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DIREITO EMPRESARIAL PROF.ª CRISTIANE PAULI PROF. DOUGLAS AZEVEDO PROF.ª LUCIANA ARANALDE Queridos alunos, Cada material da Revisão Turbo foi preparado com muito carinho para que você possa absorver, de forma rápida, conteúdos de qualidade! Lembre-se: você já evoluiu muito até aqui. Não desista! Derrube as barreiras que separam você do seu sonho. Esperamos você durante as aulas da Revisão Turbo! Com carinho, Equipe Ceisc ♥ Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 3 1. Lei nº 11.101/2005 *Para todos verem: esquema 1.1. Tipos de crise a) Sanável: talvez, com a injeção de dinheiro, seja possível se recuperar. Pede-se recuperação judicial. Arts. 47,48 e 51 da LRF. b) Insanável: não há possibilidade de recuperação. Em alguns casos, a empresa poderá pedir autofalência. Art. 105 da LRF. 1.2. Legitimados Empresário individual e a sociedade empresária. Não se aplica às sociedade simples. Exceções: Art. 2º, Art. 6º, §13 e Art. 48, §2º, todos da Lei 11.101/05. Art. 2º Esta Lei não se aplica a: I – empresa pública e sociedade de economia mista; II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores. Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial implica: §13 Não se sujeitam aos efeitos da recuperação judicial os contratos e obrigações decorrentes dos atos cooperativos praticados pelas sociedades cooperativas com seus cooperados, na forma do art. 79 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, consequentemente, não se aplicando a vedação contida no inciso II do art. 2º quando a Recuperação extrajudicial 161 Recuperação judicial 47 Falência 75 Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 4 sociedade operadora de plano de assistência à saúde for cooperativa médica. Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido, exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: §2º No caso de exercício de atividade rural por pessoa jurídica, admite-se a comprovação do prazo estabelecido no caput deste artigo por meio da Escrituração Contábil Fiscal (ECF), ou por meio de obrigação legal de registros contábeis que venha a substituir a ECF, entregue tempestivamente. Importante: produtor rural e cooperativa médica podem pedir RJ, bem como a sociedade anônima de futebol. Resolva a questão a seguir: 1) FGV - 2021 - OAB - XXXIII Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase Na Comarca de Imperatriz/MA funcionam 4 (quatro) Varas Cíveis, com competência concorrente para o julgamento de causas de falência e recuperação judicial. Em 22 de agosto de 2019, foi apresentado requerimento de falência de uma sociedade empresária enquadrada como empresa de pequeno porte, com principal estabelecimento naquele município. O requerimento foi distribuído para a 3ª Vara Cível. Tendo sido determinada a citação do devedor, no prazo da contestação, Coelho Dutra, administrador e representante legal da sociedade, requereu sua recuperação judicial, devidamente autorizado por deliberação dos sócios. Com base nestas informações, assinale a afirmativa correta. A) O requerimento de recuperação judicial não está sujeito à distribuição por dependência, podendo ser apreciado por qualquer um dos quatro juízos cíveis da comarca. B) A distribuição do pedido de falência previne a jurisdição para o pedido de recuperação judicial formulado pelo devedor, de modo que será competente o juízo da 3ª Vara Cível. C) Por se tratar de devedor enquadrado como empresa de pequeno porte, há tratamento diferenciado para o pedido de recuperação judicial, estando prevento o juízo que conheceu do pedido de falência. D) Como o devedor não se enquadra na definição legal de microempresa (incluído o microempreendedor individual), o requerimento de recuperação judicial não está sujeito à distribuição por dependência. 1.3. Motivos da falência *Para todos verem: esquema Autofalência Art. 105, LRF Impontualidade Art. 94, I, LRF Execução frustrada Art. 94, II, LRF Atos de falência Art. 94, III, LRF Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 5 Nem sempre a pessoa jurídica começa com uma recuperação judicial. Em alguns casos, quando a crise já está tão aguda na empresa, não resta alternativa a não ser a falência. *Para todos verem: esquema 1.4. Local onde será processada RJ e falência Principal estabelecimento: local do principal estabelecimento, ou seja, onde a empresa realiza seus mais importantes negócios, conforme artigo 3 da Lei nº 11.101/2005. Importante: Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial implica: §8º A distribuição do pedido de falência ou de recuperação judicial ou a homologação de recuperação extrajudicial previne a jurisdição para qualquer outro pedido de falência, de recuperação judicial ou de homologação de recuperação extrajudicial relativo ao mesmo devedor. Art. 78. Os pedidos de falência estão sujeitos a distribuição obrigatória, respeitada a ordem de apresentação. Parágrafo único. As ações que devam ser propostas no juízo da falência estão sujeitas a distribuição por dependência. Resolva a questão a seguir: 2) FGV - 2022 - OAB - XXXVI Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase Cerâmica Água Doce do Norte teve sua falência requerida pelo Banco Boa Esperança S/A, em razão do não pagamento de cinco duplicatas que lhe foram endossadas por Castelo, Vivacqua & Cia. Os títulos estão protestados para fins falimentares e não se verificou pagamento até a data da citação. Ao ser citada, a sociedade devedora apresentou tempestivamente a contestação e, no mesmo prazo, em peça processual própria, requereu recuperação judicial, sem, contudo, se manifestar sobre a efetivação de depósito elisivo. Com base nas informações acima, a sociedade empresária Defesa do pedido de falência Contestação em 10 dias (art. 98) Apresentação de pedido de RJ no prazo de contestação (art. 95) Depósito elisivo (art. 98, parágrafo único) Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 6 A) tinha a faculdade de pleitear sua recuperação judicial no prazo de contestação, ainda que não tivesse se manifestado pela efetivação de depósito elisivo. B) não deveria ter requerido sua recuperação judicial e sim ter efetuado o depósito elisivo, eliminando a presunção de insolvência para, somente após esse ato, pleitear recuperação judicial. C) deveria ter pleiteado sua recuperação judicial, pois o devedor pode se utilizar do benefício até o trânsito em julgado da sentença de falência, portanto, o pedido foi tempestivo e correto. D) estava impedida de requerer recuperação judicial, pois já havia, na data do pedido de recuperação, requerimento de falência contra si, ajuizado pelo credor da duplicatas. 1.5. Ações Revocatórias Artigo 129 e 130 da LRF. *Para todos verem: esquema Importante: É o artigo 99 da Lei de Falências que fala da fixação de um período suspeito, que é o chamado termo legal. Art. 129 Não exige prova de fraude Deve ocorrer dentro do período suspeito Atos são declarados ineficazes Hipóteses são apenas as do 129 Teoria dos atos inexistentes Art. 130 Deve haver intenção de lesar credores; prova de fraude Não tem um período de vincule, contudo, deve ser proposta em até 3 anos contados da decretação da falência Atos tornam-se revogáveis Não possui rol taxativo Fraude contra credoresRevisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 7 2. Prazos Prescricionais dos Títulos de Crédito Atos Cambiários: Decreto-Lei nº 57.663/66. *Para todos verem: esquema *Para todos verem: esquema Cheque Lei 7.357/85 6 meses contra emitente/avalista, a contar da apresentação Art. 59 (prazo apresentação: 30 dias mesma praça/ 60 dias praça diferente - a contar da emissão 6 meses para regresso contra demais coobrigados, a contar da data do pagamento Art. 59, parágrafo único 2 anos para ação de locupletamento ilícito, a contar da prescrição Art. 61 Duplicata Lei 5.474/68 3 anos contra o sacado e avalistas, a contar do pagamento Art. 18, inciso I 1 ano contra endossantes, a contar do protesto Art. 18, II 1 ano para regresso, a contar da data do pagamento Art. 18, III Letra de câmbio 3 anos contra aceitante/avalista, a contar do vencimento Art. 70 da LUG 1 ano tomador contra endossante, a contar do protesto Art. 70 da LUG 6 meses para regresso, a contar do pagamento Art. 70 da LUG Nota promissória 3 anos contra emitente/avalista, a contar do vencimento Art. 70 da LUG 1 ano tomador contra endossantes, a contar do protesto Art. 70 da LUG 6 meses para regresso, a contar da data do pagamento Art. 70 da LUG Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 8 *Para todos verem: esquema Resolva a questão a seguir: 3) FGV - 2021 - OAB - XXXIII Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase Socorro, empresária individual, sacou duplicata de venda na forma cartular, em face de Laticínios Aguaí Ltda. com vencimento para o dia 11 de setembro de 2020. Antes do vencimento, no dia 31 de agosto de 2020, a duplicata, já aceita, foi endossada para a sociedade Bariri & Piraju Ltda. Considerando-se que, no dia 9 de outubro de 2020, a duplicata foi apresentada ao tabelionato de protestos para ser protestada por falta de pagamento, é correto afirmar que o endossatário A) não poderá promover a execução em face de nenhum dos signatários diante da perda do prazo para a apresentação da duplicata a protesto por falta de pagamento. B) poderá promover a execução da duplicata em face do aceitante e do endossante, por ser facultativo o protesto por falta de pagamento da duplicata, caso tenha sido aceita pelo sacado. C) poderá promover a execução da duplicata em face do aceitante e do endossante, pelo fato de o título ter sido apresentado a protesto em tempo hábil e por ser o aceitante o obrigado principal. D) não poderá promover a execução em face do endossante, diante da perda do prazo para a apresentação da duplicata a protesto por falta de pagamento, mas poderá intentá-la em face do aceitante, por ser ele o obrigado principal. 2.1. Endosso Art. 11 e seguintes da LUG. 1) Transmissão; 2) Garantia; 3) Cuidar cláusula “sem garantia”; 4) Regra: verso; 5) Anverso: com indicação do ato. Principais atos Aval AceiteEndosso Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 9 2.2. Tipo de endosso 1) Parcial: nulo; 2) Em preto/em branco; 3) Caução; 4) Mandato; 5) Póstumo. 2.2.1. Endossos próprios Em branco: • Tradição; • Circula ao portador; • Pode ser transformado em preto; • Pode ser transferido em branco (não há responsabilidade). Em preto: • Identifica beneficiário; • Transmissão por endosso. 2.2.2. Endossos impróprios *Para todos verem: esquema 2.2.3. Endossos mandato Artigo 18, LUG: “Para cobrança” “valor a cobrar” “por procuração”. Súmula 475, STJ: responde pelos danos decorrentes de protesto indevido o endossatário que recebe por endosso translativo título de crédito contendo vício formal extrínseco ou intrínseco, ficando ressalvado seu direito de regresso contra os endossantes e avalistas. Mandato PóstumoCaução Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 10 Súmula 476, STJ: o endossatário de título de crédito por endosso-mandato só responde por danos decorrentes de protesto indevido se extrapolar os poderes de mandatário. 2.2.4. Endossos caução • Endosso pignoratício; • Art. 19, LUG; • “Valor em garantia” “valor em penhor”; • Pagamento da dívida: resgato o título. 2.2.5. Endossos póstumo/tardio Art. 20. O endosso posterior ao vencimento tem os mesmos efeitos que o endosso anterior. Todavia, o endosso posterior ao protesto por falta de pagamento, ou feito depois de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto, produz apenas os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. • Pós protesto do título. • A presunção é a de que o endosso sem data foi feito antes do prazo para a realização do protesto. 2.3. Aval 1) Em preto; 2) Em branco; 3) Simultâneo (coaval); 4) Sucessivo (aval do aval); 5) Parcial. 2.3.1. Características gerais • Artigo 30, LUG; • Vênia conjugal (art. 1.647, CC) – salvo separação absoluta; • Garantia pessoal prestada por terceiro; • Relação autônoma; • Responsabilidade solidária; • Regra: anverso. Pode no verso com indicação. Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 11 2.3.2. Aval parcial *Para todos verem: esquema *Ver proibição do CC (art. 897) Resolva a questão a seguir: 4) FGV - 2017 - OAB - XXIV Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase Um cliente apresenta a você um cheque nominal à ordem com as assinaturas do emitente no anverso e do endossante no verso. No verso da cártula, também consta uma terceira assinatura, identificada apenas como aval pelo signatário. Com base nessas informações, assinale a afirmativa correta. A) O aval dado no título foi irregular, pois, para a sua validade, deveria ter sido lançado no anverso. B) A falta de indicação do avalizado permite concluir que ele pode ser qualquer dos signatários (emitente ou endossante). C) O aval dado no título foi na modalidade em branco, sendo avalizado o emitente. D) O aval somente é cabível no cheque não à ordem, sendo considerado não escrito se a emissão for à ordem. Resolva a questão a seguir: 5) FGV - 2022 - OAB - XXXV Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase Riqueza Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda. sacou duplicata na modalidade cartular em face de Papelaria Sul Brasil Ltda., que foi devidamente aceita, com vencimento no dia 25 de março de 2022. Antes do vencimento, a duplicata foi endossada para Saudades Fomento Mercantil S/A. No dia do vencimento, a duplicata não foi paga, porém, no dia seguinte, foi prestado aval em branco datado pelo avalista Antônio Carlos. Acerca da validade e do cabimento do aval dado na duplicata após o vencimento, assinale a afirmativa correta. A) É nulo o aval após o vencimento na duplicata, por vedação expressa no Código Civil, diante da omissão da Lei nº 5.474/68 (Lei de Duplicatas). B) É válido o aval na duplicata após o vencimento, desde que o título ainda não tenha sido endossado na data da prestação do aval. C) É nulo o aval na duplicata cartular, sendo permitido apenas na duplicata escritural e mediante registro do título perante o agente escriturador. D) É válido o aval dado na duplicata antes ou após o vencimento, por previsão expressa na Lei de Duplicatas (Lei nº 5.474/68). Nota promissória Cheque Letra de câmbio Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 12 3. Introdução 3.1. Empresário Atualmente, existe no ordenamento jurídico duas categorias que são enquadradas no conceito de empresário: a) o Empresário Individual; e b) a Sociedade Empresária. O Empresário Individual é uma pessoa natural, porém, de natureza jurídica. Como indica o seu próprio nome, representa um tipo empresarial onde não é admitida a existência de um sócio. Seu modelo já não é tão corriqueiro tendo em vista que a escolha atrai a obrigação da responsabilidade diretae ilimitada. Ou seja, o CPF e o CNPJ acabam interpenetrando-se. A responsabilidade do Empresário Individual é direta e ilimitada. O Enunciado 5 das Jornadas de Direito Comercial veio a indicar que primeiramente deve o Empresário responder com os bens da empresa, depois com os particulares. Conforme referido, o Art. 966 do CC conceitua o Empresário: “não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”. Isso impõe destacar que aqueles que exercem profissão intelectual (dentistas, contadores, médicos, advogados, professores…) não são considerados empresários para os fins legais. A exceção é quando o exercício da profissão constituir elemento de empresa, ou seja, quando exploram a profissão de forma a fazer desaparecer as características personalíssimas do profissional. Sobre o registro empresarial, o art. 967 o aponta como obrigatório antes do início da atividade empresarial. O registro, contudo, é requisito para a regularidade empresarial, não sendo elemento constitutivo do conceito de empresário. O Art. 972 do CC indica que para que se possa exercer a atividade de empresário é necessário estar em pleno da capacidade civil e, ainda, não pode ser legalmente impedido. Um exemplo disso é a restrição aos magistrados, que não podem ser empresários. Não se pode confundir esse impedimento com a possibilidade de ser sócio/acionista que lhe é resguardada Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 13 desde que a responsabilidade seja limitada e não exerçam cargos de administração. Caso aquele legalmente impedido exerça a atividade, irá responder pessoalmente pelas obrigações contratadas. Nesse caso, precisamos diferenciar impedimento com incapacidade. O Art. 974 do CC indica que “poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança”. Assim, não se pode começar uma empresa individual sendo incapaz, contudo, é possível em casos de incapacidade superveniente ou incapacidade do sucessor na sucessão por morte que a empresa continue as atividades dessa forma. Como visto, o Art. 974 disciplina a questão referindo que para tanto é necessária autorização judicial e que nesse caso uma espécie de limitação da responsabilidade, referindo que "não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da interdição, desde que estranhos ao acervo daquela". A questão deve estar clara no alvará que concede a autorização. O legislador previu no Art. 975 que "se o representante ou assistente do incapaz for pessoa que, por disposição de lei, não puder exercer atividade de empresário, nomeará, com a aprovação do juiz, um ou mais gerentes". Em relação ao empresário casado, a regra do Art. 978 merece muita atenção pois refere textualmente que “o empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá- los de ônus real”. Contudo, há que destacar-se que o Enunciado 58 das Jornadas de Direito Comercial que a regra apenas vale "desde que exista prévia averbação de autorização conjugal à conferência do imóvel ao patrimônio empresarial no cartório de registro de imóveis, com a consequente averbação do ato à margem de sua inscrição no registro público". Porém, cumpre reforçar que pelo Código Civil esse "porém" não existe. O Empresário deve observar sempre a regra do Art. 979 do Código Civil, mantendo o arquivamento na Junta de todos os pactos e declarações antenupciais, bem como os títulos de doação, herança, ou legado, de bens clausulados de incomunicabilidade ou inalienabilidade. Ainda, destaque para a previsão do Art. 980 que determina que a "sentença que decretar ou homologar a separação judicial do empresário e o ato de reconciliação não podem ser opostos a terceiros, antes de arquivados e averbados no Registro Público de Empresas Mercantis". Por fim, um empresário pode ser representado pela Sociedade Empresária, que será estudada com maiores detalhamentos na Seção 2. Contudo, para fins de caracterização, tem-se que possuir natureza jurídica de pessoa jurídica. Os sócios podem ser pessoa natural ou jurídica Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 14 e a responsabilidade dos sócios é subsidiária e limitada, ilimitada ou mista, a depender do tipo societário eleito. Resolva a questão a seguir: 6) FGV - 2022 - OAB - XXXV Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase A fisioterapeuta Alhandra Mogeiro tem um consultório em que realiza seus atendimentos, mas atende, também, em domicílio. Doutora Alhandra não conta com auxiliares ou colaboradores, mas tem uma página na Internet exclusivamente para marcação de consultas e comunicação com seus clientes. Com base nessas informações, assinale a afirmativa correta. A) Não se trata de empresária individual em razão do exercício de profissão intelectual de natureza científica, haja ou não a atuação de colaboradores. B) Trata-se de empresária individual em razão do exercício de profissão liberal e prestação de serviços com finalidade lucrativa. C) Não se trata de empresária individual em razão de o exercício de profissão intelectual só configurar empresa com o concurso de colaboradores. D) Trata-se de empresária individual em razão do exercício de profissão intelectual com emprego de elemento de empresa pela manutenção da página na Internet. 3.2. Estabelecimento Empresarial A primeira questão a ser pontuada é a de que Estabelecimento Empresarial não é sinônimo de local onde são desenvolvidas as atividades empresariais, o conceito do estabelecimento comercial é muito mais longo. Segundo o Art. 1.142 do Código Civil, "considera- se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária". Ainda, o local onde se exerce a atividade empresarial poderá ser físico ou virtual: Com isso é preciso entender que o Estabelecimento Comercial compreende tanto os bens de natureza material quanto imaterial, utilizados para que possa se dar o exercício da atividade econômica. Tem-se, portanto, um olhar à universalidade dos bens. Tanto é, que é possível ser realizada a venda do estabelecimento empresarial como um todo: o chamado contrato de trespasse conforme regulado no Art. 1.144 do Código Civil. Percebe-se que para que seja válido perante terceiros é necessário o seu registro e posterior publicação. Há que se pontuar que o Código Civil determinou diversas regras aplicáveis ao trespasse, tendo em vista a sua evidente importância. Assim, por exemplo, a regra insculpida no Art. 1.145 prevê que antes da alienação deve ser providenciado o pagamento dos credores ou deve ser colhida uma autorização que contenha o consentimento desses. Essa autorização se dá por meio de uma notificação cuja resposta deve Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 15 dar-se em trinta dias, sob pena de ser considerada uma autorização tácita. Outro ponto de suma importância diz respeito à sucessão empresarial, prevista no Art. 1.146 do CC: "o adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano (...)". Esse prazo de um ano é contado em relação aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. Obviamente tal regra é considerada apenas em relação às dívidas que podem ser negociadas, o que não se aplica no caso das dívidas de natureza tributária e trabalhista. Nesses casos devem serobservadas as previsões do Art. 133 do Código Tributário Nacional e do Art. 448 da Consolidação das Leis Trabalhistas. É lícito e usual que esses contratos venham com a previsão de uma cláusula de não concorrência. Em referência a isso, inclusive, o Art. 1.147 do Código Civil indica que “não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subsequentes à transferência”. Nada impede de ser previsto um prazo menor, valendo esse regramento no silêncio. Por fim, vale mencionar o caso de sub-rogação nos contratos de exploração, pelo Art. 1148 do Código Civil, que indica que "salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal". Refere ainda que nada impede que os terceiros rescindam o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante. 3.3. Nome Empresarial O nome empresarial é o que irá identificar a pessoa jurídica perante a sociedade em todas as suas relações. A escolha do nome empresarial irá aparecer no ato constitutivo da sociedade, ou seja, ou no contrato social ou no estatuto, que posteriormente será arquivado na Junta Comercial. Não se confunde o nome empresarial com a marca, nome de domínio e nem com o nome fantasia. Ele deve obedecer ao princípio da novidade e da veracidade (Art. 1.158 e 1.165 do Código Civil). Isso quer dizer que não pode valer-se de uma expressão que não corresponda à realidade empresarial e, ainda, não deve utilizar-se de um registro igual ou que guarde notória semelhança com outro já registrado na Junta Comercial (vide Arts. 1.163 e 1.666, Código Civil). O nome empresarial pode ser constituído de firma ou denominação. Essa é a regra Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 16 trazida no Art. 1.155, CC. Enquanto a firma necessita possuir um nome civil em seu núcleo (extenso ou abreviado), a denominação admite a inserção de qualquer expressão linguística. Existe uma polêmica no que diz respeito à necessidade de indicação da atividade empresarial. Na firma a indicação é facultativa, já na denominação em que pese haja exigência pelo Art. 1.158 do Código Civil, a Lei 8.934/1994 indica a desnecessidade. Um cuidado importante é que na sociedade limitada há a opção de escolha entre firma e denominação, contudo, ao final do nome deve estar incluída a palavra "limitada" ou "ltda". Caso essa regra não seja observada haverá responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores que assim utilizarem-se da firma ou denominação. Outro importante detalhe é que a cooperativa deve utilizar-se de denominação integrando a palavra "cooperativa'' por extenso. Por outro lado, as sociedades anônimas devem utilizar-se da denominação junto do vocábulo "sociedade anônima" ou "companhia", sendo facultado utilizar-se da abreviatura "cia" ou "S.A.". Nada impede que o nome de um fundador ou acionista importante componha o nome empresarial. Por seu turno, as sociedades em comandita por ações podem optar, desde que acresça ao nome "comandita por ações". *Para todos verem: quadro comparativo TIPO SOCIETÁRIO NOME EMPRESARIAL EI FIRMA OU CNPJ COMANDITA SIMPLES FIRMA OU CNPJ COMANDITA POR AÇÕES FIRMA, DENOMINAÇÃO OU CNPJ EM NOME COLETIVO FIRMA OU CNPJ LTDA FIRMA, DENOMINAÇÃO OU CNPJ ANÔNIMA DENOMINAÇÃO OU CNPJ EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO SEM REGISTRO Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 17 Resolva a questão a seguir: 7) FGV - 2022 - OAB - XXXVI Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase Pedro Laurentino deseja constituir uma sociedade limitada unipessoal cuja denominação será Padaria São Félix do Piauí Ltda., sediada em Teresina. A inscrição dos atos constitutivos da pessoa jurídica, ou as respectivas averbações de atos posteriores no registro empresarial, assegura o uso exclusivo do nome empresarial A) nos limites do estado do Piauí. B) nos limites do município de Teresina. C) em todo o território nacional. D) em toda a Região Nordeste. 4. Propriedade Industrial 4.1. Propriedade Industrial: Patentes A patente consiste no direito temporário garantido pelo Estado ao titular para que possa explorar economicamente um dos seguintes bens: invenção e modelo de utilidade. Em outras palavras, quando você desenvolve um dos bens que a seguir iremos trabalhar, você possui um determinado tempo para, exclusivamente, usufruir desta criação derivada do seu intelecto. O art. 6 da LPI nos revela quem pode ser titular de uma patente (via de regra, o próprio autor ou seus sucessores), já o art. 7 nos introduz uma importante noção sobre a LPI: não importa quem foi o primeiro a criar algo, o dono será aquele que primeiro buscar a concessão da patente junto ao INPI – por isso, lembrem: a busca da patente é ato constitutivo do direito. Os artigos subsequentes nos trazem o conceito de modelo de utilidade e os requisitos da patente de invenção e de modelo de utilidade: Invenção: Art. 8º É patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. Modelo de utilidade: Art. 9º É patenteável como modelo de utilidade o objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação. Importante: Requisitos da Patentiabilidade 1) novidade; art. 11 e 12 2) atividade inventiva; art. 13 e 14 3) aplicação industrial art. 15 Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 18 4) ausência de impedimentos legais (art. 18) Já o art. 10 nos ilustra o que não pode ser considerado uma invenção. São muitos incisos, mas associem sempre a algo derivado da criatividade humana e com aplicação prática na indústria. Por exemplo, descobrir algo é diferente de inventar algo. Na descoberta, o objeto já existia. No ato de inventar, algo novo é criado. Obras artísticas são protegidas pela lei de direitos autorais, e não pela LPI. Ainda, vale destacar que softwares independentes (aplicativos, por exemplo) são protegidos pela lei de softwares, contudo, se estivermos falando de um software acoplado em uma criação, esta poderá ser patenteada junto do software. Após concedida, a patente vigorará por: 20 anos, se for invenção, e 15 anos, se for modelo de utilidade. Importante atentar que o prazo passa a contar da data do depósito, ou seja, do dia em que houve o encaminhamento do pedido ao INPI, e não da concessão. Os direitos concedidos ao titular da patente encontram-se no art. 41 e subsequentes. Violação a estes direitos gerarão indenizações, cujo marco temporal vem previsto no art. 44 da LPI. 4.2. Contratos de Licença Temos três tipos de contratos de licença: I – Voluntária (art. 61) – ato de vontade do autor da patente, que deseja, voluntariamente, licenciar outrem para realizar a exploração. Tal ato deverá ser averbado junto ao INPI para que produza efeitos – a contar a partir de sua publicação. Caso a parte que esteja utilizando, mediante licença, patente, venha a melhorá-la, tal melhoria lhe pertence (art. 63). II – Por oferta (64) – cuida-se de espécie de “leilão” – o titular da patente solicita ao INPI que este a coloque em oferta para fins de exploração. Ou seja, o INPI anuncia a oferta e em suas revistas no intuito de atrair interessados. III – Compulsória (68) – caso o titular exerça a patente de forma abusiva, ou pratique abuso de poder econômico (decisão administrativa do CADE), poderá ter sua patente licenciada de forma compulsória após decisão administrativa ou judicial. Isso significa que, em virtude damá utilização da patente, o ente público permite que outras empresas a utilizem, desde que preenchidos requisitos (legitimo interesse e capacidade de produção). O titular não deixa de ser dono da patente, apenas perderá a exclusividade na exploração econômica da mesma. Não haverá a concessão da licença compulsória caso o titular (art 69): I - justificar o desuso por razões legítimas; II - comprovar a realização de sérios e efetivos preparativos para a exploração; ou Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 19 III - justificar a falta de fabricação ou comercialização por obstáculo de ordem legal. Fala-se, ainda, em licença compulsória nos casos do art. 70, se preenchidos alguns requisitos cumulativamente: I - ficar caracterizada situação de dependência de uma patente em relação a outra (aquela cuja exploração depende obrigatoriamente da utilização de patente anterior. Imaginem uma invenção que é aplicada à uma linha de montagem recém inventada – temos duas patentes distintas, mas a primeira depende da segunda para funcionar) II - o objeto da patente dependente constituir substancial progresso técnico em relação à patente anterior; e III - o titular não realizar acordo com o titular da patente dependente para exploração da patente anterior. Por fim, há a patente compulsória nos casos de emergência nacional ou interesse público (art. 71). Nesses casos, se o titular não for capaz de suprir demanda emergencial (como uma epidemia, por exemplo), poderá haver a licença da patente de ofício – sem prejuízo dos direitos do titular. Trata-se de medida temporária para suprir alguma questão emergencial. 4.3. Patente por empregado ou prestador de serviço Temos, como regra apresentada pelo art. 88 da LPI, que as patentes desenvolvidas durante a vigência do contrato de trabalho pertencem ao empregador. Isto porque é o empregador quem fornece os meios e recursos por meio dos quais o empregado desenvolve a produção intelectual que resultará na patente. A remuneração do empregado, nesses casos, é o próprio salário. Contudo, é importante atentarmos para um detalhe, caso o empregado interrompa seu contrato de trabalho: Art. 88, § 2º. Salvo prova em contrário, consideram-se desenvolvidos na vigência do contrato a invenção ou o modelo de utilidade, cuja patente seja requerida pelo empregado até 1 (um) ano após a extinção do vínculo empregatício. Ainda sobre a remuneração, o empregador poderá conceder ao empregado, autor do invento, participação nos ganhos econômicos resultantes da exploração da patente. Tal participação, contudo, não conta como salário do empregado. Já nas hipóteses em que o empregado desenvolver algo no seu âmbito particular, sem utilização de recursos do empregador, a ele toca a propriedade da patente. Caso empregado e empregador contribuam com recursos materiais, monetários, intelectuais etc., a patente pertencerá a ambos. Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 20 4.4. Propriedade Industrial: Patentes e Desenho Industrial A característica de fundo do Desenho Industrial é a sua futilidade: a alteração não amplia a utilidade do objeto, apenas o reveste de um aspecto diferente. Esse traço também aproxima o DI da obra de arte, com a diferença de que o objeto revestido de desenho industrial tem necessariamente função utilitária, ao contrário da arte, desprovida dessa função. Os requisitos do Desenho industrial são a novidade absoluta (art. 95), a originalidade (art. 97), a aplicação industrial (art. 95) e a legalidade (art. 100). Já o prazo de proteção é diferente do da patente. Aqui, conforme art. 108, temos que o período de proteção é de 10 anos a contar da concessão, prorrogável por mais 3 períodos de 5 anos, ou seja, o mínimo é 10 anos e o máximo é 25 anos. 4.5. Propriedade Industrial: Marca Marca é o sinal distintivo visualmente perceptível. Ou seja, é o elemento visual que serve para diferenciar um produto ou um serviço, facilitando muito a vida dos consumidores que buscam estes produtos/serviços. No Brasil, os sinais sonoros não são suscetíveis de registro como marca. O mesmo ocorre com características de cheiro, gosto ou tato de que se revestem os produtos os serviços. Apenas podem ser registrados como marca no INPI os sinais visualmente perceptíveis. Os signos não-visuais são tutelados pela disciplina jurídica da concorrência, se sua usurpação servir de meio fraudulento para desviar clientela. 4.6. Classificação das Marcas 1) Nominativas (compostas exclusivamente por palavras, sem apresentar particular forma de letras); 2) Figurativas (consistentes de desenhos ou logotipos); 3) Mistas (palavras escritas com letras revestidas de uma particular forma, ou inseridas em logotipos). Para fins jurídicos, qualquer que seja o tipo de marca, a proteção é idêntica. 4.7. Requisitos das Marcas 1) Novidade relativa: a marca precisa ser nova dentro da sua classe, quer dizer, seu ramo de atividade. O INPI possui um alista com diversos segmentos mercadológicos e, ao fazer o registro, o titular deve especificar a qual classe o produto pertence. Assim, a marca precisa ser novidade dentro daquela classe, sendo perfeitamente possível marcas com o mesmo nome Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 21 coexistirem, contanto que em segmentos distintos. Ex: desinfetante VEJA e revista VEJA. Não há como haver confusão entre os consumidores. 2) Não colidência com marca de alto renome ou notória: a marca não pode incidir nas hipóteses previstas nos artigos 125 e 126 da LPI (veremos a seguir). 3) Ausência de impedimento legal: o art. 124 da LPI apresenta um rol de diversos incisos apontando o que não é registrável como marca. A ideia central do artigo é, por um lado, proteger o consumidor, que não pode ser enganado, e, em um segundo momento, proteger o titular legitimo de marca e evitar que este seja prejudicado. Assim, temos incisos versando, por exemplo, da proibição da utilização de bandeiras na marca (o que passa a ideia de que o produto foi fabricado em outro país), bem como vedação de marcas muito semelhantes ou idênticas à marcas já registradas. O que é uma marca de Alto Renome? Art. 125. À marca registrada no Brasil considerada de alto renome será assegurada proteção especial, em todos os ramos de atividade. • Sua eficiência e alcance extrapolam a marca originária (exorbitando o princípio da especialidade – proteção dentro de um ramo de atividade) • Para conseguir, requerer no INPI provando: • reconhecimento da marca por ampla parcela do público; • qualidade, reputação e prestígio dos produtos ou serviços; • grau de distintividade e exclusividade do sinal marcário. O que é uma marca Notoriamente Conhecida? Art. 126. A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade nos termos do art. 6º bis (I), da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial, goza de proteção especial, independentemente de estar previamente depositada ou registrada no Brasil. 4.8. Vigência da Marca O registro da marca vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos, contados da data da concessão do registro, prorrogável por períodos iguais e sucessivos. Ou seja, diferente dos outros bens da propriedade industrial, a marca pode, em tese, vigorar para sempre, contanto que seja renovada a cada dez anos. Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 22 Resolva a questão a seguir: 8) FGV - 2022 - OAB - XXXVII Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase A proteção dos direitos relativos à propriedade industrial, por meio da concessão do direito de exclusividade para exploração da criação pelo seu titular, considerado seu interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do país, efetua-se mediante concessão de registro A) de marca. B) para o nome empresarial. C) para otítulo de estabelecimento. D) de obras literárias, arquitetônicas, artísticas. 5. Societário *Para todos verem: esquema 1.090 a 1.092, CC Soci Sociedades Personificadas Sociedade Simples - Simples Pura: arts. 997 a 1.038, CC. - Em nome coletivo: arts. 1.039 e 1.044, CC. - Em comandita simples: art. 1.045, CC - Limitada: arts. 1.052 a 1.087, CC. - Cooperativas - arts. 1.093 a 1.906, CC - Sociedade Advogados: Estatuto da OAB Sociedade Empresaria - Em nome coletivo: arts. 1.039 e 1.044, CC. - Em comandita simples: art. 1.045, CC. - Limitada: arts. 1.052 a 1.087, CC. - Comandita por ações: art. 1.090 a 1.092, CC. - Sociedade Anônima: Lei 6.404/76 Não Personificadas Sociedade em Comum Arts. 986 a 990, CC Em conta de Participação Arts. 991 a 996, CC Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 23 As Sociedades Simples exercem atividades de natureza intelectual e não econômica, sejam científicas, literárias ou artísticas, consoante ao disposto no parágrafo único do art. 966 do Código Civil. Devem ser registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Atenção: A Sociedade de Advogados deve ser registrada no Conselho Seccional da OAB. Já as Sociedades Empresárias são aquelas que exercem atividades entendidas como empresárias, conforme art. 966, caput, do Código Civil. Devem ser registradas no Registro Público de Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais. Art. 966, CC. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Art. 982, CC. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. 5.1. Sociedade Simples - Sociedade Limitada - Sociedade Anônima *Para todos verem: tabela Sociedade Limitada Sociedade Anônima Sociedade Simples Legislação Aplicável Arts. 1.052 a 1.087, CC Subsidiariamente – arts. 997 a 1.038, CC e Lei S/A, quando previsto no Contrato Social Arts. 1.088 a 1.089, CC Lei 6.404/76 Em caso de omissão – arts. 997 a 1.038, CC Arts. 997 a 1.038, CC Constituição Contrato Social Estatuto Contrato Social Responsabilidade dos Sócios Responsabilidade subsidiária e limitada ao capital investido por cada sócio, mas todos os sócios respondem solidariamente perante terceiros pela integralização do capital. Responsabilidade limitada ao preço de emissões das ações subscritas ou adquiridas por cada acionista. Responsabilidade subsidiária e limitada na proporção das quotas, salvo se houver responsabilidade solidária expressa no contrato social. Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 24 Dissolução Dissolve-se de pleno direito por qualquer das hipóteses elencadas no art. 1.033, do CC e, se empresária, pela declaração de falência. Capital Quotas Ações Quotas Atenção: a sociedade não se dissolve mais pela ausência de pluralidade de sócios em face da revogação do inciso IV do artigo 1.033, do CC e pela possibilidade de converter em Sociedade Unipessoal Limitada. Resolva a questão a seguir: 9) FGV - 2022 - OAB - XXXVI Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase A sociedade Corinto & Curvelo Ltda. é composta apenas por dois sócios, sendo o sócio Corinto titular de 40% do capital e o sócio Curvelo titular do restante. Nesta situação, a exclusão extrajudicial motivada do sócio minoritário de sociedade limitada poderá ser realizada pelo sócio Curvelo, independentemente de ter havido A) Justa causa, ou seja, de modo discricionário. B) Previsão no contrato de exclusão por justa causa. C) Alteração do contrato social. D) Reunião ou assembleia especial para esse fim. 5.2. Dissolução da Sociedade Anônima *Para todos verem: esquema Art. 206 da LSA. Dissolve-se a companhia: I - de pleno direito: a) pelo término do prazo de duração; b) nos casos previstos no estatuto; c) por deliberação da assembléia-geral (art. 136, X); Extrajudicial Quando ocorrer por meio de Assembleia ou Distrato Judicial Quando ocorrer através de processo judicial Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 25 d) pela existência de 1 (um) único acionista, verificada em assembléia-geral ordinária, se o mínimo de 2 (dois) não for reconstituído até à do ano seguinte, ressalvado o disposto no artigo 251; e) pela extinção, na forma da lei, da autorização para funcionar. Após a dissolução, a companhia mantém sua personalidade jurídica enquanto durar a liquidação. É o liquidante que representa a companhia nesse período e é dele a capacidade de onerar bens móveis e imóveis, transigir, receber e dar quitações. *Para todos verem: esquema Uma vez pago o passivo, o liquidante deve apresentar as contas finais. Se aprovadas as contas, encerra-se a companhia e o acionista que não concordar tem 30 dias para propor a ação. Importante: Destaca-se que a responsabilidade do liquidante é a mesma do administrador, e os deveres e responsabilidade dos administradores, fiscais e acionistas subsistirão até a extinção da companhia. Importante: Assembleia Virtual – Alteração dada pela Lei n° 14.030/2021. Art. 1.080-A, CC. O sócio poderá participar e votar à distância em reunião ou em assembleia, nos termos do regulamento do órgão competente do Poder Executivo federal. Parágrafo único. A reunião ou a assembleia poderá ser realizada de forma digital, respeitados os direitos legalmente previstos de participação e de manifestação dos sócios e os demais requisitos regulamentares. Art. 121, LSA. A assembleia-geral, convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto, tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento. Parágrafo único. Nas companhias, abertas e fechadas, o acionista poderá participar e votar à distância em assembleia geral, nos termos do regulamento da Comissão de Valores Mobiliários e do órgão competente do Poder Executivo federal, respectivamente. Liquidação A pedido de qualquer acionista, se os administradores ou a maioria de acionistas deixarem de promover a liquidação, ou a ela se opuserem. A requerimento do Ministério Público, à vista de comunicação da autoridade competente, se a companhia, nos 30 dias subsequentes à dissolução, não iniciar a liquidação ou, se após iniciá-la, a interrompe por mais de 15 dias. Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 26 5.3. Sociedade Anônima de Futebol - Lei 14.193/2021 Art. 1º. Constitui Sociedade Anônima do Futebol a companhia cuja atividade principal consiste na prática do futebol, feminino e masculino, em competição profissional, sujeita às regras específicas desta Lei e, subsidiariamente, às disposições da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998. O objeto social da Sociedade Anônima do Futebol poderá compreender as seguintes atividades (art. 1º, § 2º, Lei 14.193/2021): • o fomento e o desenvolvimento de atividades relacionadas com a prática do futebol, obrigatoriamente nas suas modalidades feminino e masculino; • a formação de atleta profissional de futebol, nas modalidades feminino e masculino, e a obtenção de receitas decorrentesda transação dos seus direitos desportivos; • a exploração, sob qualquer forma, dos direitos de propriedade intelectual de sua titularidade ou dos quais seja cessionária, incluídos os cedidos pelo clube ou pessoa jurídica original que a constituiu; • a exploração de direitos de propriedade intelectual de terceiros, relacionados ao futebol; • a exploração econômica de ativos, inclusive imobiliários, sobre os quais detenha direitos; • quaisquer outras atividades conexas ao futebol e ao patrimônio da Sociedade Anônima do Futebol, incluída a organização de espetáculos esportivos, sociais ou culturais; • a participação em outra sociedade, como sócio ou acionista, no território nacional, cujo objeto seja uma ou mais das atividades mencionadas nos incisos deste parágrafo, com exceção do inciso II. 5.3.1. Denomiação da SAF Deve conter a expressão “Sociedade Anônima do Futebol” ou a abreviatura “S.A.F.” (art. 1º, §3º, da Lei 14.193/21). 5.3.2. Governança Na SAF, acionista controlador, individual ou integrante de acordo de controle, não poderá deter participação, direta ou indireta, em outra Sociedade Anônima do Futebol (art. 4º, da Lei 14.193/2021). Já o acionista que detiver 10% (dez por cento) ou mais do capital votante ou total da https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9615consol.htm Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 27 Sociedade Anônima do Futebol, sem a controlar, se participar do capital social de outra Sociedade Anônima do Futebol, não terá direito a voz nem a voto nas assembleias gerais, nem poderá participar da administração dessas companhias, diretamente ou por pessoa por ele indicada (art. 4º, parágrafo único, da Lei 14.193/2021). 5.4. Marco Legal das Startups - Lei Complementar nº 182/2021 Uma startup é uma empresa que possui um modelo de negócios repetível e escalável, e que trabalha para desenvolver soluções em um cenário de incertezas. Além disso, ela necessita de inovação para não ser considerada uma empresa tradicional. *Para todos verem: esquema Startup Organizações empresariais ou societárias, nascentes ou em operação recente, cuja atuação caracteriza- se pela inovação aplicada a modelo de negócios ou a produtos ou serviços ofertados (art. 4º da LC 182/2021) Modelo de negócios: o foco é a solução para determinado problema e essa solução será vendida ao cliente de forma lucrativa Para ser uma startup, o modelo de negócios deve ser inovador, o que não significa necessariamente algo novo, podendo vir a ser uma adaptação de um modelo de negócios já utilizado. Um produto repetível e escalável promete atingir um grande número de clientes e gerar lucro de forma rápica Repetível: a empresa é capaz de entregar o mesmo produto em escala potencialmente ilimitada Escalável: a empresa deve crescer cada vez mais sem que isso influencie o modelo de négócios Investidor-anjo (art. 2º, I, da LC 182/2021) Não é considerado sócio nem tem qualquer direito a gerência ou a voto na administração da empresa, não responde por qualquer obrigação da empresa e é remunerado por seus aportes (art. 61-A, §4º, I, da LC 123/2006) Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 28 *Para todos verem: esquema 6. Contratos Empresariais O cotidiano da vida empresarial deixa evidente a importância de se estabelecerem negócios com terceiros como meio de viabilizar a atividade econômica voltada para a satisfação de alguma necessidade do mercado. Da atividade econômica desemprenhada pela empresa surge a celebração de contratos, que podem ser de variados regimes jurídicos: trabalhistas, administrativos, comerciais, inclusive de consumo. Esse último é entendido como uma exceção na relação empresarial. Por se tratar, em regra, de contratos atípicos, nos contratos empresarial, se nota uma maior prevalência do princípio da força obrigatória dos contratos (pacta sunt servanda), embora sua criação e interpretação ainda devam seguir as regras ordinárias aplicadas aos contratos em geral. Veja o esquema na página a seguir... Startup X Empresa Tradicional Startup: se preocupa com potencial de crescimento a curto e médio prazo; objetiva crescer de forma acelerada e sustentável; foca em oportunidades para atender rapidamente a uma demanda; começam a operar com grupos pequenos, onde há um acúmulo de funções entre os sócios; estimula inovação; busca investimento externo em troca de participação no empreendimento Empresa Tradicional: costuma focar na rentabilidade e na estabilidade a longo prazo; tende a acumular lucros organicamente; se concentra na sobrevivência do negócio; com fluxo estruturado e planejamento a longo prazo; cada trabalhador costuma ter suas funções bem definidas; costuma atuar em sua zona de conforto; os sócios normalmente detém o controle absoluto do negócio; busca operar sem necessidade de grande investimento além do inicial (receitas cobrem os cutos e geram lucro). Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 29 *Para todos verem: quadro comparativo Veja o esquema na página a seguir... CONTRATO PREVISÃO Compra e venda mercantil Arts. 481 a 532 do CC Arrendamento mercantil Lei nº 6.099/1974 e Resolução 2.309/1996 do Banco Central Alienação fiduciária Arts. 1.361 a 1.368-A do CC e Lei 9.514/1997 (coisa imóvel) Locação comercial Lei nº 8.245/1991 Factoring Não possui legislação específica Franquia Lei nº 13.966/2019 Representação comercial Lei nº 4.886/1965 Distribuição Arts. 710 a 721 do CC Concessão Em geral se trata de um contrato atípico (sem previsão), exceto nos casos de automóveis, regulados pela Lei 6.729/79 Mandato Arts. 653 a 691 do CC Comissão Arts. 693 a 790 do CC Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 30 *Para todos verem: esquema Resolva a questão a seguir: 10) FGV - 2021 - OAB - XXXIII Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase Farmácias Mundo Novo Ltda. é locatária de um imóvel não residencial onde funciona uma de suas filiais. No curso da vigência do contrato, que se encontra sob a égide do direito à renovação, faleceu um dos sócios, Sr. Deodato. Diante deste acontecimento, os sócios remanescentes deliberaram dissolver a sociedade. A sócia Angélica, prima de Deodato, gostaria de continuar a locação, aproveitando a localização excelente do ponto e a manutenção do aviamento objetivo da empresa. Angélica consulta um advogado especializado para saber se teria direito à renovação, mesmo não sendo a locatária do imóvel. Assinale a afirmativa que apresenta a resposta dada. A) Angélica tem direito à renovação da locação como subrogatária da sociedade dissolvida, mas deve informar ao locador sua condição no prazo de 30 (trinta) dias do arquivamento da ata de encerramento da liquidação, sob pena de decadência. B) Angélica não tem direito à renovação da locação, pois somente a sociedade dissolvida poderia exercer tal direito, por ter sido a parte contratante, incidindo o princípio da relatividade dos contratos. C) Angélica tem direito à renovação da locação como subrogatária da sociedade dissolvida, mas deve continuar a explorar o mesmo ramo de atividade que a sociedade dissolvida. D) Angélica não tem direito à renovação da locação, pois tal direito somente é conferido ao(s) sócio(s) remanescente(s) quando a sociedade sofre resolução por morte de sócio, e não dissolução. Relação contratual empresarial Realizado entre empresas (ambas as partes da relação têm sua atividade movida em busca de lucro e possuem o risco da atividade) Pressupõe que as partes estão equiparadas, em condições semelhantes de conhecimento técnico e profissionalismo para definiremseus interesses Isso resulta em uma maior autonomia da vontade Em regra é um contrato atípico, embora sua criação e interpretação ainda devam seguir as regras ordinárias aplicadas aos contratos em geral Prevalência do princípio da força obrigatória dos contratos (pacto sunt servanda): a intervenção do Estado deve ser mínima, em respeito à vontade das partes A Lei 13.874/2019 incluiu o art. 49-A ao Código Civil, incentivando o empreendimento Ele reforça a autonomia da PJ, frisando que a autonomia patrimonial possui a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos (essa disposição está de acordo com a liberdade de pactuação nos contratos empresariais) Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 31 Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 32 Prof.ª Cristiane Pauli 11) FGV - 2023 - OAB - XXXVII Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase Aral adquiriu bens de consumo de uma sociedade empresária, ficando esta de lhe entregar as mercadorias em até 10 (dez) dias úteis. Entretanto, a entrega não se realizou em razão da decretação de falência da vendedora e o consequente encerramento das atividades com o lacre dos estabelecimentos. O administrador judicial recebeu interpelação de Aral sobre a posição da massa falida quanto a entrega das mercadorias que comprou ou a devolução das parcelas já pagas. O administrador judicial se manifestou no sentido de não entregar a mercadoria ao comprador justificando a ausência de redução do passivo da massa falida e a extinção do contrato. Não há comitê de credores em funcionamento no processo falimentar. Considerando os fatos narrados e as disposições da Lei nº 11.101/2005, assinale a afirmativa que indica a atitude a ser tomada por Aral. A) Pedir ao juiz da falência a indisponibilidade de bens da massa até o valor de seu crédito para fins de futuro pagamento. B) Pedir a restituição em dinheiro das parcelas pagas pela aquisição dos bens. C) Habilitar o crédito relativo ao valor pago na classe dos credores quirografários. D) Ajuizar ação de execução por quantia certa em face da massa falida para recebimento das parcelas pagas. 12) FGV - 2022 - OAB - XXXV Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase A empresa de viagens Balneário Gaivota Ltda. teve sua falência decretada com fundamento na impontualidade no pagamento de crédito no valor de R$ 610.000,00 (seiscentos e dez mil reais). Na relação de credores apresentada pela falida para efeito de publicação consta o crédito em favor do Banco Princesa S/A. no valor, atualizado até a data da falência, de R$ 90.002, 50 (noventa mil e dois reais e cinquenta centavos), garantido por constituição de propriedade fiduciária. Ao ler a relação de credores e constatar tal crédito, é correto afirmar que A) o crédito do Banco Princesa S/A. não se submeterá aos efeitos da falência, e prevalecerão as condições contratuais originais assumidas pela devedora antes da falência perante o fiduciário. B) o crédito do Banco Princesa S/A. submeter-se-á aos efeitos da falência, porém o bem garantido pela propriedade fiduciária será alienado de imediato para pagamento aos credores extraconcursais. C) o crédito do Banco Princesa S/A. não se submeterá aos efeitos da falência, permitindo ao falido permanecer na posse do imóvel até o encerramento da falência. D) o crédito do Banco Princesa S/A. submeter-se-á aos efeitos da falência e será pago na ordem dos créditos concursais, ressalvado o direito de o credor pleitear a restituição do bem. 13) FGV - 2022 - OAB - XXXV Exame de Ordem Unificado - Primeira Fase Júlio de Castilhos, credor com garantia real da Companhia Cruz Alta, em recuperação judicial, após instalada a assembleia de credores em segunda convocação, propôs a suspensão da deliberação sobre a votação do plano para que três cláusulas do documento fossem ajustadas. A proposta obteve aceitação dos credores presentes e o apoio da recuperanda. Considerando os fatos narrados, deve-se considerar a deliberação sobre a suspensão da assembleia A) válida, eis que é permitido aos credores decidir pela suspensão da assembleia-geral, que deverá ser encerrada no prazo de até 15 (quinze) dias, contados da data da deliberação. B) inválida, eis que a assembleia não pode ser suspensa diante de ter sido instalada em segunda convocação e deverá o juiz convocar nova assembleia no prazo de até 5 (cinco) dias. C) válida, eis que é permitido aos credores decidir pela suspensão da assembleia-geral, que deverá ser encerrada no prazo de até 90 (noventa) dias, contados da data de sua instalação. D) inválida, eis que a suspensão de assembleia é uma característica do procedimento de aprovação do plano especial para micro e pequenas empresas, e a recuperanda não pode utilizá-lo por ser companhia. Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 33 14) FGV - 2021 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXII - Primeira Fase A sociedade Nerópolis Fretamentos de Cargas Ltda. está passando por grave crise financeira e precisa, com a máxima urgência, pleitear recuperação judicial. A pedido de um dos administradores, o sócio Irapuan Pinheiro, titular de 70% do capital social, autorizou o pedido de recuperação judicial por esse administrador, o que foi feito. Acerca da situação narrada, assinale a afirmativa correta. A) A conduta do sócio Irapuan Pinheiro foi ilícita, pois somente por decisão unânime dos sócios é possível pleitear a recuperação judicial de sociedade limitada. B) A conduta do administrador foi lícita, pois é dispensável, em qualquer caso, a manifestação da assembleia de sócios para o pedido de recuperação judicial de sociedade limitada. C) A conduta do sócio Irapuan Pinheiro foi lícita, pois, em caso de urgência, é possível a qualquer sócio titular de mais da metade do capital social autorizar os administradores a requerer recuperação judicial. D) A conduta do administrador foi ilícita, pois deveria ter sido convocada assembleia de sócios para deliberar sobre a matéria com quórum de, no mínimo, 3/4 (três quartos) do capital social. 15) FGV - 2019 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXVIII - Primeira Fase Inocência adquiriu um aparelho de jantar para sua nova residência em uma loja de artigos domésticos. A vendedora, sociedade limitada empresária, recebeu um cheque cruzado emitido pela compradora e, se comprometeu, a não o apresentar ao sacado antes de 10 de janeiro de 2019. Em 13 de dezembro de 2018, exatamente uma semana após a compra, Inocência verificou, no extrato de sua conta-corrente bancária, que o cheque em referência havia sido apresentado a pagamento e devolvido por insuficiência de fundos, em decorrência da apresentação antecipada ao sacado. Sobre a apresentação de cheque pós-datado antes da data indicada como sendo a de emissão, com base na jurisprudência pacificada, assinale a afirmativa correta. A) Caracteriza dano moral. B) Não pode ensejar qualquer indenização ao emitente. C) Pode ensejar apenas dano material. D) Pode ensejar indenização apenas se o cheque não estiver cruzado. Prof. Douglas Azevedo 16) FGV - 2019 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXX - Primeira Fase Determinadas pessoas naturais, em razão de sua atividade profissional, e certas espécies de pessoas jurídicas, todas devidamente registradas no órgão competente, gozam de tratamento simplificado, favorecido e diferenciado em relação aos demais agentes econômicos – microempresas e empresas de pequeno porte. De acordo com a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, as microempresas e as empresas de pequeno porte, quanto à forma jurídica, são A) cooperativa de produção, empresário individual, empresa pública e sociedade limitada. B) empresário individual, empresaindividual de responsabilidade limitada, sociedade simples e sociedade empresária, exceto por ações. C) cooperativa de crédito, empresário individual, empresa individual de responsabilidade limitada e sociedade simples. D) empresário individual, profissional liberal, empresa Individual de responsabilidade limitada e sociedade por ações. 17) FGV - 2023 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXVII - Primeira Fase A empresária individual Marília da Rocha, inscrita há mais de dez anos na Junta Comercial do Estado de São Paulo, sempre exerceu empresa sem designação de prepostos. Todavia, em razão do aumento de trabalho e necessidades de múltiplas viagens, tornou-se necessário nomear Jandira Franco como gerente na sede de sua empresa. Antes de efetuar a nomeação, Marília da Rocha consulta seu advogado para que este lhe esclareça sobre as prerrogativas do gerente e sua atuação como preposto. Assinale a opção que está de acordo com a disposição legal e pode ser dada como orientação a Marília da Rocha. Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 34 A) O gerente não está autorizado a praticar os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados, pois tais atos sempre exigem poderes especiais. B) Se o empresário nomear dois ou mais gerentes, na falta de estipulação diversa, os poderes conferidos a eles presumem-se para atuação individual, sem solidariedade. C) O gerente nunca poderá estar em juízo em nome do preponente pelas obrigações resultantes do exercício da sua função porque tal prerrogativa é exclusiva do administrador. D) A alteração ou revogação do mandato conferido pelo empresário ao gerente, para ser oposta a terceiros, deve ser arquivada e averbada no Registro Público de Empresas Mercantis. 18) FGV - 2020 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXI - Primeira Fase As sociedades empresárias Y e J celebraram contrato tendo por objeto a alienação do estabelecimento da primeira, situado em Antônio Dias/MG. Na data da assinatura do contrato, dentre outros débitos regularmente contabilizados, constava uma nota promissória vencida havia três meses no valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). O contrato não tem nenhuma cláusula quanto à existência de solidariedade entre as partes, tanto pelos débitos vencidos quanto pelos vincendos. Sabendo-se que, em 15/10/2018, após averbação na Junta Comercial competente, houve publicação do contrato na imprensa oficial e, tomando por base comparativa o dia 15/01/2020, o alienante A) responderá pelo débito vencido com o adquirente por não terem decorrido cinco anos da publicação do contrato na imprensa oficial. B) não responderá pelo débito vencido com o adquirente em razão de não ter sido estipulada tal solidariedade no contrato. C) responderá pelo débito vencido com o adquirente até a ocorrência da prescrição relativa à cobrança da nota promissória. D) não responderá pelo débito vencido com o adquirente diante do decurso de mais de 1 (um) ano da publicação do contrato na imprensa oficial. 19) FGV - 2019 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXIX - Primeira Fase Álvares Florence tem um filho relativamente incapaz e consulta você, como advogado(a), para saber da possibilidade de transferir para o filho parte das quotas que possui na sociedade empresária Redenção da Serra Alimentos Ltda., cujo capital social se encontra integralizado. Apoiado na disposição do Código Civil sobre o assunto, você respondeu que A) é permitido o ingresso do relativamente incapaz na sociedade, bastando que esteja assistido por seu pai no instrumento de alteração contratual. B) não é permitida a participação de menor, absoluta ou relativamente incapaz, em sociedade, exceto nos tipos de sociedades por ações. C) não é permitida a participação de incapaz em sociedade, mesmo que esteja representado ou assistido, salvo se a transmissão das quotas se der em razão de sucessão causa mortis. D) é permitido o ingresso do relativamente incapaz na sociedade, desde que esteja assistido no instrumento de alteração contratual, devendo constar a vedação do exercício da administração da sociedade por ele. Prof.ª Luciana Aranalde 20) FGV - 2023 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXVII - Primeira Fase Lauro e Moysés constituem, por contrato escrito, uma sociedade para prestação de serviços de informática, mas não levam o contrato a arquivamento na Junta Comercial e iniciam a atividade econômica em comum. Lauro, em seu nome, mas agindo no interesse dele e de Moysés, celebra contrato com Agnes para instalação e manutenção de rede sem fio. Agnes desconhecia a existência da sociedade. Inadimplido o contrato, Agnes tomou conhecimento da existência de sociedade por confissão de Lauro na ação de cobrança que ela intentou em face dele. Com base nessas informações, Agnes poderá ter seu crédito satisfeito com o produto da alienação judicial dos: A) bens sociais de titularidade comum dos sócios Lauro e Moysés e de seus bens particulares, devendo exaurir primeiro os bens sociais para, posteriormente e se necessário, atingir os bens dos sócios, sendo que Lauro está excluído do benefício de ordem por ter contratado no interesse da sociedade. Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 35 B) bens particulares de Lauro, por desconhecer a existência da sociedade, sem possibilidade de excussão dos bens sociais ou os de Moysés, por esse não ter contratado no interesse da sociedade. C) bens sociais de titularidade comum dos sócios Lauro e Moysés e dos bens particulares de Lauro, mas não há possibilidade de atingir os bens particulares de Moysés, já que este não contratou no interesse da sociedade. D) bens sociais de titularidade comum dos sócios Lauro e Moysés, considerando a existência de autonomia patrimonial da sociedade, sem possibilidade de excussão dos bens particulares dos sócios Lauro e Moysés. 21) FGV - 2023 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXVII - Primeira Fase Três médicos decidiram constituir uma sociedade do tipo limitada cujo objeto é simples, consoante a classificação das sociedades no Código Civil. Acerca da designação a ser adotada pela sociedade e sua qualificação jurídica, assinale a afirmativa correta. A) Por não ter a futura sociedade natureza empresária, não poderá adotar nome empresarial, sendo livre a formação de sua designação, sem incidência das regras de formação do nome da sociedade limitada. B) A futura sociedade terá nome empresarial, pois tanto as regras de formação quanto de proteção ao nome empresarial se aplicam indistintamente às sociedades simples e empresárias. C) Embora a futura sociedade não tenha nome empresarial, por não exercer empresa, a formação de sua designação obedecerá às regras para a formação do nome empresarial do tipo limitada. D) Independentemente da natureza da futura sociedade, ela terá nome empresarial, pois exercerá atividade econômica, devendo adotar denominação, mas é facultativo a palavra “limitada” ou sua abreviatura ao final. 22) FGV - 2022 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXIV - Primeira Fase Em 2019 foram estabelecidas, inicialmente por medida provisória posteriormente convertida na Lei nº 13.874, normas de proteção à livre iniciativa e ao livre exercício de atividade econômica e disposições sobre a atuação do Estado como agente normativo e regulador. Em relação aos contratos empresariais, assinale a afirmativa correta. A) Os contratos empresariais são presumidos paritários e simétricos, exceto diante da presença na relação jurídica de um empresário individual ou empresa individual de responsabilidade limitada. B) As partes negociantes poderão estabelecer parâmetros objetivos para a interpretação das cláusulas negociais e de seus pressupostos de revisão ou de resolução. C) A alocação de riscos definida pelas partes deverá ser respeitada e observada, porém até o ponto em que o Estado julgue, discricionariamente, que deve intervir no exercícioda atividade econômica. D) A revisão contratual ocorrerá de maneira excepcional e ilimitada sempre que uma das partes for vulnerável, sendo que, no caso de microempresas e empresas de pequeno porte, essa presunção é absoluta. 23) FGV - 2022 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXIV - Primeira Fase Em ação declaratória de nulidade da sentença arbitral, a autora da ação, parte no juízo arbitral, alegou, como fundamento jurídico do pedido, (I) o fato de a sentença ter sido baseada apenas em regras de direito, (II) omitir a data e (III) o lugar em que foi proferida, requisitos formais da sentença, segundo ela. Na contestação, a outra parte (favorecida pela decisão), alegou que a omissão do lugar e da data são erros meramente materiais, supríveis por outros meios, como a convenção de arbitragem, onde se encontra estipulado o local da sede da arbitragem, e por documentos dos árbitros onde constam a data-limite para ser proferida a decisão. Assim, não se pode anular a sentença arbitral simplesmente por omissões supríveis. Quanto ao mérito e atentando para as disposições legais da sentença arbitral, assinale a afirmativa correta. A) Os argumentos apresentados pela ré são procedentes, eis que a ausência da data e do lugar da arbitragem configura erro material, sanável pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito. B) Os argumentos apresentados pela ré são procedentes, eis que é dispensável na sentença menção à data ou ao lugar em que foi proferida, sanável pelo conteúdo da convenção de arbitragem. C) Os argumentos apresentados pela autora são procedentes, eis que é necessário na sentença arbitral a data e o lugar em que foi proferida, exceto se os árbitros julgaram por equidade. D) Os argumentos apresentados pela autora são procedentes, eis que é nula a sentença arbitral que não contiver a data e o lugar em que foi proferida. Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 36 24) FGV - 2022 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXIV - Primeira Fase Na companhia fechada Gráfica Redenção da Serra S/A, o estatuto prevê a criação de classes de ações ordinárias em função de (I) conversibilidade em ações preferenciais e (II) atribuição de voto plural na razão de 5 (cinco) votos por 1 (uma) ação ordinária. Ao analisar a cláusula estatutária você conclui que ela é A) parcialmente válida, pois é nula a atribuição de voto plural a qualquer classe de ação ordinária, porém é possível a conversibilidade em ações preferenciais. B) parcialmente nula, pois é válida no tocante a atribuição de voto plural, já que não excede o limite de 10 (dez) votos por ação, e nula no tocante à conversibilidade em ações preferenciais. C) plenamente válida, pois ambos os parâmetros adotados pelo estatuto (voto plural e conversão em ações preferenciais) são possíveis e lícitos nas companhias fechadas. D) totalmente nula, pois são vedadas tanto a conversibilidade de ações ordinárias em preferenciais quanto a atribuição de voto plural nas companhias fechadas. 25) FGV - 2022 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXIV - Primeira Fase A sociedade cooperativa é dotada de características próprias que lhe atribuem singularidade em relação a outros tipos societários, dentre elas o critério de distribuição de resultados. Das alternativas abaixo, assinale a única que indica corretamente tal critério. A) A distribuição dos resultados é realizada proporcionalmente ao valor da quota-parte de cada sócio, salvo disposição diversa do estatuto. B) A distribuição dos resultados é realizada proporcionalmente ao valor dos bens conferidos por cada cooperado, para formação do capital social. C) A distribuição dos resultados é realizada proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo sócio com a sociedade, podendo ser atribuído juro fixo ao capital realizado. D) A distribuição dos resultados é realizada proporcionalmente à contribuição de cada cooperado, para formação dos Fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social. 26) FGV - 2021 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXIII - Primeira Fase Em razão das medidas de isolamento social propagadas nos anos de 2020 e 2021, muitos administradores precisaram de orientação quanto à licitude da realização de reuniões ou assembleias de sócios nas sociedades limitadas, de forma digital, ou à possibilidade do modelo híbrido, ou seja, o conclave é presencial, mas com a possibilidade de participação remota de sócio, inclusive proferindo voto. Assinale a afirmativa que apresenta a orientação correta. A) Na sociedade limitada é vedada tanto a reunião ou assembleia de sócios, de forma digital, quanto a participação do sócio e o voto à distância. B) Na sociedade limitada é vedada a reunião ou assembleia de sócios, de forma digital, mas é possível a participação de sócio e o voto à distância. C) Na sociedade limitada é vedada a participação e voto à distância nas reuniões e assembleias, mas é possível a reunião ou assembleia de forma digital. D) Na sociedade limitada é possível tanto a reunião ou a assembleia de sócios, de forma digital, quanto a participação do sócio e o voto à distância. 27) FGV - 2021 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXII - Primeira Fase Alexandre Larocque pretende constituir sociedade do tipo limitada sem se reunir a nenhuma outra pessoa e consulta sua advogada para saber a possibilidade de efetivar sua pretensão. Assinale a opção que apresenta a resposta dada pela advogada ao seu cliente. A) É possível. A sociedade limitada pode ser constituída por uma pessoa, hipótese em que se aplicarão ao ato de instituição, no que couberem, as disposições sobre o contrato social. B) Não é possível. A sociedade limitada só pode ser unipessoal acidentalmente e pelo prazo máximo de 180 dias, nos casos em que remanescer apenas um sócio pessoa natural. Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 37 C) Não é possível. Apenas a empresa pública e a subsidiária integral podem ser sociedades unipessoais e constituídas com apenas sócio pessoa jurídica. D) É possível, desde que o capital mínimo da sociedade limitada seja igual ou superior a 100 (cem) salários mínimos e esteja totalmente integralizado. 28) FGV - 2021 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXII - Primeira Fase Andropoulos Inc. é uma sociedade constituída na Grécia, com sede em Atenas e sócios de nacionalidade grega, exceto a sócia Querência, brasileira nata, que detém participação de 80% do capital, dividido em quotas. Se essa sociedade quiser atuar no Brasil por meio de uma sucursal em São Paulo/SP, será necessário A) ter, permanentemente, representante no Brasil, com poderes para resolver quaisquer questões, exceto receber citação judicial pela sociedade. B) transferir sua sede para o Brasil, na hipótese de nacionalizar-se, mediante deliberação unânime de seus sócios, independentemente de autorização do Poder Executivo. C) obter autorização do Poder Executivo e, em até seis meses do início de sua atividade, realizar sua inscrição na Junta Comercial do Estado de São Paulo, lugar em que deve se estabelecer. D) sujeitar-se às leis e aos tribunais brasileiros quanto às operações praticadas no Brasil, e qualquer modificação no contrato dependerá da aprovação do Poder Executivo para produzir efeitos no país. 29) FGV - 2021 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXII - Primeira Fase Moema, Madalena e Carmen são sócias em uma sociedade empresária administrada por Antônio Cardoso. O objeto social é a distribuição de artigos de limpeza e asseio. Moema tem 90% do capital, Madalena tem 9% e Carmen, 1%. Ficando caracterizada confusão patrimonial pelo cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações pessoais das sócias por ação do administrador e a mando delas, o juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade, para atingir os bens particulares A) de Moema, somente. B) de Antônio, somente. C) de Moema, Madalena, Carmen eAntônio. D) de Moema e Madalena, somente. 30) FGV - 2020 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXI - Primeira Fase No contrato da sociedade empresária Arealva Calçados Finos Ltda., não consta cláusula de regência supletiva pelas disposições de outro tipo societário. Ademais, tanto no contrato social quanto nas disposições legais relativas ao tipo adotado pela sociedade não há norma regulando a sucessão por morte de sócio. Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta A) Haverá resolução da sociedade em relação ao sócio em caso de morte. B) Haverá transmissão causa mortis da quota social. C) Caberá aos sócios remanescentes regular a substituição do sócio falecido. D) Os sócios serão obrigados a incluir, no contrato, cláusula dispondo sobre a sucessão por morte de sócio. 31) FGV - 2020 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXI - Primeira Fase Duas sociedades empresárias celebraram contrato de agência com uma terceira sociedade empresária, que assumiu a obrigação de, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência com as proponentes, promover, à conta das primeiras, mediante retribuição, a realização de certos negócios com exclusividade, nos municípios integrantes da região metropolitana de Curitiba/PR. Ficou pactuado que as proponentes conferirão poderes à agente para que esta as represente, como mandatária, na conclusão dos contratos. Antônio Prado, sócio de uma das sociedades empresárias contratantes, consulta seu advogado quanto à legalidade do contrato, notadamente da delimitação de zona geográfica e da concessão de mandato ao agente. Sobre a hipótese apresentada, considerando as disposições legais relativas ao contrato de agência, assinale a afirmativa correta Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 38 A) Não há ilegalidade quanto à delimitação de zona geográfica para atuação exclusiva do agente, bem como em relação à possibilidade de ser o agente mandatário das proponentes, por serem características do contrato de agência. B) Há ilegalidade na fixação de zona determinada para atuação exclusiva do agente, por ferir a livre concorrência entre agentes, mas não há ilegalidade na outorga de mandato ao agente para representação das proponentes. C) Há ilegalidade tanto na outorga de mandato ao agente para representação dos proponentes, por ser vedada qualquer relação de dependência entre agente e proponente, e também quanto à fixação de zona determinada para atuação exclusiva do agente. D) Não há ilegalidade quanto à fixação de zona determinada para atuação exclusiva do agente, mas há ilegalidade quanto à concessão de mandato do agente, porque é obrigatório por lei que o agente apenas faça a mediação dos negócios no interesse do proponente. Revisão Turbo | 38º Exame de Ordem Direito Empresarial 39 Gabaritos das questões: 1 - B 2 - A 3 - C 4 - C 5 - D 6 - A 7 - A 8 - A 9 - D 10 - C 11 - C 12 - D 13 - C 14 - C 15 - A 16 - B 17 - D 18 - D 19 - D 20 - A 21 - C 22 - B 23 - D 24 - C 25 - C 26 - D 27 - A 28 - D 29 - C 30 - A 31 - A