barreira hematoencefálica, eles não atravessam. - Derivado quaternário- ⇓ absorção (Quando inala vai para o brônquico e só tem efeito lá não é absorvido no estômago. - Efeito mais lento que Beta-agonista (10-20 min) duração maior (4-6 hrs) - Efeito aditivo aos beta-agonistas, usados para aumentar o efeito dos beta- agonista. Por isso que a dupla é famosa, Berotec e Atrovent. • De Longa duração temos o Tiotrópio (spiriva®) - usada para enfisema pulmonar: uma doença que 90% de quem tem é fumante ou ex-fumante caracterizado por destruir os alvéolos pulmonares- unidade funcional do pulmão. É o único medicamento que ajuda um pouco no enfisema pulmonar mas tem o preço bem salgado. -Medicamento de primeira escolha para tratar DPOC. - Primeiro broncodilatador anticolinérgico de longa duração (24 horas) desenvolvido especificamente para o tratamento da DPOC e cuja eficácia já foi atestada em diversos estudos clínicos. ANTICOLINÉRGICOS NICOTÍNICOS 36 MATERIAL DE REVISÃO DE FARMACOLOGIA – PLE 2020 – PRODUZIDO PELAS MONITORAS ADELYANNE, GABRIELA E MIRIAN São