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NÃO PODE FALTAR
RELAÇÕES LÓGICO-SEMÂNTICAS DAS SENTENÇAS
Monique Bisconsim Ganasin
Valéria Adriana Maceis 
PRATICAR PARA APRENDER
Caro aluno, nesta disciplina estudamos itens constituintes do que a gramática
tradicional (GT) denomina período simples, ou seja, estudamos as classes
morfológicas e suas respectivas funções sintáticas em períodos que apresentam
apenas uma oração.
ORAÇÕES COORDENADAS OU SUBORDINADAS?
Não �que em dúvida! Aprenda a diferenciá-las.
Fonte: Shutterstock.
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Tão importante para você, como futuro educador, é o estudo tanto do período
simples quanto do período composto – aquele que apresenta duas ou mais
orações, ou seja, dois ou mais verbos, bem como as relações de sentido que uma
sentença tem com a outra dentro de tais porções textuais compostas por mais de
uma oração.
Dessa forma, nesta seção, o conteúdo a ser visto volta-se ao estudo das orações
que formam o período composto. Em outras palavras, como o próprio nome da
seção enuncia, trataremos das relações lógico-semânticas das sentenças.
Nesta seção, primeiramente serão resgatados os estudos acerca das chamadas
orações coordenadas, as quais, tradicionalmente, são divididas em assindéticas e
sindéticas. O pre�xo “a”, que introduz o termo “assindética”, indica “negação”, e
síndeto refere-se a conectivo, conjunção, uma vez que vem do grego syndeto,
signi�cando laço, união e junção.
Lembrando que uma oração é assindética quando não apresenta síndeto, ou seja, não
apresenta conectivos que unem as orações. As sindéticas, por sua vez, dispõem de
síndetos, isto é, são encabeçadas por conectivos, tais como: “entretanto”, “por isso”, “ou”.
Tais orações constituídas por síndeto podem ser do tipo aditivas, adversativas,
alternativas, conclusivas e explicativas.
A seguir, nosso estudo volta-se às orações subordinadas, começando pelas
subordinadas que apresentam funções próprias da classe dos substantivos, logo,
classi�cadas como subordinadas substantivas, as quais dividem-se em subjetiva,
objetiva direta, objetiva indireta, completiva nominal, predicativa e apositiva.
Na sequência, nosso olhar se volta àquelas cláusulas que desempenham funções
equivalentes às dos adjetivos, sendo, portanto, nomeadas de subordinadas
adjetivas – restritivas e explicativas.
Por �m, estudaremos a classe dos advérbios e sua função tanto em períodos
simples, como adjunto adverbial, quanto em períodos compostos, em forma de
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oração subordinada adverbial, a qual, segundo a GT, pode ser classi�cada como
temporal, proporcional, �nal, causal, comparativa, conformativa, condicional,
concessiva e consecutiva – a depender da relação de sentido que indicar ao
período em que se encontra.
A �m de colocarmos em prática os conhecimentos a serem aprendidos, vamos
analisar a seguinte situação-problema: você é professor das séries �nais do ensino
fundamental II e seus alunos têm apresentado di�culdades para diferenciar as
orações adjetivas restritivas das adjetivas explicativas. Você já os orientou; propôs
monitorias em contraturno; ofertou atividades com esse tema, porém o problema
de uso persiste. Que estratégias didático-pedagógicas podem ser utilizadas para
ajudar seus alunos na compreensão dessa distinção entre as orações adjetivas –
compreensão muito importante no que tange à interpretação e apreensão de
sentidos em um texto?
Mais uma vez, tendo em vista todas as informações estudadas acerca de tais
sentenças e seu conhecimento prévio voltado à didática em sala construído até
então, e considerando também a sua experiência como aluno-usuário da Língua
Portuguesa, pesquise e pense a respeito.
Sabemos que o estudo das orações coordenadas e subordinadas não é simples e,
por tal razão, vem sendo, ao longo dos anos, temido por muitos estudantes. Mas
esse é o momento de vencer qualquer di�culdade que porventura você possa ter
com relação à compreensão de como se relacionam essas sentenças dentro dos
períodos, frases, parágrafos, porções e gêneros textuais diversos. Bons estudos!
CONCEITO-CHAVE
ORAÇÕES COORDENADAS
Lembre-se de que as orações coordenadas são independentes sintaticamente, já
que, diferentemente das subordinadas, elas não desempenham função sintática
alguma em qualquer outra oração presente no período.
As coordenadas assindéticas são aquelas que não apresentam síndeto, ou seja,
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não apresentam conectivos – conjunções ou pronomes – ao se organizarem dentro
de um período composto. As coordenadas sindéticas, por sua vez, apresentam
síndeto, isto é, relacionam-se umas com as outras com o uso de conectivos.
Veja o exemplo:
I. “Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.” (LISPECTOR,
1992, [s.p.]).
Vemos que tal exemplo se refere a um período composto por apresentar mais de
uma oração. No caso, trata-se de um período composto por coordenação, uma vez
que, por exemplo, “Não tenho tempo pra mais nada” – oração formada pelo sujeito
oculto “(eu)”, acompanhado do advérbio de negação “não”, e do predicado “tenho
tempo pra mais nada” – não exerce nenhuma função sintática nem em “ser feliz
me consome muito” – e vice-versa. Assim, �ca claro que são coordenadas.
Mas são coordenadas de que tipo: sindéticas ou assindéticas? Em outras palavras:
apresentam ou não conectivo? Como você pôde conferir no Exemplo I, as orações
são separadas apenas por vírgulas, isto é, não apresentam conjunção fazendo a
ligação entre uma e outra sentença nos enunciados. Logo, trata-se de orações
coordenadas assindéticas.
O QUE SÃO CONJUNÇÕES?
Vamos relembrar essa classe de palavras.
As conjunções, tradicionalmente, são de�nidas como palavras invariáveis que
ligam palavras, grupos de palavras, orações e frases, exprimindo relações de
sentido entre as unidades ligadas. São exemplos de conjunções: que, e, mas,
portanto, se, embora, quando.
Tal classe invariável também pode se apresentar em forma de locução, isto é,
locuções conjuntivas, que se referem a conjuntos de duas ou mais palavras com
valor de conjunção. As locuções conjuntivas geralmente terminam em que.
Exemplos: à medida que, visto que, desde que, já que, mesmo que.
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Veja no Quadro 2.24 os critérios de análise da conjunção.
Quadro 2.24 | Critérios de análise da conjunção
Critérios De�nição de conjunção
Semântico Do ponto de vista semântico, criam relações de sentido entre as
orações interligadas (causa, consequência, condição, �nalidade,
adição, alternância, conclusão e outras).
Morfológico Do ponto de vista morfológico, são sempre palavras invariáveis.
Sintático Do ponto de vista sintático, estabelecem relação entre orações do
período ou mesmo entre unidades maiores do texto. 
Tais conjunções podem ser coordenativas ou subordinativas,
justamente por introduzirem ou orações coordenadas ou
subordinadas.
Fonte: elaborado pelas autoras.
ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS
Vejamos então, com exemplos, as orações coordenadas sindéticas, isto é,
aquelas introduzidas por conjunções, e os respectivos valores semânticos que elas
podem expressar. Elas se dividem em cinco tipos, conforme se observa no Quadro
2.25.
Quadro 2.25 | Coordenadas sindéticas
Tipos de coordenadas
sindéticas Exemplos
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Tipos de coordenadas
sindéticas Exemplos
Aditivas
Adicionam, ou seja,
acrescentam fatos,
informações ao período. 
Os conectivos que
introduzem orações
aditivas são, em geral: “e” e
“nem”, além da estrutura
correlativa “não só/mas
também”.
“Eduardo não beijou, nem chegou perto”
(SABINO, 1981)
Observe que a oração “nem chegou perto”,
encabeçada pela conjunção “nem”, adiciona uma
informação à oração anterior “Eduardo não
beijou”, ou seja, há duas ações que o sujeito não
executou: não beijou e não chegou perto. O
mesmo ocorre nos exemplos seguintes:
“Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar”
(EDUARDO…,1986).
"Não só a gente de Cascavel, mas também todo o
povo brasileiro está aliviado com essa notícia"
(COISSI, 2014, [s.p.]).
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Tipos de coordenadas
sindéticas Exemplos
Alternativas
Exprimem alternância de
ações, opções ou mesmo
ausência de alternativas. 
São conjunções comuns
das sindéticas alternativas:
“ou” e os pares “ora/ora”;
“quer/quer”; “seja/seja”.
Marcelo é muito dedicado, ora está trabalhando,
ora está estudando.
Nesse exemplo, observa-se que se apresenta uma
alternância de ações (trabalhar e estudar),
realizada mediante o uso do par de conjunções
“ora/ora”. 
“Ou você intimida o mundo / Ou o mundo
intimida você.” (RET, 2012, [s.p.])
Já nesse exemplo, o falante parece expor para seu
ouvinte as opções que ele tem: intimidar o mundo
ou se deixar ser intimidado por ele.
Quer você queira, quer não, preciso lavrar sua
ocorrência.
Nesse exemplo, o falante aparentemente deixa o
ouvinte sem alternativas e/ou escolha – de uma
forma ou de outra, a ocorrência será lavrada.
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Tipos de coordenadas
sindéticas Exemplos
Adversativas
Indicadoras de ideias que
se opõem ao que se
declara na oração anterior. 
As conjunções clássicas
dessas orações são: “mas”,
“porém”, “contudo”,
“entretanto”, “todavia”, “no
entanto”, além da
conjunção “e”, que também
tem sido usada com ideia
de oposição.
Além das ideias de adição e
oposição, a conjunção “e”
pode indicar consequência.
“Somos suspeitos de um crime perfeito / Mas
crimes perfeitos não deixam suspeitos” (PRA
SER…, 1990).
Marcelo está doente e foi trabalhar.
Vemos que as sentenças introduzidas por “mas” e
“e”, respectivamente, sinalizam algo oposto ao
esperado: se o crime é perfeito, o esperado é “não
deixar suspeitos”, mas a forma como o período foi
construído direciona o leitor a pensar que o crime
deixou suspeitos sim; se alguém está doente, o
normal é que não vá trabalhar, no entanto, ao
contrário disso, a sentença com “e” indica que
Marcelo, mesmo doente, não faltou ao trabalho.
Faça o que eu digo e será bem-sucedido.
Perceba que nesse caso a conjunção “e” indica a
consequência.
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Tipos de coordenadas
sindéticas Exemplos
Explicativas
Expressam explicações,
justi�cativas de uma
a�rmação ou de uma
ordem, pedido, sugestão,
suposição. Aponta o que
levou alguém a proferir
uma proposição anterior. 
“Porque”, “que”, “pois”
(usado antes do verbo da
oração) correspondem às
conjunções mais comuns
em tais orações.
“Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem
das grandes ventanias soltas, pois eu também
sou o escuro da noite.” (LISPECTOR, 1981).
Estude, que amanhã tem prova.
Percebeu o tom de justi�cativa nas cláusulas
incorporadas por “pois” e “que”, respectivamente?
Na primeira, justi�ca-se o fato de não se ter medo
de chuvas e ventanias; na segunda, percebe-se a
justi�cativa para o pedido “estude”, constante na
oração anterior.
Conclusivas
Apresentam conclusões
lógicas garantidas com
base no que consta na
sentença anterior. 
As conjunções mais
comuns nessas orações
são: “portanto”, “por isso”,
“logo” e “pois” (usado após
o verbo da oração).
“O ex-petista não disputou a reeleição, portanto
seu mandato termina nesta legislatura.” (SEM
QUÓRUM, 2014).
Vê-se que a oração começada por “portanto”
expressa uma conclusão lógica para o fato
apresentado na oração anterior, ou seja, é
coerente pensarmos que um político que não se
candidatou novamente encerre seu mandato ao
�m da gestão atual, no caso, ao �m da legislatura
corrente.
Fonte: elaborado pelas autoras.
Vale destacar que alguns gramáticos não diferenciam coordenadas explicativas de
adverbiais causais.
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PESQUISE MAIS! 
Para saber mais a respeito das orações coordenadas, acesse o artigo
indicado a seguir, de Jaqueline de Souza e de Maria Jaceni Soares. As
autoras propõem re�exões acerca da característica de “independência”
conferida às orações coordenadas.
• SOUZA, J; SOARES, M. J. Orações Coordenadas. Artigos.etc.br, [s.d.].
Para visões menos tradicionais desse assunto, indicamos as seguintes
leituras:
• ROSÁRIO, I. C. Re�exões sobre o critério da (in)dependência no âmbito
da integração de orações. Línguas & Letras, Cascavel, v. 17, n. 35,
2016. 
• ROSÁRIO, I. C.; BARROS, L. M. M. Construções proverbiais justapostas:
parataxe ou hipotaxe? Revista Entrepalavras, Fortaleza, ano 8, v. 8, n.
2, p. 361-380, maio/ago. 2018. 
• RODRIGUES, V. V. (Org.) Articulação de orações: pesquisa e ensino. 2.
ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 2017.
ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
Para iniciar nosso estudo, observe este exemplo:
II. “O importante é que emoções eu vivi.” (EMOÇÕES, 2012).
Você consegue identi�car quantas orações há nesse período? Os verbos utilizados
foram “é” e “vivi”, logo, concluímos que há duas orações – trata-se também de um
período composto. A primeira delas: “O importante é” é considerada uma oração
principal (também conhecida como oração matriz), e a segunda, “que emoções eu
vivi.” uma oração subordinada substantiva.
É possível observar que a oração principal (doravante “OP”), nesse caso, é
dependente da segunda oração, ou seja, a segunda completa a primeira; atribui
uma função sintática para a primeira. Que função sintática é essa? Como a oração
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subordinada completa o verbo “é” presente na OP, isto é, um verbo de ligação,
podemos a�rmar que a tal oração exerce a função sintática de predicativo, sendo,
por isso, denominada oração subordinada substantiva predicativa. Observou o
quanto esse tipo de oração é diferente das anteriormente estudadas, as
coordenadas?
As orações subordinadas substantivas recebem essa denominação por desempenharem,
em relação à OP, funções sintáticas próprias de substantivos, isto é, funções que, em geral,
têm como núcleo um substantivo.
III. É imprescindível a sua presença. (substantivo)
IV. É imprescindível que você esteja presente. (oração subordinada substantiva)
Função sintáticas como de sujeito, de objeto direto, de objeto indireto, de
predicativo, de complemento nominal e de aposto – são essas as funções que as
orações conclamadas subordinadas substantivas podem exercer.
Dessa forma, com base nas postulações da GT, tais orações substantivas
costumam ser divididas em substantiva subjetiva, substantiva objetiva direta,
substantiva objetiva indireta, substantiva predicativa, substantiva
completiva nominal e substantiva apositiva.
O gramático Bechara (2010) classi�ca as orações subordinadas como orações
complexas e, ao tratar, em especí�co das orações substantivas, chama-as de:
“orações complexasde transposição substantiva”. O autor pontua:
Tratemos, então, de cada uma dessas orações substantivas, as quais se ligam à
oração principal por meio de conjunções subordinativas integrantes. Mais
comumente usamos a conjunção “que” para introduzir orações substantivas, às
vezes, “se” e mais raramente “como”, “quando”, “onde” e “por que”. Tais conectivos
estão sempre no início das orações substantivas.
A oração subordinada transposta substantiva aparece inserida na oração complexa exercendo funções próprias do substantivo,
ressaltando-se que “a conjunção” que pode vir precedida de preposição, conforme exerça função que necessite desse índice
funcional […]. (BECHARA, 2010, p. 342)“
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SUBSTANTIVA SUBJETIVA
Primeiramente, serão estudadas as orações com função de sujeito, isto é, as
subjetivas. De modo geral, as sentenças que desempenham função sintática de
sujeito subordinam-se a outras, tidas como orações principais – que dispõem de
estruturas bem marcadas. Tais orações podem completar OPs, por exemplo, que
apresentam verbos chamados de unipessoais, tais como: acontecer, constar,
convir, importar, parecer, urgir, suceder. Veja:
V. “Não importa o que vão dizer.” (EU QUERO…, 2012). (OP/oração subordinada
substantiva subjetiva)
Conseguiu identi�car quais são os verbos desse período? Vamos a eles: “importar”
e a locução “vão dizer”. Agora, tente identi�car os sujeitos de cada um desses
verbos. O sujeito da oração com a locução “vão dizer” é indeterminado, não se
explicita quem vai dizer. Mas qual é o sujeito do verbo “importar”? Ele é
representado por toda a oração: “o que vão dizer”. Nesse exemplo, a OP – formada
pelo verbo unipessoal “importa” – não apresenta sujeito, necessitando de um
complemento para ser compreendida. Tal complemento aparece na forma da
oração “o que vão dizer” – introduzida pela conjunção “o que”, funcionando como
sujeito para a OP, tradicionalmente classi�cada como subordinada substantiva
subjetiva.
As sentenças subordinadas substantivas subjetivas encaixam-se também a OPs
que apresentam um verbo de ligação seguido de um predicativo do sujeito.
Exemplo:
VI. ”[…] é importante que você leia este artigo até o �nal […]” (QUATRO
DEMANDAS…, 2020), [s.p.]). (OP/subordinada substantiva subjetiva)
Nesse caso, a oração “que você leia este artigo até o �nal” funciona como sujeito da
OP “É importante”, constituída pelo verbo de ligação “é” e pelo predicativo
“importante”.
Esse tipo de subordinada substantiva também pode completar OPs que tenham o
verbo na voz passiva analítica ou sintética. Veja:
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VII. Foi recomendado que eu agisse dessa forma. (OP/subordinada substantiva
subjetiva)
VIII. “Infelizmente, desde o ano passado, sabe-se que a gestão do MEC sempre
pode dar uma resposta ruim, do ponto de vista administrativo, sobre
qualquer coisa.” (MELO, 2020, [s.p.]).
Veri�que que, em ambos os casos, não há sujeito nas OPs “Foi recomendado” e
“sabe-se”. Com isso, as orações seguintes “que eu agisse dessa forma” e “que a
gestão do MEC sempre pode dar uma resposta ruim, do ponto de vista
administrativo, sobre qualquer coisa.” completam as OPs e funcionam como
sujeitos dessas. Note que a primeira OP, formada pelo verbo ser + um verbo
transitivo direto e indireto no particípio “Foi recomendado” está na voz passiva
analítica – o sujeito em forma de oração “que eu agisse dessa forma”, de certo
modo, recebe a ação de ser recomendado. A segunda OP forma-se com o verbo
transitivo direto “saber” na 3ª pessoa do singular e na voz passiva sintética: “[…],
sabe-se”.
Vamos conhecer as demais orações subordinadas substantivas no Quadro 2.26.
Quadro 2.26 | Orações subordinadas substantivas
Tipos de subordinadas
substantivas Exemplos
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Tipos de subordinadas
substantivas Exemplos
Objetivas diretas
Funcionam como complemento
do verbo principal das OPs, sem
o auxílio de uma preposição.
“Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal.” (NÃO É FÁCIL,
2000).
Veja que, nesse caso, a OP sublinhada “Acho”
dispõe de sujeito, ou seja, o sujeito oculto
“eu”, que pratica a ação do verbo “achar” – (eu)
acho. Dessa forma, a oração principal não
pede um sujeito, mas sim um objeto, isto é,
um complemento para o verbo “achar”. A
subordinada “que eu seria mais feliz do que
qualquer mortal”, por sua vez, completa a OP,
funcionando como objeto direto a essa –
direto porque não apresenta preposição antes
da conjunção “que”, já que o verbo “achar” é
transitivo direto.
Objetivas indiretas 
Podemos a�rmar que essas
também se encaixam às OPs
funcionando como
complemento do verbo
principal dessas, mas diferem-
se das objetivas diretas por
apresentarem preposição.
“[…] lembre-se de que o uso de máscara é
obrigatório.” (ALVES, 2020, [s.p.]).
Veri�que que a OP “lembre-se” apresenta
sujeito indeterminado para o verbo transitivo
indireto: “lembrar-se”. O complemento desse
verbo vem em forma de oração: “de que o uso
de máscara é obrigatório”, ou seja, uma
oração subordinada substantiva objetiva
indireta, uma vez que completa o verbo
transitivo indireto “lembrar-se”, com
intermédio da preposição “de”.
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Tipos de subordinadas
substantivas Exemplos
Predicativas
Integram as OPs, inserindo um
predicativo ao verbo de ligação
que tais OPs apresentam.
“[…] o meu maior desejo é que possamos
vencer a guerra contra o novo Coronavírus
[…]” (VICE-PREFEITA…, 2020, [s.p.]).
Em tal exemplo, a OP “o meu maior desejo é”
apresenta o sujeito “o meu maior desejo” e o
verbo de ligação “é”. A sentença subordinada
“que possamos vencer a guerra contra o novo
Coronavírus” funciona sintaticamente como
predicativo para a OP – a OP depende da
subordinada a �m de expressar sentido.
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Tipos de subordinadas
substantivas Exemplos
Completivas nominais
Orações – sempre regidas por
preposições, as quais se
relacionam com OPs que
apresentam ou um substantivo
abstrato ou um adjetivo ou um
advérbio, necessitando de
complemento, isto é, OPs que
apresentam as classes de
palavras consideradas nomes
em nossa Língua Portuguesa.
Em orações que apresentam apenas um
verbo, a função de complemento nominal
aparece em ocorrências como “Tenho medo
do escuro”. Nesse caso, a expressão “do
escuro” completa o substantivo abstrato
“medo”, com auxílio de uma preposição. Veja
agora um complemento nominal em forma de
oração:
“Babu Santana revela que tinha medo de que
o "BBB" prejudicasse sua carreira” (BABU…,
2020, [s.p.]).
Nesse período, a oração “de que o ‘BBB’
prejudicasse sua carreira”, regida pela
preposição “de”, integra-se à principal “[…]
tinha medo” – que apresenta o sujeito oculto
“Babu Santana”, o verbo “ter” e o substantivo
abstrato “medo”. Por essa razão, ou seja, por
completar o substantivo abstrato “medo”, a
oração “de que o ‘BBB’ prejudicasse sua
carreira” é classi�cada como substantiva
completiva nominal.
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Tipos de subordinadas
substantivas Exemplos
Apositiva
Funcionam como aposto para a
OP, que, normalmente,
apresenta dois-pontos. 
“Eu só te suplico isto:que não tenha pena de
você”.
Observe que a oração “que não tenha pena de
você” explica o pronome demonstrativo “isto”
presente na OP, e explicar um outro termo é
uma das funções próprias do aposto. Com
isso, a sentença: “que não tenha pena de
você” classi�ca-se como substantiva apositiva,
pois funciona como aposto para a OP
anterior.
Fonte: elaborado pelas autoras.
PESQUISE MAIS! 
Para um estudo mais aprofundado e funcionalista acerca das orações
substantivas, indicamos as seguintes leituras:
• A sociolinguística da oração substantiva em português (WHERRITT,
1978).
• As orações completivas subjetivas e objetivas (SOUSA et al., 2016).
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
Sentenças com função própria dos adjetivos. Analise os exemplos:
IX. O professor que se dedica é mais respeitado pelos alunos.
X. O professor dedicado é mais respeitado pelos alunos.
Observe que o primeiro período contém duas orações: a OP “O professor é mais
respeitado pelos alunos” e a subordinada em destaque “que se dedica”, a qual
“corta” a OP. Tal subordinada tem a função de especi�car a categoria de professor
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que é mais respeitado, ou seja, somente o que se dedica.
Em termos semânticos, pode-se a�rmar que o adjetivo “dedicado”, que aparece na
segunda construção, corresponde à oração “que se dedica”, já que igualmente
restringe o tipo de professor que é mais respeitado, ou seja, só o professor
dedicado.
Com isso, em termos sintáticos, cláusulas como esta “que se dedica”
desempenham, com relação à OP, função de adjunto adnominal, própria de
adjetivos; classi�cam-se, portanto, como orações subordinadas adjetivas.
As orações adjetivas não são encabeçadas por conjunções como as substantivas e
as adverbiais. As sentenças adjetivas não dispõem de conjunções, mas sim de
pronomes relativos, tais como: que, cujo, onde, o qual, quem e outros.
Essas cláusulas adjetivas podem ser classi�cadas como restritivas, tal qual essa do
Exemplo IX, ou como explicativas, como a que apresentaremos a seguir:
XI. Meu namorado, que é professor, trabalha em duas escolas.
Nesse período, a OP é “Meu namorado trabalha em duas escolas”, e a subordinada
adjetiva é “que é professor”. Nesse caso, trata-se de uma adjetiva explicativa.
Diferentemente da adjetiva restritiva, a explicativa não tem função de restringir,
mas de explicar algo a mais para o leitor a respeito de um dos termos da OP. No
Exemplo XI, a sentença entre vírgulas acrescenta uma informação a mais sobre o
sujeito da OP “meu namorado”. Perceba que a OP sobreviveria perfeitamente sem
a presença da oração “que é professor”, uma vez que tal oração tem função mais
acessória dentro do período.
No que tange às orações adjetivas, vê-se que o comportamento é outro, sobretudo
Nas orações substantivas, como vimos, as OPs dependiam das subordinadas;
as cláusulas subordinadas substantivas apresentam função considerada mais
essencial e/ou integrante com relação à OP.
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em se tratando das adjetivas explicativas.
DIFERENÇAS ENTRE ADJETIVAS RESTRITIVAS E ADJETIVAS EXPLICATIVAS
Para as autoras Abaurre e Pontara (2006), as orações subordinadas adjetivas
restritivas restringem o signi�cado do termo ao qual se referem, particularizando-
o. Já as explicativas, segundo as autoras, acrescentam alguma explicação ou
informação suplementar a um termo já su�cientemente de�nido e delimitado.
Essas orações são geralmente separadas da OP por meio de vírgulas.
Vejamos estes exemplos:
XII. “Composto pode ter causado explosão que matou 78 e feriu 4 mil.”
(EXPLOSÃO…, 2020, [s.p.]).
XIII. “Um fotógrafo da agência norte-americana Associated Press, que trabalha
perto do porto de Beirute, contou ver pessoas feridas no chão e uma
destruição generalizada no local.” (EXPLOSÃO…, 2020, [s.p.]).
O Exemplo XII apresenta destacada uma oração adjetiva restritiva, visto que
particulariza o termo anterior à “explosão”. Entende-se que não se trata de
qualquer explosão, mas sim uma em especí�co, a qual, fatalmente, matou 78
pessoas.
Já o Exemplo XIII apresenta uma sentença adjetiva explicativa, pois a oração
destacada introduz uma informação suplementar ao período. Nesse caso, ao que
parece, não há necessidade de se especi�car esse fotógrafo citado na oração
principal (que já está devidamente especi�cado na própria OP “da agência norte-
americana “Associated Press”). Com isso, a�rmar que ele “trabalha perto do porto
de Beirute” serve apenas como um acréscimo de informação.
Veja como as vírgulas atuam na mudança de sentido e na classi�cação de orações
aparentemente iguais:
XIV. Os professores que estavam em greve já voltaram ao trabalho.
XV. Os professores, que estavam em greve, já voltaram ao trabalho.
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Percebeu a diferença entre esses períodos? O primeiro período (Exemplo XIV) traz
em destaque uma oração adjetiva restritiva, não isolada por vírgula. Nesse caso,
imagina-se uma situação em que certos professores entraram em greve e outros
não. A oração adjetiva restritiva especi�ca e restringe quais são os professores que
voltaram ao trabalho, isto é, somente os que estavam em greve.
Já no Exemplo XV há uma oração adjetiva explicativa. Nesse caso, há uma
generalização: todos os professores estavam em greve e todos voltaram ao
trabalho. Com isso, a inserção dessa oração adjetiva explicativa ao período
apenas confere uma informação a mais – não se deseja restringir algo. Posto que
introduz tal informação com função um tanto acessória e com uso de vírgulas,
certos autores postulam que essa oração explicativa tem função de aposto.
ASSIMILE
Para �car bem claro, con�ra mais um exemplo, retirado de Bechara (2010,
p. 345):
O homem, que vinha a cavalo, parou defronte da igreja.
(OP: O homem parou defronte da igreja; oração adjetiva explicativa: que
vinha a cavalo – entre vírgulas.).
O homem que vinha a cavalo parou defronte da igreja.
(OP: O homem parou defronte da igreja; oração adjetiva restritiva: que
vinha a cavalo – sem vírgulas).
Bechara (2010) ressalta que a oração “que vinha a cavalo” do primeiro
período,
Você deve ter notado que o vocábulo “que” pode ser usado tanto como conjunção
[…] denuncia que, na narração, só havia um homem, de modo que a declaração que vinha a
cavalo pode ser dispensada, é mera explicação adicional (adjetiva explicativa). Já, no segundo
caso, a oração adjetiva, proferida sem pausa e não indicada na escrita por sinal de pontuação
a separá-la do antecedente, demonstra que, na narração, havia mais de um homem, mas só o
“que vinha a cavalo” parou defronte da igreja. A esta subordinada adjetiva se chama restritiva.
(BECHARA, 2010, p. 345).
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quanto como pronome relativo, certo? E como diferenciá-los? Uma forma simples
de saber se o “que” de uma oração é conjunção ou pronome relativo consiste na
troca de “que” por “o qual” ou suas �exões.
EXEMPLIFICANDO
Considere os dois exemplos a seguir:
Este é o texto que eu li.
Quero que você leia este texto.
Há um “que” em cada exemplo: qual deles é pronome e qual é conjunção?
O primeiro é pronome e o segundo é conjunção. No primeiro exemplo, em
que há a oração adjetiva restritiva “que eu li”, o “que” pode ser trocado por
“o qual”, veja: “Este é o texto o qual eu li.”. E, mesmo com a troca, a oração
ainda contém sentido, é coerente. Já no segundo exemplo, no qual o “que”
inicia uma oração subordinada substantiva objetiva direta, se trocarmos
“que”por “o qual” a frase nos causará estranheza e �cará um tanto
agramatical: “Quero o qual você leia este texto.”.
Você sabia que as orações adjetivas também são conhecidas como orações
relativas? Pesquisadores funcionalistas, como Decat (2016), argumentam que as
adjetivas restritivas são orações consideradas como encaixadas, bem como as
substantivas. Já as explicativas são chamadas de hipotáticas por Decat (2001) e
por outros estudiosos que analisam e investigam cláusulas complexas e que se
preocupam com a análise da língua em uso. Caso sinta interesse em saber mais a
respeito desse conteúdo, vale a pena aprofundar-se nele por meio do olhar da
Teoria Funcionalista da Linguagem.
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
ADVÉRBIO
Tradicionalmente, os advérbios são conhecidos como palavras invariáveis que
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podem modi�car um verbo, um adjetivo ou outro advérbio, exprimindo
determinadas circunstâncias, como tempo, lugar, modo, causa, dúvida, negação,
intensidade, meio ou instrumento, assunto, companhia, �nalidade.
Observe os exemplos a seguir, que evidenciam um advérbio se referindo a um
verbo, a um adjetivo e a um outro advérbio, respectivamente.
XVI. Estudei muito para esse concurso.
XVII. Estou muito feliz com o resultado da prova.
XVIII. Você mora muito longe daqui.
No Exemplo XVI, o advérbio “muito” se refere ao verbo da oração e intensi�ca a
ação de estudar. No Exemplo XVII, esse mesmo advérbio refere-se agora ao
adjetivo feliz e indica intensidade. Note que como o uso de “muito” intensi�ca o
fato de o sujeito estar feliz. E, no Exemplo XVIII, o advérbio “muito” também indica
intensidade e se refere ao outro advérbio, “longe”, que indica lugar.
O advérbio, sintaticamente, tem função de adjunto adverbial e pode ser
representado por uma locução: as locuções adverbiais. Exemplos: Vou sair à
noite (indicando tempo); Vamos viajar no dia 2 de janeiro (indicando tempo);
Moro em São Paulo (indicando lugar); O pagamento foi à vista (indicando modo); A
encomenda foi feita pela Internet (indicando meio).
Com relação aos critérios de análise, o advérbio pode ser assim descrito:
Quadro 2.27 | Critérios de análise do advérbio
Critérios De�nição de advérbio
Semântico Do ponto de vista semântico, designa as circunstâncias atribuídas
aos verbos e à intensidade das qualidades.
Morfológico Do ponto de vista morfológico, é invariável.
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Critérios De�nição de advérbio
Sintático Do ponto de vista sintático, é satélite do verbo (como também do
adjetivo ou de outros advérbios). Os advérbios e as locuções
adverbiais funcionam sintaticamente como adjuntos adverbiais.
Fonte: elaborado pelas autoras.
TIPOS DE ORAÇÕES ADVERBIAIS
Vamos conferir, então, como empregamos o advérbio em forma de oração.
Comumente, nas gramáticas e livros didáticos, apresentam-se nove tipos de
orações adverbiais:
Quadro 2.28 | Tipos de orações adverbiais
Oração subordinada adverbial Valor semântico
Causal Causa
Condicional Condição
Concessiva Concessão
Conformativa Conformidade
Comparativa Comparação
Consecutiva Consequência
Final Finalidade
Proporcional Proporção
Temporal Tempo
Fonte: elaborado pelas autoras.
Alguns gramáticos acrescentam, na classi�cação das adverbiais, as orações
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locativas e modais.
As orações adverbiais são empregadas antes ou após as OPs. A seguir,
discorreremos, com exemplos, acerca de cada um desses tipos de adverbiais
citados. 
Quadro 2.29 | Tipos de orações subordinadas adverbiais
Tipos de subordinadas adverbiais Exemplos
Causais
Apresentam a causa do acontecimento
constante na OP. 
Conjunções ou locuções conjuntivas
comuns nesse tipo de oração: porque,
como, uma vez que, visto que, já que,
quando, como (a conjunção “como”
pode indicar causa, conformidade ou
comparação).
“Segundo Lindôra, as investigações
podem ser mantidas, uma vez que os
processos podem ser remetidos ao
Supremo […]”. (BARONE, 2020, [s.p.]).
No exemplo, a adverbial causal,
introduzida pela locução conjuntiva
“uma vez que”, é “uma vez que os
processos podem ser remetidos ao
Supremo […]”, que indica a razão de as
investigações poderem ser mantidas –
informação constante na OP. 
Júlia faltou à aula porque estava
doente.
No exemplo, temos uma oração
subordinada adverbial causal iniciada
por sua conjunção prototípica
“porque”. Ela indica a causa de Júlia ter
faltado à aula (OP), ou seja, por estar
doente.
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Tipos de subordinadas adverbiais Exemplos
Condicionais
Indicam a condição para ocorrer ou
não o fato expresso na oração
principal. 
Conjunções ou locuções conjuntivas
mais comuns são: se, caso, desde que,
contanto que, uma vez que (também
usadas em causais) e até mesmo a
conjunção “quando”, mais comum em
orações adverbiais temporais.
Se você precisar de ajuda, me
chame.
Note que a conjunção utilizada é a
prototípica desse tipo de oração
condicional, isto é, a conjunção “se”.
Observe que “se você precisar de
ajuda” atribui a condição para chamar,
informação presente na OP: “me
chame”. 
A con�ança pode acabar caso não
seja recíproca.
Nesse exemplo, optou-se pelo uso da
conjunção “caso”. Tal conectivo
introduz a oração “caso seja muito
exigida”, que indica a condição para “a
con�ança poder exaurir-se”, OP do
período.
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Tipos de subordinadas adverbiais Exemplos
Concessivas
Expressam uma declaração contrária
ao que consta na OP. 
São comuns conjunções ou locuções
conjuntivas como: embora, apesar de,
ainda que, mesmo que.
“Embora tenha feito carreira no
Paraná, Fachin nasceu na cidade
gaúcha de Rondinha.” (SUPREMO…,
2015, [s.p.]).
Observe que a oração em destaque,
encabeçada pela conjunção “embora”,
apresenta uma concessão, algo
contrário ao esperado, para a OP
“Fachin nasceu na cidade gaúcha de
Rondinha.”
Ainda que você corra, não alcançará
o trem.
Temos a locução conjuntiva “ainda
que” dando início à oração
subordinada adverbial concessiva:
“Ainda que você corra”. Tal oração
apresenta algo que contraria o que
consta na OP: “não alcançará o trem”.
Há aí uma quebra de expectativa.
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Tipos de subordinadas adverbiais Exemplos
Conformativas
Apresentam valor de conformidade
com relação a algo que foi a�rmado na
oração principal. 
Conjunções mais comuns: conforme,
como e segundo.
A reunião será na terça-feira,
conforme havíamos imaginado.
Veja que a oração em destaque no
exemplo, “conforme havíamos
combinado”, expressa conformidade
com relação à OP: “A reunião será na
terça-feira”.
O festival terminou às 23h, como
estava previsto.
Nesse exemplo, é como se a oração
subordinada adverbial conformativa
“como estava previsto” con�rmasse a
ação expressa na OP “O festival
terminou às 23h”.
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Tipos de subordinadas adverbiais Exemplos
Comparativas
Exprimem relação de comparação (de
igualdade, de superioridade ou de
inferioridade) com um dos termos da
OP. 
Conjunções ou locuções conjuntivas
comuns: como; tão / que;mais / que;
menos / que; tão ou tanto / quanto. O
primeiro elemento das locuções
citadas, ou seja, os advérbios “tão”,
“mais”, “menos” e “tanto” são
empregados nas OPs; os conectivos
“que” ou “quanto” é que vão estar nas
subordinadas comparativas. Nessas
normalmente o verbo �ca elíptico
(oculto) na sentença.
A música pop brasileira é tão boa
quanto a pop internacional.
Observe que a sentença destacada
atribui uma circunstância de
comparação para a OP. A locução
conjuntiva “tão /que,” iniciada na OP
com o advérbio “tão”, em uma nítida
comparação de igualdade, compara o
sujeito simples da OP “Pop brasileiro”
com o “pop internacional”. 
“Meu olhar é nítido como o girassol”
(PESSOA, 1988, p. 89)
No exemplo, a oração comparativa
apresenta a conjunção “como” e o
verbo, que está oculto, é o mesmo
presente na OP: “Meu olhar é nítido”,
ou seja, o verbo “ser”. Observe como
�caria o período com os verbos
explícitos: “Meu olhar é nítido como o
girassol (é nítido)”. A comparação
também de igualdade que fora
estabelecida tem como elementos o
sujeito “meu olhar” da OP e “girassol”
da oração subordinada.
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Tipos de subordinadas adverbiais Exemplos
Consecutivas
Atribuem uma consequência, uma
espécie de resultado para o que ocorre
na OP. 
São comuns nesse tipo de oração as
locuções conjuntivas: tão / que; tanto /
que; tamanho / que; de forma que; de
sorte que; de modo que. 
Os termos intensi�cadores: tão, tanto e
tamanho são empregados nas OPs, e o
“que” apresenta-se na oração
subordinada.
Comi tanto ontem no jantar, que
passei mal.
Observe que a oração em destaque
insere a consequência daquilo que
ocorre na OP “comi tanto ontem no
jantar”, isto é, o fato de se ter comido
tanto gerou como consequência ter
passado mal, informação constante na
oração subordinada adverbial
consecutiva “que passei mal”.
Finais
Indicam o objetivo, a intenção, o �m, a
�nalidade do que se expressa na
oração principal. 
Locuções comuns: para que e a �m de
que. Também é muito comum a
estrutura formada pela preposição
para + verbo no in�nitivo – típica da
oração reduzida.
“MEC vai ampliar programa para que
mulheres voltem a estudar”. (MEC…,
2012, [s.p.]).
Notou a �nalidade/objetivo/intuito
presente na sentença destacada?
Observe que tal oração, introduzida
pela locução “para que”, indica o
propósito da ação “MEC vai ampliar
programa”, como se observa na OP.
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Tipos de subordinadas adverbiais Exemplos
Proporcionais
Exprimem a relação lógico-semântica
de proporção.
Locuções conjuntivas com frequência
empregadas são: quanto mais / mais;
quanto mais / menos; à medida que; à
proporção que. 
Assim como ocorre em outras orações
adverbiais, também nas proporcionais,
muitas vezes um elemento da locução
aparece na OP e o outro na oração
subordinada adverbial proporcional. 
“Estudo indica que autocon�ança
aumenta à medida que
envelhecemos” (ESTUDO…, 2015,
[s.p.]).
Note que a oração em destaque
exprime proporcionalidade, ou seja,
uma ação simultânea ao que ocorre na
OP: a autocon�ança aumenta à
proporção que a idade avança
(envelhecimento).
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Tipos de subordinadas adverbiais Exemplos
Temporais
Tipo de oração adverbial muito usado,
seja em conversas cotidianas ou em
textos mais formais; apresenta uma
circunstância de tempo ao
acontecimento da OP. 
Em geral, é iniciada pelas conjunções e
locuções conjuntivas: quando,
enquanto, sempre que, assim que,
mal, desde que (também usadas em
condicionais) e outras. 
Um sorriso se estampa em meu rosto
quando te vejo.
No exemplo, temos um período que
apresenta a conjunção prototípica das
orações adverbiais temporais, ou seja,
o conectivo “quando”. Veja que a
oração com esse conectivo introduz ao
período uma circunstância de tempo;
a oração: “quanto te vejo” indica o
momento em que “o sorriso se
estampa no rosto” – conteúdo da OP.
“Premiê italiano promete mais
reformas assim que a lei eleitoral for
aprovada”. (PREMIÊ…, 2015, [s.p.]).
No exemplo, temos a OP “Premiê
italiano promete mais reformas” e a
oração subordinada adverbial “assim
que a lei eleitoral for aprovada”.
Perceba que oração introduzida pela
locução conjuntiva “assim que” indica
que mais reformas virão, segundo o
Premiê, depois que a lei eleitoral for
aprovada, isto é, nesse momento
apenas. Veja que, além de tempo, a
construção adverbial nesse caso
também transmite a ideia condicional:
há a ideia de que as reformas
ocorrerão somente se a lei for
aprovada, ou seja, apenas com essa
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Tipos de subordinadas adverbiais Exemplos
condição. 
Fonte: elaborado pelas autoras.
Você reparou que, em alguns casos, há vírgulas separando as orações do período e
em outros não? Pois bem, essa é justamente uma das funções da vírgula, isto é,
isolar orações adverbiais – vírgula e os demais sinais de pontuação, inclusive,
referem-se a um assunto que certamente também fará parte de sua vivência
futura em sala de aula.
PESQUISE MAIS!
Caso deseje se aprofundar mais em visões menos tradicionais acerca desse
tipo de sentença, acesse o trabalho indicado. Ele traz investigações e
considerações relevantes da professora e pesquisadora Maria Beatriz do
Nascimento Decat (DECAT, 2010), para quem tanto as adjetivas explicativas
quanto as orações adverbais, na verdade, são orações hipotáticas.
• DECAT, M. B. N. A hipotaxe adverbial em português: materializações e
funções textual-discursivas. In: MARÇALO, J. et al. Língua portuguesa:
ultrapassar fronteiras, juntar culturas. Universidade de Évora, 2010.
Além disso, há também outra forma de analisar o período composto –
forma essa menos comumente encontrada nos livros didáticos e gramáticas
em geral, mas que vale a pena conhecer. Autores como o professor Marcelo
Módolo (MÓDOLO, 1999) estudam as chamadas orações
correlatas/correlativas. Tal classi�cação considera que algumas das
orações classi�cadas pela GT como coordenadas e algumas das adverbais
não são sentenças nem independentes (coordenadas) nem dependentes
(subordinadas); são, na verdade, interdependentes. Conheça mais em:
MÓDOLO, M. CORRELAÇÃO: ESTRUTURALISMO versus FUNCIONALISMO.
(Pre) publications: forskning og undervisning, n. 168, feb. 1999. Romansk
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Institut: Aarhus Universitet, Danmark, 1999.
ORAÇÕES SUBORDINADAS REDUZIDAS
Todos os exemplos de orações subordinadas que estudamos até este momento
correspondem a orações consideradas desenvolvidas. Ao nos comunicarmos,
utilizamos, além dessas desenvolvidas, as chamadas reduzidas. Orações reduzidas
são aquelas introduzidas por conectivos e com verbos em formas nominais.
ATENÇÃO!
Cada oração reduzida tem uma desenvolvida correspondente, mas nem
toda oração desenvolvida pode ser reduzida (MOREIRA, [s.d.]).
E o que há de diferente entre tais sentenças? As desenvolvidas, como vimos,
apresentam seus verbos na forma conjugada e são introduzidas por conjunção,
locução conjuntiva ou pronome relativo. As denominadas orações reduzidas não
dispõem de conectivos (somente preposições), e seus verbos não são empregados
na forma conjugada, mas em uma das formas nominais: Gerúndio, Particípio ou
In�nitivo.
PARA RECORDAR!
Quando falamos em forma nominal dos verbos, referimo-nos a situaçõesem que os verbos não estão conjugados. Eles se apresentam no:
• Gerúndio – com terminação “ndo”, exemplos: trabalhando, correndo,
sorrindo.
• Particípio – com terminação regular de “ado” ou “ido”, exemplos:
trabalhado, corrido, sorrido (e irregular “feito” – verbo “fazer”, por
exemplo).
• In�nitivo – com terminação “ar”, “er” ou “ir”: trabalhar, correr, sorrir.
Atenção para os casos de in�nitivo conjugado, como em: “Ainda é possível
criarmos um mundo de paz”. O verbo destacado nesse período está no
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In�nitivo mesmo apresentando a desinência número-pessoal “mos”. É como
se tivéssemos usado o verbo “criar” + “mos”. Nesse exemplo, a oração
“criarmos um mundo de paz” é considerada substantiva subjetiva reduzida
de in�nitivo, por servir como sujeito para a OP “ainda é possível”. Ela não
apresenta conectivo e, como a�rmado, seu verbo está com a terminação
“ar”, acompanhado de “mos”.
SUBSTANTIVAS REDUZIDAS
As substantivas só reduzem de in�nitivo. Observe o exemplo a seguir:
XIX. É proibido fumar!
Observe que o período apresenta destacada uma oração subordinada substantiva
com valor de sujeito, ou seja, é uma oração subordinada substantiva subjetiva,
visto que funciona como sujeito para a OP “é proibido”. Tal oração destacada é
reduzida porque não tem conjunção e seu verbo está no In�nitivo “fumar”. Sua
classi�cação tradicional é oração subordinada substantiva subjetiva reduzida
de in�nitivo.
ADJETIVAS REDUZIDAS
As adjetivas também podem ser utilizadas na forma reduzida (tanto no Gerúndio
quanto no Particípio ou no In�nitivo). Examine o período a seguir:
XX. Encontrei Mário, saindo de férias.
A oração “saindo de férias” não apresenta pronome relativo e o verbo “sair” está
empregado na forma nominal do Gerúndio. Tal sentença atribui uma explicação a
mais a respeito do antecedente “Mário”, substantivo próprio presente na OP:
“Encontrei Mário”. Com isso, a sentença em destaque con�gura-se como adjetiva
explicativa reduzida de gerúndio. Na forma desenvolvida, tal período �caria
assim: “Encontrei Mário, que saía de férias” – nesse caso, há o pronome relativo
“que” e o verbo “sair” encontra-se conjugado, não mais na forma nominal do
Gerúndio.
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ADVERBIAIS REDUZIDAS
Tais orações também podem ser utilizadas em suas formas reduzidas (assim como
as adjetivas, as adverbiais podem ser reduzidas tanto no Gerúndio quanto no
Particípio ou no In�nitivo). Observe um dos vários exemplos de orações adverbiais
reduzidas que utilizamos em nossa linguagem.
XXI. Vencido o campeonato, os jogadores permanecerão treinando.
Note que a oração em destaque exprime uma concessão, ou seja, uma ideia
contrária ao esperado, pois, quando os jogadores vencem um campeonato,
espera-se que eles descansem, parem de treinar por um tempo. Mas,
contrariamente a isso, a oração subordinada reduzida mostra que, mesmo se
vencerem, os jogadores continuarão em treinamento. Veja que o verbo da oração
destacada está no Particípio, com terminação “ido”, e não há conjunção iniciando
tal cláusula. Desse modo, a oração em destaque pode ser classi�cada como
adverbial concessiva reduzida de Particípio. Uma forma desenvolvida dessa
oração seria: “Mesmo que vençam o campeonato, os jogadores permanecerão
treinando”.
Talvez você esteja se pergunte por que o verbo “permanecer” da OP também não
está no Gerúndio. Sim, ele está. Mas não se trata de oração reduzida – o que temos
aí é a locução verbal “permanecerão treinando”. E as locuções verbais, como se viu,
em geral são formadas por dois ou três verbos, sendo o último sempre
apresentado em uma forma nominal, nesse caso, o Gerúndio (terminação “ndo”).
Portanto, �que atento para não confundir locução verbal com verbo de oração
reduzida. As locuções verbais podem ser utilizadas tanto em orações
desenvolvidas quanto em reduzidas; a diferença é que, nas desenvolvidas, o
primeiro verbo da locução sempre estará conjugado.
FOCO NA BNCC 
Mais uma vez, con�ra o quanto os conteúdos estudados neste material
relacionam-se com o que apresenta a BNCC, nesse caso, em especial, às
habilidades a serem trabalhadas no ensino fundamental II, desde o 6º até o
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9º ano:
Esperamos que você tenha tido sucesso no entendimento das orações
coordenadas e subordinadas. Caso ainda tenha restado alguma dúvida, releia as
explicações, preste bastante atenção nos exemplos e busque sempre outras fontes
de conhecimento.
REFERÊNCIAS
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sentido. São Paulo: Moderna, 2006.
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Angeles. Midiamax, 4 ago. 2020. Disponível em: https://bit.ly/3bgwG2p. Acesso em:
9 ago. 2020.
BABU Santana revela que tinha medo de que o “BBB” prejudicasse sua carreira.
Diário Gaúcho, 10 jul. 2020. Disponível em:  https://bit.ly/3gLe6k3. Acesso em: 9
ago. 2020.
BARONE, I. Ministro da Educação agradece con�ança de Bolsonaro ao escolhê-lo
em vez de “leiloar cargo”. Gazeta do Povo, 4 ago. 2020. Disponível em: https://bit.ly
/31KnikD. Acesso em: 9 ago. 2020.
(EF06LP07) Identi�car, em textos, períodos compostos por orações separadas por vírgula sem
a utilização de conectivos, nomeando-os como períodos compostos por coordenação.
(EF06LP08) Identi�car, em texto ou sequência textual, orações como unidades constituídas em
torno de um núcleo verbal e períodos como conjunto de orações conectadas.
(EF06LP09) Classi�car, em texto ou sequência textual, os períodos simples compostos. […]
(EF07LP11) Identi�car, em textos lidos ou de produção própria, períodos compostos nos quais
duas orações são conectadas por vírgula, ou por conjunções que expressem soma de sentido
(conjunção “e”) ou oposição de sentidos (conjunções “mas”, “porém”). (BRASIL, 2020, p. 173)
(EF08LP11) Identi�car, em textos lidos ou de produção própria, agrupamento de orações em
períodos, diferenciando coordenação de subordinação.
(EF08LP12) Identi�car, em textos lidos, orações subordinadas com conjunções de uso
frequente, incorporando-as às suas próprias produções. […]
(EF09LP08) Identi�car, em textos lidos e em produções próprias, a relação que conjunções (e
locuções conjuntivas) coordenativas e subordinativas estabelecem entre as orações que
conectam.
(EF09LP09) Identi�car efeitos de sentido do uso de orações adjetivas restritivas e explicativas
em um período composto. (BRASIL, 2020, p. 189)
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https://bit.ly/3gLe6k3
https://bit.ly/3gLe6k3
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Fronteira, 2010.
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Disponível em: https://bit.ly/3bi1fF4. Acesso em: 10 ago. 2020.
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DECAT, M. B. N. Orações adjetivas explicativasno português brasileiro e no
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ESTUDO indica que autocon�ança aumenta à medida que envelhecemos. Uai, 27
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https://bit.ly/3hMBqiY
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https://bit.ly/2YWtap3
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https://bit.ly/3bi6mFq
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https://bit.ly/3jF8cmJ
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https://bit.ly/32DUdGA
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https://bit.ly/3beAJfT
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https://bit.ly/32NvdN8
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SUPREMO marca posse de Fachin para 16 de junho. Diário de Pernambuco, 21
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WHERRITT, I. A sociolinguística da oração substantiva em português. Revista
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https://bit.ly/2YWidUB
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https://bit.ly/2EUiQa5
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https://bit.ly/3i0cODa
https://bit.ly/3i0cODa
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