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ÉTICA E ÉTICA 
PROFISSIONAL DO 
SERVIÇO SOCIAL
Daniella Tech 
Doreto
 
Os códigos de ética 
profissional na história 
do Serviço Social 
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar o processo de amadurecimento da profissão a partir dos 
códigos de ética do Serviço Social.
 � Descrever a conjuntura social, política e econômica do Brasil e sua 
influência no Serviço Social ao longo da história da profissão no País.
 � Comparar os códigos de ética com o processo de amadurecimento 
da profissão.
Introdução
O Serviço Social possui cinco códigos de ética promulgados desde o 
surgimento da profissão, os de 1947, 1965, 1975, 1986 e 1993. Os códigos 
representam mais que valores normativos, expressam mais que os di-
reitos e deveres do profissional. Os conteúdos dos códigos identificam 
o momento e o projeto societário defendido pela profissão em cada 
época, sendo, portanto, marcados por mudanças que os legitimam em 
cada contexto histórico. 
Neste capítulo, vamos analisar o processo de amadurecimento da 
profissão a partir dos códigos de ética profissional e conhecer a conjuntura 
social, política e econômica em que se desenvolveram, comparando-os 
ao longo do tempo.
Os códigos de ética do Serviço Social e o 
processo de amadurecimento da profissão
O projeto profissional do Serviço Social pode ser considerado a partir de dois 
momentos importantes: um mais conservador e outro que representa a proposta 
de renovação da profissão. Dessa forma, podemos inferir que, assim como o 
projeto profissional, os códigos de ética do Serviço Social também seguiram 
o mesmo caminho.
Isso posto, faremos a seguir uma breve contextualização sobre os códigos 
de ética do Serviço Social de 1947, 1965, 1975, 1986 e 1993. O período que 
envolve o Código de 1947 até o Código de 1986 traz características semelhantes, 
sendo marcado pelo conservadorismo, com uma possível imparcialidade ética 
e política, além da carregar a moral conservadora, que se reflete nos princípios 
enunciados nos códigos. A presença forte da Igreja, aqui representada pelo 
neotomismo, incorpora aos códigos de ética valores universais abstratos e a 
moralização da questão social. Aos assistentes sociais cabia o dever de cumprir 
as obrigações com base na doutrina social da Igreja, ou seja, em consonância 
com os preceitos divinos, baseando sua ação profissional na expectativa de 
atingir o bem comum, mantendo os preceitos do juramento prestado mediante 
testemunho de Deus (ASSOCIAÇÃO..., 1947).
O Código de 1947 traz, portanto, a proposta de aproximar a atuação dos 
assistentes sociais aos princípios de moralidade católicos, o que o referido 
código chama de “moral aplicada a uma profissão” (CONSELHO..., 1947, p. 1). 
Na prática, isso significa que “[...] não trata apenas de fator material, não se 
limita à remoção de um mal físico, ou a uma transação comercial ou monetária: 
trata com pessoas humanas desajustadas ou empenhadas no desenvolvimento 
da própria personalidade” (ASSOCIAÇÃO..., 1947, p. 1).
Na relação do assistente social com os seus usuários, o código de ética 
preconizava “[...] respeitar no beneficiário do Serviço Social a dignidade da 
pessoa humana, inspirando-se na caridade cristã” (ASSOCIAÇÃO..., 1947, p. 2). 
Como se pode observar, o primeiro código de ética registrava um forte 
traço do neotomismo em seus princípios. Já para falarmos sobre o código de 
ética de 1965 e 1975, convém relembrarmos outros aspectos importantes. Um 
deles é que nessa época o país já vivia no sistema capitalista, onde a busca 
incessante pelo lucro e as disparidades e concentração de riquezas eram visíveis. 
Os problemas sociais decorrentes desse sistema eram considerados problemas 
individuais e o Serviço Social tinha uma ação moralizadora, considerando 
o indivíduo culpado por sua situação e necessitando integrá-lo à sociedade. 
Os códigos de ética profissional na história do Serviço Social2
Além disso, permanecem os resquícios da origem da profissão ligados à Igreja. 
Sendo assim, o Código de ética de 1965 propunha:
Art. 5º — No exercício de sua profissão, o assistente social tem o dever de 
respeitar as posições filosóficas, políticas e religiosas daqueles a quem se 
destinam a sua atividade, prestando-lhes os serviços que lhe são devidos, 
tendo-se em vista o princípio de autodeterminação.
Art. 7° — Ao assistente social cumpre contribuir para o bem comum, esfor-
çando-se para que o maior número de criaturas humanas dele se beneficiem, 
capacitando indivíduos, grupos e comunidades para sua melhor integração 
social; 
Art. 23° — O assistente social, profissional liberal, tecnicamente independente 
na execução de seu trabalho, se obriga a prestar contas e seguir diretrizes, 
emanadas do seu chefe hierárquico, observando as normas administrativas 
da entidade que o emprega (CONSELHO..., 1965, p. 7-11).
Destaca-se que o Código de 1965 introduz a noção do assistente social 
enquanto profissional liberal, aparecendo princípios do pluralismo, democracia, 
justiça e moral embasando a prática profissional em todas as suas dimensões. 
Uma década depois são feitas alterações no código e inseridas explicações 
sobre a regulamentação da profissão, organização, importância e papel do 
Estado, além dos requisitos essenciais a serem cumpridos. Fica evidente 
a ação disciplinadora do Estado, sendo conferido a ele o direito de dispor 
sobre a profissão. Os beneficiários do atendimento social são considerados 
“clientes” e permanece a visão da culpabilidade individual das situações 
vivenciadas: “Art. 6º - b- Participar de programas nacionais e internacionais 
destinados à elevação das condições de vida e correção dos desníveis sociais” 
(CONSELHO..., 1975, p. 11).
Resumindo, podemos dizer que as principais diferenças entre os três códigos 
de ética promulgados antes de 1986 foram resultado da trajetória do serviço 
social nesse período. O primeiro código, datado de 1947, traz a forte influência 
da igreja católica. O segundo, de 1965, apresenta pequenos traços de renovação 
dentro da perspectiva conservadora imposta pela burguesia, na tentativa de 
introduzir alguns valores liberais, mas ainda vinculados ao neotomismo e 
funcionalismo. O terceiro código, de 1975, suprimiu algumas deficiências 
do anterior, apresentando-se como uma das expressões de reatualização do 
conservadorismo, em um contexto de lutas entre projetos profissionais que an-
tecederam o III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais, de 1979 (NETTO, 
1991; BARROCO; TERRA, 2012). 
Com o movimento e a proposta de romper com o conservadorismo na 
profissão, foi instituído, em 1986, um novo código de ética profissional. Para 
3Os códigos de ética profissional na história do Serviço Social
Netto (2009), até esse momento não havia sido observado no Serviço Social 
e nos códigos de ética anteriores uma discussão sobre a ética que repercutisse 
elementos significativos para a profissão. Nessa perspectiva, o autor aponta que 
as poucas discussões sobre ética ocorridas até então comprometeram o Código 
de 1986, embora fossem registrados inúmeros avanços, o que fez com que ele 
se tornasse uma referência na história da profissão. Tais avanços ocorreram 
na dimensão política, evidenciando o rompimento com o conservadorismo 
e comprometimento com a classe trabalhadora, mas nas dimensões ética e 
profissional, os avanços foram insuficientes, resultando na necessidade de 
uma revisão em um período curto de tempo (NETTO, 2009).
O referido código apresenta-se como um projeto profissional ligado a um 
projeto de sociedade e está apoiado na tradição marxista que busca consolidar 
uma nova ética, considerando o homem como sujeito portador de autonomia 
e ideias e não simplesmente vulnerável às vontades divinas. Apresenta ainda 
o seu dever de socializar informações, propor a criação de espaços, fortalecer 
demandas e inicia-se o interesse profissional em atuar a favor dos trabalhadores 
(BARROCO; TERRA, 2012).
Netto (2009)complementa ainda que os “limites e unilateralidades” do 
código de 1986 foram superados e o código de ética de 1993 “incorporou tanto 
a acumulação teórica realizada nos últimos vinte anos pelo corpo profissional 
quanto os novos elementos trazidos ao debate ético pela urgência da própria 
revisão”. Esse código foi elaborado embasado na teoria social de Marx e destaca 
o compromisso com valores emancipadores, trazendo como eixos básicos: o 
reconhecimento da liberdade como valor ético central, defesa dos direitos 
humanos e recusa do arbítrio e autoritarismo, ampliação e consolidação da 
cidadania, defesa do aprofundamento da democracia, posicionamento a favor 
da equidade e justiça social e empenho na eliminação de todas as formas de 
preconceito (CONSELHO..., 2012).
Assim, após as breves considerações sobre os códigos de ética, podemos 
inferir que eles nos mostram a evolução dos códigos como resultado do ama-
durecimento da profissão e dos contextos históricos a eles vinculados. 
A conjuntura social, política e econômica do 
Brasil e sua influência no Serviço Social ao 
longo da história da profissão no País
Retomando nossa discussão sobre a história da profissão, voltamos nosso olhar 
para a década de 1930, quando se registra o surgimento do serviço social no 
Os códigos de ética profissional na história do Serviço Social4
Brasil. O País vivia os reflexos da Primeira Guerra Mundial, o surgimento da 
industrialização e a migração das pessoas do campo para as cidades. Nesse 
período de capitalismo em expansão, havia grandes mobilizações da classe 
operária, que exigia um posicionamento do Estado, das classes dominantes e 
da Igreja. A questão social que se evidencia reforça as contradições existentes 
entre as classes sociais, que constituem o modo de produção capitalista. Nesse 
contexto, a profissão surge diretamente ligada à Igreja, por meio do Centro de 
Estudos e Ação Social (CEAS). A atuação do assistente social nesse período 
era baseada nos princípios do neotomismo e positivismo, e caracterizava-se 
por uma ação bem definida que:
[...] restringe-se ao atendimento individual, a partir da concepção de socieda-
de, que caracteriza o indivíduo em condições estruturais de pobreza, como 
pessoa fraca, desajustada e incapaz, que precisa de ajuda especial. Adota-se 
a metodologia de caso, grupo ou comunidade, como formas de implementar 
a intervenção social, sem objetivar, contudo, uma análise na estrutura social. 
A pobreza é expressa estatisticamente, vista sem o estabelecimento de relação 
com a forma de organização social. Embora os assistentes sociais reconheçam 
que as leis de amparo social, existentes para proporcionar respostas à pobreza, 
fossem insuficientes, creditam à falta de educação ou a desvios morais da 
população a incapacidade de prover sua subsistência ou viver nas condições 
observadas (OLIVEIRA; CHAVES, 2017, p. 147).
Vale relembrar que o neotomismo constituiu-se em um pensamento filosófico 
de base teológica e, portanto, baseia-se na “existência de Deus, de uma essência 
humana predeterminada à história e de uma ordem universal eterna e imutável [...]” 
(BARROCO; TERRA, 2012, p. 44). Ainda segundo as autoras, o positivismo, por sua vez, 
estabelece que “[...] as contradições derivadas da desigualdade e da luta de classes 
são ‘disfunções’, concebendo as expressões da questão social como ‘desvios’ de 
conduta moral” (BARROCO; TERRA, 2012, p. 44).
Toda a conjuntura citada até então, tanto no que se refere aos aspectos 
religiosos, que encontram-se na base do surgimento da profissão e na própria 
formação profissional, quanto o sistema econômico e político, bem como as 
características da forte presença do capitalismo influenciaram o desenvolvi-
mento da profissão nas suas primeiras décadas, repercutindo também, como 
vimos, na forma como se instituíram os primeiros códigos de ética. Estes, 
5Os códigos de ética profissional na história do Serviço Social
por sua vez, também marcam uma fase da profissão e defendem um projeto 
societário bastante conservador, em consonância com o contexto social, político 
e econômico da época. 
A passagem para os anos finais das décadas de 1970 e início dos anos 
1980 é marcada por mudanças importantes do ponto de vista político, social 
e econômico do país, consolidadas pelo fim da ditadura militar e por intensa 
luta por parte dos trabalhadores. De acordo com Netto (2009), a resistência e 
oposição à ditadura foram conduzidas no plano legal por burgueses desconten-
tes com a conjuntura vivida e avançou, em profundidade e qualidade, quando 
em meados da década de 1970 a classe trabalhadora se inseriu nesse contexto 
político por meio da mobilização de operários de empresas metalúrgicas do 
ABC Paulista. Foi a partir desse contexto que a ditadura, responsável pela 
modernização conservadora do país, contrária aos interesses da população, e 
muitas vezes, utilizando-se de terrorismo de Estado, foi derrotada e resultou 
na eleição indireta de Tancredo Neves (1985). 
José Paulo Netto (2009) complementa que a até a metade dos anos 1980 a 
sociedade brasileira vivenciou um período de surgimento de demandas demo-
cráticas e populares que estiveram reprimidas durante um grande período de 
tempo. Com isso, segundo o autor, se fortalece a mobilização dos trabalhadores 
urbanos e a sua organização sindical; para os trabalhadores rurais, surge a 
consciência de sua importância e necessidade de organizações representativas; 
surge a participação na vida política de associações de moradores, estudantes, 
mulheres e outros grupos considerados como “minorias”; na vida cultural, 
renasce o protagonismo de setores intelectuais, dentre outros movimentos que 
possibilitaram à sociedade brasileira mudanças sociais e políticas. 
Para o Serviço Social é um momento de fortalecimento da tentativa de 
rompimento com o conservadorismo da profissão e a aproximação com a teoria 
marxista. O momento vivenciado é expresso por Teixeira e Braz (2009, p. 12):
Desde os anos 1970, mais precisamente no final daquela década, o serviço 
social brasileiro vem construindo um projeto profissional comprometido com 
os interesses das classes trabalhadoras. A chegada entre nós dos princípios e 
ideias do Movimento de Reconceituação deflagrado nos diversos países latino-
-americanos somada à voga do processo de redemocratização da sociedade 
brasileira formaram o chão histórico para a transição para um serviço social 
renovado, através de um processo de ruptura teórica, política (inicialmente 
mais político-ideológica do que teórico-filosófica) com os quadrantes do 
tradicionalismo que imperavam entre nós. É sabido que, politicamente, este 
processo teve seu marco no III CBAS, em 1979, na cidade de São Paulo, 
quando, então, de forma organizada, uma vanguarda profissional virou uma 
página na história do serviço social brasileiro ao destituir a mesa de abertura 
Os códigos de ética profissional na história do Serviço Social6
composta por nomes oficiais da ditadura, substituindo-os por nomes advindos 
do movimento dos trabalhadores. Este congresso ficou conhecido como o 
“Congresso da Virada”. 
Foi nesse contexto de luta por uma sociedade mais democrática e que 
repercutiu no universo profissional, que foram geradas as bases para o rom-
pimento com o conservadorismo e abriu-se espaço para a construção de um 
novo projeto profissional (NETTO, 2009).
Comparação entre os códigos de ética e o 
processo de amadurecimento da profissão
Com base no que foi exposto, podemos inferir que os códigos de ética do 
serviço social mantêm relação direta com o momento histórico em que foram 
instituídos e com o movimento da profissão nesses contextos. À medida que a 
profissão foi amadurecendo e reconhecendo sua identidade, surge a necessidade 
de incorporar com mais rigor novos princípios e direcionamentos éticos ao 
agir profissional.
O primeiro código de ética profissional foi elaborado de forma bastante 
resumida e era impregnado de valores ligados à doutrina católica. Nãopossuía 
valor jurídico e tinha como objetivo apenas direcionar a prática profissional 
e oferecer ao serviço social o status de profissão, uma vez que não se tratava 
ainda de uma profissão regulamentada. Além disso, os princípios contidos 
no código refletiam a base da formação profissional, enfatizando uma prática 
voltada para a realização do bem comum, evidenciando a ajuda às pessoas 
desajustadas ou que tinham interesse no desenvolvimento da sua personalidade.
De acordo com Iamamoto e Carvalho (2002), observa-se, nesse período, 
a existência de um projeto teórico que direcionava a intervenção para os di-
versos aspectos da vida do proletariado, considerando a reordenação de toda 
a vida social. Segundo as autoras, com o avanço do capitalismo ampliam-se 
as necessidades que consequentemente repercutem em transformações na via 
social e, nesse sentido, a prática desenvolvida pelo Serviço Social orienta-se 
“[...] para a intervenção na reprodução material do proletariado e para sua 
reprodução enquanto classe. O centro de suas preocupações é a família, base 
da reprodução material e ideológica da força de trabalho” (IAMAMOTO; 
CARVALHO, 2002, p. 218-219).
Comparando o primeiro código com os seguintes, promulgados nos anos 
de 1965 e 1975, podemos concluir que pouco se avançou no que se refere à 
7Os códigos de ética profissional na história do Serviço Social
preocupação com princípios éticos e mudanças nos rumos da profissão, uma 
vez que ainda se vivia um período marcado pelo tradicionalismo, presença 
da igreja católica, ditadura militar e forte papel do Estado na sociedade. De 
acordo com Barroco (2006), a ditadura militar favoreceu o conservadorismo e 
o princípio da liberdade manteve-se similar ao encontrado no primeiro código, 
assim como os valores cristãos e a proposta de manter a ordem na sociedade 
capitalista, com atenção para a correção dos desajustes sociais.
Mudanças significativas somente passam a acontecer com o código de 
1986, considerando a influência do Movimento de Reconceitualização Latino-
-Americano e a perspectiva de renovação do Serviço Social no Brasil. Tais 
movimentos, aliados ao contexto social e político, proporcionaram as bases 
para o rompimento com o tradicionalismo e conservadorismo profissional 
vividos até então. 
Sobre o Movimento de Reconceitualização Latino-Americano, vale desta-
car que teve início nos anos 1960, cujo cenário político foi permeado por um 
esgotamento de um padrão de desenvolvimento capitalista, proporcionando 
“[...] um quadro favorável para mobilização das classes sociais subalternas 
em defesa dos seus interesses imediatos” (NETTO, 2011, p. 143). Além disso, 
pode ser considerado um marco dentro do processo de renovação do serviço 
social “tradicional” e, de acordo com Iamamoto (2001, p. 207), caracterizou-
-se pela “[...] busca da construção de um novo serviço social [...], aturado de 
historicidade, que apostasse na criação de novas formas de sociabilidade a 
partir do próprio protagonismo dos sujeitos coletivos”. Em outras palavras, 
pode-se afirmar que nesse momento histórico a profissão começa a viver 
inquietações e insatisfações, questionamentos com relação à herança con-
servadora do serviço social tradicional através de um amplo movimento, em 
diferentes níveis: teórico, metodológico, operativo e político e, de acordo com 
José Paulo Netto, iniciava um movimento de aperfeiçoamento conceitual do 
serviço social.
Ainda de acordo com Netto (2011), depois da reconceitualização, o pen-
samento baseado no marxismo deixou de ser estranho ao Serviço Social, 
após percorrer uma longa trajetória. Iamamoto (2011) relata que nos marcos 
da década de 1970, a aproximação da profissão com a teoria crítico-dialética 
significou um processo de ruptura com o tradicionalismo profissional, e um 
reducionismo na análise de seu universo teórico.
Assim, após breves considerações, cabe enfatizar o quanto tais movimentos 
e aproximação com a teoria marxista foram importantes para o amadurecimento 
da profissão, até culminar com a elaboração do código de ética de 1986.
Nas palavras de Barroco e Terra (2012, p. 48):
Os códigos de ética profissional na história do Serviço Social8
O conjunto das conquistas efetivadas no CE de 1986 pode assim ser resumido: 
o rompimento com a pretensa perspectiva “imparcial” dos códigos anteriores; 
o desvelamento do caráter político da intervenção ética; a explicitação do ca-
ráter de classe dos usuários, antes dissolvidos no conceito abstrato de “pessoa 
humana”; a negação de valores a históricos; a recusa do compromisso velado 
ou explícito com o poder instituído. A partir de 1986, o CE passa a se dirigir 
explicitamente ao compromisso profissional com a realização dos direitos e 
das necessidades dos usuários, entendidos em sua inserção de classe. Como se 
percebe, são conquistas políticas inestimáveis, sem as quais não seria possível 
alcançar o desenvolvimento verificado nos anos 1990.
Embora possa ser considerado como um marco para o Serviço Social, 
o código de ética de 1986, na visão de autores como Netto (2009), ainda 
apresentou falhas no que se refere à incorporação de valores éticos, o que fez 
com que fosse revisto em um período breve de tempo. Tais aspectos, portanto, 
resultaram na revisão do código e na instituição de outro, o de 1993, que:
[...] ao estabelecer as mediações entre os projetos societários e profissionais, 
ofereceu respostas objetivas ao exercício profissional, explicitando a relação 
entre valores essenciais e as suas formas de objetivação no âmbito das insti-
tuições, nos limites da sociedade burguesa, partindo do pressuposto que elas 
não se esgotam em si mesmas: devem ser realizados na perspectiva do seu 
alargamento, com a consciência crítica de seus impedimentos, na direção do 
fortalecimento das necessidades dos usuários, tratados em sua inserção de 
classe (BARROCO; TERRA, 2012, p. 60).
Sobre a revisão do código de 1986, o Conselho Federal de Serviço Social 
(2012) se posiciona analisando-a a partir de dois níveis. O primeiro deles, de 
reafirmação dos valores fundamentais – liberdade e justiça social, em que a 
democracia é considerada como valor ético-político essencial, uma vez que 
é o único meio de organização político-social que pode assegurar os valores 
de liberdade e equidade. E, ainda, considera-se que somente a democracia é 
capaz de fornecer elementos necessários para superar os limites impostos pela 
ordem burguesa e que dificultam o pleno exercício da cidadania, dos direitos 
individuais e sociais, autonomia e autogestão. O segundo deles, referia-se à 
normatização do exercício profissional:
[...] de modo a permitir que aqueles valores sejam retraduzidos no relacio-
namento entre assistentes sociais, instituições/organizações e população, 
preservando-se os direitos e deveres profissionais, a qualidade dos serviços 
e a responsabilidade diante do/a usuário/a (CONSELHO..., 2012, p. 21).
9Os códigos de ética profissional na história do Serviço Social
Concluímos que os códigos de ética foram sendo reformulados conforme 
as necessidades surgidas no contexto histórico e da própria evolução da 
profissão. Muito se acrescentou quando comparamos o primeiro e o último 
código, resultado da evolução e amadurecimento da profissão no decorrer 
do tempo.
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Os códigos de ética profissional na história do Serviço Social10
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11Os códigos de ética profissional na história do Serviço Social
http://www.scielo.br/pdf/
http://www.abepss.org.br/arquivos/anexos/
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/
http://www.cress-es.org.br/site/images/art_mar-
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