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Insulinoterapia Tipos de insulina Insulina humana: polipeptídeo com 2 cadeias de aminoácidos, 1 alfa e 1 beta, ligadas por pontes de sulfeto. Extensão e duração de ação de vários tipos de insulina, conforme indicado pelas taxas de infusão de glicose (mg/kg/min) necessárias para se manter uma concentração constante de glicose. As ações duram o indicado para uma dose média de 0,2 a 0,3 U/kg. A duração da insulina regular e da NPH aumenta consideravelmente quando se aumenta a dose. Preparações de insulina Insulina de ação ultra-rápida (lispro): insulina monomérica produzida por tecnologia recombinante em que a prolina e a lisina tem suas posições invertidas. Obtém-se uma insulina cujo início de ação é mais rápido e a duração mais curta do que a insulina humana regular, isso permite que seja aplicada antes ou após as refeições. Indicada em situações emergenciais, antes ou após refeições Insulina de ação rápida (regular): produzida por tecnologia de DNA recombinante e igual a insulina humana. Uma injeção deve ser acompanhada de uma refeição ou lanche contendo carboidratos dentro de 30 minutos. É indicada nos casos de diabetes descompensada, choque e infecções. Minutos antes da refeição. Insulina de ação intermediária: insulina NPH, início de ação retardado por ser combinada com protamina. Após administração por via subcutânea, as enzimas proteolíticas degrdam a protamina, permitindo a absorção da insulina. Efeito máximo de 4-12 horas, duração de 24 horas, aplicação pela manhã antes do café e a noite antes do jantar ou ao deitar. Não é indicada em ceto-acidose ou situações emergenciais. Insulina de ação longa: - insulina ultra-lenta (insulina zínquica estendida); associada com acetato de zinco, dificultando a absorção da insulina, promovendo maior tempo de ação Glargina: ponto isoelétrico menor que a insulina humana, levando à precipitação no local da injeção, o que prolonga sua ação. Administrada no tecido subcutâneo, tem pH muito inferior, fazendo com que ela precipite formando depósitos de insulina que serão degradados aos poucos → absorvidos lentamente pela corrente sanguínea. Insulina pré-mistura: combinação de insulina rápida e de ação intermediária em proporções padrão. A proporção de 30% de insulina rápida para 70% de insulina de ação intermediária é a mais utilizada. Esquemas de tratamento para reposição de insulina Efeitos adversos Hipoglicemia - Suor frio, palidez, nervosismo ou tremor, ansiedade, cansaço ou fraqueza incomum, confusão, dificuldade de concentração, sonolência, fome excessiva, alteração temporária da visão, dor de cabeça, náusea e palpitação. Edema de extremidades Reações de hipersensibilidade local ou generalizada. Lipodistrofia pode ocorrer no local de aplicação das injeções como uma consequência da aplicação frequente das injeções no mesmo local. Material necessário: Agulhas: A aplicação com agulhas mais curtas está especialmente recomendada para crianças e adolescentes, além de adultos com IMC< 25 kg/m2. Canetas e seringas: Doses muito baixas de insulina (ou crianças): canetas que apresentam graduação de 0,5U. Demais, seringas de 30 U ou 50 U, graduadas em 0,5U ou 1U. Perfil do tempo de ação pós-absorção INSULINOTERAPIA PARA PESSOAS COM DM1 Contém 51 aminoácidos dispostos em duas cadeias (A e B) unidas por pontes de dissulfeto. As preparações de insulina comerciais diferem em diversos aspectos, como diferenças nas técnicas de produção por DNA recombinante, sequência de aminoácidos, concentração, solubilidade e tempo de início e duração de sua ação biológica. Insulina sérica fisiológica média de 24 horas e níveis de glicose plasmática em indivíduos não diabéticos. Insulina humana: DNA recombinante Insulina análoga: alterações na cadeia de a.a. para melhoria no tempo de ação (maior meia vida) Iniciar o tratamento com insulina imediatamente após o diagnóstico clínico, para prevenir a descompensação metabólica e a cetoacidose diabética. Estratégia de reposição mimetizar a secreção fisiológica. Necessidades diárias no DM1: 0,4 U/kg/dia a 1,0 U/kg/dia. 50% da secreção como componente basal, ao longo de todo o dia insulinas basais múltiplas doses (MDI) ou infusão contínua (SICI). 50% restantes como componente prandial, em resposta às refeições preferentemente análogos de rápida ou ultrarrápida ação, com MDI ou SICI. Insulina é um polipeptídeo: degradada no TGI se for administrada por via oral → deve ser administrada por via subcutânea. Em uma emergência hiperglicêmica, a insulina regular é injetada por via IV. Liberação de insulina A insulina é liberada em 2 fases: 1. Bôlus (grande quantidade de insulina liberada em pouco tempo): estimulada por glicose, aminoácidos, fármacos hipoglicemiantes (sulfonilureia), glucagon, hormônios gastrointestinais (incretinas); isso libera a insulina estocada nas células beta. Fase II: liberação lenta; quantidade de insulina liberada é menor → insulina basal; formação de um platô. Tratamento do diabetes tipo I busca simular esse gráfico Hipoglicemiantes orais Ação dependente da integridade das células beta do pâncreas. Drogas que só tem indicação no diabetes tipo II (não insulina dependente) Sulfonilureias Aumentam a secreção de insulina (secretagogos) Secretagogos = liberação de insulina das células β do pâncreas. Estimulam as células beta a produzirem mais insulina. Conforme aumentam as gerações, aumenta a potência relativa de estimular as células beta. Bloqueia canais de potássio, impedindo que ele saia → despolarização → abertura de canais de cálcio → liberação de insulina. As sulfonilureias de uso corrente são as de segunda geração (>potência): Glibenclamida (insuficiência renal: aumentar a duração de ação e aumentar significativamente o risco de hipoglicemia, pouco atravessa a placenta e pode ser uma alternativa à insulina em gestantes) Glipizida (seguras na presença de disfunção renal e em pacientes idosos) Glimepirida (seguras na presença de disfunção renal e em pacientes idosos) Efeitos adversos e toxicidade: Interações medicamentosas: Beta-bloqueadores diminuem a liberação de insulina: efeitos se anularão Biguanidas - não aumentam a secreção de insulina Metformina: Glifage e Glifage XR, (euglicêmico). Diminuem a gliconeogênese → redução da síntese de glicose e glicemia Aumentam a utilização de glicose pelo aumento do metabolismo anaeróbico Reduzem a absorção intestinal da glicose Mecanismo de ação: aumenta a captação de glicose pelo músculo esquelético Ativação da enzima AMPK (adenosina monofosfato proteína cinase) essencial para o metabolismo de carboidratos e lipídeos → geralmente ativada pelo AMP, subproduto do ATP → baixa quantidade de ATP na célula). Sua ativação aumenta a captação da glicose hepática, síntese de glicogênio, redução da síntese de lipídeos usados para produzir glicose, redução da gliconeogênese. Biguanidas aumentam a atividade da AMPK mesmo que as concentrações de ATP estejam normais. Pode ser utilizada para emagrecimento pela redução da síntese de lipídeos. metformina captada pelo transportador de cátions orgânicos Contra-indicações: Cinética Administrado V.O, doses divididas com as refeições, ou como uma formulação de liberação prolongada (Glifage XR ®) que geralmente é administrada uma vez ao dia com a refeição da noite. Não se liga a proteínas séricas e não sofre biotransformação. Meia vida: 1,5 a 3h. Excreção 100% renal. Inibição da gliconeogênese bloqueando a piruvato carboxilase = acúmulo de lactato. Efeitos adversos: acidose lática, TGI (diarreia, náusea, vômitos, inchaço abdominal, flatulênica, redução do aptite), deficiência de vitamina B12. Uso “off-label” em obesos com DM1 adjuvante à insulina para reduzir o peso e controlar melhor os níveis de hemoglobina A1C Tratamento pré-diabetes: 1° linha de tratamento A modificação do estilo de vida, incluindo redução do peso com dieta saudável e aumento da atividade física, é RECOMENDADA para a prevenção do diabetes tipo 2 para todas as pessoas com pré-diabetes. Uso em casos de: Idade < 60 anos IMC > 35 kg/m2 Históriade diabetes gestacional Síndrome metabólica, com hipertensão Glicemia de jejum > 110 mg/dL Considerar metformina: Pacientes em uso de metformina apresentam risco aumentado para deficiência de Vitamina B12, devendo suas dosagens serem avaliadas periodicamente, e tratadas se necessário. Contra-indicações: doença renal (acúmulo de metformina), infecção grave, disfunção cardiopulmonar crônica (insuficiência cardíaca congestiva, enfisema) - condições que predispõem os pacientes à anóxia tecidual, o que aumenta o risco de acidose lática. Tiazolidinedionas (glitazonas) não aumentam a secreção de insulina As tiazolidinadionas são sensibilizadoras à insulina: pioglitazona e rosiglitazona. Mecanismo de ação: Menor resistência à insulina → agonistas para o receptor γ ativado por proliferador peroxissoma (PPARγ), um receptor hormonal nuclear. Ativação do PPARγ > transcrição de genes responsivos à insulina, resultando em aumento da sensibilidade à insulina no tecido adiposo, no fígado (reduz gliconeogênese) e no músculo esquelético. Esses fármacos ligam-se ao PPARgama que ativa genes em resposta à insulina. Dessa forma, o PPARgama reage em resposta aos fármacos. Efeitos adversos: Farmacocinética e destino: Bem absorvidas V.O. Ligam-se à albumina sérica, biotransformação por CYP450. Metabólitos são inativos. Pioglitazona: excretada na bile e eliminada com as fezes. Rosiglitazona: excretados na urina. Troglitazona: Removido devido à causar dano hepático severo. Não é necessário ajuste de dosagem na insuficiência renal. Estes fármacos devem ser evitados em lactantes. Retenção de líquido vs. insuficiência cardíaca. Agentes que não aumentam a secreção de insulina: Inibidores da alfa glicosidase Na borda em escova há alfa-glicosidases que quebram polissacarídeos para que os monossacarídeos sejam absorvidos. Os inibidores reduzem a digestão de polissacarídeos que não são absorvidos. No entanto, inibem a digestão apenas na metade proximal do intestino delgado. Assim, apenas retarda a absorção, o que pode dar tempo de a glicose em excesso ser metabolizada. Acarbose, voglibose e miglitol são fármacos usados por via oral no tratamento do DM2 em pacientes suscetíveis à hipoglicemia ou acidose lática - intolerantes à sulfonilureias e biguanida. Mecanismo de ação: Reduzem hiperglicemia pós-prandial inibindo irreversivelmente (inibição competitiva) as enzimas alfa-glicosidases que hidrolisam carboidratos. Cinética: Acarbose pouco absorvida, biotransformada por bactérias intestinais, metabólitos são absorvidos e excretados na urina. Miglitol é muito bem absorvido, mas não tem efeitos sistêmicos. Ele é excretado inalterado pelos rins. Efeitos adversos: TGI - flatulência 78% (degradação de carboidratos não digeridos pelas bactérias no cólon, causando excesso de formação de gás. Inibidores da DDP4 aumentam a secreção de insulina dependente de glicose e diminuem a secreção de glucagon Incretinas estimulam as células beta pancreáticas a aumentarem a liberação de insulina e modula a secreção de glucagon (redução). Incretinas são degradadas pela DDP4. Glicose estimula o TGI a produzir as incretinas (fator estimulador das células beta) Depuração renal, com necessidade de ajuste da dose se a depuração da creatinina <30 ml/min. Não devem ser usados como substitutos da insulina basal, pois isso pode resultar em piora dos níveis glicêmicos. Mecanismo de ação: ao inibir a protease dipeptidil dipeptidase (DDP4), impede a degradação da incretina GLP1. O prolongamento da atividade dos hormônios incretina aumenta a liberação de insulina em resposta às refeições e a redução na secreção de glucagon. Farmacocinética e destino: Bem absorvidos V.O mesmo com alimentos. Biotransformação hepática. Alogliptina, saxagliptina e sitagliptina: excretadas inalteradas na urina. Linagliptina: eliminação enteroepática, única que não exige ajuste da dosagem na disfunção renal. Efeitos adversos: nasofaringite, cefaleia, pancreatite. Inibidores potentes da CYP3A4/5, como ritonavir, atazanavir, itraconazol e claritromicina, podem aumentar a concentração de saxagliptina. Alogliptina (Nesina), linagliptina (Tragenta), saxagliptina (Onglyza) e sitagliptina (Januvia). VANTAGENS: Pode ser usado em combinação com outros hipoglicemiantes (metformina, tiazolidinadionas e inulina). Baixo risco de hipoglicemia pois não atua no jejum. Pode ser usado em pacientes com dano hepático. Análogos da GLP1 aumentam a secreção de insulina dependente de glicose e diminuem a secreção de glucagon Byetta - Curta duração: efeito inibitório sobre o esvaziamento gástrico, reduzindo a glicose pós-prandial. Bydureon - Longa duração (desenvolvimento de tolerância do tônus simpático): reduz glicemia de jejum aumentando a liberação de insulina e reduzindo glucagon. Farmacocinética Byetta: via S.C., 60 minutos antes da refeição, com pico de concentração em 2 horas, ação por 10h. Indicação: DM2 com exacerbada hiperglicemia pós-prandial e para administração com terapia de insulina basal. Supressão de apetite. Bydureon: via S.C., liberação lenta, dose semanal. Indicação: DM2 com hiperglicemia em jejum. Supressão de apetite. Derivados do ácido benzoico - análogos da meglitinidas - não sulfonilureias Aumentam a secreção de insulina (secretagogos) Mecanismo parecido com sulfonilureias, porque inibe o transportador de potássio, impedindo sua saída → despolarização → entrada de cálcio → liberação de insulina. O que diferencia é o tempo de meia vida, visto que esses fármacos têm o tempo de meia vida menor, de modo que apresentam potenciais menores de causar hipoglicemia. Não associar com sulfonilureias: risco > de hipoglicemia. Resumo hipoglicemiantes orais Agentes que promovem a glicosúria: Inibidores da SGLT2 Cotransportadores de sódio e glicose (SGLT): são proteínas de membrana para transporte na borda em escova do túbulo proximal Mecanismo de ação: Inibição seletiva do SGLT, reduzindo a reabsorção de glicose no túbulo proximal, e aumentando a excreção de glicose (diurese osmótica). Melhoram a glicemia sem afetar a liberação de insulina, sem risco de hipoglicemia. Diminui a reabsorção do sódio e causa diurese osmótica. Canagliflozina (Invokana®), Dapagliflozina (Farxiga®) Empagliflozina (Jardiance®) Farmacocinética e destino: V.O uma vez ao dia, de manhã. Canagliflozina: antes da primeira refeição do dia. Biotransformados por glicuronidação a metabólitos inativos. Via primária de excreção: fezes, cerca de um terço é eliminado por via renal. EFEITOS ADVERSOS Infecções fúngicas genitais em mulheres (p. ex., candidíase vulvovaginal), infecções do trato urinário urinária em homens e mulheres. Hipotensão: pacientes idosos ou sob tratamento com diuréticos. Reabsorção óssea aumentada.. Outros efeitos benéficos Outros efeitos benéficos:: Perda de peso. Redução da PA: diurese e depleção de volume, inibição do sistema renina-angiotensina. Lipídios: modesto aumento do HDL e redução do LDL. Benefícios cardiovasculares: pacientes com DM2 + ateromatose = redução da mortalidade cardiovascular. Tratamento farmacológico diabetes mellitus II Casos clínicos Caso 1 - DM2 Um empresário obeso de 46 anos (índice de massa corporal - 32 kg/m 2) com hipertensão essencial e diabetes mellitus tipo 2 (DM2) de 8 anos de duração apresentou controle glicêmico pobre (hemoglobina glicada [HbA1c] - 9,4%) . Ele estava em dosagem máxima de metformina e sulfonilureias e tem seguido sua dieta e cronograma de exercícios com rigidez. Qual classe de antidiabético oral seria mais adequado para fornecer controle glicêmico eficaz, perda de peso e proteção cardiovascular? O paciente gostaria de saber os efeitos colaterais desses medicamentos no trato urinário. Quais medidas ele poderia seguir para preveni-los? Tendo em vista a obesidade subjacente e o uso de doses máximas de duas classes de antidiabéticos orais, este paciente se beneficiará da adição de inibidores do cotransportador de sódio-glicose-2 (ISGLT-2). Estes não são apenas eficazes em termos de controle glicêmico e perda depeso, mas também terá benefícios adicionais no controle da pressão arterial e proteção cardiovascular. Os principais efeitos adversos sobre os quais esse paciente deve ser informado incluem a possibilidade de infecções simples do trato urinário. Para prevenir infecções recorrentes do trato urinário, ele deve ser aconselhado a consumir líquidos adequados, garantir a micção em intervalos regulares e manter uma boa higiene pessoal. Caso 2 - DM2 Uma mulher de 67 anos na pós-menopausa foi diagnosticada com DM2 há 4 anos e está atualmente em dosagem máxima tolerada de metformina. Seus níveis glicêmicos nas últimas semanas não foram bem controlados apenas com metformina e precisa de sugestão para um agente antidiabético oral adicional. A única outra comorbidade que ela tinha estava relacionada à osteoporose. Teve uma fratura por fragilidade recentemente e está tomando cálcio, vitamina D e bisfosfonatos para prevenção de novas fraturas. Ela é uma mulher magra e de aparência frágil que fica sozinha em um apartamento e administra suas outras atividades diárias sozinha. Quais agentes antidiabéticos orais serão mais adequados para ela em sua situação atual? Uma mulher idosa que fica sozinha (risco de quedas) com osteoporose grave (com fratura por fragilidade) justificaria um medicamento que não causa hipoglicemia, não afeta o metabolismo dos ossos e também é neutro em termos de peso. Entre os medicamentos disponíveis com baixa propensão hipoglicêmica estão a metformina, a pioglitazona e os inibidores de SGLT2. Destes, os inibidores de pioglitazona e SGLT2 não são ideais para ela, pois demonstraram piorar a osteoporose. As sulfonilureias são muito potentes e pode não ser aconselhável o uso em uma mulher idosa que fica sozinha devido ao possível risco de hipoglicemia grave. A melhor opção no caso dela seriam os inibidores da dipeptidil peptidase-4 (DPP4). Caso 3 - DM1 Um estudante do sexo masculino, 14 anos de idade, é portador de diabetes tipo 1, há 5 anos. Está em uso de insulina regular (3 vezes ao dia) e insulina NPH na hora de dormir. Retorna para acompanhamento médico. Refere que há duas semanas teve quadro de hipoglicemia na madrugada, para o qual foi tratado sintomaticamente na UPA. Não foi feito ajuste da insulinoterapia. Desde então diz que “mal percebe” passar mal à noite. Queixa-se de ter que esperar 30 minutos para almoçar após a insulina regular, pois atrapalha as atividades escolares. Os exames mostraram níveis glicêmicos em jejum e pós-prandiais consistentemente altos, apesar do jovem estar aderente ao tratamento. Qual das insulinas em uso é basal e qual é prandial? Classifique-as quanto ao início de sua ação, pico e tempo de duração. Qual insulina “sem pico” poderia ser utilizada para manejar o quadro de hipoglicemia noturna? Qual insulina poderia substituir uma das em uso, para melhorar a relação tempo de aplicação x hora a refeição do paciente? Este paciente provavelmente tem o efeito Somogyi devido à hipoglicemia na madrugada, seguida de hiperglicemia em jejum. Também desenvolveu inconsciência hipoglicêmica devido a eventos hipoglicêmicos recorrentes. Seria aconselhável trocar a NPH – basal, intermediária, de início lento e ação longa, que pode levar à hipoglicemia da meia-noite durante seu efeito de pico, para um análogo de insulina de ação prolongada com perfil sem pico, como glargina. Os análogos de insulina de ação ultra-rápida podem ser usados antes da refeição em vez de insulina regular – prandial, início rápido (30min a 60min) e ação curta (5h a 8h), com pico em 2h a 3h, pois podem ser tomados 15 minutos antes ou imediatamente após as refeições. Aconselhamento dietético e lanche na hora de dormir também é um aspecto importante do manejo para prevenir a hipoglicemia nesse paciente.