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TEORIA DO DELITO Unidade II: Tipo e Tipicidade: Imputação subjetiva. O estudo do dolo. Conceito e espécies. O preterdolo. A culpa. Culpa Consciente. Culpa Inconsciente. Culpa Imprópria. O erro de tipo. Ausência de Conduta. A omissão e seu caráter normativo. O resultado e a relação de causalidade. Imputação objetiva. Teoria da Tipicidade conglobante. Tipicidade Formal e Material: a aplicação dos princípios; Unidade III: Antijuridicidade e causas de justificação (ILICITUDE): conceito. antijuridicidade formal e material. introdução às causas de justificação. legítima defesa. estado de necessidade. estrito cumprimento do dever legal. exercício regular de um direito. excesso nas causas de justificação. causas supralegais de justificação. Unidade IV: culpabilidade e causas de exculpação (CULPABILIDADE):evolução do conceito de culpabilidade na teoria do delito. o fundamento da culpabilidade. a função da culpabilidade na teoria do delito e a função da pena. a imputabilidade penal e suas excludentes. Unidade V: Iter Criminis: Consumação e Tentativa. Crime Consumado e Crime Exaurido. Desistência voluntária e arrependimento eficaz. Crime impossível. Arrependimento Posterior. UNIDADE II - TIPO E TIPICIDADE TIPO E TIPICIDADE - TIPO: é o conjunto de elementos do fato punível descrito na lei penal; é a descrição concreta da conduta proibida, do conteúdo da norma (Welzel); - TIPICIDADE: é a conformidade do fato praticado pelo agente com a moldura abstratamente descrita na lei penal; correspondência entre o fato praticado pelo agente e a descrição de cada espécie de infração contida na lei penal incriminadora; - É a conduta que dá causa ao tipo penal; - Estabelece-se a necessidade de um nexo causal entre o comportamento do agente e o resultado prescrito na lei penal; ● Tipicidade Formal: - encaixe perfeito entre a conduta e a norma/lei penal (tem que atender perfeitamente aos critérios da lei penal) - conduta penalmente relevante: ação ou omissão humana, consciente e voluntária, dolosa ou culposa, voltada à uma finalidade que produz ou tenta produzir um resultado previsto em lei como infração penal; ● Tipicidade Material: - é a ofensa significativa/relevante ao bem jurídico; - conectada ao princípio da insignificância; - pode haver tipicidade formal mas não material; ➢ princípios acerca da tipicidade material: - princípio da lesividade (materialmente atípica a conduta que não provoca sequer ameaça de lesão ao bem jurídica); - princípio da insignificância (materialmente atípica a conduta que provoca uma lesão irrelevante ao bem jurídico); - princípio da adequação social (materialmente atípica a conduta que é socialmente adequada ou aceita); - princípio da alteridade (é materialmente atípica a conduta que não lesa bens jurídicos de terceiros; agente não pode lesar bem jurídico próprio); ● Tipicidade Conglobante: - conduta antinormativa >> para o resto do ordenamento jurídico; - quando entra na tipicidade formal e material mas não é considerada pelo resto do ordenamento jurídico, então não é típica; - tipicidade formal + material + conduta antinormativa; - verificação do tipo legal, associada às demais normas que compõem o sistema; - zaffaroni e pierangeli: consiste na averiguação da proibição através da indagação do alcance proibitivo da norma, não considerada isoladamente, e sim conglobada na ordem normativa; ➔ CONDUTA: - conceito: ação é o comportamento humano voluntário conscientemente dirigido a um fim; - ação ou omissão - conduta >> nexo de causalidade >> resultado - Elementos: - vontade (vontade de praticar o comportamento humano, mas não o resultado necessariamente); - finalidade (toda conduta tem uma finalidade, também não necessariamente o resultado); - exterioridade (exteriorização da vontade através da conduta); - consciência (consciência da realidade fática que cercam o sujeito); ● Ausência de Ação: o sujeito faz ou deixa de fazer algo por não ter um dos elementos da conduta (ex: vontade; consciência), assim não considera-se a existência de conduta e consequentemente não tem-se o crime; pessoa não se coloca propositalmente nessa situação; - Coação física irresistível; - Movimentos reflexos; - Estado de Inconsciência (sonambulismo e hipnose); ➔ A Omissão e seu caráter normativo ● Crimes Comissivos: quando existe ação; ● Crimes Omissivos: quando existe a omissão; 1. Crime omissivo próprio: - lei penal prevê a omissão; - norma mandamental: legislador criou para obrigar o sujeito a agir; - verbo é de omissão; - Crimes de Mera Conduta: o legislador pune pela conduta e não pelo resultado; - Dever geral de proteção: toda sociedade; 2. Crime Omissivo Impróprio ou comissivo por omissão: - apenas os garantidores respondem por isso; - norma proibitiva: legislador proíbe; - verbo de ação; - o legislador pune pelo resultado; - Crimes Materiais - Dever especial de proteção: garantidor (pessoa que por lei tem a responsabilidade de garantir/evitar o resultado) - Art. 13, §2º, CP; - A relação causal é normativa; Diferenças dever de agir (1) x dever de evitar o resultado (2); crimes de mera conduta (1) x crimes materiais (2); norma mandamental (1) x norma proibitiva (2); ➔ IMPUTAÇÃO SUBJETIVA: ex: matar alguém (elemento objetivo; está previsto no CP); conduta (elemento subjetivo; dolo ou culpa); considera-se importante analisar a vontade do agente, porque entende-se que uma mesma conduta pode ter finalidades diferentes, não podendo obter a mesma sanção penal; ● DOLO: - conceito: é a vontade consciente de realizar um crime ou - mais tecnicamente - a vontade consciente de realizar o tipo objetivo de um crime, também definível como saber e querer em relação às circunstância de fato do tipo legal (Cirino); - Art. 18, I, CP; ➢ Teoria da Vontade (adotada pelo CP): - quando o sujeito tem a vontade definitiva, através de sua conduta, de ter o resultado; ➢ Teoria da Representação (não é adotada pelo CP): - ideia de que o homem é um ser racional e sua consciência consegue representar/ perceber sua atitude antes de praticá-la de fato (obs: mas não é todo ser humano); - Assim, o dolo é quando o sujeito consegue representar (prever a possibilidade do resultado) e mesmo assim a realiza; ➢ Teoria do Consentimento (adotada pelo CP): - dolo consiste no fato em que o sujeito ativo consentiu; assumiu o risco; - não se limita a querer o resultado, e sim ter o consentimento; ● Elementos: - Cognitivo ou intelectual: consciência; consiste no efetivo conhecimento de que o resultado poderá ocorrer, isto é, o efetivo conhecimento dos elementos integrantes do tipo penal objetivo. - Volitivo: vontade; o agente quer a produção do resultado de forma direta – dolo direto – ou admite a possibilidade de que o resultado sobrevenha – dolo eventual ● Espécies ➢ Dolo Direto: - dolo por excelência; - quando o sujeito, de forma livre e consciente, tem consciência da conduta e quer gerar o resultado; 1. Dolo Direto de 1º Grau: - relacionado aos fins pretendidos e meios escolhidos; - os meios escolhidos geram APENAS os fins pretendidos; - ex: objetivo: matar o leandro // meio: arma de fogo // resultado: apenas leandro morto com os tiros; 2. Dolo Direto de 2º Grau (acessório do Dolo Dir. de 1º Grau): - são gerados efeitos colaterais (sujeito ativo tem certeza deles); - os meios escolhidos geram efeitos colaterais mas que são assumidos como certos e necessários para realizar os fins pretendidos; - ex: objetivo: matar o leandro // meio: colocar uma bomba na 010/2022 durante o horário de aula e com certeza de outros discentes presentes no local // resultado: morte do leandro (objetivo) e dos discentes da 010/2022 mortos (efeitos colaterais certos e necessários); obs: é necessário ter o dolo de 1º grau para ter o dolo de 2º grau; ➢ Dolo Eventual (sujeito ativo assume o risco - teoria do consentimento): - busca a prática da conduta; - tem consciência da possibilidadedo resultado mas não quer ele diretamente; - indiferença em relação à previsibilidade do resultado; - efeitos colaterais: possíveis, mas não certos (dolo direto de 1º grau + dolo eventual); - ex: objetivo: matar o leandro // meio: colocar uma bomba na 010/2022 durante o intervalo de aula, sem a certeza de que outros discentes estarão presentes // resultado: morte do leandro (objetivo) e de mais dois discentes que estavam presentes nos local (efeitos colaterais incertos, mas indiferentes); ➢ Obs: Dolo Geral (erro sucessivo): - o sujeito quer o resultado mas acontecem alguns erros (acabam interferindo sucessivamente na conduta) durante e consegue apenas posteriormente o resultado; - ex: Caso Elize Matsunaga (pensou que o marido estava morto antes do momento do esquartejamento, mas ele foi morto apenas no início desse ato); ● CULPA: - conceito: é a inobservância do dever objetivo de cuidado manifestada numa conduta produtora de um resultado não querido, mas objetivamente previsível; - art. 18, II, CP; parágrafo único: excepcionalidade do crime culposo; - dolo é a regra e por isso não precisa ficar expresso. enquanto a culpa é a exceção e precisa estar expressa em lei; - não existe tentativa culposa (só responde se a conduta gerar o resultado); ● Elementos: 1. Conduta Humana; 2. Inobservância do cuidado objetivo - dever objetivo de cuidado; 3. Produção de um resultado e nexo causal; 4. Previsibilidade objetiva do resultado (em outras situações o resultado era previsível por pessoas prudentes, cuidadosas); ● a questão da culpa não está no resultado da conduta objetivada pelo agente, mas pelo meio escolhido que se faz imprudente e alcança um fim diferente do desejado; ● utiliza um meio que desrespeita as regras de cuidado para praticar a conduta e acaba tendo um resultado proibido mas previsível (em situações normais) e indesejado; ● Modalidades de Culpa: 1. Imprudência: conduta ativa (faça algo); descuido comportamental que leva a um resultado não esperado, onde o agente pratica a conduta sem considerar a produção do resultado; 2. Negligência: conduta omissiva (deixar de fazer algo/ se omitir); descuido total com os próprios atos, assumindo o risco de produzir o resultado, ainda que não tenha a intenção; 3. Imperícia: culpa vinculada ao exercício de uma profissão/ ofício; falta de habilidade técnica ou profissional esperada do agente ao realizar o ato; obs: imprudência e negligência: pode ter os 2 na mesma conduta; ● Espécies de Culpa: 1. Culpa Consciente: - prevê a possibilidade do resultado 2. Culpa Inconsciente: - não prevê a possibilidade do resultado; OBS: Dolo Eventual X Culpa Consciente: ➢ dolo eventual: não quer o resultado // quer a conduta // prevê e faz: indiferente com o resultado (assume o risco); ➢ culpa consciente: não quer o resultado // quer a conduta // prevê e faz: acredita que não terá o resultado ➢ quanto - provável: culpa consciente; ➢ quanto + provável: dolo eventual; obs: a diferença da pena EM ABSTRATO vai ser somente entre dolo e culpa; ● Crime Preterdoloso: - dolo na conduta e culpa no resultado; - pratica a conduta e quer gerar um resultado, mas acaba gerando um resultado diferente do desejado (efeito colateral imprevisível) - ex: lesão corporal seguida de morte - obs: penas específica para o preterdoloso; NEXO DE CAUSALIDADE - A causalidade constitui um elemento subjetivo prévio dos tipos (delitos) de resultado; uma questão de imputação objetiva do resultado; - O nexo causal é um constructo, e não simplesmente uma constatação físico-natural; - é o elo entre a conduta e o resultado, é o que se determina se a ação X efetivamente produziu o resultado Y; relação entre a ação e a consequência; - Não configura por si só a tipicidade, mas faz parte de seus requisitos; - Estudo que permite, a partir da compreensão da norma, correlacionar com a conduta do sujeito; - conectado ao estudo da conduta (dolo e culpa) - elo entre a conduta e o resultado; ● Resultado (consumativo): Crimes materiais, formais e de mera conduta - consumativo classificação dos crimes em si, sem necessariamente o caso concreto, apenas baseado na tipicidade da lei; - Crimes Materiais: ⤷São aqueles que a norma penal/o tipo da norma preveem uma conduta e um resultado; ⤷Tempos cronológicos diferentes; ⤷Gera uma alteração do mundo material; ⤷Só é consumado quando o resultado ocorre; ⤷Os únicos que exigem conduta + nexo + resultado; ⤷ ex: homicídio (art. 121), furto (art. 155), estelionato (art. 171) “é imprescindível a existência, respectivamente, da morte, da subtração e da obtenção da vantagem ilícita para a consumação desses tipos penais utilizados como ex”: - Crimes Formais: ⤷A construção típica do crime gera uma conduta e o resultado em momentos cronológicos iguais; ⤷ o crime é consumado com a conduta; ⤷ não precisa do resultado para ser considerado crime; ⤷ resultado será apenas uma “adição”; ⤷ a mera prática da conduta tipificada gera ou pode vir a gerar um resultado naturalístico, um dano a um bem jurídico, não sendo o resultado material um requisito para sua configuração; ⤷ ex: extorsão mediante sequestro (art. 159, CP) (por ser crime formal, pouco importa se houve resultado naturalístico como produto, sendo que a vantagem econômica apenas se configura como exaurimento). - Crimes de Mera Conduta: ⤷ crime se esgota na conduta; ⤷ não há momentos cronológicos distintos; ⤷ sujeito busca apenas a conduta; ⤷ não precisa ter o resultado; ⤷ a conduta não gera nenhum evento naturalístico, nenhuma consequência, apenas o perigo de uma consequência, de um dano; ⤷ associado aos crimes de perigo abstrato; ex: porte ilegal de armas; Nexo de Causalidade - Art. 13, CP - Só pode ser imputado a quem de fato causou, o titular da causa; - Causa: ação ou omissão sem a qual o resultado não existiria; - Teoria da Equivalência das Condições ou Conduta Sine qua non: - todo fator que interfere no resultado é considerado causa; juízo hipotético de eliminação; Superveniência de causa relativamente independente que, por si só, produz o resultado (art. 13, § 1º, CP) >> casos em que a conduta do agente produz um resultado que se agrava por fatores externos e independentes; § 1º: “a superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.” ● Concausa/ Causas: - quando dentro de uma consideração fática existe + de um fator que aparentemente interfere no resultado e quer verificar quem de fato é causa ou não; - Preexistente: antes do resultado; - Concomitantes: simultaneamente; - Supervenientes: posteriormente; ● Causa Absolutamente Independente (preexistente; concomitante; superveniente) - Surge e gera o resultado sozinho, totalmente independente do outro fator; ● Causa Relativamente Independente (preexistente; concomitante; superveniente) - Os dois fatores em algum momento se encontram e se somam para produzir o resultado; os dois de fato são causas interligadas (se excluir um ou outro o resultado não será o mesmo) - F1 (fator preexistente) + F2 (fator superveniente) = Resultado; F2: ao mesmo tempo que é relativ. independente é também absolutamente independente, pois o F1 não geraria todo esse resultado; OBS: normalmente a Superveniente surge devido o 1º fator (está na linha de desdobramento natural da conduta) IMPUTAÇÃO OBJETIVA: - Criada como tentativa de substituir o estudo da relação do nexo de causalidade; - visa delimitar o alcance do tipo objetivo (a partir de critérios essencialmente normativos), e não imputar resultados; - Sua verificação constitui uma questão de tipicidade; - Ideia principal: estudo do risco - Risco juridicamente proibido x Risco juridicamente permitido (socialmente tolerado) - risco permitido: é o risco inerente à vida em sociedade, aquele que se faz presente no dia a dia e nas atividades comuns dos indivíduos;- Ex: dirigir carro; - risco proibido: é o risco gerado por ação humana que ultrapassa o grau de tolerância balizado pelas atividades cotidianas e se mostra contrário ao ordenamento jurídico; - Ex: dirigir carro embriagado; UNIDADE III - ANTIJURIDICIDADE E CAUSAS DE JUSTIFICAÇÃO (ILICITUDE) >é a contrariedade entre a ação e a norma; A infração de um dever, a desobediência à norma; A relação de antagonismo que se estabelece entre uma conduta humana voluntária e o ordenamento jurídico, de modo a causar lesão ou expor a perigo de lesão um bem jurídico tutelado; >a oposição ao ordenamento jurídico, a violação dos limites estabelecidos em lei; > via de regra, todo fato típico é ilícito. Entretanto, o código penal prevê excludentes para o aspecto (art. 23, I, II e III); >> incorre em conduta ilícita o sujeito que pratica um fato típico, que viola os limites estabelecidos em lei e que não é investido de nenhuma das circunstâncias excepcionais admitidas pelo ordenamento jurídico; Excludentes de antijuridicidade ou causas de justificação - art. 23, CP: - excesso nas causas de justificação; - causas legais e supralegais; 1. Consentimento do ofendido >> requisitos: - vontade juridicamente válida; - capacidade do ofendido; - bem jurídico disponível; - o fato se limite ao que foi consentido; 2. Estado de Necessidade: - art. 24, CP: - é a prática da conduta para evitar ou defender do perigo (não causado por vontade própria), impedindo o sacrifício de direito próprio ou alheio; - caracteriza-se pela colisão de interesses juridicamente protegidos, devendo um deles ser sacrificado em prol do outro; - requisitos: ● existência de perigo atual e inevitável: risco concreto, provocado por comportamentos humanos, animais ou pela força da própria natureza, sem destinatário específico; situação de risco real, quando perigo efetivamente existe; obs: estado de necessidade putativo: quando o indivíduo atua de forma imaginária, ou seja, acredita que está em situação de perigo real, mas na verdade não está; ● não provocação voluntária do perigo: agente não pode provocar o fato por vontade própria, de forma dolosa; ● inevitabilidade do perigo por outro meio: a única condição possível para defender direito próprio ou alheio seja o cometimento do ato lesivo; (estado de necessidade agressivo: o agente sacrifica bem jurídico de sujeito que não provocou o perigo ou não está dentro da situação de perigo); (estado de necessidade defensivo: no ato do agente, o bem jurídico sacrificado é do indivíduo que provocou o perigo); ● inexigibilidade de sacrifício do bem ameaçado ou razoabilidade do sacrifício do bem: analisa a proporcionalidade entre o bem protegido e o bem sacrificado; leva-se em consideração a hierarquia de bens jurídicos baseada em princípios, regras e valores constitucionais; ● ameaça a direito próprio ou alheio: quando o agente, diante do perigo, busca conservar direito próprio ou alheio (de terceiros); uma vez que todos os bens juridicamente tutelados podem ser defendidos pelo estado de necessidade; ● elemento subjetivo: finalidade de salvar o bem em perigo; ● ausência de dever legal de enfrentar o perigo: art. 24,§ 1º, CP; indivíduos que têm a obrigação legal de enfrentar a situação de perigo, não podem alegar estado de necessidade, como é o caso de policiais e bombeiros; >> redução da pena: casos em que o Estado de Necessidade não é reconhecido, mas a ponderação de valores dos bens jurídicos em risco é razoável; jus à redução da pena aplicada, porque leva em conta a intenção de proteger o bem jurídico próprio, embora não seja de valor equivalente ao que foi sacrificado; art. 24, §2º, CP: ainda haverá pena mas será reduzida de 1/3 a 2/3 . 3. Legítima Defesa: - art. 25, CP; - aquela requerida para repelir de si ou de outrem uma agressão atual e ilegítima; - requisitos: ● agressão injusta, atual ou iminente: conduta praticada, pela ação ou omissão humana, a qual coloca em situação de risco um bem jurídico;o é injusta por ser contrária ao direito; real: ofensa existe de forma concreta; putativa: agente supõe a agressão; atual: se estiver acontecendo no tempo presente; iminente: se estiver em momento perto de ocorrer; ● direito próprio ou alheio; ● meios necessários, usados moderadamente: meio necessário a forma ou instrumento menos lesivo e disponível para o agredido defender-se; o uso deve ser de forma suficiente para cessar a lesão de modo competente; proporcionalidade entre a ofensa e a defesa; ● elementos subjetivos: animus defendendi: ter consciência da agressão injusta e a vontade de defender-se; ● legítima defesa sucessiva: ocorre quando existe repulsa da vítima; ● agente de segurança protegendo vítima: atua também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a vítima que é mantida refém durante a prática de crimes; e não em estrito cumprimento do dever legal, o que reforça a ideia de que não há o “estrito cumprimento do dever legal de matar” - exceto nos casos de execução por pena de morte em caso de guerra declarada (art. 56, CPM) obs - diferenças entre estado de necessidade legítima defesa: estado de necessidade: - situação de perigo; - perigo atual; - perigo vindo de humano ou animal; - conduta que pode atingir terceiro inocente; - conflito entre bens jurídicos tutelados pelo direito; - nem todos podem alegar; legítima defesa: - situação de agressão injusta; - agressão atual ou iminente; - agressão vinda somente de humano (obs: exceto caso de ANIMAIS que estão sob o CONTROLE/ORDEM HUMANA); - conduta que atinge somente o bem jurídico do agressor; - repulsa contra uma agressão injusta; - todos podem alegar, basta sofrer agressão injusta; 4. Estrito cumprimento do dever legal: - art. 23, III, CP; - ocorre em casos de funcionários públicos (ou agentes particulares que exercem funções públicas), os quais em determinadas situações são obrigados a violar bem jurídico de indivíduos pelo estabelecimento de um dever legal; - apenas a obediência a normas já estabelecidas, sem abusos e sob pena de excesso (excesso é a acentuação desnecessária a uma conduta permitida); - art. 23, parágrafo único, CP> excesso doloso (quando o excesso é cometido por vontade própria; culposo (quando o agente se excede por imprudência, imperícia ou negligência) - requisitos: ● estrito cumprimento: necessário que o sujeito tenha apenas feito exatamente o que está escrito em lei; ● dever legal:é aquela obrigação que, necessariamente, deriva direta ou indiretamente de lei ou ato normativo; norma que impõe a obrigação não precisa ser de caráter penal, mas também poder ser de âmbito comercial, civil, administrativo, etc; essa regra de força normativa obriga o sujeito a agir de determinada forma, prescrevendo até mesmo uma sanção em caso de descumprimento; 5. Exercício regular do Direito: - art. 23, III, CP; - ocorre quando a conduta do indivíduo é regulada por um direito, e este definido por uma lei; - ex: caso da execução de prisão em flagrante por qualquer pessoa (art. 301, CPP); - pro magistratu: situação em que o Estado não pode ser fazer valer para evitar a lesão ao bem jurídico em questão ou restaurar a ordem pública (ex: aparatos perigosos para a defesa do patrimônio); - direito de castigo: atitude justa por parte do agente, já que deve aplicar determinado “castigo” ao outro sujeito (ex: prisão em flagrante feita por cidadão comum); - requisitos: ● exercício regular; ● Direito; ● indispensabilidade: impossibilidade de utilizar outro recurso útil aos meios coercitivos normais; ● proporcionalidade: em concordância com o art. 23, parágrafo único, não deve haver excessos; ● conhecimento da situação: ciência da situação de fato que justifica o ato (requisito subjetivo); UNIDADE IV - CULPABILIDADE >>Teorias 1. Teoria Psicológica: a culpabilidade é a relação entre o agente e o resultado de forma psíquica, especificando-se em dolo e culpa,tendo como pressuposto a imputabilidade; - culpabilidade como algo interno do sujeito (relação anímica de vontade do sujeito para com a ação); - dolo e culpa inseridos; 2. Teoria Psicológico-normativa: dolo e culpa passam a ser elementos da culpabilidade e não espécies, assim como a imputabilidade e a exigibilidade de conduta diversa; - neokantismo: valor da norma; culpabilidade como algo interno e externo (juízo de valor externo); 3. Teoria normativa pura: ocorre a incorporação do dolo e da culpa pelo fato típico, passando a culpabilidade a ser estruturada por: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e consciência da ilicitude; atual teoria adotada pelo BR; - dolo e culpa vão para tipicidade (finalismo); - culpabilidade como algo externo ao sujeito ativo, juízo de valor. reprovabilidade da sociedade em relação a conduta; >>co-culpabilidade: os fatores sociais podem ser determinantes para a formação do caráter do cidadão; Assim, essa teoria transfere ao Estado uma parcela da responsabilidade dos atos criminosos cometidos pela desigualdade social; Não há exclusão da culpabilidade, mas a consideração de fatores externos na conduta típica do agente e na consequente penalização do mesmo; Art. 66, CP: a pena pode ser atenuada em circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, mesmo que não for prevista em lei; >>definição: culpabilidade é a reprovabilidade da formação da vontade (welzel) >juízo de reprovabilidade sobre o comportamento do agente, procura-se compreender se a conduta dentro do contexto social e do momento em que foi realizada pode ser punida pelo sistema penal; >juízo de reprovação da sociedade para com a conduta; >> elementos: 1. Imputabilidade: é a capacidade ou aptidão para ser culpável; - elemento da culpabilidade que valora a capacidade de compreensão ou autodeterminação do sujeito ativo; - entender se a conduta do sujeito é realmente reprovável diante da sociedade, se a punição pelo meio penal é adequada à situação e se o agente possui o discernimento suficiente para assumir o risco ou desejar o resultado da sua ação; - Imputável: culpável; tem capacidade de compreender suas ações (compreender a conduta e suas responsabilidades); - Inimputável: não é culpável; não tem capacidade de compreender e se autodeterminar; >>excludentes: - inimputabilidade por doença mental: - inimputabilidade por imaturidade natural: >>Não exclui a imputabilidade: - emoção e paixão: - embriaguez (existem alguns casos que excluem a imputabilidade): 2. Potencial consciência da ilicitude do fato: - para o sujeito ser culpável, além de ser imputável, ele tem que ter consciência que a conduta é ilícita; - art. 21, CP: ninguém pode alegar em seu favor o desconhecimento da lei (conhecimento de moralidade social [ex: saber que matar é errado] ≠ conhecimento do caráter técnico da lei [ não precisa saber disso]); >>excludentes: - erro de proibição inevitável (art. 21, parágrafo único): não sabia que era proibido/ilícito; - o simples desconhecimento das leis não é motivo suficiente para isentar um sujeito de pena, mas o sujeito pode demonstrar que não houve possibilidade de conhecer o caráter ilícito da conduta que praticou - que o erro que cometeu era inevitável; 3. Exigibilidade de conduta diversa: - exigir que a pessoa poderia ter tido uma conduta diferente/poderia ter evitado a conduta; >>excludentes: - coação moral irresistível: - obediência hierárquica: Excludentes de Culpabilidade 1. INIMPUTABILIDADE: - sistemas: biológico (basta a condição física existente, ex: cegueira), psicológico (condição mental do sujeito) e biopsicológico (condição física e mental); 1.1 Doença mental, desenvolvimento mental incompleto ou retardado: sistema biopisicológico art. 26, CP - doença mental (tratado como gênero) ● Doença Mental (alienação mental): são as psicoses, e aí se incluem: os estados de alienação mental por desintegração da personalidade, ou evolução deformada dos seus componentes, como ocorre na esquizofrenia, ou na psicose maníaco-depressiva e na paranoia; as chamadas reações de situação, distúrbios mentais com que o sujeito responde problemas embaraçosos de seu mundo circundantes; as pertubações do psiquismo por processos tóxicos ou tóxicos-infecciosos; e finalmente os estados demenciais, a demência senil e as demências secundárias; ● Desenvolvimento mental incompleto: é aquele desenvolvimento mental que ainda não se concluiu (pode afetar um dos sentidos); ● Desenvolvimento mental retardado: compreende a oligofrenia, em suas formas tradicionais - idiota, imbecilidade e debilidade mental - é aquele em que não se atingiu a maturidade psíquica por deficiência de saúde mental; - Durante a conduta: >>plenamente capaz: tinha consciência no momento da conduta, mesmo com a doença; culpável; >>inteiramente incapaz: no momento da conduta, em razão da doença mental, o sujeito estava inteiramente incapaz; Assim, é isento de pena, mas não de sanção (Medida de Segurança art. 96, CP) >>Medida de Segurança: resposta do Estado à conduta típica e ilícita na qual o sujeito é inimputável, mas apresenta periculosidade ⤷Sentença absolutória imprópria: como não tem culpabilidade (inimputável), não tem crime e nem sentença do crime, mas o juiz precisa declarar a medida de segurança (obs: não é determinado inicialmente um prazo; determina um prazo para a perícia médica, não a medida de segurança em si) ⤷ Pode ser internação/tratamento ambulatorial - Semi-imputabilidade ou capacidade diminuída: ➔ art. 26, § único, CP; ➔ capacidade reduzida (não é inteiramente capaz ou incapaz): culpável, mas semi-imputável; pena é reduzida de 1/3 a 2/3 ➔ situam-se nessa faixa os chamados fronteiriços, que apresentam situações atenuadas ou residuais de psicoses, de oligofrenias e, particularmente, grande parte das chamadas personalidades psicopáticas ou mesmo transtornos mentais transitórios. Estes estados afetam a saúde mental sem, contudo, excluí-la, ou seja, o agente não é inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com este entendimento; 1.2 Menoridade ou imaturidade natural ou imaturidade mental: - art. 27, CP e art. 228, CF; art. 99 e 100, ECA; - sistema biológico; - não pratica crime, e sim ato infracional (ECA) - até 12 anos: medida protetiva; - 12 a 17 anos: medida socioeducativa; 2. EMOÇÃO E PAIXÃO (não excluem a culpabilidade) >> emoção: é uma viva excitação do sentimento; é uma forte e transitória perturbação da afetividade a que estão ligadas certas variações somáticas ou modificações particulares das funções da vida orgânica; >> paixão: é a emoção em estado crônico, perdurando como um sentimento profundo e monopolizante (amor, ódio, fanatismo, etc) - art. 28, I, CP; - não é excludente, mas pode reduzir a pena; 3. EMBRIAGUEZ (em regra, não exclui a culpabilidade) - art. 28, II, CP; - sistema biopsicológico - conceito: embriaguez pode ser definida como a intoxicação aguda e transitória provocada pela ingestão de álcool ou de substâncias de efeitos análogos (maconha, remédio, outras drogas); alteração que pode afetar os sentidos, a compreensão; >>Níveis/Estágios: 1. Alteração de Ânimo (1ª fase; capacidade reduzida) 2. Alteração das percepções motoras e mentais; 3. Letárgico: bem afetado/alterado (2ª fase completa; 2 + 3 plenamente incapaz); obs: a capacidade sempre é analisada no momento do ato; - Modalidades: ● embriaguez não acidental: - sujeito se embriagou por ação própria; voluntária: sujeito consome a substância com o objetivo de ficar embriagado; quer o efeito dela; culposa: sujeito consome pelo mero prazer de consumir a substância, mas não objetiva ficar embriagado; - culpabilidade: independente de ser voluntária ou culposa, completa ou incompleta; nunca é excludente e nem redutora de pena; questão de política criminal (justificativa para sua imputabilidade); - teoria do action libera in causa: no momento da ingestãoa vontade do sujeito é plenamente capaz, então responde pela sua ação que foi provocada; ● embriaguez acidental: - caso fortuito ou força maior: - força humana que te leva à ingestão da substância contra sua vontade; - caso fortuito: desconhece o caráter tóxico da substância; ingerir a substância desconhecendo os seus efeitos; - força maior: sujeito é obrigado por uma força humana maior (forçado/coação física); - inimputável: art. 28, § 1º, CP - embriaguez completa: absolvição plena/total (não sofre nenhuma espécie de sanção) - art. 28, § 2º - embriaguez acidental e incompleta: imputável, mas pena reduzida de 1/3 a 2/3 ; ● embriaguez preordenada (art. 61, II, CP): - ingere a substância propositalmente para perder seus freios inibitórios e praticar o crime; - não é excludente, pelo contrário, é agravante da pena (independente de ser completa ou incompleta) ● embriaguez habitual ou patológica (art. 26, CP): > habitual: alcoolismo crônico, quem se apresenta habitualmente embriagado - caracteriza anomalias psíquicas; > patológica: alcoolismo agudo que se manifesta em pessoas preordenadas, assemelha-se a psicose, seria uma doença mental; - completa (art. 26, caput, CP): inimputável, mas sofre medida de segurança; - incompleta (art. 26, parágrafo único, CP): semi-imputável, mas sofre redução de pena; 4. COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL E OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA - ART. 22, CP - coação moral irresistível: situação de grave ameaça; é a conduta praticada por um sujeito em que utiliza de artifícios psicologicamente ofensivos ou cruéis para condicionar a ação de outra pessoa; ≠coação física irresistível; - obediência hierárquica: sujeito cumpre as ordens do seu superior sem saber que era/estava praticando ato ilegal/esquema ilegal; - requisitos: ● ordem proferida por autoridade competente e relação de subordinação advinda de superior hierárquico: deve decorrer de uma autoridade vinculada ao Direito Público com competência para proferi-la; o agente que incorre nesta excludente deve ser funcionário público subordinado a uma autoridade competente; assim, as relações de trabalho na esfera privada não se encaixam neste quesito; ● ordem não manifestamente ilegal: a ordem proferida pela autoridade não pode ser manifestamente ilegal, mas sim constar de um ato comum que, devido às circunstâncias, se torna típico; ● se ater aos limites da ordem: o agente não deve exceder os parâmetros da ordem que lhe foi dada, já que estaria agindo por conta própria e seria responsabilidade; ● agente com atribuições para agir: a ordem deve se referir a uma atividade dentro do âmbito de atuação do funcionário; ERRO ⤷ é o entendimento equivocado de determinada situação que envolve conduta criminosa, seja por falta de conhecimento suficiente da lei, seja por engano quanto à classificação da sua conduta; ● Erro de Tipo: - erro sobre a realidade fática (sujeito desconhece na sua conduta os elementos que constituem a tipicidade) - indivíduo não tem plena consciência da prática da conduta ilícita, já que lhe falta o elemento subjetivo do tipo penal, ou seja, a pessoa age, entendendo o que é a conduta, mas com um engano sobre uma característica da sua ação que torna o lícito em ilícito; - é a ignorância ou a falsa interpretação de qualquer um dos elementos constitutivos do tipo penal - interfere na tipicidade (conhecimento do tipo) - Classificado em essencial e acidental; ● Erro de Proibição: - erro por desconhecimento da norma (o que é permitido ou proibido) - interfere na culpabilidade (conhecimento da ilicitude da norma) - Classificado em direto, indireto e mandamental; Todo erro pode ser: ➔ Inevitável/ Invencível/ Escusável: - quando o sujeito estava agindo de forma cautelosa na conduta mas não conseguiu evitar o erro; - erro era inevitável; - sujeito ativo não responde criminalmente; ➔ Evitável/ Vencível/ Inescusável: - sujeito ativo foi imprudente/descuidado na conduta e poderia ter evitado; - sujeito ativo responde criminalmente mas poderá ter diminuição de pena; Erro de Tipo ➔ Essencial (art. 20, CP) - engano do sujeito sobre os elementos, as qualificadores, as causas de aumento e agravantes da pena - o agente não tem plena consciência de que está praticando um crime; erro sobre a realidade fática; - sempre afasta o dolo; - inevitável: sujeito não responde, não tem dolo e culpa, então afasta a tipicidade; - evitável: sujeito pode responder por crime culposo, dependendo do caso. ➔ Acidental - erro se dá sobre circunstâncias e características secundárias do crime, de forma que não impede a responsabilização do agente; - agente não julga lícita a sua ação; age com consciência da antijuridicidade de seu comportamento, apenas se engana quanto a um elemento não essencial do fato; - erro sobre o objeto: o agente se engana sobre o objeto material do crime, como roubar de uma loja um produto X ao invés do produto Y; Em regra, como é algo irrelevante para caracterizar o crime, o agente é responsabilizado normalmente; - erro sobre a pessoa/ in persona (art. 20, §3º, CP): engano sobre a pessoa-alvo da conduta criminosa; o sujeito pretende atingir “Paulo” mas atinge “Marcos”; No momento do cálculo da pena, o juiz vai considerar as qualificações/motivações da pessoa que era o objetivo, apesar de outrem ter sofrido o crime (não é considerada a pessoa atingida, e sim a pessoa-alvo) - erro na execução (art. 73, CP): erro do agente em executar a sua conduta, levando à violação de bem jurídico de terceiro que não estava na sua intenção inicial; no cálculo da pena o juiz também considera a pessoa que era objetivo, não a que foi atingida (no caso motivações/particularidades) - erro no resultado (art. 74, CP): erro na execução que se dá de pessoa para coisa ou de coisa para pessoa; gera responsabilização do agente pelo resultado produzido (seja único ou duplo) ex. Mira uma pedra na Paula e acaba errando e acerta o vidro da UFPA (dano ao patrimônio público); vai responder pelo crime de forma culposa, dependendo do caso; - erro sobre o nexo causal: quando o agente acredita que determinada ação sua gerou o resultado, mas na verdade foi um outro ato que o causou; a punibilidade ainda existe; ➔ Permissivo: - erro sobre a realidade fática dentro das descriminantes/excludente (descriminante putativo) - inevitável: isento de pena; afasta a culpabilidade - evitável: sujeito responde de forma culposa; Erro de Proibição ➔ Indireto (art. 21, CP): - descriminante putativo; - erro do caráter ilícito; sujeito sabe que a conduta é típica, mas acredita que existe uma excludente de ilicitude que recai sobre suas ações; - ocorre um engano quanto aos limites ação ou quanto à existência da excludente; - inevitável: sujeito isento de pena; - evitável: pena reduzida de 1/6 a 1/3 - ex: matar o estuprador da filha pensando que seria legítima defesa de terceiro, mas ação já cessou; ➔ Direto (art. 21, CP): - incide sobre o comportamento do agente, que acredita que a conduta é lícita; - inevitável: sujeito isento de pena; - evitável: pena reduzida de 1/6 a 1/3 ➔ Mandamental (art. 21, CP): - recai sobre a conduta omissiva (deixou de fazer algo pensando que era lícito mas era ilícito) UNIDADE V - ITER CRIMINIS - O Iter criminis acompanha a conduta ilícita desde sua cogitação até o resultado que põe fim ao ato; - É dividido em fases, a saber: cogitação, preparação, execução e consumação: - O caminho do crime: Cogitação -> Preparação -> Execução -> Consumação -> Exaurimento ● 1ª fase - Cogitação: é a única fase interna, aqui o sujeito pensa, mentaliza, planeja o crime; ● 2ª fase - Preparação ou atos preparatórios: é fase externa, quando o sujeito começa a se cercar dos elementos para a prática do crime; ● 3ª fase - Execução (condutas): é fase externa, quando se inicia uma conduta diretamente ligada ao núcleo do tipo, voltada a realização da ação típica; ● Tentativa: o instituto da tentativa se dá quando a execução,por motivos alheios, é impedida de levar ao resultado; - Está positivada no artigo 14, inciso II do Código Penal, sendo chamada norma de extensão - todo crime caracterizado como tentativa obrigará visita ao artigo; - Na tentativa a pena é reduzida em 1/3 à 2/3 (art. 14, parágrafo único, CP); - Não existe tentativa na contravenção penal, nem nos crimes de mera conduta, nem nos crimes culposos; - A tentativa pode ser perfeita ou imperfeita: ⤷ Perfeita: o sujeito acredita esgotar seu potencial lesivo, acreditando fazer o necessário para consumar o ato; ⤷ Imperfeita: o sujeito percebe que não esgotou seu potencial lesivo, não praticando os atos necessários para esgotar. - A tentativa, também, pode ser branca ou vermelha: ⤷ Branca: a vítima não chega a ser afetada fisicamente; ⤷ Vermelha: a vítima é afetada fisicamente, mas o crime não é consumado. ● 4ª fase - Consumação (resultado): é fase externa, quando se esgota todos os elementos do crime, realizando o ato. Está positivado no artigo 14, inciso I do Código Penal. - Todos os crimes dolosos apresentam, ao menos, a 1ª até a 3ª fases; - Apenas são considerados crimes aqueles que chegam a fase de execução; ⤷ Com exceção aos crimes tipificados no CP como o crime de associação criminosa, que se reveste enquanto crime mesmo sendo ato preparatório (crime autônomo). - No Iter criminis os crimes podem ser classificados quanto ao momento da consumação, a saber: crimes materiais, formais ou de mera conduta: ● Crimes materiais: se consumam no resultado (fase da consumação); ● Crimes formais: se consumam na conduta (fase de execução) - Vale frisar que mesmo se consumado na conduta o resultado era previsível; - A execução e a consumação andam juntas; - Por exemplo, o crime de extorsão mediante sequestro. ● Crimes de mera conduta: se consuma na conduta (fase de execução), mas diferentemente do anterior, esse não tem previsão de resultado na lei; - Por exemplo, o crime de invasão de domicílio; - O instituto da tentativa não pode ser aplicado em crimes de mera conduta. - Existe ainda uma 5ª fase no Iter Criminis, é o exaurimento (resultado), ganhando importância nos crimes formais; ● Exaurimento (resultado): - O exaurimento não é fase do Iter Criminis, esse termina na Consumação, é um elemento que se apresenta majoritariamente no estudo dos crimes formais; - Nos crimes formais a execução e a consumação se unem, ocorrendo no mesmo momento, posteriormente vem o exaurimento; - Nos crimes formais pode haver tentativas a depender dos meios escolhidos; - Já nos materiais sempre haverá tentativa e a execução é diferenciada na consumação. - Pode ocorrer do sujeito iniciar a execução e por vontade própria cessar a conduta e não alcançar a consumação pretendida, prevê-se, nesses casos, os institutos do arrependimento eficaz e da desistência voluntária: ● Desistência voluntária: simples ato de parar a conduta, sabendo não ter esgotado o potencial lesivo; ● Arrependimento eficaz: quando há arrependimento pelos atos praticados, passando o sujeito a concorrer para a não consumação do ato, com consciência de ter encerrado o potencial lesivo; - Tanto na desistência, quanto no arrependimento a pena é aplicada apenas aos crimes já praticados, tais institutos estão no artigo 15, Código Penal. ● Arrependimento posterior: - Ocorre após a consumação, ocorrendo a restituição do bem, está positivado no artigo 16 do Código Penal; - Só pode ser aplicado em crimes sem violência à pessoa, ou grave ameaça, em geral pode ser evocado em crimes patrimoniais; - A restituição pode ocorrer até a chegada da denúncia ao juizado; - É causa de redução da pena. - ● Crimes impossíveis: - O sujeito pensa estar praticando um crime que na verdade é impossível, está positivado no artigo 17, Código Penal; ⤷ Por exemplo: matar alguém que já estava morto antes da execução. - Afasta a tentativa; - Pode se dar por meio absolutamente ineficaz ou objeto absolutamente impróprio: ⤷ Meio absolutamente ineficaz: o meio escolhido torna impossível a consumação do crime; ⤷ Objeto absolutamente impróprio: o objeto não é suficiente para cometer o crime. - Não há punição ao sujeito quando se está diante de crime impossível.