Prévia do material em texto
Oficina: " Alfabetização na Prática" Professora: Ozilia Geraldini Burgo Pedagogia UEM, especialização em Ensino da Matemática pela FAFIMAN, especialização em Coordenação Pedagógica Supervisão Escolar pela UEM, mestrado em Educação Para a Ciência e o Ensino de Matemática pela UEM, especialização em Metodologia do Ensino da Arte. ALFABETIZAÇÃO HOJE: COMO ESTÁ? Para esta discussão vamos utilizar o * PNA- Politica Nacional de Alfabetização • Segundo os resultados da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), de 2016, 54,73% de mais de 2 milhões de alunos concluintes do 3º ano do ensino fundamental apresentaram desempenho insuficiente no exame de proficiência em leitura. • Desse total, cerca de 450 mil alunos foram classificados no nível 1 da escala de proficiência, o que significa que são incapazes de localizar informação explícita em textos simples de até cinco linhas e de identificar a finalidade de textos como convites, cartazes, receitas e bilhetes. *Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Alfabetização. PNA Política Nacional de Alfabetização/Secretaria de Alfabetização. – Brasília : MEC, SEALF, 2019. • Quando a criança chega ao final do 3º ano do ensino fundamental sem saber ler, ou lendo precariamente, como é o caso de mais da metade dos alunos brasileiros, sua trajetória escolar fica comprometida. Isso se reflete em altas taxas de reprovação, distorção idade-série, abandono e evasão. • A reprovação na escola é um túnel sem luz no final? • Segundo o Censo Escolar de 2018, no 3º ano a taxa de reprovação foi de 9,4%, e a de distorção idade-série foi de 12,6%, com aumento significativo nos anos seguintes. No 7º ano, mais de 810 mil alunos matriculados nas redes federal, estadual e municipal estavam com dois anos ou mais de atraso escolar. • O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) tem como população-alvo estudantes com idade entre 15 anos e 2 meses e 16 anos e 3 meses, matriculados em uma instituição educacional. • Na edição de 2015, o Brasil ficou em 59º lugar em leitura, num rol de 70 países. A pontuação média dos brasileiros na avaliação de leitura foi de 407 pontos, valor significativamente inferior à média dos países membros da OCDE (493 pontos). • Dos estudantes brasileiros, 51% ficaram abaixo do nível 2 em leitura, patamar mínimo necessário para o pleno exercício da cidadania, segundo a OCDE( Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O QUE É ALFABETIZAÇÃO? • O PNA, com base na ciência cognitiva da leitura, define alfabetização como o ensino das habilidades de leitura e de escrita em um sistema alfabético. • Sistema alfabético é aquele que representa com os caracteres do alfabeto (letras) os sons da fala. • Existem diferentes sistemas de escrita para diferentes línguas; no entanto, quando se ensina a ler e a escrever em um sistema alfabético, o que se ensina é um modo de representação gráfica que representa sons por meio de letras (MORAIS, 2014). • Quando uma criança ou um adulto analfabeto se dá conta de que os caracteres alfabéticos não são meros sinais gráficos, mas que, individualmente ou em grupo, representam os sons da fala (ou os fonemas da língua, para ser mais exato), dizemos que essa pessoa compreendeu o princípio alfabético, passo crucial no processo de alfabetização. Como alfabetizar? • O alfabetizando deve ser guiado gradualmente durante a aprendizagem das relações grafofonêmicas(correspondência entre letras(grafemas) e sons). Não se trata de uma aprendizagem que ocorre de modo espontâneo, com a mera exposição a material escrito. • Ao aprender as primeiras regras de correspondência entre fonema e grafema, a pessoa começa a decodificar, isto é, a extrair de uma sequência de letras escritas a sua forma fonológica (ou pronúncia), • e a codificar, isto é, a combinar em sinais gráficos (letras ou grafemas) os sons produzidos na fala. • Em outras palavras, começa a ler e a escrever. • O ensino dessas habilidades de leitura e de escrita é que constitui o processo de alfabetização REFLEXÃO LITERACIA EMERGENTE • Antes de se iniciar o processo formal de alfabetização, a criança pode e deve aprender certas habilidades que serão importantes na aprendizagem da leitura e da escrita e terão papel determinante em sua trajetória escolar. • A isso se costuma chamar literacia emergente, que constitui o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes relacionados à leitura e à escrita, desenvolvidos antes da alfabetização. • Durante a primeira infância, seja na pré-escola, seja na família, a literacia já começa a despontar na vida da criança, ainda em um nível rudimentar, mas fundamental para a alfabetização (NATIONAL EARLY LITERACY PANEL, 2009). • Nesse momento, a criança é introduzida em diferentes práticas de linguagem oral e escrita, • ouve histórias lidas e contadas, canta quadrinhas, recita poemas e parlendas, • familiariza-se com materiais impressos (livros, revistas e jornais), • reconhece algumas das letras, seus nomes e sons, • tenta representá-las por escrito, • identifica sinais gráficos ao seu redor, entre outras atividades de maior ou menor complexidade. • Em suma, na literacia emergente incluem-se experiências e conhecimentos sobre a leitura e a escrita adquiridos de maneira lúdica e adequada à idade da criança, de modo formal ou informal, antes de aprender a ler e a escrever. COMO AS CRIANÇAS APRENDEM A LER E A ESCREVER • Maneiras de Ler Palavras • 1. Predição: é a maneira mais simples de ler palavras. Tenta-se “adivinhar” a palavra escrita por meio do contexto (por exemplo, cores, formas, imagens) ou pela presença de alguns elementos conhecidos, como as letras iniciais. • É utilizando essa estratégia que crianças muito pequenas são capazes de “ler” nomes de produtos, marcas ou empresas em rótulos, outdoors e placas. • Leitores proficientes também podem usar a predição para descobrir uma palavra incompleta: por exemplo, na frase “no hospital há muitos médicos e en...”, o contexto pode levar à suposição de que se trata de “enfermeiros” ou de “enfermos”. • 2. Analogia: é uma maneira um pouco mais precisa de ler palavras. • Envolve o reconhecimento de palavras por meio da associação com partes (rimas, por exemplo) de outras palavras familiares. • A criança que aprende a ler “gato” pode, por analogia, ler as palavras “rato”, “mato” e “pato”. Sobre o Jogo Roleta da Leitura. A própria criança construirá o jogo “roleta da leitura” trabalhando aspectos leitores como a identificação de fonemas e suas respectivas representações por letras, comparação de palavras com significado próprio, mas que se diferenciam por apenas uma letra exemplo: Pato/Rato, além paralelamente trabalhar a coordenação motora e pintura. • 3. Decodificação: • é a maneira mais precisa de ler palavras e leva à automatização. • É também a melhor estratégia para ler palavras novas e permite a leitura autônoma de palavras desconhecidas. • Envolve o conhecimento das relações grafema-fonema para identificar o fonema correspondente a cada grafema, aglutinando-o em pronúncias que formam palavras reconhecíveis. • 4. Reconhecimento automático: depois que uma palavra é lida várias vezes, armazena-se na memória e passa a ser reconhecida imediatamente, sem a necessidade de estratégias intermediárias como a predição, a analogia e a decodificação. • É a maneira mais eficiente e menos custosa para a memória, permitindo que o leitor leia com rapidez e prosódia, faça inferências e compreenda frases e textos. • Ehri (2005, 2013, 2014) identificou quatro fases do desenvolvimento da leitura e da escrita, que refletem o conhecimento e o uso que a criança faz do sistema de escrita. • AS FASES DO DESENVOLVIMENTO DA LEITURA E DA ESCRITA • Fase pré-alfabética: a pessoa emprega predominantemente a estratégia de predição, usando de início pistas visuais, sem recorrer às relações entre letras e sons; lê palavras familiarespor reconhecimento de cores e formas salientes em um rótulo, mas é incapaz de identificar diferenças nas letras; pode ainda conseguir escrever algumas palavras de memória. • Fase alfabética parcial: a pessoa faz analogias, utilizando pistas fonológicas; depois de aprender os sons das letras, ela começa a utilizá-los para ler e escrever palavras. • Fase alfabética completa: depois de conhecer todas as relações entre grafemas e fonemas e adquirir as habilidades de decodificação e de codificação, a pessoa passa a ler e a escrever palavras com autonomia. • Fase alfabética consolidada: nesta fase de consolidação contínua ocorre o processamento de unidades cada vez maiores, como sílabas e morfemas, o que permite a pessoa ler com mais velocidade, precisão e fluência, e escrever com correção ortográfica. Consciência Fonológica A alfabetização exige recursos e caminhos para nossas crianças se apropriarem e desenvolverem as habilidades de percepção, discriminação auditiva, bem como a composição gráfica de grafema=fonema. O processo de alfabetização nos anos iniciais requer que a consciência fonológica seja trabalhada de forma lúdica para que favoreça o desenvolvimento no indivíduo das habilidades de percepção e manipulação da estrutura sonora das palavras. Por não ser algo homogêneo, a consciência fonológica apresenta diferentes níveis, ou seja, o nível da consciência de palavras que formam a frase, o da consciência de sílabas e, posteriormente, a consciência de fonemas. Sub-habilidades da consciência fonológica • Dentro da consciência fonológica existem algumas competências que conhecemos mais como sub-habilidades. Elas são imprescindíveis no desenvolvimento dos pequenos porque ajudam a explorar os elementos presentes na linguagem, além de contribuir com o processo de alfabetização. Vejamos quais são elas: • – RIMAS E ALITERAÇÕES • Essa parte é muito interessante, pois além de proporcionar atividades bastante divertidas para os pequenos, também servem para os professores trabalharem os aspectos pertencentes à linguagem. As rimas e as aliterações são excelentes por conta disso. A rima é como a correspondência fonética existente entre dois vocábulos a partir da vogal de uma sílaba tônica. É válido lembrar que dentre as habilidades da consciência fonológica, a rima é sempre muito bem-vinda até mesmo pelas crianças. Jogos com rimas Existem muitas maneiras de estimular a consciência fonológica, mas, se o processo for lúdico, o resultado será mais satisfatório. A sensibilidade às rimas surge com bastante facilidade para a maioria das crianças. Por isso, os jogos com rimas são uma excelente iniciação à criação da consciência fonológica. Por direcionar a atenção das crianças às semelhanças e diferenças entre sons das palavras, esses jogos são uma forma útil de desenvolver a percepção de que a língua não tem apenas significado e mensagem, mas também uma forma física. • Este navio está levando um (a)... • Materiais: • ★ Bola ou saquinho com grãos para atirar. • Objetivos: ★ Ensinar as crianças a responder rapidamente • 1. Peça que as crianças sentem-se em círculo. • 2. Para começar o jogo, diga: "O navio está levando um melão". • 3. A seguir, jogue a bola para alguma criança do círculo. Ela deverá pensar em outra carga para o navio levar e que rime com melão, como "o navio estão levando um botão", e jogar a bola de volta para você. • 4. Repetindo sua rima original (o navio está levando um melão), jogue a bola para outra criança, a qual deverá pensar em uma terceira carga (pão, por exemplo). • 5. Continue o jogo até que as crianças não tenham mais rimas. Então recomece com uma nova rima. • 6. Quando as crianças estiverem boas nas rimas, cada uma pode atirar a bola para outra em vez de atirá-la de volta para você. Aliterações A aliteração presente em ditados populares, versos folclóricos e brincadeiras infantis. Talvez sejam os melhores meios de fazer compreender este recurso estilístico. Vejamos: O rato roeu a roupa do rei de Roma. A aliteração está presente no fonema /r/ no começo de todas as palavras. O peito do pé de Pedro é preto. Nesse caso, a aliteração está na repetição do fonema /p/. Um tigre, dois tigres, três tigres. Aqui se repete a consoante “t” e o encontro consonantal “gr”. Consciência de palavras Aqui a criança demonstra a habilidade de colocar a frase em sequência de palavras, fazendo com que os pequenos consigam ver a relação entre elas a fim de colocá-las de forma a fazer sentido na comunicação oral e escrita. Exercício: contar a quantidade vocábulos existentes na frase e, por meio dessa dinâmica, bater palmas em cada uma delas. As crianças geralmente gostam dessa atividade e conseguem aprender brincando. Importante ressaltar que no grupo de habilidades da consciência fonológica, a consciência de palavras lida muito com a necessidade uma síntese auditiva por parte da criança. • Permite focalizar as palavras e sua função na frase. Consciência silábica • A criança adquire a habilidade de consciência silábica quando aprende a manipular as sílabas para construir novas palavras. Para se chegar a essa percepção é preciso ter a consciência de que as sílabas são compostas por sons. • As atividades ocorridas dentro da consciência silábica podem ser consideradas como um jogo, no qual a criança vai brincar com as sílabas, seja retirando-as ou colocando-as na estrutura da palavra. • Por exemplo, o aluno pode tirar a primeira sílaba do vocábulo para que a partir disso ele possa obter a consciência silábica de maneira gradativa e lúdica. Um quebra-cabeça de palavras é ideal para promover essa atividade. • Jogos com consciência silábica • A existência e a natureza das sílabas são introduzidas pedindo-se às crianças que batam palmas e contem as pulsações de seus próprios nomes. Estendendo esse desafio a uma série de palavras diferentes, o conceito de sílaba é fortalecido e enriquecido nas crianças. • Batendo palmas para os nomes • Objetivos: ★ Apresentar às crianças a natureza das sílabas, fazendo com que batam palmas enquanto contam as sílabas de seus próprios nomes: • . Quando introduzir essa atividade pela primeira vez, demonstre-a usando vários nomes de tamanhos contrastantes. Pronuncie o primeiro nome de uma das crianças na sala de aula, sílaba por sílaba, enquanto bate palmas, por exemplo, A-na. • 2. Convide as crianças a dizer outros nomes e a bater palmas com você. • 3. Depois de bater palmas para cada nome, pergunte: "Quantas palmas vocês ouviram para esse nome?". Quando as crianças tiverem compreendido, peça que cada uma bata as palmas para o seu próprio nome. • Dica esperta! • Essa atividade pode ser feita com um canto rítmico, como: "Tome, tome, tome / Qual é seu nome? • A caixa das sílabas • Materiais: ★ Uma caixa com vários objetos ou figuras de vários objetos • Objetivos: ★ Reforçar a capacidade das crianças de analisar palavras em sílabas • 1. Junte uma série de objetos em uma caixa. Certifique-se de que haja objetos cujos nomes tenham diferentes números de sílabas. • 2. Convide um aluno a fechar os olhos, escolher um objeto e, de olhos abertos, nomeá-lo. Por exemplo: "Isto é um lápis". • 3. Todas as crianças deverão repetir o nome do objeto escolhido enquanto acompanham suas sílabas com palmas: lá-pis. • 4. Pergunte quantas sílabas foram ouvidas, cuidando para que ninguém fale rápido demais, antes dos outros. • Variação: • ★ Depois que as crianças dominarem bem o jogo, você pode ampliá-lo: Consciência fonêmica • Esta parte está ligada à capacidade de observar os fonemas responsáveis por compor as palavras. Além disso, podemos afirmar que nesta etapa é possível criar algumas atividades interessantes, tais como: • – Adivinhar quantos fonemas são responsáveis por formar determinadas palavras; – Adivinhar qual palavra está sendo falada por alguém a partir dos fonemas emitidos; – Outra particularidade observada na consciência fonêmicaé a capacidade de poder subtrair um fonema, reaproveitar o restante do vocábulo e dar origem a outra palavra. Exemplo: subtrai-se o fonema P de paço (residência luxuosa, palácio) e passamos a ter aço, uma palavra usada em nosso vocabulário. • As atividades que estimulam a consciência fonológica AQUISIÇÃO DO SISTEMA DE ESCRITA • Emília Ferreiro, em sua pesquisa sobre o processo de construção da leitura e da escrita, ao lado de Ana Teberosky, faz uma descrição mapeadora do processo que cada indivíduo percorre para aquisição da língua escrita. • Essa pesquisa, além de ter levado a um redirecionamento das questões da aprendizagem, coloca em xeque a ideia de “prontidão” para a alfabetização, segundo a qual a aprendizagem da língua escrita não depende, fundamentalmente, de habilidades consideradas como pré-requisitos para que a criança possa ser alfabetizada, mas resulta da interação entre o indivíduo e a língua escrita, como sujeito de conhecimento Níveis de evolução da escrita • 1 NÍVEL PRÉ-SILÁBICO: Inicialmente, a criança não diferencia o desenho da escrita, e não dá nenhum significado ao texto. • Ela pensa que os desenhos dizem os nomes dos objetos. Em seguida, começa a produzir riscos ou rabiscos típicos da escrita que tinha como forma básica (modelo). Se a forma básica for letra de imprensa, fará rabiscos separados, com linhas retas e curvas; se for a letra cursiva o modelo com que ela tem contato, fará rabiscos ondulados. Outros elementos podem aparecer em sua escrita, como pseudoletras ou números. Fatos conceituais observados no nível pré- silábico • A criança pensa que é possível ler nomes diferentes com grafias iguais. Elas ainda não conseguem entender que o que a escrita representa no papel são os sons da fala. Ex.: Gelatina – S R I O B • Bala – S R I O B • Cocada – S R I O B • Posteriormente, a criança nega essa sua hipótese, porque diz que, para ler nomes diferentes, eles devem ser escritos com letras diferentes. • Ex.: Gelatina – A U O T • Bala – A C V E • Cocada – N O S D • Eixo quantitativo: A criança, de um modo geral, exige um mínimo de três letras para ser uma palavra. As palavras como pé, sol, rua, lar etc., segundo ela, não poderão ser lidas porque têm “poucas letras”. São rejeitadas, em função do critério interno de quantidade. • Eixo qualitativo: Para que se possa ler ou escrever uma palavra, torna-se necessário, também, uma variedade de caracteres gráficos. As palavras que possuem letras iguais são também rejeitadas. • Outro ponto a ressaltar é que numa determinada fase, a criança não separa letras de números. Costuma, às vezes, escrever colocando numerais junto às letras, já que ambos os caracteres envolvem linhas retas e curvas. • Outra característica observada é que a criança acredita que os nomes de pessoas (realismo nominal), animais e coisas têm relação com o seu tamanho, peso ou idade. • As pessoas, animais ou objetos grandes devem ter nomes grandes. Por conseguinte, as coisas pequenas terão nomes pequenos. • O maior desafio desse nível é auxiliar os educandos a perceber que a escrita representa os sons da fala. Quando a criança é convidada a ler a sua escrita, ela passa o dedo direto pela palavra, demonstrando não representar a pauta sonora das palavras. Ex.: Rato – T C R C U S • 2 NÍVEL SILÁBICO • Essa escrita constitui um grande avanço, e se traduz num dos mais importantes esquemas construídos pela criança, durante o seu desenvolvimento. • Pela primeira vez, ela trabalha com a hipótese de que a escrita representa partes sonoras da fala, porém, com uma particularidade: cada letra vale por uma sílaba. • Assim, utiliza tantas letras quantas forem as sílabas da palavra. Ex.: Jacaré – F R A (silábico restrito) – a escrita da criança está restrita a letras de sua experiência no momento da escrita. • Jacaré – J K R, J C E, A K E ou A A E (silábico evoluído) – a escrita da criança contém a correspondência sonora das vogais ou consoantes • Alguns conflitos são vivenciados nesta fase, como: Hipótese da quantidade mínima: elas acreditam que existe uma quantidade mínima de três letras para escrever. Desta forma, palavras monossílabas e dissílabas precisam ser escritas com um mínimo de três ou quatro letras. Ex.: Ao escrever P A T O, representa A O T B (ela representa AO, como acha pouco, ela acrescenta mais duas letras aleatórias). Hipótese da variedade de letras: a criança acredita que uma mesma palavra não pode ser escrita com letras repetidas de forma sequenciada. Ex.: Ao escrever B A R A T A, ela escreveria A A A, mas por achar essa escrita impossível, representa: A T C. • NÍVEL SILÁBICO-ALFABÉTICO: • Esta fase apresenta-se como uma transição entre o nível silábico e o nível alfabético. Diante dos conflitos da hipótese silábica, a criança descobre que o esquema de uma letra para cada sílaba não funciona e, assim, procura acrescentar letras à escrita da fase anterior. • Emília Ferreiro nos lembra que um adulto mal informado poderá, nessa fase, achar que a criança está omitindo letras, o que não é verdade. A criança está é acrescentando letras à sua escrita da fase anterior. Trata-se de um progresso, e não de um retrocesso. • Ex.: Pato – P T U Macaco – M C A C O • No nível silábico, quando a criança é convidada a ler sua escrita, ela mostra para cada pauta sonora uma letra representada. • Ex.: Jacaré – T C N • 4 NÍVEL ALFABÉTICO: • É a fase final do processo de alfabetização de um indivíduo. Nesse nível, pode-se considerar que a criança venceu as barreiras do sistema de representação da linguagem escrita. • Ela já é capaz de fazer uma análise sonora dos fonemas das palavras que escreve. Isso, porém, não significa que todas as dificuldades foram vencidas. A partir daí, surgirão os problemas relativos à ortografia, entretanto, trata-se de outro tipo de dificuldade que não corresponde ao do sistema de escrita que ela já venceu. • EX.: Cachorro – C A X O R O • Gorila – G U R I L A Trabalhar o nome próprio Trabalhar o nome próprio no início da alfabetização é ter uma valiosa fonte de informação disponível para outras indagações e aprendizagens, que servirão para produzir outras escritas e leituras, além de ter estreita relação com a construção da identidade da criança. A escrita do nome próprio é uma importante conquista da criança que se alfabetiza. Além de ter um valor social muito grande, favorece a reflexão sobre o sistema. Trabalhar o nome próprio e dos colegas no início do processo da alfabetização, para que essas palavras tão significativas se tornem referência para as crianças, em variadas situações • Ao escrever seu nome e o dos colegas, as crianças vão aprender a traçar letras. • Aprendendo a letra inicial dos colegas, elas aprendem a nomear as letras do alfabeto (M, de Maria; P, de Pedro). • Esses nomes podem servir de consulta para escrever e ler outras palavras. “Como se escreve macaco? Já sei! Começa com ‘ma’, de Maria”. “Descobri onde está escrito gato porque começa com Gabriel”. • É uma ótima fonte de comparação e questionamento. “Por que meu nome tem sete letras e o seu quatro?” • Ajuda a perceber a ordem não aleatória dentro de um conjunto de letras (não vale colocar qualquer letra, além de existir uma ordem obrigatória). • Possibilita a reflexão sobre as unidades que compõem a palavra: como as sílabas e as letras. • Ajuda na construção da consciência fonológica. “Paula e Pedro começam com P”. “Olha! Mariana rima com Ana!” Diante disso, percebemos que se o educador levar os educandos a refletirem sobre os nomes, com intervenções que as crianças compreendam, melhora o funcionamento do sistema alfabético. SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA TRABALHAR O NOME PRÓPRIO COM CRIANÇAS: • Familiarizar-se com o nome, escrevendo-o nos materiais do educando. • Unir fotos dos colegas ao crachá correspondente. • Comparar nomes maiores e menores. • Concurso entre os educandos para verificarquem sabe identificar o maior número de nomes dos colegas, através da ficha. • Formar o nome próprio com letras móveis. • Bingo com a ficha do nome. • Descobrir as letras do nome em um texto. • Forca com os nomes próprios • Caça-palavras com os nomes da turma. Os educandos deverão procurar e circular os nomes encontrados. • Nomes mágicos: com as fichas dos nomes, o grupo tenta formar palavras trocando as letras de lugar. • Acróstico: o educador escreve o nome de um educando na lousa ou em uma folha de papel na vertical. As crianças, em duplas ou em grupos, descrevem palavras positivas sobre a criança, de cujo nome estão sendo usadas as letras iniciais. • Classificar as fichas da turma de várias formas: > Letra inicial > Número de letras > Nomes compostos > Nomes dos meninos > Nomes das meninas • Adivinhar os nomes próprios através de pistas. • Apresentar, em uma folha ou na lousa, nomes parecidos e pedir aos educandos que identifiquem as diferenças e semelhanças: Diogo – Diego, Márcio – Márcia, Daniel – Daniela etc. • Construir nomes compostos: o educador apresenta uma folha com o nome de toda a turma. Em grupo, os educandos vão unir alguns nomes, formando nomes compostos. • O educador escreve os nomes dos educandos na lousa e pede para a classe observar. Em seguida, pede aos educandos que abaixem a cabeça e apaga um ou mais nomes. O grupo tentará descobrir quais os nomes que desapareceram. • Jogo da memória (foto e nome): as crianças devem relacionar a imagem a cada nome disposto em uma mesa. • Fichas com nomes embaralhados: cada criança deve sortear uma ficha e entregá-la ao respectivo dono. • Agrupar os crachás pela letra inicial. • Pedir, a cada dia, a um educando para fazer a distribuição do crachá. • Fazer um calendário com os nomes de todos os meses do ano na sala. Pedir para a turma fixar o seu crachá no mês de seu aniversário. • Agrupar os nomes que terminam com as mesmas letras. • O educador mostra fichas com as letras dos nomes invertidas. Os educandos recompõem os nomes na ordem certa. • Quebra-cabeça com nomes próprios. • Recortar de jornais e revistas as letras dos nomes dos colegas do grupo e colar no caderno. • Ditado: O educador dita os nomes dos educandos para todos. Eles escrevem apenas a letra inicial do nome ditado. • Classificar as fichas dos nomes pelo número de letras dos mesmos. As fichas (ou crachás) com os nomes devem ficar disponíveis na sala de aula, em um local de fácil acesso e visibilidade. Dicas para confeccionar a ficha (ou crachás) dos educandos: • Escreva apenas o primeiro nome das crianças (ex.: Joana – João Pedro). • As fichas devem ter o mesmo tamanho. • Todas devem estar escritas com letra de imprensa maiúscula do mesmo tamanho. • A folha escolhida deve ser da mesma cor para todos os educandos, assim como a cor da letra. Essas iniciativas são importantes para que os educandos não tenham pistas para identificar os nomes através de tamanho, cores, etc., mas, sim, por causa das letras que o compõem Atividades com vogais • Atividade com a letra a • Para trabalhar a vogal a, é muito interessante atividades que englobem palavras que comecem pelo mesmo som. O importante é que, ao escolher as palavras, a criança tenha tido ocasião de contato real com o objeto da imagem, para que a atividade seja efetiva e possível. • Para fazer a atividade você vai precisar imprimir duas vezes a imagem abaixo. A primeira impressão será uma espécie de tabuleiro e a segunda você deverá recortar as imagens como se fossem cartas. Como apresentar o material à criança • 1. Use a lição dos três períodos de Montessori • Primeiro período – Nome: apresentamos as várias imagens ou objetos. Enquanto deixamos sobre o tapete, uma a uma, nomeamos de forma clara seu nome e deixamos que a criança examine. • Segundo período – Reconhecimento: Uma vez que tenhamos apresentado todas as imagens, pedimos à criança que as reconheça com perguntas como: “Onde está a aranha?” ou “Onde está a abelha?“. • Terceiro período – Pronunciação da palavra: Uma vez o segundo período está dominado, podemos passar ao terceiro: mostrar a imagem e perguntar-lhe: “Que é isso?“. • 2. Pareamento de imagens • A criança realiza um pareamento de imagens iguais. Observa onde está cada imagem no quadro. Note que, cada palavra vem acompanhada do seu nome. Como se trata de uma criança de 2 anos, não há qualquer intenção de ensiná-la a ler. No entanto, ao estarem as palavras presentes, ela começa a se dar conta de que as letras são formas para representar, por escrito, o nome de um objeto, animal ou pessoa. 3. Pareamento com imagens reais dos objetos • É muito importante a associação com a realidade. O melhor era ter feito o pareamento com objetos em miniatura. No entanto, não é fácil conseguir todos os exemplares dos nomes disponíveis. Assim pode-se utilizar imagens reais dos objetos e seres nominados para que faça o pareamento com as imagens desenhadas. As vogais do alfabeto • Os cartazes apresentam todas as vogais do alfabeto. A proposta é trabalhar com os sons das vogais. Ainda assim, o uso do material pode ser adaptado às distintas necessidades de aquisição da linguagem da criança. https://www.criandocomapego.com/atividades-com-vogais-inspiradas-em-montessori/atividades-com-vogais-inspiradas-em-montessori-a-1-2/ https://www.criandocomapego.com/atividades-com-vogais-inspiradas-em-montessori/atividades-com-vogais-inspiradas-em-montessori-a-2-2/ https://www.criandocomapego.com/atividades-com-vogais-inspiradas-em-montessori/atividades-com-vogais-i/ https://www.criandocomapego.com/atividades-com-vogais-inspiradas-em-montessori/atividades-com-vogais-i-1/ https://www.criandocomapego.com/atividades-com-vogais-inspiradas-em-montessori/atividades-com-vogais-u/ Leitura de texto de memória Texto (cantiga): Sapo Cururu Alunos em hipótese de escrita pré-silábicos e silábicos (sem e com valor): Esses alunos leem antes mesmo de ler convencionalmente. Nessas fases, quando usam suas estratégias de leitura, antecipam o que pode estar escrito, comparando palavras, e estabelecem relações entre o oral e o escrito. Dessa forma vão refletindo sobre o funcionamento do sistema alfabético e consequentemente avançam em sua aprendizagem. • Para a leitura dos alunos dessas fases, o texto pode ser apresentado primeiramente em um cartaz para a leitura coletiva e em seguida impresso para a leitura individual ou em duplas de colegas dentro dessas hipóteses. • Na leitura coletiva, a professora lê com os alunos, de forma contínua, mostrando cada linha do texto no cartaz. • No segundo momento, a leitura é feita da mesma forma, mas cada aluno ou dupla em sua folha de texto. • Depois, os alunos circulam no texto as palavras que a professora ditar. • Para finalizar, o texto pode ser recortado em versos para ser lido e colocado na ordem correta, também em duplas. • Alunos em hipótese silábico-alfabética e alfabética: • Para os alunos dessas hipóteses, não há lógica e nem necessidade de realizar as atividade de leitura da mesma forma dos alunos das hipóteses anteriores, afinal não há desafio, pois, já leem com autonomia. • A leitura deve ser somente individual. Pode ser acompanhada de outro texto para complementação de leitura, por exemplo, um texto informativo científico sobre os sapos cururu. • Outra variação é ler os dois textos com o auxílio de um dicionário, para descobrirem o significado das palavras, compreenderem o que leem e ampliarem o vocabulário. Leitura de texto de memória Texto (cantiga): Borboletinha tá na cozinha Alunos em hipótese de escrita pré-silábicos e silábicos (sem e com valor): Para alunos dessas hipóteses, as atividades de escrita são em duplas ou individuais. Pode ser apresentado aos alunos o texto com lacunas no final das frases para que escrevam o que falta. Os alunos escreverão segundo suas hipóteses, que devem ser confrontadas entre si nalousa, para que, com as devidas orientações e intervenções do professor, cheguem à escrita alfabética. • Uma variação dessa atividade é oferecer aos alunos as letras móveis certas para que formem as palavras e então preencham as lacunas. Mas é possível também propor que escrevam uma linha inteira do texto, ou o texto todo em duplas, ou ampliar seu repertório pensando em uma lista de nomes de animais de jardim, por exemplo. • Alunos em hipótese silábico-alfabética e alfabética: • Para esses alunos, as atividades acima não oferecem nenhum desafio. • O ideal é propor a escrita alfabética e individual do texto de memória. Pode-se ampliar a atividade para a escrita de uma ficha técnica a partir do texto informativo da atividade de leitura. • Outra proposta é que eles escrevam sozinhos o que sabem sobre a borboleta do texto, ou sobre borboletas em geral. • É necessário pensar em outras atividades além da principal, para atender aos alunos que estão mais avançados em suas hipóteses e desafiá-los. Fichas de leitura Trabalho com poemas, canções, parlendas e quadras • Justificativa: • A música, quadras, poemas, parlendas, como uma proposta de trabalho nas classes de alfabetização, atende o educando integralmente, enriquecendo o seu universo de conhecimentos e, ao mesmo tempo, resgata o lúdico, o prazeroso no processo de aprendizagem. • Ao selecionar uma canção, poema, parlenda ou quadra, é importante que o educador faça antes de começar o trabalho, uma seleção de acordo com a necessidade do grupo, com a qualidade do texto, o interesse do conteúdo, a adequação aos temas de trabalho. Sugestões de atividades para o trabalho de alfabetização com músicas • Sugestões de atividades: • > Expor na sala, para futuras reflexões e consultas, a letra da música, poemas, parlendas etc. • > Ouvir a música através de disco ou cantada pelo educador. • > Destacar algumas palavras para: contar o número de letras, colocar em ordem alfabética, destacar a sonoridade. • > Procurar no dicionário o significado das palavras desconhecidas. • Cantar a letra da música, acompanhando com o dedo. • Procurar e listar no caderno palavras do texto que comecem com a mesma letra • Apagar algumas palavras que compõem cada verso e pedir aos educandos para completar, escrevendo a palavra que falta. • Completar as letras que faltam nas palavras ou sentenças tiradas da música. • 1) Dramatizar a música associando à expressão corporal. • 2) Montar uma lista, com algumas palavras do texto, para o educando colocar o significado. • 3) Ilustrar com desenhos partes da música. • 4) Reescrita em dupla da letra da música. • 5) Copiar os versos da música em tiras de papel para recompor novamente todo o texto. • 6) Destacar algumas frases da música de forma incompleta para o educando descobrir o que falta. • 7) Organizar um álbum de músicas significativas com a classe. • 8) Consultar o significado de uma lista de palavras do texto e colocá-las em ordem alfabética. • 9) Recompor versos ou todo o texto da música com as letras móveis. • 10) Procurar em um caça-palavras algumas palavras da música e passar o lápis em torno delas. Reescrever estas palavras por ordem crescente, de acordo com o número de letras. • 11) Fazer uma lista de palavras do texto e ligar: palavra à letra inicial ou ao desenho. • 12) Copiar do texto todas as palavras com uma determinada letra escolhida. • 13) Transcrever algumas palavras do texto com letras diferentes: cursiva, manuscrita, impressa etc. ILUSTRAR O TEXTO Achar a casinha certa Fazer Dobradura