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DIREITO EMPRESARIAL II
Prof. Nilson Tavares
TÍTULOS DE CRÉDITO
Teoria Geral dos Títulos de Crédito
- Evolução Histórica
Doutrinariamente, costuma-se tratar seu contexto de origem subdividindo-o em 4 momentos distintos.
- O período italiano: compreende o final da baixa idade média até o ano de 1650, caracterizado pela intensificação das relações comerciais através das rotas marítimas em cidades da Itália. Mercadores de diferentes locais utilizavam documentos que representavam créditos sob responsabilidade de banqueiros que efetuavam operações de câmbio. Têm-se a origem da nota promissória e a letra de câmbio. 
- O período francês: vai de 1650 a 1848, e tem o protagonismo da França através do surgimento de atos cambiários, como a cláusula à ordem, o que acarretou, consequentemente, a criação do instituto cambiário do endosso, que permitia ao beneficiário da letra de câmbio transferi-la independentemente de autorização do sacador.
- A terceira fase é marcante na Alemanha, iniciando-se no ano de 1848, quando publicaram uma codificação denominada Ordenação Geral do Direito Cambiário com diretrizes inovadoras principalmente sobre a Letra de Câmbio, mas também com regras gerais sobre o direito cambiário e demais títulos de crédito.
O último período de relevância ao direito cambiário surge com forte influência da Ordenação elaborada pelos alemães. No ano de 1930 é realizada a Convenção de Genebra, onde é editada a Lei Uniforme das Cambiais, com normas específicas à Letra de Câmbio e à Nota Promissória; e em 1931, a Lei Uniforme do Cheque.
OBS: O Brasil é signatário desta Convenção, expressa nos Decretos nº 57.663/66, que trata da adoção de uma lei uniforme em matéria de letras de câmbio e notas promissórias; e nº 57.595/66 que trata da adoção de uma Lei uniforme em matéria de cheques.
CONCEITO DE TÍTULO DE CRÉDITO
"É o documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele mencionado". (Cesare Vivante)
 
Art. 887 do Código Civil. – “Direito das Obrigações”.
Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei.
 
“Os títulos de crédito são documentos representativos de obrigações pecuniárias. Não se confundem com a própria obrigação, mas se distinguem dela na exata medida em que a representam”. (Fábio Ulhôa)
São instrumentos que viabilizam a circulação de riqueza.
REFERÊNCIA NORMATIVA
Além dos Decretos-Lei que abrangem considerável redação sobre os Título de Crédito, o Código Civil também dispõe sobre vários pontos essenciais, em seus artigos 887 até o 926.
Porém, é importante destacar a prevalência do PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE em sua abordagem. Pois, na ocorrência de antinomias, prevalece a norma de caráter especial (LUG) sobre a de caráter geral, neste caso, o Código Civil.
NATUREZA JURÍDICA DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
São títulos executivos extrajudiciais, conforme determina o artigo 784, I do Código de Processo Civil.
CPC - Art. 784.  São títulos executivos extrajudiciais:
I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque
CARACTERÍSTICAS E ATRIBUTOS
- Compreendem ramo do Direito Cambiário
- Natureza essencialmente comercial (circulação de riquezas)
- Têm dois elementos fundamentais: 
		a confiança e o tempo; ou boa-fé e prazo
- São documentos formais (formalismo: o documento detém elementos essenciais)
- São títulos de apresentação e resgate (representam garantia)
São considerados bens móveis (art. 82 do CC. São transmissíveis)
CC - Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social.
- Tem como atributos principais: a negociabilidade (facilidade de circulação do crédito) e a executividade (ou executoriedade: são títulos autônomos certos e líquidos).
PRINCÍPIOS
- CARTULARIDADE: faz referência direta ao sentido de efetiva necessidade do documento, ou cártula, para o exercício do direito nele mencionado. Decorre deste, o subprincípio da “incorporação”, traduzindo a materialização do crédito no próprio documento para a garantia do direito.
Há exceções sobre a desmaterialização dos títulos de crédito, em função de sua utilização em meios magnéticos, virtuais. 
(Artigos 889, §3º CC e 425, §2º CPC).
CC Art. 889 - § 3o O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico equivalente e que constem da escrituração do emitente, observados os requisitos mínimos previstos neste artigo.
CPC Art. 425.  Fazem a mesma prova que os originais:
[...]
§ 2o Tratando-se de cópia digital de título executivo extrajudicial ou de documento relevante à instrução do processo, o juiz poderá determinar seu depósito em cartório ou secretaria.
REFERÊNCIA JURISPRUDENCIAL 
TJ-PI - Apelação Cível AC 00001740320108180092 PI 201400010067221 (TJ-PI)
Data de publicação: 11/03/2015
Evidencia-se dos autos que a decisão recorrida teve como base a preexistência dos cheques que se destinavam ao pagamento dos serviços realizados pelo recorrido em benefício do recorrente. No caso em foco o Apelante sustenta prejudicial de mérito como é a carência de ação. Tal pretensão baseia-se na ausência de prova escrita que aponte indício da existência de dívida certa, líquida e exigível e, portanto, em razão de ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo, haja vista a ausência dos originais dos cheques objetos da monitória. Compulsando os autos, constata-se que o autor/apelado aparelho a ação monitória, instruindo-a com cópias dos cheques objeto da dívida. Assim, o pleito monitório, quando sustentada a pretensão em meras cópias de cheques prescritos, não guarnece requisito essencial dessa modalidade de ação, conquanto só se faz admissível, no plano jurídico, a propositura de ações judiciais com suporte em xerocópias de títulos circuláveis por endosso ou por simples tradição, quando o original esteja inserido em processo diverso, devidamente atestada essa circunstância mediante certidão idônea e eficaz, situação que não se mostra presente nesta ação. Preliminar de carência de ação acolhida para extinguir o processo, sem resolução de mérito. Decisão por votação unânime.
LITERALIDADE: refere-se ao conteúdo expresso e literal instrumentalizado na cártula como a autêntica manifestação do direito. É a exatidão do que se pode exigir e ser pago. Mudanças eventuais, como quitação parcial, endosso ou aval devem ficar registradas. Expressa também a certeza e a liquidez e por ser um título executivo extrajudicial.
 	“Vale aquilo que está escrito”.
- AUTONOMIA: mais importante princípio, preza pela independência e autonomia do título de crédito, garantindo sua negociabilidade e circularidade. Dele decorrem os subprincípios da “abstração” (que refere-se à desvinculação do título em relação à causa que originou sua emissão); e a “inoponibilidade das exceções pessoais ao terceiro de boa-fé” (trata de viés processual para a garantia da autonomia e a desvinculação em procedimentos sucessivos). 
CC - Art. 916. As exceções, fundadas em relação do devedor com os portadores precedentes, somente poderão ser por ele opostas ao portador, se este, ao adquirir o título, tiver agido de má-fé.
OBS: As exceções ou ressalvas contidas no Título, como preceitos contrários à sua Autonomia, somente podem ser alegadas se o portador sabia e agiu de má-fé; pois, em regra, se houver um vício intrínseco em uma obrigação cambiária, este vício não será estendido aos demais devedores.
Nos termos do art. 916 do CC.
INDEPENDÊNCIA: As obrigações, responsabilidades assumidas em decorrência dos títulos de crédito são independentes entre os sujeitos e também em relação aos negócios jurídicos implementados.
SOLIDARIEDADE CAMBIAL: Todas as obrigações constantes no título são solidárias, pois cada um dos coobrigados (sacador, aceitante,emitente, endossante ou avalista) pode ser chamado a responder pela totalidade da dívida.
CLASSIFICAÇÃO
Quanto à forma de transferência ou circulação
a) Título ao portador: não há identificação expressa na cártula, circulando pela tradição. Art. 904 CC. (limite de R$ 100,00 para cheques).
b) Título nominal: há na cártula a identificação do titular credor, podendo ainda ser transferido via endosso.
c) Título nominativo: emitido em favor de pessoa determinada, registrada previamente. Arts. 921 a 926 do CC. 
[...]
Art. 921. É título nominativo o emitido em favor de pessoa cujo nome conste no registro do emitente.
Art. 922. Transfere-se o título nominativo mediante termo, em registro do emitente, assinado pelo proprietário e pelo adquirente.
Art. 923. O título nominativo também pode ser transferido por endosso que contenha o nome do endossatário.
Quanto ao modelo
a) Livre: criação sem padronização obrigatória, a exemplo da letra de câmbio e da nota promissória
b) Vinculado: obedecem a formalidades pré-definidas, a exemplo do cheque e da duplicata
Quanto à estrutura
a) Ordem de pagamento: manifesta nas pessoas do sacador (aquele que emite ou ordena o pagamento), sacado (recebe a ordem para pagar) e tomador (o beneficiário que recebe o pagamento); são exemplos a letra de câmbio, o cheque e a duplicata
b) Promessa de pagamento: se expressa nas figuras do sacador e do tomador. Ex: nota promissória.
Quanto às hipóteses de emissão
a) Título causal: são emitidos em hipóteses restritas, específicas, determinadas, a exemplo das duplicatas – mercantil e de serviços
b) Título abstrato: sua emissão não se condiciona a causa pré-estabelecida em lei. É de livre relação negocial.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
1. São princípios gerais dos títulos de crédito:
 
a) literalidade, forma e causa.
b) forma, causa e abstração.
c) negociabilidade, anterioridade e literalidade.
d) modelo, cártula e autonomia
e) cartularidade, literalidade e autonomia
2. Quanto à classificação dos títulos de crédito, é incorreto afirmar:
 
a) Quanto ao modelo, os títulos podem ser classificados como livres (letra de câmbio e nota promissória) e vinculados (cheque e duplicata).
b) quanto à estrutura, os títulos se classificam como ordem de pagamento ou promessa de pagamento.
c) como exemplo de ordem de pagamento, temos a letra de câmbio, e como promessa de pagamento a nota promissória.
d) quanto às hipóteses de emissão, os títulos de créditos podem ser classificados em causais e não causais.
e) todos os títulos de crédito existentes no Brasil podem ser considerados não causais, visto que não dependem de causa específica para serem emitidos.
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