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Direito Empresarial

Revisão de Direito Empresarial (Revisão Turbo) sobre a Lei 11.101/2005: tipos de crise, legitimados, requisitos para recuperação judicial, motivos e efeitos da falência, local de processamento e questão da FGV para o Exame de Ordem.

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Prévia do material em texto

DIREITO EMPRESARIAL 
PROF.ª CRISTIANE PAULI 
PROF. DOUGLAS AZEVEDO 
PROF.ª LUCIANA ARANALDE 
 
Queridos alunos, 
 
Cada material da Revisão Turbo foi preparado com 
muito carinho para que você possa absorver, de forma 
rápida, conteúdos de qualidade! 
 
Lembre-se: você já evoluiu muito até aqui. Não desista! 
Derrube as barreiras que separam você do seu sonho. 
Esperamos você durante as aulas da Revisão Turbo! 
 
 
Com carinho, 
Equipe Ceisc ♥ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
3 
 
 
 
 1. Lei nº 11.101/2005 
 
 
*Para todos verem: esquema 
1.1. Tipos de crise 
a) Sanável: talvez, com a injeção de dinheiro, seja possível se recuperar. Pede-se 
recuperação judicial. Arts. 47,48 e 51 da LRF. 
b) Insanável: não há possibilidade de recuperação. Em alguns casos, a empresa poderá 
pedir autofalência. Art. 105 da LRF. 
 
1.2. Legitimados 
Empresário individual e a sociedade empresária. Não se aplica às sociedade simples. 
Exceções: Art. 2º, Art. 6º, §13 e Art. 48, §2º, todos da Lei 11.101/05. 
 
Art. 2º Esta Lei não se aplica a: 
I – empresa pública e sociedade de economia mista; 
II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de 
previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, 
sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente 
equiparadas às anteriores. 
 
Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação 
judicial implica: 
§13 Não se sujeitam aos efeitos da recuperação judicial os contratos e obrigações 
decorrentes dos atos cooperativos praticados pelas sociedades cooperativas com seus 
cooperados, na forma do art. 79 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, 
consequentemente, não se aplicando a vedação contida no inciso II do art. 2º quando a 
Recuperação 
extrajudicial
161
Recuperação 
judicial
47
Falência
75
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
4 
 
sociedade operadora de plano de assistência à saúde for cooperativa médica. 
 
Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido, 
exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que atenda aos seguintes 
requisitos, cumulativamente: 
§2º No caso de exercício de atividade rural por pessoa jurídica, admite-se a comprovação 
do prazo estabelecido no caput deste artigo por meio da Escrituração Contábil Fiscal 
(ECF), ou por meio de obrigação legal de registros contábeis que venha a substituir a ECF, 
entregue tempestivamente. 
 
Importante: produtor rural e cooperativa médica podem pedir RJ, bem como a sociedade 
anônima de futebol. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
 
1) FGV - 2021 - OAB - XXXIII Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
Na Comarca de Imperatriz/MA funcionam 4 (quatro) Varas Cíveis, com competência concorrente para 
o julgamento de causas de falência e recuperação judicial. Em 22 de agosto de 2019, foi apresentado 
requerimento de falência de uma sociedade empresária enquadrada como empresa de pequeno porte, 
com principal estabelecimento naquele município. O requerimento foi distribuído para a 3ª Vara Cível. 
Tendo sido determinada a citação do devedor, no prazo da contestação, Coelho Dutra, administrador 
e representante legal da sociedade, requereu sua recuperação judicial, devidamente autorizado por 
deliberação dos sócios. 
Com base nestas informações, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O requerimento de recuperação judicial não está sujeito à distribuição por dependência, podendo 
ser apreciado por qualquer um dos quatro juízos cíveis da comarca. 
B) A distribuição do pedido de falência previne a jurisdição para o pedido de recuperação judicial 
formulado pelo devedor, de modo que será competente o juízo da 3ª Vara Cível. 
C) Por se tratar de devedor enquadrado como empresa de pequeno porte, há tratamento diferenciado 
para o pedido de recuperação judicial, estando prevento o juízo que conheceu do pedido de 
falência. 
D) Como o devedor não se enquadra na definição legal de microempresa (incluído o 
microempreendedor individual), o requerimento de recuperação judicial não está sujeito à 
distribuição por dependência. 
 
 
1.3. Motivos da falência 
*Para todos verem: esquema 
Autofalência
Art. 105, LRF
Impontualidade
Art. 94, I, LRF
Execução 
frustrada
Art. 94, II, LRF
Atos de 
falência
Art. 94, III, LRF
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
5 
 
 Nem sempre a pessoa jurídica começa com uma recuperação judicial. Em alguns casos, 
quando a crise já está tão aguda na empresa, não resta alternativa a não ser a falência. 
 
*Para todos verem: esquema 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.4. Local onde será processada RJ e falência 
Principal estabelecimento: local do principal estabelecimento, ou seja, onde a empresa 
realiza seus mais importantes negócios, conforme artigo 3 da Lei nº 11.101/2005. 
Importante: 
 
Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação 
judicial implica: 
§8º A distribuição do pedido de falência ou de recuperação judicial ou a homologação de 
recuperação extrajudicial previne a jurisdição para qualquer outro pedido de falência, de 
recuperação judicial ou de homologação de recuperação extrajudicial relativo ao mesmo 
devedor. 
 
Art. 78. Os pedidos de falência estão sujeitos a distribuição obrigatória, respeitada a ordem 
de apresentação. 
Parágrafo único. As ações que devam ser propostas no juízo da falência estão sujeitas a 
distribuição por dependência. 
 
 
 Resolva a questão a seguir: 
 
2) FGV - 2022 - OAB - XXXVI Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
Cerâmica Água Doce do Norte teve sua falência requerida pelo Banco Boa Esperança S/A, em razão 
do não pagamento de cinco duplicatas que lhe foram endossadas por Castelo, Vivacqua & Cia. Os 
títulos estão protestados para fins falimentares e não se verificou pagamento até a data da citação. Ao 
ser citada, a sociedade devedora apresentou tempestivamente a contestação e, no mesmo prazo, em 
peça processual própria, requereu recuperação judicial, sem, contudo, se manifestar sobre a 
efetivação de depósito elisivo. Com base nas informações acima, a sociedade empresária 
 
Defesa do pedido 
de falência
Contestação em 10 
dias (art. 98)
Apresentação de 
pedido de RJ no 
prazo de 
contestação (art. 95)
Depósito elisivo (art. 
98, parágrafo único)
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
6 
 
A) tinha a faculdade de pleitear sua recuperação judicial no prazo de contestação, ainda que não 
tivesse se manifestado pela efetivação de depósito elisivo. 
B) não deveria ter requerido sua recuperação judicial e sim ter efetuado o depósito elisivo, eliminando 
a presunção de insolvência para, somente após esse ato, pleitear recuperação judicial. 
C) deveria ter pleiteado sua recuperação judicial, pois o devedor pode se utilizar do benefício até o 
trânsito em julgado da sentença de falência, portanto, o pedido foi tempestivo e correto. 
D) estava impedida de requerer recuperação judicial, pois já havia, na data do pedido de recuperação, 
requerimento de falência contra si, ajuizado pelo credor da duplicatas. 
 
 
 
1.5. Ações Revocatórias 
Artigo 129 e 130 da LRF. 
*Para todos verem: esquema 
 
 
Importante: É o artigo 99 da Lei de Falências que fala da fixação de um período suspeito, 
que é o chamado termo legal. 
 
 
 
Art. 129
Não exige prova de fraude
Deve ocorrer dentro do 
período suspeito
Atos são declarados 
ineficazes
Hipóteses são apenas as do 
129
Teoria dos atos inexistentes
Art. 130
Deve haver intenção de lesar 
credores; 
prova de fraude
Não tem um período de 
vincule, contudo, deve ser 
proposta em até 3 anos 
contados da decretação da 
falência
Atos tornam-se revogáveis
Não possui rol taxativo
Fraude contra credoresRevisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
7 
 
 
 
2. Prazos Prescricionais dos Títulos de Crédito 
 
 
Atos Cambiários: Decreto-Lei nº 57.663/66. 
 
*Para todos verem: esquema 
 
 
*Para todos verem: esquema 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cheque
Lei 7.357/85
6 meses contra emitente/avalista, a contar da 
apresentação
Art. 59
(prazo apresentação: 30 dias mesma praça/ 
60 dias praça diferente - a contar da emissão
6 meses para regresso contra demais 
coobrigados, a contar da data do pagamento
Art. 59, parágrafo único
2 anos para ação de locupletamento ilícito, a 
contar da prescrição
Art. 61
Duplicata
Lei 5.474/68
3 anos contra o sacado e avalistas, a contar 
do pagamento
Art. 18, inciso I
1 ano contra endossantes, a contar do 
protesto
Art. 18, II
1 ano para regresso, a contar da data do 
pagamento
Art. 18, III
Letra de câmbio
3 anos contra aceitante/avalista, a contar do 
vencimento
Art. 70 da LUG
1 ano tomador contra endossante, a contar do 
protesto 
Art. 70 da LUG
6 meses para regresso, a contar do 
pagamento
Art. 70 da LUG
Nota promissória 
3 anos contra emitente/avalista, a contar do 
vencimento
Art. 70 da LUG
1 ano tomador contra endossantes, a contar 
do protesto
Art. 70 da LUG
6 meses para regresso, a contar da data do 
pagamento
Art. 70 da LUG
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
8 
 
*Para todos verem: esquema 
 
 
 Resolva a questão a seguir: 
 
3) FGV - 2021 - OAB - XXXIII Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
Socorro, empresária individual, sacou duplicata de venda na forma cartular, em face de Laticínios 
Aguaí Ltda. com vencimento para o dia 11 de setembro de 2020. Antes do vencimento, no dia 31 de 
agosto de 2020, a duplicata, já aceita, foi endossada para a sociedade Bariri & Piraju Ltda. 
Considerando-se que, no dia 9 de outubro de 2020, a duplicata foi apresentada ao tabelionato de 
protestos para ser protestada por falta de pagamento, é correto afirmar que o endossatário 
 
A) não poderá promover a execução em face de nenhum dos signatários diante da perda do prazo 
para a apresentação da duplicata a protesto por falta de pagamento. 
B) poderá promover a execução da duplicata em face do aceitante e do endossante, por ser 
facultativo o protesto por falta de pagamento da duplicata, caso tenha sido aceita pelo sacado. 
C) poderá promover a execução da duplicata em face do aceitante e do endossante, pelo fato de o 
título ter sido apresentado a protesto em tempo hábil e por ser o aceitante o obrigado principal. 
D) não poderá promover a execução em face do endossante, diante da perda do prazo para a 
apresentação da duplicata a protesto por falta de pagamento, mas poderá intentá-la em face do 
aceitante, por ser ele o obrigado principal. 
 
 
 
2.1. Endosso 
Art. 11 e seguintes da LUG. 
1) Transmissão; 
2) Garantia; 
3) Cuidar cláusula “sem garantia”; 
4) Regra: verso; 
5) Anverso: com indicação do ato. 
 
 
Principais 
atos
Aval
AceiteEndosso
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Direito Empresarial 
 
 
9 
 
2.2. Tipo de endosso 
1) Parcial: nulo; 
2) Em preto/em branco; 
3) Caução; 
4) Mandato; 
5) Póstumo. 
 
2.2.1. Endossos próprios 
Em branco: 
• Tradição; 
• Circula ao portador; 
• Pode ser transformado em preto; 
• Pode ser transferido em branco (não há responsabilidade). 
Em preto: 
• Identifica beneficiário; 
• Transmissão por endosso. 
 
2.2.2. Endossos impróprios 
*Para todos verem: esquema 
 
 
 
2.2.3. Endossos mandato 
Artigo 18, LUG: “Para cobrança” “valor a cobrar” “por procuração”. 
 
Súmula 475, STJ: responde pelos danos decorrentes de protesto indevido o endossatário 
que recebe por endosso translativo título de crédito contendo vício formal extrínseco ou 
intrínseco, ficando ressalvado seu direito de regresso contra os endossantes e avalistas. 
 
Mandato
PóstumoCaução
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
10 
 
Súmula 476, STJ: o endossatário de título de crédito por endosso-mandato só responde 
por danos decorrentes de protesto indevido se extrapolar os poderes de mandatário. 
 
2.2.4. Endossos caução 
• Endosso pignoratício; 
• Art. 19, LUG; 
• “Valor em garantia” “valor em penhor”; 
• Pagamento da dívida: resgato o título. 
 
2.2.5. Endossos póstumo/tardio 
 
Art. 20. O endosso posterior ao vencimento tem os mesmos efeitos que o endosso 
anterior. Todavia, o endosso posterior ao protesto por falta de pagamento, ou feito depois 
de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto, produz apenas os efeitos de uma 
cessão ordinária de créditos. 
 
• Pós protesto do título. 
• A presunção é a de que o endosso sem data foi feito antes do prazo para a realização 
do protesto. 
 
2.3. Aval 
1) Em preto; 
2) Em branco; 
3) Simultâneo (coaval); 
4) Sucessivo (aval do aval); 
5) Parcial. 
 
2.3.1. Características gerais 
• Artigo 30, LUG; 
• Vênia conjugal (art. 1.647, CC) – salvo separação absoluta; 
• Garantia pessoal prestada por terceiro; 
• Relação autônoma; 
• Responsabilidade solidária; 
• Regra: anverso. Pode no verso com indicação. 
 
 
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Direito Empresarial 
 
 
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2.3.2. Aval parcial 
*Para todos verem: esquema 
 
*Ver proibição do CC 
 (art. 897) 
 
 Resolva a questão a seguir: 
 
4) FGV - 2017 - OAB - XXIV Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
Um cliente apresenta a você um cheque nominal à ordem com as assinaturas do emitente no anverso 
e do endossante no verso. No verso da cártula, também consta uma terceira assinatura, identificada 
apenas como aval pelo signatário. Com base nessas informações, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O aval dado no título foi irregular, pois, para a sua validade, deveria ter sido lançado no anverso. 
B) A falta de indicação do avalizado permite concluir que ele pode ser qualquer dos signatários 
(emitente ou endossante). 
C) O aval dado no título foi na modalidade em branco, sendo avalizado o emitente. 
D) O aval somente é cabível no cheque não à ordem, sendo considerado não escrito se a emissão 
for à ordem. 
 
 
 
 Resolva a questão a seguir: 
 
5) FGV - 2022 - OAB - XXXV Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
Riqueza Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda. sacou duplicata na modalidade cartular em face de 
Papelaria Sul Brasil Ltda., que foi devidamente aceita, com vencimento no dia 25 de março de 2022. 
Antes do vencimento, a duplicata foi endossada para Saudades Fomento Mercantil S/A. No dia do 
vencimento, a duplicata não foi paga, porém, no dia seguinte, foi prestado aval em branco datado pelo 
avalista Antônio Carlos. Acerca da validade e do cabimento do aval dado na duplicata após o 
vencimento, assinale a afirmativa correta. 
 
A) É nulo o aval após o vencimento na duplicata, por vedação expressa no Código Civil, diante da 
omissão da Lei nº 5.474/68 (Lei de Duplicatas). 
B) É válido o aval na duplicata após o vencimento, desde que o título ainda não tenha sido endossado 
na data da prestação do aval. 
C) É nulo o aval na duplicata cartular, sendo permitido apenas na duplicata escritural e mediante 
registro do título perante o agente escriturador. 
D) É válido o aval dado na duplicata antes ou após o vencimento, por previsão expressa na Lei de 
Duplicatas (Lei nº 5.474/68). 
 
Nota
promissória
Cheque
Letra de 
câmbio
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
12 
 
 
 
 
 
3. Introdução 
 
 
3.1. Empresário 
Atualmente, existe no ordenamento jurídico duas categorias que são enquadradas no 
conceito de empresário: a) o Empresário Individual; e b) a Sociedade Empresária. 
O Empresário Individual é uma pessoa natural, porém, de natureza jurídica. Como indica 
o seu próprio nome, representa um tipo empresarial onde não é admitida a existência de um 
sócio. Seu modelo já não é tão corriqueiro tendo em vista que a escolha atrai a obrigação da 
responsabilidade diretae ilimitada. Ou seja, o CPF e o CNPJ acabam interpenetrando-se. 
A responsabilidade do Empresário Individual é direta e ilimitada. O Enunciado 5 das 
Jornadas de Direito Comercial veio a indicar que primeiramente deve o Empresário responder 
com os bens da empresa, depois com os particulares. 
Conforme referido, o Art. 966 do CC conceitua o Empresário: “não se considera 
empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda 
com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir 
elemento de empresa”. Isso impõe destacar que aqueles que exercem profissão intelectual 
(dentistas, contadores, médicos, advogados, professores…) não são considerados empresários 
para os fins legais. A exceção é quando o exercício da profissão constituir elemento de empresa, 
ou seja, quando exploram a profissão de forma a fazer desaparecer as características 
personalíssimas do profissional. 
Sobre o registro empresarial, o art. 967 o aponta como obrigatório antes do início da 
atividade empresarial. O registro, contudo, é requisito para a regularidade empresarial, não 
sendo elemento constitutivo do conceito de empresário. 
O Art. 972 do CC indica que para que se possa exercer a atividade de empresário é 
necessário estar em pleno da capacidade civil e, ainda, não pode ser legalmente impedido. Um 
exemplo disso é a restrição aos magistrados, que não podem ser empresários. Não se pode 
confundir esse impedimento com a possibilidade de ser sócio/acionista que lhe é resguardada 
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
13 
 
desde que a responsabilidade seja limitada e não exerçam cargos de administração. 
Caso aquele legalmente impedido exerça a atividade, irá responder pessoalmente pelas 
obrigações contratadas. Nesse caso, precisamos diferenciar impedimento com incapacidade. O 
Art. 974 do CC indica que “poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente 
assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo 
autor de herança”. Assim, não se pode começar uma empresa individual sendo incapaz, contudo, 
é possível em casos de incapacidade superveniente ou incapacidade do sucessor na 
sucessão por morte que a empresa continue as atividades dessa forma. 
Como visto, o Art. 974 disciplina a questão referindo que para tanto é necessária 
autorização judicial e que nesse caso uma espécie de limitação da responsabilidade, referindo 
que "não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz já possuía, ao tempo da 
sucessão ou da interdição, desde que estranhos ao acervo daquela". A questão deve estar clara 
no alvará que concede a autorização. 
O legislador previu no Art. 975 que "se o representante ou assistente do incapaz for 
pessoa que, por disposição de lei, não puder exercer atividade de empresário, nomeará, com a 
aprovação do juiz, um ou mais gerentes". 
Em relação ao empresário casado, a regra do Art. 978 merece muita atenção pois refere 
textualmente que “o empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer 
que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá- 
los de ônus real”. Contudo, há que destacar-se que o Enunciado 58 das Jornadas de Direito 
Comercial que a regra apenas vale "desde que exista prévia averbação de autorização conjugal 
à conferência do imóvel ao patrimônio empresarial no cartório de registro de imóveis, com a 
consequente averbação do ato à margem de sua inscrição no registro público". Porém, cumpre 
reforçar que pelo Código Civil esse "porém" não existe. 
O Empresário deve observar sempre a regra do Art. 979 do Código Civil, mantendo o 
arquivamento na Junta de todos os pactos e declarações antenupciais, bem como os títulos de 
doação, herança, ou legado, de bens clausulados de incomunicabilidade ou inalienabilidade. 
Ainda, destaque para a previsão do Art. 980 que determina que a "sentença que decretar ou 
homologar a separação judicial do empresário e o ato de reconciliação não podem ser opostos 
a terceiros, antes de arquivados e averbados no Registro Público de Empresas Mercantis". 
Por fim, um empresário pode ser representado pela Sociedade Empresária, que será 
estudada com maiores detalhamentos na Seção 2. Contudo, para fins de caracterização, tem-se 
que possuir natureza jurídica de pessoa jurídica. Os sócios podem ser pessoa natural ou jurídica 
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Direito Empresarial 
 
 
14 
 
e a responsabilidade dos sócios é subsidiária e limitada, ilimitada ou mista, a depender do tipo 
societário eleito. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
 
6) FGV - 2022 - OAB - XXXV Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
A fisioterapeuta Alhandra Mogeiro tem um consultório em que realiza seus atendimentos, mas atende, 
também, em domicílio. Doutora Alhandra não conta com auxiliares ou colaboradores, mas tem uma 
página na Internet exclusivamente para marcação de consultas e comunicação com seus clientes. 
Com base nessas informações, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Não se trata de empresária individual em razão do exercício de profissão intelectual de natureza 
científica, haja ou não a atuação de colaboradores. 
B) Trata-se de empresária individual em razão do exercício de profissão liberal e prestação de 
serviços com finalidade lucrativa. 
C) Não se trata de empresária individual em razão de o exercício de profissão intelectual só configurar 
empresa com o concurso de colaboradores. 
D) Trata-se de empresária individual em razão do exercício de profissão intelectual com emprego de 
elemento de empresa pela manutenção da página na Internet. 
 
 
3.2. Estabelecimento Empresarial 
A primeira questão a ser pontuada é a de que Estabelecimento Empresarial não é 
sinônimo de local onde são desenvolvidas as atividades empresariais, o conceito do 
estabelecimento comercial é muito mais longo. Segundo o Art. 1.142 do Código Civil, "considera- 
se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por 
empresário, ou por sociedade empresária". Ainda, o local onde se exerce a atividade empresarial 
poderá ser físico ou virtual: 
Com isso é preciso entender que o Estabelecimento Comercial compreende tanto os bens 
de natureza material quanto imaterial, utilizados para que possa se dar o exercício da atividade 
econômica. Tem-se, portanto, um olhar à universalidade dos bens. Tanto é, que é possível ser 
realizada a venda do estabelecimento empresarial como um todo: o chamado contrato de 
trespasse conforme regulado no Art. 1.144 do Código Civil. 
Percebe-se que para que seja válido perante terceiros é necessário o seu registro e 
posterior publicação. Há que se pontuar que o Código Civil determinou diversas regras aplicáveis 
ao trespasse, tendo em vista a sua evidente importância. 
Assim, por exemplo, a regra insculpida no Art. 1.145 prevê que antes da alienação deve 
ser providenciado o pagamento dos credores ou deve ser colhida uma autorização que contenha 
o consentimento desses. Essa autorização se dá por meio de uma notificação cuja resposta deve 
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Direito Empresarial 
 
 
15 
 
dar-se em trinta dias, sob pena de ser considerada uma autorização tácita. 
Outro ponto de suma importância diz respeito à sucessão empresarial, prevista no Art. 
1.146 do CC: "o adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores 
à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo 
solidariamente obrigado pelo prazo de um ano (...)". Esse prazo de um ano é contado em relação 
aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. 
Obviamente tal regra é considerada apenas em relação às dívidas que podem ser 
negociadas, o que não se aplica no caso das dívidas de natureza tributária e trabalhista. Nesses 
casos devem serobservadas as previsões do Art. 133 do Código Tributário Nacional e do Art. 
448 da Consolidação das Leis Trabalhistas. 
É lícito e usual que esses contratos venham com a previsão de uma cláusula de não 
concorrência. Em referência a isso, inclusive, o Art. 1.147 do Código Civil indica que “não 
havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao 
adquirente, nos cinco anos subsequentes à transferência”. Nada impede de ser previsto um 
prazo menor, valendo esse regramento no silêncio. 
Por fim, vale mencionar o caso de sub-rogação nos contratos de exploração, pelo Art. 
1148 do Código Civil, que indica que "salvo disposição em contrário, a transferência importa a 
sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se 
não tiverem caráter pessoal". Refere ainda que nada impede que os terceiros rescindam o 
contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, 
ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante. 
 
3.3. Nome Empresarial 
O nome empresarial é o que irá identificar a pessoa jurídica perante a sociedade em todas 
as suas relações. A escolha do nome empresarial irá aparecer no ato constitutivo da sociedade, 
ou seja, ou no contrato social ou no estatuto, que posteriormente será arquivado na Junta 
Comercial. Não se confunde o nome empresarial com a marca, nome de domínio e nem com o 
nome fantasia. 
Ele deve obedecer ao princípio da novidade e da veracidade (Art. 1.158 e 1.165 do 
Código Civil). Isso quer dizer que não pode valer-se de uma expressão que não corresponda à 
realidade empresarial e, ainda, não deve utilizar-se de um registro igual ou que guarde notória 
semelhança com outro já registrado na Junta Comercial (vide Arts. 1.163 e 1.666, Código Civil). 
O nome empresarial pode ser constituído de firma ou denominação. Essa é a regra 
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Direito Empresarial 
 
 
16 
 
trazida no Art. 1.155, CC. Enquanto a firma necessita possuir um nome civil em seu núcleo 
(extenso ou abreviado), a denominação admite a inserção de qualquer expressão linguística. 
Existe uma polêmica no que diz respeito à necessidade de indicação da atividade 
empresarial. Na firma a indicação é facultativa, já na denominação em que pese haja exigência 
pelo Art. 1.158 do Código Civil, a Lei 8.934/1994 indica a desnecessidade. 
Um cuidado importante é que na sociedade limitada há a opção de escolha entre firma e 
denominação, contudo, ao final do nome deve estar incluída a palavra "limitada" ou "ltda". Caso 
essa regra não seja observada haverá responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores 
que assim utilizarem-se da firma ou denominação. 
Outro importante detalhe é que a cooperativa deve utilizar-se de denominação integrando 
a palavra "cooperativa'' por extenso. Por outro lado, as sociedades anônimas devem utilizar-se 
da denominação junto do vocábulo "sociedade anônima" ou "companhia", sendo facultado 
utilizar-se da abreviatura "cia" ou "S.A.". Nada impede que o nome de um fundador ou acionista 
importante componha o nome empresarial. 
Por seu turno, as sociedades em comandita por ações podem optar, desde que acresça ao 
nome "comandita por ações". 
 
*Para todos verem: quadro comparativo 
 
TIPO SOCIETÁRIO NOME EMPRESARIAL 
 
EI 
 
 
FIRMA OU CNPJ 
 
COMANDITA SIMPLES 
 
 
FIRMA OU CNPJ 
 
COMANDITA POR AÇÕES 
 
 
FIRMA, DENOMINAÇÃO OU CNPJ 
 
EM NOME COLETIVO 
 
 
FIRMA OU CNPJ 
 
LTDA 
 
 
FIRMA, DENOMINAÇÃO OU CNPJ 
 
ANÔNIMA 
 
 
DENOMINAÇÃO OU CNPJ 
 
EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO 
 
 
SEM REGISTRO 
 
 
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17 
 
Resolva a questão a seguir: 
 
7) FGV - 2022 - OAB - XXXVI Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
Pedro Laurentino deseja constituir uma sociedade limitada unipessoal cuja denominação será Padaria 
São Félix do Piauí Ltda., sediada em Teresina. A inscrição dos atos constitutivos da pessoa jurídica, 
ou as respectivas averbações de atos posteriores no registro empresarial, assegura o uso exclusivo 
do nome empresarial 
 
A) nos limites do estado do Piauí. 
B) nos limites do município de Teresina. 
C) em todo o território nacional. 
D) em toda a Região Nordeste. 
 
 
4. Propriedade Industrial 
4.1. Propriedade Industrial: Patentes 
A patente consiste no direito temporário garantido pelo Estado ao titular para que possa 
explorar economicamente um dos seguintes bens: invenção e modelo de utilidade. Em outras 
palavras, quando você desenvolve um dos bens que a seguir iremos trabalhar, você possui um 
determinado tempo para, exclusivamente, usufruir desta criação derivada do seu intelecto. 
O art. 6 da LPI nos revela quem pode ser titular de uma patente (via de regra, o próprio 
autor ou seus sucessores), já o art. 7 nos introduz uma importante noção sobre a LPI: não importa 
quem foi o primeiro a criar algo, o dono será aquele que primeiro buscar a concessão da patente 
junto ao INPI – por isso, lembrem: a busca da patente é ato constitutivo do direito. 
Os artigos subsequentes nos trazem o conceito de modelo de utilidade e os requisitos da 
patente de invenção e de modelo de utilidade: 
Invenção: Art. 8º É patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade, 
atividade inventiva e aplicação industrial. 
Modelo de utilidade: Art. 9º É patenteável como modelo de utilidade o objeto de uso 
prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma ou 
disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em 
sua fabricação. 
Importante: Requisitos da Patentiabilidade 
1) novidade; art. 11 e 12 
2) atividade inventiva; art. 13 e 14 
3) aplicação industrial art. 15 
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18 
 
4) ausência de impedimentos legais (art. 18) 
 
Já o art. 10 nos ilustra o que não pode ser considerado uma invenção. São muitos 
incisos, mas associem sempre a algo derivado da criatividade humana e com aplicação prática 
na indústria. Por exemplo, descobrir algo é diferente de inventar algo. Na descoberta, o objeto já 
existia. No ato de inventar, algo novo é criado. Obras artísticas são protegidas pela lei de direitos 
autorais, e não pela LPI. Ainda, vale destacar que softwares independentes (aplicativos, por 
exemplo) são protegidos pela lei de softwares, contudo, se estivermos falando de um software 
acoplado em uma criação, esta poderá ser patenteada junto do software. 
Após concedida, a patente vigorará por: 20 anos, se for invenção, e 15 anos, se for modelo 
de utilidade. Importante atentar que o prazo passa a contar da data do depósito, ou seja, do 
dia em que houve o encaminhamento do pedido ao INPI, e não da concessão. 
Os direitos concedidos ao titular da patente encontram-se no art. 41 e subsequentes. 
Violação a estes direitos gerarão indenizações, cujo marco temporal vem previsto no art. 44 da 
LPI. 
 
4.2. Contratos de Licença 
Temos três tipos de contratos de licença: 
I – Voluntária (art. 61) – ato de vontade do autor da patente, que deseja, voluntariamente, 
licenciar outrem para realizar a exploração. Tal ato deverá ser averbado junto ao INPI para que 
produza efeitos – a contar a partir de sua publicação. Caso a parte que esteja utilizando, 
mediante licença, patente, venha a melhorá-la, tal melhoria lhe pertence (art. 63). 
II – Por oferta (64) – cuida-se de espécie de “leilão” – o titular da patente solicita ao INPI 
que este a coloque em oferta para fins de exploração. Ou seja, o INPI anuncia a oferta e em suas 
revistas no intuito de atrair interessados. 
III – Compulsória (68) – caso o titular exerça a patente de forma abusiva, ou pratique 
abuso de poder econômico (decisão administrativa do CADE), poderá ter sua patente licenciada 
de forma compulsória após decisão administrativa ou judicial. Isso significa que, em virtude damá utilização da patente, o ente público permite que outras empresas a utilizem, desde que 
preenchidos requisitos (legitimo interesse e capacidade de produção). O titular não deixa de ser 
dono da patente, apenas perderá a exclusividade na exploração econômica da mesma. 
Não haverá a concessão da licença compulsória caso o titular (art 69): 
I - justificar o desuso por razões legítimas; 
II - comprovar a realização de sérios e efetivos preparativos para a exploração; ou 
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19 
 
III - justificar a falta de fabricação ou comercialização por obstáculo de ordem legal. 
Fala-se, ainda, em licença compulsória nos casos do art. 70, se preenchidos alguns 
requisitos cumulativamente: 
 
I - ficar caracterizada situação de dependência de uma patente em relação a outra (aquela 
cuja exploração depende obrigatoriamente da utilização de patente anterior. Imaginem 
uma invenção que é aplicada à uma linha de montagem recém inventada – temos duas 
patentes distintas, mas a primeira depende da segunda para funcionar) 
II - o objeto da patente dependente constituir substancial progresso técnico em relação à 
patente anterior; e 
III - o titular não realizar acordo com o titular da patente dependente para exploração da 
patente anterior. 
 
Por fim, há a patente compulsória nos casos de emergência nacional ou interesse público 
(art. 71). 
Nesses casos, se o titular não for capaz de suprir demanda emergencial (como uma 
epidemia, por exemplo), poderá haver a licença da patente de ofício – sem prejuízo dos direitos 
do titular. Trata-se de medida temporária para suprir alguma questão emergencial. 
 
4.3. Patente por empregado ou prestador de serviço 
Temos, como regra apresentada pelo art. 88 da LPI, que as patentes desenvolvidas 
durante a vigência do contrato de trabalho pertencem ao empregador. Isto porque é o 
empregador quem fornece os meios e recursos por meio dos quais o empregado desenvolve a 
produção intelectual que resultará na patente. A remuneração do empregado, nesses casos, é o 
próprio salário. Contudo, é importante atentarmos para um detalhe, caso o empregado 
interrompa seu contrato de trabalho: 
 
Art. 88, § 2º. Salvo prova em contrário, consideram-se desenvolvidos na vigência do 
contrato a invenção ou o modelo de utilidade, cuja patente seja requerida pelo empregado 
até 1 (um) ano após a extinção do vínculo empregatício. 
 
Ainda sobre a remuneração, o empregador poderá conceder ao empregado, autor do 
invento, participação nos ganhos econômicos resultantes da exploração da patente. Tal 
participação, contudo, não conta como salário do empregado. 
Já nas hipóteses em que o empregado desenvolver algo no seu âmbito particular, sem 
utilização de recursos do empregador, a ele toca a propriedade da patente. Caso empregado e 
empregador contribuam com recursos materiais, monetários, intelectuais etc., a patente 
pertencerá a ambos. 
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20 
 
4.4. Propriedade Industrial: Patentes e Desenho Industrial 
A característica de fundo do Desenho Industrial é a sua futilidade: a alteração não amplia a 
utilidade do objeto, apenas o reveste de um aspecto diferente. Esse traço também aproxima o DI 
da obra de arte, com a diferença de que o objeto revestido de desenho industrial tem 
necessariamente função utilitária, ao contrário da arte, desprovida dessa função. 
Os requisitos do Desenho industrial são a novidade absoluta (art. 95), a originalidade (art. 
97), a aplicação industrial (art. 95) e a legalidade (art. 100). 
Já o prazo de proteção é diferente do da patente. Aqui, conforme art. 108, temos que o 
período de proteção é de 10 anos a contar da concessão, prorrogável por mais 3 períodos de 5 
anos, ou seja, o mínimo é 10 anos e o máximo é 25 anos. 
 
4.5. Propriedade Industrial: Marca 
Marca é o sinal distintivo visualmente perceptível. Ou seja, é o elemento visual que serve 
para diferenciar um produto ou um serviço, facilitando muito a vida dos consumidores que 
buscam estes produtos/serviços. No Brasil, os sinais sonoros não são suscetíveis de registro 
como marca. O mesmo ocorre com características de cheiro, gosto ou tato de que se revestem 
os produtos os serviços. 
Apenas podem ser registrados como marca no INPI os sinais visualmente perceptíveis. 
Os signos não-visuais são tutelados pela disciplina jurídica da concorrência, se sua usurpação 
servir de meio fraudulento para desviar clientela. 
 
4.6. Classificação das Marcas 
1) Nominativas (compostas exclusivamente por palavras, sem apresentar particular 
forma de letras); 
2) Figurativas (consistentes de desenhos ou logotipos); 
3) Mistas (palavras escritas com letras revestidas de uma particular forma, ou inseridas 
em logotipos). 
Para fins jurídicos, qualquer que seja o tipo de marca, a proteção é idêntica. 
 
4.7. Requisitos das Marcas 
1) Novidade relativa: a marca precisa ser nova dentro da sua classe, quer dizer, seu ramo 
de atividade. O INPI possui um alista com diversos segmentos mercadológicos e, ao fazer o 
registro, o titular deve especificar a qual classe o produto pertence. Assim, a marca precisa ser 
novidade dentro daquela classe, sendo perfeitamente possível marcas com o mesmo nome 
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21 
 
coexistirem, contanto que em segmentos distintos. 
Ex: desinfetante VEJA e revista VEJA. Não há como haver confusão entre os 
consumidores. 
2) Não colidência com marca de alto renome ou notória: a marca não pode incidir nas 
hipóteses previstas nos artigos 125 e 126 da LPI (veremos a seguir). 
3) Ausência de impedimento legal: o art. 124 da LPI apresenta um rol de diversos 
incisos apontando o que não é registrável como marca. A ideia central do artigo é, por um lado, 
proteger o consumidor, que não pode ser enganado, e, em um segundo momento, proteger o 
titular legitimo de marca e evitar que este seja prejudicado. Assim, temos incisos versando, por 
exemplo, da proibição da utilização de bandeiras na marca (o que passa a ideia de que o produto 
foi fabricado em outro país), bem como vedação de marcas muito semelhantes ou idênticas à 
marcas já registradas. 
O que é uma marca de Alto Renome? 
 
Art. 125. À marca registrada no Brasil considerada de alto renome será assegurada 
proteção especial, em todos os ramos de atividade. 
 
 
• Sua eficiência e alcance extrapolam a marca originária (exorbitando o princípio da 
especialidade – proteção dentro de um ramo de atividade) 
• Para conseguir, requerer no INPI provando: 
• reconhecimento da marca por ampla parcela do público; 
• qualidade, reputação e prestígio dos produtos ou serviços; 
• grau de distintividade e exclusividade do sinal marcário. 
 
O que é uma marca Notoriamente Conhecida? 
 
Art. 126. A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade nos termos do art. 6º 
bis (I), da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial, goza de 
proteção especial, independentemente de estar previamente depositada ou registrada no 
Brasil. 
 
4.8. Vigência da Marca 
O registro da marca vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos, contados da data da 
concessão do registro, prorrogável por períodos iguais e sucessivos. Ou seja, diferente dos 
outros bens da propriedade industrial, a marca pode, em tese, vigorar para sempre, contanto que 
seja renovada a cada dez anos. 
 
 
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22 
 
Resolva a questão a seguir: 
 
8) FGV - 2022 - OAB - XXXVII Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
A proteção dos direitos relativos à propriedade industrial, por meio da concessão do direito de 
exclusividade para exploração da criação pelo seu titular, considerado seu interesse social e o 
desenvolvimento tecnológico e econômico do país, efetua-se mediante concessão de registro 
 
A) de marca. 
B) para o nome empresarial. 
C) para otítulo de estabelecimento. 
D) de obras literárias, arquitetônicas, artísticas. 
 
 
 
 
 5. Societário 
 
 
*Para todos verem: esquema 
1.090 a 1.092, CC 
Soci 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sociedades
Personificadas
Sociedade 
Simples
- Simples Pura: arts. 997 a 
1.038, CC.
- Em nome coletivo: arts. 
1.039 e 1.044, CC.
- Em comandita simples: art. 
1.045, CC
- Limitada: arts. 1.052 a 
1.087, CC.
- Cooperativas - arts. 1.093 
a 1.906, CC
- Sociedade Advogados: 
Estatuto da OAB 
Sociedade
Empresaria
- Em nome coletivo: arts. 
1.039 e 1.044, CC.
- Em comandita simples: art. 
1.045, CC.
- Limitada: arts. 1.052 a 
1.087, CC.
- Comandita por ações: art. 
1.090 a 1.092, CC.
- Sociedade Anônima: Lei 
6.404/76
Não 
Personificadas
Sociedade em 
Comum
Arts. 986 a 990, CC
Em conta de 
Participação 
Arts. 991 a 996, CC
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23 
 
As Sociedades Simples exercem atividades de natureza intelectual e não econômica, 
sejam científicas, literárias ou artísticas, consoante ao disposto no parágrafo único do art. 966 
do Código Civil. Devem ser registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. 
Atenção: A Sociedade de Advogados deve ser registrada no Conselho Seccional da OAB. 
Já as Sociedades Empresárias são aquelas que exercem atividades entendidas como 
empresárias, conforme art. 966, caput, do Código Civil. Devem ser registradas no Registro 
Público de Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais. 
 
Art. 966, CC. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade 
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. 
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de 
natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou 
colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. 
 
Art. 982, CC. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que 
tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); 
e, simples, as demais. 
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade 
por ações; e, simples, a cooperativa. 
 
5.1. Sociedade Simples - Sociedade Limitada - Sociedade Anônima 
 
 *Para todos verem: tabela 
 
 
Sociedade 
 Limitada 
 
Sociedade 
Anônima 
Sociedade 
Simples 
 
 
Legislação 
Aplicável 
Arts. 1.052 a 1.087, CC 
Subsidiariamente – arts. 
997 a 1.038, CC e Lei 
S/A, quando previsto no 
Contrato Social 
Arts. 1.088 a 1.089, CC 
Lei 6.404/76 
Em caso de omissão – 
arts. 997 a 1.038, CC 
Arts. 997 a 
1.038, CC 
Constituição Contrato Social Estatuto Contrato Social 
 
 
 
Responsabilidade 
dos Sócios 
Responsabilidade 
subsidiária e limitada ao 
capital investido por cada 
sócio, mas todos os 
sócios respondem 
solidariamente perante 
terceiros pela 
integralização do capital. 
 
 
Responsabilidade 
limitada ao preço de 
emissões das ações 
subscritas ou adquiridas 
por cada acionista. 
Responsabilidade 
subsidiária e 
limitada na 
proporção das 
quotas, salvo se 
houver 
responsabilidade 
solidária expressa 
no contrato social. 
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24 
 
 
 
Dissolução 
Dissolve-se de pleno 
direito por qualquer das 
hipóteses elencadas no 
art. 1.033, do CC e, se 
empresária, pela 
declaração de falência. 
 
Capital Quotas Ações Quotas 
 
Atenção: a sociedade não se dissolve mais pela ausência de pluralidade de sócios em 
face da revogação do inciso IV do artigo 1.033, do CC e pela possibilidade de converter em 
Sociedade Unipessoal Limitada. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
 
9) FGV - 2022 - OAB - XXXVI Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
A sociedade Corinto & Curvelo Ltda. é composta apenas por dois sócios, sendo o sócio Corinto titular 
de 40% do capital e o sócio Curvelo titular do restante. Nesta situação, a exclusão extrajudicial motivada 
do sócio minoritário de sociedade limitada poderá ser realizada pelo sócio Curvelo, independentemente 
de ter havido 
 
A) Justa causa, ou seja, de modo discricionário. 
B) Previsão no contrato de exclusão por justa causa. 
C) Alteração do contrato social. 
D) Reunião ou assembleia especial para esse fim. 
 
 
 
5.2. Dissolução da Sociedade Anônima 
 
*Para todos verem: esquema 
 
Art. 206 da LSA. Dissolve-se a companhia: 
I - de pleno direito: 
a) pelo término do prazo de duração; 
b) nos casos previstos no estatuto; 
c) por deliberação da assembléia-geral (art. 136, X); 
Extrajudicial
Quando ocorrer por meio de 
Assembleia ou Distrato
Judicial
Quando ocorrer através de processo 
judicial
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25 
 
d) pela existência de 1 (um) único acionista, verificada em assembléia-geral ordinária, se 
o mínimo de 2 (dois) não for reconstituído até à do ano seguinte, ressalvado o disposto no 
artigo 251; 
e) pela extinção, na forma da lei, da autorização para funcionar. 
 
Após a dissolução, a companhia mantém sua personalidade jurídica enquanto durar a 
liquidação. 
É o liquidante que representa a companhia nesse período e é dele a capacidade de onerar 
bens móveis e imóveis, transigir, receber e dar quitações. 
*Para todos verem: esquema 
 
Uma vez pago o passivo, o liquidante deve apresentar as contas finais. Se aprovadas as 
contas, encerra-se a companhia e o acionista que não concordar tem 30 dias para propor a ação. 
Importante: Destaca-se que a responsabilidade do liquidante é a mesma do 
administrador, e os deveres e responsabilidade dos administradores, fiscais e acionistas 
subsistirão até a extinção da companhia. 
Importante: Assembleia Virtual – Alteração dada pela Lei n° 14.030/2021. 
 
Art. 1.080-A, CC. O sócio poderá participar e votar à distância em reunião ou em 
assembleia, nos termos do regulamento do órgão competente do Poder Executivo federal. 
Parágrafo único. A reunião ou a assembleia poderá ser realizada de forma digital, 
respeitados os direitos legalmente previstos de participação e de manifestação dos sócios 
e os demais requisitos regulamentares. 
 
Art. 121, LSA. A assembleia-geral, convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto, 
tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as 
resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento. 
Parágrafo único. Nas companhias, abertas e fechadas, o acionista poderá participar e 
votar à distância em assembleia geral, nos termos do regulamento da Comissão de 
Valores Mobiliários e do órgão competente do Poder Executivo federal, respectivamente. 
 
Liquidação
A pedido de qualquer acionista, se os 
administradores ou a maioria de 
acionistas deixarem de promover a 
liquidação, ou a ela se opuserem.
A requerimento do Ministério Público, à 
vista de comunicação da autoridade 
competente, se a companhia, nos 30 
dias subsequentes à dissolução, não 
iniciar a liquidação ou, se após iniciá-la, 
a interrompe por mais de 15 dias.
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26 
 
5.3. Sociedade Anônima de Futebol - Lei 14.193/2021 
 
Art. 1º. Constitui Sociedade Anônima do Futebol a companhia cuja atividade principal 
consiste na prática do futebol, feminino e masculino, em competição profissional, sujeita 
às regras específicas desta Lei e, subsidiariamente, às disposições da Lei nº 6.404, de 15 
de dezembro de 1976, e da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998. 
 
O objeto social da Sociedade Anônima do Futebol poderá compreender as seguintes 
atividades (art. 1º, § 2º, Lei 14.193/2021): 
• o fomento e o desenvolvimento de atividades relacionadas com a prática do futebol, 
obrigatoriamente nas suas modalidades feminino e masculino; 
• a formação de atleta profissional de futebol, nas modalidades feminino e masculino, e 
a obtenção de receitas decorrentesda transação dos seus direitos desportivos; 
• a exploração, sob qualquer forma, dos direitos de propriedade intelectual de sua 
titularidade ou dos quais seja cessionária, incluídos os cedidos pelo clube ou pessoa 
jurídica original que a constituiu; 
• a exploração de direitos de propriedade intelectual de terceiros, relacionados ao 
futebol; 
• a exploração econômica de ativos, inclusive imobiliários, sobre os quais detenha 
direitos; 
• quaisquer outras atividades conexas ao futebol e ao patrimônio da Sociedade Anônima 
do Futebol, incluída a organização de espetáculos esportivos, sociais ou culturais; 
• a participação em outra sociedade, como sócio ou acionista, no território nacional, cujo 
objeto seja uma ou mais das atividades mencionadas nos incisos deste parágrafo, com 
exceção do inciso II. 
 
5.3.1. Denomiação da SAF 
Deve conter a expressão “Sociedade Anônima do Futebol” ou a abreviatura “S.A.F.” (art. 
1º, §3º, da Lei 14.193/21). 
 
5.3.2. Governança 
Na SAF, acionista controlador, individual ou integrante de acordo de controle, não poderá 
deter participação, direta ou indireta, em outra Sociedade Anônima do Futebol (art. 4º, da Lei 
14.193/2021). 
Já o acionista que detiver 10% (dez por cento) ou mais do capital votante ou total da 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9615consol.htm
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27 
 
Sociedade Anônima do Futebol, sem a controlar, se participar do capital social de outra 
Sociedade Anônima do Futebol, não terá direito a voz nem a voto nas assembleias gerais, nem 
poderá participar da administração dessas companhias, diretamente ou por pessoa por ele 
indicada (art. 4º, parágrafo único, da Lei 14.193/2021). 
 
5.4. Marco Legal das Startups - Lei Complementar nº 182/2021 
Uma startup é uma empresa que possui um modelo de negócios repetível e escalável, 
e que trabalha para desenvolver soluções em um cenário de incertezas. Além disso, ela 
necessita de inovação para não ser considerada uma empresa tradicional. 
 
*Para todos verem: esquema 
 
 
 
 
Startup
Organizações 
empresariais ou 
societárias, nascentes ou 
em operação recente, 
cuja atuação caracteriza-
se pela inovação aplicada 
a modelo de negócios 
ou a produtos ou serviços 
ofertados (art. 4º da LC 
182/2021)
Modelo de 
negócios: o foco é 
a solução para 
determinado 
problema e essa 
solução será 
vendida ao cliente 
de forma lucrativa 
Para ser uma startup, o 
modelo de negócios 
deve ser inovador, o 
que não significa 
necessariamente algo 
novo, podendo vir a ser 
uma adaptação de um 
modelo de negócios já 
utilizado.
Um produto 
repetível e 
escalável promete 
atingir um grande 
número de clientes 
e gerar lucro de 
forma rápica
Repetível: a empresa é 
capaz de entregar o 
mesmo produto em 
escala potencialmente 
ilimitada
Escalável: a empresa 
deve crescer cada vez 
mais sem que isso 
influencie o modelo de 
négócios
Investidor-anjo (art. 
2º, I, da LC 
182/2021)
Não é considerado sócio 
nem tem qualquer direito a 
gerência ou a voto na 
administração da empresa, 
não responde por qualquer 
obrigação da empresa e é 
remunerado por seus 
aportes (art. 61-A, §4º, I, da 
LC 123/2006)
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
28 
 
*Para todos verem: esquema 
 
 
 
6. Contratos Empresariais 
O cotidiano da vida empresarial deixa evidente a importância de se estabelecerem 
negócios com terceiros como meio de viabilizar a atividade econômica voltada para a satisfação 
de alguma necessidade do mercado. 
Da atividade econômica desemprenhada pela empresa surge a celebração de contratos, 
que podem ser de variados regimes jurídicos: trabalhistas, administrativos, comerciais, inclusive 
de consumo. Esse último é entendido como uma exceção na relação empresarial. 
Por se tratar, em regra, de contratos atípicos, nos contratos empresarial, se nota uma 
maior prevalência do princípio da força obrigatória dos contratos (pacta sunt servanda), 
embora sua criação e interpretação ainda devam seguir as regras ordinárias aplicadas aos 
contratos em geral. 
 
 
Veja o esquema na página a seguir... 
 
 
Startup X 
Empresa 
Tradicional
Startup: se preocupa com potencial de 
crescimento a curto e médio prazo; objetiva 
crescer de forma acelerada e sustentável; 
foca em oportunidades para atender 
rapidamente a uma demanda; começam a 
operar com grupos pequenos, onde há um 
acúmulo de funções entre os sócios; 
estimula inovação; busca investimento 
externo em troca de participação no 
empreendimento
Empresa Tradicional: costuma focar na 
rentabilidade e na estabilidade a longo 
prazo; tende a acumular lucros 
organicamente; se concentra na 
sobrevivência do negócio; com fluxo 
estruturado e planejamento a longo prazo; 
cada trabalhador costuma ter suas funções 
bem definidas; costuma atuar em sua zona 
de conforto; os sócios normalmente detém 
o controle absoluto do negócio; busca 
operar sem necessidade de grande 
investimento além do inicial (receitas 
cobrem os cutos e geram lucro).
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
29 
 
*Para todos verem: quadro comparativo 
 
 
 
 
Veja o esquema na página a seguir... 
 
CONTRATO PREVISÃO 
Compra e venda mercantil Arts. 481 a 532 do CC 
Arrendamento mercantil Lei nº 6.099/1974 e Resolução 2.309/1996 do Banco 
Central 
Alienação fiduciária Arts. 1.361 a 1.368-A do CC e Lei 9.514/1997 (coisa 
imóvel) 
Locação comercial Lei nº 8.245/1991 
Factoring Não possui legislação específica 
Franquia Lei nº 13.966/2019 
Representação comercial Lei nº 4.886/1965 
Distribuição Arts. 710 a 721 do CC 
 
Concessão Em geral se trata de um contrato atípico (sem 
previsão), exceto nos casos de automóveis, 
regulados pela Lei 6.729/79 
Mandato Arts. 653 a 691 do CC 
Comissão Arts. 693 a 790 do CC 
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
30 
 
*Para todos verem: esquema 
 Resolva a questão a seguir: 
 
10) FGV - 2021 - OAB - XXXIII Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
Farmácias Mundo Novo Ltda. é locatária de um imóvel não residencial onde funciona uma de suas 
filiais. No curso da vigência do contrato, que se encontra sob a égide do direito à renovação, faleceu 
um dos sócios, Sr. Deodato. Diante deste acontecimento, os sócios remanescentes deliberaram 
dissolver a sociedade. A sócia Angélica, prima de Deodato, gostaria de continuar a locação, 
aproveitando a localização excelente do ponto e a manutenção do aviamento objetivo da empresa. 
Angélica consulta um advogado especializado para saber se teria direito à renovação, mesmo não 
sendo a locatária do imóvel. Assinale a afirmativa que apresenta a resposta dada. 
 
A) Angélica tem direito à renovação da locação como subrogatária da sociedade dissolvida, mas deve 
informar ao locador sua condição no prazo de 30 (trinta) dias do arquivamento da ata de 
encerramento da liquidação, sob pena de decadência. 
B) Angélica não tem direito à renovação da locação, pois somente a sociedade dissolvida poderia 
exercer tal direito, por ter sido a parte contratante, incidindo o princípio da relatividade dos 
contratos. 
C) Angélica tem direito à renovação da locação como subrogatária da sociedade dissolvida, mas 
deve continuar a explorar o mesmo ramo de atividade que a sociedade dissolvida. 
D) Angélica não tem direito à renovação da locação, pois tal direito somente é conferido ao(s) sócio(s) 
remanescente(s) quando a sociedade sofre resolução por morte de sócio, e não dissolução. 
 
Relação contratual 
empresarial
Realizado entre empresas 
(ambas as partes da relação têm 
sua atividade movida em busca 
de lucro e possuem o risco da 
atividade)
Pressupõe que as partes estão 
equiparadas, em condições 
semelhantes de conhecimento 
técnico e profissionalismo para 
definiremseus interesses
Isso resulta em uma 
maior autonomia da 
vontade 
Em regra é um contrato 
atípico, embora sua criação e 
interpretação ainda devam 
seguir as regras ordinárias 
aplicadas aos contratos em 
geral
Prevalência do princípio da força 
obrigatória dos contratos (pacto sunt 
servanda): a intervenção do Estado 
deve ser mínima, em respeito à 
vontade das partes
A Lei 13.874/2019 incluiu o 
art. 49-A ao Código Civil, 
incentivando o 
empreendimento
Ele reforça a autonomia da PJ, 
frisando que a autonomia patrimonial 
possui a finalidade de estimular 
empreendimentos, para a geração de 
empregos, tributo, renda e inovação 
em benefício de todos (essa 
disposição está de acordo com a 
liberdade de pactuação nos contratos 
empresariais)
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
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Direito Empresarial 
 
 
32 
 
Prof.ª Cristiane Pauli 
 
11) FGV - 2023 - OAB - XXXVII Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
Aral adquiriu bens de consumo de uma sociedade empresária, ficando esta de lhe entregar as mercadorias em até 
10 (dez) dias úteis. Entretanto, a entrega não se realizou em razão da decretação de falência da vendedora e o 
consequente encerramento das atividades com o lacre dos estabelecimentos. O administrador judicial recebeu 
interpelação de Aral sobre a posição da massa falida quanto a entrega das mercadorias que comprou ou a devolução 
das parcelas já pagas. 
O administrador judicial se manifestou no sentido de não entregar a mercadoria ao comprador justificando a ausência 
de redução do passivo da massa falida e a extinção do contrato. Não há comitê de credores em funcionamento no 
processo falimentar. 
Considerando os fatos narrados e as disposições da Lei nº 11.101/2005, assinale a afirmativa que indica a atitude 
a ser tomada por Aral. 
 
A) Pedir ao juiz da falência a indisponibilidade de bens da massa até o valor de seu crédito para fins de futuro 
pagamento. 
B) Pedir a restituição em dinheiro das parcelas pagas pela aquisição dos bens. 
C) Habilitar o crédito relativo ao valor pago na classe dos credores quirografários. 
D) Ajuizar ação de execução por quantia certa em face da massa falida para recebimento das parcelas pagas. 
12) FGV - 2022 - OAB - XXXV Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
A empresa de viagens Balneário Gaivota Ltda. teve sua falência decretada com fundamento na impontualidade no 
pagamento de crédito no valor de R$ 610.000,00 (seiscentos e dez mil reais). Na relação de credores apresentada 
pela falida para efeito de publicação consta o crédito em favor do Banco Princesa S/A. no valor, atualizado até a 
data da falência, de R$ 90.002, 50 (noventa mil e dois reais e cinquenta centavos), garantido por constituição de 
propriedade fiduciária. 
Ao ler a relação de credores e constatar tal crédito, é correto afirmar que 
 
A) o crédito do Banco Princesa S/A. não se submeterá aos efeitos da falência, e prevalecerão as condições 
contratuais originais assumidas pela devedora antes da falência perante o fiduciário. 
B) o crédito do Banco Princesa S/A. submeter-se-á aos efeitos da falência, porém o bem garantido pela 
propriedade fiduciária será alienado de imediato para pagamento aos credores extraconcursais. 
C) o crédito do Banco Princesa S/A. não se submeterá aos efeitos da falência, permitindo ao falido permanecer 
na posse do imóvel até o encerramento da falência. 
D) o crédito do Banco Princesa S/A. submeter-se-á aos efeitos da falência e será pago na ordem dos créditos 
concursais, ressalvado o direito de o credor pleitear a restituição do bem. 
13) FGV - 2022 - OAB - XXXV Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase 
Júlio de Castilhos, credor com garantia real da Companhia Cruz Alta, em recuperação judicial, após instalada a 
assembleia de credores em segunda convocação, propôs a suspensão da deliberação sobre a votação do plano 
para que três cláusulas do documento fossem ajustadas. A proposta obteve aceitação dos credores presentes e o 
apoio da recuperanda. 
Considerando os fatos narrados, deve-se considerar a deliberação sobre a suspensão da assembleia 
 
A) válida, eis que é permitido aos credores decidir pela suspensão da assembleia-geral, que deverá ser 
encerrada no prazo de até 15 (quinze) dias, contados da data da deliberação. 
B) inválida, eis que a assembleia não pode ser suspensa diante de ter sido instalada em segunda convocação 
e deverá o juiz convocar nova assembleia no prazo de até 5 (cinco) dias. 
C) válida, eis que é permitido aos credores decidir pela suspensão da assembleia-geral, que deverá ser 
encerrada no prazo de até 90 (noventa) dias, contados da data de sua instalação. 
D) inválida, eis que a suspensão de assembleia é uma característica do procedimento de aprovação do plano 
especial para micro e pequenas empresas, e a recuperanda não pode utilizá-lo por ser companhia. 
 
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
33 
 
14) FGV - 2021 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXII - Primeira Fase 
A sociedade Nerópolis Fretamentos de Cargas Ltda. está passando por grave crise financeira e precisa, com a 
máxima urgência, pleitear recuperação judicial. A pedido de um dos administradores, o sócio Irapuan Pinheiro, titular 
de 70% do capital social, autorizou o pedido de recuperação judicial por esse administrador, o que foi feito. 
Acerca da situação narrada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A conduta do sócio Irapuan Pinheiro foi ilícita, pois somente por decisão unânime dos sócios é possível 
pleitear a recuperação judicial de sociedade limitada. 
B) A conduta do administrador foi lícita, pois é dispensável, em qualquer caso, a manifestação da assembleia 
de sócios para o pedido de recuperação judicial de sociedade limitada. 
C) A conduta do sócio Irapuan Pinheiro foi lícita, pois, em caso de urgência, é possível a qualquer sócio titular 
de mais da metade do capital social autorizar os administradores a requerer recuperação judicial. 
D) A conduta do administrador foi ilícita, pois deveria ter sido convocada assembleia de sócios para deliberar 
sobre a matéria com quórum de, no mínimo, 3/4 (três quartos) do capital social. 
 
 
15) FGV - 2019 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXVIII - Primeira Fase 
Inocência adquiriu um aparelho de jantar para sua nova residência em uma loja de artigos domésticos. A vendedora, 
sociedade limitada empresária, recebeu um cheque cruzado emitido pela compradora e, se comprometeu, a não o 
apresentar ao sacado antes de 10 de janeiro de 2019. Em 13 de dezembro de 2018, exatamente uma semana após 
a compra, Inocência verificou, no extrato de sua conta-corrente bancária, que o cheque em referência havia sido 
apresentado a pagamento e devolvido por insuficiência de fundos, em decorrência da apresentação antecipada ao 
sacado. 
Sobre a apresentação de cheque pós-datado antes da data indicada como sendo a de emissão, com base na 
jurisprudência pacificada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Caracteriza dano moral. 
B) Não pode ensejar qualquer indenização ao emitente. 
C) Pode ensejar apenas dano material. 
D) Pode ensejar indenização apenas se o cheque não estiver cruzado. 
 
Prof. Douglas Azevedo 
 
16) FGV - 2019 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXX - Primeira Fase 
Determinadas pessoas naturais, em razão de sua atividade profissional, e certas espécies de pessoas jurídicas, 
todas devidamente registradas no órgão competente, gozam de tratamento simplificado, favorecido e diferenciado 
em relação aos demais agentes econômicos – microempresas e empresas de pequeno porte. 
De acordo com a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, as microempresas e as empresas de 
pequeno porte, quanto à forma jurídica, são 
 
A) cooperativa de produção, empresário individual, empresa pública e sociedade limitada. 
B) empresário individual, empresaindividual de responsabilidade limitada, sociedade simples e sociedade 
empresária, exceto por ações. 
C) cooperativa de crédito, empresário individual, empresa individual de responsabilidade limitada e sociedade 
simples. 
D) empresário individual, profissional liberal, empresa Individual de responsabilidade limitada e sociedade por 
ações. 
 
 
17) FGV - 2023 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXVII - Primeira Fase 
A empresária individual Marília da Rocha, inscrita há mais de dez anos na Junta Comercial do Estado de São Paulo, 
sempre exerceu empresa sem designação de prepostos. Todavia, em razão do aumento de trabalho e necessidades 
de múltiplas viagens, tornou-se necessário nomear Jandira Franco como gerente na sede de sua empresa. Antes 
de efetuar a nomeação, Marília da Rocha consulta seu advogado para que este lhe esclareça sobre as prerrogativas 
do gerente e sua atuação como preposto. 
Assinale a opção que está de acordo com a disposição legal e pode ser dada como orientação a Marília da Rocha. 
 
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Direito Empresarial 
 
 
34 
 
A) O gerente não está autorizado a praticar os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram 
outorgados, pois tais atos sempre exigem poderes especiais. 
B) Se o empresário nomear dois ou mais gerentes, na falta de estipulação diversa, os poderes conferidos a 
eles presumem-se para atuação individual, sem solidariedade. 
C) O gerente nunca poderá estar em juízo em nome do preponente pelas obrigações resultantes do exercício 
da sua função porque tal prerrogativa é exclusiva do administrador. 
D) A alteração ou revogação do mandato conferido pelo empresário ao gerente, para ser oposta a terceiros, 
deve ser arquivada e averbada no Registro Público de Empresas Mercantis. 
 
 
18) FGV - 2020 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXI - Primeira Fase 
As sociedades empresárias Y e J celebraram contrato tendo por objeto a alienação do estabelecimento da primeira, 
situado em Antônio Dias/MG. Na data da assinatura do contrato, dentre outros débitos regularmente contabilizados, 
constava uma nota promissória vencida havia três meses no valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). O 
contrato não tem nenhuma cláusula quanto à existência de solidariedade entre as partes, tanto pelos débitos 
vencidos quanto pelos vincendos. 
Sabendo-se que, em 15/10/2018, após averbação na Junta Comercial competente, houve publicação do contrato 
na imprensa oficial e, tomando por base comparativa o dia 15/01/2020, o alienante 
 
A) responderá pelo débito vencido com o adquirente por não terem decorrido cinco anos da publicação do 
contrato na imprensa oficial. 
B) não responderá pelo débito vencido com o adquirente em razão de não ter sido estipulada tal solidariedade 
no contrato. 
C) responderá pelo débito vencido com o adquirente até a ocorrência da prescrição relativa à cobrança da nota 
promissória. 
D) não responderá pelo débito vencido com o adquirente diante do decurso de mais de 1 (um) ano da 
publicação do contrato na imprensa oficial. 
 
 
19) FGV - 2019 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXIX - Primeira Fase 
Álvares Florence tem um filho relativamente incapaz e consulta você, como advogado(a), para saber da 
possibilidade de transferir para o filho parte das quotas que possui na sociedade empresária Redenção da Serra 
Alimentos Ltda., cujo capital social se encontra integralizado. 
Apoiado na disposição do Código Civil sobre o assunto, você respondeu que 
 
A) é permitido o ingresso do relativamente incapaz na sociedade, bastando que esteja assistido por seu pai no 
instrumento de alteração contratual. 
B) não é permitida a participação de menor, absoluta ou relativamente incapaz, em sociedade, exceto nos tipos 
de sociedades por ações. 
C) não é permitida a participação de incapaz em sociedade, mesmo que esteja representado ou assistido, 
salvo se a transmissão das quotas se der em razão de sucessão causa mortis. 
D) é permitido o ingresso do relativamente incapaz na sociedade, desde que esteja assistido no instrumento 
de alteração contratual, devendo constar a vedação do exercício da administração da sociedade por ele. 
 
Prof.ª Luciana Aranalde 
 
20) FGV - 2023 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXVII - Primeira Fase 
Lauro e Moysés constituem, por contrato escrito, uma sociedade para prestação de serviços de informática, mas 
não levam o contrato a arquivamento na Junta Comercial e iniciam a atividade econômica em comum. Lauro, em 
seu nome, mas agindo no interesse dele e de Moysés, celebra contrato com Agnes para instalação e manutenção 
de rede sem fio. Agnes desconhecia a existência da sociedade. Inadimplido o contrato, Agnes tomou conhecimento 
da existência de sociedade por confissão de Lauro na ação de cobrança que ela intentou em face dele. 
Com base nessas informações, Agnes poderá ter seu crédito satisfeito com o produto da alienação judicial dos: 
 
A) bens sociais de titularidade comum dos sócios Lauro e Moysés e de seus bens particulares, devendo exaurir 
primeiro os bens sociais para, posteriormente e se necessário, atingir os bens dos sócios, sendo que Lauro 
está excluído do benefício de ordem por ter contratado no interesse da sociedade. 
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
35 
 
B) bens particulares de Lauro, por desconhecer a existência da sociedade, sem possibilidade de excussão dos 
bens sociais ou os de Moysés, por esse não ter contratado no interesse da sociedade. 
C) bens sociais de titularidade comum dos sócios Lauro e Moysés e dos bens particulares de Lauro, mas não 
há possibilidade de atingir os bens particulares de Moysés, já que este não contratou no interesse da 
sociedade. 
D) bens sociais de titularidade comum dos sócios Lauro e Moysés, considerando a existência de autonomia 
patrimonial da sociedade, sem possibilidade de excussão dos bens particulares dos sócios Lauro e Moysés. 
 
 
21) FGV - 2023 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXVII - Primeira Fase 
Três médicos decidiram constituir uma sociedade do tipo limitada cujo objeto é simples, consoante a classificação 
das sociedades no Código Civil. 
Acerca da designação a ser adotada pela sociedade e sua qualificação jurídica, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Por não ter a futura sociedade natureza empresária, não poderá adotar nome empresarial, sendo livre a 
formação de sua designação, sem incidência das regras de formação do nome da sociedade limitada. 
B) A futura sociedade terá nome empresarial, pois tanto as regras de formação quanto de proteção ao nome 
empresarial se aplicam indistintamente às sociedades simples e empresárias. 
C) Embora a futura sociedade não tenha nome empresarial, por não exercer empresa, a formação de sua 
designação obedecerá às regras para a formação do nome empresarial do tipo limitada. 
D) Independentemente da natureza da futura sociedade, ela terá nome empresarial, pois exercerá atividade 
econômica, devendo adotar denominação, mas é facultativo a palavra “limitada” ou sua abreviatura ao final. 
 
 
22) FGV - 2022 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXIV - Primeira Fase 
Em 2019 foram estabelecidas, inicialmente por medida provisória posteriormente convertida na Lei nº 13.874, 
normas de proteção à livre iniciativa e ao livre exercício de atividade econômica e disposições sobre a atuação do 
Estado como agente normativo e regulador. 
Em relação aos contratos empresariais, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Os contratos empresariais são presumidos paritários e simétricos, exceto diante da presença na relação 
jurídica de um empresário individual ou empresa individual de responsabilidade limitada. 
B) As partes negociantes poderão estabelecer parâmetros objetivos para a interpretação das cláusulas 
negociais e de seus pressupostos de revisão ou de resolução. 
C) A alocação de riscos definida pelas partes deverá ser respeitada e observada, porém até o ponto em que o 
Estado julgue, discricionariamente, que deve intervir no exercícioda atividade econômica. 
D) A revisão contratual ocorrerá de maneira excepcional e ilimitada sempre que uma das partes for vulnerável, 
sendo que, no caso de microempresas e empresas de pequeno porte, essa presunção é absoluta. 
 
 
23) FGV - 2022 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXIV - Primeira Fase 
Em ação declaratória de nulidade da sentença arbitral, a autora da ação, parte no juízo arbitral, alegou, como 
fundamento jurídico do pedido, (I) o fato de a sentença ter sido baseada apenas em regras de direito, (II) omitir a 
data e (III) o lugar em que foi proferida, requisitos formais da sentença, segundo ela. 
Na contestação, a outra parte (favorecida pela decisão), alegou que a omissão do lugar e da data são erros 
meramente materiais, supríveis por outros meios, como a convenção de arbitragem, onde se encontra estipulado o 
local da sede da arbitragem, e por documentos dos árbitros onde constam a data-limite para ser proferida a decisão. 
Assim, não se pode anular a sentença arbitral simplesmente por omissões supríveis. 
Quanto ao mérito e atentando para as disposições legais da sentença arbitral, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Os argumentos apresentados pela ré são procedentes, eis que a ausência da data e do lugar da arbitragem 
configura erro material, sanável pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito. 
B) Os argumentos apresentados pela ré são procedentes, eis que é dispensável na sentença menção à data 
ou ao lugar em que foi proferida, sanável pelo conteúdo da convenção de arbitragem. 
C) Os argumentos apresentados pela autora são procedentes, eis que é necessário na sentença arbitral a data 
e o lugar em que foi proferida, exceto se os árbitros julgaram por equidade. 
D) Os argumentos apresentados pela autora são procedentes, eis que é nula a sentença arbitral que não 
contiver a data e o lugar em que foi proferida. 
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Direito Empresarial 
 
 
36 
 
24) FGV - 2022 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXIV - Primeira Fase 
Na companhia fechada Gráfica Redenção da Serra S/A, o estatuto prevê a criação de classes de ações ordinárias 
em função de (I) conversibilidade em ações preferenciais e (II) atribuição de voto plural na razão de 5 (cinco) votos 
por 1 (uma) ação ordinária. 
Ao analisar a cláusula estatutária você conclui que ela é 
 
A) parcialmente válida, pois é nula a atribuição de voto plural a qualquer classe de ação ordinária, porém é 
possível a conversibilidade em ações preferenciais. 
B) parcialmente nula, pois é válida no tocante a atribuição de voto plural, já que não excede o limite de 10 (dez) 
votos por ação, e nula no tocante à conversibilidade em ações preferenciais. 
C) plenamente válida, pois ambos os parâmetros adotados pelo estatuto (voto plural e conversão em ações 
preferenciais) são possíveis e lícitos nas companhias fechadas. 
D) totalmente nula, pois são vedadas tanto a conversibilidade de ações ordinárias em preferenciais quanto a 
atribuição de voto plural nas companhias fechadas. 
 
 
25) FGV - 2022 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXIV - Primeira Fase 
A sociedade cooperativa é dotada de características próprias que lhe atribuem singularidade em relação a outros 
tipos societários, dentre elas o critério de distribuição de resultados. 
Das alternativas abaixo, assinale a única que indica corretamente tal critério. 
 
A) A distribuição dos resultados é realizada proporcionalmente ao valor da quota-parte de cada sócio, salvo 
disposição diversa do estatuto. 
B) A distribuição dos resultados é realizada proporcionalmente ao valor dos bens conferidos por cada 
cooperado, para formação do capital social. 
C) A distribuição dos resultados é realizada proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo sócio 
com a sociedade, podendo ser atribuído juro fixo ao capital realizado. 
D) A distribuição dos resultados é realizada proporcionalmente à contribuição de cada cooperado, para 
formação dos Fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social. 
 
 
26) FGV - 2021 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXIII - Primeira Fase 
Em razão das medidas de isolamento social propagadas nos anos de 2020 e 2021, muitos administradores 
precisaram de orientação quanto à licitude da realização de reuniões ou assembleias de sócios nas sociedades 
limitadas, de forma digital, ou à possibilidade do modelo híbrido, ou seja, o conclave é presencial, mas com a 
possibilidade de participação remota de sócio, inclusive proferindo voto. 
Assinale a afirmativa que apresenta a orientação correta. 
 
A) Na sociedade limitada é vedada tanto a reunião ou assembleia de sócios, de forma digital, quanto a 
participação do sócio e o voto à distância. 
B) Na sociedade limitada é vedada a reunião ou assembleia de sócios, de forma digital, mas é possível a 
participação de sócio e o voto à distância. 
C) Na sociedade limitada é vedada a participação e voto à distância nas reuniões e assembleias, mas é 
possível a reunião ou assembleia de forma digital. 
D) Na sociedade limitada é possível tanto a reunião ou a assembleia de sócios, de forma digital, quanto a 
participação do sócio e o voto à distância. 
 
 
27) FGV - 2021 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXII - Primeira Fase 
Alexandre Larocque pretende constituir sociedade do tipo limitada sem se reunir a nenhuma outra pessoa e consulta 
sua advogada para saber a possibilidade de efetivar sua pretensão. 
Assinale a opção que apresenta a resposta dada pela advogada ao seu cliente. 
 
A) É possível. A sociedade limitada pode ser constituída por uma pessoa, hipótese em que se aplicarão ao ato 
de instituição, no que couberem, as disposições sobre o contrato social. 
B) Não é possível. A sociedade limitada só pode ser unipessoal acidentalmente e pelo prazo máximo de 180 
dias, nos casos em que remanescer apenas um sócio pessoa natural. 
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
37 
 
C) Não é possível. Apenas a empresa pública e a subsidiária integral podem ser sociedades unipessoais e 
constituídas com apenas sócio pessoa jurídica. 
D) É possível, desde que o capital mínimo da sociedade limitada seja igual ou superior a 100 (cem) salários 
mínimos e esteja totalmente integralizado. 
 
 
28) FGV - 2021 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXII - Primeira Fase 
Andropoulos Inc. é uma sociedade constituída na Grécia, com sede em Atenas e sócios de nacionalidade grega, 
exceto a sócia Querência, brasileira nata, que detém participação de 80% do capital, dividido em quotas. 
Se essa sociedade quiser atuar no Brasil por meio de uma sucursal em São Paulo/SP, será necessário 
 
A) ter, permanentemente, representante no Brasil, com poderes para resolver quaisquer questões, exceto 
receber citação judicial pela sociedade. 
B) transferir sua sede para o Brasil, na hipótese de nacionalizar-se, mediante deliberação unânime de seus 
sócios, independentemente de autorização do Poder Executivo. 
C) obter autorização do Poder Executivo e, em até seis meses do início de sua atividade, realizar sua inscrição 
na Junta Comercial do Estado de São Paulo, lugar em que deve se estabelecer. 
D) sujeitar-se às leis e aos tribunais brasileiros quanto às operações praticadas no Brasil, e qualquer 
modificação no contrato dependerá da aprovação do Poder Executivo para produzir efeitos no país. 
 
 
29) FGV - 2021 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXII - Primeira Fase 
Moema, Madalena e Carmen são sócias em uma sociedade empresária administrada por Antônio Cardoso. O objeto 
social é a distribuição de artigos de limpeza e asseio. Moema tem 90% do capital, Madalena tem 9% e Carmen, 1%. 
Ficando caracterizada confusão patrimonial pelo cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações pessoais das 
sócias por ação do administrador e a mando delas, o juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da 
sociedade, para atingir os bens particulares 
 
A) de Moema, somente. 
B) de Antônio, somente. 
C) de Moema, Madalena, Carmen eAntônio. 
D) de Moema e Madalena, somente. 
 
 
30) FGV - 2020 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXI - Primeira Fase 
No contrato da sociedade empresária Arealva Calçados Finos Ltda., não consta cláusula de regência supletiva pelas 
disposições de outro tipo societário. Ademais, tanto no contrato social quanto nas disposições legais relativas ao 
tipo adotado pela sociedade não há norma regulando a sucessão por morte de sócio. 
Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta 
 
A) Haverá resolução da sociedade em relação ao sócio em caso de morte. 
B) Haverá transmissão causa mortis da quota social. 
C) Caberá aos sócios remanescentes regular a substituição do sócio falecido. 
D) Os sócios serão obrigados a incluir, no contrato, cláusula dispondo sobre a sucessão por morte de sócio. 
 
 
31) FGV - 2020 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXI - Primeira Fase 
Duas sociedades empresárias celebraram contrato de agência com uma terceira sociedade empresária, que 
assumiu a obrigação de, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência com as proponentes, promover, 
à conta das primeiras, mediante retribuição, a realização de certos negócios com exclusividade, nos municípios 
integrantes da região metropolitana de Curitiba/PR. 
Ficou pactuado que as proponentes conferirão poderes à agente para que esta as represente, como mandatária, na 
conclusão dos contratos. Antônio Prado, sócio de uma das sociedades empresárias contratantes, consulta seu 
advogado quanto à legalidade do contrato, notadamente da delimitação de zona geográfica e da concessão de 
mandato ao agente. 
Sobre a hipótese apresentada, considerando as disposições legais relativas ao contrato de agência, assinale a 
afirmativa correta 
 
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
38 
 
A) Não há ilegalidade quanto à delimitação de zona geográfica para atuação exclusiva do agente, bem como 
em relação à possibilidade de ser o agente mandatário das proponentes, por serem características do 
contrato de agência. 
B) Há ilegalidade na fixação de zona determinada para atuação exclusiva do agente, por ferir a livre 
concorrência entre agentes, mas não há ilegalidade na outorga de mandato ao agente para representação 
das proponentes. 
C) Há ilegalidade tanto na outorga de mandato ao agente para representação dos proponentes, por ser vedada 
qualquer relação de dependência entre agente e proponente, e também quanto à fixação de zona 
determinada para atuação exclusiva do agente. 
D) Não há ilegalidade quanto à fixação de zona determinada para atuação exclusiva do agente, mas há 
ilegalidade quanto à concessão de mandato do agente, porque é obrigatório por lei que o agente apenas 
faça a mediação dos negócios no interesse do proponente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem 
Direito Empresarial 
 
 
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Gabaritos das questões: 
 
1 - B 2 - A 3 - C 4 - C 5 - D 6 - A 7 - A 8 - A 
9 - D 10 - C 11 - C 12 - D 13 - C 14 - C 15 - A 16 - B 
17 - D 18 - D 19 - D 20 - A 21 - C 22 - B 23 - D 24 - C 
25 - C 26 - D 27 - A 28 - D 29 - C 30 - A 31 - A

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